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Numero do processo: 19515.720510/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Caio Alexandre Taniguchi Marques. OAB: 242.279/SP.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Caio Alexandre Taniguchi Marques. OAB: 242.279/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano Gonzales Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 51 0/ 20 11 -9 6 Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.720510/201196 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.334 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório e Voto: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). Cuida o presente de lançamentos, que foram muito bem apresentados pelo Acórdão a quo: 1. O presente processo administrativo é constituído por oito Autos de Infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos a contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração paga a empregados e contribuintes individuais, nas competências 01/2006 e 13/2006, constantes n a Folha de Pagamento, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria, a saber: • DEBCAD nº 37.309.0382 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da emp resa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I e II , da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 97.811,07 (noventa e sete mil, oitocentos e onze reais e sete centavos), consolidado em 29/06/2011; • DEBCAD nº 37.309.0374 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição dos segurados empregados, não descontada pela empresa, incidente sobre a remuneração paga aos empr egados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 20.317,94 (quatrocentos e cinqüenta e cinco mil novecentos e vinte e um reais e sessenta e seios centavos), consolidado em 29/06/2011; • DEBCAD nº 37.309.0366 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (INCRA e SEBRAE)., incidentes sobre a remuneração paga aos empregados O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 3.399,22 (três mil trezentos e noventa e nove reais e vinte e dois centavos) consolidado em 29/06/2011 • DEBCAD nº 37.309.0340 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição dos segurados não descontada pela empresa, incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. O crédito corresponde ao montante, incluindo juro s e multa, de R$ 8.360,61 (oito mil trezentos e sessenta reais e sessenta e um centavos), consolidado em 29/06/2011; • DEBCAD nº 37.309.0358 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição devida à Seguridade Social: parte Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.720510/201196 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.334 S2C3T1 Fl. 4 3 da empresa, prevista no art. 22, inciso III , da Lei 8.212/91, incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 59.248,2 3 (cinqüenta e nove mil duzentos e quarenta e oito reais e vinte e três centav os), consolidado em 29/06/2011 DEBCAD nº 37.309.0447 (AIOA CFL68), por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos gerado res de todas as contribuições previdenciárias. A descrição da infração e o discriminativo de cálculo da multa, relacionados aos subitens acima, constam do ANEXO 1 e 2 do Relatório Fiscal. O crédito corresponde ao montante de R$ 266.624,75 (duze ntos e sessenta e seis mil seiscentos e vinte e quatro reais e setenta e cinco ce ntavos). DEBCAD nº 37.309.0331 (AIOA CFL 22), por apresentar a empresa, que utiliza arquivos e sistemas das informações em meio digital c orrespondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção Vide ANEXO 3 do Rela tório Fiscal. O crédito corresponde ao montante de R$ 16.800,22 (dezesseis mil oitocentos reais e vinte e dois centavos). DEBCAD nº 37.309.0315 (AIOA CFL 59), por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. Vide ANEXO 4 do Relatório Fiscal . O crédito corresponde ao montante de R$ 1.523,57 (mil quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos). (...) 1.2. Para os lançamentos dos créditos tributários foram utilizados os seguintes códigos de levantamento: a) Levantamento EM: remuneração a segurado empregado reconhecida, pela empresa como base d e calculo de Contribuições Previdenciárias em folha de pagamentos, mas não declarada em GFIP. Fatos geradores e bases de calculo no ANEXO A, do Relatório Fiscal. b) Levantamento CI: remuneração a segurado contribuinte individual, reconhecida pela empresa como base de calculo de Contribuições Previdenciárias em folha de pagamentos, mas não declarada em GFIP. Fatos geradores e bases de calculo no ANEXO B do Relatório Fiscal. Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.720510/201196 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.334 S2C3T1 Fl. 5 4 Após tomar ciência postal da autuação em 30/06/2011, fls. 1161, a recorrente apresentou impugnação, fls. 1164/1362, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 14ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 1384/1397, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 17/01/2012, fls. 1399. O recurso voluntário, apresentado em 14/02/2012, fls. 1408/1420, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta ter ocorrido ilegalidade na fixação das multas, por conta da aplicação equivocada do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Insiste que juntou planilhas na ocasião de sua impugnação que não foram apreciadas e que demonstrariam que não existiriam débitos, citando exemplos de 01 e 13/2006, fls. 1418. Reclama da Representação Fiscal para Fins Penais (RFPFP) por entender não haver motivação para sua existência. Iniciando a análise, verificamos que o tratamento dado pelo Acórdão a quo aos documentos juntados pela então impugnante pode deixar dúvidas quanto ao exercício da ampla defesa, uma vez que aquele decisório apenas informou que os documentos nada acrescentavam, sem ouvir a autoridade fiscal.m Ademais, a apreciação feita pela decisão de primeira instância levou em conta acesso a sistemas da SRF que não estão disponíveis para o Colegiado. Portanto, não temos meios para avaliar se as conclusões daquele Acórdão afastam ou não os argumentos da recorrente. Assim, nossa posição é por pedir uma apreciação da autoridade fiscal das provas apresentadas juntamente com a impugnação para que possamos chegar à conclusão quanto à influência destas em nosso convencimento. Logo, votamos pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal aprecie os documentos juntados no momento da impugnação e manifestese sobre a influência destes nas presentes autuações. Após cumprida a diligência, a recorrente deve ser intimada a apresentar aditamento de seu recurso no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. Concluídas tais providências, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000525/2005-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DEDUÇÕES. GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada.
Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada.
NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. O CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam, sempre,
a reapreciação de questões postas ao juízo de primeiro grau. O pedido para reconhecimento de benefício fiscal deve ser apresentado à repartição competente para análise do pedido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da despesa com instrução do ano- calendário de 2002, no montante de R$410,00.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DEDUÇÕES. GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. O CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam, sempre, a reapreciação de questões postas ao juízo de primeiro grau. O pedido para reconhecimento de benefício fiscal deve ser apresentado à repartição competente para análise do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte
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GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora glosar total ou parcialmente a despesa não comprovada. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. O CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam, sempre, a reapreciação de questões postas ao juízo de primeiro grau. O pedido para reconhecimento de benefício fiscal deve ser apresentado à repartição competente para análise do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da despesa com instrução do ano calendário de 2002, no montante de R$410,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1016.472 4a Turma da DRJ Porto Alegre (fl. 286), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a exigência do imposto suplementar decorrente das glosas de médicas e de instrução, relativos aos exercícios de 2001 a 2003, consoante descrição dos fatos no auto de infração às fls. 06/08. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF o recorrente inicialmente requer o restabelecimento das despesas de instrução relativos aos valores pagos à Caixa Econômica Federal, a titulo de crédito educativo; que seja considerado o pagamento efetuado com a GEAP — Fundação de Seguridade Social descontados no contracheque, que não confere com o montante informado pelo INSS no comprovante para fins de declaração de imposto de renda; quanto ao pagamento para à Unimed e aos médicos Sr. Jairo Airton Guarienti e Sr. Fausto Alberto Finge Filho, não foi analisada a declaração de imposto de renda deles, pois se assim tivesse feito, a fiscalização comprovaria o recebimento de tais valores. Por fim, aduz que no exame do caso a 4ª Turma de Julgamento não analisou e não se pronunciou acerca dos comprovantes juntados aos autos, relativo aos valores pagos a Fundação Universidade de Caxias do Sul, no anocalendário de 2002. Ao final, requer que a reforma integral da decisão recorrida e também seja aplicado o contido no art. 20, da Lei n.° 10.522, de 2002, ou seja, o arquivamento da presente cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em relação à despesa com instrução incorrida com a Universidade de Caxias do Sul, o contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2003, ano calendário de 2002, o montante de R$492,00 (fl. 23). Contudo, juntamente com a impugnação ao lançamento o contribuinte apresentou o documento à fl. (fl. 284), que comprova o montante Fl. 300DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11020.000525/200546 Acórdão n.º 210101.795 S2C1T1 Fl. 2 3 de R$410,00. Ns termos do artigo 59, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, restabeleço a parte comprovada da despesa com instrução. No que tange às quantias pagas à Caixa Econômica Federal, a titulo de crédito educativo, não procede a alegação do recorrente, no sentido de que tais valores seriam dedutíveis como despesa com instrução. Com efeito, nos termos do artigo 8º, inciso II, “b”, da Lei nº 9.250, de 1995, na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Durante o período em que o contribuinte ou seu dependente estiver freqüentando um dos cursos que a legislação permite a dedução, poderão ser deduzidos os pagamentos das mensalidades à instituição educacional, independentemente de terem sido efetuadas com recursos próprios ou com recursos financiados pela Caixa Econômica Federal, através do programa de crédito educativo. O crédito educativo caracterizase como empréstimo oneroso, com "ônus” e encargos próprios desses contratos. Tratase de uma operação financeira, estando correta a glosa da despesa com instrução relacionada aos pagamentos efetuados à Caixa Econômica Federal. Relativamente a glosa das despesas médicas, o contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamento, consoante dispõe o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, razão pela qual devem ser mantidas as glosas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, Fl. 301DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos acrescidos) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Com efeito, com exceção do pagamento das mensalidades e participação em consultas etc, relacionadas ao plano de saúde GEAP – Fundação de Seguridade Social, consideradas no lançamento pelo seu montante comprovado (descrição dos fatos às fls. 06/08), em consonância com os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto Retido na Fonte expedidos pelo INSS e contracheques nos autos, não foram apresentados comprovantes das demais despesas médicas. Não cabe à fiscalização consultar os beneficiários dos pagamentos para confirmar as despesas pleiteadas pelo contribuinte em sua DIRPF. Por fim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam sempre a reapreciação de questões postas ao juízo das Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Neste diapasão tem se manifestado a Jurisprudência administrativa. Confirase: PRECLUSÃO Matéria não argüida na impugnação quando se estabelece o litígio e vem a ser demandada apenas na petição recursal, constitui matéria preclusa da qual não toma conhecimento em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. (Recurso nº 012959, 2ª Câmara, Processo nº 10580.005843/93 91, Sessão de 14/05/98, Relator José Clóvis Alves, Acórdão nº 10243008, por unanimidade). Ao discorrerem sobre e tema o ilustre Dr. Marcos Vinicius Neder e Dra. Maria Teresa Martinez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – Dialética – 2002, afirmam: Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa e às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre em relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. (grifei) Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau.(grifei) O lançamento em exame referese, tãosomente, a glosas de deduções pleiteadas pelo contribuinte em suas DIRPF dos exercício de 2001 a 2003. A remissão de que trata o artigo 20 da Lei n° 10.522, de 19/07/2002, ou outra que lhe seja posterior, é matéria estranha não só aos autos, mas também à própria apuração do imposto de renda. O pedido para reconhecimento do referido benefício fiscal deve ser apresentado à repartição competente para análise do pedido e decisão. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11020.000525/200546 Acórdão n.º 210101.795 S2C1T1 Fl. 3 5 Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da despesa com instrução do anocalendário de 2002, no montante de R$410,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 303DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13629.001841/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. Não tendo o contribuinte apresentado os recibos das despesas, deve ser mantida a glosa.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do
pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.384
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima (relator) e Giovanni Christian Nunes Campos que davam PARCIAL provimento apenas para serem restabelecidas as deduções das despesas com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira
Chaves, no valor de R$ 4.080,00, durante o ano-calendário 2004. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. Não tendo o contribuinte apresentado os recibos das despesas, deve ser mantida a glosa. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima (relator) e Giovanni Christian Nunes Campos que davam PARCIAL provimento apenas para serem restabelecidas as deduções das despesas com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, no valor de R$ 4.080,00, durante o anocalendário 2004. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 154 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Redatora designada EDITADO EM: 22/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relatório Cuidase de recurso voluntário de fl. 150, interposto contra decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, de fls. 139 a 146, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 02 a 09, relativo aos anoscalendário 2004 e 2005, lavrado em 28/10/2008, com ciência do RECORRENTE em 04/11/2008 (fl. 138). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 4.794,09, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício, ora aplicada no percentual de 75%, ora no percentual de 150%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 a 06, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, nos seguintes termos: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS I. CONTEXTO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, de acordo com o disposto nos artigos 835, 904, 905, 910, 911, 915, 926 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, em procedimento de Revisão de Declaração da Pessoa Física, promovemos a análise da Dedução de Despesas com Saúde pleiteada pelo contribuinte nos exercícios de 2005 a 2007, anos calendário 2004 a 2006, conforme a seguir relatado. II. INFRAÇÕES Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 155 3 Em investigação interna, verificamos a necessidade de comprovar a efetividade da prestação de serviços da profissional de saúde Sâmara Silvia de Oliveira Chaves, CPF nº 036.442.62683, fisioterapeuta, em vista de sua recorrência. Para tanto, levantamos a lista de todos os contribuintes que declararam pagamentos a ela. Encaminhamos a lista a ela, intimandoa a confirmar ou infirmar a efetiva prestação dos serviços. Em resposta, a profissional informou todos os contribuintes para os quais confirmava a prestação dos serviços, aqueles para os quais não confirmava e ainda aqueles que prestou serviços, mas em valores diferentes dos declarados por eles em DIRPF. Em seguida, todos os declarantes foram intimados a apresentar o recibo do pagamento, e, no amparo do artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000/99 RIR/99, intimados ainda a comprovar o efetivo pagamento dos valores constantes nos recibos, por meio de cópia de cheques, extratos bancários ou outra forma qualquer. O contribuinte trouxe apenas os recibos, não trazendo outros elementos a comprovar o efetivo pagamentos das despesas. A profissional de saúde nega a prestação dos serviços, nos valores declarados. Desse modo, considerando que : 1 As despesas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia; 2 o contribuinte não comprova o pagamento; 3 há dezenas de contribuintes já constatados com recibos inidôneos em nome da profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves; 4 a profissional nega a prestação dos serviços: então efetuamos a glosa da parcela de despesas de saúde não confirmadas pela profissional e não comprovadas pelo contribuinte, com o decorrente lançamento de juros de mora (art. 61 da Lei 9.430/96) e multa de ofício. Além das despesas relacionadas à profissional de saúde em foco, foram também glosadas outras despesas médicas para as quais o contribuinte não trouxe os respectivos recibos, conforme relacionado na planilha "Despesas Médicas Resumo", em anexo. Neste caso, a multa de ofício será de 75%, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96. III MOLÉSTIA GRAVE O contribuinte havia alegado ser portador de moléstia grave, o que poderia ensejar a isenção dos rendimentos de aposentadoria. Entretanto a fonte pagadora informou que o contribuinte não esteve aposentado nos anos de 2004 e 2005. III QUALIFICAÇÃO DA MULTA E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Em vista da constatação de uso de documento inidôneo, nos termos do artigo 44, §1° da Lei 9.430/96 e art. 71, inciso II da Lei 4.502/64, a glosa das despesas de saúde não comprovadas Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 156 4 foi acompanhada de multa de 150%. Ainda, juntamente com a lavratura do Auto de Infração, a fiscalização, de acordo com o art. 83 da Lei n° 9.430/96 e Portaria SRF n° 326/05, formalizou Representação Fiscal para Fins Penais, posto a constatação, EM TESE, de fraude, com dedução de despesas de saúde fictícia, sem comprovação dos pagamentos e/ou apresentando recibos que, conforme os indícios demonstrados, não lastreiam qualquer prestação de serviços, nos termos do artigo 73 do RIR/99, o que subsume em crime tipificado pelos arts. 1° e 2° da Lei 8.137/90. O Processo de Representação Fiscal para Fins Penais tramita sob n° 13629.003002/200881. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2005 31/12/2005 R$ 394,36 R$ 100,00 R$ 910,00 R$ 136,00 R$ 320,00 R$ 4.080,00 R$ 450,00 R$ 36,67 R$ 130,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 150,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 73 e 80 do RIR/99.” A autoridade fiscal elaborou as planilhas “Despesas Médicas Resumo” (fls. 10 e 11) indicando quais as despesas médicas glosadas nos anoscalendário 2004 e 2005 além daquela relacionada à profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves. A declaração da profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves informando não haver prestado serviços para o RECORRENTE foi acostada às fls. 13 a 17. Relevante informar que o documento de fl. 29, emitido pelo Diretor da secretaria de Pessoal do TRT da 3ª Região, informa que o RECORRENTE foi aposentado por invalidez a partir de 10/02/2006 em vista de laudo da Junta Médica do TRT da 3ª Região expedido em 15/12/2004. Ademais, prevê expressamente que o RECORRENTE não esteve aposentado nos anos de 2004 e 2005. Os recibos de despesas médicas apresentados pelo RECORRENTE foram acostados às fls. 37 a 111; declaração de ajuste anual referente ao anocalendário 2005 às fls. 112 a 115; declaração de ajuste anual referente ao anocalendário 2004 às fls. 117 a 120. Em razão das glosas efetuadas pela fiscalização, foi apurado imposto de renda no valor de R$ 1.803,18, que se sujeita à multa de ofício e aos juros de mora, conforme demonstrativo de cálculo de fls. 07 a 09. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 157 5 Em 03/12/2008, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 133 (vide fl. 138). Em suas razões, alegou haver equívoco na declaração prestada pela profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves à Receita Federal. Assim, apresentou declaração firmada pela profissional em 11/11/2008, onde a mesma atesta “a existência de erros nas informações prestadas na correspondência de 31/03/2008 protocolada na Delegacia da Receita Federal de Coronel Fabriciano no dia 02/04/2008”, e declara que “houve prestação de serviços de fisioterapia conforme recibos emitidos em nome do Sr. Cristiano de Assis Morais Neto, CPF/MF 30518512649 no exercício 2005 (ano calendário 2004) no valor de R$ 4.080,00 (...) em seu domicílio à Av. Galiléia, nº 60, bairro Canãa, IpatingaMG, CEP 35164165”. Alegou que apresentou os comprovantes de pagamento conforme determinação legal, ou seja, mediante documentos contendo o nome, endereço e CPF ou CNPJ do beneficiário. Assim, impugnou todo o conteúdo do auto de infração, por sua inconstitucionalidade, e requereu fossem considerados os comprovantes já apresentados bem como a declaração da profissional apresentada na ocasião. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 139 a 146 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2005, 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É de se manter a glosa fiscal quando o contribuinte não comprova com documentação pertinente os gastos com serviços médicos pleiteados como deduções em sua Declaração de Ajuste Anual. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO PAGAMENTO. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EXERCÍCIO: 2005, 2006 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 158 6 A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações do RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 10/02/2009, conforme AR de fl. 147v. dos autos, apresentou recurso voluntário de fl. 150, em 09/03/2009 (fl. 151). Em suas razões de apelo, reitera todo a alegado em sua impugnação. Em adição, afirma que apresentou extrato de contas bancárias, os quais não foram analisados nem levados em consideração. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Quanto à inconstitucionalidade genérica do lançamento, invoco a Súmula CARF nº 02, cujo texto é: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ao comparar as declarações de ajuste do RECORRENTE (fls. 112 a 120) com os recibos de despesas médicas de fls. 37 a 111, a autoridade fiscal efetuou a glosa das seguintes despesas médicas: 1) anocalendário 2004: R$ 394,36 pagos à Clínica São Judas Tadeu; R$ 100,00 pagos à Odonto Fácil; R$ 910,00 pagos ao Espaço Mental LTDA.; R$ 136,00 pagos à Fundação São Francisco Xavier; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 159 7 R$ 320,00 pagos à GV Clínicas; e R$ 4.080,00 pagos à profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves. 2) anocalendário 2005: R$ 450,00 pagos à Odonto Fácil; R$ 36,67 pagos à Trter Saúde; e R$ 130,00 pagos ao Espaço Mental LTDA. Da leitura da descrição dos fatos do auto de infração, interpretase que as únicas despesas para a qual a autoridade fiscal exigiu a comprovação da efetiva prestação dos serviços foram aquelas relacionadas à profissional médica Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, no valor de R$ 4.080,00, para o anocalendário 2004. Quanto às demais despesas médicas glosadas, a autoridade fiscal apenas exigiu a apresentação dos respectivos recibos, os quais não foram apresentados, ou foram apresentados de forma insuficiente, como atestam as planilhas de fls. 10 e 11, relativas aos anoscalendários 2004 e 2005, respectivamente. Sendo assim, em relação a essas últimas despesas, o RECORRENTE não apresentou nem recibos nem alegações. No que tange às despesas incorridas com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, entendo que deve ser reformado o lançamento, pelas razões adiante expostas. O Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 160 8 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos emitidos por Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves (fls. 108 a 111) foram rejeitados pela fiscalização visto que a profissional fisioterapeuta declarou – durante procedimento fiscal – não ter prestado serviços para o RECORRENTE (fls. 13 a 17). Posteriormente, o RECORRENTE juntou aos autos declaração prestada pela mesma profissional fisioterapeuta, à fl. 134, com firma reconhecida, onde a mesma alega ter cometido erro em sua declaração anterior entregue à fiscalização. Assim, declarou que “houve prestação de serviços de fisioterapia, conforme recibos emitidos em nome do Sr. Cristiano de Assis Morais Neto, CPF/MF 30518512649, no exercício 2005 (ano calendário 2004), no valor de R$ 4.080,00”. Além da retificação da declaração anterior, o RECORRENTE juntou diversos recibos da profissional, que indicam número de sessões, mês, e valores, sem qualquer indício de que não tenham sido preenchidos quando do efetivo pagamento. Ademais, o contribuinte acostou aos autos laudo médico – subscrito por médico servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 3a Região – (fl. 34), demonstrando que não possuía saúde regular no período Em consulta a histórico de processo tributário vinculado a CPF, perante o sítio, na internet, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não localizei processo vinculado à profissional fisioterapeuta que dê indícios de que contra ela já fora expedida Representação Fiscal para Fins Penais. Feitos estes esclarecimentos, passo a decidir. Em oposição ao alegado pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que os recibos emitidos pela fisioterapeuta Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves (fls. 108 a 111), aliados à declaração expedida pela profissional (fl. 134), devem sim ser aceitos como comprovação de despesas médicas. Para efetuar a glosa de deduções, a autoridade fiscal deve motivar o seu ato, expondo as razões para efetivação da glosa. Contudo, tal ato (glosa de deduções) deve obedecer aos limites fixados em lei, sob pena de o ato administrativo tornarse arbitrário e, portanto, ilegal. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 161 9 Sobre a discricionariedade do ato administrativo, transcrevo abaixo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicada. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Conforme preceitua o art. 73 do RIR/99, as deduções pleiteadas em declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação do contribuinte. Quando intimado pela fiscalização, o RECORRENTE apresentou os recibos de fls. 108 a 111 que, em meu sentir, em conjunto com a declaração de fl. 134, comprovam a efetividade das despesas de serviços de fisioterapia. Assim, agiu em conformidade com o que determina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99, não podendo a autoridade lançadora simplesmente efetuar a glosa de tais despesas sem motivar legalmente o seu ato. Ressalte que a motivação da glosa (declaração da profissional de que não prestou os serviços) deixou de existir quando a mesma apresentou novo documento se retratando e corrigindo a declaração anterior. Apesar de não ser comum erros desse tipo, eles também não são impossíveis. Ademais, no caso, não há que se falar em deduções exageradas (art. 73, § 1º, do Decreto nº 3.000/99), tendo em vista que o RECORRENTE possuía, no anocalendário em questão, rendimento líquido (R$ 102.937,84) suficiente para arcar com as despesas de R$ Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 162 10 4.080,00, durante um ano, com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves (vide fls. 117 a 120). O conjunto das despesas médicas do RECORRENTE no ano calendário 2004 são pouco superiores a 10% de seus rendimentos anuais; demonstrando a capacidade econômica de arcar com tais despesas. Desta forma, o pedido de dedução das despesas médicas com a profissional fisioterapeuta, formulado pelo RECORRENTE, deve ser acatado, tendo em vista que os recibos apresentados e a retificação da declaração motivadora da glosa (prestada antes pela profissional), somados ao laudo médico (fl. 34), são documentos aptos a recomendar o restabelecimento da despesa com esta profissional. Sobre o tema, importante transcrever ementa de acórdão proferido pela antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS — FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. A glosa de dedução de despesas, após a justificativa apresentada pelo contribuinte, deve ser seguida de rigorosa fundamentação que demonstre a inaplicabilidade do art. 242 do RIR/94 às despesas incorridas. A simples alegação, sem contra demonstração fundamentada, por parte da autoridade administrativa, atinge o princípio da motivação dos atos administrativos. (recurso voluntário nº 133791; 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 16/04/2003)” Portanto, deve ser reformado o lançamento no que diz respeito à glosa do valor de R$ 4.080,00 pagos à Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, durante o anocalendário 2004. Como a multa qualificada de 150% incide tãosomente sobre o crédito tributário decorrente da glosa das despesas médicas com Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, a mesma também deve ser afastada, por efeito direto. Assim, o presente lançamento deve ser mantido quanto às glosas das deduções das despesas médicas abaixo indicadas, sendo necessário refazer os cálculos de apuração do imposto (fls. 07 a 09), nos seguintes termos: 1) anocalendário 2004: R$ 394,36 pagos à Clínica São Judas Tadeu; R$ 100,00 pagos à Odonto Fácil; R$ 910,00 pagos ao Espaço Mental LTDA.; R$ 136,00 pagos à Fundação São Francisco Xavier; R$ 320,00 pagos à GV Clínicas; e 2) anocalendário 2005: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 163 11 R$ 450,00 pagos à Odonto Fácil; R$ 36,67 pagos à Trter Saúde; e R$ 130,00 pagos ao Espaço Mental LTDA. Os valores acima indicados sujeitamse, ainda, à multa de 75% e aos respectivos juros de mora. Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade do lançamento e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, apenas para serem restabelecidas as deduções das despesas com a profissional Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves efetuadas pelo RECORRENTE, no valor de R$ 4.080,00 durante o ano calendário 2004. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, Redatoradesignada Divirjo do ilustre Relator somente quanto ao seu entendimento no que diz respeito às despesas médicas relativas a profissional fisioterapeuta Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves. De pronto, devese observar que a mencionada fisioterapeuta foi investigada pela autoridade fiscal, restando comprovado nos autos que a mesma emitiu vários recibos graciosos, que respaldaram indevidamente deduções da base de cálculo do imposto devido de vários contribuinte nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Muito embora, não se tenha notícia nos autos da existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, verificase em pesquisa no sítio do Ministério da Fazenda a existência de duas Representações Fiscais para Fins Penais, contra a fisioterapeuta Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, cujos números dos processos são: 13629.004605/200808 e 13629.004606/200844. Ora, a existência das duas Representações Fiscais para Fins Penais, contra a fisioterapeuta Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, põem em suspeita a declaração, fls. 134, trazida pela defesa quando da apresentação de sua impugnação. A simples declaração da fisioterapeuta, emitente de recibos graciosos, afirmando que incorreu em erro quando negou a prestação de serviços ao recorrente, não é suficiente para garantir ao contribuinte o benefício da dedução de tais despesas médicas, mormente quando tal declaração vem desacompanhada de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 164 12 Destaquese que, no caso, as Representações Fiscais para Fins Penais assemelhamse a Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, para as quais existe Súmula deste CARF, com o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) E mais, o contribuinte também teve glosadas outras despesas médicas, conforme a seguir discriminado: Ano calendário Profissional Glosa (em Reais) Motivação 2004 Clinica São Judas Tadeu 395,36 Não apresentou comprovação 2004 Odonto Fácil 100,00 Recibo a menor (de R$ 33,00 em lugar de R$ 133,00). 2004 Espaço Mental Ltda 910,00 Não apresentou comprovação 2004 Fundação S. Francisco Xavier 136,00 Recibo a menor (de R$ 36,00 em lugar de R$ 172,00). 2004 G V Clínicas 320,00 Não apresentou comprovação 2005 Odonto Fácil 450,00 Recibo a menor (de R$ 50,00 em lugar de R$ 500,00). 2005 Trter Saúde 36,67 Não apresentou comprovação 2005 Espaço Mental Ltda 130,00 Não apresentou comprovação Observase que reiteradamente o contribuinte pleiteou despesas para as quais sequer possuía recibos e quando os possuía eram de valores inferiores aqueles pleiteados como deduções de despesas médicas. Por fim, vale destacar que o contribuinte recebeu no anocalendário 2004, DAA, fls. 117/120, rendimento líquido de R$ 51.916,94 (rendimento tributável menos contribuição previdenciária e imposto retido na fonte) e deduziu despesas médicas, que totalizam R$ 12.039,36, de sorte que 23% de sua renda líquida teria sido comprometida com despesas médicas. Destaquese os rendimentos isentos e não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte não foram significativos. Já para o anocalendário 2005, DAA, fls. 112/115, observase que o percentual acima mencionado é de 25% (rendimento líquido de R$ 77.852,69 e despesas médicas de R$ 19.606,18). Nessa conformidade, considerando os fatos acima expostos, devese manter a glosa de despesas médicas, conforme consubstanciado no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13629.001841/200864 Acórdão n.º 210201.384 S2C1T2 Fl. 165 13 Núbia Matos Moura Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, As sinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10725.002874/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios - Súmula CARF no 63.
Hipótese em que o contribuinte não comprovou nenhum dos requisitos da isenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios - Súmula CARF no 63. Hipótese em que o contribuinte não comprovou nenhum dos requisitos da isenção. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
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MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Súmula CARF no 63. Hipótese em que o contribuinte não comprovou nenhum dos requisitos da isenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 28 74 /2 00 7- 64 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 84 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 19 a 22, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para tributar rendimentos do trabalho originalmente declarados como isentos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$64.250,76, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 9), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 58v a 59v): Do Direito à Isenção do Imposto de Renda. 1.ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, o contribuinte atendeu todas as intimações feitas pela fiscalização tributária, apresentando todos os documentos requisitados, inclusive laudos de médicos especializados que comprovam ser portador de moléstia grave, que o tornam isento do imposto de renda ( doc.4); 2.é portador de cardiopatia grave, insuficiência renal crônica terminal e diabetes mellitus e aposentado, sendo, portanto, detentor do direito à isenção do imposto de renda pessoa física nos termos do art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88; 3.os rendimentos que deram origem ao presente lançamento foram oriundos de ação indenizatória movida pelo contribuinte em face da extinta CERJ, que tramitou na Justiça do Trabalho; 4.os valores recebidos pelo contribuinte foram declarados em sua DIRPF 2003/2004 como rendimentos isentos e não tributáveis; 5.declarou os rendimentos recebidos como isentos e não tributáveis, consubstanciado não só nos dispositivos legais acima citados, mas também na decisão que homologou o acordo indenizatório realizado na RT 112/99 que tramitou na 2ª Vara do Trabalho de Campos dos Goytacazes/RJ, onde o MM.Juiz do Trabalho determinou que os valores recebidos pelo contribuinte gozavam de isenção do imposto de renda, por ser portador de moléstia grave e atender aos requisitos do art. 6, inciso XIV da Lei nº 7.713/88 e alterações posteriores; 6.entende que a supracitada isenção não se refere a aposentadorias concedidas por moléstia grave, mas sim, a contribuintes aposentados que sejam portadores de moléstias graves, que é o que ocorre no caso concreto; 7.quanto à necessidade de laudo pericial oficial, cabe destacar que o STJ vem entendendo que o termo inicial da isenção ora pleiteada é a data de comprovação da doença mediante diagnóstico médio especializado e não a data de emissão do laudo oficial; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 85 3 8.para corroborar seu entendimento cita ementa exarada pela 1ª Turma do STJ no Recurso Especial nº 780.122PB; 9.ademais, o MM.Juiz da 2ª Vara do Trabalho de Campos dos Goytacazes/RJ ao declarar que as verbas recebidas no acordo indenizatório realizado na RT 112/99 eram isentas do imposto de renda, baseouse em informações, laudos e provas constantes dos autos; 10. portanto, entende que o presente lançamento é contrário ao direito adquirido do contribuinte e à coisa julgada, devendo, assim, ser desconstituído. Da multa de ofício e dos Juros Selic 1.se o lançamento for considerado procedente, a multa de ofício de 75% e a taxa SELIC aplicados como juros moratórios devem ser revistos; 2.a multa de 75% agride ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado explicitamente pela Constituição em seu artigo 5º,XXII que dispõe: “Art.5º ........................................... XXII É garantido o direito de propriedade” 3.suscita o estudo do Professor Sacha Calmon Navarro Coelho especificamente sobre a impossibilidade de fixação de multas que caracterizam confisco; 4.nesta linha de raciocínio, argumenta que a multa de ofício de 75% é excessivamente onerosa, acarretando a transferência de propriedade das mãos deste para as do Estado pela via fiscal; 5.cita Ementas do Egrégio Supremo Tribunal Federal que tem entendido que as multas aplicadas em decorrência de infrações tributárias, não podem exceder a 30% (trinta por cento) do valor do tributo devido; 6.acrescenta que o Superior Tribunal de Justiça, utilizando como paradigma a decisão do Supremo Tribunal Federal que limita a multa no percentual de 30% (trinta por cento), adotou um parâmetro de 20 % (vinte por cento) para multa por infração fiscal; 7.em matéria tributária, a natureza dos juros moratórios visa recompor o patrimônio do Estado, lesado pela demorado devedor em adimplir a mora; 8. a Taxa Selic não foi prevista por lei mas sim pelas Circulares Bacen 2.868/99 e 2900/99, que em seu art. 2º §1º que determina: “Definise Taxa Selic como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ( SELIC) para títulos federais”. 9. na seqüência, o contribuinte cita ementa exarada pelo STJ a fim de corroborar seu entendimento quanto à impossibilidade da utilização da Taxa Selic como juros moratórios; 10.argui que o art. 161,§1º do Código Tributário Nacional, com força de lei complementar, diz que os juros serão de 1% se a lei não dispuser em contrário e ressalta que a lei ordinária não criou a Taxa Selic mas somente estabeleceu seu uso; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 86 4 11.conseqüentemente, somente seria possível a aplicação de juros correspondente a exato 1%, conforme dispõe o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional; 12.sendo assim, requer a exclusão da presente autuação da taxa SELIC, prevista pelo artigo 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/96, a que faz remissão o artigo 43,§ único, do citado diploma legal. É de se ressaltar que , em 06/07/2009, a inventariante do espólio do Sr. Mauricio Vianna Cordeiro (fl.49), com intuito de informar o falecimento do contribuinte (Certidão de Óbito à fl.50), acostou aos autos a petição de fls.45/46, reiterando o pedido formulado na SRL, que consiste no cancelamento do lançamento de ofício, em face de entender que restou comprovado no presente que o falecido era portador de moléstia grave. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 58 a 61v): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. Correta a aplicação de multa de ofício de 75%, quando constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa Selic, na forma da legislação vigente. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÃO DOUTRINÁRIA NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegação mediante juízo subjetivo, uma vez que a atividade administrativa Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 87 5 deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 03/03/2011 (fl. 65), o contribuinte apresentou, em 1/4/2011, o recurso de fls. 66 a 76, onde afirma que: a) os documentos anexados aos autos, tanto na fase de fiscalização como na peça impugnatória, especialmente aqueles referentes ao processo trabalhista, o laudo emitido pelos Cardiologistas do SUS Sistema Único de Saúde e o atestado de óbito do impugnante comprovam que o falecido era portador de moléstia grave, bem como que os rendimentos eram decorrentes de aposentadoria (ação judicial RT112/99); b) que o acórdão recorrido é contrário ao conteúdo das Súmulas CARF nos 42 e 63. Ao final, pugna pelo provimento do recurso, considerandose improcedente o lançamento de ofício. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 82, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte sustenta que os rendimentos lançados como tributáveis são, na verdade, isentos por ser portador de moléstia grave. Os incisos XXXI e XXXIII, e parágrafo 4°, do art. 39, do Decreto n° 3.000, de 26 de março 1999 – Regulamento do Imposto de Renda regulam a matéria da seguinte maneira: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 88 6 XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) §4o Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). Nesse sentido, foi publicada a Súmula CARF no 63 com o seguinte conteúdo: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, para o gozo da isenção, existem três condições cumulativas: (a) os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, (b) eles devem ser percebidos por portador de moléstia grave enumerada na legislação, e (c) a doença deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tanto a autoridade lançadora quanto o julgador de 1a instância não reconheceram o direito à isenção, porque o contribuinte não comprovou que os rendimentos Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 89 7 eram decorrentes de aposentadoria, nem trouxe laudo médico oficial de que era portador de moléstia grave. De fato, os documentos acostados ao processo não socorrem o pleito do recorrente. Não existe nos autos qualquer indicação de quando o contribuinte se aposentou. Somente com essa data é possível aferir se os rendimentos recebidos decorrem de aposentadoria. O contribuinte afirma que os R$ 256.736,73 informados como isentos em sua declaração de ajuste do exercício de 2004 (fl. 37) foram recebidos em uma reclamatória trabalhista. Para comprovar seu direito, traz apenas cópia de petição apresentada na Justiça Trabalhista, onde afirma que cogitava fazer um acordo para por fim a demanda, onde receberia 60% dos valores apurados pela contadoria judicial, e que a empresa ficaria responsável por toda a contribuição trabalhista e por 50% do imposto de renda (fls. 27 a 32) Nessa peça, afirma que é portador de moléstia grave, e solicita que os rendimentos sejam considerados como isentos, tendo o pedido sido deferido. Entretanto, não existe a informação de a qual período se referem as verbas trabalhistas discutidas. Esclareçase que é possível se reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos em ação judicial, desde que se refiram a verbas de aposentadoria, e a período em que o beneficiário já possuía moléstia grave. Assim, mesmo se no momento do recebimento dos valores o contribuinte já for isento do imposto de renda por ser portador de moléstia grave, se as verbas recebidas se relacionarem a complemento de salários anteriores à aposentadoria, ou a proventos de aposentadoria anteriores ao reconhecimento da moléstia grave, então estaremos diante de rendimentos tributáveis. Desta forma, não há a comprovação de que os rendimentos recebidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, tendo sido descumprido o primeiro dos requisitos para a isenção. Igualmente, há que se reconhecer que também não foi cumprido o terceiro requisito da isenção, pois a doença não foi devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ao contrário, o recurso busca comprovar as doenças com declarações de médicos individuais, que não estavam na função de serviço médico oficial, sem a indicação do início da doença (fls. 25 a 26 e 74 a 76). Esclareçase que não se duvida da gravidade da enfermidade que acometeu o contribuinte, fato comprovado pelo seu óbito, mas é inafastável a conclusão de que não foram cumpridos os requisitos previstos na lei, que deve ser interpretada literalmente nos casos de outorga de isenção, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002874/200764 Acórdão n.º 2101002.138 S2C1T1 Fl. 90 8 Não se pode esquecer que é de quem pleiteia a isenção a obrigação de comprovála, pois é do autor o ônus da prova quanto a fato constitutivo de seu direito, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 03/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004816/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
INTIMAÇÃO - SOLIDÁRIO - NÃO OCORRÊNCIA - VÍCIO - SANEAMENTO
Representa cerceamento de defesa a não intimação do responsável solidário da existência do lançamento. Para o saneamento de tal vício, torna-se necessário anular a decisão recorrida para que o responsável solidário seja intimado e apresente impugnação se desejar
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2402-003.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 INTIMAÇÃO - SOLIDÁRIO - NÃO OCORRÊNCIA - VÍCIO - SANEAMENTO Representa cerceamento de defesa a não intimação do responsável solidário da existência do lançamento. Para o saneamento de tal vício, torna-se necessário anular a decisão recorrida para que o responsável solidário seja intimado e apresente impugnação se desejar Decisão Recorrida Nula
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.004816/200832 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.331 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente HS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS PARA BICICLETAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 INTIMAÇÃO SOLIDÁRIO NÃO OCORRÊNCIA VÍCIO SANEAMENTO Representa cerceamento de defesa a não intimação do responsável solidário da existência do lançamento. Para o saneamento de tal vício, tornase necessário anular a decisão recorrida para que o responsável solidário seja intimado e apresente impugnação se desejar Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 48 16 /2 00 8- 32 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 61/63), os fatos geradores das contribuições lançadas são os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços ao grupo econômico, assim considerado pela auditoria fiscal, como aquele formado pela empresas HS Ind. e Com. de Peças para Bicicletas Ltda e Wester Indústria e Comércio Ltda. A Wester Indústria e Comércio Ltda é mencionada no Relatório Fiscal como responsável solidária pelo crédito lançado. Segundo o auditoria fiscal, foi realizada ação fiscal nas empresas relacionadas ao grupo econômicos Wester, o que determinou a exclusão da HS do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, pelo Ato Declaratório Executivo nº 50/2008, processo 13971.004392/200814, por constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas. Os fatos geradores foram apurados nas folhas de pagamento e não foram declarados em GFIP, uma vez que a HS informou condição de optante pelo SIMPLES naquela declaração. A HS teve ciência do lançamento em 18/11/2008 e apresentou defesa (fls. 84/100), onde alega que apresentou manifestação de inconformidade contra o ato que a excluiu do SIMPLES e, antes mesmo que tivesse corrido o prazo para apresentação de tal manifestação, a auditoria fiscal efetuou o lançamento contra a impugnante. Segundo a autuada, sua exclusão do SIMPLES se deu sob o argumento de que a HS e a Wester constituem um grupo econômico e de que as pessoas físicas sócias da HS não têm poder de gerência na sociedade, sendo, laranjas. Alega a nulidade do auto de infração por ter sido exarado antes da decisão definitiva do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES. Argumenta que houve vício procedimental pelo fato de ter recebido as cinco autuações resultantes da ação fiscal no dia 18/11/2008 e o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF somente em 21/11/2008. Afirma que inexiste o grupo econômico de fato caracterizado pela auditoria fiscal e que o que ocorreu foi um planejamento tributário. Aduz a inocorrência dos motivos legais para a exclusão da autuada do SIMPLES. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.004816/200832 Acórdão n.º 2402003.331 S2C4T2 Fl. 3 3 Pelo Acórdão nº 0727.287 (fls 233/238) a 6ª Turma da DRJ/Florianópolis julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo onde repete as alegações de defesa. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso apresentado pela HS Indústria e Comércio de Peças para Bicicletas Ltda é tempestivo e pode ser conhecido. Da análise das peças que compõem os autos, sobretudo o Relatório Fiscal, verificase que o lançamento em questão ocorreu com base no instituto da responsabilidade solidária em razão da caracterização de grupo econômico de fato entre a HS Indústria e Comércio de Peças para Bicicletas Ltda e a empresa Wester Indústria e Comércio Ltda. Apesar do Relatório Fiscal ser claro no sentido de que a empresa Wester integraria o pólo passivo do lançamento, esta não foi intimada do lançamento para apresentação de defesa. Asseverese que a decisão de primeira instância não faz qualquer menção à responsável solidária como sujeito passivo da obrigação. A meu ver, a ausência de intimação da solidária é vício que não causa a nulidade do lançamento, mas deve ser saneado para garantir à responsável solidária o direito à ampla defesa e ao contraditório. Para tanto, tornase necessário anular a decisão recorrida para que seja dada ciência do lançamento à empresa Wester Indústria e Comércio Ltda, com oferecimento de prazo de defesa para que esta apresente impugnação se assim o desejar. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de ANULAR A DECISÃO RECORRIDA para que seja dada ciência do lançamento responsável solidária. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.909260/2010-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à turma de julgamento, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à turma de julgamento, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 92 60 /2 01 0- 74 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente transmitiu declaração de compensação n. 20750.61068.230407.1.3.041761 referente a crédito originado de pagamento a maior de CSLL paga por estimativa, para compensação de débito no valor de R$ 32,21. O Despacho Decisório n. 880509511 de 06/09/2010 não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado, pois o respectivo DARF vinculado à DCOMP teria sido integralmente utilizado para a quitação do débito informado pela Recorrente. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que afirmou, em síntese, que teria cometido erro no preenchimento da respectiva DCOMP, pois teria informado “pagamento a maior ou indevido”, quando deveria ter informado que o direito creditório adviria de “saldo negativo de CSLL”, conforme espelhado na DIPJ2007, ano calendário 2006, acostada aos autos. Nesse sentido, estaria comprovada a boafé da Recorrente, bem como a ausência de lesão ao Erário. A 2a Turma da DRJ/BHE, através do Acórdão 0235.670 julgou improcedente o pedido da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente pode utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.909260/201074 Acórdão n.º 1801001.307 S1TE01 Fl. 9 3 prescrita na legislação tributária vigente e para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na decisão ora recorrida, entendeuse, em síntese, que a Recorrente não teria indicado o saldo negativo como origem de crédito e por essa razão, a DRF não procedera à análise para a verificação da formação de eventual saldo negativo apurado pelo contribuinte em sua DIPJ, acrescendo que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito, para exercer o direito à compensação. A DRJ não poderia, em sede de julgamento suprir esta omissão sob pena de usurpação da competência da DRF, e, assim sendo, foi negado provimento à manifestação de inconformidade apresentada. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reafirmou que apurara saldo negativo no exercício de 2006, o que estaria devidamente comprovado pela DIPJ2007, de maneira que a DRJ não poderia negar o seu direito sob o argumento da incompetência. Pugnou pela baixa em diligência do processo, para que a DRJ analisasse a referida DIPJ2007, para reconhecer a existência de saldo negativo, em vista de se estar diante de hipótese de erro formal, ausente dano ao Erário e comprovada a boafé da Recorrente. Nada mais acrescentou ou juntou ao processo. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi negado o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado, pois o respectivo DARF vinculado à DCOMP teria sido integralmente utilizado para a quitação do débito. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório, porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração do IRPJ anual, seja para dedução do IRPJ devido ou na composição do respectivo saldo negativo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Observese que esse tema já é pacificado nessa Turma Especial, citandose o Acórdão n° 180100.490, de 22/02/2011, em que foi Relatora a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez , no qual se fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Nesse sentido, pedese vênia para a transcrição do referido voto, que expõe mais detalhadamente o entendimento deste Colegiado sobre o tema: “[...] Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: [...] Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: [...] Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: [...] Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: [...] Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10680.909260/201074 Acórdão n.º 1801001.307 S1TE01 Fl. 10 5 É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: [...] Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instâncias administrativas a quo estabeleceram como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à turma julgadora, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000580/00-21
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/12/1989 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/12/1989 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/12/1989 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 80 /0 0- 21 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 26/05/2000, relativo ao período de apuração de 01/12/1989 a 30/09/1995. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10240.000580/0021 Acórdão n.º 9900000.651 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, houve a perda parcial do direito a se pleitear a restituição em relação à uma parcela do período objeto da solicitação. Assim, está prescrito o direito em relação ao período de 01/12/1989 a 30/04/1990. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora, para a análise do mérito do período não prescrito.. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 632DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910470/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
APURAÇÃO ANUAL. REGIME DE ESTIMATIVA MENSAL. VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, norma legal de regência da matéria, possibilita ao sujeito passivo a utilização do valor pago indevidamente ou a maior no transcorrer do ano-calendário, antes mesmo da apuração do resultado do período.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DO PEDIDO ORIGINAL DURANTE A FASE LITIGIOSA DO PROCESSO. SUBSTITUIÇÃO ATRAVÉS DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Com a apresentação do pedido de compensação de tributos ou contribuições se instaura o litígio entre o fisco e contribuinte. Incabível a substituição do pedido original de declaração de compensação através de apresentação de defesa administrativa (impugnação, manifestação de inconformidade, recurso voluntário, etc.).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 1101-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Declararam-se impedidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga, substituídos pelos Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto e João Carlos de Figueiredo Neto.
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Carlos de Figueiredo Neto, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente). Declararam-se impedidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 APURAÇÃO ANUAL. REGIME DE ESTIMATIVA MENSAL. VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, norma legal de regência da matéria, possibilita ao sujeito passivo a utilização do valor pago indevidamente ou a maior no transcorrer do ano-calendário, antes mesmo da apuração do resultado do período. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DO PEDIDO ORIGINAL DURANTE A FASE LITIGIOSA DO PROCESSO. SUBSTITUIÇÃO ATRAVÉS DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Com a apresentação do pedido de compensação de tributos ou contribuições se instaura o litígio entre o fisco e contribuinte. Incabível a substituição do pedido original de declaração de compensação através de apresentação de defesa administrativa (impugnação, manifestação de inconformidade, recurso voluntário, etc.). Recurso provido em parte.
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REGIME DE ESTIMATIVA MENSAL. VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, norma legal de regência da matéria, possibilita ao sujeito passivo a utilização do valor pago indevidamente ou a maior no transcorrer do anocalendário, antes mesmo da apuração do resultado do período. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DO PEDIDO ORIGINAL DURANTE A FASE LITIGIOSA DO PROCESSO. SUBSTITUIÇÃO ATRAVÉS DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Com a apresentação do pedido de compensação de tributos ou contribuições se instaura o litígio entre o fisco e contribuinte. Incabível a substituição do pedido original de declaração de compensação através de apresentação de defesa administrativa (impugnação, manifestação de inconformidade, recurso voluntário, etc.). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Declararamse impedidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga, substituídos pelos Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 04 70 /2 00 9- 87 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Carlos de Figueiredo Neto, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente). Declararamse impedidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.910470/200987 Acórdão n.º 1101000.664 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por BANCO ITAÚ S.A., (fls. 28/40, v. 1), contra decisão da 8ª Turma da DRJ de São Paulo I, consubstanciada no Acórdão nº 1626.934, de 29 de setembro de 2010 (fls. 22/24), que julgou improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Consta dos autos que o Recorrente, após entregar, via Internet, sua Declaração de Compensação (fls. 16/20), na qual declara a compensação de crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, relativo ao período de apuração encerrado em 31/05/2005, foi cientificado, em 18/08/2009 (fls. 15), do Despacho Decisório, que não homologou seu pleito, nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em virtude de a Recorrente ter sido intimada a recolher o débito indevidamente compensado, apresentou, em 17/09/2009, Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 02/06, v. 1), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que o fundamento utilizado pela Receita Federal, a fim de negar a homologação de sua compensação, foi o art. 10 da IN 600/05; que, contudo, a utilização da IN como fundamento para a improcedência da compensação é indevida, haja vista que desvirtua o §3º, do art. 74, da Lei 9.430/96, que trata, de forma taxativa, das vedações da utilização da Declaração de Compensação; que a MP 449/08 incluía no §3º, do art. 74, da Lei 9.430/96, outras vedações à compensação, dentre elas “os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, apurados na forma do art. 2º”. Contudo, informa que a mesma não foi convertida em Lei; que ao dispor que o pagamento indevido, ou a maior, não poderá ser objeto de Declaração de Compensação, mas deverá compor o saldo negativo, a IN 600/05 não permite a atualização, a partir do mês subseqüente, pela Selic, o que contraria o art. 73 da Lei 9.532/97; Após resumir os fatos constantes da decisão da autoridade administrativa e as principais razões apresentadas na manifestação de inconformidade, os membros da Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o Despacho Decisório está de acordo com a legislação de regência, pois na DCOMP o contribuinte pretende compensar crédito de pagamento indevido ou a maior referente ao recolhimento de estimativa de CSLL (cód. receita 2469), o que era vedado pelo art. 10 da IN 600/2005; que não se cogita questionar a legalidade do dispositivo em comento, haja vista que aos julgadores das Delegacias de Julgamento cabe observar a interpretação da legislação tributária expressa nos atos normativos da Receita Federal do Brasil (art. 7º da Portaria MF n°58, de 17/03/2006); que ao contribuinte, portanto, seria permitido utilizar o referido pagamento apenas para deduzir na apuração da contribuição devida no ajuste anual, ou ainda para compor o saldo negativo de CSLL, adotandose a respectiva forma de atualização pela taxa Selic, ou seja, a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Não se admite, porem, considerálo como crédito de pagamento indevido ou a maior, tal como pleiteado pelo interessado; que, ademais, cumpre esclarecer que a vedação do art. 10 da IN 600/2005 não se confunde com a vedação do inc. IX, do §3°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, que produziu efeitos no breve período de vigência da MP n° 449/2008 (pois o dispositivo foi revogado por ocasião da conversão na Lei n° 11.941/2009). A proibição prevista na IN 600/2005 diz respeito ao crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa, enquanto a vedação da MP 449/2008 referese à compensação do débito de estimativa. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2005 ESTIMATIVA MENSAL. VALOR PAGO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DA CSLL DEVIDA OU COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a titulo de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância (fls. 27) e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil o recurso voluntário no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que em vista de caber a administração pública o controle da legalidade de seus atos administrativos competente, tendo como fundamento o princípio constitucional da Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.910470/200987 Acórdão n.º 1101000.664 S1C1T1 Fl. 4 5 legalidade, não procede o argumento utilizado pela autoridade julgadora de primeira instância, no sentido de que somente lhe caberia observar a interpretação da legislação tributária expressa nos atos normativos da Receita Federal, conforme o art. 7º da Portaria MF 58, de 17/03/2006; que, assim, calcada na súmula 473/STF e na decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 010866, de 14/04/89, cabe a administração pública afastar o art. 10 da IN SRF 600/05, em vista de ser ilegal; que o art. 62 do Regimento Interno deste Colendo Conselho somente vedaria o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade. Contudo, por se tratar de atos administrativos ilegais, como é o caso do art. 10 da IN 600/05, nenhuma vedação existiria; que quanto a liquidez e certeza de seu crédito alegado, informa que o art. 32 da Lei 11.052/2004 trouxe alterações quanto à forma de tributação dos resultados positivos e negativos auferidos e incorridos nas operações realizadas em mercado de liquidação futura, determinando o recolhimento de tais resultados pelo “regime de caixa”; que após a IN SRF 575/05, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, a Lei 11.051/04 passou a ser aplicável a partir de abril de 2005; que, em 30/06/2005, o recolhimento da CSLL foi efetuado no montante de R$ 11.857.112,02, contudo, por conta da IN SRF 575/05 e da Lei 11.051/04, efetuou um novo cálculo e apurou a base de cálculo de CSLL no valor de R$ 116.805.922,14, a qual foi aplicada a alíquota de 9%, resultando no valor devido de R$ 10.512.532,99; que tendo em vista o valor efetivamente devido e o valor recolhido a maior, temse o crédito de R$ 1.344.579,03; que o reprocessamento do cálculo do tributo foi efetuado antes da elaboração da DIPJ AC 2005, sendo que neste documento consta o valor correto; que no PER/DCOMP inicial (n° 10.308.04635.280705.1.3.049666) foi informado o valor de R$ 587.394,14 como credito original, quando o correto seria informar o valor de R$ 1.344.579,03; que no momento da elaboração do PER/DCOMP 10617.05399.230806.1.3.046037, ora em análise (crédito original de R$ 757.184,89), efetuou se uma nova composição, informandose como PER/DCOMP inicial o de n°10617.05399.230806.1.3.046037, e não o de n° 10.308.04635.280705.1.3.049666, que era realmente o PER/DCOMP inicial; que o crédito em questão foi informado em DCTF, entretanto, por equivoco, foi indicado o valor do DARF como sendo de R$ 11.269.717,88, quando o correto a ser informado era o valor recolhido, no montante de R$ 11.857.112,02; que a observância ao princípio da verdade material permite que as provas ora trazidas aos autos sejam acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento do PER/DCOMP e da DCTF. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise preliminar dos autos do processo verificase, que o recorrente apresentou em 23/08/2006, o PER/DCOMP nº 10617.05399.230806.1.3.046037, correspondente ao crédito pelo recolhimento mensal a maior de CSLL, relativa ao mês de maio de 2005, com débitos de estimativa do mesmo tributo. O pedido foi rejeitado sob o seguinte argumento: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período." A motivação da recusa do pleito do contribuinte deuse com base no artigo 10 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do lRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. A seguir o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 03, vol. 01, requerendo a não aplicação do artigo 10 da IN SRF n° 600/05. A decisão proferida pela turma julgadora da DRJ manteve a não homologação da compensação sob o argumento de que "Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a titulo de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo". Consta ainda do voto condutor da decisão recorrida a respeito da ilegalidade da aplicação do art. 10 da IN SRF 600/05 que, no seu entendimento, os julgadores das Delegacias de Julgamento devem observar a interpretação da legislação tributária expressa nos atos normativos da Receita Federal do Brasil, conforme previsto no art. 7° da Portaria MF n°58, de 17/03/2006. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.910470/200987 Acórdão n.º 1101000.664 S1C1T1 Fl. 5 7 Diante disso, restou ao contribuinte, unicamente a possibilidade de utilizar o referido pagamento mensal a maior apenas para deduzir na apuração da contribuição devida no ajuste anual, ou ainda para compor o saldo negativo de CSLL, tendo sido, portanto, rejeitado o entendimento de crédito de pagamento indevido ou a maior. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento dos julgadores de primeira instância, visto que, o disposto na mencionada instrução normativa fez parte do escopo da MP 449/08, tendo sido incluído no parágrafo terceiro da mesma, com outras hipóteses de vedação à compensação das estimativas. A instrução normativa, que, por sua vez, é um desses atos normativos deve apenas explicitar os preceitos legais, ou instrumentar o cumprimento de obrigações fiscais e não inovar as determinações da lei. Ou seja, a instrução normativa não pode trazer disposições diversas da própria lei que pretende explicitar. No tocante a esse assunto, o professor Luciano Amaro faz a seguinte afirmação: "É obvio que, havendo desconformidade entre o que um de tais atos estabeleça e o que a lei determina, o ato será invalido". Nesse mesmo sentido, já se manifestou o Supremo Tribunal Federal: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AGRAVO REGIMENTAL IMPUGNAÇÃO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA DO DEPARTAMENTO DA RECEITA FEDERAL ALEGADA VULNERAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS SEGUIMENTO NEGADO – NATUREZA DAS INSTRUÇÃO NORMATIVAS CARÁTER ACESSÓRIO DO ATO IMPUGNADO JUÍZO PRÉVIO DE LEGALIDADE. (...) As instruções normativas, editadas por Órgão competente da administração tributaria, constituem espécies jurídicas de caráter secundário. Cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configura cão jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade esta diretamente subordinada aos atos de natureza primaria, como as leis e as medidas provisórias, a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do código tributário nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade e não de inconstitucionalidade. (STF Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 365/DF, de 07/11/1990). Ora, a vedação à compensação contida na Medida Provisória nº 449/08, não foi convertida em lei, visto que rejeitada pelo Congresso Nacional. Assim sendo, entendeu o legislador que a vedação proposta pelo Executivo para a compensação de débitos mensais de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 estimativas não deveria ser mantida. Em outras palavras, foi permitida a realização da compensação levada a efeito pelo recorrente. Aliás, na época em que foi feito o pedido de compensação, encontravase em pleno vigor o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que possuía a seguinte redação: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637/2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637/2002). § 2º A compensação declarada a Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n°10.637/2002). § 3° Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § I°: (Redação dada pela Lei n° 10.833/2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei n" 10.637/2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei IV 10.637/2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União; (Incluído pela Lei n° 10.833/2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei no 11.051/2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei n° 11.051/2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.910470/200987 Acórdão n.º 1101000.664 S1C1T1 Fl. 6 9 Assim sendo, somente nas hipóteses acima transcritas (previstas pela norma legal), que estabelecem a vedação à utilização da Declaração de Compensação é que poderia ser negado o direito pleiteado pelo recorrente. Com relação a restituição de tributos pagos indevidamente, o Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 165, inciso I prevê que o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em montante maior que o devido. Por fim, alega o recorrente que por conta da mencionada alteração legislativa (determinação da base de cálculo da CSLL, a Lei n° 11.051/04 passou a ser aplicável a partir de abril de 2005) e considerando o período de apuração maio de 2005, o Recorrente efetuou o reprocessamento do cálculo da base de cálculo da CSLL, apurando um novo valor devido a titulo desse tributo. Ou seja, o Recorrente efetuou, em 30/06/2005, o recolhimento da CSLL no montante de R$ 11.857.112,02 (doc. 03). Todavia, considerando o disposto na Lei n° 11.051/04 e na IN SRF ri° 575/05, o Recorrente efetuou um novo cálculo e apurou base de cálculo de CSLL no montante de R$ 116.805.922,14 (doc. 04), à qual foi aplicada a alíquota de 9%, resultando no valor devido de R$ 10.512.532,99, conforme informado em sua DIPJ (doc. 05). Sendo assim, o recorrente entende que em razão do valor efetivamente devido (R$ 10.512.532,99) e o valor recolhido a maior (R$ 11.857.112,02), temse o crédito de R$ 1.344.579,03, objeto do presente pedido de compensação e não o valor constante do Pedido de Compensação de fls. 14/15, crédito original no valor de R$ 754.184,90. Entretanto, com todo o respeito aos que pensam de forma diversa, entendo, que neste caso em especial, não se torna possível a simples modificação do pedido original (Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação – fls. 13/17) após a decisão de primeira instância. Ora, a análise do pedidos de restituição ou compensação de tributos e contribuições devem ficar restritos ao âmbito do pedido original, no caso em discussão o PER/DCOMP (fls. 13/17), cujo valor original é de R$ 754.184,90. Entendo, que a fixação do termo inicial para a análise dos pedidos de PER/DCOMP estão estritamente vinculados ao momento em que o contribuinte ingressa com o respectivo pedido, não sendo razoável e nem lógico a sua mudança no decorrer da análise pelas autoridades julgadoras, como se pretende no presente processo, já que somente na fase recursal e através de alegações na peça recursal o contribuinte pretende inovar o seu pedido modificando o respectivo valor. Nessas condições, sou pelo provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação do pedido original de fls. 13/17. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de compensação conforme o pedido constante às fls. 13/17. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/201 3 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 13896.002973/2003-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (03/11/2003), aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1993) e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 18/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (03/11/2003), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1993) e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 29 73 /2 00 3- 49 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 106 16.422, proferido pela 6ª Câmara do 1º CC em 24/05/2007, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, afastou a decadência do direito de pedir do recorrente e determinou a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das demais questões. Segue abaixo sua ementa: “PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO RESTITUIÇÃO DE VALORES REFERENTES AO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PRAZO DECADENCIAL Quando o indébito se exterioriza a partir do reconhecimento da administração tributária devese tomar a data da publicação da norma que veiculou ser indevida a exação como o dies a quo para a contagem do prazo a que estava submetido o contribuinte para pleitear a restituição do indébito gerado com o entendimento veiculado por ela. Isto porque, antes da publicação da norma, não tinha o contribuinte o conhecimento de que era indevida a exação, e não se reconhecer tal fato seria penalizálo por ato que não praticou quando o seu direito não era reconhecido. O direito à restituição do imposto de renda retido na fonte sobre verbas recebidas em virtude de programa de desligamento voluntário nasce a partir de 06/01/1999, com a publicação da IN SRF n° 165, de 31/12/1998. Decadência afastada.” A Fazenda Nacional afirma que a decisão em comento diverge do paradigma que apresenta, cuja ementa será descrita abaixo: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.002973/200349 Acórdão n.º 9202002.501 CSRFT2 Fl. 8 3 “FINSOCIAL RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional).” (AC 30235.782) Explica que o acórdão recorrido considerou como dies a quo para a contagem do prazo decadencial relativo ao pedido de restituição data diversa daquela em que se deu a extinção do crédito tributário (publicação de instrução normativa n° 165). Pondera que o paradigma, por sua vez, firmou entendimento segundo o qual o dies a quo tem início com a extinção do crédito tributário, e não com a publicação de ato normativo ou prolação de decisão judicial. No mérito, afirma que, extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, consoante disposto no art. 168 c/c art. 165 do CTN, independentemente de a suposta ilegitimidade da cobrança do tributo ser ou não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Entende que a IN/SRF n° 165/1998 não é instrumento legítimo para a supressão de exigência tributária, e ainda que o fosse, não poderia ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes da sua vigência. Salienta que o CARF não pode afastar a aplicação de norma de ordem pública, nem mesmo na hipótese de considerála inconstitucional por falta de razoabilidade (art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e Súmula n° 2 do 1° CC). Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º DDF106153002_337, foi negado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional apresentou agravo, admitido nos termos do Despacho n.º 21010145/2009. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma que o Superior Tribunal de Justiça afirmou que o artigo 3º da LC 118/05 não abriga disposição meramente interpretativa (art. 106, 1, CTN). Desse modo, entende que o artigo 3° da LC 118/05 não poderia retroceder para alcançar fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor, de maneira que o entendimento da recorrente não é aplicável à hipótese em tela. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Frisa que a jurisprudência consolidada do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de autorizar a restituição de valores indevidamente recolhidos a titulo de IRRF, em casos nos quais tenha incidido sobre verba indenizatória advinda de PDV, desde que o pedido tenha sido protocolizado até 31 de dezembro de 2003, situação na qual se enquadra o presente caso. Ao final, requer que o pedido formulado pela PGFN não seja provido. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso especial constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.002973/200349 Acórdão n.º 9202002.501 CSRFT2 Fl. 9 5 ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.002973/200349 Acórdão n.º 9202002.501 CSRFT2 Fl. 10 7 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (03/11/2003), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1993) e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 18471.002314/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTO EM PROCESSO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DE EFEITOS. PODER DA ADMINISTRAÇÃO. A Administração Fiscal não tem poderes para atribuir ou para reconhecer efeitos infringentes de embargos oposto em sede de processo judicial. INCORPORAÇÃO. PENALIDADE. SUCESSÃO. SÚMULA 47 DO CARF Nos termos da Súmula 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF - é de se reconhecer a sucessão de multa de ofício no caso de cisão, fusão e aquisição entre empresas do mesmo grupo econômico. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.186
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quando à incidência de juros de mora nos depósitos judiciais, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Presente ao julgamento o Dr. Ruy Gustavo dos Santos Pontes – OAB/PE 7472187.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTO EM PROCESSO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DE EFEITOS. PODER DA ADMINISTRAÇÃO. A Administração Fiscal não tem poderes para atribuir ou para reconhecer efeitos infringentes de embargos oposto em sede de processo judicial. INCORPORAÇÃO. PENALIDADE. SUCESSÃO. SÚMULA 47 DO CARF Nos termos da Súmula 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF - é de se reconhecer a sucessão de multa de ofício no caso de cisão, fusão e aquisição entre empresas do mesmo grupo econômico. Recurso Voluntário Negado
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RECONHECIMENTO DE EFEITOS. PODER DA ADMINISTRAÇÃO. A Administração Fiscal não tem poderes para atribuir ou para reconhecer efeitos infringentes de embargos oposto em sede de processo judicial. INCORPORAÇÃO. PENALIDADE. SUCESSÃO. SÚMULA 47 DO CARF Nos termos da Súmula 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF é de se reconhecer a sucessão de multa de ofício no caso de cisão, fusão e aquisição entre empresas do mesmo grupo econômico. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quando à incidência de juros de mora nos depósitos judiciais, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Presente ao julgamento o Dr. Ruy Gustavo dos Santos Pontes – OAB/PE 7472187. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora. EDITADO EM: 18/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para fim de constituir débitos de contribuição ao Programa de Integração Social – PIS referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de março a junho de 2001. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para transcrever o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: “A DEFIC/Rio de Janeiro/RJ lavrou Auto de Infração, fls. 05/09, para exigir a Contribuição para o PIS no valor de R$266.483,38, com a multa de oficio de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente e enquadramento legal às fl. 07. Conforme Termo de fl. 04, o lançamento decorre de levantamento efetuado em 10/2002 sobre vinculação indevida de créditos e débitos do PIS declarados em DCTF, para os periodos de 03 a 06/2001, a titulo de exigibilidade suspensa por medida judicial, em relação ao contribuinte Telecomunicações de Minas Gerais S/ATELEMIG, CNPJ 17.184.201/0001 99, incorporada pela interessada em 03/08/2001 (fl. I 12). A fl. 12, Memo da Equipe de Ações judiciais do SECAT/DRFB1 1/MG, referente ao MS nº 1999.38.00.019.6295 — alargamento da base de cálculo da contribuição previsto na Lei 9718/98, informando que a ação transitou em julgado em 23/04/2002, com acórdão favorável à Fazenda Nacional. Constatou, também, que a vinculação de parte dos débitos de 05/2000 a 06/2001 à suspensão por medida liminar, sem depósito e sem provimento judicia1 favorável, estava equivocada. Em 30/07/2001, o contribuinte efetuou um único depósito de R$ 962.314,62 sem discriminar os créditos tributários. Assim, confrontando os valores declarados em DCTF como suspensos com esse depósito, apurou um saldo devedor no valor de R$ 378.103,82, que corrigido com acréscimos legais ate 27/08/2002 resultou na Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 4 3 Tabela de fl.13, base para apuração do crédito tributário, conforme fls. 04 e 07. Intimada em 14/10/2003, fl. 04, apresentou a impugnação de fls. 52/58, em 04/11 003, anexos de fls. 59/662, onde alegou, em Sintese, o seguinte: . em 05/1999 houve o deferimento da liminar quanto à Cofins e o indeferimento quanto ao PIS. A sentença de lª Instância concedeu a segurança, autorizando o recolhimento da Cofins conforme Lei Complementar 70/91 e do PIS pela Lei 9715/98. Com a exigibilidade suspensa, a impetrante continuou efetuando pagamento em DARF, optando a partir de 05/2000 por não recolher e declarar em DCTF, com exigibilidade suspensa, somente a parcela do crédito contestada judicialmente; . a 3ª. Turma do TRF da lª. Região deu provimento à apelação da União em 29/11/2000, reformando a sentença, tendo a Telemar/MG oposto embargos de declaração, cuja decisão só veio a ser publicada em 04/2002; . efetuou em 30/07/2001, o depósito integral dos valores contestados que não havia sido recolhidos por DARF, para suspender a exigibilidade do crédito com fulcro no art. 151, II do CTN, calculando principal e juros Selic, não aplicando a multa de mora uma vez que o depósito atendeu o prazo da Lei 9.430/96, art. 63, §2°; . o saldo apurado pelo Fisco decorre de considerar devida a multa de mora entre a data do vencimento e a data do depósito judicial, alem de aplicar a multa de oficio sobre o valo residual do debito apurado; . conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial, a exigibilidade encontravase suspensa até abril/2002, data da decisão que rejeitou os embargos. Na ausência de ordem expressa para que se de eficácia imediata à decisão embargada, esta só pode ser cumprida após publicada sua declaração; . continua em vigor a sentença de 1ª. instância, favorável em parte a ante, sendo descabido o lançamento mesmo com a finalidade especifica de evitar a decadência;. . ainda que se entendesse possível o lançamento só para evitar a decadência, ao cobrar a multa de oficio contraria a disposição do art. 63 da Lei 9430/96; ▪ de acordo com os arts. 132 e 134 do C'TN a PJ que resultar de fusão, transformação ou incorporação é responsável pelos tributos devidos até a data do respectivo sim, a multa de oficio não se aplica a incorporadora, não podendo extender o dispositivo; os sucessores só respondem pelo tributo e o STF tem decidido que multas punitivas só podem irrogadas ao infrator; . conforme decisão do STJ, somente a multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 5 4 Ser exigida do sucessor — que não é o caso dos a tos pois o lançamento foi efetuado em 13/10/2003, posterior ao ato da incorporação, em 02/08 001 • cita jurisprudência administrativa, para justificar a exclusão da multa; • a taxa Selic é imprestável como índice de juros de mora, conforme reconhecimento pelo STJ, devendo ser aplicado o teto de 1% a.m.. A interessada juntou aos autos cópias de documentos referentes ao processo, dos quais destacam se as seguintes informações: . copias do Mandado de Segurança, de 26/05/1999, fls. 124/145; . Decisão da Juiza Federal da 20a Vara da Seção Judiciária do Estado de MG, em 27/05/ 999, fls. 184/188; • Interposto o Agravo da interessada em 09/06199, fls. 217/236, temse a Decisão de fl. 47: "mantenho a decisão agravada", em 04/08/99; e o Agravo da Unido, em 26/07/99, fls. 23/245, cuja decisão à fl. 249, em 20/08/99, suspendeu a liminar referente a Cofins; • As fls. 251/260, na Sentença n° 2818 de 1a instancia, de 30/08/99, publicada em 03/19/99, fl. 261, a liminar foi parcialmente revogada para conceder em parte a segurança, fl. 259, autorizando o recolhimento do PIS nos moldes da Lei 9.715/98; • Após embargos de declaração, fls. 266/272, rejeitados em 22/09/99, publicados em 28/09/99, fl. 275, e recurso de apelação da interessada, fls. 277/284 e da Unido, fls. 289/291, temse as contrarazões da interessada, fls. 295/313; . À fl. 318, os autos foram recebidos pelo TRF da lª. Região, sob n° AMS.01.00.0339172MG; Em 27/06/2000, fl. 336, saiu a Decisão da 3ª Turma do TRF da la. Região, publicada em 29/11/2000, fl. 338, reformando a sentença, "à unanimidade, negou provimento apelação da Telemig, deu provimento à apelação da Unido Federal...", reformando a sentença, denegando a segurança e julgando prejudicada a remessa; . A interessada entrou com Embargos de Declaração em 05/12/2000, fls.341/348, e em 23/05/2001, conforme fl. 352, solicitou guia para depósito judicial, conforme art. 151 do CTN, tendo efetuado o depósito de R$ 962.314,62, Código 7460, em 30/07/2001, fl. 363 , indicando no DARF como Período de Apuração para o PIS 05/2000 a 06/2001; . À fl. 370, a interessada referese a depósito judicial referente a fatos geradores de 08 2001, copia DARF de fl. 372 referente ao PIS; Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 6 5 . Em 05/11/2001, fls. 374/382, a Telemar Norte Leste S/A comunica ao Juizo que, por ato de 13/07/2001, incorporou a Telecomunicações de Minas Gerais S/A Telemig (interessada), passando a responsável pelos tributo devidos e sendo a sua substituta processual (no Sistema CNPJ da SRF a data da incorporação é 03/08/2001, fl. 110); . Em 20/02/2002, a 3ª. Turma do TRF da lª. Região, por unanimidade, rejeitou os Embargos de Declaração, fls. 442/443, publicado em 05/04/2002, fl. 444; . À fl. 453, Certidão em 13/05/2002 de que o acórdão transitou em julgado em 23/04/2002; . À fl. 539, petição da interessada requerendo Desistência do feito em 30/09/2002, com conversão de depósito em renda e expedição de alvará de levantamento de crédito, tendo a manifestação da PGFN em 24/10/2002, fls. 589/591, e a decisão, indeferindo o pedido às fl. 592, nos seguintes termos: "a decisão ad quem transitou em julgado, conferindo ao revisor da sentença a imutabilidade peculiar a espécie",publicada em 15/11/2002; . a fl. 601, o Despacho de 26/02/2003, com a determinação de conversão em renda da União Federal de todos os depósitos judiciais relativos às exações questionadas. . às fls. 594/621, cópias do pedido de autorização de levantamento correspondente ao depósito de 08/2001, com seus desdobramentos, até o desfecho de fl. 621, 05/05/2003, que aditou a decisão de conversão em renda, excetuando o efetuado em agosto de 2001, o qual permanecerá à disposição do juizo até julgamento final do agravo de instrumento n° 2003.01.00.0079080MG pelo TRF – lª. Região; Juntei aos autos a consulta processual junto ao TRF da lª. Região de fls. 666/667.” Após a análise da defesa da Recorrente a Sétima Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ I, proferiu o acórdão nº 1213.7437, que restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Constatada, por imputação do depósito judicial convertido em renda, a insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, procedente é o lançamento sobre a diferença, com os devidos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. Cabível o lançamento de multa de oficio quando a exigibilidade do crédito não estiver suspensa por liminar em mandado de segurança ou deposito integral do crédito tributário. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 7 6 MORA TAXA SELIC. E cabível, por expressa disposição percentual legal, a exigência de juros de mora em superior a 1%. A partir de 01/04/1995, os juros de mora são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente.” Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário contra a decisão exarada alegando, em síntese: (i) a vigência de decisão favorável à época do depósito judicial, em vista do efeito suspensivo dos embargos de declaração; (ii) a impossibilidade de transferência da multa para o sucessor por incorporação e (iii) a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, registro que a controvérsia dos autos cingese a três pontos: (i) o efeito suspensivo dos Embargos de Declaração; (ii) a impossibilidade de sucessão de multa; (iii) a inconstitucionalidade declarada da Lei nº 9.718/98. (i) Do Efeito suspensivo dos Embargos de Declaração Do cômputo dos autos verifico que no caso em apreço a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.38.00.019.6295 na intenção de obter a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição ao PIS e Cofins previsto na Lei 9718/98. De acordo com as fls. 251/261 (fls. Eletrônica do volume II), a Recorrente obteve Sentença favorável ao seu pleito, (Sentença n° 2818, datada de 30/08/99, publicada em 03/09/99), autorizando o recolhimento do PIS nos moldes da Lei 9.715/98 e da Cofins nos termos da LC 70/91. Com base na mencionada decisão favorável a Recorrente deixou de recolher a parte controversa da contribuição ao PIS nos meses de 03 a 06/2001. Após analisar a remessa de ofício e o recurso de apelação (TRF da lª. Região, AMS.01.00.0339172MG), a 3ª Turma do TRF da lª. Região proferiu o acórdão publicado em 29/11/2000, fls. 13/29 (fls. Eletrônicas do volume II), reformando a sentença, "à unanimidade, negou provimento apelação da Telemig, deu provimento à apelação da União Federal...". Inconformada a Recorrente interpôs Embargos de Declaração (fls. 35/49 – Eletrônica, volume II). Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 8 7 Às Fls.53/55 – eletrônica, volume II – consta petição da Recorrente solicitando guia para depósito e juntando planilha de valores, indicando a competência e a composição de cada período acrescido de juros (taxa selic). O depósito foi realizado em guia única na data de 13/07/2001 (fls. 66 – eletrônica, volume II). Os Embargos de Declaração foram julgados em 20/02/2002 (fls. 196/200 – Eletrônica, volume II). Em virtude da ordem dos fatos é que foi lavrado o auto de infração em análise. A fiscalização entendeu que os Embargos de Declaração não possuíam efeito suspensivo e, portanto, a Recorrente estava em mora. Por estar em mora deveria ter realizado o depósito acrescido de multa, o que não foi feito. Neste momento, ao invés de aplicar a multa isolada de 75% cabível à época (artigo 44, §1º, da Lei nº 98.430/96 recolhimento do principal sem multa de mora), a fiscalização optou por proceder à imputação do pagamento, considerando o valor acrescido e multa de mora, e lançou a diferença de principal/multa/juros. Por outro giro, em seu entender, a Recorrente depositou integralmente o valor devido, calculando para isso o principal acrescido dos juros, nos termos do §2º, artigo 63, Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da Unido, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” Registrase que a autoridade administrativa entende inaplicável o mencionado artigo seja porque a contribuição ao PIS não teve decisão liminar favorável, apenas sentença, seja porque os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo. No que se refere à decisão favorável, não merece guarida a interpretação restritiva da decisão de primeira instância, ainda que não houvesse liminar, a Recorrente teve em seu favor decisão de mérito, válida, vigente e eficaz, uma vez que o recurso de apelação, em mandado de segurança não possui efeito suspensivo. Neste aspecto, na hipótese de a conduta da Recorrente não estar tipificada no §2º, estaria tipificada no §1º, pois o débito estava com a exigibilidade suspensa por força da sentença proferida no mandado de segurança “antes de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. Em relação aos efeitos dos Embargos de Declaração, a meu ver, e conforme manifestações já apresentadas em julgamentos desta Turma, os Embargos de Declaração têm Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 9 8 efeito suspensivo, pois a regra geral que estabelece os efeitos dos recursos é a de que tenham efeito suspensivo e devolutivo. Destaco, ainda, que no meu entendimento o efeito suspensivo dos Embargos de Declaração independente dos efeitos que possuem os demais recursos cabíveis contra a decisão embargada cujo prazo os Embargos interrompem. Advêm da regra geral de que todos os recursos têm efeito suspensivo, a menos que a Lei venha a excepcionálo desta regra. Assim, entendo que não importa os efeitos que possuem os recursos seguintes cabíveis. Ressalto, ainda, que o efeito suspensivo é imprescindível aos Embargos de Declaração, na medida em que, uma vez opostos, a finalidade é que venham a esclarecer alguma obscuridade, sanar omissão ou contradição, a fim de que a decisão possa ser adequadamente cumprida. Negar efeito suspensivo aos Embargos de Declaração seria permitir o cumprimento inadequado da decisão proferida, admitindose, inclusive, o risco de perda ou dano ao direito tratado. Corrobora este entendimento voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Alexandre Gomes, nos autos do processo nº 10680.021762/9987, verbis: “A regra processual esculpida no Código de Processo Civil tem como regra geral a suspensividade dos recursos, negandolhe expressamente tal efeito em casos específicos, como no Recurso Especial e Extraordinário1. Se a lei processual silencia a respeito dos efeitos aplicáveis aos declaratórios, não há como deixar de aplicarlhes a regra geral. Humberto Theodoro Junior2 assim ensina: Certo que em alguns casos a lei, prevendo a conveniência de autorizar a execução provisória, estatui que o recurso somente terá efeito devolutivo. Isto, porém, representa situação de exceção, que, por isso mesmo, se presta a confirmar a regra geral de que o efeito natural, na espécie, é o de suspender a eficácia do ato judicial impugnado. Ressalta, a propósito, BARBOSA MOREIRA, que o Código, ao cuidar das “Disposições Gerais” do capítulo pertinente aos recursos, julgou necessário indicar, logo no segundo dispositivo” (i.e., no art. 497) “os casos em que a interposição de recurso não tem efeito suspensivo”. Nesse sentido, aduz COUTURE que a privação provisória de efeitos da decisão recorrida “es connatural con los procedimientos de impugnación, y 1 Art. 497. O recurso extraordinário e o recurso especial não impedem a execução da sentença; a interposição do agravo de instrumento não obsta o andamento do processo, ressalvado o disposto no art. 558 desta Lei. 2 Humberto Theodoro Júnior, Os Embargos de Declaração e Seus Efeitos, Juris Síntese 36, 08/02 (http://www.direitointegral.com/2008/12/embargosdeclaracaoefeitosuspensivo.html) Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 10 9 sólo en casos excepcionales es posible prescindir de la suspensión de los efectos del fallo impugnado”. A razão de ser desse enunciado legal situase no fato de que “a regra, na matéria, é a da suspensividade, como, aliás, ressumbra do tratamento dado, no particular, à apelação. Por conseguinte, sempre que o texto silencie, deve entenderse que o recurso é dotado de efeito suspensivo: assim ocorre com os embargos infringentes”. De igual teor é o pensamento, também, de NELSON NERY JÚNIOR, para quem “no sistema recursal do Código de Processo Civil brasileiro, a regra é o recebimento dos recursos nos efeitos suspensivo e devolutivo”. Uma vez, pois, que o Código de Processo Civil não priva os embargos de declaração, por regra alguma, da natural eficácia suspensiva, urge reconhecêla, como decorrência natural e lógica do sistema recursal adotado por nosso direito positivo. É a conclusão a que chega a melhor doutrina: “Como os recursos em geral, salvo exceção expressa, os embargos de declaração mantêm em suspenso a eficácia da decisão recorrida”. Para NELSON NERY JÚNIOR, pelos fundamentos já expostos, “são também recebidos no duplo efeito os embargos de declaração (art. 538, caput, do CPC) e os embargos infringentes (art. 530, CPC)”. Anota NELSON LUIZ PINTO, sobre o tema, que os embargos de declaração, como os recursos em geral, são dotados dos efeitos devolutivo e suspensivo. Têm o efeito devolutivo “na medida em que proporcionam a devolução da matéria decidida ao Poder Judiciário”, embora a revisão a ser efetuada fique restrita ao “esclarecimento e integração do decisório embargado”. Sua interposição, outrossim, obsta à formação da coisa julgada ou à preclusão da decisão recorrida”. E, enfim, “possuem os embargos de declaração, também, efeito suspensivo da executoriedade da decisão recorrida, não permitindo que se proceda à execução provisória”. Aliás, mais do que qualquer outro recurso, os embargos de declaração não podem prescindir da força de suspender a decisão impugnada. Sua própria índole é a de aperfeiçoar o ato judicial que, como está, se revela lacunoso, contraditório ou impreciso, tornandose, por isso, de difícil compreensão e de perigosos resultados práticos. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 11 10 O julgamento de qualquer recurso tende a substituir o julgado anterior, ou seja, o que foi objeto de impugnação, de maneira que a eficácia natural do ato emanará do segundo julgamento e não do primeiro. Essa necessidade de aguardar o julgamento do recurso tornase muito mais enérgica nos casos do art. 535 do CPC, tanto que o Código manda interromper o prazo para o recurso principal, ou seja, para o recurso de impugnação e revisão do conteúdo do decisório embargado. Isto revela que há uma razão lógica para terse como de eficácia suspensa a sentença embargada. É que “não se pode compelir o legitimado a recorrer de ato judicial cujo sentido ele não alcança por causa da obscuridade, contradição ou omissão”. No presente caso o depósito judicial foi realizado enquanto pendentes de análise os Embargos de Declaração, ou seja, enquanto vigia a sentença favorável à Recorrente. A decisão então favorável somente deixou de produzir efeitos (foi cassada) com a publicação do acórdão que julgou os Embargos de Declaração, o que ocorreu em 20/02/2002. Neste sentido, o auto de infração não poderia ter sido lavrado, pois o depósito, acrescido dos juros é suficiente para a quitação do débito. (ii) Da Impossibilidade de Sucessão de Multa Partindo da premissa que o cancelamento total do auto de infração não prevaleceu na turma de julgamento, e uma vez que se trata de órgão colegiado, passo a analisar os demais argumentos. Em relação à sucessão de multa, minha opinião pessoal é de que a razão pertence à Recorrente. Realmente, entendo que o Código Tributário Nacional é bastante claro ao se referir à transferência das multas punitivas para aDaniel, s sucessoras. O artigo 132 é cristalino ano indicar que a sucessão é apenas do valor do tributo, verbis: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas." (destacamos) Ademais, as penalidades são de caráter personalíssimo, razão pela qual não seriam suscetíveis de transferência por incorporação. Todavia e, à despeito deste entendimento, é de se mencionar que este Egrégio Tribunal Administrativo possui uma Súmula sobre esta matéria, e a conclusão vai em sentido diametralmente oposto ao externado por esta Conselheira. É o que se verifica do texto abaixo mencionado: “Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 12 11 que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.” Desta forma e por expressa determinação regimental (RICARF artigo 45, inciso VI), concluo pela possibilidade pela sucessão da multa no caso de incorporação de empresas no mesmo grupo econômico. (iii) Da Inconstitucionalidade Da Lei nº 9.718/98 Ao adentrar no mérito, que deve ser analisado em virtude da decadência ser parcial, duas questões restam para análise. A primeira é processual, e remete à possibilidade ou não deste Colegiado, uma vez autorizado por seu Regimento Interno, aplicar a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal quando da análise dos REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. Conforme relatado, verificase que a Recorrente apresentou medida judicial (mandado de segurança nº 99.00179226) para discutir a constitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98. Todavia, não obteve êxito nesta ação, sendo que a decisão do tribunal que lhe foi contrária transitou em julgado em abril/02. No presente recurso, pretende a Recorrente a aplicação do posicionamento do Supremo independentemente desta decisão judicial, uma vez que se trata de exigência fundada em norma nula. Pois bem. Confesso que me incomodo com a manutenção de uma cobrança pautada em legislação sabidamente inconstitucional. Pareceme absurdo, no que se refere à justiça, a manutenção de qualquer auto de infração fundamentado em “norma nula”. Isto porque, doutrinariamente falando, lei inconstitucional é lei nula, e a consequência da nulidade é justamente a ausência de produção de efeitos. Algo que nunca existiu – ou nunca deveria ter existido – certamente nunca produziu efeitos – ou nunca poderia têlos produzido. E, até então, a declaração de inconstitucionalidade traria a situação julgada para seu status quo ante,ou sejam para o estado imediatamente anterior. Digo que “até então” pois a “modulação” dos efeitos de uma declaração de inconstitucionalidade, a meu ver, trouxe certa confusão às estáticas significações de nulidade e anulação, sendo que hoje algo pode ser nulo mas produzir efeitos até um determinado momento. Todavia, e a despeito de toda divagação entre o que é nulo e o que é anulável, analisando o fato in concreto, temse que a Recorrente foi ao judiciário buscar um determinado provimento jurisdicional que lhe foi negado. Obteve uma ordem judicial contrária ao seu pleito, e solicita, a este tribunal, que altere esta ordem judicial. Não que os motivos não sejam relevantes, a ordem está pautada em uma norma que o Supremo Tribunal Federal disse ser nula, entretanto, ao fim o que se requer é que um tribunal administrativo altere uma decisão definitiva de um tribunal judicial, o que não pode ser feito por absoluta ausência de competência. Apenas o judiciário é competente para modificar decisão terminativa proferida por seus membros. Esta espécie de “controle”, inclusive em respeito ao pacto federativo, não pode ser realizada por órgão administrativo vinculado ao Poder Executivo. É a segurança jurídica do contribuinte, inclusive defendendo o cidadão do governante do próprio Estado. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 13 12 É exatamente por isso que o ordenamento jurídico prevê as possibilidades de reversão de decisão judicial transitada em julgado (Ação Rescisória, artigo 485 do Código de Processo Civil – CPC), trazendo inclusive limites para esta alteração. Limites estes impostos para os próprios membros do judiciário que irão reavaliar o que foi decidido. A questão aqui analisada se complica ainda mais, porque a decisão do tribunal superior que concluiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, não foi proferida em controle concentrado de constitucionalidade, mas apenas em controle difuso, em rigor aplicável apenas às partes participantes dos autos daqueles processos (REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084). Da mesma forma, não foi requerida ao Senado Federal a expedição de uma Resolução, na intenção de que a citada norma fosse expurgada do ordenamento jurídico. Tais fatos são relevantes, porque a decisão do STF não possui efeitos erga omnes. Assim, ao acolher a tese da Recorrente este Colegiado, pertencente a um tribunal administrativo vinculado ao Poder Executivo, estaria contrariando uma decisão judicial transitada em julgado com base em precedente da Suprema Corte, em uma decisão que não tem efeitos para outros contribuintes ao não ser aqueles vinculados aos processos judiciais naquele momento julgados. Anoto que o Regimento Interno deste Tribunal permite que os julgadores administrativos reconheçam a inconstitucionalidade de leis já desta forma julgadas pelo Pleno do STF, certamente com a intenção de diminuir a quantidade de processos que mesmo tratando de causas decididas ainda tramitam pelo judiciário. Entretanto, entendo que tais regras, que são administrativas, não autorizam a utilização destas decisões para modificar a coisa julgada judicial. Desta forma, apesar de compreender que a manutenção da exigência significa permitir a cobrança de tributo pautado em norma considerada pela Suprema Corte nos REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 como inconstitucional, em vista da questão específica ora analisada e das limitações que são impostas aos julgadores administrativos, não vejo outra opção a não ser negar provimento ao Recurso do contribuinte neste particular. Ante o exposto CONHEÇO do presente posto que de acordo com os pressupostos de admissibilidade, e no mérito DOU PROVIMENTO ao recurso, por reconhecer os efeitos suspensivos dos Embargos de Declaração para o fim de cancelar o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Voto Vencedor Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 14 13 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Acompanho a Ilustre Conselheira Relatora em relação às seguintes matérias: (i) a possibilidade de sucessão de multa; (ii) a inconstitucionalidade declarada da Lei nº 9.718/98. Faço minhas as palavras do brilhante voto da Ilustra Conselheira Relatora Fabiola Cassiano Keramidas em relação a estas matérias. Com toda vênia, ouso discordar da Ilustra Conselheira Relatora Fabiola Cassiano Keramidas em relação à matéria “o efeito suspensivo dos Embargos de Declaração”, pelas razões de fato e de direito que passo a expor. Conforme bem disse a decisão recorrida, o crédito tributário exigido neste processo não estava com a sua exigibilidade suspensa e, consequentemente, a ele não se aplica as disposições do art. 63 da Lei nº 9.440/96. Nunca houve medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário do PIS e nem os depósitos realizados o foram no montante integral do débito, posto que realizados após o vencimento e sem a multa de mora. Quanto aos efeitos infringentes dos embargos de declaração, a administração fiscal não tem poderes para atribuir ou reconhecer efeitos infringentes de embargos oposto na esfera judicial. Contra a tese da recorrente de que todo embargos de declaração tem efeitos infringentes posicionouse a Segunda Turma do STJ, no EDcl do Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. 1. É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). No caso dos autos, não está presente nenhum dos pressupostos que poderiam atribuir efeitos infringentes aos embargos de declaração interpostos pela recorrente no mandado de segurança que impetrou contra a Fazenda Nacional: não há erro de fato que tenha servido de base para a decisão embargada. Tanto é que tal efeito não foi reconhecido nem da decisão de admissão e nem no julgamento do mérito do referido embargos de declaração. Portanto, os depósitos judiciais deveriam ter sido realizados com os respectivos acréscimos legais de multa e juros de mora. Como não o foram, o valor depositado foi insuficiente para liquidar os débitos da recorrente, sendo legítimo o lançamento com a Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.002314/200317 Acórdão n.º 3302001.186 S3C3T2 Fl. 15 14 aplicação da multa de ofício, não havendo que se falar em lançamento para prevenir a decadência. O Lançamento não teve esta finalidade, razão pela qual deixo de apreciar os argumentos da recorrente relativos a este tema, posto que estranhos à lide. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF nº 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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