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Numero do processo: 10830.916428/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 3803-004.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 67 1 66 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.916428/200901 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.034 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2013 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 64 28 /2 00 9- 01 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916428/200901 Acórdão n.º 3803004.034 S3TE03 Fl. 68 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação das compensações pleiteadas. O contribuinte havia transmitido Pedidos de Restituição e Declarações de Compensação (PER/DCOMPs) em 9/10/2006 e 9/11/2006, referentes a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração maio de 2002, no valor original de R$ 10.164,98, destinado a quitar débitos da titularidade do sujeito passivo. Por meio de despachos decisórios eletrônicos, a repartição de origem não homologou as compensações, pelo fato de que o pagamento declarado nos PER/DCOMPs já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação “in totum” dos despachos decisórios e o reconhecimento do crédito pleiteado com a correspondente homologação das compensações formuladas, alegando o seguinte: a) o crédito decorre de recolhimento indevido da Cofins ocorrido em 14 de junho de 2002 no valor original de R$ 16.953,23; b) o despacho decisório não informa o número do PER/DCOMP em que o crédito pleiteado teria sido utilizado, nem o tributo compensado ou o período correspondente; c) “houve excesso de sanha arrecadatória por parte da Autoridade Fiscal e pouco empenho quer na análise do direito creditório quer no lastreamento com qualquer PERD/COMP; fato este que impossibilita e limita a Impugnante de formular sua defesa” (fl. 2). A DRJ Campinas/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Válido o Despacho Decisório em que foi demonstrada a utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/Dcomp em débito declarado pelo próprio contribuinte em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ Campinas/SP, com a homologação total das compensações pleiteadas, sob pena de descumprimento de determinação judicial, arguindo o seguinte: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916428/200901 Acórdão n.º 3803004.034 S3TE03 Fl. 69 3 a) “é fato verdadeiro que o débito foi declarado em DCTF e utilizado para quitação da Cofins” (fl. 46); b) “também é fato verdadeiro que devido ao lapso temporal não se consegue retificar a fatídica DCTF” (fl. 46); c) “o Contribuinte promoveu medida judicial que recebeu decreto de provimento para fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigasse a Recorrente a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9.718/98 nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, bem como autorizou a Contestante (ora Recorrente) a promover compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior nos períodos supra, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para a correção do saldo devedor, devendo o Contribuinte, nos termos do § 1º do art. 74 da Lei 9.430/06, quando do procedimento da compensação, efetuar entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos confessados, tudo como se vê do incluso documento” (fls. 46 a 47); d) a própria Procuradoria da Fazenda editou orientação de que o tema levado ao Poder Judiciário não fosse mais objeto de contestação ou recurso; e) está cumprindo determinação judicial, em conformidade com o contido no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN); f) os valores pleiteados são de fácil confirmação por parte da Receita Federal, pois que constam das DIPJs. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópia de documento obtido na internet, em que se faz referência à decisão de primeiro grau no processo judicial por ele referenciado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir explanados. Inovando em relação à primeira instãncia administrativa, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte informa a existência de ação judicial versando sobre a mesma matéria deste processo e traz cópia da sentença da 3ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP. Considerando a cópia da sentença supra referenciada, assim como o resultado da consulta ao sítio na internet da Seção Judiciária de São Paulo realizada em 5 de março de 2013, constatase que o processo judicial nº 2006.61.05.0101393, em que o ora Recorrente encontrase na condição de Impetrante, transitado em julgado em 7/11/2012, versa, de fato, sobre a mesma matéria sobre a qual se controverte nestes autos, qual seja, o direito de creditamento de indébitos decorrentes de pagamentos indevidos da Cofins efetuados com base Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916428/200901 Acórdão n.º 3803004.034 S3TE03 Fl. 70 4 na Lei nº 9.718, de 1998, o que evidencia a ocorrência de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. A ordem constitucional pátria assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário1 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Esse entendimento encontrase sumulado neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não cabe nesta instância a apreciação da mesma matéria já submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, tendo em vista que a matéria já foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, configurandose renúncia à via administrativa, em razão do que os fundamentos de fato e de direito trazidos pelo Recorrente não serão apreciados por este Colegiado. 1 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.916428/200901 Acórdão n.º 3803004.034 S3TE03 Fl. 71 5 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000188/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/07/2007
REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. ELEMENTOS QUE REVELAM EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE TRABALHO E NÃO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PESSOALIDADE E SUBORDINAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Se alguém deseja contratar, de maneira eventual, uma prestação de serviços sem que seja relevante a pessoa física que irá realizar o serviço, o negócio jurídico previsto em nosso ordenamento é um contrato de prestação de serviços. Por outro lado, para uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante, nosso ordenamento prevê a figura do contrato de trabalho. Se o conjunto fático provado nos autos demonstrar que existiu uma prestação de serviços com tais características, a requalificação jurídica dos fatos levará à conclusão de que devem ser considerados os efeitos jurídicos de um contrato de trabalho.
Ausentes provas de tais elementos, devem prevalecer os efeitos do contrato de prestação de serviços formalizado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/07/2007 REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. ELEMENTOS QUE REVELAM EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE TRABALHO E NÃO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PESSOALIDADE E SUBORDINAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Se alguém deseja contratar, de maneira eventual, uma prestação de serviços sem que seja relevante a pessoa física que irá realizar o serviço, o negócio jurídico previsto em nosso ordenamento é um contrato de prestação de serviços. Por outro lado, para uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante, nosso ordenamento prevê a figura do contrato de trabalho. Se o conjunto fático provado nos autos demonstrar que existiu uma prestação de serviços com tais características, a requalificação jurídica dos fatos levará à conclusão de que devem ser considerados os efeitos jurídicos de um contrato de trabalho. Ausentes provas de tais elementos, devem prevalecer os efeitos do contrato de prestação de serviços formalizado. Recurso Voluntário Provido.
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VÍNCULO Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/07/2007 REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. ELEMENTOS QUE REVELAM EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE TRABALHO E NÃO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PESSOALIDADE E SUBORDINAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Se alguém deseja contratar, de maneira eventual, uma prestação de serviços sem que seja relevante a pessoa física que irá realizar o serviço, o negócio jurídico previsto em nosso ordenamento é um contrato de prestação de serviços. Por outro lado, para uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante, nosso ordenamento prevê a figura do contrato de trabalho. Se o conjunto fático provado nos autos demonstrar que existiu uma prestação de serviços com tais características, a requalificação jurídica dos fatos levará à conclusão de que devem ser considerados os efeitos jurídicos de um contrato de trabalho. Ausentes provas de tais elementos, devem prevalecer os efeitos do contrato de prestação de serviços formalizado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 478DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000188/200895 Acórdão n.º 230102.862 S2C3T1 Fl. 458 3 Relatório Tratase de lançamento nº 37.143.7458, lavrado em 14/02/2008, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias e o adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT), apurados sobre remunerações de empregados utilizados em contratos firmados entre a recorrente e a SAHUCAM, no período de 11/2002 a 07/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 75.104,19, fls. 01. A autoridade fiscal entendeu que os funcionários da Sociedade dos Amigos do Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (SAHUCAM) utilizados em vários contratos firmados com a Prefeitura possuíam com esta verdadeiro vínculo de emprego, pois estariam presentes todos os elementos caracterizadores de tal relação jurídica. Especialmente quanto à subordinação jurídica, aponta cláusulas dos contratos entre a SAHUCAM e a Prefeitura para concluir que, estando a recorrente responsável pela elaboração de planos de trabalho, pelo acompanhamento das atividades e pela execução do contrato, estaria evidenciada tal subordinação. Após tomar ciência postal da autuação em 29/02/2008, fls. 904, a recorrente apresentou impugnação, fls. 253/256, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 12ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 408/417, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 22/04/2009, fls. 432. Foi reconhecida a decadência pelo art. 150, §4º do CTN, excluindo as competências 11 a 13/2002. O recurso voluntário, apresentado em 11/05/2009, fls. 433/437, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Entende que a Sociedade dos Amigos do Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes (SAHUCAM) é entidade assistencial que está na mesma situação jurídica da Cáritas Arquidiocesana de Vitória no tocante ao benefício da isenção/imunidade. Aponta que o contrato entre a Prefeitura e a SAHUCAM foi validado pelo Tribunal de Contas, conforme documento que juntou aos autos. O vínculo de emprego não seria possível de ser reconhecido por não estarem presentes todos os requisitos legais e por isso representar ofensa ao art. 37, inciso II da Constituição Federal (CF). É o relatório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. O cerne da discussão diz respeito a caracterização do contrato de trabalho, a despeito da existência de um contrato de prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas. Caracterização do contrato de trabalho. Qualificação jurídica dos fatos. Presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade. A matriz legal da caracterização de empregado na seara tributária é o art. 12, inciso I da Lei 8.212/91: DOS CONTRIBUINTES Seção I Dos Segurados Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A lei tributária, portanto, definiu o empregado como “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado”. Ao assim definir, destacou a necessidade de três requisitos para caracterização do empregado: não eventualidade, subordinação e onerosidade. São requisitos totalmente alinhados com o que prevê a legislação trabalhista por intermédio da CLT: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a Fl. 481DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000188/200895 Acórdão n.º 230102.862 S2C3T1 Fl. 459 5 direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Tomando a legislação trabalhista, a doutrina estabeleceu como requisitos para a relação de emprego: a continuidade, subordinação, onerosidade e pessoalidade. Parecenos que a lição de Amauri Mascaro do Nascimento é perfeitamente cabível também para a lei tributária acima citada, pois a pessoalidade adviria da expressão “as seguintes pessoas físicas” contida no caput do art. 12. Assim, assumimos os quatro requisitos apontados pelo doutrinador como necessários para que um prestador de serviço seja considerado empregado. Nesse cenário, cabe à autoridade fiscal demonstrar que, em dada situação, tais requisitos foram constatados para que o prestador seja considerado empregado e os pagamentos feitos a ele sejam tidos como remuneração que deve sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Se o contratante e o prestador ajustaram entre si que haveria a interposição de uma pessoa jurídica para a formalização da prestação de serviço, isso em nada altera a situação fática, pois, por exemplo, não é por denominarmos de compra e venda um negócio que se revela com as características jurídicas de uma doação que este assim será reconhecido no mundo do direito. Esse raciocínio traz em si a noção de causa objetiva do negócio jurídico que, seguindo as lições de Antonio Junqueira de Azevedo, equivale à função práticosocial ou econômicosocial do negócio. (Cf. AZEVEDO, Antonio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 151). Adotando tais lições, Rodrigo de Freitas assinalou como a análise da causa objetiva permeia o trabalho do intérprete tributário (Cf. FREITAS, Rodrigo. É legítimo economizar tributos? Propósito negocial, causa do negócio jurídico e análise das decisões do antigo Conselho de Contribuintes. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITAS, Rodrigo de (org.). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, p. 441490, (p. 4756)): “O conteúdo do negócio jurídico (previsão objetiva – vontade declarada), plasmado em forma de linguagem, serve de parâmetro, de referência, para a determinação do regime jurídico. Contudo, é na análise da causa objetiva que o trabalho do intérprete irá apurar se o regime jurídico é adequado à norma tributária ou não. (...) (...)concluise que não é o conteúdo formal do negócio jurídico consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência da norma tributária, mas sim a causa objetiva. O que Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 importa ao intérprete é procurar a verdade substancial do evento, não a simples declaração de vontade objetivada em forma de linguagem.” Portanto, cabe ao intérprete da lei identificar os dados da realidade para promover a requalificação jurídica dos fatos, ou seja, identificar para qual negócio jurídico apontava a causa objetiva do verdadeiro negócio celebrado. Identificado o negócio celebrado, atribuise a este as conseqüências que a legislação tributária prescreve. Para tanto, cumprenos identificar a causa objetiva do negócio jurídico celebrado. Se alguém deseja contratar, de maneira eventual, uma prestação de serviços sem que seja relevante a pessoa física que irá realizar o serviço, o negócio jurídico previsto em nosso ordenamento é um contrato de prestação de serviços. Ou seja, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do referido contrato é oferecer uma prestação de serviço eventual e não pessoal. Evidente que quem contrata deseja que o serviço seja executado segundo sua orientação ou necessidade, daí a presença da subordinação técnica nesse tipo de contrato. Mas a ausência de pessoalidade não permitirá que o contratante exija que o contratado se submeta a todo o seu comando, inclusive, por exemplo, o modo de proceder no decorrer da execução. A subordinação técnica não permite que a contratante exerça todo o seu poder de direção. De outro modo, para uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante, nosso ordenamento prevê a figura do contrato de trabalho. Portanto, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do negócio jurídico denominado contrato de trabalho é permitir uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante. Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio com a denominação de contrato de prestação de serviço, mas que tem a causa objetiva, a função práticosocial ou a finalidade econômicosocial de um contrato de trabalho, então o negócio formalizado é um ato ilícito, conforme art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Ou seja, quem celebra negócio com falsa causa objetiva, abusa de seu direito, comete ato ilícito, pois excedeu os limites impostos pelo fim econômicosocial, pela causa objetiva do negócio. A formalização declarada é ilícita, mas os efeitos tributários do negócio jurídico celebrado subsistem, conforme sua causa objetiva. Assim, embora os contratos de prestação de serviço possam estar perfeitamente formalizados, as empresas envolvidas regularmente criadas e inscritas nos órgãos públicos, as situações fáticas revelaram que a recorrente desejava contratar uma prestação de serviço contínua, pessoal e a ela subordinada, o que é causa objetiva, função práticosocial ou econômicosocial, não do contrato de prestação de serviços pretendido pela recorrente, mas do contrato de trabalho. Em situação similar, este Colegiado já se manifestou pela consideração de rendimentos do trabalho mesmo com a existência de pessoa jurídica que foi interposta na relação entre contratado e contratante. Vejamos: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000188/200895 Acórdão n.º 230102.862 S2C3T1 Fl. 460 7 Acórdão 10421.954 CESSÃO DO DIREITO AO USO DA IMAGEM CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA IMPOSSIBILIDADE DE SEREM PROCEDIDAS POR OUTRA PESSOA, JURÍDICA OU FÍSICA PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS JOGADOR DE FUTEBOL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, o jogador de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terá seus rendimentos tributados na pessoa física incluídos aí os rendimentos originados no direito de arena/cessão do direito ao uso da imagem, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Em suma, na presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade, teremos a caracterização de um contrato de trabalho e, portanto, os pagamentos feitos ao prestador do serviço serão considerados parcela remuneratória que está no campo de incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. No âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, exigese apenas dois elementos para caracterização do contrato de trabalho em face de interposição de pessoa jurídica: pessoalidade e subordinação direta. Vejamos a Súmula 331: Súmula Nº 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. A pessoalidade existe naquela situação na qual o empregado não pode fazer se substituir sem o consentimento do empregador (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 153). Sobre a subordinação tomemos algumas lições doutrinárias. Vinculado por um contrato de trabalho, o empregado é, segundo a lição de Amauri Mascaro do Nascimento (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 155): “um subordinado porque ao se colocar nessa condição consentiu por contrato que o seu trabalho seja dirigido por outrem, o empregador. Este pode dar ordens de serviço. Pode dizer ao empregado de que modo deverá trabalhar, o que deverá fazer, em que horário, em que local etc.” O mesmo autor adverte que nos altos escalões administrativos a subordinação é mais tênue: “..nos altos escalões administrativos da empresa, há diretores que têm subordinação leve, quase imperceptível, a ponto de confundir alguns teóricos quando procuram responder qual a sua posição jurídica (...).Há, também nesse nível. A subordinação, embora menos visível, mas existente, com as nuanças próprias da situação em que esses trabalhadores, predominantemente intelectuais, encontramse. Só o fato de, numa empresa, alguém se inserir numa organização para cumprir diretrizes que não traça, mas que provém de uma assembléia da sociedade, é indicativo.”( Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 156) Logo, quando há uma prestação de serviços com pessoalidade por alguém que segue diretrizes que não traça, temos configurado a presença de subordinação. Passemos à análise fática do caso dos autos. Os dois principais elementos para caracterização da relação de emprego, a pessoalidade e a subordinação jurídica , não foram provados nos autos. Quando existe um contrato de prestação de serviços, a descaracterização deste para a requalificação para um contrato de trabalho direto com a contratante exige que a pessoalidade seja analisada quanto à exigência de que sejam utilizados prestadores bem específicos e que estes não possam ser substituídos. Tal situação inexiste nos autos. Mesmo sendo os mesmos funcionários durante todo o período de contratação, não havia impedimento para a troca destes. Os elementos presentes nos autos não permitem concluirmos pela presença da pessoalidade. A fiscalização apontou que as cláusulas dos contratos entre SAHUCAM e Prefeitura eram suficientes para demonstrar a presença da subordinação jurídica. No entanto, a subordinação, em regra, é provada por elementos fáticos da realidade da prestação de serviços e não por cláusulas contratuais. Se aceitássemos somente as regras contratuais não poderíamos Fl. 485DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.000188/200895 Acórdão n.º 230102.862 S2C3T1 Fl. 461 9 desconsiderálas quando a realidade fática fosse divergente, como, de fato, fazemos na requalificação jurídica dos fatos. Se a fiscalização tivesse diligenciado no local de trabalho dos empregados e verificado que estes atuavam com a supervisão direta da Prefeitura, teria juntado elementos que evidenciariam a subordinação jurídica, mas isso não foi feito. Sem provas da presença da pessoalidade e da subordinação jurídica não há como manter a atribuição de vínculo entre recorrente e empregados da SAHUCAM conforme proposta da fiscalização. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10510.002152/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a parcela de R$ 11.606,64 referente à dedução de pensão alimentícia judicial, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a parcela de R$ 11.606,64 referente à dedução de pensão alimentícia judicial, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/SDR/BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 21 52 /2 00 8- 14 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.002152/200814 Acórdão n.º 2801002.867 S2TE01 Fl. 100 2 “O interessado impugna auto de infração do anocalendário 2006, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 7.693,20 e glosadas deduções de dependentes (R$ 4.548,96), despesas médicas (R$ 2.956,68), despesas de instrução (R$ 4.747,68) e pensão alimentícia (R$ 28.289,42). Apresenta documentos para comprovar as deduções glosadas. Quanto aos rendimentos omitidos, argumenta, em síntese (fls. 30) que são verbas isentas, pois não podem ser computadas no cálculo da determinação do teto salarial dos funcionários públicos, como determina a Lei n° 8.852/1994. Acrescenta que no auto de infração não foi computado o imposto retido na fonte.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 69/70, que restou assim ementado: TETO SALARIAL DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS. ISENÇÃO. A norma que regulamenta o cálculo do teto salarial dos funcionários públicos não estabelece hipótese de isenção do imposto de renda. DEPENDENTES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os beneficiários de pensão alimentícia não podem ser deduzidos como dependentes. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 12/09/2011 (AR fl. 72), o interessado interpôs o recurso de fls. 73/75, em 26/09/2011. Em sua defesa, pretende seja reformada a decisão recorrida para considerar comprovado o pagamento do valor de R$ 11.606,64 referente à pensão alimentícia judicial, conforme cópia da tela do Sistema de Informações do Banco do Brasil, identificando agência e conta corrente de Carlene Dias da Silva, bem como cópia dos extratos da conta corrente do recorrente, de janeiro a dezembro de 2006, fornecidas pela Agência 33618 do Banco do Brasil, onde o recorrente recebe seus proventos, comprovando a efetiva transferência dos valores. Ainda esclarece que os valores não foram creditados na conta corrente da Caixa Econômica Federal indicada na sentença judicial porque referida conta foi encerrada e, com a anuência das destinatárias os depósitos foram efetuados em nova conta indicada no Banco do Brasil. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa da pensão alimentícia paga a Mirella de Sousa Vieira (filha do contribuinte). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10510.002152/200814 Acórdão n.º 2801002.867 S2TE01 Fl. 101 3 Sobre o assunto, assim se pronunciou a decisão recorrida: “O impugnante apresenta sentença judicial que determinava o desconto em folha pagamento da pensão judicial da sua filha Mirella de Sousa Vieira, que deveria ser creditada na conta corrente da mãe da menor, Carlene Dias da Silva, n° 1368048, na agência 0162 da Caixa Econômica Federal. O comprovante de rendimentos pagos ao contribuinte pela Polícia Rodoviária Federal atesta que não houve este desconto em 2006 (fls. 09). Diante destes fatos, o mero recibo de fls. 23, de R$ 14.301,87, não pode ser considerado prova hábil do pagamento da pensão, pois não atende à determinação judicial. Neste caso, deveria ao menos comprovar a efetividade da transferência bancária destes valores. A menor também não pode ser considerada como dependente, pois a sentença judicial comprova que estava sob a guarda da sua mãe.” Em sede de recurso o contribuinte apresenta, à fls. 77/78, documentos fornecidos pelo Banco Brasil que demonstram a transferência de valores para a conta de Carlene Dias da Silva, mãe de sua filha Mirella de Sousa Vieira, no montante de R$ 11.606,64, consoante planilha de fl. 76. Considerando que tal valor está de acordo com os termos da sentença judicial que determinou o pagamento de alimentos à referida filha do equivalente a 20% de seus vencimentos líquidos, resta acolher o pleito do recorrente para restabelecer a parcela de R$ 11.606,64 referente à dedução de pensão alimentícia judicial. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer a parcela R$ 11.606,64 referente à dedução de pensão alimentícia judicial. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10580.005457/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.200
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou por analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião
Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Daiane Ambrosino OAB:
294.123/SP
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou por analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Daiane Ambrosino OAB: 294.123/SP Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Bernadete de Oliveira Barros e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Tratase de Auto de Infração DEBCAD nº 37.059.5327, lavrado em 26/12/2006, contra o contribuinte em epígrafe, por meio do qual a D. Fiscalização apurou a suposta ocorrência da prática de descumprimento de obrigação assessória prevista no artigo 32, inciso IV, §§ 3º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o dispositivo 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Segundo o relatório fiscal anexo ao Auto de Infração, a autuação tem por fundamento precípuo a prática de omissão de informações na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo e Informações à Previdência Social (GFIP), referente à ocorrência de fatos geradores da contribuição previdenciária, em relação a não prestação da declaração dos valores pagos a título de remuneração de contribuintes individuais, saláriosutilidade pagos a empregados na forma de despesas com Cesta Natalina, material escolar, cesta de produtos da empresa, previdência privada, seguro de vida em grupo, vale transporte e ajuda de custo, ocorridos entre o período de 01/99 a 02/06. Em 11/01/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação. Em 01/08/2007, foi proferido despacho convertendo o julgamento em diligência (fls. 120) para que a fiscalização manifestasse acerca da correção da infração pelo contribuinte. Em 20/01/2010, fls. 331, a fiscalização informou a regularização parcial da omissão dentro do prazo da impugnação. Novamente intimada em 31/05/2010, o contribuinte ofereceu defesa complementar. Nesses termos, foi proferida decisão que julgou parcialmente procedente o lançamento tributário, apenas para excluir o montante de R$ 62.497,21, em razão da decadência das multas referentes às competências 01/99 a 11/00, bem como para excluir R$11.106,14, referentes às multas das competências 13/00, 13/01, 13/02, 13/03 e 13/04, mantendo dessa forma os demais valores lançados. Pugnando pela reforma parcial da mencionada decisão, o sujeito passivo interpôs, em 06/01/2011, recurso voluntário alegando em síntese que: I) em sede de preliminar: a) cerceamento de defesa – por se tratarem as NFLDs em julgamento de desdobramento dos processos administrativos em curso (NFLDs 37.059.5360 e 37.059.5351), o presente processo administrativo fiscal deveria ser suspenso, bem como anulado o v. acórdão proferido em sede de 1ª Instância Administrativa, em homenagem aos princípios do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal; b) decadência embora a decisão a quo tenha reconhecido a ocorrência da decadência, entende o contribuinte, no entanto, que não houve a correta contagem do prazo decadencial, uma vez que, ao ser constituído o crédito tributário por meio da apresentação das GFIP mês a mês, o fisco teria decaído do direito de constituir e cobrar eventuais créditos tributários supostamente incorridos até 27/12/2001, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 27/12/2006; c) impossibilidade de concomitância de multas punitivas – em decorrência da aplicação de multa ao contribuinte pelo não recolhimento das contribuições omitidas, por ocasião da lavratura das NFLDs nºs 37.059.5360 e 37.059.5311, haveria, ao ser aplicada a multa ora questionada, imposição de nova multa pelos mesmos fatos, o que configuraria bis in idem, violando, assim, o princípio da vedação ao confisco; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.005457/200765 Resolução n.º 2301000.200 S2C4T2 Fl. 459 3 d) relevação da multa – por terem sido corrigidas as algumas informações prestadas na GEFIP, entende o contribuinte que a relevação da multa aplicada é permitida pela Lei nº 8.212/91, não podendo ser a benesse nela contida ser mitigada ou reduzida por norma infralegal, nesse caso, a Instrução Normativa nº 3/2005; e) retroatividade benéfica em matéria de penalidade – entende o contribuinte que deve ser aplicada no presente caso a multa mais benéfica prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008, convertida em Lei nº 11.941/09; II) No mérito: a) defende a impossibilidade de se considerar o valor da cesta natalina, dos kitescolares e mini cases (Kit de produtos Schincariol) como verba salarial, uma vez que a distribuição desses produtos foi realizada por mera eventualidade e liberdade, sem o requisito da habitualidade e, portanto, passíveis de supressão a qualquer tempo, motivo pelo qual não seriam habituais, o que descartaria a hipótese de caracterização de como verba de natureza salarial; b) alega a impossibilidade de se adicionar à base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores correspondentes aos aportes do contribuinte ao plano de previdência privada disponibilizada aos empregados, por entender que o inciso “p” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 é expresso em dispor que as contribuições da pessoa jurídica ao plano de previdência complementar não integram o salário de contribuição; c) sustenta a impossibilidade de se adicionar à base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores correspondentes ao seguro em grupo mantido pelo contribuinte em favor de seus empregados, por compreender que a regra prevista no inciso XXV do §9º, artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, exclui o saláriocontribuição a remuneração relativa a prêmio de seguro de vida em grupo; d) argüi a impossibilidade de se adicionar à base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores correspondentes ao valetransporte, por compreender que o inciso “f” do §9º, doa artigo 28, da Lei nº 8.212/91, afasta o salário de contribuição os valores pagos a título de vale transporte; e) protesta pela impossibilidade de se adicionar à base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores a título de ajuda de custo, tendo em vista que o artigo 457, §2º, da CLT, não considera a ajuda de custo como salário de contribuição e, tampouco, os valores pagos a esse título foram desembolsados de forma eventual, sem habitualidade; f) por último, defende que a correta aplicação da alíquota do SAT/RAT sobre a atividade do contribuinte seria de 1% e não 3, pois o grau de risco deveria ser considerado em razão do estabelecimento da empresa e não pela sua atividade preponderante É o Relatório. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Da simples análise dos documentos acostados à presente NFLD, percebese facilmente que a sua lavratura se deve em decorrência da apuração fiscal que averiguou o não registro das remunerações em GFIP, o que configurou a inobservância da regra contida no artigo 32, inciso IV, §§ 3º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, ensejando a aplicação da multa ora questionada. Diante desse cenário, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário esclarecendo, que o provimento ou não do Recurso ora apreciado dependeria necessariamente do resultado do julgamento dos processos administrativos nºs 10580.004318/200714 e 10580.004314/200736, resultantes das NFLDs nº 37.059.5360 e 37.059.5311, no qual se discute a incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre as rubricas (cesta natalina, material escolar, cesta de produtos da empresa, previdência privada, seguro de vida em grupo e vale transporte) que não foram incluídas em GFIP e que ensejaram o presente lançamento. Compulsando os autos verifiquei que a fiscalização anexou o relatório produzido quando da lavratura da NFLD nº 37.059.5360, a qual realmente apura exige contribuições sociais previdenciárias sobre as rubricas acima. Por outro lado, em que pese o Fisco não ter anexado o relatório da NFLD nº 37.059.5311, a recorrente anexou cópia do recurso voluntário protocolado naqueles autos, no qual se discute a incidência das contribuições sobre a ajuda de custo fornecida a determinados segurados. A Recorrente sustenta em sede de preliminar a prejudicialidade da decisão aqui a ser tomada, uma vez que não foram proferidas decisões nos processos acima citados. Alega, nesse sentido que a multa ora aplicada depende, inexoravelmente, daquelas decisões, pois se caso sejam tomadas decisões no sentido de que não são exigíveis as contribuições, a multa aqui aplicada, consequentemente, não será exigível, eis que não subsistiria, em tese, a obrigação do contribuinte de prestar as informações aqui capituladas em GFIP. Cabe salientar que, ao acessar o sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constatei o registro do protocolo de Recursos Voluntários pela Recorrente, justamente nos autos do processo administrativo nºs 10580.004318/200714 e 10580.004314/200736. De acordo com o andamento processual daqueles processos fiscais, constatase que os processos encontramse, desde 17/11/2011, aguardando a distribuição por sorteio. Considerando que, tanto o processo ora em apreciação quanto os que aguardam distribuição detêm, como se vê, a mesma causa de pedir, pois os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são praticamente idênticos e sucessórios. Isto é, o resultado de julgamento de um influenciará diretamente no desfecho do outro. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os processos, e, para evitar que se tenham decisões contraditórias, devese reunilos em uma mesma Câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Sobre tal aspecto, nada melhor que recorrer às lições do Ministro LUIZ FUX para melhor retratar a presente situação: “A conseqüência jurídicoprocessual mais expressiva da conexão, malgrado não lhe seja a única, é a imposição de julgamento simultâneo das causas conexas no mesmo processo (simultaneus processu). A razão desta regra deriva do fato de que o julgamento em separado das causas conexas gera o risco de decisões contraditórias, que acarretam grave desprestígio para o Poder Judiciário. Assim, v.g., seria incoerente, sob o prisma lógico, que um juiz acolhesse a infração contratual para efeito Fl. 479DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.005457/200765 Resolução n.º 2301000.200 S2C4T2 Fl. 460 5 de impor perdas e danos e não a colhesse para o fim de rescindir o contrato, ou ainda, que anulasse a assembléia na ação movida pelo acionista X e não fizesse o mesmo quanto ao acionista Y, sendo idêntico a causa de pedir.” (Luiz Fux; Cursos de Direito Processual Civil; Editora Forense; Edição 2001) Já a jurisprudência deste próprio E. Conselho é pacífica no sentido de admitir a possibilidade da aplicação da conexão em matéria de processo administrativo fiscal, conforme se denota das ementas abaixo colacionadas, vejase: “NORMAS PROCESSUAIS. CONEXÃO. Dáse a conexão quando os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são idênticos. Neste caso, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 20400694 do Processo Administrativo nº 10980013136200217; Órgão julgador: Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 08/11/2005) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: CONEXÃO DE MATÉRIAS ANÁLISE CONJUNTA NECESSIDADE – Identificada conexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. (Acórdão nº 10517246 do Processo 19740000426200389; Órgão Julgador: Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 15/10/2008) Por toda essa razão, entendo que as decisões a serem tomadas naqueles autos, podem, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, motivo pelo qual é prudente emprestar do Código de Processo Civil o instituto jurídico processual da conexão previsto expressamente no artigo 103 do CPC, e aplicálo no caso dos presentes autos, analogicamente. Isso se faz necessário porque se for decidido nos autos dos processos nºs 10580.004318/200714 e 10580.004314/200736 que a Recorrente não é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias sobre as citadas rubricas, como já assinalado acima, não haverá que se falar na multa ora aplicada. Daí porque, é necessário determinar, com fim específico de afastar a ventilada hipótese de decisões contraditórias, a reunião dos referidos processos administrativos fiscais, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Contudo, certo da configuração da conexão entre os citados processos, devem, assim, serem esses apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos dos processos administrativos nºs 10580.004318/2007 14 e 10580.004314/200736 apensados ao presente processo administrativo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo, conforme determina o artigo 6º do Regimento Interno dessa E. Corte. Adriano Gonzales Silvério – Relator Declaração de Voto Damião Cordeiro de Moraes – Conselheiro O nobre Conselheiro relator votou no sentido de converter o presente julgamento, por considerar que existe conexão entre os processos, e, por essa razão, seria necessária a reunião do presente processo aos demais, no intuito de serem julgados simultaneamente. No entanto, em que pese o bom arrazoado trazido pelo douto Conselheiro, peço vênia para nesse ponto divergir do seu posicionamento. Isso por que o Decreto 70.235, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF) em seu artigo 9º, é categórico ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Ademais, o recente Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.005457/200765 Resolução n.º 2301000.200 S2C4T2 Fl. 461 7 E, conforme venho me posicionando, os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros lavrados contra o mesmo sujeito passivo. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, de 1998, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. E, como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. Dessa forma, in casu, voto por JULGAR o presente processo, uma vez que os autos contêm as informações necessárias para o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 482DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10920.000940/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Monica Monteiro Garcia de Los Rios, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente.
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ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Monica Monteiro Garcia de Los Rios, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem relatar, adota o relatório de fls.326 verso a 327, dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto da relatora Patrícia Stahnke Schveitzer, nos seguintes termos: “Trata o presente processo de Auto de Infração, às folhas 181 a 193, lavrado contra a contribuinte acima identificada, o qual formaliza a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no montante de R$ 263.914,92 (duzentos e sessenta e três mil, novecentos e quatorze reais e noventa e dois centavos), acrescida de multa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 94 0/ 20 09 -1 7 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.241 S3C1T1 Fl. 482 2 de ofício e encargos legais devidos à época do pagamento, referente aos fatos geradores ocorridos no segundo trimestre de 2007. Os dispositivos legais infringidos constam do respectivo auto de infração. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), à folha 182, e do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, às folhas 187 a 193, verificase que a autuação tem como fundamento a falta de recolhimento da contribuição, decorrente do indeferimento de Pedido de Ressarcimento analisado no processo administrativo fiscal sob nº 10920.002939/200846. A autoridade fiscal fundamenta que, em razão das glosas efetuadas nas bases de cálculos dos créditos da nãocumulatividade, conforme cópia do Despacho Decisório, às folhas 165 a 172, o montante de créditos a que a contribuinte tem direito não é suficiente para efetuar o desconto da contribuição nãocumulativa, restando saldo a pagar. Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresenta a impugnação de folhas 194 a 222, na qual expõe suas razões de contestação. Em preliminar, a contribuinte alega que a autoridade fiscal se afastou do dever da busca da verdade material, nos termos do artigo 2º da Lei nº. 9.784/99. Argumenta que o fato de os elementos e informações que fundamentaram o indeferimento do Pedido de Ressarcimento terem sido por ela fornecidos não é nenhuma garantia de segurança e verdade, mormente se demonstra, posteriormente, seu direito ao crédito pleiteado. E conclui: Do contrário, com base numa atitude meramente formal e parcial, a Autoridade acaba ignorando as razões de inconformidade da contribuinte por um lado, e, por outro, afastase do dever legal da busca da verdade material, e, por outro, ainda, acaba fazendo prevalecer um lançamento apenas com base em expressões literais/formais, desprezando a realidade do que efetivamente, ao final, aconteceu! No mérito, a contribuinte reproduz os argumentos postos na manifestação de inconformidade apresentada quando do indeferimento do Pedido de Ressarcimento. Em síntese, a contribuinte defende que, diferente do que apurou a autoridade fiscal, possui créditos da nãocumulatividade a serem utilizados no desconto da respectiva contribuição, assim como tem direito ao ressarcimento dos citados créditos. No tópico denominado Matéria fundamentalmente de fato ou procedimental Não houve de fato aproveitamento ou benefício advindo de créditos nas aquisições de pessoas físicas, a contribuinte afirma que não realizou créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas, como fundamentou a autoridade fiscal. Explica a contribuinte que estornou tais créditos, como demonstrado nas memórias de cálculo e relatórios, onde constam os dados de todas as notas fiscais de entrada – datas de entrada, número de notas fiscais, fornecedores (CPF) e valores – demonstrando que em nenhum momento foi aproveitado o crédito decorrente dessas aquisições. No segundo tópico das matérias que denomina de fato – Não houve também de fato aproveitamento ou benefício advindo de créditos nas transferências entre estabelecimentos, a contribuinte alega que não aproveitou créditos decorrentes das transferências entre estabelecimentos. Argumenta que, como se pode constatar nas memórias Fl. 483DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.241 S3C1T1 Fl. 483 3 de cálculos em anexo, realizou o respectivo lançamento do débito no estabelecimento de origem dos valores de transferência. Esclarece que tal procedimento se justifica pelo controle interno da empresa e para apuração do ICMS, entretanto, como a apuração é centralizada no estabelecimento matriz o resultado é nulo. No tópico denominado Matéria Fundamentalmente Jurídica o sujeito passivo afirma que a autoridade fiscal equivocouse ao considerar vedada a tomada de crédito de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. Afirma que “tratase, sim, apenas da manutenção na base de cálculo dos créditos decorrentes da aquisição dos produtos tributados com alíquota zero”, nos termos do artigo 17 da Lei nº. 11.033/2004. Explica a contribuinte: Com a entrada em vigor do artigo 17 da Lei 11.033/2004, o legislador permitiu a manutenção na base de cálculo dos créditos das entradas de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero, ou seja, não impediu a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a estas vendas (efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). [...]Isso significa que a legislação permitiu a manutenção, naquela base de cálculo final, dos créditos decorrentes da aquisição de produtos, in casu, que estejam sujeitos à alíquota zero, desde que a venda destes estejam sujeitas à alíquota zero. [...]Dessa forma, verificase que é legal a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição de bens sujeitos à alíquota zero, pelo vendedor, quando esses créditos são vinculados às vendas sujeitas à alíquota zero. A contribuinte cita Soluções de Consulta das Superintendências da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB a fim de defender sua interpretação da legislação.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0721.616 de fls. 326 traz a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. GLOSA DE CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento de contribuição não cumulativa, decorrente da glosa de créditos utilizados para desconto da contribuição, constitui infração que autoriza a lavratura de auto de infração, para a formalização do crédito tributário. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÃO. Quando o contribuinte adquire bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições nãocumulativas, por disposição legal expressa, não tem direito a crédito sobre tais aquisições, independentemente de suas vendas serem ou não tributadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 484DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.241 S3C1T1 Fl. 484 4 Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls.347 a 367) onde alega na primeira parte todos os argumentos apresentados na sua impugnação e na seqüência, resumidamente o seguinte: I – Fatos: A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de nº. 10920.002939/200846 indeferido em razão de readequação da base de cálculo das contribuições no período, em virtude de glosas conforme o exposto em fls.348, onde foi encontrado o saldo devedor a recolher de R$ 109.086,94, R$ 60.475,59 e R$ 94.352,39 respectivamente aos meses de abril, maio e junho, e não saldo credor passível de ressarcimento, dando origem ao presente processo administrativo; II – Preliminar – Conexão Em sede de preliminar a Recorrente pleiteia a conexão entre o presente processo e o de ressarcimento nº. 10920.002939/200846, pois, a causa e o objeto de pedir são idênticos, nos termos do artigo 102 e 103 do Código de Processo Civil e apresenta várias razões que entende justificar a conexão, em fls. 349 e 350; III – Da Utilização de créditos de entrada Pessoa Física Segundo a Recorrente, já afirmou que NÃO realizou o crédito decorrente das aquisições realizadas de pessoas físicas, pelo contrário realizou o estorno desses créditos, como se pode verificar na memória de cálculo de fls. 286313338, bem como da planilha auxiliar de fls. 290297310317324335342349361. Que realizou conforme determina a Lei 10.637/2002 o estorno desses créditos e que a glosa realizada pelo auditor não corresponde com a realidade fática ocorrida na apuração e, portanto, busca a reforma do acórdão prolatado. IV – Utilização de créditos decorrentes de Transferência entre Estabelecimentos da mesma PJ. A Recorrente entende que restou incontroverso no acórdão recorrido, que não realizou o procedimento trazido no despacho decisório, pois, não aproveitou os créditos decorrentes das transferências entre estabelecimentos e cita em fls.352 os trechos do voto condutor da decisão recorrida que reconhece expressamente que o resultado das operações é nulo, pois, ao mesmo tempo em que se realizou crédito no estabelecimento de destino, foi realizado o débito no estabelecimento de origem, sendo o resultado nulo no que se refere ao aproveitamento do crédito como asseverado pelo auditor fiscal. Mas, estranhou, pois, a manutenção da glosa, se mantido o entendimento do fiscal e do acórdão recorrido apenas dos créditos nas transferências sem realizar o estorno dos débitos lançados no estabelecimento de origem só terá um efeito o da arrecadação. Conclui que não restam dúvidas no presente feito de que, pois, restou comprovado e reconhecido pelo acórdão, em especial no excerto acima transcrito, que não foi utilizado pelo contribuinte crédito decorrente de transferências entre estabelecimentos, até porque a apuração é realizada de forma centralizada no estabelecimento matriz. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.241 S3C1T1 Fl. 485 5 Assim, requer seja reformado o acórdão atacado no que se refere à glosa dos créditos decorrentes das transferências, ou alternativamente, seja estornado igualmente os débitos realizados nos estabelecimentos de origem. V Manutenção de créditos de entrada – Alíquota Zero Nesse item a Recorrente entendeu tecer comentários sobre a sistemática de apuração da contribuição em tela, em razão da não cumulatividade da mesma nos conformes da Lei 10.637/2002, entendendo que a aplicação da alíquota pertinente nas bases de cálculos, que são chamadas simplesmente de entradas e saídas e aproveitou para transcrever em fls.353 a 356 todas as legislações que entendeu pertinente. Do entendimento que a Recorrente tem da apuração da contribuição em tela, expôs as entradas a considerar e os estornos pertinentes e pelo mesmo critério das entradas, a exclusão das receitas nos termos da lei. Que o equívoco do auditor confirmado no julgamento do acórdão, encontrase nas possibilidades de exclusões e manutenções dos créditos, por ter entendido, que no caso é vedada a tomada de crédito de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. Ocorre que não tomou créditos, mas os manteve na base de cálculo dos créditos como autoriza o art. 17, da Lei 11.033/2004. Finalmente entende que nos termos da Lei 10.637/2002, especificamente no artigo 3º, prevê quais são as entradas que se deve “tomar” créditos, ou quais as entradas decorrentes de aquisição devem fazer parte da base de cálculo dos créditos. O citado dispositivo legal determina que sejam consideradas todas as entradas advindas de pessoa jurídica, exceto as sujeitos à substituição tributária e à incidência monofásica. Isso significa que toda e qualquer aquisição deve ser considerada para a apuração dos créditos. Após a tomada dos créditos ou utilização de todas as entradas, desconsiderando as exceções do inciso I do artigo 3º da mencionada Lei, é que devem ser considerados os estornos das entradas para fins de determinar a base de cálculo final do crédito. Com a entrada em vigor do artigo 17 da Lei 11.033/2004 o legislador permitiu a manutenção na base de cálculo dos créditos das entradas de bens ou serviços à alíquota zero, ou seja, não impediu a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a estas vendas (efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). E transcreve o artigo em fls. 359. Ainda, cita solução de consulta, que entende lhe favorecer em fls. 359 a 361. VI – Do Pedido Requer seja julgada dando provimento ao presente recurso Voluntário para o fim de reformar o acórdão prolatado pela Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis, afastando o lançamento do crédito tributário em tela. É o relatório. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.241 S3C1T1 Fl. 486 6 VOTO Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase o presente processo, conforme o já relatado da exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no montante de R$ 263.914,92 acrescido de multa de ofício e encargos legais à época do pagamento, referente aos fatos geradores ocorridos no segundo trimestre de 2007, tudo em decorrencia do indeferimento do pedido de ressarcimento que deu origem ao Processo de nº 10920.002939/200846, indeferido em razão de readequação da base de cálculo das contribuições e em virtude de glosas. Assim, em sede de preliminar a Recorrente requer a conexão entre o presente processo e o de ressarcimento indicado acima, que por prevenção foi distribuido para eu relatar e julgar nessa mesma sessão que possibilitou na conclusão de que esse processo é resultado do trabalho fiscal realizado no referido pedido de ressarcimento. Portanto, a análise que se fará nesse processo é da existência ou não da exigibilidade do crédito tributário pretendido baseado no julgamento do processo de restituição cujo voto trago a seguir:. “Nas questões de mérito, a primeira a enfrentar é o “Da Utilização de créditos de entrada de pessoa física”, e aqui o voto condutor da decisão recorrida, afirma o seguinte: “A autoridade fiscal glosou o valor de R$ 85.118,77, em virtude de a contribuinte ter computado créditos sobre aquisições de bens efetuadas junto a pessoas físicas, à revelia da vedação legal. A contribuinte, por sua vez, afirma que não realizou créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas, como fundamentou a autoridade fiscal. Explica a contribuinte que estornou tais créditos, como demonstrado nas memórias de cálculo e relatórios, onde constam os dados de todas as notas fiscais de entrada – datas de entrada, número de notas fiscais, fornecedores (CPF) e valores – demonstrando que em nenhum momento foi aproveitado o crédito decorrente dessas aquisições. Inicialmente, ressaltase que a contribuinte não discorda do entendimento de que aquisições de bens efetuadas junto a pessoas físicas não geram créditos da nãocumulatividade. A questão posta, portanto, se limita em verificar se houve ou não inclusão de tais créditos na base de cálculo da nãocumulatividade. Em análise aos autos, entretanto, constatase que não tem razão a contribuinte. De se ver. A autoridade fiscal listou as notas fiscais, relativas a créditos computados sobre aquisições de bens efetuadas junto a pessoas físicas, às folhas 240 verso a 241 verso. Do cotejo entre esta listagem e aquela apresentada pela interessada, em sede de manifestação de inconformidade, às folhas 290 a 361, constatase que as notas fiscais relacionadas pela autoridade fiscal não foram incluídas pela contribuinte na planilha dos créditos estornados relativos a aquisições de bens de pessoas físicas. Não há correspondência entre os dados das Fl. 487DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.241 S3C1T1 Fl. 487 7 notas fiscais de entrada – datas de entrada, número de notas fiscais, fornecedores e valores –, relacionadas pela contribuinte, e as notas fiscais cujos valores foram glosados pela autoridade fiscal. Como se vê, a contribuinte não logrou comprovar sua alegação de que os valores, glosados pela autoridade fiscal, já haviam sido excluídos da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, por referirse a aquisições efetuadas junto a pessoas físicas. Neste caso, deveria a contribuinte trazer aos autos demonstrativos relacionando, de forma clara e precisa, os valores glosados pela autoridade fiscal com os possíveis valores que compuseram a base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade. Como amplamente discorrido no primeiro tópico deste voto, o ônus da prova é da contribuinte. É de se manter incólume, portanto, a glosa relativa a aquisições de pessoas físicas.” Entretanto, segundo a Recorrente,ela NÃO realizou o crédito decorrente das aquisições realizadas de pessoas físicas, repetindo aqui em grau de recurso que, pelo contrário realizou o estorno desses créditos, como se pode verificar na memória de cálculo de fls. 286 313338, bem como da planilha auxiliar de fls. 290297310317324335342349361. Que realizou conforme determina a Lei 10.637/2002 o estorno desses créditos e que a glosa realizada pelo auditor não corresponde com a realidade fática ocorrida na apuração e, portanto, busca a reforma do acórdão prolatado. Assim, a divergência está na forma como a Recorrente comprovou o estorno dos créditos referente a aquisição de pessoas físicas e nesse ponto não concordo com a decisão recorrida, se o demonstrativo apresentado pelo Recorrente não foi satisfatório isso não é o bastante para desconsideralo e consequentemente exigir o imposto correspondente. Portanto, nesse ponto, proponho a conversão do presente processo em diligência para que se faça esse cotejamento das informações de extorno dos créditos alegados pelo contribuinte com a glosa apontada pela fiscalização junto ao contribuinte e que esse último colabore ao máximo para a busca da verdade material dessa apuração. A segunda questão de mérito a enfrentar diz respeito a “Utilização de créditos decorrentes de transferências entre Estabelecimentos da mesma PJ”. Aqui, também, vou repetir os argumentos do voto condutor da decisão recorrida, ou seja: A autoridade fiscal glosou o valor de R$899.113,97, em virtude de a interessada ter computado na base de cálculo dos créditos as operações de transferência de bens entre todos os seus estabelecimentos (matriz e filiais), classificandoas no CFOP x.152 (transferência para comercialização). Explica a autoridade fiscal que tais operações não podem ser consideradas para fins de apuração de créditos da contribuinte ao PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativas, sob pena de se criarem créditos pela simples movimentação seqüencial de bens – física e/ou documentalmente – entre os diversos estabelecimentos da pessoa jurídica, sendo permitido o crédito somente na aquisição do bem, quando da entrega pelo fornecedor ao comprador em um de seus estabelecimentos. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.241 S3C1T1 Fl. 488 8 A contribuinte, por sua vez, alega que não aproveitou créditos decorrentes das transferências entre estabelecimentos. Argumenta que, como se pode constatar nas memórias de cálculos que anexa, realizou o respectivo lançamento do débito no estabelecimento de origem dos valores de transferência. Esclarece que tal procedimento se justifica pelo controle interno da empresa e para apuração do ICMS, entretanto, como a apuração é centralizada no estabelecimento matriz o resultado é nulo. E explica: Constatase que os bens que saíram do estabelecimento de origem foram lançados como débito, e na entrada do estabelecimento de destino foram creditados no mesmo valor das saídas. Isso resulta, obviamente, em um resultado nulo, não havendo qualquer aproveitamento do crédito como afirmado pelo auditor fiscal. Da análise dos autos verificase que a contribuinte tem razão ao afirmar que, nas planilhas por ela elaboradas, às folhas 286, 313 e 338, o efeito de incluir entre os créditos “bens recebidos em transferência” e na apuração dos débitos as “saídas em transferência” é nulo, quando se apura o “saldo final”. Ocorre que no Dacon a contribuinte deve informar o montante dos créditos e dos débitos das contribuições nãocumulativas, e não somente o “saldo final”. Ao incluir os “bens recebidos em transferência” no montante dos créditos informados no Dacon, tal valor não reflete a realidade das operações da contribuinte, para fins de apuração dos créditos da não cumulatividade, uma vez que somente é autorizado crédito na aquisição do bem quando da entrega pelo fornecedor ao comprador em um de seus estabelecimentos. Neste caso, portanto, ainda que para controle interno da empresa, e para apuração do ICMS, a contribuinte deva incluir os “bens recebidos em transferência”, deveria, para fins de apuração dos créditos da nãocumulatividade, ao informar os dados no Dacon, excluir, do montante de créditos apurados, o valor dos “bens recebidos em transferência”. De mais a mais, se tivesse razão em sua argumentação, a contribuinte não demonstra nem comprova nos autos que os valores glosados pela autoridade fiscal estão incluídos nos montantes informados nas planilhas de folhas 286, 313 e 338. Ressaltase, ainda, que os valores informados pela contribuinte nas citadas planilhas (folhas 286, 313 e 338) não correspondem exatamente aos respectivos valores informados no Dacon. Vejamos um exemplo: no Dacon relativo ao mês de maio de 2007 a contribuinte informou como base de cálculo dos créditos o montante de R$4.460,295,27 (R$ 3.601.674,04 + R$ 858.621,23), à folha 17; na planilha este valor importou em R$4.493.194,11. Por todo o exposto, é de se manter incólume a glosa efetuada pela DRJ/Joinville.” (destaque meu) O Recorrente, por sua vez rebate essa posição, mostrando que realizou o procedimento trazido no despacho decisório. O conceito está perfeito, se realizou credito no estabelecimento de destino, foi realizado o débito no estabelecimento de origem, sendo o Fl. 489DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000940/200917 Resolução nº 3101000.241 S3C1T1 Fl. 489 9 resultado nulo e mantido a glosa dos créditos é necessário o estorno dos débitos lançados para não gerar arrecadação do tributo e foi o que não foi feito. Portanto, nesse ponto, também, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que demonstre a Recorrente que o crédito efetuado e glosado pela fiscalização produziu efeito nulo na apuração da contribuição, demonstrando os respectivo débitos nas transferências correspondentes. Realizada as diligências propostas, da sua conclusão deve ser dado ciência a Recorrente para que se desejar faça sua manifestação final, para depois retorne o processo para esse Conselho CARF para em conjunto com as demais questões seja proferido o seu julgamento. É como voto. Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 490DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /01/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11065.002654/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/10/2004
ACRÉSCIMOS A OBRIGAÇÕES FISCAIS. DESPESAS FINANCEIRAS. NATUREZA DISTINTA.
Os acréscimos legais incidentes sobre obrigações fiscais não se caracterizam como despesas financeiras para efeito de exclusão da base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Somente implicam sobrestamento do julgamento de processos administrativos no âmbito do Carf as matérias com repercussão geral declarada pelo Supremo Tribunal Federal em que tenha sido determinado pelo Tribunal o sobrestamento dos recursos extraordinários pendentes de julgamento.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS.
Considera-se não formulada a solicitação de perícia efetuada sem a observância dos requisitos legais e que, na essência, é desnecessária ao deslinde da questão.
RECURSO. ALEGAÇÕES. PROVA.
As alegações apresentadas na impugnação e no recurso devem ser específica e habilmente provadas.
DILIGÊNCIA. GLOSAS INDEVIDAS E DEMAIS APURAÇÕES DE FATO. PROVA.
A diligência, não contestada pelo recorrente, representa prova definitiva relativamente aos valores de créditos glosados e demais apurações de fatos contestados no recurso.
Numero da decisão: 3302-002.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento parcial para excluir da base de cálculo a receita de transferência de crédito de ICMS.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REPERCUSSÃO GERAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. Somente implicam sobrestamento do julgamento de processos administrativos no âmbito do Carf as matérias com repercussão geral declarada pelo Supremo Tribunal Federal em que tenha sido determinado pelo Tribunal o sobrestamento dos recursos extraordinários pendentes de julgamento. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulada a solicitação de perícia efetuada sem a observância dos requisitos legais e que, na essência, é desnecessária ao deslinde da questão. RECURSO. ALEGAÇÕES. PROVA. As alegações apresentadas na impugnação e no recurso devem ser específica e habilmente provadas. DILIGÊNCIA. GLOSAS INDEVIDAS E DEMAIS APURAÇÕES DE FATO. PROVA. A diligência, não contestada pelo recorrente, representa prova definitiva relativamente aos valores de créditos glosados e demais apurações de fatos contestados no recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 26 54 /2 00 5- 52 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Período de apuração: 01/12/2002 a 31/10/2004 ACRÉSCIMOS A OBRIGAÇÕES FISCAIS. DESPESAS FINANCEIRAS. NATUREZA DISTINTA. Os acréscimos legais incidentes sobre obrigações fiscais não se caracterizam como despesas financeiras para efeito de exclusão da base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento parcial para excluir da base de cálculo a receita de transferência de crédito de ICMS. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de retorno de diligência, aprovada pela Resolução n. 330200.203, de 22 de março de 2012 (fls. 478 e segs.), cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 464 a 472 do eProcesso) apresentado em 10 de fevereiro de 2011 contra o Acórdão no 10 28.501, de 19 de novembro de 2010, da 2ª Turma da DRJ/POA (fls. 453 a 455), cientificado em 13 de janeiro de 2011, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2003, março a outubro de 2003, dezembro de 2003 a maio de 2004, agosto a outubro de 2004, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “ASSUNTO : Contribuição para o PIS/Pasep “Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 “BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.002654/200552 Acórdão n.º 3302002.009 S3C3T2 Fl. 479 3 “A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7, 8 e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. “DESPESAS FINANCEIRAS. “Como as despesas financeiras apontadas não decorrem de empréstimos e financiamentos, o respectivo creditamento deve ser desconsiderado pela fiscalização. “SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. “Considerase não formulada a solicitação de perícia efetuada sem a observância dos requisitos legais e que, na essência, é desnecessária ao deslinde da questão. “Impugnação Improcedente” O auto de infração foi lavrado em 26 de julho de 2005, de acordo com o termo de fls. 153 a 175. As infrações referiramse a não inclusão na base de cálculo da contribuição as “receitas com créditos de ICMS transferidas a terceiros” (cessão de créditos), de parte das receitas de vendas de produtos e serviços, das receitas operacionais. Além disso, teria havido exclusão indevida (como créditos) de despesas financeiras (decorrentes de empréstimos e financiamentos), irregularidades na apuração dos bens utilizados como insumos e nos encargos de depreciação e outros valores utilizados como créditos. Finalmente, apurouse incorreção no saldo de créditos do mês anterior, crédito presumido do estoque de abertura e valores excluídos da base de cálculo a título de devoluções de vendas no mercado interno. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “Cientificada, a interessada apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 188 a 451, na qual alegou, em síntese: “ Que as transferências de créditos de ICMS para terceiros não podem compor a base de cálculo do PIS a da Cofins pois se tratariam de operações onde não há ingresso de receita tributável. Argumenta que tais operações estariam abrangidas pelo benefício tributário da isenção de impostos e contribuições, em razão de sua vinculação às exportações realizadas pela impugnante. Acrescenta que nas cessões de créditos realizadas o que ocorreu foi a quitação de dívidas com fornecedores. “ Entende como indevidas parte das divergências constatadas nas receitas de venda no mercado interno, reclama que a fiscalização não teria realizado uma análise aprofundada das operações realizadas pela empresa e apenas teria se baseado nas informações apresentadas pela impugnante. Aponta que somente nos meses de agosto e setembro de 2004 existiriam diferenças entre a receita contábil e o valor declarado na DACON. Esclarece que parte das diferenças apuradas pela Fl. 964DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 fiscalização é oriunda da tributação de vendas para entrega futura, que entende como indevida, pois nestes casos a entrega do bem não ocorre no momento da emissão da nota fiscal. No caso, informa que o reconhecimento da receita de venda ocorre apenas após a conclusão do processo de fabricação, com a efetiva entrega do bem ao cliente. “ Da mesma forma, também considera equivocado o entendimento da fiscalização que apontou divergências nas receitas operacionais tributadas, afirma que planilhas anexas comprovariam a sua correta apuração da base de cálculo das contribuições. “ Sobre a utilização indevida de créditos oriundos de despesas financeiras, defende a legalidade do creditamento sobre as despesas financeiras decorrentes dos parcelamentos fiscais em face da inexistência de vedação legal expressa. Acrescenta que existiria ação judicial pendente no STF acerca da constituição da Selic como taxa de juros. “ Contesta as divergências apuradas nos valores creditados a título de bens utilizados como insumos. Argumenta que a fiscalização teria se restringido a apurar as aquisições de insumos registrados nos CFOPs 1.101, 2.101, 5.201 e 6.201 e reclama que também deveriam ser considerados os valores registrados em outros CFOPs, que constariam na DACON e requer a realização de perícia técnica. “ Contesta, também, as divergências apuradas nos encargos de depreciação e de outros valores com direito a crédito, afirma que não teria havido o uso indevido de encargos de depreciação ou de outros valores creditados por parte da impugnante e novamente requer a realização de perícia para demonstrar os corretos lançamentos efetuados pelo impugnante. “ Discorda dos valores autuados pela fiscalização, referentes aos saldos de créditos do mês anterior apurados indevidamente pela fiscalizada, conforme item 2.2.5 do relatório fiscal, fl. 164. Para justificar sua inconformidade, procede a reconstituição dos saldos credores mensais desde dezembro de 2002 e procura demonstrar, através de planilhas, que o efeito das divergências constatadas não seria suficiente para reverter os créditos tributários informados nas DACON's. “ Discorda de alguns dos lançamentos relativos à exclusão indevida da base de cálculo de valores relativos à devoluções de vendas no mercado interno. Para demonstrar sua divergência, procede à reconstituição do montante das devoluções de venda no mercado interno, através de planilha, para contestar os valores apontados pela fiscalização e ao final requer, a aferição por perícia a ser deferida. “Ao final, reitera seus argumentos no sentido de que a fiscalização teria considerado apenas as planilhas juntadas quando de sua diligência, em detrimento aos valores consignados na contabilidade da impugnante. “Considera que estes últimos teriam o valor necessário para a fundamentação do presente Auto de Infração e requer a Fl. 965DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.002654/200552 Acórdão n.º 3302002.009 S3C3T2 Fl. 480 5 realização de diligência fiscal com o acompanhamento de perito da empresa, que indica e nomeia. “Conclui com o pedido de declaração da insubsistência do Auto de Infração em epígrafe e requer a produção de todos os meios de prova em Direito admitidos.” No recurso, inicialmente a Interessada alegou contestar a totalidade do lançamento. Contestou a inclusão das transferências de créditos de ICMS na base de cálculo da contribuição. Quanto às mercadorias não entregues, apresentou tabela e alegou haver diferenças menores do que as apuradas pela Fiscalização. Alegou que partes das diferenças referirseiam a vendas para entrega futura, em que “as notas fiscais de venda são emitidas antecipadamente para que o cliente, por exigência do ente financeiro (Finame), encaminhe o processo de financiamento”. Segundo a Interessada, as notas fiscais seriam emitidas com um CFOP específico e a legislação permitiria o faturamento antecipado, “sendo que a efetiva entrega do bem ocorre no futuro”. Quanto às demais matérias, alegou que teria prestado informações incorretas à Fiscalização. Nesse contexto, afirmou não haver divergência nas informações prestadas e relação aos bens utilizados como insumos, aos encargos de depreciação (em relação ao que requereu a realização de perícia) e aos créditos do mês anterior. A diligência foi aprovada nos seguinte termos: Em face do exposto, e em homenagem ao principio da verdade material, há que se converter o julgamento em diligência à repartição de origem para esta detalhar e colher provas das glosas efetuadas, apontando as divergências com o entendimento da recorrente, e intimar a recorrente a provar suas alegações, nos temos constante da parte dispositiva deste voto Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Com relação às vendas no mercado interno, há divergência entre os valores informados na planilha de 125 e os valores do Relatório Fiscal e do Recurso Voluntário, a exemplo dos PA de 01/04, 06/04 e 10/04. Qual é o valor correto das vendas realizadas no mercado interno? Juntar cópia do livro de apuração (do IPI e do ICMS). Manter as vendas para entrega futura na forma apurada pela Fiscalização. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 2 Identificar as receitas operacionais não incluídas pela recorrente na base de cálculo do PIS e da Cofins, relacionadas no item 2.1.3 do Relatório Fiscal. 3 Identificar a origem das diferenças apuradas e relativas aos bens utilizados como insumos (subitem 2.2.2. do Relatório Fiscal) e manifestarse acerca dos argumentos apresentados pela interessada no recurso voluntário. 4 Intimar a recorrente a demonstrar e juntar prova do alegado sobre os encargos de depreciação, ou seja, que os créditos relativos a encargos de depreciação são exclusivamente em relação aos bens utilizados na produção. Manifestarse sobre a resposta da recorrente. 5 Intimar a recorrente a detalhar, e juntar prova do alegado, os créditos relativos a “outros valores com direito a crédito” informados na Dacon. Manifestarse sobre a resposta da recorrente. 6 Havendo alteração nos valores apurados pela Fiscalização no Relatório Fiscal, refazer os demonstrativos “2.2.5 Créditos do Mês Anterior” e o elaborado na Conclusão do Relatório. 7 Dar ciência prévia desta resolução à recorrente e, após concluída a diligência, dar ciência do seu resultado, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. Após proceder às diligências, a Fiscalização lavrou o termo de conclusão de fls. 930 a 957. Inicialmente, a Fiscalização informou que “após o início do procedimento fiscal original, o contribuinte efetuou a retificação dos Dacon relativo ao anocalendário. Por não se encontrar espontâneo, tais retificações foram ignoradas pela Fiscalização, mesmo porque os créditos informados em PERDCOMP referiamse aos valores apurados em conformidade com os Dacon anteriores” A seguir, a Fiscalização também informou que houve alteração na totalização das glosas, mas somente em relação àquelas que foram objeto da resolução. Iniciando pela base de cálculo da contribuição, informou que foi apurado o seguinte: Analisando os balancetes apresentados pelo contribuinte (fls. 675 a 893), verificamos que são procedentes suas alegações em relação ao anocalendário 2003. Efetuamos testes, por amostragem, e identificamos que os valores das receitas identificadas no RAIPI são compatíveis com os valores informados na contabilidade. Assim, devem ser aceitos os argumentos do contribuinte em relação a esse item e desconsideradas as alterações propostas pela Fiscalização no relatório originário, relativamente ao período de janeiro de 2003 a dezembro de 2003. Todavia, relativamente ao mês de dezembro de 2002, cabe ressalvar que nesse período de apuração ainda não havia sido instituído o Dacon. Assim, não existe uma declaração que possa Fl. 967DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.002654/200552 Acórdão n.º 3302002.009 S3C3T2 Fl. 481 7 confrontar e identificar de forma clara a(s) parcela(s) que o contribuinte eventualmente apurou de forma equivocada no cálculo dos créditos ou da contribuição. Houve, ainda, alterações em relação ao ano de 2004. Em relação às outras receitas operacionais, informou que somente o valor relativo à receita de R$ 148.236,70 deveria ser tributado, pelo fato de a Interessada não ter apresentado documentação sobre sua natureza. Os valores abaixo foram excluídos da base de cálculo: a) Venda de máquina de espuma no valor de R$ 250.000,00, referese a venda de imobilizado que não deve ser tributada por força art. I o , §3°, inciso II das Leis n° 10.883/03 e 10.637/02. b) Os valores de R$ 57.220,48, R$ 410.623,03 e R$ 4.144,00 referemse a valores de créditos da não cumulatividade, equivocadamente contabilizados pelo contribuinte como receita. Como se sabe, por força do art. 3°, § 10°, das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02, tais créditos não se constituem receita bruta da pessoa jurídica. Quanto aos créditos, iniciou com a informação sobre os bens utilizados como insumos. De acordo com a Fiscalização, em relação aos Cfops 1.118, 1.124, 1.352, 2.101, 2.118, 2.124 e 2.352, concluiu que não teriam sido incluídos nas linhas relativas a fretes e serviços e, assim, deveriam ser considerados na apuração, mas observou o seguinte: Destarte, na reconstituição da base de cálculo dos créditos da não cumulatividade, relativas à aquisição de insumos, a Fiscalização utilizou todos os Cfop já relacionados pelo contribuinte. Somando os respectivos valores indicados no Livro Registro e Apuração de IPI, verificamos que, em outubro de 2004, o contribuinte informou no Dacon um valor superior ao apurado. Todavia, essa diferença é compatível com valores a menor informados nos nove meses anteriores, indicando que se tratava de mero crédito extemporâneo. Assim, ao longo do período fiscalizado, constatase que os valores informados no Dacon a título de "Bens utilizados como Insumos" apresenta conformidade com a escrituração fiscal do contribuinte. Portanto, as glosas referidas no item "2.2.3 Bens utilizados como insumos" do Relatório Fiscal original devem ser desconsideradas. Em relação aos outros valores de créditos, informou que houve necessidade de intimação do contribuinte para esclarecer outros valores incluídos além dos alegados inicialmente em relação ao mês de julho. Apurou que parcela substancial referirseia a dispêndios com CPMF e atualização de honorários e dívidas tributárias, o que não se incluiria no conceito legal de “despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos”. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Ademais, constatou o aproveitamento em duplicidade de certos créditos dos meses de novembro e dezembro de 2004. Concluiu ser “indevido o crédito de Cofins no montante de R$ 40.938,08 em julho de 2004 e de R$ 1.735,72 em dezembro de 2004.” Quanto às devoluções de vendas, concluiu haver divergências em relação aos meses de julho e novembro de 2004, tendo havido, originalmente, crédito a maior em relação ao período de julho e a menor em relação ao período de novembro. No tocante aos créditos transferidos de um mês para o seguinte, informou os critérios utilizados para a reconstituição e apresentou o demonstrativo. Ao final, elaborou um demonstrativo consolidado das apurações. Intimada, a Interessada não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a redução inicial do saldo a ressarcir decorreu de três fatos: apuração a menor da base de cálculo, utilização indevida de créditos e apuração incorreta de saldos anteriores. Os autos foram baixados em diligência para dirimir as dúvidas suscitadas na resolução, tendo a Fiscalização efetuado trabalho abrangente e detalhado quanto à apuração do direito da Interessada, que não se manifestou posteriormente sobre a diligência. No que tange às matérias de prova, o que foi apurado na diligência é o resultado definitivo do que se poderia provar no processo, uma vez que a perícia solicitada pela Interessada não satisfez aos requisitos legais do Decreto n. 7.574, de 2011, art. 36. Resta, portanto, apenas analisar as questões de direito. No tocante à base de cálculo, em parte se trata do caso de Repercussão Geral n. 283, relativa à incidência do PIS e da COFINS nãocumulativos sobre valores recebidos a título de transferência de ICMS (RE 606107), nos moldes do art. 25 da Lei Complementar n. 87, de 1996. Aplicamse ao caso os arts. 62 e 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf), anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, a Portaria Carf n. 1, de 2012, e a Súmula Carf n. 2, aprovada pela Portaria MF n. 106, de 2009, abaixo reproduzidos com os devidos destaques: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.002654/200552 Acórdão n.º 3302002.009 S3C3T2 Fl. 482 9 “Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou “II que fundamente crédito tributário objeto de: “a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; “b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou “c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. “§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. “§ 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” “Art. 1º Determinar a observância dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. “Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso.” “Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 970DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Portanto, em relação a esse tipo de questão, primeiramente descabe às instâncias administrativas manifestarse sobre ela, devendose dela não tomar conhecimento, no caso de o STF não a haver decidido, ou aplicar a decisão do plenário do STF, quando definitiva. No caso, ademais, embora haja repercussão geral a respeito do tema, o STF não determinou a suspensão dos recursos extraordinários que dele tratam, razão pela qual descabe, também, o sobrestamento do processo (RE 606.107), nos termos da Portaria Carf n. 1, de 2012. Dessa forma, a questão foi definida pelo Supremo Tribunal de Federal como de nível constitucional, de maneira que os aspectos infraconstitucionais que normalmente permeiam a questão ficaram superadas e não são mais relevantes para definila. Nesse contexto, o que decidir o STF no âmbito da repercussão geral definirá completamente a questão, restando aos demais órgãos do Judiciário e do Executivo aplicar o entendimento do Supremo. Devese, assim, negar provimento ao recurso nessa matéria. No tocante aos juros fiscais, como já bem ressaltado pela Fiscalização e pela Primeira Instância, não se trata de despesas financeiras. Em relação às demais matérias, tratandose de matéria de fato, foram solucionadas pela diligência. Portanto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reduzir os valores lançados aos apurados pela Fiscalização na diligência. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 971DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13827.001369/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2004
PREVIDENCIÁRIO. OPÇÃO PELA FILIAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL NA QUALIDADE DE SEGURADO FACULTATIVO, PEDIDO ALTERNATIVO - RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADO EMPREGADO - AGENTE POLÍTICO - RECOLHIMENTO INDEVIDO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF - INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO DO OBJETO DO REQUERIMENTO
Nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta RFB/INSS n. 2.517 de 22 de dezembro de 2008, a competência para decidir sobre a opção pela manutenção na qualidade de facultativo é do INSS. Sendo este o primeiro pedido a ser apreciado não há o que ser conhecido do recurso trazido pelo recorrente:
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OPÇÃO PELA FILIAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL NA QUALIDADE DE SEGURADO FACULTATIVO, PEDIDO ALTERNATIVO RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADO EMPREGADO AGENTE POLÍTICO RECOLHIMENTO INDEVIDO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO DO OBJETO DO REQUERIMENTO Nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta RFB/INSS n. 2.517 de 22 de dezembro de 2008, a competência para decidir sobre a opção pela manutenção na qualidade de facultativo é do INSS. Sendo este o primeiro pedido a ser apreciado não há o que ser conhecido do recurso trazido pelo recorrente: Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 13 69 /2 00 7- 42 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.001369/200742 Acórdão n.º 2401002.916 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Requerimento com apresentação de Termo de Opção pela Filiação ao RGPS na Qualidade de Segurado Facultativo e, alternativamente , apresenta Pedido de Restituição de Contribuições Previdenciárias, protocolizado em 28/09/2007, de valores retidos e recolhidos no período de 01/2001 a 09/2004 (f1s.01/03), pela Prefeitura Municipal de Bariri, onde exerceu o mandato de Prefeito Municipal, na legislatura de 01/01/2001 a 31/12/2004, conforme documentos constantes dos autos: cópia de Diploma às fls. 08, reeleito para o mandato atual (01/01/2005 a 31/12/2008). Observase que pretendeu o recorrente, em primeiro lugar, o deferimento da opção pela filiação ao RGPS, na qualidade de segurado facultativo, tal como previsto na Instrução Normativa MPS/SRP n° 15, de 12/09/2006; e alternativamente, em caso de indeferimento da opção pelo RGPS pleiteada, a restituição dos valores arrecadados pela Previdência Social, com amparo no artigo 21 da mesma Instrução Normativa. O pedido foi apreciado pela Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, fl. 34, sido deferido parcialmente a restituição, considerando o indeferimento do termo de opção para filiação como facultativo, face a concomitância de atividade remunerada. Transcrevese a ementa do despacho: Assunto: Restituição de Indébito EMENTA: Termo de Opção pela Filiação ao • RGPS na Qualidade de Segurado Facultativo e, alternativamente , Restituição de Contribuições Previdenciárias — Exercente de Mandato Eletivo (Prefeito). 1 — Vedada a opção pela filiação ao RGPS, em razão de vínculo na qualidade de contribuinte individual (advogado), segurado obrigatório do RGPS. Indeferida a Opção Pleiteada. 2 — Cabível, em parte, a restituição das contribuições previdenciárias, atendidos os requisitos legais, em virtude de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 351.7171 Paraná, com expedição da Resolução n° 26/2005, pelo Senado Federal, para suspender a execução da alínea "h" do Inciso I, do artigo • 12, da Lei 8.212/91. PEDIDO PROCEDENTE EM PARTE. Devidamente cientificado do deferimento parcial do seu pedido e inconformado, o recorrente apresentou recurso, fl. 49, 1. O artigo 5 da Portaria MPS n 133/2006 e artigo 21 da IN n. 15/2006, asseguram o direito a manter a filiação como Segurado Facultativo desde que não tenha havido a compensação ou restituição dos valores contribuídos (parágrafo 1 da Portaria). Não houve no período de 01/2001 a 09/2004 nenhuma compensação conforme consta no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS sendo, então, possível tal filiação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 2. O Exercente de mandado eletivo, que tenha como profissão a advocacia, fica impedido de exercer a função/atividade de advogado, conforme o Estatuto da Ordem dos Advogados (OAB). Dessa maneira, o requerente, atendendo a legislação, solicitou a OAB o seu licenciamento no período que exerceria o seu primeiro mandato. . Em paralelo requereu o cancelamento do Imposto Sobre Serviços (ISS) junto a Prefeitura Municipal de Bariri de sua atividade como advogado (conforme certidão constante dos autos. 3. Sendo assim, é claro que o recorrente não exerceu a atividade autônoma a partir de 01/2001 e prova disso e que as últimas contribuições como contribuinte individual datam de 12/2000. 4. Impedido legalmente de exercer a atividade autônoma, o requerente enquadrase na categoria de Segurado Facultativo, podendo, então, reverter suas contribuições a esta filiação no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). 5. Não se aplica a prescrição ao caso tendo em vista que não se trata de pedido de compensação ou restituição (art. 3 da IN n. 15/2006), devendo haver a convalidação para o RGPS de 01/2001 a 09/2004. 6. Diante do exposto o recorrente faz jus a aplicação do art. 5 0 da Portaria MPS n 0 133/2006 e art. 21 da IN n 0 15/2006 para o período de 01/2001 a 09/2004, afinal, não exerceu outra atividade senão, a de prefeito municipal, não obtendo nenhuma compensação nem restituição dos valores contribuídos e PEDE o deferimento da inicial, convalidando o período para a filiação do RGPS na qualidade de Segurado Facultativo. É o Relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.001369/200742 Acórdão n.º 2401002.916 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme já apreciado fl. 56. Superados os pressupostos, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Conforme observase no requerimento inicial, pretendeu o recorrente o deferimento de sua inscrição como segurado facultativo, ante a inconstitucionalidade de sua vinculação como segurado obrigatório da previdência social enquanto agente político. O indeferimento do pedido por parte da autoridade da DRFB deuse ao fato de entender aquela autoridade que o requerente exercia concomitantemente o exercício da advocacia, o que o vincularia na qualidade de contribuinte individual. Assim, encontrase descrito na ementa:” — Vedada a opção pela filiação ao RGPS, em razão de vínculo na qualidade de contribuinte individual (advogado), segurado obrigatório do RGPS. Indeferida a Opção Pleiteada”. Todavia, insurgiuse o recorrente demonstrando o impedimento quanto ao exercício da advocacia, uma vez encontrarse como exercente de mandato eletivo. Para comprovar sua alegações anexa pedido de licenciamento do exercício da advocacia, direcionado a OAB SP, com o correspondente deferimento do seu pedido. Alegando justamente a impossibilidade do exercício da advocacia, o que afasta o argumento quanto a possibilidade de vinculação ao RGPS na qualidade de segurado facultativo, conforme pleiteado pelo recorrente. Notese que, face o entendimento de que o recorrente encontravase impossibilitado de filiarse como facultativo, apreciou a autoridade fiscal o direito de restituição dos valores recolhidos na qualidade de agente político. Contudo, entendo que o pedido a ser apreciado preliminarmente diz respeito ao direito de conversão, o que entendo não esteja dentre as competências deste Conselho. Nos termos do art. 2 da Portaria Conjunta RFB/INSS n. 2.517 de 22 de dezembro de 2008, a competência para decidir sobre a opção pela manutenção na qualidade de facultativo é do INSS, senão vejamos: Art. 2ºA opção pela manutenção da filiação na qualidade de segurado facultativo, de que trata o art. 5ºda Portaria MPS nº133, de 2006, deverá ser recepcionada e decidida pelo INSS. § 1ºPara instrução do processo de opção, o INSS solicitará à RFB informações relativas: I à existência ou não de compensação ou de restituição da parte retida; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 II ao recolhimento ou parcelamento dos valores descontados pelo ente federativo; III ao valor do salário de contribuição convertido com base no valor retido; e IV ao valor do salário de contribuição a complementar e ao respectivo valor da contribuição, se for o caso. Face o exposto, entendo que a apreciação do indeferimento do pedido de conversão, não compete a este colegiado, razão porque entendo não deva ser conhecido o recurso, devendo o mesmo ser devolvido a origem para os encaminhamentos cabíveis. CONCLUSÃO Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10855.904489/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO.
Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção torna-se definitiva.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF.
Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3401-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio Cesar Ramos, que negava provimento.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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I. SILVICULTURA LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção tornase definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio Cesar Ramos, que negava provimento. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 44 89 /2 00 8- 59 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico homologando em parte Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 15/12/2004, com crédito do PIS nãocumulativo e débito da mesma Contribuição, este sob o regime cumulativo. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte requer o cancelamento da cobrança do saldo devedor, alegando que o indébito foi “atualizado” (referese à aplicação da Selic) e não resta nada a recolher. A DRJ manteve a homologação parcial, observando que não há controvérsia sobre o valor original do crédito da contribuinte porque esse foi julgado integralmente procedente. A divergência reside tãosomente no valor do débito compensado da Cofins ao tempo da transmissão da DCOMP, em face do acréscimo da multa de mora. Como o contribuinte deixou de incluir a multa de mora e segundo o acórdão recorrido estes são devidos, haja vista o art. 28 da IN SRF nº 460/2004 e o art. 61 da Lei nº 9.430/96, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente. No Recurso Voluntário, tempestivo, a interessada insiste na compensação integral, sem o cômputo da multa de mora aplicada até a data de transmissão da DCOMP, invocando a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Destaca ter transmitido a DCOMP antes da DCTF retificadora, argüindo que de acordo com a jurisprudência do STJ resta caracterizada a denúncia espontânea, vez que (i) a quitação/compensação foi realizada após o vencimento do débito, (ii) foram acrescidos juros de mora ao débito compensado, (iii) a entrega da DCOMP se deu antes da entrega da DCTF e (iv) de qualquer procedimento de fiscalização. Argúi ainda não haver mora, já que possuía um crédito a ser compensado, apenas aguardando homologação, pelo que, se inaplicável o art. 138 do CTN, de todo modo deve ser afastada a multa de mora. Este Colegiado determinou diligência, visando verificar se os valores dos débitos compensados, e que se encontravam em atraso na data de transmissão do PER/DCOMP (por isto a contribuinte incluiu na compensação os juros de mora), já constavam da DCTF original ou se foram informados apenas na DCTF retificadora. O resultado da diligência confirma que a DCTF retificadora foi transmitida após a DCOMP e que o montante do débito compensado não constava da DCTF original. Pronunciandose sobre o resultado acima, a Recorrente considera que as informações da diligência confirmam a caracterização da denúncia espontânea, reiterando o pedido pela compensação integral. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904489/200859 Acórdão n.º 3401002.106 S3C4T1 Fl. 115 3 É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O resultado da diligência confirma que a DCTF retificadora foi transmitida em 19/11/2004 (após a DCOMP, então) e que o montante do débito compensado, do PIS – R$ 9.256,19, código da Receita 81092, correspondente ao regime não constava da DCTF original. O litígio, como já definido com precisão no voto que resultou da diligência, versa unicamente sobre a exigência (ou não) da multa ofício, na situação em que a contribuinte transmite PER/DCOMP compensando débito em atraso, quando considerada a data da transmissão. Para a Recorrente a denúncia restou caracterizada e, por isso, descabe a multa de mora, de modo que deviam ser exigidos apenas o principal e os juros de mora incidentes entre a data de vencimento do débito compensado e a de transmissão do PER/DCOMP. Reconhecendo que o tema é controverso e já adotei interpretação diversa em julgamentos anteriores, curvome à interpretação do STJ quanto à exclusão da multa de mora na hipótese da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, que na situação dos autos vejo caracterizada por não haver dúvida quanto ao crédito da Recorrente. A Turma da DRJ, ao manter a homologação parcial, observou que não há controvérsia sobre o valor original do crédito da contribuinte porque esse foi julgado integralmente procedente. A divergência reside tãosomente no valor do débito compensado da Cofins ao tempo da transmissão da DCOMP, em face do acréscimo da multa de mora. Sendo certo o reconhecimento do crédito informado na DCOMP, a compensação declarada nos termos da Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2002, equiparase ao pagamento por não restar mais dúvida quanto à extinção do crédito tributário. Assim, as condições exigidas pelo art. 138 do CTN, para fins de caracterização da denúncia espontânea defendida pela Recorrente, e consoante interpretação do STJ em Recurso Repetitivo, estão satisfeitas: o débito constante da DCOMP não foi informado antes à Receita Federal e houve a sua liquidação por meio da compensação (no lugar do pagamento a que se refere o texto do citado art. 138). Caracterizada a denúncia espontânea, a multa moratória deve ser excluída por ser obrigada a aplicação da jurisprudência do STJ, como determinada pelo art. 62A do RICARF (Anexo II da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, modificado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010)1. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.(AC) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 Segundo julgamentos do STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, a exemplo do Recurso Especial nº 1149022SP, temse o seguinte, verbis: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904489/200859 Acórdão n.º 3401002.106 S3C4T1 Fl. 116 5 punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp 1149022, unânime, Relator Min. Luiz Fux, trânsito em julgado em 30/08/2010) Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, homologada a compensação de débito antes não declarado à administração tributária, a extinção tornase definitiva (antes era precária por se submeter a ulterior homologação, nos termos do regime introduzido pela Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2000). Na sistemática da compensação introduzida pela MP nº 66, 2002, em que a compensação extingue o crédito tributário, há de se admitir que o contribuinte pode, no lugar do pagamento, preferir compensar o que deve com o crédito que possui. Afinal, não se pode exigir do contribuinte detentor de crédito junto à Fazenda Pública que efetue, a fim de caracterizar a denúncia espontânea, pagamento que pode ser suprido pela compensação. À opção dele, pode ser feito o pagamento do débito confessado espontaneamente ou declarada a compensação a extinguir o débito, extinção esta que poderá ficar sem efeito caso não homologada a compensação. A corroborar a interpretação ora adotada, o Acórdão sob o nº 340101.045, desta Turma sob a relatoria do ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, processo nº 11516.002888/200714, sessão de 30/09/2010. Destacando que naquela ocasião adotei posição diversa, transcrevo os fundamentos daquele julgado, que é orientado, inclusive, por julgado do STJ, tudo conforme adiante: Inicialmente, de se ressaltar duas características da Dcomp, quais sejam, a de que, nos termos do parágrafo 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002, “A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” (grifei), e a de que, nos termos do parágrafo 6º do mesmo art. 74, acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, “A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.” (grifei) Para mim, embora o artigo 138 do CTN refirase a pagamento e a compensação seja apenas uma forma de extinção do crédito tributário, que não o pagamento, há que se considerar os efeitos idênticos em ambos os casos, ou seja, ambos, o pagamento e a compensação, quando homologados, extinguem o crédito na data em que realizados, isto é, respectivamente, na data do pagamento e na data da entrega da Dcomp. Para referendar a minha linha de raciocínio, lembro o teor do parágrafo 1º do art. 150 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”. (grifei) A relevância das observações constantes dos parágrafos acima está no fato de que, neste caso, haverá a prevalência dos efeitos da entrega das Dcomp (pagamento) sobre os decorrentes da entrega das DCTF (confissão), visto que a entrega daquelas ocorreu antes da entrega dessas. Explicando melhor e situando os fatos no contexto da discussão, o “pagamento” do PIS/Pasep do período de apuração de dezembro de 2004, vencido em 14/01/2005, ocorreu por meio das Dcomp entregues no dia 31/01/2005, enquanto que a entrega da DCTF do 4º trimestre de 2004, que também é forma de constituição dos créditos tributários, só veio ao conhecimento do Fisco em 11/02/20052, após, portanto, a ocorrência do “pagamento” que ocorreu, frisese, acrescido dos juros de mora. Esclarecimento adicional não menos importante se faz necessário em faz das retificações havidas nas Dcomp originais, isto é, embora as retificadoras tenham sido entregues em 05/05/2005, o encontro de contas, ou as compensações, levou em conta a data de entrega das Dcomp originais, ou seja, em 31/01/2005. Assim, no presente caso, em que a interessada, antes de apresentar a DCTF indicando os débitos em atraso e antes de qualquer iniciativa do Fisco relacionada à cobrança desses débitos, procedeu, janeiro de 2005, via entrega da Dcomp, à confissão e à “extinção” daqueles débitos vencidos em 12/11/2004, com juros de mora, resta caracterizada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, na linha do entendimento manifestado pelo STJ, que, à propósito e em situação semelhante a esta, assim se manifestou no AgRg no REsp 1136372/RS, T1, Ministro Hamilton Carvalhido, votação unânime, julgamento em 04/05/2010, Dje 04/05/2010: ‘AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. (...). 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido.’ Colhese da referida decisão a informação de que o Recurso Especial então interposto pela Fazenda Nacional atacara o 2 Vide "Consulta Declarações DCTF", por mim anexado ao eprocesso. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904489/200859 Acórdão n.º 3401002.106 S3C4T1 Fl. 117 7 Acórdão da Primeira Turma do TRF da 4ª Região, assim ementado: ‘TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO MEDIANTE GUIAS DARF E COMPENSAÇÃO DECLARADA À RECEITA FEDERAL. EXCLUSÃO DA MULTA.COMPENSAÇÃO. 1. O pagamento espontâneo do tributo, antes de qualquer ação fiscalizatória da Fazenda Pública, acrescido dos juros de mora previstos na legislação de regência, enseja a aplicação do art. 138 do CTN, eximindo o contribuinte das penalidades decorrentes de sua falta. 2. O art. 138 do CTN não faz distinção entre multa moratória e multa punitiva, aplicandose o favor legal da denúncia espontânea a qualquer espécie de multa. 3. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados em DCTF e pagos com atraso, o contribuinte não pode invocar o art. 138 do CTN para se exonerar da multa de mora, consoante a Súmula nº 360 do STJ. Tal entendimento deriva da natureza jurídica da DCTF, GFIP ou outra declaração com idêntica função, uma vez que, formalizando a existência do crédito tributário, possuem o efeito de suprir a necessidade de constituição do crédito por meio de lançamento e de qualquer ação fiscal para a cobrança do crédito. 4. Todavia, enquanto o contribuinte não prestar a declaração, mesmo que recolha o tributo extemporaneamente, desde que pelo valor integral, permanece a possibilidade de fazer o pagamento do tributo sem a multa moratória, pois nesse caso inexiste qualquer instrumento supletivo da ação fiscal. 5. A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. A declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. 6. A multa, por força do art. 113, § 1º, do CTN, é alçada à categoria de obrigação tributária principal, submetendose ao mesmo regime de constituição, inscrição em dívida ativa e execução dos tributos. Tornandose irrelevante a distinção doutrinária quanto à natureza jurídica da multa, é possível a compensação, desde que o encontro de contas seja feito perante o ente responsável pela arrecadação, fiscalização e lançamento do tributo’ Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 E que os argumentos lançados pela Fazenda Nacional para fustigar o mérito do referido Acórdão foram os de que teriam sido violados os artigos 138 e 113, parágrafos 2º e 3º do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, porque: ‘(...) Ora, não efetuado o pagamento do tributo devido, mas apenas o pagamento de valor que a parte entendeu como correto, ou seja, sem a multa moratória, descabida a aplicação da denúncia espontânea, em frontal afronta ao disposto nos artigos retro transcritos. A recorrida entende indevida a multa moratória, alegando que, no caso de mera inadimplência, ao efetuar o pagamento em momento anterior a qualquer atividade do Fisco, estaria caracterizada a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Sem razão, contudo, considerando que a multa moratória não deve ser excluída em face da denúncia espontânea, que, consoante estabelece o artigo 138, está relacionada à responsabilidade por infrações. Isto porque a multa moratória não se constitui em penalidade por infração à legislação tributária, como refere o eminente tributarias Ruy Barbosa Nogueira: (...) Não merece prosperar, portanto a pretensão da recorrida de eximirse do pagamento da multa moratória, sob a alegação de que efetuou o pagamento espontaneamente. Ora, o recolhimento do tributo se deu fora do prazo, estando sujeito ao acréscimo da multa moratória, não se tratando, no caso, de aplicação de multa de ofício, hipótese em que deveria ser observado o disposto no artigo 138 do CTN. Tratase no presente caso, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo montante foi recolhido fora do prazo legalmente previsto, mas espontaneamente pago pelo contribuinte. Em tal hipótese, não há se falar em multa punitiva, mas, sim, de aplicação da multa moratória, porque prevista em lei, como medida de garantia indenizatória. (...) Outrossim, vale seja recordado que a legislação prevê que em casos como o dos autos, em que exista débito tributário impago e informado pelo contribuinte, através de declaração de compensação, não é necessário o lançamento do débito, uma vez que devidamente confessado. Desse modo, havendo previsão normativa afirmando a suficiência da declaração do contribuinte a respeito de sua situação fiscal, é legítima a recusa da Fazenda em reconhecer a espontaneidade do recolhimento. Porque a espontaneidade Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904489/200859 Acórdão n.º 3401002.106 S3C4T1 Fl. 118 9 implica, isto sim, em pagamento do débito ao mesmo tempo que o confessa. Assim, se há legislação tornando dispensável o lançamento e considerando formalizado o crédito tributário, em documento que se tem o valor de confissão de dívida, não há como se exigir o lançamento fiscal para caracterizar a exigibilidade da multa. De outro viés, fica afastada, por certo, eventual multa de ofício, eis que o contribuinte declarou dever o tributo. Mas, como já dito acima, multa de ofício não se confunde com multa moratória, esta última devida simplesmente pelo pagamento a destempo, da mesma forma como é devida a multa nas hipóteses em que se atrasa o pagamento de prestações outras, tais como cartões de crédito, condomínio, prestações habitacionais, etc. (...)’ Negando seguimento ao referido Recurso Especial, assim se manifestou a autoridade Judicial: ‘(...) Tudo visto e examinado, decido. Esta é a letra do acórdão recorrido, particularmente a parte em que o Tribunal a quo afirma que o contribuinte efetuou o pagamento do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório do Fisco ou antes, sequer, da entrega da respectiva declaração tributária: (...) A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. O que ocorre, na verdade, é que a declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Na sistemática dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a compensação equivale ao pagamento antecipado, visto que o sujeito passivo, ao invés de recolher o valor do tributo em pecúnia, registra na escrita fiscal o crédito oponível ao Fisco e o informa na PER/DCOMP. Em outras palavras, até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. Este entendimento coadunase com a jurisprudência deste Tribunal e do STJ, consoante os acórdãos a seguir transcritos: (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 In casu, a autora promoveu o pagamento em guias DARF e a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal. Resta configurada, por conseguinte, a denúncia espontânea, fazendo jus à restituição dos valores pagos a título de multa moratória. (...)" Nesse passo, verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, eis que não houve a constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar a ocorrência de algum erro na operação de compensação.’ (...) No tocante à validade e eficácia imediata do pedido de compensação, colaciono os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECIDIDO PELO FISCO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POSSIBILIDADE. 1. O pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa, a dívida carece de certeza (existência) e exigibilidade. Precedente da Primeira Seção. 2. A processualidade administrativa é instrumento de acertamento do crédito tributário, além de conferir legitimidade ao título extrajudicial fazendário (CDA) pela participação em contraditório do contribuinte, razão pela qual se lhe deve render toda a eficácia possível. 3. Recurso especial provido." (REsp 972.531/AL, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 27/11/2009). TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – COMPENSAÇÃO –HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO – RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE –SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO – FORNECIMENTO DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. 1. As impugnações, na esfera administrativa, a teor do CTN, podem ocorrer na forma de reclamações (defesa em primeiro grau) e de recursos (reapreciação em segundo grau) e, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir o pagamento do valor até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904489/200859 Acórdão n.º 3401002.106 S3C4T1 Fl. 119 11 2. Interpretação do art. 151, III, do CTN, que sugere a suspensão da exigibilidade da exação quando existente uma impugnação do contribuinte à cobrança do tributo, qualquer que seja esta. 3. Nesses casos, em que suspensa a exigibilidade do tributo, o fisco não pode negar a certidão positiva de débitos, com efeito de negativa, de que trata o art. 206 do CTN. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 850332/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/05/2008, DJe 12/08/2008). Uma vez configurada a denúncia espontânea no presente caso, passo à análise da outra questão suscitada pela recorrente, qual seja, a de que a denúncia espontânea não exclui o contribuinte do pagamento da multa moratória. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça possui firme entendimento de que o artigo 138 do CTN, ao ressalvar o contribuinte do pagamento de multa, não fez diferenciação entre multa punitiva e a multa moratória, motivo pelo qual não cabe ao intérprete fazêlo, pena de restrição indevida do âmbito de incidência normativo’. Nas suas razões de Agravo, a Procuradoria da Fazenda Nacional alegou: ‘(...) De início, ponderase acerca da legalidade do julgamento monocrático da presente causa, uma vez que a matéria objeto desta demanda não se enquadra nas hipóteses no art. 557, do CPC (...) Perceba Excelência que a decisão não poderia ter sido proferida monocraticamente, eis que não se afigura presente qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no art. 557, do CPC. A pretensão recursal deduzida pela União não contraria súmula ou entendimento jurisprudencial predominante deste STJ, nem do STF, muito menos de qualquer outro Tribunal Superior. (...) Ademais, mesmo no mérito, a r. Decisão agravada merece reparos (...) Com efeito, vêse que a caracterização do instituto da denúncia espontânea demanda o pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Em tese, é possível que se considere o pedido de compensação como efetivo pagamento, caso se paute por uma concepção genérica do termo pagamento. Todavia, da detida análise do CTN, aferese que o referido Código pautase por uma concepção estrita dos referidos termos, uma vez que diferencia pagamento e compensação (...) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 Outrossim, o Capítulo IV do Código Tributário Nacional é subdividido em seções, sendo que o pagamento e a compensação são tratados em seções distintas, nas quais são esmiuçadas as particularidades das referidas formas de extinção do crédito tributário . Ora, diante da concepção restrita do termo pagamento propugnada pelo Código Tributário Nacional, não cabe o alargamento de seu conceito, de modo a permitir que o contribuinte que formalize pedido de compensação possa beneficiarse do instituto da denúncia espontânea. Destarte, se o art. 138 do CTN exige pagamento do tributo e dos juros de mora, e o mesmo Código diferencia pagamento de compensação, é de se concluir que não se configura hipótese de denúncia espontânea no caso em que o contribuinte formaliza pedido de compensação de tributos’. E, finalmente, enfrentandoas, o Ministro Hamilton Carvalhido, acompanhado pelos Ministros Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Benedito Gonçalves (Presidente), assim se posicionou: ‘(...) In casu, negouse seguimento ao recurso especial interposto, com fulcro na jurisprudência dominante, por "(...) estar caracterizada a denúncia espontânea, eis que não houve a constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos." Tal entendimento se compatibiliza com as hipóteses traçadas no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, que autoriza o Relator a negar seguimento a recurso, quando contrário à jurisprudência dominante do respectivo tribunal, restando consolidado, ainda com mais força, o entendimento dominante do Superior Tribunal de Justiça. De resto, merece prevalecer a decisão ora agravada, posto que, uma vez configurada a denúncia espontânea no presente caso, passo à análise da outra questão suscitada pela recorrente, qual seja, a de que a denúncia espontânea não exclui o contribuinte do pagamento da multa moratória. (...) Pelo exposto, nego provimento ao agravo regimental. É O VOTO.’ Assim, repito, no presente caso, em que a interessada, por meio da entrega da Dcomp extinguiu o débito em atraso antes de ter levado ao conhecimento do Fisco tal fato, resta caracterizada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, na linha do entendimento manifestado pelo STJ e das demais considerações por mim expostas acima. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904489/200859 Acórdão n.º 3401002.106 S3C4T1 Fl. 120 13 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10920.005593/2007-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS.
Os serviços de industrialização adquiridos de terceiros somente integram o cálculo do crédito presumido de IPI nos casos, devidamente comprovados, em que o produto beneficiado, ao retornar ao estabelecimento do encomendante, se submete a novo processo de industrialização na condição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem.
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
Numero da decisão: 3803-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a decisão embargada, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Os serviços de industrialização adquiridos de terceiros somente integram o cálculo do crédito presumido de IPI nos casos, devidamente comprovados, em que o produto beneficiado, ao retornar ao estabelecimento do encomendante, se submete a novo processo de industrialização na condição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a decisão embargada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Acolhemse os Embargos de Declaração por ter sido confirmada a obscuridade alegada pelo Embargante, uma vez que inocorrera a intempestividade de interposição do Recurso Voluntário que havia sido atestada na decisão combatida. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Os serviços de industrialização adquiridos de terceiros somente integram o cálculo do crédito presumido de IPI nos casos, devidamente comprovados, em que o produto beneficiado, ao retornar ao estabelecimento do encomendante, se submete a novo processo de industrialização na condição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a decisão embargada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 55 93 /2 00 7- 57 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 550 2 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos por Normóveis Indústria Comércio e Participações Ltda. (fls. 360 a 362), com amparo nos artigos 65 do Regimento Interno do CARF e 535 do Código de Processo Civil, em que se alega a ocorrência de omissão e obscuridade no acórdão nº 380302.033, de 6 de outubro de 2011, prolatado por esta 3ª Turma Especial, em que se decidiu por não se conhecer do Recurso Voluntário em razão da intempestividade de sua apresentação. O presente processo se originara de pedidos de ressarcimento de créditos básicos e de crédito presumido de IPI (fls. 1 a 56), cumulados com declarações de compensação, transmitidos eletronicamente pelo contribuinte supra identificado, totalizando o montante de R$ 264.529,47. Submetidos à apreciação da repartição de origem, deferiuse parte do ressarcimento, no total de R$ 191.817,27, e homologaramse as compensações até o limite do direito creditório, tendo sido excluídos os valores referentes a aquisições de serviços, sendo acatados apenas os relativos a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 317 a 321) e requereu o reconhecimento do direito ao ressarcimento, bem como o deferimento das compensações, alegando que se trataria de créditos relativos a produtos industrializados por encomenda, passíveis de ressarcimento, conforme jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), pelo fato de se tratar de serviço que se agrega ao custo de aquisição da matériaprima, integrando, portanto, o crédito presumido de IPI.. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório (fls. 337 a 339), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração Fl. 550DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 551 3 da base de cálculo do incentivo fiscal, nos termos da Lei n° 9.363, de 1996. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo a autoridade julgadora de primeira instância, a “mera aquisição de prestação de serviço, tratandose ou não de industrialização por encomenda, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de incidência, definidas no art. 2° da Lei n° 9.363, de 1996, para fins de apuração do crédito presumido do IPI, uma vez que não é a hipótese propriamente de aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem a ser utilizados no processo produtivo” (fl. 338). Segundo o relator a quo, a inclusão de despesas com serviço de industrialização por encomenda somente passou a ser admitida no cálculo do crédito presumido de IPI com o advento da Lei 10.276/2001. Não satisfeito, o contribuinte recorreu a este Conselho e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos. Segundo o então Recorrente, “o serviço de industrialização por encomenda é um beneficiamento realizado por terceiros e equivale ao insumo utilizado no processo produtivo, sendo que os valores despendidos a este titulo agregamse ao valor das aquisições de matériasprimas, eis que constituem uma atividade meio para posterior industrialização”, tendo sido “justamente para esclarecer este aspecto muitas vezes mal compreendido que surgiu a Lei 10.276/2001, evitando que o produtor exportador deixe de receber o beneficio a que faz juz” (fl. 350). O Recurso Voluntário foi considerado intempestivo (fls. 353 a 354), em razão do que o contribuinte apresentou os Embargos de Declaração, alegando que, diferentemente do atestado na decisão embargada, a intimação para a ciência da decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP se dera em 2 de fevereiro de 2010, e não em 27 de janeiro do mesmo ano, tendo em vista que, nesta última data, havia recebido pelo correio apenas a carta cobrança, desacompanhada de qualquer fundamentação acerca do indeferimento de sua defesa administrativa, sendo que, somente na primeira data apontada, foi que obteve ciência pessoal da decisão recorrida na Agência da Receita Federal do Brasil em São Bento do Sul/SC, quando lhe foi informado que o prazo para recurso se iniciaria a partir de então. Após a interposição dos embargos, a DRF Joinville/SC se manifestou nos autos (fl. 365), confirmando as informações apresentadas pelo ora Embargante, atestando a tempestividade do Recurso Voluntário. O Presidente da 3ª Turma Especial, por meio do despacho nº 380300.170, de 21 de setembro de 2012 (fls. 543 a 544), designou o conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira para informar sobre a admissibilidade da petição como embargos de declaração contra o acórdão indigitado, tendo este se posicionado favoravelmente por meio do despacho nº 3803 00.183, de 2 de outubro de 2012. É o relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 552 4 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são intempestivos e dele tomo conhecimento. As informações relativas às datas de ciência do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP e de apresentação do Recurso Voluntário, afirmadas tanto pelo Embargante quanto pela repartição de origem, conforme acima relatado, podem ser comprovadas nos autos (fls. 339verso e 347), em razão do que se deve afastar a perempção por intempestividade na interposição do Recurso Voluntário atestada no acórdão embargado. Passase, então, à análise do Recurso Voluntário. Conforme acima relatado, restou controvertida nos autos apenas a questão relativa à possibilidade de creditamento de aquisições de serviços por encomenda, alegando o Recorrente que se trata de serviços que se agregam às matériasprimas utilizadas no processo industrial e, portanto, passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, em contraposição à afirmativa da Fiscalização de que tais serviços não se referem a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem. Devese destacar que o Recorrente faz suas alegações apenas de forma genérica, não apontando de forma específica as aquisições a que se reporta ao defender seu direito, nem trazendo aos autos outros elementos probatórios além daqueles juntados pela Fiscalização. No Livro Registro de Apuração do IPI (fls. 65 a 76), constam, dentre outras, rubricas relacionadas a aquisições genericamente identificadas como “industrialização efetuada por outra empresa” e, nas notas fiscais de fls. 219, 239, 247 e 257, consta a informação “mão de obra de industrialização”, sem haver qualquer vínculo a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem (insumos). A Lei nº 9.363/1996 estipula que, para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, o valor das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem será computado observandose a legislação tributária que rege a incidência das contribuições Cofins e para o PIS e, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do IPI. O Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), em seu art. 164, inciso I, prescreve que o creditamento do imposto abarca o valor das matérias primas e dos produtos intermediários que, embora não se integrando ao produto final, sejam consumidos no processo de industrialização. Nesse sentido, a aquisição de serviços de industrialização pode ser computada no cálculo do crédito presumido de IPI apenas nas hipóteses em que tais serviços sejam aplicados em produtos que serão absorvidos no processo industrial do contribuinte na condição de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem1. Os serviços 1 Nesse sentido: acórdão nº 0202.937, de 29/1/2008; 330201.495, de 21/3/2012; 930300.788, de 2/2/2012; dentre outros. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 553 5 de beneficiamento realizados por terceiros que não se encaixam nessa condição não acarretam incremento no valor de insumos, não podendo ser incluídos no cálculo do crédito presumido. Não foram juntados aos autos documentos que comprovassem que os serviços de “mão de obra de industrialização” teriam sido prestados no beneficiamento de produtos utilizados no processo de industrialização, quando do seu retorno ao estabelecimento do Recorrente. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 2 Dessa forma, salientese que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em documentos apresentados e informações prestadas pelo sujeito passivo, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova. Nesse contexto, voto por ACOLHER os embargos interpostos pelo contribuinte e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 553DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 554 6 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15889.000164/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
DIREITO DE DEFESA. NÃO APRECIAÇÃO DA TOTALIDADE DOS ARGUMENTOS. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade ocorre quando a decisão, por omissão do julgador, não contempla matéria devidamente impugnada pela defesa. A autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos no recurso, devendo manifestar-se de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso.
A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsá-lo e obter, junto à repartição as cópias que entendesse necessárias.
IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO.
A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do Lucro Real, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores das contribuições lançadas de ofício sobre receitas omitidas.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1201-000.707
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares de nulidade suscitadas. Por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa, que davam provimento. Quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DIREITO DE DEFESA. NÃO APRECIAÇÃO DA TOTALIDADE DOS ARGUMENTOS. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade ocorre quando a decisão, por omissão do julgador, não contempla matéria devidamente impugnada pela defesa. A autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos no recurso, devendo manifestarse de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso. A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsálo e obter, junto à repartição as cópias que entendesse necessárias. IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do Lucro Real, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores das contribuições lançadas de ofício sobre receitas omitidas. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA DE JUROS SELIC. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 373 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares de nulidade suscitadas. Por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa, que davam provimento. Quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto com fundamento no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, em face do Acórdão nº 1435.366, de 29.09.2011, proferido pela e. 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Os autos de infração foram lavrados para constituir o crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) (fls. 03/08); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 35/30); Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 09/16 e 31/38) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) (fls.17/24 e 39/46), em decorrência de infrações apuradas no anocalendário de 2007. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 48/60), as diferenças apuradas referemse a: i) omissão de receita, em razão da não contabilização de rendimentos auferidos informados pela fonte pagadora; e ii) falta e/ou insuficiência de recolhimento das contribuições Fl. 373DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 374 3 PIS/Pasep e Cofins, apuradas com base em diferenças entre a DACON e os valores escriturados. Os valores relativos aos fatos geradores verificados encontramse indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário consolidado o montante de R$ 1.868.794,47 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos e contribuições, acrescidos da multa de ofício de 75%, e dos juros de mora calculados até 30.06.2010. Após ciência do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 276/312) com a seguinte linha argumentativa, em síntese: a) preliminarmente, alega que o Auto de Infração do IRPJ não menciona o enquadramento legal do “Imposto Adicional”; b) após reproduzir diversas ementas do CARF sobre o tema, e excertos de obras de renomados tributaristas, pleiteia a nulidade do lançamento, em razão da falta de menção ou menção errônea do enquadramento legal; c) pretende, também, a nulidade dos Autos de Infração, arguindo cerceamento do direito de defesa, pois a Fiscalização não teria anexado aos referidos Autos os elementos constantes no sistema eletrônico da RFBDIRF, especificamente, as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, e citadas no Termo de Verificação Fiscal, como parte integrante dos documentos de lançamento; d) alega ainda em sede de preliminar, que houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que seu domicílio fiscal é o município de Lençois PaulistaSP, onde existe uma agência da Receita Federal, e as vistas ao processo foram disponibilizadas na cidade de BauruSP; e) no mérito, postula a dedução dos valores tributados a título de Pis e Cofins das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; f) insurgese, também, contra a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, assim como, a sua aplicação sobre a multa exigida, por entendêla inconstitucional; g) pretende, por fim, que o órgão administrativo de primeira instância se pronuncie sobre as inconstitucionalidades da legislação referenciada nos autos; A autoridade julgadora de primeira instância, ao apreciar a argumentação da defesa, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, conforme decisão assim ementada, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Descritos os fatos imputados à autuada de forma clara e minuciosa, e trazendo os autos de infração a capitulação legal Fl. 374DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 375 4 pertinente, ainda que mediante referência a artigos do Regulamento do Imposto de Renda, não há vício de formalização do lançamento, nem cerceamento ao direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. INOCORRÊNCIA. A ciência dos autos de infração sem apresentação de cópia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsálo e obter as cópias que entendesse necessárias, providências não adotadas no caso. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. LOCALIZAÇÃO DO PROCESSO. Comprovado que o Processo encontravase na ARF do domicílio da contribuinte, inócua a alegação de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. COMISSÕES E CORRETAGENS. VALORES NÃO CONTABILIZADOS E NÃO TRIBUTADOS. Constatada omissão de receitas, não contestada pelo contribuinte, relativa a falta de contabilização e da tributação de comissões e corretagens recebidas, mantémse a exigência fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E PARA A COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. A dedução dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do lucro real, alcança de imediato os valores constantes da escrituração comercial. Quanto aos valores da contribuição para o Pis e para a Cofins lançados de ofício, a dedução obedecendo ao regime de competência deve ser efetivada na apuração do lucro real do período de apuração em que se opera a constituição definitiva do crédito tributário lançado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. JURISPRUDÊNCIA. DOUTRINAS A análise de processos fiscais no âmbito administrativo obedece de forma irrestrita aos atos legais que comandam as disciplinas em discussão, assim como o manifesto entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO Fl. 375DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 376 5 É defeso à autoridade administrativa pronunciarse sobre inconstitucionalidade/legalidade de leis e atos normativos do poder público. Impugnação Improcedente.” Ante a decisão desfavorável, cientificada em 21.11.2011, a contribuinte recorre a este Conselho por meio do recurso voluntário (fls. 341/368), protocolizado em 13.12.2011. Repisa em seu recurso as alegações trazidas na impugnação, asseverando que ocorreu cerceamento do seu direito de defesa. Em sua argumentação, aduz o seguinte: Preliminarmente: a) quanto a não apreciação de argumentos, que a autoridade julgadora de primeira instância não apreciou os seguintes argumentos: i) o direito ao recebimento da íntegra do auto de infração, conforme o disposto no art. 9º do PAF; e ii) a afirmação de que, com base no Parecer PGFN nº 436/96, os órgãos administrativos podem decidir com fundamento na inconstitucionalidade de lei e que tais pareceres possuem efeito vinculante (fls. 351/352); que a autoridade julgadora deveria ter se pronunciado expressamente sobre todos os argumentos da Recorrente, sob pena de nulidade da decisão, por cerceamento do direito defesa. Menciona diversos acórdãos deste Conselho, que anulam a decisão da DRJ em razão da não apreciação de todos os argumentos de defesa da impugnante (fls. 352/357); b) quanto ao enquadramento legal, assevera a Recorrente que não foi informado a base legal para exigência do Imposto Adicional e que o citado art. 288 do RIR/1999 não é a disposição legal infringida; c) quanto a não entrega dos autos de infração integralmente, argumenta que os dispositivos do PAF não amparam a afirmação de que a legislação determina “apenas a ciência do lançamento”; que a exigência da entrega integral do auto de infração está no art. 9º, que não há como comparar documentos das fontes pagadoras com “registros da RFB” que não são de seu conhecimento; e que o que se discute não é o fato dos documentos estarem nos autos, mas se tais documentos devem ser entregues ao contribuinte pela autoridade fiscal (fls. 359); d) quanto à localização do processo, que houve erro por parte da Receita Federal ao informar que o processo estaria disponível ao contribuinte para vistas em Bauru e não em Lençois Paulista, seu domicílio; e que isto provocou cerceamento de seu direito de defesa (fls. 361); e) inconstitucionalidades, sustenta a defesa o dever da autoridade administrativa apreciar a inconstitucionalidade e ilegalidade dos dispositivos legais aplicáveis. No mérito: f) quando à dedução do PIS e da COFINS, alega serem dedutíveis tanto as despesas como os custos não contabilizados; que é cabível a dedução de despesas não contabilizadas quando se apura receitas também não contabilizadas, conforme decidiu o Conselho no acórdão nº 1072.174 (fls. 362/363); Fl. 376DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 377 6 g) quanto aos juros de mora, alega que o CARF deve apreciar a aplicação da taxa Selic, não obstante a matéria ser objeto de Súmula; e que o questionamento dos juros de mora sobre a multa de ofício dever ser apreciado pelas instâncias administrativas, sem contudo, aduzir em sua argumentação, razões de direito para seu afastamento; h) quanto à jurisprudência citada, alega que a sua não aplicação obriga o julgador a motivar seu ato, “com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos”, sob pena de nulidade. Ao final, requer seja julgado procedente o recurso, declarandose as nulidades e improcedências demonstradas. É o relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/1972 (PAF), razão pela qual dele tomo conhecimento. A matéria a ser apreciada por este colegiado cingese em verificar se houve, no curso do processo, o alegado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Quanto às questões de fundo que embasaram a autuação, a contestação abrange somente i) a dedução da base de cálculo do IRPJ dos valores lançados de ofício a título de PIS e COFINS; e ii) a incidência dos juros de mora com base na taxa Selic e sua aplicação sobre a multa de ofício. De plano, cumpre consignar que a Recorrente, da mesma forma que o fez quando da impugnação, não questiona as irregularidades que deram origem ao lançamento, quais sejam, i) a apuração de receitas omitidas, verificadas entre as informações prestadas pelas fontes pagadoras nas DIRF e os valores escriturados; e ii) as diferenças apuradas de PIS e COFINS pelo cotejo entre a escrituração da Recorrente e as DACON apresentadas à Receita Federal. A insurgência da Recorrente está centralizada nas alegações de nulidade do lançamento, por suposto cerceamento do seu direito de defesa. Questões preliminares a) Quanto a não apreciação de todos os argumentos da defesa A Recorrente informa que a autoridade de primeira instância, ao apreciar sua impugnação, deixou de analisar todos os argumentos apresentados pela defesa. Aponta que os seguintes argumentos não foram apreciados: i) o direito ao recebimento da íntegra do auto de infração, conforme o disposto no art. 9º do PAF; e ii) a afirmação de que, com base no Parecer PGFN nº 436/96, os órgãos administrativos podem decidir com fundamento na inconstitucionalidade de lei e que tais pareceres possuem efeito vinculante (fls. 351/352). Não assiste razão à Recorrente, pois as matérias foram devidamente abordadas pelo órgão julgador, sem preterimento do seu direito de defesa. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 378 7 A questão do não recebimento do auto de infração, juntamente com os demais documentos do processo, foi enfrentada pela autoridade julgadora, cuja manifestação foi devida e claramente fundamentada. O inconformismo da Recorrente com a decisão não se converte em hipótese de nulidade do julgado, pelo não acatamento de seus argumentos. Ademais, caberia à defesa, aduzir elementos jurídicos que demonstrassem que a não apreciação de determinado dispositivo legal influenciou substancialmente a decisão que lhe foi desfavorável. No entanto, não há em sua peça recursal argumentação alguma que fundamente a alegada omissão da autoridade julgadora. Quanto às inconstitucionalidades suscitadas e a não referência ao Parecer PGFN, a Recorrente, da mesma forma, apenas alega a sua não referência na decisão sem, contudo, apontar em que medida o ato interpretativo da Procuradoria da Fazenda indicaria que a decisão seria em sentido inverso. Aliás, compulsandose o acórdão da DRJ, verificase que o órgão julgador abordou amplamente a matéria, justificando a impossibilidade jurídica de se apreciar a inconstitucionalidade das leis no âmbito administrativo. Com base no art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), rechaçou a pretensão da defesa, concluindo ser inócuo suscitar que os órgãos administrativos apreciem alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade. Em suma, não se verifica, in casu, hipótese de nulidade da decisão em razão da não consideração de todos os argumentos tecidos pela Recorrente. A declaração de nulidade ocorre quando a decisão, por omissão do julgador, não contempla matéria devidamente impugnada pela defesa. A autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos no recurso, devendo manifestarse de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso. Em razão disso, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de todos os argumentos apresentados pela Recorrente. b) Quanto ao enquadramento legal do “Imposto Adicional” A Recorrente alega que a Fiscalização não teria feito menção ao dispositivo legal relativo ao Imposto Adicional exigido da contribuinte. Entendo não merecer acolhida os argumentos da contribuinte. A autoridade fiscal embasou os autos de infração em relatório fiscal minucioso, no qual descreve o procedimento de auditoria, as provas colhidas, as conclusões e a motivação para o lançamento, elaborando também detalhados demonstrativos de apuração das receitas omitidas. Os autos de infração, que trazem todos os requisitos formais exigidos pela lei, fazem um resumo da irregularidade cometida e remetem ao relatório fiscal, demonstrando os cálculos dos tributos, dos juros e da multa aplicada. Para cada infração foi citada a legislação aplicável, não havendo maiores dificuldades para relacionála com os fatos que ensejaram o lançamento. No tocante ao imposto adicional, o próprio art. 288 do RIR/99, citado pelo autuante no enquadramento legal, cuja base legal é o artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995, faz Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 379 8 menção expressa à sua exigência. No caso, o enquadramento legal aplicável foi citado e a descrição dos fatos realizada no Termo de Constatação Fiscal foi detalhada e completa, não deixando dúvidas acerca das infrações imputadas ao Recorrente. Além disso, tanto pela peça impugnatória quanto pelo Recurso, o contribuinte revelou pleno conhecimento das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas em alentada defesa. Assim, não se ventila a menor possibilidade de que a defesa do contribuinte tenha sido cerceada. c) Quanto a não entrega do auto de infração e dos demais documentos A defesa sustenta que os dispositivos do PAF não amparam a afirmação de que a legislação determina “apenas a ciência do lançamento”; que a exigência da entrega integral do auto de infração está no art. 9º. Acrescenta que não há como comparar documentos das fontes pagadoras com “registros da RFB” que não são de seu conhecimento e que o que se discute não é o fato dos documentos estarem nos autos, mas se tais documentos devem ser entregues ao contribuinte pela autoridade fiscal. Também neste ponto, não assiste razão à Recorrente. Como bem pontuou a autoridade de primeira instância, a irresignação da contribuinte é indevida, pois a legislação determina, como pressuposto de validade do ato, apenas a ciência do lançamento (art. 10, inciso V, e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972). Cumpre destacar que a lei garante ao contribuinte vistas ao processo e obtenção de cópias. E, no caso, não há qualquer registro de que a contribuinte tenha agido nesse sentido, e, muito menos, que tenha encontrado qualquer óbice ao exercício desse direito. Aliás, o alegado prejuízo à defesa da Recorrente não se verificou concretamente. Apesar de seu alentado inconformismo, o presente recurso não aponta em que medida o não conhecimento integral do processo junto à repartição efetivamente prejudicou sua defesa. Não consta dos autos que a ciência do lançamento promovida mediante cópias dos autos de infração e seus demonstrativos e planilhas, inclusive o Termo de Verificação Fiscal, foram insuficientes para contestar a autuação. Desta forma, deve também ser afastada esta alegação de nulidade. d) Quanto à localização do processo A defesa sustenta ainda, que os autos de Infração seriam nulos em razão do processo físico ter ficado à sua disposição na DRF em Bauru, distante do seu domicílio fiscal, em Lençóis Paulista, o que também configuraria cerceamento do direito de defesa. Mais uma vez, entendo que não assiste razão à Recorrente. Conforme destacado pelo acórdão da DRJ, a autoridade fiscal após ter dado ciência dos Autos de Infração à contribuinte, encaminhou o Processo ao Chefe da Fiscalização Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 380 9 da DRF/Bauru que, por sua vez, endereçou o Processo à ARF/Lençois Paulista (fls 275). Do mesmo modo, a impugnação foi entregue pela contribuinte na ARF/Lençóis Paulista como nos dá conta o documento de fls. 276. Concluise que o processo permaneceu na ARF/Lençóis Paulista, onde a contribuinte teve acesso aos autos e a totalidade dos documentos pertinentes para produzir sua defesa. Ademais, cumpre ressaltar que a Recorrente apresentou seu recurso voluntário após decorridos apenas vinte dos trinta dias de prazo que dispunha. Isto permite inferir que de modo algum houve prejuízo para a defesa da Contribuinte. Pelas razões acima expostas, não configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, pelos diversos motivos aventados pela Recorrente. Impõese, assim, o afastamento das preliminares de nulidade suscitadas. e) Inconstitucionalidades A Recorrente, de forma genérica e não pontual, assevera que a autoridade administrativa deve se pronunciar sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade dos atos legais. Não há como acatar esta pretensão da defesa. O fato do órgão julgador administrativo absterse de apreciar arguições de inconstitucionalidade decorre de expresso comando legal contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 381 10 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...)” (destacouse) No âmbito deste Conselho, o entendimento de que os órgãos julgadores administrativos não podem manifestarse sobre matéria constitucional foi pacificado por meio da Súmula CARF nº 2, cuja observância é obrigatória pelos seus membros, conforme o art. 72, caput, do Regimento Interno, verbis: Súmula Carf nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A autoridade administrativa não possui, portanto, competência para apreciar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cuja prerrogativa pertence exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário. Mérito Como dito acima, relativamente aos fundamentos da autuação, a Recorrente não apresentou nenhum questionamento jurídico quanto às infrações que lhe foram imputadas, bem como quanto aos valores apurados, que serviram de base para o cômputo do imposto e das contribuições objeto do lançamento. a) Dedução do PIS e da COFINS lançados de ofício A Recorrente alega que são dedutíveis tanto as despesas como os custos não contabilizados, verificados no procedimento de ofício. Entende que é cabível a dedução de despesas não contabilizadas quando se apura receitas também não contabilizadas, conforme decidiu o Conselho no acórdão nº 1072.174 (fls. 362/363). Não deve, entretanto, prosperar o entendimento da defesa. Com relação a esta matéria, compartilho do entendimento exarado por diversas decisões deste Conselho, no sentido de que somente podem afetar bases de cálculo lançadas de ofício o valor dos tributos e contribuições devidamente contabilizados pelo contribuinte. O tratamento tributário a ser dado a esta dedutibilidade deve levar em consideração apenas os valores constantes de escrituração contábil e devidamente declarados pelo contribuinte, não se adequando a situações de apuração de infrações, onde receitas não foram escrituradas e, por conseqüência, ocorreu uma redução indevida do resultado do exercício. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 382 11 As despesas tributárias são dedutíveis no períodobase a que competirem, procedimento inaplicável a situações nas quais a fiscalização apura valores subtraídos à tributação, não se adaptando ao lançamento de ofício, passível de ser impugnado, que pode ser alterado e até mesmo cancelado. A dedução dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do lucro real, alcança somente os valores constantes da escrituração comercial. Isso não quer dizer que a impugnante não usufruirá da dedução da despesa correspondente aos valores lançados de ofício. Quanto a estes valores apurados pelo Fisco, a dedução, obedecendo ao regime de competência, se dá na apuração do lucro real do período correspondente a constituição definitiva do crédito tributário lançado. Uma vez que não o fez no momento correspondente à aplicação do regime de competência, poderá fazêlo quando efetivamente pagar ou, mesmo antes, logo que contabilizá la, desde que não esteja com a exigibilidade suspensa, em razão de eventual discussão administrativa do débito. A dedutibilidade dos impostos e contribuições está vinculada à efetiva escrituração. Nas hipóteses em que o contribuinte, por não reconhecer a ocorrência do fato gerador dos tributos, é submetido ao lançamento de ofício em relação aos valores não escriturados regulamente, a dedutibilidade só será possível a partir da constituição do crédito tributário, até então inexistente. Cientificado do auto de infração e não sendo instaurada a fase litigiosa do processo administrativo, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário, o contribuinte poderá deduzir integralmente do lucro real os valores correspondentes aos tributos e contribuições objetos do lançamento de ofício. Somente a partir da constituição definitiva do crédito lançado de ofício é que as despesas tributárias são dedutíveis. Por tais fundamentos, deve ser negada a solicitação da Recorrente quanto a dedução na base de cálculo do imposto de renda, lançado de ofício, dos tributos e contribuições exigidos nos lançamentos decorrentes. b) Juros de Mora (Selic) e sobre a Multa de Ofício Quanto aos juros de mora, requer a Recorrente que seja apreciada a aplicação da taxa Selic, não obstante a matéria ser objeto de Súmula; e, da mesma forma, a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. No que tange a exigência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, nos termos do art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, a matéria já foi pacificada no âmbito deste Conselho, conforme o enunciado da Súmula CARF nº 4, cuja observância é obrigatória pelos seus membros, conforme o art. 72, caput, do Regimento Interno, verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 383 12 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a exigência tem por fundamento o disposto no art. 61 da Lei nº. 9.430/1996, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º. do art. 5º., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa de ofício é débito para com a União e decorre de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos dos seguintes dispositivos do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Em razão das expressas disposições legais, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária e, nesse sentido, sequer se poderia afirmar que a multa de ofício não seria decorrente da exigência de tributos e contribuições. A própria Lei nº. 9.430, de 1996, no artigo 43, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora e os juros de mora devidos, isolada ou conjuntamente, e não teria sentido admitir a incidência dos juros de mora sobre a multa de mora e sobre os próprios juros de mora lançados de ofício e afastar a incidência nos casos de Fl. 383DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 384 13 multa objeto de lançamento de ofício. Este tratamento distinto não se justifica frente ao sistema sancionatório tributário vigente. Quanto à natureza jurídica, a multa de ofício é inequivocamente um débito para com a União, decorrente, portanto, de tributos e contribuições administrados pela SRF e, em conseqüência, sujeitase, da mesma forma que os demais débitos, à incidência de juros de mora a partir de seu vencimento. Os julgados deste Conselho vêm seguindo este entendimento, como se verifica das ementas de acórdãos recentes, verbis: “JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96.” (Acórdão 120200.138– 1a. Seção. 2a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). “JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa.” (Acórdão 140100.155 – 1a. Seção. 4a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). No mesmo sentido é o julgado recente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido no Acórdão 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010 de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner, verbis: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” Pela precisão e clareza, vale a transcrição dos seguintes excertos do referido julgado: O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 385 14 De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN: [...] A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1º). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. [...] A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido, ainda, a Súmula CARF nº 5, que pode ser aplicada ao caso: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 386 15 Súmula CARF nº.5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com base nestas considerações e sob a égide dos dispositivos legais vigentes, devem ser afastadas as pretensões da recorrente, mantendose a exigência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, devidos, inclusive, sobre a multa lançada de ofício. c) Quanto à vinculação à jurisprudência A Recorrente alega, pelos seus termos, que a autoridade julgadora deve observar a jurisprudência do órgão e que a sua não aplicação obriga o julgador a motivar seu ato, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, sob pena de nulidade por desobediência à lei. Não há como acolher as ponderações da Recorrente. A atividade administrativa de controle do lançamento tributário obedece os atos legais que comandam as disciplinas em discussão. É sob a ótica das normas em vigor à época da ocorrência dos fatos, presumidamente legais e constitucionais, enquanto sua validade não é afastada pelas instâncias competentes, que se procede a resolução dos litígios administrativos. Os posicionamentos jurisprudenciais trazidos pela Recorrente para fundamentar seu entendimento não vinculam este Colegiado. Os entendimentos assentados pelas decisões não possuem o chamado efeito vinculante, ante a inexistência de lei que lhes atribua a eficácia normativa pretendida pela defendente, podendo cada instância decidir com base na livre convicção motivada sobre os elementos constantes do processo. Ainda que as decisões colacionadas fossem emanadas pelo Supremo Tribunal Federal, elas somente alcançariam terceiros, não participantes da lide, nas hipóteses previstas no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, o que não se configurou na espécie. Ademais, as normas legais tributárias, uma vez publicadas, revestemse da presunção de constitucionalidade e de legalidade, devido à natureza jurídica obrigacional de caráter público que encerram. E, pela estrita subordinação ao princípio da legalidade a que se submetem as autoridades administrativas, dentre elas as deste Conselho, devem tais autoridades, dentro da suas esferas de competência, tão somente velar pelo fiel cumprimento daquelas normas. Assim, não se vislumbra vício jurídico algum nas decisões supostamente proferidas em divergência a outros julgados. Por todo o exposto, AFASTO as preliminares suscitadas para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. É como voto. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 387 16 (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS
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