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Numero do processo: 10725.000738/2005-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001, 2002
MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 1302-001.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário. Os Conselheiros Alberto Pinto, Tadeu Matosinho, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro Márcio Frizzo apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, CRISTIANE SILVA COSTA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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(responsável solidário CNPJ 27.210.996/000116 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002 MATÉRIA PRECLUSA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário. Os Conselheiros Alberto Pinto, Tadeu Matosinho, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro Márcio Frizzo apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, CRISTIANE SILVA COSTA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 07 38 /2 00 5- 78 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 509 2 Relatório FRIGORÍFICO CUBATÃO DE ITAPERUNA LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1238.029, de 28/06/2011, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 286 e segs.), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 294 e segs.), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fls. 301 e segs.) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 308 e segs.), por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2000 e 2001. O total da exação alcançou R$ 257.987,92, aí incluídos multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até a data do lançamento (demonstrativo à fl. 3). Também consta dos autos o Termo de Constatação Fiscal de fls. 321/327). No polo passivo da relação jurídicotributária, na condição de contribuinte, consta a pessoa jurídica FRIGORÍFICO VALE VERDE DE ITAPERUNA LTDA. No Mencionado Termo de Constatação Fiscal, a Fiscalização afirma que o Sr. MÁRIO VIEIRA BRUM e a pessoa jurídica FRIGORÍFICO CUBATÃO DE ITAPERUNA LTDA. são solidáriamente responsáveis pelo crédito tributário. Os fatos foram bem descritos no relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo abaixo. 2. O procedimento é decorrente de ação fiscal promovida pela Delegacia da Receita Federal em Campos dos Goytacazes, que concluiu que a interessada incorreu nas seguintes irregularidades: 2.1. Omissão de receitas da atividade sem emissão de notas fiscais: Conforme Representação Fiscal constante às fls. 117/128 do presente processo, no anocalendário de 2000 os contribuintes e irmãos Paulo Henrique Valim, Carlos Alberto Valim e José Luis Valim efetuaram pagamentos em favor da interessada relativos a subprodutos vendidos pela mesma, sem a emissão das competentes notas fiscais. Segundo demonstrativo de fl. 254, as omissões teriam ocorrido nos dias 10/01/2000 (R$10.000,00), 05/05/2000 (R$35.204,70), 28/06/2000 (R$9.248,30) e 21/08/2000 (R$16.355,00); 2.2. Omissão de receitas da atividade com emissão de notas fiscais: Segundo constatado na Representação Fiscal de fls. 08/115, no anocalendário de 2001 a interessada declarou o faturamento no valor de R$ 803.074,60, conforme DIPJ às fls. 192/211 e 240, entretanto emitiu notas fiscais tendo como destinatária a empresa Agro Latina Ltda, CNPJ n° 88.320.536/000135, cujo somatório representa o faturamento de R$2.159.302,00. Segundo os demonstrativos constantes às fls..255, 256 e 258, as receitas não declaradas foram assim Fl. 509DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 510 3 distribuídas no anocalendário de 2001: Janeiro: R$203.190,32; Fevereiro: R$147.058,82; Março: R$ 332.897,61; Abril: R$ 369:442,23); Maio: R$ 356.768,80; Junho: R$ 105.001,75 e Agosto: R$ 46.796,78. Com relação ao anocalendário de 2000, as notas fiscais nºs 994 e 997, emitidas em 29 de dezembro de 2000, constante às fls. 13/17, suplantaram o valor do faturamento declarado pela interessada em R$ 70.008,16, conforme demonstrativo de fls. 254 e 257 do presente. 3. O Termo de Constatação Fiscal de fls. 318/325 relata o seguinte: 3.1. Que ao chegar ao estabelecimento da interessada para dar ciência do auto de infração e do Termo de Retenção aos seus sócios, os Srs. Alair Lemos da Silva e Artur Serafim de Castro, houve grande evasão de todos os empregados que lá trabalham, o que gerou várias dificuldades em localizar os responsáveis pela empresa. Logo na entrada, onde os empregados registram o ponto, foi encontrado o cartão de ponto do empregado Artur Serafim Castro, que figura como um dos sócios da empresa, indicando que o mesmo havia chegado ao trabalho naquele dia às 6:45 h; 3.2. Que, diante das dificuldades de localizar os responsáveis pela interessada, a Fiscalização obteve informações junto aos servidores do Serviço de Inspeção Federal SIF, órgão de controle do Ministério da Agricultura e que mantém posto permanente dentro do estabelecimento. O Sr. Márcio Alonso de Resende, Fiscal Federal Agropecuário do SIF, informou que a pessoa jurídica que deu inicio a todo o processo de solicitação do SIF através do Processo MA 214747/82 foi o Frigorifico Cubatão de Itaperuna Ltda, sob o comando de seu sócio principal, o Sr. Mário Vieira Brum; 3.3. Que, ainda segundo informações extraídas do Processo MA 214747/82, a partir de determinado momento o Sr. Mário Vieira Brum passou a constituir outros frigoríficos no mesmo lugar onde se localizava o Frigorifico Cubatão de Itaperuna Ltda, utilizandose das mesmas instalações, maquinários e empregados, sendo que tais frigoríficos "sucessores" tinham como sócios os parentes e empregados do Sr. Mário Vieira Brum. O histórico das sucessões consta às fls. 320/323; 3.4. Que perguntado aos servidores do SIF, que trabalham no local há mais de dez anos, quem se apresentava como dono do frigorifico, os mesmos informaram que quem atende como sócio da interessada é o Sr. Mário Vieira Brum; 3.5. Que foi efetuada diligência na residência de uma das pessoas que figuram como sócio da interessada, o Sr. Artur Serafim de Castro, que não se encontrava no local. Quando sua esposa foi perguntada se o mesmo era proprietário do Frigorifico Vale Verde, a mesma respondeu que não, negandose a continuar a dar outras informações, dizendo que desconhecia os negócios do marido; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 511 4 3.6. Que, em síntese, ficou constatado que o verdadeiro dono de todos os frigoríficos é o Sr. Mário Vieira Brum, que utilizou empregados do Frigorifico Cubatão e parentes para constituir novas empresas para evadirse de suas obrigações tributárias; 3.7. Que o Sr. Mário Vieira Brum, CPF n° 240.852.60782, e a pessoa jurídica Frigorifico Cubatão de Itaperuna Ltda., CNPJ n° 27.210.996/000116, são considerados solidariamente responsáveis em relação às obrigações tributárias das empresas mencionadas, quando da atuação no mesmo endereço da interessada. Assim, os mesmos são responsáveis solidários pelo presente lançamento, em virtude do uso de interpostas pessoas, na forma do art. 128 do CTN. 4. Os lançamentos foram assim fundamentados: [enquadramentos legais dos lançamentos] 5. Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas se fez incidir a multa de oficio no percentual de 75 %, conforme determina o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96. 6. Foi dada ciência dos lançamentos à interessada (fl. 329) e aos responsabilizados solidariamente, a pessoa jurídica Frigorifico Cubatão de Itaperuna Ltda (fl. 331) e o Sr. Mario Vieira Brum (fl. 374). 7. Apresentaram impugnação ao lançamento a interessada, através da petição de fls. 339/353, e o Sr. Mário Vieira Brum, através da petição de fls. 375/377. A pessoa jurídica Frigorifico Cubatão de Itaperuna Ltda não apresentou impugnação. 8. A interessada impugnou a exigência fiscal alegando, em síntese, o seguinte: 8.1. Que o lançamento foi efetuado com erro de direito, afrontando o Principio da Legalidade e o Principio da Motivação, o que enseja a declaração de nulidade da autuação; 8.2. Que a tributação da totalidade das receitas omitidas macula de nulidade o auto de infração, pois não foi obedecido o § 6° do art. 400 do RIR, que determina, no caso de omissão de receita, o valor tributável de 50% dos valores omitidos; 8.3. Que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora. 9. O Sr. Mário Vieira Brum impugna o Termo de Constatação Fiscal alegando o seguinte: 9.1. Que o Sr. Fiscal estabeleceu a solidariedade através de alegações de terceiras pessoas, desconsiderando o valor probatório dos contratos sociais e sem se valer da prestação jurisdicional de Juizo competente, imprescindível para a desconsideração da pessoa jurídica; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 512 5 9.2. Que o Sr. Fiscal declarou a devolução dos documentos fiscais então retidos, contudo os mesmos não foram apresentados ou mesmo devolvidos, sendo dele desconhecidos. Afirma que não há assinatura no termo de apreensão e nem de devolução, principalmente a devolução de documentos para fins de averiguação e conferência, bem como para elaborar a manifestação do impugnante. 10. Através do Despacho de fls. 389/390 o processo foi remetido ao Safis da DRF/Campos de Goytacazes, para esclarecer se os documentos e livros fiscais utilizados no curso da auditoria fiscal, que teriam sido objeto de retenção através do Termo de Retenção de fls. 259/263, foram efetivamente devolvidos à interessada, como consta do Termo de Encerramento de fl. 314, juntando provas. Determinouse, ainda, que caso os documentos não tenham sido devolvidos, para se proceder à devolução, com ciência à interessada e ao responsável. 11. A fiscalização juntou aos autos o termo de informação fiscal de fls. 432/435, esclarecendo o seguinte; 11.1. Que em 07/07/2005 compareceu no endereço da empresa visando dar ciência do Termo de Inicio de Fiscalização, ocasião em que constatou indícios de que os sócios, na verdade, eram empregados da empresa, mas que foram utilizados como interpostas pessoas pelo verdadeiro dono. Assim, em função dessa situação, ainda em 07/07/2005 foi solicitada presença do Contador, para que exibisse os livros e documentos fiscais da empresa. Ao adentrar cm uma das salas da empresa fiscalizada em que trabalha o contador, a fiscalização constatou que no mesmo endereço funcionava outra empresa de nome CDB Comércio de Carnes e Derivados de Bovinos Ltda. Nesse mesmo momento, a fiscalização constatou que esta última empresa possuía 02 talondrios fiscais com números iguais, sendo que com valores diferentes, evidenciando notas fiscais paralelas; 11.2. Que em razão dessa situação, a fiscalização fez uma "busca" em diversos compartimentos do escritório, localizando uma documentação apócrifa, constituída de papéis velhos, com anotações diversas. Diante desse procedimento, o Contador se descontrolou e cometeu graves desacatos, levando a fiscalização a comunicar ao Procurador da República em Itaperuna o que estava ocorrendo. Este acionou a Policia Federal em Campos, que por sua vez pediu auxilio à Policia Militar de Itaperuna. Com efeito, foram conduzidos à Policia Federal de Campos o Contador, Sr. HÉLIO FRANÇA BASILE; o "sócio" ALAIR LEMOS DA SILVA e a equipe de fiscalização (Auditores ARMANDO FARHAT e MANOEL LUIZ MENEZES MENDONÇA). No DPF de Campos, na mesma data, 07/07/2005, é que foi possível se lavrar o Termo de Retenção em relação aos papéis da interessada, constante às fls. 259 a 263 do presente processo, bem como o Termo de Retenção relativo às notas fiscais paralelas da empresa CDB Comércio de Carnes e Derivados de Bovinos Ltda, conforme fl. 401 do presente processo. Os originais das notas fiscais paralelas ficaram em Fl. 512DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 513 6 poder da Policia Federal, conforme AUTO DE APRESENTAÇÃO E APRENSÃO lavrado pela Policia Federal às fls. 402 a 405 do presente processo; 11.3. Que a fiscalização concluiu os trabalhos na empresa CDB Comércio de Carnes e Derivados de Bovinos Ltda, CNPJ: 06.044.742/000103, culminando com a lavratura de auto de infração sob o processo administrativo fiscal n° 15521.000.150/200958, no qual ficou evidenciado que os verdadeiros donos dessa empresa são MARIO VIEIRA BRUM e seu filho MARIO LUIZ OLIVEIRA BRUM. Foi lavrado o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais. A impugnação desse auto de infração já foi apreciada pela DRJ RJO1, que manteve o lançamento "in totum". Atualmente, a cobrança encontrase na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Campos/RJ, conforme fls. 430 a 431 do presente processo; 11.4. Que, apenas a titulo de informação, foram juntadas às fls. 409 a 429 ementas das sentenças prolatas pela Justiça do Trabalho em relação a reclamação trabalhista intentada pelos empregados da interessada e CDB Comércio de Carnes e Derivados de Bovinos Ltda. Esses empregados colocaram no pólo passivo os Srs. Mário Vieira Brum e Mário Luiz Oliveira Brum. O Poder Judiciário do Trabalho reconheceu essa solidariedade; 11.5. Que quando do encerramento da fiscalização, cujas ciências ocorreram em 24/08/2005, conforme fls. 331 e 332 do presente processo, foram envidados esforços para devolver os papéis que não foram utilizados pela fiscalização, entretanto, foram infrutíferas as tentativas, permanecendo tais papéis no dossiê do fiscalizado. Posteriormente, em 18/11/2008, a seção de fiscalização, em atividades internas de mutirão para eliminação de documentos/papéis desnecessários, constatou que os papéis referentes aos itens I, 4 ao 23 do Termo de Retenção, constante às fls. 259 a 263, estavam ilegíveis, com partes roídas por insetos, tais como ratos (sic), traças etc. Com efeito, foi lavrado o Termo de Destruição às fls. 406 a 408; 11.6. Que será procedida, no dia 09/07/2010, As 10:00 horas (encontro já agendado) na Agência da Receita Federal de Itaperuna, a entrega da documentação não danificada pelos insetos, que remanesceu nesta Delegacia, bem como cópia do Termo de Destruição, ao Sr. Mário Vieira Brum, ou por alguém que o represente. Na mesma oportunidade, lhe será dada ciência pessoal das informações acostadas por esta fiscalização às fls. 391 a 431 do presente processo, bem como ciência do presente Termo de Informação Fiscal, ora constante às fls. 432 a 435 do presente processo, entregandolhe cópias do inteiro teor (fls. 391 a 435) dos elementos trazidos aos autos, sendolhe concedido o prazo de 30 dias para, querendo, aditar razões de defesa, a respeito de novos fatos ou provas. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 514 7 12. Através do Termo de Devolução de Documentos e Informação Fiscal de fls. 436/437 foi promovida a devolução dos documentos ao representante legal do Sr. Mário Vieira Brum. À interessada foi dada ciência dos documentos juntados aos autos às fls. 391/435 através do Edital n° 12/2010, de fl. 445, por terem se revelado improficuas as tentativas de ciência por via postal e pessoal. 13. O Sr. Mário Vieira Brum apresentou aditamento à impugnação através da petição de fls. 446/450, na qual alega o seguinte: 13.1. Que o sobredito Termo de Constatação de fls. 379/386 compreende a narrativa de diligências engendradas pela autoridade fiscal nas dependências da empresa primeira fiscalizada e em outros endereços, ocasião em que se colheu declarações informalmente acerca de quem seria o proprietário de fato da fiscalizada, recolheu documentos junto a representante do Serviço de Inspeção Federal, colheu declarações informais das esposas dos sócios da fiscalizada, de exfuncionários em litígio com o ora impugnante, tudo sem ao menos possibilitar ao mesmo a apresentação de suas razões a respeito. Entende que as declarações e depoimentos informais colhidos pela autoridade fiscal junto a terceiros são nulos de pleno direito, haja vista que foram tomados em desacordo com os Princípios de Direito, não podendo ser considerados para a formação do convencimento desta autoridade julgadora; 13.2. Que a diligência relatada no Termo de Constatação apresentase eivada de vícios e definitivamente não tem força o bastante para incluir o ora impugnante no pólo passivo do presente procedimento administrativo, formando, se muito, um juizo dedutivo, incapaz de penalizálo de tal maneira. Alega que compulsando detidamente as peças e documentos produzidos na instrução do vertente procedimento administrativo fiscal não se vislumbra uma prova contundente que possa levar a concluir por sua participação na situação que constituiu o fato gerador, pois não teve nenhum proveito financeiro do fato gerador declarado, não era sócio da empresa fiscalizada e, por conseguinte, não tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador; 13.3. Que entende ser de grande relevância para o deslinde do presente procedimento a juntada nos autos do quadro societário da empresa fiscalizada constante no cadastro da Secretaria da Receita Federal, bem como que seja diligenciada a Junta Comercial do Rio de Janeiro, no sentido de solicitar daquele órgão que encaminhe a esta Delegacia de Julgamento a cópia do ato constitutivo e das alterações arquivadas referentes à empresa Frigorifico Vale Verde de Itaperuna Ltda, a fim de se comprovar a total incompatibilidade com a pessoa do ora impugnante, sendo certo que todos os documentos carreados aos autos demonstram que não tinha nenhuma ligação formal com a fiscalizada; Fl. 514DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 515 8 13.4. Que as publicações da Justiça Trabalhista acostadas pela autoridade fiscal às fls. 409/429 não têm o condão de comprovar a solidariedade, mesmo porque foram forjadas dentro de processo judicial que analisou caso concreto de natureza trabalhista. A autoridade fiscal não pode se valer de uma decisão prolatada em processo judicial de natureza totalmente divergente desta do vertente procedimento fiscal, para aliançar alceada solidariedade entre o ora impugnante e a empresa fiscalizada. Assim, em razão do total descabimento da consideração das publicações da Justiça do trabalho como prova de responsabilidade do impugnante, impugna expressamente os documentos de fls. 409/429, protestando pelo seu desentranhamento dos autos. 14. A interessada não apresentou aditamento à impugnação. A 6ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou as impugnações apresentadas por Frigorífico Vale Verde de Itaperuna Ltda. (contribuinte) e pelo Sr. Mário Vieira Brum (responsável tributário) e, por via do Acórdão nº 1238.029, de 28/06/2011 (fls. 463/476), considerou procedente em parte o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. 0 atendimento aos preceitos do art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do amplo direito de defesa afastam a hipótese de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO OU DE DECLARAÇÃO. Fica caracterizada a omissão de receitas, quando comprovado em procedimento fiscal que parte das receitas deixaram de ser oferecidas tributação; seja em virtude de não terem sido escrituradas ou, quando escrituradas, de não terem sido declaradas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador do tributo, sem que a autoridade lançadora se tenha manifestado, consumase o lançamento por homologação tácita e considera se extinto o correspondente crédito tributário, decaindo o direito de a Fazenda Pública efetuar novo lançamento. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 516 9 SOLIDARIEDADE TRIBUTARIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES. INTERESSE COMUM. Afastase a responsabilidade solidária daquele que não exerce funções de gerência na sociedade, se não comprovado que a pessoa praticou atos que o vinculasse diretamente à situação que fez surgir o fato gerador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Exercício: 2001, 2002 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 10 de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2003 PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. Sendo decorrente das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ, aos lançamentos reflexos deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Por relevante, esclareço que foram excluídos da exigência os créditos tributários atingidos pela decadência e, no tocante à sujeição passiva, a decisão de primeira instância afastou do polo passivo da relação jurídicotributária o Sr. Mário Vieira Brum, CPF nº 240.852.60782. A Unidade Local da Secretaria da Receita Federal do Brasil buscou dar ciência da decisão de primeira instância aos interessados, conforme segue: a) Frigorífico Vale Verde de Itaperuna Ltda. (contribuinte): a correspondência enviada por via postal ao domicílio tributário da interessada foi devolvida ao remetente, com a indicação “mudouse” (fls. 487/489). Em seguida, foi publicado o Edital nº 009/2012 (fl. 492), afixado em 13/06/2012 e desafixado em 27/06/2012. Não encontro, nos autos, recurso voluntário interposto por essa interessada. b) Frigorífico Cubatão de Itaperuna Ltda. (responsável tributário): às fls. 485 e 490 encontro cópia da Intimação nº 0103/2012, de 04/06/2012, mediante a qual seria, em tese, feita a ciência do Acórdão nº 1238.029. Não encontro nos autos prova de que essa intimação tenha sido enviada para a interessada ou por ela recebida. Não obstante, às fls. 493/499 encontro recurso voluntário interposto por esse responsável tributário em 09/07/2012. c) Sr. Mário Vieira Brum (responsável tributário, afastado do polo passivo pela decisão de primeira instância): às fls. 486 e 491 encontro cópia da Intimação nº 0104/2012, de 04/06/2012, mediante a qual seria, em tese, feita a ciência do Acórdão nº 12 38.029. Não encontro nos autos prova de que essa intimação tenha sido enviada para o interessado ou por ele recebida. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 517 10 No recurso interposto (fls. 493/499), o responsável tributário Frigorífico Cubatão de Itaperuna Ltda. aduz razões que podem ser sintetizadas como segue: · Sustenta que o reconhecimento da ilegalidade da sujeição passiva antes atribuída ao Sr. Mário Vieira Brum alcançaria também a pessoa jurídica da recorrente, que teria sido incluída no polo passivo pelos mesmos fundamentos, rejeitados pelo acórdão recorrido. · Aponta supostas ilegalidades praticadas no procedimento administrativo fiscal, as quais implicariam, por sua ótica, a nulidade do lançamento. A recorrente se refere, em especial, às diligências descritas no item 10 do Termo de Informação Fiscal e no Termo de Constatação de fls. 379/386. · Retomando o tema da sujeição passiva solidária que lhe foi imputada, a recorrente sustenta que não tinha ligação com a empresa fiscalizada e, por conseguinte, não tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa, e afirma que inexiste nos autos prova contundente que possa levar a concluir por sua participação na situação que constituiu o fato gerador do tributo. · Conclui com o pedido de nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, que seja reconhecida a improcedência de sua inclusão como responsável passivo solidário da obrigação tributária. É o Relatório. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 518 11 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Como visto, somente compareceu ao processo nesta fase processual o sujeito passivo FRIGORÍFICO CUBATÃO DE ITAPERUNA LTDA., apontado no lançamento como responsável tributário. A peça recursal é subscrita por procurador devidamente habilitado e, desde que não há nos autos prova da data da ciência da decisão de primeira instância, o recurso voluntário interposto há de ser tido por tempestivo. De imediato, é possível constatar que as razões recursais se dividem entre aquelas que combatem o lançamento, propriamente dito, alegando sua nulidade, e aquelas que atacam a sujeição passiva solidária atribuída à recorrente. Cabe observar que a ora recorrente FRIGORÍFICO CUBATÃO DE ITAPERUNA LTDA. não apresentou impugnação ao lançamento, apesar de cientificada na forma da lei. Assim, a teor do que dispõem os artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, esse aspecto do lançamento se aperfeiçoa e se torna definitivo, na esfera administrativa, carecendo competência à autoridade de segunda instância para dele tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Eis os dispositivos legais pertinentes. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As considerações acima encontram plena aplicabilidade no que tange aos argumentos contrários à sujeição passiva. Tais argumentos não foram apresentados no momento processual oportuno, qual seja, a impugnação ao lançamento, visto que a interessada não se manifestou nessa ocasião. Nessa linha de raciocínio, não conheço do recurso voluntário interposto, no que respeita à matéria sujeição passiva. No que toca às alegações contrárias ao lançamento, propriamente dito, muito embora a interessada não tenha impugnado o lançamento, há que se considerar que os demais interessados o fizeram, e que seus argumentos foram apreciados (e fundamentadamente rejeitados) pela Autoridade Julgadora em primeira instância. Também se deve levar em conta os efeitos da solidariedade estabelecida entre os sujeitos passivos da obrigação tributária. Muito embora o art. 125 do CTN não o declare de forma expressa, creio não haver dúvidas de Fl. 518DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 519 12 que a parcela do lançamento afastada em sede de julgamento administrativo aproveita a todos os interessados, tenham ou não comparecido ao processo. Diante disso, é de se verificar se as razões recursais apresentadas pela interessada contra o lançamento constituem matéria nova em relação àquelas apresentadas na impugnação pelos demais integrantes do polo passivo – hipótese em que se terá operado a preclusão, à semelhança da situação anteriormente analisada; ou se, ao contrário, podem ser entendidas como irresignação contra a decisão de primeira instância, hipótese em que, considerada a solidariedade na sujeição passiva, poderão ser entendidas como seguimento do processo administrativo. A recorrente aponta supostas ilegalidades praticadas no procedimento administrativo fiscal, as quais implicariam a nulidade do lançamento. A recorrente se refere, em especial, às diligências descritas no item 10 do Termo de Informação Fiscal (fl. 438 da sequência do sistema eprocesso) e no Termo de Constatação de fls. 379/386. Por sua ótica, tais diligências ofenderiam os princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório. Compulsando os autos, constato que as impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos solidários não questionaram especificamente essa parte do lançamento. As arguições de nulidades por eles apresentadas diziam respeito a suposta afronta aos princípios da Legalidade e da Motivação, e foram fundamentadamente rejeitadas pela Autoridade Julgadora em primeira instância. As alegações de nulidade por supostas ofensas aos princípios do devido processo legal e do contraditório, trazidas em sede de recurso são, pois, matéria nova, não impugnada, que não pode ser conhecida por este colegiado. Em conclusão, voto por não conhecer do recurso interposto, em face da preclusão. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 519DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 520 13 Declaração de Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. Inobstante o respeitável entendimento do Relator, inquestionavelmente autorizado a tecêlos, peço vênia para divergir nas questões que passo a tratar, embora, pelas conclusões, convergimos durante a sessão de julgamento. Não ignoro que o direito processual tributário, à semelhança do que se entende no ramo processualista civil, deve servir de meio para a realização do direito material tributário (instrumentalidade do processo), o que tem maior relevância nos Tribunais Administrativos, umbilicalmente vinculados ao princípio da legalidade. Ademais, existem disposições no Direito Civil (ex. art. 177, Código Civil), Processual Civil (v.g. art. 509, Código de Processo Civil), Tributário (art. 125 do Código Tributário Brasileiro) e Processual Tributário (art. 56, §2o, Dec. 7.574/11) que podem ser aplicadas para fins de interpretar a responsabilidade tributária e suas implicações no direito processual, sem macular, de modo algum, o raciocínio do intérprete. Ocorre que o presente caso é peculiar, pois não pode ser analisado o tema da responsabilidade tributária (mérito), uma vez que foram desrespeitados os pressupostos recursais, que são requisitos de existência e validade do recurso. Vale dizer, não se observou o procedimento adequado para que os contribuintes possam se dirigir à Administração, solicitando um pronunciamento fundamentado. Em última análise, esses pressupostos são critérios que buscam dispensar aos contribuintes tratamento isonômico, nos parâmetros do devido processo legal. Assim, sempre que alguém apresentar defesa administrativa, os órgãos julgadores devem posicionarse da mesma maneira (se idêntica a matéria), inclusive no que se refere ao juízo de admissibilidade. Desse modo, não é possível conhecer o recurso voluntário de um sujeito passivo que não apresentou impugnação, pois não há legitimidade nem interesse recursal (art. 499, Código de Processo Civil), o que somente existe quando órgão julgador de primeira instância profere decisão contrária aos interesses da parte que apresentou impugnação. Pragmaticamente, o recorrente não apresentou impugnação, muito embora tenha sido intimado do ato administrativo que declarou sua responsabilidade solidária. Portanto, não se instaurou a fase litigiosa em face do recorrente, conquanto o contribuinte principal (Frigorífico Vale Verde) e o outro responsável solidário (Sr. Mário Vieira Brum) tenham impugnado a exigência fiscal. Nestes casos, há a integral suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até por questão de segurança jurídica, tendo em vista que é perfeitamente possível que o devedor principal (Frigorífico Vale Verde) logre êxito em sua peça de defesa e torne nula a autuação fiscal, o que prejudicaria a exigência tributária em face dos demais responsáveis solidários. Ressalto que o fundamento para afastar a responsabilidade solidária do Sr. Mário Fl. 520DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10725.000738/200578 Acórdão n.º 1302001.249 S1C3T2 Fl. 521 14 Vieira Brum foi a ausência de provas (fls. 474 e ss.), ou seja, fundamento que não aproveita ao recorrente. Em suma, muito embora o devedor solidário que não apresentou impugnação possa se beneficiar da decisão proferida em defesa de outro devedor solidário, desde que idênticas as teses de defesa (art. 509, Código de Processo Civil), não é possível que esse mesmo devedor solidário manifestese apenas em grau recursal, sobretudo para inovar as teses de defesa, por isso concordei com o Relator pelas conclusões. Ad argumentandum, entendo que é possível que o contribuinte acresça aos seu recurso voluntário argumentos que não foram tratados na impugnação (ou manifestação de inconformidade). Isto porque o princípio da verdade real e o da legalidade acabam por flexibilizar as regras de produção de prova e de preclusão de matéria não impugnada. Todavia, isto não autoriza que o contribuinte que não impugnou possa apresentar recurso voluntário, consoante dito acima. De toda sorte, declaro meu voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, uma vez que o recorrente não apresentou impugnação e, portanto, a inconformidade não supera o juízo de admissibilidade. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 29/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado di gitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10680.910816/2010-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 08 16 /2 01 0- 75 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910816/201075 Acórdão n.º 3801002.799 S3TE01 Fl. 38 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511501 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 41059.46432.260107.1.3.049900 (doc. de fls. 1316). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$2.834,17, representado por Darf recolhido em 15/06/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 31/05/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 13/08/2004; que o mesmo foi recolhido em 15/06/2004 no valor de R$ 3677,40; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 843,23, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910816/201075 Acórdão n.º 3801002.799 S3TE01 Fl. 39 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910816/201075 Acórdão n.º 3801002.799 S3TE01 Fl. 40 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 31/05/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910816/201075 Acórdão n.º 3801002.799 S3TE01 Fl. 41 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902169/2012-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 69 /2 01 2- 15 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902169/201215 Acórdão n.º 3803005.264 S3TE03 Fl. 70 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da contribuição para o PIS devida em julho de 2003, apurada com base na Lei nº 10.637, de 2002, no montante de R$ 2.062,13. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição para o PIS, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS1, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. 1 ICMS: Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902169/201215 Acórdão n.º 3803005.264 S3TE03 Fl. 71 3 Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 2, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. 2 ADC n° 18/DF Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902169/201215 Acórdão n.º 3803005.264 S3TE03 Fl. 72 4 Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º e §§ da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS incide sobre o faturamento, definido como “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, compreendendo “a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica”. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902169/201215 Acórdão n.º 3803005.264 S3TE03 Fl. 73 5 Notese que, diferentemente da Lei nº 9.718, de 1998, a Lei nº 10.637, de 2002, deixou de prever a exclusão do ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, evidenciando ainda mais o descabimento da exclusão pretendida pelo Recorrente. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902559/2011-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 25 59 /2 01 1- 21 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902559/201121 Acórdão n.º 3801002.636 S3TE01 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902559/201121 Acórdão n.º 3801002.636 S3TE01 Fl. 63 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 21299.32086.131006.1.2.045386 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 5.996,48, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 24.817,26, recolhido em 15/01/2002. Em 01/08/2012 (Rastreamento nº 015079404)) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de dezembro01, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 14/02/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902559/201121 Acórdão n.º 3801002.636 S3TE01 Fl. 64 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902559/201121 Acórdão n.º 3801002.636 S3TE01 Fl. 65 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, entendo que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902559/201121 Acórdão n.º 3801002.636 S3TE01 Fl. 66 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902559/201121 Acórdão n.º 3801002.636 S3TE01 Fl. 67 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10380.905797/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido de votar. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido de votar. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 05 79 7/ 20 10 -4 0 Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3.523 ___________ Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Belém: Analisados prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 802.416,13 Valor do crédito reconhecido: R$ 524.585,14 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Cientificada em 12/04/2011 (AR fl. 56) a interessada apresentou, tempestivamente, em 12/05/2011 a Manifestação de Inconformidade (fls. 190/204), alegando que: O Despacho Decisório objeto da presente Manifestação de Inconformidade não esclarece um ponto sobre o qual é imprescindível a manifestação da Inconformada, que deixa de fazêlo pela ausência de subsídios fornecidos pelo Fisco, cerceando, desta forma, o seu direito de defesa. Incorre o Fisco, assim, no que dispõe o art.59, II do Decreto 70235/72: (...) É que conforme consta do próprio Despacho Decisório, uma das constatações averiguadas no mesmo foi a de que houve "constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação da PER/DCOMP". O problema é que no Relatório da Informação Fiscal a Autoridade Fiscal não faz nenhuma referência ao item supra transcrito; apenas faz considerações acerca da redução de alíquota e menciona que os itens empregados no processo produtivo da Impugnante não são considerados insumos, além da desconsideração dos materiais de embalagem. Acerca do referido item constante do despacho decisório e ausente do Relatório de Informação Fiscal, não tem a Impugnante subsídios para se defender, ante à sua total impossibilidade. Outro Item que enseja preterição ao direito de defesa é o fato da Inconformada ter utilizado o crédito de R$ 802.416,13, ter sido reconhecido o valor de R$ 524.585,14, e ter sido glosado o valor de R$ Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10380.905797/201040 Resolução nº 3302000.364 S3C3T2 Fl. 3.524 3 1.352,14. Verificase, desta forma, a incompatibilidade entre os valores, razão pela qual, mais uma vez, constatase cerceamento ao direito de defesa. Assim, uma vez que foram aplicadas sanções pelas infrações a dispositivos legais pela Impugnante, não oferecendo os meios pelos quais foram detectadas tais infrações, resta evidenciado o prejuízo da Inconformada, Desta forma, resta evidente o prejuízo da Inconformada, razão pela qual o Despacho Decisório deve ser considerado nulo consoante o disposto no art, 59 do Decreto 70235/72. b. Da cobrança em duplicidade Consoante se verifica do Relatório de Informação Fiscal, foram constatadas irregularidades quanto aos créditos apurados referentes à venda de produção do estabelecimento com a redução de IPI antes de ter solicitado à Receita Federal "ato declarando o direito da signatária de redução de 50% das alíquotas de IPI", referentes ao período de apuração do terceiro trimestre de 2006. Ocorre, Ilustres Julgadores, que a diferença de IPI deste mesmo período está sendo cobrada no processo administrativo n° 10380.721.189/201165... O inusitado é que estão sendo efetuadas duas cobranças, em processos distintos, referentes ao mesmo crédito. De fato, o presente processo é de todo improcedente, uma vez que independentemente do resultado do julgamento da impugnação interposta no processo n° 10380.721.189/201165, o não reconhecimento do valor compensado e a sua cobrança é de todo Improcedente. (...) Dessa forma, mais uma vez restaria líquido e certo o crédito perseguido, já que o saldo credor não teria sido utilizado para abater aquela suposta redução indevida de IPI. (...) Para a consecução de suas atividades, a Inconformada requereu junto ao órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA os registros dos produtos que industrializa (refrigerantes), os quais foram deferidos em razão do atendimento aos dispositivos regulamentares em vigor, conforme Certificados em anexo (doc. 06). (...) Conforme se depreende da Nota Complementar NC(221), para a fruição da redução da alíquota do IPI em 5 0% (cinqüenta por cento) é preciso que (a) sejam os produtos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que (b) atendam os padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA e que (c) estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10380.905797/201040 Resolução nº 3302000.364 S3C3T2 Fl. 3.525 4 Ora, Ilustre Julgador, os produtos industrializados pela Inconformada preenchem todos os requisitos dispostos na citada NC (221), razão pela qual não há que se falar em redução "indevida" da alíquota do IPI, como pretende o acórdão recorrido (...) As condições para a concessão da isenção, portanto, decorrem da lei. O princípio da legalidade exige que tais condições sejam impostas pela lei da pessoa isentante. Não pelo decreto, pela portaria, pelo ato administrativo. A administração, quando muito, simplesmente verifica o atendimento de tais condições. (...) O ato administrativo que reconhece atendidos os requisitos é, por conseguinte, meramente declaratório, e, portanto, retroativo. (...) Dessa forma, data vênia, resta clara a ilegalidade da conduta do Fiscal Autuante em homologar parcialmente as PER/DCOMPs pelo fato de a Inconformada supostamente ter promovido a saída de produtos tributos com redução indevida da alíquota de IPI em 50%. Tal entendimento é insustentável, vez que tem por base unicamente a ausência de Ato Declaratório a ser expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando a Nota Complementar NC (221) da TIPI, aprovada pelo Decreto n°. 4.542/2002, não condiciona o gozo da isenção a tal formalidade. (...) De todo o exposto, resta claro o direito da Inconformada em usufruir da redução da alíquota do IPI em 50% (cinqüenta por cento), de que trata a Nota Complementar NC(221), da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n°. 4.542/2002, devendo ser julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade. (...) De mais a mais, data máxima vênia, conferir efeito retroativo ao Ato Declaratório devidamente formalizado é mais do que simples aplicação do direito relativo aos atos de efeito meramente declaratório; é questão de razoabilidade, proporcionalidade, eficiência, boafé, moralidade e economia. (...) Criouse, na verdade, em confronto com a Lei n°. 10.451/2002, uma burocracia de tal forma inútil, para não dizer contrária ao princípio da eficiência a que está adstrita a administração pública. Daí porque, mesmo que a Inconformada não tivesse despacho decisório favorável bem como a solicitação do Ato Declaratório em comento, ainda assim se impõe o reconhecimento do direito ao gozo da isenção a que faz jus a Impugnante, por força dos princípios da moralidade, eficiência, economia, boafé e razoabilidade. Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10380.905797/201040 Resolução nº 3302000.364 S3C3T2 Fl. 3.526 5 (...) Em que pese o que restou estabelecido no termo de informação fiscal, o fato é que os produtos adquiridos são produtos intermediários que estão vinculados e são consumidos no processo produtivo da Inconformada, que não se enquadram nem como ativo fixo e nem como bens de uso e consumo, conforme consta do Manuel Técnico em anexo (doc. 09). Primeiro, porque estão de tal forma envolvidos na fabricação do produto explorado pela Inconformada, que sem o seu concurso é impossível obter o produto final; segundo, porque estão tão intrinsecamente relacionados ao produto final, ainda que de forma indireta, que se pode avaliar, antecipadamente, a quantidade a ser consumida, eis que guarda estrita relação ou proporção com o volume produzido; e, terceiro, porque são consumidos e imprescindíveis ao processo de fabricação, mesmo sem fisicamente integrar o produto final, são intermediários de curta duração (porque os de longa duração são bens do ativo imobilizado). Enquanto isso, o material de uso ou consumo, que a norma não caracteriza como produto intermediário, é aquele que é importante para a empresa, mas não à fabricação do produto final nem é consumido no processo de produção, o que não se coaduna com o caso presente. Em resumo, a distinção nítida entre os dois produtos intermediários e materiais de uso ou consumo é que os produtos intermediários estão ligados de alguma forma, diretamente no processo de produção, sem os quais é impossível à obtenção do produto final; enquanto o material de uso ou consumo é importante para a empresa, mas não está ligado à fabricação dos produtos objeto da exploração industrial. (...) Ademais, Ilustres Julgadores, a Inconformada gostaria de chamar atenção ao fato de que na mesma linha de produção na qual se fabrica a CocaCola, é fabricado também as demais bebidas (Fanta, Kuat etc). Assim, ao encerrar a produção de um tipo de bebida, toda a linha de produção é submetida a um rigoroso processo de limpeza e higienização, no intuito de retirar vestígios do produto anterior e preparar o maquinário para a próxima bebida. Ilustre Julgador, os produtos adquiridos pela Inconformada são consumidos no cumprimento das etapas do processo industrial, conforme se depreende dos Manuais Técnicos e das Listas Técnicas dos fornecedores em anexo, sendo lógico que integram o custo da produção de refrigerantes e que sofrem a incidência do IPI quando da venda do produto final, razão pela qual, de acordo com o art. 164, inciso I, do Decreto n°. 4.544, de 26 de dezembro de 2002, geram crédito. (...) Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10380.905797/201040 Resolução nº 3302000.364 S3C3T2 Fl. 3.527 6 É de ser levado em consideração também o benefício da dúvida. É que o art. 112, do CTN, é claro ao afirmar que em caso de dúvida a interpretação da norma jurídica deve favorecer ao contribuinte. (...) Diante do exposto, a Impugnante REQUER que a presente Manifestação de Inconformidade seja julgada procedente, no sentido de reconhecer a totalidade do crédito de ressarcimento de IPI do estabelecimento de CNPJ n°. 07.196.033/002141, relativo ao 3o trimestre de 2006, no valor total de R$ 802.416,13 e, ato seguinte, homologar as compensações efetuadas. Requer que em caso de dúvida se interprete a norma jurídica da forma mais favorável à Recorrente (art. 112 do CTN). Requer, por fim, caso entenda necessário, seja determinada a realização de perícia técnica, a fim de avaliar se os produtos em questão são consumidos no processo produtivo e/ou compõem o produto final, e até mesmo se compõe o preço de venda, sofrendo, dessarte, tributação do IPI. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza utilizados na fabricação de refrigerantes, apesar de constituírem uma despesa necessária para a produção, não integram efetivamente o produto final nem sofrem perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre este último, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. De outro lado, também se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10380.905797/201040 Resolução nº 3302000.364 S3C3T2 Fl. 3.528 7 Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. Conselheiro ALEXANDRE GOMES – Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI que foi reconhecido parcialmente. Segundo consta do despacho decisório de fls. 14, a matéria foi assim delimitada e a glosa efetuada: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 802.416,13 Valor do crédito reconhecido: R$ 524.585,14 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Como se pode verificar, são dois os motivos que reduziram o montante do crédito pleiteado, a saber: (i) utilização de parte do saldo credor no 3º Trimestre de 2006 na escrita fiscal da Recorrente em período anterior ao protocolo do pedido de ressarcimento e compensação; e, (ii) glosa de créditos considerados indevidos; e, (iii) redução do saldo credor por conta de procedimento fical. A Recorrente afirma que o relatório de informação fiscal informa o reconhecimento de saldo credor na monta de R$ 802.416,13 e que este saldo teria sido utilizado para a cobertura de saldo devedor apurado no processo administrativo nº. 10380.721189/200165. Referida decisão glosou, ainda, o valor de R$ 1.352,14 relativos ao IPI incidente nas aquisições de materiais que seriam utilizados na limpeza da linha de produção necessária para a fabricação dos produtos da Recorrente. Afirma, a Recorrente, que a mesma linha de produção fabrica diversos tipos de produtos (Coca Cola, Fanta, Guaraná Kuat, etc..) e a limpeza segue rígidos procedimentos estabelecidos pela Anvisa. Ou seja, se tratam de produtos intermediários que estão vinculados e Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10380.905797/201040 Resolução nº 3302000.364 S3C3T2 Fl. 3.529 8 são consumidos no processo produtivo da Recorrente e não podem ser considerados como bens do ativo ou material de uso e consumo. Diante das dúvidas deste Relator quanto a natureza e destinação dos materiais denominados de “material de limpeza”, entendo por bem baixar este processo em diligência para que a autoridade preparadora liste os produtos denominados como “material de limpeza” e onde são utilizados, visando determinar se são aplicados especificamente para a limpeza e higienização da linha de produção. Para o fiel comprimento da diligência a autoridade preparadora deve analisar os documentos juntados ao presente processo, bem como solicitar a Recorrente outros documentos que se façam necessário. A Recorrente deverá ser intimada para se manifestar sobre o resultado da diligencia efetuada. Após retorne os autos para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004285/2005-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2004
MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Segundo o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal são confiscatórias as multas equivalentes a 100% (cem por cento) do valor dos tributos ou maiores. Logo, não caracteriza confisco a multa de ofício equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do tributo que deixou de ser pago, integral ou parcialmente.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic. Aplicação direta da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 3201-001.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2004 MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Segundo o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal são confiscatórias as multas equivalentes a 100% (cem por cento) do valor dos tributos ou maiores. Logo, não caracteriza confisco a multa de ofício equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do tributo que deixou de ser pago, integral ou parcialmente. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic. Aplicação direta da Súmula CARF nº 4.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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INOCORRÊNCIA. Não procedem alegações de tributação por presunção em lançamento de contribuição social pautado em demonstrativos de base de cálculo fornecidos pelo próprio contribuinte. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2004 MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Segundo o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal são confiscatórias as multas equivalentes a 100% (cem por cento) do valor dos tributos ou maiores. Logo, não caracteriza confisco a multa de ofício equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do tributo que deixou de ser pago, integral ou parcialmente. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Aplicação direta da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 42 85 /2 00 5- 80 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: 1. Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, pertinente à falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de janeiro/2002 a agosto/2004, conforme elementos acostados às fls. 06 a 20, no valor de R$ 72.972,69, incluindo principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 29/07/2005. 2. Na Descrição dos Fatos (fl. 07), a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os escriturados. Informa que a contribuinte teria apresentado à fiscalização os Demonstrativos das Bases de Cálculo da COFINS, com a declaração das receitas auferidas no período de janeiro de 2002 a agosto de 2004, sem ter efetuado qualquer recolhimento da contribuição em tela. A empresa teria efetuado recolhimentos através do SIMPLES, com código de recolhimento diferente do autuado. 3. No Termo de Constatação Fiscal, de fls. 10 a 13, consta, em resumo, que: 3.1 Para o período de janeiro/2002 a dezembro/2003, a empresa apresentou as DIPJ em branco, com opção pelo Lucro Real e apresentou demonstrativos contendo as receitas correspondentes ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, sem, contudo, ter efetuado qualquer recolhimento desses tributos. Foram efetuados recolhimentos através do SIMPLES, com código de recolhimento diferente do tributo autuado. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.004285/200580 Acórdão n.º 3201001.357 S3C2T1 Fl. 220 3 3.2 Para o período de janeiro/2004 a agosto/2004, a empresa fez a opção pelo lucro presumido e, apresentou demonstrativos contendo a base de cálculo do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, sem, contudo, ter efetuado qualquer recolhimento desses tributos. Foram efetuados recolhimentos através do SIMPLES, com código de recolhimento diferente do tributo autuado. 4. O enquadramento legal da presente autuação encontrase às fls. 09. 5. Irresignado com o lançamento consubstanciado no Auto de Infração em comento, o interessado apresentou a peça impugnatória de fls. 112 a 132. Alegou, em síntese: A impossibilidade de tributação via presunção, por ser inconcebível aplicar o arbitramento do lucro quando não demonstrada cabalmente péla fiscalização a imprestabilidade da escrituração comercial, com a conseqüente impossibilidade de apuração do lucro real ou presumido. Que a doutrina se posiciona contrariamente ao arbitramento do lucro e que as presunções em matéria tributária devem ser encaradas com cautela, sob pena de se desrespeitar os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada que norteiam o Direito Tributário Brasileiro. Que a jurisprudência é tranqüila em não admitir a mera presunção como meio de tributação. Que o lançamento da multa equivalente a 75% corresponde a manifesta ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco. E se a multa efetivamente deva ser aplicada, a mesma não poderia ultrapassar 20%. A inaplicabilidade da taxa Selic. Ao final requer seja julgada improcedente a autuação fiscal. A instância a quo houve por bem julgar procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1338.655, de 30/11/2011, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2004 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO Não procedem alegações de tributação por presunção em lançamento de contribuição social pautado em demonstrativos de base de cálculo fornecidos pelo próprio contribuinte. SIMPLES Deve ser exonerada a parcela correspondente ao tributo lançado que houver sido recolhida via sistemática do Simples. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 MULTA DE OFÍCIO VEDAÇÃO AO CONFISCO. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não havendo que se falar na vedação constitucional à instituição de tributo com efeito confiscatório prevista no artigo 150, inciso IV, da Constituição. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a empresa interpôs o recurso voluntário cabível, de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos de defesa suscitados em sua peça impugnatória. O processo foi digitalizado, distribuído e encaminhado a este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. 1 Impossibilidade de tributação via presunção Conforme bem pontuou a instância a quo, não merece prosperar a alegação de que o auto de infração foi lavrado com base em presunções. É que o lançamento em apreço diz respeito à Cofins, e não ao IRPJ. Confirase, a propósito, um trecho bastante esclarecedor do voto da decisão recorrida: A base de cálculo utilizada, a saber, o faturamento mensal, segundo o contido no Termo de Constatação de fls. 10/13, foi a informada pela autuada através das planilhas de fls. 88 a 90. Ou seja, a matéria tributável apurada no lançamento do IRPJ (lucro arbitrado), em períodos anteriores ao acima citado, a qual se refere a fiscalização no Termo de Constatação de fls. 10/13, não foi a mesma que deu causa ao presente lançamento correspondente à COFINS. De fato, os demonstrativos acostados ao processo pelo próprio contador da empresa revelam que não houve arbitramento de lucro na apuração da Cofins. Os valores informados como receita foram utilizados para a fiscalização quantificar o crédito tributário devido. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10730.004285/200580 Acórdão n.º 3201001.357 S3C2T1 Fl. 221 5 2 Multa confiscatória Também não merece prosperar a alegação de que seria confiscatória a multa de ofício equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo não recolhido ou recolhido a menor. Isso porque confisco é suprimir o direito de propriedade. A multa de ofício representa uma parcela do tributo devido e não pago ou da diferença que deixou de ser paga. O tributo, por sua vez, é uma fração da riqueza sobre a qual recai o ônus fiscal. Logo, a multa punitiva contra a qual se insurge a empresa corresponde a uma fração de uma fração da riqueza alcançada pela tributação. Não há qualquer cerceamento do direito de propriedade aqui, senão a imposição de medida coercitiva para que o contribuinte cumpra as suas obrigações fiscais corretamente. Por oportuno, convém transcrever ementa de acórdão recentíssimo proferido pelo Supremo Tribunal Federal sobre o assunto, a saber: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MULTA FISCAL. CARÁTER CONFISCATÓRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 150, IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AGRAVO IMPROVIDO. I – Esta Corte firmou entendimento no sentido de que são confiscatórias as multas fixadas em 100% ou mais do valor do tributo devido. Precedentes. II – Agravo regimental improvido. (RE 657372 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 28/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe108 DIVULG 07062013 PUBLIC 1006 2013) Com efeito, ao contrário do que alega a empresa, a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo que deixou de ser pago, não possui caráter confiscatório aos olhos da Corte Maior. 3 Juros moratórios indexados à Taxa Selic Por fim, a alegação de que os juros moratórios não podem ser indexados à Taxa Selic não subsistem à Súmula CARF nº 4, que assim dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Convém registrar que as súmulas do CARF são vinculantes para os seus conselheiros, nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. 4 Conclusão Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida na sua íntegra. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 224DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721971/2011-38
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA Q DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91.
Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado - contribuinte individual - e não a cooperativa.
Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviços a terceiros, senão aos próprios cooperados.
Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado.
A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho.
No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho - PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.
A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura.
O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I - as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II - as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III - as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV - as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento.
Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar.
Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91.
Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde.
De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde.
Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea q do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social.
Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.972
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Oséas Coimbra - Relator.
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Oséas Coimbra - Relator. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado contribuinte individual e não a cooperativa. 2. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviços a terceiros, senão aos próprios cooperados. 3. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. 4. A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. 5. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 19 71 /2 01 1- 38 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 3 2 6. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. 7. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. 8. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. 9. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 10. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. 11. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde. 12. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 13. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social. 14. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Recurso Voluntário Provido Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Oséas Coimbra Relator. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 5 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. O DEBCAD 37.286.2454 se referem às contribuições de 15% da empresa sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços por cooperativas, no período de 05/2006 a 12/2010, compreendendo os levantamentos CT, CT1 e CT2. O DEBCAD 37.286.2462 se refere à autuação por infração a obrigação acessória por não ter declarado tais valores em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP´s, no período de 05/2006 a 05/2007, 08/2007, 10/2007 a 01/2008 e 04/2008 a 11/2008. O r. acórdão – fls 388 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo os autos de infração lavrados. Inconformada com a decisão apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Má formação constitucional do Inciso IV, do artigo 22, da Lei 8.212/91. · Ainda, sob o prisma constitucional, a Recorrente não pode ser equiparada a empresa, visto que, no seu caso em particular, assim como as sociedades cooperativas, tem destaque expresso no texto constitucional. · A Recorrente é simplesmente mandatária dos seus associados, não contratando diretamente os serviços da cooperativa de médicos, mas, sim, viabilizando a contratação dos serviços, diretamente por cada um dos seus associados, consumidores finais, e, portanto, tomadores daqueles serviços. · A contribuição previdenciária de que se trata é legal sob a justificativa de que sua incidência se reporta ao rendimento pago à pessoa física que se insere numa cooperativa, mas presta serviço diretamente à empresa, a Recorrente não pode ser contribuinte da exação, pois, quem se beneficia do serviço prestado é a pessoa física associada à entidade, sendo aquela pessoa física que efetivamente paga a contraprestação financeira ao cooperado. Inexiste relação jurídico tributária, entre a Recorrente e a União Federal. · Considerando ainda que a autuação da Recorrente impôs multa em período que extrapolou o objeto da ação fiscal, bem como, nas demonstrações que elaborou, o auditor fiscal considerou valores indevidos na base de cálculo, a Recorrente reitera o seu pedido de realização de perícia para que, entendendose como devida a contribuição previdenciária, seja ela calculada somente sobre os valores relativos à efetiva prestação de serviços médicos, decotando Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 6 5 se, dos valores que integraram a base de cálculo, aqueles relativos a materiais, exames e outros. · A Recorrente demonstrou na impugnação que aviou, por amostragem, que há divergência entre os valores considerados pela fiscalização e os valores da efetiva prestação de serviços. · Requer a reforma do Acórdão recorrido, para, anulados os autos de infração de que se trata seja extinta a imposição que contêm. Alternativamente, a Recorrente requer a cassação do Acórdão recorrido para, após realização das diligências requeridas, nova decisão seja proferida. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de dois autos de infração lavrados em razão de contratação com cooperativas de trabalho e a não declaração de tais valores em GFIP. A recorrente alega que inexiste relação tributária com a União, pois os serviços são prestados diretamente aos associados. Alega também inconstitucionalidade da norma instituidora da exação e erros no cálculo do tributo devido. Passamos a decidir. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Sobre a matéria, o regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009 veda aos membros a possibilidade de apreciação de constitucionalidade de decreto ou lei, senão vejamos. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Do que exposto, a matéria sob exame não se encontra nas exceções elencadas, afastando assim sua análise sob o prisma da constitucionalidade. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 8 7 DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO A lei 8212/91 traz: Art. 15 ... Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). O diploma normativo não deixa margem à dúvida em relação à responsabilidade do contratante de cooperativas de trabalho, mesmo se tratando de associação, pois esta é equiparada a empresas em geral para os efeitos da lei 8.212/91. Existindo a contratação com as cooperativas em questão, emerge a responsabilidade da contratante em recolher quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a prestação dos serviços por parte dos cooperados. No caso presente, a recorrente procura afastar sua responsabilidade ao informar que era apenas uma intermediária entre a cooperativa e seus associados, repassando os valores descontados destes para as cooperativas. A tese esposada não merece acolhimento. Nas faturas anexas, a recorrente aparece como contratante do serviço, sendo que despicienda para a configuração da obrigação tributária, as razões para tal ou quem arca com as eventuais despesas. Com relação ao erro das bases consideradas, como bem apontado na diligência de fls 366 e ss, as despesas administrativas constantes das faturas também integram a base de cálculo do tributo devido, conforme INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005, art. 291, parágrafo único, cujo texto foi reproduzido na INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, de 13 de novembro de 2009, art. 219. Demonstrada a contratação com cooperativa de trabalho, para a prestação de serviços prestados por cooperados, devida a contribuição prevista no art. 22,IV da lei 8.212/91 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 9 8 DO PEDIDO DE PERÍCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de diligência foi indeferido uma vez que foi considerado prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção. Vejamos a legislação pertinente art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Informou a autoridade julgadora: Quanto a produção de prova pericial, indefiroa. No caso, a pro va pericial é desnecessária por não haver fato/situação a esclare cer por expert, mas apenas o cômputo ou não de parcelas na base de cálculo que podem ser apuradas matematicamente e sem a necessidade de perícia. Não obstante, o decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1º e 4º consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ... O impugnante – fls 413 formulou pedido de perícia, sem apresentar os necessários quesitos, em total desacordo com a norma citada, senão vejamos. ... a Recorrente reitera o seu pedido de realização de perícia para que, entendendose como devida a contribuição previdenciária, seja ela calculada somente sobre os valores relativos à efetiva prestação de serviços médicos, decotandose, dos valores que integraram a base de cálculo, aqueles relativos a materiais, exames e outros. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 10 9 Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica se a regra do § 1º, considerandose não formulado o pedido de perícia. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE – AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.286.2462 O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela Lei nº 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A a Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 428DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 11 10 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A, I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que, no auto de infração DEBCAD 37.286.2462, seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art. 2º da Portaria Conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. (Assinado digitalmente) Oséas Coimbra Relator. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior Solicitei vistas destes autos objetivando realizar um estudo mais aprofundado sobre a matéria, tendo em conta que o assunto, desde a sua implementação pela Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, vem sendo motivo de calorosos debates entre o Fisco Federal, tomadores de serviços das cooperativas de trabalho e também das próprias cooperativas do referido ramo. Os debates descritos no parágrafo anterior ocorreram e ocorrem tanto no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, como também no âmbito do contencioso judicial. A propósito, a discussão sobre a obrigatoriedade de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, já chegou ao Supremo Tribunal Federal – STF, e é objeto de ADIN, bem como de Repercussão Geral, estando as duas situações ainda pendentes de julgamento. Em seu recurso, o contribuinte demonstra indignação em face do resultado obtido no julgamento de sua impugnação. De acordo com o relatório elaborado pelo relator originário, o Conselheiro Oseas Coimbra Júnior, “tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. O DEBCAD 37.286.2454 se refere às contribuições de 15% da empresa sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços por cooperativas, no período de 05/2006 a 12/2010, compreendendo os levantamentos CT, CT1 e CT2”. Como se pode observar, a autoridade lançadora realizou seu trabalho sem qualquer investigação sobre o fenômeno da prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, e sequer cogitou de a prestação de serviços ter sido realizada em atividade exclusiva de assistência à saúde, situação que mereceu especial atenção do próprio legislador ao elaborar a lei que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e que instituiu o Plano de Custeio, ou seja, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Do mesmo modo, entendeu o ilustre relator quando afirma em seu voto que “demonstrada a contratação com cooperativa de trabalho, para a prestação de serviços prestados por cooperados, devida a contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91”. Notase, pois, que a exemplo da autoridade lançadora, o relator Oseas Coimbra Júnior também dispensou qualquer analise mais acurada dos fatos e entendeu pela manutenção do lançamento, aplicando diretamente a regra do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. No ponto, alerto mais uma vez que a prestação de serviços em questão diz respeito exclusivamente à assistência à saúde, matéria que, como já mencionado, mereceu especial atenção do legislador. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 13 12 Mais adiante, cuidaremos da explicitação a respeito da tal atenção especial do legislador quando o assunto versar sobre assistência à saúde. Seguindo em frente, com a manutenção do lançamento pelo acórdão recorrido, o contribuinte alega, dentre vários argumentos, o seguinte: A Recorrente é simplesmente mandatária dos seus associados, não contratando diretamente os serviços da cooperativa de médicos, mas, sim, viabilizando a contratação dos serviços, diretamente por cada um dos seus associados, consumidores finais, e, portanto, tomadores daqueles serviços. A contribuição previdenciária de que se trata é legal sob a justificativa de que sua incidência se reporta ao rendimento pago à pessoa física que se insere numa cooperativa, mas presta serviço diretamente à empresa, a Recorrente não pode ser contribuinte da exação, pois, quem se beneficia do serviço prestado é a pessoa física associada à entidade, sendo aquela pessoa física que efetivamente paga a contraprestação financeira ao cooperado. Inexiste relação jurídico tributária entre a Recorrente e a União Federal. (grifouse e destacouse) Os argumentos do contribuinte, com se vê, estão em perfeita sintonia com a vontade do legislador, conforme se pode inferir de parte da exposição de motivos da Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Proposta Propõese que a contribuição previdenciária a cargo à empresa, quando da contratação de contribuintes individuais, mesmo que por intermédio de cooperativas de trabalho, seja a mesma que aquela existente quando da contratação de segurados empregados. Notese que, no caso de autônomos com baixo valor de remuneração sujeita a contribuição, esta medida significa uma redução da carga global de contribuição (a redução da parcela do contribuinte individual mais do que compensa o aumento da parcela a cargo da empresa), estimulando a filiação do contribuinte à Previdência Social. Com isso, haverá a equalização do custo previdenciário da mão deobra para as empresas no que se refere à contratação dos contribuintes individuais e empregados, eliminandose o atual viés favorável à redução de empregos formais, exercido pela estrutura de alíquotas previdenciárias em vigor. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 14 13 Na proposta está prevista a majoração da alíquota patronal quando da contratação de contribuintes individuais, concomitantemente à instituição de mecanismo de compensação na contribuição do segurado. Este poderá deduzir de sua contribuição até 9 pontos percentuais da alíquota que incide sobre o seu saláriodecontribuição, de forma a neutralizar a elevação da contribuição da empresa. O referido mecanismo de compensação também inibe fraudes no sistema, pois o contribuinte individual tornase fiscal das contribuições da empresa, devido à necessidade de comproválas para obter a redução em sua própria contribuição. Além disso, há o incentivo à formalização do vínculo entre contribuinte individual e empresa, porque a prestação de serviços a empresas implica redução da carga contributiva para o contribuinte individual. No caso da intermediação das cooperativas de trabalho, a atual sistemática de contribuição, em que cabe à cooperativa a contribuição patronal de quinze por cento sobre os valores distribuídos aos cooperados, temse revelado frágil diante dos diferentes artifícios legais criados para evadir a contribuição previdenciária, tais como: a inclusão de pessoas jurídicas na condição de cooperadas ao lado de pessoas físicas, a criação de uma série de fundos estatutários como forma de diminuir a distribuição da retribuição pelos serviços prestados, o reinvestimento dessa retribuição e outras. Proposta Propõese estabelecer que a contribuição da empresa contratante dos serviços por intermédio de cooperativas de trabalho incida sobre o valor bruto da nota fiscal, ou fatura, cuja base de cálculo é de imediato conhecida. Tratase de uma sistemática de fácil operacionalização e que propiciará um controle efetivo sobre a contribuição desse segmento. A medida proposta encontra similitude naquela já adotada para outros segmentos econômicos, a exemplo do que ocorre com os clubes de futebol profissional, cuja contribuição incide sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. O percentual proposto de quinze por cento decorre do fato de que o valor pago pelo tomador de serviços do cooperado, contratado mediante a interposição de cooperativa de trabalho, não é totalmente distribuído a ele. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 15 14 Parte do pagamento é destinada a despesas administrativas, tributárias e constituição de fundos de reserva. Assim, o valor distribuído ao cooperado corresponde ao valor bruto da nota fiscal ou fatura, deduzidas as parcelas antes referidas, diferentemente do que ocorre quando a empresa contrata um contribuinte individual que não é cooperado, onde a remuneração não sofre qualquer abatimento. Neste último caso, a contribuição pretendida é de vinte por cento sobre a totalidade da remuneração. Logo, o percentual proposto, quando há a intermediação da cooperativa de trabalho, a incidir sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, deve ser tal que produza a mesma contribuição que o percentual de vinte por cento sobre a parcela destinada ao cooperado, em igualdade de condições a um contribuinte individual que não é cooperado. Partindo deste pressuposto, e analisando diversas planilhas de custos e distribuição de remunerações a cooperados em diferentes cooperativas, de segmentos variados, verificase que, em média, os valores correspondentes a despesas administrativas, tributárias e fundos de reservas correspondem a vinte e cinco por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, destinandose, o restante – setenta e cinco por cento – à retribuição do cooperado. Assim, buscando a isonomia de tratamento entre as diferentes formas de contratação, o percentual a incidir sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços é aquele correspondente a vinte por cento sobre os setenta e cinco por cento distribuídos ao cooperado, o que resulta em um percentual de quinze por cento, conforme proposto. Em outras palavras, é um percentual que mantém constante a contribuição previdenciária, independentemente de a empresa contratar um cooperado ou outro contribuinte individual. Não cabe aqui o argumento de que se estaria instituindo uma nova modalidade de custeio, diferente daquelas autorizadas pelo art. 195 da Constituição, para o que seria necessária a edição de Lei Complementar. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviço a terceiros, senão aos próprios cooperados. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 16 15 Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. O terceiro que contrata a cooperativa é, na verdade, tomador dos serviços do cooperado, em igualdade de condições com aquele que contrata qualquer outro contribuinte individual. Um trabalhador, seja ele empregado ou contribuinte individual, seja diretamente ou por intermédio de cooperativa de trabalho, de tal forma a, mais uma vez, resguardarse o caráter de neutralidade da Previdência Social diante das diversas formas e possibilidades de contratação de mãodeobra. (grifouse e destacouse) Da leitura dos argumentos apresentados pelo contribuinte, em confronto com a vontade do legislador, nomeadamente nos pontos em destaque, é possível concluir que a norma impositiva (Inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91) diz respeito somente à situação em que a empresa se beneficia de forma direta dos serviços que lhes são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, o que definitivamente não é o caso dos autos. Neste contexto, numa clara evolução do julgador administrativo, considerando a similitude das situações, os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, na sessão de 20 de janeiro de 2012, no julgamento do Processo 11444.000189/200984, Acórdão nº 240102.243, assim decidiram por unanimidade de votos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CUSTO RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁRIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde. (grifouse e negritouse) Ao tratar especificamente do fato gerador e a sua previsão legal, o Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo teve o seguinte posicionamento: Assim dispõe o art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 17 16 Art 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV – quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Da norma acima, podese extrair que o fato gerador da contribuição em questão é a prestação de serviços à empresa pelos cooperados, os quais tenham sido intermediados por cooperativa de trabalho. Assim, somente configurase a hipótese de incidência se: a) A destinatária da prestação de serviços for a empresa; b) Os serviços forem prestados por pessoa física; e c) A contratação tenha se dado por intermédio de cooperativa de trabalho (...) De acordo com a norma inserta no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, dos requisitos a justificar a exação é a prestação de serviço ao sujeito passivo, o que não se verifica para o Sindicato, uma vez que os serviços não foram prestados aos funcionários do mesmo. O que ocorreu foi a disponibilização dos serviços médicos a filiados de sua base, porém, o custeio da parcela que foi faturada em nome da entidade sindical foi o valor integral descontado dos trabalhadores. Não se vê na espécie o Sindicato custeando qualquer parcela pelos serviços executados, mas apenas figurando como intermediário no repasse da quantia de responsabilidade dos beneficiários, seus filiados. Situação diversa ocorreria se o Sindicato estivesse suportando todo o ônus do contrato, ou mesmo se as faturas tivessem sido integramente emitidas em seu nome, Verifica se, no caso em tela, que deve ser aplicada a norma do art. 293 da Instrução Normativa – IN nº 03/2005 (vigente no período do lançamento), a qual prevê que, nos contratos de plano de saúde coletivo, havendo uma fatura Fl. 435DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 18 17 correspondente à parte do empregador no custeio do plano e outra vinculada ao encargo dos beneficiários, apenas deve incidir contribuição sobre o valor faturado contra a empresa, verbis: Art. 293. Na celebração de contrato coletivo de plano de saúde da cooperativa médica ou odontológica com empresa, em que o pagamento do valor seja rateado entre a contratante e seus beneficiários, deverão ser consideradas, para efeito da apuração da base de cálculo da contribuição, nos termos dos arts. 291 e 292, as faturas emitidas contra a empresa. Parágrafo único. Caso sejam emitidas faturas específicas contra a empresa e faturas individuais contra os beneficiários do plano de saúde, cada qual se responsabilizando pelo pagamento da respectiva fatura, somente as faturas emitidas contra a empresa serão consideradas para efeito de contribuição. A situação que ora se analisa pode ser equiparada à hipótese tratada na norma acima, uma vez que o valor da fatura destinada ao Sindicato é exatamente o montante descontado dos beneficiários do plano de saúde. Nesse sentido, sou forçado a admitir que, na espécie, somente caberia tributação sobre o valor arcado pela SANTA CRUZ, sendo improcedentes as contribuições lançadas contra o Sindicato da categoria profissional a que pertencem os beneficiários da prestação de serviços médicos realizada pela UNIMED DE OURINHOS. (grifou se e negritouse) A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. De qualquer modo, o que se deve observar, em casos como o em discussão, é a verdade material, assunto que será tratado adiante. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, in verbis: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 19 18 Art. 1º. A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde, in verbis: Art. 1o Submetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da Fl. 437DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 20 19 legislação específica que rege a sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) I Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecidos, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) II Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) III Carteira: o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 1o Está subordinada às normas e à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS qualquer modalidade de produto, serviço e contrato que apresente, além da garantia de cobertura financeira de riscos de assistência médica, hospitalar e odontológica, outras características que o diferencie de atividade exclusivamente financeira, tais como: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) a) custeio de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) b) oferecimento de rede credenciada ou referenciada; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) c) reembolso de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) Fl. 438DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 21 20 d) mecanismos de regulação; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) e) qualquer restrição contratual, técnica ou operacional para a cobertura de procedimentos solicitados por prestador escolhido pelo consumidor; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) f) vinculação de cobertura financeira à aplicação de conceitos ou critérios médicoassistenciais. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 2o Incluemse na abrangência desta Lei as cooperativas que operem os produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo, bem assim as entidades ou empresas que mantêm sistemas de assistência à saúde, pela modalidade de autogestão ou de administração. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 3o As pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior podem constituir ou participar do capital, ou do aumento do capital, de pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob as leis brasileiras para operar planos privados de assistência à saúde. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 4o É vedada às pessoas físicas a operação dos produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 5o É vedada às pessoas físicas a operação de plano ou seguro privado de assistência à saúde. Com efeito, não há qualquer sombra de dúvida a respeito da natureza jurídica das cooperativas que atuam na área da saúde suplementar, ou seja, tais cooperativas há muito tempo já não são consideradas como cooperativas de trabalho pelo Poder Público. Nesse compasso, considerando a forma em que a fiscalização foi realizada, nomeadamente no que concerne à descrição do fato gerador da exação discutida, bem como em relação à análise do relator originário, podese afirmar com absoluta segurança que a verdade material não foi perseguida por aqueles que me antecederam. A verdade material, como é do conhecimento dos operadores do Direito, constituise num dos princípios específicos do Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dela ninguém pode imiscuirse. Sobre o assunto, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López (In Processo Administrativo Fiscal Feral Comentado. – 2. Ed. – São Paulo : Dialética, 2004. p. 74) asseveram: Fl. 439DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 22 21 Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos”. Vêse, portanto, que determinar o fato gerador sob a alegação de que se trata de cooperativa de trabalho e, por isso, devese aplicar diretamente o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sem buscar a verdade material exposta pelos doutrinadores acima citados, data máxima vênia, é prova cabal de que a constituição do crédito tributário não atendeu às exigências previstas no CTN, em especial aquelas descritas no art. 142 do referido diploma legal. Ademais, no caso destes autos, tanto a autoridade administrativa lançadora, os julgadores de primeira instância administrativa, com também o ilustre relator originário deixaram de observar que a prestação de serviços foi realizada em atividade exclusiva de assistência a saúde, mediante convênio saúde firmado por uma cooperativa operadora de plano de assistência à saúde com a Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região. Não se atendo a importante detalhe envolvendo a prestação de serviços na área da saúde suplementar, entendo que aqueles que me antecederam falharam em seus julgamentos, pois deixaram de observar o comando inserto no § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, que remetendo o assunto para o § 9º do art. 28 do mesmo diploma legal, criou uma regra de não incidência tributária condicionada. Os dispositivos legais citados contém a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empesa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º. Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 23 22 (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ora, se não integram o saláriodecontribuição os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, como é o caso dos autos, a única maneira para efetuar o lançamento em discussão, seria o enquadramento da relação contratual às disposições contidas na parte final da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na hipótese de a cobertura não abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Destarte, por se tratar expressamente de regra de não incidência de tributos, concordo parcialmente com os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, quando eles por unanimidade deram provimento ao recurso voluntário do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Energia de Ipauçu, de acordo com o que consta no Acórdão 240102.243, originário da Sessão de 20 de janeiro de 2012, que julgou o Processo 11444.000189/200984. A concordância parcial, explico, se dá pelo simples motivo de os membros da citada Turma não terem estendido o provimento também à empresa Santa Cruz. O fato de a empresa ter arcado às suas expensas com parte do custo com o plano de saúde firmado com a Unimed de Ourinhos, sem a estrita observância da verdade material c/c as regras da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para mim não atendeu os regramentos dispostos na legislação de regência. Como já referido anteriormente, no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento, situação que, objetivamente, não foi observada nestes autos. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721971/201138 Acórdão n.º 2803002.972 S2TE03 Fl. 24 23 Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Redator Designado. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por OSEAS COIMBRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009116/2002-45
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 09 11 6/ 20 02 -4 5 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.009116/200245 Resolução nº 3801000.647 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Versa o presente processo sobre Auto de Infração – Cofins Declaração de Contribuições e Tributos Federais, ano calendário 1998, mediante o qual é exigido da interessada supra identificada o crédito tributário no valor de R$ 5.078,45. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação contestando a autuação sob o argumento de que o débito está sendo tratado como parcelamento, no entanto pediu compensação de valores. A DRJ em Brasília (DF) julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: Falta de Pagamento e/ou Compensação Não Extinção do Crédito Tributário Se na fase impugnatória a contribuinte não comprova a improcedência do lançamento, por conta de recolhimentos já efetuados, ou por qualquer outra forma, há que se manter a importância da exigência fiscal correspondente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Argumenta em preliminar que pediu a compensação do débito no processo 10166.013332/9801 de 30/10/1998, portanto o débito se extinguirá quando este for finalizado. Alega que o processo de compensação encontrase em andamento e foi movimentado pela última vez em 30/06/2000, data inclusive anterior ao protocolo de impugnação do auto de infração n° 00003617. Insiste que o débito em questão será extinto quando houver o julgamento e encerramento do processo n° 10166.013332/9801, protocolado em 30/10/1998. Por fim, requer a recorrente que seja acolhido o presente recurso para o fim de ser cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.009116/200245 Resolução nº 3801000.647 S3TE01 Fl. 4 3 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente desde a manifestação de inconformidade insiste na tese de que o débito objeto de lançamento foi objeto de pedido de compensação, processo administrativo n° 10166.013332/9801, ainda não apreciado pela administração fazendária. De fato, o débito da Cofins no valor de R$ 2.066,35, período de apuração 09/98, consta em pedido de compensação anexado aos autos, inclusive este foi recepcionado pela Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF em 28/07/1999, conforme carimbo aposto à fl. 02. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que a recorrente tem o direito de ter uma resposta da administração sobre o seu pedido de compensação. Não se tem notícia do desfecho do processo nº 10166.013332/9801, apenas a informação de que o número do referido processo tratase de pedido de compensação de PIS, segundo extrato de fl. 12. A questão relevante é verificar se o crédito alegado é suficiente para compensar o débito da Cofins do período de apuração de setembro de 1998. Deste modo, diante dos fatos, e com fundamento no artigo 29 do Decreto no 70.235/72, voto pela conversão do julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências por parte da unidade local: a) informar o andamento do processo administrativo nº 10166.013332/9801, em especial, anexar cópia dos pedidos de compensação e das principais decisões proferidas; b) caso o pedido de compensação de fl. 02 não conste do processo acima citado, informar o número do processo em que ele foi juntado, anexandose cópias das decisões proferidas. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 14041.000164/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 28/02/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 28/02/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 28/02/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 64 /2 00 9- 10 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000164/200910 Acórdão n.º 2402004.413 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10821.000086/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE ARQUIVAMENTO FORMULADO COM BASE NO ARTIGO 20 DA LEI 10.522/2002. INAPLICABILIDADE.
Nos termos do art. 20 da Lei 10.522/2002, Serão arquivados, sem baixa na distribuição, mediante requerimento do Procurador da Fazenda Nacional, os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados, de valor consolidado igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais).
PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR FISCAL. LEGITIMIDADE.
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. (Súmula CARF 8).
PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO NO LOCAL EM QUE FOI CONSTATADA A INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. (Súmula CARF 6)
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO NO DOMICÍLIO ELEITO PELO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF 9)
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECLARADOS EM DIRF.
É ônus do contribuinte comprovar que os rendimentos declarados em DIRF não foram recebidos.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
No lançamento de ofício, a Lei n.º 9.430/96 determina a aplicação de multa no percentual de 75%, que não pode ser afastada, sob pena de violação à Súmula CARF n. 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n. 4).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PEDIDO DE ARQUIVAMENTO FORMULADO COM BASE NO ARTIGO 20 DA LEI 10.522/2002. INAPLICABILIDADE. Nos termos do art. 20 da Lei 10.522/2002, “Serão arquivados, sem baixa na distribuição, mediante requerimento do Procurador da Fazenda Nacional, os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados, de valor consolidado igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais).” PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR FISCAL. LEGITIMIDADE. “O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.” (Súmula CARF 8). PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO NO LOCAL EM QUE FOI CONSTATADA A INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE. “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” (Súmula CARF 6) PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO NO DOMICÍLIO ELEITO PELO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE. “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” (Súmula CARF 9) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECLARADOS EM DIRF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 00 86 /2 00 6- 64 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 É ônus do contribuinte comprovar que os rendimentos declarados em DIRF não foram recebidos. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. No lançamento de ofício, a Lei n.º 9.430/96 determina a aplicação de multa no percentual de 75%, que não pode ser afastada, sob pena de violação à Súmula CARF n. 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF n. 4). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 76/96) interposto em 03 de novembro de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (efls. 64/70), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de outubro de 2008 (fl. 75), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de efls. 27/33, lavrado em 07 de dezembro de 2005, em decorrência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10821.000086/200664 Acórdão n.º 2101002.557 S2C1T1 Fl. 103 3 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte quando omitidos na declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo como imputar o caráter confiscatório à penalidade aplicada de conformidade com a legislação regente da espécie. JUROS DE MORA TAXA SELIC. Na imposição de juros de mora devese aplicar a legislação que rege a matéria. É válida a imposição de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mês, quando há previsão legal nesse sentido. Lançamento Procedente” (fl. 64). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 76/96), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Depreendese do relatório fiscal que a exigência do imposto se fez em virtude de o contribuinte ter omitido rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 13.673,00, no anocalendário de 2002. Sustenta o Recorrente, preliminarmente, que o presente processo administrativo deveria ser arquivado sem apreciação do mérito, em respeito ao disposto no art. 20 da Lei n.º 10.522/2002, eis que o valor atualizado do débito não perfaz o montante de R$ 10.000,00, previsto no dispositivo citado. Não obstante, a preliminar deve ser afastada. De fato, referido art. 2o tem a seguinte redação: “Art. 20. Serão arquivados, sem baixa na distribuição, mediante requerimento do Procurador da Fazenda Nacional, os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados, de valor consolidado igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais).” (grifo nosso) Verificase que o dispositivo legal é aplicável apenas às execuções fiscais, não se podendo, portanto, acolher o pedido de arquivamento formulado pelo Recorrente. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Alega ainda que a prática de atividades de apreciação de livros contábeis, realização de auditoria, conferência ou conciliação dos registros contábeis e do balanço de empresas por auditores fiscais é ilegal e inconstitucional, eis que não possuem habilitação técnica para tanto, nem tampouco inscrições no Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, sendo estas atividades privativas de contadores devidamente registrados no órgão federal fiscalizador da profissão. Ocorre, todavia, que o art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, dispõe o seguinte: “Art. 6o. São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte”. No mesmo sentido estabelece o Decreto n.º 6.641, de 10 de novembro de 2008, em seu art. 2º, que: “Art. 2º. São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10821.000086/200664 Acórdão n.º 2101002.557 S2C1T1 Fl. 104 5 e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; e f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; e II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil.” De acordo com o disposto nos artigos supratranscritos, não há que se falar em ilegalidade ou inconstitucionalidade das atividades realizadas pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, haja vista não haver exigência de habilitação profissional de contador para o exercício do cargo, nem tampouco de inscrição perante o Conselho Regional de Contabilidade. Em assim sendo, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para examinar livros contábeis, realizar auditoria, conferência ou conciliação dos registros contábeis e do balanço de empresas, entre diversas outras atribuições. Nesse sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos termos das seguintes ementas: “ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535, DO CPC: POSSIBILIDADE. NÃO OBRIGATORIEDADE DE INSCRIÇÃO NO CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC se a análise dos dispositivos tidos por violados não teria o condão de levar o julgamento a um resultado diverso. 2. Não é necessário que os auditores fiscais ostentem a condição de contadores, sendo suficiente, para ingresso na carreira, que possuam diplomação em curso superior. Precedente do STJ. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido” (STJ, 2a. Turma, REsp 967549, Relatora Ministra ELIANA CALMON, j. 20/11/2008, DJe 17/12/2008) “RECURSO ESPECIAL. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL. CARGO QUE EXIGE DIPLOMA DE CURSO SUPERIOR, MAS NÃO DEMANDA ESPECIALIZAÇÃO EM CONTABILIDADE. NÃOOBRIGATORIEDADE DE INSCRIÇÃO NO REFERIDO CONSELHO. O cargo de auditor fiscal exige apenas diploma de curso superior concluído em nível de graduação, sem determinar obrigatoriedade de diplomação no curso de contabilidade (a esse respeito, confirase o Edital ESAF n. 34, de 29 de setembro de 2003, Concurso Público para Auditor Fiscal da Receita Federal). Nessa linha de raciocínio, vide o REsp 70860/RS, da relatoria deste Magistrado, j. em 22.02.2005 (cf. Informativo de Jurisprudência STJ n. 236, de 21 a 25 de fevereiro de 2005). Dessa forma, deve ser mantido entendimento firmado pela Corte de origem, segundo qual, "exercendo cargo em epígrafe, o apelado não está, propriamente, desempenhando funções privativas de bacharel em ciências contábeis ou de técnico em contabilidade, cujo desempenho exija controle profissional de parte do apelante" (fl. 143). Recurso especial improvido.” (STJ, 2a. Turma, REsp 65374/RS, Rel. Ministro FRANCIULLI NETO, j. em 08/03/2005, DJ 09/05/2005) Aplicável, assim, a Súmula CARF n. 8, que tem a seguinte redação: “O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.” Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Aduz também o Recorrente que o auto de infração é nulo de pleno direito, pois deveria ter sido lavrado dentro do estabelecimento do contribuinte. Entretanto, tal afirmação não procede, tendo em vista que, para os efeitos do disposto no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, considerase local da infração aquele em que o Auditor Fiscal tem jurisdição e competência para a lavratura do auto, e não o local de residência do contribuinte, como quer fazer crer o contribuinte. Esse também é o teor da Súmula CARF n. 6, segundo a qual: “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” No que diz respeito à alegação de que não foram analisados os argumentos referentes à falta de citação pessoal do contribuinte, também não tem razão o Recorrente, pois se considera feita a intimação no momento em que recebida no domicílio tributário eleito pelo contribuinte, nos termos do art. 23, II, do Decreto n.º 70.235/72, o que também é objeto de entendimento sumulado por este CARF: “Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” No mérito, sustenta o Recorrente que o imposto de renda devido, referente ao valor questionado neste processo administrativo, é “produto de um mero arbitramento fiscal, unilateral, fora do contraditório pleno a que se refere o art. 148 do CTN (...)”. Não obstante, os rendimentos considerados omitidos pela fiscalização não são presumidos, mas decorrem das informações apresentadas pela Prefeitura Municipal de São Sebastião na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, em que consta o pagamento destes valores ao Recorrente, devendo ser afastadas, portanto, quaisquer alegações quanto à ilegitimidade ou inidoneidade do auto de infração. Por fim, incabíveis as assertivas de que os juros de mora são indevidos, pois restou consubstanciado o atraso no cumprimento da obrigação principal, o que enseja sua cobrança nos termos da Súmula CARF 4, bem como de que a multa detém caráter confiscatório, pelo fato de que seu caráter é punitivo e seu objetivo é coibir a prática de atos lesivos à coletividade, motivo pelo qual justificase ser suficientemente gravosa a fim de cumprir a função para que foi criada. Além disso, qualquer entendimento no sentido de afastálos ensejaria a aplicação da Súmula CARF 2, segundo a qual este CARF não tem competência material para afastar a aplicação da legislação ordinária sob o fundamento de inconstitucionalidade. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10821.000086/200664 Acórdão n.º 2101002.557 S2C1T1 Fl. 105 7 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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