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Numero do processo: 10140.720626/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2012
MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2301-004.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2012 MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
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NÃO CABIMENTO Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 06 26 /2 01 3- 18 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720626/201318 Acórdão n.º 2301004.035 S2C3T1 Fl. 406 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, (DEBCAD 51.038.5630), e aos terceiros, SEBRAE, SESC, INCRA e FNDE (DEBCAD 51.038.5648). Conforme Relatório Fiscal, o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviços à Instituição, declarada em GFIP. A autoridade lançadora informa que a entidade, apesar de ter tido sua solicitação para obtenção de CEBAS efetuada em 2003 indeferida, e de o novo pedido, de 16/05/2008, ainda se encontrar sob análise, apresentou GFIP na condição de imune no período de 01/2008 a 13/2012, deixando assim de recolher a contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre as bases de cálculo declaradas. Esclarece que, por força de decisão judicial, os créditos previdenciários ora lançados encontramse com sua exigibilidade suspensa. O presente lançamento tem por finalidade prevenir o instituto da decadência. A recorrente impugnou o débito, requerendo, preliminarmente, a exclusão das multas de ofício exigidas, com a aplicação da Súmula Carf nº 17 e, no mérito, a suspensão do feito até o julgamento final do RE 566.622/RS, com declarada repercussão geral. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0432.442, da 4a Turma da DRJ/CGE, julgou a impugnação procedente, mantendo parcialmente o crédito tributário, excluindo a multa de ofício tendo em vista a exigibilidade do crédito se encontrar suspensa por força de decisão judicial, e recorrendo de ofício dessa decisão a este Conselho. Cientificada do recurso de ofício, a recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que, quanto ao mérito da questão, ou seja, quanto ao valor principal lançado, não cabe discussão na esfera administrativa, visto que esse tema já vem sendo enfrentado judicialmente, no bojo dos autos n° 000207540.1997.4.03.6000/MS, aplicandose, portanto, a Súmula CARF nº 01 Assevera que, ao contrário do quanto afirmado pela r. decisão recorrida, a recorrente não apresentou impugnação parcial e muito menos concordou com o lançamento principal, mas apenas entendeu que restou vedada a discussão administrativa nestes autos do lançamento tributário principal, por renúncia, vez que o tema diz respeito exatamente à discussão travada naqueles autos judiciais. Classifica de absolutamente descabida a afirmação contida no acórdão recorrido de que "O silêncio do contribuinte quando da sua impugnação a respeito das razões da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado (..)". Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Frisa que há discussão judicial com suspensão de exigibilidade sobre o tema, fato esse reconhecido pela própria fiscalização, como se pôde ver da Informação Fiscal. Finaliza requerendo seja reformado parcialmente o acórdão combatido, e aplicada a Súmula CARF nº 1. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720626/201318 Acórdão n.º 2301004.035 S2C3T1 Fl. 407 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros A 4a Turma da DRJ/CGE recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou a impugnação procedente, excluindo, do débito, a multa de ofício. A autoridade julgadora constatou que o débito está com sua exigibilidade suspensa, em decorrência de decisão judicial veiculada no processo "MANIFESTAÇÃO EM REOMS N°000207540.1997.4.03.6000/MS 98.03.1022350/MS". Verificou, em consulta no site do TRF 3a Região, que o mencionado processo encontrase suspenso/sobrestado, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral no processo STF RE 566.622/RS. Dessa forma, aplicou a Súmula CARF nº 17, transcrita a seguir: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. De fato, verificase que os AIs em discussão foram lavrados para prevenir a decadência, uma vez que o débito encontrase com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial nos autos do processo citado acima. Dessa forma, a exclusão da multa de ofício do débito lançado é oportuna e pertinente, assistindo razão à autoridade julgadora ao julgar a impugnação procedente. É oportuno ressaltar que o presente lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário, já que não é possível a sua constituição após o término do prazo de decadência, mesmo com decisão judicial favorável ao fisco, uma vez que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. Assim, tendo constatado a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal lançou corretamente o débito, em consonância com o disposto no art. 33 da Lei 8.212/91, protegendoo da decadência. Em relação ao recurso voluntário, registro o que se segue. A autuada insurgese contra o acórdão de primeira instância, alegando que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a recorrente não apresentou impugnação parcial e muito menos concordou com o lançamento principal, mas apenas entendeu que restou vedada a discussão administrativa nestes autos do lançamento tributário principal, por renúncia, vez que o tema diz respeito exatamente à discussão travada naqueles autos judiciais. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 No entanto, a autoridade julgadora da DRJ/CGE julgou a impugnação da recorrente procedente, registrando, apenas, que a autuada não se insurgiu contra o lançamento efetuado para prevenir a decadência, o que de fato ocorreu. Ou seja, a impugnação foi parcial porque a recorrente não contestou o fato de a autoridade fiscal ter efetuado o lançamento para prevenir a decadência, como também não insurgiuse contra as bases de cálculo apuradas e alíquotas aplicadas. Assim, entendo que o Acórdão recorrido não merece reparos. A recorrente requer que seja aplicada, ao caso, a Súmula CARF nº 01, "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. De fato, ao propor ação judicial cujo objeto é o mesmo tratado no processo administrativo fiscal, renunciou às instância administrativa, implicando no não conhecimento do recurso. O art 78, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, estabelece que Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.(grifei) Dessa forma, não é passível de apreciação por este Conselho o recurso cujo objeto está sendo concomitantemente discutido na esfera judicial por propositura da recorrente. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos conta Voto por CONHECER do recurso de Ofício e NEGARLHE PROVIMENTO, e por NÃO CONHECER do recurso Voluntário. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 410DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720626/201318 Acórdão n.º 2301004.035 S2C3T1 Fl. 408 7 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900354/2009-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.900354/200946 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.702 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente LOJA DO PINTOR TINTAS E MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 54 /2 00 9- 46 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração novembro de 2000, no valor original de R$ 5.828,73, com débitos de IRPJ que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900354/200946 Acórdão n.º 3803005.702 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900354/200946 Acórdão n.º 3803005.702 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900354/200946 Acórdão n.º 3803005.702 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002460/2002-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/10/1999 a 10/03/2002
CREDITAMENTO. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO.
Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-002.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho (relator), que deu provimento parcial para excluir a multa de ofício e manter o lançamento do principal com a exigibilidade suspensa. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
[assinado digitalmente]
Marcos Tranchesi Ortiz Vice Presidente.
[assinado digitalmente]
Domingos de Sá Filho Relator
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Transchesi Ortiz. O Conselheiro Antônio Carlos Atulim (Presidente) declarou-se impedido de participar do julgamento.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/10/1999 a 10/03/2002 CREDITAMENTO. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO. Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente AFA PLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/1999 a 10/03/2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CONSECTÁRIOS LEGAIS. Inexistindo tutela judicial que obste a lavratura de auto de infração e na ausência das circunstâncias que suspendem a exigibilidade, correto o lançamento de ofício promovido com plena exigibilidade do crédito tributário e acompnhado dos acréscimos legais de praxe. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/10/1999 a 10/03/2002 CREDITAMENTO. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO. Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 24 60 /2 00 2- 31 Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN 2 [assinado digitalmente] Domingos de Sá Filho – Relator [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Transchesi Ortiz. O Conselheiro Antônio Carlos Atulim (Presidente) declarouse impedido de participar do julgamento. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela empresa AFA PLÁSTICOS LTDA.visando modificar a decisão de piso que manteve o crédito tributário dos períodos de apuração de 10/10/1999 a 10/03/2002 de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Inicialmente cabe registrar que esse processo foi redistribuído em razão do impedimento do Conselheiro Antonio Carlos Atulim em razão de ter atuado no julgamento de origem. A motivação do lançamento se refere aproveitamento de créditos de IPI indevido oriundo de aquisições de insumos não tributados, alíquota zero e isentos, escriturados a título de “créditos extemporâneos”, após a reconstituição da escrita fiscal a fiscalização apurou débito que foi objeto do lançamento. O contribuinte debate em demonstrar o desacerto do Fisco, sustentando que o aproveitamento do crédito estornado deuse amparado em decisão judicial. O pedido dirigido a Justiça se refere aos créditos de IPI anteriormente a Lei nº 9.779/98, afirmando a resistência existente da Administração Tributária Federal em atender a pretensão da Recorrente, nos termos a seguir: “crédito destes valores anteriormente à Lei 9.779/98, de modo que só resta a Impetrante bater às portas do Judiciário para ver declarado seu direito ao creditamento de IPI nas aquisições de insumos isentos e tributados a alíquota zero, acautelandose, ainda, contra indevidas incursões do fisco.” Houve impetração de mandado de segurança que tomou o nº 2000.61.00.0191931, cuja liminar restou indeferida, mas concedida em sede de Recurso de Agravo de Instrumento (42/43). Sobreveio a sentença (fl. 44/59), que concede à ordem, deferindo o direito de aproveitar o crédito oriundo de aquisições a alíquota zero, deixando de mencionar aquelas não tributadas e isenta, como se vê da parte dispositiva da sentença cuja parte III – Dispositivo se trancreve: “III. Dispositivo Posto isso, julgo procedente o pedido contido nesta impetração com o fim de assegurar à Impetrante o direito de proceder à utilização dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI relativamente aos materiais intermediários utilizados no processo de\ industrialização de produto tributado a alíquota zero; devidamente corrigidos monetariamente por meio da aplicação integral do IPC os percentuais de 42,72% em janeiro de 1989; 84,32% em março de1990 ...” Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.002460/200231 Acórdão n.º 3403002.861 S3C4T3 Fl. 1.276 3 A certidão expedida pela Secretária, certifica: Certifica, a pedido de pessoa interessada, que revendo na Secretaria no sistema informatizado, os autos do processo No.2000.61.00.0191931 , MANDADO DE SEGURANÇA, distribuído em 13/06/2000, protocolado em 13/06/2000, proposta por AFA PLASTICOS LTDA, CGC 61.578.183/000111, em face de: DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM SANTO ANDRE SP. Para o fim de: IPI IMPOSTO S/PRODUTO INDUSTRIALIZADO LANCAMENTO DE CRÉDITOS de INSUMOS ISENTOS, deles verificou constar: Em 13/02/2002 concluso para DESPACHO. Recebo a apelação de fls. 218/233 em seu efeito devolutivo.Vista A parte contrária, para contra razões. Após, subam os autos ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 3* Região, com as homenagens deste Juízo. Int. Localização em 07/05/2002 TRF. Nada mais, dada e passada nesta cidade de São Paulo, aos 16/05/2002. Eu, ALEXANDRE SANSON Tec. Analista Judiciario, digitei. B,eu, MARIA LUCI DA SILVA MARCOS, Diretor(a) de Secretaria, subscrevi. Juntase certidão expedida pela Secretária do TRF da 3ª Região, como se vê da transcrição: “interessada que, revendo nesta Subsecretaria a seu cargo os autos da Apelação em Mandado de Segurança n.° 2000.61.00.019069 0, em que . figuram como apelante a UNIÃO FEDERAL(FAZENDA NACIONAL) e apelada TME PLÁSTICOS S/A, deles verificou tratarse de Mandado de Segurança. distribuído automaticamente, em 31/07/00, A 2' Vara Federai de 'São Bernardo do Campo/SP, em que é impetrado o Sr. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM' SÃO PAULO/SP, com pedido de liminar; objetivando assegurar 'o direito do autor de creditar se, na saída, dos valores supostamente devidos a titulo de IPI na entrada dos insumos.e matériasprimas.X.X.X.”CERTIFICA constar, as, fls. 108/112, sentença concedendo a segurança, para assegurar o direito ao autor de creditar os valores de relativos aos insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero.” Diante do embate judicial, a Administração Fiscal consultou a d. Procuraria, obtendo resposta da inexistência de situação definida que pudesse impedir ação fiscal: “Sendo assim, não está o contribuinte amparado pela decisão concessiva no processo que tramitou perante a 9ª Vara Federal em São Paulo sob o nº 2000.61.00.00191931, pelo que inexiste qualquer motivo para o lançamento ser formalizado com suspensão da exigência” O parecer da fiscalização de fls. 668/674, comenta: “Em nenhum local da petição formulada pelo contribuinte fiscalizado consta qual seria a base de cálculo e a alíquota a serem utilizadas pelo contribuinte fiscalizado para o cálculo do IPI incidente sobre os insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. Tampouco na sentença prolatada Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN 4 pela MM Juiza Federal, Dra. Leila Paiva, consta qual seria a base de cálculo e a alíquota a serem utilizados no cálculo deste crédito fictício de IPI. Por último devemos ressaltar, mais uma vez, que conforme documento entregue pelo próprio contribuinte, o mesmo não utiliza insumos isentos e não tributados em seu processo industrial. Utiliza alguns insumos cuja alíquota de IPI é zero, e consequentemente o crédito do IPI vinculado a estes insumos é zero. Anexamos aos processos analisados a cópia da certidão de objeto e pé relativa ao mandado de segurança número 2000.61.00.0191931 emitida em 31/01/2002”. Diante do parecer da Procuradora, a fiscalização efetivou o lançamento conforme se vê do auto de infração de fls. 682/706, ao fundamento de que: “NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR 0 estabelecimento industrial não recolheu o imposto sobre produtos industrializados IPI, por se utilizar de créditos indevidos deste imposto, escriturados sobre a rubrica " credito extemporâneo relativo As entradas de mercadorias tributadas A alíquota zero e consumidas no processo produtivo de produtos tributados pela alíquota de 10%. Após a reconstituição da escrita, conforme tabelas anexas ao Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte apresentou saldo devedor do IPI lançado através deste auto de infração.” O mérito não foi conhecido por concomitância de objeto, conforme se vê do Acórdão DRJ/POR nº 3.113, 28.01.2003, examinou e afastou a preliminar de nulidade em decorrência do Mandado de Fiscalização, que sucessivamente indicou o mesmo Agente Fiscal e manteve a exigência do crédito tributário, conforme se vê da ementa: “MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃ0 DE EXIGIBILIDADE. Iniciado o procedimento fiscal após a sentença que e não garantiu a escrituração de créditos do IPI pedidos pelo contribuinte e não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por eventual recurso impetrado contra tal decisão, nada impede e que se efetue o lançamento do imposto que deixou me ser recolhido pelo aproveitamento de créditos se amparo legal ou judicial”. Com relação a concomitância, assim encontra redigido a ementa: “CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, no se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial.” Sobreveio o Recurso Voluntário de fls.882/890. Em breve síntese, sustenta: “A decisão que julgou procedente o lançamento deve ser anulada de pronto, face aos graves vícios de que padece o ato administrativo, desde o seu nascedouro. A recorrente não se conformou com interpretação dada pela fiscalização à Sentença Judicial que, confirmando clara liminar. (objetivando creditarse do IPI pago nas aquisições de insumos isentos, não tributados, ou tributados à Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.002460/200231 Acórdão n.º 3403002.861 S3C4T3 Fl. 1.277 5 alíquota zero) do TRF 3 em seu favor, lhe permitiu o creditamento do IPI e impugnou : Ocorreu que a Turma Julgadora, à unanimidade, resolveu IGNORAR referido aspecto da contrariedade, fazendo ouvidos moucos à impugnação da Recorrente e insistindo na CRIMINOSA interpretação de que a Sentença " não garantiu a escrituração de créditos do IPI pedidos pelo contribuinte Nulificando assim o feito administrativo por pura e clara violação do direito de petição. A Recorrente foi à justiça para, preventivamente, amparar o creditamento de IPI sobre matérias primas isentas, não tributadas e tributadas à alíquota zero. Obteve liminar e sentença concessiva de segurança, que, interpretadas pela fiscalização equivocadamente, acoimadas de inservíveis ao crédito, fundamentaram sua glosa por força da autuação. Na impugnação ao auto, a Recorrente, invoca razões fundamentos jurídicos que lhe permitiriam o crédito glosado independentemente d sentença, e em outro trecho da defesa, e ora deparase com decisão que negase conhecer de seu recurso administrativo por entender estar a questão debatida e Juízo. Ora a Recorrente discute em Juízo crédito de IPI sobre insumos de produtos tributados à alíquota zero, o que não lhe ampara o crédito ampara a autuação, e tais argumentos lhe são vedados em sede administrativa. Invocouse, apenas, texto de regulamentação administrativa ( Portarias SRF a serem c/c art. 142 do CTN, vinculante) do Procedimento preliminar A autuação, que, depois de prorrogação, NÃO PODERIA SER ENCABEÇADO PELO AFRF primitivamente responsável pelo dormente MPF. referido MPF, desta forma, e ao experimentar decurso de prazo, extinguiuse ( IN/SRF3007/01, art. 15, II ) : Da Extinção do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 15. 0 MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; I! pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. É certo que existe a possibilidade de emissão de novo MPF na linha do artigo 16 da citada IN, o que foi providenciado... Entretanto, no caso de emissão de novo MPF, é' VEDADO A INDICAÇÃO DO MESMO AFRF COMO ABSURDAMENTE OCORREU o quatro sucessivas vezes. É clara a dicção do artigo 16, litteris : Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos ato praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN 6 emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal.” Segue sustentando que no caso concreto não se tratou apenas de formalização de lançamento, mas pelo fato do AFRF não é contador, desenvolveu todo trabalho técnico e contábil, atividade privativa de contador. Quanto ao assunto de fundo, afirma que foi a justiça para, preventivamente, amparar o creditamento de IPI sobe matérias primas, isentas, não tributadas e tributadas à alíquota zero. Afirma, ainda, que “Obteve liminar e sentença concessiva de segurança, que, interpretadas pela fiscalização equivocadamente, acoimadas de inservíveis ao crédito, fundamentaram sua glosa por força da autuação.” Concluiu requerendo o que segue: “requer V .Sas.reformem a decisão recorrida, para, caso não anulado o processo administrativo integralmente, anularse a cobrança do IF aproveitado com base em autorização judicial e na escorreita interpretação dada it não cumulatividade pelo STF nos REs.212.484RS e 350.446PR.” Do exame do Recurso Voluntário, na parte que tratava do creditamento de IPI decorrente das aquisições não tributadas, isentas e tributada alíquota zero, também não conhecido por opção pela via judicial, Acórdão nº 201.78.390, de 17 de maio de 2005 de relatoria do Conselheiro Antonio Mario de Abreu Pinto, sessão presidida pela Conselheira Josefa Maria Coelho Marques. Irresignada, com o não conhecimento do Voluntário, interpões Embargos Declaratórios, não conhecidos à asserção de intempestividade, decisão fls. 912/913. Inconformado com a negativa administrativa de examinar o mérito do Recurso Voluntário, o Contribuinte impetrou Mandado de Segurança, visando assegurar o direito de ver julgada a questão na esfera administrativa, alegando, para tanto, que as matérias submetidas ao crivo do judiciário e do administrativo são distintas, obtendo amparo no bojo MS nº 2005.34.00.0270936 por meio de Agravo de Instrumento, nº 2005.01.00.0623039, com o objetivo de suspensão da eficácia do acórdão nº 201.78.390, bem como, a exigibilidade do crédito tributário, cópia da decisão fls. 923/924, sendo atribuído efeitos suspensivo. À fl. 942 memorando do CARF para Delegacia da Receita Federal de Santo André – SP dando ciência aquela autoridade quanto aos efeitos atribuídos ao Agravo de Instrumento e solicitando providências. Sentença proferida nos autos do Mandado de segurança nº 2005.34.00.0270936 julgou improcedente o pedido, denegou a segurança vindicada, 15.06.2006, fl. 959/964. Apelação interposta, decisão às fls. 1213/1214 dá provimento por unanimidade, e, modifica a decisão de piso para afastar a renúncia à instância administrativa diante da distinta causa de pedir. O processo nº 2005.34.00.0270936 encontra baixado e arquivado definitivamente desde 21 de outubro de 2011. Determinado o retorno do processado administrativo ao CARF para prosseguir no julgamento. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.002460/200231 Acórdão n.º 3403002.861 S3C4T3 Fl. 1.278 7 Em razões recursais são reprisados os argumentos tecidos na fase de impugnação. Acresce pedido de cancelamento da Certidão de Dívida Ativa face o transito em julgado da decisão administrativa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Domingos de Sá Filho. Do relato constatase que a matéria de fundo já foi objeto de decisão judicial, entretanto, ainda, não há transito em julgado, a última notícia extraída do site do Superior Tribunal de Justiça é de que o processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em 10 de fevereiro de 2014. Preliminar nulidade do MPF e a designação do mesmo agente para concluir procedimento. Sustenta o Recorrente que há nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal em razão da designação do mesmo agente após o exaurimento do prazo por mais de uma vez. A decisão recorrida não merece reparo. Como se sabe o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento com o objetivo de disciplinar internamente o trabalho e autoriza o Agente Fiscal a proceder auditoria do contribuinte nele indicado, portanto não atinge a compentência impositiva alegada. Tomo como fundamento de decidir os argumentos sustentados na decisão hostilizada: “NECESSIDADE DE 0 AFRF SER CONTADOR EM DIA COM 0 CRC PARA 0 EXERCÍCIO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO 10. Também aqui a nulidade arguida é inteiramente improcedente porinexistir tal requisito na legislação de regência. Conforme dispõe a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), arts. 142, 194 e 195, in verbis: "Art. 142 — Compete privativamente a autoridade administrativa cconstituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único — A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. "Art. 194 — A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN 8 natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação." 11. Especificamente, a competência para que a Secretaria da Receita Federa administre, arrecade e fiscalize o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) foi conferido pela Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 91.Por seu turno, a fiscalização externa do imposto em comentário compete aos Fiscais de Tributos Federais, nos termos da Lei no 4.502de 30 de novembro de 1964, art. 93, combinado com o Decretolei n° 1.024, de 21 de outubro de 1969, art. 3°. 12. 0 cargo de Fiscal de Tributos Federais foi transformado em Auditor Fiscal do Tesouro Nacional pelo Decretolei n° 2.225, de 18 de janeiro de 198Recentemente, ocorreu nova transformação, passando o cargo a denominarse AuditorFiscal da Receita Federal, nos termos da Medida Provisória n° 1.915, de 29 de julho de 1999. 13. Tais normas conferem competência em caráter excepcional aos exatores federais e de forma nenhuma afrontam os dispositivos que regulam a profissão de contador no pais, porque, além de se caracterizarem como normas especiais que afastam a incidência das normas gerais elencadas na impugnação, a fiscalização não efetua o trabalho privativo de contador (escrituração de livros e preparação de demonstrações financeiras), apenas utiliza o resultado do trabalho do contabilista para fiscalizar os tributos de competência da Unido.” Assim, afasto a preliminar argüida. Mérito A matéria de fundo é concomitância da matéria deduzida em sede administrativa e judicial. Embora a decisão judicial tenha determinado o conhecimento do Recurso Voluntário, não há como distorcer a realidade para acolher os argumentos sustentados para afirmar que a matéria seja distinta daquela submetida ao crivo do Poder Judicial. Não há dúvida de que o Contribuinte buscou na justiça amparo para aproveitamento de crédito de IPI proveniente de insumos tributados alíquota zero, não tributados e isento, sendo a mesma discutida neste caderno processual administrativo. Embora tenha o contribuinte obtido liminar em Agravo de Instrumento, aquela decisão restou suprimida pela sentença que acolheu do pleito apenas quanto ao pedido das aquisições tributadas a alíquota zero, inexistindo recurso contra o deferimento parcial, em sendo assim, o que encontra albergado pela decisão é o creditamento dos insumos tributados alíquota zero. O parecer fiscal trazida nestes autos afirma que a totalidade dos créditos extemporâneos lançados na escrita fiscal são provenientes de aquisições que estão no campo de incidência da alíquota zero, assim se coaduna perfeitamente com a sentença que assegurou esse direito. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.002460/200231 Acórdão n.º 3403002.861 S3C4T3 Fl. 1.279 9 Da análise dos autos não há dúvida de que a matéria é concomitante, cuja apreciação esbarraria na Súmula CARF nº 18, entretanto, há decisão judicial transitado em julgado que entendeu de que não tratava do mesmo assuntos, e, assim concluiu em determinar o conhecimento do Recurso Voluntário. No caso dos autos se refere a crédito extemporâneos que precede a Lei nº 9.779 , que foram glosados e, apurando débitos objeto do auto de infração. A fiscalização assim redigiu sua conclusão: “Discriminamos nas quinze tabelas anexas a esta intimação os débitos e créditos escriturados pelo contribuinte fiscalizado em seus livros de Apurado, do IPI para cada decêndio, os créditos escriturados pelo contribuinte com a rubrica " Crédito extemporâneo relativo As entradas de mercadorias tributadas A alíquota zero e consumidas no processo produtivo de produtos tributados pela al [quota de 10%" que serão por nós glosados caso o contribuinte não apresente o fundamento legal dos mesmos e o memorial de cálculo detalhado dos mesmos, o crédito de IPI do contribuinte no decêndio após a glosa realizada, o saldo devedor do IPI por nós apurado no decêndio, o valor declarado do IPI pelo contribuinte na DCTF; os pagamentos do IPI efetuados pelo contribuinte por nós obtidos através dos sistemas da Receita Federal, os valores do IPI parcelados pelo contribuinte fiscalizado através do REFIS (junto a SRF e A PFN), e o saldo devedor do IPI a ser lançado. Caso o contribuinte não concorde com qualquer valor discriminado nas tabelas anexas, apresentar, por escrito, documento que comprove que os valores por nós discriminados nas tabelas anexas estão incorretos. Informamos ao contribuinte fiscalizado que se o mesmo não contestar os valores por nós discriminados nas tabelas anexas, dentro do prazo desta intimação, os mesmos serão lançados através de auto de infração.” Portanto, por força da decisão mandamental impõe o conhecimento e julgar, assim estou entendendo que o assunto a concomitância não está mais em debate. Vejo também que o recurso Extraordinário encaminhado ao STF em fevereiro de 2014 vai resolver o direito quanto aos créditos provenientes de aquisições de insumos não tributados, tributados a alíquota zero e isento. Assim, resta examinar os demais pontos, conjetura ao longo das razões recursais que o lançamento deveria ter sido constituído com a exigibilidade suspensa por força da sentença que assegurou o crédito de aquisições tributadas alíquota zero, em que pese não ter sido destacado no requerimento, mas com o mínimo de esforço extraíse do contexto essa irresignação. Examinando esse processado tenho que assiste razão ao Interessado, pois estando amparado por meio de decisão judicial em mandado de segurança o crédito tributário deve sim ser constituído com a exigibilidade suspensa e sem a multa de ofício. Assim, conhecese do recurso para assegurar a constituição do crédito com a exigibilidade suspensa e negar provimento quanto a preliminar argüida. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN 10 É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado Admissibilidade do recurso Convém inicialmente historiar o processo. Tratase de Auto de Infração (fls. 742 e 764 a 766 e anexos), lavrado em decorrência da falta de recolhimento do IPI, em razão da utilização de créditos indevidos deste imposto, escriturados sobre a rubrica "crédito extemporâneo relativo às entradas de mercadorias tributadas à aliquota zero e consumidas no processo produtivo de produtos tributados pela aliquota de 10%". Segundo o Termo de Verificação de fls. 734 a 740, a referida escrituração foi procedida ao amparo da segurança obtida pelo contribuinte no Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0191931, impetrado com o objetiver de impedir que a autoridade coatora autuasse a impetrante em virtude dos citados créditos apropriados, solicitando, ainda, a concessão definitiva da segurança para que fosse declarado seu direito liquido e certo de creditarse de valores relativos aos insumos isentos, não tributados e tributados à aliquota zero do IPI. Em 31/07/2000, o MM Juiz Federal, Dr. Ciro Brandani Fonseca, denegou a liminar pleiteada pelo contribuinte fiscalizado e o contribuinte impetrou, contra este indeferimento, Recurso de Agravo junto ao TRF da 3ª Região, obtendo a decisão de fls. 42 e 43, proferida pela desembargadora, Dra. Salete Nascimento, que concedeu a providência requerida. Em 31/10/2001 foi expedida a sentença de fls. 44 a 59, de lavra da MM Juiza Federal, Dra. Leila Paiva, com o seguinte dispositivo: "Posto isso, julgo procedente o pedido contido nesta impetração com o fim de assegurar à Impetrante o direito de proceder à utilização dos créditos do Imposto sobre Produtos industrializados IPI relativamente aos materiais intermediários utilizados no processo de industrialização de produtos tributados à aliquota zero." Assim, como a referida decisão não amparava a escrituração de créditos extemporâneos relativos às entradas de mercadorias tributadas à aliquota zero e consumidas no processo produtivo de produtos tributados pela aliquota de 10%, foi constituído, sob a capitulação legal de fl. 766, o crédito tributário no montante de R$ 4.642.550,42, inclusos juros de mora e multa de oficio. No curso do procedimento fiscal, questionouse a PGFN a respeito da exigibilidade do crédito tributário lançado. Em 27 de setembro de 2002, o pelo Procurador Seccional da Fazenda Nacional, Dr. Nilton Marques Ribeiro, opina que inexiste qualquer motivo para o lançamento em tela não seja formalizado com plena exigibilidade do crédito. Parecer da PFN/SAE, folhas 662 a 667. Cientificado em 18/10/2002, o sujeito passivo apresentou a tempestiva impugnação de fls. 711 a 733. Em acórdão de fls. 841/849 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP julgou procedente o lançamento, com ementa vazada nos seguintes termos: Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.002460/200231 Acórdão n.º 3403002.861 S3C4T3 Fl. 1.280 11 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/10/1999 a 10/03/2002 Ementa: MPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. NULIDADE. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL. COMPETÊNCIA. O Auditorfiscal da Receita Federal, sem registro no Conselho Regional de Contabilidade, tem competência legal para praticar o ato administrativa de lançamento tributário, decorrente do exame de livros e documentos preparados por contabilista. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO D EXIGIBILIDADE. Iniciado o procedimento fiscal após a sentença qu e não garantiu a escrituração de créditos do IPI pedidos pelo contribuinte e não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por eventual recurso impetrado contra tal decisão, nada impede e que se efetue o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido pelo aproveitamento de créditos sem amparo legal ou judicial. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial. Lançamento Procedente Irresignada, o contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 882 a 890) ao Segundo Conselho de Contribuintes. Conforme Acórdão nº 20178.390 (fls. 908 a 911) o recurso voluntário não foi conhecido, dado consistirem as questões nele discutidas objeto da Ação Judicial nº 2000.61.00.00191931. Interpostos embargos de declaração (fls. 908 a 910) foram os mesmos rejeitados pelo Despacho nº 201386 (fls. 912 e 913). O contribuinte impetrou então o Mandado de Segurança nº 2005.34.00.0270936 objetivando a suspensão da eficácia do acórdão nº 20178.390 e da exigibilidade do crédito tributário. Em decisão de fls. 923 e 924, foi concedido o efeito suspensivo no agravo de instrumento nº 2005.01.00.0623039. Em função desta decisão o crédito tributário objeto do presente processo teve sua exigibilidade suspensa conforme memorando SECAT nº 93/2006 (fls. 954). Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN 12 Em 15/12/2006 a juiza da 2ª Vara Federal do Distrito Federal proferiu sentença de mérito julgando improcedente o pedido para denegar a segurança (fls. 959 a 963). A apelação da impetrante foi recebida com efeito devolutivo (fls. 973). A Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Regão, por unanimidade, deu provimento ao recurso de Apelação. O Desembargador Fedral, Dr. Catão Alves, consignou: 1 Se a Apelante pretende, no Mandado de Segurança, reconhecimento de direito líqüido e certo ao crédito de valores do Imposto Sobre Produtos IndustrializadosIPI referentes a insumos isentos, não tributados e tributados 6. aliquota zero, compelindo a autoridade coatora a absterse de autuála, e deseja, no processo administrativo, anulação do lançamento tributário com espeque, essencialmente, em vícios de natureza formal, que acarretariam a nulidade da autuação, do procedimento fiscal e do aludido lançamento, é notória a existência de distintas causas de pedir nas esferas judicial e administrativa. 2 Embora acolhida, no juizo de origem, a pretensão deduzida no Mandado de Segurança, a matéria continua pendente de apreciação no Tribunal. 3 Eventualmente reformada a Sentença, tem a Apelante o direito, ainda que não o tenha em relação ao tributo discutido, de questionar a regularidade e a legalidade do processo administrativo fiscal e, conseqüentemente, da autuação e do próprio lançamento tributário, ficando, irremediavelmente, prejudicada, se esse não for o entendimento, uma vez que já tivera sua pretensão rejeitada na primeira instância administrativa. Justamente em função dessa decisão (fls. 1197 a 1201) é que se volta a julgar o mesmo RV nº 123.546. Preliminares de nulidade A Turma, à unanimidade dos votos, acompanhou o voto do relator, quanto à rejeição das preliminares arguidas. Mérito O Colegiado, no entanto, dissentiu do relator quanto ao mérito do recurso, sufragando entendimento que segue. O lançamento de que se trata foi lavrado em 18/10/2002. A tutela judicial então vigente, proferida em 31/10/2001, nada dispunha a respeito do creditamento extemporâneo nas aquisições de insumos não onerados pelo IPI, promovido pelo contribuinte. Portanto, inexistia qualquer óbice contra a glosa dos valores creditados sem amparo legal ou judicial e a lavratura do Auto de Infração para formalização do lançamento de ofício do IPI, dela decorrente. Sob essas condições, julgo correto o lançamento de ofício procedido com exigibilidade plena e acompanhado dos consectários legais de praxe. A propósito do direito de creditamento do IPI nas entradas de insumos tributados à alíquota zero, não tributados e isentos, podem ser articuladas as seguintes Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.002460/200231 Acórdão n.º 3403002.861 S3C4T3 Fl. 1.281 13 considerações e, para tal, deve ser, primeiramente, destacado o dispositivo constitucional mencionado: Art. 153. Compete à União, instituir impostos sobre: (...) §3.º O imposto previsto no inciso IV: II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” O princípio da nãocumulatividade, radicado na Lex Legum, não é amplo e irrestrito. É perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Exemplo disso é o próprio direito de ação (Constituição Federal, art. 5º, XXXV) que, apesar de estar garantido de forma ampla e irrestrita no texto constitucional, sofre limitações impostas pelas leis processuais infraconstitucionais, já que seu exercício é condicionado à verificação dos pressupostos processuais e das condições da ação. Não há como sustentar a pretensão do recorrente com base no princípio da nãocumulatividade, pois, um princípio constitucional de índole programática não é apto a criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo tãosomente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regulam o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legiferante conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata, têm o condão de criar relações jurídicas de direito material. Ora, a nova ordem constitucional, em vigor desde 1988, recepcionou a legislação que trata da espécie tributária em debate, em especial sobre o sistema de créditos e débitos. É o caso da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal dos sucessivos regulamentos de IPI, vigendo atualmente aquele aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010). O Código Tributário Nacional (CTN) – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, em seu artigo 49, assim dispõe sobre a nãocumulatividade do imposto: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Os arts. 81 e 82, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 – RIPI/82, correspondentes aos arts. 146 e 147, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/98; arts. 163 e 164, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN 14 Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIPI/2002, e arts. 225 e 226, inc. I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010, sendo o segundo dispositivo citado equivalente ao texto original da Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, eram vazados nos seguintes termos: Art. 146. A nãocumulatividade do imposto é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei n.º 5.172, de 1966, art. 49). (...) Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;(grifos meus) O princípio em comento, de que trata o art. 153, § 3°, II, da Constituição Federal, deve ser estremado no exato limite de seus termos, segundo os quais se compensa o imposto que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, isto para evitar a denominada incidência em cascata, ou seja, a tributação de cada operação isoladamente, sem que seja considerada a tributação nas operações anteriores. A conclusão haurida desse princípio é a de que, se não foi cobrado/pago imposto nas operações anteriores, seja pela nãoincidência, isenção ou tributação à alíquota zero dos insumos ou qualquer outra razão, não há direito ao crédito. Vale dizer que somente se considera na equação de débito e crédito fiscal o imposto pago na aquisição dos insumos e o imposto devido na saída dos produtos com eles fabricados. Foi exatamente esse o entendimento do Ministro Ilmar Galvão, do Supremo Tribunal Federal, no voto (vencido) que proferiu no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 212.4842/RS, em que assevera: "a compensação só se dá com o que for cobrado, sendo intuitivo admitir que, se nada foi cobrado na operação anterior, não haverá lugar para ela". É curial ressaltar que, se fosse admitido crédito de insumo que não correspondesse a imposto efetivamente pago na sua aquisição, o sujeito passivo (contribuinte de direito) seria beneficiado, pelo simples fato de que o imposto seria cobrado integralmente do consumidor final (contribuinte de fato) e recolhido à Fazenda apenas pela diferença entre o valor lançado na saída do produto final e o crédito (indevido). Seria normal o recolhimento pelo sujeito passivo, após a venda do produto e a apuração periódica do imposto, apenas da diferença (débito – crédito) se pagamento do imposto houvesse na aquisição do insumo; do contrário, tratase de locupletamento ilícito, repudiado pelo ordenamento jurídico. Crédito escritural de IPI não é crédito presumido em que são supostas incidências do imposto em cadeias anteriores e estipulada uma alíquota média para Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.002460/200231 Acórdão n.º 3403002.861 S3C4T3 Fl. 1.282 15 compensação do gravame. Ademais, a tese perfilhada pela impugnante, na verdade, altera o sentido do texto constitucional de tal forma que uma nãocumulatividade, que se opera pelo abatimento do imposto já pago pelo que for devido, transformase numa exclusão da base de cálculo do IPI de todos os insumos não onerados pelo imposto. O tributo em questão sofre uma metamorfose e passa a ser um imposto sobre o valor agregado, o que positivamente não é o caso. Por essa razão, além da falta de previsão legal, não é possível que seja admitido crédito de imposto que não tenha sido pago na aquisição dos insumos, não obstante a decisão em contrário do Pretório Excelso, no julgamento do RE nº 212.4842/RS, que só opera efeitos entre as partes. A CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação decidiu recursos em processos de consulta, conforme Pareceres nº 396, de 30 de abril de 1991, e 410, de 8 de maio de 1991, sendo que a ementa desse último foi assim redigida: “Ementa: As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, adquiridos sem pagamento de IPI, em razão de imunidade, isenção ou nãoincidência, não propiciam direito ao crédito desse imposto, a não ser em casos excepcionais previstos em lei”. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN nº 405/2003, de 14 de março de 2003, D. O. U. de 26/03/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, o qual, após exaustiva análise do princípio da nãocumulatividade do IPI, bem como dos métodos para concretização dessa técnica, concluiu, em síntese, que, na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, destinados à industrialização e subseqüente saída tributada dos resultantes produtos, o IPI “cobrado” corresponde a zero %, não proporcionando direito ao crédito “presumido” ou “ficto”. Na seqüência, o citado parecer também concluiu que os produtos não tributados, que estão fora do campo de incidência do IPI, não se submetem ao exame do crédito presumido. Convém notar, outrossim, que a Constituição Federal proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o § 6º do art. 150 da Carta Magna, e não existe lei que ampare os créditos pretendidos. Inclusive, o crédito presumido é um instituto utilizado pela legislação tributária em situações específicas, em geral a título de incentivo ao desenvolvimento regional e à exportação e como ressarcimento das contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins nas operações previstas. Desta forma, não se enquadrando o contribuinte em nenhuma daquelas situações acima elencadas como beneficiárias de crédito presumido, não há que se cogitálo. Por outro lado, ainda que, inconstitucionalmente, fosse aceito que o vocábulo cobrado abrangesse os casos de alíquota zero e produtos isentos, assim possibilitando um crédito ficto, seria possível ao sujeito ativo cobrar um imposto inexistente? Inexistente sim, pois esta é a única conclusão possível quanto às mercadorias não tributadas pelo IPI. Aliás, mesmo que, teratologicamente, fossem admitidos os créditos concernentes a insumos isentos e tributados à alíquota zero, em nenhuma hipótese poderiam ser admitidos aqueles referentes a insumos não tributados, vale falar, situados fora do campo de incidência do tributo. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN 16 Corretos, portanto, a glosa do creditamento ilegal e o lançamento de ofício de débitos decorrentes da reconstituição da escrita fiscal do contribuinte. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 25 de março de 2014 Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por M ARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digita lmente em 15/04/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11020.002568/2010-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. PROPAGANDA. CONDIÇÕES
De acordo com as expressas disposições do art. 366, parágrafo 2o do RIR/99, as despesas de propaganda, pagas ou creditadas a quaisquer empresas, somente serão admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for registrada no CNPJ e mantiver escrituração regular.
BENEFÍCIO FISCAL. CONDIÇÃO LEGAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de condições expressamente previstas nas respectivas normas de regência, para o regular aproveitamento do benefício apontado (dedutibilidade de despesas), à contribuinte compete a sua integral observância, descabendo, na oportunidade, qualquer discussão a respeito dos valores culturais a ela relacionadas.
MULTA SANCIONATÓRIA. DISCUSSÃO QUANTO A SUA (IN)CONSTITUCIONALIDADE
De acordo com as disposições da Súmula CARF no 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1301-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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PROPAGANDA. CONDIÇÕES De acordo com as expressas disposições do art. 366, parágrafo 2o do RIR/99, as despesas de propaganda, pagas ou creditadas a quaisquer empresas, somente serão admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for registrada no CNPJ e mantiver escrituração regular. BENEFÍCIO FISCAL. CONDIÇÃO LEGAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de condições expressamente previstas nas respectivas normas de regência, para o regular aproveitamento do benefício apontado (dedutibilidade de despesas), à contribuinte compete a sua integral observância, descabendo, na oportunidade, qualquer discussão a respeito dos valores culturais a ela relacionadas. MULTA SANCIONATÓRIA. DISCUSSÃO QUANTO A SUA (IN)CONSTITUCIONALIDADE De acordo com as disposições da Súmula CARF no 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 68 /2 01 0- 23 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 2 WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 11020.002568/201023 Acórdão n.º 1301001.444 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório A r. decisão de primeira instância assim descreve as circunstâncias fáticas tratadas nos presentes autos: Tratase de autos de infração lavrados para glosar despesas de publicidade dos anos calendário de 2007 e 2008, sendo em conseqüência lançados IRPJ, CSLL e multas isoladas por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais. O motivo da glosa foi a prestadora dos serviços não manter escrituração regular, contrariando a condição de dedutibilidade estabelecida no § 2º, do art. 366, do RIR/99. Na impugnação, a autuada sustenta que: com fundamento no art. 53, da Lei nº 9.784, de 1999, o auto de infração seria nulo, uma vez que eivado de vício de ilegalidade, pois ela, autuada, não teria cometido nenhuma irregularidade; as despesas em questão são efetivamente com propaganda e são dedutíveis, com base no art. 299, do RIR/99; não dispõe “de meios técnicos para a verificação intestina da idoneidade ou não dos documentos fiscais emitidos por seus fornecedores, já que não tem acesso aos registros contábeis de terceiras empresas”, fato que tornaria absurda a exigência de que a prestadora de serviços mantivesse escrituração regular; com base no art. 7º, não é de sua responsabilidade, mas do fisco, “a fiscalização das declarações de inatividade, ou de falta de contabilidade das empresas”; uma vez que não houve ilicitude de sua parte, não é cabível aplicarlhe multa; seria “astronômico” o percentual da multa, portanto, “a mesma arde nas chamas do inferno da inconstitucionalidade”. A partir dessas considerações, manifestouse a 1a Turma da DRJ/POA pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, mantendo, assim, em sua integral conformação, o lançamento efetivado, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 4 DESPESAS COM PROPAGANDA OU PUBLICIDADE. DEDUTIBILIDADE DO LUCRO REAL. CONDIÇÕES. A dedutibilidade das despesas de propaganda, pagas ou creditadas a pessoa jurídica é condicionada a que a empresa prestadora dos serviços seja inscrita no CNPJ e possua escrituração regular. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Em se tratando de processo administrativo fiscal federal, as hipóteses de nulidade limitamse aos casos de incompetência para prática do ato ou preterição do direito de defesa. PERCENTUAL DA MULTA. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O percentual da multa utilizado no auto de infração está previsto em lei em vigor, que os órgãos administrativos não podem se furtar a aplicar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu correspondente recurso voluntário, destacando, em suas razões, o seguinte: Preliminarmente Da nulidade do Auto de Infração e do Relatório de Auditoria Fiscal pela inobservância dos preceitos legais e constitucionais aplicáveis à espécie Após desenvolvimento de arrazoado principiológico, sustenta a recorrente que o lançamento seria nulo, uma vez que ela teria corretamente contabilizado todas as despesas havidas relativas a gastos com publicidade e propaganda, não havendo qualquer ilegalidade em sua conduta, ou ainda na dedutibilidade das mesmas, da forma como então realizado. Mérito Da inocorrência de conduta típica que fundamenta a presente autuação Que os valores pagos pela contribuinte à empresa Bazzo Competições Automobilísticas Ltda. possuem a finalidade única de custear a propaganda da recorrente, não tendo qualquer finalidade de patrocínio cultural. Que a eventual falha escritural realizada pela empresa destinatária dos referidos pagamentos não pode ser utilizado como argumento para a indedutbilidade da despesa pela recorrente, uma vez que não teria ela qualquer gestão a respeito da regularidade fiscal da empresa apontada. Que o fato de a empresa Bazzo Competições Automobilísticas Ltda encontrarse como “inativa” nos cadastros fazendários é tema a ela estranho, devendo ser tratado unicamente entre aquela empresa e os respectivos agentes da fiscalização. Da ilegalidade da multa sancionatória aplicada Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 11020.002568/201023 Acórdão n.º 1301001.444 S1C3T1 Fl. 4 5 Que o valor da multa imposta é “escorchante”, não respeitando a um mínimo de proporcionalidade entre o montante do fato e a multa, não podendo ela ser aplicada no patamar confiscatório apontado. Ao final, requer então a reforma da decisão proferida na primeira instância, e, de acordo com os argumentos apontados, a completa desconstituição do lançamento efetivado. Esse é o relatório. Passo ao voto. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 6 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. A matéria discutida nos autos, pelo que se verifica, referese à análise da (in)dedutibilidade de despesas com publicidade e propaganda, especificamente relacionadas aos pagamentos efetivados pela ora recorrente à empresa Bazzo Competições Automobilísticas Ltda., sendo que, em suas razões, sustenta a contribuinte que a ela não competiria a verificação da regularidade fiscal da empresa contratada, e, da mesma forma, não poderia ela ser então acusada de irregularidade a partir dos fatos apontados. A matéria discutida a título de preliminar, é bem de ver, confundese, pois, integralmente, com o mérito do recurso proposto, razão porque aprecioos em conjunto. Vejamos: Inicialmente, antes de qualquer consideração a respeito dos argumentos traçados pela contribuinte, é importante destacar que aqui não se fala, efetivamente, em qualquer pagamento por ela realizado a título de incentivo cultural, mas sim, de fato, como despesa própria relacionada ao custeio de publicidade e propaganda, inexistindo, em relação a esse específico ponto, qualquer controvérsia a ser aqui então efetivamente apreciada. A partir dessa consideração inicial, importante destacar que, como se verifica, a regular efetivação das referidas despesas e o seu respectivo aproveitamento para fins fiscais, por certo, deve atender às especificas normas de regência, destacandose, a seu respeito, inclusive, as expressas disposições do art. 366 do RIR/99, que especificamente em relação à matéria, assim então expressamente determina: Art. 366. São admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e respeitado o regime de competência, observado, ainda, o disposto no art. 249, parágrafo único, inciso VIII (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 54): I os rendimentos específicos de trabalho assalariado, autônomo ou profissional, pagos ou creditados a terceiros, e a aquisição de direitos autorais de obra artística; II as importâncias pagas ou creditadas a empresas jornalísticas, correspondentes a anúncios ou publicações; III as importâncias pagas ou creditadas a empresas de radiodifusão ou televisão, correspondentes a anúncios, horas locadas ou programas; IV as despesas pagas ou creditadas a quaisquer empresas, inclusive de propaganda; V o valor das amostras, tributáveis ou não pelo imposto sobre produtos industrializados, distribuídas gratuitamente por laboratórios químicos ou Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 11020.002568/201023 Acórdão n.º 1301001.444 S1C3T1 Fl. 5 7 farmacêuticos e por outras empresas que utilizem esse sistema de promoção de venda de seus produtos, sendo indispensável: a) que a distribuição das amostras seja contabilizada, nos livros de escrituração da empresa, pelo preço de custo real; b) que a saída das amostras esteja documentada com a emissão das correspondentes notas fiscais; c) que o valor das amostras distribuídas em cada anocalendário não ultrapasse os limites estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a natureza do negócio, até o máximo de cinco por cento da receita obtida na venda dos produtos. § 1º Poderá ser admitido, a critério da Secretaria da Receita Federal, que as despesas de que trata o inciso V ultrapassem, excepcionalmente, os limites previstos na alínea "c", nos casos de planos especiais de divulgação destinados a produzir efeito além de um anocalendário, devendo a importância excedente daqueles limites ser amortizada no prazo mínimo de três anos, a partir do anocalendário seguinte ao da realização das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, parágrafo único). § 2º As despesas de propaganda, pagas ou creditadas a quaisquer empresas, somente serão admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e mantiver escrituração regular (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, inciso IV). § 3º As despesas de que trata este artigo deverão ser escrituradas destacadamente em conta própria. A partir dessas disposições, verificase que, especificamente em relação ao aproveitamento das apontadas despesas de propaganda pagas ou creditadas a quaisquer empresas, este somente é admitido como dedução possível nas hipóteses em que a empresa contratada seja registrada no CNPJ e mantenha a sua regular escrituração, nos termos então expressamente determinados pela específica legislação de regência. Nessas circunstâncias, ao contrário do que afirma a recorrente, sendo o caso de aproveitamento como despesas operacionais, os valores pagos a título de despesas com propaganda – nos termos expressamente afirmados pela própria contribuinte , verificase que a validade dessa dedução encontrase legalmente atrelada à necessidade da verificação da regularidade fiscal da empresa contratada, o que, no presente caso, efetivamente não foi observado. Em face dessas considerações, entendo que, no presente caso, completamente infundadas as razões apresentadas pela recorrente no sentido de pretender o reconhecimento de invalidade do entendimento exarado pelos agentes da fiscalização, sobretudo porque, enquadrandose a hipótese analisada nas específicas circunstâncias das disposições do apontado art. 366 do RIR/99, imperiosa, verificase, é a diligência da contribuinte em relação à regularidade fiscal da empresa por ela contratada, sendo, assim, irregular o aproveitamento dos Fl. 281DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 8 custos apontados e, assim, irretocáveis as disposições da r. decisão de origem e, também, o lançamento validamente efetivado. Da ilegalidade da multa sancionatória aplicada No que tange à discussão pretendida a respeito da suposta invalidade da multa imposta, relevante observar que, apesar de muito falar, a recorrente sequer aponta qual seria o percentual a ela determinado, verificandose, nas disposições do auto de infração lavrado, que esta fora aplicado no seu percentual mínimo de 75% (Setenta e cinco por cento), sem qualquer qualificação ou agravamento. A referida penalidade decorre das expressas disposições legais aplicáveis à matéria, sendo, a seu respeito, relevante a análise das disposições do art. 44 da Lei 9.430/96, que, sobre o assunto, assim então determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 11020.002568/201023 Acórdão n.º 1301001.444 S1C3T1 Fl. 6 9 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) A partir dessas considerações, verificase pois que a aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), encontra expressa previsão legal, não se havendo falar, portanto, em qualquer hipótese de “ilegalidade” da forma como sugerido pela recorrente. Ademais, as questões relativas à suposta desproporcionalidade da referida penalidade é tema que extrapola os limites da competência deste CARF, havendo, inclusive, a seu respeito, expresso enunciado jurisprudencial administrativo que afirma: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, rejeito as razões da recorrente relativas à suposta ilegalidade/inconstitucionalidade da multa de ofício contra ela perpetrada. Conclusão Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, mantendo, assim, na integralidade, os termos da r. decisão proferida, e, por conseqüência, o lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 10 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 35464.001857/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO -NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
Numero da decisão: 2301-003.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de deixar consignado que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg - e a - Relação de Vínculos - VÍNCULOS - , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de deixar consignado que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS , anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 18 57 /2 00 6- 78 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001857/200678 Acórdão n.º 2301003.952 S2C3T1 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 10/05/2006, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atende as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, c/c os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.08), a autuada deixou de apresentar à fiscalização os documentos solicitados por meio dos TIADs de 15/03/2006 e 23/03/2006. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1614.247, da 12a Turma da DRJ/SPOI, (fls. 47), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 66), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega que foi lavrada a NFLD em epígrafe constituindo o crédito tributário relativo ao período 11/2003 a 08/2004 e que, de fato, durante este período, a recorrente deixou de recolher integralmente as contribuições previdenciárias, uma vez que é titular de diversos créditos que deveriam ser compensados. Defende seu direito de compensar créditos, trazendo doutrina e jurisprudência nesse sentido, e afirmando que os documentos apresentados demonstram que a empresa São Paulo Transporte S/A foi fiscalizada e lançada contra a mesma créditos decorrentes de retenção de 11% sobre os valores faturados pelas empresas prestadoras de serviços, que é exatamente o caso da recorrente. Insurgese contra a alíquota de 8% incidente sobre os valores devidos a título de segurados, conforme consta do relatório fiscal e o anexo DAD, sendo que a recorrente tem segurados com salário inferior a três mínimos, e muitos outros que percebem remuneração superior ao teto do salário de contribuição, não podendo a parcela do segurado ser aferida. Alega que o lançamento não discrimina os valores apurados, nominando os segurados e individualizando o salário de contribuição e que a utilização da taxa SELIC para o cômputo dos juros de mora é ilegal e inconstitucional. Sustenta que os sócios da recorrente não podem ser responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega que tenha deixado de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização por meio dos TIADs citados no Relatório da Infração. Ela apenas tenta demonstrar que deixou de recolher as contribuições lançadas por meio da NFLD por ser possuidora de créditos a compensar. Todavia, tais argumentos não foram trazidos em sede de defesa, o que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, tratase de matéria estranha ao processo sob análise e totalmente impertinentes ao objeto do AI em discussão. Vale observar que é objeto do presente processo administrativo o Auto de Infração aplicado por ter a empresa recorrente descumprido a obrigação acessória de exibir todos documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. Em relação à taxa SELIC, cumpre esclarecer que, sobre a penalidade aplicada por meio do Auto de Infração não incide juros à taxa SELIC. Portanto, tal matéria também é totalmente estranha e impertinente ao AI ora discutido, devendo a recorrente demonstrar seu inconformismo em relação à SELIC nos autos que discutem o lançamento que utilizam referida taxa. Constatase que a fiscalização aplicou a multa em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento. Dessa forma, a multa imposta encontra amparo nos normativos legais citados nos Relatórios que integram o Auto de Infração, vigentes à época. Portanto, verificase que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. A autuada requer, ainda, que seja afastada a responsabilidade dos diretores, sócios e administradores, pelo débito lançado. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.001857/200678 Acórdão n.º 2301003.952 S2C3T1 Fl. 249 5 Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido no AI em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório do AI, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Ademais, cumpre informar que essa matéria também é objeto de súmula do Conselho Pleno do CSRF, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, para aplicar a súmula 88 do CSRF. Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais da empresa, não podendo ser atribuída responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 251DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10850.907500/2011-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 50 0/ 20 11 -8 8 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907500/201188 Resolução nº 3801000.689 S3TE01 Fl. 122 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração julho de 2000, no valor de R$ 24,16.. O pedido foi transmitido através do PER nº 39736.71652.090605.1.2.047210, fls. 2/4, em 09/06/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907500/201188 Resolução nº 3801000.689 S3TE01 Fl. 123 3 Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907500/201188 Resolução nº 3801000.689 S3TE01 Fl. 124 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907500/201188 Resolução nº 3801000.689 S3TE01 Fl. 125 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907500/201188 Resolução nº 3801000.689 S3TE01 Fl. 126 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 11634.001592/2010-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO - APLICÁVEL.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES - CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior
INEXISTÊNCIA DOS MOTIVOS APRESENTADOS PELO FISCO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Quando os motivos eleitos pelo fisco para constituir o crédito tributário inexistem, deve-se invalidar o lançamento por improcedência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições lançadas em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 30/11/2009, inclusive 13º salário de 2012. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) que excluía as mesmas contribuições, porém, por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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LINCOLN GRAÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2009 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços. ENTIDADE ISENTA INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE ISENÇÃO PERANTE O INSS DESCUMPRIMENTO DO ART. 55 DA LEI 8212/91 O descumprimento das exigências legais quanto a condição de entidade isenta, retira o direito a isenção de contribuições previdenciárias patronais. Não se pode alegar direito adquirido ou mesmo imunidade se a empresa não apresentou, perante o INSS (atual SRF) pedido de isenção. As exigências previstas na lei 12.101/2009, produz efeitos a partir de sua publicação, não havendo que se falar em aplicação retroativa de seus dispositivos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO APLICÁVEL. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 15 92 /2 01 0- 27 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior INEXISTÊNCIA DOS MOTIVOS APRESENTADOS PELO FISCO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Quando os motivos eleitos pelo fisco para constituir o crédito tributário inexistem, devese invalidar o lançamento por improcedência. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições lançadas em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 30/11/2009, inclusive 13º salário de 2012. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) que excluía as mesmas contribuições, porém, por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.269.1382, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 11/2005 a 12/2009. Segundo o relatório fiscal, fl. 40 a 43, os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, apesar de declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, foram declarados com código indevido, alterando para menor os valores a serem recolhidos, fato que, em tese, configura crime previsto na Lei 9.983/00, Art. 337AI — Sonegação de contribuição previdenciária, motivo pelo qual será objeto de RFFP Representação Fiscal Para Fins Penais, com comunicação 6 autoridade competente para as providências cabíveis. A entidade declarou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social — GFIP, no campo "Código Pagamento GPS" o número 2305, ou seja, Entidade Beneficente de Assistência Social isenta das contribuições a cargo da entidade previstas no art. 22 da Lei n° 8.212/91. No entanto, no exame da documentação apresentada foi constatado que a entidade não possui o reconhecimento de isenção junto ao Instituto Nacional do Seguro Social, previsto no artigo 55, parágrafo primeiro, da Lei 8.212/91 e posteriormente na Lei 12.101, de 27/11/09, artigo 3°, "caput". Com relação a aplicação da multa, considerando as penalidades previstas no Art. 32 e Art. 35 da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 e as alterações introduzidas pela Medida Provisória n°. 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n°. 11.941, de 27 de Maio de 2009, considerando o que dispõe o inciso II, alínea "c" do art. 106 do CTN foi observado no resultado da presente ação fiscal a aplicação das penalidades mais benéficas ao sujeito passivo, procedeu o auditor a comparação da multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 19/11/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/11/2010. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 123 a 134. A decisão de primeira instância administrativa julgou procedente o lançamento efetuado, conforme fls. 161 a 181. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2009 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 AIOP 37.269.1382 ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA Em relação as entidades beneficentes de assistência social, são isentas da contribuição previdenciária apenas aquelas que atendam cumulativamente aos requisitos do artigo 55 da Lei 8.212, de 1991, tal como regulamentado pelos art. 208 e 209 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. A falta de prova do atendimento a todos os requisitos autoriza o lançamento das contribuições. ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA PELA LEI 12.101, DE 2009. CEBAS Inexistindo nos autos prova de que a entidade era detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social na vigência da Lei 12.101, de 2009, prevalece a exigibilidade das contribuições previdenciárias patronais objeto de lançamento fiscal. MULTA A multa de oficio ou de mora assim como a taxa Selic a titulo de juros de mora devidos pelo recolhimento em atraso da contribuição previdencidria arrecadada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil independem da intenção do sujeito passivo na prática da infração, têm caráter irrelevavel, incidem de forma automática sobre o crédito inadimplido e obedecem aos percentuais previstos na legislação aplicável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 186 a 198, onde a recorrente traz exatamente as mesmas alegações de sua peça impugnatória: 1. Recorre no sentido de que seja reconhecida sua condição de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições previdenciárias, desconsiderandose os autos de infração contra ela lavrados e cancelandose tanto o crédito tributário exigido como os respectivos acréscimos legais da multa e dos juros. 2. No intuito de fundamentar seu pleito, alega que cumpriria as exigências legais quanto à sua finalidade de prestar atendimento médicohospitalar à população, essencialmente de forma gratuita, por vezes substituindo a função estatal. 3. Alega que possuiria declaração de utilidade pública federal e municipal e certificado de organização da sociedade civil, registro da entidade no Conselho Nacional de Assistência Social e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido entre 23/11/2004 e 22/11/2007 e pedido de renovação protocolado no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Também teria apresentado os relatórios de despesas e receitas relativos aos anos de 2003 a 2009. 4. Argumenta que mesmo demonstrando estar efetivamente em dia com suas obrigações estatutárias, com a comunidade a que serve e com o Estado, acabou sendo notificada com o lançamento de autos de infração. 5. Traça as diferenças entre imunidade e isenção, para concluir que o art. 195, parágrafo 7 da Constituição trataria de imunidade e não isenção e alcançaria a contribuição previdenciária patronal devida pelas entidades beneficentes. E para o acesso a isto a entidade deveria preencher as condições exigidas pela Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 4 5 6. Destaca novamente que a entidade, desde o inicio de suas atividades, sempre preencheu todas as exigências dos dispositivos legais que abarcam a matéria, preenchendo os requisitos exigidos por lei para a obtenção do certificado de filantropia (art. 55 da Lei n. 8.212/91), requisito legal para o gozo da imunidade conferida as entidades beneficentes de assistência social pelo art. 70 do art. 195 da Constituição da República. 7. Sempre comprovou, dentre outros requisitos, a aplicação do percentual superior a fixado pela lei da receita bruta em gratuidade, desenvolvendo suas atividades de forma diretamente voltada em beneficio dos hipossuficientes. 8. Descreve jurisprudência acerca da matéria, para que se alinhave como paradigma, contudo não trouxe decisão em que seja a diretamente a demandante e beneficiária das decisões. 9. Requer, ao fim, o cancelamento de todo e qualquer lançamento, tanto dos valores em si, como os acessórios, juros e multa. Argumenta que se não for esse o entendimento, suas atividades estarão fadadas ao fracasso, com o cancelamento do atendimento médico e hospitalar a população do município. Alternativamente, requer que sejam desconsideradas as multas e juros incidentes sobre o crédito apurado, por ter inexistido máfé por parte da impugnante e não ter decorrido prejuízo ao erário público em face do auxilio dispensado pela entidade ao estado ao longo dos anos, mediante prestação de serviços públicos essenciais em saúde pública. A unidade da DRFB encaminhou o processo a este CARF para julgamento. É o Relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 199. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Ressaltese que toda a argumentação em sede de recurso referese a sua alegada condição de entidade imune, sendo indevidas portanto as contribuições patronais e destinadas a terceiros. Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de 1 instância. O recorrente não contestou nenhum dos fatos geradores descritos no AIOP, seja com relação aos valores extraídos de sua FOPAG, Recibos ou registro contábeis, resumindose a alegar o direito de não realizar recolhimentos da contribuição patronal, bem como a destinada a Terceiros, posto tratarse de entidade imune nos termos do art. 195 da CF/88. Uma vez que houve concordância com relação aos fatos geradores descritos, lide não se instaurou quanto ao mérito e, portanto, deve ser mantida a Decisão de primeira instância. O auto de infração de obrigação principal tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado e por consequência sua impugnação expressa. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. QUANTO A IMUNIDADE No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 5 7 a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que a entidade em questão não se enquadrava em nenhum dos casos descritos acima, para enquadrarse como detentora do direito adquirido a isenção. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. No caso em questão, a recorrente não estava beneficiada com o direito à isenção anteriormente à publicação da Lei n ° 8.212/1991. Não possuindo direito adquirido, a recorrente teria que cumprir também o disposto no § 1º do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, qual seja: o requerimento ao INSS. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. Para a empresa em questão, não se aplicou o disposto na Lei n ° 9.249 em virtude de até a publicação dessa Lei a entidade não ter cumprido os requisitos da Lei n ° 8.212/1991. A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 6 9 Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou ter requerido a isenção junto ao INSS, que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida. A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. Assim, não procede o argumento da recorrente de que tal direito não sofre qualquer limitação. É necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 7 11 requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Aliás, esse foi o raciocínio já explicitado pela autoridade julgadora de primeira instância, afastando o direito do recorrente, face o descumprimento dos preceitos legais, vejamos trecho da decisão: Observese que a exigibilidade do crédito em exame perfaz, primeiramente, período abrangido pelo regulamento dado pelo artigo 55 da Lei 8.212, que vai até 29/11/2009, e período regulamentado, a partir de 30/11/2009, pela Lei 12.101, de 2009. Inicialmente, acerca da regulamentação do parágrafo 7° do artigo 195 da Constituição Federal, temse que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que deve se dar por lei ordinária. Portanto, verificamse plenamente válidas as exigências previstas até 29/11/2009 no artigo 55 da lei 8.212, de 1991, e da Lei no 12.101, de 2009, a que devem se submeter as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade. Reproduzo, nesse sentido, a decisão proferida no Recurso Extraordinário 498247: DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão assim ementado (f1. 176): "CONSTITUCIONAL. ART. 195 PAR. 72. TRIBUTÁRIO. LEI 8.212/91. ART. 55, INC. III, PARÁGRAFOS 32, 42 E 52. LEI 9.732/98. ADIn 2.0284DF. LIMINAR. EFEITOS EX NUNC. PREVALÊNCIA DO ART. 14 DO CTN. LIMINAR STF. DATA 14.07.99. PERDA DE OBJETO SUPERVENIENTE DA AÇÃO I. Embora o parágrafo 72 do artigo 195 da CF/88 mencione Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 isenção, o Supremo Tribunal no julgamento da ADIn n°2.0285, de 14.07.1999, reconheceu como verdadeira 'imunidade' o beneficio ali previsto. 2. O comando previsto no parágrafo r, artigo 195 da CF/88 remete à lei o estabelecimento dos requisitos h. sua concessão, lei complementar, como estatuído no artigo 146 da Carta Política, pois a ela cabe regular as limitações constitucionais ao poder de tributar (CF. art. 146, II). 3. Desta forma, os requisitos estabelecidos para fruição da imunidade não são aqueles dispostos no artigo 55 da Lei n 2 8.212, de 1991, mas sim no Código Tributário Nacional, artigo 14, portanto o mesmo possui força de lei complementar. Precedentes desta Turma: AC 2000.04.01.0272744/RS, v.u., j. 10.08.00, DJ 215 E p. 130/131, Rel. Des. Fed. Vilson Dar6s. 4. Face à liminar deferida na ADIn 2.0284 com efeitos ex nunc, houve superveniente perda de objeto desta demanda a partir de 14.07.99. 5. Remessa oficial improvida. Alegase violação aos artigos 146, II e 195, caput, I, "a" e ,.¢ 72, da Carta Magna. O SubprocuradorGeral da Republica, Dr. Paulo de Tarso Braz Lucas, com base em precedente desta Corte (RE 428.815, Rel. Septilveda Pertence, DJ 24.06.05), manifestouse pelo provimento do recurso. Esta Corte, no julgamento do AgRRE 428.815, 1' T, Rel. Sepaveda Pertence, DJ 24.06.05, firmou o seguinte entendimento: "I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, 11 e 195, § 7°: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, A intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADI MC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004; RE 93.770, 17.3.81, Soares Mufioz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito 'aos lindes da imunidade', A demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete A lei ordinária 'as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune'. II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o beneficio constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, ,f 7°, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91." Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 8 13 Ressaltese ainda, o julgamento da ADI ie 2.028MC, Pleno, Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.00, assim ementado, no que interessa: "De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que s6 é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a 'lei' para estabelecer principio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, ,¢ 7°, da Carta Magna, com relação a matéria especifica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade ai prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária." O acórdão recorrido divergiu da orientação desta Corte. Assim, conheço de dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, 5S 1 2A, do CPC) para julgar improcedente a ação. Determino a i nversão dos ônus da sucumbência. Publiquese. Brasilia, 16 de outubro de 2006. Ministro GILMAR MENDES Relator Portanto, quer chame de isenção quer chame de imunidade, não persiste dúvida quanto a plena legalidade de todas as normas do art. 55 da Lei 8.212, de 1991. Por consequência, também são legais as alterações introduzidas pela Lei 12.101, de 2009 Como se vê, a Constituição Federal, ao permitir que as entidades beneficentes de assistência social adquiram imunidade ou isenção das contribuições para a Seguridade Social, vincula a concessão desse beneficio ao atendimento das exigências estabelecidas em lei. Nesse sentido, estáse diante de uma norma constitucional de eficácia limitada, ou seja, aquelas que dependem de complementação pelo legislador infraconstitucional para que se tornem exeqüíveis, posto que foram definidas com abstração incapaz de possibilitar o seu exercício pleno. Denotase, pois, que a imunidade ou isenção de contribuições sociais é subjetiva e decorre do cumprimento de exigências estabelecidas em lei, nos termos do § 7 0 do artigo 195 da Constituição Federal. Por sua vez, a Lei n° 8.212/91, sensível ao comando constitucional, estipulava no seu artigo 55 os requisitos essenciais para obtenção da isenção das contribuições sociais, os quais devem ser atendidos cumulativamente, possibilitando que a norma constitucional possa produzir seus efeitos, relevando destacar os seguintes dispositivos: (...) Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Por seu turno, o Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, disciplinou sobre a concessão/manutenção da isenção, cabendo destacar os seguintes dispositivos: Art.208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: 1decretos declarat6rios de entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; IIRegistro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto n° 4.032, de 26.11.2001) §J° 0 Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de trinta dias contados da data do protocolo. §22 Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito a isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. Dessa forma, a decisão proferida encontramse em perfeita consonância com com a exigência legal, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente quanto ao encontrar se previsto na constituição, tratarseia de imunidade, fato é os limites legais para que se usufrua do benefício, o que não conseguiu o recorrente demonstrar ao descumprir um dos preceitos do art. 55 da lei 8212/91. Contudo, entendo que exista ou ponto que merece ser enfrentado. Os efeitos da aplicação da lei 12.101/2009, ao caso concreto, considerando que quando da lavratura do AI, a referida lei já se encontrava em vigor. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do não recolhimento da parcela patronal de contribuições previdenciárias. A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 9 15 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS”para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para concessão da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Com base no mesmo raciocínio, não entendo que a publicação da lei 12.101/2009, tenha afastado dita exigência em relação a períodos anteriores a sua entrada em vigor. Portanto, até 29/11/2009, era legalmente exigível o pedido de isenção, cabendo à. Secretaria da Receita Federal do Brasil (anteriormente ao INSS) verificar o cumprimento dos requisitos exigidos em lei e o devido enquadramento da entidade para fins de isenção de contribuições previdenciárias, reconhecendo ou não o direito, sujeitandose, ainda, a entidade à verificação periódica da manutenção desses requisitos, da qual poderia resultar em cancelamento do beneficio. Não demonstrou o recorrente ter ingressado com o pedido de isenção, assim, como já mencionado na decisão de primeira instância. Destacou ainda a autoridade julgadora que não há registros nos arquivos da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou do INSS de que a entidade tenha adentrado com pedido de isenção nesses órgãos, como já informara o Auditor Fiscal no relatório fiscal. Assim, por falta de prova do cumprimento de condição indispensável, não há que se falar em isenção ou imunidade até 29/11/2009. Entendo que os efeitos da lei 12.101/2009, e por consequência, as regras ali contidas, não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor, as regras dispostas no art. 55 da lei 8.212, com o texto até então em vigor . Notese que mesmo em grau de recurso não trouxe o recorrente qualquer prova do cumprimento do referido requisito. Já a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos elencados no seu art. 29 abaixo descritos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capitulo II fará jus isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar n 2 123, de 14 de dezembro de 2006. Notese que de acordo com o art. 31 da mesma lei, o direito à isenção poderá ser exercido a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, mas não podemos falar que dita previsão afastaria as exigências legais vigentes até a alteração legislativa. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Assim, não houve por parte do auditor qualquer questionamento em relação ao descumprimento dos demais requisitos, demonstrando no relatório fiscal apenas a ausência Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 10 17 do pedido de isenção perante o INSS.Não se questiona no presente caso o cumprimento dos requisitos elencados nos incisos de I a VIII acima reproduzidos, posto que não foi o descumprimento dessas condições que motivou a exigibilidade das contribuições, mas a ausência do reconhecimento da isenção junto ao INSS. Vejamos trecho do relatório fiscal: Os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, apesar de declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, foram declarados com código indevido, alterando para menor os valores a serem recolhidos, fato que, em tese, configura crime previsto na Lei 9.983/00, Art. 337AI — Sonegação de contribuição previdenciária, motivo pelo qual será objeto de RFFP Representação Fiscal Para Fins Penais, com comunicação 6 autoridade competente para as providências cabíveis. 2.1. A entidade declarou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social — GFIP, no campo "Código Pagamento GPS" o número 2305, ou seja, Entidade Beneficente de Assistência Social isenta das contribuições a cargo da entidade previstas no art. 22 da Lei n° 8.212/91. No entanto, no exame da documentação apresentada foi constatado que a entidade não possui o reconhecimento de isenção junto ao Instituto Nacional do Seguro Social, previsto no artigo 55, parágrafo primeiro, da Lei 8.212/91 e posteriormente na Lei 12.101, de 27/11/09, artigo 3°, "caput". Todavia, identificamos no lançamento em questão competência posteriores a publicação da lei 12.101, quais sejam 11/2009, 12/2009 e 13 salário de 2009. Em relação a esses períodos entendo aplicável a regra de isenção prevista na nova lei, conforme descrito acima. Todavia, a nova lei não prevê a exigência de requerimento de isenção devendo a empresa comprovar o cumprimento dos demais requisitos. Nesse ponto, entendo que em relação as referidas competências deveria o auditor demonstrar, qual dos requisitos restaram descumpridos, o que não consegui vislumbrar no lançamento em questão, tendo o auditor resumidos a dizer que a empresa não requereu a isenção. Isto posto entendo que em relação a esses fatos o auto de infração contém um v Dessa forma, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 30/11/2009, entendo que o auto de infração não preenche os requisitos para tornar válido o lançamento pela ausência da indicação do cumprimento dos requisitos legais para enquadrase como isenta. Por fim, entendo que o fato da autoridade julgadora ter apreciado a questão da isenção após a lei 12.101, não atribui procedência ao lançamento, posto que dito fato deveria ter sido realizado pela autoridade fiscal. Vejamos trecho da referida decisão: Assim, o que se deve analisar, a partir de 30/11/2009, é a apresentação ou não do CEAS. Neste ponto, o impugnante alega que requereu a prorrogação do Certificado junto ao Ministério competente. Para comprovar tal assertiva, junta aos autos (fls. 155/155) uma relação denominada Registro de Recebimento de Documentação Referente a Certificação de Entidades Beneficentes, extraído da Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 página do Ministério da Saúde na rede mundial de computadores. Consta ali, efetivamente, o nome da entidade. Todavia, essa relação comprova apenas que o Ministério de sua área de atuação registrou o seu pedido de renovação do CEAS. Não comprova elemento essencial que é a efetiva renovação do seu certificado e o respectivo prazo de validade, de modo que não se sabe se a partir de 30/11/2009 havia algum prazo de isenção vigindo. Desta forma, pelo lado da legislação superveniente também não ficou comprovado nenhum direito a isenção e embora pudesse estar em dia com suas obrigações estatutárias e mesmo com a comunidade a que serve, não demonstrou a impugnante possuir o direito objetivo de isentarse das contribuições previdenciárias no período arrolado nos autos. Assim, não há que se atender ao seu pedido para que seja reconhecida sua condição de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições previdencidrias. Por consequência, não se admite também o pedido para que sejam desconsiderados os autos de infração contra ela lavrados e o cancelamento tanto o crédito tributário exigido como os respectivos acréscimos legais da multa e dos juros. Quanto a existência de jurisprudência que alberga os argumentos trazidos pelo recorrente, entendo que razão não assiste ao recorrente. A existência de decisões que entende o recorrente lhe beneficiariam não podem ser aplicadas, considerando que a autoridade fiscal, ao contrário do poder judiciário, deve aterse tanto na fase de constituição do crédito, como na de julgamento, aos estritos ditames legais. Assim, salvo, se existisse decisão favorável específica em nome do recorrente, não há como afastar a exigência descrita nos autos de infração. Quanto a multa aplicada, entendo que obedeceu o auditor os limites legais, não havendo qualquer irregularidade no procedimento adotado. Conforme descrito pelo auditor fiscal em seu relatório: “Com relação a aplicação da multa, considerando as penalidades previstas no Art. 32 e Art. 35 da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 e as alterações introduzidas pela Medida Provisória n°. 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n°. 11.941, de 27 de Maio de 2009, considerando o que dispõe o inciso II, alínea "c" do art. 106 do CTN foi observado no resultado da presente ação fiscal a aplicação das penalidades mais benéficas ao sujeito passivo, procedeu o auditor a comparação da multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente.” Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas, assim como bem fez a autoridade fiscal. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, com relação a multa imposta, entendo que o lançamento seguiu os ditames previstos. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 11 19 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima descritos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir por vício formal as contribuições lançadas em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 30/11/2009, inclusive 13 salário de 2009. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Do voto da Ilustre Relatora depreendese que foi excluída a multa relativa aos fatos geradores ocorridos a partir de 30/11/2009, data da publicação da Lei n.º 12.101/2009, que revogou o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Entendeu a Turma de Julgamento que, a partir desse marco, a exigência de pedido de isenção à Administração Tributária, previsto no § 1.º do revogado art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, deixou de existir, caindo assim o requisito em que se fundamentou o lançamento. Não concordo, data vênia, com a Relatora quanto à natureza da invalidade parcial do lançamento, que levou à exclusão dos fatos geradores ocorridos a partir de 30/11/2009. Inicialmente, peço licença para tratar apressadamente dos elementos que constituem o procedimento de lançamento, para depois discorrer sobre as consequências jurídicas advindas de vícios em cada um dessas partes que compõem o ato procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume. Compõem o ato de lançamento: a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do ato de lançamento, integrando sua própria estrutura. A sua normatividade situase no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a identificação do sujeito passivo são considerados requisitos do lançamento. b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a formação do ato, a exemplo de cientificação do início do procedimento fiscal, intimação para apresentação de documentos, cumprimento de normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do crédito, equívoco na citação dos fundamentos legais, etc. c) Condições: são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo. Tenho entendido que os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento acarretam em declaração de vício formal do mesmo ou no seu saneamento, caso possível. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais, posto que a falha localizase em elemento exterior ao lançamento. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11634.001592/201027 Acórdão n.º 2401002.670 S2C4T1 Fl. 12 21 Ao contrário, quando a mácula situase nos requisitos do lançamento, devese fulminálo por vício material, quando a autoridade julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato gerador, todavia, houve falha na sua descrição, no cálculo do tributo ou na identificação do sujeito passivo. Ainda sobre os requisitos do lançamento, para as situações em que as provas colacionadas e a motivação do fisco não trazem o convencimento da ocorrência do fato gerador, posto que o mesmo não resta suficientemente demonstrado pela Autoridade Fiscal, há de se declarar a improcedência do lançamento. Votemos ao caso concreto. No meu sentir, a inexistência dos motivos que levaram o fisco a considerar não declaradas as contribuições patronais é causa a afetar diretamente requisito do lançamento, qual seja a existência da imunidade/isenção. Assim, tomando como referência os aspectos teóricos acima apresentados, posicionome pela invalidade parcial do lançamento da mesma forma que a Relatora, todavia, não por vício formal, mas por improcedência parcial das contribuições lançadas. Conclusão Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir por improcedência as contribuições lançadas em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 30/11/2009, inclusive 13.º salário de 2009. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/07/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10930.904409/2012-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904409/201200 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.759 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 09 /2 01 2- 00 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904409/201200 Acórdão n.º 3803004.759 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904409/201200 Acórdão n.º 3803004.759 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904409/201200 Acórdão n.º 3803004.759 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900495/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 95 /2 01 2- 14 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 08/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900495/201214 Acórdão n.º 3803006.194 S3TE03 Fl. 79 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13362.720686/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE.
Comprovada a alienação de parte da área do imóvel, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR incide apenas sobre a parte remanescente.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Comprovada a alienação de parte da área do imóvel, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide apenas sobre a parte remanescente. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 72 06 86 /2 00 9- 38 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 38/45), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 05/08, lavrado em 21 de dezembro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do ITR, verificada no exercício de 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Cabe reduzir a área total inicialmente declarada, em razão de alienações parciais, as quais foram comprovadas com documentação hábil, nos moldes da legislação pertinente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 38). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 21/12/2009, que intimou o contribuinte a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício de 2007, referente ao imóvel denominado “Fazenda Santa Teresa”, com área declarada de 63.420,0 ha., localizado no município de Bom Jesus PI. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte, para alterar a área total do imóvel de 63.420,0 ha. para 50.320,0 ha., em face da comprovação da venda de 13.100,0 ha. por meio da documentação acostada aos autos, reduzindose, assim, o imposto suplementar apurado pela fiscalização de R$ 1.324.978,00 para R$ 630.512,80, acrescido de juros de mora e multa de 75%. Inferese das certidões de inteiro teor dos imóveis rurais de que ora se trata (fls. 21/25) que houve sucessivas alienações em ambos os imóveis até que se chegasse à área atual de cada um deles, num total de 13.100,0 ha. (10.600,0 ha. da Fazenda Lagoa dos Patos e 2.500,0 ha. da Fazenda Santa Teresa II). Ressaltese que o contribuinte não juntou aos autos a certidão do imóvel Fazenda Santa Teresa, cuja área corresponde a 48.220,0 ha., o que impede a análise das alienações registradas na referida matrícula. Assim, a fundamentação do acórdão recorrido quanto à alteração da área total do imóvel deve ser mantida in totum: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720686/200938 Acórdão n.º 2101002.503 S2C1T1 Fl. 60 3 “Pois bem, da análise dos documentos apresentados pela contribuinte, é possível afirmar que, em 01/01/2005, 13.100,0 ha das áreas das Fazendas Santa Teresa II e Fazenda Lagoa dos Patos não pertenciam mais à contribuinte (5.000,00 ha + 2.000,00 ha + 600,0 ha + 1.000,00 ha + 1.000,00 ha + 1.000,00 ha + 2.500,0 ha), sendo somente essas as alienações devidamente comprovadas nos autos, por meio de documentação hábil (Matrícula dos Imóveis), fls. 18 a 20. Portanto, para o exercício 2007, a área total do imóvel deve ser 50.320,0 ha (63.420,0 ha 13.100,0 ha) e não 33.683,9 ha, conforme alegado pela contribuinte em sua impugnação. Importante reiterar que a diferença entre a área solicitada pela contribuinte em sua impugnação e a área apurada neste Acórdão é decorrente de não terem sido acatadas as alienações referentes à Fazenda Santa Teresa (48.220 ha), cuja área não foi readquirida com o nome de Fazenda Santa Teresa II (31.583,9 ha.), pois a contribuinte não juntou aos autos documentação comprobatória (Matrícula da área de 48.220,0 ha) como fez para as demais áreas.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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