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Numero do processo: 11634.000097/2009-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 16/04/2004 a 31/12/2007
NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ.
A boa-fé se prova mediante a veracidade da compra e venda, demonstrável mediante simples prova de pagamento efetivo das mercadorias e de seu recebimento, circunstâncias não presentes nos autos, que denotam esquema fraudulento por parte da Recorrente, inclusive apenado com multa majorada.
INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CREDITO.
Geram direito ao crédito do IPI quaisquer bens/produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato físico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA 02 DO CARF.
A alegação de caráter confiscatório da multa tem natureza constitucional, não podendo ser conhecida ante a Súmula 02 do CARF.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A aplicação da taxa SELIC como juros moratórios tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentou pela recorrente o Dr. Edson Garcia Pereira, OAB/PR 74.729.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 16/04/2004 a 31/12/2007 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ. A boa-fé se prova mediante a veracidade da compra e venda, demonstrável mediante simples prova de pagamento efetivo das mercadorias e de seu recebimento, circunstâncias não presentes nos autos, que denotam esquema fraudulento por parte da Recorrente, inclusive apenado com multa majorada. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CREDITO. Geram direito ao crédito do IPI quaisquer bens/produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato físico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA 02 DO CARF. A alegação de caráter confiscatório da multa tem natureza constitucional, não podendo ser conhecida ante a Súmula 02 do CARF. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A aplicação da taxa SELIC como juros moratórios tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 16/04/2004 a 31/12/2007 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. ALEGAÇÃO DE BOAFÉ. A boafé se prova mediante a veracidade da compra e venda, demonstrável mediante simples prova de pagamento efetivo das mercadorias e de seu recebimento, circunstâncias não presentes nos autos, que denotam esquema fraudulento por parte da Recorrente, inclusive apenado com multa majorada. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CREDITO. Geram direito ao crédito do IPI quaisquer bens/produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato físico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA 02 DO CARF. A alegação de caráter confiscatório da multa tem natureza constitucional, não podendo ser conhecida ante a Súmula 02 do CARF. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A aplicação da taxa SELIC como juros moratórios tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 97 /2 00 9- 67 Fl. 3745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentou pela recorrente o Dr. Edson Garcia Pereira, OAB/PR 74.729. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada por Auto de Infração, totalizando o crédito tributário de R$ 5.262.392,71. Segundo a descrição dos fatos constante do Termo de Verificação, tratase de falta de recolhimento do IPI em virtude da contribuinte ter se utilizado em sua escrituração fiscal, nos anos de 2004 a 2007, os seguintes créditos indevidos de IPI: Aproveitamento de créditos indevidos baseados em documentos fiscais inidôneos (“notas frias”): a) Em razão dos fatos expostos pela fiscalização, concluiuse de forma inequívoca que as empresas Construmotta Construções Civil Ltda., CNPJ 06.140.046/000192, e Pedro do Carmo Madeira, CNPJ 07.839.099/000169, são inidôneas, nunca tendo existência real e, por consequência, os documentos fiscais por elas emitidos não têm validade para efeitos tributários; b) Intimada a apresentar elementos que pudessem comprovar as aquisições, a fiscalizada apresentou as seguintes alegações: solicitou 30 dias para finalizar os ajustes no livro registro de controle de produção e do estoque e registro de inventário; os pagamentos foram feitos em espécie; os únicos documentos que comprovam o recebimento das mercadorias são as notas fiscais; o transporte foi feito pelas empresas emitentes das notas fiscais; c) Não tendo a empresa fiscalizada conseguido comprovar a aquisição, recebimento e pagamento dos insumos, elementos imprescindíveis para considerar os documentos fiscais relativos àquelas aquisições como hábeis para aproveitamento de crédito do IPI, foram glosados os créditos indevidos; Aquisição de bens para o ativo imobilizado: a) A contribuinte efetuou escrituração referente às aquisições de bens para o ativo imobilizado, conforme nota fiscal nº 3938, valor do IPI R$ 2.782,50, e nota fiscal n° 3939, valor do IPI de R$ 8.382,50; Fl. 3746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11634.000097/200967 Acórdão n.º 3403003.630 S3C4T3 Fl. 12 3 b) Devido a escrituração estar em desacordo com a legislação do IPI, que permite o crédito somente nas aquisições de insumos a serem utilizados no processo produtivo, as referidas aquisições não são passíveis de aproveitamento. Diante das glosas dos créditos de IPI indevidos, efetuouse a reconstituição da apuração do IPI, na qual foram apurados os saldos devedores constantes dos demonstrativos. Como os procedimentos perpetrados pela fiscalizada configuraram impedimento da fiscalização de apurar o crédito tributário correspondente, conforme preconizam os artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, aplicouse a multa qualificada de 150% e a comunicação dos fatos narrados ao Ministério Público Federal. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou Impugnação, instruída com vários documentos, aduzindo, em síntese, as seguintes razões de defesa: Já é cediço na jurisprudência de que a boafé, deverá ser levada em conta pela administração, uma vez que faltou ser comprovado o consílíum fraudís; A idoneidade ou inidoneidade dos fornecedores não pode, simplesmente, redundar em consequentes glosas de créditos na escrita fiscal dos adquirentes dos bens, se estes ignoram tal situação, mesmo porque se não houve publicação formal do respectivo ato, como saber se um estabelecimento está irregular; Conforme julgados, a responsabilidade do comprador pelo tributo que a outra parte não pagou só pode ocorrer se ficar demonstrada a existência de conluio ou má fé, o que não ficou comprovado, diante da completa ausência de provas; O auditor repassou à impugnante a sua responsabilidade de fiscalização, situação que não é inadmissível e que não encontra guarida na nossa legislação; Provado que a operação foi efetivamente realizada, sendo observada toda a legislação tributária e comercial, não há nenhuma razão plausível para que se possa impedir o direito ao crédito da impugnante; O auditor deixou de verificar os requisitos legais para considerar as notas fiscais sem valor, pois as notas fiscais consideradas “frias” preenchem os requisitos dispostos nos artigos 339 e 353 do RIPI/02. Ademais, brigas de sócios, empresa não estabelecida na data de hoje, desencontros de informações acerca de sua localização, meios de transporte e demais irregularidades apontadas, não podem resistir ao comando inserto do RIPI/O2; As operações existiram em sua plenitude, com pagamentos efetuados através do seu caixa, todos os valores coincidentes em data e valor, e que nem de longe foram objeto de análise do auditor, que se limitou em dar opiniões fora da legislação; Pela análise no sitio da Receita Federal do Brasil, no SERASA, na Junta Comercial do Estado do Paraná e na inscrição Municipal, verificase nada constar em desfavor das empresas consideradas inidôneas, comprovando sua existência e plena atividade comercial; Uma vez não analisado o saldo anterior de IPI acumulado até dezembro de 2003, deve o mesmo ser restabelecido, até porque foge completamente ao termo de início da fiscalização, estando decaído o direito da fazenda em glosar tal crédito; Fl. 3747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 O auditor, se tivesse estudado a contabilidade da impugnante, certamente chegaria a resultado diverso, assim, deixando de lado o comando legal, é o presente auto de infração constituído em desacordo com a legislação, e portanto nulo; Quanto às aquisições que compõem o ativo fixo da empresa, deverá ser concedido à impugnante o direito ao creditamento em atenção ao princípio da não cumulatividade; A forma de pagamento e o efetivo desembolso do numerário, comprova de maneira a licitude do negócio jurídico realizado entre a impugnante e as empresas consideradas inidôneas, mutatís mutandís nada obsta que valores não pudessem ser pagos em dinheiro; Faltou ao auditor analisar detidamente a contabilidade, pois o apoio fiscal para a autuação se resumiu na análise de apenas cinco folhas da conta caixa. Neste ponto, o auto de infração deve ser anulado ab ínítío, pois faltou ao auditor provar em sua atuação o consílíum fraudís, para assim tentar fazer valer a autuação; Outro fato que merece atenção, conforme determina o art. 23 do Decreto 70.235/72, é nula a intimação via postal: uma vez que foi cientificado o proprietário desde o primeiro procedimento de ofício, nula se faz a entrega do auto de infração através de pessoa não habilitada para tanto. A intimação por carta, como feita no caso em comento somente pode ser feita quando a parte recusar a receber a intimação; A multa que excede a 150% vezes o suposto e fictício imposto apurado, tem caráter confiscatório por ser extremamente elevada e desarrazoada, conforme julgados do STF; A taxa Selic como aplicada é ilegal e inconstitucional, conforme apontado pelo Magistrado Domingos Franciulli Netto, Ministro do Superior Tribunal de Justiça; Como prova cabal do pagamento das mercadorias apresenta a razão referente a conta caixa. Como capacidade econômica financeira de honrar os pagamentos das notas de compras, apresenta Relatório Sintético das Contas: Duplicatas a Receber, Duplicatas Descontadas e Empréstimos e Financiamentos; Por fim, requer a concessão de prazo para a juntada de documentos novos pela impossibilidade de fazêlo no ato da impugnação, e ainda, protesta provar o alegado por todos os meios de prova. No que tange às preliminares de nulidade, a DRJ recusa o pedido da contribuinte de produção de provas, pois todas as provas possíveis devem ser suscitadas na impugnação, segundo o princípio da concentração das provas na contestação. Quanto ao pedido de nulidade da entrega de intimação do auto de infração, conforme disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, a intimação será encaminhada para o endereço eleito pelo sujeito passivo como seu domicilio; portanto, é devidamente válida a citação, uma vez que foi feita no endereço informado. Além do mais, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes, não é necessário que a notificação seja feita pessoalmente, bastando que seja recebido no seu domicilio, independente de quem a tenha recebido. No que tange ao mérito, a autuação nasceu da constatação de que o sujeito passivo se creditou do IPI destacado em notas fiscais derivadas de falsidade, ou seja, inidôneas, Fl. 3748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11634.000097/200967 Acórdão n.º 3403003.630 S3C4T3 Fl. 13 5 provenientes dos fornecedores Construmotta Construções Civil Ltda., e Pedro do Carmo – Madeira. Conforme previsto nos artigos 164 e 190 do Decreto nº 4.544/2002, os estabelecimentos industriais ou equiparados têm o direito de creditarse dos insumos utilizados nos produtos tributados que produzirem, sendo reconhecido os créditos no momento em que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem ingressarem fisicamente na empresa, e devendo ser a escrituração dos créditos legitima, ou seja, decorrente de operação real. Quanto ao caso em questão, após minuciosa apuração elaborada no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fica nítida que as empresas Construmotta Construções Civil Ltda. e Pedro do Carmo – Madeira não tinham existência real, e que os fatos relatados sobre as empresas são inequívocos. As regularidades formais dos supostos fornecedores não garantem que os insumos tenham sido por ele vendidos à impugnante. A contribuinte alega que as empresas vendedoras estão em plena atividade, conforme consta nas consultas no sítio da Receita Federal do Brasil, no Serasa, na Junta Comercial do Estado do Paraná e na inscrição Municipal, com intuito de provar a existência plena da atividade comercial, porém se resta infrutífera; a fiscalização não contesta a existência formal da empresa e sim a sua existência de fato. Alega ainda sua boafé, considerandose parte ilegítima para responder pelo imposto devido de terceiros, porém, para os que utilizaram documentação inidônea foi prevista na Portaria MF nº 187/93 no art. 4º, que os contribuintes que emitirem documentação por empresas inexistentes devem comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens; no caso em questão a contribuinte não foi capaz de provar. A impugnante argumenta, em relação aos pagamentos, que estes foram realizados em dinheiro registrados em sua contabilidade, porém a DRJ frisa que a mesma não apresentou nenhuma prova sustentando sua informação, ou algum documento escriturado, muito menos sobre o efetivo pagamento das mercadorias. O mesmo ocorre quanto ao internato das mercadorias, já que nenhum documento foi apresentado. Portanto, os elementos constantes nos autos são suficientes para demonstrar, no raciocínio da DRJ, a inexistência de fato das empresas e a inidoneidade de seus documentos fiscais, e diante da falta de comprovação do efetivo pagamento e recebimento dos bens, concluise que a constituição do crédito tributário fundamentouse em provas suficientes de que as operações foram fictícias. Por fim, esclarece que as compras para o ativo imobilizado (parte integrante do ativo permanente), mesmo que sujeitas ao imposto, não dão direito ao crédito do IPI, por expressa disposição legal. No que tange a multa de ofício, diante do fato da autuada se valer de notas fiscais inidôneas que não correspondem a transações comerciais reais, é nítida sua intenção de criar uma aparência de realidade agindo dolosamente no sentido de retardar ou impedir o conhecimento por parte da autoridade administrativa; diante disso, resta correta a imposição da multa de oficio qualificada por intuito de fraude. Fl. 3749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Quanto a alegação sobre a natureza confiscatória da multa aplicada, cabe distinguir entre o tributo exigido e a aplicação de penalidade por pratica de infração. Quanto a alegação de inconstitucionalidade na aplicação da multa, a DRJ ressalta que não é de competência da autoridade administrativa discutir questões exclusivas ao Poder Judiciário. No que tange à taxa Selic, esclarece que não há inconstitucionalidade na aplicação da mesma como juros moratórios; não existe nada de errado na Lei nº 9.065 de 21 de junho de 1995, que elege a taxa Selic para ser aplicada no cálculo dos juros de mora em relação às dívidas tributárias não pagas no vencimento. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que reitera o conteúdo de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A Recorrente aborda em preliminar o seguinte: i) Observância do artigo 37 da Lei n 9.784/1999 requereu a juntada das declarações de imposto renda dos supostos compradores, alegando que a DRJ olvidou o seu pedido; ii) Devem ser admitidas provas juntadas posteriormente ao julgado da DRJ; iii e iv) existência de fato e de direito das empresas e do ingresso e utilização das mercadorias; v) publicação dos atos administrativos; vi) Falta de observância dos artigos 26, 27 e 28 da Lei n 9.784/1999. Pois bem. Muitas das matérias arguidas em preliminar se confundem com o mérito. O processo administrativo tributário é regulado pelo Decreto n 70.235/1972, ao passo que o processo administrativo no âmbito da Administração Federal é regulado pela Lei n 9.784/1999, o que significa dizer que o Decreto n 70.235/1972 é mais específico que a Lei n 9.784/1999 e como tal deve ser interpretado. Fl. 3750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11634.000097/200967 Acórdão n.º 3403003.630 S3C4T3 Fl. 14 7 Ora, a Recorrente alega inobservância do artigo 37 da Lei n 9.784/1999, em preliminar, pleiteando inclusive a nulidade do julgado, requerendo a juntada das declarações de Imposto de Rendas das supostas vendedoras, como se referido processo envolvendo somente a Recorrente fosse possível juridicamente a juntada de documento sigiloso de terceira empresa que, ademais, no presente caso seria completamente desnecessário. Inapropriado, para dizer o mínimo, e destituído de seriedade, o requerimento da Recorrente, que não se compatibiliza com o Decreto n 70.235/1972, sendo despiciendo, e impossível juridicamente de ser cumprido, vez que tal documento se refere ao cadastro formal de outra pessoa jurídica. Por outro lado, quanto às provas juntadas posteriormente, a Recorrente não justifica o porquê devem ser admitidas, pois, nesse caso, aplicase o parágrafo 4 , do artigo 16 do Decreto n 70.235/1972: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A Recorrente não demonstrou motivo de força maior nem fato ou direito superveniente e sequer se as provas acostadas em seu Recuso Voluntário se destinam a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, motivo pelo qual os documentos por ela acostados não podem ser conhecidos. Os itens III e IV da preliminar da Recorrente se confundem com o mérito e com ele serão analisados, sendo que no item V a Recorrente trata da publicidade dos atos administrativos, mais especificamente acerca da declaração de inidoneidade, defendendo que as compradores estavam em situação regular perante o Fisco. Mais uma vez, ainda que o tema seja arguido em preliminar, ele se confunde com o mérito e deve ser com ele analisado. Por fim, a Recorrente, mais uma vez, olvidando o Decreto n 70.235/1972, alega que houve inobservância dos artigos 26 a 28 da Lei n 9.784/1999, pois, segundo seu raciocínio, a Autoridade Julgadora deveria ter deferido o seu pedido para a realização de diligência. Fl. 3751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 Ora, a realização da diligência não é prerrogativa da Recorrente, devendo ser decidido pela Autoridade Julgadora ante as circunstâncias do processo, e o fato é que no presente caso nada autoriza a realização de tal prova, pois a evidência de que a operação de compra e venda de insumos realmente ocorreu se dá documentalmente, mediante a apresentação de provas singelas, sendo desnecessária a realização de diligência, contrariando inclusive o princípio da celeridade processual e da eficiência. Quanto ao mérito, compulsandose os autos, conforme constou no Relatório, verificase que o Auto de Infração referese ao IPI exigido em decorrência da glosa de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados, que foram tomados em operações fictícias de compra e venda. Ou seja, ainda que a empresa existisse formalmente, estando com seus cadastros em dia, a Fiscalização demonstrou, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2219 e seguintes (Volume 12), que a operação não teria ocorrido, não correspondendo a uma compra e venda efetivamente realizada. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal, devidamente fundamentado, descreve a ausência de estrutura das empresas vendedoras, o seu desconhecimento por parte de seus próprios sócios, e, dentre outros robustos elementos, a ausência de transporte por parte da vendedora, que não possui frota própria para entregar a mercadoria vendida para a Recorrente, não tendo nenhuma prova a esse respeito. Nesse aspecto, não posso deixar de ressaltar que a Recorrente foi devidamente intimada a fazer prova da realidade da operação, tendo afirmado que adquiriu os produtos mediante pagamento em pecúnia, sem demonstrar contabilmente e em sua escrituração a ocorrência da operação. A Recorrente alega boafé, que não pode fazer as vezes da Fiscalização, assim como que as empresas vendedoras estavam em situação regular perante o Fisco, daí sua alegação de publicidade dos atos administrativos, porém quando foi intimada a demonstrar a veracidade da operação apresentou somente aspectos formais que não fazem, de nenhuma maneira, prova da ocorrência da compra e venda. O parágrafo único, do artigo 82 da Lei n 9.430/1996, dispõe que o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido considerada inapta gerará efeitos contra terceiros quando o adquirente demonstrar o efetivo pagamento do preço e o recebimento dos bens, in verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Fl. 3752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11634.000097/200967 Acórdão n.º 3403003.630 S3C4T3 Fl. 15 9 Em verdade, o parágrafo único, do artigo 82 da Lei n 9.430/1996 constitui condição básica de prova de boafé, sendo, pois, primordial que o adquirente demonstre que: (i) pagou efetivamente pelas mercadorias supostamente adquiridas; (ii) que as recebeu em seu estabelecimento. A Súmula 509, de 26 de março de 2014, do Superior Tribunal de Justiça, é emblemática dessa discussão, que se notabilizou envolvendo o ICMS, sendo que após reiterados julgamentos, o STJ decidiu que a boafé se comprova mediante a veracidade da compra e venda: É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. E a veracidade da compra e venda se demonstra por meio de prova efetiva do pagamento, e.g., transferência bancária, microfilmagem de cheque, depósito bancário e etc., e, cumulativamente, a prova efetiva do recebimento das mercadorias. Ao contrário do defendido pela Recorrente, tais provas são simples, até comezinhas, e são demonstráveis documentalmente, por meio de poucos documentos que espelhem a realidade da compra e venda, não se aceitando, de nenhuma forma, a alegação vazia de que o pagamento ocorreu em espécie. Assim, sem tais evidências básicas da operação, não há que se falar em boa fé da Recorrente e muito menos em manutenção dos créditos, pois a conclusão a que se chega é a de que as operações são realmente fictícias, ainda que as empresas vendedoras estejam em situação formal regular perante o Fisco. Aliás, a situação formal regular é o único ponto em que se apóia a Recorrente, que olvida não apenas o abuso da personalidade jurídica das pessoas jurídicas vendedoras, como a própria necessidade do cumprimento da função social do contrato, conforme dispositivos abaixo transcritos, como o fato de que as operações de compra e venda serem simplesmente não existentes, o que constitui inegavelmente fraude: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Fl. 3753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 A respeito da função social do contrato, pertine observar que a compra e venda deve corresponder a uma operação verdadeira, e não a um artifício documental realizado para a incrementar créditos fiscais de tributos nãocumulativos, de maneira que o contribuinte possa de forma ilegal reduzir o seu imposto devido ao final do período de apuração. Ou seja, não basta que a Recorrente demonstre que as empresas vendedoras existam formalmente e, em verdade, sequer materialmente a Fiscalização demonstrou que as empresas vendedoras não existiam de fato , mas sim que as operações realmente são verídicas, caso contrário estarseá lidando com um esquema de fraude adotado para reduzir o montante de Imposto a pagar. Dessa forma, irretocável a Decisão de primeira instância, inclusive no que se refere à manutenção da penalidade agravada, pois a escrituração reiterada de créditos indevidos, decorrentes de operações que não existiram, se enquadra perfeitamente no conceito de fraude, previsto no artigo 72 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Relativamente ao crédito do ativo imobilizado, tomado pela Recorrente, melhor sorte não lhe assiste, pois o artigo 164 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n 4.544, de 26 de dezembro de 2002, a Recorrente não faz jus a tal modalidade de crédito: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (grifos meus) Por fim, quanto às alegações relativas ao caráter confiscatório da multa e a ilegalidade/inconstitucionalidade da taxa SELIC, aplicamse as Súmulas n 02 e 04 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo transcritas, que impossibilitam a análise de alegação de inconstitucionalidade e que assentou o entendimento quanto a aplicação da SELIC: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11634.000097/200967 Acórdão n.º 3403003.630 S3C4T3 Fl. 16 11 Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. De tal forma, que não há como conhecer de tais alegações ante as Súmulas mencionadas. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada e quanto a aplicação da taxa SELIC, e na parte conhecida lhe nego provimento. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 3755DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10860.002534/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.197
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10860.002534/200355 Resolução n.º 330200.197 S3C3T2 Fl. 227 2 Relatório Tratase de Pedidos de Compensação de fls. 01/04, com fundamento em anterior Pedido de Ressarcimento consubstanciado no processo n° 13881.000089/200177. Ao tempo da data de 30/09/02, os pedidos de compensação formulados, por até então não terem sido apreciados pela autoridade administrativa, foram considerados Declaração de Compensação, conforme determinado pela inclusão do parágrafo 4º ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/02. Em 23/05/05, com fundamento no despacho decisório de fl. 10 que deferiu apenas parcialmente o Pedido de Ressarcimento realizado no bojo do processo n° 13881.000089/200177, o Delegado da Receita Federal em Taubaté determinou a emissão, à Recorrente, de carta de cobrança (fl. 17) do débito em voga. Concluise que em vista de não ter sido deferida a totalidade do crédito pleiteado, deveria ser mantida a exigência do débito então compensado. Irresignada com a exigência supramencionada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade às fls. 20/23, requerendo, em síntese, o cancelamento da carta de cobrança e o sobrestamento do presente processo até final decisão a ser proferida nos autos do Pedido de Ressarcimento, visto que este ainda estava pendente de julgamento. Alternativamente a Recorrente pleiteou a homologação das compensações efetuadas. Por não constar despacho decisório para o processo em comento, sendo certo que o D. Delegado limitouse a determinar a expedição de carta de cobrança, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto expediu a Resolução DRJ/RPO nº 519 de 20/02/2006 por meio da qual remeteu o processo à delegacia de origem (fls. 109/111), a fim de que fosse proferido o competente Despacho Decisório. Em 03/03/06, a autoridade da DRF de Taubaté proferiu o Despacho Decisório de fl. 112, concluindo pela não homologação das compensações de fls. 1/4 e consequente cobrança do débito. Devidamente intimada a Recorrente apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 114/122) aduzindo, em suma (i) a legitimidade dos créditos pleiteados no processo n° 13881.000089/200177; (ii) a necessidade de sobrestamento do feito até final decisão a ser proferida nos autos do Pedido de Ressarcimento, uma vez que é neste processo que se julga a procedência dos créditos; (iii) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento final daquele processo, sob pena de cobrança indevida; ou, se mantida a análise da defesa (iv) a integral homologação das compensações declaradas; (v) ou, quando menos, o cancelamento da cobrança de juros com base na taxa Selic. Após analisar as razões apresentadas pela Recorrente a 2ª Turma da DRJ/RPO proferiu o acórdão nº 1413.372, por meio do qual indeferiu a solicitação da Recorrente e, por via reflexa, não homologou a compensação requerida, sob o argumento de que o acórdão nº 8.738 de 03/08/2005, proferido no julgamento da manifestação de inconformidade interposta no processo n° 13881.000089/200177, manteve o indeferimento do Pedido de Ressarcimento. Dessa forma, portanto, estaria correta a não homologação das compensações declaradas, pois não pode ser objeto de compensação o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da SRF. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10860.002534/200355 Resolução n.º 330200.197 S3C3T2 Fl. 228 3 Ademais, os julgadores entenderam que (i) não há previsão legal para o sobrestamento do processo; (ii) que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário se efetivará quando da interposição do competente recurso ao Conselho de Contribuintes, e; (iii) que as Delegacias de Julgamento não tem competência para julgar a legalidade da aplicação da taxa Selic na cobrança de débitos declarados. Intimada do acórdão a Recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário a este Egrégio Tribunal Administrativo, articulando, novamente, as razões antes expostas na manifestação de inconformidade e requerendo seja este processo sobrestado até decisão final a ser proferida no Pedido de Ressarcimento ou, subsidiariamente, que seja reconhecido seu direito à compensação efetuada, com a devida homologação do procedimento adotado. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Conforme se verifica do extrato obtido pelo site do Comprot o processo que trata do Pedido de Ressarcimento (n° 13881.000165/0056), objeto das Declarações de Compensação aqui formuladas e pelas quais se requer a homologação, foi julgado tendo sido, parcialmente provido, após retorno de diligência. Há registro, por outro lado, da interposição de Recurso à CSRF. Ocorre que, no entender desta julgadora, a análise das compensações objeto dos autos, bem como sua homologação, está diretamente vinculada ao deslinde do Pedido de Ressarcimento. Desta forma, por imperativo lógicoprocessual, não vejo outra opção a não ser determinar a descida dos autos à DRF, para juntada da decisão final definitiva do Processo nº 13881.000165/0056 (Pedido de Ressarcimento). Caso a decisão final daqueles autos defira o Pedido de Ressarcimento – total ou parcialmente – a autoridade administrativa deverá analisar se o valor do crédito cujo ressarcimento foi deferido é suficiente para realizar a compensação pleiteada nestes autos, exarando parecer conclusivo sobre a questão. Posteriormente, a Recorrente deverá ser intimada para, querendo, no prazo de 30 dias apresentar suas considerações, quando então, com ou sem manifestação do contribuinte os autos deverão retornar a mim, para que seja possível realizar seu julgamento definitivo. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de março de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19647.002265/2006-79
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício:2004
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, visto que todos ganham com o fato econômico.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, visto que todos ganham com o fato econômico. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 22 65 /2 00 6- 79 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 321 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0714 com a exigência do crédito tributário no valor de R$170.921,14 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, referente aos meses do anocalendário de 2003. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO Valor apurado conforme RELATÓRIO FISCAL anexo, o qual faz parte integrante do presente auto de infração [...] Art. 149, inc.IV da Lei 5.172/66; Arts. 10 e 10 da Lei Complementar n° 70/91; Arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98; Art. 2°, inciso II e parágrafo único 3°, 10, 51, 74 e 82 do Decreto n° 4.524/02. art.44 da Lei 9.430/96 c/c 71 e 72 da Lei 4.502/64 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 1522 com a exigência do crédito tributário no valor de R$38.723,49 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, referente aos meses do anocalendário de 2003. 001 PIS (FATURAMENTO) Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 322 3 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO Valor apurado conforme RELATÓRIO FISCAL anexo, o qual faz parte integrante do presente auto de infração [...] Art. 149 da Lei 5.172/66; Art. 1° e 3º da Lei Complementar 07/70; Art. 2°, inciso I, 8°, inciso I, art. 9° e 10 da Lei 9.715/98; Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 51, 74, 82 e 93 do Decreto n° 4.524/02; Lei 10.637/02 art. 8° inciso II art.44 da Lei 9.430/96 c/c 71 e 72 da Lei 4.502/64. O Relatório Fiscal consta às fls. 2334. Cientificada, a Recorrente e Carlos Alberto dos Santos apresentaram as impugnações, fls. 190205, com as seguintes alegações: I PRELIMINARMENTE — DA PRECLUSÃO DA REINTIMAÇÃO DOS CONTRIBUINTES 5. Em preliminar arguem os impugnantes a extinção do auto de infração ora em debate, por preclusão temporal relativo ao prazo de reinteração da intimação para reinicio de MPF, vez que os contribuintes foram intimados em 13/07/2005, e, apenas em 27/10/2005, foram reintimados para apresentar a documentação necessária, quando já decorrido o prazo legal de 90 dias para reinicio de fiscalização. 6. Face à preclusão supra, requer a nulidade de todo o procedimento fiscal ora impugnado. II DA INEXISTÊNCIA DE ILÍCITO TRIBUTÁRIO E DA EXCLUSÃO DA MULTA QUALIFICADA (150%) E DA SOLIDARIEDADE PASSIVA DO SÓCIO CARLOS ALBERTO DOS SANTOS REFERENTE AO PIS 7. Conforme se observa nas planilhas elaboradas pela auditora fiscal em seu relatório de auditoria fiscal, vêse que os impugnantes declararam em suas DCTF's valores a maior que o calculado pela auditora, ou seja, esse fato pode ser constatado na planilha que serviu de base de cálculo do PIS apurado pela fiscalização. Vejase que os impugnantes no mês de abril de 2003, declarou que devia a título de PIS a quantia de R$1.200,94 (hum mil duzentos reais e noventa e quatro centavos), quanto na realidade o seu verdadeiro débito era de R$479,34 (quatrocentos e setenta e nove reais e trinta e quatro centavos). 8. O mesmo acontece nos meses de maio e junho de 2003, referentes ao PIS, onde foram declarados respectivamente os valores de : R$1.597,65 (hum mil quinhentos e noventa e sete reais e sessenta e cinco centavos) e R$ 2.095,01 (dois mil noventa e cinco reais e cinco centavos), quando na realidade os valores devidos são respectivamente: R$655,92 (seiscentos e cinqüenta e cinco reais e noventa e dois centavos) e R$827,65 (oitocentos e vinte e sete reais e sessenta e cinco centavos). 9. Observase que nos trimestres restantes não foram apresentadas DCTF's. Ora, não se há falar em fraude quando o contribuinte informa tributo a maior do que o devido, como é o caso dos autos, devidamente constatado no próprio relatório de auditoria fiscal elaborado pela auditora e ora anexado com à presente defesa. 10. Com efeito, a simples inexatidão das informações fiscais, por erro na escrituração e/ou o mero inadimplemento, não justifica a imputação de crime fiscal, nem muito menos a responsabilidade solidária do sócioadministrador. Ademais, o crime não está configurado, conforme se depreende do próprio relatório de auditoria Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 323 4 realizado pela auditora,razão porque também não poderá ser presumido, conforme determina a legislação penal que cuida da matéria. 11. No mesmo sentido, temse como indevida a multa qualificada de 150% arbitrada pela fiscalização. Isso porque, a imposição dessa multa, resulta de prática comprovada de fraude fiscal. O que, data vênia, nesses autos, se mostra inexistente conforme de depreende do próprio relatório fiscal elaborado pela auditora. 12. Dessa forma temse que os artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, não se aplicam aos contribuintes no caso em análise, vez que inexiste ação ou omissão dolosa com intuito de sonegação, muito menos a tentativa de fraude com o objetivo de impedir ou retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador. Isso porque, não fraude aquele que informa tributo a MAIOR, como é o caso dos autos. III— DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DA CSLL 13. No que pertine ao auto de infração relativo à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, conforme se observa no relatório fiscal elaborado pela auditora, a mesma utilizouse do critério de tributação com base no LUCRO ARBITRADO, tomando por base a receita bruta conhecida (faturamento), o que leva a incidir no erro de confundir RENDA E RECEITA. 14. Com efeito, em caso de arbitramento de lucro, que é o caso dos autos, o critério utilizado para chegarse ao CSLL devida, será a aplicação do percentual de 50% da receita omitida. É de lembrar que os conceitos de RECEITA e RENDA são diversos. O imposto não deve incidir sobre a integralidade da receita auferida, mais apenas à RENDA efetiva obtida a partir dela. 15. Atrita com o sistema de uniforme justiça fiscal a pretensão do fisco federal de arbitrar como lucro líquido o total das receitas omitidas. Quando o contribuinte tem escrita organizada, ou em caso de arbitramento, esse percentual será de 50% sobre o total das receitas. A adoção de um único critério para as duas situações imprime uma plena segurança jurídica para o contribuinte, aplicandose a presunção legal de que em ambas as hipóteses, é razoável que o lucro corresponda a 50% da receita, conforme é do entendimento do colendo STJ, vide acórdãos em anexos. IV DOS REQUERIMENTOS Ante o exposto, requer inicialmente a V.Exa., o acatamento da preliminar de preclusão, nos termos da fundamentação ut supra, anulando todo o auto de infração. Requer, atendendo ao princípio da eventualidade, em acatamento das razões ora expendidas, a exclusão o sócioadministrador CARLOS ALBERTO DOS SANTOS da condição de responsável solidário, ante a falta de amparo legal para tal inclusão. Bem como, requer seja excluída a multa qualificada de 150%, vez que inexiste por parte dos contribuintes a tentativa de fraude tributária e/ou retardar, impedir ou dificultar a fiscalização. Outrossim, requer a V.Exa., que acatando as razões ora expendidas, ANULE o auto de infração referente ao CSLL, vez que o mesmo utilizouse de um critério baseado na RECEITA BRUTA (faturamento), e NÃO na renda, onde deveria incidir o percentual de 50% sobre a mesma, conforme é do pacífico entendimento do egrégio STJ. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 22.197, de 12.05.2008, fls. 286295: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 324 5 Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. 'NORMAS PROCESSUAIS NULIDADES. A falta de ciência, ao sujeito passivo, de ato que indique o prosseguimento do procedimento fiscal, ao final do prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data de ciência de ato até então vigente, não implica em nulidade do lançamento de oficio decorrente da ação fiscal, mas tão somente, na reaquisição da espontaneidade do contribuinte, até a data de lavratura de novo ato nesse sentido, ou se for o caso, do auto de infração para exigência do crédito tributário apurado. CONDUTA REITERADA APLICAÇÃO DE MULTA AGRAVADA. A conduta da pessoa jurídica ao informar, por meio de declarações entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil durante períodos de apuração consecutivos com valores de receitas inferiores às declaradas nas GUIAS DE INFORMAÇÕES E APURAÇÃO DO ICMS GIAM, enseja a aplicação da multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/03/2003, 01/07/2003 a 30/12/2003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. NORMAS PROCESSUAIS NULIDADES. A falta de ciência, ao sujeito passivo, de ato que indique o prosseguimento do procedimento fiscal, ao final do prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data de ciência de ato até então vigente, não implica em nulidade do lançamento de oficio decorrente da ação fiscal, mas tão somente, na reaquisição da espontaneidade do contribuinte, até a data de lavratura de novo ato nesse sentido, ou se for o caso, do auto de infração para exigência do crédito tributário apurado. CONDUTA REITERADA APLICAÇÃO DE MULTA AGRAVADA. A conduta da pessoa jurídica ao informar, por meio de declarações entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil durante períodos de apuração consecutivos com valores de receitas inferiores às declaradas nas GUIAS DE INFORMAÇÕES E APURAÇÃO DO ICMS GIAM, enseja a aplicação da multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44 da Lei n°9.430/1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART.124, I DO CTN As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 325 6 da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, visto que todos ganham com o fato econômico. Lançamento Procedente Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Notificada em 26.05.2008, fl. 300, a Recorrente e Carlos Alberto dos Santos apresentaram recursos voluntários em 20.06.2008, fls. 302308 e 313, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorrem sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurgem e reiteram as alegações apresentadas nas impugnações. Vale transcrever essencialmente: II PRELIMINARMENTE DA PRECLUSÃO DA REINTIMAÇÃO DOS CONTRIBUINTES Em preliminar argúem os impugnantes à extinção do auto de infração ora em debate, por preclusão temporal relativo ao prazo de reiteração da intimação para reinicio de MPF, vez que os contribuintes foram intimados em 13/07/2005, e, apenas em 27/10/2005, foram reintimados para apresentar a documentação necessária, quando já decorrido o prazo legal de 90 dias para reinicio de fiscalização. Ademais, não se pode olvidar do principio da estrita legalidade que rege o Direito Tributário, sendo o mesmo, matéria de ordem pública. Face à preclusão supra, requer a reforma da r. sentença combatida para declarar a nulidade de todo o procedimento fiscal ora impugnado. III DA INEXISTÊNCIA DE ILÍCITO TRIBUTÁRIO, DA ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO REFERENTES AO PIS E A COFINS, DA EXCLUSÃO DA MULTA QUALIFICADA (150%) E DA INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE PASSIVA DO SÓCIO CARLOS ALBERTO DOS SANTOS Conforme se observa nas planilhas elaboradas pela auditora fiscal em seu relatório de auditoria fiscal, vêse que os impugnantes declararam em suas DCTF's valores a maior que o calculado pela auditora, ou seja, esse fato pode ser constatado na planilha que serviu de base de cálculo do PIS apurado pela fiscalização. Vejase que os impugnantes no mês de abril de 2003, declarou que devia a titulo de PIS a quantia de R$1.200,94 (hum mil duzentos reais e noventa e quatro centavos), quanto na realidade o seu verdadeiro débito era de R$479,34 (quatrocentos e setenta e nove reais e trinta e quatro centavos). O mesmo acontece nos meses de maio e junho de 2003, referentes ao PIS, onde foram declarados respectivamente os valores de: R$1.597,65 (hum mil .quinhentos e noventa e sete reais e sessenta e cinco centavos) e R$2.095,01 (dois mil noventa e cinco reais e cinco centavos), quando na realidade os valores devidos são respectivamente: R$655,92 (seiscentos e cinqüenta e cinco reais e noventa e dois centavos) e R$827,65 (oitocentos e vinte e sete reais e sessenta e cinco centavos). Observase que nos trimestres restantes não foram apresentadas DCTF's. Ora, não se há falar em fraude quando o contribuinte informa tributo a maior do que o Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 326 7 devido, como é o caso dos autos, devidamente constatado no próprio relatório de auditoria fiscal elaborado pela auditora e ora anexado com à presente defesa. Com efeito, a simples inexatidão das informações fiscais, por erro na escrituração e/ou o mero inadimplemento, não justifica a imputação de crime fiscal, nem muito menos à responsabilidade solidária do sócioadministrador. Ademais, o crime não está configurado, conforme se depreende do próprio relatório de auditoria realizado pela auditora, razão porque, também não poderá ser presumido, conforme determina a legislação penal que cuida da matéria. Vejase que no item 26 da r. decisão ora impugnada, com relação aos pagamentos à maior realizados pela recorrente, ter assim deduzido: " (...) Dessa forma, o fato de em alguns meses do ano existir pagamentos a maior do PIS, não descaracteriza, em tese, a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964 préfalada. (...) Ora, desde quando pagar a maior pode ser tido ou havido como característica de sonegação nos termos do art. 71, da lei n. 4.502/64? Por certo que em momento algum. No mesmo sentido, temse como indevida à multa qualificada de 150% arbitrada pela fiscalização. Isso porque, a imposição dessa multa, resulta de prática comprovada de sonegação, fraude ou concluiu fiscal, nos termos dos arts. 44 e 71/73, da Lei n° 4.502/64. O que, data vênia, nesses autos, se mostra inexistente, conforme se depreende do próprio relatório fiscal elaborado pela auditora. Dessa forma, temse que os artigos 71/73 da Lei n° 4.502/64, não se aplicam aos contribuintes no caso em análise, vez que inexiste ação ou omissão dolosa com intuito de sonegação, muito menos a tentativa de fraude com o objetivo de impedir ou retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador. Isso porque, não frauda aquele que informa tributo a MAIOR, como é o caso dos autos. D'outra banda, determina o art. 135, III, do Código Tributário Nacional que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas são responsáveis pelos créditos tributários apenas quando resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatutos, o que também não é o caso dos autos. Portanto, consoante a norma expressa no art. 135, do CTN, a responsabilidade atribuída a terceiros (sócios, prepostos e gerentes), só é admitida quando comprovadamente tenham agido com excesso de poderes ou em infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos, acarretando sua responsabilidade por substituição. É pacífico na jurisprudência o entendimento de que a simples omissão do pagamento tributário não é causa que acarrete, por si só, a responsabilidade dos sócios, prepostos ou administradores da pessoa jurídica. Destarte, requer a V.Exa., que acatando as razões ora expendidas, exclua o sócioadministrador CARLOS ALBERTO DOS SANTOS da condição de responsável solidário, ante a falta de amparo legal para tal inclusão. Bem como, requer seja excluída a multa qualificada de 150%, vez que inexiste por parte dos Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 327 8 contribuintes a tentativa de fraude tributária e/ou retardar, impedir ou dificultar a fiscalização. IV—DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DA CSLL No que pertine ao auto de infração relativo à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, conforme se observa no relatório fiscal elaborado pela auditora, a mesma utilizouse do critério de tributação com base no LUCRO ARBITRADO, tomando por base a receita bruta conhecida (faturamento), o que leva a incidir no erro de confundir RENDA E RECEITA. Com efeito, em caso de arbitramento de lucro, que é o caso dos autos, o critério utilizado para chegarse ao CSLL devida, será a aplicação do percentual de 50% da receita omitida. É de lembrar que os conceitos de RECEITA e RENDA são diversos. O imposto não deve incidir sobre a integralidade da receita auferida, mais apenas à RENDA efetiva obtida a partir dela. Atrita com o sistema de uniforme justiça fiscal a pretensão do fisco federal de arbitrar como lucro líquido o total das receitas omitidas. Quando o contribuinte tem escrita organizada, ou em caso de arbitramento, esse percentual será de 50% sobre o total das receitas. A adoção de um único critério para as duas situações imprime uma plena segurança jurídica para o contribuinte, aplicandose a presunção legal de que em ambas às hipóteses, é razoável que o lucro corresponda a 50% da receita, conforme é do entendimento do colendo STJ, vide acórdãos em anexos. Dessa forma, requer a anulação do auto de infração relativo a CSLL. V—DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IRPJ No que pertine ao auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, conforme se observa no relatório fiscal elaborado pela auditora, a mesma utilizouse do critério de tributação com base no LUCRO ARBITRADO, tomando por base a receita bruta conhecida (faturamento), o que leva a incidir no erro de confundir RENDA E RECEITA, conforme já decidiu o Colendo STF. Com efeito, em caso de arbitramento de lucro, que é o caso dos autos, o critério utilizado para chegarse ao IRPJ devido, será a aplicação do percentual de 50% da receita omitida. É de lembrar que os conceitos de RECEITA e RENDA são diversos. O imposto não deve incidir sobre a integralidade da receita auferida, mais apenas sobre a RENDA efetiva obtida a partir dela. Atrita com o sistema de uniforme justiça fiscal a pretensão do fisco federal de arbitrar como lucro líquido o total das receitas omitidas. Quando o contribuinte tem escrita organizada, ou em caso de arbitramento, esse percentual será de 50% sobre o total das receitas. A adoção de um único critério para as duas situações imprime uma plena segurança jurídica para o contribuinte, aplicandose a presunção legal de que em ambas às hipóteses, é razoável que o lucro corresponda a 50% da receita, conforme é do entendimento do colendo STJ, vide acórdãos em anexos. Por tais razões, requer a anulação do auto de infração do IRPJ. VI — DOS JUROS PELA TAXA SELIC — ILEGALIDADE Inobstante a nulidade do auto de infração como um todo, conforme acima de fendido, percebese também a ilegalidade da cobrança de juros peça TAXA SELIC. Com efeito, o CTN regulamenta a incidência de juros, nos termos do art. 161. Dessa forma, devese obediência hierárquica ao CTN, razão porque, os Juros calculados Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 328 9 com base na Taxa Selic devem ser declarados nulos. O Colendo STJ assim já pacificou, verbis: " (...) A Taxa Selic cria a anômala figura de tributo rentável. Os títulos podem gerar renda; os tributos, per se, não. Devem incidir, na espécie, os juros de mora à razão de 1% ao mês, na forma do artigo 161, § 1°, do CTN, julgamento ocorrido em 22.10.2002. Recurso Especial conhecido em parte e, na parte conhecida, provido.(STJ RESP 45022 PR 2 T., Rel. pio Ac. Min. Franciulli Neto DJU 28.06.2004 p. 00236)." Pelas razões acima expostas, requer a V.Exas. que declarem a ilegalidade da cobrança de juros pela Taxa Selic, por afronta ao art. 161, do CTN. VII — DA SUCESSÃO DA COMBELI: CTN, ARTS. 128 e 131,I Ainda como fundamento de relevante importância para exclusão do sócio Carlos Alberto, informa a V.Exas. que a COMBELI era distribuidora EXCLUSIVA dos produtos CocaCola para a região. No entanto, no final de 2004 a ColaCola rescindiu o contrato de distribuição e em seu lugar passou a existir a empresa DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LIM LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob n. 07.232.216/000121, com sede atual na Rua Florismundo Morais Coutinho, n. 388, Centro, Limoeiro/PE, na condição de sucessora, conforme preceitua o disposto no art. 128 c/c o art. 131, I, do Código Tributário Nacional, vez que assumiu toda a estrutura da COMBELI e na mesma chegou a operar por vários meses, até transferirse definitivamente para o endereço acima apontado, onde mantém suas atividades. Destarte, não há como nos autos manterse a pessoa de Carlos Alberto vinculado ao processo administrativo em discussão, razão porque, reitera o provimento do presente recurso nesse sentido. VIII— DOS REQUERIMENTOS FINAIS Ante todo o exposto e ao mais que os esclarecidos espíritos de V.Exas. possam enxergar, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente RECURSO, para reformando a r. sentença ora impugnada, acolher a tese da defesa, nos termos da sua fundamentação e das razões de recurso ora apresentadas, para acatando a preliminar de preclusão, anular os autos de todo o procedimento fiscal. Caso V. Exas. entendam em apreciar o mérito, que seja julgado IMPROCEDENTE o auto de infração relativo a PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, seja declarada a ilegalidade da Taxa Selic, bem como, seja excluído o sócio Carlos Alberto dos Santos, por ser medida de Direito e Justiça. Em conformidade com o Acórdão nº 3101001.273, de 24.10.2012, fls. 314 319, proferido nos presentes autos pela 1ª TO/1ª Câmara/3ª SEJUL, ficou assim decidido: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, declinando da competência para à Primeira Seção de Julgamento. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 329 10 221, publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e nove dias do mês de julho do ano de dois mil e quatorze, às nove horas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SERGIO RODRIGUES MENDES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, ARTHUR JOSE ANDRÉ NETO, RICARDO DIEFENTHAELER, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): ARTHUR JOSE ANDRÉ NETO Processo: 19647.002265/200679 Recorrente: COMBELI C BEBIDAS BOMBONIERE LIMOEIRENSE e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.270 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Outros eventos ocorridos: Processo julgado em 30.07.2014. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 330 11 Em relação as alegações pertinentes ao IRPJ e à CSLL, tem cabimento esclarecer que os Autos de Infração referentes a esses tributos não foram formalizados nos presentes autos por essa razão não podem ser examinadas por falta de objeto. A Recorrente suscita a nulidade dos lançamentos inclusive pelo decurso de prazo entre a ciência dos Termos Fiscais. Temse que o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Para todos os efeitos valerão pelo prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos (art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Verificase que entre a ciência do Termo de Início de Fiscalização em 13.07.2055 e o Termo de Reitimação Fiscal em 06.10.2005 houve a reaquisição da espontaneidade por parte da Recorrente, ou seja, é a possibilidade de recolhimento dos tributos devidos com a incidência dos acréscimos moratórios previstos no artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, entre o 61° dia contado a partir de 13.07.2005 e o dia 06.10.2005 em que houve a ciência do Termo de Reitimação Fiscal, faculdade essa não exercida. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, cujos autos devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por atos administrativos que, como uma espécie de ato jurídico, devem estar revestidos dos atributos que lhes conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produzam efeitos que vinculem o administrado deve ser emitidos (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratando 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 331 12 se de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Tendo em vista que a atividade do lançamento é vinculada, a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados podem ser examinados pelo Erário e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos 3. Ademais, as exigências de ofício podem ser realizadas sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 46. A autoridade administrativa competente privativamente constituiu o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo em que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, identificou o sujeito passivo e, sendo caso, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Portanto, todos os aspectos do fato gerador da obrigação tributária estão precisamente expostos nos Autos de Infração, quais sejam: temporal, material, subjetivo, quantitativo e espacial. Além disso, consta nesse ato expressamente a descrição dos fatos e o enquadramento. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional4. Assim, os Autos de Infração e a decisão de primeira instância de julgamento, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 4 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 332 13 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 333 14 apuração do crédito que, após regular intimação,deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal5. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 2334, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: III — DAS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS O contribuinte efetuou alguns pagamentos da Cofins, e entregou a DCTF declarando alguns períodos do PIS e da COFINS, conforme demonstrado na planilha abaixo. Através das Guias de Informações e Apuração do ICMS — GIAM, ano calendário 2003, foram apuradas as receitas de vendas de mercadorias que serviram de bases para os cálculos das contribuições Cofins e Pis, e para arbitrar o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social s/lucro reflexo, conforme demonstrado na planilha abaixo. [...] V DO ARBITRAMENTO FISCAL — A. C. 2003 O arbitramento de lucro é uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda utilizada pela autoridade tributária ou pelo contribuinte. Ë aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso. Conforme relatado no item II. contribuinte deixou de apresentar a usa escrita contábil e documentos relativos às operações comerciais, portanto, subsumindose ao critério legal de arbitramento tributário. Conforme art. 47 da Lei n° 8.981/95, e art 1° da Lei n° 9430/96 o imposto de renda será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular, ou deixar de apresentar contabilidade regular, quando obrigado ao lucro real. Para o arbitramento do lucro, utilizase na apuração da base de cálculo a receita bruta conhecida, correspondente aos valores de vendas de mercadorias, aplicando o coeficiente legal de 9,6% sobre as receitas trimestrais, conforme demonstrado no item IV.3 Diante dos fatos acima narrados, e para constituir o crédito tributário de oficio, referente ao ano calendário 2003, foi lavrado Auto de Infração, pelo arbitramento, com fundamento na legislação citada no enquadramento legal. [...] VII DOS LANÇAMENTOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E COFINS A. C. 2003 Em razão da falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre o faturamento no ano de 2003, da maioria dos períodos ou de DCTF, promovese 5 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 334 15 também o lançamento do PIS e da C0FlNS, mediante a lavratura de autos de infração, com base nas receitas auferidas que serviram para o cálculo do lucro arbitrado. Face ao arbitramento do lucro para apuração do imposto de renda, a pessoa jurídica permanece sujeita às normas da legislação da contribuição para o PIS, vigentes anteriormente à Lei n° 10.637/2002 (art. 8°, inciso II), de modo que a alíquota para o período de dezembro/2002 a dezembro/2003 corresponde a 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento), aplicada sobre o faturamento (art. 80., inciso I, da lei 9.715/98). [...] Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente argui que a sujeição responsabilidade solidária não pode prevalecer. A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora não tenham relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador da obrigação principal, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação. A despeito de não ser o sujeito passivo da obrigação principal, para ser responsável solidário é suficiente ser uma pessoa que possua interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A sujeição solidária passiva alcança as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal6. Conhecida como solidariedade de fato, o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional é aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional. Sobre a matéria, do Código Tributário Nacional que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Nos termos do dispositivo legal, o que define a solidariedade entre a Recorrente e os interessados é justamente o interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Isto é, o nexo existente entre os fatos ensejadores da autuação do contribuinte e as pessoas a quem se imputa a solidariedade passiva. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 2334, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: IX DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA O Sr Carlos Alberto dos Santos, CPF n° 127.422.79415, que figura como sócio da empresa no período da ocorrência dos ilícitos, conforme indicam os instrumentos contratuais da pessoa jurídica, responde solidariamente com a Pessoa Jurídica, pelos créditos tributários ora lançados, de acordo com o disposto nos arts. 124 e 135, inc. III, da Lei 5.172/66 — Código Tributário Nacional, transcritos a seguir: 6 Fundamentação legal: inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 335 16 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Analisando do Contrato Social e alterações da Recorrente constatase que o Sr. Carlos Alberto dos Santos é seu sócioadministrador o que lhe dá plenos poderes para gerir os negócios e traduz o interesse que têm em comum com os fatos ensejadores da ação fiscal, qual seja, os recolhimentos a menor do PIS e da COFINS, apurados a partir da omissão de receitas auferidas, de forma reiterada, conforme as DCTF apresentadas em cotejo com as GIAM do anocalendário de 2003. Ademais, não trouxe a Recorrente aos autos qualquer comprovação da sua alegação de que tenha sido sucedida pela empresa Distribuidora de Bebidas Lim Ltda, o que não alicerça a pretensão de exclusão de responsabilidade solidária do sócio Carlos Aberto dos Santos. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês7. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20098 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF9. A oposição mostrada pela defendente, no entanto, não se mostra representativa da realidade. 7 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 9 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 336 17 A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. A presunção legal de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do dolo ou a constatação da movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas10. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 2334, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: VIII—DA MULTA QUALIFICADA Pelo exposto acima, constatase, que de maneira contumaz, o contribuinte omitiu informações para o fisco Federal, no ano calendário de janeiro/2003 a dezembro/2003, inserindo elementos inexatos na Declaração DIPJ, de forma a impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do fato gerador da obrigação tributária, conduta, que revela, a intenção de suprimir os tributos federais devidos. Está, assim, configurado o evidente intuito de suprimir os tributos federais, de recolhimento tributário inferior ao valor devido, conforme demonstrado no item IV. Conseqüentemente, os lançamentos tributários do IRPJ, CSLL, PIS e COMNS contemplam a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, c/c arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, reproduzidos a seguir: Art. 44 da Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, e 72 da Lei n° 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 10 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 71, art.72 e art. 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964 e Súmulas CARF nºs 25 e 34. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 337 18 Lei nº4.502/64: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Verificase no presente caso que houve a conduta livre e consciente de forma reiterada da Recorrente em oferecer a tributação as receitas a menor provenientes de sua atividade durante todo o ano de 2003. Dessa maneira impediu o conhecimento da RFB do montante integral a ser tributado, o que caracteriza conduta dolosa. A despeito do fato de em alguns meses do anocalendário de 2003 existir pagamentos a maior do PIS, não descaracteriza a prática reiterada de tal ato. Ademais, a Recorrente, depois de intimada, não apresentou os assentos contábeis e os livros fiscais onde estariam escrituradas as suas a totalidade das receitas tributáveis, o que propiciou a apuração dos tributos pela sistemática do lucro arbitrado. Somente a partir das informações prestadas ao fisco estadual, por meio das Guias de Informações de Apuração do ICMS GIAM do anocalendário de 2003 foi possível apurar o ilícito de omissão de receitas e verificar de ofício os de pagamentos a menor de Cofins e de PIS. Evidenciada está a intenção da Recorrente de redução indevida e reiteradamente o pagamento dos tributos, e assim, por dever de oficio, a autoridade fiscal aplicou corretamente da multa de oficio proporcional qualificada. Configurados estão a conduta dolosa e o evidente intuito de suprimir os tributos federais de modo que está correta a aplicação da multa de oficio proporcional qualificada. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.002265/200679 Acórdão n.º 1803002.270 S1TE03 Fl. 338 19 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10510.000813/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COFINS/PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA.
O valor relativo às mercadorias recebidas de fornecedor, em nota fiscal desvinculada de operação de venda, constitui doação, se decorrente de mera liberalidade, ou receita de prestação de serviços, se tiver caráter remuneratório. A receita relativa à doação não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS apurada na sistemática cumulativa.
Numero da decisão: 1102-001.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé - Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
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BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. O valor relativo às mercadorias recebidas de fornecedor, em nota fiscal desvinculada de operação de venda, constitui doação, se decorrente de mera liberalidade, ou receita de prestação de serviços, se tiver caráter remuneratório. A receita relativa à doação não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS apurada na sistemática cumulativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 08 13 /2 00 5- 16 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1518925 (fls. 430/438) proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (DRJ/SDR), na sessão de 15 de Abril de 2009, que, por unanimidade, manteve os autos de infração lavrados para a exigência de COFINS (fls. 09/13) e de PIS (fl. 217). Considerando que ao longo deste relatório faremos referência a três processos, segue tabela abaixo para facilitar a compreensão: Processo n° Objeto 10510.000814/200561 Processo que tem por objeto auto de infração lavrado para exigência de IRPJ (arbitramento). Os recursos de ofício e voluntário foram julgados pelo então Conselho de Contribuintes em 08/11/2006 (Acórdão nº 10322.708). Decidiuse pela legalidade do auto de infração, provendo o RV, contudo, no ponto referente às bonificações recebidas: “não constituem receitas, mas parcela redutora de custos, não integrando o valor das receitas para fins de arbitramento de lucros”. 10510.000813/200516 Processo principal, onde este relatório está sendo feito. Cobrança de COFINS dos períodos de 2002 e de janeiro a setembro de 2004 decorrente do processo nº 10510.000814/200561, cujo objeto é AI para exigência de IRPJ. 10510.000812/200571 Processo juntado conforme fl. 207. Cobrança de PIS dos períodos de 2002 e de janeiro a setembro de 2004 decorrente do processo nº 10510.000814/200561, cujo objeto é AI para exigência de IRPJ. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 4 3 Em suma, em 09/04/2005, a Contribuinte tomou ciência do início do procedimento fiscal objeto do MPF n° 05.2.01.002004002548 (fls. 05/07), que teve por intuito verificar a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal. Após o término do procedimento, foram lavrados autos de infração para a exigência de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Como apresentado na tabela acima, apenas os autos de COFINS e PIS, dos períodos de 2002 e 2004, integram este processo. A Contribuinte foi intimada dos autos em 26/04/2005 (fls. 143 e 353) e, em 25/05/2005 apresentou impugnações (COFINS fls. 150/159 e anexos fls. 160/171 e PIS fls. 361/370 e anexos fls. 371 a 382). Os fundamentos do pedido foram precisamente sintetizados no relatório do r. Acórdão da DRJ recorrida (fl. 432): · • Os autos de infração são nulos, pois no requisito "local da lavratura" constatase claramente o fato dos autos terem sido lavrados em local ignorado; · • Os autos de infração são nulos, pois contemplam descrição extremamente confusa, demandando graves prejuízos ao entendimento da matéria apenada; · • Os autos de infração são nulos, pois o domicílio fiscal da contribuinte foi ignorado. A fiscalização não obedeceu ao art. 904 do RIR/99, porquanto não houve o comparecimento da auditora no domicílio da contribuinte; · • Os autos de infração são nulos, pois a verificação feita pela auditora foi sumária, tendo sido analisados apenas alguns livros contábeis e fiscais na DRF em Aracaju; · • Os autos de infração são nulos, pois a soma lançada pela autoridade fiscal monta cifras astronômicas para o porte da empresa, caracterizando desrespeito aos princípios constitucionais da capacidade econômica contributiva e do nãoconfisco; A exigência alcançou tal magnitude em razão do arbitramento precipitado do lucro, combinado, injustamente, com as aplicações das multas agravadas; · • As bonificações em mercadorias recebidas do fornecedor foram incluídas, pela autuante, na base de cálculo das contribuições; Porém, não se tratam de receitas auferidas, e sim de descontos (incondicionais) dados pelo fornecedor na ocasião da venda, não sendo, portanto, tributáveis; Apenas houve um erro formal por parte do fornecedor, que em vez de conceder as bonificações na própria nota fiscal de venda, emitiu outra nota. Em 30/08/2006 (fls. 176 e 387), a Contribuinte peticionou a desistência parcial das impugnações, em razão de ter parcelado os débitos do PIS e da COFINS de 2002. Em 15/04/2009, postas em julgamento as impugnações, a 4ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade, rejeitou a preliminar de nulidade, e, no mérito, considerou procedentes os lançamentos, mantendo o crédito tributário exigido. O Acórdão de nº 1518925 (fls. 430/438) assim foi ementado: Fl. 466DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO. A Cofins incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO. A contribuição para o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. É válida a lavratura do Auto de Infração na repartição fiscal, visto que a lei determina que seja lavrado no local da verificação da falta e não, obrigatoriamente, no estabelecimento do contribuinte. INTIMAÇÃO. É válida a intimação feita pessoalmente, na repartição ou fora dela, assim como a intimação feita por via postal, recepcionada no domicílio fiscal eleito pela contribuinte. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lançamento Procedente Os fundamentos da decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/SDR podem se assim resumidos: Fl. 467DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 6 5 NULIDADE LOCAL DA LAVRATURA “O caput do referido artigo determina que o instrumento será lavrado no "local da verificação da falta". A norma diz no local da verificação e não da ocorrência da falta. Assim, não está obrigatoriamente associada ao local físico em que a falta tenha ocorrido, devendo ser interpretada como o local onde a mesma foi constatada” – fl. 433. (...) “Ressaltese que o estabelecimento em questão, situado em Propriá/SE, foi fiscalizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Aracaju/SE, sendo o domicílio tributário da contribuinte compatível com a jurisdição da autoridade fiscal” – fl. 434. DESCRIÇÃO DOS FATOS “Todavia, a alegação da contribuinte não merece prosperar. No corpo dos autos de infração, no local destinado à descrição dos fatos, a autuante foi minuciosa ao apresentar os passos do procedimento fiscal, como se pode verificar, por exemplo, às folhas 208 a 213. A auditora expõe os motivos que a levaram a considerar imprópria a contabilidade da empresa, com o consequente arbitramento do lucro, e explicou como esse fato afetaria o PIS e a COFINS, que, nessa situação, não poderiam ser calculados pelo regime nãocumulativo, por expressa disposição legal. Assim, a autuante apura as contribuições devidas aplicando a alíquota prevista no regime cumulativo (PIS a 0,65% e Cofins a 3%) sobre a receita bruta conhecida” – fl. 434. DOMICÍLIO FISCAL “Inicialmente, registrese que a autoridade fiscal esteve no domicilio da contribuinte onde foi dada a ciência do termo de início de fiscalização, como reconhece a impugnante. Ademais, a legislação permite ao Fisco que faça uso de outras formas de intimação, que não apenas a pessoal, conforme autorizado pelo artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, (pite rege o processo administrativo fiscal” – fl. 435. VERIFICAÇÃO/AUDITORIA “Também há que se relembrar, neste ponto, que a contabilidade da contribuinte foi declarada imprestável, ensejando o arbitramento do lucro. Além disso, como descrito pela autoridade fiscal no auto de infração (fl. 212), ‘decorridos mais de 120 dias do início do procedimento fiscal o contribuinte não apresentou a escrituração, (...) não obstante as sucessivas concessões de prazo’. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 7 6 Ora, se a contribuinte acreditasse possuir algum livro ou documento que fosse importante para a fiscalização deveria têlo apresentado durante o procedimento fiscal. Mesmo agora, na fase litigiosa do processo, a contribuinte deixa de anexar à sua peça impugnatória documentos que embasem suas alegações” fl. 436. CIFRAS ASTRONÔMICAS “O montante de tributos lançado pela autuante decorreu da aplicação dá legislação fiscal vigente. Agora, caso a impugnante entenda que essa legislação é inconstitucional, por ferir princípios da Carta Magna, é de se dizer que o controle jurisdicional da constitucionalidade das leis é matéria privativa do Poder Judiciário, por determinação da Constituição Federal” – fl. 437. MÉRITO: BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIA. “A impugnante se insurge contra a inclusão, pela autuante, das bonificações em mercadorias recebidas do fornecedor na base de cálculo das contribuições. Alega que não se tratariam de receitas auferidas, e sim de descontos (incondicionais) dados pelo fornecedor na ocasião da venda, não sendo, portanto, tributáveis. Informa que teria havido um erro formal por parte do fornecedor, que em vez de conceder as bonificações na própria nota fiscal de venda, emitiu outra nota” – fl. 437. (...) “Como reconhece a contribuinte, as bonificações por ela recebidas não constavam da nota fiscal de venda. Logo, não há evidência de que têm inequivocamente vinculação direta com as vendas pactuadas. Portanto, pela aplicação da IN n° 51, de 1978, não podem ser consideradas descontos incondicionais, passíveis de serem excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. Correto, portanto, o procedimento adotado pela fiscal autuante, ao manter as tais bonificações na base de cálculo para fins de apuração das contribuições devidas” – fl. 437/8. A Contribuinte, intimada da decisão em 22/07/2009 (fl. 440), objetivando ver reformado o acórdão nº 1518925, da 4ª Turma da DRJ/SDR, interpôs, em 20/08/2009 (fl. 444) Recursos Voluntários, sendo um para a COFINS (fls. 444/450) e outro para o PIS (fls. 451/457). Considerando que ambos os recursos utilizam os mesmos argumentos, para este relatório, adotaremos o disposto na petição de fls. 444/450 (COFINS). A lide diz respeito à inclusão das bonificações nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Registrese que este recurso analisará apenas os períodos de abril a setembro de Fl. 469DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 8 7 2004, haja vista que a contribuinte desistiu de questionar os períodos de 2002 (fls. 176 e 387) e de janeiro a março de 2004 (fl. 446 e 453)1. Os principais argumentos da Contribuinte são os seguintes: BONIFICAÇÃO COMO DESCONTOS INCONDICIONADOS “Assim, na constituição da exigência fiscal para o referido período (abril a setembro/2004), o fisco imputou equivocadamente como receita, as bonificações em mercadorias, as quais representam descontos incondicionais dados pelo fornecedor na ocasião das vendas efetuadas, em razão de estarem tais bonificações desagregadas de quaisquer dependências a evento posterior, à emissão dos respectivos documentos da venda (Notas Fiscais). Sabese, no entanto, que a bonificação em mercadorias ou em produtos representa uma forma de promoção de vendas baseada em desconto comercial dado. No caso em questão, mantémse o valor comercial normal, más entregase uma quantidade de mercadoria ou de produto ao comprador maior do que o padrão para aquele valor” – fl. 447. DA INCIDÊNCIA MONOFÁSICA “Por outro lado, em se tratando de mercadorias com incidência monofásica, por imposição legal, as vendas dessas mercadorias recebidas em bonificação, efetuadas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, devem ser excluídas da base de cálculo da Cofins, em razão de serem tributadas mediante a alíquota zero. (art. 1º parágrafo 3º, IV e art. 50, da Lei n° 10.833 de 29/12/2003)” – fl. 449. Por fim requereu “seja acolhido em todos os seus termos o presente Recurso Voluntário, e ao final julgado procedente, para o fim de tornar insubsistente a tributação relativa às bonificações” – fl. 450. Os Recursos Voluntários foram distribuídos, inicialmente, para e. 3ª Turma Especial da 3ª Seção, a qual declinou da competência, argumentando (Acórdão nº 380301.339): “Toca à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de PIS e Cofins, referente a 1 Consta no Recurso Voluntário (fls. 446 e 453): “Relativamente à cobrança dos meses de janeiro a março, conforme demonstrativo abaixo, não haverá questionamento através desta peça contestatória concernentes aos valores levantados pela fiscalização, porque a Recorrente fará adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941 de 27 de maio de 2009”. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 9 8 exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto – Relator I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do art. 2º, incisos IV, do Regimento Interno do CARF, à Primeira Seção do CARF cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de PIS e COFINS, referente a exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. No que tange à legitimidade, a petição está assinada pelo sócio, conforme documentos de fls. 50, 381, 444 e 451. A tempestividade do Recurso confirmase, pois a decisão proferida pela DRJ em 15/04/2009 (fls. 430 a 438) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 22/07/2009, uma quintafeira (fl. 440) e os recursos foram interpostos em 20/08/2009 (fls. 444 e 451), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33, do Decreto n° 70.235/70, já que o seu último dia era 21/08/2009. Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, impõese determinar os pontos controvertidos, a partir dos argumentos constantes nos Recursos Voluntários e na fundamentação do Acórdão combatido. As questões, sucessivamente, são: · As bonificações recebidas pela Recorrente devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS? Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 10 9 · A receita decorrente da bonificação de mercadoria recebida está sujeita ao regime monofásico de apuração do PIS e da COFINS? III. MÉRITO A Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, quando do julgamento do processo que tem por objeto auto de infração de IRPJ, lavrado no mesmo procedimento do qual decorreram os AIs para exigência de PIS/COFINS, decidiu que as bonificações recebidas “não se configuram como receitas, mas como parcela redutora de custos” – fl. 22, do Acórdão nº 10322.705. Os d. integrantes da 3ª Câmara, às fls. 22 e 23 também do Acórdão nº 103 22.705, decidiram: “Dessa forma, deve ser excluído da base de cálculo do arbitramento nesse anocalendário de 2004, o valor das bonificações recebidas, provendo parcialmente esse item. Quanto aos lançamentos decorrentes relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), à Contribuição para a Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), em se tratando da mesma matéria e bases de cálculos originais das infrações que motivaram o lançamento do IRPJ, devem ter o mesmo tratamento do que teve o lançamento matriz, fazendose os devidos ajustes com o decidido para o IRPJ, provendo parcialmente esses itens”. Registrese que a decisão proferida por aquele e. Colegiado não vincula esta 2ª Turma, ainda que se trate do mesmo tributo (PIS e COFINS de outros períodos) ou mesmo quando reduziu a base de cálculo do IRPJ arbitrado (receita bruta conhecida), a mesma utilizada para a incidência do PIS e da COFINS. Contudo, concordamos com aqueles d. Conselheiros. A mercadoria recebida a título de bonificação não consiste em receita. O seu impacto no patrimônio de quem recebe ocorre no custo da mercadoria, posteriormente recebida. Isso porque, tendo comprado 10 unidades ao curso de R$ 10,00, mas recebido 12, em verdade, o curso unitário cai de R$ 1,00 para R$ 0,83, aumentando sua margem de lucro. É verdade que mercadorias recebidas como bonificação podem, de fato, ser uma contrapartida por um serviço prestado, por exemplo, caso no qual deve, sim, integrar a receita bruta, ou, pode ser doação, situação que não será tributada. No caso dos autos, o Sr. AuditorFiscal, contudo, limitouse a afirmar que tributou as receitas de bonificações auferidas, sem, contudo, informar se estas eram condicionadas ou incondicionadas: AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Fl. 472DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 11 10 “Observada as prescrições legaais, a partir de 2004 calculamos a COFINS devida exclusivamente sobre receitas de bonificações auferidas” – fl.11. AUTO DE INFRAÇÃO PIS “Observadas as prescrições legais, a partir de 2004 calculamos o PIS devido exclusivamente sobre as receitas de bonificações auferidas, aplicando as disposições da Lei nº 9.718, de 1998, tendo em vista o art. 8º, inciso II da Lei nº 10.637, de 2002” – fl. 228. É verdade que a própria Contribuinte afirmou ser o desconto incondicionado, mas que a bonificação, por erro, não constou na mesma nota fiscal do produto adquirido (fl. 159). A DRJ utilizouse dessa declaração da contribuinte para declarar que a norma infralegal, qual seja, a IN 51/1978, só considera como desconto incondicionado a mercadoria que consta na mesma nota fiscal do produto adquirido, motivo pelo qual: “não podem ser consideradas descontos incondicionais, passíveis de serem excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS” – fl. 437. Ato infralegal estabelece critério para determinar quando a bonificação deve ser considerada como desconto incondicionado, sem, contudo, guardar relação com a hipótese de incidência do tributo. Nesse sentido, vejamos o acórdão nº 3402002.092, proferido em sessão ocorrida em 23/07/2013: “É certo que apenas os ‘descontos incondicionais’ têm previsão de exclusão das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, mas é igualmente certo que não se pode tributar como ‘receita’ uma grandeza que segundo a Lei Comercial ‘receita’ não o é, de modo que no caso concreto, não se está criando hipótese de exclusão da tributação para ‘descontos condicionais’, mas antes, permitindo que não incida tributação sobre um elemento que não é definido como sendo receita pela legislação comercial, estando excluído da tributação pelo próprio ‘caput’ dos arts. 1º, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, ante sua própria natureza jurídica de ‘redução de custos’ do estoque” – fl. 21. Mesmo que se decida que apenas os descontos incondicionados não integram a base do PIS e da COFINS, não podemos deixar de considerar como plausível a assertiva da Recorrente, uma vez é bem comum em seu ramo de atuação a concessão de mercadorias em bonificação e que erros como esse podem ocorrer ocasionalmente. Neste caminho, entendo como viável e lógica a defesa apresentada. Veja que o único motivo para ser tributada a “receita” foi o fato de a bonificação não ser considerada incondicionada, haja vista que a mercadoria seguiu em outra nota fiscal. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10510.000813/200516 Acórdão n.º 1102001.260 S1‐C1T2 Fl. 12 11 Pelos motivos acima, o recurso deve ser provido, motivo pelo qual, por perda de interesse de agir, o segundo ponto controvertido não será apreciado. IV. CONCLUSÃO Dado o exposto, dou provimento aos Recursos Voluntários, para afastar a cobrança do PIS e da COFINS sobre bonificações recebidas no período de abril a setembro de 2004. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 474DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 10283.902690/2008-23
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício:2005
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL.
Nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso para que o direito creditório seja analisado como pagamento a maior, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902690/200823 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.742 – 3ª Turma Especial Sessão de 09 de julho de 2013 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente SONOPRESS RIMO DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO FONOGRÁFICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício:2005 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL. Nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso para que o direito creditório seja analisado como pagamento a maior, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 26 90 /2 00 8- 23 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.902690/200823 Acórdão n.º 1803001.742 S1TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 15.12.2004, através do qual foi pedida a restituição de IRPJ. A DRF de Manaus indeferiu o pedido de restituição e considerou "não homologada" a referida compensação, "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período”. Inconformada a Recorrente impugnou a decisão sustentando em síntese que no caso em tela não se trata de pagamento de estimativa mensal, mas sim de pagamento superior ao valor da estimativa. Como argumento adicional, alega que a autoridade administrativa deveria ter feito o confronto com os valores recolhidos de estimativas a os devidos ao final do período, quando teria verificado a existência de saldo negativo e aproveitado esse valor para compensar de ofício os débitos do PER/DCOMP, em vez de considerála não homologada e acrescenta ainda que, mantida a não homologação, o débito objeto do PER/DCOMP "não pode mais ser questionado, uma vez que, após o encerramento do ano calendário, somente haveria que se falar em cobrança do valor apurado no ajuste anual". Em sede de cognição ampla a DRJ manteve a decisão impugnada, sob o fundamento de que tendo sido o PER/DCOMP em análise transmitido no mês de dezembro de 2004, na vigência da IN SRF n° 460, resta impossibilitada a utilização das estimativas para a restituição/compensação ora requerida. Inconformada com a r. decisão, a autuada interpôs Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos que respaldaram a impugnação. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos nove dias do mês de julho do ano de dois mil e treze, às nove horas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, Sala 306, Em Brasília Distrito Federal, reuniramse os Fl. 320DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.902690/200823 Acórdão n.º 1803001.742 S1TE03 Fl. 4 3 membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente em Exercício), MARIA ELISA BRUZZI BOECHAT, MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10283.902690/200823 Nome do Contribuinte: SONOPRESS RIMO DA AMAZONIA IND E COM FONOGRAFICA LTDA Acórdão 1803001.742 Decisão: Por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso para que o direito creditório seja analisado como pagamento a maior ou indevido. Acompanhou o julgamento Dr. Leandro Bettini OAB/DF 34.515 Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão É o Relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.902690/200823 Acórdão n.º 1803001.742 S1TE03 Fl. 5 4 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.902690/200823 Acórdão n.º 1803001.742 S1TE03 Fl. 6 5 para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência4. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. A Unidade de origem afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19725. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 5 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.902690/200823 Acórdão n.º 1803001.742 S1TE03 Fl. 7 6 comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso6. Em assim sucedendo, voto dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos a Unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto 6 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901138/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO.
Da decisão a quo caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão (Decreto nº 70.235/72, art.33).
O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção (Decreto nº 70.235/72, art.35).
Não se toma conhecimento do recurso, suas razões, quando apresentado após decorrido o prazo regulamentar, em face da perempção.
Numero da decisão: 1802-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. Da decisão a quo caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão (Decreto nº 70.235/72, art.33). O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção (Decreto nº 70.235/72, art.35). Não se toma conhecimento do recurso, suas razões, quando apresentado após decorrido o prazo regulamentar, em face da perempção.
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RECURSO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. Da decisão a quo caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão (Decreto nº 70.235/72, art.33). O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção (Decreto nº 70.235/72, art.35). Não se toma conhecimento do recurso, suas razões, quando apresentado após decorrido o prazo regulamentar, em face da perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso intempestivo, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 11 38 /2 00 9- 77 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 198 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 199 3 Relatório A contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 54/56) contra decisão da 6ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efls. 42/48) que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, indeferindo o crédito pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 21/07/2005 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 32849.74733.210705.1.3.043065 (efls. 02/04 e 26/31), onde está consignado: débitos informados (confessados): a) IRPJ, código de receita 2362 (IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal), PA dezembro/2004, data de vencimento 31/01/2005, assim especificado: principal: R$ 260.475,27; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total : R$ 260.475,27. b) IRPJ, código de receita 2430 (IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Ajuste anual), PA Ajuste anual 2004, data de vencimento 31/03/2005, assim especificado: principal: R$ 37.504,77 ; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total : R$ 37.504,77. crédito utilizado: A contribuinte pleiteou o aproveitamento de pretenso direito creditório de R$ 297.950,25 (valor original), referente pagamento supostamente indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA 31/12/2004, DARF valor de R$ 297.980,04 (valor original), data do recolhimento/arrecadação 31/01/2005 (efl. 110). Crédito original informado na data da transmissão da DCOMP R$ 297.980,04. Entretanto, em 18/02/2009 o fisco denegou o crédito pleiteado, conforme Despacho Decisório eletrônico – DRF/Sorocaba (efls. 05), in verbis: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 200 4 (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 297.980,04. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Ciente dessa decisão monocrática em 03/03/2009 (efl.07), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2009 (efls. 08/10), juntando ainda documentos (efls. 11/40), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, quando do preenchimento da DCTF Declaração de Débitos e Créditos de Tributários Federais do 4° Trimestre de 2004, transmitida em 17/08/2006, declarou de forma equivocada o débito do IRPJ – Estimativa Mensal do PA dezembro/2004 no montante de R$ 297.980,04 (efls. 32/35), sendo que o valor correto e informado na DIPJ 2005 Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) foi de R$ 260.475,27 (efl. 36); que, antes, havia efetuado o pagamento do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA 31/12/2004, mediante DARF. valor de R$ 297.980,04 (valor original), data do recolhimento/arrecadação 31/01/2005 (efl. 110); que, em 25/03/2009 (após ciência do despacho decisório), entregou DCTF Retificadora do 4° Trimestre de 2004 (efls. 37/40), reduzindo o débito do IRPJ Estimativa Mensal do PA dezembro/2004 de R$ 297.980,04 para R$ 260.475,27, a fim de adequar o débito aos valores informados na DlPJ/2005; que o valor do DARF pago de R$ 297.980,04, recolhido em 31/01/2005 – Comprovante de pagamento (efl. 110), quita na sua totalidade, por conseguinte, o débito apurado a título de IRPJ Estimativa Mensal do PA dezembro de 2004 confessado na DCTF primitiva e objeto de DCTF retificadora; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 201 5 que houve, por conseguinte, pagamento a maior do IRPJ Estimativa Mensal do PA dez/2004, quantia de R$ 37.504,77 (valor original); que tem esse direito creditório contra o fisco; que, porém, esse crédito foi utilizado na DCOMP, objeto dos autos, para quitação do débito do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2004 (não consta do autos cópia completa da DIPJ 2005, anocalendário 2004, apenas cópia de fragmentos, ou seja, cópia de partes das Ficha 11, conforme efls. 36 e 96 e partes das Fichas 9A e 12A – efls. 103/ 104); que, inadvertidamente, ainda o débito do IRPJ Estimativa Mensal do PA dezembro/2004 foi confessado no PER/DCOMP n° 32849.74733.210705.1.3.043065 (objeto dos autos), data de transmissão 21/07/2005 (efls. 02/04), que, como demonstrado, nessa data, o débito do IRPJ Estimativa Mensal do PA dezembro/2004 já estava quitado, conforme comprovante de pagamento de 31/01/2005 (efl. 110); que, desta forma, houve erro de fato na apuração do imposto, no preenchimento e entrega da DCOMP; que o débito do IRPJ Estimativa Mensal do PA dez/2004 já fora pago e que está sendo exigidio em duplicidade; que, por isso, solicita o cancelamento do PER/DCOMP objeto dos autos. A DRJ/Ribeirão Preto, entretanto, julgou a impugnação improcedente, conforme Acórdão de 16/04/2012 (efls. 42/48), cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de um débito discriminado em DCOMP coincidam com as de um débito declarado em DCTF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 202 6 (...) Ainda, consta da fundamentação do voto condutor do referido Acórdão (efls. 45/47): (...) Contudo, em que pese a alegação apresentada, não assiste razão à Recorrente. Primeiro, porque, a teor do art. 229 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) c/c o art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, não compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento realizar o cancelamento de PER/Dcomp. (...) Nesse sentido, cumpre observar que a IN/RFB nº 900, de 30/12/2008, estabelece que o sujeito passivo que intencione desistir do pedido de compensação deve apresentar à Secretaria da Receita Federal do Brasil pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP, (...). No caso em tela, a contribuinte apresentou o PER/Dcomp de nº 32849.74733.210705.1.3.043065, em 21/07/2005, e foi cientificada do despacho decisório sob exame em 03/03/2009, portanto, nos termos do parágrafo único do artigo 82 da IN/RFB nº 900/2008, a contribuinte deixou transcorrer in albis o prazo para apresentação à RFB do pedido de cancelamento. Segundo, porque não se pode olvidar que a PER/Dcomp sob exame traduz confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do débito indevidamente compensado, atributo válido para as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a partir de 31 de outubro de 2003, data de início da vigência da Medida Provisória nº 135,(...). Dessa forma, a contribuinte possui uma dívida confessada na Dcomp de nº 32849.74733.210705.1.3.043065, que foi transmitida em 21/07/2005, constituindo instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. Se há contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado incumbialhe, nesta fase processual, apresentar provas que permitissem albergar sua tese de inexistência do débito declarado. Por fim, não se pode esquecer também que a contribuinte, em que pese alegar ter sido um equívoco a transmissão da PER/Dcomp de nº 32849.74733.210705.1.3.043065, visto que o valor do DARF pago no montante de R$ 297.980,04, recolhido em 31/01/2005, quitaria, na sua totalidade, o débito apurado a título de IRPJ no mês de dezembro de 2004, retificou a sua Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 203 7 DCTF do 4º trimestre de 2004 para alterar, para menos, o montante da dívida originariamente declarada, de R$ 297.980,04 (fl. 35) para R$ 260.475,27 (fl. 40), de modo a delinear um crédito no montante de R$ 37.504,77, suficiente, em tese, para compensar o débito de IRPJ, código de receita: 2430, com vencimento em 31/03/2005, declarado à fl. 04 dos autos. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame também se encontra devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. A respeito do tema, esta Turma de Julgamento tem consignado que, para fins de repetição tributária, a certeza e a liquidez do crédito apurado não se configuram em razão do quantum do tributo declarado, mas em relação ao quantum comprovado pela contabilidade e outros documentos fiscais. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ e, por conseguinte, o pagamento indevido. (...) Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. (...) Não satisfeita com esse decisum do qual tomou ciência em 06/06/2012 (efl. 52), a contribuinte apresentou, em 12/07/2012, Recurso Voluntário (efls. 54/56), juntando ainda documentos de sua escrituração contábil/fiscal (efls. 57/191), cujas razões, em síntese, são as mesmas apresentadas na impugnação na instância a quo e já resumidas anteriormente, ou seja, pediu o cancelamento da DCOMP e dos débitos confessados, acrescentando: a) que o débito do IRPJ Estimativa Mensal PA dez/2004 está sendo exigido em duplicidade, pois já fora pago, conforme comprovante de recolhimento no valor de R$ 297.980,04, data de arrecadação 31/01/2005 (efl. 110); b) que o débito do IRPJ ajuste anual do AC 2004, valor integral, de R$ 281.040,17 já foi pago, data de arrecadação 31/03/2005, comprovante de Arrecadação (efl. 111) (alegou que o pagamento foi efetuado com código de receita errado, pois não é pagamento de CSLL, mas sim IRPJ ajuste anual do AC 2004). É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 204 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Não conheço do recurso, por ter sido apresentado intempestivamente. Recurso perempto. A Contribuinte tomou ciência da decisão a quo em 06/06/2012(quartafeira), por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 52) e, apenas, em 12/07/2012 (quintafeira) foi protocolizado o Recurso Voluntário (efls. 54/56). A intempestividade do recurso consta, também, consignada no despacho da DRF/Sorocaba, de forma expressa (efl. 194), in verbis: (...) Tendo sido regularmente cientificado do Acórdão nº 1437.315 da DRJ em Ribeirão Preto (SP), o interessado interpôs recurso voluntário, através da documentação juntada às fls. 54 a 191. O interessado foi cientificado do Acórdão da DRJ em 06/06/2012, conforme aviso de recebimento juntado à fl. 52, tendo protocolizado INTEMPESTIVAMENTE o recurso voluntário em 12/07/2012 (fl. 54), considerandose o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Tendo em vista o disposto no art. 74 do Dec. 7.574/2011, proponho o encaminhamento para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação. (...) O Decreto n° 70.235/72, diploma legal que regula o ProcessoAdministrativo Tributário Federal, no seu art.33 dispõe que da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância, quando contrária ao contribuinte, caberá Recurso Voluntário, total ou parcial, dentro do prazo de trinta dias contado a partir da sua ciência, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais–CARF, com efeito suspensivo. A propósito, transcrevo o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 205 9 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Do texto legal, transcrito acima, extraíse, portanto, que o recurso seja apresentado, protocolado no Órgão competente, dentro do prazo de trinta dias contado a partir da ciência da decisão de primeira instância. O descumprimento do prazo, para apresentação do recurso, acarreta a perempção, impedindo a apreciação de suas razões pelo órgão de julgamento de segunda instãncia (orgão recursal). No caso em tela, restou caracterizada a inobservância do prazo legal para interposição do recurso. A contagem do prazo legal aponta o dia 09/07/2012 (segundafeira) como a data final, fatal, para apresentação tempestiva da peça recursal com suas razões, prazo que, no caso, não foi observado, pois a peça recursal foi protocolada somente em 12/07/2012 (quintafeira), ou seja, 03 (três) dias após expirado o prazo para apresentação tempestiva. Não obstante, o recurso subiu até esta instância recursal, mesmo perempto, em face do disposto no art. 35 do Decreto nº 70. 235/72, in verbis: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Como demonstrado, o recurso realmente é serôdio, pois foi protocolado a destempo. A não observância do prazo legal para interposição do recurso voluntário impede o seu conhecimento, na medida em que a tempestividade constitui um dos presssupostos objetivos de admissibilidade. Portanto, não se toma conhecimento do recurso, de suas razões, quando apresentado a destempo, ou seja, após escoado o prazo regulamentar, pela caracterização da perempção. Não obstante, apenas para argumentar, quanto ao pedido de cancelamento da DCOMP obejto dos autos e dos débitos nela confessados (pois os débitos do imposto já estariam quitados alega a recorrente), cabe à contribuinte comprovar o alegado erro de fato, à luz da sua escrituração contábil e fiscal, para evitar exigência em duplicidade, mediante petição dirigida à unidade de origem da RFB ainda nos presentes autos, pois a DRF local tem competência para proceder revisão de ofício, nos termos do art. 147, § 2º, do CTN, ou seja, os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.901138/200977 Acórdão n.º 1802002.554 S1TE02 Fl. 206 10 Por tudo que foi exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10835.900026/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
Ementa: PER/DCOMP. DIPJ. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO.
Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp ou da DIPJ transmitidos, é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório, permanecendo o dever de demonstrar os valores indicativos do crédito informado na declaração retificada.
Numero da decisão: 1102-000.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 Ementa: PER/DCOMP. DIPJ. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO. Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp ou da DIPJ transmitidos, é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório, permanecendo o dever de demonstrar os valores indicativos do crédito informado na declaração retificada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 Ementa: PER/DCOMP. DIPJ. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO. Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp ou da DIPJ transmitidos, é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório, permanecendo o dever de demonstrar os valores indicativos do crédito informado na declaração retificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Leonardo de Andrade Couto, Gilberto Baptista, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira Maria Elisa Bruzzi Boechat e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida, que abaixo transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao 1° trimestre de 2004. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/Dcomp, consta valor do saldo negativo (crédito) igual a zero. Cientificada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que os créditos utilizados em PER/DCOMP decorreriam de retenções do IRPJ na fonte em Notas Fiscais de Serviços, que teriam sido lançados na contabilidade da empresa na conta IRRF a recuperar para futura compensação com débitos da COFINS, consideradas as correções pela taxa Selic. Assim, requer revisão do despacho decisório recorrido, considerandose a seguinte documentação juntada aos autos: cópia do despacho decisório e de termos de intimação, cópias de algumas Notas Fiscais de Serviço (para exemplo), cópia da folha do razão/contabilidade, onde constaria o saldo acumulado do IRRF a recuperar e as compensações efetuadas. Ao final, requer seja acolhida a impugnação, por supostamente demonstrada a insubsistência e improcedência (total ou parcial) do despacho decisório. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto prolatou o Acórdão 1428.631 em 26/04/2010, negando provimento à impugnação tendo em vista não ter sido demonstrada a existência do direito creditório. A decisão foi consubstanciada na seguinte ementa: As s u n t o : I m p o s t o s o b r e a Renda d e Pessoa J u r í d i ca IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10835.900026/200856 Acórdão n.º 1102 00637 S1C1T2 Fl. 2 3 O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no trimestrecalendário. Devidamente cientificado da decisão, a interessada recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Traz aos autos alguns documentos da escrituração e cópia do que seria a DIPJ retificadora concernente ao anocalendário de 2004. É o Relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO No PER/Dcomp de que trata o presente, formalizada em 13/01/2006, a interessada requer o reconhecimento do direito creditório correspondente ao saldo negativo do IRPJ apurado no 1° trimestre de 2004. Em primeira apreciação, a autoridade tributária não localizou o crédito pleiteado na DIPJ constante dos arquivos da Receita Federal do Brasil e expediu intimação, com ciência em 07/05/2007, a fim de que retificasse essa DIPJ ou apresentasse PER/Dcomp retificador com as informações corretas. O sujeito passivo quedouse inerte motivo pelo qual, decorrido um ano, foi prolatado despacho decisório não homologando o pleito. Na impugnação, a interessada sustenta que o crédito teria origem no IRRF incidente receita de prestação de serviços devidamente lançados na contabilidade da empresa. Após a decisão recorrida registrar que o IRRF quando devidamente comprovado, entra na composição do saldo negativo do IRPJ, mas não necessariamente corresponde a esse saldo, a interessada traz na peça recursal alguns documentos da escrituração que demonstrariam o IRRF, e a cópia do que seria a DIPJ retificadora do período em questão com indicação do saldo negativo pleiteado. De imediato, não se pode olvidar que a análise do PER/DCOMP deve se ater às informações nele contidas, pois é no bojo desse documento que constam, ou deveriam constar, as intenções do declarante. Daí porque, sem a retificação pertinente, o despacho decisório não poderia manifestarse de outra forma. Apesar de a decisão recorrida ter deixado clara a necessidade de que fosse demonstrada a retenção na fonte e a contabilização da receita correspondente, além da composição do saldo negativo do IRPJ, o sujeito passivo não apresentou a documentação pertinente. O IRRF de que trata a lide está identificado na página 3 do PER/Dcomp (fl.03). Caberia, em relação aos valores ali informados, a apresentação das notas fiscais de prestação de serviços e, principalmente, dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras com indicação da retenção. As duas únicas notas fiscais trazidas aos autos (fls. 24/25) indicam como fonte pagadora um CNPJ que não coincide com nenhum daqueles indicados no PER/Dcomp. Os documentos apresentados na peça recursal consistem em cópias de balancetes, livro Diário e Razão, sem identificação específica que permita fazer alguma associação com os valores pleiteados, a fim de que fosse atestada a contabilização da receita concernente ao IRRF. No que se refere à DIPJ retificadora, foi apresentada após o despacho decisório e não há maiores informações quanto ao seu processamento. Além disso, a entrega da Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10835.900026/200856 Acórdão n.º 1102 00637 S1C1T2 Fl. 3 5 retificadora por si só não supre a necessidade de comprovação dos saldos negativos do IRPJ nela informados o que, como já exposto, não ocorreu. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004407/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida. Tendo a Contribuinte interposto o recurso voluntário fora do prazo legal sem provar a ocorrência de causa impeditiva, o recurso não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 1102-001.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Opperman Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida. Tendo a Contribuinte interposto o recurso voluntário fora do prazo legal sem provar a ocorrência de causa impeditiva, o recurso não pode ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé - Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Opperman Thomé.
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PROD. PARA SAÚDE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida. Tendo a Contribuinte interposto o recurso voluntário fora do prazo legal sem provar a ocorrência de causa impeditiva, o recurso não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Opperman Thomé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 44 07 /2 00 5- 01 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11080.004407/200501 Acórdão n.º 1102001.332 S1C1T2 Fl. 3 2 Em apertada síntese, tratase de Recurso Voluntário protocolado em 17/11/2008 (fls. 541/553 e docs. anexos fls. 554/564) interposto contra Acórdão nº 1016.357 (fls. 532/536) proferido pela 1ª Turma da DRJ/POA, que manteve integralmente a autuação. A lide gira em torno de auto de infração referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte, lavrado em 23/06/2005 (fls. 440/450), em decorrência de suposto pagamento a beneficiário não identificado. No Relatório da Ação Fiscal (fls. 422/439) explicase que a autuação decorreu de fiscalização na qual resultou também autos de infração para constituição de IRPJ e CSL em decorrência de ganho de capital não apurado em relação à aquisição de precatórios; divergência entre DIPJ e DCTF; e compensação a maior do Imposto de Renda Retido na Fonte referente aos anoscalendários de 2001 e 2002. Os autos foram inicialmente distribuídos para a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, que proferiu o despacho nº 2202178763 (fls. 566/567), em 30/04/2012, e o despacho nº 2202009Redimensionamento (fl. 568/569), de 02/05/2012, determinando a redistribuição para a 1ª Seção. Finalmente, os autos foram reenviados à 1ª SEJUL em 07/08/2014 (fl. 571) sendo sorteados para essa relatoria em 23/10/2014. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Um dos pressupostos e requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF não se faz presente, qual seja, a tempestividade, razão pela qual o recurso não deve ser conhecido. A Contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1016.357 (fls. 532/536), proferido pela 1ª Turma da DRJ/POA, em 14/10/2008, uma terçafeira, conforme se observa do Aviso de Recebimento – AR (fl. 540), o que atende ao art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72. Tendo em vista que a intimação ocorreu em uma terçafeira, o prazo começou a correr no dia 15/10/2008, uma quartafeira, findando em 13/11/2008, uma quintafeira. Todavia, o Recurso Voluntário só foi interposto no dia 17/11/2008, uma segundafeira (fl. 541). Cabe registrar que a Portaria nº 855, de 26/12/2007, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), publicada no Diário Oficial da União do dia 27/12/2008, não noticia nenhum feriado nacional nem ponto facultativo nos dias 14/10/2008 e 13/11/2008. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11080.004407/200501 Acórdão n.º 1102001.332 S1C1T2 Fl. 4 3 Ademais, a Contribuinte não informa e, consequentemente, não prova que não recorreu no prazo por justa causa, nos termos do § 1º, do art. 183, do Código de Processo Civil1. Desse modo, com fundamento nos art. 210, do Código Tributário Nacional2, e nos art. 5º e 33, do Decreto 70.235/723, não conheço do Recurso Voluntário interposto intempestivamente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto 1 CPC, Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. § 1o Reputase justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. 2 CTN, Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. 3 Decreto, 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 11080.004407/200501 Acórdão n.º 1102001.332 S1C1T2 Fl. 5 4 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720861/2010-44
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
Recurso Voluntário. Prazo
O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão de 1a Instância. O recurso interposto fora do prazo não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 1801-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. A Conselheira Cristiane Silva Costa participou deste julgamento
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 Recurso Voluntário. Prazo O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão de 1a Instância. O recurso interposto fora do prazo não deve ser conhecido.
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PRAZO O recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão de 1a Instância. O recurso interposto fora do prazo não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. A Conselheira Cristiane Silva Costa participou deste julgamento (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 08 61 /2 01 0- 44 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH 2 WMA GALVÃO recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, de acórdão proferido pela 4a. Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte contra as exigências consubstanciadas nos autos. Contra a contribuinte foram lavrados autos de infração para exigir IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, na modalidade do Simples Federal, no valor total de R$ 388.669,26, já incluídos juros e multa de ofício de 75%, decorrentes da apuração de omissão de receitas caracterizada por diferença de estoques e insuficiência de recolhimento em razão de divergência de valores informados ao Fisco Estadual e ao Fisco Federal. De acordo com a acusação fiscal, relativamente ao 1° semestre de 2007, quando a empresa era optante do Simples Federal, foi identificada “omissão de receitas à RFB, após opção pelo Simples no 1º semestre de 2007, caracterizada pela grande diferença de estoques apurada no comparativo entre as quantidades do produto (gás engarrafado), comprovadamente, adquiridas à Liquigás e aquelas informadas nos mapas de controle aprovados pela ANP, bem como as constantes das notas fiscais emitidas pela empresa e, ainda, destoantes dos valores registrados nos livros fiscais de ICMS da empresa e dos declarados ao Estado do RN no Movimento Econômicos Tributário (Moveco) e, por fim, mais abaixo, ainda, dos valores de receitas declarados à RFB, através da PJSISimples”; No contexto da ação fiscal apurouse, de acordo com a planilha resumo dos Livros Fiscais de Saídas e de Apuração de ICMS, dois tipos de operação preponderantes, sendo uma de remessas/transferências de vasilhames, no valor de R$ 4.068.979,90, e vendas com notas fiscais D ou 1, de botijões de gás de 13 e 45 Kg, no valor de R$ 36.372,10, predominando as remessas de vasilhames, eis que obrigatórias nas compras de gás da fornecedora principal Liquigás, para reposição dos estoques. A empresa Liquigás Distribuidora S/A apresentou cópias das notas fiscais de compras efetuadas pela contribuinte e relação de pagamentos por ela efetuados no AC 2007 (fls. 47/306). Tais documentos e relação dos pagamentos foram sintetizados em planilha no Demonstrativo nº I (fls. 307/314), servindo de referência, juntamente com os Mapas de Controle de Movimento Mensal apresentados pela empresa (fls. 19/42) para formulação dos Demonstrativos III e IV (fls. 329/330), sendo que o levantamento desses estoques mensais, confrontados com os valores de venda praticados mensalmente pela empresa, teriam permitido a estimativa dos valores indiciários de omissão nos registros da empresa para fins tributários. Constatou a auditoria que houve opção pelo Simples, mas não foi apresentado o livro Caixa, obrigatório para os casos de inexistência de contabilidade. Os valores de receitas brutas declarados para o 1º trimestre mostraramse demasiadamente destoantes dos valores comprovados das compras e operações de saída apresentadas pelo Estado, concluindose pela falta de tributação de grande parte das receitas. Relativamente à Moveco – Movimento Econômico Tributário (fls. 411/417), a empresa teria declarado ao fisco do Rio Grande do Norte saídas no 1º semestre de 2007 no valor expressivo de R$ 4.125.458,00 (fl. 413) para a Matriz e de R$ 13.500,00 para a filial (fl. 416). A análise revelou que o valor de vendas em notas fiscais no AC 2007 foi de R$ 36.372,10 e de R$ 33.812,50 nos livros fiscais de saídas (fls. 328) contra R$ 4.068.979,90 de remessas de vasilhames (fl. 328). Nem mesmo a totalidade dos valores registrados pela empresa em seus livros com respaldo nos documentos fiscais teria sido declarada à RFB, pois os valores na PJSI totalizaram R$ 11.899,50 para o 1º semestre. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH Processo nº 10469.720861/201044 Acórdão n.º 1801002.342 S1TE01 Fl. 3 3 Também foram lavradas exigências relativamente ao 2° semestre de 2007 mas que não foram tratadas nos presentes autos. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, mas a multa de ofício não foi qualificada pela ausência de fatores qualificadores. Em impugnação tempestivamente apresentada, alegou a empresa (extraído do relatório da DRJ em Recife/PE): a empresa foi constituída em 04/07/2002, no comércio varejista de gás GLP, único produto comercializado, enquadrada como microempresa, tendo como forma de tributação o Simples Nacional e produto comercializado tem forma diferenciada de cobrança de impostos e contribuição, pois o ICMS, PIS e Cofins tem substituição tributária e é recolhido na fonte, ficando apenas o IRPJ e a CSLL a serem pagos na devida apuração; o cálculo do IRPJ é diferenciado quanto à alíquota, conforme art. 530, I, do RIR/99, tendo sua majoração em 1,6%; a CSLL tem sua alíquota normal de 1,08%, quando o regime de apuração é pelo lucro presumido ou arbitrado; a empresa entendia que estando no regime do Simples, “a forma de calcular o imposto era usando apenas o lucro como base, pois como os demais impostos eram pagos na fonte, com isso a empresa em nenhum momento teve ou tinha a intenção de omitir receita para reduzir ou deixar de recolher aos cofres públicos o valor certo devido, sempre usando a boafé”; a empresa vem informando ao fisco estadual toda a movimentação de entradas como mostra o "MOVECO", onde a fiscalização buscou informações que, com outras, serviram como elementos probatórios para o seu convencimento quanto à aplicabilidade das normas; a fiscalização entendeu que a empresa não apresentou os documentos hábeis para facilitação da devida averiguação e achando equívocos quanto ao real valor devido, optou pela tributação do Lucro Arbitrado; diante dos procedimentos usados pela fiscalização, vê a necessidade da exclusão da empresa da sistemática de pagamento de tributos de que trata o art. 3º da Lei 9.317/96, denominada de Simples, com fundamento nos incisos I a V do art. 14 da mesma Lei, exclusão que deverá ser retroativa e surtir efeitos a partir de janeiro de 2007, obedecendo ao disposto nos “incisos IV a V do art. da Lei 9.317/96”; não pode pagar repetidamente os tributos Cofins e PIS, pois estaria havendo repetição indébita, pois os tributos foram pagos na primeira operação quando da retenção destes pela empresa fornecedora, Liquefaz Distribuidora S/A, como se poderá averiguar nas notas fiscais que fazem parte dos elementos de prova do processo; quanto ao INSS, também entende não prosperar a cobrança, “pois com a exclusão do regime tributário da empresa na época fica obrigado apenas a recolher os tributos que a lei permite que são: IRPJ e CSLL”; transcreve art. 9º do “Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1997”, sobre determinação do lucro real com base em livros e documentos de escrituração Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH 4 do contribuinte e a utilização do arbitramento quando inexistir escrituração contábil regular ou for imprestável para apurar o lucro Real; bastaria o não cumprimento de apenas uma das condições estipuladas no art 530 do RIR/99 para levar a empresa à tributação pelo lucro arbitrado, tendo o Primeiro Conselho de Contribuintes firmado jurisprudência que basta não escriturar o LALUR para levar ao lucro arbitrado, ou não preencher o Livro Diário ou o Livro de Registro de Inventário; referese à possibilidade de autoarbitramento, a partir de 01/01/1995, desde que conhecida a receita bruta, citando o art. 47,§§ 1º e 2º da Lei 8.981/95 e art. 1º da Lei 9.430/96); discorda quanto à forma de tributação usada para os cálculos dos tributos apurados, pois faltam elementos reais para a devida apuração nos termos empregados neste procedimento, vendo a possibilidade do órgão fiscalizador aplicar como forma de apuração do lucro, o presumido ou arbitrado, dessa forma buscando a justiça fiscal, requerendo, por fim, a improcedência da ação fiscal. A Turma Julgadora de 1a. Instância manteve as exigências. Os fundamentos adotados na manutenção dos autos de infração podem ser sintetizados nas ementas constantes do acórdão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 SIMPLES. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA. Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o ganho ou lucro resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exigese através de lançamento de ofício as diferenças apuradas, relativas a recolhimentos a menor em face da identificação de base cálculo aplicável a maior em relação àquela apurada pela contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DIFERENÇAS DE ESTOQUE. Não se instaura o contencioso sobre as matérias que não foram objeto de contestação expressa do contribuinte, conforme a legislação de regência do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH Processo nº 10469.720861/201044 Acórdão n.º 1801002.342 S1TE01 Fl. 4 5 MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presunção legal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada da decisão, em 21/07/2011, como comprova a cópia do AR à efl. 520, apresentou a interessada, em 25/08/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa afirma, inicialmente, que, contrariamente ao que teria constado do acórdão recorrido, teria contestado as provas produzidas pela fiscalização. Reafirma que o PIS a COFINS e o INSS teriam sido retidos na primeira operação e o fisco estaria a cobrálos em duplicidade. Reproduz os argumentos de defesa atinentes a (i) data de constituição da empresa; (ii) incidência de alíquotas e cálculo diferenciado para o IRPJ, CSLL e INSS; (iii) que entendia que a forma de calcular o imposto seria a de usar apenas o lucro como base para incidência; (iv) a auditoria deveria arbitrar o lucro; (v) deveria ser excluída do Simples Federal retroativamente; (vi) não poderia pagar repetidamente a COFINS o PIS e o INSS. Ao final pede pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora A interessada foi cientificada da decisão da 4a. Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, em 21/07/2011, como comprova a cópia do AR à efl. 520. O recurso voluntário foi protocolizado em 25/08/2011. O Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal dispõe: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH 6 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; O dia 21/07/2011, data em que a empresa foi notificada da decisão recorrida, foi uma quintafeira. Assim, o prazo de 30 (trinta) dias passou a correr do dia seguinte, sexta feira, 22/07/2011, sendo este o primeiro dia do prazo. O último dia do prazo, sábado, 20/08/2011. Por se tratar de um dia em que não há expediente na repartição fiscal, fica automaticamente prorrogado para o primeiro dia útil seguinte, no caso, segundafeira, 23/08/2011. Assim, o recurso apresentado em 25/08/2011 é flagrantemente intempestivo o que foi reconhecido pela DRF em Natal/RN no despacho de efl. 529. Nessas condições, o recurso não deve ser conhecido. Em face do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES W IPPRICH
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Numero do processo: 15504.000081/2007-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/10/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA
A teor do art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, a denúncia espontânea aperfeiçoa a exclusão de responsabilidade pelo pagamento ou pelo depósito da importância quando de arbitramento e não por mera confissão de débito.
PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
Indeferido o parcelamento, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito nos moldes do inciso VI, do art. 151, do Código Tributário Nacional - CTN.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Pacificado neste Conselho mediante a emissão da Súmula n° 2 , o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE MORA.
Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
O inciso II, c do art.106, do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando que se procedam os cálculos dos créditos constituídos para multa de mora na forma do previsto no art. 35 da Lei nº 11.941, de 2009 ( nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
CARLOS ALERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 30/10/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA A teor do art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, a denúncia espontânea aperfeiçoa a exclusão de responsabilidade pelo pagamento ou pelo depósito da importância quando de arbitramento e não por mera confissão de débito. PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Indeferido o parcelamento, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito nos moldes do inciso VI, do art. 151, do Código Tributário Nacional - CTN. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Pacificado neste Conselho mediante a emissão da Súmula n° 2 , o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE MORA. Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O inciso II, c do art.106, do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Indeferido o parcelamento, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito nos moldes do inciso VI, do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Pacificado neste Conselho mediante a emissão da Súmula n° 2 , o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE MORA. Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O inciso II, “c” do art.106, do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 00 81 /2 00 7- 29 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando que se procedam os cálculos dos créditos constituídos para multa de mora na forma do previsto no art. 35 da Lei nº 11.941, de 2009 ( nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000081/200729 Acórdão n.º 2403002.529 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito relativo a contribuições destinadas à Seguridade Social e a outras entidades, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, no período 02/2003 a 10/2005, conforme relatório fiscal de fls. 103 a 105. A autoridade autuante registra que o crédito foi levantado com base nas divergências apontadas pelo sistema de controle de arrecadação do INSS "ÁGUIA" e pelos documentos apresentados pelo contribuinte GFIP, GRFP e Guias da Previdência Social – GPS e que a partir do confronto destas informações constatouse a falta de recolhimento nas competências levantadas. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou impugnação, fls. 116 a 143, alegando em síntese que : declarou os débitos lançados através de GFIPs, o que não justifica a alegação de "divergência"; o fisco lançou novamente valores já declarados pelo contribuinte, o que supera qualquer razoabilidade que se espera da Administração Pública; antes da emissão da notificação fiscal, já havia confessado os débitos previdenciários, logo, indevida a exigência de multa em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN; a ausência de pagamento relativo às competências 02/2003 a 10/2005, deve se à adesão da empresa ao Parcelamento Extraordinário, instituído pela MP 303/2006, cuja consolidação ainda não tivera ocorrido , por depender de ato administrativo desse órgão; os referidos débitos, na data da autuação encontravamse com a exigibilidade suspensa, devido à adesão do contribuinte ao parcelamento extraordinário; parte dos valores que não haviam sido declarados tempestivamente em GFIPs (já retificados) foram devidamente e tempestivamente declarados via FORCED, corroborando, assim, sua inclusão no PAEX; é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários, uma vez que sua utilização acarreta a cobrança de juros além de 1% ao mês, em flagrante contrariedade ao disposto na Constituição; a contribuição para o SAT é inconstitucional e ilegal, uma vez que o legislador ordinário não definiu exaustivamente os elementos necessários à cobrança da exação, contrariando o disposto nos artigos 97 e 99 do CTN e 153, § 1º, da Constituição Federal; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 a impugnante como prestadora de serviços não está obrigada a contribuir para o SESC e SENAC; a contribuição ao SEBRAE contraria os pressupostos constitucionais que envolvem a instituição de novas contribuições, quais sejam, o da necessidade de prévia lei complementar, o da falta de relacionamento entre os contribuintes com a respectiva categoria profissional ou econômica e o da proibição de acumulação com outras contribuições que tenham o mesmo fato gerador ou base de cálculo. Não sendo a impugnante empresa comercial ou industrial, não está obrigada ao recolhimento das Contribuições ao SESC/SENAC, e, por conseqüência, não está sujeita ao recolhimento da Contribuição ao SEBRAE. Sob qualquer ângulo em que se examine a questão, a inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição ao SEBRAE da impugnante é evidente; e a contribuição ao INCRA não tem condições jurídicas de ser exigida das empresas urbanas, seja em face da Constituição de 1988, seja em face da ordem constitucional anterior. Cita acórdão do STJ (ERESP 173.380). DO PEDIDO Requereu a desconstituição do auto de infração, uma vez não ter ocorrido o fato imputado à impugnante (declaração divergente em GFIP), e pelos demais argumentos formulados na impugnação. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.329, a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil emBelo Horizonte – MG DRJ/BHE , 26 de outubro de 20123, exarou o Acórdão n° 0241.060 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.378 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000081/200729 Acórdão n.º 2403002.529 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO No presente Recurso, destaquese que o contribuinte reitera que : já havia declarado tais débitos através de suas GFIPs, o que não justifica a alegação de "divergência". Não há, contudo, qualquer omissão ou erro nos valores declarados; a ausência de pagamentos relativamente às competências ora exigidas 02/2003 a 10/2005 devese à adesão da empresa ao Parcelamento Extraordinário, instituído pela MP 303, cuja consolidação ainda não ocorreu, porque dependentes de ato administrativo deste órgão. os referidos débitos, na data da autuação, portanto, encontravamse com sua exigibilidade suspensa, devido à adesão da Impugnante ao PARCELAMENTO EXTRAORDINÁRIO. No dossiê formado pelo processo apenso de n° 15504.005928/201067 se revela que o sobredito Pedido de Parcelamento Excepcional (MP 303/06) – PAEX 01.27128 4 , não se efetivou e disto a recorrente teve ciência. Na forma das diligências abaixo, além de intimada não só dos termos do Acórdão de primeira instância mas também do indeferimento do pedido de parcelamento supra, tendo a recorrente tornado a colacionar os mesmos argumentos em sede recursal, temse que operou no limite da litigância de máfé posto ciente do indeferimento interpõe recurso com intuito manifestamente protelatório. Conforme o preceituado no incisos, II e III do art. 14 do Código de Processo Civil, aqui subsidiariamente exortado, são deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo, entre outros , proceder com lealdade e boafé e não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de fundamento , verbis : “ Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo: ( Redação dada pela Lei n 10.358, de 2001) I expor os fatos em juízo conforme a verdade; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 II proceder com lealdade e boafé; III não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de fundamento; IV não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito.” ( grifos do autor) “ DA DILIGÊNCIA. O processo foi encaminhado a DRF de origem, fl. 294 e 295, para que fosse informado se à época da formalização do crédito previdenciário, a empresa já havia requerido o parcelamento das contribuições exigidas no lançamento fiscal. Informa o auditor fiscal, fl. 315, que antes da emissão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, foi efetuada pesquisa no sistema Plenus MV2, não se constatando a existência de qualquer parcelamento referente ao período de 02/2003 a 10/2005. A DRF/BH informou à fl. 319, que a empresa protocolou pedido de parcelamento especial requerido nos termos do art. 8º da MP 303/2006, em 15/9/2006. Diz que o pedido de parcelamento encontrase em fase de processamento e somente após a apresentação pelo contribuinte da Autorização de Débito Parcelado em Conta ADPC assinada e abonada pelo banco, será deferido o pedido em questão. DA NOVA DILIGÊNCIA Em sessão realizada no dia 4/9/2008, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência através da Resolução 02 967 – 7ª Turma da DRJ/BHE. Citada resolução determinou o reenvio dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para informação conclusiva quanto ao deferimento ou indeferimento do parcelamento requerido, uma vez que somente com a decisão definitiva nesse processo seria possível apreciar a impugnação da notificada, sendo que em caso de concessão do pedido, deveriam ser informados os valores que continuarão neste lançamento. Conforme informação (fl. 324) do SECAT/Eqpar, datado de 4/4/2012, o pedido de parcelamento especial formulado nos termos do artigo 8º da MP 303/2006 foi indeferido e que não houve cadastramento do débito confessado em FORCED, tendo em vista que a interessada não atendeu à intimação 115/2009 (fl. 109 do processo de parcelamento apensado a este – COMPROT 15504.005928/201067). DA ADESÃO VIA INTERNET Informa ainda, que em 29/10/2009, o contribuinte efetuou adesão – via internet – às modalidades de parcelamento nos termos da Lei 11.941/2009 (fl. 111) e manifestouse pela inclusão da totalidade dos débitos da PGFN e RFB, em 11/6/2010, de acordo com a Portaria Conjunta PGFN/RFB Fl. 425DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000081/200729 Acórdão n.º 2403002.529 S2C4T3 Fl. 5 7 3/2010 (fl. 207). As folhas citada são do processo 15504.005928/201067. Às fls. 209 a 211 do processo de parcelamento foram juntadas cópias do sistema SICOB onde estão relacionados os débitos efetivamente incluídos pela interessada quando da consolidação efetivada via CAC para os parcelamentos da Lei 11.941/2009. Constam às fls. 212 e 213 do mesmo processo, histórico de eventos da NFLD 37.065.5664 demonstrando que a mesma esteve disponível para consolidação, nos termos da Portaria Conjunta 2/2011 até 31/7/2011 quando, por não ter sido selecionada para parcelamento, retornou automaticamente à situação anterior para prosseguimento da cobrança. O processo retornou a DRJ/BHE para conclusão do julgamento da NFLD 37.065.5664. DÉBITOS ABRANGIDOS PELO PAEX MP 303. Embora, o contribuinte alegue que seus débitos foram incluídos em parcelamento, conforme resultado da diligência solicitada pela DRJ/BHE e retratada no item Diligência do relatório desta decisão, tal hipótese não ocorreu, devendo a presente notificação fiscal de lançamento de débito ter seu curso normal. ” DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A Recorrente reitera que antes da emissão da notificação fiscal, já havia confessado os débitos previdenciários, logo, indevida a exigência de multa em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN. Cumpre observar que o artigo exortado não se presta ao caso em comento tendo em vista que trata de exclusão de responsabilidade pelo pagamento ou depósito da importância quando de arbitramento e não de confissão de débito: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.”. No mesmo encimado sentido alega suspensão de exigibilidade do crédito também em função do que preceitua o artigo 151, inciso VI, do CTN, na hipótese de ter havido parcelamento. Como visto alhures o parcelamento não se efetivou logo não há que falar em suspensão da exigibilidade. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 DAS PROVAS DA OBTENÇÃO DO PARCELAMENTO Não obstante o sobredito, cumpre observar que a recorrente se utiliza de argumentos e expressões como se a análise do pedido de parcelamento ainda estivesse em andamento entretanto não demonstra de forma cabal que no presente o pedido de adesão continue pendente de ato administrativo da administração: “ a ausência de pagamentos relativamente às competências ora exigidas 02/20030 a 10/2005 devese à adesão da empresa ao Parcelamento Extraordinário, instituído pela MP 303, cuja consolidação ainda não ocorreu, porque dependentes de ato administrativo deste órgão. os referidos débitos, na data da autuação, portanto, encontravamse com sua exigibilidade suspensa, devido à adesão da Impugnante ao PARCELAMENTO EXTRAORDINÁRIO.” DA SUPOSTA EXIGÜIDADE DE PRAZO Em sede de impugnação alegou que em prazo máximo de 15 dias era difícil ratificar o levantamento e declarações procedidas pela empresa, durante mais de três anos e assim se manifestou conforme o que se segue : “ O que se está exigir na presente NFLD é a ratificação do levantamento e declarações procedidas pela empresa, durante mais de três anos, em prazo máximo de 15 dias! Protesta a Impugnante, pois, pela sua posterior manifestação quanto à correção dos números ora lançados, apuração impossível de se realizar no prazo de defesa.” ( grifos de minha autoria) Passados 7 ( SETE ) anos, ao interpor o presente recurso, de forma nada diligente, copia e reitera a íntegra da alegação que fizera na peça vestibular reclamando da exigüidade do prazo concedido. Penso que o prazo decorrido desde então foi mais que suficiente para proceder o requerido que entretanto não o fez. Também reitera o que dissera em sede de impugnação que não se conformava com várias parcelas que foram computadas no presente lançamento, que consoante, seria demonstrado. Aduz que não o fez naquela oportunidade e tampouco nesta. DAS INCONSTITUCIONALIDADES Quanto às demais alegações de inconstitucionalidades literalmente reiteradas, por economia processual, corroboro o voto a quo sendo despiciendo verbalizar arrazoado sinônimo para alfim esposar aqueles argumentos. DA ASSUNÇÃO DA INADIMPLÊNCIA Não obstante tudo que foi exibido, é relevante notar que o simples fato de a empresa ter requerido o parcelamento, torna explícita a assunção da inadimplência não havendo pois o que argüir neste sentido. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.000081/200729 Acórdão n.º 2403002.529 S2C4T3 Fl. 6 9 DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA O inciso II, “c” do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, verbis: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” DA MULTA DE MORA Na condução do voto a i. Julgadora aludindo a redução da multa registrou que como se verifica no Discriminativo Analítico de Débito, fls. 5 a 44 , de acordo com a Lei 8.212/1991, artigo 35, § 4º, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos foram reduzida em cinqüenta por cento. A notificação da Infração ocorreu em 09/04/2007( fls 112) e lançamento contemplou as competências 01/02/2003 a 30/10/2005. Muito embora a sessão de julgamento fora levado à termo em 26 de outubro de 2012 tendo em vista o comando do art 144 do Código Tributário Nacional – CTN, que determina que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada corretamente aplicaramse o preceituado no revogado artigo 35, § 4º, da Lei n 8.212/1991. O comando que revogou o artigo supra teve redação dada pela Lei n° 11.941,de 2009. Entretanto não se observaram a íntegra do novo art. 35 introduzido pela mesma sobredita lei, senão vejamos: Fl. 428DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei n° 11.941,de 2009 ) ” Às fls. 94, no relatório de acréscimos legais da multa, consta que a penalidade fora capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n° 11.941. Sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Face ao apresentado, cabe recálculo da multa de mora sobre os valores remanescentes da aplicação da redução. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para No MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que se procedam os recálculos dos créditos constituídos para multa de mora na forma do previsto na art. 35 da Lei n° 8.212/912 conforme a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 429DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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