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Numero do processo: 10950.002812/2005-27
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
A omissão, a obscuridade e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos não restando comprovadas, os embargos de declaração interpostos devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1801-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer os embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito rejeitá-los e ratificar o Acórdão nº 1801-01.175, de 13.09.2012, da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer os embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito rejeitálos e ratificar o Acórdão nº 180101.175, de 13.09.2012, da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 28 12 /2 00 5- 27 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.002812/200527 Acórdão n.º 1801001.511 S1TE01 Fl. 91 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Recorrente, Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180101.175, de 13.09.2012, com fundamento no que dispõe o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CSRF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 04, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 28.02.2005 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do quarto trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 18.02.2005. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, Instrução Normativa SRF nº 73, de 19 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0203, suscitando DOS FATOS: I No dia, 15 de fevereiro de 2005, que e o prazo estipulada pela Secretaria da Receita Federal para a transmissão da DCTF referente aos 4º trimestre de 2004, houve impossibilidade na transmissão da DCTF, por falha técnica a nível regional, ocasionando congestionamento no site da Receita. Federal. II A informação sobre o problema descritos no Item f, foi dada pela Sra. Alacir Braz, MD chefe CAC/DRF/Mgá, que orientou no sentido de que se continuasse tentando acessar o "site da Receita Federal até o último horário, ou seja até as 20:00 horas cio dia 15/02/2005, e, no caso de não conseguir efetuar a transmissão, que fosse levada no dia seguinte, ou seja no dia 16/02/2005 gravação da DCTF diretamente no balcão da SRF Maringá, para ser recepcionada. III A orientação dada conforme item II foi acatada e no dia 16/02/2005 na parte da manhã, o encarregado do escritório feri entregar o disquete contendes a gravação da DCTF 2004, contudo ele não foi recepcionado, diante da alegação da funcionária do atendimento, de que estava sendo aguardado instrução sabre como a Unidade da Receita deveria proceder para recepcionála, solicitando que retomasse após o almoço. IV Enfim, durante alguns dias tentouse efetuar a transmissão e a resposta era a de que não seria possível recepcionar a DCTF pelo fato de que aguardavase instrução e até que no dia 22/02/2005, durante urna palestra no auditório da SRF Maringá, ministrada petos Srs. Gerry Cesar Baranhievcz e José Ernesto Bardelli Malaghlni, ande também estava presente o MD Delegado da Receita Federal Maríngá, Sr. Decio Rui Nataríssí, obtive a orientação no sentido de que não devera esperar nenhuma instrução por parte ela. SRF, que efetuasse a transmissão da DCTF pela internet mesmo fora do prazo e esperasse a notificação da SRF para entrar cone o pedido de impugnação do lançamento da multa por atraso na entrega da referida DCTF. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.002812/200527 Acórdão n.º 1801001.511 S1TE01 Fl. 92 3 DO DIREITO: Diante do fato, ratificando que o prazo estipulado pela SRF para a transmissão da DCTF/4° TRIM2004 é o dia 15 de fevereiro de 2005 e que a empresa ficou impossibilitada de cumprir com essa obrigação no prazo legal, por problema técnico na disponibilização do acesso ao "site" da SRF, transmitiu a com atraso no dia 28/02/2005. DO PEDIDO: A empresa inconformada com a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO em 12/07/2005, pelo Auditor da Receita Federal, amparada pelo disposto nos artigos 5% 15, 16, 17 e 25 do Decreto n° 70,235, de 06 de março de 1972 e alterações introduzidas posteriormente, PEDE O CANCELAMENTO da referida multa lançada, por ser indevida. Está registrado como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/CTA/PA nº 0617.419, de 27.03.2008, fls. 1820: “Lançamento Procedente” : Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESS6RIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. Notificada sem êxito no domicílio fiscal, fl. 23, houve intimação por Edital em 02.05.2008, fl. 24, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.10.2008, fls. 2631, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Preliminarmente, argui que seu domicílio fiscal correto é aquele constante nos registros internos da RFB, ou seja, Avenida Curitiba nº 460, Zona 04, CEP 87.060020, Maringá/PA. Contudo, a decisão de primeira instância foi enviada equivocadamente para ciência para Avenida Curitiba nº 527, Zona 04, CEP 87.060020, Maringá/PA. Explica que somente teve notícia do erro por parte da Administração Pública no momento em que foi notificada da existência do débito em litígio no endereço certo. No mérito, informa que nos dias que se seguiram, sem êxito, envidou esforços tentando apresentar a DCTF por disquete, que não foi aceito na DRF Maringá/PA. Diz que posteriormente foi editado o Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, no sentido de que a DCTF relativa ao 4º trimestre de 2005 transmitida nos dias 16, 17 e 18.02.2005 foi considerada como entregue em 15.02.2005. Entende que cumpriu a obrigação tributária fora do prazo legal também por culpa da Administração Pública. Conclui Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.002812/200527 Acórdão n.º 1801001.511 S1TE01 Fl. 93 4 A Contribuinte inconformada com a DECISÃO conforme ACÓRDÃO nº 06 17.419 — 6a.TURMA DA DRJ/CTA, SESSÃO DE 27/03/2008, ao julgar procedente o lançamento da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 4° Trimestre do ano de 2004, amparada pelo disposto no artigo 33 do Decreto n° 70,235. de 06 de março de 1972 e alterações introduzidas posteriormente, PEDE O CANCELAMENTO da referida multa lançada, por ser arbitrária e ilegal. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180101.175, de 13.09.2012, fls. 7580: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para conhecêlo, e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto da Relatora.” Restou ementado Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 TEMPESTIVIDADE. AVISO DE RECEBIMENTO. INCORREÇÃO. Em havendo um engano na informação aposta no aviso de recebimento atinente à notificação original, temse como suprida a falta da Recorrente, cujo efeito é que o recurso voluntário deve ser considerado como apresentado dentro do prazo legal. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Notificada em 18.02.2013, fl. 84, a Recorrente interpôs embargos de declaração em 18.02.2013, fls. 8588, com as alegações a seguir resumidas. Suscita que há vício na decisão embargada. Defende a seguinte tese: No entanto, cumpre observar que há um equívoco na apreciação do mérito da demanda, uma vez que o recurso apresentado é manifestamente intempestivo, razão pela qual não poderia ser conhecido, em consonância com as regras atinentes ao processo administrativo fiscal. [...] Ocorre, todavia, que o endereço a que foi encaminhada a ciência do acordão da DRJ (Avenida Curitiba nº 527) é exatamente o endereço declarado pela contribuinte em sua impugnação ao auto de infração, conforme se pode observar à fl. 01 do presente processo. Neste contexto não há respaldo para eximir a contribuinte da responsabilidade do seu suposto equívoco, na medida em que a postagem foi realizada em conformidade com suas próprias afirmações nos autos. Obrigar a Administração a consultar sistemas internos e desconsiderar a declaração do contribuinte no PAF pode acarretar transtornos sobremaneira complexos [...]. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.002812/200527 Acórdão n.º 1801001.511 S1TE01 Fl. 94 5 Portanto entende a União (Fazenda Nacional) que os dois endereços devem ser adequados para a intimação, tendo em vista que a empresa assim o considerou ao mencionar em sua peça impugnatória [...]. Pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os embargos de declaração apresentados pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente destaca que “o recurso apresentado é manifestamente intempestivo, razão pela qual não poderia ser conhecido, em consonância com as regras atinentes ao processo administrativo fiscal”. A intimação é o ato formal pelo qual se chama o sujeito passivo ao processo administrativo fiscal a fim de que ele possa se defender e assim, completarse a relação processual e para que o torne vinculado aos efeitos o ato administrativo. Esse procedimento é indispensável para a validade, eficácia e existência jurídica da relação obrigacional e do processo. Com a citação válida, o sujeito passivo é chamado ao processo para se defender e assim o princípio do devido processo legal irrompe garantindo ao sujeito passivo que somente pode ter seus direitos restringidos mediante um processo legal, exercido pela Administração Pública, por meio de uma autoridade competente, assegurados o contraditório e a ampla defesa. A intimação pode ser feita por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ressaltandose que não pode ser outro endereço por falta de previsão normativa1. Subsidiariamente, ou seja, somente quando resultar improfícuo o meio adotado, a intimação pode ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação2. Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180101.175, de 13.09.2012, fls. 7580, consta expressamente: As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada 1 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. 2 Fundamentação legal: art. 23 do Decreto 70.235, de 096 de março de 1972. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.002812/200527 Acórdão n.º 1801001.511 S1TE01 Fl. 95 6 para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que considerase efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta3. Em conformidade com o documento de fls. 15 e 20 extraído do sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) temse que de fato o domicílio fiscal correto da Recorrente é Avenida Curitiba nº 460, Zona 04, CEP 87.060020, Maringá/PA no qual ela deve ser notificada dos atos administrativos. Todavia, o Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/CTA/PA nº 0617.419, de 27.03.2008, fls. 1719, foi enviado equivocadamente para ciência para Avenida Curitiba nº 527, Zona 04, CEP 87.060020, Maringá/PA, fl. 22. Por esta razão, temse que houve um engano na informação aposta no aviso de recebimento atinente à notificação original de fl. 20, o que contamina de irregularidade a intimação da Recorrente pelo Edital DRF Maringá/PA nº 57, de 2008, fl. 23. Fica assim suprida a falta da Recorrente, cujo efeito é que o recurso voluntário apresentado em 02.10.2008, fls. 2530, deve ser considerado como entregue dentro do prazo legal. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, está comprovada. Analisando esses fundamentos jurídicos, verificase que a motivação do ato decisório está explícita, clara e congruente no sentido de que o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo que consta nos registros internos da RFB de fato é Avenida Curitiba nº 460, Zona 04, CEP 87.060020, Maringá/PA, fl. 15 e 21. Esse é o endereço correto pelo qual a RFB por força legal deve intimar o sujeito passivo, nos termos expressos no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Ademais, a manifestação de inconformidade não é o meio legítimo para alteração cadastral, para fins de atualização dos registros internos da RFB, uma vez que para tanto a pessoa jurídica deve preencher a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ), de acordo com as Instruções Normativas RFB nº 568, de 08 de setembro de 2005, nº 748, de 28 de junho de 2010, nº 1005, de 08 de fevereiro de 2010 e nº 1183, de 19 de agosto de 2013. Nesse caso foi privilegiada a informação correta relativamente ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo constante nos registros internos da RFB, que tem o efeito de afastar a intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, de acordo com a premissa de que nos processos administrativos deve ser observado, entre outros, o critério de adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito ao direitos do administrado de ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas (inc. IX do art. 2º e inc. II do art. 3º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). 3 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.002812/200527 Acórdão n.º 1801001.511 S1TE01 Fl. 96 7 De fato houve lapso manifesto ocorrido na intimação do sujeito passivo da decisão de primeira instância de julgamento que foi enviada equivocadamente para ciência na Avenida Curitiba nº 527, Zona 04, CEP 87.060020, Maringá/PA, fl. 23. No caso, a Administração Pública teria que refazer o ato, pois comprovouse o vício, ou seja, deveria intimar novamente o sujeito passivo por via postal no endereço correto. A notificação por edital é meio subsidiário, quando improfícuo a ciência por via postal, o que não se verificou no presente caso, já que o erro de escrita foi cometido pelo Erário e em nada concorreu no sujeito passivo para sua ocorrência. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. Registrese que os embargos de declaração são recursos de saneamento. Pela análise dos autos se infere que na apreciação da prova, a autoridade judicante formou livremente sua convicção fundamentada aplicando o princípio da persuasão racional em relação aos elementos comprobatórios ali produzidos (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, foram observadas as formalidades essenciais processuais próprias do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões, da garantia dos direitos dos administrados foram regularmente cumpridos de acordo com o que está prescrito na legislação de regência (incisos LIV e LV do art. 5º e art. 93 da Constituição Federal e art. 2 º e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Portanto, a omissão, a obscuridade e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos não restaram comprovadas, ou sequer foi omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Em assim sucedendo, voto por conhecer os embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito rejeitálos e ratificar o inteiro teor do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180101.175, de 13.09.2012. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11020.723321/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008
COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros.
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 33 21 /2 01 1- 25 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.723321/201125 Acórdão n.º 2401002.982 S2C4T1 Fl. 1.056 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 37.621 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RJ), que negou provimento a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.321.1775. O crédito em questão referese a glosas de valores que teriam sido indevidamente compensados, os quais foram originados de créditos de terceiros, decorrentes de sentenças judiciais contra a Fazenda Pública. Acerca da aplicação da multa, assim se pronunciou o fisco: “Observados, pois, a legislação vigente à época da efetivação das operações de compensação e os valores indevidamente compensados, que reduziram o valor das contribuições sociais previdenciárias confessadas em GFIP, a multa isolada, correspondente a 100% (cem por cento) das contribuições devidas e não declaradas, mais a multa de 24% (vinte e quatro por cento) das contribuições em atraso, no total de R$ 583.631,00, conforme coluna “F” do mesmo Demonstrativo da Comparação do Cálculo do Valor da Multa Aplicada, resultaria mais gravosa que a multa isolada mais a multa de mora calculadas de acordo com a legislação posterior à MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, no total de R$ 242.287,50, conforme coluna “I” do mesmo Demonstrativo, pelo que a penalidade ora aplicada, por ser mais benéfica ao autuado, é a multa de mora de 20%. 10.16. Como já referido no item 10.11, em relação a competência 13/2007 (referente ao 13° salário de 2007), tendo a GFIP com as informações da compensação sido entregue em 05/12/2008, a multa a ser aplicada, nos casos em que comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, é de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado a que se refere o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela MP nº 449, de 2008, depois convertida na Lei nº 11.941, de 2009, eis que aplicável apenas às compensações efetuadas a partir da publicação da Medida Provisória – GFIP entregues a partir de 04 de dezembro de 2008. A competência da multa isolada é o mês em que ocorreu a infração, ou seja, o mês em que ocorreu a falsa declaração, no caso em tela, 12/2008, objeto do levantamento G1 – Glosa Comp Ind Multa Isolada, no valor de R$ 8.668,64 (Oito mil e seiscentos e sessenta e oito reais e sessenta e quatro centavos).” A DRJ justificou a negativa de provimento no fato de que o crédito utilizado para compensação não seria do próprio sujeito passivo, além de que não ficou comprovado por este a ocorrência de recolhimento indevido (ver folhas 996/1.004). Também concluiu a DRJ Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 que o art. 2.º da EC n.º 62/2009 não autoriza a compensação de tributos com créditos de terceiros. Negouse o pedido para a juntada posterior de provas, sob a justificativa de que o art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972 não autoriza esse procedimento. Por fim, as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade dos acréscimos legais não foram apreciadas pela DRJ, em obediência ao art. 26A, também do Decreto n.º 70.235/1972. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 1.012/1.048, alegando, em apertada síntese, que, nas competências 10 e 12/2006; 01 a 11/2007; 01 a 05/2008 e 08/2008, a optou por pagar tributos federais mediante compensação com créditos judiciais oriundos de decisões judiciais contra a Fazenda Pública, regularmente adquiridos de terceiros. O procedimento em questão, afirma, é chancelado pela legislação em vigor, conforme arts. 286 e seguintes do Código Civil; art. 567, II, do Código de Processo Civil; art. 78, “caput”, do ADCT da Constituição Federal e convalidação do art. 5.º da EC n.º 62/2009 (em relação ao procedimento de cessão de créditos) e art. 170 do CTN e art. 66 da Lei n.º 8.383/1991 (no que se refere à compensação administrativa realizada). Afirma ser ilegal a utilização da taxa SELIC para fins tributários e que a multa aplicada possui caráter unicamente expropriatório. Ao final, pede o reconhecimento das compensações realizadas, com consequente cancelamento do crédito impugnado. É o relatório. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.723321/201125 Acórdão n.º 2401002.982 S2C4T1 Fl. 1.057 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Compensação A questão central do mérito resumese em decidir se a utilização de créditos adquiridos de terceiros, consistentes em precatórios, são instrumentos legítimos a serem utilizados na compensação com contribuições da empresa devidas à Seguridade Social. A legislação previdenciária, ao regular a compensação de contribuições previdenciárias, estatui no art. 89 da Lei 8.212/91 (redação vigente à época da compensação): Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20.11.95). § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas a, b e c, do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. § 7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios." Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Não há, portanto, previsão de compensação de créditos de terceiros ou que não se refiram a contribuições previdenciárias. A lei possibilita a compensação apenas de créditos do mesmo contribuinte, e somente na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições à seguridade social. A utilização de créditos apurados em precatórios, seja do mesmo contribuinte, seja de terceiros, só seria possível através de expressa previsão legal, o que inocorre in casu. Nessa linha já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE PRECATÓRIOS. MEDIDA QUE RECLAMA A EXISTÊNCIA DE LEI LOCAL AUTORIZADORA. ENTENDIMENTO PACÍFICO NO ÂMBITO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência pacificada desta Corte considera que a compensação de tributos depende da existência de lei autorizativa editada pelo respectivo ente federativo" (AgRg no RMS 35.365/PR, Segunda Turma, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 10/5/12). 2. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp 120392 / RS; DJe 11/09/2012 Inexistindo lei que autorize a compensação de contribuições sociais com crédito decorrentes de precatórios, é inviável o procedimento efetuado pelo sujeito passivo, não havendo reparos ao que ficou decidido pela DRJ quanto a essa questão. Não há de se acolher a tese de que o art. 170 do CTN e o art. 66 da Lei n.º 8.383/1991 dariam guarida ao procedimento de compensação. Vejamos. Assim dispõe o CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O texto legal é cristalino ao dispor que a autorização para o encontro de contas FiscoContribuinte é dependente da existência de lei autorizativa. No caso das contribuições sociais, inexiste lei prevendo a possibilidade de compensação com créditos de terceiros, oriundos de precatórios. A Lei n.º 8.383/1991 estipula: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.723321/201125 Acórdão n.º 2401002.982 S2C4T1 Fl. 1.058 7 § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995 Conforme as disposições acima, não há permissivo legal para o procedimento adotado pelo sujeito passivo, posto que a compensação somente pode se dar com créditos decorrentes de recolhimento indevido efetuado pelo próprio contribuinte e que se refiram tributos da mesma espécie. Os autos revelam que os créditos foram obtidos de terceiros, portanto, não se referem a pagamentos efetuados pela própria autuada, nem restou comprovada a natureza dos haveres devidos pela Fazenda Pública. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Multa A multa foi aplicada para as competências anteriores a 12/2008 no patamar de 20% do tributo devido, considerandose a aplicação retroativa da legislação em benefício do sujeito passivo. Não há reparo a ser feito quanto a multa aplicada nesse período. Para a competência 12/2008, em que a declaração de compensação ocorreu após a edição da MP 449/2008, foi imposta multa isolada, com fundamento no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar que, embora tivessem origem em precatórios adquiridos de terceiros, não poderiam ser objeto de procedimento compensatório até o transito em julgado da decisão do Judiciário. Verificase, assim, que o processo não trata de compensação de créditos inexistentes ou mesmo objeto de fraude, mas de valores que, por ausência de previsão legal, não poderiam ser utilizados para encontro de contas com a Fazenda. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.723321/201125 Acórdão n.º 2401002.982 S2C4T1 Fl. 1.059 9 Para que restasse caracterizada a falsidade mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada a fraude, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O fisco tenta caracterizar a fraude sob a alegação de que a empresa mesmo ciente da impossibilidade legal, utilizou os créditos. Entendemos, todavia, que a apresentação para encontro de contas de créditos obtidos pelo sujeito passivo, mas sem força para operar a compensação tributária, deve ser punida com a imposição dos acréscimos legais, jamais ser tratada como falsificação, com aplicação de multa isolada no patamar de 150%. Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13555.000116/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não implica a inexistência de dolo, tampouco elide a prática dolosa anterior.
Numero da decisão: 1302-001.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Júnior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de vultosas receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, durante a fiscalização, não implica a inexistência de dolo, tampouco elide a prática dolosa anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente em exercício), Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Júnior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 5. 00 01 16 /2 01 1- 85 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/SDR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, por afastar a preliminar de nulidade, e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação apresentada, para: no IRPJ, manter o valor original no montante de R$ 192.036,96 (cento e noventa e dois mil, trinta e seis reais e noventa e seis centavos) e exonerar o valor original no montante de R$ 63.625,11 (sessenta e três mil, seiscentos e vinte e cinco reais e onze centavos) ; na CSLL, manter o valor original no montante de R$ 79.567,72 (setenta e nove mil, quinhentos e sessenta e sete reais e setenta e dois centavos) e exonerar o valor original no montante de R$ 23.820,05 (vinte e três mil, oitocentos e vinte reais e cinco centavos); na COFINS, manter o valor original no montante de R$ 67.059,97 (sessenta e sete mil, cinquenta e nove reais e noventa e sete centavos) e exonerar o valor original no montante de R$ 23.228,40 (vinte e três mil, duzentos e vinte e oito reais e quarenta centavos); e no PIS, manter o valor original no montante de R$ 14.529,66 (quatorze mil, quinhentos e vinte e nove reais e sessenta e seis centavos) e exonerar o valor original no montante de R$ 5.003,68 (cinco mil, três reais e sessenta e oito centavos), juntamente com acréscimos legais correspondentes, devendo os órgãos encarregados da cobrança, alocar ao crédito tributário objeto do presente auto de infração, os pagamentos efetuados tempestivamente e de forma espontânea e não declarados em DCTF, mantendose as multas qualificadas de 150% e acréscimos correspondentes, exonerando suas bases de cálculo dos referidos pagamentos, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. O julgamento restou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade dos Autos de Infração, quando se verifica que foram lavrados por pessoa competente para fazê lo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à Contribuinte impugnálo em sua inteireza, demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Descabe a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13555.000116/201185 Acórdão n.º 1302001.119 S1C3T2 Fl. 272 3 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. FATOS GERADORES. Cabível o lançamento realizado, tendo como base de cálculo o saldo de tributo a pagar apurado pelo confronto entre os valores das receitas tributáveis informadas em DIRF e aqueles objetos de confissão de dívida, via “DCTF”, uma vez que foram demonstrados os correspondentes fatos geradores. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que a contribuinte incorreu em uma conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é obrigatória a aplicação da penalidade qualificada, nos termos da lei. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase dos autos de infração, de fls. 03 a 40, lavrados em 23/05/2011, relativos ao anocalendário de 2008, que pretendem a cobrança, respectivamente: do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 255.230,89 (duzentos e cinquenta e cinco mil, duzentos e trinta reais e oitenta e nove centavos); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 103.387,77 (cento e três mil, trezentos e oitenta e sete reais e setenta e sete centavos); do Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 19.533,34 (dezenove mil, quinhentos e trinta e três reais e trinta e quatro centavos); e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 90.288,37 (noventa mil, duzentos e oitenta e oito reais e trinta e sete centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive a multa qualificada de 150%. Conforme a descrição dos fatos, durante o procedimento de fiscalização a autoridade fiscal efetuou os lançamentos supracitados, pois constatou que a Contribuinte, optante pela tributação na forma de Lucro presumido, omitiu receitas da atividade (outras atividades de serviços financeiros não especificados), conforme “Relatório de auditoria fiscal”, de fls. 158 a 161, que é parte integrante do presente auto de infração, do qual apresento síntese, como segue: O Mandado de Procedimento Fiscal(MPF) mencionado na introdução do presente Relatório, foi formalizado para procedimento de fiscalização na supracitada pessoa jurídica (Andreia Alano Carcavilla CNPJ n° 07.507.887/000158,) em razão de Determinação Interna da Delegacia da Receita Federal do Brasil em ItabunaBa baseado em confronto de valores de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas declarados com os Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 4 valores dos Rendimentos informados por fontes pagadoras em Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) Ver folhas 1/3 a 3/3, ANEXO II Demonstrativo Consolidado dos Rendimentos e do IRRF informados pelas fontes pagadoras e Respectivos valores distribuídos de acordo Lei n° 10.833/2003 e artigo 647 do Decreto 3.000/1999 e Consulta Única beneficiário de declarantes e o informado a Secretaria da Receita Federal do Brasil através das DCTFs 1o e 2o semestres e da DIPJ 2009 Lucro presumido que foram apresentadas zeradas como se movimento não tivesse ocorrido, o que implicava em indício de Omissão de Receita Operacional de R$ 3.838.982,44. O contribuinte em 02 de fevereiro de 2011, solicitou prorrogação de prazo para atendimento ao que foi solicitado no Termo de Inicio do Procedimento Fiscal no que foi atendido de imediato. Em 21 de Março de 2011 foi formalizado Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal do qual o interessado tomou ciência em data de 29 de março de 2011. O interessado apresentou parcialmente os elementos solicitados no Termo de Inicio do procedimento Fiscal. Analisando os elementos apresentados pelo Sujeito Passivo(DIPJ retificada e retificadora, DCTFs, Livro Registro de ISS, etc.. e que acompanham o Processo objeto do Auto de Infração) e as informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguramente pode se afirmar que o Sujeito Passivo deliberadamente, efetivamente, não declarou os valores de Receita Bruta inerentes a comissões, corretagem, remuneração por serviços prestados a bancos diversos, conforme consta em DIRFs e parcialmente no livro acima citado em relação ao declarado nas Declarações: DCTFS(1° e 2o semestre) e DIPJ 2009 ( Lucro Presumido). O Sujeito Passivo em 23 de março de 2011, apresentou DIPJ 2009 retificadora, porém a mesma não foi levada em consideração para efeito de lançamento tendo em vista a exclusão da espontaneidade conforme letra "f” do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal do qual o interessado tomou ciência em 27012011. A entrega de_DIPJ 2009, ano calendário 2008 zerada, também entrega de DCTFs 1° e 2° semestres zeradas como se movimento não tivesse ocorrido, assim como o não pagamento dos tributos devidos por conta de serviços prestados, efetivamente devido ao fisco federal, configurouse, por decorrência, crime contra a ordem tributária nos termos da Lei n° 8.137, de 1990, art. 1°, sem prejuízo do enquadramento da empresa em outras figuras penais cabíveis, a que também estão sujeitos os titulares ou sócios da pessoa jurídica (Lei n° 9.317, de 1996, arts. 2°, 9° e 22) e em conseqüência, em atendimento a Portaria SRF n° 326 de 15/03/2005 e Portaria RFB n° 665, de 24 de abril de 2008, foi formalizada a devida Representação Fiscal para Fins Penais Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13555.000116/201185 Acórdão n.º 1302001.119 S1C3T2 Fl. 273 5 (processo n° 13555000.116/201185) que acompanhará o Processo objeto do Auto de Infração de n° 13555000.117/2011 20. Diante da situação evidenciada, em 17/05/2011 e 23/05/2011, efetuamos o lançamento Crédito Tributário (Regime de Tributação pelo Lucro Presumido ano calendário 2008 exercício 2009), tendo em vista Omissão de Receita Operacional, base de cálculo, de fato, não declarada, à Secretária da Receita Federal do Brasil, conforme tabelas que ora encontramse anexadas aos Autos de Infrações. A contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 24/05/2011, e apresentou a impugnação de fls. 169 a 195 em 22/06/2011, alegando, em síntese, que: Da nulidade 1) pela ausência do envio das DIRF's à requerente , quando da regular int imação, IMPRESCINDÍVEIS ao vergastado confronto dos valores de Rendimentos Tributáveis declarados pela Fiscalizada para com os valores dos Rendimentos informados pelas fontes pagadoras (Instituições Financeiras), em suposta omissão de receita no importe de R$3.838.982,44 (três milhões, oitocentos e trinta e oito mil, novecentos e oitenta e dois reais e quarenta e quatro centavos), entende a Impugnante como nulo todo o processo administrativo fiscal, pelo denunciado cerceamento do AMPLO direito de defesa, face à INDISPONIBILIDADE do fidedigno e exauriente conhecimento da prova material que garante azo à procedência do auto objurgado; Não bastasse o referido Auto de Infração ser encaminhado ao contribuinte sem que acompanhassem as DIRFS, os AUTOS DO PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL NÃO ESTAVAM DISPONÍVEIS PARA ACESSO DO CONTRIBUINTE NA REPARTIÇÃO FAZENDÁRIA, DO MUNICÍPIO DE VALENÇA BA, ficando a contribuinte impossibilitada de ter vista dos documentos que instruíam o processo e subsidiaram o lançamento do crédito tributário. Ademais, a capa dos autos indica que o referido processo somente chegou à unidade da RFB, em Valença no dia 02 de junho de 2011, quando já houvera decorrido quase 1/3 (um terço) do prazo total para elaboração da presente defesa. Assim, restou prejudicada AMPLA DEFESA, visto que por questões internas do órgão de fiscalização houve supressão de prazo para o exercício do direito, do sujeito passivo. Pelo exposto, somente a devolução integral do prazo de defesa seria capaz de observar a garantia fundamental esculpida na Constituição Federal. Do efeito confiscatório da multa de 150% cominada à Contribuinte Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 6 2) A cominação da multa no desarrazoado percentual de 150% afronta o princípio constitucional de vedação ao CONFISCO, insculpido no art.150, inciso IV, da CF/88, o que fica, desde já, expressamente pré questionado. Erro nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL 3) Nos itens 2; 3 e 6, do aludido ANEXO II (fls 59 e 60 dos autos), na oportunidade destacados com marcatexto, percebese que os rendimentos informados pelas fontes pagadoras/instituições financeiras contratantes da Autuada, correspondentes ao Banco BGN S/A; BV Financeira S.A.C.F.L; e Banco Industrial do Brasil S/A, constitutivos da vergastada base de cálculo, foram COMPUTADOS em DOBRO, a teor dos códigos de receita utilizados 1708 (alusivo ao IR) e 5952 (alusivo ao PIS e a COFINS), pois o rendimento mensal total por essas informado foi utilizado por DUAS vezes na apuração ora do IR, ora do PIS, CONFINS e CSLL, e não como ÚNICO rendimento mensal constitutivo da base de cálculo tributável, correspondente a todos esses tributos DE UMA SÓ VEZ incidentes. Obs. destaquei. Tal fato, de per si, revela a insubsistência e improcedência do valor lançado pelo Fisco em R$1.288.195,31 (hum milhão, duzentos e oitenta e oito mil, cento e noventa e cinco reais e trinta e um centavos), haja vista o comprovado ERRO na apuração da apontada base de cálculo pontada em R$3.838.982,44 (três milhões, oitocentos e trinta e oito mil, novecentos e oitenta e dois reais e quarenta e quatro centavos), pelo cômputo em DUPLICIDADE dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras/instituições financeiras contratantes da Autuada, a teor dos itens 2; 3 e 6, do ANEXO II, correspondente ao Demonstrativo Consolidado de Rendimentos e do IRRF Informados pelas Fontes Pagadoras constitutivo do auto guerreado. Ainda, acerca do erro na quantificação da base de cálculo dos tributos lançados através do processo em epígrafe, observase no documento acostado à fl. n° 86 dos autos, denominado " dossiê integrado", constatase que a existência de valores idênticos repetidos com códigos de receitas diferentes, como se pode exemplificar o valor de R$ 146.100,68, pago pelo Banco BGM S/A, que fora indicado no código 1708 (fl 86) e repetido com código 5952 (fl. 87). A identificação das receitas computadas em duplicidade não esgota o rol dê~divergências e inconsistências que contaminam mortalmente o lançamento do crédito tributário, uma vez que a utilização das DIRF's pelo agente do fisco, como único elemento para valoração da base de cálculo, indica que o mesmo utilizou o REGIME DE CAIXA DE RECONHECIMENTO DAS RECEITAS, ao passo que, conforme se constata na DIPJ da autuada, o regime adotado para reconhecimento das receitas é o REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13555.000116/201185 Acórdão n.º 1302001.119 S1C3T2 Fl. 274 7 Certamente esse equívoco no REGIME DE RECONHECIMENTO DAS RECEITAS altera, substancialmente, a base de cálculo de incidência tributária anual. Erro nas bases de cálculo do PIS e da COFINS 4) A Lei n°. 10.833/2003, que institui a cobrança nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, determina, em seus artigos 30 e 31, que os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado pelas prestações de serviços ali discriminados deverão, desde que acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por período de apuração (mensal), sofrer a RETENÇÃO na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Outrossim, as alíquotas aplicáveis para incidência da Cofins e do PIS da Autuado são respectivamente 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), haja vista que no exercício financeiro objeto da lide 2008 a defendente era optante pela apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo regime de lucro presumido. Logo, dessumese que nos pagamentos efetuados pelas instituições financeiras discriminados pela Autuante no anexo I, superiores a 5.000,00 (cinco mil reais) por mês, NÃO podem compor a base de cálculo elaborada pelo preposto do fisco, pois a obrigação legal de reter e efetuar o recolhimento do tributo devido é do contratante dos serviços (instituição financeira), sob pena de apropriação indébita, conforme preconizado na legislação supra. Ademais, é imperioso observar que, como a Autuada é tributada pelo regime de lucro presumido, não há DIFERENÇA a ser recolhida por essa, pois as alíquotas aplicadas nas retenções são IDÊNTICAS às alíquotas incidentes nas operações realizadas pela impugnante. Frizese que, em todas as operações realizadas pela Autuada ACIMA do montante de cinco mil reais houve, EFETIVAMENTE, retenções das contribuições em tela e NOVAMENTE cobradas de ofício pelo Fisco, adentrando ao caixa da empresa apenas os valores dos serviços prestados já deduzidos dos tributos em comento, o que revela, desde já, a fragilidade e insubsistência do presente A.I.. Nessa senda, vale salientar que, caso o Fisco insista em manter a autuação," nos moldes do lançamento originário, estará cobrando o mesmo tributo, do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador, o que configura bis in idem, veementemente rechaçado pela doutrina e jurisprudência pátria, além de caracterizar enriquecimento sem causa por parte do fisco federal. Isto posto, e utilizandose dos mesmos dados constantes no anexo I da peça acusatória, a Impugnante elaborou planilha denominada anexo A, que instrui o presente petitório, Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 8 retirando/deduzindo os valores acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) já tributados na forma retida à título de Pis e Cofins, o que enseja inevitável redução da base de cálculo do Pis e da Cofins equivocadamente apurada pelo Fisco em R$ 3.838.982,44 (três milhões, oitocentos e trinta e oito mil, novecentos e oitenta e dois reais e quarenta e quatro centavos) para R$ 39.096,96 (trinta e nove mil, noventa e seis reais e noventa e seis centavos), sendo apenas devido, ainda que superada a preliminar de nulidade acima agita, o que não se espera e confia, o importe de R$ 1.172,91 (R$ 39.096,96 * 3%) para tributação da Cofins e R$ 254,13 (R$ 39.096,96 * 0,65%) para o Pis. Notese ainda que a duplicidade de receita indicada no tópico anterior também se aplica ao PIS e a COFINS. Erro na apuração da base de cálculo apontada – Da efetiva Receita Operacional de 2008. 5) Por fim, ainda acerca da receita operacional apontada pela Autuante, no insubsistente importe de R$ 3.838.382,44 (três milhões, oitocentos e trinta e oito mil, novecentos e oitenta e dois reais e quarenta e quatro centavos), e ainda que vencidos os dois tópicos acima suscitados, o que se admitiria apenas ad argumentandum, não logra prosperar o quantitativo/base de cálculo suprareferida, pelos motivos e provas a seguir ventilados. Conforme consignado no item 04, subitem 4.1, do Relatório de Auditoria Fiscal que compõe o presente A.I., quando da intimação da Contribuinte pela RFB para apresentação dos documentos solicitados foi, ESPONTANEAMENTE, a essa apresentado LIVRO CONTÁBIL DE REGISTRO de ISS de n°.01/2008 (doc. anexo), onde se INFORMA e se COMPROVA, sobretudo para efeitos FISCAIS, a teor das N.F/s (doc. anexo) de n°'s 302 (JAN/2008) a 545 (DEZ/2008) a TOTALIDADE da receita operacional por essa movimentada no exercício de 2008, objeto da presente fiscalização e, inelutavelmente, carecedora de reparos. Desta sorte, a teor da ROBUSTEZ das provas acima carreadas, já de conhecimento do Fisco quando da DIPJ retificadora apresentada em 20/03/2011, e indevidamente por essa desprezada ao proceder o infundado lançamento, terseia como receita operacional tributável (base de cálculo), em 2008, o total de R$ 2.844.080,99 (dois milhões, oitocentos e quarenta e quatro mil, oitenta reais e noventa e nove centavos), motivo pelo qual insubsistente e maculado o vergastado lançamento. Da impropriedade da cobrança da multa de 150% devido à ausência de dolo na conduta da Contribuinte 6) Malgrado a Impugnante, através das DCTF's alusivas ao 1o e 2o semestres e da DIPJ de 2009 não ter informado/declarado espontaneamente, como pretendido pelo Fisco, os rendimentos tributáveis do período fiscalizado, tal omissão não se operou VOLITIVAMENTE com o animus de se lesar o erário federal, uma vez que, conforme já retrocitado, sua natureza não é de pessoa jurídica, mas sim de empresária individual, nos moldes do art. 966 do CC/02, cujas limitações intelectivas no campo contábil, financeiro e fiscal sob a respectiva atividade tributada são supridas/suportadas por TERCEIRO Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13555.000116/201185 Acórdão n.º 1302001.119 S1C3T2 Fl. 275 9 contador, regularmente habilitado no órgão de classe, não havendo assim, animus dolandi da Autuada em querer lesar ou ludibriar o Fisco sobre os apontados rendimentos tributáveis. Ademais, conforme consignado no item 04, subitem 4.1, do Relatório de Auditoria Fiscal que compõe o presente A.I., quando da intimação da Contribuinte p u °.FB para apresentação dos documentos solicitados foi, ESPONTANEAMENTE, a essa apresentado LIVRO DE REGISTRO de ISS de n°. 01/2008, onde se INFORMA, sobretudo para efeitos FISCAIS, a TOTALIDADE dos rendimentos por essa auferidos no decorrer do exercício de 2008, objeto da presente fiscalização, o que RATIFICA, mais uma vez, sua ausência de DOLO e a não incidência dos arts.71 e 72 da Lei 4.502/64 c/c §1°, art.44, da Lei n°.9.430/96, indevidamente suscitados pelo Sr. Auditor Fiscal Darilo Carlos de Souza. Não obstante tal assertiva, outra EVIDÊNCIA de que não houve dolo por parte da Fiscalizada cingese no fato desta, em 20 de março de 2011, pelo Recibo de Declaração Retificadora de n°. 13.26.30.79.5724, ter apresentado DIPJ 2009 retificadora. Todavia, para efeitos meramente FISCAIS, essa não foi levada em consideração por essa Benemérita Unidade. Fazendária, sob o fundamento de exclusão da espontaneidade consignada na letra "f" do Termo de Início de Procedimento Fiscal, do qual somente em 27012011 a Autuada tomou ciência. Tal fato revela que a Fiscalizada, VOLITIVAMENTE, procurou SANAR as falhas ora apontadas e objeto do guerreado auto de infração, o afasta IRREFUTAVELMENTE sua INTENÇÃO de prejudicar a atividade de fiscalização e arrecadação na oportunidade desempenhada pelo Fisco. DO PEDIDO Com lastro nas sustentáveis razões acima explicitadas, pugna a Autuada, sucessivamente: a)seja acolhida a preliminar de nulidade do A.l. em comento, face à ausência de disponibil ização MATERIAL à Autuada das DIRF's no PAF, IMPRESCINDÍVEIS à f idedigna apuração do vergastado confronto dos valores de Rendimentos Tributáveis declarados pela Fiscalizada para com os valores dos Rendimentos informados pelas fontes pagadoras (Instituições Financeiras), em suposta omissão de receita no importe alegado; a.l) caso não seja acolhida a preliminar de nulidade, que devolvase o prazo da defesa administrativa, que deverá ser iniciado a partir da efetiva disponibilização dos autos na unidade da RFB, situada no Município de ValençaBa e após a cientificação do contribuinte; e b)superada a preliminar supra, pugna ainda pela improcedência do Auto de Infração em epígrafe, para que: b.l) seja reconhecida a insubsistência e improcedência do valor lançado pelo Fisco em R$1.288.195,31 (hum milhão, duzentos e Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 10 oitenta e oito mil, cento e noventa e cinco reais e trinta e um centavos), haja vista o comprovado ERRO na apuração da apontada base de cálculo pontada em R$3.838.982,44 (três milhões, oitocentos e trinta e oito mil, novecentos e oitenta e dois reais e quarenta e quatro centavos), pelo cômputo em DUPLICIDADE dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras/instituições financeiras contratantes da Autuada, a teor dos itens 2; 3 e 6, do ANEXO II, correspondente ao Demonstrativo Consolidado de Rendimentos e do IRRF Intimados pelas Fontes Pagadoras constitutivo do auto guerreado; b.ll) seja reduzida a base de cálculo do Pis e da Cofins equivocadamente apurada pelo Fisco em R$ 3.838.982,44 (três milhões, oitocentos e trinta e oito mil, novecentos e oitenta e dois reais e quarenta e quatro centavos) para R$ 39.096,96 (trinta e nove mil, noventa e seis reais e noventa e seis centavos), sendo apenas devido, ainda que superada a preliminar de nulidade acima agita, o que não se espera e confia, o importe de R$ 1.172,91 (R$ 39.096,96 * 3%) para tributação da Cofins e R$ 254,13 (R$ 39.096,96 * 0,65%) para o Pis. b.lll) seja reduzida a base de cálculo de R$3.838.982,44 apontada pelo Fisco, correspondendo à EFETIVA e COMPROVADA Receita Operacional tributável da Fiscalizada em 2008 o quantitativo de R$2.844.080,99 (dois milhões, oitocentos e. quarenta e quatro mil, oitenta reais e noventa e nove centavos), a teor do LIVRO CONTÁBIL DE REGISTRO de ISS de n°.01/2008 (doc. anexo), e N.F.'s (doe. anexo) de n°'s 302 (JAN/2008) a 545 (DEZ/2008) por essa emitidas sob o período fiscalizado, carecendo de reforma o lançamento refutado; b.lV) pelo efeito confiscatório, ex vi do art.150, inciso IV, da CF/88, da multa cominada à Contribuinte no INSUSTENTÁVEL e DESSARRAZOADO percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre a totalidade ou diferença dos impostos não declarados ou recolhidos ao erário federal, com estribo no art.44 inciso I, §1°, da Lei n°.9.430/96, c/c arts.71 e 72 da Lei n°.4.502/64, sem qualquer subsunção ao caso em tela; b.V) seja reduzida a multa cominada à Impugnante no percentual de 150%, sobre á totalidade ou diferença dos impostos não declarados ou recolhidos ao erário federal, para 75%, nos moldes do art.44, inciso I, da Lei n°.9.430/96, face à evidenciada ausência de DOLO sob o caso em tela, sem qualquer subsunção aos tipos insculpidos nos arts.71 e 72 da 4.502/64, tampouco no art.1°, da Lei n°.8.138/90; c) seja arquivada a infundada representação fiscal para efeitos penais, nos moldes do art.83, da Lei n°.9.430/96. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13555.000116/201185 Acórdão n.º 1302001.119 S1C3T2 Fl. 276 11 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Nulidade por não apresentação das DIRF A recorrente pugna pela nulidade do auto de infração, pois não lhe foram apresentadas as DIRF nas quais se fundamentou o auditorfiscal para, ao confrontálas com as declarações zeradas (DIPJ AC/2008 e DCTF do 1º e 2º semestres de 2008), concluir pelo lançamento. Afirma, ainda, que solicitou cópias dos autos e não foi atendida. Em primeiro lugar, devese frisar que a fase contenciosa do procedimento se estabelece com a impugnação (art. 14, Decreto nº 70.235/72), não sendo dever do autuante fornecer cópias de declarações de terceiros durante o procedimento fiscal. Demais disso, durante o contencioso o contribuinte tem direto a vistas do processo administrativo fiscal. No caso presente, não foi alegado nem provado que este direito tenha sido negado. Além disso, a própria alegação acolhida de tributação em duplicidade – que resultou no cancelamento parcial do lançamento pelo acórdão a quo demonstra que a recorrente pôde analisar a matéria tributável, inclusive no que tange à sua quantificação. E, além disso, a apresentação dos livros de ISS com dados de receita lançados, em total descompasso com as DIPJ e DCTF zeradas prestadas, mantendo coerência com o lançamento efetuado, demonstra que a recorrente tinha conhecimento dos fatos tributários aqui em debate. Somese a isso que foram diversas as instituições financeiras que prestaram informações de retenções feitas sobre rendimentos pagos à recorrente. A DRJ também mencionou que afirmou que a solicitação de cópias somente foi feita 01 dia antes do vencimento do prazo para apresentação da impugnação. Vejamos. O lançamento tributário não está condicionado a envio, por parte da autoridade lançadora, das DIRF’s ou de quaisquer outras declarações à Requerente durante o procedimento fiscal já regularmente instaurado, não podendo, por si só, configurar cerceamento do direito de defesa. Além do mais, constam deste PAF, demonstrativos (fls. 79) trazidos aos autos pela autoridade fiscal nos quais restam demonstradas as receitas tributáveis utilizadas na determinação das bases de cálculo dos referidos autos de infração, os quais, em conjunto com as DIRF e os comprovantes de rendimento, de fls. 88 e 126, permitiram o total Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 12 conhecimento da Requerente em relação as informações utilizadas nas apurações das referidas bases de cálculo. Além disso, a Requerente alega que os autos do processo administrativo fiscal não estavam disponíveis para seu acesso na repartição fazendária, do município de ValençaBA, ficando a Contribuinte impossibilitada de ter vista dos documentos que instruíam o processo e subsidiaram o lançamento do crédito tributário, isso porque o referido processo chegou à unidade da RFB em Valença, somente, no dia 02 de junho de 2011, quando já houvera decorrido quase 1/3 (um terço) do prazo total para elaboração da presente defesa, o que, também, poderia implicar no cerceamento do seu direito de defesa. Da análise do documento de nome, “Solicitação de cópia de documentos”, concluise que o mesmo só foi entregue na repartição competente (ARF ValençaBA) em 21/06/2011, ou seja, 19 dias após a chegada do PAF à referida repartição, após os quais só restaria 1 (um) dia para completar o prazo final para a entrega da sua Impugnação à RFB, conforme fls. 169 a 195, ou seja, tal fato não impediu que a Contribuinte efetuasse sua defesa em tempo hábil. Assim, não vislumbro cerceamento do direito de defesa Erro na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins A recorrente entende que houve apuração em duplicidade na autuação, pois as pessoas jurídicas que lhe efetuaram pagamentos fizeram a retenção de tais contribuições, que foram lançadas novamente. Alega, ainda, que a DRJ, quando do julgamento, se absteve de analisar tal argumento. A assertiva não está em conformidade com o que consta do acórdão recorrido. Com efeito, a DRJ efetuou minucioso exame da base de cálculo do lançamento e o reduziu, excluindo dele os créditos lançados em duplicidade. Vejamos: Da leitura de tais artigo, resta claro que as empresas declarantes retiveram: o IRRF na alíquota de 1,5% sob os códigos 1708 e 8045, e CSLL, COFINS e PIS, nas alíquotas, respectivamente, 1%, 3% e 0,65%, conforme os artigos supracitados. Porém, da observação das informações da planilha acima, constatase que realmente há receitas tributáveis consideradas em duplicidade na determinação das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS, tanto entre os códigos 8045 e 5952, quanto entre os códigos 1708 e 5952, das quais só será considerado um dos códigos nas determinações das bases de cálculo deste voto. Também foram consideradas em duplicidade, as receitas cujos valores são diferentes entre si, porém pertencem ao mesmo mês/ano, ao mesmo tipo de rendimento, e ao mesmo declarante, como segue: Anomês Código de receita Receitas tributáveis apuradas autos de infração (R$) jan/08 1708 11.672,00 jan/08 5952 21.769,44 set/08 1708 97.923,40 set/08 5952 98.643,37 nov/08 1708 86.798,94 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13555.000116/201185 Acórdão n.º 1302001.119 S1C3T2 Fl. 277 13 nov/08 5952 89.440,38 dez/08 1708 77.054,31 dez/08 5952 46.727,60 Cabe ressaltar que dentre estes só serão considerados os maiores valores nas determinações das bases de cálculo deste voto. Desconsideradas as receitas tributáveis em duplicidade (planilhas supracitadas), temse as seguintes apurações dos tributos em lide: COFINS mês/ano Rec. Trib. (R$) COFINS lançada (R$) COFINS 3% (R$) COFINS a comp. (R$) COFINS mantida (R$) COFINS exonerada (R$) jan/08 164.859,04 4.483,01 4.945,77 2.701,14 2.244,63 2.238,38 fev/08 232.684,27 6.975,34 6.980,53 0,00 6.975,34 mar/08 189.192,30 5.675,74 5.675,77 950,81 4.724,96 950,78 abr/08 115.521,42 3.397,30 3.465,64 0,00 3.397,30 mai/08 146.837,01 4.243,99 4.405,11 1.149,11 3.256,00 987,99 jun/08 122.595,20 3.555,69 3.677,86 0,00 3.555,69 jul/08 295.390,76 8.843,79 8.861,72 1.155,07 7.706,65 1.137,14 ago/08 336.467,24 10.093,85 10.094,02 3.296,19 6.797,82 3.296,03 set/08 455.987,70 13.657,85 13.679,63 3.593,39 10.086,24 3.571,61 out/08 187.388,68 5.621,61 5.621,66 1.735,45 3.886,22 1.735,39 nov/08 364.944,94 10.868,93 10.948,35 3.904,41 7.043,94 3.824,99 dez/08 427.980,79 12.871,27 12.839,42 5.454,25 7.385,17 5.486,10 Totais 3.039.849,35 90.288,37 91.195,48 23.939,81 67.059,97 23.228,40 PIS mês/ano Rec. Trib. (R$) PIS lançada (R$) PIS 0,65% (R$) PIS a comp. (R$) PIS mantido (R$) PIS exonerado (R$) jan/08 164.859,04 971,46 1.071,58 585,25 486,34 485,12 fev/08 232.684,27 1.511,32 1.512,45 0,00 1.511,32 mar/08 189.192,30 1.199,42 1.229,75 206,01 1.023,74 175,68 abr/08 115.521,42 736,09 750,89 0,00 736,09 mai/08 146.837,01 919,53 954,44 248,97 705,47 214,06 jun/08 122.595,20 770,39 796,87 0,00 770,39 jul/08 295.390,76 1.916,18 1.920,04 250,27 1.669,77 246,41 ago/08 336.467,24 2.187,27 2.187,04 714,18 1.472,86 714,41 set/08 455.987,70 2.959,47 2.963,92 778,57 2.185,35 774,12 out/08 187.388,68 1.218,09 1.218,03 376,01 842,01 376,08 nov/08 364.944,94 2.355,20 2.372,14 845,95 1.526,19 829,01 dez/08 427.980,79 2.788,92 2.781,88 1.181,75 1.600,12 1.188,80 Totais 3.039.849,35 19.533,34 19.759,02 5.186,96 14.529,66 5.003,68 As colunas: “IRPJ a COMP.”, “CSLL a COMP.”, “COFINS a COMP.” e “PIS a COMP.” são relativas a tributos retidos na fonte sob os códigos 1708, 8045 e 5952, os quais se encontram informados nas DIRF, conforme fls. 88 e 126. Sendo assim, não resta comprovada a alegação da Impugnante de que só deveriam ser mantidos: a COFINS, no valor original de R$ 1.172,91 (R$ 39.096,96 * 3%) e o PIS, no valor original de R$ 254,13 (R$ 39.096,96 * 0,65%).(grifo meu) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 14 Cabe ressaltar que constam das consultas aos sistemas SINAL05 (fls. 80 a 87) e SIEF/Pagamentos (fls. 206 e 207), administrados pela RFB, pagamentos com DARF (códigos de receita:2089 (IRPJ), 2372 (CSLL), 8109 (PIS) e 2172 (COFINS), sendo que estes não se encontram vinculados a nenhum crédito tributário ou processo. Tais pagamentos, os quais compõe a coluna “Pagamentos” da planilha a seguir, também deverão ser alocados, de acordo com a solução de consulta interna de nº. 08/2007, a seus respectivos créditos tributários do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS ora mantidos. Ainda, em relação aos referidos pagamentos, concluise que deverão ser subtraídos para efeito da apuração das bases de cálculo da multas qualificadas de 150% e dos juros de mora, como segue: IRPJ, CSLL, COFINS e PIS BASE DE CÁLCULO DA MULTA 150% E JUROS DE MORA PA Tributo/ (cód. Rec.) Vlr. Mantido no voto (R$) Pagamentos (R$) BC. p/ multa 150% e juros (R$) 1º IRPJ 32.875,30 348,12 32.527,18 2º IRPJ 22.457,97 388,52 22.069,45 3º IRPJ 71.684,57 71.684,57 4º IRPJ 65.019,12 65.019,12 1º CSLL 15.680,67 58,10 15.622,57 2º CSLL 10.703,62 176,45 10.527,17 3º CSLL 28.648,41 28.648,41 4º CSLL 24.535,03 24.535,03 jan COFINS 2.244,63 150,2 2.094,43 fev COFINS 6.975,34 140,17 6.835,17 mar COFINS 4.724,96 144,77 4.580,19 abr COFINS 3.397,30 161,12 3.236,18 mai COFINS 3.256,00 170,48 3.085,52 jun COFINS 3.555,69 154,05 3.401,64 Jul COFINS 7.706,65 7.706,65 ago COFINS 6.797,82 6.797,82 set COFINS 10.086,24 10.086,24 out COFINS 3.886,22 3.886,22 nov COFINS 7.043,94 7.043,94 dez COFINS 7.385,17 7.385,17 jan PIS 486,34 32,54 453,80 fev PIS 1.511,32 30,37 1.480,95 mar PIS 1.023,74 31,36 992,38 abr PIS 736,09 34,91 701,18 mai PIS 705,47 36,94 668,53 jun PIS 770,39 33,38 737,01 Jul PIS 1.669,77 1.669,77 ago PIS 1.472,86 1.472,86 set PIS 2.185,35 2.185,35 out PIS 842,01 842,01 nov PIS 1.526,19 1.526,19 dez PIS 1.600,12 1.600,12 BC. p/ multa 150% e juros = Vlr. Mantido no voto – Pagamentos. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13555.000116/201185 Acórdão n.º 1302001.119 S1C3T2 Fl. 278 15 Vêse, portanto, que o trabalho feito pela DRJ debruçouse sobre as questões levantadas pela ora recorrente. Ademais, além de se verificar claramente das tabelas a efetiva redução do valor tributável de PIS e COFINS e aplicação das alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente, nenhum valor específico da tabela produzida no julgamento que resultou na redução do auto de infração foi questionado pela recorrente, que simplesmente afirmou que o colegiado não apreciou a matéria. Neste sentido, o argumento não pode ser acolhido. Erro na apuração da receita tributável Alega, também, a recorrente, que há erro na base tributável pois a fiscalização não tomou como verdadeiros os dados lançados no livro de ISS, prestado espontaneamente durante o procedimento fiscal. Segundo afirma, tal livro seria de grande robustez. Ora, os livros comerciais e fiscais fazem prova em favor do contribuinte. Todavia, esta é uma presunção relativa que pode ser desconstituída pela fiscalização, como foi feito. No caso vertente, as fontes pagadoras que pagaram rendimentos à recorrente informaram valores em montante superior aos R$2.844.080,99 lançados no livro de ISS. Tal prova não restou vergastada com efetividade pela recorrente, com apresentação de provas hábeis e idôneas que questionassem sua idoneidade e veracidade. Demais disso, após verificar que foram prestadas declarações falsas à Administração Fazendária, indicando valores iguais a zero relativo a receitas auferidas, a alegação de que o livro de ISS é de grande robustez fica prejudicada, sem que esta robustez seja devidamente demonstrada e que os valores informados pelas instituições financeiras sejam questionados, mediante provas. Assim, mantenho a base de cálculo tal qual retificada pelo acórdão recorrido. Argüição de inconstitucionalidade de lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, em especial no que tange aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco na aplicação da multa de ofício qualificada (percentual de 150%). Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE 16 Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ausência do elemento subjetivo Insurgese, ainda, a recorrente, novamente contra a imposição da multa qualificada, por entender que não foi demonstrado o dolo. Alega, em síntese, haver limitação intelectiva da empresária, que é suprida por terceiro contador. As retenções eram feitas diretamente pelas instituições financeiras contratantes. E, por fim, a apresentação do livro de ISS, bem como apresentação de declaração retificadora, durante o procedimento fiscal afastam o dolo. A multa foi aplicada no percentual de 150% porque entendeu a autoridade (fls.159) que a recorrente deliberadamente não declarou os valores de Receita Bruta inerentes a comissões, corretagem, remuneração por serviços prestados a bancos diversos, conforme consta em DIRF e parcialmente no livro de ISS. As DIPJ/2009 e DCTF relativas ao 1º e 2º semestre de 2008 foram apresentadas zeradas. Tendo em vista que a declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo, entendo que a conduta de falseála, reduzindolhe os valores de receita bruta, demonstra intenção de esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores. Provada a redução, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. Somese a isso, que sendo optante pelo lucro presumido, a conduta foi repetida durante os 04 trimestres do anocalendário de 2008. Relativamente à apresentação de livros e documentos (livro de ISS) durante o procedimento fiscal, é necessário ressaltar que neste ponto dos acontecimentos, em geral – e não destoa disto o caso vertente a autoridade já sabe, pelas informações que têm nos bancos de dados da Receita Federal, que há informações incongruentes com grande possibilidade de se constituírem em infrações fiscais (no caso vertente, total incompatibilidade entre as DIPJ\DCTF prestadas relativamente às DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras). A conduta que motivou tal incongruência já foi deflagrada e restou surpreendida pela autoridade fiscal antes do termo ad quem para o lançamento de ofício. Neste sentido, descabe falarse em ausência de dolo, pois este deve ser aferido relativamente à conduta surpreendida, já exaurida, todavia, no tempo. Sequer podese falar aqui em tentativa, posto que esta se dá quando o agente é surpreendido já na execução do crime, mas antes de sua consumação. Assim, tal apresentação apenas poderia configurar confissão, mas esta modalidade de prova, de acordo com a legislação tributária, não tem qualquer efeito atenuante na penalidade a ser aplicada. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13555.000116/201185 Acórdão n.º 1302001.119 S1C3T2 Fl. 279 17 Entendo, pois, correta a aplicação da multa qualificada. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o quanto decidido no acórdão recorrido. Sala das Sessões, 11 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000334/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA.
INCONSTITUCIONALIDADE ARTIGOS 45 E 46 LEI 8.212/1991.
SÚMULA VINCULANTE STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN).
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias
relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado
nos termos do art. 173, I, do CTN.
O lançamento foi efetuado em 28/07/2006, data da ciência do sujeito passivo
(fl. 01), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento
da obrigação acessória, ocorreram na competência 06/1999, o que fulmina
em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente
de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OCORRÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE ARTIGOS 45 E 46 LEI 8.212/1991. SÚMULA VINCULANTE STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. O lançamento foi efetuado em 28/07/2006, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, ocorreram na competência 06/1999, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000334/200701 Acórdão n.º 2402002.589 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no artigo 52, inciso II, da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 280, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa distribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando em débito com a Seguridade Social. O Relatório Fiscal da Infração (fl. 07) informa que a empresa pagou aos sócios administradores (sóciosgerentes) os valores de R$146.728,64 (conta 6.1.2.10.01.1, Livro Diário n° 13 do ano de 1999), estando em débito com a Seguridade Social. Esse Relatório Fiscal informa ainda que constar dos autos o Contrato Social e as folhas do Razão que comprovam os fatos motivadores da infração. Não constam Autos de Infração anteriores a serem considerados para fins de reincidência e não ocorreram quaisquer das circunstâncias agravantes. A multa aplicada pela infração cometida é aquela prevista no art. 52, parágrafo único, da Lei 8.212/1991 e no Livro IV – DAS PENALIDADES EM GERAL, capítulo III – DAS INFRAÇÕES – do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em seu art. 285, sujeitando o infrator à multa de R$73.364,32 (setenta e três mil trezentos e sessenta e quatro reais e trinta e dois centavos), correspondente a 50% do montante dos lucros distribuídos. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/07/2006 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 24/41), alegando, em síntese, que: 1. Da Decadência. Os autos de infração devem ser anulados, uma vez que a Previdência Social tem o prazo de cinco anos para apurar e constituir seus créditos. A seguir transcreve ementas de acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais Federais; 2. Da Contribuição de Autônomos Folha de Rendimentos incluindo pessoas físicas sem vínculo empregatício. O Auto de Infração não deve prosperar mesmo não sendo esse o entendimento desta Delegacia de Julgamento, posto que, as contribuições sociais exigidas nos autos são anteriores a EC 20/98, não sendo portanto considerados segurados obrigatórios os administradores e autônomos. Continua discutindo sobre a citada Emenda Constitucional sob o argumento de que a mesma não revigora a constitucionalidade dos termos administradores e autônomos, permanecendo a inconstitucionalidade até a atualidade. Termina o argumento referindo que a contribuição sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais é ilegal e Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 inconstitucional à medida que amplia a base de cálculo sem a devida Lei Complementar; 3. Da contribuição destinada a Terceiros e SAT. Não há que se falar em recolhimento das contribuições destinadas ao INCRA e ao SalárioEducação, pois a atividade empresarial da contestante não estar ligada ao “Sistema S” nem ao sistema agrário do país. Com relação à contribuição destinada ao SAT, transcreve ementa do TRT da quarta região que entende como de risco leve a atividade desenvolvida pela administradoras de consórcio, sujeitandose assim à alíquota de 1% a título de SAT; 4. Do Vínculo Trabalhista. A fiscalização previdenciária não possui poderes para investigar a situação fática caracterizadora da relação empregatícia. Que no Relatório Fiscal não há qualquer prova ou elementos capazes de comprovar a existência do vínculo empregatício entre o suposto empregado e a empresa de modo a tornar legitima a imposição fiscal. Que as contribuições decorrentes desse ato devem ser cobradas na justiça do trabalho; 5. Das Multas. Existe verdadeira acumulação de multa, o que é proibido pelo direito, nem se diga que se trata de multas diferentes uma pela falta de recolhimento outra pela falta de declaração em documentos. Que a multa não pode ser cumulativa nem em duplicidade; 6. Dos documentos faltantes. Foi lavrado um auto de infração por não apresentação de folhas de pagamento, no entanto explica que as mesmas estavam em poder do antigo contador e estão sendo apresentadas em anexo, devendo dessa forma ser anulado o auto de infração n° 35.835.2630, anexa ainda a relação dos trabalhadores do arquivo SEFIP das competências 09/2000 a 04/2001; 7. Do Pedido. Pelas razões expostas requer a improcedência dos referidos autos de infração e os respectivos cancelamentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0518.000 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 246/248) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 254/275), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Jundiaí/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 293/295). É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000334/200701 Acórdão n.º 2402002.589 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente (fls. 250/254). Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA PRELIMINAR: Quanto às preliminares, devemos verificar a questão da decadência tributária. Os motivos do lançamento fiscal ora analisado estão descritos no Relatório Fiscal da Infração de fl. 07, que consiste em a empresa distribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, estando em débito com a Seguridade Social, para a competência 06/1999. Primeiramente, cabe esclarecer que a autuação foi motivada por descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei 8.212/1991. Contudo, a decadência tributária deve ser verificada considerandose a recente Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.(g.n.;) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000334/200701 Acórdão n.º 2402002.589 S2C4T2 Fl. 4 7 acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Com isso, o direito de constituir o crédito tributário extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, ou lavrada a autuação. Assim, como a autuação se deu em 28/07/2006, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e a multa aplicada decorre de fatos que ocorreram na competência 06/1999, reconhecese que ocorreu a decadência tributária e que deverão ser excluídos os valores da multa aplicada em sua totalidade. Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelos motivos anteriores a competência 12/2000, pois o direito potestativo do Fisco de constituir crédito tributário – por meio de lançamento fiscal de ofício – já estava extinto pela decadência tributária quinquenal. Por todo o exposto, acato a preliminar de decadência tributária ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo, assim, que o crédito tributário lançado em sua totalidade foi extinto pela decadência tributária quinquenal, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 12466.003746/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/09/2008
CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3-c, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA. Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou a votação, pela recorrente, a estagiária Clairen Saana Moura Santos, OAB-E/DF nº 12.181
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/09/2008 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3c, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA. Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. Acompanhou a votação, pela recorrente, a estagiária Clairen Saana Moura Santos, OABE/DF nº 12.181 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 37 46 /2 00 8- 42 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Versa o presente processo sobre Autos de Infração (fls. 02 a 27) lavrados com vistas à constituição de crédito tributário referente à falta de recolhimento de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins e contribuição para o PIS/Pasep incidentes na importação, exigências essas acrescidas da respectiva multa de oficio proporcional a 75% do valor não recolhido (exceto para a exigência relativa ao IPI), além de multa regulamentar e proporcional a 1% do valor aduaneiro, no valor total de R$ 311.058,53 (trezentos e onze mil, cinqüenta e oito reais, e cinqüenta e três centavos), tudo isso em virtude da classificação tarifária incorreta de CARTUCHOS DE TONER compatíveis para uso em máquinas multifuncionais que, importados através das Declarações de Importação (DI) n.ºs 08/14983736 e 08/14983744 (ambas de 23/09/2008), por conta e ordem da empresa HEWLETTPACKARD BRASIL LTDA, foram classificados pelo importador em epígrafe no código NCM 8443.99.29 da TEC, ao passo que o enquadramento correto, segundo a fiscalização, dáse no código NCM 8443.99.39 da TEC. Mais precisamente, relata a autoridade autuante que a reclassificação tarifária da mercadoria apóiase na identificação do produto importado, segundo indicações dos modelos de equipamentos multifuncionais constantes das embalagens dos produtos e consulta feita na rede mundial de computadores (internet), e, bem assim, na Solução de Consulta SRRF RF/DIANA n.° 126, de 2007 (fls. 43 a 48), cujo entendimento é de que, por não haver classificação específica para os acessórios dos citados equipamentos, a mercadoria classificase na posição situada no último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, em conformidade com a alínea "c" da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI). Regularmente cientificado da exação em 03/10/2008 (fls. 03, 10, 17 e 22), o sujeito passivo, irresignado, apresentou, em 03/11/2008, os documentos colacionados as fls. 108 a 138 e a impugnação de fls. 99 a 107, onde, em síntese: Após esclarecer que, em 07/10/2008, efetuou cinco depósitos administrativos na Caixa Econômica Federal, totalizando o valor constante da autuação, reclama que a simples leitura da alínea "a" da 3ª RGI é suficiente para sustentar a classificação tarifária adotada nas declarações de importação em causa, qual seja, no subitem 8443.99.29 da TEC, dedicado às outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos, pois o próprio Fisco afirma no feito que os itens importados objeto da autuação "são partes e acessórios de impressoras, compatíveis em equipamentos multifuncionais"; Em outro plano, alega que a classificação no subitem 8443.99.29 da TEC apóiase também na combinação entre as RGI 3 A e 3 B, pois o produto deve ser classificado pelo artigo que lhe confira a característica essencial e, nesse caso, a característica essencial do equipamento multifuncional é de impressora, e não de copiadora, conforme reconhecido pela própria fiscalização; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003746/200842 Acórdão n.º 3202000.774 S3C2T2 Fl. 228 3 Neste passo, argumenta que, nos equipamentos multifuncionais, a função copiadora utilizase necessariamente da função impressora, ao passo que a função impressora não necessita de nenhum elemento da função de cópia, restando, assim, inequívoco afirmar que a característica essencial do equipamento multifuncional é a de impressora; Neste quadro, reclama que a fiscalização utilizouse precipitadamente da RGI 3 C, já que esta regra é empregada apenas quando não for possível determinar a especificidade ou a essencialidade dos produtos em conformidade com as regras 3 A e 3 B, ao que aduz a transcrição de decisões administrativas que entende corroborarem o entendimento sustentado na petição impugnatória, dentre elas as prolatadas nas Soluções de Consultas SRRF 7ª RF/DIANA n.ºs 47 e 68, ambas de 2008; Não obstante isso, dada a existência de especificidades técnicas envolvidas, e para bem demonstrar e comprovar a efetiva e principal característica e função de impressão dos itens importados, requer a realização de perícia, para a qual formula quesito e indica perito, em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto n.° 70.235, de 1972; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento dos autos de infração hostilizados e o levantamento dos depósitos administrativos efetuados.” A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedente a impugnação (efls. 153/159), nos termos da ementa adiante transcrita. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/09/2008 CARTUCHO DE TONER COMPATÍVEL COM EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner compatíveis para uso em equipamentos multifuncionais classificamse no código tarifário NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex n.° 43, de 2006, em virtude do disposto na alínea "c" da 3ª. Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na 1a Regra Geral Complementar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 162/176), alegando, em síntese: que os critérios da especificidade e da essencialidade (Regras 3A e 3B das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGISH) são plenamente passíveis de serem utilizados no caso em concreto, coadunando a posição NCM adotada pela Recorrente; que nos equipamentos multifuncionais que ora se discute, prevalece a característica de se constituírem, por excelência, em máquinas impressoras, seja porque a função de copiadora deve necessariamente utilizarse da função de impressora para que possa Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 operar, seja porque a atividade de "impressão" é a mais visada e utilizada por consumidores que buscam tais equipamentos. Afirma que os cartuchos de toner utilizados nesses equipamentos multifuncionais são mais comum e claramente identificados em razão da sua aplicação para a realização de impressões, e não de cópias, e que, diante de tal especificidade, por aplicação da regra 3A das RGISH, a correta classificação seria a posição NCM 8443.99.29, que é mais específica do que a posição NCM 8443.99.39; que, mesmo que se alegue, como fez a DRJ, que em um equipamento multifuncional a função copiadora é tão específica quanto a função impressora, ainda assim a regra 3B deve ser aplicada para a classificação da mercadoria. Alega que nos cartuchos de toner para equipamentos multifuncionais, congregamse as utilidades relacionadas à impressão e à cópia em um só produto, o que não impede, porém, que se faça a dissociação entre a função que prevalece, seja no equipamento multifuncional, seja nas peças e acessórios a ele relacionados. Afirma que, no caso em concreto, a função que prevalece, conferindo ao produto a sua característica essencial, é a de impressora, razão pela qual, mais uma vez, por aplicação da RGISH 3B, a classificação do produto se faz no código 8443.99.29. que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem se pacificando no sentido de convalidar a adoção de classificação fiscal oriunda da utilização da "função predominante", inclusive em casos semelhantes julgados favoravelmente à Recorrente; e que a recorrente atuou conforme os ditames de diversas soluções de consulta da 7ª Região Fiscal existentes sobre o tema, as quais, conquanto não se direcionam especificamente à recorrente, constituem prática reiteradamente seguida pelas autoridades administrativas daquela jurisdição. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com o cancelamento da exigência perpetrada na autuação e, subsidiariamente, a exclusão da multa e dos juros de mora, em razão de seguir conduta reiteradamente adotada pelas autoridades administrativas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003746/200842 Acórdão n.º 3202000.774 S3C2T2 Fl. 229 5 posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras (grifo não constante do original) Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produto misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma canetarelógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003746/200842 Acórdão n.º 3202000.774 S3C2T2 Fl. 230 7 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede (grifo não constante do original) Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax) , não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. Cabe salientar que, quanto a essa mesma matéria (classificação fiscal de cartuchos de toner de equipamento multifuncional), esta Turma julgadora já manifestou o mesmo entendimento ora aqui esposado, nos autos do processo nº. 15165.003659/200878, em sessão realizada em 21 de agosto de 2012, Acórdão nº. 3202000.551, quando, então, por unanimidade de votos, decidiuse pela classificação da mercadoria na posição residual 8443.99.39, por aplicação da RGI nº. 3C. Aquela decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/01/2007, 09/02/2007, 16/02/2007, 12/03/2007, 01/02/2008, 06/05/2008, 26/05/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. ART. 3, ALÍNEA ‘C’ DA RGI. A correta classificação fiscal de uma mercadoria depende da interpretação das regras existentes, no caso, as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC). A alínea ‘a’, do art. 3º, do RGI, trata da especificidade da mercadoria; a alínea ‘b’ de produtos misturados; e alínea ‘c’ dos casos nos quais não é possível aplicar as alíneas anteriores. De acordo com a alínea ‘c’ do referido artigo, no caso de ausência de item específico, a mercadoria deverá ser classificada na última posição da ordem numérica. ART. 106, INCISO II, ALÍNEA ‘C’ DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS POR LEI POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 O art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN trata da retroatividade benigna, e deve ser aplicado quando lei posterior estabelecer penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente à época dos fatos geradores. Como exposto, a retroação é devida no caso de penalidade menos severa, e a majoração na alíquota de um tributo não pode ser considerada uma penalidade, visto que tributo não é penalidade, conforme disposição do art. 3º do CTN. Recurso voluntário negado.” (grifos não constantes do original) Naquela oportunidade, assim se manifestou i. Relator, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior, no voto condutor do acórdão proferido: “A alínea ‘a’ do artigo supracitado, que trata da especificidade, não é aplicável ao caso concreto, isso porque não existe um item específico para os equipamentos multifuncionais, pois o NCM 8443.99.1 trata de telecopiadores, o NCM 8443.99.2 de impressoras ou traçadores e o NCM 8443.99.3 de máquinas copiadoras. Assim, como não há um item específico para multifuncionais, a alínea ‘a’ não pode ser aplicada. Dessa forma, passase à análise do conteúdo da próxima alínea. A alínea ‘b’ trata de produtos misturados ou de mercadorias apresentadas em sortidos para venda a retalho, e os produtos importados. Cartuchos de toner não se enquadram nessa classificação, logo, a alínea ‘b’ também não é aplicável ao caso em tela. A alínea ‘c’ dispõe que, quando não for possível classificar a mercadoria com as disposições prescritas nas alíneas ‘a’ e ‘b’, a mercadoria deverá ser classificada na posição situada no último lugar na ordem numérica. Tal disposição é compatível com o caso em tela, assim, as mercadorias importadas devem ser classificadas no item 8443.99.39, que corresponde ao último item da ordem numérica 8443.99. [...] Concluise, portanto, que a Fiscalização adotou a classificação correta para as mercadorias importadas (cartuchos de toner para multifuncionais), qual seja, o NCM 8443.99.39, que na época dos fatos geradores, 2007 e 2008, apresentava como alíquota para o II 14%, e para o IPI 20%. Logo, o crédito tributário exigido no presente auto de infração é devido, bem como, a cobrança das contribuições sociais, PIS e COFINS, os juros de mora e a multa de ofício.” (grifos não constantes do original) Quanto à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.003746/200842 Acórdão n.º 3202000.774 S3C2T2 Fl. 231 9 objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10540.720757/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. - RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA -
As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos.
Correta a glosa dos valores compensados, quando não demonstrar o recorrente o recolhimento das contribuições objeto de compensação.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - AGENTES POLÍTICOS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA A ESTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Ao ingressar em juízo, pleiteando o direito a compensação e por conseguinte para que o crédito não seja alcançado pela prescrição renunciou o recorrente às instâncias administrativas sob a matéria objeto de ação judicial sob o mesmo objeto.
Não existe óbice a constituição de crédito resultante de ausência de recolhimento face compensação realizada pelo recorrente, mesmo que autorizada em medida judicial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. - RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Correta a glosa dos valores compensados, quando não demonstrar o recorrente o recolhimento das contribuições objeto de compensação. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - AGENTES POLÍTICOS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA A ESTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Ao ingressar em juízo, pleiteando o direito a compensação e por conseguinte para que o crédito não seja alcançado pela prescrição renunciou o recorrente às instâncias administrativas sob a matéria objeto de ação judicial sob o mesmo objeto. Não existe óbice a constituição de crédito resultante de ausência de recolhimento face compensação realizada pelo recorrente, mesmo que autorizada em medida judicial. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720757/201040 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.879 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria GLOSA DE COMPENSAÇÃO Recorrente MUNICÍPIO DE GUANAMBI PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO COMPENSAÇÃO GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Correta a glosa dos valores compensados, quando não demonstrar o recorrente o recolhimento das contribuições objeto de compensação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO AGENTES POLÍTICOS DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA A ESTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Ao ingressar em juízo, pleiteando o direito a compensação e por conseguinte para que o crédito não seja alcançado pela prescrição renunciou o recorrente às instâncias administrativas sob a matéria objeto de ação judicial sob o mesmo objeto. Não existe óbice a constituição de crédito resultante de ausência de recolhimento face compensação realizada pelo recorrente, mesmo que autorizada em medida judicial. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 07 57 /2 01 0- 40 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10540.720757/201040 Acórdão n.º 2401002.879 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob n. 37.309.8472, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, tendo o crédito sido constituído por meio da glosa de compensação efetuadas pela empresa sem que a mesma tivesse direito a mesma.. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 15 a 18: De posse destes documentos a Fiscalização da RFB realizou pesquisas nos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, efetuando o levantamento de informações declaradas em GFIP entregues pela Prefeitura Municipal e Câmara Municipal, relativamente aos subsídios dos exercentes de mandato eletivo, bem como, dos recolhimentos realizados pelo Município, nos períodos acima citados. Também, foi encaminhado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal intimando o fiscalizado a prestar esclarecimentos e a apresentar os elementos e documentos comprobatórios, essenciais à caracterização da existência dos créditos compensados e declarados em GFIP, nas competências 10/2006, 04/2007, 09/2008 a 02/2010, por atender a todos os requisitos legais. Dessa análise constatamos que: a) Apenas em algumas competências do período de outubro de 1999 a setembro de 2004 foram declarados subsídios de agentes políticos, conforme planilha C. b) Nas competências em que foram declarados os subsídios dos agentes políticos a Prefeitura Municipal não recolheu integralmente o valor declarado de contribuição previdenciária, exceto competência 02/2003, conforme planilhas A e C. c) A Câmara Municipal deixou de declarar as contribuições previdenciárias em algumas competências do período de 1998 a 2004. Como também, a Câmara deixou de recolher valores de contribuição previdenciária declaradas em GFIP, nas competências de 02/1998 a 09/2004, conforme planilha B. d) O autuado declarou nas GFIP das competências 10/2006, 04/2007 estar realizando compensação de créditos cujo período de referência é de 01/2000 e 06/2000. Os valores porventura recolhidos de contribuição previdenciária incidente sobre subsídios de agentes políticos já se encontravam atingidos pela prescrição no momento da declaração das compensações. Registrese que, de acordo com as informações levantadas a partir dos Sistemas Informatizados da RFB, nas GFIP destas competências não consta declaração da remuneração paga a exercentes de mandato eletivo. Também, nas GFIP das competências 09/2008 a 02/2010 informa estar compensando Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 créditos relativos aos períodos de 02/1998 a 09/2004. Os pagamentos efetuados até 08/2003 já se encontravam prescritos quando da entrega da declaração da competência 09/2008. Registrese que constam os nomes de exercentes de mandato eletivo nas GFIP da Prefeitura das competências 01 a 09/2002 e 02 a 05/2003. De acordo com a planilha C, relativamente ao ano calendário de 2004, apenas nas competências 01/2004 a 07/2004 e 09/2004 a remuneração de agentes políticos foi declarada na GFIP da Prefeitura. Entretanto, não constam pagamentos destes valores declaradas nas competências 01, 02, 06 e 07 de 2004. Para as competências 03, 04, 05 e 09 de 2004, os valores recolhidos pela Prefeitura foram inferior ao declarado. e) O Município não apresentou a planilha detalhada dos créditos compensados, com informação da data de pagamento, período de referência e informação da GFIP na qual foi feita a compensação, bem como não encaminhou os documentos comprobatórios de tais recolhimentos f) O Município, na grande maioria das competências pertencentes ao período de 02/1998 a setembro de 2004, deixou de recolher na sua integralidade os valores declarados de contribuição previdenciária. g) O município não apresentou documentação comprobatória do crédito decorrente de pagamento de salário família que deixou de ser deduzido nos registros contábeis ou nas GFIP entregues, conforme alegado no curso da presente ação fiscal. Com efeito, verificado que o autuado não atendeu, cumulativamente, às condições essenciais para que o direito creditório decorrente da tributação sobre subsídio de exercentes de mandato eletivo tivesse existência plena e irrefutável, pela razões aqui expostas e considerações feitas no Relatório da Ação Fiscal, como ainda, não comprovou os créditos decorrentes de pagamento do salário família, lavramos o presente Auto de Infração para cobrança da contribuição previdenciária declarada e que deixou de ser recolhida em decorrência de ter o fiscalizado efetivado em GFIP compensação de créditos tributários previdenciários, ao tempo em que foi feita a glosa das compensações previdenciárias declaradas nas GFIP das competências 10/2006, 04/2007, 09/2008 a 02/2010. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/12/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 23/12/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 492 a 519. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 671 a 684 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO. PRAZO. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10540.720757/201040 Acórdão n.º 2401002.879 S2C4T1 Fl. 4 5 O direito de compensação do indébito tributário decai após 5 (cinco) anos da data do pagamento. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA INDEVIDA. GLOSA. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO. Compensação administrativa é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária para a compensação de créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados. Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO JUDICIAL. AUTORIZAÇÃO. SUJEIÇÃO A TRÂNSITO EM JULGADO. Ainda que requeira, judicialmente, efetuar compensações de tributos que julgue recolhidos indevidamente, é preciso que o contribuinte tenha autorização judicial para proceder nesse sentido. Na forma da lei, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Incide taxa SELIC sobre contribuições sociais recolhidas em atraso, as quais estão previstas na legislação específica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa apresentou recurso, fls. 688 a 788, onde argumenta em síntese: 1. Em caráter de preliminar, que o AI em apreço, e os relatórios que o acompanham, não fazem referência ao levantamento das contribuições ora apuradas. Dessa forma, o contribuinte não sabe ao certo as razões que levaram o fisco a efetuar esse levantamento nas competências 10/2006, 04/2007 e 09/2008 a 02/2010. Alega, também, que os precitados documentos consignam o montante da dívida, não informando, contudo, quais os fatos que motivaram o lançamento e o fundamento legal para tanto. Referidas omissões geram violações aos princípios da motivação, do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, o que macula de vício a autuação. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 2. Já no mérito, o recorrente aduz que, na ação fiscal de que resultou o presente auto de infração, foi realizada uma estimativa aleatória. 3. Um arbitramento desse tipo implica imputar ao contribuinte uma superposição de exações, redundando, o lançamento fiscal, em valores muito elevados, verdadeiro bis in idem por biapenação. 4. A fixação de dívida de ente publico por estimativa é inaceitável., pois quebra o pacto federativo. 5. Argumenta que as compensações previdenciárias realizadas pelo Município dizem respeito às cotas patronais indevidamente recolhidas sobre os subsídios dos agentes políticos, durante o período de 11/1997 a 08/2004. 6. Acrescenta que a própria Previdência Social, através da Portaria MPS nº 133, de 02 de maio de 2006, já regulamentou a matéria, declarando que "a Secretaria da Receita Previdenciária não promoverá a constituição de créditos com fundamento na alínea "h" do inciso I do art. 12 da lei 8.212/91, acrescentado pelo § 1o do art. 13 da Lei 9506/97' e (...) "deverão ser cancelados ou retificados, conforme o caso, todos os débitos oriundos das contribuições referidas nesta Portaria...". Ainda: que essa mesma Portaria, no art. 4o, autoriza a compensação dos créditos oriundos das contribuições em questão. 7. Expõe que à Receita Federal do Brasil caberia reconhecer administrativamente a ilegalidade da cobrança das contribuições previdenciárias acima referidas e, por consequência, a legalidade e regularidade das compensações procedidas pelo autuado. 8. Aduz que, para que seja legítima a compensação, é desnecessária a comprovação do valor do crédito a ser compensado. Consoante trecho de decisão que ali colaciona, é pacífica a jurisprudência a favor da autuada, nesse sentido. 9. Diz que as compensações previdenciárias sobre os subsídios dos agentes políticos são fundamentadas em sentença judicial transitada em julgado, consubstanciada no acórdão STF – Recurso Extraordinário 351.717, cujos efeitos da declaração de inconstitucionalidade foram estendidos pela Resolução do Senado Federal nº 26, de 2005. 10. Concluindo, ressalta que a autuada intentou processo judicial contra a União, no qual lhe foi reconhecido o direito de compensar os valores pagos a título de INSS sobre salário de agentes políticos no período de 10/1997 a 08/2004 (Processo 2008.33.09.0014423), motivo pelo qual entende ser manifesta a legalidade e regularidade das compensações tributárias por ela procedidas. 11. Alega, o recorrente que de acordo com diversos julgados do Superior Tribunal de Justiça – STJ, ali copiados, os juros de mora, consignados no presente AI e aplicados com base na taxa SELIC, por infração ao disposto no § 1º do art. 161 do CTN, são ilegais e inconstitucionais. Assim, entende, fica demonstrada a impossibilidade de aplicação da referida taxa aos créditos tributários ora discutidos. 12. Adiciona, entretanto, a peça RECURSAL, que a prescrição para compensação ou restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, indevidamente pagos antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, é de 5 anos, após o decurso de 5 anos do prazo para homologação tácita. Consequentemente, que outra não é a conclusão, senão a de que o art. 3o da Lei Complementar nº 118, de 2005, a pretexto de interpretar o art. 168, I, do CNT, teve por objetivo evidente contornar a jurisprudência da Colenda Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10540.720757/201040 Acórdão n.º 2401002.879 S2C4T1 Fl. 5 7 Primeira Seção do Egrégio Superior Tribunal Justiça, que admitia a tese da prescrição decenal, mais conhecida como "cinco mais cinco". 13. Destaca que se a receita federal não reconhece o crédito da autuada, isso não significa que houve qualquer falsidade de declaração por parte da autuada, desautorizando a aplicação da regra prevista no§10 do art. 89 da lei 8212/91. Com efeito pelo raciocínio do auditor toda vez que houver alguma autuação fiscal será aplicada a famigerada regra, pois para ele o simples fato de haver discussão legítima sobre compensação tributária já significa ter havido falsidade de declaração. 14. Ilegal a contribuição sobre 13 salário, bem como a destinada ao SAT. 15. 6.7. Requer, ante o exposto, que seja considerado nulo o auto de infração, tendo em vista a citada ausência de fundamentação para levantamento das contribuições em pauta. Alternativamente, que seja reconhecida a improcedência do mesmo, pelas razões de mérito interpostas. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 690 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto ao argumento da recorrente, de que a fiscalização previdenciária deixou de descrever o fato punível, motivo pelo qual o débito deve ser declarado nulo, não lhe confiro razão. Cumprenos esclarecer, em primeiro lugar, que a fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1º da Lei 11.098/2005: Art. 1o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Os fatos geradores objeto do presente AI, bem como as bases de cálculo foram devidamente descritas no relatório fiscal, fls. 17 a 19, e nos relatórios que acompanham o AI. Ainda no que diz respeito aos fatos geradores, objeto deste AI, qual seja, glosa de compensação realizada em GFIP pelo próprio ente público, não há de se argumentar desconhecimento dos valores ou base lançadas. O relatório fiscal permitiu o pleno conhecimento pelo ente público notificado. Ademais, os dados foram fornecidos pelo próprio município durante o procedimento fiscal, possuindo o recorrente pleno acesso às informações. No que diz respeito aos fundamentos legais do débito, encontramos relatório próprio, pormenorizado, fls. 05, onde estão descritos, ao longo de todas as competências objeto do lançamento, o embasamento legal que justifica a sua exigência. No próprio relatório fiscal o auditor descreveu a fundamentação legal, bem como de onde obteve as informações, e Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10540.720757/201040 Acórdão n.º 2401002.879 S2C4T1 Fl. 6 9 principalmente os motivos pelos quais a compensação realizada não foi homologada. Dessa forma, quanto ao aspecto da fundamentação não há que se falar em nulidade. Quanto ao cumprimento da legislação tributária, observase que foi seguido o rito necessário a conferir validade ao procedimento fiscal, qual seja: emissão dos respectivos termos de Início de procedimento, intimações para a apresentação dos documentos e esclarecimentos pertinentes as compensações realizadas, conferindo, nos limites legais, tempo hábil para que fossem apresentados todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive acatando solicitações de prorrogações de prazo. Ao fim, foi lavrado Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF, com a apresentação dos fatos geradores que constituíram o lançamento do crédito ora contestado, a fundamentação legal aplicável, bem como as informações necessárias para que o contribuinte pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. A Decisão da unidade descentralizada da SRP analisou todos os argumentos apontados pela recorrente, não tendo o mesmo trazido qualquer fato novo capaz de alterar a decisão quanto a nulidade pretendida. Preliminares superadas, passo ao exame de mérito da questão. DO MÉRITO Com relação ao argumento de realização de compensação, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreve todos os motivos pelos quais foram lançados os valores pertinentes as compensações realizadas em GFIP. Vejamos trecho do relatório: De posse destes documentos a Fiscalização da RFB realizou pesquisas nos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, efetuando o levantamento de informações declaradas em GFIP entregues pela Prefeitura Municipal e Câmara Municipal, relativamente aos subsídios dos exercentes de mandato eletivo, bem como, dos recolhimentos realizados pelo Município, nos períodos acima citados. Também, foi encaminhado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal intimando o fiscalizado a prestar esclarecimentos e a apresentar os elementos e documentos comprobatórios, essenciais à caracterização da existência dos créditos compensados e declarados em GFIP, nas competências 10/2006, 04/2007, 09/2008 a 02/2010, por atender a todos os requisitos legais. Dessa análise constatamos que: a) Apenas em algumas competências do período de outubro de 1999 a setembro de 2004 foram declarados subsídios de agentes políticos, conforme planilha C. b) Nas competências em que foram declarados os subsídios dos agentes políticos a Prefeitura Municipal não recolheu integralmente o valor declarado de contribuição previdenciária, exceto competência 02/2003, conforme planilhas A e C. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 c) A Câmara Municipal deixou de declarar as contribuições previdenciárias em algumas competências do período de 1998 a 2004. Como também, a Câmara deixou de recolher valores de contribuição previdenciária declaradas em GFIP, nas competências de 02/1998 a 09/2004, conforme planilha B. d) O autuado declarou nas GFIP das competências 10/2006, 04/2007 estar realizando compensação de créditos cujo período de referência é de 01/2000 e 06/2000. Os valores porventura recolhidos de contribuição previdenciária incidente sobre subsídios de agentes políticos já se encontravam atingidos pela prescrição no momento da declaração das compensações. Registrese que, de acordo com as informações levantadas a partir dos Sistemas Informatizados da RFB, nas GFIP destas competências não consta declaração da remuneração paga a exercentes de mandato eletivo. Também, nas GFIP das competências 09/2008 a 02/2010 informa estar compensando créditos relativos aos períodos de 02/1998 a 09/2004. Os pagamentos efetuados até 08/2003 já se encontravam prescritos quando da entrega da declaração da competência 09/2008. Registrese que constam os nomes de exercentes de mandato eletivo nas GFIP da Prefeitura das competências 01 a 09/2002 e 02 a 05/2003. De acordo com a planilha C, relativamente ao ano calendário de 2004, apenas nas competências 01/2004 a 07/2004 e 09/2004 a remuneração de agentes políticos foi declarada na GFIP da Prefeitura. Entretanto, não constam pagamentos destes valores declaradas nas competências 01, 02, 06 e 07 de 2004. Para as competências 03, 04, 05 e 09 de 2004, os valores recolhidos pela Prefeitura foram inferior ao declarado. e) O Município não apresentou a planilha detalhada dos créditos compensados, com informação da data de pagamento, período de referência e informação da GFIP na qual foi feita a compensação, bem como não encaminhou os documentos comprobatórios de tais recolhimentos f) O Município, na grande maioria das competências pertencentes ao período de 02/1998 a setembro de 2004, deixou de recolher na sua integralidade os valores declarados de contribuição previdenciária g) O município não apresentou documentação comprobatória do crédito decorrente de pagamento de salário família que deixou de ser deduzido nos registros contábeis ou nas GFIP entregues, conforme alegado no curso da presente ação fiscal. Com efeito, verificado que o autuado não atendeu, cumulativamente, às condições essenciais para que o direito creditório decorrente da tributação sobre subsídio de exercentes de mandato eletivo tivesse existência plena e irrefutável, pela razões aqui expostas e considerações feitas no Relatório da Ação Fiscal, como ainda, não comprovou os créditos decorrentes de pagamento do salário família, lavramos o presente Auto de Infração para cobrança da contribuição previdenciária declarada e que deixou de ser recolhida em decorrência de ter o fiscalizado efetivado em GFIP compensação de créditos tributários previdenciários, ao tempo em que foi feita a glosa das compensações previdenciárias declaradas nas GFIP das competências 10/2006, 04/2007, 09/2008 a 02/2010. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10540.720757/201040 Acórdão n.º 2401002.879 S2C4T1 Fl. 7 11 Ora, descreveu o auditor que durante o procedimento fiscal não demonstrou o recorrente ter efetivamente recolhido as contribuições, nem tampouco detalhou as compensações realizadas. Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, compete a empresa apresentar a provas das compensações realizadas, o que entendo não restou demonstrado, por meio dos fato trazidos pelo auditor. Notese que nem mesmo após a decisão de primeira instância apresentou o recorrente as provas quanto ao recolhimento integral das contribuições dos agentes políticos, sua informação em GFIP. Trouxe o auditor o conta corrente do ente púbico, indicando a ausência de recolhimento fato que não foi contestado. Pelo contrário, um argumento trazido pelo recorrente, parecenos que traduz o seu entendimento acerca da comprovação dos direito creditório: “E não se diga necessária a comprovação do valor do crédito a ser compensado para que seja legítima a compensação, pois, é pacífica a jurisprudência a favor da autuada, (fl. 695)”. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Assim, entendo que para existir a compensação tem sim, o ente público de demonstrar o efetivo recolhimento da contribuição declarada inconstitucional, seja apresentando as GPS Ainda com relação ao mérito do direito creditório entendo deva ser esclarecido ao recorrente outro ponto, mesmo que já afastado o seu direito pelo não comprovação do recolhimento indevido. A recorrente ingresso em juízo, fl. 90,requerendo seja Fl. 727DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 julgado procedente o pedido para que seja declarado o direito de compensar o que foi pago a título de contribuição social incidente sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo, sem os limites preconizadas pela LC n. 118 de 1995. Destacase de pronto, que não será conhecido o recurso acerca do direito ao crédito, nem tampouco do prazo de prescrição aplicávél, tendo em vista o recorrente encontrar se em processo judicial a respeito da mesma matéria., importando concomitância. Nesse sentido dispõe a súmula deste CARF :SÚMULA Nº 1 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” No entanto, será objeto de julgamento os argumentos recursais de assunto diverso do disposto na referida ação judicial, seja ele a contribuição previdenciária sobre pagamento feito a pessoas físicas e atletas profissionais. QUANTO A APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10540.720757/201040 Acórdão n.º 2401002.879 S2C4T1 Fl. 8 13 Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, ou havendo compensação indevida, como é o caso,tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos no AIOP, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Incabível no mesmo sentido apreciar a ilegalidade ou mesmo inconstitucionalidade da referida cobrança, considerando o posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso, para na parte conhecida rejeitar a preliminar de decadência e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10283.901011/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.
É nulo ab initio o despacho decisório que declara não homologada a compensação considerada não declarada pelo art. 74, §12, da Lei nº 9.430/96, devendo ser proferido novo despacho em conformidade com a lei.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3101-001.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, anulou-se o processo a partir do despacho decisório, inclusive. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. É nulo ab initio o despacho decisório que declara não homologada a compensação considerada não declarada pelo art. 74, §12, da Lei nº 9.430/96, devendo ser proferido novo despacho em conformidade com a lei. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, anulouse o processo a partir do despacho decisório, inclusive. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 11 /2 00 9- 80 Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de pedido de restituição/ressarcimento do direito creditório de IPI referente ao 4º Trimestre de 2004, de créditos decorrentes de aquisições – importações e saídas isentas de IPI, que estão sendo discutido nos autos da Ação Ordinária nº 2004.34.00.0202200, em trâmite perante a 20ª Vara da Justiça Federal de Brasília – DF, o qual não foi homologado em razão da vedação à utilização de crédito decorrente de decisão judicial antes do seu trânsito em julgado. Intimada do Despacho Decisório, foi apresentada Manifestação de Inconformidade requerendo o reconhecimento dos créASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade no ato administrativo que indica seus fundamentos determinantes, colocando à disposição do sujeito passivo, pelo prazo para apresentação de defesa, os documentos que lhe servem de baliza. Se com a manifestação de inconformidade o contribuinte apresenta alegações que visam refutar o ato administrativo controvertido, demonstrando a plena cognição de seu teor, inexiste qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente pode ser objeto de ressarcimento o crédito tributário que se revista dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Na apreciação da declaração de compensação, a autoridade administrativa deve observar a legislação vigente à data de formalização de tal documento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO. Não se faz cabível a compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência, líquida e Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.901011/200980 Acórdão n.º 3101001.250 S3C1T1 Fl. 1.950 3 certa, do crédito originalmente apontado como compensável. O art. 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar n° 104/2001, veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. DCOMP. NÃO DECLARAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Tratandose de crédito decorrente de ação judicial não transitada em julgado, impõese a não declaração da DCOMP apresentada em período posterior a 30/12/2004. DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO DE LEGALIDADE. NULIDADE PARCIAL. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra o r. Acórdão, foi interposto Recurso Voluntário sob o fundamento de que: i) o direito creditório foi reconhecido judicialmente; ii) o indeferimento do direito creditório deverseia ser constituído por auto de infração – lançamento de ofício; iii) inexistência de concomitância com a ação judicial. Ademais, em razão da declaração de nulidade do Despacho Decisório pela DRJ, foi proferido novo Despacho Decisório nº 334, de 30/06/2011, que considerou não declarada as DCOMPs 33522.33794.111005.1.3.012940 e 33822.02617.141205.1.3.019091. Diante do novo Despacho Decisório, foi interposto Recurso Hierárquico requerendo a atribuição do efeito suspensivo ao recurso, e no mérito, a reforma da decisão sob o fundamento de que: i) houve erro na revisão de DCOMPs que não são objeto do presente processo; iii) o direito ao creditamento de IPI decorrente de aquisição de insumos isentos; iv) o direito de compensar o crédito de IPI com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; v) direito à compensação de crédito reconhecido judicialmente ainda sem trânsito em julgado; vi) inexistência de confissão de dívida do imposto compensado; e, vii) impossibilidade de cobrança direta dos débitos objeto das compensações consideradas não declaradas. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Antes de adentrar ao mérito resta imprescindível para julgamento da lide a análise de declaração de nulidade parcial do Despacho Decisório que não homologou a compensação efetuada pela Recorrente. Conforme Acórdão proferido pela DRJ, o julgamento não conheceu da Manifestação de Inconformidade e declarou parcialmente nulo o Despacho Decisório no que se refere à declaração de compensação nº 34933.00497.140205.1.3.010855. Quanto a estes pontos, os fundamentos adotados pela DRJ estão corretos, a questão que merece nova análise reside no resultado do julgamento que declarou parcialmente nulo o Despacho Decisório, uma vez que não há ato administrativo “meio nulo”. Com o advento da Lei nº 11.051/2004, que acrescentou os §§ 12 e 13 ao artigo 74 da Lei nº 9.430/96, a declaração de compensação passou a ser considerada não declarada nas hipóteses em que o direito creditório fosse decorrente de decisão judicial não transitada em julgado – artigo 74, § 12, II, ‘d’ da Lei nº 9.430/96. Para estes casos, o efeito do despacho decisório que julga a compensação como não declarada é totalmente diverso dos casos de compensação não homologada, gerando inclusive rito diverso do processo administrativo. Nos casos de compensação considerada “não declarada”, não será cabível a Manifestação de Inconformidade, sendo a insurgência do Contribuinte veiculada em Recurso Hierárquico, que não possui efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário durante o processo administrativo. No presente caso, como o pedido de compensação foi transmitido em 14/02/2005, para reconhecer o direito crédito decorrente de decisão judicial ainda pendente de trânsito em julgado, ou seja, após o advento da lei 11.051/2004, há de se reconhecer que o Despacho Decisório foi proferido em desconformidade com a lei vigente à época, nos termos do que decidiu o Acórdão proferido pela DRJ. Ocorre que, quando a DRJ declarou nulo o Despacho Decisório SEORT/DRF/MNS nº 68 no que se refere apenas à Declaração de Compensação nº 34933.00497.140205.1.3.010855, houve em verdade a declaração de nulidade total do Despacho Decisório. Isto porque, o presente processo tem como objeto apenas o PER/DCOMP declarado nulo pela DRJ, ou seja, se a declaração de nulidade referese à única compensação analisada pelo Despacho Decisório, houve na verdade uma nulidade total do ato administrativo. Ademais, não há como um ato ser declarado parcialmente nulo, ou ele é totalmente nulo ou ele não é nulo. Tanto é que quando a DRJ declarou a nulidade do Despacho Decisório, a determinação foi para que fosse proferido um novo despacho em conformidade com a lei, ou seja, não houve a nulidade de um dos objetos abordados pelo despacho inicial, foi proferido um novo despacho que substituiu integralmente o despacho anterior. Assim, no caso de declaração de nulidade do ato administrativo pela desconformidade com a lei, ou invalidação do ato, o efeito da nulidade retroage à data em que ele foi emitido, conforme ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro1: “Anulação, que alguns preferem chamar de invalidação é o desfazimento do ato administrativo por razões de ilegalidade. 1 In Direito Administrativo, 23ª edição, Atlas. 2010. p. 236. Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.901011/200980 Acórdão n.º 3101001.250 S3C1T1 Fl. 1.951 5 Como a desconformidade com a lei atinge o ato em suas origens, a anulação produz efeitos retroativos à data em que foi emitido (efeitos ex tunc, ou seja, a partir de então).” Nesse sentido, como o Despacho Decisório nº 68 proferido pela Administração Pública é nulo, a declaração de compensação somente passou a ser considerada não declarada com a intimação da Recorrente do novo Despacho Decisório, que se deu somente 09/07/2011. Diante do exposto, em observância e zelo ao princípio da legalidade a qual está adstrito o órgão revisor, voto por reconhecer a nulidade o Despacho Decisório originário, devendo o processo retornar à repartição de origem para apreciação do pleito da contribuinte, nos termos da lei vigente. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 12448.736590/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.
É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital.
MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2202-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Manifestaram-se, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional).
(Assinatura digital)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator
(Assinatura digital)
Antonio Lopo Martinez Declaração de voto vencedor
(Assinatura digital)
Rafael Pandolfo Declaração de voto vencido
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 65 90 /2 01 1- 01 Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Manifestaramse, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional). (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator (Assinatura digital) Antonio Lopo Martinez – Declaração de voto vencedor (Assinatura digital) Rafael Pandolfo – Declaração de voto vencido Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 21ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, que manteve a autuação do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF aos anoscalendário 2006 e 2009 sobre omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. Auto de infração (fls. 838 a 845) com ciência em 31/10/2011 (fls. 846 a 847). Termo de Verificação Fiscal (fls. 794 a 837). A ação fiscal teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactuai S/A, CNPJ n° 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Sr. André Schwartz, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactuai. A referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham particip°ch "Ov ¿tária no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a al mayáo das ações do Banco Pactuai diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Por meio da reorganização societária foi adotado um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Verificouse um acréscimo no custo das ações alienadas do Banco Pactuai S/A pertencentes ao acionista André Schwartz da ordem de 335%, na data da alienação em dezembro de 2006, enquanto o aumento de patrimônio líquido do Banco Pactuai S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, no mesmo período, foi de 89% conforme Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ da instituição financeira relativa ao anocalendário de 2006. Constatouse, assim, uma total discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada com o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes a um dos seus acionistas. Tais processos de reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tãosomente a majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactuai S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à operação de alienação do Banco. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 4 Através de contrato firmado em 09/05/2006, entre a pessoa jurídica UBS AG, a pessoa jurídica Pactuai S.A (controladora direta do Banco Pactuai S.A.) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactuai S.A., ficou definido, entre outras cláusulas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactuai S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas. O pagamento pela compra das ações do Banco Pactuai S.A. foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de "Fechamento" da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006, e a segunda em data posterior denominada de "Pagamento Diferido". Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda outros valores denominados "Pagamentos Especiais; Usufruto". Os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactuai S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactuai Participações Ltda nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactuai Participações Ltda é incorporada por Pactuai Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactuai Participações S/A transformouse em Nova Pactuai Participações Ltda. Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactuai Participações Ltda no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.1 H 36,vO, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Em 13/10/2006 a Pactuai Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactuai Holdings S/A é incorporada por Pactuai S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Também nesta data, a Nova Pactuai Participações Ltda é incorporada por Pactuai S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93. Em 01/11/2006, o capital social da Pactuai S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 4 5 pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactuai S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactuai S/A é incorporada pelo Banco Pactuai S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactuai S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Observase um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactuai S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactuai Participações Ltda, Pactuai Holdings S/A e Pactuai S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados e posteriormente foram incorporadas pelas suas Investidas, operações essas inversas ao processo normal que é o da Investidora incorporar a Investida. Nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactuai Participações Ltda, Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactuai S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactuai Holdings S/A e da Nova Pactuai Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactuai S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactuai S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactuai S/A (PL), no montante de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactuai S/A. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração, da mesma forma como se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam em uma sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 6 Concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactuai S/A, em 01/12/2006. Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactuai S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$ 290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactuai S/A. Por isso, esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 14.962.740,96, correspondente a 1,75% do total da sociedade. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactuai Participações Ltda, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactuai S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactuai S/A. As operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídicocontábilfinanceiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactuai S/A, com repercussão na controladora Pactuai S/A. Com efeito, eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactuai S/A em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactuai Participações Ltda e Nova Pactuai Participações Ltda nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactuai S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactuai S/A. A capitalização cumulativa dos lucros de equivalência patrimonial para aumentar o custo de aquisição das ações acima do cabível não pode ser admitida por causa de sua ilicitude, além do que deve ser inibida, para que, futuramente, não só comprometa a eficácia de toda tributação do ganho de capital sobre participações societárias, uma vez que o estratagema contábil viabilizaria a utilização de "empresas de papel" (holdings) tãosomente para não pagar imposto de renda sobre ganho de capital, distorcendo gravemente a percepção do Fisco acerca da capacidade contributiva dos sócios pessoas físicas. Com os procedimentos adotados pelos exacionistas, estes informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 5 7 inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art.72, da Lei 4.502/64). Todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos Io e 2o da Lei 8.137/90. O ato praticado vai contra as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o contribuinte fiscalizado afirmar que nela se baseou. Mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado. O abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral. Foi aplicada a multa de 150% com base no art. 957, n, do RIR/99, tendo em vista a intenção do fiscalizado de majorar o custo de suas ações e permanecer com esse valor de custo majorado, mesmo após o recebimento de dividendos previstos no contrato de compra e venda das ações do Banco Pactuai S/A em fevereiro de 2007, momento em que deveria recalcular o imposto apurado referente à primeira parcela, deduzindose tal valor do custo. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais Processo n° 12448.736881/201191, a qual se encontra em anexo, para comunicação ao Ministério Público da prática de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Impugnação (fls. 884 a 918). Decisão recorrida (fls.927 a 954 ) com ciência em 09.07.2012 (fls. 962), esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2009 ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 8 MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetue capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundas de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuação foi mantida pela decisão recorrida sob os seguintes fundamentos: a) A reestrutura foi utilizada com o propósito de reduzir o ganho de capital dos sócios na venda do Banco Pactual; b) O artigo 135 do RIR /99 não ampara a forma como o contribuinte calculou o custo de aquisições das ações; c) Os lucros e reservas de lucros existentes no Banco Pactual, refletidos no PL da cadeia de investidores (Pactual Participações Ltda., Nova Pactual Participações Ltda. e Pactual Holdings S/A) não podem ser considerados novo bem ou direito a ser adquirido pelo Banco Pactual quando das sucessivas incorporações reservas; d) A distribuição dos lucros ou a retenção dos lucros na investidora é incompatível com a permanência dos mesmos lucros na investida, que produziu o os lucros; e) Não há amparo legal ou suporte fático e econômico para considerar que teria sido desembolsado, pelo contribuinte, o aporte inicial de recursos nas sociedades, seja com a efetiva capitalização de lucros não recebidos, Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 6 9 f) Os fatos ocorridos correspondem a clara intenção de majorar o custo das ações com a capitalizações indevidas de lucros; g) A incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, possui previsão legal , haja vista compor o crédito tributário. Recurso Voluntário (fls. 969 a 1013) protocolado em 25/07/2012, repete os argumentos da Impugnação e sustenta em síntese: a) O caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco foi o mais lógico, rápido e econômico entre todos disponíveis, e o acréscimo do custo de seus investimentos é mera conseqüência da aplicação das normas em vigor, em especial do art. 135 do RIR; b) Não procede a assertiva constante do Termo de Verificação Fiscal de que a Reestruturação foi realizada com o objetivo de aumentar fraudulentamente o custo de aquisição dos investimentos do Recorrente. As incorporações reversas eram das variantes disponíveis para a realização do negócio; era lógica , admitida por lei e conveniente para os acionistas; c) A opção pela capitalização de lucros antes das incorporações era irrelevante em termos fiscais, especificamente no que tange as participações. A razão desta conduta vinculase ao fato de a mesma distribuir lucros de forma desproporcional, conforme autoriza o art. 1007 do CC/02; d) Os lucros de participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação; e) O capital de participações foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, decorrentes do direito ao recebimento de lucros da capitalização dos referidos lucros gerou significativa alteração nos percentuais de participações dos acionistas no capital da referida empresa; f) Na incorporação inversa, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada por eles detidas e, por outro lado, ocorre capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada; g) O aumento do custo de aquisição do valor dos investimentos do Recorrente no Banco se verificaria de qualquer forma, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings; h) Tratando da alienação de quotas ou ações e em sendo o alienante uma pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1º do art. 130 e do art. 135 do RIR; i) O montante dos lucros capitalizados somase ao custo dos investimentos a que correspondem, ainda que eles tenham sido reconhecidos em razão da aplicação do MEP Método da Equivalência Patrimonial; Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 10 j) Mesmo que a reestruturação tivesse sido levada a efeito nas bases que o Termo de Verificação Fiscal consideraria adequada, os R$ 27.229.548,70 corresponderiam ao custo dos investimentos do Recorrente no Banco. k) A interpretação que o Recorrente conferiu ao art. 135 do RIR no pode ser encarada absurda a ponto de, por si só, justificar a aplicação de penalidade em que o evidente intuito de fraude; l) A aplicação de juros de mora sobre o valor da multa qualificada contraria as recentes decisões do CARF É o breve relatório. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade ser deve ser conhecido. Cuidase de autuação mantida pela decisão recorrida, com a multa qualificada de 150%, do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF sobre ganho de capital na apuração a maior do custo de aquisição na alienação das ações do Banco Pactual realizadas pelo Recorrente, após a reorganização societária de incorporações inversas e extinção das sociedades investidoras (holdings) e detentoras das ações alienadas. A autuação e a decisão recorrida entenderam que houve duplicidade na apuração do custo de aquisição das ações alienadas, pela apropriação indevida dos mesmos lucros e reservas de lucros refletidos da sociedade da investida (geradora dos lucros) nas sociedades investidoras holdings na apuração dos resultados pelo método da equivalência patrimonial. O relatório de fiscalização, a decisão recorrida e o recurso fazem longas e exaustivas explicações contábeis, societárias e a motivação do negócio realizado – alienação da participação societária, com a necessidades das incorporações inversas. Destaca o relatório de fiscalização: O reconhecimento da ocorrência de uma dupla capitalização, antes e depois da incorporação, com os mesmos lucros de equivalência patrimonial auferidos no exercício social em que ocorre a reorganização societária, objetivando multiplicar o aumento de custo das ações com base nos mesmos lucros de equivalência patrimonial, não é possível por falta de suporte fático. Ou os sócios retiram os lucros correntes da sociedade antes da incorporação, quando o valor a ser incorporado ficará reduzido na mesma proporção dos lucros retirados, ou os sócios deixam o referido lucro na sociedade para que a capitalização fique consolidada nas ações da sociedade incorporadora dadas em substituição ao patrimônio líquido incorporado. A finalidade da incorporação é capitalizar o investimento do patrimônio pessoal do sócio pessoa física na sociedade incorporadora. Não há como sustentar que os lucros do exercício em que ocorre o evento de incorporação, apurados com a finalidade específica de atender a incorporação, possam ter como objeto a capitalização na pessoa jurídica a ser incorporada, porque o investimento Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 12 do sócio pessoa física não se destina mais à pessoa jurídica que está em vias de extinção pela incorporação. Não cabe a hipótese de que os mesmos lucros de equivalência patrimonial apurados com o fim específico de atender o evento de incorporação pudessem ser utilizados, cumulativamente, tanto para a capitalização na sociedade incorporada, quanto na incorporadora, a fim de multiplicar o aumento do custo das ações pertencentes aos sócios pessoas físicas. A apuração desses lucros na incorporada para o levantamento do balanço com a finalidade específica de incorporação tem como base um único fato: a capitalização na sociedade incorporadora por absorção do patrimônio líquido da sociedade incorporada. Portanto, a questão é de falta de suporte fático que legitime a sobreposição dós aumentos de custo das ações, mediante uma dupla capitalização com o mesmo lucro de equivalência patrimonial. Por conseguinte, em se tratando de incorporação, se os lucros do exercício não forem removidos da sociedade a ser incorporada, estes integrarão a universalidade jurídica (patrimônio líquido) a ser transmitida, sendo indiferente, enquanto universalidade jurídica, que estes lucros de equivalência patrimonial do exercício em que ocorre o evento de incorporação estejam classificados em um ou outro componente do bem coletivo (no capital social, em reservas ou nos lucros acumulados). Com inteira propriedade destaca a decisão recorrida: A utilização do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), segundo o art. 248, da Lei n° 6.404/76 (LSA), é obrigatória no caso de investimentos considerados relevantes em sociedades controladas, como é o caso das empresas do grupo Pactuai. Sendo Equivalência Patrimonial a "alteração do valor contábil dos investimentos registrados no Ativo Permanente (AP), pela investidora, conforme o aumento ou a diminuição do Patrimônio Líquido (PL) da investida"1, caso a sociedade investida/controlada, através da obtenção de lucros, aumente seu Patrimônio Líquido (PL) tal aumento deverá ser refletido na contabilidade da sociedade investidora, aumentando o valor contábil do investimento que esta possui na sociedade investida e, conseqüentemente, também o seu PL. Vejase que em razão de a empresa investidora não possuir outra atividade econômica, senão o controle da investida, todo o incremento no PL da investidora consiste em um mero reflexo dos lucros obtidos pela investida. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 8 13 O art. 227, caput, da LSA, define o termo "Incorporação" como sendo a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. No caso das incorporações reversas, não se pode entender, com base em uma aplicação equivocada da citada norma, que todo PL representado na contabilidade da incorporada deve ser acrescido ao capital social da incorporadora. Não há qualquer lógica jurídica ou matemática para que o direito econômico que a incorporada possua sobre o patrimônio da incorporadora seja ao patrimônio desta acrescido quando do implemento da incorporação. Não se pode admitir que o próprio patrimônio da incorporadora, refletido na incorporada, constitua um novo patrimônio adquirido pela incorporadora quando da incorporação. No caso em discussão, os lucros e reservas de lucros existentes no Banco Pactual, refletidos no PL da cadeia de investidoras (Pactuai Participações Ltda, Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai Holdings S/A), não poderiam ser considerados um novo bem ou direito a ser adquirido pelo Banco Pactuai quando das sucessivas incorporações reversas. A reorganização societária foi necessária para extinguir as sociedades holdings (detentoras das ações), mediante a incorporação inversa (sociedade investida Banco Pactual incorpora as investidoras – as holdings), de forma que a pessoa física – entre elas o Recorrente – pudesse alienar as ações do próprio Banco e não a participação societária das holdings investidoras. Esta plenamente justificada a necessidade de a venda das ações do Banco ser realizada por intermédio das pessoas físicas e não com a alienação da participação nas sociedades holdings, face à responsabilidade personalíssima do negócio realizado, conforme admitiu expressamente o Relatório de Fiscalização e a decisão recorrida. O negócio existiu, as incorporações e a extinção das sociedades holdings existiram, não há vicio na vontade ou na forma do negócio realizado. O Relatório de Fiscalização e a decisão recorrida dão conta que os lucros e as reservas de lucros do Banco Pactual foram capitalizados nas empresas investidoras (holdings) e, ao mesmo ao mesmo tempo, disponibilizados na investida (Banco), causando assim duplo ou triplo efeito reflexo de os mesmos lucros ou reservas de lucros apropriados no custo de aquisição. Este fato – de os lucros e reservas de lucros da sociedade investida (Banco Pactual, gerador do lucro) – apurados pelo Método da Equivalência Patrimonial refletir nas sociedades investidoras (holdings) permitiu – artificialmente ao Recorrente majorar o custo de aquisição da participação societária com a dupla ou tripla apropriação dos mesmos lucros e Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 14 reservas de lucros no custo de aquisição na apuração dos ganhos de capital na alienação das ações. Sustenta o Recorrente que o art. 135, do RIR/99, que regulamentou o Parágrafo Único art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995, ampara seu procedimento tributário. Vejamos: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). De fato, o dispositivo autoriza computar no custo de aquisição para efeito da apuração do ganho de capital os lucros ou reservas de lucros em razão do aumento de capital ou incorporação dos resultados apurados pela sociedade. A conduta do Recorrente estaria perfeita se a qualificação do fato – que é único – o lucros ou reservas de lucros – gerado do Banco Pactual, sociedade operacional, geradora efetiva de resultados econômicos, pudesse existir de forma isolada nas sociedades investidoras – as holdings. O efeito contábil de os mesmos resultados da investida, geradora dos lucros, refletir nas sociedades investidoras, existe apenas para fins contábeis da apuração pelo Método da Equivalência Patrimonial e a demonstração dos resultados exigidos pela legislação societária, mas isso não significa a existência de lucros autônomos nas investidoras se elas nada geram de resultados para adicionar ao custo de aquisição na alienação da participação societária, como fez o Recorrente ao aplicar o art. 135, do RIR/99. A independência e a autonomia patrimonial entre as sociedades investida, investidoras, sócios, acionistas e controladores não socorre o Recorrente para permitir a dupla ou tripla capitalização com a utilização dos mesmos lucros e reservas de lucros no custo de aquisição, se eles não possuem o feito multiplicador ao apenas refletirem na demonstração dos resultados das sociedades coligadas, advindos da investida, o Banco Pactual. Importa, para o deslinde do conflito, enfatizar que o fato – lucro e reservas de lucros da investida é apenas um. Não existem dois ou três lucros e reservas de lucros isolados e independentes gerados na sociedade investida e nas investidoras. Ao contrário do que sustenta o Recorrente, não há equivoco na lei e nem na sua interpretação. O detalhe é qualificação do fato único – os lucros ou reservas de lucros da sociedade operacional, investida (Banco Pactual), refletir nas sociedades holdings, mas isso não permite artificialmente – computar o duplo ou triplo custo de aquisição, como se existisse lucro autônomo nas sociedades investidoras. O duplo ou triplo efeito é mera ficção, necessária na apuração da demonstração dos resultados na participação societária em cada sociedade. Houvesse Balanço Patrimonial Consolidado das coligadas estaria espelhada a total impropriedade da tese do Recorrente que não se sustenta ao menor argumento com o conhecimento dos fatos. Apenas em memoriais e em sustentação oral, não no recurso, ressaltese, aventouse abuso, arbítrio e erro da autuação ao adotar a fiscalização critério diferente de Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 9 15 outras autuações da mesma operação de alienação da participação societária do Banco Pactual, em razão de o fisco arbitrar o custo de aquisição e não apurar o efetivo custo. Com isso, sustentouse abuso da autuação por se afastar da legalidade e levar em consideração aspecto econômico do fato gerador da condenada doutrina Alemã da República de Weimar de 1919, do pós 1a Guerra Mundial, onde surgiu o primeiro Código Tributário de que se tem noticia. Não vemos qualquer abuso ou arbítrio ou arbitramento da base de cálculo de que cuida o art. 148, do CTN. Na hipótese em exame, apenas apurouse o montante da participação societária em relação ao Patrimônio Liquido (PL) da sociedade investida para determinar o custo de aquisição. Foi mero cálculo aritmético, de coisa certa e determinada, sem qualquer arbitramento no seu exato sentido e alcance à constituição do crédito tributário. Critério lógico e racional por representar, com exatidão, o custo do bem/direito alienado as ações representativas do capital social Patrimônio Liquido da sociedade negociada. Com acerto também foi o desconto do custo apurado, dos lucros prometidos contratualmente em usufruto de serem pagos e não capitalizados. Não se cuida ainda de tributar o efeito econômico do fato gerador, mas de qualificar o fato, único, repetimos, representado pelos lucros ou reservas de lucros, que não podem ser utilizadas, os mesmos resultados em mais de uma operação pela simples razão de eles com a incorporação apenas refletirem nos resultadas das sociedades holdings investidoras. De outro modo, caberia ao Recorrente demonstrar e comprovar com provas firmes, seguras e estremes de dúvidas, sequer aventado nas razões de recurso, o possível prejuízo sofrido com o combatido abuso, arbítrio e erro no critério do custo de aquisição. Vemos que tanto a autuação e a decisão recorrida agiram com o costumeiro acerto, assim devem ser mantidas e prestigiadas. Contudo, o mesmo não acorre em relação à multa qualificada. A decisão recorrida manteve a qualificadora por entender que houve fraude à fiscalização tributária e informação de elementos inexatos no custo de aquisição das ações, e assim teria havido dolo e crime na conduta dotada pelo Recorrente. O Relatório de Fiscalização qualifica a conduta do autuado Recorrente em dolo e crime, ao utilizar mais de um lucro no custo de aquisição das ações pelo simples efeito reflexo dos resultados nas sociedades holdings, em seguia ressalta “...o ato praticado vai contra as palavras e o espírito da lei (art. 135, do RIR/99), é ele contra legem, contrário à lei, em que há a violação direta da lei.”. Com isso, entendeu fiscalização que houve abuso do direito. Entendeu a fiscalização, de forma dúbia, que ainda houve abuso do direito, Ora, abuso do direito é ilícito civil, não possuir conotação penal/tributário e consistente Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 16 basicamente em o agente exceder os limites da lei, da sua finalidade econômica e social, a boa fé e aos bons consumes (art. 187 do CC). Abuso do direito significa ultrapassar os limites da lei no sentido do razoável, do bom senso, do senso comum. Não há tipificação penal tributário ou tributário penal para esta conduta, ainda que presente nos autos. Apenas por esses aspectos da dubiedade na qualificação da penalidade a decisão merece reforma parcial. Mas não é só. O negócio da compra e venda das ações existiu, as incorporações e a extinção das empresas holding existiram, foi justificada a necessidade da venda das ações por intermédio das pessoas físicas e não pelas sociedades holdings, em da face exigência de responsabilidade pessoal e personalíssima assumida na realização do negócio, conforme admitiu expressamente a decisão recorrida. Portanto, não houve qualquer fraude ou simulação no negócio realizado. O Recorrente se utilizou da dupla ou tripla capitação dos lucros apenas por eles refletirem nas sociedades holdings e se acumularem, por assim dizer, com a incorporação inversa. Na aparência os resultados da investida existem nas investidoras, tem sua finalidade, mas são mesmos lucros e reservas de lucros da sociedade investida. Observando esses resultados de forma individualizada, na figura da separação e autonomia patrimonial de bens das sociedades holdings como fez o Recorrente, eles de fato adquirem o efeito o multiplicador na aparência, a diferença é de serem os mesmos resultados apenas refletidos de uma em outra sociedade. Nada mais. Não há prova do dolo, do aspecto subjetivo do agente infrator a vontade livre, consciente e deliberada de realizar a sonegação. Prova difícil de produzir. A fiscalização não possui a habitualidade dessa tarefa, que não é própria do cotidiano, mas aos agentes Policiais, Ministério Público, Juízo Criminal é coisa simples e corriqueira. Aferir o aspecto subjetivo exige necessariamente a oitiva dos sujeitos do delito, com o interrogatório do acusado pela infração e testemunhas, isto é imprescindível para a comprovação sempre que houver qualificação pelo dolo. Na comprovação da fraude e simulação nem sempre se exige a oitiva do infrator e testemunhas, os documentos e o negócio falam por si, na máxima, sempre presente nessas condutas: Simulase o que não é, e dissimulase o que é, totalmente diferente de aferir o aspecto subjetivo que envolve a qualificação pelo dolo. Pelas razões expostas, pelo meu voto, afasto a qualificadora da multa. Por fim pede o Recorrente a exclusão dos juros sobre a multa, citando vários julgados deste Conselho: JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (...)" (Acórdão n° 10196008, Rel. Caio Marcos Cândido, em 01.03.2007, DOU S.I de 20.08.2007, p. 22) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. (...) Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 10 17 (Acórdão n° 10323566, Rel. Leonardo de Andrade Couto, em 17.09.2008, DOU S.I de 20.01.2009, p. 6) JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A lei 943096 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, parágrafo 1, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1 por cento ao mês. O art. 161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora." (Acórdão 110300193, Rel. Aloysio José Percínio Da Silva, em 18.05.2010, DOU S.I de 14.03.2011, p. 34) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei 9430 96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado. RV provido em Parte. (Acórdão n° 10196523, Rel. João Carlos de Lima Júnior, em 23.01.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 50) No mesmos sentido: Acórdão 10196607, Re.L João Carlos de Lima Júnior, em 06.03.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 51; Acórdão n° 10196593, Rel. João Carlos de Lima Júnior, em 05.03.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 51). De fato, esta Turma de Julgamento, por maior de votos, vem cancelando a exigência de juros pela Taxa Selic sobre a multa de ofício e temos posição fixada a partir do entendimento esposado pela ilustre Conselheira Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, de cujo voto, com alterações passamos a reproduzir: “A incidência de juros de mora no atraso cumprimento da obrigação tributária encontra sua previsão no caput do art. 161, CTN: ‘Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária (Grifamos e ressaltamos para destacar).’ O crédito, não integralmente pago no vencimento, destaca o dispositivo em exame. Essa obrigação pode ser principal ou acessória, conforme prevê o art. 113, do mesmo CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 18 § 2o A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3o A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A obrigação tributária tem por objeto o pagamento do (a) tributo ou da (b) penalidade pecuniária. Inferese, assim, que na obrigação principal não inclui a multa de ofício, mas tão somente a multa pelo descumprimento da obrigação acessória. ’ Dessa forma, se o “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” (art. 139, do CTN), este alcança a multa de ofício proporcional exigida com o tributo. Reforça este entendimento, o art. 161, do CTN, ao explicitar que os juros serão exigidos “...sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Parece claro que a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício não encontra amparo no CTN. Vejamos a exigência da Taxa Selic, prevista no art. 61, da Lei no 9.430, de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ...... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Referido dispositivo prevê a exigência da multa e dos juros de mora incidentes sobre o débito tributos e contribuições não pagos no vencimento, ou seja, sobre o valor do principal (que não se confunde com a multa de ofício vinculada). Observese que se a multa de ofício integrasse o conceito de débito previsto no art. 161, do CTN, caberia à incidência da multa de mora sobre multa de ofício, o que não se pode admitir. A multa de mora é decorre do pagamento espontâneo com atraso do tributo, enquanto a multa de ofício decorre da falta de pagamento apurada pela autuação. Ademais, notese ser totalmente inadmissível a aplicação concomitante ou cumulativa da multa de mora e da multa de ofício, com vedação expressa no art. 950, § 3o, do Decreto no 3.000, 1999 – RIR/99. A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas no lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996: Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 11 19 Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Concluise, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para desqualificar a penalidade, reduzindoa ao percentual de 75% e excluir a incidência de juros sobre a multa de oficio. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 20 Declaração de Voto Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 12 21 Conselheiro Antonio Lopo Martinez, O processo versa fundamentalmente sobre a validade do procedimento adotado pelo recorrente para a apuração do custo de aquisição da ações do Banco Pactual que foram alienadas a UBS Brasil. Da análise do caso concreto, identifico que a operação ainda que revestida de aparente legalidade no que toca as partes isoladas, cria no conjunto uma situação irreal e artificial, que não condiz com o que o nosso sistema tributário almeja. No caso concreto não tenho dúvidas que houve o aumento do custo de aquisição, fundamentado no procedimento adotado, deliberado e intencionalmente, materializado para assegurar o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual. Entendo que no processo de hermenêutica, o operador do direito tributário deve empreender um esforço, para a aplicação da norma tributária mais consistente e rigorosamente compatível com o princípio da certeza do direito, na adequação da verdade material como exige o nosso artigo 145, parágrafo primeiro da Constituição., Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Segundo o recorrente, a validade do método encontra respaldo no artigo 135 do RIR: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Nas operações em cotejo, os lucros apurados decorrem de lucros reconhecidos no Banco Pactual, materializados nos resultados de equivalência patrimonial. O método de Equivalência Patrimonial é assim denominado, pois o seu cálculo se baseia no valor do patrimônio líquido da empresa coligada ou controlada, diferentemente do método do custo, que somente considera o valor efetivamente desembolsado no momento da aquisição. Urge preliminarmente destacar, que inobstante o procedimento contábil adotado, destaquese que para a Contabilidade, os registros contábeis em conjunto devem refletir a essência e a realidade econômica, tal como se destaca da análise da estrutura conceitual da contabilidade que enfatiza a primazia da essência sobre a forma. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 22 A equivalência patrimonial não é mais do que uma forma de atualização contínua do valor do investimento, que consiste na avaliação na empresa investidora, dos investimentos pelas variações do patrimônio líquido da empresa investida, mediante reconhecimento direto das variações apuradas, lucros, perdas ou prejuízos, para os fins de determinação do aumento ou da redução do valor investido. Entrementes, a equivalência patrimonial prestase para a determinação do capital aplicado que pertence ao seu titular e suas variações patrimoniais no período, pois há de levar em conta: (i) o patrimônio líquido atual da controlada ou coligada; (ii) o custo de aquisição da participação societária e (iii) o valor do investimento, com os reflexos do resultado da controlada ou coligada. Toda a apuração da equivalência patrimonial, portanto, dependerá da determinação contábil do patrimônio líquido da sociedade investida, conforme exige o art. 248, I, da Lei nº 6.404/76. E a razão é evidente: "os conceitos de patrimônio líquido e de capital próprio representam o mesmo objeto a quotaparte ideal de capital existente no ativo que é de propriedade do titular do patrimônio". Assim, a conta de investimentos da controladora variará segundo a variação do patrimônio líquido na controlada ou coligada, ou ainda pelo percentual da respectiva participação. De modo resumido, a equivalência patrimonial tem a função de atualizar os investimentos relevantes em empresas controladas ou coligadas conforme os resultados forem sendo apurados nestas entidades, independentemente da distribuição dos lucros apurados. E para investimentos que não se qualificarem como relevantes, empregase o método de custo de aquisição (art. 183, III, da Lei nº 6.404/76) . O método de equivalência patrimonial deve refletir sempre a essência econômica, o verdadeiro valor do investimento da controladora, com os ajustes inerentes ao lucro ou prejuízo obtido e seus efeitos fiscais, o que se depreende da interpretação sistemática da legislação fiscal, compreendida à luz dos conceitos contábeis. A patrimonialidade vinculase ao conteúdo econômico, porque está intimamente vinculada ao valor econômico dos bens e direitos. Por isso, no Direito, a patrimonialidade somente tem sentido quando vinculada ao conceito de "direitos" (subjetivos), sobre coisas (reais) ou contra pessoas (pessoais). Daí que, sendo o patrimônio composto não de bens materiais, mas de direitos, qualquer acréscimo patrimonial há de ser de direitos (reais ou pessoais), logo, como uma "disponibilidade jurídica" efetiva, e não apenas artificial. Para dar destaque a irregularidade do procedimento adotado pelo recorrente cabe apontar aquilo que prescreve ao CPC 18, que versa sobre os procedimentos para a equivalência patrimonial. 26. Muitos dos procedimentos que são apropriados para a aplicação do método da equivalência patrimonial são similares aos procedimentos de consolidação, descritos no Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações Consolidadas. Além disso, os conceitos que fundamentam os procedimentos utilizados para contabilizar a aquisição de controlada devem ser também adotados para contabilizar a Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 13 23 aquisição de investimento em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto. 27. A participação de grupo econômico em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto é dada pela soma das participações mantidas pela controladora e suas outras controladas no investimento. As participações mantidas por outras coligadas ou empreendimentos controlados em conjunto do grupo devem ser ignoradas para essa finalidade. Quando a coligada ou empreendimento controlado em conjunto tiver investimentos em controladas, em coligadas ou em empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures), o lucro ou prejuízo, os outros resultados abrangentes e os ativos líquidos considerados para aplicação do método da equivalência patrimonial devem ser aqueles reconhecidos nas demonstrações contábeis da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto (incluindo a participação detida pela coligada ou pelo empreendimento controlado em conjunto no lucro ou prejuízo, nos outros resultados abrangentes e nos ativos líquidos de suas coligadas e de seus empreendimentos controlados em conjunto), após a realização dos ajustes necessários para uniformizar as práticas contábeis (ver itens 35 e 36). Esse mesmo procedimento deve ser aplicado à figura da controlada no caso das demonstrações contábeis individuais. 28. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) e descendentes (downstream) entre o investidor (incluindo suas controladas consolidadas) e a coligada ou o empreendimento controlado em conjunto devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis do investidor somente na extensão da participação de outros investidores sobre essa coligada ou empreendimento controlado em conjunto, desde que esses outros investidores sejam partes independentes do grupo econômico a que pertence a investidora. As transações ascendentes são, por exemplo, vendas de ativos da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto para o investidor. As transações descendentes são, por exemplo, vendas de ativos do investidor para a coligada ou para o empreendimento controlado em conjunto. A participação do investidor nos resultados resultantes dessas transações deve ser eliminada. 28A. Os resultados decorrentes de transações descendentes (downstream) entre a controladora e a controlada não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao mesmo grupo econômico. O disposto neste item deve ser aplicado inclusive quando a controladora for, por sua vez, controlada de outra entidade do mesmo grupo econômico. 28B. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) entre a controlada e a controladora e de transações entre as controladas do mesmo grupo econômico devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis da vendedora, mas não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 24 individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao grupo econômico. 28C. O disposto nos itens 28A e 28B deve produzir o mesmo resultado líquido e o mesmo patrimônio líquido para a controladora que são obtidos a partir das demonstrações consolidadas dessa controladora e suas controladas. Devem também, para esses mesmos itens, ser observadas as disposições contidas na Interpretação Técnica ICPC 09 Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método da Equivalência Patrimonial.. Por sua vez, assim define o CPC 36 que versa sobre as demonstrações consolidadas: B86. Demonstrações consolidadas devem: (a) combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas; (b) compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada (o Pronunciamento Técnico CPC 15 explica como contabilizar qualquer ágio correspondente); (c) eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo (resultados decorrentes de transações intragrupo que sejam reconhecidos em ativos, tais como estoques e ativos fixos, são eliminados integralmente). Os prejuízos intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável de ativos, que exige o seu reconhecimento nas demonstrações consolidadas. O Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro se aplica a diferenças temporárias, que surgem da eliminação de lucros e prejuízos resultantes de transações intragrupo. Desse modo, inegavelmente, aumentase o custo do Banco Pactual não através de recursos, mas através de reflexos/imagens de recursos, o que se torna patente ao compararmos o aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período, tal como apontado pela fiscalização e pela autoridade recorrida. O custo de aquisição apontado não representa fidedignamente a realidade econômica, alterando o montante do tributo apurado, e desrespeitando o principio da capacidade contributiva. Outro ponto de destaque no lançamento, apontado pela autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, é que na operação ficou estabelecido que além do pagamentos descritos que compunham o valor de alienação das ações do Banco Pactual S/A, os contratantes convencionaram que os alienantes das ações receberiam ainda outros valores sob denominação de “Pagamentos especiais: Usufruto” (Clausula 6.13 do Contrato), também denominados dividendos posteriores ao fechamento. De acordo com a referida Clausula 6.13, os adquirentes não poderiam receber dividendos do Banco Pactual, enquanto o usufruto não fosse extinto mediante o total pagamento do valor convencionado. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 14 25 Deste modo, pragmaticamente, quando da venda, os alienantes estariam se desfazendo das ações, entretanto não estariam abrindo mão dos dividendos reconhecidos como usufrutos, decorrente de lucro apurados. Na sistemática adotada pelo recorrente, capitalizar lucros para feito de apuração do custo das ações alienadas, que serão depois distribuídos como dividendos, não se justifica, pois na verdade ao se desfazer de suas ações , o alienante não estaria efetivamente abrindo mão de parte desses lucros, ou seja isto não seria um custo para os mesmos. A situação sui generis em cotejo ganha um destaque maior pois a capitalização dos lucros foi efetuada de modo duplicado para aumento artificial do custo de alienação das ações. Acrescentese, por pertinente, que parte dos lucros capitalizados já estariam reservados para os próprios alienantes como dividendos a serem distribuídos, por força de uma convenção firmada na negociação da venda das ações. Nessa situação não identifico qualquer falha na metodologia adotada pelo fiscalização para aproximarse do valor do custo de alienação. A metodologia é oportuna tendo em vista que a origem primária dos lucros é o Banco Pactual S.A., não percebo vícios ou imperfeições. Não se acolhe o argumento do recorrente de que deveria existir uma única metodologia, pois o que se almeja com esta é tentar aproximarse do custo de alienação, ou valor que represente mais fidedignamente, o ônus efetivo do recorrente ao se desfazer de suas ações. Reconheço que qualquer procedimento/método adotado pode ser questionado por eventuais incoerências, mas não foi o que aconteceu no caso concreto. Existe apenas questionamentos genéricos, sem uma proposição concreta de qual seria a metodologia que asseguraria uma representação fidedigna do custo de aquisição, ou qual falha existiria na metodologia empregada que teria efetivamente prejudicado o recorrente. No que toca a base de cálculo e fundamentação, o tributo foi apurado conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual. O procedimento revestese deste modo de legalidade e nenhum vício se identificou, não merecendo prosperar quaisquer dos vícios apontados pelo recorrente. Divergências de opiniões e interpretação distintas do direito são muitas vezes apontadas na Impugnação e Recurso Voluntário com grande eloqüência e garantindo que a razão estaria sempre com o recorrente, entretanto, com a devido respeito, s.m.j., a pratica adotada não encontra respaldo em nosso sistema tributário. Esse é o entendimento que firmo e com base no qual não reconheço a validade do procedimento adotado pelo recorrente. No relativo a qualificação da multa, não consigo identificar a simulação apontada pela fiscalização e pela autoridade recorrida. Entendo que configurase como simulação , o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. Não é o caso nos autos tendo em vista que os fatos são transparentes e refletem o que realmente ocorreu, encontrando inclusive possível propósito negocial para a sua realização. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 26 No caso concreto, o suposto planejamento tributário realizado é certamente uma matéria controversa, sem precedentes jurisprudenciais contrários à nova qualificação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal. Nesse contexto implica escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie erro de proibição. Tendo o contribuinte informado as operações com absoluta transparência, e assim permitindo ao fisco fiscalização e qualificação do fato, está ausente na espécie o evidente intuito de fraude. Neste contexto, afastase a qualificação da multa de ofício. Finalmente, cabe observar que no que toca a incidência de juros sobre a multa de ofício, diversas decisões judiciais e administrativas reconhecem a legalidade da incidência do juros sobre a multa de ofício. No STJ, a duas turmas já adotaram o posicionamento defendido pela Fazenda. No âmbito do CARF também diversos julgados confirmam esse entendimento. Desse modo, deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Declaração de Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1 ANÁLISE DA LEGALIDADE DAS AÇÕES DO RECORRENTE O presente processo trata de operação em que uma sociedade controladora (holding) apura resultado decorrente da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP) em face de sua controlada. Isto é, o lucro apurado na sociedade controlada reflete na apuração do resultado positivo da controladora pelo MEP. A partir disso, a sociedade controladora capitaliza o lucro distribuindo as ações/quotas aos sócios que, com base no art. 135 do RIR/99, aumentam o custo de aquisição do seu investimento. Ocorre que, no caso em tela, a operação ocorreu mais de uma vez a partir do lucro existente na sociedade controlada (operacional) e, combinada com incorporação das sociedades controladoras pelas controladas (incorporação às avessas), permitiu ao recorrente o aumento desproporcional do custo de aquisição do investimento. E o resultado do aumento do custo de aquisição do investimento possibilitou aos sócios a diminuição do ganho de capital na venda de suas ações da sociedade operacional (no caso o Banco Pactual S.A., único remanescente após as sucessivas incorporações). O desenho da estrutura societária e das operações ocorridas que envolveram a participação societária do recorrente pode ser assim resumido: Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 15 27 1 – Andre Schwartz possuía 16.553.161 ações da Pactual Participações Ltda., ao custo de R$ 11.878.031,70, quando esta foi incorporada pela Pactual Participações S.A. Em substituição, recebeu 12.083.619 ações da Pactual Participações S.A, em 31/12/05; 2 – Recebimento de R$ 15.350.517,00 a título de lucros distribuídos desproporcionalmente pela Nova Pactual Participações Ltda., seguida da capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 15.350.517 novas quotas, em 13/10/06; 3 – Incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S.A, com o cancelamento das quotas da Nova Pactual Ltda. e recebimento de quotas da Pactual S.A., em 13/10/06; 4 – Recebimento de R$ 17.431.540,00, a título de lucros distribuídos pela Pactual S.A., seguida de capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 17.431.540 novas ações da Pactual S.A., em 01/11/06; 5 – Cisão parcial da Pactual S.A., com reversão de parcela do capital social para a Capital Partners Participações Ltda., e recebimento de 875 quotas, no valor de R$ 87,50, em 01/11/06; 6 – Incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual S.A., com o cancelamento das ações da Pactual S.A., e recebimento de 19.846.361 ações do Banco Pactual S.A., em 03/12/06. Com razão a fiscalização aponta – fl. 819 que “o método adotado pelo contribuinte para aumentar desproporcionalmente o custo de suas ações e reduzir o imposto de renda devido na alienação induz a crer que existiria uma deficiência ou lacuna na legislação do imposto de renda, que permitiria eliminar o ganho de capital na alienação de participações societárias, bastando, para tanto, a criação de diversas holdings “de papel” inseridas entre os sócios pessoas físicas e a sociedade produtiva, que, pela repetição de capitalizações com lucros do mesmo exercício social, intercalada com incorporações às Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 28 avessas, seria possível aumentar o custo das ações até o montante do valor da venda destas e, consequentemente, seria possível, com esse método adotado pelo contribuinte, zerar o ganho de capital na alienação de participações societárias e o imposto de renda decorrente, mediante o aumento desproporcional do custo de aquisições. Isto é, a criação de estruturas nos moldes acima transcritos teria, sem dúvida, como efeito o aumento artificial do custo de aquisição das ações, conduta rechaçada pela jurisprudência desse Conselho, conforme se observa: CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. (CARF. Primeira Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Ac. nº 110300.501. Rel. Conselheiro José Sérgio Gomes. Julg. em 30/06/11). Entendo, entretanto, que o julgamento não deve ficar adstrito ao plano das hipóteses ligadas ao tema de fundo analisado, mas construir um significado concreto ligado às peculiaridades do caso (pragmática). Nesse ponto, acho relevante diferenciar (i) a conduta materializada na criação de uma estrutura societária desprovida de conteúdo econômico, com a finalidade exclusiva de economizar tributos, (ii) da conduta do contribuinte que, diante de uma estrutura previamente existente, opta pela adoção de um caminho que lhe confere menor custo tributário. Essa parece ser a hipótese ora analisada. Analisandose o caso concreto denotase que a estrutura que possibilitou o aumento do custo de aquisição das ações do recorrente existia, no mínimo, há mais de dois anos da data da venda das ações do Banco Pactual S.A. Mais que isso, consultando o sistema COMPROT se pode constatar a existência de processos administrativos datados de 2002, o que sugere que as empresas existiam, muito antes desta data. Ou seja, não se trata de estrutura criada com a finalidade de reduzir ou eliminar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre o ganho de capital na venda das ações do Banco Pactual S.A., mas, sim, da adoção, pelo recorrente, do caminho legal mais vantajoso, em termos fiscais, diante da encruzilhada que poderia gerar maior ou menor custo tributário. No caso em tela, o recorrente conseguiu demonstrar não apenas a utilidade da estrutura societária existente como a existência de propósito negocial/econômico, o que permite concluir, inclusive, que aconteceria independentemente da redução da carga tributária para os acionistas na venda de sua participação no Banco Pactual S.A. O recorrente poderia, é verdade, ter adotado outro meio para realização da venda de sua participação no Banco Pactual S.A., como, por exemplo, após a incorporação Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 16 29 Nova Pactual Ltda. pela Pactual Holding S.A, vender suas ações desta última (que detinha 100% do Banco Pactual S.A.), fazendo com que, indiretamente, o comprador tivesse o controle do Banco. Até mesmo, poderiam as sociedades não ter capitalizado, antes de sua incorporação, o resultado positivo auferido pelo MEP, mantendo esse resultado dentro do patrimônio líquido da incorporada. Mas não. O recorrente utilizou a possibilidade de aumento do custo de aquisição do investimento, prevista no art. 135 do RIR/99, para minimizar o impacto tributário na operação de venda de sua participação no Banco Pactual S.A. Se a utilização desse mecanismo gerou distorção entre a evolução do patrimônio líquido do Banco e a evolução do aumento do custo do investimento do recorrente – e isso é um fato, de forma evidente há uma distorção econômica , essa é mais uma, dentre tantas distorções permitidas/previstas na lei, que ora atuam em favor dos contribuintes, ora em desfavor. Como exemplo, podemos citar a limitação da compensação do prejuízo fiscal acumulado pelas empresas no percentual de 30%, restrição legal cujo efeito é a criação artificial de um lucro fiscal que não encontra respaldo na situação patrimonial do contribuinte. Em outros termos, o fato de o lucro obtido no Banco Pactual S.A. gerar reflexos de resultado positivo na sua controladora (Pactual Holding S.A.) e também na empresa que controla essa última (Nova Pactual Ltda.), através do MEP não encontra qualquer óbice legal. Do mesmo modo, não há qualquer impedimento legal nas capitalizações desses resultados aos quotistas da Nova Pactual Ltda. e, posteriormente, aos acionistas da Pactual Holding S.A., ainda que provenientes do lucro existente no Banco Pactual S.A. Pelo contrário, tanto a fiscalização quanto a decisão recorrida admitem que, se houvesse em caixa dinheiro disponível, o lucro obtido com o MEP, tanto numa quanto noutra empresa controladora, poderia ser distribuído aos sócios. Portanto, se o lucro poderia ter sido distribuído aos sócios, por que o resultado positivo auferido através do MEP não poderia ser capitalizado, aumentando o custo de aquisição do investimento do quotista/acionista, nos termos previstos pelo art. 135 do RIR/99? Nesse compasso, a fiscalização busca enquadrar o aumento do custo de aquisição do investimento engendrado pelo recorrente, com base no art. 135 do RIR/99, como abuso de direito. Tal abuso de direito, inclusive, teria caracterizado fraude à legislação tributária (segundo concluiu a decisão recorrida). Abaixo, transcrevese um trecho do Termo de Verificação Fiscal que ilustra o pensamento da fiscalização: O abuso de Direito está intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado, e a distinção entre o direito, e a forma pela qual é este exercitado, revelase de notável importância para a caracterização do abuso do direito, e em consequência, permite o estabelecimento de limites para o planejamento tributário, a partir dos quais a conduta destinada a evitar, ou reduzir o tributo, caracteriza “fraude fiscal”. Como tal, pode ser considerado o uso de fórmulas anômalas, absolutamente inusuais, cuja validade não pode ser razoavelmente sustentada mesmo no âmbito do Direito em que está situada a figura jurídica então deformada. O abuso de direito pode ser definido, portanto, como sendo o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 30 nocivos a outrem, contrário ao critério econômico e social do direito em geral. O certo é que no mundo atual, pós era liberal, o abuso de direito é contrário a tendência socializante do direito, na sua vontade de sempre o direto, qualquer que seja, atender à sua função social. Assim com o abuso de forma, o abuso de direito é desdobramento da interpretação econômica do direito tributário. O abuso de direito considera ilícita a conduta do contribuinte que pratica negócios jurídicos visando exclusivamente à economia de imposto, tendo como fundamento o uso imoral do direito. O intérprete aplicaria uma regra moral própria, convertendoa numa regra jurídica a incidir em cada caso. Para cada situação exigirá uma regra moral específica. Seu campo de incidência é o plano da moral, o que rejeita o princípio da legalidade e o valor da segurança jurídica. (Grifamos). A peça fiscal busca sustentação expressa na clássica interpretação econômica do direito tributário, sustentando que nela é papel do intérprete a aplicação de uma regra moral própria em detrimento da legalidade e da segurança jurídica. Cabe lembrar que a Teoria da Interpretação Econômica do Direito, nascida nos idos de 1919 na Alemanha, sob a regência de Enno Becker, permitiu aos entes fiscais ultrapassar a linha tênue que existe entre a legalidade e o arbítrio, pois a legislação fiscal foi simplificada a ponto de os fatos geradores serem regidos pelos efeitos econômicos, e não pela forma jurídica que assumiam. Não se discorda que as operações analisadas acarretaram uma distorção entre os planos tributário e patrimonial. Essa distorção, no entanto, não decorreu num contexto societário/ jurídico artificialmente criado. Exigir que o contribuinte, nesse contexto, não percorra o caminho tributariamente menos oneroso e dele retire seus efeitos tributários implica sacrificar desnecessariamente a legalidade e substituíla pelo “princípio da maior capacidade contributiva” (sic). As distorções existentes entre os efeitos prescritivos previstos pelo ordenamento e sua correspondência patrimonial, no presente caso, possuem foro específico para correção: poder legislativo. Aliás, sob o ponto de vista econômico, o subjetivismo da “criação normativa realizada pelo intérprete”, em prejuízo do regime jurídico genericamente estendido a todos os contribuintes agrega desnecessária incerteza nos agentes econômicos, num claro prejuízo ao crescimento do país, como já havia constatado Adam Smith, em 1776: O tributo que cada indivíduo está obrigado a pagar deve ser certo, e não arbitrário. O tempo do pagamento, o modo de pagamento, a quantidade a ser paga, tudo deve ser claro e evidente ao contribuinte, e a qualquer outra pessoa. Onde isso é diferente, cada pessoa sujeita à tributação é posta em maior ou menor grau à mercê do coletor de impostos, que pode tanto agravar o tributo incidente sob cada contribuinte antipático, ou extorquir, pelo temor desta agravação, algum presente ou gratificação para si mesmo. A incerteza da tributação encoraja a insolência e favorece a corrupção de uma categoria de homens que são naturalmente impopulares, mesmo quando não são insolentes ou corruptos. A certeza do que cada indivíduo deve pagar é, na tributação, uma questão de tão grande importância que um considerável grau de desigualdade, parece, eu creio, da Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 17 31 experiência de todas as nações, não está próximo de representar um mal tão grande quanto um pequeno grau de incerteza. (Tradução livre de: SMITH. Adam. An inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. Edited by S. M. Soares. MetaLibri Digital Library, 29th May 2007. Book V: “Of the Revenue of the Sovereign or Commonwealth”, chap. II: “Of the Sources of General or Public Revenue of the Society”, part III: “Of Taxes”, par. II. p. 639640.) Desse modo, entendo que o recurso merece provimento, pois não há contexto que autorize a desconsideração dos efeitos tributários estendidos pelo ordenamento ao contribuinte, que acabaram acarretando o aumento do custo de aquisição das ações por ele vendidas e a consequente redução do seu ganho de capital. 2 DOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A Fiscalização tomou como base para o cálculo do custo do investimento do recorrente a sua participação no patrimônio líquido da empresa Pactual Holding S.A., no valor de R$ 1.149.610.206,41, antes de sua incorporação pelo Banco Pactual S.A. Acredita a Fiscalização que o patrimônio líquido da aludida empresa, por ter sido a última a participar das operações de capitalização de resultados positivos decorrentes do MEP, representaria, perfeitamente, a base para o cálculo do custo da participação de cada um dos sócios. Em outra conta para chegar ao mesmo resultado, a Fiscalização somou o valor do patrimônio líquido de cada sociedade investida/ incorporadora no evento “incorporação às avessas” (além de uma pequena diferença oriunda do resultado da Pactual Holding S.A. nos meses anteriores à sua incorporação pelo Banco Pactual S.A.), e chegou ao mesmo montante: R$ 1.149.610.206,41. Além disso, em razão de o contrato de venda do Banco Pactual S.A. prever o pagamento de “exdividendos” (apurados após a venda, no valor de R$ 290.754.000,06) aos exacionistas, a fiscalização deduziu da base para cálculo do custo do investimento dos sócios o valor dos dividendos por eles recebidos a posteriori, chegando ao valor final de R$ 858.876.206,35. Por fim, identificada a base de cálculo, bastou à fiscalização aplicar o percentual que cada sócio detinha no patrimônio líquido da Pactual Holding S.A. (no caso do recorrente, 1,75%), para chegar ao alegado valor do custo de aquisição do investimento do recorrente R$ 14.962.740,96. O auto de infração, nesse ponto, adota critério incoerente e desprovido de respaldo legal. O art. 135 do RIR/99, conforme já referido, define que o custo de aquisição do investimento, no caso de quotas ou ações distribuídas em razão da incorporação de lucros, como é o caso dos autos, será igual à parcela do lucro capitalizada, que corresponder ao sócio ou acionista: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 32 parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). A peça fiscal utiliza como premissa a inviabilidade dos efeitos causados pela dupla capitalização na composição do custo de aquisição do recorrente. A consequência lógica seria a glosa das ações recebidas pelo recorrente na segunda capitalização, caminho, aliás, trilhado noutros autos de infração lavrados contra os demais acionistas. Desse modo, o lançamento manteria sua indispensável coerência intranormativa. Neste mesmo compasso, ao apresentar contrarazões ao recurso voluntário do processo nº 19515.720169/201179, que trata de auto de infração lavrado contra outro acionista do Banco Pactual, com fulcro no mesmo objeto (discordância quanto ao duplo resultado pelo MEP em razão de um só lucro) a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou concordando com a primeira capitalização do lucro obtido através da aplicação do MEP, ocorrida antes da incorporação de Novo Pactual Ltda., conforme se observa: “Pois bem. Em 13 de outubro de 2006, foi realizada a primeira capitalização, ocorrida na Nova Pactual Participações Ltda. Os sócios aprovaram o aumento do seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, e cuja integralização foi efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuíam frente a empresa (conforme balanço relativo a 31.08.2006), provenientes de distribuição de dividendos. É certo que, em razão do que determina o art. 135 do RIR/99, o Contribuinte promoveu o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no montante de R$ 70.451.635,00. Até aqui, não existe nenhuma irregularidade. [...] Entretanto, o contribuinte se apegou ao art. 135 do RIR/99 e se “esqueceu” do contexto fático que envolveu a alienação das mencionadas ações. Ele tenta fazer prevalecer a tese de que o lucro gerado pelo Banco Pactual, a única operacional do grupo, pode ser utilizado em mais de uma capitalização dentro de um mesmo grupo de empresas. A equivocada interpretação adotada pelo contribuinte teve como resultado prático a utilização sucessivas vezes de um único lucro, mesmo não havendo suporte econômico para tanto.” O critério que deveria ter sido utilizado pela fiscalização para apuração do custo do investimento do recorrente seria, segundo a orientação da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, efetuar a evolução do custo de aquisição a partir da primeira capitalização ocorrida na empresa Novo Pactual Ltda. Jamais poderia adotar outro método, por absoluta falta de fundamento legal. Entretanto, o crédito tributário foi constituído a partir de um arbitramento realizado em prejuízo do preceito legal cogente e aplicável (RIR, art. 135), e em descompasso com os limites contidos no art. 148, do CTN. Isto porque, o arbitramento somente poderia ter sido utilizado se fossem omissos ou não merecessem fé: i) as declarações ou esclarecimentos prestados pelo recorrente; ou ii) os documentos por ele apresentados, conforme prevê o art. 148, do CTN, in verbis: Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736590/201101 Acórdão n.º 2202002.260 S2C2T2 Fl. 18 33 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Esses requisitos de cabimento do arbitramento estão consubstanciados na jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DE CUSTO DE CONSTRUÇÃO SINDUSCON/PINI As hipóteses de arbitramento encontram se definidas no art. 148 do CTN e alcançam a ausência de documentação ou documentação imprestável. Na segunda hipótese, cabe ao fisco comprovar que a documentação apresentada pelo contribuinte não é merecedora de fé e somente após proceder ao arbitramento. É improcedente o auto de infração que se utiliza de arbitramento para fixar o custo de construção, que origina o acréscimo patrimonial a descoberto, quando o contribuinte presta os esclarecimentos solicitados e apresenta os documentos probatórios dos fatos arbitrados pela fiscalização. Recurso especial negado. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, AC 40104813. Julg. em 02/12/03) PREVIDENCIÁRIO. HELD. FALTA DE ATENDIMENTO A SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS EFETUADA PELO FISCO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CABIMENTO. Quando o sujeito passivo, regularmente intimado, deixa de apresentar ao fisco documentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal, a legislação autoriza a apuração do crédito por arbitramento, ficando o contribuinte com o encargo comprovar o contrário. (CARF. 2ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. nº 2401 00.966. Rel. Kleber Ferreira de Araújo. Julg. em 28/02/10) Entretanto, não foi o que se verificou no caso em tela, pois, instado a apresentar documentos e prestar esclarecimentos o recorrente sempre atendeu prontamente à fiscalização. Deste modo, tanto a incoerência intranormativa do lançamento acima apontada, como o expresso comando previsto pelo art. 135 do RIR/99, demonstram a invalidade do critério jurídico utilizado na fixação da base e cálculo, que fulminou o direito subjetivo da Fazenda. Com base no acima exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 34 Rafael Pandolfo Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10783.724354/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. VIGÊNCIA DO ART. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 c/c art. 18 da LC 123/06.
No período de 01/2007 a 06/2007 embora a empresa Recorrente tenha declarado sem movimento, recolheu as mencionadas contribuições previdenciárias pelo regime tributário simplificado. No entanto, neste período, o art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96 impedia os escritórios de contabilidade, tal qual o Recorrente, de optarem por este benefício.
No tocante ao período de 07/2007 a 13/2008, consta no relatório fiscal (fls. 55/56) que a Recorrente informou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP o código de pagamento 2003 e no campo destinado ao SIMPLES o código 2 indicando a opção pelo SIMPLES. Entretanto, as suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relacionadas as anos-calendários 2007, 2008 e 2009 indicam que a forma de tributação escolhida era o Lucro Presumido.
Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte quanto ao montante cobrado, torna-se válida a presente ação fiscal.
De acordo com a Súmula 2 do CARF esta Corte não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2302-002.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgafo.
Liége Lacroix Thomasi Presidente.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), André Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. VIGÊNCIA DO ART. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 c/c art. 18 da LC 123/06. No período de 01/2007 a 06/2007 embora a empresa Recorrente tenha declarado sem movimento, recolheu as mencionadas contribuições previdenciárias pelo regime tributário simplificado. No entanto, neste período, o art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96 impedia os escritórios de contabilidade, tal qual o Recorrente, de optarem por este benefício. No tocante ao período de 07/2007 a 13/2008, consta no relatório fiscal (fls. 55/56) que a Recorrente informou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP o código de pagamento “2003” e no campo destinado ao SIMPLES o código “2” indicando a opção pelo SIMPLES. Entretanto, as suas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relacionadas as anoscalendários 2007, 2008 e 2009 indicam que a forma de tributação escolhida era o Lucro Presumido. DOS FATOS GERADORES. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS VALORES COBRADOS. Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte quanto ao montante cobrado, tornase válida a presente ação fiscal. DA MULTA APLICADA. CONFISCO. De acordo com a Súmula 2 do CARF esta Corte não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 43 54 /2 01 1- 06 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgafo. Liége Lacroix Thomasi – Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), André Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 10783.724354/201106 Acórdão n.º 2302002.405 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Adoto o relatório de fls. 291/293: "Trata o presente processo administrativo dos lançamentos referentes a contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, pela empresa em epígrafe, no período de 01/2009 a 13/2009, relativas a) a parcela devida pelos segurados empregados e arrecadada pela empresa (DEBCAD 51.011.5195); b) a parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (DEBCAD 51.011.5209); e c) as devidas a outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE – DEBCAD 51.011.5217) abrangendo ainda Auto de Infração de Obrigação Acessória, por ter apresentado documentos sem atendimento das formalidades legais exigidas, conforme o art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, na redação da Medida provisória 449/2008. A inclusão no presente procedimento de diversos Autos de Infração baseados nos mesmos elementos de prova obedece ao disposto no art. 1º da Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, alterado pela portaria RFB nº 2.324, de 03/12/2010. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 30/36, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias e daquelas devidas a Outras Entidades as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, folhas de pagamento, recibos de pagamento e Livro Razão. 3. Afirma ainda a autoridade fiscal que a empresa em questão foi incluída no Sistema Integrado de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES FEDERAL, a partir de 01/01/2002, entretanto, analisandose os Atos Constitutivos da mesma constatou que o objetivo social é a prestação de serviços de contabilidade, assessoria e auditoria (CNAE 69.206 01), situação que se configura desde 03/11/2005. Por este motivo, foi lavrada a Representação Fiscal propondo sua exclusão do regime do SIMPLES FEDERAL, uma vez que a mesma exerce atividade de prestação de serviços (contador), sendo impeditiva à opção pelo regime especial de tributação, conforme artigo 9o, inciso XIII da Lei 9.317/1996. Para formalizar a exclusão, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES emitiu o Ato Declaratório no. 85, de 12/09/2011, excluindo a empresa da sistemática de pagamento pertinente ao supracitado regime, com efeitos a partir de 01/01/2007 até 30/06/2007, conforme previsão do artigo 15 da Lei 9317/96 e alterações posteriores. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 4 4. Verificouse ainda que a autuada não estava enquadrada no SIMPLES NACIONAL, a partir de 01/01/2007, uma vez sua inclusão no citado regime foi indeferida em 03/07/2007, conforme Termo de Indeferimento de Opção, fls. 288. 5. Entretanto, através da análise das GFIP´s entregues pela autuada, verificouse que a empresa se enquadrou indevidamente tanto do SIMPLES FEDERAL como no SIMPLES NACIONAL, informando o “código 2” no campo destinado à informação acerca de opção pelos citados regimes, bem como entregou as GFIP`s de 01 a 13/2009 com código de pagamento 2003, e agindo desta forma, as contribuições foram substituídas pelas contribuições sobre o faturamento, impedindo que se efetuasse o cálculo correto das contribuições sociais devidas. 6. O Auto de Infração DEBCAD 51.011.52256 (AI 38) foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória tendo em vista que a empresa apresentou o Livro Diário relativo aos anos de 2007, 2008 e 2009 sem encadernação e sem o registro na Junta Comercial, não atendendo, assim, às formalidades legais exigidas. Tal fato constitui infração ao artigo 33, 2o e 3o da Lei 8.212/91, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A multa aplicada é de R$ 15.244,14, conforme artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, e artigos 283, II, “J” e 373 do Decreto 3048/99, atualizada pela Portaria Interministerial MPSMF no. 407/2011. Não foram verificadas situações agravantes. 7. Informa ainda a autoridade fiscal que os recolhimentos constantes do contacorrente da empresa e verificados através das Guias de Previdência Social foram todos analisados e considerados durante a ação fiscal. 8. Esclarece, ainda, que o contribuinte entregou GFIP retificadora no período de 01 a 13/2009 em 19/07/2011, entretanto, sendo as mesmas entregues após o início do procedimento fiscal (iniciado em 18/07/2011), não produziram efeitos tributários em função da perda da espontaneidade, sendo, assim, as contribuições previdenciárias nelas informadas consideradas como nãodeclaradas, conforme previsão expressa do § 6o do artigo 625A da IN SRP no. 03/2005. 9. Cientificado pessoalmente dos lançamentos em 30/09/2011, o contribuinte impugna os lançamentos em petição única, protocolada em 01/11/2011, às fl. 196/208, firmada por seu patrono legal, constituído pelo instrumento particular à f. 209, sob os seguintes argumentos: 9.1. A exclusão realizada pelo Delegado da Receita Federal retroagiu a atos já praticados, estabelecida entre o período de 01/01/2007 a 30/06/2007, ofendendo a garantia constitucional da irretroatividade da lei e ao direito adquirido. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 10783.724354/201106 Acórdão n.º 2302002.405 S2C3T2 Fl. 216 5 9.2. A Receita Federal não vem observando a Lei 9.317/96, a qual em seu artigo 15, VI, § 3o prevê que a exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da SRFB, assegurado o contraditório e a ampla defesa, eis que lavrou, juntamente com a emissão do Ato Declaratório de Exclusão, autos de infração. 9.3. A RFB deve respeitar a legislação relativa ao processo administrativo (Lei 9.784/99), bem como o artigo 5o da Constituição Federal, garantindo ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa. A praxe da RFB consiste em primeiramente excluir a pessoa jurídica do SIMPLES, para posteriormente abrir prazo para a impugnação do ato de exclusão, o que afronta o princípio do contraditório, eis que a exclusão efetivada sem o prévio direito ao contraditório é ato arbitrário. Por este motivo, deve ser declarado nulo o Termo de Ciência de Exclusão do Simples, permitindo ao contribuinte que impugne, ainda em fase de análise, as questões apontadas no referido documento. 9.4. Alega que a exclusão do SIMPLES com efeito retroativo fere o direito adquirido da impugnante, uma vez que a impetrante operou em 2007 sem receber qualquer notificação da Receita Federal, sendo assim, configurouse uma situação de fato, que não importa em ilícito. 9.5. Afirma que a exclusão com efeito retroativo desestrutura a contabilidade da empresa e abocanha parte do patrimônio, ferindo o princípio do nãoconfisco. 9.6. Rendese parcialmente ao Ato Declaratório de Exclusão, aceitando ser excluída em função do exercício de atividade vedada (contador), por desconhecimento da hipótese de exclusão prevista na lei, mas irresignase quando ao efeito retroativo da exclusão, sendo certo que se o ato de exclusão data de setembro de 2011, deveria surtir efeito apenas a partir de outubro deste ano, ou, no mínimo, a partir da notificação ao contribuinte, ocorrida em agosto de 2011. Assevera não ter sido permitido o exercício da ampla defesa antes da exclusão do SIMPLES. 9.7. Se a RFB alterou sua interpretação acerca das atividades econômicas passíveis de se inscreverem no SIMPLES, não pode aplicar o método de maneira retroativa. O contribuinte não pode ser penalizado pela demora da RFB em visualizar o seu não enquadramento no sistema do SIMPLES. Se a inscrição no SIMPLES foi aceita, tal ato vincula o Estado, não podendo o mesmo desfazêlo, devendo a impetrante ser mantida no SIMPLES até o momento do procedimento de exclusão, quando se verificou não mais estarem presentes os requisitos para a permanência no sistema. Acosta jurisprudência sobre o tema. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 6 9.8. Argumenta que a notificação na pendência de recurso administrativo é nula, tendo em vista o artigo 151, III do CTN e o artigo 33 do Decreto 70.235/72, sendo certo que não se pode exigir o pagamento das contribuições previdenciárias enquanto o Ato Declaratório de Exclusão estiver pendente de julgamento. O lançamento efetivado constitui crime de excesso de exação, nos termos do art. 316, § 1o do Código Penal. Afirma que não pode haver nenhum ato visando a cobrança do crédito enquanto não sobrevier a decisão final e irreformável sobre a exclusão do SIMPLES. 9.9. O descumprimento da obrigação acessória pelo contribuinte (informar ao Fisco que não preenche as condições para permanência no SIMPLES) não pode trazer como conseqüência o pagamento retroativo de diferenças de tributos decorrente da alteração na modalidade de tributação. 9.10. Requer a nulidade do Ato de Exclusão do Simples Nacional, que seja reformulado o ato de exclusão para que surta efeito a partir do mês posterior a ciência da exclusão, que sejam declarados inexigíveis os autos de infração lançados antes de se tornar definitiva a exclusão do recorrente do Simples Nacional, e que sejam declarados inexigíveis os tributos constantes dos Autos de Infração em comento.” Em 06/02/2012, a 13ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a impugnação, mantendo incólume o crédito tributário (fls. 289/298). Intimado do julgado (fls. 303 e 305), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 307/331), reiterando todos os termos dispostos na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 10783.724354/201106 Acórdão n.º 2302002.405 S2C3T2 Fl. 217 7 Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. O recurso é tempestivo, por isso, passo a análise das questões suscitadas. O presente processo administrativo teve origem nos lançamentos referentes às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2009 a 13/2009, relativas a i) parcela devida pelos segurados empregados e arrecada pela empresa (DEBCAD 51.011.5195); ii) parcela referente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais de trabalho – GILRAT (DEBCAD 51.011.5209); e às outras entidades e fundos (Terceiros – DEBCAD 51.011.5217), abrangendo o auto de infração decorrente de obrigação acessória – 51.011.5225 (art. 33, §§ 2º 2 3º da Lei 8.212/91). No recurso, alegou o contribuinte dois pontos controvertidos: i) Nulidade dos autos de infração e ii) Exacerbação na aplicação da multa violação ao princípio do nãoconfisco, vejamos: 1) NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO: Afirmou o Recorrente que a exclusão da empresa no SIMPLES NACIONAL não levou em consideração as hipóteses de exclusão estabelecidas na Lei nº 9.317/96. Não bastando, aduziu, ainda, que a Receita Federal não havia observado o art. 15, §3º da Lei nº 9.317/96 cuja disposição normativa determinava que a exclusão de ofício deveria ocorrer mediante a expedição de Ato Declaratório da Autoridade Fiscal da Secretaria da Receita Federal, de forma a lhe ser assegurado o contraditório e a ampla defesa. Com efeito, o SIMPLES NACIONAL é um regime tributário diferenciado concedido as microempresas e as empresas de pequeno porte para pagamento de impostos e contribuições visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas tributárias. Eis o teor do art. 179 da CF: "Art. 179 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresa e às empresa de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei." Inicialmente, o SIMPLES NACIONAL foi regulamentado pela Lei nº 9.317/96. Esta lei, por sua vez, vedava a opção às empresas prestadoras de serviços profissionais de contabilidade: “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, Fl. 348DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 8 engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” A legislação acima foi revogada pela Lei Complementar nº 123, instituída em 14 de dezembro de 2006 cujos efeitos foram expandidos a partir de 01/07/2007 (art. 88 da LC 123/06). A partir de então, os escritórios de contabilidade (tal como o Recorrente) foram beneficiados com o regime simplificado de tributação. Entretanto, o benefício alcançou apenas o ISS, PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, ficando de fora as contribuições previdenciárias patronais, verbis: “LC 123/06: Art. 18 O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte comercial, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação da tabela do Anexo I desta Lei Complementar: ... § 5ºB Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: ... XIV escritórios de serviços contábeis, observado o disposto nos §§ 22B e 22C deste artigo. ... § 22B Os escritórios de serviços contábeis, individualmente ou por meio de suas entidades representativas de classe, deverão: I promover atendimento gratuito relativo à inscrição, à opção de que trata o art. 18A desta Lei Complementar e à primeira declaração anual simplificada da microempresa individual, podendo, para tanto, por meio de suas entidades representativas de classe, firmar convênios e acordos com a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, por intermédio dos seus órgãos vinculados; II fornecer, na forma estabelecida pelo Comitê Gestor, resultados de pesquisas quantitativas e qualitativas relativas às microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional por eles atendidas; III promover eventos de orientação fiscal, contábil e tributária para as microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional por eles atendidas. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 10783.724354/201106 Acórdão n.º 2302002.405 S2C3T2 Fl. 218 9 § 22C Na hipótese de descumprimento das obrigações de que trata o § 22B deste artigo, o escritório será excluído do Simples Nacional, com efeitos a partir do mês subseqüente ao do descumprimento, na forma regulamentada pelo Comitê Gestor. Da análise dos autos, inferese que no período de 01/2007 a 06/2007 embora o contribuinte tivesse declarado sem movimento, recolheu as contribuições previdenciárias pelo regime tributário simplificado SIMPLES NACIONAL sem prévia autorização legal. No período de 07/2007 a 13/2009, informou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP o código de pagamento “2003” e no campo destinado ao SIMPLES o código “2” indicando a opção pelo SIMPLES, no entanto, declarava na DIPJ dos anoscalendário 2007, 2008 e 2009 como sendo optante do Lucro Presumido (fls. 31). Com tantas irregularidades, outra alternativa não restou à autoridade fazendária senão emitir o Ato Declaratório nº 85/2001 excluindo o Recorrente do SIMPLES NACIONAL (fls. 215) cumprindo, com isso, o disposto no art. 28 da LC 123/2006 c/c art. 23, parágrafo único, da IN SRF nº 608/06: “Lei Complementar nº 123/06: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes.” “IN SRF 608/06: Art. 23. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: Parágrafo único. A exclusão de ofício darseá mediante Ato Declaratório Executivo (ADE) da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União, de que trata o Decreto n º 70.235, de 1972.” Vale registrar que a tese de defesa apresentada pelo sujeito passivo não importou na impugnação dos fatos antes relatados, mas apenas na forma de exclusão do SIMPLES NACIONAL cujo procedimento ocorreu sob a égide da legislação pátria, sendo respeitadas as garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório (fls. 214/215). Dito isto, reputo devido o crédito exigido. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 10 2) EXACERBAÇÃO NA APLICAÇÃO DA MULTA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO: Em conformidade com o relatório de fls. 33, a empresa foi intimada para apresentar os Livros Diários dos exercícios de 2007, 2008 e 2009. Assim o fez sem encadernálos ou mesmo registrá los na Junta Comercial, em confronto às determinações do art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91 c/c arts. 232 e 233 do RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vejamos: " Lei nº 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009) ... § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009) "RPS Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário." Por causa disso, foi aplicada a multa prescrita nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e art. 283, inciso II, alínea "j" e art. 373 todos do Decreto 3.048/99: "Lei nº 8.212/91: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 10783.724354/201106 Acórdão n.º 2302002.405 S2C3T2 Fl. 219 11 .... Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (Atualizações decorrentes de normas de hierarquia inferior). ... Art. 102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24 de Agosto de 2001) § 1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo. (Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)." "Decreto nº 3.048/99: ... Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:(Nova Redação pelo Decreto nº 4.862 de 21/10/2003 DOU DE 22/10/2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: ... j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 12 ... Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social." A autoridade administrativa ao constituir o crédito tributário pelo lançamento deve verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, sob pena de responsabilidade funcional. Assim preceitua o art. 142 do CTN: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” A aplicação da multa imposta não decorreu de discricionariedade do Fisco, mas apenas e tão somente da observação aos preceitos normativos em pleno vigor. Neste contexto, fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade quando não houver reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal na forma como prevista pelo no art. 62 do Regimento Interno do CARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 10783.724354/201106 Acórdão n.º 2302002.405 S2C3T2 Fl. 220 13 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sedimentou este entendimento mediante expedição da Súmula nº 2 do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desse modo, levando em consideração que a multa aplicada encontra previsão legal, nos termos do art. 37 da Constituição Federal (princípio da legalidade), não poderia a Administração Pública impor penalidade diversa daquela imposta no lançamento. 3) DA NÃO IMPUGNAÇÃO DOS FATOS GERADORES: No que tange a discussão dos fatos geradores propriamente ditos, não havendo qualquer impugnação do contribuinte, restringindose a sua defesa a atacar tão somente o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07 importa na preclusão, validando o crédito tributário. CONCLUSÃO: CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de Abril de 2013. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI 14 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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Numero do processo: 19515.002616/2006-47
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:
PRELIMINAR. NULIDADE.
A autoridade fiscal autuante não logrou comprovar a infração descrita nos autos. Com efeito, deve ser anulado o auto de infração sem motivação idônea e pertinente.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.364
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. A autoridade fiscal autuante não logrou comprovar a infração descrita nos autos. Com efeito, deve ser anulado o auto de infração sem motivação idônea e pertinente. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ.
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NULIDADE. A autoridade fiscal autuante não logrou comprovar a infração descrita nos autos. Com efeito, deve ser anulado o auto de infração sem motivação idônea e pertinente. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 16 /2 00 6- 47 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002616/200647 Acórdão n.º 1402001.364 S1C4T2 Fl. 3 2 FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, referentes aos exercícios de 2001 a 2003, cumulados com juros e multa de 225%. De acordo com as informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 125/133), o Recorrente ordenou o envio de recursos próprios para o exterior, para depósito na conta 00030172802 e conta 00030173019, do MTB Hudson Bank, bem como na subconta “Chello” movimentada pela empresa Beacon Hill, junto ao JP Morgan Chase Bank, todos do distrito de Nova Iorque, Estados Unidos da América, no período de 01/2001 a 12/2003. A fiscalização obteve acesso a tais informações por meio da mídia fornecida pelos referidos bancos estrangeiros ao Delegado de Polícia Federal encarregado de obtêlas, conforme suposta determinação judicial proferida pelo MM. Juízo Federal da 2ª Vara Federal de Curitiba. Com base nas mencionadas informações, a fiscalização solicitou ao Recorrente cópia de diversos documentos, com a finalidade de apurar se os recursos financeiros movimentados no exterior haviam sido escriturados. Em resposta, a Recorrente declarou que desconhecia as operações relacionadas ao MTB Hudson Bank e solicitou a dilação do prazo inicialmente fornecido (cinco dias) por mais trinta dias, para que pudesse apresentar os livros diário e razão ou livro caixa, contendo toda a movimentação financeira. Não obstante, a fiscalização entendeu que houve o descumprimento da intimação fiscal, já que o prazo de cinco dias para atendimento à intimação tem respaldo no artigo 19, § 1º da Lei 3470/58 e, assim, lavrou o auto de infração de IRPJ, com fulcro no artigo 40 da Lei n° 9430/96, que estabelece que a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita, fato que também gerou reflexos nas bases de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, motivando, assim, a lavratura dos autos de infração para tais tributos. Foi constituído, também, crédito tributário de IRRF, uma vez que o contribuinte não identificou os beneficiários das transferências, nem mesmo a natureza das operações, assim como a DIRF/2001/2002/2003 não apresentou nenhum recolhimento a título de pagamento a beneficiário não identificado/operação não comprovada. Os autos de infração foram lavrados com aplicação da multa qualificada e agravada de 225%, alicerçada no entendimento de que devese aplicar ao caso a multa de 150% prevista no artigo 44 da Lei 9430/96, tendo em vista o evidente intuito de fraude, agravado pela alínea "a", do §2°, do mesmo artigo, devido ao não atendimento da intimação no prazo estipulado. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002616/200647 Acórdão n.º 1402001.364 S1C4T2 Fl. 4 3 Para embasar a lavratura dos autos de infração, o Auditor Fiscal apensou aos autos cópias dos documentos obtidos com base na quebra de sigilo bancário determinada pelo MM. Juízo Federal da 2ª Vara Federal de Curitiba. Notificada da lavratura dos autos de infração, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 286/417), a qual juntou seus livros diários, e alegou, em síntese, que: 1) Houve cerceamento de defesa pois o pedido de prorrogação do prazo para atendimento à intimação não foi apreciado pela fiscalização; 2) A empresa tomou conhecimento das remessas ao exterior por meio do auto de infração, sendo que os documentos juntados não comprovam as referidas remessas; os autos de infração não estão fundamentados em documentos inidôneos, pois (i) não foram apresentados documentos originais ou assinados pelo responsável pela empresa, (ii) não há identificação inequívoca da Recorrente, já que os documentos juntados não fazem exata menção à razão social da empresa autuada, (iii) os demonstrativos foram elaborados pelo próprio fiscal (conforme Termo de Verificação Fiscal e seus anexos I e II), (iv) foram apresentados documentos em língua estrangeira sem qualquer validade para o ordenamento jurídico, pois não foram traduzidos por tradutores juramentados e (v) a autoridade judicial brasileira, que supostamente autorizou o envio das informações à Receita Federal do Brasil, não expediu ordem fundamentada e específica ao Recorrente, ocorrendo, desta forma, a quebra indevida do seu sigilo bancário; 3) A apresentação dos livros diários faz com que o arbitramento do lucro seja declarado nulo de pleno direito; 4) O auto de infração está baseado em meras presunções e não há descrição detalhada da infração, uma vez que os dispositivos citados referemse à constatação de omissão de receitas (art. 528) e à exigência do IRRF quando há beneficiários não identificados (art. 674), sendo que não há referência a depósitos/remessa de dinheiro ou existência de pagamentos não escriturados; 5) Mesmo que se considere a existência de tais depósitos, as operações não teriam o condão de fundamentar a autuação pois não representam aquisição de disponibilidade econômica, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Acórdão CSRF/0102.641, CSRF/0102.563, CSRF/0102.884, entre outras); 6) Houve decadência do lançamento com relação ao período de junho a setembro de 2001, tendo em vista que as autuações foram lavradas após cinco anos contados a partir dos referidos fatos geradores; 7) Não há que se cogitar a aplicação da multa agravada pois não há prova do evidente intuito de fraude, assim como deve se considerar que a ordem exarada no termo de intimação foi cumprida, na medida em que foi apresentada resposta alegando desconhecimento das remessas ao exterior, bem como requerendo dilação de prazo de trinta dias para fornecimento dos documentos; Sobreveio o Acórdão n°. 1615.714 (fls. 453/431), proferido pela 3ª Turma da DRJ/SPOI, julgando procedente os autos de infração, pelos seguintes motivos: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002616/200647 Acórdão n.º 1402001.364 S1C4T2 Fl. 5 4 1) Não se operou a decadência pois, considerando o intuito de fraude, o prazo deve ser contado de acordo com o artigo 173, I do CTN, ou seja, a partir do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. 2) Não há previsão legal para dilação do prazo de cinco dias úteis para atendimento à intimação, e a inobservância do prazo justifica o lançamento de ofício. O fato de a empresa ter negado o vínculo com as transações do MTB Hudson Bank e silenciar quanto às transações do JP Morgan Chase Bank autoriza a conclusão de que tais operações não haviam sido escrituradas, conclusão esta corroborada pela posterior apresentação de livros caixa que não contêm registro dessas movimentações financeiras. 3) A apresentação dos livros caixa não resultaria na nulidade do arbitramento, pois no presente caso não houve arbitramento do lucro, visto que as receitas omitidas foram tributadas pelo regime do lucro presumido. 4) Não procede a alegação de que as provas foram colhidas de maneira ilícita, já que a própria decisão judicial exarada no Processo n° 2004.70000082670 autorizou o compartilhamento das informações com a Receita Federal. 5) Não obstante a falta de apresentação de documentos em via original, é de se considerar que as cópias foram encaminhadas por autoridades administrativas e judiciais e a autuada não apontou qualquer indício de falsidade. 6) A relação/transcrição das operações em que a autuada figura como remetente/ordenante de divisas, constitui prova direta da realização de movimentação financeira, pois reproduz as informações constantes de mídia digital disponibilizada pelas instituições financeiras estrangeiras, cujo acesso foi autorizado judicialmente. 7) Não há dúvida de que a pessoa jurídica identificada como remetente/ordenante é a empresa fiscalizada, dado o resultado negativo nas pesquisas de homonímia realizadas no cadastro da Receita Federal do Brasil. 8) A situação tratada nos autos referese ao artigo 40 da Lei n° 9.430/96 (omissão de receitas por falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica) e não à hipótese do artigo 42 (omissão de receita relacionada à depósito ou crédito bancário), desta forma, fica afastada a argüição relativa à não caracterização de disponibilidade de renda ou acréscimo patrimonial a ensejar a tributação. 9) Só se caracteriza nulidade do lançamento se o ato for praticado por agente incompetente (inciso I, do art. 59 do Decreto 70.235/72), uma vez que a hipótese do inciso II do mesmo artigo somente se aplica para despachos e decisões, já que trata da hipótese de cerceamento de defesa. 10) A multa qualificada é devida uma vez que a circunstância fraudulenta foi fartamente demonstrada nos autos, sendo correta a capitulação nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, bem como houve descumprimento da intimação fiscal. Inconformada com a r. decisão, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário em análise (fls. 469/508), repisando os argumentos de sua peça impugnatória e acrescentando as seguintes alegações: (i) que os livros diários, juntados na impugnação, foram desprezados pela autoridade julgadora; e (ii) que a decisão recorrida fundamenta a aplicação da Fl. 553DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002616/200647 Acórdão n.º 1402001.364 S1C4T2 Fl. 6 5 multa agravada ora no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ora nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, situação que caracteriza ofensa ao princípio da estrita legalidade, pois não há como fundamentar a mesma sanção em dispositivos diferentes. O 1º Conselho de contribuintes, conforme Resolução nº. 120100.004 de 12/05/2009, entendendo que a ocorrência dos ilícitos não estava devidamente comprovada, determinou a realização de diligência fiscal para que fossem juntados aos autos os documentos originais, traduzidos, assinados e autenticados, que constituem a prova contra o contribuinte. A diligência fiscal foi realizada, conforme relatório de fls. 545, e, após isso, os autos retornaram a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Para logo, vale rememorar que o 1º Conselho de contribuintes na Resolução nº. 120100.004 de 12/05/2009, determinou a realização de diligência fiscal, sob os seguintes argumentos: A exigência fiscal ora combatida é decorrente da falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Imposto de Renda Retido na Fonte, e tributos reflexos (PIS, COFINS e CSLL), com base na alegada omissão de receitas, supostamente constatada pela remessa de recursos encaminhados pela Recorrente ao exterior à margem da contabilidade. Para a apuração da suposta omissão, a autoridade administrativa utilizouse de documentos em meio físico e eletrônico, obtidos e disponibilizados pelo Poder Judiciário, conforme decisões exaradas nos autos do processo em trâmite na 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba/PR, que tem por objetivo apurar e investigar as remessas de quantias milionárias para o exterior, realizadas através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras de Foz do Iguaçu, investigação essa que ficou conhecida como "caso BANESTADO". Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente utiliza como argumento preponderante a alegação de que os documentos juntados aos autos de infração pelo Auditor Fiscal não são idôneos pois (i) não foram apresentados documentos originais ou assinados pelo responsável pela empresa, (ii) não há identificação inequívoca da Recorrente, já que os documentos juntados não trazem exata menção à razão social da empresa autuada, (iii) os demonstrativos foram elaborados pelo próprio fiscal (conforme Termo de Verificação Fiscal e seus anexos I e II), (iv) foram apresentados documentos em língua estrangeira Fl. 554DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002616/200647 Acórdão n.º 1402001.364 S1C4T2 Fl. 7 6 sem qualquer validade para o ordenamento jurídico, pois não foram traduzidos por tradutores juramentados e (v) a autoridade judicial brasileira, que supostamente autorizou o envio das informações à Receita Federal do Brasil, não expediu ordem fundamentada e específica ao Recorrente, ocorrendo, desta forma, a quebra indevida do seu sigilo bancário. Neste particular, tornase imprescindível a análise dos documentos utilizados pela autoridade administrativa como alicerce para estabelecer o raciocínio presuntivo de omissão de receitas, a iniciar pelo Oficio n° 120/03PF/FT/SR/DPF/PR, de 04/08/2003, do Delegado da Polícia Federal ao MM. Juiz Federal da 2a Vara Criminal de Curitiba/PR. Tal oficio teve por objeto o pedido de quebra de sigilo bancário, via Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal (MLAT), das contas correntes nele relacionadas, com a consequente extensão das informações à Receita Federal. No referido ofício foi apresentada uma listagem das contas sobre as quais requereuse a quebra do sigilo bancário, contudo, não constou qualquer menção, tanto no texto do ofício, quanto na listagem apresentada, às contas 00030172802 e 00030173019 do MTB Hudson Bank, bem como à subconta "Chello" da empresa Beacon Hill, junto ao JP Morgan Chase Bank, citadas no Termo de Verificação Fiscal anexado aos autos de infração. Também é parte integrante do termo a decisão do MM. Juízo Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR, de 14/08/2003, que teve como um de seus escopos a análise do Ofício n° 120/03 PF/FT/SR/DPF/PR mencionado anteriormente. O pedido de quebra de sigilo bancário foi acolhido e a decisão também permitiu a sua extensão aos destinatários finais dos recursos que transitaram nas contas citadas pela Polícia Federal. Notase que a determinação judicial especificou, claramente, o seu alcance, ou seja, a quebra de sigilo bancário estaria restrita às contas listadas no ofício, bem como às contas destinatárias dos recursos que nelas tenham transitado, sendo que, no caso da Recorrente, os recursos fiscalizados foram objetos de transferência para as contas investigadas, não tendo sido apontada nenhuma operação na qual a autuada figure como destinatária dos recursos. Foi apresentado, como terceiro documento anexado ao Termo de Verificação Fiscal, o ofício n° 001/03PF/FT/NY/SR/DPF/PR, de 27/08/2003, expedido pelo Delegado de Polícia Federal ao Dr. Robert Morgenthau "District Attorney's Office of the Coutry of New York", em língua portuguesa e inglesa, por meio do qual foram requeridas informações sobre as contas correntes cujos sigilos foram afastados pela ordem judicial prolatada pelo MM. Juízo Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR. O quarto documento juntado aos autos é a chamada "Order to Disclose", emitida pela Suprema Corte do Estado de New York, Tal documento encontramse reproduzido em língua inglesa, sem a respectiva tradução para língua portuguesa, elaborada por tradutor juramentado. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002616/200647 Acórdão n.º 1402001.364 S1C4T2 Fl. 8 7 Em sequência, foi juntado o ofício n° 146/2004GJ, expedido pelo MM. Juízo Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR e endereçado ao CoordenadorGeral de Fiscalização da Receita Federal, com o objetivo de informar que, nos autos dos processos judiciais de n° 2003.70000303334 e n° 2004.70000082670, havia sido proferida decisão judicial autorizando o compartilhamento do material obtido pela "Força Tarefa Policial CC5" com a Receita Federal. Cumpre observar que as mencionadas decisões judiciais, também anexadas ao processo administrativo em análise, não fazem menção específica às contas existentes no exterior, que supostamente receberam os recursos provenientes do Recorrente. O sexto documento apresentado pela autoridade administrativa referese aos ofícios de n° 351/04PF/FT/SR/DPF/PR e 371/04 PF/FT/SR/DPF/PR subscritos pelo Delegado da Polícia Federal e endereçados aos Peritos Federais Criminais/FT/CC5, requerendo a elaboração de laudo pericial das (sub)contas bancárias administradas pela empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATIONBHSC. Importante consignar que o ofício menciona a entrega aos peritos de documentos em meio físico, dentre eles os comprovantes das movimentações bancárias, no entanto, não foram juntados ao processo administrativo qualquer documento em meio físico comprobatório das transferências com origem nos processos judiciais. Observase, também, que nada é mencionado com relação às contas 00030172802 e 00030173019 do MTB Hudson Bank. Por fim, foram juntados ao termo os Laudos de Exame EconômicoFinanceiro relativos às contas da empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION (Laudo n° 1258/04INC), contas 00030172802 (Laudo n° 2.296/2005INC) e 00030173019 (Laudo n° 2.171/2005INC) do MTB Hudson Bank. Quanto aos Laudos n° 2.296/2005INC e 2.171/2005INC cumpre esclarecer que o documento juntado ao presente processo administrativo referese, a bem da verdade, apenas a uma minuta dos laudos, já que não estão assinados pelos Peritos Federais responsáveis pela sua elaboração. Desta forma, após a análise minuciosa dos documentos juntados ao Termo de Verificação Fiscal, é possível constatar que as provas emprestadas, obtidas por meio do processo judicial, não fazem menção ao Recorrente, sendo que a razão social do contribuinte, embora de maneira incorreta, apenas é citada nos documentos de fls. 08 a 17, que, ao que parecem, correspondem à transcrição, pelo próprio auditor fiscal responsável pela fiscalização, dos dados constantes na mídia fornecida pelos bancos estrangeiros. Frisese que tais informações estão reproduzidas em língua estrangeira, em papel timbrado da própria Receita Federal, sem qualquer assinatura atestando sua autenticidade ou declaração atestando a correta manipulação dos arquivos eletrônicos. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002616/200647 Acórdão n.º 1402001.364 S1C4T2 Fl. 9 8 A análise acima, apesar de extensa, é de suma importância para averiguar a procedência da alegação da Recorrente, no que tange à idoneidade e legalidade dos documentos que embasaram o ato administrativo de lançamento. Aliás, como ato administrativo que é, o lançamento deve observar alguns princípios e requisitos essenciais à sua existência e regular produção, dentre eles está o princípio da motivação, consagrado no artigo 2º da Lei 9.784/1999. Hely Lopes Meirelles assevera que "pela motivação o administrador público justifica sua ação administrativa, indicando os fatos (pressupostos de fato) que ensejam o ato e os pressupostos jurídicos (pressupostos de direito) que autorizam sua prática". Assim, para que a motivação se aperfeiçoe, não basta o simples relato do motivo, é necessária a indicação e comprovação dos fatos. E não é outro o entendimento aplicável ao lançamento tributário em análise, uma vez que a ocorrência do fato gerador somente pode ser demonstrada por meio de provas, já que a realidade, tal qual como ocorreu no mundo fático, acabou por ser consumida pelo transcurso do tempo. O Decreto n° 70.235/1972 corrobora a necessidade da produção de provas no ato de lançamento ao dispor, em seu artigo 9º, que "a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito", bem como ao evidenciar, em seu artigo 10, III, que o auto de infração deverá conter a descrição do fato. A utilização dos documentos juntados não é suficiente para fazer prova contra o contribuinte, especialmente para provar a ocorrência de uma das hipóteses de qualificação de multa. Todavia, como há indícios de ocorrência de ilícitos, também não se deve de imediato anular o processo. Posto isso, deve o processo retornar à origem para que sejam juntados os documentos originais, traduzidos, assinados e autenticados, que constituem a prova contra o contribuinte. Pois bem. O relatório da diligência fiscal realizada (fl. 545) narra que, em resposta ao ofício enviado pela equipe de fiscalização solicitando cópias autenticadas dos documentos comprobatórios do envio de recursos pela Recorrente ao exterior, a 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba/PR enviou ofício informando que nos autos da Representação Criminal nº. 2004.70.00.0082670/PR que decretou a quebra de sigilo de contas mantidas por doleiros no exterior e das pessoas com as quais se relacionavam , encontravase apenas o registro da transação eletrônica e um ou outro documento. Nesse passo, informou, ainda, que o referido material teria sido compartilhado com a Receita Federal, Polícia Federal, MPE e MPF do domicílio dos investigados. Portanto, os documentos solicitados seriam exatamente aqueles que já instruem o Fl. 557DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002616/200647 Acórdão n.º 1402001.364 S1C4T2 Fl. 10 9 presente processo, não havendo qualquer outro documento em poder daquela Vara a ser juntado nestes autos. Com efeito, a partir do resultado da diligência fiscal, não é possível afastar a conclusão exposta na Resolução nº. 120100.004 de 12/05/2009 no sentido de que os documentos acostados aos autos (provas emprestadas) não permitem concluir que a Recorrente tenha efetivamente praticado o ilícito. Conforme já exposto, as provas emprestadas, obtidas por meio do processo judicial, não fazem qualquer menção à Recorrente. Não bastasse isso, importa notar que a razão social da Recorrente é citada apenas – e de maneira incorreta nos documentos de fls. 08/17, que, ao que parecem, correspondem à transcrição, pelo próprio auditor fiscal responsável pela fiscalização, dos dados constantes na mídia fornecida pelos bancos estrangeiros. Notese novamente que tais informações estão reproduzidas em língua estrangeira, em papel timbrado da própria Receita Federal, sem qualquer assinatura atestando sua autenticidade ou declaração atestando a correta manipulação dos arquivos eletrônicos. Portanto, está claro que os documentos acostados aos autos não são suficientes para fazer prova contra a Recorrente, razão pela qual deve ser anulado o lançamento em discussão. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para anular os autos de infração. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 558DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS PELA
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