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Numero do processo: 16561.000196/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMPRÉSTIMO PARA CONTROLADORA NO EXTERIOR. CESSÃO DOS DIREITO CREDITÓRIOS PARA EMPRESA COLIGADA NO PAÍS. INEXISTÊNCIA DE RECEITA FINANCEIRA E DE VARIAÇÃO CAMBIAL DO CONTRATO ORIGINAL.
Não restando demonstrados elementos suficientes para a descaracterização dos contratos de cessão de direitos creditórios celebrados pela Contribuinte, não há que se falar em reconhecimento de receita de variação cambial ou juros do contrato original de mútuo, devendo ser exonerado o crédito tributário daí decorrente
Não tendo a Fiscalização tratado a operação de cessão como ato simulado ou trazido elementos que assim o demonstrasse, não cabe a descaracterização do ato praticado com base em opiniões vagas sobre a normalidade das condições da operação
GLOSA DE DESPESAS. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas escrituradas, mas não comprovadas mediante documentação hábil e idônea são passiveis de glosa, e não podem ser dedutíveis para efeito de cálculo do Lucro Real.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da causa e do efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1201-001.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, ACOLHER a preliminar da discussão judicial referente à COFINS e INDEFERIR a preliminar da precariedade do Termo de Verificação Parcial, e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a exigência dos tributos incidentes sobre omissão de receitas financeiras, vencidos o Relator, que lhe dava integral provimento, e os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Júnior, que lhe davam parcial provimento para afastar também a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, tendo sido designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
(assinado digitalmente)
CARLOS MOZART BARRETO VIANNA Redator Designado
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Carlos Mozart Barreto Vianna ( em substituição ao Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida que declarou-se suspeito nos termos do art. 43 do RICARF) João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 EMPRÉSTIMO PARA CONTROLADORA NO EXTERIOR. CESSÃO DOS DIREITO CREDITÓRIOS PARA EMPRESA COLIGADA NO PAÍS. INEXISTÊNCIA DE RECEITA FINANCEIRA E DE VARIAÇÃO CAMBIAL DO CONTRATO ORIGINAL. Não restando demonstrados elementos suficientes para a descaracterização dos contratos de cessão de direitos creditórios celebrados pela Contribuinte, não há que se falar em reconhecimento de receita de variação cambial ou juros do contrato original de mútuo, devendo ser exonerado o crédito tributário daí decorrente Não tendo a Fiscalização tratado a operação de cessão como ato simulado ou trazido elementos que assim o demonstrasse, não cabe a descaracterização do ato praticado com base em opiniões vagas sobre a normalidade das condições da operação GLOSA DE DESPESAS. INDEDUTIBILIDADE. As despesas escrituradas, mas não comprovadas mediante documentação hábil e idônea são passiveis de glosa, e não podem ser dedutíveis para efeito de cálculo do Lucro Real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da causa e do efeito que os vincula.
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CESSÃO DOS DIREITO CREDITÓRIOS PARA EMPRESA COLIGADA NO PAÍS. INEXISTÊNCIA DE RECEITA FINANCEIRA E DE VARIAÇÃO CAMBIAL DO CONTRATO ORIGINAL. Não restando demonstrados elementos suficientes para a descaracterização dos contratos de cessão de direitos creditórios celebrados pela Contribuinte, não há que se falar em reconhecimento de receita de variação cambial ou juros do contrato original de mútuo, devendo ser exonerado o crédito tributário daí decorrente Não tendo a Fiscalização tratado a operação de cessão como ato simulado ou trazido elementos que assim o demonstrasse, não cabe a descaracterização do ato praticado com base em opiniões vagas sobre a normalidade das condições da operação GLOSA DE DESPESAS. INDEDUTIBILIDADE. As despesas escrituradas, mas não comprovadas mediante documentação hábil e idônea são passiveis de glosa, e não podem ser dedutíveis para efeito de cálculo do Lucro Real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da causa e do efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, ACOLHER a preliminar da discussão judicial referente à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 96 /2 00 7- 00 Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 COFINS e INDEFERIR a preliminar da precariedade do Termo de Verificação Parcial, e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a exigência dos tributos incidentes sobre omissão de receitas financeiras, vencidos o Relator, que lhe dava integral provimento, e os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Júnior, que lhe davam parcial provimento para afastar também a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, tendo sido designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. (assinado digitalmente) CARLOS MOZART BARRETO VIANNA – Redator Designado EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Carlos Mozart Barreto Vianna ( em substituição ao Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida que declarouse suspeito nos termos do art. 43 do RICARF) João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra a Recorrente relacionados ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anobase de 2002, decorrentes da glosa de despesas e omissão de receitas de variação de juros e variação cambial. Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados os autos de infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL (fls. 898/913), conforme abaixo especificado: Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 A fundamentação das autuações consta do Termo de Verificação Parcial de fls 778964 que trata da glosa de despesas e do Termo de Verificação Parcial de fls 965978 que trata da omissão de receitas financeiras, dos quais passo a transcrever trechos importantes para o entendimento do caso. DA GLOSA DE DESPESAS CONTAS CONTÁBEIS 1. DAS VERIFICAÇÕES Verificados diversos lançamentos efetuados nas contas contábeis, acima relacionadas, por intermédio do Termo de Intimação n° 03/2007, de 19/03/2007, a empresa foi intimada a: Explicar a natureza jurídica dos lançamentos efetuados; Informar para cada um dos lançamentos efetuados o beneficiário (nome Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 4 5 empresarial e CNPJ); os períodos a que se referiram os pagamentos efetuados; a base de cálculo de cada bonificação e as respectivas porcentagens (quando fosse o caso); e, a operação que deu origem aos pagamentos: Apresentar, para cada um dos lançamentos, cópia dos contratos e/ou outros documentos hábeis e idôneos que comprovassem a efetiva ocorrência das operações que lhes deram causa e, ainda, a compatibilidade com as atividades da empresa. Em adendo ao termo supracitado, ficou estipulado, para comprovação dos lançamentos na conta Fidelidade, o valor mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais). ...Em 09/04/2007, a empresa apresentou o razão contábil referente as tela, o qual está neste processo anexado. Apresentou cópia d firmados com as grandes redes, bem como apresentou suas explicações, resumidamente são: As despesas relativas as contas Fidelidade são decorrentes das negociações efetivadas com as grandes redes varejistas celebradas nos contratos de fornecimento de produtos e parcerias comerciais, necessárias para as atividades da empresa para a manutenção da fonte produtora; Existem outras verbas, previstas em contratos celebrados com as grandes redes, que possuem a mesma natureza jurídica. Apresentou as definições para cada uma das contas analisadas. Resumindo: Considerando as informações prestadas pela empresa em 09/04/2007, conforme resumo constante da tabela acima, foram analisados todos os beneficiários relacionados nas contas contábeis, em tela, conforme os lançamentos constantes no razão do ano calendário de 2002. Muito embora a empresa tenha afirmado em suas informações, datadas de 09/04/2007, que as despesas relativas à conta "Fidelidade" referemse a negociações efetivadas com as grandes redes varejistas nos contratos de fornecimento de produtos e parcerias comerciais (e.g., Carrefour, SONAE. Companhia Brasileira de Distribuição CBD etc.) (.), verificamos que na referida conta contábil 5.01..01.01.08.008 (Fidelidade) havia inúmeros outros lançamentos, cujos beneficiários não eram as grandes redes varejistas, como tal classificadas pela Parmalat Verificamos, também, que nas outras contas contábeis havia vários lançamentos referentes a empresas diferentes das conceituadas como 'grandes redes varejistas', a despeito da afirmação da empresa, em 09/04/2007, que 'Da mesma forma que o Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 pagamento relativo a "Fidelidade ", existem outras verbas devidas as grandes redes previstas contratualmente que possuem a mesma natureza jurídica. 0 mero implemento das condições combinadas no contrato para concessão dos benefícios determina que a PARMALAT BRASIL fórmula prevista e realize os pagamentos correspondentes. Deste modo, por amostragem, foram selecionados alguns beneficiários e por intermédio do Termo de Intimação n° 006/2007, com ciência em 24/07/2007, a Parmalat Brasil foi intimada a apresentar cópia dos contratos dos Acordos Comerciais firmados com as respectivas empresas selecionadas, relacionadas naquele termo, referentes aos lançamentos constantes das contas contábeis 5010108008 Fidelidade; 501010106057 Acordo Logística; 501010108015 – Ponto Extra; 501010108017 Promoção Consumidor; e, 501010108033 – Material Ponto Venda. Naquele termo, a empresa também foi intimada a explicar alguns lançamentos constantes das contas contábeis: 501010108008 (Fidelidade) e 501010108017 (Promoção Consumidor). Analisados os Acordos Comerciais firmados com as grandes redes, foram elaboradas Tabelas Resumo dos Acordos Comerciais, anexadas ao Termo de Intimação n° 006/2007, no qual a Parmalat Brasil foi intimada a, com base nas referidas tabelas, prestar algumas explicações sobre o tipo de acordo e os seus correspondentes lançamentos. Após prorrogação de prazo concedida, em 03/09/2007 a empresa apresentou alguns esclarecimentos e documintos em atendimento ao Termo de Intimação n° 006/2007, a saber: Fez a correlação entre os lançamentos contábeis e os tipos de acordos comerciais, conforme suas definições, em relação its despesas comerciais com as grandes redes; Informou e apresentou documentação para comprovar a validade dos acordos comerciais firmados com o Carrefour Comércio e Indústria Lida. e demais empresas do Grupo Carrefour, bem como dos acordos firmados com o Wal Mart Brasil Lida; Apenas apresentou cópia dos lançamentos contábeis, dos pedidos de pagamentos, dos border& e dos contratos pontuais (solicitação de ação promocional) referentes aos beneficiários constantes dos lançamentos nas contas 50 1010 108015 Ponto Extra e 501010108033 Material Ponto Venda (itens 2.1.D e 2.1.G do Termo de Intimação n° 006/2007 , respectivamente). Informou, outrossim, que a empresa não encontrou, apesar de seus esforços, todos os contratos e documentos fiscais que embasassem as despesas questionadas pela fiscalização (itens 2.1.A, 2.1.0 e 2.1.E) solicitando, para tanto uma prorrogação de prazo de mais trinta dias. Essa fiscalização elaborou, então, a Tabela Relação dos Contratos dos Acordos Comerciais com base nas contas contábeis, sob análise, conforme o razão analítico do ano calendário de 2002. Dessa relação não constaram as empresas consideradas "grandes redes", pois os respectivos contratos foram apresentados pela Parmalat Brasil, bem como as empresas já relacionadas no Termo de Intimação n° 006/2007. A tabela, supracitada, foi anexada ao Termo de Intimação n° 007/2007, lavrado em 06/09/2007, no qual a Parmalat Brasil foi intimada a apresentar cópia dos contratos dos Acordos Comerciais das empresas, ali relacionadas, referentes aos lançamentos constantes das contas contábeis: 501010108008Fidelidade; 501010106057 Acordo Logística; 501010108015 Ponto Extra (P 501010108033 Mail Pto V da/Promoc (Position); e, 501010108017 Consumidor. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 5 7 Em 03/10/2007, em complementação ao atendimento ao Termo de Intimação n° 006/2007, cuja ciência foi dada em 24/07/2007, a empresa apresentou documentação, composta de contratos para ações promocionais, lançamentos contábeis, borderos, pedidos de pagamentos, acordos promocionais pontuais etc., para a comprovação das despesas comerciais com: A. Angeloni, Tereza de Fátima Botelho Reis, Transportadora Frossard, Will Alimentos, Supermercado Silva lndaia, Alto Serviço Pague Menos, Casas Guanabara, Brapeko, 100 Porcento Design, New Momentum, The Marketing Store. Não comprovou as despesas comerciais relativas a Enxuto Comercial Lida. e Pillsbury Brasil Lida. Em 10/10/2007, a empresa solicitou, para atendimento ao Termo de Intimação no 007/2007, uma prorrogação de prazo de sessenta dias. Em 15/10/2007, foi concedido prazo até 30/11/2007. Em 30/11/2007, prazo final concedido pela fiscalização para o atendimento ao Termo de Intimação n° 007/2007, lavrado em 06/09/2007, a empresa não apresentou os documentos que comprovassem as despesas comerciais constantes da Tabela Relação dos Contratos dos Acordos Comerciais. Comprovou, por outro lado, os lançamentos na conta Fidelidade, com valores mínimos de R$ 100.000,00 (cem mil reais), em atendimento ao adendo constante do Termo de Intimação n" 03/2007, de 19/03/2007. 2. DAS DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTÍVEIS: As bonificações, ora analisadas pela fiscalização, são usadas por diversas empresas visando aumentar suas vendas e, conseqüentemente, seus lucros.Normalmente essas bonificações são pagas aos clientes pelo uso exclusivo de uma determinada marca; por terem atingindo uma determinada meta de vendas; ou ainda, por exporem os produtos em locais privilegiados em seus estabelecimentos. ... Deste modo, para todas as despesas de bonificações, mesmo que os beneficiários estejam identificados, sem conhecermos os critérios estabelecidos e acordados entre as partes interessadas, não há como identificar as operações que deram origem aos pagamentos das referidas bonificações. Voltamos a afirmar que para enquadrarse no conceito de despesa, conforme a legislação do Imposto de Renda, a mesma deverá ser necessária, usual e documentada, bem como a operação que lhe deu origem deve ser comprovada e, ainda, guardar estrita correlação com as atividades da empresa. A não observância de qualquer dos requisitos supracitados, descaracteriza a despesa como passive l de dedução para a determinação do lucro tributável. Considerando que as despesas, aqui analisadas. reduziram o lucro liquido apurado pela Parmalat Brasil e, por conseqüência, o crédito tributário, a comprovação de tais despesas é do contribuinte. 3. DA CONCLUSÃO: Foram comprovadas as despesas cujos beneficiários são: Bom Preço Supermercados do Nordeste, Carrefour Comércio e Indústria Lida. e Dia Brasil, Companhia Brasileira de Distribuição, Makro Atacadista S.A., Martins Comércio e Serviços de Distribuição S.A., Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 Jerônimo Martins Distribuição Brasil, JM & Marlins S.A., Sendas S.A., Sonae Distribuição Brasil S.A, e WalMart Brasil Lida. Também foram comprovadas todas as despesas relativas ay empresas: Tereza de Fátima Botelho Reis, Transportadora Frossard Ltda., Will Alimentos Lida., Supermercado Silva Indaia Lida., Alto Serviço Pague Menos Lida., Brapelco Com. Transp. E Serv., Adernar Alves Vilela, Arara de Araruana Supermercado, Iguaçu Entrep. De Pesca A!im., Transportadora Santana Ltda., 100 Porcento Design e Comunicação, New Momentum Servo Temp. Ltda., The Marketing Store Worldwide Affectio Com. E Distr. De Prod,, Casa Rena Ltda. e Transcharter Transportes Lida. Em relação aos lançamentos contábeis correspondentes à empresa A. Angeloni &Cia. Lida., temos a informar que, com exceção dos abaixo relacionados, os demais foram devidamente comprovados: Lançamento correspondente ao PP n° 1105250, de 28/02/2002, no valor de R$ 3.450,00 (três mil, quatrocentos e cinqüenta reais) referese ao Ines de novembro de 2001, conforme período averbado na Solicitação de Ação Promocional: lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002; Lançamento correspondente ao PP n° 1105254, de 28/02/2002, no valor de RS 4.807,00 (quatro mil, oitocentos e sete reais) referese ao mês de novembro de 2001,conforme período averbado na Solicitação de Ação Promocional: lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002. Em relação aos lançamentos contábeis correspondentes à empresa Casas Guanabara Comestíveis Ltda., temos a informar que, com exceção dos abaixo relacionados, os demais foram devidamente comprovados: Lançamento correspondente ao PP n° 1622, de 28/02/2002, no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) referese ao mês de dezembro de 2001, conforme averbado no Contrato Promocional e no Histórico do Período de Pagamento do próprio PP (parcela 02/05) :lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002; Lançamento correspondente ao PP n° 1131574, de 30/01/2003, no valor de R$ 2,500,00 (dois mil e quinhentos reais) referese ao mês de janeiro de 2003, conforme averbado no Contrato Promocional e no Histórico do Período de Pagamento do próprio PP (parcela 04/04): lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002; Lançamentos correspondentes aos PP n° 1131580 e 1131581, de 30/01/2003 e 27/02/2003, no valor total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) referemse aos meses de janeiro e fevereiro de 2003, conforme averbado no Contrato Promocional e no Histórico do Período de Pagamento dos próprios PPs (parcelas 04/05 e 05/05): lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002; Lançamentos contábeis, abaixo relacionados, indevidos no ano calendário de 2002; PP N. DATA VALOR DATA DE REFERENCIA AVERBAÇÃO 1129719 30/01/2001 28.000,00 JANEIRO/2003 PARCELA 03/05 1129720 27/02/2001 28.000,00 FEVEREIRO/2003 PARCELA 04/05 1129512 21/03/2001 28.000,00 MARÇO DE 2003 PARCELA 05/05 1129810 30/01/2003 54.000,00 JANEIRO/2003 PARCELA 03/05 Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 6 9 1129809 27/02/2003 54.000,00 FEVEREIRO/2003 PARCELA 04/05 1129808 27/02/2003 54.000,00 MARÇO/2003 PARCELA 05/05 Deste modo, por tudo aqui exposto e com base nos artigos 299, 300 e 304, todos do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), as despesas de bonificações, relacionadas nas planilhas a seguir anexadas, devem ser consideradas como DESPESAS NÃO COMPROVADAS INDEDUTIVE1S. Tais planilhas são partes integrantes deste Termo de Verificação Parcial. 4. INFRAÇÕES: Por tudo exposto, verificamos que o contribuinte infringiu o disposto nos artigos 249, inciso I; 251 e parágrafo único; 299; 300 e 304, todos do Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). DA OMISSÃO DE RECEITAS 6. RECEITAS FINANCEIRAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS Em resposta ao Termo de Intimação de n° 02, de 02./02/2007, mediante o qual se solicitou as memórias de cálculo das operações sujeitas a preços de transferência, além de cópia de contratos de mútuo, ativos ou passivos, que teriam sido celebrados com pessoas vinculadas sediadas no exterior, a empresa apresentou cópia de contratos efetuados com a BONLAT FINANCING CORPORATION e com a PARMALAT SpA. Os acordos firmados com a PARMALAT SpA, com vencimento em 5 anos contados da data de sua assinatura foram, no dia de sua celebração, cedidos, mediante instrumento, à PARMALAT PARTICIPAÇÕES DO BRASIL LTDA. Por esses acordos de cessão, a PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS passou à PARMALAT PARTICIPAÇÕES DO BRASIL LTDA todos os direitos que lhe cabiam, na qualidade de mutuante. t o que estipula a cláusula de n° I do Instrumento Particular de Cessão de Crédito, a exemplo do acordo firmado em 31/01/2002, verbis: "I. A CEDENTE na qualidade de credora da DEVEDORA pela importância USS 3.185.345,08 ( Três milhões, cento e oitenta e cinco mil, trezentos e quarenta e cinco Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Dólares norteamericanos e oito centavos) correspondente a R$ 7.703.120,00 ( Sete milhões , setecentos e três mil e cento e vinte reais) com base na taxa PTAX800BC, decorrente de mútuo entre elas contabilizado nesta data através das Notas de Contabilidade abaixo mencionadas, cede e transfere referido crédito e todos os seus acessórios .CESSIONÁRIA, que subrogouse em todos os direitos que cabiam 6 CEDENTE com base no crédito ora cedido, com efeitos retroativos àquela data; Nota de Contabilidade n" D31/01/02 no valor de 12,5 7.703.120,00" Neste contexto, os direitos cedidos encontravamse estabelecidos nos contrato de mútuo, os quais previam, ainda, a forma de correção dos valores que teriam sido emprestados: "2, A quantia mutuada, quando do pagamento pela MUTUÁRIA deverá ser convertida para Reais com base na variação" pro rata die" do Dólar norteamericano de acordo a taxa PTAX 800BC, devendo, ademais, ser remunerada pela aplicação "pro rata die" da taxa LIBOR semestral acrescida de 3% ( três por cento) ao ano, desde a data de assinatura deste contrato até a data do efetivo pagamento," A cessão de crédito é, pois, um negócio jurídico em que o credor transfere a um terceiro seu direito, havendo, no entanto, apenas uma modificação no pólo ativo da relação jurídica. No presente caso, a PARMALAT PARTICIPAÇÕES DO BRASIL LTDA tornou se detentora dos direitos contratuais frente à PARMALAT SpA, enquanto a mutuante passou a ser credora da cessionária. Analisandose os lançamentos contábeis da PARMALAT BRASIL, verificamos que a cedente não contabilizou as receitas decorrentes da variação monetária e dos juros estabelecidos no contrato, aos quais tinha direito no período, em face de PARMALAT PARTICIPAÇÕES DO BRASIL LTDA, de acordo com o que determinam os artigos 373 e 375 do Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — RIR199: . Em assim sendo, calculamos, por contrato, os valores que deixaram de ser adicionados ao Lucro Real da empresa em 2002, conforme as planilhas em anexo e quadro resumo abaixo: A Recorrente foi cientificada dos Autos de Infração em 28/12/2007 e apresentou sua Impugnação que traz, sinteticamente, as seguintes alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA GLOSA DAS DESPESAS NÃO COMPROVADAS Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 7 11 Da conclusão do Termo de Verificação Fiscal temse que as despesas não comprovadas totalizariam o montante de R$ 336.757,00 que corresponderiam a supostos lançamentos relacionados as empresas A. Angeloni & Cia Ltda. e Casas Guanabara Comestíveis Ltda., no entanto, em clara contradição, a fiscalização teria apresentado no auto de infração o quadro demonstrativo da base de cálculo das supostas infrações, e totalizando R$ 16.406.359,62. As despesas supostamente não comprovadas, no montante de R$ 336.757,00, encontrarseiam cabalmente amparadas pelos documentos ora juntados, os quais compreendem planilha demonstrativa dos valores glosados, pedidos de pagamento efetuados à Recorrente e contratos de acordo promocionais. A Recorrente teria juntado as solicitações às instituições financeiras com as quais mantém conta bancária a comprovação dos pagamentos devidos a Casas Guanabara e A. Angeloni & Cia Ltda., no que não teria sido ainda atendida, pelo que protesta pela juntada em momento posterior a fim de provar tudo quanto alegado. Não teria ficado claro quais condutas supostamente adotadas fundamentaram a apuração de um total de despesas glosadas no montante de R$ 16.406.359,62, o que levaria ao cerceamento do direito de defesa. A Recorrente teria comprovado percentual significativo (aproximadamente 80%) das despesas contabilizadas como dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, ao acolher mais de 80% dos lançamentos contábeis, restaria evidente que a fiscalização teria validado as despesas dedutíveis contabilizadas nas contas em análise, tornarseia despropositada a exigência do emprego de esforços na localização de documentos que comprovariam apenas 18,96% dos lançamentos efetuado no período, a diferença entre o valor fiscalizado e o valor autuado, afigurarseia imaterial e insignificante diante de todo o conjunto probatório já exposto pela Recorrente. Em demonstração à falta de razoabilidade da Fiscalização a titulo de exemplificação, o Termo de Verificação Parcial menciona que a Recorrente não teria comprovado as despesas comerciais relativas a Enxuto Comercial Ltda. e Pillsbury Brasil Ltda., e tais despesas equivaleriam apenas e respectivamente a R$ 5.243,90 e R$ 414,09, do total analisado de R$ 86.547.612,06, sendo que no que se refere às despesas incorridas a favor da empresa Enxuto Comercial Ltda., a impugnante apresenta anexos os comprovantes de pagamento. Deveriam ser estendidas às demais despesas glosadas, no montante de R$ 16.406.359,62, o mesmo caráter já reconhecido quanto As demais escrituradas na mesma conta, qual seja, a de que seriam dedutíveis para fins de apuração do lucro real, não merecendo prosperar a autuação neste ponto, devendo ser cancelada e, conseqüentemente reconhecida a compensação do montante supostamente devido a titulo de IRPJ e CSLL com os prejuízos apurados pela impugnante em exercícios anteriores. DA OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Teria decaído o direito creditório relativo ao PIS e a COFINS, pois a ciência do auto deuse em 28/12/2007 e de acordo com o art. 150, §4°, do CTN, para os tributos Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 sujeitos à homologação, o prazo decadencial é de cinco anos contados à partir da ocorrência do fato gerador. Conforme o Termo de Verificação Parcial de fls. 884/886, as receitas financeiras que deixaram de ser adicionadas ao Lucro Real da empresa em 2002, referemse a juros e variação cambial supostamente auferidos nos meses de janeiro a novembro de 2002, no entanto, no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais" referentes ao PIS e a COFINS o autuante indicou como data da ocorrência do fato gerador o dia 31/12/2002, como se essas contribuições fossem devidas apenas ao final do anocalendário, e como é sabido o fato gerador do PIS e da COFINS, ao contrário do que pretende a fiscalização materializarse ia mensalmente, conforme prescreveria a legislação de regência. Não haveria que se imputar à Recorrente o dever de contabilizar a variação cambial positiva e os juros decorrentes de crédito que não seria mais seu, vez que ao transferir validamente A Parmalat Participações do Brasil Ltda. os créditos que possuía junto a Parmalat SPA, teria deixado de ser parte na relação com esta última. Admitir o contrário implicaria na desconsideração injustificada dos negócios jurídicos validamente celebrados entre as partes. Se o crédito e seus acessórios foram transferidos A Parmalat Participações do Brasil Ltda. caberia única e exclusivamente a ela contabilizar as receitas financeiras auferidas em função da variação cambial e do pagamento dos juros pactuados. A cessão de créditos implicaria na substituição do pólo ativo da obrigação, não poderia a fiscalização ter considerado que a Recorrente deveria ter contabilizado receitas financeiras decorrentes do mútuo cedido A Parmalat Participações do Brasil Ltda., como se tal fosse idêntico ao mútuo inicialmente celebrado junto à Parmalat SPA. As receitas financeiras para a fiscalização decorreriam de juros e variações cambiais supostamente auferidas nos meses de janeiro a novembro de 2002, aos quais tinha direito no período, em face de Parmalat Participações do Brasil Ltda., no entanto, a variação cambial seria a diferença em moeda nacional resultante das modificações nas taxas de câmbio de uma moeda estrangeira e, portanto, s6 haveria que se falar em eventual ganho cambial nos casos de transações efetuadas em moeda estrangeira, o que não se teria verificado no presente caso. Ao exigir que a Recorrente ofereça à tributação eventual receita financeira decorrente de mútuo com pessoa jurídica nacional (Parmalat Participações do Brasil Ltda.) como se estivesse diante de um mútuo em moeda estrangeira, estarseia obrigando a impugnante a infringir a legislação vigente que não permite que sejam firmados contratos exeqüíveis no Brasil que não seja com moeda nacional, sendo expressamente proibido que o pagamento de obrigações contratuais seja vinculado A variação cambial. Por fim, requereu fosse afastada a aplicação da taxa SELIC sobre a multa de oficio, incidente a partir do protocolo da Impugnação. A Impugnação seguiu para julgamento pela DRJ/SP que determinou a baixa em diligência por duas vezes, conforme abaixo explanado. DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA Por não constarem nos autos elementos que permitissem concluir qual o regime adotado pelo contribuinte, caixa ou competência, para o reconhecimento das receitas Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 8 13 decorrentes das variações cambiais, no anocalendário de 2002, os autos foram baixados em diligência, em 17/12/2009. A Recorrente foi intimada em 26/01/2002, pela Delegacia e Origem, para informar se tida feito a opção prevista no parágrafo 1° do artigo 30 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, para considerar as receitas decorrentes das variações cambiais pelo regime de competência, na apuração das bases de cálculos da Cofins e do PIS, no anocalendário de 2002. A Recorrente informou em 08/02/2009, ter se valido da referida opção e considerado as receitas decorrentes das variações cambiais pelo regime de competência, na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, no anocalendário de 2002, tendo colacionou cópia do LALUR em fls. 1.209/1.245. A Delegacia de Origem emitiu o relatório de fls. 1.246, em 05/03/2010, nos seguintes termos: A Delegacia da Receita Federal de Julgamento Selo Paulo I determinou diligência para que fosse verificado se a contribuinte teria feito a opção prevista no sç 1° do artigo 30 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, ou seja, para considerar na apuração da base de cálculo da Cofins e do Pis as receitas decorrentes das variações cambiais pelo.regime de competência. Em resposta, a PARMALAT BRASIL informou ter se valido da opção prevista no dispositivo legal retrocitado, juntando cópia simples do LALUR do ano de 2002. Importante observar que na lavratura do auto de infração foi considerado o regime de competência para apuração da base de cálculo dos tributos lançados A Recorrente foi cientificada dessa conclusão e foi aberto o prazo de 10 (dez) dias para se manifestar a respeito desse relatório, em 12/03/2010. Transcorrido o prazo sem qualquer manifestação do contribuinte, foram os autos encaminhados a Delegacia de Julgamento, em 30/03/2010, para prosseguimento do feito. DA SEGUNDA DILIGÊNCIA Tendo em vista o fato de que o contribuinte optou por considerar na apuração da base de cálculo da Cofins e do Pis as receitas decorrentes das variações cambiais pelo regime de competência, foi requisitada nova diligência, em 28/05/2010, para que a fiscalização segregasse o valor da receita financeira auferida com variação cambial que deveria ser apropriada no mês de dezembro de 2002. A fiscalização assim se manifestou (fls. 1261) em 14/07/2010: A taxa de câmbio utilizada para dividas constantes no balanço da empresa, relativa do mês de dezembro de 2002, informada pelo Ato Declaratório Cosit n. 001/2003 foi de Id 3,5333, enquanto a Ptax do mês de novembro de 2002 foi fixada em 3,6365 reais para cada dólar dos Estados Unidos (ADE Cosit n° 041/2002). Verificase, assim, apreciação da moeda nacional no período e, conseqüentemente, perda cambial para ativos fixados na moeda estrangeira. Anexamos a esta informação, as planilhas que acompanham ao auto de infração, desta feita com a segregação da variação cambial do mês de dezembro de 2002. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 Das planilhas apresentadas pela fiscalização em fls. 1262/1271 extraemse os seguintes valores que deverão ser apropriados no mês de dezembro de 2002 para cada um dos seguintes contratos: A Recorrente foi cientificada, em 04/08/2010 e apresentou, em 16/08/2010, a manifestação de fls. 1273/1274, alegando que concorda com as novas planilhas contendo a segregação referente aos valores segregados no mês de dezembro de 2002, que apresentam perda cambial para ativos fixados em moeda estrangeira, reiterando que teria cedido de forma onerosa todos os dez contratos em questão para a Parrnalat Participações do Brasil LTDA, ocasião em que teria havido a alteração do pólo credor da obrigação inicialmente contraída. Por fim, reiterou também que no caso do PIS e da COFINS os créditos teriam sido abarcados pela decadência tributária, nos art. 150, § 4 0 do CTN. DA DECISÃO DA DRJ Em sessão de 23 de setembro de 2010, 2. Turma DRJ/SP julgou a Impugnação PARCIALMENTE PROCEDENTE, para maNter inalterados os lançamentos referentes ao IRPJ e CLL e para exonerar parte dos lançamentos relacionados ao PIS e COFINS, mantendo somente os débitos relacionados ao mês de dezembro de 2002, conforme abaixo demonstrado: Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 9 15 Os fundamentos da decisão da DRJ foram os seguintes: DA GLOSA DAS DESPESAS NÃO COMPROVADAS Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, por não ter ficado claro quais condutas supostamente adotadas pelo contribuinte fundamentaram a apuração de um total de despesas glosadas no montante de R$ 16.406.359,62, cumpre ressaltar que o autuado recebeu cópia do auto de infração e de todos os elementos que o compõem. No Termo de Verificação Parcial de fls. 744/755, consta expressamente: Deste modo, por tudo aqui exposto e com base nos artigos 299, 300 e 304, todos do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR199), as despesas de bonificações, relacionadas nas planilhas a seguir anexadas, devem ser consideradas como DESPESAS NÃO COMPROVADAS INDEDUTÍVE1S. Tais planilhas são partes integrantes deste Termo de Verificação Parcial. As referidas planilhas anexas encontramse em fls. 756/883, contribuinte teve acesso ao tempo da ciência e impugnação. Tais planilhas somam exatamente os valores apresentados no referido Termo de Verificação Parcial. Além disso, quanto a alegação de nulidade, deve ser observado o artigo 59, do Decreto n.° 70.235, de 1972, somente admite, literalmente, nulidade do auto de infração por incompetência do agente, uma vez que a hipótese do inciso II, relativa a cerceamento do direito de defesa, não se aplicaria a auto de infração, nem a notificação de lançamento. E que a ampla defesa e o contraditório somente têm lugar com a apresentação da impugnação, já que o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitiva. Os autos de infração em questão foram lavrados por pessoa competente, afastando assim a hipótese de nulidade disposta no inciso I e ademais, a empresa teve acesso a todos os elementos constantes da peça de autuação, assim como gozou do prazo de 30 (trinta) dias, da data da ciência da exigência tributária, para apresentar a impugnação. Nos autos de infração e no Termo de Verificação Parcial, parte integrante da autuação, os diversos dispositivos legais pertinentes relativos às infrações detectadas, conforme relacionados acima. Assim descabida a alegação de cerceamento do direito de defesa, não assiste razão ao impugnante uma vez que o auto de infração preencheu os requisitos legais e o processo administrativo proporcionou plenas condições ao interessado de impugnar o lançamento, motivo pelo qual se rejeita a argüição de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Indevida, também, a alegação a respeito das despesas glosadas de que já teria comprovado percentual significativo, aproximadamente 80% das despesas e uma vez que estas teriam sido acatadas pela fiscalização o mesmo entendimento deveria ser estendido ao restante das despesas glosadas, pois a diferença entre o valor fiscalizado e o autuado, afigurarseia imaterial e insignificante diante de todo o conjunto exposto pelo contribuinte. Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 16 Primeiro, porque as despesas glosadas montam a R$ 16.406.359,62, e, segundo que para que sejam dedutíveis é imprescindível que as despesas atendam o disposto pelos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 304 do RIR/1999. Para o caso da empresa Enxuto Comercial Ltda, por exemplo, a contribuinte colacionou aos autos o comprovante de que os pagamentos teriam sido efetuados, no entanto não apresentou os respectivos contratos das ações promocionais e os lançamentos contábeis, acompanhados dos documentos hábeis e idôneos a sustentálos, o mesmo ocorreu no curso da ação fiscal e ao tempo da impugnação para as demais despesas glosadas. Da mesma forma, com respeito à glosa parcial das despesas das empresas Angeloni & Cia Ltda. e Casas Guanabara Comestíveis Ltda. que somam R$ 336.757,00, verificase que os documentos colacionados junto com a impugnação já haviam sido analisados pela fiscalização, constam nos autos (fls. 509/669), e não são suficientes para afastar a causa da glosa, portanto, nenhum reparo deve ser feito quanto a este item da autuação. Assim, deve ser mantida a autuação das despesas glosadas que somam R$ 16.406.359,62 por não terem sido comprovados os requisitos estabelecidos pela legislação de regência, acima transcritos. DA OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Insurgese a contribuinte contra a autuação das receitas financeiras, advindas da variação monetária e dos juros decorrentes dos mútuos celebrados pela Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos com empresa ligada no exterior, alegando que ao transferir validamente à Parmalat Participações do Brasil Ltda os créditos que possuía junto a mutuaria no exterior, caberia única e exclusivamente à Parmalat Participações do Brasil Ltda. contabilizar as receitas financeiras auferidas em função da variação cambial e do pagamento dos juros pactuados e que admitir o contrário implicaria na desconsideração injustificada dos negócios jurídicos validamente celebrados. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídico s, tal como é o caso da cessão de crédito para pessoa jurídica sediada no pais, efetuada no mesmo dia da celebração do contrato de mútuo com pessoa jurídica sediada no exterior, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, quando fundamentado por prova inequívoca. As documentos obtidos pela fiscalização no curso da ação fiscal, demonstram ter o contribuinte enviado valores para o exterior a titulo de mútuo com pessoa vinculada, no caso a PARMALAT S.P.A., situada em Parma, Itália, no curso do ano calendário de 2002, no meses de janeiro a novembro, para no mesmo dia da celebração do mútuo, de acordo com o "INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITO" ceder para terceira pessoa vinculada no pais, os referidos créditos e todos os seus acessórios. Deste modo, no quadro probatório posto, constatase que as aparentemente licitas operações foram realizadas em composições que visavam evitar situações previstas normas de incidência tributária, sendo correta a exigência do IRPJ e reflexos sobre as receitas financeiras advindas de variação cambial ativa e juros, incidentes sobre os contratos de mútuo realizados pela autuada com pessoa vinculada no exterior, bem assim correta a desconsideração das cessões dos referidos créditos para pessoa vinculada no pais. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 10 17 DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Foram constituídas as exigências do PIS e da COFINS, para os contratos sobre o montante de R$ 23.946.778,53, em 31/12/2002. Ocorre, entretanto que, em decorrência da opção do contribuinte pelo regime de competência para a apropriação das receitas advindas de variações monetárias em função da taxa de cambio, para o PIS e a COFINS, estas se aperfeiçoariam ao final de cada mês, e não somente no final do exercício como lançado pela fiscalização. Os autos foram baixados em 28/05/2010, para que fosse segregado por contrato o valor da receita financeira e da variação cambial que deveria ser apropriada no mês de dezembro de 2002. Das novas planilhas apresentadas pela fiscalização extrairamse os seguintes valores: Sendo assim, a base de cálculo do PIS e da COFINS, para o mês de dezembro de 2002, deve ser alterada de R$ 23.946.778,53, como constava inicialmente no auto de infração para R$ 383.852,70, em razão de que somente este valor deve ser apropriado em dezembro de 2002, e para os demais meses havia se operado a decadência, visto ter o contribuinte sido cientificado sobre a autuação, em 28/12/2007. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Quanto à reclamação pela cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio lançada, há de se considerar, primeiramente, que não houve o lançamento de juros de mora sobre multa de oficio, pois esta é uma questão atinente A cobrança do crédito eventualmente mantido, posterior ao julgamento da impugnação. Não há pois litígio instaurado quanto à aplicação dos juros de mora sobre a multa de oficio. DO IRPJ E DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, PIS E COFINS) Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 18 Os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL, PIS e COFINS, no tocante às receitas financeiras, decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende à CSLL, ao PIS e a COFINS. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls 1385, onde alega o seguinte. PRELIMINARMENTE DA PERDA DO OBJETO EM RELAÇÃO À COFINS Alega a Recorrente a perda do objeto do Auto de Infração relacionado à COFINS, em razão de obtenção de decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n. 1999.61.000145485. Nesta ação judicial, informa a Recorrente, obteve o reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança da COFINS sore receitas financeiras com fulcro na Lei n. 9.718/98. DA PRECARIEDADE DO LANÇAMENTO Aduz a Recorrente que a conclusão constante no Termo de Verificação Fiscal, consta que as despesas não comprovadas totalizam o montante de R$ 336.757,00 que são relacionados a supostos lançamentos relacionados às empresas A. Angeloni & Cia Ltda., e Casas Guanabara Comestíveis Ltda. No entanto, em clara contradição, a Fiscalização apresentou no Auto de Infração uma base de cálculo de R$ 16.406.359,62 de despesas glosadas, o que mostra incongruência entre os fatos conclusivos narrados pela Fiscalização e as infrações imputadas. DO MÉRITO DAS DESPESAS NÃO COMPROVADAS Alega a Recorrente que após cumprir integralmente 06 (seis) intimações fiscais relacionadas à comprovação de despesas, foi surpreendida com o Termo de Intimação n. 7/2007, por meio do qual foi intimada a apresentar todos os contratos relacionados nos acordos comerciais listados em 27 páginas que totalizam cerca de 7.000 lançamentos e, conseqüentemente, demandariam a apresentação de quantidade similar de contratos. Neste momento, a Recorrente apresentou petição à Fiscalização em que esclarece que: i ) havia entregue todos os acordos comerciais firmados ns anosbase de 2002 e 2003 com as grandes redes varejistas; ii) foi comprovado 96,09% das despesas da conta Fidelidade do anobase de 2002, em valores acima de R$ 100.000,00, no valor total de R$ 32.679.848,71; iii) os documentos até então apresentados são suficientes à demonstração da natureza jurídica de tais despesas e iv) diante da documentação apresentada, restou demonstrada a efetividade das despesas e seria inviável a apresentação de documentos relacionados à mais de 7.000 lançamentos. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 11 19 As despesas foram comprovadas e acatadas pela Fiscalização em grande parte, conforme resumido abaixo: Conclui a Recorrente que a materialidade das provas produzidas durante a fiscalização, foram suficientes para demonstrar a dedutibilidade das despesas nos moldes do art. 299 do RIR/99. DA OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Alega a Recorrente que os contratos de mútuo celebrados com a empresa Parmalat SpA no ano de 2002, foram cedidas de forma legitima e legal à outra empresa, a Parmalat Participações Ltda. Assim, absurda é a conclusão da Fiscalização de que a variação cambial e os juros celebrados em tais contratos, deveriam ser reconhecidos pela Recorrente, uma vez que esta já não era parte credora deste mútuo no exterior. Caberia à empresa Parmalat Participações Ltda., cessionária e nova credora da Parmalat SpA, o reconhecimento de tais efeitos. Contudo, parece que quis a Fiscalização, aplicar elementos de contratos de mútuo externo à operação de cessão, operada entre duas empresas sediadas no Brasil. Além disso, equivocada também a decisão da DRJ acerca deste ponto, quando afirma que a Fiscalização pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados para dissimular a ocorrência de fato gerador do tributo. Isso porque, tal alegação é nova, trazida pela DRJ, mas que não serviu de fundamento para a lavratura de Auto de Infração, onde não constou qualquer alegação de fraude ou simulação. DO JUROS SELIC SOBRE MULTA A Recorrente traz também alegações e jurisprudência sobre a ilegalidade da cobrança de juros Selic sobre multa. DO RECURSO DE OFICIO Dada a exoneração de parte do lançamento relacionado ao PIS e COFINS pela DRJ, foi apresentado também Recurso de Ofício para apreciação deste Conselho. É o relatório. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 20 Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. PRELIMINARES DA DISCUSSÃO JUDICIAL REFERENTE À COFINS Traz a Recorrente aos autos, notícia acerca de obtenção de decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança da COFINS sobre receitas financeiras com base na Lei n. 9.718/98. Isso se deu no Mandado de Segurança n. 1999.61.000145485. Sendo assim, a parcela mantida da cobrança da COFINS mantida pela DRJ/SP, referente ao período de dezembro de 2002, restaria prejudicada pela mencionada decisão judicial. Após discussão judicial que atravessou as instâncias inferiores, a Recorrente obteve a seguinte decisão do STF, transitada em julgado em 30/08/2010: “(...) Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso extraordinário apenas para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 3°, § 2° da Lei n. 9.718/98.” Tendo em vista o efetivo trânsito em julgado desta decisão e, considerando que a parte da presente discussão relacionada à omissão de receitas, referese, exatamente, às receitas financeiras, não resta dúvida que o lançamento da COFINS fica prejudicado, devendo, portanto, ser cancelado. Assim, acolho a preliminar e voto pelo cancelamento do lançamento da COFINS do período de dezembro de 2002, cuja base de cálculo são as receitas de juros do contrato de mutuo celebrado com a empresa Parmalat SpA. DA PRECARIEDADE DO TERMO DE VERIFICAÇÃO PARCIAL A Recorrente traz em seu Recurso, extensa argumentação sobre suposta precariedade do Termo de Verificação Parcial, por entender que durante o processo fiscalizatório, havia atendido de forma satisfatória os pedidos da Fiscalização e que o pedido apresentado pelo agente fiscal para apresentação de todos os contratos relacionados às despesas auditadas, mostravase absurda. Além disso, alega que a autuação não traz coerência lógica com a fundamentação constante do Termo de Verificação Parcial, mostrandose, portanto, nula.Traz ainda, argumentos baseados na Lei n. 9.784/99 e Decreto 70.235/72 (PAF). Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 12 21 Não vejo qualquer nulidade nas autuações lavradas. O agente fiscal possuía competência para tal ato, a base utilizada para a autuação está devidamente identificada, assim como, toda a fundamentação legal e infralegal que originou as autuações. As alegações sobre a documentação apresentada pela Recorrente durante a Fiscalização e seu poder de evitar ou não o lançamento, devem ser avaliadas em matéria de mérito. Desta feita, afasto tal preliminar levantada pela ora Recorrente. DO MÉRITO DAS DESPESAS INDEDUTIVEIS A Fiscalização considerou indedutiveis as despesas abaixo demonstradas, classificadas como operacionais pela Recorrente e deduzidas para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Segundo a Recorrente, tais despesas têm a seguinte natureza: Aduziu a Fiscalização que a Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem contratual que levou ao pagamento das despesas junto à determinados parceiros comerciais, restando não preenchidos os requisitos de dedutibilidade previstos no art. 299 e 304 do RIR, que assim dispõem: Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 22 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47). § 1 º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 1 º ). § 2 º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 2 º ). § 3 º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Pagamentos sem Causa ou a Beneficiário não Identificado Art. 304. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento (Lei n º 3.470, de 1958, art. 2 º ). Conforme argumentos trazidos pela Recorrente em suas respostas ás intimações ou mesmo em Impugnação e Recurso Voluntário, tais despesas se referem à ações efetivadas junto aos compradores de seus produtos, grupo no qual se incluem desde as grandes redes de varejo até os pequenos pontos de venda, todos esses que compõem o elo da cadeia que separa a Recorrente do consumidor final. Tais ações visam fidelizar os compradores, com estabelecimento de metas que, se alcançadas, dão origem ao pagamento das bonificações. Além disso, estão incluídos neste grupo de despesas, os pagamentos que visam garantir uma maior ou melhor disposição dos produtos da Recorrente nos pontos de venda, como, por exemplo, posições mais privilegiadas na gôndolas dos supermercados. Desta forma, constam na lista de beneficiários da Recorrente, grandes grupos como a CBD, Walmart Brasil, Carrefour e Sendas, dentre outros. No Termo de Intimação n. 3, a Fiscalização solicitou esclarecimentos sobre os lançamentos contábeis registrados na contas contábeis acima especificadas, recebendo em resposta da Recorrente, o Razão Contábil do anobase de 2002, cópia de contratos firmados com os maiores parceiros e explicações detalhadas sobre a relação jurídica estabelecida, tratamento contábil e forma de pagamento. Importante ressaltar: em observação ao final deste Termo de Intimação, o auditor fiscal limita a comprovação das despesas da conta “Fidelidade” aos valores com valor superior a R$ 100.000,00. Após isso, a Fiscalização apresentou o Termo de Intimação n. 06/2007, na qual requer a apresentação de cópias de contratos e acordos comerciais firmados junto às empresas selecionadas por esta, por amostragem, tendo em vista que “na referida conta contábil 5.01.01.01.08.008 (Fidelidade) havia inúmeros outros lançamentos, cujos beneficiários não eram as grandes redes varejistas, como tal classificadas pela Parmalat Brasil.” Vejam. A própria Fiscalização limitou o atendimento do Termo de Intimação n. 03 aos valores superiores à R$ 100 mil que, naturalmente, só envolviam as grandes redes Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 13 23 varejistas, contudo, após receber a resposta da Recorrente, voltou no Termo de Intimação seguinte, com a afirmação de que havia encontrado no universo total de beneficiários, pessoas jurídicas que não eram grandes rede varejistas. Por fim, a Fiscalização apresentou o Termo de Intimação n. 07, na qual requer a apresentação de todos os contratos relacionados nos acordos comerciais listados em 27 páginas anexas ao Termo de Intimação que somavam mais de 7.000 lançamentos, cujos valores eram inferiores à R$ 100 mil. Após pedido de prorrogação de prazo, a Recorrente apresentou (petição de fls 739), documentação diversa relacionada às despesas em comentos, tais como: i) planilhas demonstrativas dos pagamentos efetuados às empresas A.ANGELONI & CIA; TEREZA DE FATIMA BOTELHO REIS, TRANSPORTADORA FROSSARD; WILL ALIMENTOS LTDA., SUPERMERCADO SILVA INDAIA LTDA., ALTO SERVIÇO PAGUE MENOS LTDA. e CASAS GUANABARA COMESTÍVEISLTDA; ii) CDs com arquivos que contém a correlação dos faturamentos com as grandes redes com as despesas apropriadas; iii) comprovação dos respectivos pagamentos. Ao fim da resposta, a Recorrente esclarece que restara comprovada cerca 96% das despesas superiores à R$ 100 mil (cerca de R$ 32,7 milhões) e que necessita de mais 90 (noventa) dias para cumprimento dos demais itens. Após isso, a Fiscalização conclui seu trabalho através do Termo de Verificação Parcial, na qual traz os seguintes argumentos na Conclusão: “Foram comprovadas as despesas cujos beneficiários são: Bom Preço S.A. Supermercados do Nordeste, Carrefour Comércio e Indústria Ltda. e Dia Brasil, Companhia Brasileira de Distribuição, Makro Atacadista S.A., Martins Comércio e Serviços de Distribuição S.A., Jerônimo Martins Distribuição Brasil, JM & Martins S.A., Sendas S.A., Sonae Distribuição Brasil S.A. e WalMart Brasil Ltda. Também foram comprovadas todas as despesas relativas As empresas: Tereza de Fátima Botelho Reis, Transportadora Frossard Ltda., Will Alimentos Ltda., Supermercado Silva Indaia Ltda., Alto Serviço Pague Menos Ltda., Brapelco Com. Transp. E Serv., Ademar Alves Vilela, Arara de Araruana Supermercado, Iguaçu Entrep. De Pesca Alim., Transportadora Santana Ltda., 100 Porcento Design e Comunicação, New Momentum Serv. Temp. Ltda., The Marketing Store Worldwide, Affectio Com. E Distrb. De Prod., Casa Rena Ltda. e Transcharter Transportes Ltda. Em relação aos lançamentos contábeis correspondentes à empresa A. Angeloni & Cia. Ltda., temos a informar que, com exceção dos abaixo relacionados, os demais foram devidamente comprovados: 4. Lançamento correspondente ao PP n° 1105250, de 28/02/2002, no valor de R$ 3.450,00 (três mil, quatrocentos e cinqüenta reais) refere se ao mês de novembro de 2001, conforme período averbado na Solicitação de Ação Promocional: lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002; Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 24 4 Lançamento correspondente ao PP n° 1105254, de 28/02/2002, no valor de R$ 4.807,00 (quatro mil, oitocentos e sete reais) referese ao mês de novembro de 2001, conforme período averbado na Solicitação de Ação Promocional: lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002. Em relação aos lançamentos contábeis correspondentes à empresa Casas Guanabara Comestíveis Ltda., temos a informar que, com exceção dos abaixo relacionados, os demais foram devidamente comprovados: 4 Lançamento correspondente ao PP n° 1622, de 28/01/2002, no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) referese ao mês de dezembro de 2001, conforme averbado no Contrato Promocional e no Histórico do Período de Pagamento do próprio PP (parcela 02/05): lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002; 4 Lançamento correspondente ao PP n° 1131574, de 30/01/2003, no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) referese ao mês de janeiro de 2003, conforme averbado no Contrato Promocional e no Histórico do Período de Pagamento do próprio PP (parcela 04/04): lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002; 4 Lançamentos correspondentes aos PP n's 1131580 e 1131581, de 30/01/2003 e 27/02/2003, no valor total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) referemse aos meses de janeiro e fevereiro de 2003, conforme averbado no Contrato Promocional e no Histórico do Período de Pagamento dos próprios PPs (parcelas 04/05 e 05/05): lançamento contábil indevido no ano calendário de 2002; Na seqüência, conclui que a Recorrente não cumpriu os requisitos previstos nos artigos 299, 300 e 304 do RIR e, ato seguinte, apresenta uma base de cálculo de R$ 16.406.359,62 de despesas glosadas (fls. 789)!? Ora, me parece que os fundamentos apresentados pela Fiscalização, que aponta a comprovação de grande parte das despesas e faz menção à falha de comprovação em casos pontuais, de valores ínfimos, não traz uma correlação lógica com a glosa de R$ 16,6 milhões. Avaliando toda a documentação acostada nos autos, com inúmeros contratos, notas, demonstrativos e esclarecimentos, me pareceu cristalina a demonstração de que tais pagamentos efetuados pela ora Recorrente são normais e usuais neste mercado. Aliás não somente mercado de laticínios, mas em qualquer outro que dependa da exposição de produtos em rede varejistas. A Fiscalização não traz qualquer fundamento ou argumento pontual acerca da documentação que não fora apresentada, sendo determinante para a glosa da despesa. Traz apenas observações sobre casos pontuais, seguidas de uma conclusão genérica de descumprimento do RIR. Cabe esclarecer, a ora Recorrente passava por processo de recuperação judicial, amplamente conhecido pelo público, o que, por si só, já traz dificuldades relevantes para a localização de documentação referentes a períodos de 05 anos passados. Certamente, tal fato não justificaria o não atendimento à Fiscalização. O que não ocorreu. Contudo, também não se justifica a glosa genérica de despesas, com alegações genéricas de descumprimento da lei. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 14 25 O Parecer Normativo n. 32/81, traz importante apontamento a este respeito: Parecer Normativo nº. 32/81: “(...) despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio.” Vejamos o que diz a jurisprudência do Conselho a este respeito: “A regra geral de definição do lucro real baseado no lucro líquido, ou seja, contábil, é no sentido de que, em princípio todos os dispêndios da empresa são dedutíveis. A lei, não podendo prever uma a uma as inumeráveis atividades e espécies de gastos da empresa, parte da definição genérica de que todos os custos e todas as despesas são admitidos na apuração da base de cálculo do imposto de renda e estabelece as exceções para cálculo do lucro tributável. (...) Partindo dessa premissa, podemos dizer que uma despesa é necessária quando inerente à atividade da empresa, ou dela decorrente, ou com ela relacionada ou até mesmo que surge em virtude da simples existência da empresa e do papel social que desempenha. Em contrapartida, a despesa é não necessária quando for decorrente de ato de liberalidade, não no sentido de espontaneidade, mas no sentido jurídico de ato de favor, estranho aos objetivos sociais. (...).” Acórdão nº. 10193720 do Primeiro Conselho de Recursos Fiscais.(nossos grifos) IRPJ – DESPESAS – COMPROVAÇÃO – Devidamente comprovado com documentação hábil e idônea a efetiva despesa, bem como, tratarse de despesas com característica necessária e essencial a atividade exercida pela contribuinte e vinculada à fonte produtora dos rendimentos, impõese o restabelecimento da dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda.” (Acórdão nº. 10196082 do Primeiro Conselho de Recursos Fiscais) GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS.COMPROVAÇÃO. Excluise do lançamento a parte dos custos e despesas comprovados por meio de documentos, bem como, as despesas para as quais não se consegue identificar a razão da glosa de cada item, uma vez que que nos termos do art. 149 do CTN, o lançamento não pode ser impreciso. (Acórdão n. 140200.342 – Primeira Seção – 4. Câmara – 2. Turma) Diante do exposto, entendo que resta genérica e fracamente fundamentada a glosa das despesas pagas pela ora Recorrente a seus parceiros comerciais, tendo em vista que, durante o processo fiscalizatório, foram apresentados documentos diversos e esclarecimentos que demonstram a normalidade, usualidade e necessidade das despesas, além de comprovadas por documentação que suporta uma grande parte das despesas contabilizadas o que, diante da ausência de argumentos pontuais e objetivos da Fiscalização para respectiva glosa, me leva à Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 26 conclusão de que deve ser restaurada a dedutibilidade de tais despesas e o correspondente crédito tributário deve ser exonerado. DA OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Durante o processo fiscalizatório, foi demonstrado que a Recorrente, na qualidade de mutuante, celebrou diversos contratos de mútuo com empresa ligada no exterior (Parmalat SpA) e, passo seguinte, celebrou contratos de cessão de créditos com outra empresa sediada no Brasil, a Parmalat Participações. Assim, a cessionária (Parmalat Participações) passou a figurar como credora do direito em moeda estrangeira junto à Parmalat SpA e devedora de obrigação em moeda local (Reais) junto à ora Recorrente. Entendeu a Fiscalização que a Recorrente deveria ter reconhecido a receita de variação cambial ativa, bem como, os juros decorrentes dos contratos de mútuo originais, mesmo após a cessão de tais direitos creditórios para outra empresa no Brasil. Assim, a Fiscalização efetuou lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorrente desta suposta omissão de receitas. A DRJ manteve os lançamentos (com exoneração parcial dos créditos de PIS e COFINS por motivos que serão abordados a frente) sob argumento de que a Fiscalização pode “desconsiderar atos ou negócios jurídicos, tal como é o caso da cessão de crédito para pessoa jurídica sediada no pais, efetuada no mesmo dia da celebração do contrato de mútuo com pessoa jurídica sediada no exterior, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, quando fundamentado por prova inequívoca.” Contudo, entendo que merece reparo a decisão da DRJ. Vejamos. A Recorrente celebrou contratos de mútuo com empresa sediada no exterior, o que, a partir daquele momento lhe obrigaria a reconhecer eventuais efeitos de variação cambial, bem como, os juros previstos no contrato. Contudo, no mesmo dia em que contratou os mútuos, celebrou contratos de cessão dos direitos creditórios relacionados aos mútuos em questão. Tais cessões dos direitos creditórios, foram celebradas com pessoa jurídica estabelecida no Brasil. Assim, a obrigação assumida pela cessionária em pagamentos dos créditos adquiridos, se deu em valores estabelecidos em Reais. Assim, a cessionária, passou a ser a nova credora dos contratos de mútuo, ficando, assim, obrigada a reconhecer eventuais variações cambiais em seus livros, bem como, os juros. Á Recorrente, isso já não era possível, pois, não era mais credora de obrigação estabelecida em moeda estrangeira, não fazendo mais sentido o reconhecimento de efeitos de variação cambial. Neste ponto, a exigência do reconhecimento da variação cambial e juros, deveria ter sido feita à cessionária dos direitos, a empresa Parmalat Participações. Em momento algum, a autoridade fiscalizadora trouxe elementos que pudessem configurar “provas inequívocas” de que os contratos de cessão teriam sido utilizados para dissimular a ocorrência do fato gerador de tributo. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 15 27 Em lugar disso, apenas argumentou que os contratos de cessão foram assinados no mesmo dia da celebração dos contratos de mútuo e, ato seguinte, concluiu pela omissão das receitas que seriam ou deveriam ser reconhecidas, caso tais contratos de cessão não tivessem ocorrido. Aliás, se existe prova inequívoca de que a Recorrente incorreu em atos viciados, que visaram dissimular a ocorrência de fato gerador do tributo, deveria a Fiscalização ter aplicado a multa qualificada de 150% e não a multa de ofício de 75%, como fez. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (1). Segundo Orlando Gomes, ocorre a simulação quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros" (2). A simulação é uma deformação voluntária do ato ou negócio jurídico com o intuito de fugir à disciplina normal prevista em lei. Nela ocorre um desacordo intencional entre a vontade interna das partes, efetivamente querida, e a declarada. Para Silvio Rodrigues, negócio simulado "é aquele que oferece uma aparência diversa do efetivo querer das partes. Estas fingem um negócio que na realidade não desejam" (3). Uma das mais freqüentes hipóteses de simulação ocorre justamente na messe do direito tributário. De fato, é extremamente comum a simulação de venda por preço inferior ao efetivamente ajustado, com o intuito de burlar o fisco. Contudo, no presente caso, em momento algum, a Fiscalização tratou a operação como ato simulado ou trouxe elementos que assim o demonstrasse. Não cabendo, portanto, descaracterizar o ato praticado com base em opiniões vagas sobre a normalidade das condições da operação Desta forma, não restando demonstrados elementos suficientes para a descaracterização dos contratos de cessão de direitos creditórios celebrados pela ora Recorrente, não há que se falar em reconhecimento de receita de variação cambial ou juros do contrato de mútuo original, devendo ser exonerado o crédito tributário daí decorrente. DO RECURSO DE OFÍCIO Como mencionado no Relatório, a decisão da DRJ exonerou parte das exigências do PIS e da COFINS em decorrência do fato da Recorrente ter optado pelo regime de competência para a apropriação das receitas advindas de variações monetárias em função da taxa de cambio e que, para o PIS e a COFINS, tal apropriação gera efeitos ao final de cada mês, e não somente no final do exercício, tal como lançado pela fiscalização. Desta sorte, tendo em vista que a autuação foi lavrada em dezembro de 2007, todos os débitos que fossem anteriores à dezembro de 2002, já teriam sido alcançados pela decadência de 05 anos. Não merece reparo a decisão da DRJ neste ponto, isso porque, tratase de clássica situação de pagamento de tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que o prazo decadencial é contado a partir do momento do fato gerador, que no caso do PIS e COFIS, é mensal. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 28 Assim, entendo que deve ser mantida a decisão da DRJ em relação a este item. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO e afasto as preliminares suscitadas pela Recorrente para, no MÉRITO, DARLHE INTEGRAL PROVIMENTO e CONHEÇO também do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO – Relator Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 16 29 Voto Vencedor Conselheiro CARLOS MOZART BARRETO VIANNA Não obstante o brilhantismo do voto, ousei divergir do I. Relator durante os debates que se sucederam no curso do presente julgamento, por entender que a não apresentação de documentação hábil e idônea, na qual tenha se lastreado os lançamentos contábeis referentes a despesas pagas ou incorridas, dá ensejo a sua glosa para efeito da determinação da base de cálculo do IRPJ. Da Escrita Contábil e da Guarda de Documentos Trata o caso em tela de contribuinte que optou pela apuração anual do IRPJ, cuja forma de tributação se deu pelo Lucro Real, o que torna imprescindível a manutenção de escrituração contábil, como assim dispõe o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). (...) Ao se estabelecer o lucro líquido como ponto de partida para apuração do Lucro Real fica evidente a necessidade de que aquele resultado esteja respaldado em escrituração contábil que guarde estrita consonância com os dispositivos previstos na legislação comercial pertinente. Nesse sentido, vale destacar o disposto no art. 251 do RIR/99, in verbis: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 30 Considerandose que ações, cujas repercussões acarretam modificação no patrimônio da pessoa jurídica, e, por imposição legal, devem estar devidamente registradas em livros contábeis, fazse necessário, obrigatoriamente, que estas estejam alicerçadas em documentação hábil e idônea, visando à fidedignidade da escrita fiscal e contábil, razão pela qual a legislação tributária prevê a necessidade de guarda de livros e documentos, como estabelece o art. 264 do RIR/99, in verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Como se observa, a legislação tributária adotou uma sistemática para apuração do Lucro Real calcada na estruturação traçada pela legislação comercial, com vistas à determinação do resultado contábil, ou seja, o lucro líquido, fazendo com que a fiel observância aos requisitos legais impostos pela lei comercial tornese de vital importância para a correta definição da base de cálculo do IRPJ. Assim sendo, a manutenção da escrita contábil, e, mormente, a boa guarda dos livros e documentos contábeis são imprescindíveis para exatidão da apuração do IRPJ a ser recolhido aos cofres públicos. Da não dedutibilidade das Despesas não comprovadas À luz do exposto no Termo de Verificação Parcial, às fls. 778 a 789, a questão crucial do presente embate, referese à não apresentação, por parte da Requerente, de documentação que tenha dado suporte a lançamentos contábeis, com registro no Livro Razão, identificados pela Fiscalização. Instada, mediante Termo de Intimação nº7/2007, às fls. 797 a 798, a apresentar os documentos que serviram de base aos lançamentos contábeis registrados a título de despesa nas contas contábeis objeto da auditoria, os quais constaram, de forma individualizada, de relação anexa ao aludido termo, a Requerente não logrou êxito, a despeito da prorrogação do prazo para atendimento que lhe foi concedido. Convém mencionar, que a própria Requerente reconheceu o não atendimento ao pleito da Fiscalização, conforme consta de documento apresentado em resposta ao Termo de Intimação nº 7/2007, às fls. 711 e 712. Vale salientar, também, que as despesas glosadas pela Fiscalização, compõem a escrituração de contas contábeis, as quais tem por finalidade a demonstração do volume de recursos dispendidos em ações comerciais junto aos seus fornecedores, mediante, inclusive, a concessão de bonificações, conforme relata a Requerente nos autos do presente processo. Por tratarse de despesas não componentes dos custos da Recorrente, para serem consideradas operacionais, e, portanto passiveis de dedutibilidade para efeito do computo do Lucro Real, fazse mister a comprovação da sua necessidade e usualidade, nos termos do que dispõe o art. 299 do RIR/99. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16561.000196/200700 Acórdão n.º 1201001.132 S1C2T1 Fl. 17 31 Em face das peculiaridades das mencionadas ações comerciais, bem como, das características contratuais relacionadas às despesas em comento, não resta dúvida que a apresentação dos Contratos de Acordos Comerciais era indispensável, não só para comprovação da efetividade das despesas, como também, da sua necessidade e usualidade. Quanto à eficácia probatória dos livros e documento, o DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, assim estabelece: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Do texto legal se depreende, claramente, a necessidade de apresentação de documentos hábeis para que a escrituração legalmente mantida possa fazer prova a favor do contribuinte. Importante mencionar, também, que o dispositivo legal ao mencionar “documentos hábeis, segundo sua natureza”, faz referencia à documentação que guarde intrínseca relação com o respectivo lançamento contábil, revestida de tamanha verossimilhança, capaz de criar a convicção de ter sido esta, a base do lançamento. A questão de fato, que emana dos autos, é que a Requerente não logrou comprovar mediante documentação hábil, como prevê a legislação de regência, parte de sua escrituração contábil, submetida à auditoria da Fiscalização, ao deixar de atender o Termo de Intimação nº 07/2007. Cabe ressaltar, também, que não deve prosperar as alegações da Requerente, as quais foram encampadas pelo I. Relator, de tratarse de percentual ínfimo o total de despesas não comprovadas, podendo ser resumidas ao status de casos pontuais, mesmo porque o valor questionado envolve a cifra de R$ 16.406.359,62. Dessa forma, nos termos da legislação em vigor, a escrituração contábil referente aos valores não comprovados deixa de fazer prova a favor da Requerente, cujos reflexos na apuração do IRPJ se traduzirão pelo acréscimo destes valores no computo do Lucro Real. Pelo exposto, ouso divergir do I. Relator para negar provimento ao recurso voluntário, no que concerne à glosa de despesas, por inexistência de sua comprovação, mantendo os respectivos lançamentos referentes ao IRPJ e à CSLL. (assinado digitalmente) Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 32 Carlos Mozart Barreto Vianna Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 17 /03/2015 por CARLOS MOZART BARRETO VIANNA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por LUIS FABIANO ALVE S PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10730.008277/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3201-002.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Oleari, OAB/ES nº 21540.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA- Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Oleari, OAB/ES nº 21540. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA- Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não comprovada a origem dos recursos utilizados nas transações, caracterizase a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Portanto, cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Oleari, OAB/ES nº 21540. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 82 77 /2 00 7- 74 Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 909.809,56 referente a multa prevista no art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. Depois de procedimento de diligência, no qual se verificou que no endereço informado pela interessada como sendo sua sede não havia nenhuma empresa em funcionamento, bem como pelo fato de seus sócios não terem sido encontrados nos endereços constantes de seus cadastros, foi iniciado procedimento de fiscalização. Regularmente intimada por diversas vezes, a interessada apresentou documentos e prestou os esclarecimentos que entendeu devidos, sendo que da análise dos mesmos a fiscalização constatou, de acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, resumidamente: Que mesmo constituída em 26/12/2001, a interessada somente veio a iniciar sua escrituração contábil em 01/12/2002, ainda que nesse período tenha realizado três operações de importação, as quais, além de não terem sido contabilizadas, sequer tiveram emitidas notas fiscais de entrada das mercadorias importada, ou notas fiscais de saída das mesmas. A interessada não logrou comprovar, por meio de documentos idôneos, a efetiva integralização do capital social, quer quando de sua constituição, quer quando do aumento do mesmo. Inicialmente se afirmou não ter sido realizado nenhum empréstimo pela empresa. Posteriormente a sócia Liliana declarou que teria realizado empréstimos de familiares, porém não apresentou nenhum documento idôneo que sustentasse a afirmação. A interessada declara como origem de seus recursos financeiros, unicamente, a receita de vendas das mercadorias importadas, porém, de acordo com seu livrocaixa todos os recebimentos teriam sido realizados em dinheiro, mesmo aqueles de valores muito elevados. Da parte dos depósitos bancários que a interessada se manifestou sobre sua origem (cerca de 42% do total), atribuiu a recebimento de vendas por ela realizadas. Todavia, cada um dos depósitos foi relacionado a diversas notas fiscais diferentes, a clientes diversos, localizados em cidades distintas, Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.064 3 sendo que os totais dos depósitos não coincidem com os valores e datas das notas fiscais de venda da interessada. Questionada a respeito desses depósitos, a interessada não identificou os depositantes e sequer se manifestou, não comprovando, dessa forma, a alegada origem dos recursos. Analisandose o saldo bancário da interessada, após glosa dos recursos cuja origem não foi comprovada, verificase que a interessada não detinha condições financeiras para arcar com os custos relativos aos contratos de câmbio das operações de importação por ela realizadas. Os recursos utilizados para o pagamento dos impostos, quando do registro da Declarações de Importação, foram transferidos da conta corrente da interessada para os despachantes aduaneiros. Todavia, glosados de sua conta corrente os recursos sem origem identificada, a interessada não teria saldo suficiente para realizar essas transferências. Confrontadas as informações das contas bancárias dos dois despachantes aduaneiros, que procediam ao registro das Declarações de Importação e o pagamento dos impostos, com os registros de transferências da conta corrente da interessada ou de seu livrocaixa, constatase que apenas 17,2% e 22,9% , respectivamente, do total de transferências realizadas podem ser creditadas à interessada e ainda, sem que a mesma tenha comprovado a origem desses recursos. A escrituração do livrocaixa da interessada foi realizada de maneira irregular, na qual um depósito era contabilizado em duplicidade, no caixa e no saldo bancário, fato que determina um saldo elevado artificialmente. Também as operações de importação foram contabilizadas erroneamente contra o caixa, como se todos os custos houvessem sido pagos em espécie. Foi realizado um registro contábil para cada uma das notas fiscais de entrada emitidas, em discordância com os diferentes custos envolvidos, suas datas e valores efetivos de pagamento. A fiscalização concluiu que as operações de importação autuadas foram realizadas pela interessada sem que a mesma comprovasse a origem, disponibilidade e transferência dos recursos nelas utilizados, presumindo, dessa forma, que a interessada atuou fraudulentamente como interposta pessoa nas operações de importação que registrou. Assim, considerando que as mercadorias já haviam sido comercializadas, lavrou auto de infração para exigência da multa prevista no parágrafo terceiro do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, por ter se caracterizado o dano ao Erário previsto no inciso V, conforme previsão do parágrafo segundo, ambos do mesmo artigo 23 do decretolei nº 1.455/1976. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência às folhas 01) a interessada apresentou impugnação tempestiva de folhas 943 a 958. A impugnante alega inicialmente que a fiscalização desconsiderou eventos ocorridos nos anos de 2001 e 2002, especificamente a integralização do capital social e seu aumento, fatos atingidos pela decadência e, portanto, indevidamente glosados em sua análise. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 Defende que, ainda que o entendimento seja pela inocorrência da decadência, a desconsideração do capital social como origem para as operações de importação é inadequada, como se observa do art. 2º , VIII, do Ato Declaratório Executivo Coana nº 3 de 01/06/2006, que determina a consideração dos registros do capital e de seus aumentos em até três anos anteriores ao pedido de habilitação no Siscomex. Com base nos argumentos antes expendidos, conclui que a conclusão da fiscalização decorrente da glosa dos valores oriundos da integralização do capital e seus aumentos é inválida. Com base no princípio da irretroatividade da lei, alega que o procedimento fiscal ficou comprometido, pois levou em consideração fatos anteriores à edição da Lei nº 10.637/2002, convertida da Medida Provisória nº 66/2002. Alega que o auto de infração tem como pressupostos fatos geradores ocorridos entre dezembro de 2001 e agosto de 2002. Alega que a penalidade à infração que em tese teria cometido é aquela prevista na Lei nº 11.488/2007. Defende que a interposição fraudulenta presumida pela fiscalização devido à não comprovação da origem dos recursos empregados no comércio exterior, significa a cessão do nome a terceiros, que, conforme a norma legal citada, tem como penalidade uma multa de 10% do valor da mercadoria. Alega que não houve o dano ao erário alegado, pois não houve a ocultação do sujeito passivo ou a supressão ou redução de tributos, pois os mesmos teriam sido recolhidos no registro das Declarações de Importação. Assim, é descabida a aplicação da pena de perdimento ou sua conversão em multa. Discorda do procedimento adotado pela fiscalização ao desconsiderar o capital social como origem dos recursos utilizados nas importações, assim como aqueles provenientes de seu faturamento. Alega que falhas na sua escrituração contábil não autorizam a fiscalização a expurgar todo seu faturamento e concluir que os estoques foram adquiridos por meio de recursos desconhecidos. Defende que o faturamento da empresa está refletido em suas notas fiscais de saída e que foram realizados os recolhimentos tributários respectivos e em perfeita consonância com os estoques de entrada de mercadorias. Apresenta lista com valores mensais das notas fiscais de saída que devem ser consideradas para efeito de levantamento de seu faturamento. Argumenta que a forma de apuração não pode ser a méis penosa para o sujeito passivo. Requer seja declarado totalmente improcedente o auto de infração, ou, alternativamente, reduzida a multa ao correspondente a dez por cento do valor aduaneiro, e refeita a apuração de seu faturamento conforme integralização do capital social e notas fiscais de saída, aceitando como válidas as origens dos recursos de forma mais benéfica ao sujeito passivo. Requer ainda, a realização de diligência para periciar as informações atinentes ao faturamento da empresa. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.065 5 Protesta pela intimação da data do julgamento do recurso para fins de sustentação oral pelos advogados constituídos, perante a Turma julgadora da DRJ, conforme garante a legislação. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0712.255, de 07/03/2008, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 11/09/2002 a 16/03/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. Lançamento Procedente. O julgamento foi no sentido de que os argumentos relativos à inocorrência de dano ao Erário não podem ser acatados, pois, a infração capitulada está prevista em dispositivo legalmente vigente, não sendo possível o afastamento do mesmo no âmbito do julgamento administrativo, ou seja, resultando na infração prevista no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, exigida quando as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, prevista em seu § 1º, em virtude da caracterização de dano ao Erário, não mais estão disponíveis, por não serem localizadas ou terem sido consumidas. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, através de edital afixado em 15/04/2008; o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória e ressalta que foram desconsideradas receitas da empresa e solicita perícia contábil. Tendo em vista que o litígio referese à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos nas importações efetuadas e a empresa insiste em argumentar que foram desconsideradas receitas da mesma, a turma entendeu em converter em diligência, através da Resolução de n/ 320100118, de 18/03/2010, nos seguintes termos: manifestação sobre (argumentos da empresa recorrente): a.1) “..........Discorda do procedimento adotado pela fiscalização ao desconsiderar o capital social como origem dos recursos utilizados nas importações........” a.2) “........que seu faturamento é refletido pela notas fiscais de saída, e que por falha em sua escrituração contábil, os valores não foram aceitos”; Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 b) se os valores mencionados nas fls. 1002 e 1003 do recurso voluntário foram considerados como receita da empresa e parecer sobre esses valores? Enfim, para que elucidasse ao que foi solicitado e emitisse análise conclusiva. A fiscalização respondeu a demanda, às fls. 1030/1039, da seguinte forma: Que não assiste à autoridade tributária o direito de efetuar a glosa das alegadas integralizações de capital ocorridas em 2001 e 2002 por se tratarem de eventos atingidos pela decadência (fl. 991, item 9); Apreciação Quanto à decadência, há que se dizer que o lançamento propriamente dito não incluiu os fatos geradores que o antecederam por mais de cinco anos. E assim mesmo, afastando qualquer dúvida quanto a este aspecto, o primeiro questionamento quanto 5. integralização de capital foi feito em 14/10/2004 tendo, segundo o livrocaixa da fiscalizada, a integralização do capital social, já com o valor de sua primeira alteração, no total de R$ 20.000,00, se dado em 01/12/2002 (fl. 131). Portanto, quando questionada pela primeira vez sobre o capital social nem dois anos havia se passado desde sua suposta integralização. 0 capital social foi desconsiderado como origem de recursos por absoluta ausência de provas da efetiva entrega dos recursos a. sociedade. Solicitada a fazer tal comprovação através dos termos de intimação n°. 136/04 (fl. 66), de 14/10/2004, e 178/04 (fl. 70), de 10/12/2004, 179/05 (fl. 79), de 11/08/2005, 217/05 (fl. 82), de 31/08/2005, e 247/05 (ft 88), de 23/09/2005, a fiscalizada jamais o fez. A própria redação do item 1 do termo de intimação n°. 247/05 (fl. 89) deixa isto evidente: 1Comprovar a efetiva entrega a. sociedade dos recursos correspondentes integralização do capital social, como indicado no instrumento de constituição da sociedade, bem como as integralizações referentes aos aumentos de capital realizados por ocasião da primeira e segunda alteração do contrato social, respectivamente em 29/08/2002 e 05/03/2004. Este quesito corresponde ao item 4 do termo de intimação n°. 179/05 e ao item 1 do termo de intimação n°. 217/05, que não foram respondidos". E esta é a conclusão do item 3.2 do auto de infração (fl. 18), intitulado de "Da ausência de comprovação de integralização do capital social e dos aumentos de capital", em que se afirma que "a fiscalizada não apresentou qualquer prova de ter efetivamente recebido dos sócios os recursos correspondentes ao capital e seus aumentos". A integralização foi registrada no livrocaixa como tendo sido efetuada em 01/12/2002,portanto durante a vigência da MP 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002, que estabeleceu a presunção de interposição fraudulenta nas Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.066 7 importações em que não fosse comprovada a origem, a disponibilidade e a efetiva entrega dos recursos empregados. A fiscalizada não fez a prova que lhe incumbia no procedimento. No item 4 — Das conseqüências jurídicas dos fatos verificados, lêse (fl. 40): "Conforme demonstrado no item 3.1 deste auto de infração, a Liliana Ltda., no inicio de seu funcionamento, operou por quase um ano, de 26/12/2001 a 01/12/2002, sem escrita contábil, sem possuir conta bancária e sem haver integralizado o capital. Neste período três importações foram realizadas sem que a fiscalizada tenha apresentado qualquer registro de como custeou sua própria existência. Além disso, no item 3.2 viuse que não foi apresentada prova de ter havido integralização do capital nem dos aumentos de capital realizados quando da primeira e segunda alterações estatutárias". Que o ADE Coana 03/2006 rejeita este procedimento, pois, no entendimento da recorrente,a autoridade tributária "deve aceitar os registros do capital e de seus aumentos ocorridos em até três anos anteriores ao pedido de habilitação" (fl. 992, item 11); ....... Em nenhum ponto a IN SRF n°. 650/2006 ou o ADE Coana n°. 03/2006 trazem restrição ao exame de fato ocorrido em período anterior a três anos. Como se vê, há apenas a obrigação de que o interessado faça a prova ali determinada já na instrução do pedido, sob pena de indeferimento liminar. Isto é totalmente diferente de dizerse, como faz a recorrente, que à autoridade tributária cabe aceitar passivamente qualquer registro que lhe seja apresentado desde que se refira aos três últimos anos (fl. 992). Evidentemente, isto também não significa a impossibilidade de realização deste exame no curso de procedimento de fiscalização, o que seria afastar por ato administrativo um poderdever instituído pela lei. Devese ainda observar que a IN SRF n°. 650/2006 e o ADE Coana n°. 03/2006 disciplinam o procedimento de habilitação para operar no comércio exterior. Muito diferente da situação da autuada, que, já realizando importações, se encontrava sob fiscalização por não ter sido localizada, assim como seus sócios, no endereço em que declarava estar domiciliada. ......... Que o auto de infração pretendeu aplicar retroativamente norma sancionadora de penalidade. Que apenas a partir da edição da Lei 10.637/2002 (que advém da conversão da MP 66/2002), instaurouse no ordenamento a regra segundo a qual a Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 8 no comprovação da origem implica o perdimento dos bens. Que o auto de infração tem como pressupostos eventos ocorridos antes da vigência da norma sancionadora. Apreciação A integralização foi registrada no livrocaixa como tendo sido efetuada em 01/12/2002, portanto durante a vigência da MP 66/2002, editada em 29/08/2002 e posteriormente convertida na Lei 10.637/2002, que estabeleceu a presunção de interposição fraudulenta nas importações em que não fosse comprovada a origem, a disponibilidade e a efetiva entrega dos recursos empregados. Deve ser destacado que o capital representou diminuta parcela dos recursos que alegadamente teriam sido empregados nas importações. 0 valor do capital é desprezível diante do montante de receitas não comprovadas. Além disso, mesmo antes da data em que teria sido integralizado o capital, a autuada já havia realizado quatro importações. Isto sem que recurso algum houvesse ingressado em seus cofres! Que a Autoridade Fiscal afastouse da realidade ao não considerar como recursos da impugnante aqueles valores provenientes de seu faturamento (fl. 1000, item 52); (v) Que o fato da empresa apresentar falhas em sua escrituração contábil não autoriza a que a Autoridade Fiscal expurgue todo seu faturamento e conclua que todas as suas aquisições de estoque ocorreram por meio de recursos desconhecidos (fl. 1001, item 53); (vi) Que não é possível que o faturamento devidamente contabilizado e registrado nas notas fiscais seja simplesmente rejeitado como origem de recursos na composição do fluxo financeiro (fl. 1001, item 58). Apreciação Os três argumentos serão examinados conjuntamente já que giram em torno da mesma alegação: que a autoridade fiscal teria desconsiderado indevidamente o faturamento da autuada, que estaria refletido em suas notas fiscais e sua escrituração, rejeitandoo como origem de recursos para as importações. Entretanto, isto não condiz com os fatos apurados no procedimento e espelhados no auto de infração. Foi demonstrado que as operações de importação foram custeadas com recursos oriundos de depósitos de origem não identificada na conta bancária da autuada. Restou sobejamente demonstrado que as mercadorias importadas foram pagas, por força da legislação vigente, com recursos da conta bancária da autuada (itens 1.3 e 3.6 do auto Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.067 9 de infração). Porém, que a conta bancária era lastreada por inúmeros depósitos cuja origem a autuada não indicou nem pôde relacionar a seus negócios comerciais. Também ficou comprovado que os impostos incidentes nas importações foram pagos pelos despachantes aduaneiros com recursos de terceiros, ou, residualmente, com recursos transferidos pela autuada, mas de origem indeterminada. Finalmente, foi demonstrado que os demais custos operacionais foram enfrentados com recursos de origem incerta ou mesmo custeados por terceiros. Os subitens 2.1, 2.2 e 2.3 seguintes resumem como estes três elementos foramdescritos no auto de infração. 0 item 1.2 do auto de infração descreve o procedimento instituído pela IN SRF n°. 228/2002, esclarecendo que (fl. 06): "Portanto, a pessoa que opera no comércio exterior possui o ônus de comprovar a regularidade dos recursos empregados nas transações realizadas, nos termos do art. 23, § 2° do DecretoLei n°. 1.455/76, em sua novel redação. 0 administrado devera demonstrar, sem que pairem dúvidas, que os recursos empregados nas operações de comércio exterior tiveram origem licita, que de fato estiveram em sua disponibilidade e, finalmente, que foram efetivamente transferidos às partes contratantes. "Tendo por base a exigência legal citada, a verificação da regularidade dos recursos utilizados no comércio exterior é a linha mestra deste procedimento fiscal." Assim, atendendo ao rumo fixado pela lei, as verificações focaramse nos recursos empregados nas importações, especialmente os pagamentos pelas mercadorias importadas (remetidos por contrato de câmbio), dos impostos incidentes e dos custos operacionais (armazenagem, demurrage, etc.). 0 procedimento de fiscalização pode ser resumido singelamente: a autuada foi repetidamente intimada a comprovar a origem dos recursos que custearam as importações sem que jamais esta prova fosse feita. Todos os termos de intimação apresentados à fiscalizada mencionaram explicitamente que este era o rumo do procedimento (fls. 66, 70, 73, 75, 77, 79, 82, 88, 94, 96, 98). As mercadorias importadas foram pagas com recursos de origem indeterminada Conforme esclarecido no item 1.3 (fl. 7), a normatização do SISCOMEX determina que o contrato de câmbio seja realizado pela mesma pessoa que registrou a declaração de importação. Como o dinheiro é remetido necessariamente por débito em contacorrente, o exame da origem dos recursos bancários é obrigatório. No item 3.6 (fl. 22) indicase a linha de investigação determinada por esta normatização: Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 10 Conforme já visto no item 1.3, através do contrato de câmbio são remetidas as divisas para o vendedor estrangeiro da mercadoria que foi importada. Os recursos usados na liquidação devem, necessariamente, estar na conta corrente da pessoa que registrou a correspondente declaração de importação. Assim, tornase obrigatório o exame da origem dos recursos que ingressaram na conta corrente da fiscalizada, já que somente através dela podem os contratos de câmbio ser liquidados." Em suma, a fiscalizada recebeu em sua conta corrente importantes somas que foram utilizadas para pagar pelas mercadorias importadas. Repetidamente intimada, a fiscalizada jamais identificou os depositantes ou os negócios jurídicos relacionados. Produziu apenas alegações que não pôde sustentar ou comprovar. No item 3.6.1 (fl. 22), é feito o relato da tentativa da fiscalizada de relacionar os depósitos recebidos As notas fiscais emitidas e da total incongruência entre estas notas fiscais e a movimentação bancária, e, principalmente, da ausência absoluta de identificação dos depositantes. Destacamos que, conforme relatado na fl. 23, uma parte expressiva dos depósitos questionados, correspondendo a 42% do valor total, sequer foi objeto de alguma alegação pela autuada. A autuada não conseguiu comprovar a origem dos depósitos recebidos, nem que se relacionavam com suas atividades sociais. Questionada especificamente no termo de intimação n°. 215/06 (fl. 98), que repetiu o teor dos termos n°. 179/05 (fl. 79), 217/05 (fl. 82) e 247/05 (fl. 88), a autuada jamais identificou o realizador dos depósitos nem explicou como os depósitos se relacionavam com suas supostas atividades comerciais. Deve ser frisado que somente os depósitos superiores a R$ 5.000,00 foram questionados. Todos os demais foram tidos por legítimos, em critério absolutamente favorável fiscalizada (fl. 24). Assim, é evidente que o auto de infração não desconsiderou totalmente os recursos da fiscalizada, mas tão somente aqueles que, tendo sido exaustivamente questionados, não tiveram sua origem comprovada. 2.2 Os impostos incidentes na importação foram pagos pelos despachantes com recursos transferidos por terceiros ou com recursos de origem indeterminada transferidos pela autuada Conforme mencionado no item 1.4 do auto de infração (fl. 08), os impostos incidentes na importação são debitados diretamente da conta corrente indicada pelo importador. Pode ser utilizada uma conta de terceiros. No caso em tela, em todas as importações foram utilizadas as contas dos despachantes aduaneiros. Intimados, os despachantes aduaneiros apresentaram seus extratos bancários indicando os depósitos que receberam Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.068 11 para pagamento dos impostos relacionados As importações da autuada. Verificouse que estes depósitos, em sua quase totalidade, não partiram da conta corrente da autuada e nem estavam registrados em seu caixa quando foram feitos em espécie. Pouquíssimos partiram da conta da autuada: apenas 17,2% do total transferido à Pellizzaro Assessoria em Comércio Exterior Ltda. e 22,9 % do montante transferido à Opus Comércio Exterior Ltda. Entretanto, como já visto, a conta corrente da autuada era lastreada por recursos de origem indeterminada que, se glosados, tornariam seu saldo sempre insuficiente para arcar com estas despesas. Este ponto é relatado minuciosamente no item 3.7 (fl. 26) do auto de infração. 2.3 Os custos operacionais de importação, exceto contratos de câmbio e impostos, foram em parte pagos por terceiros e em parte pela autuada com recursos de origem indeterminada Última categoria em que se dividem os custos, somente estes poderiam ter sido pagos com recursos do caixa, por inexistir regra que determine a forma de pagamento. Por este motivo, somente a esta categoria de custo podem ser aplicáveis as alegações da autuada de que seu faturamento, consistente em supostos recebimentos em dinheiro, estaria espelhado nas NF de saída e no livro caixa. No item 3.8.1 (fl. 33) foi demonstrado que a autuada inflou artificialmente o saldo contabilizado do caixa somando a ele o saldo da conta bancária. Conseqüentemente, os mesmos valores de origem indeterminada que rechearam a conta corrente da autuada foram também escriturados como se numerário fossem, na tentativa de apresentar um saldo de caixa que pudesse justificar as operações. Além disto, conforme mencionado no item 2.7 (fl. 13), através dos termos de intimação n°. 217/05 (fl. 82) e 247/05 (fl. 88), a autuada foi instada a comprovar o efetivo recebimento de algumas receitas lançadas no livro caixa. Esta comprovação jamais foi feita. Novamente, em critério favorável A autuada, foram selecionadas somente as mais relevantes. No item 3.8.3 (fl. 36) são demonstradas as conseqüências destes fatos. É feito o cálculo do saldo de caixa sem a artificiosa soma do saldo bancário e sem as receitas não comprovadas. E vêse que, para todas as importações, tampouco haveria dinheiro em caixa que pagasse os custos incorridos. Não bastasse isto, também no item 3.8.3 (fl. 36), é relatado que a própria autuada apresentou recibos que indicam pagamento em cheque sem que o extrato da autuada os registrem, demonstrando que houve pagamento por outra Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 12 pessoa. Através do termo de intimação n°. 179/05 (fl. 79), quesito 3, a autuada foi intimada a identificar os realizadores destes pagamentos. Jamais o fez. Assim, ficou demonstrado que a autuada também não comprovou a origem dos recursos empregados no pagamento dos demais custos de importação. Quanto aos valores mencionados nas fl. 1002 e 1003, vêse que não correspondem às notas fiscais de saída apresentadas pela autuada no curso do procedimento. A tabela abaixo, na coluna 2, contém as somas mensais das notas fiscais apresentadas pela fiscalizada e que constam do anexo 7 do auto de infração. A coluna 3 contém os valores listados no item 64 do recurso voluntário, que são muito superiores aos da coluna 2. TABELA (FL1037) Quanto às notas fiscais terem sido consideradas como receita, esclarecemos que o foco do procedimento foram os recursos que sustentaram as importações. Este é o norteamento dado pelo o art. 23 do DecretoLei n°. 1.455/76, introduzido pelo art. 59 da Lei n°. 10.637/2002, que determina a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva entrega dos recursos empregados nas importações. Neste caso, pôde ser apurado que estas importâncias transitaram pela conta corrente da autuada. Exaustivamente inquirida quanto A. origem destes recursos específicos e determinados, a autuada reiteradamente silenciou quanto a sua origem. As notas fiscais de saída foram associadas aos depósitos pela própria autuada quando tentou justificálos (fl. 125 a 128). A autuada alegou que os depósitos questionados correspondiam em parte a grupos de notas fiscais de destinatários diversos (item 2.9 do auto de infração, fl. 14). Entretanto, não identificou os depositantes nem conseguiu relacionar minimamente os depósitos recebidos com as notas fiscais que apresentou ou com seus supostos negócios comerciais. Apenas os depósitos mais relevantes foram objeto de inquirição. Ressaltamos que, por esta metodologia, foram aceitos como legítimos os depósitos não questionados. 0 critério aplicado foi o mais favorável à autuada. Mas, conforme visto nos itens 3.6 (fl. 22) e 3.7 (fl. 26), mesmo com estes valores o saldo ajustado seria sempre negativo ou insuficiente para custear as importações. Ao contrário do que argumenta a autuada no item 56 do recurso voluntário (fl. 1001), não se construiu uma "tese de que faltam a esta (a autuada) recursos para honrar seus compromissos negociais." De modo algum! Verificouse com clareza meridiana que dinheiro não faltou à autuada para que efetuasse as importações. Porém, eram recursos cuja origem permaneceu indeterminada, ao contrário do que determina a lei e a despeito de numerosas oportunidades para que isto fosse feito. A Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.069 13 fiscalizada não identificou de quem recebeu seus recursos e que ligação estes recebimentos teriam com suas supostas transações comerciais. Tampouco a desconsideração se deu por falhas na escrituração, como afirma a autuada nos itens 60 e 61do recurso (fl. 1002). Conforme visto (fl. 35) a escrituração era incongruente com os documentos apresentados, levando a um inchaço inverídico dos saldos de caixa, que, aliás, é uma falha muitíssimo conveniente à autuada. Novamente, foram desconsiderados os recursos que, tendo sido questionados, não tiveram sua origem ou recebimento comprovados pela autuada (item 3.8, fl. 33). ...... Foram trazidas as considerações efetuadas pela diligência, nos termos acima. O interessado foi cientificado, manifestouse sobre o resultado da diligência anterior (deixar claro, que foi de forma intempestiva). O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 909.809,56 referente a multa prevista no art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. Como relatado, a fiscalização concluiu que as operações de importação foram realizadas pela interessada sem que a mesma comprovasse a origem, disponibilidade e transferência dos recursos nelas utilizados, presumindo, dessa forma, que a interessada atuou fraudulentamente como interposta pessoa nas operações de importação que registrou, bem como o julgamento de primeira instância foi no sentido de que os argumentos relativos à inocorrência de dano ao Erário não podem ser acatados, pois, a infração capitulada está prevista em dispositivo legalmente vigente, não sendo possível o afastamento do mesmo no âmbito do julgamento administrativo, ou seja, resultando a tipificação da infração prevista no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, exigida quando as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, prevista em seu § 1º, em virtude da caracterização de dano ao Erário, não mais estão disponíveis, por não serem localizadas ou terem sido consumidas. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 14 Inicialmente, quanto a qualquer possibilidade de dúvida no julgamento, já foi devidamente nesta parte superada pela realização da diligência, que inclusive transcrevi acima e a qual foi lida em sede do relatório. PRELIMINARES 1) Quanto à alegação de decadência do lançamento, a mesma não deve prosperar, pois o procedimento fiscal foi realizado através do levantamento das informações desde a constituição da empresa, no entanto, para fins de autuação, foram desconsideradas operações ocorridas há mais de 5 anos do fato gerador, período que a Fazenda Nacional não detinha condições mais de constituir o crédito tributário, conforme o previsto no DecretoLei de n° 37/66, arts. 138 e 139, inclusive esclarecido na diligência: Quanto à decadência, há que se dizer que o lançamento propriamente dito não incluiu os fatos geradores que o antecederam por mais de cinco anos. E assim mesmo, afastando qualquer dúvida quanto a este aspecto, o primeiro questionamento quanto 5. integralização de capital foi feito em 14/10/2004 tendo, segundo o livrocaixa da fiscalizada, a integralização do capital social, já com o valor de sua primeira alteração, no total de R$ 20.000,00, se dado em 01/12/2002 (fl. 131). Portanto, quando questionada pela primeira vez sobre o capital social nem dois anos havia se passado desde sua suposta integralização. Logo, para fins de autuação, por sua vez, foram desconsideradas as operações cujo fato gerador ocorreu no período em que a Fazenda não mais detinha a faculdade de constituir o crédito tributário. 2) Quanto à questão da desconsideração da integralização do capital social como fonte de recursos. Observase que: O capital social foi desconsiderado como origem de recursos por absoluta ausência de provas da efetiva entrega dos recursos a. sociedade. Solicitada a fazer tal comprovação através dos termos de intimação n°. 136/04 (fl. 66), de 14/10/2004, e 178/04 (fl. 70), de 10/12/2004, 179/05 (fl. 79), de 11/08/2005, 217/05 (fl. 82), de 31/08/2005, e 247/05 (ft 88), de 23/09/2005, a fiscalizada jamais o fez. A própria redação do item 1 do termo de intimação n°. 247/05 (fl. 89) deixa isto evidente: "1 Comprovar a efetiva entrega a. sociedade dos recursos correspondentes à integralização do capital social, como indicado no instrumento de constituição da sociedade, bem como as integralizações referentes aos aumentos de capital realizados por ocasião da primeira e segunda alteração do contrato social, respectivamente em 29/08/2002 e 05/03/2004. Este quesito corresponde ao item 4 do termo de intimação n°. 179/05 e ao item 1 do termo de intimação n°. 217/05, que não foram respondidos". E esta é a conclusão do item 3.2 do auto de infração (fl. 18), intitulado de "Da ausência de comprovação de integralização do capital social e dos aumentos de capital", em que se afirma que Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.070 15 "a fiscalizada não apresentou qualquer prova de ter efetivamente recebido dos sócios os recursos correspondentes ao capital e seus aumentos". A integralização foi registrada no livrocaixa como tendo sido efetuada em 01/12/2002, portanto durante a vigência da MP 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002, que estabeleceu a presunção de interposição fraudulenta nas importações em que não fosse comprovada a origem, a disponibilidade e a efetiva entrega dos recursos empregados. A fiscalizada não fez a prova que lhe incumbia no procedimento. ....... Conforme demonstrado no item 3.1 deste auto de infração, a Liliana Ltda., no inicio de seu funcionamento, operou por quase um ano, de 26/12/2001 a 01/12/2002, sem escrita contábil, sem possuir conta bancária e sem haver integralizado o capital. Neste período três importações foram realizadas sem que a fiscalizada tenha apresentado qualquer registro de como custeou sua própria existência. Além disso, no item 3.2 viuse que não foi apresentada prova de ter havido integralização do capital nem dos aumentos de capital realizados quando da primeira e segunda alterações estatutárias". Então, nos termos do relatório, percebese que o procedimento da fiscalização teve como objetivo verificar a capacidade da recorrente em arcar com os custos das importações que realizou. Foram solicitadas diversas intimações a apresentação de documentos que comprovassem a origem lícita dos recursos empregados nas operações. Os documentos apresentados e os esclarecimentos fornecidos não foram suficientes para que a mesma comprovasse sua capacidade de operação no comércio exterior, ao contrário, análise técnica constatou que a recorrente não comprovou, em nenhuma das operações analisadas, a legalidade dos recursos utilizados. Concluise que a documentação como prova trazida, permitindo a sua defesa, inclusive, foi insuficiente, mas não se relaciona á nulidade da autuação. 2.1) Da mesma forma (e no mesmo tópico), esclareçase de pronto, que o Ato Declaratório Executivo Coana nº 3/2006 determina que, quando da habilitação para operar no Siscomex, considerese apenas os registros do capital e de seus aumentos em até três anos anteriores ao pedido de habilitação. A norma prevê é que o importador, quando da habilitação para operação no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex, deve apresentar prova da integralização ou aumento de capital que tenha ocorrido nos três anoscalendário anteriores ao do pedido de habilitação. Portanto, essa condição não impede ao procedimento regular de fiscalização, com verificações, esclarecido em diligência, inclusive, como foi o caso. 3) A recorrente alega retroatividade vedada, ou seja, legislação de perdimento a partir da publicação da lei A recorrente alega retroatividade vedada, ou seja, legislação de perdimento a partir da publicação da lei, ensejando nulidade. Registrese, porém, que a legislação de perdimento tem como base legal o art. 23, inc. V e parágrafos 1°, 2° e 3° do Decreto Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 16 n°1.455/76, com as modificações introduzidas pela Lei n° 10.637/02, esta resultante da conversão da Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002. Logo, correto está o procedimento da fiscalização, pois as DI, ou seja, as Declarações especificadas às fls. 7/11, têm como fatos geradores temporais a partir de setembro/2002. Sendo assim, a Medida Provisória n° 66/02 criou os mecanismos para implantação da IN SRF n° 228/2002, possibilitando a inclusão da recorrente em procedimento especial de fiscalização. Portanto, afastadas as preliminares arguidas. Mérito Os fatos relatados e endossados pela diligência apontam pela procedimento de investigação sobre a origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior na qual foi concedida à recorrente de se defender e de demonstrar sua lícita origem, disponibilidade e transferência. Registrese, alguns dos fatos no relatório fiscal, por exemplo, a não comprovação da origem dos depósitos recebidos pela recorrente, quando apresentou esclarecimentos apenas para parte dos mesmos (42% do total de depósitos) e, notese, depósitos que não coincidiam com as datas, valores ou destinatários das notas fiscais de saída informados. Da mesma forma, foi solicitado esclarecimento sobre eventuais empréstimos bancários, o que a recorrente negou ter realizado, alegando posteriormente a realização de empréstimos de familiares sem, contudo, apresentar documentos que comprovassem a alegação. O que se constatou, portanto, foi o recebimento de recursos sem origem identificada, sem escrita contábil adequada, que não se relacionavam com as operações normais de venda da mesma, impossibilitando a fiscalização de aceitálos como parte do seu faturamento. Cuidase de lançamento da multa capitulada no artigo 23, inciso V, §§ 1 º e 3o. do DecretoLei nº 1455/1976, com redação alterada pelo art. 59 da Lei 10637/2002, inerente à conversão da pena de perdimento em multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias caso tenha sido entregue a consumo ou não localizada, que assim dispõe: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(destaquei) A pena prevista para a infração antes descrita é o perdimento das mercadorias importadas, conforme parágrafo 1º do mesmo artigo, assim disposto, in verbis: § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Em razão de as mercadorias importadas não terem sido localizadas, por terem sido consumidas ou revendidas, a fiscalização lavrou auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, nos seguintes termos, in verbis: Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.071 17 § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Concluiuse no decorrer do processo foi constatado que a recorrente não detinha capacidade financeira suficiente para arcar com as despesas aduaneiras relativas às mercadorias que importou. Verificouse que os pagamentos dos custos das importações foram realizados com recursos financeiros de terceiros, sem os quais a interessada não poderia cumprir com suas obrigações de importadora. Assim, a fiscalização estabeleceu a presunção legal da caracterização de interposição fraudulenta de terceiros, tendo por fundamento a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, como disposto no § 2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (destaquei) Através do relatório fiscal e esclarecimentos da diligência, que os adoto no voto (lidos no relatório), o procedimento adotado pela fiscalização se resumiu a verificar a capacidade da interessada em arcar com os custos das importações que realizou. Para tanto solicitou por meio de diversas intimações a apresentação de documentos que comprovassem a origem lícita dos recursos empregados nas operações. Os documentos apresentados e os esclarecimentos fornecidos não foram suficientes para que a recorrente comprovasse sua capacidade de operação no comércio exterior, ao contrário, análise técnica constatou que a recorrente não comprovou, em nenhuma das operações analisadas, a legalidade dos recursos utilizados. Enfim, as alegações da recorrente, entendo que foram refutadas uma a uma pela DRJ, bem como pela diligência; não restando dúvidas sobre as ocorrências identificadas pela fiscalização e sobre a procedência da autuação. Logo, os argumentos relativos à inocorrência de dano ao Erário não podem ser acatados, pois como visto, a infração capitulada está prevista em dispositivo legalmente vigente, não sendo possível o afastamento do mesmo no âmbito do julgamento administrativo, pois a recorrente não logrou comprovar possuir poder econômico para fazer frente às importações nos montantes realizados. Desta feita, ausente a comprovação dos recursos utilizados na transação mercantil, tem cabimento o lançamento fiscal, conforme já se manifestou em caso semelhante no Acórdão no. 30238170, datado de 08.11.2006, nos termos da Ementa: “IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 18 Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas. VALORAÇÃO ADUANEIRA.Inaplicável ao caso dos autos o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) – GATT / 1994, uma vez que a matéria em comento está sujeita a legislação específica, qual seja, à Medida Provisória nº 2.15835/2001. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. REJEITADAS AS PRELIMINARES DE "INDEVIDA QUEBRA DE SIGILO DE COMUNICAÇÃO E DE DADOS", BEM COMO A DE "ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO". RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” Outro caso semelhante é o o Acórdão n° 30133.630, datado de 26.02.2007, conforme Ementa a seguir: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/03/2003 Ementa: NULIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA FÁTICA E JURÍDICA APURADA NOS AUTOS E DESCRITA FUNDAMENTADAMENTE. AMPLA DEFESA OBSERVADA. Não se reconhece violação ao princípio da ampla defesa ou do contraditório quando o voto recorrido aponta, cabalmente, os fundamentos de fato e direito que fundamentaram sua decisão. Notadamente, o inconformismo da parte deve ensejar a interposição de recurso voluntário em busca da reforma da decisão, mas não de sua anulação, eis que ausente violação formal ao direito recorrido. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem dos recursos utilizados nas transações, temse por reconhecida a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Cabível, pois, a pena de perdimento ou posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” Quanto à alegação de que a penalidade pela infração que em tese teria cometido é aquela prevista na Lei nº 11.488/2007, pois a interposição fraudulenta presumida pela fiscalização devido à não comprovação da origem dos recursos empregados no comércio exterior, significa a cessão do nome a terceiros, que, conforme a norma legal citada, tem como penalidade uma multa de 10% do valor da mercadoria, é interpretação equivocada e não se aplica, tampouco é caso de substituição de uma pena por outra. O artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, assim dispõe, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.072 19 valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (destaquei) O artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, por sua vez, estabelece o que segue, in verbis: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976.(destaquei) O parágrafo único do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, supratranscrito, dispõe que, para o caso previsto no caput do artigo, qual seja, a exigência da multa de 10 % do valor da operação acobertada da pessoa jurídica pela irregular cessão do nome em operações de comércio exterior, não se aplica o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, que, determina a declaração de inaptidão nos casos de não comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Observase que antes da edição da Lei nº 11.488/2007, nos casos em que não se comprovasse a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se fosse o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, haveria que se declarar a pessoa jurídica inapta. Essa previsão incluía, inclusive, a hipótese do § 2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, como disposto no § 4º do artigo 81 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 20 Com a edição da Lei nº 11.488/2007, em razão do contido no parágrafo único de seu artigo 33, não mais se aplica o disposto no artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, não mais se declara inapta a pessoa jurídica naquelas situações que especifica. Como se depreende, a norma comentada (Lei nº 11.488/2007) trouxe nova previsão relativamente à penalidade de caráter administrativo, para não mais se declarar a infratora inapta e sim, dela exigir multa equivalente a dez por cento do valor da operação acobertada. A multa capitulada no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, por sua vez, é exigida quando as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, prevista em seu § 1º, em virtude da caracterização de dano ao Erário, quando as mercadorias não mais estão disponíveis, por não serem localizadas ou terem sido consumidas. De se notar que a pena de perdimento tem natureza diversa da declaração de inaptidão antes prevista. Enquanto aquela tem como objeto a pessoa jurídica, esta é de controle aduaneiro, incidindo sobre as mercadorias importadas em situação irregular, portanto perfeitamente aplicáveis simultaneamente. A Lei nº 11.488/2007, ao mesmo tempo em que determinou a não aplicação da inaptidão à pessoa jurídica infratora, previu a exigência de multa pecuniária. Essa substituição de penalidade em nada altera sua natureza e, portanto, fica mantida a possibilidade de sua exigência simultânea com a pena de perdimento, que, notese, não foi revogada em nenhum momento, ainda que essa pena tenha sido convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Verificase, assim como deixar bem claro, que não pode prevalecer a entendimento da recorrente a respeito da substituição da multa ora exigida pela multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Conclusão Por conta da falta de comprovação da origem lícita, bem como disponibilidade e transferência dos recursos aplicados, falta dos registros contábeis e documentação disponibilizada, não há o que se alterar na decisão recorrida, haja vista que, em não estando os mesmos escriturados com observância da legislação própria, impossibilitam a comprovação da condição financeira . Em assim sendo, não merece reparo decisão a quo. Por todo o exposto, afasto as preliminares e no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10730.008277/200774 Acórdão n.º 3201002.080 S3C2T1 Fl. 1.073 21 Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10850.002612/2001-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 31/10/1996 a 30/04/1999
DECADÊNCIA. IRPF. GANHO DE CAPITAL
O ganho de capital sujeita-se à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, para cada operação de alienação contratada, devendo o cálculo e o pagamento do imposto serem efetuados em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês.
Esse imposto está sujeito ao lançamento por homologação e havendo pagamento do imposto, ainda que parcial, o termo de início do prazo de cinco anos para a Fazenda Pública exercer seu direito de revisá-lo e constituir o crédito, é a data da ocorrência do fato gerador.
Inexistindo tal pagamento, o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
IRPF. ALIENAÇÃO DE QUOTAS DE CAPITAL. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS EM PAGAMENTO.
A disponibilidade jurídica de créditos cedidos ao sócio que os incorpora ao patrimônio de empresa por ele controlada, permite apurar o ganho de capital e o respectivo tributo por ele devido quando os valores desses créditos são liquidados e recebidos diretamente nas contas dessa empresa.
JUROS E MULTA. ART. 100 DO CTN. ATOS NORMATIVOS DA ADMINISTRAÇÃO.
A publicação de nova norma da administração que traz interpretação que agrava a tributação do contribuinte relativa à anteriormente vigente, a teor do parágrafo único do art. 100 do CTN, não deve importar na aplicação de multa de ofício e de juros moratórios no período anterior a sua publicação.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para: i) acatar a preliminar de decadência, com base no § 4º do art. 150 do CTN, com relação às quotas alienadas na cláusula A) do contrato e afastar a caducidade do lançamento relativo às quotas alienadas sem pagamento do imposto correspondente; ii) considerar sujeitos à apuração do ganho de capital os valores dos créditos repassados ao contribuinte e por ele incorporados à empresa que controlava; iii) afastar as penalidades e juros moratórios aplicadas aos tributos lançados entre 25/10/1996 e 26/05/1998.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 04/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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IRPF. GANHO DE CAPITAL O ganho de capital sujeitase à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, para cada operação de alienação contratada, devendo o cálculo e o pagamento do imposto serem efetuados em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês. Esse imposto está sujeito ao lançamento por homologação e havendo pagamento do imposto, ainda que parcial, o termo de início do prazo de cinco anos para a Fazenda Pública exercer seu direito de revisálo e constituir o crédito, é a data da ocorrência do fato gerador. Inexistindo tal pagamento, o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. IRPF. ALIENAÇÃO DE QUOTAS DE CAPITAL. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS EM PAGAMENTO. A disponibilidade jurídica de créditos cedidos ao sócio que os incorpora ao patrimônio de empresa por ele controlada, permite apurar o ganho de capital e o respectivo tributo por ele devido quando os valores desses créditos são liquidados e recebidos diretamente nas contas dessa empresa. JUROS E MULTA. ART. 100 DO CTN. ATOS NORMATIVOS DA ADMINISTRAÇÃO. A publicação de nova norma da administração que traz interpretação que agrava a tributação do contribuinte relativa à anteriormente vigente, a teor do parágrafo único do art. 100 do CTN, não deve importar na aplicação de multa de ofício e de juros moratórios no período anterior a sua publicação. Recurso especial provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 26 12 /2 00 1- 79 Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.062 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para: i) acatar a preliminar de decadência, com base no § 4º do art. 150 do CTN, com relação às quotas alienadas na cláusula A) do contrato e afastar a caducidade do lançamento relativo às quotas alienadas sem pagamento do imposto correspondente; ii) considerar sujeitos à apuração do ganho de capital os valores dos créditos repassados ao contribuinte e por ele incorporados à empresa que controlava; iii) afastar as penalidades e juros moratórios aplicadas aos tributos lançados entre 25/10/1996 e 26/05/1998. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 04/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda de pessoa física DIRPF, conforme auto de infração de efls. 717 a 731, cientificado em 19/12/2001. Tratase de lançamento em desfavor de sucessora, na qualidade de responsável tributária de tributos devidos por Manoel José do Carmo Faria, falecido em 16/01/1997. O fato gerador decorreria de apuração errônea de ganho de capital na alienação de quotas de participação social em empresa da qual o de cujus participava. A tributação se referiu aos anoscalendário de 1996, 1997, 1998 e 1999, resultando em um valor originário de R$ 425.774,50, que acrescidos de multas e juros moratórios, calculados até 30/11/2001, montaram a R$ 936.244,28. O auto de infração foi objeto de impugnação pelo contribuinte, em 17/01/2002, anexada às efls. 737 a 764 dos autos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SPOII que, por unanimidade, em 30/08/2006, julgou o lançamento impugnado procedente Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.063 3 em parte, afastando a preliminar de decadência, reduzindo a penalidade aplicada, bem como parcela do imposto cujo pagamento entendeu comprovado, conforme acórdão nº 1715.881, de efls. 1070 a 1086. Inconformado, o contribuinte, em 11/10/2006, apresentou recurso voluntário, às efls. 1094 a 1116, no qual sustentou, em resumo: · a decadência do lançamento efetuado em 2001, haja vista tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação, referente a fato gerador ocorrido em 25/10/1996, afirmando a existência de pagamento e por isso atraindo a aplicação da regra decadencial do § 4º do art. 150 do CTN; · o negócio teria sido implementado da seguinte forma: a) Manoel vendeu a José Antônio as quotas das empresas "Canguru", "Construmarco", "Faria Importadora", "Faria Motos" e "Finama"; b) "Construfert" vendeu para "Constroest" a totalidade das quotas sociais que possuía da "Finama" e da "Construmarco"; c) Manoel e José Antônio permutaram entre si as quotas • sociais das empresas "Constroest" e "Construfert"; d) "Construfert" e "Construmarco" permutaram entre si as quotas sociais das empresas "Constroest" e da própria "Construfert", permanecendo estas em tesouraria; e) "Construfert" passou a fazer jus a 50% dos créditos que "Construmarco" e "Constroest" possuíam perante o DER Departamento de Estadas e Rodagem. · que a permuta das quotas, havida com base no “Instrumento Particular de Transação, Compra e Venda e Permuta de Quotas de Capital Social e Outras Avenças” firmado em 25/10/1996 implicava inexistência de ganho de capital, por inexistir torna no negócio; · houve dois aditamentos ao contrato, um para fixar o valor em reais da parte do negócio originalmente estabelecida em dólares e outro para estabelecer o montante dos créditos que Construfert efetivamente deveria receber referente aos créditos do DER – Departamento de Estradas de Rodagem; firmados em a 26/03/1997 e 20/05/1998, respectivamente; · a contribuinte, à efl. 1103, afirmou ainda: “Por conta das vendas das quotas das empresas "Canguru", "Construmarco", "Faria Importadora", "Faria Motos" e "Finama", Manoel apurou ganhos de capital sujeitos ao imposto de renda de 15%, o que foi devidamente recolhido. No entanto, quanto à permuta realizada, nada foi apurado, posto que nenhum valor era devido”; · entende haver equívoco da fiscalização ao tributar o espólio de Manoel José por créditos que seriam de propriedade da Construfert, relativamente a créditos do DER que foram transferidos a ela por Constroest e Construmarco no negócio realizado se houvesse Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.064 4 tributação esta deveria recair então sobre a Construfert e não sobre o espólio; · combate, ainda, a utilização de custo zero na apuração do ganho de capital em razão do aproveitamento da incorporação de lucros por ela realizada em face de resultados dos anos de 1994 e 1995, pois a fiscalização entendeu que tais lucros seriam considerados zero por interpretação retroativa dada pelo § 3º do aert. 13 da IN SRF 48/1998, violando a apuração de tributação de lucros anteriormente realizada, sem considerar a alteração do mesmo entendimento pela IN SRF 84 de 11/10/2001, anterior ao AI lavrado em 17/12/2001; · por fim, pleiteia o afastamento da multa de ofício com base nos mesmos argumentos do julgado no recurso voluntário 138883 da 2ª Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes. A 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário em 09/08/2007, resultando no acórdão n° 10248.711, às efls. 1134 a 1159, resultando no seguinte acórdão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores até 18.12.1996. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka que não a acolhe. Considerouse impedido de votar a decadência o Conselheiro Alexandre Lima da Fonte Filho. No mérito, por maioria de votos DAR provimento PARCIAL ao recurso para: I considerar permuta a operação entre as partes; II — afastar a multa de oficio e os juros de mora sobre o ganho de capital na permuta das cotas bonificadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka que nega provimento em relação ao item I e provê parcialmente, em relação ao item II, apenas para afastar os juros até a publicação da IN 48, de 1998. Esse acórdão recebeu a seguinte ementa: DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeitas a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação sendo que o fato gerador, regra geral, ocorre em 31 de dezembro de cada ano. No que tange ao ganho de capital, que sujeitase à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, o cálculo e o pagamento do imposto deve ser efetuado em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês, sendo que o fato gerador ocorre na data de cada operação. IRPF PERMUTA DE PARTICIPÁÇÃO SOCIETÁRIA PRINCÍPIO DA ENTIDADE NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IRPF À Lei n. 7713/88, em seu art. 2, determina que o IRPF é devido por regime de caixa, à medida que o ganho de capital for percebido. Se o crédito de terceiro foi pago à pessoa jurídica controlada pelo Contribuinte, este não pode ser considerado como percebido pelo Contribuinte, em respeito ao Princípio da Entidade, pois não ingressou em sua disponibilidade jurídica ou econômica, não implicando em fato gerador do Imposto de Renda. A tributação desses rendimentos depende da efetiva entrega dos valores ao Contribuinte. O recebimento do crédito pela pessoa jurídica. Controlada pelo Contribuinte não descaracteriza o negócio jurídico de permuta, inexistindo a compra e venda alegada pela fiscalização. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.065 5 JUROS E MULTA ART. 100 DO CTN ATOS NORMATIVOS DA ADMINISTRAÇÃO Os Atos Normativos indicados no inciso I do art. 100 do CTN são expedidos para orientação geral dos contribuintes, incluindo a referida IN SRF n° 31 de 1996, cuja observância pelo sujeito passivo implica exclusão de penalidades e dá incidência de juros moratórios, nos termos do parágrafo único do referido artigo 100. Os juros são devidos a partir da ciência do Auto de Infração, quando, em face do lançamento, e somente a partir de então, estará em mora o Contribuinte. Quanto à multa de oficio, esta somente é exigível após a intimação do Contribuinte e sua mora do respectivo pagamento do tributo, ao término da ação administrativa, após o julgamento do recurso voluntário, em face do art. 44, I, da Lei n. 9430/97, que determina a cobrança da multa de ofício de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento após o vencimento. Preliminar acolhida. Recurso parcialmente provido. O acórdão adotou as conclusões do voto vencedor no acórdão 10247681 do próprio colegiado, em julgamento de filha da contribuinte que recebera parte da mesma herança. Cientificada do acórdão em 11/12/2007, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, às efls. 1164 a 1169, em 19/12/2007, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado, tendo em vista que a decisão seria não unânime e contrária à lei ou evidência da prova, pelos seguintes motivos: no que toca à decadência, não teria havido recolhimento suficiente do imposto ou mesmo declaração com informações corretas para que fosse aplicada a norma do § 4º do art. 150 do CTN, por isso incidiria a do art. 173; não se poderia afastar a tributação da permuta de quotas por alegada inexistência de torna, pois, de acordo com a legislação, isto só cabe em caso de unidades imobiliárias e, no caso em apreço, existiria inclusive a disponibilidade econômica, gerando renda por ganho de capital, sendo este passível de tributação; e quanto à penalidade, com base na argumentação da DRJ, protesta pela manutenção da multa aplicada. Em 29/04/2010, a Presidente da 2ª Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do despacho nº 112116/2008, de efls. 1170 a 1171, deu seguimento ao recurso, por entender presentes os pressupostos de admissibilidade. Em 06/03/2008, a contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda, às efls. 1174 a 1187. Repisa o pleito por decadência bem como o da inexistência de ganho de capital em razão da permuta. Além disso, teria havido desconsideração do fato de que o recebimento dos créditos do DER teriam sido por parte da Construfert e não do falecido Manoel José. Por fim, reafirma que os valores de lucros incorporados nos anos de 1994 e 1995 foram considerados na apuração do custo de aquisição das quotas com base na legislação e instruções normativas então vigente, mas a fiscalização entendeu aplicável instrução normativa editada dois anos após a operação tributada, de forma retroativa por considerala interpretativa, de forma a afastar tal custo. Em 24/09/2009 houve ainda a apresentação de Recurso Especial do contribuinte, às efls. 1194 a 1208, tendo ele seu seguimento negado no Despacho nº 2201 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.066 6 00.076, de 29/04/2010, conforme se observa às efls. 1210 à 1216, negativa mantida pelo Presidente do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o Recurso Especial da Fazenda de três questões apenas: aplicação do art. 173 do CTN em relação à decadência, existência de ganho de capital quando do recebimento de créditos do DER pelo contribuinte, desbordando da simples permuta com torna e manutenção das penalidades e juros, nos moldes da decisão de primeira instância. Da Decadência Cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO PORHOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITOTRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃOCUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.067 7 antecipado(Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadêncial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal(Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro",3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo,2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como sabido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A e seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. O contrato, às efls. 142 a 152, que resultou nos ganhos de capital levados à tributação no presente processo, continha diversos negócios, e envolvia não só as pessoas físicas dos sócios Manoel José do Carmo Faria e José Antônio do Carmo Faria, mas também diversas pessoas jurídicas por eles controladas (Canguru Veículos, Concretoeste Indústria e Comércio, Constroeste Industria e Comércio, Construfert Indústria e Comércio, Construmarco Indústria e Comércio, Faria Importadora, Faria Motos, Faria Veículos e Finama Autofinanciamentos). Ou seja, era um contrato atípico, misto, não só em relação aos objetos (compra e venda, permuta, cessões), como em relação aos participantes, empresas e pessoas físicas. Nessa situação, entendo haver distintos atos negociais que tiveram repercussões tributárias distintas. A motivação do contrato era fazer a separação das atividades empresariais de José e Manoel, pretendendo este ficar apenas com o controle sobre a empresa Construfert, Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.068 8 abandonando o controle das demais. A motivação permeia o contrato, mas não define um único negócio; são vários. Estabelece na cláusula A) do contrato (efl. 144) a cedência para Constroeste, por Manoel, de forma onerosa, das quotas que detinha de Canguru Veículos, Construmarco, Faria Importadora, Faria Motos e Finama Autofinanciamento, todas à Constroeste. Aqui temos uma cessão de quotas, em troca de moeda estrangeira, que veio a ser convertida em moeda nacional em momento posterior. Presentes todos os elementos da compra e venda, pelo qual se deram mútua e recíproca quitação (efl. 151). Os pagamentos dos impostos têm comprovantes à efl. 502, decorrentes dos recebimentos de parcelas de pagamentos. Logo, as parcelas de imposto pagas fazem com que a contagem do prazo decadencial referente a essa alienação seja realmente a partir da ocorrência do fato gerador: 26/10/1996, em conformidade com o § 4º do art. 150 do CTN; decaídos os créditos lançados com base na alienação destas cotas. A Cláusula B) é relativa a outra alienação onerosa, mas entre Construfert e Constroeste, não afetando diretamente a tributação de Manoel. Na claúsula C) há referência à “permuta” entre Manoel e José, sem criação de qualquer ônus para os envolvidos; contudo, essa estipulação faz com que José adquira o controle da Constroeste, que já passara controlar a Construmarco pelo disposto nas cláusulas A) e B), enquanto Manoel passara a controlar a Construfert. As cláusulas D), E), F), F.1) e F.2) não implicam em ganho de capital para Manoel ou em alteração de controle societário, mas as cláusulas F.3) e F.4) apresentam dispositivos distintos dos anteriores, pois através delas, Constroeste e Construmarco, passaram a ser totalmente controladas por José, cedendo 50% dos créditos que detinham junto ao DER a Manoel. Relevante ainda o fato de que mesmo admitindo haver mera permuta na cláusula C), o que não houve (pois não se trata de imóveis), não haveria amparo legal para exclusão do campo de incidência do IRPF pelo ganho de capital, conforme já havia sido assinalado pelo Conselheiro Naury Fragoso Tanaka em seu voto. Além disso, as cláusulas F.3) e F.4) introduziram uma torna a ser tributada e que fora ignorada pelo contribuinte. Em virtude de, em momento posterior, o pagamento desses créditos relativos ao DER ter sido realizado em favor da Construfert, isso gerou a discussão sobre seus ingressos no patrimônio desta e não no de Manoel, afastando a torna de seu patrimônio. No voto vencedor do acórdão recorrido, à efl. 1158, afirmase que não haveria nos autos qualquer elemento que indique ter Manoel cedido esses créditos à Construfert. Contudo, podese observar, na Cláusula Quarta do Aditamento a Instrumento Particular de Transação Compra e Venda de quotas de Capital e Outras Avenças (efls. 179 a 183), que Manoel haveria incorporado tais direitos de crédito na Construfert, conforme segue: Cláusula Segunda. — Em conformidade com as cláusulas F.3 e F.4, do mencionado Contrato Particular, ora aditado, o Sr. Manoel José do Carmo Faria tornouse titular de 50% (cinquenta por cento) dos créditos identificados nas planilhas que integram o documento ora aditado, possuídos pelas empresas, CONSTROESTE IND. E COM. LTDA. E CONSTRUMARCO IND. E COM. LTDA., perante o DER – Departamento de Estradas de Rodagem, remanescentes de contratos celebrados com o referido Órgão e vencidos até o dia 31 de dezembro de1994. ... Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.069 9 Cláusula Quarta. — O Sr. Manoel José do Carmo Faria promoveu a incorporação dos direitos aos créditos antes mencionados, na empresa CONSTRUFERT IND. E COM. LTDA., da qual, através das transações feitas no instrumento particular ora aditado, passou a ser titular e controlador absoluto. Através desta incorporação de direitos de créditos, a CONSTRUFERT IND. E COM. LTDA. passou a ser titular dos mesmos, nas mesmas condições previstas no contrato ora aditado. (Sublinhei.) Esse instrumento de aditamento ao contrato é firmado por ambas as empresas cedentes dos créditos do DER, bem como pela Construfert, confirmando que os valores a eles referentes passaram ao patrimônio de Manoel antes de se incorporarem ao Construfert. Por essa razão, fica claro que os referidos créditos, antes de serem saldados por Controeste e Construmarco, embora ilíquidos e incertos (indisponibilidade econômico/financeira), já teriam integrado o patrimônio jurídico (disponibilidade jurídica) de Manoel e só em um segundo momento foram incorporados à Construfert. Quando do pagamento à Construfer, o que ocorre é a definição do valor que previamente não estava estabelecido, para que pudesse ser apurado o ganho de capital. Manoel havia apenas diferido o momento do pagamento de direitos que ingressaram anteriormente em seu patrimônio. Nessa transação não há se falar em pagamento prévio de IRPF relativo ao ganho de capital, pois este não foi reconhecido em momento algum pelo contribuinte, uma vez que ele entendeu inexistir ganho sobre permuta. Por isso, a regra decadencial, aplicável aos fatos geradores decorrentes dessa alienação, seria a do art. 173 do CTN, e não estaria caduco o direito do fisco de lançar os tributos relativos a eles. Relativamente aos juros e multas, o parágrafo único do art. 100 do CTN, afasta a imposição de multas e juros decorrentes da obediência às normas complementares às leis, tais como as instruções normativas da RFB. O entendimento contido no art. 24, inc. I, da IN SRF nº 31 de 22/05/1996 induzia a que se considerassem como custo de aquisição a parcela do lucro ou reserva capitalizada, entretanto, as alterações interpretativas decorrentes da IN SRF nº 48 de 26/05/1998 já alcançavam as apurações da contribuinte a partir de junho de 1998. Por isso, acato a interpretação do relator vencido, que afastou a aplicação de juros de mora e multas de ofício desde outubro de 1997 até maio de 1998 e não até a ciência do auto de infração como defendido pelo relator designado para o voto vencedor. Isso porque a partir daquela data já poderia a sucessora do contribuinte apurar o ganho de capital com base na nova interpretação. Lembrando que em período anterior a outubro de 1997 a própria decisão de primeira instância já afastara a aplicação de quaisquer multas, apesar de manter os juros, pois se embasou no art. 106 do CTN e este dispositivo não afasta a imposição de juros moratórios. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.070 10 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso da Fazenda, para: i) acatar a preliminar de decadência, com base no § 4º do art. 150 do CTN, com relação às quotas alienadas na claúsula A) do contrato e afastar a caducidade do lançamento relativo às quotas alienadas sem pagamento do imposto correspondente; ii) considerar sujeitos à apuração do ganho de capital os valores dos créditos repassados ao contribuinte e por ele incorporados à empresa que controlava; iii) afastar as penalidades e juros moratórios aplicadas aos tributos lançados entre 25/10/1996 e 26/05/1998 . (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10850.002612/200179 Acórdão n.º 9202003.702 CSRFT2 Fl. 1.071 11 Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 18470.729982/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
José Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) José Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 99 82 /2 01 1- 13 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2009, tendo sido apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Stelena Bar Ltda (aluguéis), no total de R$ 20.815,58, com imposto retido na fonte de R$ 377,66. O crédito tributário e o enquadramento legal constam na notificação de lançamento ( fl. 05). Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ( fl. 02), alegando que houve declaração dos valores recebidos da pessoa jurídica supracitada foram declarados, porém no item "Rendimentos Tributáveis", sub item "Recebidos de Pessoa Física/Exterior pelo Titular. Informa que o erro deuse em virtude do não recebimento do documento "COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO NA FONTE" por parte da empresa Stelena Bar Ltda. , bem como pela avançada idade do contribuinte. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não tendo sido comprovado pelo interessado tratarse de rendimento já declarado no campo de pessoa física, fica mantida a omissão apontada na DIRF apresentada pela fonte pagadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O contribuinte foi cientificado do Acordão nº 1252.238 18ª Turma da DRJ/RJ1 em 15/04/13 ( fl. 32). Sobreveio recurso voluntário em 20/05/2013 (fl. 39/45), acompanhado de documentos (fl 46/108), no qual o contribuinte repisa os argumentos da impugnação, informando que houve erro na confecção do IR e não omissão e que a origem de todos os valores recebidos pode ser comprovada. É o relatório. Passo a decidir. Voto Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.729982/201113 Acórdão n.º 2301004.566 S2C3T1 Fl. 113 3 O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 15/04/13, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. fl. 32. Já o recurso foi apresentado em 20/05/2013, (fls. 39/45). Temse, portanto, que o recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. Nesse sentido, é forçoso concluir pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005697/2011-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/05/2011, 31/05/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE.
Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/05/2011, 31/05/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado.
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 56 97 /2 01 1- 96 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 230), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.547, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 04 a 32, cientificados em 19.07.2011, em que são exigidos os impostos de Importação e Sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, e as contribuições PISImportação e COFINS Importação, acrescidos dos juros de mora calculados até 30.06.2011, perfazendo um montante de R$ 338.530,55. Através das declarações de importação (DI) nº 11/09749580, 11/09749499, 11/09749572 e 11/09749564, registradas em 27.05.2011, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 000732469.2011.4.03.6100, impetrado perante a 26ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005697/201196 Acórdão n.º 3802004.129 S3TE02 Fl. 232 3 A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram entregue em atenção ao despacho exarado no mandado de segurança supracitado e atendendo o disposto no MEMO/SACAT/ALF/SPO nº 89, de 30 de maio de 2011 (fls. 33). No item 1 do referido expediente, a autoridade competente, expõe o que segue: “1. Nos termos da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 0000732469.2011.4.03.6100, da 26ª Vara Federal/SP, proposta pela SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA – HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, contra o Inspetor Alfandegário da Receita Federal em São Paulo, objetivando o desembaraço das mercadorias descritas na inicial, sem o recolhimento de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, o juízo assim se manifestou:”CONCEDO A LIMINAR para o fim de assegurar o direito da impetrante em obter o desembaraço aduaneiro dos bens relacionados na inicial, sem que lhe seja exigido o recolhimento do imposto sobre produtos industrializados IPI, do imposto de Importação II, do PIS e da COFINS”. Ainda, a autoridade lançadora salienta que: “(...), e por considerar a pleiteada imunidade incabível, lavramos o presente auto de infração para a constituição dos créditos tributários, que se encontram com suas exigibilidades suspensas, nos termos da liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000732469.2011.4.03.6100, em trâmite na 26ª Vara cível/SP, impetrado pelo importador. Em cumprimento à determinação judicial exarada nos autos do processo judicial citado, houve autorização, através do MEMO SACAT/ALF/SPO nº 89/2011 de 31/05/2011, para que esta fiscalização procedesse ao desembaraço e a entrega da carga em questão. Em cumprimento ao disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, deixouse de exigir a multa de ofício,.” Dos autos se depreende também que a inicial que deu azo à citada ação mandamental foi protocolada em 05.05.2011, ocasião que a impetrante assim se manifesta em seu pedido: “DO PEDIDO Uma vez demonstrado o direito líquido e certo do Impetrante de não ser compelido a recolher os tributos acima mencionados e presentes os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”, bem como a flagrante ilegalidade do ato coator atacado, requerse: 1 – a concessão de MEDIDA LIMINAR, inaldita altera pars, sem qualquer espécie de caução, para assegurar seu direito líquido e certo de, nos termos da Constituição Federal, proceder o desembaraço dos bens citados à pagina 02/03, sem o Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 recolhimento dos tributos federais (Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins). 2 – que seja oficiado o Ilmo. Sr. INSPETOR ALFANDEGÁRIO DA RECEITA FEDERAL DE SÃO PAULO (Rua Celso Garcia, nº 3580), para que realize o desembaraço dos bens abaixo mencionados, que aguardarão o início dos procedimentos aduaneiros no EADI/São Paulo – CNAGA (Av. das Nações Unidas, nº 22452 – Jurubatuba São Paulo/SP), sem a apresentação das guias comprobatórias de recolhimento dos tributos em questão. (...) 5 – por fim, que à época da prolação da sentença seja concedida DEFINITIVA SEGURANÇA, nos estritos termos constitucionais, ou seja, para que a Impetrante não seja obrigada a recolher os aludidos tributos e, por fim, para que a autoridades coatora indicada se abstenha da prática de qualquer ato tendente a restringir esse seu direito, tais como a lavratura de auto de infração e a conseqüente imposição de penalidades. (...)”. Corroborando a informa supra, dos autos emerge também a decisão exarada, em 06.05.2011, pelo Juízo a quo, que assim se manifestou: “CONCEDO A LIMINAR para o fim de assegurar o direito da impetrante em obter o desembaraço aduaneiro dos bens relacionados na inicial, sem que lhe seja exigido o recolhimento do imposto sobre produtos industrializados IPI, do imposto de Importação II, do PIS e da COFINS”. Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu defesa administrativa protocolada em 05.08.2011 para, de início, alertar que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força da liminar deferida em 10.05.2011, concedida nos autos do Agravo de Instrumento TRF nº 001472841.2011.4.03.0000, originário do Mandado de Segurança nº 000732469.2011.4.03.6100, da 26ª Vara Cível da Subseção Judiciária Federal de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Prosseguindo na sua defesa, alega que ainda que o tributo fosse devido, no presente caso não seria possível a aplicação dos juros moratórios, em razão do disposto no inciso IV do artigo 151 do CTN. Assevera que estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa por conta do deferimento de medida liminar que lhe foi deferida não há falar em aplicação de juros, pois se não pode ser cobrar o referido tributo, não há, por decorrência, como entender que esteja em mora. Cita, em seu favor, doutrinas e jurisprudências sobre os temas em debate. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005697/201196 Acórdão n.º 3802004.129 S3TE02 Fl. 233 5 Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/05/2011, 31/05/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/05/2011, 31/05/2011 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta do deferimento de medida liminar; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 230), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta do deferimento de medida liminar; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, junto a impugnação, haver sido feita a juntada da petição inicial do writ, bem como cópia da Conclusão da Justiça Federal no Processo nº 000732469.2011.4.03.6100 perante a 24ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, que se encontram anexados ao processo às fls. 164 e seguintes, que permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005697/201196 Acórdão n.º 3802004.129 S3TE02 Fl. 234 7 (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." No mesmo diapasão, no Voto da Decisão da DRJ às fls. 197/204, fica consignado que (grifouse): "(...) Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 000732469.2011.4.03.6100, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, perante a 4ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio das DI nº 11/09749580, 11/09749499, 11/09749572 e 11/09749564, registradas em 27.05.2011, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação. De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Esse entendimento já foi pacificado e foi nesse sentido que foi editada a Súmula nº 5, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), publicada no DOU de 22.12.2009, que assim expressa: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida, parcialmente, nos autos do Mandado de Segurança nº nº 0007324 69.2011.4.03.6100, da 4ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária Federal em São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Ressaltase que foi proferida sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente, parcialmente, nos autos do Mandado de Segurança referido. E, ao recurso de apelação foi atribuído efeito suspensivo conforme decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 002893982.2011.4.03.0000/SP (extrato/cópia anexa ao Recurso Voluntário). Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005697/201196 Acórdão n.º 3802004.129 S3TE02 Fl. 235 9 Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10980.006081/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme preceitua o Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2202-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme preceitua o Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 60 81 /2 00 9- 65 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006081/200965 Acórdão n.º 2202003.040 S2C2T2 Fl. 137 2 Adoto como relatório aquele elaborado pelo Julgador de 1ª instância, que bem descreve e resume os fatos (fl. 41), complementandoo ao final: Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 05 e 06, ajustou se para R$ 5.955,97 o saldo de imposto a restituir apurado pelo contribuinte, relativo ao exercício 2007, anocalendário 2006. A autuação, originada da revisão da declaração de ajuste anual (fls. 11 a 13), constatou, de acordo com a documentação apresentada, omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, R$ 109.045,20, conforme segue:... (...) Cientificado do lançamento postado em 15/05/2009 (fl. 15), o contribuinte apresentou, em 18/06/2009, a impugnação de fls. 01 a 03, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 17), alegando que persistem algumas inconsistências na Notificação de Lançamento gerada pela apreciação da Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL). Argumenta que os valores auferidos se referem à demanda trabalhista contra o Banco Banestado (atual Banco Itaú). Esclarece que os rendimentos tributáveis, conforme informação em Dirf expedida pela fonte pagadora e comprovante anual de rendimentos (fl. 10), totalizaram R$ 373.442,89, dos quais caberia descontar os honorários advocatícios de R$ 144.537,00 (Nota Fiscal, fl. 08). Acrescenta que os documentos que instruem a petição foram apresentados para análise da SRL e ressalta, ainda, o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis da ordem de R$ 78.340,81, também informados nesses documentos. Entende que o valor referente à demanda trabalhista a ser tributado no ajuste anual totalizaria R$ 228.905,89, não havendo, assim, que se falar em omissão de rendimentos, (...) Ao analisar os autos, assim dispôs o Julgador de Primeira Instância, para ao final concluir pela procedência PARCIAL da Impugnação: Cabe salientar que, ao elaborar, na impugnação, demonstrativo apurando R$ 35.943,40 de saldo de imposto a restituir (fl. 03), o impugnante deixou de incluir no total dos rendimentos auferidos na RT. o valor do imposto de renda retido na fonte, que somente poderá ser compensado se submetido ao ajuste anual, juntamente com os demais rendimentos tributáveis. Contudo, a descrição das parcelas, no Resumo das verbas trabalhistas de fl. 29, evidencia o pagamento de verba não tributável sob a rubrica "DIFERENÇA DA MULTA 40% DO FGTS", R$ 10.054,75 (...) Quanto à parcela de R$ 78.340,81, embora informada no campo dos rendimentos isentos e não tributáveis, no comprovante anual de rendimentos de fl. 10, essa condição não restou comprovada Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006081/200965 Acórdão n.º 2202003.040 S2C2T2 Fl. 138 3 nos autos, sendo, assim, incabível pretender sua exclusão da base de cálculo do imposto. Isso posto, voto no sentido de parcialmente procedente o lançamento, alterando para R$ 9.560,77 o saldo de imposto a restituir, observados eventuais regates efetuados. Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 22/03/2011, conforme AR na fl. 47, e apresentou recurso voluntário em 09/05/2011, conforme protocolo ao pé da folha 49. Em sede de recurso, reconhecendo que o valor efetivamente levantado fora maior que o declarado, pondera que existiriam valores relativos a rendimentos isentos e não tributáveis, conforme discrimina, e desconto a ser feito em relação à parcela paga a título de honorários advocatícios. Apresenta uma planilha de cálculos, para concluir e pleitear uma restituição de R$ 20.672,25, superior, portanto, àquela que fora deferida no Julgamento de 1ª instância. Anexa documentos. Assim, REQUER que seja dado provimento ao recurso para revisão do cálculo do imposto a restituir. A Unidade de origem providenciou a restituição da diferença entre o valor apurado na Notificação de Lançamento e o valor alterado no julgamento da Impugnação e propôs o encaminhamento ao CARF para julgamento do recurso voluntário. O recurso foi apreciado em Sessão de 14 de agosto de 2012, deste Conselho, decidindose pelo sobrestamento do julgamento, considerando que a matéria envolve a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, em virtude de sentença judicial trabalhista; ter o STF, então, reconhecido a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento do julgamento de outros recursos atinentes, na origem, e determinação regimental interna, nesse sentido, então em vigor. Superadas as razões do sobrestamento, o recurso volta a ser distribuído para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. PRELIMINAR. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na folha 46 consta que a Intimação SECAT n° 272/2011 foi emitida em 10/03/2011 pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, com a finalidade de dar ciência ao interessado do Acórdão 0630.334 e, considerando a decisão da Turma de Julgamento, foramlhe facultados vista do processo e a possibilidade de recurso administrativo, no prazo de trinta dias contados a partir do recebimento do expediente. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006081/200965 Acórdão n.º 2202003.040 S2C2T2 Fl. 139 4 Na folha 47, consta a cópia do Aviso de Recebimento, entregue em 22/03/2011, que, observamos, tratouse de um dia de terçafeira, onde não consta feriado, conforme o carimbo dos Correios e com essa data e assinatura de Dalton Kovalski. O expediente foi entregue no endereço Rua Manoel Eufrásio Correia, 1216, Vila Fatty, CEP: 83.900000, o mesmo que consta da Impugnação, da Declaração e do Recurso. Vale então transcrever a Súmula CARF nº 9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do prazo da interposição de recurso contra decisão de primeira instância, assim dispõe: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão” Por sua vez, o art. 5º do mesmo Decreto disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos. “Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Dessa feita, considerando a ciência no dia 22 de março de 2011 (terça feira) e o início da contagem no dia 23 de março (quarta feira), o trigésimo dia posterior deuse em 21 de abril de 2011 (feriado Tiradentes, sendo o dia 22 também feriado Paixão de Cristo, sexta feira). Portanto, o término do prazo ocorreu no dia 25 de abril de 2011, segunda feira, e o recurso que foi apresentado somente em 09 de maio de 2011 é extemporâneo. Observo que essa data de protocolo é a mesma da assinatura do recurso e também do reconhecimento de firma, em Cartório, não podendo mesmo ter sido entregue antes. O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. O Código de Processo Civil até permite que após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 183). Entretanto, para o Código, “reputase justa causa o evento imprevisível, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006081/200965 Acórdão n.º 2202003.040 S2C2T2 Fl. 140 5 alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário” (art. 183, § 1º). (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) Ressalto que o contribuinte nada alegou sobre a (in)tempestividade em seu recurso. Por essa razão, VOTO por não conhecer do recurso e não se adentra no mérito da controvérsia. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16561.000184/2007-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2002
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO.
As receitas auferidas nas operações de exportação efetuadas com pessoa
vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos
bens, serviços ou direitos, for inferior a noventa por cento do preço médio
praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado
brasileiro. Lançamento exonerado em parte por falta de comprovação da
necessidade do arbitramento.
MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
Não sendo indicado o método de apuração dos preços de transferência, os
Auditores Fiscais encarregados da verificação poderão determinálos
com
base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos
previstos na legislação.
OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP.
Não logrando a contribuinte comprovar estar dispensada da apuração dos
preços de transferência, mantémse
a exigência, calculada nos termos da
legislação vigente.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO.
O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados
em lançamento de ofício é de 75% do valor do tributo.
JUROS DE MORA. SELIC.
A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência
de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo
previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas
jurídicas.
LANÇAMENTO REFLEXO.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase
à
tributação dele decorrente.
Numero da decisão: 1301-000.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva LUcas
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EXPORTAÇÃO. As receitas auferidas nas operações de exportação efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro. Lançamento exonerado em parte por falta de comprovação da necessidade do arbitramento. MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Não sendo indicado o método de apuração dos preços de transferência, os Auditores Fiscais encarregados da verificação poderão determinálos com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. Não logrando a contribuinte comprovar estar dispensada da apuração dos preços de transferência, mantémse a exigência, calculada nos termos da legislação vigente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de ofício é de 75% do valor do tributo. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva LUcas Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido. Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima qualificada foi autuada e notificada, em 21/12/2007, a recolher crédito tributário no valor de R$ 17.505.367,82, relativo ao IRPJ, e CSLL referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2002. Conforme Termo de Constatação Fiscal — Parcial de fls. 516 a 527, a fiscalização teve por finalidade verificar a correta apuração dos preços de transferência nas operações de exportação com pessoas vinculadas nos anoscalendário de 2002 a 2005. Conforme relatado pelo autuante, no curso do procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar diversos documentos bem como os demonstrativos utilizados para a apuração dos cálculos dos preços praticados e valores dos ajustes realizados, assim como o método para a determinação dos preços parâmetros, para todos os períodos sob análise. Em 03/08/2007, o contribuinte encaminhou CDROM contendo os demonstrativos solicitados e ao mesmo tempo informa ao autuante "que as operações de exportação realizadas para pessoa considerada vinculada, no anocalendário de 2002, não estão sujeitas ao arbitramento previsto no art. 14 da 1N SRF n' 293, de 2002, conforme indicam as anexas cópias da ficha 32 da DIPJ 2003,. (fl. 354). Ao final do documento encaminhado solicita prazo para apresentar informações que demonstrem a não sujeição das receitas de exportações realizadas no anocalendário de 2002 ao arbitramento disposto no art. 14 da IN SRF n°243/2002. O autuante prossegue na análise dos documentos enviados pelo contribuinte. Solicita em 06/11/2007, por meio do Termo de Intimação n° 3 cópia simples de Notas Fiscais, aleatoriamente selecionados, relativas aos anos de 2002 e 2003, com o objetivo de realizar mediante confrontação por amostragem, a verificação dos dados previamente entregues por meio óptico. A análise das Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte em 12/11/2007 e a solução das pendências verificadas só foram solucionadas em relação ao anocalendário de 2002 em 13/12/2007. Com base nos dados fornecidos pelo contribuinte, a fiscalização apurou preços parâmetros de todos os itens não dispensados pelo critério da margem de 90% (Artigo 14 da IN SRF 243/2002) pelo método CAP, que leva em consideração o custo das aquisições e da produção, acrescidos da margem de 15%, conforme disposto no artigo 26 da referida Instrução Normativa. A Fiscalização apurou, de acordo com os dados fornecidos e pelo método CAP, ao ajuste em relação aos produtos “Milho em Grão, Algodão Pluma, Poupa Laranja Pasteurizada Congelada, Álcool Etílico e Farelo Hipro 48, determinando os Preços Médio de Exportação, Preços Médio no Mercado Interno e 90% do Preço Médio Praticado no Mercado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Interno, e com base nas quantidades totais adquiridas conclui os cálculos chegando a um total de AJUSTE APURADO PARA O ANO CALENDÁRIO DE 2002 de R$ 20.477.419,61, tudo demonstrado conforme tabelas de fls. 1683/1684. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n ° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: IRPJ (fls. 1215 a 1217), com base no artigo 19 da Lei n° 9.430/96 e artigo 240 do RIR/99, constituindo um crédito tributário no valor total R$ 12.871.594,02, referente ao imposto apurado, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora calculados até 30/11/2007; CSLL (fls. 1220 a 1222), com base no artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei n° 9.249/95; artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei 9.430/96 e artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições, constituindo um credito tributário no valor total de R$ 4.633.733,80, referente à contribuição apurada, acrescida da multa de oficio de 75% e dos juros de mora calculados ate 30/11/2007. Cientificada do lançamento em 21/12/2007, a empresa interessada, por meio de seus procuradores regularmente constituídos (fls. 1255 e 1256), apresentou em 22/01/2008 a impugnação de fls. 1229 a 1252, acompanhada dos documentos às fls. 1253 a 1677, na qual alega, em síntese o seguinte: DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O auto de Infração lavrado contra a Recorrente discorre sobre fatos ocorridos no períodobase de 2002, pretendendo realizar ajustes decorrentes da suposta aplicação dos métodos de preços de transferência. Contudo a Recorrente apura e recolhe o IRPJ e a CSLL de acordo com o regime do lucro real anual (com recolhimento mensal). Ou seja, os pagamentos são efetuados em bases mensais. Partindose desta premissa, temse que a presente autuação somente poderia se referir a fatos geradores ocorridos a partir de 21/12/2002(cinco anos antes da lavratura do auto de infração), não podendo atingir as operações realizadas antes deste período. O IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e por não ter havido falta de pagamento dos referidos tributos, a contagem do prazo, decadencial no presente caso devese pautar pelo disposto no artigo 150, § 4o., do CTN, e não pelo artigo 173, inciso I, do mesmo diploma. DO MÉRITO Não há qualquer irregularidade nos preços praticados pela Recorrente em suas transações realizadas com partes relacionadas no exterior, de forma que o presente Auto de Infração deve ser integralmente cancelado. As normas de preços de transferência devem ser aplicadas com parcimônia, em respeito ao contexto específico do mercado de atuação da empresa analisada e com extrema exatidão na análise das operações e dos valores que comporão o cálculo do "preço parâmetro". Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 3 5 O cálculo do "preço parâmetro" pode sofrer enormes distorções por um simples desvio de unidade de medida adotada ou pela consideração equivocada dos produtos "equivalentes" àquele analisado. O que se demonstra na presente impugnação é que os preços praticados pela Requerente observam de forma estrita à legislação de preços de transferência. De fato, pequenos ajustes nas planilhas encaminhadas pelas D. Autoridades Fiscais são capazes de demonstrar que não houve qualquer transferência de lucros nas transações realizadas pela Requerente com empresas relacionadas no exterior. Pelo contrário, as operações foram realizadas a valor de mercado, sem qualquer infração à legislação fiscal. Em resumo, esta autuação fiscal deve ser cancelada pelos seguintes motivos: (i) no que diz respeito ao Milho em Grãos e ao Algodão Pluma, a aplicação do Método do Preço de Venda por Atacado no País de Destino Diminuído do Lucro ("PVA") demonstra que os preços praticados pela Requerente encontramse dentro da margem admitida pela legislação de preços de transferência; (ii) para o caso do álcool etílico, o cálculo do preço parâmetro foi distorcido pela inclusão de transação complementar realizada no anocalendário de 2001; (iii) no caso do "Farelo Hipro 48", a D. Fiscalização considerou no custo de produção somente determinadas transações praticadas com o "Farelo Hipro", desconsiderando as demais transações com farelo de soja sem qualquer fundamento técnico; e (iv) por fim no caso da "Polpa de Laranja", não pode a D. Fiscalização arbitrar um preço de exportação para produto derivado de commodity negociada no mercado internacional, que sofre interferência de inúmeros outros fatores. DA MULTA E OS JUROS Muito embora a Requerente já tenha demonstrado de forma incontestável a inconsistência do crédito tributário exigido nestes autos, convém ressaltar que houve excesso na exigência de uma multa de oficio de 75% sobre o pretenso débito em questão, a qual deve ser reduzida a um percentual razoável. Não é justo que a Requerente seja apenada com tão excessiva multa de 75% do principal, cujo valor praticamente se equipara ao valor do tributo considerado devido pela Fiscalização. Na forma como foi aplicada, a multa configura urna situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. No que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. É o relatório. A seguir, por pertinente, transcrevo a ementa inserida no acórdão recorrido (DRJ/SPOI 1617.739): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. Em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do ano calendário, em 31 de dezembro. A partir dessa data, e não da data dos recolhimentos antecipados, tem início a contagem do prazo para homologação do lançamento. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. As receitas auferidas nas operações de exportação efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro. Lançamento exonerado em parte por falta de comprovação da necessidade do arbitramento. MÉTODOS DE APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Não sendo indicado o método de apuração dos preços de transferência, os Auditores Fiscais encarregados da verificação poderão determiná los com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. MÉTODO CAP. Não logrando a contribuinte comprovar estar dispensada da apuração dos preços de transferência, mantémse a exigência, calculada nos termos da legislação vigente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de ofício é de 75% do valor do tributo. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte” É o relatório. Passo ao voto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Recurso tempestivo e assente em lei. De início cumpre ressaltar que a autoridade de primeiro grau manteve parcialmente os lançamentos, exonerando, no caso, o arbitramento com relação as operações realizadas com os produtos Polpa de Laranja Pasteurizada, (R$ 45.871,70), Álcool Etílico (R$ 2.095.499,66) e Farelo Hipro 48 (R$ 2.950.499,23), visto que a fiscalização arbitrou o ajuste sem demonstrar sua necessidade, conforme comanda o artigo 19 da Lei 9.430/96, pelo que recorre de ofício. O valor do crédito exonerado supera o limite que sujeita a decisão à revisão necessária. Conheço de ambos os recursos. Em primeiro plano cabe analisar o Recurso de Ofício. Neste particular tomo de empréstimo a síntese constante da bem fundamentada decisão recorrida: Conforme Termo de Constatação fiscal — Parcial de fls. 516 a 527, a interessada foi autuada, em decorrência da constatação de que os produtos Milho em Grãos, Algodão Pluma, Polpa de Laranja Pasteurizada, álcool etílico e Farelo Hipro 48, objeto de operações de exportação com pessoas vinculadas, estão sujeitos aos ajustes previstos na legislação dos preços de transferência. A autuação está fundamentada no artigo 19 da Lei 9.430/1996, reproduzido a seguir: Art. 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 1° Caso a pessoa jurídica não efetue operações de venda no mercado interno, a determinação dos preços médios a que se refere o caput será efetuada com dados de outras empresas que pratiquem a venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro. § 2o.Para efeito de comparação, o preço de venda: I no mercado brasileiro, deverá ser considerado líquido dos descontos incondicionais concedidos, do imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços, do imposto sobre serviços e das contribuições para a seguridade social COFINS e para o PIS/PASEP; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 II nas exportações, será tomado pelo valor depois de diminuído dos encargos de frete e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa exportadora. § 3° Verificado que o preço de venda nas exportações é inferior ao limite de que trata este artigo, as receitas das vendas nas exportações serão determinadas tomandose por base o valor apurado segundo um dos seguintes métodos: I Método do Preço de Venda nas Exportações PVEx: definido como a média aritmética dos preços de venda nas exportações efetuadas pela própria empresa, para outros clientes, ou por outra exportadora • nacional de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, durante o mesmo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Venda por Atacado no Pais de Destino, Diminuído do Lucro PVA: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado atacadista do pais de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço, cobrados no referido país, e de margem de lucro de quinze por cento sobre o preço de venda no atacado; III Método do Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído do Lucro PVV: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado varejista do pais de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço, cobrados no referido pais, e de margem de lucro de trinta por cento sobre o preço de venda no varejo; IV Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro CAP: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, serviços ou direitos, exportados, acrescidos dos impostos e contribuições cobrados no Brasil e de margem de lucro de quinze por cento sobre a soma dos custos mais impostos e contribuições. § 4o. As médias aritméticas de que trata o parágrafo anterior serão calculadas em relação ao período de apuração da respectiva base de cálculo do imposto de renda da empresa brasileira. § 5o. Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado o menor dos valores apurados, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 6° Se o valor apurado segundo os métodos mencionados no § 3° for inferior aos preços de venda constantes dos documentos de exportação, prevalecerá o montante da receita reconhecida conforme os referidos documentos. § 7° A parcela das receitas, apurada segundo o disposto neste artigo, que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real, bem como ser computada na determinação do lucro presumido e do lucro arbitrado. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 5 9 § 8° Para efeito do disposto no § 3° somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. No caso em tela, no curso do procedimento de fiscalização, a interessada informou ao autuante que as operações de exportação realizadas para pessoa considerada vinculada, no anocalendário de 2002, não estão sujeitas ao arbitramento previsto no artigo 19 da Lei n° 9430/1996 (negritei) Solicita prazo, para demonstrar que as operações realizadas estão dentro do limite estabelecido na norma em tela. Não consta dos autos que a interessada tenha apresentado os citados demonstrativos ou que o autuante os tenha solicitado. Pelo contrário, o que se percebe pelos fatos relatados no Termo de Constatação é que o autuante efetuou os cálculos de adequação das operações efetuadas com base nos dados disponibilizados pelo contribuinte. Dito de outra forma, o autuante assumiu o ônus de comprovar a necessidade de arbitramento nas operações realizadas. Nesse sentido cumpre observar que no caso dos produtos Polpa de Laranja Pasteurizada, álcool etílico e Farelo Hipro 48, a fiscalização arbitrou o ajuste sem demonstrar sua necessidade. Com efeito, o autuante informa que não houve, para o período, venda dos produtos em tela no mercado interno. No entanto, não aplica ao caso o disposto no § 1° do artigo 19 da Lei n° 9.430/1996 o qual determina que: "Caso a pessoa jurídica não efetue operações de venda no mercado interno, a determinação dos preços médios a que se refere o caput será efetuada com dados de outras empresas que pratiquem a venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro" (destaque nosso). Destarte os ajustes apurados pela fiscalização para os produtos Polpa de Laranja Pasteurizada no valor de R$ 45.871,70; Álcool Etílico no valor de R$ 2.095.499,66; e Farelo Hipro 48 no valor de R$ 2.950.499,23 devem ser exonerados, por falta de comprovação de sua necessidade. Assim, em relação as alegações postas pela interessada cabe apenas analisar a pertinente ao Milho em Grãos e ao Algodão Pluma. Neste tópico, concluo por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Para que não alegue qualquer omissão nesse julgamento, esse Relator passa a examinar pontualmente as alegações recursais, conforme pedido, fls. 1737/1738, a saber: (i) o presente Recurso Voluntário é tempestivo, devendo ser conhecido e processado regularmente; (ii) as regras de preços de transferência visam evitar a transferência indevida de resultado ao exterior, estabelecendo quatro métodos que o contribuinte pode adotar para comprovar a sua adequação e determinando que o contribuinte pode utilizar, dentre tais métodos, o que lhe for mais conveniente; (iii) no caso do milho e do algodão, a Recorrente utilizou o método PVA, que efetivamente suporta os preços praticados em suas operações. Isso, por si só, demonstra a inadequação da utilização do CAP pela Fiscalização; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 (iv) além disso, diferentemente do que entendeu a D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância, a documentação e os cálculos apresentados pela Recorrente nestes autos devem ser obrigatoriamente analisados, em obediência ao princípio do contraditório e da ampla defesa; (v) no caso do farelo de soja, da polpa de laranja e do álcool etílico andou bem a D. Autoridade Julgadora ao cancelar a exigência fiscal decorrente dos ajustes nos preços realizados pela D. Fiscalização; (vi) ad argumentandum a multa de oficio no valor de 75% da exigência mantida, é excessiva e extrapola os limites razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida; e (vii) a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários. De início, a recorrente em longa exposição tece comentários a respeito da questão relativa a preços de transferência na tentativa de demonstrar que os preços praticados nas exportações de Milho em Grãos e Algodão em Pluma, bem como, dos produtos cujos ajustes foram exonerados pela autoridade julgadora de primeira grau, observaram de forma estrita à legislação, pois, tais operações foram realizadas a valor de mercado. Afirma a recorrente “no que diz respeito ao Milho em Grãos e ao Algodão Pluma, a aplicação do Método do Preço de Venda Por Atacado no País de Destino Diminuído do Lucro ("PVA") demonstra que os preços praticados pela Recorrente encontramse dentro da margem admitida pela legislação de preços de transferência.” Eis a questão, durante o transcorrer da ação fiscal o contribuinte alega que tais operações de exportações não se encontravam sujeitas ao arbitramento previsto no já citado artigo 19 da Lei 9.430/1996, sem contudo apresentar quaisquer demonstrativo probatório (doc. de fls. 354). Importante salientar que não há nenhum ajuste relativo a matéria na DIPJ/2003 apresentada. As autoridades fiscais com base nos dados fornecidos pela própria autuada e exercendo o poder/dever que a legislação impõe, demonstra, então, a necessidade do ajuste previsto em lei, adotando para tal o Método do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP). Neste contexto a IN/SRF 243/2002, assim dispõe: “Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: 1 a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo Único Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II ou se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa”. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 6 11 A recorrente combate, neste tópico, no seu entender, o fundamento invocado pela D. Autoridade Julgadora de primeira instância com base na citada Instrução Normativa, alegando “De fato, o artigo 40 pretendeu apenas estabelecer que caso o contribuinte não demonstre com documentação consistente o cálculo do preço parâmetro, a D. Fiscalização tem a faculdade de determinálo com outros documentos de que dispuserem. Não se trata aqui, de uma presunção absoluta de veracidade e consistência quanto aos ajustes realizados pela D. Fiscalização. Pelo contrário, tratase de dispositivo que estabelece procedimentos à atuação das DD Autoridades Fiscais, que estarão sujeitos a revisão e julgamento em um processo administrativo. Caso a interpretação da D. Autoridade Julgadora seja mantida, haverá verdadeira afronta a direitos constitucionalmente garantidos à Recorrente. Por esse motivo, requerse que o presente Recurso Voluntário e os documentos acostados aos autos sejam integralmente analisados, de forma que seja apreciado o cálculo do preço parâmetro realizado para as operações com Milho em Grãos e Algodão em Pluma.” Enfim, a recorrente afirma “O que se pretende demonstrar no presente Recurso Voluntário é que a aplicação do método PVA para as exportações de milho afastam de imediato qualquer ajuste de preços de transferência no presente caso”. Para tanto junta aos autos planilhas de cálculos comparativos e informações gerais sobre as exportações em foco. Destarte, neste item, resta claro, que durante o procedimento de fiscalização o contribuinte afirma que não estava sujeito ao arbitramento ora contestado. Portanto, acompanho a conclusão da autoridade a quo em manter o ajuste apurado pela fiscalização para os produtos Milho em Grãos e ao Algodão Pluma, visto que atendeu aos ditames do artigo 19 da Lei 9.430/1996 e IN/SRF 243/2002. Por pertinente, a mesma matéria tratada para os ano calendários de 2003 e 2004 (Processo 16561.000179/200845) e com relação aos mesmos produtos (Milho em Grãos e Algodão Pluma), no curso da ação fiscal houve a devida prova dos elementos que serviram de base para o cálculo do preçoparâmetro onde a autuada adotou o método PVA e, neste caso, as autoridades fiscais acataram por ser mais benéfico que o método CAP adotado na fiscalização. LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto ao lançamento decorrente da CSLL, por possuir os mesmos fundamentos fáticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação ao decorrente, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. A MULTA E OS JUROS Assim, constatada a falta de recolhimento de tributos, não poderia a Autoridade Administrativa, no caso a Fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse do dever de realizar o lançamento com os devidos consectários legais, inclusive a referida Multa de Ofício de 75%, eis que a atividade de lançamento é vinculada (artigo 142, parágrafo único, do CTN), observandose que tal multa está prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação pelo artigo 18 da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Nesta parte, mantenho a Multa de Oficio de 75% (setenta e cinco por cento), conforme consta no Auto de Infração. Por fim, com relação a inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic cumpre ressaltar que a matéria encontrase sumulada no âmbito deste Conselho, vejamos as Súmulas 02 e 04: “Súmula CARF n° 2: Inconstitucionalidade – Incompetência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF n 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência. á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” LANÇAMENTOS REFLEXOS Quanto ao lançamento decorrente da CSLL, por possuir os mesmos fundamentos fáticos da presente exigência, a decisão aqui prolatada faz coisa julgada em relação ao decorrente, em vista da íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário. Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000184/200777 Acórdão n.º 1301000.485 S1C3T1 Fl. 7 13 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11131.000229/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/01/2006
CERTIFICADO DE ORIGEM. MERCOSUL. EXIGÊNCIAS.
É vedada a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante a autoridade aduaneira, tendo em vista inobservância das condições do regime de origem sob perda do direito à alíquota preferencial. No caso, o erro cometido é de natureza material, e não formal, o que implica na impossibilidade de substituição de certificado. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, relatora, Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário, que acompanhou a relatora apenas nas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano D'amorim- Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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MERCOSUL. EXIGÊNCIAS. É vedada a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante a autoridade aduaneira, tendo em vista inobservância das condições do regime de origem sob perda do direito à alíquota preferencial. No caso, o erro cometido é de natureza material, e não formal, o que implica na impossibilidade de substituição de certificado. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, relatora, Cassio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário, que acompanhou a relatora apenas nas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D'amorim Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 02 29 /2 00 6- 79 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a exigência Cofins incidente sobre as importações, em virtude da não aceitação do Certificado de Origem, devido ao mesmo não ter sido emitido no modelo aprovado pelo Regime de Origem do Mercosul. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/03/2006, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, acrescido de multa de ofício e juros de mora, no valor de R$ 1.456.562,55 em virtude dos fatos a seguir descritos. Exigência de recolhimento da diferença de Imposto de Importação, com os devidos acréscimos legais, relativamente à Declaração de Importação n° 06/00246170, decorrentes da não aceitação do Certificado de Origem n° 312655, devido ao mesmo não ter sido emitido no modelo aprovado pelo Regime de Origem do Mercosul, e não apresentar informações essenciais, tais como classificação fiscal, regra de origem, valor da mercadoria, data da emissão do certificado e observação no campo 14 de que se trata de operação por conta e ordem do operador, bem como pela impossibilidade de sua substituição pelo Certificado n° 176883, e o não cabimento de sua retificação, por não conter o mesmo um erro formal de preenchimento. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 08/03/2006 (fls. 2), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 07/04/2006, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 72 à 78, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: DOS FATOS Tratase de Impugnação ao Auto de Infração n° 0317600/24618/06, referente à insuficiência de recolhimento da COFINSIMPORTAÇÃO decorrente da não aceitação de Certificado de Origem de mercadoria importada, pela impugnante, da Argentina, classificada, segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul (“NCM”), com o código n°1507.10.00 “óleo de soja, em bruto, mesmo degomado”. A impugnante registrou em 06 de janeiro deste ano Declaração de Importação (“Dl”) n° 06/00246170, na modalidade antecipada, referente à importação da mercadoria supracitada, tendo posteriormente retificadoa por três ocasiões. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 94 3 Em 17/01/2006, foi registrada a retificação n°. 01 da mencionada Declaração de Importação com o fim de alterar dados, tais como transportador, valores e quantidade, permanecendo, no entanto, sem alterações os dados relativos a preferências tarifárias derivadas de acordos. A retificação de n° 2 da Declaração de Importação, datada de 24/01/2006, teve o condão de alterar o número do Certificado de Origem da mercadoria importada, tendose feito constar o de n° 312655. Naquela oportunidade, retificouse também o fundamento legal em que se basearia a preferência tarifária de 100% (cem por cento) da alíquota do imposto de importação «má ,l que inicialmente foi embasado no Acordo da ALADI constante do ACE n° 59 (Decreto n° 5.361/05) e, posteriormente passouse a pleitear o tratamento preferencial contido o Decreto n°. 550/92, que determinou a execução no território nacional do Acordo de Complementação Econômica (“ACE”) n° 18, cujas alterações realizadas pelo 44º protocolo adicional foram incorporadas ao direito brasileiro pelo Direto n°. 5.455/05. Ora, o número que se fez constar na segunda retificação não se referia ao Certificado de Origem do Mercosul ao qual deveria fazer referência, e sim a outro Certificado de Origem emitido pela mesma entidade certificadora, que tinha como base o ACE n°. 59. Por esta razão, o Certificado n° 312655 não estava nos padrões estipulados pelo ACE n° 18 e seu 44° protocolo adicional. Desta forma, quando mudouse o fundamento jurídico do tratamento preferencial, é que foi juntado o único. Certificado de Origem do Mercosul referente à mercadoria objeto da Dl em questão, que é o de n° 176883, apresentado à autoridade alfandegária por ocasião da Retificação n° 03, datada de 03/02/2006. Entretanto, o Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF) recusou a terceira retificação, sob o fundamento de que na legislação aplicável “não se admite a substituição do certificado de origem”, o que serviu de sucedâneo para a lavratura do Auto de Infração contra o qual ora se insurge. Contudo, tal entendimento não deve prevalecer, por várias razões que passamos a expor. Inicialmente, notese que os dois certificados foram elaborados pelo exportador no mesmo dia (30/12/2005), evidenciando que têm propósitos absolutamente distintos; portanto, não se trata o presente pleito de substituição de certificado, mas da efetiva apresentação do certificado devido, concomitantemente ao pedido de retificação de seu número. O próprio Termo de Retenção lavrado pelo auditorfiscal em 08/02/2006 (Doc. 09) corrobora esse entendimento quando, ao Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 descrever os documentos retidos, trataos distintamente da seguinte forma: 1) Via original do Certificado de Origem n° 312655” e 2) Via original do Certificado de Origem do Mercosul n° 176883”. É oportuno frisar que, quanto ao aspecto da tempestividade da apresentação, o artigo 3o da IN/SRF n° 149, de 27/03/2002 , determina que a apresentação do certificado deverá se dar “ a qualquer momento em que seja solicitada": ora, a requerente apresentou o certificado sem que houvesse sido notificada para tanto, portanto, tempestivamente. E mais, ainda que se considere a hipótese de substituição do certificado, não havia qualquer impedimento normativo para tanto, uma vez que o segundo foi emitido em 02 de janeiro de 2006, antes, portanto, da apresentação do primeiro à autoridade aduaneira brasileira, que se deu apenas em 06 de janeiro de 2006, quando do registro da Dl. Assim autoriza a alínea “i” do item “A" do Anexo III do “Regime de Origem Mercosul”, anexo à Decisão n° 01/04 do Conselho do Mercado Comum, incorporada ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 pelo Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional, cuja execução no território nacional foi determinada pelo Decreto n° 5.455/2005. Transcreve a referida alínea. Entretanto, caso se entenda de forma diversa, o que se admite apenas pelo dever de argumentar, importa registrar que o primeiro certificado anexado à Declaração de Importação em questão, não se enquadra em nenhuma hipótese de desqualificação prevista no artigo 10 e respectivos incisos da já citada IN/SRF n° 149. Transcreve o artigo 10 da IN/SRF n° 149/02. Não se enquadrando o certificado nas hipóteses de desqualificação, a autoridade alfandegária deveria ter inaugurado a oportunidade de retificação do certificado, nos termos do artigo 8° da mesma norma fiscal. Neste sentido, a alínea “e” do item “A” do Anexo III do “Regime de Origem do Mercosul”. E mais, para que não haja dúvida sobre a possibilidade de retificação do primeiro certificado de origem, a alínea “e" do item “A" do Anexo IV do mesmo “Regime de Origem Mercosul” e o § 1o do artigo 8o da lN/SRF n° 149. Ora, é indubitável que no certificado anexado originalmente aos documentos que instruem a Dl referenciada alhures não há qualquer falha que modifique a origem da mercadoria, a qual, claramente, provém da República da Argentina, sendo, portanto, passível de retificação nos termos do Acordo Internacional em questão e da normal fiscal brasileira. Importa salientar, por oportuno, que os dois certificados foram emitidos pela Câmara Argentina de Comércio, entidade Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 95 5 autorizada a emitir e retificar tais certificados no âmbito do Mercosul, razão pela qual prestase o segundo documento como retificador daquele juntado anteriormente. Mas, caso se entenda que o segundo certificado não se presta a retificar o primeiro, a impugnante deverá, como era para ter ocorrido, ser notificada pela autoridade aduaneira para que tenha a oportunidade de retificar o certificado em questão, conforme estabelece a mesma a alínea “e" do item “A" do Anexo IV do “Regime de Origem Mercosul". Transcreve a referida alínea. A nota de retificação correspondente deverá ser apresentada perante a administração aduaneira pelo declarante no prazo de trinta (30) dias, contados a partir da data de sua notificação’. _Tal procedimento está expresso de forma ainda mais clara nos parágrafos do multicitado artigo 8° da IN/SRF 149. Transcreve o artigo 8º da IN/SRF n° 149/02. Somente em caso de não ser fornecida em tempo e forma a retificação requerida, “...será dispensado tratamento aduaneiro e tarifário que corresponda à mercadoria extrazona, sem prejuízo das sanções estabelecidas a legislação vigente em cada Estado Parte” (texto integrante da alínea “e" do item “A” do Anexo IV do “Regime de Origem Mercosul”, correspondente ao § 7o do artigo 8o da IN/SRF n° 149). Esse é o entendimento de diversas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, a exemplo do Acórdão a seguir transcrito, proferido pela 1a Turma da Delegacia em Florianópolis—SC. Junta textos da jurisprudência administrativa e judicial. À vista de todo exposto, podemos concluir que a autoridade alfandegária deveria, ao invés de lavrar o auto de infração ora impugnado: 1. ter acatado a retificação do número do certificado de origem da mercadoria que se fez constar na Dl n° 06/00246170, aceitando o original p referido certificado n° 176883 para fins de comprovação da origem da mercadoria e, portanto, concedendo o tratamento tributário preferencial; 2. caso tivesse entendido de forma diversa, ainda assim deveria ter recebido o certificado n° 176883 em substituição ao que instruiu originalmente a Dl, nos termos da alínea “i” do item “A” do Anexo III do “Regime de Origem Mercosul”, anexo à Decisão n° 01/04 do Conselho do Mercado Comum, incorporada ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 pelo Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional, cuja execução no Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 território A nacional foi determinado pelo Decreto n° 5.455/2005; 3. e mais, mesmo entendendo incabível a substituição pretendida, deveria autoridade ter recebido o certificado n° 176883 como retificação do que instruiu a DI, nos termos das alíneas “e" do item "A" dos Anexos III e IV do “Regime de Origem Mercosul” e no artigo 8o da IN/SRF n° 149; ou 4. e, mesmo na hipótese de entender incabíveis os procedimentos anteriormente sugeridos, o procedimento a ser observado pela autoridade, antes de lavrar o auto de infração, deveria ser o de emitir Termo de Constatação indicando os motivos pelos quais o certificado apresentado originalmente não resultava aceitável, para sua retificação, no prazo de trinta (30) dias, nos termos da alínea “e” do item “A" do Anexo IV do “Regime de Origem Mercosul” e dos §§ 2o a 7o do artigo 8o da IN/SRF n° 149. Desta forma, requerse que a presente impugnação seja conhecida e provida a fim de que seja julgado insubsistente o auto ora impugnado e reconhecido o direito da autuada ao tratamento tributário preferencial para o fim de, assim decidido, cancelarse o débito fiscal reclamado objeto da autuação. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/01/2006 Exigência de recolhimento da diferença da COFINS Importação* com os devidos acréscimos legais, decorrente da não aceitação do Certificado de Origem, devido ao mesmo não ter sido emitido no modelo aprovado pelo Regime de Origem do Mercosul, e não apresentar informações essenciais. É vedada a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante a autoridade aduaneira. O erro cometido é de natureza material, o que implica também na impossibilidade de substituição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido *(sic) Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que: i. não ocorreu um erro de preenchimento do certificado, ou erro formal, e sim a apresentação do certificado de origem n° 312655, elaborado em modelo completamente distinto do previsto no Anexo II do Regime de Origem MERCOSUL; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 96 7 ii. os procedimentos previstos nas alíneas e), do item A, dos Anexos III e IV do Regime de Origem MERCOSUL implicam na emissão de uma nota de retificação por parte da entidade habilitada, e não a emissão de um novo certificado de origem; .. iii. a alínea e), do item A, do Anexo IV do Regime de Origem MERCOSUL, bem como do art. 8o da IN SRF n° 149/2002, prescrevem procedimentos para a retificação de erros formais no certificado de origem; iv. a apresentação do certificado n° 312655 atrelado à a Declaração de Importação n° 06/00246170, registrada em 06/01/2006, impede a sua posterior substituição pelo de número 176883, por força da alínea g), do item A, do anexo IV, anexo este que trata das instruções para o controle de certificados de origem do MERCOSUL por parte das administrações aduaneiras; v. o erro formal sempre diz respeito à formalidades inerentes ao próprio documento, jamais sua substituição por outro documento, ainda mais de especificidade distinta, pois o Certificado de Origem n° 312655 tem como base o ACE n°. 59 e o Certificado de Origem n° 176883 tem como base o ACE n° 18 e seu 44° protocolo adicional; vi. ocorreu, no caso em tela, erro de natureza material, o que implica na inaplicabilidade do art. 8o da IN SRF n° 149/2002. No recurso voluntário apresentado, foram reiterados os argumentos aduzidos na peça de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente auto de infração veicula a exigência do imposto de importação, supostamente de origem argentina, em virtude da substituição do certificado de origem original. Nesse contexto, desamparada a operação de importação do respectivo certificado de origem, a Recorrente teria deixado de fazer us à preferência tarifária de 100% a título de imposto de importação, o que teria gerado as diferenças nas contribuições sociais. A Recorrente afirma que o caso dos autos é de erro formal e retificação de certificado de origem original, ao passo que a fiscalização afirma que houve substituição. A questão que se põe, é se deve se sobrepor a Verdade Material quanto à origem da mercadoria importada, uma vez que esta não foi questionada, tendo sido negado o Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 benefício da preferência tarifária sob o fundamento da impossibilidade de substituição de certificado de origem. Destarte, conforme se depreende dos autos, a fiscalização apega se,especialmente, no fato de que os certificados de origem (fls. 35 e 36), possuem numeração distintas, ambos emitidos na mesma data e possuindo distintos fundamentos jurídicos. Por conseguinte, o caso concreto enquadrarseia no na alínea ´g´, do item A , do Anexo IV do Regime de Origem Mercosul, segundo o qual: g) Não serão aceitos Certificados de Origem em substituição a outros que já hajam sido apresentados perante a autoridade aduaneira. No mesmo sentido, o art.11 da INSRF 149/2002. Não obstante, ao se analisar ambos os certificados de origem, 312655 e 176883, vêse que ambos se referem à mesma fatura comercial, à mesma descrição de mercadoria, sendo os dois emitidos pela Camara Argentina de Comercio. A circunstância de ambos os certificados referirems à mesma mercadoria, e a sua origem argentina, em nenhum momento foi questionado pelas autoridades competentes tendo sim, sido questionada a omissão quanto à observância do rito de retificação da certificação de origem. Ao se sopesar os vetores envolvidos no caso, quais sejam, a necessidade de observância da forma prescrita nas normas, uma vez que não existe o Direito sem a forma, ao lado da Verdade Material, princípio conformador do processo administrativo fiscal, optase pr este último, na busca de se alcançar a legalidade da tributação. Sobre o tema da Verdade Material aplicada ao tema da certificação de origem, aliás, a jurisprudência administrativa é remansosa, como se depreende: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/07/2001 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul. (Acórdão nº 9303001.812– 3ª Turma) Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 97 9 Trata de importação através da Declaração de ImportaçãoDl de n° 06/00246170, registrada em 06.01.2006, referente à mercadoria classificada no código NCM 1507.10.00 óleo de soja, em bruto, mesmo degomado, com solicitação de pedido de tratamento tributário preferencial de 100% da alíquota do imposto de importaçãoII, nos termos do Decreto 5.361/05, com indicação na ficha "básicas" da DIo Certificado de Origem de n° 311116. A primeira instância listou as seguintes ocorrências extraídas do Auto de Infração: Foram adotadas as seguintes ações em relação à Declaração de Importação n° 06/00246170, registrada em 06/01/2006: 1. Na data de 17.01.2006, foi registrada a retificação n° 01 da DI, na qual não foram alterados dados relativos a preferências tarifárias derivadas de acordos comerciais e nem o n° do certificado de origem; 2. Na data de 24.01.2006, é registrada a retificação n° 02 da DI, em que foi alterado o n° do Certificado de Origem para 312655, conforme consta da ficha "Básicas" da DI. A ficha "Dados Complementares" passa a conter pedido de preferência de 100% da alíquota do imposto de importação nos termos do Decreto 550/92. Na ficha "Tributos" da adição 001 da referida DI, o Acordo da ALADI foi alterado do Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 59, para o ACE n° 18 – MERCOSUL; 3. Na data de 01.02.2006, o AFRF responsável pelo respectivo despacho aduaneiro efetua exigência no Siscomex, informando que o Certificado de Origem apresentado, de n° 312655, não deve ser aceito para fins de concessão de tratamento tarifário preferencial, devido ao mesmo não ter sido emitido no modelo aprovado pelo Regime de Origem do Mercosul, e não apresentar informações essenciais, tais como classificação fiscal, regra de origem, valor da mercadoria, data da emissão do certificado e observação no campo 14 de que se trata de operação por conta e ordem do operador; Na data de 03.02.2006, é registrada a retificação n° 03 da Dl, na qual é acrescentado à Ficha "Básicas" da DI, o Certificado de Origem n° 176883. Na ficha "Dados Complementares", é acrescentada a informação de que a retificação foi elaborada para apresentação do Certificado de Origem do Mercosul que conferiria à mercadoria a preferência de 100% sobre a alíquota do imposto de importação; 5. Na data de 06.02.2006, em vista da apresentação do novo Certificado de Origem, a fiscalização efetuou registro de exigência no Siscomex, informando que já havia sido apresentado o Certificado de Origem n° 312655, o qual não havia sido aceito, conforme a alinea g), do item A, do anexo IV, do Regime de Origem do MERCOSUL, onde não se admite a substituição de certificado de origem, pelo que o AFRF informou Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 permanecer mantida a exigência anterior de recolhimento de imposto de importação, e das diferenças de PIS e COFINS, com os respectivos acréscimos legais. O importador protocolou o processo 11131.000177/200631, em 16.02.2006, onde requereu: que fosse acatada a retificação do número do certificado de origem da mercadoria, aceitando o original do referido certificado n° 176883, para fins de tratamento tributário preferencial, ou; .......... Relatadas as fases acima, observase a ocorrência da apresentação de um novo certificado, em substituição ao anterior, o qual não havia sido aceito para fins de tratamento tributário preferencial. A alínea i), do item A, do Anexo III do Regime de Origem Mercosul dispõe: A Entidade habilitada poderá emitir um novo certificado em substituição ao anterior, no caso em que o mesmo tenha sido emitido mas não apresentado à Administração Aduaneira correspondente dentro dos prazo estipulados para efeito, isto é 60 dias consecutivos a partir da data de emissão da fatura comercial. Caso se proceda desta forma, a Entidade habilitada deverá deixar atestada esta substituição somente em seus respectivos registros. Assim como, os regramentos das alíneas e), do item A, dos Anexos III e IV do Regime de Origem MERCOSUL dispõem na emissão de uma nota de retificação por parte da entidade habilitada, e não a emissão de um novo Certificado de origem, como pretende o recorrente, uma vez que o mesmo solicita que o segundo certificado seja recebido como retificação do primeiro. O Anexo III do Regime de Origem MERCOSUL que trata das instruções das entidades habilitadas à emissão de certificados de origem, e não obstante o Anexo III permitir à entidade habilitada a emissão de novo certificado não se pode confrontar a regra da alínea g), do item, A do anexo IV, do Regime de Origem do MERCOSUL que veda a aceitação de certificado de origem em substituição a outros que já haviam sido apresentados perante à autoridade aduaneira, como é o caso. Então, houve a apresentação do certificado n° 312655 vinculado à a Declaração de ImportaçãoDI de n° 06/00246170, registrada em 06/01/2006. Logo, não se pode aceitar a sua posterior substituição pelo de número 176883, por força da alínea g), do item A, do anexo IV, anexo este que trata das instruções para o controle de certificados de origem do MERCOSUL por parte das administrações aduaneiras,; enfim, são regramentos que devem ser obedecidos. Não se pode simplesmente, aceitar argumentos, de mero erro formal na emissão do certificado de origem de n° 312655, tendo em vista a alínea e), do item A, do Anexo IV do Regime de Origem do MERCOSUL, bem como do art. 8° da IN SRF n° 149/2002, preverem procedimentos para a retificação de erros formais no certificado de origem. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11131.000229/200679 Acórdão n.º 3201002.064 S3C2T1 Fl. 98 11 O erro formal consiste em formalidades inerentes ao próprio documento em si e não, sua substituição por outro documento. Erros formais são aqueles relacionados ao preenchimento do formulário, desde que não modifiquem ou afetem a qualificação de origem da mercadoria. No caso, temse que o Certificado de Origem de n° 312655 tem como base o ACE n° 59; já o Certificado de Origem de n° 176883 tem como base o ACE n° 18 e seu 44° protocolo adicional. Concluindo, pois, o erro é de natureza material e não formal, provocando na inaplicabilidade do art. 8° da IN SRF n° 149/2002. Conclusão Destarte, a ação fiscal é motivada através da Declaração de Importação n° 06/00246170, instruída originalmente com o Certificado de Origem n° 312655 e o mesmo não apresenta informações essenciais tais como classificação fiscal, regra de origem, valor da mercadoria, data da emissão do certificado e observação no campo 14 de que se trata de operação por conta e ordem do operador – e a substituição deste certificado não é possível, por conta dos condicionantes previstos no Regime de Origem do Mercosul. A apresentação do certificado de origem n° 312655 foi elaborado em modelo completamente distinto do previsto no Anexo II do Regime de Origem Mercosul. Além disso, os procedimentos previstos nas alíneas "e" do item A dos Anexos III e IV do Regime de Origem Mercosul implicam na emissão de uma nota de retificação por parte da entidade habilitada, e não a emissão de um novo certificado de origem, como pretende o recorrente, uma vez que o mesmo solicita que o segundo certificado seja recebido como retificação do primeiro, o que não é aceitável, pelos motivos acima. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Declaração de Voto Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORI M, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 16327.720851/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM EMPRESA DO PAÍS. CONTRIBUINTE DOMICILIADO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL SOMENTE EM MOEDA ESTRANGEIRA. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS DE REGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO.
Correta a aplicação de duas formas de atualização do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital de domiciliados no Exterior, quando, na alienação de participação societária, restar comprovado que somente parcela do investimento alienado foi adquirida em moeda estrangeira e está devidamente registrada no BACEN, sendo, assim, passível de correção cambial. À parcela adquirida em moeda nacional aplicável tão somente a correção monetária até 31/12/95.
CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REINVESTIMENTO. ADIÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO CAPITAL REALIZADO. GLOSA.
De se rejeitar a inclusão, no custo do investimento, dos valores capitalizados por ocasião da incorporação da reserva de correção monetária do capital realizado, por constituírem estes últimos expressão de variação do poder de compra da moeda, já concedida ao alienante através da atualização monetária do custo de aquisição, na forma da legislação em vigor.
EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. INOCORRÊNCIA.
Improcedente a insurgência contra a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício, quando, no Auto de Infração, tais encargos incidem apenas sobre o tributo, não sobre a penalidade.
Numero da decisão: 2201-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM EMPRESA DO PAÍS. CONTRIBUINTE DOMICILIADO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL SOMENTE EM MOEDA ESTRANGEIRA. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS DE REGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Correta a aplicação de duas formas de atualização do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital de domiciliados no Exterior, quando, na alienação de participação societária, restar comprovado que somente parcela do investimento alienado foi adquirida em moeda estrangeira e está devidamente registrada no BACEN, sendo, assim, passível de correção cambial. À parcela adquirida em moeda nacional aplicável tão somente a correção monetária até 31/12/95. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REINVESTIMENTO. ADIÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO CAPITAL REALIZADO. GLOSA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 51 /2 01 1- 91 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 971 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 43.801.694,36, os quais, quando acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfaziam à época do lançamento, um valor devido de R$ 99.219.598,06. A constituição do crédito em questão se deu no âmbito de ação fiscal realizada posteriormente a procedimento de diligência (efls. 88 a 745), onde se buscou esclarecer os efeitos tributários oriundos da aquisição, pela recorrente, das operações do Bank Boston na América Latina. Verificada que, no Brasil, a aquisição, pela recorrente, das ações do BankBoston Banco Múltiplo S.A. (doravante “BKB”) e da Libero Trading S.A. (doravante “Libero), houvera se dado através da incorporação de ações prevista no art. 252 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e de posse do dossiê referente à aquisição, de efls. 103 a 678, atevese o termo de início de fiscalização (efls. 04 e 05), mais especificamente, aos demonstrativos constantes de efls. 57 e 242, detalhados pelo contribuinte através de elementos de efls. 58 a 63. Ali. se encontra discriminada a composição do custo de aquisição de USD 1.136.549.188,93, utilizado a fim de que, consoante art. 26 da Lei no. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, fosse calculado o montante a ser retido e recolhido pelo recorrente, na condição de adquirenteresponsável, decorrente do ganho de capital apurado no país pelo alienante, acionistacontrolador domiciliado no exterior (Bank of America Corporation, atuando através de sua subsidiária Boston World Corporation), da seguinte forma: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 972 3 DESCRIÇÃO VALOR EM USD (CUSTO CONFORME CONTRIBUINTE) Fls. 57 e 242 VALOR EM R$ (CUSTO CONFORME CONTRIBUINTE) Fls. 58 a 63 Total de aumentos de capital em dinheiro anteriores a 2004 424.336.604,41 584.278.584,03 Total dos aumentos de capital por incorporação de lucros acumulados 127.976,89 206.255,40 Total dos aumentos de capital por incorporação de juros sobre o capital próprio 40.957.781,98 110.500.000,00 Total dos aumentos de capital por incorporação da Boston Administração e Empreendimentos Ltda. 17.410.235,80 52.603.323,71 Total dos aumentos de capital por incorporação de reservas 442.532.642,49 1.151.688.908,97 Total de aumentos de capital em dinheiro posteriores a 2004 211.183.947,36 460.870.931,80 TOTAL DE CUSTO 1.136.549.188,93 2.360.148.003,91 Apurado o mencionado custo e considerando que as ações do adquirente entregues em contrapartida pelas ações adquiridas do BKB e da Libero foram avaliadas em R$ 4.581.120.000,00, o referido ganho foi calculado em USD 997.380.380,66, conforme claramente explicitado agora em demonstrativo de efl. 692, resultando no DARF de R$ 321.176.430,18 de efl. 693). Todavia, uma vez constatado, pela autoridade autuante, a partir dos elementos acima, que o custo de aquisição utilizado para fins de apuração do ganho de capital em questão havia sido determinado em Dólares dos Estados Unidos da América (e não em Reais), buscouse, na forma do item “2” da intimação de efls. 46/47, justificativa para tal fato, solicitandose, na mesma intimação, a memória de cálculo acerca do referido custo (item “1”). Ofertou, a propósito, a autuada os esclarecimentos de efls. 50 a 52, onde afirmou que havia adotado o cálculo do ganho de capital em moeda estrangeira pelo fato dos custos de aquisição (aqui inclusos investimentos e reinvestimentos) haverem “sido consolidados, originalmente, em moeda estrangeira, conforme disciplina o art. 3o. da Lei no. 4.131, de 03 de setembro de 1962, que dispõe sobre registro de capitais estrangeiros no Brasil”, afirmando, ainda, que “A moeda estrangeira é condição indispensável para os exercícios cambiais do investidor estrangeiro e para o retorno do capital ao exterior”. Informou, ainda, que, até 2004, ainda que os aumentos de capital ocorridos no BKB tivessem sido quase em sua totalidade subscritos pela empresa nacional Boston Administração e Empreendimentos Ltda., tal empresa interpunhase entre o investidor estrangeiro e o BKB, sendo que, quando da incorporação desta ultima investidora nacional pelo BKB em 2004, o procedimento adotado foi o de transferência dos valores em dólares registrados no Certificado de Registro de Investimento para a sociedade então incorporadora (BKB). Fl. 976DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 973 4 Finalmente, intimouse o contribuinte, na forma de termo de intimação de e fls. 55 e 56, para que confirmasse e comprovasse se as parcelas do custo de aquisição designadas como aumento de capital em dinheiro e aumentos de capital posteriores a 2004 haviam provindo do exterior e se haviam sido registradas no BACEN, tendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar que se originavam do exterior, com o devido registro junto àquela autarquia, somente a última série de aumentos, mais especificamente realizados após 2004 (vide efls. 72 a 76 e 81). Já na forma de Termo de Verificação de efls. 753 a 775, verificou a autoridade autuante que, quando do cálculo do referido custo de aquisição na forma de demonstrativo de efls. 58 a 63, todas as parcelas oriundas de investimentos e reinvestimentos eram convertidas em dólares americanos, utilizandose da taxa BACEN PTAX 800 para a data em que ocorreu a incorporação ao capital social, sendo de se interpretar, assim, que o fiscalizado, ao mencionar que calculara o custo de aquisição em dólares americanos, por ser a moeda estrangeira “condição indispensável para os exercícios cambiais do investidor estrangeiro e para o retorno do capital ao exterior”, indicava que todos os investimentos e reinvestimentos que deram origem aos aumentos listados em demonstrativos de efl. 58 a 63, haviam se concretizado com recursos de fora do Brasil, o que “geraria o direito a uma correção cambial daqueles valores para efeitos do ganho de capital”. Rejeitou a autoridade fiscal a aceitação de tal tese, baseada nas seguintes evidências, a saber: a) Alguns dos recursos que deram origem aos aumentos de capital em questão, na forma do quadro anteriormente reproduzido, provieram de aumentos de capital de origem interna (incorporação de juros sobre o capital próprio, reservas e lucros acumulados), descartada assim sua origem no exterior; b) Para os demais recursos com possível origem no exterior, só restou devidamente comprovada a origem, através de Registro de Investimento no Banco Central no Brasil (prova que possibilitaria a utilização da parcela em moeda estrangeira para fins do cômputo do custo de aquisição, consoante Portaria MF no. 550, de 11 de março de 1994), de três aumentos de capital, respectivamente datados de 16/05/2006, 19/05/2006 e 01/06/2006, perfazendo estes três aumentos o montante de USD 211.183.947,36 (efls 71 a 76 e 646 a 678), que corresponderiam a R$ 460.870.931,80 do total de custo calculado pelo autuado, na forma também anteriormente demonstrada. Ainda, após ajustar o valor em reais referente ao aumento ocorrido em 28/04/1995 (para o qual a planilha de efl. 62, por um lapso, não utilizou o índice constante da IN 208/02 de 0,8521), de R$ 103.104.375,30 para R$ 121.000.323,08, a autoridade autuante segregou o montante proveniente de aumento de reservas (que com o ajuste passaria de R$ 1.151.688.908,97 para R$ 1.169.584.856,85) em dois grupos, da seguinte forma (efl. 760): a) Aumentos provenientes de Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado: R$ 222.462.409,24 b) Aumentos provenientes de outras Reservas : R$ 947.122.447,58 A propósito, após digressão acerca da função do instituto da correção monetária, sua aplicação em sede de demonstrações financeiras e à conta Capital Social e, ainda, acerca da devida classificação contábil da conta de Reserva de Correção Monetária do Fl. 977DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 974 5 Capital no próprio grupo Capital Social, (e não no grupo de Reservas de Capital), expressa a Fiscalização seu entendimento, no sentido de que não faria sentido considerar, no custo de aquisição, os aumentos de capital efetuados com a conta de Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado, uma vez que, ao considerar os mesmos, o fiscalizado estaria incorrendo em dupla correção dos montantes. Sustentou também que, consoante art. 18 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 682 e 685, inciso I do Decreto no.3.000, de 26 de março de 1999 e arts. 26 e 27 da IN RFB no 208, de 2002, há a aplicação, aos domiciliados no exterior, das mesmas regras aplicáveis ás pessoas físicas residentes no Brasil para fins de apuração e tributação de ganhos de capital auferidos, sendo claro, com fulcro no art. 26,§ 2o. da referida Instrução Normativa e cuja base legal é o art. 17 da mesma Lei no 9.249, de 1995, que a apuração do ganho de capital para domiciliado no exterior deva ser feita em reais, permitindose somente a atualização monetária pela UFIR para bens adquiridos até 31/12/95. Ressalva o autuante somente a hipótese do ganho de capital decorrente de bens ou direitos originalmente adquiridos em moeda estrangeira (§ 5o. do art. 24 da Medida Provisória no. 215835, de 2001), para os quais se permitiria a apuração em moeda estrangeira, mencionando, porém, que, para que isto seja possível, há que se provar que os recursos utilizados na aquisição vieram do exterior. Entende que, no caso em questão, consoante disposto pela Portaria MF no. 550, de 03 de novembro de 1994, em seu art. 2o., § 2o., tal prova seria realizada pelo Certificado de Registro de Investimento Estrangeiro no Banco Central do Brasil. Assim, entendeu que somente era de se admitir a correção cambial efetuada pelo adquirente, para fins de apuração do ganho de capital em questão, para os aumentos de capital em dinheiro posteriores a 2004, visto que devidamente documentados por Registros de Investimento, na forma de demonstrativos de fls. 72 a 76. Para os demais valores que compuseram o custo de aquisição, entendeu que era de se aplicar o critério do art. 26 § 2o. da IN SRF no. 208, de 2002, qual seja, correção pelos índices constantes da referida IN para aumentos ocorridos até 1995 e valores históricos para os demais, não considerando porém, na apuração do custo, os valores oriundos de aumentos de capital utilizando a reserva de correção monetária de capital nem o valor de Cr$ 1.000.000,00 referente ao aumento ocorrido em 25.07.1973, pela ausência de provas quanto a este último (e fls. 307312). Assim, o valor do custo de aquisição calculado pela autoridade autuante pode ser decomposto nas seguintes parcelas: a) Aumentos de capital em dinheiro anteriores a 2004: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte, expurgandose o aumento de 25.07.1973 = R$ 584.278.584,03 – R$ 147.805,83 = R$ 584.130.778,20; b) Aumentos de capital por incorporação de lucros acumulados: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte = R$ 206.255,40; c) Aumentos de capital por incorporação de juros sobre o capital próprio: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte = R$ 110.500.000,00; Fl. 978DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 975 6 d) Aumentos de capital por incorporação de Boston Adm. e Part. Ltda.: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte = R$ 52.603.323,71; e) Aumentos de capital por incorporação de reservas: utilização dos valores em reais informados pelo contribuinte, com ajuste para o aumento ocorrido em 28/04/1995, não se considerando, porém, aumentos oriundos da capitalização da Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado = R$ 1.169.584.856,85 (valor ajustado) – R$ 222.462.409,24 (efl. 760) = R$ 947.122.447,51; f) Aumentos de capital comprovados por RDE, cujo custo se aceitou computar em USD, com fulcro no § 5o. do art. 24 da Medida Provisória no 2.158, de 2001, combinado com o §2. do art. 2o. da Portaria MF no 550, de 1994 = USD 211.183.947,36 x 2,1468 (R$/USD na taxa da data da alienação) = R$ 453.369.698,19; Custo calculado pela autoridade autuante = a) + b) + c) + d) + e) + f) = R$ 2.147.932.503,01 (cf. efl. 773, a menos de erro imaterial nos cálculos de R$ 0,07) De posse deste custo, subtraindose o mesmo do valor de alienação de R$ 4.581.120.000,00, apurase um ganho de capital de R$ 2.433.187.496,99, o qual, quando objeto da tributação à 15%, resulta num valor devido de R$ 364.978.124,54. Ao se deduzir deste último o valor pago de R$ R$ 321.176.430,18 de efl. 693, atingese um montante de R$ 43.801.694,36, principal objeto de lançamento que compõe o litígio. Cientificado do lançamento em 02.08.11, o contribuinte apresentou impugnação de efls. 777 a 803, onde, em breve síntese, alegava que: a) Os valores registrados a título de correção monetária do capital realizado deveriam compor o custo de aquisição, ressaltando que, na forma do arts. 4o. . inciso II e 20 da Lei no. 7.799, de 10 de julho de 1989, o saldo credor de correção monetária era computado na determinação do lucro real, sendo que a contrapartida do lançamento da correção monetária do capital social compunha este saldo. Cita, ainda a propósito, o teor do art. 16, §3o. da Lei no. 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e o teor do § 1o. da Instrução Normativa SRF no. 25, de 2001, solução de consulta oriunda da RFB e julgado do Conselho de Contribuintes que suportariam sua tese. Ressalta a aplicação do art. 18 da Lei no. 9.249, de 1995 ao caso, bem como, por fim, o teor do art. 185 da Lei no.6.404, de 15 de dezembro de 1976 para concluir que, também sob a ótica da Lei das S/A, tais valores deveriam compor o custo; b) Aduz que a não consideração do saldo da reserva de correção monetária pela fiscalização contrariaria a obrigatoriedade de registro de capitais estrangeiros prevista no art. 5o. da Lei no. 11.371, de 28 de novembro de 2006 e art. 3o. da Lei no. 4.131, de 03 de setembro de 1962, demonstrando, através de excerto de certificado de registro de investimento estrangeiro emitido pelo BACEN, que os valores a título de correção monetária de capital eram naquele órgão registrados. Menciona, ainda, a propósito, o art. 1o da Circular BACEN 2997, de 15 de agosto de 2000 e o manual do declarante do novo registro declaratório eletrônico, para concluir que os valores registrados a título de reinvestimentos foram considerados como capitais estrangeiros e, ainda, que fazendo parte do registro no BACEN, não há dúvida que tais valores, incluindo a correção monetária do capital social, deveriam fazer parte do custo de aquisição da participação alienada; Fl. 979DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 976 7 c) Volta a citar o art. 3o. e, agora, o art. 4o. da Lei 4.131, de 1962, para alegar que o Banco Central dava igual tratamento aos valores ingressados e oriundos de capitalização, para concluir que o art. 2o., §2o. da MF no. 550, de 1994 estabelecia que seriam calculados em moeda estrangeira o custo e o ganho de capital de todos os investimentos e reinvestimentos passíveis de registro no BACEN como capital estrangeiro (aqui inclusos os valores a título de reserva de correção moentária do capital) e não só aqueles relativos a valores ingressados, o que demonstraria o acerto do impugnante ao aplicar a regra da MP no 2.158, de 2001 para cômputo do custo de aquisição e ganho de capital relativo a tais valores; d) Rechaça a tese da fiscalização de existência de dupla correção, ao se considerar (i) o saldo da correção monetária do capital realizado; (ii) a atualização prevista na IN SRF no 208, de 2002 e (iii) a conversão do dólar para reais. Entende se tratarem de institutos diversos, cada um com sua finalidade, sendo que os dois primeiros tratam do custo da aquisição, enquanto o terceiro trata da atualização deste custo, o que, por si, já demonstra a diferença e a cumulação destes índices. Cita que a correção monetária do capital realizado destinavase exclusivamente ás pessoas jurídicas, enquanto os índices da IN SRF no 208, de 2002 se destinavam às pessoas físicas, sendo que um não se contrapõe ao outro. Tenta alegar, através de exemplo numérico, que, caso se tratassem do mesmo instituto, deveriam levar a resultado idêntico, o que não se observa no exemplo numérico, citando ainda a diferença observada quando da comparação com o IGPM ou com a variação do dólar americano. Cita, ainda, que o art. 26 da referida IN estabelece faculdade que poderia ser suprida por documentação hábil e idônea, tal como o foi pelos registros contábeis e registros no caso em questão; e) Ainda, caso não sejam aceitos os argumentos acima, entende a autuada que a Fiscalização não poderia ter realizado a apuração do custo, para fins de posterior cômputo do ganho de capital, parte em moeda estrangeira e parte em moeda nacional, contrariando, em seu entendimento, o teor da MP no 2.158, de 2001. Entende que, quando se está diante de falta de comprovação integral do custo, há que se calcular o custo em reais baseado em documentação hábil e idônea, tendo a Fiscalização se utilizado de critério, para apuração do custo de aquisição, não previsto na legislação pátria, o que tornaria o auto ilíquido e incerto, trazendo extensa colação doutrinária, de forma a alegar que o auto é nulo, em face de tal iliquidez e incerteza; f) Finaliza a impugnação com a alegação de que, na forma estabelecida pelo art. 13 da Lei no. 9.065, de 20 de junho de 1995, combinado com o art. 113 do CTN e com obediência ao princípio da legalidade, multa não é tributo e, assim, não se pode cogitar da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício lançada no auto, suportando seu entendimento, ainda, através de citações doutrinárias e jurisprudência oriunda deste CARF. Analisando tal impugnação a autoridade julgadora de 1a. instância julgou o lançamento integralmente procedente, na forma de Acórdão de efls. 856 a 881, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 01/09/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM EMPRESA DO PAÍS. CONTRIBUINTE DOMICILIADO NO EXTERIOR. APURAÇÃO DE GANHO DE Fl. 980DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 977 8 CAPITAL SOMENTE EM MOEDA ESTRANGEIRA. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS DE REGÊNCIA PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. A legislação fiscal prevê duas formas de atualização do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital de domiciliados no Exterior, na alienação de bens e direitos: a correção cambial, para bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, registrados no BACEN, e, a correção monetária, aplicável até 31/12/95, para bens e direitos adquiridos em moeda nacional, que alcança, também, investimentos e reinvestimentos estrangeiros não registrados no BACEN, inexistindo correção monetária a partir daquela data. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REINVESTIMENTO. ADIÇÃO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO CAPITAL REALIZADO. GLOSA. No custo de aquisição de participação societária no país, alienada por pessoa jurídica domiciliada no exterior, são computados os valores relativos aos aportes de capital e aos reinvestimentos, nestes incluídos as incorporações de lucros acumulados, de reservas de capital e de juros sobre o capital próprio. Contudo, é incabível a inclusão dos valores capitalizados por ocasião da incorporação da reserva de correção monetária do capital realizado, porquanto referidos valores não constituem efetivo reinvestimento, mas tão somente a atualização monetária do capital. Na apuração efetuada pela autoridade fiscal, todos os valores do investimento inicial, dos subsequentes aportes de capital e dos reinvestimentos já foram integralmente atualizados, seja pela variação cambial seja pela correção monetária em moeda nacional (no período em que referida correção se aplicava). EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. INOCORRÊNCIA. Improcede a argüição de exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício, quando no Auto de Infração tais encargos incidem apenas sobre o tributo, não sobre a penalidade. Cientificada do Acórdão em 11/04/2012, a autuada ingressa, em 10 de maio de 2012 (efl. 885) , com Recurso Voluntário de efls. 887 a 925, onde, inicialmente, alega, agora, preliminar de preclusão do direito questionar a parcela do custo de aquisição decorrente de fatos (investimentos) ocorridos entre 1965 e 2004, uma vez já tendo decorrido cinco anos entre os referidos fatos e a lavratura do auto de infração, ocorrida em 2011. Agora, ressalta entender que haveria atribuição de tratamento diferenciado entre os investidores nacionais e estrangeiros, ao se permitir que os investidores nacionais computem em seu custo de aquisição a reserva de correção monetária do capital realizado capitalizada em investidas que hajam tributado o lucro inflacionário, vedandose tal aproveitamento aos estrangeiros. Ainda, ressalta que no caso de tal vedação, estaria caracterizada hipótese de bitributação, uma vez como lucro inflacionário e outra no ganho de capital. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 978 9 Ressalta, ainda, a diferença entre o momento do “acréscimo ao custo de aquisição pelo Lucro Inflacionário devidamente tributado pela empresa investida” (sic) e o investimento inicial. Reitera a necessidade de aplicação das normas BACEN ao caso, por interpretação sistemática. No mais, repisa as argumentações trazidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Faço notar que, ainda que me manifeste acerca de todas as argumentações trazidas pela recorrente, a presente análise não seguirá a ordem utilizada no recurso, agrupandose itens que se julgou oportuno tratar conjuntamente. Preliminarmente: · Quanto à ocorrência da decadência do direito do fisco questionar fatos pretéritos, uma vez decorrido o prazo de cinco anos a partir destes fatos (item 2.1 do pleito recursal) – item único. Quanto à matéria em questão, entendo que, no que tange ao IRPJ, tributo sujeito à lançamento por homologação, a hipótese levantada de “preclusão do direito de se auditar fatos pretéritos” se circunscreve a valores decorrentes de fatos geradores já decaídos ou seja, a fatos possuidores de repercussão fiscal em anoscalendário já abrangidos pela decadência, e, assim, vinculáveis à apuração e pagamento antecipado realizados pelo contribuinte no período a que se reporta o respectivo fato, em perfeito alinhamento com a previsão legal de homologação dos referidos pagamento e apuração quando decorridos cinco anos da ocorrência do respectivo fato gerador, decaído o direito da Fazenda revêlos a partir de então. Porém, perfeitamente passíveis de revisão e auditoria quaisquer fatos pretéritos cuja repercussão fiscal ocorra exclusivamente em momento futuro. Um dos Acórdãos mencionados pelo contribuinte (Acórdão CC 10706061) clarifica isto de maneira muito própria, in verbis Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões fiscais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão Fl. 982DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 979 10 fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de oficio não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (g.n.) (...) Na hipótese em questão, os respectivos fatos jurídicos em questão (investimentos, capitalização de reservas e lucros acumulados e de JCP e incorporação de investimentos anteriormente realizados por Boston Administrações e Participação) não possuem repercussão fiscal quanto ao IRPJ nos respectivos anos em que ocorreram, assim, não havendo que se falar de decadência do direito de auditoria ou de homologação dos mesmos. Devese notar que a análise de custo efetuada pela autoridade autuante em nenhum momento significou invadir anocalendário já atingido pela decadência (tal como ocorre, por exemplo, em situações onde se glosa indevidamente saldo de prejuízo fiscal originado em período de apuração já decaído). Os fatos formadores do custo em questão não possuem repercussão fiscal nos anos em que ocorreram, mas somente em momento futuro, mais especificamente, quando da alienação ocorrida no anocalendário de 2006 (01/09/2006), onde se busca que repercutam com sua formação adequada, sem qualquer violação ao instituto da preclusão administrativa (decadência). In casu, a repercussão fiscal da formação do custo de aquisição ocorreu somente em 01/09/2006, não estando abrangido, assim, pela decadência o lançamento cientificado ao contribuinte em 02/08/2011. Rejeito, assim, a preliminar apresentada pelo recorrente. Quanto ao mérito a) Quanto ao cômputo da Reserva de Correção Monetária de Capital Realizado no custo de aquisição, por força da Legislação Fiscal e Societária (item 2.2, “b” do pleito recursal – duplicado – não há o item 2.2, “a” no recurso): Reproduzse a seguir os dispositivos inicialmente mencionados pelo contribuinte que suportariam sua pretensão. .Lei 7.799/89 Art. 20. O saldo credor da conta de correção monetária de que trata o item II do art. 4° será computado na determinação do lucro real, mas o contribuinte terá opção para diferir, com observância do disposto nesta Seção, a tributação do lucro inflacionário não realizado. Lei 7.713/88 Art. 16 (...) Fl. 983DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 980 11 § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (...) Art. 36. Os lucros que forem tributados na forma do artigo anterior, quando distribuídos, não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Incide, entretanto, o imposto de renda na fonte; a) em relação aos lucros que não tenham sido tributados na forma do artigo anterior; b) no caso de pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de lucros, quando o beneficiário for residente ou domiciliado no exterior. Inicialmente, de se ressaltar que, ao contrário do que faz crer o contribuinte, nem o instituto do lucro inflacionário nem o saldo credor da conta de correção monetária se confundem com o valor registrado na conta Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado, uma vez que: a) O lucro inflacionário era definido, na forma do art. 21 da mencionada Lei no. 7.799, de 1989, pelo saldo credor da conta de correção monetária ajustado pela diminuição das variações monetárias e das receitas e despesas financeiras computadas no lucro líquido do períodobase; b) O mencionado saldo credor da conta de correção monetária, por sua vez, era oriundo da aplicação de índices que refletissem a efetiva modificação do poder de compra em todos os itens do balanço patrimonial constantes do item I do art. 4o. da mesma Lei, sendo que o item II mencionado no art. 20 da Lei citada referese, assim, a este saldo credor, apurado na conta especial de correção monetária (conta de resultado); c) Já o valor registrado na Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado é composto tão somente da contrapartida (patrimonial) de uma das parcelas registradas nesta conta especial, sendo que o efeito do seu registro, no resultado do período base, é devedor, ou seja, no sentido de reduzir o resultado do período, reduzindose o lucro inflacionário, não havendo hipótese possível em que o valor registrado naquela Reserva tenha sido objeto de tributação, se constituindo em “lucro ou reserva tributado”. Na verdade, está a se tratar aqui não de dois, mas de três diferentes momentos, quais sejam: Momento 1 Integralização dos recursos pelos acionistas, com a contrapartida dos recursos ingressados sensibilizando a rubrica de Capital Social; Momento 2 A correção monetária deste Capital Social, que, contrariamente às demais contas do PL se dá, não através de incremento na própria conta patrimonial, mas através de conta separada no referido PL (Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado), tendo como contrapartida devedora conta especial de Resultado, reduzindose assim, o resultado de correção monetária do períodobase e, por consequência, o lucro inflacionário e Momento 3 A capitalização desta conta de PL (Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado). Fl. 984DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 981 12 A partir do acima disposto, neste Momento 3, (que é o que se discute aqui quanto á referida Reserva), devese considerar como inteiramente inaplicável o teor do art. 16, §3o. da Lei no 7.713, de 1988, devendose notar, também, que a Solução de Consulta mencionada pela recorrente referese à incorporação (capitalização) de lucros e reserva de lucros, não havendo, ainda, qualquer tipo de vinculação deste Colegiado a julgamento anterior deste Conselho não sumulado ou a atos administrativos emanados da RFB que adotem posicionamento diferente do presente. Notese, por fim, que tal conclusão de impossibilidade de aplicação do art. 16, §3o . da Lei no 7.713, de 1988 no caso de capitalização de Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado é extensiva aos residentes no país, daí resultando inaproveitável, também, a argumentação de tratamento antiisonômico formulada pela recorrente, rejeitada, ainda, a partir dos mesmos argumentos já tecidos quanto à referida Reserva nos itens “a” a “c” supra, a alegação de dupla tributação sobre uma mesma renda, uma vez como lucro inflacionário e outra quando do ganho de capital. Por fim, devese esclarecer aqui que não há qualquer contrariedade em relação ao dispositivo de natureza societária citado pelo autuado (fiscalmente regrado no âmbito da mesma Lei 7.789, de 1989), devendose ressaltar que o art. 185 da Lei das S/A citado está a se referir dois institutos completamente distintos, na forma já anteriormente especificada: a) A rubrica patrimonial de Reserva de Correção Monetária do Capital Social Realizado a ser registrada em conta credora de reserva de capital (§2o. do dispositivo) e b) Sua contrapartida devedora no resultado do exercício (uma das contas abrangidas pelo §3o., que se refere ao registro em conta especial). Mais uma vez, repitase que o valor registrado na Reserva da Correção Monetária do Capital Realizado não corresponde ao saldo credor da correção monetária e, ainda, que este último não corresponde ao conceito de lucro inflacionário. Rejeitase assim que a capitalização da Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado deva necessariamente compor o custo de aquisição com fulcro na legislação fiscal e societária citada no âmbito dos itens 2.2, “b” do pleito recursal (item duplicado) b) Quanto à duplicidade de correção (item 2.2 “d” do pleito recursal): Continuando a análise do pleito recursal do contribuinte, antecipo a análise do item 2.2, “d” do mesmo pleito, por entender que a argumentação utilizada pela fiscalização no âmbito do lançamento constituise justamente no supedâneo de natureza teleológica à interpretação lógicoliteral levada a cabo no item “a” do presente voto, antecedente. Explico. Na forma já explicitada no item anterior, é cediço que buscou o legislador, através do §3o. do art. 16 da Lei no. 7.713, de 1988, excluir de nova tributação, quando da alienação de participação societária pelos acionistas, eventuais acréscimos patrimoniais já tributados na pessoa jurídica investida e posteriormente transferidos para rubricas de reservas (de lucros, por exemplo) concedendose, assim, incremento ao custo da participação societária pelo acionista quando da capitalização destas Reservas tributadas. Neste caso, porém, não se enquadra a Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado, a partir do disposto no dispositivo anteriormente analisado. Afastado assim o incremento de custo da participação societária por incorporação da Reserva de Correção Monetária de Capital Realizado, devese reportar agora ao que a legislação estabelece acerca da tributação para o ganho auferido por não residentes Fl. 985DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 982 13 (equiparados a pessoas físicas nesta apuração, por força do disposto no art. 18 da Lei no 9.249, de 1995), quando da alienação da participação societária. A propósito, verifico que, em linha com o entendimento já exposto no Termo de Verificação Fiscal, a legislação estabelece duas diferentes forma de cálculo, a saber: a) a primeira determinado pela Portaria MF no 550, de 1994, quando combinada com o § 5o., art. 24 da Medida Provisória no 2.158, de 2001, onde se determina que, para bens ou direitos adquiridos com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, o custo do bem ou direito será computado em moeda estrangeira, com o ganho de capital também sendo computado em moeda estrangeira e somente então se realizando a conversão para reais, utilizandose os valores do em moeda estrangeira constantes do Registro BACEN como prova; b) o segundo estabelecido pelo art. 17 da Lei no. 9.249, de 1995, onde o custo de aquisição é apurado em moeda nacional, admitida a correção em UFIR até 31/12/95. Tratamse de procedimentos notoriamente excludentes: ou se apura o custo de aquisição em moeda nacional, ou, alternativamente, se apura o mesmo em moeda estrangeira, restringindose este último procedimento aos bens ou direitos adquiridos com rendimentos originariamente auferidos em moeda estrangeira. Mencionei entender ser a argumentação utilizada pela fiscalização o suporte teleológicosistemático ao disposto no item “a” do presente por entender, agora adotando uma interpretação consonante com o ordenamento jurídicotributário como um todo, que a correção instituída pelo art. 17 da Lei no 9.249, de 1995 visa justamente, uma vez já definida a impossibilidade de acréscimo no custo de aquisição da participação societária quando da capitalização da Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado, evitar que fossem objeto de tributação, quando da alienação da participação, valores que não representassem ganho real, mas que correspondessem tão somente à variação no poder de compra da moeda nacional em que se exprime o investimento inicial (ganho nominal). Permitiuse, assim, a correção do custo para investimentos adquiridos em moeda nacional por índice inflacionário, solucionado tal problema para os investimentos originariamente adquiridos em moeda estrangeira ao se permitir o cômputo do custo em moeda estrangeira (a correção cambial nominal admitida já contemplaria a variação do poder de compra da moeda nacional). Corolário desta interpretação é o fato de que ao se tencionar computar no custo, além da correção estabelecida no art. 17 da Lei no 9.249, de 1995, um incremento na participação societária, decorrente da capitalização da Reserva de Correção Monetária do Capital Social Realizado da investida, além de se estar violando o art. 16, §3o. da Lei no. 7.713, de 1988, estaria a se gerar, ainda, uma duplo cômputo de valores de correção monetária no custo do adquirente calculável em moeda nacional, como se pode evidenciar supondose, por hipótese, não ter havido qualquer mutação patrimonial em uma investida subsidiária integral (além da correção monetária do balanço), durante determinado anobase inicial, após o aporte inicial de recursos. Nesta hipótese, haveria um valor registrado a título de reserva de correção monetária do capital realizado e, ainda, uma atualização do valor ingressado pelo contribuinte na forma do mencionado art. 17, ambos refletindo meramente a variação do poder de compra da moeda nacional. Aqui, a “cumulação dos índices” defendida pelo contribuinte levaria a que, caso se capitalizasse o valor da referida Reserva e, a seguir, se alienasse o investimento, agora computandose a atualização pelo índice previsto no art. 17 em questão, o custo fosse Fl. 986DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 983 14 aumentado duas vezes com o mesmo substrato fático, qual seja, de atualização do poder de compra da moeda nacional, levando a que se apurasse uma perda de capital caso o investimento fosse alienado pelo valor originário investido corrigido para fins de atualização do poder de compra da moeda nacional, o que viola qualquer interpretação lógicosistemática. Daí ter o legislador permitido ao investidor somente a atualização prevista na IN SRF 208, de 2002, e não o concomitante acréscimo ao custo da participação adquirida, quando da capitalização da Reserva de Correção Monetária realizada. A não coincidência entre os índices de correção monetária do balanço e aqueles previstos pela IN 208, de 2002, como perfeitamente observado pela autoridade da 1a. instância, não significa que os mesmos não possuam o mesmo substrato fático, qual seja, exprimir a variação do poder de compra da moeda nacional. Escorreita, assim, a argumentação da fiscalização, rejeitandose o pleiteado no item 2.2, “d” do Recurso. c) Quanto ao cômputo da Reserva de Correção Monetária de Capital Realizado no custo de aquisição, por força da Legislação BACEN (item 2.2c do pleito recursal) e quanto à utilização de moeda estrangeira na apuração do ganho de capital e na quantificação do custo (item 2.3 do pleito recursal) Ressalto, inicialmente, a propósito, entender como plenamente aplicável ao caso o teor do art. 2o, § 2o. da Portaria MF no. 550, de 1994, cuja aplicação resta incontroversa a esta altura do litígio, ainda que não haja consenso entre autuante e autuada acerca de sua devida interpretação. Reza o referido dispositivo: Art. 2o. O ganho de capital corresponderá à diferença positiva, apurada em moeda estrangeira, entre o valor da alienação, redução de capital ou liquidação e o custo de aquisição da participação societária. (...) §2o. Consideramse como custo de aquisição os valores em moeda estrangeira constantes dos itens Investimento e Reinvestimento do certificado de registro de capital estrangeiro emitido pelo Banco Central do Brasil, observado o disposto no art. 5o. desta Portaria.” A propósito, uma vez considerada a natureza tributária do dispositivo supra, com a devida vênia, entendo, contrariamente à autoridade julgadora de 1a. instância, que passam a ser de aplicação subsidiária para fins tributários no presente caso, ainda, todos os dispositivos emanados do BACEN que norteiem o mencionado Registro de Capitais Estrangeiros (aqui inclusos os art. 3o. da Lei n 4.131, de 1962 e art. 1o. da Circular BACEN no 2.997, de 15 de agosto de 2000 e art. 5o. da Lei no 11.371, de 2006, citados pela autuada), mas, notese, limitandose tal aplicação exclusivamente àquilo diga respeito ao correto registro dos valores em moeda estrangeira constantes do respectivo Certificado de Registro, único elemento do mencionado Registro possuidor de consequência tributária com base no arcabouço legal aplicável. Necessário, ainda, a partir do teor do art. 24, §5o. da MP no 2.158/35, de 2001, vigente à época da alienação, que reste comprovado que a aplicação originária tenha se Fl. 987DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 984 15 dado com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, a fim de que se possa computar o custo em moeda estrangeira, aceitandose, assim, sua correção cambial. Ou seja, contrariamente ao alegado pela recorrente, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo constante do §2o. do art. 2o. da MP no 550, de 1994 é no sentido de se limitar seu alcance, quanto à possibilidade de cômputo no custo de aquisição em moeda estrangeira (admitindose a correção cambial), aos aumentos de capital que possam ser vinculados aos valores registrados em moeda estrangeira constantes do Certificado de Registro BACEN e para os quais se comprove terem sido realizados com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. Incabível a interpretação de que valores registrados em moeda nacional no referido Certificado ou, ainda, que os aumentos de capital que não tenham, comprovadamente, se originado de rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, tivessem que, por força da referida MF ou por força da aplicação subsidiária da legislação BACEN, compor o custo de aquisição do investimento para fins tributários, independentemente da “ótica do BACEN” acerca das parcelas que poderiam compor este custo de aquisição, esta última, completamente irrelevante para fins tributários. A aplicação subsidiária da legislação do BACEN se limita tão somente à correta realização do Registro e exclusivamente no que diz respeito aos valores em moeda estrangeira ali registrados, para os quais a legislação tributária (Portaria MF no. 550, de 1994) estabeleceu conseqüência tributária, no que tange ao cômputo no custo de aquisição quando da alienação pelo detentor do Certificado. Irrelevante para fins tributários que os valores sejam tratados de forma idêntica pelo BACEN como capitais estrangeiros, bem como que os valores sejam passiveis de registro (em moeda nacional ou, ainda, em moeda estrangeira), se efetivamente não constarem do montante em moeda estrangeira constante do registro, já que a Portaria MF no 550, de 1994, em nenhum momento se refere a “valores tratados como capitais estrangeiros” ou a “valores passíveis de registro” mas, sim, a valores em moeda estrangeira constantes do Registro. Ainda que tais valores sejam regulamentados pelas Leis e regulamentação administrativa de registro de capitais estrangeiros, tal fato não faz com que se possa, porém, com base nestas, realizar elastério hermenêutico capaz de transformar a norma tributária que se refere especificamente a “valores registrados em moeda estrangeira constantes de Certificado de Registro” em abarcadora de todos os “valores passíveis de registro” ou “valores tratados como capitais estrangeiros” pelo BACEN para fins de cômputo do custo de aquisição, como tenciona o recorrente. Aplicando as considerações acima ao caso prático, verifico que, destarte, nada há que estabeleça a necessidade de cômputo, no custo de aquisição, dos aumentos oriundos da Reserva de Correção Monetária do Capital Realizado (registrados, notese, em moeda nacional junto ao BACEN, conforme exemplo de efl. 906), rejeitandose assim a argumentação da recorrente sintetizada naquele item. Ainda, de se notar que a autoridade autuante considerou, sim, em seu cálculo e em moeda estrangeira (ou seja, admitindo aqui a correção cambial), todos os aumentos de capital que puderam ser vinculados aos valores em moeda estrangeira constantes de Certificados de Registro apresentados pelo recorrente (efls. 72 a 76) e que restaram, ali, Fl. 988DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 985 16 devidamente comprovados como oriundos de rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. Ou seja, a vinculação com o “ingresso” em moeda estrangeira que foi realizada pela fiscalização decorreu dos estritos ditames da já mencionada Portaria MF no. 550, de 1994 e da MP no 2.158/35, de 2001, uma vez que só restaram comprovados como registrados em moeda estrangeira e adquiridos com rendimentos originariamente auferidos em moeda estrangeira aqueles aumentos de capital para os quais também restou comprovado o ingresso, consoante elementos de fls. 72 a 76. Escorreito, assim, o procedimento adotado pela autoridade autuante, de limitar a tais valores (aumentos) a utilização de moeda estrangeira na quantificação do custo e cômputo do ganho. Assim, de se rejeitar também o cancelamento pleiteado no item 2.3 do recurso. e) Da impossibilidade de utilização de parte do custo em dólar e parte em real – liquidez e certeza do crédito tributário (item 2.4 do pleito recursal). Uma vez circunscrita a utilização do cômputo do custo em moeda estrangeira aos aumentos de capital de efls. 72 a 76, passase a analisar a argumentação da autuada no sentido de impossibilidade de utilização, no caso, de custo do bem adquirido com rendimentos somente parcialmente comprovados como auferidos originariamente em moeda estrangeira, do teor da MP 2.15835/2001. Argumenta a autuada que deveria, na hipótese, ter sido utilizado o cômputo de custo integralmente em reais, visto que, de outra forma, se estaria a utilizar critério não previsto pela legislação, o que o tornaria o crédito tributário ilíquido e incerto. Rejeito a argumentação da autuada. Entendo que a melhor interpretação a ser dada, no caso de participação parcialmente adquirida com rendimentos comprovadamente auferidos no exterior (com esta parcela constante em moeda estrangeira em Certificado de Registro), e parcialmente adquirida com outros rendimentos ou não registrada, é a de se realizar parte do cálculo do custo de aquisição em moeda estrangeira (consoante Portaria MF no. 550, de 1994 e MP no 2.158/35, de 2001) e parte em reais, seguindo esta última parcela a regra subsidiária constante do art. 17 da Lei no. 9.249, de 1995 e do §2o. do art. 26 na IN SRF 208, de 2002, a partir da incontroversa, a esta altura, aplicação do art. 18 da mesma Lei ao caso. Faço notar que, ao se computar o custo na forma acima disposta, os critérios adotados pela fiscalização para fins de determinação do montante devido permaneceram cristalinos e, ainda, plenamente respaldados pela legislação em vigor, sendo, ainda, de se ressaltar que, caso se interpretasse que a aplicação dos dispositivos deveria se dar de forma diversa, quando de custo de participação societária parcialmente a ser calculado em moeda estrangeira e parcialmente em moeda nacional, se chegaria à esdrúxula conclusão de se estabelecer tratamento diferenciado para fins do cálculo de custo entre: a) um contribuinte que possui duas diferentes participações societárias: uma devidamente comprovada como adquirida com rendimentos comprovadamente auferidos no exterior (exemplificativamente custo alegado de USD 500,000/R$ 1.000.000,00) e outra não comprovada (exemplificativamente, também USD 500,000/R$ 1.000.000,00) Fl. 989DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 986 17 b) Um contribuinte que possuísse uma participação societária, agora composta por um custo alegado de USD 1.000.000/R$ 2.000.000,00, para a qual tivesse restado comprovada como adquirida com rendimentos comprovadamente auferidos no exterior uma parcela de USD 500,000/R$ 1.000.000. Cediço que, neste exemplo singelo, ambas as realidades fáticojurídicas, inclusive no que tange à suficiência/insuficiência de comprovação, são idênticas, sendo hermeneuticamente ilógico e antiísonômico que se estabelecesse tratamento diferenciado, como sugere a contribuinte. Escorreito assim o procedimento fiscal, rejeitandose a argumentação do recorrente de falta de liquidez e certeza do crédito tributário. f) Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa (item 2.5 do pleito recursal). Entendo, a propósito, que, em linha com a autoridade julgadora de 1a. instância, não caberia a este Colegiado se manifestar acerca da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício, uma vez que estes não constam do lançamento sob litígio, cujo controle de legalidade é a matéria a que se deve adstringir este Conselho. Todavia, ad argumentadum tantum, rejeito adicionalmente a argumentação do contribuinte adotando como razão de decidir aquelas adotadas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910100.539, de 11 de março, de 2010, verbis: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese Fl. 990DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 987 18 comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. (...) Fl. 991DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 988 19 Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). Fl. 992DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 989 20 § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 16327.720851/201191 Acórdão n.º 2201002.765 S2C2T1 Fl. 990 21 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, com fulcro nas razões de decidir acima, também nego provimento ao Recurso nesta matéria, devendose manter a cobrança dos juros SELIC sobre a multa de ofício lançada. Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 994DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 18471.001142/2007-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003
ÁGIO. AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES.
Os gastos com ágio na aquisição de debêntures são indedutíveis no cálculo do lucro real.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.947
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, EM
REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Roberto Armond Ferreira da Silva, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias acompanharam a rejeição da preliminar pelas conclusões.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto – Relator
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Os gastos com ágio na aquisição de debêntures são indedutíveis no cálculo do lucro real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Os gastos com ágio na aquisição de debêntures são indedutíveis no cálculo do lucro real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, EM REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Roberto Armond Ferreira da Silva, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias acompanharam a rejeição da preliminar pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 42 /2 00 7- 98 Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 601 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro IRJ. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase dos Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 9.025.197,93 (fls.301/315) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 3.291.366,50 (fls.316/326), lavrados em 28.08.2007 pela então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro. 2 A exigência totaliza R$ 12.316.564,43, aí incluídos juros de mora, calculados até 31.07.2007, e multa de oficio (75%). A infração consta descrita assim (fls 303): BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA. (...) Custo (s) de aquisição de bens do ativo permanente deduzido como custo ou despesa operacional, na forma de lançamento indevido a título de amortização dos valores referentes a investimento em debêntures. 4 A base legal da autuação compreende os arts.249, inciso I, 251, parágrafo único, art. 301, ambos do Regulamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). A fundamentação legal para a exigência de juros e multa consta às fls.315. 5 A Ação Fiscal, iniciada em 08.02.2007 (fls.202), compreende os documentos de fls. 1/378, tendo sido encerrada em 28.08.2007 (fls.378). 6 Irresignado, o interessado apresenta a impugnação às fls.380/397, pedindo a nulidade do feito. 7 Alega que falta clareza na descrição dos fatos, por "dizer, simplesmente, que determinados atos praticados pela Impugnante são indevidos, sem minuciar os motivos pelos quais são assim considerados, se constitui em cerceamento do direito de defesa, impossibilitando que o contraditório se instaure plenamente. ". 8 Aduz que há incorreção no enquadramento legal, ensejando nulidade por vício formal, dado que o art. 251, § único, e o art. 249, inciso I, do RIR/1999, não foram descumpridos, uma vez que a fiscalização não desclassificou a sua escrita fiscal. 9 Sustenta que, além das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, a doutrina e a jurisprudência também admitem como vícios de nulidade aqueles que caracterizam o cerceamento do direito de defesa. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 603 4 10 Diz que o Parecer Normativo CST 347, de 1970, dispõe sobre a livre escolha do contribuinte quanto à forma de escriturar suas operações, bem como, que o caput do art. 301 do RIR/1999, que trata de custos de aquisição de bens do ativo permanente, é inaplicável às debêntures, que "podem ser contabilmente apropriadas", nos termos dos arts. 324, § § Io e 2o e art. 325, inciso I, alínea "c" do RIR/1999. 11 No mérito, afirma que, em 14.12.2000, aplicou recursos financeiros na aquisição de 51 (cinqüenta e uma) debêntures subordinadas à participação nos lucros da empresa Rio Paracatu Mineração S/A, cada qual no valor nominal de R$ 10.000,00 (dez mil reais), no total de R$ 510.000,00 (quinhentos e dez mil reais), cada qual com prêmio de subscrição no valor de R$ 1.063.000,00 (hum milhão e sessenta e três mil reais), que, a princípio, resgatáveis em 31.12.2007, passaram, por deliberação regular da emitente, a ser resgatadas mensalmente, com início em 30.01.2001 e término em 31.12.2007, operação que englobou 84 (oitenta e quatro) meses, isto é, 84 prestações de R$ 645.392,86. 12 Diz que, de um modo geral, as debêntures devem compor conta específica do Ativo Realizável a Longo Prazo, destacando a subscrição e o prêmio, conforme Instrução CVM n° 132, de 04.09.1990, com apropriação dos deságios e amortização dos ágios ao longo dos prazos de vencimento ou de repactuação. 13 Alega que a própria Receita Federal, tal como disponibilizado em seu endereço eletrônico ("Perguntas e Respostas"), admite a apropriação dos custos de capital que contribuem para a formação do resultado de mais de um período de apuração", e que a contabilização do prêmio em conta de ativo, para amortização pro rata tempore até 31.12.2007 tem respaldo no art. 325, inciso I, alínea "c", c/c art.324, ambos do RIR/1999. 14 Aduz, textualmente: Apropriou regularmente os resultados auferidos como receitas tributáveis e, em contrapartida, deduziu as amortizações dos ágios pagos na subscrição, não havendo vedação a tal procedimento, porém, autorização legislativa para a recuperação contábil do capital aplicado na aquisição de direitos (...). Na determinação do lucro real, a Impugnante observou a legislação do imposto de renda, não deduzindo como despesa operacional o valor dos encargos da amortização do prêmio das debêntures (RS 7.744.714,32 + 7.099.321,46) do líquido do exercício de janeiro de 2002 a novembro de 2003, anoscalendários de 2002 e 2003, em cumprimento ao que dispõe o art.13 da Lei n° 9.249, de 1995. Em não procedendo a referida dedução nenhum ajuste foi necessário fazer na apuração do lucro Jiscal, como se comprova pela análise da DIPJ desses anoscalendário já em poder dessa r. Fiscalização. Tal fato pode ser comprovado através da análise da ficha Ficha 06A — Demonstração do Resultado Linhas 36 Outras Despesas Financeiras. 15 Pede que, se não acolhida a nulidade, em face de cerceamento do direito de defesa, "o lançamento seja tomado insubsistente, considerando que a legislação do Imposto de Renda não veda a amortização dos prêmios de debêntures, e, que nos anoscalendário de 2002 e 2003 fiscalizado, a Impugnante não deduziu referido encargo como despesa operacional". Pede, ainda, que a insubsistência seja comunicada ao lançamento da CSLL, cuja improcedência também requer. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 604 5 16 Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls.417/419. Relatados. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação às disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional, tampouco às dos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Os gastos com ágio na aquisição de debêntures são indedutíveis no cálculo do lucro real. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Inexistindo matéria específica, de fato ou de direito a ser examinada, aplica se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 605 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Preliminar de nulidade Preliminarmente, a recorrente imputa o presente AI com o vício da nulidade, por conter enquadramento legal equivocado, bem assim falta de clareza na descrição dos fatos. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Muito embora nem seja o caso, como se verá mais adiante no mérito, cabe salientar que mesmo que existisse erro no enquadramento legal, é pacífico o entendimento deste Colegiado no sentido de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa, como efetivamente aconteceu. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada MÉRITO Os lançamentos de IRPJ/CSLL tiveram como causa a falta de previsão legal para a dedutibiliade de prêmios pagos na aquisição de determinados ativos, no caso, debêntures. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 606 7 Conforme consta do processo, o interessado adquiriu no anocalendário de 2000, 51 (cinqüenta e uma) debêntures, pelo valor nominal unitário de R$ 10.000,00 (dez mil reais), cada qual com prêmio de subscrição de R$ 1.063.000,00 (um milhão e sessenta e três mil reais). A operação de subscrição fechada, como se vê na Escritura de Emissão Particular de Debêntures emitidas pela pessoa jurídica ligada, Rio Paracatu Mineração S/A (fls.329/346), foi formalizada em 12.12.2000, totalizando R$ 54.723.000,00 (cinqüenta e quatro milhões, setecentos e vinte e três mil reais), sendo, a) R$ 510.000,00 em debêntures e b) R$ 54.213,000,00, em prêmio de subscrição. Conforme bem descrito pela DRJ, assim se deu a apropriação de despesas nos respectivos anos autuados (2002 e 2003): (...) No anocalendário de 2002 (fls.296 e 230), o interessado, de acordo com o Livro Razão, levou a débito da conta "Lucro Líquido do Exercício em Curso", quando do encerramento de contas de resultado, o valor de R$ 7.744.714,32 (12 parcelas de amortização, cada qual no valor de R$ 645.392,86). 34 O mesmo se deu com relação ao anocalendário 2003, quando o interessado levou a débito da citada conta de encerramento de resultado (fls.297) o valor de R$ 7.100.468,68 (segundo as folhas do Livro Razãofls.231/241, de janeiro a novembro de 2003 foram efetuados 11 (onze) lançamentos, cada qual no valor de R$ 645.392,86, a débito de Despesas e a crédito de "AmortizaçãoPrêmio Debentures", totalizando R$ 7.099.321,40). As Sociedades anônimas podem emitir debêntures. As debêntures são títulos geralmente de longo prazo emitidos pelas companhias e respaldados em determinadas garantias. São títulos negociáveis assemelhandose as ações, gerando para as empresas recursos de longo prazo, sendo esses liquidados em seu vencimento, havendo também a possibilidade de resgate antecipado. Essas sociedades também podem emitir tais debêntures pagando um ágio sobre o seu valor nominal, que se chama prêmio, como foi o caso. Porém, como bem ressaltado pela DRJ, não é a classificação contábil que determina os efeitos tributários de um determinado evento: Cabe observar, também, que não é a classificação ou o registro do fato contábil o que determina os efeitos tributários de um evento ou negócio. Assim, quer no Ativo Realizável a Longo Prazo, quer no Permanente (no qual o Ativo Diferido se inclui), o que define os efeitos tributários é a ocorrência do fato gerador previsto em lei, em cuja apuração, sublinhese, a essência sempre prevalecerá sobre a forma. 27 Desse modo, a indedutibilidade de gasto com prêmios na aquisição de debêntures não é definida pela classificação contábil do evento, mas, pela essência e conformidade deste às regras de dedutibilidade em vigor. Nos termos da legislação fiscal de regência não há previsão legal para essa dedução, pelo contrário, ela comanda que não serão computados na determinação do lucro real as importâncias creditadas a reservas de capital que o contribuinte, com a forma de companhia, receber dos subscritores de valores de sua emissão, a título de prêmio na emissão de debêntures. É o que reza o art. 442, III do RIR/99: Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 607 8 Art. 442. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38): I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. Parágrafo único. O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 1º). Dessa forma a indedutibilidade se comprova por várias vias: 1) por haver vedação não permitindo que custo de aquisição de bens do ativo permanente possa ser deduzido como custo ou despesa operacional (art. 301 do RIR/1999), mesmo que seja na forma de amortização. 2) Se a contrapartida de quem recebe o prêmio está fora da tributação (art. 442 do RIR/99), por óbvio que sua contrapartida na pessoa de quem paga não pode ser dedutível a não ser que haja uma previsão legal genérica ou específica para tanto, que não é o caso. 3) As debêntures configuram títulos de crédito, representativos de empréstimos a sociedades por ações, estando fora do campo da legislação invocada pelo interessado qual seja, que permite a dedutibilidade da recuperação do capital aplicado ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (art. 324 do RIR/99). 1) Mesmo que o art. 324 do RIR/1999 invocado pela Recorrente se aplicasse à situação corrente, ele condiciona a dedutibilidade da amortização de bens e direitos à relação intrínseca destes com a produção de bens e serviços, o que não é o caso: § 4o Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção e a comercialização dos bens e serviços. Pelo exposto, nego provimento a este item. Processo nº 18471.001142/200798 Acórdão n.º 1401000.947 S1C4T1 Fl. 608 9 CSLL. Lançamento reflexo Por fim, tendo se em vista que, quanto ao Auto de Infração relativo à CSLL, fato motivador foi o mesmo relativo ao IRPJ, aplicase a esse assunto as razões esposadas no voto relativas ao IRPJ. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto
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