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Numero do processo: 10860.904689/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
A Conselheira Lívia De Carli Germano declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. A Conselheira Lívia De Carli Germano declarou-se impedida de votar.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. A Conselheira Lívia De Carli Germano declarouse impedida de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 04 68 9/ 20 09 -1 3 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 149 2 RELATÓRIO Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: THYSSENKRUPP AUTOMATA INDUSTRIA DE PECAS LTDA.(contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado no presente processo. Tratase pedido de reconhecimento de direito creditório, formalizado mediante “Pedido de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP. A contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, objeto de compensação, conforme PERDCOMP de fls. 12, transmitida em 30/06/2006 que se refere ao recolhimento do IRPJ relativo ao período de apuração de setembro/2005 no valor de R$ 15.580,39. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, fl. 3, proferido em 11/8/2009, o pleito foi deferido parcialmente em face da apuração da existência do crédito disponível de apenas 235,60, ou seja, o pagamento que se alega foi realizado a maior já se encontrava alocado a débito declarado e confessado pelo próprio contribuinte no valor de R$ 15.344,79. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, à fl. 5 alegando que: (...) A alegação do interessado para ter direito ao crédito pleiteado seria a de possuir o respectivo saldo em razão do valor do débito declarado em DCTF retificadora. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 88 a 92) negou provimento nos termos do seguinte voto: A contribuinte alega basicamente que se equivocou no preenchimento da DCTF, daí a inexistência de credito, afirma que tal DCTF foi retificada, alguns dias antes do despacho decisório, ao final requer seja reconhecido o erro de fato. Descabe razão ao impugnante, isso porque inexiste no Perdcomp qualquer registro da contribuinte de qual seria o motivo do alegado “recolhimento a maior”. O Recolhimento que apontou como realizado a maior já esta alocado a débito regularmente confessado pela contribuinte . Logo, ao apreciar o pleito a Autoridade Administrativa constatou a inexistência de crédito disponíveis para compensação e corretamente indeferiu o pleito por esse motivo. Por certo, a contribuinte apresentou os Perdcomp sem retificar a DCTF para aflorar o direito creditório que pleiteava. Se o pagamento Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 150 3 estivesse disponível, ai sim a Autoridade Administrativa encarregada da análise do pleito deveria verificar/questionar sua origem na apreciação e, se fosse o caso de indeferimento, justificar a não homologação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado não apresentou expressamente um recurso voluntário, mas sim um pedido à DRJ para, em face dos documentos apresentados, analisar novamente o seu pleito. Como não há tal procedimento no PAF, a manifestação do requerente foi recebida como recurso voluntário (fls. 104105). É o relatório do essencial. DA DILIGÊNCIA Por meio da resolução nº 1401000.364, de 19 de janeiro de 2016, desta Turma, o feito foi baixado em diligência para que a autoridade local adotasse as seguintes providências: a) esclarecer se o direito creditório do interessado é objeto do presente feito ou se foi objeto de outro processo; b) no caso de não ter sido analisado neste feito, informar o número do PERDCOMP originário em que o direito de crédito foi analisado, o número do processo administrativo em que essa análise foi realizada e o valor deferido; c) por fim, informar, detalhadamente, como o valor de R$ 15.344,79 apontado no despacho decisório número de rastreamento 844679977 (fl. 3) foi utilizado. Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. Em atenção à resolução de diligência, a autoridade local produziu o despacho de fls. 145146 com o seguinte teor: Ao analisar o débito de IRPJ (código 2089) do 3º trimestre de 2005, cuja extinção ocorreu por meio de pagamento em três cotas, e confrontando as informações da DCTF e as vinculações efetuadas no sistema da RFB, constatei erros nas mesmas. Havia pagamentos alocados para cotas distintas, ocasionando a utilização indevida de alguns e a “sobra” em outros. Após a correção das vinculações, do pagamento efetuado em 30/11/2005 comprovase um montante remanescente suficiente para o reconhecimento do saldo do crédito pleiteado (R$ 874,31). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10860.904689/200913 Resolução nº 1401000.419 S1C4T1 Fl. 151 4 (...) [há uma tela de sistema neste intervalo] Tendo em vista que a diligência é favorável à contribuinte, e para agilizar o julgamento, deixo de dar ciência à mesma e proponho o retorno dos autos ao CARF para prosseguimento. É o relatório. VOTO A autoridade fiscal descumpriu integralmente o teor da resolução emanada por esta Turma de Julgamento e não o fez em favor do administrado. O contribuinte pleiteou o montante de R$ 15.580,39, sendolhe concedido apenas a quantia de R$ 235,60. O objeto da lide perfaz, pois, a diferença de R$ 15.344,79. É para obter informações com o fito de decidir acerca do direito a essa diferença que baixamos o feito em diligência com quesitos específicos a serem respondidos pela autoridade administrativa. Nada obstante, a autoridade devolveu o feito com a informação de que realmente havia erros em vinculações realizadas pelo sistema da Receita Federal e que, diante de tais erros, sem especificar quais, o particular teria um direito a "sobras" de R$ 874,31, no lugar de R$ 235,60. Ainda sob a justificativa de que o despacho seria favorável ao particular, não lhe franqueou o direito de se manifestar antes de encaminhar o processo ao CARF. Ora, desde quando o "reconhecimento" de R$ 874,31, no lugar de R$ 235,60, quando o pleito é de R$ 15.580,39 ou seja, quase 18 (dezoito) vezes maior é favorável ao interessado? Tendo em vista que a autoridade local não cumpriu, nem sequer em parte, o teor da resolução, proponho a devolução do feito para que a autoridade local cumpra integralmente a resolução nº 1401000.364, de 19 de janeiro de 2016 , advertindoa de que esta é a derradeira oportunidade, sob a sua omissão ser considerada para fins de decisão de mérito da lide. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006084/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a sua quebra.
PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95) é o contribuinte que efetua o pagamento.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação.
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas"; (ii) na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Magnus Piber Maciel, OAB/SC nº 16.849.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a sua quebra. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95) é o contribuinte que efetua o pagamento. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas"; (ii) na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Magnus Piber Maciel, OAB/SC nº 16.849. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 4.705 1 4.704 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.006084/200907 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202003.577 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2016 Matéria IRRF Recorrentes REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a sua quebra. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação tributária no caso de pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado (art. 61 da Lei 8.981/95) é o contribuinte que efetua o pagamento. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 60 84 /2 00 9- 07 Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício; quanto ao Recurso Voluntário: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas"; (ii) na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Magnus Piber Maciel, OAB/SC nº 16.849. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA , que descreve os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 32/148, que exige o montante de R$ 7.093.239,01 de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, R$ 5.319.927,34 de multa de ofício prevista no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/1996, além dos encargos legais. O lançamento decorreu da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e também sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas , conforme descrito no item 8 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 149/178, tendo como enquadramento legal o artigo 674 do RIR/1999 — Decreto n° 3.000/1999 e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995. Cientificada em 18/06/2009, a interessada apresentou tempestivamente as impugnações de fls. 181/207, instruída com Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.706 3 os documentos de fls. 208/355, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Em preliminar e com base no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional argui a decadência dos lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos em 2003. Alega, que se falhas existem em sua contabilidade, se devem a problemas administrativas, mas que no entanto em momento algum deixou de submeter à tributação o total de suas receitas. Que quando constatou que tal fato havia ocorrido nos anos de 2004 e 2005, apresentou por sua livre e espontânea vontade denúncia de tal fato a Receita Federal do Brasil, recolhendo tais débitos e parcelando o restante. Aduz que efetuou diversos pagamentos regulares, não considerados pela fiscalização, para os fatos geradores de 2004, 2005 e 2006, no valor de R$ 401.070,74, além dos parcelamentos efetuados pelo Refis, no valor de R$ 325.972,56, e simplificado, no valor de R$ 539.762,65. Argumenta que não se furtou a apresentar a documentação solicitada pelo fisco. Que não ocorreram evidentes indícios de fraude e tampouco a documentação em questão é imprestável para fins de identificar a movimentação financeira. Que as notas fiscais de saída foram colocadas a disposição da fiscalização e assim continuam, conforme fazem prova alguns protocolos de entrega de documentos. Que valores foram apresentados à tributação por meio de denúncia espontânea cujos recolhimentos e valores parcelados não foram considerados. Diz que é empresa sujeita ao regime de lucro presumido, não estando sujeita ao recolhimento de tributos sobre o lucro real. Que a falta de escrituração, por si só, não configura que o imposto deixou de ser recolhido, pois a escrituração é obrigação acessória. Que não existe nexo causal direto entre a falta de escrituração e a falta de recolhimento do imposto. Contesta a autuação relativa a regularidade da escrituração das notas fiscais, já que não poderia ter vendido 86.576 metros estéreos de madeira sem a devida emissão de documento fiscal, omitindo desta foram receita, o que corresponde a 2.473 caminhões de mercadoria sem qualquer documento fiscal que acobertasse tal remessa, trafegando distâncias que variam de 20 a 600 quilômetros, sem que nenhum órgão de fiscalização municipal, estadual ou federal tivesse identificado e lavrado qualquer medida administrativa contra o mesmo por este motivo. No tocante a movimenta bancária alega que a partir dos extratos lhe foi solicitado a exata identificação de cada lançamento bancário e para os quais não conseguiu efetuar tal identificação, presumiu que a mesma se tratada de omissão de receitas. Mas, que não existe nexo causal entre os créditos bancários e receitas escrituradas. Que existem diversas operações financeiras que compõem o giro de caixa de uma empresa que não tem relação Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 com a atividade comercial, não se constituindo em base de cálculo para a tributação. Argumenta que o seu movimento bancário é perfeitamente compatível com o volume de Notas Fiscais emitidas. Que tomando como exemplo o ano de 2004, a fiscalização apresentou um valor de créditos bancários em valores superiores as receitas escrituradas de R$ 4.761.729,07 e o faturamento oferecido a tributação foi de aproximadamente R$ 10 milhões. Que a divergência se deve a duplicidade de lançamentos em função de valores de cheques devolvidos que foram reapresentados, empréstimos feitos junto a terceiros que ingressaram na conta corrente que foram pagos e em alguns casos retomados e pagos novamente, recursos adiantados a sócios que foram devolvidos, entre outros. Que não houve prova que algum comprador houvesse efetivado depósitos em sua conta corrente em valor superior ao das notas fiscais de venda que teve emitida contra si. Aduz que relativamente a suposta omissão pela existência de depósitos bancários, o fisco efetuou o cálculo do montante tributável tendo por base o arbitramento. Que é irregular a tributação desta forma, devendo a apuração ser obtida não somente pela simples existência de depósitos em conta bancária. Que pode afirmar que os depósitos bancários não contabilizados são indícios ou prova de omissão de receitas, mas essa receita deve ser apurada na forma da Lei, de acordo com o § 2 0 do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Argui que a fiscalização lança de ofício impostos relativos a Notas Fiscais não escrituradas sem comprovar que o imposto não foi recolhido independentemente da escrituração. Que os documentos que apresentou comprovam que houve recolhimento de impostos relativamente a operações que não haviam sido apresentadas a tributação e que não foram consideradas pela fiscalização. Contesta o lançamento da Cofins e do PIS, o que de acordo com o artigo 29 da Lei n° 9.430/1996, a base de cálculo é o faturamento, e não os depósitos bancários. Que o numerário depositado em instituição financeira não constitui, por si só, fato gerador do PIS ou da Cofins, porquanto caracteriza mera presunção do auferimento de renda. Questiona o enquadramento legal da multa de ofício e insurge contra seu agravamento, dizendo que sempre agiu de boafé, devendo a máfé ser comprovada pelo fisco, sendo indispensável a comprovação do dolo específico na prática da infração, não tendo ocorrido fraude no procedimento da empresa que sempre prestou as informações solicitadas e apresentou os documentos requeridos pela fiscalização, discorrendo a respeito. Alega o caráter confiscatório da multa de ofício e a ilegalidade da taxa Selic. É o relatório. Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.707 5 A DRJ/CTA julgou parcialmente procedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA Inexistindo pagamento, o direito de constituir o crédito tributário pode ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL APRESENTADA Não tendo sido comprovada a apresentação da documentação contábil é de se manter o lançamento. MULTA. ALEGAÇÕES CONTRA A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. Mantémse o lançamento quando as multas aplicadas, estando regularmente prevista na legislação, se mostram compatível com as ocorrências descritas nos autos. Ao julgador administrativo falece competência para determinar o afastamento de lei vigente, em decorrência • de alegada inconstitucionalidade. . JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 11 de abril de 1995 e legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A decisão da DRJ reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 e, no mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento mantendo a exigência de R$ 5.141.092,81 de principal de IRRF, para os períodos de apuração dos anos calendário de 2004 a 2006, além da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic. Em face do montante exonerado, foi interposto Recurso de Ofício. Cientificado dessa decisão em 30/11/2009, na pessoa de seu procurador (fl. 391), o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 392/428 em 22/12/2009, no qual faz as seguintes alegações, em resumo: ocorreu a prescrição dos fatos geradores anteriores a 16/06/2004, uma vez que o auto de infração foi lançado em 16/06/2009, ultrapassando a barreira limite dos cinco anos; os valores não estão sujeitos à incidência do IRRF, pois não se referem a rendimentos de qualquer natureza, mas sim a pagamentos de boletos, contas, matériaprima etc. Cita Súmula nº 12 do 1º CC; Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 ainda que houvesse necessidade de retenção na fonte de alguma parcela dos valores transferidos, a obrigação pelo recolhimento passa a ser do beneficiário, quando este promove sua declaração de rendimentos. Da mesma forma em relação à pessoa jurídica. Nesse sentido o Parecer Normativo nº 1, de 24/09/2002; os eventuais valores mantidos devem ser exigidos dos beneficiários e não dele, Recorrente; ainda que a fiscalização tenha sido solicitada pelo Poder Judiciário, o processo administrativo não pode dispor dos dados bancários sigilosos do contribuinte, por afrontar o seu direito de sigilo (CF, art, 5º, X e XII); o que se verifica nas informações detidas pela Fiscalização, constante dos autos, é que os valores, em sua quase totalidade, foram identificados pelo banco, ao informar os dados requeridos com a quebra do sigilo; com a identificação ou a possibilidade de fazêlo deveria a Fiscalização buscar apurar junto aos beneficiários, nos termos da lei e da norma regulamentadora; a identificação dos beneficiários isenta a recorrente de quaisquer obrigações de recolhimento, devendo ser de pronto, cancelado o lançamento daqueles valores cuja identificação foi registrada pela própria Fiscalização; a Fiscalização poderia ter investigado a destinação dos recursos e apurar os beneficiários, assim como teria todos os meios para obrigar o banco a identificar individualizadamente cada operação de TED e DOC, para verificar a correta imposição de retenção; a Fiscalização entendeu que mesmo cheques devolvidos devem ser objeto de IRRF; a multa de ofício tem caráter confiscatório e a aplicação da taxa Selic é inconstitucional; não se admite a aplicação da correção monetária e juros moratórios juntamente com a taxa Selic. A Recorrente relacionou em uma tabela diversos lançamentos realizados em favor de pessoas jurídicas, alegando que foram identificados pela Fiscalização, importando em não retenção; elencou vários lançamentos informando serem pagamentos de títulos e boletos, os quais não seriam rendimentos sujeitos à tributação pretendida; listou diversos pagamentos argumentando que se trata de pagamentos a fornecedores. Ao final, pede, preliminarmente, a prescrição do período anterior a 16/06/2004 e a ilegalidade da obtenção dos dados bancários. No mérito, requer seja julgado procedente o Recurso Voluntário, com o cancelamento do auto de infração e, sucessivamente, a redução da multa e o afastamento da taxa Selic dos juros. É o relatório. Voto Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.708 7 Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Tratase de processo de exigência fiscal em face da Contribuinte acima identificada, por meio de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF , no valor de R$ 7.093.239,01, acrescido de multa de 75% e juros de mora, calculados até 29/05/2009, perfazendo o total de R$ 17.034.574,01 (fls. 2/149). O lançamento é decorrente da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados, bem como sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, tendo como enquadramento legal o artigo 674 do RIR/1999 (Decreto n° 3.000/1999) e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995. RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 e, no mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento mantendo a exigência de R$ 5.141.092,81 de principal de IRRF, para os períodos de apuração dos anoscalendário de 2004 a 2006, além da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa Selic. Tendo em vista que o total do crédito exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, que é de um milhão de reais, o Recurso de Ofício deve ser conhecido. A decisão de primeira instância reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, considerando que o marco inicial da contagem do prazo decadencial foi o dia 1º/01/2004 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento). No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC , cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRRF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). No presente caso, não consta dos autos que houve pagamento antecipado. Assim devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 173, I, do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, os lançamentos poderiam ter sido realizados a partir do próprio ano. Portanto, o marco inicial da contagem do prazo decadencial foi o dia 1º/01/2004 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento), tendo como prazo final o dia 31/12/2008. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 18/06/2009 (fl. 179), os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003 foram alcançados pela decadência, conforme decidiu a DRJ. Dessa forma, nego provimento ao Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.709 9 Alega o Recorrente que o prazo para lançamento de tributos expirase após cinco anos do fato gerador, razão pela qual ocorrera a prescrição dos fatos geradores anteriores a 16/06/2004. Conforme já explicitado acima, quando da apreciação do Recurso de Ofício, em observância ao disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC, o qual estabelece que sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). Como não consta dos autos que houve pagamento antecipado, devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 173, I, do CTN, de acordo com o entendimento acima referido. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2003, já foi decidido que eles foram alcançados pela decadência. Em relação aos fatos geradores a partir de 31/12/2003, inclusive, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o dia 1º/01/2005, tendo como prazo final para lançamento o dia 31/12/2009. A ciência do auto de infração deuse em 18/06/2009 (fl. 179). Portanto, os lançamentos referentes aos fatos geradores a partir de 31/12/2003 não foram alcançados pela decadência. Dessa forma, rejeitase a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente. DO SIGILO BANCÁRIO Sustenta a Recorrente que o processo administrativo não pode dispor dos dados bancários sigilosos do contribuinte, por afrontar o seu direito constitucional de sigilo, ainda que a fiscalização tenha sido solicitada pelo Poder Judiciário. Vêse que o procedimento fiscal teve início a partir de demanda da Procuradoria da República no Estado do Paraná e da 2ª Vara Federal Criminal em Curitiba, a qual concedeu a quebra de sigilo bancário da empresa fiscalizada, conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 150/151) e o próprio Recorrente assim admitiu. Ou seja, o acesso da Fiscalização aos dados da movimentação da conta bancária do Contribuinte deuse mediante autorização judicial. Dessa forma, não tem razão o Recorrente ao alegar ilegalidade na obtenção dos dados da sua movimentação bancária, uma vez que foi o Poder Judiciário, por meio da 2ª Vara Federal Criminal em Curitiba, quem determinou a quebra do sigilo bancário. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA O Recorrente defende que os valores lançados não estão sujeitos à incidência do IRRF e, ainda que houvesse necessidade de retenção na fonte de alguma parcela dos valores Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 transferidos, a obrigação pelo recolhimento seria do beneficiário, quando este promovesse sua declaração de rendimentos e, da mesma forma, em relação à pessoa jurídica. Também não lhe assiste razão nesse ponto, uma vez que se trata de lançamento referente a pagamentos sem causa e/ou a beneficiário não identificado efetuados pela empresa fiscalizada, mediante retirada de recursos da sua conta bancária. Na infração aqui imputada, "imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados / pagamentos sem causa", cuja tributação é exclusiva na fonte, o sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que efetua o pagamento. O artigo 61 da lei nº 8.981/95 dispõe o seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária (art. 121 do CTN). Nesse caso, quem tinha a obrigação de efetuar o recolhimento do IRRF exclusivamente na fonte era a pessoa jurídica que fizera os pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, ou seja, a empresa autuada, sendo ela o sujeito passivo da obrigação. Desse modo, não tem razão a Recorrente em se eximir da responsabilidade pelas infrações cometidas, tentando atribuílas a terceiros. Isto posto, rejeito as preliminares suscitadas pela Recorrente. DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE O Recorrente argumenta que os valores, em sua quase totalidade, foram identificados pelo banco, ao informar os dados requeridos com a quebra do sigilo. Afirma que, com a identificação ou a possibilidade de fazêlo deveria a Fiscalização buscar apurar junto aos beneficiários, nos termos da lei e da norma regulamentadora. Defende que a identificação dos beneficiários, como descrito, isentaa de quaisquer obrigações de recolhimento, devendo ser de pronto cancelado o lançamento daqueles valores cuja identificação foi registrada pela própria Fiscalização. Relaciona em uma tabela diversos lançamentos realizados em favor de pessoas jurídicas, alegando que foram identificados pela Fiscalização, importando em não Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.710 11 retenção, assim como elenca vários lançamentos informando serem pagamentos de títulos e boletos, os quais não seriam rendimentos sujeitos à tributação pretendida. Sustenta que a Fiscalização teria todos os meios para obrigar o banco a identificar individualizadamente cada operação de TED e DOC, para apurar a correta imposição de retenção. Apresenta também uma relação de diversos pagamentos alegando que se trata de pagamentos a fornecedores. Afirma, ainda, que a Fiscalização entendeu que mesmo cheques devolvidos devem ser objeto de IRRF. Inicialmente cabe ressaltar que a Contribuinte, em sua Impugnação, não contestou expressamente a matéria relativa à falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, conforme se verifica pela decisão da DRJ, transcrita parcialmente abaixo: No tocante as alegações quanto a pagamentos efetuados, regularidade da escrituração das notas fiscais, movimentação bancária e da tributação do faturamento, tratase de matéria estranha a presente lide que versa sobre a falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e também sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas, enquadradas no artigo 674 do RIR/1999 e artigo 61, caput e parágrafos, da Lei n° 8.981/1995, a seguir transcrito: [...] Sobre essa matéria não foi expressamente contestada pela impugnante, sendo que em relação as demais matérias já foram analisadas no processo n° 10980.006088/200987. Como essa matéria não foi enfrentada na decisão de primeira instância, uma vez que não foi contestada por ocasião da impugnação, entendo que ela está fora do litígio. A matéria, portanto, encontrase preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Outrossim, apenas a título de argumentação, observase que foram anexados aos autos uma grande quantidade de documentos, aos quais o Recorrente não fez nenhuma remissão em seu recurso. No entanto, o Decreto 70.235/72 limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Reconheço que a jurisprudência deste Conselho tem abrandado o rigor dessa regra, em casos excepcionais, em prestígio ao princípio da verdade material. No entanto, esse abrandamento tem seus limites. Não se pode admitir que novos documentos sejam apresentados em sede de recurso, quando isso obstaculiza a apuração da autoridade fiscal. Do contrário, teríamos uma desordem no andamento lógico do processo, prejudicando a sua Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.711 13 conclusão. O processo é um caminhar para frente, consubstanciandose em uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas para que se não se transforme em uma querela interminável. Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo "Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal" esclarecem: [...] iv) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. v) O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente. (LÓPEZ, Maria Tereza Martinez; BIANCHINI, Marcela Cheffer. A Prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 50). Nos ensinamentos de Grinover e outros: O instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar ao seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual [...] Politicamente justificase a preclusão em virtude do princípio pelo qual a passagem de um ato processual para outro supõe o encerramento do anterior, de tal forma que os atos já praticados permaneçam firmes e inatacáveis. Quanto mais rígido o procedimento como é o brasileiro, por desenvolverse através de fases claramente destinadas pela lei maior se torna a importância da preclusão. (GRINOVER, Ada Pellegrini e Outros. Teoria geral do processo.16ª ed. Malheiros: São Paulo, 2000, p. 327328. (grifos do original). No caso de lançamento fiscal referente a pagamentos realizados a beneficiários não identificados ou cujas operações não foram comprovadas, penso que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, cabe ao contribuinte, quando intimado, identificar os beneficiários e comprovar a causa dos pagamentos efetuados. Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Nessa linha de entendimento, caberia à autoridade fiscal, após a identificação dos favorecidos e comprovada a causa dos pagamentos, proceder ou não à tributação dos valores recebidos, conforme as normas específicas previstas na legislação. Após a fase da autuação, sem que tenha havido a identificação dos beneficiários ou a comprovação da causa dos pagamentos, o contribuinte deve sofrer o ônus da tributação, em conformidade com o artigo 61 da Lei nº 8.981/95. A razão desse raciocínio reside na possibilidade de a identificação dos beneficiários ou a comprovação da operação ou a sua causa somente na fase contenciosa tornar inócua a tributação com base no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, pois os contribuintes poderiam aguardar a autuação e, por ocasião do contencioso administrativo, afastar a tributação tão somente com a identificação dos beneficiários ou a comprovação da operação, fazendo com que a Fiscalização não mais pudesse autuar os favorecidos, pois, certamente, a decadência já teria fulminado a pretensão de lançamento pelo Fisco. É que a tributação baseada no art. 61 da Lei nº 8.981/95 é uma espécie de substituição tributária, na qual se estabelece que o responsável pelo tributo é aquele que efetua o pagamento, visando garantir a efetividade das normas tributárias, uma vez que não se conhece o real beneficiário ou, quando conhecido, não se sabe a verdadeira causa do pagamento, impossibilitando a apuração da natureza do fato passível de tributação. Assim, como o Fisco não tem condições de tributar o beneficiário, o ônus do imposto recai sobre o responsável tributário, com fundamento em expressa previsão legal. No presente caso, observase que o Fiscalizado não logrou efetuar a comprovação durante a ação fiscal. Transcrevo a seguir trecho do Termo de Verificação Fiscal sobre o assunto: 8. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTICADOS / PAGAMENTO SEM CAUSA Conforme detalhado no capítulo 6.1, foi constatado que na escrituração da empresa houve registro de diversas retiradas da contacorrente bancária contabilizadas a débito de caixa (entrada), sem o respectivo registro das saídas da conta caixa (crédito). Como, comprovadamente estes valores foram remetidos a terceiros, deveriam ter sido contabilizados a crédito da conta banco e a débito do beneficiário. Entretanto, a empresa contabilizou a crédito da conta banco e a débito de caixa, como se os valores nesta última conta tivessem permanecido. É comprovado que os valores sequer transitaram pela conta caixa, quanto mais tenham se mantido nesta, pois se referem a operações bancárias, transferências, cheques nominais, TED, DOC, etc. Através dos Termo de Intimação n° 12, 15 e 17, a empresa foi intimada a identificar a natureza dos pagamentos (despesas, mútuos, distribuição de lucros), e todos os beneficiários e operações, dos valores que saíram da conta bancária, cuja entrada foi registrada no caixa, não havendo o correspondente registro da saída. Fl. 4718DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.712 15 Nas últimas planilhas apresentadas (fls. 70 a 123 anexo I), a empresa esclarece que parte dos pagamentos referemse a despesas. Entretanto, relativamente as retiradas relacionadas às fls. 02 a 25 (volume principal), não foram identificados os beneficiários dos valores e/ou as operações que originaram os pagamentos. Comprovado que os valores foram destinados a terceiros (TED, cheques nominais, DOC, etc) e a escrituração da empresa não registra a ocorrência de tais pagamentos (segundo a escrituração, os recursos permaneceram no caixa), e mesmo intimada, não identifica os beneficiários e/ou as operações que os originaram, fica configurada a hipótese legal de pagamentos a beneficiários não identificados ou operação sem comprovação. Os recursos retirados da empresa, que totalizam R$ 13.169.912,98, sem identificação dos beneficiários, ou com identificação do beneficiário, mas sem a comprovação da causa da operação, estão sujeitos à incidência na fonte pela alíquota préestabelecida. Assim, a base de cálculo do imposto deve se submeter ao reajuste previsto no artigo 61, parágrafo 3o, da Lei n° 8.981/95, efetivado em conformidade com a fórmula estabelecida no artigo 20, parágrafo Io, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Diante disto, todas as retiradas, comprovadamente destinadas a terceiros, cujos comprovantes não foram apresentados, e não foram identificados os beneficiários e/ou as operações que originaram as transferências de valores, relacionados nas planilhas apresentadas pela empresa e consolidados no Demonstrativo dos Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou Operação Sem Causa (fls. 02 a 25), estão sujeitos ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, por enquadraremse na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado/operação sem causa. Na planilha às fls. 26 a 31 encontramse demonstradas as bases de cálculo do IRRF, de acordo com a IN SRF n° 15/2001. No Demonstrativo dos Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou Operação Sem Causa estão relacionados todos os cheques destinados a terceiros, de valor igual ou superior a R$2.000,00 e as TED, DOC, transferências e pagamentos de títulos de qualquer valor, já que estes comprovadamente foram destinados a terceiros e não exigiram rastreamento. Dessa forma, não serão analisados os documentos acostados aos autos pela Contribuinte em sede de recurso voluntário, seja por terem sido apresentados em momento posterior ao adequado, seja porque a matéria já se encontra preclusa, conforme já exposto acima. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas". Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 DA MULTA APLICADA A Recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação da Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DOS JUROS DE MORA Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, também não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no seguinte sentido: a) quanto ao Recurso de Ofício: NEGAR provimento ao recurso; b) quanto ao Recurso Voluntário: NÃO CONHECER do recurso em relação à matéria "falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamentos realizados a beneficiários não identificados e sobre pagamentos cujas operações não foram comprovadas/justificadas". Na parte conhecida, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.006084/200907 Acórdão n.º 2202003.577 S2C2T2 Fl. 4.713 17 Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10730.721181/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO DE IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referem-se à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 ISENÇÃO DE IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referem-se à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado por laudo oficial da União que a moléstia grave está incluída no rol da lei concessiva (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88) e que os recursos recebidos referemse à aposentadoria, reforma ou pensão, há que se conceder o benefício fiscal ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 11 81 /2 01 3- 43 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.721181/201343 Acórdão n.º 2401004.478 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso voluntário interposto em 05/06/2013 em face do Acórdão 1254.829 18a Turma da DRJ/RJII, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário objeto deste processo. O Acórdão recorrido, cuja ciência pelo contribuinte deuse em 17/05/2013, está assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Irresignado, o contribuinte alega que possui neoplasia maligna desde 04/10/2006, conforme certidão 1123/2012 emitida pelo Centro de Perícias Médicas da Marinha e apresentou declaração de IRPF retificadora, o que teria gerado o crédito tributário deste processo. Neste recurso, apresenta documento Portaria de Reforma n. 0024/SIPM, de 28 de janeiro de 2013, publicada no DOU em 30/01/2013, Seção 2, pg. 7, que transforma a <reserva remunerada> em <reforma por invalidez definitiva>, com efeitos retroativos a 04/10/2006. Desta forma, não mais deve ter seus proventos de reforma tributados pelo IRPF a partir daquela data, conforme dispositivo legal vigente. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. A fundamentação legal para a isenção do IRPF para proventos de aposentadoria ou reforma motivados por acidente em serviço e recebidos pelos portadores neoplasia maligna (dentre outras moléstias graves relacionadas) está consignada no acórdão recorrido (Art. 6, Inc. XIV da Lei 7.713/88). Entendo que o contribuinte apresentou os documentos comprobatórios necessários para usufruir o benefício: possui laudo emitido por serviço médico oficial da União e a portaria de transformação da reserva remunerada para reforma a partir de 2006. A concessão de aposentadoria ou reforma para servidores é um ato complexo, que exige não apenas a aprovação pelo órgão concedente, mas também a chancela do Tribunal de Contas da União. O ato de concessão da Reforma do contribuinte por invalidez, com data retroativa está comprovada no processo pela anexação das folhas da publicação do ato no Diário Oficial da União parte 2, do dia 30/01/2013, através da Portaria SIPM de 28/01/2013, e foi considerada legal pelo Tribunal de Contas da União, conforme Acórdão 2566/2014 proferido pela 2a. Câmara, na análise do processo TC012.125/20148, disponível no sítio do TCU (http://www.tcu.gov.br/Consultas/Juris/Docs/judoc/RELAC/20140613/RL_0011_19_14_2_AA.doc). Dado o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 26/09/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 13802.001314/96-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IRPI. EXERCÍCIO 1993 PROPRIEDADE "REGISTRO DESPESAS
DEPRECIAÇÃ(.) MOVES, CONDOMÍNIO DEDUT11311,1DADE
- A mera ausência de registro no cartório de registro de imóveis não é sui-reiente
pala a glosa de despesas de condomínio e de depreciação de imóvel da
sociedade, quando comprovado através de documentos hábeis a negociação da
transferência da propriedade.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
- Reconhecida a dedutibilidadc das despesas, não podem persistir as exigências
reflexas
MULTA. ATRASO DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO
IMPUGNADA
- À míngua de impugnação, tornou-se definitivo o lançamento
Numero da decisão: 107-09.580
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barretto
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Recorrida 1" TURM A/DRI-SA [.VA DOR/BA IRPI. EXERCÍCIO 1993 PROPRIEDADE "REGISTRO DESPESAS DEPRECIAÇÃ(.) MOVES, CONDOMÍNIO DEDUT11311,1DADE - A mera ausência de registro no cartório de registro de imóveis não é sui-reiente pala a glosa de despesas de condomínio e de depreciação de imóvel da sociedade, quando comprovado através de documentos hábeis a negociação da transferência da propriedade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Reconhecida a dedutibilidadc das despesas, não podem persistir as exigências reflexas MULTA. ATRASO DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - À míngua de impugnação, tornou-se definitivo o lançainurto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dai plov i meato ao recurso, nos lermos do i &ator io e voto que passam a integrar o presente julgado , i, A / I 412'0 MARCOS/ 1 ,l(CIIIS NEDEI.. DE LIMA - Presidente Ç-IrVk SII,VANA RÉSaGNO GUERRA BARRETE() - Relatora „-. EDITADO EM: U 9 iji .-)0 ¡O. ,“ 1 L - Participaram, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros: Marcos Viniei us Neder de Lima, Luiz Martins Valer°, 1-logo Correia Solem, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Décio I 'ima Jardim, Silvaria Reseigno Guert a Bar retto e Carlos Alberto Gonçalves Nunes 1 Procx:::so 13.W2 I 311/00405 CX.::(111(3)7 Acórdio ii 3 11.17-11.19.580 17 Relatório Em decorrência da ação fiscal iniciada em 09 de setembro de 1996, foram lavrados autos de infração relativos ao IRP..1, ao 1.I.ZRF e à CSLL do ano-calendário de 1992, por força de deduções realizadas no cálculo do lucro real decorrentes de despesas de depreciação e de condomínio relativas a imóvel de propriedade registrada. em nome de terceiros Inconformada com o kinçamento, a Recorrente apresentou Impugnação aduzindo, em síntese, que o imóvel objeto do Termo de Verifica.ção seria de propriedade da. Recorrei de e não dos seus sócios, haja vista a integral izacão do capital realizada cru 31 de outubro de 1990, registrada na IfiC:ÉS1) sob o flu 35209828977; Em seguida, aditou a Impugnação, acrescentando que o bem imóvel seria o único bem que compõe seu capital social, a multa de 100% imposta estaria em. desacordo com a Lei tr. 9.430/96 e que teriam sido violados os comandos dos arts.. 248 e 286, do RIR, aprovado pelo Decreto 11. 0 1.041/94.. Argumentou, ainda, que detém a propriedade econômica do bem e que o auto de infração agi ediria mandamentos do Código Tributário Nacional. A 1)1t1 manteve o lançamento por exigir registro no Cartório de Registro de Imóveis como requisito indispensável ao co.mputo das despesas incorridas para fins de apuração dos tributos, bem como em. razão do atraso na entrega da declaração de rendimentos relativa ao eXereiCi0 de 1992. A -Recorrente interpôs Recurso Voluntário se insurgindo apenas em lace das glosas de despesas relacionadas ao imóvel que assevera ser de sua propriedade, não se maio testando contra a aplicação da multa imposta cru razão do atraso na entrega dc declaração. É o relatório 2 PI ()cesso n'' 0013 1 4/96. CCO 1if:07 Acóntio n " 107-09580 179 VO i:0 Consel hei] a SI LV AN.A R ESCleiN0 Uri-1Z R.A BAR k 1JIO - Relatora Frata-se dc lançamento formalizado, em razao de glosa de despesas relacionadas a bem imóvel, com fundamento nos artigos 1.54, 157, parágrafo 1', 173; 221, parágrafo 7" e 387, inciso E, do RIR/80, sob a justificativa dc que inexistiria registro da transferêncra da propriedade no Cartório de Registro de Imóveis. Primeiramente, pontuo que os dispositivos legais invocados como suporte ao lançamento dizem respeito tão-somente à apuração do lucro real, não se referem diretamente a possibilidade ou não de dedução de despesas, notadamente aquelas relacionadas a bens do ali vo imobilizado, vei bis: t 154 'Lucro real é o lucro liquido do C.Verde10 ajustado pelas adioies, c.rciuoc oi.i compcns.açócs pi escrita) . 011 auiorizado por este rcgul(lmento ((ir tipo 387 c $88) (L),:creio_lei ri" 1 598/77, artigo 6)" A compensação de pé (juízo fisc:al está regulameniada no artigo 382 dofl1R/80, constante do Subtítulo ii - Lucro Real, tendo por base o lucro líquido do uk:ercielo apurado com observância da lei COMe I"c io!, ai t. 154 a .157 do citado regulamente),"ia verbis". ,4i. / 154 Lucro 7eal é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensaçõespi escr lias . ou autorizadas por este Regulamento (Decreto-lei n"/ 598/77, art. (i') Ait 155 lucro líquido do exercício é a soma algébrica do lacro operacional ((.'apíltdo 11), dos 1 esultrulos não opep acionars (Capítulo 110. do saldo da conte de cot eção numerária 0,-4apitulo IV) e da, 7)01 tiupaçoes, e deverá s.er determinado com obsePvância dos pi «ceifos das lei comercial (Dcerelo-lci n'' 1 598/77, arr Ó, k Au t 156 - A pessoa jurídica será tributada de acordo com o lucro real determinado, anualmente, a partir das dvmonstr ações financeiras ( Artigo 172) Deci. o".) 844/13 - Ait $2) Ari 157 A pessoa jurídica sujeita a ti ibutaciío com base no lucro real deve manter- escrituração com ohseri>eincie das leis comerciais e fi.scais (Dcereto-lei n" 1 .598/77, mi 7") Art. 382 - A pessoa jurídica podera compensar o prejuízo ("pinado 11.10 período-base com o lucro re,il determinado rios 04 (guano) períodos-bdse sub.seqüentes. n" 1.598/77, at t. 6.1) k I" - O prejuízo compensáve/ é O apurado na demonstração do lucro p eai e registrado no I,ivro de Apuração do Lucro Real, cola . igido Gij /Vil iC (I8/ o balanço do período-base em que oco 1))') a compensação (Decreto-lei n" 1 .598/77, uri 64, 1") - Da análise do lançamento tal como efetuado, veriftea-se que a causa foi exclusivamente a ausência do registro do imóvel, não tendo sido suscitado ou abordado se o contribuinte cumpriu os requisitos do então vigente art. 191, do RIR/80 que exigia, paia a dedutibilidade, a necessidade da despesa, verbis: l'r“cesso 13M)2 001 - 14/96-05 01:01/C07 Acók dão ri " 107-09.580 o. 180 "Art, 191 - ,S'áo operacionais Os despesas não c:umputadas 7'105 C11570S. ncecs.sai its . à atividade da ciai); esa e à manuterrcão da respectiva finde produtora (Lei IP 4 506/64, dr 1. A ausência de fundamentação quanto à necessidade da despesa, capaz de torna- la dedutivel, torna prejudicado O exame no âmbito deste Conselho, sob pena de caracterizado cerceamento do direito de defesa do Recoi lente. Compulsando Os autos, veáliea-se que a única motivação para o lançamento foi a exigência de registro no Cartório de imóveis Cinge-se, portanto, a controvérsia acerca da possibilidade de, no exercício de 199:3, deduzir como despesa operacional, depreciação e gastos ielativos a imóvel esc!. iturado em nome de sócios da Recorrente que foi utilizado para integralização de capital em 31 de outubro de 1990, conforme contrato social registrado na .11.1C1-,B Entendo que o lançamento contábil no livro Diário (11 75), ratificado pelo contrato social devidamente registi ado, constitui pi ova suficiente da eletiva negociação da transferência de propliedade, a autorizar dedução das despesas efetivas e necessárias à sua manutenção., não considerando ser indispensável a averbação no competente Cartório de Registro de Imóveis, como exigido pela autoridade autuante e pela 1)Rt. Nesse sentido, invoco precedente desse Conselho, nos termos da ementa a seguir transcril a, verbis: 'iRPl— DESPL,S'ilS COA-1 ALUGUÉIS DEDUTIBILIDADE A ausência de registro no cartório de fetfistro de imóveis, por si só, em principio, não justifica a ,glosa de despesas de aluguéis pagos ao novo proptietátio, PIO 1(!(i documentalmente a efetividade da negociação de transferência da propriedade, sájcilando-s.c as devresas à análise thc,a1 da uktividade, necessidade, visualidade e n.o/ ma/idade dos dispêndios ao desenvolvimento das atividades da ci:ontribuirne ("WEL e — LXIGE.NCIAS DECORRENTES ...onforrnain-se ao decidido em relação ao MEU em face do suporte futico COMUM que a5 iiINItuern JUROS 1)1; MORA —JAX4 ,ELI( A-1171,1A DE LANÇAMENTO DE OliICIO Cor./sectários legais previS/OS urn legislac:ão vigellte de aplicação obrigatória e, indeclinável pula autoridade fiscal lançador a. IRP,1 - 1)ESPESAS OPERACIONAIS 12E57'ESAS COM DIREITOS AUTORAIS DEDUTIBILIDADh - ,,SOmente sweilos à limitação esn i belevida pelo (ui' 294 do RIR/1994, ox pa ,..arneritos que se refiram à transkrência de tecnologia (assistència técnica, cientifica, adminrstrativa ou semelhantes) As quantias pagas a título de direito autoral não t.:'..500 sujeitas ao limite imposto nu referido dispositivo obedecendo poi tanto as regras gerars Tmrd dedução de despesas 0N custos, pelos critérios de normalidadu, necessidade c usualidade, respeitado o re,irriu c:ompelência RecurNO qtíCi0 negado Rec.-urso voluntário provido (Recurso 153585, Re/ Cândido Rodrigues Nerrber, .Acór dão 105- 09,169) (gtilbs acrescidos) Aceitas as lir ovas apresentadas pai a a comi-novação da efetividade da negociação de transferência de propriedade e não tendo sido objeto do auto de infração os requisitos 11.CCCSS(U 1.0S à dedutibilidade das referidas despesas, não podem subsistir as 4 ()cesso n' 111202 001311/Q6-05 CCOI1C0 / Acói dão " 110 7-09.580 Is exigências do [Rl),J, da CSIÁ, e, consequentemente, do [RIU, exigido na lbrma do art,35, da Lei n,' 7 713/88. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para afastar as exigências relativas ao 1R13j, IRR1 e CSLL, persistido apenas a imposição de multa regulamentar em razão do atraso da entiega da declaração de, rendi tnentos É Como voto Ylet- SII,VANA RESCIGNQ ([J ,RRA BARRE 110 MINISTÉRIO DAIAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO I)E RECURSOS PISCAIS OIJAR IA CÀMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo : 13802_001 14/96-05 Ariói dão n" : 107-09 580 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, ciedenciado junto a este Conselho, da decisão cousubstmciada no acórdão suipt a, nos termos do art 81, 3', do anexo 11, do Regimento lutei no do CARI', api ovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009 Brasília, 09 de inibo de 2010 aritUa ire ou,. a 11:8Rgtites-- Secretária da Carnal a Ciência Data: Nome: ocut adot (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PEN: H apenas com ciência; [ com RCCIII so Especial; _1 com Pmbargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003692/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram-se os embargos declaratórios. Acompanhou o julgamento, pela Embargada, o advogado Antonio Sinhiti Myasava, OAB/PR nº 25937.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
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PRESSUPOSTO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaramse os embargos declaratórios. Acompanhou o julgamento, pela Embargada, o advogado Antonio Sinhiti Myasava, OAB/PR nº 25937. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 36 92 /2 00 7- 90 Fl. 4298DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de despacho para apreciar a admissibilidade de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 e alteração, em face do acórdão n° 3201002.061, de 24/02/2016, que foi assim ementado: Assunto:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 PRELIMINARES DE NULIDADE.INEXISTÊNCIA. Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 Consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 AÇÃO JUDICIAL. OBEDIÊNCIA DA DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO A empresa tem direito ao reconhecimento do crédito do IPI decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, de acordo com decisão judicial, ainda que extra petita, posto que transitada em julgado, estando válida, vigente e eficaz. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS/CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. Deve ser efetuada a atualização monetária dos créditos que têm direito, posto que deferida pela sentença do TRF da 4ª Região, aplicandose os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n° 561 do Conselho de Justiça Federal. CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM Fl. 4299DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 3201002.374 S3C2T1 Fl. 4.298 3 ESTABELECIMENTO DIVERSO. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Constatada a falta de recolhimento da exação impõese a sua exigência por meio de lançamento de oficio, a aplicação da multa de 75%, em conformidade com o art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430/96 e dos juros de mora, com base na taxa Selic. MULTA CONFISCATÓRIA Aplicase Súmula CARF de n° 2. O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC Aplicase Súmula CARF de n° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário a que se dá Provimento em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário; exceto quanto à incidência dos juros sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo, que, nesta parte, davam provimento ao recurso. A Fazenda nacional apresentou, tempestivamente, os embargos de declaração, alegando omissão, contradição e obscuridade a serem sanadas, tendo em vista a não fundamentação pelo afastamento da Súmula CARF nº 1, que proibiria o conhecimento da matéria levada ao Judiciário; assim, em relação a esse tema, continua, o Recurso Voluntário não merecia ser conhecido. A decisão judicial deveria ser cumprida em seus exatos termos, de forma que não poderia haver previsão de incidência de índices estranhos ao pedido da ação e ao dispositivo do acórdão judicial e contradição entre os fundamentos do voto em relação ao item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL”, nestes termos: 1) Quanto à primeira matéria: É importante observar que essa matéria foi levada ao Judiciário pelo contribuinte. Portanto, em seu voto, a e. Turma deveria ter se pronunciado sobre o afastamento da Súmula CARF nº 1, que Fl. 4300DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 4 assim dispõe: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Assim, em relação a esse tema, o Recurso Voluntário não merecia ser conhecido. A decisão judicial deveria ser cumprida em seus exatos termos, de forma que não poderia haver previsão de incidência de índices estranhos ao pedido da ação e ao dispositivo do acórdão judicial. 2) Quanto à segunda matéria: Registrese que no presente caso, o provimento judicial não determinou a incidência de Selic, o que impediria o Tribunal Administrativo de extrapolar a coisa julgada. A decisão judicial concedeu a segurança “nos termos requeridos”. Os tais termos requeridos eram exclusivamente a correção monetária, como se vê expressamente das argumentações de fls. 17 e ss. Assim, a e. Turma, ao afastar imotivadamente a Súmula CARF nº 1 e conhecer do recurso voluntário, ultrapassou os termos da decisão judicial e permitiu a aplicação de índices não condizentes com o decidido. Apesar de lacônico, pois não precisou que índices deveriam ser aplicados, o provimento jurisdicional foi cristalino em permitir apenas correção monetária, o que, de pronto, afasta a incidência de juros de mora. 3) Quanto à terceira matéria: Ademais, convém destacar que o Acórdão nº 3201002.061 também apresenta uma contradição na sua fundamentação. Vejamos: Nas fls. 4272, no item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL”, o Relator dispõe que “inexiste restrição, na decisão judicial, a esse aproveitamento do crédito, logo, inaplicável o raciocínio da segregação pela fiscalização”. Contudo, mais adiante em seu voto, aponta que comunga do mesmo entendimento contido no Acórdão nº 3202002.041. Ocorre que, esse julgado, em relação a esse assunto, acompanhou o raciocínio da fiscalização. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração, por conta das matérias apontadas acima. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Fl. 4301DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 3201002.374 S3C2T1 Fl. 4.299 5 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Para relembrar, versa o processo de auto de infração referente ao IPI não recolhido, acrescido de juros de mora e de multa, no período de abril/2002 a setembro/2006, por se utilizar de créditos indevidos. A mesma obteve, na esfera judicial, o reconhecimento do direito de se creditar do IPI em decorrência de aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança no 98.00209263, com Acórdão transitado em julgado, com certidão de 20/11/2000, que foi objeto de Recurso Voluntário julgado pela 1a Turma Ordinária, da 2a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, na sessão do dia em 24/02/2016, nos termos do Acórdão n° 3201 002.061, de 24/02/2016. Por sua vez, a Fazenda nacional apresentou, tempestivamente, os embargos de declaração, alegando omissão, contradição e obscuridade a serem sanadas, tendo em vista a não fundamentação pelo afastamento da Súmula CARF nº 1, que proibiria o conhecimento da matéria levada ao Judiciário; assim, em relação a esse tema, continua, o Recurso Voluntário não merecia ser conhecido. A decisão judicial deveria ser cumprida em seus exatos termos, de forma que não poderia haver previsão de incidência de índices estranhos ao pedido da ação e ao dispositivo do acórdão judicial e contradição entre os fundamentos do voto em relação ao item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL". Relatados os fatos, passemos à análise: 1) Quanto à primeira matéria: Sobre a alegação inicial de que no resultado do julgamento nada foi dito sobre o afastamento da Súmula CARF de n° 01, temse que de fato não houve referência direta, por desnecessária, pois a embargada obteve, na esfera judicial, o reconhecimento do direito de se creditar do IPI em decorrência de aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança no 98.00209263, com Acórdão transitado em julgado, com certidão de 20/11/2000, ou seja, o lançamento foi decorrente do entendimento da fiscalização de que o contribuinte teria exacerbado o provimento dado em decisão final, utilizando créditos ilegítimos de IPI para compensação, na escrita, com débitos do mesmo imposto, além aproveitar indevidamente crédito presumido de IPI, restando em aberto esse débito, ou seja, o lançamento foi decorrente da diferença apurada pela compensação indevida referente ao alcance e abrangência do M.S. 98.00209263 da 2 ª Vara da Justiça Federal do Paraná, conforme relatado na Folha de Continuação do Auto de Infração. Portanto, o auto de infração, em discussão, não foi realizado com efeito suspensivo para evitar a decadência e sim, por conta do entendimento da fiscalização da abrangência do MS. A embargada teve ciência do mesmo (AI). Logo, neste item, não há que se falar na existência de omissão no acórdão embargado, daí o seu conhecimento; bem como, não há que se falar em não observância da Súmula CARF n° 01. Quanto à 2) segunda matéria, que a decisão judicial deveria ser cumprida em seus exatos termos, de forma que não poderia haver previsão de incidência de índices Fl. 4302DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 6 estranhos ao pedido da ação e ao dispositivo do acórdão judicial, temse que consta na descrição do Auto de infração: Utilização dos Indices UFIR + 1% e Taxa SELIC como Correção Monetária. A fiscalização constatou, através da documentação apresentada, copies em anexo doc. de fls. 181 a 184, que a empresa utilizou para correção monetária dos créditos de IPI os índices da UFIR +.1%, ate dezembro de 1995 e a Taxa SELIC, a partir de Janeiro de 1996. Considerando que no âmbito legal a utilização do crédito do IPI se dá pelo valor nominal e que a decisão não fixou os índices de correção monetária, ouvido o Serviço de Tributação, este se manifestou , no sentido de que o aproveitamento dos créditos de IPI, no presente caso deve ser feito sem a correção monetária, já que, omissa a decisão judicial, não cabe a Administração fixar índices não previstos em lei. Conforme, cópias em anexo, docs, de fls. 105 a 107. A fiscalização em seu levantamento não utilizou nenhum índice de correção monetária. Verificase que na peça incial do MS, o contribuinte afirma que busca a declaração do direito de aplicar a correção monetária sobre créditos pretéritos não alcançados pela prescrição quinquenal não aproveitados na época, por oposição do fisco. O fato do MS, não haver determinado o índice, não prejudica a determinação judicial de existência da correção monetária. Enfim, é um aspecto não enfrentado pela autoridade fiscal que simplesmente desconsiderou a ordem judicial. Não resta dúvida que houve deferimento da correção monetária, o que possibilita ao contribuinte de forma conservadora utilizar os mesmos índices aplicados pelo fisco para correção de seu crédito tributário. Caso a autoridade fiscal não concordasse com esses índices, deveria substituir por outro índice, mas não afastar a incidência, uma vez que a aplicação decorre de decisão judicial transitada em julgado. Dessa maneira que as razões do AI são decorrentes de parte da glosa dos créditos escriturados, por entender que os mesmos terem sido escriturados sem nenhum tipo de correção. Enfim, os créditos pleiteados não admitidos pelo fisco, havendo oposição ilegítima do fisco à sua escrituração, daí o direito da atualização monetária sobre esses créditos. Portanto, também, nessa parte, não há que se falar em omissão no acórdão embargado, pois o mesmo enfrentou a matéria de atualização do crédito. 3Quanto à terceira matéria, sobre a contradição na limitação territorial da decisão judicial, a PGFN observa o seguinte: Ademais, convém destacar que o Acórdão nº 3201002.061 também apresenta uma contradição na sua fundamentação. Vejamos: Fl. 4303DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 3201002.374 S3C2T1 Fl. 4.300 7 Nas fls. 4272, no item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL”, o Relator dispõe que “inexiste restrição, na decisão judicial, a esse aproveitamento do crédito, logo, inaplicável o raciocínio da segregação pela fiscalização”. Contudo, mais adiante em seu voto, aponta que comunga do mesmo entendimento contido no Acórdão nº 3202002.041. Ocorre que, esse julgado, em relação a esse assunto, acompanhou o raciocínio da fiscalização. E por fim, em relação à alegação de conflito no julgamento, sobre a aplicação da decisão judicial (limites territoriais) pela possibilidade de aproveitamento de crédito em estabelecimento diverso e do exemplo, quando cito que comungo do mesmo entendimento no acórdão 3202002.041, que nesta parte é pela impossibilidade de aproveitamento, é necessário, antes de tudo, transcrever a ementa do julgamento e a parte que fundamenta o voto da Relatora, e percebe que não há contradição a macular o entendimento exposto: Ementa: CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Á fl. 4272, o voto, nesta parte: LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL Neste processo, a fiscalização avaliou somente os créditos do estabelecimento da Rua Valério Sobânia, ou seja, estabelecimento que moveu a ação judicial; desconsiderou qualquer crédito dos outros estabelecimentos da recorrente, com base no entendimento lastreado no princípio da autonomia dos estabelecimentos. Registrese que o Impetrante no Mandado de Segurança é a pessoa jurídica Bemeck, que é o titular do direito reconhecido pela decisão judicial final, que realizava apuração centralizada, por esse motivo, entendo que inexiste restrição, na decisão judicial, a esse aproveitamento do crédito, logo, inaplicável o raciocínio da segregação pela fiscalização. Já a ementa, neste contexto, do Acórdão nº 3202002.041, que ilustrei: CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO.IMPOSSIBILIDADE. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Inexistência de restrição, na decisão judicial, ao aproveitamento do crédito Fl. 4304DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 8 Não obstante, serem conflitantes as ementas (nesta parte)possibilidade (acórdão ora embargado) e impossibilidade (ilustração), como já comentado, não invalida o voto em discussão, ao enveredar pela inexistência de restrição a esse aproveitamento de crédito e que a pessoa jurídica é a Berneck que é o titular do direito reconhecido pela decisão judicial final. Registrese que a ementa exemplificativa, levou a um engano, por conta da remissão à palavraimpossibilidade, inclusive, também, foi objeto de embargos; no entanto, não invalida o julgado que inclinouse pela possibilidade, não havendo conflito entre a ementa e fundamentação do mesmo com acompanhamento pela turma de julgamento pelo voto neste sentido. Ressaltese que sobre o acórdão exemplificativo, em todos os outros itens, não houve discórdia de outro tipo de entendimento. Portanto, também, nessa parte, não há que se falar em contradição na fundamentação e conclusão no acórdão, ora embargado, pois o mesmo enfrentou a matéria aproveitamento de crédito em estabelecimento diverso. Por todo o exposto, e com a devida vênia, não há que se falar em omissão, contradição e obscuridade no referido acórdão na parte que verse sobre o não enfrentamento pelo afastamento da Súmula Carf n° 1, e da atualização monetária; bem como o item “LIMITAÇÃO TERRITORIAL DA DECISÃO JUDICIAL fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide. Se a Fazenda Pública não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 4305DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.967291/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE
Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas.
INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 72 91 /2 00 9- 93 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1239.616 1° Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 18 de agosto de 2011, que, naquela oportunidade, apreciou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendendo, por unanimidade de votos, negála, mantendo o Despacho Decisório nº 848.610.379 (fl. 6). Verificase que a Unidade da Receita Federal DERATRJ não homologou a compensação declarada, sob fundamento de que o crédito não existia, pois, embora localizado na base dados, o pagamento indevido informado fora integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte, não remanescendo crédito disponível para compensação dos débitos informados na DComp em apreço. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que houve recolhimento indevido a titulo de IRRF, conforme pode se inferir pelas fichas da DIPJ onde constam os beneficiários das retenções, representando mero equivoco no preenchimento da DCTF. Consignese que antes do processo ter sido encaminhado para a DRJ, em vista à opção da interessada de anexar a quatro processos uma única documentação, ela foi intimada, com a finalidade de oportunizar a juntada dos referidos documentos nestes autos, conforme fls 135. Porém, após devidamente intimada, ao invés de juntar tais documentos, requereu apenas a reunião desses três processos, noticiando o crédito em discussão ainda é objeto dos processos nº 15374972.550/200906; 15374972.551/200942 e 15374 972.552/200997, conforme se vê nas fls. 137 dos autos. Em seguida, por requisição da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, foi promovida nova diligência, desta feita, com o intuito de intimar o contribuinte a regularizar sua representação processual, sendo em seguida, após a devida intimação, regularizada. Sobreveio a decisão de primeira de instância, em que a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação com base nos seguintes argumentos: a) que o crédito não se revestia dos requisitos do artigo 170 do CTN, vez que no momento da análise da compensação, o DARF discriminado no PER/DCOMP tinha sido utilizado para quitação de outros débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação; b) que desde o anocalendário de 1999, a DIPJ, tem caráter meramente informativo, e por isso as informações nela prestadas não configuram confissão de divida, sendo a DCTF o documento destinado a tal fim, e sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário; c) que a citada DCTF não podia mais ser retificada, consignando que o foi na data de 23/10/2009, data essa posterior a sua ciência do indeferimento da decisão recorrida. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15374.967291/200993 Acórdão n.º 1301002.103 S1C3T1 Fl. 219 3 A decisão, restou assim, ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Em 25/05/2012, após o julgamento de primeira instância, mas antes que houvesse ocorrido a ciência daquela decisão, foi juntado por apensação a este processo, o processo nº 15374.976932/200909. Em 31/05/2012 a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, conforme documento de fl. 172. Inconformada, em 26/06/2012, apresentou recurso voluntário (fls. 175), através de representante regularmente constituído (fls. 160). Após historiar o ocorrido, sob sua ótica, a interessada alegou o seguinte: a) que recolheu equivocadamente o valor de R$3.760.120,55, a título de IRRF sobre rendimentos de juros sobre capital próprio aos acionistas no AC 2007, onde o devido seria de R$.431.633,17, restando um crédito de R$328.487,36; b). que a DCTF teria sido retificada; juntando cópia do recibo de entrega da DIRF/2008 que; no seu entendimento, comprovaria o indébito; c) com referência a controvérsia da impossibilidade da retificação, noticia haver jurisprudência, em favor de suas alegações, do CARF, STJ e STF, em conformidade com o que estabelece os artigos 142 e 144 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. De acordo com o contestado Despacho Decisório, o motivo da não homologação compensação em apreço foi a inexistência do crédito compensado, baseada no fato de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débito devido, declarado na DCTF do período. Pelo mesmo motivo (inexistência do crédito), a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a decisão não homologatória da compensação, consignando ainda que após a ciência do Despacho Decisório, a DCTF não poderia ser retificada; Por sua vez, o recurso voluntário alega existir possibilidade da retificação da DCTF após o despacho decisório, noticiando que o recibo de entrega da DIRF/2008, existente nos autos, é instrumento hábil para comprovação das informações apresentadas na retificação. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 4 Passo então a analisar a possibilidade de retificação da DCTF após o despacho decisório. DA RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. No entender da recorrente, a retificação da DCTF poderia ser feita em qualquer fase do procedimento de compensação ou restituição, porque a jurisprudência do CARF, STJ e STF são pacíficas no sentido de reconhecer a impossibilidade de exigência de tributo com base em equívoco formal do contribuinte no preenchimento de declaração, sendo a retificação do valor da DCTF a única controvérsia existente nos autos. Analisando a legislação tributária pertinente, observase que as condições para a retificação da DCTF encontramse dispostas no artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que, com pouquíssimas alterações, reproduz texto veiculado nas Instruções Normativas anteriores, cujos trechos relevantes seguem transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15374.967291/200993 Acórdão n.º 1301002.103 S1C3T1 Fl. 220 5 § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] (grifos não originais) De acordo com os instrumentos normativos em destaque, a Administração Tributária tem a prerrogativa de proceder, ex oficio, a retificação dos valores dos débitos informados na DCTF, como também o contribuinte possui o direito à retificação de sua declaração, prescrevendo limites. No caso em tela, a interessada apresentou DCTF retificadora na data de 23/10/2009 (fls 165), data essa posterior a sua ciência do indeferimento da decisão recorrida. De acordo com a Instrução Normativa acima, não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o pedido apresentado na declaração original, inclusive, após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas restrições descritas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Porém, para a análise destas restrições, é de extrema necessidade o exame de documentos e informações, principalmente as existentes nos autos. Da análise dos documentos carreados pelas partes, atesto a impossibilidade de verificar ter ocorrido ou não algumas das restrições descritas na referida instrução normativa, pois nem mesmo há nos autos a íntegra da DCTF original e retificadora, havendo apenas cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora (fl.165). Assim, ante a ausência de documentação hábil e apta para corroborar co o direito alegado pela interessada, rejeito seu pleito. DA COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. No âmbito do procedimento espontâneo de compensação, por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da entrega da referida Declaração, era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas no incisos I a III do art. 165 do CTN. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento indevido ou a maior, a título de IRRF sobre rendimentos de juros sobre capital próprio aos acionistas no ano calendário de 2007. Segundo o contribuinte, o recibo de entrega da DIRF/2008 e as respectivas folhas que constam os beneficiários das retenções seriam hábeis para comprovar as informações apresentadas na retificadora, porém não fez juntada destes documentos, muito menos de quaisquer outros. Aliás, não há nos autos, nem mesmo, cópia integral da DCTF retificadora e a original, como antes mencionado. Conforme relatado anteriormente, o contribuinte teve oportunidade de juntar os documentos que sustentam suas alegações, a meu ver, excepcionalmente, quando foi Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA 6 intimado antes do julgamento pela DRJ para apresentar documentos mencionados em sua impugnação (fls. 135), porém, ao invés de juntálos, requereu apenas a reunião desses autos com outros três processos (fls. 137). Dessa forma, a falta de apresentação das respectivas documentações, inviabiliza a comprovação da origem do referido indébito, devendo ser rejeitado seu pleito. DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a ilegitimidade do procedimento compensatório informado na DComp de fls. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2016 por JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.733756/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO E DE DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR MERA LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
A dedução de despesas com pensão alimentícia requer, além da efetiva comprovação do pagamento, a prova de que o ônus tenha sido suportado pelo contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado Digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO E DE DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR MERA LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com pensão alimentícia requer, além da efetiva comprovação do pagamento, a prova de que o ônus tenha sido suportado pelo contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. Recurso Voluntário Negado.
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO E DE DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR MERA LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com pensão alimentícia requer, além da efetiva comprovação do pagamento, a prova de que o ônus tenha sido suportado pelo contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 37 56 /2 01 4- 41 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10480.733756/201441 Acórdão n.º 2402005.457 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2012 / exercício 2013, apurando imposto suplementar R$ 2.933,11 (dois mil, novecentos e trinta e três reais e onze centavos). O crédito foi constituído em razão da glosa de despesas indevidamente deduzidas, no valor de R$ 58.158,72 (cinquenta e oito mil, cento e cinquenta e oito reais e setenta e dois centavos), dos quais o contribuinte concordou com R$ 1.974,72 (um mil, novecentos e setenta e quatro reais e setenta e dois centavos), relativos a dedução indevida com dependente. Os R$ 56.184,00 (cinquenta e seis mil, cento e oitenta e quatro reais), ainda em discussão, referemse a glosas de despesas a título de pensão alimentícia, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. O contribuinte contestou o lançamento por meio da impugnação de fls. 2/27, cujas alegações se reproduz do Acórdão 0267.804 da 9ª Turma da DRJ/BHE: destaca que antes da Notificação de Lançamento recebeu e atendeu ao termo de intimação bem como entregou 8 documentos solicitados; a notificação é improcedente, pois é legítima a dedução informada a título de pensão alimentícia; foi celebrado acordo judicial de divórcio consensual com Hélia Maria Torres de Queiroz, conforme processo judicial 226.2001.0047125, que tramitou na Comarca de Olinda/PE, ficando estabelecida pensão alimentícia mensal no valor de R$3.000,00 em 09/10/2001, com previsão de reajuste anual pela variação do INPC/IBGE, com pagamento por meio de depósito na conta corrente 2609507, agência 7310 do Unibanco; assim foi feito inicialmente. Posteriormente, de comum acordo, ao longo do tempo, ocorreram alterações quanto à aplicação do índice de reajuste e à forma de pagamento, que passou a ser efetuado por meio de cheque nominal à beneficiária, a pedido desta; a beneficiária da pensão alimentícia apresentou DAA relativa ao ajuste foi informado o valor da pensão alimentícia paga a ela, o que “corrobora a eliminação da causa que deu origem à Notificação ora impugnada”; assim, fica demonstrada a descaracterização da fundamentação legal e que serviu de suporte para o lançamento de imposto suplementar; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 ante o exposto, requer seja julgada improcedente a presente Notificação de Lançamento, inclusive no tocante aos juros e multa, e que o procedimento que deu origem a esse lançamento seja arquivado. A DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente (Acórdão de Impugnação de fls. 51/55), por entender que o contribuinte não demonstrou, mediante documentos hábeis, a obrigatoriedade do pagamento de pensão alimentícia, em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Por ocasião do recurso voluntário o Recorrente detevese a repetir os argumentos apresentados na impugnação e exibiu o documento de fls. 74 e 75/78, os quais serviriam para demonstrar a celebração de acordo judicial de divórcio consensual e o estabelecimento da pensão alimentícia de R$ 3.000,00 (três mil reais), reajustáveis pelo INPC/IBGE. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10480.733756/201441 Acórdão n.º 2402005.457 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, o inciso II do art. 4º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõe: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Grifei) O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR, regulamenta a hipótese de dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos seguintes termos: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (Grifei) O caput e os §§ 1º e 2º do art. 73 do RIR, nos termos dos §§ 3º a 5º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, as deduções de despesas a título de pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual do IRPF devem obedecer cumulativamente aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentados; e ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificação das despesas objeto de dedução com o fim de verificar sua efetiva ocorrência e o atendimento dos requisitos prescritos em lei e, caso o pagamento dessas despesas não restem comprovados ou verifiquemse ausentes outras condições legalmente estabelecidas, as deduções serão glosadas por meio do lançamento respectivo. Por considerar que os requisitos previstos na Lei nº 9.250/95 para a dedução da pensão alimentícia não foram observados, a DRJ/BHE resolveu por considerar a impugnação improcedente e por manter do crédito tributário exigido. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10480.733756/201441 Acórdão n.º 2402005.457 S2C4T2 Fl. 5 7 O Recorrente, por sua vez, informa ter celebrado acordo judicial de divórcio consensual com Hélia Maria Torres de Queiroz, ficando estabelecida pensão alimentícia mensal no valor de R$3.000,00 em 9/10/2001, com previsão de reajuste anual pela variação do INPC/IBGE, com pagamento por meio de depósito na conta corrente. Alega que, de comum acordo, ao longo do tempo, ocorreram alterações quanto à aplicação do índice de reajuste e à forma de pagamento, que passou a ser efetuado por meio de cheque nominal à beneficiária, a pedido dela. Apresenta ainda planilhas com relação dos supostos cheques repassados a Hélia Maria Torres (fl. 19), bem como solicitações de cópias dos referidos cheques junto à Caixa e ao Itaú Unibanco (fls. 20/21). Assegura que a Declaração de Ajuste Anual (fls. 22/27) apresentada Hélia Maria Torres, ao informar o valor da pensão por ela recebida, afastaria a causa que deu origem à notificação de lançamento e descaracterizaria a fundamentação legal que serviu de suporte para o lançamento do imposto complementar. De início, convém destacar que embora o contribuinte afirme ter celebrado acordo judicial de divórcio por meio do qual teria ficado estabelecido pagamento de pensão a sua exesposa, não há nos autos qualquer documento apto a comprovar essa asserção. Os únicos documentos exibidos para esse fim foram registro de averbação de divórcio consensual (fls. 16/17), Certidão de Divórcio Consensual e, já na fase de recurso voluntário, cópia de petição (fls. 75/78), datada de 9/10/2001, apresentada à Justiça de Pernambuco, referente a divórcio consensual entre o contribuinte e Hélia Maria Torres, da qual constam tratativas (Cláusula “4. PENSÃO ALIMENTÍCIA”) acerca do pagamento de pensão alimentícia aos dois filhos e à exesposa, perfazendo o montante de R$ 3000,00 (três mil reais) mensais. Ocorre que nenhum desses documentos constitui prova da existência de sentença ou acordo homologado pela justiça para o pagamento de pensão. Por outro lado, as planilhas com a relação dos supostos cheques repassados a Hélia Maria Torres, bem como solicitações de cópias dos referidos cheques junto à Caixa e ao Itaú Unibanco não se prestam sequer a comprovar que houve qualquer pagamento a título de pensão à beneficiária, o que constitui fator impeditivo adicional à sua dedução da base de cálculo do IRPF. Ademais, a Declaração de Ajuste Anual apresentada pela excônjuge do sujeito passivo, por si só, também não é documento hábil a comprovar que esse lhe tenha pago pensão alimentícia e, mesmo que o fosse, de acordo com o que já se demonstrou alhures, não há nos autos qualquer elemento probatório apto a atestar que a alegada pensão tenha sido homologada pelo Poder Judiciário como exige a lei, ou seja, mesmo que houvesse efetiva comprovação de pagamento, esse teria sido feito por mera liberalidade, o que não geraria o direito à sua dedução da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 98, de observância obrigatória por este colegiado, dispõe: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 8 Quanto à cobrança da multa de ofício e dos juros de mora, que o contribuinte pede que sejam afastados, cumpre mencionar que sua exigência decorre previsão legal, contida nos arts. 44, inciso I e § 3º e art. 61, § 3º, ambos da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Dessa modo, uma vez mantido o lançamento são devidos os juros de mora e multa de ofício dele decorrentes, eis que não qualquer evidência de que autoridade autuante lhes tenham aplicado em desconformidade com a legislação de regência. Assim, por falta de apresentação de documentos aptos a comprovar o efetivo pagamento da pensão e ainda por não terem sido exibidos elementos de prova que pudessem atestar que a alegada pensão tenha sido homologada pelo Poder Judiciário, entendo que se deva manter a glosa e o lançamento respectivo, assim como os juros de mora e a multa de ofício dele decorrentes. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
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Numero do processo: 10166.724097/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011
PAGAMENTO SEM CAUSA. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.
Esse regime jurídico, com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado.
PAGAMENTO SEM CAUSA. SUJEITO PASSIVO. FONTE PAGADORA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese de incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, o sujeito passivo é a fonte pagadora, na condição de responsável tributário, por substituição, descabendo cogitar-se de compensação desse imposto quando da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no período.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que exoneravam do lançamento a aplicação dos juros sobre a multa de oficio e o montante dos recursos comprovados com recibos de entrada e saída na contabilidade da empresa.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Esse regime jurídico, com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. PAGAMENTO SEM CAUSA. SUJEITO PASSIVO. FONTE PAGADORA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, o sujeito passivo é a fonte pagadora, na condição de responsável tributário, por substituição, descabendo cogitarse de compensação desse imposto quando da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no período. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 97 /2 01 4- 14 Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.311 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que exoneravam do lançamento a aplicação dos juros sobre a multa de oficio e o montante dos recursos comprovados com recibos de entrada e saída na contabilidade da empresa. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.312 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0262.222 (fls. 1.188/1.204): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA OU SEM OPERAÇÃO COMPROVADA Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 870/902, que a autuação fiscal é composta do crédito tributário relativo a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no período de 2010 a 2011, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) sobre base de cálculo reajustada, com fundamento no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, acrescido de juros de mora e da multa de ofício (Auto de Infração, às fls. 850/869). 2.1 Segundo a autoridade lançadora, o fiscalizado realizou pagamentos, que alegou trataremse de transferências de recursos a terceiros em forma de mútuos ou empréstimos entre empresas do mesmo grupo, conforme escrituração contábil e resumidos no quadro às fls. 896/891, entretanto não logrou êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a efetiva realização dessas operações, ou seja, a causa e os respectivos beneficiários desse desembolso de recursos. 3. As disposições contidas no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, estão reproduzidas no art. 674 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). 4. A pessoa jurídica autuada foi cientificada da autuação em 31/7/2014, conforme fls. 904, e impugnou a exigência fiscal (fls. 928/945). 5. Intimada por via postal da decisão do colegiado de primeira instância em 26/1/2015, às fls. 1.215/1.223, a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário no dia 25/2/2015 (fls. 1.226/1.245). Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.313 4 5.1 Em breve resumo, enumero os argumentos de fato e direito aduzidos pela recorrente aplicáveis à controvérsia: i) impropriedade jurídica do art. 674 do RIR/99, embora a recorrente tenha conhecimento de que os argumentos nessa linha de defesa não se prestam a afastar a vigência e a validade do dispositivo pelo julgador administrativo; ii) estão demonstrados nos autos, mediante prova documental, as causas e os motivos das operações que geraram os pagamentos indevidamente tributados, juntandose, inclusive, o "Relatório dos Auditores Independentes sobre as Análises das Contas de Caixa e Mútuos", produzido por auditores devidamente habilitados; iii) a fiscalização desconsiderou com elemento de prova os retornos devidamente contabilizados, que representam lançamentos a crédito os quais contabilizam o recebimento da "volta" dos recursos financeiros que saíram da pessoa jurídica; iv) desqualificada a operação de mútuo, a receita ou rendimento tributável do recebedor do numerário deverá ser tributada na forma ordinária, e não extraordinária pelo art. 674 do RIR/99; v) impossibilidade de aplicação do art. 674, § 1º, do RIR/99, no contexto do lucro presumido; vi) erro na identificação da sujeição passiva; vii) admitida a tributação na forma do art. 674 do RIR/99, deverá ser permitido o crédito relativo ao imposto retido na fonte para apuração do imposto sobre a renda devido pela fiscalizada no período; e viii) não incidência de juros sobre a multa de ofício. 6 . Por derradeiro, anoto que vieram os autos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.314 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, deles tomo conhecimento. Mérito a) Recursos entregues a terceiros, sem comprovação da operação ou da sua causa 8. A tributação de valores imputados como pagamentos a terceiros, sem comprovação da motivação e dos respectivos beneficiários das saídas de recursos, está estipulada no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo transcrito, que foi reproduzido no art. 674 do RIR/99: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicasse, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. 9. A exigência fiscal, às fls. 850/869, está escorada em lançamentos contábeis identificados pelo agente fiscal nas contas 1102010011 Equilibrar Corretora Seguros e 1102010007 Élcio Elerson Moraes, para os quais não foi comprovada, mediante documentação hábil e idônea, tal como extratos bancários e/ou outros documentos fiscais, a existência das operações de mútuo ou empréstimos alegadas pela fiscalizada. 9.1 Vale dizer, não foi comprovada a saída de recursos para a pessoa física ou jurídica beneficiária e, posteriormente, o retorno desse numerário para a fiscalizada, quitando a obrigação decorrente. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.315 6 9.2 Ressalta ainda a autoridade lançadora que o Sr. Élcio Elerson Moraes é sócio da fiscalizada, enquanto a pessoa jurídica Equilibrar Corretora Seguros pertence ao mesmo grupo empresarial. 10. Em sua defesa, a recorrente colaciona um relatório elaborado por auditores independentes, que atesta que a conta "caixa", além do uso para a sua finalidade normal, também centralizava os valores e a distribuição dos mútuos recebidos. Tal conclusão foi amparada no resultado da conciliação das contas "caixa" e "empréstimos de mútuos" relativa aos exercícios 2010 e 2011 (fls. 1.259/1.260). 10.1 Afirma tal relatório que os contratos de mútuos significavam uma prática usual entre as empresas do grupo, de maneira que os pagamentos de contas eram efetuados pela empresa que dispunha de saldo financeiro no dia, independentemente da obrigação lhe pertencer ou não, seguindose à confecção do respectivo instrumento contratual para justificar a operação contábil. 10.2. Em que pese a auditoria fiscal ter ignorado a devolução de créditos referentes aos contratos de mútuos, apresenta um quadro com as origens dos recursos auferidos pela empresa fiscalizada nos anos de 2010 e 2011, demonstrando que houve a devolução dos respectivos recursos (fls. 1.261/1.268). 11. Pois bem. Depreendese dos autos que a fiscalização identificou operações de empréstimos e mútuos registradas na contabilidade da recorrente e solicitou a comprovação da sua realização e dos correlatos pagamentos, conforme relação discriminada nos Anexos I e II ao Termo de Intimação Fiscal nº 6, de 13/3/2014 (fls. 216/233). 11.1 Nesse documento, estão indicados 294 (duzentos e noventa e quatro) lançamentos contábeis relacionados à conta 1102010011 Equilibrar Corretora Seguros e outros 129 (cento de vinte nove) registros vinculados à conta 1102010007 Élcio Elerson Moraes. 11.2 Observase, contudo, que alguns referemse à saída de recursos da empresa Afinidade Consultoria e Benefícios Ltda, quando lançados a débito da respectiva conta contábil, em contrapartida à conta caixa ou bancos, a exemplo dos itens 1, 2, 6 e 8 do quadro de fls. 219. 11.3 Relativamente às demais operações contábeis, dizem respeito à entrada de recursos para a pessoa jurídica Afinidade Consultoria e Benefícios Ltda, mediante débito na conta caixa ou bancos, em contrapartida a crédito na conta contábil da pessoa que lhe entregou os recursos. A título exemplificativo, os itens 3, 4, 5 e 7 do quadro de fls. 219. 12. De posse dos contratos particulares de mútuo, disponibilizados pela recorrente à fiscalização, os quais estão acostados às fls. 253/840, e na ausência de outros documentos hábeis e idôneos, a autoridade lançadora não acatou exclusivamente a comprovação das operações vinculadas às saídas de recursos da empresa, motivo que respaldou o lançamento fiscal. 12.1 Em outras palavras, compõe a autuação fiscal tão somente os recursos contabilizados entregues a terceiros para os quais não foi comprovada a operação ou a sua causa, não fazendo parte do crédito tributário lançado os recursos recebidos pela pessoa jurídica decorrentes de mútuo ou empréstimo a ela concedido. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.316 7 13. É que conforme quadro do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 896/901, constitui base de cálculo da exigência fiscal apenas os itens dos Anexos I e II ao Termo de Intimação Fiscal nº 6 que guardam relação com a saída de recursos da empresa, comprovada por lançamento a crédito na conta caixa ou bancos. 13.1 Por exemplo, o item 1, às fls. 896, que correspondente ao item 1 do quadro às fls. 875, representa uma saída de recursos do patrimônio da recorrente no dia 5/1/2010, no valor de R$ 65.000,00, formalizado, segundo a fiscalizada, por intermédio de um contrato particular de mútuo em que a Afinidade Consultoria e Benefícios Ltda, CNPJ 08.488.216/000150, é parte como mutuante, ao passo que a pessoa jurídica Equilibrar Corretora de Seguros Ltda, CNPJ 08.568.566/000126, compõe o outro polo da relação jurídica na qualidade de mutuária (contrato de mútuo às fls. 253/255). 14. Por outro lado, não estão sendo exigidos quaisquer valores que foram contabilizados como entrada de recursos à empresa autuada, oriundos de mútuos ou empréstimos concedidos pelas pessoas jurídicas vinculadas ao mesmo grupo econômico ou pelo sócio Sr. Élcio Elerson Moraes. 14.1 Exemplifico essa situação com o montante vinculado ao item 3 do Anexo I do Termo de Intimação (fls. 875), no valor de R$ 87.000,00, o qual não faz parte do quadro às fls. 896. 14.2 A quantia diz respeito a uma entrada de recursos na conta mantida pela empresa autuada no Banco Brasileiro de Descontos S/A (Bradesco), em 6/1/2010, mediante contrato de mútuo no qual a Equilibrar Corretora de Seguros Ltda, CNPJ 08.568.566/000126, figura como a mutuante, enquanto a Afinidade Consultoria e Benefícios Ltda, CNPJ 08.488.216/000150, ora recorrente, é parte desse ajuste agora na condição de mutuária dos recursos (contrato de mútuo às fls. 256/258). 15. Uma vez delimitada a controvérsia, verifico que toda a prova carreada aos autos pela recorrente com a pretensão de desqualificar o lançamento fiscal está relacionada a uma suposta quitação parcial dos contratos de mútuo e empréstimo assinados entre as partes, sem demonstrar, todavia, uma correlação imediata com os valores de saída de recursos da pessoa jurídica autuada. 16. A defesa sustentase nos dados da planilha de fls. 958/966, anexada novamente às fls. 1.261/1.268, recibos de pagamento de fls. 967/1.50 e extratos bancários de fls. 1.151/1.103. 16.1 No entanto, tais elementos não são convincentes quando avaliados o conjunto probatório como um todo, e não comprovam os retornos dos mútuos cuja efetividade das operações foram postas sob suspeita pela fiscalização. Mais especificamente, não há demonstração da efetividade da movimentação do numerário. 17. Para o fim de contrapor os argumentos levantados pela recorrente no contencioso administrativo, tomo a liberdade de voltar ao exemplo do lançamento contábil no valor de R$ 87.000,00, alhures referido, porquanto ilustra com perfeição a situação identificada quanto às provas apresentadas pela pessoa jurídica. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.317 8 17.1 A título de devolução de valores, a recorrente indica o crédito da respectiva quantia (R$ 87.000,00) em sua conta corrente no Banco Bradesco em 6/1/2010, por meio de transferência entre contas bancárias por parte da empresa Equilibrar Corretora de Seguros (fls. 1.155 e 1.261). Lembro que esse montante está associado ao item 3 da planilha anexa à Intimação Fiscal nº 6. 17.2 Nesse caso, colaciona aos autos o recibo de quitação de pagamento às fls. 967. Eis seu texto: RECIBO R$ 87.000,00 Recebemos de EQUILIBRAR CORRETORA DE SEGUROS LTDA, empresa de direito privado, inscrita no CNPJ 08.568.566/000126, a importância supra de R$ 87.000,00 (OITENTA E SETE MIL REAIS), referente à quitação parcial, do Contrato de Mútuo assinado entre as partes, conforme transferência bancária. Brasília, 06/01/2010 ELCIO ELERSON MORAES AFINIDADE CONSULTORIA E BENEFÍCIOS LTDA 08.488.216/000150 17.3 Ocorre que a quantia de R$ 87.000,00, conforme já exposto, está relacionada ao item 3 da planilha fiscal e vinculada a um contrato de mútuo datado de 6/1/2010, acostado às fls. 256/258, no qual a pessoa jurídica Equilibrar Corretora de Seguros Ltda figura como mutuante, e não na condição de devedora do mútuo, como aparece consignado no recibo de quitação acima copiado. 17.4 Logo, é evidente a contradição, pois o contrato de mútuo (fls. 256/258) e o recibo de quitação (fls 967) apresentados pelo sujeito passivo são papeis despidos de congruência. 17.5 Não é possível que, de um lado, o valor de R$ 87.000,00 possa equivaler ao pagamento de uma dívida de empréstimo concedido pela recorrente, formalizada por contrato de mútuo, quando, mediante outro documento colacionado aos autos pela própria recorrente, a mesma importância de R$ 87.000,00 representa uma quantia deixada à sua disposição por Equilibrar Corretora de Seguros Ltda, a título de empréstimo, consoante instrumento particular às fls. 256/258. 18. Como bem assinalado pela decisão de piso, ao tratarse de alegações de operações ocorridas entre pessoas vinculadas, a comprovação dos mútuos e empréstimos demanda a exibição de um conjunto probatório robusto e apto a demonstrar os fatos que invoca a parte como fundamento à sua pretensão. 18.1 As mesmas pessoas que subscrevem os contratos particulares na condição de mutuante também o fazem na condição de mutuário. O mesmo se diga da assinatura nos recibos de quitação. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.318 9 18.2 Dado que são documentos particulares gerados no âmbito interno do grupo de empresas, os contratos e recibos são dotados de força probante reduzida, ainda mais quando aparentemente conflitantes entre si, devendo as alegações da recorrente encontrarem respaldo em indícios sérios e convergentes dos fatos que aponta a seu favor, sob pena da sua não aceitação. 19. Ressalto também que a contabilidade tem sua força probatória desde que devidamente respaldada por documentação hábil e idônea que lhe suporte a veracidade, o que não se verifica no caso sob análise. 20. Diante de tais razões, sintome confortável em manter o lançamento fiscal realizado, visto que a autuada não se desincumbiu do ônus probatório relativo às saídas de recursos, elencadas pela fiscalização às fls. 896/901, deixando assim de comprovar as operações e as causas dos pagamentos entregues a terceiros, nem mesmo os seus beneficiários estão indiscutivelmente identificados. 20.1 Vale dizer, os elementos de prova trazidos aos autos pela recorrente, diferentemente do alegado em defesa, não comprovam a vinculação com recursos financeiros contabilizados como saídas da pessoa jurídica fiscalizada, ou seja, não demonstram devolução de mútuos e/ou empréstimos os quais foram utilizados pela fiscalização como base de cálculo do imposto sobre a renda lançado de ofício. 21. A conduta que impeça a identificação da causa ou do beneficiário do pagamento, como ora seu cuida, autoriza a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 (art. 674 do RIR/99), não cabendo o afastamento da sua vigência ou validade, ou mesmo a análise de eventual caráter sancionatório do dispositivo de lei pelo julgador administrativo (Súmula Carf nº 2). b) Tributação do art. 674 do RIR/99 e o lucro presumido 22. Sustenta a recorrente que a matriz normativa do lançamento fiscal não está no caput do art. 674 do RIR/99 (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995), que alcança todas as pessoas jurídicas. 22.1 O fundamento da auto de infração é o § 1º do art. 674 do RIR/99 (art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995), sendo aplicável o dispositivo exclusivamente às empresas tributadas pelo lucro real, dado que a existência de escrituração contábil é um imperativo das suas prescrições. A recorrente, no caso, optante pelo lucro presumido nos anos de 2010 e 2011, encontravase desobrigada de escrituração contábil. 23. Trago, novamente, o texto de lei: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicasse, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.319 10 for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (...) 24. Discordo sobre a impossibilidade de autuarse uma pessoa jurídica submetida ao lucro presumido com base no § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. A aplicação do dispositivo de lei independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. 24.1 Contrariamente ao ponto de vista da recorrente, a expressão pagamentos "contabilizados ou não", longe de exigir a tributação pelo lucro real, reforça a ideia de que o regime de tributação é indiferente. 25. De mais a mais, a estrutura de um artigo pressupõe a compreensão de que os seus parágrafos são complementos do caput, sob pena de total desprezo à técnica legislativa. 25.1 Segundo o caput do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, a incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte aplicase na hipótese de pagamento efetuado a beneficiário não identificado. 25.2 Além dessa hipótese, a incidência a alíquota de 35% também será aplicada ao pagamento efetuado ou ao recurso entregue quando não comprovada a operação ou a sua causa, estejam ou não contabilizados os fatos jurídicos (§ 1º). 26. Logo, sem razão a recorrente. c) Erro na sujeição passiva 27. Ausente erro na imposição da sujeição passiva à recorrente, pois cuidase de imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte, de maneira que a responsabilidade tributária recai apenas sobre a fonte pagadora, quem efetuou o pagamento ou transferiu recursos, por expressa disposição legal (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995). 28. Ao não se exigir o tributo da pessoa do beneficiário, na medida em que o suporte fático do lançamento é o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, descabido invocar o enunciado da Súmula nº 12 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que abaixo se reproduz: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. 29. Portanto, não tem razão a recorrente. d) Do aproveitamento do imposto na apuração do período 30. Como se disse, a incidência do IRRF determinada pelo art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é exclusiva na fonte, cuja pessoa jurídica foi autuada na condição de responsável Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.320 11 tributário, por substituição, e não como contribuinte do imposto, descabendo cogitarse de incidência de imposto sobre a renda na fonte sobre operações que a legislação permite a sua compensação quando da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no período. 31. Daí porque o verbete do enunciado da Súmula nº 80, citado pela recorrente, não se aplica à hipótese dos autos: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. 32. É que a dedução do valor do imposto sobre a renda retido na fonte, quando efetivamente sofrida a retenção, para fins da dedução do valor do IRPJ, pressupõe, além do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, a tributação na condição de titular da renda, isto é, como contribuinte ou sujeito passivo direto, e não responsável tributário. 33. Equivocase, portanto, a recorrente. e) Incidência de juros sobre a multa de ofício 34. A incidência de juros de mora sobre multas encontra suporte no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. 35. O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. 35.1 É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.321 12 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 35.2 Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 36. Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. 37. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifouse) 37.1 Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.724097/201414 Acórdão n.º 2401004.408 S2C4T1 Fl. 1.322 13 mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. 38. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no caput do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. 38.1 Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. 38.2 Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. 38.3 Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. 39. Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na taxa Selic, quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10469.904163/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PROVA.
Na apuração de COFINS não-cumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na PER/DCOMP incumbe ao contribuinte.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.078
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Compensação. Comprovação do direito creditório. Recorrente G J DE MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PROVA. Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na PER/DCOMP incumbe ao contribuinte. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 41 63 /2 00 9- 66 Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Recife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório oriundo de suposto recolhimento à maior da Cofins. Em consequência, foi mantida a nãohomologação da compensação declarada. A autoridade competente da DRF/Natal não homologou a compensação, fundamentandose no fato de o DARF informado no PER/DCOMP já ter sido utilizado integralmente para quitar débitos declarados da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP objeto do presente processo. Segundo a Contribuinte, a explicação para a existência do crédito é o fato de haver apurado e recolhido a COFINS sobre seu faturamento total. No entanto, considerando que a maior parte dos produtos vendidos eram tributados à alíquota 0% (frutas e verduras no mercado interno art. 28 da Lei 10.865/2004), o valor devido seria bem menor do que o que foi declarado/pago. Quando ciente deste erro, ocorrido em 2005 e 2006, procedeu à reapuração dos valores devidos da Cofins, apurando créditos utilizados nas compensações declaradas (PER/DECMPs), mas não retificou as DCTFs. A retificação das DCTFs só foi efetuada após a ciência dos Despachos Decisórios emitidos pela DRF/Natal. A 4ª Turma da DRJ/REC, por intermédio do Acórdão nº 1133.625, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que não foram comprovadas a liquidez e a certeza do suposto crédito informado na compensação declarada. Transcrevese a parte da ementa de interesse: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO (...) DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera seu direito creditório, justificando que nessa oportunidade apresenta as cópias das notas fiscais do período a que se refere a compensação, cópia do livro de registro de notas fiscais de saída, o relatório de vendas feitas no período, por produto, e o balancete do mês. Estes autos vieram ao CARF para apreciação do recurso voluntário, tendo o feito sido convertido em diligência, Resolução nº 3802000.025, da 2ª Turma Especial, nos termos do voto do relator Francisco José Barroso Rios, para que a unidade preparadora: · examinasse a fidedignidade da documentação acostada ao recurso voluntário, isso, frente a eventuais demonstrativos e documentação outra a ser requerida da interessada, porventura necessários à apuração da contribuição efetivamente devida; · diante dos elementos constantes dos autos, frente à documentação anexada ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifestasse sobre o valor da COFINS efetivamente devida. A empresa foi intimada pela fiscalização (Termo de Intimação Fiscal Número 001), tendo apresentado mais alguns elementos comprobatórios de seu alegado direito. Conforme consta do Relatório de Diligência Fiscal (anexado como Despacho de Diligência), as informações prestadas foram satisfatórias para a comprovação dos créditos de outros processos (outros períodos de apuração), mas não para o período de apuração analisado no presente. Por esse motivo foi emitida uma segunda intimação (Termo de Intimação Fiscal Número 002), exigindo da contribuinte o detalhamento dos créditos utilizados, relativos a nãocumulatividade do tributo. Todavia, não houve resposta à intimação nº 2. Por isso o Auditor Fiscal concluiu que o valor devido da Cofins foi o originalmente apurado/pago pela contribuinte, que não logrou êxito em comprovar o suposto recolhimento à maior. Por fim, o despacho de encaminhamento da unidade de origem atesta que, observado o prazo regulamentar, não houve manifestação da contribuinte quanto ao resultado da diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.092, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903724/200918, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.092): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 5 4 A não homologação do PER/DCOMP se deu pelo fato de que à época da análise eletrônica da compensação declarada, a interessada ainda não havia entregue a DCTF retificadora e o dito pagamento estava, assim, totalmente apropriado ao débito originalmente declarado. Como relatado, no Recurso Voluntário, a Recorrente informa que o faturamento total de fevereiro/2006 foi de R$ 683.020,04 e que o faturamento sujeito à tributação da COFINS era somente de R$ 27.625,15. Dessa forma, a COFINS nãocumulativa informada e pleiteada pela Recorrente seria de R$ 476,68, calculada sob a alíquota de 7,6%, portanto, a base de cálculo utilizada teria sido a de R$ 6.272,10. Por isso, a Recorrente foi intimada para apresentar e comprovar os créditos subtraídos do faturamento tributável (R$ 27.625,15) para chegar à base de cálculo efetiva, de R$ 6.272,10. Foi comprovada nos autos a ciência dessa intimação, em 29/12/2015, mas o contribuinte não procedeu a essa demonstração. A prova a cargo do contribuinte tem como função especificar quais os produtos vendidos hortifrutigranjeiros (se classificados Capítulos 7 e 8 da TIPI), com seus valores e quantidades e sua destinação ao mercado interno, para que pudesse estar sujeita ao disposto no art. 28, da Lei 10.865/2004: Lei 10.865/2004 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COF1NS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei n° 11.727, de 2008) (...) III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; e Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização não efetuar a homologação da compensação. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 6 5 CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor É do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Nesse sentido a lição de Fabiana Del Padre Tomé (A Prova no Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2011, p. 264): A prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Por outro lado, se o autor apresenta provas do fato que alega, incumbe ao demandado fazer a contraprova, demonstrando fato oposto. Em processo tributário, por exemplo, se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas. A empresa foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios, o que não foi exercido. Sem o atendimento à diligência determinada pelo CARF, não há como comprovar os créditos da nãocumulatividade, porque não foram colocados à disposição para verificação. No caso presente, devese ainda acrescentar que tratase um pedido de iniciativa do próprio contribuinte (ressarcimento), para o qual, necessariamente, o mesmo deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Isso porque a compensação tributária somente é possível, se demonstrada a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, conforme a prescrição do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10469.904163/200966 Acórdão n.º 3301003.078 S3C3T1 Fl. 7 6 Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não cabendo a homologação do PER/DCOMP a ele vinculado. Conclusão Em vista disso, a Recorrente não logrou êxito em comprovar o crédito alegado, consequentemente a COFINS devida referente ao mês de fevereiro de 2006 permanece no valor originalmente pago e declarado, de R$ 18.404,01. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a empresa foi intimada a comprovar os valores que deveriam ser subtraídos da base de cálculo originalmente apurada (vendas sujeitas à alíquota zero), além da comprovação dos créditos descontados (apuração não cumulativa), para chegar à base de cálculo que, supostamente, seria a efetiva. Contudo, apesar das oportunidades que lhe foram dadas, a contribuinte não conseguiu apresentar a demonstração/comprovação necessária para que o Fisco atestasse a certeza e liquidez do direito creditório utilizado na compensação declarada nestes autos. Permanece como devido, portanto, o valor da Cofins de R$18.404,01, referente ao mês de fevereiro de 2006, valor esse originalmente declarado e recolhido pela contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 1101DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000143/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COBRANÇA EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que existe cobrança em duplicidade do tributo em questão, deve ser cancelado o quantum cobrado equivocadamente do Contribuinte.
SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4.
Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplica-se a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos da diligência efetuada (fls. 473), para cancelar as cobranças em duplicidade, devendo este acórdão ser juntado ao Processo nº 10880.506598/2007-16, de modo a não ser prejudicada a autuação ali efetuada sob o mesmo argumento da duplicidade do lançamento tributário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que existe cobrança em duplicidade do tributo em questão, deve ser cancelado o quantum cobrado equivocadamente do Contribuinte. SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Nos termos da Súmula CARF n. 4, aplicase a SELIC a título de juros moratórios sobre os débitos tributários exigidos a partir de 1º de abril de 1995. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos da diligência efetuada (fls. 473), para cancelar as cobranças em duplicidade, devendo este acórdão ser juntado ao Processo nº 10880.506598/200716, de modo a não ser prejudicada a autuação ali efetuada sob o mesmo argumento da duplicidade do lançamento tributário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 43 /2 00 7- 24 Fl. 486DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.561 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pela Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relatora originária não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as palavras da antiga Relatora sobre o histórico do processo: Tratase de exigência, formalizada em auto de infração, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2002. A constituição de ofício do crédito tributário, com o lançamento da multa correspondente, decorreu da constatação fiscal de que a contribuinte não recolhera, nem declarara, os valores devidos dessa contribuição. O lançamento foi impugnado e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP I (DRJ/SPOI) julgou improcedente a impugnação, o que ensejou a interposição de recurso voluntário em que foi alegado, entre outras coisas, que o crédito tributário aqui exigido já estaria sendo cobrado no processo administrativo nº 10880.506598/200716, já com inscrição em dívida ativa. Ao remeter estes autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a unidade preparadora, limitouse a informar, sobre a alegada duplicidade, que o crédito tributário em questão fora confessado em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras, que foram apresentadas após o início do procedimento fiscal. Em sessão datada de 24 de julho de 2013 (Resolução n. 3402000.561), a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, 3ª Seção deste Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do CARF, por isso deve ser conhecido. Para o deslinde do litígio aqui instaurado, preliminarmente é necessário confirmar ou afastar a alegação de duplicidade da exigência do crédito tributário em questão. Assim sendo, julgo de bom alvitre a remessa destes autos à unidade de origem para que seja verificado se o crédito tributário inscrito em dívida ativa, informado pela contribuinte, corresponde exatamente (mesmos períodos de apuração, mesmo tributo e mesmos valores) ao crédito tributário exigido por meio deste processo e, havendo diferenças cuja exigência deva permanecer nestes autos, que estas sejam especificadas, por período de apuração. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 19515.000143/200724 Acórdão n.º 3402003.703 S3C4T2 Fl. 112 3 Diante disso, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. As respostas oferecidas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 473, trazendo tabela com as diferenças apuradas entre o quantum cobrado no presente processo e no PA 10880.506598/200716. Por fim, há notícia nos autos sobre tentativas infrutíferas de intimação pessoal e postal da Recorrente, na forma do artigo 23, §1º, inciso II e §2º, inciso IV do Decreto 70.235/72, a respeito do resultado da diligência, o que culminou na sua intimação por edital de fls 478. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntários já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. No despacho de diligência de fls 473 restou confirmada uma pequena parcela da duplicidade de cobranças alegada pela Recorrente. Destaco abaixo seu conteúdo: Fl. 488DF CARF MF 4 Saliento que, com relação ao parcelamento sobre o qual trata a Recorrente em sua petição dirigida ao CARF, por estar rescindido, não influencia no presente julgamento. Pois bem. No mérito de seu recurso voluntário, a Recorrente brada pela busca de verdade material, citando aclamados juristas a respeito do tema. Passa a tratar dos requisitos do ato administrativo de lançamento tributário e as garantias do contraditório e da ampla defesa estabelecidas na legislação federal. Finalmente, chega à conclusão de que o presente auto de infração é imoral porque cobra em duplicidade crédito tributário constante do PA 10880.506599/20076. Ou seja, o mérito recursal se confunde com a preliminar, já resolvida pela diligência promovida nestes autos. Ainda, requer a inaplicabilidade da taxa Selic, por julgála inconstitucional. Todavia, a matéria está consolidada pela no CARF, como se depreende da Súmula n. 4, vazada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não há dúvidas, portanto, a respeito a validade do auto de infração quando aplicou a taxa Selic ao débito tributário objeto do lançamento. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de adotar o resultado da diligência de fls 473, cancelando as cobranças em duplicidade do presente processo em relação aos valores constante no PA 10880.506598/200716. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 19515.000143/200724 Acórdão n.º 3402003.703 S3C4T2 Fl. 113 5 No mais, requeiro que o presente acórdão seja juntado ao PA 10880.506598/200716, de modo a não ser prejudicada a autuação ali efetuada sob o mesmo argumento da duplicidade do lançamento tributário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 490DF CARF MF
score : 1.0
