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Numero do processo: 36266.002087/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS.
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.
ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF.
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-002.952
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004. RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. 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Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 2 2 com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra o HOSPITAL E MATERNIDADE VOLUNTÁRIOS LTDA., lavrada em 18/03/2005, no valor de R$ 1.409.572,04 (um milhão quatrocentos e nove mil quinhentos e setenta e dois reais e quatro centavos), decorrente de contribuições previdenciárias arrecadadas dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto da respectiva remuneração, e não recolhidas à Previdência Social em época própria, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 23/25, e Relatório Fiscal Complementar às fls. 86/87. Apresentada a impugnação em 31/03/2005, fls. 26/80, foi mantido o lançamento pela DecisãoNotificação (fls. 103/114), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 3 3 PREVI DENCIARIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Art. 97 e 102, I "a", da CF. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, e multa de mora, que não podem ser relevados. (art. 34 e 35, da Lei n° 8212/91). DIFICULDADES FINANCEIRAS. Salvo permissivo legal, não se deve conceder tratamento diferenciado no ato de fiscalizar, nem perdão ou isenção, ante a alegação de dificuldades financeiras da empresa, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente Irresignada, interpôs a contribuinte o Recurso Voluntário sob exame (117/132), em que destacou novamente os argumentos apresentados na defesa: 1) Alegou a inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC como juros; 2) Impossibilidade jurídica da aplicação da Taxa SELIC relativamente aos juros moratórios e compensatórios; 3) Afirmou que a multa imposta tem caráter confiscatório tributário e afronta sua capacidade contributiva. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 4 4 Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas Os lançamentos da presente NFLD referemse à cobrança de contribuições devidas à Previdência Social arrecadadas dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto da respectiva remuneração, e não recolhidas em época própria. Nas razões recursais ora em apreço, o Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem, a despeito de tal discussão, imperioso trazer à baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da cobrança da Taxa SELIC Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 5 5 Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da impossibilidade de análise de alegação do caráter confiscatório da multa A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 6 6 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 7 7 Assim, afasto a alegação de confisco da multa de mora aplicada ao presente caso. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 8 8 Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 9 9 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 10 10 em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36266.002087/200507 Acórdão n.º 2301002.952 S2C3T1 Fl. 11 11 Sala das Sessões, em 12 de julho de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000971/2005-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005
IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.791
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. Recurso Voluntário Provido
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ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ACATAMENTO. A correta identificação do sujeito é formalidade essencial do instrumento que formaliza o lançamento do crédito tributário. O erro na identificação do sujeito passivo torna nulo, por vício material, o Auto de Infração por ilegitimidade passiva (inteligência do art. 142 do CTN, c/c art. 10, I, do Decreto nº 70.235, de 1972), ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 71 /2 00 5- 09 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA, CNPJ 33.284.522/000111, em face do Acórdão n° 1435.432, prolatado pela 8ª Turma da DRJ/POR, que julgou improcedente a impugnação. A Lavratura do Auto de Infração de Imposto de Produtos Industrializados, contra a empresa acima identificada, CNPJ 33.284.522/000111 (estabelecimento matriz), no montante de R$ 3.291.029,38 (inclusos juros de mora e multa de ofício), decorreu do fato de o estabelecimento industrial ter reduzido o montante do IPI a recolher, em virtude de ter se creditado de valores de imposto sem respaldo na legislação de regência. De acordo com o Termo de Constatação de IPI, o crédito indevidamente escriturado à titulo de "Outros Créditos", no período de 01/2004 a 01/2005, referese a créditos de IPI relativos à aquisição de insumos isentos, que, de acordo com a contribuinte, estariam respaldados no RE n° 2124842/ RS. Naquele termo, a autoridade lançadora ressalva que a contribuinte não intentou ação judicial contra a Fazenda Nacional no que se refere ao Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI; e que o Recurso Extraordinário citado referese à Vonpar Refrescos S.A, conforme cópia da decisão anexa ao presente processo. A contribuinte, irresignada, apresenta a impugnação de fls.53/119, instruída com os documentos de fls. 120/392, na qual efetua as alegações postas resumidamente a seguir e ao final requer o cancelamento do auto de infração lavrado: 1. Preliminarmente, solicita a invalidação do ato administrativo de lançamento por absoluta ausência dos requisitos previstos no art. 142 do CTN indispensáveis à sua realização, posto que inexiste descrição do fato praticado pela Impugnante motivador do lançamento, com as respectivas fundamentações legais, ou seja inexiste, motivação para a lavratura do Lançamento Fiscal, por falta de indicação na lei da irregularidade apontada. Há desconformidade entre a infração descrita através do Lançamento ora impugnado, com a norma tida como infringida. Apresenta doutrina e jurisprudência em seu favor; 2. A falta de determinação específica da suposta infração cometida lesou a garantia ao devido processo legal, acarretando em cerceamento ao direito de defesa; 3. O direito de creditarse do valor do IPI nas aquisições de insumos com isenção do imposto, provém do princípio constitucional da não cumulatividade; Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 3 4. A Constituição Federal não estabelece qualquer restrição ao creditamento nas aquisições de insumos. Apresenta jurisprudência; 5. Questiona, também, os juros de mora, com base na taxa SELIC, alegando a inconstitucionalidade e alega o caráter confiscatório da multa de ofício. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em 04/10/2011, por meio do Acórdão n° 1435.432 prolatado pela 8ª Turma da DRJ/RPO julga improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário:2004, 2005 Ementa: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente” A contribuinte tomou ciência do referido Acórdão em 09/02/2012. Assim, devidamente cientificada, não concordando com a decisão de 1ª instância, apresentou recurso voluntário, em 06/03/2012, no qual reprisa os argumentos já efetuados na impugnação e além desses argui ainda, preliminarmente, a aplicação das decisões judiciais, afirmando que a jurisprudência do Conselho de contribuintes é norma complementar da lei e dos decretos e que, portanto, com base no art. 100, II e III do CTN devem ser aplicadas; Em 28/05/2012 a contribuinte apresenta aditivo ao Recurso Voluntário, no qual traz a alegação de preliminar de nulidade por erro de identificação do sujeito passivo, sob o argumento de que o “Auto de Infração esta formalizado no CNPJ da matriz no 33.284.522/000111, reclamando créditos fiscais de IPI registrados em Livros Registro de Apuração. Ocorre, que o Registro de Apuração em que foram escriturados os créditos objeto Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 da insurgência fiscal, pertence ao estabelecimento filial inscrito no CNPJ n° 33.284.522/200626 que se encontra sediado na Rodovia Presidente Dutra KM 141, no Município de São José dos Campos/SP, sendo este o estabelecimento industrial responsável pelas operações que foram glosadas pela fiscalização.”(grifos do original). Fundamenta tal pedido no princípio da autonomia dos estabelecimentos, conforme demonstra com a menção e transcrição dos seguintes dispositivos legais: parágrafo único do artigo 51 do Código Tributário Nacional e os artigos 313 e 518, incisos III e IV do Decreto 4.544/2002 — RIPI. E ressalta que: “A irregularidade do lançamento ora suscitada foi reconhecida em outro processo da mesma contribuinte como se infere da inclusa cópia em anexo, em que a Autoridade Julgadora decretou a nulidade do lançamento, como se vê da ementa transcrita abaixo: Acórdão 1436.0138a Turma da DRJ/RPO Processo 19515.005025/200974 Interessado: HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA CNPJ/CPF: 33.284.522/000111 Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2007 IPI. PRINCIPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. A luz do principio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de urna mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado o equivoco na identificação do sujeito passivo, anulase o lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acórdão Acordam os membros da 8a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. Cientifiquese a interessada.” Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 5 Colaciona ainda diversas outras ementas de Acórdãos proferidos pelo Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes que decidiram no mesmo sentido. Conclui solicitando seja deferida a juntada da inclusa cópia do Acórdão em que a Egrégia 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, reconheceu a nulidade do lançamento fiscal lavrado contra o estabelecimento da Matriz CNPJ no 33.284.522/000111 utilizandose dos Livros Fiscais da Filial CNPJ n° 33.284.522/000626 tal como ocorreu com a autuação discutida nestes autos, bem como, considerando tal circunstância que seja reconhecido e decretado a nulidade do lançamento. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado acima, a requerente argui em peça aditiva ao recurso voluntário apresentado em 28/05/2012 a nulidade do lançamento do IPI, sob o argumento de existência de erro de identificação do sujeito passivo, posto que a autuação se deu na matriz da empresa HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA (CNPJ 3.284.522/000111), quando o estabelecimento industrial responsável pelas operações é o inscrito no CNPJ sob n° 33.284.522/000626, situado no município de São José dos Campos, trazendo em colação, a decisão prolatada no Acórdão DRJBEL nº 1436.013 de 06/12/2011 que reconheceu a nulidade do lançamento fiscal lavrado contra o estabelecimento da Matriz CNPJ no 33.284.522/000111 utilizandose dos Livros Fiscais da Filial CNPJ n° 33.284.522/000626. A decisão colacionada foi proferida nos autos do processo n° 19515.005025/200974 e cujo recurso de ofício foi julgado por essa turma na sessão de 25 de Setembro de 2012, por meio do Acórdão n° 330201.792, cujos membros decidiram por negar provimento ao recurso de ofício. Assim, adotase neste, os mesmos fundamentos de decidir utilizados naquele processo. Para bem decidir a questão posta, impõese tecer breves considerações acerca de nulidade do crédito tributário, segundo o sistema de legalidade das formas regulador do ato de lançamento tributário, as quais têm como fonte, entre outros, o trabalho monográfico do AFRFB Raimundo Parente de Albuquerque Junior, premiado em 2º lugar pela então Secretaria da Receita Federal em parceria com a Escola de Administração Fazendária ESAF, mediante o concurso do 5º Prêmio Schöntag, em 20061, pelo o fato desta relatora concordar com os argumentos e conclusões ali defendidos, bem como analisar a legislação específica do tributo, haja vista que a adequação do ato à norma é, em princípio, condição necessária à eficácia do ato, pois a consequência natural da inobservância da forma estabelecida é que o ato seja privado dos efeitos que ordinariamente haveria de ter. 1 Nulidades no lançamento tributário http://www.esaf.fazenda.gov.br/esafsite/premios/schontag/Monografias_premiadas_arquivos/m onografia/monografias%205%C2%BA/2%20lugar%20%20Nulidades%20no%20lan%C3%A7 amento%20tribut%C3%A1rio.pdf Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Sabese que o lançamento tributário iniciase com o procedimento de fiscalização2 e termina com a lavratura do competente termo de encerramento da ação fiscal e respectiva ciência ao contribuinte do lançamento tributário. Esse procedimento envolve uma série de atos e termos que visam à determinação e à formalização da exigência fiscal, consoante o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966).3 Cada ato do procedimento haverá de perfazerse segundo uma tipologia legal para que o procedimento como um todo possa produzir os efeitos que lhe são próprios. O lançamento tributário, portanto, neste tipo complexo de formação sucessiva da tributação, é, também, um ato procedimental, e nesta condição, possui como elementos jurídicos os requisitos, pressupostos e condições que devem ser necessariamente observados para a sua validade. Os requisitos compreendem um conjunto de formalidades legais cuja observância integra a própria formação do ato de lançamento em si, ou seja, integra sua estrutura normativa executiva. São requisitos do ato lançamento a enunciação do fato jurídico tributário, a identificação do sujeito passivo e a determinação do tributo devido; os pressupostos compreendem um conjunto de formalidades legais (atos jurídicos e outras formalidades) cuja observância deva necessariamente anteceder à realização do ato de lançamento, tais quais o subjetivo e o procedimental, e as condições compreendem um conjunto de formalidades legais (atos jurídicos e outras formalidades) cuja observância deva necessariamente suceder à realização do ato de lançamento, contribuindo tão somente para sua eficácia (é o caso da notificação do lançamento ao sujeito passivo). Os vícios do lançamento do crédito tributário, como ato administrativo procedimental, podem ocorrer nos seus pressupostos e ou requisitos. Antônio da Silva Cabral assevera que o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que regula o processo administrativo fiscal, não estabelece uma distinção entre vício sanável e insanável, ou, em outros termos, entre nulidade relativa e nulidade absoluta, somente o fazendo entre invalidade e mera irregularidade. Referiu se ele apenas a atos nulos, no seu art. 59, e a irregularidades, incorreções e omissões que não acarretam nulidade, no seu art. 60.4 Diante da constatação de que a lei específica do Processo Administrativo Fiscal não fixa com clareza a existência de diferentes graus de invalidades, devese, então, aplicar subsidiariamente as regras contidas na Lei nº 9.784/99 (Lei Geral do Processo administrativo Federal LPA), consoante a disposição contida em seu art. 695. Tal lei, mediante o disposto no art. 55 da Lei nº 9.784/99 (Lei Geral do Processo administrativo Federal LPA), traz a hipótese da convalidação pela administração dos atos que apresentarem defeitos sanáveis.6 2 O Decreto 70.235, em seu art. 7º, estabelece o momento em que se reputa iniciado o procedimento fiscal: “I . o primeiro ato de ofício, escrito, praticado pelo servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II . a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III . o começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada”. 3 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” 4 Antonio da Silva Cabral, Processo administrativo fiscal, p. 525. 5 "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhe apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.” 6 “Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 7 O autor da monografia “Nulidades no lançamento tributário” afirma que “o critério da convalidação foi o eleito pelo legislador positivo como índice apto a graduar as infringências, em relação aos modelos legais, do atuar processual no PAT e, por conseguinte, do lançamento tributário”7, ou seja, o critério basilar para se definir o que seja ato nulo ou anulável é o da convalidação. Importa sabermos, então, quando o ato imperfeito se afigura convalidável e como se dá a convalidação. Maria Sylvia Zanella di Pietro, citando Celso Antonio Bandeira de Melo, afirma que os atos nulos são os que não podem ser convalidados e que entram nessa categoria: “a) os atos que a lei assim declare; b) os atos em que materialmente impossível a convalidação, pois se o mesmo conteúdo fosse novamente produzido, seria reproduzida a invalidade anterior; é o que ocorre com os vícios relativos ao objeto, à finalidade, ao motivo, à causa.”8 E, complementa, são anuláveis: “a) os atos que a lei assim declare; b) os que podem ser praticados sem vício; é o caso dos atos praticados por sujeito incompetente, com vício de vontade, com defeito de formalidade.”9 A obrigatoriedade de identificação do sujeito passivo é requisito previsto no art. 142 do CTN. Repetemno o art. 10 do PAF, inciso I, no caso de ser o auto de infração o veículo material do ato de lançamento, e o art. 11, inciso I, do mesmo diploma legal, no caso de notificação de lançamento. Como assinalado na lei, ao impor a obrigatoriedade deste requisito na formação do ato de lançamento, a pretensão fiscal deverá externar de modo inequívoco o sujeito passivo contra o qual a Fazenda Pública buscará a satisfação da exação formalizada, sob pena de frustrar esse desiderato. Transcrevemos a seguir, no que for pertinente, algumas das conclusões do trabalho monográfico denominado “Nulidades no lançamento tributário”10, com as quais concordo, de autoria do AFRFB Raimundo Parente de Albuquerque Junior: “O critério de invalidades do ato de lançamento, que permite distinguir entre nulidade relativa (anulabilidade) e absoluta (nulidade), assentase na distinção entre pressupostos e requisitos do ato. São requisitos do ato lançamento a enunciação do fato jurídico tributário, a identificação do sujeito passivo e a determinação do tributo devido; ao passo que são seus pressupostos o subjetivo e o procedimental. 7 Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Nulidades no lançamento tributário, p. 76. 8 Maria Sylvia Zanella di Pietro, Direito administrativo, p.225. 9 Ibidem, p.226. 10 Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Nulidades no lançamento tributário, p.109/110. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 A nulidade relativa tem sede nas violações dos pressupostos, os quais integram o procedimento preparatório do lançamento, enquanto a nulidade absoluta tem sede nas violações dos requisitos, os quais decorrem da norma jurídica tributária. A nulidade relativa constitui vício sanável pela preclusão temporal, por isso deve ser invocada na primeira oportunidade que o interessado tiver de falar nos autos, e o ato imperfeito correspondente é, por esse motivo, convalidável; assim, a nulidade absoluta constitui vício insanável, por isso pode ser suscitada de ofício pelo julgador administrativo, e o ato imperfeito correspondente jamais se convalida. (...); Vinculamos a nulidade relativa ao vício de forma e a nulidade absoluta ao vício de matéria ou de conteúdo, para daí identificarmos com segurança o vício formal a que alude o inc. II do art. 173 do CTN, o qual autoriza a reabertura do prazo decadencial para a efetivação de um novo lançamento, no caso de o lançamento anterior ter sido anulado por vício formal. (...); h) Apreciando a constitucionalidade da regra do § 4º do art. 16 do PAF que preceitua, sob pena de preclusão, a apresentação da prova documental com a impugnação, restringimos seu âmbito de validade às provas documentais destinadas a demonstrar a alegação de vício formal no lançamento, tendo em vista sua sanação pela preclusão, diferentemente do que ocorre com vício material, que é insanável e cuja prova não preclue.” Portanto, sendo elemento essencial do lançamento, o erro na identificação do sujeito passivo, constitui vício material que enseja a nulidade absoluta do ato, devendo ser declarada de ofício pela autoridade administrativa. Passase, então, a analisar as normas específicas referentes ao tributo IPI, com o objetivo de identificar as regras atinentes ao sujeito passivo. A CF/88 estabeleceu em seu art. 153, §3º, inciso II, o princípio da não cumulatividade para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Coube ao Código Tributário Nacional definir o contribuinte de tal imposto, consoante as disposições contidas no seu art. 51, o qual estabeleceu no parágrafo único do referido artigo o princípio de autonomia dos estabelecimentos.11 11 ‘SEÇÃO I Imposto sobre Produtos Industrializados Art. 51. Contribuinte do imposto é: I. o importador ou quem a lei a ele equiparar; II. o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III. o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 9 As regras contidas nos artigos 313 e 518, incisos III e IV, do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02), abaixo transcritas, estabeleceram a dinâmica de escrituração e apuração baseada na autonomia dos estabelecimentos, o que viabiliza a implementação do princípio constitucional da não cumulatividade: “Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57).” “Art. 518. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...); III a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza; IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica;” Diante das normas legais acima mencionadas e/ou transcritas, concluise que para efeito de cumprimento da obrigação tributária prevalece o princípio da autonomia dos estabelecimentos, motivo pelo o qual o lançamento deve se reportar a cada estabelecimento industrial, ainda que seja da mesma pessoa jurídica. No caso em questão, constatase pela análise das peças da autuação de fls. 41/51 e dos livros e documentos de fls.11/39 que o lançamento foi efetuado em face do estabelecimento matriz e que estabelecimento industrial responsável pelas operações é o inscrito no CNPJ sob n° 33.284.522/000626, situado no município de São José dos Campos, concluindose, pois, ter havido erro na identificação do sujeito passivo. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade absoluta do lançamento efetuado por meio do Auto de Infração de fls. 48/51, por vício material, tendo em vista a comprovação de erro na identificação do sujeito passivo, ressalvando que a decisão aqui prolatada não analisou as demais questões preliminares IV. o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante.’ (grifo nosso) Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 e de mérito e que eventual lançamento pelos mesmos fatos, livre dos vícios que deram causa à nulidade do presente, só poderão ser efetuados enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. É como voto. (assinado eletronicamente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13889.000277/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios.
Numero da decisão: 1801-000.979
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Ana de Barros Fernandes acompanha pelas conclusões. O Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira diverge e vota na conversão do julgamento na realização de diligência.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 26 1 25 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13889.000277/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.979 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente LEITE & FLORCOVSKI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Ana de Barros Fernandes acompanha pelas conclusões. O Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira diverge e vota na conversão do julgamento na realização de diligência. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13889.000277/200982 Acórdão n.º 180100.979 S1TE01 Fl. 27 2 Relatório A Recorrente solicitou opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados, fl. 02: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 8º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional pro incorrer na(s) seguinte(s) situação (ões): Estabelecimento CNPJ: 10.969.904/000183 Atividade econômica vedada: 75001/00 Atividades Veterinárias Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. Cientificada em 26.08.2009, fl. 02, a Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a impugnação em 02.09.2009, fl. 01, requerendo. [...] o deferimento: da opção pelo Simples Nacional, pois declara para "todos efeitos que, conforme disposto no § único do.artigo 3° da Resolução CGSN 06 de 2007 exerce apenas atividades permitidas na sistemática do simples nacional, muito embora conste expressamente em seu contrato social atividade econômica 75001/00 que não será exercida. Está registrado como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1429.885, de 23.06.2010, fls. 1417: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 OPÇÃO. ATIVIDADE VEDADA. A pessoa jurídica que tem como objetivo social "atividades veterinárias" está impedida de exercer opção pelo Simples Nacional. Notificada em 23.07.2010, fl. 09, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.08.2010, fl. 20, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13889.000277/200982 Acórdão n.º 180100.979 S1TE01 Fl. 28 3 Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita [...] vem respeitosamente recorrer a decisão da Delegacia Da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Ribeirão Preto (SP) ref. ao processo: 13889.000277/200982, solicitando que seja deferida sua opção no simples nacional com data de sua constituição 08/07/2009, pois a mesma, não está utilizando o CNAE impeditivo n° 75001/00 atividades veterinárias constante no CNPJ como secundária. Contudo, em virtude deste órgão não aceitar como atividade não exercida conforme a declaração protocolada em 02/09/2009 pela ARF — Pirassununga e após a decisão no julgamento como improcedente, a empresa resolve alterar seu contrato social retirando o CNAE impeditivo conforme documento comprobatório anexo. Reitero o pedido para opção no simples desde a abertura, uma vez que a empresa se comportou como optante, pois aguardava decisão do processo, entregou a DASN/2010 e pagou as guias das conforme prevê a lei. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente se insurge contra o indeferimento da opção. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais.A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. O seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com Fl. 34DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13889.000277/200982 Acórdão n.º 180100.979 S1TE01 Fl. 29 4 os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é a manifestação unilateral da administração pública, que vincula o ente federativo que o emitiu, uma vez que esta questão é afeta à repartição constitucional de competências tributárias. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios1. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 02, tem como motivo a prestação de serviços de atividade veterinária, ou seja, que constitua profissão regulamentada de médicoveterinário, nos termos da Lei nº 5.517, de 23 de outubro de 1969. No Contrato Social registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) em 08.07.2009, sob o nº 35223274282, consta que a sociedade tem o seguinte objeto, fls. 0509: [...] comércio varejista de artigos e alimentos para animais de estimação; comércio varejista de medicamos veterinários; serviços de higiene e embelezamento de animais domésticos e clínica veterinária. O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes2. No Instrumento Particular de Alteração de Contrato de Sociedade Empresária registrada na JUCESP em 05.08.2010, sob o nº 267692/109 está registrada a mudança do objeto social para, fls. 2124: [...] comércio varejista de artigos e alimentos para animais de estimação; comércio varejista de medicamentos veterinários; serviços de higiene e embelezamento de animais domésticos. A hipótese de indeferimento da opção da Requerente pelo Simples Nacional fundamentada na prestação de serviços de profissão regulamentada, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Em conformidade com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) 3, na descrição da ocupação de veterinário compreende aqueles que: [...] praticam clínica médica veterinária em todas as suas especialidades; contribuem para o bemestar animal; [...]; atuam nas áreas comercial agropecuária, de biotecnologia e de preservação ambiental; [...]. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. 2 Fundamentação legal: art. 119 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973 e art. 1º e art. 32 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994. 3 Dispnível em: <http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/ResultadoFamiliaAtividades.jsf> . Acesso em: 22 mar.2012. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13889.000277/200982 Acórdão n.º 180100.979 S1TE01 Fl. 30 5 Dentre as áreas de atividades pode ser encontrada, dentre outras, a atuação na área comercial na venda produtos veterinários, equipamentos e insumos. Analisando todos este fatos verificase que o “comércio varejista de artigos e alimentos para animais de estimação; comércio varejista de medicamentos veterinários; serviços de higiene e embelezamento de animais domésticos” caracterizamse por si sós a atividade veterinária, que está expressamente vedada, de acordo com o Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 18 de junho de 2007. Comprovase ainda que a sócia Andréa de Oliveira Leite, CPF 286.409.24848, fls. 0509, é veterinária regularmente inscrita no Conselho Federal de Medicina Veterinária, fl. 04. Ademais, é de fato irrelevante o argumento da defesa de que houve intenção inequívoca de aderir ao Simples Nacional pelos instrumentos relativos aos pagamentos mensais e a apresentação da declaração correspondentes, uma vez que não há permissivo legal que ampare sua pretensão. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carmen Ferreira Saraiva Fl. 36DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10510.001827/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Estando devidamente comprovada nos autos a intempestividade da peça impugnatória, deve-se manter a decisão da autoridade de 1ª instância em não conhecer da impugnação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Alexandre Gomes declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Estando devidamente comprovada nos autos a intempestividade da peça impugnatória, deve-se manter a decisão da autoridade de 1ª instância em não conhecer da impugnação. Recurso Voluntário Negado
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Estando devidamente comprovada nos autos a intempestividade da peça impugnatória, devese manter a decisão da autoridade de 1ª instância em não conhecer da impugnação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Alexandre Gomes declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 18 27 /2 01 0- 14 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Auto de Infração de IPI, com a acusação de a contribuinte acima identificada ter recolhido IPI a menor, no período de janeiro de 2006 a novembro de 2008, em virtude da utilização de crédito indevido nas aquisições de produtos isentos produzidos na Zona Franca de Manaus. Impugnando a exigência fiscal em 21/06/2010, a contribuinte alegou a nulidade do lançamento fiscal, em face da ausência de fundamentação legal e, no mérito, a total improcedência da autuação, nos termos das decisões proferidas pelo STF, que, segundo afirma, em homenagem ao princípio da nãocumulatividade, garantem o crédito nas aquisições de produtos isentos. A Delegacia de Julgamento, através do Acórdão n° 1528.803 (4a Turma da DRJ/SDR), não conheceu da Impugnação por considerála intempestiva, mediante acórdão assim ementado: "ASSUNTO: Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 IMPUGNAÇÂO INTEMPESTIVA Petição apresentada fora de prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo quando suscitada a tempestividade como preliminar. Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido.” Por meio da INTIMAÇÃO DRF/Aracaju n° 05 (fl.276) a recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 20/01/2012, conforme AR de fl. 277, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 16/02/2012, por intermédio de seus advogados devidamente nomeados e constituídos (procuração fls.294/296) com o recurso voluntário de fls. 278/293, no qual ressalva que em 14/05/2010 a recorrente foi cientificada da primeira lavratura da autuação, ocorrida em 12/05/2010, às 15h25m. (doc.03). Mas que, após ter ser notificada, a fiscalização encontrou equívocos no lançamento e, promovendo sua retificação, cientificou a recorrente do novo auto de infração, o que ocorreu em 20/05/2010, embora sua lavratura tenha ocorrido também em 12/05/2010, mas às 17h35m. (doc. 04), cujo término do prazo para impugnar seria em 21/06/2010, data na qual foi devidamente protocolada sua impugnação. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 3 A recorrente para fazer prova de que recebeu o novo auto de infração apenas em 20/05/2010 apresenta uma cadeia de emails anexa, trocados entre a recorrente e seu então Advogado à época (doc. 05). Afirma que promovendo um comparativo entre o lançamento original e o retificado percebese que houve alteração do valor exigido (juros e o total do débito), portanto aquele (Al de origem) foi substituído totalmente por este (Al retificador) e alega que não há qualquer indício de que o mesmo seja um lançamento complementar. Nesse contexto, estando o lançamento retificador nominado de auto de infração, e não na sua figura complementar, fica evidente que o prazo de 30 dias, concedido pelo PAF, não seria apenas sobre a matéria modificada, mas sim sobre todo o conteúdo fiscal, especialmente quanto ao agravamento do quantum exigido. Ou seja, in casu, houve devolução total do prazo impugnatório. E ainda, alerta que a decisão recorrida não faz qualquer referência ao fato de que o auto de infração foi retificado, quando deste tomou conhecimento a recorrente mediante a notificação em 20/05/2010. Essa situação é no mínimo estranha. Ressalta que não está consignada, no auto retificador, a data em que foi recebido pela recorrente, mas que tal fato não pode gerar a presunção de que a ciência operou se na mesma data em que ocorreu a primeira. E mais, não havendo consignação da data da ciência quanto ao auto originário retificador, mas apenas a sua assinatura, não haveria sequer que se falar em início de prazo e, consecutivamente, de intempestividade da impugnação ofertada e que, nessa situação a autoridade julgadora de primeira instância poderia ter superado a questão utilizandose da máxima do comparecimento espontâneo da recorrente, usando de forma subsidiária, a regra ditada pelo Código de Processo Civil, que prevê que "o comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação." (art. 214, § 1o), ou seja, na dúvida quanto à ciência, declararia a tempestividade da impugnação, sobretudo em decorrência dos princípios basilares que norteiam o processo administrativo: o informalismo. Cita jurisprudência administrativa nesse sentido. Continua argumentando que havendo dupla intimação, como é o presente caso, o prazo impugnatório só deve ser contado da segunda, conforme jurisprudência administrativa e judicial, transcrevendo algumas ementas. Argui então que, assim agindo, por força do arts. 145 e 149 do CTN, do art. 18, § 3º do Decreto n° 70.235/72 e art. 41, § 2º, II e § 3º do Decreto n° 7.574/2011, houve alteração de ofício no lançamento e consequente reabertura do prazo para impugnação/defesa; ou seja, o marco inicial de 30 dias passou a ser o dia 20/05/2010 e não 14/05/2010, consoante foi informado anteriormente pela recorrente no corpo da peça impugnatória. Argumenta que a conclusão que defende decorre não apenas de um imperativo lógico, mas também da necessidade da aplicação do PAF e de aplicação, ao caso em tela, dos princípios basilares do processo administrativo, quais sejam, o da verdade material, da informalidade, da economia processual e do contraditório/ampla defesa. E que, em razão dos princípios acima mencionados, mesmo que não venha a ser considerada a tempestividade da Impugnação, esta merece ser apreciada diante da comprovação da improcedência da exigência fiscal, bem como diante do prejuízo para a União caso a matéria venha a ser discutida no Poder Judiciário, consoante fundamentações que apresenta baseada em jurisprudência, cujo tema encontrase em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Fl. 794DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL." (RE 592891, Relatora Ministra Ellen Gracie, j .em 21/10/2010, DJe n° 226, Divulgado em 24/11/2010 e publicado em 25/11/2010).” REQUER a admissibilidade do presente Recurso para que, reconhecendo e declarando/decretando a tempestividade da Impugnação, seja anulado o acórdão recorrido e determinado o retorno dos autos à Primeira Instância para que esta a aprecie e julgue, pela improcedência/nulidade da autuação; bem como, caso assim não se proceda, requer que, em virtude do prejuízo decorrente de uma futura demanda judicial, da verdade material, da informalidade e economia processual, a nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal para analisar e julgar a impugnação diante da improcedência da exigência fiscal. Por fim, requer, “subsidiariamente, que seja dado provimento ao mérito para anulando a decisão administrativa, julgar procedente o auto de infração”. Requer que as intimações sejam feitas em nome do Bel. Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti, OAB/PE 19.353, sob pena de nulidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. O cerne da questão diz respeito à ocorrência ou não de intempestividade da impugnação que foi declarada pela autoridade julgadora de 1ª instância por meio do Acórdão nº 1528.803 (4a Turma da DRJ/SDR) e contestada pela contribuinte. Tratase, portanto, de situação fática, cuja análise deve se dar por meio das peças constantes nos autos. Dessa análise, constatase que nos autos consta apenas um único lançamento que foi efetuado mediante o Auto de infração de fls. 4 a 11, distorcendo assim da afirmação da recorrente acerca da existência de dois Autos de Infração, um inicial e outro retificador. O Auto de Infração constante dos autos às fls. 04 e 05 foi lavrado em 12/05/2010, às 17h35m, cujo valor do crédito tributário apurado foi de R$ 2.070.961,18, composto por R$ 994.796,49 de Imposto original; R$ 330.067,62 de Juros de Mora e R$ 746.097,07 de multa de Ofício. Corresponde exatamente ao mesmo Auto de Infração mencionado na impugnação (fls. 184/196), nos mesmos valores, cujas cópias do Auto e respectivos demonstrativos foram anexadas à peça impugnatória às fls.218/248 do volume 2, os quais se encontram, de fato, sem a data do recebimento. Essa circunstância, entretanto, não é de se estranhar, haja vista a Fl. 795DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 5 possibilidade eventual em alguns casos de a contribuinte ter o cuidado de assinar e datar apenas a primeira via dos auto que irá constar do processo e respectivos anexos, descuidando de fazê lo de igual forma na sua via. Destaque que a contribuinte deixou de anexar à sua peça impugnatória a cópia do Relatório Fiscal. Conforme consta das assinaturas apostas no referido Auto de infração à fl. 05, no Termo de encerramento de fl. 33 e no Relatório Fiscal de fl. 35, a contribuinte tomou ciência do lançamento assim efetuado em 14/05/2010, às 12h. Ao contrário do afirmado pela recorrente, não há aqui incerteza da data da ciência do lançamento, de modo que é indevida a alegação da recorrente de que foi induzida a erro na contagem do prazo para impugnar, mesmo que tenha havido outro lançamento anterior retificado. E, por ser conveniente, destacase a fragilidade das provas trazidas no seu recurso voluntário com a cadeia de emails anexa, trocados entre a recorrente e seu então Advogado à época, a partir da qual, pretendia provar que a ciência do auto de infração contestado deuse em 20/05/2011, consoante se verifica pelas contradições de informações existentes entre os email enviado pelo o Sr. Bruno Pottes para Cláudio Jose Barbosa (OP); Marcio Santana Moura Silva (SE); João Roberto Massoco Júnior (AC); Liege Meireles Câncio, em 27/05/2010, às 16h19m (fl. 336), e o email enviado por Marcio Santana Moura Silva (SE) para Cláudio Jose Barbosa (OP); 'Bruno Pottes'; João Roberto Massoco Júnior (AC); 'Liege Meireles Câncio, em terça feira, 8 de junho de 2010 13:07 (fl. 334), quando naquele o Sr. Bruno informa que “O Fiscal da Receita esteve na unidade hoje pela manhã, oportunidade em que pediu a substituição das planilhas outrora entregues, por verificar equívoco na sua confecção.”, ou seja o fiscal teria estado na unidade no dia 27/05/2010, data da emissão do e mail, enquanto neste, o Sr. Marcio Santana, respondendo à indagação do Sr. Cláudio Jose Barbosa acerca da data em que a unidade teria recebido o Auto de Infração, mencionada a data de 20 de maio. É verdade que a contribuinte traz anexo à sua peça recursal cópia de outro auto de infração de fl. 329/330, no qual consta o valor de juros a maior de que o constante do Auto de Infração de fls. 04/05, lavrado em 12/05/2012, às 15h25m, que foi assinado e datado pelos representantes da contribuinte, também, em 14/05/2012. Mas, este não é o Auto de Infração constante dos autos. É possível que tenha realmente havido uma retificação. Mas, tal fato não trará diferença na constatação da intempestividade, haja vista que o auto de Infração de fls. 04 e 05, ora contestado, conforme já ressaltado e devidamente comprovado, foi assinado e datado em 14/05/2012. Sendo assim, o prazo de impugnação começou a fluir em 17/05/2010 (segundafeira) e encerrouse no dia 15/06/2010 (terçafeira), acarretando a intempestividade da impugnação, que foi protocolizada no dia 21/06/2010, fls. 182. Portanto, correta se encontra a decisão da autoridade de 1ª instância de julgamento, não merecendo ser reformada. A consequência da intempestividade é realmente o não conhecimento da impugnação, posto esta não preencher aos seus requisitos de admissibilidade e, portanto, nesses casos, não se julga o mérito da questão e o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa. Motivo pelo o qual não se deve acatar o pedido da recorrente para que, mesmo decidindo pela intempestividade, retorne os autos para que a autoridade julgadora de 1ª instância profira novo julgamento analisando o mérito. Essa afirmação está respaldada nas regras constantes da legislação tributária, a exemplo do art. 151, III, do CTN, segundo o qual as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário quando atenderem aos termos das leis reguladoras do processo tributário e nesse sentido, o Decreto nº 70.235/72 estabelece em seu Art. 15 que “a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, Fl. 796DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Relativamente à solicitação de que as intimações sejam feitas em nome do Bel. Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti, OAB/PE 19.353, há de ser indeferida, haja vista que as intimações devem ser feitas em nome do sujeito passivo e enviadas, caso seja utilizada a via postal, ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, consoante consta da regra contida no art. 23, II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer a tempestividade da impugnação alegada e não conhecer do mérito. (assinado eletronicamente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Fl. 797DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005418/2003-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO.
Possuindo o contribuinte comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, poderá ser compensado, na declaração de pessoa física ou jurídica, o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos.
Numero da decisão: 1803-000.769
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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IRRF. COMPROVAÇÃO. Possuindo o contribuinte comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, poderá ser compensado, na declaração de pessoa física ou jurídica, o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.005418/2003-01 Acórdão n.º 1803-00.769 S1-TE03 Fl. 424 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 368 a 372): A contribuinte qualificada em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade em face da homologação parcial das compensações declaradas, vinculadas ao presente processo. A Declaração de Compensação — DCOMP apresentada em formulário (fls. 01 e 02) foi recepcionada em 17/04/2003, utilizando como crédito parte dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL, apurados na DIPJ/2003, do ano-calendário de 2002, nos valores de R$ 10.323,47 e R$ 12.484,27, respectivamente. Vinculados aos mesmos saldos negativos, foram ainda localizados os PER/DCOMP relacionados à fl. 72 e a DCOMP objeto do processo apenso, de n° 11610.005423/2003-13. A Autoridade Administrativa proferiu o Despacho Decisório de fls. 71 a 82, reconhecendo o direito creditório referente a saldos negativos de IRPJ e CSLL, apurados no ano-calendário de 2002, nos valores de R$ 277.559,01 e R$ 86.044,13, respectivamente, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Haviam sido apurados na DIPJ/2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 377.039,91 e R$ 86.044,13, respectivamente. A fundamentação e as conclusões do Despacho Decisório estão assim sintetizados: - a empresa solicita, em 17/04/2003, a compensação de débitos próprios com créditos seus de saldos negativos de IRPJ e de CSLL, apurados na DIPJ/2003 que, de acordo com o demonstrativo à fl. 02, seriam de R$ 10.323,47 (IRPJ) e R$ 12.484,27 (CSLL). - tais valores divergem dos encontrados na DIPJ/2003 (fls. 46 e 64), de R$ 377.039,91 (IRPJ) e R$ 86.044,13 (CSLL), que coincidem com os valores constantes das DCOMP transmitidas; - assim sendo, os valores dos saldos negativos serão extraídos da DIPJ/DCOMP, e não do demonstrativo à fl. 02; - uma vez que as estimativas de códigos 2361-1 e 2484-1 declaradas, devidas nos diversos meses de 2002, não foram vinculadas a compensações com saldos negativos de períodos anteriores, a análise se restringe aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2002; IRPJ - o saldo negativo apurado pela contribuinte resulta da dedução do imposto mensal pago por estimativa e do imposto sobre a renda retido na fonte, de acordo com o quadro a seguir: [...]. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 - a composição das fontes retentoras do montante de R$ 357.368,31 foi detalhada na Ficha 43 da DIPJ/2003 (fl. 47); - o IRRF deve ser comprovado e os respectivos rendimentos, oferecidos à tributação, cabendo o ônus da prova a quem pleiteia; - consulta ao sistema SIEF/DIRF confirmou apenas parte do IRRF declarado na Ficha 43, conforme tabela abaixo: - a interessada ofereceu à tributação montante compatível com o IRRF deduzido na apuração anual, considerando-se o montante de R$ 290.810,29 de dedução a título de IRRF; - na apuração do IRPJ por estimativa, a empresa deduziu IRRF nos meses de janeiro (R$ 258,46), fevereiro (R$ 129,22), março (R$ 129,22) outubro (R$ 5.020,85) e novembro (R$ 27.385,13), no total de R$ 32.922,88. A soma desse valor com o IRRF deduzido no ajuste anual (R$ 357.368,31), resulta em R$ 390.291,19, que não é compatível com o valor confirmado, de R$ 290.810,29; - as estimativas de IRPJ apuradas na Ficha 11 da DIPJ/2003 (fls. 34 a 45) e confessadas em DCTF (fl. 67) foram vinculadas a pagamentos e compensações com DARF, tendo sido confirmados os valores de R$ 71.032,35 (pagamentos) e R$ 5.471,40 (compensações); - o IRPJ a pagar fica recalculado, conforme demonstrado abaixo: [...]. - o valor de R$ 257.887,41, acima, foi obtido subtraindo-se R$ 32.922,88 de R$ 290.810,29,ou seja, total de IRRF disponível menos o montante utilizado na estimativa; - não havendo compensações sem processo utilizando o saldo negativo deste ano, considera-se como saldo credor remanescente a compensar de IRPJ, relativo ao ano-calendário de 2002, o valor de R$ 277.559,01; [...]. Inconformada com o Despacho Decisório, do qual tomou ciência em 09/06/2008 (fl. 82, verso), a pessoa jurídica Unibanco Negócios Imobiliários Ltda., sucessora por incorporação da Fortaleza S/A. Empreendimentos Imobiliários, apresentou, por meio de seus procuradores (fls. 265 a 295) a manifestação de inconformidade, em 10/07/2008 [09/07/2008 - feriado estadual], com as seguintes alegações, em síntese (fls. 255 a 263): - como se pode verificar da análise da Ficha 43 da DIPJ/2003, auferiu rendimentos atinentes a aplicações financeiras de renda fixa (código 3426), remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (código 1708) e Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.005418/2003-01 Acórdão n.º 1803-00.769 S1-TE03 Fl. 425 5 aplicações financeiras em fundos de investimentos imobiliários (código 5232), de modo que as fontes pagadoras efetuaram a retenção do imposto de renda respectivo; - a composição das fontes retentoras é assim representado: - os valores dos rendimentos das aplicações foram lançados em seu balancete de verificação, conta contábil nº 7.1.5.40.00-1, referente a Rendas de Aplicações em Fundos de Investimento (doc. 04), restando incontroverso o seu direito creditório, a despeito de qualquer alegação periférica com vistas a macular a compensação pleiteada; - a D. Autoridade Fiscal, sem qualquer justificativa plausível, não levou em consideração o valor retido de um dos administradores dos fundos da manifestante, qual seja a retenção pelo Banco Itaú S/A; - como se pode verificar na Ata da Assembléia Geral de Cotistas do Fundo Fortaleza de Investimento Imobiliário, realizada em 29/11/2002 (doc. 5), foi deliberada a distribuição dos lucros do 1° semestre/2002, de modo que a manifestante detinha 11,97 % (58.839 cotas) do referido Fundo Fortaleza, e no 1º semestre/2002 houve a retenção do IRRF no valor de R$ 19.429,80; - ao realizar a composição de tais valores, calculando a distribuição dos lucros no 1º e 2º semestres, o valor remanescente compõe a quantia do IRRF retido, bem como representa o montante em que a manifestante suportou o respectivo ônus tributário, que pode ser assim demonstrado: - os comprovantes de retenção do IRRF ou a DIRF respectiva não foram fornecidos pelo Banco Itaú, cabendo à Autoridade Fiscal proceder à verificação do aludido fato junto ao mesmo, averiguando o motivo pelo qual a DIRF ou outro documento comprobatório da retenção do IRRF não fora localizada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil; - não houve por parte da Autoridade Fiscal qualquer tipo de diligência para apurar tal motivo, tendo optado pela situação mais cômoda, glosando a suposta diferença apurada sem esgotar todos os meios em direito admitidos para a busca da verdade material que deve reger a administração pública dentro de sua atuação no processo administrativo fiscal; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 - tendo em vista a situação de equivalência entre a manifestante e o Banco Itaú S/A, não cabe àquela determinar a este que apresente os seus documentos fiscais e contábeis, bem como o comprovante de recolhimento. Isso cabe tão somente à administração pública, através de seus órgãos julgadores, determinando aos servidores da repartição do domicílio da manifestante a realização das diligências necessárias; - a informação atinente à retenção do IRRF pela terceira fonte pagadora dos rendimentos foi devidamente lançada em seus documentos econômico-fiscais, tendo suportado o respectivo ônus tributário; - o IRRF das três fontes pagadoras dos rendimentos foi informado na ficha 43 da DIPJ/2003 e lançado no respectivo balancete de verificação, não podendo a manifestante ter o direito creditório tolhido pela autoridade fiscal por mera circunstância de ordem formal; - o direito ao imediato ressarcimento daquilo que recolheu indevidamente ou a maior, pela via da compensação ou da restituição, encontra amparo na Carta Magna (art. 50, XXII e LIV, art 150, I) e no Código Tributário Nacional (art. 165); Ao final, requer seja declarado insubsistente o Despacho Decisório, cancelada a cobrança do valor de R$ 99.480,90 decorrente da suposta diferença não retida a título de IRRF, homologada integralmente a compensação e, alternativamente, seja determinada a baixa dos autos em diligência, para intimar o Banco Itaú S/A. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 366): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. Reconhecido parcialmente o saldo negativo de IRPJ, e integralmente o de CSLL, pela Autoridade Administrativa, foram homologadas as compensações vinculadas até o limite dos créditos reconhecidos. Não comprovado o IRRF informado na DIPJ, que foi deduzido no cálculo do saldo negativo de IRPJ, além do valor já aceito pela Autoridade Administrativa, fica mantida a não homologação das compensações declaradas no que excedeu o saldo negativo já reconhecido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não tendo sido acostado ao processo o documento de apresentação obrigatória pela contribuinte, é incabível a diligência para eventuais esclarecimentos. Solicitação Indeferida. 3. Cientificada da referida decisão em 11/08/2009 (fls. 376-verso), a tempo, em 10/09/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 380 a 389, instruído com os documentos de fls. 390 a 412, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que houve a glosa da suposta diferença apurada, no montante de R$ 99.480,90 (ou seja, exatamente a diferença não considerada pelo Fisco Federal referente ao IRRF retido pelo Banco Itaú S.A.); e b) que, da simples análise do informe de rendimentos da fonte pagadora, ora acostado aos presentes autos (doc. 2), tem-se por evidenciada a retenção Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.005418/2003-01 Acórdão n.º 1803-00.769 S1-TE03 Fl. 426 7 do IR na monta de R$ 99.480,90 (R$ 36.937,17 + R$ 19.429,80 + R$ 43.113,93). Em mesa para julgamento. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Foi devidamente juntado com a peça recursória, de fls. 412, o Informe de Rendimentos Financeiros relativo à parcela do IRRF objeto de glosa por não constar dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) respectiva, como segue: 5. Atendida a exigência contida no art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, procede o pleito da Recorrente, sendo que eventual divergência de valores entre o rendimento declarado e o constante do comprovante de retenção na fonte ora apresentado não mais é suscetível de qualquer procedimento fiscal, em face do instituto da decadência. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para reconhecer o direito creditório adicional correspondente ao valor de IRRF de R$ 99.480,90, homologando as compensações até o limite desse valor. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.005418/2003-01 Acórdão n.º 1803-00.769 S1-TE03 Fl. 427 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/01/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13807.009372/2007-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se aplica o instituto da denúncia espontânea quando se tratar de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.163
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se aplica o instituto da denúncia espontânea quando se tratar de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13807.009372/200742 Acórdão n.º 180101.163 S1TE01 Fl. 192 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 03, com a exigência do crédito tributário no valor de R$76.646,99 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 29.06.2007 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.04.2006. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 18, de 24 de fevereiro de 2000. Cientificada em 24.10.2007, fl. 16, a Recorrente apresentou a impugnação em 25.10.2007, fls. 0102,com as alegações a seguir sintetizadas. Afirma que apresentou a DCTF com atraso, porém como o cumprimento da obrigação tributária de forma espontânea está amparada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Argui que [...] sem duvida, ocorreu no presente caso a denúncia espontânea, capaz de afastar a imposição de penalidades. 0 instituto da "denuncia espontânea", tal como configurada no Código Tributário Nacional, no artigo 138, é aquela iniciada antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Pelo Exposto, ante as razões de fato e de direito acima elencadas, requer a Vv.Ss. se dignem a considerar procedente a presente impugnação e, via de conseqüência, cancelar a penalidade imposta. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1621.335, de 13.05.2009, fls. 2123: “Lançamento Procedente”. Restou ementado: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13807.009372/200742 Acórdão n.º 180101.163 S1TE01 Fl. 193 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Notificada em 13.10.2009, fl. 25verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.11.2009, fls. 4154, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Por todo o exposto, requer a vossas Excelências dignemse receber o presente recurso administrativo para o seguinte; a) mandar certificar nestes autos a ocorrência do pagamento integral dos tributos constantes da DCTF em questão, pagamento este realizado antes do inicio da ação fiscal; b) ao final, darlhe total provimento, julgando insubsistente o Auto de Infração e, por conseguinte, indevido o crédito tributário exigido. Requer provimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro de Estado da Fazenda pode instituir obrigações acessórias, cuja atribuição delegou ao RFB, relativamente a tributos federais por ele administrados, que pode estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13807.009372/200742 Acórdão n.º 180101.163 S1TE01 Fl. 194 4 constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar, dentre outras, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (c) de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos1. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; 1 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13807.009372/200742 Acórdão n.º 180101.163 S1TE01 Fl. 195 5 (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores2. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 29.06.2007 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.04.2006. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal3. Este instituto, todavia, não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, ou seja, não se aplica à multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória4. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 Fundamentação legal: Súmulas CARF nºs 33 e 49. 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13807.009372/200742 Acórdão n.º 180101.163 S1TE01 Fl. 196 6 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10166.722783/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS - Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996, uma vez verificada diferenças de receitas não tributadas, considera-se a omissão de receitas.
VENDAS ESCRITURADAS EM LIVRO FISCAL DE APURAÇÃO DO ICMS. O livros entregues às autoridades estaduais são considerados meio de prova hábil para a caracterização da omissão de Receita.
MULTA QUALIFICADA- É cabível uma vez constatado o dolo.Ano-calendário:
Numero da decisão: 1202-000.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. JULGADO em segunda instância por força de Liminar em Mandado de Segurança impetrado pela empresa.
Nelson Lósso Filho - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora.
(documento assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS - Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996, uma vez verificada diferenças de receitas não tributadas, considera-se a omissão de receitas. VENDAS ESCRITURADAS EM LIVRO FISCAL DE APURAÇÃO DO ICMS. O livros entregues às autoridades estaduais são considerados meio de prova hábil para a caracterização da omissão de Receita. MULTA QUALIFICADA- É cabível uma vez constatado o dolo.Ano-calendário:
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OMISSÃO DE RECEITAS Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9430/1996, uma vez verificada diferenças de receitas não tributadas, considerase a omissão de receitas. VENDAS ESCRITURADAS EM LIVRO FISCAL DE APURAÇÃO DO ICMS. O livros entregues às autoridades estaduais são considerados meio de prova hábil para a caracterização da omissão de Receita. MULTA QUALIFICADA É cabível uma vez constatado o dolo.Ano calendário: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. JULGADO em segunda instância por força de Liminar em Mandado de Segurança impetrado pela empresa. Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Meigan Sack Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 27 83 /2 00 9- 93 Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10166.722783/200993 Acórdão n.º 1202000.780 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Atendendo ao disposto no PROCESSO JUDICIAL nº : 15828 36.2012.4.01.3400, através do MANDADO DE SEGURANÇA s/ nº impetrado na Justiça Federal – 9ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal/DF, onde a recorrente pediu que fosse julgado o mérito do seu recurso, referente ao Processo nº 10166.722783/200993, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, superando a preliminar de intempestividade da impugnação, a qual foi aceita pelo órgão judicial, passamos a julgar o mérito. O Auto de Infração foi lavrado para exigir IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica, CSLL – Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição ao PIS – PIS e COFINS, com acréscimo de multa de 150% e juros calculados com base na taxa SELIC. Consta no Termo de Verificação Fiscal que a contribuinte foi selecionada por terem sido constatadas divergências de informações entre a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DSPJ e a Declaração de Operações com Cartão de Crédito – DECRED. Verificouse que havia sido informado na DSJP, do anocalendário de 2005, o montante de receita bruta anual de R$1.147.104,43, enquanto que, para o mesmo período, na DECRED acusava uma movimentação total de R$4.588.859,76. Narra a autoridade fiscalizadora, no TVF, que em resposta ao TIPF, a recorrente informou que teve movimentação financeira somente no Banco Bradesco durante o anocalendário de 2005. Essa informação contraria os registros constantes das DCPMF – Declaração de CPMF de outros bancos. A autoridade lançadora intimou a contribuinte a apresentar sua movimentação bancária, o que foi feito. Todavia, a recorrente apresentou extratos bancários impressos de todos os bancos, com exceção do Banco do Brasil S/A. Como eram muitas informações e grandes volumes, foi solicitado aos bancos as mesmas informações em meio magnético. Os bancos HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo, Banco Bradesco S/A e Banco de Brasília (BRB) atenderam aos pedidos. A autoridade lançadora, novamente, solicitou que fossem explicadas as diferenças entre os lançamentos contábeis e as movimentações bancárias. Em 12 de maio de 2009, a contribuinte explicou que os valores registrados na movimentação bancária não são semelhantes aos lançados na contabilidade, pois: i) houve campanha de marketing onde a contribuinte devolvia aos clientes que pagavam com ticket alimentação o troco em espécie; e, ii) na movimentação bancária consta a aquisição de terreno que o sócio Sr. José Maria Briere Sobrinho fez com diversas pessoas, assim, recebeu depósitos dessas (pessoas) para aquisição de um terreno. Foi juntado “Instrumento Particular de Contrato de Consórcio entre amigos” e duas Atas de Reunião, mas não foi feito qualquer vínculo com os lançamentos em conta corrente, isto é, não comprovou nenhuma de suas alegações. No TIF III, foi solicitado que a contribuinte indicasse os lançamentos contábeis para as suas movimentações bancárias, sobre os quais a contribuinte não se pronunciou e não existe no seu balanço patrimonial uma conta contábil com registro das movimentações bancárias, isto é, não havia registro contábil de caixa e bancos. Em resposta à fiscalização, a contribuinte, através de seu contador, informou que todas as vendas eram contabilizadas como se fossem vendas à vista e a autoridade fiscalizadora verificou que os valores lançados como receitas de vendas à vista eram muito superiores aos limites para opção do SIMPLES, como segue: Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10166.722783/200993 Acórdão n.º 1202000.780 S1C2T2 Fl. 4 3 Anocalendário Valor 2005 R$11.731.831,70 2006 R$14.443.748,28 2007 (janjun) R$6.685.857,05 Como haviam indícios de que as irregularidades relativas aos registros das receitas para o anocalendário de 2005 perdurava para 2006 e 2007, a autoridade lançadora alterou o MPF em 19 de março de 2009, incluindo os anos faltantes. Foi também solicitado, pelo Termo de Intimação Fiscal nº VIII, os Livros de Apuração de ICMS, o que foi atendido. Contudo, para os anoscalendários de 2006 e 2007, foram apresentadas cópias magnéticas com o leiaute aprovado pela fazenda estadual, que não era possível à autoridade fiscalizadora lêlo e analisálo. Desse modo, foram solicitadas à Secretaria da Fazenda do Distrito Federal, através do Ofício nº 1518/2009 RFB/DRF/BSB/Difis, as informações sobre os Livros de Apuração do ICMS de 2006 e 2007, o que foi atendido. Para optar pelo SIMPLES, a empresa deve ter receita bruta total de R$1.200.000,00, no anocalendário de 2005, e R$2.400.000,00, nos anoscalendários de 2006 e 2007, consoantes o artigo 2º, II, da Lei n° 9317/1996; artigo 3º da Lei nº 9732/1998; e artigo 33 da Lei nº 11.096/2005. Com as receitas brutas de vendas à vista constantes da tabela acima, a contribuinte não poderia mais optar pelo SIMPLES, portanto, a fiscalização elaborou Representação Fiscal solicitando sua exclusão do SIMPLES. Esse fato gerou o Processo Administrativo nº 11.853.000559/200961 decorrente da exclusão de ofício, o que foi feito mediante a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/BSB nº 57, publicado em 25 de junho de 2009 no Diário Oficial da União, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006, tendo como fundamento legal o artigo 15, IV, da Lei nº 9317/1996. A contribuinte era originariamente optante pela sistemática do SIMPLES, com a exclusão a partir do anocalendário de 2006, a autoridade lançadora apurou os tributos com base no SIMPLES, para o anocalendário de 2005, incluindo as receitas obtidas no Livro de Apuração do ICMS e constantes nas movimentações bancárias, diminuídas dos montantes de receitas declaradas. Para os anoscalendários de 2006 e 2007, consoante artigo 16 da Lei nº 9317/1996, a contribuinte passa a ser tributada como as demais pessoas jurídicas, pois foi excluída do SIMPLES. Desse modo, no anocalendário de 2006 e para o primeiro semestre de 2007 foram feitos os cálculos com base no lucro arbitrado segundo o artigo 530 do RIR/99. Para o segundo semestre do anocalendário de 2007, foi apurado pelo lucro presumido porque a contribuinte havia optado pelo lucro presumido em julho desse ano. O valor total da exigência apurada é de R$ 24.695.157,76 com os acréscimos legais de multa de 150% e juros com base na taxa SELIC. A contribuinte teve ciência dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal em 17 de dezembro de 2009. Com o não pagamento, foi emitida, por parte da RFB, Carta Cobrança nº 103/2010, informando os débitos atualizados apurados nos Autos de Infração. A contribuinte foi cientificada da cobrança em 5 de abril de 2010 e apresentou sua Impugnação em 30 de abril de 2010, como consta do protocolo de recebimento na própria impugnação. Em sua impugnação, a contribuinte alegou, preliminarmente: Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10166.722783/200993 Acórdão n.º 1202000.780 S1C2T2 Fl. 5 4 Suposto desvio de finalidade do mandado de procedimento fiscal por não guardarem os procedimentos efetuados pelo fisco relação de causa com a matéria discutida nos autos, contrariando o disposto na Portaria RFB n. 11.371/2007, artigo 7º, §§1º e 4º. Em resumo, diz não haver identificação dos tributos apurados. Reforça sua argumentação com a previsão legal do artigo 196 e § único do CTN – Código Tributário Nacional. Ressalta que sofreu prejuízos com os procedimentos efetuados pela fiscalização, que são os custos para apresentação de comprovantes de depósitos de cheques, de crédito em conta, solicitação de extratos em meio magnético que, em momento posterior, a própria autoridade solicitante informou não ser possível a análise por falta de ferramentas adequadas para tanto. Reitera que não pode haver discricionariedade por parte do fisco, devendo sua atuação ser pautada pela estrita legalidade. Falta de legitimidade da procuradora que teria dado ciência ao encerramento do Termo de Verificação Fiscal e recebido os Autos de Infração. Alega ser esta não habilitada para tanto, impossibilitando a contribuinte de apresentar sua defesa, direito que lhe é assegurado pela Constituição Federal e pelo Decreto 70.235/72. No mérito, alega: Ausência de requisitos para a apuração do lucro arbitrado. Informa que o arbitramento não é modalidade de lançamento, mas técnica auxiliar do lançamento de ofício, o que fica evidenciado quando da analise dos documentos ou declarações do contribuinte, constatandose omissão ou ausência de fé, como prevê o artigo 148 do CTN. Prossegue informando que o arbitramento foi prematuro, já que não foi concedido prazo à empresa para que sanasse pretensas irregularidades detectadas em sua contabilidade, asseverando ainda a desnecessidade do arbitramento, justificando a idoneidade de sua documentação à época, o que permitia a apuração do lucro real. Utilização de receitas em duplicidade para a apuração da base de cálculo, eis que suas vendas eram essencialmente feitas através de cartões de crédito e cheques (os quais eram recebidos muitas vezes em valor maior para repassar troco aos clientes). Informa que dos documentos encaminhados ao fisco, facilmente verificase o valor de R$ 18.947.903,51 é o total de receitas referente ao anocalendário de 2005, muito embora o valor arbitrado pela autoridade tenha sido no importe de R$ 30.710.328,23, o que revela que houve equívoco na apuração do valor das receitas ao somar o total das receitas com cartões de crédito com as receitas informadas no livro de ICMS, sob a alegação de não dispor de meios para examinar os extratos bancários cedidos pela contribuinte. Prossegue informando que o mesmo erro se repetiu em relação aos anos calendários de 2006 e 2007, quando a receita total foi de R$ 22.929.935, 44 e R$27.631.291,90, respectivamente, mas o arbitramento se deu em R$ 37.372.122,93 e R$ 43.091.562,85, o que revela a utilização das bases de cálculo em duplicidade, ignorando por completo a verdade real. Revela que o ordenamento veda a utilização de suposições, explicitando que o artigo 112 do CTN, consagrou o princípio da presunção de inocência. Cita doutrina que julga amparar seu entendimento. Informa que, nos termos da Súmula 182 do extinto TFR, é ilegítimo o lançamento do imposto arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Entende ser descabida a aplicação dos artigos 287 e 288 do RIR/99, já que os depósitos foram efetivamente comprovados. Insiste que os depósitos bancários não podem ser o único meio de Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10166.722783/200993 Acórdão n.º 1202000.780 S1C2T2 Fl. 6 5 medir o patrimônio, já que a mera passagem de valores por contas bancárias não configura obtenção de renda e junta jurisprudência administrativa. Solicita também a redução da multa de ofício de 150% para 75%. Ao final, requer: cancelamento dos Autos de Infração por cerceamento de defesa ou reabertura de prazo para defesa; correção dos valores apurados com base nas receitas R$18.947.903,51 (para o anocalendário de 2005); R$22.929.935,44 (para o anocalendário de 2006) e R$27.631.291,90 (para o anocalendário de 2007); e, que, enquanto pendente de análise, todos os débitos constantes dos Autos de Infração em comento tenham reconhecida sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151 do CTN. A 4ª Turma da DRJ/BSB no Acórdão n. 0340.668 houve por bem não conhecer da impugnação por ser intempestiva. Preliminarmente, destaca a intempestividade da impugnação. A contribuinte foi cientificada da decisão em 5 de fevereiro de 2011, e irresignada, apresentou Recurso Voluntário em 4 de março do mesmo ano. Preliminarmente, pugna pelo afastamento da alegação de intempestividade e reitera os mesmos argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos, referente aos anoscalendários de 2005, 2006 e 2007 motivado pelas divergências verificadas entre as receitas declaradas à Receita Federal do Brasil, as movimentações bancárias e o Livro de Apuração do ICMS (informação enviada ao Fisco estadual). O julgamento do mérito desses Autos atende à liminar concedida em Processo Judicial nº 1582836.2012.4.01.3400, através do MANDADO DE SEGURANÇA s/ nº impetrado na Justiça Federal – 9ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal/DF, onde a recorrente pediu que fosse julgado o mérito do seu recurso pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, relativo ao Processo nº 10166.722783/200993, superando a preliminar de intempestividade da impugnação, a qual foi aceita pelo órgão judicial, passamos a julgar o mérito. Preliminarmente, alega que houve desvio de finalidade do mandado de procedimento fiscal por contrariar o disposto na Portaria RFB n. 11.371/2007, artigo 7º, §§1º e 4º, e artigo 196 e § único do CTN, uma vez que não há identificação dos tributos apurados. Em sua impugnação alega que o Mandado de Procedimento Fiscal em nenhum momento permitiu a fiscalização das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, mas apenas do IRPJ, portanto foi feita fiscalização indevida. Ademais, entendeu inadequado solicitar em meio magnético os extratos bancários pois não iriam utilizálos. Afinal, explica que é obrigatório que autoridade lançadora deve seguir estritamente o disposto no Mandado que, no caso, era fiscalização do SIMPLES e IRPJ. Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10166.722783/200993 Acórdão n.º 1202000.780 S1C2T2 Fl. 7 6 Lista alguns Acórdãos desse colegiado onde se entendeu que o lançamento é inválido quando o Mandado de Procedimento Fiscal não é atendido: Acórdãos nº 10194.116, 10194.497. O agente do Fisco no caso dos dois Acórdãos se refere a MPF emitido para fiscalização do IPI e foi feita fiscalização do IRPJ. O Acórdão nº 10194.497 replica o voto do Acórdão nº 10194.116, que considerou o lançamento inválildo tendo em vista que “o agente do Fisco, ao formalizar a exigência, não se encontrava habilitado para o exercício da competência relativa ao IRPJ, eis que acobertado pelo MPFF que apenas o autorizava a fiscalizar o IPI. Tendo constatado irregularidades relativas ao IRPJ com base em elementos de prova diversos dos que poderiam ensejar exigência do IPI, deveria o auditor responsável ter solicitado a emissão de MPFC, o que, todavia, não foi feito.” Ou seja, tratamse de dois tributos não relacionados um incidente sobre renda, receitas, rendimentos e lucro, e outro sobre a industrialização dos produtos e mercadorias, que não é o caso aqui em tela. A autoridade lançadora que tinha competência para fiscalizar o IRPJ, ao verificar irregularidades na escrituração das receitas, através do Livro de Apuração do ICMS e das movimentações bancárias, computou no lançamento também as contribuições ao PIS, COFINS e CSLL tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Esse colegiado tem inúmeros julgados nesse sentido e elenco aqui alguns deles: Acórdão nº 105 14.156 (Processo 107680024189659); Acórdão nº 10516.210 (Processo 10820002550200233); Acórdão nº 10515.959 (Processo 10680014551200434); e Acórdão nº 10323.644 (Processo 137060008979150). Ademais, a nulidade do lançamento deve atender ao disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, que não se aplica ao caso sob análise. Assim sendo, rejeito essa preliminar. Quanto à preliminar de intempestividade, já foi analisada no Acórdão nº 120200.719, referente à sessão de 15 de março de 2012 e aqui não deverá ser analisada nos termos da liminar concedida em Processo Judicial nº 1582836.2012.4.01.3400, através do MANDADO DE SEGURANÇA s/ nº impetrado na Justiça Federal – 9ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal/DF. No mérito, a recorrente primeiramente alega a ausência de requisitos para a apuração do lucro arbitrado, não foi concedido prazo para que a recorrente sanasse as irregularidades encontradas na sua contabilidade e permitisse ao cálculo com base no lucro real. Ainda, que o arbitramento foi desnecessário porque toda a documentação foi entregue e a autoridade lançadora simplesmente não analisou a documentação, aplicando o arbitramento. O procedimento fiscal se iniciou em 29 de agosto de 2008 por terem sido constatadas divergências de informações entre a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DSPJ e a Declaração de Operações com Cartão de Crédito – DECRED. O lançamento foi feito em dezembro de 2009, portanto, houve tempo hábil para que a recorrente apresentasse provas para evitar o lançamento sob análise. Ainda, a recorrente foi solicitada a apresentar seus extratos de movimentações bancárias de todos os bancos e respondeu que somente transacionava com o Banco Bradesco S/A. A autoridade lançadora, em novo Termo de Intimação Fiscal, solicitou novamente que fossem apresentados os extratos de movimentações de todos os bancos e, finalmente, foram apresentados os extratos do Banco do Brasil S/A, HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo, Banco Bradesco S/A e Banco de Brasília (BRB). Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10166.722783/200993 Acórdão n.º 1202000.780 S1C2T2 Fl. 8 7 Foram encontradas diferenças quando foi feito o cotejamento das receitas registradas nas declarações entregues à Receita Federal e as movimentação bancária, a contribuinte explicou que as diferenças advém do fato de que: i) a contribuinte dava o troco em espécie aos clientes que pagavam com ticket alimentação; e, ii) o sócio Sr. José Maria Briere Sobrinho adquiriu um terreno com diversas pessoas, assim, recebeu depósitos dessas (pessoas) juntou “Instrumento Particular de Contrato de Consórcio entre amigos” e duas Atas de Reunião. Apesar das alegações, não foram apresentados documentos que vinculassem os valores recebidos e lançados em contacorrente, isto é, apenas alegou e não comprovou. Ademais, como relatou a autoridade fiscal, não existe no seu balanço patrimonial uma conta contábil com registro das movimentações bancárias, isto é, não havia registro contábil de caixa e bancos, mas havia movimentação financeira. Portanto, fatos patrimoniais que estavam à esteira da escrituração. Pelos dados acima, assim, há sim elementos suficientes para que se faça o lançamento com base no lucro arbitrado, a recorrente foi questionada a apresentar justificativa para suas divergências o que não foi feito. Fez suas alegações, todavia, não comprovou suas alegações. Com isso, a autoridade lançadora, com base no artigo 528 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) e no artigo 42 da Lei nº 9430/1996, caracterizou a omissão de receitas na escrituração do contribuinte e, portanto, computou o montante omitido na determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, que foi o caso. Ainda, nos termos do artigo 530, II, do mesmo Regulamento, apurou o lançamento com base no lucro arbitrado uma vez que identificou vícios, erros ou deficiências que não foi possível identificar a efetiva movimentação financeira, ou apurar o lucro real, in verbis: “Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ........ IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real;” Portanto, agiu corretamente a autoridade lançadora nos termos da legislação aplicável ao lucro arbitrado, que se aplicava ao caso sob análise. Em segundo lugar, sustentou que houve utilização de receitas em duplicidade para a apuração da base de cálculo, uma vez que não possuía ferramenta apropriada. Ainda, alega que a autoridade lançadora somou os créditos bancários às receitas apuradas no Livro de Apuração do ICMS, diminuídas dos valores declaradas, assim sendo, ignorou a busca da verdade real, pois facilmente verificase o valor de R$ 18.947.903,51 é o total de receitas referente ao anocalendário de 2005, e o lucro arbitrado foi de R$ 30.710.328,23. Como já relatado, a autoridade lançadora observou que haviam diferenças entre os valores escriturados e os constantes das movimentações bancárias e dos Livros de Apuração do ICMS, as quais não foram explicadas. A recorrente deveria ter explicado Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10166.722783/200993 Acórdão n.º 1202000.780 S1C2T2 Fl. 9 8 vinculando os valores constantes de sua escrituração contábil, base para os registros nas declarações entregues à Receita Federal, com os valores levantados nas movimentações financeiras e no Livro de Apuração do ICMS. As vinculações deveriam vir acompanhadas de documentação hábil e idônea para a comprovação. Como não houve essa comprovação e explicação contundente, está correto o lançamento por parte da autoridade lançadora, em considerar os montantes omitidos nas duas fontes apuradas (movimentações bancárias e os Livros de Apuração do ICMS), com base nos artigos 42, 25 e 27 da Lei nº 9430/96 e artigo 528 a 530 do RIR/99. Quanto à alegação do artigo 112 do CTN, onde se deve beneficiar a contribuinte em caso de dúvida, entendo que também não se aplica, uma vez que não há dúvidas da omissão. A própria contribuinte não esconde que as receitas foram omitidas tanto que sustenta que foram computadas pela autoridade lançadora em duplicidade, mas não que não existiam, todavia, não comprova de forma a não deixar dúvidas o motivo por serem consideradas em duplicidades. Foi juntada uma planilha junto ao Recurso Voluntário, mas planilhas nada comprovam uma vez que não é um documento comprobatório. Assim também não há como aplicar o artigo 112 do CTN. A recorrente ainda alega que, se a autoridade lançadora não aceitar a planilha que apresentou, deveria nomear perito sob sua responsabilidade e custo e que seja franqueada à contribuinte a nomeação de quesitos. O artigo 17, IV e § 1° do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93, dispõe que o impugnante que pretenda a realização de perícia, deve expor os motivos que a justifiquem, formular os quesitos e fornecer o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, considerandose não formulado o pedido que deixar de atender a esses requisitos. Como não foi seguido o procedimento constante dos normativos mencionados, não considero formulado o pedido de perícia. Quanto à redução da multa de 150% para 75%, diferentemente do que afirma a recorrente, os fatos apurados demonstram que a recorrente omitiu receitas e de forma reiterada, em vários anoscalendários. Aliás, mister reforçar que a omissão não foi refutada pela contribuinte, apenas pela forma de apuração. Fatos esses que evidenciam a deliberada da intenção de ocultar esses recursos e, respectiva receita correspondente, nos termos do artigo 44, II, da Lei nº 9430/1996. Como bem explicou esse colegiado no Acórdão n° 10707747, cuja ementa é a seguinte: "O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular os tributos e contribuições e informála nas Declarações prestadas à administraçãotributária, tomando como base para apuração uma parcela ínfima da receita bruta efetivamente auferida e escriturada em livros fiscais." Como restou caracterizado o dolo previsto no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996 e artigos 71 a 73 da Lei nº 4502/64, mantenho a multa de 150%. Mantenho também os lançamentos reflexos da CSLL, contribuição ao PIS e COFINS pela íntima relação de causa e efeito existentes entre eles e o IRPJ. Diante de todo o exposto, meu voto é no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento. Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10166.722783/200993 Acórdão n.º 1202000.780 S1C2T2 Fl. 10 9 (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Relatora Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA
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Numero do processo: 13982.001508/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
Ementa
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONSTATADA. NÃO ACOLHIMENTO
Não se acolhem os embargos quando não há omissão no acórdão recorrido
Numero da decisão: 1802-001.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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OMISSÃO NÃO CONSTATADA. NÃO ACOLHIMENTO Não se acolhem os embargos quando não há omissão no acórdão recorrido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 15 08 /2 00 9- 15 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 1802001.357 S1TE02 Fl. 665 2 Relatório Tratase de embargos contra Acórdão da 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente, mantendose a decisão da DRJ/FNS pelos seus próprios termos, conforme ementa transcrita abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não há que se falar em falta de descrição dos fatos que deram origem ao lançamento se o Relatório de Ação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, descreve exaustivamente todos os fatos que culminaram na autuação nele sendo indicadas, detalhadamente, todas as providências adotadas na ação fiscal, com a elaboração de demonstrativos em que são enumeradas e quantificadas todas as ocorrências verificadas relacionadas às situações que deram origem ao fato gerador da obrigação tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES SERVIÇO DE CORRETÀGEM ATIVIDADE VEDADA A prestação de serviço de corretagem, configura atividade expressamente vedada para o Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO A LEGISLAÇÃO – EXCLUSÃO DE OFÍCIO. A constatação de créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária hipótese de exclusão do simples conforme consagrado no art. 14, inciso V, da Lei nº. 9.317/1996. EXCLUSÃO DO SIMPLES RETROATIVIDADE O ato declaratório de exclusão, fundamentado no inciso XII do art. 9º da Lei n° 9.317/1996, surtiu efeitos a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente, conforme art. 15, II, da mesma lei. A exclusão desde a prática da atividade vedada é uma consequência direta da lei, não possuindo o ato administrativo de exclusão um efeito desconstitutivo de situação jurídica. Dada a sua natureza de ato declaratório, poderia/deveria ele “declarar” a existência da situação excludente. Tal declaração tem simplesmente o condão de caracterizar que desde aquela Fl. 665DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 1802001.357 S1TE02 Fl. 666 3 época pretérita a empresa não poderia estar enquadrada no Simples. A repercussão desta declaração em relação ao pedido de restituição apresentado pela Contribuinte, por sua vez, deverá ser analisada no processo que trata especificamente daquele pedido. MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e as informações fiscais pertinentes ao Simples, durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza se a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondo se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇA0 DE RENDA A presunção legal de renda omitida com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430 de 1.996, é de caráter relativo e transfere o ônus probatório em contrário ao contribuinte. Contendo o processo conjunto probatório que evidencia descompasso entre os fatos que fundamentam a presunção aplicada e o correspondente acréscimo patrimonial novo a tributar, de tal forma que se torna impraticável a correção de oficio sem que haja a formalização de nova exigência com base em outros fundamentos jurídicos, deve ser afastada a imposição tributária. A Recorrente, por entender haver no mencionado acórdão aparente omissão em relação ao pedido das cópias dos contratos de financiamento intermediado pelas instituições financeiras BANCOS BV FINANCEIRA S/A, FINASA S/A e PANAMERICANO, interpõe recurso de Embargos de declaração em face ao Acórdão no 1802.01.210, para que seja suprida essa suposta omissão. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 1802001.357 S1TE02 Fl. 667 4 O ponto de omissão apontado nos embargos de declaração é o seguinte: Requereu, com o intuito de provar a sua tese defensiva, que fosse oficiado os BANCOS BV FINANCEIRA S/A, FINASA S/A e PANAMERICANO, para que apresentasse cópia dos contratos de financiamento intermediado pelo sujeito passivo. De plano cabe recordar que tratase de auto de infração decorrente de omissão de receita, para efeito de apuração do Lucro real, referente às comissões recebidas das instituições financeiras BV – Financeira e Banco FINASA S/A., após o Recorrente haver sido excluído do SIMPLES, por ter sido constatado que a empresa efetuou operações comerciais de compra e venda de veículos, vendas de veículos consignados, com recebimento de comissões e taxas de retorno depositadas em conta bancária de terceiros, sem a devida contabilização e também prestações de serviços, conforme seu objeto social (fl. 84), mesmo declarandose sem atividades (fls. 12 a 23). A parte da omissão de receita está fortemente fundamentada em diversos extratos bancários, através dos quais restou demonstrado que a Recorrente recebeu numerário por operações de prestações de serviços de agenciamentos de créditos e recursos decorrentes de operações comerciais diversas realizadas. No que diz respeito ao aspecto acima suscitado, é imperioso registrar que foi solicitado à Receita Federal do Brasil que intimasse as instituições financeiras (FINASA e PANAMERICANO) para que apresentassem relatórios relacionados à comissões. O pedido de intimação das mencionadas instituições financeiras, datado de 14.05.2009, consta às fls. 262, dos autos do processo em epígrafe, quando está informado que as instituições financeiras (FINASA e PANAMERICANO) só fornecerão relatórios e não contratos, mediante intimação da Receita Federal do Brasil. Às fls. 269, foi juntada mensagem na qual o Banco Bradesco/FINASA dirigindose a uma pessoa física, informa que apenas apresentará relatório sobre comissão repassada, mediante intimação da Receita Federal do Brasil. E, nada foi apresentado em relação ao PANAMERICANO. Diante da ausência de qualquer informação sobre a finalidade da juntada dos mencionados relatórios, com as informações acima comentadas, concluo que, muito embora a Recorrente faça referência à negativa de dois bancos em fornecerem relatórios, o banco FINASA referese em sua mensagem a relatório e se dirige a uma pessoa física. Não havia contrato de financiamento a ser fornecido, porque o pedido requerido dizia respeito a relatórios. O pedido de intimação das instituições financeiras, formulado pela Recorrente, decorreram do Termo de Intimação Fiscal 004, recebido em 12.05.2005, cujo pedido continha a apresentação de diversos documentos contábeis da Recorrente, sendo importante alertar que nada especificadamente relacionado aos mencionados relatórios. Em petição de fls. 259, a Recorrente informa que uma série de operações bancárias foram realizadas em nome de duas pessoas físicas, em decorrência da Recorrente se encontrar com restrições bancárias. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 1802001.357 S1TE02 Fl. 668 5 Assim, com base nessa última informação, concluo que o Banco FINASA solicitava intimação da Receita Federal do Brasi, para poder fornecer o mencionado relatório à Recorrente e, não ao seu correntista, por manter relação jurídica com a pessoa física e não com a pessoa jurídica, a Recorrente. Após esses mencionados fatos, nada mais foi debatido referente às relações jurídicas mantidas entre a Recorrente e os bancos FINASA e PANAMERICANO. A Recorrente em momento algum demonstrou ter diligenciado a obtenção dos mencionados relatórios ou contratos junto aos Bancos BV Financeira SA, Finasa SA e Panamericano, ainda que fosse através das pessoas físicas que mantinham relação comercial com tais instituições financeiras. Ou seja, posso afirmar que o assunto ficou “esquecido” por alguns anos pela Recorrente. E agora, num lampejo, surge como único objeto do recurso de Embargos de Declaração, em face de Acórdão do CARF. Diante dessa desídia do Recorrente, indago quanto os mencionados relatórios ou contratos são, de fato, imprescindíveis para a prova do seu bom direito. Em outras palavras, o que tais contratos ou relatórios iriam provar de forma tão cabal que teria o condão de modificar o julgado. Em relação a esse fato, no Acórdão recorrido há a seguinte menção ao assunto em questão: “Em 18/05/2009 a Fiscalização recebeu do contribuinte um documento intitulado “Termo de Protocolo e Requerimento”(fls.262 a 269) onde em resposta ao TIF n. 004, apresenta alguns documentos anteriormente intimados, declara que a empresa não possui os Livros Contábeis, pois que estava INATIVA, e por fim, requer que a Receita Federal diligencie junto às financeiras FINASA e PANAMERICANO a fim de obter os relatórios que o próprio contribuinte não obtém, o que demonstra, em tese, ausência de documentos suportes às operações comerciais da empresa, ou a intenção de não apresentálos ao Fisco” Ou seja, durante os procedimentos de fiscalização, a Autoridade Administrativa considerou que não era o caso de atender ao pedido da Recorrente, no sentido de requerer junto às intituições financeiras, os relatórios ou contratos que a própria Recorrente não obteve e que apenas demonstrava que as operações comerciais da Recorrente não possuiam suporte documental. Por outro lado, quando da apresentação de sua impugnação ao auto de infração, a Recorrente mais uma vez deu sinal de que não dava muita importância para que os mencionados relatórios ou contratos fizessem parte de sua defesa, visto que nada foi escrito sobre os mesmos e nem tão pouco se repetiu o pedido de intimação das instituições financeiras Fl. 668DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 1802001.357 S1TE02 Fl. 669 6 para que os mesmos fossem trazidos aos autos do processo. O mesmo fora feito quando da apresentação do recurso voluntário em que nada foi aventado. Ora, nunca é demais nos recordar que os documentos em que se fundamentar a impugnação apresentada devem ser trazidos com esta, no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência fiscal, por força dos arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72. No caso de recurso voluntário, ante a importância da prova, tem sido aceito a juntada de documentos novos, em face ao princípio da verdade material. Assim, apesar da Recorrente ressaltar, apenas em sede de embargos que tais documentos seriam imprescindíveis para o deslinde da causa, a ponto de justificar uma contradição no acórdão recorrido, o fato é que desde 2009, quedouse inerte em relação a tais documentos. Essa inércia do Recorrente, a meu ver, acabou por causar preclusão do seu direito de ver trazido aos autos desse processo, os mencionados relatórios ou contratos. Por outro lado, no caso específico da ilegalidade apontada pela fiscalização, cabe a Recorrente, ora Embargante, o ônus de elidir a imputação que lhe está sendo apresentada, mediante comprovação da origem dos recursos, nos termos do art. 42, da Lei no 9.430/96. Portanto, na pior das hipóteses, caberia ao Embargante provar que houve interesse de sua parte em buscar os mencionados contratos perante as instituições financeiras envolvidas e que estas se negaram a fornecer os contratos. Isto, sem falar na necessidade dos mencionados contratos ou relatórios já estarem em poder do Embargante, uma vez que deveria suportar suas operações comercias e os respectivos lançamentos contábeis. Vale ressaltar, ainda, que nos termos do voto recorrido, a exclusão da Embargante do Simples, decorreu da infringencia de três regras preceituadas pela Lei nº. 9.317/96, quais sejam: (i) exercício de atividade vedada, (ii) embargos à fiscalização, caracterizada pela omissão de documentação / informações / livros e (iii) prática reiterada de infração à legislação fiscal, caracterizada pela omissão de receita. Assim, os documentos exigidos pela Embargante para provar sua tese defensiva, que estão sendo usados para justificar a contradição no acórdão, não seriam suficientes para modificar o entendimento exposado no acórdão recorrido. Desta forma, não assiste razão à Embargante visto que inexiste omissão na decisão embargada merecedora de reparo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de não acolher os embargos de declaração, restando mantido o Acórdão no. 1802.01.210, em todos os seus termos. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 669DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13982.001508/200915 Acórdão n.º 1802001.357 S1TE02 Fl. 670 7 Fl. 670DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10835.720133/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
VENDA DO IMÓVEL RURAL. SEM PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. TRANSFERÊNCIA DA RESPONSABILIDADE PARA O ADQUIRENTE. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO VENDEDOR.
Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Caso em que não consta do título a prova da quitação dos tributos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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SEM PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. TRANSFERÊNCIA DA RESPONSABILIDADE PARA O ADQUIRENTE. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO VENDEDOR. Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR sub rogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Caso em que não consta do título a prova da quitação dos tributos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente justificadamente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720133/200801 Acórdão n.º 2101001.779 S2C1T1 Fl. 198 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 6, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, para glosar a dedução de áreas de preservação permanente e de Reserva Particular do Patrimônio Natural da base de cálculo do ITR por falta de comprovação, bem como para arbitrar o Valor da Terra Nua – VTN, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Simoni”, com área de 774,4 ha, NIRF 2.952.8666, localizado no município de Ribeirão dos Índios/SP, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$36.775,42, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 35 a 52), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 119 a 120), que: • Conforme Certidão de Escritura de Venda e Compra celebrada aos 25/11/1998, adquiriu 50% da área do imóvel de propriedade do Sr. Edvaldo Felix Barbosa e sua esposa, a outra parte da área restante coube aos Srs. Faustino Ferreira e Antônio Luiz Rodrigues na proporção de 31% e 19%, respectivamente; • A multa aplicada não deve recair sobre os 774,4 hectares, porque em 18/10/2004, alienou 50% da área para o Sr. Wilhen Marques Dib, conforme Escritura de Venda e Compra; • Em observância ao teor do artigo 150, § 4º do CTN, a jurisprudência e lição doutrinária transcrita, a obrigação não subsiste, pois já configurou sua decadência; • A exigência do Fisco de comprovação da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para obtenção da isenção do ITR é equivocada, uma vez que o art. 10 da Lei nº 9.393/96, alterado pela MP nº 2.16667/2001, não impõe que a declaração seja sujeita a prévia comprovação, sendo dispensável o ADA; • Para justificar seu entendimento sobre a matéria citou jurisprudência e doutrina; • A DITR/2004 foi elaborada com base na área de 774,4 ha, tendo em vista que a área de 50% pertencente à interessada não foi desmembrada na matrícula do imóvel, inclusive esta situação perdura até a presente data; • O VTN tributável apurado decorre da inobservância da legislação do ITR, excluindo as áreas isentas e, aplicando uma alíquota não admissível, sendo que o Fisco ao empregar o art. 14 da Lei nº 9.393/96, não foi observado a apuração dos dados em procedimento de fiscalização, pois se assim tivesse feito, não ocorreria a sub avaliação do VTN; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720133/200801 Acórdão n.º 2101001.779 S2C1T1 Fl. 199 3 • A autoridade fiscal não se desincumbiu do seu ônus de legitimidade do ato administrativo, conforme previsto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil; • Pretende provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a realização de perícia, sendo nomeado o perito, com a elaboração dos quesitos, oitiva de testemunhas, posterior juntada de documentos, e de outros que se fizerem necessários sem exceção de nenhum; • Por último, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera acolhimento da impugnação e cancelamento do débito fiscal. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 117 a 127): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Perícia. A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Áreas de Preservação Permanente/Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN. As áreas de Preservação Permanente e de Reserva Particular do Patrimônio Natural, para fins de exclusão do ITR, devem ser, por expressa disposição legal, reconhecidas como de interesse ambiental mediante protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) perante o Ibama, além da averbação tempestiva à margem de inscrição da matrícula da área pretendida como RPPN. Valor da Terra Nua VTN A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 14/03/2011 (fl. 133), a contribuinte apresentou, em 5/4/2011, o recurso de fls. 152 a 164, onde: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720133/200801 Acórdão n.º 2101001.779 S2C1T1 Fl. 200 4 a) afirma que não tem a obrigação de comprovar as áreas não tributáveis, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, alterado pela MP nº 2.16667, de 23 de agosto de 2001, sendo portanto descabidas as exigências de averbação na margem da matrícula do imóvel e de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA; b) esclarece que só possuía 50% da área tributável em 2003, e que mesmo essa parte foi alienada em 18/10/2004, sendo de responsabilidade dos adquirentes o ITR devido; c) defende que é incabível a alteração do Valor da Terra Nua – VTN pela fiscalização, pois esta não realizou qualquer procedimento de fiscalização para comprovar o novo valor. Alternativamente, solicita a realização de perícia para comprovar o fato, indicando perito; d) requer que os adquirentes do imóvel, no seu entender responsáveis pelos tributos, sejam intimados para integrar o pólo passivo da autuação, facultandolhes prazo para apresentação de defesa; e) informa pretender provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial realização de perícia, oitiva de testemunhas, posterior juntada de documentos, e de outros que se fizerem necessários. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 195, contendo ainda a fl. 196, sem numeração, que trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Sujeição Passiva Inicialmente, há que se enfrentar o argumento de ilegitimidade passiva apresentado no recurso. Afirma a recorrente que possuía apenas 50% da área de 774,4ha em 2003, e que mesmo essa parte foi alienada em 18/10/2004, sendo de responsabilidade dos adquirentes o ITR devido. De início, há que se refutar a assertiva de que a contribuinte só possuía 50%, equivalente a 387,7ha, do imóvel objeto do lançamento. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720133/200801 Acórdão n.º 2101001.779 S2C1T1 Fl. 201 5 Em análise da escritura de venda e compra de fls. 108 a 109v, verificase que a recorrente adquiriu 50% de um imóvel que importava em uma área total de 1.461,6ha. Assim, ela possuía uma área equivalente a 730,8ha do imóvel. Por outro lado, na escritura de venda e compra de fls. 23 a 24v, lavrada em 18/10/2004, por meio da qual a contribuinte vende o imóvel para Wilhem Marques Dib, consta que imóvel vendido está registrado na Receita Federal sob o no 2.952.8666, em área maior de 774,4ha. Observese que esse último documento afirma que a proprietária possui 50% das legítimas lá mencionadas, que são exatamente aqueles citadas na escritura fls. 108 a 109v e que totalizam 1.461,6ha, e não 50% dos 774,4ha, como quer fazer crer o recurso. Do mesmo modo, equivocase o acórdão recorrido quando afirma que, em 18/10/2004, a contribuinte vendeu apenas 50% do imóvel para o Sr. Wilhem Marques Dib (fl. 123). Os termos da escritura de venda e compra são claros ao afirmar que toda a terra possuída foi alienada. Assim, pareceme claro que a área possuída pela contribuinte totaliza 774,4ha, e que foi toda alienada ao Sr. Wilhem Marques Dib em 18/10/2004. Defende a recorrente que a responsabilidade do tributo passou a ser do adquirente após 18/10/2004. De modo contrário, o julgado a quo entendeu que, como o fato gerador do ITR de 2004 ocorreu em 01/01/2004, era a autuada a responsável pelo tributo. A solução do impasse é encontrada no art. 130 do Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcrito: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. (...) Desta forma, as dívidas do ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. Examinando os termos da escritura de venda e compra de fls. 23 a 24v, verificase que foram apresentadas apenas certidões negativas de ônus reais, expedidas pelo Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de ApiaíSP, mas não certidão negativa de débitos fiscais relativa ao imóvel emitida pela Secretaria da Receita Federal. Ao contrário, atestase que “as partes dispensam a apresentação das demais certidões exigidas, se responsabilizando expressa e solidariamente por eventuais débitos fiscais, ressalvados porém, o período de propriedade de cada um (...)”. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.720133/200801 Acórdão n.º 2101001.779 S2C1T1 Fl. 202 6 Consta ainda a seguinte observação: “c) Os outorgantes vendedores, se responsabilizam, ao pagamento de todos os impostos e taxas que recaiam sobre o imóvel objeto da presente escritura, até a presente data (...)”. Assim, não se aplicando a ressalva do art. 130, deve incidir a regra geral, que transfere ao adquirente a responsabilidade pelos ITRs relativos ao imóvel. Há que se observar que as disposições contratuais de que o vendedor se responsabilizaria pelos tributos anteriores à venda não influenciam na transferência da sujeição passiva, que decorre da lei, nos termos do art. 123 do CTN. Essas cláusulas valem apenas no âmbito das relações privadas entre os contratantes. Assim, quando o adquirente dispensou a apresentação de certidão negativa de tributos, assumiu a responsabilidade por todos os tributos relativos ao imóvel, mesmo que lançados posteriormente. Não tendo observado esses documentos, escolheu o Fisco o sujeito passivo inadequado para a relação tributária, não podendo prevalecer o lançamento nesses termos. Diante da constatação de ilegitimidade passiva que anula o lançamento, deixo de analisar os demais argumentos do recurso. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a ilegitimidade passiva do autuado e cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 225DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11080.005523/2008-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2006, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 3.729,29. O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos de aluguéis, glosa do imposto de renda retido na fonte e dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 05 52 3/ 20 08 -8 1 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11080.005523/200881 Resolução nº 2801000.196 S2TE01 Fl. 275 2 · o imposto de renda foi efetivamente retido pelos locatários, conforme documentos em anexo; · as despesa médicas com Jorge Preger, no valor total de R$ 8.460,00, devem ser consideradas, conforme comprovantes apresentados; · o locatário Rocha, Ferracini, Schaurich Citrin Advogados Associados S/C retificou a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, portando inexiste omissão de rendimentos. A 8ª Turma da DRJ/POA/RS julgou procedente em parte a impugnação, conforme Acórdão de fls. 219/222, para restabelecer a requerida dedução de despesas médicas e cancelar a omissão de rendimentos. Regularmente cientificado daquele acórdão em 09/06/2011 (fl. 225), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 226/229, em 07/07/2011. Em sua defesa, alega, em síntese, que não pode ser penalizado pela glosa do IRRF informado em sua Declaração de Ajuste Anual, pois o imposto foi efetivamente descontado, conforme provam os demonstrativos mensais de recebimento de aluguel, o demonstrativo anual fornecido pela imobiliária constando o valor líquido pago ao locador (com o desconto do IRRF) e o informe de rendimentos anual da imobiliária constantes dos autos. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa do IRRF declarado, referente à fonte pagadora Cartamodello Comércio do Vestuário Ltda ME, no valor de R$ 1.937,96. Os demonstrativos mensais do aluguel (fls. 238/255), o informativo anual emitido pela imobiliária (fls. 256/257) indicam que a fonte pagadora Cartamodello Comércio do Vestuário Ltda ME efetuou o desconto do IRRF, durante o anocalendário de 2005, no montante de R$ 1.937,96. De acordo com os extratos de consultas realizadas aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal, às fls. 149/151, a empresa Cartamodello Comércio do Vestuário Ltda ME não apresentou Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF para o contribuinte. Em face do acima exposto e com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fonte pagadora Cartamodello Comércio do Vestuário Ltda ME seja intimada informar se houve imposto de renda retido na fonte – IRRF relativamente aos rendimentos de aluguéis pagos ao contribuinte Joao Otto Klepzig no anocalendário de 2005, Em caso positivo, deve informar o valor do IRRF. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11080.005523/200881 Resolução nº 2801000.196 S2TE01 Fl. 276 3 Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o recorrente acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurando lhe prazo para sua manifestação. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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