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Numero do processo: 11030.720970/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE.
Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual.
INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CARACTERIZAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA.
Comprovada a interposição de pessoa jurídica utilizada indevidamente para receber honorários pela prestação de serviços advocatícios deve-se efetuar o lançamento no real beneficiário dos rendimentos, independentemente da emissão de notas e outros documentos fiscais pela interposta pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CARACTERIZAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA. Comprovada a interposição de pessoa jurídica utilizada indevidamente para receber honorários pela prestação de serviços advocatícios devese efetuar o lançamento no real beneficiário dos rendimentos, independentemente da emissão de notas e outros documentos fiscais pela interposta pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 09 70 /2 01 4- 06 Fl. 467DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 435 3 Relatório Do Auto de Infração: (efls. 3 a 17) A autoridade fiscal constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Brasil Telecom S/A (atual Oi S/A), decorrente do trabalho sem vínculo empregatício. Tratase de honorários advocatícios, recebidos durante os anoscalendário de 2009, 2010 e 2011, por meio de interposta pessoa jurídica. O imposto apurado de R$12.031.250,00 foi exigido com a aplicação da multa qualificada de 150%, com base no disposto no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC, nos termos do art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Do Termo de Verificação Fiscal: (efls. 18 a 43) A autoridade fiscal justificou o lançamento da seguinte forma: O contribuinte recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando como interposta pessoa a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda., com o objetivo de ocultar rendimentos do trabalho, sujeitos à incidência do imposto sobre a renda. Obteve informações do escritório Campos & Advogados Associados S/C, prestador de serviços e representante da Brasil Telecom, nos exatos termos descritos no Termo de Verificação Fiscal, efl. 19, a seguir transcritos: "[...], Campos & Advogados Associados S/C informou, em síntese, que: 7.1. atuando como prestador de serviços da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), CNPJ 76.535.764/000143, na defesa, em juízo, desta empresa e _ na intermediação: de acordos firmados no âmbito de processos judiciais, efetuou, em nome da empresa contratante (Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A.), nos anoscalendário 2010 e 2011, pagamentos para o Sr. Maurício Dal Agnol e para empresas por ele indicadas;[...]" A autoridade fiscal registra sua conclusão no Termo de Verificação Fiscal às efls. 38 a 43, destacando que: "59. [...] é indubitável que o contribuinte, Sr. Maurício Dal Agnol, recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., R$43.750.000,00, correspondentes a honorários advocatícios contratuais previstos na cláusula terceira do "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", firmado entre eles em 21/10/2009, os quais lhe foram pagos: 59.1. em 02 (duas) parcelas de R$8.750.000,00 nos meses de novembro e dezembro de 2009 (conforme parágrafo segundo da cláusula terceira deste documento e mediante TEDs feitos pela Brasil Telecom S.A./Oi S.A. para a "ANACA" e Fl. 469DF CARF MF 4 59.2. em 06 (seis) parcelas de R$4.375.000,00 nos meses de julho, agosto, setembro e outubro de 2010 e fevereiro e março de 2011 (conforme Primeiro Aditivo ao "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", de 04/07/2010, e por meio de cheques nominais à "ANACA" assinados por Campos & Advogados Associados S/C). [...] 63. As verificações fiscais efetuadas conduzem, com retidão e certeza, a estas constatações (parágrafos 59 e 62), com base nas quais se conclui que nos anoscalendário 2009 a 2011 o contribuinte, na condição de pessoa física no exercício autônomo da advocacia, omitiu, por intermédio da pessoa jurídica ANACA Análises de Cadastros Ltda., vultosos rendimentos tributáveis recebidos da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), oriundos de seu trabalho sem vínculo empregatício." No caso da aplicação da multa qualificada de 150%, a fundamentação foi realizada nos seguintes termos, efls. 26 e 42, a saber: "[...] 45. Ficou claro que o contribuinte recebeu da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda. apenas para ocultar rendimentos do trabalho sujeitos à incidência do imposto de renda. 46. Esta conduta, de esconder o recebimento de rendimentos laborais, tributáveis, sob nota fiscal emitida por pessoa jurídica da qual é sócio sem o necessário respaldo fático isto é, sem haver atuação, prestação de serviço, desta pessoa jurídica, que gerasse o pagamento registrado nesta nota fiscal , expressa o nítido e injurídico propósito de desvirtuar o destino desta renda e de retirála do âmbito da tributação da pessoa física. [...] 84. Durante todo o período analisado o contribuinte, com a participação da Brasil Telecom S.A. / Oi S.A. (a qual aceitou efetuar, irregularmente, o pagamento dos honorários advocatícios devidos a ele para a pessoa jurídica "ANACA", em parte diretamente e em parte por meio do escritório de advocacia diligenciado Campos & Advogados Associados S/C), fez uso indevido da personalidade jurídica da ANACA Análises de Cadastros Ltda., visando a extrair relevantes rendimentos recebidos da Brasil Telecom S.A./Oi S.A., oriundos de seu trabalho sem vínculo empregatício, do âmbito de incidência do imposto de renda da pessoa física e a sonegar, pois, este tributo, alterando, para isto, elemento pessoal (sujeito passivo) da obrigação tributária. 85. Está claro que este ilícito direcionamento dos rendimentos obtidos pela pessoa física para a pessoa jurídica ocorreu com a flagrante e injurídica intenção de reduzir o tributo devido. 86. Houve, para tanto, emissão de nota fiscal inidônea em face de inexistente prestação de serviços de análises de cadastros. 87. Tal expediente configura conluio destinado ao alcance de sonegação e de fraude, na acepção legal acima transcrita: em coparticipação, o contribuinte objetivou impedir ou retardar o Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 436 5 conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições pessoais a que estava sujeito (como contribuinte), com práticas tendentes à modificação da característica material essencial dos fatos geradores da obrigação principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido. 88. Portanto, para o IRPF lançado de ofício aplicouse a multa de ofício no percentual de 150%." Da Impugnação: (efls. 326 a 345) Em preliminar, suscita ilegitimidade passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetuados pela mesma, na forma como estipulado em contrato. Cita jurisprudência do STJ representada pelo acórdão relativo ao REsp 309.913SC, de 02/05/2002. Quanto ao mérito, aduz que os valores líquidos recebidos não são honorários advocatícios e que foram contabilizados e tributados na pessoa jurídica, não havendo agir doloso. Acrescenta ainda que: (grifos do Contribuinte) "O Fato do contrato ter sido celebrado em nome de pessoa física não desvirtua a natureza jurídica de prestação de serviços advocatícios pelos sócios da mesma, conforme demonstram cópias anexas de petições com participações dos sócios em atos processuais." Anexa petições judiciais às efls. 329 a 345. Ao final da peça impugnatória requer: a) que seja declarada a nulidade do auto de infração, constatada a ilegitimidade passiva; ou b) que seja reconhecida a nulidade do auto de infração lavrado contra a pessoa física do impugnante, uma vez que as receitas, contratualmente pactuadas, foram recebidas e devidamente contabilizadas pela pessoa jurídica. Do acórdão de impugnação: (efls. 350 a 355) A 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre indeferiu a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, prolatando o acórdão 1052.039, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA RETER NÃO AFASTA O DEVER DO CONTRIBUINTE DE OFERECER RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de Fl. 471DF CARF MF 6 renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. A emissão de notas fiscais por empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, não altera a identificação do advogado, contratado e prestador dos serviços, mesmo com utilização de terceiros, sendo ele o beneficiário desses rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." O excerto do voto condutor do acórdão de impugnação, transcrito na sequência, demonstra que ocorreu a interposição de pessoa jurídica para o recebimento de honorários advocatícios que seriam, na realidade, rendimentos da pessoa física do impugnante, afastando assim a alegação de ilegitimidade passiva, a saber: (efl. 354) "O contribuinte adquiriu a empresa Centro de Estudos Psiquiátricos e Psicanalíticos de Passo Fundo Ltda – Anaca – para receber honorários advocatícios seus. Os contratos eram em nome do contribuinte. A empresa não possui personalidade jurídica como sociedade de advogados; foi adquirida um pouco antes do pagamento dos honorários. O objeto social da empresa foi alterado, após a compra, para prestação de serviços em análise de cadastro e dados, e os pagamentos, foram de honorários advocatícios. Assim, a emissão de notas pela empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, desvirtuou o destino da renda, que era efetivamente do contribuinte. A apresentação, agora na impugnação, de contratos (participação de sócios) não altera a caracterização dos rendimentos como sendo do contribuinte, pois a participação, utilização de outros profissionais ocorre também com os advogados que exercem pessoalmente (como pessoa física) a advocacia." A autoridade julgadora reproduziu trechos do Relatório Fiscal para justificar a autuação na pessoa física com a utilização de interposta pessoa, assim como para manter a aplicação de multa qualificada, a conferir: "[...] 45. Ficou claro que o contribuinte recebeu, da Brasil Telecom S.A., atual Oi S.A., na condição de pessoa física no exercício de profissão autônoma, os honorários advocatícios pactuados, utilizando a empresa ANACA Análises de Cadastros Ltda. apenas para ocultar rendimentos do trabalho sujeitos a incidência do imposto de renda. 46. Esta conduta, de esconder o recebimento de rendimentos laborais, tributáveis, sob nota fiscal emitida por pessoa jurídica da qual é sócio sem o necessário respaldo fático isto é, sem haver atuação, prestação de serviço, desta pessoa jurídica, que gerasse o pagamento registrado nesta nota fiscal —,expressa o Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 437 7 nítido e injurídico propósito de desvirtuar o destino desta renda e de retirála do âmbito da tributação da pessoa física." O i. relator concluiu assim pela rejeição da preliminar e pela improcedência da impugnação, no que foi seguido, de forma unânime, pelo Colegiado. Do Recurso Voluntário: (efls. 361 a 372) Cientificado do acórdão de impugnação em 22/10/2014, data da ciência por decurso de prazo, efl. 359, o Contribuinte interpôs, em 04/11/2014, Recurso Voluntário, alegando em síntese: (grifos do Contribuinte) O autuado é parte ilegítima passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetivados pela mesma, conforme constou expressamente no contrato em que estabelecida a relação jurídica obrigacional determinante de eventual fato gerador de tributação. [...] Segundo Resp. 309.913 SC, [...] O substituto tributário do imposto de renda de pessoa física responde pelo pagamento do tributo caso não tenha feito a retenção na fonte e o recolhimento devido". [...] Desta forma, anexase comprovante de notificações da pessoa jurídica da Brasil Telecom, devedora da obrigação tributária, e requerse a impugnação do presente auto de infração e julgada procedente para determinar: a) A nulidade TOTAL do auto de infração por ser o mesmo parte ilegítima passiva, e b) A nulidade TOTAL do auto de infração por todos os valores terem sido recebidos e contabilizados pela pessoa jurídica." É o relatório. Fl. 473DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Relator 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE Cientificado do acórdão de impugnação em 22/10/2014, data da ciência por decurso de prazo, efl. 359, o Contribuinte interpôs, em 04/11/2014, Recurso Voluntário efls. 361 a 372. Assim, o recurso é tempestivo e dele conheço. 2. DO MÉRITO: O Recorrente alega ilegitimidade passiva, uma vez que os pagamentos foram realizados pela Brasil Telecom para a pessoa jurídica ANACA Análise de cadastros Ltda., conforme acordado em contrato onde foi estipulado que a Brasil Telecom seria a responsável pelo pagamento dos tributos devidos. Assim, considera que: (efl. 361) "O autuado é parte ilegítima passiva para sofrer a autuação, pois a empresa pagadora é a única responsável por eventual obrigação tributária decorrente dos pagamentos efetivados pela mesma, conforme constou expressamente no contrato em que estabelecida a relação jurídica obrigacional determinante de eventual fato gerador de tributação." Aponta a cláusula terceira do "Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças'', de 21 /10/2009, que deixa claro a obrigação assumida pela Brasil Telecom quanto aos impostos, a saber: (efls.85 a 89) "TERCEIRA: a BRT pagará, ainda, em favor de MD, RS 50.000.000.00 (cinqüenta milhões de reais), livres de impostos, a título de honorários advocatícios. a serem levantados dos depósitos em garantia feitos nos processos listados em anexo (Anexo I). sem qualquer dedução ou compensação com as parcelas anteriores. Salvo o adiantamento do parágrafo segundo." Naturalmente o Recorrente se baseia, para justificar seu entendimento de que não lhe cabe responsabilidade sobre o imposto incidente sobre o pagamento, na expressão "livre de impostos" inserida na cláusula terceira acima transcrita. Ou, ainda ao que foi pactuado entre o Recorrente e a BRT no "Primeiro Aditivo ao Instrumento Particular de Transação e Outras Avenças", juntado às efls. 90 e 91, conforme a cláusula Segunda, reproduzida a seguir: Entretanto, a autoridade fiscal apurou, por meio de diligência, que os valores eram devidos ao Recorrente pela prestação de serviços de advocacia à Brasil Telecom S/A e que foram pagos a empresas por ele indicadas. Essa informação foi fornecida pela Campos & Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 438 9 Advogados Associados, efls. 48 e 50, conforme registrou a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal, efl. 19, a saber: Campos & Advogados Associados S/C informou, em síntese, que: 7.1. atuando como prestador de serviços da Brasil Telecom S.A. (atual Oi S.A.), CNPJ 76.535.764/000143, na defesa, em juízo, desta empresa e na intermediação de acordos firmados no âmbito de processos judiciais, efetuou, em nome da empresa contratante (Brasil Telecom SA, atual Oi S.A.), nos anoscalendário 2010 e 2011, pagamentos para o Sr Mauricio Dal Agnol e para empresas por ele indicadas; 7.2. estes pagamentos corresponderam aos valores devidos aos autores dos processos judiciais nos quais a Brasil Telecom SA, atual Oi S.A., ocupava o pólo passivo e aos honorários sucumbenciais devidos ao contribuinte, que era advogado destes autores; Do que foi exposto, constato que não procede a alegação do Recorrente quanto à sua ilegitimidade passiva, primeiro porque os acordos pactuados entre particulares, sobre questões de responsabilidade tributária, não submetem a Fazenda Nacional e, segundo porque está comprovado que os pagamentos foram realizados ao Recorrente por serviços de advocacia e depositados, sob sua autorização na empresa ANACA Análise de cadastros Ltda. A ANACA, segundo os registros cadastrais no CNPJ, é oriunda da empresa Centro de Estudos Psiquiátricos e Psicanalíticos de Passo Fundo Ltda que, até o exercício de 2009, encontravase inativa e, com as alterações realizadas em seu quadro societário para a entrada dos novos sócios: Maurício Dal Agnol e Pablo Pacheco dos Santos. A fiscalização constatou que a ANACA não possui personalidade jurídica como sociedade de advogados; foi adquirida um pouco antes do pagamento dos honorários. O objeto social da empresa foi alterado, após a compra, para prestação de serviços em análise de cadastro e dados, e os pagamentos, foram de honorários advocatícios. Foi emitida a Nota fiscal de número 001, efl. 104, no valor de R$47.165.664,55 para a Brasil Telecom e os respectivos termos de quitação assinados pelo Recorrente. Ratifico a conclusão das autoridades autuante e julgadoras da instância de piso, que a emissão de notas pela empresa, sem amparo nos fatos e documentos do negócio, desvirtuou o destino da renda, que era efetivamente do contribuinte. Neste ponto, insiste a defesa em afirmar que nunca houve ocultação de recebimento de valores, pois todos foram contabilizados e tributados na pessoa jurídica, não havendo agir doloso. Afirma, ainda que além da obrigação tributária por parte da fonte pagadora ter sido estabelecida em contrato, dita obrigação também decorre da própria legislação que a caracteriza como responsável por substituição tributária, mesmo não sendo contribuinte e responsável direto pelo fato gerador. Cita jurisprudência do STJ representada pelo julgado proveniente do REsp 309.913 de 02/05/2002. Não assiste razão ao Recorrente. Isto porque, como afirmado pelo i. relator do acórdão de impugnação, a responsabilidade do contribuinte de oferecer os rendimentos na declaração de ajuste anual não é afastada pelo fato de não haver retenção na fonte. Esse entendimento além de estar exposto Fl. 475DF CARF MF 10 no Parecer normativo da RFB, PN nº 1, de 2002, citado no acórdão de impugnação, recebeu tratamento de súmula neste CARF a súmula nº12 que prescreve: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Noutro giro, considero relevante ressaltar que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 e alterações posteriores estabelece, entre outros pontos que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF", a conferir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11030.720970/201406 Acórdão n.º 2401004.656 S2C4T1 Fl. 439 11 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Não é o caso do julgado citado pelo Recorrente. Ainda, em relação às normas regimentais, destaco que as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, conforme disposto no seu art. 72, a saber: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721714/2015-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Cecília Dutra Pillar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 17 14 /2 01 5- 08 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 110 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 14/18), relativa ao exercício 2013, anocalendário 2012, por omissão de rendimentos recebidos de duas fontes pagadoras: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no valor de R$ 28.738,76; e do Município de Agudos, no valor de R$ 25.820,85. Previamente, a Solicitação de Retificação de Lançamento foi analisada e indeferida pela autoridade fiscal, conforme documentos de fls. 23/61. Na impugnação (fls. 02/03) o contribuinte, trouxe os documentos de fls. 04/10 e alegou, em síntese, que os rendimentos são provenientes de "pensão" por contribuição por tempo de serviço recebidos do INSS e de complementação, decorrente de lei municipal, recebida da Prefeitura Municipal de Agudos, onde trabalhou por 37 anos; e que são rendimentos não tributáveis, uma vez que é portador de cardiopatia grave desde 07/02/2012, conforme laudos emitidos pelo hospital estadual e médico perito do INSS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação (fls. 65/73), sob o fundamento de que, embora tenha sido comprovado que os rendimentos são oriundos de aposentadoria, houve uma imprecisão na data de início da doença, se em junho/2012 (indicada em laudo particular) ou se em 07/02/2012 (indicada no parecer técnico do médico perito do INSS), bem como faltou informação sobre a necessidade de controle da doença e prazo de validade do laudo no parecer do INSS. Foi interposto o recurso voluntário de fls. 89/98, acompanhado dos documentos de fls. 99/105 e assinado por procurador da inventariante (contribuinte falecido em 03/10/2015), no qual alega, em síntese: (i) a legitimidade da inventariante; (ii) que os rendimentos são de aposentadoria, conforme comprovantes anexos; (iii) e que houve incoerência na decisão da DRJ ao não aceitar o laudo particular, por não ser oficial, e depois o considerar válido para justificar a imprecisão nas datas de início da doença; (iv) que o parecer do INSS atesta a doença prevista na Lei isentiva; (v) que a doença é de extrema gravidade, tanto que o levou à óbito, e não é passível de controle; (vi) que peregrinou por diversos médicos da rede pública e não obteve êxito para conseguir um laudo com as informações necessárias, mas que o laudo do INSS atesta o direito à isenção pleiteada, e que a falta de alguns requisitos não pode indeferir um direito claro; (vii) que conforme jurisprudência do STJ, mesmo havendo divergências entre laudos deve ser concedido o direito ao cidadão. Pede, por fim, o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 111 3 De início, cumpre aferir a tempestividade do apelo apresentado pelo interessado. O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. (Grifouse) Nos termos do referido Decreto 70.235/1972, a contagem dos prazos é feita da seguinte forma: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso em tela, o contribuinte foi cientificado do acórdão da DRJ, ora recorrido, mediante a Intimação SACAT/471/2015 (fls. 74/75), em 11/12/2015, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) dos Correios às fls. 76/77. Portanto, considerando a regra de contagem prevista no art. 5º do Decreto nº 70.235/72, e que a ciência ocorreu em uma sextafeira, o interessado teria até o dia 12/01/2016 para apresentar o recurso. Contudo, o recurso voluntário foi interposto somente em 14/01/2016, (conforme protocolo às fls. 89), quando já esgotado o prazo legal de trinta dias, estabelecido no art. 33, acima transcrito. Dessa forma, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10825.721714/201508 Acórdão n.º 2202003.636 S2C2T2 Fl. 112 4 Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.901950/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1402-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração a fim de retificar o Acórdão 1402-001.353, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer em tese o direito ao crédito do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado Despacho Decisório complementar - sem anulação do anterior - com apreciação do mérito do pedido, retomando-se o rito processual a partir daí.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração a fim de retificar o Acórdão 1402001.353, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reconhecer em tese o direito ao crédito do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado Despacho Decisório complementar sem anulação do anterior com apreciação do mérito do pedido, retomandose o rito processual a partir daí. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 19 50 /2 00 8- 71 Fl. 196DF CARF MF 2 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13603.901950/200871 Acórdão n.º 1402002.434 S1C4T2 Fl. 145 3 Relatório A interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402 001.353 quem, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado. De acordo com a embargante, em apertada síntese, a decisão questionada teria incorrido em contradição pois manifestouse pela ausência de previsão legal para restituição de estimativa recolhida a maior, em confronto direto com a Súmula CARF nº 84 que estabelece justamente a possibilidade de restituição ou compensação quando ocorrida essa circunstância. Em despacho regimental foi reconhecida a procedência dos argumentos, eis que o entendimento exarado na decisão recorrida quanto à impossibilidade de restituição ou compensação de valores recolhidos a maior a título de estimativa pela ausência de previsão legal contraria o Enunciado da Súmula CARF nº 84. É o relatório Fl. 198DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Conforme exposto no relatório, a interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.353 quem, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado. De acordo com a embargante, em apertada síntese, a decisão questionada teria incorrido em contradição pois manifestouse pela ausência de previsão legal para restituição de estimativa recolhida a maior, em confronto direto com a Súmula CARF nº 84 que estabelece justamente a possibilidade de restituição ou compensação quando ocorrida essa circunstância. Está correta a interessada, conforme despacho de admissibilidade. O referido despacho atesta a aplicabilidade da Súmula ao presente caso, nos seguintes termos: [...] Cabe apenas verificar se a decisão foi prolatada antes ou depois da Súmula ser editada. Isso porque, para efeito de embargos de declaração, entendo que a Súmula não poderia ser oponível a decisões prolatadas anteriormente a ela. No caso, a Súmula fui publicada no DO na edição de 14/12/2012 e o acórdão recorrido foi prolatado em 09/04/2013. Portanto, quando do julgamento do processo a Súmula já estava vigente e deveria ter sido aplicada. [...] Do exposto, voto pelo encaminhamento dos autos à Unidade Local a fim de que seja prolatado Despacho Decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido inclusive, se for o caso, intimação à interessada para que apresente os elementos de prova do direito ao credito pleiteado e desde que esse valor não tenha sido utilizado na apuração do resultado do período. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13603.901950/200871 Acórdão n.º 1402002.434 S1C4T2 Fl. 146 5 Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000124/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA N 1 DO CARF.
Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA N 1 DO CARF. Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 24 /2 00 8- 82 Fl. 379DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 12898.000124/200882 Acórdão n.º 2402005.626 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005, no valor total de R$256.099,07 (duzentos e cinquenta e seis mil, noventa e nove reais e sete centavos), sendo: Imposto R$124.319,94 Juros de Mora (calculados até 28/11/2008) R$38.539,18 Multa Proporcional (passível de redução) R$93.239,95 A descrição dos fatos encontrase detalhada no Relatório Fiscal e o enquadramento legal, no Auto de Infração, versando sobre as seguintes infrações: "001 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no mês de julho de 2005, no valor de R$472.378,70, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens" No que se refere a atualização monetária e as penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora. Cientificado do Auto de Infração em 23/12/2008, o Contribuinte apresentou, em 15/01/2009, a impugnação de fls. 205/206, instruída somente com procuração e com o auto de infração e seus anexos, na qual traz as alegações a seguir sintetizadas. Explica que o acréscimo patrimonial é proveniente do efetivo recebimento de lucros distribuídos pela empresa Gasoil Serviços Ltda, na qualidade de um de seus sócios. Reclama que a Autoridade Fiscal limitouse a expedir intimações para a referida empresa pelo correio e, não obtendo respostas, procedeu a autuação sem qualquer respaldo legal. Aduz que, no caso, a empresa Gasoil deveria necessariamente ter sido fiscalizada. Defende que os lucros recebidos nos meses de maio e junho, nos valores de R$570.000,00 e R$71.000,00, respectivamente, são mais que suficientes para justificar o acréscimo patrimonial no valor de R$472.378,70, apurado no mês de julho. Conclui sua impugnação requerendo que seja aberta fiscalização na firma Gasoil Serviços Ltda e verificada contabilmente "a efetiva inexistência da Distribuição de Lucros" e "incomprovada", seja relevada a autuação por insubsistente. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 381DF CARF MF 4 Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os acréscimos patrimoniais não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, bem como pelos tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, cobrandose o imposto com o acréscimo da multa de oficio e juros de mora, calculados sobre a omissão apurada. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A alegação de recebimento de valores a titulo de distribuição de lucros não é suficiente para justificar acréscimo patrimonial, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a apuração de resultados que possibilitem a distribuição alegada e a comprovação da efetiva transferência do valor distribuído por meio de provas inequívocas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 31/10/2012, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 251 e segs., em 31/10/2012, o recurso voluntário repisando os argumentos trazidos a baila em sede de sua impugnação, já acima mencionados. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 12898.000124/200882 Acórdão n.º 2402005.626 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 31/10/2012, interpôs recurso voluntário no mesmo dia 31/10/2012. Ressaltase que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse de agir e a legitimidade para tanto. O Recorrente alega que demonstrou cabalmente que o acréscimo patrimonial ora em análise fora resultado de distribuição de lucros perpetrada pela pessoa jurídica que contada co sua participação societária, a GASOIL Serviços Ltda, e participação essa correspondente a 66,67% de suas quotas, conforme declaração em sua DIRPF ano base 2005. Ocorre, contudo, que essa matéria não poderá ser conhecida por esta Corte Administrativa (CARF), uma vez que o Recorrente abdicou, tacitamente, de debatêla na esfera administrativa ao ingressar com ação judicial perante à Justiça Federal do Rio de Janeiro, processo nº 004716032.2012.4.02.5101 (2012.51.01.0471601). Observase que a citada ação judicial versa sobre a mesma matéria tratada nos ora debatidos Autos de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo o atributo da coisa julgada formal e material. E, como a coisa julgada material opera efeitos dentro e fora do processo em que é produzida, isso tornará o conteúdo da decisão judicial imutável, estendendo os seus efeitos para este processo administrativo. Nesse sentido, esta Corte Administrativa (pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial., processo nº 2012.51.01.0471601, a natureza dos rendimentos recebidos em 2005 da empresa GASOIL Serviços Ltda, inviável se torna o seu conhecimento por esta Corte. Cumpre registrar que o pedido formulado na ação judicial pela Recorrente foi julgado procedente em 1ª Instância, em sede de tutela antecipada, conforme respectiva sentença acostada aos autos (fls. 377 a 379) e mandado de tutela antecipada (fls. 385 a 387). Fl. 383DF CARF MF 6 Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial, processo nº 2012.51.01.0471601, sobre as mesmas questões postuladas na peça recursal administrativa, tornase inviável o seu conhecimento por esta Corte, por falta de interesse de agir. Voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905875/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada a existência de omissão na apreciação de argumentos, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir o vício apontado.
Numero da decisão: 3402-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir a omissão apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada a existência de omissão na apreciação de argumentos, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir o vício apontado.
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OMISSÃO. Verificada a existência de omissão na apreciação de argumentos, acolhemse os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir o vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir a omissão apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3402003.276, sob o pressuposto regimental de omissão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 58 75 /2 00 9- 01 Fl. 2742DF CARF MF 2 O Acórdão embargado foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos e recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Alegou a embargante que o colegiado não se manifestou sobre os argumentos e documentos apresentados às fls. 2727/2728. Invocou o art. 489, § 1º, IV do CPC de 2015, que considera não fundamentada qualquer decisão que não enfrente todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Acrescentou que o relatório de diligência fiscal se referiu a outros processos, inexistindo análise específica sobre a situação do suposto crédito no presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional quanto à omissão alegada. De fato, após o retorno da diligência determinada pela Turma 3802 houve notificação da Procuradoria da Fazenda Nacional para que ela se manifestasse sobre o resultado da diligência. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou a manifestação de fls. 2727/2728, alegando que a Turma 3802 baixou o processo em diligência para que fosse concedida à contribuinte mais uma oportunidade de provar sua pretensão, mas a referida turma não teria se manifestado sobre o art. 333 do CPC (art. 373 do CPC/2015), que estabelece a distribuição do ônus da prova. Entende a Procuradoria da Fazenda que não se pode suprir o ônus da prova da parte por meio de diligência que invoca o princípio da verdade material, pois em se tratando de processo de iniciativa do contribuinte, caberia a ele a apresentação da prova do seu direito desde o início do processo. Ao fim, a Procuradoria da Fazenda indica a jurisprudência que corrobora sua tese e solicita a aplicação desse entendimento. Entretanto, o acórdão embargado passou ao largo dessa alegação, pois foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, tendo como paradigma o Acórdão 3402 003.260. Existindo a omissão apontada, passo ao exame das alegações da embargante, no intuito de sanear o vício apontado. Compulsando os autos, verificase que se trata de despacho decisório eletrônico, por meio do qual foi constatado que o valor do DARF indicado como fonte do pagamento indevido estava vinculado à quitação de débito declarado pelo próprio contribuinte, inexistindo saldo a restituir. Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 10469.905875/200901 Acórdão n.º 3402003.877 S3C4T2 Fl. 3 3 Isso ocorreu porque o contribuinte retificou a DCTF após a transmissão do PER/DECOMP. E o contribuinte, como ocorre com a esmagadora maioria desses casos, apresentou a DCTF retificadora como prova da existência do indébito. A DRJ não aceitou a retificadora porque o contribuinte não comprovou o erro na apuração da base de cálculo que teria dado origem à retificação da declaração. A Turma 3802 seguiu a jurisprudência majoritária existente no CARF, no sentido de que a falta da retificação da DCTF ou a retificação posterior não pode fundamentar a rejeição do pedido de repetição do indébito, pois o que importa é se o contribuinte tem ou não tem o crédito alegado. A Procuradoria da Fazenda entende que o contribuinte precluiu do direito de fazer a comprovação exigida por meio da diligência. Entendo que no caso concreto a preclusão não ocorreu, pois o contribuinte trouxe aos autos o documento que no seu entender seria suficiente para fazer a prova do indébito: a DCTF retificadora. A motivação do despacho decisório, no sentido de que não há indébito porque o DARF está alocado para a quitação de débito declarado induz o contribuinte a argumentar com a retificação da declaração. Sendo assim, se a Turma 3802 entendeu que o documento apresentado pela defesa era insuficiente para proferir a decisão, foi correta a decisão de baixar o processo em diligência para pedir os documentos que no entender do colegiado permitiriam a prolação de uma decisão fundamentada. Nesse sentido, observo que o relator da diligência, Conselheiro Francisco José Barroso Rios, fundamentou a resolução nos seguintes termos: "(...) Embora a recorrente não tenha apresentado, num primeiro momento, os documentos em que afirma se baseou para retificar a DCTF, a distinção normativa acima retratada, associada à natureza jurídica da atividade explorada pela interessada e à farta documentação acostada aos autos levam a crer que existe sim, ao menos em parte, direito creditório decorrente de recolhimento indevido das citadas contribuições sociais. É verdade que, a rigor, referidos documentos deveriam ter sido apresentados juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão do direito, a teor do disposto no § 4º do artigo 16 do Decreto no 70.235/72. No entanto, a inclinação doutrinária e jurisprudencial moderna é a de se abrandar os rigores das regras preclusivas prescritas no Direito Administrativo, e isso diante do princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um escopo social. Tal viés doutrinário e jurisprudencial, inclusive, foi pavimentado na Lei no 9.784/99, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, notadamente em seu artigo 3º, inciso III, Fl. 2744DF CARF MF 4 que permite a juntada de documentos e a formulação de alegações pelo interessado, desde que antes da decisão1. No caso presente, como já afirmado, há verossimilhança quanto à existência ao menos parcial do direito alegado pela requerente. Isso, porém, há que ser previamente aferido pela unidade preparadora, a quem incumbe examinar a fidedignidade da documentação acostada ao processo, isso, frente a eventuais demonstrativos e documentação outra requerida da interessada, porventura necessários à apuração da contribuição efetivamente devida. (...)" Cumpreme acrescentar que no Acórdão 3403003.211, citado pela Procuradoria na manifestação da diligência como decisão que prestigiou a regra do art. 333 do CPC, também houve diligência determinada pelo colegiado, conforme se pode constatar da seguinte passagem de seu voto condutor: "(...) Tendo em vista a existência de controvérsia em outros processos envolvendo a Recorrente, o Conselheiro Relator do processo votou por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. (...)" Isso demonstra que desde tempos imemoriais a jurisprudência desta casa considera que quando há um início de prova produzida pelo contribuinte, ou quando se entende que a prova produzida é insuficiente para fundamentar a decisão a ser proferida, é possível baixar o processo em diligência com base no princípio da verdade real, sem ofensa às regras processuais que versam sobre a distribuição do ônus da prova. De fato, em processos de despacho eletrônico de não homologação de compensação por falta de retificação da DCTF, os colegiados do CARF não estão descumprindo o art. 333 do CPC ou mesmo o art. 373 do CPC/2015, uma vez que os contribuintes juntam a prova que entendem cabível, frente ao teor do despacho de não homologação, qual seja: a DCTF retificadora. O que tem acontecido nesses casos é que os colegiados do CARF consideram que o que precisa ser provado não é a retificação da DCTF, mas sim se o crédito existe ou não existe. E como nem a fiscalização e nem o contribuinte lastrearam seus pleitos na inexistência ou na existência do crédito, só resta ao colegiado a baixa do processo em diligência para a aferição do direito de crédito, o que não significa violação dos artigos 333 do Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 10469.905875/200901 Acórdão n.º 3402003.877 S3C4T2 Fl. 4 5 CPC ou art. 373 do CPC/2015. O colegiado tem uma visão do problema diferente da visão das partes. Por fim, a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional afirmou nos embargos que no relatório da diligência a fiscalização não teria se manifestado especificamente sobre a existência de crédito neste processo. Em outras palavras, a Procuradoria da Fazenda entendeu que o relatório de diligência ser referiu a outros processos e não a este especificamente. Essa alegação deveria ter constado da manifestação sobre a diligência e não dos embargos. Contudo, para que a alegação não fique sem resposta, entendo que a fiscalização se manifestou de forma específica sobre o crédito existente neste processo pelos seguintes motivos: a) existe menção expressa do número deste processo no relatório de diligência; e b) o conteúdo do termo de diligência se refere precisamente ao mês de abril de 2005, que é o período a que se refere este processo. Com efeito, na fl. 2718, encontramos no cabeçalho do relatório de diligência a menção a cinco processos, entre eles este do qual estamos tratando, de número 10469.905875/200901, in verbis: "(...) (...)" E na fl. 2719, a menção expressa a documentos apresentados em relação ao mês de abril de 2005: "(...) E na fl. 2720 a conclusão da fiscalização de que o contribuinte teria um débito ainda menor do que ele próprio considerou e que, por tal razão, ele teria o crédito alegado no Perdecomp, in verbis: Fl. 2746DF CARF MF 6 (...)" Portanto, esses excertos do relatório de diligência demonstram que a fiscalização tratou de forma específica os créditos discutidos neste processo e se manifestou no sentido de que o contribuinte tinha crédito suficiente para amortizar a compensação declarada. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo incólume o resultado do julgamento proferido por meio do Acórdão 3202003.276. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917370/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.103
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 37 0/ 20 11 -4 7 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10480.917370/201147 Resolução nº 3401001.103 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.094. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10480.917370/201147 Resolução nº 3401001.103 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10480.917370/201147 Resolução nº 3401001.103 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.004574/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE PROVAS E REALIZAÇÃO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. PRECLUSÃO/DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual.
Considera-se não formulado o pedido de realização de perícia ou diligência feito em desacordo com as normas que regulamentam a matéria.
Desnecessária a realização de perícia ou diligência quando o julgador administrativo considerar que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Os rendimentos recebidos de entidade de previdência complementar estão sujeitos à incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF.
No caso de decisão judicial favorável ao contribuinte, somente poderão ser excluídos da base de cálculo do imposto por ocasião da apresentação da Declaração de Ajuste Anual - DAA a parcela expressamente abrangida na sentença.
CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF compete decidir sobre recursos administrativos em processos relacionados à determinação e exigência de créditos tributários da União, não lhe cabendo intervir em questões relacionadas à execução de demandas judiciais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE PROVAS E REALIZAÇÃO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. PRECLUSÃO/DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual. Considera-se não formulado o pedido de realização de perícia ou diligência feito em desacordo com as normas que regulamentam a matéria. Desnecessária a realização de perícia ou diligência quando o julgador administrativo considerar que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Os rendimentos recebidos de entidade de previdência complementar estão sujeitos à incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF. No caso de decisão judicial favorável ao contribuinte, somente poderão ser excluídos da base de cálculo do imposto por ocasião da apresentação da Declaração de Ajuste Anual - DAA a parcela expressamente abrangida na sentença. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF compete decidir sobre recursos administrativos em processos relacionados à determinação e exigência de créditos tributários da União, não lhe cabendo intervir em questões relacionadas à execução de demandas judiciais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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PRECLUSÃO/DESNECESSIDADE. PEDIDO INDEFERIDO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Considerase não formulado o pedido de realização de perícia ou diligência feito em desacordo com as normas que regulamentam a matéria. Desnecessária a realização de perícia ou diligência quando o julgador administrativo considerar que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Os rendimentos recebidos de entidade de previdência complementar estão sujeitos à incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF. No caso de decisão judicial favorável ao contribuinte, somente poderão ser excluídos da base de cálculo do imposto por ocasião da apresentação da Declaração de Ajuste Anual DAA a parcela expressamente abrangida na sentença. CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF compete decidir sobre recursos administrativos em processos relacionados à determinação e exigência de créditos tributários da União, não lhe cabendo intervir em questões relacionadas à execução de demandas judiciais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 45 74 /2 00 9- 18 Fl. 267DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 268 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (fl. 123/136), que julgou procedente em parte impugnação apresentada em face da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF, relativa ao anocalendário 2007 / exercício 2008, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 6.372,15 (seis mil, trezentos e setenta e dois reais e quinze centavos). De acordo com a Notificação de Lançamento (fls. 6/13), o crédito foi constituído em vista de i) omissão de rendimentos do trabalho sujeitos à tabela progressiva do IRPF, de R$ 3.308,77 (três mil, trezentos e oito reais e setenta e sete centavos); ii) omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, R$ 23.352,78 (vinte e três mil, trezentos e cinquenta e dois reais e setenta e oito centavos); iii) omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 30.711,69 (trinta mil, setecentos e onze reais e sessenta e nove centavos), foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$ 921,35 (novecentos e vinte e um reais e trinta e cinco centavos); e iv) compensação indevida de IRRF, R$ 921,35 (novecentos e vinte e um reais e trinta e cinco centavos). O Recorrente apresentou impugnação por meio do documento de fls. 2/5, alegando e requerendo o que segue: a) quanto à fonte pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social, foi considerado na Notificação de Lançamento rendimento recebido de R$ 10.897,27, que não foi detectado em qualquer documento recebido dessa entidade; b) Na Declaração de Ajuste Anual DAA informou rendimentos isentos de R$ 56.718,84, relativos a: a processo judicial, R$ 39.640,87; e valores recebidos por contribuinte com 65 anos ou mais de idade, R$ 17.077,97; c) segundo decisão judicial de 26/10/2004 o valor de R$ 39.640,87 deve ser considerado como isento. O trânsito em julgado com relação ao Processo nº 2004.51.01.0156632 da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro ocorreu em 28 de maio de 2007; d) os dados lançados na Declaração de Ajuste Anual do INSS foram de rendimento tributável de R$ 7.588,50 e rendimentos isentos de R$ 17.060,85; e) quanto aos rendimentos considerados como omitidos em virtude de recebimento de ação judicial da Caixa Econômica Federal, informa que: não recebeu e nem obteve informações de qualquer órgão pagador dos valores mencionados, no entanto a Receita Federal informa a existência desse pagamento em virtude de ação judicial; Fl. 269DF CARF MF 4 o recebimento referese ao processo 2003.51.01.5354312 no Tribunal Regional Federal 2ª Região, 37ª Vara da Justiça Federal, sendo o assunto remuneração mensal inicial, atrasados de aposentadoria do INSS; os comprovantes dos boletos bancários do recebimento dos valores estão em anexo; a apresentação das informações fornecidas pela Caixa Econômica Federal constitui fato novo ao declarante, provocando pesquisa e uma análise criteriosa da DAA do Exercício 2008, com os devidos ajustes que estão em anexo; a nova declaração apresenta imposto devido de R$ 2.231,38, e com a dedução do imposto retido na fonte de R$ 1.080,83, apresenta saldo de imposto a pagar no valor de R$ 250,55; está sendo entregue o Darf de pagamento do imposto devido resultante, com os juros e a multa de ofício e o comprovante bancário de pagamento efetuado em 21/10/2009, no valor de R$ 346,05; f) quanto ao IRRF glosado da fonte pagadora Fundação Sistel, vêse claramente nos documentos apresentados que o valor de R$ 1.069,48 corresponde à retenção do imposto de renda dessa entidade e o valor de R$ 921,35 corresponde ao IRRF incidentes sobre o pagamento judicial de atrasados do INSS, feito pela Caixa Econômica Federal, perfazendo um total de R$ 1.980,83 de imposto retido na fonte; g) comunica ter anexado o Certificado emitido pelo Superior Tribunal de Justiça informando de que a decisão do processo judicial foi transitada em julgado em 28/05/2007, com o intuito de facilitar o entendimento da questão; h) protesta pela produção de todas as provas admitidas em Direito, inclusive por perícia, juntada de novos documentos, enfim, de tudo o que for necessário para o desenvolvimento de seu pleno e amplo direito de defesa, assegurado constitucionalmente. Ainda em sede de impugnação, o Recorrente diz aguardar que a Receita Federal cumpra a ordem judicial em fase de execução, com a devolução do Imposto de Renda Retido desde 01/01/1996. Requer, por fim, que seja realizada consulta ao Departamento Jurídico da Receita Federal a fim de que referido órgão possa elucidar os fatos mencionados, fazendo cumprir a ordem judicial transitada em julgado, e, sendo o autor, pessoa idosa deve ser cumprida a decisão com maior celeridade obedecendo o Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741/2003. A DRJ/RJ1 solicitou a realização de diligência (fls. 53/54) com o fim de identificar as parcelas de rendimentos tributáveis e as parcelas com exigibilidade suspensa recebidas pelo Contribuinte da fonte pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social. Conforme consta do acórdão de primeira instância: Em resposta a Fundação Sistel de Seguridade Social encaminhou o Ofício CT. 150/213/2011, de 19 de setembro de 2011, fls. 57/58, acompanhado de Planilha contendo informação dos valores dos rendimentos tributáveis, dos rendimentos com exigibilidade suspensa, do IRRF e do Imposto de Renda depositado judicialmente, fls. 59. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 269 5 Cientificado do resultado da diligência fiscal, o sujeito passivo apresentou impugnação aditiva, fls. 71/79 e documentos, fls. 78/99. Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na impugnação decorrente do resultado da diligência, reproduzse o trecho correspondente do Acórdão nº 12 66.800 da 21ª Turma da DRJ/RJ1: Em sua defesa aditiva transcorre sobre o tema da não incidência do imposto de renda sobre o resgate de poupança da previdência privada, com reprodução de vasta legislação e jurisprudência sobre a matéria da respectiva isenção. Alega que ingressou em juízo, sendo deferido seu pedido através de Acórdão do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, cuja parte do Acórdão foi transcrita. Entende que a União não obedece e não cumpre a referida decisão. Os documentos que se referem às informações fornecidas pela Fundação Sistel de Seguridade Social, que é isenta de culpa, nos anos de 2005/2007 não tem condão de nova incidência tributária já que o Autor se aposentou em 25/07/1995, sob a égide da Lei 7.713/1988, sendo isento do Imposto de Renda os valores recebidos mensalmente da Fundação Sistel. Esta isenção consta da Decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 928.722 de 24/04/2007, processo transitado em julgado em 28/05/2007. Embora a Receita Federal nessas intimações reportese aos anos de 2005 a 2007 o Autor estende elas para 1995 e 2013 e anos subseqüentes para cumprimento da Lei 7.713/88 e da decisão judicial. A decisão judicial condenou a União a devolver os valores cobrados indevidamente, sendo o valor atualizado até 14/05/2014 de R$ 199.187,54. Os valores recebidos da Fundação Sistel de Seguridade Social não são tributáveis em 94,05% desde 25/07/1995, data da aposentadoria, estando o cálculo do percentual em anexo, obedecendo o item “d” da decisão Judicial do STJ. Que a União informe à Fundação Sistel de Seguridade Social da isenção do Autor dos valores que não são tributáveis em 94,05%, desde 25/07/1995, inserindo estes valores na linha de Pensão, Proventos de Aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente de serviço, conforme estabelece a Lei 7.713/1998 e decisão judicial transitada em julgado em 28/05/2007. Pelo exposto, requer: 1 O cancelamento do Termo de Ciência enviado, por estar incorreto perante a Lei 7.713/88, a decisão judicial do STJ e Medida Provisória nº 2.15979 de 24 de agosto de 2001. Fl. 271DF CARF MF 6 2 A devolução imediata do valor da restituição do IRPF no valor de R$ 199.187,54, conforme decisão judicial. 3 O Cumprimento da decisão judicial proferida, comunicando a Fundação Sistel de Seguridade Social da isenção do Imposto de Renda no percentual de 94,05%, inserindo estes valores na linha de Pensão, Proventos de Aposentadoria e Reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço. Com fulcro no art. 5º , XXXIV, "b" da Constituição da República requer que seja ressalvado o seu direito de ser notificado da juntada de qualquer documento pela d. autoridade fiscal autuante, bem como de qualquer outro fato superveniente que venha a ocorrer no processo administrativo em questão, a fim de que possa manifestarse sobre o mesmo, sob pena de violação aos princípios constitucionais do devido processo legal (art. 5º , LIV da CR/88), do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV da CR/88), bem como ao disposto nos arts. 332 e seguintes do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo fiscal. Tendo em vista que o objetivo maior do processo administrativo é o alcance da denominada verdade material, protesta o ora impugnante pela produção de todas as provas administrativas em Direito, inclusive por perícia, juntada de novos documentos, enfim, de tudo o que for necessário para o desenvolvimento de seu pleno e amplo direito de defesa assegurado constitucionalmente. A DRJ/RJ1, por seu turno, julgou a impugnação procedente em parte pelas razões que abaixo se reproduz: a) Omissão de Rendimentos – Fonte Pagadora Caixa Econômica Federal: alegação de falta de recebimento de informação dos rendimentos por parte da fonte pagadora: a responsabilidade pela inexatidão da declaração de ajuste anual do imposto de renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecê los à tributação, não cabendo inclusive perquirir a intenção do agente, visto que se trata de responsabilidade objetiva, na forma do art. 136 da Lei nº 5.172 retificação de declaração: a retificação da declaração do Interessado, só poderia ser aceita antes de iniciado o procedimento fiscal, como se observa do art. 7º, inciso I, §1º, do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal b) Omissão de Rendimentos Fonte Pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social: Considerandose que, conforme informação da fonte pagadora em resposta à diligência fiscal, o valor tributável recebido no ano de 2006 é de R$ 40.176,24, e, tendo em vista que o Contribuinte informou na Declaração de Ajuste Anual Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 270 7 rendimentos tributáveis de R$ 7.588,50, concluise que o Contribuinte utilizouse da parcela isenta para proventos de Aposentadoria para maiores de 65 anos no valor de R$ 15.764,28, que corresponde a doze vezes o valor mensal de R$ 1.313,69, restando assim omissão de rendimentos no valor de R$ 16.823,46. 1 Rendimentos Tributáveis R$ 40.176,24 2 Parcela Isenta 65 anos R$ 15.764,28 3 Rendimentos Informados R$ 7.588,50 4 Omissão de Rendimentos (1 2 3) R$ 16.823,46 Na apuração da omissão de rendimentos a autoridade lançadora considerou como tributáveis somente rendimentos de R$ 10.897,27, que corresponde à diferença na Dirf, fls. 50 do total de rendimentos de R$ 39.640,87 (rendimentos tributáveis) e R$ 28.743,60 ( rendimento com exigibilidade suspensa). Entretanto, em resposta à diligência fiscal a fonte pagadora apresentou o Quadro Demonstrativo de fls. 59 que está sendo considerado no presente voto, sendo os valores compatíveis e coerentes com as informações dos anos 2005 e 2006, referentes aos processos 15471.005033/200832 e 15471.005034/200887, já julgados pela presente Turma de Julgamento em data anterior. Uma vez que o Anocalendário em questão é o 2007 e, na impossibilidade de apuração da diferença de omissão identificada, por já ter ocorrido o prazo decadencial, mantémse o valor de omissão apurado na notificação de lançamento de R$ 3.308,77, motivo pelo qual não será encaminhada cópia ao setor de fiscalização para apuração da diferença. c) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte: Conforme informação da fonte pagadora Sistel, em resposta à diligência fiscal, não ocorreu Imposto de Renda Retido na Fonte no ano de 2006, existindo apenas o valor de depósito judicial de R$ 1.059,58. [...] Dessa forma, mantémse a compensação indevida de IRRF de R$ 921,35 e, ainda procedese ao acerto do lançamento, com a exclusão do IRRF da fonte pagadora Sistel informado na declaração de R$ 1.069,48. d) Omissão de Rendimentos Excedentes ao Limite de Isenção para Declarante com 65 anos ou mais: Foi apurada omissão de rendimentos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social no valor de R$ 23.352,78, por Fl. 273DF CARF MF 8 exceder ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais. A apuração teve como base o comprovante de rendimentos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, fls. 21. [...] no ano de 2007 somente pode ser considerado como rendimento isento o valor de R$ 17.077,97, que corresponde a 12 parcelas mensais de R$ 1.313,69, somado a uma parcela de décimo terceiro de R$ 1.313,69. [...] Tendo em vista que a parcela isenta para maiores de 65 anos já foi utilizada pelo Contribuinte na fonte pagadora da Fundação Sistel, conforme supra relacionado, não cabe a utilização da parcela duas vezes, devendo ser retornado o valor isento utilizado. e) Produção de meios de provas: A prova documental deve ser, de regra, apresentada juntamente com a peça impugnatória (art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). Portanto, está precluso o direito de o sujeito passivo produzir novas provas documentais. [...] No presente caso, como o sujeito passivo requereu, de forma genérica, a produção de provas, operouse também a preclusão do direito à produção de prova por meio de diligências ou perícias, as quais deveriam ter sido especificadas na impugnação. Sobre as alegações quanto ao contraditório e ampla defesa, cabe observar que foi oportunizado ao Contribuinte apresentar a impugnação que ora se aprecia, juntando os documentos que entendesse necessários a comprovar as suas alegações. Ademais, se assim desejar, o sujeito passivo pode apresentar recurso contra a presente decisão, o que demonstra o respeito aos princípios do contraditório e a ampla defesa, constitucionalmente previstos. Entretanto, como no presente caso, foi realizada Diligência Fiscal junto à fonte pagadora Fundação Sistel de Seguridade Social o Contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal, sendo oportunizada a apresentação de nova defesa e de documentos, o que aconteceu, visto que este apresentou nova manifestação às fls. 71/79, a qual foi analisada no presente julgamento. e) Demais alegações: 1 Cancelamento do Termo de ciência enviada ao Contribuinte. Os documentos foram encaminhados ao Contribuinte para que fosse tomada ciência da diligência fiscal realizada, com Fl. 274DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 271 9 reabertura de prazo para defesa, como garantia ao contraditório e ampla defesa, não cabendo cancelamento da respectiva comunicação. 2 Comunicação da Receita Federal à fonte pagadora do Contribuinte de decisão proferida na Justiça Federal. Não é competência da Receita Federal a comunicação da fonte pagadora de qualquer decisão judicial referente ao Contribuinte. 3 Devolução de Depósitos efetuados em processo judicial por parte da Receita Federal. O depósito do IRRF correspondente será convertido em renda da União caso os rendimentos sejam considerados tributáveis e, caso contrário, ficam disponíveis para o Contribuinte, cabendo à própria Justiça Federal o respectivo repasse. Por fim, a DRJ/RJ1 apresenta quadro com apuração de imposto suplementar no valor de R$ 7.341,64 (sete mil, trezentos e quarenta e um reais e sessenta e quatro centavos), mas, uma vez que não é permitida a oneração dos valores apurados originalmente na Notificação de Lançamento, aquele colegiado manteve o imposto suplementar apurado de R$ 6.372,15 (seis mil, trezentos e setenta e dois reais e quinze centavos). Por ocasião do recurso voluntário (fls. 205/214) o sujeito passivo repisa exatamente as mesmas alegações trazidas na defesa aditiva (fls. 71/79) requerendo novamente: a) a restituição/devolução imediata do valor de R$ 199.187,54, conforme decisão judicial; b) o cumprimento da decisão judicial proferida, comunicando a Fundação Sistel de Seguridade Social da isenção do Imposto de Renda no percentual de 94,05%, para inserção destes valores na linha de Pensão, Proventos de Aposentadoria e Reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço da declaração de rendimentos; e c) a produção de todas as provas administrativas admitidas em Direito, inclusive por perícia, juntada de novos documentos, enfim, de tudo o que for necessário para o desenvolvimento de seu pleno e amplo direito de defesa assegurado constitucionalmente. Ressalte que não há na peça recursal qualquer manifestação acerca das questões abordadas na Notificação de Lançamento quanto aos rendimentos omitidos por outras fontes pagadoras, além da Fundação Sistel, ou à compensação indevida de IRRF. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, entretanto, dele conheço parcialmente, eis que, conforme se verá adiante, em relação à solicitação de execução de demandas judiciais, tratase de matéria que escapa às competências deste Conselho, não sendo plausível seu exame. Produção de Novas Provas e Realização de Perícia ou Diligência Especificamente com relação à apresentação de provas, convém informar que, a teor do inciso § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1976, norma que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF em âmbito federal, essa providência deve ser adotada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em momento posterior. No que se refere à realização de perícia ou diligência, convém mencionar que o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1976 estabelece que a impugnação mencionará “as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito”. O § 1º do mesmo artigo assevera que “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Ainda com relação a perícia e diligência, o caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 estatui que autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Embora os comandos contidos na norma regulamentadora do PAF estejam direcionados à impugnação e aos julgadores de primeira instância, entendo que tais comandos também se aplicam ao julgamento em curso na segunda instância administrativa. Desse modo, em vista de o pedido não ter sido instruído nos termos determinados na legislação de regência e considerando que os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde das controvérsias, entendo desnecessária a realização de diligências ou perícias. Por essas razões, indefiro o pedido. Isenção dos Rendimentos Recebidos da Fundação Sistel de Seguridade Social De se ressaltar inicialmente que o apelo recursal detevese a repisar questões afetas à suposta não incidência de IRPF sobre o resgate de poupança para a previdência privada, informando o recorrente que ingressou em juízo com a finalidade de ver declarada a Fl. 276DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 272 11 inexistência de relação jurídicotributária em relação a tais valores. Informa ainda que na decisão decorrente da citada ação judicial a União fora condenada a devolver todo o imposto descontado de forma indevida desde julho de 1995, época em que teria ocorrido sua aposentadoria. Além disso, afirma o sujeito passivo ser beneficiário de resgate de poupança/complementação de aposentadoria recebido da Fundação Sistel de Seguridade Social, que o benefício já foi tributado na fonte durante o período de labor e que, por isso, é isento do imposto, conforme redação original do inciso VII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. Aduz que, em razão da ocorrência de bis in idem, caberia a restituição do tributo questionado. Repisese que, por ocasião do recurso voluntário, o contribuinte apresenta questionamento somente em relação aos valores recebidos da Fundação Sistel de Seguridade Social, não fazendo qualquer menção em relação aos demais rendimentos tidos por omitidos pela fiscalização ou à compensação indevida de IRRF, assim, a presente análise abordará somente a matéria objeto de controvérsia. Importa esclarecer de início que, diferentemente do que aduz o recorrente, a suscitada decisão judicial (fls. 114/121) não lhe isenta do imposto de renda incidente sobre a totalidade dos valores recebidos a título de previdência complementar. Consoante determinação contida na sentença condenatória (fls. 120/121): h) nãoincide o IR tão somente em relação aos valores de complementação de aposentadoria efetuados pelos próprios beneficiários – nãoincidência da exação sobre a parcela a cargo do beneficiário/participante (1/3), nos termos do Resp nº 621348/DF; i) os resgates e benefícios decorrentes de contribuições vertidas pelos patrocinadores e aqueles oriundos de aplicações e investimentos efetuados pela própria instituição não estão imunes ao IR, configurando acréscimo patrimonial por ocasião do rateio; Via de regra, no regime de previdência complementar as contribuições direcionadas à formação da poupança reservada à complementação de aposentadorias dos trabalhadores são vertidas pelos empregadores (definidos na legislação que rege a matéria como “patrocinadores”) e pelos empregados beneficiários desse regime (denominados participantes). Além disso, os recursos decorrentes de referidas contribuições são levados ao mercado e os resultados das aplicações financeiras são revertidos para o pagamento dos benefícios previstos no plano previdenciário. Vejase que a decisão judicial é bastante clara ao definir que somente a contribuição efetuada pelos próprios empregados, em período anterior ao da edição da Lei nº 9.250/1995, está isenta do IRPF, ou seja, os valores referentes à contribuição do patrocinador e ao resultado de aplicações e investimentos efetuados pela entidade de previdência complementar foram considerados como acréscimo patrimonial, estando sujeitos à incidência do imposto. Fl. 277DF CARF MF 12 Por essa razão, a Fundação Sistel de Seguridade Social, em vista da sentença proferida em favor do recorrente, informou na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF (fl. 50) valores definidos como rendimentos tributáveis (relativos à contribuição do patrocinador e ao resultado de investimentos e aplicações financeiras) e rendimentos tributáveis com exigibilidade suspensa (decorrentes de contribuições do participante). Ademais, consoante esclarecido pela entidade de previdência complementar (em razão de diligência determinada pela DRJ/RJ1) e evidenciado na decisão recorrida, os rendimentos recebidos da Fundação Sistel e omitidos pelo sujeito passivo são, inclusive, superiores aos levantados pela fiscalização. Assim, com base nas informações contidas DIRF da Fundação Sistel de Seguridade Social e considerandose os esclarecimentos prestados por aquela Fundação por meio do expediente de fls. 57/59, verificase que não assiste razão ao recorrente em relação a esse tema devendo ser mantido lançamento na sua integralidade. Restituição de Valores Relacionados a Decisão Judicial e Comunicação à Fonte Pagadora para Preenchimento da DIRF de Acordo com Referida Decisão Sobre essas questões, impende esclarecer que as competências atribuídas ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF encontramse abrangidas nas normas disciplinadora do Processo Administrativo Fiscal – PAF. Nesse sentido, o art. 1º e o inciso II do art. 25 do Decreto nº 70.235/1972, estabelecem: Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Da análise dos dispositivos encimados, verificase que ao Colegiado de segunda instância administrativa compete decidir sobre recursos administrativos em processos relacionados à determinação e exigência de créditos tributários da União. Esclareçase que a Notificação de Lançamento que deu origem ao presente litígio trata da exigência de créditos tributários emanados de rendimentos omitidos e de compensação indevida de IRRF, ou seja, a atribuição do CARF no caso sob análise limitase ao exame do conjunto probatório constante dos autos e dos argumentos apresentados pelo Fisco, pelo contribuinte e pela DRJ para decidir pela procedência ou não do lançamento efetuado. Desse modo, considerandose que não figuram entre as competências deste Colegiado a tomada de decisão quanto à execução de sentença judicial, tampouco as matérias Fl. 278DF CARF MF Processo nº 12326.004574/200918 Acórdão n.º 2402005.612 S2C4T2 Fl. 273 13 abordadas nesse tópico são objeto da presente lide, impõese não conhecer do recurso em relação a essas matérias. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de INDEFERIR o pedido para a apresentação de novas provas e realização de perícia ou diligência, CONHECER EM PARTE do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 279DF CARF MF
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Numero do processo: 35390.003048/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1990 a 30/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9202-005.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 39 0. 00 30 48 /2 00 6- 10 Fl. 567DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 230200.329, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração lavrado por ter sido constatado que o Autuado apresentou GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes a todos os fatos geradores, de acordo com o explanado no Relatório Fiscal da Infração e Anexo, o que constitui infração às disposições contidas no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei n° 8.212, de 24.07.91, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, tendo sido aplicada a multa no valor de R$ 126.381,07, fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97, art. 284, inciso II, art. 291, art. 292, inc. V, do Regulamento da Previdência Social R.P.S., aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, tudo de conformidade com o contido no Feito, no Relatório Fiscal da Infração, no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e Anexo do presente processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, às fls. 301/317, julgou procedente o lançamento, restando assim ementado: PRÊMIOS. PARCELA SALARIAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE DE ATENUAÇÃO / RELEVAÇÃO DA MULTA. Valores pagos aos segurados empregados, em decorrência do cumprimento de metas de produtividade préestabelecidas, constituem prêmios, parcela de natureza salarial, integrando, em consequência, a remuneração e, por extensão, o salário de contribuição da Previdência Social. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas a s contribuições previdenciárias. A não correção da falta constitui óbice à concessão da atenuação/relevação da multa pela inexistência de circunstância atenuante prevista no art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Às fls. 322/350 o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário Fl. 568DF CARF MF Processo nº 35390.003048/200610 Acórdão n.º 9202005.074 CSRFT2 Fl. 10 3 Às fls. 394/467 foi anexado um Parecer Técnico de Paulo de Barros Carvalho. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 473, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/11/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PÚBLICA. DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examina do seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N ° 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n 0 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n ° 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. À fl. 481 a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, alegando omissão no julgamento da Turma Ordinária, porém, restaram os mesmos rejeitados às fls. 483/486. Às fls. 489/491, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial sobre a decisão recorrida no tocante ao descumprimento de obrigação acessória, em que também se efetuou lançamento cobrando as contribuições decorrentes do mesmo período. Arguiu que no acórdão paradigma consignouse que havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei nº Fl. 569DF CARF MF 4 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, e não o art. 32A da Lei nº 8.212/91, conforme entendeu a e. Turma a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, sob pena de bis in idem. Às fls. 494/495, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, tendo o acórdão paradigma consignado que o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. Às 498/514, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando, preliminarmente, a inadmissibilidade do recurso por estar em consonância ao entendimento manifestado no acordão paradigma, e, no mérito, a revogação do art. 32, IV, §§ 4º e 5º da Lei 8.212/91 e a inaplicabilidade do art. 35a da Lei 8.212/91, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração lavrado por ter sido constatado que o Autuado apresentou GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes a todos os fatos geradores, de acordo com o explanado no Relatório Fiscal da Infração e Anexo, o que constitui infração às disposições contidas no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei n° 8.212, de 24.07.91, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, tendo sido aplicada a multa no valor de R$ 126.381,07, fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97, art. 284, inciso II, art. 291, art. 292, inc. V, do Regulamento da Previdência Social R.P.S., aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, tudo de conformidade com o contido no Feito, no Relatório Fiscal da Infração, no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e Anexo do presente processo. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante ao descumprimento de obrigação acessória, tendo o acórdão paradigma consignado que o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 35390.003048/200610 Acórdão n.º 9202005.074 CSRFT2 Fl. 11 5 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 571DF CARF MF 6 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 572DF CARF MF Processo nº 35390.003048/200610 Acórdão n.º 9202005.074 CSRFT2 Fl. 12 7 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 573DF CARF MF 8 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 574DF CARF MF Processo nº 35390.003048/200610 Acórdão n.º 9202005.074 CSRFT2 Fl. 13 9 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 575DF CARF MF 10 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 35390.003048/200610 Acórdão n.º 9202005.074 CSRFT2 Fl. 14 11 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 577DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900329/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO.
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 29 /2 00 8- 11 Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.469 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.470 3 débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.471 4 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.472 5 natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 94 a 128, com os argumentos abaixo: DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.473 6 Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.474 7 por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.475 8 Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.476 9 vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos, litteris: É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.477 10 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Baixado os autos em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3434/3438): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.478 11 Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (17708.68601.130504.1.7.040808) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de janeiro de 2001, senão vejamos: Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.479 12 Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.480 13 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.12): Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.481 14 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.482 15 Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de janeiro de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.483 16 Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.484 17 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.485 18 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 10865.900329/200811 Acórdão n.º 1302002.023 S1C3T2 Fl. 3.486 19 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000880/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.
Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.913
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Negado
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COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 08 80 /2 00 8- 37 Fl. 167DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 12259.000880/200837 Acórdão n.º 2301004.913 S2C3T1 Fl. 168 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 08/03/2007 para constituição de crédito tributário de contribuição previdenciária sobre remunerações a segurado empregado, assim caracterizado pela fiscalização em razão da suposta presença das características da relação de emprego. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. O contrato de trabalho, sendo um contrato realidade, não está vinculado ao aspecto formal, eis que prevalecem as circunstâncias reais em que são prestados os serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... 2. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 31/35, o levantamento tem origem na caracterização como empregado do segurado RODOLFO LUIS DE SOUZA considerado pela notificada como microempresário, por verificados os requisitos da relação de emprego, definidos no art. 12, inciso l, alinea “a", da Lei 8212/91 c/c art. 3° da CLT. Acrescenta o autor do lançamento que o segurado, em 31/05/2004, constituiu firma individual, passando a emitir, a partir de 08/2004, mensalmente e em ordem seqüencial notas fiscais de prestação de serviços em informática, caracterizando o trabalho exclusivo e habitual, bem como sua natureza não eventual e diretamente ligada à atividade fim da empresa. Ressalta, ainda, a autoridade lançadora que o vínculo foi reconhecido pela empresa pelo fato de o segurado receber parcela de remuneração pertinente apenas aos segurados empregados (premium card) e cumprir jornada de trabalho com horário fixado. 3. O lançamento foi efetuado em 08/03/2007, dentro do lapso temporal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 09352474F00, de fls. 21 , e seus complementares, de fls. 22/24, compatível com os períodos de fiscalização e apuração do crédito, com a devida ciência do contribuinte. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Fl. 169DF CARF MF 4 O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vínculo entre os sócios e a empresa contratante; Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a dissimulação, o que não foi demonstrado na NFLD; A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; A pessoa jurídica contratada foi constituída legalmente, não havendo vedação para sua contratação, cabendo exclusivamente Fl. 170DF CARF MF Processo nº 12259.000880/200837 Acórdão n.º 2301004.913 S2C3T1 Fl. 169 5 às partes, nos termos do art. 170, IV, da Constituição da República, deliberar acerca do regime tributário aplicável, ou seja, optar entre a CLT e a mera prestação de serviços, não podendo ser imposto o regime celetista a toda relação de trabalho; Não houve ocultação ou fraude a qualquer tipo de vínculo empregatício, já que a única relação existente foi a de prestação de serviços, que possui conteúdo de obrigação de fazer, portanto, sem natureza trabalhista, restrita ao âmbito civil contratual; Como o ramo de informática é altamente dinâmico, surge a necessidade de se contratar prestadores de serviço para o desenvolvimento de programas e projetos específicos e determinados, que não se incluem nas atividades normais da empresa; A fiscalização não informa e nem tampouco comprova qual seria o tipo de atividade desenvolvida pela prestadora de serviços e, mesmo que se trate de atividadefim semelhante à desenvolvida pela impugnante, tal fato não é suficiente para caracterizar a relação de emprego, transcrevendo jurisprudência sobre a matéria; A documentação anexa é inidônea a ensejar o vínculo, já que os serviços não se revestem das características inerentes ao contrato de trabalho, por serem não pessoais, esporádicos, não exclusivos e não subordinados, não havendo também pessoalidade, já que a prestadora não é pessoa física; A autoridade administrativa não comprovou a habitualidade e exclusividade da prestação de serviços, bem como a dependência, do que decorre não ter sido provada a relação de emprego; A própria pessoa a quem o fisco atribuiu vinculo empregatício confirma o acima exposto, conforme declaração anexa; Durante todo o procedimento fiscal em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe para atendimento à fiscalização, o que torna descabida a adoção do método de aferição indireta, com fundamento neo art. 33, §§3° e 6° da Lei nº 8.212/91 reproduzido na defesa; Deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo ser considerada improcedente a presente Notificação. É o Relatório. Fl. 171DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 172DF CARF MF Processo nº 12259.000880/200837 Acórdão n.º 2301004.913 S2C3T1 Fl. 170 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada neste CARF através de outros processos do mesmo recorrente e originados da mesma fiscalização. Como precedente, assim, cito o processo nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2005 Fl. 173DF CARF MF 8 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Portanto, no presente caso não se trata propriamente de aplicação da cláusula geral antielesiva prevista no artigo 116 Parágrafo único do CTN, o que implicaria para todos os Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12259.000880/200837 Acórdão n.º 2301004.913 S2C3T1 Fl. 171 9 fins a desconsideração da personalidade jurídica das supostas empresas interpostas entre o recorrente e as pessoas físicas; o que não é o caso. Pontualmente, tratase da constatação de uma situação real que prevalece sobre a forma e que, para fins de tratamento tributário, a relação jurídica com o recorrente é direta e pessoal das pessoas físicas e não das pessoas jurídicas interpostas: art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Passamos a examinar a presença das características da relação de emprego. No mérito A comprovação da dissimulação pelo recorrente e conseqüente caracterização da condição de segurado empregado fundamentase nos seguintes elementos: a) formalmente, o segurado era sócio gerente de uma interposta empresa prestadora de serviços de natureza afim ao objeto social do recorrente; b) a suposta empresa prestadora de serviços emitia mensal, exclusiva e seqüencialmente notas fiscais; c) em 31/05/2004, com a constituição da pessoa jurídica, os serviços passaram a ser prestados nas mesmas condições anteriores de relação de emprego, mas com a interposição de suposta empresa e remunerado pela quitação das notas fiscais sequenciais; d) percepção juntamente com os segurados empregados de participação nos lucros e resultados da empresa. A verdade material aponta para uma realidade que prevalece sobre o vínculo formal pactuado: o segurado é empregado da recorrente e prestava serviços de informática necessário à consecução do objeto social do empregador, cumprimento o horário de trabalho tal como os demais empregados. O fato de emitir notas fiscais exclusiva e seqüencialmente afasta a interposta pessoa jurídica do conceito de empresa. Isto porque o artigo 15 da Lei nº 8.212/91 coloca o risco econômico como elemento central do conceito. De outra forma, não haveria a autonomia necessária para que se constitua um ente independente da personalidade de seus sócios: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Fl. 175DF CARF MF 10 Reforça essa conclusão o fato de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através dos sócios gerentes, de forma pessoal, sem dispor de um quadro de empregados próprios. Outro fato, descrito ainda no relatório, demonstra a pessoalidade e subordinação. Em todo o período o segurado se submetia ao cumprimento do horário de trabalho e o serviço era prestado diretamente por ele sem o auxílio de outros empregados fornecidos pela sua suposta empresa. Ainda que seja suficiente para considerar a condição de segurado empregado em decorrência da dissimulação de uma situação real através de uma "arquitetura" formal artificial, o TST tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Face o exposto, os serviços contratados por intermédio da pessoa jurídica visavam apenas dissimular pagamentos a pessoas físicas. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 176DF CARF MF
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