Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10860.001625/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Poderão ser deduzidas na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas.
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2202-003.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Poderão ser deduzidas na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10860.001625/2007-05
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5734226
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.861
nome_arquivo_s : Decisao_10860001625200705.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CECILIA DUTRA PILLAR
nome_arquivo_pdf_s : 10860001625200705_5734226.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6806450
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213782196224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 240 1 239 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.001625/200705 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.861 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria IRPF Despesas Médicas Recorrente YARA ULBRICH Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESA COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Poderão ser deduzidas na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, as contribuições à previdência privada devidamente comprovadas. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 16 25 /2 00 7- 05 Fl. 240DF CARF MF 2 Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 128/135), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2005, ano calendário de 2004, em que a declarante após intimada, não comprovou importâncias declaradas em sua DIRPF, restando glosados valores: 1) indevidamente declarados como isentos e não tributáveis por moléstia grave (por falta de comprovação da declarante ser portadora de moléstia grave para fins de isenção do imposto de renda); 2) deduzidos a título de incentivo (por falta de previsão legal para a dedução); 3) deduzidos a título de previdência privada e Fapi, no valor de R$ 11.866,25 (por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido da contribuinte). No atendimento à intimação a declarante apresentou informe de rendimentos financeiros emitido pela Canadá Life Previdência e Seguros S/A, referente a aplicação em VGBL (fls.155), que não se refere a previdência privada dedutível na DIRPF; 4) deduzidos a título de despesa com instrução (de dependente que não consta da declaração de ajuste anual); 5) de despesas médicas (que a contribuinte, após intimação, não apresentou os comprovantes dos gastos): · Cláudia Mara Miranda R$ 4.500,00 · Cintia Guedes Bellini R$ 4.000,00 · Yara M. Silva Bezerra R$ 1.066,60 · Xenofonte P. R. Mazzini R$ 150,00 · Fernando Henrique G. V. Santos R$ 2.660,00 · Suely Akemi Yanz R$ 410,00 · Centro Paulista de Laser Ltda R$ 450,00 · Volkswagem do Brasil Assist. Médica R$ 9.528,00 · Unimed Taubaté R$ 954,56 A intimação fiscal para apresentação de documentos está às fls. 150 dos autos digitalizados e os documentos então disponibilizados se encontram às fls. 151/156. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 241 3 Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial (não contestada a dedução a título de incentivo) e juntados documentos (fls. 03/126). A parte não impugnada foi liquidada por pagamento. A DIRPF da contribuinte encontrase às fls. 137/140 dos autos. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 183/195, aceitando a comprovação da declarante ser portadora de moléstia grave e a consequente inclusão dos rendimentos de aposentadoria como isentos/não tributáveis. As demais glosas foram mantidas sob os seguintes motivos: 1. Cláudia Mara Miranda que foi emitido apenas um recibo abrangendo todos os pagamentos do período de abril a dezembro de 2004; que a contribuinte indicou o número dos cheques que suportaram os pagamentos mas não apresentou a cópia dos cheques e que não foi apresentada solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico; 2. Cíntia Guedes Bellini os recibos apresentados não contém as informações mínimas exigidas pela legislação, pois não identificam para quem foi prestado o serviço, quem realizou o pagamento nem o endereço do profissional que prestou os serviços. A contribuinte identificou cheques que teriam sido utilizados para realizar os pagamentos a esta profissional mas não apresentou a cópia dos cheques e não foi apresentada solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico; 3. Yara Marques S. Siqueira no recibo apresentado não consta o endereço da profissional nem indicação de quem foi o beneficiado pelo tratamento. Que o pagamento teria sido realizado em espécie mas o saque identificado em conta corrente bancária foi efetuado em 25/08/2004 e o recibo data de 30/08/2004, não havendo correspondência entre as datas e o odontograma anexado não está sequer assinado por profissional; 4. Xenofonte P. R. Mazzini no recibo apresentado não consta o endereço do profissional nem indicação de quem foi o beneficiado pelo tratamento. A contribuinte indicou o cheque que teria sido utilizado para realizar o pagamento mas não apresentou a cópia do cheque; 5. Centro Paulista de Laser Ltda notas apresentadas não indicam o tipo de serviço prestado, a atividade deste centro, no CNPJ está identificada na CNAE 86500 Atividades de profissionais da área de saúde não especificada, não sendo possível identificar tratarse de despesas médicas passíveis de dedução; 6. Volkswagen do Brasil Assistência Médica os documentos apresentados (informativos e agendamentos de pagamentos) não são Fl. 242DF CARF MF 4 hábeis para comprovar a realização de despesas com plano de saúde, cuja prova se dá através de demonstrativo oficial fornecido pelo próprio plano de saúde aos seus associados. O documento referente à Canadá Life Previdência e Seguros S/A não foi aceito para comprovar dedução realizada a título de previdência privada por não se referir a plano de previdência privada ou Fapi (Fundo de Aposentadoria Programada Individual), mas de aplicação financeira em VGBL. Cientificada dessa decisão por via postal em 21/09/2010 (A.R. de fls. 201), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 15/10/2010 (fls. 205), insurgindose contra as glosas das deduções de previdência privada, desta feita se referindo a pagamentos à Brasilprev Seguros e Previdência S/A, no valor de R$ 6.600,00 e das despesas médicas referentes a: · Cláudia Mara Miranda R$ 4.500,00 · Cintia Guedes Bellini R$ 4.000,00 · Yara M. Silva Siqueira R$ 1.066,60 · Xenofonte P. R. Mazzini R$ 150,00 · Centro Paulista de Laser Ltda R$ 450,00 · Volkswagem do Brasil Assist. Médica R$ 4.565,00 (pois a metade se refere a despesa do cônjuge). Em seu recurso, a contribuinte anexou documentos às fls. 207/221: 1. Informe de Rendimentos Financeiros da Brasilprev Seguros e Previdência S/A, referente a pagamento de contribuição de previdência privada em 2004, para plano PGBL no valor de R$ 6.600,00 (fls. 207/209); 2. Cláudia Mara Miranda (Cláudia Miranda Russi), além do recibo já apresentado quando da impugnação, trouxe declaração da fisioterapeuta identificando a finalidade do atendimento prestado (fls. 211); 3. Cíntia Guedes Bellini, reapresenta os mesmos recibos trazidos na impugnação, nos quais não consta a identificação do responsável pelo pagamento/beneficiário do tratamento nem consta o endereço da profissional (fls. 212/214); 4. Yara Marques S. Siqueira, reapresenta o mesmo odontograma para fins de reembolso odontológico no valor de R$ 430,00, desacompanhado de recibo ou assinatura da profissional mas onde consta o endereço da profissional (fls. 215/216) e o mesmo recibo de R$ 750,00 não aceito pela DRJ por falta do endereço da profissional; 5. Xenofonte P. R. Mazzini, apresenta o mesmo recibo sem o endereço do profissional; Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 242 5 6. Centro Paulista de Laser Ltda, apresenta as mesmas notas trazidas na impugnação; 7. Volkswagen do Brasil Assistência Médica, apresenta declaração com o discriminativo mensal dos valores pagos, totalizando R$ 9.130,00 e indicação de que os valores também se referem ao participante Luiz C Catalano companheiro. A demonstração dos valores incontroversos está às fls. 224. O processo foi distribuído à então 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste CARF. Da Diligência Em sessão de 30/09/2011 aquele colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF de origem intimasse a Volkswagen do Brasil Assistência Médica a discriminar quais os valores pagos para o plano de saúde da recorrente e quais seriam para o plano de seu companheiro, considerando que o demonstrativo juntado ao recurso apresenta a soma dos valores mensais pagos pelos dois participantes no ano calendário de 2004. A resposta à intimação está às fls. 234, com a discriminação solicitada. Intimada a se manifestar sobre a diligência (fls. 235/236), a interessada não se pronunciou, retornando o processo ao CARF para julgamento. De acordo com o art. 6º da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, as Turmas Ordinárias da 1ª Câmara das Seções de Julgamento foram extintas. Tendo em vista que o Conselheiro anterior não mais compõe o quadro de Conselheiros do CARF, o processo foi submetido a novo sorteio caindo para minha relatoria. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos relativos a despesas médicas pagas pela declarante, inclusive a plano de saúde e dedução de plano de previdência privada. Reconheço que o Decreto 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas Fl. 244DF CARF MF 6 desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Previdência Privada O documento apresentado, da Brasilprev Seguros e Previdência S/A, comprova a dedução de R$ 6.600,00 a título de previdência privada. Como a declarante deduziu 12% de seu rendimento bruto tributável a este título (R$ 11.866,25) e não apresentou provas do restante deduzido, poderá ser restabelecida a dedução de R$ 6.600,00. Despesas Médicas a) Cláudia Mara Miranda (Cláudia Miranda Russi) a princípio o recibo é a prova da despesa. O recibo apresentado contém todos os requisitos exigidos na legislação. Os pagamentos mensais realizados por meio dos cheques identificados e corroborados pela declaração da profissional são suficientes para aceitar a dedução e restabelecer a dedução no valor de R$ 4.500,00. Não há base legal para exigência em sede de julgamento administrativo, de solicitação médica e/ou declaração de médico acerca da necessidade de realização de tratamento fisioterápico. Qualquer exigência neste sentido deveria partir da autoridade lançadora. b) Cíntia Guedes Bellini os recibos apresentados não contém sequer a identificação da pessoa que realizou os pagamentos nem o endereço da profissional, não podendo ser aceitos para fins de dedução de despesas médicas na declaração de ajuste do IRPF por não atenderem os requisitos mínimos exigidos no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995. A legislação admite que na falta do recibo possa ser aceito o cheque nominativo utilizado para o pagamento. Vejamos o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(destaquei) A declarante não apresentou cópia do cheque nominativo do pagamento, portanto, mantémse a glosa de R$ 4.000,00 relativa a esta dedução. c) Yara Marques S. Siqueira a autoridade Julgadora de primeira instância não aceitou o recibo de R$ 750,00 por falta do endereço da profissional. Ocorre que no odontograma apresentado consta o endereço da dentista. Outro argumento da DRJ para não aceitar esta dedução foi no sentido de que a interessada teria realizado o pagamento em Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10860.001625/200705 Acórdão n.º 2202003.861 S2C2T2 Fl. 243 7 dinheiro mas não comprova saque em conta corrente na mesma data do recibo. Entendo que a exigência de comprovação do efetivo pagamento deveria partir da autoridade lançadora e não da julgadora. De qualquer sorte, a contribuinte demonstrou ter realizado saque em conta bancária em 25/08/2004, no valor de R$ 750,00 e o recibo tem data de 30/08/2004, estando, a meu entender, comprovada a origem do dinheiro utilizado neste pagamento. Portanto, considerando que no conjunto probatório constante dos autos o endereço da profissional não restou omisso, deve ser restabelecida a dedução desta despesa no valor de R$ 750,00 e mantida a glosa do restante por falta de comprovação. d) Xenofonte P. R. Mazzini o recibo não traz o endereço do profissional, não podendo ser aceito por não atender os requisitos exigidos na legislação. Mantida a glosa de R$ 150,00. e) Centro Paulista de Laser Ltda mantémse a glosa pelas mesmas razões apontadas na decisão da DRJ. A interessado não apresenta nenhum elemento novo. f) Volkswagen do Brasil Assistência Médica face declaração emitida por esta empresa, deve ser restabelecida a dedução no valor de R$ 4.565,00 relativo a plano de saúde da própria declarante. Deste modo, com base na legislação, critérios e princípios expostos, há que se restabelecer as deduções: a) a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e b) a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00 (R$ 4.500,00 + R$ 750,00 + R$ 4.565,00). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas de deduções a título de previdência privada no valor de R$ 6.600,00 e a título de despesas médicas no valor de R$ 9.815,00. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720083/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.364
Decisão: Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10805.720083/2010-25
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5731432
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-000.364
nome_arquivo_s : Decisao_10805720083201025.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10805720083201025_5731432.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva
dt_sessao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6794702
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213788487680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 917 1 916 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.720083/201025 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.364 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de maio de 2017 Assunto PIS Recorrente COMERCIAL OSWALDO CRUZ LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 08 3/ 20 10 -2 5 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 918 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 12/08/2010, em face da homologação parcial das compensações indicadas nos Per/Dcomp listados à fl. 748, transmitidos entre 14/02/2006 e 18/07/2007, conforme Despacho Decisório de 23/03/2010 (fls. 748/750), proferido, por delegação, pelo Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort da DRF em Santo André/SP e cientificado em 13/07/2010 (fls. 761/762). Segundo consta do aludido despacho decisório, após a implementação dos cálculos relativos à ação judicial nº 1999.61.00.0158250 (origem dos créditos indicados nos Per/Dcomp), apenas a parcela de R$ 59.740,43 (em valor de 21/11/2005), foi reconhecida (de um total pleiteado de R$ 2.856.521,19). Em decorrência, as compensações transmitidas pela contribuinte foram homologadas até esse montante. Na manifestação apresentada (fls. 774/782), a contribuinte, após relato dos fatos, afirma que a decisão questionada levou em consideração compensações realizadas antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Esclarece que tais compensações foram acompanhadas e controladas nos processos administrativos nºs 10880.009073/9901 e 13820.000329/200409, e que “tanto em um (compensação antes do trânsito) quanto em outro caso (compensação após a homologação de habilitação de crédito), a autoridade administrativa não homologou as compensações realizadas em sua integralidade.” A seguir discorre sobre a evolução legislativa e sobre a base de cálculo do PIS após a Constituição Federal de 1988. Conclui que tal base sempre foi o faturamento apurado no sexto mês anterior ao do respectivo fato gerador, sem a aplicação de correção monetária. No tópico seguinte, chama a atenção para a existência de equívocos nos cálculos que embasaram o despacho decisório. Afirma que a simples análise dos cálculos efetuados é suficiente para se constatar que foram cometidos equívocos já que “ao elaborar o cálculo do PIS nos moldes da LC nº 7/70 e nos moldes dos Decretos 2.445 e 2.449, o agente fiscal converteu os valores devidos em unidade BTN e UFIR, fato este que levou à indexação dos valores apurados como ‘PIS devido’, hipótese esta afastada na decisão judicial transitada em julgado.” Reafirma que a base de cálculo deve ser o faturamento ”cru” do 6º mês anterior ao fato gerador, não incidindo correção monetária sobre a mesma. Sobre o assunto, transcreve jurisprudência. Questiona, na seqüência, a sistemática de cálculo adotada no procedimento fiscal. Salienta que nos demonstrativos elaborados pela fiscalização percebese que a base de cálculo informada “corresponde ao 5º mês anterior ao fato gerador, ao invés de se utilizar o valor correspondente ao 6º mês, conforme preceituado na LC nº 7/70.” Argumenta, ainda, que “o agente fiscal, ao elaborar seus cálculos utilizou como parâmetros os valores recolhidos nos decretos declarados inconstitucionais, o que resultou na redução dos créditos da ora requerente, o que não aconteceria se fossem utilizados como base para apuração os valores devidos pela LC nº 7/70.” Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 919 3 Informa que junto com sua manifestação está apresentando uma planilha com os valores que teriam sido indevidamente recolhidos bem como com a composição do crédito, índices de correção utilizados, compensações realizadas, abatimentos e saldo residual que foi objeto do pedido de habilitação. Entende que, a partir dessa documentação, será possível demonstrar que os valores apurados pelo agente fiscal encontramse equivocados. Ao final, requer o acolhimento de sua manifestação e a total homologação das compensações informadas. À fl. 773, Termo de Vista Processual (em face da extração de cópias realizada com a utilização de equipamento eletrônico) datado de 09/08/2010. É o relatório." A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 0651.635 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/1989 a 30/04/1995 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. SEMESTRALIDADE. Correto o despacho decisório que observou os termos da decisão judicial que transitou em julgado e que determinou a observância da semestralidade, sem correção monetária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, novamente, aponta erros nos cálculos do crédito tributário efetuado pela fiscalização, porém não os que constam na manifestação de inconformidade. Apresenta dois exemplos numéricos e comparativos as planilhas de cálculo foram apresentadas no Pedido de Habilitação de crédito e na Manifestação de Inconformidade : a) No primeiro exemplo, o valor pago a maior foi apurado mediante a comparação entre os valores apurados de acordo com a LC n° 7/70 e os pagos no terceiro mês subsequente ao de competência da base de cálculo. No segundo, com o recolhido no mês seguinte ao de competência da base de cálculo. a1) Contudo, de acordo com a LC n° 7/70 e legislações que dispunham sobre as datas de pagamento das Contribuições para o PIS, o vencimento era no mês seguinte ao da ocorrência da fato gerador, o qual, por sua vez, se dava no sexto mês subsequente ao da apuração da base de cálculo. b) Menciona a Súmula CARF n° 15 e a decisão do STJ, em sede do REsp 1127713, na sistemática de recursos repetitivos, que vinculam as decisões deste colegiado, dispondo que a base de cálculo do PIS, sob a LC n° 7/70 era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 920 4 c) Caso seus argumentos não sejam suficientes, protesta pela realização de diligência. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 921 5 Voto O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. De pronto, consigno que não considero como preclusos (art. 17 do Decreto n° 70.235/72) os argumentos aduzidos pela Recorrente no recurso voluntário, apesar de diferirem dos incluídos na manifestação de inconformidade. A Recorrente menciona critérios de cálculo adotados para fins de preparação das planilhas apresentadas por ocasião do Pedido de Habilitação de Crédito e também anexadas à manifestação de inconformidade. Assim, não se trata de argumentos novos, motivo pelo qual entendo que devemos apreciálos. Vamos à contenda. O contribuinte obteve decisão judicial favorável, que reconheceu indébitos derivados de pagamentos a maior de PIS, efetuados com base nos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88. O crédito tributário referese aos anos de 1989 a 1995 e poderia ser compensado com parcelas vincendas daquela mesma contribuição, acrescido da inflação verificada entre a data do pagamento a maior e 31/12/95 e, a partir de então, de juros calculados com base na taxa Selic. Foi apresentado Pedido de Habilitação do Crédito, no montante de R$ 2.815.989,79, o qual foi deferido, em 21/11/05 (fls. 175 e 176). Nos anos de 2006 e 2007, foram apresentados diversos PER/DCOMPs. Da revisão dos cálculos dos créditos, o Fisco deferiu tão somente R$ 59.740,43 (Despacho Decisório, fls. 751 a 754), patamar até o qual foram homologadas as compensações. A DRJ ratificou a decisão da unidade de origem. No recurso voluntário contestou os cálculos do auditor fiscal. Apresentou dois exemplos numéricos e comparativos, que reproduzo abaixo: Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 922 6 E assim descreveu as diferenças entre os seus e os procedimentos adotados pela fiscalização: a) No primeiro exemplo, o Fisco teria apurado o valor pago a maior mediante a comparação entre os valores apurados de acordo com a LC n° 7/70 e os pagos no terceiro mês subsequente ao de competência da base de cálculo. No segundo, com o recolhido no mês seguinte ao de competência da base de cálculo. a1) Contudo, de acordo com a LC n° 7/70 e legislações que dispunham sobre as datas de pagamento das Contribuições para o PIS, o vencimento era no mês seguinte ao da ocorrência da fato gerador, o qual, por sua vez, se dava no sexto mês subsequente ao da apuração da base de cálculo. b) Menciona a Súmula CARF n° 15 e a decisão do STJ, em sede do REsp 1127713, na sistemática de recursos repetitivos, que vinculam as decisões deste colegiado, dispondo que a base de cálculo do PIS, sob a LC n° 7/70, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Se confirmado que a fiscalização cometeu tais equívocos, entre outros, identifico os seguintes possíveis impactos no cálculo do crédito tributário: a) Distorção na apuração do valor original do crédito apurado, pois o valor efetivamente pago (Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88) e o realmente devido (LC n° 7/70) teriam sido calculados sobre bases de cálculo distintas. b) As eventuais insuficiências ou superveniência derivadas do mencionado no item anterior produziriam efeitos nos cálculos da atualização monetária e dos juros Selic. Isto posto, como, sob o ponto de vista conceitual, os argumentos da Recorrente encontram respaldo da decisão judicial prolatada em seu favor e na LC n° 7/70, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que esta turma possa proferir decisão com absoluta convicção acerca do montante de crédito tributário a que o contribuinte tem direito. Para tanto, a unidade de origem deverá realizar as seguintes tarefas: a) Selecionar, para revisão, alguns créditos indicados nas planilhas encaminhadas pelo contribuinte juntamente com o Pedido de Habilitação de Crédito e a manifestação de inconformidade. b) Preparar planilha, em que figurem as seguintes informações: mês de competência da base de cálculo (sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador) e o respectivo valor; data da ocorrência do fato gerador; alíquota aplicável (0,75%); valor devido (conforme LC n° 7/70) e data do vencimento, conforme legislação aplicável; Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10805.720083/201025 Resolução nº 3301000.364 S3C3T1 Fl. 923 7 valor efetivamente pago (conforme Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88) e data do pagamento; valor original do crédito; atualização monetária (resultado da aplicação de índices inflacionários entre a data do pagamento efetuado e 31/12/95); juros Selic, incidentes a partir de 01/01/96; valor do crédito atualizado; débito compensado; e saldo a transportar para o período seguinte, se aplicável. d) Os cálculos citados no item precedente devem ser efetuados de forma comparativa. e) Na hipótese de serem identificados erros nos cálculos revisados, a totalidade dos cálculos dos créditos deverá ser refeita para apuração de novo montante de créditos de PIS. f) Emissão de relatório conclusivo e abertura de prazo para manifestação do contribuinte. Cumpridas as tarefas acima listadas, o processo deverá retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 923DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.002371/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/03/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. PARTE DE PRODUTO IMPORTADA ISOLADAMENTE. TRANSPONDER MD 5888. SISTEMA DE DETECÇÃO DE VEÍCULOS. PRECEDENTES.
A parte do produto "Detecção de Veículos", transponder MD 5888, deve ser classificada na NCM 8526.10.00. Precedentes na Solução de Divergência da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro - COANA n.º 06/2001 e Acórdão 301-31-002 deste Conselho.
MULTA. DECLARAÇÃO INEXATA.
Correta a classificação adotada pelo contribuinte, por consequência não é possível reconhecer que houve declaração inexata e, portanto, inaplicável a multa correspondente.
Numero da decisão: 3201-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 18/03/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. PARTE DE PRODUTO IMPORTADA ISOLADAMENTE. TRANSPONDER MD 5888. SISTEMA DE DETECÇÃO DE VEÍCULOS. PRECEDENTES. A parte do produto "Detecção de Veículos", transponder MD 5888, deve ser classificada na NCM 8526.10.00. Precedentes na Solução de Divergência da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro - COANA n.º 06/2001 e Acórdão 301-31-002 deste Conselho. MULTA. DECLARAÇÃO INEXATA. Correta a classificação adotada pelo contribuinte, por consequência não é possível reconhecer que houve declaração inexata e, portanto, inaplicável a multa correspondente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10831.002371/2002-77
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736050
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.764
nome_arquivo_s : Decisao_10831002371200277.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10831002371200277_5736050.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6817628
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213792681984
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-06-12T19:05:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-06-12T19:05:37Z; Last-Modified: 2017-06-12T19:05:37Z; dcterms:modified: 2017-06-12T19:05:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:c846c8a4-facd-4611-9191-7c8c4cd650ba; Last-Save-Date: 2017-06-12T19:05:37Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-06-12T19:05:37Z; meta:save-date: 2017-06-12T19:05:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-06-12T19:05:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-06-12T19:05:37Z; created: 2017-06-12T19:05:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2017-06-12T19:05:37Z; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-06-12T19:05:37Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 340 1 339 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10831.002371/200277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.764 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria Classificação Fiscal Recorrente QFREE AMÉRICA LATINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. PARTE DE PRODUTO IMPORTADA ISOLADAMENTE. TRANSPONDER MD 5888. SISTEMA DE DETECÇÃO DE VEÍCULOS. PRECEDENTES. A parte do produto "Detecção de Veículos", transponder MD 5888, deve ser classificada na NCM 8526.10.00. Precedentes na Solução de Divergência da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro COANA n.º 06/2001 e Acórdão 30131002 deste Conselho. MULTA. DECLARAÇÃO INEXATA. Correta a classificação adotada pelo contribuinte, por consequência não é possível reconhecer que houve declaração inexata e, portanto, inaplicável a multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 23 71 /2 00 2- 77 Fl. 392DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório Tratase de Recuso Voluntário de fls. 119 interposto em face de decisão de primeira instância de procedimento administrativo fiscal de âmbito Federal proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo DRJ/SP de fls. 103 que considerou integralmente procedente o lançamento do Imposto de Importação II e Multa Regulamentar decorrente de "Simples Divergência de Classificação de Mercadoria" (Auto de Infração fls. 02) com declaração inexata. Sendo costume desta Turma de julgamento a transcrição do Relatório das decisões de primeira instância, segue para apreciação: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/03/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, além da multa regulamentar, totalizando o valor de R$ 95.246,38, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação No. 02/01881289, parametrizada no CANAL 'VERDE, Transponder e seu software para a detecção de veículos por ondas de rádio, recebendo classificação fiscal na posição NCM 8526.10.00, com incidência da alíquota de 0% (nihil) para o Imposto de Importação e para o Imposto de Produtos Industrializados; • Através do Laudo Técnico Oficial No. 22/02, foi apurado que a classificação fiscal correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 8525.20.79, de acordo com a Regra No. 1 das Regra Gerais do Sistema Harmonizado, em cumprimento A. nota 2 das Notas da Seção XVI do Capitulo 85; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhiento do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional, além da multa regulamentar, totalizando o valor de R$ 95.246,38. Cientificado do auto de infração, pessoalmente„ em 19/03/2002 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, protocolizou impugnação, tlempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 08/04/2002, de fls. 46 à 79, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Nenhum dos equipamentos tem a capacidade de operar separadamente ou tem funções independentes; Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 341 3 • Através do Processo Administrativo 10882.01193/0092 a impugnante providenciou junto a Secretaria da Receita Federal formulação de consulta para o produto em questão, tendo por resposta do GNOM que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8525.20.71, publicada no Diário Oficial da União de 1/12/2000; • Posteriormente a COANA avocou o processo para si, decidindo que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8526.10.00, o que confere a segurança jurídica à impugnante; • A impugnante procedeu diversas importações do equipamento sempre elegendo como classificação fiscal esta posição; • 0 auto de infração em comento tem por impropriedade considerar que o transponder não faz parte do rádio detecção, pois isoladamente ele não desempenha o fenômeno da comunicação, sendo ele elemento do aparelho; • A adequada aplicação da nota 2 das Notas da Seção XVI do Capitulo 85 indica que a classificação fiscal correta seria na posição NCM 8526.10.00, uma vez que a parte definida como transponder é exclusivamente concebida para o aparelho rádio detecção dessa posição; • A posição eleith pela fiscalização não pode prevalecer porque o equipamento importado não exerce função de radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão; • Em face do Ato Declaratório COSIT No. 10/97, inaplicável a multa de oficio; • Inaplicabilidade da taxa selic; Pugna a improcedência do Auto de Infração. É o Relatório." Esta decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 103 foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2002 Despacho aduaneiro de Transponder e seu software para a detecção de veículos por ondas de radio, recebendo classificação fiscal na posição NCM 8526.10.00. 0 equipamento importado não é idêntico aquele que foi objeto da consulta. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado normatizadas pela Instrução Normativa No. 157/2002, insere o equipamento importado na posição NCM 8525. Fl. 394DF CARF MF 4 Incidência da multa por ausência de Licença de Importação e da Taxa Selic. Lançamento Procedente" Em maio de 2010 este Conselho conheceu o Recurso Voluntário e converteu o julgamento em diligência por meio de Resolução de fls. 165. Após o cumprimento da Resolução que determinou a juntada aos autos de cópia do Processo Administrativo de Consulta de n.º 10882.001193/0092, manifestaramse o contribuinte em fls. 313 e a União em fls. 341. Os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros Titulares, conforme Portaria de Condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Diante da análise do autos verificase que o ponto central da lide entre o contribuinte e a União se resume à classificação do Transponder MD 5888 e trata da possibilidade deste, parte integrante de um produto principal, o Sistema de Detecção de Veículos, ser classificada de forma divergente do produto principal quando importada separadamente. Por conta desta premissa utilizada para o lançamento, a de que uma parte de um produto principal poderia ter classificação fiscal divergente deste, a lide atingiu este Conselho. O Processo Administrativo de Consulta de n.º 10882.001193/0092 juntado aos autos é importante para a solução da lide, porque trouxe aos autos informações suficientes que demonstraram o entendimento da classificação do produto principal pela própria União, em conformidade com a classificação utilizada pelo contribuinte. De fato, tanto o produto/parte ora analisado, o Transponder MD 5888, quanto a Multileitora MD5850, parametrizados no canal verde, foram contemplados expressamente pela CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro COANA em Solução de Divergência n.º 06/2001 de fls 288 dos autos. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 342 5 Em breve análise verificase que a classificação adotada pelo contribuinte no código NCM 8526.10.00 é decorrente do entendimento desta Solução de Divergência, conforme Ementa transcrita a seguir: "Assunto: Classificação de Mercadorias. Ementa: Reforma da Decisão Diana/SRRF/8' RF n.° 98, de 14 de novembro de 2000. Mercadoria. sistema de detecção de veiculos, por ondas de radio, operando na freqüência de 5,8 GHz, utilizando padrão DSCR, capaz de identificar automaticamente veículos contendo um Transponder, constituído por uma unidade transmissora receptora fixa, denominada Multileitora, modelo MD 5850, que se destina a identificação e registro dos veículos que passem pela sua zona de atuação, e Transponder, modelos 5888 R/W ou 5803 RJW, que também é um transmissorreceptor, porém portátil e instalado nos veículos, de fabricação da Micro Design ASA, classificase no código NCM 8526.10.00 Dispositivos Legais: RG1 1.a (texto da posição 8526) e 6.a (texto da subposição 8526.10), RGC1, Notas 4 e 5 da Seção XVI da NCM, aprovada pelo Decreto n° 2.376, de 12 de novembro de 1997, na sua versão atual." Tendo ciência de que a partir de iniciativas da própria União em conjunto com a Organização Mundial das Alfândegas, o Brasil aderiu à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias em 1986, assim como o Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador previa em seu Art. 100 que a interpretação do conteúdo das posições seriam feitas pelas Regras Gerais (RG), a fiscalização motivou o lançamento a partir destas regras para interpretação do sistema harmonizado: "001 SIMPLES DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA A empresa QFree America Latina submeteu a despacho para consumo, através da Declaração de Importação 02/01881289, parametrizada no canal verde, pelo SISCOMEX, mercadorias com a seguinte descrição: "MD5888 Transponder e seu software para detecção de veículos através de ondas de radio", e indicou o código NOM 8526.10.00 para a classificação tarifária com aliquota de 0% para o Imposto de Importação e 0% para o IPIvinculado. Com fundamento no artigo 36 da IN/SRF/69/96, foi determinada a abertura dos volumes referentes a Declaração de Importação acima, tendo em vista a possível indicação incorreta do código NCM. 0 representante legal da empresa, ciente do procedimento, alegou que a opção pelo código NCM declarado está amparada na Solução de Divergência No.06 de 05/07/2001 da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro (COANA) da Secretaria da Receita Federal. 0 documento em questão determina que o sistema de detecção constituído por uma unidade transmissorareceptora Fl. 396DF CARF MF 6 fixa, denominada Multileitora MD5850 e o Transponder MD5888, classificase no código NCM 8526.10.00, sendo que a Multileitora se destina a identificação e registro dos veículos que passam pela sua zona de atuação e o Transponder é um transmissorreceptor portátil a ser instalado nos veículos. Em ato de conferência física das mercadorias verifiquei que a empresa adquiriu apenas o Transponder modelo 5888. Para dirimir as dúvidas quanto as características técnicas do Transponder, e sua capacidade de efetuar rádiodetecção desacompanhado da Multileitora, solicitei o Laudo Técnico No.22/2002. Após o exame das respostas aos quesitos constantes do mencionado Laudo Técnico, conclui que os Transponders, isoladamente, não são aparelhos de rádiodetecção, portanto não se enquadram no código NCM 8526.10.00, uma vez que a Solução de Divergência No.06 da COANA, anteriormente citada, indica tal código NCM para o sistema composto pela.Multileitora e pelo Transponder. Consubstanciado no exame do catálogo da mercadoria, apresentado pelo representante da empresa, e do Laudo Técnico, verifiquei que o Transponder MD5888 é um aparelho transmissoremissor de dados digitais através de ondas de radio freqüência na faixa de 5,8GHZ. Após estudo das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), conclui que o código NCM mais adequado para o Transponder, importado isoladamente, é 8525.20.79, pelos motivos a seguir: As mercadorias não podem ser classificadas como partes e pegas de um aparelho de rádiodetecção (8529.90.30) pois a Regra No.1 das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado determina que: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:" 0 texto da Posição 8525 é o seguinte: "Aparelhos transmissores (emissores) para radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão, mesmo incorporando um aparelho de recepção If A nota 2 das Notas da Seção XVI determina: "Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 8484, 8544, 8546 ou 8547) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos capítulos 84 ou 85 (exceto as Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 343 7 posições 8409, 8431, 8448, 8466, 8473, 8485, 8503, 8522, 8529, 8538 e 8548) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem;" As Considerações Gerais, II Partes (Nota 2 da Seção XVI) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) explicam: "De um modo geral, ressalvadas as exclusões compreendidas no número I, acima, as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou pra varias maquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 8479 ou 8543) classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluemse, todavia, em posições próprias diferentes das das máquinas: H) As partes dos aparelhos das posições 8525 a 8528 (poSição 8529). Todavia, estas disposições não se aplicam as partes que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 8485 e 8548). Os artefatos deste tipo seguem seu próprio regime em todos os casos, mesmo se concebidos especialmente para serem utilizados como partes de uma máquina determinada." Face ao exposto verificase que os transponders, apesar de concebidos para serem utilizados como parte do sistema de rádiodetecção, quando importados isoladamente, são classificados na sua própria posição. Composição do código NON 8525.20.79: 8525: aparelhos transmissores (emissores) para radiotelefonia, radiotelegrafia, radiodifusão ou televisão, mesmo com um aparelho de recepção incorporado 8525.20: aparelhos transmissores (emissores) com receptor incorporado 8525.20.7: outros transmissores (emissores) com receptor incorporado, de radiotelefonia ou radiotelegrafia digitais, de freqüência inferior a 15 GHZ." Conforme exposto acima, "as Considerações Gerais, II Partes (Nota 2 da Seção XVI) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) explicam: as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou pra varias maquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 8479 ou 8543) classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluemse, todavia, em posições próprias diferentes das das máquinas: H) As partes dos aparelhos das posições 8525". Ou seja, se a única hipótese de exceção para classificação de parte construída exclusivamente para um aparelho ou máquina, de forma isolada e separada, é quando o Fl. 398DF CARF MF 8 aparelho se encontra na posição 8525, tal raciocínio utilizado no lançamento não se aplica ao caso uma vez que não foi nem contestada a posição do aparelho, a 8526. Logo, a classificação do Transponder deve corresponder à classificação do Sistema de Detecção de Veículos e não à uma classificação isolada e separada. Não foi sequer levantada a hipótese de que o Transponder é um aparelho que funciona sem o sistema de detecção, assim como não há prova de que esse suposto "aparelho" é um transmissor com receptor incorporado de radio "telegrafia" ou rádio "telefonia" (características da posição de reclassificação). O verificado no Laudo e no próprio Auto de Infração, é que o Transponder transmite dados digitais através de ondas de rádio frequência: "Consubstanciado no exame do catálogo da mercadoria, apresentado pelo representante da empresa, e do Laudo Técnico, verifiquei que o Transponder MD5888 é um aparelho transmissoremissor de dados digitais através de ondas de radio freqüência na faixa de 5,8GHZ." Verificase que não há no lançamento e também não há na manifestação da União motivações conclusivas que permitam a reclassificação do produto/parte de forma independente do Sistema de Detecção de Veículos. Situação que é conflitante com o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Por exemplo: utilizado como fundamento para o lançamento, o próprio Laudo Técnico Oficial de fls. 22 é contraditório nas alegações de "radio detecção" e realmente não foi suficiente para demonstrar que o Transponder MD 5888 teria utilização diversa, ao contrário, demonstrou a possibilidade de ser exclusivo e essencial ao Sistema de Detecção de Veículo da posição 8526. Por meio de provas juntadas pelo contribuinte em fls. 206 e seguintes, ficou claro que o Transponder é obsoleto isoladamente, o que mais uma vez confirma o alegado pelo contribuinte que, deliberadamente, comprovou em fls. 153 não atuar em qualquer outra atividade além do Sistema de Detecção de Veículos. Não se trata de uma linguagem de comunicação comum, como telefonia ou televisão, como fez crer a fiscalização, é claramente uma tecnologia nova e aproximada à tecnologia do radar, com aplicação específica, comunicação própria e única sem qualquer outra utilidade (fls. 257 e seguintes Laboratório de Antenas). A simples concepção do Sistema de Detecção de Veículos não permite a utilização de outras classificações comuns a outros produtos como telefonia, televisão, rádio de comunicação de embarcações, telefonia e demais referências utilizadas pela fiscalização para adotar da posição 8525, transcrita a seguir em comparação com a posição 8526 adotada pela mencionada decisão COANA e pelo contribuinte: "85.25 APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARA RADIOTELEFONIA, RADIOTELEGRAFIA, RADIODIFUSÃO OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM; CAMERAS DE TELEVISÃO; CAMERAS DE VÍDEO Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10831.002371/200277 Acórdão n.º 3201002.764 S3C2T1 Fl. 344 9 DE IMAGENS FIXAS E OUTRAS CAMERAS DE VÍDEO; CÂMERAS FOTOGRÁFICAS DIGITAIS. 8525.20Aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado (...) 85.26 APARELHOS DE RADIODETECÇÃO E DE RADIOSSONDAGEM (RADAR), APARELHOS DE RADIONAVEGACÃO E APARELHOS DE RADIO TELECOMANDO." O Laudo afirmou que a mercadoria examinada não é capaz de efetuar a radiodetecção, sendo que somente a central fixa faria a radio detecção em fls. 22, mas em fls. 23 afirma que "o transponder realiza a transmissão de ondas de rádio frequência..." e "realiza comunicação bidirecional através de rádio frequência, ou seja, transmite e recebe...". Destes trechos podese concluir que ambos os aparelhos que formam o Sistema de Detecção de Veículos são responsáveis por detectar o veículo, por ondas de rádio, ou seja, rádio detecção. Ainda, em favor do contribuinte, em fls. 23 o Laudo explica: "Ao aproximarse da central de rádio detecção, o transponder que encontrase em estado de espera. recebe um sinal de rádio freqüência emitido pela central. solicitando ao transponder que emita sua identificação. Recebendo esse sinal, o transponder rapidamente transmite um sinal em resposta, enviando os dados que estão armazenados em sua memória (incluindo o seu código único de identificação). Ao receber esse sinal, a central de rádio detecção identificao e toma as providências necessárias de registro, abertura de barreiras, acionamento de cameras fotográficas. etc.. Em resumo, o principio de funcionamento do aparelho MD 5888 R/W baseiase na transmissão e recepção de mensagem de identificação digital através de ondas de RF." Por meio da análise do próprio Laudo que fundamentou o lançamento verificase que a mercadoria/parte é essencial e exclusiva ao produto principal "Sistema de Detecção de Veículos", assim como ficou clara a contradição da afirmação da "radiodetecção" ser qualidade exclusiva da central fixa, o que confirma a ausência de fundamentação legal ou técnica para a reclassificação do lançamento. Em breve análise das Regras Gerais para interpretação do sistema harmonizado, verificase que a classificação do Transponder é primeiro resolvida na Regra Geral n. 01, porque o texto contém a palavra radiodetecação. O simples fato de importar a mercadoria de forma separada não impede este Conselho de analisar as características desta diante de sua essencialidade, que por convergência com o disposto na Solução de Divergência n.º 06/2001 da COANA, adota a mesma classificação utilizada pela contribuinte como a correta, código NCM 8526.10.00. Fl. 400DF CARF MF 10 Além da mencionada decisão da COANA, que hora se utiliza como fundamento deste voto, é importante citar que este Conselho tem precedente no mesmo sentido, conforme Acórdão 30131002, proferido em nome deste mesmo contribuinte. Não havendo cobrança de diferença de tributos e multa, não há motivo para aplicação de juros. CONCLUSÃO Em face do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em sua integralidade, para exonerar toda a cobrança e considerar como correta a classificação do Transponder MD588 na posição NCM 8526.10.00. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720236/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Transitada em julgado decisão judicial favorável ao contribuinte, os débitos objeto de processo administrativo devem ser extintos nos termos do art. 156, X, do CTN.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que interam o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Transitada em julgado decisão judicial favorável ao contribuinte, os débitos objeto de processo administrativo devem ser extintos nos termos do art. 156, X, do CTN. Recurso Voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.720236/2013-13
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5723043
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.168
nome_arquivo_s : Decisao_10283720236201313.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 10283720236201313_5723043.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que interam o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6757975
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213836722176
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-01T13:32:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-03-01T13:32:16Z; Last-Modified: 2017-03-01T13:32:16Z; dcterms:modified: 2017-03-01T13:32:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:69100bc4-8327-4cde-bb24-b21e54b94418; Last-Save-Date: 2017-03-01T13:32:16Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-03-01T13:32:16Z; meta:save-date: 2017-03-01T13:32:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-03-01T13:32:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-03-01T13:32:16Z; created: 2017-03-01T13:32:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-03-01T13:32:16Z; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-01T13:32:16Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720236/201313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.168 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente Yamaha Motor Componentes da Amazônia Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Transitada em julgado decisão judicial favorável ao contribuinte, os débitos objeto de processo administrativo devem ser extintos nos termos do art. 156, X, do CTN. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que interam o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A empresa recorrente foi autuada para cobrança de créditos de COFINS, no valor de R$ 13.155.009,67 e de PIS, no valor de R$ 2.856.021,85, referente ao ano de 2007. A autuação foi consubstanciada no fato de ter a pessoa jurídica auferido receitas de serviços de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 36 /2 01 3- 13 Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 11 2 industrialização por encomenda, sem, contudo, ter oferecido as mesmas, à tributação do PIS e da COFINS. A fiscalização constatou que o contribuinte prestou serviços de industrialização por encomenda para empresa relacionada, a Yamaha Motor da Amazônia Ltda., registrados nas notas fiscais de vendas, no código CFOP 5124 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA, mas deixou de indicálos nas DACONS do anocalendário de 2007, como integrantes das bases de cálculo do PIS e da COFINS devidos no período. Entendeu a fiscalização que a conduta da empresa não estaria respaldada no art. 5°A, da Lei n° 10.637/2002, acrescido pela Lei n° 10.684/2003, com redação dada pela Lei n° 10.865/2004, que estipulou a incidência de alíquota zero no caso de receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoantes projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. Para a autoridade, a industrialização por encomenda difere da industrialização acobertada pelo art. 5° A, da Lei n° 10.637/2002. A empresa levou a questão à apreciação do Poder Judiciário, por meio do processo judicial n. 7029414.2011.4.01.3400, e foi vencedora, motivo pelo qual foi reconhecida pela DRJ a concomitância entre o processo fiscal e o judicial, por isso a 3ª Turma da DRJ/BEL negou provimento à impugnação, acórdão nº 0125.443, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 JURISDIÇÃO UNA. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA. A coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois tal iniciativa fere a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una. Isso significa que as decisões judiciais são soberanas. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito pelo lançamento. Decisão Judicial pode suspender a exigibilidade do crédito tributário, ou seja, a sua cobrança, porém não impede sua constituição pelo lançamento. Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 12 3 JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. PRINCIPAL. VALOR NÃO PAGO. Os juros de mora serão devidos sobre o valor do principal não pago, seja qual for o motivo determinante da falta, ex vi artigo 161 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. APLICABILIDADE. O lançamento para prevenir decadência é constituído quando a suspensão da exigibilidade, na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN, ocorre antes do início de qualquer procedimento de ofício relativo ao tributo lançado. Quando a suspensão ocorrer após o início do procedimento fiscalizatório, aplicase a multa de ofício. Impugnação Improcedente. A DRJ não conheceu a impugnação na parte relativa ao principal do crédito tributário cobrado no auto de infração, por reconhecer a concomitância. Todavia, a DRJ manteve a aplicação da multa e dos juros de mora, pois o §1º do artigo 63 da Lei 9.430/96 informa que a inaplicabilidade da multa de ofício destinase exclusivamente aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo e, no caso em comento, o mandado de procedimento fiscal é datado de 09/02/2011. Assim, como a contribuinte obteve antecipação dos efeitos da tutela em 25/01/2012, logo, após iniciado o procedimento fiscalizatório, a cobrança dessa penalidade tornase devida. Tendo em vista o resultado do julgamento na DRJ, foi determinado o desmembramento do processo n. 10283.720368/201264 (o principal da cobrança de PIS e COFINS), deste processo administrativo n. 10283.720236/201313 (multa de ofício e juros de mora). Confirase o teor do Termo de efl. 2387: O acórdão nº 0125.443 3ª Turma da DRJ/BEL não conheceu da impugnação na parte relativa ao principal do crédito tributário cobrado no auto de infração nº 10283.720368/2012 64, declarandoo definitivo na esfera administrativa e que tal parcela deverá ser cobrada imediatamente em autos apartados, desde que a coisa julgada no processo judicial n° 7029414.2011.4.01.3400 resulte de modo favorável à Fazenda Pública. Ao operacionalizar tal decisão no sistema SIEFProcessos, não foi possível o desmembramento do principal para autos apartados, uma vez que esse sistema só permite o desmembramento da multa vinculada, razão pela qual o interessado em epígrafe teve o referido auto de infração DESMEMBRADO para recepcionar o valor relativo à multa de ofício e aos juros de mora, parte esta conhecida do lançamento. A parte referente ao principal do crédito tributário, sub judice, permanecerá controlada no processo original, e será encaminhado à Equipe de Medidas Judiciais – EQJUDMED, Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 13 4 para acompanhamento da ação no processo judicial supracitado, e demais providências de sua alçada. Diante do exposto, abrimos a presente REPRESENTAÇÃO para recepcionar os valores relativos à multa de ofício e aos juros de mora, que passarão a ser controlados neste processo de nº 10283.720236/201313. Em seu recurso voluntário, a Recorrente insurgese contra o desmembramento deste processo daquele principal, com fundamento no art. 62 do Decreto 70.235/71, bem como contra a imposição de multa e juros, com fundamento nos art. 63 da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No caso em questão, houve sentença concedendo antecipação de tutela à contribuinte no processo judicial nº 7029414.2011.4.01.3400, nos seguintes termos: Tratase de ação ajuizada por YAMAHA MOTOR COMPONENTES DA AMAZÔNIA LTDA em face da UNIÃO (Fazenda Nacional), com pedido para que seja reconhecido o seu direito à isenção da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS nas operações de venda de bens e serviços para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e projetos aprovados pela SUFRAMA em especial para a Yamaha Motor da Amazônia Ltda. empresa do mesmo grupo. (...) 3. DISPOSITIVO Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para declarar que a alíquota zero fixada para a incidência da Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social estabelecida no artigo 5°A da Lei n° 10.637/2002 abrange as receitas decorrentes de industrialização por encomenda de matériasprimas e produtos intermediários efetuadas na Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 14 5 Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais também ali instalados, encomendantes da industrialização por encomenda, tudo consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. Concedo a antecipação dos efeitos da tutela na sentença para que quaisquer créditos tributários referentes a essas operações que tenham sido constituídos ou venham a ser constituídos pela Receita Federai fiquem com sua exigibilidade suspensa até o trânsito em julgado do presente processo. Condeno a Fazenda Nacional no reembolso das custas processuais, bem como no pagamento de honorários advocatícios que arbitro, por equidade, com base no artigo 20, § 4º, do CPC, em RS 10.000,00 (dez mil reais). Sentença adstrita ao duplo grau de jurisdição obrigatório. Após vencido o prazo para recurso voluntário, com ou sem ele, remetamse os autos ao egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Posteriormente, a decisão de segunda instância, também favorável ao contribuinte, foi assim ementada: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E PARA A COFINS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ZONA FRANCA DE MANAUS. APLICAÇÃO DA REDUÇÃO DE ALÍQUOTA PREVISTA NO ARTIGO 5ºA DA LEI Nº 10.637/2002. REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.865/2004. DECRETO Nº 7.212/2010. IPI. 1. Acerca da prescrição do direito de pleitear repetição de indébito dos tributos lançados por homologação, ressalto que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em recente julgamento (RE 566.621/RS, Rel. Min. ELLEN GRACIE, trânsito em julgado em 17/11/2011, publicado em 27/02/2012), com aplicação do art. 543B, do CPC (repercussão geral), com eficácia vinculativa, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/2005, decidindo pela aplicação da prescrição quinquenal para a repetição de indébito, às ações ajuizadas a partir de 09 JUN 2005, que é o caso em apreço. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 15 6 2. Quanto à matéria de fundo, pretende a autora, sejalhe garantida, relativamente às contribuições sociais ao Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), a aplicação do disposto no art. 5ºA, da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, incluído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 30/04/2004, nas operações de venda de bens/serviços para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus (ZFM). 3. A Fazenda Nacional apresentou irresignação às razões do requerimento apresentado pela autora, com fundamento na Solução de Consulta nº 12, de 12 de julho de 2011, editada por autoridade da 2ª Região Fiscal, na qual consta entendimento de aplicação da alíquota geral para a contribuição para o PIS e para a COFINS, mesmo nas situações de industrialização por encomenda, nos seguintes moldes: “(...) EMENTA: ZONA FRANCA DE MANAUS. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA. REDUÇÃO A ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a 0 (zero) da alíquota da aplicase somente à receita bruta auferida com a venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus. Verificada a inexistência de tratamento fiscal específico, sobre as receitas decorrentes de serviços de industrialização por encomenda incide a alíquota geral definida na legislação, conforme o regime de tributação a que estiver sujeito o executor da encomenda. (...)”. 4. A Autora informa que no desenvolvimento de suas atividades aufere receita decorrente da venda no regime denominado “industrialização por encomenda”, buscando, em razão disso, conforme já noticiado, os benefícios decorrentes da aplicação do disposto no art. 5ºA da Lei nº 10.637/2002, ressaltando que: “Em respeito às normas vigentes, apresentou projetos (doc. anexos) perante os órgãos competentes da Administração Pública, os quais foram aprovados como fazem prova cabal os adunados Laudos Constitutivos 150/2005, 151/2005, 196/2008, 197/2008, 198/2008, 199/2008 e 200/2008 (doc. anexos) e correlatos Atos Declaratórios Executivos 36/2006, 64/2006 e 56/2009 (doc. Anexos). Por conseguinte, confiando na segurança das condições econômicas apresentadas e aprovadas, a Autora procedeu a elevados investimentos destinados ao custeio operacional, máxime aquisição de bens para o imobilizado, máquinas, equipamentos, qualificação de operadores, entre outros de monta. (...)”. Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 16 7 5. O Decreto nº 7.212/2010, que regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI dedicou Seção específica para tratamento do regime fiscal no âmbito da Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental, em especial quanto à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados. Tal norma permite a identificação clara de que o processo de industrialização, por encomenda ou não, consiste preponderantemente em “Industrialização de Produtos”, demonstrando que o legislador não atribuiu distinção quanto à natureza da operação. 6. E, nesse sentido, a industrialização por encomenda também se enquadra na regra que o próprio art. 81 do citado decreto apontou, quanto à isenção do imposto relativamente aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, nos limites fixados pelo citado dispositivo, uma vez que não há indicação de ressalva pela norma de regência. Mesmo que a Fazenda Nacional defenda a inaplicabilidade do art. 5ºA em processo de industrialização por encomenda, sob a alegação de ausência de previsão legal, reconhecese que as ressalvas que o próprio o Decreto nº 7.212/2010 traz sobre a isenção a ser aplicada no processo de industrialização não alcançam tal processo. 7. Diante disso, verificase que o processo de industrialização por encomenda, nos moldes em que demonstrado nos autos, não difere do processo de industrialização defendido pela Fazenda Nacional, merecendo, desse modo, a aplicação das disposições do art. 5ºA da Lei nº 10.637/2002. 8. Ademais, a operação de industrialização por encomenda alcança o mesmo objetivo do processo geral de industrialização, enquadrandose na redução à alíquota zero, levando em conta que a receita auferida, do mesmo modo, é decorrente da comercialização de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus em razão do emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, conforme literalmente trazido pelo artigo 5ºA em estudo. 9. Quanto à fixação dos honorários advocatícios deve atender aos princípios da razoabilidade e da equidade. Assim, levandose em conta as diretrizes adotadas pela Turma e os requisitos contidos no art. 20, § 4º, do CPC, Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 17 8 entendo razoável a fixação dos honorários conforme estabelecido pelo Juízo a quo. 10. Apelação e remessa oficial parcialmente providas, tão somente para aplicar o prazo prescricional quinquenal, de acordo com a nova orientação da Suprema Corte. Ressaltese que o referido processo judicial n. 0070294.14.2011.4.01.34/DF, transitou em julgado na data de 27/01/2015 em favor da empresa. Em decorrência disso, o processo administrativo principal n. 10283.720368/201264, vinculado ao presente processo (10283.720236/201313), foi arquivado pela Receita Federal com a extinção dos débitos tributários, nos termos do artigo 156, X, do CTN. A Recorrente comprovou o trânsito em julgado através da juntada dos seguintes documentos, que constam nas efls. 25812608: · Sentença nº 62/2012B5ª Vara Tipo A, de 25/01/2012 (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Ementa/Acórdão/Relatório/Voto em Apelação/Reexame Necessário (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Certidão de Trânsito em Julgado em 27/01/2015 do Acórdão, lavrada em 13/02/2015 (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF); · Certidão de objeto e pé expedida pela Diretora da Divisão de Procedimentos Diversos da Coordenadoria de Recursos da Secretaria Judiciária do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Processo Judicial 007029414.2011.4.01.3400/DF). Às efls. 25582563 consta o termo de encerramento do processo principal, nestes termos: Ante o exposto, nesta data, foram extintos os débitos objeto deste processo administrativo tendo como base jurídica o dispositivo legal do art. 156, X, do CTN, e, em ato contínuo encerrouse o presente processo administrativo. Tais feitos, comprovase ao visualizar o Extrato de Encerramento do Processo Administrativo às folhas 2.443/2.446. Como não há mais nada a se fazer neste processo administrativo, proponho o arquivamento deste por 5 anos. Caso a Chefia concorde com tal arquivamento, deve assinar digitalmente o Extrato de Encerramento do Processo Administrativo às folhas 2.443/2.446. Caso não concorde com o arquivamento do presente processo Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 10283.720236/201313 Acórdão n.º 3301003.168 S3C3T1 Fl. 18 9 administrativo, deve retornar este processo a esta EQMEJ, apontando em suas considerações as causas que criaram óbice ao arquivamento. Por conseguinte, considerando que: 1) A concomitância não é matéria controvertida nestes autos; 2) Este presente processo é fruto do desmembramento, restando nele apenas a cobrança dos valores relativos multa de ofício e aos juros de mora; 3) O processo administrativo principal n° 10283.720.368/201264 (a cobrança de PIS e COFINS) encontrase definitivamente encerrado; 4) Não subsistiu o auto de infração para o PIS e COFINS em face do provimento judicial definitivo em favor da Recorrente. Então, todas as penalidades e encargos moratórios do principal devem ser cancelados, com fundamento no referido artigo 156, X, do CTN. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 26 de janeiro de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2619DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000318/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 01/02/2007 a 28/02/2007
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS
Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA.
O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizá-lo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 01/02/2007 a 28/02/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA. O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizá-lo. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12268.000318/2008-02
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5725474
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-004.959
nome_arquivo_s : Decisao_12268000318200802.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 12268000318200802_5725474.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6765497
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213862936576
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-04-17T11:11:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-04-17T11:11:02Z; Last-Modified: 2017-04-17T11:11:02Z; dcterms:modified: 2017-04-17T11:11:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:8534b542-dd83-4bed-9a7d-e53d99296885; Last-Save-Date: 2017-04-17T11:11:02Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-04-17T11:11:02Z; meta:save-date: 2017-04-17T11:11:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-04-17T11:11:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-04-17T11:11:02Z; created: 2017-04-17T11:11:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2017-04-17T11:11:02Z; pdf:charsPerPage: 1339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-04-17T11:11:02Z | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.103 1 1.102 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12268.000318/200802 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.959 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Recorrente DTCOM DIRECT TO COMPANY S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 01/02/2007 a 28/02/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA. O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizálo. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 18 /2 00 8- 02 Fl. 1106DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.104 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação realizada em 30/06/2008. O crédito é decorrente da contribuição previdenciária sobre serviços prestados por pessoas físicas contribuintes individuais que celebraram com o recorrente contrato de cessão de direitos autorais; porém, considerados pela fiscalização como prestação de serviços em geral. Seguem transcrições do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS O Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 01/02/2007 a 28/02/2007 AIOP 37.161.6190 GRAVAÇAO EM AUDIVISUAIS. PRESTAÇAO DE SERVIÇOS. Não configura cessão de direitos autorais mas sim prestação de serviços a gravação em audiovisuais de cursos, palestras, conferências, incidindo sobre a remuneração contratada as contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212, de 1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Em 30/06/2008 foi lavrado Auto de Infração sob o número acima identificado, no montante de R$ 77.124,21 (atualizados até a data do lançamento), contra o sujeito passivo supraqualificado, para constituição do crédito previdenciário (contribuição dos segurados), prevista no art. 21 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, incidente sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais no período de apuração em referência, que a empresa deveria ter arrecadado, no percentual de 11%, e recolhido à previdência social. ... 3.2.2 A empresa contrata profissionais para a gravação de audiovisuais com conteúdo de autoria dos contratados em troca da contraprestação de bens e serviços. Os contratos estipulam um valor em moeda corrente que corresponderia ao montante dos bens e serviços oferecidos em troca , tais como, a produção de comerciais da obra do autor com a conseqüente transmissão em seus canais de comunicação, a edição de um DVD com a gravação do curso que é repassada ao contratado, a inserção de comercias de divulgação das obras dos autores na grade de programação da empresa, a veiculação do nome e endereço Fl. 1108DF CARF MF 4 eletrônico do autor em revista mensal e no site da empresa. Estes serviços oferecidos em regime de permuta com os autores estão discriminados nos anexos aos contratos, que estabelecem um valor em espécie pela permuta. Este tipo de contraprestação caracterizase claramente como pagamento in natura, uma vez que a empresa tem por objeto social justamente a produção de programas audiovisuais com o objetivo de promover seminários, simpósios ,congressos e treinamento à distância. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reitera as alegações trazidas na impugnação: a) os pagamentos efetuados pela impugnante às pessoas físicas, sejam em espécie ou in natura, configuram hipótese de não incidência tributária, pois não constituiriam remuneração pela prestação de serviços, mas sim, contraprestação pela cessão de direitos autorais, parcela sobre a qual não incide a contribuição previdenciária; b) não haveria prestação de serviços por contribuintes individuais. Todos os contratos têm por objeto licenciar, em favor da impugnante, o uso das obras intelectuais de autoria dos contratados. E também que: Na hipótese, observase, com clareza, que a relação jurídica havida entre a Recorrente e as pessoas físicas indicadas pela Fiscalização tem por objeto verdadeira obrigação de dar coisa certa (obra intelectual), não havendo que se fala em prestação de serviços Partindo dessas premissas, adequadas à realidade concreta, impõese a conclusão de que as permutas implementadas entre a Recorrente e os contribuintes individuais indicados na autuação não integram a materialidade da norma de incidência tributária, mas,_pelo contrário, são dela expressamente excluídas, tratandose de verdadeira hipótese de nãoincidência. Desse modo, é certo que os valores relacionados aos contratos de licença de uso de obras intelectuais não estão sujeitos à imposição da contribuição previdenciária, derruindo, por completo, o lançamento a que se refere a presente notificação (levantamento “PAL”). ... Como se extrai dos dispositivos supra, as obras intelectuais expressadas em material audiovisual, consideramse bens móveis (obrigação de dar), e encontram tutela na lei de direitos autorais. A transferência e a utilização dos direitos autorais, por meio da utilização de obras audiovisuais, também foram disciplinadas pela Lei n° 9.610/98, merecendo destaque os seguintes dispositivos: “Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.105 5 representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: (...) Art. 50. A cessão total ou parcial dos direitos de autor, que se fará sempre por escrito, presumese onerosa. (...) Art. 81. A autorização do autor e do intérprete de obra literária, artística ou científica para produção audiovisual implica, salvo disposição em contrário, consentimento para sua utilização econômica.” Portanto, é certo que a cessão de direitos autorais por meio de obras audiovisuais encontra guarida no âmbito da legislação específica, devendo ser considerada como autorização para a produção de obras de cunho intelectual, similarmente ao que ocorre nos textos escritos e nas produções literárias. Diferentemente do que sustenta o julgador de primeira instância, não há qualquer impedimento à cessão de direitos autorais na forma de gravação de material audiovisual, tampouco a transmutação da natureza jurídica da obrigação que lhe é subjacente (dar coisa certa) para prestação de serviços, como conseqüência da eleição desse mecanismo de reprodução das obras. Pelo contrário, tal modalidade de transferência de direitos autorais é expressamente protegida pela legislação de regência! É o Relatório. Fl. 1110DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.106 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mérito A controvérsia em questão versa sobre o enquadramento da situação em exame no conceito de cessão de direito autoral sobre obras intelectuais, tal como previsto no artigo 7° da Lei 9.610, de 1998: Art. 7° São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: I os textos de obras literárias, artísticas ou cientificas; II as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; ... Isso porque não incide contribuição previdenciária sobre a remuneração pela cessão dos direitos autorais: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; Examinando os contratos juntados aos autos, especialmente os anexos I e II, verifico que para todos os serviços é fixado um valor de contraprestação na forma de Fl. 1112DF CARF MF 8 divulgação dos trabalhos do contratado, marketing junto a potenciais clientes que também poderiam contratar os serviços do contratado: O preço de R$ 5.000,00, cinco mil reais indicado na cláusula 3.* do contrato será pago pela Dtcom Direct to Company S.A o Autor conforme as regras estabelecidas neste anexo. 1. A Dtcom Direct to Company S.A produzirá o comercial no modelo padrão com os parceiros de conteúdo (logomarca e apresentação de um roteiro de 30" definido pelo Autor) e transmitirá nos seus canais, (durante 06 meses, 108 inserções mensais de 30" segundos cada), veiculadas em programas com assuntos ligados à mesma área de atuação do Autor, nos horários entre 8:00 e 23:00h, em dias de semana. 2. Além do previsto no item 2, a Dtcom Direct to Company S.A editará 1 (uma) fita VHS ou um DVD do curso gravado pelo Autor, o qual poderá reproduzila após a transmissão do curso no canal Dtcom Direct to Company S.A, a suas próprias expensas. . 3. Finalmente, a Dtcom Direct to Company S.A realizará para o Autor: a) divulgação do autor na grade de programação da Dtcom Direct to Company S.A; b) inserção de vinhetas com logomarca durante cada programa de autoria da instituição; c) A Dtcom Direct to Company S.A exibirá na Internet propaganda do autor, permitindo link direto para o seu endereço eletrônico, apresentadas no site Dtcom para todos os seus usuários, durante 12 meses todo 0 período de 24 horas/dia. No anexo I são discriminados os detalhes da produção a ser realizada pelo contratado, fls. 1.017: Estrutura da aula (teleaula) O professor deverá fornecer um esquema, um desenho, ou uma descrição que represente a hierarquia das idéias que serão abordadas teleaula. Deve ficar claro quais serão as idéias principais, as idéias secundárias e assim por diante. A estrutura deve demonstrar a linha de raciocínio utilizada pelo professor para concluir os temas abordados. Conteúdos a serem abordados nos blocos (teleaula) Uma aula corresponde a 48 min divididos em 3 blocos de dezesseis minutos. Os professores deverão mencionar, da mesma forma, o que será abordado em cada um destes blocos. Ex: Bloco 1 tópicos e assuntos abordados Bloco 2 tópicos e assuntos abordados Bloco 3 tópicos e assuntos abordados e fechamento do curso. Carga Horária: 2 horasaula Finalidade do Curso Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.107 9 O professor deverá explicar o que se pretende com o curso de uma forma geral. Lembrando que o objetivo deve ser razoável e condizente com o conteúdo do curso. Deve ficar claro se o curso irá informar, capacitar, demonstrar etc. Apresentar; analisar e discutir as inovações introduzidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal e seus reflexos no âmbito da Administração Pública, de modo que os servidores. ao final do curso, possam conhecer e interpretar a lei para entender sua relevância e, por conseqüência, evitar as falhas passíveis de punição. Objetivos Específicos O professor deverá informar claramente o que se espera dos alunos na elaboração dos objetivos específicos. O conteúdo de suas aulas deve estar de acordo com estes objetivos que se pretende atingir. Os objetivos específicos devem responder a seguinte frase: ao final desta aula, os alunos deverão ser capazes de ter conhecimento básico do assunto e até mesmo aprofundar os conhecimentos já existentes. Prérequisitos Informar se são necessários alguns pre'requisitos para participar mais eficazmente do curso. Mencionar quais säo e se possível, fornecer fontes onde os alunos possam buscar maiores informações. Preferencialmente indicado para os Gestores e Servidores Públicos do Município, cujas atribuições tenham afinidade com o tema. Referencial teórico principal e complementar O professor deverá indicar em quais referenciais teóricos está embasada sua aula, para que o professor tutor e eventualmente, o desenvolvedor de conteúdo, possam trabalhar melhor o conteúdo na web. Livro: Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municipios. São Paulo: Atlas, 2004 Legislação divulgada no site: wvvw.tesouro.fazenda.gov.br Material complementar e de apoio O professor deverá indicar sites, artigos, resenhas, entre outros para constar como indicação de material complementar aos alunos. Livro: Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municipios. São Paulo: Atlas. 2004 Legislação divulgada no site: www.tesouro.fazenda.gov.br Fl. 1114DF CARF MF 10 Como se pode constatar, não se trata de uma produção intelectual livre, uma manifestação da capacidade de criação do autor. Na verdade, o que temos no presente caso é uma produção intelectual, isso não se nega, mas na forma de prestação de um serviço sob encomenda a fim de que o contratante, ora recorrente, disponha de um produto a ser comercializado, principalmente a empresas interessadas em promoverem desenvolvimento corporativo de seus funcionários. Assim, tenho para mim não se tratar de uma cessão de direito autoral, mas uma prestação de serviço; contudo, no caso, não identifico na forma de contraprestação uma remuneração propriamente dita, seja na forma direta ou in natura. Vêse que o contratado, pela prestação de serviços, somente vem auferir um direito de divulgação de seu nome, logotipo e outros meios de marketing pessoal que, de fato, potencializam novas contratações. Quanto mais notoriedade melhor para o profissional que está no mercado para comercialização de seus trabalhos. Assim, o que vejo no presente caso é que a contraprestação por parte do recorrente termina nesse ponto: contribuir para a notoriedade do profissional, mas com isso ainda não se configura um benefício concreto, tangível, uma utilidade a ser usufruída pelo contratado. De acordo com a Lei nº 8.212/91, o salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade. Nenhum dos dois está presente. A potencial e presumida utilidade ainda não configura salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Em síntese, tratase de prestação de serviço e não de cessão de direitos autorais; porém, ausente a remuneração, seja direta ou na forma de utilidade. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 12268.000318/200802 Acórdão n.º 2301004.959 S2C3T1 Fl. 1.108 11 Fl. 1116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721539/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
Tendo em vista o julgamento proferido por esta Turma Julgadora em 04/07/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721413/2011-42, a exigência da obrigação acessória deve ter o mesmo destino do processo já julgado pelo colegiado, pois encontra-se diretamente relacionada à obrigação principal.Cabível a exigência da multa.
Numero da decisão: 2401-004.922
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento..
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Tendo em vista o julgamento proferido por esta Turma Julgadora em 04/07/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721413/2011-42, a exigência da obrigação acessória deve ter o mesmo destino do processo já julgado pelo colegiado, pois encontra-se diretamente relacionada à obrigação principal.Cabível a exigência da multa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10825.721539/2011-17
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5744362
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.922
nome_arquivo_s : Decisao_10825721539201117.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 10825721539201117_5744362.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez
dt_sessao_tdt : Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6870029
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213871325184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.721539/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.922 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente USINA AÇUCAREIRA SÃO MANOEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Tendo em vista o julgamento proferido por esta Turma Julgadora em 04/07/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721413/201142, a exigência da obrigação acessória deve ter o mesmo destino do processo já julgado pelo colegiado, pois encontrase diretamente relacionada à obrigação principal.Cabível a exigência da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 15 39 /2 01 1- 17 Fl. 271DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento.. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10825.721539/201117 Acórdão n.º 2401004.922 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto, em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1458.440 (fls.99/101): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 Debcad 51.003.5396 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A fiscalização lavrou em face do sujeito passivo o Auto de Infração DEBCAD nº 51.003.5396 (fl. 03), no valor de R$ 4.000,00, por descumprimento de obrigações acessórias, face a empresa não ter declarado os fatos geradores das contribuições, parte patronal, devidas à Previdência Social, relativas ao período compreendido entre 01/2008 a 08/2008. Em 09/09/2011 a Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, pessoalmente, e em 11/10/2011, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 65/75). Deste ponto em diante, adota se parte do relatório da decisão recorrida, que bem retrata os fundamentos do lançamento e da impugnação, iniciandose pelo próprio Relatório Fiscal: A autuada declarou em GFIP compensações indevidas no período 01 a 12/2008, as quais foram glosadas no processo 10825.721413/201142, Debcad n° 37.343.2356. Esclarece a fiscalização que, como o período da compensação indevida é anterior à competência 12/2008, comparou (planilhas nas folhas 56 a 58) as multas previstas pela legislação anterior e posterior à MP 449/2008, a fim de encontrar a multa mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional). Multa da legislação anterior à MP 449/2008: multa de mora, prevista no art. 35, I (12%, para as compensações indevidas) mais a multa prevista no art. 32, §4º, ambos da Lei nº 8.212/1991. Fl. 273DF CARF MF 4 Multa da legislação posterior à MP 449/2008: multa de mora pela compensação indevida, calculada com a alíquota de 0,33% ao dia, limitada a 20% mais a multa prevista no art. 32A, “caput” e inc. I, incluídos pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Conforme planilhas nas folhas 53 a 55, para as competências 01/2008 a 08/2008 a multa mais benéfica ao contribuinte é aquela nos termos da legislação atual. A autuada impugnou o lançamento com as seguintes alegações: os créditos compensados objetos do processo 10825.721413/201142 são provenientes do MS impetrado em litisconsórcio ativo com outras empresas do setor sucroalcoleiro; referido MS transitou em julgado; realizou a compensação com fundamento no trânsito em julgado do MS que reconheceu a ilegalidade de cobrança de contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a tratoristas e motoristas rurais; propôs ação ordinária para liquidar valores a serem compensados, pois inexistia à época dispositivo que regulamentasse a compensação no âmbito previdenciário; com a superveniência das regras para realizar a compensação no âmbito previdenciário e com o trânsito em julgado da ação ordinária, realizou a compensação de seus créditos; o motivo da ação ordinária 002533385.1988.4.03.03.6100 foi somente para apurar e liquidar o valor exato se seu crédito; contesta a premissa adotada pela fiscalização de “ausência de autorização judicial”, em face do caráter meramente executivo da ação em que busca a liquidação dos valores a serem compensados; o art. 170A do CTN trata do requisito de existência de direito creditório em favor do contribuinte; superada a discussão acerca do tributo, abrese a possibilidade da materialização da compensação pretendida, ainda que exista em relação à compensação ação judicial destinada à liquidação de seu valor; a fiscalização afasta a aplicação do art. 170A do CTN, porém não indicou qualquer dispositivo legal que impedisse a compensação (supostamente violado), restringindose à suposta “ausência de autorização judicial para fazêla”. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento pela 9ª Turma da DRJ/RPO, e esta, por unanimidade de votos, decidiu pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO apresentada, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO exigido. A Contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª Instância, Acordão nº 14 58.440, via Correio (AR – fls. 106/107), em 16/06/2015. Inconformados com a decisão de 1ª instância, a Contribuinte apresentou em 14/07/2015, tempestivamente, seu Recurso Voluntário (fls. 112/116), onde, em síntese, aduziu o seguinte: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10825.721539/201117 Acórdão n.º 2401004.922 S2C4T1 Fl. 4 5 1. Preliminarmente fala da necessidade de vinculação e julgamento conjunto deste processo com o processo administrativos nº 10825.721413/201142; 2. No caso da remota hipótese de ser superada a preliminar aduzida, alega, para que o Auto de Infração deve ser cancelado, em razão da regularidade da compensação realizada pela Recorrente, que deram origem ao presente lançamento, pelas razões aduzidas no Processos Administrativos nº 10825.721413/201142. Conclui seu RV requerendo a reforma do acórdão recorrido, para que seja cancelado o Auto de Infração objeto do lançamento. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente Lançamento trata de auto de infração relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, por ter a autuada declarado em GFIP compensações indevidas no período 01/2008 a 12/2008, as quais foram glosadas no processo 10825.721413/201142, DEBCAD n° 37.343.2356. Segundo a Recorrente não há que se falar em multa por descumprimento de obrigação acessória em virtude da regularidade das compensações efetuadas. Da regularidade das compensações e da inexigibilidade da multa apurada com base nas contribuições exigidas no Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.2356 Conforme se verifica dos fatos narrados pela fiscalização no Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.2356, o Lançamento se refere à glosa de valores mensais compensados, no período de 01/2008 a 12/2008, declarados em GFIP. De acordo com as constatações fiscais e as razões recursais apresentadas, a Recorrente e várias empresas obtiveram o direito de crédito contra o INSS, em virtude de recolhimentos indevidos de contribuições previdenciárias, através do Mandado de Segurança nº 569.6224, com trânsito em julgado em 02/02/1987. A decisão proferida na ação mandamental declarou indevida a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas a trabalhadores tratoristas e motoristas rurais (fl. 13), o que afasta qualquer questionamento do Fisco em relação à procedência do direito favorável ao contribuinte em vista da definitividade da decisão. Posteriormente, a empresa ajuizou ação ordinária (Processo nº 00025333 85.1988.4.03.6100), por meio da qual lhe foi assegurado o direito de restituição das parcelas recolhidas indevidamente de contribuição previdenciária a partir dos cinco anos anteriores à propositura do Mandado de Segurança nº 569.6224 que declarou o seu direito. Após o trânsito em julgado da ação ordinária de repetição de indébito, procedeu a execução do julgado objetivando a liquidação do indébito no valor de R$ 6.808.181,90. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10825.721539/201117 Acórdão n.º 2401004.922 S2C4T1 Fl. 5 7 Ocorre que o INSS interpôs Embargos à Execução (Processo nº 2002.61.00.0186026), os quais foram julgados procedentes decretando a nulidade da execução em razão da ausência de reexame necessário da sentença proferida na ação ordinária de repetição de indébito nº 0002533385.1988.4.03.6100, conforme se constata das informações extraídas do sitio da Justiça Federal na internet: Autos com (Conclusão) ao Juiz em 22/07/2008 p/ Sentença *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinatório Tipo : B Com mérito/Sentença homologatória/repetitiva Livro : 7 Reg.: 492/2009 Folha(s) : 104 Tópicos finais da sentença de fl.(s) (...)Ante o exposto, JULGO PROCEDENTES os embargos à execução opostos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, decretando a nulidade da execução promovida pela embargada nos autos da ação ordinária autuada sob o nº 88.00253334, nos termos do artigo 618, inciso I, do Código de Processo Civil, em razão da ausência do reexame necessário da sentença proferida naquele processo. Por conseguinte, torno sem efeito a certidão de trânsito em julgado lançada à fl. 412/vº daqueles autos e determino a imediata remessa dos mesmos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para o reexame necessário. Condeno a embargada ao pagamento de honorários de advogado em favor do embargante, que arbitro em R$ 2.000,00 (dois mil reais), nos termos do artigo 20, 4º, do Código de Processo Civil, cujo montante deverá ser corrigido monetariamente a partir da data desta sentença (artigo 1º, 1º, da Lei federal nº 6.899/1981). Após o trânsito em julgado desta sentença, trasladese cópia aos autos do processo principal, arquivandose os presentes. Publiquese. Registrese. Intimemse. Disponibilização D.Eletrônico de sentença em 13/05/2009 ,pag 844/846 Consoante destacado no Relatório Fiscal, não há dúvidas acerca do direito da contribuinte ao crédito. Destacou ainda que não cabe a aplicação do art. 170A do CTN, eis que a empresa, via execução do julgado, requereu e aguarda decisão definitiva acerca da compensação. No entanto, entendeu ser necessária glosa das compensações realizadas em face da ausência de autorização judicial expressa para fazêla, já que a demanda judicial tinha como objeto a restituição e não a compensação. Assim, procedeu ao lançamento relativo à glosa das compensações, e entendeu que no caso não se consubstanciava a hipótese do art. 151 do CTN de realização do lançamento com exigibilidade suspensa, na medida em que a situação fática não contemplava as hipóteses do dispositivo legal. Fl. 277DF CARF MF 8 Pois bem. Cabe nesse ponto destacar que a jurisprudência pacífica no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a sentença declaratória tem eficácia executiva, e que, em vista do princípio da economia processual, pode o contribuinte optar pela repetição do indébito via precatório ou proceder à compensação na fase de execução, conforme entendimento sumulado a seguir transcrito: Súmula 461 O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. (Súmula 461, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 08/09/2010) Nesse contexto, verificase que a compensação perfectibilizada pela contribuinte encontravase respaldada por decisão judicial transitada em julgado que lhe assegurava o direito inequívoco ao indébito tributário e, consoante entendimento sumulado pelo STJ (Súmula 461), poderia ser de logo executada. Cabe ainda ressaltar que, o fato de existir decisão em que foram julgados procedentes os Embargos à Execução interpostos pelo INSS, através da qual foi decretada a nulidade da execução em razão da ausência de reexame necessário da sentença proferida na ação ordinária de repetição de indébito, não configurava qualquer óbice à realização da compensação, tendo em vista que a contribuinte interpôs recurso de apelação o qual foi recebido em seus efeitos devolutivo e suspensivo (item 5.4.7 do Relatório Fiscal – fl. 15) e, por conseguinte, tem o condão de suspender os efeitos da sentença até o pronunciamento do Tribunal acerca do recurso. A decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região negando provimento à apelação interposta pela contribuinte foi disponibilizada no Diário Eletrônico no dia 04/05/2011, conforme se verifica no sitio do TRF da 3ª Região. Dessa forma, os efeitos da exigência da contribuição previdenciária em face da glosa de compensação realizada pela Recorrente, somente poderia se efetivar a partir da publicação da decisão proferida pelo Tribunal. Tal fato é importante em virtude do cálculo da multa e juros exigidos no lançamento. Assim, o termo inicial para a exigência das contribuições por glosa da compensação, ocorreu com a publicação do Acórdão do TRF da 3ª Região que apreciou a apelação interposta pela empresa contra a sentença proferida nos embargos à execução. As compensações efetuadas pelo contribuinte anteriores a referida decisão são consideradas legítimas e indevidas as glosas das compensações da forma como levantadas no Auto de Infração. No entanto, inobstante o entendimento supra, cabe noticiar que foi proferido julgamento por esta Turma Julgadora em 04/07/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721413/201142, no qual esta Relatora restou vencida. Desta forma, a exigência da obrigação acessória deve ter o mesmo destino do processo já julgado pelo colegiado, pois encontrase diretamente relacionada à obrigação principal. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10825.721539/201117 Acórdão n.º 2401004.922 S2C4T1 Fl. 6 9 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901111/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.416
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10940.901111/2012-11
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5741710
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.416
nome_arquivo_s : Decisao_10940901111201211.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10940901111201211_5741710.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6855054
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213875519488
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-13T19:13:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-13T19:13:25Z; Last-Modified: 2017-07-13T19:13:25Z; dcterms:modified: 2017-07-13T19:13:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-07-13T19:13:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-13T19:13:25Z; meta:save-date: 2017-07-13T19:13:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-13T19:13:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-13T19:13:25Z; created: 2017-07-13T19:13:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2017-07-13T19:13:25Z; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-13T19:13:25Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.901111/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.416 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 11 /2 01 2- 11 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.229. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10940.901111/201211 Acórdão n.º 3302004.416 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003927/2005-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e
critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar inicio ao procedimento de fiscalização.
INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do
fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N" 9.430, DE 1996- Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados
em conta de deposito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL- Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de I" de janeiro de
1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual).
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES/JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO - COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS - Incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa Física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação
anexada aos autos, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeter-se-ão às normas de tributação específica prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (art. 42, § 2°, da
Lei n°9.430, de 1996).
RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL - JUSTIFICATIVA DE ORIGEM - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos
rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO - A falta ou insuficiência de
recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1° de abril
de 199$, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da_Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1 CC nº 4).
Preliminares rejeitadas.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2202-000.422
Decisão: Aordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 400.204,00; R$ 131.944,00; RS 142.095,00e R$ 98.420,00 c R$ 117.973,89, correspondentes aos anos-calendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antonio Lopo Martinez, que não acompanharam os demais conselheiros na questão da exclusão no valor dos depósitos bancários não justificados o valor dos rendimentos tributados declarados nas Declarações de Ajuste Anual.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Nelson Mallmann
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201002
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 11020.003927/2005-01
conteudo_id_s : 5731457
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-000.422
nome_arquivo_s : Decisao_11020003927200501.pdf
nome_relator_s : Nelson Mallmann
nome_arquivo_pdf_s : 11020003927200501_5731457.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Aordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 400.204,00; R$ 131.944,00; RS 142.095,00e R$ 98.420,00 c R$ 117.973,89, correspondentes aos anos-calendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antonio Lopo Martinez, que não acompanharam os demais conselheiros na questão da exclusão no valor dos depósitos bancários não justificados o valor dos rendimentos tributados declarados nas Declarações de Ajuste Anual.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
id : 6795118
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-06-08T13:03:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: C:\Users\14675722172\Desktop\2202.xps-.xps; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 14675722172; dcterms:created: 2017-06-08T13:01:57Z; Last-Modified: 2017-06-08T13:03:17Z; dcterms:modified: 2017-06-08T13:03:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: C:\Users\14675722172\Desktop\2202.xps-.xps; xmpMM:DocumentID: uuid:2e06a2b5-4ea6-11e7-0000-70f1b212573d; Last-Save-Date: 2017-06-08T13:03:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-06-08T13:03:17Z; meta:save-date: 2017-06-08T13:03:17Z; pdf:encrypted: false; dc:title: C:\Users\14675722172\Desktop\2202.xps-.xps; modified: 2017-06-08T13:03:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 14675722172; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 14675722172; meta:author: 14675722172; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-06-08T13:01:57Z; created: 2017-06-08T13:01:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; Creation-Date: 2017-06-08T13:01:57Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 14675722172; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2017-06-08T13:01:57Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713049213897539584
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar inicio ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N" 9.430, DE 1996- Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de deposito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL- Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de I" de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES/JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO - COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS - Incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa Física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação anexada aos autos, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeter-se-ão às normas de tributação específica prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (art. 42, § 2°, da Lei n°9.430, de 1996). RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL - JUSTIFICATIVA DE ORIGEM - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO - A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de 1° de abril de 199$, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da_Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1 CC nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903160/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13896.903160/2009-63
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5742177
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.561
nome_arquivo_s : Decisao_13896903160200963.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 13896903160200963_5742177.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6858307
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213900685312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.903160/200963 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.561 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria IRPJ/CSLL/Compensação Recorrente NYLOK TECNOLOGIA EM FIXAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 31 60 /2 00 9- 63 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.903160/200963 Acórdão n.º 1402002.561 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001651/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. AUTORIZAÇÃO. AUTORIDADE LEGAL COMPETENTE. POSSIBILIDADE. EXAME DE FATOS NÃO EXAMINADOS ANTERIORMENTE. NOVO LANÇAMENTO. REGULARIDADE.
É possível o reexame de período já fiscalizado, mediante autorização expressa do Superintendente da Receita Federal do Brasil, na forma do quanto dispõe o artigo 906 do RIR/99, mesmo quando a fiscalização inicial não tenha resultado em lançamento de ofício.
Ao recair esse novo exame sobre fatos já examinados por ocasião do primeiro exame, e sendo apuradas irregularidades tributárias, correto o procedimento do Fisco de constituir o crédito tributário mediante lançamento, não se podendo cogitar de revisão do lançamento anterior, nem de erro de direito, muito menos de alteração do critério jurídico do lançamento.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos artigos 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - NATUREZA JURÍDICA. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO
Nulidade da autuação, higidez do acordo judicial homologado.
Numero da decisão: 2201-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negava provimento. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 25/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. AUTORIZAÇÃO. AUTORIDADE LEGAL COMPETENTE. POSSIBILIDADE. EXAME DE FATOS NÃO EXAMINADOS ANTERIORMENTE. NOVO LANÇAMENTO. REGULARIDADE. É possível o reexame de período já fiscalizado, mediante autorização expressa do Superintendente da Receita Federal do Brasil, na forma do quanto dispõe o artigo 906 do RIR/99, mesmo quando a fiscalização inicial não tenha resultado em lançamento de ofício. Ao recair esse novo exame sobre fatos já examinados por ocasião do primeiro exame, e sendo apuradas irregularidades tributárias, correto o procedimento do Fisco de constituir o crédito tributário mediante lançamento, não se podendo cogitar de revisão do lançamento anterior, nem de erro de direito, muito menos de alteração do critério jurídico do lançamento. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos artigos 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - NATUREZA JURÍDICA. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO Nulidade da autuação, higidez do acordo judicial homologado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.001651/2009-91
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5738508
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.683
nome_arquivo_s : Decisao_19515001651200991.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001651200991_5738508.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negava provimento. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
dt_sessao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6837708
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049213905928192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 391 1 390 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001651/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.683 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria Omissão de Receita Recorrente PAULO AFONSO ANTUNES JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. AUTORIZAÇÃO. AUTORIDADE LEGAL COMPETENTE. POSSIBILIDADE. EXAME DE FATOS NÃO EXAMINADOS ANTERIORMENTE. NOVO LANÇAMENTO. REGULARIDADE. É possível o reexame de período já fiscalizado, mediante autorização expressa do Superintendente da Receita Federal do Brasil, na forma do quanto dispõe o artigo 906 do RIR/99, mesmo quando a fiscalização inicial não tenha resultado em lançamento de ofício. Ao recair esse novo exame sobre fatos já examinados por ocasião do primeiro exame, e sendo apuradas irregularidades tributárias, correto o procedimento do Fisco de constituir o crédito tributário mediante lançamento, não se podendo cogitar de revisão do lançamento anterior, nem de erro de direito, muito menos de alteração do critério jurídico do lançamento. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos artigos 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 51 /2 00 9- 91 Fl. 391DF CARF MF 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NATUREZA JURÍDICA. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO Nulidade da autuação, higidez do acordo judicial homologado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negava provimento. Votaram pelas Conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 321/349) interposto contra decisão da DRJSPOII (fls. 301/312) que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário relativo a IRPF lançado através do Auto de Infração (fls. 266/271) no valor de R$ 17.509.626,53, sendo R$ 5.493.905,60 de principal, R$ 8.240.858,40 de multa de ofício (150%), e R$ 3.774.862,53 de juros de mora; lavrado em decorrência da fiscalização autorizada pelo MPF 08.1.12.002009001754 em 03/04/2009 (fls. 01) que, em sede de reexame de período já fiscalizado, apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica do ano calendário de 2003. Intimado a comprovar o recolhimento do imposto de renda incidente sobre o valor de RS 19.984.000,00, creditado na conta poupança nº 6.3479, agência 23930, mantida no Banco Bradesco, em 28 de novembro de 2003, o Recorrente alegou que tal rendimento se refere a indenização recebida da CocaCola, por força de decisão judicial nos autos do processo Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 392 3 nº 000.96.900.6069002, que tramitou na 32º Vara Cível Central da Comarca de São Paulo Capital. Os fatos reportados no relatório do Acórdão proferido pela DRJ precisam mais detalhada e sucintamente o ocorrido, conforme abaixo transcrito: “Segundo informações extraídas da cópia integral dos autos, a autoridade fiscal assim descreve o objeto da ação judicial: "O contribuinte moveu ação contra a empresa CocaCola, em 14/03/1996, alegando que ele, Paulo Afonso Antunes Júnior, havia criado um projeto publicitário de sua exclusiva criação e autoria, então inédito e de concepção Original, que denominou de Copa União/CocaCola. O referido projeto publicitário (fls. 42/47) consistia no patrocínio das equipes que viessem a disputar o campeonato brasileiro de futebol profissional, como pagamento da divulgação do nome comercial do patrocinador CocaCola nos uniformes de todos os participantes dessas competições, atletas e respectivas comissões técnicas, bem como em locais estrategicamente escolhidos nos estádios onde se desenrolassem as competições. (...) A contratação do patrocínio com o Clube dos Treze, necessariamente, deveria ser intermediada pelo autor, Sr. Paulo Afonso Antunes Júnior, dentre outras razões, para proteger a autoria do projeto e resguardar sua originalidade, a quem caberia, também, a celebração do respectivo contrato. A alegação na ação judicial foi de que, embora o prazo de vigência do contrato de 24 de setembro de 1987 fosse de cinco anos (fls. 48/53), a verdade é que estava sempre vinculado aos prazos de vigência dos contratos que a CocaCola celebrasse com o Clube dos Treze, prorrogáveis, independente de qualquer aviso, até o final de 10 anos. Em 14 de maio de 1191, Paulo Afonso recebeu a comunicação de que não seria renovado o contrato, recebendo a última parcela contratual 2 dias depois. Entretanto, a CocaCola já havia reformado com o Clube dos Treze o contrato para exploração comercial do seu projeto publicitário, edições 1991 a 1995, nos moldes idênticos ao projeto elaborado por Paulo Afonso. Em 15/02/2000, foi proferido o Acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo dando ganho de causa ao Sr. Paulo Afonso Antunes Junior nos atos da ação ordinária movida contra a Coca Cola." O pagamento efetuado pela CocaCola foi de R$ 19.984.000,00, por meio de cheque administrativo em nome de ISPM Inter Sports Promoções Desportivas S/C Ltda. (fls. 116/118), com quem o contribuinte havia celebrado contrato de cessão e transferência de direito resultante do título executivo objeto da ação judicial em tela. Assim, tendo em vista que o valor obtido por meio da ação judicial não foi declarado nem pela pessoa jurídica, nem pela pessoa física e que o real Fl. 393DF CARF MF 4 beneficiário do ganho foi o contribuinte, a ação fiscal é encerrada com a lavratura do auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária: 1 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de trabalho sem vínculo empregatício, constante em DIRF e não declarado, no valor de R$ 125.770,45, no anocalendário 2000. Fundamentação legal: artigos lº ao 3° e parágrafos e artigo 6o da Lei 7.713/88, artigos 1°e 3° da Lei 8.134/90, artigo 1°, da Lei 9.887/99. Sobre o valor do imposto apurado foi, ainda, aplicada a multa qualificada de que trata o art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96, por entender a autoridade fiscal presentes as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. O contribuinte toma ciência do auto de infração 01/06/2009, e inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 26/06/2009 de fls. 282/297, em que alega, em síntese, que: 1 no ano de 1996, o impugnante ingressou com a Ação Judicial denominada Ação Anulatória de Documentos e Indenização contra a empresa CocaCola Indústrias Ltda, pois mantinha com a referida empresa contrato de projeto publicitário que, após cinco anos, a empresa decidiu rescindir tal contrato alegando não haver mais interesse no projeto; 2 no entanto, a CocaCola continuou a utilizar o projeto, nos exatos moldes criados pelo impugnante, porém sem o pagamento de seus direitos contratuais. Descoberta a utilização indevida e não autorizada, o impugnante ingressou em juízo buscando indenização pelos danos causados pela empresa; 3 o ganhos obtido na ação foram repassados a ISPM Inter Sports Promoções Desportivas, com base em contrato de cessão de direitos, homologada judicialmente em 27 de novembro de 2003; 4 com o falecimento do pai do impugnante, sócio da SPM Inter Sports, o valor recebido da indenização ficou com o impugnante, que era a quem pertencia o direito decorrente da Ação; 5 contrariamente ao que consta no auto de infração, o rendimento decorrente da ação judicial não é relativo a trabalho sem vínculo empregatício, até porque se fosse esse o caso a ação não teria transitado na Justiça Cível, mas sim na Justiça Trabalhista; 6 o valor recebido da empresa CocaCola não corresponde a qualquer serviço prestado nos cinco anos posteriores ao contrato; pelo contrário, o valor recebido foi proposital e cabalmente qualificado como indenização; 7 isso se comprova em vários trechos do Acórdão do TJ do Estado de São Paulo que trata o contrato como de cessão de direitos de obra intelectual ou, ainda, como fornecimento de tecnologia do ramo publicitário, porém em momento algum trata a questão como relação do trabalho sem vínculo empregatício; 8 resta claro que o valor recebido decorrente da referida ação tem natureza indenizatória e, como tal, não representa acréscimo patrimonial para efeito de aplicação dos incisos I e II, do art. 43, do Código Tributário Nacional; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 393 5 9 ainda que se admitisse a possibilidade de eventual incidência de imposto de renda seria outra a exigência fiscal, cogitandose a aplicação do art. 68, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, não fosse a não incidência reconhecida no §5°; 10 há evidente erro na eleição do sujeito passivo, na medida em que os documentos oficiais e judiciais atestam que a titularidade dos direitos da ação judicial não pertenciam ao autuado, e sim, à pessoa jurídica que era sua real beneficiária; 11 no caso em tela, a administração tributária praticou a condenada mudança de critério jurídico no lançamento, isto porque no exercício regular da atividade de fiscalização iniciada em 03/2008, há ato administrativo homologando expressamente todas as atividades praticadas pelo fiscalizado no ano de 2003; 12 é visível a falta de fundamentação para o indevido agravamento da penalidade na medida em que a auditora limitase a transcrever todos os dispositivos legais indicados, sem qualquer iniciativa para tipificar a conduta; 13 o auto de infração exige crédito tributário abarcado por período já decaído, vez que o prazo previsto no §4°, do art. 50, do Código Tributário Nacional, estava consumado, uma vez que não há que se falar em fraude, simulação ou conluio; 14 requer que não sejam aplicados juros moratórios sobre a multa lançada de ofício, por falta de amparo legal.” A DRJSPOII julgou improcedente a Impugnação, afastando a alegação de decadência e mantendo o crédito lançado, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. É possível a realização de novo procedimento fiscal quando expressamente autorizado pelo Superintendente da Receita Federal do Brasil, mesmo quando o primeiro não tenha resultado em lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NATUREZA JURÍDICA. Rendimento recebido em decorrência de ação judicial em que se pleiteava o pagamento de “indenização” a título de pagamento pela utilização de projeto desenvolvido pelo contribuinte após rescisão contratual caracteriza se como rendimento tributável decorrente de trabalho sem O vínculo empregatício. A incidência do imposto independe da denominação do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Fl. 395DF CARF MF 6 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA APLICAÇÃO. Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude do contribuinte nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Desde 1° de janeiro de 1997, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado da decisão de primeira instância em 26/02/2014 (fls. 1.709), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 08/12/2009, Recurso Voluntário (fls. 321/349), nos seguintes termos: a. É impertinente o questionado lançamento tributário, que somente foi mantido pela decisão de primeira instância pelo evidente corporativismo e falta de neutralidade e de independência da maioria dos AuditoresFiscais que funcionaram como membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJSão Paulo; b. É tão evidente a precariedade do questionado lançamento tributário que o próprio relator da DRJSão Paulo, em manifesto ato falho, concluiu seu voto fazendo juízo pela “IMPROCEDÊNCIA do lançamento", sendo que, em verdade, manteve o lançamento fiscal; c. Impossibilidade de reexame a destempo do mesmo fato, já submetido à homologação anterior, com atestado de inexistência de “crédito tributário devido”: O primeiro procedimento fiscal aberto contra o Recorrente, iniciado em 07/03/2008 através do MPF nº 08.1.90.002008014360, concluiu pela regularidade da sua conduta e deixou de tributar o valor da indenização recebida, conforme se extrai do expresso atestado de inexistência de crédito tributário a ser formalizado, como consta do "Termo de Encerramento” lavrado em 23/12/2008, que assim dispôs: “Encerramos, nesta data, a Ação Fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, tendo sido verificado o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA dos AnosCalendário 2003 e 2005/Exercícios 2004 e 2006, em que não foram constatadas irregularidades que demonstrassem lançamento de Crédito Tributário devido.”; d. Ao contrário do que menciona o contraditório voto condutor do Acórdão da DRJSão Paulo, há legítimo ato administrativo retratado nesse "Termo de Encerramento", ato administrativo qualificado como válido e eficaz, porque praticado por servidora pública competente e dentro do prazo reservado ao Fisco (5 anos) para homologar ou não homologar os atos praticados pelo contribuinte (atividade de autoapuração). Portanto, sendo válido e eficaz, há que se reconhecer os efeitos desse legítimo ato administrativo; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 394 7 e. A certificação da não incidência do imposto de renda, por ato administrativo lavrado em 23/12/2008, não pode ser ignorada pelos julgadores, porque consumou os efeitos da homologação expressa, realizada tempestivamente (dentro dos 5 anos), sendo forma de extinção do Crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VII, do CTN; f. Com essa natureza de ato administrativo válido e eficaz, não poderia ser sumariamente substituído por outro ato administrativo com divergente qualificação, sem a observância do rito adequado para revogação do primeiro, sendo a motivação o primeiro dos requisitos; g. No entanto, nada disso foi observado no novo procedimento de fiscalização, pois não há qualquer indicativo da motivação, do porquê da reabertura de procedimento fiscal para reexame da mesma matéria fática já expressamente fiscalizada. Contrariamente ao que consta no Acórdão da DRJSão Paulo, a existência de novo “Mandado de Procedimento Fiscal" (de nº 08.1.12.002009001754), contendo a necessária "autorização para reexame" (art. 906 do RIR/99) assinada pelo Sr. Superintendente da Receita Federal (fls. 01 e 04), em nada socorre para encobrir o insanável vício. Isto porque, é inválido e ineficaz o novo MPF, uma vez que a autorização foi expedida a destempo (26/03/2009), ou seja, quando já ultrapassados os 5 anos regulamentares, contrariando não só o artigo 150, § 4°, do CTN, mas principalmente a norma interna concebida pela PortariaRFB nº 11.37107, que regula a expedição do MPF, especialmente seu artigo 7º, § 1º que limita o seu período de abrangência “nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF”; h. Portanto, emitido o novo MPF em 26/março/2009, só poderia alcançar os fatos geradores ocorridos a partir do ano de 2004 (5 anos anteriores), jamais o ano de 2003 como indevidamente consignado no irregular e imprestável MPF. Além desse insanável Vício de afronta à norma interna, o ato também é ineficaz porque não se apontou a imprescindível motivação para o reexame, nem qualquer vício formal do ato administrativo regular anterior que já havia reconhecido a não incidência do imposto de renda sobre a indenização e expressamente homologado o procedimento da não tributação; i. É contraditória a decisão recorrida, pois está comprovada, a mudança de critério jurídico, que fica caracterizada pela divergente qualificação do fato em diferentes momentos da fiscalização (não incidência, na primeira fiscalização; fato tributado, no reexame), constatação que prescinde da existência ou inexistência do ato do lançamento nas duas oportunidades; Fl. 397DF CARF MF 8 j. Ainda que se admitisse que o valor da indenização pudesse ser tributado, é deplorável verificar que o novo ato abusivo de indevida exigência do IR sobre fato ocorrido em novembro de 2003 venha acompanhado de imposição de multa de 150%, com esdrúxula e genérica acusação de prática de sonegação, fraude e conluio. É preciso registrar que a acusação é grave e o Recorrente tem motivos para estar indignado, porque há excesso de exação e indevida denúncia de prática de crime comprovadamente inexistente; k. Há obstáculo legal que inviabiliza o exame de mérito, visto que o questionado Auto de Infração foi lavrado quando já extinta a possibilidade de lançamento pela Fazenda Nacional, porque já transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4°, do CTN, uma vez que o lançamento se refere a pretenso fato gerador ocorrido em 30/11/2003 e a ciência do Auto de Infração operouse por via posta somente em 01/06/2009 (fls. 272); l. Assim, o termo a quo do prazo decadencial independe do fato de o contribuinte ter ou não efetuado o pagamento do tributo, pois o que a Administração Tributária homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, e não o ato do pagamento. Essa confirmação está expressa no caput do artigo 150, do CTN, ao consignar que a homologação “operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". Fosse a homologação dirigida ao pagamento, a norma do CTN viria com o artigo masculino “o”, e não o artigo feminino “a” que só pode se referir à atividade; m. Natureza de indenização do valor recebido: É contraditória e não encontra qualquer fundamento nos documentos acostados aos autos a conclusão da autoridade fiscal de que a natureza jurídica do pagamento recebido pelo Recorrente se trata de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho sem vínculo empregatício. Essa tese sustentada pela fiscalização é precária e foi levianamente homologada pela DRJSão Paulo. Do contrário, sua interpretação não pode ser simplória, afoita, ou ao talante da fiscalização, pois é ônus do Fisco comprovar que se trata de rendimento decorrente de trabalho. Assim, não se pode exigir a prova negativa do autuado, o qual já produziu a prova positiva que lhe cabia e que merece fé pública; n. Contrariamente ao que consta do Auto de Infração, não se trata de ação decorrente de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, como alega a AFRF, até mesmo porque, se fosse esse o caso, a ação não teria tramitado na Justiça Cível, mas sim na Justiça Trabalhista. Em nenhum momento a decisão judicial faz referência à remuneração por qualquer trabalho. Dessa forma, a reparação financeira por ato ilícito, determinada pelo Poder Judiciário, não pode ser trasmudada pelo Fisco em remuneração do trabalho, em afronta aos artigos 109 e 110 do CTN, que vedam a alteração do conteúdo de institutos de direito privado (indenização), com o objetivo de atribuirlhes efeitos tributários. Aquilo que o Poder Judiciário concedeu como “reparação de danos", com base em preceitos do Código Civil, não pode ser rotulado Fl. 398DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 395 9 pelo Fisco como "remuneração de trabalho sem vínculo empregatício", mormente quando o valor fixado na decisão judicial não cogita da existência de qualquer trabalho, ao contrário, tem a ver com o a indevida exploração de projeto sem o trabalho ou autorização do seu autor; o. O auto de infração é imprestável pois, se o valor recebido fosse tributável, a fundamentação legal seria, quando muito, diversa daquela utilizada pelo lançamento, qual seja de “multa por rescisão de contrato” (RIR/99, Art. 681 e § 1º), que nem mesmo poderia ser pois o § 5º do artigo 681 do RIR/99 não tributa as indenizações; p. Como os direitos da referida ação judicial foram transferidos à pessoa jurídica SPM Inter Sports Promoções Desportivas S/C Ltda., se percebe que há evidente erro na eleição do sujeito passivo do lançamento, na medida em que os documentos oficiais e judiciais atestam que a titularidade dos direitos da ação judicial não pertencia ao Recorrente, mas sim à pessoa jurídica que era a real beneficiária; q. Se houve endosso do cheque, pela pessoa jurídica, como indica a fiscalização, é porque era a única titular do direito e efetivamente o recebeu. Se assim não fosse, seria desnecessário o endosso que se qualifica como ato jurídico pelo qual se transmite direitos (cessão); r. Se pretende o Fisco tributar o resultado dessa cessão de direitos, o fato gerador teria ocorrido em 11/08/2003 (data da cessão) e a forma de tributação seria outra (art. 117 do RIR/99), pela modalidade instantânea de "ganho de capital", sujeita à alíquota fixa de 15% e, igualmente alcançada pela decadência; s. Mesmo que se force em considerar que o valor recebido pelo Recorrente deva sofrer algum tipo de tributação, aquela realizada de uma só vez sobre o valor recebido acumuladamente não pode se pautar pela tabela progressiva do IR do período do seu recebimento, devendo o referido valor ser distribuído pelos períodos a que competirem e, dessa forma, ocorrer a tributação; t. Há norma geral expedida pelo Ministério da Fazenda propugnando pela imprestabilidade de lançamento que tributa via imposto de renda, de uma única vez, os chamados rendimentos recebidos acumuladamente. Dessa forma, ainda que tributável fosse o valor da indenização, o cancelamento do Auto de infração é medida que se impõe em atendimento à orientação do próprio ministério, ao qual está vinculado CARF; Fl. 399DF CARF MF 10 u. Como inexiste prova nos autos que aponte para o “evidente intuito de fraude", não deve ser aplicada a multa qualificada de 150%, que somente se sustenta pela demonstração da tipicidade do ocorrido; v. Impossibilidade de incidência de Juros SELIC sobre a multa de ofício: O Recorrente manifesta sua repulsa contra a prática de aplicação da taxa SELIC sobre a multa lançada de ofício, procedimento este que, muito embora não encontre qualquer respaldo no ordenamento jurídico, vem sendo teimosamente adotado pelas autoridades administrativas; w. Ao estabelecer a incidência de juros de mora sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, que devem ser calculados à taxa Selic, o legislador tributário previu remuneração ante a demora no recebimento de receita pública esperada pelo sujeito. Não é o caso da multa de ofício, que tem caráter penal, cujo ingresso não é esperado pela Fazenda Pública. Por essa razão, não é pertinente a incidência de juro remuneratório sobre a multa de ofício, que sequer é mencionada no referido dispositivo, assim como também não é devido o juro sobre a multa de mora, que permanece fixa até a liquidação do principal, a despeito dos longos anos transcorridos; x. Da mesma forma que não incidem juros de mora sobre a multa de mora, não devem incidir os mesmos juros sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal, pois a expressão "débitos", a que faz referência a lei, só pode referirse a tributo e não à multa, como se comprova pela não incidência sobre a multa de mora que também compõe o crédito tributário, conforme jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes; y. Ao final, requer a reforma da decisão guerreada, para julgar totalmente improcedente a equivocada exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 396 11 Ilegalidade e Nulidade Reabertura de Fiscalização Inicialmente, aduz o Recorrente que o primeiro procedimento fiscal aberto contra ele, iniciado em 07/03/2008 através do MPF nº 08.1.90.002008014360, concluiu pela regularidade da sua conduta e deixou de tributar o valor da indenização recebida, conforme se extrai do "Termo de Encerramento” lavrado em 23/12/2008, que assim dispôs: “Encerramos, nesta data, a Ação Fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, tendo sido verificado o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA dos AnosCalendário 2003 e 2005/Exercícios 2004 e 2006, em que não foram constatadas irregularidades que demonstrassem lançamento de Crédito Tributário devido.” Assim, sustenta ser ilegal e nulo o novo expediente fiscal. Com efeito, o artigo 906 do RIR/99 determina ser legalmente possível o exame de período já fiscalizado, bastando para tanto que decorra de ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, senão vejamos: “Reexame de Período já Fiscalizado Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal.” Este não deixa de ser o entendimento deste E. CARF: “PERÍODO FISCALIZADO. REEXAME. O fato de o contribuinte ter sido objeto de fiscalização em períodos anteriores ou o fiscalizado, não significa a homologação de todas as suas ações, nesses períodos, sendo que há previsão de eventual segunda fiscalização, devidamente autorizada.” (Ac. 1402002.144. Primeira Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma. Rel. Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Sessão: 05/04/2016) “REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art. 906 do RIR/99.” (Ac. 2202002.782. Segunda Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma. Rel. Carlos André Ribas de Mello. Sessão: 09/09/2014) No caso em apreço, se se verificar a Autorização para Reexame de Período Fiscalizado acostada às fls. 05, perceberseá que aludido documento foi assinado pelo Superintendente Adjunto Roberto Duarte Alvarez (matrícula Sjapecad 00023053). Fl. 401DF CARF MF 12 Outrossim, não há que se falar na aplicação do artigo 146 do CTN, pois este se relaciona à modificação promovida nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento e, como não ocorreu lançamento do procedimento fiscal anterior, não se pode aventar a aplicação do mencionado artigo. Isto posto, entendo pela legalidade da reabertura da fiscalização ou do reexame de período já fiscalizado, como ocorre nos autos, afastando, por isso, toda a alegação do Recorrente relativa à ilegalidade e nulidade, e contrárias ao que dispõe a lei. Decadência Alega o Recorrente que o novo MPF é inválido e ineficaz, uma vez que a sua autorização foi expedida a destempo (26/03/2009), ou seja, quando já superado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contrariando não só o artigo 150, § 4°, do CTN, mas principalmente a norma interna concebida pela PortariaRFB nº 11.37107, que regula a expedição do MPF, especialmente seu artigo 7º, § 1º que limita o seu período de abrangência “nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF”. Aduz que, ao contrário do que menciona o contraditório voto condutor do Acórdão da DRJSão Paulo, há legítimo ato administrativo retratado nesse "Termo de Encerramento de Fiscalização", lavrado em 23/12/2008, que é um ato administrativo qualificado como válido e eficaz, porque praticado por servidora pública competente e dentro do prazo reservado ao fisco (5 anos) para homologar ou não homologar os atos praticados pelo contribuinte (atividade de autoapuração). Portanto, sendo válido e eficaz, há que se reconhecer os efeitos desse legítimo ato administrativo. Portanto, emitido o novo MPF em 26/03/2009, só poderia alcançar os fatos geradores ocorridos a partir do ano de 2004 (5 anos anteriores), jamais o ano de 2003 como indevidamente consignado no irregular e imprestável MPF. Além desse insanável vício de afronta à norma interna, o ato também é ineficaz porque não se apontou a imprescindível motivação para o reexame. Dito isso, mister se faz trazer à colação o julgado do STJ que norteia o tema da “decadência” no âmbito tributário, consubstanciado no REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC, nos excertos abaixo transcritos: “3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199)” Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 397 13 Em seguida, posto que já analisado este tema na decisão de piso, passo a transcrever os fundamentos daquela decisão, que servirão para embasar este voto, pela sua clareza e pontualidade, senão vejamos: “(...) Em relação à decadência suscitada, esta Terceira Turma, por maioria, já firmou o entendimento que, nos casos de lançamento de ofício, a contagem do prazo dáse, sempre, seguindo as regras estabelecidas no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, (...) O artigo 150, S4°, do mesmo diploma legal, trata da homologação tácita do pagamento, no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e este tenha sido corretamente recolhido. Tal norma é reproduzida abaixo, in verbis: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento Sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar praco à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a Ocorrência de dolo, fraude ou Simulação.” Conforme descrito no artigo 150, caput, o lançamento por homologação ocorre somente nos casos de tributos em que o sujeito passivo tem o dever de antecipar o pagamento e operase pelo ato em que a autoridade fiscal, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Apesar de existir alguma divergência sobre o assunto, podese afirmar que a atividade a ser “expressamente homologada” pela autoridade administrativa, conforme prevista pela citada norma, é a apuração e posterior recolhimento do imposto, ou seja, é o pagamento do tributo. Sacha Calmon Navarro Coelho (in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Editora Forense, 6° Edição, Rio de Janeiro, 2002, pág.672) assim leciona sobre a questão: “A homologação é mera acordância relativa a ato de terceiro, no caso o contribuinte, de natureza satisfativa, i.e., pagamento. Por isso, o $1o diz que o pagamento extingue o crédito, mas sob a condição resolutória de ulterior homologação do lançamento. Que lançamento? O que a Fazenda homologa é o pagamento.” (grifos nossos) Fl. 403DF CARF MF 14 Assim, não havendo recolhimentos antecipados, não se pode falar em lançamento por homologação e o termo inicial da contagem do prazo decadencial segue o artigo 173, I. Da mesma forma, ou seja, remetese à contagem do artigo 173, I, quando sujeito passivo efetua recolhimento incorreto, pois, em relação à diferença de tributo não paga, o lançamento será de ofício, por meio de lavratura de auto de infração, nos termos do artigo 149, V, do Código Tributário Nacional, e não mais “lançamento por homologação” que se restringiu à parcela apurada e paga pelo sujeito passivo. Reproduzo, abaixo, a citada norma: Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte, " (grifouse) O Como o que se homologa é o pagamento, não se pode considerar ocorrida a dita “homologação tácita” quando o contribuinte nada recolheu ou quando houve recolhimento insuficiente, pois não se pode reputar homologado o que não foi pago. Assim, quando há pagamento a menor, operase a homologação tácita apenas do pagamento efetuado e, quanto ao restante, à diferença, cabe o lançamento de ofício nos termos do artigo 149, V, do Código Tributário Nacional, segundo a contagem decadencial do artigo 173, I. Podese afirmar, portanto, que, nos casos de lançamento de ofício, a contagem decadencial sempre segue a forma estabelecida pelo artigo 173, I e nunca a do artigo 150, S4° do Código Tributário Nacional. Por oportuno, reproduzo abaixo excerto do Acórdão CSRF/0101.994: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no 4° do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiéncia de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de oficio. (gn) Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ”. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 398 15 Portanto, em relação ao anocalendário 2003, para fins de contagem do prazo decadencial, tomase o termo inicial conforme determinado pelo art. 173, inciso I do O CTN, isto é, 01/01/2005, com termo final em 31/12/2009. Como o lançamento de ofício foi efetuado dentro do prazo (em 26/03/09), não há que se falar em decadência. Colocado isso, entendo por afastar a preliminar de decadência aventada pelo Recorrente e aplicável o artigo 173 em vista da apuração de fraude por parte da fiscalização, inclusive com aplicação de multa qualificada. Ilegitimidade Passiva Sustenta o Recorrente que, como os direitos da ação judicial que proporcionaram os rendimentos obtidos foram transferidos à pessoa jurídica SPM Inter Sports Promoções Desportivas S/C Ltda., se percebe que há evidente erro na eleição do sujeito passivo do lançamento, na medida em que os documentos oficiais e judiciais atestam que a titularidade dos direitos da ação judicial não lhe pertencia, mas sim à mencionada pessoa jurídica, que era a real beneficiária. Não assiste razão ao Recorrente nesse tópico, pois pela análise dos fatos e dos documentos acostados aos autos, se verifica que este possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do crédito em cobro e, assim, é considerado como o responsável pelo crédito exigido, em homenagem ao princípio da primazia da realidade. No caso em análise percebese que o contribuinte cedeu a título gratuito o seu direito aos valores da ação judicial em face da CocaCola para a empresa ISPM Inter Sports Promoções Desportivas S/C Ltda., inclusive a empresa adentrou aos autos do processo e o crédito foi homologado para si. Tais valores eram para serem utilizados para capitalizar a empresa ISPM, contudo, por conta da morte do pai do contribuinte, esse plano não foi concebido e o cheque foi depositado diretamente através de endosso na conta bancária do contribuinte tendo sido o beneficiário da disponibilidade jurídica e econômica do bem. Rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho sem vínculo empregatício Acusa o Recorrente que é contraditória e não encontra qualquer fundamento nos documentos acostados aos autos a conclusão da autoridade fiscal de que a natureza jurídica do pagamento recebido por ele se trata de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho sem vínculo empregatício. Essa tese sustentada pela fiscalização é precária e foi levianamente homologada pela DRJSão Paulo. Fl. 405DF CARF MF 16 Contrariamente ao que consta do Auto de Infração, aduz que não se trata de ação decorrente de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, como alega a AFRF, até mesmo porque, se fosse esse o caso, a ação não teria tramitado na Justiça Cível, mas sim na Justiça Trabalhista. Sustenta que em nenhum momento a decisão judicial faz referência à remuneração por qualquer trabalho. Entende que a reparação financeira por ato ilícito, determinada pelo Poder Judiciário, não pode ser trasmudada pelo Fisco em remuneração do trabalho, em afronta aos artigos 109 e 110 do CTN, que vedam a alteração do conteúdo de institutos de direito privado (indenização), com o objetivo de atribuirlhes efeitos tributários. Pela análise dos fatos e dos documentos, se percebe que a questão principal no caso em tela referese à natureza do rendimento pago ao Recorrente pela CocaCola, por força de decisão judicial, nos autos da ação Anulatória de Documentos e Indenização. Diz a decisão da DRJ: “De acordo como narrado pela autoridade fiscal e confirmado na impugnação, o contribuinte celebrou, no ano de 1987, com a CocaCola contrato de projeto publicitário de sua exclusiva autoria denominado “Copa UniãoCocaCola” que tinha o objetivo de patrocinar as equipes de futebol participantes do campeonato nacional. Após o cumprimento do contrato pelo prazo de cinco anos, a CocaCola decidiu rescindir o contrato alegando não haver mais interesse no projeto desenvolvido pelo impugnante. Entretanto, a mesma empresa continuou a utilizar nos campeonatos seguintes a mesma fórmula publicitária desenvolvida pelo autor. “Segundo as alegações apresentadas pelo contribuinte na petição inicial da ação, ele foi afastado “do negócio por ele mesmo criado para, absolutamente só (a empresa). locupletarse, às suas custas, das vantagens decorrentes da exploração comercial do seu projeto publicitário”. No item 27, da mesma Petição Inicial, o contribuinte alega que: "Em conseqüência e á evidência que pertencendo ao autor o direito de utilização comercial do projeto que concebeu (...)somente ele poderia autorizar o uso de sua obra. Como esta utilização foi feita com finalidade comercial, como retro ficou demonstrado, esta circunstância, por si só, comprova o prejuízo, uma vez que ao mesmo autor cabe participar dos benefícios econômicos decorrentes do aproveitamento comercial do seu trabalho intelectual. "(grifei) Já no item 28, da peça mencionada, o contribuinte afirma que teve prejuízo decorrente da renovação do contrato celebrado entre a CocaCola e o Clube dos Treze “objetivando a desautorizada repetição da utilização do projeto da concepção do autor, por mais cinco anos, sem a menção do seu nome, bem como da falta do pagamento da remuneração contratualmente ajustada.” (grifei) Fl. 406DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 399 17 No voto constante do Acórdão do Tribunal da Justiça do Estado de São Paulo, o relator desembargador Ênio Santarelli Zuliani assim expressa seu entendimento(fls. 47/76): "De posse de todo este banco de dados jurídicos, voltemos ao contrato epistolar firmado pelas partes. O autor almejava remuneração pelo trabalho que apresentou por dez anos. O que equivale a dizer que pretendeu ceder. Os direitos de sua obra intelectual, transferindo a titularidade para a CocaCola, desde que respeitado o prazo decenal. (...) Não resta dúvida, portanto, que a denominada indenização requerida na ação descrita acima não era outra coisa senão o pagamento pelo trabalho desenvolvido pelo contribuinte de um projeto publicitário inovador para ser utilizado nos campeonatos brasileiros de futebol. O direito de ser ressarcido pela CocaCola foi decorrente da proteção jurídica dos trabalhos intelectuais, semelhante à garantia do criador de um bem objeto de direito autoral, conforme didática redação da ementa do Acórdão do Tribunal de Justiça de fls. 65. É o direito patrimonial relacionado com a reprodução de sua criação que foi tutelada pelo direito e não uma reposição de perdas como defende o impugnante. O fato de estes rendimentos terem sido pleiteados na justiça e de terem sido denominados “indenização” não lhes subtrai a sua verdadeira natureza de rendimentos provenientes do trabalho. A leitura, ainda, do voto demonstra cabalmente que o relator também teve este entendimento, já que a indenização teve como base o valor monetário que o autor da ação deixou de receber nos anos em que seu trabalho foi utilizado pela CocaCola sem o seu consentimento. “A CocaCola comprou o plano por cinco anos, mas não tomou posse dos direitos morais do autor. Este o prazo comum de exploração econômica da idéia inédita e original, muito bem aceita e assimilada pela empresa. (...) Resulta que, decorrido o quinquênio de execução fiel do contrato, o continuísmo da utilização da obra do autor dependeria de novo consentimento e, obviamente, de outra rodada de negociação sobre valores de comissões. Como isso não ocorreu, abrese o campo para a responsabilidade civil (...). A indenização que o Estadojuiz mentaliza para buscar o equilíbrio monetário deve sopesar o único argumento válido, qual seja, a medida exata do valor que o autor exigiria para determinar aquela modalidade de execução. E isso ficou claro no contrato firmado.” Vêse que a dita “indenização” não é nada mais nada menos que a remuneração que teria sido paga pela CocaCola ao contribuinte (autor do projeto) se o contrato tivesse sido renovado na forma como ocorrido nos anos anteriores. Assim, a natureza jurídica do pagamento recebido pelo contribuinte foi corretamente identificada pela autoridade fiscal como rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho sem vínculo empregatício. Fl. 407DF CARF MF 18 No que concerne ao sujeito passivo, com base nas conclusões apresentadas pela autoridade fiscal e pelos documentos que as fundamentam, verificase que é de fato o impugnante o real beneficiário dos rendimentos recebidos da CocaCola. Como se depreende pela leitura do contrato firmado entre o impugnante e a CocaCola (fls. 42/53) e como defendido nos autos do processo judicial, o autor do projeto publicitário e o beneficiário do pagamento era Paulo Afonso Antunes Júnior. O autor da demanda judicial em face da CocaCola foi o impugnante. Na própria impugnação, o contribuinte reconhece que o cheque de R$ 19.984.000,00 deveria ser depositado em sua conta pois “era a quem pertencia o direito decorrente da ação”. O contrato de Cessão de Direitos, datado de 11 de agosto de 2003, em que foi transferido o direito resultante do título executivo decorrente do Acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, longe de demonstrar o erro cometido na eleição do sujeito passivo, ratifica a intenção dolosa do contribuinte de omitir tais rendimentos à tributação. Contrariamente a que o impugnante alega, o Termo de Verificação Fiscal enumera exaustivamente todas as provas coletadas que demonstram o intuito fraudulento do contribuinte nos termos dos artigos, 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A autoridade fiscal relata que: 1 o cheque emitido pela CocaCola foi depositado diretamente na conta do impugnante; 2 em diligência efetuada na pessoa jurídica ISPM foi solicitada a apresentação de livros contábeis, porém nada foi entregue; 3 a situação cadastral da empresa ISPM é de inatividade no anocalendário 2003; 4 o valor da ação judicial não foi declarado nem na pessoa jurídica, nem na pessoa física; Ora, o cheque nem sequer transitou pelas contas da pessoa jurídica e, além de não ter apresentado nenhum livro contábil, encontravase inativa. E o mais relevante é que o contribuinte, apesar de haver recebido tamanha quantia, nada informou em sua declaração. Deve ser levado em conta que não é verossímil que tenha ocorrido apenas um lapso ou equívoco para justificar a falta de declaração destes rendimentos. Concatenando todos estes atos, percebese, claramente, que o contribuinte buscou interpor a ISPM no recebimento destes rendimentos para que seu nome restasse oculto e pudesse livremente omitilos em sua declaração.” Fl. 408DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 400 19 Entendo equivocada a análise por parte da DRJ e da autoridade autuante ao desconsiderar os documentos e o acordo judicial homologado entendendo que o real beneficiário do valor sempre foi o contribuinte, explico. Verificase da ação judicial promovida pelo contribuinte e que foi favorável ao mesmo, que tinha o título judicial tendo sido condenada a CocaCola a pagarlhe a título de indenização um valor expressivo constante dos autos. Veja às fls. 97 mandado de execução de 2001 contendo um valor de R$ 27.027.555,54. O contribuinte cedeu em 11/08/2003 (fls. 118/120) seus direitos de forma gratuita à empresa ISPM, cujos sócios, na época eram sua esposa e mãe. Veja que a empresa ISPM (de acordo com prova nos autos) entrou no processo substituindo o contribuinte com base no termo de cessão de direitos e em petição (fls. 121/123) conjunta com a CocaCola pediram a homologação de acordo em Juízo para o recebimento do valor de R$ 19.984.000,00 que foi homologado pela Justiça às fls. 124 em 27/11/03. Não vejo que houve tentativa de fraude ou dolo por parte do contribuinte, na medida em que caso fosse o contribuinte que recebesse tais rendimentos diretamente na ação, provavelmente fossem considerados isentos ou não tributados na medida em que decorre de uma indenização concedida pela Justiça, sendo que os motivos que levaram o particular a efetuar tal procedimento, entendo que são irrelevantes, na medida em que houve a devida homologação judicial. O fato do cheque ter sido depositado diretamente na conta do contribuinte foi esclarecido às fls. 252/253 pela ISPM através de sua sócia esposa do contribuinte, que diz que a ideia organizada pelo então pai do contribuinte e advogado da causa, quando do recebimento da indenização fosse recebido através da empresa ISPM a fim de gerar novos negócios para a empresa e capitalizála, contudo não houve tal acerto em decorrência do falecimento do pai do contribuinte dias antes do recebimento da indenização (certidão de óbito às fls. 254). Com o falecimento do advogado e pai do contribuinte, assevera a sócia da ISPM que houve o depósito do cheque através de endosso direto na conta do contribuinte. A meu ver o fato de ter ocorrido a cessão gratuita entre o direito do contribuinte e a ISPM tira do valor recebido a sua natureza indenizatória, pois tal valor passou a ser patrimônio da ISPM a partir do momento em que houve a homologação judicial e cujo cheque estava nominal à empresa (fls. 217) sendo receita da pessoa jurídica. Fl. 409DF CARF MF 20 O fato de não ter sido depositado na conta da ISPM pouco importa pois se trata de receita da mesma (que não fora tributada) mas que fora transferida a qualquer outro título para o patrimônio do contribuinte que efetuou o depósito em sua conta e omitiu tais rendimentos de sua declaração. A meu ver o fundamento da autuação, por esse motivos acima, são equivocados, pois não se trata de omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica, sem vínculo de emprego. A fiscalização desconsiderou uma sentença judicial (homologação do acordo) e não fundamenta de forma clara e precisa a causa, apenas alega que quem seria o real beneficiário do rendimento proveniente da ação judicial seria o contribuinte, por isso do lançamento indicando omissão de rendimento de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (o contribuinte recebendo da CocaCola, entendo que a ISPM era interposta pessoa fraudulenta). Contudo, repito, tais valores provavelmente seriam isentos ou não tributados devido ao fato de ter natureza indenizatória conforme leitura da sentença e acórdão (fls. 98/117), mas a fiscalização sequer chegou nesses detalhes. De todo modo, entendo pela higidez dos acordos entabulados entre as partes tanto contribuinte e ISPM (cessão gratuita do crédito) e ISPM e CocaCola (acordo judicial homologado), pois a ISPM teve que se utilizar de tal documento para substituir processualmente o contribuinte na ação judicial e até mesmo a CocaCola não iria se arriscar e fechar um acordo com parte ilegítima sem qualquer segurança jurídica, em valores de tal monta, conforme adágio jurídico: “quem paga mal paga duas vezes”. Apenas não considero que tais rendimentos são de natureza indenizatória na medida do que já exposto acima e portanto, no caso entendo ser nulo o lançamento por erro na fundamentação, pois não se trata de crédito tributário por omissão de rendimento oriundo do trabalho, sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica e sim mera omissão de rendimento, posto que houve o endosso do cheque ao contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO anulando o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Fl. 410DF CARF MF Processo nº 19515.001651/200991 Acórdão n.º 2201003.683 S2C2T1 Fl. 401 21 Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
