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Numero do processo: 10380.730581/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
Os efeitos tributários do ágio é gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, após, deve haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada, como se verifica nos autos.
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS (HEDGE). FALTA DE CONTRAPARTIDA EM RECEITAS DE MESMA NATUREZA.
Mantém-se a glosa de despesas relativas a perdas, relativamente a operações de hedge quando a empresa não comprova que adotou as necessárias providências para o recebimento das sacas de soja.
Numero da decisão: 1302-002.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar a glosa de amortização de ágio, vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado; e em NEGAR provimento ao recurso com relação à glosa de despesas com hedge, vencida a Conselheira Talita Pimenta Félix; e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Os efeitos tributários do ágio é gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, após, deve haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada, como se verifica nos autos. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS (HEDGE). FALTA DE CONTRAPARTIDA EM RECEITAS DE MESMA NATUREZA. Mantémse a glosa de despesas relativas a perdas, relativamente a operações de hedge quando a empresa não comprova que adotou as necessárias providências para o recebimento das sacas de soja. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar a glosa de amortização de ágio, vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado; e em NEGAR provimento ao recurso com relação à glosa de despesas com hedge, vencida a Conselheira Talita Pimenta Félix; e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 05 81 /2 01 3- 67 Fl. 6459DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão 1452.722 da 5a. Turma da DRJ Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação, referente ao Auto de Infração, de 28/11/2013, fls. 3/46, relativo ao IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2006 a 2008, no valor total de R$35.280.094,94 (inclusos multa de oficio de 150% e juros de mora à taxa Selic, calculados até novembro/2013). Houve Recurso de Ofício (art. 34, inc. I, Dec. nr. 70.235/72 c.c. Port. MF nr. 3/2008). Do Auto de Infração A Recorrente foi autuada pela fiscalização da Receita Federal do Brasil em razão da suposta indedutibilidade de: (i) despesas com amortização de ágio; e (ii) despesas financeiras (hedge), conforme auto de infração decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nr. 03.01.0020110000075, o qual constituiu crédito tributário em favor da Fazenda Nacional relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Da Amortização de Ágio A fiscalização questiona a dedutibilidade da despesa relativa à amortização do ativo diferido (ágio) registrado pela Recorrente, em razão da incorporação das duas sociedades Bramans e CSRPAR, pelos dois motivos a seguir: a) a aquisição da totalidade das ações representativas do capital social da Recorrente pela Bramans e CSRPAR seria nula, em razão de as adquirentes serem "empresas veículos", o que, no entendimento da fiscalização, caracterizaria a hipótese de simulação, dolo ou fraude (item 2.2 do TVF), sendo os verdadeiros adquirentes a Nufarm Austrália Limited e a Nufarm NZ Limited; b) a justificativa econômica do ágio pago como sendo a expectativa de rentabilidade futura seria inidônea por defeitos formais dos demonstrativos exigidos pelo art. 20, § 3º, Declei nr. 1.598/77 (art. 385 do RIR/99); Da Impugnação Fl. 6460DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi cientificada da conclusão da DRF, em 29/11/2013 (fl. 5915) e apresentou Impugnação, em 26/12/2013, nos termos a seguir sintetizados: c) teria havido decadência do direito de lançar tributos no que tange aos períodosbase de 2006 e 2007, haja vista haver decorrido mais de cinco anos, seja pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional ou mesmo do art. 173, inciso I, do referido diploma legal; d) a aquisição do controle acionário da recorrente pelo grupo Australiano Nufarm ocorreu em duas fases distintas; na primeira transação, a Bramans, subsidiária integral brasileira da Nufarm, adquiriu 49,9% ao longo do ano de 2005; em 2007, outra sociedade brasileira integralmente controlada pela Nufarm (CSRPAR) adquiriu 50,1% do capital social da Recorrente, completando assim o controle de 100% do seu capital; e) em prevalecendo o argumento de nulidade do negócio jurídico realizado, deveria prevalecer a contratação de uma operação de compra e venda, sendo adquirentes a Bramans (49,9%) e a CSRPAR (50,1%); f) a objeção da fiscalização consiste no fato de que a aquisição da participação societária representativa do capital social da ora Recorrente se deu através de duas pessoas jurídicas brasileiras especificamente constituídas para essa finalidade; portanto, o vício apontado pela fiscalização seria a utilização de "empresasveículos", ou seja, sociedades controladas pelo grupo Australiano Nufarm; g) o ágio pago pelo Grupo Nufarm não poderia ser equiparado a um ágio interno, eis que nenhuma relação de parentesco ou de interesse comercial comum existia entre os vendedores e o grupo Nufarm; h) a jurisprudência do CARF tem decidido pela legitimidade de o comprador se estruturar previamente para fins de aquisição de participação societária, sem que tal faculdade constitua simulação; i) consequentemente, não afastaria a dedutibilidade da despesa de amortização a utilização de uma sociedade de propósito específico ou, como prefere chamar a fiscalização, "empresa veículo"; em nada infringe o ordenamento jurídico brasileiro, constituindo mero exercício de direito, inexistindo qualquer das figuras aludidas pela fiscalização, como dolo, conluio ou fraude; j) quanto ao ágio pago pela Bramans (aquisição de 49,9% do capital da Recorrente), a fiscalização levanta duas objeções, a saber: (i) a primeira, de natureza temporal, ou seja, que a demonstração teria que ter sido produzida antes da aquisição; e (ii) que a investidora Bramans não poderia ter contratado um terceiro para realizar a demonstração; k) quanto ao segundo ágio (50,1%), a objeção da fiscalização reside na: (i) suposta intempestividade (a demonstração foi produzida a posteriori, ou seja, alguns meses após a aquisição); e (ii) a menção no documento da Nufarm e não especificamente CSRPAR; Fl. 6461DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 5 4 l) a Recorrente sustentou, à época, que a exigência feita pela fiscalização não está contida na lei, ou seja, inexistem tais requisitos em qualquer ato normativo da Receita Federal; m) a fiscalização não levantou qualquer objeção no que tange à fundamentação econômica do ágio que seja relevante e tenha o condão de desautorizar a substância da operação realizada; n) assim, a Recorrente sustentou que as objeções de natureza formal apresentadas não são suficientes para autorizar a conclusão de que o ágio pago deveria ser considerado como indedutível; o) finalmente, a Recorrente sustentou que a adoção da multa qualificada improcede, tal como exposto no item 2.2 do TVF, haja vista que inexistiu simulação, fraude ou dolo. Da Exclusão Indevida de Perda em Operações no Mercado de Renda Variável Ocorridas no Exterior A fiscalização questiona a dedutibilidade das perdas que a Recorrente teria sofrido em operações de bolsa de valores no exterior, que não se qualificariam como operações de hedge, tendo em vista que tais operações não possuíam lastro operacional. A Recorrente contraditou a alegação da fiscalização sustentando que: a) todas as operações de hedge conduzidas possuíam sim lastro em operações verdadeiras e efetivamente contratadas com agricultores e produtores rurais; sustentou ainda que as obrigações dos referidos clientes foram legalmente contraídas, e que, portanto, as operações de hedge contratadas possuíam pleno respaldo contratual e operacional; em suma, a Recorrente não operou a descoberto na Bolsa de Chicago ou invocou falsos contratos de fornecimento com agricultores; b) tais perdas não decorreram de uma atitude especulativa da Recorrente, mas sim do fato de que houve um inadimplemento contratual pelos produtores rurais; c) o auto de infração invoca um dispositivo legal para a indedutibilidade da perda que é inaplicável à hipótese, qual seja, o § 4° do art. 76 da Lei n° 8.981/95, que é dispositivo que regula as perdas ocorridas no mercado de renda variável; as operações de hedge realizadas pela Recorrente não podem ser ditas como renda variável, eis que as mesmas ocorreram no exterior, mais especificamente na CBOT (Bolsa de Chicago), e para regular tal tipo de operação, o dispositivo específico seria o art. 396 do RIR/99; d) suas operações atendem perfeitamente ao disposto no dispositivo legal acima referido, bem como à Resolução CMN n° 3.312/2005, que regulamenta as operações de cobertura (hedge) de um ponto de vista cambial, restando assim inequívoca a inaplicabilidade do dispositivo legal invocado pela fiscalização para glosar a dedutibilidade das perdas ocorridas em função das operações de cobertura (hedge) realizadas pela Recorrente. Fl. 6462DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 6 5 Do Acórdão Recorrido Não obstante os fatos e os fundamentos apresentados pela Recorrente, a DRJ julgou parcialmente procedente a sua Impugnação, cujo acórdão registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. Confirmada a hipótese de dolo, o termo a quo do prazo de decadência é contado do 1º dia do período de apuração seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso dos autos, ocorreu a decadência quanto ao anocalendário de 2006, haja vista que a ciência do auto de infração ocorreu em novembro/2013. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INTERNAÇÃO DE ÁGIO. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela efetiva aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial de parte não vinculada e, após, deve haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controlador e controlada. A inexistência da segunda operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado, mormente quando se trata de tentativa de internação do ágio por adquirente estrangeiro. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS (HEDGE). FALTA DE CONTRAPARTIDA EM RECEITAS DE MESMA NATUREZA. Correta a glosa de despesas relativas a perdas com hedge quanto a empresa não comprova a tributação dos ganhos que teria obtido em contrapartida a tais perdas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário A Recorrente está devidamente representada, conforme documentos de fl. 99, contrato social e alterações, fl. 6.324, procuração pública, fl. 6.325, cópia da Carteira de Fl. 6463DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 7 6 Identidade da OAB. Intimada do acórdão recorrido, em 16/10/2014 (fl. 6.296). Interpôs Recurso Voluntário, em 14/11/2014, cujas razões são a seguir sintetizadas: A Recorrente reiterou o Acórdão 1302001.150, transcrito em sua Impugnação, o qual trata de uma situação que afirma ser idêntica à que está em discussão neste processo, envolvendo a pessoa jurídica Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A., a qual teve seu recurso provido pelo CARF (anexou o acórdão na Impugnação): GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEVIDA. SIMULAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. Deve ser afastada a imputação de simulação, quando não demonstrado o pacto simulatório. O fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da Recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7° e 8º da Lei 9.532/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Tadeu Matosinho fez declaração de voto. Ressalta que a operação teria transcorrido da seguinte forma: a) o ágio pago decorreu de uma transação entre partes não relacionadas (de um lado a Família Studart e do outro a Bramans e a CSRPAR); b) a Bramans e a CSRPAR foram efetivamente partes adquirentes nos Contratos de Compra e Venda de Ações, que tinham por objeto a aquisição das ações da Recorrente (o Termo de Verificação Fiscal registra esses passos); c) a Bramans e a CSRPAR efetivamente liquidaram financeiramente a aquisição das ações da ora Recorrente (também registrado no TVF); d) a Bramans e a CRSPAR foram incorporadas pela Recorrente, nos termos do arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97. Alega que a Decisão insiste na posição de que essas duas pessoas jurídicas seriam meras "empresas veículo", e que os verdadeiros adquirentes seriam a Nufarm Austrália Limited e Nufarm NZ Limited; Reitera comentário feito na sua Impugnação no sentido de que "(...) é inelutável a conclusão de que a utilização de uma sociedade de propósito específico ou, como prefere chamar a fiscalização, "empresa veículo" em nada infringe o ordenamento jurídico brasileiro, constituindo um mero exercício de direito, inexistindo qualquer das figuras aludidas pela fiscalização, como dolo, conluio ou fraude." Fl. 6464DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 8 7 Quanto à questão formal levantada pelo Termo de Verificação Fiscal, no sentido de que os demonstrativos apresentados pela Recorrente, para fins de justificação econômica do ágio nos termos do art. 20 do Declei nr. 1.598/77, foram produzidos a destempo, a Recorrente observa que a Decisão silencia quanto à questão formal que tange à primeira aquisição ocorrida, em que era adquirente a Bramans. Quanto à segunda aquisição, a Decisão transcreve arrazoado produzido pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, que questiona o demonstrativo apresentado pela ora Recorrente, ante o argumento de que o mesmo foi datado de 10 (dez) meses após o pagamento do ágio. Inicialmente, cabe lembrar que o § 3º do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 continha uma singela exigência, qual seja, de que o contribuinte deveria arquivar uma demonstração que evidenciasse o lançamento e os fundamentos econômicos da operação, conforme se depreende da transcrição a seguir: Art. 20. (...) § 3o O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2o deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Ou seja, inexiste qualquer exigência temporal, no que tange à elaboração da referida demonstração. Evidentemente, a produção de tal demonstrativo requer tempo, razão porque sua elaboração tomou 10 (dez) meses. Neste sentido, cabe invocar decisão do CARF, que no caso do Banco Itaucard S.A. (DOC. 02), decidiu expressamente que o demonstrativo exigido pelo art. 20, § 3°, do Decretolei n° 1.598/77 pode ser elaborado a posteriori (no caso, dois anos), conforme se depreende da transcrição abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano Calendário: 2007, 2008 ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, janto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época. Ainda, se o julgador acredita que esse prazo é excessivo, deveria cotejar a nova redação do § 3º do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77, conforme alterado pela Lei n° 12.973/14, que concede ao contribuinte o prazo de 13 (treze) meses para elaborar tal demonstrativo, conforme transcrição a seguir: Art. 20. (...) Fl. 6465DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 9 8 § 3º O valor de que trata o inciso II do caput deverá ser baseado em laudo elaborado por perito independente que deverá ser protocolado na Secretaria da Receita Federal do Brasil ou cujo sumário deverá ser registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, até o último dia útil do 13° (décimo terceiro) mês subsequente ao da aquisição da participação. Se o legislador concedeu ao contribuinte um prazo de 13 meses para a elaboração e registro do laudo, nos termos da inovação legislativa, não estaria a Decisão sendo excessivamente severa? A exemplo do princípio contido no direito penal e no direito tributário, não deveria a nova redação do § 3º do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 ser aplicado de forma retroativa, nos termos do art. 106 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito? Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, na situação ora em discussão, temos o contribuinte sendo penalizado por ter elaborado o demonstrativo requerido pelo § 3° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 a destempo, visto que o mesmo foi produzido 10 meses após a aquisição (a antiga redarão nem mesmo impunha qualquer prazo), quando a nova redação do mesmo dispositivo concede ao contribuinte até 13 meses para a sua elaboração. Quanto à questão do nome (se Nufarm Limited ou CSRPAR), é evidente que o profissional que elaborou o laudo se dirigia à adquirente como um grupo econômico, e a contextualização do referido laudo torna inequívoco que o mesmo se refere à aquisição efetuada pela CSRPAR. A seguir na mesma linha de argumentação adotada pela fiscalização, caberia indagar como seria a adquirente a empresa australiana, quando a carta é endereçada ao estabelecimento localizado em Maracanaú no Estado do Ceará. Ao que consta a Recorrente, tanto a Nufarm Austrália Limited quanto a Nufarm NZ Limited são residentes na Austrália e na Nova Zelândia respectivamente, inexistindo qualquer estabelecimento de titularidade das mesmas no Brasil. Cabe finalmente ressaltar que a Decisão (ou mesmo o Termo de Verificação Fiscal) em momento algum questiona o conteúdo do demonstrativo, mas sim se agarra a questões formais, como o aspecto temporal, o endereçamento do laudo ou o fato (em relação à primeira aquisição) de o mesmo ter sido produzido pela própria Recorrente. Em suma, não questiona o seu conteúdo, mas tão somente se agarra a pequenas formalidades não exigidas em lei. Da Exclusão de Perda em Operações no Mercado de Renda Variável Afirma a fiscalização no TVF que as operações praticadas pela ora Recorrente não possuíam natureza de hedge, devendo ser consideradas estritamente como operações Fl. 6466DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 10 9 especulativas, eis que não atenderiam ao disposto no § 1º do art. 77 da Lei n° 8.981/95, a seguir transcrito: Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. § 1° Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Em decorrência da pretensão fiscal, no sentido de que a operação não teria a natureza de hedge, decorre uma limitação na dedutibilidade da perda, conforme § 4º do art. 76 da Lei n° 8.981/95, a seguir transcrito: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; II definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. § 4º (...) as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. Resumindo, nos termos do art. 77, § 1º, da Lei n° 8.981/95, as operações de hedge não devem ser consideradas como sendo operações de renda variável, visto que as mesmas deveriam ser tratadas como despesas operacionais normais, nos termos do art. 299 do RIR/99. Na medida que as operações ocorridas no mercado não possam ser qualificadas como hedge, nos termos do § 1° do art. 77, então tais operações seriam consideradas como sujeitas ao regime de renda variável, caso em que aplicar seia a limitação de dedutibilidade, ou seja, as perdas não poderiam exceder os ganhos ocorridos no mesmo mercado. Em suma, sustenta a fiscalização que as perdas incorridas na Bolsa de Chicago (CBOT) não possuíam a natureza de hedge, por não atenderem aos requisitos contidos no § 10 do art. 77, aplicandose em decorrência o § 4º do art. 76, ou sejam, limitação da dedutibilidade das perdas, até o limite dos ganhos auferidos em tais operações. Primeiro, a Recorrente demonstrou que as operações realizadas no referido mercado de futuros tinham sim por objetivo se proteger de perdas decorrentes de operações efetuadas com agricultores, que se obrigavam a efetuar um pagamento futuro, por meio de sacas soja. Tais perdas decorreram não de uma atitude especulativa da Recorrente de realizar vendas de opções futuras a descoberto, mas sim do fato de que houve um Fl. 6467DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 11 10 inadimplemento contratual pelos produtores rurais. Com efeito, a fiscalização não nega que houve os contratos de fornecimento de defensivos agrícolas com os produtores rurais, mas sim o fato de que estes não entregaram para a Recorrente as CPRs. A fiscalização repete todo o tempo que pelo fato de as CPRs não terem sido emitidas ou endossadas, "restou demonstrado que não havia direitos (contratos) que pudessem caracterizar como de cobertura as operações realizadas pela empresa na bolsa de Chicago (...)". Neste sentido, a Recorrente reitera a argumentação contida na sua Impugnação, conforme transcrição a seguir: 5.4 Ocorre que o contrato entre a Recorrente e o produtor rural se opera no momento em que este aceita o pedido de compra de defensivos (fls. 906 e seguintes). A partir deste momento, havia da parte da Recorrente a obrigação de fornecer os defensivos agrícolas e da parte dos produtores rurais a obrigação de entregar a soja. Tanto assim que os pedidos de compra contém observação de que se trata de "Pedido de Troca de Soja", enunciando inclusive a quantidade de soja a ser entregue, o endereço e data de entrega da soja. 5.5 A CPR não constitui um contrato de troca de soja, mas sim um negócio de garantia, nos termos da Lei n° 8.929/1994. Com efeito, a CPR constitui uma cártula, da mesma forma como um comerciante, ao realizar a venda de uma mercadoria, emite uma duplicata. A duplicata não é um contrato representativo da venda, mas sim um título de crédito que permite a cobrança judicial na hipótese de inadimplemento pelo comprador. 5.6 Exatamente o que ocorreu na hipótese. A Recorrente efetivamente contratou as operações de troca de soja, como comprovam os pedidos de fornecimento. Efetivamente existiu no mundo jurídico a obrigação pelo produtor rural de entregar a soja na quantidade, data e local aprazado. A CPR seria uma garantia adicional providência que a Recorrente deveria ter tomado, mas que por falha operacional, deixou de efetivar, incorrendo assim, em razão de tal falha operacional, na perda. Da mesma forma como se o produtor rural houvesse efetivamente entregue a soja, mas o galpão de armazenamento houvesse pegado fogo, sem que estivesse segurado. Portanto, claramente as operações realizadas pela Recorrente se encaixam na definição de hedge, conforme previsto no § 1º do art. 77 da Lei n° 8.981/95. Com efeito, tais operações visavam "exclusivamente, a proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas (...)", haja vista que as mesmas objetivavam proteger a Recorrente dos riscos decorrentes de seus direitos de crédito contra agricultores que prometeram pagamento futuro em moeda "saco de soja". Ainda, claramente tais contratos eram estritamente relacionados com as atividades operacionais da pessoa jurídica, eis que os créditos perante os referidos agricultores se originaram da venda de defensivos agrícolas, produto esse que é manufaturado pela Recorrente. Igualmente, não há como negar que tais operações destinavamse à proteção dos seus direitos de crédito contra os referidos agricultores. Neste sentido, decisão do Conselho de Contribuintes, a seguir: ACÓRDÃO 10194.851 Fl. 6468DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 12 11 1o Conselho de Contribuintes 1a. Câmara Decisão 1o Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 94.851 em 23.02.2005 IRPJ E OUTRO Ex(s): 1999 (...) IRPJ DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. Na análise da dedutibilidade das despesas decorrentes de operações no mercado financeiro, o Fisco tem em conta as características desse investimento Às perdas incorridas nas operações de cobertura, "hedge", inaplicável é a limitação de que cuida o § 4o do artigo 76 da Lei n° 8.981, de 1985, o que torna evidente concluir que a perda incorrida nas operações de cobertura, é dedutível sem observância daquele limite. Igualmente, a Recorrente sustentou que o dispositivo legal invocado pela fiscalização (fundamentação legal) é equivocado, haja vista que operações de renda variável não abrangem operações no exterior. As operações de hedge praticadas pela ora Recorrente estão amparadas não pelos arts. 76 e 77 da Lei n° 8.981/95, mas sim pelo art. 396 do RIR/99, a seguir transcrito: Art. 396. Serão computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior (Lei n° 9.430, de 1996, art. 17). § 2º No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real, os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. Portanto, claramente há um erro de capitulação legal no Auto de Infração, eis que o mesmo invoca como fundamento legal dispositivo de lei inaplicável. A Decisão inovou, ao decidir que a autuação deve prevalecer, visto que a Recorrente deveria ter reconhecido "(...) a receita ou ganho pelo preço da soja na data da liquidação dos contratos, mesmo não tendo recebido o produto, em observância ao Regime de competência." Igualmente, a ementa da Decisão afirma como segue: Correta a glosa de despesas relativas a perdas com hedge quando a empresa não comprova a tributação dos ganhos que teria obtido em contrapartida a tais perdas. A Recorrente sustenta que o que está em discussão não é a correção do seu reconhecimento de receitas, mas sim o fato de que esta corretamente contratou operações de hedge que enquadram integralmente na definição contida no art. 396 do RIR/99, bem como no art. 77, § 1o, da Lei n° 8.981/95, razão porque deve ser considerada como legítima a perda sofrida pela Recorrente. Afinal de contas, o Auto de Infração glosou a dedutibilidade de uma perda, ante o argumento de a mesma não ser dedutível, e não apenou a Recorrente por omissão de receita, como a Ementa leva a crer. Resumindo, a Recorrente sustenta que a autuação, no que tange à glosa das perdas sofridas na Bolsa de Chicago deve ser revertida, pelos motivos a seguir: I erro de capitulação legal, haja vista que as operações de hedge ocorridas no exterior são reguladas pelo art. 396 do RIR/99, e não pela Lei n° 8.981/95, que rege Fl. 6469DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 13 12 tão somente as operações domésticas de hedge, no contexto de operações de renda variável, cabendo lembrar que o sistema de tributação de operações de renda variável constitui um sistema de incidência de imposto de renda muito específico e que não se coaduna com as operações transacionadas em bolsas estrangeiras; assim não fora, e qual seria a necessidade de haver duas normas distintas regulando a mesma área de incidência? II as operações de hedge realizadas claramente tinham por objetivo atender a necessidades operacionais da Recorrente, haja vista que esta permutava defensivos agrícolas por sacos de soja para entrega futura; a contratação das operações de hedge tinha por objetivo exatamente proteger a Recorrente dos riscos que poderiam advir da flutuação do preço da soja no período subsequente; III a perda sofrida decorreu de uma falha procedimental nas operações da Recorrente, ou seja, a não exigência da pronta entrega pelos agricultores das CPRs, que são um título extrajudicial que permite a execução da dívida; III a alta da soja combinada com a falha procedimental acima apontada gerou um incentivo fortíssimo para que os agricultores inadimplissem suas obrigações juridicamente contraídas; IV portanto, inelutável a conclusão de que as operações de hedge contraídas pela Recorrente atendem ao requisito da dedutibilidade seja pelo art. 396 do RIR/99, seja pelo art. 77, § 1°, da Lei n° 8.981/95; com efeito, as operações de hedge realizadas pela Recorrente (i) eram relacionadas às suas atividades operacionais, e (ii) destinavamse à proteção de direitos; V o fato de a Recorrente não ter reconhecido as receitas decorrentes das posições contratuais com os agricultores não afeta a conclusão no sentido de que as operações de hedge contratadas atendiam plenamente aos requisitos do art. 396 do RIR/99, bem como (ainda que o mesmo não seja aplicável) do § 1 °, art. 77, da Lei n° 8.981/95. Se a fiscalização efetivamente acredita no argumento, então deveria ter autuado a Recorrente por omissão de receita, e não glosar as perdas incorridas na CBOT, ante o falso argumento de que a Recorrente deveria ter contabilizado os ganhos decorrentes da valorização da soja. Da Multa Qualificada e da Decadência do Direito de Lançar nos Anos de 2006 e 2007 Cabe de início ressaltar que a decisão ora recorrida reconheceu a decadência no que tange ao períodobase de 2006, mas manteve autuação, em relação ao período base de 2007, ante o argumento de que "(...) o artificialismo caracterizado pela utilização de empresa veículo, absolutamente desnecessária, visando exclusivamente viabilizar a internalização e a amortização do ágio, subsumese à hipótese do art. 71 da Lei n° 4.502/1964 (...)", ou seja, sonegação. A Recorrente nega que a constituição de uma pessoa jurídica no País para servir de veículo para a aquisição de um investimento no Brasil possa ser caracterizada como sonegação. Sustenta que esse dispositivo é totalmente divorciado da situação fática ora sob análise. Em momento algum a Recorrente praticou qualquer ato que tivesse por forma mais eficiente a aquisição de um investimento. Sustenta a Recorrente que não cabe a alegação de que a mesma teria agido com dolo. Inicialmente, a Recorrente estranha o silêncio da Decisão em relação ao Acórdão colacionado pela Recorrente em sua Impugnação, onde, em situação fática idêntica, a Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. teve reconhecida a Fl. 6470DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 14 13 inexistência de simulação, conforme decisão já transcrita neste Recurso Voluntário. Dita decisão deixa absolutamente claro que considera situação legítima o fato de o investidor no exterior preferir aportar capital em uma subsidiária brasileira, para em seguida adquirir um novo investimento no Brasil. Afirma ainda que inexiste a obrigação de o contribuinte optar pelo caminho fiscalmente oneroso. Em seguida, lembra a Recorrente que a sonegação se consuma no esforço de encobrir o fato gerador, segundo o tipo penal descrito no art. 71 da Lei 4.502/1964, e não no fato de eleger uma estrutura que lhe é fiscalmente mais benéfica para operar no Brasil. Neste sentido, a Recorrente transcreve decisão do antigo Conselho de Contribuintes, que confirma o entendimento acima: Número do Processo: 13603.002966/200395 Contribuinte: GARANTIA INDÚSTRIA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTÁRIO Data da Sessão: 25/06/2008 Relator(a): Flávio Franco Corrêa N° Acórdão: 10196803 Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, e ACOLHER a decadência quanto aos fatos geradores até o mês de novembro de 1998, inclusive. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio a 75%. Ementa: (...) Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, inc. I, do Código. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1998, 1999, 2000 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PESSOAS SEM CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA NA CONDIÇÃO DE SÓCIAS DE PESSOA JURÍDICA. A inclusão de pessoas de reconhecida incapacidade econômicofinanceira no quadro societário de pessoa jurídica, em substituição aos verdadeiros sócios, não é suficiente, tãosomente, para caracterizar a intenção de sonegar. Tal expediente pode configurar tentativa de frustrar eventual execução fiscal, não punível com multa qualificada. A sonegação se consuma no esforço de encobrir o fato gerador, segundo o tipo penal descrito no art. 71 da Lei 4.502/1964, e não na tentativa de frustrar a cobrança do crédito tributário. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1998, 1999, 2000 MULTA QUALIFICADA. FALTA DE DECLARAÇÃO. O descumprimento do dever acessório de entrega de declarações de rendimentos não autoriza a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Fl. 6471DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 15 14 Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1998, 1999, 2000 DESATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO DE PERCENTUAL DE MULTA EX OFFICIO. O agravamento dos percentuais de multa ex officio por desatendimento à intimação para prestar informações, de que trata o § 2o do art. 44 da Lei 9.430/96, pressupõe a caracterização da recusa ou do descaso da fiscalizada em relação às intimações da autoridade fiscal. Descabido o agravamento no caso de falta de apresentação de documentos que a fiscalizada não dispunha. Recurso Voluntário Provido em Parte, (g.n.) Ficando assim demonstrado que inexistiu sonegação, dolo, simulação, fraude ou qualquer outro vício equivalente, resta a conclusão de que o cômputo do prazo decadencial deverá se dar não pelo art. 173, inciso I, mas sim pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a seguir: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Considerando a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial em relação ao períodobase ocorrido em 2007 se iniciaria em 2008, quer dizer, a decadência operaria de pleno direito em 31 de dezembro de 2012. Como o Auto de Infração foi notificado no ano de 2013, não cabe outra conclusão senão que o direito de lançar do Fisco se extinguiu, devendo a autuação, nesse tocante, ser declarada como ineficaz. Finalmente, pelos mesmos argumentos acima aduzidos, sustenta a ora Recorrente que ainda que esse Conselho decida que a glosa da dedutibilidade do ágio deve prevalecer, o que a Recorrente admite apenas por amor ao argumento, então deveria a multa agravada para 150%, nos termos do art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, ser reduzida para 75%. 3. DO PEDIDO 3.1 Diante do acima exposto, requer inicialmente que o julgador reconheça a ocorrência de decadência, afastando assim toda e qualquer cobrança relativa aos períodobase de 2007. 3.2 Caso o julgador entenda que não ocorreu a decadência em relação ao período base de 2007, que julgue quanto ao mérito que inexistiu qualquer vício no que tange à utilização das sociedades de propósito específico (Bramans e CSRPAR), bem como que as demonstrações previstas no § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 estão isentas de qualquer questionamento, sendo legítima a contabilização do ágio e a dedutibilidade da despesa operacional decorrente de sua amortização. 3.3 Finalmente, em relação às operações de cobertura (hedge), que seja reconhecido que tais operações foram legitimamente celebradas, em conformidade com a Fl. 6472DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 16 15 legislação aplicável, e que, portanto, a perda incorrida conforme explicitado no Auto de Infração era dedutível. 3. 4 Consequentemente, pede que ao final o Auto de Infração seja considerado in totum improcedente. 3.5 Na hipótese de que o julgador entenda que a despesa operacional decorrente da amortização do ágio seja indedutível, que reduza a penalidade aplicada para 75% ao invés da multa qualificada de 150%, dado que inexistiu qualquer intuito de fraude pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma relatada, a recorrente está devidamente representada e interpôs recurso voluntário tempestivamente. Conheço do recurso. A Recorrente foi autuada pela fiscalização em razão da indedutibilidade de: (i) despesas com amortização de ágio; e (ii) despesas financeiras (hedge), conforme auto de infração decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nr. 03.01.0020110000075, o qual constitui crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A fiscalização questiona a dedutibilidade de despesa relativa à amortização do ativo diferido (ágio) registrado pela Recorrente, em razão da incorporação das duas sociedades Bramans e CSRPAR, pelos dois motivos a seguir: a aquisição da totalidade das ações representativas do capital social da Recorrente pela Bramans e CSRPAR seria nula, em razão de as adquirentes serem "empresas veículos", o que, no entendimento da fiscalização, caracterizaria a hipótese de simulação, dolo ou fraude (item 2.2 do TVF), sendo os verdadeiros adquirentes a Nufarm Austrália Limited e a Nufarm NZ Limited; a justificativa econômica do ágio pago como sendo a expectativa de rentabilidade futura seria inidônea por defeitos formais dos demonstrativos exigidos pelo art. 20, § 3º, Declei nr. 1.598/77 (art. 385 do RIR/99); A operação foi sintetizada da seguinte forma: a) o ágio pago decorreu de uma transação entre partes não relacionadas (de um lado a Família Studart e do outro a Bramans e a CSRPAR); b) a Bramans e a CSRPAR foram efetivamente partes adquirentes nos Contratos de Compra e Venda de Ações, que tinham por objeto a aquisição das ações da ora Recorrente (o Termo de Verificação Fiscal confirma esse ponto); Fl. 6473DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 17 16 c) a Bramans e a CSRPAR efetivamente liquidaram financeiramente a aquisição das ações da ora Recorrente (de novo, o Termo de Verificação também confirma esse ponto); d) Bramans e CRSPAR foram incorporadas pela Recorrente, nos termos do arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97. Sobre as matérias em litígio, o acórdão recorrido examinou e ao final concluiu da seguinte forma: Em litígio a exigência de ofício do IRPJ e CSLL do anoscalendário de 2006 a 2008, imputados à empresa NUFARM INDUSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA S.A., em face de auto de infração lavrado e cientificado em nov/2013. Conforme relatado, o Auto de Infração registra que a ora Recorrente teria cometido duas infrações fiscais, a saber: a) falta de Adição de Amortização de Ágio pago na Aquisição de Participações Societárias; e b) exclusão Indevida de Perda em Operações no Mercado de Renda Variável Ocorridas no Exterior. Segundo narrado pela própria Recorrente, a glosa da amortização do ágio verificou se, em síntese pelos seguintes fatos: O controle societário da Recorrente pertencia a uma pessoa física chamada Jorge Alberto Vieira Studart Gomes e familiares, que manifestaram o desejo de alienar 49,9% de suas ações para a pessoa jurídica brasileira denominada Bramans Holding S.A. (doravante Bramans). A totalidade do capital social da Bramans era controlada por duas pessoas jurídicas não residentes, a saber: (i) Nufarm Australia Limited; e (ii) Nufarm NZ Limited. Em 31 de janeiro de 2005, a Bramans subscreveu um aumento de capital social na Recorrente, o qual foi integralizado pelo valor de R$156.144.183,61. As ações emitidas pela Recorrente em razão da referida subscrição eram equivalentes a 23,18% do seu capital total. Considerando que o valor subscrito excedia ao seu valor patrimonial proporcional, a Bramans contabilizou um ágio no valor de R$100.324.725,51 (ver fls. 353 do processo). Na mesma data (31/01/2005), a Bramans subscreveu um aumento de capital na acionista controladora da Recorrente Delphia Participações S.A., no valor de R$163.322.316,39. Considerando que o valor subscrito excedia ao seu valor patrimonial proporcional, a Bramans contabilizou um ágio no valor de R$100.324.725,51 (ver fls. 353 do processo). Em 28 de fevereiro de 2005, os acionistas da Delphia deliberaram resgatar as ações de propriedade da Bramans, transferindo para a mesma a título de pagamento do resgate ações de emissão da Recorrente representativas de 26,72%. Considerando que a Bramans já participava no capital social da Recorrente com participação equivalente a 23,18%, após o acima referido resgate, a Bramans passou a deter participação no capital social da Recorrente equivalente a 49,9%. Considerando que o investimento da Bramans na Delphia havia sido adquirido pelo valor de Fl. 6474DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 18 17 R$163.322.316,39, a investidora computou um ágio em razão da participação adquirida no montante de R$ 94.862.353,49. Assim, somandose o ágio pago quando da subscrição de ações diretamente na Recorrente (R$100.324.725,51) com o ágio contabilizado em razão das ações havidas em razão do resgate efetivado pela Delphia (R$94.862.353,49), a Bramans passou a registrar um ágio total no valor de R$195.187.079,00 (fl. 352 e fl. 164). Em 15 de março de 2005, a Bramans foi incorporada pela Recorrente. Nos termos do art. 7º da Lei n° 9.532/97, o ágio acima referido, cuja justificativa econômica foi expectativa de rentabilidade futura (art. 20, § 2º, letra "b" do Decretolei n° 1.598/77) foi contabilizado pela Recorrente como um ativo diferido, amortizável em até 20% ao ano. Em consequência da referida incorporação, a Nufarm Australia Limited e Nufarm NZ Limited tornaramse acionistas da Recorrente, com uma participação equivalente a 49,9%. Em 13 de agosto de 2007, a sociedade CSRPAR Participações Ltda. controlada pelos mesmos acionistas da Recorrente (Nufarm Australia Limited e Nufarm NZ Limited) celebrou um contrato de compra e venda tendo por objeto 50,1% do capital social da Recorrente, pelo preço de R$350.000.000,00. Em razão da referida aquisição, a CSRPAR contabilizou um ágio no valor de R$183.084.507,89, que seria justificado economicamente como expectativa de rentabilidade futura, nos termos do art. 20, § 2º, letra "b" do Decretolei n° 1.598/77. Em 30 de setembro de 2007, a CSRPAR foi incorporada pela Recorrente, de forma tal que o ágio pago pela incorporada foi registrado pela Recorrente como ativo diferido, o qual passou a ser amortizado, nos termos do art. 7º da Lei n° 9.532/97. Em relação às operações acima descritas, a fiscalização questiona a dedutibilidade da despesa decorrente da amortização do ativo diferido registrado pela Recorrente, em razão da incorporação das duas sociedades Bramans e CSRPAR, pelos dois motivos a seguir: a) a aquisição da totalidade das ações representativas do capital social da Recorrente pela Bramans e CSRPAR seria nula, em razão de as adquirentes serem "empresas veículos", o que, no entendimento da fiscalização, caracterizaria a hipótese de simulação, dolo ou fraude (item 2.2 do TVF), sendo que os verdadeiros adquirentes teriam sido Nufarm; b) a justificativa econômica do ágio pago como sendo a expectativa de rentabilidade futura seria inidônea, por defeitos formais dos demonstrativos exigidos pelo art. 20, § 3°, Decretolei n° 1.598/77 (art. 385 do RIR/99). No que tange a "Exclusão Indevida de Perda em Operações no Mercado de Renda Variável Ocorridas no Exterior", verificouse que. A Recorrente tem por objeto social a fabricação e comercialização de defensivos agrícolas, fitossanitários, domissanitários, adubos e fertilizantes, além da exploração de atividades agrícolas em geral. Constitui prática nesse ramo a permuta com o agricultor de insumos por commodities agrícolas. Ou seja, o produtor rural recebe hoje insumos (defensivos, etc.) mediante a promessa de entregar para o fornecedor uma quantidade de sua produção futura (safra). Essa operação é conhecida no mercado como "barter" ou permuta no vernáculo. Em verdade, uma forma de financiamento do agricultor, visto Fl. 6475DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 19 18 que este recebe defensivos agrícolas de imediato, mas sua obrigação de pagamento é postergada para quando da realização da safra. A Nufarm teria permutado com diversos produtores o fornecimento de defensivos agrícolas pela entrega futura de sacos de soja. Exemplificativamente, na fl. 954 temse um Pedido de Compra, onde o Cliente Agromave Insumos Agrícola Ltda. permutou certo volume de insumos agrícolas. Na hipótese, o produtor rural obrigouse a entregar 116.011 sacas de soja, a serem entregues em Sorriso (uma localidade). O Pedido contém ainda a seguinte observação: "Preço mínimo US$ 11,74 participando da alta até US$ 13,41, com fixação até 28/02/08". Tal cláusula enunciada no Pedido de Compra significa que o insumo fornecido foi convertido em número de sacos de soja levando em consideração o preço por saco de US$ 11,74. Ainda, na hipótese de o preço da soja subir até US$ 13,41, a alta seria revertida em benefício do produtor rural. Ou seja, a soja recebida seria vendida por US$ 13,41, mas o preço excedente a US$ 11,74 seria repassado para o produtor rural (na hipótese, US$ 1,67). Ainda, na hipótese de o preço da soja subir além de US$ 13,41, a Recorrente repassaria para o produtor rural somente o benefício da alta até tal limite. O benefício econômico em excesso beneficiaria a Recorrente. Da mesma forma, caso o preço da soja caísse abaixo de US$ 11,74, a Recorrente receberia a soja por tal preço (US$ 11,74), ainda que sua realização no mercado ocorresse por um preço inferior, apurando assim uma perda. A Recorrente teria o benefício da alta de preço além de US$ 13,41 e igualmente a perda, na hipótese de o preço da soja cair abaixo de US$ 11,74. À medida que a Recorrente não é uma especuladora nesse tipo de mercado, mas sim uma produtora de defensivos agrícolas, utilizouse de um sistema de proteção financeira, mediante a compra de opções de venda e a simultânea venda de opções de compra na Bolsa de Chicago (Chicago Board of Trade ou CBOT). Inicialmente a Recorrente, em relação ao contrato de fornecimento acima comentado, compraria uma opção de venda futura de soja pelo preço de US$ 11,74. Dessa forma, se o preço da soja como commodity caísse a menos de US$ 11,74, a Recorrente reporia sua perda pelo recebimento da soja física entregue pelo produtor rural mediante a realização de um ganho no mercado de futuros (CBOT), visto que ela teria o direito de realizar soja pelo mesmo preço de US$ 11,74. Entretanto, esse mecanismo de proteção (hedge) custa à Recorrente o preço de aquisição da opção de venda de soja no mercado futuro. Para se compensar dessa perda, a Recorrente adota o procedimento de vender no mercado futuro uma opção de call (ou seja, concede a um terceiro o direito de lhe vender soja pelo preço de US$ 13,41). Isso significa que ela receberia um preço que reduziria a sua perda na compra de opções. Logo, tal operação significa que um terceiro pode obrigar a Recorrente a entregar a soja recebida do produtor rural pelo preço de US$ 13,41, ainda que no mercado a soja esteja sendo negociada por um preço superior. Em suma, em uma simplificação que permita melhor entender essa operação, ao final do dia a Recorrente permutou o seu direito de ganho na hipótese de alta do preço da soja pelo risco de perda, na hipótese de queda dos preços da soja. Visando assegurar que o produtor rural irá entregar a soja permutada, não obstante flutuações do preço, este deveria emitir para a Recorrente uma Cédula de Produto Rural (CPR), ou seja, uma cártula emitida conforme a art. 1o. da Lei n° Fl. 6476DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 20 19 8.929/94 (titulo de crédito representativo de promessa de entrega de produtos rurais, com ou sem garantia cedularmente constituída). Há um exemplar de CPR em fl. 2259. Neste caso, o emitente da CPR foi a pessoa física Valtair Carlos Fontana. Na referida CPR, o emitente se obriga a entregar à Recorrente 12.268 sacas de soja de 60 quilos cada. A soja deveria ser entregue à empresa Bunge Alimentos S/A durante o mês de março de 2008. As perdas incorridas pela Recorrente derivam de operações de permuta de defensivos agrícolas por soja ocorridas no primeiro semestre de 2007, e a entrega da soja deveria se dar ao longo do primeiro semestre de 2008. Ou seja, tais contratos possuíam uma duração de aproximadamente um ano, prazo necessário para se completar o ciclo agrícola de plantio, colheita e entrega da soja. Ocorre que por uma deficiência procedimental interna da Recorrente (palavras da própria), esta deixou de diligenciar para efetivamente receber de alguns produtores rurais as CPR que garantiriam a entrega física da soja. Estes produtores rurais, ao constatarem que ao longo de 2007 houve uma acentuada alta dos preços da soja, e se aproveitando do lapso operacional da Recorrente, deixaram de entregar a soja, preferindo pagando em dinheiro. Evidentemente, sem levar em consideração que havia assumido a obrigação de entregar a soja, que nesse momento possuía um valor substancialmente superior ao preço dos defensivos agrícolas entregues, e que tal diferença de preço deveria lastrear a venda de opções de compra emitidas pela Recorrente na CBOT. Em razão do acima descrito, a Recorrente se viu na posição do vendedor de opções de compra de soja a descoberto, ou seja, sem lastro. Viuse obrigada a honrar as opções adquiridas, incorrendo em conseqüência na perda de R$ 53.967.970,81, que Fiscalização considerou indedutível para fins de apurar o IRPJ e CSLL, com base no art. 76, § 4° da Lei n° 8.981/1995. Conclusões Assim passo às questões sobre as quais entendo que assiste razão à recorrente. Com relação à glosa da amortização do ágio entendo que o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da Recorrente, com ágio, não se constitui em conduta simulada, pois, não poderia se imaginar a opção pelo caminho, por meio do qual se adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7° e 8º da Lei 9.532/97. Foi nesse sentido o entendimento anteriormente citado. Ressaltese, ainda, que à vista da real expectativa de rentabilidade futura, temse como certo o fato de que sobre tais resultados positivos incidirão tributos. Desta forma, devem ser dedutíveis as despesas com a amortização do valor (ágil) atribuído à da empresa, a título de rentabilidade futura, pois, sobre esta haverá tributação e, assim, não resultará em prejuízo ao erário público. E nesse sentido, não se trata o caso de simulação, mas de correta dedução das amortizações de ágio. Fl. 6477DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 21 20 No que diz respeito à exclusão de perdas em operações no mercado de renda variável há que se verificar que se tratam de operações praticadas pela Recorrente com o intuito de proteger suas operações com agricultores, devendo ser consideradas estritamente como operações como operações de hedge, eis que atenderam ao disposto no § 1º do art. 77 da Lei n° 8.981/95, a seguir transcrito: Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. § 1° Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Considerandose tratar de operações de hedge, em princípio, não haveria se falar na limitação na dedutibilidade da perda, conforme § 4º do art. 76 da Lei n° 8.981/95, a seguir transcrito: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; II definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. § 4o (...) as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. Verificase nos autos que, a Recorrente demonstrou que as operações realizadas no referido mercado de futuros visavam proteger de perdas decorrentes de operações efetuadas com agricultores, que se obrigavam a efetuar um pagamento futuro, com sacos de soja. Na forma defendida pela recorrente, tais perdas decorreram não de uma atitude especulativa da Recorrente de realizar vendas de opções futuras a descoberto, mas sim do fato de que houve um inadimplemento contratual pelos produtores rurais. O acórdão recorrido inovou, ao decidir que a autuação deve prevalecer, visto que a Recorrente deveria ter reconhecido "(...) a receita ou ganho pelo preço da soja na data da liquidação dos contratos, mesmo não tendo recebido o produto, em observância ao Regime de competência." Igualmente, a ementa da Decisão afirma como segue: Fl. 6478DF CARF MF Processo nº 10380.730581/201367 Acórdão n.º 1302002.012 S1C3T2 Fl. 22 21 Correta a glosa de despesas relativas a perdas com hedge quando a empresa não comprova a tributação dos ganhos que teria obtido em contrapartida a tais perdas. Verificase, no entanto, nesse ponto específico, que não obstante as alegações da Recorrente de que o que está em discussão não é a correção do seu reconhecimento de receitas, mas sim o fato de que esta contratou operações de hedge que enquadram na definição contida no art. 396 do RIR/99, bem como no art. 77, § 1º, da Lei n° 8.981/95, o que ocorre, de fato, é que a Recorrente não adotou providência alguma para exigir de seus clientes adquirentes o cumprimento da obrigação de entregar soja, como meio de pagamento. Essa inércia da Recorrente, caracterizase em liberalidade e, portanto, está correta a conclusão de que não poderia tal perda ser considerada indedutível, pois as evidências dos autos demonstram que a Recorrente não se opôs, efetivamente, ao recebimento, em dinheiro. Não há prova de que teria exigido, formalmente, a entrega das sacas de soja. Salientese que, as "operações de hedge" visavam proteger variações do preço da soja, e não como ocorreu: recebimento em dinheiro. Daí, a liberalidade. Nesse sentido, entendo que deva ser mantida a conclusão de que constituise em indedutível a perda sofrida pela Recorrente, mantendose, por conseguinte, a respectiva multa. A análise das questões sobre a multa qualificada e a decadência do direito de lançar nos anos 2007 (a decadência relativa ao ano 2006 foi acolhida no acórdão recorrido), ficaram prejudicadas, à vista do provimento do recurso voluntário, quanto ao ágio. Com relação ao Recurso de Ofício interposto com base no art. 34, inciso, I, do Decreto n° 70.235 de 1972, observandose o disposto na Portaria MF nº 3/2008, em virtude da exoneração do contribuinte em função do acolhimento da decadência do ano de 2006, na forma relatada e com base nos fatos e fundamentos a respeito, retro expendidos, verifico que não há fundamento para se reformar a decisão da DRJ, por estar devidamente demonstrada a decadência. Além disso, o entendimento retro exposto, quanto ao cabimento da adição das despesas de ágio como despesa dedutível, tornam prejudicado o recurso de ofício, pelo que, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Nesse sentido, com base em todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 6479DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900018/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.992
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 01 8/ 20 12 -5 3 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10480.900018/201253 Resolução nº 3401000.992 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.016. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10480.900018/201253 Resolução nº 3401000.992 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10480.900018/201253 Resolução nº 3401000.992 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.722957/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/12/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.392
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/12/2008 REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 29 57 /2 01 1- 17 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10711.722957/201117 Acórdão n.º 3401003.392 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, para exigência de multa, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 26/12/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, no qual restou consignado, em síntese que: a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão 08032.768. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (26/12/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.381, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.006616/201054, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.381): Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10711.722957/201117 Acórdão n.º 3401003.392 S3C4T1 Fl. 4 3 "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10711.722957/201117 Acórdão n.º 3401003.392 S3C4T1 Fl. 5 4 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10711.722957/201117 Acórdão n.º 3401003.392 S3C4T1 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006621/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/09/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.397
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 66 21 /2 01 0- 67 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11128.006621/201067 Acórdão n.º 3401003.397 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, para exigência de multa, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, no qual restou consignado, em síntese que: a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão 08033.459. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (11/09/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.381, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.006616/201054, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.381): Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11128.006621/201067 Acórdão n.º 3401003.397 S3C4T1 Fl. 4 3 "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11128.006621/201067 Acórdão n.º 3401003.397 S3C4T1 Fl. 5 4 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11128.006621/201067 Acórdão n.º 3401003.397 S3C4T1 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723505/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 35 05 /2 01 3- 14 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10711.723505/201314 Acórdão n.º 3201002.535 S3C2T1 Fl. 3 2 A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujo principal argumento de defesa foi assim sintetizado pela DRJ: Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.110. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10711.723505/201314 Acórdão n.º 3201002.535 S3C2T1 Fl. 4 3 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10711.723505/201314 Acórdão n.º 3201002.535 S3C2T1 Fl. 5 4 Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, tratada no caso do paradigma, não se aplica à solução do presente litígio, uma vez que não alegada no recurso voluntário apresentado neste processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.906761/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO.
Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 67 61 /2 01 2- 91Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito, relativo à Cofins não cumulativa, 2º Trimestre/2008, não foi reconhecido em razão do desatendimento à intimação para apresentação dos arquivos digitais, com lastro nas disposições da IN SRF 86/01, art. 65 da IN RFB 900/2008 e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou que seu direito creditório é legítimo; que a indisponibilidade se deveu à necessidade de adequação dos sistemas às exigências da RFB; que, a teor do art. 149 do CTN e art. 65 da Lei nº 9.784/99, a apresentação extemporânea dos arquivos digitais deveria ser relevada, mormente pela superveniência do ADE Corec nº 03/2012, que estendeu o prazo de 20 (vinte) dias, previsto na IN SRF 86/2001, para 110 (cento e dez) dias. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a reclamação ao argumento de descumprimento de obrigação prevista na legislação. Em recurso voluntário o contribuinte defendeu que a inobservância de obrigação acessória não poderia redundar no indeferimento de seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Consoante IN SRF 86/2001, lastreada no art. 11 da Lei nº 8.218/91, as pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, devendo apresentálos, quando intimadas, no prazo de 20 (vinte) dias. No caso vertente, o contribuinte foi intimado a transmitir os arquivos digitais em 12/04/2012, porém, só o fez em 03/10/2012, sob alegação de necessidade de ajustes às determinações da RFB. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10920.906761/201291 Acórdão n.º 3401003.488 S3C4T1 Fl. 11 3 O Despacho Decisório de efl. 25, datado de 04/09/2012, vincula a não homologação da compensação à impossibilidade de aferir o crédito indicado na declaração de compensação. Portanto, há uma sutileza na situação sub examine, pois o ponto fulcral da discussão não reside na ausência de crédito, como parece entender o recorrente, mas sim na impossibilidade de sua verificação ante o descumprimento de obrigação acessória. Nesse passo, temse que o art. 65 da IN SRF 900/2008 impunha essa conseqüência para situações como a dos autos, verbis: “Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) Fl. 71DF CARF MF 4 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009)” (destacado) A atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de disciplinar o procedimento de restituição, compensação e ressarcimento, por seu turno, vem prevista no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96. A inobservância da obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais, tal como estatuído no dispositivo reproduzido, além das penalidades previstas no art. 12 da Lei nº 8.218/91, também resulta no indeferimento do pedido de ressarcimento ou não homologação da compensação respectiva. Aliás, a previsão de indeferimento/não homologação constou expressa e destacadamente do termo de intimação para transmissão dos arquivos digitais (efl. 39). Como dito, não se discute aqui o direito ao crédito pleiteado, propriamente dito, mas o seu indeferimento decorrente da inadimplência da obrigação acessória, que efetivamente ocorreu, sendo causa suficiente para o desprovimento do pedido. Outrossim, não aproveita ao recorrente a extensão do prazo, de 20 (vinte) dias para 110 (cento e dez) dias, promovida pelo ADE Corec nº 03/2012, porque, mesmo que levada em consideração, a extemporaneidade persistiria, tomadas as datas de intimação (12/04/2012) e a data de entrega (03/10/2012). Mais uma vez, o debate ora travado cingese exclusivamente ao (in)deferimento dos pedidos formulados pela inobservância de obrigações acessórias impostas pela legislação de regência, como condição necessária à finalidade desejada, sendo desimportante, neste momento, a legitimidade do direito creditório. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.907543/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 75 43 /2 00 9- 28 Fl. 108DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3803 000.318, depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Belchior Melo de Santos, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados desta 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo. Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 27611.33238.180907.1.7.048326, em que utilizou como crédito pagamento indevido de Cofins relativa ao período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 47.573,34. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18/21, a DRF/Joaçaba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7 a Interessada esclareceu que extinguira o débito de Cofins, conforme declarado em DCTF, através do Darf informado no PER/DCOMP, e alegou que, por conta da posterior declaração de inconstitucionalidade do art.3°, § 1°, da lei n° 9.718/98, passou a possuir o crédito contra a Fazenda decorrente das contribuições que incidiram sobre as receitas financeiras, o qual, atualizado pela Taxa Selic, foi utilizado no PER/DCOMP em questão. Afirmou que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluída a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis, fls. 25/28, considerou que: a) a inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, apesar de ter sido prolatada pelo Plenário daquela Corte, o foi em sede de recurso extraordinário, cujos efeitos são restritos às partes integrantes da ação. Por não ter o Senado Federal expedido Resolução para retirar a vigência do dispositivo legal, não há eficácia erga omnes, não podendo os agentes públicos estender os efeitos dessa decisão para todos os contribuintes; b) a compensação do crédito alegado só poderia ser efetivada se a Recorrente tivesse identificado o crédito informado em DComp como decorrente de ação judicial transitada em julgado, indicando o número do respectivo processo judicial, para fins da oportuna análise, pela DRF, da pertinência e existência do crédito; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10925.907543/200928 Acórdão n.º 3402004.095 S3C4T2 Fl. 109 3 c) o crédito contra a Fazenda Nacional que o sujeito passivo entende possuir e do qual pretende se utilizar para quitar o débito indicado deve estar corretamente identificado a fim de viabilizar sua exata pretensão; d) não é permitido em sede de análise de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pleito do contribuinte, conceder crédito diverso do pedido, como também não o é à autoridade administrativa, que detém a competência para originariamente analisar pleitos desta natureza, no caso, a DRF; e) a compensação em questão, nos termos em que foi formalizada, de fato não poderia ter sido homologada pela DRF com base no argumento de que possui crédito disponível mas não o informado na DComp, e tampouco o poderia em sede de contencioso, por restar inexistente o crédito oferecido; f) em verificando que a Recorrente ter cometido algum erro de declaração, cabialhe têlo corrigido em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito fosse realizada de fato sobre o direito creditório que acreditava possuir. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC), proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ANALISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Cientificada da decisão em 28/11/2011 (fl. 32), irresignada, apresentou em 15/12/2011, o recurso voluntário de fls. 33/37, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 27/06/2013, os membros da extinta 3ª Turma Especial/3ª Sejul, reconhecem o bom direito da Recorrente (declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), no entanto resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para fins de apuração da correta composição das bases cálculo, conforme Resolução nº 3801000.318, nos seguintes termos (fls. 48/53): "(...) Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp" (...). Fl. 110DF CARF MF 4 "(...) Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF". Os autos, então, foram encaminhados à DRF em Joaçaba (SC), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização intimou a RENAR a apresentar demonstrativo de suas receitas, segregadas entre aquelas que correspondam ao conceito de faturamento e aquelas correspondentes a receitas financeiras ou outras receitas, acompanhados dos respectivos registros fiscais e contábeis comprobatórios. Após a conclusão dos trabalhos, o Fisco prolatou a Informação Fiscal de fls. 97/101 e intimou a Recorrente para ciência da Resolução do CARF, bem como, do resultado constante na Informação Fiscal dela decorrente. Decorrido o prazo constante na intimação, não consta dos autos manifestação da interessada, conforme se observa no Despacho da DRF à fl. 105: "1 Devidamente cientificada da IF, no prazo dado à empresa, 30 (trinta) dias contados da ciência, a mesma não se manifestou". Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3803 000.318, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. 1. Do direito A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme muito bem asseverado pela Resolução nº 3803000.318, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, definindoo no §1º do art. 3º como "receita Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10925.907543/200928 Acórdão n.º 3402004.095 S3C4T2 Fl. 110 5 bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei º 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Desta forma, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de COFINS nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). 2. Da comprovação dos créditos Em que pese o direito da Recorrente, do exame dos elementos comprobatórios, foi constatado pela decisão a quo, que no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da COFINS e eventuais pagamentos a maior. No entanto, por força da Resolução nº 3803000.318, este processo foi convertido em diligência, para que a Delegacia de origem (DRF em Joaçaba SC), "(...) intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF". O Fisco cumprindo as determinações deste CARF, realizou as diligências necessárias, intimando a Recorrente a apresentar informações e documentos fiscais/contábeis, bem como ao final, elaborou a Informação Fiscal de fls. 97/101 e procedeu ciência do resultado a interessada, oferecendolhe prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Ao final dos trabalhos, assim conclui a fiscalização, conforme demonstrado nos principais trechos abaixo reproduzidos: Fl. 112DF CARF MF 6 "(...) A segunda intimação foi atendida em 16/09/2015 (fls. 91/95), “Arquivo NãoPaginável – CD –Resposta à intimação” (fl. 96). Porém, novamente, a interessada apresentou apenas planilha de apuração da contribuição e o correspondente Darf de recolhimento, desacompanhados dos respectivos registros contábeis e demais documentos hábeis comprobatórios necessários para a validação da apuração realizada pela contribuinte". "(...) Em que pese a interessada ter apresentado planilha em que demonstra crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Cofins, com valor compatível com o utilizado em DComp, entendemos não ser possível atribuir ao crédito demonstrado os atributos de certeza e liquidez, uma vez que não foram apresentados quaisquer registros contábeis ou outros documentos hábeis comprobatórios suficientes para dar suporte à demonstração do crédito pleiteado". "(...) No caso, com base nos elementos apresentados, somente ficou comprovado o recolhimento da Cofins no valor de R$ 57.804,47, mas não foram comprovadas as receitas, em especial as financeiras, que compuseram a base de cálculo desse débito". "(...) Ressaltamos, por oportuno, que a interessada foi intimada, por duas vezes, a apresentar os documentos necessários à apuração do crédito, mas não atendeu totalmente as solicitações. Desse modo, portanto, caberia inclusive o arquivamento do processo, conforme previsto no art. 40 da Lei nº 9.784, de 1999: "Conclusão: Em razão de todo o exposto, finalizamos a presente diligência concluindo que o direito creditório postulado na DCOMP nº 27611.33236.180907.1.7.04 8326, tem valor igual a 0 (zero), haja vista que, após ser intimada (por duas vezes) a apresentar os elementos de prova necessários, a interessada não logrou êxito em comprovar a certeza e a liquidez do crédito que opôs contra a Fazenda Nacional" (grifei). Concluída a diligência, a Recorrente foi devidamente intimada do resultado e não se manifestou, conforme confirma o Despacho da DRF à fl. 105. Pois bem. Como se observa no Relatório da fiscalização, a planilha apresentada pela Recorrente estava desacompanhada de qualquer registro contábil e demais documentos comprobatórios. Diante disso, foi novamente intimada, mediante Termo de Intimação Fiscal SAORT/DRF/JOASC nº 243/2015 (fls. 86/87), para apresentar demonstrativo de suas receitas, segregadas entre aquelas que correspondam ao conceito de faturamento e aquelas correspondentes a receitas financeiras, acompanhado dos respectivos registros contábeis e documentos hábeis comprobatórios. Ao final o Fisco concluiu que o direito creditório postulado na DCOMP nº 27611.33236.180907.1.7.048326, tem valor igual a 0 (zero), haja vista que, após ser intimada (por duas vezes) a apresentar os elementos de prova necessários, a interessada não logrou êxito em comprovar a certeza e a liquidez do crédito que opôs contra a Fazenda Nacional. Como é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), e uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da Recorrente contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. 3. Conclusão Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10925.907543/200928 Acórdão n.º 3402004.095 S3C4T2 Fl. 111 7 Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, não reconhecendo o direito ao crédito requerido na DCOMP, nos exatos termos como restou consignado no Relatório Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002309/2009-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 23 09 /2 00 9- 69 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11020.002309/200969 Acórdão n.º 9202004.871 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901697/2009-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120200.666, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 97 /2 00 9- 39 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 9101002.623 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 9101002.623 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10280.901697/200939 Acórdão n.º 9101002.623 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.721279/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011
DISPLAYS DE CRISTAL LÍQUIDO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Os displays de cristal líquido classificam-se no código NCM 8529.90.20 quando corresponderem a partes de monitores ou de televisores.
REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL.
O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestada pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, não gera cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo o indeferimento, por prescindível, do pedido de diligência ou perícia por este formulado.
Numero da decisão: 3201-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Em sede preliminar foi suscitado pelo contribuinte, a aplicação do art. 100 do CTN. Por voto de qualidade decidiu-se que a matéria não foi suscitada na impugnação e no recurso voluntário e portanto, não faria parte da lide, Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que votaram por aceitar a discussão sobre a aplicação do art. 100 do CTN no julgamento do recurso. Por unanimidade de votos afastou-se a preliminar que pedia a inaplicabilidade da revisão aduaneira. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo. Por voto de qualidade deu-se provimento parcial ao recurso para excluir a exigência referente a pelicula e fotocopiadora, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que davam provimento integral ao recurso voluntário quanto a classificação fiscal. Por voto de qualidade foram mantidos os juros sobre a multa de ofício, Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso para afastar a exigência dos juros sobre a multa de ofício. Ficaram de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Designado o Conselheiro Winderley Morais Pereira para formalizar o voto vencedor.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Redator Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 DISPLAYS DE CRISTAL LÍQUIDO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os displays de cristal líquido classificam-se no código NCM 8529.90.20 quando corresponderem a partes de monitores ou de televisores. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestada pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, não gera cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo o indeferimento, por prescindível, do pedido de diligência ou perícia por este formulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Em sede preliminar foi suscitado pelo contribuinte, a aplicação do art. 100 do CTN. Por voto de qualidade decidiu-se que a matéria não foi suscitada na impugnação e no recurso voluntário e portanto, não faria parte da lide, Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que votaram por aceitar a discussão sobre a aplicação do art. 100 do CTN no julgamento do recurso. Por unanimidade de votos afastou-se a preliminar que pedia a inaplicabilidade da revisão aduaneira. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo. Por voto de qualidade deu-se provimento parcial ao recurso para excluir a exigência referente a pelicula e fotocopiadora, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que davam provimento integral ao recurso voluntário quanto a classificação fiscal. Por voto de qualidade foram mantidos os juros sobre a multa de ofício, Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso para afastar a exigência dos juros sobre a multa de ofício. Ficaram de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Designado o Conselheiro Winderley Morais Pereira para formalizar o voto vencedor. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Redator Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os displays de cristal líquido classificamse no código NCM 8529.90.20 quando corresponderem a partes de monitores ou de televisores. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestada pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, não gera cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo o indeferimento, por prescindível, do pedido de diligência ou perícia por este formulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Em sede preliminar foi suscitado pelo contribuinte, a aplicação do art. 100 do CTN. Por voto de qualidade decidiuse que a matéria não foi suscitada na impugnação e no recurso voluntário e portanto, não faria parte da lide, Vencidos os Conselheiros Tatiana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 12 79 /2 01 1- 98 Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 3 2 Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que votaram por aceitar a discussão sobre a aplicação do art. 100 do CTN no julgamento do recurso. Por unanimidade de votos afastouse a preliminar que pedia a inaplicabilidade da revisão aduaneira. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo. Por voto de qualidade deuse provimento parcial ao recurso para excluir a exigência referente a pelicula e fotocopiadora, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que davam provimento integral ao recurso voluntário quanto a classificação fiscal. Por voto de qualidade foram mantidos os juros sobre a multa de ofício, Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso para afastar a exigência dos juros sobre a multa de ofício. Ficaram de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Designado o Conselheiro Winderley Morais Pereira para formalizar o voto vencedor. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Redator Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015 c/c a Portaria CARF 107/2016 fui designado como redator ad hoc para formalização do Acórdão, tendo em vista que o Conselheiro original do Processo não mais pertence ao CARF. Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de auto de infração lavrado no intuito de prevenir a decadência de tributos suspensos em razão da liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, nos autos do processo nº 5468285.2010.4.01.0000/AM, bem assim de promover a cobrança de tributos, multa de ofício e multa regulamentar de 1% relativamente a operações não abrangidas por aquele instrumento. Segundo consta do Relatório de Fiscalização Aduaneira ALFMNS/EQFIS 060/2011, colacionado às fls. 34 a 421, a impugnante promoveu a importação de Painéis (Displays) de Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 4 3 Cristal Líquido (LCD) e, quando do preenchimento de suas declarações, teria indicado erroneamente a classificação desses produtos: ao invés de indicar o código 8529.90.20, indicara o código 9013.80.10. Segundo expõe, os fundamentos para que se promovesse a reclassificação seriam os mesmos que orientaram a prolação da Solução de Consulta nº 4, de 2010, expedida pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira. No mesmo sentido iria a Câmara de Comércio Exterior, quando da expedição da Resolução Camex 84, de 09/12/2010, incluindo os “ex” tarifários 001 e 002 no item 8529.90.20, relativos a telas de visualização de cristal líquido (LCD). Complementa que, tratandose de produtos destinados à industrialização da Zona Franca de Manaus, onde os tributos relativos à importação seriam suspensos quando da sua entrada, a incidência de impostos se daria quando da sua internação no restante do Território Nacional. Nesse momento, apurase o coeficiente de redução inerente ao Regime. Havendo diferença no valor dos impostos devidos quando da importação, haverá igualmente diferença quando da internação. Esclarece, ademais, que tomou conhecimento da ação judicial manejada pela impugnante, bem assim da medida liminar concedida em tal ação, demonstrando o seu entendimento no sentido de que os produtos objetos do presente processo diriam respeito a Processos Produtivos Básicos de diversos produtos, e que a medida judicial diria respeito exclusivamente a Processos Produtivos Básicos de Monitores de Vídeo. O critério para distinção foi a descrição do processo produtivo lançado nos correspondentes Demonstrativos de Coeficiente de Redução elaborados pelo sujeito passivo. Com base em tais critérios, elaborara demonstrativo que distingue as operações em relação as quais as diferenças de impostos apuradas, bem como a multa administrativa de 1% aplicada em razão de erro de classificação fiscal teriam exigibilidade suspensa, reconhecendo que, nesses casos, não caberia promover o lançamento de multa de ofício de 75%. Quanto às demais operações, não albergadas pela liminar, informa que o lançamento da diferença de tributos foi elaborado prevendo a inclusão das multas de ofício e da multa administrativa de 1%, e que a exigibilidade dos valores ali consignados, segundo seu entendimento, não estaria suspensa. Regularmente cientificada, a impugnante comparece tempestivamente ao processo para, sinteticamente, arguir: 1 Nulidade do auto de infração em razão de prejuízo seu direito de defesa. Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 5 4 Segundo aponta, na página 8/19 do demonstrativo de apuração que instrui o lançamento, constaria que o DCR 2009/00131 diria respeito a fotocopiadoras, quando, de fato, diria respeito a Televisor em Cores com Tela de Cristal Líquido. 2 Suspensão da Exigibilidade da Integralidade do Crédito Tributário A autoridade fiscal equivocarase quando interpretou que a decisão obtida em sede de agravo de instrumento alcançaria exclusivamente os dispositivos de cristal líquido destinados ao processo produtivo de monitores de vídeo. Aduz para tanto, que a Solução de Consulta nº 4, no seu entender, o fundamento da autuação, assentara categoricamente a conclusão de que os dispositivos de cristal líquido teriam como função precípua a exibição de imagens e tal função seria inerentes aos monitores da posição 8528. Se, de acordo com os próprios critérios utilizados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, todos os produtos em cuja industrialização foram utilizados os painéis de LCD importados seriam "monitores de vídeo", todos eles estariam amparados pela decisão judicial. Tratandose de lançamento com a finalidade de prevenir a decadência, afastadas estariam as multas de ofício, de mora e por erro de classificação. 3 Ausência de Erro de Classificação Admitindo, eventualmente, que não se considere que toda matéria estaria afeta à Ação Ordinária nº 1013390.2010.4.01.3200, defende a exatidão da classificação informada. Relembra, para tanto, o texto da RG 1 e afirma, após transcrever o texto da posição 9013, do item 9013.80.10, que descreveriam “Dispositivos de cristais líquidos”, transcreve a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado da posição 9013, publicada por meio da Instrução Normativa nº 807, de 2008. Faz ainda menção ao Relatório Técnico da Divisão de Sistemas Eletrônicos, do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento LACTEC, de onde se extrairia a conclusão de que o produto importado seria um dispositivo de cristal líquido. Transcreve trecho. Estaria equivocada, ademais, a afirmação no sentido de que as características dos painéis de LCD importados pela Impugnante, caracterizados como dispositivos eletrônicos, com uma matriz de transistores e circuitos integrados que os acionam e controlam, além de dispositivo de retroalimentação (backlight), os afastaria da posição 9013, segundo o Fisco, destinada ao enquadramento de produtos de óptica. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 6 5 Afirma, para tanto, que essa restrição não constaria do texto da posição, que admitiria inclusive outros dispositivos do capítulo 90, que iria muito além dos dispositivos de óptica, como instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, etc. Não haveria qualquer apoio à afirmação de que a posição 9013 incluiria apenas os dispositivos de cristais líquidos que fossem simples, pois o capitulo 90 incluiria produtos de extrema complexidade, como microscópios eletrônicos e microscópios protiônicos, além dos já mencionados aparelhos eletromédicos. Destaca, ainda, com base no mesmo relatório técnico anteriormente mencionado, que os demais componentes que acompanham o dispositivo de cristal líquido importado seriam necessários ao seu funcionamento. Transcreve outro trecho e cita jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes. Diferentemente do afirmado pela autoridade fiscal, os painéis importados não se enquadrariam em nenhuma outra posição, do capítulo 90 ou de outro capítulo. Mais especificamente no que se refere ao alegado equivoco do enquadramento na posição 8529, defendida pelo Fisco, argumenta a recorrente que dito código se prestaria à classificação de partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 8525 a 8528 e que os produtos alvo de litígio não teriam essa característica. Cita outro trecho do Relatório técnico que descreve as múltiplas utilizações dos painéis de LCD. Registra, outrossim, que o próprio relatório fiscal reforçaria essa conclusão, pois inclui na exigência equipamentos de processamento de dados, DVDs, câmeras de vídeo e condicionadores de ar. Por outro lado, ainda que não houvesse obstáculos ao enquadramento na posição 8529, permitindo que se comparasse essa posição com a 9013, caberia enquadrar o produto nesta última, em razão da aplicação da RGI 3, “a”. Transcreve a RGI e a NESH dessa regra. Argumenta que suas conclusões encontrariam respaldo nas próprias regras aplicáveis à posição 8529. Cita, como exemplo, a classificação dos tubos de raios catódicos, que exercem as mesmas funções dos painéis de LCD, mas se classificam na posição 8540. Finalmente, sustenta que se todos esses fundamentos não fossem suficientes, prevaleceria a posição 9013 pela observância da RGI 3, “c”. Cita julgados do Terceiro Conselho de Contribuintes. Mantida tal classificação, não haveria diferença de tributos nem multas a cobrar. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 7 6 Reforça, em outro ponto, que a manutenção da exigência não depende exclusivamente do erro perpetrado pelo Sujeito Passivo. É necessário que se demonstre que a classificação proposta pelo Fisco seria a que classificaria corretamente a mercadoria. Cita jurisprudência dos Terceiro Conselho de Contribuintes. Assim sendo, tendo em vista que vários dos produtos listados nos demonstrativos que acompanham o auto de infração não se classificariam nas posições 8527 ou 8528, mas nas posições 8515, 8471, 8521, 8525, restaria demonstrado o equívoco do código proposto na autuação. Apresenta demonstrativo que ratificaria essa afirmação. 4 Impossibilidade de Revisão por Mudança de Critério Após defender que, segundo o Ordenamento, a introdução de novos critérios jurídicos só produz efeito sobre fatos geradores futuros, argumenta que todas as importações e internações de produto foram processadas nos termos em que foram apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Consequentemente, as informações prestadas, inclusive a classificação fiscal, foram referendadas, inclusive mediante as verificações inerentes ao canal vermelho de conferência. Processado o desembaraço, restariam homologados os lançamentos. Cita o art. 146 do Código Tributário Nacional, doutrina e julgados do Superior Tribunal de Justiça . Argumenta que, no presente processo, não se verificam quaisquer das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. 5 Impossibilidade de Cobrança de Juros de Mora sobre Multa de Ofício. Segundo defende, não haveria suporte legal para a incidência de juros de mora sobre multa. Tais acréscimos só poderiam alcançar o valor do tributo em si. Cita o art. 161 do CTN, os arts. 43 e 61 da lei nº 9.430, de 1996, além de julgados dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Pleiteia a realização de perícia, indica assistente e formula quesitos. Sobreveio decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2007 a 09/12/2010 Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 8 7 NULIDADE. HIPÓTESES. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou de cerceamento do direito de defesa. Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade do lançamento. CONCOMITÂNCIA. EFEITOS Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Tratandose de objetos parcialmente coincidentes, cabe conhecer e julgar a fração que não foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não se defere a perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 09/01/2007 a 09/12/2010 TELAS DE VISUALIZAÇÃO (MÓDULO LCDTFT). Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação (“backlight”) e tampas frontal e traseira, comercialmente denominada “módulo LCDTFT” classificase no código 8529.90.20 da Tarifa Externa Comum MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A inexatidão da classificação fiscal inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido, salvo se comprovada hipótese que excluiria sua aplicação como, por exemplo, o lançamento para prevenir a decadência. MULTA DE 1% POR ERRO NA INDICAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA A indicação errônea da classificação fiscal dá ensejo à aplicação da multa de 1%, ainda que a exigibilidade do crédito se encontre suspensa. Nesta hipótese, a exigibilidade da multa permanecerá igualmente suspensa. Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 9 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2007 a 09/12/2010 CONCESSÃO DE LIMINAR EM ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A suspensão da exigibilidade em razão da concessão de medida liminar limitase à fração da exigência amparada pela decisão. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. Durante as verificações executadas por ocasião do despacho de importação, a autoridade fiscal limitase a verificar as informações necessárias à apuração da classificação fiscal e não tendo, naquele momento, o compromisso de verificar a classificação fiscal em si. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e incidirão sobre a totalidade da exigência fiscal. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator ad hoc. Inicialmente é necessário ressaltar que em razão da saída do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto deste Conselho, fui designado como redator ad hoc do Acórdão, nos termos previstos no art. 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 c/c a Portaria CARF nº 107/2016. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 10 9 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Esclarecese, inicialmente, que parte da matéria alvo do presente litígio é concomitante com a discussão travada no âmbito do Poder Judiciário Ação Ordinária nº 1013390.2010.4.01.3200. A matéria objeto de discussão judicial não será apreciada neste voto. A citada ação judicial teve por objeto: [...] assegurar â Autora, de forma definitiva, a aplicação da vigente classificação fiscal 9013.80.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nas operações de importação do insumo/ componente "Dispositivo de Cristal Liquido (LCD)" para emprego no Processo Produtivo Básico (PPB) de Monitores de Vídeo com projetos industriais aprovados pela Portaria 58, de 15/06/2000, Resolução 394, de 14/12/2004, Portaria 354, de 17/11/2005, Resolução 50, de 08/05/2007 e Resolução 337, de 18/12/2008, todas da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), determinando, ainda, que a Ré, por suas autoridades fiscais na Zona Franca de Manaus (ZFM), abstenhase de impor quaisquer sanções à Autora pela aplicação da referida posição tarifária NCM 9013.80.10; (c2) declarar a inexistência de relação jurídicotributária que tenha permitido a exigência de Imposto de Importação (II) nas operações de importação de "Dispositivo de Cristal Liquido (LCD)", a partir de maio de 2010, à alíquota de 12% (doze por cento), realizadas pela NCM 8529.90.19, bem como declarar o direito da Autora de compensar todo o montante indevidamente pago, acrescido de juros equivalentes à taxa Selic (Lei 9.250/95, art. 39, § 4°), com débitos de quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), com amparo nos arts. 66, da Lei 8.383, de 30/12/1991, e 74, da Lei 9.430, de 27/12/1996 (e alterações), e demais normas aplicáveis, ressalvandose à fiscalização da Ré o poderdever de conferir a exatidão dos valores compensados, tudo como medida à mais ampla e justa prestação jurisdicional; A autoridade fiscal, ao formalizar o lançamento, separou os produtos vinculados aos PPB próprios de monitores de vídeo para uso exclusivo em informática e os demais monitores, identificados como “exceto para uso exclusivo em informática”, conforme definição das respectivas portarias interministeriais. Em decorrência da concessão de medida liminar, em relação aos painéis de LCD adquiridos para uso em monitores de informática não foi formalizada a exigência da multa de ofício de 75%. Das preliminares A recorrente sustenta a nulidade do Auto de infração devido à equívoco no "Demonstrativo de Apuração", nestes termos: Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 11 10 De fato, na página 8/19 do "Demonstrativo de Apuração" que instrui o Auto de Infração (fl. 50), consta que o DCR 2009/00131 seria referente ao produto "Fotocopiadora (reconstruída) JNC08299", quando, na verdade, tal DCR é relativo ao produto 'Televisor em Cores com Tela de Cristal Líquido" (doe. 02 da Impugnação). Também na página 8/19 do "Demonstrativo de Apuração" que instrui o Auto de Infração (fl. 50), consta que o DCR 2009/00154 seria referente ao produto "película de plástico", quando, na verdade, este DCR é relativo ao produto 'Televisor em Cores com Tela de Cristal Líquido" (doe. 03 da Impugnação). Em se tratando de contencioso administrativo tributário, as hipóteses de nulidade encontramse previstas no artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Segundo este dispositivo, são duas as hipóteses de nulidade relacionadas ao processo administrativo fiscal federal: a primeira corresponde a um pressuposto subjetivo de atos processuais, qual seja a incompetência funcional do emissor do ato; já a segunda se refere a um pressuposto processual das decisões administrativas, este com fundamento na CF/88, que exige respeito ao contraditório e a ampla defesa. Por conseguinte, considerase nulo o ato praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em análise ao arguido, de fato, em se tratando de auto de infração decorrente de mudança de classificação fiscal adotada por contribuintes, a correta identificação do produto deve ser uma premissa do lançamento fiscal, de forma a permitir o pleno exercício do direito de defesa do sujeito passivo. Observo, contudo, que os equívocos alegados pela recorrente restringemse a dois itens do auto de infração, e que o erro na descrição destes dois produtos não prejudica a defesa em relação a todos os demais itens que foram corretamente descritos. Não constato, desta forma, a presença de vício suficiente para impingir de nulidade a totalidade do lançamento fiscal. Apesar do exposto, entendo que deve ser cancelada a exigência em relação a estes dois itens, descritos como "Fotocopiadora (reconstruída) JNC08299" e "película de plástico", pois os mesmos, notadamente, não correspondem aos produtos objetos da reclassificação fiscal proposta pelo Fisco, quais sejam "Display de Cristal Líquido (LCD)", classificados no código 8529.90.20 da NCM. A recorrente sustenta a nulidade do acórdão recorrido, devido ao indeferimento da produção da prova pericial. Em relação à realização de prova pericial, o artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 esclarece que a autoridade julgadora pode determinar a sua produção quando Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 12 11 entender que a mesma é necessária, devendo indeferila quando as considerar prescindível ou impraticável: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A decisão recorrida, ao analisar o pedido da recorrente, afirma não ser necessária a produção de prova pericial, nestes termos: A impugnante formulou os seguintes quesitos: i) os painéis de LCD importados pela Impugnante descritos no Auto de Infração são "Dispositivos de cristais líquidos (LCD)", podendo ser descritos como "dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas''"? ii) os painéis de LCD importados pela Impugnante descritos no Auto de Infração podem ser utilizados apenas nos aparelhos das Posições 85.27 ou 85.28? iii) os painéis de LCD importados pela Impugnante descritos no Auto de Infração podem ser utilizados em outros aparelhos, além daqueles das Posições 85.27 ou 85.28? iv) caso positiva a resposta ao quesito anterior, podese afirmar que os painéis de LCD importados pela Impugnante descritos no Auto de Infração sejam "principalmente" destinados aos aparelhos das Posições 85.27 ou 85.28 ou não há como se indicar a que aparelhos tais painéis de LCD seriam "principalmente" destinados? Penso que não há fundamento para que se acolha o pedido de perícia, pois já constam do processo os elementos de natureza técnica que poderiam ser obtidos com os quesitos formulados. Com efeito, os quesitos “i”, “ii” e “iii” tratam de premissas assumidas pela própria autoridade fiscal, a partir da Solução de Consulta nº 4 de 2010. Não há dúvida, portanto, a respeito da composição do produto e nem com relação ao fato de que os dispositivos podem ser incorporados a produtos diversos dos classificados na posição 8527 e 8528. Quanto ao quesito iv, entendo que a indagação teria como finalidade rediscutir a interpretação do SH e tal tarefa, com a devida licença, não se insere na competência do perito. Lembrar da regra contida no § 1º do art. 30 do Decreto 70.235, de 1972. Conforme já explicitado, a autoridade fiscal partiu do pressuposto de que, qualquer que fosse o produto final daquele Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo, os painéis de LCD seriam sempre empregados em componentes destinados à exibição de imagens, finalidade inerente aos monitores. Relembro, aqui, o exemplo, do telefone celular. Apesar do equipamento final não ter nenhuma semelhança com um monitor, dentre os seus componentes, há um monitor, montado a partir de um painel de LCD. Dito de outra forma: apesar do produto final não possuir a função de monitor, é fato inconteste que ele incorpora um subconjunto, montado a partir de painéis de LCD que, indiscutivelmente, exerce essa função. Ou seja, mesmo que o produto final não exerça estritamente a função de monitor, o produto importado destinarseia, pelo menos num primeiro momento, à montagem de um subconjunto que, se analisado individualmente, constitui um monitor. Sob essa perspectiva, portanto, não resta margem para dúvida de que os painéis de LDC destinamse, principalmente, à fabricação de monitores (ainda que ditos monitores sejam incorporados a outros produtos), fato que corrobora a adoção da posição 8529. Consequentemente, com base no disposto no art 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de perícia Desta forma, em sendo a determinação da produção de prova pericial competência da autoridade julgadora, e esta tendo sido expressa nas razões pelas quais a considera prescindível, o seu indeferimento não representa qualquer hipótese de nulidade desta decisão, razão pela qual não se acata a preliminar levantada pela recorrente. A recorrente solicita ainda a produção da prova pericial por este órgão julgador. Entendo, contudo, ser desnecessária a realização de perícia, notadamente devido ao presente processo já possuir informações suficientes para o deslinde da questão. Observese que as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. No presente processo, tendo em vista os elementos carreados aos autos, entre os quais constam laudos técnicos emitidos por especialistas, bem como parecer expedido pela RFB acerca da matéria, é perfeitamente possível a este órgão colegiado determinar a correta classificação desta mercadoria. Indeferese, desta forma, o pedido de produção de prova pericial. Da classificação de mercadorias O presente auto de infração decorre da modificação, efetuada pela Fiscalização, na classificação fiscal adotada pela recorrente em operações de importação/internação das mercadorias descritas como "LCD" ou "Dispositivo de Cristal Líquido", importadas no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2010. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 14 13 A recorrente alega ter adotado a classificação fiscal correta, qual seja a posição desdobrada 90.13.80.10 "Dispositivos de cristal líquido (LCD)". Alega que sua classificação decorre da aplicação da RGI 1, que determina que seja feita com base no texto da posição, e como o texto da posição 9013 descreve exatamente "dispositivos de cristal líquido", em comparação com as outras posições, deve prevalecer. Afirma, embasada em laudos técnicos, que se tratam de dispositivos óticos de cristal líquido, sendo esta a descrição mais específica possível para as mercadorias. Seriam produtos passíveis de múltiplas aplicações, não configurando partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas a nenhum equipamento. Aduz ainda que, em caso de dúvidas, deveria ser utilizada a RGI 3A, o que também conduziria a posição 90.13, pois, por ser mais específica, prevaleceria sobre as mais genéricas. A Fiscalização, a seu turno, procedeu com a reclassificação fiscal das mercadorias, entendendo que o texto da posição 9013 coloca os "Dispositivos de Cristais Líquidos" em uma condição residual, de forma que, existindo uma outra posição cujo texto lhe confira maior especificidade, esta prevaleceria. Afirma que, o insumo "Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação ("backlight") e tampas frontal e traseira, comercialmente denominada 'módulo LCDTFT' ", nesse relatório chamado simplesmente de "Display de Cristal Líquido (LCD)", classificase no código 8529.90.20 da NCM, conferindo o tratamento tributário adequado. Antes de adentrar na lide, esclarecese que os pareceres técnicos anexados aos autos devem ser conhecido apenas nos seus aspectos técnicos, abstraídas todas as incursões inerentes à classificação da mercadoria, matéria privativa de órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil e a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A autoridade fiscal reclassificou os itens identificados pela recorrente como "tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação (backlight) e tampas frontal e traseira (módulo LCDTFT)", no código NCM de subitem 8529.90.20. A recorrente defende o enquadramento no código 90.13.80.10. A classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) é subordinada às Regras Gerais de Interpretação (RGI), bem como às Regras Gerais Complementares (RGC). A RGI 1 assim determina: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 15 14 Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Segundo esta norma, a classificação é determinada, prioritariamente, pelos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulo, sendo as demais regras aplicadas apenas caso a RG1 não seja suficiente para definir a classificação da mercadoria. As posições em discussão possuem os seguintes enunciados: 85.29 Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28 8529.90 Outras 8529.90.20 De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28 90.13 Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente noutras posições; lasers, exceto diodos laser; outros aparelhos e instrumentos de óptica, não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo 9013.80 Outros dispositivos, aparelhos e instrumentos 9013.80.10 Dispositivos de cristais líquidos (LCD) Em relação às notas envolvendo a lide, mostram relevo a Nota 1, "m", da Seção XVI e a Nota 2, "a" do Capítulo 90, abaixo transcritas: Notas Seção XVI. 1. A presente Seção não compreende: [...] m) os artefatos do Capítulo 90; Notas Capítulo 90 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 acima, as partes e acessórios para máquinas, aparelhos, instrumentos ou outros artefatos do presente Capítulo, classificamse de acordo com as seguintes regras: a) As partes e acessórios que consistam em artefatos compreendidos em qualquer das posições do presente Capítulo ou dos Capítulos 84, 85 ou 91 (exceto as posições 84.87, 85.48 ou 90.33) classificamse nas respectivas posições, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem; Da análise das referidas notas, extraise, inicialmente, que a seção XVI, que inclui o Capítulo 85, não compreende os artefatos classificados no Capítulo 90. Mostrase necessário, portanto, verificar se o artigo em discussão enquadrase no capítulo 90. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 16 15 A posição 90.13, pretendida pela recorrente, abrange "Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente noutras posições". As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) referentes a posição 90.13 esclarecem que: [...]a presente posição compreende especialmente: 1) Os dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas, e que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições da Nomenclatura. (grifo nosso) Do exposto, resta claro que a presente posição compreende apenas os dispositivos de cristais líquidos que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições. A Nota 2, "a", do Capítulo 90, por sua vez, estabelece que as partes e acessórios que consistam em artefatos compreendidos em qualquer das posições do presente Capítulo ou dos Capítulos 84, 85 ou 91 (exceto as posições 84.87, 85.48 ou 90.33) classificam se nas respectivas posições, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem. Desta forma, analisando as duas notas em conjunto, temse que, em se tratando de dispositivos de cristal líquido, quando trataremse de partes de artefatos compreendidos nos capítulos 84 ou 85, devem ser classificados nas respectivas posições destes capítulos, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem. Nas hipóteses em que os dispositivos de cristais líquidos que não possam ser classificados como partes de artefatos compreendidos nos capítulos 84 ou 85, ou mesmo em qualquer outras posição, classificamse na posição 90.13. Pois bem, por dispositivo de cristal líquido entendese quaisquer produtos que tenham seu funcionamento à base de materiais com propriedade de cristal líquido. Em relação ao produto, o Relatório Técnico elaborado pelo Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento LACTEC, anexado aos autos, apresenta as seguintes considerações: 18.Devido à sua alta complexidade, as telas de LCD do tipo TFT incorporam um conjunto de circuitos eletrônicos responsáveis por controlar o processo de exibição das imagens e proceder à ativação de cada um pixels da tela mediante o acionamento dos transistores correspondentes. Tanto estes circuitos quanto o sistema de retroiluminação, constituído de uma ou mais fontes luminosas (lâmpada fluorescente ou LED), difusores (e, por vezes, circuito inversor) também fazem parte do produto em estudo, comercialmente chamado de “módulo LCDTFT”. 19.As telas de LCD do tipo TFT são utilizadas, principalmente, para a fabricação de monitores de vídeo e televisores, mas Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 17 16 podem ser utilizadas também como insumos para a fabricação de uma grande variedade de produtos, tais como monitores de vídeo, notebooks, aparelhos receptores de televisão, telefones celulares, máquinas fotográficas, consoles de vídeo game portáteis, aparelhos de GPS, aparelhos e instrumentos médicos, de automação industrial, etc. 20.Assim, conforme mencionado pelo Interessado em sua petição, é impossível definir com exatidão o produto no qual será montada, visto que a mesma pode ser acoplada a qualquer aparelho capaz de fornecer um sinal de vídeo através de uma conexão adequada – em que pese o fato de que, pelo tamanho, seja possível por exemplo, presumir que uma certa tela deva servir para um aparelho receptor de TV, o que não impede, entretanto, que se utilize esta mesma tela para a fabricação de um equipamento médico, por exemplo. O LACTEC afirma que, em que pese ser impossível definir com exatidão o produto final a que se destina, os displays de cristal líquido servirão para a exibição de imagens em monitores para uso em televisão, microcomputadores, máquinas de entretenimento, aparelhos portáteis móveis de telecomunicação, painéis mostradores em uso de automação industrial, entre outros. Neste sentido, o item 2.1 do relatório citado: [...]a tecnologia LCD permite a exibição de imagens monocromáticas ou coloridas e animações em praticamente qualquer dispositivo, sem a necessidade de um tubo de imagem, como acontece com os monitores CRT..[...] Esta função, de exibir imagens, é inerente aos monitores da posição 85.28: 85.28 Monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens Mostrase, correta, portanto, a classificação destes produtos na posição 85.29, posto sua função estar intimamente ligada à de um monitor, ou seja, mostrar imagens, caracterizandose como parte reconhecível como principalmente destinada aos aparelhos das posições 85.28. Ressaltase que o texto da posição 8529 não exige que os produtos se destinem exclusivamente aos equipamentos das posições 85.25 a 85.28, basta que haja uma preponderância e tal preponderância é inquestionável. Como com a aplicação da RGI 1 se alcança a classificação fiscal das mercadorias, não se mostra correta a utilização da RGI 3A, pretendida pela recorrente. Observase, ainda, que a classificação proposta pelo Fisco atualmente encontrase positivada, posto os produtos corresponderem a exata reprodução da descrição do Ex Tarifário do subitem 8529.90.20 criado pela Resolução Camex nº 84, de 8 de dezembro de 2010, que inclusive a Recorrente passou a utilizar após sua publicação: Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 18 17 8529.90.20 De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28 Ex 001 Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação (“backlight”) e tampas frontal e traseira – (“módulo LCDTFT”) O Decreto nº 7.600/2011, da mesma forma, ao estabelecer os critérios para habilitação ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, estabelece que os displays de cristal líquido devem ser classificados no código NCM 85.29: Anexo I Mostradores de Informação NCM Dispositivos de plasma 85.29 Displays construídos a partir de OLED da posição 85.41 Displays construídos a partir de TFEL das posições 85.41 e 85.42 Displays de cristal líquido (LCD) 85.29 Dispositivos de cristais líquidos (LCD) 9013.80.10 Ora, as posições e as respectivas notas de referência não tiveram nenhuma alteração, mostrandose ilógico e incoerente afirmar que no período anterior ao dispositivo a classificação deveria ser efetuada em um código diferente do atual. Não se trata de um novo entendimento, mas apenas a positivação de uma interpretação por meio de um ato administrativo, que deixa explícita a classificação de um produto. Este novo ato, contudo, não inovou na ordem jurídica, pois a classificação dos produtos sempre foi vinculada a este código. Desta forma, a atual classificação dos produtos, expressa no subitem 8529.90.20, mostrase adequada também para o período pretérito. Se a classificação correta fosse a suscitada pela recorrente, teria a CAMEX e a Presidência da República classificado os dispositivos no subitem 9013.80.10, o que, como visto, não ocorreu. Desta forma, deve ser mantida a reclassificação fiscal imposta pela autoridade fiscal. A recorrente afirma ainda que foram incluídos na apuração do Imposto de Importação valores referentes a painéis de LCD destinados a diversos produtos que não podem ser enquadrados nas posições 85.27 e 85.28, indicados em listagem anexada a impugnação. A análise dos produtos indicados na planilha, contudo, não permite que se alcance tal entendimento, posto trataremse de insumos adquiridos para utilização em processos produtivos básicos de monitores de cristal líquido e televisor em cores. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 19 18 Vejase, por amostragem, os primeiros cinco itens trazidos pela recorrente em sua planilha: Em confronto destes itens com o auto de infração, extraíse as seguintes informações: Constatase, de pronto, que os itens citados foram utilizados na produção de monitores de vídeo e televisores, o que os enquadra no código 85.28. Em sendo constatado que a reclassificação fiscal proposta pela autoridade fiscal estava correta, mostrase lícita a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos em decorrência da classificação fiscal equivocada declarada pela recorrente. No que tange à multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, também se mostra correta a exigência fiscal, posto a penalidade decorrer da classificação fiscal errônea verificada nos presentes autos, nos termos do artigo 84 a Medida Provisória (MP) n° 2.15835, com vigência a partir de 27/08/2001: Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 20 19 penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Da revisão aduaneira Alega a recorrente a mudança de critério jurídico não autoriza as autoridades fiscais a realizar lançamento em relação a fatos geradores passados, mas tão somente em relação a fatos geradores ocorridos após a introdução do novo critério jurídico. Aduz que, como a desclassificação fiscal foi promovida após o desembaraço aduaneiro dos insumos importados e após a internação das mercadorias fabricadas na Zona Franca de Manaus, a imposição de nova classificação configuraria mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo art. 146 do CTN. Esclarecese a recorrente, contudo, que o que ocorreu, no caso concreto, foi tão somente a revisão dos enquadramentos das mercadorias, decorrente do processo de revisão aduaneira, previsto em lei. A Receita Federal do Brasil pode e deve proceder a revisão aduaneira, dentro do prazo quinquenal legal, para fins de verificar a correição dos procedimentos adotados pelo importador. Após o despacho aduaneiro, a DI pode ser submetida a revisão para apurar qualquer irregularidade relativa ao despacho. Aliás, o art. 54 do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 2º do Decretolei nº 2.472/88, assim já previa: Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de cinco anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste DecretoLei. Do mesmo modo, já previa o RA/1985, em seu art. 455: Art. 455: Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício aplicado (DL 37/66, art. 54) O mesmo se manteve no Regulamento Aduaneiro/2002, conforme se depreende do disposto no art. 570, a saber: Art.570 – Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamentos dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação(Decretolei nº. 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº. 2.472, de 1988, art. 2º), e Decretolei nº. 1.578, de 1977, art. 8º) Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 21 20 Mostrase, desta forma, totalmente desnecessário que a RFB explicite quais as Declarações de Importação que foram parametrizadas para o Canal Vermelho, pois a informação não influencia na julgamento da lide. Assim, mais uma vez são incabíveis as alegações da contribuinte. Dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício Por fim, em relação à incidência da Selic sobre as multas aplicadas, entendo ser devida a Taxa Selic nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal, independente de tratarse de obrigação principal decorrente da ocorrência de fato gerador ou decorrente da aplicação de penalidade pecuniária. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra a expressão “crédito” a que se refere o caput desse artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. No mesmo sentido, manifestouse por maioria a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 920201.806, de 24 de outubro de 2011, cuja ementa e excerto do voto transcrevese abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 22 21 Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 23 22 Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Face o exposto, entendo plenamente aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme demonstrado na decisão acima transcrita, a qual adoto como razão de decidir. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao voluntário, cancelando a Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 24 23 exigência em relação a aos itens descritos como "Fotocopiadora (reconstruída) JNC08299" e "película de plástico", e mantendose os demais valores exigidos. Winderley Morais Pereira Redator Ad hoc Declaração de Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário A presente manifestação tem por objetivo pontuar acerca da possibilidade de aplicação da exoneração prevista no art. 100 do CTN na hipótese dos autos, ainda que não exista pedido literalmente expresso nesse sentido pelo Contribuinte. Inicialmente, cabe registrar o posicionamento já firmado pela presente Turma Julgadora em caso análogo ao presente, onde se decidiu pela citada aplicação do art. 100 do CTN: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. (...) NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA. Considerase prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já determinadas em soluções de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência. (Acórdão 3201002.026) Ou seja, já restou assentado por esta Turma Julgadora que, restando comprovado nos autos a existência de prática reiterada das autoridades administrativas no mesmo sentido da conduta adotada pelo contribuinte, este será exonerado dos acréscimos decorrentes de juros e multa em razão de posterior alteração do entendimento fiscal. Segue trecho do voto: Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 25 24 Não há como negar que a administração confirmou a classificação fiscal adotada nas Declarações de Importação. Sem dúvida a administração é soberana para a qualquer tempo rever a posição adotada e neste casso especifico entendeu reclassificar as mercadorias para o código 90.13.80.10 em procedimento de revisão aduaneira. Não vislumbro nenhum problema ou questionamento quanto a legalidade da reclassificação realizada pela Autoridade Aduaneira, entretanto, não se pode negar o fato da recorrente ter orientação quanto a classificação das telas de LCD, no código 90.13.80.10, diferentes despachos de importação, confirmada a classificação que vinha sendo adotada. Não há como exigir um procedimento diferente da recorrente que não fosse permanecer utilizando a classificação já adotada nestes despachos nas suas próximas declarações de importação. Situação que foi alterada a partir de novo posicionamento da Receita Federal por ato da COANA que mudou o entendimento anterior externados nos despachos aduaneiros e nas soluções de consulta das Regiões Fiscais da RFB, passando a adotar o código 90.13.80.10 para as telas de LCD. Entendo, que após ser realizada a reclassificação das mercadorias no procedimento de revisão aduaneira, eventuais diferenças de tributos deverão ser exigidos por meio de lançamento, entretanto, resta a discussão sobre a aplicação de penalidades. O Código Tributário Nacional, resguarda o contribuinte, quando age de acordo com orientação da Administração Tributária, a não ser sofrer a aplicação de penalidade, nos termos previstos no seu art. 100, inciso III e Parágrafo Único. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." Considerando a existência de soluções de consulta da RFB e de diversos despachos de importação selecionados para canais de conferência, onde foram confirmadas as classificações adotadas pela recorrente, entendo que a classificação adotada pela recorrente ocorreu diante de diversas práticas reiteradas da Administração Tributária, assim não são exigíveis as penalidades e a cobrança de juros nos termos previstos no art. 100, III, parágrafo único do CTN. Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 26 25 Na hipótese dos presentes autos, contudo, referido entendimento digase, aplicado em situação fática bastante similar, quando não, idêntica deixou de ser aplicado, por decisão proferida por voto de qualidade, ao entendimento de que inexistindo pedido expresso do contribuinte nesse sentido não competiria a aplicação do art. 100 do CTN "de ofício" por este órgão julgador. Com efeito, não se nega e nem mesmo o contribuinte o faz que não houve pedido literalmente expresso no sentido de aplicação do 100, inciso III, do CTN. Houve, no entanto, a efetiva demonstração de que a Autoridade Fiscal, por longo período, adotou posicionamento em linha com aquele adotado pela Contribuinte em suas importações, e, ainda, o pedido de anulação integral da exigência fiscal. Ou seja, houve a demonstração dos fatos, sob os quais cabe ao julgador aplicar o direto. É o que se denomina, na doutrina processual, do princípio iura novit curia, ou, ainda, da mihi factum, dabo tibi ius (me dá os fatos, e eu te darei o direito). No magistério de Alexandre Freitas Câmara: "Após a qualificação das partes, deve passar o autor a indicar a causa de pedir, já definida anteriormente, e que é composta pelos fatos que dão origem à pretensão do autor. A necessidade de indicação da causa de pedir vem expressa no art. 282, III, do CPC, que fala em fatos e fundamentos jurídicos do pedido. Os fatos a que se refere a norma são os que compõem a causa de pedir próxima, ou seja, os fatos que segundo a descrição do demandante lesaram ou ameaçaram o direito de que o mesmo afirma ser titular. Já os fundamentos jurídicos são, em verdade, a causa de pedir remota, ou seja, o título (o fato constitutivo) do direito afirmado pelo autor. É absolutamente desnecessária a indicação dos dispositivos legais onde o autor foi buscar os fundamentos para embasar sua demanda, já que iura novit curia (o juiz conhece o direito). (CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de direito processual civil. V. I, 17. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2007, p. 307). Cumpre salientar que o princípio ora exposto foi completamente albergado pelo Novo Código Civil Brasileiro, consoante disposto em seu art. 319, III (idêntico ao supra citado art. 282, III do CPC/73). Assim, o julgador é conhecedor do direito, o qual deve ser aplicado à exata medida dos fatos e fundamentos que lhe são trazidos a conhecimento pelas partes. O que não se pode permitir, é a aplicação de fundamento diverso daqueles trazidos pelas partes, o que implicaria em verdadeiro julgamento ultra ou extra petita. Todavia, a simples ausência de citação de dispositivo legal, quando este decorre logicamente dos fatos expostos, não configura, em absoluto, a aplicação de fundamento estranho à lide. Por fim, anoto que a possibilidade / necessidade aplicação do princípio do iura novit curia ao processo tributário administrativo já foi reconhecida pela Câmara Superior deste CARF: Neste processo, os fatos estão postos de forma clara e para decidir qual o índice aplicável o julgador deve verificar qual a Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 27 26 metodologia prevista na legislação fiscal. Como vimos, a pessoa jurídica se equivocou ao utilizar o índice de 70,28% para o mês de janeiro, quando sua abrangência temporal é maior.Tratase, a meu ver, de matéria estritamente de direito, em que o julgador não está restrito a decidir apenas escolhendo entre os argumentos trazidos pelos interessados, podendo aplicar fundamento jurídico distinto no julgamento da questão posta a seu exame (juria novit cúria). No caso em comento, o julgador deve ajustar o que foi pedido no recurso voluntário pela contribuinte para adequar a legislação de regência. (Acórdão 0105.971, grifos nossos) Diante das razões exposta, divirjo do Relator, assentando a possibilidade e a necessidade de se aplicar o art. 100, III do CTN, para fins de excluir a aplicação de juros e multa sobre o crédito tributário lançado, uma vez que restou devidamente demonstrado pela Contribuinte a existência de prática reiterada da administração tributária no exato sentido da conduta adotada em suas importações. É como voto. Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto. Esta declaração de voto tem o objetivo de demonstrar a divergência dos votos vencidos com relação à classificação da mercadoria importada como insumo (tela de LCD) e à aplicação do Art. 100 do CTN para, em provimento ao mérito do Recurso Voluntário, cancelar todo o lançamento, as cobranças das diferenças de alíquota e cancelar as multas de ofício de 75% e de 1%, diante da correta classificação adota pelo contribuinte na NCM 9013.80.10 e do reconhecimento das práticas reiteradas da administração pública (consultas indicando a classificação do contribuinte como correta, parametrização em canal vermelho durante anos, posterior validade da NCM adotada pela fiscalização e decisão do CARF reconhecendo como correta a classificação do contribuinte) como normas complementares das leis. O relatório deste acórdão, assim como as planilhas de fls 665 a 890 e as DIs de fls 1148 e seguintes, confirmam que o contribuinte importou Dispositivos de Cristais Líquidos (LCD), telas de LCD, e classificou na NCM 9013.80.10, enquanto a fiscalização entendeu que o produto deveria ter sido classificado na NCM 8529.90.20, em razão da Resolução Camex n.º 84/2010, e realizou o lançamento com fundamento no suposto erro de classificação e cobrou as diferenças das alíquotas, os juros e a multa de ofício de 75% e multa de 1%, conforme transcrito a seguir: "Segundo consta do Relatório de Fiscalização Aduaneira ALFMNS/EQFIS 060/2011, colacionado às fls. 34 a 421, a impugnante promoveu a importação de Painéis (Displays) de Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 28 27 Cristal Líquido (LCD) e, quando do preenchimento de suas declarações, teria indicado erroneamente a classificação desses produtos: ao invés de indicar o código 8529.90.20, indicara o código 9013.80.10. Segundo expõe, os fundamentos para que se promovesse a reclassificação seriam os mesmos que orientaram a prolação da Solução de Consulta nº 4, de 2010, expedida pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira. No mesmo sentido iria a Câmara de Comércio Exterior, quando da expedição da Resolução Camex 84, de 09/12/2010, incluindo os “ex” tarifários 001 e 002 no item 8529.90.20, relativos a telas de visualização de cristal líquido (LCD)." Destacase que as terminologias "Dispositivos de Cristais Líquidos (LCD)" e "Painéis (Displays) de Cristal Líquido (LCD)" tratam do mesmo produto, telas individuais de cristal líquidos (conforme DIs de fls 1148 e seguintes) e, diferenciam unicamente em razão dos textos adotados na NCM 9013.80.10 (adotada pelo contribuinte) e NCM 8529.90.20, respectivamente. Alias, não há nenhum laudo nos autos que comprove o contrário ou qualquer controvérsia sobre a identificação do produto, de modo que não é possível concluir com segurança jurídica e técnica que as terminologias das NCMs representam outros produtos que não a mencionada tela de LCD. A lide em nenhum momento surgiu sobre a identificação do produto, mas somente sobre sua classificação. Destacase também que a questão da concomitância votada na decisão de primeira instância, conforme transcrito abaixo, foi discutida durante esta sessão e superada, de forma que se decidiu pela não concomitância. Assim, foi dada a continuidade ao julgamento desta lide. Transcrevese a Ementa da decisão de primeira instância para melhor expor os detalhes da presente lide administrativa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2007 a 09/12/2010 NULIDADE. HIPÓTESES. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou de cerceamento do direito de defesa. Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade do lançamento. CONCOMITÂNCIA. EFEITOS Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Tratandose de objetos parcialmente coincidentes, cabe conhecer e julgar a fração que não foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 29 28 Não se defere a perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 09/01/2007 a 09/12/2010 TELAS DE VISUALIZAÇÃO (MÓDULO LCDTFT). Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação (“backlight”) e tampas frontal e traseira, comercialmente denominada “módulo LCDTFT” classificase no código 8529.90.20 da Tarifa Externa Comum MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A inexatidão da classificação fiscal inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido, salvo se comprovada hipótese que excluiria sua aplicação como, por exemplo, o lançamento para prevenir a decadência. MULTA DE 1% POR ERRO NA INDICAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA A indicação errônea da classificação fiscal dá ensejo à aplicação da multa de 1%, ainda que a exigibilidade do crédito se encontre suspensa. Nesta hipótese, a exigibilidade da multa permanecerá igualmente suspensa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2007 a 09/12/2010 CONCESSÃO DE LIMINAR EM ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A suspensão da exigibilidade em razão da concessão de medida liminar limitase à fração da exigência amparada pela decisão. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 30 29 Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. Durante as verificações executadas por ocasião do despacho de importação, a autoridade fiscal limitase a verificar as informações necessárias à apuração da classificação fiscal e não tendo, naquele momento, o compromisso de verificar a classificação fiscal em si. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e incidirão sobre a totalidade da exigência fiscal." Feita este introdução à declaração de voto, passase à análise da classificação dos Dispositivos de Cristais Líquidos LCD e da aplicação do Art. 100 do CTN, transcrito a seguir: "SEÇÃO III Normas Complementares Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." De início, é importante esclarecer que a NCM 9013.80.10 foi corretamente adotada pelo contribuinte à época dos fatos, isto porque a Regra Geral n.º 1 do sistema harmonizado define que a classificação correta será a que mais equivaler ao texto da posição, logo, considerando que o texto da posição 9013 corresponde exatamente aos Dispositivos de Cristais Líquidos LCD e que a resolução Camex 84 somente trouxe o texto da NCM 8529.90.20 após os fatos dos autos, não há como concluir que a NCM 9013.80.10 seria uma classificação errada, de acordo com as nomenclaturas vigentes, à luz das regras do sistema harmonizado e do regulamento aduaneiro. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 31 30 De acordo com disposição expressa do Regulamento Aduaneiro de 2009, nos seus Art. 721, 732 e 94, a mercadoria deve ser classificada de acordo com o estado em que se encontra no momento da importação e não de acordo com suas futuras e possíveis aplicações, seja aplicar a LCD em computadores, vídeos ou qualquer outro produto. Veja a transcrição do Art. 94 do RA/09: "Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas (DecretoLei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o, caput)." Esta disposição expressa justifica inclusive a não aplicação da concomitância com o processo judicial citado no relatório, que discute a classificação no processo produtivo básico de monitores e não a classificação dos Dispositivos de Cristais Líquidos LCD como encontrada no momento da importação. São momentos e produtos distintos. Portanto, correta a utilização da NCM 9013.80.10. Com relação à aplicação do Art. 100 do CTN, é importante destacar que esta Turma de julgamento decidiu por aplicar este dispositivo em caso de matéria idêntica, a classificação das telas de LCD na NCM 9013.80.10, conforme Acórdão 3201002.026, de outro contribuinte. Após muito trabalho e discussão, julgamento em que estive presente e apresentei declaração de voto no mesmo teor desta, por unanimidade decidiuse por aplicar o Art. 100 do CTN para reconhecer as práticas reiteradas da administração pública e, portanto, estas poderiam ser consideradas como normas complementares, o que serviu para cancelar as penalidades impostas àquele contribuinte conforme o texto do voto vencedor. 1 CAPÍTULO II DO FATO GERADOR Art. 72. O fato gerador do imposto de importação é a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 1º, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º). § 1º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerase entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como importada e cujo extravio tenha sido verificado pela autoridade aduaneira (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 1º, § 2º com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º). 2 Art. 73. Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 23, caput e parágrafo único, este com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40): (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo; Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 32 31 O que, a princípio, na minha leitura, não deveria se limitar ao cancelamento das penalidades, uma vez que aplicado o Art. 100 do CTN e reconhecido que a administração reiteradamente permitiu e inclusive orientou a aplicação da NCM 9013.80.10 para os dispositivos de Cristais Líquidos, o lançamento deveria ser cancelado de forma integral, porque não haveria como concluir que a classificação adotada pelo contribuinte era equivocada. Ao contrário, equivocada, inovadora e retroativa foi a classificação adotada pela fiscalização. Mas mesmo após aquele julgamento, em que pese nesta sessão o presente contribuinte ter expressamente solicitado o provimento integral do Recurso Voluntário, ter alegado a mudança de critério jurídico (Art. 146 do CTN) em razão da mudança do entendimento quanto ao uso da NCM 9013.80.10 para a classificação das telas de LCD, ter solicitado em memoriais e durante a sessão a aplicação do Art. 100 do CTN, inclusive citando o precedente desta própria Turma de julgamento, por voto de qualidade decidiuse que o contribuinte não havia expressamente solicitado a aplicação do Art. 100 do CTN em sua impugnação e, portanto, não haveria como considerar sua aplicação. Segue o Art. 146 do CTN transcrito, para que seja possível clarear sua ligação e identidade com o Art. 100 do CTN: "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." Respeito a posição vencedora dos nobres colegas conselheiros e respeito o princípio da colegialidade, mas a posição vencedora adotada poderia ter mais coesão com outros princípios adotados pela administração pública, como aqueles previstos na Lei 9.784/99 e no CTN. É simples, se este próprio conselho edita e publica de forma vinculativa suas próprias súmulas, por exemplo, é porque o Conselho adota e observa o princípio da igualdade, de forma que o que se pretende, é evitar que diferentes contribuintes tenham decisões diferentes para casos idênticos. Logo, em que pese não existir súmula sobre a aplicação do Art. 100 do CTN na presente lide administrativa, razão pela qual reconheço e respeito a liberdade dos colegas que decidiram por não aplicar o Art. 100 do CTN, esta Turma de julgamento teve e tem total direito e liberdade para aplicar o Art. 100 do CTN, principalmente para não ferir o princípio da igualdade, para manter a própria posição adotada anteriormente e para observar o princípio da verdade material inerente à própria lide administrativa apresentada. O centro da presente lide administrativa é o erro ou acerto na classificação da mercadoria e, diante disto, o contribuinte alega como correta a adoção da NCM 9013.80.10 uma vez que por anos a tela de LCD foi classificada na NCM 9013.80.10, uma vez que outros contribuintes adotavam esta mesma NCM e uma vez que a NCM adotada pela fiscalização foi uma posterior mudança de critério. Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 33 32 Assim, apresentados os fatos, alegações e direitos, como poderia esta Turma de julgamento não reconhecer que a administração pública, reiteradamente, orientou pela utilização da NCM 9013.8010 como a correta para as telas de LCD? As consultas de n.º 98/99 da 8.ª Região DIANA, 31/07 da 10.ª Região e 37/07 da 6.ª Região apresentadas no Acórdão 3201002.026, mencionado, são públicas e de conhecimento desta Turma. Se a posição vencedora continuar a ser adotada, as Turmas de julgamento poderiam entender por não mais aplicar o Art. 112 do CTN por exemplo, nada mais inseguro e temerário, porque alguns dispositivos expressos como os do Art. 112 e 100 do CTN devem e podem ser aplicados, independentemente da solicitação do contribuinte em sua impugnação ou não, porque são garantias previstas no ordenamento jurídico brasileiro, mais especificamente no Direito Tributário, matéria criada justamente para equilibrar e limitar o poder do estado em punir e cobrar tributo. Segue o Art. 122 do CTN transcrito: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Assim, conforme disposto no Art. 113 do CTN3, a obrigação principal somente surge se os fatos subsumem às normas e, pelo raciocínio decorrente e sistêmico, se os fatos subsumem à determinada norma, à esta norma devem corresponder e esta norma deveria ser aplicada. Como o órgão que é, tribunal colegiado administrativo que julga recursos fiscais em segunda instância, suas decisões não somente podem, como devem ser legalmente fundamentadas (Decreto 70.235/72), tenha o contribuinte solicitado expressamente determinado dispositivo ou não. Ajudará a expor a semelhança com o mencionado precedente desta Turma, Acórdão 3201002.026, oportunidade em que esta Turma se manifestou pela aplicação do Art. 100 do CTN, a transcrição do trecho da Ementa que tratou disto: "NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA. Considerase prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já determinadas em soluções 3 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 34 33 de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência." Da mesma forma, segue trecho do voto vencedor que demonstrou o entendimento da Turma em aplicar o Art. 100 do CTN: A matéria referente a reclassificação das mercadorias foi tratada nos tópicos anteriores. Resta para apreciação as alegações da recorrente, que a época dos fatos existia uma orientação da administração no sentido de classificar as mercadorias na posição 90.13.80.10. Tais argumentos são lastreados em decisões exaradas por Superintendências da Receita Federal que quando questionadas acerca da correta classificação da mercadoria se pronunciou no sentido de classificar as mercadorias na posição 90.13.80.10. Também consta dos argumentos da recorrente que as mercadorias foram desembaraçadas pela RFB confirmando a classificação na posição 90.13.80.10. Alega a recorrente que em razão destes despachos serem submetidos a todos os controles previstos para o canal seleção vermelho, teria ali a Administração Aduaneira confirmado a classificação utilizada nas Declarações de Importação, sendo assim, a classificação realizada em momento posterior não poderia obrigar a recorrente ao pagamento de multas pois, a conferência física das mercadorias não identificou qualquer problema com a classificação adotada. Estaria assim, afastada a exigência das multas nos termos previstos no art. 100 do CTN. As alegações do recurso alega a obediência a orientações recebidas da Administração Tributária, que neste caso se materializaram por meio das conferências realizadas em diversos despachos de importação, que segundo a recorrente teriam mercadorias idênticas àquelas que sofreram as reclassificação e ensejaram a aplicação das multas fiscais e administrativas. Sobre a matéria relembro o funcionamento dos canais de conferência aduaneira na importação, instituídos a partir da entrada em funcionamento do SiscomexImportação. Até o advento deste sistema informatizado, a conferência aduaneira acontecia em duas etapas: a primeira uma conferência documental, responsável por verificar os documentos referentes a importação e benefícios fiscais pleiteados e um segundo momento de conferência física das mercadorias, onde eram quantificadas e realizada a classificação fiscal das mercadorias. Com a implantação do SiscomexImportação foram criados canais de conferência aduaneira. Inicialmente, foram definidos 3 (três) canais de conferência: o canal vermelho com a conferência física e documental das mercadorias, o canal amarelo que determinava somente a conferência documental e o canal verde onde a carga era liberada sem conferência fiscal. Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 35 34 Posteriormente, foi criado o canal de conferência cinza, que determinava a conferência documental, física e ainda procedimentos referentes a valoração aduaneira. A Instrução Normativa SRF 69/96, no seu art. 19 disciplinava os procedimentos a serem adotados para os diferentes canais de conferência. Art. 19. Após o registro da declaração de importação, a mesma será submetida a procedimento de seleção para controle do valor aduaneiro, por meio do SISCOMEX, de acordo com critério previamente estabelecido pela CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro COANA. (Redação dada pela IN SRF n º 111/98, de 17/09/1998 ) (Vide art. 6 º , da IN SRF n º 111/98) § 1º Na hipótese de seleção para controle do valor aduaneiro, a declaração será conduzida para o canal cinza de conferência aduaneira, pelo qual o desembaraço somente será realizado após o exame documental, a verificação da mercadoria e o exame preliminar do valor aduaneiro e desde que observados os demais requisitos estabelecidos na norma específica. (Redação dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) § 2º Caso não ocorra a situação prevista no parágrafo anterior, a declaração será selecionada para um dos demais canais de conferência aduaneira, conforme segue: (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; ou (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) III vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria. (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) § 3º Para os efeitos deste artigo, entendese por: (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) I exame documental, o procedimento destinado a constatar: (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) a integridade dos documentos apresentados; (Incluída dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) a exatidão e correspondência das informações prestadas na declaração em relação àquelas constantes dos documentos que a instruem; (Incluída dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) o cumprimento dos requisitos de ordem legal ou regulamentar correspondentes aos regimes aduaneiro e de tributação solicitados; (Incluída dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998) o cumprimento de formalidades Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 36 35 referentes a mercadoria sujeita a controle especial; e (Incluída dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) (Revogada pela IN SRF n º 114/98, de 24/09/1998 ) (Vide art. 7 º da IN SRF n º 114/98) o mérito de benefício fiscal pleiteado. (Incluída dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) II verificação da mercadoria, o procedimento destinado a identificar e quantificar a mercadoria, bem como a determinar sua origem e classificação fiscal; e (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) III exame preliminar do valor aduaneiro, o procedimento destinado a verificar a existência dos documentos justificativos do valor aduaneiro declarado e a correspondência das informações neles contidas com aquelas prestadas na declaração de importação e na declaração de valor aduaneiro. (Incluído dada pela IN SRF n º 16/98, de 16/02/1998 ) O inciso II do parágrafo único do art. 19, esclarece que a verificação da mercadoria selecionada para o canal vermelho é destinada a identificar e quantificar a mercadoria, bem como determinar sua origem e classificação fiscal. Por este artigo fica claro que caberia a Fiscalização quando da conferências aduaneira das importações selecionadas para o canal vermelho determinar a classificação da mercadoria. Segundo as informações do recurso, para as mercadorias constantes destas Declarações de Importação, foram mantidas as classificação no código 90.13.80.10. Além deste fato, as soluções de consulta exaradas pela Receita Federal deixam cristalino o entendimento adotada pela Administração Tributária quanto a classificação a ser adotada pela recorrente para as telas de LCD. Não há como negar que a administração confirmou a classificação fiscal adotada nas Declarações de Importação. Sem dúvida a administração é soberana para a qualquer tempo rever a posição adotada e neste casso especifico entendeu reclassificar as mercadorias para o código 90.13.80.10 em procedimento de revisão aduaneira. Não vislumbro nenhum problema ou questionamento quanto a legalidade da reclassificação realizada pela Autoridade Aduaneira, entretanto, não se pode negar o fato da recorrente ter orientação quanto a classificação das telas de LCD, no código 90.13.80.10, diferentes despachos de importação, confirmada a classificação que vinha sendo adotada. Não há como exigir um procedimento diferente da recorrente que não fosse permanecer utilizando a classificação já adotada nestes despachos nas suas próximas declarações de importação. Situação que foi alterada a partir de novo posicionamento da Receita Federal por ato da COANA que mudou o entendimento anterior externados nos despachos aduaneiros e nas soluções de consulta das Regiões Fiscais da RFB, passando a adotar o código Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 37 36 90.13.80.10 para as telas de LCD. Entendo, que após ser realizada a reclassificação das mercadorias no procedimento de revisão aduaneira, eventuais diferenças de tributos deverão ser exigidos por meio de lançamento, entretanto, resta a discussão sobre a aplicação de penalidades. O Código Tributário Nacional, resguarda o contribuinte, quando age de acordo com orientação da Administração Tributária, a não ser sofrer a aplicação de penalidade, nos termos previstos no seu art. 100, inciso III e Parágrafo Único. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." Considerando a existência de soluções de consulta da RFB e de diversos despachos de importação selecionados para canais de conferência, onde foram confirmadas as classificações adotadas pela recorrente, entendo que a classificação adotada pela recorrente ocorreu diante de diversas práticas reiteradas da Administração Tributária, assim não são exigíveis as penalidades e a cobrança de juros nos termos previstos no art. 100, III, parágrafo único do CTN. Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso de Ofício, retornando a exigência dos valores cancelados a título de Imposto de Importação referentes às declarações de importação registradas em 24 e 25/05/2007, e mantendo o cancelamento dos demais valores; e por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a exigência em relação aos débitos abarcados pelo benefício da suspensão do IPI e aos débitos decorrentes da inclusão do valor do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep – Importação e Cofins – Importação, as penalidades e a cobrança de juros, mantendose os demais valores exigidos." Por fim, mas não menos importante, segue transcrita a minha declaração de voto no mencionado precedente, com as razões, fatos e fundamentos que solucionam a lide, a meu ver, as quais adoto também nesta declaração de voto, conforme segue: "Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 38 37 Nesta Declaração de Voto expresso entendimentos divergentes do nobre colega Relator em questões de mérito, situação que prejudica neste momento a discussão das demais questões. Meu entendimento é convergente com julgamento anterior deste próprio Conselho, que reconheceu como correta a classificação da NCM 90.13.80.10 para os Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, para o mesmo contribuinte ora parte no presente procedimento administrativo. O contribuinte classificou corretamente as mercadorias importadas na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM Dispositivos de Cristais Líquidos LCD 9013.80.10 (Classificação nas Declarações de Importação de 20 de Maio de 2007 a 31 de Dezembro de 2011). O único fundamento do Auto de Infração é a suposição de erro na classificação fiscal. Consequentemente a fiscalização imputou a multa de 1% sobre o valor aduaneiro e lançou as diferenças de alíquotas dos Impostos de Produtos Industrializados IPI, de Importação II, PIS e COFINS, correspondentes às NCM's que a fiscalização entendeu como corretas (NCM 8529.90.20, NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00). Apesar da questão da suspensão do IPI não alterar a linha de motivação e nem a conclusão da presente declaração de voto, aqui é importante reproduzir a declaração de voto constante na Decisão da DRJ de São Paulo, que reconheceu a suspensão do IPI a partir de junho de 2009, conforme Art. 11, IN 948/2009. No estudo dos autos verificase que este fato pode ter atraído a atenção do agente fiscal, situação que pode ter motivado o início da fiscalização. Segue declaração mencionada: "Declaração de Voto Salvo melhor juízo, tenho entendimento divergente ao do relator apenas em relação à exigibilidade dos créditos de IPI relativos a mercadorias importadas sob o regime de suspensão do art. 29, §1º, inciso I, “c” da Lei nº 10.637/02, regulamentado art. 11, inciso II da Instrução Normativa RFB nº 948/09. É fato incontroverso tanto para a fiscalização como para a impugnante que os bens importados em questão enquadravamse na hipótese de suspensão acima citada. Logo, não há que se cogitar da exigência tributária do IPI no momento da ocorrência do fato gerador na importação, qual seja, o registro da respectiva declaração de importação. A eventual resolução da suspensão do IPI depende da apuração individual de cada venda no mercado interno de bens contendo tais insumos importados, visto que é neste segundo momento que o tributo volta a ser exigível, apurandose concomitantemente o efetivo recolhimento porventura já realizado pela empresa em cada operação. Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 39 38 A fiscalização não respeitou tal exigência, presumindo os recolhimentos nas vendas ao mercado interno e considerando o IPI exigível desde a data de registro das importações. Dessa forma, entendo incabível o lançamento realizado em relação a essas importações alcançadas pela suspensão do IPI." Ainda que não seja fato controverso a identificação da mercadoria, Dispositivos de Cristais Líquidos LCD, a fiscalização obrigou o contribuinte a identificar cada item importado de acordo com uma possível aplicação futura, de acordo com o P/N utilizado para os controles de produção e estoques. Apesar de haver múltiplas e simultâneas possibilidades de aplicações futuras dos produtos importados, o contribuinte teve de respeitar a intimação e respondeu de acordo com a planilha dos Anexos I e VIII da intimação 2012000140, restringindo essas possíveis aplicações futuras. Foi de acordo com esta planilha que a fiscalização decidiu que a NCM utilizada pelo contribuinte não era suficiente para atender a todas as exigências regulamentares. Discordo de como procedeu a fiscalização e da conclusão desta, pois correta a classificação utilizada pelo contribuinte. É incontestável que a classificação da mercadoria, primeiro, deve ser baseada nas características do produto no momento do despacho aduaneiro, independentemente de sua futura possível utilização. Fisco encaixou em subitens de posições de NCM's, como se fossem mais específicas. Oneroso e burocrático auferir de forma clara, concisa e legal todas as possíveis futuras aplicações da mercadoria importada no momento do despacho aduaneiro. Logo, a fiscalização decidiu restringir e de forma arbitrária a classificação. Apesar de haver uma projeção do contribuinte em seu plano de negócios da aplicação futura das mercadorias importadas, os negócios industriais têm estruturas dinâmicas, "orgânicas" e devem acompanhar e atender a oferta e procura, o que pode alterar de imediato a projeção da utilização futura das mercadorias importadas. Entendo que a fiscalização deixou de considerar o Regulamento Aduaneiro nos seus Artigos 72, 73 e 94 que positivaram essa garantia jurídica, da classificação da mercadoria de acordo com suas características no momento do despacho aduaneiro. Com relação ao entendimento minucioso da aplicação ou não da NCM 9013.80.10, basta observar a Regra Geral n.º 1 para interpretação do sistema harmonizado e concluir que esta NCM é a correta para a mercadoria importada. Regra 1: " Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas se seção e de capítulo [...]" Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 40 39 Vejamos o texto da posição 90.13 "Dispositivo de Cristal Líquido LCD" na posição específica 80.10 "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". É evidente que a mercadoria é um artefato da posição 90.13, identificada logo pelo texto e de acordo com RG 1, para "quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem". Ainda que já solucionado pela RG1, uma vez que o texto é adequado em sua posição e não em subposições como nos casos das NCM 8529.90.20, NCM 8517.70.99 e NCM 8531.20.00, em que o texto da posição não está de acordo com a mercadoria importada. Não se observaria a Regra Geral n.º 1 do Sistema Harmonizado se classificarmos a mercadoria nos textos: NCM 8517 “Aparelhos Telefônicos, incluídos os telefones para redescelulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos [...]”. NCM 8529 – “Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. NCM 8531 – Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes [...]”. Se observarmos a Regra Geral n.º 3, na remota hipótese da situação não ter solucionado com a Regra Geral n.º 1, essa também elege a posição 90.13 como a correta pois é mais específica tanto no item quanto no subitem, de acordo com a Nota 2.a, Capítulo 90 da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. É exatamente o que foi decidido no Acórdão definitivo deste Conselho, Acórdão de n.º 30333.326, de 12 de julho de 2006, com relação ao próprio contribuinte, que reconheceu o direito de aplicar aos Dispositivos de Cristal Líquido LCD a NCM 9013.80.10. Para reforçar o presente entendimento, a posição da NCM 9013 indica nominalmente um artigo em particular, enquanto que as outras NCM’s apontadas pela fiscalização designam uma família de artigos, o que torna estas classificações da fiscalização menos específicas uma vez que a Nota IV e IV, b, da R.G. n.º 3, expressamente vinculam que a especificidade deve ser analisada conforme a natureza do produto e não conforme sua futura utilização, além de delimitar ser a posição mais específica aquela que nominalmente descreve um artigo em particular e não aquela que aponta uma família de artigos. Não foi considerada na análise da fiscalização a Nota 1, m, da Seção XVI, que abrangem as classificações pretendidas pela autoridade fiscal. O caput da Nota 2 expressamente exclui das suas disposições os casos contemplados pela Nota 1 da Seção XVI. Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 41 40 A análise desta Nota confirma a classificação adotada pelo contribuinte, pois exclui do seu alcance os “artefatos classificados no capítulo 90”. A fiscalização deixou de observar a vigência dos Ex Tarifários 001 e 002 da posição 8529.90.20 (Resolução CAMEX 84 de Dezembro de 2010). Deixou de observar que as mercadorias tem reconhecida importância no Brasil e por este motivo foram concedidas as exceções à Tarifa Externa Comum, para contemplar sem onerar e impedir o desenvolvimento do setor. Foi nesse sentido que se publicou a resolução CAMEX 84/2010 com os Ex Tarifários, acompanhados de coerência tarifária para os dispositivos de LCD e mantido o mesmo nível tarifário da NCM 9013.80.10. Assim, é temerário concluir que a CAMEX teria classificado os dispositivos somente no subitem 9013.80.10 se esta NCM fosse a correta para o produto. Não há lógica em determinada conclusão uma vez que a NCM 9013.80.10 é também expressa no Anexo I do Decreto e é razão do Ex Tarifário, além de ser prática reiterada no âmbito da administração pública. O texto "Displays de Cristal Líquido" apenas foi inserido na NCM 85.29.90.20, após a redação do Decreto 7.600/11. Anteriormente este texto estava presente somente na NCM 9013, o que configura mudança de critério jurídico, uma clara alteração do critério de classificação anteriormente adotado em múltiplos níveis da administração pública. Vejamos: Não houve reclassificações de outras DI’s da empresa parametrizadas em canal vermelho; Consultas de n.º 98/99 da 8.ª Região DIANA, 31/07 da 10.ª Região e 37/07 da 6.ª Região apontam a NCM 9013.80.10 como a correta classificação para a mercadoria; Decisão Administrativa definitiva que determina a NCM 9013.80.10 neste Conselho, P.A. 10860.000559/200586; IN RFB 740/2007, Art. 3.º, II, vigente à época. O Contribuinte ficou impedido de realizar nova consulta sobre tema já decidido, conforme Art. 52 do Decreto 70.235/72. E não só, ficou vinculado a classificar as mercadorias na NCM 9013.80.10. Declarações de Importação foram incluídas após a lavratura do Auto de infração (fato conhecido na DRJ), erros de cálculo não foram sanados, mas a divergência desta declaração de voto é no mérito e neste, o contribuinte acertou na classificação, inclusive Pareceres e Laudos Técnicos confirmam a natureza técnica do produto e sua direta relação com a NCM utilizada. O contribuinte preencheu as regras gerais e interpretativas, contribuiu para a manutenção das praticas reiteradas e observou Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 12266.721279/201198 Acórdão n.º 3201002.509 S3C2T1 Fl. 42 41 as decisões de consulta e deste conselho. Está configurada a característica de normas complementares às práticas reiteradas das autoridades administrativas. Com fundamento em todo o exposto e principalmente nos Artigos 100, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, que estabelecem a legalidade das práticas administrativas reiteradamente observadas e protegem o contribuinte das modificações de critério jurídico, não há legitimidade para o lançamento pois é "conditio sine qua non" que o Auto de Infração tenha elementos suficientes para a configuração do fato tributável. Por todo o exposto, por faltar objeto e não restar configurado o suposto "erro de classificação" da mercadoria, diante do vício material insanável que caracteriza o lançamento, voto pela improcedência do Auto de Infração, seu cancelamento integral e consequente cancelamento de todas as penalidades e demais encargos, e seja conhecido e provido o Recurso Voluntário em sua integralidade." Por todo o exposto, com fundamento nos Art. 72, 73 e 94 do Regulamento Aduaneiro de 2009, nos Art. 100, 112, 113, 142, 146 e 149 do CTN e Lei 9.784/99 e Decreto 70.235/72, votase para dar provimento integral ao Recurso Voluntário, no mérito, para cancelar todo o lançamento, multas e juros. Declaração de voto proferida. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1725DF CARF MF
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