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Numero do processo: 13984.900016/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DECLARAÇÕES. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA
O não atendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a não homologação da compensação declarada.
CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar.
Numero da decisão: 1301-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DECLARAÇÕES. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O não atendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a não homologação da compensação declarada. CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar.
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INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O não atendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a não homologação da compensação declarada. CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 00 16 /2 00 8- 03 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13984.900016/200803 Acórdão n.º 1301003.263 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, por unanimidade de votos, entendeu julgála improcedente. Inferese dos autos, que o contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (PER/DCOMP), alegando direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada, ao fundamento de inexistir apuração de saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período e apuração do crédito informado no PERD/DCOMP, consta imposto a pagar. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgála improcedente, ratificando as razões de decidir do despacho decisório, acrescentando que eventuais inconsistências existentes em suas declarações, deveriam ser corrigidas após sua regular intimação, que ocorreu antes do Despacho Decisório, porém, ao invés de corrigir qualquer de suas declarações, quedouse inerte. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13984.900016/200803 Acórdão n.º 1301003.263 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.262, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.900024/2008 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao anocalendário de 1998. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao anocalendário de 1998. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.262): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Suscita a interessada, em seu recuso, que é equivocado o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de negar o crédito pleiteado oriundo de saldo negativo de IRPJ por irregularidade no preenchimento da DCOMP, aduzindo ainda que o valor do crédito pleiteado é menor do que valor do saldo negativo apurado na DIPJ, sendo que o fato de o referido saldo negativo se referir ao mesmo anocalendário não prejudica seu direito ao crédito, podendo eventual dúvida ter sido sanada através de diligência. Primeiramente, vale o registro de que tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ, DCTF e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para que ele possa eventualmente retificar uma das declarações. Penso que a fiscalização não pode limitar sua análise apenas nas informações prestadas em Dcomp, já que existem informações em seu banco de dados provenientes de outras declarações que permitem a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto é, cabe à fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações transmitidas e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma delas. Inexistindo regular intimação e verificando nos autos que as provas carreadas demonstram a existência de mero erro de preenchimento de declarações, ainda que seja na identificação do crédito pleiteado, tenho proposto a conversão Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13984.900016/200803 Acórdão n.º 1301003.263 S1C3T1 Fl. 5 4 do processo em diligência, a fim de oportunizar ao contribuinte esclarecimentos e eventuais retificações em suas declarações. No caso vertente, o contribuinte foi regularmente intimado, antes do Despacho Decisório, para eventualmente retificar uma de suas declarações, porém permaneceu inerte. Assim, eventual erro na identificação do crédito do contribuinte não deve ser aceito como tal, por absoluta perda de prazo e por inexistir nos autos provas de que se trata mesmo de erro de preenchimento de uma de suas declarações. Por outro lado, também não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo. Deste modo, não é possível reconhecer a existência de crédito passível de ser compensado. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720366/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS.
O Reexame de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 - DJe 15/06/2016).
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebe-se que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; trata-se de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício.
MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA E TAXA SELIC.
Súmula CARF 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS.
Uma vez comprovado que as condutas dolosas não foram adstritas apenas a alguns fatos isolados, mas sim ao próprio modo de operação da empresa, é legal a atribuição de responsabilidade tributária a todos os sócios administradores.
Numero da decisão: 1401-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as arguições de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário do Sr. He Xing.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O Reexame de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 - DJe 15/06/2016). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No caso concreto, porém, percebe-se que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; trata-se de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício. MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA E TAXA SELIC. Súmula CARF 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. Uma vez comprovado que as condutas dolosas não foram adstritas apenas a alguns fatos isolados, mas sim ao próprio modo de operação da empresa, é legal a atribuição de responsabilidade tributária a todos os sócios administradores.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O Reexame de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 DJe 15/06/2016). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. No AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 66 /2 01 3- 21 Fl. 8789DF CARF MF 2 caso concreto, porém, percebese que não se trata de uma situação isolada de omissão de receitas, de valor de pequena monta, não reincidente, que se poderia interpretar como mero erro material, ou seja, situada dentro do campo da inadimplência; tratase de fatos que se enquadram de forma inequívoca na definição de sonegação e fraude fiscais, pois demonstram o desígnio deliberado, por parte da empresa recorrente, de impedir a ocorrência do fato gerador, assim como de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária de sua ocorrência, hipóteses suscetíveis à qualificação da multa de ofício. MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA E TAXA SELIC. Súmula CARF 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. Uma vez comprovado que as condutas dolosas não foram adstritas apenas a alguns fatos isolados, mas sim ao próprio modo de operação da empresa, é legal a atribuição de responsabilidade tributária a todos os sócios administradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as arguições de nulidade e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário do Sr. He Xing. (assinado digitalmente) Luiz Augusto Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Fl. 8790DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.790 3 Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 16055.717 1ª Turma da DRJ/SP1 que manteve o lançamento, quando por unanimidade de votos rejeitou as preliminares de nulidade e decadência e no mérito julgou improcedente a impugnação mantendo a glosa em relação às receita omitidas com qualificação de multa em razão de verificação de fraude, bem como a responsabilidade dos solidários He Xing e Luiz Carlos Monacci. Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: Tratase de ação fiscal com lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 6.139.200,77 (fls. 8251), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 2.811.842,23 (fls. 8269); da Contribuição para o Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pis/Pasep), no valor de R$ 1.217.972,23 (fls. 8295); e, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 5.604.615,42 (fls. 8287), incluídos neste valor a multa de ofício e os juros de mora devidos até setembro/2013. O lucro da contribuinte foi arbitrado com suporte no art. 530, incisos II, b e III, do RIR/1999. Os enquadramentos legais das infrações, penalidades e os juros moratórios encontramse apontados nos respectivos campos de preenchimento dos autos de infração de fls. 8251/8302 [...] A multa de ofício foi fixada em 150% do valor do tributo exigido, com suporte no Art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e, os juros de mora, com fundamento no Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96. As exigências fiscais vêm consubstanciadas nos campos próprios dos autos de infração, bem como no Termo de Verificação Fiscal de fls. 8318/8343, em que os Auditores Fiscaisd a Receita Federal do Brasil designados a proceder à fiscalização relatam, em síntese, que: (a) A contribuinte, apesar de regularmente intimada, não apresentou os livros auxiliares de sua escrituração; (b) A partir de informações obtidas junto a seus clientes, constatouse que a contribuinte escriturou, nos Livros Registro de Saídas de sua filial, valores inferiores àqueles constantes nas notas fiscais de saída emitidas por esse mesmo estabelecimento; Fl. 8791DF CARF MF 4 (c) Há evidentes indícios de que a contribuinte praticou fraude contábil, como o fato de sua filial não ter se manifestado em relação à intimação para apresentar suas notas fiscais; pela constatação de que os valores escriturados em sua contabilidade, em especial os relativos a receitas, estavam de acordo com os valores dos Livros de Registro de Saídas e na DIPJ, mas não representavam os valores reais das operações realizadas, na tentativa de ludibriar a fiscalização; (d) O lucro da contribuinte foi arbitrado uma vez que foram constatados indícios de fraude em sua escrituração, bem como pelo fato de a fiscalizada ter deixado de apresentar seus livros auxiliares; (e) A base de cálculo do IRPJ foi determinada a partir da soma dos valores da receita bruta escriturada em seus Livros Registro de Saídas e o valor omitido correspondente à diferença entre os valores escriturados nesses livros e aqueles constantes nas notas fiscais de sua emissão, obtidos de seus clientes, sobre o qual foi aplicado o percentual de 9,6% sobre a receita bruta conhecida, ao passo que a da CSLL, foi aplicado o percentual de 12%; (f) A base de cálculo do PIS e da Cofins foi obtida a partir da receita bruta conhecida apurada mensalmente pelo regime cumulativo, uma vez que ocorreu o arbitramento. (g) Dos valores apurados de ofício, foram deduzidos aqueles confessados em Dctf; (h) A aplicação da multa qualificada decorreu da constatação de que a fiscalizada atuou com evidente intuito de fraude, conforme descrição dos fatos; (i) Os Senhores HE XING, na qualidade de administrador e representante da HB BR e LUIZ CARLOS MONACCI, na condição de preposto, intencionalmente, apresentaram à Receita Federal informações inexatas com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza e circunstâncias materiais, reduzindo o pagamento dos tributos devidos à Fazenda Nacional, configurando atos praticados com infração de lei, sendo responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, nos termos dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso II e III do CTN, seguindose os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 8344/8347. Apreciadas as impugnações, foi reconhecida a inexistência de cerceamento de defesa, pois há nos autos prova de que foi disponibilizado aos contribuinte acesso aos autos pra promoção de sua defesa; afastada a decadência em razão do reconhecimento da existência de fraude, o lançamento foi julgado procedente mantida a glosa das receitas omitidas, o arbitramento, mantida a multa qualificada e a responsabilidade dos solidários. A ciência do resultado do julgamento pela DRJ deuse em 26/03/2014 (fl. 8.536), 13/08/2014 (fl. 8.554) e 14/08/2014 (fl. 8.557) respectivamente para a empresa, He Xing e Luiz Carlos Monacci, sendo o Recurso Voluntário protocolado respectivamente em 04/09/2014 (fl. 8.651), 04/09/2014 (fl. 8.611) e 17/09/2014 (fl. 8.562), conforme certificado pela DRF antes de encaminhar o processo ao CARF para julgamento. Ha ainda Termo de Perempção em relação à empresa (fl. 8547), considerando que a intimação dela se deu por meio eletrônico. Por ocasião do julgamento dos Recursos Voluntários interpostos, eles não foram conhecidos, conforme Termo de Perempção certificado pela AFRF de origem fls. 8547. Fl. 8792DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.791 5 Intimada sobre o Resultado do julgamento, o responsável solidário He Xing, propôs Ação Anulatória judicial a fim de ter reconhecida a tempestividade de seu Recurso Voluntário demonstrando que o seu protocolo havia sido tempestivo, o pleito foi atendido e por determinação judicial foi deferida tutela de urgência para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apurado no processo administrativo nº 16004.720366/2013 21, em face do autor He Xing até julgamento definitivo do recurso voluntário pelo CARF. Assim os autos retornaram para análise por esse colegiado. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Conforme relatado, está sob julgamento apenas o recurso do solidário He Xing de fls. 8618/8651, encaminhado via postal no dia 04/09/2014 (fls. 8651), após intimado em 13/08/2014 (fl. 8.554), haja vista que o não conhecimento dos recursos da empresa e do contador incluído como solidário Luiz Carlos Monacci, foram certificados intempestivos, sem que houvesse qualquer contestação sobre isso. Feitas essas considerações, temos que a acusação fiscal versa sobre omissão de receitas na atividade de venda de produtos de fabricação própria e na revenda de mercadorias durante o ano de 2008, tendo a apuração de dado pelo arbitramento do lucro com base na receita conhecida mensalmente, houve aplicação de multa qualificada. O Recurso voluntário em análise reclama nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, decadência parcial em relação aos fatos geradores até agosto de 2008, por conta da aplicação da regra do art. 150, parágrafo 4o. do CTN; nulidade do lançamento por ofensa aos art. 145 e 149 do CTN, afastamento de sua responsabilidade baseada no art. 135, III do CTN e inexistência de motivação para reexame do período fiscalizado que tornaria o lançamento nulo nos termos dos artigos 145 e 149 do CTN. Preliminares: Alega a Recorrente que o período autuado já tinha sido fiscalizado e, uma vez que esse reexame não teria sido motivado, estarseia ofendendo aos artigos 145 e 149 do CTN. Isto porque, logo na introdução do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal admite que aqui tratamos de reexame de período já fiscalizado com relação ao ano de 2008. A fiscalização primitiva teria sido realizada com base no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 08.1.1.13.002010000615, sendo que este supostamente envolveria os tributos IPI, PIS e COFINS. No entanto, como não juntou cópia do referido MPF original, a fiscalização impediu que o recorrente apresentasse argumentos sobre a veracidade de tais informações, causando cerceamento de defesa. Fl. 8793DF CARF MF 6 Segue argumentando que caso a nulidade suscitada não seja declarada, o lançamento baseado em reexame de período já fiscalizado foi realizado em ofensa aos arts. 145 e 149 do CTN e ao art. 50, inciso VI da Lei 9.784/99, pois a autoridade fiscal consignou a existência de autorização para reexame de período já fiscalizado conforme documento que consta dos autos. Porém, tal documento não apontou qualquer motivação para justificar o reexame autorizado, limitandose a citar dispositivos da legislação que exigem a autorização. Tratandose de ato administrativo sem motivação, tal autorização segundo ela seria nula. Neste seguir, reconheço que por ocasião da análise do processo 16004.720375/201312, originado do mesmo MPF, votei no sentido de assistir razão à recorrente, contudo reavaliando a situação, confrontando os fatos dos autos e as considerações feitas pelo Conselheiro Guilherme Mendes em seu voto vencedor naquele processo, verifico realmente ser o caso de não reconhecer a nulidade arguida. De acordo com as considerações do Conselheiro em seu voto vencedor: Com relação à não apresentação pela autoridade do MPF anterior, não havia tal ônus. Afinal, não podemos perder de vista que a autoridade fiscal tem competência para lançar inclusive sem a emissão de MPF, como já assentado na jurisprudência administrativa. A título exemplificativo, transcrevo a ementa do Acórdão 1201001.574, de 02/03/2017: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, não podendo dar causa à nulidade do lançamento eventual irregularidade na sua emissão ou prorrogação. Se a autoridade tivesse simplesmente realizado o lançamento, sem qualquer menção a um MPF anterior, cuja emissão nem sequer é essencial para a validade da constituição do crédito tributário, caberia ao recorrente provar que já havia sido fiscalizado anteriormente no período e que o requisito da autorização para o reexame não havia sido cumprida. Em segundo lugar, deve ficar caracterizado um efetivo prejuízo para o administrado, o que não se caracterizou no presente feito pela razão que apontamos acima e porque o reexame é ato discricionário do Delegado da Receita Federal de forma similar ao ato de início de uma fiscalização. Aliás, é por isso que também não deve prosperar a alegação de ausência de motivação do ato de reexame. Da mesma forma que a autoridade fiscal não precisa explicitar as razões que a levaram a fiscalizar uma empresa, o delegado não é obrigado a tornar público os motivos que o levaram a autorizar uma nova fiscalização. Apontar tais motivos implicaria revelar quais são os critérios adotados pelas autoridades para selecionar os contribuintes a serem fiscalizados e, com base nessas informações, poderiam os contribuinte burlar os critérios de seleção e a própria fiscalização. É por essa razão que o Código Tributário Nacional, em seu art. 3º, estabelece como vinculada apenas a atividade de cobrar, pois a fiscalização é tipicamente discricionária. Por fim, não houve violação dos artigos 145 e 149 do CTN pelo simples fato de que tais dispositivos se aplicam a situação diversa, qual seja, à retificação do lançamento. Retificar corresponde a alterar um lançamento anterior. Já reexame corresponde a uma nova verificação de um determinado período com a realização de Fl. 8794DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.792 7 um ou mais lançamentos diversos de eventuais outros que possam ter sido realizados no exame anterior. A defesa confunde ato com procedimento. Retificação é a alteração de um ato, no caso, o lançamento; reexame é a repetição de um procedimento, qual seja, o de auditoria das atividades do contribuinte num determinado período de tempo. Os art. 145 e 149 do CTN estabelecem requisitos para a retificação do lançamento, não para o reexame de período já fiscalizado. Neste seguir, revejo meu posicionamento e voto no sentido de reconhecer a inexistência da nulidade arguida. DECADÊNCIA. O Recorrente se insurge em relação à regra para contagem do prazo decadencial, arguindo em seu favor a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o. do CTN, segundo a qual ele chegariase a conclusão de que o lançamento cientificado em 09/2013 não poderia alcançar fatos geradores anteriores a 09/08, o que tornaria o lançamento parcialmente improcedente, posto que conforme essa regra, os fatos geradores ocorridos até 08/2008 estariam todos atingidos pelo prazo decadencial. Contudo, milita em desfavor da tese aventada pelo Recorrente o conteúdo da Súmula CARF nº 72, pela qual: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regesea pelo art. 173, inciso I, do CTN". Verificase nos autos a presença de multa qualificada em razão de fraude, apontado conduta do contribuinte no sentido de não apresentar livros auxiliares e documentos de sua escrituração com o objetivo de esconder da fiscalização tributária a omissão tributária, demonstrando sua consciência da utilização do artifício doloso de registrar contábil e fiscalmente receitas de vendas em valores menores àqueles constantes das respectivas notas fiscais emitidas, caracterizando a circunstância qualificadora do ilícito tributário a merecer a duplicação da multa básica. Nesse seguir, mantenho a decisão recorrida em relação ao não reconhecimento da decadência, ainda que parcial do período autuado. CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente alega cerceamento de defesa por não ter tido acesso aos documentos que instruíram a autuação, posto que todas as vezes que compareceu a repartição fiscal foi informada que os autos estavam indisponíveis por conta de providencias a serem implementadas pelo fiscal lançador. Observo que para reconhecimento da nulidade, era imperioso o apontamento preciso, com comprovação do prejuízo sofrido por esse motivo, não a mera alegação genérica quando à dificuldade de elaboração da defesa em razão de dificuldades em relação ao acesso aos autos. Ademais não consta dos autos qualquer documento que ateste que a impugnante teria comparecido “por diversas vezes” à repartição fiscal e que, em todos esses Fl. 8795DF CARF MF 8 momentos, o acesso aos autos do processo lhe fora negado, motivo pelo qual não é possível se aceitar tal alegação por falta de provas. De toda forma, o autuante consignou em seu relatório fiscal e nos formulários próprios do auto de infração, os fundamentos fáticos e legais que o levaram a concluir pela ocorrência da infração fiscal, tendo a contribuinte tomado regular ciência de tais documentos. Além disso, no relatório, os autuantes explicaram detalhadamente a maneira como apuraram a base de cálculo que, associados aos demonstrativos de cálculos dos formulários do auto de infração, permitiram a contribuinte ter ciência da maneira pela qual os tributos exigidos foram determinados. Portanto, os documentos essenciais para que a fiscalizada tivesse exercido sua ampla defesa em relação â acusação fiscal lhe foram entregues, devendo ser também rejeitada esta alegação de nulidade. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A INSTÂNCIA. A Recorrente reclama nulidade da Decisão de 1a Instancia pela falta de análise de todos os argumentos apostos na impugnação. Contudo na decisão recorrida se vê que a turma não foi omissa na análise do que era relevante para a questão, ao concluir pela legitimidade do lançamento uma vez que foram apreciados os pontos necessários à formação do livre convencimento do julgador. Ademais, conforme jurisprudência pacífica, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos suscitados pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para sustentar sua decisão. É nessa linha que o STJ vem mantendo seu entendimento, reiterado recentemente, já na vigência do novo CPC: (...) O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 – DJe 15/06/2016). Assim, ainda que a Turma tenha se exaurido na análise de todas as questões veiculadas, não há no julgado nenhuma nulidade que implique em seu cancelamento. DA MULTA QUALIFICADA Argui a Recorrente que inexiste conjunto probatório suficiente à ocorrência de fraude. Na decisão de piso, restou suficientemente demonstrado que ficou evidenciado e provado nos autos, conforme a descrição da ação fiscal relatada no TVF. A conclusão de que haveria fraude contábil e fiscal decorre, em síntese, do fato de o contribuinte ter registrado nos livros fiscais que foram apresentados à fiscalização, valores inferiores aos constantes nas notas fiscais de saída emitidas, informando em DIPJ os mesmos valores registrados na contabilidade, fato evidenciado na circularização efetuada pelos autuantes, descrita no item VI do TVF e que resultou na apuração dos valores consolidados no Demonstrativo das Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433). Com tal conduta HBUSTER teve por Fl. 8796DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.793 9 objetivo elidir o fisco, pois embora de acordo com a contabilidade, referidos valores, que não representam os valores reais das operações, foram adotados para apuração e recolhimento do IPI, exceto no mês de dezembro de 2008, resultando, na prática, em falta de recolhimento do imposto efetivamente devido nessas operações. Tal constatação pode também ser sintetizada nas seguintes afirmações, colhidas do item VIII– DA FRAUDE CONSTATADA, do TVF: “Ou seja, a contabilidade foi feita de modo a apresentar apenas os valores escriturados em seus livros fiscais, os quais estão de acordo com os valores informados na DIPJ. ... Não há como afastar o evidente intuito de fraude contábil e fiscal de um contribuinte que emite diversas notas fiscais de saída por um determinado valor e que registra em seus livros valores inferiores aos verdadeiros.” A propósito ressaltase que é no livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8 o qual não foi apresentado que deverão ser registrados os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entrada e saída, extraídos dos livros próprios, atendido o CFOP, os débitos e os créditos do imposto, os saldos apurados e outros elementos que venham a ser exigidos, de acordo com o art. 399 do RIPI/2002. O art. 312 do mesmo Regulamento também prevê a necessidade de conservação do documentário fiscal para fins de exibição aos agentes do Fisco, até que cesse o direito de constituir o crédito tributário. A falta de apresentação dos livros e documentos fiscais comprobatórios que foram solicitados no decorrer da auditoria corrobora a intenção, apontada no TVF, de dificultar o conhecimento, de forma individualizada, das pessoas e dos valores envolvidos, em especial, na atividade de venda de suas mercadorias e na comprovação dos créditos utilizados para abater dos débitos declarados, evidenciando conduta dolosa. O conjunto dos fatos verificados no caso sob exame colocam em evidência o propósito de construção de uma pretensa realidade formal destinada a reduzir recolhimentos do IPI, seja mascarando, senão ocultando, a sua base de cálculo, e também reduzindo o saldo devedor a ser recolhido, pela utilização de créditos não comprovados. Residem aí os fundamentos para a qualificação da multa de ofício, cujos fundamentos legais foram antes referidos. No Demonstrativo das Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433) realmente é possível constatar a escrituração a menor efetivada pela contribuinte, que culminou nas infrações em julgamento, que sequer foram impugnadas quanto ao seu mérito. Razão pela qual, mantenho a qualificação da multa. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. Em relação as outras arguições de natureza constitucional, destacase o conteúdo da súmula CARF nº 2, segundo a qual: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Fl. 8797DF CARF MF 10 INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA Os juros de mora, incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, são equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Ressaltese que esse entendimento consta, inclusive, da Súmula nº 3, segundo a qual: Súmula CARF 03: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Juízo esse que veio a ser mantido pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”, RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO DIRETOR. Contra He Xing, administrador da HBuster foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 8452/8453, pelo imposto não recolhido em virtude dos fatos relatados no TVF, com base nos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, Como mencionado no item anterior, a fraude à lei esta presente quando se verifica a presença de notas fiscais escrituradas a menor com vistas a obtenção de vantagem tributária, independentemente do volume de notas escriturado. Costumeiramente, nos casos em que a apuração se dá por arbitramento sou bastante sensibilizada pela aplicação da Súmula CARF 96, segundo a qual: Sum. 96: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". Contudo, no caso em apreço, considero não se tratar de mera não apresentação de livros e documentos da escrituração, mas sim há presença de conduta dolosa do contribuinte no sentido de ocultas os registro de movimentação. Em seu recurso voluntário ele chega até a confessar a existência do que denominou "escrituração divergente" em 388 notas fiscais de um volume de 38.725, o que segundo ele teria o condão de classificar seu erro como escusável para elidir a qualificação da multa e descaracterizar a acusação de fraude. Do próprio argumento da Recorrente, verificase que de fato houve a escrituração a menor que confirma a omissão de receitas constatada. Fl. 8798DF CARF MF Processo nº 16004.720366/201321 Acórdão n.º 1401002.879 S1C4T1 Fl. 8.794 11 Por esse motivo, tomo de empréstimo as considerações do Conselheiro Luiz Rodrigo no Acórdão 1104002.498, bastante pertinentes a este caso, quando menciona que: "Pela dicção da redação da Lei nº 4.502/1964, devese comprovar a ação ou omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador. O elemento dolo não é representado pelos atos praticados, pela exteriorização destes; característica marcante dos elementos objetivos do tipo penal. O dolo é representado pelo elemento subjetivo do tipo, que se perfaz pela intenção do agente em praticar tal conduta, descrita na norma como ilícita. Para a sua configuração, deverseia buscar internarse na mente do praticante da conduta para perceber qual era a sua intenção, se lícita ou ilícita. Entretanto, como isso não é possível, buscase interpretar a exteriorização dos atos e, assim, constatar se houve, ou não, máfé na prática da conduta". No caso em concreto, verificase a presença da figura da omissão dolosa tendente a ocultar, do conhecimento do fisco, a ocorrência do fato gerador, principalmente diante da análise do Demonstrativo de Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433) que é composto por um relatório de várias laudas apontando que apontam a escrituração a menor identificada pela autoridade autuante, que demonstram a prática de ato doloso em infração à lei. Anoto que tal demonstrativo só foi possível após a circularização feita aos fornecedores para que a autoridade fiscal pudesse ter acesso às notas fiscais para confrontálas com os registros contábeis lançados nos Livros de Entrada e Saída de IPI, quando ficou demonstrada a escrituração a menor. Ante o exposto, afasto as preliminares e nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 8799DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.732031/2013-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. RECÁLCULO PARA APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Consoante decidido pelo STF na sistemática estabelecida pelo art. 543-B, do CPC, no âmbito do RE 614.406/RS, o Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência, sem qualquer óbice ao recálculo do valor devido, para adaptá-lo às determinações do RE.
Numero da decisão: 9202-007.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. RECÁLCULO PARA APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE. Consoante decidido pelo STF na sistemática estabelecida pelo art. 543-B, do CPC, no âmbito do RE 614.406/RS, o Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência, sem qualquer óbice ao recálculo do valor devido, para adaptá-lo às determinações do RE.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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AUTUAÇÃO PELO REGIME DE CAIXA. RECÁLCULO PARA APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE. Consoante decidido pelo STF na sistemática estabelecida pelo art. 543B, do CPC, no âmbito do RE 614.406/RS, o Imposto de Renda Pessoa Física sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência, sem qualquer óbice ao recálculo do valor devido, para adaptálo às determinações do RE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 20 31 /2 01 3- 85 Fl. 130DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 10/08/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402005.966 (fls. 87 a 96), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DE 2010. O lançamento realizado sobre rendimentos recebidos acumuladamente antes de 2010, não observe a sistemática própria de cálculo da espécie de rendimento, será nulo e deverá ser cancelado.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luis Henrique Dias Lima e Mauricio Nogueira Righetti.” O processo foi encaminhado à PGFN em 28/09/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 97) e, em 24/10/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 98 a 105 (Despacho de Encaminhamento de fls. 113). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 08/12/2017 (fls. 116 a 119). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; no caso, não se verifica hipótese legal de nulidade, pois a autuação foi lavrada por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa; cabe salientar que, até mesmo em relação a erro no enquadramento legal, vício mais relevante que a inconsistência ora discutida, é pacífico o entendimento no sentido de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração Fl. 131DF CARF MF Processo nº 18470.732031/201385 Acórdão n.º 9202007.241 CSRFT2 Fl. 131 3 quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa, como efetivamente aconteceu; em suma, sobre a matéria, a jurisprudência desta CSRF, de longa data, firmou orientação no sentido de que “Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo” (Recurso: 203112290, Segunda Turma, Sessão: 25/04/2006, Relator: Henrique Pinheiro Torres, Acórdão: CSRF/0202.301); não houve qualquer preterição ao direito de defesa, visto que em todos os momentos processuais, foi dada oportunidade ao autuado para se manifestar, mostrandose cumprida a garantia do exercício da ampla defesa e do contraditório, não havendo razão para anular o lançamento; no caso, deve prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; por outro lado, vale frisar, à exaustão, que o autuado se defende dos fatos, pelo que a falta de indicação de dispositivo legal ou mesmo sua indicação errônea não invalida a autuação, se, de todo o conjunto probatório, se extrai a imputação; afastadas as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, as incorreções verificadas devem ser sanadas na forma do art. 60 do mesmo diploma legal; a doutrina ensina que os princípios em foco são inclusive aplicados nos casos de atos processuais absolutamente nulos, v.g. citação nula, quando não há prejuízo às partes; logo, diante de simples incorreção no lançamento, não há necessidade de nova autuação, bastando o ajuste que se fizer necessário, em privilégio do aproveitamento dos atos, cuja repetição deve ser evitada, quando claramente se mostra prescindível, como é o caso dos autos; considerando a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em 23 de outubro de 2014, nos autos do RE 614.406/RS, restou sedimentado o entendimento quanto à aplicação do regime de competência à matéria objeto dos autos; nessa ótica, a autuação deve ser mantida, mediante a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo; tal alteração não acarreta qualquer mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, determinandose a retificação do montante do crédito tributário. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (fls. 123 a 128). Voto Fl. 132DF CARF MF 4 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2008, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente do Instituto Nacional do Seguro Social, no total de R$ 67.031,33. O apelo visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do Imposto de Renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. No acórdão recorrido, entendeuse pelo cancelamento da exigência. Registrese que, relativamente à aplicação do regime de competência aos rendimentos recebidos acumuladamente, no acórdão recorrido mencionase o julgado do Superior Tribunal de Justiça, com efeito repetitivo (Recurso Especial 1.118.429∕SP), e do Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral (Recurso Extraordinário 614.406). Entretanto, na segunda parte do voto, em que se conclui pelo cancelamento do lançamento, o relator especifica apenas o julgado do STJ, de sorte que o paradigma indicado pela Fazenda Nacional, focado nesse REsp, é perfeitamente apto a demonstrar a divergência suscitada. A matéria não é nova neste Colegiado e já foi objeto de inúmeros julgamentos, com provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Dentre esses julgados, destacase o Acórdão nº 9202006.000, de 27/09/2017, da lavra do Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, cujos fundamentos ora adoto e colaciono como minhas razões de decidir: "Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a 'incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)', afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita Fl. 133DF CARF MF Processo nº 18470.732031/201385 Acórdão n.º 9202007.241 CSRFT2 Fl. 132 5 obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 38, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas 'em dia' e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à Fl. 134DF CARF MF 6 época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência." Assim, não há que se falar em impossibilidade de recálculo do montante devido pelo Contribuinte pelo regime de competência, de sorte que o Recurso Especial da Fazenda Nacional deve ser provido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário, não abordadas no acórdão recorrido em virtude da desconstituição do lançamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12269.000300/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.000300/200892 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2402006.379 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NUTRELLA ALIMENTOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 03 00 /2 00 8- 92 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 12269.000300/200892 Acórdão n.º 2402006.379 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 12269.000300/200892 Acórdão n.º 2402006.379 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 12269.000300/200892 Acórdão n.º 2402006.379 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721635/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
REVERSÃO DE PROVISÕES DE IRPJ DIFERIDO. GANHO FUTURO NÃO OCORRIDO.
A reversão de provisão de IRPJ Diferido sobre ganho futuro que não ocorreu não deve ser objeto de incidência de tributo, haja vista não ter havido qualquer acréscimo patrimonial.
MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência.
MULTA DE OFÍCIO - NATUREZA CONFISCATÓRIA
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL REFLEXO DE IRPJ.
Aplica-se à CSLL o mesmo que foi decidido em relação ao IRPJ, por se tratar de lançamento reflexo.
Numero da decisão: 1301-003.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na matéria já julgada no acórdão 1402-002.149; (ii) na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: (a) por unanimidade de votos, excluir os valores de R$ 6.976.000,00 da base de cálculo do IRPJ, e de R$ 2.520.000,00 da base de cálculo da CSLL; e (b) por maioria de votos, afastar a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter essa exigência.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 REVERSÃO DE PROVISÕES DE IRPJ DIFERIDO. GANHO FUTURO NÃO OCORRIDO. A reversão de provisão de IRPJ Diferido sobre ganho futuro que não ocorreu não deve ser objeto de incidência de tributo, haja vista não ter havido qualquer acréscimo patrimonial. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. MULTA DE OFÍCIO - NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL REFLEXO DE IRPJ. Aplica-se à CSLL o mesmo que foi decidido em relação ao IRPJ, por se tratar de lançamento reflexo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 REVERSÃO DE PROVISÕES DE IRPJ DIFERIDO. GANHO FUTURO NÃO OCORRIDO. A reversão de provisão de IRPJ Diferido sobre ganho futuro que não ocorreu não deve ser objeto de incidência de tributo, haja vista não ter havido qualquer acréscimo patrimonial. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL REFLEXO DE IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 35 /2 01 3- 03 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 3 2 Aplicase à CSLL o mesmo que foi decidido em relação ao IRPJ, por se tratar de lançamento reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na matéria já julgada no acórdão 1402002.149; (ii) na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: (a) por unanimidade de votos, excluir os valores de R$ 6.976.000,00 da base de cálculo do IRPJ, e de R$ 2.520.000,00 da base de cálculo da CSLL; e (b) por maioria de votos, afastar a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter essa exigência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 167 e ss.) lavrado para lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício, determinada à razão de 75%. Lançou se também multa isolada referente a ambos os tributos, decorrente do recolhimento ou recolhimento a menor de IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada. Fora consignado no termo de verificação de infração fiscal (TVF) de fls. 157 e ss. que a interessada incorreu nas seguintes infrações: (i) adições não computadas na apuração do lucro real / falta de recolhimento de CSLL e (ii) falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada. Sobre as adições não computadas na apuração do lucro real e a falta de recolhimento de CSLL, a autoridade autuante informou ter apurado, com base nas respostas da interessada no curso da ação fiscal: Que o valor de R$ 18.625.056,78, informado na ficha 06A linha 67 (CSLL) da DIPJ, "é constituído de contrapartida de crédito da base negativa da CSLL no valor de R$ 16.105.056,78 e de reversão dos valores provisionados no ano calendário de 2008, por conta de ganhos sobre futuros parcelamento de impostos no valor de R$ 2.520.000,00" (sic); Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 4 3 Que o valor de R$ 51.712.268,86, informado na ficha 06A linha 69 (provisão para IRPJ), "é constituído de crédito de prejuízo fiscal de IRPJ no valor de R$ 44.736.268,86 e de reversão dos valores provisionados no ano calendário de 2008, por conta de ganhos sobre futuros parcelamento de impostos no valor de R$ 6.976.000,00" (sic); Que a interessada esclareceu que ambos os valores acima não foram oferecidos à tributação, razão pela qual o seu somatório R$ 70.337.325,64 foi objeto do auto de infração. Quanto às multas isoladas de IRPJ e CSLL, disse a fiscalização que, na apuração das estimativas desses tributos em dezembro, a interessada não adicionou os valores da contrapartida do lançamento contábil de créditos de prejuízos fiscais e bases negativas e as reversões de provisões por conta de ganhos sobre futuros parcelamentos. Diante de tal fato, apurou as estimativas devidas e, sobre elas, lançou as penalidades em questão à razão de 50%. Notificada, o Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 191 e ss,, alegando em síntese: que "aderiu ao parcelamento da Lei n° 11.941/09, a qual prevê a não inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargos legais, redução esta que deve ser entendida no seu sentido amplo, bem como o prejuízo fiscal/base negativa de CSLL utilizados para liquidar as multas e os juros, não se configuram como receitas e, por isso, não devem ser oferecidos à tributação". Discorreu que, "considerando que as multas e os juros são despesas, a princípio os mesmos deveriam ser adicionados ao lucro líquido [art. 249 do RIR/99]. No entanto, as despesas somente são adicionadas ao lucro líquido, quando estas estão atreladas a uma receita. Em outras palavras, significa dizer, que as despesas somente são consideradas para apuração do lucro real, pois para o pagamento das mesmas, há uma contrapartida, qual seja, o desembolso por parte do contribuinte de uma determinada quantia (receita). Esta receita é tributável e não as multas e os juros. No caso em questão, ao utilizar de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL para 'liquidar' as multas e os juros, a Recorrente não desembolsou quantia alguma (receita). (...) não precisou efetuar 'retirada de caixa', ou seja, não realizou desembolso efetivo, esse sim, tributável. (...) Não obstante tal conclusão, cumpre salientar que o prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL, na regra geral, ou seja, na utilização dos mesmos para compensação com o lucro real, não são receitas e, portanto, não são adicionados ao lucro líquido para a apuração do lucro real"; · que "a reversão da provisão por conta de ganhos sobre futuro parcelamento não devem sofrer tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que só foi realizada para ajustar equívoco contábil, dado que o parcelamento que ensejou os referidos ganhos não foi efetivado, ou seja, não gerou efeitos patrimoniais e, portanto, não causou nenhum dano ao erário."; · que "é vedada a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas depois de encerrado o respectivo anocalendário e realizado os fatos geradores do IRPJ e da CSLL; bem como a cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL com a multa de ofício pelo não recolhimento dos tributos em comento"; que "as multas aplicadas foram definidas em patamares desproporcionais e confiscatórios, em total descompasso com as orientações legais e constitucionais aplicáveis"; que "é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos artigos 3° e 161, do Código Tributário NAcional, e 84, I da Lei nº 8981/95. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 5 4 A DRJ/RJO, através do Acórdão nº 1268.698, julgou inteiramente procedente o pleito do Contribuinte, com o fundamento exposto na ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CRÉDITO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. UTILIZAÇÃO NA REDUÇÃO DE MULTAS, JUROS E ENCARGOS LEGAIS. VALOR NÃO TRIBUTÁVEL. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1o, 2o e 3o da Lei nº.11.941, de 2009. (Parágrafo único do artigo 4º., da Lei nº.11.941, de 2009. Os demais argumentos relativo às multas aplicadas e a cobrança de juros sobre multa de ofício foram prejudicados pelo provimento do mérito. Em razão do valor afastado, foi interposto Recurso de Ofício da decisão, o qual foi julgado no CARF através do Acórdão nº 1402002.149, com integral provimento do Recurso de Ofício, cujo dispositivo transcrevo abaixo: Por todo o exposto, Voto por dar provimento ao recurso de ofício e, com o restabelecimento da exigência, determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância para que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas na impugnação e não analisadas no acórdão recorrido. O acórdão proferido reformou a decisão a quo, e determinou o retorno para que fossem analisados os demais argumentos, relacionados às multas aplicadas e à cobrança de juros, para que não houvesse supressão de instância. A DRJ/RJO julgou os demais pontos, através do Acórdão nº 12086.242 (fls. 439 e ss.), negando provimento aos demais pontos da impugnação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LUCRO LÍQUIDO. EXCLUSÃO INDEVIDA. RESULTADOS NEGATIVOS UTILIZADOS NA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 6 5 São tributáveis as receitas correspondentes à liquidação de multas e juros com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial definido pela Lei n. º 11.941/09. ATIVIDADE VINCULADA. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A exigência de juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic encontra respaldo no art . 61, § 3º , da Lei nº 9.430, de 1996, falecendo competência à autoridade fiscal para negar validade ao comando legal. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/1996. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as razões de sua Impugnação. É o relatório. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os requisitos de validade, devendo ser, a priori, conhecido por este Colegiado. O Recurso apresentado pelo Contribuinte possui os seguintes argumentos: a) Da não configuração do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL como receita passível de tributação, através da utilização dele para redução de multas e juros no Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, com base no seu art. 4º, parágrafo único. b) Do equívoco contábil no ajuste do lucro líquido no ano calendário 2008 que não ensejou prejuízo ao Erário após o seu saneamento no ano calendário 2009; c) Da impossibilidade de exigência da multa isolada por ausência do recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL concomitante à multa de ofício de 75%; d) Do caráter confiscatório e desproporcional das multas aplicadas; e) Não incidência de juros sobre multa de ofício; Em relação ao primeiro item do Recurso Voluntário, se verifica que é exatamente a matéria que foi objeto de julgamento no Acórdão CARF nº 1402002.149, no sentido contrário ao pleito do contribuinte. A despeito da minha discordância pessoal acerca do resultado do julgamento, fato é que a matéria foi decidida no âmbito desse CARF, através do efeito devolutivo do Recurso de Ofício, do qual o contribuinte foi regularmente notificado (fl.399) e optou por não apresentar quaisquer contrarrazões. Desse modo, entendo que o Recurso Voluntário não deve sequer ser conhecido neste ponto, visto que o teor da decisão a quo se limitou apenas às demais questões pendentes de julgamento sem prejuízo, entretanto, do direito do Recorrente de, após a prolação do acórdão decorrente do presente julgamento, interponha Recurso Especial versando sobre a totalidade da matéria tratada no Acórdão nº 1402002.149 e neste. Passo aos demais pontos. I) Do equívoco contábil no ajuste do lucro líquido no ano calendário 2008 que não ensejou prejuízo ao Erário após o seu saneamento no ano calendário 2009. A Fiscalização cobrou do contribuinte os valores de R$ 2.520.000,00 a título de CSLL e R$ 6.976.000,00 de IRPJ em razão da reversão, no anocalendário de 2009, das provisões de IRPJ e CSLL Diferidos estabelecidas em 2008, decorrentes de ganhos futuros advindos da adesão a parcelamento, no montante de R$ 30.000.000,00. Aduziu a fiscalização Fl. 560DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 8 7 que "não há previsão de isenção para a reversão de provisões por conta de ganhos sobre futuro parcelamento de impostos". Com a devida vênia ao entendimento da fiscalização, entendo que o contribuinte tem razão neste ponto. Explica o Recorrente que efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais) por conta de pedido de parcelamento, com débito no seu passivo não circulante, e crédito na conta de resultados (Descontos obtidos) fl.251. Em razão do diferimento dos ganhos, excluiu esse valor na Parte A do LALUR. Em 2008 ainda, houve o pagamento de parcela destes débitos por parte do Contribuinte, no valor de R$ 2.000.000,00, que foram processados através de quatro adições no LALUR. Ao final do exercício de 2008, portanto, foi lançado o valor de R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) na coluna de adições, permanecendo, assim, o ganho diferido de R$ 28.000.000,00 (vinte e oito milhões de reais), como é possível verificar, respectivamente, nas páginas 35 e 37, do Livro LALUR nº 12 (fls. 264265). Sobre o ganho diferido indicado acima, a Recorrente calculou o IRPJ diferido no valor de R$ 6.976.000,00 (seis milhões, novecentos e setenta e seis mil reais) e a CSLL diferida no valor de R$ 2.520.000,00 (dois milhões, quinhentos e vinte mil reais), lançando as provisões respectivas em sua contabilidade. Em 2009, a Recorrente verificou de forma definitiva que não haveria o parcelamento dos débitos almejados, com o desconto que fora considerado no ano anterior, efetuando assim o estorno dos lançamentos de 30/09/2008, em 31/12/2009 (fl. 286). Para regularizar a situação, a Recorrente fez adições no Livro LALUR nº 13, no valor de R$ 28.000.000,00 (fls. 292 e ss.). Por consequência, diante do estorno dos ganhos contabilizados em 2008, a Recorrente também realizou o estorno do IRPJ e CSLL diferidos – Livro Razão n° 129, pg. 43 e Livro Diário n° 107, pg. 63 e 64 –, uma vez que, conforme relatado, o parcelamento não se efetivou, o benefício não se concretizou e, portanto, não ensejou efeitos patrimoniais passíveis de tributação. Via de regra, o raciocínio da fiscal estaria correto: havendo a reversão de uma provisão, há que se reconhecer uma receita correspondente, submetendoa à tributação no exercício do seu reconhecimento contábil. Entretanto, no presente caso, houve um reconhecimento contábil equivocado de um ganho futuro, com a correspondente provisão dos tributos sobre esse ganho, e no exercício seguinte, verificando que a receita não se concretizaria, o Recorrente efetuou o estorno no mesmo exercício, e não no exercício em que foi reconhecido inicialmente, revertendo as provisões. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 9 8 A despeito do erro contábil, podese verificar que não houve qualquer impacto ao Erário, em razão do Recorrente ter apurado bases negativas de IRPJ e CSLL, e que as provas juntadas à impugnação demonstraram cabalmente o equívoco nesse ponto. Além disso, é preciso frisar que não houve acréscimo patrimonial que justifique a tributação, haja vista que foi realizado ainda que incorretamente o estorno do ganho futuro que não ocorreu, o que afetaria a validade das provisões feitas. Desse modo, voto por afastar os valores de R$ 6.976.000,00 da base de cálculo do IRPJ, e R$ 2.520.000,00 da base de cálculo da CSLL. II) Da impossibilidade de exigência da multa isolada por ausência do recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL concomitante à multa de ofício de 75%; Sobre esta matéria, adianto que já me manifestei no Acórdão CARF nº 1301 003.227, julgado em Julho de 2018, no qual este Colegiado, por maioria, o entendimento abaixo reproduzido. Havendo cobrança simultânea de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas (em razão da glosa do ágio amortizado) e multa de ofício por falta de pagamento do IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, deve ser mantida apenas a multa de ofício. Este é o teor literal da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Adianto que entendo ainda ser aplicável a Súmula CARF nº 105, a despeito do dispositivo mencionado em seu texto ter sido alterado pela Lei nº 11.488/2007, cuja validade abarca os fatos geradores do presente feito. Por razões de clareza e transparência na motivação, explano meus fundamentos. A aplicação de qualquer súmula, mormente à luz do novel CPC/2015, deve se dar em atenção à racionalidade tópicoproblemática que orienta a sua adequada compreensão, tanto que os dispositivos relativos à motivação das decisões dá um tratamento peculiar a elas: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 10 9 distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. É dizer, a súmula tem seu conteúdo normativo determinado não pelo seu texto sumular, mas pelas fundamentos determinantes que lhe são subjacentes, que deverão ser, efetivamente, o "fiel da balança" de sua aplicação. Assim, compulsando os precedentes que deram origem à Súmula CARF nº 105, entendeu a jurisprudência dominante que não poderiam ser exigidas concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício, em razão da absorção daquela por esta princípio da consunção ou absorção, típico do Direito Penal, para os casos em que condutas que lesem determinado bem são punidas por tipos penais distintos. Senão vejamos o Acórdão CSRF nº 9101001.261: É dizer, o fundamento da súmula é o fato da infração que dá causa à multa isolada ser menos gravosa que o fato que justifica a multa de ofício, razão pela qual esta absorve aquela. O que define a conduta lesiva ao bem tutelado pela regra penal é exatamente a hipótese de incidência dela (lembrando que uma regra jurídica possui hipótese e consequência jurídica), estando sujeita a uma penalidade, estabelecida em sua prescrição. Pois bem, a lei nº 11.488/2007 alterou a Lei nº 9.430/96, em relação aos dispositivos sucessivamente apresentados: Lei nº 9.430/96 art. 44 (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 11 10 que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Lei nº 11.488/2007 Art. 44. (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela leitura do dispositivo, podemos verificar que a Lei nº 11.488/07 trouxe algumas inovação: I) estendeu a hipótese de multa pros casos de rendimentos auferidos por pessoa física, de fonte pagadora no exterior, que não tenham sido tributados no país da fonte; II) em relação à hipótese existente, reduziu o valor da multa para 50%. Como se vê, em relação à hipótese de falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, não houve alteração da fattispecie punitiva é dizer, a conduta típica permaneceu a mesma, apenas com alteração da sanção aplicada. Ou seja, os fundamentos para a aplicação do princípio da consunção motivo determinante da Súmula CARF nº 105 permanecem presente, haja vista que as condutas ofensivas continuam as mesmas (com a ressalva do acréscimo do art. 44, II, "a" da Lei nº 9.430/96), com alteração apenas na prescrição penal estabelecida pela legislação. As condutas indicadas nas duas normas infracionais continuam sendo uma meio de execução da outra, sem que qualquer alteração nesse ponto tenha decorrido da nova redação legal. Isso decorre da diferença entre texto legal e norma jurídica, evidenciada no Direito Positivo pelo art. 13, §2º da Lei Complementar nº 95/98, que autoriza o reconhecimento de que a norma infracional pré e póslei 11.488/2007 possuem hipóteses de incidência que se superpõem, a despeito da alteração da numeração e posição dos dispositivos. Em razão disso, não entendo ter havido modificação de circunstâncias fáticas ou jurídicas que se afastem dos motivos determinantes da Súmula CARF nº 105, de modo que ela permanece aplicável a casos após a edição da Lei nº 11.488/2007. Entretanto, durante o julgamento, fui acompanhado pela maioria dos julgadores pelas conclusões, razão pela qual deve constar expressamente o fundamento prevalecente na Turma, conforme art. 63, §8º do RICARF. O entendimento prevalecente está conforme o voto vencedor no Acórdão CARF nº 1301002.736, proferido pelo Ilustre Conselheiro José Eduardo Dornelas, reproduzido abaixo: Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 12 11 A multa isolada aplicada tem como origem as diferenças entre as base de cálculo mensais apuradas pela recorrente e pela fiscalização, e decorre das glosas efetuadas em procedimento de fiscalização, que constatou entre outras infrações, deduções indevidas de despesas/custos na apuração do lucro real do período. Não decorre do não recolhimento de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual. Penso que as discussões relacionadas à aplicação da multa isolada devem levar em conta o motivo que levou a autoridade fiscal a aplicála, pois ela não se destina a punir casos de omissão de receita, deduções indevidas de despesas, exclusões não autorizadas ou falta de adição ao lucro líquido. Nessas infrações, deve ser aplicada apenas a multa de ofício, ao contrário do que ocorre na hipótese do não recolhimento (total ou parcial) de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual, onde se aplica a denominada multa isolada. Isso porque, no meu sentir, a multa isolada foi instituída para punir apenas os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixavam de recolher as estimativas mensais. É que encerrado o ano base, já não é juridicamente possível exigir as estimativas, vez que elas possuem natureza de antecipação do tributo a ser apurado no final do período. Assim, encerrado o período, o Fisco só pode exigir o valor devido e não as antecipações. Vale dizer, as estimativas só podem ser exigidas no curso do respectivo período de apuração. Assim, para que a norma que determina o recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa seja imperativa, e não reduzida a mera recomendação, instituiuse a multa isolada, com o propósito específico de punir o descumprimento da norma que impõe a estes contribuintes o recolhimento mensal por estimativa. Por isso, a aplicação da referida multa isolada deve limitarse apenas ao caso em que foi concebida. Aplicála a casos de glosas de despesas efetuadas em procedimento de fiscalização, como é a hipótese dos presentes autos, é uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal. Ademais, existe entendimento de que a aplicação da multa de ofício afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E STJ tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a decisão proferida no REsp nº 1.496.354/PR. (...) Assim, ao abrigo do princípio da consunção, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Logo, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa do que o ilícito principal. É o que os penalistas, à propósito, denominam de "princípio da consunção". Desse modo, voto por afastar a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento ou recolhimento a menor do IRPJ e CSLL sobre estimativas. III) Confiscatoriedade e desproporcionalidade da multa Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 13 12 A multa foi aplicada nos percentuais previsto pelo lei nº 9.430/96, de forma adequada à descrição dos fatos. Para que se adentrasse nesse mérito, teríamos de adentrar na análise constitucional da norma legal que a veiculou, o que refoge à competência de órgãos julgadores administrativo, sendo de exclusiva competência do Judiciário. Nesse sentido, o enunciado da Súmula 02 do CARF. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não procede a alegação do contribuinte. IV) Juros sobre multa de ofício Sobre essa matéria, há muito me manifesto no sentido de reconhecer a não incidência de juros sobre multa de ofício. Entretanto, a matéria se encontra hoje sumulada pelo CARF, através da Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Desse modo, em observância à determinação regimental, aplico a súmula CARF para negar provimento ao pleito do contribuinte. V) Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria julgada no Acórdão CARF nº 1402002.149, e na parte conhecida, dando provimento parcial para: a) afastar os valores de R$ 6.976.000,00 da base de cálculo do IRPJ, e R$ 2.520.000,00 da base de cálculo da CSLL. b) afastar a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento por estimativas de IRPJ e CSLL; É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.721635/201303 Acórdão n.º 1301003.348 S1C3T1 Fl. 14 13 Fl. 567DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.909578/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. IMPROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada.
EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO.
Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-005.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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IMPROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO. Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 95 78 /2 01 1- 13 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 18470.909578/201113 Acórdão n.º 3401005.193 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 14/09/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 38718.86410.140909.1.1.013150 com pedido de ressarcimento de IPI referente crédito acumulado no 3º Trimestre de 2006 no valor de R$ 9.886,71 tendo por base o registro fiscal de entradas e apuração do IPI (efls.2 a 30), vinculado a Declaração de Compensação nº 17022.78763.130710.1.3.015115. Do Despacho Decisório A DRF Rio de Janeiro II, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 09/09/2011 (eFls.31), reconhecendo parte do crédito no valor de R$ 1.740,25 pela ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, resultando insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 17022.78763.130710.1.3.015115. Foi intimada a interessada a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, atualizados para pagamento até 30/09/2011: Principal Multa Juros 13.715,13 2.743,02 1.747,30 Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.37), fazendo os seguintes comentários: a) primeiro sobre a inovação e peculiaridades do programa eletrônico de transmissão de PER/DCOMP, que por sua evolução ultrapassou a capacidade técnica da contribuinte, necessária ao atendimento das exigências do programa; b) que não cometeu, em momento algum, irregularidades fiscais, eventuais erros podem ser atribuídos ao programa do PER/DCOMP, que acumulou os saldos credores de cada trimestre; c) que as multas de ofício não são devidas, visto que o contribuinte não provocou esta situação, sendo de total responsabilidade da própria RFB; d) cita decisão proferida em mandado de segurança da Justiça Federal do RN, que em nada lhe auxilia na presente lide; e) ao final reconhece os valores relativos à compensação indevida, com o acréscimo da Taxa SELIC, mas repugna a cobrança de Multa de Mora. Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 110DF CARF MF Processo nº 18470.909578/201113 Acórdão n.º 3401005.193 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: De plano constato que a manifestante não contesta a redução do direto creditório, limitandose a impugnar a multa moratória. Portanto, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com relação à multa moratória, sua cobrança encontra amparo legal no art. 61 da Lei nº 9.430/96... Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.92) contra a decisão de primeira instância administrativa, com alegações de que: a) incorreu em falha no preenchimento do formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP, pois quando se abria um novo trimestre, às vezes o próprio sistema, por si só, trazia o saldo anterior do trimestre anterior, duplicando, por conseguinte, o valor da compensação; b) que quitou os valores referentes à esta duplicação mediante parcelamento voluntário de débitos; c) que a manifesta inconformidade foi tão somente sobre a cobrança descabida da multa exofício, no que resulta, também, o pedido recursal. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início declarase que não assiste razão a Recorrente. No Recurso Voluntário se repete a justificava de atribuir a responsabilidade pelos erros cometidos quando do preenchimento do PER/DCOMP, para o programa eletrônico disponibilizado pela SRF, o qual teria contribuindo para a utilização de crédito de IPI além do permitido para o trimestre em referência. Além de se restringir a mera alegação, dispensa qualquer comentário pela sua inconveniência. O segundo item do Recurso de que teria havido a quitação de parte do débito através de parcelamento voluntário, também, se restringe ao campo das alegações, pois nenhum documento juntou aos autos. Caso isso tenha ocorrido, ampara o contribuinte o art. 156 do CTN por ser o pagamento uma das modalidades de quitação do débito, que nesse caso seria parcial. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 18470.909578/201113 Acórdão n.º 3401005.193 S3C4T1 Fl. 5 4 Quanto a multa de mora incidente na cobrança do débito, nada tem a haver com a glosa do crédito indevidamente utilizado, cujo erro já foi reconhecido e não foi objeto de contestação, mas sim, com o não pagamento do débito devido no seu vencimento. A incidência da multa moratória encontra amparo no art. 61 da Lei 9.430/96, cujo texto já fez parte da decisão recorrida. Portando, é dever de ofício da autoridade administrativa exigila juntamente com o tributo devido quando quitado fora do prazo legalmente estabelecido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660222/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/04/2000
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Numero da decisão: 3201-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COFINS. Recorrente DOW BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/04/2000 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 22 /2 01 1- 32 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 191 2 Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado em março de 2003. A unidade de origem indeferiu o pleito. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente, de Pedido de Restituição transmitida pelo Sistema PER/DCOMP sob nº 35921.69668.240305.1.2.047406, data da transmissão 24/03/2005, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo Cofins, código da receita 2172, referente ao período de apuração 31/03/2000, no valor de R$ 10.015,81, contida em pagamento efetuado em 14/04/2000, no valor de R$ 2.014.877,98. Despacho Decisório eletrônico da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SÃO PAULO, doc. de fl. 6, com data da ciência em 19/12/2011, doc. de fl. 8, indeferiu o Pedido de Restituição sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: I Quantos aos fatos. Que efetuou o recolhimento da contribuição por meio de DARF, sendo atestado a correspondente DCTF; Que, por equívoco, o Interessado apurou incorretamente a contribuição sobre específicas e determinadas receitas. Esse cálculo errôneo derivou da inclusão, na base e cálculo das citadas contribuições, de receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual – ZFM, que em hipótese alguma devem ser tributadas e que resultou indevido o pagamento; Que não elaborou retificações em suas declarações tributárias (DIPJ e DCTF), a fim de que restasse evidenciado o pagamento indevido. Diante desse fato, o sistema da Receita Federal não computou corretamente os valores efetivamente pagos e não constatou o indevido recolhimento realizado. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 192 3 Que não obstante os erros cometidos, o Despacho Decisório de indeferimento não deve prosperar, pelas razões a serem demonstradas. II – Das razões de reforma da decisão recorrida. II a) – Da relatividade da suposta confissão de dívida em DIPJ e DCTF necessária persecução pela verdade material. Que em que pese a discussão existente a respeito do assunto, a confissão da dívida não possui um caráter absoluto, devendo ser relativizada diante de situações específicas; Que a apresentação da DCTF e DIPJ não consiste num ato de vontade do contribuinte, mas sim num dever diante da força impositiva do Estado e em assim sendo inexiste uma das características essenciais para a configuração da confissão de dívida; Que a ausência de retificação da DCTF e DIPJ não possui por si só o efeito de comprovar a inexistência de pagamento indevido e uma vez constatado a existência de erro de fato é um dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício em observância ao principio da verdade material para apurar o crédito tributário do contribuinte. Nesse sentido reproduz Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF bem como fazendo citação; II b) Do erro meramente de fato e da persecução pela verdade material. Que o erro de fato consiste na incorreção de dados e situações que porventura influenciaram o sujeito passivo a cometer um equívoco no momento da apuração do tributo ou do mero preenchimento da declaração; Que o equivoco derivou da inclusão, na base de cálculo das contribuições, de receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que em hipótese alguma devem ser tributadas. Reproduz trecho do Livro Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial – Editora Dialética; Que o fisco deve analisar as provas ora apresentadas, ou, ao menos, ser realizada diligência fiscal específica para tanto, por meio de conversão do julgamento em diligência. II c) Da existência do crédito tributário em pauta – Operações de venda à Zona Franca de Manaus. Que é indubitável o direito do Interessado ao crédito das contribuições, haja vista, que o artigo 4º do Decreto nº 288/1967, equiparou as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus – ZFM àquelas destinadas à exportação; Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 193 4 Que da mesma forma, o artigo 149 da Constituição Federal de 1988 conferiu imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação; Que diante deste quadro normativo, resta por inarredável o entendimento de que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus não devem sofrer a incidência do PIS e COFINS; Que nossas Cortes judiciais e administrativas superiores tem esse posicionamento, reproduzindo vários Acórdãos; Assim, na questão de direito, resta cabalmente demonstrado o direito de não ser tributado pelas contribuições do PIS e COFINS decorrente das operações de venda de suas mercadorias à Zona Franca de Manaus, por conta da vedação constitucional e majoritário entendimento jurisprudencial nesse sentido. II d) Pagamento indevido e restituição – Documentação comprobatória do direito alegado. Que no caso concreto juntou ao presente o DARF recolhido e a correspondente DCTF; A fim de que seja evidenciado o pagamento indevido efetuado pelo interessado, elaborou demonstrativo analítico da origem dos valores discriminando as Notas Fiscais de Vendas emitidas referente ao período de apuração e que correspondem ao valor do crédito pleiteado; Nesses termos, junta ao presente processo os demonstrativos e a documentação contábil/fiscal hábeis à comprovação de que efetivamente efetuou vendas para a Zona Franca de Manaus; III ) Considerações adicionais. Que pela presente Manifestação de Inconformidade restou comprovado a existência de seu crédito, sob pena de afronta ao princípio da moralidade e diante da vedação ao enriquecimento ilícito por parte do Fisco e grave afronta ao principio da moralidade administrativa; Que seu crédito foi informado no PER/DCOMP conforme o estabelecido no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 e que faltou ao Fisco a postura pela busca da verdade material, afetando o direito de defesa do interessado; E que no caso de ainda persistirem dúvidas por parte desse órgão administrativo deve ser realizada diligência fiscal em atendimento à verdade material. IV ) Dos Pedidos. Pelo exposto, requer seja anulado o Despacho Decisório, em virtude da violação ao princípio da verdade material e à garantia constitucional da ampla defesa. Requer subsidiariamente, seja convertido o presente julgamento em Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 194 5 diligência, bem como a juntada posterior dos documentos eventualmente faltantes, a fim de provar o alegado por todas as provas em direito admitidas. Foram juntados ainda os seguintes documentos: 1. Cópia do DARF; 2. Cópia da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ; 3. Cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF original; 4. Cópia de Demonstrativo de vendas; 5. Cópia do Livro Registro de Saídas de Mercadorias; 6. Cópia da Declaração de Ingresso, emitido pela Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA É o relatório A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1453.203, de 25/08/2014 (fls. 74 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/04/2000 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 195 6 Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. São isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 18 de dezembro de 2000, exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, destinadas ao fim específico de exportação e para as empresas comerciais exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. As vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, são tributadas normalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 96 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente tece os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. Ao final, requer o reconhecimento do direito ao crédito, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 196 7 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 197 8 implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 198 9 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de SP Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais –PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 199 10 histórica dos dispositivos legais e regulamentares anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 200 11 A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4o: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 201 12 internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 202 13 PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifou se) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 203 14 (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 204 15 exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretosleis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 205 16 ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.660222/201132 Acórdão n.º 3201004.013 S3C2T1 Fl. 206 17 Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.720047/2015-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a isenção para os rendimentos recebidos pelo recorrente do INSS e da Previdência Usiminas a partir de março de 2012.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente GUILHERME CAMILO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a isenção para os rendimentos recebidos pelo recorrente do INSS e da Previdência Usiminas a partir de março de 2012. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 00 47 /2 01 5- 42 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13629.720047/201542 Acórdão n.º 2002000.338 S2C0T2 Fl. 80 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 31/34), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir para saldo de imposto a pagar de R$5.951,77. A notificação consigna a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$47.215,94 (IRRF correspondente de R$173,23). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 12/1/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 15/1/2015, à fl. 2/19 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria de portador de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que o comprovaria. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por maioria, julgou a impugnação improcedente, por deficiência da comprovação apresentada (fls. 45/49). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 9/4/2015 (fl. 53), o contribuinte, em 24/4/2015 (fl. 55), apresentou recurso voluntário, às fls. 55/72, no qual alega estar juntando documentação hábil a corrigir as falhas apontadas na decisão do colegiado de primeira instância. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente das fontes pagadoras INSS e Previdência Usiminas, os quais ele alega serem isentos por serem decorrentes de aposentadoria e por ser ele portador de moléstia grave. Na apreciação da impugnação, a decisão de piso consigna: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13629.720047/201542 Acórdão n.º 2002000.338 S2C0T2 Fl. 81 3 Pelos dispositivos legais transcritos, para o contribuinte, no presente caso, ter direito à isenção em comento são necessárias duas condições concomitantes. A primeira é que os rendimentos em apreço sejam oriundos de aposentadoria e a segunda é que ele seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. Segundo consta na Carta de Concessão expedida em 30/05/2007 pelo Instituto Nacional da Previdência Social (INSS), cópia anexada a fls.18, foi concedida ao notificado a Aposentadoria por Tempo de Contribuição, com início de vigência a partir de 05/02/2007. Portanto, comprovada, para o anocalendário de 2012, sua condição de aposentado. Passo à análise do Laudo Médico Pericial apensado a fls.10, emitido em 23/08/2013 pela Dra. Sônia Batista da Silva. No campo “carimbo de identificação” foi aposto “Unidade Saúde e Família Bom Retiro / Rua Gaspar Lemos nº 390 – Ipatinga – MG / Prefeitura Municipal de Ipatinga”, estando demonstrado tratarse de documento emitido por serviço médico oficial. Observo porém que no referido documento não há a identificação de vínculo entre a médica que assinou o referido documento e a Prefeitura Municipal de Ipatinga. A Receita Federal não pode aceitar, como documento probante para fins de isenção de imposto de renda, o Laudo Médico emitido com a falha acima apontada. Os dados negligenciados são necessários ao deslinde da questão em foco. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio da COSIT (CoordenaçãoGeral de Tributação), emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) nº 11 de 28/06/2012, cuja conclusão, depois de reiterar esclarecimentos e orientações de SCI anteriores, foi a seguinte: ... 15.3. O laudo deve conter, no mínimo, as seguintes informações: ... V o nome completo, a assinatura, o nº. de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº. de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. ... Considero, portanto, que a condição de ser portador de moléstia grave não restou comprovada pelo notificado, na forma exigida pela legislação tributária vigente, devendo ser recusada sua pretensão de classificar como “rendimentos isentos e não Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13629.720047/201542 Acórdão n.º 2002000.338 S2C0T2 Fl. 82 4 tributáveis” os seus proventos de aposentadoria e complementação de aposentadoria recebidos no anocalendário de 2012. Em seu recurso, o recorrente junta relatório médico de fl. 58, emitido em 15/4/2015. Em sede de recurso voluntário o contribuinte juntou novos documentos aos autos. O art. 16, § 4º, alínea c, do Decreto 70.235/72, prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a nova prova se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Verificase que os documentos apresentados pela parte encaixamse nesta previsão, visto que destinamse a contrapor razões trazidas aos autos pela DRJ que fundamentou sua decisão de improcedência da impugnação na falta de alguns elementos no laudo médico oficial apresentado. Diante disso, a nova documentação será analisada. O relatório médico juntado à fl.58 foi emitido pela profissional emitente do laudo médico de fl. 57 e ela aponta que é médica do posto médico desde julho de 2002. Esse relatório traz também a assinatura da coordenadora do posto de saúde. Entendo que as falhas apontadas na decisão de piso foram saneadas pelo novo documento apresentado. Em seguida, passando ao exame da Declaração de Ajuste apresentada (fl.22), constatase que o recorrente não informou qualquer rendimento tributável recebido do INSS e da Previdência Usiminas. Entretanto, o laudo médico oficial atesta a existência da moléstia grave somente a partir de março de 2012. Nesse sentido, cabe transcrever o §5º do artigo 39, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); ... §5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13629.720047/201542 Acórdão n.º 2002000.338 S2C0T2 Fl. 83 5 II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Logo, é de se reconhecer a isenção para os rendimentos auferidos pelo recorrente somente a partir de março de 2012, sendo de se manter a inclusão dos rendimentos auferidos por ele nos meses de janeiro e fevereiro de 2012. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para reconhecer a isenção para os rendimentos recebidos pelo recorrente do INSS e da Previdência Usiminas a partir de março de 2012, mantendo o crédito tributário correspondente à inclusão dos rendimentos auferidos nos meses de janeiro e fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725523/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4°, DO CTN.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4°, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIVERGÊNCIAS DE ENQUADRAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fisco descrito corretamente o fato que o levou a concluir pela responsabilidade solidária para as empresas integrantes de grupo econômico, não deve se afastar esse vínculo por mero erro em parte da fundamentação legal apresentada no relatório fiscal.
FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição.
Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que não está sendo prestado.
A contribuição não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado, devendo a autoridade executora excluir da base de cálculo do lançamento os valores comprovadamente pagos a esse título.
FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EMGFIP. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONSISTÊNCIA DO LEVANTAMENTO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALUGUEL.
Diante da consistência do levantamento fiscal, é indubitável que a recorrente deveria ter comprovado as eventuais informações prestadas em GFIP porventura desconsideradas pelo agente fazendário.
No tocante aos pagamentos comprovadamente realizados a título de aluguel, mas indevidamente informados em DIRF como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, deve ser retificado o lançamento, diante dos contratos e demais documentos juntados na impugnação e no recurso voluntário.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE.
O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.
Não atende aos requisitos legais para fins de fruição da isenção, o acordo firmado previamente ao período de apuração dos lucros e resultados quando nele não estão estabelecidas as metas a serem atingidas e os mecanismos de aferição de cumprimento do acordado.
Numero da decisão: 2201-004.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo a sujeição passiva solidária das empresas integrantes do grupo econômico, vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que negou provimento. Em relação ao recurso voluntário, em dar-lhe provimento parcial para excluir as parcelas inerentes ao aviso prévio indenizado, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator, e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial em maior extensão, afastando a exigência fiscal relativa ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) do ano de 2010. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
(Assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4°, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4°, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIVERGÊNCIAS DE ENQUADRAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o fisco descrito corretamente o fato que o levou a concluir pela responsabilidade solidária para as empresas integrantes de grupo econômico, não deve se afastar esse vínculo por mero erro em parte da fundamentação legal apresentada no relatório fiscal. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição. Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que não está sendo prestado. A contribuição não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado, devendo a autoridade executora excluir da base de cálculo do lançamento os valores comprovadamente pagos a esse título. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EMGFIP. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONSISTÊNCIA DO LEVANTAMENTO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALUGUEL. Diante da consistência do levantamento fiscal, é indubitável que a recorrente deveria ter comprovado as eventuais informações prestadas em GFIP porventura desconsideradas pelo agente fazendário. No tocante aos pagamentos comprovadamente realizados a título de aluguel, mas indevidamente informados em DIRF como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, deve ser retificado o lançamento, diante dos contratos e demais documentos juntados na impugnação e no recurso voluntário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Não atende aos requisitos legais para fins de fruição da isenção, o acordo firmado previamente ao período de apuração dos lucros e resultados quando nele não estão estabelecidas as metas a serem atingidas e os mecanismos de aferição de cumprimento do acordado.
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INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4°, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4°, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIVERGÊNCIAS DE ENQUADRAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o fisco descrito corretamente o fato que o levou a concluir pela responsabilidade solidária para as empresas integrantes de grupo econômico, não deve se afastar esse vínculo por mero erro em parte da fundamentação legal apresentada no relatório fiscal. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição. Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que não está sendo prestado. A contribuição não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado, devendo a autoridade executora excluir da base de cálculo do lançamento os valores comprovadamente pagos a esse título. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EMGFIP. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONSISTÊNCIA DO LEVANTAMENTO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALUGUEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 55 23 /2 01 4- 72 Fl. 4672DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.673 2 Diante da consistência do levantamento fiscal, é indubitável que a recorrente deveria ter comprovado as eventuais informações prestadas em GFIP porventura desconsideradas pelo agente fazendário. No tocante aos pagamentos comprovadamente realizados a título de aluguel, mas indevidamente informados em DIRF como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, deve ser retificado o lançamento, diante dos contratos e demais documentos juntados na impugnação e no recurso voluntário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Não atende aos requisitos legais para fins de fruição da isenção, o acordo firmado previamente ao período de apuração dos lucros e resultados quando nele não estão estabelecidas as metas a serem atingidas e os mecanismos de aferição de cumprimento do acordado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo a sujeição passiva solidária das empresas integrantes do grupo econômico, vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que negou provimento. Em relação ao recurso voluntário, em darlhe provimento parcial para excluir as parcelas inerentes ao aviso prévio indenizado, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator, e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial em maior extensão, afastando a exigência fiscal relativa ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) do ano de 2010. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator (Assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Fl. 4673DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.674 3 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão n. 0442.095 3a Turma da DRJ/CGE, que julgou procedente em parte a sua impugnação. Adoto o relatório do acórdão recorrido por sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de processo de Impugnação em face da obrigação tributária relativa a Contribuições Sociais Previdenciárias apurada mediante Auditoria Fiscal que resultou no lançamento de crédito fiscal lavrado na data de 12/08/2014, referente ao período de apuração de 01/01/2010 a 31/12/2011. LANÇAMENTO Em resumo, segundo o Relatório Fiscal (fl. 2052), e demais relatórios integrantes e complementares, foram consignados os seguintes pontos acerca do lançamento: VALORES TRANSITADOS EM FOLHAS DE PAGAMENTOS SUPERIORES ÀS RESPECTIVAS REMUNERAÇÕES DECLARADAS EM GFIP (PERÍODO 01/2010 A 13/2010) 17. ... na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos, apurados através dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte em formato ”MANAD”, com os respectivos valores declarados em GFIP (período 01/2010 A 13/2010), a fiscalização encontrou situações onde as remunerações apuradas nas folhas de pagamento estavam superiores às declaradas em GFIP. As diferenças foram motivadas por omissões na composição da base de cálculo de rubricas com inequívoca incidência de contribuições previdenciárias. Tendo recebido os arquivos digitais das folhas de pagamento do período em formato MANAD, a fiscalização efetuou a comparação das bases de cálculo apuradas com as respectivas remunerações declaras em GFIP. A análise das diferenças encontradas apontava para a omissão de algumas rubricas com incidência de contribuições previdenciárias nas bases declaradas. Em especial, as rubricas relacionadas com o aviso prévio, ainda que outras rubricas também sinalizassem divergência, porém, em uma quantidade menor de ocorrências. No caso do aviso prévio, as divergências foram encontradas nas competências de janeiro a setembro de 2010, sendo que as análises indicavam que o contribuinte passou a declarar corretamente tais rubricas a partir de outubro. Foi percebido ainda que tais omissões não aconteciam de forma sistemática, acontecendo para alguns funcionários enquanto outros tinham suas remunerações declaradas corretamente em GFIP. Fl. 4674DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.675 4 [...] No caso da CEMIG, a implementação da folha de pagamentos resultou dependente de uma complicada sistemática que faz uso do impressionante quantitativo de quase 800 rubricas (verbas), sendo ainda que muitas dessas rubricas são utilizadas tanto para transitar descontos quanto proventos, existindo ainda folhas separadas para rescisões e ajustes. Tal realidade em uma empresa que possui cerca de 2.000 funcionários torna bastante difícil a auditoria das folhas de pagamento, principalmente quando os arquivos digitais fornecidos apresentam incoerências. Uma característica peculiar do sistema SAP é o uso do chamado "retrocálculo” no processamento da folha de pagamentos, onde a ocorrência de determinados eventos induz a alterações nos valores das rubricas de competências pregressas, inviabilizando a exata reconstituição histórica dos eventos da folha de pagamentos que é a filosofia básica do padrão MANAD. Nas incoerências apresentadas pelos arquivos MANAD, foi observado que, em algumas circunstâncias, o sistema gerava registros duplicados para algumas rubricas, ainda que de maneira não sistemática, ou seja, ocorriam apenas para alguns funcionários e em certas competências, sem que se conseguisse identificar uma lógica para esses eventos. As divergências encontradas resultaram em um pedido de esclarecimento feito através do TIFn° 004/2014 (em anexo) nos seguinte s termos: "Apresentar esclarecimentos com relação às divergências apuradas entre as remunerações constantes da folha de pagamentos fornecida em formato MANAD e as declarações correspondentes em GFIP. Essas divergências estão apontadas na planilha EXCEL "2010 CEMIG DT DIVERGENCIAS.xls", entregue em meio digital, conforme instruções em anexo ao presente Termo". A CEMIG, porém, não apresentou esclarecimentos para os erros encontrados nem corrigiu os arquivos. No entanto, tais erros foram analisados conjuntamente pelo Auditor Fiscal e pelos Analistas de Recursos Humanos da CEMIG, sendo que a empresa alegou que dependeria do fornecedor do programa para a correção dos erros encontrados, ainda que intimada através do TIFn° 006/2014 (em anexo) para corrigir os erros nos arquivos digitais. Na impossibilidade de apurar o quantitativo exato das divergências encontradas no contexto supracitado, a fiscalização solicitou que a CEMIG apresentasse os resumos das folhas de pagamento TIF n°005/2014 (em anexo) nos seguintes termos: "Apresentar os resumos das folhas de pagamento do exercício 2010, contendo todas as rubricas transitadas (proventos, descontos e auxiliares) e incluindo também as folhas de rescisão e complementares". A CEMIG entregou então um conjunto de arquivos em formato PDF contendo um relatório com o resumo mensal das rubricas da folha intitulado "ZHRT0020". Fl. 4675DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.676 5 Ocorre, porém, que a fiscalização identificou que tais relatórios também apresentavam incoerências semelhantes aquelas encontradas nos arquivos MANAD, fato grave, uma vez que tais relatórios eram utilizados em procedimentos previdenciários pela CEMIG, inclusive para apuração dos valores a recolher em GPS. Porém, nesse caso, como o tal relatório era gerado por um "script", o próprio setor de informática da CEMIG providenciou as correções, entregando um novo conjunto de arquivos contendo os relatórios com os resumos corrigidos. A fiscalização então processou novamente os resumos e reconstituiu as bases de cálculo previdenciárias, tendo apresentado este cálculo ao contribuinte através do TIF n° 006/2014 (em anexo), onde era solicitado o seguinte: "A fiscalização apurou a base de cálculo das contribuições previdenciárias através dos resumos enviados. A totalização destas bases estão na planilha Excel contida no CDROM em anexo." "Considerando que o conjunto anterior dos resumos das folhas de pagamento recebidos pela fiscalização em março continha valores incorretos, solicito que a CEMIG verifique a exatidão das bases de cálculo apuradas pela fiscalização, ressaltando que tais bases apresentam valores bastante divergentes com os totais declarados em GFIP pela CEMIG no exercício 2010" Conforme afirma o texto do TIF, as bases apuradas pelos resumos corrigidos apresentavam divergências com as remunerações declaradas em GFIP, assim como tinha acontecido com aquelas apuradas nos arquivos MANAD. E ainda existiam divergências entre os valores declarados e os recolhidos, como será detalhado mais à frente. A CEMIG não se pronunciou a respeito das bases de cálculo apuradas pela fiscalização constantes do TIF n°006/2014 . Outrossim, a fiscalização também apurou que havia valores bastante divergentes entre as declarações em GFIP da CEMIG e os valores efetivamente recolhidos pela empresa em GPS, conforme o quadro comparativo abaixo: ... . [...] Ressaltese que tais valores recolhidos a maior não eram suficientes para cobrir inteiramente os valores das rubricas cujos valores foram omitidos das remunerações declaradas em GFIP, podendo, portanto, satisfazer apenas parcialmente os valores devidos. O quadro acima também inclui guias que, conforme foi verificado posteriormente, não estavam vinculadas às folhas de pagamento. Tendo intimado o contribuinte a apresentar esclarecimentos através do TIF n° 004/2014 nos seguintes termos: "A fiscalização confrontou as bases de cálculos declaradas em GFIP pela CEMIG com os respectivos valores recolhidos em GPS e constatou a existência de valores significativos recolhidos a maior." Fl. 4676DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.677 6 "Fica a CEMIG intimada a apresentar os demonstrativos das bases de cálculo inclusas nos valores recolhidos a maior acompanhados de justificativas das divergências, devendo também, se for o caso, preparar as devidas retificações das declarações em GFIP. " A CEMIG então entregou a fiscalização um conjunto de planilhas e anotações utilizadas para apuração dos valores a recolher no exercício fiscalizado. Tal conjunto, porém, abrangia apenas as guias de recolhimento vinculadas a folha de pagamentos, nada tendo sido apresentado em relação as demais guias. A fiscalização considerou os instrumentos de controle apresentados precários, considerando que não existiam anotações claras a respeito dos ajustes efetuados e da origem de números considerados. Ressaltese também que algumas das bases de cálculo usadas nesses controles vinham do supracitado relatório "ZHRT00020", que, como se sabe, continha erros. Da forma como foram apresentadas para o exame da fiscalização, tais planilhas, ajustes e anotações só seriam perfeitamente inteligíveis por quem as fez, infelizmente os funcionários responsáveis pelos recolhimentos à época não trabalhavam mais na CEMIG, o que dificultou o entendimento de como a empresa chegou em tais números, uma vez que nem os funcionários atualmente responsáveis pelo procedimento conseguiam entender perfeitamente o que tinha sido feito. Em um esforço para entender a divergência entre os valores recolhidos e os declarados em GFIP, a fiscalização consolidou as informações contidas nos demonstrativos das guias apresentados e outras fontes de informação. Este demonstrativo se encontra em anexo. As conclusões dessa análise foram as seguintes: Em janeiro, a empresa não declarou em GFIP os valores correspondentes ao aviso prévio indenizado, porém efetuou os recolhimentos; De fevereiro a junho, a empresa nem declarou e nem recolheu os valores correspondentes ao aviso prévio indenizado; Nos meses restantes não houve como chegar a conclusões exatas tomando como base os controles apresentados, possivelmente os recolhimentos ocorreram de forma parcial. Nesse ponto, considerando que: 1) foram identificadas omissões de rubricas com incidência de contribuições nas declarações em GFIP; 2) o contribuinte tinha recolhido valores a maior; 3) tais valores recolhidos a maior não eram suficientes para cobrir inteiramente os valores das rubricas cujos valores foram omitidos nas remunerações declaradas em GFIP e 4) os arquivos digitais fornecidos apresentavam incoerências que não permitiam sua utilização para apuração das bases de cálculo, a fiscalização adotou o seguinte procedimento para a apuração dos valores devidos pela CEMIG: •Considerou para o levantamento do débito as bases de cálculo apuradas através dos resumos corrigidos das folhas de pagamento, bases estas que já haviam sido submetidas a apreciação da CEMIG, Fl. 4677DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.678 7 conforme o TIF n°005/2014. Tais bases estão detalhadas no Anexo Levantamento ”E”. •Dessas bases, foram subtraídas as bases de cálculo declaradas em GFIP pela CEMIG (detalhadas no Anexo Levantamento "D"), resultando em uma diferença que corresponde aos fatos geradores apurados não declarados em GFIP. Estas diferenças estão detalhadas no Anexo Levantamento "F". •A seguir, a fiscalização separou as guias de recolhimento que estavam inequivocamente vinculadas a folha de pagamentos (conforme os demonstrativos apresentados). A relação destas guias está detalhada no demonstrativo do Anexo RDA Relação de Documentos Apresentados". •Finalmente, foi efetuada uma apropriação das guias supracitadas contra os valores declarados em GFIP. Como existiam recolhimentos a maior, estas sobras foram novamente apropriadas, desta vez contra o Levantamento "F", que corresponde aos fatos geradores apurados não declarados em GFIP. O demonstrativo dos valores apropriados das guias da previdência social consideradas se encontro no Anexo "RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados "7 •As diferenças resultantes correspondem aos valores do débito ora apurado. Apesar das diferenças terem sido lançadas através de um encontro de contas global, as diferenças apuradas pela metodologia acima correspondem a rubricas que possuem inequívoca incidência de contribuições previdenciárias e ficaram fora das remunerações declaradas em GFIP, conforme demonstrado nos itens anteriores. Nesse contexto, a fiscalização constituiu o crédito referente á diferença entre a base de cálculo apurada e os valores declarados em GFIP, conforme o Art. 28, Inc Ida Lei 8.212 de 24/07/1991: [...] O levantamento "F" (2010) apresenta os valores das diferenças encontradas. PAGAMENTOS EFETUADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO DECLARADOS EM GFIP (PERÍODO 01/2010 A 13/2010): Na análise dos arquivos digitais em formato MANAD entregues pelo contribuinte, a fiscalização percebeu que não transitaram pelas folhas de pagamentos as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. Questionada sobre a omissão, a CEMIG confirmou que realmente os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais não transitavam pela folha sendo controlados por um procedimento à parte sob a responsabilidade da área financeira. A fiscalização então solicitou a apresentação de tais pagamentos através do TIF n° 006/2014. Fl. 4678DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.679 8 A CEMIG então entregou um conjunto de doze planilhas, uma para cada mês, onde constavam pagamentos a contribuintes individuais. Tais planilhas, no entanto, eram bastante simplificadas, não continham sequer a descrição dos serviços prestados ou a data de prestação, apenas estavam relacionados o nome do prestador, CPF, NIT e ramo de atividade , sendo que nas planilhas dos meses novembro e dezembro não constavam nem o CPF nem a atividade do prestador, ou seja, não existia uma padronização nas planilhas. A fiscalização então somou as remunerações contidas nas planilhas entregues e comparou com as remunerações efetuadas as contribuintes individuais declaradas em GFIP8, identificando então a existência de divergências entre as remunerações pagas e as declaradas, conforme o quadro abaixo. [Tabela Comparativa] despesas que registravam os serviços prestados por terceiros não apresentavam separação entre os serviços prestados por pessoas físicas e pessoas jurídicas. A fiscalização passou então a examinar as declarações em DIRF do contribuinte, investigando as retenções efetuadas sob o código ”0588” (Trabalho Sem Vínculo Empregatício), comparando com as declarações em GFIP do período e também com as planilhas de controle supracitadas. Dessa análise, foram excluídos os estagiários que tinham sido informados nas folhas de pagamento. Nesta análise foram identificadas várias remunerações a pessoas físicas declaradas em DIRF9 que não constavam nas planilhas de controle apresentadas ou nos valores declarados em GFIP, ou ainda, os valores declarados em DIRF se mostravam superiores. Diante de tal situação, a fiscalização elaborou um demonstrativo nominal das divergências apuradas e solicitou através do TIF n° 007/2014 que a CEMIG apresentasse esclarecimentos sobre as divergências nos seguintes termos: "Foi observado que alguns pagamentos efetuados a contribuintes individuais declarados na DIRF 2010 no código 0588 não transitaram pela respectivas declarações em GFIP. ” "Foram excluídos dessa análise os ESTAGIÁRIOS e aqueles cuias remunerações foram declaradas em GFIP, porém em competência diversa” "Apresentar justificativas para a ausência na GFIP para os pagamentos efetuados a pessoas físicas constantes na DIRF relacionados na planilha Excel entregue em meio digitai” No entanto, a CEMIG não apresentou nenhuma resposta para os questionamentos da fiscalização. Nesse contexto, considerando: 1) a impossibilidade de se apurar individualmente na contabilidade os pagamentos em questão; 2) a precariedade dos instrumentos de controle apresentados; 3) o nível de divergências entre declarações em GFIP e as remunerações Fl. 4679DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.680 9 constantes nas planilhas e nas DIRFs e 3) o fato da empresa não ter respondido os questionamentos da fiscalização, foi adotada a seguinte metodologia para a apuração dos créditos devidos: Foi elaborado um demonstrativo por competência contendo a relação nominal de todos os nomes de segurados contribuintes individuais que constavam das planilhas de controle apresentadas ou das DIRFs do período. Para cada contribuinte individual foi efetuada uma comparação entre o valor da remuneração constante das planilhas de controle e a remuneração constante na DIRF, tendo sido considerada então a MAIOR entre as duas. A remuneração apurada conforme o item anterior foi então comparada com a respectiva declaração em GFIP, e, estando esta a menor, a diferença foi apurada como débito. Diferentemente do que aconteceu no levantamento anterior das diferenças apuradas nas folhas de pagamento, neste levantamento não efetuada nenhuma análise quanto aos valores recolhidos, uma vez que os demonstrativos de guias de recolhimento apresentados pela empresa abrangiam apenas as guias vinculadas as folhas de pagamento, não sendo possível, portanto, vincular inequivocamente as demais guias de recolhimento aos fatos geradores pertinentes aos contribuintes individuais. Assim, a fiscalização constituiu os créditos devidos com base nos valores apurados segundo a metodologia supracitada, conforme disposto na Lei n. 8.212/91, art. 22, III e Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, art. 12, I e parágrafo único, art. 201, II, parágrafos 1., 2., 3., 5. e 8. O Levantamento “G” (2010) detalha os valores dessas diferenças apuradas, bem como os segurados contribuintes individuais associados. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇAO EM LUCROS OU RESULTADOS (PLR) EM DESACORDO COM A LEI N° 10.101 de 19/12/2000 (PERÍODO 01/2009 A 03/2011): 19.1. De início cumpre ressaltar que, diferentemente dos fatos geradores descritos anteriormente, cujo período fiscalizado esteve restrito às competências compreendidas entre 01/2010 a 13/2010, a fiscalização das rubricas transitadas a título de participação em lucros ou resultados abrangeu o período de 01/2009 a 03/2011, conforme alteração constante do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06.1.01.002013005448, nos termos da Portaria RFB n° de 29 de junho de 2011, assentada em 05/03/2014. [...] A documentação pertinente ao PLR 2010 apresentada pela CEMIG consistia de um instrumento de negociação coletiva (acordo coletivo) específico denominado "Acordo Coletivo Específico Relativo ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados da CEMIG", incluindo as disposições para os biênios 2009/2010 e para o biênio 2010/2011, firmado entre as empresas do grupo CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais, CEMIG Geração Fl. 4680DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.681 10 e Transmissão S/A e CEMIG Distribuição S/A) com várias entidades representativas das diversas categorias funcionais dos empregados da CEMIG. Também foi entregue documentação adicional composta de atas de reunião entre a CEMIG e os sindicatos supracitados e também cópias de boletins sindicais das correspondências entre a CEMIG e as entidades sindicais. [Relaciona as premissas do acordo coletivo] O instrumento de negociação coletiva, conforme sua data de assinatura, tinha sido firmado em 20/11/2009. Conforme se pode depreender da leitura dos dispositivos elencados acima, o pagamento do PLR para os biênios 2009/2010 e 2010/2011 estava vinculado ao atingimento de metas preestabelecidas, metas essas que eram resultado da composição de indicadores operacionais, financeiros e funcionais. Temos então uma metodologia complexa estabelecida onde o pagamento das parcelas fixas e variáveis definidas para o PLR estava vinculado a parâmetros quantitativos e qualitativos que implicavam necessariamente em medições do desempenho corporativo em suas pontas operacional e financeira e também de parâmetros individuais de desempenho. Significativa também é a cláusula que determina que um grupo de trabalho paritário, formado por representantes da CEMIG e dos empregados deveria até 31/03/2010 identificar o Indicador de Agregação de Valor e negociar a respectiva meta, definir as ausências que impactariam o índice de absenteísmo e estabelecer os mecanismos de aferição que deveriam medir o cumprimento do acordo. 19.11 O próprio parágrafo único da Cláusula 9a do acordo condiciona o pagamento da parcela "B" do PLR 2010/2011 ao estabelecimento prévio do Indicador de Agregação de Valor e de sua meta, ou seja, ao resultado do que deveria ser estabelecido pelo grupo de trabalho supracitado. 19.12. Ocorre que a CEMIG não conseguiu chegar a um acordo com os empregados nesta questão, conforme documentado nas cópias das correspondências desta com as entidades sindicais. Apesar do acordo prever que até 31/03/2010, o grupo de trabalho deveria ter concluído suas tarefas, um boletim intitulado "Informador Gerencial de Relações Trabalhistas", datado de 02/06/2010 informa o fracasso das negociações entre empresa e empregados no ponto em questão: ... . [...] Temos aqui então uma situação onde a CEMIG, diante do não cumprimento das regras previamente estabelecidas, adita o instrumento de negociação coletiva original e acorda novas regras para o pagamento do PLR 2010 aos empregados, isso na última quinzena de 2010. [...] Cabe ressaltar também a atenção demonstrada pelo legislador na questão dos prazos e de pactuação prévia das metas e resultados, Fl. 4681DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.682 11 conforme se depreende pelos grifos (nossos) no dispositivo acima. Tal preocupação é plenamente justificável, sem o conhecimento prévio das metas e índices a serem aferidos, como os trabalhadores poderiam se esforçar na direção correta para a obtenção da almejada produtividade ? Significativa também é a exigência de que a pactuação das regras aconteça previamente. Ora, no pagamento de PLR em questão fica claro que qualquer esforço adicional que tenha sido feito pelos empregados da CEMIG ocorreu em um contexto de indefinição de regras, uma vez que o estabelecimento definitivo das mesas que deveria ter ocorrido até 31/03/2010 não foi concretizado, tendo ainda a empresa simplesmente estabelecido em 16/12/2010 uma parcela adicional ”D”, não prevista no acordo original, sob novas regras e condições, apresentadas como já cumpridas. Ressaltese ainda que para o PLR 2009, as regras foram estabelecidas apenas no final deste exercício, haja vista que o instrumento de negociação coletiva, conforme sua data de assinatura, somente foi firmado em 20/11/2009. Conforme visto acima na análise da Lei N° 10.101 e também como se depreende dos indicadores de desempenho claramente descritos nos instrumentos de negociação coletiva firmados pela CEMIG, a essência de qualquer plano de participação em lucros ou resultados é a medição objetiva de indicadores de desempenho e índices de aferição. A fiscalização, conforme dito anteriormente, já havia solicitado a apresentação de "planilhas analíticas que demonstrassem o cumprimento dos objetivos traçados e a aferição das metas, globais, setoriais e individuais, com detalhamento dos indicadores para cumprimento das metas estabelecidas, com as respectivas ponderações". Ocorre que a CEMIG não apresentou nenhuma planilha ou outro instrumento de aferição que permitisse a fiscalização verificar os cumprimentos dos requisitos estabelecidos nos seus instrumentos de negociação coletiva e na Lei N° 10.101. Assim, tais instrumentos, se existem, não foram apresentados para o exame da fiscalização. Nesse momento da ação fiscal, tendo já sido identificadas irregularidades no exame do PLR 2010, o período de apuração para o presente fato gerador foi ampliado para a inclusão dos exercícios 2009 e 2011, sendo que este último exercício foi incluído para apurar a segunda parcela do PLR 2010 paga em 2011, conforme alteração constante do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06.1.01.002013001299, nos termos da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011, assentada em 05/03/2014. [...] Nesse mesmo termo, a fiscalização solicitou ainda a apresentação da documentação completa para o PLR 2009. Foi solicitado ainda que a empresa discriminasse as verbas que transitaram pela folha de pagamentos a título de PLR, vinculando as mesmas aos PLRs e suas parcelas. Fl. 4682DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.683 12 Ocorre que a CEMIG, a exemplo do que aconteceu em outros momentos da presente ação fiscal, não apresentou a documentação solicitada ou mesmo esclarecimentos para o exame da fiscalização. Não apresentou nenhuma planilha ou instrumento de controle, medição ou aferição para os PLRs dos exercícios 2009 e 2010, No caso do PLR 2009, nenhuma documentação foi apresentada, além do acordo coletivo original que englobava os biênios 2009/2010 e 2010/2011. Os arquivos digitais em formato MANAD correspondentes às folhas de pagamentos dos exercícios 2009 e 2011, solicitados no TIF n° 003/2014, foram apresentados, porém, continham também incorreções semelhantes as que tinham sido encontradas nos arquivos do exercício 2010, conforme descrito em itens anteriores. Na tentativa de suprir as informações que deveriam ser fornecidas de forma confiável através dos arquivos digitais em formato MANAD, a fiscalização emitiu o TIF n° 008/2013 onde solicitou a apresentação de dois relatórios auxiliares, um contendo o resumo das rubricas das folhas de pagamento e outro contendo a listagem nominal dos funcionários e os pagamentos de PLR do período. Ocorre que, mais uma vez, os demonstrativos entregues continham inconsistências que inviabilizavam o seu uso, bastando comparar os totais dos demonstrativos entregues para verificar que eram divergentes entre si. [...] E finalmente, cumpre ainda ressaltar a magnitude de tais pagamentos, que pode ser verificada a partir de demonstrativo preparado pela área contábil da CEMIG a pedido da fiscalização: Como um parâmetro comparativo, o exercício 2010 registra uma remuneração total da folha de pagamentos de R$ 167.742.870,95, sendo que esse número corresponde ao total da base de cálculo previdenciária, que não inclui as parcelas indenizatórias e outras exclusões. Então, se formos considerar os montantes distribuídos neste exercício a título de PLR (conforme o quadro acima), vemos que a CEMIG distribuiu a título de PLR o equivalente a cerca 40% de sua folha de pagamentos, o que corresponderia a uma média de quase 5 salários extras por ano para cada empregado. A CEMIG apresentou ainda para o exame da fiscalização um conjunto de 10 cadernos como documentação "relacionada com o PLR"11. Tais cadernos traziam apresentações relacionadas com a gestão do processo estratégico da CEMIG e iniciativas relacionadas com a gestão de riscos, qualidade, prevenção de acidentes e planejamento estratégico da companhia, descrevendo ainda dezenas de indicadores de desempenho e sua evolução. Ressaltese que tal documentação foi entregue apenas no final de julho de 2014, nos últimos dias da ação fiscal, mais de um ano após o TIF n° 001/2013, onde a documentação inicial do PLR foi solicitada e mais de 7 meses após o TIF n°002/2013, em foi que solicitada a complementação da documentação do PLR. Ainda assim, o conteúdo dos documentos entregues foi examinado e Fl. 4683DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.684 13 levado em conta pela fiscalização, conforme descrito nos próximos itens. A fiscalização não tem dúvidas de que a CEMIG tenha implementado as melhores metodologias de planejamento e gestão, afinal, é uma das maiores empresas do Brasil, com merecida reputação de excelência em sua área de atuação. Ocorre que tais cadernos apresentados não estão relacionados com o pagamento de PLR, aliás, não existe qualquer menção a PLR nos mesmos, são documentos utilizados no planejamento estratégico e na relação com os investidores da CEMIG e os indicadores ali detalhados não estão, pelo menos de forma direta, relacionados com aqueles descritos nas cláusulas dos acordos coletivos relacionadas com o pagamento de PLR e usados na apuração quantitativa do mesmo. Dessa forma, mesmo com a quantidade de informações constantes nos documentos apresentados, a CEMIG não consegue demonstrar aquilo que seria o básico para subsidiar seus pagamentos de PLR, ou seja, demonstrar que os indicadores definidos nas cláusulas dos acordos coletivos foram efetivamente medidos, acompanhados e avaliados periodicamente e que tais medições eram levadas ao conhecimento dos seus empregados para direcionar o seu esforço adicional. Qual foi o resultado final dos PLRs da CEMIG ? Todos os seus empregados receberam 100% do valor previsto ? Os indicadores definidos atingiram as metas propostas ? Qual foi a composição final do valor recebido por cada empregado ? São perguntas para as quais a fiscalização não encontrou respostas nos cadernos apresentados ou em qualquer outro documento apresentado pela CEMIG. DAS CONCLUSÕES Conforme exposto no itens anteriores, diversos problemas foram identificados com relação ao pagamento de PLR nos exercícios fiscalizados. O PLR 2009 teve suas regras estabelecidas apenas em 20/11/2009, ou seja, apenas no final do exercício em que os empregados da CEMIG deveriam através de esforço adicional contribuir para a lucratividade da empresa. O PLR 2010, contrariando as suas próprias regras, distribuiu parcela adicional não prevista nas regras inicialmente acordadas. Em nenhum desses dois exercícios foi apresentada documentação ou planilhas de controle comprobatórias de que os indicadores definidos nas cláusulas dos acordos coletivos foram efetivamente medidos e avaliados periodicamente e que tais medições eram levadas ao conhecimento dos seus empregados para direcionar o seu esforço adicional. Também não foram apresentadas planilhas demonstrativas de que os valores pagos foram fundamentados nas fórmulas acordadas e creditados de maneira individualizada. Por fim, ressaltamos que o PLR 2008 da CEMIG já tinha sido objeto de fiscalização pregressa realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06.10100.2011.00635 e que considerou que tais pagamentos também foram efetuados em desacordo como a Fl. 4684DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.685 14 legislação previdenciária, constituindo os créditos correspondentes através dos lançamentos constantes dos Autos de Infração integrantes dos processos COMPROTn° 15504724.901/201158. Sendo assim, considerando a impossibilidade do exame da documentação completa pela falta de apresentação da mesma, tendo identificado ainda o não cumprimento das próprias regras acordadas no acordo coletivo firmado, a fiscalização considera que os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de "Participação nos Lucros ou Resultados”, ante a insubsistência dos instrumentos apresentados, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9o, inciso X do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048, de 06 de maio de 1999. Por todo o exposto, o benefício concedido aos seus trabalhadores, por estar em desacordo com a legislação pertinente, integra os saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, conforme art. 214, § 10 do já citado Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048 de 06/05/1999. DAS MULTAS APLICADAS Considerando que os créditos tributários incluídos neste Auto de Infração se verificaram após entrada em vigor da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, que estipulou novos parâmetros para a aplicação de penalidades por descumprimento de obrigações acessórias e multas relativas a lançamento de ofício, aplicase ao lançamento de ofício relativo às contribuições previdenciárias as mesmas regras dos demais tributos, incluindose a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430 de 27/12/1996. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS A situação descrita neste relatório, em tese, configura a prática de crime contra a Seguridade Social, motivo pelo qual se procedeu à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, acompanhada com os respectivos elementos de prova. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foi consignado pela Autoridade Fiscal o seguinte procedimento em face da sujeição passiva solidária: Exclusivamente para os Autos de Infração lavrados no Processo COMPROT N° 15504725.523/201472 estão sendo arroladas as empresas CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A CNPJ 06.981.180/000116 e COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG CNPJ 17.155.730.000164, componentes do grupo econômico, na forma da legislação a seguir: ... . Foi lavrado termo de Sujeição Passiva Solidária em face de cada uma das pessoas identificadas como partícipes. Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada por meio pessoal (Gerente Adm. Pessoal) em 14/08/2014 (fl. 03) e de cada partícipe da Sujeição Passiva Solidária. Fl. 4685DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.686 15 Termo de sujeição passiva solidária n° 2 (fl. 9899) Companhia Energética de Minas Gerais Cemig 14/08/2014 Termo de sujeição passiva solidária n° 1 (fl. 100101) Cemig Distribuição S/A 14/08/2014 IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou Impugnação com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A. (fls. 26912727) PRELIMINARMENTE DA DECADÊNCIA: 14. Preliminarmente, importa ter presente que não podem ser exigidos os créditos tributários relativos ao período de 01/2009 a 07/2009 em razão da decadência do direito do Fisco de proceder ao seu lançamento, tendo em vista o decurso de mais de 5 (cinco) anos entre a data da ocorrência dos supostos fatos geradores e a data da ciência do auto de infração à IMPUGNANTE (14.08.2014). [...] 19. Após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11.06.2008, ao julgar os RE's n°s 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: "Súmula n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5 do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. " [...] 21. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CARF), em Sessão realizada em 09.12.2013, afastou qualquer dúvida quanto ao tema, determinando em matéria previdenciária a adoção do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 49, do CTN, como se verifica da Súmula CARF n° 99, aprovada naquela oportunidade, com o seguinte Enunciado: Na presente autuação, tendo em vista que a própria autoridade lançadora deixou bem claro no relatório fiscal que os valores constantes do Al resultam das diferenças apuradas pela fiscalização, bem como que serviram de base para o lançamento as GPS, além de outros documentos, é evidente a existência de pagamentos parciais realizados pela IMPUGNANTE. Pelo exposto, tendo em vista a aplicação inquestionável do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, necessário se faz que seja reconhecida a decadência dos supostos créditos tributários relativos aos meses de janeiro a julho de 2009. Fl. 4686DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.687 16 VALORES TRANSITADOS EM FOLHAS DE PAGAMENTOS SUPERIORES ÀS RESPECTIVAS REMUNERAÇÕES DECLARADAS EM GFIP PERÍODO DE 01/2010 A 13/2010: Ressaltese que a menor parte das divergências, apesar de não ter sua origem comprovada pelo fiscal, também se enquadram na rubrica relacionada ao pagamento de aviso prévio indenizado. Em se tratando de valores pagos a título de aviso prévio, importante destacar que a Fiscalização jamais poderia pleitear o recolhimento de contribuições previdenciárias, pois, nos termos da jurisprudência pacífica do E. Superior Tribunal de Justiça e do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal pagamento não têm natureza remuneratória. Isso porque, o aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerálo pelo tempo que ficou à disposição do empregador. Com efeito, ao apreciar a questão na sistemática dos recursos repetitivos, estabelecida pelo artigo 543B, do Código de Processo Civil, o STJ pacificou definitivamente a jurisprudência para fixar o entendimento de que as verbas pagas a título de aviso prévio têm natureza indenizatório e, por isso, não estão sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias. [Cita jurisprudência administrativa e judicial] Desse modo, considerando que as verbas pagas a título de aviso prévio não representam remuneração passível de incidência das contribuições sociais exigidas, já que possuem natureza indenizatória, requer seja o lançamento julgado improcedente neste ponto, cancelandose a autuação. Caso se entenda não ser possível aplicar tal entendimento à menor parte das rubricas não identificadas pela fiscalização, o que se admite apenas para fins de argumentação, requer, com base no princípio da verdade material, seja o julgamento convertido em diligência para que se comprove que a totalidade da divergência apontada no relatório fiscal tem origem no pagamento de verbas relacionadas ao aviso prévio indenizado de exempregados da IMPUGNANTE, não sujeitos às contribuições previdenciárias exigidas pelo auto de infração. PAGAMENTOS EFETUADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO DECLARADOS EM GFIPPERÍODO DE 01/2010 A 13/2010: Conforme verificado anteriormente, sustenta a fiscalização que as retenções relativas às remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais no período de 01/2010 a 13/2010 não correspondem efetivamente aos valores declarados a título de contribuições previdenciárias. Essa divergência foi constatada pelo fiscal após a comparação das informações integrantes da DIRF apresentada pela IMPUGNANTE especialmente no que se refere às retenções realizadas sob o código ”0588” (Trabalho Sem Vínculo Empregatício) com as integrantes nas GFIPs do mesmo período. A partir dessa análise, o Fl. 4687DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.688 17 fiscal identificou remunerações declaradas na primeira que não constam da segunda, assim como valores declarados em DiRF que se mostraram superiores aos declarados em GFIP, o que comprovaria a ausência do oferecimento à tributação de verbas pagas aos prestadores de serviços que se enquadram como contribuintes individuais. Entretanto, as incongruências verificadas no demonstrativo elaborado pela fiscalização não têm origem na ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas que foram corretamente pagas , mas nas seguintes situações: (i) os valores declarados em DIRF relativos à retenção na remuneração dos contribuintes individuais não respeita o mesmo regime contábil que os declarados em GF1P, sendo o pagamento das contribuições previdenciárias realizado no mês da respectiva contratação (regime de competência) e a retenção do IR apenas no mês do efetivo pagamento do prestador (regime de caixa), o que gerou a não coincidência dos valores mencionados; e (ii) parte dos lançamentos identificados na DIRF analisada, apesar de terem sido enquadrados pela IMPUGNANTE no código ”0588” (Trabalho Sem Vínculo Empregatício), referem se, em verdade, a pagamentos de outra natureza, especialmente de alugueis de imóveis de pessoas físicas, não estando, portanto, sujeitos às contribuições previdenciárias exigidas. DIVERGÊNCIA GERADA PELA DIFERENÇA ENTRE OS REGIMES CONTÁBEIS DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DA RETENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA No que se refere à primeira situação descrita neste tópico, é preciso esclarecer que a apuração das contribuições cobradas no auto de infração regese por um regime contábil diferente daquele que rege o IRRF. No primeiro caso, aplicase o regime de competência, devendo o pagamento realizado pela contribuinte ser efetivado no momento da contratação dos serviços. Já no segundo, o regime aplicável é o de caixa, devendo a retenção do imposto sobre a renda ser efetivada no mês em que efetivamente pago o serviço, o qual pode ser diferente daquele no qual houve a contratação. Ora, não é incomum que as empresas contratem serviços de contribuintes segurados individuais num determinado mês e realizem o respectivo pagamento em outro, após sua conclusão. Essa situação, entretanto, não foi levada em consideração pelo fiscal, o que acabou por gerar a alegada incompatibilidade entre as informações contidas na DIRF e GFIPs analisadas, cujo demonstrativo foi erroneamente efetuado num comparativo entre os mesmos meses conforme demonstra o próprio relatório de fiscalização5 , ao invés de contemplar todo o período em que a retenção poderia ter sido efetivada. A título de exemplo, é possível citar os casos das contratações realizadas no mês de dezembro de 2009 e cujos respectivos pagamentos foram efetuados apenas no mês de janeiro de 2010. Nesses casos, a DIRF referente a janeiro de 2010, na qual estão declarados os pagamentos efetuados nesse período, deveria ter sido comparada a GFIP relacionada ao mês de dezembro de 2009, na Fl. 4688DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.689 18 qual estão declaradas as contratações efetivadas nesse período, e não com aquela referente ao mesmo mês de janeiro, como foi feito. Essa comparação equivocada é que acabou por gerar a inconsistência ora demonstrada e levou o fiscal a crer, de forma infudada, na inexistência dos recolhimentos exigidos. A planilha anexa à presente impugnação, elaborada pela IMPUGNANTE (doc. 4) com base na DIRF e nas GFIPs analisadas pela fiscalização, demonstra claramente as inconsistências verificadas nas competências de janeiro a fevereiro de 2010, mas que também ocorreram em outros períodos. Nela é possível verificar com clareza, nas colunas ”F” ("Data Serviço”) e ”G” ("Data Pagamento”), uma série de pagamentos realizados em competências diferentes daquelas nas quais os contribuintes individuais foram contratados, o que, na visão do fiscal, se apresentou como a comprovação de que as contribuições lançadas não haviam sido recolhidas. A comparação por amostragem dos dados específicos constantes nas GFIPS anexadas à presente impugnação (doc. 5), referentes aos períodos de dezembro de 2009 a fevereiro de 2010, com a DIRF auditada (doc. 6), comprovam a alegação da IMPUGNANTE, pois demonstram, mesmo que por amostragem, que os pagamentos realizados aos contribuintes individuais, cuja retenção encontrase declarada na DIRF, foram, de fato, objeto de declaração e incidência das contribuições previdenciárias exigidas pelo auto de infração. Com efeito, se o fiscal tivesse corretamente comparado todos os pagamentos declarados em DIRF referentes a um determinado mês de competência (correspondente ao efetivo pagamento) com as GFIPs anteriores (correspondente à contratação), teria, sem sombra de dúvidas, verificado que as contribuições previdenciárias foram declaradas e recolhidas pela IMPUGNANTE, pelo que o auto de infração nesse ponto é insubsistente e não deve persistir. Note, por fim, que o erro incorrido pela Fiscalização, gerado pela incompatibilidade de informações entre DIRF e GFIP, é comum em casos como o presente, nos quais a empresa fiscalizada, por seu tamanho, conta com um grande número de prestadores de serviços autônomos. Tanto é assim que a própria jurisprudência administrativa já se deparou com casos semelhantes, firmandose no sentido de considerar insubsistente o lançamento; vejase: DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (”PLR') NOS MOLDES DO DISPOSTO NA LEINS10.101/2000: Ou seja, a i. Fiscalização questionou no relatório fiscal o lapso temporal utilizado pela IMPUGNANTE e pelos Sindicatos para firmarem os respectivos acordos coletivos envolvendo o programa de PLR (ano de 2009 e aditivo de 2010), entendendo por bem lavrar o auto de infração ora impugnado tendo em vista que a celebração desses acordos no final dos exercícios violaria os termos da Lei n° 10.101/2000. Ademais, a i. Autoridade Autuante asseverou que em nenhum dos dois exercícios fiscalizados (PLR's de 2009 e 2010) a IMPUGNANTE havia comprovado que as metas e os indicadores Fl. 4689DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.690 19 definidos nas cláusulas dos acordos coletivos foram efetivamente (i) levados ao conhecimento de seus empregados e (ii) medidos e avaliados pela IMPUGNANTE. [...] 38. Importante ressaltar que a i. Fiscalização, ao indicar em seu relatório fiscal que os indicadores definidos nas cláusulas dos acordos coletivos não foram medidos e avaliados pela IMPUGNANTE, deixou de especificar com clareza que há diferença entre os indicadores elencados no PLR de 2009 e no PLR de 2010, ou seja, a i. Autoridade Tributária quedouse genérica em questionar e cobrar da IMPUGNANTE a suposta não medição de indicadores que, como adiante a ser comprovado, só existia nas regras do PLR de 2010 e não no PLR de 2009. DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DAS REMUNERAÇÕES PAGAS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS [Cita o arcabouço jurídico aplicável à PLR] 45. Sendo assim, observados os requisitos acima (artigos 29 e 39 da Lei n° 10.101/2000), os pagamentos das remunerações, a título de PLR, ficam desvinculados da remuneração, nos termos do art. 79, inciso XI, da Constituição Federal e do art. 28, § 99, alínea ”j”, da Lei n° 8.212/91, não podendo sofrer incidência das contribuições previdenciárias, sob pena de manifesta inconstitucionalidade e ilegalidade. DA OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DA LEI N° 10.101/2000 PLR 2009 Em primeiro lugar, tenhase presente que foi firmado acordo entre a IMPUGNANTE e seus empregados (Sindicatos), conforme se verifica do "Acordo Coletivo Específico Relativo ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados da CEMIG” (doc. 4). Sendo assim, resta claro que a IMPUGNANTE, a priori, já cumpriu com um dos requisitos estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000. Com efeito, sobre o segundo requisito determinado pela mencionada legislação para a devida configuração de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a cláusula primeira (Cláusula 1°) do anexo acordo coletivo estabelece: ”I. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DAS EMPRESAS, REFERENTE A 2009, A SER PAGA EM 2010PLR 2009/2010 CLÁUSULA l°METAS E INDICADORES PARA O ANO DE 2009 As metas e indicadores préestabelecidos para o ano de 2009 são, dentre outros, aqueles definidos pelo Planejamento Estratégico Empresarial, acompanhadas através do BSC.” Nesse sentido, as metas e indicadores para o ano de 2009 foram pactuadas pela IMPUGNANTE e Sindicatos como sendo aquelas definidas pelo Planejamento Estratégico Empresarial. Sobre o Planejamento Estratégico Empresarial, desde o ano de 2004, através da Circular DFN/01/2004, (doc. 5), a IMPUGNANTE Fl. 4690DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.691 20 determinou a criação da Superintendência de Planejamento Corporativo e Participação (PP)4, órgão para cuidar especificamente do planejamento estratégico envolvendo a composição, definição, monitoramento e divulgação das metas e indicadores necessários à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa. Nesses termos, a disseminação das metas e regras relativas à estratégia a ser adotada pelos empregados da IMPUGNANTE é realizada através de instrumento próprio denominado "Visão e Ação”, por meio do qual, mensalmente, (doc. 6), a Assessoria de Planejamento e Gestão da Estratégia PG (assessoria essa vinculada e hierarquicamente inferior à Superintendência de Planejamento Corporativo e Participação (PP)), envia aos Diretores (são os emails agrupados em "LPCE/DR Titulares Nível B”, Superintendentes (são os emails agrupados em "LPCE/SP Titulares e Cargos Especiais Nível D”), Gerentes (são os emails agrupados em "LPCE/GR Titulares Nível F”) e Gestores (são os emails agrupados em "LPCE GESTORES”), ou seja, para todos os níveis hierárquicos que atuam como lideranças de grupos dos empregados da IMPUGNANTE, a totalidade das informações necessárias para a compreensão e atendimento das estratégias a serem alcançadas pelos empregados e almejadas pela IMPUGNANTE. Com efeito, em posse das metas e informações consubstanciadas no ”Visão e Ação”, mensalmente, enviado para as lideranças da IMPUGNANTE, o papel desses Diretores, Superintendentes, Gerentes e Gestores, é de reunir e repassar para seus funcionários subordinados, ou seja: totalidade dos empregados da IMPUGNANTE, as diretrizes das metas e indicadores, esclarecendo, eventualmente, dúvidas e/ou questionamentos realizados. Ademais, todos os funcionários da IMPUGNANTE, através do sistema INTRANET (rede interna e privada de computadores de uso exclusivo dos empregados de uma empresa/corporação), principal veículo de comunicação da IMPUGNANTE, possuem acesso às íntegras dos citados relatórios mensais do ”Visão e Ação” enviados pela Assessoria de Planejamento e Gestão da Estratégia da IMPUGNANTE, fazendo com que essa dispersão das metas e indicadores alcance e esteja disponível para a ciência e conhecimento da totalidade dos empregados (doc. 7). Assim, 24 (vinte e quatro) horas por dia, todos os funcionários da IMPUGNANTE podem entrar no sistema (INTRANET) e encontrar informações do ”Visão e Ação ”, classificadas no próprio site como: ”Bem vindo ao site do Planejamento e Gestão da Estratégia Visão e Ação CEMIG. Neste espaço você vai encontrar informações que o ajudarão a entender melhor a estratégia da empresa. Formulando a Estratégia; Traduzindo a Estratégia; Glossário; Visão e Ação Online; Nova Visão do Futuro da Cemig; Mapas Estratégicos ”. Ainda, é mister mencionar a existência da ferramenta denominada ”GROE”, Grau de Orientação e Estratégia, através do qual os relatórios envolvendo o ”Visão e Ação” dos meses de setembro e novembro de 2009, trouxeram o resultado de uma vasta e ampla Fl. 4691DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.692 21 pesquisa realizada pela IMPUGNANTE (VOXPOPULI) junto aos seus empregados que comprovou a existência e a ciência de metas, indicadores, e do planejamento/gestão da estratégia da IMPUGNANTE (doc. 8). Portanto, evidente que a disseminação da estratégia e metas a serem atingidas pelos funcionários da IMPUGNANTE para fins de PLR, eram, em 2009, de total conhecimento dos empregados, sendo certo, ainda, que nas referidas pesquisas elaboradas pela IMPUGNANTE no próprio ano de 2009, revelase a aceitação e favorabilidade dos funcionários em (i) traduzir a estratégia em termos operacionais; (ü) mobilizar a mudança por meio de liderança executiva; (iii) alinhar a organização à sua estratégia; (iv) transformar a estratégia em processo contínuo e (v) motivar para transformar a estratégia em tarefa de todos. Por fim, conforme se verifica da leitura da cláusula segunda (CLAUSULA 29) do acordo coletivo envolvendo o PLR de 2009, a base de cálculo do valor distribuído corresponderia a 3,0% (três inteiros por cento) do Resultado da Atividade de 2009, composto de uma parcela fixa e de outra variável. A parcela fixa foi indicada pela divisão entre 50% de 3% do Resultado da Atividade de 2009 pelo número total de empregados da IMPUGNANTE. Por sua vez, a parcela variável apontou a equação entre 50% de 3% do Resultado da Atividade x Saláriobase dezembro 2009 ou mês de desligamento pela folha saláriobase da IMPUGNANTE em dezembro do ano base ou mês de desligamento. Pelo exposto, tendo em vista que o pagamento feito pela IMPUGNANTE a título de PLR de 2009 foi realizado com base em (i) negociação entre a empresa e seus empregados (Acordo Coletivo firmado entre a IMPUGNANTE e Sindicatos); (ii) houve a clara fixação de metas com mecanismos de divulgação e informações pertinentes ao cumprimento do acordado, bem como que (iü) a base de cálculo e critérios do pagamento considerou o resultado da empresa e percentual preestabelecido, evidente que a IMPUGNANTE cumpriu os requisitos de pagamento de PLR estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000. Nesses termos, através da argumentação acima despendida e da documentação até aqui acostada, evidente a fragilidade da alegação da i. Autoridade Autuante acerca da ausência de comprovação por parte da IMPUGNANTE de que as metas e os indicadores definidos nas cláusulas do acordo coletivo do PLR do ano de 2009 não foram efetivamente levados ao conhecimento de seus empregados. Ademais, também não merece prosperar a alegação da i. Fiscalização de que o PLR de 2009 teve suas regras estabelecidas apenas em 20.11.2009, ou seja: definidas apenas no final do exercício, sendo, em razão disso, capaz de violar os termos da Lei n° 10.101/2000. Isso porque, mesmo que o acordo coletivo envolvendo o PLR de 2009 tenha sido assinado entre a IMPUGNANTE e os Sindicatos apenas em 20.11.2009, tal fato não desnatura o pagamento de PLR, eis que a Lei n° 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos, o que seria mais um fator limitador de Fl. 4692DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.693 22 aplicação da norma, não podendo a Fiscalização instituir novos requisitos não previstos na legislação. Inclusive, essa suposta rigidez e excesso de formalismo temporal trazido pela Autoridade Tributária já foi rechaçada e não encontra apoio na jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "CARF". Citese abaixo o trecho do voto proferido quando da prolação do Acórdão n° 280300.254, da 35 Turma Especial, nos autos do Processo Administrativo n° 14485.000196/200726 (sessão de 21.09.2010): ... . [...] Ademais, importante ressaltar que a IMPUGNANTE, por ser uma das maiores empresas do país, tem em sua base de trabalhadores, diversos Sindicatos com os quais necessário se faz o diálogo e as tratativas no intuito de melhor adequar as cláusulas do acordo coletivo de PLR aos múltiplos interesses. Assim, como bem mencionou a decisão acima transcrita, a prática de negociações acordadas no final do exercício é comum e apenas um reflexo das indispensáveis conversas com um vasto número de Sindicatos até o estabelecimento do acordo. No presente caso, como pode ser observado do acordo de PLR de 2009, mais de 10 (dez) Sindicatos, juntamente com a IMPUGNANTE, assinam o instrumento em questão, ou seja, tal delonga é resultado da total boafé da IMPUGNANTE, bem como comprova a anterioridade das negociações. Importante destacar que as metas e o próprio formato do PLR de 2009 possuíam características semelhantes com as do PLR de 2008 (doc. 9), o que por si só, gera expectativa no trabalhador, de sorte a já incentivar a sua produtividade a maior, eis que já enraizada em seu conhecimento, e, portanto, a assinatura no final do exercício não desnaturar o pagamento a título de PLR. Ademais, como visto acima, a despeito da assinatura do acordo coletivo ter ocorrido em novembro de 2009, desde janeiro de 2009 os empregados da IMPUGNANTE já vinham recebendo as diretrizes e metas necessárias através do boletim mensal "Visão e Ação”. [...] Das considerações precedentes, sendo certo que as metas e a forma de distribuição utilizada pela IMPUGNANTE no pagamento do PLR de 2009 foram, conforme acima demonstrado, claras e de acordo com o previsto na Lei n° 10.101/2000, concluise que os valores relativos à PLR de 2009 não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias haja vista que a aferição de tais valores, bem como a distribuição dos mesmos, foi precedida de prévio acordo coletivo celebrado entre a IMPUGNANTE e seus empregados, o qual encontrase em consonância com a legislação que rege a matéria. Por fim, apenas para fins argumentativos, caso as supracitadas alegações acerca do questionamento do PLR de 2009 sejam superadas, a IMPUGNANTE acosta à presente defesa as anexas Fl. 4693DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.694 23 planilhas (doc. 10) através das quais se comprova que parte dos valores pagos entre as competências de 01/2009 a 10/2009 foram referentes não ao PLR de 2009, mas aos PLR's de 2007 e 2008 em razão de rescisão complementar de empregados que foram desligados antes do pagamento total desses respectivos PLR's (2007 e 2008), pagos apenas entre 01/2009 e 10/2010. Sendo assim, em razão dos PLR's de 2007 e 2008 não serem objeto da presente fiscalização, necessários que tais valores sejam excluídos da base de cálculo de suposta incidência de contribuição previdenciária envolvendo o PLR de 2009. DA OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DA LEI N° 10.101/2000 PLR 2010 Os pagamentos feitos pela IMPUGNANTE a título de PLR 2010 também foram realizados em perfeita consonância com os requisitos estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000, de modo que esses pagamentos não podem sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 7q, inciso XI, da Constituição Federal, e do art. 28, § 99, alínea ”j”, da Lei n° 8.212/91. Em primeiro lugar, tenhase presente que foi firmado acordo entre a IMPUGNANTE e seus empregados (Sindicatos), conforme se verifica do "Acordo Coletivo Específico Relativo ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados da CEMIG” (doc. 11). Sendo assim, resta claro que a IMPUGNANTE, a priori, já cumpriu com um dos requisitos estabelecidos pela Lei n5 10.101/2000. Com efeito, sobre o segundo requisito determinado pela mencionada legislação para a devida configuração de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, as cláusulas quinta e sexta (Cláusula 5° e Cláusula 6°) do anexo acordo coletivo estabelecem: [...] Nesse sentido, diferentemente e inovando com o que estava previsto para o PLR de 2009, o PLR de 2010 trouxe indicadores e metas próprias, distintas das definidas no Planejamento Estratégico Empresarial ("Visão e Ação ”). Entretanto, importante ressaltar que, conjuntamente com as novas metas e indicadores trazidos pelo PLR de 2010, o preâmbulo do Acordo Coletivo Específico Relativo ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados da CEMIG biênio 2009/2010, trazia em destaque na preliminar "considerando: (...) as metas constantes do orçamento anual definidas pelo Planejamento Estratégico Empresarial (...)”. Dessa maneira, a IMPUGNANTE destaca que, assim como anteriormente ocorrido em 2009, foram enviados pela Superintendência de Planejamento Corporativo e Participação (PP), através de instrumento próprio denominado "Visão e Ação”, mensalmente, (doc. 12), informações envolvendo as diretrizes para o ano de 2010, bem como havia a devida disponibilizações desses dados na INTRANET. Fl. 4694DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.695 24 Precisamente sobre os novos indicadores trazidos pelo PLR de 2010, resta claro do acordo firmado entre a IMPUGNANTE e os Sindicatos que, para o pagamento dos valores a título de PLR, deveriam ser verificados, analisados e medidos os indicadores acerca (i) da taxa de acidentes (TFTp) dos empregados; (ii) das despesas com os materiais e serviços (MSO) pelos funcionários dia adia manuseados; bem como os indicadores (iü) da qualidade do serviço público de energia elétrica traduzidos pela continuidade DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora). Sobre a devida medição do indicador envolvendo a Taxa de Frequência de Acidentados, a IMPUGNANTE junta o anexo resultado dessa avaliação Relatório Anual de 2010, (doc. 13), através do qual há a clara indicação dos dados do referido indicador utilizado na apuração do pagamento do PLR de 2010. A IMPUGNANTE não só comprova através do referido relatório que houve a apuração e medição da taxa de frequência de acidentados (indicador constante do PLR 2010), bem como demonstra (doc. 14) que durante todo o ano de 2010 foram realizadas diversas reuniões presenciais e por videoconferência, através das quais as áreas de Gerências da IMPUGNANTE levaram aos empregados o conhecimento e cumprimento desse indicador. Citese, por exemplo, o Informativo da Videoconferência SD/SJ de 03.11.2010, na qual foram expostos aos empregados os resultados dos indicadores referentes a outubro/2010 (Cnf Doc. 14): "O indicador TFA se encontra fora da meta em decorrência de 2 acidentes em contratados, conforme abaixo relacionado: 28/08/2010 O eletricista escalou a escada manual amarrada ao poste, posicionou abaixo do mensageiro para testar e aterrar as ferragens, ao movimentar o corpo para passar o talabarte houve torção na escada e ele escorregou do degrau e desceu deslizando pela escada até o solo, sem que o trava quedas funcionasse. Afastamento de 30 dias. 28/09/2010 Durante tarefa de substituição de pararaios, a equipe de manutenção retirou o conjunto de fixação ao suporte L para desmontagem no solo, porque o parafuso estava emperrado. O eletricista segurou o suporte e o encarregado tentou remover a porca utilizando chave inglesa, momento em que ela soltouse e sua mão atingiu a porcelana quebrada, cortando a luva de vaqueta e seu dedo polegar direito Afastamento 60 dias. Sobre o indicador MSO (despesas com materiais, serviços e outros), a IMPUGNANTE comprova através da anexa tela extraída de seu SAP (Sistema de Gestão Empresarial), (doc. 15), que houve a devida medição e comparação do resultado das despesas e gastos envolvendo a utilização de materiais e serviços entre os anos de 2009 e 2010, conferição necessária e fundamental para se chegar ao pagamento de PLR de 2010, conforme acordo coletivo firmado. Ou seja, os empregados da IMPUGNANTE, através do comprometimento e de em esforço que transcendeu ao comum e Fl. 4695DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.696 25 habitual de suas funções salariais, atingiram a meta e o indicador de economia de materiais e serviços, fazendo por merecer que esse indicador (MSO) fosse positivamente alcançado no cálculo do PLR de 2010. Por fim, sobre os indicadores DEC e FEC, também expressamente previstos no acordo envolvendo o PLR de 2010, a IMPUGNANTE ressalta que os seus empregados conseguiram atingir e manter no decorrer do ano de 2010 a continuidade e padrão de excelência dos serviços da IMPUGNANTE na qualidade da prestação do serviço público de energia elétrica. Isso porque, esses indicadores são apurados pela IMPUGNANTE e enviados periodicamente à ANEEL para verificação da continuidade do serviço prestado, representando, respectivamente, o tempo e o número de vezes que uma unidade consumidora ficou sem energia elétrica para o período considerado (mês, trimestre ou ano), o que permite a Agência avaliar a continuidade da energia oferecida à população. Assim, com base nessas informações prestadas pela IMPUGNANTE, a ANEEL disponibiliza em seu SITE da internet os valores realizados de DEC e FEC da totalidade das empresas prestadoras de serviços de energia elétrica, como a IMPUGNANTE (doc. 16). Nesses termos, a IMPUGNANTE acosta à presente defesa os indicadores de continuidade por conjunto (DEC e FEC) extraídos na página da ANEEL e que comprovam que no ano de 2010 houve a devida apuração e ciência do resultado desses indicadores indispensáveis para o cálculo dos valores pagos a título de PLR. Ademais, para comprovar de uma vez por todas que houve a correta e devida medição e obtenção por parte da IMPUGNANTE dos resultados da aferição dos indicadores constantes do PLR de 2010, a IMPUGNANTE anexa (doc. 17) seu "Relatório Anual e de Sustentabilidade 2010”, documento independentemente auditado, de caráter notório, circulante entre órgãos públicos, Comissão de Valores Mobiliários CVM, Governos de todas as esferas (Municipal, Estadual e Federal), funcionários e investidores, através do qual, além dos dados financeiros de seu Resultado ("Dimensão Econômica"), há claramente os valores expressos dos resultados de DEC e FEC; taxas de acidentes e premiação na qualidade dos materiais e serviços utilizados. Sendo assim, descabida e fragilizada a alegação da Fiscalização acerca da ausência de conhecimento dos empregados e da medição e obtenção por parte da IMPUGNANTE dos indicadores utilizados no pagamento do PLR de 2010. Ainda, a ferramenta "GROE", Grau de Orientação e Estratégia, assim como ocorreu em 2009, também trouxe para 2010, meses de agosto e outubro, o resultado de uma vasta e ampla pesquisa realizada pela IMPUGNANTE (VOXPOPULI) junto aos seus empregados que comprovou a existência e a ciência de metas, indicadores, e do planejamento/gestão da estratégia da IMPUGNANTE (doc. 18). Fl. 4696DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.697 26 Em continuidade a demonstração da real existência da análise e medição dos indicadores do PLR de 2010, a IMPUGNANTE destaca que apurou e apresentou aos seus funcionários durante o ano de 2010 um "Road Show" contendo as informações e dados necessários sobre esses indicadores (DEC; FEC, TFA, entre outros) (doc. 19). Por fim, conforme se verifica da leitura da cláusula terceira (Cláusula 3a) do acordo coletivo envolvendo o PLR de 2010, a base de cálculo do valor distribuído corresponderia a percentual do Resultado da Atividade, obedecendo a determinada fórmula de cálculo, composta pelos indicadores mencionados (CLÁUSULA 5a), ou seja, claro e factível para real ciência dos empregados que o pagamento do PLR de 2010 tinha o próprio resultado do ano, base de cálculo essa consagrada e prevista na Lei n° 10.101/2000. Pelo exposto, tendo em vista que o pagamento feito pela IMPUGNANTE a título de PLR de 2010 foi realizado com base em (i) negociação entre a empresa e seus empregados (Acordo Coletivo firmado entre a IMPUGNANTE e Sindicatos); (ii) houve a clara fixação de metas e indicadores com mecanismos de divulgação e informações pertinentes ao cumprimento do acordado, bem como que (iii) a base de cálculo e critérios do pagamento considerou o resultado da empresa e percentual préestabelecido, evidente que a IMPUGNANTE cumpriu os requisitos de pagamento de PLR estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000. DA OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DA LEI N° 10.101/2000 PARCELA ADICIONAL DO PLR 2010 Ademais, não merece prosperar a alegação da i. Fiscalização de que no PLR de 2010 a IMPUGNANTE, contrariando supostas regras do PLR, aditou o instrumento de negociação coletiva na última quinzena de 2010, distribuindo parcela adicional não prevista nas regras inicialmente acordadas. Isso porque, como já visto no tópico anterior, mesmo que tal aditamento (doc. 20), envolvendo o PLR de 2010 tenha sido assinado entre a IMPUGNANTE e os Sindicatos apenas no final do exercício, no presente caso em 16.12.2010, tal fato, com base em jurisprudência já consolidada (acima transcrita), não desnatura o pagamento de PLR, eis que a Lei n° 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos, não podendo a Fiscalização instituir novos requisitos não previstos na legislação. Com efeito, apenas para fins de argumentação, caso a Fiscalização realmente tivesse êxito no questionamento da parcela adicional paga no âmbito do acordo aditivo do PLR de 2010, eis que firmada apenas em 16.12.2010, evidente que a descaracterização do PLR (com a consequente incidência de contribuição previdenciária) deveria incidir apenas para essa parcela adicional aditada (Parcela D) e não para todo PLR de 2010. Por fim, a própria Fiscalização reconhece a boafé e a reputação ilibada da IMPUGNANTE nas práticas e consecução de suas obrigações. Citese o item 18.38. do relatório fiscal: ”A fiscalização não tem dúvidas de que a CEMIG tenha implementado as melhores metodologias de planejamento e gestão, afinal, é uma das maiores Fl. 4697DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.698 27 empresas do Brasil, com merecida reputação de excelência em sua área de atuação. " Nesses termos, tendo em vista que as metas, indicadores e a forma de distribuição utilizada pela IMPUGNANTE no pagamento do PLR de 2010 foram, conforme acima demonstrado, claras e de acordo com o previsto na Lei n° 10.101/2000, concluise que os valores relativos à PLR de 2010 também não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias haja vista que a aferição de tais valores, bem como a distribuição dos mesmos, foi precedida de prévio acordo coletivo celebrado entre a IMPUGNANTE e seus empregados, o qual encontrase em consonância com a legislação que rege a matéria. PEDIDO Ante todo o exposto, pelas razões de fato e de direito apresentadas pela IMPUGNANTE, requerse sejam canceladas as exigências de contribuições previdenciárias constantes do auto de infração n° 510523889, determinandose o cancelamento dessas exigências fiscais e o conseqüente arquivamento do processo administrativo n° 15504725.722/201481 instaurado. Protesta a IMPUGNANTE pela apresentação posterior de novos documentos, provas, alegações para a perfeita elucidação dos fatos, bem como por perícia, vistoria e quaisquer outras provas necessárias ao mais amplo esclarecimento do presente processo administrativo. CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A (FL. 24642473) DA INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA O instituto da solidariedade encontrase consagrado no Código Civil, segundo o qual "há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda" (art. 264), acrescentando, em matéria de solidariedade passiva, o art. 275 do mesmo diploma que "o credor tem direito de exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; (...)". Na doutrina civilística, Antunes Varela ensina que "a obrigação com vários devedores dizse solidária, quando o credor pode exigir de qualquer deles a prestação por inteiro e a prestação efetuada por um dos devedores as libera a todos perante o credor" e que "o principal efeito da solidariedade passiva consiste no direito reconhecido ao credor de exigir de qualquer dos devedores o cumprimento integral da prestação"*. Características essenciais da solidariedade são, pois, a unicidade da obrigação, a pluralidade de devedores e o caráter paritário da situação jurídica em que estes se encontram perante o credor decorrente do fundamento único das obrigações em causa. [Cita legislação] Da unicidade do fundamento da obrigação (a ocorrência de um mesmo fato gerador) e da posição paritária que em face desse Fl. 4698DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.699 28 fundamento ocupam os sujeitos passivos, concluise que a figura da solidariedade passiva só pode existir entre contribuintes, isto é, entre sujeitos que tenham relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, relação esta que se caracteriza no conceito amplo de "interesse comum" (art. 124, I) ou reveste uma outra forma peculiar, caso em que será designado, em termos didáticos ou declaratórios por lei (art. 124, II). Ao contrário do que afirmou a fiscalização, as IMPUGNANTES não são devedoras solidárias das obrigações da CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A., porque não são também contribuintes das obrigações tributárias da CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A., afastando a aplicação do inciso I do art. 124 do CTN. Com efeito, o inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional referese aos co devedores de uma mesma obrigação tributária, isto é, os sujeitos que tenham relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, relação esta que caracteriza o "interesse comum". Os sujeitos envolvidos na relação de solidariedade passiva são apenas os que podem qualificarse como contribuintes, como, por exemplo, no caso dos condomínios de um imóvel em relação ao IPTU. No presente caso, o único contribuinte das supostas obrigações tributárias é a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A., que foi quem efetuou os pagamentos de seus funcionários e/ou obteve lucros/resultados (PLR) potencialmente sujeitos às contribuições previdenciárias. 17. Que os sujeitos envolvidos na relação de solidariedade passiva tributária são apenas os que podem qualificarse como contribuintes, não se admitindo logicamente a solidariedade entre contribuinte e terceiros, já foi confirmado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a que se dá relevo especial, tendo em vista a profundidade doutrinária dos seus fundamentos. [Cita jurisprudência administrativa e judicial] Ou seja, não faz o mínimo sentido as IMPUGNANTES estarem, como contribuintes (responsáveis principais) se defendendo no mérito de supostas cobranças previdenciárias e, ao mesmo tempo, estarem respondendo de forma solidária pelas supostas exigências de créditos previdenciários de terceiro (CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A.) nos exatos mesmos períodos (fatos geradores 01/2009 a 03/2011). Nesses termos, caso entendesse (o que não é o caso) que a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A. e as IMPUGNANTES tinham obrigações decorrentes de um mesmo fato gerador (sendo ambas contribuintes), a Fiscalização deveria ter lavrado apenas um auto de infração objetivando a cobrança de contribuições previdenciárias envolvendo esses fatos geradores. Não poderia, como fez, ter lavrado diversos autos de infração, e ter identificado para os mesmos fatos geradores (01/2009 a 03/2011) responsáveis Fl. 4699DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.700 29 principais diferentes e arrolados por suposta sujeição passiva solidária esses mesmos contribuintes que outrora figuram como principais contribuintes responsáveis na cobrança. Nesses termos, a própria Fiscalização concluiu que, para os mesmos fatos geradores, houve a necessidade de indicar devedores principais distintos, eis que não há no presente caso duas ou mais empresas que participem conjuntamente no mesmo fato gerador. E dessas considerações resulta que as IMPUGNANTES não são devedoras solidárias das supostas obrigações tributárias da CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A. PROPOSTA DE DILIGÊNCIA PRIMEIRA DILIGÊNCIA O Despacho n° 268 da 3° Turma da DRJ/CGE (41664168), exarado em 02/09/2015, propôs a diligência para elaborar informação fiscal acerca dos aspectos quantitativos contestados devido à ocorrência de fatos modificativos relacionados em documento anexo (fl. 36343685). Os sujeitos passivos foram intimados e apresentaram manifestação complementar (fl. 42994331) em que reiteram as alegações das impugnações anteriores com pedido para esclarecimento da questão suscitada na proposta de diligência. PROPOSTA DE NOVA DILIGÊNCIA Em 22/02/2016 foi proferida Informação Fiscal (41724191) pela autoridade lançadora, que por falta de destaque na proposta de diligência, não se manifestou sobre o objeto específico da diligência fiscal, avaliar se os documentos apresentados na impugnação (fl. 36343685) são pagamentos relativos aos PLR's de 2007 e 2008 e que não estariam incluídos na base de cálculo apurados no PLR de 2009. Assim foi proposta a realização de diligência para as seguintes providências: Analisar se os documentos apresentados na impugnação (fl. 3634 3685) são pagamentos relativos aos PLR's de 2007 e 2008. e que não estariam incluídos na base de cálculo apurados no PLR de 2009. embasados na documentação fiscal do sujeito passivo e elaborar informação fiscal acerca dos aspectos quantitativos contestados devido aos fatos tributários modificativos; Cientificação do sujeito passivo com reabertura de prazo de trinta (30) dias para manifestação do sujeito passivo sobre o conteúdo da informação fiscal, como complementação da impugnação. INFORMAÇÃO FISCAL Em resposta datada de 26/10/2016, a autoridade lançadora proferiu a informação fiscal (fl. 44384440), em que apresenta argumentos sobre os pontos solicitados: Fl. 4700DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.701 30 3. Na impossibilidade de associar inequivocamente os lançamentos encontrados na contabilidade com as diversas parcelas do PLR de cada exercício, haja vista os históricos contábeis genéricos, sem qualquer menção ao exercício 2008 e a não apresentação de documentos solicitados, a fiscalização considerou como base todos os lançamentos encontrados na contabilidade do período fiscalizado, apurados na forma descrita anteriormente, considerados até a competência março de 2011, quando ocorreu o pagamento da parcela final do PLR 2010. [...] Em sede de defesa, a CEMIG apresentou vários extratos contendo nomes e valores (folhas 3634 a 3685) sendo que "notas explicativas” vinculavam tais valores ao pagamento de parcelas do PLRs 2007 e 2008, correspondendo a diferenças residuais motivadas por reajustes retroativos de salários e acertos de rescisões de contratos de trabalho ocorridas antes do pagamento dos PLRs pagas através rescisão complementar, sendo ainda que a parcela mais significativa (R$ 20.139.707,99), paga em março de 2009 corresponderia ao pagamento do PLR 2008 efetuado aos funcionários ativos. Para verificar as informações apresentadas em sede de impugnação, a fiscalização emitiu Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (em anexo), devidamente cientificado ao contribuinte em 07/06/2016 nos seguintes termos: [Rol de documentos] 6. No entanto, repetindo a mesma postura observada durante a ação fiscal, vencido o prazo, a CEMIG não apresentou nenhum dos documentos e demonstrativos solicitados, obrigando a fiscalização a fazer uma reunião com a equipe de RH e emitir um novo termo, dessa vez um Termo de Constatação e Intimação (em anexo) onde ressaltava que mais de 60 dias tinham se passado sem que os documentos tivessem sido apresentados e estabelecendo um novo prazo com mais 30 dias para a apresentação dos documentos, sendo que dessa vez a CEMIG atendeu à solicitação. [...] Considerando que os PLRs de 2009 e 2010 adotavam a sistemática de pagar uma parcela de adiantamento no exercício ao qual se referiam e uma segunda parcela de acerto final no exercício seguinte, não há por que colocar em dúvida as alegações do contribuinte de que as parcelas que foram pagas a título de PLR no período de 01/2009 a 10/2009 correspondiam a pagamentos de acertos e resíduos de PLRs anteriores, haja vista que os demonstrativos apresentados batem com os valores exatos do crédito apurado e as GFIPs do período confirmam as listagens apresentadas pela CEMIG. Nesse contexto, confirmo que os seguintes valores lançados de 01/2009 a 10/2009 no Levantamento ”I” <2G09_ANEX_LEV_I) não têm relação com o PLR 2009 e sim com o PLR 2008: Fl. 4701DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.702 31 No entanto, ressaltamos que o PLR 2008 da CEMIG foi objeto de outra ação fiscal pregressa realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06.10100.2011.00635 e que considerou que tais pagamentos também foram efetuados em desacordo como a legislação previdenciária, constituindo os créditos correspondentes através dos lançamentos constantes dos Autos de Infração integrantes dos processos COMPROTn° 15504724.901/201158, porém, o lançamento pregresso não alcançou a parcela final paga em 2009. IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR Os sujeitos passivos tiveram ciência da informação fiscal da diligência realizada e apresentaram impugnação complementar (fl. 44574462), na data de 20/12/2016, nos seguintes termos: Por fim, a i. Auditoria confirmou que os valores lançados de 01/2009 a 10/2009 no Levantamento I (2009 ANEX LEVI) constantes da autuação fiscal não tem relação com o PLR de 2009 e sim com o PLR de 2008, bem com que o PLR de 2008 já fora objeto de outra ação fiscal por parte da Receita Federal através do MPF n° 06.10100.2011.00635 (PA 15504 724.901/201158). Nesses termos, tendo em vista que a própria i. Auditoria da Receita Federal do Brasil confirmou que os valores lançados de 01/2009 a 10/2009 não tem relação com o PLR de 2009, necessário se faz que tais montante sejam excluídos da presente autuação. Isto porque, tais valores, pagos entre as competências de 01/2009 a 10/2009, não se referem ao PLR de 2009, mas sim ao PLR de 2008 em razão de rescisão complementar de empregados que foram desligados antes do pagamento total do PLR 2008. Pelo exposto, em razão do PLR de 2008 não ser objeto da presente fiscalização, necessário que tais valores sejam excluídos da base de cálculo de suposta incidência de contribuição previdenciária envolvendo o PLR de 2009, como acertadamente concluiu a i. Fiscalização da Receita. IV DO PEDIDO: Ante todo o exposto, nos termos da conclusão extraída do resultado da diligência fiscal em referência, as IMPUGNANTES requerem sejam canceladas as exigências de contribuições previdenciárias constantes do auto de infração 510523862 que abrangem os valores lançados de 01/2009 a 10/2009 no Levantamento ”I” (2009 ANEXLEVI) aos quais não tem relação com o PLR de 2009 e sim com o PLR de 2008, bem como, com base nas demais razões de fato e de direito apresentadas pelas IMPUGNANTES em suas impugnações administrativas, requerse que seja cancelada a totalidade da exigência de contribuições previdenciárias constantes do aludido auto de infração, com o consequente arquivamento do processo administrativo nº 15504725.523/201472. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte (fls.4489/4530), nos termos da seguinte ementa: Fl. 4702DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.703 32 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador visto que houve antecipação de pagamento parcial. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO NÃO COMPROVADA Somente são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou as pessoas expressamente designadas por lei. O interesse comum é identificado quando há participação dos sujeitos da relação jurídica na ocorrência do fato gerador da obrigação. As hipóteses fáticas configuradoras da formação de grupo econômico, deve ser claramente comprovada pela autoridade fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A parcela paga aos empregados, a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação, integra o salário de contribuição, para efeito de cálculo das contribuições previdenciárias. AVISO PRÉVIO INDENIZADO O aviso prévio indenizado não se encontra no rol de verbas isentas, integrando, pois, a base de cálculo de incidência das contribuições sociais. DILAÇÃO PROBATÓRIA Pelo princípio da concentração das provas na contestação, que informa o processo administrativo fiscal, devem elas ser apresentadas com a impugnação, salvo quando fique demonstrada a ocorrência de motivo de força maior; decorram de fato ou direito superveniente, ou, ainda, destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 4703DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.704 33 O Auto de Infração é válido e eficaz visto que foi lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Em face do valor do crédito tributário exonerado foi interposto Recurso de ofício. Cientificadas do acórdão em 09/03/2017 (contribuinte e responsáveis solidárias) apenas a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4549/4582), tempestivamente, em 10/04/2017, reiterando os mesmos argumentos já apresentados por ocasião do protocolo da peça impugnatória. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Recurso de Ofício Admissibilidade O recurso de ofício deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), novo valor de alçada estabelecido pela Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017. Decadência A declaração de decadência das contribuições contidas no Levantamento PLR, referentes às competências 01/2009 a 07/2009, com exoneração de valor principal em valor superior ao limite de alçada implicou no presente recurso de ofício. Deve ser mantida a decisão da DRJ, pois em nenhum momento a autoridade lançadora apontou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; e para estas competências constam recolhimentos de contribuições; de tal forma que é aplicável a regra do § 4° do art. 150 do CTN. A contribuinte foi autuada em 14/08/2014, data em que já havia transcorrido mais de cinco anos desde as citadas competências e, consequentemente, quando já havia decaído o direito de lançamento suplementar das contribuições. Destarte, nego provimento ao recurso de ofício no tocante à decadência. Caracterização de Grupo Econômico Em relação ao grupo econômico, por concordância de entendimento, utilizo como razão de decidir o voto vencedor do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, exarado nos Fl. 4704DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.705 34 autos do processo n. 15504.725513/201437 (acórdão n. 2402005.2614ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): Coubeme tratar neste voto tão somente da responsabilidade solidária atribuída às empresas CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A (CNPJ n° 06.981.176/000158) e COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG (CNPJ n° 17.155.730/000163), as quais, juntamente com a autuada, são componentes de grupo econômico. Inicialmente cabe destacar que a existência de grupo econômico formado pela autuada e pelas citadas empresas é fato incontroverso, posto que mencionado no relatório fiscal, não tendo havido questionamento quanto a esse ponto nem na defesa, tampouco no recurso. A fundamentação adotada no excelente voto do I. Conselheiro João Aldinucci foi no sentido de que o fisco teria adotado o inciso I do CTN para vincular as empresas pelo laço da solidariedade, sem que, no entanto, tivesse comprovado a existência de interesse comum daquelas na formação do fato gerador. Ouso discordar do Relator, posto que apreciando relato do fisco verifico que expressamente há a referência ao inciso IX do art. 30 da Lei n.° 8.212/1991, bem como, ao art. 222 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999. Estes dois dispositivos, como se pode ver do voto, tratam exatamente da responsabilidade solidária para as empresas integrantes de grupo econômico, seja de fato ou de direito. Para a mim a menção da autoridade lançadora ao inciso I do art. 124 do CTN está descontextualizada, posto que a solidariedade prevista neste dispositivo pressupõe interesse comum e este de fato não foi mencionado no relatório. Imagino que tenha constado por equívoco no relato fiscal, mas essa circunstância para mim não é suficiente para desfazer o laço de solidariedade imputado, uma vez que a autoridade mencionou a existência do grupo econômico e citou fundamentos da lei previdenciária que atribuem responsabilidade solidária neste caso. Por outro lado, vale frisar, que o autuado se defende dos fatos, pelo que a falta de indicação de dispositivo legal ou mesmo sua indicação errônea não invalida a autuação, se, de todo o conjunto probatório, se extrai a imputação. É de se ressaltar ainda que não houve qualquer prejuízo às empresas incluídas na sujeição passiva por solidariedade, posto que foram regularmente intimadas a se defenderem. É princípio consagrado no direito administrativo aquele traduzido no brocardo francês "pas de nullité sans grief', que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não havendo, Fl. 4705DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.706 35 no caso, de se afastar a imputação da solidariedade se não é identificado qualquer prejuízo às partes. Nesse sentido, encaminho pela manutenção no pólo passivo das empresas CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A e COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG. Assim sendo, dou provimento ao recurso de ofício no tocante à manutenção do grupo econômico no pólo passivo, mantendo a responsabilização solidária nos termos empreendidos pela autoridade lançadora. Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Aviso prévio indenizado valores transitados em folhas de pagamentos superiores às remunerações declaradas em GFIP Muito bem pontuou a recorrente ao asseverar que a fiscalização sustentou que os valores apurados na folha de pagamentos, verificados por meio de arquivos fornecidos pela própria recorrente, são superiores aos declarados em GFIP, o que motivou a alegação de que essas diferenças teriam origem em omissões na composição da base de cálculo de contribuições previdenciárias exigidas. De acordo com o relatório fiscal, a análise das diferenças encontradas apontou para a omissão de algumas rubricas, especificamente as relativas ao aviso prévio. A análise apontou, ainda, para a existência de valores recolhidos a maior pela recorrente, mas que não seriam suficientes para cobrir inteiramente os valores omitidos, o que manteve a necessidade da exigência. Intimada a apresentar informações sobre a discrepância desses valores, a recorrente trouxe aos autos em mais de uma oportunidade uma série de documentos relacionados à sua folha de pagamentos, em arquivos digitais, nos formatos MANAD e posteriormente em PDF, os quais, após análise, levaram a fiscalização a concluir que as diferenças teriam origem nos seguintes motivos: "A análise das diferenças encontradas apontava para a omissão de algumas rubricas com incidência de contribuições previdenciárias nas bases declaradas. Em especial, as rubricas com o aviso prévio, ainda que outras rubricas também sinalizassem divergência, porém, em uma quantidade menor de ocorrências. (...) recolhimentos; De fevereiro a junho, a empresa nem declarou e nem recolheu os valores correspondentes ao aviso prévio indenizado; Nos meses restantes não houve como chegar a conclusões exatas tomando como base os controles apresentados, possivelmente os recolhimentos ocorreram de forma parcial." Fl. 4706DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.707 36 Sendo assim, considerando que as divergências constatadas teriam origem na omissão de valores pagos a título de aviso prévio indenizado aos empregados da recorrente, o fiscal, com base no artigo 28, I, da Lei n.° 8.212/91, lavrou o presente auto de infração para exigir as contribuições previdenciárias cabíveis sobre as diferenças apuradas. Não obstante a legislação de regência (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1°, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, ”se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta A verdade é que o tema já foi objeto de julgamento no STJ em sede de recurso repetitivo no REsp. n° 1.230.957/RS, no qual se concluiu pela não incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de aviso prévio indenizado. Entendeuse que os valores não se referiam a contraprestação pelo trabalho, e sim que eram pagos a título de indenização ao empregado que não recebeu o aviso prévio. Eis a ementa da decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O A UXÍLIODOENÇA. (...) 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. Fl. 4707DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.708 37 A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1°, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, ”se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba” (REsp 1.221.665/PR, 1a Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2a Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1°.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2a Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1a Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2a Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. (...) Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) O REsp n° 1230957/RS está suspenso por Recurso Extraordinário com repercussão geral (Tema 163 265), mas o aviso prévio indenizado, por não ter caráter remuneratório, não é salário de contribuição. Dessarte, merece provimento o voluntário no tocante ao aviso prévio indenizado. Pagamentos efetuados a contribuintes individuais não declarados em GFIP (período 01/2010 a 13/2010) Fl. 4708DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.709 38 A auditoria fiscal apurou pagamentos a contribuintes individuais que não foram declarados em GFIP. A recorrente, por sua vez, sustenta que as incongruências verificadas no demonstrativo elaborado pela fiscalização não têm origem na ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas que foram corretamente pagas , mas nas seguintes situações: (i) os valores declarados em DIRF relativos à retenção na remuneração dos contribuintes individuais não respeita o mesmo regime contábil que os declarados em GF1P, sendo o pagamento das contribuições previdenciárias realizado no mês da respectiva contratação (regime de competência) e a retenção do IR apenas no mês do efetivo pagamento do prestador (regime de caixa), o que gerou a não coincidência dos valores mencionados; e (ii) parte dos lançamentos identificados na DIRF analisada, apesar de terem sido enquadrados pela IMPUGNANTE no código ”0588” (Trabalho Sem Vínculo Empregatício), referemse, em verdade, a pagamentos de outra natureza, especialmente de alugueis de imóveis de pessoas físicas, não estando, portanto, sujeitos às contribuições previdenciárias exigidas. Os pagamentos comprovados relacionados aos "contratos de arrendamentos" foram acatados pela DRJ, pois caracterizam e provam fatos econômicos sobre os quais não incidem contribuições previdenciárias. Todavia, em relação aos pagamentos remanescentes, não se desincumbiu o recorrente do ônus de provar que não se relacionavam a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos em que apurado pela autoridade lançadora. Destarte, diante da ausência de força probante suficiente para infirmar o lançamento em relação aos contribuintes individuais, mantenho a decisão de piso pelos seus próprios e doutos fundamentos. Da Participação nos Lucros e Resultados Considerando a matéria sob julgamento, temos a observar, preliminarmente, que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é um direito social de matriz constitucional, e regulada no plano infraconstitucional pela Lei n° 10.101/2000, como segue: Constituição Federal 1988 Art. 7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) (grifos nossos) Lei n° 10.101/2000 (Texto vigente à época do Período de Apuração) Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 4709DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.710 39 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1 oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dostrabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) (grifos nossos) Embora a CF/88 assegure o direito dos empregados à participação nos lucros ou resultados das empresas, tal comando é de eficácia limitada, ou seja, depende de lei ordinária federal para sua aplicação plena. O legislador constituinte, ao estabelecer aquele direito social, desvinculado da remuneração, remeteu à lei ordinária o poder de disciplinar o acesso dos empregados àquele direito, definindo o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício para fins tributários, seja quanto à incidência do imposto de renda, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Assim, somente com a superveniência da Medida Provisória n° 794/1994, sucessivamente reeditada e com numeração variada até a MP 1.98277, de 23 de novembro de 2000, convertida na Lei n° 10.101/2000, é que foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito dos trabalhadores àquela participação, desvinculada da remuneração. A Lei n° 10.101/2000, deixa explícito que a PLR tem como um dos seus objetivos incentivar a produtividade, e o § 1° do artigo 2° determina que as regras para o pagamento da PLR devem constar do documento que fixa os termos da negociação. Ora, a Fl. 4710DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.711 40 concessão da PLR sem a exigência de meta a ser atingida não cumpre o objetivo de incentivar a produtividade. Do instrumento de negociação firmado entre as partes devem constar regras claras e objetivas das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para que ocorra o pagamento ou crédito da parcela correspondente à participação nos lucros ou resultados (direito substantivo), conforme disposto no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000. Nesse contexto, logicamente, os trabalhadores precisam saber previamente dos critérios e condições acordados com a empresa, constantes daquele instrumento de negociação, tais como metas, resultados, índices de produtividade ou lucratividade, dentre outros, de forma que possam, de forma periódica, acompanhar e avaliar a evolução dos indicadores vinculados ao pagamento da PLR. Desta forma, na hipótese de haver outro documento detalhando as regras, ele fará parte integrante do primeiro instrumento e, da mesma forma que este, aquele também deve ser celebrado antes do início do cumprimento das condições para a PLR. Do exame dos dispositivos contidos na Lei n° 10.101/2000, temos que, afora os parâmetros nela estabelecidos, não constam regras detalhadas sobre as características dos acordos a serem celebrados, de forma que os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do art. 2°, tem liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As disposições contidas na Lei n° 10.101/2000, nos permitem inferir, portanto, que o objeto do acordo não pode se limitar à simples concessão da parcela atinente à PLR, independentemente de fixação dos objetivos a serem alcançados. Os exemplos reportados na Lei em comento indicam que algum lucro ou resultado deve ser perseguido, de forma que a natureza jurídica específica de tal verba seja preservada. Assim, o pagamento da PLR não se constitui em mera gratificação legalmente prevista, mas em verdadeiro mecanismo de integração entre o capital e o trabalho, pois, atingidas as metas estabelecidas no acordo ou convenção coletiva, tanto os trabalhadores como os empregadores sairão beneficiados. Com as considerações acima, passase à análise da matéria sob o enfoque da legislação previdenciária, notadamente quanto à integração ou não da referida verba no conceito de salário de contribuição para fins de determinação da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse contexto, a Lei n° 8.212/1991, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, assim trata do conceito de salário de contribuição bem como das hipóteses de nãoincidência tributária, conforme segue: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 4711DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.712 41 § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (grifos nossos). Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9°Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (...) (grifos nossos) Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho CCT são instrumentos de negociação e previsão de direitos reconhecidos pela Constituição Federal, mas nunca podem alterar a disciplina que a lei, previamente, traz em relação a um determinado instituto. O conhecimento da lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a participação, não tributável, nos lucros e/ou resultados da empresa (PLR), devem estabelecer condições que se afinem aos postulados da norma regulamentadora, no caso, a Lei n° 10.101/2000. O AuditorFiscal autuante em momento algum desconsiderou o Acordo Coletivo apresentado pela impugnante, apenas constatou que os mesmos não se coadunam com os preceitos estabelecidos pela Lei 10.101/2000 para excluir da tributação previdenciária as verbas distribuídas a título de PLR aos empregados. A Lei n° 10.101/2000 permite a livre negociação entre as partes, desde que com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos (necessidade de o programa estar vinculado ao alcance do lucro ou dos resultados), e quanto às regras adjetivas (possibilidade de se aferir o cumprimento das metas da empresa, como um todo). É, portanto, um acordo prévio quanto aos direitos e quanto às obrigações. O Acórdão CARF n° 240100.545, de 19/08/2009, é nesse sentido: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados é a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a Fl. 4712DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.713 42 trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Com essas considerações, podese perceber que o objetivo do legislador é a integração do trabalhador na empresa, não de forma aleatória, mas efetiva, de modo que uma melhor produtividade, melhor eficiência, ou melhores índices alcançados pelo empreendimento resultem na participação dos empregados no capital social. Para tanto, a Lei 10.101/2000, pressupõe a existência de regras, as quais, efetivamente, devem ser cumpridas pelas partes acordantes. As partes acordantes são os empregados e o empregador, mas sempre com a participação do Sindicato dos trabalhadores, seja através de um representante indicado pela entidade (inciso I do artigo 2° da Lei n° 10.101, de 2000), seja por instrumento de Convenção ou Acordo Coletivo de trabalho (inciso II do referido artigo 2°). Resta, pois, verificar, para a situação apresentada nos autos, se foram perseguidos nos acordos celebrados os ditames estabelecidos pela lei de regência. Aqui, há uma particularidade. A decisão de piso, com base em jurisprudência desse Conselho decidiu que não há óbice quanto ao prazo de formalização do acordo de PLR. Portanto, o aspecto temporal não é matéria controvertida. A controvérsia se limita à própria existência do PLR, uma vez que várias irregularidades foram constatadas, consoante narrado pela autoridade lançadora, que aponta: O instrumento de negociação coletiva, conforme sua data de assinatura, tinha sido firmado em 20/11/2009. [...] 19.10. Significativa também é a cláusula que determina que um grupo de trabalho paritário, formado por representantes da CEMIG e dos empregados deveria até 31/03/2010 identificar o Indicador de Agregação de Valor e negociar a respectiva meta, definir as ausências que impactariam o índice de absenteísmo e estabelecer os mecanismos de aferição que deveriam medir o cumprimento do acordo. 19.11 O próprio parágrafo único da Cláusula 9a do acordo condiciona o pagamento da parcela ”B” do PLR 2010/2011 ao estabelecimento prévio do Indicador de Agregação de Valor e de sua meta, ou seja, ao resultado do que deveria ser estabelecido pelo grupo de trabalho supracitado. Fl. 4713DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.714 43 19.12. Ocorre que a CEMIG não conseguiu chegar a um acordo com os empregados nesta questão, conforme documentado nas cópias das correspondências desta com as entidades sindicais. Apesar do acordo prever que até 31/03/2010, o grupo de trabalho deveria ter concluído suas tarefas, um boletim intitulado "Informador Gerencial de Relações Trabalhistas ", datado de 02/06/2010 informa o fracasso das negociações entre empresa e empregados no ponto em questão: ... . [...] Temos aqui então uma situação onde a CEMIG, diante do não cumprimento das regras previamente estabelecidas, adita o instrumento de negociação coletiva original e acorda novas regras para o pagamento do PLR 2010 aos empregados, isso na última quinzena de 2010. A fiscalização, conforme dito anteriormente, já havia solicitado a apresentação de "planilhas analíticas que demonstrassem o cumprimento dos objetivos traçados e a aferição das metas, globais, setoriais e individuais, com detalhamento dos indicadores para cumprimento das metas estabelecidas, com as respectivas ponderações". Ocorre que a CEMIG não apresentou nenhuma planilha ou outro instrumento de aferição que permitisse a fiscalização verificar os cumprimentos dos requisitos estabelecidos nos seus instrumentos de negociação coletiva e na Lei N° 10.101. Assim, tais instrumentos, se existem, não foram apresentados para o exame da fiscalização. [...] Nesse mesmo termo, a fiscalização solicitou ainda a apresentação da documentação completa para o PLR 2009. Foi solicitado ainda que a empresa discriminasse as verbas que transitaram pela folha de pagamentos a título de PLR, vinculando as mesmas aos PLRs e suas parcelas. Ocorre que a CEMIG, a exemplo do que aconteceu em outros momentos da presente ação fiscal, não apresentou a documentação solicitada ou mesmo esclarecimentos para o exame da fiscalização. Não apresentou nenhuma planilha ou instrumento de controle, medição ou aferição para os PLRs dos exercícios 2009 e 2010, No caso do PLR 2009, nenhuma documentação foi apresentada, além do acordo coletivo original que englobava os biênios 2009/2010 e 2010/2011. 19.37. A CEMIG apresentou ainda para o exame da fiscalização um conjunto de 10 cadernos como documentação "relacionada com o PLR"11. Tais cadernos traziam apresentações relacionadas com a gestão do processo estratégico da CEMIG e iniciativas relacionadas com a gestão de riscos, qualidade, prevenção de acidentes e planejamento estratégico da companhia, descrevendo ainda dezenas de indicadores de desempenho e sua evolução. Ressaltese que tal documentação Fl. 4714DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.715 44 foi entregue apenas no final de julho de 2014, nos últimos dias da ação fiscal, mais de um ano após o TIF n° 001/2013, onde a documentação inicial do PLR foi solicitada e mais de 7 meses após o TIF n°002/2013, em foi que solicitada a complementação da documentação do PLR. Ainda assim, o conteúdo dos documentos entregues foi examinado e levado em conta pela fiscalização, conforme descrito nos próximos itens. 19.38. A fiscalização não tem dúvidas de que a CEMIG tenha implementado as melhores metodologias de planejamento e gestão, afinal, é uma das maiores empresas do Brasil, com merecida reputação de excelência em sua área de atuação. Ocorre que tais cadernos apresentados não estão relacionados com o pagamento de PLR, aliás, não existe qualquer menção a PLR nos mesmos, são documentos utilizados no planejamento estratégico e na relação com os investidores da CEMIG e os indicadores ali detalhados não estão, pelo menos de forma direta, relacionados com aqueles descritos nas cláusulas dos acordos coletivos relacionadas com o pagamento de PLR e usados na apuração quantitativa do mesmo. A fim de evitar decisões conflitantes acerca de um mesmo PLR e, primordialmente, por concordar com os termos da decisão exarada (acórdão n. 2402005.2614ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) nos autos do processo n. 15504.725513/201437, adoto como razão de decidir em relação aos PLR dos anos de 2009 e 2010, o voto condutor do Relator João Victor Ribeiro Aldinucci proferido naquele processo, nos termos abaixo: PLR 2009: formalização e negociação entre a empresa e seus empregados O lançamento ocorreu porque o PLR 2009 teve suas regras estabelecidas apenas em novembro/2009. A recorrente defende a tese de que esse fato não desnatura o plano, eis que a Lei n° 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos. Essa questão é extremamente controvertida neste Conselho, havendo posicionamentos muito bem fundamentados em ambos os sentidos. A não incidência das contribuições sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal (inc. XI do art. 7°). Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente. Vejase: Art. 7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Fl. 4715DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.716 45 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; A participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa não é apenas um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando a incrementar a produtividade (como costumeiramente se diz), mas sobretudo um direito social do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no qual ele está inserido ("DOS DIREITOS SOCIAIS"), não deixam margem para dúvidas. Essa circunstância tem passado despercebida às vezes, mormente porque a lei regulamentadora parece têla deixado em segundo plano, nem mesmo fazendo menção à expressão direitos sociais. Por outro lado, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois atribuiu à lei ("conforme definido em lei" ) a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. No plano infraconstitucional, a regulamentação está na Lei n° 10.101/2000, que "dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências". Em seu art. 2°, a lei prevê que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. Logo, é inquestionável que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Veja se: Art.2 A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (destacouse) Todavia, e diferentemente do que concluiu a autoridade autuante, bem como a própria DRJ, a lei realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização dessa negociação. É compreensível que ela não o tenha feito, pois as normas de experiência comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas, sendo, por vezes, acirradas e conflituosas. No caso concreto, e como demonstrado pela recorrente, o acordo coletivo envolveu dez sindicatos diferentes, o que demonstra a plausibilidade da sua tese. Fl. 4716DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.717 46 A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderes deveres prevista no art. 2° da Lei Maior, tripartição que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República. Uma interpretação mais fiscalista, com criação de exigências não previstas legalmente, apenas tem o condão de dificultar a efetiva concretização do direito social do trabalhador à participação nos lucros ou resultados da empresa, em conflito com as finalidades constitucionais. Muito embora a lei regulamentadora pareça ter deixado em segundo plano a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição outorgou essa participação como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais" (Curso de Direito Constitucional Positivo, 12a ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277, com destaques). Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição outorgou a este o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, é óbvio que o trabalhador não teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. Fl. 4717DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.718 47 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal. (Interpretação e aplicação da constituição '.fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181 182, com destaques) Deve ser abandonado, pois, o rigor interpretativo, para compatibilizar a leitura da Lei n° 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a compreensão mais óbvia da lei infraconstitucional possa sugerir que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e do seu comprometimento. A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, assim, embora possa ser a mais evidente diante da Lei n° 10.101/2000, não é a mais legítima. Cria, também, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação "será objeto de negociação") e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular a concessão da participação nos lucros ou resultados e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Essa interpretação não é apenas teleológica, mas sim criativa, pois insere um requisito formal não constante da norma encimada, e que, para piorar, não está em conformidade com a Constituição. Como se vê, não se está declarando a inconstitucionalidade da Lei n° 10.101/2000, e sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegendose aquela mais adequada ao texto constitucional. Sendo assim, deve ser acatada a tese já esboçada pelo CSRF, no acórdão n° 9202003.370, cuja ementa segue abaixo, com destaques: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7°, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando Fl. 4718DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.719 48 ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9°, alínea j, da Lei n° 8.212/91, bem como MP n° 794/1994 e reedições, c/c Lei n° 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limitas das normas específicas em total afronta à lei (Interpretação e aplicação da constituição '.fundamentos de uma dogmática constitucional transformador . 3. ed. Saraiva, p. 181 182, com destaques) Deve ser abandonado, pois, o rigor interpretativo, para compatibilizar a leitura da Lei n° 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a compreensão mais óbvia da lei infraconstitucional possa sugerir que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e do seu comprometimento. A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, assim, embora possa ser a mais evidente diante da Lei n° 10.101/2000, não é a mais legítima. Cria, também, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação "será objeto de negociação") e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular a concessão da participação nos lucros ou resultados e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Essa interpretação não é apenas teleológica, mas sim criativa, pois insere um requisito formal não constante da norma encimada, e que, para piorar, não está em conformidade com a Constituição. Como se vê, não se está declarando a inconstitucionalidade da Lei n° 10.101/2000, e sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegendose aquela mais adequada ao texto constitucional. Sendo assim, deve ser acatada a tese já esboçada pelo CSRF, no acórdão n° 9202003.370, cuja ementa segue abaixo, com destaques: Fl. 4719DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.720 49 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7°, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9°, alínea j, da Lei n° 8.212/91, bem como MP n° 794/1994 e reedições, c/c Lei n° 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador intérprete da lei, extrapolando os limitas das normas específicas em total afronta à própria imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2a Turma, Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, sessão de 17 de setembro de 2014) (com destaques) Logo, o fato isolado de a formalização ter ocorrido em novembro não desnatura o PLR 2009, devendo ser analisados outros aspectos, conforme adiante se fará. A necessidade de comprovação da negociação entre a empresa e seus empregados, por exemplo, é um requisito imposto pela Lei n° 10.101/2000, que deve ser adequadamente observado. O plano não deve ser imposto pela empresa e deve realmente servir de instrumento de integração entre o capital e o trabalho. A recorrente afirma que, a despeito de a assinatura ter ocorrido em novembro, os seus empregados já vinham recebendo as diretrizes e as metas necessárias através do boletim mensal "Visão e Ação". Muito embora o recebimento das diretrizes e das metas não comprove a existência da negociação, mas sim da eventual divulgação das informações, o fato de o plano ter sido assinado perante dez sindicatos diferentes comprova efetivamente a existência prévia de discussões entre as partes interessadas. Um plano de tal importância e grandeza é sempre precedido de ajustes, como demonstram as regras de experiência comum. Nessa toada, o art. 275 do CPC preleciona que "o juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece". As disposições do Código são Fl. 4720DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.721 50 aplicáveis supletiva e subsidiariamente aos processos administrativos fiscais, como determina o seu art. 15. É necessário, assim, verificar se a recorrente cometeu as demais infringências relatadas no auto e acatadas pela DRJ. 10. PLR 2009 e 2010: Medição e divulgação dos indicadores A DRJ afirma que, com relação aos PLRs 2009 e 2010, não foram apresentados documentos ou planilhas de controle comprobatórios de que os indicadores definidos nas cláusulas dos acordos coletivos foram efetivamente medidos e avaliados periodicamente e que tais medições eram levadas ao conhecimento dos seus empregados para direcionar o seu esforço adicional. A recorrente controverte afirmando que a disseminação das metas e regras era realizada por meio de instrumento próprio ("Visão e Ação"). Diz, igualmente, que todos os seus funcionários possuíam acesso aos relatórios mensais por meio da intranet. Especificamente no tocante ao PLR 2010, a recorrente afirma que os indicadores estabelecidos no acordo (Taxa de Frequência de Acidentados com Afastamento TFTp, despesas com Material, Serviços e Outros MSO, Resultado da Atividade, Número de de Valor) foram regular e efetivamente medidos. Ao contrário do que alega a recorrente, no entanto, ela não comprovou a existência dos mecanismos de aferição das cláusulas do acordo coletivo referente ao PLR 2009. A sua Cláusula 1a estabeleceu que "as metas e indicadores pré estabelecidos para o ano de 2009 são, dentre outros, aqueles definidos pelo Planejamento Estratégico Empresarial, (fls. 4418 e seguintes). Em primeiro lugar, a recorrente não demonstrou quais metas e indicadores teriam sido definidos, o que já prejudica a análise acerca da existência de mecanismos de sua aferição. Em segundo lugar, e de qualquer forma, os relatórios de fls. 4665 e seguintes ("Visão e Ação") não fazem qualquer menção ao PLR. Ficam corroboradas, portanto, as seguintes conclusões da fiscalização (item 19.30 do relatório fiscal), que se transcreve para evitar tautologia: Ocorre que tais cadernos apresentados não estão relacionados com o pagamento de PLR, aliás, não existe qualquer menção a PLR nos mesmos, são documentos utilizados no planejamento estratégico e na relação com os investidores da CEMIG e os indicadores ali detalhados não estão, pelo menos de forma direta, relacionados com aqueles descritos nas cláusulas dos acordos coletivos relacionadas com o pagamento de PLR e usados na apuração quantitativa do mesmo. Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.722 51 No mesmo sentido, os relatórios de fls. 5889 e seguintes. Como se depreende do documento intitulado "Visão e Ação", ele se destina à "disseminação de temas relativos à estratégia a todos os empregados". Além de "auxiliar na comunicação da estratégia [...], permite uma troca de informações e experiências entre os empregados, tornandose um importante meio de comunicação corporativa" (vide fl. 5890). Destarte, é indubitável que tal boletim está relacionado às atividades de planejamento e gestão da estratégia da recorrente, mas não ao PLR, conclusão esta reforçada pelo seguinte trecho do documento de fl. 5898: Neste Visão e Ação OnLine iremos abordar as atividades do planejamento e gestão da estratégia previstas para o ano de 2009. Para que não restem dúvidas, vale traçar a seguinte tabela: VISÃO E AÇÃO Mês/Ano Assunto Janeiro/2010 Leilões de energia elétrica Fevereiro/2010 Comercialização de energia no mercado livre e os clientes corporativos da Cemig Março/2010 Empresas em que a Cemig detém participação Abril/2010 Panorama do movimento mundial de fusões e aquisições do setor elétrico e gás A despeito da vasta documentação juntada pela recorrente, não há como afastar as seguintes conclusões da DRJ (fls. 7039): Destarte, examinada essa documentação, chegase a mesma conclusão da autoridade lançadora, de que esses documentos, com efeito, demonstram o empenho da CEMIG em implementar metodologias de planejamento e gestão, todavia, os indicadores ali constantes não estão relacionados, diretamente, com aqueles descritos nas cláusulas dos acordos coletivos. Como frisado no relatório fiscal (fl. 36), o pagamento do PLR para os biênios 2009/2010 e 2010/2011 estava vinculado ao atingimento de metas preestabelecidas, metas essas que eram resultado da composição de indicadores operacionais, financeiros e funcionais. Temos então uma metodologia complexa estabelecida onde o pagamento das Fl. 4722DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.723 52 parcelas fixas e variáveis definidas para o PLR estava vinculado a parâmetros quantitativos e qualitativos que implicavam necessariamente em medições do desempenho corporativo em suas pontas operacional e financeira e também de parâmetros individuais de desempenho. Em terceiro lugar, a disponibilização de informações específicas do PLR 2009 através da intranet não foi comprovada. Logo, a recorrente não comprovou que divulgava aos seus empregados as informações atinentes ao atingimento das metas e dos indicadores necessários para a obtenção da participação nos lucros ou resultados de 2009. Essas informações são de suma importância para os trabalhadores, que devem ter conhecimento dos direitos substantivos da participação, das suas regras adjetivas e, ao longo do período aquisitivo, do cumprimento ou não das metas e indicadores estabelecidos no programa. A participação requer que os empregados tenham informações claras e objetivas desde a formalização do plano, durante o período de aquisição e até mesmo depois da distribuição dos lucros ou resultados. Essas exigências constantes do § 2° do art. 2° da Lei são plenamente válidas, pois igualmente visam a concretizar os direitos sociais, os quais somente podem ser eficazmente exercidos se cumpridos os deveres de informação e transparência. Diante dessa ilegalidade, a qual é suficiente para se chegar ao resultado do julgamento, pois macula todo o plano de 2009, é prescindível examinar os demais fundamentos recursais. Expressandose de outra forma, e na dicção do inc. IV, do § 1°, do art. 489, do CPC, não é necessário enfrentar os demais argumentos deduzidos no processo, pois incapazes de infirmar a conclusão do julgado. No tocante ao PLR 2010, a conclusão é diversa. através dos documentos de fls. 6384 e seguintes, a recorrente comprovou que aferia as metas e os indicadores estabelecidos no acordo. Como se vê na Cláusula 6a do instrumento (vide fl. 4422), as metas para a participação estavam diretamente vinculadas aos indicadores TFTp, número de conjuntos DEC ou FEC violados, MSO e indicador de resultado individual. O Relatório Anual 2010 (vide fls. 6384 e seguintes) contempla informações precisas acerca dos dados estatísticos dos acidentados com afastamento, dados estes relacionados ao indicador TFTp. A preocupação com esse indicador está igualmente estampada nos documentos que registram as Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.724 53 reuniões presenciais e as videoconferências de fls. 6449 e seguintes. Os indicadores DEC ou FEC estão retratados nos dados estatísticos de fls. 6543 e seguintes, observandose, ainda, que tais dados estão consolidados no próprio site da ANEEL (vide fl. 6542). Já aqueles dados relacionados ao MSO estão comprovados nos documentos de fls. 6541 e seguintes, assim como nos documentos de fls. 5097, extraídos do sistema de gestão da recorrente, o qual dá conta das despesas com material, serviços e outros. Destarte, e ao contrário do que ocorreu no tocante ao PLR 2009, a recorrente fez prova de que media e avaliava os indicadores e as metas estabelecidas no acordo relativo ao ano de 2010, dando conhecimento dessa avaliação aos seus empregados. Nesse sentido, deve ser validado o PLR 2010. 11. PLR 2010: Parcela Adicional Segundo a DRJ, o PLR 2010, contrariando as suas próprias regras, distribuiu parcela adicional não prevista. Já a recorrente afirma que o seu aditamento, em dezembro/2010, com distribuição de parcela adicional não prevista nas regras iniciais, não desnatura o plano, eis que a Lei n° 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos. Como argumentado no tópico 9 desta decisão, ao qual apenas se remete para evitar tautologia, tem razão a recorrente. Nessa toada, temse como inválido o PLR de 2009 e, de acordo com os ditames da Lei n. 10.101/2000, o PLR de 2010, devendo ser declarado válido. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para, no mérito, dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo a sujeição passiva solidária das empresas integrantes do grupo econômico e, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir as parcelas inerentes ao aviso prévio indenizado e a incidência de contribuição previdenciária sobre o Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) do ano de 2010. ( Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 4724DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.725 54 Voto Vencedor Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada Apesar de o voto do relator refletir a lucidez que o caracteriza, ouso dele discordar no que diz respeito ao programa de participação nos lucros e resultados de 2010, que entendo estar em desacordo com a legislação que estabelece benefício fiscal para os pagamentos que tenham essa natureza, qual seja, a Lei nº 10.101, de 2000. Partindo do pressuposto de que a Lei nº 10.101, de 2000, estabelece uma modalidade de isenção e que uma das condições para sua fruição é a existência de instrumento instituindo o programa de participação nos lucros e resultados, há divergência na jurisprudência deste Conselho a respeito da necessidade ou não de que esse ajuste seja anterior ao período de obtenção do lucro/resultado a ser distribuído, havendo quem defenda que basta seja anterior ao pagamento. Sob o meu ponto de vista, a conclusão do ajuste deve anteceder ao período de referência para sua apuração, pois essa é uma decorrência lógica da finalidade para a qual o benefício é instituído. Com efeito, a isenção foi conferida como instrumento para estimular a integração entre capital e trabalho, o que se obtém pela fixação em comum acordo de metas a serem alcançadas e da premiação delas decorrentes. Nesse aspecto, não me sensibilizam argumentos quanto à inexistência de expressa previsão legal estabelecendo prazo para que o acordo seja firmado, pois as leis contém certa racionalidade em sua elaboração e exigem a mesma racionalidade em sua interpretação e aplicação. Ou seja, a lei não precisa estabelecer textualmente aquilo que decorre naturalmente do bom senso e da função social dos institutos regulados. Nesse diapasão, o estabelecimento de metas e critérios claros para a obtenção e aferição do direito, e que funcionem como estímulo à produtividade, só fazem sentido se estabelecidos previamente. O que constitui também uma garantia para o trabalhador. A despeito do que foi afirmado no parágrafo anterior, temse que o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, em seu parágrafo primeiro estabelece que entre os critérios e condições passíveis de adoção estão "programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente". Portanto, decorre também da literalidade da norma que, se os critérios e condições consistem em metas e resultados, a pactuação deve ser prévia. Também é da literalidade da norma que está a se tratar da fixação de "critérios e condições". São critérios e são condições. Juridicamente, condição consiste em um evento futuro e incerto, de cuja ocorrência depende a aquisição ou extinção de um direito. Ou seja, a condição sempre remete a um evento de ocorrência futura e incerta. Quando os critérios são fixados segundo fatos já ocorridos, nenhuma condição está sendo estabelecida. Na verdade, neste caso, o que está se fazendo é mera escolha. Fl. 4725DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.726 55 Esse entendimento encontra eco na jurisprudência desse colegiado, do que serve como exemplo a seguinte manifestação da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no voto condutor do Acórdão nº 2401003.492 da 4ª Câmara/1ª TO, sessão de 15 de abril de 2014: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Assim, não acato de forma alguma o argumento do recorrente de que as metas já eram conhecidas ou mesmo que não há grande alteração das mesmas razão, pela qual a pactuação, mesmo tardia, não fere o disposto na lei, pelo contrário ao adotar tal entendimento estaria o julgador violando o texto constitucional e o reconhecimento dos acordos coletivos, o que não venho a concordar. Novamente, entendo que o auditor não desconstitui o pagamento da verba, muito menos os reflexos trabalhistas ajustados entre empregado e empregador, mas tão somente não acata o acordo ali firmado para que a verba paga à título de participação nos lucros esteja excluída do conceito de salário de contribuição. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto, que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro é que o empregado saberá o quanto sua faltas irão influenciar no PLR que já está em curso??? No mesmo sentido, extraise do voto do relator do Acórdão nº 9202004.347 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Com relação à data de assinatura do PLR, acompanho o entendimento do voto do relator da decisão recorrida. Com Fl. 4726DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.727 56 efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade à empresa e, em última análise ao país. No caso dos autos, conforme esclarecido na decisão ora recorrida, todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008, foram pactuados no fim do exercício a que se referem, ou seja, o cumprimento ou não das metas já eram praticamente fatos pretéritos. Acompanho o entendimento do acórdão recorrido e, para fins de ilustração, encontrase reproduzido o entendimento do conselheiro relator do voto condutor do acórdão recorrido, nesse ponto: Não procede, portanto, a alegação de que quando a Lei nº 10.101/2000 fala de pactuação prévia, ela o faz no sentido de que o acordo deve ser negociado e celebrado previamente ao pagamento de qualquer valor, o que não implica a impossibilidade de se assinar o instrumento no início do período de apuração; Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando, quanto precisam fazer, para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Antes do início do período de apuração necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. Portanto, é de se negar provimento do Recurso Especial do Sujeito passivo também quanto a esta matéria. No caso em análise, o acordo coletivo específico relativo ao programa de participação nos lucros e resultados da Cemig, assinado em 20 de novembro de 2009, trata do PLR referente a 2009 a ser pago em 2010 e do PLR referente a 2010 a ser paga em 2011. À primeira vista, isso poderia levar à conclusão de que o acordo de PLR foi prévio ao período de apuração 2010. Ocorre porém, que a leitura de suas cláusulas revela que os critérios de pagamento não estão nele estabelecidos. De fato, a cláusula 9ª prevê textualmente a criação de um grupo de trabalho para: Fl. 4727DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.728 57 identificar o Indicador de Agregação de Valor e também negociar a respectiva meta para o ano de 2010, até a data de 31/03/2010; definir as ausências que impactariam no cálculo do indicador de absenteísmo; estabelecer os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Ou seja, um dos componentes na formação do valor a ser pago a título de PLR não foi definido no acordo, sendo sua definição delegada a uma segunda instância. O mesmo pode ser dito em relação aos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Não é demais repetir: não se pode imputar ao acordo firmado em 2009 a fixação de metas, porque ele não as estabeleceu para o ano de 2010. E, de fato, não se realizou a definição das variáveis que tinha como prazo 31 de março de 2010, de forma que se tornou necessário um termo aditivo firmado em 16 de dezembro do mesmo ano (2010), pelo qual a parcela B, prevista no acordo de 2009, deixou de ser paga e foi estabelecido um adicional chamado de parcela D. Notese que a existência de negociação prévia à assinatura do acordo não é suficiente para preencher os requisitos legais como pretende o voto vencido, isso porque lhes falta o atributo da exigibilidade. A própria demora na conclusão dessas negociações revela a existência de impasse que em nada serve como estímulo para os empregados. Na verdade encerra uma contradição afirmar que durante as negociações os empregados já teriam condições de conhecer as metas e os benefícios que receberiam em função delas, ao mesmo tempo em que justificase a demora no fechamento do acordo no fato de haver desentendimento quanto à fixação desses parâmetros. Como os empregados poderiam conhecer as metas a serem atingidas se não há consenso sobre elas? Como poderiam sentirse estimulados a empreenderem esforços para atingimento de metas quando há resistência do empregador quanto aos valores a serem pagos? Dessa forma, o acordo que se conclui quando os resultados já foram consolidados pela passagem do tempo serve apenas para legitimar o pagamento de uma parcela fixa, incompatível com a álea que deve caracterizar essas avenças. Pelas razões expostas, entendo que os valores pagos com base nos resultados do ano de 2010 não estavam suportados por instrumento de negociação que atenda às regras da Lei nº 10.101, de 2000, para fins de fruição do benefício fiscal estabelecido por essa lei. Conclusão Diante de todo o exposto e consolidando os entendimentos expressos no voto vencido e no voto vencedor, voto por conhecer dos recursos de ofício e voluntário para dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo a sujeição passiva solidária das empresas integrantes do grupo econômico, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir as parcelas inerentes ao aviso prévio indenizado. Fl. 4728DF CARF MF Processo nº 15504.725523/201472 Acórdão n.º 2201004.551 S2C2T1 Fl. 4.729 58 (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Fl. 4729DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10923.000159/2010-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiar-se da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN.
Para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea, a quitação do débito por compensação não equivale ao pagamento, ainda que seja uma modalidade de extinção do crédito tributário.
Numero da decisão: 3002-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiar-se da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN. Para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea, a quitação do débito por compensação não equivale ao pagamento, ainda que seja uma modalidade de extinção do crédito tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiarse da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN. Para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea, a quitação do débito por compensação não equivale ao pagamento, ainda que seja uma modalidade de extinção do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 3. 00 01 59 /2 01 0- 56 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10923.000159/201056 Acórdão n.º 3002000.397 S3C0T2 Fl. 172 2 Trata o processo de Pedido de ressarcimento de IPI referente ao 2º trimestre/2006, no valor de R$ 80.470,11, combinado com Declaração de Compensação de débitos de mesmo valor (fls. 4 a 25). A Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo reconheceu integralmente o crédito de IPI, mas homologou apenas parcialmente a compensação, pois foram compensados débitos vencidos sobre os quais incidiriam penalidades moratórias não consideradas pelo contribuinte, restando ao final R$ 7.892,33 a pagar (fls. 26 a 31). Em sua Manifestação de Inconformidade a recorrente esclareceu que, em virtude de procedimento de auditoria interna, constatou recolhimento a menor de IRPJ, PIS/Pasep e Cofins, motivo pelo qual providenciou a compensação desses débitos com créditos de IPI. Alegou que não considerou a multa moratória em seus cálculos porque entendeu estar contemplada pelo benefício da denúncia espontânea, já que a compensação se deu antes do início de procedimento administrativo ou de fiscalização pela Receita Federal (fls. 35 a 45). Instruiu sua Manifestação de Inconformidade o com contrato social, procuração, PER/Dcomp, Despacho Decisório, e DCTF original e retificadora do 2º ao 4º trimestre/2004 (fls. 46 a 138). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 33.190 (fls. 139 a 142), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que o PER/Dcomp foi transmitido após o vencimento do débito a ser compensado, que estaria confessado em DCTF, situação em que incide a multa de mora e os juros de mora. A multa de mora, que não tem natureza punitiva, mas indenizatória, visa a coibir o descumprimento dos prazos legais para pagamento de tributos. Admitir a exclusão dessa multa com o pagamento espontâneo fora de prazo seria plena contradição. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos, cabível a imputação de multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 24.05.2011, conforme AR constante à fl. 149, e protocolizou o Recurso Voluntário em 17.06.2011, conforme consta na primeira página da peça recursal à fl. 152. Em seu Recurso Voluntário (fls. 152 a 165), o contribuinte repisa os mesmos argumentos, relativos à exclusão da multa de mora pela denúncia espontânea, e contesta o Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10923.000159/201056 Acórdão n.º 3002000.397 S3C0T2 Fl. 173 3 fundamento da decisão da DRJ, que teria concluído que a denúncia espontânea só exclui a multa de ofício. Ressalta que os valores declarados na DCTF original foram integralmente quitados antes do vencimento e que após a auditoria foi efetuado o recolhimento das diferenças, acrescidas de juros moratórios, com a posterior retificação da DCTF, situação em que cabe a aplicação da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado está centrada no cabimento da multa de mora quando se aplica a denúncia espontânea, mas entendo que para a correta solução deste litígio devemos recuar para um primeiro momento, que concerne à própria existência da denúncia espontânea no caso presente. Dos autos se extrai que, ao se aperceber do recolhimento a menor de parcelas de diversos períodos de apuração, o contribuinte providenciou a sua quitação por meio de compensação – transmitiu um pedido de ressarcimento de IPI, cumulado com declaração de compensação. O PER/Dcomp foi transmitido em 30/11/2006, ao passo que os débitos se referem a diversos períodos de 2004. Incontestável que a providência saneadora foi efetuada em atraso, situação em que cabe a aplicação da multa de mora, conforme dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 in verbis: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifado) Entretanto o contribuinte alega poder excluir a multa de mora de seus cálculos com fundamento no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe sobre a denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10923.000159/201056 Acórdão n.º 3002000.397 S3C0T2 Fl. 174 4 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifado) Entendo que não cabe razão à recorrente. Há de se ter em mente que o CTN foi preciso ao elencar quais dentre as formas de extinção do crédito tributário previstas em seu art. 156 estão aptas a serem consideradas para fins de aplicação do Instituto: pagamento ou depósito administrativo, somente. De fato, mais precisamente, o mero depósito como consta do texto legal não extingue o crédito, mas sim a sua conversão em renda. Donde é possível concluir que apenas as situações em que o montante em dinheiro está disponível para a Administração foram consideradas como suficientes para a aplicação da denúncia espontânea. Corroborando esse entendimento, observese que nem a consignação judicial do pagamento, que não está sob tutela da Fazenda, consta do art. 138, devendo ser consideradas como modalidades igualmente inaptas a compensação, a remissão, etc. Não estamos diante de lacuna legal que nos permita nos socorrermos da analogia ou de interpretação extensiva, motivo pelo qual considero que não se encontra na competência de um julgador incluir outras formas de extinção para além daquelas que a lei instituiu. Dessa forma, entendo que ao procedimento saneador adotado pelo contribuinte não cabe a aplicação de denúncia espontânea, pois ele não se utilizou de pagamento, em pecúnia, mas de compensação. Por esse motivo, a inaplicabilidade da denúncia espontânea no caso em tela, tornase desnecessário discutir a natureza da multa de mora ou se cabe a multa de mora quando aplicável a denúncia espontânea. Uma vez que a compensação dos débitos se deu em atraso, está correta a exigência da multa de mora, conforme decidido pela unidade de origem em seu Despacho Decisório. De se ressaltar que o entendimento que se adota tem prevalecido nos julgamentos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a ver os seguintes decisos: Acórdão nº 9303006.011 conselheiro Rodrigo Possas ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31032/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10923.000159/201056 Acórdão n.º 3002000.397 S3C0T2 Fl. 175 5 enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu – ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. (grifado) Acórdão nº 9303006.010 conselheiro Demes Brito ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Por se tratar de matéria sumulada (Súmula nº 208/TRF), no presente caso, a Contribuinte deveria ter recolhido em pecúnia os valores guerreados, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência do STJ está pacificada no sentido de que os valores devem ser recolhidos integralmente, caso contrário, será exigido o valor integral do crédito tributário acrescido de juros e multas punitivas. Precedentes STJ. (grifado) Pelos motivos expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 175DF CARF MF
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