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Numero do processo: 13839.902773/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999
PIS PAGOS COM O ADVENTO DA LEI N. 9.718/1998.
Não se aplicam os efeitos das declarações de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis ns. 2.445/88 e 2.449/88 do PIS, após a vigência da Lei n. 9.718/1998.
Numero da decisão: 3401-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 PIS PAGOS COM O ADVENTO DA LEI N. 9.718/1998. Não se aplicam os efeitos das declarações de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis ns. 2.445/88 e 2.449/88 do PIS, após a vigência da Lei n. 9.718/1998.
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Não se aplicam os efeitos das declarações de inconstitucionalidade dos DecretosLeis ns. 2.445/88 e 2.449/88 do PIS, após a vigência da Lei n. 9.718/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 27 73 /2 00 8- 87 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior. Em 17/12/2010, foi prolatado o Acórdão nº 0531.708 pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas que considerou Improcedente a Manifestação de Inconformidade, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Contra o reconhecimento do direito creditório subjacente à declaração de compensação corre o prazo decadencial de cinco anos contado da data do pagamento. PIS. BASE LEGAL. A exigência da Contribuição ao PIS passou a ser regulada pela Medida Provisória n° 1.212, de 1995, a partir de março/1996, e pela Lei n° 9.718, de 1998, a partir de fevereiro/1999. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em Recurso Voluntário tempestivo a Recorrente, alega, em síntese: Que houve alerta por parte da Delegacia da Receita Federal em relação à inconsistência nas DCOMP apresentadas. Contudo, ressalta que o processo eletrônico não permite que o contribuinte esclareça a origem do crédito apurado e compensado. Traz um histórico das Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentaram as compensações, até chegar à IN n. 320/2003, que instituiu o mecanismo eletrônico chamado PER/DCOMP. Destaca que na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial a PER/DCOMP só aceita quando é preenchida com a informação da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o crédito. Sustenta que a exigência é totalmente descabida, tendo em vista que a compensação é proveniente de lançamento por homologação. Destaca que a Receita Federal do Brasil julgou eletronicamente o pedido da requerente emitindo despacho decisório da não homologação, analisando sobre o limite de crédito que a Recorrente teria pela compensação, quando na realidade é sobre a inconstitucionalidade dos DecretosLeis ns. 2.445/88 e 2.449/88, conforme declarado pelo Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13839.902773/200887 Acórdão n.º 3401001.993 S3C4T1 Fl. 201 3 STF, quando do julgamento do RE n. 1487542 – RJ, e suas execuções foram suspensas por meio da Resolução n. 49 de 10/10/1995 do Senado Federal. Sustenta que a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu a citada inconstitucionalidade, por meio do Parecer Normativo n. 1.185/95, ressaltando, porém, que seus efeitos seriam ex nunc, ou seja, não abarcaria o período anterior à Resolução do Senado Federal. Por esse motivo, caso os contribuintes tivessem interesse em reaver valores pagos a maior, teriam que recorrer ao Poder Judiciário, por meio de ações individuais. Destaca que a PGFN, em 1998, emitiu o Parecer Normativo n. 437 que alterou a interpretação dos efeitos da citada Resolução do Senado, passando a ser ex tunc, em face da publicação do Decreto n. 2.346/97, em seu art. 1o. Razão pela qual, os contribuintes que pretendessem o recebimento dos valores pagos a maior, não necessitariam ingressar com ações judiciais, podendo formular os pedidos diretamente na Receita Federal, iniciando o prazo a partir da publicação do citado Parecer Normativo. A Recorrente conclui que, com base no Parecer Normativo n. 437/98, c/c a Resolução n. 49 de 10/11/95 e Decreto n. 2.346/97, restaram afastadas as aplicações dos inconstitucionais DecretosLeis ns. 2.445/88 e 2.449/88, independente de ação judicial individual, de forma que a Contribuição do PIS anterior a setembro de 1995 “voltou” a ser regulada pela LC n. 07/70. Restaurada a sistemática da LC n. 07/70, a base de cálculo da Contribuição ao PIS das empresas mercantis, nos termos do art. 6o, parágrafo único, é o faturamento do sexto mês anterior, sem atualização monetária, sobre o qual incide a alíquota de 0,75%. A Recorrente destaca que a empresa não recolhe o PIS referente há seis meses atrás. Recolhe a contribuição do próprio mês, utilizando a base de cálculo do sexto mês anterior, de modo que o fato gerador ocorre no próprio mês de recolhimento, o que demonstra a impossibilidade de aplicação de qualquer índice de correção monetária sobre o valor histórico do faturamento de seis meses atrás. Não havendo nenhum dispositivo legal determinando a correção monetária. Conclui que possui o direito a restituição da quantia recolhida a maior a título de PIS/FATURAMENTO, consistente na diferença entre os valores recolhidos com base nos inconstitucionais DecretosLeis ns. 2.445/88 e 2.449/88 (0,65% do faturamento do mês anterior) e valores efetivamente devidos nos termos da LC n. 07/70 (0,75 sobre o faturamento do sexto mês anterior, sem qualquer incidência de correção monetária). Requerendo, pelas razões expostas, a restituição da Contribuição ao PIS indevidamente recolhida aos cofres públicos do mês compensado objeto do Recurso Voluntário. Por outro lado, a retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/95, prevista no art. 18 da Lei n. 9.715/98, publicada em 25/11/98, foi considerada inconstitucional, por decisão unânime do STF, no julgamento da ADIn n. 14170. A Recorrente finaliza esse os fatos concluindo que a Declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o recolhimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações sob a sua égide e inibe — ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos — a possibilidade de invocação de qualquer direito. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 No que se refere ao prazo para restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Recorrente sustenta, em suma, que se aplica o prazo de 10 (dez) anos, ou seja, o prazo de 5 (cinco) anos começa a contar 5 (cinco) anos após a homologação tácita. Traz jurisprudência para fundamentar o alegado. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13839.902773/200887 Acórdão n.º 3401001.993 S3C4T1 Fl. 202 5 Voto Conselheira Ângela Sartori. Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, efetuado em 13/08/99, no valor de R$ 996,43. Conforme se extrai da parte final do Acórdão a DRJ indeferiu a compensação pelas seguintes razões, verbis: “Dessa forma, seja pela extinção do prazo para repetir indébitos tributários, seja pela improcedência do fundamento legal apontado pela interessada como origem desse direito creditório, não é passível de homologação a compensação indicada nestes autos.” Nesse diapasão, concordo em parte com a citada decisão, vez que, no que tange ao prazo para a repetição do indébito, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte tem o prazo de 10 (dez) anos da data do pagamento para compensar o tributo pago a maior, a chamada tese dos 5 (cinco) mais 5 (cinco), até a vigência da LC n. 118, de 9 de fevereiro de 2005. Contudo, no que se refere ao mérito, concordo com a DRJ, conforme restará de demonstrado, não assiste razão à Recorrente. Ao contrário do que pretende a Recorrente, a discussão acerca das inconstitucionalidades dos DecretosLeis ns. 2.445/88 e 2.449/88, em torno do PIS cessou com o advento da Medida Provisória n. 1.212, de 28 de novembro de 1995, em outras palavras, desde a edição desta MP que não se fala mais em inconstitucionalidade do PIS, com base na referida tese. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Não obstante a discussão acerca da constitucionalidade dos DecretosLeis ns. 2.445/88 e 2.449/88, que majoraram a alíquota do PIS, ter se encerrado com a citada MP, tendo o pagamento da referida Contribuição no valor de R$ 996,43 ocorrido em 13/08/99, resta evidenciado que estava sob a vigência da Lei n. 9.718 de 27 de novembro de 1998. Pelas razões expostas, em relação ao mérito, não há como prosperar a compensação pretendida pela Recorrente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000588/2010-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SITUAÇÃO FÁTICA.
A Auditoria Fiscal, ao constatar que o trabalhador preenche os requisitos da legislação vigente, na efetiva prestação de serviços a uma empresa, deve efetuar o lançamento conforme a situação fática encontrada.
Numero da decisão: 2403-001.633
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SITUAÇÃO FÁTICA. A Auditoria Fiscal, ao constatar que o trabalhador preenche os requisitos da legislação vigente, na efetiva prestação de serviços a uma empresa, deve efetuar o lançamento conforme a situação fática encontrada.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000588/201060 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.633 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PLANUSI EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SITUAÇÃO FÁTICA. A Auditoria Fiscal, ao constatar que o trabalhador preenche os requisitos da legislação vigente, na efetiva prestação de serviços a uma empresa, deve efetuar o lançamento conforme a situação fática encontrada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 88 /2 01 0- 60 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1434.529 da 7ª Turma, que julgou procedente em parte a impugnação, efetuando a apropriação dos valores já recolhidos pela DISAIL, do que resultou em revisão do lançamento que teve seu valor alterado de R$ 253.435,09 para R$ 30.158,21. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (obrigações principais — AIOP) debcad n.° 37.268.1158, que constitui o crédito tributário de contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte dos segurados (não descontada), incidentes sobre remunerações pagas a segurados considerados empregados da autuada e a contribuintes individuais, no montante de R$ 253.435,09 (duzentos e cinquenta e três mil e quatrocentos e trinta e cinco reais e nove centavos), consolidado em 08/11/2010 e referente às competências 01/2006 a 06/2007. 0 presente processo está juntado ao de n.° 15956.000587/2010 15 (debcad n.° 37.268.1140), considerado o processo principal, o qual contém as razões da autuação, documentos e elementos de prova anexados pela fiscalização. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 28), o presente lançamento é composto pelos seguintes levantamentos: FP — FOLHA DE PAGAMENTO, contendo as basesdecálculo e contribuições NÃO declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), relativos a segurados empregados. PS — PRESTADORES SERVIÇO PF, contendo as basesde cálculo e contribuições NÃO declaradas em GFIP, relativos a contribuintes individuais. De acordo com o relato da fiscalização, a empresa "PLANUSI EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA", ora fiscalizada, utilizouse de outra empresa, a saber, "DISAIL DISTRIBUIDORA SERTANEZINA DE ACESSÓRIOS INDUSTRIAIS LTDA. EPP", optante pelo sistema de tributação Simples (de 01/2000 até 06/2007), como interposta pessoa, com a finalidade de contratar segurados empregados com redução de encargos tributários previdencidrios (a parte patronal). Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Entendeu a fiscalização, lastreada na situação fática encontrada e juntando vastos elementos de prova, que os empregados e contribuintes individuais vinculados empresa prestadora de serviços fossem considerados como segurados da empresa ora fiscalizada. A empresa autuada e a optante pelo Simples (doravante denominadas "PLANUSI" e "DISAIL", para simplificar) tiveram suas situações analisadas, constatandose os seguintes fatos, (vide anexos ao processo principal) que apontam para a integração econômica, financeira, patrimonial e administrativa entre as mesmas: (i) Identidade de preposto e contador (que é também empregado da DISAIL— Sr. Luiz Eduardo Kasputes) e de advogados para ambas empresas, em sede de reclamatórias trabalhistas; cujo conteúdo evidencia ser a fiscalizada a real destinatária dos serviços prestados pelos empregados da primeira. Mesmo em período que não houve prestação de serviços para a PLANUSI (11/2006 a 06/2007), destacouse depoimento de trabalhadores registrados na DISA1L contra a reclamada ora autuada, afirmando ser esta a empregadora direta dos funcionários registrados na DISAIL. (ii) A empresa DISAIL não possui sede para execução de suas atividades e o endereço indicado no contrato social da empresa é residencial (pelo menos desde 1998) e tem como proprietário o Sr. Vagner Stefanoni, conforme Termo de Constatação Fiscal e Certidão da Prefeitura Municipal de Sertãozinho. (iii) A empresa DISAIL possui como sócias as Sras. Leda Bisson Stefanoni e Bárbara Aparecida Stefanoni Carvalho que são, respectivamente, esposa e filha do Sr. Vagner Stefanoni. Este Ultimo foi sócio gerente desta empresa no período de 05/09/1979 a 01/12/1998 e é um dos sócios da PLANUSI. (iv) 0 Sr. Vagner Stefanoni, mesmo deixando o quadro societário da DISAIL, em 12/1998, continuou a administrála (administrador nãosócio), com plenos poderes para tanto, conforme alterações contratuais referidas. (v) As empresas DISAIL e PLANUSI outorgaram procurações públicas para que o Sr. Vagner Stefanoni e outros (sócios administradores desta última) administrassem ambas, conjuntamente ou sozinhos, incluindo o poder de registrar os funcionários da DISAIL. (vi) Em janeiro de 2000 firmouse contrato de prestação de serviços entre a PLANUSI e a DISAIL, devendo esta prestar "serviços gerais de administrageio e de controle de produccio .fabril", tendo como local de trabalho as instalações da contratante (PLANUSI); Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 4 5 (vii) No período fiscalizado, a PLANUSI não possuía nenhum empregado registrado em seu nome , mas obteve uma Receita Bruta Operacional em torno de 37 milhões de reais para o ano de 2006 e de 13 milhões no primeiro semestre de 2007; os trabalhadores cedidos exercem as funções — obtidas das folhas de pagamento — que atendem a todas as necessidades de mão deobra da PLANUSI, desde os setores operacionais até o pessoal de escritório, contador e gerentes. (viii) As receitas da DISAIL pelos serviços prestados originamse de seus únicos clientes PLANUSI e LAPEFER, além de rendimentos de aluguel e de financiamentos do Sr. Varner Stefanoni (como contrato de mútuo). Os alugueis recebidos não são corroborados por entrada de numerário (nem em caixa, nem em conta bancária), apenas lançados contabilmente em contrapartida à conta analítica "Serviços". Por sua vez, o Sr. Vagner Stefanoni (administrador não sócio da DISAIL e sócio administrador da PLANUSI) constitui conta analítica do passivo da primeira, com a finalidade de financiamento, a qual recebe transferências mensais de depósitos bancários efetuados pela PLANUSI, evidenciando a dependência financeira daquela em relação a esta. Não foi apresentado à fiscalização referido contrato de mútuo. (ix) A quantidade de funcionários da DISAIL, com comparecimento registrado em controle eletrônico, de 11/2006 a 06/2007, não condiz com o fato de não ter havido faturamento para a PLANUSI nesse período; apenas para a LAPEFER, localizada em São Paulo — SP, na qual foram realizadas intermediações de vendas (comissões), realizadas no percentual de 95% para a PLANUSI. Destacase que não consta, nos registros da DISAIL, nenhum indicativo de despesas — equipamentos, contas de telefone e energia, material de expediente etc, coerentes com esse tipo de prestação de serviços. (x) Ambas as empresas possuíam sua escrituração contábil assinada pelo mesmo contador e administrador, contendo na DISAIL despesas quase na totalidade relativa à folha de pagamento; ausentes as despesas de custeio administrativo, com aluguel de máquinas, energia elétrica, água, telefone e manutenção, inerentes a qualquer atividade econômica. (xi) Por amostragem (anexos) foram constatados na PLANUSI pagamentos de bolsa de estudo, de cursos ou treinamentos e despesas de viagem para diversos funcionários da DISAIL. (xii) A partir de fevereiro de 2008, foi firmada declaração na Subdelegacia do Trabalho em Ribeirão Preto, informando a transferência da totalidade dos empregados da empresa DISAIL para a empresa sucessora, PLANUSI, em relação a encargos trabalhistas, ratificando a situação de fato existente entre as duas empresas. Conclui a fiscalização que a situação fática encontrada denota ser a DISAIL, optante pelo SIMPLES desde janeiro de 2000, empresa interposta utilizada pela PLANUSI para contratar Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 empregados com redução de encargos previdenciários. Assim, foram considerados os funcionários daquela, por prestarem serviços diretamente à autuada, como seus segurados empregados, perante a legislação previdenciária com base nas folhas de pagamento da empresa optante pelo Simples (prestadora). Ainda, apuraramse contribuições incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais (borracheiro e veterinária), a partir de lançamentos contábeis da PLANUSI; sobre as retiradas de pro labore do administrador não sócio (Sr. Vagner Stefanoni), a partir da escrita contábil da DISAIL; e foram glosadas deduções indevidas (acima do limite salarial permitido) de saláriofamília, conforme demonstrativo anexo ao processo principal. Há a informação, no Relatório Fiscal, de que foram devidamente apropriadas como "crédito" as Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) relativas ao instituto da retenção de 11% (art. 31 da Lei n.° 8.212/91). Os valores apurados das contribuições estão demonstrados, por estabelecimento, no relatório Discriminativo do Débito (DD), anexo ao AI. Os percentuais de juros e das multas aplicados sobre o presente crédito e a legislação correspondente estão discriminados no DD e no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD). Também constam os fundamentos legais das contribuições exigidas. Foram juntadas pela fiscalização cópias de: planilhas de remunerações de trabalhadores da prestadora, contratos sociais e alterações referentes as duas empresas mencionadas, Termo de Constatação Fiscal. Certidão da Prefeitura Municipal, notas'fiscais de prestação de serviços, extratos bancários, guias, documentos trabalhistas e fiscais, contrato de prestação de serviços, DIPJ, recibos, procurações públicas para administrar e gerir todas as atividades das empresas envolvidas, livros contábeis e respectivos lançamentos, controles de ponto, dentre outros. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Reclamatórias Trabalhistas: ambas empresas são de familiares, têm semelhanças na forma de gestão e atuação, do que resulta ser lógico contratação de mesmos prestadores de serviço (advogados, contadores, etc). · A sede da DIAIL não suportava todos funcionários porque os serviços são prestados nas dependências de terceiros (a empresa atua com sessão de mão de obra). · O contrato entre as empresas é lícito, os serviços foram prestados e os tributos pagos. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 5 7 · A DISAIL foi constituída há mais de 30 anos e nunca teve exclusividade em relação à recorrente. · Falta de fundamentação para as contribuições exigidas. · Não é possível a transferência de vínculo empregatício de uma empresa para outra. · Recolhimentos efetuados pela DISAIL deveriam ser apropriados. · SELIC. É o relatório Fl. 167DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo, está sendo julgado após a decisão do processo 15956.000587/201015 (AI 37.268.1140) e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A discussão está centrada na relação entre a PLANUSI e a DISAIL. A fiscalização entendeu que “a DISAIL continuou a existir no ordenamento jurídico a partir da constituição da FISCALIZADA, após sua inclusão no SIMPLES, e especialmente, durante o período fiscalizado, para o fim especifico de servir como empresa interposta utilizada _pela FISCALIZADA para contratar empregados com redução de encargos previdenciários... Portanto, verificamos que o objetivo é gerar redução nos custos de produção da FISCALIZADA para diminuir sobremaneira seus encargos com a contribuição previdenciária, pois a DISAIL é optante pelo SIMPLES e mantém os empregados registrados em seu nome para os fornecer a FISCALIZADA, que não pode optar pelo SIMPLES e também não registrou nenhum funcionário. Com base nesta situação fática foram considerados, neste presente levantamento, os vínculos empregatícios dos funcionários da DISAIL como pertencentes diretamente á FISCALIZADA, ou seja, concluiuse que existe vinculo empregatício entre a FISCALIZADA e os trabalhadores da DISAIL.” Relatório Fiscal 3.1.7 Diante de todo o exposto, e reiterando que a integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA é inconteste, e aquela é uma empresa anexa a esta, pois as provas e indícios apresentados são contundentes e incisivos, obtendo, assim minha convicção que a DISAIL continuou a existir no ordenamento jurídico a partir da constituição da FISCALIZADA, após sua inclusão no SIMPLES, e especialmente, durante o período fiscalizado, para o fim especifico de servir como empresa interposta utilizada _pela FISCALIZADA para contratar empregados com redução de encargos previdenciários, ou seja, não recolhimento da contribuição patronal (20%), RAT (2%) e Outras Entidades — TERCEIROS (5,8%). Portanto, verificamos que o objetivo é gerar redução nos custos de produção da FISCALIZADA para diminuir sobremaneira seus encargos com a contribuição previdenciária, pois a DISAIL é optante pelo SIMPLES e mantém os empregados registrados em seu nome para os fornecer a FISCALIZADA, que não pode optar pelo SIMPLES e também não registrou nenhum funcionário. Com base nesta situação fática foram considerados, neste presente levantamento, os vínculos empregatícios dos funcionários da DISAIL como pertencentes diretamente á FISCALIZADA, ou seja, concluiuse que existe vinculo empregatício entre a FISCALIZADA e os trabalhadores da DISAIL. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 6 9 Concordo com a conclusão da fiscalização com base no conjunto de razões abaixo apresentado. VERDADE MATERIAL A fiscalização existe para verificar o cumprimento das obrigações fiscais e, em caso de encontrar situações de descumprimento, tem o dever de constituir o crédito tributário correspondente. No desempenho desse mister, a busca pela verdade dos fatos é o norte a ser seguido. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Entendendo que ajudaria a melhor entender o caso, inicialmente busquei, fora do processo, algumas informações acerca das empresas envolvidas ou citadas no processo. PLANUSI constatei que a empresa passou por uma profunda transformação em 1999, quando passou de uma empresa de engenharia para uma empresa fabricante de equipamentos industriais. Institucional A PLANUSI com sede em Sertãozinho – SP, foi fundada em 1.994 e sua atuação inicial no mercado se deu como Empresa de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Engenharia, desenvolvendo produtos na área de fabricação de açúcar, passando em 1.999 a condição de fabricante de equipamentos, produzindo os produtos por ela desenvolvida. Instalada em uma área construída de 11.000 m² com expansão para mais 50.000 m², com excelente localização, defronte a uma das principais linhas rodoviárias do interior paulista, a Planusi vem atuando em diversos segmentos. Tendo como principal tradição, a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias, a empresa possui uma engenharia completa que estuda e viabiliza soluções, tornando rentáveis seus investimentos. A Planusi projeta, fabrica e monta equipamentos autoportantes, que dispensam qualquer tipo de estrutura metálica de sustentação, com eficiência aumentada em função de novas concepções de circulação dos fluidos e de transferência de calor e com soluções para disposição dos equipamentos que se destacam pela economia de área ocupada, pela facilidade de interligação e pela funcionalidade da divisão entre os diversos grupos de equipamentos. A integração da engenharia com a fabricação permite à PLANUSI conduzir todo o projeto, desde a engenharia básica até a postaemmarcha, de forma muito mais abrangente, dando assim mais segurança ao Cliente. Todos os nossos produtos encontramse em operação em muitas instalações espalhadas pelo país e exterior, tendo comprovado sua eficiência. Todos os nossos produtos estão devidamente cadastrados junto à Agência Especial de Financiamento Industrial FINAME, para permitir seu financiamento, e além disto oferecemos a possibilidade de parceria ou do acerto de cronogramas físicofinanceiros diretamente entre Planusi e Cliente para viabilização dos projetos. A Planusi fornece desde instalações completas chavenamão, abrangendo desde o tratamento do caldo até a embalagem e o armazenamento do açúcar, até equipamentos isolados. A execução de dezenas de plantas “turn key” para fabricação de açúcar no Brasil e no Exterior, atesta a capacidade da PLANUSI, onde técnicos especializados em desenvolvimento de produtos e processos de fabricação estão aptos a atender o mercado, fornecendo produtos com alta tecnologia. Fonte: http://www.planusi.com.br/home/empresa.php?id=3, acessado em 4/09/2012. DISAIL Verifiquei que a empresa não é nem nunca foi optante pelo SIMPLES Nacional. Consulta Optantes Identificação do Contribuinte Fl. 170DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 7 11 CNPJ :46.950.028/000190Nome Empresarial :DISAIL DISTRIBUIDORA SERTANEZINA DE ACESSORIOS INDUSTRIAIS LTDA ME Situação Atual Situação no Simples Nacional :NÃO optante pelo Simples Nacional Situação no SIMEI:NÃO optante pelo SIMEI Períodos Anteriores Opções pelo Simples Nacional em Períodos Anteriores:Não Existem Opções pelo SIMEI em Períodos Anteriores:Não Existem Agendamentos (Simples Nacional) Agendamentos no Simples Nacional:Não Existem Eventos Futuros (Simples Nacional) Eventos Futuros no Simples Nacional:Não Existem Fonte: http://www8.receita.fazenda.gov.br/SIMPLESNACIONAL/a plicacoes.aspx?id=21, acessado em 05/09/2012. LAPEFER – Esta empresa aparece no processo com relações com a DISAIL. Sua atividade é “distribuidora de aço” e está localizada na cidade de São Paulo. A Lapefer Há mais de 40 anos no mercado, aLapefer Comércio e Indústria de Laminados Ltda.é uma das mais tradicionais distribuidoras de aço do Brasil. Localizada no bairro da Mooca, a empresa está situada num ponto estratégico da capital paulista, que permite atender seus clientes com rapidez e qualidade. Seu estoque está abastecido com um mix variado de produtos, vindos das maiores usinas siderúrgicas do país. Devido aos constantes investimentos, aLapeferestá pronta para suprir as necessidades dos mais diversos segmentos da indústria. Isso porque a empresa possui um parque otimizado, com área de 11 mil m², equipado com pontes rolantes de diferentes capacidades e balanças rodoviárias para a checagem das cargas, além de uma frota própria de caminhões que garante a entrega dos materiais de forma rápida para toda grande São Paulo. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Consulte um de nossos vendedores, solicite um catálogo, nossa equipe é altamente qualificada para atender as necessidades da sua empresa. Fonte: http://www.lapefer.com.br/empresa.asp, acessado em 05/09/2012. Voltando ao processo, registro a citação a uma ação fiscal anterior, onde foram levantados débitos com os mesmos fundamentos deste. Abaixo apresento conjunto de evidência: Gestão da empresa A empresa DISAIL possui como sócias as Sras. Leda Bisson Steranoni e Bárbara Aparecida Stefanoni Carvalho que são, respectivamente. esposa e filha do Sr. Vagner Stefanoni. Este último foi sócio gerente desta empresa no período de 05/09/1979 a 01/12/1998 e é um dos sócios da PLANUS1. 0 Sr. Vagner Stefanoni, mesmo deixando o quadro societário da DISAIL, em 12/1998, continuou a administrála (administrador nãosocio), com plenos poderes para tanto, conforme alterações contratuais referidas. Além disso, as empresas DISAIL e PLANUSI outorgaram procurações públicas para que o Sr. Vagner Stefanoni e outros (sócios administradores desta última) administrassem ambas, conjuntamente ou sozinhos , incluindo o poder de registrar os funcionários da DISAIL. Ambas as empresas possuíam sua escrituração contábil assinada pelo mesmo contador e administrador PLANUSI sem empregados no período fiscalizado, a PLANUSI não possuía nenhum empregado registrado em seu nome, mas obteve uma Receita Bruta Operacional em torno de 37 milhões de reais para o ano de 2006 e de 13 milhões no primeiro semestre de 2007. Em janeiro de 2000 firmouse contrato de prestação de serviços entre a PLANUSI e a DISAIL, devendo esta prestar "serviços gerais de administração e de controle de produção fabril", tendo como local de trabalho as instalações da contratante (PLANUSI). DISAIL foi optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES de 01 de janeiro de 2000 a 30 de junho de 2007. Os trabalhadores cedidos exercem as funções — obtidas das folhas de pagamento — que atendem a todas as necessidades de mãodeobra da PLANUSI. desde os setores operacionais ate o pessoal de escritório, contador e gerentes. Todos empregados da DISAIL são transferidos para a PLANUSI A partir de fevereiro de 2008, quando a DISAIL não mantém mais a s vantagens de regime diferenciado e favorecido de tributação, foi firmada declaração na Subdelegacia do Trabalho em Ribeirão .Preto, informando a transferência da totalidade dos empregados da empresa DISAIL para a empresa sucessora, PLANUSI. em relação a encargos trabalhistas. Não houve nenhuma fusão, incorporação ou cisão entre as duas empresas. Ações trabalhistas movidas contra DISAIL e PLANUSI – existência de ações trabalhistas onde as duas empresas são reclamadas, onde o preposto e o advogados são os mesmos para as duas empresas. Empregados da DISAIL trabalhando de graça para a PLANUSI funcionários da DISAIL, com comparecimento registrado em controle eletrônico, de 11/2006 a 06/2007, não condiz com o fato de não ter havido faturamento para a PLANUSI nesse período. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 8 13 PLANUSI paga bolsa de estudos para empregados da DISAIL por amostragem (anexos) foram constatados na PLANUSI pagamentos de bolsa de estudo, de cursos ou treinamentos e despesas de viagem para di versos funcionários da DISAIL. DISAIL sem despesas com energia elétrica, água, telefone, etc – quase a totalidade das despesas da DISAIL referemse à folha de pagamento; ausentes as despesas de custeio administrativo, com aluguel de máquinas, energia elétrica, água. telefone e manutenção, inerentes a qualquer atividade econômica. Localização sede empresa DISAIL não possui sede para execução de suas atividades e o endereço indicado no contrato social da empresa é residencial (pelo menos desde 1998) e tem como proprietário o Sr. Vagner Stefanoni, conforme Termo de Constatação Fiscal e Certidão da Prefeitura Municipal de Sertãozinho 117/123). Receitas DISAIL as receitas da DISAIL pelos serviços prestados originam se de seus únicos clientes PLANUSI e LAPEFER, alem de rendimentos de aluguel e de financiamentos do Sr. Vagner Stefanoni (como contrato de mutuo). Os alugueis recebidos não são corroborados por entrada de numerário (nem em caixa. nem em conta bancária), apenas lançados contabilmente em contrapartida a conta analítica "Serviços". Por sua vez, o Sr. Vagner Stefanoni (administrador não sócio da DISAIL e sócio administrador da PLANUSI) constitui conta analítica do passivo da primeira, com a finalidade de financiamento , a qual recebe transferências mensais de depósitos bancários efetuados pela PLANUSI. evidenciando a dependência financeira daquela em relação a esta. Não foi apresentado à fiscalização referido contrato de mútuo. DISAIL intermedia vendas para LAPEFER realizadas intermediações de vendas (comissões), realizadas no percentual de 95% para a PLANUSI. Destacase que não consta, nos registros da DISAIL, nenhum indicativo de despesas — equipamentos, contas de telefone e energia, material de expediente etc, coerentes com esse tipo de prestação de serviços. Transcrevo abaixo trecho do Relatório Fiscal do processo principal, onde estão descritos os indícios e provas que fundamentaram o procedimento da fiscalização. Os documentos citados encontramse no processo. 3.1.4 Seguem abaixo discriminados estes indícios ou provas da integração econômica, financeira, patrimonial, estrutural, especialmente o poder de decisão, e de relações familiares dos dirigentes da DISAIL com a FISCALIZADA, bem como provas emprestadas da ação fiscal anterior, como já relatado, pois estas provas emprestadas foram realizadas durante o período de 13/11/2008 a 22/05/2009, ou seja, posterior ao período fiscalizado na presente ação fiscal: A) Na Reclamação Trabalhista número 1145/2007 da 24 Vara do Trabalho de Sertãozinho / SP, movida em face das empresas DISAIL e FISCALIZADA, ambas elegeram como preposto o Sr. Luiz Eduardo Kasputes, sendo este a época das nomeações de preposto (dia 03/10/2007) empregado registrado na DISAIL, na qual foi admitido em 01/06/2000. Os advogados nomeados para Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 a defesa de ambas as empresas também são os mesmos, evidenciando que o interesse de ambas neste processo é uniforme, pois na reclamatória trabalhista o reclamante alega que foi contratado pela DISAIL, "que faz intermediações de mãodeobra", prestando serviços na FISCALIZADA, "sendo esta a real tomadora e beneficiária dos serviços". Portanto, constitui uma prova de integração entre ambas empresas, pois utilizam os mesmos advogados e o mesmo preposto nesta ação trabalhista em data que o preposto estava registrado como funcionário da DISAIL, e a indefinição para quem o reclamante estava subordinado (fls. 49 a 67; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alitlea constitui PROVA EMPRESTADA. B) Na Reclamação Trabalhista número 1449/2008 da 1 4 Vara do Trabalho de Serldozinho / SP, movida em face da FISCALIZADA, elegeram como preposto o Sr. Luiz Eduardo Kasputes, da qual fora transferido da DISAIL para a FISCALIZADA sem ônus para esta a partir de 01/01/2008. 0 advogado Dr. João Paulo Bonini, um dos nomeados na reclamação da alínea "a" acima, na contestação, afirmou que o reclamante foi admitido pela FISCALIZADA, sucessora da DISAIL, em 10/03/2004. Foram retiradas cópias da reclamatória trabalhista e juntados neste Al: (i) copia da carteira de trabalho do reclamante com carimbo nas folhas de anotações gerais constando transferência da DISAIL para a FISCALIZADA a partir de 01/01/2008 sem perda dos direitos adquiridos; • (ii) registro eletrônico de ponto do período de 01 a 12/07 na DISAIL e de 01 e 02/08 na FISCALIZADA, com mesmo "layout" de impressão; e (iii) controle e recibo de entrega de equipamento de proteção individual EPI em nome da DISAIL no intervalo de 24/04/2004 a 08/09/2008. 1 Portanto, como poderia haver uma sucessão se não houve fusão, incorporação ou cisão entre as duas empresas. Isto nos induz a crer que há uma relação de integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA, corroborado com o próprio documento de entrega de EPI que continuou sendo utilizado pela FISCALIZADA em uma alegada sucessão não formal contratualmente (fls. 68 a 99; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). C) Na Reclamação Trabalhista número 1201/2009 da 2 4 Vara do Trabalho de Sertãozinho / SP, movida em face da empresa DISAIL, foi constituído o mesmo advogado nomeado na reclamatória da alínea "b" acima, assinando como responsável legal o Sr. Vagner Stefanoni, identificado por semelhança com a assinatura constante da nomeação do preposto Ivan da Cruz Souza. 1 Na Ata de Audiência, o reclamante disse que "foi dispensado sob a alegação de que pulava a catraca da Planusi (grifo nosso), o depoente Alessandro João Jardim disse que "trabalhava na Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 9 15 reclamada desde março/2000 como gerente de produção; trabalha dentro da Planusi . não sabe qual a relação entre Disail e Planusi" (grifo nosso), e o depoente Ilson Jerônimo Ricobelo disse que "trabalhou na reclamada por mais de 01 ano e foi dispensado no mesmo dia que o reclamante". O advogado constituído pela DISAIL, na contestação, afirmou que o reclamante foi admitido em 07/05/2007 e dispensado em 14/11/2007, e, também, afirmou que "De fato, ocorreu que o autor, em conluio com porteiro de empresa terceirizada, o qual inclusive foi afastado de suas atividades na Planusi, ..." (grifo nosso). 2 Diante destas afirmações, verificase que o reclamante e os dois depoentes trabalharam nas instalações da FISCALIZADA durante o vinculo empregatício do reclamante. Como a DISAIL não prestou serviço para a FISCALIZADA no período de 11/2006 a 06/2007, constituise esta reclamatória em prova cabal de que a FISCALIZADA é a empregadora direta dos funcionários que estão registrados na DISAIL (fls. 100 a 116; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). D) Conforme alteração de contrato social de 12 de novembro de 2003, a DISAIL está situada na Rua Elpidio Gomes, 141 A, na cidade de Sertãozinho, mas, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal, este endereço foi sempre residencial pelo menos nos últimos 40 anos, não possuindo condições logísticas para abrigar os empregados registrados em seu nome. Para corroborar com esta informação, foi anexada a Certidão feita pela Secretaria Municipal da Fazenda de Sertãozinho / SP datado de 06/05/2009, em resposta ao Oficio n° 26/2009/DRF/RPO/Sefis/EFI 3. Tal Certidão informa que o imóvel da Rua Elpidio Gomes, 141 é de natureza residencial, e que no local consta como funcionando a empresa DISAIL, e que na Ficha Espelho do Imóvel seu proprietário é o Sr. Vagner Stefanoni. De acordo com a alteração do contrato social datado de 01/12/1998, a Sra. Leda Bisson Stefanoni (sóciagerente) e o Sr. Vagner Stefanoni residem neste endereço pelo menos desde dezembro de 1998. Estes fatos somados comprovam que houve simulação na informação do domicilio tributário da DISAIL, pois no mencionado endereço nunca houve, efetivamente, movimentação de empregados nem tampouco produção fabril (fls. 117 a 142; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alínea constitui PROVA EMPRESTADA. E) A DISAIL possui como únicas sócias, desde 01 de dezembro de 1998, as Sras. Leda Bisson Stefanoni e Bárbara Aparecida Stefanoni Carvalho, conforme alteração contratual registrado em 24/03/1999. Essas sócias são, respectivamente, mulher e filha do Sr. Vagner Stefanoni, que foi sóciogerente da DISAIL no período de 05 de setembro de 1979 a 01 de dezembro de 1998, e é um dos sóciosadministradores da FISCALIZADA a partir de 23/06/1999 (antes no Novo Código Civil denominavase sócio Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 gerente). 0 Sr. Vagner Stefanoni, ao deixar a sociedade da DISAIL em 01/12/1998, na mesma alteração contratual, continuou a administrála, com plenos poderes para gerila, conforme consta nesta e nas seguintes alterações contratuais. Para evidenciar ainda mais a interação entre estas empresas, a FISCALIZADA foi sócia da DISAIL no período de 29 de outubro de 2007 a 05 de dezembro de 2007. Exponho o artigo 9°, inciso IX da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que segue: "Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa Jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ;" 1 Tal ordenamento legal justifica a saída do Sr. Vagner Stefanoni do quadro societário e sua inclusão como administrador não sócio da DISAIL, para sua posterior entrada para o quadro societário da FISCALIZADA, seis meses após. A partir de 01 de janeiro de 2000 a DISAIL passou a ser optante do SIMPLES. Portanto, a relação familiar entre as sócias da DISAIL e o administrador não sócio da DISAIL / sócio administrador da FISCALIZADA o Sr. Vagner Stefanoni é inconteste, e a seqüência de atos como a saída da sociedade da DISAIL, mas continuando a gerila como administrador não sócio, e a inclusão do Sr. Vagner Stefanoni na sociedade da FISCALIZADA, e a inclusão da DISAIL no SIMPLES, são indícios fortes de característica de simulação para fins de diminuição de contribuição previdencidria (f Is. 124 a 185; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alínea constitui PROVA EMPRESTADA. F) A FISCALIZADA e a DISAIL possuem Certidões emitidas pelo 2° Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos da Comarca de Sertãozinho — SP datadas de 27/10/2004 e 12/07/2005, respectivamente, nomeando como procuradores os Srs. Cássio José Carvalho, Marcelo Henrique Galvdo e João Marcos Galvão Júnior. Os procuradores foram contratados e registrados pela DISAIL em 02 de abril de 2001, em 01 de fevereiro de 2000, e em 01 de junho de 2006, respectivamente. A Procuração outorgada pela DISAIL traz em seu texto, após nomear e constituir seus procuradores, o seguinte: "confere poderes amplos, gerais e ilimitados para o fim especial de agindo sempre em conjunto de dois procuradores, ou ainda, um procurador e uma sócia da empresa, da seguinte forma: a) Sr. Cássio José Carvalho e Sr. João Marcos Galvão;...c) Sr Cássio José Carvalho e Sr João Marcos Galvão Junior; d) Sr Vagner Ste fanoni e Sr. João Marcos Galvão; g) Sra. Leda Bisson Ste fanoni e Sr João Marcos Galvão; j) Sra. Bárbara Aparecida Ste fanoni Carvalho e Sr João Marcos gerir e administrar a firma outorgante..." (grifos nossos). 1 Os nomes sublinhados não são sócios da DISAIL. Os nomes sublinhados Sr. João Marcos Galvão e Sr. Vagner Stefanoni são sóciosadministradores da FISCALIZADA, mas mesmo assim ganharam poderes para gerir a DISAIL, juntamente com seus Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 10 17 procuradores e sócias, mas na letra "d" figuram sozinhos, ou seja, os sócios da FISCALIZADA podem gerir, sozinhos, a DISAIL. Este é um fato que evidencia a "integração" existente entre as duas empresas, uma cedendo os empregados para que a outra produza e comercialize os produtos, gerando, com essa "simbiose", uma economia no recolhimento das contribuições previdenciárias. Outro fato que se deve considerar é que na procuração outorgada pela FISCALIZADA, consta que podem agir em conjunto os Srs. João Marcos Galvão Junior e o Sr. Cássio José Carvalho, idêntico a letra "c" da procuração outorgada pela DISAIL, concluindo que podem administrar as duas empresas também os Srs. João Marcos Galvdo Junior e Cássio José Carvalho, desde que conjuntamente. 2 Portanto, constitui em prova inconteste de integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA, ou seja, a procuração da DISAIL outorga poderes gerais e ilimitados_ de gerência e administração para os sóciosadministradores da FISCALIZADA. Então, os ddis sácios da FISCALIZADA, com a procuração outorgada pela DISIAL, poderiam efetuar os registros de todos os funcionários na DISAIL, pois esta é optante do SIMPLES, não estaria obrigada ao lançamento por homologação e recolhimento da contribuição patronal (20%), RAT (3%) e de Outras Entidades (5,8%), e deixaria a FISCALIZADA sem nenhum funcionário registrado, pois esta não é optante do SIMPLES e não pagaria todas aquelas verbas previdenciárias. Mas isto é o que foi executado durante o período fiscalizado, constituindo, juntamente com as provas e indícios citados acima e abaixo desta alínea, uma integração entre as duas empresas com o fim especifico de redução dos encargos previdencidrios (fls. 186 a 191; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alínea constitui PROVA EMPRESTADA. G) Em 20 de janeiro de 2000 foi firmado contrato de prestação de serviços entre a FISCALIZADA, contratante, e a DISAIL, contratada, tendo como objeto o fornecimento por parte da contratada de "Serviços gerais de administração e de controle de produção fabril" à contratante, bem como o local de trabalho para a consecução dos serviços seria as instalações da FISCALIZADA. As assinaturas deste contrato foram do Sr. Vagner Stefanoni, representando a DISAIL, e o Sr. João Marcos Galvão, representando a FISCALIZADA. O contrato institui como forma de pagamento o fluxo de caixa da FISCALIZADA, e o preço a ser estabelecido de comum acordo entre as partes, bem como sem definição de prazo de validade. 1 A FISCALIZADA atende todos os pedidos feitos por seus clientes utilizandose apenas dos empregados registrados na DISAIL, pois, no período desta ação fiscal (01/01/2006 a 30/06/2007), aquela, não possuía nenhum empregado , registrado em seu nome, e mesmo assim, obteve uma Receita Operacional Bruta no ano calendário 2006 de R$ 37.451.350,22, Fl. 177DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 e no primeiro semestre do ano calendário 2007 de R$ 13.103.944,40. Esses empregados, que têm funções variadas descritas em folhas de pagamento como as de faxineiro, desenhista copista, eletricista, comprador, auxiliar administrativo, gerente administrativo, gerente financeiro, mecânico montador, auxiliar de escritório, expedidor de materiais, operador de máquinas fixas, porteiro, operador de ponte rolante, operador de radial 2, pedreiro, coordenador, ajudante geral, supervisor de montagem, prestavam serviços na sede da FISCALIZADA, suprindo suas necessidades de mãode obra em todos os setores, desde o chão de fábrica até o pessoal de escritório, contador e gerentes. 2 Como o Sr. Vagner Stefanoni era, no período fiscalizado, ao mesmo tempo administrador nãosócio com poder de mando na DISAIL e sócioadministrador da FISCALIZADA, concluise que os empregados registrados naquela e que trabalhavam para esta estavam sob o comando da mesma pessoa sem ter como identificar a qual empresa pertenciam, corroborando com esta constatação a outorga da procuração da DISAIL conferindo amplos poderes, gerais e ilimitados para gerir e administrar, conforme já relatado na alínea "f" acima. Podese afirmar, então, que este contrato foi firmado entre os dois sócios da FISCALIZADA. Este fato tem uma explicação: a FISCALIZADA, não podendo ser optante pelo SIMPLES devido ao seu faturamento, contrata a DISAIL, optante pelo SIMPLES e administrada pelo não sócio Sr. Vagner Stefanoni, que também é sócioadministrador da FISCALIZADA, a fim de reduzir o seu recolhimento de contribuições previdencidrias incidentes sobre a folha de pagamento de salários. 3 Portanto, outra prova indiscutível da integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA e a simulação "discarada" entre elas, pois a administração é única, nem dando o cuidado de assinar as próprias sócias representando a DISAIL. As cláusulas deste contrato não têm objetividade, não possui determinação de valores, não tem forma de pagamento e prazo de validade definidos, entendendo não ser qualificado como uma transação comercial, pois as cláusulas estão sempre favoráveis a FISCALIZADA (fls. 192 a 196; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alínea constitui PROVA EMPRESTADA. H) 0 Sr. Luiz Eduardo Kasputes foi contratado e registrado pela DISAIL em 01 de junho de 2000 como gerente administrativo. Ele é o contador da FISCALIZADA e da DISAIL, assinando, juntamente com o Sr. Vagner Stefanoni, os Livros Diários referente aos períodos de 01/01/2006 a 31/12/2006 e de 01/01/2007 a 30/06/2007 de ambas empresas. As ações fiscais desenvolvidas em ambas as empresas em questão foram atendidas pelo Sr. Luiz Eduardo Kasputes, que separou a documentação exigida e explicou a movimentação contábil e de pessoal ocorrida, respondendo todas as intimações. Portanto, o Sr. Vagner Stefanoni assinando todos os livros contábeis das duas empresas, se responsabilizando por todas as transações, pagamentos, recebimentos, e outros, juntamente com o Sr Luiz Eduardo Kasputes, caracterizase em mais um indicio de integração entre as duas empresas para o fim de redução no Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 11 19 recolhimento de contribuições previdencidrias (fls. 197 a 199 e 202 a 210; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). I) Ao analisar a contabilidade da DISAIL e da FISCALIZADA, separadamente ou conjuntamente, verificamos diversos indícios e fatos contundentes da qual sinalizam que a DISAIL está sendo utilizada simplesmente para registrar os funcionários da FISCALIZADA, ou seja, unicamente para não recolher A parte da Empresa (20%), RAT (3%) e Outras Entidade (5,8%) sobre o total das remunerações dos funcionários registrados na DISAIL, da qual expomos: 1 Na DISAIL possui: (I) lançamentos feitos na sua contabilidade de receitas auferidas somente de prestação de serviços, mesmo constando também no objeto social principal o comércio de máquinas, acessórios industriais e produtos químicos; (ii) as despesas registradas na contabilidade derivam quase que totalmente da folha de pagamento de salários e respectivos encargos trabalhistas, ou seja, não possuindo registros contábeis de despesas com material de escritório (lápis, caneta, papel, e outros), material de limpeza (alvejante, vassoura, rodo, e outros), fotocópias, cartorárias, postal, e etc.; (iii) não foram encontrados lançamentos referentes As despesas de energia elétrica, água, telefone, aluguel do local onde alega ser seu domicilio fiscal, das quais são inerentes a qualquer atividade comercial e/ou de serviço. Portanto, sem estas despesas essenciais A existência de qualquer empresa, bem como sem o lançamento contábil relativo ao pagamento do registro do livro diário do ano calendário 2006 com autenticação efetuada em 14/06/2007 no Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais de Sertãozinho, como a DISAIL poderia ser considerada uma empresa independente; 2 A FISCALIZADA possui, por amostragem: (i) pagamento de bolsa de estudo para Marcos Antonio Piassa, funcionário registrado na DISAIL, nos meses de 01 e 05/2007; (ii) pagamento de cursos ou treinamentos para Leandro Osvaldo Giroto e André Candido Sanches, funcionários da DISAIL, e outros sem identificação do beneficiário, nos meses 01, 04 e 05/2007; (iii) pagamento de despesas de viagens para vários funcionários da DISAIL nos meses de 01, 03 a 08 e 11/2006 e 01 a 06/2007. Portanto, a FISCALIZADA mantém obrigações trabalhistas em que a DISAIL deveria suportar, conduzindo a mais uma prova de integração entre ambas (fls. 211 a 287; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante); 3 Os recebimentos da DISAIL pelos serviços prestados aos seus únicos clientes FISCALIZADA e LAPEFER, conforme notas fiscais apresentadas na ação fiscal efetuada na DISAIL, somente poderiam ser através de depósitos em conta corrente bancária, pois a fiscalizada não possui conta caixa em sua escrita contábil. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Na escrita contábil da DISAIL, a conta contábil analítica 11202000711 — Serviços, do Ativo Realizável (conta contábil sintética Serviços e Comissões a receber) possui, em seus valores relevantes, conforme descrito na Planilha V e VI anexos a este Al das quais fazem parte integrante (fls. 288 a 294; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante): (i) lançamentos contábeis a créditos com contrapartidas a débito nas contas contábeis analíticas 11102000024— Bradesco S/A e 11102000036— Unibanco S/A, ambas do Ativo Circulante, constituindose depósitos em conta corrente bancária da DISAIL, descrito no histórico do lançamento como avisos de créditos, e a conta contábil analítica 21201003402 — Vagner Stefanoni, do Passivo Circulante (conta contábil sintética Financiamentos), descrito no histórico do lançamento como transferência; (ii) lançamentos contábeis a débitos com contrapartidas a crédito nas contas contábeis analíticas 21201003402 — Vagner Stefanoni, do Passivo Circulante (conta contábil sintética Financiamentos), 31101001510 — Prestação de Serviços, da Demonstração de Resultado, e os recebimentos do aluguel, representado pelas contas contábeis analíticas 33402003438 — Aluguel menos 33203000723 —Comissão de Administração, ambas da Demonstração de Resultado. a) Diante da análise destes lançamentos como um todo, destacamos que: (i) as disponibilidades financeiras da DISAIL advêm de supostos serviços prestados a FISCALIZADA e a LAPEFER, rendimentos de aluguel, e supostos financiamentos do Sr. Vagner Stefanoni, sendo que neste último, ocorre transferência ao crédito e a débito, como uma conta de mútuo; (ii) foram recebidos os alugueis pela DISAIL, conforme comprovantes juntados a este Al, mas não existe a entrada de numerário (nem em caixa, nem em conta corrente bancária), ou seja, os recebimentos simplesmente foram lançados contabilmente em contrapartida à conta analítica Serviços (fls. 295 a 297; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante); (iii) o Sr. Vagner Stefanoni, além de ser o administrador não sócio da DISAIL, e ser sócioadministrador da FISCALIZADA, também possui uma conta contábil analítica do passivo (21201003402) com finalidade de financiamento na DISAIL, da qual recebe transferência mensal de depósitos bancários efetuados pela FISCALIZADA, utilizando a conta contábil serviços como transitória, ou seja, a seqüência seria lançamentos contábeis a débito na conta Banco e a crédito na conta Serviços, depois a débito na conta Serviços e a crédito na conta Vagner Stefanoni (vide também a planilha VII anexa a este Al da qual faz parte integrante). Entendemos, então, que a conta contábil do Sr. Vagner Stefanoni na DISAIL é uma injeção de recursos financeiros efetuados pela FISCALIZADA para a manutenção financeira e contábil da DISAIL (fls. 298 e 299; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante); Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 12 21 (iv) o saldo inicial da conta contábil analítica 11202000711 — Serviços, do Ativo Realizável (conta contábil sintética Serviços e Comissões a receber) da escrita contábil da DISAIL, nos meses 01 a 12/2006 e 01 a 06/2007, sempre estão zerados. Isso quer dizer que não possuem créditos a receber de clientes .de um mês para o outro, ou seja, são quitados/recebidos no mesmo mês do faturamento. b) Portanto, nesta alínea, comprovase a dependência financeira da DISAIL, e, também, constatase que a FISCALIZADA depositou R$ 1.187.400,00 nas contas correntes da DISAIL no período de 01 a 12/2006, mas faturou somente R$ 1.057.320,00, e no período de 01 a 06/2007 depositou R$ 498.000,00 e não ocorreu nenhum faturamento. 4 A quantidade de funcionários com funções variadas que a DISAIL possuiu em seu quadro durante o período fiscalizado (operador de radial, gerente de produção, ajudante geral, faxineiro, almoxarife, conferente de carga e descarga, guincheiro, operador de ponde rolante, etc.) com comparecimento registrado em registro eletrônico de ponto, nos meses de novembro de 2006 a junho de 2007, não condiz com seu faturamento para empregar esta quantidade de funcionários com funções variadas, nem tampouco local (na cidade de SertãozinhoSP), pois não houve faturamento para a FISCALIZADA, e, sendo a LAPEFER localizada na cidade de São Paulo e a única cliente nestes meses, na qual foram realizadas intermediações de vendas, não teria como utilizar todos estes funcionários. Portanto, estes funcionários trabalharam para a FISCALIZADA no período acima citado, corroborado com os relatos contidos na alínea "c" acima. (fls. 300 a 371; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). J) Ao analisar as Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela DISAIL durante o período fiscalizado, do número 1287 ao 1317, verificouse os serviços prestados para a FISCALIZADA durante o período de 01 a 07, 09 e 10/2006, nas quais eram para suprir a necessidade de pessoal da FISCALIZADA. A DISAIL não juntou em resposta ao TIF n°002/2010 o Contrato de Prestação de Serviços celebrado com a empresa LAPEFER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE LAMINADOS LTDA, CNPJ 60.869.203/000140, da qual prestou alegado serviço durante os períodos de 01 a 05, 07, 08, 10 a 12/2006, e 01 a 06/2007. 1 — A LAPEFER situase na cidade de São Paulo, na qual diligenciamos, emitindo o TIFF recebido através do Aviso de Recebimento n° RK990723415BR, de 02/08/2010, e, respondeu juntando cópias autenticadas dos depósitos ou transferências e das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela DISAIL, bem como cópias simples dos relatórios internos da LAPEFER que indicam o tipo de serviço prestado pela DISA1L, ou seja, comissões sobre supostas intervenções em vendas de produtos da LAPEFER correspondente ao percentual de 2%. Conforme os Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 próprios relatórios internos, mais de 95% das comissões recebidas pela DISAIL advêm de intervenções de vendas efetuadas para a FISCALIZADA, da qual aquela possui o mesmo quadro gerencial e uma integração total com esta. 2 Portanto, colocamos em xeque a independência financeira e econômica da DISAIL, perguntando como poderia intermediar supostas vendas se não possui equipamento, local e suporte, ou seja, não consta registro em sua escrita contábil de pagamento de telefone, aluguel do imóvel onde situa seu domicilio fiscal, energia elétrica, água, material de escritório, fotocópias, postal, cartorárias, etc. (fls. 372 a 399 e 402 a 423; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). K) No dia 01 de fevereiro de 2008 foi firmada uma declaração na Subdelegacia do Trabalho em Ribeirao Preto, documento este que informa a transferência de todos os empregados da DISAIL, a partir de 01 de janeiro de 2008, para a "sucessora" FISCALIZADA. Para efetivação desta transferência de empregados foi gerado o Pedido de Transferência de Contas Vinculadas do FGTS —PTC, o qual traz como "motivo" da transferência a "incorporação com assunção de • encargos trabalhistas". Quem assinou estes documentos foram os Srs. Vagner Stefanoni, qualificado como Diretor da DISAIL, e Luiz Eduardo Kasputes pela FISCALIZADA. Este último, como já foi dito anteriormente, é o contador das duas empresas e poderia ter assinado estes documentos por qualquer uma delas, bem como aquele, pois é sócioadministrador da FISCALIZADA e administrador não sócio da DISAIL. Essa transferência vem ratificar a situação de fato existente entre as duas empresas, e que já acontecia no período fiscalizado, ou seja, a empresa na qual estes empregados deveriam estar registrados é na FISCALIZADA. 1 A FISCALIZADA, se não mantivesse com a DISAIL uma relação que vai muito além da mera prestação de serviços, não assumiria tal encargo trabalhista, e só o fez porque os empregados são e sempre foram dela até a emissão deste PTC. termo "sucessora" não condiz com os atos contratuais da FISCALIZADA nem da DISAIL, pois não houve nenhuma fusão, incorporação ou cisão entre as duas empresas para que pudesse ocorrer esta transferência de funcionários. A FISCALIZADA não teria essa benevolência para com a DISAIL se as duas empresas não fossem uma. Para corroborar com esta transferência, juntamos dados cadastrais do Cadastro Nacional de Informações Social — CNIS de alguns funcionários (fls. 424 a • 443; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). 3.1.5 Em resposta ao TIF. n° 002/2010, da ação fiscal na DISAIL, da qual quem assinou a declaração foi o Sr. Luiz Eduardo Kasputes, alegaram (fls. 570 a 599 e 602 a 649; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante): A) Que o serviço prestado a LAPEFER era de logística e prestado em seu estabelecimento, sem juntar documentos comprobatórios. Isto alegado, sem comprovação, mantémse os indícios e provas já citadas nos itens anteriores, como não Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 13 23 possuir equipamentos (telefone, energia elétrica e água), local (sem aluguel do domicilio fiscal), material de escritório, despesas de fotocópias, postais, cartorárias, etc., para que uma empresa funcione normalmente; B) Que os valores dos alugueis foram depositados em conta corrente da sócia proprietária Leda Bisson Stefanoni, sem juntar qualquer comprovação. Isto alegado, e ainda, alegando que a DISAIL estava em dificuldades financeiras, não esclarece nem ameniza os lançamentos contábeis de recebimento de aluguel sem entrada de numerário na DISAIL, comprovando, ainda, a não observância do principio contábil da entidade; C) Que o Sr. Vagner Stefanoni fazia empréstimos por meio de contrato de mútuo, sem juntar qualquer contrato. Isto alegado, sem comprovação, não justifica os depósitos bancários da FISCALIZADA em conta corrente da DISAIL, sendo que estes depósitos eram transferidos para a conta contábil de nome Vagner Stefanoni, utilizando como conta transitória, a conta contábil Serviços. Estes lançamentos contábeis comprovam que os valores registrados na conta contábil de nome do Sr. Vagner Stefanoni vinham da FISCALIZADA, e não como alegado; D) Que a dificuldade financeira da DISAIL é a justificativa para os depósitos bancários em valores maiores que os faturados efetuados pela FISCALIZADA, sendo que as emissões das notas foram efetuadas posteriormente, e que tudo eram devidamente fechadas, inclusive a utilização dos funcionários da DISAI L. Isto alegado, sem comprovação, reforça nossa convicção da integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA, pois aquela depende totalmente desta, e se junta aos indícios e provas contundentes já citadas acima. 3.1.6 Em resposta ao TIF. n° 002/2010, da ação fiscal na FISCALIZADA, da qual quem assinou a declaração foi o Sr. Luiz Eduardo Kasputes, alegaram que as conciliações entre os lançamentos não estavam fechados porque necessitava pagar por adiantamento com posterior faturamento, sendo que os adiantamentos eram contabilizados como adiantamento para fornecedor, e que o pagamento de despesas com locomoção e estadia dos funcionários da DISAIL eram para manutenção e conserto das mercadorias e equipamentos vendidos. Isto alegado, sem comprovação, não ameniza nem contrapõe os indícios e provas contundentes citadas acima, pois não têm lançamento contábil na FISCALIZADA em conta Adiantamentos a Fornecedores no período fiscalizado, bem como no campo motivo dos comprovantes de pagamento de despesas de viagens consta, dentre outros, acompanhamento de obras ou processos, visitas, cursos, montagem de unidades, reuniões, inspeções, feira, e entrega de documentos, não justificando o alegado (fls. 481 a 528; documentos juntados neste Al • da qual fazem parte integrante). Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 3.1.7 Diante de todo o exposto, e reiterando que a integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA é inconteste, e aquela é uma empresa anexa a esta, pois as provas e indícios apresentados são contundentes e incisivos, obtendo, assim minha convicção que a DISAIL continuou a existir no ordenamento jurídico a partir da constituição da FISCALIZADA, após sua inclusão no SIMPLES, e especialmente, durante o período fiscalizado, para o fim especifico de servir como empresa interposta utilizada _pela FISCALIZADA para contratar empregados com redução de encargos previdenciários, ou seja, não recolhimento da contribuição patronal (20%), RAT (2%) e Outras Entidades — TERCEIROS (5,8%). Portanto, verificamos que o objetivo é gerar redução nos custos de produção da FISCALIZADA para diminuir sobremaneira seus encargos com a contribuição previdencidria, pois a DISAIL é optante pelo SIMPLES e mantém os empregados registrados em seu nome para os fornecer a FISCALIZADA, que não pode optar pelo SIMPLES e também não registrou nenhum funcionário. Com base nesta situação fática foram considerados, neste presente levantamento, os vínculos empregaticios dos funcionários da DISAIL como pertencentes diretamente á FISCALIZADA, ou seja, concluiuse que existe vinculo empregatício entre a FISCALIZADA e os trabalhadores da DISAIL. SELIC – SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS A recorrente requer a apropriação dos pagamentos efetuados pela DISAIL. Conforme consta da decisão de primeira instância, , essa apropriação já foi efetuada. Em suma devem ser excluídos os valores das contribuições apuradas a titulo de contribuições dos segurados caracterizados como empregados, ate o limite dos respectivos recolhimentos, comprovados por meio de GPS apresentadas e confirmadas nos Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000588/201060 Acórdão n.º 2403001.633 S2C4T3 Fl. 14 25 sistemas informatizados da RFB. De que resulta a emissão do Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR), ora juntado aos autos, ficando mantido o valor de R$ 30.158,21 (principal, juros e multa), consolidado em 08/11/2010. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001253/2006-07
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
Ementa:
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
A discussão de questões em processo judicial impede sua análise na seara administrativa, forte na Súmula n. 01 do CARF. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a)
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 29/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a) (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
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A discussão de questões em processo judicial impede sua análise na seara administrativa, forte na Súmula n. 01 do CARF. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a) (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 12 53 /2 00 6- 07 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de impugnação contra o crédito tributario constituido mediante Auto de Infração (fls. 06 a 10) lavrado contra a pessoa física em epígrafe relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2003, anocalendario 2002, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao mencionado período de imposto a restituir no valor de R$ 1.643,04 para imposto a pagar de R$ 1.384,57. Este saldo, acrescido de multa de ofício e juros de mora, totaliza crédito tributário no montante de R$ 3.079,41. O lançamento originouse de procedimento de revisão interna da declaração original (ND 07/20.542.097) entregue pelo contribuinte em 26/04/2003 (fls. 36 a 39), no qual foram apuradas, conforme "Demonstrativo das Infrações" à fl. 07, as seguintes infrações: · Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho com vínculo empregatício: FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS, no montante de R$ 9.271,86; · Dedução indevida de incentivo, no valor de R$ 106,39; e · Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, no montante de R$ 479,25. Cientificado do lançamento em 30/03/2006 (fls 26 e 43), o interessado apresentou peça impugnatória (fls. 01 e 02), datada de 26/04/2006, na qual informa, em apertada síntese, ter contribuído ao longo de sua vida laborai para plano complementar de aposentadoria patrocinado pelo grupo PETROBRÁS S/A aos seus funcionários por intermédio de entidade de previdência privada fechada denominada FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL (PETROS). Observa também que sua aposentadoria, termo inicial da percepção de benefício previdenciário suplementar pela referida fundação, resulta de aportes financeiros realizados anteriormente à edição da Lei nº 9.250, de 1995, ato legal que passou a considerar tributáveis os benefícios recebidos de entidade de previdência privada ao mesmo tempo em que permitiu a dedução das contribuições da base de cálculo do imposto. Esclareceu ainda o recorrente que sobre tais contribuições, aportadas pelo funcionário participante para formação da reserva matemática, já houve incidência de imposto de renda na forma de rendimento oriundo do trabalho assalariado. Isto posto, argúi a tributação incidente sobre parcela de benefício correspondente a suas próprias contribuições por entender ter esta parcela natureza nãotributável prevista pelo disciplinamento contido no art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, com escopo de evitar a ocorrência de bitributação. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.001253/200607 Acórdão n.º 2802002.057 S2TE02 Fl. 3 3 Sobre a dedução de incentivo considerada indevida ou redução do imposto de renda retido na fonte, mantémse silente o recorrente.” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1327.614, de 22 de dezembro de 2009, que se encontra às fls. 74/79 (eproc)196, cuja ementa é a seguinte ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento, importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitivo o lançamento, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não conhecendo da impugnação apresentada. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cientificado em 05/08/2011 (fls. .66), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/08/2011 (fls. 67/69) argumentando, o seguinte: Equivocado o Colegiado em deixar de analisar a referida Impugnação. Afinal, não se está discutindo nesta fase do processo se os Rendimentos são Tributáveis, ou não, porque isto já está pacificado pela Justiça, ao declarar em Sentença Transitada em Julgado a inexistência da relação jurídicotributária sobre os rendimentos recebidos da PETROS a título de complementação de aposentadoria. O que se discute é que, em razão disso, não pode a Receita Federal considerar tais rendimentos como sendo Tributáveis. Aliás, fazse mister transcrever trecho da sentença constante do relatório "3. Pelo exposto, julgo PROCEDENTE para, mantendo a antecipação dos efeitos da tutela, declarar a inexistência da relação jurídicotributária de imposto de renda incidente sobre a complementação/suplementação de aposentadoria paga pela PETROS à parte autora; e condenar a ré a restituirIhe o valor cobrado a título, monetariamente atualizado e com acréscimo de juros de 6% ao ano a contar da citação. Honorários advocatícios pela ré à base de 10% sobre o valor da condenação. Sentença sujeita ao reexame necessário.. Custas ex lege Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Conforme Processo n° 2000.51.01.0062000, da 2a Vara Federal/RJ, transitado em julgado em 10/08/04 (cópia anexa), foi declarada a nãoincidência do Imposto de Renda sobre as verbas recebidas pelo Autor a título de complementação de aposentadoria, ratificandose ficar claro que os Créditos Tributários Perseguidos não devem prosperar. É o relatório. Voto Conselheira, Dayse Fernandes Leite A questão sob julgamento diz respeito à omissão de rendimentos no valor de R$ 9.271,86 pagos pela FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL (PETROS) a título de benefício complementar de previdência privada, o impugnante contesta o lançamento alegando a ocorrência de bitributação dos rendimentos considerados omitidos, defendendo, pois, a natureza isenta ou nãotributável da verba lastreado no art. 6º da Lei n 7.713, de 1988 Por estar discutindo a mesma questão junto ao Poder Judiciário, sua defesa não foi conhecida, motivo pelo qual apresentou recurso voluntário. Em que pesem as argumentações expendidas, não merece reparo a decisão recorrida, haja vista a aplicação da súmula nº. 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso interposto, em face da concomitância, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10580.732654/2010-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2008
Ementa:
NULIDADES. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal são as estabelecidas no art. 59 do Decreto no 70.235(1972.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado o creditamento da Contribuição para o PIS(PASEP em relação a aquisições de pessoas físicas (art. 3o da Lei no 10.637(2002).
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CREDITAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONCEITO DE INSUMO. ABRANGÊNCIA. RASTREAMENTO. ESCOLTA. SEGURO.
A expressão insumo utilizado na prestação de serviços, na legislação que trata da Contribuição para o PIS/Pasep (e da Cofins), se refere aos bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado) e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Tal conceito abarca as despesas com rastreamento e escolta, mas não as referentes a contratos de seguro.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS.
Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA.
A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430(1996 não possui natureza confiscatória.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITO.
A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430(1996 só pode ser qualificada (duplicada) nos casos previstos nos art. 71 a 73 da Lei no 4.502(1964 (sonegação, fraude e conluio, caracterizados pela presença do intuito doloso).
Numero da decisão: 3403-001.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, deu-se provimento parcial nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de serviços de escolta e rastreamento de cargas, negando-se provimento quanto aos demais itens; e 2) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto ao direito de o contribuinte tomar o crédito em relação aos contratos de seguro, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal são as estabelecidas no art. 59 do Decreto no 70.235/1972. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. VEDAÇÃO. É expressamente vedado o creditamento da Contribuição para o PIS/PASEP em relação a aquisições de pessoas físicas (art. 3o da Lei no 10.637/2002). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CREDITAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONCEITO DE INSUMO. ABRANGÊNCIA. RASTREAMENTO. ESCOLTA. SEGURO. A expressão “insumo utilizado na prestação de serviços”, na legislação que trata da Contribuição para o PIS/Pasep (e da Cofins), se refere aos bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado) e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Tal conceito abarca as despesas com rastreamento e escolta, mas não as referentes a contratos de seguro. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 26 54 /2 01 0- 56 Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 2 Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA. A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996 não possui natureza confiscatória. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITO. A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996 só pode ser qualificada (duplicada) nos casos previstos nos art. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964 (sonegação, fraude e conluio, caracterizados pela presença do intuito doloso). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, deuse provimento parcial nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de serviços de escolta e rastreamento de cargas, negandose provimento quanto aos demais itens; e 2) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto ao direito de o contribuinte tomar o crédito em relação aos contratos de seguro, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado para cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep relativa aos períodos de janeiro a dezembro de 2008. O Auto de Infração foi lavrado em 7/12/2010 (fls. 2 a 431). No Termo de Verificação Fiscal, anexo à autuação (fls. 44 a 47), sustentase que: (a) a empresa, que atua, entre outros, no ramo de administração logística, incluindo armazenagem, distribuição e transporte de cargas, apresentou DIPJ em relação ao ano calendário 2008 adotando como forma de tributação o lucro real (com a Contribuição para o PIS/Pasep sob a sistemática da nãocumulatividade); 1 Toda numeração de folhas indicada nesta decisão se refere à paginação eletrônica no "eprocessos". Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.732654/201056 Acórdão n.º 3403001.815 S3C4T3 Fl. 1.781 3 (b) os demonstrativos apresentados revelam que a empresa utilizou a integralidade de seus gastos, mês a mês, como base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep (e da COFINS), em desacordo com a Lei no 10.627/2002 (e a Lei no 10.833/2003); (c) assim, a empresa creditouse, v.g., de gastos com remuneração de seus funcionários, de contador, de advogado, e de pagamentos diversos a pessoas físicas; (d) a empresa não procedeu ainda ao cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep (e da COFINS) em relação aos pagamentos efetuados aos carreteiros, pessoas físicas, tendo se apropriado integralmente dos gastos; (e) efetuada a consolidação das glosas em planilha, pelo fisco, apurouse insuficiência de recolhimento em relação ao anocalendário de 2008; (f) foi ainda lavrada multa qualificada, sob o argumento de ser incontestável que o contribuinte, com a assessoria que possui, tenha ignorado os dispositivos legais de regência da matéria; e (g) por consequência da qualificação da multa, foi ainda efetuada representação fiscal para fins penais. Cientificada da autuação ainda em 7/12/2010 (fls. 4 e 47), a recorrente apresenta impugnação em 3/1/2011 (fls. 695 a 796), argumentando que: (a) a autuada só obteve acesso aos autos do processo em 30/12/2010, prejudicando sua defesa, e violando os princípios da moralidade e da publicidade; (b) há ausência de motivação na autuação, pois a autuada não tem conhecimento de que falta ou insuficiência de tributos lhe está sendo exigida, e o Auto de Infração não tem Relatório Fiscal, violandose os princípios da ampla defesa e do devido processo legal; (c) as planilhas elaboradas pelo fisco não explicitam a motivação individualizada das glosas por contas (nem dentro de tais contas detalham as glosas parciais); (d) a legislação federal brasileira (Lei no 11.442/2007) obriga o transportador a contratar seguro em relação às cargas que transporta; assim, os custos de seguro não são facultativos, e devem gerar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep (e da COFINS), sendo idêntico o tratamento que deve ser dado ao custo de instalação de Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 4 rastreadores (e escolta de cargas), que decorre de exigência das seguradoras; (e) o critério de glosa não é uniforme (por exemplo, todos os créditos tomados nas contas de leasing de abril a junho de 2008 foram acatados, exceto a conta “leasing computadores”, enquanto que nos demais meses todos os créditos da mesma categoria foram integralmente glosados); (f) em que pese a fiscalização ter acatado os gastos com transportes fluviais para geração de créditos, foram glosados os créditos tomados em relação a “balsas e pedágios”, de mesma natureza; (g) foram ainda glosadas despesas com manutenção dos caminhões, em diversas contas (v.g. “pneus e câmaras col/ent”); (h) outras glosa incabível é a relativa a “ impressos legais”, que não são uma opção, mas uma obrigação administrativa; (i) foram glosados “descontos incondicionais” contabilizados pela empresa na conta “descontos sobre duplicatas”; (j) é incabívela qualificação da multa de ofício, por não estar presente o elemento dolo, havendo tãosomente divergência de interpretação entre o fisco e a empresa; (k) a multa de ofício é confiscatória, e fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, mesmo se aplicada no percentual de 75%; (l) não é possível incluir o ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (e da COFINS); e (m) ainda que fosse correta a glosa, houve erro de cálculo na autuação quanto à tributação dos créditos glosados, demandando prova pericial (quesitos sugeridos às fls. 792/794). Em 21/3/2011 o julgador de primeira instância determina a realização de diligência pela unidade local da RFB (fls. 1209/1210), objetivando: (a) identificar os lançamentos contábeis e a motivação das glosas em contas contábeis relacionadas na impugnação; (b) confirmar se as receitas informadas na DACON já estão subtraídas das “deduções sobre a Receita” do demosntrativo elaborado pelo fisco; e (c) esclarecer a razão das diferenciações nas glosas em relação a leasing. Em conclusão à diligência é emitido, em 19/9/2011 (com ciência à autuada na mesma data), o Termo de fls. 1598 a 1603, no qual: (a) se esclarece que as glosas nas contas indicadas na primeira pergunta foram em decorrência de aquisições de pessoas físicas; (b) é apresentado um demonstrativo de receitas baseado em informações contidas nos balancetes e Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.732654/201056 Acórdão n.º 3403001.815 S3C4T3 Fl. 1.782 5 nas DACON retificadoras entregues pela diligenciada; (c) se informa que as bases de cálculo apuradas pela diligenciada já estão subtraídas das “deduções sobre a receita” glosadas pela fiscalização; e (d) se comunica que a autuada, durante o procedimento de fiscalização, não apresentou nenhum documento de pagamento em contrato de leasing (na impugnação são apresentados contratos de leasing), e a análise das contas contábeis relativas a leasing possibilitaram identificar os lançamentos tãosomente em relação ao período de apuração de abril a junho de 2008, tendo sido para os demais períodos lançados inviabilizada a identificação. Em 18/10/2011 a recorrente se manifesta sobre o termo emitido em conclusão da diligência, destacando que: (a) a diligência não analisou a questão das glosas referentes a seguros, entre outras, referidas na impugnação; (b) o princípio constitucional da não cumulatividade positivado, para as contribuições, no § 12 do art. 195 da CF, viabiliza a determinados setores da economia completa e irrestrita desoneração de seus faturamentos, não podendo a lei (como fez o art. 3o da Lei no 10.637/2002, especialmente ao restringir os creditamentos a aquisições de pessoas jurídicas) limitar seu conteúdo, sob pena de inconstitucionalidade (e ainda violação ao art. 110 do CTN e aos princípios da capacidade contributiva, isonomia e vedação ao confisco); (c) a questão referente ao leasing não foi esclarecida na diligência, mesmo com a apresentação dos contratos de arrendamento na impugnação; e (d) em relação às incorreções de cálculo, a diligência não respondeu ao quesito formulado, simplesmente repetindo as informações constantes dos balancetes mensais da empresa e das DACON de 2008, pelo que se reiterou pedido de perícia para determinação dos valores corretos. A decisão de primeira instância é proferida em 9/12/2011 (fls. 1666 a 1697), no sentido de que: (a) não é procedente a alegação de que inexistiu relatório fiscal, tendo sido o Termo de Verificação Fiscal entregue ao procurador da empresa em 7/12/2010, na mesma data em que este foi cientificado da autuação; (b) na planilha anexa ao Auto de Infração, a fiscalização indica as contas contábeis, os itens da DACON e os valores utilizados pelo contribuinte, as glosas e os valores acatados; (c) a motivação está claramente indicada no Termo de Verificação Fiscal: inclusão nas bases de cálculo de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep (e da COFINS) de todos os gastos da autuada no período, em desacordo com o previsto na Lei no 10.637/2002 (e na Lei no 10.833/2003); (d) não se configurou cerceamento de defesa, e o retardo na disponibilização de documentos à autuada se deve ao cumprimento de dispositivos normativos vigentes; (e) não há nulidade na autuação, pois a lavratura foi feita por autoridade competente; Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 6 (f) não há necessidade de perícia, por estarem após a diligência esclarecidas as questões referentes ao cálculo da contribuição; (g) no que se refere a “Bens Utilizados como Insumos”, foram glosados integralmente (e não impugnados) os valores lançados nas contas contábeis do grupo 4.1.2.03 “Salários e ordenados dos dep. produtivos”, que incluem despesas com FGTS, indenização trabalhista, assistência médica, plano de saúde, brindes pessoais, bolsa de estudos, etc.; também foram integralmente glosados os valores lançados nas contas contábeis 4.1.2.01.002 “frete pessoa física” e 4.1.2.02.001 “frete pessoa física col/ent”; (h) no que tange a “Serviços Utilizados como Insumos”, foram integralmente glosados (e também não impugnados) os valores lançados nas contas contábeis identificadas como “advocacia”, “contabilidade”, “perícia processual”, “conservação e limpeza”, “telefone”, “água e esgoto”, “IPVA/DPVAT da frota adm” e despesas pagas a pessoas físicas; (i) em relação às glosas parciais, reiterouse na diligência o que já constava no termo de verificação: que em virtude de empresa ter seus lançamentos todos registrados com o mesmo histórico (com a mensagem “Lançto nessa Data”) foram solicitados durante o procedimento fiscal relatórios auxiliares, com base nos quais se pode identificar e glosar todos os gastos incorridos com pessoas físicas; (j) no que se refere à argumentação pela inconstitucionalidade das restrições legalmente estabelecidas à nãocumulatividade, não tem o julgador administrativo competência para apreciála, a menos que tenha havido a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, com eficácia ex tunc ou estendida por ato da Administração; (k) em relação aos insumos, a matéria é disciplinada no art. art. 3o da Lei no 10.637/2002 (e na IN SRF no 247/2002, art. 66, § 5o), impedindo o creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas e a serviços que não sejam aplicados diretamente na prestação dos serviços; (l) não foram glosados créditos referentes a combustíveis, lubrificantes, pneus da frota operacional e pagamento de fretes a pessoas jurídicas, redespachos de carga, balsas, transportes aéreo e fluvial, e manutenção da frota; Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.732654/201056 Acórdão n.º 3403001.815 S3C4T3 Fl. 1.783 7 (m) não geram créditos os gastos com os denominados “impressos legais”, por não serem empregados diretamente na prestação dos serviços; (n) em relação a gastos com transporte rodoviário de cargas, mais especificamente rastreamentos, escoltas e contratos de seguros, também não há emprego direto no serviço prestado; (o) em relação à exclusão do ICMS da báse de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (e da COFINS), reitera se a vedação de apreciação administrativa de constitucionalidade do ato legal tributário que dispõe em sentido diverso(Lei no 10.637/2002); (p) em relação ao leasing, acatamse todos os valores informados pela empresa a título de “Despesas de Contraprestação de Areendamento Mercantil”; (q) no que se refere a “Descontos com Duplicatas”, que a empresa alega trataremse de descontos incondicionais, não há lançamento contábil em conta específica, nem a comprovação mediante documento fiscal ou contábil (tendo sido apresentadas apenas mensagens eletrônicas trocadas com clientes); (r) em relação a eventual erro de cálculo, derivado da chamada “base de cálculo negativa” da Contribuição para o PIS/Pasep, após os esclarecimentos prestados em diligência, e as contrarrazões da empresa, o órgão julgador acresce as “Deduções sobre a Receita” glosadas pela autuante às bases de cálculo informadas pela empresa; (s) ao final do voto do julgador, acatado unanimemente, são consolidados em tabelas (fls. 1692 a 1694) os valores de créditos a descontar e de Contribuição para o PIS/Pasep apurada e a pagar, já incorporando os resultados do julgamento de primeira instância, e também compilados os valores exonerados e mantidos (fls. 1696); (t) em relação à qualificação da multa, entendese incabível, pois ausente a comprovação da intenção de impedir ou retardar dolosamente a ocorrência do fato gerador ou de seu conhecimento; (u) a multa de ofício de 75%, prevista na Lei no 9.430/1996, é aplicável ao caso apresentado, e o princípio do não confisco abarca somente tributos; e Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 8 (v) em virtude do montante exonerado em virtude da decisão, demandase a ulterior análise do recurso de ofício decorrente. Cientificada da decisão em 6/2/2012 (AR às fls. 1702), a recorrente apresenta em 2/3/2012 (fls. 1703 a 1775) Recurso Voluntário, no qual reitera as argumentações anteriormente externadas sobre (a) nulidade da autuação por ausência de motivação, (b) cerceamento de defesa pela não especificação das glosas, (c) impossibilidade de restrição à nãocumulatividade constitucionalmente estabelecida, (d) caráter confiscatório da multa de ofício, e (e) impossibilidade de inclusão de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (com solicitação de diligência para que seja refeito o cálculo, contemplando a exclusão), acrescentando que: (a) o conceito de insumo é muito mais amplo que o praticado na autuação e afirmado no julgamento de primeira instância, conforme o entendimento do CARF, devendo compreender os custos e despesas operacionais incorridos pelo contribuinte; (b) os contratos de seguro decorrem de exigência legal, e sua ausência inviabiliza a própria execução do serviço, sendo incabível a glosa das contas “Seguro de Cargas Responsabilidade Civil”, “Desvio de Cargas”, “Seguro de Transporte Aéreo de Carga” “Seguro de Cargas em Terminal”, “Seguro da Frota contra Terceiros” etc; (c) os custos com rastreamentos e escoltas, vigilantes e porteiros, não são opcionais, mas exigíveis por disposições contratuais, sendo também incabível a glosa das contas “Escolta de Cargas”, “Rastreamento Rodoviário de Cargas”, “Manutenção de Equipamento de Rastreamento”, “Rastreamento Urbano de Cargas”, etc; e (d) os descontos incondicionais, ainda que classificados como “Descontos sobre Duplicatas”, devem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (e da COFINS). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. O Recurso de Ofício versa sobre as quantias exoneradas no julgamento de primeira instância, decorrentes de (a) acatamento do creditamento dos valores informados pela Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.732654/201056 Acórdão n.º 3403001.815 S3C4T3 Fl. 1.784 9 empresa a título de “Despesas de Contraprestação de Areendamento Mercantil”; (b) refazimento dos cálculos, em atendimento a indicação de possível erro de cálculo pela recorrente; e (c) retirada da qualificação da multa de ofício, em virtude de ausência da comprovação da intenção de impedir ou retardar dolosamente a ocorrência do fato gerador ou de seu conhecimento. Da análise do Recurso de Ofício Na autuação, foram efetuadas diversas glosas em relação a creditamento de despesas com arrendamento mercantil. Na impugnação, a empresa apresenta documentos novos (como reconhece a própria autuante, em sede de diligência), que consistem em contratos de arrendamento mercantil, detalhando as operações. O julgador a quo, ao analisar tais documentos, e as fotocópias do Livro Razão anexadas ao Termo de Encerramento de Diligência, verifica que as operações se referem basicamente a leasing de equipamentos operacionais, concluindo que os custos incorridos em tais arrendamentos mercantis são passíveis de creditamento. Não se apresenta retoque a tal conclusão, assim como às totalizações e consolidações efetuadas pelo julgador às fls. 1692 a 1694, em atendimento às indicações de erros de cálculo efetuadas na impugnação. Há que se analisar, ainda em relação ao Recurso de Ofício, a temática da improcedência da qualificação da multa de ofício aplicada na autuação. O julgador de primeira instância entendeu que houve ausência de comprovação da intenção de impedir ou retardar dolosamente a ocorrência do fato gerador ou de seu conhecimento. A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996 só pode ser qualificada (duplicada) nos casos previstos nos art. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964 (sonegação, fraude e conluio, caracterizados pela presença do intuito doloso). Transcrevese na íntegra (pela brevidade) a argumentação do tópico 4 (intitulado “da qualificação da multa de ofício”) do Termo de Verificação Fiscal anexo à autuação (fls. 46): “A multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), aplicada sobre os valores lançados como insuficiência de recolhimento e declaração nos autos de infração da COFINS (sic) do PIS, se justifica tendo em vista o que preceitua o artigo 44, I e § 1o da Lei no 9.430/96 combinado com o art. 71 da Lei no 4.502/64, uma vez ser incontestável que o contribuinte, com toda a assessoria jurídicocontábil que dispõe tenha ignorado os dispositivos legais de regência da matéria com a intenção de se eximir da tributação a ela imposta pela legislação fiscal, deixando de declarar e recolher a COFINS e PIS devidos no período fiscalizado”. (grifo nosso) A partir do exposto, podese concluir que a fiscalização entendeu haver sonegação (art. 71 da Lei no 4.502/1964), que consiste na ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador ou de condições pessoais do contribuinte. Contudo, efetivamente não se demonstra na autuação o elemento volitivo, o desígnio em impedir ou retardar o conhecimento de algo. Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 10 O CARF já consolidou entendimento (Súmulas no 14 e no 25) de que a apuração de omissão (ou a presunção de omissão) de receitas ou rendimentos, por si só, não constitui motivação suficiente para a qualificação da multa de ofício. Há que se comprovar na autuação a presença do intuito de fraude (detalhado em uma das hipóteses dos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964). Da mesma forma, o fato de haver débito tributário por inobservância de disposição legal, por si só, não enseja a qualificação da multa. Compete ao fisco caracterizar exatamente o dispositivo infringido e indicar as circunstâncias ou os elementos que comprovem o intuito doloso do agente e o vínculo com as situações descritas nos art.s 71 a 73 da citada Lei. E a simples leitura do tópico 4 acima transcrito revela que isso não se faz a contento na autuação de que trata o presente processo. Integralmente improcedente, assim, o Recurso de Ofício. Passase a analisar o Recurso Voluntário. O contencioso expresso no Recurso Voluntário resumese a: (a) preliminares de nulidade da autuação por ausência de motivação e cerceamento de defesa pela não especificação das glosas; (b) disposições legais que impõem limites à nãocumulatividade; (c) conceito de insumo para fins de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e glosas decorrentes; (d) caráter confiscatório da multa de ofício; e (e) impossibilidade de inclusão de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Da preliminar de nulidade por ausência de motivação e do cerceamento de defesa A recorrente afirma que há ausência de motivação na autuação, pois não teve conhecimento de que falta ou insuficiência de tributos lhe estava sendo exigida, e o Auto de Infração não tinha Relatório Fiscal. Compulsando os autos, vêse que não só que a autuação possui relatório fiscal (intitulado Termo de Verificação Fiscal fls. 44 a 47), mas que as motivações das glosas foram indicadas, como destacou o julgador a quo, possibilitando a defesa da autuada. Para os tópicos em que a impugnante apresentou dúvidas (principalmente casos de glosa parcial), requereuse diligência, determinando à fiscalização eventuais esclarecimentos adicionais, e reabrindose prazo para o direito de manifestação da autuada (que foi exercido). Ademais, a documentação acrescentada em sede de impugnação pela autuada (contratos de arrendamento mercantil) foi tomada em consideração e aceita pelo julgador a quo para afastar as glosas correspondentes. Dos tópicos glosados, o julgador de primeira instância indica ainda os poucos que não foram objeto de impugnação (como os do grupo 4.1.2.03 “Salários e ordenados dos dep. produtivos”, que incluem despesas com FGTS, indenização trabalhista, assistência médica, plano de saúde, brindes pessoais, bolsa de estudos, etc.; e valores lançados nas contas contábeis identificadas como “advocacia”, “contabilidade”, “perícia processual”, “conservação e limpeza”, “telefone”, “água e esgoto”, “IPVA/DPVAT da frota adm”). Destes poucos, nenhum é contestado ou aparece no recurso voluntário. Não se percebe, assim, cerceamento de defesa no presente processo (nem mácula na competência do autuante) que ocasione a nulidade suscitada, em cotejo com os termos do art. 59 do Decreto no 70.235/1972. Das disposições legais que impõem limites à nãocumulatividade Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.732654/201056 Acórdão n.º 3403001.815 S3C4T3 Fl. 1.785 11 Insurgese ainda a recorrente contra restrições legalmente estabelecidas à nãocumulatividade, afirmando que o princípio constitucional da não cumulatividade positivado, para as contribuições, no § 12 do art. 195 da CF, viabiliza a determinados setores da economia completa e irrestrita desoneração de seus faturamentos, não podendo a lei (como fez o art. 3o da Lei no 10.637/2002, especialmente ao restringir os creditamentos a aquisições de pessoas jurídicas) limitar seu conteúdo, sob pena de inconstitucionalidade. Nesse tópico, a análise da argumentação expendida é obstaculizada ab initio, pois implicaria verificação de constitucionalidade de lei tributária vigente, faina vedada ao julgador administrativo, conforme entendimento já sumulado no âmbito desta corte administrativa: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Do conceito de insumo para fins de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e das glosas decorrentes Esclarecida no tópico anterior a vedação de apreciação administrativa de constitucionalidade (que é excepcionada apenas nas hipóteses referidas no art. 26A do Decreto no 70.235/1972), passase a analisar a sustentação da recorrente em face da legislação vigente. O art. 3o da Lei no 10.637/2002 dispõe sobre as hipóteses de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços (...); (...) §3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...)” (grifo nosso) Pelo teor do artigo, não há que se cogitar de aproveitamento de créditos em relação a bens e serviços adquiridos de pessoas físicas, pois expressamente vedado pelo inciso I do § 3o. Assim, improcedente a argumentação da recorrente em sentido diverso. Já o termo insumo comporta acepções variadas. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto da Lei no 10.637/2002. Um norte em tal busca é o teor do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com alicerce no art. 66 da Lei no 10.637/2002), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep (e da Cofins), estabelece entendimento de que o termo insumo utilizado na prestação de serviços se refere aos bens Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 12 aplicados ou consumidos na prestação de serviços (desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado) e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR. Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois (a) o conceito na legislação do IPI é demasiadamente restrito, e não abarca exatamente o tópico sobre o qual versa o presente processo prestação de serviços, e (b) o conceito do IR é demasiadamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegase à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. No presente processo, discutese se tal conceito alberga custos incorridos com: (a) contratos de seguro; e (b) rastreamentos e escoltas. No que se refere aos contratos de seguro (de cargas responsabilidade civil, desvio de cargas, de transporte aéreo, terminal, frota contra terceiros) a recorrente sustenta que devem gerar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep por terem caráter compulsório (de acordo com a Lei no 11.442/2007), sendo que sua ausência inviabiliza a própria execução do serviço. O mesmo raciocínio empreendido pela recorrente em relação aos contratos de seguro (pelo cabimento do creditamento) estendese aos custos incorridos com rastreamentos e escoltas que, em geral, decorrem de exigência contratual por parte das seguradoras, tendo também sua carga de compulsoriedade. De início, alertese que não se pode confundir a aplicação dos bens (ou serviços) na prestação de serviços com a obrigatoriedade legal de cumprimento de requisito normativo para realização de atividade. Vejase, por exemplo, a emissão de valetransporte, valerefeição ou vale alimentação. Por mais que tais emissões sejam normativamente obrigatórias para as empresas, ocasionando inclusive sanções em caso de descumprimento, isso não implica que sejam efetivamente geradoras de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, estando contempladas na expressão “insumos” do art. 3o da Lei no 10.637/2002. Tal interpretação não deriva do comando legal, tanto que o legislador, sensibilizado com a questão, especificamente em relação às empresas prestadoras de serviços de limpeza, conservação e manutenção, alterou o art. 3o da Lei no 10.637/2002, incluindo um inciso X (Lei no 11.898/2009, art. 24), que dispõe aplicarse o creditamento aos referidos “vales” no caso de pessoas jurídicas que explorem as atividades de “prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção”. Assim, em que pese a existência da obrigação legal no transporte rodoviário (que, recordese, é restrita a seguro de responsabilidade civil contra danos a terceiros e seguro contra perdas ou danos, sendo que a contratação não é feita necessariamente pelo transportador, cf. atesta o art. 13 da Lei no 11.442/2007), temse que os contratos de seguro não são diretamente aplicados na prestação de serviços de transporte pela recorrente. As escoltas e rastreamentos, por sua vez, podem gerar o creditamento, por serem diretamente aplicadas na prestação de serviços de transporte pela recorrente. Procedente, assim, a argumentação da recorrente em relação às glosas nas contas “Escolta de Cargas”, “Rastreamento Rodoviário de Cargas”, “Manutenção de Equipamento de Rastreamento”, e “Rastreamento Urbano de Cargas”. Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.732654/201056 Acórdão n.º 3403001.815 S3C4T3 Fl. 1.786 13 Nesse tópico, por fim, é de se destacar que não geram créditos os gastos com os denominados impressos legais, e os custos com porteiros e vigilantes, ainda por não materializarse sua utilização direta na prestação dos serviços; e que os “Descontos com Duplicatas”, que a empresa alega trataremse em verdade de descontos incondicionais, não tiveram esta última natureza nem formal nem materialmente comprovada no presente processo. Da natureza da multa de ofício Aponta a recorrente como confiscatória a multa prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, tanto em seu patamar normal quanto na qualificação. O julgador a quo esclarece que a multa de ofício de 75%, prevista em lei vigente, é aplicável ao caso apresentado, e que o princípio do não confisco abrange somente tributos. Acrescentese ainda que tanto administrativa quanto judicialmente, há absoluta predominância do entendimento de que tal multa não possui natureza confiscatória. Por fim, nos casos em que a Lei estabelece multas em faixa variável, a razoabilidade e a proporcionalidade são standards que norteiam a ação do aplicador e do julgador. No caso de penalidades em montante ou percentual fixo, como a multa aqui discutida, tal ponderação é ex lege. Seu afastamento seria incabível no âmbito administrativo, em face da já citada Súmula CARF no 2. Da inclusão de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, é de se destacar que a Lei que regula a matéria (no regime nãocumulativo, que é o tratado nos autos) é a de no 10.637/2002, que dispõe em seu art. 1o: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 14 VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (grifo nosso) O texto normativo apresenta a base de cálculo no § 2o de seu art. 1o, a partir do conceito de faturamento do caput, detalhado no § 1o. E no § 6o são relacionadas as exclusões, entre as quais não se encontra menção ao ICMS pago (apesar de haver menção expressa de exclusão à transferência onerosa a terceiros de ICMS originado de operações de exportação). Assim, por ausência de previsão legal, descabe a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Entender de forma diversa da expressa na lei, em face de princípios de ordem constitucional, implicaria análise administrativa de constitucionalidade (em que pese o recurso voluntário ter sustentado em sentido diverso), tema que aqui reiteradamente se informou extrapolar a competência deste CARF, de acordo com a Súmula no 2. E, também, entender de forma diversa da expressa na lei com fundamento em jurisprudência relativa ao regime cumulativo não se afigura pertinente, como se trata a seguir. A contribuição para o PIS/Pasep sujeitase ao regime cumulativo (disciplinado pela Lei no 9.718/1998 e pela Medida Provisória no 2.15835/2001), ao regime não cumulativo (tratado nas Leis no 10.637/2002, no 10.833/2003, no 10.864/2004, e no 10.925/2004), ou ainda a regimes especiais (v.g., com bases de cálculo e/ou alíquotas diferenciadas ou substituição tributária, estabelecidos por legislação específica). No presente processo, versase sobre regime não cumulativo. Descabe, assim, analisar a questão sob o prisma da legislação e dos entendimentos jurisprudenciais relacionados ao regime cumulativo da Lei no 9.718/1998. Aliás, assim já entendeu unanimemente esta mesma turma, há alguns meses: “A leitura do inteiro teor da sentença (fls. 154 a 157) e do acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (fls. 158 a 162) revela que, conquanto o mandado de segurança tenha sido ajuizado em 29/11/2006, seu objeto restringese à exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins apuradas no regime cumulativo, ou seja sob a égide da Lei nº 9.718/98 O RE nº 574.706 está submetido ao regime do art. 543B do CPC, conforme revela pesquisa efetuada na página sobre repercussão geral do STF (tema 69). Esta pesquisa revelou que a questão constitucional que será decidida tanto o RE nº 240.785, quanto no RE nº 574.706, versa sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições no regime cumulativo. É evidente que os limites objetivos deste mandado de segurança não abrangem a apuração das bases de cálculo do PIS e Cofins no regime não cumulativo, que é o caso dos autos. A empresa não poderá utilizar a norma individual e concreta emanada desta decisão judicial para excluir o ICMS das bases de cálculo Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.732654/201056 Acórdão n.º 3403001.815 S3C4T3 Fl. 1.787 15 das contribuições apuradas sob o regime das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. (...)2” Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, mantendose as exclusões efetuadas na decisão de primeira instância, e dar provimento parcial ao recurso voluntário, admitindo o creditamento em relação a despesas com escolta e rastreamento de cargas. Rosaldo Trevisan 2 CARF, Acórdão 3403001.480, Rel. Antonio Carlos Atulim, Sessão de 21.mar.2012. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 16095.000174/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA.
De acordo com o posicionamento da Secretaria da Receita Federal, consoante Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo.
DCTF RETIFICADORA. DISPENSA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É pacífico na jurisprudência do STJ que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. Precedente: Recurso Especial representativo de controvérsia n.º 962.379/RS.
Numero da decisão: 3302-001.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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APLICAÇÃO RETROATIVA. De acordo com o posicionamento da Secretaria da Receita Federal, consoante Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. DCTF RETIFICADORA. DISPENSA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É pacífico na jurisprudência do STJ que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. Precedente: Recurso Especial representativo de controvérsia n.º 962.379/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 74 /2 01 0- 81 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão PretoSP: “Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no Auto de Inôação de fls. 087/092, cientificado em 19/04/2010, totalizando o crédito tributário de RS 4.573.705,36, inclusos multa de ofício e juros de mota. Segundo a descrição dos fatos no Teimo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidade (fls., 083/086), na execução de procedimento fiscal de revisão da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e da Declaração de Informações EconômicoFiscais das Pessoas Jurídicas (DIP.Í), relativo ao anocalendário 2005, exercício 2006, foram identificados valores de ÍPI (saldos devedores) não recolhidos que foram lançados por meio do auto de iníiação originário do presente processo. O valor lançado é originário da apuração de saldo devedor decorrente da apuração de débitos de IPI incidente sobre produtos industrializados saídos do estabelecimento de contribuinte e não recolhidos na sua totalidade. A fundamentação legal paia o lançamento consta dos autos às fls., 089 verso e 091 verso, Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu lepresentante legal, protocolizou, em 17/05/2010, a tempestiva impugnação de fls.. 095/109 aduzindo em sua defesa as razões que se seguem: 1.. De pronto, afirma que reconhece os créditos tributários declarados nas DCTF retificadoias com números de recibo 10.15,18.65.8222 e 19.75.98.33.3982 e que os mesmos já foram objeto de parcelamento, confoime os recibos de Pedido de Parcelamento da Lei n ° l l 941 (fls, 382/388). 2. Alega que o Auto de Infração é totalmente indevido por1 todo o débito já ter sido incluído em parcelamento antes de sua emissão. 3. Proclama que a impugnação não pode ser tomada como causa impeditiva para se permanecer no "Refis", pois a autuação se deu em data posterior ao parcelamento e cobra valores ali já incluídos. 4, Afirma ser ilegal a obrigatoriedade da renúncia, conforme entendimento majoritário, pois a Lei n° 11..941/2009 não menciona desistência de impugnação ou recurso administrativo e a exigência de tal renúncia a direitos seria inconstitucional. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16095.000174/201081 Acórdão n.º 3302001.751 S3C3T2 Fl. 494 3 5. Sustenta que a retificação das DCTF foi espontânea c tempestiva, pois o procedimento fiscal iniciouse em 19/08/2009 e somente foi novamente impulsionado cm 05/01/2010 por nova intimação, tendo se passado o prazo de 60 dias estabelecido nas normas para a realização da ação fiscal ou a sua prorrogação sem que a contribuinte houvesse recebido qualquer comunicação nesse sentido.. Tal comunicação seria obrigatória em função do princípio da publicidade explicitado no art. 37 da Constituição Federal e, se ocorreu, padeceu da ausência de formalização.. Apresenta jurisprudência. Aduz que a motivação da retificação não teiia sido a ação fiscal iniciada, mas o prazo final para a formalização do parcelamento da Lei n° 11.941/2009, que era exatamente 30/09/2009, data da entrega das retificações. Ressalta também que havia ocorrido mudança no quadro societário em 10/2008 e que tal fato teve relação direta com as regularizações realizadas. Logo, considerando esse caráter' espontâneo, teria ocorrido o autolançamento do crédito tributário por meio das DCTF retificadoras, que são passíveis de execução, afastando o lançamento de acessórios (atualizações monetárias, juros de mora e multa) ao crédito tributário ali declarado. 6„ Solicita que todas as notificações e correspondências sejam encaminhadas ao escritório dos patronos da impugnante. Conclui pedindo o recebimento da presente impugnação, seu julgamento como totalmente procedente e que seja declarada a nulidade do auto de infração, para o fim dc reconhecer o auto lançamento por meio das DCTF. O processo foi a julgamento em 26/10/2010 e os membros desta 8a turma decidiram, por meio da Resolução n° 1.444 (fls 398/399), convertêlo em diligência para que, em síntese: 1. a autoridade aufuante informasse sobre a existência de atos escritos formalizando o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização além das intimações presentes nos autos; e 2. a unidade de origem informasse se os débitos declarados nas DCTF dos autos foram de fato regularmente recolhidos ou parcelados. Em resposta, as autoridades competentes informaram, em suma, às fls. 401,406 e 408, o que se segue: 1. que inexistem outros atos escritos formalizando o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização além das intimações presentes nos autos, sendo que o auto de infração teria sido constituído em conformidade com o art.. 11, § 2°, inciso III, da IN 695/2006. e o art. 11, § 2o , inciso III, da IN 786/2007; 2. que os débitos declarados nas DCTF dos autos foram recolhidos por meio dos pagamentos juntados ao presente processo, os quais já se encontram alocados aos valores da DCTF retificadora apresentada em 30/11/2009 e já foram levados em conta na elaboração do Auto de Infração; além Fl. 495DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 disso, foi informado que a contribuinte formalizou, em 30/11/2009, pedido do parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/2009, que, em tese, abrangeria os débitos declarados em DCTF, porém não há como dizer que os débitos estão parcelados, tendo em vista que ainda não houve a consolidação dos parcelamentos; e. 3. que os autos de infração não poderiam estar sendo questionados, pois a consolidação prevista na Lei n° 11.941/2009 impõe a desistência de impugnação ou recurso administrativo, conforme a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 15, de 1º de setembro de 2010. A contribuinte, cientificada da diligência e de seus resultados, veio aos auto às fls.. 413/429 para: 1. novamente reconhecer os créditos tributários declarados nas DCTFs dos autos e reafirmar que já foram parcelados; 2. reforçar a espontaneidade da retificação das DCTFs e a conseqüente constituição do crédito tributário por esse instrumento, em valor idêntico ao lançado no auto de infração, por todos os motivos já apontados na impugnação, o que impede o lançamento de oficio do crédito e de seus acessórios por meio de auto de infração; e 3.. reafirmar a ilegalidade da imposição de desistência de impugnação ou recurso administrativo como condição paia o parcelamento da Lei n° 11,941/2009. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar improcedente a impugnação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUIOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2003 a.31/12/2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada., AUDITORIA DE DECLARAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA, IMPOSSIBILIDADE. Cientificado o sujeito passivo de divergências detectadas em procedimento dc auditoria de declarações, não cabe a alegação de denúncia espontânea ESPONTANEIDADE,. REAQUISIÇÃO. DENÚNCIA DA INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO.. O instituto da espontaneidade implica: (a) como o próprio nomen júris sugere, na espontaneidade da denúncia da infração em geral, por meio dc declaração retíficadoia; (b) no pagamento integral do tributo denunciado, quando for o caso.. Sem essas duas providências, não há que se falai em reaquisição da espontaneidade pelo sujeito passivo. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16095.000174/201081 Acórdão n.º 3302001.751 S3C3T2 Fl. 495 5 COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo.. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Manxido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se derpeende do relatório acima transcrito, a matéria principal a ser tratada no presente processo diz respeito a legimitimidade das DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente após esta ter sido intimdada do Termo de Inicio de Fiscalização. Para melhor entendimento dos acontecimentos, elenco os principais fatos e datas relacionados ao tema aqui tratado: 19/08/09 Termo de Inicio de Fiscalização 28/08/09 Retificação das DCTFs (primeira) 31/08/09 Entrega de documentos à Fiscalização 30/11/09 Nova Retificação das DCTFs 05/01/10 Termo de Intimação para apresentação de Docs. 18/04/10 Lavratura de Auto de Infração. Importante destacar que a DRJ Ribeirão Preto efetuou questionamento a autoridade preparadora, por meio de diligência, a fim de verificar a existência de outros atos praticados pela autoridade administrativa que, porventura, não estivessem juntados ao processo. Como resultado, constatou que os atos praticados pela autoridade administrativa no decorrer da fiscalização foram datados de 18/08/2009 (Termo de Inicio de Fiscalização), 05/01/2010 (Termo de Intimação para apresentação de Docs) e 18/04/2010 (Auto de Infração). Fl. 497DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 Este fato também está devidamente reconhecido no acórdão recorrido, senão vejamos: “A ação fiscal correspondente ao lançamento sob análise iniciouse em 19/08/2009, conforme Termo de Intimação Fiscal (fl, 002), cientificado à contribuinte naquela data. De acordo com os autos, c confirmado pela diligência solicitada por meio da Resolução n° 1.444, o ato seguinte comunicando por escrito à contribuinte o prosseguimento da ação fiscal é o Termo de Intimação Fiscal cientificado em 05/01/2010” O art. 7o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, assim normatiza o procedimento fiscal: Art. 7 o O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1 o O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2 o Para os efeitos do disposto no § 1 o, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Ou seja, passados 60 dias sem a prática de qualquer ato que indique o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização fica restabelecida a espontaneidade do sujeito passivo da obrigação tributária. No presente caso, inquestionavelmente ocorreu lapso temporal superior a 60 dias entre a data do Inicio da Ficalização, 19/08/2009, e o ato seguinte, que no caso foi a intimação para apresentação de Livros contábeis, que somente ocorreu em 05/01/2010, ou seja, 140 dias após. Neste contexto, readiquirida a espontaneidade pela Recorrente, esta poderia retificar as DCTFs, informando assim os débitos como de fato ocorreu. Nem se diga que o fato de as DCTFs terem sido entregues dentro do prazo dos sesseta dias contados do incio da Fiscalização afastaria a possibilidade de tais retificações serem consideradas espontâneas, uma vez que que a espontaneidade retroage seus efeitos, alcançado os procedimentos efetuados dentro do prazo de 60 dias. O antigo Conselho de Contribuintes, ao analisar esta matéria assim se pronunciou: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16095.000174/201081 Acórdão n.º 3302001.751 S3C3T2 Fl. 496 7 Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (§ 32 do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, acrescentado pelo art. 1 2 da Lei n2 8.748/1993). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA. De acordo com o posicionamento da Secretaria da Receita Federal, consoante Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o disposto no art. 90 da Medida Provisória n 2 2.158/2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise integralmente a multa de oficio lançada, pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN. Recurso provido em parte. (Recurso 124.479. Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Relator Antônio Zomer.) Do voto do eminente Relator Antônio Zomer, destaco trecho que bem analisa a questão análoga a colocada nos presentes autos: Como as DCTFs normais e retificadores foram apresentadas todas no mesmo dia, em 11/07/2001, dentro do período de 60 (sessenta) dias contados do termo de intimação, datado de 19/06/2001, à primeira vista, estaria correta a interpretação dada à questão pela decisão recorrida, que considerou extemporânea a entrega das referidas declarações. Entretanto, a Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, ao tratar da recuperação da espontaneidade com o decurso do prazo de sessenta dias, firmou o entendimento de que tal recuperação retroage à data da ciência do último ato expedido pela autoridade fiscal, conforme decisão sintetizada na seguinte ementa: "EMENTA : A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de mora. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 138 da Lei n't 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, e art. 72 do Decreto t 9 70.235, de 6 de março de 1972." No mesmo sentido já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n2 CSRF/0201.913, de 12/04/2005, quando apreciou recurso interposto pela Fazenda Nacional contra decisão proferida pela Primeira Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes ao julgar o Recurso n 2 121.198. Considerandose como corretas as declarações retificadoras apresentadas pela Recorrente, deve o auto de infração ser cancelado, uma vez que a apresentação da DCTF que informa débito não recolhido afasta a necessidade de constituição formal do crédito tributário, devendo os valores declarados serem inbscritos em dívida ativa imediantamente após vencidos os prazos de recolhimento e cobrança adminitrativa. Esta, inclusive, é a posição pacificada do Superior Tribunal de Justiça por decisão exarada nos termos do art. 543 C do CPC, como notícia a decisão abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. 1. É pacífico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. Precedente: Recurso Especial representativo de controvérsia n.º 962.379/RS1. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa, negandolhe certidão negativa de débito. Precedentes: REsp 1.140.730/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21.06.2011); AgRg no REsp 1.241.892/PR (Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 20.05.2011); AgRg no REsp 892.901/RS (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJU de 07.03.08) e REsp 999.020/PR (Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 21.05.2008). 3. Agravo regimental não provido. 1 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Resp. nº 962.379 RS (2007/01428689) RELATOR MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI) Fl. 500DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16095.000174/201081 Acórdão n.º 3302001.751 S3C3T2 Fl. 497 9 No presente caso não estamos tratando de créditos tributários vinculados a compensações, é bom ressaltar. Tratase apenas de débitos declarados por meio de DCTFs retificadoras que não foram recolhidos e que estão parcelados nos termos da Lei nº 11.941/09, tudo de acordo com o que se pode apurar das informações constantes do presente processo. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 501DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10167.001213/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.254
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo De Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: Não se aplica
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo De Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 67 .0 01 21 3/ 20 07 -9 4 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10167.001213/200794 Resolução nº 2402000.254 S2C4T2 Fl. 89 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por LABORATÓRIO TEUTO BRASILEIRO S/A em face do acórdão de fls. 62/66 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 35.830.6540 lavrado para cobrança de multa por não ter informado em GFIP os fatos geradores relativos aos pagamentos efetuados pela matriz, CNPJ 17.159.229/000176, em folha de salários das rubricas "PRÊMIO TROFÉU CCT" E "DIFERENÇA DE PRÊMIO TROFÉU CCT”. O período apurado compreende a competência 02/2005 a 03/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 16/10/2006 (fls. 01). Consta do relatório fiscal que a natureza destes pagamentos é remuneratória, visto que era devido a todos os segurados que não tivessem faltas (prêmio assiduidade) no mês, conforme convenção coletiva de trabalho CCT e no percentual de 7% sobre o salário base contratual. O agente fiscalizador ressaltou que a partir de abril/2006 a empresa passou a considerar tais pagamentos como base de cálculo para a incidência das contribuições previdenciárias, como também, a informálos, em GFIP. Configurouse, então, infração ao art. 32, inc. IV, § 5º da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela Lei no 9.528/97, c/c o art. 225, inc. IV do RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, o que foi penalizado com a multa prevista no art. 284, inc. II do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e art. 32, inc. IV, § 5º da Lei 8.212/91, atualizada pela Lei 9.528/97, correspondente a 100% do valor devido à contribuição não declarada, limitada por competência, em razão do número de segurados da empresa. Em seu recurso, a recorrente trouxe o trecho da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias QuímicoFarmacêuticas no Município de AnápolisGO e ela, que trata sobre tais prêmios, qual seja: “III DAS CLAUSULAS DE BENEFÍCIOS SOCAIS PREMIO ASSIDUIDADE CLAUSULA QUINTA Sobre os salários bases os empregados terão uma gratificação por assiduidade de 7% (sete por cento) no mês em que não tiver faltado nem um dia de serviço, justificado ou não, e que não tenha nenhuma advertência por escrito. PARÁGRAFO PRIMEIRO – PARÁGRAFO SEGUNDO A presente assiduidade será paga ao trabalhador, em forma de prêmio troféu, e definitivamente, ela não se Integra, para todos os efeitos legais, em sua remuneração, não se constituindo vantagem de habitualidade.” (fls. 74) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10167.001213/200794 Resolução nº 2402000.254 S2C4T2 Fl. 90 3 Desta forma, a recorrente inferiu que não se tratava de verba de natureza salarial e sim com caráter indenizatório, o que não caracterizou a remuneração, então não houve incidência de verbas previdenciárias, de acordo com a Lei 8.212/91, Artigo 28 § 9º, letra "e" número 7, incluído pela Lei n° 9.711/98), e Decreto 3.048. Amparado em jurisprudência do STF, alega que não há incidência de Contribuição Previdenciárias sobre verba assiduidade, por ser considerada verba indenizatória, sem natureza salarial. Por fim, requer o recebimento do recurso, por tempestivo, dandolhe provimento e cancelando a NFLD em sua totalidade (principal e acessórios), por não ter, o crédito tributário lançado, fundamento legal. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10167.001213/200794 Resolução nº 2402000.254 S2C4T2 Fl. 91 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em algum dos demais Autos de Infração lavrados pela fiscalização, conforme resta indicado no TEAF de fls. 15. De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, especialmente nos quais foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e que originaram a multa objeto deste Auto de Infração. Se o lançamento principal conexo vier a ser anulado, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde das NFLD´s nas quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com as NFLD´s correlatas, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo passem a tramitar em conjunto com os relativos ao lançamento da obrigação principal. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002035/2006-57
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
NULIDADES. FALTA DO ADEQUADO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES SUSCITADAS NA IMPUGNAÇÃO. INCORRETA VALORAÇÃO DAS PROVAS.
O deficiente e incompleto exame das questões suscitadas na impugnação e a incorreta valoração das provas apresentadas implicam na nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1803-001.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 NULIDADES. FALTA DO ADEQUADO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES SUSCITADAS NA IMPUGNAÇÃO. INCORRETA VALORAÇÃO DAS PROVAS. O deficiente e incompleto exame das questões suscitadas na impugnação e a incorreta valoração das provas apresentadas implicam na nulidade da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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FALTA DO ADEQUADO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES SUSCITADAS NA IMPUGNAÇÃO. INCORRETA VALORAÇÃO DAS PROVAS. O deficiente e incompleto exame das questões suscitadas na impugnação e a incorreta valoração das provas apresentadas implicam na nulidade da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 20 35 /2 00 6- 57 Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório TROCAR VEÍCULOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SALVADOR (BA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. O processo trata de autos de infração do Simples Federal dos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2002 e 31/12/2002 (fls. 06/71), exigindo crédito tributário no valor consolidado de R$ 643.038,09, a título de tributos, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, conforme demonstrativo à fl. 02. A autuação foi por omissão de receitas, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, e insuficiência de recolhimento, devido à alteração de alíquotas incidentes sobre valores declarados. O auto de infração principal é do IRPJ e os demais, considerados reflexos, se referem às contribuições para o PIS, COFINS, CSLL e INSS. Os detalhes do feito constam na descrição e enquadramento dos autos de infração (fls. 07/08), a saber: (i) houvera fiscalização anterior, em face da Ordem de Serviço n a 01/2005 (fl. 72), sem apuração de infração quanto ao anocalendário (AC) de 2002; (ii) em face do item 2.1 da mesma ordem de serviço, a presente ação fiscal teve início em 18/10/2005, através do Termo de Início de Fiscalização (TIF), às fls. 126/127, exigindo livros e documentos dos AC de 2001 e 2002, inclusive extratos de todas as contas bancárias da fiscalizada; (iii) Não foram exigidos o Livro Diário e Razão, pois havia cópia decorrente de procedimento anterior; (iv) em resposta ao TIF a fiscalizada apresentou uma declaração informando que não possuía as informações requeridas pelo Fisco, pois encerrara as suas atividades há mais de cinco anos (fl. 128); (v) logo, o Fisco requisitou a movimentação financeira da empresa junto ao Bradesco e Banco do Brasil (fls. 74/100); (vi) em 26/12/2005, lavrou o Termo de Intimação Fiscal n 2 01 (fls. 129/147), pedindo que a fiscalizada apresentasse o livro onde estariam escriturados os valores creditados nas suas contas correntes e comprovasse a origem de tais recursos com documentação hábil e idônea, ressalvando que a não comprovação implicaria em lavratura de auto de infração; (vii) em 06/02/2006, a fiscalizada apresentou um documento (fls. 148/185), no qual se manifesta quanto aos valores questionados no Termo de Intimação Fiscal n° 01, permitindo concluir que os créditos bancários decorriam de atividade financeira da empresa e que estes não foram escriturados na contabilidade; (viii) Deste modo, foram lavrados os autos de infração em lide, por omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.002035/200657 Acórdão n.º 1803001.588 S1TE03 Fl. 1.253 3 Em 07/03/2006, a fiscalizada foi cientificada do feito por AR (fl. 188). Em 05/04/2006. foi apresentada a impugnação de fls. 195/216, instruída com os elementos de fls. 217 a 1.027, alegando, em síntese, que: (i) Em preliminar, requer a nulidade do feito, por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que a autuada é uma empresa extinta desde 27/04/2005, conforme documento registrado na JUCEB/BA nessa mesma data. (ii) Não teria havido ordem do delegado da DRF/SDR para reexame de período já fiscalizado, violando o disposto no art. 906, do RIR/1999, eis que lhe foram exigidos livros e documentos fiscais dos AC de 2001 e 2002, o que resultou em auto de infração de IRPJ encerrado em 14/09/2005, termo à fl. 291, que foi prontamente quitado, dando por regularizada a situação perante a então SRF. Mas, em 11/10/2005, foi surpreendida com nova intimação do mesmo auditor para exibir a mesma documentação fiscal dos AC/2001 e 2002. (iii) Não teria havido motivação para a quebra do sigilo bancário da interessada, à luz do enquadramento em uma das hipóteses previstas no art. 3 2 do Decreto n2 3.724, de 2001. Assim, teria havido elisão ao princípio da legalidade, maculando de nulidade todo o feito. (iv) No mérito, discorre que dos valores apurados nos extratos bancários, somente uma pequena parte, decorrente de comissão, seria receita da recorrente, haja vista que atua nas atividades de venda de veículos de terceiros, mediante contrato de consignação, e na intermediação de operação financeira para clientes que desejam financiar determinado valor para compra de veículo automotivo, conforme demonstrado nas planilhas anexas. (v) Os autos de infração seriam de uma fragilidade inquestionável, pois o autuante apontou como omissão de receita os depósitos feitos e não contabilizados, porém não levou em conta os débitos existentes nos mesmos extratos, cujos saldos, em alguns meses, chegaram a ser negativos. (vi) Faz referência ao art. 187 da Lei n 2 6.404, de 1976, para demonstrar a necessidade de apuração do lucro líquido do exercício. (vii) O autuante teria lançado créditos que o próprio extrato comprova que haviam sido estornados, a exemplo de cheques depositados e depois estornados por falta de provimento, tributando os respectivos valores em duplicidade. (viii) Uma vez aceita como receita a comissão por venda de veículos e por intermediação financeira, conforme planilha anexa, haveria necessidade de revisão das alíquotas do Simples previstas no art. 23 da Lei n 2 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 i (ix) Ante o exposto, requer a nulidade dos autos de infração, por força das preliminares suscitadas, e acaso vencidas, a improcedência parcial dos lançamentos, tomandose como base de cálculo os valores efetivamente recebidos pela impugnante como receita, relativos apenas às comissões recebidas pelos serviços de intermediação prestados. Obs: O processo foi enviado para esta Delegacia Federal de julgamento (DRJ/SDR) em 26/04/2006 (fl. 1029). Mas a impugnante impetrou Mandado de Segurança n^ 2006.33.00.0061714, requerendo a nulidade dos processos de autos de infração de n—10580.002036/200600 e 10580.002035/200657, alegando que estes foram lavrados a partir da irregular quebra do sigilo, sem amparo de autorização judicial. A sentença emitida em 25/06/2006 concedeu a Segurança requerida, anulando os ditos processos (fls. 1029/1034). Mas, a Fazenda Nacional entrou com Recurso de Apelação em 14/12/2006. Assim, este processo foi devolvido à unidade de origem para aguardar decisão final da Justiça, instruindo que o mesmo só deveria retornar à DRJ/SDR em caso de desfecho favorável à União, desde que restasse matéria passível de apreciação, conforme despacho à fl. 1052, de 04/05/2010. Verificase, às fls. 1064/1073, DECISÃO dando provimento ao citado Recurso de Apelação, reformando a sentença discutida (de l 2 grau) e denegando a Segurança concedida. À fl. 1132 consta que a parte impetrante não se manifestou sobre o retorno dos autos da instância superior. Só que, por equívoco, o processo foi enviado pela DRF/Feira para a carteira de cobrança (vide despacho à fl. 1078). Na petição protocolada em 14/02/2011, a impugnante fala de erro da DRJ/SDR e alega que a exigência do Simples do AC/2002 que lhe estava sendo feita era indevida, daí requerendo que os autos subissem para a DRJ/SDR apreciar a impugnação. A DRJ SALVADOR (BA), através do acórdão nº 1527.916, de 02 de agosto de 2011 (fls. 1136/1139), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002 SIMPLES FEDERAL. VENDA DE VEÍCULOS SOB CONSIGNAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce atividade de venda de veículo usado mediante contrato de consignação por comissão podia aderir ao Simples Federal, incidindo a tributação sobre a receita bruta referente à comissão auferida, desde que devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção instituída pela lei tributária, como a que permite o lançamento com base em depósitos bancários, remete ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido não aconteceu no caso concreto. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.002035/200657 Acórdão n.º 1803001.588 S1TE03 Fl. 1.254 5 Estando o procedimento fiscal revestido dos requisitos legais, afastamse as preliminares de nulidade. Ciente da decisão em 29/09/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 1.145), apresentou o recurso voluntário em 28/10/2011 fls. 1.146/1.191, onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração SIMPLES (Lei nº 9.317/96), por omissão de receitas caracterizada pela manutenção de depósitos e créditos bancários sem origem ao longo do ano calendário 2002. Alega a recorrente em síntese: a) Nulidade por falta de ordem escrita para o segundo exame da escrituração; b) Nulidade do lançamento por falta da adequada apreciação das provas seja no decorrer do procedimento fiscal como por ocasião da decisão de primeira instância; c) Não foi observada corretamente a atividade da empresa que consiste na intermediação na compra e venda de veículos e na obtenção de operações de crédito (financiamentos de veículos); d) Os depósitos não são receita própria da recorrente; e) Os documentos apresentados são válidos mesmo não registrados na contabilidade; f) Os documentos que foram apresentados durante o procedimento fiscal e na impugnação provam que seu faturamento é só de comissão de compra e venda de veículos e intermediação financeira na obtenção de financiamentos para seus clientes; g) Não foram considerados os valores já tributados; h) Não foram considerados os depósitos efetuados pelas instituições financeiras que só podem ser considerados empréstimos da recorrente ou de terceiros, devendo ser excluído o crédito de R$ 20.000,00; Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 i) A ilegalidade no percentual do SIMPLES que foi utilizado pela autoridade fiscal para realizar o lançamento; j) A concessão de diligência para dirimir as dúvidas suscitadas pela apresentação dos documentos. Assiste razão a interessada. Com efeito, conforme se observa dos elementos contidos na impugnação (fls. 195/216) e vasta documentação carreada aos autos, afirma a recorrente que exercia a atividade de duas formas (fl. 207): a) com base em contrato de consignação e comissão vende o carro de terceiros devidamente qualificados nos referidos contratos; e b) atua na intermediação da operação de financeiras junto a clientes que desejam financiar determinado valor para compra de veículo automotivo, neste caso, em várias situações aparece como mera intermediária do financiamento, sendo posteriormente remunerada pela instituição financeira. Constatase que a decisão de primeira instância embora tenha apreciado e refutado as provas apresentadas em relação a receita auferida (comissões) com a intermediação por consignação de veículos, não apreciou e analisou os documentos e alegações em relação a intermediação financeira. Alega a recorrente que diversos créditos tendo por origem instituições financeiras decorrem de mera intermediação de financiamentos pelas quais a recorrente percebia apenas a comissão sobre o financiamento concedido. Inúmeros documentos e os próprios extratos comprovam que diversos créditos tem efetiva origem em instituições financeiras especializadas em financiamentos de veículos. Também afirma em seu arrazoado inicial, que há incorreções nas alíquotas aplicadas no lançamento dos tributos do SIMPLES em desacordo com a Lei nº 9.317/96. A falta do correto enfrentamento das questões suscitadas e a ausência de adequada valoração das provas apresentadas inquinam de nulidade a decisão de primeira instância, por evidente cerceamento de defesa. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, devendo nova ser proferida com a adequada apreciação das alegações e valoração das provas apresentadas. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.002035/200657 Acórdão n.º 1803001.588 S1TE03 Fl. 1.255 7 Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 18/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001004/2002-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
NULIDADE DE INTIMAÇÃO - PREJUÍZO COMPROVADO - MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA - CONHECIMENTO DE OFÍCIO - REPETIÇÃO DO ATO
Deve ser conhecida de ofício ou a requerimento da parte a nulidade da intimação feita irregularmente na qual não esteja permitido amplo direito a defesa, devendo ser repetido o ato sob pena de nulidade processual.
Numero da decisão: 3801-001.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 NULIDADE DE INTIMAÇÃO - PREJUÍZO COMPROVADO - MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA - CONHECIMENTO DE OFÍCIO - REPETIÇÃO DO ATO Deve ser conhecida de ofício ou a requerimento da parte a nulidade da intimação feita irregularmente na qual não esteja permitido amplo direito a defesa, devendo ser repetido o ato sob pena de nulidade processual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 NULIDADE DE INTIMAÇÃO PREJUÍZO COMPROVADO MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA CONHECIMENTO DE OFÍCIO REPETIÇÃO DO ATO Deve ser conhecida de ofício ou a requerimento da parte a nulidade da intimação feita irregularmente na qual não esteja permitido amplo direito a defesa, devendo ser repetido o ato sob pena de nulidade processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 10 04 /2 00 2- 16 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentado pela Fazenda Nacional, que se funda nos seguintes argumentos: Foram encaminhados a esta Procuradoria, via eprocesso, os autos epigrafados para ciência do acórdão no 380100.898 que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Ocorre que, a partir da análise dos autos, constatase que faltam partes do processo. De fato, verificase que foi digitalizado apenas o Volume 3 do processo físico. Faltam, portanto, os Volumes 1 e 2, no qual constam, entre outros documentos, o despacho decisório da DRF. Registrese que no sistema eprocesso constam apenas os seguintes ícones: Anexo 1 (fls. 01 a 190) e Volume II, que não obstante seu título, na realidade, tratase de Anexo II (fls. 191/346), continuação do primeiro anexo. Nesse contexto e considerando que a falta dos Volumes 1 e 2 prejudicam a análise do r. acórdão, que se torna obscuro, diante falta de peças nele referidas, importantes para o correto entendimento da causa em questão. Vale destacar que se trata de caso complexo que demanda a análise do processo em sua integralidade, sob pena de cerceamento do direito de defesa. DO PEDIDO Face ao exposto, requer a UNIÃO (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e providos os presentes embargos de declaração, para suprir o vício acima apontado. É o que importa relatar, Fl. 823DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10320.001004/200216 Acórdão n.º 3801001.521 S3TE01 Fl. 426 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Pelo simples exame das alegações da Fazenda, ficou evidenciado que há cerceamento de defesa ante a existência de nulidade na intimação que não permitiu à Embargante o exame do inteiro teor do processo. Considerando que as nulidades devem ser declaradas de ofício inclusive nos termos da massiva jurisprudência e, ainda, nos termos do artigo 2451 do Código de Processo Civil a Fazenda se manifestou logo que lhe foi possível, tenho que é necessário a essa turma conhecer do presente recurso e determinar a juntada ao eprocesso dos volumes faltantes e que sejam a Fazenda e a Contribuinte novamente intimados do acórdão do recurso voluntário como medida de direito, abrindose para ambos novo prazo para interposição dos recursos dele cabíveis, se entenderem adequado. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 1 Art. 245. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão Fl. 824DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13767.000101/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PASEP. PRESCRIÇÃO.
Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN.
Como o protocolo se deu em 09/06/2005, resta prescrito o valor.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Daniel Mariz Gudiño.
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CONTRIBUIÇÃO. PASEP. PRESCRIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. Como o protocolo se deu em 09/06/2005, resta prescrito o valor. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 01 01 /2 00 5- 83 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição de créditos do PASEP, recolhidos no ano de 1988 sob a sistemática dos DecretosLei 2.445 e 2.449/88, apresentada pela Prefeitura Municipal de São Gabriel da Palha, em 09.06.2005 (fl. 1). A Delegacia da Receita Federal em VitóriaES, através do Parecer nº 541/2005, de fls. 15 a 28 e despacho decisório de fl. 29, indeferiu o pedido de restituição com base na constatação de que os pagamentos hipoteticamente indevidos foram efetuados em 1988 e o pedido de restituição somente foi formulado em 09/06/2005. Assim, na data da formalização do processo todo o almejado crédito já havia sido alcançado pela decadência qüinqüenal, nos termos do art. 168 do CTN, Ato Declaratório SRF nº 96, de 26/11/1999 e art. 3º da LC nº 118/2005. Prossegue o despacho decisório aduzindo que a Prefeitura Municipal de São Gabriel da Palha carece de legitimidade, pois o Município de São Gabriel da Palha é que detém a capacidade tributária passiva a ensejar pedido de repetição de indébito. A Prefeitura Municipal de São Gabriel da Palha apresenta, então, às fls. 30 a 36, manifestação de inconformidade, alegando em síntese: Que os créditos não são de 1988, mas do período que se inicia em 1988 e finda em março de 1996, quando vigoraram os Decretos 2.445 e 2.449/88; Que o pleiteante é o Município de São Gabriel da Palha, tendo ocorrido erro formal no preenchimento do pedido de restituição; Que irá providenciar a juntada dos documentos comprobatórios do crédito ao processo. Que o prazo decadencial para pleitear restituição do PASEP é de 10 anos conforme dispõe o art. 105 da IN/SRF nº 247/02 e a Lei nº 8.212/91. O referido prazo tem como termo inicial a data da Resolução do Senado que julgou inconstitucional a cobrança. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RJOII n.º 19.442, de 28/03/2008: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1988 a 29/02/1996 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13767.000101/200583 Acórdão n.º 3201001.053 S3C2T1 Fl. 150 3 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito do contribuinte pleitear a restituição de contribuição paga em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Solicitação Indeferida. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O presente processo discute o direito à repetição de valores retidos a título de PASEP pela recorrente. A DRJ negou o pedido em face da decadência, motivo pelo qual há o recurso voluntário. O período a repetir de PASEP alcança os meses de 01/88 a 02/96. O pedido de repetição se deu em 09/06/2005. O STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC para todos os processos. Como o pedido foi feito em 09/06/2005, o prazo de repetição é de cinco anos, motivo pelo qual está prescrito. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 Sala das Sessões, em 21 de agosto21 de agosto de 2012 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10380.913378/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 13 37 8/ 20 09 -4 8 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 65 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 08/07/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 22581.61016.080708.1.3.047320 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRRF, código de receita 1705, período de apuração Junho/2008, data de vencimento 10/07/2008, R$ 449,13; CSLL/COFINS/PIS/PASEP, código de receita 595202, 2ª Quinzena de Junho/2008, vencimento 15/07/2008, R$ 872,97; IRRF, código de receita 056107, período de apuração junho/2008, data de vencimento 10/07/2008, R$ 20.022,81; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 16.022,49; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLL do período de apuração 31/07/2005, código de receita 2484, data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 729.466,29, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 623.660,16. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 66 3 Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 729.466,29, referente à CSLL – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, ao findar o anocalendário 2005, foi apurado, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência da CSLL; c) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao período de apuração do mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do ano calendário 2005 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido, a recorrente utilizou esse crédito para compensar valores a pagar do ano de 2008, nesse ano; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; d) que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 consta, expressamente, que teve um prejuizo fiscal no anocalendário 2005. Não havendo, por conseguinte, que se cogitar em incidência do IRPJ e da CSLL nesse ano, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto e da referida contribuição. Juntou cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (parte da Ficha da DIPJ), onde consta Lucro Líquido Negativo do Período de Apuração: R$ 73.173.069,26 (fl. 15); e) que referido prejuízo, também, foi informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, onde restou consignado expressamente que inexistem valores de IRPJ e de CSLL a pagar em 2005 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório de fls. 05/06); Por fim, com base nessas razões, concluiu a contribuinte: que dúvida não resta da existência do crédito, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora, tudo do anocalendário 2005; que, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento direto de antecipações de pagamento por estimativa como crédito sem leválo, primeiro, para a declaração de ajuste, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 67 4 Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acrescentou: que, em que pese ter efetuado o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal no montante de R$ 729.466,29, período de apuração julho 2005, apurou que não havia CSLL pagar nesse período, pois, na Ficha 16 – Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em balancete de suspensão/redução, sequer havia valor a ser recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que, através do Balancete de Suspensão/redução, a pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do tributo do anocalendário, desde que demonstre que o valor do tributo devido, calculado com base no lucro real do periodo em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago por estimativa dos meses anteriores à quele a que se refere o balanço ou balancete mensal levantado; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, compensando o referido crédito da CSLL (apurado por estimativa e indevidamente recolhido) com outros valores a pagar do ano de 2008, sendo que, no presente PER/DCOMP, utilizou apenas parte desse crédito, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB por despacho decisório, sob o fundamento de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que, efetuada a retificação da DCTF, (fl. 44), a decisão recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 68 5 poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como CSLL Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo da CSLL do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a recorrente formule novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao principio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou demonstrado nos autos que houve pagamento indevido da CSLL do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 729.466,29; que a decisão, ora atacada, ao não reconhecer o crédito, negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto merecedor de reparo referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430096. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 69 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pedindo o reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados, pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2005, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual, porém obrigada a antecipar pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução. Por força do art. 28 da Lei nº 9.430/96, a apuração da CSLL segue o regime de apuração do IRPJ. Em relação à antecipação de pagamento da CSLL estimativa mensal do período de apuração julho/2005, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido dessa exação fiscal do referido período. Nesse sentido, a contribuinte juntou aos autos as seguintes provas do suposto pagamento a maior ou indevido do PA julho/2005: a) cópia de parte da Ficha 16 da DIPJ Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por Estimativa, onde informou, para o período de apuração julho/2005, CSLL a Pagar R$ 0,00, em face de resultado negativo apurado para esse período, com base em balancete de suspensão/redução, ou seja, R$ ( 22.238.973,21) (fl. 43). Não consta dos autos cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005. Sequer consta cópia completa da Ficha 16; b) cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2006, anocalendário 2005, informando RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO de R$ ( 73.173.069,26) = prejuízo contábil (fl. 15); c) cópia do Comprovante de Arrecadação da CSLL Estimativa Mensal, período de apuração julho/2005, código de receita 2484 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 729.466,29 (fls.14 e 42); d) cópia de DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (fls. 44/56). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 70 7 Em face desses documentos juntados, a recorrente demanda a título de direito creditório da CSLL, nestes autos, somente parte do referido recolhimento, ou seja, R$ 16.022,49 (valor original), alegando que, na data de transmissão do PER/DCOMP, havia saldo disponível, relativo ao referido recolhimento, de R$ 623.660,16 (valor original na data de transmissão) – fl. 02. Entretanto, nas fases anteriores do processo, o direito creditório restou denegado, com base na seguinte fundamentação: a) consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza, de 07/10/2009 (fl. 05), que a recorrente confessara em DCTF débito da CSLL estimativa mensal do PA Julho/2005 no mesmo valor do pagamento efetuado, ou seja, R$ 729.466,29. Crédito pleiteado não disponível. Entretanto, não consta dos autos cópia da respectiva DCTF (primitiva) de confissão do débito do PA julho/2005. A contribuinte juntou cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, ou seja, DCTF retificadora efetuada após ciência do referido despacho decisório (fls. 44/56); b) consta do Acórdão da DRJ/Fortaleza, de 25/06/2010, que o crédito pleiteado foi denegado pela impossibilidade de aproveitamento de antecipações de pagamento por estimativa mensal como crédito, devendo, primeiro, levar o valor da antecipação de pagamento para a declaração de ajuste anual, pois somente é possível utilizar em compensação tributária o saldo negativo apurado na declaração de ajuste anual (fls. 23/24). Não obstante, entendo que o equívoco na classificação do crédito pleiteado, se foi pedido devolução de antecipação de pagamento da CSLL do PA julho/2005 e não o saldo negativo do anocalendário 2005, tal situação, por si só, não pode obstar ou prejudicar eventual existência do crédito pleiteado e seu reconhecimento. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio. Vale dizer, há falhas de instrução do processo. Tornase necessário que a contribuinte, como autora do pedido de aproveitamento de crédito, complete as provas que faltam nos autos, quanto ao seu pretenso direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. No caso, em relação ao pretenso direito creditório, as falhas de instrução do processo são as seguintes: a) cópia de parte da Ficha 16 da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl. 43). Sequer consta cópia completa dessa Ficha; b) sequer consta cópia da Ficha de Apuração da CSLL – Ajuste Anual. Sem cotejar, analisar, os dados dessas Fichas, não há condições de saber se o direito creditório pleiteado já foi, ou não, utilizado na declaração de ajuste anual, para formação do saldo negativo; c) não consta cópia da DCTF original do PA julho/2005. Nas fls. 44/56, dos autos, há cópia de folhas de DCTF Retificadora, quanto ao PA julho/2005. Então, deve existir uma DCTF original, pois há uma DCTF retificadora para o período de apuração relativo ao Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 71 8 direito creditório pleiteado. Tornase necessário, por conseguinte, juntar aos autos cópia dessas DCTF (primitiva e retificadora), para comparar os dados ou informações que foram retificadas pela contribuinte; d) não consta dos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do ano calendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que, inclusive, para terem efeito legal, devem estar registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário. A propósito, transcrevo o disposto no citado dispositivo legal, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (...) e) não consta dos autos cópia do Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do direito creditório pleiteado. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntada de cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntada de cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntada de cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimação da contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimação da contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente dos Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaboração de relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimação da contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Resolução nº 1802000.124 S1TE02 Fl. 72 9 Por tudo foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
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