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Numero do processo: 13161.000811/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 1402-001.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 08 11 /2 00 5- 22 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Relatório COMERCIAL DE PETROLEO ZENATTI, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Comercial de Petróleo Zenatti Ltda., acima qualificada, apresentou PER/DCOMP consignando crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 1.200.000,00, para compensação com débitos relativos ao IRPJ e CSLL, apuração trimestral, do primeiro trimestre de 2003, nos respectivos valores de R$ 185.101,87 e R$ 78.944,49 (incluídos os juros e a multa moratória). A compensação não foi homologada, conforme Parecer SARAC/DRF/DOU nº 302/2008 e respectivo despacho decisório (f. 26 a 30). O fundamento foi que não havia crédito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2001. A ciência quanto ao referido despacho decisório ocorreu em 08 de setembro de 2008 (AR à f. 36). Em 30 de setembro de 2008 foi protocolada a manifestação de inconformidade (fl. 37 a 57), firmada pelo sócio gerente (cópia dos documentos pessoais do signatário e do contrato social da sociedade e respectivas alterações às f. 58 a 84). Nela, após breve relato dos fatos, é aduzido, em apertada síntese, que: a) uma vez tendo sido indeferida (sic) a compensação, não houve a produção de nenhum efeito tributário, não se podendo falar em confissão irretratável quanto aos débitos; b) os débitos, cujos fatos geradores ocorreram em 1º de janeiro de 2003, encontramse decaídos, conforme disposição do art. 150, § 4º, do CTN. Ao final, é requerida a declaração de decadência e a nulidade da cobrança. A decisão recorrida está assim ementada: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Manifestação de inconformidade cujas razões não abrangem assuntos cuja competência pertence às DRJs não pode ser conhecida Impugnação não conhecida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou Recurso voluntário, no qual contesta as decisões recorridas, nos seguintes termos: (...) a recorrente, tempestivamente, impugnou a exigência em epígrafe onde, através do Recurso de Manifestação de Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 1402001.644 S1C4T2 Fl. 3 3 Inconformidade, argüindo a extinção do débito tributário compensado, mediante a superveniência da DECADÊNCIA na forma dos arts. 150, parágrafo 4° c/c art. 156, V ambos do CTN, ao escopo de que: 3.1Em se tratando de tributos cujo lançamento é por homologação, encontramse suscetíveis ao prazo decadencial desde a ocorrência dos fatos geradores, (01.01.2003), máxime porque ao não serem extintos, sob forma de compensação, o procedimento engendrado pela recorrente, não produziu quaisquer efeitos jurídicostributários, necessitando serem, obrigatoriamente, constituídos riela recorrida para tornaremse oponíveis e exigíveis, sob pena de extinção por decurso de prazo ou caducidade. .3.2Tendo os fatos geradores, em apreço, ocorridos em 01.01.2003, o direito potestativo do Sujeito Ativo, (recorrida , de exigilos exauriuse em 31.12.2007, sendo que a notificação para pagamento em 08.09.2008 é extemporânea, pela qual perdeu eficácia e exigibilidade; Logo, extintos por excelência, (art. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156, V do CTN). (...) 4. Sob análise, a Delegacia de Julgamento, (de 1 a• Instância), relatou que, embora o Recurso de Inconformidade apresentado seja regular e tempestivo, encontrandose atendido todos os requisitos legais para tanto, está impedida para apreciar e enfrentar as questões argüidas pela recorrente, de modo que a extinção do crédito tributário, por decadência, tratase de “questão periférica" além da sua competência funcional estabelecida no art. 174, I, II e II do Regimento Interno. 5 Com efeito, agarrada nessa insígnia deixou de conhecer a manifestação de inconformidade, incontroversamente, regular e tempestiva proposta pela recorrente, restando assim Ementada: (...) 6. A r. decisão acima, é no mínimo surreal, sobretudo porque a a julgadora “a quo" omitiu de forma mendaz as disposições do art. 174, parágrafo 2º. do RIR o qual estabelece a competência exclusiva das Delegacias de Julgamento para apreciar e julgar os indeferimentos e nãohomologações dos pedidos de compensações ou ressarcimentos dos contribuintes, sujeitos passivos, (recorrente). 7. Portanto, deve ser irremediavelmente reformada, decretando sua nulidade plena para que outra seja prolatada, esbatendo e enfrentando as questões suscitadas pela recorrente, senão vejamos: RAZÕES DE RECURSO. PRELIMINARMENTE NULIDADE DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — DRJ —OFENSA DOS PRINCIPIOS DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA E AMPLA DEFESA, . Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 8 A recorrente possuindo créditos tributários, referentes ao IRPJ, referente ao anocalendário de 2001, utilizando as prerrogativas legais do art. 74 da Lei 9.430/96 e INSRF 600/2005 procedeu a confluenciação entre débitos tributários, cujos fatos geradores ocorrem em 01.01.2003, objetivando, como isso, a sua extinção mediante compensação, na forma do art. 156, II do CTN. 9 Ressalta aos olhos que ambos, créditos e débitos, se tratam se tributos Federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal, plausíveis de exauriremse entre si. 10 Logo se vê que, de um lado a compensação é uma fattispecie da extinção do crédito tributário, como de outro, a decadência também é, encontrandose retratada no inciso V do mesmo versículo do art. 156. (..) 13 A malgrado a decisão ora recorrida, a competência da DRJ para julgar a manifestação de inconformidade proposta pela recorrente está plenamente evidenciada no art. 174 do Regimento Interno da Receita Federal, o qual foi utilizado de maneira míope e proteiforme na sanha malévola de, cerceando o direito Constitucional à ampla defesa e devido processo legal, cobrar tributo natimorto pelo instituto da decadência, cobrindo, com efeito, a sua desídia e incúria no exercício funcional de têlo constituído dentro do prazo qüinqüenal. 14 Ora, não tendo homologada a compensação pela Receita Federal de Dourados, desencadeouse, adrede, a cobrança dos respectivos débitos tributários, sendo que a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente teve por objetivo argüir a sua impossibilidade potestativa obrigacional, haja vista que os mesmos encontramse sucumbidos pelo instituto da decadência; 15 Factível que, a competência funcional da DRJ repontase inerente às questões argüidas pela recorrente, a teor do art. 174, I e parágrafo 2°. do Regimento Interno, caindo por terra os pífios argumentos trazidos pela recorrida, no intuito de esquivarse, às canhas, o enfrentamento da manifestação de inconformidade proposta, utilizando como pano de frente argumentos inverídicos e carentes de boafé, exigidos do administrador publico, (art. 37 da CF188). 16 Vale dizer por fim que, as disposições do art. 174, I e parágrafo 2°. Do Regimento Interno, (Portaria MF 95/2007), estão em perfeita sintonia e racionalidade com o art. 74 da Lei 9.430/96, parágrafos 9°., 10 e 11, os quais facultam ao sujeito passivo, (recorrente), propor impugnações e recursos contra o não reconhecimento da oposição à • exigibilidade do crédito tributário, especialmente, quando se tratar de causas extintivas de direito, como a prescrição e decadência, contidas, inclusive, no próprio RIR/99, art. 899. 17 Negar o enfrentamento da extinção do crédito tributário sob o prima da decadência, além de aviltar o princípio Constitucional Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 1402001.644 S1C4T2 Fl. 4 5 da ampla defesa e contraditório, transformou a decisão administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal de Dourados, em una e irrecorrível o que é extremamente vedado no ordenamento jurídico, espezinhando, "mutatis mutandi", o direito pétreo ao duplo grau de jurisdição; (...) 19 Ante aos fatos e fundamentos retro expendidos, PEDE a recorrente, seja o presente Recurso Ordinário conhecido e dado lhe integral provimento para, reconhecendo a competência jurisdicional da Delegacia de julgamento de Campo Grande, consoante as disposições dos arts. 174 do R.I c/c art. 74 da Lei 9.430/96, decretar a nulidade da decisão proferida na respectiva manifestação de inconformidade, determinando a • remessa do processo à aquela DRJ, para que outra seja proferida, submetendo a novo julgamento, enfrentando e esbatendo todas as questões 11 opostas, especialmente, a decadência, a quais tem o condão de extinguir o crédito tributário, na forma dos arts. 150, parágrafo 4°. c/c art. 156, V ambos do CTN e, art. 899 do RIR199. DECADÊNCIA — EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA — ARGUIÇÃO Como anunciado, a decadência qüinqüenal imprimida nos débitos compensados, tratase de matéria de ordem pública capaz de extinguir o crédito tributário, por isso, nada impede que seja argüida e reconhecida em qualquer grau de jurisdição, inclusive, de ofício pelo julgador. 21 Porquanto, embora a decadência não tenha sido enfrentada pela r. decisão recorrida, nada impede que seja preliminarmente aferida em sede recursal, pela qual a recorrente repristina os argumentos expendidos em primeiro grau, os quais conduzem, ao reconhecimento da extinção do crédito tributário exigido, de modo que não foi tempestivamente constituído. (...) 34 De todo exposto, PEDE a recorrente seja o presente RECURSO ORDINÁRIO, conhecido e dadolhe integral provimento no sentido de: (1) Acolher a preliminar suscitada, reconhecendo a competência jurisdicional da Delegacia de julgamento de Campo Grande, consoante as disposições dos arts. 174 do R.I c/c art. 74 da Lei 9.430/96, DECRETANDO A NULIDADE DA DECISÃO proferida na respectiva manifestação de inconformidade, determinando a remessa do processo à aquela DRJ, para que profira nova decisão e julgamento, enfrentando e esbatendo todas as questões opostas, especialmente, a decadência, a quais tem o condão de extinguir o crédito tributário, (arts. 150, • parágrafo 4º do art. 156, V ambos do CTN e, art. 899 do RIR199); Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 (ii) PEDE, cumulativamente, por subsidiariedade, considerando a matéria de ordem Pública argüida, seja reconhecida a decadência sobre os débitos tributários em apreço, na forma do art. 150, parágrafo 4°. c/c art. 899 do RIR/99, uma vez que entre a data dos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2003 até a notificação de cobrança, (08.09.2008), decorreu mais de 05 (cinco) anos, extinguindoos a teor do art. 156, V do CTN. Na Sessão de Julgamento de 29 de setembro de 2011 a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, para determinar que outra seja proferida, com o enfrentamento das alegações da defesa, inclusive as trazidas no recurso voluntário, conforme se verifica no Acórdão nº 140200.747. Ao apreciar novamente a manifestação de inconformidade, a turma de julgamento de primeira instância decidiu pela sua improcedência do, nos termos do Acórdão nº 0427.523 – 2ª Turma da DRJ/CGE, de 28 de fevereiro de 2012, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Débitos informados em Dcomp não homologada são considerados como confessados, podendo ocorrer a cobrança após a decisão definitiva quanto à manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 12/03/2012, conforme AR à fl. 165, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, intempestivamente (12/04/2012), o recurso voluntário de fls. 166/179, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas no recurso voluntário inicialmente apresentado. Consta na fl. 205 despacho de encaminhamento nestes termos: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Sr. Chefe da SARAC, o interessado apresentou Recurso Voluntário ante o Acórdão DRJ intespetivamente – ciência em 12/03/2012 com prazo final de 30 dias em 11/04/2012 e protocolo em 12/04/2012. Nos termos do Artigo 35 do Decreto 70235/72 proponho o encaminhamento ao CARF para prosseguimento. DATA DE EMISSÃO : 12/04/2012 É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 1402001.644 S1C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito do presente recurso voluntário, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Impõese, assim, necessário verificar se, em verdade, houve ou não apresentação tempestiva do recurso voluntário, bem como se existe alguma justificativa razoável para se processar o recurso voluntário em outra data, senão aquela original prevista na legislação de regência. Ao tratar da intimação o Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972 e suas alterações posteriores) se manifesta da seguinte forma: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Pela análise preliminar das peças processuais é possível se inferir, à primeira vista, que os fatos ocorreram da forma abaixo discriminada, e por via de conseqüência com o resultado previsível ali exposto. Senão, vejamos. A decisão proferida pela Primeira Instância foi encaminhada via correio, com emissão de AR, com ciência 12/03/2012, uma segundafeira, dia de expediente normal na repartição de origem. O marco inicial para a contagem do prazo se deu em 13/03/2012, uma terça feira. Portanto, o prazo final para apresentação da defesa encerrarseia no dia 11/04/2012, uma quartafeira, dia expediente normal na repartição de origem. A peça recursal foi protocolizada em 12/04/2012, uma quintafeira, portanto, fora do prazo fatal. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13161.000811/200522 Acórdão n.º 1402001.644 S1C4T2 Fl. 6 9 Ora, não há mais nada para se discutir, a recorrente foi cientificada em 12/04/2012 da decisão. É indiscutível que o prazo para apresentar a peça recursal é de trinta dias, contados na forma do disposto no artigo 5º, parágrafo único, do Decreto n.º 70.235, de 1972, combinado com o art. 33 do mesmo Decreto. Por tal imposição legal o termo final seria 11/04/2012, sendo que a suplicante apresentou a sua peça recursal em 12/04/2012, fora do prazo regulamentar. Desta forma, não se instaurou a fase litigiosa do processo na Segunda Instância, como dispõe o artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e, após isto, qualquer ato de defesa ou decisória é ineficaz. Ou seja, se o sujeito passivo, no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de Primeira Instância, não se apresentar no processo para se manifestar pelo pagamento ou para interpor recurso voluntário para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre à perempção. Daí sua intempestividade. Nestes termos, posicionome no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por extemporânea a peça recursal. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10480.721435/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2009
SISTEMA GFIP/SEFIP. VERSÃO 8.0 E SEGUINTES. TRANSMISSÃO COM A MESMA CHAVE.
Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave), a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo integralmente a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.x.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei n.º 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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VERSÃO 8.0 E SEGUINTES. TRANSMISSÃO COM A MESMA CHAVE. Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave), a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo integralmente a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.x. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 14 35 /2 01 1- 51 Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei n.º 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721435/201151 Acórdão n.º 2302003.221 S2C3T2 Fl. 1.962 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2009. Data da lavratura dos Autos de Infração: 11/03/2011. Data da Ciência dos Autos de Infração: 11/03/2011. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Recife/PE que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.314.4547, 37.314.4555 e 37.314.4580, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, bem como contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços em cada mês, constantes nas folhas de pagamento porém não declaradas nas correspondentes GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 05/12. De acordo com a resenha fiscal, os créditos ora em fase de constituição foram apurados através do comparativo entre os valores declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs e as folhas de pagamento. As diferenças que constituem os créditos acima citados decorrem de fatos geradores que não foram declaradas em GFIP, os quais se encontram arrolados no discriminativo exposto no item 5.1.2. do Relatório Fiscal, a fl. 08. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1804/1814. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1140.364 – 7ª Turma da DRJ/REC, a fls. 1935/1943, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 13/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1945. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1952/1955, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a descrição do objeto que consta no MPF não guarda compatibilidade com o resultado do ato fiscalizador; Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que as informações genéricas lançadas nos Autos de Infração não se mostram capazes e suficientes de modo a estabelecer relação entre as provas coletadas e os lançamentos de créditos apurados, muito menos, esboça uma linha de encadeamento lógico desses elementos para a demonstração da autuação; · Que a decisão de 1º instância deixou de apreciar com profundidade os argumentos de defesa; · Que a decisão de 1ª Instância deixou de conhecer os recolhimentos a maior da contribuição previdenciária realizados nas competências julho e dezembro/2008; · Que a divergência na folha de pagamento dos empregados se deu porque o auditor, erradamente, considerou como base de cálculo a remuneração de empregado que já recolhia pelo teto a contribuição previdenciária em outro vínculo empregatício; Ao fim, requer a declaração de insubsistência dos Autos de Infração. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721435/201151 Acórdão n.º 2302003.221 S2C3T2 Fl. 1.963 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 13/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios no dia 15 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO MPF Alega o Recorrente que a descrição do objeto que consta no MPF não guarda compatibilidade com o resultado do ato fiscalizador. Ah, não ? No Mandado de Procedimento Fiscal a fl. 452 consta descrito o seguinte procedimento a ser executado pelos Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil. PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES: CONTRIB. PREV. E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. PERIODOS: 01/2008 a 12/2008. Pois bem... No caso em tela, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil efetuou procedimento fiscal onde apurou diferenças de recolhimento de contribuições previdenciárias e para Outras Entidades e Fundos, no período de apuração de janeiro/2008 a dezembro/2008. Onde estará a falta de compatibilidade entre a descrição do objeto que consta no MPF e o resultado do ato fiscalizador alegada pelo Recorrente ? Ele não demonstrou, apenas alegou ao vento!! Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 2.2. DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Pondera o Recorrente que a decisão de 1º instância deixou de apreciar com profundidade os argumentos de defesa. Sem razão. Revelase oportuno salientar ab initio que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo Contribuinte ou sob sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Há que se considerar, igualmente, que o Ordenamento Jurídico Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721435/201151 Acórdão n.º 2302003.221 S2C3T2 Fl. 1.964 7 Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise garantia do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem ser valorados com ampla liberdade, desde que tal operação intelectual seja realizada motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e de razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora. Notório o escólio de Gomes Filho (in Direito à Prova no Processo Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 162): “Se de um lado, em oposição ao critério das provas legais, o livre convencimento pressupõe a ausência de regras abstratas e gerais de valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais, por outro implica a observância de certas prescrições tendentes a assegurar a correção epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”. Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de identificação da subsunção do fato concreto à norma jurídica de regência, de valoração das provas, sob a ótica que demanda a controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por desígnio propiciar ao Julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às circunstâncias substanciais pertinentes ao evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência. No caso em exame, verificamos que o Órgão Julgador de 1ª Instância considerou em seu Acórdão todas as matérias de efetivo relevo para a formação da convicção permeada na decisão proferida, não deixando no ostracismo qualquer alegação que fosse relevante para o deslinde da causa. Por outro viés, o Recorrente vem aos autos alegar que “a decisão de 1º instância deixou de apreciar com profundidade os argumentos de defesa”, mas “esqueceuse” de indicar, com precisão, quais foram os argumentos de defesa que deixaram de ser analisados, não sendo dotado este Subscritor de poderes metafísicos que permitam transcendentalmente identificar quais seriam os tais argumentos. Quem alega carrega o fardo da demonstração. 2.3. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 O Recorrente alega que as informações genéricas lançadas nos Autos de Infração não se mostram capazes e suficientes de modo a estabelecer relação entre as provas coletadas e os lançamentos de créditos apurados, muito menos, esboça uma linha de encadeamento lógico desses elementos para a demonstração da autuação; Não procede. Cabe iluminar, inicialmente, que o lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. Assim, os Relatórios, Termos e Discriminativos presentes no vertente processo não se configuram como elementos decorativos do Auto de Infração, mas, sim, partes integrantes do lançamento, que carreiam informações de relevo referentes ao crédito ora em constituição. Dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo do lançamento há que ser interpretado e digerido com o olhar clínico que o seu propósito finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade assim exige, para que não se cometa o despropósito de se atribuir à administração tributária uma deficiência que, muita vez, não é da parte que formaliza e redige os elementos constitutivos do lançamento, mas, sim, de quem os analisa e interpreta. Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de cunho eminentemente jurídico, nada mais natural e exigível que os termos que o compõem obedeçam à lógica e ao jargão jurídico. Tal característica, logicamente, não o invalida. Ao contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance. Fosse um documento médico, de engenharia ou de informática, exigíveis seriam os jargões médico, de engenharia ou de informática, respectivamente, não o jurídico. De acordo com comando aviado no Mandado de Procedimento Fiscal a fl. 452 a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil realizou ação fiscal nas dependências do Sujeito Passivo, da qual houvese por apurado a ocorrência de falta de recolhimento de contribuições previdenciárias e para Outras Entidades e Fundos, correspondente as diferenças das remunerações dos segurados empregados registradas nas folhas de pagamento e aquelas declaradas nas GFIP, no período de apuração de janeiro/2008 a dezembro/2008, conforme especificado no item 4. do Relatório Fiscal a fls. 06/07, que detalha pormenorizadamente, para cada Auto de Infração lavrado, a natureza e destinação das contribuições lançadas, o código e a descrição de cada levantamento e os respectivos valores originários do crédito lançado e o horizonte temporal a que se refere. A Fiscalização procedeu ao confronto das informações registradas das folhas de pagamento com aquelas declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, e constatou que o Autuado declarava em suas GFIP menos de 2% da remuneração efetivamente paga a seus segurados empregados e, também, menos de 2% das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. Além disso, a empresa declarava em GFIP possuir zero empregados, enquanto que a folha de pagamento registrava, em média 300 empregados, aproximadamente. No item 5. do Relatório Fiscal encontramse descritos os fatos geradores apurados pela Fiscalização, assim como os procedimentos adotados pelos agentes fiscais na condução do lançamento em debate, indicando expressamente em cada competência os valores Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721435/201151 Acórdão n.º 2302003.221 S2C3T2 Fl. 1.965 9 de remuneração apurados nas folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, os valores das contribuições descontadas dos segurados contidos nas folhas de pagamento e os declarados nas GFIP, assim como o número de segurados registrados nas folhas de pagamento e o número de segurados declarados nas GFIP. Tais discrepâncias observadas entre os fatos geradores de contribuições previdenciárias registrados nas folhas de pagamento e nas GFIP motivaram a lavratura dos Autos de Infração nº 37.314.4547, 37.314.4555 e 37.314.4580, relativas ao período de apuração de 01/2008 a 12/2008. Os fatos geradores ora em tela foram apurados diretamente dos registros assentados nas folhas de pagamento da Autuada e das informações declaradas pela empresa, mês a mês, em suas GFIP, documentos estes apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, elaborados sob o seu domínio e responsabilidade, e confeccionados sob seu comando e orientação, beirando ao burlesco a alegação de que “as informações genéricas lançadas nos Autos de Infração não se mostram capazes e suficientes de modo a estabelecer relação entre as provas coletadas e os lançamentos de créditos apurados, muito menos, esboça uma linha de encadeamento lógico desses elementos para a demonstração da autuação”. Nesse contexto, sendo do conhecimento do Recorrente os efetivos beneficiários e os valores das remunerações objeto dos vertentes Autos de Infração, revelase despicienda a identificação de cada um dos fatos geradores, isoladamente considerados, nos Relatórios Fiscais que compõem o vertente lançamento. Destacase que os somatórios dos montantes das remunerações pagas assim como os valores devidos pelos segurados empregados abrangidos pelo presente lançamento encontramse devidamente dispostos, por competência, no Discriminativo de Débito de cada Auto de Infração, de molde que a sua correcção pode ser sido sindicada imediatamente e a qualquer tempo pelo sujeito passivo, favorecendo assim o contraditório e a ampla defesa. Aditese que, no caso em estudo, a Fiscalização honrou acostar a fls. 545/1683, cópia das folhas de pagamento da empresa de onde foram extraídos os fatos geradores que compõem o lançamento em testilha. As informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo de Débito de cada um dos Autos de Infração de Obrigação Principal, de forma discriminada por competência e estabelecimento, levantamentos, rubricas, alíquota, valor absoluto da base de cálculo, os valores do Principal e das parcelas relativas aos Juros e multa, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. Os Discriminativos de Débito informam, igualmente, a natureza jurídica das exações lançadas, os valores de eventuais créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, os valores de dedução legal quando existentes, assim como os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas em que se enquadra a empresa recorrente. Se o Recorrente não conseguiu entender a linha de encadeamento lógico desses elementos para a demonstração da autuação, iremos esboçála uma vez mais: Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 a) As GFIP apresentadas pela empresa registram menos de 2% dos fatos geradores de contribuições previdenciárias registrados nas folhas de pagamento; b) Os recolhimentos efetuados pelo Recorrente não contemplaram todos os fatos geradores apurados pela Fiscalização; c) As diferenças entre os valores devidos, nos termos dos artigos 20 e 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social, e os valores efetivamente recolhidos foram, então, lançadas nos três Autos de Infração que compõem o vertente lançamento, de acordo com o previsto no art. 37 da Lei nº 8.212/91; Com tais explanações, simples, para tornálas mais efetivas, esperamos que o Recorrente tenha, finalmente, compreendido o encadeamento lógico que culminou na lavratura dos Autos de Infração ora em debate. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS RECOLHIMENTOS Alega o Recorrente que a decisão de 1ª Instância deixou de conhecer os recolhimentos a maior da contribuição previdenciária realizados nas competências julho e dezembro/2008. Aduz que em julho/2008, ao invés de recolher o valor devido R$ 497.912,37 , recolheu R$ 501.667,24 , e que em dezembro/2008, ao invés de recolher o valor devido de R$ 989.816,76 , recolheu R$ 1.207.077,31 . Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721435/201151 Acórdão n.º 2302003.221 S2C3T2 Fl. 1.966 11 Esqueceu, mais uma vez, o Recorrente de comprovar os recolhimentos por ele alegados. Colhemos do relatório intitulado Relatório de Documentos Apresentados, a fls. 13/27, que em julho/2008 foram realizados 81 recolhimentos via GPS código de recolhimento 2100 (empresas em geral), os quais totalizaram o montante de R$ 486.617,40. Na competência dezembro/2008, por seu turno, foram realizados 102 recolhimentos via GPS código de recolhimento 2100 (empresas em geral), os quais totalizaram o montante de R$ 1.124.434,90. Os dados relativos a cada um dos recolhimentos acima indicados encontram se discriminados, um a um, no Relatório de Documentos Apresentados (fls. 13/27), de maneira que, caso houvesse algum outro recolhimento não considerado pela Fiscalização, este seria facilmente identificável, bastando ao Sujeito Passivo acostar aos autos do processo cópia autêntica do documento de arrecadação não considerado, para fornecer esteio às suas alegações. Ocorre, todavia, que o Autuado apenas alega ter recolhido R$ 501.667,24 em julho/2008 e R$ 1.207.077,31 em dezembro/2008, mas não traz aos autos qualquer indício de prova material da existência de tais recolhimentos. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Deve ser esclarecido, de antemão, que não são consideradas no Relatório de Documentos Apresentados, para fins de abatimento do crédito lançado, as GPS recolhidas com os seguintes códigos de recolhimento: a) reclamatórias trabalhistas (código 2909); b) pagamento exclusivo para terceiros (código 2119); c) contribuições retidas sobre nota fiscal (códigos 2631 e 2640). Mostrase virtuoso esclarecer que: a) A GPS com o código 2119 na competência 12/2008 não foi deduzida porque, no Auto de Infração em que foi lavrado o crédito previdenciário destinado a Outras Entidades e Fundos, não há lançamento na referida competência; b) As guias com código 2909 relativas a reclamatórias trabalhistas foram desconsideradas, porque não foram apresentadas, no procedimento fiscal e nem na defesa, as decisões judiciais correspondentes a tais recolhimentos; c) O código de GPS 2640 é de uso exclusivo de órgão do poder público, não havendo como apropriar recolhimentos desta natureza para empresas privadas, como é o caso do impugnante; d) As GPS com código 2631 não foram apropriadas por que não houve a identificação, de forma inequívoca, dos fatos geradores a que se referiam Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 os recolhimentos. A empresa é obrigada a elaborar folha de pagamento e GFIP distinta para cada tomador de serviços, individualizadamente, e estas não foram apresentadas, fato que impossibilita a correta apropriação de qualquer eventual GPS com código 2631. 3.2. DA ALEGADA ORIGEM DAS DIVERGÊNCIAS O Recorrente pondera que a divergência na folha de pagamento dos empregados se deu porque o auditor, erradamente, considerou como base de cálculo a remuneração de empregado que já recolhia pelo teto a contribuição previdenciária em outro vínculo empregatício. Tal alegação beira ao deboche ... A uma, porque a contribuição da empresa destinada ao financiamento da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos não conhece limites. A contribuição da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721435/201151 Acórdão n.º 2302003.221 S2C3T2 Fl. 1.967 13 A duas, porque de acordo com o Relatório Fiscal, as contribuições dos segurados empregados houveramse por calculadas de acordo com o que estipula o art. 20 da Lei nº 8.212/91. Atentese que nas hipóteses de o segurado empregado prestar serviços a mais de uma empresa, na mesma condição de segurado empregado, a legislação previdenciária prevê que tal segurado deve comunicar a todos os seus empregadores, mensalmente, a remuneração recebida até o limite máximo do salário de contribuição, envolvendo todos os vínculos, a fim de que o empregador possa apurar corretamente o salário de contribuição sobre o qual deverá incidir a contribuição social previdenciária do segurado, bem como a alíquota a ser aplicada, devendo para tanto apresentar os comprovantes de pagamento das remunerações como segurado empregado relativos à competência anterior à da prestação de serviços, ou declaração, sob as penas da lei, de que é segurado empregado, consignando o valor sobre o qual é descontada a contribuição naquela atividade ou que a remuneração recebida atingiu o limite máximo do salário de contribuição, identificando o nome empresarial da empresa ou empresas, com o número do CNPJ, que efetuou ou efetuará o desconto sobre o valor por ele declarado. Nesses caos quando a remuneração global for superior ao limite máximo do salário de contribuição, o segurado poderá eleger qual a fonte pagadora que primeiro efetuará o desconto, cabendo às que se sucederem efetuar o desconto sobre a parcela do salário de contribuição complementar até o limite máximo do salário de contribuição, observada a alíquota determinada de acordo com a faixa salarial correspondente à soma de todas as remunerações recebidas no mês, cabendo a cada fonte pagadora do segurado empregado em questão informar na GFIP a existência de múltiplos vínculos ou múltiplas fontes pagadoras, adotando os procedimentos previstos no Manual da GFIP. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 78. O segurado empregado, inclusive o doméstico, que possuir mais de um vínculo, deverá comunicar a todos os seus empregadores, mensalmente, a remuneração recebida até o limite máximo do salário de contribuição, envolvendo todos os vínculos, a fim de que o empregador possa apurar corretamente o salário de contribuição sobre o qual deverá incidir a contribuição social previdenciária do segurado, bem como a alíquota a ser aplicada. §1º Para o cumprimento do disposto neste artigo, o segurado deverá apresentar os comprovantes de pagamento das remunerações como segurado empregado, inclusive o doméstico, relativos à competência anterior à da prestação de serviços, ou declaração, sob as penas da lei, de que é segurado empregado, inclusive o doméstico, consignando o valor sobre o qual é descontada a contribuição naquela atividade ou que a remuneração recebida atingiu o limite máximo do salário de contribuição, identificando o nome empresarial da empresa ou empresas, com o número do CNPJ, ou o empregador doméstico que efetuou ou efetuará o desconto sobre o valor por ele declarado. §2º Quando o segurado empregado receber mensalmente remuneração igual ou superior ao limite máximo do salário de contribuição, a declaração prevista no § 1º poderá abranger várias competências dentro do exercício, devendo ser renovada após o período indicado na referida declaração ou ao término do exercício em curso, ou ser cancelada caso houver rescisão do contrato de trabalho, o que ocorrer primeiro. Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 §3º O segurado deverá manter sob sua guarda cópia da declaração referida no § 1º, juntamente com os comprovantes de pagamento, para fins de apresentação ao INSS ou à fiscalização da SRP, quando solicitado. §4º Aplicase, no que couber, as disposições deste artigo ao trabalhador avulso que, concomitantemente, exercer atividade de segurado empregado. Art. 92. A empresa é responsável: I pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 86; II pela arrecadação, mediante desconto na remuneração paga, devida ou creditada, e pelo recolhimento da contribuição dos segurados empregado e trabalhador avulso a seu serviço, observado o disposto nos § § 2º e 4º deste artigo; III pela arrecadação, mediante desconto no respectivo salário de contribuição, e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual que lhe presta serviços, prevista nos itens "2" e "3" da alínea "a" e nos itens "1" a "3" da alínea "b", todos do inciso II do art. 79, para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 2003; IV pela arrecadação, mediante desconto no respectivo salário de contribuição e pelo recolhimento da contribuição ao SEST e ao SENAT, devida pelo segurado contribuinte individual transportador autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista) que lhe presta serviços, prevista no § 5º do art. 79; V pela arrecadação, mediante desconto, e pelo recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física e do segurado especial incidente sobre a comercialização da produção, quando adquirir ou comercializar o produto rural recebido em consignação, independentemente dessas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física, conforme disposto no art. 259; VI pela retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, e pelo recolhimento do valor retido em nome da empresa contratada, conforme disposto nos arts. 140 a 177; VII pela arrecadação, mediante desconto, e pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta decorrente de qualquer forma de patrocínio, de licenciamento de uso de marcas e símbolos, de publicidade, de propaganda e transmissão de espetáculos desportivos, devida pela associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, conforme disposto no inciso III do art. 323, observado, quando for o caso, o disposto no art. 324; VIII pela arrecadação, mediante desconto, e pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da realização de evento desportivo, devida pela associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, quando se tratar de entidade promotora de espetáculo desportivo, conforme disposto no inciso I do art. 323, observado, quando for o caso, o disposto no art. 324. §1º O disposto no inciso III do caput não se aplica quando houver contratação de contribuinte individual por outro contribuinte Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721435/201151 Acórdão n.º 2302003.221 S2C3T2 Fl. 1.968 15 individual equiparado à empresa, ou por produtor rural pessoa física ou por missão diplomática e repartição consular de carreira estrangeira, bem como quando houver contratação de brasileiro civil que trabalha para a União no exterior, em organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo. §2º A apuração da contribuição descontada do segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que presta serviços remunerados a mais de uma empresa será efetuada da seguinte forma: I tratandose apenas de serviços prestados como segurado empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso: a) quando a remuneração global for igual ou inferior ao limite máximo do salário de contribuição, a contribuição incidirá sobre o total da remuneração recebida em cada fonte pagadora, sendo a alíquota determinada de acordo com a faixa salarial correspondente ao somatório de todas as remunerações recebidas no mês; b) quando a remuneração global for superior ao limite máximo do salário de contribuição, o segurado poderá eleger qual a fonte pagadora que primeiro efetuará o desconto, cabendo às que se sucederem efetuar o desconto sobre a parcela do salário de contribuição complementar até o limite máximo do salário de contribuição, observada a alíquota determinada de acordo com a faixa salarial correspondente à soma de todas as remunerações recebidas no mês; II tratandose de serviços prestados exclusivamente na condição de contribuinte individual: a) caso a soma das remunerações recebidas não ultrapasse o limite máximo do salário de contribuição, cada empresa aplicará, isoladamente, a alíquota de contribuição definida nas alíneas "a" ou "b" do inciso II do art. 79, conforme o caso; b) se ultrapassado o limite máximo do salário de contribuição, a empresa onde isto ocorrer efetuará o desconto da contribuição prevista nas alíneas "a" ou "b" do inciso II do art. 79, conforme o caso, sobre o valor correspondente à diferença entre o limite e o total das remunerações sobre as quais já foram efetuados os descontos; III tratandose de atividades concomitantes nas condições de segurado contribuinte individual e segurado empregado, empregado doméstico, ou trabalhador avulso: a) à soma das remunerações como segurado empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso aplicase o disposto no inciso I deste parágrafo; b) às demais remunerações decorrentes da atividade de contribuinte individual aplicamse os procedimentos definidos no inciso II deste parágrafo, até o valor correspondente à diferença entre o limite máximo do salário Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 de contribuição e o valor obtido na alínea "a" deste inciso, observado o disposto no § 5º deste artigo. §3º A empresa deverá manter arquivadas, por dez anos, cópias dos comprovantes de pagamento ou a declaração apresentada pelos segurados, para fins de apresentação ao INSS ou à SRP quando solicitado. §4º Em razão do disposto no § 2º, cada fonte pagadora de segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual e empregado doméstico, quando for o caso, deverá informar na GFIP a existência de múltiplos vínculos ou múltiplas fontes pagadoras, adotando os procedimentos previstos no Manual da GFIP. §5º Na hipótese de o segurado exercer atividades na forma prevista no inciso III do § 2º, e ser efetuado primeiro o desconto da contribuição como segurado contribuinte individual, para fins de observância do limite máximo do salário de contribuição, o fato deverá ser comunicado à empresa em que estiver prestando serviços como segurado empregado ou trabalhador avulso, ou ao empregador doméstico, no caso de segurado empregado doméstico, mediante a apresentação de um dos documentos referidos nos incisos I e II do art. 81. §6º Na hipótese do inciso III do § 2º, a remuneração recebida pelo segurado na atividade de contribuinte individual não será somada a remuneração recebida como segurado empregado, empregado doméstico ou trabalhador avulso, para fins de enquadramento na tabela de faixas salariais a que se refere o art. 77, sendo porém somada para fins de observância do limite máximo do salário de contribuição. No caso em apreço, deflui da prova dos autos que a Autuada sequer declarava segurados empregados em suas GFIP, quanto mais que estes mantinham múltiplos vínculos com outras empresas, cuja remuneração total ultrapassava o limite superior do Salário de Contribuição. Além disso, a Autuada não fez coligir aos autos qualquer indício de prova material de que os segurados empregados em tela mantinham múltiplos vínculos com outras empresas, cuja remuneração total ultrapassava o limite superior do Salário de Contribuição, nem a remuneração individual de cada segurado nas demais empresas por ela alegadas. Citese que, ao sabor do preceito inscrito no §5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, o desconto da contribuição social previdenciária legalmente autorizada sempre se presumirá feitos, oportuna e regularmente, por parte do responsável pelo recolhimento, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir da obrigação, permanecendo responsável pelo recolhimento das importâncias que deixar de descontar ou de reter ou que descontar/reter em desconformidade com a lei. Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721435/201151 Acórdão n.º 2302003.221 S2C3T2 Fl. 1.969 17 Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13804.000950/2001-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
IRPJ/CSLL. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo prescricional para o pedido de repetição saldo negativo de IRPJ/CSLL, com apuração anual, é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte do ano-calendário subsequente ao encerramento do período de apuração (data da ocorrência do fato gerador), para pedidos protocolizados até o dia 8 de junho de 2005 (anterior à vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9101-001.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à origem.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 02/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, André Mendes de Moura, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 IRPJ/CSLL. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição saldo negativo de IRPJ/CSLL, com apuração anual, é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte do anocalendário subsequente ao encerramento do período de apuração (data da ocorrência do fato gerador), para pedidos protocolizados até o dia 8 de junho de 2005 (anterior à vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à origem. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 02/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, André Mendes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 09 50 /2 00 1- 10Fl. 619DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Moura, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: DM MOTORS DO BRASIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ , interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 92/100, em que foram apreciados o pedido de restituição de fls. 01, protocolizado, em 18/04/2001, e as Declarações de Compensação que deram origem a novos processos, que foram apensados a este e cuja relação encontrase em fls. 92/95, protocolizadas no período de 15/05/2001 a 24/01/2003, mediante as quais a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito no valor de R$ 291.360,23. relativo ao Saldo Negativo da CSLL do ano calendário de 1995. Da decisão recorrida, transcrevo a constatação na qual se fundou a conclusão e os termos do dispositivo: ‘Como nos casos de apuração do IRPJ em que a pessoa jurídica apura o resultado em período anual, considerase como data da extinção do crédito tributário o último dia do período de apuração (31 de dezembro do anocalendário), data essa já posterior às datas dos pagamentos e também à data em que o contribuinte poderá saber o verdadeiro saldo credor de IRPJ restituído; temos então que o prazo decadencial para pleitear a restituição de saldo credor de IRPJ iniciouse em 01/01/1996 e encerrouse com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, em 31/12/2000. Tal marco inicial para contagem do prazo decadencial fica mais claro quando se verifica que a partir de janeiro do ano seguinte ao período de apuração, quando a apuração é anual, o contribuinte já possui o direito de pleitear a restituição dos saldos negativos e com direito ao acréscimo de juros, como dispõe o Ato Declaratório SRF n° 003/2000. “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1° e 6° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei n° 9.532 de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês Fl. 620DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13804.000950/200110 Acórdão n.º 9101001.914 CSRFT1 Fl. 620 3 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” Dessa forma, já devidamente caracterizada a intempestividade da solicitação, é necessário esclarecer que os pedidos de compensação são sempre condicionados ao deferimento do pedido de restituição (Lei n° 9.430/96, arts. 73 e 74, Decreto n° 2.138/97, arts. 1° e 2° da IN/SRF n° 600/05). Como o pedido de restituição foi protocolado após o prazo decadencial, não poderão ser deferidos os pedidos de compensação vinculados ao crédito aqui pleiteado. Sendo assim, amparado pelo decurso do prazo decadencial, caracterizado pela extinção do direito à restituição, é de se considerar indeferido o Pedido de Restituição do contribuinte (f1. 01), e não homologadas todas as compensações vinculadas ao crédito referido em tal Pedido de Restituição.’ A contribuinte foi /11/2006, conforme AR à fl. 192, verso. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 104/122), protocolizada em 22/12/2006, a recorrente apresenta as argumentações a seguir sintetizadas: • Preliminarmente, que teria ocorrido a homologação tácita das compensações que haviam sido entregues à SRF entre 15/05/2001 e 14/11/2001, pois a requerente somente foi intimada do despacho decisório que não homologou as compensações em questão em 22/11/2006. • Embora concorde plenamente com o fundamento utilizado no despacho decisório, no sentido de que ‘o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo recolhido a maior se extingue após 5(cinco) anos contados da extinção do crédito Tributário’, discorda no tocante à determinação do termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal. • Sustenta que, o termo inicial para a contagem do referido prazo decadencial, nos casos em que o contribuinte apura saldo negativo da CSLL, é a data da entrega da DIPJ. Afastada a decadência, o direito creditório pretendido deveria ser reconhecido no montante de R$ 291.360,23 e, ato continuo, homologadas as compensações pretendidas. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão 1615.196, de 23 de outubro de 2007 (fls. 355/363), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1995 Fl. 621DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear o reconhecimento do crédito de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados anualmente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado a partir do mês de janeiro do Anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. COMPENSAÇÃO. DECURSO DE PRAZO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A decisão que não homologa a compensação declarada deve ser proferida e cientificada à interessada antes do prazo de cinco anos do seu protocolo. Após o transcurso deste prazo, não é dado à Administração pretender não homologar a compensação declarada, operandose a sua homologação tácita. Ciente da decisão em 19/11/2007, conforme AR constante às fls. 401, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 18/12/2007, onde pugna pela reforma da decisão, considerando que não foi corretamente analisado o argumento de que o início da contagem do prazo decadencial para pleitear o saldo negativo de CSLL de 1995, iniciouse somente a partir da data da entrega da DIPJ 1996 ou seja 30/04/1996, ou, alternativamente, seja adotada a tese de que a decadência somente ocorre 5 anos após a homologação tácita (tese dos 5+5). É o relatório. O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 1996 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extingue se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I e 168, I, da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), para o ano calendário encerrado em 1995, o direito para restituir iniciase após a entrega da DIPJ e para compensar iniciase em abril de 1996. (Lei n° 8.981/95, art. 40, c/c Lei n° 9.065/95, art. 1°; IN SRF 51/95 AD SRF 03/2000). A Fazenda Nacional, às fls. 441/448, apresentou recurso especial por meio do qual requer a reforma do acórdão ora fustigado, alegando que, de acordo com o art. 168, I, do CTN, o direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso de prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário O recurso foi admitido pela presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento por meio de despacho às fls. 467/468. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 471/479. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13804.000950/200110 Acórdão n.º 9101001.914 CSRFT1 Fl. 621 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese ao prazo prescricional para o pedido de restituição de tributo, no caso também cumulado com pedidos de compensação. O indeferimento se deve ao argumento de ocorrência da prescrição, desde o despacho de indeferimento do pedido, confirmada pela decisão da DRJ, a qual foi reformada pela decisão recorrida. No caso, tratase de pedidos de restituição protocolizados em 18/04/2001, cujos pedidos de compensação foram protocolizados no período de 15/05/2001 a 24/01/2003, referentes a saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1995 (declarados na DIPJ de 1996), mediante os quais a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito referidos. Em seu recurso a PGFN alega que o tese do prazo de cinco anos para pleitear a restituição de bases negativas da CSLL(apuração pelo lucro real anual) começa a correr a partir de 31 de dezembro do período respectivo, enquanto o acórdão recorrido diz que o prazo para a restituição iniciase após o prazo para entrega da DIPJ (entregue em 30/04/1996) e que para compensar iniciase em abril do ano seguinte ao anocalendário respectivo. A discussão deste ponto no caso presente é dispicienda em virtude de aplicar se ao caso o que foi decidido no julgamento do RE 566.621/RS. Tratase de pedido de restituição. Observese que de acordo com a decisão do STF, conforme ementa transcrita adiante, o prazo começa a correr da ocorrrência do fato gerador que, in casu, se dá em 31 de dezembro do ano da apuração (1995, no caso presente). A posição que deve ser aceita para períodos anteriores a 09/06/2005, decorre da jurisprudência do STJ (tese dos cinco mais cinco anos) conforme estabelecida no julgamento do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, em que o STF reconheceu a aplicabilidade dos 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados antes da data da vigência da LC nº 118/2005 (que passou a ter vigência efetiva a partir do dia 09 de junho de 2005, em virtude do vacatio legis previsto em seu art. 4º). O voto da Ministra Ellen Gracie que foi ementado da seguinte forma: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 623DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Deve, portanto, ser revista a decisão recorrida. Os indébitos relativos aos fatos geradores anteriores a 28/09/1990 (período 01/01/1989 a 27/09/1990) foram atingidos pela prescrição, visto que o pedido foi protocolizado em 28/09/2000. São passíveis de restituição/compensação indébitos incorridos em relação aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 28/09/1990 a 31/10/1993. Assim, no caso sob julgamento, a prescrição só atinge os débitos referentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 31/12/2005. Considerando que o pedido de restituição referente ao presente processo foi protocolizado em 18/04/2001, não há prescrição. Aplicado ao caso presente, é o que se conclui a partir da decisão do STF acima transcrita. O RE 566.621, foi decido com repercussão geral, portanto de seguimento obrigatório pelas turmas julgadoras do CARF, por conta do art. 62A do RICARFAnexo II. Do exposto, voto, por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, pelos fundamentos acima, mantendo a decisão recorrida, com retorno à origem para análise da exatidão do direito creditório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13804.000950/200110 Acórdão n.º 9101001.914 CSRFT1 Fl. 622 7 Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 625DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10920.721075/2012-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO
A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.
Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico.
Na ausência de elementos fáticos que comprovem a existência dos pressupostos hábeis a caracterizar grupo econômico, não é possível dar ao grupo de empresas gerenciados por pessoas diversas da mesma família o status de tal instituo empresarial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao crédito contra ela lançado (Auto de Infração nº 37.324.661-7), manter a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, por considerar matéria incontroversa, eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. Na ausência de elementos fáticos que comprovem a existência dos pressupostos hábeis a caracterizar grupo econômico, não é possível dar ao grupo de empresas gerenciados por pessoas diversas da mesma família o status de tal instituo empresarial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao crédito contra ela lançado (Auto de Infração nº 37.324.6617), manter a decisão da Delegacia Regional de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 10 75 /2 01 2- 41 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 153 2 Julgamento, por considerar matéria incontroversa, eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 154 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/POR) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento do crédito tributário. 2. De acordo com a descrição dos fatos, a empresa em epígrafe mesmo não sendo optante do regime tributário do Simples Nacional, declarava valores em GFIP como se assim fosse. Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “IV. Contribuições Sociais 3. Este relatório é integrante do Auto de Infração, referente a valores apurados de contribuições normais devidas à Seguridade Social, correspondentes à: Parte patronal e GILRAT(*), que está identificada no DEBCAD n°37.324.6617 4. Os detalhes do crédito previdenciário encontramse elencados no corpo deste relatório ou em seus anexos com suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas e fundamentação legal. 5. A razão pela qual foi efetuado o presente lançamento, prende se ao fato, de que em análise do batimento da Folha de Pagamento, GFIP e GPS, resultaram valores discrepantes, já que a empresa elaborava a GFIP como sendo do Regime Tributário do Simples Nacional – mesmo não sendo optante por este Regime e desta forma recolhia apenas os valores correspondentes ao desconto dos segurados. V. Fato Gerador 6. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, com relação às diferenças de contribuições delas resultantes, referentes ao período do lançamento, verificadas pela fiscalização através das folhas de pagamento e cujos valores estão descritos no Discriminativo de Débito DD, em anexo, e identificados no levantamento, a saber: FL1 – valores não lançados em GFIP – é referente à contribuições apuradas sobre remunerações registradas na folha de pagamento normal de trabalhadores empregados e contribuintes individuais, abrangendo o período de 06/2008 a 11/2008. FL2 – valores não lançados em GFIP – da mesma forma que o anterior, abrangendo o período de 12/2008 a 12/2008. (fls. 12/13) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 155 4 (...) 25. Tendo em vista que as empresas MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA, apresentam os pressupostos caracterizadores do instituto de grupo econômico, foi emitido Termo de Sujeição Passiva Solidária.” (fl. 17). 3. Após devidamente intimado do lançamento, em 10/04/2012, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 50/55. Cientificadas do Termo de Sujeição Passiva, as empresas Socelplast Indústria de Plástico Ltda, Bianchi Álbuns Ltda. e CS Cobrança Ltda, , apresentaram impugnação às fls. 75/77, 84/86 e 92/94. 4. No entanto a Delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições sociais previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212, de 1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (f. 105). 5. Em sede recursal, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 125/142) alegando, em síntese, a inexistência de grupo econômico entre as empresas, sob os seguintes argumentos: (i) o fato de pessoas da mesma família serem sócios de diferentes empresas, por si só, não caracteriza o grupo econômico para qualquer fim; (ii) as empresas funcionam em diferentes galpões, ou seja, endereços diferentes; (iii) não há confusão patrimonial entre as empresas ou compartilhamento do quadro de funcionários; (iv) o julgado de primeira instância se utiliza de entendimento de legislação trabalhista para imputar responsabilidade tributária às empresas, o que inviável, pois aquela mais abrangente e inaplicável no caso em tela; (v) as empresas são autônomas, possuem objeto social diferenciado, empregados próprios e diferentes administradores; (vi) o corpo diretivo de cada empresa é distinto e autônomo, pois têm administradores diversos; e (vii) o fato de duas empresas possuírem um único sócio em comum também não justifica a caracterização do grupo econômico; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 156 5 6. Alternativamente, considerando que os argumentos de descaracterização de grupo econômico não sejam aceitos, a recorrente pugna pela inexistência de responsabilidade entre empresas, ainda que reste caracterizada a existência de grupo econômico, sob os seguintes argumentos: (i) não há que se falar em responsabilidade das empresas SOCELPLAST, CS COBRANÇAS e BIANCHO ALBUNS por eventuais débitos da empresa MARÉ INDUSTRIAS; (ii) sustenta que segundo entendimento do STJ seria inviável a compensação de créditos de uma empresa com débitos previdenciários de outra empresa, ainda que sejam do mesmo grupo econômico. Assim, de forma análoga, a recorrente argumenta que, se inviável a compensação, também inviável a cobrança do tributo de empresa que não integrou o polo passivo da relação tributária. 7. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 157 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. BASE DE CÁLCULO E FATOS GERADORES INCONTROVERSO 2. Tendo em vista que a recorrente não apresentou impugnação quanto à ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a lavratura do presente auto de infração, da mesma forma que assim se posiciona a respeito dos valores estipulados, resta incontroversa tais matérias no âmbito administrativo. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO 3. A recorrente limitouse a questionar especificamente a caracterização do grupo econômico entre ela e as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. 4. Consta da peça acusatória, no item 25 (fl. 17), que o auto foi lavrado contra a pessoa jurídica do MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, sendo as demais empresas cientificadas como sujeitos passivos solidários, (fls. 20/34) nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN) que identifica a obrigação solidária das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 5. O Código Tributário Nacional, de fato, prevê somente dois sujeitos subordinados à solidariedade tributária, quais sejam, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e aquelas expressamente designadas por lei. 6. Esse interesse comum a que alude o inciso I, do art. 124, do CTN não se confunde com o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação, que constitui o fato gerador da obrigação principal. Tratase de interesse jurídico que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador da obrigação tributária. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 158 7 7. No caso do grupo econômico, motivo determinante para a autuação da empresa, a Lei nº 8.212/91 em seu art. 30 c/c Regulamento da Previdência Social (RPS), art. 222, cuidaram de delimitar que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias previstas nesses diplomas legais, in verbis: Lei nº 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...). IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...).” Regulamento da Previdência Social Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. 8. Incontestável a previsão legal que assegura a solidariedade existente entre empresas do mesmo grupo econômico, sendo, por consequência, considerada como devedora solidária, sem benefício de ordem. 9. No entanto para fins de autuação fiscal a formação de grupo econômico, deve ser claramente comprovada pela fiscalização, ou seja, é função do auditor fiscal, nos casos em que a existência do grupo econômico não é reconhecida pelas empresas, provar a existência fática do grupo econômico. 10. Primeiramente, quanto ao conceito do instituto, a doutrina não é uniforme ao conceituar grupo econômico. No entanto, a ideia que se pode extrair é comum a maioria das definições, como por exemplo: concentração de empresas com obediência de um gerenciamento único e controle, de maneira que, embora cada uma conserve sua identidade jurídica, na prática funcionam como se departamentos fossem da empresa “piloto” ou empresa mãe/controladora, representando assim nada mais nem menos do que uma técnica de gestão, na medida em que geralmente buscase a união de esforços e valores, monetários ou não, para atingir objetivos comuns. 11. A legislação trabalhista interpreta o conceito de grupo econômico, conforme art.2º, § 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT): como a composição de Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 159 8 duas ou mais empresas, submetidas à direção única, a principal, controladora das demais, in verbis: Art.2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. 12. Essa tem se pautado dos seguintes indícios para identificar grupos de empresas constituídos informalmente: (i) a direção e/ou administração das empresas pelos mesmos sócios e gerentes e o controle de uma pela outra; (ii) a origem comum do capital e do patrimônio das empresas; (iii) a comunhão ou a conexão de negócios; (iv) a utilização da mão de obra comum ou outras situações que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mão de obra contratada por outra. 13. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem considerado como requisito essencial ao reconhecimento de um grupo empresarial a subordinação empresarial (RE 824667/PR) bem como tem reconhecido a solidariedade quanto a débitos tributários, “desse que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente” (REsp 973733/SC). 14. Com tal respaldo verifico que o agente que lavrou o auto de infração bem fundamentou juridicamente a hipótese do grupo econômico e a respectiva obrigação solidária entre os seus integrantes. Não obstante, não consta claramente comprovada a situação fática que identificasse de forma inequívoca a existência de grupo econômico entre as empresas. 15. Isto é, não basta trazer à baila a legislação que trata da responsabilidade solidária entre as pessoas jurídicas que compõem o grupo econômico, é necessário comprovação da hipótese elencada pelo fisco no inciso I, do art. 124 do CTN, pois a ele é imputado o ônus da prova, segundo Fábio Pallaretti Calcini, em Responsabilidade tributária e solidariedade (RDDT 167/36, ago/09): Solidariedade tributária, no caso do grupo econômico, não decorre, simplesmente, da caracterização deste, cujo ônus da prova é do Fisco...É preciso também demonstrar o cumprimento dos requisitos estampados no art. 124, do Código Tributário Nacional... Por fim, o art. 30, inciso IX, da Lei n. 8.212/91 deve Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 160 9 ser interpretado, conjuntamente, com o art. 124, do Código Tributário Nacional, em especial, no tocante ao inciso I, o qual há de ser considerado o núcleo fundamental e irradiador das diretrizes essenciais em matéria de responsabilidade tributária, de maneira que todos os requisitos devem ser preenchidos, principalmente, o interesse comum no fato gerador da obrigação principal. 16. Compulsando detidamente os argumentos fiscais para o lançamento, não resta cristalina a formação de grupo econômico pelas empresas envolvidas. Como exposto, a doutrina e a jurisprudência trabalhista e do STJ, são uníssonas no sentido de caracterizar grupo econômico entre empresas quando restar inequivocamente comprovado o compartilhamento de instalações e de funcionários entre as empresas e houver confusão patrimonial, administrativa e contábil entre as empresas, o que denota a ligação e o interesse comum dos contribuintes, entre outros aspectos. 17. In casu, no relatório fiscal dos autos não ficou claro – tampouco se preocupou em especificar – quais foram os pressupostos ponderados pela autoridade fiscal que o levou a considerar as empresas MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA grupo econômico de fato. 18. Conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária, são argumentos do auditor fiscal para justificar a solidariedade entre as empresas: “(...). 2. Neste mesmo endereço verificamos que funciona a empresa SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CNPJ – 03.485.170/000100. 3. Em consulta aos sistemas da RFB, verificamos que são sócios da empresa Socelplast, acima referida, Guilherme Nichues, CPF – 008.989.46930 e Maria Vieira, CPF – 548.746.10900. 4. Ainda na consulta aos sistemas da RFB podemos verificar a existência de outras empresas com os mesmos sócios: CS COBRANÇA LTDA, CNPJ – 04.735.236/000127 Sócios: Guilherme Niehues, CPF – 008898.46930 Solenir Terezinha Niehues, CPF – 417.536.58934 BIANCHI ALBUNS LTDA, CNPJ – 04.232.326/000103 Sócios: Solenir Terezinha Niehues, CPF – 417.536.58934 Claudemir Paludo, CPF – 884.659.42072 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 161 10 5. Assim, temos várias empresas pertencentes a mesma família, com o que concluímos que existem os pressupostos caracterizadores do instituto de grupo econômico do qual fazem parte as quatro empresas acima referidas. (...). 8. Assim sendo, as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CNPJ – 03.485.170/000100, CS COBRANÇA LTDA, CNPJ – 04.735.236/000127 E BIANCHI ALBUNS LTDA, CNPJ – 04.232.326/000103 responderão solidariamente co a empresa MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CNPJ – 09599.573/001158 em relação aos créditos previdenciários ora constituídos, com base no artigo 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário nacional) e art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991, que assim estabelecem: art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato ferrador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei; Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (redação dada pela Lei n 8.620, de 05.01.1993) (...). IX – as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei (fls. 20/23). 19. Em que pese os argumentos supra mencionados, estes não balizam a realidade fática de grupo econômico entre as empresas, tampouco evidenciam documentalmente a existência dos requisitos de confusão jurídica, contábil ou sequer o compartilhamento de quadro de funcionários entre as pessoas jurídicas, esses sim, elementos robustos que dariam margem a subordinação e unicidade empresarial. 20. Assim, por não terem sido juntados aos autos qualquer documentação capaz de ratificar o lançamento realizado tampouco a explanação clara e precisa no relatório fiscal quanto aos elementos caracterizadores do grupo econômico de fato, voto pelo provimento ao recurso voluntário interposto, para afastar a responsabilidade solidária dessas pessoas jurídicas. CONCLUSÃO 21. Por todo o exposto conheço do recurso voluntário, para no mérito, darlhe provimento parcial, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721075/201241 Acórdão n.º 2803003.396 S2TE03 Fl. 162 11 da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao crédito contra ela lançado (Auto de Infração nº 37.324.6617), mantenho a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, por considerar matéria incontroversa, eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 35534.000917/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em analisar e decidir o recurso. Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Adriano Gonzáles Silvério - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em analisar e decidir o recurso. Redator: Adriano Gonzáles Silvério. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Adriano Gonzáles Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 34 .0 00 91 7/ 20 05 -8 3 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 18/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35534.000917/200583 Resolução nº 2301000.428 S2C3T1 Fl. 219 2 RELATÓRIO Tratase de Embargos de Declaração, opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 240100.372 (fls. 176), da Primeira Turma Ordinária, Quarta Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento parcial ao recurso interposto pela empresa notificada, reconhecendo a decadência de parte do débito, com a aplicação do prazo previsto no art.150, § 4o, do CTN. A embargante alega, em apertada síntese, que ocorreu um equívoco quanto ao período apurado no lançamento. Entende que a decisão foi omissa em relação ao caráter substitutivo do lançamento formalizado nestes autos, asseverando que é imprescindível, para a aferição da decadência, que se investigasse o cumprimento dos prazos decadenciais com base na data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento anulado e com base na data em que se tomou definitiva a Decisão Notificação que anulou a citada NFLD ora substituída. Os embargos foram acolhidos pelo então Presidente da 3a Câmara, Julio Cesar Vieira Gomes e, por meio da Resolução 230100.073, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse informada a data da cientificação do sujeito passivo da primeira NFLD, bem como a data da decisão que anulou a Notificação original, para fins de aplicação da regra decadencial do art.150, § 4o, do CTN. Em cumprimento à solicitação deste CARF, foram anexados extratos, às fls. 212/213, que informam os dados solicitados. Cientificada do resultado da diligência, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 18/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35534.000917/200583 Resolução nº 2301000.428 S2C3T1 Fl. 220 3 VOTO´VENCIDO A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN opôs Embargos de Declaração (fls. 187), por entender que houve omissão/contradição no contra o Acórdão 2401 00.372, da 4a Câmara. A embargante entende que a decisão foi omissa em relação a fato indispensável ao deslinde da controvérsia posta à apreciação, relativo ao caráter substitutivo do lançamento formalizado nestes autos. Sustenta que é imprescindível, para a aferição da decadência, que se investigasse o cumprimento dos prazos decadenciais com base na data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento anulado e com base na data em que se tornou definitiva a Decisão Notificação que anulou a citada NFLD ora substituída. De fato, verificase a omissão apontada pela embargante, uma vez que o Acórdão embargado aplicou a regra decadencial sem levar em conta o caráter substitutivo do lançamento discutido por meio do presente processo administrativo fiscal. Consta, do Relatório Fiscal, que tratase de NFLD substitutiva de uma outra julgada nula por vício formal pela primeira instância administrativa. Em diligência determinada por este CARF, verificouse que a cientificação do sujeito passivo da primeira NFLD (35.539.6718) deuse em 03/09/2003, e a decisão que a anulou data de 19/10/2004. Assim, entendo que o julgamento não deve ser convertido novamente em diligência. Nesse sentido, voto por analisar o recurso apresentado. VOTO VENCEDOR Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado. No item 8.3 do Relatório Fiscal a fiscalização afirma que a presente NFLD foi emitida em substituição à NFLD 35.539.6718, a qual fora anulada pela Decisão Notificação nº 21.004/0575/2004, “por erro na fundamentação legal”. Com vistas a verificar qual foi o equívoco cometido, até para que seja possível a essa E. 1ª Turma conhecer ou mesmo decidir acerca do vício, se material ou formal, o que implica inclusive em alteração do prazo decadencial (artigo 173, inciso II, do CTN) tornase necessária a conversão dos autos em diligência. Pelo exposto, VOTO no sentido de converter os autos em diligências para que a autoridade apense a esses autos a NFLD 35.539.6718, bem como a DN 21.004/0575/2004 9 (item 8.3 do relatório fiscal). Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 18/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 11080.009150/2004-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO.
não merece reforma a decisão recorrida que rejeitou a argüição de decadência, não obstante ter afastado a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, por entender que: "Configurada a presença de simulação, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do. art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional."
Recurso especial da Fazenda Nacional provido.
Recurso especial do contribuinte negado.
Destarte, agiu bem a fiscalização, que diante do evidente intuito de fraude e da ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio, aplicou a multa qualificada no patamar de 150%, conforme previsão, então contida, art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad.
Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ATRAVÉS DE OPERAÇÕES SIMULADAS DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES EM TESOURARIA COM SUBSEQÜENTE PERMUTA. MULTA QUALIFICADA. Com fulcro no que dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964 e considerando o conceito jurídicopositivo de "fraude", que abrange todo e qualquer ato que, por ação ou omissão dolosa impeça, retarde ou atenue os efeitos da ocorrência do fato tributário, reduz o montante do tributo devido ou postergue o seu pagamento, concluo que: além de ter havido simulação, são fraudulentas as referidas operações que resultaram em omissão de ganho de capital na alienação de participação societária através de operações simuladas de compra e venda de ações em tesouraria com subseqüente permuta. De acordo com o que disciplina o art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, constata se que a criação de pessoas jurídicas e a sua extinção, a bel prazer pelas partes envolvidas, para promover o nascimento e o sumiço de patrimônio, configura a sonegação. o conluio, conforme previsto no art. 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude, restou caracterizado em decorrência de: a) a sucessão de manobras societárias realizadas pelos ALIENANTES e pelo GRUPO THYSSENKRUPP, com a utilização de empresas de fachada (duas delas, inclusive, tendo como razão social "números") que impediram o acompanhamento real de transferência do controle acionário que os ALIENANTES detinham sobre a empresa ELEVADORES SúR; b) a concordância da adquirente, GRUPO THYSSENKRUPP, com essas manobras dos ALIENANTES, constituindo, ela própria, novas empresas (como, por exemplo, THYSSEN KRUPP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 91 50 /2 00 4- 94 Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 PARTICIPAÇÕES) exclusivamente para se ajustar no quadro das empresas criadas pelos ALIENANTES; c) a aquiescência não apenas passiva, mas ativa, da adquirente, GRUPO THYSSENKRUPP, com tais operações que, ao fim e ao cabo, possibilitaram a drenagem para o exterior, através de uma empresa "numérica", de todo o pagamento por ela efetuado ao ALIENANTES, configuram, sem dúvida, o conluio para a prática de fraude e sonegação. Destarte, agiu bem a fiscalização, que diante do evidente intuito de fraude e da ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio, aplicou a multa qualificada no patamar de 150%, conforme previsão, então contida, art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. não merece reforma a decisão recorrida que rejeitou a argüição de decadência, não obstante ter afastado a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, por entender que: "Configurada a presença de simulação, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do. art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional." Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad. Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 32 3 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional e o contribuinte, inconformados com o decidido no Acórdão nº 10423.129, proferido pela 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes em 23/04/2008, interpuseram, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade (PGFN) e recurso especial de divergência (contribuinte) à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares argüidas pelo recorrente; no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Segue abaixo sua ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art . 142, do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender, as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INAPLICABILIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116, DO CTN Não tendo sido a autuação levada a efeito sob o pressuposto do parágrafo único, do artigo 116, do CTN, improcedente a insurgência do contribuinte a respeito da sua aplicabilidade no caso concreto. SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade,, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois na realidade ; o ato praticado é outro. SIMULAÇÃO E DECADÊNCIA Configurada a presença de simulação, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do. art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. SIMULAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇAO DO SUJEITO PASSIVO Comprovado que o contribuinte realizou a operação pretendida por meio de outrem, ato simulado, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo quando o crédito tributário é constituído e exigido daquele que realmente praticou o negócio. SIMULAÇÃO E GANHO DE. CAPITAL Na. apuração do ganho de capital, é considerada a operação que importe "alienação" a qualquer título de bens ou direitos, ou cessão, ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Comprovada a simulação e verificada a ocorrência de ganho de capital na operação efetivamente. realizada, correta a exigência: do tributo efetivamente devido. SIMULAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A simulação, por si só, não é causa autorizadora da aplicação da multa qualificada, nos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430, de 1996, para o qual é necessária a caracterização de sonegação, fraude ou conluio com a identificação de evidente intuito de fraude. O elemento doloso não está contido na caracterização da simulação, para efeitos penaistributários. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.” Recurso especial de contrariedade (PGFN) Em seu recurso, a Fazenda Nacional se insurge contra o aresto atacado na parte em que reduziu a multa agravada (150%) para o seu percentual normal (75%). Entende que o acórdão contraria as provas existentes nos autos, além do disposto no art. 44 da Lei 9.430/96 e nos arts. 71/72 da Lei 4.502/64. Argumenta que as provas dos autos revelam que a autoridade fiscal demonstrou com firmeza que a real intenção do contribuinte e do grupo Thyssenkrupp seria realizar uma operação de compra e venda do controle societário das empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSITÊNCIA TÉCNICA. Observa que em todos os julgamentos realizados pela 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes em relação às pessoas fisicas que eram acionistasvendedores do grupo SúR, tal como o recorrido, a multa qualificada foi mantida tendo em vista a simulação do negócio (de compra e venda), inclusive em face das pessoas físicas que tinham menor importância e menor controle acionário que o recorrido nas operações societárias. Salienta que a conduta do contribuinte, representada pelo conjunto de fatos relatados e documentados nos autos, justifica a caracterização do evidente intuito de fraude, como já foi exaustivamente demonstrado pelo contexto fático que se desenrolou na operação de compra da empresa ELEVADORES SûR, do qual o contribuinte foi o seu diretor principal, Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 33 5 mantendose nessa qualidade na empresa compradora, qual seja a ThyssenKrupp, de tal modo que a qualificação da multa é medida que se impõe. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 104349/2008, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões. Afirma que, uma vez que o acórdão recorrido entendeu que no caso em tela sucedeu a chamada simulação relativa, onde não existe o intuito doloso, não cabe, por lógico, o agravamento da multa. Observa que não há que se falar em violação à lei, uma vez que a legislação reguladora da matéria existente e aplicável à época dos fatos exigia, para a aplicação da multa qualificada, evidente e inconteste intuito de fraude, de dolo, o que não é o caso. Destaca que não existe, nos autos, elemento doloso, pois todos os atos teriam sido praticados antes da data apontada como sendo a da ocorrência do fato gerador, além do que frisa que tais atos foram praticados licitamente e são efetivamente existentes. Pondera que não se pode falar em simulação quando, em um negócio bilateral, se imputa à apenas uma das partes a fraude. Ressalta que a fiscalização alegou a existência de dolo para deslocar o prazo decadencial para o art. 173 do CTN, caso contrário seria compelido a reconhecer a decadência do direito do Fisco de lançar supostos débitos cujos fatos geradores ocorreram no ano de 1999. Argumenta que, para a imposição de multa de 150%, é preciso estar comprovada a máfé e a falta de informação das operações praticadas, e nenhum desses requisitos está presente nos autos. Ao final, requer que seja negado provimento ao recurso especial interposto. Recurso especial de divergência (contribuinte) Intimado da decisão recorrida, o contribuinte ofereceu embargos de declaração, que, nos termos do Despacho s/n de 27/08/2010, não foram acolhidos. Em seguida, ofereceu recurso especial, apontando o que entende ser diversas divergências entre o aresto recorrido e os paradigmas que enumera. Afirma que o acórdão ora atacado diverge do Acórdão n.º 10809.227 (erro na identificação do sujeito passivo, decadência e desqualificação da multa), do Acórdão n.º 10247.476 (decadência e desqualificação da multa), do Acórdão n.º 10194.771 (erro na identificação do sujeito passivo), dos Acórdãos 10195.537 e 10321.047 (evidente intuito de fraude). O exame de admissibilidade do presente recurso deu seguimento ao pedido somente no que diz respeito à decadência. Desse modo, as demais questões suscitadas não serão abordadas no presente relatório. Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Segue abaixo as ementas dos paradigmas referentes à divergência relacionada à decadência: “PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO — ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — Configura erro na identificação do sujeito passivo, quando o Fisco não lavra o auto de infração na empresa onde foram efetuados os aportes financeiros e para qual foi dirigido o ganho económico, quando ela permanece ativa após os fatos considerados como simulados e controlada pela pessoa fisica beneficiada, direta ou indiretamente, pela não tributação do ganho de capital na alienação de participação societária. IRPJ E CSLL DECADÊNCIA 0 Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquidos, são tributos cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrito a sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2005, cabível a preliminar de decadência suscitada para os tributos lançados no anocalendário de 1999. PENALIDADE QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INOCORRÊNCIA SIMULAÇÃO RELATIVA – A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, hei que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. 0 atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente et prática de atos fraudulentos. Preliminar de nulidade acolhida. Preliminar de decadência acolhida.” (AC 10809.227) “DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO INEXISTÊNCIA DE FRAUDE A simples omissão de receita não é sinônimo defraude. Assim, há de ficar afastada a aplicação do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional para a contagem do prazo decadencial, prevalecendo a norma do artigo 150, §4º., da Lei Complementar Tributária. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do i contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. Preliminar acolhida.” (AC 10247.476) Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 34 7 Explica que o aresto atacado entendeu que os atos praticados pelo contribuinte não comportam nem o dolo nem a fraude, tendo sido a simulação praticada classificada como relativa, por não existir o intuito doloso de violar a lei e de causar prejuízo a outrem. Destaca que o primeiro paradigma trata de caso idêntico ao presente, sendo a mesma operação glosada, tratandose apenas de contribuintes diversos. Observa que a fiscalização, no intuito de afastar a decadência do crédito tributário, sustentou em seu relatório a ocorrência de simulação, deslocando a contagem do prazo decadencial para o artigo 173, I, do CTN. No entanto, frisa que não houve simulação ou qualquer outro vício que pudesse evitar a aplicação do artigo 150 do CTN ao presente caso. No mérito, argumenta que, ainda que os atos praticados pelo contribuinte configurassem hipótese de elisão fiscal sujeita ao artigo 116, parágrafo único, do CTN, a autoridade administrativa não poderia sob tal fundamento desconsiderálos e pretender lançar diferenças, pois os fatos ocorreram antes do advento da Lei Complementar n° 104 — que instituiu tal faculdade/poder à Administração — e tal dispositivo ainda não foi regulamentado, não sendo autoaplicável. Ratifica a juntada de documentação que trata de uma perícia judicial a qual teve por objeto exatamente o estudo da operação glosada pelo Fisco e objeto destes autos. Declara que tal documento é prova nova. Salienta que a perícia entendeu que não houve fraude, dolo ou simulação na venda do controle acionário da Elevadores Súr S/A à ThyssenKrupp Industries S/A. Destaca que a apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão final encontra guarida no princípio da verdade material e no princípio constitucional da ampla defesa. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.808, foi dado seguimento PARCIAL ao pedido em análise, apenas no que diz respeito à matéria da decadência. A Fazenda Nacional ofereceu, tempestivamente, contrarazões. Explica que a ação fiscal revelou que o contribuinte, objetivando evitar a ocorrência de fatos geradores de IRPJ e IRPF, realizou operações simuladas. Afirma que o art. 150, §4º do CTN explicitamente retira de sua abrangência os casos de dolo, fraude ou simulação, fazendo menção ao art. 173 do mesmo diploma normativo. Frisa que não se confunde neste caso a verificação de fraude (conluio ou sonegação), o que segundo entendimento da Câmara Julgadora não ocorreu, com a constatação o negócio simulado. Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Observa que, considerando que o período de apuração é 31/12/1999 e que a notificação do contribuinte ocorreu em 12/2004, não há que se falar em decadência nos termos do art. 173, I do CTN. Ao final, requer que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Os recursos especiais, da Fazenda Nacional e do contribuinte, preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Em suma, são duas as questões submetidas à apreciação desta 2ª Turma da CSRF: i) a aplicação da multa de ofício no patamar de 75% ou no de 150%; e ii) a decadência do lançamento. Pode assim ser resumido o que fora decidido no colegiado a quo: i) houve simulação: "SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade,, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois na realidade ; o ato praticado é outro. (...) SIMULAÇAO E ERRO NA IDENTIFICAÇAO DO SUJEITO PASSIVO Comprovado que o contribuinte realizou a operação pretendida por meio de outrem, ato simulado, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo quando o crédito tributário é constituído e exigido daquele que realmente praticou o negócio. SIMULAÇAO E GANHO DE. CAPITAL Na. apuração do ganho de capital, é considerada a operação que importe "alienação" a qualquer título de bens ou direitos, ou cessão, ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Comprovada a simulação e verificada a ocorrência de ganho de capital na operação efetivamente. realizada, correta a exigência: do tributo efetivamente devido." ii) configurada a simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN: Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 35 9 SIMULAÇAO E DECADÊNCIA Configurada a presença de simulação, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do. art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. iii) o elemento simulação, por si só, não é causa autorizadora da aplicação da multa qualificada, para o qual é necessária a caracterização de sonegação, fraude ou conluio com a identificação de evidente intuito de fraude: "SIMULAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A simulação, por si só, não é causa autorizadora da aplicação da multa qualificada, nos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430, de 1996, para o qual é necessária a caracterização de sonegação, fraude ou conluio com a identificação de evidente intuito de fraude. O elemento doloso não está contido na caracterização da simulação, para efeitos penaistributários" Por oportuno e para me manter fiel ao relatado pela autoridade fiscal, no que concerne, especificamente, à qualificação da multa e à decadência, colaciono excertos do Relatório de Atividade Fiscal IRPF Omissão de Ganho de Capital na Alienação de Participação Societária Através de Operações Simuladas de Compra e Venda de Ações em Tesouraria com Subseqüente Permuta (fls. 106/152). Saliento que transcrevo tão somente os trechos relevantes que se referem à descrição dos fatos e não as partes relativas a manifestações doutrinárias e/ou jurisprudenciais: “3.4.1.1. Breve Resumo dos Principais Negócios Jurídicos Implementados pelas Partes Envolvidas Para uma adequada compreensão das operações realizadas, mister um breve resumo dos principais negócios jurídicos implementados pelas partes envolvidas, que culminou com a celebração, em 08/09/99, do CONTRATO DE COMPRA E VENDA E DE PERMUTA DE AÇÕES: Em 22/09/98, através de uma Assembléia Geral Extraordinária (AGE), os acionistas de ELEVADORES SÛR deliberaram pelo cancelamento do registro de capital aberto de ELEVADORES SÛR, tornando a sociedade companhia de capital fechado; No dia 04/08/99, os ALIENANTES ingressaram no quadro societário da 5246 PARTICIPAÇÕES, subscrevendo um aumento de capital de R$ 700,00, bem como a formação de reserva de capital no valor de R$ 1.400,00, mediante a emissão de 7.000.000 de ações. Com isso, o capital social da 5246 PARTICIPAÇÕES passou a ser dividido em 17.000.000 de ações. A subscrição do aumento de capital se deu de tal forma, que foi mantida, aproximadamente, a mesma participação que os acionistas detinham em ELEVADORES SÛR; No dia 04/08/99, um dos antigos acionistas de 5246 PARTICIPAÇÕES, EDUARDO DUARTE, até então detentor (juntamente MÁRCIA LÚCIA COELHO DOS SANTOS) de 100% das ações de emissão da 5246 PARTICIPAÇÕES, renunciou ao cargo de diretor da empresa. MÁRCIA LÚCIA COELHO DOS Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 SANTOS já havia renunciado ao cargo anteriormente, em 20/04/99; No dia 05/08/99, EDUARDO DUARTE e MÁRCIA LÚCIA COELHO DOS SANTOS, alienaram as 10.000.000 de ações que detinham na 5246 PARTICIPAÇÕES para a própria 5246 PARTICIPAÇÕES pelo valor de R$ 1.400,00. Com isso, a 5246 PARTICIPAÇÕES passou a deter 10.000.000 de AÇÕES EM TESOURARIA, ou seja, passou a deter 10.000.000 de ações de sua própria emissão; No dia 15/08/99, os ALIENANTES subscrevem um aumento de capital na empresa 5246 PARTICIPAÇÕES no valor de R$ 36.653.340,00, o qual foi integralizado mediante a conferência das ações que eles detinham na empresa ELEVADORES SÛR; No dia 27/08/99, a THYSSEN INDUSTRIES, juntamente com a THYSSEN ELETEC LTDA., CNPJ 01.189.622/000172, constituíram, no Brasil, a empresa THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES, com um capital social subscrito de R$ 100,00, a ser integralizado no prazo de um ano; No dia 05/09/99, EDUARDO DUARTE e SIMONE BÜRCK SILVA, até então detentores de 100% das ações de emissão da 5256 PARTICIPAÇÕES, transferem suas ações para ADROALDO AUMONDE, renunciando aos cargos de Diretores no dia 08/09/99; No dia 08/09/99, os ALIENANTES PESSOAS FÍSICAS (além da pessoa jurídica domiciliada no exterior, a EWEN LTD.) transferem as ações que acabaram de subscrever na 5246 PARTICIPAÇÕES para a 5256 PARTICIPAÇÕES em decorrência de uma integralização de aumento de capital subscrito pelos ALIENANTES nesta empresa no montante de R$ 25.032.000,09; No dia 08/09/99, a 5246 PARTICIPAÇÕES (VENDEDORA) vende para THYSSEN INDUSTRIES, S/A, as 10.000.000 (3.340.000 ON e 6.660.000 PN) de AÇÕES de sua emissão que estavam EM TESOURARIA, pelo preço de R$ 202.337.000,00, equivalentes, naquela data, a US$ 107.000.000,00, as quais 5246 PARTICIPAÇÕES havia acabado de adquirir; O preço de R$ 202.337.000,00 foi pago no ato de celebração do contrato através de crédito em conta corrente da VENDEDORA mantida junto ao BANCO PACTUAL S/A, outorgando a VENDEDORA à COMPRADORA a mais ampla, geral e irrestrita quitação pelo recebimento da totalidade do preço, inscrevendose a COMPRADORA no Livro Registro de Ações Nominativas da VENDEDORA; Ato contínuo, a THYSSEN INDUSTRIES (COMPRADORA) subscreveu um aumento de capital na empresa THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES no valor de R$ 226.919.901,00, integralizado da seguinte forma: a) R$ 202.337.000,00, mediante a conferência das 10.000.000 de emissão da 5246 PARTICIPAÇÕES, que a THYSSEN INDUSTRIES havia acabado de adquirir da própria 5246 PARTICIPAÇÕES; b) pagamento em dinheiro no valor de R$ 3.782.000,00; e c) o Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 36 11 saldo remanescente deveria ser integralizado em dinheiro ou bens no prazo de 24 meses. Como conseqüência do aporte de capital feito pela THYSSEN INDUSTRIES, a THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES foi inscrita no Livro Registro de Ações Nominativas da VENDEDORA; Em seguida, e no mesmo dia 08/09/99, a THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES (PERMUTANTE) permuta com a 5246 PARTICIPAÇÕES (VENDEDORA), passando a titularidade das 10.000.000 (3.340.000 ON e 6.660.000 PN) de ações de emissão de 5246 PARTICIPAÇÕES para a própria 5246 PARTICIPAÇÕES e a titularidade das ações de emissão de ELEVADORES SÛR e de ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA para a THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES. Com isso, as 10.000.000 de ações de emissão de 5246 PARTICIPAÇÕES voltaram a ser AÇÕES EM TESOURARIA e a THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES passou a deter o controle societário de ELEVADORES SÛR e de ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA (98,66% e 99,9999%); No dia 09/09/99, a 5246 PARTICIPAÇÕES remeteu para o exterior uma considerável parcela do valor recebido na venda de ELEVADORES SÛR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA (R$ 172.101.510,00) a título de investimento direto na subsidiária GRANITE HOLDINGS CORPORATION, com sede em Nassau, Ilhas Bahamas (fl. 208 do Anexo II); No dia 30/12/99, os quotistas da THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES resolvem, por unanimidade, aprovar a incorporação da THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES pela THYSSEN SÛR ELEVADORES.” Com base em uma análise mais detida nos negócios jurídicos acima, é possível afirmar, de maneira resumida, que os controles societários de ELEVADORES SÛR e da ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA foram vendidos para o GRUPO THYSSENKRUPP pelo valor de R$ 202.337.000,00, através de uma complexa seqüência de atos societários que tiveram por objetivo MASCARAR a operação de compra e venda, acarretando a falta de recolhimento dos tributos devidos pelos ALIENANTES sobre o ganho auferido na operação. Além da falta de recolhimento dos tributos devidos, a operação teve por objetivo gerar um ágio dedutível para o GRUPO THYSSENKRUPP, sem o qual a operação não seria vantajosa para o adquirente. 3.4.2. Dos Elementos Caracterizadores da Simulação nos Negócios Jurídicos Celebrados para Ocultar a Compra e Venda de Ações A partir do item seguinte, passaremos a analisar detalhadamente os principais elementos que caracterizam as operações societárias realizadas pelas partes como SIMULADAS, encobrindo uma VERDADEIRA OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA de 3.356.797 ações de emissão de ELEVADORES SOR e Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 de 1.234.999 ações de emissão da ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, realizada por ALCEU ALBUQUERQUE e pelos DEMAIS ALIENANTES. Por oportuno, incorporamos ao nosso relatório os principais argumentos e conclusões (no sentido da existência de fraude nos negócios jurídicos) trazidos pelos juristas PAULO DE BARROS CARVALHO (item 3.4.4), GALENO LACERDA e JAGUARÊ TORELLY TEIXEIRA (item 3.4.5) em seus Pareceres, os quais, por sua vez, foram contratados pela CIACORP para analisar as operações realizadas entre os ALIENANTES e o GRUPO THYSSENKRUPP. 3.4.2.1 . Vícios nos Elementos Volitivos Constantes dos Negócios Jurídicos Exteriorizados O principal elemento denunciador da simulação é a divergência entre a vontade íntima das partes envolvidas e as declarações por elas externadas nos diversos atos societários e demais negócios jurídicos implementados cujo encadeamento compõe o suposto "planejamento tributário". Com efeito, resta evidente, pela análise dos negócios jurídicos celebrados, que a real intenção dos ALIENANTES e do GRUPO THYSSENKRUPP era a de uma operação de compra e venda do controle societário das empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. O GRUPO THYSSENKRUPP nunca teve a intenção de adquirir 50% de ações de emissão da "EMPRESA DE FACHADA" 5246 PARTICIPAÇÕES, mas sim em adquirir a totalidade dos controles societários das duas empresas mencionadas. A própria seqüência de atos celebrados entre as partes denuncia o vício de vontade nos negócios jurídicos formalizados. A contratação da PERMUTA no mesmo ato em que havia sido formalizada a compra das AÇÕES EM TESOURARIA da 5246 PARTICIPAÇÕES deixam mais do que evidente a falsa vontade das partes em negociar essas ações. A cronologia dos atos, mais uma vez anuncia os vícios nos elementos volitivos dos negócios jurídicos celebrados entre as partes, ou seja, a realização da venda de ações em tesouraria com a imediata e subseqüente aquisição através de permuta (inclusive, no mesmo instrumento contratual). Além disso, as próprias Demonstrações Financeiras da empresa ELEVADORES SúR, relativas ao exercício social findo em 31/09/2001, admitem, embora de maneira oblíqua, a simulação, quando, ao explicar a origem do ágio pago no investimento, simplesmente omitem a 5246 PARTICIPAÇÕES: "O ágio foi apurado quando da aquisição da THYSSEN SúR S/A ELEVADORES E TECNOLOGIA (antiga ELEVADORES SúR) pela empresa incorporada em 1999, THYSSEN KRUPP INDUSTRIES PARTICIPAÇÕES LTDA, e tem como fundamento econômico a perspectiva de rentabilidade futura. A amortização está sendo realizada no período de dez anos. Em 2000, houve um Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 37 13 reembolso de R$ 6.272.806, 00 e, conseqüentemente, uma redução no ágio neste montante." Apesar de o ágio ter surgido (formalmente) quando da aquisição da 5246 PARTICIPAÇÕES e NÃO da ELEVADORES SúR, ela NEM SEQUER é mencionada nas notas explicativas das referidas demonstrações contábeis. A própria empresa contratada por ELEVADORES SúR, a ARTHUR ANDERSEN BUSINESS CONSULTING S/C LTDA. (ARTHUR ANDERSEN), para emitir um Laudo de Avaliação para ser usado como base para identificação do fundamento econômico do ágio pago no investimento, comete o mesmo ato falho, expondo, mais uma vez, a manobra das partes envolvidas na introdução do trabalho: "A Thyssen Eletec International adquiriu recentemente, através de sua Holding denominada Thyssen Krupp Participações S.A., o controle acionário da Thyssen Súr S.A. (antiga Elevadores Sür S.A. Indústria e Comércio), apurando ágio na aquisição do investimento. " As omissões acima somente reforçam que as operações societárias celebradas entre as partes somente existiram na lateralidade das estipulações, tendo sido formalizadas com total desprezo da rigorosa intenção dos envolvidos e dos fins econômicos por eles visados, assim como da essência do verdadeiro negócio jurídico celebrado entre as partes, qual seja, o de uma verdadeira operação de compra e venda de participações societárias. 3.4.2.2. Utilização de Interpostas Pessoas Jurídicas ("Empresas de Fachada" na Celebração dos Negócios Jurídicos. Para a concretização dos negócios jurídicos simulados, os ALIENANTES utilizaramse das "empresas de fachada" 5246 PARTICIPAÇÕES e 5256 PARTICIPAÇÕES. (...) A transferência das participações societárias detidas pelos ALIENANTES para a 5246 PARTICIPAÇÕES às vésperas da negociação revela a CONDENÁVEL e LESIVA prática de utilização de interpostas pessoas. Da mesma forma, a transferência das ações, realizada no dia 08109/99 (desta vez no MESMO dia da formalização do negócio com o GRUPO THYSSENKRUPP) de emissão da 5246 PARTICIPAÇÕES para a 5256 PARTICIPAÇÕES, em virtude de integralização de aumento de capital, também confirma a prática de pessoas. Enquanto a utilização da 5246 PARTICIPAÇÕES teve por objetivo a criação fictícia do lucro na venda de ações em tesouraria, o uso da 5256 PARTICIPAÇÕES teve como finalidade possibilitar uma distribuição de lucros isentos para os Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 ALIENANTES PESSOAS FÍSICAS, assim como para a pessoa jurídica domiciliada no exterior. (...) A venda foi realizada justamente através de negociações simuladas. realizadas pela 5246 PARTICIPAÇÕES com ações de sua própria emissão, conforme detalhado no item 3.4.2.3. Uma análise dos Livros Registros de Atas das Reuniões de Diretoria e de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal, previstos no art. 100 da Lei no 6.404/76, da 5246 PARTICIPAÇÕES e da 5256 PARTICIPAÇÕES corrobora a constatação de as empresas serem meramente de "fachada", haja vista que NÃO HÁ UM ÚNICO REGISTRO SEQUER de reuniões daqueles órgãos (fl. 220 a 243 do Anexo H1 e 209 a 232 do Anexo IV). Dessa forma, os ALIENANTES fizeram uso de interpostas pessoas no Brasil (5246 PARTICIPAÇÕES e 5256 PARTICIPAÇÕES), também chamadas de "empresas laranjas", com o único intuito de viabilizar a venda de suas participações societárias em ELEVADORES SÚR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA sem o recolhimento dos tributos devidos sobre o ganho de capital auferido na operação. Caso não tivesse feito uso dessas "empresas de fachada" os ALIENANTES teriam que transferir suas participações societárias através de uma INDESEJADA e. INCONVENIENTE operação de compra e venda, ou, caso insistissem em não recolher os tributos devidos neste tipo de negociação, teriam que empregar qualquer outra fraude ou simulação. 3.4.2.3. Das Restrições às Companhias de Negociarem com suas Próprias Ações A lei proíbe, de maneira geral, à sociedade negociar com ações de sua própria emissão, autorizando o ato apenas em hipóteses excepcionais. As razões da vedação são no sentido de preservar o capital social da empresa (evitando negociações simuladas com restituição do capital ao sócio, por exemplo), bem como no sentido de evitar que recursos da companhia sejam utilizados em cotações artificiais de suas ações. No entanto, o legislador excepcionou quatro situações, nas quais se autoriza a companhia a negociar com as ações de sua emissão. (...) E é aqui que reside um outro elemento denunciador do vicio de vontade nos negócios jurídicos celebrados entre as partes, qual seja, NUNCA houve a intenção da 5246 PARTICIPAÇÕES de adquirir suas próprias ações para MANTÊLAS em tesouraria, ou ainda, para que lá elas PERMANECESSEM. Pelo contrário, a 5246 PARTICIPAÇÕES negociou com suas próprias ações com o único intuito de obter um LOGRO TRIBUTÁRIO para os seus acionistas, ou seja, para os ALIENANTES, que dela se utilizaram de maneira DESPUDORADA para obter um ganho fiscal ilícito. Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 38 15 Com efeito a 5246 PARTICIPAÇÕES teria comprado suas próprias ações (10.000.000) em 05108199. No dia 08109/99, a 5246 PARTICIPAÇÕES VENDE essas ações em tesouraria para o GRUPO THYSSENKRUPP e, NA MESMA DATA, recebe essas mesmas ações de volta, dando em troca, as ações que detinha nas empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. Ora, se o legislador restringe as negociações de ações de emissão da própria companhia justamente para evitar fraudes e operações societárias simuladas, como é possível aceitar como válido o EMBUSTE promovido pelos ALIENANTES, através da seqüência de atos jurídicos (compra, venda e permuta) celebrados pela 5246 PARTICIPAÇÕES com suas próprias ações? Da mesma forma, a legislação tributária ao estabelecer isenção para o lucro na venda de ações em tesouraria, tem como claro objetivo a preservação do mercado de capitais, ou seja, incentivar o investimento, evitando a tributação de aportes ou "injeções" de capital e, conseqüentemente, o comprometimento do património líquido das empresas investidas. A isenção não existe para incentivar operações de compra e venda de participações societárias ACOBERTADAS por negociações fraudulentas de ações em tesouraria. É importante destacar que os cuidados tidos pelas partes na observância dos requisitos para a aquisição de ações em tesouraria (criação, poucos dias antes da operação, de saldo suficiente de lucros ou reservas, não diminuição do capital social etc.), somente confirmam a maneira premeditada com que os ALIENANTES agiram na tentativa de obterem êxito nos seus objetivos ESCUSOS. 3.4.2.4. Subavaliação das Ações de Emissão de ELEVADORES SúR e da ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA na Integralização de Aumento de Capital na 5246 PARTICIPAÇÕES É interessante destacar que, para atingir seus objetivos, os ALIENANTES tiveram que promover uma BRUTAL SUBAVALIAÇÃO no valor pelo qual as ações de ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA foram dadas como integralização do aumento de capital na 5246 PARTICIPAÇÕES. Assim, os ALIENANTES subscreveram um aumento de capital na 5246 PARTICIPAÇÕES no montante de R$ 36.653.344,00, o qual foi integralizado mediante a conferência das ações de emissão de ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, as quais, por sua vez, foram avaliadas, respectivamente, em R$ 35.918.540,00 e R$ 734.804,00, conforme demonstrado a seguir: (...) Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 No entanto, o valor (R$ 36.653.344,00) pelo qual as ações de ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA foram integralizadas em aumento de capital na 5246 PARTICIPAÇÕES É NOTORIAMENTE INFERIOR ao valor de mercado das duas empresas. E não é só a venda subseqüente (ocorrida apenas poucos dias após a integralização) para o GRUPO THYSSENKRUPP pelo valor de R$ 202.337.000,00 que anuncia o ARDIL empregado pelos ALIENANTES. Uma análise dos documentos coletados no curso da ação fiscal aponta para a mesma direção. Senão, vejamos. (...) 3.4.2.5. Subavaliação das Ações de Emissão da 52 46 PARTICIPAÇÕES na Integralização de Aumento de Capital na 5256 PARTICIPAÇÕES Com o objetivo de possibilitar uma distribuição de dividendos (a qual é isenta de tributação), os ALIENANTES subscreveram um aumento de capital na empresa 5256 PARTICIPAÇÕES, integralizandoo mediante a conferência das ações por eles detidas na empresa 5246 PARTICIPAÇÕES. (...) Ocorre que, para terem êxito na empreitada de NÃO recolherem os tributos sobre os ganhos auferidos na venda de suas participações societárias na ELEVADORES SOR e na ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, os ALIENANTES NOVAMENTE TIVERAM que promover uma BRUTAL DISTORÇÃO no valor pelo qual as ações foram integralizadas. Ao contrário da SUBAVALIAÇÃO promovida quando da integralização de aumento de capital na 5246 PARTICIPAÇÕES, a qual se deu às vésperas do fechamento da venda da empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, a BRUTAL DISTORÇÃO nos valores das ações dadas como integralização do aumento de capital na 5256 PARTICIPAÇÕES se deu NA MESMA DATA DA ASSINATURA do CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE PERMUTA DE AÇÕES. (...) Com efeito, CAUSA ESTRANHEZA que, NA MESMA DATA em que o controle acionário da ELEVADORES SúR e da ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA foi vendido para o GRUPO THYSSENKRUPP, os ALIENANTES PESSOAS FÍSICAS tenham dado as ações da 5246 PARTICIPAÇÕES, que naquele momento era proprietária das ações das duas empresas (e que seriam, Iogo em seguida, seriam transferidas para o GRUPO THYSSENKRUPP), por um valor MUITO INFERIOR ao do recebimento na venda para o GRUPO THYSSENKRUPP, sob o INFUNDADO argumento de que este valor MUITO INFERIOR seria o JUSTO VALOR DE MERCADO da empresa. Fl. 4040DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 39 17 (...) Novamente, os ALIENANTES resolveram utilizar o valor patrimonial de seu investimento em 5246 PARTICIPAÇÕES (notoriamente inferior ao valor econômico da empresa), tendo em vista que este é mais facilmente CONFUNDÍVEL com o valor de mercado de uma empresa. A SUBAVALIAÇÃO DELIBERADA no valor de mercado pelo qual as ações de emissão de 5246 PARTICIPAÇÕES foram integralizadas na 5256 PARTICIPAÇÕES, também CARACTERIZA o DOLO, a FRAUDE e o CONLUIO dos ALIENANTES, que assim agiram com o claro intuito de reduzir a tributação sobre ganho de capital auferido na venda das ações de ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. 3.4.2.6. Incompatibilidade entre o Valor Pago pelo GRUPO THYSSENKRUPP à 5246 PARTICIPAÇÕES e o Controle Acionário Indireto Adquirido na ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISÊNCIA TÉCNICA Outra inconsistência lógica na fraude implementada pelas partes é a desproporção entre o preço pago pelo GRUPO THYSSENKRUPP na compra de ações em tesouraria de emissão da 5246 PARTICIPAÇÕES e os direitos por ele adquiridos, representados pelo controle acionário INDIRETO nas empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. (...) 3.4.2.7. Vícios e Irregularidades Encontradas nos Livros Societários das Empresas Envolvidas (...) Essas irregularidades nos livros societários somente demonstram a maneira ATABALHOADA com que agiram os ALIENANTES no AFÃ de SUPRIMIR INDEVIDAMENTE os tributos devidos nas operações de compra e venda de participações societárias. (...) 3.4.3. Parecer da Consultoria Tributária ERNST & YOUNG A CIACORP contratou a ERNST & YOUNG — SERVIÇOS TRIBUTÁRIOS S/C LTDA." para analisar, interpretar e opinar sobre a operação de transferência do controle acionário das empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA para o GRUPO THYSSENKRUPP. Na condução dos trabalhos, a ERNST & YOUNG examinou os documentos e relatórios relacionados à referida operação, os quais foram apresentados pela CIACORP. Como resultado do trabalho, a ERNST & YOUNG emitiu o relatório "Análise da Transferência do Controle Societário da ELEVADORES SúR para o GRUPO THYSSEN", datado de Fl. 4041DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 2510312003 (fl. 123 a 154 do Anexo In. As conclusões que chegou a ERNST & YOUNG sobre as operações são bastante semelhantes às desta fiscalização. A primeira delas é a de que, para a transferência do controle acionário de ELEVADORES SúR e da ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, foi adotada uma forma estruturada para que, além de atender os objetivos do negócio que estava sendo realizado, houvesse a redução ou eliminação da carga tributária sobre o ganho de capital. Nos dizeres da empresa "a forma adotada para a realização da operação não se configurou uma simples alienação de ações ou quotas, mas, sim, uma transação complexa, onde, ao final, ocorre o que podemos denominar de ALIENAÇÃO INDIRETA" das ações de ELEVADORES SúR e da ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. A segunda é a de que o objetivo final das partes envolvidas, que era a transferência das participações societárias que os ALIENANTES detinham, "poderia ter sido atingido sem que fosse necessário a utilização de uma operação cuja estrutura é bastante complexa". Uma das razões para a utilização dessa estrutura complexa foi a redução da carga tributária, através da redução ou eliminação do ganho de capital que seria obtido caso a transferência ocorresse mediante um simples contrato de compra e venda de participações societárias (..). A cronologia dos atos societários indica os procedimentos adotados para que a operação atingisse os objetivos que as partes envolvidas desejavam. Portanto, ambos os grupos consentiram nos atos que intervieram" (destacamos). Ao ser indagada pela CIACORP, entre outros assuntos, acerca de sua opinião sobre a operação, a ERNST & YOUNG respondeu, em 25/ 03/2003 (fl. 155 a 161 do Anexo II), que o GRUPO THYSSENKRUPP poderia simplesmente ter adquirido da 5246 PARTICIPAÇÕES as ações que esta detinha na empresa ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, evitando ter participado do capital social da 5246 PARTICIPAÇÕES e, conseqüentemente, a permuta desta participação pelas participações naquelas duas empresas. O GRUPO THYSSENKRUPP evitaria, ainda, todos os demais atos jurídicos celebrados. Todas essas operações tiveram como uma das finalidades, evitar o ganho de capital pela transferência da propriedade das ações das empresas envolvidas. A CIACORP questionou, ainda, a ERNST & YOUNG se a operação, da forma como foi realizada, dificultaria o seu entendimento por parte de terceiros ou do mercado. A resposta da ERNST & YOUNG foi afirmativa, já que a operação foi efetuada utilizandose de empresas constituídas sob a forma de sociedades por quotas de responsabilidade limitada e de sociedade por ações com capital fechado. Além disso, em virtude do diminuto número de acionistas, as informações públicas são mínimas, dificultando a recuperação de todos os passos das operações realizadas. 3.4.4. Parecer de PAULO DE BARROS CARVALHO Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 40 19 A CIACORP contratou o parecer do renomado tributarista PAULO DE BARROS CARVALHO acerca das repercussões tributárias decorrentes dos cio jurídicos celebrados, que objetivaram a transmissão do controle acionário das empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, formulando as seguintes perguntas: (...) Em Parecer datado de 08/09/2004, o ilustre tributarista chega às mesmas conclusões a que esta fiscalização chegou, e responde às indagações da CIACORP, resumidamente, da seguinte forma: 1) Ao invés de celebrarem um simples contrato de compra e venda, as partes envolvidas fizeram constar pessoas jurídicas interpostas controladas por cada um dos sujeitos interessados. Com isso, e diante da ausência de qualquer outra finalidade comercial, aparentaram negociar direitos para pessoas diversas daquelas que efetivamente realizaram a transação. Esta conduta ajustase fielmente à hipótese de simulação. A estratégia adotada configura, pelos resultados alcançados, outra modalidade de ilícito tributário, a fraude. Com efeito, o conceito jurídicopositivo de "fraude" abrange todo e qualquer ato que, por ação ou omissão dolosa impeça, retarde ou atenue os efeitos da ocorrência do fato tributário, reduz o montante do tributo devido ou postergue o seu pagamento. A sucessão de atos societários permitiu obtenção de ganho de capital e formação de ágio sem o dever de pagar tributo. O ganho de capital foi, fraudulentamente, ocultado pela existência de outras pessoas jurídicas e a realização de permuta. Caso tivesse sido realizada uma simples compra e venda, o fato tributário não teria sido ocultado. Assim, além de ser simulada, a ação dos ALIENANTES (GRUPO AUMONDE) em conjunto com o GRUPO THYSSENKRUPP pode ser classificada como fraudulenta. Diante desses argumentos, não cabe falar em planejamento tributário lícito, mas sim em típico caso de evasão tributária. 2) O GRUPO THYSSENKRUPP obteve ágio susceptível de ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anos subseqüentes. Esse ágio decorre da diferença a maior entre o valor investido pela THYSSEN INDUSTRIES na sua controlada THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES, a quem coube efetivar permuta com a 5246 PARTICIPAÇÕES, adquirindo o controle das empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. Com isso, além de obter o controle acionário que pretendia, o GRUPO THYSSENKRUPP acumulou ágio em montante superior ao valor patrimonial das duas empresas adquiridas. 3) Os ALIENANTES (pessoas fisicas e jurídicas) obtiveram beneficios fiscais diretos e indiretos com a operação. Os diretos são aqueles auferidos por eles como pessoas físicas, enquanto que os indiretos são aqueles obtidos pelas pessoas jurídicas por eles controladas. Entre ganhos diretos e indiretos, devese destacar, como principal beneficio dos ALIENANTES a obtenção Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 de ganho de capital pela permuta de um património avaliado em, aproximadamente, R$ 36 MILHÕES, por outro de mais de R$ 200 MILHÕES, sem que tenha havido o pagamento dos tributos devidos em uma operação convencional. Assim, surge a OCULTAÇÃO do ganho de capital e o conseqüente não pagamento dos tributos incidentes, como sendo o principal beneficio obtido pelos ALIENANTES, inclusive, por meio das pessoas jurídicas por eles controladas. 4) As operações analisadas NÃO se enquadram no conceito de planejamento tributário lícito, pelos motivos expostos na resposta da questão 1. 5) Diante dos documentos analisados, é possível afirmar a existência de, pelo menos, quatro conseqüências legais imediatas: (i) possibilidade de lançamento de oficio por parte da Administração Tributária, nos termos do art. 149, VII, do CTN, para a cobrança dos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre o ganho de capital auferido pelos ALIENANTES com a venda do controle societário das duas empresas; (ii) dilação no prazo de decadência pela interpretação em conjunto dos arts. 150, 4º, e 173. I, ambos do CTN; (iii) glosa dos valores deduzidos a título de ágio pela compradora; (iv) aplicação de multa de 150% sobre o valor que deixou de ser pago em face da configuração de fraude. Essas conseqüências, vistas do âmbito exclusivamente tributário, não comprometem a imputação de outras sanções de ordem penal, cível, administrativa e comercial pela prática dos ilícitos. 6) É possível, sim, a identificação, nas operações, de concilium fraudis. Para realizar o complexo rol de operações descritas no caso concreto é IMPRESCINDÍVEL que exista um concurso de vontades entre as partes que, de maneira consciente é deliberada, atuem em conjunto para a consecução dos fins pretendidos. Há amplos indícios de que, no caso, houve a intenção das partes de realizar as condutas evasivas comentadas acima, quais sejam: (i) existência de auditoria (due diligence) da empresa ELEVADORES SúR (que à época era companhia de capital aberto) muito antes de celebrados os negócios jurídicos entre as partes, sem que fosse dado o regular conhecimento aos demais acionistas e às autoridades públicas, em afronta ao que prescreve a legislação societária. Além de infringir a lei, esta omissão evidencia o propósito de alienação do controle acionário; (ii) presença, no Brasil, de executivos do GRUPO THYSSENKRUPP muito antes dos negócios terem sido concluídos; (iii) celebração da CONTRATO DE COMPRA E VENDA E DE PERMUTA DE AÇÕES, no lugar de um simples contrato de compra e venda; (iv) utilização das pessoas jurídicas 5246 PARTICIPAÇÕES e 5256 PARTICIPAÇÕES, além da THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES, sem NENHUM PROPÓSITO EMPRESARIAL que não a OCULTAÇÃO do negócio de compra e venda e dos efeitos tributários; (v) eleição de ALCEU ALBUQUERQUE para exercer, no GRUPO THYSSENKRUPP, a mesma função que desempenhava na ELEVADORES SúR sob o controle dos ALIENANTES, qual seja, a de principal executivo da empresa. Por esses elementos, é INDUBITÁVEL a conclusão de que, no caso, houve concilium fraudis. Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 41 21 3.4.5. Parecer de GALENO LACERDA A CIACORP contratou também o parecer do eminente mestre GALENO LACERDA acerca dos negócios jurídicos celebrados entre os ALIENANTES e o GRUPO THYSSENKRUPP, que objetivaram a transmissão do controle acionário das empresas ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. O Parecer, assinado pelo professor GALENO LACERDA 19 em 04/02/2003, foi assim ementado: "Fraude contra credores, caracterizada pela criação, dentro e fora do País, de empresas fictícias, de modo a propiciar a transferência de patrimônios de grande vulto para o exterior, em prejuízo dos credores nacionais, lesados pela frustração das penhoras, e do próprio Fisco, pela conseqüente evasão de divisas e sonegação fiscal. Processos e atos jurídicos fictícios, concertados no Uruguai, e colusão de importante empresa multinacional na prática das manobras jurídicas fraudulentas. Incidência do art. 109 do Código Civil. " (destacamos) Pela sua pertinência com a presente autuação, transcrevemos trecho de algumas considerações prévias do renomado advogado. "A criação de pessoas jurídicas civis ou comerciais tem servido de instrumento à prática de atos nocivos a direitos de terceiros de boa fé. O tema tem sido objeto de. trabalhos de eminentes juristas nacionais e estrangeiros e da elaboração de normas legais tendentes a obviar as práticas nefastas. " (destacamos) Ao analisar o caso concreto, GALENO LACERDA é categórico ao afirmar que houve ESCANCARADA e ACINTOSA FRAUDE por parte dos ALIENANTES do GRUPO THYSSENKRUPP. Com relação à 5246 PARTICIPAÇÕES, GALENO LACERDA destaca o inusitado artificialismo dessa "INVENÇÃO" de sociedade anônima, que não possui nome algum, simplesmente um número, capital fantasista e irrisório, dividido em ações sem nenhum valor nominal, como a confessar, de antemão, tratarse de mera burla, com objetivo de fraudar incautos. Recorrendo ao auxílio do não menos eminente jurista JAGUARÊ TORELLY TEIXEIRA (mestre no assunto), GALENO LACERDA destaca os seguintes aspectos: • a nulidade da ata de constituição da 5246 PARTICIPAÇÕES, por infrigência ao art. 80, I e III, da Lei de Sociedades Anônimas, bem como ao art. 5% § 5% do Estatuto Social da empresa; • A AGO de 20/04/99 aceita a renúncia de um dos diretores e reelege. o outro, ficando a 5246 PARTICIPAÇÕES com um Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 22 único diretor, em completa afronta ao disposto no art. 143, I, da Lei das Sociedades Anônimas e do art. 9° do Estatuto Social da empresa; • Em 17/06/99, foi constituída a 5256 PARTICIPAÇÕES, com capital social de R$ 1.000,00, do mesmo modo que a 5246 PARTICIPAÇÕES. Como se percebe, a nova empresa, também "numérica ", com número quase igual ao da primeira , de modo a aumentar a confusão, facilitando a consumação da fraude. A Assembléia de constituição da 5256 PARTICIPAÇSE seria nula, por infração ao art. 80, I e III, da Lei das S/A; • Em 04/08/99, a AGE da empresa 526 PARTICIPAÇÕES aprova o desdobramento de ações à razão de 1 ação para 10.000, passando o capital social da empresa a dividirse em 10.000.000 de ações e, a seguir, aprova também o aumento do capital para R$ 17.000.000,00, com incorporação do ágio. A AGE teria violado o art. 170, §§ 1 ° e 7° da Lei de S/A, bem como o art. V, § 5° do • Estatuto Social da empresa; GALENO LACERDA, cita, ainda, as conclusões de JAGUARÊ TORELLY TEIXEIRA, a qual resumimos a seguir: a) a grande maioria dos atos e instrumentos, individualmente considerados, viola dispositivos estatutários e, sobretudo, normas cogentes da Lei de S/A, autorizando a sua anulação, por não revestir a forma prescrita em lei ou por preterir requisito essencial a sua validade; b) analisados em conjunto, a nulidade de um ato retira a sustentação dos atos subseqüentes, afora as nulidades próprias desses atos posteriores (efeito dominó); c) a alienação do controle de ELEVADORES SúR poderia ter sido alcançada de forma bem mais simplificada e direta, gerando a suspeição de que o caminho adotado (afora benefícios de ordem tributária) procurou dissimular e/ou ocultar os diversos passos da operação dificultando sua compreensão; d) a operação acarretou a alienação da parcela mais significativa do patrimônio de ADROALDO AUMONDE, seguida de remessa ao exterior dos recursos daí auferidos; e) a apontada nulidade dos atos e instrumentos sob exame assume notável relevância, se for considerado o panorama global: (i) a adoção de uma montagem jurídicosocietária complexa e desnecessária; (ii) o uso abusivo de interpostas pessoas jurídicas, de duração efêmera e imotivada; (iii) evasão e expatriação dos recursos resultantes da alienação da parcela mais significativa do património de ADROALDO AUMONDE; e (iv) a existência de vultosa dívida de ADROALDO AUMONDE, em data anterior e próxima à realização da operação. Por fim, GALENO LACERDA passa a responder, em seu parecer, aos questionamentos da CIACORP, destacando que: a) a sucessão de manobras societárias realizadas pelos ALIENANTES e pelo GRUPO THYSSENKRUPP, com a utilização de empresas de fachada (duas delas, inclusive, tendo Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 42 23 como razão social "números") que impediram o acompanhamento real de transferência do controle acionário que os ALIENANTES detinham sobre a empresa ELEVADORES SúR; b) a concordância da adquirente, GRUPO THYSSENKRUPP, com essas manobras dos ALIENANTES, constituindo, ela própria, novas empresas (como, por exemplo, THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES) exclusivamente para se ajustar no quadro das empresas criadas pelos ALIENANTES; c) a aquiescência não apenas passiva, mas ativa, da adquirente, GRUPO THYSSENKRUPP, com tais operações que, ao fim e ao cabo, possibilitaram a drenagem para o exterior, através de uma empresa "numérica ", de todo o pagamento por ela efetuado ao ALIENANTES, configuram, sem dúvida, a responsabilidade solidária da adquirente, na fraude cometida pelos ALIENANTES para lesar terceiros. GALENO LACERDA destaca, ainda, que a criação de pessoas jurídicas e a sua extinção, a bel prazer pelas partes envolvidas, para promover o nascimento e o sumiço de patrimônio, configura não apenas grave ilícito civil extracontratual, como tipifica também o crime de sonegação fiscal, passível de ação penal pública incondicionada, conforme Súmula 609 do Supremo Tribunal Federal. Nas palavras do ilustre jurista, "o caso é, pois, gravíssimo ". 3.4.6. Laudo do Perito Judicial De acordo com o Laudo Pericial emitido pelo Perito Contador CARLOS EDBERTO DE ALMEIDA GUEDES, CRC 1RJ028206/T9, em 05/10/2004 (fl. 188 a 206 do Anexo IT), o capital social da empresa GRANITE HOLDINGS CORPORATION (com sede em Nassau, Bahamas) era, em 31112/2003, de US$ 84.600.000,00, dividido em 84.600.000 de ações ordinárias, com valor nominal de US$ 1,00 cada, as quais, vez, pertenciam, integralmente, à 5246 PARTICIPAÇÕES. De acordo com o Laudo Pericial e o Balanço Patrimonial da GRANITE HOLDINGS CORPORATION, a empresa teria concedido empréstimos de longo prazo no montante superior a US$ 90.000.000,00, com vencimentos entre 30/08/2030 e 03/04/2032, à empresa INCHEON HOLDINGS LIMITED. De acordo com o Perito Contador, a GRANITE HOLDINGS CORPORATION constituiu uma provisão para perdas desses empréstimos, no montante correspondente a, aproximadamente, 50%, restando um valor líquido a receber em torno de apenas US$ 46.000.000,00. Essas perdas teriam começado a ocorrer no exercício encerrado em 31/1212001, não existindo informações que identifiquem os elementos que fundamentam essas provisões, bem como se elas irão continuar ocorrendo até o prazo de resgate dos empréstimos. A utilização da GRANITE HOLDINGS CORPORATION foi mais um dos muitos artifícios utilizados pelo controlador majoritário, ADROALDO AUMONDE, para a "BLINDAGEM" de seu patrimônio pessoal, já que a parcela que foi remetida para o Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 24 exterior, quando da constituição dessa empresa (R$ 172.101.510,00), correspondia, aproximadamente, à parcela a que ele teria direito 20 na venda da ELEVADORES SIJR e da ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. Assim, ADROALDO AUMONDE manteve esse valor no exterior, exercendo o controle da GRANITE HOLDINGS CORPORATION através da 5246 PARTICIPAÇÕES, a qual, por sua vez, passou a ser controlada, em 08/09/99, pela EWEN LTD. (outra empresa de "fachada" de ADROALDO AUMONDE). 3.4.7. Da Definição de Simulação Através da análise detalhada das operações, verificamos que o proceder do contribuinte é exatamente aquele citado pelos doutrinadores como caracterizador da simulação, qual seja, mostrar o irreal como verdadeiro, buscando o prejuízo de terceiros. As operações de compra e venda de ações em tesouraria e posterior permuta celebradas entre os ALIENANTES e o GRUPO THYSSENKRUPP não são verdadeiras, NÃO EXPRESSAM O EXATO NEGÓCIO QUE AS PARTES QUERIAM REALIZAR. A DECLARAÇÃO DE VONTADE É ENGANOSA E TEM O OBJETIVO DE PRODUZIR UM RESULTADO DIFERENTE DAQUELE QUE FOI OSTENSIVAMENTE INDICADO. E, fundamentalmente, buscam o prejuízo de terceiro, qual seja, o do Fisco. Se os ALIENANTES NÃO tivesse o interesse em se eximir da tributação do GANHO DE CAPITAL na alienação do investimento em ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, poderiam ter simplesmente efetuaa alienação de suas ações nessas empresas para o GRUPO THYSSENKRUPP. O resultado do ponto de vista da organização societária e da valoração do patrimônio seria o mesmo. Mas, houveram por bem as PARTES ENVOLVIDAS (ALIENANTES e GRUPO THYSSENKRUPP) aparentarem uma SIMULADA operação de compra e venda de ações em tesouraria e posterior permuta, impossíveis de serem realizadas sob a ótica empresarial, burlando a legislação tributária e societária para lograr proveito com a economia (ILÍCITA) de tributos. Dessa forma, as partes envolvidas tentaram proceder à substituição de um ato jurídico (operação de compra e venda de ações de duas empresas) por outro (compra e venda de ações de uma empresa de fachada com imediata e subseqüente permuta), ou seja, praticaram um ato sob aparência de outro, alterando, portanto, o seu conteúdo, com o intuito de esconder a realidade do que se pretendia. Não obstante a tributação favorecida incidente sobre o ganho de capital no Brasil, os ALIENANTES PESSOAS FÍSICAS e o GRUPO THYSSENKRUPP BUSCARAM de maneira DESENFREADA E SEM LIMITES o LOGRO TRIBUTÁRIO. (...) Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 43 25 Assim, no caso em tela, a última questão seria respondida negativamente, tendo em vista que a economia fiscal não decorreu de ato ou omissão efetivamente ocorridos, tal como refletidos na respectiva documentação e escrituração. Portanto, não é o caso de elisão, ou planejamento tributário, mas sim de evasão fiscal. Demonstrado, então, que a venda do investimento efetivamente ocorreu, legítimo é que o Fisco desconsidere a integralização efetuada pelos alienantes na 5246 PARTICIPAÇÕES, assim como as operações de compra, venda e permuta de ações, e faça incidir a legislação tributária sobre o verdadeiro fato gerador, que no presente caso, é a aquisição, por parte dos ALIENANTES, de disponibilidade econômica e financeira oriunda da alienação de sua participação societária na ELEVADORES SúR e na ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA. A operação apresentada pelo contribuinte como sendo uma compra e venda de ações em tesouraria com imediata e subseqüente permuta teve, única e exclusivamente, a finalidade de DISFARÇAR a operação de compra e venda das empresas ELEVADORES SúR e na ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ajustada entre os ALIENANTES e O GRUPO THYSSENKRUPP, REVESTINDO, dessa forma, o GANHO DE CAPITAL AUFERIDO PELOS PRIMEIROS SOB O MANTO DE UMA SUPOSTA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA, a qual, por sua vez, da maneira como foi MONTADA pelas partes, seria MAIS APROPRIADAMENTE chamada de "FRAUDE SOCIETÁRIA". As operações celebradas entre as partes NÃO SÃO VERDADEIRAS, NÃO EXPRESSAM O EXATO NEGÓCIO QUE AS PARTES QUERIAM REALIZAR. A DECLARAÇÃO DE VONTADE É ENGANOSA e tem por OBJETIVO PRODUZIR UM RESULTADO DIFERENTE DAQUELE QUE FOI OSTENSIVAMENTE INDICADO, buscando, fundamentalmente, o prejuízo de terceiro, qual seja, o Fisco. Vários são os elementos que DENUNCIAM A OPERAÇÃO COMO SENDO SIMULADA, CARACTERIZANDOA COMO UMA NEGOCIAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. São os ASPECTOS ABSURDOS que as negociações simultâneas de ações em tesouraria trazem consigo, e como tal IMPOSSÍVEIS de serem aceitas sob a ótica empresarial, que denuncia o emprego da SIMULAÇÃO no negócio. São as INCONSISTÊNCIAS e INCOMPATIBILIDADES existentes entre os fatos APRESENTADOS que apontam para a FRAUDE na negociação. O próprio CONTRATO DE COMPRA E VENDA E DE PERMUTA DE AÇÕES é uma verdadeira CONFISSÃO da fraude empregada pelas partes, já que, além de deixar mais do que evidente a PREMEDITAÇÃO da burla da tributação da compra e venda através da implementação de uma série de Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 26 negócios jurídicos, é possível identificar em várias passagens as reais intenções pretendidas no negócio. Além dos prejuízos causados ao Fisco decorrentes da falta de recolhimento dos tributos incidentes sobre o ganho de capital apurado na alienação, confohm demonstrado anteriormente, os procedimentos adotados pelas partes permitiram que fosse gerado um ÁGIO, no GRUPO THYSSENKRUPP, em MONTANTE SUPERIOR A R$ 160.000.000,00, o qual vem sendo tratado como despesa dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, tendo em vista a incorporação da THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES pela ELEVADORES SúR. Esse é apenas MAIS UM ASPECTO PERVERSO DAS OPERAÇÕES FRAUDULENTAS ajustadas entre os ALIENANTES e o GRUPO THYSSENKRUPP e que mais uma vez demonstra os prejuízos causados ao fisco. (...) 4.2. DAS MULTAS APLICADAS Diante da ocorrência concomitante de SONEGAÇÃO, FRAUDE e CONLUIO, conforme exaustivamente demonstrado no presente Relatório de Atividade Fiscal, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 (os quais se encontram transcritos abaixo), as multas de oficio aplicadas na constituição dos Autos de Infração foram de 150%, de acordo com os incisos I e II do artigo 44 da Lei n ° 9.430/96. (...) 4.3. DA DECADÊNCIA Uma outra implicação importante decorrente da existência do dolo por parte do contribuinte nas infrações apuradas pela fiscalização referese ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário. Em virtude da ocorrência de dolo, fraude, simulação e conluio, a contagem do prazo se dá com base no art. 173, inciso I, do CTN, ficando afastado, portanto, a aplicarão do art. 150, & 4° do CTN. Por certo, para que a multa seja exacerbada ao patamar de 150%, deve haver, o evidente intuito de fraude, conforme exigência legal à época dos fatos geradores (art. 44, II da Lei nº 9,430, de 1996), nos casos de sonegação, fraude e conluio, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, in verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 44 27 "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Saliento que, não há como concordar com a premissa adotada no acórdão recorrido, no sentido de que a simulação foi o único vício apontado pela fiscalização, nos seguintes termos: "Destaquese, desde logo, que a "SIMULAÇÃO" é o único vício apontado pela Fiscalização nos negócios jurídicos realizados pelo contribuinte/recorrente, conforme se depreende do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 106/152), denominado de "OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ATRAVÉS DE OPERAÇÕES SIMULADAS DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES EM TESOURARIA COM SUBSEQÜENTE PERMUTA". Então, a partir da caracterização de tal "simulação", o Sr. Auditor Fiscal concluiu pela ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio, justificando, assim, a aplicação da multa qualificada de 150%." Muito pelo contrário. Entendo que a autoridade fiscal pautou detalhadamente a qualificação da multa na ocorrência concomitante da sonegação, da fraude e do conluio, tudo em conformidade com o que foi exaustivamente demonstrado no Relatório de Atividade Fiscal. Ademais, não foi somente a autoridade fiscal que apontou a ocorrência concomitante da sonegação, da fraude e do conluio. Que, inclusive, incorporou a seu relatório os principais argumentos e conclusões (no sentido da existência de fraude nos negócios jurídicos) trazidos pelos juristas PAULO DE BARROS CARVALHO, GALENO LACERDA e JAGUARÊ TORELLY TEIXEIRA em seus Pareceres, os quais, por sua vez, foram contratados pela CIACORP para analisar as operações realizadas entre os ALIENANTES e o GRUPO THYSSENKRUPP: i) o Professor Paulo de Barros Carvalho, conclui peremptoriamente pela ocorrência de fraude, além, obviamente da simulação, nos seguintes termos: "Esta conduta ajustase fielmente à hipótese de simulação. A estratégia adotada configura, pelos resultados Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 28 alcançados, outra modalidade de ilícito tributário, a fraude. Com efeito, o conceito jurídico positivo de "fraude" abrange todo e qualquer ato que, por ação ou omissão dolosa impeça, retarde ou atenue os efeitos da ocorrência do fato tributário, reduz o montante do tributo devido ou postergue o seu pagamento. A sucessão de atos societários permitiu obtenção de ganho de capital e formação de ágio sem o dever de pagar tributo. O ganho de capital foi, fraudulentamente, ocultado pela existência de outras pessoas jurídicas e a realização de permuta.(...). Assim, além de ser simulada, a ação dos ALIENANTES (GRUPO AUMONDE) em conjunto com o GRUPO THYSSENKRUPP pode ser classificada como fraudulenta. Diante desses argumentos, não cabe falar em planejamento tributário lícito, mas sim em típico caso de evasão tributária." ii) o Professor Galeno Lacerda apontou explicitamente a constatação de fraude e sonegação, mencionando, inclusive, ter havido escancarada e acintosa fraude, em parecer assim ementado: "Fraude contra credores, caracterizada pela criação, dentro e fora do País, de empresas fictícias, de modo a propiciar a transferência de patrimônios de grande vulto para o exterior, em prejuízo dos credores nacionais, lesados pela frustração das penhoras, e do próprio Fisco, pela conseqüente evasão de divisas e sonegação fiscal. Processos e atos jurídicos fictícios, concertados no Uruguai, e colusão de importante empresa multinacional na prática das manobras jurídicas fraudulentas. Incidência do art. 109 do Código Civil. " E ainda, o conluio, como sendo, ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude, mencionou a autoridade fiscal que ocorreu em decorrência das seguintes circunstâncias: "A SUBAVALIAÇÃO DELIBERADA no valor de mercado pelo qual as ações de emissão de 5246 PARTICIPAÇÕES foram integralizadas na 5256 PARTICIPAÇÕES, também CARACTERIZA o DOLO, a FRAUDE e o CONLUIO dos ALIENANTES, que assim agiram com o claro intuito de reduzir a tributação sobre ganho de capital auferido na venda das ações de ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA." Conforme relatado, o contribuinte ratifica a juntada de documentação que trata de uma perícia judicial a qual teve por objeto exatamente o estudo da operação glosada pelo Fisco e objeto destes autos. Declara que tal documento é prova nova. Salienta que a perícia entendeu que não houve fraude, dolo ou simulação na venda do controle acionário da Elevadores Súr S/A à ThyssenKrupp Industries S/A. Destaca que a apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão final encontra guarida no princípio da verdade material e no princípio constitucional da ampla defesa, nos seguintes termos (fls. 829): "Embora se reconheça que o prazo para a juntada de documentos já expirou, informamos que se trata de PROVA NOVA, a qual somente não foi anexada anteriormente tendo em vista que a perícia só ficou pronta após o julgamento do recurso voluntário do Recorrente. (...) Pois bem. A PERÍCIA foi diligentemente efetuada e concluiu que NÃO HOUVE OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO na venda do controle acionário da Elevadores Súr S/A à Thyssen Krupp Industries S/A, tudo conforme cópia do LAUDO PERICIAL que ora apresentamos. De tal forma que não há que se falar em simulação. Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 45 29 A apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão final encontra guarida no PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL e no PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA AMPLA DEFESA." Acerca do referido Laudo Pericial, apontado como prova nova, merecem ser feitas algumas considerações: i) O Laudo pericial é datado de 06.04.2008, em data anterior a sessão que culminou com a prolação do acórdão recorrido, em 23.04.2008; ii) Apesar de o contribuinte não apontar, especificamente, em que ponto do referido Laudo Pericial (fls. 624 a 743) teria havido menção a inocorrência de fraude, dolo ou simulação, constato que não houve esta conclusão, ante o que se depreende da leitura do seguinte trecho do Laudo Pericial (fls. 742/743): "2.6. DO QUESITO SUPLEMENTAR ELABORADO PELA 2ª RÉ — Thyssenkrupp Elevadores S/A — F1.3421 2. Esclareça o Sr. Perito Judicial, justificando a sua resposta, os critérios e subsídios por ele utilizados para determinar se uma operação é ou não é fraudulenta. Salvo melhor juízo, a decisão sobre a existência de fraude ou não em operações segue critérios legais de apreciação exclusiva do Magistrado. Ao Perito incumbe a tarefa de relatar a verificação dos fatos, do momento em que as operações ocorreram e da forma come ocorreram, do revestimento formal dos registros e documentos que suportam as ocorrências e, também, das origens e dos lançamentos dos recursos envolvidos com o objetivo de fornecer ao Juiz da causa os elementos técnicos necessários para que este possa identificar e .formar o seu convencimento sobre a existência ou não de atos fraudulentos. Dessa forma, para que seja alcançado o objetivo acima descrito, a verificação da seqüência dos eventos desencadeada em uma operação objeto de determinada análise deverá ser realizada a partir do exame detalhado de registros societários e contábeis/administrativos das empresas, no caso do exame recair sobre operações envolvendo pessoa jurídicas, que participaram diretamente' e indiretamente da operação, o que equivale dizer que as informações a serem apresentadas pelo Perito deverão estar. suportadas, fundamentalmente e especialmente, pelar prova documental colhida e analisada durante a elaboração do estudo. Ainda com relação ao exame acima referido, a conciliação e o cruzamento de informações obtidas através dos registros são medidas imperativas para a correta avaliação. Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 30 Assim, os esclarecimentos prestados pelo Perito devem estar baseado nos documentos e registros examinados inclusive quanto aos aspectos formais de que devem estar revestidos. De outra parte, como os esclarecimentos acima apresentados não se referem ao caso específico dos autos, até mesmo porque o quesito supra não impõe essa condição, entende o signatário como oportuno informar que os critérios e subsídios relacionados acima foram utilizados na elaboração das respostas aos quesitos formulados pelas partes, que, inclusive, em momento algum, questionam este perito no tocante à existência de fraude nas operações realizadas. Com relação aos subsídios utilizados, estes se encontram relacionados no item de n°1.4 do laudo. Imperioso ressaltar, também, que os quesitos apresentados, incluindo aquele proposto pela Douta Magistrada através do comando judicial de fl. 2.990, vislumbram a detalhada descrição da seqüência de atos que culminou com a transferência do controle acionário da ELEVADORES SÚR S/A, no intuito de esclarecer a forma como ocorreu, para que o Juízo, a quem compete a verificação de fraude, possa identificar a sua existência ou não, segundo os critérios legais, inclusive e fundamentalmente de interpretação jurídica." Assim sendo, com fulcro no que dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964 e considerando o conceito jurídicopositivo de "fraude", que abrange todo e qualquer ato que, por ação ou omissão dolosa impeça, retarde ou atenue os efeitos da ocorrência do fato tributário, reduz o montante do tributo devido ou postergue o seu pagamento, concluo que: além de ter havido simulação, são fraudulentas as referidas operações que resultaram em omissão de ganho de capital na alienação de participação societária através de operações simuladas de compra e venda de ações em tesouraria com subseqüente permuta. Ainda, de acordo com o que disciplina o art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, constatase que a criação de pessoas jurídicas e a sua extinção, a bel prazer pelas partes envolvidas, para promover o nascimento e o sumiço de patrimônio, configura a sonegação. E mais, o conluio, conforme previsto no art. 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude, restou caracterizado em decorrência de: a) a sucessão de manobras societárias realizadas pelos ALIENANTES e pelo GRUPO THYSSENKRUPP, com a utilização de empresas de fachada (duas delas, inclusive, tendo como razão social "números") que impediram o acompanhamento real de transferência do controle acionário que os ALIENANTES detinham sobre a empresa ELEVADORES SúR; b) a concordância da adquirente, GRUPO THYSSENKRUPP, com essas manobras dos ALIENANTES, constituindo, ela própria, novas empresas (como, por exemplo, THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES) exclusivamente para se ajustar no quadro das empresas criadas pelos ALIENANTES; c) a aquiescência não apenas passiva, mas ativa, da adquirente, GRUPO THYSSENKRUPP, com tais operações que, ao fim e ao cabo, possibilitaram a drenagem para o exterior, através de uma empresa "numérica", de todo o pagamento por ela efetuado ao ALIENANTES, configuram, sem dúvida, o conluio para a prática de fraude e sonegação. Destarte, agiu bem a fiscalização, que diante do evidente intuito de fraude e da ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio, aplicou a multa qualificada no patamar de 150%, conforme previsão, então contida, art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.009150/200494 Acórdão n.º 9202003.198 CSRFT2 Fl. 46 31 Quanto a decadência, não merece reforma a decisão recorrida que rejeitou a argüição de decadência, não obstante ter afastado a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, por entender que: "Configurada a presença de simulação, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do. art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional." Ante o exposto, conheço dos recursos interpostos, para dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10935.006508/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 65 08 /2 01 0- 12 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Relatório Tratase de Auto de Infração sob Mandado de procedimento Fiscal (MPF) nº 0910100.2010.004835 e DEBCAD n° 37.298.2808, tendo como objeto a cobrança de penalidade referente ao fato da empresa ter deixado de informar em GFIP a totalidade de segurados empregados, no período compreendido entre 01/2005 a 13/2007, cuja ciência foi obtida pela ora Recorrente em 14/10/2010. Pela leitura do Relatório Fiscal de Infração e Aplicação de Multa (fls. 5/8), inferese que a penalidade imposta em razão da omissão de informar em GFIP a totalidade dos seus segurados empregados que estavam formalmente registrados na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda., tem origem na transferência simulada de empregados da empresa Diplomata S/A Industrial e Comercial, tributada pelas contribuições previdenciárias sobre a folha de salários, para a Diplomata Agro Avícola, pessoa jurídica sujeita à tributação sobre a produção rural. Como o próprio Relatório Fiscal dos presentes autos informa (item 6), toda a descrição fática e elementos de prova que desencadearam na presente exigência, principalmente no tocante à ocorrência dos fatos geradores de contribuição previdenciária, encontramse dispostos no processo de nº 10935.006506/201015, decorrente do DEBCAD nº 37.298.2816 (autos em apenso). Os fatos geradores ali descritos foram separados por código, da seguinte forma: F1 Folha empregados não inscritos: contribuição previdenciária incidente sobre remuneração paga aos trabalhadores da DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 531; F2 Folha empregados não inscritos 507: contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores que são segurados empregados da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA., e pela atividade que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 507; F3 Folha empregados não inscritos 531: competência de 13/2007 referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 531; F4 Folha empregados não inscritos 507: competência de 13/2007 referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 507; Segundo o relatório fiscal constante naqueles autos, folhas fls. 31/47: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006508/201012 Acórdão n.º 2401003.368 S2C4T1 Fl. 121 3 · a empresa Diplomata S/A Industrial e Comércio, sempre se enquadrou no FPAS 507 ou 531, recolhendo as contribuições patronais sobre a folha de pagamento de seus empregados, até que, em 10/2001, grande parte de seus empregados foram transferidos para a empresa Diplomata Agro Avícola, se enquadrou na FPAS 604 e 744; · após as transferências verificouse uma sensível diminuição na soma dos valores recolhidos pelas duas empresas, embora o número de empregados tenha permanecido constante no início, e aumentado no decorrer do período; · analisando a composição societária e dados cadastrais e endereço (fls. 34/35), constatouse que no mesmo endereço da matriz da empresa Diplomata Agro Avícola funciona uma filial da Diplomata S.A Industrial e Comercial, bem como no mesmo endereço de uma filial da empresa Diplomata Agro Avícola, funciona outra filial da Diplomata S.A Industrial e Comercial. Portanto, a empresa Diplomata Agro Avícola não possui nenhuma sede própria; · analisando os documentos apresentados pela Recorrente no curso da fiscalização, tais como fichas de registro de empregados, livros contábeis, GFIP Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social, constatouse que a empresa Diplomata S/A Industrial e Comercial era quem cuidava de toda a parte de recursos humanos e de contabilidade da Diplomata Agro Avícola. Além disso, observouse que o principal sócio e administrador das duas empresas é o Sr. Jacob Alfredo Stoffels Kaefer; · as empresas Diplomata Agro Avícola e Diplomata S/A Industrial e Comercial firmaram "contrato de parceira rural integrada" com o objetivo único de fornecimento de mãode obra da primeira para a segunda. Verificouse que os trabalhadores da empresa Diplomata Agro Avícola não desempenhavam atividades de produção rural, mas funções ligadas à empresa Diplomata Industrial e Comercial (processos de industrialização de frango e produção de ração), conforme fls.36/37 do processo principal; · No ano de 2007, ao término da suposta parceria, verificouse caminho inverso, pois quase a totalidade dos empregados da empresa Diplomata Agro Avícola retornaram para a Diplomata S/A Industrial e Comercial. Novamente a mudança foi apenas na parte documental, pois os empregados continuaram exercendo as mesmas funções, no mesmo local e da mesma forma que sempre exerceram; · com base na análise dos documentos contábeis e conforme confirmado pela própria Diplomata Agro Avícola, a empresa não possuía: (i) imóveis, veículos ou qualquer outro equipamento no ativo imobilizado; (ii) movimentos em conta caixa ou conta bancos (não possuía sequer conta corrente bancária); (iii) todos os custos da empresa Diplomata Agro Avícola são representados por salários, encargos trabalhistas e previdenciários, ou seja, a empresa praticamente não tem qualquer outro custo ou despesa com instalações, manutenção, ou mesmo outras despesas operacionais (tais como aluguel, energia, água, telefone); · verificouse que os pagamentos de todas as despesas, e em especial dos salários dos empregados que estavam registrados na Diplomata Agro Industrial, sempre foram feitos diretamente pela Diplomata S/A Industrial e Comercial, através de transferência bancária direta aos empregados ou através de recursos do seu caixa; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 · além das evidências acima mencionadas, que já demonstram que os empregados registrados na Diplomata Agro Avícola eram, na verdade, empregados da Diplomata S/A Industrial e Comercial, essa situação foi também comprovada "in loco" pela Fiscalização do Ministério do Trabalho, tendo sido lavrado o Auto de Infração N° 011755504. Diante de todas essas circunstâncias, a Autoridade concluiu que os empregados formalmente registrados na empresa Diplomata Agro avícola mantinham, na prática, vínculo de emprego com a empresa autuada. Ou seja, concluiu que a autuada simulou a existência de registros de empregados na empresa Diplomata Agro Avícola para diminuir, de forma evasiva, a sua carga tributária. Foi então lavrado o Auto de Infração DEBCAD nº 37.298.2816, em nome da empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial, considerando como base de cálculo as informações constantes das folhas de pagamento e de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social da empresa Diplomata Agro Avícola. Pelo fato da empresa ter deixado de informar em GFIP a totalidade dos seus segurados empregados que estavam formalmente registrados na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda., aplicouse a multa exigida através do Auto de Infração DEBCAD n° 37.298.2808, ora analisado, com base na previsão contida na Lei n ° 8.212/91, art. 32, § 5º e Regulamento da Previdência Social – RPS, art. 284, inc. II e art. 373. Devidamente citada em 14/10/2010, a empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial apresentou impugnação às fls. 15/55, tempestivamente, alegando em sede preliminar: Decadência do crédito tributário, uma vez que a ciência do contribuinte ocorreu em 14/10/2010 e as contribuições exigidas são de 01/2005 a 12/2007; Que deveria figurar apenas como devedora solidária e não como devedora principal, razão pela qual o lançamento deveria ser nulo. Nulidade por insuficiência de fundamentação na autuação, considerando que não foram descritos pormenorizadamente os fatos e a incidência de tais fatos nas hipóteses genericamente previstas em leis. Defende ainda a nulidade da autuação sob a alegação de que não se vislumbra nos autos a forma como foram realizados os cálculos, o que acabou por violar o direito de ampla defesa. No mérito, a contribuinte, ora Recorrente, alegou, em síntese, que: pelo contrato de parceriarural e parceriaruralintegrada, a empresa Diplomata Agro Avícola se responsabiliza pela criação dos frangos de corte, fornecendo pessoal, energia elétrica, água, materiais de consumo, limpeza e material de formação de cama para aves, cabendo a Diplomata S.A a aquisição do resultado da produção; a atividade da empresa Diplomata Agro Avícola resumese à produção rural própria e integrada de ovos férteis, criação de pintos de um dia e aves in natura; ao passo que a empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial se dedica a produção e industrialização de produtos rurais; o lançamento não pode se basear em incertezas, mas em provas robustas; se comprometeu, por meio do contrato de parceria, a garantir recursos financeiros (empréstimos) a título de adiantamento para que a própria Diplomata Agro Avícola pudesse arcar com parte de suas despesas de custeio, entre elas de transporte, medicamentos, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006508/201012 Acórdão n.º 2401003.368 S2C4T1 Fl. 122 5 água, luz entre outras atividades inerentes. Em razão disso, a Diplomata S.A tornouse credora dos valores adiantados. a multa aplicada é confiscatória e, portanto, inconstitucional. Ademais, alega que a Taxa SELIC não deve ser aplicada, tendo em vista que tem natureza remuneratória e não moratória, devendo ser adotado juros de 1% ao mês, previstos no art. 161, §1º do CTN. Ao apreciar a impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Curitiba (PR) julgoua totalmente improcedente, mantendo incólume o crédito tributário, nos termos do acórdão abaixo ementado: Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo de decadência para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando comprovadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. SIMULAÇÃO. VÍNCULO DE EMPREGO. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Atendidas as condições legais, pode a fiscalização desconsiderar o vínculo pactuado e proceder a caracterização do trabalhador como segurado empregado. INFRAÇÃO. GFIP. FATOS GERADORES Constitui infração deixar a empresa de informar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. É vedado a autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação, por inconstitucionalidade de tratado,acordo, tratado internacional, lei decreto ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 08/04/2011 (fl. 72) da decisão proferida pela primeira instância administrativa, e irresignada com a mesma, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, às fls. 73/115, em 10.05.2011, reiterando todos os argumentos já apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A multa exigida no presente Auto de Infração DEBCAD n° 37.298.2808, por ocasião da omissão de fatos gerados em GFIP, é consectária da exigência formalizada no processo de n°. 10935.006506/201015, decorrente do DEBCAD nº 37.298.2816 (autos em apenso). Considerando que aquele Auto de Infração foi julgado totalmente procedente, no tocante à existência dos fatos geradores da contribuição previdenciária nele exigidos, consequentemente, a penalidade objeto desta autuação deve necessariamente ser mantida. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, julgando totalmente PROCEDENTE o Auto de Infração DEBCAD n° 37.298.2808. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 12045.000409/2007-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 30/05/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL.
No presente caso, o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre os valores relativos à concessão, pelo contribuinte, de bolsas de estudos a alguns de seus empregados, considerados remuneração pela fiscalização, afastando a aplicação da alínea "t", do § 9o, do art. 28, da Lei nº 8.212/91.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar demonstrato que requisitos deixaram de ser descumpridos pelo contribuinte, para se afastar a isenção prevista na alínea "t", do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91. O que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999.
Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, como ocorreu no presente caso.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública.
Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 09/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 30/05/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. No presente caso, o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre os valores relativos à concessão, pelo contribuinte, de bolsas de estudos a alguns de seus empregados, considerados remuneração pela fiscalização, afastando a aplicação da alínea "t", do § 9o, do art. 28, da Lei nº 8.212/91. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar demonstrato que requisitos deixaram de ser descumpridos pelo contribuinte, para se afastar a isenção prevista na alínea "t", do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91. O que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, como ocorreu no presente caso. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 09 /2 00 7- 73 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 09/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2301 00.508, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 07 de julho de 2009, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatou a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento e, com relação aos demais valores, por maioria de votos, anulou o lançamento por vicio material; submetida a julgamento a possibilidade de exame do mérito quando favorável ao recorrente, por voto de qualidade, entendeu pela sua impossibilidade, já que os autos não permitiam o convencimento dos julgadores sobre a ocorrência ou não dos fatos geradores. Segue abaixo a sua ementa: “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SALÁRIO INDIRETO DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N" 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo corn a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12045.000409/200773 Acórdão n.º 9202003.073 CSRFT2 Fl. 10 3 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e h administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. VICIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão ora guerreado decreta uma nulidade da notificação de lançamento sem a comprovação de prejuízo. Considera patente o fato de que o contribuinte, apesar da alegação de deficiência nos elementos fáticos do lançamento, demonstrou ter pleno conhecimento do crédito tributário devido, inclusive contestando valores que foram indevidamente lançados sob o argumento de pagamento. Nesse ponto, observa que o aresto atacado divergiu do paradigma que apresenta (Acórdão n°. 10808.499), onde se refutou por inteiro a possibilidade de reconhecimento de nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief): "IRPJ CSLL RECURSO DE OFÍCIO PREJUÍZO FISCAL BASE DE CALCULO NEGATIVA COMPENSAÇÃO LIMITADA A 30% É legitimo o aproveitamento do saldo do prejuízo fiscal de IRPJ e da base de cálculo negativa de CSLL, acumulados até a ocorrência do fato gerador, no limite de 30% do prejuízo fiscal e da base de cálculo positiva apurada, o que se coaduna com o decidido em primeiro grau. IRPJ PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Incabível a preliminar de nulidade de cerceamento ao direito de defesa, pois o processo administrativo fiscal seguiu plenamente os trâmites legais, tendo a recorrente todas as oportunidades cabíveis para argumentar, não se vislumbrando qualquer prejuízo aparente. IRPJ PRELIMINAR DE NULIDADE FALTA DE DESCRIÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO Não há que se acolher a preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente do auto de infração, eis o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, e a autuada demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se verificando quaisquer irregularidades nesse sentido. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 IRPJ CSLL NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS ILEGALIDADE Incabível a utilização de notas fiscais inidôneas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Correta a decisão de primeira instância que glosou a titulo de custo o valor total das notas fiscais ilegítimas, uma vez que não constituem elementos hábeis e idôneos a suportar a dedubitilidade dos valores despendidos na aquisição de insumos na determinação da base imponível. Recurso de oficio negado. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário negado". Explica que, mediante a leitura detida da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, bem como do Relatório Fiscal de Notificação e dos demais termos que acompanham o procedimento fiscal, é possível concluir que tudo está em plena conformidade com o que estabelece o Decreto n°. 70.235/72 e a Lei n°. 8.212/91. Sustenta que a origem do crédito constituído, o período compreendido, os elementos que serviram de base para a apuração, os valores lançados, bem assim a fundamentação legal que dá sustento ao crédito previdenciário lançado encontramse presentes. Salienta que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 11 do Decreto n.° 70.235/72 e que o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado â contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado, por meio do qual insurgese contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização, dentre outros argumentos. Considera que não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa da contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 2300300/2012, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarrazões. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito à natureza do vício que acarretou a nulidade do lançamento. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12045.000409/200773 Acórdão n.º 9202003.073 CSRFT2 Fl. 11 5 sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, inciso I do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativa Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal.” Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo a tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a Fl. 280DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. No presente caso, o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre os valores relativos à concessão, pelo contribuinte, de bolsas de estudos a alguns de seus empregados, considerados remuneração pela fiscalização, afastando a aplicação da alínea "t", do § 9o, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos (fls. 64/65): "3.1 — Contribuição referente a AuxilioEducação: Vantagem concedida pela empresa a funcionários que estão matriculados e freqüentando Curso Superior : levantamentos BOEBolsa de Estudos (período anterior a implantação da GFIP: 02/96 a 12/98) e BEGBolsa de Estudo (período GFIP: 01/99 a 05/05) o débito referese as contribuições devidas a seguridade social referente a parte patronal, financiamento da complementação das prestações por Acidentes do Trabalho SAT(para competências até 06/97), financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(para as competências a partir de 07/97) e as destinadas aos terceiros(SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE até 11/99 a patir de 12/99: SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SEBRAE E SESCOOP). 3.1.1 — A Lei 8.212 de 24/07/91 no seu art.28, parágrafo 9°, alínea "t" diz o seguinte: Parágrafo 9° "Não integram o saláriodecontribuição para fins desta Lei exclusivamente: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo". (Redação dada pela Lei 9.711 de 20/11/98). 3.1.2 0 débito referese a vantagens concedidas a alguns empregados a titulo de Auxilio Educação que beneficia em 1/3 do valor do Curso Superior do qual o funcionário está cursando, corn o intuito de cobrir despesas inerentes ao mesmo, quando de interesse da empresa, ficando ao arbítrio da mesma a prestação do auxilio e o que se adapte às suas necessidades(anexo cópias de alguns "Termos de Compromisso" e cópia de recibo referente a ajuda de custo recebida pelos empregados); Portanto, o débito integra o salário de contribuição dos segurados empregados, uma vez que não está contemplado como não integrante do salário decontribuição, conforme diz a Lei 8.212/91 no seu artigo 28, parágrafo 9°, alínea "t"." Fl. 281DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12045.000409/200773 Acórdão n.º 9202003.073 CSRFT2 Fl. 12 7 Foram os seguintes os fundamentos do acórdão recorrido para a declaração da nulidade: "De fato, conforme disposto na alínea "t", do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais. Porém, elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a titulo de bolsa de estudo não sejam considerados salário decontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição a parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. Todas as hipóteses acima precisam estar devidamente evidenciadas no Relatório Fiscal, sob pena de nulidade do lançamento, pois será mera presunção da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. Verificase, da leitura do Relatório da NFLD (fls. 64/67), que a autoridade notificante não apontou quais os elementos de convicção o levaram ao entendimento de que as vantagens foram concedidas em desacordo com o estabelecido no dispositivo legal encimado, vindo a fazêlo somente após a apresentação do recurso, em diligência proposta pela SRP, da qual, observase, a recorrente não tomou ciência." No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar demonstrato que requisitos deixaram de ser descumpridos pelo contribuinte, para se afastar a isenção prevista na alínea "t", do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91. O que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, in verbis: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação Clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." Entendo que nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, como ocorreu no presente caso. Outro aspecto a ser enfrentado diz respeito a inexistência de prejuízo ao contribuinte. Por diversas vezes neste colegiado tenho me manifestado no sentido de que quando estamos diante de um vício formal e inexiste prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa, a nulidade não deve ser declarada, de acordo com o princípio pas de nullité sans grief: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE FORMAL AFASTADA. AUSÊNCIA DO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Mesmo que estejamos diante de um vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso Especial Provido (2ª Turma CSRF – Ac. 920201609 – Rel. Elias Sampaio Freire) Entretanto, no presente caso, o vício existente no lançamento é de natureza material e não de natureza formal, conforme demonstrado alhures. Por certo, quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Nestes casos, há que se ter em mente a noção de prejuízo ao sujeito passivo; somente quando o lançamento, enquanto ato declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito fiscal, conduzir a um efetivo prejuízo ao contribuinte terse á como conseqüência a nulidade por vício formal. Por outro lado, cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. Destarte, a declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12045.000409/200773 Acórdão n.º 9202003.073 CSRFT2 Fl. 13 9 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11077.000713/2006-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 06/09/2006
Transito Aduaneiro. Extravio. Responsabilidade do Transportador
O roubo da carga transportada corresponde à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Extravio. Responsabilidade do Transportador O roubo da carga transportada corresponde à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 7. 00 07 13 /2 00 6- 08 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11077.000713/200608 Acórdão n.º 3102002.060 S3C1T2 Fl. 243 2 Trata o presente processo de quatro autos de infração decorrentes de operação de trânsito aduaneiro não finalizada em decorrência de roubo ou furto de carga. O primeiro auto de infração trata do Imposto de Importação e multa de ofício (fls. 2235). Valor total da autuação R$ 105.105,84. O segundo auto trata do Imposto sobre Produtos Industrializados e multa de ofício (fls. 3653). Valor total da autuação R$ 35.186,88. O terceiro trata do PIS/Pasep importação e multa de ofício (fls. 5463). Valor total da autuação R$ 13.820,22. O quarto trata do Cofinsimportação e multa de ofício (fls. 64 76). Valor total da autuação R$ 63.656,83. Alega o Fisco que em 06/09/2006, foi concedido à contribuinte autuada o regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro com origem na cidade de São Borja e destino em São Paulo (Eadi Santo André). Emitiuse a Declaração de Trânsito Aduaneiro tipo MICDTA, sendo que, em 08/09/2006, a contribuinte informou roubo da carga, conforme BO nº 965/2006 da Delegacia de Miracatu/SP. Intimada (fl. 22), ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 82165. Seguem as alegações da contribuinte autuada/interessada/impugnante. 1. Conforme Boletim de Ocorrência, o caminhãotrator e o semireboque da ora impugnante que realizava o transporte das mercadorias em trânsito aduaneiro foram roubados por três indivíduos no “Auto Posto Petropen”, sendo que um deles portava arma de fogo. Um dia após a ocorrência, em 08/09/2006, o caminhãotrator foi localizado no pátio do Auto Posto do Município de Miracatu. 2. Nos termos do artigo 595 do Decreto nº 4.543/2002, a ocorrência de roubo da mercadoria transportada em regime de trânsito aduaneiro exclui a responsabilidade do transportador, vez que presentes os elementos caracterizadores de força maior. 3. Estão presentes os elementos caracterizadores de força maior: irresistibilidade e insuperabilidade, razão pela qual deve ser excluída a responsabilidade da impugnante. 4. Ainda que o roubo de carga seja elemento previsível, trata se de um elemento inevitável, não sendo exigível conduta diversa. Apresenta jurisprudência no sentido de que o roubo de carga é excludente de responsabilidade da transportadora. 5. Contesta a taxa Selic. Solicita a improcedência da autuação. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11077.000713/200608 Acórdão n.º 3102002.060 S3C1T2 Fl. 244 3 À folha 168, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação. Juntada do contrato de serviço de vigilância entre a impugnante e a empresa Duty Sistema de Gerenciamento de Riscos S/A a partir da folha 171. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/09/2006 ROUBO OU FURTO DE CARGA. INOCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR Para efeito de responsabilidade, o alegado roubo ou o furto de mercadoria depositada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior. Impugnação Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Assumindo a premissa de que, de acordo com os documentos acostados ao processo, a mercadoria foi alvo de roubo, a solução do litígio depende de se avaliar se tal hipótese é suficiente para excluir a responsabilidade do transportador. De fato, de acordo com o art. 595 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 2002), essa é uma das apurações a ser empreendida pela autoridade aduaneira: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. Segundo entende a recorrente, o fato da carga ter sido roubada seria suficiente para afastar a aplicação da penalidade imposta. Estarseia diante de hipótese de força maior. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11077.000713/200608 Acórdão n.º 3102002.060 S3C1T2 Fl. 245 4 Em sentido inverso, a meu ver corretamente, entenderam as autoridades julgadoras a quo que tal circunstância, por si só, não seria capaz de caracterizar a referida excludente e, consequentemente, de afastar a responsabilidade do transportador. Chego a essa conclusão a partir da investigação do conceito de força maior, fixado nos termos da Lei Civil, bem assim da doutrina e da jurisprudência das mais altas cortes do País acerca do tema. Diz o parágrafo único art. 1.058, do Código Civil de 1916, que teve sua redação reproduzida no parágrafo único do art. 393 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Parágrafo único.O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir. (destaquei) Interpretando o comando normativo, conceitua Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado, T. XXIII, p. 84.): "Fato necessário está, aí, por fato cuja determinação se procede sem que o devedor possa afastar, em suas conseqüências. Se o fato é necessário, mas o devedor pode evitar ou impedir os seus efeitos, não há caso fortuito por força maior”. (destaquei) Notese, portanto, que um dos requisitos essenciais para a caracterização de uma das excludentes não é a inevitabilidade do fato, mas dos seus efeitos. Não se pode olvidar, ademais, a segunda condição para caracterização das excludentes: a imprevisibilidade. Nesse sentido, afirma De Plácido e Silva (original não destacado)1: Caso fortuito: É expressão especialmente usada, na linguagem jurídica, para indicar todo caso que acontece imprevisivelmente, atuado por uma força que não se pode evitar. São, assim, todos os acidentes que ocorrem, sem que a vontade do homem os possa impedir ou sem que tenha ele participado, de qualquer maneira, para a sua efetivação. Todos os casos, que se revelam por força maior, dizemse casos fortuitos, porque fortuito, do latim fortuitus, de fors, quer dizer casual, acidental, ao azar. Ora, se a violência nas estradas é circunstância de conhecimento geral, não haveria como se alegar que, máxime para uma empresa transportadora, o roubo de carga é um fato imprevisível e cujos efeitos seria impossível evitar. Como é cediço, há meios para se conferir maior segurança ao transporte e, consequentemente, minimizar os risco do evento e, caso se concretize, seus efeitos. 1 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Atual. por Nagib Slaibi Filho; Gláucia Carvalho. 2. ed. eletr. [Rio de Janeiro]: Forense, [entre 2000 e 2002]. 1 CDROM. Verbetes: caso fortuito, força maior. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11077.000713/200608 Acórdão n.º 3102002.060 S3C1T2 Fl. 246 5 Estarseia, assim, diante de um caso fortuito interno, inerente ao risco da atividade econômica desenvolvida pela recorrente e, como tal, não poderia ser considerado um excludente da responsabilidade tributária. Notese que tal raciocínio vem sendo referendado pelo Superior Tribunal de Justiça que, analisando matéria semelhante, assentou o entendimento de que o roubo não exclui a responsabilidade tributária. Confirase: a) REsp nº 1.172.027 RJ (2009∕02457394) 2 TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO ROUBO DE MERCADORIA DURANTE TRANSPORTE TERRESTRE CASO FORTUITO INTERNO RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. 1. O roubo de veículo e de carga sujeita a imposto de importação ocorrido no transporte de mercadoria já desembaraçada não elide a responsabilidade de transportadora pelo pagamento do valor apurado em auto de infração, nos termos dos arts. 136 do CTN, 32 e60 do Decretolei 37∕66. 2. Recurso especial não provido. Peço licença para transcrever trecho do votocondutor que trata os fundamentos da decisão: Com base nesse conceito, defende o recorrente que não poderia responder pela perda do produto porque o roubo à mão armada seria um acontecimento alheio à sua vontade que ilidiria qualquer pretensão fazendária. Tal posicionamento não pode prosperar, pois defender que esse fato é um caso fortuito tornase descabido porque roubos e furtos de caminhões, ônibus e carros nas vias terrestres brasileiras é fato corriqueiro, comum e, em verdade, previsível. Daí a razão pela qual o transportador deve se resguardar de todas as ocorrências possíveis que causem algum dano ou extravio na mercadoria, contratando, por exemplo, um seguro que garanta indenização por qualquer prejuízo que ele possa sofrer, como bem destacou a instância de origem. Para justificar tal entendimento, a distinção feita pelo Tribunal a quo acerca do fortuito interno e do fortuito externo ganha relevância porque a controvérsia reside em saber se estaria ou não dentro do campo da previsibilidade do transportador a possibilidade de ocorrer roubo da mercadoria durante a prestação do serviço. O fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento da realização do serviço, não exclui a responsabilidade do transportador, se ele fizer parte de sua atividade e se ligar aos 2 MINISTRA ELIANA CALMON Fl. 246DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11077.000713/200608 Acórdão n.º 3102002.060 S3C1T2 Fl. 247 6 riscos do empreendimento. O mesmo não ocorre com o fortuito externo, que não guarda relação alguma com a atividade do recorrente e aí sim excluiria o seu dever perante o fisco. A partir desse raciocínio, entendo que o art. 480 do regulamento aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030∕85, apontado pelo recorrente como violado, ao se referir ao caso fortuito, relacionase em verdade com o fortuito externo, o que não seria o caso dos autos, pois a possibilidade de a carga ser roubada à mão armada relacionase diretamente com a atividade desenvolvida pelo recorrente, de onde se extrai que a questão debatida trata de fortuito interno, ficando afastada a aplicação desse dispositivo e a possível infringência apontada. Igualmente esclarecedor é o seguinte trecho do votovista proferido pelo Ministro Humberto Martins: Com efeito, o eventual roubo dos produtos importados, durante o transporte de mercadoria já desembaraçada, faz parte dos riscos da atividade econômica, que não podem ser transferidos ao Estado. Dessa forma, não é possível dela se afastar com argumentos, por mais que hermeneuticamente críveis, de que se trata de caso fortuito ou de força maior. b) REsp nº 734.4033 4. O roubo ou furto de mercadorias é risco inerente à atividade do industrial produtor. Se roubados os produtos depois da saída (implementação do fato gerador do IPI), deve haver a tributação, não tendo aplicação o disposto no art. 174, V, do RIPI98. O prejuízo sofrido individualmente pela atividade econômica desenvolvida não pode ser transferido para a sociedade sob a forma do não pagamento do tributo devido. Como é possível perceber, inobstante haja uma tendência da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça no sentido de considerar o roubo uma circunstância excludente da responsabilidade contratual, tal tendência não é seguida pelas Primeira Seção daquela corte. Que assentou o entendimento no sentido de que o roubo não exclui a responsabilidade tributária, posição com a qual concorda este Relator. A meu ver, com a devida licença às opiniões em contrário, haveria meios para conferir maior segurança ao transporte, como, por exemplo, a utilização de escolta armada, ou ainda para garantir que, na hipótese de concretização do evento, perfeitamente previsível, o seguro da carga contemplasse a responsabilidade tributária do transportador, evitandose, assim, os efeitos daquele fato. Releva destacar que, apesar da recorrente ter alegado que adota medidas para minimizar a possibilidade de roubo da mercadoria, mediante contratação de empresa especializada em gerenciamento de risco, não consta dos autos informação no sentido de que o veículo estivesse sendo escoltado. 3 MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11077.000713/200608 Acórdão n.º 3102002.060 S3C1T2 Fl. 248 7 Com essas considerações, não reconheço a alegada excludente de responsabilidade (caso fortuito ou força maior) e nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 22 de outubro de 2013. Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 35950.001139/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVOLUTIVIDADE RESTRITA. POSSIBILIDADE DE EFEITOS INFRINGENTES.
O recurso de embargos de declaração tem função estreita, servindo apenas para esclarecer ou integrar a decisão embargada. Todavia, para o cumprimento de sua função integrativa ou aclaratória, por vezes, os embargos de declaração implicam em mudança do julgado, o que é decorrência natural do suprimento da contradição, omissão ou obscuridade.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2302-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração, para dar provimento ao recurso voluntário, pela homologação tácita do crédito tributário, com fulcro no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Arlindo da Costa e Silva, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVOLUTIVIDADE RESTRITA. POSSIBILIDADE DE EFEITOS INFRINGENTES. O recurso de embargos de declaração tem função estreita, servindo apenas para esclarecer ou integrar a decisão embargada. Todavia, para o cumprimento de sua função integrativa ou aclaratória, por vezes, os embargos de declaração implicam em mudança do julgado, o que é decorrência natural do suprimento da contradição, omissão ou obscuridade. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração, para dar provimento ao recurso voluntário, pela homologação tácita do crédito tributário, com fulcro no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 95 0. 00 11 39 /2 00 6- 10 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Arlindo da Costa e Silva, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 35950.001139/200610 Acórdão n.º 2302003.106 S2C3T2 Fl. 805 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, a fls. 796/799, interpostos pela contribuinte, em face do acórdão nº 2302002.723, a fls. 782/788, proferido em 15 de agosto de 2013 pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por meio do qual, decidiuse, por unanimidade de votos, por acolher os embargos anteriormente opostos, dando provimento parcial ao recurso voluntário com fulcro no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, para excluir do lançamento as competências de 02/1999 a 04/1999, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Segundo a Embargante, o acórdão embargado incorreu em novo erro ao manter o lançamento quanto às competências de 05/1999 a 12/1999 (únicas remanescentes no lançamento), posto que tal se deu pelo fato de ter sido considerada ocorrida a ciência do lançamento em 17/05/2004, quando, em outra passagem, o próprio acórdão reconhece que a ciência do lançamento ocorreu em 17/05/2005, o que poderia ser confirmado às fls. 01. Pelo despacho de fls. 802/803, os embargos foram admitidos, sendo determinada a sua inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator ad hoc André Luís Mársico Lombardi Como já destacado em decisão anterior, o recurso de embargos de declaração tem função estreita, servindo apenas para esclarecer ou integrar a decisão embargada. Portanto, sem qualquer juízo de mérito quanto às opções jurídicas adotadas na decisão originalmente atacada, deve este Relator ad hoc se ater às premissas já legitimamente estabelecidas. Também se ressaltou, em linha iniciais, que, para o cumprimento de sua função integrativa ou aclaratória, por vezes, os embargos de declaração implicam em mudança do julgado. Estes efeitos infringentes acabam sendo uma decorrência natural do suprimento da contradição, omissão ou obscuridade (Nery Junior, Nelson. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos, 5ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000, 257). No caso em comento, assiste razão à Embargante em afirmar que o acórdão embargado incorreu em novo erro ao manter o lançamento quanto às competências de 05/1999 a 12/1999 (únicas remanescentes no lançamento), posto que tal se deu pelo fato de ter sido considerada ocorrida a ciência do lançamento em 17/05/2004, quando, em outra passagem, o próprio acórdão reconhece que a ciência do lançamento ocorreu em 17/05/2005, o que pode, efetivamente, ser confirmado às fls. 01. Destarte e considerando que da análise do Discriminativo Analítico de Débito (fls. 6/8), do Relatório de Lançamento (fls. 11/28) e do Relatório de Documentos Apresentados (fls. 29/51), verifico que há recolhimentos apropriados para as competências antes mantidas (05/1999 a 12/1999), concluo pela aplicação do § 4° do artigo 150 do CTN, razão pela qual acolho os embargos, para dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendose a decadência de todas as competências do lançamento (02/1999 a 12/1999). É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator ad hoc Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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