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Numero do processo: 11080.723648/2012-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços equivalentes ao de construção civil por empreitada com o emprego de materiais é de 8% para IRPJ.
Numero da decisão: 9101-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços equivalentes ao de construção civil por empreitada com o emprego de materiais é de 8% para IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 48 /2 01 2- 73 Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 677 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida: Tratase de recurso de ofício. Na origem, foi lavrado auto de infração em razão da suposta divergência de aplicação do percentual de presunção por parte da Recorrida, fato que motivou a constituição, em valores originais, do IRPJ (R$ 608.039,17), acrescido de Juros (R$ 265.408,50) e Multa (R$ 456.029,38), totalizando o montante total do crédito apurado em R$ 1.329.477,05 (fls. 220/232). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Relatório da Ação Fiscal (fls. 202/219): (i) Que a recorrida possui, como objeto social, entre outros, o serviço de engenharia, montagem e manutenção industrial, realizando esta atividade nos contratos analisados; (ii) Que é optante pelo lucro presumido e adotou o percentual de presunção de 8% para IRPJ, por entender que as atividades que desenvolve têm natureza de empreitadas de construção civil, a saber: reforma em bens imóveis (tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, esferas e torres, bens estes fixados ao solo) (fl. 207); (iii) Que o percentual de presunção está equivocado, pois a Recorrida não pratica a atividade de construção civil, sobretudo pelo fato de que as atividades exercidas são privativas da Engenharia Mecânica, tratandose de processos mecânicos, máquinas em geral, instalações industriais e mecânicas, inclusive sendo exigida a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), instrumento formal para registro das atividades de engenharia (fls. 209/210); (iv) Que os serviços comumente contratados nos contratos envolvendo o fiscalizado, assim como também as Sociedades em Conta de Participação (SCP), tais como os serviços de manutenção e montagem em torres, vasos, reatores e permutadores de calor, entre outros, englobam as mais diversas prerrogativas da Engenharia Mecânica, sendo perfeitamente identificados nas descrições de atividades contidas no CREA da jurisdição onde o contrato foi realizado; (v) Que o percentual adequado é de 32% para o IRPJ, uma vez que as atividades da recorrida se enquadram, em verdade e para efeitos da presunção, como prestação de serviços em geral, por se tratar de serviços de engenharia que não possuem nenhuma Fl. 677DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 678 3 particularidade para cálculo do lucro presumido, não sendo caracterizadas como empreitada de construção civil; (vi) Logo, o AFRFB optou por tributar a diferença da presunção aplicada pela presunção de 32%, constituindo o Auto de Infração; (vii) Aplicouse o mesmo entendimento à Sociedade em Conta de Participação (SCP) constituída para a execução do contrato 8000.0000519.06.2 (BG Engenharia Ltda.). A Recorrida, na condição de sócia ostensiva, é a responsável pelos tributos devidos (fls. 213/218). Encerrada a fiscalização, a recorrida teve ciência do auto de infração em 30/03/2012 (fl. 232). Na sequência, apresentou impugnação em 27/04/2012 (fl. 234), a qual foi julgada totalmente procedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 581): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Comprovada a contratação e prestação de fato de serviços de construção civil, no regime de empreitada total, com o fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, é correta a utilização do percentual de 8% para presunção do lucro. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em decorrência da exoneração do crédito supracitado, a autoridade julgadora deu ciência sobre o resultado do julgamento à recorrida (fls. 593/595) e interpôs recurso de ofício referente ao acórdão em questão, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, e da Portaria MF nº 3, de 2008 (fl. 581). Ao julgar o recurso, a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1302001.202, de 9 de julho de 2013, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE. A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços equivalentes ao de construção civil por empreitada com o emprego de materiais é de 8% para o IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 679 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) que, conforme relatado na decisão de primeira instância, em pesquisa sobre as atividades do contribuinte, a fiscalização encontrou informações, no site da empresa, segundo as quais as atividades por ela prestadas seriam serviços de engenharia, manutenção e montagem; b) que, seguindo sua pesquisa, a fiscalização apurou ainda que as atividades expressamente realizadas pelo contribuinte se enquadravam como privativas da área de engenharia mecânica, de acordo com a relação de atividades específicas daquela modalidade profissional para fins de preenchimento de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no site do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREARS); c) que, contudo, a DRJ entendeu que, em relação ao contrato que deu suporte à atividade discutida neste processo, o contribuinte exerceu atividade de construção civil, excluindo, por conseguinte, o crédito tributário; d) que a Egrégia Turma do CARF, por sua vez, negou provimento ao recurso de ofício; e) que as receitas decorrentes das atividades de montagem e manutenção de equipamentos industriais, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas ao percentual de 32%; f) que, no Instrumento Particular de Quinta Alteração e Consolidação Contratual, lavrado em 19/08/2005, o objeto social da Estrutural Serviços Industriais Ltda. passa a ser “a prestação de serviços de manutenção industrial; a indústria e comércio de equipamentos; a prestação de serviços de engenharia e montagem industrial; a fabricação de produtos de metal, tais como estruturas metálicas e de serralheria”; g) que se conclui, portanto, que os serviços realizados pelo Contribuinte nos contratos firmados com a PETROBRÁS, TRANSPETRO e REFAP e, ainda, na descrição de atividades do CREA, são de engenharia mecânica, necessitando de um profissional qualificado, ou seja, um engenheiro mecânico, e não de construção civil como argumenta; h) que pode ocorrer que os materiais fornecidos na execução de sua atividade, ainda que sejam instalados em imóveis, destes não façam parte integrante, continuando, assim, na condição de bens móveis, antes, durante e depois de instalados, pois plenamente suscetíveis de remoção, sem qualquer prejuízo, dano ou descaracterização ao bem que supostamente os incorporou; i) que daí advém a noção de que o material empregado na construção civil, além da característica de se incorporar ao bem imóvel, dele deve tornarse parte integrante e inseparável, sendo indispensável à sua plena utilidade; j) que, além disso, nas notas fiscais apresentadas na impugnação, não constam materiais que são essenciais para obras de construção civil: cimento, ferro de construção civil, brita, tijolo, etc.; Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 680 5 k) que nelas constam compras justamente de materiais necessários à manutenção de equipamentos e instalações industriais, tais como tintas, lixas, perfis de ferro, chapas de ferro, desengraxante, tubos industriais, disco de corte, tela galvanizada, rolos para pintura, materiais para solda, etc.; l) que, portanto, não restam dúvidas de que as atividades desenvolvidas pelo Contribuinte se referem à engenharia mecânica, enquadrandose como serviços em geral para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no regime do lucro presumido, sujeitandose ao percentual de 32%; e m) que, na IN SRF nº 480, de 2004, art. 32, está explicitado que “não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (Incluído pela IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005)”. O recurso especial foi admitido pela presidente da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: a) que, preliminarmente, houve inconteste falta de demonstração analítica da divergência existente entre os acórdãos recorrido e paradigma; b) que, ainda preliminarmente, a situação contemplada pelo acórdão recorrido não encontra consonância com as hipóteses tratadas no acórdão paradigma, de maneira a demonstrar a divergência de teses pretendida, partindo da mesma situação fática; c) que, no mérito, as atividades prestadas pela recorrida enquadramse no conceito de construção civil; d) que os serviços prestados pela recorrida foram realizados com o fornecimento de materiais; e e) que, por qualquer ângulo que se analise as justificativas apresentadas pela Fazenda Nacional, não há nenhuma razão que possa ser tomada por base para dar provimento ao recurso interposto. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à determinação do percentual de presunção do lucro presumido (IRPJ) no que se relaciona às atividades da recorrida, se de 8% (oito por cento), como atividades de construção civil, ou se de 32% (trinta e dois por cento), como atividades de prestação de serviços em geral. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 681 6 A questão básica gira em saber se a recorrida estaria praticando, ou não, a atividade de construção civil e, naquela primeira hipótese, se estaria havendo, ou não, o fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Analiso, de início, a preliminar, arguida pela recorrida, de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, pela “falta de demonstração analítica da divergência existente entre os acórdãos recorrido e paradigma”, e pela falta de consonância entre “a situação contemplada pelo acórdão recorrido” “com as hipóteses tratadas no acórdão paradigma”. Por um lado, a demonstração analítica da divergência existente entre os acórdãos recorrido e paradigma foi assim procedida no recurso especial da Fazenda Nacional (efls. 613, destaques do original): O julgado ora recorrido tem, como questão central, a execução de serviços de engenharia civil, mediante contratação sob a modalidade de empreitada global com fornecimento de materiais, cuja tributação foi apurada, sob a sistemática do lucro presumido, com a utilização de coeficiente de presunção de 8%, em diversos contratos celebrados em relação à Petróleo Brasileiro S/A. Em sentido oposto ao decidido no acórdão ora recorrido, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, analisando caso semelhante ao dos autos, entendeu que empresa que presta serviços de inspeção, manutenção, instalação e reparos em estruturas metálicas marítimas de exploração de petróleo, com ou sem emprego de material, o coeficiente de apuração do lucro presumido é de 32%. Eis a ementa integral do Acórdão nº 120100.594, verbis: [...]. Observese que as atividades desenvolvidas pela empresa aqui autuada em tudo se assemelham àquelas desenvolvidas no caso paradigmático, não restando dúvidas, portanto, em relação à divergência jurisprudencial, encontrandose presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos termos da legislação de regência (Decreto nº 70.235/72, art. 37, § 2º, II, c/c art. 67 e §§, do Regimento Interno do CARF). A esse respeito, consta o seguinte esclarecimento no “Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial: Orientações Gerais para a Elaboração de Despachos”, aprovado pela Portaria CARF nº 56, de 31 de março de 2016: Esclareçase que a demonstração da divergência não requer necessariamente a elaboração de quadro comparativo, tampouco de cotejo analítico, desde que fiquem claros, no recurso, os pontos que estão sendo suscitados. Ademais, deve haver a vinculação clara do paradigma com a matéria suscitada, principalmente quando o recurso aborda diversos temas. Na hipótese, o ponto que está sendo suscitado é a existência, ou não, em ambos os casos, de atividade de construção civil, estando o paradigma claramente vinculado com a matéria suscitada, a saber: identificação de se tratar, ou não, de atividade de construção civil aquela procedida por empresas prestadoras de serviços de engenharia e manutenção, com emprego de materiais, à Petrobrás e suas subsidiárias. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 682 7 Entendeu o acórdão paradigma que não se tratava, no caso, de atividade de construção civil, “até mesmo porque as atividades descritas no objeto social e no CNAE da empresa não trazem a referida descrição de construção civil”, ao passo que, na decisão recorrida, entendeuse que a recorrida estaria formalmente ligada à atividade de construção civil através de uma de suas espécies (ramificações da construção civil), “sendo isso implícito no objeto do contrato social e enquadramento do CNAE”. Por outro lado, exigirse que os serviços constantes dos contratos de engenharia e manutenção, com emprego de materiais, com a Petrobrás e suas subsidiárias sejam rigorosamente os mesmos — sendo um na terra (acórdão recorrido) e o outro no mar (acórdão paradigma) —, implicaria restringir indevidamente o escopo do recurso especial de divergência, de modo a se buscar uma inatingível “igualdade fática”, em vez de uma necessária “similitude fática”, o que poderia, aliás, redundar em prejuízo à própria recorrida, recorrente que é em vários outros processos semelhantes. Ora, os fatos descritos nos acórdãos, recorrido e paradigma, na generalidade dos casos, nunca são idênticos entre si, a começar pela diversidade de sujeitos passivos, passando pelas datas e valores das ocorrências, e terminando nas circunstâncias específicas ensejadoras de cada situação. O importante é que fique caracterizado que, em situações semelhantes ou similares, foram adotadas soluções diversas, na interpretação do mesmo dispositivo legal, o que é, justamente, o que ocorre no presente caso. Rejeito a preliminar, arguida pela recorrida, de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Passo ao mérito. Entendo que o que distingue a atividade de construção civil de outras atividades de prestação de serviços em geral é o fato de, aquela, envolver a produção de uma obra que se incorpora permanentemente ao solo.1 Não se trata, no caso, de fixação de um bem já construído ao solo; mas de se proceder à sua própria edificação nele. Também não se trata de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo; mas de se erigir uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada. É bem de se ver, por outro turno, que o montante gasto com a obra, o seu peso, ou o seu maior ou menor porte, nenhuma influência têm quanto à qualificação desta como de construção civil ou não. O que é essencial é que haja a total agregação da obra ao solo, impossibilitando a sua posterior desincorporação sem destruição, modificação, fratura ou dano. No presente caso, estáse diante de contrato “para execução de serviços de projeto, suprimento, construção e montagem das interligações com o tanque de armazenamento TQ01P das instalações de ampliação da capacidade de escoamento do OSCAN da REFAP” Contrato nº 8000.0000519.06.2 (efls. 94, sublinhei). Do Anexo I Memorial Descritivo de Serviços, consta o seguinte (efls. 309, 311, 312, 321, e 331 a 338, grifei): 1. OBJETIVO 1 Cf. BARRETO, Aires F. ISS na Constituição e na lei. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2009. p. 268: “por serviços de construção civil entendese a atividade de execução material dos projetos de engenharia (aspecto dinâmico), tendo por finalidade (aspecto estático) a produção de uma obra que se incorpora ao solo.” Fl. 682DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 683 8 Este documento tem como objetivo descrever os serviços e fornecimentos a serem executados pela CONTRATADA, contemplando todas as disciplinas aplicáveis, nas obras de INTERLIGAÇÕES DO TANQUE TQ01P, da Ampliação da Capacidade de Escoamento do Oleoduto OsórioCanoas (OSCAN), para atender o aumento da capacidade de processamento de petróleo e derivados da Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), envolvendo a área da REFAP em Canoas RS. Os itens deste Memorial Descritivo são aplicáveis a todo o escopo do contrato, de forma global ou independentes entre si. 2. ESCOPO DA CONTRATADA Os trabalhos serão realizados na área da REFAP, compreendendo as ampliações das capacidades de transferência de petróleo do TEDUT para a REFAP e da transferência de derivados da REFAP para o TEDUT. Incluem gerenciamento da obra, projeto de detalhamento, fornecimento de materiais, construção civil, montagem eletromecânica, controle de qualidade, inspeções, verificação de itens de sistemas operacionais, condicionamento, préoperação e operação assistida. Fazem parte do escopo da CONTRATADA os serviços relacionados a seguir, mas não se limitando somente a eles, devendo incluir todas as tarefas e fornecimento de todos os materiais e equipamentos necessários; andaimes, máquinas de apoio de carga, solventes, abrasivos, discos de corte, etc.; para uma adequada e completa instalação do sistema de ampliação de escoamento do OSCAN. [...]. 2.4 Escopo de Construção Civil As obras civis incluem o projeto, fornecimento de materiais, escavações, reaterros, construção das fundações e estruturas, testes, cura, acabamento, urbanização, transporte e disposição apropriada de resíduos, de todas as obras necessárias à execução do objeto deste contrato, incluindo: Tubovias e/ou complementações de tubovias existentes: [...]. Pontilhões para a passagem de tubulações: [...]. Na área dos diques do TQ01P e TQ01O: [...]. Geral/civil: [...]. 3. DESCRIÇÃO E MODO DE EXECUÇÃO DE SERVIÇOS [...]. 3.5 Civil [...]. Serviços preliminares [...]. Limpeza, Serviços de Preparação do Terreno e Remoção de Obstáculos Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 684 9 [...]. Interferências com Instalações Existentes [...]. Locação das Obras [...]. Movimentação de Terra [...]. Fundações [...]. Fundações Diretas [...]. Fundações Indiretas [...]. Escavação e Reaterro [...]. Estruturas de Concreto [...]. Armação e “Inserts” Metálicos [...]. Iluminação Viária de Pátio [...]. Drenagem [...]. “Underground” – Elétrica/Instrumentação/Aterramento: [...]. Arruamento, Pavimentação e Urbanização [....]. Serviços Complementares [...]. Estruturas Metálicas e “Pipe Way” [...]. Tratase, portanto, de atividade de construção civil, embora abranja, o respectivo contrato, também, outras atividades acessórias, como a montagem eletromecânica, por exemplo. À mesma conclusão, aliás, chegou a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), como segue (efls. 590): Analisando as cópias do razão contábil da contribuinte, às fls. 461/465, 516/512 e 541, bem como as notas fiscais de fornecedores, às fls. 466/515, 521/540 e 542/554, observase que houve o emprego de materiais para construção das instalações industriais, tais como chapas, cimento e estruturas de concreto prémoldadas, e não apenas aqueles ligados a atividades de soldagem e pintura. Dessa forma, com relação ao contrato sob análise, apesar de a contribuinte não estar formalmente ligada à atividade de construção civil, o seu contrato previa atividade dessa natureza, bem como o material por ela fornecido atendia a tal atividade. Observo, por oportuno, que, embora conste do Relatório da Ação Fiscal (e fls. 208 e 209), que se trataria, neste caso, de serviços de reforma, montagem e manutenção de tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, fornos, trocadores de calor, tubulações, esferas, torres, vasos, reatores e permutadores de calor, não é esse, porém, o objeto do contrato Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 685 10 a que se refere o presente processo (Contrato nº 8000.0000519.06.2), mas, sim, de contratos relativos a outros processos da mesma empresa, como segue (efls. 122): dos quais destaco o contrato ora em análise: São os seguintes os processos lavrados contra a recorrida (efls. 219): dos quais destaco o presente processo (IRPJ): Tratandose, no caso, de atividade de construção civil, há, ainda, uma última condição a ser cumprida para possibilitar a adoção do percentual de presunção de 8% (oito por cento) do lucro presumido (IRPJ). É que, de conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que “dispõe sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas que menciona a outras pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços”, em seu art. 1º, § 7º, inciso II, entendese por “construção por empreitada com emprego de materiais”: a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Assim, não fornecendo o empreiteiro “todos os materiais indispensáveis à sua execução”, tratarseia, no caso, simplesmente, de “serviços prestados com emprego de materiais”, ou seja (art. 1º, § 7º, inciso I): Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 686 11 os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. No presente caso, observo que é responsabilidade da recorrida e da REFAP, conforme Contrato nº 8000.0000519.06.2 (efls. 96, 102, 103 e 105, destaquei): CLÁUSULA SEGUNDA – OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA [...]. 2.4 – Quanto a materiais, máquinas e equipamentos: 2.4.1 Fornecer todos os equipamentos de construção e/ou montagem, máquinas, veículos, combustíveis, lubrificantes, ferramentas, utensílios, materiais de consumo, equipamentos de proteção individual, móveis e materiais de escritório, conforme definido no Memorial Descritivo – Anexo I, a este CONTRATO, bem como qualquer outro componente necessário à execução dos serviços. [...]. 2.4.2 – Fornecer todos os materiais, com exceção daqueles cujo fornecimento seja encargo da REFAP S/A, com requisitos de qualidade, utilidade, resistência e/ou segurança recomendados pelas normas aplicáveis. [...]. 2.4.3 – Responsabilizarse pela correta utilização, guarda e conservação dos materiais, equipamentos, ferramentas, veículos e/ou instalações, fornecidos pela REFAP S/A, bem como ressarcir, pelo valor atualizado, eventuais extravios, danos ou depreciações não relacionadas com a execução do presente CONTRATO. [...]. 2.4.5 – Aplicar os materiais, cujo fornecimento seja encargo da REFAP S/A. [...]. CLÁUSULA TERCEIRA – OBRIGAÇÕES DA REFAP S/A [...]. 3.9 – Fornecer, em tempo hábil e de acordo com o previamente estabelecido com a CONTRATADA, nas áreas de armazenagem os materiais e equipamentos cujo fornecimento seja da REFAP S/A. Consta do Anexo I Memorial Descritivo de Serviços (efls. 311, negritei): 2. ESCOPO DA CONTRATADA [...]. 2.3 Escopo de Suprimento A CONTRATADA é responsável pelo fornecimento de todos os materiais, equipamentos (incluindo sobressalentes) e insumos. Excetuase o fornecimento dos materiais relacionados abaixo, que, somente eles, serão providenciados pela REFAP: Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 687 12 a) Válvulas motorizadas: [...]. b) Válvulas de alívio ou segurança: [...]. c) Fita termométrica: [...]. d) Transmissor de nível: [...]. e) VálvulasGaveta (açocarbono, flangeadas, classe 150#): [...]. f) outros materiais provenientes de estoque, que eventualmente seja de conveniência da REFAP o seu fornecimento. [...]. Existindo, pois, materiais que serão fornecidos pela REFAP, e não pela recorrida, tenho como não cumprida essa condição de fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à sua execução. Não foi feliz, nessa questão, a decisão da DRJ, ao afirmar, inadvertidamente, que (efls. 591): [...]. Ocorre que, nem no contrato, nem na especificação dos serviços do contrato firmado entre a Estrutural (contratada) e a REFAP (contratante), posta no Anexo I daquele contrato, às fls. 309/367, há menção a material a ser fornecido pela REFAP, diferentemente do que se observa em outros contratos celebrados com a impugnante. Isso leva a crer que a contribuinte se subsumia ao disposto na referida IN. assim ementando a sua decisão (efls. 581): LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Comprovada a contratação e prestação de fato de serviços de construção civil, no regime de empreitada total, com o fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, é correta a utilização do percentual de 8% para presunção do lucro. De igual modo, incorreu em erro a decisão recorrida (efls. 605): Analisandose as notas fiscais, fica evidente o cumprimento do requisito necessário, tendo em vista que a recorrida ofereceu todos os materiais indispensáveis à prestação de serviços de construção. Esclareço, por oportuno, que, embora a Instrução Normativa SRF nº 480, de 2004, se refira à “retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido nos arts. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, e 34 da Lei nº 10.833, de 2003”, suas disposições: alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 688 13 sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, quanto aos “serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º”, conforme nova redação dada ao art. 32 daquela Instrução Normativa pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005. Destaco, por fim, que as referências feitas pela recorrida ao Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 30, de 1999, e ao Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 6, de 1997, são impertinentes, uma vez que, aquele, se refere ao Simples Federal (“vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis”), e, este, ao lucro real (“percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal”), mas não ao lucro presumido, como é o presente caso. De todo modo, a se adotar subsidiariamente a legislação do Simples Federal, é certo que serviços de manutenção em equipamentos petrolíferos — como é o presente caso —, não se confundem com atividades de construção de imóveis, nem mesmo com serviços de engenharia, conforme Súmula CARF nº 57 (grifei): A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Acompanho o entendimento do muito digno Relator em quase sua totalidade, contudo peço vênia para discordar da parte final de seu voto, conforme exposto a seguir. A leitura dos autos permite verificar que a contribuinte foi remunerada por exercer atividades por ela classificadas como de construção por empreitada, assim adotando o percentual de 8% para o cálculo do lucro presumido, no momento da apuração do IRPJ (12% para a CSLL). A fiscalização entendeu que as mesmas atividades não tinham natureza de construção civil, mas sim de engenharia mecânica. Com isso, realizou nova apuração dos impostos, adotando o percentual de 32% para o lucro presumido, e lavrou os respectivos autos de infração. A decisão ora recorrida corroborou a decisão de primeira instância, a qual reconheceu que a atividade realizada pela contribuinte tem natureza de construção por empreitada, validando a apuração realizada originalmente e exonerando a exigência fiscal. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 689 14 Todavia, o ilustre Relator prosseguiu na sua análise e chegou ao entendimento de que a decisão a quo incorreu em erro ao adotar como fundamento fático a premissa de que todos os materiais empregados na construção sob análise haviam sido fornecidos pela contribuinte, o que é condição para a adoção do percentual de 8% no cômputo do lucro presumido. O relator, então, concluiu que o percentual correto a ser aplicado é o de 32%, ainda que a atividade seja de construção civil. Penso que a questão sobre a totalidade ou não do fornecimento de materiais não pode ser apreciada em sede de recurso especial, uma vez que não foi arguida pela recorrente e não foi contrarrazoada pela contribuinte. De fato, esse não foi o entendimento da fiscalização, cujo lançamento teve como fundamento a natureza da atividade, diversa da construção civil, conforme o seguinte excerto, retirado do Relatório Fiscal (efl. 211 Parte 3). Ressaltamos, novamente, que os serviços que a fiscalizada executa, inclusive os de manutenção e montagem, não se caracterizam como empreitadas de construção civil. As atividades de construção civil tiveram seu conceito fixado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit n. 30/1999, no qual os serviços prestados pela fiscalizada não se enquadram. As atividades desenvolvidas pela mesma são privativas, isto sim, da engenharia mecânica; profissão legalmente regulamentada que depende de habilitação profissional. A Fiscalização até tangencia essa questão do fornecimento total de material, quando cita a IN SRF 480/2004, art. 1º e 32, alterado pela IN SRF nº 539, de 2005, como se verifica desse trecho: Nas empreitadas de construção civil, a legislação permite a utilização de percentual de 8% para fins de apurar o lucro presumido, quando existe o fornecimento, além da mãodeobra, de todo o material a ser incorporado à obra (IN 480/2004, artigos 1º e 32 e IN 539/2005). No entanto, a prestação de serviços na área de engenharia mecânica ou mesmo de serviços em geral, com ou sem fornecimentos de materiais, tem suas receitas sujeitas à aplicação do percentual de 32% para a determinação da base de cálculo presumida. Ou seja, a Fiscalização cita, mas não enquadra na hipótese de construção civil para afastar pelo não fornecimento total. Aliás, quando cita o enquadramento legal, o faz percentual no art. 15, §1º, inciso III, da Lei nº 8.981, de 1995, ou seja, prestação de serviços em geral. Por oportuno, transcrevo ainda trechos do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional: A Fiscalização aplicou o percentual de 32%, entendendo que os serviços desenvolvidos pelo Contribuinte não seriam de construção civil, mas sim de engenharia mecânica, profissão que depende de habilitação profissional regulamentada (engenheiro mecânico). ........................................................................................................ Para fins de apuração do lucro presumido, de acordo com a legislação (IN SRF nº 480, de 2004, IN SRF nº 539, de 2005, e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06, de 1997), as receitas decorrentes da atividade de construção civil por empreitada, Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11080.723648/201273 Acórdão n.º 9101002.544 CSRFT1 Fl. 690 15 com o fornecimento de todos os materiais pelo empreiteiro, estão sujeitas ao percentual de 8%. As receitas decorrentes da atividade de administração ou empreitada unicamente de mãodeobra ou a prestação de serviços em geral, sem o fornecimento de materiais, estão sujeitas ao percentual de 32%. As receitas decorrentes das atividades de montagem e manutenção de equipamentos industriais, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeita ao percentual de 32%. ...................................................................................................... Portanto, não restam dúvidas que as atividades desenvolvidas pelo Contribuinte se referem à engenharia mecânica, enquadrandose como serviços em geral para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no regime do lucro presumido, sujeitandose ao percentual de 32%. Assim, penso que a manutenção do lançamento tributário com fundamento no fato de a contribuinte não ter fornecido a integralidade dos materiais aplicados na atividade em tela corresponderia a uma alteração do fundamento original do lançamento, o que é defeso ao julgador. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Fl. 690DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907847/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Numero do processo: 10480.910504/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.677
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 04 /2 01 2- 80 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10480.910504/201280 Acórdão n.º 3302003.677 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.552. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10480.910504/201280 Acórdão n.º 3302003.677 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10480.910504/201280 Acórdão n.º 3302003.677 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914979/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.893
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 49 79 /2 00 9- 35 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10783.914979/200935 Acórdão n.º 3402003.893 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10783.914979/200935 Acórdão n.º 3402003.893 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.914979/200935 Acórdão n.º 3402003.893 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906087/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.980
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.906087/201252 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.980 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. Recorrente MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido e não homologando a compensação, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: "Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 08 7/ 20 12 -5 2 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10660.906087/201252 Resolução nº 3401000.980 S3C4T1 Fl. 3 2 razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período." Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos do Acórdão 14044.343. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual esclarece a procedência do seu direito de crédito e apresenta petição, nos seguintes termos: "O aludido recurso de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE interposto pela recorrente, se deu porque esta entendeu que os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior, na data do pedido de restituição/compensação, estavam devidamente desvinculados das declarações acessórias daqueles períodos, fato este que. por si só, já seria suficiente para demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando assim a necessidade de instruir a exordial com as provas, possíveis de serem verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco, pela recorrente, por meio eletrônico, com amparo na produção de provas previstas no art. 332, do crc. Contudo, infelizmente, a recorrente não se atentou para o fato de que a defesa sustentada no recurso anterior, não foi cumprida pelo seu departamento fiscal, o qual estava incumbido de enviar as devidas retificações acessórias, ensejando assim o presente passivo tributário. Diante disso, a recorrente requer a ampliação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito tributário, anteriormente pleiteado, providenciando todas as retificações das declarações acessórias, assim previstas no art. 113, parágrafo 2o, do CTN, para demonstrar a relação dos créditos que tem direito. Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base no Principio da Capacidade Contributiva, nos termos do art. 145, §1°, juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF. tendo em vista que, a sua não prorrogação ensejará à recorrente insolvência econômica, uma vez que, o seu patrimônio, não é suficiente para garantir os passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias. Ademais, diante da presente situação, não restou a recorrente outra alternativa senão interpor a presente demanda." É o relatório Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.964, Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10660.906087/201252 Resolução nº 3401000.980 S3C4T1 Fl. 4 3 de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.964): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10660.906087/201252 Resolução nº 3401000.980 S3C4T1 Fl. 5 4 prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000110/2006-22
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003
PRELIMINAR DE NULIDADE.
Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, PIS e COFINS.
IRPJ. INCORPORAÇÃO. CRÉDITOS DA INCORPORADA. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA INCORPORADORA. POSSIBILIDADE.
A incorporação transfere débitos e créditos da incorporada para a
incorporadora, a partir do momento em que aprovada pelos sócios o ato societário. O Fisco, por exigências próprias, toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento da empresa.
Inexigibilidade do registro para efeitos fiscais.
OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada a comprovação fiscal da omissão de receitas pelo contribuinte, confirma-se o a exigência da multa no percentual de 75%. E, Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas
legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO
NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida
ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
JUROS DE MORA TAXA
SELIC SÚMULA
Nº 4 DO CARF.
Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1803-001.183
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, PIS e COFINS. IRPJ. INCORPORAÇÃO. CRÉDITOS DA INCORPORADA. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA INCORPORADORA. POSSIBILIDADE. A incorporação transfere débitos e créditos da incorporada para a incorporadora, a partir do momento em que aprovada pelos sócios o ato societário. O Fisco, por exigências próprias, toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento da empresa. Inexigibilidade do registro para efeitos fiscais. OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada a comprovação fiscal da omissão de receitas pelo contribuinte, confirmase o a exigência da multa no percentual de 75%. E, Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 712 2 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1427.205 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, constante das fls. 584 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram apuradas, no ano calendário de 2003, as seguintes infrações: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 713 3 a) Receita operacional representada por recuperação de despesas, relacionada com valores ressarcidos junto à Volkswagen do Brasil Ltda., incorretamente classificados no Exigível a Longo Prazo, como Provisão para Contingência Fiscal, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme item 1, "a" do Termo de Verificação Fiscal (TVF); b) Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme item 1, "h" do TVF. O crédito tributário lançado totalizou R$ 1.098.532,51 (Um milhão, noventa e oito mil, quinhentos e trinta e dois reais e cinquenta e um centavos), conforme demonstrativo de fl. 8, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: 1 — Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) — fls. 362 a 368: Imposto: R$ 277.760,53 Juros de mora: R$ 143.170,23 Multa Proporcional: R$ 208.320,38 Total: R$ 629.251,14 Enquadramento legal: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 231, III, 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 392, II e 943, § 2°; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 11, § 3 0, 21, § 1 0; Instrução Normativa (IN) n° 210, de 30 de setembro de 2002, art. 30. 2— Contribuição para o PIS — fls. 369 a 373. Contribuição: R$ 38.138,09 Juros de mora: R$ 20.510,64 Multa Proporcional: R$ 28.603,55 Total: R$ 87.252,28 Enquadramento legal: Lei n° 10.637, de 2002, arts. 1 0, 3° e 4°. 3 — Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) — fls. 374 a 376. Contribuição: R$ 69.342,00 Juros de mora: R$ 37.292,11 Multa Proporcional: R$ 52.006,49 Total: R$ 158.640,60 Enquadramento legal: Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2°, II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51. 4— Contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL) — fls. 377a 381: Contribuição: R$ 98.441,64 Juros de mora: R$ 51.115,62 Multa Proporcional: R$ 73.831,23 Total: R$ 223.388,49 Enquadramento legal: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° e §§; Lei n° 9.316, de 1996, art. 1°; Lei n° 9.430, de 1996, art. 28; Lei n° 10.637, de 2002, art. 37. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 714 4 Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com as impugnações de fls.407/427 (IRPJ), 446/476 (PIS), 495/524 (Cofins) e 543/563 (CSLL), subscritas pelo procurador Werner Bannwart Leite (fls.428, 477, 525, 564), alegando: Preliminarmente, o procedimento fiscal é nulo por cerceamento ao amplo direito de defesa, tendo em vista que não lhe foi permitido saber com clareza qual a infração lhe foi imputada; Não foram juntados aos autos os documentos que embasaram a acusação apontada, a fim de que pudesse fazer uma minuciosa análise das faltas apuradas pela fiscalização, como o caso requer; No item 1, "a" do Termo de Verificação Fiscal (TVF), consta que os valores ressarcidos junto A Volkswagen do Brasil Ltda. foram incorretamente classificados no Exigível a Longo Prazo, quando, de acordo com o Fisco, deveriam constar como receita operacional (recuperação de despesas). Ainda, que o Fisco tivesse razão em considerar tais valores como receita o que efetivamente não é — deveriam ser consideradas como receitas nãooperacionais, o que torna o auto de infração nulo; Os valores ressarcidos são relativos a direitos realizáveis após o término do exercício seguinte e, por isso, foram classificados no ativo realizável a longo prazo (art.243 e art. 179, II, da Lei n° 6.404, de 1976). Tais valores não podem ser considerados como receita operacional, decorrente de recuperação de despesas, pois não implicam alteração positiva do patrimônio liquido da empresa. A sua tributação ofende o Código Tributário Nacional (CTN), art. 43 e a Constituição Federal (CF); A divergência acima se deve ao conceito de faturamento adotado na autuação que tem como base a Lei n° 9.715, de 1998, que ampliou ilegitimamente tal conceito. A Lei n° 9.718, de 1998, ampliou indevidamente a base de cálculo do PIS e da Cofins, ofendendo a CF, arts. 195, 154, I, 146, III, e o CTN, art. 110, devendose considerar faturamento como sendo o produto das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza; Quanto ao IRPJ, a CF nos art. 153, III, c/c art.146, III, a, outorgam competência A lei complementar para estabelecer a definição do fato gerador, base de cálculo e sujeito passivo do imposto sobre a renda. Essa função foi exercida pelo legislador do CTN, art. 43, que descreveu o fato gerador daquele imposto como sendo a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos nesse conceito de renda. Assim, o produto do trabalho, do capital ou da combinação de ambos só será considerado renda, para fins de tributação, se proporcionar acréscimo patrimonial, tal como os proventos de qualquer natureza significam outros meios fora a renda de acréscimo patrimonial; Fl. 714DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 715 5 Houve a incorporação da empresa Cruzauto (incorporada). Nesse sentido, a lei autoriza a contribuinte a levantar balanço até 30 dias da data da incorporação, sendo tal documento válido para a apuração dos tributos. Entretanto, a Receita Federal tem entendido que a contribuinte deve recolher os tributos baseado em balanço apurado até a data da incorporação. Esse entendimento não tem fundamento legal, motivo pelo qual viola a CF, art. 150,I; Tem o direito de efetuar a compensação dos valores oriundos da empresa por ela incorporada (Cruzauto), não se podendo falar que se tratam de pessoas jurídicas distintas, pois a incorporação produz todos os efeitos legais quanto à sucessão nos direitos e obrigações; A exigência de juros de mora com base na taxa Selic é ilegal e inconstitucional, uma vez que não foi criada para fins tributários, mas o foi para remunerar títulos públicos; Referida taxa não é índice de correção monetária, mas juros remuneratórios das aplicações e investimentos do mercado financeiro adotadas pelos bancos. É estabelecida por meio de circulares expedidas pelo Copom/Bacen e pode ser modificado antes do seu prazo de vigência, o que fere os princípios da anterioridade, segurança jurídica e da indelegabilidade da competência tributária; A esse respeito citou doutrina e jurisprudência judicial; A multa de oficio aplicada é escorchante, confiscatória e enriquece sem causa a Fazenda, o que é inconcebível. Referida multa não pode ser aplicada à incorporadora impugnante, nos termos do CTN, arts. 133 e 121; Caso a multa não seja afastada, há de ser ao menos reduzida para 20%,limite previsto na Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 2°, ou para 37,5%, pois há lei superveniente que a reduz, qual seja, a Medida Provisória (MP) n° 303, de 2006. Essa redução está prevista no CTN, art. 106, II, c. Requereu que o auto de infração seja anulado e que seja permitida a juntada dos documentos necessários ao esclarecimento dos fatos narrados na acusação fiscal”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, na sessão de 14/01/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1427.205 entendendo “por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário lançado”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE ICMS. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 716 6 As receitas relativas à recuperação de ICMS Substituição Tributária pago a maior estão sujeitas à incidência do IRPJ. LUCRO REAL. IRRF. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Somente é passível de restituição/compensação o saldo negativo do IRPJ, decorrente do confronto entre o imposto apurado como devido na declaração e o valor do IRRF sobre os rendimentos, comprovadamente, oferecidos A. tributação. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, devendo apresentar a Declaração de Compensação ainda que o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 CERCEAMENTO DE DEFESA Descabe falarse em cerceamento do direito de defesa quando não comprovado o prejuízo à contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação é possível em casos especificados na lei. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Feita a eleição pelo sujeito passivo do domicilio tributário, não se admite domicilio especial no processo administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. Competência atribuida, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de oficio, cujo percentual é fixado em lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. A multa de lançamento de oficio aplicase à sucessora por infração cometida pela sucedida, ainda que apurada após a sucessão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 717 7 Cientificada da decisão de primeira instância em 29/03/2010, (AR constante das fls. 606) a DINAMICA OESTE VEÍCULOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1427.205, recorre em 27/04/2010 (607 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 1427.205, a Recorrente continua a pleitear, em sede de preliminar, a nulidade do procedimento fiscal por, segundo a Recorrente “conter incongruências, divergências ou omissões”. Porém, entendo que a preliminar de nulidade do procedimento fiscal é descabida, pois vejo que o procedimento fiscal foi realizado segundo as determinações contidas no art. 142 do CTN e o auto de infração foi lavrado com observância dos requisitos prescritos pelo art. 10 do Decreto nº. 70.235/72. Conforme afirmou a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP que “a contribuinte foi intimada várias vezes a prestar esclarecimentos e fazer comprovações a respeito da matéria tributada, tendo apresentado documentos e livros, os quais foram anexados ao processo”, intimações constantes das fls. 12, 14, 15 dos autos dentre outras. Observando que a Recorrente respondeu tais intimações e juntou documentos, como, por exemplo, às fls. 21 dos autos não há o que se falar em cerceamento defesa nem tampouco irregularidades no processo administrativo. Além do mais, as autuações foram acompanhadas do respectivo TVF, constante das fls. 342 a 361, que descreve todos os fatos ocorridos desde o inicio da fiscalização e indica todos os documentos anexados ao processo relacionados à matéria tributada. Por conseguinte, vejo que desde a impugnação, a Recorrente limitouse a alegar supostas irregularidades de modo genérico e superficial sem, no entanto, especificar quaisquer infrações aos referidos dispositivos legais, somente fazendo ilações sobre o que o fiscal autuante deveria ter feito. E, diante desses fatos, entendo que a legalidade e o estado de Fl. 717DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 718 8 direito estão devidamente prestigiados com o cumprimento do rito processual prescrito pelo Decreto nº. 70.235/72, rigorosamente observado nos autos. Assim, rejeito a preliminar arguida de nulidade do procedimento fiscal. Partindo para o mérito, a questão dos autos trata dos valores decorrentes da transferência de ICMS/Substituição Tributária. E, para melhor entendimento transcrevo parte da fundamentação da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto – SP, “verbis”: “Trata o presente processo tributação de receita omitida representada por valores ressarcidos junto A Volkswagen do Brasil Ltda., proveniente de ICMS recolhido a maior por substituição tributária. Defende, a contribuinte, que o ressarcimento de ICMS não pode ser tributado, pois não representa ingresso de novas receitas ou ganho patrimonial, nos termos do art. 43 do CTN. Temse que o fato gerador do imposto de renda, tal como definido no CTN, art. 43, é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, e sua base de cálculo é o montante real, presumido ou arbitrado (art. 44 do CTN). Tratandose de pessoas jurídicas, o lucro real é obtido por meio do lucro liquido do período (apurado com observância das disposições das leis comerciais) ajustado pelas adições, exclusões e compensações autorizadas ou prescritas pela legislação de regência do imposto (RIR, de 1999, art. 247). A determinação do citado lucro real é precedida da apuração do lucro liquido de cada período, a partir da receita bruta e receita liquida definidas nos artigos 279 e 280 do RIR, de 1999, verbis: Art.279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e Decreto Lei n2 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo Único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Art.280. A receita liquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §12). (grifei). Como se vê, por se tratar de empresa optante pela apuração do lucro real, a contribuinte tem o direito de deduzir os tributos incidentes sobre a venda para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. As parcelas correspondentes ao ICMS/Substituição tributária foram contabilizadas em conta redutora de vendas (ICMS s/Vendas), deduzindo referido montante da receita bruta e, por conseguinte, diminuindo o resultado do exercício. Dessa forma, os valores ressarcidos pela Volkswagen do Brasil Ltda. Na conta "ICMS Subst.Tribut.", deveriam ter sido contabilizados a crédito de uma conta de receita operacional, uma vez que o valor do ICMS substituição tributária relativo à Fl. 718DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 719 9 aquisição de veículos foi, por ocasião das vendas dos mesmos, contabilizados em conta redutora da receita bruta. (...)” O assunto merece um aprofundamento mínimo para elucidar bem a questão; por isso, primeiramente, cumpre esclarecer que o instituto da Substituição Tributária do ICMS consiste na facilitação do sistema de arrecadação do Estado, de modo que o recolhimento do imposto seja realizado pelo primeiro contribuinte da cadeia de circulação, em uma única etapa, em substituição aos demais sujeitos passivos das operações subsequentes de circulação da mercadoria. Quando esta substituição ocorre em relação às operações subsequentes, (substituição “para a frente”), o tributo relativo a fatos geradores que deverão ocorrer posteriormente (fato gerador presumido) é arrecadado de maneira antecipada, sobre uma base de cálculo presumida. Assim, no presente caso a Volkswagen do Brasil Ltda., estabelecimento industrial, que vendeu os automóveis, recolheu o ICMS da operação (ICMS próprio), e também o ICMS devido pela Recorrente (o distribuidor e varejista ICMS/ST). Para proceder ao cálculo, o Estado deve divulgar uma base de cálculo presumida, segundo critérios definidos em lei. Essa base de cálculo deve observar a realidade de cada mercado, para fins de determinação do preço final praticado em cada operação. O fato gerador presumido não ocorre em duas circunstâncias: ∙ Quando a mercadoria não der saída do estabelecimento (ex.: mercadoria não vendida ou furtada); ∙ Quando o valor efetivo da venda for inferior à base de cálculo presumida, estipulada pelo Estado. O que aconteceu no presente caso foi a segunda hipótese: “Quando o valor efetivo da venda for inferior à base de cálculo presumida, estipulada pelo Estado”; assim houve no primeiro momento uma dedução na base de cálculo do IR e da CSSL do valor substituído de ICMS e depois uma devolução desse valor que deveria ser levado a tributação, como bem afirmou a autuação, Tal posição tem lastro no TVF, constante das fls. 342 a 361, que assim descreve, “verbis”: Fl. 719DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 720 10 Ora se houve uma despesa com o pagamento do ICMS; e, depois houve uma devolução de parte do valor pago, obrigatoriamente tem que existir uma receita decorrente dessa obrigação e a consequente reverberação na apuração do resultado e consequentemente na base de calculo do IRPJ e da CSLL. O mesmo tem que ocorrer com o PIS e na COFINS, com a incidência não cumulativa (Recorrente optante pela sistemática de apuração pelo lucro real – fls 159 dos autos), onde a base de cálculo é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, §§ 1º e 2º e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, §§ 1º e 2º). Por conta disso, não há sustentabilidade nos argumentos da Recorrente, que traz a colação decisões e procedimentos afeitos às empresas tributadas com base no lucro presumido e sob a égide da Lei nº. 9.718/98, não aplicável às sociedades tributadas pela sistemática de lucro real desde a edição da Lei nº 10.637 em 2002 para o PIS e da Lei nº 10.833 em 2003 para a COFINS. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 721 11 Passando para a questão dos efeitos tributários da incorporação, trago a questão os comentários de Ricardo Fiúza (in “Novo Código Civil comentado”. São Paulo: Saraiva, 1ª edição, 7ª tiragem, 2003, p. 1002): “Na incorporação, uma ou mais sociedades são absorvidas por outra sociedade do mesmo tipo ou de tipo distinto, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, ficando extintas as sociedades incorporadas. A operação de incorporação deve ser aprovada tanto pelos sócios da sociedade incorporadora como pelos das sociedades incorporadas. A incorporação é uma operação societária de natureza patrimonial, em que, ao final, os patrimônios das sociedades ficam somados e representados pelo patrimônio da incorporadora”. Interessantes são as observações acima referidas, tanto do ponto de vista contábil, quanto do ponto de vista jurídico, sendo relevante notar que a sociedade incorporada deixa de existir, sem que sejam aplicados sobre esta os institutos de dissolução ou liquidação, visto que os seus direitos e obrigações são imediatamente sucedidos pela sociedade incorporadora. A incorporação é causa direta da extinção (artigo 219, inciso II, da Lei das S/A), mas não se confunde com a liquidação, porque não há partilha do ativo entre os sócios. Além disso, na incorporação, não há liquidação de obrigações e de débitos previamente à extinção, devido às obrigações da incorporada passarem integralmente à incorporadora. Diante disso encontramos nos autos que em junho de 2002, a Recorrente incorporou as empresas Dracena Motor Ltda. e COPASA Comercial Paulista de Automóveis Ltda. (fls. 286 a 296). Dentre as contas do Ativo, foram transferidos valores relativos ao IRRF (imposto a recuperar), conforme balanços levantados em 31/05/2002: Dracena Motor — R$ 4.739,67 (fls. 252 a 256); COPASA — R$ 5.847,74 (fls. 260 a 262). Assim, não tenho duvida que a Recorrente a partir de junho de 2002 tem direito a utilizar os créditos das empresas incorporadas, tudo isso de acordo com o que determina Código Civil Brasileiro, quanto trata da incorporação, afirmando que essa se aperfeiçoa com a deliberação dos sócios das duas empresas. Uma vez deliberada a incorporação, a sociedade incorporadora declara extinta a sociedade incorporada e promove a averbação da extinção no registro do comércio. É o que preconizam os artigos 1.116 a 1.118, a seguir transcritos: “Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovala, na forma estabelecida para os respectivos tipos. Art. 1.117. A deliberação dos sócios da sociedade incorporada deverá aprovar as bases da operação e o projeto de reforma do ato constitutivo. § 1º A sociedade que houver de ser incorporada tomará conhecimento desse ato, e, se o aprovar, autorizará os administradores a praticar o necessário à incorporação, inclusive a subscrição em bens pelo valor da diferença que se verificar entre o ativo e o passivo. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 722 12 § 2º A deliberação dos sócios da sociedade incorporadora compreenderá a nomeação dos peritos para a avaliação do patrimônio líquido da sociedade, que tenha de ser incorporada. Art. 1.118. Aprovados os atos da incorporação, a incorporadora declarará extinta a incorporada, e promoverá a respectiva averbação no registro próprio”. É exatamente isso que determina o artigo 24 da IN nº 200/2002, vigente à época dos fatos e a seguir transcrito: “Art. 24. O pedido de cancelamento de inscrição no CNPJ, por extinção da pessoa jurídica ou de qualquer de seus estabelecimentos, será único e simultâneo para todos os órgãos convenentes a que estiver sujeito. § 1º (...) § 17. O cancelamento da inscrição no CNPJ de matriz ou de filial deverá ser solicitado até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente à ocorrência dos seguintes eventos: (Redação dada pela IN SRF 528, de 29/03/2005) I – (...) II incorporação; III – (...) § 20. O cancelamento da inscrição no CNPJ produzirá efeitos a partir da data da extinção da pessoa jurídica. § 21. Não serão exigidas as declarações referidas no item 1 da alínea "c" do inciso I do art. 48, relativamente a período posterior à data da extinção da pessoa jurídica. § 22. Considerase data de extinção, a data: I de deliberação entre seus membros, nos casos de incorporação, fusão e cisão total; II da sentença de encerramento, no caso de falência; III da publicação, no Diário Oficial da União, do ato de encerramento da liquidação, no caso de liquidação extrajudicial promovida pelo Banco Central em instituições financeiras; IV de expiração do prazo estipulado no contrato, no caso de extinção de sociedades com data prevista no contrato social; V do registro de ato extintivo no órgão competente, nos demais casos; Fl. 722DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 723 13 VI do arquivamento da decisão de cancelamento de registro pela Junta Comercial, com base no art. 60 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994”. Encontramos também no link “Perguntas e Respostas” da Receita Federal do Brasil, constante da página da internet http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2005/PergResp2005/pr212a231.htm a seguinte questão: “229 O que se considera data do evento para fins da legislação fiscal? Considerase ocorrido o evento na data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão, feita na forma prevista para a alteração dos respectivos estatutos ou contratos sociais (RIR/1999, art. 235, § 1º; Lei das S.A. Lei nº 6.404, de 1976, arts. 223 e 225)”. E, o regulamento do imposto de renda fortalece a interpretação de que a extinção da pessoa jurídica incorporada se dá na data da deliberação, conforme se vê do artigo 235: “Art.235. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico na data desse evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, §1º). §1º Considerase data do evento a data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão”. Enfim, para fins fiscais, a data da incorporação, portanto a data em que a incorporadora assume direitos e obrigações da incorporada, é a data do evento societário que deliberou a extinção da pessoa jurídica. Não há uma só norma que condicione a eficácia da incorporação ao registro do ato societário na junta comercial. Nesta data, a pessoa jurídica incorporadora, sucessora universal da incorporada, passa a figurar na relação obrigacional que tem como contraparte a Fazenda Nacional e, portanto, a ser titular do crédito tributário surgido quando estava em funcionamento a incorporada. DRJ inovou nos argumentos Assim, entendo que sendo a Recorrente titular do crédito, o crédito é seu, não de terceiros. Sendo seu o crédito (assim como sãos seus os débitos da incorporada), pode compensálos com débitos seus também. Não há norma que vede a extinção do crédito por esta modalidade. Em relação a multa de ofício imputada a recorrente esta tem como base o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 15940.000110/200622 Acórdão n.º 1803001.183 S1TE03 Fl. 724 14 de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, (..) A recorrente também alega que é ilegal a utilização da taxa SELIC como juros de mora, e que os argumentos de inconstitucionalidade de dispositivos normativos devem necessariamente ser apreciados. Sobre essa matéria aplicase a Súmula nº 4 do CARF, a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, mantenho a autuação referente a devolução do ICMS substituição tributária e voto no sentindo, neste ponto de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária referente a os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Já em relação à compensação dos créditos de IRRF entendo que a razão invocada para negar o direito da Recorrente não pode prevalecer neste caso, de modo que voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário neste particular, devendo a autoridade competente verificar a existência regular do ativo utilizado, decorrente da incorporação. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 14/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.012899/97-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-000.021
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e ausente a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e ausente a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida, no que interessa à presente lide (destaques do original): CAFÉS FINOS LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .0 12 89 9/ 97 -4 6 Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10768.012899/9746 Resolução nº 9101000.021 CSRFT1 Fl. 581 2 Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 02/19, com os anexos de fls. 21/160, lavrado pela extinta DRF/RIO DE JANEIRO contra a interessada acima identificada, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 552.460,30, acrescido de multa proporcional de 75% e juros de mora. Decorre a autuação das seguintes infrações imputadas à interessada, conforme Descrição dos Fatos, de fls. 03/06, e Termo de Verificação, de fls. 21/26: 1 Despesas indedutíveis referentes às contribuições ao FINSOCIAL e ao COFINS, visto ter a interessada ingressado com ações judiciais contra a cobrança das mesmas, tendoas depositado judicialmente (guia dos respectivos depósitos judiciais à ordem da justiça às fls. 100/104). (item 11.2.1 do Termo de Verificação). Período de apuração: março a dezembro de 1992. Valor tributável total: Cr$ 393.940.620,30. Enquadramento legal: arts. 255, § 1º e § 2º; e 387, inc. I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 85.450/1980 (RIR/1980). 2 Variações monetárias passivas efetuadas a maior relativas à: A) atualização monetária da provisão para o imposto de renda sobre o lucro inflacionário, no valor de Cr$ 47.124.102,76 (item 11.1.1 do Termo de Verificação); e B) atualização monetária da provisão para a contribuição social sobre o lucro líquido, no valor de Cr$ 105.620.012,91 (item 11.1.3 do Termo de Verificação). Período de apuração: janeiro de 1992. Enquadramento legal: arts. 157, § 1º; 191 e parágrafos; 254, inc. II e parágrafo único; e 387, inc. II, do RIR/1980. 3 Reavaliação espontânea de investimentos em participações societárias, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, visto ter a interessada contabilizado a maior o valor dos investimentos relativos às seguintes empresas: Cafés Finos Teresina Ltda, Restaurante São Luis Ltda, Cafés Finos Salvador Ltda, Palheta Bahia Agrícola e Pecuária Ltda e Cafés Finos Iguaçu Ltda (item 1.1 do Termo de Verificação). Período de apuração: anocalendário 1991. Valor tributável: Cr$ 564.363.326,14. Enquadramento legal: arts. 157, § 1º; 258; 259; 260; 261; 262; 326; 327; e 387, inc. I e II; do RIR/1980. 4 Despesa indevida de correção monetária: A) correção monetária incidente sobre os valores constantes das contas de depreciação do ativo imobilizado relativas à diferença IPC/BTNF (cópia do razão auxilia fls. 59/66) (item 1.2 do Termo de Verificação). Período de apuração: anocalendário 1991. Valor tributável: Cr$ 44.355.368,90. Enquadramento legal: art. 39, § 1º e § 2º do Decreto nº 332/1991 c/c art. da Lei nº 8.200/1991; art. 30 e 32 da Lei nº 8.541/1992 e arts. 154; 157, § 1º; 73; 242; 243 e 387, § 1º, do RIR/1980. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10768.012899/9746 Resolução nº 9101000.021 CSRFT1 Fl. 582 3 B) correção monetária efetuada a maior sobre o patrimônio líquido, já que este, em 31/12/1991, encontravase majorado, em virtude de a interessada ter efetuado a menor a provisão para o imposto de renda (Valor tributável: Cr$ 4.434.467,00) (item 11.1.2 do Termo de Verificação). C) correção monetária efetuada a maior sobre a conta nº 24.51.00.017 (correção monetária complementar Lei nº 8.200/91), conforme lançamento no livro Diário, cópia à fl. 90. (Valor tributável: Cr$ 143. 656.974,56) (item 11.1.4 do Termo de Verificação). Período de apuração dos itens “B” e “C”: janeiro de 1992. Valor tributável total dos itens “B” e “C”: Cr$ 148.091.441,56. D) correção monetária incidente sobre o Patrimônio Líquido, em março/92, tendo em vista os seguintes fatos: em fevereiro/92, a interessada contabilizou indevidamente despesa de correção monetária no valor de Cr$ 54.759.020,22 (fls. 92), tendo ajustado tal engano no LALUR (fls. 107). Em março/92, regularizou contabilmente o prejuízo de fevereiro/92, estornando o valor do prejuízo de Cr$ 85.927.845,61 e lançando o prejuízo correto do mês, Cr$ 31.168.825,39. Entretanto, como também em março lançou receita de correção monetária no valor de CR$ 54.759.020,22 (fls. 95) e a excluiu no LALUR (fls. 109), majorou indevidamente o resultado contábil de março nesse valor (item 11.3.1 do Termo de Verificação). Período de apuração: abril de 1992. Valor tributável: Cr$ 11.099.653,39. Enquadramento legal: arts. 154; 155; 1.57, § 1º; 173, parágrafo único; e 387, inc. I, do RIR/1980. 5 Adições não computadas no lucro real, referentes às parcelas dos encargos de depreciação do ativo imobilizado, correspondentes à diferença IPC/BTNF (item I.2 do Termo de Verificação). Período de apuração: anocalendário 1991. Valor tributável: Cr$ 38.082.499,94. Enquadramento legal: art. 39, § 1º e § 2º do Decreto nº 332/1991 c/ c art. º (sic) da Lei nº 8.200/1991; art. 30 e 32 da Lei nº 8.541/1992 e arts. 154; 157, § 1º; 173; 242; 243 e 387, § 1º, do RIR/1980. 6 compensação de prejuízo fiscal, tendo em vista as alterações introduzidas p. o presente auto de infração, no anocalendário 1992: Períodos de apuração: julho, agosto e setembro de 1992. Enquadramento legal; art. 157, § 1º; 382; 386, § 2º; e 388, inc. II, do RIR/1980. Em decorrência dos fatos apurados na autuação do IRPJ, foram lavrados autos de infração para exigir o imposto de renda retido na fonte IRF, no valor de R$ 51.345,00 (161/166) e a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, no valor de R$ 99.938,40 (fls. 167/74). Cientificada das autuações, fls. 02, 161 e 167, em 12/05/97, a interessada apresentou defesa, mediante a impugnação de fls. 177/197, alegando, em resumo: 1 em relação à dedução das contribuições: [...]; Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10768.012899/9746 Resolução nº 9101000.021 CSRFT1 Fl. 583 4 2 em relação às variações monetárias passivas efetuadas a maior: [...]; 3 em relação à reavaliação espontânea das participações societárias: [...]; 4 em relação às despesas indevidas de correção monetária: [...]; 5 em relação às adições não computadas na apuração do Lucro Real: [...]; 6 em relação à compensação de prejuízos: [...]; 7 em relação ao auto de infração do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido: [...]; e 8 Em relação ao auto de infração da contribuição social: [...]. A decisão recorrida está assim ementada: [...]. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual não contesta expressamente as conclusões do acórdão recorrido, propugnando pela decadência do crédito tributário. Ao final, requer o provimento nos seguintes termos: “(...) Por todo o exposto, confia a Recorrente na reforma da decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro através do Acórdão DRJ/RJOI nº 4.523 de 25.11.2003, eis que comprovado restou que ocorreu a decadência do direito de lançar, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 1991 e de janeiro a abril de 1992. No mérito, a tributação mantida pela decisão de 1º grau não se sustenta, ante a absoluta ausência de amparo legal. Assim procedendo, estará a Colenda Câmara aplicando a esperada e irrecusável JUSTIÇA. (...) O processo foi encaminhado a este Conselho para apreciação do Recurso voluntário em abril/2007 (despacho de fl. 347). Todavia, retornou à origem para saneamento. Mediante Despacho de fl. 383, o processo foi volvido ao CARF, com a seguinte informação: Retornamos o processo nº 10768.012.899/9746 ao CARF CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS MF DF para prosseguimento do Recurso Voluntário, de acordo com folhas 0352/0353. Informamos que a parte que não está sendo discutida já se encontra parcelada no parcelamento especial referente à Lei 11.941/2009 através do processo 18208.147233/201175 (fls. 0367/0369 e 0378/0382). A Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1402001.203, de 2 de outubro de 2012, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10768.012899/9746 Resolução nº 9101000.021 CSRFT1 Fl. 584 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1991, 1992 DECADÊNCIA IRPJ Em períodos anteriores à vigência da Lei nº 8.383, de 31/12/91, o termo a quo do prazo decadencial para o Imposto sobre a Renda é a data em que ocorreu a entrega da declaração de rendimentos pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. [...]. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Da referida decisão, destaco o seguinte trecho, no que interessa a presente lide: Já em relação a 1992, o contribuinte optou pela apuração do lucro real semestral, ou seja, em maio/1997 não havia transcorrido o prazo decadencial do 1º semestre de 1992. Rejeito, pois, a preliminar. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) que há evidente extinção dos créditos tributário relativos aos fatos geradores ocorridos até abril/1992, já que a ciência do auto de infração somente ocorreu em 12/05/1997; b) que, na data da intimação do lançamento, já havia transcorrido período superior aos 5 (cinco) anos de que trata o art. 150, § 4º, do CTN, daí porque falarse em extinção do crédito tributário pela decadência (art. 156, inciso V, do CTN); c) que é pacífica a orientação jurisprudencial da CSRF no sentido de que o art. 150, § 4º, deverá ser aplicado sempre que se tratar de situação em que tenha havido pagamento de tributo; e d) que a exigência fiscal se refere à diferença do IRPJ e da CSLL, tendo em vista os diversos recolhimentos realizados no período. O recurso foi admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: a) que a insurgência do contribuinte não merece sequer ser conhecida; b) que, no que toca aos fatos geradores ocorridos em 1992, o Colegiado a quo afastou a decadência sob o argumento de que o contribuinte optara pela apuração do lucro real semestral, devendose contar o prazo decadencial quinquenal a partir do término do período, ou seja, a partir de 30/06/1992; c) que, em sede de recurso especial, o contribuinte sustenta que o prazo decadencial deveria ser contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, argumentando que o auto de infração faz referência a fatos geradores mensais; Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10768.012899/9746 Resolução nº 9101000.021 CSRFT1 Fl. 585 6 d) que o que o contribuinte busca, no presente feito, é debater quando efetivamente ocorreram os fatos geradores objeto de autuação; e) que tal discussão, entretanto, não pode ser reaberta na via estreita do recurso especial; f) que, se o contribuinte não tivesse concordado com a premissa fática adotada pelo Colegiado a quo, deveria ter oposto embargos de declaração para, ao menos, prequestionar a matéria; g) que, tendo se quedado inerte, não é possível alçar tal discussão, que envolve estritamente a análise de provas, ao exame da Câmara Superior de Recursos Fiscais; h) que cabe observar que a tese levantada pelo contribuinte, de que o prazo decadencial quinquenal deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, é consentânea com o critério utilizado pelo Colegiado a quo; i) que, nesse ponto, pois, há convergência de teses; j) que a divergência que o contribuinte busca demonstrar, entretanto, relaciona se a aspectos fáticos, isto é, quando ocorreram os fatos geradores objeto de autuação; k) que, ainda que isso fosse possível — o que obviamente não é, visto que foi destinada à CSRF a tarefa de discutir teses divergentes no que toca à interpretação da legislação tributária —, melhor sorte não socorreria o interessado; l) que, no acórdão indicado como paradigma, não se tratava de caso em que o contribuinte optara pela apuração do lucro real semestral; m) que, no presente caso, entretanto, a situação fática é diversa; o contribuinte optou pela apuração do lucro real semestral e foi cientificado do lançamento em 12/05/1997; n) que, não transcorrido prazo superior a cinco anos entre o encerramento do primeiro semestre de 1992 (30/06/1992) e a data da notificação da autuação, não há que se falar em decadência; e o) que, logo, resta claro que o Colegiado a quo aplicou a regra adequada para a contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em decadência in casu. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Colocado o processo em julgamento, após discussões, constatouse que houve, na verdade, uma omissão quando da análise de admissibilidade, insuscetível ser sanada pelo Colegiado. Tratase do tema da nulidade, que foi considerado, quando da análise de admissibilidade, como matéria suscetível apenas de embargo. Contudo, a Turma entendeu que, considerando que o recorrente trouxe paradigma específico, o processo deve retornar à Câmara Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10768.012899/9746 Resolução nº 9101000.021 CSRFT1 Fl. 586 7 de origem (4ª Câmara da 1ª Seção) para complementação da análise, para que seja complementada a análise de admissibilidade em ralação a esta matéria (nulidade) e posteriormente retornar à CSRF para que se prossiga o julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934313/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 43 13 /2 00 9- 83 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.963, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11080.934313/200983 Acórdão n.º 3201000.500 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907542/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE
Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 75 42 /2 00 9- 83 Fl. 108DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução nº 3803 000.317, depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Belchior Melo de Santos, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados desta 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo. Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 30286.04674.200907.1.7.048900, em que utilizou como crédito pagamento indevido de Cofins relativa ao período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 47.573,34. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18/21, a DRF/Joaçaba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7 a Recorrente esclareceu que extinguira o débito de Cofins, conforme declarado em DCTF, através do Darf informado no PER/DCOMP, e alegou que, por conta da posterior declaração de inconstitucionalidade do art.3°, § 1°, da lei n° 9.718/98, passou a possuir o crédito contra a Fazenda decorrente das contribuições que incidiram sobre as receitas financeiras, o qual, atualizado pela Taxa Selic, foi utilizado no PER/DCOMP em questão. Afirmou que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluída a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Alega que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluída a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis, fls. 25/28, considerou que: a) a inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, apesar de ter sido prolatada pelo Plenário daquela Corte, o foi em sede de recurso extraordinário, cujos efeitos são restritos às partes integrantes da ação. Por não ter o Senado Federal expedido Resolução para retirar a vigência do dispositivo legal, não há eficácia erga omnes, não podendo os agentes públicos estender os efeitos dessa decisão para todos os contribuintes; b) a compensação do crédito alegado só poderia ser efetivada se a Recorrente tivesse identificado o crédito informado em DComp como decorrente de ação judicial Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10925.907542/200983 Acórdão n.º 3402004.094 S3C4T2 Fl. 109 3 transitada em julgado, indicando o número do respectivo processo judicial, para fins da oportuna análise, pela DRF, da pertinência e existência do crédito; c) o crédito contra a Fazenda Nacional que o sujeito passivo entende possuir e do qual pretende se utilizar para quitar o débito indicado deve estar corretamente identificado a fim de viabilizar sua exata pretensão; d) não é permitido em sede de análise de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pleito do contribuinte, conceder crédito diverso do pedido, como também não o é à autoridade administrativa, que detém a competência para originariamente analisar pleitos desta natureza, no caso, a DRF; e) a compensação em questão, nos termos em que foi formalizada, de fato não poderia ter sido homologada pela DRF com base no argumento de que possui crédito disponível mas não o informado na DComp, e tampouco o poderia em sede de contencioso, por restar inexistente o crédito oferecido; f) em verificando que a Recorrente ter cometido algum erro de declaração, cabialhe têlo corrigido em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito fosse realizada de fato sobre o direito creditório que acreditava possuir. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC), proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ANALISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Cientificada da decisão em 28/11/2011 (fl. 32), irresignada, apresentou em 15/12/2011, o recurso voluntário de fls. 33/37, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 27/06/2013, os membros da extinta 3ª Turma Especial/3ª Sejul, reconhecem o bom direito da Recorrente (declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), no entanto resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para fins de apuração da correta composição das bases cálculo, conforme Resolução nº 3801000.317, nos seguintes termos (fls. 48/53): "(...) Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A Fl. 110DF CARF MF 4 providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp" (...). "(...) Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF". Os autos, então, foram encaminhados à DRF em Joaçaba (SC), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização intimou a RENAR a apresentar demonstrativo de suas receitas, segregadas entre aquelas que correspondam ao conceito de faturamento e aquelas correspondentes a receitas financeiras ou outras receitas, acompanhados dos respectivos registros fiscais e contábeis comprobatórios. Após a conclusão dos trabalhos, o Fisco prolatou a Informação Fiscal de fls. 97/101 e intimou a Recorrente para ciência da Resolução do CARF, bem como, do resultado constante na Informação Fiscal dela decorrente. Decorrido o prazo constante na intimação, não consta dos autos manifestação da interessada, conforme se observa no Despacho da DRF à fl. 105: "1 Devidamente cientificada da IF, no prazo dado à empresa, 30 (trinta) dias contados da ciência, a mesma não se manifestou". Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3803 000.317, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. 1. Do direito Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10925.907542/200983 Acórdão n.º 3402004.094 S3C4T2 Fl. 110 5 A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme muito bem asseverado pela Resolução nº 3803000.317, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei º 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Desta forma, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de COFINS nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). 2. Da comprovação dos créditos Em que pese o direito da Recorrente, do exame dos elementos comprobatórios, foi constatado pela decisão a quo, que no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da COFINS e eventuais pagamentos a maior. No entanto, por força da Resolução nº 3803000.317, este processo foi convertido em diligência, para que a Delegacia de origem (DRF em Joaçaba SC), "(...) intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF". Fl. 112DF CARF MF 6 O Fisco cumprindo as determinações deste CARF, realizou as diligências necessárias, intimando a Recorrente a apresentar informações e documentos fiscais/contábeis, bem como ao final, elaborou a Informação Fiscal de fls. 97/101 e procedeu ciência do resultado a interessada, oferecendolhe prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Ao final dos trabalhos, assim conclui a fiscalização, conforme demonstrado nos principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) A segunda intimação foi atendida em 16/09/2015 (fls. 91/95), “Arquivo NãoPaginável – CD –Resposta à intimação” (fl. 96). Porém, novamente, a interessada apresentou apenas planilha de apuração da contribuição e o correspondente Darf de recolhimento, desacompanhados dos respectivos registros contábeis e demais documentos hábeis comprobatórios necessários para a validação da apuração realizada pela contribuinte". "(...) Em que pese a interessada ter apresentado planilha em que demonstra crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Cofins, com valor compatível com o utilizado em DComp, entendemos não ser possível atribuir ao crédito demonstrado os atributos de certeza e liquidez, uma vez que não foram apresentados quaisquer registros contábeis ou outros documentos hábeis comprobatórios suficientes para dar suporte à demonstração do crédito pleiteado". "(...) No caso, com base nos elementos apresentados, somente ficou comprovado o recolhimento da Cofins no valor de R$ 57.804,47, mas não foram comprovadas as receitas, em especial as financeiras, que compuseram a base de cálculo desse débito". "(...) Ressaltamos, por oportuno, que a interessada foi intimada, por duas vezes, a apresentar os documentos necessários à apuração do crédito, mas não atendeu totalmente as solicitações. Desse modo, portanto, caberia inclusive o arquivamento do processo, conforme previsto no art. 40 da Lei nº 9.784, de 1999: "Conclusão: Em razão de todo o exposto, finalizamos a presente diligência concluindo que o direito creditório postulado na DCOMP nº 30286.04674.200907.1.7.04 8900, tem valor igual a 0 (zero), haja vista que, após ser intimada (por duas vezes) a apresentar os elementos de prova necessários, a interessada não logrou êxito em comprovar a certeza e a liquidez do crédito que opôs contra a Fazenda Nacional" (grifei). Concluída a diligência, a Recorrente foi devidamente intimada do resultado e não se manifestou, conforme confirma o Despacho da DRF à fl. 105. Pois bem. Como se observa no Relatório da fiscalização, a planilha apresentada pela Recorrente estava desacompanhada de qualquer registro contábil e demais documentos comprobatórios. Diante disso, foi novamente intimada, mediante Termo de Intimação Fiscal SAORT/DRF/JOASC nº 243/2015 (fls. 86/87), para apresentar demonstrativo de suas receitas, segregadas entre aquelas que correspondam ao conceito de faturamento e aquelas correspondentes a receitas financeiras, acompanhado dos respectivos registros contábeis e documentos hábeis comprobatórios. Ao final o Fisco concluiu que o direito creditório postulado na DCOMP nº 30286.04674.200907.1.7.048900, tem valor igual a 0 (zero), haja vista que, após ser intimada (por duas vezes) a apresentar os elementos de prova necessários, a interessada não logrou êxito em comprovar a certeza e a liquidez do crédito que opôs contra a Fazenda Nacional. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10925.907542/200983 Acórdão n.º 3402004.094 S3C4T2 Fl. 111 7 Como é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), e uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da Recorrente contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. 3. Conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, não reconhecendo o direito ao crédito requerido na DCOMP, nos exatos termos como restou consignado no Relatório Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003291/2010-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
JUNTADA DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
Apenas é admitida juntada de documentos posteriormente à apresentação de Impugnação, nas hipóteses previstas no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Não demonstrada a ocorrência de uma daquelas hipóteses, não há como se conhecer prova juntada aos autos posteriormente.
Numero da decisão: 9101-002.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Bruno Fajersztajn, OAB-SP 206899, escritório Mariz de Oliveira e Siqueira Campos Advogados.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Cristiane Silva Costa), Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 JUNTADA DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Apenas é admitida juntada de documentos posteriormente à apresentação de Impugnação, nas hipóteses previstas no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Não demonstrada a ocorrência de uma daquelas hipóteses, não há como se conhecer prova juntada aos autos posteriormente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 760 1 759 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.003291/201004 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.774 – 1ª Turma Sessão de 6 de abril de 2017 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 JUNTADA DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Apenas é admitida juntada de documentos posteriormente à apresentação de Impugnação, nas hipóteses previstas no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Não demonstrada a ocorrência de uma daquelas hipóteses, não há como se conhecer prova juntada aos autos posteriormente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Bruno Fajersztajn, OAB SP 206899, escritório Mariz de Oliveira e Siqueira Campos Advogados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 91 /2 01 0- 04 Fl. 786DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Cristiane Silva Costa), Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN (fls. 689/713) contra o Acórdão nº 1202001.234, (fls. 679/682), por meio do qual se acolheu embargos de declaração do contribuinte, com efeitos infringentes, admitindo prova trazida posteriormente à Impugnação anulando a primeira decisão e convertendo o julgamento em diligência. O Recorretne visa discutir a aceitação de provas após a Impugnação, ausentes os requisitos do artigo 16, §4º, do Decreto 70/235/1972. Na origem, foi lavrado Auto de Infração para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ pela insuficiência de recolhimento do Adicional do imposto, pois o Contribuinte não teria comprovado para os anoscalendário de 2006 e 2007 qual seria o valor das receitas decorrentes de aplicações financeiras anteriores a 31/12/1994 e que poderiam ser excluídas da base de cálculo do Adicional, por força do disposto no §5º do artigo 67 da Lei nº 8.981/95. O lançamento foi regularmente impugnado, sendo que a DRJ manteve o crédito tributário em sua integralidade, uma vez que imprescindível a apresentação dos elementos solicitados no curso do procedimento fiscal e na diligência realizada para comprovação do direito. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento dos Recursos a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento a ele negou provimento, consignando expressamente no dispositivo da decisão o não conhecimento dos documentos apresentados em sessão de julgamento, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. Os rendimentos das aplicações financeiras de que trata o artigo 67 da Lei nº 8.981/95, produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda, desde que devidamente comprovados. Não apresentados os elementos solicitados no curso do procedimento fiscal e na diligência realizada, cabe manter a autuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 787DF CARF MF Processo nº 19515.003291/201004 Acórdão n.º 9101002.774 CSRFT1 Fl. 761 3 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar em nulidade da decisão quando o ato foi proferido por autoridade fiscal competente e não se verificou qualquer elemento que caracterizasse o cerceamento do direito de defesa do interessado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer os documentos apresentados na sessão de julgamento e em rejeitar a proposta de diligência, reconhecendo a incidência do juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner. E por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e do acórdão de primeira instância e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves." Notificado da decisão, o Contribuinte opôs Embargos de Declaração, argumentando, dentre outros pontos, de que a Turma não dispôs os motivos para a não aceitação dos documentos juntados quando da sessão de julgamento do Recurso Voluntário. No julgamento, a Turma, por unanimidade, acolheu os Embargos conhecendo os documentos apresentados em sessão de julgamento, anulando o Acórdão embargado e determinando diligencia à unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição do Contribuinte para sua análise e o retorno dos autos para novo julgamento, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO AOS FUNDAMENTOS DO NÃO CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS Dáse provimento aos embargos de declaração opostos quando constatada omissão no julgado quanto aos fundamentos do não Fl. 788DF CARF MF 4 conhecimento dos documentos apresentados em sessão de julgamento. Embargos acolhidos para ANULAR o Acórdão nº 1202.000.999 e determinar a diligência à unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição da Embargante para análise dos documentos apresentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração por omissão quanto aos fundamentos de não conhecimento dos documentos apresentados na sessão de julgamento do Acórdão nº1202.000.999 para acolhêlos, considerandose, conhecidos os referidos documentos, nos termos do voto do relator, anular o acórdão nº 1202.000.999, diligenciandose à unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição da Embargante para analise dos documentos apresentados, nos termos do voto do relator, determinar o retorno dos presentes autos para novo julgamento por este Colegiado, nos termos do voto do relator e considerar prejudicado o julgamento dos embargos de declaração por contradição e obscuridade nos termos do voto do relator. Cientificado da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a possibilidade de apresentação de provas posteriormente à fase de impugnação. Sobre a demonstração da divergência a Fazenda Nacional alega que nos Acórdãos 20181.256 e 20305.846, entendeuse que preclui o direito do contribuinte de apresentar documentos após a fase impugnatória, exceto nas hipóteses constantes das alíneas do § 4 do art. 16 do Decreto 70.235/72. Nesse contexto, requer o conhecimento de seu Recurso Especial. Em suas razões, alega a Fazenda, em suma: ü Que o colegiado violou a legislação de regência do processo administrativo fiscal, por ter acolhido os documentos trazidos pelo contribuinte após a juntada da impugnação; ü Que não restou demonstrada a impossibilidade de sua apresentação na impugnação, consoante previsto no § 4º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235/72; ü Não aplicação das regras da Lei 9.784/1999 ao presente caso, pois seu artigo 69, determina que: “Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”; ü Em todo o trâmite instrutório do presente feito, houve a execução e conclusão do procedimento fiscal e de diligência determinada pelo julgador de 1ª instância, donde restou clara a ausência de apresentação de extratos mensais de movimentação das contas e das notas de negociação dos títulos de renda fixa; Fl. 789DF CARF MF Processo nº 19515.003291/201004 Acórdão n.º 9101002.774 CSRFT1 Fl. 762 5 ü Quando da sessão de julgamento de 2ª instância, apenas o “Extrato de Movimentação emitido pela Votorantim Asset relativamente ao FIC VOT MERCADO” tratouse de documento novo apresentado e esse documento é insuficiente para se comprovar o direito do Contribuinte; ü Nesse contexto, foi requerido o provimento do recurso e a reforma do acórdão recorrido. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “Vêse que o acórdão recorrido acabou admitindo o exame de prova apresentada na própria sessão de julgamento do recurso voluntário, independentemente da caracterização das condições impostas pelo § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, ou de circunstâncias específicas do caso concreto, enquanto que os acórdãos paradigmas não admitiram o exame de documentos apresentados após a fase impugnatória, sem que estivessem caracterizadas as mesmas condições impostas pelo referido § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Concluise, portanto, que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade (artigos nºs 67 e 68 do Anexo II do RICARF), devendose DAR SEGUIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional.” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü A inexistência de divergência, pois o presente caso amoldase exatamente na regra prevista no artigo 16, §4º, "a" do Decreto 70.235/1972, sendo a impossibilidade de apresentação do extrato em momento anterior um dos motivos que levaram ao acolhimento e provimento dos Embargos; ü Isso, porque apesar de alegar em todo o processo a impossibilidade de apresentação do extrato das contas no formato exigido pela fiscalização, dado que não condizia com o formato fornecido normalmente, diante a insistência na solicitação perante as instituições financeiras, no dia anterior à sessão de julgamento obteve referido documento, juntandoo no dia seguinte; ü Logo, como o caso se enquadra em uma das hipótese da regra, não há divergência, posto que em ambos os paradigmas apresentados restou consignada a possibilidade de apresentação tardia de prova, desde que nos termos do referido artigo 16, §4º; ü O não conhecimento do recurso da Fazenda, por ausência de similitude fática, dado que o presente caso é peculiar, na medida em que mudança na composição da Turma, modificou a maioria dos Julgadores que participou do julgamento do Recurso Voluntário, fazendo com fosse impossível sanar a omissão no Acórdão Fl. 790DF CARF MF 6 embargado, o que demandou nova análise das provas constantes dos autos nesse segundo momento, inclusive daquela juntada quando da sessão de julgamento; ü No mérito, alega a impossibilidade de negativa de análise de documento reconhecido pela própria RFB como apto à comprovação dos rendimentos, pela aplicação do princípio da verdade material; ü Alega ainda a que a Fazenda não recorreu da decisão quanto à determinação de nova análise dos documentos juntados na impugnação, de modo que ocorreu a preclusão consumativa da Fazenda recorrer quanto ao retorno dos autos para dita reanálise; ü Nesse contexto o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso ou seu não provimento, caso conhecido. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Quanto à admissibilidade, entendo que não merecem prosperar as alegações do Contribuinte em suas contrarrazões. Sobre a alegação de inexistência de divergência, dado que no presente caso º, foi aplicado o artigo 16, §4º, "a", do Decreto 70.235/1972, entendo não caber razão ao Contribuinte. Do acórdão dos embargos não é possível vislumbrar qualquer menção à tal norma, nem tampouco qualquer arrazoado que permitisse entender que a razão para a aceitação da prova posteriormente à Impugnação se deu pela impossibilidade de apresentação em momento anterior. Logo, não é possível extrair tal convergência de interpretação entre a decisão recorrida e os paradigmas. O que se extrai dos autos é que a prova foi aceita posteriormente à Impugnação, sem qualquer fundamento no artigo 16, §4º do Decreto 70.235/72. Portanto, não tem razão o Contribuinte em pleitear o não conhecimento do Recurso da Fazenda sob esse fundamento. Também não tem razão o Contribuinte ao requerer o não conhecimento do Recurso pela ausência de similitude fática, na medida em que, a par da alteração na composição da Turma quando do julgamento dos Embargos, em relação à Turma que julgou o Voluntário, o que se pode depreender do Acórdão de Embargos é a aceitação das provas posteriormente à Impugnação sem qualquer arrimo no artigo 16, §4º em questão. Nesse contexto. Presentes os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o Recurso Especial interposto. Como visto, a questão a ser aqui debatida resumese à possibilidade de apresentação de provas pelo Contribuinte, posteriormente à fase de impugnação administrativa. Debateremos, portanto, regras de processo administrativo tributário. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 19515.003291/201004 Acórdão n.º 9101002.774 CSRFT1 Fl. 763 7 Em nosso ordenamento, o Decreto 70.235/1972 trata especificamente do processo administrativo fiscal federal. O processo administrativo, tal como o processo judicial, pode ser dividido em fases. Para James Marins o PAF repartese em quatro fases sucessivas, a saber: (i) fase de instauração; (ii) fase de preparação e instrução; (iii) fase de julgamento; e (iv) fase de recurso. (Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicia); 7ª Edição; Dialética; pg. 269). Para Fabiana Del Padre Tomé, as fases de instauração e instrução se mesclam, na medida em que as provas devem ser apresentadas juntamente com a defesa. (A Prova no Direito Tributário; 3ª edição; Noeses; pg. 354) De fato, é o que se pode observar do artigo 16, III, do decreto 70.235/1972, que exige apresentação das provas juntamente com a Impugnação, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Há, assim, legal limitação temporal à realização da produção probatória, que se confunde com o momento da apresentação da impugnação. Exceções a essa regra são as situações previstas no §4º, do artigo 16 em questão, que assim dispõe: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Conforme leciona Fabiana Del Padre Tomé, o ordenamento jurídico fixa termos dentro dos quais as atividades processuais devem ser realizadas, pois inadmite a instabilidade das relações jurídicas. (A Prova no Direito Tributário; 3ª edição; Noeses; pg. 356) Para referida autora, a distinção feita pela doutrina entre verdade material e verdade formal e a forma de aplicação da primeira ao processo administrativo fiscal – admitindose a apresentação de provas a qualquer momento do processo – não procede. Vale aqui a transcrição de trecho de sua obra que trata da questão: Fl. 792DF CARF MF 8 Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, seja administrativo ou judicial, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes. (A Prova no Direito Tributário; 3ª edição; Noeses; pg. 26) Penso de forma semelhante. Em minha opinião as regras do processo administrativos não podem deixar de ser observadas, exceto nas hipóteses e na forma previstas na própria regra. No presente caso, em momento algum foi demonstrado pelo contribuinte a aplicação de qualquer uma das alíneas do artigo 16, §4º, do Decreto 70.235/1972, de modo que restou prejudicado seu direito à apresentação de provas. Importante destacar apenas que não entendo aplicável aqui a regra do artigo 3º, III, e 38, da Lei 9.784/1999, que trata do processo administrativo no âmbito da administração Pública Federal, haja vista essa norma ser de caráter geral, enquanto o Decreto 70.235/1972 trata especificamente das regras do processo administrativo fiscal. Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Objetivamente o que se pode extrair dos autos é o seguinte. 1. Na impugnação nada foi dito quanto à impossibilidade de apresentação dos extratos. 2. Na petição de juntada do extrato não foi observado o §5ºdo artigo 16 em questão, que determina que a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 19515.003291/201004 Acórdão n.º 9101002.774 CSRFT1 Fl. 764 9 3. E no Acórdão de Embargos nada se diz sobre a aderência do caso ao artigo 16, em questão. Nesse contexto, não vislumbro aqui o cumprimento dos requisitos legais para aplicação do artigo 16, §4º, do Decreto 70.235/1999, de modo que DOU provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 794DF CARF MF
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