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Numero do processo: 10865.002036/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001,2002,2003,2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
No curso do litigioso fiscal, a mera indicação da origem dos valores depositados em conta de depósito, sem a demonstração inequívoca de que estes não são passíveis de tributação ou de que já foram devidamente tributados, não se mostra suficiente para alteração dos valores lançados.
Numero da decisão: 2201-005.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão, em bloco, da base de cálculo do tributo lançado, do valor dos rendimentos tributáveis declarados recebidos de pessoa física, bem assim para excluir, do ano-calendário de 2004, o rendimento de R$ 12.000,00 recebido do Sindicato dos Trabalhadores Texteis de Americana. Vencidos os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra (relator) e Francisco Nogueira Guarita, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. No curso do litigioso fiscal, a mera indicação da origem dos valores depositados em conta de depósito, sem a demonstração inequívoca de que estes não são passíveis de tributação ou de que já foram devidamente tributados, não se mostra suficiente para alteração dos valores lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão, em bloco, da base de cálculo do tributo lançado, do valor dos rendimentos tributáveis declarados recebidos de pessoa física, bem assim para excluir, do ano-calendário de 2004, o rendimento de R$ 12.000,00 recebido do Sindicato dos Trabalhadores Texteis de Americana. Vencidos os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra (relator) e Francisco Nogueira Guarita, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 20 36 /2 00 6- 13 Fl. 613DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002036/2006-13 (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da DRJ Campo Grande, que julgou o lançamento procedente em parte. O lançamento ocorreu em face de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos-calendário 2001, 2002, 2003 e 2004. Impugnação às fls. 462/475. O Acórdão da DRJ excluiu da base de cálculo os valores cuja origem foi comprovada através de recebimentos de empréstimos de pessoas físicas. Para ano-calendário 2001 foi excluído em razão de os depósitos individualmente considerados não ultrapassarem o valor de R$ 12.000,00 e a totalidade não ter excedido à R$ 80.000,00. Para o ano-calendário 2004 foi excluído da base de cálculo o valor de R$ 66.595,45. O sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.585/592) em face do Acórdão de fls. 568/580, alegando, em síntese, que: - Em que pese a redução havida no julgado de primeira instância, deixou-se de considerar vários lançamentos em duplicidade, permanecendo a irresignação contra os seguintes depósitos. 1) em relação ao saldo da conta poupança do Banco Nossa Caixa, no importe de R$ 5.000,00 (outubro de 2002), quando estão cabalmente comprovadas (extrato bancário juntado com a impugnação), com as seguintes transferências: a) dia 18/10/02 - 2.355,20, b) dia 18/10/02 - 144,80, c) dia 25/10/02 - 2.429,79, d) dia 25/10/02 -70,21, totalizando justamente o valor de R$ 5.000,00. 2) todos os depósitos/créditos discriminados pelo Auditor, na conta corrente no. 0545-01-003150-4 do Banco Banespa S/A, no ano de 2002 são originários do recebimento de verbas indenizatórias em acordo trabalhista para rescisão de contrato recebido pelo contribuinte do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral de Americana, inscrito no CNPJ(MF) nº 43.269.729/0001-70, conforme comprovam as cópias dos Demonstrativos de Pagamento de Salário e Termo de Compromisso firmado é fácil constatar a manutenção de vários lançamentos no documento denominado “RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS / Fl. 614DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002036/2006-13 CRÉDITOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS” (doc. 03, fls. 13 e 14), no importe de R$ 1.851,00 (hum mil oitocentos e cinquenta e um reais), por mês, nos meses de janeiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto e setembro e RS 1.076,76 (hum mil e setenta e seis reais e setenta e seis centavos), última parcela do acordo feito com o Sindicato, no mês de outubro de 2002. 3) Conforme declarado pelo Contribuinte na DIRPF (exercício 2003, ano- calendário 2002), no campo “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas”, houve um recebimento de R$ 9.000,00 (nove mil reais), no ano de 2002, advindo de locação de imóvel (cópia da DIRPF anexa - doc.24), e que foi sendo depositado na poupança do Banespa e na conta corrente da Nossa Caixa, no curso do ano, de modo que esse valor deve ser retirado do total dos créditos apurados. 4) Conforme declarado pelo Contribuinte na DIRPF (exercício 2004, ano- calendário 2003), no campo “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas”, houve um recebimento de RS 8.400,00 (oito mil e quatrocentos reais), no ano de 2003, advindo de locação de imóvel (cópia da DIRPF anexa - doc. 33 j. com a Impugnação) e que foi sendo depositado na conta corrente do Banespa S/A, no curso do ano, de modo que esse valor deve ser retirado do total dos créditos apurados. 5) No ano de 2004, o contribuinte voltou a prestar serviços ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral de Americana, inscrito no CNPJ(MF) no. 43.269.729/0001-70, e recebeu no ano, o total de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Referida importância foi devidamente declarada na DIRPF Exercício 2005, ano-calendário 2004 (cópia anexa - doc. 36 j. com a Impugnação), e foi depositada na conta corrente do Banespa S/A. 6) Conforme declarado pelo contribuinte na DIRPF (exercício 2005, ano- calendário 2004), no campo “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas”, houve um recebimento de R$ 14.100,00 (quatorze mil e cem reais), no ano de 2004, advindo de locação de imóveis, e que foi sendo depositado na conta corrente do UNIBANCO S/A, no curso do ano, de modo que esse valor deve ser retirado do total dos créditos apurados. Por fim, requer o provimento do presente recurso para o fim de ser subtraídos da base de cálculo os valores cuja origem foi comprovada. _ É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Omissão de Rendimentos O recorrente alega que o acórdão recorrido não excluiu todos os depósitos apurados em duplicidade pela Fiscalização e detalha os valores que devem ser expurgados, apresentando as justificativas para cada um deles. Fl. 615DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002036/2006-13 De início, faz-se necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão-somente a inquestionável observância do diploma legal. No que concerne à transferência de saldo da conta poupança do Banco Nossa Caixa, no importe de R$ 5.000,00 (outubro de 2.002), em quatro transferências, não conseguimos localizar referidos valores nos extratos da conta corrente, razão pela qual não se pode confirmar a alegação recursal. Em relação ao argumento de que todos os depósitos/créditos discriminados pelo Auditor, na conta corrente n. 0545-01-003150-4 do Banco Banespa S/A, no ano de 2002 são originários do recebimento de verbas indenizatórias em acordo trabalhista, apenas os valores pagos nos meses de janeiro, fevereiro e março foram confirmados pela decisão recorrida (fl.405). Para os demais meses, a comprovação utilizada pelo recorrente é uma previsão de pagamentos fornecida pelo Sindicato tomador dos serviços (fl.406), no valor total de R$ 12.182,76, sendo o valor de R$ 1.851,00 de maio a setembro de 2002 e de R$ 1.076,76 no mês de 10/2002. Entendo que havendo coincidência entre os valores previstos e os efetivamente pagos pelo Sindicato a origem resta comprovada, devendo o recurso ser provido nesse tocante. De acordo com o recorrente, no que se refere ao declarado na DIRPF (exercício 2003, ano-calendário 2002), no campo “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas”, houve um recebimento de R$ 9.000,00 (nove mil reais), no ano de 2002, advindo de locação de imóvel (cópia da DIRPF anexa - doc.24). Nesse caso, deve ser excluído o valor de R$ 9.000,00, uma vez que há valores declarados como recebidos de pessoas físicas no ano-calendário 2002 que justificam os depósitos realizados. Em relação à alegação de que conforme declarado na DIRPF (exercício 2004, ano-calendário 2003), no campo “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas”, houve um recebimento de RS 8.400,00 (oito mil e quatrocentos reais), no ano de 2003. Nesse caso, deve ser excluído o valor de R$ 8.400,00 declarados como recebidos de pessoas físicas no ano-calendário 2003, uma vez que há valores declarados como recebidos de pessoas físicas no ano-calendário 2003 que justificam os depósitos realizados. No que pertine ao declarado na DIRPF (exercício 2005, ano-calendário 2004), no campo “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas”, houve um recebimento de R$ 14.100,00 (quatorze mil e cem reais), no ano de 2004. Nesse caso, deve ser excluído o valor de R$ 14.100,00 declarados como recebidos de pessoas físicas no ano-calendário 2004, uma vez que há valores declarados como recebidos de pessoas físicas no ano-calendário 2004 que justificam os depósitos realizados. Fl. 616DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002036/2006-13 Por derradeiro, argumenta o recorrente que voltou a prestar serviços ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral de Americana, inscrito no CNPJ(MF) nº 43.269.729/0001-70, e recebeu no ano, o total de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Referido valor dever ser excluído, uma vez que consta na declaração à fl. 41 e em sintonia com o extrato à fl189. Em que pese o esforço argumentativo do recorrente para afastar a presunção de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a alegação tem que ser comprovada de maneira individualizada, o que não ocorreu no presente caso, como exceção para os depósitos no ano-calendário de 2002, que somados importaram em R$ 12.182,76. Os valores tributados são os que carecem de comprovação e que, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, presumem-se como omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II- no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como já mencionado, de acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de documentos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta do sujeito passivo, não merece reforma a decisão recorrida. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe parcial provimento, excluindo da base de cálculo do lançamento as importâncias de: Fl. 617DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002036/2006-13 1) R$ 12.182,76, pela comprovação da origem dos depósitos no ano-calendário de 2002. 2) R$ 9.000,00 declarados como recebidos de pessoas físicas no ano-calendário 2002. 3) R$ 8.400,00 declarados como recebidos de pessoas físicas no ano-calendário 2003. 4) R$ 14.100,00 declarados como recebidos de pessoas físicas no ano-calendário 2004, e 5) R$ 12.000,00 já declarado como recebido do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Americana no ano-calendário de 2004. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator Designado Em que pese o costumaz acerto bem como os lógicos argumentos expostos pelo Relator em seu voto, com a devida vênia, ouso dele discordar apenas em relação à exclusão da base de cálculo dos depósitos que totalizaram R$ 12.182,76 no ano-calendário 2002. Em seu voto, o Ilustre Conselheiro Relator afirmou o seguinte: Em relação ao argumento de que todos os depósitos/créditos discriminados pelo Auditor, na conta corrente n. 0545-01-003150-4 do Banco Banespa S/A, no ano de 2002 são originários do recebimento de verbas indenizatórias em acordo trabalhista, apenas os valores pagos nos meses de janeiro, fevereiro e março foram confirmados pela decisão recorrida (fl.405). Para os demais meses, a comprovação utilizada pelo recorrente é uma previsão de pagamentos fornecida pelo Sindicato tomador dos serviços (fl.406), no valor total de R$ 12.182,76, sendo o valor de R$ 1.851,00 de maio a setembro de 2002 e de R$ 1.076,76 no mês de 10/2002. Entendo que havendo coincidência entre os valores previstos e os efetivamente pagos pelo Sindicato a origem resta comprovada, devendo o recurso ser provido nesse tocante. (grifos nossos) No entanto, apesar de supostamente comprovada a origem de tais depósitos (que totalizam R$ 12.182,76), entendo que a esta mera indicação desacompanhada da demonstração inequívoca de que estes valores não são passíveis de tributação ou de que já foram devidamente tributados, não é suficiente para a exclusão da base de cálculo apurada pela fiscalização. Sobre o tema, transcrevo abaixo o art. 42 da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 618DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002036/2006-13 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.563-7, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Uma leitura atenta ao texto da lei permite compreender que, durante a fiscalização (fase inquisitória do lançamento), o contribuinte deve comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados para os depósitos efetuados em conta corrente ou de investimento de sua titularidade. Não feita esta comprovação, há presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos. Por outro lado, caso o contribuinte comprove a origem dos depósitos no curso do procedimento fiscal, haverá uma investigação quanto à natureza de tais rendimentos (se tributáveis ou não tributáveis), justamente para saber se eles foram computados na base de cálculo do IRPF pelo contribuinte, conforme prevê o §2º do art. 42 acima transcrito. Em outras palavras: havendo a comprovação da origem e não tendo sido computados tais depósitos na base de cálculo declarada do tributo, não mais há que se falar da presunção de omissão de rendimentos de que trata o citado art. 42 da Lei nº 9.430/96, mas de efetiva omissão de rendimentos. Feitos esses esclarecimentos, entendo não ser possível interpretar que a mera comprovação da origem após a fiscalização (durante a fase litigiosa do processo administrativo fiscal) seja capaz, por si só, de cancelar o lançamento. É evidente que permanece o dever de comprovar a natureza de tais depósitos, e não somente a origem, de modo a que se possa concluir, de forma inequívoca, que os depósitos foram efetivamente oferecidos à tributação. Após o lançamento, sendo demonstrada somente a origem (como supostamente teria ocorrido no presente caso), permanece a investigação quanto à natureza dos depósitos, pois estes “submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos”, devendo permanecer hígido o lançamento se forem rendimentos de natureza tributáveis não declarados na base de cálculo do imposto de renda pelo contribuinte (§2º do art. 42 da Lei nº 9.430/96). Caso contrário estar-se-ia premiando o contribuinte que não comprove a origem dos depósitos durante a fiscalização e, em sua impugnação, demonstre apenas a origem dos créditos, beneficiando-se da própria torpeza, como se isso bastasse para cancelar o lançamento. Sendo assim, a melhor interpretação da norma legal, s.m.j., é a de que, concluído o procedimento fiscal com a lavratura de auto de infração com base na presunção do art. 42 da lei 9.430/96, o contribuinte deve comprovar a origem e a natureza dos depósitos para se eximir do lançamento, não sendo a mera demonstração da origem condição suficiente para cancelar o crédito tributário. Ou seja, de acordo com o art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificando-os como decorrentes de renda já Fl. 619DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002036/2006-13 oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tal prova cabe ao contribuinte, não sendo suficiente a mera indicação da origem dos valores depositados. No presente caso, o contribuinte não comprovou a origem do numerário no curso do procedimento de fiscalização, o que autorizou a lavratura do auto de infração com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. O Ilustre Conselheiro Relator entendeu que o RECORRENTE teria comprovado a origem dos depósitos que totalizaram R$ 12.182,76 no ano-calendário 2002 e decidiu por excluir tal valor da base de cálculo do IRPF lançado. Contudo, entendo que, além de não ter efetivamente comprovado a origem dos depósitos, o RECORRENTE deixou de comprovar a natureza de tais rendimentos para que se pudesse concluir de forma inequívoca que o mencionado valor seria não tributável/isento ou, se tributável, foi efetivamente oferecido à tributação em sua declaração. O RECORRENTE pretende comprovar a origem do referido valor com base do documento de fl. 407 intitulado “Previsão de Acertos a Serem efetuados com o Sr. José Luciano Domiciano da Silva”, o qual indica que o valor de R$ 12.182,76 seria pago em 7 parcelas: 6 x R$ 1.851,00 nos meses de abril a setembro de 2002 e a última parcela de R$ 1.076,76 em outubro de 2002. Contudo, referido documento não possui qualquer valor probante acerca da origem dos numerários. Não há data, indicação da fonte pagadora, assinatura de qualquer das partes, ou qualquer outra sinalização que ateste de forma inequívoca a sua legitimidade como meio de comprovar que os depósitos foram realizados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral de Americana, como alega o RECORRENTE. Ademais, mesmo que atestasse a origem dos depósitos (o que se admite apenas para argumentar), referido documento de fl. 407 não demonstra que os valores possuíam natureza isenta/não tributável (o que deveria ser demonstrado pelo contribuinte, conforme já explanado acima); pelo contrário, grande parte da quantia de R$ 12.182,76 é formado por valores “em atraso”, por aviso prévio (sem a indicação de que foi indenizado), férias + 1/3, saldo de salário, etc. Valores, estes, que são tributáveis pelo IRPF e, portanto, não são oriundos de “verbas indenizatórias”, como afirma o RECORRENTE. Sendo assim, por terem natureza tributável, tal valor supostamente recebido do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral de Americana deveria ter sido declarado pelo contribuinte em sua DIRPF relativa ao ano-calendário 2002, o que não foi feito já que não constam rendimentos de tal fonte pagadora na mencionada Declaração (fls. 419/423). Neste ponto, importante esclarecer que os fundamentos utilizados pela DRJ de origem para dar provimento a pleito do contribuinte não vinculam este órgão julgador de 2ª instância. Isso significa dizer que os motivos pelos quais a autoridade julgadora excluiu da base de cálculo do lançamento os valores depositados nos meses de janeiro, fevereiro e março (R$ 1.851,00, R$ 2.369,67 e R$ 1.851,00, respectivamente) não devem obrigatoriamente ser acatados por esta Turma julgadora do CARF. É que a DRJ entendeu que mencionados valores tiveram sua origem comprovada pelos documentos de fls. 405/406, que representam o demonstrativo de pagamento de salário pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral de Americana ao RECORRENTE nos meses de dez/2001, jan/2002 e fev/2002. Assim, tendo em vista os depósitos em coincidência de valores realizados nos meses de janeiro a março de 2002, conforme Fl. 620DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002036/2006-13 relação de fl. 491, a DRJ excluiu tais valores do lançamento por entender que a origem deles foi devidamente comprovada. Contudo, como já exaustivamente apresentado, a mera comprovação da origem não é suficiente para cancelar o lançamento, devendo o contribuinte comprovar também a natureza do crédito. No presente caso, esta demonstração deveria ser ainda mais evidente, haja vista que os documentos de fls. 405/406 são demonstrativos de pagamento de salário pela prestação de serviços, o que converge para o entendimento de que são verbas de natureza tributária e, portanto, não deveriam ser excluídas da base de cálculo do lançamento pela simples demonstração da origem. Por outro lado, na mesma via, em atenção ao princípio do reformatio in pejus, não pode haver uma revisão da decisão recorrida para prejudicar o contribuinte. Portanto, aqueles valores já excluídos pela DRJ de origem (independentemente do motivo) não serão objeto de revisão pelo CARF em sede de recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Assim, no curso do litigioso fiscal, a mera indicação da origem dos valores depositados em conta de depósito, sem a demonstração inequívoca de que estes não são passíveis de tributação ou de que já foram devidamente tributados, não se mostra suficiente para alteração dos valores lançados, com a ressalva de que compete ao contribuinte a apresentação de elementos extintivos, modificativos ou impeditivos do direito de crédito regularmente exercício pela Fazenda Pública. Por fim, quanto às demais questões envolvendo o caso, acompanho as razões expostas pelo Ilustre Conselheiro Relator em seu voto. Conclusão Pelo acima exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme razões expostas pelo Ilustre Conselheiro Relator em seu voto, a fim de excluir da base de cálculo, em bloco, os seguintes valores: (i) R$ 9.000,00 declarados como recebidos de pessoas físicas no ano- calendário 2002; (ii) R$ 8.400,00 declarados como recebidos de pessoas físicas no ano- calendário 2003; (iii) R$ 14.100,00 declarados como recebidos de pessoas físicas no ano- calendário 2004; e (iv) R$ 12.000,00 já declarado como recebido do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Americana no ano-calendário de 2004. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 621DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.017882/00-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as
alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2102-000.838
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos te nos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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O recurso deverá ser instruido com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e (jits'cu—tidqs os presentes autos. Acordam os embros do olegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos te nos do voto d Ilt.elator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovarmi Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Mauricio Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Acórdão n.° 2102-00.838 Fl 71 Processo n° 10880.017882/00-11 S2-C1 T2 Relatório Cuida-se de recurso voluntário de fl. 43, interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS, de fls. 31 a 37, que julgou procedente o lançamento de fls. 05 a 09, relativo ao ano-calendário 1998, lavrado em 27/09/2000. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 4.567,13, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de oficio no percentual de 75%. O presente lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos, decorrentes de trabalho sem vínculo, constante em Declaração do li-riposto de Renda Retido na Fonte — DIRF porém não declarados em DIRPF pela RECORRENTE, conforme demonstrativo das infrações de fl. 06. Assim, a autoridade lançadora procedeu, de oficio, à inclusão dos seguintes rendimentos na declaração de ajuste da RECORRENTE, com a indicação da respectiva fonte pagadora: a) R$ 129,60 — Caixa Econômica Federal; b) R$ 10.567,80 — Sul América AETNA Seguros e Previdência S/A; c) R$ 170,10 — Gama Gestão em Saúde S/A; d) R$ 1.320,00— Medservice Adm. Planos Saúde LTDA.; e e) R$ 1.823,00 — Sabesprev. A fiscalização incluiu, ainda, o valor de imposto de renda retido na fonte de R$ 259,33 referente ao rendimento omitido que foi recebido pela RECORRENTE da empresa Sul América AETNA Seguros e Previdência S/A. Desta forma, foram alteradas as seguintes linhas da declaração da RECORRENTE: (i) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de R$ 18.577,00 para R$ 32.588,09; e (ii) o imposto retido na fonte de R$ 894,00 para R$ 1.154,07. Assim, a autoridade fiscal apurou o valor de imposto suplementar de R$ 2.254,82 em lugar à quantia de imposto a restituir de R$ 399,91 inicialmente declarada pela RECORRENTE (fl. 08). DA IMPUGNAÇÃO Em 06/12/2000, a RECORRENTE apresentou a impugnação de fl. 01, considerada como tempestiva pois, de acordo com despacho da DRF de origem (fls. 12 e 13), o AR referente à notificação do auto de infração não foi localizado. Em suas razões, a RECORRENTE informou que os rendimentos considerados como não declarados pela autoridade fiscal estariam, todos, somados e acumulados no campo dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas fisicas de sua declaração de ajuste. Contudo, reconheceu que errou ao so (\ mar, e indicar juntos, os rendimentos recebidos das pessoas jurídicas e os recebidos de pessoas sicas, visto que ambos deveriam ter sido separados no momento do preenchimento da DIRPF1 2 É o relatório,/ Processo n° 10880.017882/00-11 S2-C1T2 Acórdão ri,' 2102-00.838 Fl. 72 Informou que os rendimentos, e a forma corno todos eles foram lançados, poderiam ser verificados no livro caixa, e se dispôs a apresentá-lo devidamente escriturado, preenchido e correto. A fim de demonstrar como a sua declaração de ajuste deveria ter sido preenchida, de acordo com as instruções do "Manual" IRPF/99, anexou aos autos um esboço de declaração de ajuste (fls. 02 a 04). Deste modo, a RECORRENTE requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que não houve má-fé de sua parte, mas apenas um erro de preenchimento de sua declaração. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 31 a 37 dos autos, julgou procedente o lançamento. Nas razões do voto, a autoridade julgadora afirma que a declaração de fls. 02 a 03, fornecida pela RECORRENTE, não pode ser recebida corno retificadora visto que, de acordo com o art. 832 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), a retificação da declaração somente pode ser autorizada antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. Por esta mesma razão, esclareceu também que não poderia considerar que houve denúncia espontânea da RECORRENTE. Pelo fato de não poder retificar a declaração, a autoridade julgadora apontou que a RECORRENTE deve comprovar o alegado em sua impugnação. Deste modo, entendeu que não foram juntados aos autos quaisquer documentos que embasassem o suposto equívoco cometido, tais como: Livro Caixa do consultório da RECORRENTE, comprovantes de receitas e despesas, extratos bancários etc. tudo para formar o convencimento de que os créditos teriam decorrido efetivamente de pagamentos efetuados na maior parte por pessoas jurídicas. Portanto, em razão da ausência de comprovação que justificasse o suposto erro de preenchimento de declaração por parte da RECORRENTE, a DRJ decidiu manter o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 20/12/2007, conforme AR de fl. 40v, apresentou recurso voluntário de fl. 43, em 10/01/2008. Em suas razões recursais, a RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação sobre o fato de ter cometido erro ao somar os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e fisicas e de tê-los indicado no mesmo campo da declaração destinado aos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas fisicas (campo n° 2). Assim, em seu apelo, a RECORRENTE defende que os seus rendimentos, depois do auto de infração, estão duplicado, vez que foram lançados em dois campos distintos, com exceção dos valores pagos pela Cruz Azul de São Paulo, que é um rendimento assalariado. Este recurso voluntário compôs o lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. 3 Processo n° 10880.017882/00-11 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.838 Fl. 73 Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator dele conheço. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que A RECORRENTE, autuada por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 14.011,09, afirma que declarou tal quantia somada aos rendimentos recebidos de pessoas fisicas, e reconhece o seu erro de preenchimento da correspondente DIRPF. Assim, em decorrência do presente lançamento de ofício, alegou que os valores apurados como omissos pela fiscalização encontram-se, agora, em duplicidade em sua declaração de ajuste referente ao ano-calendário 1998, visto que os mencionados rendimentos já estão somados aos rendimentos recebidos de pessoas fisicas. Como se vê no relatório anterior, quando do julgamento da impugnação apresentada pela RECORRENTE, a DRJ manteve o lançamento uma vez que não foram apresentadas provas de que os rendimentos apontados como omissos foram, de fato, declarados em conjunto com os rendimentos recebidos de pessoas fisicas. Na ocasião, a autoridade julgadora relacionou os documentos que a RECORRENTE deveria anexar aos autos a fim de embasar as suas alegações, quais sejam: o Livro Caixa do consultório da RECORRENTE, acompanhado dos comprovantes de todas as receitas e despesas nele relatadas; os extraios bancários, de modo a permitir a comparação dos depósitos efetuados em contas correntes com as receitas declaradas, etc. Contudo, mesmo após a indicação da DRJ, a RECORRENTE apresentou seu recurso voluntário acompanhado de documentos que não servem de prova para as suas alegações, pois o Livro Caixa acostado se refere ao ano-calendário 1999, enquanto que o presente lançamento diz respeito aos rendimentos auferidos no ano-calendário 1998, o que impossibilita a análise dos mesmos. A RECORRENTE também não juntou aos autos os extratos de suas contas bancárias, mas tão-somente os informes de rendimentos financeiros (fls. 64 a 67) fornecidos pelas instituições financeiras, que, além de não comprovar os depósitos efetuados, também se referem a ano-calendário diverso daquele objeto do auto de infração. Do mesmo modo como agiu quando da apresentação de sua impugnação, a RECORRENTE acostou aos autos novo esboço de DIRPF, mas que não não serve como meio de prova de suas alegações. Da mesma maneira, não se pode admitir como prova o relatório dos rendimentos recebidos de cada pessoa jurídica (fls. 56 a 58), visto que não se reveste -de qualquer idoneidade quando se trata de comprovar os rendimentos recebidos. Meras alegações desacompanhadas de quaisquer meios de provas que as dê, sustentáculo não podem ser acolhidas. Este é um "princípio" de qualquer rito processual, seja na esfera administrativa ou na judiciária, e não podendo ser diferente a postura deste Conselhj dré Rodrigues Pereira Lima Processo n° 10880.017882/00-11 82-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.838 Fl. 74 Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, como se pode perceber da análise dos seguintes acórdãos, verbis: RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso negado. (recurso voluntário e 156896; 2" Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes,. julgamento em 08/09/2008) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: ALEGAÇÕES DE DEFESA. PROVAS. Não são acolhidas as alegações de defesa desacompanhadas de elementos de prova que as corroborem Nos seus efeitos, alegar sem provar equivale a não alegar. Recurso Voluntário Negado. (recurso voluntário n° 149637; 1" Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 30/05/2008) Ademais, é válido registrar que a decisão recorrida andou bem ao orientar o recorrente sobre quais documentos serviriam para contraditar a acusação; o que não foi atendido pelo contribuinte RECORRENTE. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em sua integralidade. 5
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000915/2008-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
BENEFÍCIO DO DA LEI N.º 11.727, DE 2008. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa.
Numero da decisão: 1001-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 BENEFÍCIO DO DA LEI N.º 11.727, DE 2008. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa.
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OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 09 15 /2 00 8- 54 Fl. 37DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.343 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.000915/2008-54 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 21/24) que julgou improcedente a impugnação contra o auto de infração à folha 06, no qual é lançada multa por atraso na entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF relativa ao ano calendário de 2002, no valor total de R$ 500,00. Em sua impugnação (folhas 02/04), a contribuinte alega ter atendido em 25/08/2008 (conforme protocolo à folha 04) a intimação à folha 05, emitida em 18/06/2008, que solicitou a apresentação, no prazo de 20 dias a contar do recebimento, da DIRF relativa ao ano- calendário 2002, ou comprovação de apresentação anterior, ou, ainda, justificativa pela não apresentação. Na referida resposta, a contribuinte relata ter tido dificuldade na transmissão da declaração por incompatibilidade com a versão do Receitanet que possuía instalado, tendo solicitado esclarecimento na agência da RFB sem obter solução. Não consta do processo a data de ciência da referida intimação. Contudo, do extrato à folha 18, consta data limite de 28/07/2008, o que indica que o recebimento ocorreu em 08/07/2008: O extrato à folha 20 mostra que a DIRF original do ano-calendário de 2002 foi apresentada pela contribuinte em 17/12/2008: Fl. 38DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.343 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.000915/2008-54 No acórdão a quo, a autuação foi mantida tendo em vista que a DIRF foi apresentada fora do prazo normativo. Ciência do acórdão DRJ em 5/11/2011 (folha 27). Recurso voluntário apresentado em 30/11/2011 (folha 28). A recorrente apresentou recurso voluntário, à folha 28, no qual, em síntese, alega que faz jus à redução da multa a 10% do valor lançado, benefício de previsto na Lei nº 11.727/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Dispõe a Lei n° 11.727/2008, em seu art. 30: "Até 31 de dezembro de 2008, a multa a que se refere o § 3o do art. 7o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, quando aplicada a associação sem fins lucrativos que tenha observado o disposto em um dos incisos do § 2 o do mesmo artigo, será reduzida a 10% (dez por cento)".(Grifou-se). Por sua vez, estabelecem os dispositivos ali citados do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, o que segue: Art. 7 o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I- à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II- a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I- R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; Fl. 39DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.343 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.000915/2008-54 II- R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (Grifou-se) (...) Desta forma, até 31 de dezembro de 2008, a multa a que se refere o § 3° do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, quando aplicada a associação sem fins lucrativos que tenha observado o disposto em um dos incisos do § 2° do mesmo artigo, deve ser reduzida a 10% (dez por cento), conforme o art. 30 da Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008. Ou seja, a multa mínima que antes era de R$ 200,00 ou R$ 500,00, passou a ser de R$ 20,00 ou R$ 50,00, respectivamente, mas tais valores apenas são válidos para declarações entregues até 31/12/2008, desde que antes do inicio do procedimento de oficio ou se já instaurado o procedimento de oficio, no prazo fixado em intimação. Por força do disposto no art. 106, ll, "c" do CTN, as eventuais multas já lançadas pelos valores mínimos de R$ 200,00 ou R$ 500,00, antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, mas ainda não pagas, compensadas ou parceladas, deverão ser reduzidas a respectivamente R$ 20,00 ou R$ 50,00. A redução de 50% para pagamento até o vencimento da intimação, prevista no art° 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, também deve ser concedida. Assim, uma multa de R$ 200,00, reduzida a 10%, fica em R$ 20,00; se paga dentro dos 30 dias da intimação, há redução de 50% e o contribuinte paga R$ 10,00. O contribuinte que recolheu a multa até a data da publicação da Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, não tem direito à redução, mas se pagou a partir de 24/06/2008, sem a redução, poderá pedir a restituição do pagamento a maior. Para períodos de apuração anteriores à data da vigência da Lei n° 11.727/08, é certo que o art. 106, II, "c" do CTN, a seguir transcrito, admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados: Art. 106. A lei aplica-se a fato ou ato perfeito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como indicação; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(Destacou-se) Assim, o mencionado dispositivo possibilita que a penalidade mais severa decorrente da lei vigente na data da ocorrência do fato gerador, seja substituída por uma menos severa, advinda da lei nova, como caso em voga. Assim, a recorrente teria direito à redução do valor da multa, objeto do lançamento, na forma disposta no art. 30, da Lei n° 11.727/2008 caso tivesse cumprido os requisitos para gozo deste benefício, quais sejam: Fl. 40DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-001.343 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.000915/2008-54 a) ser associação/sociedade sem fins lucrativos; b) que o ano-calendário de declaração entregue em atraso seja até 31/12/2008; c) se houver a apresentação da declaração após o prazo de entrega, mas antes de qualquer procedimento de ofício, ou no prazo fixado em intimação. A condição de associação sem fins lucrativos da recorrente não está comprovada no processo, o que poderia ser sanado com uma diligência para a anexação de estatuto contendo tal informação. O ano calendário é o de 2002. Contudo, a DIRF foi apresentada em 17/12/2008, após início de procedimento de ofício, e claramente após o prazo fixado na intimação, 28/07/2008, conforme informam os já mencionados e reproduzidos extratos às folhas 18 e 20, o que, por si, impede a concessão do benefício pleiteado pela contribuinte. As alegações da recorrente, de não ter conseguido transmitir a DIRF 2002 por esta não ser compatível com a versão que possuía instalada do Receitanet, e de ter procurado a agência da RFB para esclarecimento, não encontrando solução, não afastam o fato de que, no prazo fixado, nada que pudesse fazer prova a seu favor tenha sido apresentado em resposta à intimação. A contribuinte poderia, por exemplo, ter protocolado versão impressa da declaração. A utilização de versão incompatível do Receitanet não parece ser problema insolúvel a ponto de eximir sua responsabilidade, já que versões anteriores usualmente estão disponíveis no site da RFB na internet, e as alegadas consultas à Receita Federal sem atendimento não são comprovadas nos autos. E, por fim, nenhum destes argumentos explica a longínqua apresentação da DIRF, em 17/12/2008, cerca de 5 meses após o fim do prazo estipulado. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, considerando, para fins de extinção parcial do crédito tributário em questão, o valor de R$ 50,00 recolhido pela contribuinte, conforme comprovante e DARF à folha 32. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101573/2007-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA.
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática enfrentada no acórdão recorrido não tem similitude com aquela discutida no acórdão paradigma. Hipótese em que, no acórdão recorrido discutiu-se a atualização do valor referente a ressarcimento de PIS/Pasep, enquanto no acórdão paradigma discutiu-se a atualização do ressarcimento de crédito presumido do IPI.
Numero da decisão: 9303-009.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Demes Brito Relator
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática enfrentada no acórdão recorrido não tem similitude com aquela discutida no acórdão paradigma. Hipótese em que, no acórdão recorrido discutiu-se a atualização do valor referente a ressarcimento de PIS/Pasep, enquanto no acórdão paradigma discutiu-se a atualização do ressarcimento de crédito presumido do IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Demes Brito Relator (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-20T12:37:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-20T12:37:28Z; Last-Modified: 2019-08-20T12:37:28Z; dcterms:modified: 2019-08-20T12:37:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-20T12:37:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-20T12:37:28Z; meta:save-date: 2019-08-20T12:37:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-20T12:37:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-20T12:37:28Z; created: 2019-08-20T12:37:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-08-20T12:37:28Z; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-20T12:37:28Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11065.101573/2007-04 Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303-009.247 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 18 de julho de 2019 Recorrentes REICHERT COMERCIO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática enfrentada no acórdão recorrido não tem similitude com aquela discutida no acórdão paradigma. Hipótese em que, no acórdão recorrido discutiu-se a atualização do valor referente a ressarcimento de PIS/Pasep, enquanto no acórdão paradigma discutiu-se a atualização do ressarcimento de crédito presumido do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Demes Brito – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 15 73 /2 00 7- 04 Fl. 416DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.247 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.101573/2007-04 (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão nº 3403-00.708, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. Não incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional em seu Recurso, suscita divergência quanto a exclusão da cessão onerosa de ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS na modalidade não cumulativa. O Presidente da 4ª Câmara, deu seguimento ao recurso nos termos do despacho de admissibilidade, ás e-fls. 390- 391. Nada obstante, a Contribuinte também ingressou com Recurso Especial, contra o Acórdão nº 3403-00.708, alegando dissenso jurisprudencial referente as operações de transferência de ICMS que não implicam em receita e têm natureza de imposto, e que os valores devidos devem ser acrescidos de correção monetária integral e juros moratórios, inclusive à taxa Selic, no mínimo desde a data do requerimento até efetiva utilização. O Presidente da Câmara, deu seguimento ao recurso nos termos do despacho de admissibilidade, ás e-fls.392- 396. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ás e-fls. 398-404. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Voto Vencido Fl. 417DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.247 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.101573/2007-04 Conselheiro Demes Brito, Relator. Os recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito à correção monetária nos valores de crédito de PIS ou COFINS em pedido de ressarcimento, mas reconhecendo que a cessão onerosa do ICMS a terceiro não sofre a tributação do PIS e da COFINS. Decido. Recurso da Fazenda Nacional Com efeito, a decisão recorrida entendeu que as operações de transferência de ICMS não implicam em receita. Como visto, a Contribuinte recolhe PIS e COFINS sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. E o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica". Sem embargo, se faz necessário distinguir dois aspectos distintos, quando há o abatimento do saldo da conta saldo a pagar fornecedores, situação que ocorre no Demonstrativo do Resultado de Exercício/DRE das empresas, que demonstra as receitas e despesas. O segundo aspecto, diz respeito quanto a classificação contábil dos valores recebidos por conta da transferência do saldo credor acumulado de ICMS, da conta "tributos recuperáveis" para a conta "caixa", situação que ocorre no patrimônio da empresa (ativo), demonstrado por meio de Balanço, o que não configura auferimento de vantagem patrimonial. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal -STF, no julgamento do Recurso Extraordinário, nº 606.107, de Relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, decidiu que os créditos de ICMS transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS. Senão vejamos: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 418DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.247 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.101573/2007-04 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar-lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supra-legal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, trata-se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar-se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam-se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicando-se aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Fl. 419DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.247 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.101573/2007-04 Constata-se que a decisão proferida nos autos do RE nº 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso da Contribuinte Admissibilidade Com efeito, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito à correção monetária nos valores de crédito de PIS ou COFINS em pedido de ressarcimento, mas reconhecendo que a cessão onerosa do ICMS a terceiro não sofre a tributação do PIS e da COFINS. Em seu Recurso, a Contribuinte alega haver divergência jurisprudencial no que se refere à incidência de taxa SELIC, juros ou atualização monetária, sob qualquer índice, sobre o saldo credor de PIS e COFINS não cumulativos. Para comprovar o dissenso foram colacionados como paradigmas, os Acórdãos nº 9303-001.726 e 203-11.745. Vejamos suas ementas, transcritas na parte de interesse: Acórdão n. 9303-001.726 RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de "atualização monetária" do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). (Acórdão n. 9303-001.726, Processo n. 10280.001746/2005-16, Recurso n. 250.083, Rei. Cons. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, 3a TURMA da CSRF, julgado em 07/11/2011, editado em 16/01/2012) Acórdão n. 203-11.745 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de ofício. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Fl. 420DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.247 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.101573/2007-04 A restituição é espécie do gênero ressarcimento. Havendo previsão legal para correção monetária, pela Taxa Selic no gênero (Ressarcimento), não há que se negar a mesma regra para a espécie (restituição). Recurso provido. (Acórdão n. 203-11.745, Processo n. 11065.005118/2003-47, Recurson. 134.249, Rei. Cons. ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA, 3a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, julgado em 24/01/2007, editado em 16/01/2012) Como se vê, de uma simples leitura entre as ementas comprova-se a divergência, de modo que corroboro com entendimento do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que seu seguimento ao Recurso. Senão Vejamos: "Como se vê, o Acórdão paradigma afirma a possibilidade da correção monetária em casos de ressarcimento de tributo. E chega a definir o termo inicial: a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento". Assim, conclui-se que a divergência foi comprovada, nos termos do despacho de admissibilidade. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, tomo conhecimento do Recurso da Contribuinte, e nego-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Demes Brito Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator designado No presente caso, em que pese o Ilustre Conselheiro Relator ter votado por conhecer do Recurso Especial do Sujeito Passivo, a maioria do colegiado dele divergiu quanto ao conhecimento. Saliente-se que a unanimidade do colegiado acompanhou o relator quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Tendo sido incumbido de redigir o voto vencedor, apresento a seguir as razões de decidir que levaram o colegiado a não conhecer do Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo. Com efeito, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Especial, alegando divergência quanto à atualização do valor referente ao ressarcimento de PIS e Cofins e, para comprovar a divergência apresentou o acórdão paradigma de nº 9303-001.726. O então Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção deu-lhe seguimento. Prosseguindo, no julgamento do recurso, o colegiado, analisando os termos do acórdão paradigma n° 9303-001.726, verificou que ele efetivamente enfrenta matéria diversa daquele discutida no acórdão recorrido: Fl. 421DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.247 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.101573/2007-04 - com efeito, no acórdão paradigma n° 9303-001.726, discute-se a possibilidade de atualização do valor do ressarcimento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 1996; e - por outro lado, no acórdão recorrido, discute-se a possibilidade de atualização do valor do ressarcimento específico de PIS/Pasep não cumulativo, o que é vedado pelos arts. 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, concluiu que, com discussões acerca de fatos diferentes, naturalmente são atraídas normas diferentes, impossibilitando-se a verificação de divergência jurisprudencial. Em face do exposto, a maioria do colegiado, na qual me incluo, entendeu por não conhecer do Recurso Especial do Sujeito Passivo. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 422DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000068/2010-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
Numero da decisão: 9303-009.053
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 68 /2 01 0- 24 Fl. 457DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.053 - CSRF/3ª Turma Processo nº 12585.000068/2010-24 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. A DERAT em São Paulo não reconheceu integralmente o pedido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade requerendo o reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, com a consequente homologação das compensações declaradas. Adicionalmente, pede diligência e perícia, para comprovação de suas alegações. A DRJ competente analisou a manifestação da contribuinte, indeferindo o pedido de diligência e perícia e julgando-a improcedente. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual, em síntese, discute: 1. créditos relativos a bens importados e nacionais classificados na NCM 38.08, e tratados todos como defensivos agrícolas pelo Fisco, que supostamente seriam tributados a alíquota zero ou ainda que não caracterizassem insumos, mas que contém uma diversidade de produtos assim classificados mas sujeitos à alíquota regular; 2. créditos sobre insumos utilizados no processo produtivo: a) defende o critério da necessidade em detrimento do critério do desgaste por contato direto; b) materiais de embalagem que não são destinados a mero acondicionamento, mas também para proteger o produto (tóxico) , em face de normas de agências governamentais , tais embalagens não podem ser destruídas pelo adquirente, mas tratada especificamente; c) materiais de limpeza que se inserem no processo produtivo, devendo ser separados aqueles para limpeza do pátio dos utilizados nos dutos evitando a contaminação dos produtos químicos produzidos; d) despesas com energia elétrica erroneamente classificados como despesas de alugueis de máquinas e equipamentos, mas que apesar disso devem ser reconhecidas como necessárias; 3. diferenças no rateio proporcional, a fiscalização não considerou receitas de operações financeiras e venda de imobilizado; 4. pedido de diligência e perícia. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401-004.877, que deu parcial Fl. 458DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.053 - CSRF/3ª Turma Processo nº 12585.000068/2010-24 provimento ao mesmo, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica resitradas erroneamente como aluguéis, e para produtos importados classificados na posição 3808 da NCM, para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou no acórdão paradigma nº 203-12.448, o qual adotava a tese de que a definição de insumos deveria ser aquela prevista na legislação do IPI, de que os insumos devem ser os bens aplicados diretamente na produção, de forma que sofram desgaste ou consumo, por contato, no processo produtivo enquanto o recorrido admite como insumos bens que integrem o processo produtivo sem necessidade de incidência direta com esses produtos. Tal recurso especial foi apreciado este Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que lhe deu seguimento, Contrarrazões da contribuinte Cientificada, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.049, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000356/2009-99, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.049): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Tenho por acidentais as diferenças fáticas entre os acórdãos, pois o fato de se tratarem de produtos diferentes, nem mesmo impediria que alguns insumos fossem os mesmos e persistiria a discussão sobre o critério de aplicação direta (critério do IPI) ou indireta no produto (insumo do insumo). Além disso, não há que se falar em tese superada, por inexistência de decisão vinculante sobre a matéria. Por essas razões, conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional . Mérito Admitido o recurso especial, relativamente aos créditos sobre a) material de limpeza e b) material de embalagens, para seu deslinde adoto o entendimento esposado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. Ressalvo não Fl. 459DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.053 - CSRF/3ª Turma Processo nº 12585.000068/2010-24 comungar de todas as argumentações nele postas, entretanto, concordo com suas conclusões e o transcrevo no que se aproveita como razão de decidir deste caso para cada um dos itens: a) Material de limpeza - necessário para garantir processo produtivo e características do produto 100. Malgrado os julgamentos citados refiram-se apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, trata-se de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. b) Material de embalagem - necessário para garantir a segurança do uso do produto 24. Nada obstante, salienta-se que o processo de produção de bens, em regra, encerra-se com a finalização das etapas produtivas do bem e que o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente. Consequentemente, os bens e serviços empregados posteriormente à finalização do processo de produção ou de prestação não são considerados insumos, salvo exceções justificadas, como ocorre com a exceção abordada na seção GASTOS APÓS A PRODUÇÃO relativa aos itens exigidos pela legislação para que o bem ou serviço produzidos possam ser comercializados. ... 60. Nesses termos, como exemplo da regra geral de vedação de creditamento em relação a bens ou serviços utilizados após a finalização da produção do bem ou da prestação do serviço, citam-se os dispêndios da pessoa jurídica relacionados à garantia de adequação do produto vendido ou do serviço prestado. Deveras, essa vedação de creditamento incide mesmo que a garantia de adequação seja exigida por legislação específica, vez que a circunstância geradora dos dispêndios ocorre após a venda do produto ou a prestação do serviço. (Negritei.) CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento.” sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 460DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.053 - CSRF/3ª Turma Processo nº 12585.000068/2010-24 Fl. 461DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.000329/2005-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2006
SIMPLES. INCLUSÃO. CURSOS LIVRES FILIADOS AO SINDELIVRE-RIO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CUMPRIMENTO.
Deve ser deferido o pedido de inclusão do interessado no SIMPLES Federal a partir de decisão judicial transitada em julgado, requerida por entidade sindical em favor de seus associados, que, no caso, por determinação expressa, autoriza a possibilidade de inclusão destes no SIMPLES e também por determinação expressa produz efeitos em relação a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação, desde que atendidos os demais requisitos impostos pela Lei nº 9.317/96.
Numero da decisão: 9101-004.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2006 SIMPLES. INCLUSÃO. CURSOS LIVRES FILIADOS AO SINDELIVRE-RIO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CUMPRIMENTO. Deve ser deferido o pedido de inclusão do interessado no SIMPLES Federal a partir de decisão judicial transitada em julgado, requerida por entidade sindical em favor de seus associados, que, no caso, por determinação expressa, autoriza a possibilidade de inclusão destes no SIMPLES e também por determinação expressa produz efeitos em relação a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação, desde que atendidos os demais requisitos impostos pela Lei nº 9.317/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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INCLUSÃO. CURSOS LIVRES FILIADOS AO SINDELIVRE- RIO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CUMPRIMENTO. Deve ser deferido o pedido de inclusão do interessado no SIMPLES Federal a partir de decisão judicial transitada em julgado, requerida por entidade sindical em favor de seus associados, que, no caso, por determinação expressa, autoriza a possibilidade de inclusão destes no SIMPLES e também por determinação expressa produz efeitos em relação ‘a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação’, desde que atendidos os demais requisitos impostos pela Lei nº 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 03 29 /2 00 5- 98 Fl. 242DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.354 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13706.000329/2005-98 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 301-34651 (fls. 142/146), que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 SIMPLES - INCLUSÃO - DECISÃO JUDICIAL - MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO - ASSOCIADOS - EFEITOS Existindo decisão judicial que confere a todos os associados do SINDILIVRE - Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre do Estado do Rio de Janeiro - o direito à inclusão no SIMPLES, deve ser reconhecida essa possibilidade ao Contribuinte que comprovar sua condição de afiliado, desde que inexista outro fato impeditivo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Em 28/01/2005, o contribuinte pleiteou seu enquadramento no SIMPLES, embora subsista vedação da atividade da empresa, tendo em vista Sentença de Mérito obtida pelo SINDELIVRE-RIO na 18ª Vara Federal em Mandado de Segurança nº 99.0009406-9, já transitado em julgado favorável aos filiados do SINDELIVRE-RIO no Estado do Rio de Janeiro, conforme cópias apresentadas em anexo, inclusive declaração de filiação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro – SINDELIVRE-RIO, sustentando que o mandamus abrangeria todos os filiados do SINDELIVRE-RIO. Através de acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ, novamente o pedido de inclusão no SIMPLES foi indeferido, em julgado assim ementado (fls. 112): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-Calendário: 2005 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO CONCESSIVA DE SEGURANÇA. A sentença proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que estavam filiados à época do ajuizamento da ação. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2005 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES ECONÔMICAS VEDADAS. CURSOS LIVRES. Os cursos livres estão impedidos de optar pelo regime do Simples, em razão de exercer atividade de professor ou a ela assemelhada (art. 9º, inciso XIII, da Lei n°9.317/1996) Solicitação Indeferida. Em recurso voluntário, o contribuinte alegou que "está equivocada a r.decisdo de fls. 112/117, uma vez que a r.decisão judicial proferida no mandado de segurança coletivo acima identificado e recursos posteriores, abrange todos os filiados ao SINDELIVRE independentemente da época de filiação, o que foi confirmado pela recente decisão, proferida no Agravo de Instrumento nº 2005.02.01.013399-3, cujo inteiro teor do v. acórdão encontra-se em anexo, de 23 de maio de 2006”, conforme EMENTA a seguir transcrita: EMENTA — PROCESSO CIVIL — AGRAVO DE INSTRUMENTO — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA — EXTENSÃO —ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. Fl. 243DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.354 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13706.000329/2005-98 0 entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito liquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo aplica-se a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas: Decide a Quarta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por unanimidade, dar provimento ao agravo, nos termos do relatório e voto constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. (grifos no original) A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu, por unanimidade de votos, em obediência à decisão judicial existente, dar provimento ao Recurso Voluntário para assegurar à Recorrente a sua inclusão no SIMPLES, conforme ementa acima transcrita. Na sequência, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos declaratórios em face da decisão, alegando omissão do acórdão quanto à análise da concomitância entre ação judicial e o processo administrativo. Os embargos foram conhecidos e rejeitados, nos termos do Acórdão 3101-00054 (fls. 157/163), que consignou que não haveria omissão no acórdão embargado, uma vez que, em síntese: - o acórdão proferido nos autos de agravo de instrumento continua com plena eficácia, devendo, por conseguinte, ser aplicado à espécie; - no tocante à alegada concomitância, razão também não assiste à Embargante, pois, a despeito da diferença de partes no presente processo administrativo e na ação coletiva, o objeto de ambos é diferenciado, não ensejando a ocorrência de concomitância para fins de não conhecimento do recurso voluntário. Com efeito, enquanto na ação coletiva o objeto é o reconhecimento do direito liquido e certo de optar pelo SIMPLES, o pedido no presente pleito administrativo é de inclusão no regime. Deveras, o reconhecimento da possibilidade de opção não leva, necessariamente, à inclusão e enquadramento; - de toda forma, ainda que se entendesse pela ocorrência de concomitância, ela estaria extinta por força da decisão judicial transitada em julgado, conforme se apontou no precedente que cita (AC nº 301-34488). Cientificada, a PGFN interpôs Recurso Especial (fls 114/122), alegando que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação às seguintes matérias: 1 – Necessidade de prova de filiação ao sindicato à época do ajuizamento da ação coletiva, citando como paradigma o Acórdão nº 302-38162: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Conforme disposto no inciso XIII, do artigo 9º, da Lei nº 9.317/1996, não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de professor ou assemelhado. AÇÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. Para que o contribuinte pudesse se beneficiar da sentença que concedeu a segurança “para assegurar o direito dos associados do SINDELIVRE se inscreverem no Sistema Integrado Fl. 244DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.354 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13706.000329/2005-98 de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresa de Pequeno Porte – SIMPLES”, o mesmo deveria ser associado àquele Sindicato à época da impetração do “Mandamus”, estando assim “relacionado nos autos”, conforme determinação contida na própria sentença. 2 - Concomitância entre esfera administrativa e judicial, citando como paradigma o Acórdão nº 203-11441: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 31/05/1988 a 31/10/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO JUDICIAL COM PROCESSO ADMINISTRATIVO – Tendo o contribuinte optado pela via judicial, na qual, inclusive, se operou o trânsito em julgado da decisão que lhe foi favorável, operou-se a renúncia à esfera administrativa. Recurso não conhecido. No despacho de admissibilidade registrou-se que, quanto à primeira matéria, por se tratar de matéria de prova, relativa a demonstração da extensão da aplicação da decisão judicial, se a todos os associados da entidade ou somente àqueles filiados à época do ajuizamento da ação, foi observada situação específica naquele processo. Assim, observou-se que “enquanto o acórdão paradigma foi proferido no curso da ação judicial, quando tinha eficácia a segurança concedida apenas aos filiados ao tempo da propositura da ação, o acórdão recorrido foi prolatado quando já havia trânsito em julgado da ação judicial, com efeitos para todos os associados, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. Concluiu-se, por fim, que "não há divergência em relação à interpretação da legislação aplicável, mas sim reformulação de entendimento acerca das provas trazidas aos autos, matéria que está fora do escopo do recurso especial". Deu-se, então, seguimento parcial ao recurso fazendário, apenas quanto à segunda matéria, considerando-se que "o acórdão recorrido conclui que a decisão judicial com trânsito em julgado extingue a concomitância e implica no cumprimento da decisão judicial. Ao contrário, o acórdão paradigma prescreve que o trânsito em julgado favorável ao contribuinte confirma a concomitância e opera a renúncia à esfera administrativa". Em contrarrazões, aponta o contribuinte, em síntese, que: - foram 03(três) os fundamentos que dão sustentação ao recurso especial interposto pela Recorrente, a saber: (1) a suposta falta de prova de que a Recorrida estivesse filiada ao SINDELIVRE á época do ajuizamento da ação judicial; (2) os objetos da ação judicial e do processo administrativo teriam naturezas distintas e, (3) pela decisão judicial transitada em julgado não haveria mais a concomitância; - não há que se falar em concomitância, uma vez que a Recorrida não ajuizou diretamente ação judicial contra a Recorrente, apenas fez valer o seu direito de contribuinte de se beneficiar do regime tributário SIMPLES, com base em uma decisão que beneficiou a todos os inscritos no SINDELIVRE. independentemente da época de filiação, o que foi confirmado pela decisão, proferida no Agravo de Instrumento n° 2005.02.01.013399 -3; Ao final, pede a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.354 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13706.000329/2005-98 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Conhecimento Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. O recurso foi parcialmente admitido pelo despacho do Presidente da Câmara recorrida e sua admissibilidade não foi questionada pela parte contrária. Mérito Pretende a PGFN que se aplique ao caso dos autos o entendimento consubstanciado nos acórdãos paradigmas de que a concomitância entre os processos administrativo e judicial impediria qualquer decisão na esfera administrativa. Uma vez conhecido o recurso, devolve-se ao colegiado a apreciação das razões recursais, não prevalecendo os limites da divergência proposta. Em que pese a alegação fazendária, entende-se que não se trata de concomitância no presente caso. Trata-se de pedido de inclusão no SIMPLES com base em decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 99.0009406-9, o qual foi negado por falta de amparo legal e por não constar a empresa da listagem fornecida pelo SINDELIVRE no Mandado de segurança referido. A discussão administrativa gerada nestes autos, a partir da manifestação de inconformidade, pautou-se, exclusivamente, na dúvida quanto à efetiva inclusão do contribuinte dentre os beneficiários da decisão coletiva. A decisão objeto do recurso especial sob exame foi prolatada em razão de recurso voluntário em face de decisão que denegou o pedido de opção ao regime do SIMPLES, por força da decisão judicial em Mandado de Segurança já transitado em julgado, e pelo FATO NOVO decidido no dia 23 de maio onde foi decidido pelo TRF questão relativa a extensão da sentença aos novos filiados que se filiaram após o ajuizamento da ação, decidindo que TODOS os filiados tem direito ao SIMPLES. Note-se que a decisão do TRF da 2ª Região foi exatamente no sentido de estender os efeitos do decidido no Mandado de Segurança Coletivo mesmo àqueles que se filiaram ao Sindicato posteriormente ao ajuizamento do remédio constitucional, como se depreende da ementa transcrita: PROCESSO CIVIL — AGRAVO DE INSTRUMENTO — MANDADO DE SEGURANCA COLETIVO — LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA — EXTENSA0 — ASSOCIACOES FILIADAS AO SINDICATO. Fl. 246DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.354 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13706.000329/2005-98 0 entendimento do julgado e de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem o direito liquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo aplica-se a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. (grifos no original) Apreciando recurso voluntário em tudo semelhante ao destes autos, a i. conselheira Edeli Pereira Bessa fez um arrazoado em que detalhou todos os meandros judiciais decorrentes da decisão prolatada no mandado de segurança coletivo original, tendo decidido no Acórdão nº 1101-000943, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2005 CURSOS LIVRES FILIADOS AO SINDELIVRE. INCLUSÃO NO SIMPLES POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA. Por força de decisão judicial, os cursos livres filiados ao Sindicato dos estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro Sindelivre têm direito de ingressar no Simples, uma vez atendidos os demais requisitos impostos pela Lei nº 9.317/96 (Mandado de Segurança Coletivo nº 99.00094069/ 18ª V.F. RJ). Os efeitos da sentença concessiva de segurança aplicam-se a todos os filiados do Sindelivre, mesmo aos que só se associaram posteriormente ao ajuizamento da ação (Agravo nº 2005.02.01.0133993 TRF/2ª Região). Inexistindo qualquer recurso da Fazenda Nacional que esteja suspendendo os efeitos da referida decisão judicial, deve ser deferido o pedido de inclusão da interessada no Simples Federal. Como se vê do trecho extraído do Acórdão nº 1101-000943, prolatado em 12 de setembro de 2013, a d.relatora descreve, de forma cronológica, as decisões judiciais e recursos pertinentes ao caso: [...] em 23/08/2006 foi publicado acórdão do TRF/2ª Região dando provimento ao agravo de instrumento nº 2005.02.01.0133993, interposto pelo impetrante contra a decisão da MM. Juíza da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00094069 limitando seus efeitos aos filiados ao SINDELIVRE à época da impetração. A ementa do referido acórdão reflete o que decidido: PROCESSO CIVIL AGRAVO DE INSTRUMENTO MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA EXTENSÃO ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito líquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo aplica-se a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração que foram rejeitados em acórdão publicado em 10/12/2007, assim ementado: PROCESSO CIVIL – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS – PREQUESTIONAMENTO. I – Da leitura do acórdão e do contexto do voto condutor se depreende a falta de justificativa dos fatos e do direito que se pretende seja aclarado no acórdão recorrido. Fl. 247DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.354 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13706.000329/2005-98 II – Ainda que para efeito de prequestionamento, os embargos de declaração devem demonstrar de forma inequívoca a existência dos vícios enumerados no art. 535 do CPC. A Fazenda Nacional também interpôs recurso especial que não foi admitido pela Presidência do TRF/2a Região, conforme despacho publicado em 18/12/2008. Em 25/06/2009 os autos baixaram definitivamente para a 18a Vara Federal do Rio de Janeiro. Nestes termos, a manifestação do TRF/2a Região no agravo de instrumento nº 2005.02.01.0133993 estabeleceu os limites subjetivos da coisa julgada formada com trânsito em 27/08/2004. Em princípio, desde 25/06/2009 a questão estaria definitivamente decidida no âmbito judicial. De toda sorte, em consulta à movimentação processual do Mandado de Segurança nº 99.00094069 verifica-se que em 19/07/2007 a 18a Vara Federal do Rio de Janeiro já dava consequências ao que decidido pelo TRF/2a Região em sede de agravo de instrumento: [...] (grifou-se) Após prosseguir relatando diversas decisões prolatadas em função de mesma discussão, ao final, o voto condutor daquele julgado conclui: Por todo o exposto, resta evidente que prevalece, atualmente, o entendimento do TRF/2a Região de que mesmo aqueles associados inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação, encontram-se abarcados pela sentença transitada em julgado. Além do trânsito em julgado do acórdão que manteve a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 99.00094069, com os esclarecimentos firmados no julgamento do agravo de instrumento nº 2005.02.01.0133993, há outras decisões do TRF/2a Região neste mesmo sentido. E, embora nem todas sejam definitivas, porque embargadas ou passíveis de embargos, o fato é que o processo de conhecimento se encerrou com o trânsito em julgado em 25/06/2004, cujo alcance foi esclarecido de forma definitiva no agravo de instrumento nº 2005.02.01.0133993, não mais sujeito a recurso como se infere do retorno dos autos à 1ª instância em 25/06/2009. Acrescente-se que, em consulta ao sítio do Superior Tribunal de Justiça perquirindo sobre o Agravo de Instrumento autuado sob nº 2006.02.01.0119502, verifica-se que, após terem sido parcialmente providos os embargos de declaração ("Recurso parcialmente provido, com efeitos infringentes, tão somente para restringir o julgado aos limites do pedido, ou seja, o não provimento do agravo no tocante à base geográfica do domicílio dos filiados do Sindicato"), em decisão monocrática, foi negado seguimento ao Recurso Especial nº 1.650.931- RJ (2017/0014151-0), em que a Fazenda Nacional sustentava a violação dos arts. 472 e 535 do CPC/1973; e 2°-A da Lei 9.494/1997 sob o argumento de que "a decisão transitada em julgado no mandado de segurança não pode ser estendida aos filiados cujo domicílio não se encontra no âmbito de atribuições da Autoridade Impetrada, mas sim em outras Delegacias da Receita Federal". Indubitável, portanto, a confirmação do entendimento do TRF2ª Região, que decidiu no AGV nº 2006.02.01.0119502 com lastro no AGV 2005.02.01.0133993: AGRAVO DE INSTRUMENTO - PROCESSO CIVL - MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO - EXTENSÃO DOS LIMITES DA COISA JULGADA - FILIADOS DO SINDICATO-AUTOR NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 1 . A segurança concedida alcança todos os filiados do Sindicato com domicílio no Estado do Rio de Janeiro, tal como restou esclarecido na decisão de embargos de declaração profatada pelo juiz a quo. Este Tribunal, posteriormente, confirmou a segurança, opondo o SINDELIVRE novos embargos de declaração para fazer constar do acórdão os beneficiados pela decisão, evitando-se assim interpretação diversa por parte da Receita Federal. Assim, os declaratórios foram providos esclarecendo que a segurança concedida beneficiaria os filiados ao Sindi&ìto no Estado do Rio de Janeiro, mantendo portanto o entendimento do Juiz de I instância. Não restam dúvidas de que a decisão transitada em julgado, proferida em mandado de segurança coletivo, abarca todos os Fl. 248DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.354 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13706.000329/2005-98 filiados da Impetrante com domicílio no Estado do Rio de Janeiro, e não somente no Município do Rio de Janeiro.2. Quanto ao argumento da agravante de que somente os substituídos que estivessem associados ao Sindicato no momento do ajuizamento do mandamus estariam alcançados pela concessão da segurança, este igualmente não merece prosperar. Esta Turma, por unanimidade, reconheceu que, mesmo aqueles associados inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação, encontram-se abarcados pela sentença transitada em julgado. Nesse sentido: AGV 200502010133993, Desembargador Federal GUILHERME DIEFENTHAELER, TRF2 - QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, 23/08/2006.4.Agravo de instrumento conhecido e improvido. (grifou-se) As mesmas conclusões do referido Acórdão nº 1101-000943 servem evidentemente a este caso, em razão da decisão judicial transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança nº 99.00094069, observados os limites estabelecidos no agravo de instrumento nº 2005.02.01.0133993, o que foi efetivamente reconhecido pela decisão ora recorrida. Nota-se que o que contribuinte pretendia, desde o início, era a sua inclusão no regime de tributação simplificado, a partir do reconhecimento judicial a esse direito. Pretendia-se a implementação da situação fática garantida pela norma jurídica (decisão judicial). Considerando-se que a decisão judicial é um comando específico que deve prevalecer sobre o comando geral da norma legal (que vedava a opção pelo SIMPLES), o caso é de cumprimento de decisão judicial, por parte da Administração Tributária, para fins de permitir o enquadramento no SIMPLES. Neste caso, além do trânsito em julgado do processo originário (proc. n. 99.0009406-9), em 27.08.2004, logo, antes do protocolo do presente processo com pedido de inclusão no SIMPLES, tem-se também o trânsito em julgado do agravo de instrumento (2005.02.01.013399-3), em 2009, após ter sido negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Assim, quanto ao mérito, não há reparos à decisão recorrida que consignou: Nota-se pela análise dos autos que o SINDILIVRE (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro) impetrou mandado de segurança coletivo perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro (99.0009406-9) com o intuito de assegurar aos seus associados a possibilidade de inclusão no SIMPLES. O Ilustre Juizo de primeira instância concedeu a segurança pleiteada, decisão confirmada pelo Tribunal regional Federal da 2ª Região por ocasião do julgamento da APC n° 2000.02.01.005782-8. O acórdão transitou em julgado no dia 27 de agosto de 2004, informação confirmada pelo site do Egrégio Tribunal em questão. Nota-se nos autos, ainda, que os efeitos da decisão transitada em julgado na APC n° 2000.02.01.005782-8 alcança todos os filiados do SINDILIVRE, conforme decidido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 2" Região no AG 2005.02.01.013399-3, cuja ementa restou assim transcrita: PROCESSO CIVIL - AGRAVO DE INSTRUMENTO - MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO - LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA - EXTENSÃO - ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito líquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no Fl. 249DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.354 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13706.000329/2005-98 mandado de segurança coletivo aplica-se a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação. (grifou-se) Por meio de consulta ao site do Egrégio Tribunal Regional Federal da 2' Região, comprovou-se que a decisão transcrita acima se encontra vigente. Ademais, a Recorrente comprovou ser filiada ao SINDILIVRE, por meio de declaração fornecida pela entidade (fl. 04). Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.001190/2007-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002, 2003
DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLÊNCIA. DIREITO À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. REGRAL GERAL. RECURSOS REPETITIVOS.
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
No caso de inadimplemento das obrigações assumidas na concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, sem que haja o recolhimento espontâneo dos tributos devidos pelo contribuinte, o prazo de decadência do direito que detém a Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a exigência já poderia ter sido formulada. Considera-se, para tanto, o prazo de trinta dias concedido ao contribuinte para pagamento do valor devido, contados da data limite para exportação.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2002, 2003
DRAWBACK SUSPENSÃO. EMPREGO DOS INSUMOS IMPORTADOS. SUBPRODUTOS E PRODUTOS VENDIDOS NO MERCADO INTERNO. LIMITE LEGAL DE CINCO POR CENTO. INOBSERVÂNCIA. INADIMPLÊNCIA PARCIAL.
Ainda que o beneficiário do Regime Aduaneiro Especial de Drawback comprove a exportação de mercadorias nas quantidades e valores pactuados por ocasião da concessão do benefício, o contribuinte será considerado parcialmente inadimplente se demonstrado que parte das mercadorias importadas com suspensão foram empregadas na fabricação de produtos ou subprodutos destinados ao mercado nacional, especialmente se em percentual superior àquele admitido na legislação de regência.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-009.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002, 2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLÊNCIA. DIREITO À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. REGRAL GERAL. RECURSOS REPETITIVOS. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No caso de inadimplemento das obrigações assumidas na concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, sem que haja o recolhimento espontâneo dos tributos devidos pelo contribuinte, o prazo de decadência do direito que detém a Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a exigência já poderia ter sido formulada. Considera-se, para tanto, o prazo de trinta dias concedido ao contribuinte para pagamento do valor devido, contados da data limite para exportação. Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2002, 2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. EMPREGO DOS INSUMOS IMPORTADOS. SUBPRODUTOS E PRODUTOS VENDIDOS NO MERCADO INTERNO. LIMITE LEGAL DE CINCO POR CENTO. INOBSERVÂNCIA. INADIMPLÊNCIA PARCIAL. Ainda que o beneficiário do Regime Aduaneiro Especial de Drawback comprove a exportação de mercadorias nas quantidades e valores pactuados por ocasião da concessão do benefício, o contribuinte será considerado parcialmente inadimplente se demonstrado que parte das mercadorias importadas com suspensão foram empregadas na fabricação de produtos ou subprodutos destinados ao mercado nacional, especialmente se em percentual superior àquele admitido na legislação de regência. Recurso Especial do Contribuinte Negado
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INADIMPLÊNCIA. DIREITO À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. REGRAL GERAL. RECURSOS REPETITIVOS. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No caso de inadimplemento das obrigações assumidas na concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, sem que haja o recolhimento espontâneo dos tributos devidos pelo contribuinte, o prazo de decadência do direito que detém a Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a exigência já poderia ter sido formulada. Considerase, para tanto, o prazo de trinta dias concedido ao contribuinte para pagamento do valor devido, contados da data limite para exportação. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2002, 2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. EMPREGO DOS INSUMOS IMPORTADOS. SUBPRODUTOS E PRODUTOS VENDIDOS NO MERCADO INTERNO. LIMITE LEGAL DE CINCO POR CENTO. INOBSERVÂNCIA. INADIMPLÊNCIA PARCIAL. Ainda que o beneficiário do Regime Aduaneiro Especial de Drawback comprove a exportação de mercadorias nas quantidades e valores pactuados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 11 90 /2 00 7- 75 Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10218.001190/200775 Acórdão n.º 9303009.201 CSRFT3 Fl. 2.232 2 por ocasião da concessão do benefício, o contribuinte será considerado parcialmente inadimplente se demonstrado que parte das mercadorias importadas com suspensão foram empregadas na fabricação de produtos ou subprodutos destinados ao mercado nacional, especialmente se em percentual superior àquele admitido na legislação de regência. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo contra decisão tomada no acórdão nº 3401003.995, de 27 de setembro de 2017 (efolhas 2.110 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2002, 2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de ofício decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. DRAWBACK SUSPENSÃO. PRODUTOS NÃO EXPORTADOS. RESÍDUOS NÃO EXPORTADOS. PERDAS SUPERIORES A 5%. INADIMPLEMENTO PARCIAL DO REGIME. Configurado o inadimplemento parcial do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, diante da Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10218.001190/200775 Acórdão n.º 9303009.201 CSRFT3 Fl. 2.233 3 existência de produtos e resíduos decorrentes de perdas superiores a 5%, não exportados, é devida a cobrança dos tributos aduaneiros suspensos. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 2.163 e segs) referese (i) ao termo de início para a contagem do prazo de decadência do direito do fisco efetuar o lançamento de ofício no caso de importações realizadas ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback; e (ii) exigência de tributos suspensos na importação ao amparo do Regime nos casos de venda no mercado interno de subprodutos/resíduos decorrentes do processo produtivo do contribuinte em percentuais superiores àquele admitido na legislação (5% do valor do produto importado). O Recurso especial foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 2.206 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 2.219 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso, dele tomo conhecimento. Decadência do crédito tributário Uma das questões trazidas aos autos pela recorrente, diz respeito ao dies a quo para contagem do prazo de decadência do direito que a Fazenda Nacional de detém de constituir o crédito tributário considerado devido pelo contribuinte. No entendimento da Fiscalização Federal, no caso de inobservância das regras Regime, o prazo iniciase conforme o regramento definido no art. 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a exigência já poderia ter sido formulada. Já para a recorrente, por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, vale a regra insculpida no art. 150 do Código: cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo correspondente. Concessa venia, a jurisprudência acerca dessa matéria encontrase há muito consolidada. Por longa data discutiuse se o pagamento se constituía ou não em que requisito para que o sistema excepcional de contagem do prazo decadencial estabelecido no art. 150 do CTN se operasse. As divergências a esse respeito, contudo, perderam qualquer sentido a partir do momento em que o Superior Tribunal de Justiça STJ decidiu, em regime de recursos repetitivos, que o pagamento era condição necessária à aplicação dos critérios Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 10218.001190/200775 Acórdão n.º 9303009.201 CSRFT3 Fl. 2.234 4 definidos no art. 150, tal como resta incontroverso do teor da decisão proferida no julgamento do REsp nº 973.733/SC, conforme segue. RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10218.001190/200775 Acórdão n.º 9303009.201 CSRFT3 Fl. 2.235 5 Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Tal como reza o art. 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e alterações posteriores, as decisões tomadas em regime de recursos repetitivos são de reprodução obrigatória nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) No particular, não me parece que haja controvérsia acerca da inobservância, por parte do beneficiário do Regime, da obrigação de recolher os tributos devidos antecipadamente, antes do início de qualquer procedimento fiscal, seja por ocasião da importação das mercadorias, seja trinta dias após o encerramento do Regime. Assim procedendo, incorreu na hipótese contemplada pelo REsp nº 973.733/SC, quando descreve a circunstância na qual a lei prevê o pagamento antecipado da exação, mas, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, remetendo a contagem do prazo fatal para formulação da exigência aos critérios definidos no art. 173 do Código Tributário Nacional. E, de fato, a obrigação a que nos referimos no parágrafo anterior sobressai incontroversa das disposições da Portaria Secex nº 14/2004 (prevista desde a Portaria Secex nº 21/1997 e alterações subsequentes). Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 10218.001190/200775 Acórdão n.º 9303009.201 CSRFT3 Fl. 2.236 6 Art. 159. A liquidação do compromisso de exportação no Regime de Drawback, modalidade suspensão, ocorrerá mediante: I exportação efetiva do produto previsto no Ato Concessório de Drawback, na quantidade, valor e prazo nele fixados; II adoção de uma das providências abaixo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da datalimite para exportação: (grifos acrescidos) a) devolução ao exterior da mercadoria não utilizada; b) destruição da mercadoria imprestável ou da sobra, sob controle aduaneiro; c) destinação da mercadoria remanescente para consumo interno, com a comprovação do recolhimento dos tributos previstos na legislação. Nos casos de mercadoria sujeita a controle especial na importação, a destinação para consumo interno dependerá de autorização expressa do órgão responsável. (grifos acrescidos) Art. 161. Será declarado o inadimplemento do Regime de Drawback, modalidade suspensão, no caso de não cumprimento do disposto no art. 159. Inferese, portanto, que inocorrendo a destinação da mercadoria remanescente para consumo interno, com a comprovação do recolhimento dos tributos previstos na legislação no prazo de trinta dias contados a partir da datalimite para exportação, será declarado o inadimplemento do Regime de Drawback. Tal como se depreende do quadro à efolha 74, a validade dos Atos Concessórios auditados expirou dentro do período de 09/02/2003 a 16/10/2004. Considerados os trinta dias concedidos pela legislação para efetivação do pagamento, o prazo mais exíguo situase no mês de março de 2003. Significa dizer que prazo decadencial iniciouse no dia 1º de janeiro de 2004 e se encerrou em 31/12/2008. Conforme consta nos autos, o lançamento foi notificado ao contribuinte em 22/11/2007 (efolha 34), por conseguinte, não há que se falar em decadência do direito que detém a Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário neste controvertido. Destinação de subprodutos e/ou resíduos para o mercado interno Também controvertese nos autos as consequências tributárias da destinação, para o mercado interno, de subprodutos em percentual bem superior àquele admitido pela legislação de regência. Como se sabe, o Regime Aduaneiro Especial de Drawback está alicerçado no Princípio da Vinculação Física, que estabelece como requisito básico para o reconhecimento do adimplemento do programa, que toda a mercadoria importada com suspensão do pagamento dos tributos seja empregada na fabricação dos produtos exportados. É o que dispõe o art. 341 Decreto 4.543/02 Regulamento Aduaneiro (art. 314, I, do RA/85). Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10218.001190/200775 Acórdão n.º 9303009.201 CSRFT3 Fl. 2.237 7 produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. Ainda assim, nos termos do art. 353 do Decreto 4.543/02 (§ 2º do art. 321 do RA/85), na concessão do Regime de Drawback Suspensão, serão desprezados os subprodutos e os resíduos não exportados, desde que em percentual inferior a cinco por cento do valor do produto exportado. Art. 353. Na concessão do regime serão desprezados os subprodutos e os resíduos não exportados, quando seu montante não exceder de cinco por cento do valor do produto importado. Os fatos narrados pela Fiscalização Federal dão conta de que, ao longo período fiscalizado, tomandose por base o peso total dos produtos industrializados pela empresa, 26,83% foram destinados ao mercado interno (efolha 40). Também conforme descreve, levandose em consideração os dados obtidos a partir do Relatório sobre o Processo Produtivo, das notas fiscais de saída e do Laudo Técnico apresentados (documentação carreada aos autos), constatouse tratarse de uma unidade fabril única, que compõe todo o processo produtivo de processamento do eletrodo de carbono e niple importados, sem a ocorrência de perdas. Nela são produzidos o Silício Metálico e a Sílica Fume Silmix Tipo ND, essa última um subproduto do processo industrial. Parte da primeira (dependendo da qualidade do produto) e a integralidade da segunda foram destinadas ao mercado interno, perfazendo um total de 90,45% do valor da matériaprima importada. A recorrente não contesta as informações acima. Observemse os esclarecimentos que presta à efolha 2.173, no corpo do recurso especial. 34. Como se vê, a mesma produção, com os mesmo insumos, resulta em diversos produtos (subprodutos) de tipos e qualidades diversas, assim, a RECORRENTE os separar e, os produtos com qualidade e especificação corretas são exportados, o restante, de qualidade inferior e/ou o próprio Silmix (subproduto) ficam no País, para venda ou descarte. Em sua defesa, alega, contudo, que, por ocasião do pedido do Ato Concessório de Drawback, apresentou uma tabela na qual demonstrara claramente a diferença entre a quantidade em quilos do insumo importado e a quantidade do insumo efetivamente exportado, evidenciando que "esta última é notoriamente menos, em razão das perdas e resíduos inerentes ao processo produtivo". Logo após tecer tais considerações, "colou" no corpo do recurso especial a tabela a que faz referência. Curiosamente, não é essa a conclusão a que se chega a partir da leitura das informações contidas na tabela. Na penúltima linha (efolha 2.174) consta a Média, observada em quatro anos consecutivos, do (i) Consumo de Eletrodo por kg; (ii) da Produção com Qualidade Adequada; e (iii) do Eletrodo Kg/t. Os valores anotados são, respectivamente, 116574; 966,47 e 122,72. Significa dizer que, em média, para produzir 996,47 toneladas de Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 10218.001190/200775 Acórdão n.º 9303009.201 CSRFT3 Fl. 2.238 8 produto acabado com qualidade adequada, gastase 116.574 Kg de eletrodo, registrandose ali um consumo médio de 122,72 quilos de eletrodo por tonelada de produto acabado. A partir desses valores, é possível dizer que, se para cada tonelada de produto acabado, consomese 122,72 Kg de eletrodo, então, se consumidos os 116.574 Kg de eletrodo, chegarseia à produção de, aproximadamente, 949,92 toneladas de produto acabado, o que representa 98,29% das 996,47 toneladas informadas no quadro. Uma "perda" de menos de 2%. A recorrente também alega em sua defesa que não foi considerado o fato de que parte dos produtos destinados ao mercado interno é o Silmix e parte é o próprio Silício. Por outro lado, que o Regime não pode ser desconsiderado numa situação, como a identificada nos autos, em que o total das exportações foi efetivamente realizado. Que se diga, desde logo, que não faz nenhuma diferença se o produto destinado ao mercado interno foi um subproduto (o Silmix) ou o próprio produto (o Silício). O único fato relevante é saber a quantidade de insumos importados que não foi empregada na fabricação do produto exportado, em afronta ao Princípio da Vinculação Física. Seja o Silmix, seja o Silício, o fato é que não há nenhuma controvérsia acerca do emprego de insumos importados com suspensão do pagamento dos tributos em produtos destinadas ao mercado interno. Já no que se refere ao inadimplemento do Regime mesmo quando, como no caso, o compromisso de exportação foi cumprido, basta que se rememore o teor das disposições normativas contidas no art. 161 da Portaria Secex 14/2004, supratranscrita. Tal como determina, a destinação de mercadorias para o mercado interno sem a comprovação do recolhimento dos tributos dará ensejo a que o beneficiário do Regime seja considerado inadimplente. Foi o que ocorreu. Por fim, para que o assunto não passe em branco, trazse também à lume o disposto no art. 73 da Portaria Secex nº 14/2004, que afasta qualquer possibilidade de que o limite de cinco por cento seja interpretado como uma "faixa de isenção ou anistia" concedida genericamente aos beneficiários do Regime. Como fica claro, tratase de uma condição a ser observada para que os subprodutos e/ou resíduos não sejam alcançados pela exação. Art. 73. Serão desprezados os subprodutos e os resíduos não exportados, quando seu montante não exceder de 5% (cinco por cento) do valor do produto importado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10218.001190/200775 Acórdão n.º 9303009.201 CSRFT3 Fl. 2.239 9 Fl. 2239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.001139/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/02/2005
JULGAMENTO DE PROCESSO DE RESTITUIÇÃO, ORIGINÁRIO DE CRÉDITO DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO, ENSEJA ANÁLISE DO MÉRITO DA COMPENSAÇÃO.
Configurada a inexistência de decadência, e por outro giro, a existência de crédito no processo originário (de restituição), os motivos para a não apreciação do mérito deste processo (de compensação) não persistem, razão por que a autoridade preparadora, a luz do julgamento do processo originário do crédito, deve analisar o mérito do pedido de compensação deste expediente.
Numero da decisão: 3302-007.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Configurada a inexistência de decadência, e por outro giro, a existência de crédito no processo originário (de restituição), os motivos para a não apreciação do mérito deste processo (de compensação) não persistem, razão por que a autoridade preparadora, a luz do julgamento do processo originário do crédito, deve analisar o mérito do pedido de compensação deste expediente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 11 39 /2 00 5- 63 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10580.001139/200563 Acórdão n.º 3302007.392 S3C3T2 Fl. 121 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância: Tratase o processo de Manifestação de Inconformidade, contra o Parecer SEORT PJ n° 248/2005 e Despacho Decisório da DRF/Salvador, que indeferiu o pedido de compensação de créditos relativos a recolhimentos indevidos da Contribuição para o PIS/PASEP, com fulcro nos Decretosleis n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos referentes ao PASEP. 2. Consta no Parecer denegatório que os créditos vinculados aos débitos relacionados no pedido de compensação se referem aos Pedidos de Restituição constantes dos processos n° 10580.002854/200351 (16/04/2003, no valor de R$2.405.766,02) e 10580.001146/200565 (08/10/2003 no valor de R$9.359.794,33), ambos indeferidos, não tendo sido reconhecido o crédito pleiteado em função da preliminar da decadência do direito de pedir, conforme pareceres n° 115 e 169. Com base nas disposições contidas na IN SRF n° 210, de 2002, atualmente contido no parágrafo 10 do artigo 26 da IN SRF n° 460, de 2004, a compensação não foi homologada. 3. Cientificada do Parecer, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que: • Os dois processos administrativos referidos no parecer foram regularmente contestados e a impugnação aguarda decisão final, por conseguinte, a própria decisão reconhece que existe caso de litispendência, sendo que a impugnação suspende, na forma do art. 151 do CTN a exigibilidade do crédito tributário, não sendo possível promover ao lançamento, cobrança deste valor enquanto pendentes as reclamações, razão pela qual requer que o processo seja sobrestado; • Ademais o prazo de decadência para reivindicar o pedido é de 10 e não de 5 anos, como pretende a decisão recorrida, pois ele é contado a partir da Resolução do Senado Federal que julgou inconstitucional a cobrança prévia administrativa ou judicial reivindicando o benefício, com base nos decretosleis 2.445 e 2.449; • Diversas decisões discutiram a natureza jurídica das contribuições ao PIS/PASEP, mas a matéria recebeu interpretação e solução definitiva através do Decreto n° 4.524, de 2.002, art.95.1, em decorrência da decisão da Egrégia Câmara de Recursos Fiscais, anexo 1, no julgamento do recurso 104.304, que transcreve; • Em caso idêntico a matéria foi submetida ao Supremo Tribunal Federai que deferiu o crédito relativo ao PASEP pago no mesmo Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10580.001139/200563 Acórdão n.º 3302007.392 S3C3T2 Fl. 122 3 período questionado na mesma demanda (1992/1996), o Estado do Rio Grande do Norte. Em 11/04/2006, a 4ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, não homologou a compensação, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/02/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não há como ser homologada a compensação relativa a créditos contra a União que não apresentem a certeza e a liquidez, comprovadas documentalmente. Somente se considera para fins de extinção da obrigação tributária a compensação que se respalde em direito creditório integralmente reconhecido e plenamente exigivel. PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Compensação não Homologada Intimada da decisão, em 26/05/2006, consoante AR de fl. 30, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 19/06/2006, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, fl. 31, no qual alegou inexistência de decadência, e no mérito, diz que o pedido de compensação foi feito na forma da lei. Por fim, requer seja relevada (sic) a preliminar de decadência, determinandose que a autoridade lançadora (sic) analise o mérito do pedido de compensação. Em 04/06/2009, o julgamento do processo foi convertido em diligência: O presente processo trata de compensação de créditos relativos a recolhimentos indevidos da Contribuição para o PIS/PASEP, com fulcro nos Decretosleis n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos referentes ao PASEP. Neste processo não se discute se a interessada possui ou não crédito a compensar, nem cabe a discussão quanto ao prazo decadencial do direito de pedir a devolução dos valores pagos, que é matéria objeto dos pedidos de restituição, nos processos administrativos n° 10580.002854/200351 e 10580.001146/2005 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10580.001139/200563 Acórdão n.º 3302007.392 S3C3T2 Fl. 123 4 65, apesar de os débitos ora em discussão estarem vinculados àqueles créditos (Recursos nº 133.804 e 133.805). Ocorre que esta Câmara já se posicionou, em sessão de 29 de junho de 2006, em processo cuja situação é idêntica, para determinar a baixa dos processos em diligência à DRF de Salvador para que fossem respondidas questões acerca do pagamento e/ou parcelamento dos débitos de cuja restituição se cuida. Tendo em conta tais fatos, que reputo suficientes, voto por converter o julgamento em diligência para que este processo seja devolvido à DRF de Salvador e seja instruído por aquela unidade da Receita Federal do Brasil com os resultados das diligências dos referidos processos nº 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565 e só então devolvidos a este colegiado para prosseguir o julgamento. Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal juntou ao processo a informação fiscal que foi prestada pela equipe de parcelamento no processo n° 10580.002854/200351, que dava conta dos parcelamentos cadastrados. Concernente às bases de cálculo, a autoridade fiscal informou que não dispunha de informações para responder, intimando a recorrente a esclarecer o regime jurídico dos débitos parcelados, tendo esta respondido que foram os débitos parcelados foram calculados com base nos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A compensação deste contencioso depende da sorte do pedido de restituição do processo n° 10580.002854/200351, pois o crédito deste aqui tem origem naquela lá. O despacho decisório da unidade de origem não homologou a compensação porque naquela oportunidade havia sido declarada a decadência do direito de restituir naquele processo originário. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ratificou o despacho decisório, não acolheu a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação, por inexistência do crédito. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10580.001139/200563 Acórdão n.º 3302007.392 S3C3T2 Fl. 124 5 Em sede de recurso voluntário, foi baixado em diligência, para verificar o resultado de diligências no processo n° 10580.002854/200351. Pois bem, além da juntada do resultado das diligências naquele outro processo, atualmente temse também o julgamento daquele, em 27/01/2016, acórdão nº 3302003.024, no sentido de afastar a decadência do pedido restituitório e ainda de que há sim crédito a ser aproveitado em pedidos de compensação. Confirase o penúltimo parágrafo do voto e o dispositivo: Frisese, ainda, que a recorrente mencionou na resposta ao termo de intimação que as seguintes declarações de compensação utilizaram créditos demonstrados nos pedidos de restituição anteriormente mencionados: 10580.004601/200312, 10580.002855/200304, 10580.001864/200370, 10580.000445/200311, 10580.001227/200301, 10580.013402/200214, 10580.012202/200244 e 10580.011634/200238. Assim, a apuração de crédito a restituir deve ser efetuada, considerando os créditos porventura já utilizados nas referidas declarações de compensação, a afim se evitar a duplicidade de utilização do mesmo direito creditório. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do pedido de restituição de pagamentos efetuados entre maio/1993 e 1996, vinculados a fatos geradores da contribuição de abril/1993 em diante, ressalvado o direito de a autoridade administrativa apurar a liquidez e certeza do direito creditório, mediante a aplicação da semestralidade prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95. Configurada a inexistência de decadência, e por outro giro, a existência de crédito no processo originário (de restituição), os motivos para a não apreciação do mérito deste processo (de compensação) não persistem. Vale rememorar que a não homologação da compensação no despacho decisório e na decisão recorrida ocorreu por inexistência de crédito tão somente. Notase que apesar do pedido da recorrente relevação da decadência (que deve ser entendido como afastamento do óbice decadencial) a matéria decadência não foi enfrentada pela decisão recorrida: (...) Verificase que o presente processo de compensação não visa discutir se a interessada possui ou não crédito a compensar, não cabendo ainda a discussão quanto ao prazo decadencial do direito de pedir a devolução dos valores pagos, que é matéria objeto dos pedidos de restituição, nos processos administrativos n° 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565, apesar de os débitos ora em discussão estarem vinculados àqueles créditos. 7. Discutese, se o procedimento compensatório adotado pela contribuinte atendeu à legislação que disciplina a matéria. Neste sentido, constatase que os pedidos de restituição foram Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10580.001139/200563 Acórdão n.º 3302007.392 S3C3T2 Fl. 125 6 indeferidos pela DRF/Salvador, e as Manifestações de Inconformidade da interessada foram julgadas improcedentes por esta Delegacia de Julgamento, nos termos dos Acórdãos DRJ/SDR n° 9.390/2005 e 9.391 ambos de 2005, que concluíram pela inexistência dos supostos créditos amparados por pressupostos de semestralidade da apuração da base de cálculo da contribuição para o PASEP, e pela decadência do direito de pedir restituição de valores pagos indevidamente ou a maior. Cumpre, outrossim, ilustrar o voto com os fatos de que a data do pedido de compensação é 14/01/2005 e o pedido de restituição no processo origem é de 16/04/2003. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a autoridade preparadora, a luz do julgamento do processo originário do crédito, analise o mérito do pedido de compensação deste expediente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15467.002375/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2009
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÕES.
No lançamento de ofício, a manifestação do autuado não se caracteriza como pedido de retificação de declaração, mas sim como impugnação de lançamento, motivo pelo qual toda a matéria tributável é passível de alteração (inteligência do Parecer Normativo CST 67, de 1986). Como o art. 145, inciso I, do CTN permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, o julgador administrativo pode analisar todos
os aspectos da base de cálculo, em especial porque é vedado ao contribuinte retificar declaração de exercício fiscalizado.
PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Preenchidos os requisitos exigidos pelo artigo 6º da lei nº
7.713/88, quais sejam, que os rendimentos sejam decorrentes de pensão e/ou aposentadoria pagas pelos cofres da União, Estados, Municípios, Distrito Federal e Entidades de Previdência Privada; e que o beneficiário seja portador de moléstia grave, é de ser reconhecida a isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.654
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento e reconhecer que os rendimentos do INSS e da PRECE são isentos.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÕES. No lançamento de ofício, a manifestação do autuado não se caracteriza como pedido de retificação de declaração, mas sim como impugnação de lançamento, motivo pelo qual toda a matéria tributável é passível de alteração (inteligência do Parecer Normativo CST 67, de 1986). Como o art. 145, inciso I, do CTN permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, o julgador administrativo pode analisar todos os aspectos da base de cálculo, em especial porque é vedado ao contribuinte retificar declaração de exercício fiscalizado. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Preenchidos os requisitos exigidos pelo artigo 6º da lei nº 7.713/88, quais sejam, que os rendimentos sejam decorrentes de pensão e/ou aposentadoria pagas pelos cofres da União, Estados, Municípios, Distrito Federal e Entidades de Previdência Privada; e que o beneficiário seja portador de moléstia grave, é de ser reconhecida a isenção. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento e reconhecer que os rendimentos do INSS e da PRECE são isentos. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 7. 00 23 75 /2 00 9- 41 Fl. 48DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.13546.WBXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra o contribuinte foi lavrada notificação de lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 3/5), relativo ao anocalendário 2008, que alterou o resultado apurado pelo contribuinte (imposto a restituir de R$1.096,45) para imposto suplementar de R$1.006,92. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada dedução indevida com dependentes e dedução indevida de despesas médicas. Inconformado, o interessado alega em síntese que é portador de moléstia grave e isento de pagamento de imposto de renda. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau (Acórdão nº 13 33.492 – fls. 22/23), manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE DEDUÇÃO INDEVIDADE DESPESAS MÉDICAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Considerase não impugnadas as matérias na que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. REVISÃO DE OFÍCIO. Não tendo a fiscalização alterado os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento analisar os rendimentos e despesas com instrução que foram relacionadas na declaração de ajuste anual do sujeito passivo, tendo em vista que caracterizaria uma revisão de ofício, o que escapa à competência desta instância julgadora, em respeito ao que dispõe o art. 203, da Portaria do Ministro da Fazenda n° 125/09. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF (fl. 27), o recorrente reafirma o seu direito à isenção, por ser portador de moléstia grave, conforme Declaração do MPASINSS, e requer a restituição, retroativamente, do imposto cobrado nos últimos cinco anos. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.13546.WBXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15467.002375/200941 Acórdão n.º 2102002.654 S2C1T2 Fl. 49 3 Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Examinandose as peças processuais, verificase que o imposto suplementar lançado, no valor de R$1.006,92, decorre da glosa das deduções com dependente e despesas médicas. O contribuinte não impugnou a infração a ele imputada, mas solicitou que fosse reconhecido o seu direito à isenção sobre os proventos de aposentadoria, por ser portador de moléstia grave. Requer também a devolução do imposto pago nos últimos cinco anos. Inicialmente, cumpre observar que a análise deste CARF ficará restrita à matéria tributável relacionada ao IRPF do anocalendário de 2008, exercício de 2009. De acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, o recurso voluntário, interposto pelo contribuinte, prestase a contestar a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que tenha mantido, no todo ou em parte, o crédito tributário dele exigido, a teor do artigo 73 do Decreto n.° 7.574, de 2011, a seguir transcrito: Art. 73.O recurso voluntário total ou parcial, que tem efeito suspensivo, poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão (Decreto n. 70.235, de 1972, art. 33). Com efeito, o CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam sempre a reapreciação de questões postas ao juízo das Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Neste diapasão tem se manifestado a Jurisprudência administrativa. Confirase: PRECLUSÃO Matéria não argüida na impugnação quando se estabelece o litígio e vem a ser demandada apenas na petição recursal, constitui matéria preclusa da qual não toma conhecimento em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. (Recurso nº 012959, 2ª Câmara, Processo nº 10580.005843/93 91, Sessão de 14/05/98, Relator José Clóvis Alves, Acórdão nº 10243008, por unanimidade). Ao discorrerem sobre e tema o ilustre Dr. Marcos Vinicius Neder e Dra. Maria Teresa Martinez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – Dialética – 2002, afirmam: Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa e às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre em relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior.(grifei) Fl. 50DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.13546.WBXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau.(grifei) Neste passo, se o interessado entende ter direito à restituição de valores do imposto de renda indevidamente pagos relativo a anoscalendário anteriores deve apresentar tal pedido à repartição fiscal do seu domicílio tributário, para análise e decisão. Em relação à moléstia grave, o acórdão recorrido entendeu que a natureza dos rendimentos recebidos pelo titular da declaração, não pertence a presente lide, que deve se ater apenas às matérias que foram objeto da notificação de lançamento em questão, isto é, as deduções supracitadas que foram glosadas pela fiscalização. A esse respeito, penso que não se trata, na espécie de pedido de revisão de ofício, tarefa para a qual o contencioso administrativo não tem competência, mas do regular exercício do direito de defesa do contribuinte. Se os rendimentos tributados no lançamento forem isentos, nenhum crédito será devido, independentemente das glosas das deduções efetuadas pela fiscalização. De fato, pelo princípio da legalidade previsto na Constituição, existe o direito subjetivo do Contribuinte ser tributado exatamente como prescreve a lei, não servindo a sua eventual omissão ou erro para legitimar a cobrança, o pagamento espontâneo indevido ou a maior que o devido. No lançamento de ofício, a manifestação do autuado não se caracteriza como pedido de retificação de declaração, mas sim como impugnação de lançamento, momento em que toda a matéria tributável é passível de alteração. Como o art. 145, inciso I, do CTN permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, o julgador administrativo pode analisar todos os aspectos da base de cálculo, em especial porque é vedado ao contribuinte retificar declaração de exercício fiscalizado. O erro tem que ser reparado em algum momento, e a jurisprudência deste Conselho já consagrou o entendimento de que a impugnação é que fixa os limites da lide e não o lançamento. Nesse sentido, devese destacar o Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação – CST n.º 67, de 05/09/1986, pelos princípios que consigna, com os quais concordo e que podem, mutatis mutandis, ser aplicados ao presente caso: 4.2 O direito assegurado, pelo art. 165 do CTN, ao sujeito passivo, ultrapassa a simples permissividade, contrapondoselhe a obrigação que tem o sujeito ativo de efetuar a restituição, em face do direito público subjetivo, outorgado pela Constituição ao sujeito passivo de ser tributado exatamente como prescreve a lei. 4.3 De vez que nem mesmo a vontade do sujeito passivo é eficaz para suprir a falta da lei, ainda que precluso o direito do contribuinte de intentar a alteração do crédito tributário, a administração fiscal deverá efetuála de ofício, nos termos do art. 149 do CTN, quando verificar que o pagamento foi feito ou exigido erroneamente, à vista dos elementos definidos na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Assim como a omissão do sujeito passivo não legitima a cobrança ou o pagamento indevido ou a maior que o devido, a simples perda de prazo não transforma uma exigência ilegal em legal. 4.4 Não estando encerrado o processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da União, a não impugnação Fl. 51DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.13546.WBXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15467.002375/200941 Acórdão n.º 2102002.654 S2C1T2 Fl. 50 5 do sujeito passivo não impede que a autoridade administrativa promova a correção da exigência indevida (Decreto nº 70.235/72, art. 21, §§ 1º e 2º). 5. O texto do art. 165 do CTN não impede, portanto, que o sujeito passivo, tendo deixado de tomar a iniciativa de promover a alteração do lançamento, através de pedido de retificação da declaração ou de impugnação tempestiva da exigência fiscal, exerça seu direito de pleitear a restituição do tributo recolhido em desacordo com a lei, pois, se, por um lado, o lançamento estabelece para o contribuinte a obrigação de pagar o tributo, por outro lado conferelhe o direito a que sejam observadas as normas legais de caráter substancial ou procedimental aplicáveis à espécie. Mesmo a prolação de decisão administrativa contrária ao sujeito passivo não deve criar óbice à autoridade pública para sanear ato intrinsecamente viciado pela ilegalidade, eis que a inobservância da lei viola o direito de quem efetua pagamentos não voluntários, como são os tributos” (grifouse). Forte nos princípios acolhidos no aludido parecer, entendo que devem ser analisados as questões suscitadas pelo contribuinte, no que tange à base de cálculo do presente lançamento. Nesse sentido, já decidiu este Conselho: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEDUÇÕES No lançamento de ofício, a manifestação do autuado não se caracteriza como pedido de retificação de declaração, mas sim como impugnação de lançamento, portanto toda a matéria tributável é passível de alteração (Parecer Normativo CST 67, de 1986). Recurso parcialmente provido.” (Acórdão n.º 10421702, de 23/06/2006, da 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo) DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. IRPF. DEDUÇÕES. No lançamento de ofício, a manifestação do autuado não se caracteriza como pedido de retificação de declaração, mas sim como impugnação de lançamento, portanto toda a matéria tributável é passível de alteração (Parecer Normativo CST 67, de 1986). Recurso provido em parte.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma Especial, Acórdão 280200.480, de 22/09/2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEDUÇÕES No lançamento de ofício, a manifestação do autuado não se caracteriza como pedido de retificação de declaração, mas sim como impugnação ao lançamento, portanto toda a matéria tributável é passível de alteração (Parecer Normativo CST 67, de 1986) Fl. 52DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.13546.WBXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 DESPESAS COM DEPENDENTE, INSTRUÇÃO E MÉDICAS Comprovadas as despesas pleiteadas pelo Contribuinte, com documentos hábeis e idôneos, é de se reconhecer o seu aproveitamento para o cálculo do imposto de renda devido. Recurso provido.” (Acórdão n.º 10423012, de 26/06/2008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Relatora Heloisa Guarita Souza) No exame do mérito, o artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º, da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF para os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão pagas pelos cofres da União, Estados, Municípios, Distrito Federal e Entidades de Previdência Privada e auferidos por portadores das moléstias nela tipificadas, comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Sob este pórtico, a Declaração do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, à fl. 07, datada de 06/08/2009 e assinada pelo Dr. Eduardo F Melo (Coordenação Médica) e Cleide M. do Nascimento (Chefe da APS Ramos), expressamente reconhece que o contribuinte é portador de cardiopatia grave (CID 1.25): Declaramos para fins de prova junto à Delegacia da Receita Federa! no Rio de Janeiro, que o segurado acima destacado é titular de um benefício espécie 42 (aposentadoria por tempo de contribuição), teve suas documentações médicas apensadas ao processo, tendo sido analisadas por nós, apresenta na atualidade doença CID 1.25 que se enquadra entre aquelas que o eximem do pagamento de Imposto de Renda, desde 21/12/1994, conforme autoriza a Lei n° 11.052 de 29 de dezembro de 2004, Art. 1°. Por sua vez, a Carta de Concessão de Aposentadoria, à fl. 08, informa a vigência do benefício a partir de 16/09/1999, período que antecede ao anocalendário a que se refere o lançamento em exame. Os rendimentos tributados pelo contribuinte em sua DIRPF do exercício de 2009 (fl. 10) foram auferidos do INSS e da PRECE, CNPJ nº 30.030.696/000160, entidade fechada de previdência complementar, instituída pela CEDAE Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. Em face ao exposto, voto pelo provimento ao recurso, para cancelar o lançamento e reconhecer que os rendimentos do INSS e da PRECE são isentos. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 53DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.13546.WBXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15467.002375/200941 Acórdão n.º 2102002.654 S2C1T2 Fl. 51 7 Fl. 54DF CARF MF Documento de 7 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0919.13546.WBXC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 21/09/2013 17:07:01. Documento autenticado digitalmente por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 21/09/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0919.13546.WBXC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 01C662E0402C3E897244DBD20C3E90B41A65DBF7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15467.002375/2009-41. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10680.012847/2006-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Redator Designado ad hoc.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Redator Designado ad hoc. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2003, ano-calendário de 2002, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 30.167,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Belo Horizonte de f. 43/48. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 28 47 /2 00 6- 82 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-000.916 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.012847/2006-82 Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 52/61. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira - Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cinge-se à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurge-se contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação probante do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verifica-se que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratar-se de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontra-se devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-000.916 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.012847/2006-82 Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Trata-se de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtém-se extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. A Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se manifestando no sentido da necessidade da comprovação do efetivo pagamento, sendo desnecessária a caracterização, pela fiscalização, de inidoneidade dos recibos. A título de exemplo, trazemos a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. REQUISITOS FORMAIS DA DOCUMENTAÇÃO. A critério da autoridade fiscal, a comprovação do efetivo pagamento de despesas é necessária. Hipótese em que, tendo sido devidamente intimada para comprovação do efetivo pagamento das despesas, não foi apresentada a requerida documentação comprobatória. Recurso Especial do Procurador Provido." Convém citar o trecho em que o Relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, defende ser desnecessário a autoridade lançadora evidenciar a inidoneidade dos recibos: "Contudo, pela aplicação do critério jurídico que entendo correto, não há qualquer necessidade de apontamento de falsidade nos recibos e outros documentos formais para exigência de prova do pagamento. Assim, quando o contribuinte não comprova o efetivo pagamento de valores que deduz, desde que isso tenha sido a acusação inicial, resta mandatória a glosa dos valores." Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Trata-se de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicá-la em percentual diverso do previsto na legislação. Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-000.916 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.012847/2006-82 Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Redator Designado ad hoc. Quando da formalização do acórdão, o Conselheiro Jorge Henrique Backes, Redator Designado, já se encontrava aposentado, razão pela qual houve a necessidade de designação de “Redator Designado ad hoc”. Assim, como Redator Designado ad hoc ressalvo que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não têm valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Entretanto, mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa à aceitação dos simples recibos, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, o fundamento para lançar limita-se a que simples recibos não seriam suficientes para comprovar o pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-000.916 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.012847/2006-82 Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido Decreto-Lei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Far-se-á o lançamento ex- officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 88DF CARF MF
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