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Numero do processo: 10215.720180/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.226
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720180/200843 Resolução n.º 220200.226 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário em resistência ao Auto de Infração, fls. 309/319, lavrado em face do Interessado, já qualificado nos autos, em procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias referente ao IRPF, anoscalendários 2004 a 2006, no qual foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado,não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Noticia o Termo de verificação Fiscal que: A ação fiscal teve origem em razão da presença de "indício de omissão de receitas, caracterizada pela elevada movimentação financeira em relação aos rendimentos declarados ". Notase, da análise cuidadosa do processo, que várias RMFs foram realizadas a instituições financeiras. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720180/200843 Resolução n.º 220200.226 S2C2T2 Fl. 3 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/200 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720180/200843 Resolução n.º 220200.226 S2C2T2 Fl. 4 4 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000913/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório
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Recorrente Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 a 14 por meio do qual é feita a exigência de R$ 962.299,00 (novecentos e sessenta e dois mil e duzentos e noventa e nove reais) a título de Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro, de que trata o artigo 23, inciso V, (e seus parágrafos) do DecretoLei 1.455 de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (conversão da Medida Provisória n°.66 de 29 de agosto de 2002). Confirase: 001 — CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA— IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA Conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo (fls. 05/14), o qual passa a fazer parte integrante de forma inseparável deste Auto de Infração, foi detectado que a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 00 91 3/ 20 08 -0 1 Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000913/200801 Resolução nº 3202000.188 S3C2T2 Fl. 3.076 2 Ltda não é a real adquirente das mercadorias importadas em seu nome e que a mesma operava como interposta pessoa. Face ao que determina o art. 23, inciso V, § 3° do DecretoLei n° 1.455 de 07 de abril de 1976, estamos emitindo o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme Demonstrativo das Mercadorias Consumidas ou Não Localizadas em anexo (fIs 15/24). Face à interposição detectada, verificouse, conforme Demonstrativo das Notas Fiscais de Saídas e Demonstrativo dos Depósitos Efetuados em anexo (fls 25/27), que o valor do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração referese ao valor aduaneiro das mercadorias cujo real adquirente é a empresa DIPLOMAT DO BRASIL COMÉRCIO DE ARTIGOS PARA PRESENTES LIDA (CNPJ 02.398.308/000162), a qual passa a figurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 27 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Ficam a autuada e os respectivos devedores solidários (reais adquirentes das mercadorias importadas) cientificados de que foi promovida REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS por meio do processo administrativo n°12466.000912/200859. Intimadas, as empresas, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e a Diplomat do Brasil Comércio de Artigos para Presentes Ltda., apresentaram impugnações, as quais foram julgadas improcedentes pela DRJ. Contra o acórdão recorrido, a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. interpôs recurso voluntário, defendendo especialmente que: i) a decisão seria nula por ter alterado o critério jurídico do lançamento; que acusou a empresa de ter insuficiência de recursos, e não de ocultação do real adquirente; ii) seria nulo o lançamento por tese se baseado em Relatório tornado insubsistente pelo Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, referendado pelo Inspetor da Alfândega, não tendo havido motivação para contrapor as conclusões deste; iii) não houve interposição fraudulenta ou ocultação de adquirente. A Diplomat do Brasil Comércio de Artigos para Presentes Ltda. igualmente apresentou recurso, pugnando pela nulidade/improcedência do auto de infração ou pela aplicação do princípio da retroatividade benigna, tal como articulado no Voto Vencido do acórdão recorrido. Iniciado os julgamentos dos recursos voluntários, a ilustre Turma do CARF decidiu, através da Resolução, converter o julgamento em diligência, pelos seguintes fundamentos: Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM [...] Considerando que a recorrente argumenta que a decisão, a quo, não enfrenta as alegações do Parecer 991/2007. Temse que, a citada decisão, dispõe: "Importante registrar, por oportuno, que a apuração Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000913/200801 Resolução nº 3202000.188 S3C2T2 Fl. 3.077 3 dos fatos e as provas concernentes do presente processo são autônomas em relação àqueles que embasaram o Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória." Ou seja, por todas as alegações acima, solicito que baixe em diligência • Inspetoria de origem para: 1) anexar cópia do processo de n° 12466.000172/200770 referente ao processo de inaptidão (principalmente todo o teor do Parecer n° 991/2007); 2) esclarecer período abrangido do Parecer n° 991/2007 (20/12/2007); e 3) explicar se o Auto de Infração teve como base o relatório conclusivo, conforme alegações da recorrente. Em resposta a citada Resolução, a autoridade preparadora afirmou que, de fato, o Relatório fiscal que baseou o presente auto de infração é o mesmo que foi julgado insubsistente pela Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória e referendado pelo Inspetor Aduaneiro. Não foi juntada a cópia do processo de n° 12466.000172/200770. A recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., apresentou suas considerações sobre a diligência realizada. Em seguida, o processo foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Observo, de logo, que não foi cumprida integralmente as solicitações da Resolução proferida nestes autos, porquanto não foi juntada aos autos a cópia do Processo de n° 12466.000172/200770, no qual foi indeferida a representação de inaptidão do CNPJ da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770 é importante, porque possui provas com base nas quais o Inspetor da Alfândega considerou demonstrada a capacidade econômica da Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., o que, em tese, constitui forte motivo para afastar a interposição fraudulenta presumida, imputada pela fiscalização às recorrentes. Efetivamente, como se lê do Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, o Relatório Fiscal em que se baseou a autuação teria se equivocado, quando considerou irrelevante a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio", na qual se demonstraria expressivos pagamentos, em razão de empréstimos realizados no exterior, demonstrados pela recorrente através de contratos de câmbio, na forma do artigo 46 da IN/RFB Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000913/200801 Resolução nº 3202000.188 S3C2T2 Fl. 3.078 4 n° 748/2007, juntados às fls. fls. 1.287 a 1.680 dos autos do citado Processo n° 12466.000172/200770. Confirase: Não há realmente conta representativa da existência de fornecedores a demonstrar a obtenção de empréstimos, entretanto, a própria fiscalização reconhece a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio" em que se demonstra expressivos pagamentos realizados ao exterior. Resta indagar se esta contabilização se reveste de ilegalidade a demonstrar a falta de comprovação de recursos apontada pela fiscalização. A parte sustenta que esta conta referese a obrigação constituída no exterior decorrente de financiamento externo, que seriam honrados após a negociação das mercadorias no mercado interno. Bastante razoável que a empresa possa se valer empréstimos internos ou externos para custear suas importações, entretanto, necessário se faz que tais operações estejam devidamente registradas em sua contabilidade. No caso, presente pareceme muito mais a existência de possível omissão de receitas, com reflexos na pessoa física dos sócios, do que inexistência de fato da empresa. [...] Nessa esteira, cumpre registrar que o artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007, estabelece as condições de prova no que pertine comprovação dos recursos, cujo teor abaixo transcrevemos: [...] A parte comprova que todos os contratos de câmbio foram fechados pela mesma, trazendo agora aos autos os documentos de fls. 1.287 a 1.680 demonstrando o efetivo fechamento de câmbio na forma disciplinada na IN acima mencionada. Ressai, desta forma, ressalvadas as vênias de estilo, atendido ao que prescreve a norma atinente comprovação que se pretende demonstrar. Em que pese as constatações da fiscalização acerca dos lançamentos contábeis da empresa, que repito, deve ser objeto de representação, visando a fiscalização na empresa com reflexos em seus sócios, os autos não demonstram que a empresa tenha sido constituída para sistematicamente fraudar o fisco mediante interposição fraudulenta. [...] Do exame da representação impugnada, obviamente respeitando os posicionamentos divergentes, não ficou caracterizado de forma inequívoca a interposição fraudulenta. Constatase que a recorrente não só recolheu os tributos incidentes na importação, mas repito, também se moveu no sentido de reparar recolhimento feito a menor, no que tange aos tributos internos, mediante retificação de DCTF. A divergência contábil apontada pela fiscalização, a nosso entendimento não causou prejuízo algum a Fazenda Nacional. Em tal Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000913/200801 Resolução nº 3202000.188 S3C2T2 Fl. 3.079 5 contexto, presumese, pois, de boafé a conduta da empresa representada, mesmo porque não restou comprovada nem a inexistência de fato, nem a falta de comprovação da origem dos recursos empregados. Ademais, inexiste comprovação de que o contribuinte tenha utilizado algum meio fraudulento objetivando burlar os encargos tributários, de modo que se afigura exorbitante a decretação de inaptidão do CNPJ da mesma. O principio da segurança jurídica consubstanciase na necessidade e adequação dos meios empregados para que atinja os desideratos que a lei almeja. In casu, não se configurando a interposição fraudulenta, bem como havendo possibilidade da determinação de providência extremamente gravosa ao contribuinte, novamente menciono que se afiguraria demasiada a pena imposta. Desta forma, do quanto foi exposto, ressalvandose as vênias cabíveis, e, considerando que os fatos levantados pela fiscalização não configuraram as irregularidades previstas na legislação para caracterização da declaração de inaptidão, manifesto entendimento de que deva ser acolhido o pleito sobre a insubsistência da representação, tornandoa sem efeito, haja vista as razões expendidas no presente parecer. Forte nessas razões, voto para converter o julgamento em diligência para que seja: a) juntada aos autos a cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770, especialmente a documentação de fls. 1.287 a 1.680 deste, onde consta os contratos de câmbio que comprovariam a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., de acordo com o Parecer n° 991/07; b) intimada a unidade preparadora para analisar se a documentação de fls. 1.287 a 1.680 do Processo de n° 12466.000172/200770, onde consta os contratos de câmbio a que alude a conta contábil "Câmbio Exterior Próprio", comprovariam ou não a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Ao fim da instrução processual, as Recorrentes deverão ser intimadas para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias sobre os documentos juntados aos autos em decorrência da diligência. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000753/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA EXPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 33.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964.
Numero da decisão: 2201-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro ODMIR FERNANDES (Suplente convocado).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA EXPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 33. “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25. “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 07 53 /2 00 9- 15 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/09, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 8.395.629,36, calculado até 30/04/2009. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150%. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Argumenta, em síntese (fls. 152/155), que apresentara durante a fiscalização declarações retificadoras dos exercícios 2004 a 2008 comprovando o exercício de atividade rural; que os depósitos bancários não são fato gerador do imposto; que a súmula 182/85 do extinto Tribunal Federal de Recursos considera ilegítimos os lançamentos efetuados com base em meros depósitos bancários. Requer, por fim, o parcelamento do imposto apurado nas declarações retificadoras. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumemse rendimentos omitidos os depósitos de origem não comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000753/200915 Acórdão n.º 2201002.452 S2C2T1 Fl. 3 3 Intimado da decisão de primeira instância em 29/09/2009 (fl. 234), Edilson Santos de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 02/10/2009 (fls. 235/240), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: Nas fls. 14 do seu Relatório Fiscal o eminente Auditor destaca a consolidação histórica da movimentação bancaria do contribuinte, onde neste encontrase tabela dando destaque a seqüente dado "TED TRANSF ELETR DISPONIV" em destaque os maiores valores tanto da conta Banco do Brasil quanto Bradesco, o auditor sequer excluiu ou aventou a possibilidade de movimentação entre elas. Só este fato de tratarse de transferência bancária o valor do Banco do Brasil deve ser reduzido em R$ 1.723.812,02 (hum milhão setecentos e vinte e três mil, oitocentos e doze reais e dois centavos), de pronto o suposto crédito anual reduziria para R$ 7.294.191,57 (sete milhões duzentos e noventa e quatro mil cento o noventa e um reais e cinqüenta e sete centavos). Diminuída a renda já declara de R$ 320.527,56 (trezentos e vinte mil quinhentos e vinte e sete reais e cinqüenta e seis centavos), o hipotético crédito anual seria R$ 6.973.664,01 (seis milhões novecentos e setenta e três mil seiscentos e sessenta e quatro reais e um centavo). Como demonstra suas declarações base da sua defesa, o contribuinte cidadão é um fomentador da produção agrícola, em especiais as culturas do cacau, cravo e castanha, durante todo o processo anual de cultivo em que mediante parcerias e arrendamentos, recebe adiantamento de mais variadas fontes compradoras da sua produção, sazonal e cíclica... A constatação 2, faz menção a créditos efetuados em conta corrente durante o ano de 2005. Conforme cópias de declarações em anexo 08 a 13, o referido crédito diz respeito a antecipações de venda de produção agrícola, devidamente retificadas e reconhecidas pelo contribuinte em suas declarações de Imposto de renda, de 2003 a 2008, conforme anexo 08 a 13 e 45 a 69. Portanto, o intimado apresenta suas declarações de retificação (que inclusive tem suas primeiras quotas já recolhidas) e aguarda o fim do termo de fiscalização para, em virtude do esforço financeiro, poder fazer o parcelamento do restante do principal. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2005. A autoridade fiscal constituiu a exigência com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do art. 43 do Código Tributário Nacional2. Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que “é fomentador da produção agrícola, em especiais as culturas do cacau, cravo e castanha, durante todo o processo anual de cultivo em que mediante parcerias e arrendamentos, recebe adiantamento de mais variadas fontes compradoras da sua produção”. Assevera ainda que retificou suas Declarações de Ajuste de 2003 a 2008, reconhecendo os valores recebidos. Pois bem, quanto às declarações retificadoras dos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, apresentadas em 09/12/2008, fls. 201/225, verificase que o contribuinte se encontrava sob ação fiscal desde 09/05/2008, conforme Termo de Início de 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000753/200915 Acórdão n.º 2201002.452 S2C2T1 Fl. 4 5 Fiscalização e Aviso de Recebimento – AR (fls. 16/18). Nesses termos, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, conforme assentando na Súmula CARF nº 33, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Quanto à alegação de que os valores foram recebidos a título de adiantamento a produtor rural, portanto não poderiam ser considerados como rendimento do autuado, verifico, pois, que não foi carreado aos autos qualquer documento que indique a origem dos depósitos. Da mesma forma, quanto à alegação de que a autoridade fiscal não excluiu da movimentação as operações intituladas "TED TRANSF ELETR DISPONIV”, constatase que o recorrente, em seu apelo, não indicou, objetivamente, a origem da transferência, razão pela qual não há como acolhêla. Ademais, como bem ponderou a autoridade lançadora no Relatório Fiscal, fl. 13, o contribuinte foi intimado e reintimado a manifestar sobre a origem dos créditos bancários, no entanto, preferiu quedarse silente. Em verdade, além das questões de direito mencionados em sua defesa, o interessado não carreou aos autos qualquer documento capaz de ilidir a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. Com efeito, era necessário que o fiscalizado carreasse aos autos os documentos que forçosamente lastrearam as operações financeiras em comento, de modo a vinculálos, mediante o cotejo de datas e valores, diretamente aos depósitos bancários efetuados na contacorrente que foram apurados pela autoridade lançadora. A indicação da fonte do recurso, sem outro elemento de prova, é absolutamente insuficiente para comprovar a origem dos diversos créditos havidos em suas contas bancárias. Ressaltese que o contribuinte apresentou sua DIRPF/2006 em 17/04/2006, informando rendimento tributáveis no valor total de R$ 7.800,00, contudo, movimentou recursos em suas contas bancárias no montante R$ 10.741.815,61 (fl. 12). Dessarte, não se constatando nos autos provas documentais contrárias, correta a tributação dos valores como renda omitida. No que tange à qualificação da multa, entendeu a autoridade lançadora que “foi efetuado lançamento com multa de oficio qualificada 150%, devido a prática, em tese, de crime de sonegação fiscal”. Ora, o que foi relatado pelo fiscal nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação, simples omissão de rendimentos ou declaração inexata, sem qualquer prova de conduta dolosa. É neste sentido a Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000753/200915 Acórdão n.º 2201002.452 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13558.000753/200915 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.452. Brasília/DF, 17 de julho de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 338DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10580.721205/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.389
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.721205/200787 Resolução n.º 220200.389 S2C2T2 Fl. 205 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentação financeira, foram iniciados, em 25/04/07, os trabalhos de fiscalização (Mandado de Procedimento Fiscal nº 0510100/00241/2007), sendo o recorrente intimado, em 23/05/07, a apresentar esclarecimentos e documentos referentes aos anos de 2004 e 2005 (fl. 18), a saber: a) Realização do(s) nome(s) dos bancos, nº de agência e nº de conta corrente, de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta, nos períodos acima identificados; b) Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, caderneta de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referente ao período acima especificado. Em 02/08/07, o recorrente foi novamente intimado (fl. 2228 do eprocesso) a apresentar documentação comprobatória da origem dos recursos utilizados nas operações listadas pela fiscalização referentes ao Banco Itaú (contas correntes 240987 e 270908) e ao Banco do Brasil (conta corrente 5.4720). Consta à fl. 31 do processo eletrônico Termo de Constatação e Reintimação Fiscal assinalando a omissão do Recorrente quanto ao atendimento das Intimações Fiscais, mesmo após prorrogação de prazo, e reintimando para a apresentação da documentação solicitada no prazo derradeiro de 05 dias. Em 23/04/07, foi expedido Requerimento de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF, para o Banco do Brasil (fl. 42 do eprocesso) e Banco Itaú (fl. 45 do eprocesso). O Banco do Brasil atendeu ao RMF às fls. 69/98, e o Banco Rural às fls. 99147. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 29/11/07, auto de infração (fls. 1117). O crédito tributário apurado foi de R$ 436.896,44, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%, tendo por fundamento omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A descrição dos fatos, do procedimento de fiscalização, e o demonstrativo da base de cálculo e enquadramento legal encontramse no Termo de Verificação Fiscal de fls. 6/10. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 151158), esgrimindo, em síntese, os seguintes argumentos: a) não é razoável exigir da pessoa física que comprove fatos ocorridos há mais de dois anos. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.721205/200787 Resolução n.º 220200.389 S2C2T2 Fl. 206 3 b) não foram excluídos os rendimentos tributáveis, isentos ou com tributação exclusiva, o que gerou bis in idem; c) não há respaldo legal para a aplicação da taxa SELIC para os juros de mora. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 3ª Turma da DRJ/BSB, que acordou, por unanimidade, pela improcedência da impugnação (fls. 184190), apresentando os seguintes fundamentos: a) não houve cerceamento de defesa, uma vez que ao recorrente foi franqueado pleno acesso às provas que embasaram a autuação, bem como as infrações e circunstâncias da autuação encontramse detalhadas nos autos; b) caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos; c) há previsão legal à aplicação de juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic. O recorrente tomou ciência da decisão de impugnação em 19/02/10. 5 Recurso Voluntário O contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 194196), em 05/03/10, repisando os argumentos da impugnação, e argumentando, ainda, que o acórdão de impugnação padeceria de nulidade por ausência de assinatura. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.721205/200787 Resolução n.º 220200.389 S2C2T2 Fl. 207 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou Requisição de Informações de Movimentação Financeira (RMF) (fls. 194196), após omissão do Recorrente na apresentação da documentação solicitada. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.721205/200787 Resolução n.º 220200.389 S2C2T2 Fl. 208 5 consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.721205/200787 Resolução n.º 220200.389 S2C2T2 Fl. 209 6 fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.721205/200787 Resolução n.º 220200.389 S2C2T2 Fl. 210 7 (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 19515.004672/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
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Recorrente ANSELMO RODRIGO BAPTISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 67 2/ 20 09 -6 9 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Resolução nº 2202000.430 S2C2T2 Fl. 288 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelo recorrente, o Fisco iniciou procedimento de fiscalização (fls. 2 e 3), intimando o recorrente para comparecer à Divisão de Fiscalização IV/Defic/SPO para ciência de documentos referentes à ação fiscal instaurada através do Mandado de Procedimento Fiscal 08190.00.2009000274 (fl. 6). Em 02/04/09, o Fisco lavrou novo Termo de Intimação Fiscal (fl. 4) para que o recorrente apresentasse extratos bancários referentes à movimentação financeira dos anos calendário de 2004 e 2005, o qual foi devolvido com informe de ausente (fl. 5). O recorrente foi intimado novamente em 30/04/09, tomando ciência no dia 06/05/09 (fl. 9). Sem manifestação do recorrente, a Fiscalização lavrou Termo de Intimação Fiscal 001/09 (fl. 1022). Houve, ainda, em razão da falta de resposta do recorrente, emissão de Termo de Intimação Fiscal 002/09 (fl. 2335), do qual restou ciente em 28/09/09 (fl. 36). Em razão da inércia do recorrente, o Fisco intimou as instituições financeiras Caixa Econômica Federal (fl. 48) e Banco Bradesco S/A (fl. 49) mediante emissão de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF). Tendo em vista as reiteradas intimações para que o contribuinte apresentasse documentos e esclarecimentos, a Fiscalização, após emitir Termo de Verificação Fiscal (fl.138 144), decidiu lavrar auto de infração. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 29/10/09 (fls. 143150), auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anoscalendário de 2004 e 2005, apurando crédito tributário no montante de R$1.556.645,00, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%. A infração imputada foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. O recorrente tomou ciência do auto em 30/10/09. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 155162), esgrimindo os seguintes argumentos: a) o prazo máximo de procedimento fiscal é de 120 dias, de modo que a presente fiscalização é nula de pleno direito, vez que excedeu tal prazo; b) o recorrente não foi notificado da instauração de mandado de procedimento fiscal, quando ocorreu a quebra de sigilo bancário, o que configura nulidade da fiscalização, além de ofender os princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Resolução nº 2202000.430 S2C2T2 Fl. 289 3 c) segundo o art. 6º da LC 105/01, para ocorrer a quebra de sigilo fiscal, deve existir processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, assim, o procedimento fiscal n° 0819000.2009.000274 só poderia ser instaurado caso tivesse ocorrido um processo administrativo anterior, do qual o contribuinte deveria necessariamente ser cientificado e desde que houvesse autorização judicial para quebra do sigilo bancário, o que não ocorre no caso. d) inconstitucionalidade da LC 105/01, uma vez que a quebra de sigilo bancário necessita de ordem judicial. Por fim, juntou termo de verificação fiscal (fl.167170) e termos de intimações fiscais (fl. 171172). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 10ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 183192), mantendo o crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados os seguintes fundamentos: a) o mandado de procedimento fiscal é instrumento interno de planejamento de controle das atividades e procedimentos fiscais, de modo que não pode obstar o lançamento, o qual é estabelecido por força de lei; b) no caso o procedimento fiscal foi prorrogado até 02/11/09, sendo que a ciência do procedimento ocorreu no dia 30/10/2009. Assim, não houve desatenção ou não observância às regras estabelecidas pela Portaria SRF n° 11.371/07; c) o fornecimento de informações pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal não constitui violação ao sigilo bancário, nos termos do art. 11, § 2º , da Lei n° 9.311/96; d) todo o procedimento fiscal e atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, estão revestidos de suas formalidades legais, não havendo que se falar em desrespeito aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; e) verificase no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida. Tratase de presunção relativa que poderia a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte, sua produção; f) em razão do Princípio da Legalidade, a autoridade fiscal possui o poder/dever de, não comprovada a origem dos recursos, considerar os valores depositados como rendimentos tributados omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente; g) Nos termos da Constituição Federal, artigos 97 e 102, incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão sobre questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Resolução nº 2202000.430 S2C2T2 Fl. 290 4 5 Recurso Voluntário O contribuinte interpôs, intempestivamente, recurso voluntário, em 14/06/11 (fl.196), após tomar ciência da decisão, em 14/04/11 (fl. 194), repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Resolução nº 2202000.430 S2C2T2 Fl. 291 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo Trata o presente caso de lançamento baseado em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários, postulando o recorrente a anulação do lançamento, em razão da inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário em procedimento administrativo. Verificase que o recorrente, tendo tomado ciência do Acórdão de Impugnação em 14/04/11 (fl. 194), interpôs recurso voluntário apenas em 14/06/2011 (fl.196), ou seja, 30 dias após o prazo prescricional (termo de perempção de fl.195). Entretanto, no âmbito das matérias que comportam julgamento de ofício, encontrase possível nulidade de procedimento de fiscalização, sendo que para alcançar seu desiderato a Fiscalização utilizou requisição de movimentação financeira (RMF) (fls.4849). A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições através da RMF (fls. 4849) está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Resolução nº 2202000.430 S2C2T2 Fl. 292 6 enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Resolução nº 2202000.430 S2C2T2 Fl. 293 7 AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Resolução nº 2202000.430 S2C2T2 Fl. 294 8 mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, considerando tratarse de matéria de ofício, ainda que perempto o recurso voluntário, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 16682.720790/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, declinar da competência em favor da 2ª Seção do CARF.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 15/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALE S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, declinar da competência em favor da 2ª Seção do CARF. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 15/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 79 0/ 20 11 -1 2 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 299 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em razão do provimento integral da impugnação, o que conduziu à exoneração de valor de R$ 74.597.928,90, nos termos do art. 34 do Dec. 70.235/72, tendo em vista a nulidade do auto de infração e do termo de verificação fiscal de fls. 219 a 231. O presente processo tem origem no Mandado de Procedimento Fiscal n. 07.1.85.002011.005682, cujo objetivo era fiscalizar o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relativo ao anocalendário de 2009. Foram expedidas intimações solicitando informações e documentos, o que foi atendido pela recorrida (fls. 4 e 184). De posse das informações apresentadas, o auditor fiscal identificou um negócio jurídico no qual incidiria o IRRF, qual seja, a aquisição da empresa Rio Tinto Brasil pela recorrida, Vale S/A. Melhor esclarecendo. A empresa Rio Tinto Brasil (RTB) foi adquirida em 2003 pelas empresas Rio Tinto Brazilian Holdings Ltd (RTBH), sediada na Inglaterra. Na ocasião, a RTBH cedeu 1 (uma) cota da Rio Tinto Brasil à empresa Rio Tinto Brazilian Investiments Ltd (RBTI), também situada na Inglaterra. Em 18/09/2009, as empresas RTBH e RTBI alienaram a empresa RTB à recorrida, que adquiriu a totalidade da participação societária, pelo valor de R$ 434.333.385,80. Nesta operação incide, portanto, o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o ganho de capital auferido pelas alienantes (RTBH e RTBI). O ganho de capital é determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição da empresa Rio Tinto Brasil. Neste caso específico, as empresas alienantes (RTBI e RTBH) situamse no exterior, motivo pelo qual a empresa Vale S/A tornouse responsável pela retenção e repasse do IRRF sobre o ganho de capital (caso existente). É o que esclarecem o art. 3º, da Lei n. 7.713/88, art. 18 da Lei n. 9.249/95 e art. 26 da Lei n. 10.833/03, adiante transcritos: Lei n. 7.713/88. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) [...]. §3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins [...]. Lei n. 9.249/95. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 300 3 Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País. Lei n. 10.833/03. Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere oart. 18 da Lei no9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. Neste sentido, determina o art. 2º, §2º da Portaria MF n. 550/94 que devem ser considerados como custo de aquisição “os valores em moeda estrangeira constantes dos itens de Investimento e Reinvestimento do certificado de registro de capital estrangeiro emitido pelo Banco Central do Brasil”. Entretanto, procurando discutir o critério de definição do custo de aquisição, as empresas RTBH e RTBI impetraram o Mandado de Segurança n. 2009.51.01.0198272 (29ª Vara da Justiça Federal do rio de Janeiro/RJ) (fls. 24 e ss.). As empresas alienantes (RTBH e RTBI) entendem quedeveria ser aplicada a IN 208/02, segundo a qual o custo de aquisição “deve ser comprovado com documentação hábil e idônea” (art. 26, §3º) e, somente na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição será “apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil, vinculado à compra do bem ou direito” (art. 26, §4º). No curso do processo, por força de decisão liminar, a Vale S/A foi intimada a depositar judicialmente o valor de IRRF, levandose em conta o cálculo exigido pelo fisco: Ao ter conhecimento do depósito em juízo realizado pela empresa Vale S/A, o auditor fiscal declarou que foi observado o critério adequado(fl. 225). Todavia, entendeu ser oportuno o lançamento para prevenir a decadência, incluindo a Vale S/A como sujeito passivo, observese: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 301 4 Em face da constituição do crédito tributário em seu desfavor, a recorrida apresentou impugnação argumentando o que segue (fl. 236 e ss.): (i) Ilegitimidade passiva: a lavratura do auto de infração teve como fundamento sua responsabilidade pela retenção e recolhimento do tributo, nos termos do artigo 26 da Lei n° 10.833/04; a responsabilidade da fonte pagadora lhe é atribuída apenas para antecipar o imposto devido pelo beneficiário e existe só em função da disponibilidade transitória da renda de terceiro (o contribuinte), situação que a vincula ao fato gerador da obrigação respectiva; tendo a fonte pagadora efetuado a retenção e recolhimento do tributo, não há hipótese de manutenção de sua responsabilidade por se encerrar a vinculação com a hipótese de incidência, passando o beneficiário a se responsabilizar pela correta apuração do mesmo; portanto, deve ser desonerado o responsável, visto que não é lícito ou justo que este seja responsabilizado pela ausência do recolhimento diante de ordem judicial, uma vez que, retido o tributo, este perdeu a disponibilidade da renda, assim como concluiu a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT n° 2998; após, colaciona acórdão da Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, que já decidiu que a responsabilidade deve ser imputada ao contribuinte e não ao responsável; a Receita Federal do Brasil já reconheceu que o impedimento à retenção e recolhimento, pela fonte pagadora, desloca a responsabilidade para o contribuinte nos termos do Parecer Normativo n° 1 de 24.09.2002 (DOU de 25.09.2002); a própria autoridade fiscal atesta que são contribuintes as empresas alienantes, respaldando a nulidade do auto de infração pela indicação incorreta do sujeito passivo. (ii) Obrigação legal devidamente adimplida: ao efetuar o lançamento com exigibilidade suspensa, a autoridade fiscal atestou que os contribuintes iniciaram discussão judicial e que foi efetivado depósito do valor integral; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 302 5 o fundamento legal para o lançamento com a exigibilidade suspensa citado no próprio relatório fiscal é o art. 63 da Lei n° 9430/96 e, consoante o disposto, esse é efetuado para evitar a decadência, nas hipóteses dos incisos IV e V do art. 151 do CTN; os referidos incisos trazem as hipóteses de concessão de medida liminar em mandado de segurança e concessão de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ação judicial; entretanto, a hipótese dos autos corresponde ao art. 151, II do CTN: suspensão do crédito por força do depósito de seu montante integral; assim, não é lícito à RFB efetuar o lançamento de ofício de crédito suspenso por força de depósito judicial, com fulcro no art. 63 da Lei n° 9430/96; também porque a situação em tela dispensa o próprio lançamento, haja vista sua natureza intrínseca; por fim, a autuada procedeu ao depósito mediante ordem judicial, na qualidade de fonte pagadora, do valor previamente apurado, sendo este declarado como suficiente pela RFB. desta forma, o ciclo de constituição do crédito tributário está completo, não restando ato a ser levado a efeito para preservar o efeito creditório, o que constitui a finalidade última do ato de lançamento. (iii) Ilegitimidade de incidência de juros de mora: o depósito do valor integral do crédito tributário, hipótese prevista no art. 151, II do CTN, tem o condão de afastar definitivamente os efeitos da mora, posto que o depósito necessariamente ficará vinculado à decisão final a ser prolatada; trouxe para corroborar o entendimento diversas decisões da Câmara Superior do antigo Conselho de Contribuintes. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ/RJI declarou procedente a impugnação, proferindo o Acórdão nº 1243.778 (fls. 274/281) e, portanto, exonerando a recorrida do crédito tributário lançado, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. BENEFICIÁRIA DO RENDIMENTO. LANÇAMENTO. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar o recolhimento do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 303 6 Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão da exoneração do crédito tributário, a autoridade julgadora determinou à fl. 274, recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A União (Fazenda Nacional) apresentou razões de recurso de ofício às fls. 288/296, aduzindo em síntese: (i) o critério pessoal da regra matriz de incidência tributária, no tocante à sujeição passiva, poderá ser composto por contribuinte ou responsável, de acordo com art. 121 do CTN; (ii) no caso de tributação do ganho de capital auferido por domiciliado no exterior, o responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda é o adquirente, pessoa física ou jurídica domiciliada no Brasil, sendo, no presente caso, a Vale S/A o sujeito passivo; (iii) ocorrido este evento, está instaurada a relação jurídica em face do sujeito ativo (União) e sujeito passivo (responsável), sendo que a extinção da referida obrigação ocorrerá apenas por uma das hipóteses previstas em lei, conforme o art. 97 do CTN; (iv) o art. 156 do CTN traz rol taxativo das hipóteses de extinção da obrigação, o que não é permitido pelo depósito do valor integral; (v) sendo assim, o lançamento realizado pela fiscalização é legítimo, pois não está extinto o crédito tributário; (vi) ainda, o Parecer utilizado como um dos fundamentos não diz respeito à mesma realidade que a hipótese dos autos, visto que este analisa o procedimento adotado quando, existindo provimento judicial, a fonte pagadora encontrase impossibilitada de efetuar a retenção. No presente caso, a recorrida efetuou a retenção, apesar de ter sido determinado o depósito judicial do valor, em nome dos contribuintes; (vii) traz outro trecho do Parecer mencionado acima, que dispõe que a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo e que a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que não tenha ela retido o imposto, ressalvadas apenas as hipóteses previstas nos parágrafos 18 a 22, que tratam da impossibilidade de retenção por provimento judicial. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 304 7 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O presente recurso de ofício tem por objeto a exoneração do valor de R$ 74.597.928,90, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte do anocalendário de 2009. A recorrente insurgese alegando que não houve a extinção do crédito tributário, visto que as hipóteses de extinção do crédito estão elencadas no art. 152 do CTN, o qual configura rol taxativo. 1. DA COMPETÊNCIA MATERIAL DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO DO CARF Da análise do processo administrativo, verificase que a lide versa sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre o ganho de capital resultante da alienação da empresa Rio Tinto Brasil pelas empresas RTBI e RTBH para a recorrida. O Regimento Interno do CARF dispõe sobre a competência material das Seções de Julgamento no Anexo III, determinando no art. 3º, inciso II, que compete à 2ª Seção de Julgamento processar e julgar os recursos que versem sobre o IRRF, vejamos: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo (grifo nosso). O artigo 2º, Anexo III, do RICARF determina que caberá à 1ª Seção de Julgamento processar e julgar os recursos que versem sobre o IRRF apenas em duas situações: quando se tratar de antecipação de IRPJ ou quando houver procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, in verbis: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...]III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720790/201112 Resolução nº 1302000.219 S1C3T2 Fl. 305 8 IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ (grifo nosso). Desta forma, concluise que esta Seção de Julgamento é incompetente para julgar o presente processo administrativo, sendo competente a 2ª Seção de Julgamento do CARF, conforme o teor dos artigos 2º e 3º do Anexo III do RICARF transcritos acima. 2. CONCLUSÃO Ante ao exposto, julgo pela declinação de competência a favor da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 19515.002193/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. LANÇAMENTO PROPORCIONAL. ART. 42, § 6º DA LEI Nº 9.430/96.
Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado e, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29.
É válido o lançamento que intima os cotitulares de conta conjunta para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-002.400
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 110.154,00 e R$ 27.554,00, nos anos-calendário de 2001 e 2002, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento parcial em maior extensão. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia (Relatora), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor quanto a esta última matéria o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cassio Sztokfisz, OAB/SP 257.324.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. LANÇAMENTO PROPORCIONAL. ART. 42, § 6º DA LEI Nº 9.430/96. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado e, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. É válido o lançamento que intima os cotitulares de conta conjunta para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. LANÇAMENTO PROPORCIONAL. ART. 42, § 6º DA LEI Nº 9.430/96. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado e, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. É válido o lançamento que intima os cotitulares de conta conjunta para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 93 /2 00 6- 65 Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 110.154,00 e R$ 27.554,00, nos anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento parcial em maior extensão. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia (Relatora), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor quanto a esta última matéria o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Cassio Sztokfisz, OAB/SP 257.324. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 948 e seguintes, lavrado em 16/10/2006, exigese do Contribuinte ISMAR ARLINDO GRECHI ROMANI, o montante de R$ 918.671,28 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 631.706,69 de juros de mora e R$ 689.003,45 de multa de ofício, totalizando R$ 2.239.381,42 (atualizados até a data da autuação) referente ao anoscalendário de 2001 e 2002. O lançamento decorreu em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 941 a 947), o Contribuinte reportou em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA) referente aos anoscalendário 2001 e 2002, rendimentos incompatíveis com sua movimentação financeira, conforme pode ser detectado por intermédio da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). Desta feita, foi iniciado processo fiscalizatório no qual foram solicitados ao Contribuinte os extratos bancários que justificassem a referida movimentação. O Contribuinte logrou êxito na apresentação de alguns, mas houve pendência na apresentação de outros. Assim, a fiscalização solicitou à entidade bancária por meio de Relatório de Movimentação Financeira (RMF), a informação faltante. Após o tratamento das informações pela fiscalização, foi submetido ao Contribuinte sue resultado para que o mesmo justificasse a natureza dos depósitos. Durante o processo de fiscalização, constatouse que algumas contas bancárias tinham como cotitulares a Sra. NANA GRECHI ROMANI (conta: 308293 da agência 02780) e a Sr. ROSÂNGELA MARIA DELFFAÍO ROMANI (conta: 116114 da agência 02780). Logo, as mesmas foram intimadas para terem a oportunidade de justificarem os referidos depósitos. Nem o Contribuinte, nem as cotitulares apresentaram justificativa acerca da natureza do depósito. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 18/10/2006 (fls. 958) e apresentou Impugnação (fls. 970 a 992) em 08/11/2006, com as seguintes alegações, conforme trecho extraído do Relatório da decisão da DRJ: · Nulidade em função do fato de que a autuação fundamentase apenas em extratos bancários, documentos que por si só são incapazes de demonstrar a ocorrência de acréscimo patrimonial. · Alega que os valores descritos nos extratos bancários decorrem em grande medida, de receitas de terceiros e de empréstimos pessoais, não configurando omissão de rendimentos. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 · Acrescenta que auferiu juntamente com terceiros (sua mãe Nana, seu irmão Ivo e sua esposa Rosângela), rendimentos de aluguéis que eram creditados em sua conta corrente no Banco Bradesco e que posteriormente, ele repassava os recursos correspondentes aos outros locadores. · Pretende ele ainda justificar os créditos tributados no presente por meio de empréstimos que tomou, cujos recursos foram creditados em sua conta corrente. · Além dos empréstimos e contratos de aluguel, o requerente alega ainda que parte dos créditos decorrem de lucros distribuídos pela empresa Racional Comércio de Veículos Ltda, conforme comprovante de rendimentos de fl. 1082, no valor de R$40.000,00. · Informa o contribuinte que no exercício de 2001, teria ele vendido à sua mãe Nana Romani 50% da fração ideal de terreno correspondente ao 7o andar do edifício na Rua Fernandes Abreu, n°s 78, 90, 102 e 108 pelo valor de R$ 100.800,00 depositados integralmente em 01/06/2001, tendo sido recolhido o IRPF sobre o ganho de capital. · Acrescenta que no anocalendário de 2001, ele teria vendido um automóvel marca Audi, modelo A8 para Wagner Farid Gattaz, conforme cópia do documento de transferência de veículo de fls. 1106 a 1108, por R$ 60.000,00, creditados em 31/01/2001 e 13/03/2001. · Alega que não teria havido omissão de rendimentos, em virtude da utilização do mesmo dinheiro durante os exercícios de 200le 2002. Esses recursos seriam seu capital de giro, movimentado para a realização dos negócios jurídicos. · Finalmente alega a ilegalidade da taxa SELIC como índice de recomposição patrimonial no âmbito tributário, transcrevendo voto do ministro Franciulli Netto, em acórdão publicado em 16/06/2000 a fim de embasar suas alegações. A 6ª Turma da DRJ/SP2, em 08/12/2010, em decisão de fls. 1134 a 1150, julgou a Impugnação procedente em parte para excluir do lançamento os valores recebidos da Nextel Telecomunicações Ltda. pela locação de imóvel, conforme ementa destacada a seguir: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANOS CALENDÁRIO 2001 E 2002. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. No entanto, devem ser excluídos da tributação os créditos cuja origem foi efetivamente comprovada por meio dos documentos trazidos aos autos. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. O Contribuinte foi notificado da decisão em 11/05/2011 (fls. 1159), tendo apresentado Recurso Voluntário em 10/06/2011 (fls. 1162 a 219) com os seguintes argumentos: · Necessidade da interpretação sistemática do art. 42 da Lei nº 9.430/96 em face do conceito constitucional de renda. Assim, o Fisco deveria diligenciar a fim de verificar se os valores apresentados nos extratos bancários de fato correspondem a acréscimo patrimonial. · Pugna pela nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que o mesmo foi superficial não priorizando a verdade material, sendo o lançamento efetuado com base em suposições. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 4 5 Entende que cabe à fiscalização demonstrar que os referidos depósitos representam acréscimo patrimonial. Acrescenta ser ilegal a cobrança de tributo com base em presunções. · Defende que o lançamento é nulo, pois em relação às contas bancárias em conjunto, cujos co titulares apresentem Declaração de Ajuste Anual (DAA) em separado, não foi efetuado o lançamento proporcional, conforme preconiza o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A integralidade do lançamento foi efetuado na pessoa do Contribuinte. · Afirma que as cotitulares não foram intimadas a apresentar justificativa acerca dos referidos depósitos. Logo, pleiteia a nulidade do lançamento com base na Súmula CARF nº 29. · Pleiteia a decadência do lançamento efetuado em relação ao período de janeiro a setembro de 2001. Entende que a decadência no caso de depósito bancário deve ser mensal e não anual. · No tocante à origem dos depósitos, remete aos argumentos de sua peça impugnatória e justifica que os mesmos se comprovam por receitas auferidas em nome de terceiros e empréstimos pessoais contraídos. · Insurgese quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. Das Preliminares I.1. Necessidade de Diligência da Autoridade Fiscal O Contribuinte alega a necessidade da interpretação sistemática do art. 42 da Lei nº 9.430/96 em face do conceito constitucional de renda. Assim, entende o Contribuinte que o Fisco deveria diligenciar a fim de verificar se os valores apresentados nos extratos bancários de fato correspondem a acréscimo patrimonial. A argumentação levantada pelo Contribuinte não se sustenta a partir da vigência da Lei nº 9.430/96 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Nesta senda, a autoridade tributária não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio) incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorreria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O presente posicionamento já encontrase pacificado na presente Corte conforme enunciado nº. 26 da Sumula do CARF: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Preliminar rejeitada. I.2. Lançamento por Presunção O Contribuinte pugna pela nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que o mesmo foi superficial não priorizando a verdade material, sendo o lançamento efetuado com base em suposições. Entende que cabe à fiscalização demonstrar que os referidos depósitos representam acréscimo patrimonial. Acrescenta ser ilegal a cobrança de tributo com base em presunções. A preliminar de nulidade apresentada pelo Contribuinte não encontra respaldo na legislação pátria vigente. Como exposto anteriormente, após o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não mais cabe à fiscalização comprovar que os depósitos representam acréscimo patrimonial. A presunção é que os depósitos bancários representam acréscimo patrimonial, cabendo ônus ao Contribuinte em comprovar a origem dos depósitos. Nesta linha, já há Súmula do presente órgão – Súmula CARF nº 26 – devendo ser rejeitada essa preliminar. I.3. Ausência de Lançamento Proporcional – Cotitulares Ainda em sede de preliminar, o Contribuinte defende que o lançamento é nulo, pois em relação às contas bancárias em conjunto, cujos cotitulares apresentem Declaração de Ajuste Anual (DAA) em separado, não foi efetuado o lançamento proporcional, conforme preconiza o art. 42, § 6º da Lei nº 9.430/96. A integralidade do lançamento foi efetuado na pessoa do Contribuinte. Não obstante a alegação do Contribuinte, ao compulsar os autos, resta comprovado que o lançamento em relação às contas conjuntas ocorreu proporcionalmente a cada cotitular, conforme disposto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 944 e 945) verificase que os valores considerados pela fiscalização para o lançamento correspondem a 50% do valor depositado nas contas em conjunto, conforme demonstrado a seguir: Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 5 7 Conta Conjunta nº 3082903 (Nana Romani) 2001 Total de Depósitos R$ 622.858,23 Fls. 923 Total Autuado R$ 290.783,80 Fls. 944 Conta Conjunta nº 3082903 (Nana Romani) 2002 Total de Depósitos R$ 414.892,39 Fls. 928 Total Autuado R$ 207.446,21 Fls.945 Conta Conjunta nº 116114 (Rosangela Romani) 2001 Total de Depósitos R$ 16.769,00 Fls. 935 Total Autuado R$ 8.384,50 Fls.944 Conta Conjunta nº 116114 (Rosangela Romani) 2002 Total de Depósitos R$ 15.407,20 Fls. 936 Total Autuado R$ 7.703,60 Fls. 945 Desta feita, considerando que o Contribuinte apenas alegou que o rateio não foi efetuado não apresentando provas que contra argumentem os valores lançados, a preliminar de nulidade deve ser rejeitada. I.4. Ausência de Intimação dos Cotitulares O Contribuinte afirma que as cotitulares não foram intimadas a apresentar justificativa acerca dos referidos depósitos. Logo, pleiteia a nulidade do lançamento com base na Súmula CARF nº 29. Compulsando os autos, verificase que às fls. 933 e seguintes há intimação da cotitular Sra. Rosangela Maria Delfino Romani, com devido aviso de recebimento assinado às fls 937. No mesmo sentido, às fls. 918, há intimação da cotitular Sra. Nana Romani com aviso de recebimento assinado às fls 929 e 930. Preliminar rejeitada. I.5. Decadência Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 O Contribuinte pleiteia a decadência do lançamento efetuado em relação ao período de janeiro a setembro de 2001. Entende que a decadência no caso de depósito bancário deve ser mensal e não anual. Acerca do tema a Súmula CARF nº 38 já pacificou entendimento no sentido que o fato gerador do IRPF quando lançado com base em depósitos bancários sem origem comprovada é 31 de dezembro do anocalendário. Confirase: “Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Desta feita, o prazo decadencial não deve ser computado mensalmente, mas sim anualmente. Preliminar rejeitada. II. Do Mérito II.1. Origem dos Depósitos Bancários II.1.1. Rendimentos de Aluguel O Contribuinte alega que grande parte dos valores depositados em sua conta corrente (Bradesco) eram referentes a aluguéis. Os referidos valores pertenciam a ele próprio, bem como a sua mãe (Sra. Nana Grechi Romani) e sua esposa (Sra. Rosângela Maria Delfino Romani). Assim, o Contribuinte concentrava o recebimento dos aluguéis em sua conta corrente e depois os distribuía para sua mãe e esposa, que recebiam tais valores em suas contas conjuntas. Por esse cenário, o Contribuinte defende que apenas a parcela da qual é beneficiário que deve ser considerada como renda e afirma que o foi, tendo em vista que o rendimento foi reportado em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) e o imposto recolhido. Para comprovar os aluguéis recebidos, o Contribuinte apresentou, em sede de Impugnação, contratos de locação firmados com os seguintes locatários: ALCA ATACADISTA ALIMENTOS LTDA., COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA.; SERIGRAFIA REBOUÇAS LTDA., SR. JOÃO FERNANDO LIMA ABREU; SR. LOURIVAL DE OLIVEIRA TEOTÔNIO, LESTE PAINÉIS, SR. PAULO FAVANO e SR. OLAVO LEAL DE CARVALHO GUERREIRO. Além disso, o Contribuinte vinculou cada aluguel recebido com os extratos bancários utilizados pela fiscalização para promover a autuação e os valores são coincidentes. A DRJ decidiu por não considerar os contratos de locação apresentados como documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos, pois os mesmos não se encontram registrados em cartório. Confirase trecho da decisão da DRJ: “Quanto aos contratos de aluguel apresentados de fis. 1001 a 1026 de fis. 1049 a 1067, há que se esclarecer que nenhum deles foi registrado e, por esta razão, faz prova somente entre as partes e não tendo valor perante o Fisco, conforme dispõe o caput do artigo 221 do Código Civil abaixo transcrito. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 6 9 Ademais, com exceção do contrato firmado com a Nextel, não foi possível fazer a necessária vinculação entre o crédito que pretende comprovar com o locatário do imóvel, por meio de DOCs, depósitos em cheques, transferências bancárias em que conste a identificação do depositante, etc. Transcrevemos o artigo 221 do Código Civil, que trata da necessidade de registro público dos contratos: "Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprirse pelas outras de caráter legal." (grifo nosso).” Compulsando os autos, verificase que para o anocalendário de 2001, o Contribuinte ofereceu à tributação os valores (proporcionais) de aluguel recebidos das empresas SERIGRAFIA REBOUÇAS LTDA. (R$ 6.600,00), COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00). Em relação às pessoas físicas e as demais empresas locatárias não consta na Declaração de Ajuste Anual (ano calendário 2001) reporte da renda auferida a título de aluguel. Para o anocalendário de 2002, verificase que o Contribuinte ofereceu à tributação dos valores (proporcionais) de aluguel recebidos da empresa COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00) e reportou como rendimento tributável recebido de pessoa física R$ 20.000,00 que alega ser dos locatários pessoas físicas. Em relação aos demais locatários não consta na Declaração de Ajuste Anual (ano calendário 2002) reporte da renda auferida a título de aluguel. Não obstante o entendimento da DRJ, entendo que os referidos contratos de locação são válidos para comprar a origem dos depósitos bancários. A um porque, apesar de não registrados em cartório, possuem reconhecimento das firmas dos signatários dos mesmos à época de sua execução. A dois porque há coincidência dos valores informados nos contratos e aqueles depositados na conta corrente do Contribuinte. A três porque a forma do recebimento dos aluguéis na figura do Contribuinte que posteriormente distribui entre sua mãe e esposa é plenamente factível e corriqueira, tendo em vista as relações familiares. A quatro porque, ao meu ver, não resta necessário o registro em cartório para que um contrato de locação tenha validade perante o Fisco. O Fisco tem aparatos necessários para verificar se o contrato de locação é adimplido como tal e de forma correta. Assim, não é o registro do contrato de locação em cartório que o faz ser uma locação para fins fiscais, os demais elementos de prova são suficientes para comprovar que de fato a locação existe. Apesar de comprovada a origem dos depósitos, é importante destacar que tais rendimentos não foram reportados como tributáveis pelo Contribuinte quando da confecção de sua Declaração de Ajuste Anual (anos calendário 2001 e 2002). Desta feita, como as provas que justificam a comprovação do aluguel não foram trazidas pelo Contribuinte durante o processo de fiscalização, mas apenas quando da apresentação da Impugnação, o Contribuinte acabou por prejudicar que a fiscalização efetuasse o lançamento corretamente, ou seja, ao invés depósito bancário, como rendimento recebido de Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 aluguel art. 42, § 7º da Lei nº 9.430. Logo, resta mantido o lançamento em relação aos valores que não foram reportados na Declaração de Ajuste Anual. Portanto, entendo que devem ser excluídos da base de cálculo do imposto os valores dos aluguéis reportados na DAA (anos calendário 2001 e 2002), quais sejam: (i) para o ano calendário de 2001 SERIGRAFIA REBOUÇAS LTDA. (R$ 6.600,00), COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00) e (ii) para o ano calendário de 2002 COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00) e R$ 20.000,00 recebidos dos locatários pessoas físicas. II.1.2. Empréstimos Pessoais O Contribuinte também afirma que parte dos depósitos em sua conta bancária são referentes a empréstimos pessoais tomados pelo mesmo, e, por isso, não configuram renda tributável. Apresenta no Recurso Voluntário listagem de nomes, valores e datas dos empréstimos tomados. Alega, ainda, que não pode apresentar mais documentação acerca das operações de empréstimos, pois as mesmas são muito antigas, fato que dificulta a obtenção de documentação. A decisão da DRJ entendeu que o Contribuinte não apresentou prova hábil e idônea que comprove a contratação dos referidos empréstimos. Confirase trecho de decisão da DRJ: “Quanto aos empréstimos, há que se esclarecer que não há prova alguma da concretização dos mesmos. Os documentos de fls. 1072, 1074, 1076, 1078 e 1080 são Notas Promissórias emitidas pelo próprio contribuinte que não fazem prova do empréstimo supostamente contratado. Uma delas nem está assinada por ele (fl. 1076). Tratase somente de uma declaração do próprio contribuinte comprometendose a pagar um valor a uma determinada pessoa. Tal documento não é hábil a comprovar a origem dos créditos que o contribuinte aponta como sendo relativos aos empréstimos. De fato, os históricos constantes nos extratos não trazem a necessária vinculação com os depositantes e, por esta razão não serão considerados comprovados. Acrescentese a isto o fato de que, com exceção do empréstimo supostamente tomado com sua mãe Nana Grechi Romani, o total identificado pelo contribuinte como sendo proveniente de empréstimos não guarda relação com os valores que alega ter tomado Emprestado (...)”, Em face do exposto nos autos, verificase que o Contribuinte não logrou êxito em comprovar a contratação dos empréstimos por meio de documentação cabível. O Contribuinte alega a contratação dos empréstimos e apresenta correlação de datas, valores e nomes, porém não junta qualquer outro documento que comprove a operação, apenas Notas Promissórias, algumas despidas de reconhecimento de firma e as demais com reconhecimento de firmas efetuadas na mesma data em 2006, muito posterior à contratação dos alegados empréstimos. Desta feita, considerando que resta necessário para comprovação da origem dos depósitos bancários documentação hábil e idônea e esta não foi apresentada pelo Contribuinte, o lançamento deve ser mantido nesse aspecto. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 7 11 II.1.3. Distribuição de Lucros O Contribuinte argumenta que alguns depósitos têm como origem a distribuição de lucros, isentos de IRPF, conforme disposição legal. Alega que recebeu da empresa RACIONAL COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA. o valor de R$ 40.000,00 a título de dividendos distribuídos, nas seguintes datas e valores: em 23/08/2001 (R$ 1.000,00 e R$ 25.000,00), em 18/09/2001 (R$ 9.000,00) e em 20/11/2001 (R$ 5.000,00). Verificando a DAA do Contribuinte referente ao ano calendário de 2001, constatase que o valor declarado como “lucros e dividendos recebidos” é de R$ 36.000,00, conforme Informe de Rendimentos emitido pela RACIONAL COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA. (fls. 1088). Há Informe de Rendimentos da esposa do Contribuinte (Sra. Rosângela Romani) emitido pela mesma pessoa jurídica, tendo como informado o montante de R$ 4.000,00 como “lucros e dividendos recebidos”. Importante mencionar que o Contribuinte não apresenta Declaração de Ajuste Anual em conjunto com a esposa. Além disso, verificandose os extratos bancários, constatase que há depósitos de identidade de data e valor, conforme informado pelo Contribuinte. Desta feita, entendo que o valor de R$ 36.000,00 deve ser excluído da base de cálculo do ano calendário de 2001 por restar comprovada a origem e a mesma ser isenta de IRPF (lucros e dividendos distribuídos). II.1.4. Alienação de Imóveis O Contribuinte argumenta que um depósito tem como origem o valor obtido em face da alienação de imóvel, cujo ganho de capital já fora oferecido à tributação. Tratase da alienação de 50% da fração ideal do terreno vendido a Sra. Nana Romani pelo valor de R$ 100.800,00, depositados em sua conta corrente em 01/06/2001. Verificandose a DAA (ano calendário de 2001), constatase que não foi reportado tributação sobre o ganho de capital em alienação de imóveis, conforme reporta o Contribuinte. Além disso, verificandose os extratos bancários, constatase que houve depósito no referido valor na mencionada data (R$ 100.800,00). Com base na documentação apresentada pelo Contribuinte, verificase que, apesar de o mesmo informar na Impugnação que junta cópia do contrato de compra e venda do imóvel como “documento 07”, o mesmo não consta nos autos do processo. Desta feita, apesar de haver identidade entre o valor recebido na data mencionada pelo Contribuinte, não há prova capaz de justificar a origem do referido depósito, a um porque não há nos autos cópia do contrato de compra e venda do referido imóvel e a dois porque não foi reportado na DAA do ano calendário de 2001 tributação com base no ganho de capital apurado na venda do imóvel, conforme alegado pelo Contribuinte no Recurso Voluntário. Logo, a autuação deve ser mantida nesse aspecto. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 II.1.5. Alienação de Veículo O Contribuinte argumenta que alguns depósitos têm como origem o valor obtido em face da alienação de veículo, na qual foi apurado prejuízo (perda de capital), sem impacto tributário. Tratase da alienação de veículo usado no ano calendário de 2001 no valor de R$ 60.000,00, cuja metade do valor recebeu em depósito em 31/01/2001 e a outra metade em 13/03/2001. Além disso, verificandose os extratos bancários, constatase que há depósito de idêntico valor nas datas indicadas pelo Contribuinte. A argumentação da DRJ para negar procedência ao pleito do Contribuinte foi no sentido de que a transferência de titularidade do automóvel apenas ocorreu em período seguinte, logo não poderia considerar tal depósito como vinculado à venda do mesmo. Ouso discordar do entendimento da DRJ, por se tratar de bem móvel, a transferência da propriedade ocorre com a tradição e não a alteração de título de propriedade veicular perante o órgão de trânsito. Desta feita, tendo em vista que o Contribuinte logrou êxito em identificar o bem, que fora reportado no balanço de abertura da sua DAA (ano calendário 2002) e depois retirado no balanço final, bem como o montante pelo qual alega ter alienado o veículo possui identidade de data aos depósitos bancários em sua conta corrente, acredito que restou comprovado a origem dos recursos e que os mesmos não são passives de tributação por se tratar de alienação com apuração de perda de capital. II.2. Incidência dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício O Contribuinte em antecipação já defende a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, em razão da ausência de respaldo legal, bem como se tratar de uma dupla penalização. A cobrança de juros sobre multa de oficio ocorre em face do Parecer MF nº. 28, de 02.04.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), cuja conclusão deixa exposto que: “O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3º, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições – inclusive, pois, relativos às multas de ofício não pagas nos respectivos vencimentos.” Contudo, essa conclusão parte de uma exegese equivocada, porquanto o art. 61 da Lei nº 9.430/96 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de oficio, que não são espécie tributária, conforme previsão do art. 3º do Código Tributário Nacional. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 8 13 Assim, entendo não ser cabível a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para: i. Excluir da base de cálculo do ano calendário de 2001 os rendimentos recebidos da SERIGRAFIA REBOUÇAS LTDA. (R$ 6.600,00), COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00). ii. Excluir da base de cálculo do ano calendário de 2002 os rendimentos recebidos da COMÉRCIO DE CEREAIS FRAIBURGUENSE LTDA. (R$ 7.554,00) e R$ 20.000,00 recebidos dos locatários pessoas físicas. iii. Excluir da base de cálculo do ano calendário de 2001 o valor de R$ 60.000,00 referente à alienação de veículo usado com apuração de perda de capital. iv. Excluir da base de cálculo do ano calendário de 2001 o valor de R$ 36.000,00 por restar comprovada a origem como rendimento isento (lucros e dividendos distribuídos). v. Excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Não obstante brilhante voto proferido pela insigne Nathália Mesquita Ceia, peço vênia para discordar de seu entendimento, somente em relação aos juros sobre a multa de ofício. No que tange à incidência dos juros sobre a multa, penso que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos com a União, incluiu o tributo e a multa, já que a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Esse entendimento possui precedentes neste Órgão Administrativo, consoante se verifica das ementas transcritas: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138– 1ª Seção. 2ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) ... JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa.” (Acórdão 140100.155 – 1ª. Seção. 4ª. Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). No mesmo sentido é a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF Nº 910100.539, em Sessão de 11 de março de 2010) ... JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 910101.191 – Sessão de 17 de outubro de 2011) No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça assentou serem devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002193/200665 Acórdão n.º 2201002.400 S2C2T1 Fl. 9 15 Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000775/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DÉBITOS NÃO INFORMADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Os débitos não informados em DCTF pelo sujeito passivo devem ser objeto de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para: (i) restabelecer o lançamento do IRPJ referente ao 4º trimestre de 2003, devendo todavia serem vinculados a este débito os pagamentos espontaneamente realizados pela contribuinte, ainda que com código 2456, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ (fls. 235/236), excluindo-se a multa de ofício e os juros de mora, e; (ii) vinculação do pagamento realizado após a decisão de primeiro grau referente à parcela mantida pela DRJ (fl. 243).
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 DÉBITOS NÃO INFORMADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos não informados em DCTF pelo sujeito passivo devem ser objeto de lançamento de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para: (i) restabelecer o lançamento do IRPJ referente ao 4º trimestre de 2003, devendo todavia serem vinculados a este débito os pagamentos espontaneamente realizados pela contribuinte, ainda que com código 2456, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ (fls. 235/236), excluindo-se a multa de ofício e os juros de mora, e; (ii) vinculação do pagamento realizado após a decisão de primeiro grau referente à parcela mantida pela DRJ (fl. 243). (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DÉBITOS NÃO INFORMADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos não informados em DCTF pelo sujeito passivo devem ser objeto de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício para: (i) restabelecer o lançamento do IRPJ referente ao 4º trimestre de 2003, devendo todavia serem vinculados a este débito os pagamentos espontaneamente realizados pela contribuinte, ainda que com código 2456, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ (fls. 235/236), excluindose a multa de ofício e os juros de mora, e; (ii) vinculação do pagamento realizado após a decisão de primeiro grau referente à parcela mantida pela DRJ (fl. 243). (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de remessa oficial proposta nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72, em face do acórdão nº 1234.931, exarado pela 4ª Turma da DRJ1 no Rio de Janeiro RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 07 75 /2 00 8- 19 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000775/200819 Acórdão n.º 1201001.039 S1C2T1 Fl. 3 2 Afirma a autoridade fiscal que a contribuinte declarou nas DCTFs referentes ao ano de 2003 débitos trimestrais de IRPJ em montantes inferiores àqueles informados na respectiva DIPJ. Explica o auditor que, intimada para tanto, a fiscalizada apresentou os livros Diário e Razão os quais confirmam que os valores devidos são aqueles informados na DIPJ, motivo pelo qual constituiu de ofício a parcela do imposto não declarada em DCTF. Inconformada com a exigência a interessada propôs impugnação ao lançamento alegando, em resumo, o seguinte: a) o IRPJ lançado já havia sido espontaneamente pago, embora com código 2456, quando o correto seria 2089; b) foram providenciados os REDARDs, conforme documentos em anexo. Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 DECADÊNCIA. IRPJ. HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. De acordo com as normas contidas no CTN, nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4º, quando houver pagamento antecipado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2003 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. PAGAMENTO EFETUADO DENTRO DO PRAZO CONCEDIDO PARA A IMPUGNAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. AJUSTAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS. DÉBITO REALMENTE QUITADO. Constitui parte incontroversa do crédito tributário a parcela objeto de pagamento efetuado pela interessada dentro do prazo para a apresentação da impugnação. Não podendo ser considerado espontâneo, o pagamento efetuado deve ser acrescido da multa de oficio, reduzida em 50%, conforme legislação vigente. No caso de o recolhimento ter sido feito com o acréscimo da multa de 20%, os valores devem ser recalculados (ajustados), tendo como parâmetro o total recolhido, para que se obtenha o correspondente valor do débito realmente quitado, considerandose os acréscimos estabelecidos em lei. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000775/200819 Acórdão n.º 1201001.039 S1C2T1 Fl. 4 3 ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 RECOLHIMENTOS EFETUADOS ESPONTANEAMENTE. EQUÍVOCO NO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO. CORREÇÃO POR REDARF. É de se considerar como espontâneos e, portanto, válidos, os recolhimentos de IRPJ efetuados antes de qualquer procedimento fiscal, com a utilização de código de IRPJ não correspondente à forma de apuração adotada no respectivo exercício, quando esses recolhimentos foram retificados por REDARF, mesmo que essa providência tenha sido tomada durante o período da fiscalização. Por haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em montante superior ao limite de sua alçada, o órgão de primeiro grau submeteu sua decisão a este Colegiado para fins de reexame necessário. Registrese, por fim, que o IRPJ mantido na decisão de primeiro grau foi recolhido pela recorrente, conforme extrato de fl. 243. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Decadência Correta a decisão do órgão de primeiro grau no que toca à decadência suscitada de ofício. De fato, comprovado ter havido pagamento de IRPJ, ainda que parcial, nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2003, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial de cinco anos é contado a partir da data do respectivo fato gerador, conforme estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN. Em assim sendo, a data limite para que o fisco pudesse constituir o crédito tributário pelo lançamento seria, respectivamente, 31/03/2008, 30/06/2008 e 30/09/2008. O lançamento, entretanto, somente foi cientificado ao sujeito passivo após essas datas, em 16/12/2008. 3) Dos Pagamentos Espontaneamente Realizados Quanto ao IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2003, a DRJ de origem reconheceu haver pagamentos espontâneos, ainda que no código 2456, em montantes suficientes para liquidação do imposto lançado. Decidiu, então, pela procedência parcial da impugnação, nos seguintes termos: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000775/200819 Acórdão n.º 1201001.039 S1C2T1 Fl. 5 4 II) ACOLHER EM PARTE a impugnação apresentada para: a) EXIMIR a interessada da cobrança do IRPJ relativa ao 4° trimestre/2003, no valor de R$ 220.898,99, em face dos recolhimentos efetuados , os quais deverão ser vinculados a este processo (fis.211/221 e 224); e b) CONSIDERAR DEVIDA a parcela de R$ 105,81, relativa ao IRPJ do 4° trimestre/2003, acrescida da multa de oficio de 75%, na forma do art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/1996, e dos juros de mora correspondentes. Ocorre que, como os valores trimestrais de IRPJ informados nas DCTFs (fl. 74 e ss.) são inferiores àqueles declarados na DIPJ/2004 e confirmados na escrita da contribuinte, o lançamento de ofício revelase procedente, haja que é a DCTF o instrumento jurídico para confissão de débito tributário. Os pagamentos espontaneamente efetuados pela recorrente, bem como aquele realizado após a decisão de primeiro grau, devem, contudo, ser vinculados ao débito lançado de ofício, conforme assentado pela DRJ. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer o lançamento do IRPJ referente ao 4º trimestre de 2003, devendo todavia ser vinculados a este débito os pagamentos espontaneamente realizados pela contribuinte, ainda que com código 2456, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ (fls. 235/236), excluindose a multa de ofício e os juros de mora, bem como o pagamento realizado após a decisão de primeiro grau referente à parcela mantida pela DRJ (fl. 243). (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000103/2002-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3201-001.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96, bem como é lícita a aplicação da taxa SELIC acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 01 03 /2 00 2- 63 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 180 2 JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. A contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento de R$ 2.568.696,75, a titulo do crédito presumido do IPI de que trata a Portaria MF n° 38/97. O Despacho Decisório de fl. 44 deferiu parcialmente o pleito, concedendo o montante de R$ 201.443,23, sendo que a parcela negada deveuse à glosa das aquisições efetuadas de pessoas físicas não sujeitas As contribuições do PIS/PASEP e COFINS, conforme o relatório de fls. 40/43. Cientificada em 21/11/2006, conforme aviso de recebimento nos autos, a interessada apresentou em 18/12/2006 a manifestação de inconformidade de fls. 92/113 com a alegação de que a fiscalização não poderia ter glosado as aquisições de pessoas físicas, pois o cálculo do crédito presumido, pelo disposto na lei que não poderia ser alterado por atos administrativos, não se restringe às aquisições da matériaprima, simples e pura, mas sim de todos aqueles bens e produtos utilizados no fluxo industrial (o produto final das pessoas físicas — laranja, limão, tangerina, etc. — traz intrinsecamente o custo dos insumos utilizados para produção: sementes, fertilizantes, equipamentos para poda e irrigação, material de embalagem, óleo combustível, etc.), inclusive adquiridos de pessoas físicas, conforme doutrina, decisões do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário. Aduz que é o produto que é onerado pelo PIS/COFINS, e não a pessoa do lavrador (pessoa física ou jurídica). Encerrou a peça de defesa com a solicitação do ressarcimento do valor glosado, devidamente atualizado pela taxa SELIC, conforme jurisprudência administrativa e judiciária que cita. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 181 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA TAXA SELIC. É incabível a concessão do estimulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A controvérsia restringese à possibilidade de inclusão das aquisições junto a pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, bem como à aplicação da taxa SELIC ao saldo credor, a título de atualização monetária do valor requerido. Com efeito, tais matérias não comportam maiores digressões por parte deste Colegiado posto o STJ já as ter julgado sob o rito do repetitivo, previsto no art. 543C do CPC. Aplicável a lide, portanto, a norma prevista no artigo 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 182 4 Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, tendo em vista o dispositivo acima transcrito, aplicase nesta decisão administrativa o entendimento exposto no julgamento do RE 993.164, reproduzido abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 183 5 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 184 6 julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, Dje 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; Resp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e Resp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13887.000103/200263 Acórdão n.º 3201001.583 S3C2T1 Fl. 185 7 pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições junto a pessoas físicas, bem como autorizar a aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos, acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo até a sua efetiva utilização por meio de compensação com outros tributos ou pelo ressarcimento em espécie. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 18/03/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10980.017942/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. ART. 150 §4º DO CTN. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Havendo antecipação de pagamentos e não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extingue-se com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 2201-002.372
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA. ART. 150 §4º DO CTN. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Havendo antecipação de pagamentos e não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extingue-se com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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ART. 150 §4º DO CTN. PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Havendo antecipação de pagamentos e não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 79 42 /2 00 8- 50 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Contra o contribuinte Wagner Augusto Illith Bauer, já qualificado nos autos, foi efetuado o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fl. 38) de R$ 142,73, sobre o qual incide multa de ofício e juros de mora, decorrente da glosa de despesas médicas, apurada em revisão interna da declaração de saída definitiva do país. No levantamento da base de cálculo, a auditoria, conforme relatado na “descrição dos fatos” do Auto de Infração, verificou que o contribuinte teria informado a condição de não residente em 30 de abril de 2003, efetuando a apuração do imposto com base na tabela progressiva mensal vigente no ano calendário 2003, calculada no período de quatro meses. E que, diante da não apresentação dos documentos solicitados, foi procedida a glosa das despesas médicas no montante de R$ 3.012,00. O contribuinte apresentou impugnação alegando que por motivos de mudanças constantes de endereço, devido a sua atividade profissional, não teria sido possível localizar, a tempo, todos os comprovantes solicitados na intimação, e que, em 2009, recebera duas autuações, a primeira referente à glosa de despesas médicas e imposto suplementar compensado com a restituição, e a segunda referente à multa por atraso na entrega da declaração, pretensa penalidade sobre obrigação cumprida a mais de cinco anos, portanto, abrangido pelo instituto da decadência, com base no art. 173, parágrafo único do CTN, bem assim, do pagamento, nos casos de saída definitiva, com base no art. 855 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. A 3ª Turma da DRJ em Curitiba (PR), por unanimidade de votos, em rejeitou a preliminar de decadência, e, no mérito, considerou procedente o lançamento, mantendo a exigência consignada na autuação. Cientificado em 13 de setembro de 2011 (fl. 85), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês subsequente (fls. 86/88) arguindo que: a) Como funcionário da Kraff Food Brasil foi deslocado para integrar o quadro funcional da empresa na Costa Rica e que, em decorrência disso, apresentou a declaração de saída definitiva do país; b) Em outubro de 2008 recebera um pedido de esclarecimento sobre a dedução de despesas médicas, porém, em função das constantes mudanças de endereço, informou não ter encontrado a documentação solicitada; c) A declaração de saída definitiva do País contemplava o ciclo completo da obrigação jurídicotributária, com a declaração de ajuste/prestação de contas e a quitação do crédito tributário, e que a entrega da declaração de saída não distingue exercício de anocalendário; e d) À época havia uma restituição de R$ 685,57 e que se houvesse crédito tributário, esse teria obrigatoriedade de quitação imediata, portanto, teria sido abrangido pela decadência nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Por fim, pede que seja declarada improcedente a ação fiscal que deu origem ao crédito tributário apurado. Relatório Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.017942/200850 Acórdão n.º 2201002.372 S2C2T1 Fl. 102 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O recorrente questiona a decadência do lançamento alegando que o imposto fora apurado na declaração de saída definitiva do país, referente ao ano 2003, cuja ação fiscal iniciouse apenas em 22 de setembro de 2008. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte enviou a declaração de saída definitiva do país à Receita Federal do Brasil em 4 julho de 2003, onde comunicou a condição de não residente a partir de 30 de abril de 2003, e foi autuado em 29 de dezembro de 2008. Para que se cheque a uma conclusão, dois pontos precisam ser esclarecidos: o primeiro, a data de ocorrência do fato gerador do imposto de renda no caso de saída definitiva do país; e o segundo, qual dispositivo legal a ser aplicado em relação à contagem do prazo decadencial. A legislação tributária obriga a pessoa física residente no Brasil que se retirar em caráter permanente do território nacional no curso do ano calendário à apresentação imediata da nova declaração dos rendimentos do período de 1º de janeiro até o momento anterior à saída do país, conforme consolidado no art. 16 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999): Art. 16. Os residentes ou domiciliados no Brasil que se retirarem em caráter definitivo do território nacional no curso de um anocalendário, além da declaração correspondente aos rendimentos do anocalendário anterior, ficam sujeitos à apresentação imediata da declaração de saída definitiva do País correspondente aos rendimentos e ganhos de capital percebidos no período de 1º de janeiro até a data em que for requerida a certidão de quitação de tributos federais para os fins previstos no art. 879, I, observado o disposto no art. 855 (Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, art. 17). § 1º O imposto de renda devido será calculado mediante a utilização dos valores da tabela progressiva anual (art. 86), calculados proporcionalmente ao número de meses do período abrangido pela tributação no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 15). § 2º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos após o requerimento de certidão negativa para saída definitiva do País ficarão sujeitos à tributação exclusiva na fonte ou definitiva, na forma deste Livro, e, quando couber, na prevista no Livro III (Lei nº 3.470, de 1958, art. 17, § 3º, Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 78, incisos I a III, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 18). § 3º As pessoas físicas que se ausentarem do País sem requerer a certidão negativa para saída definitiva do País terão seus rendimentos tributados como residentes no Brasil, durante os primeiros doze meses de ausência, observado o disposto no § 1º, e, a partir do décimo terceiro mês, na forma dos arts. 682 e 684 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "b", e Lei nº 3.470, de 1958, art. 17). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Da mesma forma, o pagamento da obrigação tributária é a data da entrega da declaração, conforme dispõe o art. 855 do citado Decreto: Art. 855. O pagamento do imposto nos casos de saída definitiva do País e de encerramento de espólio deverá ser efetuado na data prevista para a entrega da respectiva declaração de rendimentos (Lei n º 8.218, de 1991, art. 29). À época do fato gerador, a questão da entrega da declaração era normatizada pela IN SRF 208/2002, que, em seu art. 9º, inciso I, definia a data de saída do Brasil como o termo para cumprimento da obrigação, como se vê abaixo: Art. 9º A pessoa física residente no Brasil que se retirar em caráter permanente do território nacional no curso do ano calendário deve: I apresentar, até a data da saída do Brasil, a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em tenha permanecido na condição de residente no Brasil no ano calendário da saída, bem assim as declarações correspondentes a anos calendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues; Apesar de o contribuinte apresentar sua declaração após a data de saída definitiva país, não cumprindo de “imediato” o comando legal, a entrega ocorreu antes do final do exercício corrente. O teor das normas citadas leva a conclusão de que a data de ocorrência do fato gerador se dá na saída definitiva do país, que, neste caso, é 30 de abril de 2003. Em relação à decadência, a questão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos. Em decisão proferida no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), de 12 de agosto de 2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, o Tribunal expressou o entendimento de que, quando cabe ao próprio beneficiário proceder ao recolhimento do imposto em prazo específico, caracterizadamente em um lançamento por homologação, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme a ementa abaixo parcialmente transcrita: Ementa: [...] Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. [...] II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. [...] (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) Nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, a decadência ocorre em 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, como no caso em análise houve retenção do imposto de renda e não há evidencias de fraude, dolo ou simulação, a revisão de lançamento do imposto sobre os rendimentos auferidos e declarados em 2003, em decorrência da saída definitiva do país, deveria ter sido encerrada em 1º de maio de 2005, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Como o contribuinte foi cientificado do lançamento em 29 de dezembro de 2008 (fl. 44), estava decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10980.017942/200850 Acórdão n.º 2201002.372 S2C2T1 Fl. 103 5 Diante do exposto, voto em dar provimento ao recurso do contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201002.372, referente ao processo nº 10980.017942/200850. Brasília/DF, (ASSINADO DIGITALMENTE) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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