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Numero do processo: 19515.001866/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência.
Numero da decisão: 2201-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 23/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A falta de clareza no Auto de Infração dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito constituído o atributo de certeza e liquidez. A falta de saneamento do conteúdo do Auto de Infração enseja o cancelamento da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 23/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 66 /2 00 9- 11 Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2003 a 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 79/104, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.212.647,63. A fiscalização apurou divergências entre os valores escriturados nos registros contábeis e as DCTF’s, em confronto com os respectivos comprovantes de pagamento, conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 75/78. Cientificado do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... sobre o lançamento cuja matéria tributável foi as diferenças acima listadas, tidas pelo autuante como IRRF recolhido a menor, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 108/125, alegando dentre outras razões, nada dever ao fisco, tendo apresentado o anexo de fls. 126/136, com o resumo dos valores declarados em DCTF e dos DARF’s que teriam sido recolhidos. Colacionou com a impugnação os documentos de fls. 230/645, que se constituem, em cópia da DCTF e respectivos DARF e cópia de excerto do Razão da Conta “IRRF TERCEIROS A RECOLHER” ou da conta “IRRFS/ SALÁRIO A PAGAR”, para justificar a improcedência dos valores lançados. Os autos foram baixados em diligência, fls. 676/678, para saneamento, pois, alegou a Impugnante que os valores que estavam sendo exigidos, já haviam sido pagos. Efetuada a diligência, a fiscalização elaborou Informação Fiscal contendo os novos valores exigidos, ou seja, a autoridade autuante reduziu o montante de IRRF que originalmente somava R$ 1.419.383,37, para R$ 309.915,64 (fls. 684/698). A contribuinte foi cientificada da Informação Fiscal e respectivas planilhas e apresentou petição, fls. 765/767, reiterando o entendimento de que nada deve ao fisco. Da análise da informação fiscal, a 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI resolveu converter novamente os autos em diligência, para a autoridade lançadora responder aos quesitos arrolados e elaborar resumo conclusivo e memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes. A autoridade fiscal solicitou a contribuinte apresentação de todos os comprovantes de pagamento efetuados, para todos os valores objeto do Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em resposta à intimação, a contribuinte apresentou os documentos às fls. 860/3.746, contendo cópias de notas fiscais, de DARFs e de Demonstrativos de Pagamento de salários efetuados. Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 3 3 Por sua vez, a fiscalização cotejou os documentos apresentados pela autuada e elaborou nova Informação Fiscal (fls. 3749/3752). A contribuinte foi novamente cientificada da Informação Fiscal de fls. 3749/3752, e alegou, mais uma vez, que cumpriu todas as obrigações principais e acessórias. A 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou improcedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: VALORES ESCRITURADOS. VALORES DECLARADOS/PAGOS. Comprovado equívoco na apuração do crédito tributário, ao confrontarse os registros contábeis do contribuinte, as respectivas DCTF’s e os comprovantes de pagamento, evidenciandose erro na apuração do valor tributável, bem assim da data do fato gerador, exonerase a exigência. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 3, de 2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade. Ao analisar a Impugnação apresentada pela recorrente, no cotejo das provas constantes dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu: Do extenso e exaustivo relatório acima apresentado, evidencia se o esforço despendido por esta turma de julgamento, com o intuito de sanear os autos. Desde a primeira análise, constatouse haver diferenças entre os valores apontados como devidos pela fiscalização, no Termo de Verificação (fls. 77/78), que montavam a R$ 1.498.123,48, e no Auto de Infração R$ 1.419.383,37 (fls. 96/103). Essa discrepância inicial, foi evidenciada no quadro comparativo apresentado em fls. 839/843 e acima reproduzido, onde se verifica que os valores hachurados são alguns fatos geradores do IRRF que só constavam no TFV ou só no AI. Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A isto se acrescente que, junto com a impugnação o contribuinte colacionou documentos (fls. 230/645), quais sejam cópias de DCTF e respectivos DARFs e cópia de excerto do Razão da Conta “IRRF TERCEIROS A RECOLHER” ou da conta “IRRFS/ SALÁRIO A PAGAR”, para sustentar a alegação de serem improcedentes os valores lançados. Da análise daqueles documentos esta turma de julgamento deparouse com uma série de evidências de que o procedimento adotado pela fiscalização estava eivado de equívocos. Os autos foram baixados em diligência, conforme acima relatado para o saneamento dos autos, a fim de que a fiscalização procedesse ao batimento dos DARFs apresentados, vinculandoos às DCTFs e os registros contábeis, a fim de se que se verificasse se alguns dos valores que estavam sendo exigidos e para os quais alegava o impugnante ter pago, não teriam sido de fato tomados pela fiscalização com defasagem de período de apuração, como sugeriam os documentos acostados pelo impugnante, ou qualquer outro equívoco, tal como código de receita diferente. A fiscalização procedeu à diligência e os autos retornaram com valores diferentes a serem exigidos, conforme sintetizados no quadro apresentado em fls. 846/848 e acima reproduzido. Da leitura do referido quadro, verificase que do montante de R$ 1.419.383,37, do auto de infração original (fls. 96/103), a autuante elaborou novo cotejo das informações contábilfiscais (fls. 770/784), onde introduziu uma nova coluna denominada “LANCTO FINAL), valores esses que totalizam R$ 309.915,64, ou seja a fiscalização reconheceu que de fato os valores não eram bem aqueles e reduziu a exigência inicial de R$ 1.419.383,37 para R$ 309.915,64. Ocorre, que mais uma vez, esta turma de julgamento procedeu a análise de todos os documentos e constatou que a autuante não havia procedido ao correto saneamento dos autos e introduzido outros equívocos. Incluiu no lançamento por ela denominado de final alguns fatos geradores que não figuravam no auto de infração inicial e para uns poucos outros majorou o valor que inicialmente havia lançado. Tais fatos ficaram evidenciados no quadro apresentado em fls. 844/845 e 846/848 e acima reproduzidos. Novamente os autos foram baixados para a fiscalização, tomandose como exemplo os dois primeiros valores da TABELA FINAL (fls. 848/850) R$ 149,24 e R$ 545,16 , fazendose uma análise profunda da procedência desses valores e solicitando para a fiscalização que apresentasse a memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes, ou seja procedesse ao mesmo exame para as demais diferenças. Sobre os dois primeiros valores R$ 149,24, R$ 545,16 dissecados por esta turma de julgamento na segunda diligência, conforme acima relatado a fiscalização ora afirmou categoricamente não ter sido possível determinar com exatidão a efetiva data do fato gerador do IRRF, ora ter havido desencontro do valor contabilizado em relação à DCTF e conseqüentemente com o Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 4 5 SINAL (pagamentos), culminando por concluir pela eliminação dessas duas primeiras diferenças da autuação. E não procedeu a esta mesma análise e à produção da memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças remanescentes, conforme lhe fora solicitado. Ora, por duas vezes teve a fiscalização a oportunidade de sanear e manifestarse sobre eventuais diferenças a serem exigidas e não o fez. A isto se acrescente que para todas as diferenças remanescentes, verificase ter havido equívocos ora na apuração do valor tributável, ora na data do fato gerador. O artigo 142 do Código Tributário Nacional descreve da seguinte forma a atividade do lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ora, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a identificação correta do momento em que ocorrido o evento que dá origem à obrigação tributária, o que tem diversos reflexos na constituição do crédito tributário, seja na aplicação correta da legislação então vigente, na verificação da ocorrência eventual da decadência, e mesmo, em algumas situações, no próprio dimensionamento da matéria tributável. Destarte, tendo sido exaustivamente analisada a documentação apresentada e evidenciadose erro na apuração do valor tributável, bem assim na possível data do fato gerador em face dos registros contábeis do contribuinte, das respectivas DCTF’s e dos comprovantes de pagamento, deve ser exonerada a exigência por comprovadamente ser indevida. Diante do exposto, voto por julgar procedente a impugnação e pela exoneração do crédito tributário exigido. Do exposto, verificase que a autoridade recorrida converteu o processo em diligência para que a autoridade lançadora procedesse ao saneamento dos autos. Efetuada a diligência, a autoridade autuante elaborou Tabela Final (fls. 848/850), reduzindo o montante de IRRF que originalmente somava R$ 1.419.383,37, para R$ 309.915,64 (fls. 684/698). Contudo, em razão de outros equívocos na apuração do valor tributável, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que a fiscalização, tomandose como exemplo os dois primeiros valores da Tabela Final, R$ 149,24 e R$ 545,16, efetuasse novo exame dos valores remanescentes, elaborando memória de cálculo sobre cada uma das eventuais diferenças. Entretanto, a fiscalização não se manifestou sobre as diferenças levantadas pela autoridade recorrida. Ora, para exigir o crédito tributário a autoridade fiscal responsável pela sua constituição deverá demonstrar claramente sua ocorrência. Ao não fazêlo de forma adequada Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 impediu que o contribuinte exercesse plenamente o direito ao contraditório. O objetivo da diligência proposta pela DRJ foi esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas pelo julgador no exame do litígio. Todavia, a autoridade lançadora não logrou elucidar os valores constantes da Tabela Final (fls. 848/850), mantendo, dessa feita, a falta de clareza do conteúdo do Auto de Infração. A falta de clareza do auto de infração, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, também impede a correta análise dos fatos por parte do julgador, conforme se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa transcrevese: Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE CLAREZA E PRECISÃO. Constatada a ocorrência de infração deve ser lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada. A falta de clareza e precisão na lavratura da infração impede o exercício do direito de defesa do contribuinte, como também impede a correta análise por parte do julgador. Recurso Especial do Contribuinte Provido. (Acórdão nº 920201.772 –2ª Turma Processo nº 35301.008000/200641) Portanto, ante a falta de clareza e precisão dos fatos em que se funda o auto de infração, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001866/200911 Acórdão n.º 2201002.419 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.001866/200911 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.419. Brasília/DF, 15 de maio de 2014 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 4169DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001539/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
A comprovação da origem dos depósitos bancários, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 cabe ao contribuinte e deve ser feita de forma individualizada em relação a cada depósito realizado.
MULTA QUALIFICADA. PRATICA REITERADA.
A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição da multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, pela falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2201-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. A comprovação da origem dos depósitos bancários, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 cabe ao contribuinte e deve ser feita de forma individualizada em relação a cada depósito realizado. MULTA QUALIFICADA. PRATICA REITERADA. A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição da multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, pela falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. A comprovação da origem dos depósitos bancários, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96 cabe ao contribuinte e deve ser feita de forma individualizada em relação a cada depósito realizado. MULTA QUALIFICADA. PRATICA REITERADA. A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição da multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, pela falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 39 /2 00 8- 73 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Florianópolis/SC que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF dos anos calendário de 2003 a 2006, exercícios de 2004 a 2007, sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com multa qualificada de 150%. Adoto o relatório da decisão recorrida: “Por meio do auto de infração de folhas 08 a 18, de 30/06/2008, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 519.323,54, acrescido de multa de oficio de 150%, e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2003, 2004; 2005 e 2006, exercícios 2004, 2005, 2006 e 2007. Foi aplicada multa de 150%, motivada pela não apresentação de qualquer documento que comprovasse a origem dos depósitos bancários, pela prática reiterada de omitir rendimentos adotada pelo contribuinte, ao longo de quatro anoscalendário, e pelos valores elevados omitidos, muito superiores às bases de cálculo do imposto, declaradas à RFB. No Termo de Fiscalização a fls. 19 a 22, consta: “5. DAS INFRAÇÕES 5.1. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Apesar das diversas intimações e reintimações, cientificadas ao contribuinte desde 23/10/2007, conforme descrito no Tópico 3 DAS DEMAIS INTIMAÇÕES, TERMOS FISCAIS E RESPOSTAS, a contribuinte não apresentou comprovação com documentação hábil e idônea da origem dos recursos creditados em suas diversas contas correntes constantes da relação anexa às fls. 23 a 27. Assim de acordo com o art. 839 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99 (RIR/99), esta fiscalização efetua o lançamento de ofício relativo aos anos calendário de 2003 a 2006 dos valores não comprovados, segundo consta do resumo mensal anexo às fls. 23 a 27. No caso dos depósitos da conta n° 10595, fls.36/47, e da conta n° 33933, fls. 28/35, a ambas do Banco Bradesco S/A, código 237, agência 0385, foi considerado como rendimento da Fl. 607DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10925.001539/200873 Acórdão n.º 2201002.365 S2C2T1 Fl. 3 3 contribuinte aqui autuada metade dos valores creditados, por se tratar de conta conjunta com DANILO ANTÔNIO VANZIN, CPF 163.610.91953.” (fls. 21) Decisão recorrida a fls. 1820 e sgts., manteve autuação, pela falta de comprovação da origem dos depósitos bancários e a multa qualificada sob o fundamento da prática reiterada de omitir rendimentos ao longo de quatro valores elevados, muito superiores os rendimentos declarados, em decisão assim ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n2 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR. Em se tratando de contribuinte pessoa física, não há como se excluir, para fins de determinação dos rendimentos omitidos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, os créditos inferiores a R$ 12.000,00, quando o somatório dos depósitos apurados for superior a R$ 80.000,00. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. BASE DE CÁLCULO. No caso da omissão de rendimentos vinculada a depósitos bancários de origem não comprovada, a base de cálculo do tributo devido é o montante dos valores não justificados. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. O reiteramento da conduta ilícita ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de oficio de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do Fl. 608DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES 4 contribuinte esteve associado aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei d 4.502, de 1964. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos essenciais ao lançamento, é de se indeferir o pedido de perícia e diligência, que não pode suprir a omissão do contribuinte na obtenção de provas, que a ele competia produzir. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Restando comprovado que a descrição dos fatos e o enquadramento legal constante do Auto de Infração caracterizaram a infração praticada, descabida resta a argüição de cerceamento do direito de defesa. Lançamento Procedente Recurso Voluntário de fls. 1840 e sgts., sustenta existir sustenta erro na apuração da receita omitida e compatibilidade entre os valores declarados e o patrimônio. Pede sejam excluídos os valores das transferências entre contas de seu exconjuge, e exclusão das parcelas inferiores a R$ 12.000,00 e não superiores a R$ 80.000,00. Pede tributação da atividade rural desenvolvida por seu exconjuge Danilo Antônio Vanzin, em 20% da receita; e cancelamento da multa qualificada de 150%. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF relativo a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com multa qualificada de 150%, sob o fundamento da pratica reiterada e de omitir rendimentos em valores elevados. Nas razões de recurso sustenta erro na apuração da receita omitida e compatibilidade entre os valores declarados e o seu patrimônio. Pede ainda exclusão das transferências entre suas contas e a conta de seu ex cônjuge. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10925.001539/200873 Acórdão n.º 2201002.365 S2C2T1 Fl. 4 5 Não se aponta qual o erro e os valores dos depósitos pretendidos para a exclusão e a compatibilidade existente entre os rendimentos e a evolução do patrimonial, embora o patrimônio por si só não justifique os depósitos bancários. Sustenta ainda que não foram excluídos os valores inferiores a R$ 12.000.00 e não superiores a R$ 80.000,00. Vemos que a decisão recorrida apreciou essa matéria na fase da Impugnação e consignou de forma expressa que os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 superam a importância de R$ 80.000,00 no ano, razão pela qual eles foram mantidos. Com isso, cabia a Recorrente trazer maiores elementos para demonstrar e comprovar sua irresignação e o desacerto da autuação e da decisão recorrida. É necessário não só alegar, mas individualizar ou indicar quais seriam essas parcelas ou valores para demonstrar o defeito na autuação e não simplesmente repetir os argumentos desenvolvidos na Impugnação, que foram afastados pela decisão recorrida. Também nada se comprova se os depósitos bancários decorrem dos rendimentos de atividade rural ou de eles pertencerem ao exconjuge, conforme sustenta o Recorrente nas razões de recurso. Pela mesma razão de nada comprovar dos rendimentos omitidos da atividade rural não há possibilidade de pretender a tributação favorecida de 20% da receita ou mesmo tornar incabível a autuação na forma dos depósitos bancários pela identificação da fonte. No mérito nada é justificado ou comprovado, de forma que prevalece a presunção legal de os depósitos bancários corresponderem a rendimento tributável omitido. Tocante a imposição da multa qualificada vemos que a autuação e a decisão recorrida não agiram com os costumeiro acerto. Transcrevo os fundamentos da decisão recorrida que levaram a manter a multa qualificada: ... está devidamente evidenciado que o sujeito passivo, ao longo de quatro anos calendário, reiteradamente omitiu rendimentos à tributação, não tendo sido capaz de justificar um montante significativo de ingressos em suas contas bancárias, quais sejam R$ 802.893,75 em 2003, R$ 959.440,34 em 2004, R$ 771.334,11 em 2005 e R$ 1.332.013,78 em 2006. O que parece razoável, diante do quadro posto, é que o montante das rendas omitidas, em que pese ter sido constatado por presunção, pode perfeitamente consubstanciar a caracterização do dolo, no caso de a ela estar vinculada a evidenciação de que isto ocorreu ao longo de vários períodosbase. Ou seja, desproporção e reiteramento levam, conjuntamente, a um quadro mais consistente acerca da aferição do dolo. Foi mantida a qualificadora da multa exclusivamente pela prática reiterada de omitir rendimentos ao longo de quatro, em valores elevados e superiores os rendimentos declarados. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES 6 Nada disso consta do tipo legal da multa qualificada, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c, os arts. 71 a 73, da Lei 4.502, de 1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Nesse sentido a Súmula Carf 25 foi bem didática ao explicar. Confirase: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Observese, a lei não permite qualificar a penalidade pela existência de condutas reiteradas ou omissão de elevado valor ou superiores aos valores declarados, seja por dolo ou fraude. A omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancários corresponde a conduta omissiva, mas não há fraude ou dolo na intensidade necessária para tipificar a conduta. Essa conduta pode conter o dolo, desde que comprovada a intensidade do dolo – o ardil, a vontade livre, consciente, deliberada e premeditada ou de assumir o risco de sonegar, para permitir a qualificação da penalidade. Explicase. Em toda autuação temos a multa de oficio de 75%, que é objetiva e decorre do tipo, da previsão da lei ou do elemento objetivo do tipo, esta multa integra a sonegação, seja ela praticada com culpa ou com dolo consciente ou inconsciente. Agora, qual a razão e sentido da imposição da multa qualificada do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, c/c os arts. 71 a 73, da Lei n° 4.502, de 1964, que manda duplicar a penalidade para 150% na hipótese de sonegação com fraude, dolo, ou conluio? Na fraude e nas suas variantes da simulação e dissimulação a comprovação é fácil. Fácil porque decorre do elemento objetivo, os documentos firmados, de modo geral, comprovam a qualificadora. Na imposição da multa qualificada pelo dolo, não. Aqui a prova é difícil. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10925.001539/200873 Acórdão n.º 2201002.365 S2C2T1 Fl. 5 7 Difícil porque se exige a comprovação do elemento subjetivo do infrator, enquanto a multa de oficio de 75% decorre apenas do elemento objetivo do tipo (da lei). Basta existir a infração para se impor a multa de 75%, o dolo decorre da lei, não da conduta do infrator. Em outras palavras, é a intensidade do dolo do infrator que permite qualificar a penalidade nessa modalidade de conduta (dolo). É necessário aferir e comprovar a intenção dolosa, o ardil, a vontade livre, consciente, deliberada e premeditada ou de assumir o risco de sonegar. Aqui o autuado sequer foi ouvido, não se produziram provas para procurar aferir o elemento subjetivo, intencional do autuado a sua vontade consciente, deliberada e premeditada de, na ação ou omissão de sonegar. Portanto, sem prova firme e segura do dolo ou do evidente intuito de fraude ou conluio, incabível a imposição da multa qualificada. Ante o exposto, pelo meu voto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinatura digital) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000516/2006-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2002, 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
Presume-se rendimento tributável os depósitos constatados na conta bancária do autuado, quando, intimado, não justifique e comprove a origem da movimentação bancária por rendimento tributáveis ou não tributáveis.
Numero da decisão: 2201-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presume-se rendimento tributável os depósitos constatados na conta bancária do autuado, quando, intimado, não justifique e comprove a origem da movimentação bancária por rendimento tributáveis ou não tributáveis.
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COMPROVAÇÃO. Presumese rendimento tributável os depósitos constatados na conta bancária do autuado, quando, intimado, não justifique e comprove a origem da movimentação bancária por rendimento tributáveis ou não tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 16 /2 00 6- 86 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada dos anos calendários de 2000, 2002 e 2003, com malta de oficio de 75%. Autuação a fls. 452 a 460. Relatório de fiscalização a fls. 442 a 451. Decisão recorrida a fls. 967 a 969 manteve a autuação pela falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, com a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumemse rendimentos tributáveis os depósitos de origem não comprovada. Recurso Voluntário a fls. 970 e sgts sustenta que a simples presunção não pode permitir a autuação. As centenas de depósitos correspondem a ação trabalhista recebida na qualidade de advogado. A multa é confiscatória e ofende a capacidade contributiva Anoto, o recurso foi admitido e sobrestado na forma dos Par. 1º e 2º, do art.62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, acrescentado pela Portaria n° 586 de 21.12.2010, do Ministro da Fazenda. Com a revogação dos Par. 1º e 2º, do art.62A, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase de Recurso Voluntário de decisão da DRJ que manteve a autuação sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancários de origem não comprovada. O autuado Recorrente é advogado, juntou diversos documentos onde comprova exercer a advocacia trabalhista a vários clientes. Diz nas razões de recurso que a simples presunção não permite a realizar o lançamento tributário. De fato, a simples presunção não autoriza a realização do lançamento tributário, conforme sustenta o Recorrente, mas aqui essa presunção se fez pela inversão do ônus da prova autorizada em lei, o art. 42, da Lei 9.430, de 1996. O Recorrente não nega a existência dos depósitos bancários constatados pela fiscalização na sua conta corrente. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000516/200686 Acórdão n.º 2201002.328 S2C2T1 Fl. 3 3 Feita essa constatação, a fiscalização intimou o titular das contas bancarias para explicar a origem dos depósitos encontrados, mas nada foi explicado ou comprovado. Com a omissão, insuficiência de explicação ou comprovação da origem dos depósitos na conta bancaria surge a presunção legal de os depósitos corresponderem a rendimento tributável omitido. Pois bem, tratandose de recebimento de dinheiro de terceiros, por conta de ação trabalhista proposta em nome de cliente, conforme sustenta o Recorrente, bastava ele comprovar o repasse dos valores recebidos ao respectivo destinatário para se eximir da autuação. Feita essa comprovação não poderia restar dúvida da indevida autuação, mas aqui o Recorrente apenas alega, nada, absolutamente, nada comprova. O Recorrente juntou aos autos, é certo, diversos documentos, mas sem qualquer nexo entre si, sem demonstrar ou comprovar a causa e efeito de cada depósito existente na sua conta bancaria constatado pela fiscalização. Seria necessária verdadeira pericia contábil, ou escrita contábil, ainda que rudimentar, ou escrituração do livro caixa com documentos para comprovar o fato alegado. Além da juntada dos diversos documentos, nada de concreto o autuado trouxe aos autos. A matéria e unicamente de fato, daí não se prestar o mero argumento desenvolvido pelo Recorrente nas razões de recurso, com juntada aleatória de documentos, sem qualquer comprovação concreta dos fatos objeto da acusação fiscal. A imposição da multa de 75% não possui reparo e este Conselho não pode se pronunciar sobre eventual ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei, seja do alegado confisco ou da capacidade contributiva, como quer o Recorrente, diante da vedação legal, reproduzida pela Súmula 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sem comprovação dos fatos resta manter a autuação. Ante o exposto, pelo meu voto, nego provimento ao recurso para manter a autuação e a decisão recorrida. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES 4 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720856/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. PROVA.
A dedução da área de pastagem da base de cálculo do ITR depende da comprovação da quantidade de animais apascentados no imóvel.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO QUE CONSIDEROU O PREÇO DE VENDA DO IMÓVEL. EXCLUSÕES LEGAIS.
De acordo com o inciso I do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, para fins de apuração do ITR, considerar-se-á o VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas.
Numero da decisão: 2201-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o VTN - Valor da Terra Nua a R$ 1.803.161,66.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. PROVA. A dedução da área de pastagem da base de cálculo do ITR depende da comprovação da quantidade de animais apascentados no imóvel. ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO QUE CONSIDEROU O PREÇO DE VENDA DO IMÓVEL. EXCLUSÕES LEGAIS. De acordo com o inciso I do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, para fins de apuração do ITR, considerar-se-á o VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas.
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ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. PROVA. A dedução da área de pastagem da base de cálculo do ITR depende da comprovação da quantidade de animais apascentados no imóvel. ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO QUE CONSIDEROU O PREÇO DE VENDA DO IMÓVEL. EXCLUSÕES LEGAIS. De acordo com o inciso I do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, para fins de apuração do ITR, considerarseá o VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o VTN Valor da Terra Nua a R$ 1.803.161,66. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 56 /2 00 8- 41 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/03), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 25.314,81, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Morungaba, com área total de 182,4 ha, NIRF 3.835.5728, localizado no município de Indaiatuba SP. A fiscalização glosou toda a área declarada de preservação permanente (36,0 ha) e reduziu a área declarada de reserva legal de 70,0 ha para 36,5 ha, além de alterar o VTN de R$ 386.438,00 para R$ 2.007.133,26, com base no laudo técnico de avaliação apresentado pelo contribuinte. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: A impugnação foi apresentada em 25/11/2008, fls. 54 e 55, na qual, após tratar sinteticamente Dos Fatos o interessado apresentou seus argumentos de discordância, que se resume na solicitação de consideração de dois pontos para apreciação: a) Da distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural, que conforme laudo e demais documentos deveria ser alterada a Área de Pastagem de 67,4ha para 120,0ha, visto que esta medida expressaria a realidade da propriedade. b) Do Valor da Terra Nua, disse que a propriedade foi avaliada em 2008, conforme laudo, e que houve grande valorização por estar em área de interesse imobiliário e que em anos anteriores não tinha esta informação, portanto, solicita a retificação no período 2006 para R$ 590.410,00. Instruiu sua impugnação com a documentação de fls. 56 a 131, composta por: cópia da NL, da matrícula do imóvel, de Certidão de averbação, DITR/2006, mapa do imóvel, dois contratos de arrendamento do imóvel rural, cópias de recibos de depósitos bancários, fotografias de área rural, entre outros. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Área de Pastagem Requisitos A aceitação da área de pastagem está vinculada à comprovação de sua existência e dos animais que nela pastoreiam e, para o cálculo da dimensão a ser considerada, deverá ser aplicado o índice de lotação da região sobre a quantidade dos animais existentes no ano base do lançamento. Valor da Terra Nua VTN Laudo retificador O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando avaliação acolhida de laudo apresentado pelo sujeito passivo, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720856/200841 Acórdão n.º 2201002.403 S2C2T1 Fl. 3 3 somente é passível de modificação se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em outro Laudo Técnico eficaz, retificando o anterior, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. Matéria não impugnada Áreas Isentas Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 27/04/2011 (fl. 179), Jaime Tadao Maruyama apresenta Recurso Voluntário em 20/05/2011 (fls. 181 e seguintes), portanto, tempestivamente, sustentando, em linhas gerais, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral da área de preservação permanente (36,0 ha) e reduziu a área declarada de reserva legal de 70,0 ha para 36,5 ha, além de alterar o VTN declarado de R$ 386.438,00 para R$ 2.007.133,26, com base no laudo técnico de avaliação apresentado pelo próprio contribuinte. Antes de se entrar no mérito, cumpre citar a observação da autoridade julgadora a quo “... relativamente à glosa parcial das áreas isentas não houve manifestação do interessado, portanto, se enquadra no art. 17, do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe que deve ser considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Pois bem, quanto à área de pastagem, embora afirme o recorrente que utilizou para a atividade pecuária 173,4 ha, verifico, pois, que não há nos autos prova objetiva dessa ocorrência. Em verdade, o contrato de arrendamento (fls. 110/129), o recibos de pagamentos (fls. 130/143), as fotos (fls. 145/161) e as declarações (fls. 190/191) são ineficazes para comprovar a quantidade média de gado existente no imóvel no período do lançamento. Com efeito, os documentos apresentados pelo recorrente comprovariam no máximo que alugou parte de sua propriedade, contudo, não há efetiva prova da existência de animais apascentados na propriedade. Ademais, as notas fiscais de produtor juntadas, relativa ao mês de março de 2011, não são contemporâneas à data do fato gerador. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Portanto, os documentos juntados aos autos pelo recorrente, não são hábeis a comprovar a utilização de uma área de pastagem superior aos 67,4 ha, informados em sua DITR/2006. No que tange ao VTN, verificase que a autoridade fiscal aceitou o valor informado no laudo técnico de avaliação efetuado pelo recorrente (fl. 02), entretanto, o laudo confeccionado informa o valor de venda da propriedade rural e não o Valor da Terra Nua. Vejase (fl. 23): LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO OBJETIVO: Tratase de um trabalho de Avaliação do valor de venda do imóvel abaixo descrito: * Gleba de terras denominada Gleba Bl,desmembrada da Fazenda Morumgába, no Município e Comarca de Indaiatuba, perfazendo 1.824.666,00 m2, estando devidamente descrita e caracterizada nas Matrículas 75.354 e 940, tendo seus Atos praticados na Rl/37.253, AV28/940 2 AV29/940, junto ao Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de IndaiatubaSão Paulo*, mais precisamente à Estrada Morumgába, 2.300 Bairro Videira Cep. 13.330000. (grifei) Assim, assiste razão ao recorrente ao afirmar que a autoridade fiscal não excluiu do valor total do imóvel o montante relativo às benfeitorias e pastagens, conforme determina o inciso I do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996. Isso posto, conforme se extrai da DITR/2006 (fl. 02), o VTN a ser considerado é de R$ 1.803.161,66 (R$ 2.007.133,66/Valor total do imóvel – R$ 101.985,00/benfeitorias – R$ 101.987,00/Culturas e pastagens). Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reduzir o Valor da Terra Nua para R$ 1.803.161,66. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10830.720856/200841 Acórdão n.º 2201002.403 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10830.720856/200841 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.403. Brasília/DF, 14 de maio de 2014 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006665/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.313
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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Depostos bancários. Sigilo. Sobrestamento Recorrente JOÃO RIBAS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120.006665/200707 Resolução n.º 220200.313 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma da DRJ de Brasília/DF, que manteve a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2003, sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, cujo acórdão possui a seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AUSÊNCIA. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Lançamento Procedente Intimado (fls. 5) o contribuinte apresentou parcialmente os extratos bancários, vindo a Requisição de Movimentação Financeira de fls. 06/07, com atendimento a fls. 12, apresentado a discrepância entre a movimentação financeira no anocalendário de 2002 incompatíveis com os rendimentos declarados no período, apurado pelo cruzamento de informações constantes dos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil. Intimado comprovar a origem dos depósitos com os extratos fornecidos pela instituição bancária, requereu prazo de 20 dias e quedouse inerte. Autuação a fls. 65, com multa de ofício de 75%, agravada para 112%, pelo não atendimento das intimações, além de juros de mora. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120.006665/200707 Resolução n.º 220200.313 S2C2T2 Fl. 3 3 Decisão ora recorrida a fls. 500, mantendo a autuação. No Recurso voluntário sustenta, em preliminar, o cerceamento de defesa, alegando ônus ser autoridade requisitada comprovar a origem. Aduz, ainda, que foi vitima da malha fina e decorreu da “espionagem” do fisco, contrariando o preceito constitucional de sigilo bancário, com a quebra de seu sigilo bancário. No mérito, sustenta gerir os bens de seu pai, comprovada por procuração pública juntada, e a declaração de bens de seu genitor demonstra ser este o usufrutuário de imóvel rural de propriedade do próprio recorrente. Alega, ainda, que as notas fiscais anexadas se tratam de investimentos da Fazenda de usufruto de seu genitor, por ele administrada, cujos gastos estão em seu nome, justificando, assim, a movimentação havida em sua conta corrente. Aduz, por último, que a multa aplicada, além de indevida, é desproporcional, pela ausência de máfé e pela ofensa ao princípio da capacidade contributiva. É o relatório. Voto. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120.006665/200707 Resolução n.º 220200.313 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada mediante Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte juntos às instituições financeiras. O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconheceu a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Relator” O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que deve ser sobrestado os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O C. STF, pelo Tribunal Pleno reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem prévia autorização judicial no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes pendente de decisão desse RE. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120.006665/200707 Resolução n.º 220200.313 S2C2T2 Fl. 5 5 Além do RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário, sem à previa autorização judicial, pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme podemos confirmar pelas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. 09/02/2011, DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. MARCO AURÉLIO, j. 04/10/2011, DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01.CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120.006665/200707 Resolução n.º 220200.313 S2C2T2 Fl. 6 6 judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. LUIZ FUX, j.,01/08/2011, DJe 158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. CELSO DE MELLO, j., 21/05/2010, DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120.006665/200707 Resolução n.º 220200.313 S2C2T2 Fl. 7 7 Em face do exposto, parece não existir dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com extratos bancários obtidos mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, sem autorização judicial, é necessário sobrestar o julgamento destes autos, na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, até a decisão do Recurso Extraordinário nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726890/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008, 2009
Ementa:
IRRF. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO.
A fonte pagadora de rendimentos, embora não se revestindo na condição de contribuinte por não exercer relação pessoal e direta com o fato gerador, por imposição legal, desempenha o papel de sujeito passivo indireto como responsável, e como tal, não pode fugir da sua obrigação que se traduz na responsabilidade tributária que a lei lhe atribuiu e, por isso, submete-se ao encargo do pagamento do imposto retido dos valores pagos ou creditados aos beneficiários desses rendimentos.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Nathalia Mesquita Ceia fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002 e pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2008, 2009 Ementa: IRRF. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A fonte pagadora de rendimentos, embora não se revestindo na condição de contribuinte por não exercer relação pessoal e direta com o fato gerador, por imposição legal, desempenha o papel de sujeito passivo indireto como responsável, e como tal, não pode fugir da sua obrigação que se traduz na responsabilidade tributária que a lei lhe atribuiu e, por isso, submete-se ao encargo do pagamento do imposto retido dos valores pagos ou creditados aos beneficiários desses rendimentos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Nathalia Mesquita Ceia fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002 e pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.726890/201221 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.367 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria IRRF Recorrente NACIONAL MINÉRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008, 2009 Ementa: IRRF. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A fonte pagadora de rendimentos, embora não se revestindo na condição de contribuinte por não exercer relação pessoal e direta com o fato gerador, por imposição legal, desempenha o papel de sujeito passivo indireto como responsável, e como tal, não pode fugir da sua obrigação que se traduz na responsabilidade tributária que a lei lhe atribuiu e, por isso, submetese ao encargo do pagamento do imposto retido dos valores pagos ou creditados aos beneficiários desses rendimentos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Nathalia Mesquita Ceia fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 68 90 /2 01 2- 21 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002 e pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2007 e 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 134.458.258,87, calculados até 24/02/2006. A fiscalização apurou retenção e recolhimento a menor do IRRF incidente sobre ganho de capital de domiciliado no exterior, em 20/07/2007, 01/08/2007 e 05/11/2008. Transcrevese parte do Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/38): A Namisa (Nacional Minérios S/A) faz parte do Grupo Econômico da Companhia Siderúrgica Nacional CSN. Foi constituída em novembro de 2006, com 99.97% do capital pertencente à CSN.... Do ponto de vista formal, temos a seguinte situação quanto à aquisição, pela fiscalizada, do controle acionário da CFM: Em 20/07/2007 é celebrado o "Contrato de Compra e Venda de Ações" entre a NAMISA, como compradora, e tendo como vendedores todos os seguintes acionistas; LOGAN LAKE S.A (80%). Financeira Sidelur S.A (11%). e Rodrigo Octávio Maia Damásio (9%). Como IntervenientesAnuentes ainda temos a própria CFM e a empresa Cayman Mineração do Brasil Ltda. O preço total acordado (cláusula 2.2) foi não superior a US$440.000.000,00 (quatrocentos e quarenta milhões de dólares norteamericanos). Nos termos da legislação daquela época (art. 26 da Lei n° 10.833/03 c/c art 18 da Lei n° 9.249/95 e IN SRF n° 407/04), a Namisa procedeu, em relação ao valor acordado, a retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre os ganhos de capital dos domiciliados no exterior. Assim, utilizandose da alíquota de 15% (quinze por cento), houve a retenção sobre os valores pagos à Financeira Sidelur e à Logan Lake, todas domiciliadas no Uruguai. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 3 3 Ou seja, do ponto de vista formal, não havia maiores questionamentos a essa operação empresarial. Porém, durante o procedimento fiscal, um fato chamou bastante a atenção. Era sobre a acionista majoritária da CFM, a empresa uruguaia LOGAN LAKE S.A., com 80% de participação. Fazendose as pesquisas habituais nos sistemas informatizados da RFB, constatouse que a Logan era uma empresa recémcriada (03/2007) e que havia adquirido a participação societária na CFM pouco tempo antes da venda para a Namisa. Mais precisamente em 07/05/2007 houve a transferência de 12.800.000 ações ordinárias (correspondente a 80% do capital da CFM) para a Logan. A empresa vendedora foi a LANTON FINANCIAL CORPORATION Lanton, sociedade domiciliada nas Ilhas Virgens Britânicas. A Lanton participava do capital social da CFM desde 1998. É de se estranhar que uma empresa recém criada no Uruguai (Logan em março de 2007) adquira a participação da Lanton (com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas) na CFM por US$5.696.807,93 (RDEIED n° IA059279 Sisbacen) e apenas 02 meses depois desta aquisição, a Logan a revenda por US352.000.000,00 (80% de US440.000.000,00) ou, aproximadamente, R$655.000.000,00 (seiscentos e cinqüenta e cinco milhões de reais) ! ! ... A participação da Lanton, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, na CFM vigorou desde 1998 até 07/05/2007. Transferida esta participação por pouco mais de US$5,5 milhões para uma empresa recém criada (03/2007) e domiciliada no Uruguai, esta nova empresa (Logan) a revende dois meses depois para a subsidiária da CSN por U$355 milhões. Apesar de possuir 80% de participação na CFM, toda a diretoria da CFM permanece, mesmo após haver a transferência desta participação para a Logan. Não há qualquer alteração no corpo executivo. A alteração para um domicilio no Uruguai é mera fachada dos negócios. O país foi utilizado somente para haver um recolhimento menor do IRRF sobre o ganho de capital na operação de compra e venda. Os valores pagos pela Namisa nem passaram pelo país. Conforme Contratos de Câmbio apresentados, os valores foram diretamente transferidos para uma conta no Banco UBS agência de Zurique/Suiça Por tudo apurado, é possível concluir que a transferência das cotas da Lanton para a Logan teve como único propósito a redução da carga tributária da operação. Os beneficiados da operação, como visto, foram a CFM e a Namisa. Beneficiados que tinham interesse e participaram ativamente para que ocorresse a redução indevida do imposto de renda na fonte sobre o ganho de capital de empresa domiciliada no exterior. O único propósito para a transferência apenas formal das cotas Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 foi a utilização da menor alíquota na retenção do imposto, caracterizando assim o planejamento tributário abusivo. De todo o exposto até aqui, da documentação apresentada das pesquisas efetuadas, é possível concluir sobre como ocorreu todo o planejamento tributário efetuado na operação de aquisição pela Namisa do total controle acionário da CFM. Planejamento este que favoreceu diretamente a Logan e, indiretamente, tanto a CFM quanto a própria Namisa... Cientificado do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: A autuação fiscal não pode prevalecer, uma vez que a impugnante não é responsável pelo recolhimento de qualquer diferença a título de IRRF, não podendo em hipótese alguma, ser apenada por eventual planejamento tributário conduzido por terceiros. A acusação fiscal se lastreia nas seguintes suposições: a operação revela planejamento tributário abusivo; embora os atos praticados sejam formalmente válidos, os indícios colhidos durante a fiscalização, junto à impugnante, à KPMG, à Deloitte e à Goldman Sachs revelam que a Logan foi usada como uma ponte, uma empresa veículo somente para recolher menos o IR sobre o ganho de capital; a vantagem tributária direta da Logan implica, com sua aquisição vantagem indireta da adquirente; principalmente na definição dos valores do negócio celebrado. Menor imposto de renda na fonte significaria um menor valor bruto a pagar pelo mesmo bem; e a venda de participação societária de Lanton para Logan foi artificial, o que é revelado pelo fato de terem sido pagos simbólicos US$ 5.696.807,93, quando em 20.7.2007 a mesma CFM foi vendida por US$ 440.000.000,00, como também pela circunstância de que a Logan não fez nenhuma alteração na diretoria da CFM, além de possuir o mesmo endereço da Sidelur. Apoiado nessas suposições, o agente fiscal acabou por desprezar a venda da participação societária da Lanton à Logan, reputando que a impugnante, um terceiro que não possui qualquer vinculação com a aludida venda, seria responsável pela retenção e recolhimento do IRRF à alíquota de 25%, e não de 15%. (...) O art. 26 da Lei nº 10.833 deu ensejo ao recolhimento, pela impugnante, do IRRF à alíquota de 15%, por ocasião da aquisição de ações da CFM. Nos termos da Exposição de Motivos da Medida Provisória 135, de 2003, convertida na Lei nº 10833, o citado dispositivo legal tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte não residente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo, o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária, sobretudo pela nãoresidência do contribuinte em território brasileiro. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 4 5 (...) O contribuinte, nos termos do art. 121, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), é aquele que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, condição que, no presente caso, seria cabível ao beneficiário do rendimento (no caso, a Logan), àquele que auferiu renda na forma do art. 43 do CTN e nos termos dos art. 145, parágrafo 1º e 153, inciso III, da Constituição Federal. Entretanto, o sujeito passivo da obrigação tributária também poderá ser o responsável, na forma do art. 121, inciso II, do CTN, quando, sem revestir da condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) No que tange especificamente à não responsabilização da fonte, faz todo sentido que a orientação do fisco seja essa, já que: o dever de recolhimento do tributo, imposto ao responsável tributário, deve ser verificado no momento da operação objeto da incidência fiscal; neste instante, deve ser aferido o preenchimento das condições materiais que dão azo à responsabilidade tributária; assim, o que importa, para efeito de IRRF, é o momento da transferência de recursos da fonte para o beneficiário, sendo irrelevantes os atos anteriores ou posteriores a esse evento; após pago ou creditado o rendimento, a fonte pagadora já não tem mais relação com o fato gerador, exigida pelo art. 128 do CTN, porque já não está na posse dos recursos devidos ao beneficiário, de modo que não pode, após este momento, providenciar a retenção ou se ressarcir de maneira ágil e eficaz. Como a fonte não tem deveres fiscalizatórios, nem possui meios que lhe possibilitem vigiar o beneficiário do rendimento, cumprelhe apenas adimplir a obrigação tributária. Logo, a fiscalização das operações anteriores ou posteriores à ocorrência do fato gerador, praticadas pelo contribuinte, não compete à fonte pagadora. Entendimento oposto, além de ilegal, ante o exposto no art. 142, constituiria obrigação desarrazoada e de cumprimento impossível. (...) No caso vertente o dever de colaboração da impugnante tinha de ser exercido, como de fato foi, nos exatos termos descritos em lei, e à luz das condições materiais existentes no momento da ocorrência do fato gerador, independentemente de qualquer investigação dos atos praticados pelos acionistas vendedores da CFM, anteriormente à ocorrência do fato gerador, já que isso seria inviável, demasiadamente oneroso e desarrazoado. Não cabia à impugnante fiscalizar e fazer juízo de valor sobre quem eram os anteriores acionistas da CFM, quais negócios Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 jurídicos foram celebrados com vistas à transferência anterior de ações e em quais circunstâncias isso se deu, ou por qual montante essa transferência ocorreu. (...) A venda da participação acionária à Logan foi estruturada pelos acionistas que controlavam a CFM e não teve nenhuma vinculação com a impugnante nem com o grupo a que pertencia, que são diversos, como reconhecido pela própria fiscalização. Se era desejo dos então acionistas da CFM pagar menos imposto, a impugnante não teve nenhuma ingerência nesse ato, até porque não foi ela quem arcou com ônus do IRRF. Conforme cláusula do contrato de compra e venda, os vendedores da CFM domiciliados no exterior receberam o preço líquido do IRRF. (...) Não obstante os vendedores tenham arcado com o IRRF, sobre o qual a impugnante não teve nenhuma ingerência nem ônus, o agente fiscal, na tentativa de dar sustentação ao seu raciocínio, supôs que, como as negociações para a aquisição da CFM tiveram início antes da assinatura do contrato, a impugnante estaria a par da intenção dos acionistas da CFM de economizar tributos mediante a modificação da sede de um dos vendedores. Para chegar a essa constatação, o agente fiscal lastreiase em documentos colhidos da KPMG, da Goldman Sachs e da Deloitte, que revelam que, antes de julho de 2007 já havia tratativas acerca da operação. É evidente que as tratativas não se iniciaram um mês antes da celebração da avença, já que isso é incomum em qualquer negócio dessa natureza. Contudo, é inverídica a suposição de que a impugnante estaria ciente dos interesses dos vendedores em economizar tributos. Primeiro, porque nenhuma negociação foi conduzida com a Lanton. O interesse da impugnante era adquirir a totalidade das ações da CFM, independentemente da localização ou da identidade de seus acionistas. Daí que todas as tratativas deramse com o Rodrigo Octávio Maia Damásio, diretorpresidente da CFM e um dos acionistas vendedores, e não com os demais acionistas. Isso é corroborado pelo fato de que todas as notificações ou comunicações relativas ao contrato de compra e venda serem dirigidas a ele, conforme sua a cláusula 11.2 (a). Em segundo lugar, independentemente do conhecimento ou não da aludida intenção, tal fato, por si só, é irrelevante para o deslinde da controvérsia, uma vez que o maior ou o menor IRRF incidente sobre o ganho de capital em nada alterou o valor devido pelo impugnante na aquisição das ações da CFM, já que esse imposto era ônus dos vendedores. (...) O preço foi ajustado em decorrência da perspectiva de rentabilidade da CFM, tendo em vista as minas por ela exploradas, os contratos de arrendamento por ela firmados, o potencial de otimização, em termos logísticos, que o negócio poderia gerar as atividades já desenvolvidas pela CSN, entre Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 5 7 outros fatores destacados no contrato de compra e venda das ações e em trabalhos preparatórios da aquisição. Esses trabalhos foram trazidos aos autos pela fiscalização, mas incorretamente qualificados ou mal interpretados. (...) O artigo 26 da Lei nº 10.833 deve ser interpretado à luz do artigo 128 do CTN. Toda lei que atribui responsabilidade deve respeitar os parâmetros mínimos impostos nesse último artigo, notadamente porque o CTN faz as vezes da lei complementar a que se refere o artigo 146, inciso III, “b”, do texto constitucional. Nos termos do artigo 128, fazse mister que a pessoa eleita como responsável tenha vinculação com o fato gerador. Esse vínculo deve ser tal que lhe possibilite cumprir a obrigação imposta pela lei, sem que seu patrimônio pessoal responda pelo tributo alheio. Em abono do argumento, citamse passagens doutrinárias. (...) A impugnante não contesta a validade da norma que lhe impõe o dever de proceder ao recolhimento do IRRF. Sua responsabilidade, porém, deve necessariamente ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, isto é, por ocasião das remessas ao exterior, oportunidade em que a Logan, e não a Lanton, se apresentava como a vendedora da participação societária, como comprovam o contrato de compra e venda de ações e o registro no Banco Central. Uma vez que ela cumpriu à risca o disposto no artigo 26 da Lei nº 10.833, nenhuma diferença de IRRF lhe pode ser exigida. O ressarcimento exigido pelo artigo 128 deve ser ágil, eficaz, imediato e expedito, tudo o que no presente caso não se fará, visto que a impugnante desconhece o atual paradeiro da Logan e a empresa não se situa no território nacional, além de ser alheia ao grupo empresarial da impugnante, conforme reconhecido pela fiscalização. (...) Quando ocorreu o fato gerador do IRRF, um dos titulares e vendedores das ações da CFM era a Logan, conforme davam conta o contrato de compra e venda de ações, o livro de transferência de ações da CFM e o registro no Banco Central. Era obrigação dos vendedores, fixada em cláusula do contrato de compra e venda, munir a impugnante de certos documentos, entre eles os registros no Banco Central, os quais evidenciavam quem eram os investidores estrangeiros da CFM. A impugnante contratou a aquisição de ações com a Logan, além de ter recebido informações oficiais, do órgão a quem compete o registro de investimentos externos diretos, de que aquela companhia era, de fato, uma das acionistas da CFM. Essas Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 informações coincidem com, e ratificam, o teor dos assentamentos constantes do livro de transferência de ações da CFM, os quais eram necessários para que se operasse, de maneira válida e eficaz, a venda das ações, na forma do artigo 31 da Lei nº 6.404, de 1976. Modesto Carvalhosa ensina que a transferência de ações somente se opera pelo termo lavrado no livro competente da companhia, assinado pelo vendedor e pelo comprador ou por seu representante legal e devidamente datado. Essas considerações são importantes, porque revelam que a impugnante não poderia ter agido de outro modo, senão ter retido e recolhido o IRRF à alíquota de 15%. Ocorre que era a Logan, e não a Lanton, a acionista da CFM, conforme atestado pelos documentos já referidos. (...) É o registro de capital estrangeiro que confere autenticidade, veracidade e legitimidade ao detentor e ao valor do investimento, porque: efetuado pelo único órgão governamental competente; a partir da identificação da pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, titular do investimento no país, e também do montante da moeda estrangeira efetivamente ingressada no país. Por isso, o registro constitui meio de prova especial, nos termos do artigo 212 do Código Civil de 2002 e do artigo 136 do Código Civil de 1916. Daí os respectivos efeitos cambiais e tributários, tratados na Lei nº 4.131 e na Lei nº 10.833, já referidas. O dever imposto pelo artigo 26 da Lei nº 10.833, de 2003, à fonte pagadora deve ser exercido à luz das informações oficiais constantes dos registros de investimento efetuados no Banco Central, seja quanto a valor, seja quanto à identificação do beneficiário. A fonte não pode, em hipótese alguma, ser responsabilizada ou ser obrigada a fiscalizar atos praticados pelo beneficiário do rendimento anteriormente à ocorrência do fato gerador. Daí que a aferição da responsabilidade da impugnante fica fatalmente limitada às informações prestadas pelas partes e pelo órgão competente, ou seja, o Banco Central. (...) A fiscalização disse que a Logan seria uma empresa veículo, de passagem, porque recémcriada (03/2007) e que havia adquirido a participação societária pouco tempo antes da venda para a Namisa. No entanto, a premissa da fiscalização quanto ao momento de constituição da Logan é equivocada. Conforme revelam os documentos trazidos aos autos (doc. 9), a Logan foi constituída em outubro de 2006, e a sua constituição foi publicada no Diário Oficial uruguaio em dezembro do mesmo ano. Logo, se havia intenção de venda, à Logan, da participação acionária detida pela Lanton na CFM, a intenção foi Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 6 9 manifestada anteriormente ao início das tratativas que culminaram na aquisição, pela impugnante, das ações da CFM. É que as tratativas só ocorreram em 2007, quando a Logan já havia sido constituída. Como constatado pela própria fiscalização, as tratativas foram conduzidas em 2007, tanto que, de acordo com a página 18 do termo de verificação fiscal, a CSN/Namisa, em março de 200, já tinha plena ciência de que iria adquirir a CFM quando solicitou à KPMG a auditoria completa na CFM. Mais uma vez vêse que a impugnante não teve nenhuma ingerência na venda à Logan das ações detidas pela Lanton. Logo, se existiu abusou ou irregularidade de qualquer espécie, a impugnante é alheia a essas circunstâncias, e não pode desprezar os efeitos jurídicos que advieram da transferência de titularidade das ações da CFM em momento anterior à celebração do contrato de compra e venda. (...) Tanto quanto os contribuintes se sujeitam “ex lege” às obrigações tributárias, o fisco e as relações jurídicas não pairam acima da lei, de modo que um ato lícito e eficaz no plano do direito privado é também eficaz para produzir efeitos fiscais. Se as mutações patrimoniais promovidas em virtude da licitude e eficácia dos atos ou negócios jurídicos perante o direito privado conduzirem as partes a uma situação necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador, consoante os artigos 109, 114, 116, inciso II, e 117, do CTN, haverá obrigação tributária exatamente como estiver legalmente definida na respectiva norma de incidência. (...) A fiscalização não alega que a venda à Logan das ações da CFM detidas pela Lanton teria esbarrado nesta ou naquela patologia, limitandose a dizer que houve planejamento tributário abusivo. Todavia, não há nenhum traço de abuso de direito nem de simulação no caso presente. Não há abuso de direito porque não há prova nem indício de que a aquisição das ações da CFM pela impugnante, ou de sua anterior venda à Logan, tenham excedido os limites impostos a essas operações pelo fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, como requer o artigo 187 do Código Civil, visto que as vendas foram realizadas a contento e regularmente, mediante o pagamento do respectivo preço, cumprindo esses negócios sua causa, sua função prática. A fiscalização não chega a dizer que houve simulação, mas convém afastar a hipótese de tal vício. A doutrina conceitua a simulação como desconformidade entre a intenção subjetiva das partes e o ato praticado exteriormente. No caso presente essa Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 desconformidade não se apresenta, nem por indícios, uma vez que: as pessoas envolvidas fizeram o que queriam fazer e o que não era proibido fazer; elas se submeteram à disciplina jurídica dos atos que praticaram; os efeitos dos atos praticados foram mantidos sem alteração e sem desfazimento, ou retorno à situação anterior, o que teria ocorrido caso a Lanton voltasse a ser titular das ações da CFM, ou na eventualidade de os pagamentos serem feitos a ela, e não à Logan; houve publicidade das ocorrências, tanto que o livro de transferência de ações da CFM atestou a venda das ações à Logan, o que também foi confirmado pelos registros do Banco Central. Pelo exposto, é requerido o acolhimento da impugnação para que seja julgado improcedente o auto de infração. Na hipótese de se entender pela manutenção do crédito tributário, deve ser afastada a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação desse encargo sobre as multas isoladas. O artigo 61 e seu parágrafo 3º da Lei nº 9.430, de 1996, somente autoriza a incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Já os seus §§ 1º e 2º tratam do cálculo das multas sem prescrever a incidência de juros sobre elas. Em decorrência do artigo 3º do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que é indisputado na doutrina e jurisprudência. Logo, não cabe a aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, que não previu a incidência de juros sobre as multas. (...) A 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: IRRF INCIDENTE SOBRE GANHO DE CAPITAL AUFERIDO POR RESIDENTE NO EXTERIOR RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE ALÍQUOTA CABÍVEL SE O DOMICÍLIO DO ALIENANTE FOR PAÍS OU DEPENDÊNCIA COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA O adquirente ou seu procurador fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. Se o beneficiário for residente ou domiciliado em país ou dependência que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento, o ganho de capital sujeitarse á à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25%. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 21/02/2013 (fl. 1039), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 07/03/2013 (fls. 1040 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, quais sejam: ausência de responsabilidade pelo recolhimento de eventual diferença de IRRF decorrente da operação Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 7 11 realizada entre a LANTON e a LOGAN; ausência de ingerência sobre o referido negócio; assunção do ônus do IRRF pela beneficiária do rendimento; o artigo 26 da Lei nº 10.833 deve ser interpretado à luz do artigo 128 do CTN; os registros do Banco Central atestam a correção do recolhimento realizado; a LOGAN não foi constituída em 03/2007, mas sim em 10/2006; as informações prestadas pela Delloite são desinfluentes; e, ausência de qualquer patologia no negócio jurídico praticado pelo exacionista majoritário da CFM. Em seguida (fls. 1122 e seguintes), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas contra razões ao Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, que foi correto o entendimento da Fiscalização, quando considerou a autuada responsável pela diferença de IRRF a recolher. Eis um trecho do entendimento esposado na referida peça: Uma vez tendo sido demonstrado que a NAMISA sabia da operação e que ela foi beneficiada pela redução da tributação, o dever dessa empresa brasileira de reter e recolher o IRRF em face da verdadeira operação realizada não pode ser afastada. Assevera ainda a Fazenda Nacional que a autuada se valeu de uma operação artificial, com fito de retirar o seu domicílio de um “paraíso fiscal” e, assim, reduzir a alíquota de IRRF: Tal como fora ressaltado pelo lançamento, e ratificado pela decisão de primeira instância, o interesse da NAMISA na operação artificial realizada entre a LANTON e a LOGAN resta evidente quando se percebe que a redução da carga tributária incidente sobre o ganho a ser enviado ao exterior inevitavelmente reduziria também o preço total do investimento a ser pago pelo adquirente. Por fim, alega que precluiu a discussão sobre a legalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, todavia, para fins de debate, considera legítima a exigência, consoante as disposições legais citadas. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de retenção e recolhimento a menor do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), incidente sobre ganho de capital auferido por residente no exterior, relativo tanto ao anocalendário de 2007 quanto ao de 2008. Como visto do relatório, a autoridade fiscal constatou, ao longo da negociação do controle acionário da Companhia de Fomento Mineral (CFM) com a fiscalizada, que a LANTON Financial Corporation, acionista majoritária da CFM, transferiu seu domicílio Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 das Ilhas Virgens Britânicas (país com tributação favorecida) para o Uruguai. De acordo com a fiscalização, a mudança de domicilio teve como único e exclusivo objetivo reduzir a alíquota de IRRF aplicável, ou seja, em vez de recolher 25% de IRRF sobre o ganho (art. 47 da Lei nº 10.833/2003), acabou aplicando uma alíquota de 15% (art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001). Assim, a autuada, na qualidade de responsável tributária por substituição, reteve IRRF a menor em face do ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior. Em sua peça recursal alega a contribuinte, em linhas gerais, que a fiscalização errou ao lhe atribuir responsabilidade pelo recolhimento de eventual diferença do IRRF, pois, agiu de boafé e na certeza da correção de seus atos. Sustenta ainda que não tinha o dever de fiscalizar os atos praticados por terceiros, anteriormente à ocorrência do fato gerador, restringindose seu dever ao recolhimento do IRRF incidente sobre o ganho de capital do não residente, no exato instante em que foram verificadas as remessas ao exterior. Por fim, assevera que não se beneficiou direta ou indiretamente de nenhum ato praticado por terceiros, alheios a seu grupo empresarial. Pois bem, a situação que se enfrenta nestes autos é a de alienação do controle acionário de empresa localizada no Brasil (Companhia de Fomento Mineral CFM), por alienante residente no exterior (LOGAN Lake S.A), para adquirente residente no Brasil (NAMISA Nacional Minérios S/A). A autoridade lançadora indicou o adquirente como sujeito passivo, na condição de responsável, pelo fato de o alienante ser residente no exterior. Além do mais, considerou que o alienante, por ser residente ou domiciliado de fato em paraíso fiscal, se sujeitou à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25%. Delineada a controvérsia, cumpre enfrentar, de antemão, a alegação da recorrente de que não poderia ser responsabilizada por eventual diferença do IRRF. De início, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base para a autuação, o art. 682 e art.685, ambos do RIR/1999: RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR Seção Contribuintes Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); II pelos residentes no País que estiverem ausentes no exterior por mais de doze meses, salvo os mencionados no art. 17 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "b"); III pela pessoa física proveniente do exterior, com visto temporário, nos termos do § 1º do art. 19 DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "c", e Lei nº 9.718, de 1998, art. 12); IV pelos contribuintes que continuarem a perceber rendimentos produzidos no País, a partir da data em que for requerida a certidão, no caso previsto no art. 879 (Lei nº 3.470, de 1958, art. 17, § 3º). ... Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 8 13 Rendimentos, Ganhos de Capital e Demais Proventos Subseção Incidência Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; b) os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; c) as pensões alimentícias e os pecúlios; d) os prêmios conquistados em concursos ou competições; II à alíquota de vinte e cinco por cento: a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços; b) ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 691, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 245. § 1º Prevalecerá a alíquota incidente sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos residentes ou domiciliados no País, quando superior a quinze por cento (DecretoLei nº 2.308, de 1986, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 18). § 2º No caso do inciso II, a retenção na fonte sobre o ganho de capital deve ser efetuada no momento da alienação do bem ou direito, sendo responsável o adquirente ou o procurador, se este não der conhecimento, ao adquirente, de que o alienante é residente ou domiciliado no exterior. § 3º O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País (Lei nº 9.249, de 1995, art. l8). Por sua vez, o art. 26 da Lei nº 10.833/2003 dispõe: Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliado no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. (grifei) Do exposto, verificase que há previsão legal específica, com responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do imposto na fonte, no caso de ganho de capital de não residentes. O contribuinte, portanto, é sujeito passivo por substituição e possui responsabilidade e sujeição passiva de dívida própria, todavia, por fato gerador de terceiro. O adquirente substitui integralmente o beneficiário na sujeição passiva e como substituto passa a responder objetivamente pelo recolhimento do tributo, tal como seria o contribuinte. Nesse mesmo sentido é a lição de Luciano Amaro (in “Direito Tributário Brasileiro”, Ed. Saraiva, São Paulo, 1997, p. 417): Enfim, subjaz à responsabilidade tributária a noção de culpa, pelo menos stricto sensu, pois, ainda que o indivíduo não atue com consciência e vontade do resultado, este pode decorrer da falta de diligência (portanto, de negligência) sua ou de seus prepostos, no trato de seus negócios (pondose, aí, portanto, também a culpa in eligendo ou in vigilando). Sendo, na prática, de difícil comprovação o dolo do indivíduo (salvo em situações em que vestígios materiais sejam evidentes), o que preceitua o Código Tributário Nacional é que a responsabilidade por infração tributária não requer a prova, pelo Fisco, de que o indivíduo agiu com conhecimento de que sua ação ou omissão era contrária à lei, e de que ele quis descumprir a lei. (grifei) Nesse passo, vale aqui citar a ementa do Acórdão da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, REsp 309913/SC, de 02/05/2002: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA AUSÊNCIA DE RETENÇÃO NA FONTE SUBSTITUIÇÃO LEGAL TRIBUTÁRIA FONTE PAGADORA. A obrigação tributária nasce, por efeito da incidência da norma jurídica, originária e diretamente, contra o contribuinte ou contra o substituto legal tributário; a sujeição passiva é de um ou de outro, e, quando escolhido o substituto legal tributário, só ele, ninguém mais, está obrigado a pagar o tributo. O substituto tributário do imposto de renda de pessoa física responde pelo pagamento do tributo, caso não tenha feito a retenção na fonte e o recolhimento devido. Recurso especial de Antônio Boabaid provido e recurso da Fazenda Nacional que se julgou prejudicado. (grifei) O CARF também se manifestou no sentido de que a fonte pagadora que deixar de proceder à retenção assume o ônus do imposto, consoante se extrai do Acórdão nº 220100.552, de 11 de março de 2010, cuja ementa trancrevese: IRRF. RENDIMENTOS CREDITADOS A BENEFICIÁRIO RESIDENTE NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte os valores creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 9 15 exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. A fonte pagadora que deixar de proceder à retenção assume o ônus do imposto. (grifei) Assim, em que pese alegue a recorrente que o art. 26 da Lei nº 10833/2003 deve, necessariamente, ser interpretado à luz do art. 128 do CTN, cumpre assinalar que a própria exposição de motivos da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, deixa claro que sua edição tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte nãoresidente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, sobretudo pela não residência do contribuinte em território nacional. É o que se extrai da leitura do seguinte trecho: 21. O artigo 24 tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte nãoresidente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária, sobretudo pela nãoresidência do contribuinte em território nacional. Pelo que se vê, o objetivo da lei é atribuir ao adquirente, residente no território nacional, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital, independentemente de eventual direito de regresso e/ou do comprometimento de seu patrimônio pessoal. Isso posto, verificase que são inócuas as alegações da contribuinte no que se refere à sua pretensa falta de responsabilidade pelos atos praticados nas etapas antecedentes à aquisição da Companhia de Fomento Mineral – CFM. No que tange à operação que resultou no pagamento a menor do IRRF, cumpre, de pronto, transcrever parte do Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/38): Pelo exposto e pela documentação reunida, é possível concluir sobre como ocorreu todo o planejamento tributário efetuado na operação de aquisição pela Namisa do total controle acionário da CFM. Neste tipo de planejamento, usualmente, não há um documento demonstrando qualquer fraude. Os documentos são corretamente formalizados e atendem, na parte formal, aos requisitos legais. Algumas vezes há a simulação, que vem a ser a “aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta”. E o interesse maior neste caso aqui tratado foi transferir o domicilio tributário de uma sociedade domiciliada nas Ilhas Virgens Britânicas (Lanton) para o Uruguai (Logan) com o objetivo de recolher a menor o Imposto de Renda na Fonte sobre o ganho de capital advindo de uma operação de venda que já estava em negociação. (...) Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Não havendo a prova direta, buscase colher e demonstrar as denominadas provas indiretas. Pois, o que deve prevalecer é a natureza sobre a forma e, para isso, usase o conjunto das provas e indícios a fim de se buscar a verdade material dos fatos. A participação da Lanton, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, na CFM vigorou desde 1998 até 07/05/2007. Transferida esta participação por pouco mais de US$5,5 milhões para uma empresa recém criada (03/2007) e domiciliada no Uruguai, esta nova empresa (Logan) a revende dois meses depois para a subsidiária da CSN por U$355 milhões. Saliente se que a Logan fora constituída em Março de 2007. Uma questão fundamental para a escolha do Uruguai é devido à Ilhas Virgens Britânicas ser um pais com tributação favorecida paraíso fiscal enquanto o Uruguai, apesar de ter sigilo fiscal absoluto, não constava do rol de países com tributação favorecida. Apesar de possuir 80% de participação na CFM, toda a diretoria da CFM permanece, mesmo após haver a transferência desta participação para a Logan. Não há qualquer alteração no corpo executivo. Outra clara demonstração que Lanton e Logan eram a "mesma" empresa e tinham os mesmos donos. Não ocorreria isso se a transação ocorresse entre partes não relacionadas. Além disso, tanto a outra sócia, Financeira Sidelur, como a Logan Lake possuíam o mesmo endereço no Uruguai, Calle Juncal, n° 1327/2201, Montevidéu, e tinham os mesmos representantes e responsáveis legais no Brasil. Isto demonstra que todas fazem parte do mesmo grupo. Ainda, a antiga sócia Lanton tinha como sede o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas e vendeu sua participação social no capital social da CFM para a Logan do Uruguai que, por "coincidência", tinha o mesmo endereço da Sidelur, ou seja, tratase de evidente planejamento tributário dias antes da operação de compra e venda da CFM pela Namisa. (...) Já a alteração para um domicilio no Uruguai é mera fachada dos negócios. O país foi utilizado somente para haver um recolhimento menor do IRRF sobre o ganho de capital na operação de compra e venda. Os valores pagos pela Namisa nem passaram pelo país. Conforme Contratos de Câmbio apresentados, os valores foram diretamente transferidos para uma conta no Banco UBS agência de Zurique/Suiça. (...) A CSN/NAMISA, em março de 2007, já tinha plena ciência de que iria adquirir a CFM quando solicitou à KPMG a auditoria completa na CFM. Já ciente desse fato, a CSN/NAMISA com a anuência e concordância da própria CFM, através de seus acionistas Rodrigo Octávio Maia Damásio, Financeira Sidelur S.A. e Lanton Financial, dispara todos os procedimentos necessários para que a operação resultasse em um ganho de capital tributado à alíquota de 15%, ao invés de 25%. Dentre esses procedimentos encadeados citamos: Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 10 17 a) Criação já em março de 2007 da Logan Lake S.A., sociedade constituída de acordo com as Leis do Uruguai, com sede no mesmo local onde encontravase o outro sócio da CFM, Financeira Sidelur S.A, qual seja, Calle Juncal, n° 1327/2201, Montevidéu, como forma de criar o instrumento que seria utilizado para supostamente amparar a tributação do ganho de capital em 15%, haja vista que o Uruguai não encontravase no rol dos países considerados como tendo tributação favorecida. b) Transferência, em 07 de maio de 2007, de 80% das ações da CFM pertencentes à Lanton Financial Corporation (empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas) para a Logan Lake (Uruguai) por simbólicos US$5.696.807,93. Simbólicos porque já havia Laudo de Avaliação da CFM apontando valores bem superiores a esse. Além disso, sabemos que em 20/07/2007 a mesma CFM foi vendida por U$440.000.000,00! Como se não bastasse, apesar do acionista majoritário (Lanton Financial Corporation) ter vendido todas as suas ações da CFM para um acionista "diferente", Logan Lake, nada, absolutamente nada, se alterou na CFM em relação aos cargos da alta administração da empresa. Esse fato seria semelhante a comprar uma empresa e nem se importar em ter qualquer tipo de controle sob a mesma deixando tudo exatamente como estava antes, ou seja, uma situação totalmente infactível e que. só demonstra a artificialidade desta operação de venda de ações da CFM feita entre os acionistas Lanton Financial Corporation e Logan Lake. c) Subseqüente venda total, em 20/07/2007, das ações de todos os acionistas da CFM para a NAMISA pela vultosa quantia de U$440.000.000,00! d) Preparado o terreno, uma vez que 80% das ações agora eram detidas por acionista domiciliado no Uruguai, o ganho de capital estaria "passível" de ser tributado à alíquota de 15%, não fosse o descortinamento realizado por esta fiscalização do teatro engendrado pelos participes Por tudo apurado até aqui, é possível concluir que a transferência das cotas da Lanton para a Logan teve como único propósito a redução da carga tributária da operação. Os beneficiados da operação, como visto, foram a CFM e a Namisa. Beneficiados que tinham interesse e participaram ativamente para que ocorresse a redução indevida do imposto de renda na fonte sobre o ganho de capital de empresa domiciliada no exterior. O único propósito para a transferência apenas formal das cotas foi a utilização da menor alíquota na retenção do imposto, caracterizando assim o planejamento tributário abusivo. (...) Do exposto, penso que restou configura a responsabilidade da autuada pela redução da alíquota de IRRF decorrente da Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 18 negociação realizada entre as empresas estrangeiras LANTON e a LOGAN. Em verdade, instada pela fiscalização a comprovar o origem das negociações, tais como Carta de Intenções e/ou Memorandos de Entendimentos, declarou a CSN que a intenção ocorreu de forma pessoal e via contato telefônico, portanto, os únicos documentos apresentados pela empresa foi o contrato de compra e venda e Ata da Reunião Extraordinária do Conselho de Administração da Companhia Siderúrgica Nacional, realizada em 18/07/2007. Por Todo o exposto, verificase que a autuada possuía conhecimento total da operação, sendo, inclusive, beneficiada e, desta feita, deveria reter e recolher o IRRF em face da verdadeira operação realizada. (grifei) Do exposto, verificase que a autoridade fiscal coligiu um conjunto de elementos que atestam que a autuada (grupo CSN) sabia que a alíquota aplicável à compra da CFM era de 25%, no entanto, insiste a recorrente na tese de que não tinha conhecimento e tampouco participou da operação que culminou no recolhimento a menor do IRRF. Todavia, sobejam provas da participação da contribuinte e da CSN no início de toda a operação, muito antes da data da assinatura do contrato (20/07/2007). Vejamse: i Contratação da consultoria Goldman Sachs em 15/07/2007, sendo que o estudo de compra da CFM foi apresentado três dias depois, em 18/07/2007, e a assinatura do contrato se deu apenas dois dias após esta última data, ou seja, 20/07/2007. ii – A CSN remeteu, em 03 de julho de 2007, à Goldman Sachs planilha denominada “avaliação CFM v3”, contendo quadros e tabelas informativas sobre a CFM, com prospectivas de produção e rentabilidade (fl. 184), bem como o preço exato de aquisição da CFM “acquisition disbursement”, ou seja, US$ 440.000.000,00 (fl. 185). iii Planilha datada de 30/03/2007, enviada pela CSN à Goldman Sachs acompanhado do anexo “PV2006 2010 Estimado CFM”, informando sobre minas de propriedade da CFM (fl. 195). iv Estudos e planilhas, datados de maio de 2007, contendo arquivo intitulado “Valuation”, informando o valor de compra de US$ 440.000.000,00, ou seja, o mesmo preço de aquisição da CFM que viria a ser firmado em 20/07/2007. v – Contratação da empresa Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes para efetuar revisão das demonstrações financeiras da CFM levantadas no encerramento do anocalendário 2006, conforme proposta enviada em março de 2007 (fl. 337). A esse respeito, cumpre reproduzir trecho em que a questão é analisada pelo relator do julgamento singular: Desnecessário recordar aqui que os fatos e as circunstâncias observadas revelavam claramente que a mudança de titularidade das ações da Lontan fora apenas aparente. Logo, na determinação da base de cálculo do IRRF, era essa realidade concreta que devia ter sido levada em conta pelo sujeito passivo responsável pela retenção e recolhimento do tributo, sobretudo porque ele se encontrava em situação que lhe permitia ter plena ciência da manobra perpetrada pelos alienantes com o objetivo de reduzir indevidamente a incidência tributária. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 11 19 (...) Em verdade, outros documentos fornecidos pela Goldman Sachs revelam que as partes já haviam chegado a um acordo sobre o preço da compra e venda muito antes da data em que aquela mensagem eletrônica havia sido enviada. A fls. 195 encontrase outra mensagem eletrônica, datada de 10 de julho de 2007, na qual um funcionário da CSN envia a outro da Goldman Sachs mais informações, atendendo a solicitação deste. As informações encontramse num arquivo anexo, também no formato de planilha de cálculo, e que se intitula “PV2006 2010 Estimado CFM”. À cópia dessa mensagem a Goldman Sachs acrescentou seqüencialmente, na documentação entregue à fiscalização, três planilhas, o que faz supor que integram ou constituem o arquivo anexo. Elas contêm dados sobre minas de propriedade da CFM. Duas dessas planilhas trazem, em inglês, a data de 30 março de 2007. Inferese, daí, que pelo menos desde então a CSN já tivesse acesso privilegiado a dados da CFM. Isso significa também que pelo menos desde março de 2007 já estavam adiantadas as negociações para a sua aquisição, pois não se concebe que a CFM, uma empresa independente e até concorrente da CSN e de suas subsidiárias, franqueasse a essa acesso a informações estratégicas. (...) Em resumo, há provas sólidas nos autos que demonstram que a transferência de 80% das ações da CFM, do seu antigo proprietário, Lontan, para a uruguaia Logan ocorreu apenas de forma aparente. Consistiu numa operação sem fins econômicos, mas montada apenas para tentar reduzir a carga tributária incidente sobre o ganho de capital que resultaria da venda efetiva da CFM para o grupo CSN. Essa manobra foi levada a cabo quando já estavam adiantadas e praticamente concluídas as negociações entre o grupo CSN e os proprietários da CFM, de sorte que não era possível que os seus futuros adquirentes a ignorassem. Além disso, é inegável que eventual redução na tributação do ganho de capital favoreceria a ambas as partes, pois quanto menor a carga tributária sobre o ganho de capital, mais dispostos ficariam os vendedores a aceitar um preço menor para sua participação. Logo, ao remeter para o exterior o pagamento pela aquisição da CFM, cabia a autuada calcular e reter o IRRF e posteriormente o recolher, levando em conta a realidade dos fatos, e não a aparência deles conforme consubstanciada em atos meramente formais. Daí se segue que devem ser mantidas integralmente as exigências fiscais e rejeitadas as alegações contrárias da impugnante. (grifei) Da mesma forma que a autoridade recorrida, penso que a contratação da Goldman Sachs, apenas três dias antes da aquisição, bem como o laudo de avaliação emitido, foi totalmente irrelevante para a operação, pois muito antes da contratação da Goldman Sachs a autuada já sabia quanto a CFM valia e quanto estava disposto a pagar por suas ações. Com efeito, os trabalhos de auditoria pela KPMG e da Deloitte na CFM demonstram que o grupo Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 20 CSN já estava em tratativas com os antigos proprietários da CFM, muito antes da efetivação do negócio, pelo menos desde essa data, 30/03/2007, pois investimento dessa ordem não nasce do dia para noite, como bem ponderou a contribuinte em sua peça recursal: “Nenhuma operação desse porte, como acertadamente constatou a fiscalização, tem início um mês antes da celebração do contrato, sem mínima investigação acerca dos ativos, dos passivos e do potencial de geração de riqueza da empresa alienada.” Instada a se pronunciar sobre a origem das negociações das ações da CFM, se possuíam Carta de Intenções e/ou Memorandos de Entendimentos (documentos típicos dessa espécie de operação societária), respondeu a CSN que “ressalta que apesar de ser uma prática comum de mercado, tais documentos não foram elaborados por parte da CSN, a intenção ocorreu de forma pessoal e via contato telefônico”. Ora, não é possível supor que a intenção de compra de uma empresa no valor de US$ 440.000.000,00 ocorra apenas de forma pessoal e via contato telefônico. Pelo que se observa da resposta, é inevitável a conclusão de que as transações anteriores já faziam parte de toda uma articulação, com a participação da CSN, no sentido único de esquivarse do pagamento do imposto de renda devido. Não se pode perder de vista que nesse tipo de operação o que se consegue é uma série de documentos exteriorizadores de eventos e fatos que, juntos, permitem formar o objeto da prova e a convicção de que determinado fato tributável ocorreu. Com efeito, o intento almejado pelos contribuintes não pode ser enquadrado como consequência de um ato jurídico considerado legítimo, pois o seu âmago encontrase eivado de vício. Em uma análise simplista verificase o que procedimento foi aparentemente lícito, contudo, os agentes envolvidos alteraram deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência de uma tributação mais onerosa. O professor Marco Aurélio Greco explica que ausente a motivação negocial nas operações perpetradas, é forçoso concluir que as transações anteriores já faziam parte de toda uma articulação, cujo único objetivo é esquivarse parcialmente do pagamento do imposto. Às etapas antecedentes, bem como às operações estruturadas em sequência, o doutrinador denominou de step transactions1: Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas seqüências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subseqüente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso: Neste caso, cada etapa só tem sentido se existira que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. (...) Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto. (...) 1 Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004, p.345/346. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 12 21 Vale dizer, ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa), é importante interpretar a estória (conjunto). (...) Na medida em que o conjunto de operações corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim, a verificação das alterações relevantes deve ser feita não apenas considerando os momentos anterior posterior a cada etapa mas, principalmente, os momentos anterior e posterior do conjunto de etapas. Em verdade, a uruguaia LOGAN atuou apenas como empresa veículo para a concretização do objetivo final, qual seja, redução da alíquota de 25% para 15%, pois não houve mudança alguma de comando na CFM, apesar da pretensa troca do acionista controlador. Além do mais, tanto a outra sócia, Financeira SIDELUR, como a LOGAN possuíam o mesmo endereço no Uruguai, Calle Juncal, n° 1327/2201, Montevidéu, e tinham os mesmos representantes e responsáveis legais no Brasil. O curto intervalo de tempo entre as operações deixa claro que os atos praticados não tiveram fins econômicos, mas foram montadas apenas para reduzir a carga tributária incidente sobre o ganho de capital que resultaria da venda efetiva da CFM para o grupo CSN. Ademais, o dinheiro para pagamento da compra foi remetido para uma instituição bancária localizada na Suíça, e não no Uruguai, suposta sede da empresa, o que só vem a corroborar que o negócio celebrado entre a contribuinte e a uruguaia LOGAN tinha como pano de fundo apenas a diminuição do imposto de renda a ser pago. Ressaltese que apesar dos documentos acostados aos autos pela recorrente dar conta de que a LOGAN foi constituída em 4 de outubro de 2006, todavia, em consulta ao banco de dados eletrônico mantido pela Receita Federal, a abertura da LOGAN se deu em 30/03/2007. Além do mais, o capital social registrado da LOGAN foi de apenas US$ 39.000,00 em outubro de 2006, contudo, em maio de 2007, adquiriu 80% de participação acionária de uma grande mineradora estrangeira por US$ 5.696.807,93. Ainda, em relação à participação da autuada na redução indevida da alíquota, verificase que o contrato de compra e venda prevê a alíquota do IRRF de 15% em uma subcláusula que determina o preço a ser pago. Portanto, diferentemente do que alega a recorrente, de que não se beneficiou direta ou indiretamente do ato praticado, verificase que a redução da carga tributária, reduziu também o preço total do investimento a ser pago pelo adquirente. Ressaltese que os contratos de câmbios suscitados pela suplicante como prova de licitude da operação, a meu ver, contém apenas informações declaradas pelos responsáveis, que precisam legalmente de registro da operação no Banco Central para controle monetário, e nada mais que isso. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 22 Portanto, analisando as informações e/ou provas constantes dos autos, entendo que a autoridade lançadora logrou demonstrar que a recorrente participou da operação, cujo único objetivo foi a redução indevida do imposto de renda retido na fonte sobre ganho de capital. Assim, como a autuada é responsável pela retenção e recolhimento a menor do IRRF, por imposição legal, é de se manter a exigência em exame. Por fim, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois, tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário, sendo, portanto, aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Esse é o entendimento que prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), consoante a ementa destacada: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920201.991, Processo nº 16327.002244/9933) Ressaltese que em recente decisão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Declaração de Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Em face do pedido de vista do processo em epígrafe, tive a oportunidade de me debruçar detidamente sobre os fatos e, portanto, tomo a liberdade de apresentar a presente Declaração de Voto, com vistas a esclarecer as razões pela qual entendo que acolhe razão à Recorrente. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 13 23 Não vou me ater aos fatos, pois os mesmos já foram relatados com maestria pelo nobre Conselheiro Relator. Desta feita, adentro às razões que me levaram a entender pelo provimento do pleito da Recorrente. A cláusula tributária utilizada no contrato, firmado entre as partes, que rege a aquisição do ativo dispõe que o Imposto de Renda na Fonte (IRF) devido sobre o pagamento do valor da compra aos vendedores nãoresidentes já se encontra incluído no preço. Ou seja, independente de qual seja o valor do imposto, o preço contratual permanecerá inalterado, a compradora (Recorrente) desembolsará o mesmo valor, independente da alíquota do IRF ser 15% ou 25%. Importante destacar que do ponto de vista contratual há 02 (duas) formas de se prever o ônus do IRF, especialmente em operações que envolvam parte nãoresidente, a saber: (i) Cláusula Bruta: por essa estipulação, o valor do IRF é incluído no preço estipulado no contrato, ou seja, o preço ofertado pelo vendedor, contratualmente, já considera o valor do tributo. O valor cobrado pelo vendedor estrangeiro já inclui o tributo. Assim, o vendedor efetua previamente o cálculo do impacto desse tributo no seu preço e oferta valor tal, que após a incidência do IRF (retenção e recolhimento) pela fonte pagadora (Recorrente), o vendedor estrangeiro recebe o valor líquido pretendido. (ii) Cláusula Líquida: por essa estipulação, o valor do IRF não é considerado contratualmente no preço. Ou melhor, o vendedor estrangeiro apresenta no contrato o valor que pretende receber líquido do referido tributo, cabendo à parte compradora (fonte pagadora – Recorrente) efetuar o cálculo e recolhimento do mesmo. Verificase que no caso em questão a opção das partes foi pela utilização da “cláusula bruta”, pela qual o valor desembolsado pela Recorrente não se alteraria em face da alíquota de IRF. Assim, tendo em vista que o preço acertado não se alteraria em face da imposição de uma alíquota de IRF de 15% ou 25%, entendo que não há interesse de agir da Recorrente na alteração do domicílio das vendedoras nãoresidentes. Reforçando. O valor a ser pago pela Recorrente se mantém o mesmo em ambas as situações, quer o nãoresidente esteja domiciliado no Uruguai, quer o nãoresidente esteja domiciliado em “paraíso fiscal”. A diferença entre as duas hipóteses se encontra no valor a ser recebido pelo nãoresidente. Enquanto domiciliado no Uruguai, o valor a ser recebido é o preço descontado o IRF à alíquota de 15%. Por outro lado, quando domiciliado em “paraíso fiscal”, o valor a ser recebido seria menor, pois o desconto do IRF do preço seria de 25%. Portanto, resta claro que o interesse em alterar o domicílio fiscal para pagar menos tributo no Brasil é do vendedor nãoresidente e não da Recorrente. Em não havendo prova da participação da Recorrente na alteração do domicílio dos vendedores nãoresidentes, não cabe imputação de tributo à Recorrente, pois essa não concorre no mesmo interesse do nãoresidente. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 24 Parafraseando o destaque feito pelo nobre Conselheiro Gustavo Haddad durante o julgamento, para fins de autuação fiscal, não basta que haja a ciência do fato, é necessário que haja interesse no fato. Logo, mesmo que a Recorrente tivesse conhecimento da transferência de domicílio das partes vendedoras, a mesma não apresenta interesse na alteração de alíquota de Imposto de Renda na Fonte (IRF). Isso porque, conforme já pontuado anteriormente, a cláusula acordada no negócio em questão é a denominada “cláusula bruta”, pela qual o ônus do IRF cabe à parte nãoresidente (contribuinte). Ademais, entendo que nos autos não há material que comprove a participação da Recorrente na alteração de domicílio dos vendedores nãoresidentes com vistas a reduzir pagamento de tributo no Brasil. A autoridade tributária traz indícios e suposições da participação da Recorrente, porém não há prova contundente ou ao menos que ponha em dúvida a alegação da Recorrente. Importante destacar que a Recorrente se valeu das informações constantes no módulo RDEIED (Registro Declaratório Eletrônico – Investimento Externo Direto) do sistema SISBACEN do Banco Central do Brasil para aferir qual a jurisdição de domicílio dos vendedores nãoresidentes. O referido sistema tem como objetivo armazenar as informações dos investidores nãoresidentes. Há prova nos autos, que quando da remessa, constava no referido registro o país de domicílio como sendo Uruguai, não havendo menção a outra jurisdição. Neste sentido, entendo que a Recorrente agiu de forma acertada, ao efetuar a retenção e recolhimento do imposto com base nas informações apresentadas no módulo RDE IED do Banco Central do Brasil, por entender que as informações contidas no referido sistema são fidedignas à realidade dos fatos. Desta feita, por todo o exposto e não obstante a decisão do Colegiado, meu entendimento é que o Recurso Voluntário deve ser provido por faltar interesse de agir à Recorrente. Ou seja, como a cláusula contratual adotada pelas partes no negócio em tela foi a denominada “cláusula bruta”, a carga tributária incidente na operação (devida pelo não residente), não impacta o preço final acordado entre as partes e pago pela Recorrente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720790/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2009
IRRF. PAGAMENTO A NÃO-RESIDENTE. EXCLUSIVO DE FONTE. DECISÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. SUJEITO PASSIVO. LEGITIMIDADE.
Não resta afastada a responsabilidade tributária da fonte pagadora, ainda que, compelida, em razão de decisão judicial, de efetuar depósito judicial de IRRF (exclusivo de fonte) em nome de contribuinte não-residente. Resta legítima a constituição de crédito tributário em face da fonte pagadora.
Numero da decisão: 2201-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 14/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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PAGAMENTO A NÃORESIDENTE. EXCLUSIVO DE FONTE. DECISÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. SUJEITO PASSIVO. LEGITIMIDADE. Não resta afastada a responsabilidade tributária da fonte pagadora, ainda que, compelida, em razão de decisão judicial, de efetuar depósito judicial de IRRF (exclusivo de fonte) em nome de contribuinte nãoresidente. Resta legítima a constituição de crédito tributário em face da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 14/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 90 /2 01 1- 12 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 226 a 231, lavrado em 08/09/2011, exige se da contribuinte VALE SA, o montante de R$ 62.740.057,95 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e R$ 11.857.870,95 de juros de mora, totalizando R$ 74.597.928,90 (atualizados até a data da autuação) referente ao exercício de 2009. O lançamento decorreu de falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 219 a 225), em 18/09/2009, a Rio Tinto Brasil (empresa domiciliada no Brasil), até então detida pelas empresas nãoresidentes Rio Tinto Brazilian Holdings Ltd. e Rio Tinto Brazilian Investments Ltd. foi alienada à Autuada pelo valor de US$ 434.333.318,55. As vendedoras (Rio Tinto Brazilian Holdings Ltd. e Rio Tinto Brazilian Investments Ltd.) ingressaram como Mandado de Segurança a fim de impedir o recolhimento de IRRF sobre o ganho de capital apurado, bem como para considerar como custo de aquisição do investimento os valores realmente despendidos quando da aquisição da empresa Rio Tinto Brasil e não apenas o valor de investimento registrado no Registro Declaratório Eletrônico – Investimento Externo Direto (RDEIED) do Banco Central do Brasil. O Mandado de Segurança (nº 0029.0015710/2009 da 29ª Vara Federal do RJ) foi denegado, tendo ocorrido apelação com efeito devolutivo. No curso do processo a Autuada depositou judicialmente o valor de R$ 62.740.057,95, em razão de decisão judicial (fls. 267). A fiscalização ao auditar o cálculo do IRRF devido sobre o ganho de capital apurado com a venda, concluiu que o depósito judicial que a Autuada efetuou encontrase correto, sendo que efetuou o lançamento do imposto com exigibilidade suspensa, com vistas a prevenir a decadência. A Autuada apresentou Impugnação, tempestiva, em 07/10/2011, conforme fls. 235 a 249, alegando: · ilegitimidade passiva no tocante à autuação, posto que deveria ser endereçada aos contribuintes do IRRF. · que a lavratura do auto de infração em face da Autuada teve como fundamento a sua responsabilidade pela retenção e recolhimento do tributo, nos termos do art. 26 da Lei nº 10.833 de 2004. · a desoneração o responsável, na qualidade de fonte pagadora, se, uma vez retido o tributo, restar impedido de efetuar o recolhimento direto ao Tesouro Nacional, como sucede na hipótese dos autos, por força da decisão judicial que ordenou o depósito judicial das quantias retidas. · que nesta situação, no momento da retenção e depósito do montante integral do tributo, cessou a sua responsabilidade tributária, pois naquele instante perdeu a disponibilidade da renda ou provento do terceiro. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.720790/201112 Acórdão n.º 2201002.370 S2C2T1 Fl. 3 3 · aliás, é este terceiro que, com o depósito efetuado, a seu pedido, passa a ter a disponibilidade sobre estas quantias, como assentado pela jurisprudência do Superior Tribunal da Justiça. · não ser justo que o sujeito passivo seja responsabilizado pelo Estado pela ausência de recolhimento diante de ordem judicial que lhe impediu de fazêlo, como já concluiu a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 2.998. · que a Câmara Superior do antigo Conselho de Contribuintes já decidiu que a responsabilidade deve ser imputada ao contribuinte e não mais ao responsável (Acórdão CSRF/0104840, de 16/02/2004). · ainda que se trate da hipótese de retenção exclusivamente na fonte, a Receita Federal do Brasil reconheceu que o impedimento à retenção e recolhimento, pela fonte pagadora, desloca a responsabilidade para o contribuinte, nos termos do Parecer Normativo nº 1, de 2002. · não ser lícito à RFB, com fulcro no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, efetuar o lançamento de crédito suspenso por força de depósito judicial, seja ante a falta de amparo legal expresso, seja porque a situação em tela dispensa o próprio lançamento, dada a sua natureza intrínseca. · ter sido previamente apurado, com base nas informações dos contribuintes, o quantum devido, procedendo o interessado, na qualidade de fonte pagadora, o depósito de seu montante em Juízo e, por fim, diante da chancela da RFB a respeito da suficiência daquele, o ciclo da constituição do crédito tributário está completo, não restando ato a ser levado a efeito para preservar o direito creditório. · que o depósito do seu valor integral (art.151, II do CTN) tem o condão de afastar definitivamente os efeitos da mora, posto que o depósito necessariamente ficará vinculado à decisão final a ser prolatada. · que o Conselho de Contribuintes referendou tal entendimento, como se observa em diversas decisões. A 8ª Turma da DRJ/RJ1, em 09/02/2012, em decisão de fls. 274 a 281, deu provimento à Impugnação por entender que houve erro de identificação do sujeito passivo, posto que o lançamento deveria ser endereçado aos contribuintes do IRRF. Confirase a ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. BENEFICIÁRIA DO RENDIMENTO. LANÇAMENTO. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar o recolhimento do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste. A Autuada tomou conhecimento da decisão em 26/06/2012 (fls. 283), pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Portal eCAC, sendo que a ciência por decurso de prazo de 15 dias, a contar da disponibilização dos documentos através da Caixa Postal, ocorreu em 10/07/2012 (fls.284). Com base no art. 1º da Portaria MF nº 03/08 há recurso necessário para presente instância administrativa. A Fazenda Nacional apresentou razões ao Recurso de Ofício em 16/11/2012 (fls. 288 a 296), alegando, em suma, a legitimidade passiva da Autuada, sob os seguintes argumentos: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · a Autuada é o sujeito passivo da presente relação tributária, por força do artigo 26 da Lei n° 10.833/03, devendo o imposto ser exigido da Autuada, · a extinção da obrigação tributária apenas ocorre com uma das hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN). Pondera que o depósito judicial autoriza a suspensão do crédito tributário, mas não opera sua extinção. Logo, não há que se mencionar a extinção da obrigação tributária em relação à Autuada. · não existe norma que desobrigue o responsável tributário pelo mero depósito dos valores em juízo. Acrescenta que a extinção do crédito somente ocorrerá com a conversão do depósito em renda, modalidade prevista no inciso VI do artigo 156 do CTN. · que o lançamento deverá ser realizado em nome da Autuada, pois a lei imputa a ela a responsabilidade pela retenção (já realizada) e recolhimento do tributo (ainda não realizado, dependendo de decisão judicial para que seja convertido em renda). · no regime de tributação exclusiva na fonte, a sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. Como o ônus econômico é suportado pelo contribuinte, o depósito judicial foi feito em nome dos alienantes. Porém, essa situação não tem o condão de alterar a sujeição passiva da relação jurídicotributária. O lançamento deve ser realizado em face daquele indicado pela lei, no caso, o adquirente e responsável tributário (Autuada). O mero depósito em juízo não é suficiente para extinguir a obrigação. · o lançamento foi realizado apenas para prevenir a decadência, visto que a questão de fundo está sendo discutida no processo judicial. Apesar de a Rio Tinto ser parte legítima para figurar no pólo ativo da ação judicial, a autoridade fiscal está jungida à lei, que é clara ao dizer que a sujeição passiva é do adquirente (Autuada). A interpretação da DRJ implicaria em atribuir ao auditor fiscal o dever de lançar em pessoa não prevista em lei, o que de forma alguma pode ser admitida. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso atende ao requisito específico de admissibilidade previsto na Portaria MF nº 3º/08, uma vez que o lançamento tributário foi exonerado pela decisão da DRJ, portanto dele conheço. Inicialmente, cabe destacar que o presente recurso cinge a discussão à legitimidade passiva da Autuada, não sendo alegadas questões inerentes à quantificação do tributo devido. A Fazenda Nacional defende a legitimidade passiva da Autuada por entender que o artigo 26 da Lei n° 10.833/03 define como sujeito passivo do IRRF devido sobre ganho de capital apurado por nãoresidente, o adquirente, no caso a Autuada, se esse residente nacional. Ainda defende que o fato de a Autuada ter efetuado depósito judicial em nome dos beneficiários dos rendimentos (contribuintes nãoresidentes), por força de decisão judicial, não tem o condão de afastála do pólo passivo tributário, pois o depósito judicial tão apenas suspende a exigibilidade do crédito e não extingue a obrigação tributária (art. 156 do CTN). Complementa que o depósito judicial não desobriga o sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.720790/201112 Acórdão n.º 2201002.370 S2C2T1 Fl. 4 5 Pois bem. De fato, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 10.833/03, a Autuada (residente no Brasil) por ser adquirente de ativo localizado no Brasil de nãoresidente é sujeito passivo da relação jurídicotributária, devendo reter e recolher o IRRF devido sobre o ganho de capital auferido pelo nãoresidente. Confirase: Art. 26 . O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. (grifos nossos) Entretanto, em razão de um provimento judicial, a Autuada restou impedida de recolher o imposto devido aos cofres públicos. A decisão judicial determinou que a Autuada retivesse o imposto do pagamento feito aos alienantes nãoresidentes e efetuasse depósito judicial. Logo, verificase que o caso sob análise configura um nãorecolhimento do imposto pelo sujeito passivo em face de uma decisão judicial. Se a decisão judicial não existisse, o sujeito passivo poderia ter adimplido a obrigação tributária. Em que pese o exposto no Parecer Normativo nº 1 de 24/09/2002 (item 18 e seguintes), que fundamentou a decisão da DRJ, por apresentar disposição específica para os casos em que a fonte pagadora (sujeito passivo) encontrase impedida de efetuar o recolhimento do imposto em razão de decisão judicial, entendo que a referida interpretação deva ser relativizada quando se tratar de tributo exclusivo de fonte retido em benefício de contribuinte nãoresidente. Isso porque a sistemática de retenção da fonte de contribuinte nãoresidente difere quando comparada a de contribuintes residentes. Enquanto no caso de contribuintes residentes o Fisco nacional tem alcance sobre esses em face do exercício da sua jurisdição, no caso de contribuintes nãoresidentes, o Fisco nacional não detém jurisdição sobre os mesmos, daí a imposição legal de se nomear um responsável tributário, residente nacional, para se responsabilizar por qualquer inadimplemento em relação à obrigação tributária (art. 26 da Lei nº 10.833/03). Desta feita, se afastada a legitimidade passiva da Autuada no caso em questão, não haveria de quem o Fisco nacional executar eventual inadimplemento tributário, tendo em vista que lhe falece jurisdição para executar o contribuinte nãoresidente. Portanto, deve ser mantida a autuação em nome da Autuada, responsável pela retenção e recolhimento do tributo em questão. De toda sorte, é imperioso destacar que, tendo em vista a concomitância com ação judicial, quando da decisão final da Justiça, o valor do depósito judicial, ainda que efetuado em benefício dos contribuintes nãoresidentes, deve aproveitar a Autuada (Vale SA), no tocante ao presente processo administrativo, pois referese ao mesmo crédito tributário. Não deve ser constituído novo crédito tributário em nome da Autuada sob a argumentação de que o depósito beneficiou os contribuintes nãoresidentes (alienantes) e não a Autuada (Vale SA). Fl. 314DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 315DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10865.002271/2005-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 02 27 1/ 20 05 -0 4 Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório LUIZ FRANCISCO BORDIGNON, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 866.698.348 53, com domicílio fiscal na cidade de Americana, Estado de São Paulo, à Rua Galdina Guimarães Santar, n.º 31, Bairro JD Santa rosa, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1017/1030, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1033/1064. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em Limeira SP, em 29/11/2005, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/11), com ciência por AR, em 05/12/2005 (fls. 976), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.849.331,07 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2001 a 2003, correspondente aos anoscalendário de 2000 a 2002, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2001 a 2003, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição (ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal, anexo, que constitui parte integrante e indissociável do Auto de Infração. Infração capitulada art. 849 do RIR/99; art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; art.4° da Lei n° 9.481, de 1997; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999; art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal, datado de 29/11/2005 (fls. 12/24), entre outros, os seguintes aspectos: que a presente fiscalização, direcionada aos anoscalendário de 2000 a 2002, foi iniciada em razão de ter sido detectada movimentação financeira incompatível com a receita declarada pelo contribuinte à SRF, visto que naqueles anos se sujeitou a um desconto total de CPMF incidente sobre valores que superaram R$ 1.860.000,00, ao passo que em suas declarações de rendimentos foi informado um rendimento total de 205.313,64, representando a movimentação financeira mais de nove vezes o rendimento declarado. (fls. 25 a 29); que em 22/12/2004, o contribuinte apresentou a resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, na qual diz estar atendendo as solicitações e apresentando os extratos bancários das instituições financeiras que relaciona. Ocorre, porém, que os mencionados extratos bancários, que alega estar apresentando, tratamse na verdade tão somente de Informe de Rendimentos os quais são fornecidos anualmente pelas instituições financeiras para fins do imposto de renda, informando somente os saldos no final de cada ano, não atendendo, assim, as solicitações do Termo de Início da fiscalização. (fls. 36 a 70). Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 4 3 que em vista da existência de dúvidas quanto ao período em que duas das contas correntes eram em conjunto, intimouse o Banco do Brasil e o Unibanco a fazer os devidos esclarecimentos. O Unibanco informou que a conta em questão sempre foi conjunta e o Banco do Brasil esclareceu que a partir de 14/03/2002 a conta passou a ser em conjunto com a esposa. (fls. 726 a 728 e 732 a 739); que após o recebimento dos extratos bancários, encaminhados pelas instituições em atendimento ao RMF, o fiscalizado foi intimado novamente, em 22/09/2005, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente, através de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor. Em anexo à referida intimação, foi juntada planilha discriminando individualmente os valores creditados em suas contas bancárias, mencionandose a data, histórico, n° do documento, valor (inclusive as devoluções de cheques depositados) relativamente às suas contas bancárias. Ficou também cientificada de que, caso não ocorresse tal comprovação, os respectivos valores seriam considerados como receitas omitidas, com base no artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 Foilhe encaminhado nessa oportunidade uma via do MPF Complementar que alterou o responsável pela execução do procedimento fiscal. (fls. 740 a 869); que de acordo com os fatos aqui narrados, a pessoa física sob fiscalização realizou operações que acarretaram movimentação de recursos transitados pelas contas correntes por ela mantidas nos Bancos: Unibanco, Real, Bandeirantes, CEF, Brasil e Bradesco. Essa ocorrência, em princípio, configuraria um indício da prática de omissão de receitas, haja vista a movimentação financeira incompatível com a receita declarada pelo contribuinte à SRF, conforme colocado no item 1.1; que por estarem intimamente vinculados à situação fática definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador do tributo, tais indícios galgaram à condição de presunção legal, acarretando a inversão do ônus da prova contra o sujeito passivo, pela qual os agentes do Fisco, no desempenho de sua atividade vinculada e obrigatória, são legalmente autorizados e compelidos a presumir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; que no caso em questão, apesar de terem sido concedidas várias oportunidades para se demonstrar que a origem dos recursos depositados nas contas em nome do fiscalizado não correspondia a rendimentos omitidos em sua Declaração do Imposto de Renda (DIRPF), o contribuinte não trouxe ao conhecimento desta Fiscalização documentação que lograsse afastar a presunção legal preceituada pelo artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, exceto em relação aos créditos devidamente comprovados, conforme demonstrativo. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 30/12/2005, a sua peça impugnatória de fls. 979/1013, instruído pelos documentos de fl. 1014, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que todo ato administrativo, além da obrigação de possuir fundamentação legal, sob pena de violar o princípio da legalidade e o da motivação, celebrados pelo artigo 37 e inciso I do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, inciso I, do artigo 97 e parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, deve possuir descrição correta, ou seja, identificar com clareza o ato praticado, permitindo ao administrado a prática de ampla defesa administrativa de seus direitos, também constitucionalmente assegurados pelo inciso LV, do artigo 5° da Constituição Federal de 1.988; Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 5 4 que não procede a afirmação de que o Impugnante não atendeu as intimações, deixando de apresentar os documentos e justificativas consignadas no relatório fiscal; que todos os documentos referentes às operações realizadas foram regularmente apresentados. Desconhece o impugnante as razões de suas recusas, até mesmo porque, as mesmas não se encontram arroladas no relatório fiscal, do mesmo modo, as exigências sobre a movimentação financeiras padecem de vícios insanáveis, conforme reiterada jurisprudência, extrato bancário não configura renda; que o Impugnante foi surpreendido com a efetivação da constituição do crédito tributário sem que fosse intimado previamente a se manifestar sobre cada crédito ou movimentação financeira oriunda dos extratos apresentados pelos respectivos bancos arrolados; que o relatório fiscal consigna os fatos geradores de forma globalizada e mensal, sem descrever a origem de cada crédito individualizadamente, sendo desconhecidas as bases imponíveis, sua natureza, sua origem e a sua forma de eleição. Impedindo claramente desta forma o exercício regular do direito de defesa; que se encontra consignado no relatório fiscal que a Autoridade Lançadora solicitou diretamente à instituição bancária por meio do formulário Requisição sobre Movimentação Financeira RMF sem a devida autorização judicial ou do próprio Impugnante, procedimento desprovido de suporte legal e ao arrepio dos princípios constitucionais inseridos nos incisos X e XII do artigo 5° da Constituição Federal; que primeiramente porque o direito à intimidade representa importante manifestação dos direitos da personalidade e qualificase como expressiva prerrogativa de ordem jurídica em reconhecer, em favor do cidadão, a existência de um espaço indevassável destinado a protegêlo contra indevidas interferências de terceiros na esfera da vida privada; que a requisição de informações bancárias inseridas na Lei Complementar n° 105/2001 não autoriza a fiscalização acessar diretamente os dados bancários protegidos constitucionalmente de sigilo; que composição da base imponível encontrase eivada de nulidades, tendo a Autoridade Lançadora partido do princípio de que sua composição seja determinada pelo montante anual, como se depreende da descrição consignada no relatório fiscal, apesar de arrolada mensalmente, contudo a apuração final ocorreu na totalização dos pseudos rendimentos, com a agravante de ignorar todas as variáveis de rendas oriundas das atividades de movimentação bancária via créditos decorrentes de lucros, alienações e outras fontes disponibilizadas em suas declarações anuais de ajuste da apuração do imposto de renda pessoa física nos exercícios contemplados na ação fiscal, bem como o motivo da recusa dos documentos comprobatórios das deduções efetivadas; que não se admite a interpretação dada pelo Órgão Tributante ao artigo 42 da Lei 9.430/96 de que depósito bancário possa ter a presunção de renda, destacadamente a base imponível da CPMF, onde explicitamente o § 3° do artigo 11 da Lei 9.311/96 em consonância com o CTN, impedia sua utilização para outras finalidades, ou seja, caracterizando o uso indevido de informações bancárias e consequentemente de provas ilícitas. Primeiramente por ferir princípios elementares de direito tributário, regulado por lei complementar, quando determina os elementos essenciais à apuração da base imponível, destacando a necessidade da Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 6 5 transparência da ocorrência do fato gerador da obrigação, não se admitindo sua flexibilização via lei ordinária. Segundo, tratase tão somente de mera presunção e divorciada da realidade, uma vez que a movimentação financeira em contas bancárias pode decorrer de operações múltiplas, podendo se efetivar com numerários de mesma origem. Os saques e depósitos não estão obrigatoriamente vinculados à renda. Neste sentido disciplinou o artigo 6° da Lei 8.021/96, determinando para sua apuração, fosse acompanhada de provas adicionais, corroborada com sinais exteriores de riquezas; que o procedimento fiscal encontrase eivado de nulidades, a eleição da movimentação em contas bancárias como base imponível para a exigência do imposto de renda da pessoa física da forma utilizada não encontra respaldo na realidade, logo, não tem suporte fático, em precedentes e nem mesmo na experiência. Assim sendo, não podemos afirmar que a ocorrência do fato "A" obrigatoriamente levará à consequência do fato "B", ou seja, carece de fundamentação, contrariando o princípio da certeza e liquidez do crédito; que majoração da multa aplicada não corresponde aos fatos narrados, no sentido de que as informações disponíveis foram apresentadas e ainda possui caráter fundamentalmente confiscatório e fere o princípio da capacidade contributiva, nos percentuais de 75% sobre o valor do débito; que o indexador para atualização das contribuições previdenciárias denominado SELIC tem sua imposição vedada como taxa de juros, uma vez que a mesma possui percentual acima de 1% ao mês. Como é sabido, é vedada a cobrança de juros acima do limite legal, que é de 12% ao ano ou 1% ao mês. Utilizandose a SELIC aplicarseá taxa superior a esta, o que fere frontalmente a lei tanto constitucional quanto a infraconstitucional; Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, concluíram pelo Lançamento Procedente da ação fiscal, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que no tocante às inúmeras alegações de inconstitucionalidade e de legalidade da legislação que dá suporte ao lançamento, tais como cobrança de juros com base na taxa Selic, confisco, retroatividade da legislação, quebra do sigilo bancário, etc., não cabe sua discussão em sede administrativa consoante estabelecem o Parecer Normativo CST/SRF n° 329/1970, o Parecer PGFN/CRF n°439/1996 e Parecer PGFN/CAT n° 1.649/2003; que os juros moratórios foram calculados na forma da Lei n° 9.430/1996, art. 61, § 3° (fls. 11), com base na taxa Selic, sendo que o § 1° do art. 161 do CTN é claro ao estabelecer que os juros serão de 1% ao mês se a lei não dispuser de modo diverso e, como visto, a lei supramencionada assim dispôs; que, aliás, os juros exigidos com base na taxa Selic são considerados legais, consoante as seguintes decisões administrativas dos Conselhos de Contribuintes: Acórdãos nºs. 10806444, de 21/03/2001(1° CC), e n°20306832, de 17/10/2000 (2° CC); que quanto à alegada multa confiscatória, aqui o tributo foi lançado de oficio, sendo então aplicável a multa de oficio de 75% (art. 44, I, da Lei n° 9430/1996, fls. 11). A multa de mora de 20% de que trata o art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996 é aplicável no recolhimento espontâneo do tributo, o que não é o caso; Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 7 6 que a norma do art. 150, inciso IV da Constituição Federal veda a utilização de tributo com efeito de confisco, o que não é o caso da multa, que tem natureza punitiva e não está contida no conceito de tributo; que inicialmente, constatase que inexistiu ausência de motivação. Tanto no bojo do auto de infração (fls. 05), como no minucioso termo de verificação de irregularidade fiscal (fls. 1224), que faz parte integrante da autuação e a complementa, estão relatados os procedimentos seguidos pela fiscalização na apuração dos valores tributáveis com base em depósitos bancários, de forma minudente e exaustiva, não deixando nenhuma dúvida a quem os compulsar das medidas adotadas para se chegar ao resultado obtido; que concerne aos valores tributáveis mensais apurados no auto de infração (fls. 0507), nada mais são do que o resumo dos valores individualizados listados pela fiscalização e dos quais o impugnante foi regularmente intimado para se manifestar sobre eles; que não prospera a alegação do impugnante de que a quebra de sigilo bancário só pode ocorrer mediante autorização judicial. Ao contrário, a doutrina e jurisprudência sempre entenderam que não há sigilo para o Fisco; que o impugnante argumentou que não poderia o Fisco aplicar retroativamente a Lei n° 10.174/2001 e a Lei Complementar n° 105/2001. Contudo, não procede sua argumentação; que dispõe o Parecer PGFN/CAT n° 1649/2003, aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda (DOU n° 08 de 13/01/2004, Seção 1), e, portanto de adoção obrigatória pela Administração, no sentido da constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, bem como da aplicação das alterações promovidas pela Lei n° 10.174/2001 na Lei n° 9.311/1996 para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei n°10.174; que próprio Superior Tribunal de Justiça, a mais alta Corte de Justiça a quem compete dizer da legalidade das leis, firmou entendimento remansoso no sentido de que a referida Lei n° 10.174/2001, além de estenderse a outros tributos, retroage; que cabe ao contribuinte demonstrar a origem dos valores depositados em sua conta bancária; não o fazendo, a presunção legal é de que tais depósitos originamse de rendimentos subtraídos à tributação e, portanto, cabe ao fisco proceder simplesmente ao lançamento dos rendimentos assim obtidos por meio de prova presuntiva, nos expressos termos legais; que é de se frisar que a tributação não se faz sobre os depósitos bancários, como à primeira vista pode parecer, mas sim sobre os rendimentos resultantes de operações bancárias cujas origens restaram incomprovadas e resultaram (por presunção legal) em rendimentos omitidos. Vale dizer, tais rendimentos tributáveis apurados com fulcro nos depósitos injustificados configuram renda (acréscimo patrimonial) nos termos do art. 43 do CTN; que as justificativas apresentadas pelo impugnante no requerimento de fls. 874875 e respectivas planilhas (fls. 902 e segs.), foram minuciosamente apreciadas pela fiscalização no Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal, mais precisamente no item 2 (fls. 1519), tendo sido expurgados os valores comprovados, inclusive foram descontados os valores dos rendimentos auferidos nos respectivos anoscalendário e só foram tributados a Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 8 7 metade dos valores depositados, nas contas bancárias conjuntas com a mulher, que declarou em separado, como determina a Lei n° 9.430/1996, art. 42, § 6° (v. item 2.5, fls. 16), bem como na proporção da participação do contribuinte em outras contas (fls. 1617); que assim, a fiscalização acolheu como comprovados os valores de R$ 32.198,00 em 2000 (v. demonstrativo, fls. 15); R$ 152.450,00 em 2001 (v. demonstrativo, fls. 16) e R$ 900,00 em 2002 (fls. 16); que os demais valores listados na planilha que não restaram comprovados, não foram considerados, consoante o detalhado trabalho fiscal referido (v. termo, fls. 12 a 24). Logo, o exame individual de cada depósito, de que fala o § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, foi regularmente efetuado, sendo excluídos os valores comprovados e mantidos os não comprovados; que não tendo o impugnante comprovado a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, que restaram lançadas, configurouse a omissão de rendimentos, sujeita ao tributo. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade e ou legalidade das leis em vigor. SIGILO BANCÁRIO. Nos termos da legislação de regência, inexiste sigilo bancário para o Fisco. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Sujeitamse à tributação os rendimentos omitidos caracterizados por valores creditados em contas de depósito, quando o contribuinte não comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Lei n° 10.174/2001, que instituiu novos critérios de fiscalização dos depósitos bancários, retroage para alcançar fatos geradores pretéritos. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 10/02/2009, conforme Termo constante à fl. 1032, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (05/03/2009), o recurso voluntário de fls. 1033/1064, instruído pelo documento de fl. 1065, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que todo ato administrativo, além da obrigação de possuir fundamentação legal, sob pena de violar o principio da legalidade e o da motivação, celebrados pelo artigo 37 e inciso I do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, inciso I, do artigo 97 e parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, deve possuir descrição correta, ou seja, Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 9 8 identificar com clareza o ato praticado, permitindo ao administrado a prática de ampla defesa administrativa de seus direitos, também constitucionalmente assegurados pelo inciso LV, do artigo 5° da Constituição Federal de 1.988; que todos os documentos referentes às operações realizadas foram regularmente apresentados. Desconhece o impugnante as razões de suas recusas, até mesmo porque, as mesmas não se encontram arroladas no relatório fiscal, do mesmo modo, as exigências sobre a movimentação financeiras padecem de vícios insanáveis, conforme reiterada jurisprudência, extrato bancário não configura renda; que o Impugnante foi surpreendido com a efetivação da constituição do crédito tributário sem que fosse intimado previamente a se manifestar sobre cada crédito ou movimentação financeira oriunda dos extratos apresentados pelos respectivos bancos arrolados; que encontrase consignado no relatório fiscal que a Autoridade Lançadora solicitou diretamente à instituição bancária por meio do formulário Requisição sobre Movimentação Financeira — RMF sem a devida autorização judicial ou do próprio Impugnante, procedimento desprovido de suporte legal e ao arrepio dos princípios constitucionais inseridos nos incisos X e XII do artigo 5° da Constituição Federal; que por outro lado, ainda o efeito pretendido pelo fisco fosse legal, sua aplicação retroativa encontra impedimento nos mais elementares princípios de direito tributário; que o art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001, ao autorizar a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, independentemente de permissivo judicial, macula o principio constitucional do sigilo de dados e de informações confidenciais; que a composição da base imponível encontrase eivada de nulidades, tendo a Autoridade Lançadora partido do princípio de que sua composição seja determinada pelo montante anual, como se depreende da descrição consignada no relatório , fiscal, apesar de arrolada mensalmente, contudo a apuração final ocorreu na totalização dos pseudos rendimentos, com a agravante de ignorar todas as variáveis de rendas oriundas das atividades de movimentação bancária via créditos decorrentes de lucros, alienações e outras fontes disponibilizadas em suas declarações anuais de ajuste da apuração do imposto de renda pessoa física nos exercícios contemplados na ação fiscal, bem como o motivo da recusa dos documentos comprobatórios das deduções efetivadas; que conforme exposto nas preliminares ao tratar do tema sobre a violação do sigilo bancário para os exercícios de 2000 e 2001, para o ano calendário 2002 sem autorização judicial, e considerandose a norma reguladora de natureza substantiva, portanto diretamente vinculada ao fato gerador, seus efeitos jamais poderiam retroagir para atingir fatos pretéritos nos termos exarados no relatório fiscal, pelo que reitera as impugnações ali consignadas e especialmente a interpretação do 1° Conselho de Contribuintes em decisão sua 2a. Câmara no ACÓRDÃO 10245.896 de 28/01/2003. Publicado no DOU em: 07.05.2003 no sentido de anular lançamento de débito nestas mesmas condições; Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 10 9 que não se admite a interpretação dada pelo Tributante ao artigo 42 da Lei 9.430/96 de que depósito bancário possa ter a presunção de renda, destacadamente a base imponível da CPMF, onde explicitamente o § 3° do artigo 11 da Lei 9.311/96 em consonância com o CTN, impedia sua utilização para outras finalidades, ou seja, caracterizando o uso indevido de informações bancárias e consequentemente de provas ilícitas. Primeiramente por ferir princípios elementares de direito tributário, regulado por lei complementar, quando determina os elementos essenciais à apuração da base imponível, destacando a necessidade da transparência da ocorrência do fato gerador da obrigação, não se admitindo sua flexibilização via lei ordinária. Segundo, tratase tão somente de mera presunção e divorciada da realidade, uma vez que a movimentação financeira em contas bancárias pode decorrer de operações múltiplas, podendo se efetivar com numerários de mesma origem. Os saques e depósitos não estão obrigatoriamente vinculados à renda. Neste sentido disciplinou o artigo 6° da Lei 8.021/96, determinando para sua apuração, fosse acompanhada de provas adicionais, corroborada com sinais exteriores de riquezas; que a majoração da multa aplicada não corresponde aos fatos narrados, no sentido de que as informações disponíveis foram apresentadas e ainda possui caráter fundamentalmente confiscatório e fere o princípio dá capacidade contributiva, nos percentuais de 75% sobre o valor do débito; que a multa aplicada fere também o principio da capacidade contributiva, eis que, o acréscimo pretendido vai muito além da simples tentativa de coibir infrações tributárias, importando, na verdade, em majoração de tributo para além da capacidade econômica adquirida pelo contribuinte, além de majorar a própria alíquota, de forma dissimulada e indireta; que o indexador para atualização das contribuições previdenciárias denominado SELIC tem sua imposição vedada como taxa de juros, uma vez que a mesma possui percentual acima de 1% ao mês. Como é sabido, é vedada a cobrança de juros acima do limite legal, que é de 12% ao ano ou 1% ao mês. Utilizandose a SELIC aplicarseá taxa superior a esta, o que fere frontalmente a lei tanto constitucional quanto a infraconstitucional. É o Relatório. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 12/24, onde consta o Termo de Verificação Fiscal, o seguinte excerto: Após o recebimento dos extratos bancários, encaminhados pelas instituições em atendimento ao RMF, o fiscalizado foi intimado novamente, em 22/09/2005, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente, através de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor. Em anexo à referida intimação, foi juntada planilha discriminando individualmente os valores creditados em suas contas bancárias, mencionandose a data, histórico, n° do documento, valor (inclusive as devoluções de cheques depositados) relativamente às suas contas bancárias. Ficou também cientificada de que, caso não ocorresse tal comprovação, os respectivos valores seriam considerados como receitas omitidas, com base no artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 Foilhe encaminhado nessa oportunidade uma via do MPF Complementar que alterou o responsável pela execução do procedimento fiscal. (fls. 740 a 869) Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 12 11 com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 13 12 TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 14 13 Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 15 14 se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 16 15 o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 17 16 Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 18 17 Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.002271/200504 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.347 S2C2T2 Fl. 19 18 dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10120.720854/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.407
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 08 54 /2 01 0- 83 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 351 lavrado em 09/12/2010, exigese do contribuinte MAURÍCIO ANTÔNIO DUARTE PORTO o montante de R$ 2.186.664,99 a título de imposto sobre a renda da pessoa física, R$ 905.596,36 de juros de mora e R$ 1.639.998,73 de multa de ofício, referente aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, exercício 2006, 2007 e 2008 decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 360 descreve: · O Contribuinte foi intimado em 22/04/2009 a apresentar os extratos bancários. Em 11/05/2009, o Contribuinte informa que não dispõe dos extratos bancários para apresentar à fiscalização. · Diante da recusa do Contribuinte em apresentar os extratos bancários de sua movimentação financeira, foi solicitado ao Delegado da Receita Federal em Brasília a expedição de RMF – Requisição de Movimentação Financeira ao Banco do Brasil e Banco Itaú S.A. · Em 05/03/2010, o Contribuinte foi intimado para comparecimento à delegacia fazendária, no sentido de prestar informações sobre a elevada movimentação financeira. Em 15/03/2010, o Contribuinte compareceu à Divisão de Fiscalização onde prestou as seguintes informações: o Que o imóvel onde reside está em nome de Fernanda Brandão Cunha. o É separado judicialmente (de Fernanda Brandão Cunha). o Que exerceu atividade de compra e venda de artesanato. o Que confirma a abertura de conta no Banco do Brasil S.A. o Que constituiu como seu procurador o Sr. Dalvo Ramos da Silva. o Que o procurador é seu funcionário (motorista). o Que os depósitos em sua conta eram efetuados por outras pessoas. o Que a origem dos depósitos era a compra e venda de artesanato. o Que não tinha o montante dos recursos depositados nos anos sob fiscalização. o Que não comprou bens neste período. Tendo em vista que os esclarecimentos prestados pelo Contribuinte não foram comprovados, a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 15/12/2010 (AR Postal fls. 408). Realizou a postagem de Impugnação, de fls. 413, tempestiva, em 10/01/2011, na qual expõe, que: · Toda a movimentação financeira na conta do Banco do Brasil foi em função de uma comercialização informal de compra e venda de produtos de artesanato. Pela natureza do negócio, não havia como formalizar as operações e como já demonstrado, essa Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.720854/201083 Acórdão n.º 2201002.407 S2C2T1 Fl. 3 3 atividade era acompanhada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. E por esses dados mostra o quanto a comercialização era pequena em relação à movimentação em todo o Brasil. · Afirma ainda, que a referida atividade não gerou lucro, o que impossibilitaria o recolhimento de impostos. A 3ª Turma da DRJ/BSB por intermédio do Acórdão 0347.335 de 29/02/2012, às fls. 417, manteve o lançamento nos seguintes termos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Contribuinte foi intimado da decisão em 19/03/2012 pelo AR de fls. 442, vindo a apresentar Recurso Voluntário de fls.435 em 27/03/2012, aduzindo o que se segue: · O acórdão recorrido não levou em consideração argumentação apresentada pelo Contribuinte. Argumenta que realizou no período questionado comércio de compra e venda de artesanato, um comércio informal (atividade tipicamente informal e que e de conhecimento de todos). Conforme documentos em anexo, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior demonstra que esta atividade informal tem hoje mais de oito milhões de pessoas. · Não houve omissão de rendimentos, pois comprava as mercadorias a prazo e vendia contra apresentação. O capital era de terceiro e não próprio. · Afirma ainda, que a referida atividade não gerou lucro, pois em determinados casos entregava a mercadoria não recebia o devido pagamento, bem como, às vezes, recebia o pagamento em cheque e alguns voltavam sem fundos. Pela Resolução nº 2202000.549 de 15/10/2013, às fls. 448, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o presente processo administrativo tributário, com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no STF através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Posteriormente a Portaria/MF nº 545/13 revogou os dispositivos do Regimento Interno do CARF que determinavam o sobrestamento dos autos, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito, eis que a sua inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Pende sobre o Contribuinte autuação por omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabelece uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários) desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Assim as alegações do Contribuinte de que: (i) exercia de maneira informal a atividade de compra e venda de artesanato; (ii) não galgou acréscimo patrimonial, pois a atividade incorreu em prejuízo e (iii) o capital era de terceiro, sem respaldo em documentação comprobatória, não têm o condão de afastar a presunção que corre contra o mesmo, não elidindo, por consequência, o poder e o dever da Autoridade Fiscal de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do IRPF. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Acrescentese ainda, ao argumento de ausência de acréscimo patrimonial, que a Autoridade Lançadora não está mais obrigada a comprovar o consumo da renda. Os depósitos injustificados por si só são considerados, por presunção, renda auferida. Este entendimento já encontrase pacificado através do enunciado nº 26 da Súmula do CARF: Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.720854/201083 Acórdão n.º 2201002.407 S2C2T1 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ademais, como bem destacou o acórdão aquo a atividade de compra e venda, certamente, pressupõe a ocorrência de pagamentos e recebimentos de valores, ou em espécie, ou em cheques, ou em transferências bancárias etc., bem como a emissão de recibos, ou qualquer outra documentação necessária à formalização das supostas compras e vendas entre as partes (comprador e vendedor), mesmo mínima, como anotações dos pedidos, referência entre o bem o respectivo comprador, e entre o bem e o fornecedor, documentação não fornecida pelo recorrente, nem mesmo esparsa. Além disso, é deveras peculiar a argumentação quando menciona um “informal” negócio e, nas próprias palavras do Contribuinte, “de pequena movimentação”, mas que faz transitar valores da ordem de R$ 3.480.521,54, em 2005; R$ 3.481.503,07, em 2006 e R$ 1.012.402,00 em 2007 em suas contas bancárias. Neste diapasão, o Contribuinte não produziu prova sobre os fatos acima descritos, não vindo a atender os requisitos legais para afastar o lançamento com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 14751.000790/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil.
Numero da decisão: 2201-004.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil.
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AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 07 90 /2 00 9- 91 Fl. 427DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 395 a 401) da decisão de fls. 378 a 388 que julgou procedente o lançamento decorrente de aferição indireta, através do Custo Unitário Básico CUB. O lançamento objeto de discussão referese à exigência das contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos empregados correspondente à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). De acordo com a fiscalização, após o exame da escrituração contábil do Autuado constatou os seguintes fatos: a) O contribuinte lançou de maneira inapropriada os custos de pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas em conta própria para o registro de pessoas físicas, notadamente na conta “l0l0205.0106SERVIÇO DE TERCEIRO PF”, no período de 01/2004 a 02/2005, conforme cópias das folhas 165 e 191 do Livro Razão/2004 e cópias das notas fiscais de serviço que ensejaram tais lançamentos; ` b) No período de 12/2004 a 05/2005, a empresa não declarou mãodeobra nas GFIP e não lançou, em sua contabilidade, qualquer valor concernente a mãodeobra empregada na obra. No entanto, foram verificados lançamentos de custos de aquisição de material destinado ao Ed. Hannover. A aquisição desse material demonstra que a empresa utilizou mãodeobra sem que tenha registrado os valores de remuneração nos registros contábeis. c) A empresa deixou de lançar na contabilidade a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme valores apurados nas folhas de pagamento. d) A empresa empregou o serviço de gesseiro e graniteiro que pode ser comprovado pela aquisição de grande quantidade de gesso e granito para o Ed. Hannover, conforme notas fiscais anexas. No entanto, não consta de suas folhas de pagamento mãodeobra especializada para esses serviços. Intimada a apresentar documentos que comprovassem o pagamento a esses profissionais, a empresa não atendeu à requisição fiscal. Assim, o fisco concluiu que a contabilidade omite informação, não reflete a realidade dos custos incorridos na obra e não demonstra a totalidade da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços. Em conseqüência, procedeu à aferição indireta do valor do saláriodecontribuição necessário à execução da obra, nos termos dos §§3°., 4°. e 6°. do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. Pela infração à legislação previdenciária, foi aplicado o auto de infração n°. 37.215.7726. A aferição indireta foi feita com base no Custo Unitário Básico (CUB) divulgado pelo Sindicato da Construção Civil (SINDUSCON). A área construída, de 10.245,51m2 , foi obtida no quadro I das informações para arquivo no registro de imóveis Fl. 428DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 417 3 fornecidas pelo Autuado (f. 100 do AI 37.215.7700). Como o contribuinte não discriminou as áreas passíveis de aplicação de redutores no projeto arquitetônico, foram considerados os redutores identificados pelo Autuado no mesmo quadro, chegandose a uma área construída de 8.478,50m2 (f. 100 do AI 37.215.770O). O lançamento também levou em consideração as remunerações lançadas em GFIP dos empregados vinculados à obra. Os elementos de prova foram juntados no AI 37.215.7700, lavrado na mesma ação fiscal, ao qual os autos estão apensado. Cientificado do crédito tributário em 08/04/2010 (f. 1), o ora Recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fls. 35/56) alegando em apertada síntese: 1. a tempestividade da impugnação; 2. cerceamento do direito de defesa, já que: 2.1. a fiscalização não demonstrou em pormenores, no relatório fiscal da infração (item 6.2, “c”) quais os trabalhadores em gozo de férias e os indenizados com os seus respectivos valores para que a impugnante os examinasse; 2.2. no item 6.2, “b” não cita o nome dos trabalhadores que supostamente eram gesseiros prestadores de serviços e suas remunerações inferidas pelo Fisco. De igual modo não foram citados os nomes dos graniteiros no item 6.2, “d”; 3. não há embasamento para a desconsideração da contabilidade para fins previdenciários; 4. que no lançamento de folha 165 e 191 no livro Razão houve equívoco na classificação dos documentos e, por conseguinte, lançado na conta de pessoa física. Constatado até mesmo pelo Fisco, este fato não acarretou qualquer prejuízo para a Previdência Social, uma vez que 0 lançamento contábil não é gerador de obrigação tributária. Houve falha, mas não omissão de registro. A impugnante não o fez por simulação para mascarar o resultado; 5. Os serviços para a aplicação dos materiais adquiridos no período de 12/2004 a 04/2005 foram executados por pedreiros especializados da própria empresa, e com supervisão de engenheiro, sendo todos com registro profissional em carteira de trabalho, conforme documentos anexos (doc. 37/ 108). São serviços de reparos de apartamentos ou de outras áreas, inevitáveis ao final da obra, não havendo necessidade de contratação de pessoal uma vez que a lmpugnante já possuía pessoal que deslocou para o serviço, aliás, prática essa usada durante todo o período de execução da obra. Não existem nos autos elementos de prova que justifiquem que aqueles serviços foram prestados por pessoas outras contratadas pela Impugnante. Fl. 429DF CARF MF 4 6. Quanto aos valores supostamente não contabilizados (item 6.2, “c” do relatório fiscal): 6.1. as referencias feitas às indenizações e férias não citam os nomes dos beneficiários, o valor por eles recebido e a data do pagamento, que e' fundamental para se saber se a contabilidade registrou o pagamento na data certa; 6.2. a contabilidade efetuou corretamente os lançamentos referentes àqueles documentos, com exceção do lançamento da mãodeobra na conta de materiais na competência 04/04. Mesmo assim, não houve prejuízo para a Previdência Social, uma vez que houve recolhimento sobre a totalidade da folha do mês. 6.3. Os valores foram contabilizados conforme segue: Comp Vlr. Folha Contabilização mãodeobra Contabilização matérias Doc. 04/04 12.793,18 2.058,28 10.734,90 05/06 09/04 8.583,20 8.583,20 07/08 10/04 7.046,40 7.046,40 09/10 11/04 6.273,75 6.273,75 11/21 6.4. não houve indenizações/rescisões na competência 09/2004; 6.5. As férias foram corretamente contabilizadas conforme os seguintes valores: Comp Vlr. Folha Contabilização mãodeobra Contabilização matérias Doc. 10/04 963,87 963,87 12/12 11/04 208,76 208,76 22/23 7. Quanto à utilização de gesseiro/graniteiros: 7.1. os serviços já se encontravam concluídos em 10/12/2004, data do habitese, em flagrante contradição com o item 8, “h” do relatório fiscal, que considera o encerramento da obra em 05/2005, ocasionando o arbitramento de mais 6 meses para determinar a área decadente; 7.2. o auditor não trouxe elementos de prova para assegurar que a houve aplicação de mãodeobra por pessoas outras, que não as registradas; 8. Quanto aos princípioscontábeis da oportunidade e competência, ambos foram seguidos à risca pela contabilidade do Impugnante, e os saldos das contas do balanço e do resultado estão corretos. Ao afirmar que os saldos das contas estão defeituosos, o Fisco deveria obrigatoriamente demonstrar essa discrepância; 9. O livro Diário não tem rasura, os lançamentos têm forma contábil, possuem termo de abertura e encerramento e cumpriu todas as formalidades internas e externas; Fl. 430DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 418 5 10. Quanto à aferição indireta: 10.1. O lançamento das contribuições previdenciárias somente poderá ser aferido indiretamente quando a fiscalização não possuir os meios necessários à valoração do fenômeno que se quer medir; 10.2. Não há que se falar em desqualificação da escrita, uma vez que os registros estão corretos e são confiáveis; 10.3. não há legalidade no emprego do CUB, criado em conseqüência da Lei 4.591/64 para fim diverso daquele determinado no instrumento legal; 10.4. O cálculo da área é feito para apuração de orçamento com auxílio do CUB. Os custos informados na NBR 12.721 são custos orçados, ainda não executados, e que, portanto, inservíveis para serem utilizados no cálculo das contribuições apuradas por aferição indireta, devendo ser utilizada a área anotada no Alvará expedido pela Prefeitura (doc. 32), cuja metragem da área é de 8.000,55m2; 10.5. o mês de conclusão da obra foi 12/2004, como afirmado pelo Fisco em algumas oportunidades do seu relatório. A prova está no alvará fornecido pela Prefeitura (doc. 24); 10.6. ao calcular o período decadente, amplia o prazo em mais 5 meses sob a alegação de que a Impugnante deveria ter consignado despesas com pessoal, de 12/2004 a 05/2005; 10.7. o inciso V do art. 480 da IN 100/2003 determina que 0 último mês a ser considerado é aquele no qual haja recolhimento ou comprovação de realização de serviços na obra. Como o fisco não comprovou a realização de serviços e sim a existência de notas fiscais de materiais, o término efetivo da obra se deu em 12/2004; 10.8. Assim, o cálculo correto seria 9 meses nao decadentes, em lugar dos .14, o que corresponderia a 18/75% do período total de 48 meses. Ao final, apresenta jurisprudência administrativa e judicial. Com a impugnação, o Autuado apresentou cópia dos seguintes documentos: contrato social (fls. 57/61); MPF (fls. 62); documento de identificação de representante legal (fls. 63/64); Folhas de pagamento e diário (fls. 65/97); registro de empregados (fls. 98/ 108). Distribuídos os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), decidiram por julgar o Lançamento Procedente, com os seguintes fundamentos, de forma resumida: (...) Das deficiências apontadas na contabilidade Fl. 431DF CARF MF 6 A desconsideração da contabilidade para fins previdenciários, nos termos empregados pelo Fisco no seu relatório (fl. 11), teve fundamento no art. 33, §§3°., 4°. e 6°. da Lei n°. 8.212/91. Da leitura do relato fiscal, conjuntamente com os dispositivos legais indicados, vêse que o Fisco está a apontar as falhas verificadas na contabilidade do Autuado que caracterizam a sua apresentação deficiente, nos termos do §3°., art. 33 da Lei n°. 8.212/91 c/c par. único do art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99. Assim, referindose à desconsideração da contabilidade, o Fisco está a dizer que, em conseqüência da sua apresentação com vício, a contabilidade não poderia ser utilizada para apuração das contribuições devidas, porque não registra o movimento real de remuneração dos segurados. Em outras palavras, a contabilidade não poderá ser utilizada para fins de apuração das contribuições previdenciárias. Quanto ao lançamento de receitas de serviços prestados por pessoas jurídicas na conta de serviços prestados por pessoas físicas, a lmpugnante reconhece o equívoco apontado pelo Fisco. E o lançamento de informação diversa da realidade é circunstância suficiente para caracterizar a deficiência do documento, nos termos do já citado par. único do an. 233 do RPS. Embora a hipótese não exija a verificação ou comprovação da ocorrência de prejuízo, ele de fato ocorreu, ao contrário do que afirma o Impugnante, na medida em que dificultou a fiscalização e impossibilitou a apuração das contribuições devidas com base na remuneração dos segurados, exigindo a aferição indireta das bases de cálculo. A ausência de simulação, como argúi o Impugnante, também não tem o condão de afastar a deficiência na escrituração. A empresa reconhece, ainda, o emprego de mãodeobra para aplicação dos materiais adquiridos no período de 12/2004 a 04/2005, mas alega que os serviços foram executados por pedreiros especializados da própria empresa, e com supervisão de engenheiro. Deveria, portanto, ter elaborado folhas de pagamento específicas para a obra, incluindo a remuneração destes trabalhadores, têlos informado na GFIP associada à obra, bem como apropriado os respectivos custos. Não havendo assim procedido, agiu com acerto a Fiscalização, ao apontar falha na contabilidade, por não apropriar o custo da mãodeobra empregada na construção do ed. Hannover no período de 12/2004 a 04/2005. Observese que, em nenhum momento, o Fisco afirmou que tais serviços não teriam sido executados por empregados da Impugnante, mas reclamou da total ausência de registro de pagamento de remuneração para a obra nesse período. Quanto às remunerações apontadas pelo Fisco como não contabilizadas (fl. 14), vejamos: Valores apurados pelo Fisco Valores impugnação Fl. 432DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 419 7 comp conta contábil Folha de pagamento Fls. Autos Valor mãode obra na contabilidade Valor mão deobra na contabilidade abr/04 10102005.0038 mão de obra 12.793,18 213 2.058,28 2.058,28 set/04 10102005.0038 mão de obra 9.138,72 222 8.583,20 8.583,20 set/04 10102005.0038 indenizações/rescisões 683,55 222 out/04 10102005.0038 mão de obra 8.089,69 7.046,40 7.046,40 out/04 10102005.0059 Férias 1.783,28 222 963,87 963,87 nov/04 10102005.0038 mão de obra 7.565,28 225 6.273,75 6.273,75 nov/04 10102005.0059 Férias 1.185,47 225 208,76 208,76 Consoante registrado no relatório fiscal, os valores das remunerações foram apurados pelo Fisco nas folhas de pagamentos, conforme cópias juntadas aos autos (fls.213, 222 e 225). De notarse que os valores das remunerações constantes das folhas de pagamentos trazidas com a impugnação (fls. 271/278) são inferiores àqueles registrados nos documentos fornecidos à Fiscalização (fls. 213, 222 e 225). Não havendo a Impugnante justificado a divergência, temse por corretas as remunerações apuradas nos documentos apresentados pela empresa ao Fisco, e entendese que, na impugnação, 0 sujeito passivo apenas apresentou parcialmente as folhas de pagamentos das competências indicadas. Assim, não comprovado qualquer erro nos documentos, nada há que retificar no lançamento. O Impugnante, por sua vez, reconhece que R$ 10.734,90 referente a remunerações, foram lançadas em conta de materiais, na competência 04/2004. Embora reconheça o equívoco, o Autuado não apresenta qualquer justificativa para o mesmo. A falha apontada representa o lançamento de informação diversa da realidade, sendo circunstância suficiente para caracterizar a deficiência do documento, nos termos do parágrafo único do art. 233 do RPS. Ressaltese que, no caso sob exame, a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados, que foi escriturada em conta com outra destinação. A autoridade lançadora nada mencionou acerca da existência de rasuras nos livros contábeis, que os lançamentos não têm forma contábil, não possuem termo de abertura e encerramento ou de não foram cumpridas formalidades internas e externas. Não havendo controvérsia, nada há que pronunciar sobre o tema. ' Fl. 433DF CARF MF 8 Quanto às demais competências, inclusive nos lançamentos a título de férias e indenizações/rescisões, o Autuado argúi que a contabilidade efetuou corretamente os lançamentos, apontando como contabilizados, os mesmos valores apurados na contabilidade pelo Fisco. No entanto, não se desincumbiu de comprovar onde estão contabilizadas as diferenças de remunerações, já que os valores apurados nos documentos trazidos pelo Fisco (fls. 213, 222 e 225) são superiores àqueles contabilizados. Assim, não comprovada a escrituração da totalidade das remunerações constantes nas folhas de pagamentos, resta caracterizado, mais uma vez, que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados. Em conseqüência, autorizada a aferição indireta das remunerações utilizadas na execução da obra, nos termos do §6°., do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. Uma vez que a contabilidade deixou de registrar as despesas com a obra, restou violado o princípio contábil da competência que, como diz o Impugnante (fl. 253), “obriga que as receitas e despesas sejam elas, recebidas e pagas ou não, lançadas no exercício em que surgirem” (sic). Resta demonstrado, a violação aos princípios contábeis, conforme declinado pelo Fisco. Da data da conclusão da obra O impugnante pretende considerar como data de conclusão da obra, a data constante do “Habitese”, 10/12/2004. No entanto, após a expedição do Habitese, diversos serviços complementares continuaram sendo executados, inclusive pequenos reparos. O próprio Autuado reconhece, na sua impugnação (fl. 249), que se trata de “serviços de reparos de apartamentos ou de outras áreas, inevitáveis ao final da obra”. O autuado informa que utilizou pessoal próprio. Nesse caso, deveria ter elaborado folhas de pagamento específicas para a obra, incluindo a remuneração destes trabalhadores, têlos informado na respectiva GFIP, bem como apropriado os custos à obra, conforme determina o §9°. do art. 225 do RPS. Como o Autuado reconhece a utilização de mãodeobra própria (f. 249), e conseqüente realização de serviços após 10/2004, concluise que a obra teve seguimento após o alvará de habite se. Não houve, em conseqüência, a argüida inobservância ao disposto no inciso V do art. 480 da IN 100/2003, dado que mencionando comando determina que o último mês a ser considerado para o período decadente, é aquele no qual haja recolhimento ou comprovação de realização de serviços na obra, sendo este último o que efetivamente se observou no caso em apreço. A continuidade da obra até 05/2005 e corroborada pela aquisição de material destinado à mesma. Acrescentese, por fim, que a escrituração contábil vai confirmar a continuidade dos serviços após a expedição do Habitese, Fl. 434DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 420 9 somente encerrando a conta contábil da obra do Ed. Hannover em 07/2005, conforme cópia do Livro Diário trazida pelo Autuado na impugnação (fl. 294). Rejeitada, portanto, a reclamação quanto à data de encerramento da obra. Em decorrência, não acatando a revisão da data de encerramento da obra, nada há que retificar no cálculo das competências decadentes. Da aferição indireta Como já dito, uma vez demonstrado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados, resta autorizada a aferição indireta da mãodeobra utilizada na execução da obra, nos termos do §6°., do art. 33 da Lei n°. 8.212/91. O emprego do custo unitário básico (CUB) para a aferição indireta da jmãodeobra tem autorização legal no §4°., art. 33, da já referida lei de custeio da Seguridade Social. Vejamos: Art. 33 Omissis §4º Na falta de prova regular e formalizado, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n” 449, de 2008) Nos termos do relatório fiscal (fi. 16), a área construída de 10.245,51m2 foi obtida no Quadro I das informações para arquivo da obra no registro de imóveis (NBR 12.721/92), juntadas pelo Fisco (fls. 101). Como o contribuinte não discriminou, no projeto arquitetônico, as áreas passíveis de aplicação de redutores, foram considerados os redutores identificados no mesmo quadro, chegando à área de 8.478,50m2. O lmpugnante, por sua vez, requer que seja utilizada a área constante do Alvará de licença para construção, expedido pela prefeitura em 21/12/2000 (fl. 299). A área constante desse documento demonstra apenas a autorização para a construção, não comprovando a área efetivamente construída. Observese que não basta que o Autuado requeira que seja considerada outra área, mas é necessário que demonstre que a área utilizada pelo Fisco está errada. Em principio, a área constante nos assentos do registro de imóveis (e utilizada pelo Fisco) tem fé pública, somente merecendo revisão com a apresentação da comprovação do erro. Fl. 435DF CARF MF 10 Ademais, observese que o Alvará de licença para construção foi expedido em 21/12/2000, data anterior àquela constante do quadro para registro do imóvel (jan/2001). Assim, agiu com acerto o Fisco ao considerar a data da última declaração feita pelo Autuado. Não havendo se desincumbido do ônus da prova em contrário, nada há que revisar na área construída. Conclusão Pelas razões já expostas, rejeitadas todas as reclamações do autuado, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 190 a 196), praticamente repete os argumentos lançados em sede de impugnação,em apertada síntese alegou: ll. 1 Das Preliminares 1.1 Do Cerceamento do direito de defesa O Acórdão ora atacado não se encontra suficientemente claro, de modo a permitir o sagrado direito de defesa tendo em vista que julga procedentes os argumentos apresentados quanto aos profissionais gesseiros e graniteiros cujos nomes não foram citados,( item 62d) do relatório fiscal verbis: “A empresa empregou em larga escala, o serviço de gesseiro e graniteiro (...)que pode ser comprovado pela grande quantidade de gesso e granito” (...) o fisco aproveita da contabilidade para informar que houve aquisição de gesso e granito comprovados por notas fiscais, deveria o fisco também comprovar a existência da mão de obra e não desclassificar a contabilidade para apurar seus créditos por aferição. Se a obra já estava encerrada em 10 de dezembro de 2004 data do habitese (doc.no processo) e os materiais foram comprados após essa data é óbvio que não seria possível a aplicação de desses materiais, requerendose assim a precisa verificação por parte do auditor, inclusive com o laudo da fiscalização da Prefeitura que concedeu o referido habitese. Cabe ao notificante o ônus de comprovar que houve a utilização em larga escala de gesseiros e ganiteiros, o que não o fez Persiste então o cerceamento de defesa pois a DRJ/REC não diligenciou para emitir seu julgamento considerando a aferição correta, quando nesses casos há nítida necessidade de comprovação do afirmado. Ademais vêse no corpo do relatório fiscal (item 6) DA DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS, na verdade observase que o Fisco inovou, ao criar um título ou capítulo não contemplado em nenhuma legislação tributária, pelo que se requer, in limine, a completa anulação do presente Acórdão. II.2 Do Mérito Fl. 436DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 421 11 Acaso ultrapassada a preliminar suscitada, o que não se espera, no mérito alega a impugnante quanto ao Acórdão prolatado pela 7”. Turma da DRJ/REC em seus itens seguintes: Em primeiro lugar,considerando que os julgadores ao emitir o Acórdão acima epigrafado 0 fizeram sem considerar o resultado do auto de infração (37.215.7726) aplicado em razão de suposta irregularidade na contabilidade. Considerando que a contabilidade da recorrente é merecedora de crédito e fé pública, até porque arquiva seus livros contábeis na Junta Comercial deste Estado, também comprovado. Considerado que no auto de infração aplicado em razão da contabilidade há a citação de documentos atingidos pela prescrição/decadência. Considerando que o resultado do julgamento do auto de infiação da contabilidade a favor da recorrente desencadeará a anulação de todos os demais autos dele dependente, considerando por fim o princípio da ampla defesa e da transparência, requer por absoluta cautela, sejam todos os autos, objeto de RECURSO VOLUNTÁRIO, apreciados em conjunto, requerendose a juntada dos mesmos nesta oportunidade, sendo eles: Processo 1475l.000794/200970 AI n°. 37.215.7726 “ “ 1475l.000793/200925 AI n°. 37.315.7734 “ “ l475l.000790/200991 AI n°. 37.215.7700 “ “ l475l.000789/200967 AI n°. 37.215.7696 Do direito de defesa. Este item não merece prosperar porque ao longo da impugnação (docs processo) ficou comprovado que a contabilidade efetuou os registros e todos foram devidamente apresentados inclusive com o demonstrativo elucidativo às fls. ll da defesa administrativa que não foi devidamente observada pela turma julgadora. A folha de pagamento de abril/04 foi lançada realmente na conta Materiais, mesmo assim consta do registro contábil, não podendo dizer que houve falha de omissão de registro. Quanto as remunerações apontadas pelo fisco às fls. 180, a recorrente apresentou uma relação explicativa desses lançamentos contábeis, que sequer foram considerados pelos julgadores da primeira instância. Da data da conclusão da obra A Receita Federal do Brasil não emite CND nem considera que a DISO (Declaração sobre a Obra) seja apresentada sem que a obra seja concluída, e, um documento extremamente necessário e definitivo é a carta de habitese, onde a Prefeitura local atesta a regularidade da edificação, depois de fiscalizar a obra in loco, Fl. 437DF CARF MF 12 fornecendo o referido documento. Do mesmo modo, para começo da obra a Prefeitura emite um Alvará de construção tomando por base os dados do projeto arquitetônico. Para este documento a fiscalização reconhece plenamente, para o término não aceita o constante no final na carta de habitese. São dois pesos e duas medidas que ficam exclusivamente ao sabor da auditoria fiscal, produzindo assim sérios prejuízos ao contribuinte, pela absoluta falta de critério. A conclusão de que a obra teve seqüência após o habitese é infundada, até porque os trabalhadores são destacados de outras obras para serviços emergenciais, e relacionados em GFIP, o que aliás digase a bem da verdade nenhuma irregularidade foi observada quanto à emissão de GFIP. A aferição indireta é medida extrema que ao Fisco somente é permitido quando é absolutamente impossível e impraticável exercer a plena e completa fiscalização. Não é esse o caso telado Senhores Julgadores, pois a contabilidade da recorrente é de excelente qualidade, pelo que não se deve desconsiderála, a não ser no interesse dela utilizar para fim de cobrança previdenciária. Portanto a recorrente mantém os argumentos esposados na impugnação. A NBR 12. 721 estabelece, ao contrário do INSS que toma este valor como "definitivo e representativo" das obras , que este calculo área x custo unitário básico somente deve ser utilizado no início das incorporações, quando ainda não se dispõe de todos os projetos construtivos. Ou seja, é um orçamento simplificado que deverá ser corrigido no andamento da obra Por fim convém reafirma que o Relatório Fiscal da autuação como se observa, contém uma cadeia de citações visando incluir a recorrente em qualquer situação que se possa apresentar, não se fixando como deveria no cerne preciso da questão. Desqualificase a contabilidade e o mais será acrescentado esse entendimento do Fisco deve de pronto ser rejeitado. Os relatos fiscais são confusos, o auditor notificante procurou enquadrar a recorrente em situações que levassem a Receita Federal a ampliar seus créditos, com o uso de autuações várias, cujos relatos são semelhantes e geram dúvidas não somente para quem defende, como também para os julgadores, quer na primeira instância como nas superiores. É o relatório do necessário, passo ao Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 438DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 422 13 Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Rejeito as preliminares arguídas, tendo em vista que acabam por se confundir com o mérito discutido nos presentes autos. Conforme se verifica do relatório, o lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.7.2001) (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com Fl. 439DF CARF MF 14 fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (...) III da quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente semi obtida: (...) II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; Da análise dos autos, verificase que não é o caso de aferição indireta, conforme preceitua a IN SRP nº 3, de 2005, uma vez que só se aplica a casos extremos e que não se verifica nos presentes autos. A aferição indireta é uma forma presumida de apuração da base de cálculo dos tributos que só pode e deve ser adotada em casos excepcionais em que a contabilidade não registra o real movimento da remuneração dos segurados ou a receita ou o faturamento ou até mesmo o lucro; quando o contribuinte não apresenta ou se recusa a apresentar documentos, sonega informações ou mesmo apresenta documentação insuficiente, ou mesmo quando as informações prestadas não merecem fé. Somente com a constatação de uma das circunstâncias mencionadas acima é que autoriza o emprego desta medida extrema. Mesmo se identificada uma das hipóteses acima mencionada, a meu ver, deve haver uma correlação lógica que justifique a utilização deste método de aferição do tributo. Ao adotar esta atitude de forma legítima, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Do relatório (fls. 11/19) consta a seguinte afirmação para justificar a medida extrema: (...) 6.2 Assim sendo, foi analisada a escrituração contábil da empresa em todo o periodo fiscalizado,Livros Diário n° 11 e 12 referentes aos anos de 2004 e 2005 e Livros Razão de 2004 e 2005 e ainda a documentação apresentada pelo contribuinte, solicitada através de TIPF e TIF, e constatamos as seguintes impropriedades: , Fl. 440DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 423 15 a. O contribuinte lançou, de maneira inapropriada os custos de pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas em conta própria para _o registro de pessoas fisicas, notadamente na conta 10102050106 “SERVIÇO DE TECEIRO PF", Tal fato ocorreu no período de 01/2004 a 02/2005. Como prova, seguem, anexas, cópias das folhas 165 e 191 do Livro Razão de 2004 e cópias de notas fiscais de serviço NFS que ensejaram tais lançamentos. b. No periodo de 12/2004 a 05/2005, a empresa não declarou mãodeobra nas GFIP e não lançou, em sua contabilidade, qualquer valor concernente a mãodeobra empregada na obra. No entanto, no exame dos livros contábeis, em especial os Livros Razão de 2004 e 2005, na conta 1010205.0022 "Materiais", foram verificados lançamentos de custos de aquisição de material destinado ao Ed. Hannover. Da análise das notas fiscais que ensejaram os lançamentos, podese perceber que tratase de material que exige mãodeobra especializada para a sua aplicação tais como tomadas, tubos de pvc, luvas de pvc, lavatórios, tinta acrílica dentre tantos outros. A aquisição desse material demonstra que a empresa utilizou de mãodeobra própria sem que tenha registrado os valores de remuneração nos registros contábeis. Copias de notas fiscais de aquisição de material e de lançamentos no Livro Razão seguem anexas a esse relatório . c. No confronto dos lançamentos contábeis com os valores constantes das folhas de pagamento e os resumos da folhas entregues a fiscalização, foi verificado que a empresa deixou de lançar a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Copias da folhas do Livro Razão e dos resumos das folhas de pagamento, que comprovam os fatos, seguem anexas ao relatorio. Tal fato ocorreu nas competèncias e nos valores discriminados na planilha abaixo: Valores apurados pelo Fisco Valores impugnação comp conta contábil Folha de pagamento Fls. Autos Valor mãode obra na contabilidade Valor mão deobra na contabilidade abr/04 10102005.0038 mão de obra 12.793,18 213 2.058,28 2.058,28 set/04 10102005.0038 mão de obra 9.138,72 222 8.583,20 8.583,20 set/04 10102005.0038 indenizações/rescisões 683,55 222 out/04 10102005.0038 mão de obra 8.089,69 7.046,40 7.046,40 out/04 10102005.0059 Férias 1.783,28 222 963,87 963,87 nov/04 10102005.0038 mão de obra 7.565,28 225 6.273,75 6.273,75 nov/04 10102005.0059 1.185,47 225 208,76 208,76 Fl. 441DF CARF MF 16 Férias d. A empresa empregou, em larga escala, o serviço de gesseiro e graniteiro (especialista em corte e assentamento de granito) que pode ser compravado pela aquisição de grande quantidade de gesso e de granito. Cópias de notas fiscais de compra de gesso e granito para o Ed. Hannover encontramse anexas a esse relatório. Os serviços já se encontram concluídos desde 10 de dezembro de 2004, data do habitese. No entanto, não consta de suas folhas de pagamento mãodeobra especializada para esse serviço e não foram encontrados, em sua contabilidade, os lançamentos dos valores pagos a esses prestadores de serviços, Cabe salientar que ao contribuinte foi solicitada, através do TIF n° 5, a apresentação dos documentos que comprovassem os pagamentos a esses profissionais, assim como indicasse quais foram os lançamentos contábeis correspondentes. A empresa não atendeu a solicitação. 6.3 A prova de que os lançamentos de fatos contábeis (sejam eles permutativos ou modificativos) não foram efetuados ou foram efetuados em desrespeito aos Principios Contábeis, principalmente os da Oportunidade e da Competência, significa_que os demonstrativos contábeis não refletem a real situação patrimonial .da empresa induzindo, portanto, os usuários da contabilidade a erro na sua análise. Se, por exemplo, os saldos finais no exercício encerrado estão incorretos, evidente que os saldos iniciais do exercício subsequente também o estarão, e assim, sucessivamente em todos exercícios posteriores. Embora alguns dos fatos contábeis relacionados acima não constituam fato gerador de contribuições previdenciárias, o fato desses valores não se encontrarem registrados, reforça a evidência de que a contabilidade verdadeira, e não reflete a realidade dos custos incorridos na obra. 6.3.1 O principio contábil da Oportunidade referese, simultaneamente, à tempestividadee à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações; determina que os registros do patrimônio e de suas variações sejam feitos de imediato e com a extensão correta, Como resultado da observância desse principio, surge a necessidade de se efetuar provisões, pois o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência. Já o princípio da Competência estabelece que as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do periodo em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou de pagamento. 6.4 Todos os fatos acima expostos possibilitaram a fiscalização constatar que a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte demonstra impropriedades no tocante aos preceitos definidos na Legislação Previdenciária, mormente o previsto no inciso ll e § 13 do art. 225, do Regulamento da Previdência Social RPS (Decreto n° 3.048/99, de 06/05/99), e na Legislação Fl. 442DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 424 17 Empresarial, especificamente às formalidades intrínsecas que este último ramo do direito determina, bem com não registra a totalidade dos custos envolvidos na execução da obra de construção civil e não demonstra a totalidade da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços. 6.5 De todo o relatado, verificase que não restou a fiscalização outra alternativa senão proceder à aferição indireta do valor do salário de contribuição necessário à execução .das referidas obras, conforme previsto nos §§ 3°, 4° e 6°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 473, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. (...) Neste sentido, razão assiste ao Recorrente quando diz: Ora Doutos julgadores o fisco aproveita da contabilidade para informar que houve aquisição de gesso e granito comprovados por notas fiscais, deveria o fisco também comprovar a existência da mão de obra e não desclassificar a contabilidade para apurar seus créditos por aferição. Se a obra já estava encerrada em 10 de dezembro de 2004 data do habitese (doc.no processo) e os materiais foram comprados após essa data é óbvio que não seria possível a aplicação de desses materiais, requerendose assim a precisa verificação por parte do auditor, inclusive com o laudo da fiscalização da Prefeitura que concedeu o referido habitese. Cabe ao notificante o ônus de comprovar que houve a utilização em larga escala de gesseiros e ganiteiros, o que não o fez. Em outros termos, o Fiscal se utiliza da contabilidade para apontar as deficiências e ato seguinte, acaba por desconsiderálas por completo, causando dúvida quanto a legitimidade da aferição indireta utilizada. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 240102.161, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Fl. 443DF CARF MF 18 Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 14751.000790/200991 Acórdão n.º 2201004.403 S2C2T1 Fl. 425 19 Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãodeobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Os §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, é claro ao estabelecer as hipóteses que trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, ou seja, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Verificada a hipótese de aplicação da aferição indireta, deve ser negado provimento ao recursos. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 445DF CARF MF
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