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Numero do processo: 16707.002019/2001-62
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: CSLL - BASES NEGATIVAS - LIMITAÇÃO NA COMPENSAÇÃO – Por disposição do art. 58 da Lei nº 8.981/95 e art. 15 da Lei nº 9.065/95, a partir de 1º de janeiro de 1995, as bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro, inclusive as acumuladas até 31 de dezembro de 1994, só podem ser compensadas nos períodos de apuração subsequentes, até o limite de 30% do base positiva apurada.
Numero da decisão: 107-07296
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Luiz Martins Valero
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MINISTÉRIO DA FAZENDA J: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA• leas-6 Processo n° : 16707.002019/2001-62 Recurso n° : 133.940 Matéria : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - EX.: 1997 Recorrente : CERTA CONSTRUÇÕES CIVIS E INDUSTRIAIS LTDA Recorrida : 3° TURMA/DRJ-FtECIFE/PE Sessão de : 14 DE AGOSTO DE 2003 Acórdão n° : 107-07.296 CSLL - BASES NEGATIVAS - LIMITAÇÃO NA COMPENSAÇÃO – Por disposição do art. 58 da Lei n° 8.981/95 e art. 15 da Lei n° 9.065195, a partir de 1° de janeiro de 1995, as bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro, inclusive as acumuladas até 31 de dezembro de 1994, só podem ser compensadas nos períodos de apuração subsequentes, até o limite de 30% do base positiva apurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CERTA CONSTRUÇÕES CIVIS E INDUSTRIAIS LTDA. lj ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termoá do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. /1,, 5- CL.JVIS ALVES /*RESIDE E LU MART S —RE FORMALIZADO EM: 11 S ET 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NATANAEL MARTINS, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, EDWAL GONÇALVES DOS SANTOS, OCTÃVIO CAMPOS FISCHER, NEICYR DE ALMEIDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e RONALDO CAMPOS E SILVA (PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL). , • Processo n° : 16707.00201912001-62 Acórdão n° : 107-07.296 Recurso n° : 133940 Recorrente : CERTA CONSTRUÇÕES CIVIS E INDUSTRIAIS LTDA. RELATÓRIO CERTA CONSTRUÇÕES CIVIS E INDUSTRIAIS LTDA. recorre a este Colegiado da Decisão proferida no Acórdão n°2.659/2002 da 35 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife - PE que julgou procedente o lançamento para cobrança suplementar da Contribuição Social sobre o Lucro - CSLL, nos meses do ano-calendário de 1996, constantes dos Auto de Infração 08 a 09. O lançamento é decorrente do Processo n° 16707.002018/2001-18 onde o fisco acusou a empresa de ter reduzido o lucro líquido pela contabilização de custos ou despesa sem comprovação da sua efetividade, assim demonstradas: Mês/Ano Valor em R$ 02/96 7.882,69 03/96 17.535,00 04/96 9.577,00 05/96 9.462,00 06/96 7.373,00 07/96 6.884,00 08/96 17.908,00 10/96 7.492,00 11/96 14.867,00 12/96 16.457,00 Após os ajustes em decorrência das compensações de bases negativas de cada período e dos períodos anteriores, fls. 10 a 12, constatou o fisco a inobservância do limite de 30% na redução da base de cálculo da CSLL por compensação de bases de cálculos negativas de períodos anteriores, nos meses de 02/96, 04/96, 07/96 e 09196. tá 2 ) ‘ - I S . Processo n° : 16707.002019/2001-62 Acórdão n° : 107-07.296 Na impugnação a autuada não contestou, especificamente a glosa de despesas. Rebateu fortemente as glosas nas compensações de prejuízos fiscais, com argumentos centrados no ferimento ao conceito de renda do art. 43 do Código Tributário Nacional. Decidindo a lide instaurada, os julgadores de primeiro grau afastaram os argumentos relativos à glosa de bases negativas compensadas em excesso, sob o fundamento de que compete privativamente ao Poder Judiciário a apreciação de questões acerca de constitucionalidade de norma legal. A decisão foi cientificada à recorrente em 11.11.2002, tendo o recurso sido protocolado em 10 122002. Às fls. 83, consta despacho do regular arrolamento de bens, para seguimento do recurso, no processo 16707-002025/01-10. Sua razões de apelação podem ser assim sintetizadas: - mesmo que só se possa atribuir à apreciação de constitucionalidade ou não de uma lei ao Poder Judiciário, não impede que a administração se curve a evidência dos fatos utilizando o bom senso e a lógica, binômio fundamental e harmonioso na interpretação da norma aplicável a determinada matéria; - os art. 58 da Lei n° 8.981195 abriu brechas para que o contribuinte sofra tributação mesmo quando não tenha obtido lucro, assim entendido como acréscimo patrimonial; - a limitação afrontou o art. 195, I, letra "c", da Constituição Federal, afronta que não precisa ser levada ao Judiciária para sua consumação. Nessa disposição está consagrado o principio de que a seguridade é financiada com recursos, inclusive, de contribuições sociais sobre lucro, exigidos das empresas. - o lucro é uma espécie de receita, mais precisamente daquela gerada pela combinação do binômio capital e trabalho; 3 • Processo n° : 16707.002019/2001-62 Acórdão n° : 107-07.296 - o art. 43 do Código Tributário Nacional define o conceito de renda, somente considerando como tal o acréscimo patrimonial decorrente do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; - ainda que a disposição se refira ao imposto de renda, claro que tem também sua aplicação à Contribuição Sobre o Lucro Liquido. Pelo menos é isso que emerge do art. 57 da Lei n° 8.981/95 - quando se refere às normas de apuração do imposto de renda. Normas essas aplicáveis à contribuição. - a melhor interpretação do texto do art. 43 permite compreender-se que, ao conceito de renda tributável não basta que se obtenha um produto do capital, do trabalho ou mesmo da combinação de ambas, porque toma indispensável que esse lucro represente um acréscimo patrimonial; - nada há que possa contrariar o conceito de renda como acréscimo patrimonial; - não houve manifestação da capacidade contributiva, razão pela qual não pode encontrar respaldo a descabida tributação; - independentemente de se discutir constitucionalidade ou não de uma lei, admitir sobrevivência ao art. 58, da Lei n° 8.981/95 é relegar o principio da capacidade económica do contribuinte agasalhado no art. 145, § 1° da Carta Magna; É o Relatório. 4 - Processo n° : 16707.002019/2001-62 Acórdão n° : 107-07.296 VOTO Conselheiro LUIZ MARTINS VALERO, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos para ser apreciado. Dele conheço. A jurisprudência mais recente desta casa vem rechaçando argumentos como os levantados pelo contribuinte, mormente porque situados na seara da constitucionalidade das Leis. Sem embargos, argumentos desse naipe também tem sido reiteradamente rejeitados pelo judiciário. Cite-se como exemplo os julgados transcritos: NTRIBUTÁ Ria IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N° 812, DE 31.12.94, CONVERTIDA NA LEI N° 8.981/95. ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A PARCELA DOS PREJUÍZOS SOCIAIS, DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, SUSCETÍVEL DE SER DEDUZIDA NO LUCRO REAL, PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS EM REFERÊNCIA - ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROATIVIDADE. Diploma normativo que foi editado em 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercício financeiro encerrado. Descabimento da alegação de ofensa aos princípios da anterioridade e da inetroatividade, relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à contribuição social, sujeita que está à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, que não foi observado. Recurso conhecido, em parte, e nela provido. Relator Ministro limar Gaivão." (Supremo Tribunal Federal - Recurso Extraordinário n° 232.084-9 - DJU de 16/06/2000) Como se vê, o Supremo Tribunal decidiu ser legitima a limitação de 30% imposta à compensação dos prejuízos fiscais e também da base negativa da contribuição social, exceto no tocante à compensação da CSLL no balanço encerrado em 31.12.1994, por inobservância da anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, § 6 do CF. e 5 . - Processo n° : 16707.002019/2001-62 Acórdão n° : 107-07.296 Mas o lançamento que se julga exige Contribuição Social sobre o Lucro - CSLL relativamente ao ano-calendário de 1996, não alcançado, portanto, pelo entendimento do STF. Diferente não é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, veja: DEDUÇÃO DO PREJUÍZO - A Lei a° 8.981/95 (MP n.° 812/94) não violou os arts. 43 e 110 do CTN ao limitar em 30%, a partir de janeiro de 1995, a dedução no Imposto de Renda do prejuízo das empresas - prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas apuradas e registradas no LALUR. A dedução continua integral porque nada impediria que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, conforme o art. 52 da citada lei. O diferimento da dedução, assim como as adições, exclusões ou compensações prescritas e autorizadas pela legislação tributária, é concedido ao sabor da política fiscal para cada ano. Inexiste direito adquirido à dedução de uma só vez. Precedentes citados: RE sp 181.146-PR, DJ 23/11/1998, e RE sp 168.379-PR, DJ 10/8/1998. (RE sp 154.175-CE, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 25/4/2000). Por isso voto por se negar provimento ao recurso. Sala as Sessões - DF, em 14 de agosto de 2003. LUIAMARTI VAII) 6 Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1
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Numero do processo: 18336.000096/2001-79
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2003
Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM - PREFERÊNCIA TARIFÁRIA - RESOLUÇÃO ALADI 232.
Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78).
RECURSO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-30.632
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO ASSIS
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ementa_s : CERTIFICADO DE ORIGEM - PREFERÊNCIA TARIFÁRIA - RESOLUÇÃO ALADI 232. Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). RECURSO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-10T18:11:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-10T18:11:42Z; Last-Modified: 2009-11-10T18:11:43Z; dcterms:modified: 2009-11-10T18:11:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-10T18:11:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-10T18:11:43Z; meta:save-date: 2009-11-10T18:11:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-10T18:11:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-10T18:11:42Z; created: 2009-11-10T18:11:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2009-11-10T18:11:42Z; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-10T18:11:42Z | Conteúdo => 1. • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCES/CESO N° : 18336.000096/2001-79 SESSÃO DE : 19 de março de 2003 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 RECURSO N° : 124.381 RECORRENTE : PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS RECORRIDA : DRJ/FORTALEZA/CE CERTIFICADO DE ORIGEM - PREFERÊNCIA TARIFÁRIA - RESOLUÇÃO ALADI 232. Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das • faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 90, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). RECURSO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de março de 2003 JOÃO o 4 DA COSTA Presid- • te PAUL EASSIS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRACINDO. tine a MINISTÉRIO DA FAZENDA . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 RECORRENTE : PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS RECORRIDA : DRJ/FORTALEZA/CE RELATOR(A) : PAULO DE ASSIS RELATÓRIO Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação - II e respectivos acréscimos legais, no valor total de R$ 93.776,75, objeto do Auto de Infração de fls. 1/13, decorrente de revisão da DI 99068663-1. Os fatos acham-se assim descritos às fls. 5 e seguinte, em resumo: • A Petrobrás importou diretamente da Venezuela, País signatário da ALADI, como o Brasil, 7.007.759,00 kg de querosene de aviação, conforme consta na DI 99/0684663-1, sendo essa tonelagem coincidente com o laudo de arqueação anexo à DI, tendo recolhido a importância de R$ 167.503,54, a titulo de Imposto de Importação ad valorem, sendo a alíquota norma de 9% reduzida para o percentual de 6,48%. Fundamenta-se o importador no PTR-4, Decreto n° 90.782 de 01/07/1984, validado pelo Decreto 805 de 01/08/90. A PETROBRÁS beneficiou-se da redução tarifária prevista para operação comerciais que obedeçam literalmente o Regimento de Origem da ALADI que consolida as Resoluções 227, 232 e os Acordos 25, 91 e 3215 do Comitê de Representantes da ALADI. A PETROBRÁS procedeu a importação diretamente da Venezuela, III tendo como exportador a empresa venezuelana PDV S.A., e teve amercadoria transportada diretamente para o Brasil. Uma terceira empresa, a PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY — Pifco, empresa com sede nas Ilhas Cayman, não membro e nem signatária da ALADI, apresentou-se, conforme consta da Fatura Comercial n° PIFSB 935/99, como exportadora da mercadoria. A PETROBRÁS, através da DI 99/0684663-1, declarou estar importando a mercadoria do país não membro da ALADI, portanto, país não participante do Acordo de Preferência Tarifária. Essa operação é conhecida como triangulação, prevista, restringida e regulamentada pelos países membros da ALADI, como o objetivo de proteção regional, através do Regulamento supracitado. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 Irregularidades encontradas: 1. CERTIFICADO DE ORIGEM NULO, INVÁLIDO OU INEXISTENTE para o fim pretendido pelo importador, com base nos seguintes elementos de invalidação: 1.1 emitido antes da emissão da Fatura — Certificado de Origem inválido ou inexistente (Cláusula 10 a do Regimento de Origem da ALADI). 1.1.1. Data do Certificado de Origem — 18/10/1999; • 1.1.2. Data da Fatura: 21/10/1999; 1.2. Descumprimento das exigências literais constantes nas Cláusulas Nona e Décima do Regimento de Origem da ALADI, quais sejam: 1.2.1. indicar no formulário respectivo, na área relativa a observações, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um país - o Certificado de Origem não faz nenhuma referência no campo 10, sobre a participação de um operador de um terceiro país na transação a que se refere; 1.2.2 identificar o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que faturar a operação de destino; 1.2.3 apresentar, no prazo de 180 dias, declaração juramentada que justifique o fato; 2. FATURA COMERCIAL — nula, inválida ou inexistente, com base nos fatos que leio. (1ê-se); 3. IRREGULARIDADES COMPLEMENTARES: o importador não apresentou, no prazo de 90 dias, nem após, comprovantes para retificação dos valores da Fatura (IN SRF 97/94); Inexistência, na Fatura Pfico 935/99, objeto de multa no presente Auto de Infração dos elementos essenciais de validação de Fatura, conforme legislação citada; o Bill of Lading (conhecimento de embarque), não apresenta o valor do frete, conforme determinação legal. E, assim nulo, em face das irregularidades apontadas, o Certificado de Origem. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 4. COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: Para apurar a diferença do imposto cobrado, considerou-se, na determinação da base de cálculo, os valores da mercadoria importada, mais seguro, declarados para fins de retificação da DI original, e a alíquota integral do II vigente na data de registro da presente DI (30/11/98). A seguir o crédito é discriminado. Em continuação, descreve os fundamentos da exigência fiscal, que leio (lê-se fls. 8 e 9). Cientificado do lançamento, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando, em 17/04/2001, a impugnação de fls. 35 a 48, nos termos a • seguir resumidos: a) tem-se por demais equivocada a autuação, sobretudo porque se baseia na injurídica e singela conclusão de que a "Fruição do Tratamento preferencial outorgado pela Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI está condicionada à estrita observância das exigências impostas aos beneficiários". b) DA IMPOSSIBILIDADE DA PERDA DA REDUÇÃO TARIFÁRIA POR MOTIVOS DE ERROS FORMAIS DE PREENCHIMENTO DO CERTIFICADO DE ORIGEM: O próprio Terceiro Conselho de Contribuintes, reiterado nos lúcidos julgamentos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes demonstram com meridiano clareza improcedência da autuação: Em apoio do sustentado, cita: "ACÓRDÃO 30-28.771 — Certificado de Origem. Não há como considerá-lo nulo, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e, antes que se procede a consulta ao órgão emitente do país exportador, previsto no art. 10 da Resolução 78/ALADI, que disciplina o regime geral de origem, implementado pelo Decreto n° 98.874/90. Ademais, os Decretos 1024/93 e 1568/95, que instrumentaram normas sobre a matéria no âmbito ALADI, não exigiam qualquer relação cronológica entre o Certificado de Origem e a emissão de fatura. Em análoga situação se encontram os diplomas do Acordo de Complementação Econômica 27, entre o Brasil e a Venezuela". "ACÓRDÃO 303-28.696 — Equívocos formais no preenchimento do Certificado de Origem, carecem de vitalidade para torná-lo nulo, 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 antes da consulta entre as autoridades competentes, prevista no art. 18, anexo I, do 8° Protocolo Adicional do Acordo de Complementação Econômica 18, implementado pelo Decreto 1568/95 e na Portaria MF/MICT/MRE/11. 21/10/97." c) AS IMPORTAÇÕES DE PETRÓLEO E DERIVADOS PELO PAÍS: A Petrobrás compra diretamente de fornecedores abrangidos pelo acordo tarifário, com transporte também direto para o Brasil. Todavia, por interesses vitais para o Brasil e falta dos recursos necessários para o pagamento, revende a mercadoria e a compra concomitantemente, apenas para alongar o prazo de pagamento e • contar com fontes alternativas de captação. Tais produtos só foram incluídos nos acordos para viabilizar relações comerciais visando a integração dos países do CONE SUL. d) A autuação, portanto, desnatura os termos e fins dos acordos internacionais, contrariando favorável orientação sistêmica da SRF, além de arrostar com os termos na própria revisão estipulados, ensejando a nulidade da exação. e) O prazo de pagamento praticado no mercado internacional de petróleo é curto, variando de 05 a 30 dias do carregamento. Visando captar os recursos necessários e alongar tal prazo, a Petrobrás se vale de linhas de crédito tomadas no exterior, diretamente por suas subsidiárias lá sediadas. Uma dessas subsidiárias paga diretamente ao produtor e revende à Petrobras com prazo de 180 dias. III f) A mercadoria, em face da aquisição original, é enviada diretamente do país produtor para o Brasil, e só muito raramente haverá trânsito por outro país. g) A COANA/COLAD/DITEC n° 60/97, de 19/08/97, apreciando as operações da empresa impugnante, como negócio indireto e posterior, objeto de uma operação principal, constatou ser a operação legítima, que visa dar à Petrobrás, condições de alavancagem à importação de produto vital para a economia. Essas operações são de uso corrente no mercado internacional. A redução tarifária é que permite à Petrobrás proceder à importação, além do que permite a integração dos países do Cone Sul, e isso não colide com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária. 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 A 2' Turma da DRJ em fortaleza, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação, pela Decisão de fls. 57 a 78, assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Importação II. Data do Fato Gerador: 17/08/99. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual no caso de divergência entre o Certificado de Origem e a Fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na • legislação de regência. Assunto: processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 17/08/199. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a arguição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com a observância das normas processuais aplicáveis ao fato em exame. PEDIDO DE PERÍCIA. Estando o ilícito caracterizado pelos fatos e pelos documentos, não há como se solicitar diligência ou perícia para formação de convicção. Ademais, o pedido de perícia não atende aos requisitos previstos no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do artigo 17 do Decreto n° 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Cientificada dessa decisão, a empresa vem, tempestivamente, a este Colegiado, em grau de recurso Voluntário, com as razões de fls. 86/113. É o relatório. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 VOTO O recurso é tempestivo, vem acompanhado do depósito recursal (fls. 114) e trata de matéria de competência deste Colegiado. Dele tomo conhecimento. A matéria é idêntica à tratada no Recurso 123.168, relatado pelo ilustre Conselheiro Dr. Irineu Bianchi. Por isso, adoto como razões de decidir as constantes do Acórdão n° 303-29.776, de 06/06/2001, que peço vênia para transcrever, excluindo apenas algumas referência a números de páginas que não dizem respeito a este processo. 4111 Preliminarmente, a Recorrente pleiteia a declaração de improcedência do lançamento, sobretudo quanto a matéria já tratada nos Recursos 123.168 e 123.183. a) divergência constatada entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador como documento de instrução das respectivas declarações de importação e; b) a operação intentada pelo importador (triangulação comercial) não está acobertada pelas normas que regem os acordos internacionais no âmbito da ALADI. Observa-se que a ação fiscal não impugna a validade dos Certificados de Origem e nem das Faturas Comerciais, pelo que, afasta-se de imediato a alegação da recorrente no sentido de ter ocorrido prejuízo quanto a ver suprimida a 111 diligência prevista no art. 10 da Resolução n° 78 da ALADI, que prevê a consulta entre os Governos, sempre e antes da adoção de medidas no sentido da rejeição do certificado apresentado. Assim, válidos os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro, ao menos no seu aspecto formal, entendo que o deslinde do conflito passa necessariamente pela análise dos atos praticados pela recorrente, vale dizer, se foram realizados atos contrários aos requisitos preceituados na legislação de regência, capazes de gerar a perda do benefício tarifário. A fruição dos tratamentos preferenciais acha-se normatizada no art. 40, da Resolução ALADFCR n° 78 1 — Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n° 98.836, de 1990, 4°, in verbis: 'Texto consolidado, extraído diretamente do site www.aladi.org ,contendo as disposições das Resoluções nos 227, 232 e dos Acordos 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 CUARTO.- Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente dei país exportador ai país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por cl território de algún país no participante dei acuerdo. b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos dei transporte; ii) no estén destinadas ai comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ningtma operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación. O caput do dispositivo em comento, combinado com sua letra "a", estabelece, de forma expressa e clara, que é requisito para a fruição dos tratamentos preferenciais, que as mercadorias tenham sido expedidas diretamente do país exportador ao país importador, considerando-se expedição direta, as mercadorias 111 transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. As hipóteses perfiladas na letra "h", segundo entendo, destinam-se àqueles casos em que, fisicamente, a mercadoria passe por terceiro país não participante do acordo, e por isto mesmo não se aplicam ao presente caso. É que a análise dos documentos apresentados demonstra que embora a ocorrência de triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil, e apenas virtualmente passaram pelas Ilhas Cayman. Logo, sob o ponto de vista da origem das mercadorias, não há nenhuma dúvida de que as mesmas são procedentes da Venezuela, país signatário do Tratado de Montevidéu, ficando atendido o requisito para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. 8 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 Entendo, outrossim, que o conteúdo do Certificado de Origem e as divergências que podem causar no confronto com as Faturas Comercias, não podem embasar a negativa ao beneficio pretendido. Com efeito, analisando a dicção do art. 434, caput, do Regulamento Aduaneiro, verifica-se que o mesmo determina que no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta mesma origem será feita por qualquer meio julgado idôneo. Já o parágrafo único faz ressalva em relação às mercadorias importadas de país-membro da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, 111 caso em que a comprovação da origem se fará através de certificado emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. A previsão legal acima acha-se perfilada com o que estabelece o art. 7°, da Resolução ALADI/CR n° 78 2 — Regime Geral de Origem (RGO) -, aprovada pelo Decreto n° 98.836, de 1990. A finalidade precípua do Certificado de Origem, na forma do dispositivo legal citado e nos termos da NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, acostada pela recorrente às fls. 179/181, é tratar-se de : ‘`... um documento exclusivamente destinado a acreditar o cumprimento dos requisitos de origem pactuados pelos países membros de um determinado Acordo ou Tratado, com a finalidade específica de tornar efetivo o beneficio derivado das preferências tarifárias negociadas". Já o art. 8° determina que as mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes, deverá coincidir com a que corresponde a mercadoria negociada classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que foi registrada na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. Da análise dos documentos comerciais, apresentados para despacho, verifica-se que a descrição das mercadorias é a mesma, não se constatando qualquer divergência, o que reforça o entendimento de que as operações atenderam ao disposto no art. 4°, letra "a", da Resolução n° 78. 2 Texto consolidado, extraído diretamente do site www.aladi.org ,contendo as disposições das Resoluções nos 227, 232 e dos Acordos 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 Resta uma análise no que se refere à triangulação comercial, apontada pelo fisco como causa para a negativa do beneficio pleiteado. A mesma NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, antes referenciada, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: Na triangulação comercial que reiteramos, é prática frequente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiar-se do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". A lacuna apontada na referida NOTA restou preenchida através da Resolução n° 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n° 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que 1111 alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9° da Resolução 78, prevendo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por io MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 um operador de um país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Contudo, a DRJ entendeu que não houve a interveniência de um operador, mas sim de um terceiro país exportador, consoante a fundamentação a seguir: Observa-se que a Resolução 232, de 1998, ressalva a interveniência • de um operador de um terceiro país, signatário ou não do acordo em questão. Entretanto, à espécie dos autos não se aplicam as disposições da norma em apreço, visto que da análise das peças processuais, harmoniosamente analisadas, constata-se que não há a interveniência de um operador, nos moldes previstos na Resolução retromencionada, mas a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI. Com efeito, na maioria das operações, o próprio contribuinte admite que "revende a mercadoria à subsidiária", situada nas Ilhas Cayman e, posteriormente, "a recompra", o que descaracteriza a participação de um operador, na forma prevista na legislação. Em outras operações a interveniência também não atende os requisitos exigidos no art. segundo do Acordo 91, como a redação dada pela Resolução 232 da ALADI, acima transcrito. 411 Observe-se que as normas que dispõem sobre a certificação de origem, no âmbito na ALADI, trazem, como pressuposto mandamental, a origem da mercadoria acobertada pela fatura comercial emitida pelo país exportador, fato que deve estar inequivocamente demonstrado em todas as peças que instruem o despacho de importação, tendo em vista que essa documentação materializa, enquanto elemento probatório perante o país importador, a regularidade da utilização do beneficio pleiteado. À luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas de certificação de origem, no âmbito da ALADI, constata-se que, ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da 11 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 Resolução 232, acima citada, que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro país, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. • A se considerar que a subsidiária da recorrente não se equipara a operador, como entendeu o Julgador Singular, não seria o caso de aplicar-se as disposições do art. 9° antes citado. Por outra via, se a PIFCO for qualificada como operadora, nos termos da Resolução 78, fica evidente que a norma em apreço não foi observada, visto que os Certificados de Origem contêm, em sua totalidade, o número da Fatura Comercial emitida pela empresa venezuelana. Na primeira hipótese, como entendido pela decisão singular, retoma-se à situação, justamente aquela analisada pela NOTA COANA antes mencionada, no sentido de que as triangulações comerciais são práticas frequentes e que não prejudicam a acreditação estampada no Certificado de Origem, caso em que, os requisitos para a fruição do beneficio estão atendidos. Na segunda hipótese, configura-se a inobservância ao disposto na Resolução 78, porquanto com o desembaraço aduaneiro, a recorrente, na qualidade de importadora, deveria apresentar uma declaração juramentada justificando a razão pela qual no campo relativo a "observações" do Certificado de Origem não foi preenchido, informando ainda os números e datas das faturas comerciais e dos certificados de origem que ampararam as operações de importação. Mas nestas alturas cabe averiguar se a não entrega da declaração juramentada tem o condão de desqualificar as operações como hábeis à fruição do tratamento diferenciado ou mesmo, se o conjunto de documentos apresentados no desembaraço suprem as informações que deveriam constar do aludido documento. A única justificativa plausível e racional para a exigência de uma declaração juramentada é a consideração de que, no ato do desembaraço, seria apresentada apenas a fatura emitida pelo operador. 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.381 ACÓRDÃO N° : 303-30.632 Não é o caso presente, uma vez que todos os documentos utilizados nas ditas triangulações, foram apresentados à autoridade aduaneira, de sorte que as informações que deveriam constar da mencionada declaração já se acham presentes nos mesmos, suprindo, ao meu ver, toda e qualquer exigência legal. Não vislumbro, assim, qualquer motivo para descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido, segundo o espírito que norteou a elaboração da Resolução n° 78. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, eis que é hábil e tempestivo, e oriento meu voto para dar-lhe total provimento. • Sala das Sessões, em 19 de março de 2003 rs.:&,+.1410# PAUL DE A IS - Relator 01, 13 „. • 0+ •• • "P c MFj MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA• Processo n°: 18336.000096/2001-79 Recurso n° 124381 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar • ciência do Acórdão n° 303.30.632. Brasília- DF 15 de abril 2003 J. anda Costa Presi r, ente da Terceira Câmara Ciente em:
score : 1.0
Numero do processo: 15374.005273/2001-69
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Ementa: COMPENSAÇÃO – PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO - O saldo acumulado de bases negativas em 31/12/94, bem como os gerados a partir de janeiro de 1995, sofrem a limitação de compensação de 30% do lucro líquido ajustado, imposta pelas Leis 8.981/95 e 9.065/95.
Súmula 1ºCC nº 3.
Recurso negado.
Numero da decisão: 101-95.895
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Junior
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SEGUROS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A Recorrida 3° TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO - RJ. I COMPENSAÇÃO — PREJUÍZOS — LIMITAÇÃO - O saldo acumulado de bases negativas em 31/12/94, bem como os gerados a partir de janeiro de 1995, sofrem a limitação de compensação de 30% do lucro liquido ajustado, imposta pelas Leis 8.981/95 e 9.065/95. Súmula 1°CC n° 3. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por J.P. SEGUROS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. a-4-2--n-- MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDE E 14.44v /da. MARI b e E FRANCO JUNIOR REL O •• Processo n.• 15374005273/2001-69 Acórdão e.° 101-95.895 Fls. 2• FORMALIZADO EM: Al 8 DEZ 2606 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, SANDRA MARIA FARONI, VALMIR SANDRI, e CAIO MARCOS CÂNDIDO. Ausente o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR. 6t1 Processo n.° 15374.005273/2001-69 Acórdão n.• 101-95.895 Fls. 3 Relatório J. P. SEGUROS EMPREEENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, já qualificada nestes autos, recorre a este Colegiado, por meio da petição de fls. 81/98, do Acórdão n° 6.430, de 30/12/2004, prolatado pela 3' Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, fls. 73/77, que julgou procedente o crédito tributário constituído no auto de infração de CSLL, fls. 01. Consta da peça básica da autuação, a seguinte irregularidade fiscal: COMPENSAÇÃO A MAIOR DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES, CONFORME DEMONSTRATIVO ANEXO. Enquadramento Legal: Art. 2°, da Lei n° 7.689/88; art. 44, da Lei 8.383/91; art. 57, da Lei n° 8.981/95; e art. 16, da Lei n°9.065/95. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES SUPERIOR AO LIMITE DE 30%. Enquadramento Legal: Art. 58, da Lei n° 8.981/95 e art. 16, da Lei n° 9.065/95. Tempestivamente a contribuinte insurgiu-se contra a exigência, nos termos da impugnação de fls. 19/40. A colenda 3* Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro decidiu, por unanimidade de votos, manter a exigência nos termos do aresto acima citado, cuja ementa tem a seguinte redação: CSLL - Exercício: 1997 COMPENSAÇÃO A MAIOR DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O lançamento consolida-se administrativamente no que se refere à matéria não impugnada, considerando-se como tal a matéria que não tenha sido expressamente contestada. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE 30%. A compensação de base de cálculo negativa deve se limitar ao valor equivalente a 30% do lucro líquido ajustado, conforme estabelecido pelo art. 58 da Lei 8.981/95. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 14/02/2005 (fls. 79-v), a contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário em 16/03/2005 (fls. 81), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Processo n.° 15374.005273/2001-69• Actdão n.° 101-95.895 Fls. 4 a) que a compensação parcelada mascara a cobrança de um empréstimo compulsório não autorizado pela Constituição Federal de 1988; b) que, não existindo base de cálculo positiva porque se possui uma base de cálculo negativa, o percentual de 70% que não pode ser compensado representa uma tributação do patrimônio da empresa, o que, data vênia, é proibido pela Lei Fundamental; c) que a Receita Federal insiste na tese de que o artigo 58 da MP 812, convertida na Lei 8981/95, tem o condão de limitar a partir de 01/01/95, a compensação da base de cálculo negativa apurada até 31.12.94, por dispor sobre a formação de bases de cálculo tributáveis no faturo. Isso em razão do art. 105 do CiN dispor que a legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do art. 116; d) que não pode prosperar tal entendimento, posto que busca interpretar a norma jurídica de forma isolada. Nem sempre a lei nova poderá atingir todos os fatos geradores futuros, na forma do art. 105 do CTN; e) que pela razão assiste à recorrente, outrossim, faz-se necessário ressaltar que o entendimento preconizado pela SRF vai de encontro ao planejamento tributário da suplicante, vez que todas as medidas saneadoras adotadas no ano-base de 1996, restaram manietadas pela abrupta modificação da legislação tributária incidente, ao arrepio de cânones constitucionais consagrados; f) que não houve e nunca haverá, por parte da recorrente, o menor resquício de um sentimento fraudem legis a respeito da suposta ilicitude que lhe está sendo imputada. Em momento algum deixou a recorrente de cumprir com o encontradiço das resoluções legais; g) que deve ser conhecido e provido o presente recurso, reformando-se a decisão de primeiro grau, determinando a insubsistência da autuação. Após o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo, conforme despacho de fls. 127, da DERAT no Rio de Janeiro, foram os presentes autos encaminhados para este Primeiro Conselho de Contribuintes para a apreciação do recurso voluntário interposto pela contribuinte. É o Relatório. C.)gr' Processo n.° 15374.00527312001-69 Acórdão n.° 101-95.895 Fls. 5 Voto Conselheiro MARIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR, Relator Recurso tempestivo e preenchendo os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A matéria remanescente para julgamento diz respeito à trava de 30% imposta na compensação de bases negativas da CSLL. As disposições constantes da Lei n° 9.065/95 não permitem dúvidas acerca do seu real alcance, pois limitam tanto o saldo de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados em 31.12.94, bem como os gerados a partir desta mesma data. Não se pode, portanto, interpretá-los em consonância com outras hipóteses que não aquela colhida nos presentes autos. Desta maneira, apenas alegando-se vício de inconstitucionalidade poder-se-ia invalidar o procedimento fiscal ora em julgamento. Os argumentos trazidos pela recorrente (direito adquirido, tributação de lucro inexistente, ou caracterização como empréstimo compulsório) sofrem, data maxima venha, incontornável limitação de apreciação por esta Colenda Câmara, visto que decisão favorável à recorrente importaria em negativa de vigência a uma norma constitucionalmente editada, competência que falece a este Colegiado, órgão de natureza administrativa. Diversas oportunidades tive para me manifestar sobre esse intrincado tema, entendendo que, apenas nos casos em que haja decisões reiteradas, indicando forte jurisprudência nos Tribunais Superiores, é que se poderia conceber um beneficio para as partes em seguir orientação jurisprudencial predominante. Não é este o caso dos autos. O excelso Supremo Tribunal Federal entende em sentido contrário ao pleiteado pela ora recorrente, conforme se extrai das seguintes ementas: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N°812, DE 31.12.94, CONVERTIDA NA LEI N° 8.981/95. ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A PARCELA DOS PREJUÍZOS SOCIAIS, DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, SUSCETÍVEL DE SER DEDUZIDA NO LUCRO REAL, PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS EM REFERÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE E DA IRREIROATIVIDADE. Diploma normativo que foi editado em 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercício financeiro encerrado. Descabimento da alegação de ofensa aos princípios da anterioridade e da irretro atividade, relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à contribuição social, sujeita que está à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, que não foi observado. Recurso conhecido, em parte, e nela provido. (STF, 10 Turma, RE 232084, Relator Min. limar Gaivão, DJ 16/06/00, p. 00039) Processo n.° 15374.005273/2001-69• Acórdão ri.• 101-95.895 Fls. 6 Imposto de renda. Medida Provisória n° 812, de 31.12.94, convertida na Lei n° 8.981/95. Artigo 42. Princípios da anterioridade e da irretroatividade. - Medida provisória que foi publicada em 31.12.94, apesar de esse dia ser um sábado e o Diário Oficial ter sido posto à venda à noite. Não-ocorrência, portanto, de ofensa, quanto à alteração relativa ao imposto de renda, aos princípios da anterioridade e da irretro atividade. Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF, I° Turma, 1W 254792/SP, Relator Min. Moreira Alves) CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO: JULGAMENTO PELO RELATOR. CPC, art. 557, § I '-A. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO IMEDIATO DE OUTRAS CAUSAS, EM QUE VERSADO O MESMO TEMA, PELOS RELATORES OU PELAS TURMAS. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Medida Provisória 812/94. Lei 8.981/95. L - Legitimidade constitucional da atribuição conferida ao Relator para arquivar, negar seguimento a pedido ou recurso e a dar provimento a este 3/4 RI/STF, art. 21, § 1°; Lei 8.038/90, art. 38; CPC, art. 557, caput, e § I '-A 3/4 desde que, mediante recurso, possam as decisões ser submetidas ao controle do Colegiado. Precedentes do STF. II. - Além do imposto de renda, cuida a espécie da contribuição social sobre o lucro, modalidade tributária que está sujeita ao princípio da anterioridade nonagesimal objeto do art. 195, § 6°, da C.F., não se tratando, ademais, de isenção, tampouco de alteração do prazo de recolhimento do tributo. Ill. - Agravo não provido. (STF, 2° Turma, RE 348836 AgR/PE, Relator Min. Carlos Velloso)" Não pode, portanto, este Colegiado, apontando vicio de inconstitucionalidade, rejeitar aplicação de norma constitucionalmente editada, gozando de presunção de constitucionalidade, para afastar incidência tributária fidcrada na mesma. Ademais, a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais há muito vem decidindo pela possibilidade da limitação da compensação do prejuízo fiscal e da base negativa, conforme se observa das ementas abaixo transcritas: ACÓRDÃO CSRF/01-04.505 Trava 30% - MP - 812/94 - Imposto de Renda e Contribuição Social - Lei n° 8.981/95. Artigos 42 e 58. Alegação de ofensa aos princípios da anterioridade, da irretroatividade e do direito adquirido. Descabimento da alegação relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à Contribuição Social, sujeita que está à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, no caso não violada. ACÓRDÃO CSRF/01-04.152 TRIBUTÁRIO - IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - Medida Provisória n° 818, de 31/12/94, convertida na Lei n° 8.981/9. Artigos 42 e 58, que reduziram a 30% a parcela dos prejuízos sociais, Cr/f • . • Processo n.° 15374.005273/2001-69 Acórdão n.° 101-95.895 Fls. 7 de exercícios anteriores, suscetível de ser deduzida no lucro real, para a apuração dos tributos em referência. Alegação de ofensa aos princípios da anterioridade e da irretroatividade, relativamente ao imposto de renda. Diploma normativo que foi editado em 31/12/94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercício financeiro encerrado. ACÓRDÃO CSRF/01-03.916 COMPENSAÇÃO - TRAVA - CSLL - O saldo acumulado de bases negativas em 31/12/94, bem como as bases negativas geradas a partir. 01.1995, sofrem a limitação de compensação de 30% do lucro líquido ajustado, imposta pelas Leis 8.981/95 e 9.065/95." A matéria também já se encontra sumulada por este Primeiro Conselho, mediante a súmula n° 3. Ex positis, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões (DF), em 06 de dezembro de 2006 06 de dezembro de 2006 fMARI June UEI FRANCO JUNIOR (1) Page 1 _0044000.PDF Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044200.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044400.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002095/2003-12
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2000
Ementa: LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA
- PROCEDÊNCIA - A busca da tutela judicial por si só não
constitui fator impeditivo ao desempenho da ação regular de
fiscalização e ao lançamento do crédito tributário, o qual pode e
deve ser realizado como meio de prevenir a decadência do direito
de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - O Primeiro Conselho
de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária.
MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO - CONCOMITÂNCIA - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 105-17.275
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso na parte discutida judicialmente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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materia_s : CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2000 Ementa: LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA - PROCEDÊNCIA - A busca da tutela judicial por si só não constitui fator impeditivo ao desempenho da ação regular de fiscalização e ao lançamento do crédito tributário, o qual pode e deve ser realizado como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO - CONCOMITÂNCIA - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
turma_s : Quinta Câmara
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INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO - CONCOMITÂNCIA - Importa renúncia às instâncias administrativas a proposihira pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso na parte discutida judicialmente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Processo n° 16327.002095/2003-12 CCOVCO5 Acórdão n.° 105-17.275 7 Fls. 2 S É/C L(5JO VIS ALV S , Presidente WALDIR VEIGA ROCHA Relator Formalizado em: 14 NOV 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, ALEXANDRE ANTÔNIO ALKMIM TEIXEIRA e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Relatório COMERCIAL ASSET MANAGEMENT S/A DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 6.067, de 26/02/2004, da 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata-se de Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, fls. 05/09, que constituiu o crédito tributário total de R$ 142.640,52, somados o principal e juros de mora calculados até 30/04/2003. No Termo de Verificação Fiscal — CSSL, fls. 11/12, a autoridade autuante relatou os fundamentos da autuação da seguinte forma. "O contribuinte impetrou o mandado de segurança n° 98.0003238-0 (...) visando em sede de medida liminar calcular os créditos vincendos da CSSL da mesma forma deferida às demais pessoas jurídicas, ou seja, com a aliquota de 894 bem como compensar os valores recolhidos a maior a título de CSSL, com a própria CSSL, COFINS e PIS, sem qualquer coação por parte da autoridade coatora. Em 02 de fevereiro de 1998, foi deferida a liminar requerida na inicial, assegurando à impetrante o direito de calcular os créditos tributários vincendos da contribuição social sobre o lucro líquido com a aliquota de 8%, bem como compensar os valores recolhidos a maior a titulo de contribuição social sobre o lucro com a própria CSSL, 11213.1, COFINS e PIS. Procedendo ao confronto dos valores da CSSL constantes em DCTF, e na escrituração contábil-fiscal (Razão), constatei que o contribuinte não informou em DCTF os valores devidos da CSSL, relativos ao ano- calendário de 1999; assim como não foram declaradas compensações eventualmente efetuadas. 4,010, 2 Processo n° 16327.002095/2003-12 CC0I/CO5 Acórdão n.° 105-17.275 Fls. 3 Na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (D1PJ/2000), relativa ao ano-calendário de 1999, foi informado na ficha 30— linha 17, o valor de R$ 91.483,16, como relativo à CSSL paga mensalmente por estimativa. Em 08 de abril de 1003, o contribuinte foi intimado a esclarecer esta divergência, informando que durante o ano-calendário de 1999, procedeu a compensação de valores recolhidos a maior em exercícios anteriores, nos termos da liminar em mandado de segurança n° 98.0003238-0, ainda vigente. (..) 3) Base de Cálculo: O contribuinte efetivamente compensou no ano-calendário de 1999, o valor de R$ 91.483,16, em virtude da liminar no mandado de segurança n° 98.0003238-0. (..) O crédito tributário, ora apurado, será constituído para o ano- calendário de 1999 com exigibilidade suspensa e sem a incidência da multa de oficio, nos termos do artigo n°63 da Lei n°9.430/96." Cientificado do lançamento em 03/06/2003, o sujeito passivo apresentou impugnação em 03/07/2003, fls. 30/42, alegando, em síntese, o que segue: a) Que a lavratura do auto de infração seria indevida diante da suspensão da exigibilidade do crédito tributário; por sua ótica, o ato do Fisco constituiria desobediência a ordem judicial. b) Que a diferenciação das alíquotas da CSLL, matéria discutida também na ação judicial impetrada, seria inconstitucional. c) Que o tratamento legislativo diferenciado entre as empresas constituiria afronta ao princípio constitucional da isonomia e, via de conseqüência, aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco. d) Que a compensação por ela efetuada decorreu do recolhimento a maior, configurado em face de imposição inconstitucional; afirma que seu direito à compensação se deu não por discricionariedade própria, mas com fulcro na autorização judicial mediante liminar. e) Ao final, pede a total improcedência do auto de infração. A 3' Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 6.067, de 26/02/2004 (fis. 72/79), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL .„."Data do fato gerador: 31/12/1999 ,-- 3 Processo n° 16327.002095/2003-12 CCO I/CO5 Acórdão n.° 105-17.275 Fls. 4 Ementa: Lançamento de Oficio. Auto de Infração. Crédito com Exigibilidade Suspensa. Cabimento. A lavratura do Auto de Infração como instrumento de lançamento de oficio de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa constitui exercício do poder-dever da Administração Tributária. Normas Processuais. Processo Administrativo. Ação Judicial. Concomitância. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente, reputando-se o crédito tributário definitivamente constituído na esfera administrativa. Processo Administrativo. Argüição de Constitucionalidade. Competência. A autoridade administrativa é incompetente para a apreciação da constitucionalidade da legislação tributária regularmente inserida no ordenamento jurídico. Ciente da decisão de primeira instância em 15/04/2004, conforme Aviso de Recebimento à fl. 82, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/05/2004 conforme carimbo de recepção à folha 83. No recurso interposto (fls. 84/99), argumenta que "não deve prosperar a assertiva no que tange a não apreciação pela autoridade administrativa à inconstitucionalidade ou ilegitimidade de lei". Segundo afirma, a prerrogativa da autotutela dá à Administração o poder de rever seus próprios atos, sem necessitar aguardar manifestação do Poder Judiciário. No mais, reafirma as razões já trazidas em sede de impugnação quanto à indevida lavratura do auto de infração; à inconstitucionalidade da diferenciação das alíquotas da CSLL; à ofensa aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e do não confisco; e à compensação feita com autorização judicial. Ao final, pede a reforma do acórdão recorrido e o cumprimento da decisão judicial para suspender a exigibilidade do crédito tributário, de modo a julgar improcedente o auto de infração. É o Relatório. 4 Processo n°16327.002095/2003-12 CCO I /CO5 Acórdão n.° 105-17.275 Fls. 5 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata-se de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário, com exigibilidade suspensa e sem a imposição de multa, nos termos do art. 63 da Lei n°9.430/1996. O argumento de que seria indevida a lavratura do auto de infração, em face da liminar concedida nos autos do processo n° 2002.03.00.050668-6 (fl. 19), já foi consistentemente enfrentado em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever trecho do acórdão recorrido, cujos fundamentos adoto também aqui como razões de decidir: 05 - De inicio, é importante fixar a legitimidade da lavratura de Autos de Infração na hipótese de Mandado de Segurança com liminar, ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 06 - Uma vez surgida a obrigação tributária, surge também para a Administração Tributária e seus agentes o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional: "Art. 142 - Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." 07 - É esse o entendimento da douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional exposto no Parecer PGFN/CRJN/Nr. 1064/93, cujas conclusões são as seguintes: "a) nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, quando já não houver sido, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do art. 142 e respectivo parágrafo único, do Código Tributário Nacional; b) uma vez efetuado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (Art. 145 do CTN c/c o art. 7°, inciso 1 do Decreto n° 70.235/72), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (art. 151 do CT1V);" 08 - Ademais, antes do lançamento, o que existe é a obrigação tributária, pois ela só depende da ocorrência do fato gerador. Já o crédito tributário, para passar a existir, com a exigibilidade suspensa ou não, precisa de um procedimento administrativo de formalização, que é o lançamento. tf 3 Processo n°16327.002095/2003-12 CCOI/CO5 Acórdão rt.° 105-17.275 Fls. 6 09 - No caso sob exame, por sobre não existir determinação expressa do Juízo competente impedindo o lançamento, a lavratura de Auto de Infração com exigibilidade suspensa não configura "ato coator", já que não exige de pronto o pagamento do crédito lançado, apenas resguarda o direito da Fazenda Nacional em tê-lo constituído frente ao período decadencial. 10 - Dessa forma, legítimo é o procedimento fiscal ao efetivar o lançamento do crédito tributário, visando evitar o decurso do prazo de decadência, porque a atividade é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido é também a jurisprudência administrativa deste Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ilustra a ementa abaixo transcrita: IMPEDIMENTO À AUTUAÇÃO FISCAL - A busca da tutela judicial por si só não se constitui fator impeditivo ao desempenho da ação regular de fiscalização, a qual, mesmo na hipótese da comprovação de que teria sido concedido liminartnente o direito pleiteado, pode ser realizada, até como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento, se for o caso. 1° CC. / Câmara / ACÓRDÃO 107-06732 em 21/08/2002. Publicado no DOU em: 20.10.2003. Acerca da possibilidade de apreciação, em sede administrativa, de argüições de inconstitucionalidade ou ilegitimidade de lei, ressalto, em primeiro lugar, que as alterações legislativas que introduziram a diferenciação de alíquotas da CSLL para as instituições financeiras estão inseridas no ordenamento jurídico nacional, não cabendo à autoridade administrativa questionar sua legitimidade. Sobre alegações de inconstitucionalidade, o posicionamento é pacífico neste Primeiro Conselho de Contribuintes, a ponto de já haver súmula sobre a matéria, a seguir transcrita, o que dispensa maiores comentários: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.] Ademais, no caso concreto, tais questionamentos foram igualmente levados à apreciação do Poder Judiciário, o que afasta, em definitivo, a possibilidade de que sejam examinados pela Autoridade Administrativa. Também esse ponto se encontra pacificado e já foi objeto de súmula, abaixo transcrita: Súmula 1°CC n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, as matérias trazidas em sede recursal são as mesmas submetidas ao Poder Judiciário, a saber, a diferenciação de alíquotas da CSLL, a alegada ofensa a princípios constitucionais e a possibilidade de compensação de valores recolhidos com base na alíquota majorada. Em assim sendo, não restam matérias distintas a serem examinadas. Correta, pois, a decisão recorrida que as não examinou, em face da concomitância. As Súmulas 1° CC 1 a 15 foram publicadas no 1•5 • Aão 1, dos dias 26, 7 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006. 6 Processo n° 16327.002095/2003-12 CCO 1 /CO5 Acórdão n.° 105-17.275 Fls. 7 Pelo exposto, não conheço do recurso no que tange à matéria sujeita ao Poder Judiciário e, no mais, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 16 de outubro de 2008. f WALDIR VEIGA CHA 7 Page 1 _0027300.PDF Page 1 _0027400.PDF Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.001619/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSNIISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 02/07/1997 a 20/01/1999
LANÇAMENTO EFETUADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
DEPÓSITOS JUDICIAIS. ARTIGO 63 DA LEI N° 9.430/96. ARTIGO 49
DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 449/2008. APLICAÇÃO DE LEI N° NOVA A FATOS PRETÉRITOS. REGRA DO ARTIGO 106 DO CTN, INCISO I.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa e, em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão. No caso, o lançamento fora efetuado apenas para prevenir a decadência, em face de ação judicial por meio da qual a autuada efetuara depósitos em seu montante integral, e a lei nova diz que não mais é necessário o lançamento de oficio para prevenir a decadência.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2201-000.039
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Robson José Bayerl. Designado o Conselheiro Odassi Guerzom Filho para redigir o voto vencedor. Fez sustentação ora pela Recorrente, o Dr.Jimir Doniak Junior. OAB/SP nº 124409
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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DEPÓSITOS JUDICIAIS. ARTIGO 63 DA LEI N° 9.430/96. ARTIGO 49 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 449/2008. APLICAÇÃO DE LEI N° NOVA A FATOS PRETÉRITOS. REGRA DO ARTIGO 106 DO CTN, INCISO I. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa e, em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão. No caso, o lançamento fora efetuado apenas para prevenir a decadência, em face de ação judicial por meio da qual a autuada efetuara depósitos em seu montante integral, e a lei nova diz que não mais é necessário o lançamento de oficio para prevenir a decadência. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da r Câmara/1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CA • F, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Ad:y f orino de Morais (Relator) e Robson José Bayerl. Designado o Conselheiro Odassi G ,.• , Filho pá a redigir o vo o vencedor. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Jim' e< • lak Juniod," • t/ ./71 09. / f ,-- Air 1)---.- I' 1, • • • Cr O ri R•SE ilIRG FILHO ,aresidente I Processo n° 16327.001619/2005-10 S2-C2T1 . .. Acórdão n.° 2201-00.039 Fl. 2 GUERZONI Flk° AR latoSrSDI esignado 1- Partici , ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Andréia Dantas Lacerda Moneta (suplente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Relatório Contra a recorrente acima, foi lavrado o auto de infração às fls. 04/70, exigindo-lhe crédito tributário, no valor total de RS 1.620.262.32 (um milhão seiscentos e vinte mil duzentos e sessenta e dois reais e trinta e dois centavos), assim distribuído: RS 1.061.608,22 de CPMF, referentes aos fatos geradores ocorridos entre 23/06/1999 e 29/12/2004, e juros de mora no valor de RS 558.654,10, calculados até 30/09/2005, por falta e/ ou insuficiência de retenção/pagamento da contribuição devida. Consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 71/72, in verbis: "1.3Para o período de junho/I999 a dezembro/2004, objeto deste Termo, o contribuinte está amparado pela ação judicial n° 2000.61.00.018176-7, na qual se discute a exigência da CPMF incidente sobre as movimentações financeiras relativas à administração de contas de previdência privada. 1.4A exigibilidade manteve-se suspensa mediante apresentação de fiança bancária. Em seguida, por intermédio de medida cautelar incidental ao writ, foi assegurada a suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 151, II do CT1V, substituindo-se a fiança por depósitos judiciais. Tal medida cmaelar é a de n" 2003.03.00.021634-2 e o despacho da desembargadora federal (Cecilia Marcondes) encontra-se à fl. 205 do referido processo judicial. 1.5Há ainda o processo judicial n°2002.61.00.017993-9 em que o contribuinte impetrou mandado de segurança requerendo, entre outros pedidos, a concessão de medida liminar para suspender a cobrança da CPMF, no período de 90 dias a partir da publicação da EC n° 37/2002. Para tal pretensão foi concedida liminar em 15/08/2002 que em 05/09/2003 foi cassada mediante interposição de Agravo de Instrumento n" 2002.03.00.035141-1 pela União Federal." Ainda, segundo o procedimento administrativo scal, o lançamento corresponde aos valores dos depósitos judiciais e que o crédito tributário encontrava, quando da efetivação do lançamento, com a exigibilidade suspensa,._-- kl , 2 Processo n° 16327.001619/2005-10 S2-C2TI Acórdão n.° 2201-00.039 Fl. 3• Cientificada do lançamento em 20/10/2005 (fl. 04), a recorrente interpôs a impugnação às fls. 225/233, requerendo o seu cancelamento, alegando razões que foram assim sintetizadas pela DRJ em Campinas, in verbis: "Inicialmente alega que, quanto aos fatos geradores ocorridos até setembro de 2000, teria ocorrido a decadência do direito da Fazenda Pública proceder à constituição dos créditos tributários mediante lançamento de oficio. Sustenta que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência ocorre após cinco anos da ocorrência do fato gerador, em face do disposto no art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional. Acrescenta que não se poderia cogitar do deslocamento do prazo em questão para aquele previsto no art. 173, 1, do CTN, por eventual falta de pagamento da contribuição, uma vez que somente os valores questionados judicialmente foram objeto do depósito judicial, e todos os outros valores de CPMF devidos pela impugnante foram regularmente retidos pelas instituições financeiras. Assim, existindo pagamento parcial, ocorre a homologação tácita após cinco anos do fato gerador. Ademais, conforme jurisprudência que cita, a inexistência de pagamento não alteraria a natureza do lançamento e, portanto, mesmo que não existisse pagamento nenhum, o prazo decadencial seria de cinco anos da ocorrência do fato gerador. Além disso, para os fatos geradores ocorridos no ano de 1999, a decadência teria ocorrido mesmo que se admitisse o prazo do art. 173, I, do CTN. Sustenta que para tais fatos geradores, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado seria o dia primeiro de janeiro de 2000. Assim, o termo final do prazo para o lançamento seria o dia 31/12/2004. Como a ciência do auto de infração ocorreu em 20/10/2005, já estava decaído o direito da Fazenda Pública relativo aos fatos geradores ocorridos no ano de 1999, mesmo admitindo-se a aplicabilidade do art. 173, I, do CTN. Conclui: Não resta dúvida, portanto, de que o Auto de Infração do qual foi a Impugnante intimada em 20/10/2005 encontra-se parcialmente atingido pela decadência, seja qual for a forma de contagem do prazo (art. 150, § 40 ou art. 173, I, do CTN). Acrescenta que o prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, somente se aplicaria às contribuições administradas pelo INSS e, por tal razão, não poderia ser aplicado à CPMF. A seguir dirige-se contra a legitimidade da imposição dos juros de mora. Alega que em face da suspensão da exigibilidade por força dos depósitos judiciais — que teriam sido feitos nos prazos legais — o crédito tributário lançado não estaria em mora, e não seriam devidos quaisquer acréscimos moratórios, mesmo a título de juros. O objetivo do depósito judicial seria justamente prevenir-se de eventual pertalização no caso de não ser vitoriosa na ação judicial intentada. Acrescenta que ao final da ação, verificam-se duas possibilidades: ou a contribuinte é vitoriosa, e nenhum tributo é devido, sendo-lhe facultado promover o levantamento dos depósitos, ou a contribuinte é derrotada, devendo os depósitos ser convertidos em renda da União, o que implicaria em extinção do crédito tributário. Entende que o lançamento dos juros importaria em penalização indevida da contribuinte, uma vez que esta não teria descumprido a legislação tributária, mas tão somente se socorrido do Poder Judiciário, e depositado, nos prazos legais, os valores do tributo questionado." 3 Processo n° 16327.001619/2005-10 S2-C2T I e Acórdão n.° 2201-00.039 Fl. 4e Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão n°05-20.808, datado de 14/01/2008, às fls. 355/357, assim ementado: "CPMF. Decadência. O prazo decadencial da CPMF é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído. Crédito Tributário. Exigibilidade Suspensa. Depósito Judicial. Juros Moratórios. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, seja qual for o motivo determinante de sua falta." Inconformada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário às fis. 370/380, requerendo a sua reforma a fim de que seja cancelado o lançamento, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação, ou seja, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente aos fatos geradores do período de junho de 1999 a setembro de 2000, por ter decorrido mais de cinco anos das datas dos respectivos fatos geradores e da ciência do lançamento e, ainda, que é indevida a exigência de juros moratórios em face dos depósitos judiciais em montante integral ao crédito tributário em discussão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Quanto à decadência, ao contrário do entendimento da recorrente, a realização tempestiva dos depósitos judiciais, em montantes integrais aos dos valores devidos, constitui-se em lançamento tácito dentro do prazo legal — cinco anos — de que a Fazenda Pública dispunha para constituir o crédito tributário. Ao apurar a CPMF, de conformidade com a legislação tributária dessa contribuição, e efetuar os depósitos dos valores, em montantes integrais aos devidos, visando à suspensão de sua exigibilidade, o contribuinte efetuou o auto lançamento de tal contribuição. Tal procedimento dispensaria, inclusive, a constituição do respectivo crédito tributário, por meio de lançamento de oficio, com o objetivo de se evitar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituí-lo. Esse entendimento está expresso na Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, que, em seu art. 49, assim estabelece: "Art. 49. Para efeito de interpretação do art. 63 da Lei n°9.430, lat___de 1996, prescinde do lançamento de ofício destinado a prevenir»..... P 4 Processo n° 16327.001619/2005-10 S2-C2T1 .- •• Acórdão n.° 2201-00.039 Fl. 5 a decadência, relativo ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, o crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso lido art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário NacionaL " Ora, o art. 151, inciso II do CTN, estabelece que o depósito do montante integral do crédito tributário suspende a sua exigibilidade. Na esfera judicial, também este tem sido o entendimento, conforme provam as ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a seguir transcritas, in verbis: "DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO TÁCITO. DECADÊNCIA Cuida-se do depósito judicial em dinheiro efetuado pelo contribuinte que busca, com a medida, suspender a exigibilidade do crédito tributário quando o tributo está sujeito a lançamento, condicionada a sua conversão em renda à improcedência da demanda. Não há que se falar em decadência no caso, unia vez que houve a constituição do crédito tributário por lançamento tácito. Assim, a Seção não conheceu dos embargos, pois a Segunda Turma deste Superior Tribunal, ao julgar o REsp 804.415-RS na assentada de 15/02/2007, perfilhou-se à Primeira Turma no sentido do acórdão embargado, incidindo, pois, na espécie, o verbete sumular n. I 68-STJ. EREsp 767.328-RS, ReL MM. Herman Benjaminjulgados em 11/4/2007. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO A Turma, por maioria, entendeu que o depósito judicial para suspender a exigibilidade do crédito tributário já o constitui; razão pela qual o lançamento fiscal em relação ao valor depositado é desnecessário. Assim, não há que se falar em decadência do crédito tributário por não ter sido lançado em relação ao crédito discutido pelo Fisco. Precedentes citados: EREsp 898.992-PR, DJ 27/8/2007, e REsp 895.604-SP, DJ 11/4/2008.REsp 953.684-PR, Rel, Min. Castro Meira, julgado em 26/8/2008." Portanto, tendo sido efetuados tempestivamente os depósitos dos valores da CPMF, em montantes integrais ao crédito tributário em discussão, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Pública constitui-lo, porque nas datas dos depósitos o tempo limite não havia se expirado. Já em ralação à exigência dos juros de mora, assiste razão à recorrente. Conforme demonstrado nos autos, o crédito tributário impugnado está com sua exigibilidade suspensa, em face do depósito judicial do seu montante integral, nos termos do CTN, art. 151, inciso II. O depósito judicial em montante integral ao do crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o co, ribuinte do pagamento de juros de mora e outras penalidades, tais como multas. -A....-- 94 5 Processo n°16327.001619/2005-IO S2-C2T1 . .. Acórdão n.° 2201-00.039 Fl. 6 No presente caso, os depósitos judiciais efetuados pela recorrente foram em montantes integrais aos valores das parcelas da CPMF lançadas, conforme constou dos autos, mais especificamente do Termo de Verificação às fls. 71/72. Ademais, a Lei n°6.830, de 1980, assim dispõe, in verbis: "Art. 9". Em garantia da execução, pelo valor da divida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Divida Ativa, o executado poderá: C.). § 4 0. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora." Assim, não procede o lançamento de juros mora sobre o crédito tributário em discussão. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento parcial ao presente recurso, para que se exclua do lançamento a parcela correspondente aos juros de mora, mantendo-se a exigência da contribuição. Sala das Sessões, em 04 de março de 2009. _ i José ito : no de Moraiséi Voto Vencedor Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator-Designado Não obstante as ponderações do Ilustre Conselheiro Relator, dele divirjo por entender que houve fato superveniente aos fatos que merece ser considerado neste julgamento. O que se viu no presente lançamento foi a aplicação do disposto no artigo 63 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, segundo o qual "Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966". Tanto que não houve o lançamento da multa de oficio. E, embora o referido dispositivo não faça menção expressa às demais causas suspensivas da cobrança do tributo, dentre elas a constante do inciso II, que trata dos depósitos judiciais, o Parecer CST/SRF n° 02/99, no seu item "9", é claro ao dizer que o "tratamento previsto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96 estende-se aos casos de suspensão de exi ibilidade do crédito em razão do depósito do seu montante integral, pois dispensável é le lar sobre o óbvio". C6 Processo n°16327001619/2005-10 S2-C2TI • Acórdão n.° 2201-00.039 Fl. 7 Nesse contexto, há que se inserir no presente julgamento a existência da recente Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 1998, que, em seu artigo 49 dispôs: Art.49. Para efeito de interpretação do art. 63 da Lei n 2 9.430, de 1996, prescinde do lançamento de oficio destinado a prevenir a decadência, relativo ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, o crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso II do art. 151 da Lei n' 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional'. (grifei) Na Exposição de Motivos da referida Medida Provisória está o item 46 a dizer que "O art. 49 procura pacificar as discussões doutrinárias e jurisprudenciais sobre a necessidade de lançamento de oficio para evitar a decadência tributária, nas hipóteses em que há depósito judicial em montante integral. O novel dispositivo perfila-se com decisões reiteradas dos tribunais superiores, de forma a evitar que várias ações judiciais sejam propostas desnecessariamente". A meu ver, o referido dispositivo criou plenas condições para que o presente lançamento seja cancelado, em face do disposto no artigo 106, I do Código Tributário Nacional, que permite a aplicação da lei nova a ato ou fato pretérito, senão vejamos: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1— em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (.). Assim, aqui pode perfeitamente ser invocado o disposto no inciso I para que seja fundamentada a decisão de se cancelar o presente lançamento, pois, como o artigo 49 da Medida Provisória n°449, de 03/12/2008 é expressamente interpretativo do disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a sua aplicação é imediata, nos termos do inciso I. Em face do exposto, voto pela aplicação retroativa do disposto no artigo 49 da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 e dou provimento ao recurso, cancelando o lançamento, restando prejudicada a análise quanto à incidência dos juros de mora sobre os valores depositados em juizo, bem como quanto à decadência. Sala das Sessões, em 4 de março de 2009. &! 'IDA SI GUERZONI Fl O ta I Art. 151. Suspendem exigibilidade do crédito 'bután : I - (...) - o depósito do seu mon . • eintei. . 7 Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.000578/2005-06
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
Ementa: NULIDADE – AUSÊNCIA DE RESPOSTA DA AUTORIDADE AUTUANTE À PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE – INOCORRÊNCIA – Estando a autoridade autuante convencida da materialidade e da autoria da infração tributária, não fica adstrita ou obrigada a responder a qualquer questionamento do contribuinte, podendo encerrar o procedimento fiscal, já que os princípios do contraditório e da ampla defesa somente podem ser invocados quando da instauração da lide tributária, a qual tem início com a impugnação tempestiva.
PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – REMESSA AO FISCO – AUSÊNCIA DE ILICITUDE - Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente.
AMPLA DEFESA – VIOLAÇÃO – INOCORRÊNCIA – Ao contribuinte foi facultado acesso aos autos, com ciência de todos os documentos e laudos, podendo produzir a prova que entendesse cabível.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS – PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA – IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária porque esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando os princípios da isonomia tributária, da moralidade administrativa ou da impessoalidade, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso específico do Conselho de Contribuintes, adstrito às normas administrativas fazendárias, tem aplicação o art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto.
DUPLA TRIBUTAÇÃO SOBRE O MESMO FATO GERADOR – VALORES IMPUTADOS AO RECORRENTE E A TERCEIRA PESSOA – AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DE PROVA QUE ESCLAREÇAM O REAL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA – CANCELAMENTO DA EXAÇÃO – Imputando a fiscalização as mesmas transações financeiras, de modo independente, como ônus tributário a contribuintes diversos, sem qualquer comprovação de responsabilidade entre os sujeitos passivos, quer individual, quer coletivamente, forçoso reconhecer que há fundada dúvida sobre o real sujeito passivo da obrigação tributária, razão suficiente para afastar o crédito tributário lançado.
TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS PARA O ESTRANGEIRO – CONTA BANCÁRIA TITULARIZADA POR SOCIEDADE ALIENÍGENA – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE NA CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE PARA IMPUTAR AO RECORRENTE A PROPRIEDADE DOS VALORES TRANSFERIDOS – NÃO COMPROVAÇÃO – O titular da conta bancária na qual houve as transferências imputadas como omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é uma sociedade estrangeira. O recorrente e terceira pessoa teriam uma procuração para administrar os bens e negócios da sociedade estrangeira. A sociedade estrangeira figura no nome da conta bancária estrangeira, sendo forçoso reconhecer que o titular da conta bancária é a sociedade estrangeira. Dessa forma, a partir de conta titularizada por pessoa jurídica, não pode, a fiscalização, simplesmente imputar ao procurador a propriedade dos recursos, sem demonstrar que a pessoa jurídica inexiste ou que foi constituída, no ponto, para fraudar terceiros, o que permitira desconstituir os negócios jurídicos perpetrados por tal pessoa jurídica.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 106-17.155
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: NULIDADE – AUSÊNCIA DE RESPOSTA DA AUTORIDADE AUTUANTE À PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE – INOCORRÊNCIA – Estando a autoridade autuante convencida da materialidade e da autoria da infração tributária, não fica adstrita ou obrigada a responder a qualquer questionamento do contribuinte, podendo encerrar o procedimento fiscal, já que os princípios do contraditório e da ampla defesa somente podem ser invocados quando da instauração da lide tributária, a qual tem início com a impugnação tempestiva. PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – REMESSA AO FISCO – AUSÊNCIA DE ILICITUDE - Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. AMPLA DEFESA – VIOLAÇÃO – INOCORRÊNCIA – Ao contribuinte foi facultado acesso aos autos, com ciência de todos os documentos e laudos, podendo produzir a prova que entendesse cabível. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS – PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA – IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária porque esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando os princípios da isonomia tributária, da moralidade administrativa ou da impessoalidade, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso específico do Conselho de Contribuintes, adstrito às normas administrativas fazendárias, tem aplicação o art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. DUPLA TRIBUTAÇÃO SOBRE O MESMO FATO GERADOR – VALORES IMPUTADOS AO RECORRENTE E A TERCEIRA PESSOA – AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DE PROVA QUE ESCLAREÇAM O REAL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA – CANCELAMENTO DA EXAÇÃO – Imputando a fiscalização as mesmas transações financeiras, de modo independente, como ônus tributário a contribuintes diversos, sem qualquer comprovação de responsabilidade entre os sujeitos passivos, quer individual, quer coletivamente, forçoso reconhecer que há fundada dúvida sobre o real sujeito passivo da obrigação tributária, razão suficiente para afastar o crédito tributário lançado. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS PARA O ESTRANGEIRO – CONTA BANCÁRIA TITULARIZADA POR SOCIEDADE ALIENÍGENA – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE NA CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE PARA IMPUTAR AO RECORRENTE A PROPRIEDADE DOS VALORES TRANSFERIDOS – NÃO COMPROVAÇÃO – O titular da conta bancária na qual houve as transferências imputadas como omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é uma sociedade estrangeira. O recorrente e terceira pessoa teriam uma procuração para administrar os bens e negócios da sociedade estrangeira. A sociedade estrangeira figura no nome da conta bancária estrangeira, sendo forçoso reconhecer que o titular da conta bancária é a sociedade estrangeira. Dessa forma, a partir de conta titularizada por pessoa jurídica, não pode, a fiscalização, simplesmente imputar ao procurador a propriedade dos recursos, sem demonstrar que a pessoa jurídica inexiste ou que foi constituída, no ponto, para fraudar terceiros, o que permitira desconstituir os negócios jurídicos perpetrados por tal pessoa jurídica. Recurso voluntário provido.
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PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL — REMESSA AO FISCO — AUSÊNCIA DE ILICITUDE - Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1 0, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. AMPLA DEFESA — VIOLAÇÃO — INOCORRÊNCIA — Ao contribuinte foi facultado acesso aos autos, com ciência de todos os documentos e laudos, podendo produzir a prova que entendesse cabível. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA — II? ia Processo n° 18471.00057812005-06 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-17.155 Fls. 321 IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária porque esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando os princípios da isonomia tributária, da moralidade administrativa ou da impessoalidade, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso específico do Conselho de Contribuintes, adstrito às normas administrativas fazendárias, tem aplicação o art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. DUPLA TRIBUTAÇÃO SOBRE O MESMO FATO GERADOR — VALORES IMPUTADOS AO RECORRENTE E A TERCEIRA PESSOA — AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DE PROVA QUE ESCLAREÇAM O REAL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA — CANCELAMENTO DA EXAÇÃO — Imputando a fiscalização as mesmas transações financeiras, de modo independente, como ônus tributário a contribuintes diversos, sem qualquer comprovação de responsabilidade entre os sujeitos passivos, quer individual, quer coletivamente, forçoso reconhecer que há fundada dúvida sobre o real sujeito passivo da obrigação tributária, razão suficiente para afastar o crédito tributário lançado. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS PARA O ESTRANGEIRO — CONTA BANCÁRIA TITULARIZADA POR SOCIEDADE ALIENÍGENA — NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE NA CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE PARA IMPUTAR AO RECORRENTE A PROPRIEDADE DOS VALORES TRANSFERIDOS — NÃO COMPROVAÇÃO — O titular da conta bancária na qual houve as transferências imputadas como omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é uma sociedade estrangeira. O recorrente e terceira pessoa teriam uma procuração para administrar os bens e negócios da sociedade estrangeira. A sociedade estrangeira figura no nome da conta bancária estrangeira, sendo forçoso reconhecer que o titular da conta bancária é a sociedade estrangeira Dessa forma, a partir de conta titularizada por pessoa jurídica, não pode, a fiscalização, simplesmente imputar ao procurador a propriedade dos recursos, sem demonstrar que a pessoa jurídica inexiste ou que foi 2A constituída, no ponto, para fraudar terceiros, o que permitira 4. • Processo n° 18471.000578/2005-06 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.155 Fls. 322 desconstituir os negócios jurídicos perpetrados por tal pessoa jurídica. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO CARLOS FERREIRA LUCAS DE SOUZA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. " ANA in IA IRO a pS REIS Presidente GIl ANNI CHRI fiIb ES CAMP • R• ator FORMALIZADO E.‘ ' 1 1 JAN 2009 Participaram, • ju ame o, os Conselheiros: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, M. Lúcia • z de A agão Calomino Astorga, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Sérgio Ga vão Ferreira Garcia suplente convocado), Ana Paula Locoselli Erichsen (suplente convocada), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente da Câmara) e Ana Maria Ribeiro dos Reis (Presidente da Câmara). Relatório Em face do contribuinte João Carlos ferreira Lucas de Souza, CPF/MF n° 370.872.077-68, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 06/05/2005, Auto de Infração (fls. 91 a 100), com ciência pessoal (procurador) em 06/05/2005. Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado: IMPOSTO R$ 16.491.376,97 MULTA DE OFICIO RS 12.368.532,72 Na autuação foi imputada ao contribuinte uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, mantidos no exterior, nos anos-calendário 2000 a 2002. Tal conduta foi apenada com multa de oficio de 75%, 3 ..t 'Is Processo n° 18471.000578/2005-06 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.155 Fls. 323 Pelas tabelas preparadas pela autoridade autuante (fls. 15 a 20), o contribuinte figurou como beneficiário (fls. 15 e 16) de 35 remessas financeiras para a subconta n° 310.758, denominada Atlantis, no montante de US$ 1.841.046,45; como ordenante de 166 remessas financeiras para a conta n° 53076697, também denominada Atlantis (fls. 16 a 20), no montante de US$ 24.996.388,73; e como remetente de 05 remessas para a subconta n° 310358, antes descrita, no valor de US$ 590.000,00 (fls. 20). Essa conta e a subconta eram mantidas no banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque, sendo administradas pela empresa financeira BHSC-Beacon Hill Service Corporation (fls. 13). O contribuinte foi intimado a esclarecer a origem dos depósitos acima indicados (fls. 13 e 21). Como resposta, informou que não reconhecia como sua a movimentação financeira em discussão. Ainda, como se poderia verificar em suas declarações de ajuste anual, possuía ativos financeiros no exterior, competentemente declarados à Receita Federal e ao Banco Central do Brasil. Por fim, a relação enviada pela fiscalização não permitiria qualquer identificação, pugnando por maiores informações, para, então, posicionar-se (fls. 22 e 23). Visando atender o pedido de maiores esclarecimentos pugnado pelo contribuinte, o Auditor-Fiscal reintimou o fiscalizado a comprovar a origem dos depósitos bancários, agora acostando à intimação uma cópia da documentação trazida no bojo da Representação Fiscal n° 208/04, da Coordenação-Geral de Fiscalização da Receita Federal (fls. 24 a 77), ofertando um prazo decendial para que o contribuinte atendesse a intimação. O preposto do contribuinte foi notificado dessa intimação em 25/04/2005 (fls. 25). A documentação acostada à Representação Fiscal acima é o resultado de uma mídia impressa, na qual se registra as transferências financeiras imputadas ao contribuinte, com campos em língua estrangeira, sem tradução (ou explicação) para o vernáculo. Entretanto, percebe-se que, diferentemente do apontado pela autoridade autuante, o contribuinte figurou como ordenante de 03 remessas para a conta n° 53076697, denominada Atlantis, no montante de US$ 370.000,00 (fls. 34), e de 163 remessas para a subconta n° 310.758, no montante de US$ 24.626.388,72 (fls. 34 a 67), e não 166 remessas para a conta n°53076697. Ainda, um conjunto de cópias fotostáticas que detalhariam algumas das operações da mídia impressa foi consularizada pelo Consulado-Geral do Brasil em Nova Iorque (fls. 69 a 77). O contribuinte deixou, pretensamente, fluir in albis o prazo da última intimação, o que levou o Auditor-Fiscal a encenar a ação fiscal. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando, dentre outras linhas de defesa, argüiu a nulidade do feito, pois havia acostado cópia de petição dirigida à autoridade autuante, recepcionada em 06/05/2005, solicitando cópia da documentação que deu azo à quebra do sigilo bancário das contas norte-americanas, e que fossem apresentados cópias de cartões de assinatura e dos documentos de abertura de conta em nome do contribuinte junto à empresa Beacon Hill Service Corporation ou ao JP Morgan Chase de Nova Iorque, no que restou não atendido. ÀA P Turma de Julgamento da DRJ-Rio de Janeiro II (RJ), por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão de fls. 225 a 241. A decisão foi 4 • •1 Processo n° 18471.000578/2005-06 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.155 Fls. 324 consubstanciada no Acórdão n° 13-17.205, de 20 de setembro de 2007, que foi assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n" 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura do auto de infração, não há que se falar em violação ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. Meios de prova. Recursos enviados ao exterior. São válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito do Banestado. PROVA EMPRESTADA Devem ser aceitas no processo administrativo fiscal as provas encaminhadas à Secretaria da Receita Federal pelo Poder Judiciário. OMISSÃO DE RENDIMENTO LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n" 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÓNUS DA PROVA. Se o ónus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. 5 Processo n° 1 8471.000578/2005-06 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.155 Fls. 325 O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 1 0/11/2007 (fls. 243). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 27/11/2007 (fls. 245 e 246). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. o procedimento fiscal incorreu em nulidade insanável, com cerceamento do direito de defesa do contribuinte, quando a autoridade autuante negou-se a disponibilizar a documentação solicitada pela petição que lhe foi dirigida em 06/05/2005, em atendimento à intimação de 25/04/2005, nesta que foi assinado um prazo decendial. Ao receber a petição do contribuinte, a autoridade entregou o auto de infração ao fiscalizado, sequer analisando a petição referida; II. as provas obtidas no exterior são de origem ilícita, porque a documentação do caso Beacon Hill Service Corporation já estava no Brasil desde abril de 2003, sem qualquer carta rogatória que autorizasse a vinda de tais provas para o País, bem como ao arrepio do Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América (MLAT — Multi Lateral Agreement Traty), e, somente posteriormente, houve ordem judicial de juiz brasileiro para a quebra do sigilo das contas administradas pela instituição Beacon Hill, mantidas no JP Morgan Chase Bank. Para comprovar o alegado, traz cópia de depoimento prestado nos autos da ação penal que responde na 5' Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro (fls. 301 a 316) e fia-se em oficio expedido pelo Chefe da Unidade de Produtos do Crime da Promotoria Pública do Condado de Nova York, no qual esta autoridade norte-americana, em 18/03/2003, transmitiu, em mãos, a Delegado de Polícia Federal a documentação apreendida em mandado de busca e apreensão deferido por autoridade norte-americana nos escritórios da Beacon Hill Service Corporation (fls. 317 e 318). Ademais, o lançamento tomou por base cópias apócrifas, em língua estrangeira; III. conforme notícia publicada no jornal O Globo, informa-se que a Receita Federal somente fiscalizaria os contribuintes que figurassem na base de dados da empresa Beacon Hill com valores acima de US$ 50.000,00. Esse procedimento é uma clara violação dos princípios constitucionais da isonomia tributária, da moralidade administrativa e da impessoalidade; IV. há dupla tributação sobre um mesmo fato gerador — bis in idem tributário —, com diversos dos fatos geradores aqui imputados ao recorrente sendo também lançados no processo 18471.001360/2006-41, em face do contribuinte Teimo Vieira Barros da Silva. Nessa senda, "se a fiscalização tributa um e outro contribuinte sobre os mesmos fatos, é porque não sabe a quem tributar, caso típico de erro na identificação, a ensejar nulidade" (fls. 262 e 263); V. a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 não se aperfeiçoou no caso vertente, já que o titular da conta bancária em debate é uma pessoa jurídica de direito estrangeiro, no caso a Atlantis, sendo o recorrente mero procurador daquela. Ademais, não se demonstrou que os recursos da empresa pertenciam ao recorrente, aquela funcionando como interposta pessoa deste, quando poderia incidir, na espécie, o art. 42, § 5 0, da Lei n° 9.430/96. 6 :e Processo n° 18471.000578/2005-06 CCOIC06 Acórdão n." 106-17.155 Fls. 326 Este recurso voluntário compôs o lote n° 05, sorteado para este relator na sessão pública da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes de 25/06/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 1°/11/2007 (fls. 243) e interpôs o recurso voluntário em 27/11/2007 (fls. 245 e 246), dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar as razões e os pedidos deduzidos no recurso, como discriminados no relatório (itens I a V). Inicialmente, o recorrente pugna pela decretação de nulidade do feito fiscal, em decorrência do cerceamento de seu direito de defesa, pois a autoridade autuante não cumpriu com seu dever de disponibilizar a documentação que alicerçou o lançamento, não respondendo sua petição de 06/05/2005. Ao revés, simplesmente, na mesma data, cientificou-lhe do auto de infração (item I). Em termos puramente formais, deve-se reconhecer que a petição do contribuinte de 06/05/2005 (sexta-feira), em resposta à intimação de 25/04/2005 (segunda-feira), que assinou um prazo decendial, não respeitou o prazo arbitrado pela autoridade fiscal, que vencera em 05/05/2005. Assim, forçoso reconhecer que a autoridade poderia ter cientificado o contribuinte do lançamento em 06/05/2005, como de fato o fez. Ainda, mesmo que a petição tivesse sido apresentada no prazo de cumprimento da intimação, a autoridade autuante, convencida da materialidade e autoria da infração, pelas provas do procedimento fiscal, poderia ter encerrado este, sem qualquer pecha de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, quer por violação dos princípios da ampla defesa ou do contraditório. Ora, esses princípios constitucionais vigoram, inegavelmente, no âmbito do processo administrativo fiscal. Porém, na fase da autuação, ainda não se tem o processo administrativo fiscal, a lide instaurada, que somente vem a lume quando da impugnação do lançamento. O contribuinte, para instrumentalizar sua impugnação e seu recurso voluntário, teve acesso aos autos, quando deduziu toda a sua inconformidade, quer na fase da impugnação, quer na do recurso voluntário. Por tudo, vê-se claramente que o contribuinte pôde se defender satisfatoriamente, a partir do momento da ciência do auto de infração. Ante o exposto, rejeita-se a in-esignação do item I. Agora, passa-se à defesa do item II das razões deduzidas no recurso voluntário e sintetizadas no relatório (provas do processo obtidas por meio ilícitos). <;(1<f :• Processo n°18471.000578/2005-06 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.155 Fk 327 Considerando a identidade do procedimento para obtenção dos meios probatórios deste lançamento com o lavrado em face do contribuinte Teimo Vieira Barros da Silva, processo administrativo n° 18471.001360/2006-41, igualmente distribuído por sorteio para este Conselheiro relator, e já julgado por esta Sexta Câmara na Sessão de 07/08/2008, transcrevem-se as razões lá deduzidas, quando se rechaçou idêntica irresignação, adotando-a como fundamento para aqui decidir: A transferência do sigilo bancário acima para o fisco foi autorizada pelo Juízo da 2" Vara Federal Criminal de Curitiba, da Seção Judiciária do Paraná (PR), no bojo dos processos criminais es 2003.70.00030333-4 e 2004.70.00008267-0 (fls. 85). Primeiramente, o fisco somente teve acesso aos dados das contas da Beacon Hill Service Corporation, mantidas no JP Morgan Chase, em 2004, autorizado expressamente pelo Exmo. Sr. Juiz Federal da 2" Vara Federal da Seção Judiciária do Paraná, Dr. Sérgio Fernando Moro, como faz prova o ofício de fls. 85, ou seja, posteriormente ao incidente trazido na defesa referente ao ano de 2003. Eventual mácula na colheita da prova acima não pode ser reconhecida neste processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1", da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. Agora, passa-se à defesa do item III (violação dos princípios constitucionais da isonomia tributária, da moralidade administrativa e da impessoalidade). De forma similar à apreciação do item precedente, transcrevem-se as razões deduzidas por este Conselheiro relator em idêntica irresignação, deduzida no processo administrativo n° 18471.001360/2006-41, verbis: Inegavelmente, como pode se perceber da impugnação e do recurso voluntário, o recorrente teve acesso a todos os dados do processo administrativo fiscal, e pôde rebater todas as imputações que lhe foram efetuadas. Não discriminou qualquer documento que lhe tenha sido sonegado no curso do processo fiscal e, como é cediço, quem deve esclarecer os fatos a si imputados é o contribuinte e não a autoridade fiscal Esta, apenas, tem o dever de disponibilizar as informações e documentos que firmaram seu convencimento quanto à existência do crédito tributário lançado. Procedida à autuação, como ocorreu no caso vertente, o então impugnante pôde se defender longa e minuciosamente. Não houve qualquer violação ao princípio da ampla defesa. Quanto à informação jornalística, que pretensamente comprovaria a violação de outros princípios constitucionais, trata-se, apenas, de informação jornalística, sem qualquer valor probatório, Processo n° 18471.000578/2005-06 Cai 1/C06 Acórdão n.° 106-17.155 As. 328 pois, ressalte-se, o recorrente não logrou demonstrar sua realização no mundo dos fatos. Por tudo, no ponto, sem razão o recorrente. Agora, passa-se à defesa do item IV (dupla tributação sobre um mesmo fato gerador — bis in idem tributário —, com diversos dos fatos geradores aqui imputados ao recorrente e também lançados no processo 18471.001360/2006-41, em face do contribuinte Teimo Vieira Barros da Silva). Idêntica controvérsia foi instaurada no processo administrativo acima descrito. Este Conselheiro relator lá deduziu os seguintes argumentos: Inicialmente, como se pode verificar da relação de transferências financeiras acostadas aos autos, extraídas das mídias computacionais recebidas da Promotoria e da Justiça do Estado de Nova Iorque — EUA (fis. 57 a 60), os Srs. JC Lucas Souza e o Teimo Vieira Barros da Silva constam como Order Customer (cliente que determinou a ordem de pagamento — não constitui, necessariamente, o remetente original). Ainda, pelo Termo de Constatação Fiscal delis. 38 a 44, ao recorrente foi imputada a responsabilidade como remetente das referidas transferências financeiras. Em nenhum momento, o recorrente foi designado como beneficiário das ordens de pagamento. Assim, após a competente apuração pela autoridade autuante, o fato gerador poderia ser imputado ao recorrente ou ao outro contribuinte, isolado ou solidariamente, ou, ainda, em proporção. In casu, o recorrente argumenta que o fato gerador foi imputado, in totum, a ambos os contribuintes, o que não seria possível Analisando a documentação do PAF 18471.000578/2005-06 juntada aos autos, percebe-se que foi imputada uma série muito mais expressiva de transferências ao contribuinte João Carlos Ferreira Lucas de Souza. Dentre essas transferências, como subconjunto, há as 18 transferências imputadas ao recorrente. Entretanto, verifica-se que, diferentemente das imputadas ao recorrente, quando as transferências foram feitas na subconta n°310758. as imputadas ao contribuinte João Carlos Ferreira Lucas de Souza, como ordenante, tiveram por base a conta n" 53076697 (fis. 202, 203, 223 e 224). Como se apreendeu no relato, a subconta n" 310758 era movimentada sob o pálio da conta- mãe (conta ónibus) re 6192033 - Beacon Hill Operating Account, enquanto a conta n° 53076697 era uma conta corrente individual, também mantida junto ao JP Morgan Chase, tudo administrado pela Beacon Hill Service Corporation. Ora, forçoso reconhecer que as ordens de pagamento acima em confronto foram feitas a partir de contas diferentes. De outra banda, deve-se também reconhecer que é pouco plausível que não haja algum vínculo entre as transferências imputadas ao recorrente e ao Sr. João Carlos Ferreira Lucas de Souza, já que todas as transferências têm identidade de valor e data. Ademais, evidencie-se que não ficou claro para este relator o porquê de se ter atribuído exclusivamente ao recorrente a 9 Processo n° 18471.000578/2005-06 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.155 Fls. 329 responsabilidade como remetente das 18 ordens de pagamento, quando havia o nome de um outro ordenante na documentação de fls. 57 a 60. Pelo acima exposto, apesar da plausibilidade da tese defensiva invocada, considerando que as ordens de pagamento transitaram por contas diferentes, deve-se reconhecer que não ocorreu o bis in idem tributário invocado. (grifo do original) Como acima se vê, este Conselheiro rechaçou a defesa deduzida pelo contribuinte Teimo Vieira Barros da Silva, já que as remessas financeiras imputadas ao Sr. Teimo e ao recorrente, pretensamente, teriam transitado por contas diferentes. Naquela oportunidade, este Conselheiro relator teve acesso a uma cópia da planilha de fls. 15 a 20. Nessa planilha, as remessas financeiras aqui em debate, idênticas em data e valor às imputadas ao contribuinte Teimo Vieira Barros da Silva, teriam transitado pela conta n°53076697 (fls. 16 e 17). Entretanto, analisando o resultado da impressão da midia computacional que contém as remessas financeiras, percebe-se que, como já destacado no relatório deste voto, das 166 remessas imputadas ao recorrente como ordenante na conta n° 53076697, na forma das planilhas citadas, apenas 03 (três) tiveram essa conta como destino (fls. 34). Na verdade, do total antes citado, 163 tiveram como destino a subconta n° 310758 (fls. 34 a 67). Ainda, as 18 remessas agora em debate, autuadas em face do recorrente e do Sr. Teimo Vieira Barros da Silva, transitaram pela mesma subconta n°310758 (fls. 38 a 43) Ora, acima se vê que as 18 remessas imputadas como depósito de origem não comprovada aqui em discussão, igualmente foram-nas imputadas ao contribuinte Teimo Vieira Barros da Silva. Nessas 18 remessas, figuram os nomes do recorrente e do Sr. Teimo como ordenantes. Como já assinalado na transcrição acima, não se sabe o porquê da dupla autuação, já que nos autos não há provas que imputem a um ou ao outro, isolada ou conjuntamente, a responsabilidade pelas remessas. Em todo caso, as remessas somente poderiam constar em um dos autos de infração, no caso de responsabilidade individual, e, se em ambos, em uma proporção que indicasse a responsabilidade de cada contribuinte. Ainda, as remessas poderiam ser imputadas a ambos os contribuintes, com termo de responsabilidade solidária, com substrato no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, comprovando, a autoridade autuante, que ambos tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Entretanto, as remessas jamais poderiam ser imputadas isoladamente a cada contribuinte, como se cada um fosse responsável in totum pelo crédito tributário, sem qualquer menção ou prova de responsabilidade dos sujeitos passivos. Do procedimento tomado em ambos os lançamentos citados, forçoso reconhecer que não ficou claro para a fiscalização quem deveria ser o sujeito passivo do crédito tributário vinculado às remessas em debate. Este relator, igualmente, não tem certeza quem poderia ser tal sujeito passivo, pois não há qualquer investigação nos autos que indique, de modo satisfatório, a responsabilidade de cada contribuinte. Na dúvida, deve-se aplicar o brocardo in dubio pro contribuinte, quem tem sed do art. 112 do Código Tributário Nacional. .'• Processo n° 18471.000578/2005-06 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.155 Fls. 330 Ainda, considerando a infração referente aos depósitos bancários de origem não comprovada, mesmo que houvesse uma co-titularidade entre os remetentes dos valores, considerando o art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96 (Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares), seria forçoso intimar cada um dos co-titulares, imputando a cada um sua responsabilidade, em proporção. Com as razões acima, devem-se afastar as 18 remessas financeiras que foram imputadas, concomitantemente, ao recorrente e ao contribuinte Teimo Vieira Barros da Silva. Ainda, a dubiedade acima fica restrita as 18 remessas financeiras ventiladas. Quanto às demais, não há o nome do Sr. Teimo Vieira Barros da Silva, o que impede de extrapolar a decisão acima para todos os fatos geradores do presente lançamento. Por fim, passa-se à defesa do item V (a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 não se aperfeiçoou no caso vertente, já que o titular da conta bancária em debate é uma pessoa jurídica de direito estrangeiro, no caso a Atlantis, sendo o recorrente mero procurador daquela. Ademais, não se demonstrou que os recursos da empresa pertenciam ao recorrente, aquela funcionando como interposta pessoa deste, quando poderia incidir, na espécie, o art. 42, § 5°, da Lei n°9.430/96). De antemão, pelas provas dos autos, o contribuinte figurou como beneficiário de 35 remessas financeiras para a subconta n°310.758, denominada Atlantis, no montante de US$ 1.841.046,45 (fls. 27 a 33); como ordenante de 03 remessas financeiras para a conta n° 53076697, também denominada Atlantis, no montante de US$ 370.000,00 (fls. 34); como ordenante de 166 remessas financeiras para a conta n°310758, também denominada Atlantis, no montante de US$ 24.626.388,72 (tis. 34 a 67); e como remetente de 05 remessas para a subconta n° 310.758, já descrita, no valor de US$ 590.000,00 (fls. 20) Essa conta e a subconta eram mantidas no banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque, sendo administradas pela empresa financeira BHSC-Beacon Hill Service Corporation (fls. 13). Todas as remessas acima foram consideradas como depósitos de origem não comprovada, em contas bancárias mantidas no exterior, à luz da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Deve-se lembrar que a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 afiança que os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam omissão de rendimentos. Ora, da cabeça do art. 42 da Lei n° 9.430/96, extrai-se que a presunção somente se aperfeiçoará se a conta de depósito for de titularidade do fiscalizado, ou, como expressamente regulado pelo § 5° do artigo citado, caso o titular seja interposta pessoa, deve-se imputar a omissão ao real titular da disponibilidade financeira. Assim, para que a fiscalização utilizasse a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, mister a comprovação de que o fiscalizado era o titular das contas bancárias em debate ou, no caso de titularidade formal, de que havia uma interposta pessoa, quando incidia a regra do art. 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96. : - Processo n° 18471.000578/2005-06 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-17.155 Fls. 331 Mesmo que se considere que o fiscalizado era titular formal da conta n° 53076697 e da subconta n° 310758, causa estranheza que o contribuinte, figurando como ordenante, remetente e beneficiário de remessas financeiras para as contas administradas pela empresa Beacon Hill Service Corporation, tenha sofrido os efeitos da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, nas três situações antes relatadas. Inicialmente, não fica claro qual a distinção entre ordenante e remetente. Ainda, para a incidência da presunção, o fiscalizado deveria ser o beneficiário de todas as remessas. Voltando à questão tratada no antepenúltimo parágrafo, deve-se perscrutar quem é o real titular das contas bancárias denominadas Atlantis (conta n° 53076697 e subconta n° 310.758). Pela documentação juntada aos autos, fica-se sabendo simplesmente que tais contas eram administradas pela empresa Beacon Hill Service Corporation. Neste processo, não foram acostados os laudos técnicos da Policia Federal que analisaram a documentação da conta Atlantis. Entretanto, no processo administrativo fiscal n° 18471.001360/2006-41, em nome do Sr. Teimo Vieira Barros da silva, foram acostados laudos e documentos que esclarecem a controvérsia. Assim, transcreve-se excerto do voto lá proferido, verbis: Pelo Laudo n" 1605/04-1NC (fis. 45 a 55), o titular das contas bancárias (contas n° 310758 e n° 530766973) é a sociedade Atlantis (ou Atlanthys) Trading Corp. O recorrente e o Sr. João Carlos Ferreiora (sic) Lucas teriam uma procuração para administrar os bens e negócios da Atlantis Trading Corp. grs. 44). Pelo acima exposto, considerando inclusive o nome do titular das contas bancárias, in casu Atlantis T. C. S.A., aliado ao fato do recorrente figurar como Order Customer (cliente que determinou a ordem de pagamento — não constitui, necessariamente, o remetente original), é forçoso reconhecer que o titular das contas bancárias seria a sociedade Atlantis Trading Corp. e não o recorrente. Este seria o mandatário. Dessa forma, considerando que o recorrente figura como ordenante da ordem de pagamento, a partir de conta titularizada por pessoa jurídica, não pode, a fiscalização, simplesmente imputar àquele a propriedade dos recursos, sem demonstrar que a pessoa jurídica inexiste ou que foi constituída, no ponto, para fraudar terceiros, o que permitira desconstituir os negócios jurídicos perpetrados por tal pessoa jurídica. Na espécie, apesar da forte presunção de que os recursos movimentados em tais contas foram expatriados de forma ilegal do Brasil, não se pode, sem qualquer prova de como tais recursos chegaram no exterior, bem como de quem seria a real propriedade dos valores, imputar a responsabilidade a mandatário de empresa constituída no exterior e titular das contas bancárias em debate. (.) Vê-se, então, que, como deduzido pelo recorrente, a conta e a subconta era de titularidade de uma sociedade estrangeira, a Atlantis (ou Atlanthys) Trading Corp., figurando o recorrente e o Sr. Teimo Vieira Barros da Silva como mandatários. 2 1 • , . ,' Processo n° 18471.000578/2005-06 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.155 Fls. 332 Dessa forma, a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação no tocante aos recursos transferidos no âmbito da subconta n° 310758 e conta n° 53076697, administradas pela empresa Beacon Hill Service Corporation, com o fito de comprovar a que titulo se deu tais transferências, podendo, assim, comprovar que o real titular e beneficiário dos valores era o recorrente, quando poderia incidir o art. 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96 (Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento). Por tudo, inaceitável simplesmente imputar ao recorrente a responsabilidade pelas remessas financeiras em debate, quando não se aprofiindou a investigação sobre a real titularidade das contas de depósito em discussão. As razões acima deduzidas são suficientes para fazer soçobrar a parte remanescente do lançamento remanescente. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Sala das Sessõ e , em 06 de ovembro de 200 -) Giov. . Christi • o lie. a ,, p • . / 7 / f 13 Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.000792/2001-69
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Mar 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: ImPosTo SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - 1RPJ
Anos-calendário: 1996 a 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – IRPJ – PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário rege-se pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - DECADÊNCIA- Por se tratar de tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito.
IRPJ – POSTERGAÇÃO DE RECEITAS – TRIBUTAÇÃO – A partir da vigência da Lei nº 9.430/96, em caso de recolhimento de tributo após o período de competência (postergação do tributo), não é mais aplicável o método de imputação proporcional.
CSLL - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - DECORRÊNCIA - A solução dada ao litígio principal, que manteve parcialmente a exigência em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se ao litígio decorrente ou reflexo relativo a Contribuição Social sobre o Lucro.
Recurso de Oficio Negado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 101-96.590
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do ano calendário de 1995, vencido o Conselheiro Antonio Praga, que não a acolhia. No mérito, por maioria de votos, excluir da tributação o item do lançamento relativo à postergação, cancelando assim as exigências remanescentes, vencido o Conselheiro Antonio Praga, que NEGA provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: José Ricardo da Silva
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CCOI/C01 Els. I 4.11. er • - • MINISTÉRIO DA FAZENDAorg; wP; ..<11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo no 16327.000792/2001-69 Recurso n° 141.358 De Oficio e Voluntário Matéria IRPJ E OUTRO - EXS: DE 1996 a 1998 Acórdão o° 101-96.590 Sessão de 05 de março de 2008 Recorrentes 2a TURMA/DRJ-SÃO PAULO - SP. I e BANCO BANDEIRANTES S.A. (INC. DA CIA. BANDEIRANTES CFI). ASSUNTO: ImPosTo SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - 1RPJ Anos-calendário: 1996 a 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IRPJ — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA — Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário rege-se pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - DECADÊNCIA- Por se tratar de tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. IRPJ — POSTERGAÇÃO DE RECEITAS — TRIBUTAÇÃO — A partir da vigência da Lei n° 9.430/96, em caso de recolhimento de tributo após o período de competência (postergação do tributo), não é mais aplicável o método de imputação proporcional. CSLL - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - DECORRÊNCIA - A solução dada ao litígio principal, que manteve parcialmente a exigência em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se ao litígio decorrente ou reflexo relativo a Contribuição Social sobre o Lucro. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . .4 . . Processo n° 16327.000792/2001-69 CC01/031 Acórdão n.° 101 -98.590 Fls. 2 ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do ano calendário de 1995, vencido o Conselheiro Antonio Praga, que não a acolhia. No mérito, por maioria de votos, excluir da tributação o item do lançamento relativo à postergação, cancelando assim as exigências remanescentes, vencido o Conselheiro Antonio Praga, que NEGA provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTCtilid4 PRES DENTE t Aip 4_,... 2;0000.t1 * JOSÉ P 1111 ,4 gi O DA 1 VA : - 111 140000 ni! FORMALIZADO EM: 20 Ao 2008 , Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, SANDRA MARIA FARONI, CAIO MARCOS CÂNDIDO, VALMIR SANDRI, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO \ -- 2 . - Processo n° 16327.000792/2001-69 CCO I/C01 Acórdão n.° 101 -98.590 Fls. 3 Relatório Submetem-se a apreciação deste Colegiado Recurso de Oficio e Recurso Voluntário em face do Acórdão n° 5.188, de 25/03/2004 (fls. 658/679), da Egrégia r Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo - SP, que julgou parcialmente procedente o crédito tributário consubstanciado nos autos de Infração de IRPJ, fls. 293 e CSLL, fls. 300. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 308/327), as seguintes irregularidades fiscais imputadas pela fiscalização à contribuinte: MEDIDAS JUDICIAIS RELATIVAS À PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA — PCLD. CONVERSÃO DO DEPÓSITO JUDICIAL DO IRPJ E DA CSLL EM RENDA DA UNIÃO FEDERAL. A CIA. BANDEIRANTES CFI ajuizou o mandado de segurança n° 95.0059182- O, na 13' Vara de Justiça Federal de São Paulo a fim de proceder dedução, para fins tributários, de encargos correspondentes à provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) constituída nos termos da Resolução Bacen n° 1.748/1990, e de não se submeter às regras de dedutibilidade da PCLD constantes do art. 43 da Lei 8.981/1995, alterado pelo art. 1° da Lei 9.065/1995. Foi concedida liminar, mediante depósito judicial dos valores discutidos. Entretanto, utilizando-se dos benefícios previstos no art. 17 da Lei 9.779/1999, acrescido do art. 10 da Medida Provisória 1.807/1999, e da Instrução Normativa SRF n° 26/1999, a CIA BANDEIRANTES CFI requereu a desistência da medida judicial, anexando ao requerimento a PLANILHA — PCLD, na qual são demonstrados os ajustes das PCLDs na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segregados em provisões dedutíveis e não dedutíveis, bem como os critérios de apuração do IRPJ (no valor de R$ 2.245.030,79) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (no valor de R$ 323.283,57) devidos, referentes aos anos-calendário de 1995 e 1996 e do período findo em 31/05/1997. Estes valores foram convertidos em renda da União Federal, conforme a homologação do MM. Juiz Federal em 22/10/1999. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA — PCLD. A PLANILHA — PCLD apresenta o cálculo do IRPJ devido em virtude da desistência da medida judicial, correspondente aos anos-calendário de 1995 a 1997, no montante total de R$ 2.245.030,79, cujo valor foi convertido em renda da União Federal. Entretanto, na apuração desse valor, foram constatadas várias incorreções na PLANILHA — PCLD, descritas a seguir: Com relação à PLANILHA — PCLD relativa ao ano-calendário de 1995, o IRPJ correto corresponde a R$ 4.681.334,95, resultante da aplicação da alíquota de 43% sobre o aumento do lucro real de R$ 10.886.825,47; e não o montante de R$ 4.612.898,99 apurado pela CIA BANDEIRANTES CFI. No item 22 do Termo de Verificação Fiscal foi calculado o IRPJ devido, objeto de lançamento de oficio, resultante da recomposição do lucro real do ano calendário de 1995, juntamente com outras informações apuradas; Quanto à PLANILHA — PCLD, referente ao ano-calendário de 1996, foram apuradas as seguintes incorreções: 3 Processo n° 16327.00079212001-69 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-98.590 Fls. 4 1) foi excluído o montante de R$ 12.107.206,14 como reversão da PCLD. Ocorre que, o montante adicionado em 1995 foi de R$ 11.975.506,82 e este é, portanto, o montante correto para exclusão em 1996. 2) para a apuração do IRPJ a ser convertido em renda da União, a CIA BANDEIRANTES CFI reduziu incorretamente o IRPJ de R$ 4.612.898,99, apurado no ano- calendário de 1995, com o crédito de R$ 2.367.868,20, apurado no ano-calendário de 1996. 3) tais incorreções foram ajustadas na recomposição do lucro real no ano- calendário de 1996, juntamente com outras infrações apuradas, no item 22 do Termo de Verificação Fiscal. Com relação à PLANILHA — PCLD relativa ao ano-calendário de 1997, a planilha apresenta valores diferentes dos valores apresentados na declaração de rendimentos do ano-calendário de 1997 (período de 01/01/1997 a 31/05/1997 — data base da incorporação), estando, portanto, incorreta. Os ajustes necessários foram efetuados na recomposição do lucro real do período findo em 31/05/1997, juntamente com outras infrações apuradas, no item 22 do Termo de Verificação Fiscal. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — PCLD. A PLANILHA — PCLD apresenta o cálculo da contribuição devida, em virtude da desistência da medida judicial, correspondente aos anos-calendário de 1995 a 1997, no montante total de R$ 323.283,57, cujo valor foi convertido em renda da União Federal. Entretanto, na apuração desse valor, foram constatadas as incorreções a seguir descritas: quanto à PLANILHA — PCLD, referente ao ano-calendário de 1996, foram apuradas as seguintes incorreções: 1) foi excluído o montante de R$ 12.107.206,14 como reversão da PCLD. Ocorre que, o montante adicionado em 1995 foi de R$ 11.975.506,82 e este é, portanto, o montante correto para exclusão em 1996. 2) para a apuração da CSLL a ser convertida em renda da União, a CIA BANDEIRANTES CFI reduziu incorretamente a CSLL de R$ 1.088.681,35, apurado no ano- calendário de 1995, com o crédito de R$ 765.397,78, apurado no ano-calendário de 1996. 3) tais incorreções foram ajustadas na recomposição da base de cálculo da contribuição do ano-calendário de 1996, juntamente com outras infrações apuradas, no item 24 do Termo de Verificação Fiscal. Com relação à PLANILHA — PCLD relativa ao ano-calendário de 1997, a planilha apresenta valores diferentes dos valores apresentados na declaração de rendimentos do ano-calendário de 1997 (período de 01/01/1997 a 31/05/1997 — data base da incorporação), estando, portanto, incorreta. Os ajustes necessários foram efetuados na recomposição do lucro real do período findo em 31/05/1997, juntamente com outras infrações apuradas, no item 24 do Termo de Verificação Fiscal. ' 4 Processo n°16327.000792/2001-69 CC01/C0 I Acórdão n.° 101-98.590 Fls. 5 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS EM 1995, 1996 E 1997. Foi constatado que a CIA BANDEIRANTES CFI não atendeu integralmente as regras de dedutibiliade das perdas no recebimento de créditos, deixando de adicionar, na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição dos anos-calendário de 1995, 1996 e do período findo em 31/05/1997, as perdas não dedutíveis. Também não adicionou as perdas no recebimento de créditos que seriam dedutíveis após prazos previstos na legislação. Neste caso, o tratamento fiscal foi o da postergação do pagamento do imposto e da contribuição, quando for o caso. Todas as perdas não dedutíveis e aquelas dedutíveis em períodos posteriores foram relacionadas na "Relação das Perdas Não Dedutíveis", nos Anexos I, II e III (fls. 328 a 359), onde são indicadas as regras de dedutibilidade desatendidas. As perdas não dedutiveis foram objeto de ajuste na recomposição do lucro real e da base de cálculo da contribuição nos itens 22 e 24 do Termo de Verificação Fiscal, respectivamente. Em relação às perdas dedutiveis em anos-calendário posteriores, foi observada a postergação do pagamento do imposto e da contribuição, quando ocorrida. Considerando que a CIA BANDEIRANTES CFI foi incorporada pelo BANCO BANDEIRANTES S/A, em 31/05/1997, a postergação, no caso, foi efetuada na incorporadora a partir de 1997. IRPJ — DESPESA DA CSLL "SUB JUDICE". A CIA BANDEIRANTES CFI impetrou medidas judiciais pleiteando a aplicação da mesma alíquota aplicável às demais empresas em geral na apuração da contribuição social sobre o lucro líquido. As medidas judiciais, com liminares concedidas, são o MS n° 96.0016955-1, RA 97.03.034055-5 e MC n° 97.03.028991-6 (1995); e o MS n° 96.0009098-0 e Al 96.03.028077-1 (1996 e 1997). Resguardada por essas medidas judiciais, a CIA BANDEIRANTES CFI não efetuou o pagamento da contribuição referente às diferenças de alíquotas, nos anos-calendário de 1995 e de 1996; no entanto, registrou como despesa dedutível, na determinação do lucro real destes anos, a contribuição com exigibilidade suspensa, infringindo o art. 41, §1°, da Lei 8.981/1995. Os montantes da CSLL "sub judice", dos anos-calendário de 1995 e 1996, foram objeto de ajustes na recomposição do lucro real no item 22 do Termo de Verificação Fiscal. A CIA BANDEIRANTES CF1 é parte impetrante no mandato de segurança n° 95.0050028-0, da 14 Vara da Justiça Federal em São Paulo, onde pleiteia a dedutibilidade dos tributos e contribuições, suspensos por medidas judiciais, na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social. A medida liminar foi concedida no dia 14/12/1995, nos autos do mandado de segurança n° 95.03.097473-9, do TRF DA 3a Região, nos termos pleiteados. Desta forma, o imposto referente a esta medida judicial será objeto de lançamento de oficio, com suspensão da sua exigibilidade, até o julgamento final da lide, conforme apurado no item 22 do Termo de Verificação Fiscal. • Processo n°16327.000792/2001-69 CCO I/C01 Acórdão n.° 101-96.590 Fls. 6 CSLL — SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA ENTRE IPC/BTNF/1990. Conforme os demonstrativos de apuração da base de cálculo da CSLL, apresentados pela incorporadora, constatamos que a CIA BANDEIRANTES CFI excluiu o saldo devedor da diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF de 1990, na determinação da base de cálculo da CSLL dos anos-calendário de 1995 e 1996, no montante de R$ 460.600,17 em cada período. Essa exclusão é indevida por não estar autorizada pela legislação tributária, razão pela qual foram efetuados os ajustes na recomposição da base de cálculo da CSLL, no item 24 do Termo de Verificação Fiscal. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL DE 1995 A 1997. A fiscalização recompôs o lucro real dos anos-calendário de 1995 e 1996 e do período findo em 31/05/1997, conforme as infrações mencionadas, a fim de apurar o imposto devido. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DE 1995 A 1997. A fiscalização recompôs as bases de cálculo da contribuição dos anos-calendário de 1995 e 1996 e do período findo em 31/05/1997, conforme as infrações mencionadas, a fim de apurar a contribuição devida. Ciente da exigência, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fls. 361/371), com os seguintes argumentos: Que o fiscal autuante incorreu em equívoco ao efetuar a recomposição do lucro real e da base da CSLL da impugnante, por não ter considerado em seus cálculos, o valor dos tributos recolhidos na forma de conversão em renda da União, no montante de R$ 2.245.030,79 a titulo de IRPJ, e de R$ 323.283,57, a título de CSLL. A autoridade lançadora não considerou o valor de R$ 2.367.888,20 (item 5 "g" do Termo de Verificação), referente ao crédito de imposto de renda de que a impugnante era titular em 1996, por ter adicionado ao lucro real de 1995 o montante das exclusões feitas em 1996. Que a referida autoridade também não levou em conta o valor da CSLL oferecida à tributação em 1996, no valor de R$ 765.397,78 (item 9 "d" do Termo de Verificação), e que, portanto, deveria ter sido considerada como crédito da impugnante em 1995. Na recomposição do lucro tributável pela CSLL em 1995 e 1996, o agente fiscal autuante considerou como tributável o valor do expurgo inflacionário correspondente à diferença entre o BTNF e o IPC, quando é certo que tal valor é perfeitamente dedutível, sob pena de implicar tributação do patrimônio da impugnante; Que o autuante não levou em conta o fato de que em 1995, a proibição de dedutibilidade das baixas de créditos promovidas sem observação dos prazos e limites previstos na legislação só se aplica ao IRPJ, e não a CSLL. A Lei 8.981/1995 trata da questão no art. 43, por sua vez inserido na subseção I, que abrange exclusivamente as alterações promovidas no lucro real. Foi somente após o advento da Lei 9.430/1996 que as restrições e limites a dedutibilidade das baixas de créditos foram estendidas à CSLL pelo art. 28 dessa lei. No caso da impugnante, as baixas efetuadas até 31/12/1996 são integralmente dedutíveis na base de cálculo da CSLL, eis que, com base em opção admitida em lei, a impugnante só adotou os critérios previstos na Lei 9.430/1996 a partir do ano-calendário de 1997; Pa). 6 Processo n° 16327.000792/2001-69 CCOliC01 Acórdão n.° 101 -96.590 Fls. 7 Que o agente fiscal formalizou a exigência da CSLL sobre as adições feitas em 1995, 1996 e 1997, calculando-a a alíquota de 30%, e concordando com o crédito decorrente do oferecimento à tributação dessas adições em períodos-base inadequados, mas à alíquota de 10% em 1995 e de 8% em 1996, valendo-se de dois pesos e duas medidas. Na verdade, o agente fiscal autuante deveria ter considerado, no cálculo da exigência, o valor da CSLL apurada com base na alíquota de 8% em 1995 e 10% em 1996, pois a impugnante dispunha de medida liminar que lhe assegurava o recolhimento desse tributo com base nas alíquotas aplicáveis às demais empresas. Saliente-se que a diferença entre a alíquota de 30% levada em conta pela fiscalização e aquelas que prevaleciam em relação à impugnante já foi objeto de auto de infração com exigibilidade suspensa. Logo, ao adotar esse expediente o autuante acabou por tributar duas vezes a impugnante sobre o mesmo valor, ou seja, uma através do auto de infração cuja exigibilidade encontra-se suspensa, e outra mediante o presente auto de infração, ao ignorar esse fato na recomposição da base de cálculo do IRPJ e da própria CSLL; não foi observada pelo autuante a existência de liminar que assegurou à impetrante o direito à dedução das despesas incorridas com a diferença de alíquotas na recomposição do lucro real apurado em 1995 e 1996, cuja existência e validade são reconhecidos pelo próprio agente fiscal autuante. No mérito, a exigência de adição dos valores baixados contra a provisão para créditos de liquidação duvidosa não pode ser aplicada indiscriminadamente. Um dos pressupostos do autuante é o de que a alienação fiduciária constituiria garantia real, e portanto, as baixas de crédito que contassem com essa garantia não seriam dedutíveis. Há que se levar em conta que essas operações, geralmente contratadas no financiamento de veículos, não garantem efetivamente a recuperação do crédito. Nesse caso a chamada "garantia real" está sujeita à obsolescência e à depreciação. Evidentemente, não se pode esperar que o bem retomado corresponda ao valor do saldo credor da impugnante, sobretudo no caso de veículos; Que o montante consignado no Relatório de Fiscalização, a saber, R$ 2.568.314,36, corresponde ao valor cuja conversão foi requerida pela impugnante em petição apresentada perante o Judiciário, sendo certo, entretanto, que o valor efetivamente convertido, já acrescido de atualização correspondente ao lapso de tempo decorrido entre o pedido e a efetiva conversão, é de R$ 2.648.017,36. A Colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pela manutenção parcial da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 DEPÓSITO JUDICIAL CONVERTIDO EM RENDA — Tendo sido desconsiderado pela fiscalização o valor do depósito judicial convertido em renda da União, abate-se, do montante autuado, o referido valor. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA — GARANTIA REAL — Para determinar a dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos a legislação de regência classifica os créditos com garantia e sem garantia segundo a sua proveniência. , 7 , • Processo n° 16327.00079212001-69 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.590 Fls. 8 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 DIFERENÇA IPC/BTNF — O resultado da correção monetária complementar decorrente da diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF não influi na base de cálculo da contribuição social. AUTUAÇÃO REFLEXA — A legitimidade do lançamento relativo ao IRPJ, quanto à glosa dos prejuízos com perdas baixadas acima do limite estabelecido pela legislação tributária, se estende por tributação reflexa à CSLL. CSLL — MEDIDAS JUDICIAIS — Devido a provimento judicial que concede à impugnante a utilização da mesma alíquota da CSLL aplicável às demais empresas nos anos-calendário de 1995 e 1996, separa-se o valor mantido da autuação em valor a cobrar e valor com exigibilidade suspensa, este último correspondendo à diferença entre a alíquota aplicável às empresas financeiras e a alíquota aplicável às demais empresas. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE — Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. Lançamento Procedente em Parte Nos termos da legislação em vigor, por ter exonerado parte da exigência tributária, aquele Colegiado recorreu de oficio a este Conselho. A contribuinte, ciente da decisão de primeira instância em 27/05/2004 (AR de fls. 688), interpôs tempestivo recurso voluntário em 28/06/2004, conforme protocolo de fls. 689, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: Que a autoridade autuante não levou em conta a existência de medidas judiciais que garantiam à recorrente o direito de recolher a CSLL a alíquotas inferiores àquelas previstas nas respectivas leis, também não levou em conta o valor espontaneamente recolhido pela recorrente após a desistência da ação judicial, e ainda, que a autoridade fiscal deveria rever todos os cálculos e critérios adotados por ocasião da autuação; Que não há como se falar em postergação do tributo, pois se o montante depositado abrangia fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, como afirma a autoridade fiscal, impossível seria a imputação ao ano de 1995 de todo o valor recolhido por ocasião da anistia promovida pela Lei 9979/99, devendo a chamada "recomposição" do lucro tributável ser feita mediante critério técnico, que permite identificar, com exatidão, a correta alocação, sobretudo em função da alteração da legislação, conforme a Lei 9.430/96, que modificou radicalmente as regras de dedutibilidade de perdas em operações de crédito, bem como a profunda alteração nas alíquotas do IRPJ a partir do ano-calendário de 1996; Que nem se alegue que o método de imputação adotado pela autoridade responsável pela diligência seria válido, por ser desvantajosa à Fazenda e não ao contribuinte; - Processo n° 16327.00079212001-69 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.590 p, Que a fiscalização desprezou o fato de que no ano-calendário de 1995, seria dedutivel a provisão apurada com base na média das perdas verificadas em 1992, 1993 e 1994 e, no ano-calendário de 1996, a provisão apurada com base na média das perdas verificadas no triênio seguinte. Além disso, não levou em conta que os prejuízos na baixa de créditos que seriam indedutíveis em 1993, 1994 e ao menos em parte de 1995 (ou seja, em relação a créditos de valor até 5.000 UFIR, e vencidos há mais de um ano) seriam dedutíveis no próprio ano-calendário de 1995 e no de 1996, nos exatos termos do art. 43 da Lei 8981/95, na redação dada ao art. 1° da Lei n° 9.065/95. O agente fiscal afirma ter considerado as perdas incorridas em 1995 como dedutíveis nos anos-calendário subseqüente, mas deixou de considerar como dedutíveis a média das perdas verificadas nos triênios imediatamente anteriores; Da dedutibilidade de prejuízos na baixa de créditos na base de cálculo da CSLL durante os anos-calendário de 1995 e 1996 Que ao contrário do que afirma a decisão recorrida, a Lei n° 8981/95, não estabelece qualquer restrição à dedutibilidade de prejuízos incorridos na baixa de créditos. Se é verdade que a Lei n° 8.034/90 instituiu norma estendendo à CSLL a regra da indedutibilidade de provisões não dedutíveis para fins de IRPJ, também é verdade que inexiste regra com tal escopo que estenda à CSLL os limites previstos no art. 43 da Lei 8981/95 para dedução das baixas de prejuízos em operações de crédito; Que deve ser afastada a exigência da CSLL em relação aos anos de 1995 e 1996, por falta de norma que estabeleça qualquer restrição à sua dedutibilidade; Da Diferença entre o IPC e o BTNF em 1990 Que inexiste norma legal que estende o tratamento dado ao IRPJ à CSLL; Despesa da CSLL Sub-Judice Que a recorrente demonstrou ao longo do processo, que dispõe de ação judicial assegurando o direito de deduzir na base de cálculo do IRPJ, os valores correspondentes à CSLL questionada em juízo; Que foi ignorado esse fato, e nenhuma observação foi feita quanto à adição de R$ 1.174.049,68 na base de cálculo do IRPJ no ano de 1995, admitindo a exclusão de valor nitidamente inferior (R$ 504.841,36). No ano de 1996, o agente foi ainda mais longe, ao adicionar o valor de R$ 1.040.201,43, sem admitir qualquer exclusão. Por fim, no ano de 1997, a autoridade fiscal não adicionou, mas também não excluiu qualquer valor relacionado à CSLL sub judice; Que, por essa razão, deve ser garantida a exclusão integral dos valores exigidos a título de CSLL na base de cálculo do IRPJ nos anos de 1995, 1996 e 1997; Da anterioridade Nonagesimal Que a Lei n° 8981/95, somente produziu seus efeitos a partir de 1° de abril de 1995, tendo em vista a obrigatória observância do prazo de 90 dias contados a partir da publicação da MP n° 812, de 31 de dezembro de 1994, para estabelecer qualquer restrição ao direito de deduzir, da base de cálculo da CSLL, as despesas com a constituição de provisão 9 Processo n• 16327.000792/2001-69 CC01/C01 Acórdão n.° 101 -96.590 Fls. 10 para devedores duvidosos e com a base de prejuízos incorridos nessas operações, razão pela qual nenhuma exigência poderia ser aplicada a esse titulo durante o primeiro trimestre de 1995; Da impossibilidade de considerar a alienação fiduciária como garantia real Que na restrição imposta pelo art. 43 da Lei 8981/95, é imprescindível que o valor mutuado seja garantido por bem de propriedade do devedor, e não do próprio credor, sob pena de dupla penalização do último, resultantes da operação de empréstimo. Garantia haveria se o devedor, que toma empréstimo para aquisição de bem, oferecesse como garantia bem de seu patrimônio, e não bem pertencente à própria recorrente Conclui a peça recursal argüindo a improcedência da exigência em face dos seguintes aspectos: Nulidade do procedimento pela "glosa em bloco de despesas", ou ao menos, exclusão dos valores relativos à média das perdas verificadas em 1992, 1993, 1994 e 1995; Caso não seja acatada a nulidade argüida, ao menos sja excluída as exigências feitas a titulo de indedutibilidade de baixas correspondentes a prejuízos nas operações de crédito nos anos de 1995 e 1996, por falta de norma que expressamente permita a glosa; Afastamento da exigência de CSLL fundada no art. 41 do Decreto n° 332/91, por ser ilegal; A dedutibilidade na apuração do lucro real, das despesas com a CSLL discutida em juízo; Exclusão da exigência da CSLL do primeiro trimestre do ano-calendário de 1995; Exclusão das operações com empréstimos com alienação fiduciária das restrições previstas nos art. 43 e 9° das Leis 8981/95 e 9430/96, respectivamente. É o relatório. 10 Processo n°16327.000792/2001-69 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.590 Fls. II Voto Conselheiro JOSÉ RICARDO DA SILVA, Relator RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 1995 De inicio, passo a examinar se quando da lavratura do auto de infração encontrava-se ou não extinto o direito do Fisco de proceder o lançamento tributário, haja vista a decadência tratar-se de questão de ordem pública a submeter-se à apreciação da autoridade julgadora, independentemente de argüição pelas partes interessadas. Com efeito, o auto de infração foi lavrado em 24 de abril de 2001, para a constituição de crédito tributário de IRPJ e de CSLL, relativamente a fatos geradores ocorridos em 31/12/1995. Verifica-se, portanto, transcorrido lapso temporal por mais de cinco anos, operando-se a decadência do direito do Fisco proceder o lançamento tributário relativo aos referidos fatos geradores. O Decreto-Lei n° 1.967/82 atribuiu às pessoas jurídicas a apuração do imposto de renda, a apresentação da declaração de rendimentos, bem como a antecipação do pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa. Assim, a referida norma fez com que o lançamento tributário relativamente ao IRPJ se submetesse à modalidade "lançamento por homologação" (auto-lançamento). A Câmara Superior de Recursos Fiscais, já em 1999, uniformizou a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes no sentido de que o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica passou a sujeitar-se à modalidade de lançamento por homologação a partir do advento da Lei n° 8.383/91, cuja norma nela incerta determina o auto-lançamento por parte dos contribuintes. Relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o artigo 150, § 40, do Código Tributário Nacional preceitua: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o - 11 , . , . Processo n° 16327.000792/2001-69 CCOI/C0 I Acórdão n.° 101-96.590 Fls. 12 lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O que define se o lançamento é por declaração ou por homologação é a legislação do tributo. Sendo os tributos, como o IRPJ e a CSLL. sujeitos a lançamento por homologação, resta fixar o dies a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos, dentro do qual o Fisco poderá proceder lançamento de oficio. Esta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes já firmou jurisprudência no sentido de que nos casos de lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador. Dentre outros precedentes, trago à colação ementa do Acórdão n° 101-93.783: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei n° 8.383/91, o IRPJ sujeita-se a lançamento por homologação. Assim, sendo, o prazo para efeito da decadência é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Recurso provido. No presente caso, o prazo para a Fazenda Pública lançar de oficio o IRPJ e a CSLL, tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujos fatos geradores ocorreram em 31 de dezembro de 1995, teve seu termo final em 31 de dezembro de 2000. Ante o exposto, declaro de oficio a nulidade do lançamento relativamente aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos em 31 de dezembro de 1995, por estarem esses fatos alcançados pela decadência. Fatos geradores relativos ao ano-calendário de 1997 - Postergação Com relação aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1997, a autoridade fiscal procedeu aos cálculos sob a sistemática da imputação proporcional, ou seja, considerou que nos valores recolhidos no ano-base de 1996 estariam incluídos os juros moratórios, bem como a multa de mora. Assim, o cálculo do imposto devido constante do auto de infração foi efetuado utilizando-se de imputação proporcional dos valores recolhidos em 1996 e 1997. Ocorre que com a entrada em vigor da lei no 9.430/1996 tal sistemática de apuração deixou de ser aplicada, tendo em vista a possibilidade de lançamento de multa e juros moratórios desacompanhados de tributo (artigo 43 e seu parágrafo único). Conforme se pode verificar no demonstrativo do cálculo do IRPJ (a título de exemplo) às fls. 297 e 298, após inclusão da base tributável, a fiscalização excluiu dos valores pagos os juros moratórios e a multa de mora, com o intuito de apurar o valor liquido ainda devido. Assim, a autuação para que se proceda a comparação de tais valores visando a verificação da extinção do crédito tributário, fez a exclusão das parcelas correspondentes de multa e juros de mora do valor recolhido intempestivamente, e é isso que está consignado no dernostrativo de apuração do imposto. Gy- 12 . . • • Processo n° 16327.000792/2001-69 CCOI/C01 Acórdão n.° 101 -96.590 Fls. 13 Tendo sido recolhido o valor do imposto devido, fora do prazo de vencimento do mesmo, o lançamento deveria cingir-se ao lançamento dos acréscimos moratórios correspondente, de forma isolada. Assim, não tendo sido perfeitamente determinada a matéria tributável, requisito essencial do lançamento, previsto no artigo 142 do CTN, excluo do lançamento o item correspondente à postergação de receitas. CSLL - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - DECORRÊNCIA - A solução dada ao litígio principal, que manteve parcialmente a exigência em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se ao litígio decorrente ou reflexo relativo a Contribuição Social sobre o Lucro. RECURSO EX OFFICIO Em relação ao recurso ex officio, deixo de apreciá-lo tendo em vista a perda de objeto, visto que a matéria contida no mesmo corresponde aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 1995, para os quais foi declarada a decadência. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de declarar a decadência em relação ao período-base de 1995, dar provimento ao item relativo ao ano-calendário de 1997 e não conhecer do recurso ex officio por falta de objeto. Brasília (DF , em 05 de março de 2008 400 Asitit O D • VA 13 Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1
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Numero do processo: 15586.000014/2005-80
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Ementa: DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL - PRAZO -No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula nº. 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes).
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Preliminar acolhida.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-22.385
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminár de decadência relativamente ao exercício de 2000, ano-calendário de 1999, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, e excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.00001412005-80 Recurso n°. : 148.454 Matéria : IRPF - Ex(s): 2000 e 2001 Recorrente : MÁRCIO ALEXANDRE SARNAGLIA Recorrida : 31 TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ II Sessão de : 26 de abril de 2007 Acórdão n°. : 104-22.385 DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL - PRAZO - No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n°. 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes). MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFICIO - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Preliminar acolhida. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MÁRCIO ALEXANDRE SARNAGLIA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminár de decadência relativamente ao exercício de 2000, ano-calendário de 1999, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, e excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. co_ 4ISTÉRIO DA FAZENDA dMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES UARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.00001412005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 ftatitt MARIA HELENA COTTA CARDO") PRESIDENTE E RELATORA FORMALIZADO EM: 07 MAI 7007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, HELOISA GUARITA SOUZA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ANTONIO LOPO MARTINEZ, MARCELO NEESER NOGUEIRA REIS e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 9UARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 Recurso n°. : 148.454 Recorrente : MÁRCIO ALEXANDRE SARNAGLIA RELATÓRIO DA AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1.292 a 1.305 - Volume VII, no valor de R$ 223.283,22, referente a Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2000 e 2001, anos-calendário de 1999 e 2000, respectivamente, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos de pessoas físicas a título de corretagem de café, bem como multa isolada pela falta de recolhimento de carnê-leão. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 1.337/1.338 - Volume VII) : "4 Inicialmente, o contribuinte foi intimado, através do Termo de Inicio de Fiscalização de fls. 04/06, datado de 09/02/2004, a apresentar vários documentos/esclarecimentos atinentes à sua movimentação financeira, bem como a tomar ciência do Mandado de Procedimento Fiscal n°. 07.2.01.00- 2004-00077-3. 5 O contribuinte, então, solicitou prorrogação de prazo, nos termos das petições de fls. 07, 10 e 14/16, de modo que os pedidos foram deferidos conforme os Termos de Prorrogação de Prazo de fls. 08 e 12 e despacho de fls 14. 6 Assim, foram apresentados os esclarecimentos e documentos de fls. 19/799, dentre eles, extratos de contas-correntes, notas fiscais de produtor (venda de café) e declaração de rendimentos do contribuinte. 7 Após análise dos referidos documentos, foi emitido novo Termo de Intimação Fiscal para o contribuinte, conforme documento de fls. 802/803, tui1/4 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 no qual foi solicitado ao fiscalizado informasse a natureza jurídica dos valores depositados em suas contas-correntes, bem como apresentasse documentação para comprovar o ganho auferido em operações de corretagem de café e informasse se a comissão auferida na operação seria ânus financeiro dos vendedores ou dos adquirentes do café. 8 Em resposta, o contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 804/820, justificando a origem dos valores creditados em suas contas- correntes como oriundos da atividade de intermediação na venda de café. As fls. 822/1236, juntou documentação para corroborar suas alegações. 9 Em 15/02/2005, após análise das argumentações e documentos juntados pelo interessado, foi lavrado o Termo de Encerramento da Ação Fiscal de fls. 1241/1291, no qual a autoridade fiscal afirma que o contribuinte comprovou, por amostragem, que os recursos creditados em suas contas de depósitos decorrem das operações de intermediação de venda de café entre os produtores rurais/proprietários (detentores de café) e as empresas adquirentes do produto (geralmente empresas exportadoras), nas quais o fiscalizado atuava como corretor de café. 10 Com base nos documentos apresentados, entendeu a fiscalização que o interessado comprovou ganho correspondente ao percentual de 1,13% a titulo de comissão para corretagem de café e que, ao final da ação fiscal, restou comprovado que o autuado omitiu em suas Declarações de Ajuste Anual rendimentos tributáveis no montante de R$ 208.267,06, recebidos dos produtores rurais/proprietários a título de corretagem de café." DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 28/0212005 (fls. 1.308 - Volume VII), o contribuinte apresentou, em 29/0312005, tempestivamente, a impugnação de fls. 1.311 a 1.324 - Volume VII, contendo os argumentos assim resumidos no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 1.338/1.339 - Volume VII): "12 Preliminarmente, alega a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, por entender que, uma vez tendo tomado ciência do auto de infração na data de 28/02/2005 (fls. 1293), o prazo para lançamento do crédito tributário relativamente a fatos geradores ocorridos até janeiro do ano-calendário 2000 teria-se expirado, com base no art. 150, parágrafo 40, do CTN, em janeiro de 2005, antes, 01( 1 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARtA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 portanto, da ciência do auto de infração ora discutido. Entende ainda que, mesmo para a regra contida no art. 173, inciso I, do CTN, não haveria como admitir-se a cobrança de imposto de renda relativo ao exercício 1999. Cita jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes para corroborar o seu entendimento. 13 Com relação à qualificação da multa de ofício, entende o impugnante que sua conduta, ao prestar os devidos esclarecimentos ao Fisco, não visou impedir que a Administração Tributária tomasse conhecimento sobre o fluxo de recursos nas contas-correntes que mantinha em instituições financeiras nos anos de 1999 e 2000, atendendo plena e perfeitamente às requisições que lhe foram endereçadas por agentes tributários da fazenda federal que buscavam o conhecimento de tal situação. 14 Afirma que o inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96 exige que a conduta dolosa esteja evidente, aspecto cuja presença necessita ser provada de forma cabal. 15 Entende que o dolo deve ser demonstrado objetiva e inequivocamente, mediante provas para tanto, não podendo simplesmente ser sustentado a partir de ilações relacionadas a determinado contexto, a exemplo da não- inclusão de determinados valores em declaração anual de rendimentos, considerando-se que este fator, por si só, não enseja a conclusão absoluta de que a pessoa a qual se atribuiu a titularidade das respectivas importâncias teve a intenção de subtraí-las da tributação calcada no imposto sobre a renda. 16 Alega que não há como associar-se, com segurança e certeza imprescindível à caracterização do dolo, que a aventada não-inclusão tinha o objetivo de suprimir a projeção do imposto sobre a renda em rendimentos do impugnante. Entende que a vinculação do fato ao efeito requerido dependia de evidências que não restaram apuradas pelo Fisco, razão pela qual os autos sob análise despontam carentes de elementos que induzam a pensar que o Impugnante agiu com intenção de lesar o Fisco. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes para corroborar o seu entendimento e conclui pela impertinência da multa de 150%, a qual deveria ser expurgada da cobrança fiscal. 17 Com relação à infração do item 002 do auto de infração, qual seja, multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, relativamente aos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 2000, entende o impugnante que a concomitante imputação de multa de ofício com a multa relacionada à ausência de recolhimentos de "carnê-leão" é ilegítima. Junta )4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA pRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes para corroborar o seu entendimento. 18 Por fim, com base no exposto em sua impugnação, o interessado solicita o cancelamento integral da cobrança fiscal dirigida pela União contra a sua pessoa, ou, alternativamente, o reconhecimento da decadência da exigência do imposto sobre a renda relacionada no período de 01/1999 a 01/2000, o desfazimento da multa qualificada de 150% e da multa referente ao carnê- leão (150%) consideradas no auto de infração." DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA Em 27/06/2005, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ considerou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão DRJ/RJOII n°. 9.029 (fls. 1.335 a 1.346 - Volume VII), assim ementado: "MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não-impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda expressamente, bem como aquela que não tenha sido contestada pelo impugnante. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude, simulação, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA Uma vez comprovado o evidente intuito de fraude, através de conduta dolosa, há que se qualificar a multa no montante de 150% do imposto devido. rt 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA 1?RIMEJR0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 MULTA ISOLADA PELO RECOLHIMENTO A MENOR DE CARNÊ-LEÃO. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. lnexiste qualquer restrição legal ou infralegal para a exigência simultânea de multa isolada pelo recolhimento a menor de camê-leão e de multa proporcional. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. De regra geral, as decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, bem como as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão Lançamento Procedente em Parte." Tal decisão se deveu à exoneração da multa isolada do carnê-leão relativa aos meses de janeiro a outubro de 1999, conforme trecho do voto condutor do aresto a seguir transcrito (fls. 1.341/1.342 - Volime VII): "32 Relativamente à multa lançada isoladamente, por falta ou insuficiência de recolhimento de camê-leão, ressalte-se que essa não acompanha o principal e decorre de uma simples punição ao ato omissivo de não se antecipar o imposto no momento correto. Ainda que no Ajuste Anual não tenha sido apurado imposto a pagar, persiste a infração e é aplicável a penalidade (art. 44, § 1. 0, inc. III, da Lei n.° 9.430/96). 33 Dessa forma, haja vista que os débitos relativos à multa isolada por falta ou insuficiência de carriê-leão são lançados apenas de oficio, não há que se falar em lançamento por homologação, não se podendo confundir o débito de carnê-leão (código 0190) com o débito de multa isolada por insuficiência de recolhimento de carnê-leão (código 6352), esse último decorrente de lançamento de oficio, de modo que o prazo decadencial se desloca, nesse caso em particular, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 34 Nesse aspecto, o lançamento da multa de oficio isolada por falta de pagamento de camê-leão somente pode ser efetuado após o fim do prazo previsto na legislação para pagamento do imposto da antecipação mensal, fi 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 que se dá no último dia útil do mês subseqüente àquele em que os rendimentos foram percebidos (Lei n°. 8.383/91, art. 6.°, inciso II). 35 Em decorrência desta regra, a multa isolada por falta de pagamento das antecipações mensais referentes a rendimentos auferidos nos meses de janeiro a outubro de 1999 tem prazo distinto do previsto para os meses de novembro e dezembro do mesmo ano. Como o vencimento do mês de outubro ocorre em 30 de novembro, dezembro de 1999 é o momento em que lançamento poderia ser efetuado. Conseqüentemente, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é a data de primeiro de janeiro de 2000, situação em ocorre a decadência em 31/12/2004. 36 Já o mês de novembro de 1999 tem vencimento no final de dezembro, sendo o início de janeiro de 2000 o momento em que lançamento poderia ser efetuado. Logo, neste caso, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é a data de primeiro de janeiro de 2001, situação em ocorre a decadência em 31/12/2005. 37 Sendo assim, tendo sido efetuado o lançamento em 28/02/2005, há que se considerar extinto pela decadência o direito de lançar a multa isolada referente apenas aos meses de janeiro a outubro de 1999, mantida a autorização para o lançamento da multa isolada para os demais meses." DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificado do acórdão de primeira instância em 02/09/2005 (fls. 1.349 - Volume VII), o contribuinte apresentou, em 04/10/2005, tempestivamente, o recurso de fls. 1.350 a 1.379 - Volume VII, reiterando as razões contidas na impugnação. Ao final, o contribuinte pede: - o reconhecimento da decadência relativamente aos rendimentos de janeiro de 1999 a janeiro de 2000; - a exclusão da multa qualificada e da multa isolada, da exigência fiscal. j.J? 8 FAZENDA ífRIMEJR0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 As fls. 1.405 - Volume VIII, a Autoridade Preparadora informa que foram cumpridas as exigências contidas na IN SRF n°. 264, de 2002 (arrolamento de bens). O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 1.405 - Volume VIII, que também trata do envio dos autos a este Conselho de Contribuintes. É o Relatório. rk 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 • VOTO Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2000 e 2001, anos-calendário de 1999 e 2000, respectivamente, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos de pessoas físicas a titulo de corretagem de café, bem como multa isolada pela falta de recolhimento de camê-leão. A omissão dos rendimentos, em si, não foi objeto de impugnação, restringindo-se o contribuinte a insurgir-se quanto às seguintes questões: a) aplicação de multa qualificada no percentual de 150%; b) decadência do direito de o Fisco exigir o imposto relativo ao período de janeiro de 1999 a janeiro de 2000; e c) manutenção da exigência de multa isolada do carnê-leão, relativamente ao período de novembro de 1999 em diante, já que o período de janeiro a outubro de 1999 foi exonerado pela DRJ. No que tange ao item "a" - aplicação de multa qualificada no percentual de 150% - assim se posicionou a autuação (fls. 1.264 a 1.266 - Volume VII): 9, 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 "Fato é que o contribuinte, nos anos-calendário de 1999 e 2000, omitiu em suas declarações de ajuste anual, livre e conscientemente, rendimentos tributáveis recebidos a título de comissão de corretagem em decorrência de operações de intermediação de venda de café entre produtores rurais e empresas adquirentes do produto, realizadas por meio de suas contas- correntes, no montante de R$ 208.267,06 (...). O contribuinte sequer informou nas Declarações de Ajuste Anual a existência de rendimentos decorrentes da referida atividade por ele exercida, cuja movimentação financeira em suas contas bancárias atingiu o montante de R$ 18.430.714,03 (...) Aliás, o fiscalizado informou apenas o valor de R$ 5.958,00 (...) a título de rendimentos tributáveis. Com a omissão de informações que deveriam constar em suas Declarações de Ajuste Anual, o autuado logrou êxito em se eximir do pagamento de imposto de renda. É cediço que a declaração de imposto de renda é documento exigido pela lei fiscal, como se verifica pela leitura do art. 12 da Lei n°. 8.383, de 30/12/1991. A sua apresentação contendo omissões de informações configura, por si só, a hipótese capitulada no inciso I, do artigo 1° da Lei n°. 8.137/1990. Em decorrência, tem-se que a omissão de informações obrigatórias nas declarações de rendimentos frustra a persecução do recolhimento tributário cabível. Com efeito, não restam dúvidas de que se trata de comportamento tipificado pela lei penal como tipo doloso, o que demonstra que tal atitude se configura como evidente intuito de fraude. A reiterada prática de omitir informações nas declarações re rendimentos prejudicou a administração tributária no seu desiderato, qual seja a promoção da arrecadação em favor do Erário. Pela análise procedida, o contribuinte revelou sua intenção fraudulenta em se eximir do recolhimento tributário cabível. Nesse sentido, a lei penal é clara e evidente ao afirmar que constitui crime contra a ordem tributária omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárlas para eximir-se do pagamento de tributo. As informações omitidas, em suas declarações de rendas, sobre os seus rendimentos tributáveis emolduram-se perfeitamente ao tipo estabelecido no art. 1°, inciso I, da Lei n°. 8.137/90, tendo ocorrido a subsunção do fato à norma genérica e abstrata, que dá lugar à pretensão punitiva do Estado, tendo em vista a presença do indicio de dolo. r9,_ 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 Emerge, pois, de forma inquestionável que objetivamente a conduta do fiscalizado em omitir informações ou prestar declaração falsa, pelo montante dos rendimentos omitidos, está, em tese, tipificada pela lei penal como crime doloso. Com tal habilidade para movimentar recursos em suas contas-correntes que ultrapassam o montante de R$ 18.000.000,00 (...), o contribuinte devia estar em suas perfeitas faculdades, o que nos conduz à conclusão de que agiu conscientemente, pois na inconsciência ninguém é capaz de movimentar tantos recursos. Daí poder dizer que ao não apresentar em suas declarações de imposto de renda as informações sobre os seus rendimentos auferidos decorrentes da prática de operações de corretagem de café, o autuado se omitiu, em tese, de forma livre e consciente. (...) Destarte, considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda a figura da sonegação, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a exasperação da multa. A presença fática de elementos que se colimam com os descritores penais discutidos revela, sem margem de dúvidas, o intuito fraudulento do contribuinte, estando, pois, coetânea a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar totalmente o conhecimento por parte do fisco da ocorrência de fatos jurídicos tributários que importaram em obtenção de disponibilidade econômica. Acresce dizer, a intenção do contribuinte ao apresentar suas Declarações de Ajuste Anual contendo informações inverídicas e omitindo informações, era uma só: não dar conhecimento à administração tributária da composição de seu patrimônio e rendas auferidas, esquivando-se do pagamento do imposto devido. Dessas incursões, e em razão da convicção firmada quanto à intenção fraudulenta do contribuinte em se eximir do imposto devido, através de meio defesos em lei, exasperou-se a multa. Tal imposição tem por supedâneo o fato de que as ações e omissões livres e conscientes revelaram o intuito fraudulento, com propósito de se eximir do imposto devido. Isso implicou a qualificação da multa em 150%, como previsto no art. 957, inciso II, do RIR/99, Decreto 3.000/99, e no art. 44, inciso II da Lei n°. 9.430/96, incidente sobre o imposto de renda decorrente da omissão de rendimentos apurada t( 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 no ITEM 4, que correspondem a rendimentos tributáveis das operações de corretagem de café? Não obstante, a jurisprudência que vem se consolidando neste Conselho de Contribuintes não referenda as conclusões acima, já que a qualificação da multa de ofício deve ter por base o evidente intuito de fraude, que não se caracteriza pela simples omissão de rendimentos, tampouco com a expressividade dos valores envolvidos. Dito posicionamento foi inclusive objeto da Súmula n°. 14, deste Primeiro Conselho de Contribuintes: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Destarte, partindo-se da premissa de que não está comprovado nos autos o evidente intuito de fraude, mas apenas a omissão de rendimentos, passa-se ao exame do item "b" - decadência. O Imposto de Renda Pessoa Física, efetivamente, é tributo cujo recolhimento não demanda o prévio exame pela Autoridade Administrativa, o que se coaduna com o lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN. No caso em apreço, o contribuinte apresentou as Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2000 e 2001 dentro dos respectivos prazos (fis. 1.237 a 1.240 - Volume VII), razão pela qual não há justificativa para que não se aplique o art. 150, § 4°, conforme a seguir "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (..-) ?1L 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMÇIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." (grifei) No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, tanto a doutrina como a maciça jurisprudência administrativa e judicial entendem tratar-se de fato gerador complexivo, portanto considera-se ocorrido em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Destarte, tratando-se de exigência relativa aos exercícios de 2000 e 2001, considera-se como ocorridos os fatos geradores em 31/12/1999 e 31/12/2000, respectivamente. Nesse passo, tendo o contribuinte sido cientificado do Auto de Infração em 28/02/2005 (fls. 1.293 - Volume VII), conclui-se que, no que tange ao exercício de 2000, ano-calendário de 1999, o direito de o Fisco efetuar o lançamento foi efetivamente alcançado pela decadência. Finalmente, quanto ao item "c" - multa isolada do carnê-leão, relativamente ao período de novembro de 1999 em diante, já que o período de janeiro a outubro de 1999 foi exonerado pela DRJ - entendo não ser devida concomitantemente com a multa de oficio, conforme a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n°. 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado." (Acórdão CSRF/01-04.987, de 15/0612004) Diante do exposto, ACOLHO a preliminar de decadência relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2000, ano-calendário de 1999 (meses de janeiro a dezembro de 1999). No mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, e excluir da exigência a/ 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMA Processo n°. : 15586.000014/2005-80 Acórdão n°. : 104-22.385 multa isolada do camê-leão (ar. 44, § 1°, inciso III, da Lei n°. 9.430, de1996), aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Sala das Sessões - DF, em 26 de abril de 2007 ,MARIA HELENA COITA C-Utat 15 Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1
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Numero do processo: 36378.000325/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas "a" e "h", da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos
segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto até o dia dez do mês seguinte ao da competência.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO
INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito
previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto
n° 3.048/99.
PAR APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2,
do 2° CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em
inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34, da Lei n° 8.212/91.
Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei n" 8.212/91 e demais alterações.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.178
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas "a" e "h", da Lei n" 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto até o dia dez do mês seguinte ao da competência. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3" e 6', da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. PAR APRECIAÇÃO DE 1NCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2, do 2° CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel . . • cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SEL1C para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34, da Lei n° 8.212/91. Processo ti° 36378.000325/2007-36 S2-C4'rl Acórdão n.° 2401-00.178 Fl. 535 Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei n" 8.212/91 e demais alterações. ., RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por un nimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Álk •Illir, ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente • • RYGAR., 1) ENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator ( \.Participaram, ainda, á. presInte julgamento, os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de O - veil a Barros, Ana Maria Bandeira, Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado, e Crist . lane Leme Ferreira (Suplente). Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. . .,) Processo 11" 36378.00032512007-36 S2-C4T1 Acórdão m" 2401-00.178 ri. 536 Relatório DEL 'REY SERVIÇOS GERAIS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos cio processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Belo Horizonte/MG, DN no 11.401.4/1158/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos 'ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados apuradas por aferição indireta, em relação ao período de 01/1999 a 03/2002, conforme Relatório Fiscal, às fls. 43/54. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 02/05/2003, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 8.717,32 (Oito mil, setecentos e dezessete reais e trinta e dois centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, o presente crédito previdenciário fora apurado por aferição indireta/arbitramento, nos termos do artigo 33, § 3 0, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista que a contribuinte não apresentou a documentação (Livro Diários e outros documentos contábeis) solicitada pela fiscalização que seria capaz de determinar a perfeita base de cálculo dos tributos ora arbitrados. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 489/506, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Inicialmente, pretende seja conhecido seu recurso voluntária independentemente do depósito recursal de 30% do crédito previdenciário discutido, tendo em vista decisão judicial dispensando a contribuinte do cumprimento de aludida exigência. Contrap.õe-se ao lançamento fiscal em comento, especialmente em relação ao arbitramento levado a efeito na constituição do crédito previdenciário, aduzindo para tanto que referido procedimento somente poderá ser utilizado em situações extremas, quando inexistir escrita contábil ou outros casos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Assevera que o presente lançamento encontra-se fundado em meras presunções, desprovidas de qualquer comprovação por parte da autoridade lançadora, a qual utilizou-se de aferição indireta na . apuração do crédito previdenciário ora exigido, sem nenhuma motivação para tanto. Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, argumentando, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratar-se referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. 3 Processo n" 36378.000325/2007-36 S2 -C4T1 Acórdão o.' 2401-00.178 Fl. 537 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tomando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 523/525, em defesa da deeisão recorrida, propondo a sua manutenção. É o relatório. 4 Processo n°36378.000325/2007-36 S2-C4T1 Aeórao n." 2401-00.178 Fl. 538 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo à análise das alegações recursais. Em suas razões reeursais, pretende a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, sob o argumento de fundar-se em simples presunções, afrontando os princípios do devido processo legal e da verdade real ou material, uma vez que não poderia ter sido utilizado o instituto da aferição indireta em detrimento aos documentos ofertados pela recorrente, que contém os elementos concretos para apuração das contribuições previdenciárias ora arbitradas. Aduz que a autoridade lançadora não logrou comprovar suas alegações, na forma que exige a legislação previdenciária, sendo o lançamento fundado exclusivamente em presunções, não merecendo, assim, ser mantido. • A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a fiscalização utilizou-se da aferição indireta na apuração do crédito previdenciário ora exigido, sem qualquer motivação para tanto, sendo referido procedimento medida extrema, somente passível de utilização em casos como inexistência de escrituração contábil, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu pleito, contudo, não merece ser acolhido. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que a decisão de primeira instância apresenta-se incensurável, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Com efeito, é obrigação dos contribuintes a manutenção da escrita contábil de forma regular, de modo a fazer prova contra ou a seu favor. Na hipótese dos autos, consoante se infere do Termo de Intimação Para Apresentação de Documentos — TlAD, de fl. 38, a fiscalização intimou a notificada para apresentar o Livro Diário relativo ao período fiscalizado, bem como demais documentos contábeis que serviriam para compor a base de cálculo das contribuições ora lançadas por arbitramento ou elidir a obrigação da contribuinte, não tendo esta fornecido ao fisco referida documentação. Dessa forma, não restou outra alternativa ao fiscal autuante senão promover o lançamento por aferição indireta, agindo da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, mormente com relação ao artigo 33, § 3 0, da Lei 8.212/91, c/c a Instrução Normativa S.RP IV 03/2005, artigos 596 e 597, que assim preceituam: "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadai; fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", `V e "c" do parágrafo único do art. I 1, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita • Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas 5 Processo n° 36378.000325/2007-36 S2-C4T1 Acórdão n." 2401-00.178 Fl. 539 nas alíneas "d" e "e" cio parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as symções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei n" 10.256/01) § 3" Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e o Departamento da Receita Federal - DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ânus da prova em contrário." Conforme se depreende dos dispositivos legais encimados, -bem como dos elementos que instruem o processo, de fato, o presente lançamento decorre de presunção. No entanto, trata-se de presunção legal — júris, que desdobra-se, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e 1.7 uris tontura". As primeiras não admitem prova em contrário são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tontura" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca. (CTN, art. 204 e parágrafo único). Na hipótese vertente, consoante se infere do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora ao promover o lançamento, imputou devidas as contribuições ora lançadas, apuradas por aferição indireta, com espeque no artigo 33, § 3 00, da Lei 8.212/91, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por tratar-se de presunção juris tantunt, albergada por lei, mas passível de comprovação do contrário presumido. A recorrente assim não procedendo com documentos hábeis e idôneos, é de se manter o lançamento na forma da peça vestibular do feito, não havendo que se falar em afronta aos princípios do devido processo legal e da verdade material ou real. Observe-se, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo fiscal, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Mais a mais, tratando-se de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil c idônea, consoante se positiva da legislação que contempla o arbitramento. Não o fazendo, é de se manter o lançamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE IN CONSTITUCIONA Li DADES/ILEGALIDADES NA ESFERA • ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. 6 Processo IV 36378.000325/2007-36 S2-C4T1 Acórdão n°2401-00.178 Fl. 540 Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n" 147/2007, que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, „fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] " Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula n" 02, do 2° Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." E, segundo o artigo 53, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, "a" da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 1— processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo Mera' ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; " Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação a ilegalidade e inconstitucional idade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. DA MULTA E TAXA SELIC • Por fim, insurge-se a contribuinte contra a aplicação da multa moratória e da Taxa Selic, por entender ser ilegal e inconstitucional, entendimento que, igualmente, não tem o condão de macular a exigência em questão. 7 Processo n° 36378.0(0325/2007-36 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-00.178 H. 541 Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SEL1C — Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n" 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: "Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SEL1C, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, lodos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MI' n" 1..571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei 11" 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)" Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso 1, da Lei 8.212/91, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termo.y: 1 - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em nottficaçã o fiscal de lançamento: " Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SEL1C, com fulcro no artigo 34 da Lei n" 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa.Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do . tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, urna vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fálico, bem como já devidamente debatidas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, urna vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há corno se acolher a sua pretensão. 14\ 8 Processo n° 36378.000325/2007-36 S2-C4T1 Acórdão n.2401-00.178 Fi. 542 Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Sala das Sess e, em 6 de maio de 2009 , -oliã • kr„ ta. RYCARDQ [QUE MAGALHAE 1 OLIVEIRA - Relator 9
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Numero do processo: 19515.001389/2002-17
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADES. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucio-nalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhes execução. Preliminar rejeitada. PIS. LANÇAMENTO DE TRIBUTOS.MEDIDA JUDICIAL. A existência de sentença judicial não impede o lançamento de ofício efetivado com observação estrita dos limites impostos pelo Judiciário. LANÇAMENTO DE TRIBUTOS SUSPENSOS POR MEDIDA JUDICIAL. A suspensão do crédito tributário por medida liminar não impede a sua constituição para prevenir a decadência. JUROS DE MORA. Não incidem sobre o saldo dos depósitos judiciais efetuados até o vencimento do crédito tributário e na sua integralidade os juros de mora. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-09381
Decisão: Por unanimidade de votos: I) rejeitou-se a preliminar de inconstitucionalidade; e, II) no mérito, deu-se provimento em parte ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Claus Nogueira Aragão.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Valmar Fonseca de Menezes
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INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADES. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucio- nalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhes execução. Preliminar rejeitada. PIS. LANÇAMENTO DE TRIBUTOS.MEDIDA JUDICIAL. A existência de sentença judicial não impede o lançamento de oficio efetivado com observação estrita dos limites impostos pelo Judiciário. LANÇAMENTO DE TRIBUTOS SUSPENSOS POR MEDIDA JUDICIAL. A suspensão do crédito tributário por medida liminar não impede a sua constituição para prevenir a decadência. JUROS DE MORA. Não incidem sobre o saldo dos depósitos judiciais efetuados até o vencimento do crédito tributário e na sua integralidade os juros de mora. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ROSSI RESIDENCIAL S/A ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade; e II) no mérito, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Claus Nogueira Aragão. Sala da-mh, sões, em 28 de janeiro de 2004 "si ()Maio : • as • • axo Presidente / • Va -. de enezes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Zomer (Suplente), César Piantavigna, Maria Teresa Martinez López, Valdemar Ludvig, Luciana Pato Peçanha Martins e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Maria Cristina Roza da Costa. Imp/cf/ovrs 2° CC—MF re.d Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 11 Processo n° : 19515.001389/2002-17 Recurso n° : 124.054 Acórdão n° : 203-09.381 Recorrente : ROSSI RESIDENCIAL S/A RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da contribuição para o PIS, relativa ao período de apuração de setembro de 1997 a fevereiro de 2001, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 170 a 173, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, com o seguinte enquadra- mento legal: Art. 77, inciso III, do Decreto-Lei n°5.844/1943; Art. 149 da Lei n° 5.172/1966; Art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/1970, art. 1 0, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/1973, Titulo 5, capitulo 1, seção I, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/1982; Arts. 2°, inciso I, art. 3 0, 8°, inciso I, e 9°, da Medida Provisória n° 1.212/1995 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/1998; Art. 3° da Lei 9.715/1998; Arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 90, da Lei n°9.715/1998; Arts. 2° e 3° da Lei n°9.718/1998. 2. Conforme descrito no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 159/161, verificou-se que: 2.1. Com relação ao PIS devido até o período de apuração de jan/1999 (antes da vigência da Lei n° 9.718/1998), o contribuinte ajuizou as seguintes ações: 2.1.1. Medida Cautelar Preparatória n° 96.0010500-6 com objetivo de suspensão de exigibilidade do PIS calculado sobre receitas advindas da venda de imóveis cuja sentença julgou procedente o pedido do contribuinte para o fim de suspender a exigibilidade e autorizou depósitos judiciais, até decisão a ser proferida na ação principal; 2.1.2. Ação Ordinária n° 96.0013047-7 com objetivo de suspensão de exigiblidade do PIS calculado sobre receitas advindas da venda de imóveis de sua propriedade e declaração do direito de recolher o PIS-REPIQUE cuja sentença julgou inconstitucional a cobrança do PIS no moldes da MP 1212/1995 e suas alterações, mantendo-se a exigência consoante a LC 7/1970, mas entendendo que a venda de imóveis se inclui no conceito de faturarnento. 2.1.3. Houve apelação do Contribuinte e da Fazenda, contra-razões de apelação. O Acórdão da 6a Turma do TRF da 33 Região julgou a apelação das partes e negou provimento ao recurso do Contribuinte e a apelação da Fazenda e remessa oficial parcialmente providas. A partir do período de apuração de 2 22 CC-MF ".• . Ministério da Fazenda , Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 19515.001389/2002-17 Recurso n° 124.054 Acórdão n° : 203-09.381 03/2001 o Contribuinte suspendeu os depósitos judiciais e iniciou o recolhimento do PIS. 2.2. Com o advento da Lei n° 9.718/1998, vigente a partir do período de apuração de 02/1999, o Contribuinte ajuizou as seguintes ações: 2.2.1. Mandado de Segurança Preventivo n° 1999.61.00.009976-1 com objetivo de suspensão de exigibilidade da diferença do PIS com base na Lei n° 9.718/1998 e 9.715/1998, excluídas as receitas de venda de imóveis. A liminar concedida declarou que se reconhece a inconstitucionalidade incidental da Lei 9.718/1998 e que ficava afastada a aplicação da base de cálculo do PIS conforme disposto na Lei 9.718/1998, por entender que o faturamento é "o resultado das vendas de bens e serviços" 2.2.2. Requerimento pleiteando que a liminar trate expressamente que as receitas de imóveis devem ser excluídas da base de cálculo. 2.2.3. Sentença denegatória da ordem pleiteada, porquanto não há direito liquido e certo na matéria. Cassada a liminar anteriormente deferida. 2.2.4. Embargos de declaração interpostos contra a sentença proferida e rejeição do mesmo e apelação interposta pelo contribuinte. 2.2.5. Os autos foram conclusos em 19-02-2002, conforme relatado em Certidão emitido em 09-04-2002 pela Secretaria da 6' Turma do TRF da 3a Região. 2.3 Medida Cautelar n° 2001.03.00.009068-4 com pedido de liminar para manter os depósitos judiciais efetivados no MS acima e/ou transferi-los para os autos desta cautelar. 2.3.1. Concedida autorização para suspender exigibilidade do PIS, sendo objeto de depósito somente a parte suspensa (diferença entre o PIS apurado pela Lei n° 9.718/1998 e 9.715/1998); os valores incontroversos devem ser recolhidos normalmente. O contribuinte vem recolhendo integralmente, a partir de mar/2001, o PIS devido com base na Lei n°9.718/1998. 2.4. As contribuições para o PIS foram contestadas judicialmente, e estão com a exigibilidade suspensa, por força de depósitos judiciais efetuados para os períodos de apuração de set/97 a fev/200I, fundamentado no disposto no art. 151, inciso II, da Lei n° 5.172/1966. 3. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição e juros de mora, calculados até a data da autuação, perfaz o total de R$ 4.467.465,74 (quatro milhões, quatrocentos e sessenta e sete mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos). 4. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 29.10.2002, a contribuinte protocolizou, em 28.11.2002, a impugnação de fls. 3 • 2Q CC-MF 4 Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 19515.001389/2002-17 Recurso n° : 124.054 Acórdão n° : 203-09.381 176 a 184, acompanhada dos documentos de fls. 185 a 523, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 4.1. A presente defesa administrativa irá restringir-se à discussão da ilegalidade e da inconstitucionalidade da constituição do crédito tributário com o acréscimo de juros de mora, em afronta a diversos dispositivos legais e constitucionais. 4.2. Tendo em vista que o crédito tributário constituído nestes autos encontra- se com a exigibilidade suspensa (art. 151, inciso II, do CTN), a Requerente entende que constituição do crédito tributário com a exigência de juros é manifestamente ilegal e inconstitucional. 4.3. Assinala que a mora, nos termos dos artigos 955 a 963 do Código Civil Brasileiro, somente se verifica quando o devedor não efetuar o pagamento no tempo, lugar e forma convencionados e ainda, colaborar culposamente para o inadimplemento da obrigação. No âmbito do Direito Tributário, da mesma forma, os juros são um ônus ao contribuinte que, pelo retardamento culposo da obrigação tributária, possui débito exigível pela Fazenda Pública. 4.3.1. Como efetuou regularmente o depósito das quantias controvertidas, nunca esteve em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais. 4.3.2. Se os contribuintes que formular consulta sobre interpretação da legislação tributária, antes do vencimento do tributo, estão desonerados de pagamento de juros (art. 161, § 2°, do CTN), com muito mais razão não podem ser exigidos do contribuinte que buscar a tutela do Poder Judiciário, por entender determinada exigência fiscal ilegítima. 4.4. Questiona a incidência da taxa SELIC sobre o crédito tributário apurado que afronta o princípio constitucional da legalidade, transcrevendo a decisão do Recurso Especial n° 215.881, Paraná, sendo o Relator o Ministro Franciulli Netto. 4.5. Por fim, requer seja conhecida e integralmente provida a presente Impugnação." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1997 a 28/02/2001 Ementa: PIS - INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade das normas 4 CC-MF •••i '4,- Ministério da Fazenda b" -•- •-• E. ',"Z.,r*-0t( Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 19515.001389/2002-17 Recurso n° 124.054 Acórdão 0 : 203-09.381 legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. O depósito judicial, quando determinada sua conversão em renda da União Federal, é considerado um pagamento, na data em que efetivado. Assim, a indicação dos juros moratórios no Auto de Infração é cabível, ressalvando-se que a eventual conversão em renda da União Federal de depósito judicial deve extinguir o crédito tributário lançado, tomando-se como data limite para a apuração dos acréscimos moratórios a data da efetivação do depósito. Lançamento Procedente". Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos expendidos na peça impugnatória, resumidos a seguir: • COMO PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE: - a taxa SELIC é inconstitucional, ferindo princípios doutrinários, possuindo o julgador administrativo competência para afastar a aplicação de dispositivos assim enquadrados, utilizados para a constituição do crédito tributário. Os juros a serem aplicados deveriam ser aqueles constantes do artigo 161 do Código Tributário Nacional, ou seja, de 1% ao mês; • COMO MÉRITO: - os juros não são cabíveis por conta dos depósitos judiciais efetuados — reconhecidos pela própria fiscalização - e da suspensão da exigibilidade do crédito, além de não haver a caracterização da mora. É o relatório. 5 .• r CC-MF : Ministério da Fazenda *,. ! •r= ,4; .fl:t:n»1 . Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 19515.001389/2002-17 Recurso n° : 124.054 Acórdão n° : 203-09.381 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALMAR FONSÊCA DE MENEZES O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Analisando-se, por partes, as argumentações trazidas pela recorrente, temos o que segue: DA PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE. Já se constitui em jurisprudência pacifica deste Colegiado que não se insere em sua competência o julgamento da validade ou não de dispositivo legais vigentes, bem como da constitucionalidade ou não dos mesmos. A exigência questionada foi aplicada em virtude dos dispositivos legais discriminados no próprio auto de infração, razão por que não cabe a este Colegiado questioná-los, mas apenas garantir-lhes plena eficácia. A declaração de inconstitucionalidade de norma, em caráter originário e com grau de definitividade, é tarefa da competência reservada, com exclusividade, ao Supremo Tribunal Federal, a teor dos artigos 97 e 102, III, "b", da Carta Magna. Neste mesmo sentido, dispõe o Parecer COSIT/DITIR n° 650, de 28/05/93, expedido pela Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, em decisão de processo de consulta: "5.1 - De fato, se todos os Poderes têm a missão de guardiões da Constituição e não apenas o Judiciário e a todos é de rigor cumpri-la, mencione-se que o Poder Legislativo, em cumprimento a sua responsabilidade, anteriormente à aprivação de uma lei, a submete à Comissão de Constituição e Justiça (C.F., art. 58), para salvaguarda de seus aspectos de constitucionalidade e/ou adequação à legislação complementar. Igualmente, o Poder Executivo, antes de sancioná-la, através de seu órgão técnico - Consultoria Geral da República, aprecia os mesmos aspectos de constitucionalidade e conformação à legislação complementar. Nessa linha sequencial, o Poder Legislativo, ao aprovar determinada lei, o Poder Executivo, ao sancioná-la, ultrapassam em seus âmbitos, nos respectivos atos, a barreira da sua constitucionalidade ou de sua harmonização à legislação complementar. Somente a outro Poder, independente daqueles, caberia tal argüição. 6 22 CC-MF "cr. Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 19515.001389/2002-17 Recurso n° : 124.054 Acórdão no : 203-09.381 5.2 - Em reforço ao exposto, veja-se a diferença entre o controle judiciário e a verificação de inconstitucionalidade de outros Poderes: como ensina o Professor José Frederico Marques, citado pela requerente, se o primeiro é definitivo Mc et nunc, a segunda está sujeita ao exame posterior pelas Cortes de Justiça. Assim, mesmo ultrapassada a barreira da constitucionalidade da Lei na órbita dos Poderes Legislativo e Executivo, como mencionado, chega- se, de novo, em etapa posterior, ao controle judicial de sua constitucio- nalidade. 5.3 - (...) Pois, se ao Poder Executivo compete também o encargo de guardião da Constituição, o exame da constitucionalidade das leis, em sua órbita, é privativo do Presidente da República ou do Procurador-Geral da República (C.F., artigos 66, par. I Q e 103, 1 e VI)." Não há, portanto, como se apreciar o mérito nem a constitucionalidade da exação, cujo campo de discussão eleito pela recorrente é adstrito ao âmbito de competência do Poder Judiciário. Rejeito, pois, a preliminar de inconstitucionalidade. DO MÉRITO: A EXIGÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE VALORES JÁ DEPOSITADOS EM JUÍZO. Neste ponto, faz-se necessário ressaltar que este Conselho entende que a empresa não incorre em mora quando efetua depósitos judiciais antes do vencimento do crédito tributário e na integralidade dos mesmos, ficando isenta dos acréscimos legais relativamente ao saldo desses depósitos. Ademais, os recursos depositados pela recorrente foram colocados em poder da União, sob sua custódia. Portanto, não é licito se exigir juros de mora e multa de oficio sobre o crédito tributário correspondente, neste caso. Entendo, assim, que, para os períodos onde se verifiquem que os depósitos foram feitos na integralidade do crédito e antes do seu vencimento, devam ser dispensados os juros cobrados na autuação. Entretanto, para os caso em que isto não ocorreu — ou seja, depósitos a menor e fora do prazo de vencimento -, o que implica em eventuais saldos remanescentes, deve-se proceder à imputação daqueles valores — considerando-se as datas dos depósitos e os correspondentes vencimentos — com incidência dos referidos acréscimos legais, que devem ser cobrados de acordo com a legislação pertinente. Desse modo, entendo que se deva excluir do lançamento os juros de mora relativos aos depósitos judiciais realizados tempestivamente e na integralidade dos valores 7 CC-MF Ministério da Fazenda 4(lP:.-‘''''k". Segundo Conselho de Contribuintes Fl. n‘fli.314 h-4 11 Processo n° : 19515.001389/2002-17 Recurso O : 124.054 Acórdão n° : 203-09.381 devidos, devendo os mesmos incidir exclusivamente sobre as parcelas depositadas a destempo e/ou a menor, sobre o saldo decorrente da sua imputação, cabendo a Delegacia da Receita Federal de origem a efetivação dos cálculos, nos termos da Legislação pertinente, considerando- se para tal procedimento a data dos depósitos efetuados e o vencimento correspondente de cada obrigação. Pelo exposto, voto no sentido dar provimento em parte ao recurso para excluir os juros de mora na medida dos valores depositados, na forma exposta. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2004 " VALMA SI r CA D MENEZES 8
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