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Numero do processo: 10660.725220/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE COM O DECURSO DO PRAZO DE SESSENTA DIAS.
A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias não se aplica aos fatos geradores cujos créditos foram declarados em DCTF's retificadoras, com recolhimento fora dos prazos de vencimento.
Numero da decisão: 1402-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes e dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o crédito tributário correspondente apenas aos fatos geradores objeto de autuação, que foram declarados nas DCTF's retificadoras, com recolhimento fora dos prazos de vencimento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE COM O DECURSO DO PRAZO DE SESSENTA DIAS. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias não se aplica aos fatos geradores cujos créditos foram declarados em DCTF's retificadoras, com recolhimento fora dos prazos de vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes e dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o crédito tributário correspondente apenas aos fatos geradores objeto de autuação, que foram declarados nas DCTF's retificadoras, com recolhimento fora dos prazos de vencimento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 52 20 /2 01 0- 18 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.725220/201018 Acórdão n.º 1402001.964 S1C4T2 Fl. 636 2 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.725220/201018 Acórdão n.º 1402001.964 S1C4T2 Fl. 637 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de CSLL lavrado em virtude da constatação de insuficiência de declaração ou recolhimento a menor da CSLL devida, “apurada pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal” de fls. 14/31. A decisão de primeira instância, por entender ter havido a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo quanto aos montantes declarados nas DCTF’s retificadoras apresentadas no curso da ação fiscal e aos recolhimentos efetuados no mesmo período, julgou parcialmente procedente a impugnação, recorrendo de ofício a este Carf tendo em vista a parte do crédito tributário exonerada ter excedido o limite de alçada previsto na legislação. Esta turma, por meio do Acórdão 1402001.289, de 05/12/2012 (fls. 420428), não conheceu do recurso voluntário, por intempestivo e, concordando com a decisão de primeira instância, negou provimento ao recurso de ofício. Vejase a ementa do acórdão. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008, 2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE COM O DECURSO DO PRAZO DE SESSENTA DIAS. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de mora. O dispositivo do acórdão ficou assim redigido: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado." O julgado, tãosomente quanto ao recurso de ofício, foi objeto de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, fls. 499504, que foram admitidos na forma regimental (fls. 508/511). Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.725220/201018 Acórdão n.º 1402001.964 S1C4T2 Fl. 638 4 Em resumo, alega a Fazenda Nacional que há omissão no acórdão embargado quanto à recuperação da espontaneidade da autuada por decurso do prazo de sessenta dias de inoperância da autoridade fiscal responsável. Vejase o excerto dos embargos: "Compulsando os autos, sobretudo os quadros elaborados pela auditoria no Termo de Verificação Fiscal de fls. 14/31, percebese que, em alguns períodos de apuração, o pagamento do tributo devido foi realizado após a entrega de DCTF retificadora. Em atenção ao art. 62A do RICARF, é preciso lembrar que, em 09/06/2010, o STJ assim decidiu no REsp Repetitivo n. 1.149.022/SP que: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Nessa esteira, a 1ª Turma da CSRF já decidiu (Processo n. 13804.006480/200289) que a denúncia espontânea não abrange os casos em que o pagamento é efetuado posteriormente à entrega da declaração, como ocorreu no presente caso em alguns períodos de apuração. Observese, a título exemplificativo, os períodos de 03/2009, 05/2009 e 08/2009. Em todas aquelas competências, o pagamento foi realizado após a sua declaração pelo contribuinte em documento retificador. Assim, nesses períodos, na esteira art. 138 do CTN e do entendimento ventilado pelo STJ em recurso repetitivo, não poderia ser considerada como caracterizada a denúncia espontânea. A decisão ora embargada, assim como a decisão que a precedeu, de lavra da DRJ em Juiz de Fora, não atentaram para essas particularidades, não ficando claro se a conclusão de que “a impugnante readquiriu a espontaneidade relativamente aos montantes declarados nas DCTF’s retificadoras apresentadas no curso da ação fiscal e também no que tange aos recolhimentos efetuados no mesmo período. (...) devendo, portanto, ser exonerado o crédito tributário correspondente aos fatos geradores objeto de autuação e que foram declarados nas DCTF’s retificadoras, que deverão ser cobrados pelo órgão de origem apenas com juros e multa moratória, sendo que os recolhimentos deverão ser considerados”, se refere também a esses períodos em que o pagamento foi realizado após a entrega de DCTF retificadora, entre os quais se cita 03/2009, 05/2009 e 08/2009, a título ilustrativo. (destaques do original). Também argumenta a PFN que há contradição no acórdão embargado quanto à aplicação do art. 138 do CTN, que exige, para que surtam os efeitos ali previstos, o recolhimento do principal e dos juros de mora, sendo que, no caso concreto, esse último não teria sido recolhido. Vejase o excerto dos embargos, na parte que interessa. Noutros termos, analisando os quadros elaborados pela fiscalização em relação aos períodos de apuração objetos do lançamento, fica evidenciado que, em Fl. 638DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.725220/201018 Acórdão n.º 1402001.964 S1C4T2 Fl. 639 5 que pese tenha declarado os valores devidos e procedido ao seu recolhimento, o contribuinte não providenciou o pagamento dos juros de mora devidos. O artigo 138 do CTN, como visto, exige para os efeitos ali previstos, que o contribuinte proceda ao recolhimento do tributo e dos juros de mora. A decisão embargada cita essa norma em sua fundamentação. Nada obstante, ratificou os termos da decisão da DRJ de origem, ao concluir que “devendo, portanto, ser exonerado o crédito tributário correspondente aos fatos geradores objeto de autuação e que foram declarados nas DCTF’s retificadoras, que deverão ser cobrados pelo órgão de origem apenas com juros e multa moratória, sendo que os recolhimentos deverão ser considerados”. Daí a contradição apontada. Assim, em que pese fundamentar sua conclusão no art. 138 do CTN, o Colegiado a quo contraria essa norma que exige, para sua incidência que tenha ocorrido o recolhimento dos juros devidos, sem o quê não se verifica a denuncia espontânea ali prevista. A contradição se revela, pois, entre os próprios termos da decisão recorrida, tendo em vista o reconhecimento implícito pelo decisum de que o contribuinte não efetuou o recolhimento dos juros devidos, a aplicação do art. 138, do CTN, e a conclusão a que chegou o Colegiado. De se destacar, por fim, que a autuada, tendo tomado ciência do acórdão em 23/04/2013 (termo de fl. 443), apresentou em 05/06/2014 (fls. 512/520) extenso arrazoado onde procura rediscutir o mérito da autuação. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.725220/201018 Acórdão n.º 1402001.964 S1C4T2 Fl. 640 6 Voto De início, há que se delimitar a matéria objeto de análise no presente voto. Nesse sentido, o arrazoado trazido aos autos pela interessada às fls. 512/520, apresentado mais de um ano após a ciência do Acórdão 1402001.289, não pode ser analisado. Isso porque, de um lado, não se pode considerálo embargos de declaração apresentados tempestivamente pela interessada, já que, a teor do art. 65, §1º, do Regimento Interno do CARF os embargos de declaração poderão ser interpostos, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Tampouco podese considerálo recurso especial, pelos mesmos motivos, a teor do art. 68 do mesmo diploma, que prevê o prazo de quinze dias contados da ciência do acórdão para sua apresentação pela interessada. De outro lado, não se pode aceitar o referido documento como complemento ao seu recurso voluntário, já que preclusa sua análise após o julgamento daquele recurso. Assim, a matéria objeto de apreciação neste voto restringese à análise do recurso de ofício apresentado pelo órgão de decisão de primeira instância em face das argumentações trazidas nos embargos de declaração, opostos pela Fazenda Nacional e admitidos na forma regimental. Do recurso de ofício A decisão de primeira instância exonerou parte do crédito tributário lançado, tendo recorrido de ofício a este Conselho. Cingese a matéria exonerada à reaquisição de espontaneidade da autuada em virtude de decurso de prazo superior a sessenta dias, durante a ação fiscal, sem que qualquer ato escrito do autuante demonstrasse a continuidade do trabalho de fiscalização. Nesse sentido, vejase o disposto no art. 138 da Lei no 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 7o do Decreto no 70.235, de 1972, abaixo transcritos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.725220/201018 Acórdão n.º 1402001.964 S1C4T2 Fl. 641 7 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1 o, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Da leitura dos textos legais acima depreendese que os atos referidos nos incisos I e II do art. 7º do PAF, que iniciam o procedimento fiscal, têm validade por 60 dias e que, caso este prazo não tenha sido prorrogado em razão da prática de qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, a espontaneidade do sujeito passivo poderá ser restabelecida por denúncia espontânea no 61º dia após o início dos mesmos. Quanto ao instituto da denúncia espontânea, traz a embargante decisão de e.Superior Tribunal de Justiça no REsp Repetitivo n. 1.149.022/SP, in verbis: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Há que se atentar que, em obediência ao que prescreve o art. 62A (atualmente art. 62, §2º) do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nessa esteira, a 1ª Turma da CSRF já decidiu (Processo n. 13804.006480/200289) que a denúncia espontânea não abrange os casos em que o pagamento é efetuado posteriormente à entrega da declaração. Com efeito, compulsando os autos, mormente o Termo de Verificação Fiscal de fls. 14/31, constatase que tal situação, conforme advertido pela embargante, ocorreu no presente caso; isto é, em alguns períodos de apuração, o pagamento do tributo devido foi realizado após a entrega de DCTF retificadora. Assim, há que se restabelecer o crédito tributário correspondente aos fatos geradores objeto de autuação, que foram declarados nas DCTF's retificadoras, com recolhimento fora dos prazos de vencimento. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.725220/201018 Acórdão n.º 1402001.964 S1C4T2 Fl. 642 8 Pelo exposto, Voto por acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes e dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer o crédito tributário correspondente aos fatos geradores objeto de autuação, que foram declarados nas DCTF's retificadoras, com recolhimento fora dos prazos de vencimento. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13056.001021/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo incidente em suas aquisições.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS.
A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às despesas junto a pessoas físicas e quanto às despesas administrativas e comerciais; por voto de qualidade, negar provimento quanto às despesas de combustíveis com veículos próprios na aquisição de bens, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawa de Araújo Branco; e, por maioria, dar provimento parcial quanto aos gastos gerais, vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 10 21 /2 00 8- 12 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às despesas junto a pessoas físicas e quanto às despesas administrativas e comerciais; por voto de qualidade, negar provimento quanto às despesas de combustíveis com veículos próprios na aquisição de bens, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawa de Araújo Branco; e, por maioria, dar provimento parcial quanto aos gastos gerais, vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo cuida dos Pedidos de Ressarcimentos e das Declarações de Compensação por meio da qual requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição para a PIS Mercado Externo, do regime não cumulativo, nos termos do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e ART. 3º da Lei 10.637/2002 A contribuinte alega possuir créditos no valor de R$ 59.901,21, no período de apuração 2º trimestre de 2008, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, valor de crédito, esse, disponível. para efetuar compensações com outros tributos de sua responsabilidade ou solicitar o ressarcimento ao final do período de apuração. A contribuinte requereu o aproveitamento desse valor de crédito, por meio de declarações de compensação (DCOMP), identificadas pelo Despacho Decisório DRF/NHO SEORT às fls. 107. A auditoria fiscal (Termo e Informações às fls. 96102) propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM NOVO HAMBURGO RS, no Despacho Decisório DRF/NHO 2009, que, somadas, resultaram em R$ 24.051,15 e reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte para o valor de crédito reconhecido E DISPONÍVEL para as compensações para R$ 35.850,06. Foram as seguintes as glosas e respectivas justificativas constante dessa decisão da unidade de jurisdição: Bens e serviços adquiridos de pessoas físicas: Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001021/200812 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 3 3 Valor total da glosa no período R$ 1.549,08. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. Conforme a legislação de regência o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas. Base legal: artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.637/2002, e artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ns 10.865/2004, artigos 21 e 37. Despesas administrativas: Valor total da glosa no período R$ 5.733,20. O Contribuinte descontou créditos calculados em relação a despesas administrativas, cujo aproveitamento não é contemplado pela legislação de regência. Base legal: artigo 3º da Lei n.º 10.637/2002, e artigo 3º da Lei n.º 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei nº 10.865/2004. Despesas com vendas: Valor total da glosa no período R$ 3.680,15. O Contribuinte descontou créditos calculados em relação a despesas com vendas, tais como: comissões, cobranças, feiras, exposições, propaganda e publicidade, cujo aproveitamento não é contemplado pela legislação de regência. Base legal: artigo 39 da Lei na 10.637/2002, e artigo 39 da Lei ns 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ns 10.865/2004. Gastos gerais de fabricação que não se enquadram no conceito de insumo: São eles, gastos com alimentação, análises e laudos técnicos, assistência médica, combustível empilhadeira, despesas com importação, despesas com transporte, despesas com veículos, indumentária e material de trabalho, laboratório, material de expediente, material de limpeza, material de segurança, pedágio, resíduos industriais, sistema de tratamento da água. Valor total da glosa no período R$ 6.792,28. Dentre os gastos gerais de fabricação, o contribuinte incluiu na composição da base de cálculo para apuração dos créditos despesas que não se enquadram no conceito de insumos. Geram direito ao crédito como insumos, além das matériasprimas e produtos intermediários que se integrem ao produto final, também aqueles que, embora não se integrando a tal produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Considerase "consumo" o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de uma ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele. O que não é o caso de nenhuma das despesas relacionadas nos demonstrativos a seguir, as quais foram integralmente glosadas. Base legal: artigo 39 da Lei n9 10.637/2002, e artigo 3a da Lei na 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ne 10.865/2004, art. 346; IN SRF ns 247, de 2002, art. 66, inciso I, alínea "b" e seu § 59, inciso I, alíneas "a" e "'" e . 67; IN SRF n9 358, de 2003, art. 19; IN SRF na 404, de 2004, art. 8a, inciso I, alínea "b", seu § 4a, inciso I, alíneas "a" e V, e seu § 98. Despesas com combustíveis não utilizados com insumos: Valor total da glosa no período R$ 6.296,44. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a combustíveis. Entretanto, estes não se enquadram como insumos em seu processo produtivo, ficando seu aproveitamento fora do contemplado pela legislação de regência. Base legal: Lei n9 10.637/2002 artigo 35 inciso II, Lei n9 10.833/2003 artigo 39 inciso II, com redação dos artigos alterada Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 pela Lei na 10.865/2004, IN 247 artigo 66 parágrafo 5a inciso I a, IN 404 artigo 8a parágrafo 5a inciso I a. Observação: entre as hipóteses de geração de créditos previstas na legislação, constam os dispêndios com combustíveis e lubrificantes. Entretanto tais aquisições apenas geram créditos das contribuições na hipótese dos combustíveis e lubrificantes serem "utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda", a teor do disposto nas Leis citadas acima. As hipóteses de geração de créditos são exaustivas, não admitindo interpretação exaustiva. De acordo com o disposto nas Instruções Normativas citadas acima, entendese como insumo: "a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e qualquer outro bem que sofra alteração, tal como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". Para o Dicionário Eletrônico Aurélio Século XXI, matériaprima é: "A substância bruta principal e essencial com que é fabricada alguma coisa". Dai ser fácil concluir que combustíveis e lubrificantes não constituem a substância bruta essencial da qual é feito o curtimento e outras preparações de couro as atividades industriais do contribuinte. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade por meio da qual apresentou as seguintes razões para a reforma da decisão, conforme resumo elaborado pelo Julgador de 1º Grau que reproduzo, graças á sua objetividade e suficiência: ... discorda da glosa implementada, defendendo a legitimidade do "direito creditório pleiteado. Afirma que haveria afronta ao princípio da não cumulatividade na vedação ao aproveitamento de insumos adquiridos de pessoas físicas. As vedações impostas pelas leis n° 10.637/2002, n° 10.833/2003 e n° 10.865/2004 não encontrariam fundamento de validade, pois estariam tratando de matéria reservada à Lei Complementar. Discorda do conceito de insumo, entendendo que esse já foi superado pela própria Receita Federal. Alega que os créditos sobre combustíveis e lubrificantes glosados referemse a compras de óleo diesel utilizado para abastecer caminhões que transportam mercadorias compradas pela empresa. Os Julgadores a quo, apreciaram a contestação da contribuinte e demais documentos que instruem o processo e teceram as seguintes considerações e conclusões: o não apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade; o nem todo custo, despesa ou encargo que concorra para a obtenção do faturamento mensal, base de cálculo da contribuição para o COFINS, poderá ser considerado crédito a deduzir, pois a admissibilidade de aproveitamento de créditos há de estar apoiada, indubitavelmente, nos custos, despesas e encargos expressamente classificados nos incisos do art. 3o da Lei n° 10.833/2003, o apenas os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas darão direito à credito das contribuições. Portanto, os insumos adquiridos de pessoas físicas não podem ser considerados no cálculo dos créditos das referidas contribuições, por vedação legal. o A legislação acima transcrita tampouco contempla a possibilidade de descontar créditos decorrentes de bens e serviços de natureza comercial ou administrativa. o A interessada apurou créditos oriundos de diversos gastos da empresa, inclusive a aquisição le combustíveis consumidos na frota de veículos da empresa,. Nesse caso, conforme dispôs o art. 3o, II, da Lei n° Fl. 398DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001021/200812 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 4 5 10.833/2003, (....) o cálculo de créditos está limitado aos bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, no caso, exportados. o o combustível utilizado pela frota da empresa e os demais gastos gerais de fabricação não obedecem ao conceito de insumo estabelecido pela legislação, uma vez que não foram aplicados ou consumidos no processo de fabricação ou produção desenvolvido pela empresa, e, por isso, foram corretamente glosadas. O Acórdão n.º 10.27.151, proferida pela respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre em 02/09/2010, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal/normativa para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de PIS passíveis de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as razões apresentadas na manifestação de inconformidade, das quais, além das apontadas no resumo anterior deste relatório, reproduzo os seguintes trechos: o os incisos II do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 c da Lei n° 10.833/2003 são taxativos ao permitir créditos sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. o O entendimento de que tanto o frete gasto na aquisição de mercadorias, quanto o combustível, considerado custo direto de transporte, pode compor o somatório dos créditos de PIS e COFINS, já foi pacificado pela própria Receita Federal do Brasil, que através de diversas SOLUÇÕES DE CONSULTA; o A jurisprudência do Conselho de Contribuintes também é pacífica no sentido de reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas para não ferir o princípio da nãocumulatividade na apuração dos valores devidos no regime do PIS e COFINS nãocumulativoS. o Para transportar as matériasprimas adquiridas dos estabelecimentos dos fornecedores até suas instalações industriais, a fiscalizada utilizase tanto de transportadoras contratadas, para as quais paga frete, como dos veículos próprios, pois possui uma frota de caminhões utilizados para este fim. O recurso chegou ao Conselho e foi submetido à sessão de 24/04/2012, quando, por unanimidade o julgamento foi convertido em diligência. Na Resolução n.º 3401 000.454 podemos ver que forma as seguintes as decisões tomadas pelo Colegiado: o No que tange aos insumos adquiridos de pessoas físicas e pelas despesas administrativas e comerciais, não conheço do recurso, uma vez que questões sobre a constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Fl. 399DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 poder judiciário, não sendo a esfera administrativa competente para se pronunciar sobre este ponto. Corrobora este entendimento a Súmula CARF n° 2,..; o quanto às glosas sobre despesas com combustíveis merece êxito a demanda da recorrente, uma vez que a contribuinte defende o aproveitamento de créditos do COFINS para combustíveis e lubrificantes, pois, neste caso, eles utilizados na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor, o merece êxito a demanda da recorrente quanto às despesas com frete arcados pelo recorrente, pois integram o conceito de insumos e geram créditos dedutíveis do COFINS nãocumulativo devido mensalmente, assim, como as despesas com frete suportadas pelo contribuinte. o necessária uma diligência para que se apure o valor alimentação, análises/laudo técnico, assistência médica, combustível, despesas com transporte, despesas com veiculo, indumentária e material de trabalho, material de limpeza, pedágio, resíduos industriais, e sistema de tratamento de água; bem como a apresentação de documentação comprobatória que corrobore com a existência dos créditos pleiteados. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal informou e propôs: o parte das despesas com alimentação e das despesas com transporte foram descontados dos funcionários em folha de pagamento, a título de vale refeição e vale transporte; a contribuinte não arcou com esses custos, devendo ser deduzida dos créditos relativos a essas despesas. 1º trimestre de 2008 valor descontado com alimentação valor descontado com transporte petição original valor total 48.660,19 15.246,00 parte com ônus da contribuinte 39.955,95 7.069,51 parte com ônus dos funcionários 8.704,24 8.176,49 o houve devolução de compra de parte das despesas com Análise e laudo técnico (R$ 81,00) e devolução de compra de parte das despesas com veículos (R$ 111,00), então não ocorreram esses custos e eles devem ser excluídos da base de cálculo dessas despesas, para se apurar os créditos; o parte das despesas com veículos se referem a pagamento do IPVA e licenciamento (R$ 29.244,09), e elas não poderiam gerar crédito uma vez que nelas não estão contidos pagamentos da contribuição; esses pagamento foram feitos a pessoa jurídica de direito público interno; o parte dos pagamentos para obter a prestação de serviços (R$ 31.644,00) foram feitos a pessoa jurídica isenta (Utresa Usina de Tratamento de Resíduos SA), não podendo gerar direito a crédito, consoante o que dispõe o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; o Não foram apresentados documentos comprobatórios das despesas de pedágio (R$ 1.320,00) e despesas com combustíveis e lubrificantes (R$ 630,00), devendo por esse motivo serem glosados na apuração do crédito a partir dessas despesas. A autoridade fiscal conclui com quadro discriminando os valores das despesas, mês a mês, em atendimento à diligência solicitada. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001021/200812 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 5 7 A contribuinte foi intimada dessa informação fiscal e das suas proposições, mas nada contestou. O processo retorna a este Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Prolegômenos O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. Mas o uso da mesma expressão pareceme pode causar confusão para os neófitos da matéria. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui Fl. 401DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001021/200812 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 6 9 As duas primeiras perspectivas, (1º) para se tratar insumos no PIS e na COFINS a partir da legislação do IPI, malgrado ser a esposada pela Receita Federal em suas normativas, e (2ª) a que se alinha com a legislação do Imposto de Renda, vêm sendo questionadas recorrentemente. Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essa decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumo processoproduto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. Fazme necessário esclarecer que entendo que produção abrange fabricação; mas o inverso não é verdadeiro: fabricação está contida em produção. E também industrialização está contida em produção. Mas nem fabricação, nem industrialização compreende a totalidade das possibilidades da produção. Quando se industrializa, se produz. Quando se fabrica, se produz. Mas há produções que não são industrialização e que não são fabricação. Produzir, em um sentido lato, é dar existência, gerar, fornecer, fazer, realizar, fabricar, manufaturar. Mas, para o âmbito da Lei em discussão, produzir subentende um agir humano, deliberado e com propósito, e capaz de atrair interesse jurídico. Há criação resultante de um esforço físico e mental. Ainda para o âmbito da Lei em discussão, as atividades de produção de bens, regra geral, não se confundem com outras atividades do empreendimento, tais como: vendas, publicidade, comercialização, finanças, administração, pesquisa e desenvolvimento, projetos, e outras. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001021/200812 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 7 11 A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito propriamente dito I Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que apresenta como sua finalidade e atividade de empreendimento a exploração de peles de gado. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos no tratamento de peles de gado, e que ele constitui processo de produção do qual resultam, principalmente, bens de consumo, feitos com pele de gado (ex.: bolsas, cintos, sapatos) e destinado ao comércio, ou peles prontas (curtidas) para serem usadas em novo processo de transformação (ex.: indústrias de sapatos, de bolsas, etc). Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de tratamento das peles de gado. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. No caso em discussão neste processo, há que se identificar que despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. Despesas com combustíveis não utilizados como insumos A autoridade de jurisdição glosou estas despesas por entender que esses combustíveis e lubrificantes não podem gerar direito a crédito, pois não foram "utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda." (inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei n. 10.833, de 2003). A contribuinte explicou que essas despesas se referem a combustíveis que supriram os caminhões que transportaram os produtos por elas adquiridos. Os julgadores a quo entenderam pela manutenção da glosa por que eles não foram aplicados no processo de produção. A meu ver, o combustível e lubrificante usados nos caminhões para transportar os bens adquiridos até a contribuinte não se constitui em atividade do seu processo de produção, não podendo ser considerado insumo e justificar o direito a crédito por esse ângulo. Também não podem ser considerados como despesas relacionadas às vendas. Por isso, proponho não dar provimento ao recurso voluntário neste item. Gastos gerais de fabricação que não se enquadram no conceito de insumo: São eles, gastos com alimentação, análises e laudos técnicos, assistência médica, combustível empilhadeira, despesas com importação, despesas com transporte, despesas com veículos, indumentária e material de trabalho, laboratório, material de expediente, material de limpeza, material de segurança, pedágio, resíduos industriais, sistema de tratamento da água. Como pude explicar antes neste voto, os gastos, custos e encargos que podem dar direito a crédito são os relacionados a fatores necessários ao próprio processo de produção. E eles não se circunscrevem à estreiteza das definições hauridas da legislação do IPI, mas também não podem se estender tão largamente quanto as hauridas a partir da legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A contribuinte se identifica como uma empresa tradicional no ramo da exploração de peles de gado. Depreendese que os gastos de fabricação glosados se referem à exploração de peles. Necessário, então, analisarmos a relação do motivo de cada um desses gastos com o processo de produção que trata as peles de gado, apoiandonos nas informações constantes do processo e no critério que esposamos para reconhecer o direito a crédito. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001021/200812 Acórdão n.º 3401003.001 S3C4T1 Fl. 8 13 Suponho que um processo de produção que explora as peles de gado compreende uma série de atividades, procedimentos e aplicação de produtos de tratamento das peles. Resumidamente, creio que o processo compreende esfola, conservação com cloreto de sódio, cal e produtos químicos, lavagens (ou remolhos), separação dos tecidos cartilaginoso, dérmico e outros (ex.: descarne, depilação, etc), laminação, purgação, acidificação, curtimento, acabamento, cortes. E que há uso intensivo de vários produtos químicos (ex.: cloreto de sódio, sais de crômio, antissépticos, cal, e outros) e de água. A natureza altamente perecível e deteriorável das peles, e a natureza dos tratamentos usados, justificam a necessidade de uso de indumentárias e equipamentos de segurança para os trabalhadores. A geração de resíduos também justifica que haja tratamento desse resíduos e da água utilizada ao longo desse processo de produção. Com essa breve descrição, concluo que me pareceme existir uma relação justificável com esse tipo de processo de produção os motivos de gastos representados pelos "laudos técnicos", "combustíveis com empilhadeiras", "indumentárias e materiais de trabalho", "material de segurança", "material de limpeza", "laboratório", "resíduos industriais" e "sistema de tratamento de águas". Para esses, proponho ao Colegiado dar provimento ao recurso voluntário, com os ajustes feitos pela autoridade fiscal em resposta à diligência. A informação fiscal em resposta à diligência solicitada por este colegiado nos dá conta que há uma compra de laudo técnico (R$ 81,00) que não se efetivou por que houve devolução. E também que houve a aquisição de serviços para tratamento de resíduos industriais (R$ 31.644,00) de empresa isenta, que não é contribuinte do tributo aqui em discussão. Em ambos a autoridade de jurisdição comenta que elas deverias ser glosadas da base de apuração do crédito. Concordo com ela, pois, de fato, um desses gastos não constituiu custo efetivo, e o outro se refere a operação isenta, hipóteses prevista na lei como exclusão da base de apuração do crédito. Entretanto, as demais despesas e gastos, "alimentação", "assistência médica", "despesas com importação", "despesas com transporte", "despesas com veículos", "material de expediente" e "pedágio", não identificoos como fatores do próprio processo de produção. Ademais, a contribuinte não traz aos autos informações que esclareçam como esses fatores se integram no processo de produção. Por exemplo: não há detalhamento de como o transporte e os veículos se integram no processo de tratamento das peles de gado. A contribuinte têm o ônus de provar o que alega, o que, a meu juízo, se aplica ao caso. A contribuinte deixou de instruir seu recurso com o que provaria suas alegações. Assim, por essas razões, com relação a essas despesas e gastos, proponho a este colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. II Despesas com aquisição de bens e serviços junto a pessoas físicas: Pareceme que razão assiste à autoridade de jurisdição. O artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n5 10.637/2002, e artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dos artigos alterada pela Lei n.º 10.865/2004, artigos 21 e 37, o direito a crédito se aplica exclusivamente aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas. Ademais, a contribuinte para defender a manutenção dessas despesas argumenta a inconstitucionalidade dessa limitação legal. Os julgadores a quo e este Fl. 407DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 Colegiado, na Resolução anteriormente citada, não conheceram dessas argumentações, face o que dispõe a Súmula CARF 2. Proponho a este Colegiado, com relação a essas despesas pagas a pessoas físicas, não conhecer os argumentos de inconstitucionalidade por força da Súmula CARF 2 e não dar provimento ao recurso quanto aos demais argumentos. III Despesas administrativas e despesas com vendas (comerciais): Pareceme que razão assiste à autoridade de jurisdição. O artigo 3º, da Lei n5 10.637/2002, e artigo 3º da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dos artigos alterada pela Lei n.º 10.865/2004, não prevêem o direito a crédito para despesas administrativas e despesas com vendas (comissões, cobrança, feiras, exposições, propaganda e publicidade) , conforme pude explicar anteriormente neste voto. Ademais, a contribuinte para defender a manutenção dessas despesas argumenta a inconstitucionalidade dessa limitação legal. Os julgadores a quo e este Colegiado, na Resolução anteriormente citada, não conheceram dessas argumentações, face o que dispõe a Súmula CARF 2. Proponho a este Colegiado, com relação a essas despesas administrativas e com vendas, não conhecer os argumentos de inconstitucionalidade por força da Súmula CARF 2 e não dar provimento ao recurso quanto aos demais argumentos, por falta de fundamentação na lei. Conclusão Em minha visão, se deve dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos deste voto. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10380.012921/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa:
NULIDADE — DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU
A ausência de apreciação de preliminar de nulidade suscitada na peça
inaugural pelo decisório de origem o fulmina de nulidade.
Numero da decisão: 1401-000.036
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para anular a decisão de primeiro grau para que outra seja proferida apreciando a questão da preliminar de nulidade.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Marcos Shigueo Takata
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Recorrida 4' TURMA DA DRJ/FORTALEZA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: NULIDADE — DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A ausência de apreciação de preliminar de nulidade suscitada na peça inaugural pelo decisório de origem o fulmina de nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BEACH PARK HOTÉIS E TURISMO LTDA. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 1' Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para anular a decisão de primeiro grau para que outra seja proferida apreciando a questão da preliminar de nulidade. M OP • &VINÍCIUS NEDER DE LIMA. 'r sidente M ir HIGUEO TAKATA Relator • 3 1 /AH 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Albertina Silva Santos de Lima, Hugo Correia Sotero, Valmar Menezes Fonseca, Silvia Ribeiro Bessa Biar e Selene Ferreira de Moraes (Suplente Convocada). • Processo n° 10380.012921/2003-01 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.035 Fl. 2 Relatório DO LANÇAMENTO Foram lavrados contra a Recorrente os seguintes autos de infração: . 1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, auto de infração às fls. 04 a 11, no valor total de R$ 2.382.225,93, incluídos encargos legais; 2. Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, fls. 12 a 18, no valor total de R$ 61.033,59, incluindo encargos legais; 3. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins, fls. 19 a 25, no valor total de R$ 187.795,82, incluindo encargos legais; e 4. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, fls. 26 a 33, no valor total de R$ 752.933,68, incluindo encargos legais. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 05 a 09), foram apuradas as infrações a seguir elencadas: 1) Omissão de Receitas - Saldo Credor de Caixa Valor da Omissão de Receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor na Conta Caixa, apurado no transcorrer do período de apuração especial compreendido de 1 0/07/98 a 31/12/98, complementar ao evento cisão parcial sofrido pela fiscalizada em 30/06/98, demonstrados conforme Planilha de Recomposição do Saldo da Conta Caixa. A recomposição operada pelo Fisco se fimdamentou em matéria de fato,. na qual a recorrente sacara cheques de sua conta corrente bancária mantida no BIC Banco, e os contabilizara a Débito de seu Caixa Contábil, supondo ingressos de valores que • comporiam o saldo daquela conta patrimonial. Dado que os cheques assim conformados (relacionados conforme Planilha constante dos Termos de Intimação n°s. 04 e 05/98) se apresentavam nos extratos com o histórico de "Cheques Compensados", procedeu-se a Intimação específica para que o Beach Park justificasse a situação de fato concernente àqueles ingressos em Caixa. Por se omitir em fazê-la, atuou o Fisco no permissivo legal da via do RIVIF, através do qual se possibilitou o conhecimento das efetivas destinações dos valores sacados contra a conta Banco BIC. Assim, por absoluta impossibilidade fática de ingresso em conta Caixa, procede o Fisco à Recomposição de seu saldo por força de cada evento relativo a cada cheque com destinação diversa de 2 . , Processo n° 10380.012921/2003-01 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.035 Fl. 3 Caixa, mediante expurgo no saldo do exato valor do cheque excluído. Foi considerado como valor de Omissão de Receita o maior saldo credor do período trabalhado, tendo em vista a situação especial do evento de cisão parcial. (Enquadramento Legal: Arts. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 226 e 228, todos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n" 1.041/94 - RIR/94; Art. 24 da Lei n" 9.249/95). 2) Omissão de Receitas — Suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega Omissão de receita caracterizada pela não comprovação ' através de documentação hábil e idônea com coincidência de datas e valores da origem e efetividade de entrega de numerário, correspondente aos Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital, AFACs, imputados às pessoas jurídicas ligadas Europa Participações Ltda. e Maui Participações Ltda, contabilizados no Beach Park em contrapartida a Suprimentos de Caixa. Através do Termo Fiscal 1998/002, cientificado em 18/09/2003, em anexo, a recorrente foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, comprovadora da origem e do efetivo ingresso dos recursos na Conta Caixa do Beach Park, tidos pela fiscalizada como provenientes do patrimônio pessoal das supridoras. Em resposta recepcionada em 03/10/2003, a recorrente •sucintamente coloca que, os adiantamentos foram disponibilizados "em espécie" pelas supridoras, portanto, contabilizados na conta Caixa. Realizadas diligências nas empresas Maui e Europa, constatou o Fisco a configuração de que, à época dos suprimentos de Caixa, havia plena identidade entre os sócios da suprida com os da supridora, fato ratificaalor da condição de pessoas jurídicas ligadas. Do exposto, no que se refere aos aspectos da origem e efetivo ingresso dos recursos no Beach Park, restou claro a inexistência de documentação hábil e idônea para comprovar a origem e o ingresso dos recursos na forma e modo como alegados. Tendo em vista a operacionalidade própria da suprida (parques aquáticos, restaurantes e hotéis) e a irrefutável coincidência de sócios participantes tanto da suprida como da supridora, não há corno ser acatada pelo fisco a tese colocada pela recorrente, dado que não restou provado que Europa e Maiii, efetivamente, repassaram recursos próprios seus (corno era o caso de cheques de suas emissões, de ordem de pagamento ou mesmo DOC's) para a empresa sob fiscalização. (Enquadramento Legal: Arts. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 226, e 229, do RIR/94; Art. 24 da Lei ri° 9.249/95). • 3 .• Processo n° 10380.012921/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.035 Fl. 4 Omissão de Receitas — Créditos em conta bancária cuja origem dos recursos não foram justificadas Em procedimento de auditoria realizado na recorrente foram identificados na escrituração do ano calendário 1998, débitos às contas Banco c/ Movimento (códigos 1.1.01.02.05 Bradesco e 1.1.01.02.12 BC1V), em contrapartida a crédito da conta Caixa. Tendo esses depósitos, contudo, a origem de cada operação em DOC's instrumentadores dos ingressos dos valores nas contas correntes bancárias mantidas pelo Beach Park, cumpria à recorrente identificar os remetentes e a operação que lhes deram causa. A recorrente foi então intimada por Termo 1998/004, datado de 18/03/2003, a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, de forma a comprovar que a origem dos recursos se assentava em valores anteriormente titulados pelo Beach Park, que, em torno dos quais a empresa houvera reconhecido a titularidade dos mesmos, por meio de crédito em Contas de Resultado. Foi também intimada a apresentar o documento de lançamento de cada valor especificado, incluindo os DOC's que instrumentaram a recepção dos depósitos por cada instituição .financeira. A recorrente em resposta apresentada à fiscalização em 22/10/2003, limita-se a manifestar a impossibilidade de responder as indagações alegando que não obteve resposta das Instituições Financeiras. Foi então solicitada a emissão de Requisições de Informação 1 sobre Movimentação Financeira - RMF. Em resposta à SRF, as instituições bancárias requeridas apresentaram, dentre outros documentos, cópias dos DOC's em questão, os quais foram anexados aos autos do processo. Uma vez identificados os depositantes/remetentes dos recursos via DOC's, cumpria ao Fisco lavrar nova Intimação. Isso se fez mediante o Termo n° 1998/0005, para que o Beach Park justificasse os ingressos de recursos externos ao seu patrimônio, bem como demonstrasse o registro contábil das operações que decorreram dos recebimentos daqueles valores (fl. 293). Faltantes tais elementos justificadores é imperioso ao Fisco considerá-los como receitas omitidas. (Enquadran)lento Legal: Arts. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 226, e 229, do RIR/94; Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Art. 42 da Lei n°9.430/96). 3) Custos ou Despesas não Comprovadas - Glosa de Despesas A Recorrente foi intimada através do Termo 1998/002, item IV, em anexo, a justificar a dedutibilidade dos gastos, de valores contabilizados no Livro Razão, nas contas 4.2.6.03 - Anúncios e Publicidade e 4.2.6.04 - Gastos com Propaganda, encerradas 4 Processo n° 10380.012921/2003-01 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.035 Fl. 5 contra Resultado do Exercício de 1998, com a abordagem de critérios utilizados na quantificação dos valores reconhecidos como competentes ao referido período, trazendo ao Fisco toda a documentação comprobatória das despesas pagas ou incorridas. Através da resposta ao Termo supra, recepcionada em 03/10/2003, o Beach Park verifica, por acatamento, a indevida indedutibilidade das despesas relacionadas, e informa estarem as mesmas computadas na consolidação do débito do Parcelamento Especial - PAES. (Enquadramento Legal - Arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242 e 243, do RIR/94). DA IMPUGNAÇÃO • A recorrente apresentou impugnação aos autos de infração (fis. 432 a 447), em 16/01/2004, com base nos argumentos a seguir sintetizados: • Articula nulidade do auto de infração, sob o fundamento de que a quebra de sigilo bancário mediante RMS só se poderia dar mediante plácito do Poder Judiciário, sendo inconstitucionais as autorizações contidas na Lei Complementar 105/01 e na Lei 10.174/01. Ademais disso, o lançamento é eivado de nulidade, pois a fiscalização pretendeu aplicar os comandos legais em questão a fatos pretéritos ao ano-calendário de 2001, com ostensiva agressão ao princípio da in-etroatividade, conforme substantivado também no art. 144, caput, do CTN; • Entende que sobre os tributos cobrados no 1° período de apuração, nada deve de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; • Consigna que deve os tributos IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos ao crédito tributário apurado no 2° período de apuração e já os confessou no Parcelamento Especial — PAES, instituído pela Lei n° 10.684, de 2003, informação essa confinnada em despacho decisório da Delegacia da Receita Federal — Fortaleza, fi. 475; • Procedeu à reconstituição das bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, agregando os valores ajustados pela Fiscalização, do resultado da consolidação PAES, do que se verifica que a recorrente chegou a oferecer um montante de tributos ainda maior que o levantado pela fiscalização, conforme exposto no resumo a seguir: PRINCIPAL PRINCIPAL LEVANTADO DECLARADO NO PAES PELA FISCALIZAÇÃO IRPJ 1.038.412,30 IRPJ 897.057,52 PIS 26.938,87 PIS 22.934,82 CSLL 324.920,31 CSLL 283.526,77 COFINS 82.882,67 COFINS 70.568,71 Total 1.473.154,15 Total 1.274.087,82 5 Processo n° 10380.012921/2003-01 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.035 Fl. 6 • Infon-na que a opção exercida em consolidar os débitos objeto do referido Auto de Infração no Parcelamento Especial — PAES, torna incabível a exigibilidade dessa cobrança, em face do inciso VI do art. 151 do CTN (suspensão de exigibilidade por parcelamento). DA DECISÃO DO DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 24/08/2006 foi julgada a impugnação pela 4 a Turma da DRJ/Fortaleza, a qual, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação por não ter sido a matéria expressamente contestada pelo recorrente. Em síntese, o acórdão de origem ressalta que a recorrente admite, expressamente, a dívida com o fisco, relacionada aos fatos geradores ocorridos no 2° semestre de 1998 e que tais valores foram incluídos no Programa de Parcelamento Especial — PAES. Também, à vista dos autos, verifica-se que a empresa fiscalizada sofreu cisão parcial em junho de 1998, conforme atestam os documentos anexos às fls. 452 a 456, donde se deflui sobre a possibilidade de existência de um outro processo, contendo este a autuação para as infrações apuradas na ação fiscal para o período compreendido entre 1°/01/1998 a 30/06/1998, haja vista a excepcionalidade do evento cisão parcial sofrido pela empresa fiscalizada. Com efeito, em pesquisas efetuadas nos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal consta a formalização do processo n° 10380.012919/2003-23, o qual contém a autuação referente ao período de 1°/01/1998 a 30/06/1998 em relação a 03 (três) infrações arroladas nos autos de infração do processo que ora se analisa, quais sejam: (i) Omissão de Receitas - Saldo Credor de Caixa; (ii) Omissão de Receitas — Créditos em conta bancária cuja origem dos recursos não foram justificados; (iii) Custos ou Despesas não Comprovadas - Glosa de Despesas. Com relação à autuação procedida nos autos de infração de fls. 04 a 33 do presente processo, a peça de defesa de fls. 432 a 447 apenas afirma que referidos débitos foram incluídos no Parcelamento Especial — PAES (Lei n° 10.684/03), admitindo, o sujeito passivo, de forma expressa os valores arrolados como infração, conforme se vê de maneira clara e precisa na fl. 446 dos presentes autos, e, confirmam as planilhas de fls. 457 a 462. Nesse passo, forçoso se concluir que não existe litígio instaurado nos presentes autos que enseje a apreciação pela 4' Turma da DRJ/Fortaleza, e que a petição de fls. 432 a 447, na realidade, simplesmente afirma que os valores lançados se encontram consolidados no Parcelamenio Especial - PAES. 6 Processo n° 10380.012921/2003-01 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.035 Fl. 7 Foi interposto o recurso em face da decisão da DRJ, em que a recorrente basicamente reitera as alegações expostas em sua impugnação, postulando a anulação do Acórdão n° 8.961, bem como analisado o Requerimento para retificação da Declaração PAES em andamento no Serviço Orientação e Análise Tributária — Seort/DRF — Fortaleza — CE, processo n° 10380.012632/2003-01, consolidando os valores no parcelamento e, conseqüentemente, determinando o arquivamento do processo correspondente. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS SHIGUEO TAKATA, Relator O recurso é tempestivo. Impõe-se precipitar o exame da questão de nulidade desafiada pela recorrente. Essa quaestio juris, com efeito, não foi enfrentada pelo decisório a quo, ainda que obliqua ou implicitamente. Inevitável, pois, a conclusão de que houve supressão de instância, interditando a apreciação da questão em duplo grau. Sob essa ordem de juizo, conheço do recurso e lhe dou provimento para anular a decisão de origem, para que outra seja proferida, sanando o vicio apontado. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de maio de 2009 MA • ' (HIGUE0 TAKATA 7
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917868/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 68 /2 01 1- 92 Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.730, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 58/64 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 2426.66836.110506.1.2.045804, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917868/201192 Acórdão n.º 3402002.761 S3C4T2 Fl. 2.968 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 04/12/2013 (fl. 67). Inconformada, a mesma apresentou, em 18/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 69/89), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.203 (fls. 128/130), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.203 (fls. 128/130), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917868/201192 Acórdão n.º 3402002.761 S3C4T2 Fl. 2.969 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.912/2.913 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 12426.66836.110506.1.2.045804, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 12.108,54 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 10/2003, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 8348322,17, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 8090844,77, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 221.506,03 a título das receitas que se pretende excluir. Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 221.506,03. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 6.645,18. Em sua manifestação (fls. 2.918/2.921), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.920: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 6.645,18, referente a parcela de crédito da COFINS, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917868/201192 Acórdão n.º 3402002.761 S3C4T2 Fl. 2.970 7 Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002175/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
EMBARGOS. PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO.
A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões, contradições e lapso manifesto, não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado.
Numero da decisão: 1301-001.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos interpostos para, no mérito, NEGAR-LHES provimento. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda, OAB/RJ nº 8.574.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001 EMBARGOS. PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO. A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões, contradições e lapso manifesto, não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado.
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PRESSUPOSTOS. NÃO ATENDIMENTO. A simples indicação de que o acórdão contestado incorreu em omissões, contradições e lapso manifesto, não pode dar azo à interposição de embargos, sendo necessária a demonstração de que tais fatos efetivamente ocorreram. No caso sob análise, resta evidente a tentativa da contribuinte de ver rediscutidos, por meio dos referidos embargos, os fundamentos do ato decisório atacado, o que, obviamente, não pode ser admitido, haja vista a via estreita do recurso manejado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos interpostos para, no mérito, NEGARLHES provimento. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda, OAB/RJ nº 8.574. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 75 /2 00 5- 93 Fl. 8169DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.170 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração, cominados com embargos inominados, interpostos pela empresa em epígrafe, tendo por objeto o acórdão nº 1301 001.754, prolatado por esta Primeira Turma na sessão de julgamento realizada em 04 de fevereiro de 2015. A contribuinte foi cientificada do acórdão prolatado em segunda instância em 22/06/2015, de modo que, tendo impetrado os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em 29/06/2015, o fez com observância do prazo regimental. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário. Alega a embargante que o acórdão em referência contém omissões, contradições e lapsos manifestos que precisam ser sanados. Os embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 8.139. É o Relatório. Fl. 8170DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.171 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de embargos de declaração, cominados com embargos inominados, tendo por suporte a alegação de ocorrência de omissões, contradições e lapsos manifestos no acórdão nº 1301001.754, de 04/02/2015. A ação fiscal objeto do presente processo foi empreendida na pessoa jurídica SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A, incorporada pela ora embargante, e teve por objeto, em um primeiro momento, o anocalendário de 2000. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 845/850, foram as seguintes as infrações imputadas à fiscalizada: i) falta de comprovação de despesas registradas a título de DESCONTOS COMERCIAIS, DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE, no montante de R$ 10.456.629,58, pois, embora reintimada, a contribuinte não justificou a diferença detectada entre o montante escriturado e o demonstrado por meio de planilha apresentada à Fiscalização, conforme demonstrativo abaixo; CONTA ESCRITURADO DEMONSTRADO DIFERENÇA 333150 51.012.229,17 50.987.107,62 25.121,55 333200 68.039.597,58 64.816.510,13 3.223.087,45 333300 11.338.770,70 4.130.350,12 7.208.420,58 TOTAL 10.456.629,58 ii) glosa de despesas restantes apropriadas nas contas 333.200 (DESCONTOS CONCEDIDOS) e 333.300 (PRÊMIO PRODUTIVIDADE), nos montantes respectivos de R$ 64.816.510,13 e R$ 4.130.350,12, sob fundamento de que a documentação apresentada para comprovar os dispêndios revelouse inidônea; iii) antecipação indevida de custos, no montante de R$ 1.358.482,26, decorrente da ausência de cômputo, no estoque final, do valor correspondente ao ICMS substituição tributária; e iv) multa em virtude da falta e/ou apresentação fora do prazo de arquivos magnéticos, conforme discriminação abaixo. iv.1) R$ 8.552.529,13, em virtude da apresentação fora do prazo dos arquivos da empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA., relativos ao ano calendário de 2000; Fl. 8171DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.172 4 iv.2) R$ 102.243.468,66, em razão da falta de apresentação dos arquivos magnéticos das empresas incorporadas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004, e SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA., relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2004; e da incorporadora, SHV GÁS BRASIL LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004. Após o julgamento nesta instância julgadora, remanesceram as seguintes matérias tributáveis: a) glosa de despesas no montante de R$ 1.853.811,85 (R$ 1.828.690,50, em virtude da ausência de contestação, e R$ 25.121,25, em razão da falta de comprovação); b) multa aplicada em razão da ausência de apresentação dos arquivos magnéticos do período de 2001 a 2004 da pessoa jurídica SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, no montante de R$ 55.451.626,25. Discorrendo especificamente sobre a penalidade relativa aos arquivos magnéticos não apresentados, a embargante afirma ter constatado que o voto condutor da referida decisão "incorreu contradições, se omitiu quanto a argumentos e provas sobre os quais deveria se pronunciar e cometeu lapsos manifestos que, ao final, o levaram a se pronunciar de maneira equivocada". Objetivamente, os pressupostos trazidos pela embargante são os seguintes: i) falta de referência ao Termo de Encerramento lavrado em 28/12/2005, que não traz indicação acerca da continuidade da ação fiscal; ii) falta de referência ao MPF COMPLEMENTAR nº 06.1.10.00 2005.0021591, emitido em 20/01/2006, e que, segundo alega, serviu de suporte para a lavratura dos autos de infração objeto do processo nº 18471.001563/200638; iii) ausência de exame das peças do processo nº 18471.001563/200638; e iv) omissão e contradição em virtude do fato de se ter tomado como prova fragmentos de fatos descritos no processo nº 18471.001563/200638 e, ao mesmo tempo, não examinálo por inteiro. O que resta patente é que a embargante procura, por meio de embargos, revisitar os fundamentos que levaram à convicção da Turma Julgadora, acerca da extensão da ação fiscalizadora, no que tange à SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA, até o ano de 2004, para, a partir daí, apontar supostas ausências de análises que, se efetuadas, para ela, concorreriam para corroborar o seu entendimento. À evidência, o recurso manejado não se presta a tal intento. Uma simples leitura dos pontos indicados pela contribuinte para justificar a interposição dos embargos deixa clara a sua pretensão de tentar rediscutir os fundamentos que levaram o Colegiado a, acompanhando o voto do relator, concluir que, relativamente à SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA, os elementos aportados ao processo deixam fora de dúvida que, primeiro, o procedimento fiscal foi ampliado para o período de 2001 a 2004, e, segundo, que referido procedimento foi obstaculizado pela falta de apresentação de arquivos Fl. 8172DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.173 5 magnéticos, o que fez com que, relativamente a esse citado período, o feito fiscal ficasse limitado a apontar as mesmas infrações que já haviam sido detectadas para o ano de 2000. Observese que as "omissões" apontadas pela embargante não dizem respeito a argumentos ou alegações trazidas em sede de recurso voluntário, mas, sim, a elementos que, na visão dela, da embargante, seriam essenciais para que o julgamento fosse convergente com a sua pretensão, qual seja, a de que a ação fiscal na SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA limitouse ao ano de 2000, de modo que a penalidade em virtude da falta de apresentação de arquivos magnéticos relativos ao período de 2001 a 2004 não pode subsistir. Em que pese o fato de a argumentação expendida na peça de defesa não ser merecedora de maiores apreciações no âmbito em que foram apresentadas (EMBARGOS), penso que, relativamente à impossibilidade de apreciação dos autos do processo nº 18471.001563/200638 referenciada pela contribuinte, cabem alguns esclarecimentos. Em suas considerações, a embargante assinala, in verbis: Concessa maxima venia, um membro do CARF, designado relator de um Recurso Voluntário, alegar não ser possível ter acesso às peças originais dos autos de um outro processo administrativo é inaceitável, nada existindo que o impeça de examinar tais documentos. Embora totalmente despropositado e absolutamente impertinente o comentário, apenas como mero esclarecimento, informo, primeiramente, que a impossibilidade em comento se deu exclusivamente em razão de o processo em referência não estar disponível no sistema eprocesso. Em segundo lugar, diferentemente do juízo feito acerca do que foi analisado e do resultado de tal análise, a apreciação do inteiro teor do acórdão nº 10196.922, especialmente do relatório nele contido, revelouse suficiente à convicção esposada no voto condutor do acórdão embargado. A análise que faz a embargante acerca do procedimento retratado no já citado processo nº 18471.001563/200638, em nada lhe socorre no âmbito do recurso interposto, devendo, tão somente, ser recepcionada como argumentação representativa da sua irresignação quanto ao resultado do julgamento, não se prestando, contudo, como elemento para servir de lastro para os embargos ora apreciados. Tratandose de EMBARGOS, o confronto que faz transparecer o pressuposto para a sua interposição (omissão, contradição, obscuridade ou mesmo lapso manifesto) é entre os argumentos esposados no recurso voluntário e a apreciação declinada no acórdão que se pretende embargar. A tentativa de macular a apreciação refletida no acórdão contestado, à evidência, não pode ser acolhida por meio da citada peça de defesa e nem mesmo com a interposição de recurso especial. Para que fique demonstrada a impertinência das alegações trazidas pela contribuinte, peço licença para transcrever, na íntegra, a parte do voto condutor que tratou das penalidades relacionadas à falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos, na qual destaco os pronunciamentos que guardam relação com a sanção que remanesceu após o julgamento em segunda instância. ARQUIVOS MAGNÉTICOS Fl. 8173DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.174 6 Aprecio primeiramente a penalidade no montante de R$ 8.552.529,33, correspondente à multa pelo atraso na apresentação dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS relativos ao ano de 2000. A Turma Julgadora de primeiro grau, no caso, pronunciouse pelo cancelamento da exigência. O voto condutor da decisão de primeira instância consigna: [...] b) Da cominação à interessada da multa regulamentar, em razão do atraso na apresentação dos arquivos magnéticos pela SUPERGASBRÁS (incorporada pela interessada) para o ano de 2000 Verificase, de plano, que a primeira intimação realizada pelo fisco foi em 18/11/2004 (fls. 42), onde em anexo também enviou à interessada os documentos de fls. 43/59 (descrição das regras de formatação e preenchimento dos citados arquivos). Pois bem. Notese que neste período a SUPERGASBRÁS (MPF n° 07.1.90.002004016810 fls. 3) não havia ainda sido incorporada pela SHV GÁS BRASIL LTDA. (MPF n° 06.1.10.002005002159 fls. 1). O fisco tomou como termo final da contagem do prazo para a apresentação dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS (ano 2000) o dia 25/04/2005, quando a interessada apresentara dois "cd" relativos ao ano de 2000, mesmo que as tivesse corrigido e apresentado posteriormente, já com as correções, os arquivos solicitados (em 06/07/2005). E considerou como termo inicial para a contagem do prazo de aplicação da multa capitulada em epígrafe, a data da primeira intimação (18/11/2004). Entretanto, alguns fatos marcaram a conduta da interessada em relação à entrega deste material, sendo vejamos: 1. Em 18.11.2004, a fiscalização intimou a SUPERGASBRÁS a apresentar arquivos magnéticos do ano de 2000, na forma da IN/SRF n° 68/95 e da Portaria COFIS n° 13/95, "validados com o programa sinco" (fls. 42 a 47 e 48 a 59); 2. Após, alegara a IMPUGNANTE que o programa Sinco, adquirido no site da SRF e cuja aplicação era exigida naquele ato, não validava arquivos magnéticos gerados de acordo com a IN/SRF n° 68/95 e a Portaria COFIS n° 13/95, termos das duas intimações então efetuadas pelo fisco, prestandose somente para validar arquivos de notas fiscais e lançamentos contábeis gerados em conformidade com a IN/SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001; 3. Verificase que, posteriormente, em 09/06/2005 (fls. 86), o fisco intimou a IMPUGNANTE apresentar os arquivos suscetíveis de validação pelo Sinco (conforme IN SRF 86/2001 e ADE COFIS 15/2001); 4. Pelo exame dos autos, a IMPUGNANTE apresentou ao fisco, em 25.04.2005, os arquivos magnéticos mencionados anteriormente, que os recebeu (fls. 74); 5. E foi a partir desta data que o fisco encerrou a contagem do prazo para atendimento da intimação, prazo esse que teve início com as intimações realizadas em 18/11/2004. Fl. 8174DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.175 7 Diante de tais fatos, entendo que a interessada, no que inquirida, não se quedou inerte. Desde a primeira intimação relatou dificuldades quanto à migração de seus dados servientes ao registro de negócios e atividades financeiras, escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal – e assim mantidos sob arquivos e sistemas informatizados – para o formato prefigurado pelo ADE COFIS n° 15/2001 e conseqüente geração do arquivo devidamente validado, o qual, ao final, deveria ser transmitido via internet. Assim, cumpre enfatizar que as duas primeiras intimações realizadas para que a interessada apresentasse os arquivos magnéticos sob a formatação calcada em legislação anterior, os quais não eram validados pelo sistema Sinco (de 2004), não poderiam prevalecer como início da contagem do prazo para apresentação de tais arquivos. E, se é assim, não é propriamente o caso de se dizer que houve atraso, eis que o próprio fisco à época aceitou a documentação apresentada e não nega que a interessada cumprira a obrigação neste sentido, sendo que o prazo de apresentação computado pelo fisco tinha sido, até mesmo, anterior àquele o qual havia sido emitida a intimação para a apresentação dos mesmos conforme a legislação regencial. Daí, a incompatibilidade entre a multa aplicada (que supõe atraso) e os fatos descritos pelo contribuinte e emanado através da compulsão dos autos (que evidenciam dificuldades por parte do contribuinte). Dificuldade esta que também foi entendida pelo fisco. Daí a razão pela qual entendo que não deva ser cominada a respectiva penalidade no caso. Assim, inaplicável se toma a penalidade no valor de R$ 8.552.529,33 e, por tal razão deve ser julgada improcedente. O que as peças processuais retratam é que a SUPERGASBRÁS foi intimada em 18 de novembro de 2004 a apresentar, no prazo de vinte dias, os arquivos magnéticos relativos ao período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2000 (fls. 42 e 48). Nas intimações foi assinalado que os arquivos deveriam ser apresentados na forma da IN/SRF nº 68/95 e da Portaria Cofis nº 13/95, devendo ser validados com o programa SINCO, a ser adquirido no sítio da Receita Federal na INTERNET. Em sua impugnação, a ora Recorrente esclareceu que o pedido feito pela Fiscalização continha uma contradição que inviabilizava o seu atendimento, visto que o referido PROGRAMA SINCO não validava arquivos magnéticos gerados de acordo com os atos normativos referenciados nas intimações (IN/SRF nº 68/95 e Portaria Cofis nº 13/95), prestandose apenas para validar arquivos de notas fiscais e lançamentos contábeis gerados em conformidade com a IN/SRF nº 86/2001 e do ADE COFIS nº 15/2001. Aditou a então impugnante que a autoridade fiscal foi alertada acerca desse fato, e, depois de um certo tempo, solicitou que somente os arquivos suscetíveis de validação pelo programa SINCO lhe fossem entregues no formato estabelecido pela IN/SRF nº 86/2001 e pelo ADE COFIS nº 15/2001, o que foi feito em 25 de abril de 2005, data considerada pela Fiscalização como a correspondente ao atendimento por parte da contribuinte. Reputo relevante, ainda, os seguintes argumentos, trazidos em sede de impugnação: i) entre 18/11/2004 e 03/03/2005, nada foi requerido da fiscalizada; ii) em 03/03/2005, por meio da intimação de fls. 62, a contribuinte foi instada a apresentar, no prazo de dez dias, os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados nas contas contábeis 333.150 Descontos Comerciais, 333.200 Descontos Concedidos e 333.300 Prêmio Produtividade, sem atentar para o fato de Fl. 8175DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.176 8 que ela, a contribuinte, operava com quarenta e seis filiais em todo o país, emitindo milhares de notas fiscais por dia, o que tornava impossível o atendimento do solicitado no prazo estabelecido; iii) a Fiscalização também requereu a apresentação, no prazo de vinte dias, de PLANILHA ESPECIAL impressa, discriminando, por beneficiário, cada desconto ou prêmio concedido, a data da concessão, o lançamento correspondente no Diário, o valor e em que fatura e em que nota fiscal de venda ele estava alocado, o que demandou desenvolvimento especial de mais programas e sistemas de processamento de dados, diferentes dos mencionados na Portaria Cofis nº 13/95 e no ADE COFIS nº 15/2001; iv) a contribuinte entregou os arquivos magnéticos na forma acertada com a autoridade fiscal (formato estabelecido pela IN/SRF nº 86/2001 e pelo ADE COFIS nº 15/2001), embora nos termos do parágrafo primeiro do art. 3º da referida Instrução Normativa, tratandose de arquivos relativos a operações do ano de 2000, não estivesse obrigada a fazêlo. Os elementos acima mencionados servem para contextualizar a ação fiscal empreendida e, especificamente em relação à penalidade aplicada pelo atraso na apresentação de arquivos magnéticos, revelam a procedência da exoneração feita em primeira instância, eis que, de fato, resta demonstrado que a contribuinte reuniu esforços para atender a Fiscalização, não se mostrando indiferente às intimações formalizadas, mas, sim, trazendo questionamentos e esclarecimentos acerca dos pedidos formalizados, de modo a viabilizar o atendimento. No que tange ao montante de R$ 102.243.468,66, lançado a título de penalidade em virtude da falta de apresentação dos arquivos magnéticos das empresas incorporadas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004; SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA., relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2004; e da incorporadora, SHV GÁS BRASIL LTDA, relativamente aos anoscalendário de 2000 a 2004, resta assinalado no Termo de Verificação Fiscal: IV Arquivos em meio magnético. ... 56. Em relação aos arquivos em meio magnético referentes às operações comerciais de SHV GAS BRASIL LTDA., CNPJ 19.791.896/000100, e das incorporadas SUPERGASBRAS Distribuidora de Gás LTDA., CNPJ 42.420.653/000170, e de S & M Engarrafadora de Gás LTDA, CNPJ 02.101.421/000134, durante os anoscalendário de 2000 a 2004 (exceto os da SUPERGASBRAS Distribuidora de Gás LTDA., CNPJ 42.420.653/000170, quanto ao anocalendário de 2000, itens 53 a 55 supra), em 01/09/2005, a fiscalizada foi intimada a apresentálos, com prazo de 20 (vinte) dias, e reintimada em 06/10/2005, nos mesmos termos. Sendo já transcorridos 76 (setenta e seis) dias e não tendo os referidos arquivos sido apresentados até a presente data, cabe a aplicação de multa equivalente a dois centésimos por cento, por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, nos termos do artigo 12 da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. 57. Em relação à incorporada S & M Engarrafadora de Gás LIDA., CNPJ 02.101.421/000134, as receitas brutas apresentadas na Linha 07 da Ficha 06 A das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2000 a 2004 (fls. 830 a 834) foram de: Fl. 8176DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.177 9 anocalendário receita bruta multa (1%) 2000 5.807.497,95 58.074,97 2001 7.414.535,74 74.145,35 2002 9.005.105,43 90.051,05 2003 9.748.611,90 97.486,11 2004 10.504.083,27 105.040,83 TOTAL 424.798,31 58. Em relação à incorporada SUPERGASBRAS Distribuidora de Gás LTDA., CNPJ 42.420.653/09.0170, as receitas brutas apresentadas na Linha 07 da Ficha 06 A das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2001 a 2004 (fls. 835 a 840) foram de: anocalendário receita bruta multa (1%) 2001 995.576.340,33 9.955.763,40 2002 1.325.506.898,71 13.255.068,98 2003 1.592.371.080,71 15.923.710,80 2004 1.631.708.307,49 16.317.083,07 TOTAL 55.451.626,25 59. Em relação à incorporadora SHV GÁS BRASIL LTDA., CNPJ 19.791.896/000100, as receitas brutas apresentadas nas Linhas 07 e 08 da Ficha 06 A das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2000 a 2004 (fls. 825 a 829) foram de: anocalendário receita bruta multa (1%) 2000 553.851.733,58 5.538.517,33 2001 675.898.216,03 6.758.982,16 2002 947.459.499,27 9.474.594,99 2003 1.185.105.459,88 11.851.054,59 2004 1.274.389.503,71 12.743.895,03 TOTAL 46.367.044,10 TOTAL GERAL (424.798,31 + 55.451.626,25 + 46.367.044,10) 102.243.468,66 A autoridade julgadora de primeira instância, pronunciandose pela manutenção da penalidade, registrou: [...] a) Arquivos Magnéticos relativos à SHV e S&M de 2000 a 2004 e SUPERGASBRAS de 2001 a 2004 Fl. 8177DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.178 10 Em sua defesa, a interessada alega a invalidade do auto de infração, eis que impõe multa por falta de apresentação de arquivos magnéticos não só sua mas também de suas incorporadas, relativamente aos anos de 2000 e 2001, com base na IN SRF n° 86/2001 e o ADE COFIS n° 15/2001, enquanto que seria correto embasar suas pretensões sob o pálio da IN SRF nº 68/1995, bem como na Portaria COFIS n° 13/1995. Pois bem. Diante desta argumentação, algumas considerações devem ser tecidas. Segundo dita o próprio RIR/1999, artigo 265, "in verbis": Art. 265. As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado no período de apuração imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a um milhão seiscentos e trinta e três mil, setenta e dois reais e quarenta e quatro centavos e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficarão obrigadas a manter, em meio magnético ou assemelhado, a disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos (Lei n° 8.218, de 1991, artigo 11 e Par. 1º', Lei n° 8.383, de 1991, artigo 3°, inciso II e Lei n° 9.249, de 1995, artigo 30). Portanto, cumpre enfatizar que, até 27/07/2001, a obrigatoriedade de manter à disposição da RFB os arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, somente alcançava as pessoas jurídicas que utilizassem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar seus negócios, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil e cujo patrimônio liquido, de acordo com o balanço encerrado em relação ao período base imediatamente anterior fosse superior a R$ 1.633.072,44. E, após 28/07/2001, todas as pessoas jurídicas que utilizassem sistema de processamento eletrônico, exceção das optantes pela sistemática do Simples, estariam adstritas a respectiva exigência acessória. Neste sentido, independentemente da Instrução Normativa ou da forma do arquivo magnético estabelecida pela COFIS, vale dizer que as empresas (tanto a interessada como suas incorporadas) possuíam a obrigação de manter à disposição da RFB pelo prazo decadencial os respectivos arquivos magnéticos relativos a sua escrituração, contabilidade e seus negócios. O fato em apreço, cumpre ressaltar, é divergente do âmago da matéria em evidência ora autuada, ou seja, a exigência estabelecida pelo fisco acerca do cumprimento das obrigações acessórias pela interessada, a qual também estaria adstrita em função da legislação tributária regencial, é que também está sendo objeto de verificação, não sendo objeto de cobrança de multa de oficio, a qual tem absoluta vinculação com a apuração do valor tributável apurado de oficio. Tal penalidade possui fato gerador especifico para que seja aplicada ao contribuinte. E é justamente este fato (apresentação dos arquivos magnéticos) é que deve ser apreciado na presente demanda. A opção, no caso estabelecido pela citada Instrução Normativa, diz respeito a forma do arquivo magnético e não à obrigatoriedade de possuílo e tampouco acerca da sua não apresentação. Assim, não assiste razão à interessada quando a mesma afirma, na sua peça de defesa, que o ato normativo deixava a critério do contribuinte possuir ou não os arquivos magnéticos, fato este que não se pode Fl. 8178DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.179 11 admitir. Tal dispositivo é de simples compreensão: os arquivos magnéticos, anteriores a 01/01/2002, poderiam ser apresentados pelo contribuinte já conforme as novas bases estabelecidas pela COFIS ou através da forma estabelecida pela COFIS em ato declaratório anterior. No caso, a penalidade cominada à interessada foi justamente pelo fato de não ter havido, por parte da mesma a apresentação de tais arquivos magnéticos, cuja obrigação era dela e de suas incorporadas possuir. E isto não se discute. Deveriam ter sido apresentadas à fiscalização dentro do prazo previsto na norma os arquivos em questão. O fato gerador da multa imposta foi o próprio descumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas solicitados e ocorre exatamente no momento do inadimplemento da referida prestação. Registrese, ainda, que a referida hipótese de aplicação da penalidade permaneceu inalterada, mesmo quando a Lei n° 8.218/1991 foi modificada por meio da MP n° 2.15835/2001. Ora, se o descumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos é o fato gerador da penalidade pecuniária, aplicase à correspondente exigência a legislação vigente à época em que ocorrera o inadimplemento da obrigação acessória a que a interessada e suas incorporadas estariam adstritas. Assim, entendo que deva ser mantida a aplicação da multa regulamentar em face da não apresentação dos arquivos magnéticos, obrigação acessória esta expressamente contemplada na legislação tributária reguladora da matéria desde 1991, não se podendo admitir que a interessada, após justamente passar por um processo de incorporação com mais duas empresas, não possua, à mão, informações acerca da escrituração contábil e fiscal tanto sua como das incorporadas, justamente com o objetivo de verificar a saúde empresarial das mesmas. Não poderia ser novidade a solicitação pelo fisco dos respectivos arquivos. Se a interessada já escriturava suas informações através de processamento eletrônico, tinha obrigação legal de durante o prazo decadencial possuir tais arquivos e apresentálos ao fisco sem qualquer demora ou atraso tão logo requisitado. Quanto à alegação de infringência ao disposto no artigo 150 do CTN (anterioridade e irretroatividade das leis), tendo em vista que, ao valer para aplicação de tributos, da mesma forma deverá ser aplicado às multas relativas aos tributos, como já foi dito, esta multa está calcada no descumprimento de obrigações acessórias e não ligada a qualquer tributo não recolhido, o que também não haveria previsão, segundo entendo, no mesmo artigo 150 citado. Ademais, ao final da citada MP (215835, de 2001), mais precisamente no artigo 92, foi estabelecido que sua entrada em vigor seria na data da respectiva publicação, ou seja, valeria, sim, para o anocalendário de 2001. Nestas condições, deixando de acolher as razões trazidas pela interessada em sua impugnação, bem como as arguições de infringência aos princípios da irretroatividade e da anterioridade das leis, no caso destas multas, mantenho a aplicação da penalidade regulamentar no valor de R$ 102.243.468,66. A ação fiscal tratada nos presentes autos foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810 (fls. 03), datado de 10 de Fl. 8179DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.180 12 agosto de 2004, tendo por objeto a auditoria das operações realizadas pela pessoa jurídica SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA no ano calendário de 2000. Em atendimento à intimação formalizada em 11 de julho de 2005, fls. 158, a pessoa jurídica SHV GÁS BRASIL LTDA noticia que, conforme Alteração do Contrato Social realizada em 03 de janeiro de 2005, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 22 de fevereiro de 2005 e na do Estado do Rio de Janeiro em 09 de março de 2005, a pessoa jurídica SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA foi por ela incorporada. Em virtude de tal fato, em 1º de setembro de 2005, a Fiscalização, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005002159 (fls. 01) formalizou intimação à SHV GÁS BRASIL LTDA nos seguintes termos (fls. 160): Nas funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em cumprimento ao RPF 2005002159, intimamos o contribuinte acima identificado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias a contar da data de ciência do presente termo, os arquivos eletrônicos e documentos, abaixo relacionados, tendo como escopo as operações comerciais realizadas pela SHV GAS BRASIL LTDA., CNPJ 19.791.896/000100, e pelas incorporadas SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, CNPJ 42.420.653/000170, e S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA., CNPJ 02.101.421/000134, na forma do disposto nos artigos 265, 266 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99, e nos artigos 11 e 12 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com regulamentação pela Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 86, de 22 de outubro de 2001 e pelo Ato Declaratório Executivo n° 15, de 23 de outubro de 2001. Os arquivos e documentos solicitados são os abaixo discriminados e se referem ao período de 01/01/2000 a 31/12/2004, ressalvado, quanto à incorporada SUPERGASBRAS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, CNPJ 42.420.653/000170, o período de 01/01/2000 a 31/12/2000, já entregue. Arquivos: Arquivo de Lançamentos Contábeis e Arquivo de Saldos Mensais (Itens 4.1.1 e 4.1.2); Arquivo de Fornecedores/Clientes (Item 4.2.1); Arquivos de Documentos Fiscais (liens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.3.5, 4.3.6, 4.3.7); Arquivos de Comércio Exterior (Itens 4.4.1 e 4.4.2); Arquivos de Controle de Estoque e Registro de Inventário (Itens 4.5.1 e 4.5.2); Arquivo de Relação Insumo/Produto (Item 4.6.1); Arquivo de Controle Patrimonial (Item 4.7.1); Arquivos Auxiliares (Itens 4.9.1, 4.9.2, 4.9.3, 4.9.4, 4.9.5, 4.9.6). (GRIFOS DO ORIGINAL) Em 06 de outubro de 2005, a autoridade fiscal lavrou Termo de Reintimação de Fiscalização, fls. 177, renovando o pedido de apresentação dos arquivos magnéticos. Em virtude tais intimações, a SHV GÁS BRASIL LTDA solicitou prorrogação de prazo por cento e cinqüenta dias para apresentar os referidos arquivos, ocasião em que trouxe as seguintes justificativas (fls. 179): Esclarecemos que a partir de novembro de 2002, a empresa optou por centralizar seus sistemas em um Datacenter, unificando suas bases de dados. Durante essa unificação, somente os dados vigentes foram migrados. Os demais Fl. 8180DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.181 13 dados foram preservados nas suas bases descentralizadas, que foram guardadas e desativadas. Para que possamos gerar as informações solicitadas. A fim de atendêlas na sua totalidade, precisaremos reativar cada uma das bases históricas. O tempo estimado para realização desse trabalho é de 3 dias por base dados, incluindo as tarefas de preparação da infraestrutura tecnológica, restauração dos backups, configuração do ambiente, processamento e exportação dos arquivos. Devido a limitações técnicas, esse trabalho precisará ser realizado base a base, ou seja, 3 dias para cada uma da 45 bases, além uma margem de segurança de mais 15 dias para de eventuais problemas, totalizando assim 150 dias úteis. Não identifico nos autos pronunciamento da autoridade fiscal acerca do pedido de prorrogação de prazo formalizado pela sucessora da fiscalizada. Por entender que a penalidade aqui tratada encontra sua justificativa nos prejuízos que podem advir para o Fisco em razão do atraso ou falta de apresentação de arquivos magnéticos, eis que a inobservância desse dever acessório pode inviabilizar a própria a ação fiscalizadora (no caso da falta de apresentação) ou fazer com que ela, a ação fiscal, seja comprometida em razão da exigüidade de tempo para a sua realização (no caso de atraso na apresentação dos referidos arquivos magnéticos), foi apresentada proposição, acolhida pela Turma Julgadora, no sentido de que o julgamento fosse convertido em diligência para que a unidade de origem prestasse esclarecimentos complementares que permitissem aferir a regularidade do procedimento levado a efeito contra a sucessora da SUPERGASBRÁS (SHV GÁS BRASIL LTDA), relativamente às obrigações próprias e às da sucedida S&M ENGARRAFADORA, e mais, que possibilitasse detectar eventuais prejuízos à Administração Tributária decorrentes do inadimplemento da obrigação. Nesse sentido, foram requisitadas à unidade administrativa de origem as seguintes informações: a) esclarecesse se o Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 01, emitido em 24 de agosto de 2005, em nome de SHV GÁS BRASIL LTDA, decorreu única e exclusivamente do fato de a empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A ter sido incorporada no curso da ação fiscal autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810 (fls. 03) ou de programação específica; b) no caso de programação específica para a empresa SHV GÁS BRASIL LTDA, anexasse cópia do Registro de Procedimento Fiscal e do Relatório de Programação correspondente, nos quais teriam sido descritos os elementos motivadores da instauração do procedimento; c) caso tivesse havido programação específica para instauração de procedimento fiscal em relação à empresa S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, anexasse, da mesma forma, cópia do Registro de Procedimento Fiscal e do Relatório de Programação correspondente, nos quais tinham sido descritos os elementos motivadores da instauração do procedimento; d) anexasse o documento que autorizou a extensão do procedimento de fiscalização para os anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas incorporadas (SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA e S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA) e para a incorporadora (SHV GÁS BRASIL LTDA); e Fl. 8181DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.182 14 e) informasse se em razão da autorização porventura concedida e cuja documentação estava sendo solicitada (letra “d” acima) haviam sido promovidos lançamentos tributários relativos aos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA., indicando, se fosse o caso, os números dos respectivos processos administrativos. No que tange ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.00200500215 9 14, fls. 01 dos autos, é importante registrar que ele não reflete alteração do escopo da Fiscalização, eis que nele permanece como objeto de auditoria o período de janeiro a dezembro de 2000 e, em resposta a questionamento feito por meio da Resolução nº 1301000.148 desta 1ª Turma de Julgamento, o responsável pela diligência fiscal informou: Em relação aos questionamentos anteriores, esclarecemos que a emissão do MPF 06.1.10.002005002159 (REGIONAL), em 24/08/2005, cientificado o contribuinte em 01/09/2005, decorreu única e exclusivamente do fato de a empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A ter sido incorporada no curso da ação fiscal autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810. Depreendo, pois, de tal pronunciamento, que a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005002159, de caráter REGIONAL haja vista o domicílio fiscal da pessoa jurídica incorporadora, objetivou, apenas, tornar regular o prosseguimento de fiscalização em face do desaparecimento, por incorporação, da SUPERGASBRÁS, e permitir que o procedimento em referência, que tinha por objeto as operações realizadas pela referida SUPERGASBRÁS no ano calendário de 2000, pudesse continuar sendo realizado por agente fiscal de jurisdição distinta da sucessora. Relativamente à pessoa jurídica S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, contra a qual também foi aplicada penalidade pela falta de apresentação de arquivos magnéticos, a resposta da autoridade responsável pela diligência foi de que não houve programação específica de ação fiscal e que, desde 03 de janeiro de 2005, ela encontravase “baixada” do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Tomando por base as demais informações trazidas pela INFORMAÇÃO FISCAL juntada aos autos pela autoridade diligenciante, verifico que: a) as intimações dirigidas à SHV GÁS BRASIL LTDA requisitando os arquivos magnéticos dela e da empresa sucedida S&M ENGARRAFADORA do período de 2000 a 2004, tiveram por suporte a autorização emanada do Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005002159, que, como já visto, só faz referência ao ano de 2000 e, como a própria informação fiscal trazida pelo responsável pela diligência assinala “decorreu única e exclusivamente do fato de a empresa SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A ter sido incorporada no curso da ação fiscal autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002004016810”; b) a partir da informação acima reproduzida e dos demais elementos reunidos ao processo, resta evidenciado que não houve programação específica para a deflagração de procedimento fiscal em relação às pessoas jurídicas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA; Fl. 8182DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.183 15 c) indagada acerca do documento que autorizou a extensão do procedimento de fiscalização para os anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas incorporadas (SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA e S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA) e para a incorporadora (SHV GÁS BRASIL LTDA, a autoridade responsável pela diligência informa que a autorização em questão está representada pelo reiteradamente referenciado Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005002159, que, como já repetidamente afirmado, não foi emitido, segundo o próprio diligenciante, com esse objetivo, mas, sim, visando apenas possibilitar o prosseguimento da ação fiscal na SUPERGASBRÁS; e d) no que diz respeito ao pedido para que fosse informado se haviam sido promovidos lançamentos tributários relativos aos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as empresas SUPERGASBRÁS DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA, S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA., a INFORMAÇÃO FISCAL assinala que, com suporte no Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.10.002005002159, foi promovido lançamento de ofício em relação aos fatos ocorridos nos anos calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, lançamento esse formalizado por meio do processo administrativo nº 18471.001563/200638. Relativamente ao processo nº 18471.001563/200638, embora não tenha sido possível acessar os autos correspondentes, a análise do acórdão nº 101 96.922 (sessão de 18 de setembro de 2008), disponível no sítio do CARF na INTERNET, possibilita extrair as seguintes informações: a) embora o lançamento tributário que constitui o seu objeto tenha alcançado os anos de 2001 a 2004, ele diz respeito às operações realizadas pela SUPERGASBRÁS, ou seja, considerada a informação trazida pela diligência requisitada, nenhuma ação fiscal foi instaurada contra as operações próprias da S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e da SHV GÁS BRASIL LTDA; b) excluídas as penalidades ora apreciadas, as imputações feitas pela Fiscalização foram exatamente as mesmas que encontramse descritas no presente processo (falta de comprovação de despesas registradas a título de DESCONTOS COMERCIAIS, DESCONTOS CONCEDIDOS e PRÊMIO PRODUTIVIDADE, e antecipação indevida de custos decorrente da ausência de cômputo, no estoque final, do valor correspondente ao ICMS substituição tributária); c) por unanimidade de votos, a Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes julgou improcedente as exigências formalizadas, dando integral provimento ao recurso; e d) diante da ausência de registro acerca da interposição de recurso especial e do fato de que o citado processo encontrase arquivado, podese afirmar que a decisão de segunda instância nele prolatada não foi reformada. Poderseia até afirmar que a ausência de formalização de exigência em relação à S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e à SHV GÁS BRASIL LTDA decorreu exatamente da falta de apresentação dos arquivos magnéticos, sendo esse o substancial prejuízo do Fisco capaz de servir de lastro para a aplicação da penalidade, contudo, penso que os elementos reunidos ao presente processo, analisados em seu conjunto, não militam a favor de tal tese, especialmente porque, não obstante as complementações de informações requisitadas por meio da Fl. 8183DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.184 16 Resolução nº 1.301000.148, não existe nos autos nenhuma indicação de ter havido programação específica de instauração de procedimento de fiscalização em relação às empresas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA, e, além disso, não existe também nos autos instrumento autorizador para a instauração de procedimento em relação aos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004 para as pessoas jurídicas S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA e SHV GÁS BRASIL LTDA. No que tange especificamente à autorização para proceder auditoria em relação às operações dos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, tanto das empresas sucedidas, como da sucessora, alinhome ao entendimento manso e pacífico desta Corte administrativa de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno, de modo que eventual irregularidade na sua emissão não é capaz de, por si só, afastar a exigência formalizada pela autoridade fiscal competente. Entretanto, no item sob apreciação, em que se discute a pertinência da imposição de penalidade decorrente da falta de elemento essencial à realização do próprio procedimento fiscalizatório, penso que deve restar incontestavelmente retratado nos autos que a autoridade tributária planejou a ação fiscal e não a realizou (ou a realizou de forma não satisfatória) exatamente em razão do descumprimento do dever acessório por parte da contribuinte. Aqui, como visto, as peças processuais não conduzem a essa conclusão, mas, sim, a de que, a partir do conhecimento do evento sucessório, a autoridade responsável pelo procedimento na empresa sucedida simplesmente decidiu, por moto próprio, estender a ação fiscalizadora à sucessora (SHV) e à outra sucedida (S&M), exigindo apresentação de arquivos magnéticos. Não é demais notar que a sucessora SHV GÁS BRASIL LTDA, ao menos à época da ocorrência dos fatos, tinha domicílio fiscal em jurisdição distinta da do agente fiscal responsável pelo procedimento na sucedida SUPERGASBRÁS, de modo que na eventualidade de se decidir por uma completa auditoria de suas operações, circunstância em que a apresentação dos arquivos magnéticos seria crucial, a ação fiscalizadora correspondente deveria ser realizada por agentes fiscais em exercício em unidade administrativa do domicílio da SHV, não se justificando, a princípio, que procedimento tão extenso, afinal envolveria operações relativas a cinco anos, fosse desenvolvido por meio da emissão do denominado MPF REGIONAL. Repiso: apesar de não ter sido possível acessar as peças do processo administrativo nº 18471.001563/200638, os dados contidos no acórdão nº 101 96.922 são bastante esclarecedores. Os fragmentos do Termo de Verificação e Constatação Fiscal reproduzidos no corpo do Relatório do citado acórdão, deixam fora de dúvida que, muito embora o agente fiscal tenha requisitado os arquivos magnéticos da sucessora SHV e da sucedida S&M ENGARRAFADORA, não houve qualquer alteração do escopo original da fiscalização, qual seja, submeter à auditoria as operações realizadas pela SUPERGASBRÁS. O item 6 da peça recursal trazida pela SHV aborda as penalidades impostas pela Fiscalização em virtude da ausência de apresentação dos arquivos magnéticos. Nele, a Recorrente traz considerações acerca dos seguintes temas: procedência do cancelamento promovido em primeira instância; histórico da ação fiscal; extrapolação dos limites da ação fiscal por parte do agente autuante; pedido de prorrogação de prazo para apresentação dos arquivos solicitados; subordinação da atuação do agente fiscal ao estabelecido no MPF; ausência de outorga à Fiscalização para auditar com profundidade fato relativo a outra empresa que não fosse a Fl. 8184DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.185 17 SUPERGASBRAS, nem outro tributo que não o IRPJ e nem outro período de apuração que não fosse o de 2000; ausência de finalidade ou motivação das intimações formalizadas para exigir os dados eletrônicos; violação às disposições do art. 2º da Lei nº 9.784/99 (inciso VI); ausência de competência do agente fiscal para exigir os arquivos magnéticos; nulidade do auto de infração; desvio de finalidade do ato praticado; impossibilidade de a Fiscalização exigir arquivos magnéticos relativos ao ano de 2000 e 2001, na forma da IN/SRF nº 86/2001 e do ADE COFIS nº 15/2001; ausência de atraso ou falta na entrega dos arquivos em meio magnético; nulidade da decisão de primeira instância; violação aos princípios da anterioridade e da irretroatividade, com relação aos arquivos dos anos de 2000 e 2001; e caráter confiscatório da multa aplicada. Observo que os argumentos trazidos em sede de recurso são, essencialmente, dirigidos no sentido de demonstrar a improcedência da penalidade aplicada em virtude da falta de apresentação dos arquivos magnéticos da SHV, relativamente às suas operações próprias, e da S&M, sucedida. Penso que, relativamente às penalidades aplicadas pela falta de apresentação dos arquivos magnéticos correspondentes às operações próprias da ora Recorrente e da sucedida S&M ENGARRAFADORA DE GÁS LTDA, as razões de defesa devem ser acolhidas, eis que, de fato, não identifico elementos capazes de criar a convicção de que as ações fiscais correspondentes estavam inseridas no planejamento levado a efeito na SUPERGASBRAS. Em tal circunstância, a aplicação da penalidade revelase absolutamente injustificada, vez que não se pode admitir dano a um procedimento que não se pretendia executar. No que diz respeito especificamente aos arquivos magnéticos da SUPERGASBRÁS, contudo, penso diferente. Os elementos carreados ao processo, conjugados com as informações constantes do acórdão nº 10196.922, deixam fora de dúvida que, não obstante a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal em nome da SHV e do registro do período de 01/01 a 31/12/2000, a ação fiscalizadora tinha por objetivo auditar única e exclusivamente as operações realizadas pela SUPERGASBRÁS, primeiramente em relação ao ano de 2000, e, depois, em relação aos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004. Nos já referenciados fragmentos do Termo de Verificação e Constatação Fiscal reproduzidos no corpo do Relatório do acórdão acima mencionado, resta induvidoso o prosseguimento da ação fiscal em relação aos anos subseqüentes no que diz respeito às operações da SUPERGASBRÁS. A título meramente ilustrativo, transcrevo as seguintes passagens: Em 13/06/2005, a fiscalizada foi intimada a apresentar planilha com o total de descontos e prêmios concedidos, por beneficiários, durante os anos de 2001 a 2004; Á reiniimação ocorrera em 14/03/2006; Em 03/04/2006, a fiscalizada apresentou planilhas com o total dos descontos e prêmios concedidos, por beneficiários, durante os anos de 2001 a 2004; ... Fl. 8185DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.186 18 Em 29/06/2006, a fiscalizada apresentou cópias de declarações emitidas pelos clientes Príncipe Real; JP Vila Rosário e Nitergás Representações Ltda., nas quais afirmam terem recebido os descontos e prêmios por ela concedidos e as cópias dos balancetes de encerramento dos anoscalendário de 2001 a 2004; Ainda, no mesmo dia, a fiscalizada reafirmou que nos estoques finais, nos períodos de apuração de 2001 a 2004, não estava incluído o ICMS substituição tributária, estando escriturado na conta/ICMS a recuperar e que, por adotar na avaliação do estoque final o método do custo médio ponderado, não seria possível vincular as notas fiscais de entrada com o estoque final apurado; (GRIFEI) O consignado no primeiro dos fragmentos acima reproduzidos, desqualifica até certo ponto a alegação da Recorrente de que, “mesmo após a emissão do novo, exceção feita às extravagantes intimações para apresentação de arquivos magnéticos da SUPERGASBRAS, relativos aos anos de 2001 a 2004, e da RECORRRENTE e da S&M, relativos aos anos de 2000 a 2005, continuou demandando unicamente informações referentes à SUPERGASBRAS, ao IRPJ e ao ano de 2000, ...”, pois ali consta a informação de que, em 13/06/2005, isto é, antes mesmo da emissão do MPF nº 06.1.10.002005002159, a contribuinte SUPERGASBRAS já havia sido intimada a apresentar documentos relativos ao período de 2001 a 2004. Embora, de fato, não se identifique nos autos pronunciamento da autoridade fiscal acerca do pedido de prorrogação de prazo para apresentação dos arquivos magnéticos, não se pode admitir que esse silêncio representou deferimento por parte da autoridade requisitante. No caso, caberia à fiscalizada buscar o pronunciamento da autoridade responsável pelo procedimento acerca do referido pedido. O fato de o Mandado de Procedimento Fiscal não fazer alusão à extensão da ação fiscalizadora, eis que emitido fazendo referência apenas ao ano calendário de 2000, traduz, na circunstância em que resta evidenciada a efetiva ampliação do procedimento, tão somente erro de natureza meramente formal, não tendo o condão assim de tornar nula a intimação formalizada pela Fiscalização, única circunstância que, a meu ver, poderia concorrer para a insubsistência da penalidade aplicada relativamente à falta de apresentação dos arquivos magnéticos da SUPERGASBRAS do período de 2001 a 2004. Diferentemente das circunstâncias que envolveram a aplicação da penalidade pela falta de apresentação dos arquivos próprios da SHV e da S&M, em que a alusão às deficiências do Mandado de Procedimento Fiscal representou elemento aditivo à formação da convicção acerca da improcedência da aplicação da penalidade, aqui, os elementos reunidos ao processo espelham a efetiva intenção da Administração Tributária de estender o procedimento fiscalizatório além do ano de 2000, de modo que a simples supressão do registro disso no instrumento em referência não pode dar azo à pretensão da Recorrente de tornar nula a intimação formalizada pela Fiscalização. A ampliação do procedimento resta evidenciada pelas intimações encaminhadas à Recorrente solicitando dados e documentos relativos ao período de 2001 a 2004 e, principalmente, pela autuação objeto do processo administrativo nº 18471.001563/200638. Cumpre destacar que a exigência formalizada pela autoridade fiscal, muito embora possa refletir dificuldades diversas face a complexidade dos arquivos Fl. 8186DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.187 19 envolvidos e, até mesmo, dubiedade em relação aos termos dos atos normativos que a disciplinam, não pode simplesmente ser objeto de um simples pedido de prorrogação de prazo, prorrogação essa, como visto, tida como deferida em razão do silêncio do agente fiscal. Penso que em relação especificamente à SUPERGASBRAS, em que pese a insubsistência da penalidade relativa ao ano calendário de 2000, a apresentação fora do prazo dos arquivos magnéticos requisitados e a falta da disponibilização deles, relativamente ao período de 2001 a 2004, trouxe graves prejuízos ao desenvolvimento da ação fiscalizadora, não se podendo olvidar que o atendimento às intimações poderia fazer emergir realidades absolutamente distintas das retratadas nas peças acusatórias, seja no presente processo, seja no relativo ao período de 2001 a 2004 (processo nº 18471.001563/200638). A meu ver, equivocase a Recorrente quando sustenta que a Fiscalização não poderia exigir arquivos magnéticos do ano de 2001 na forma da IN/SRF nº 86/2001 e do ADE COFIS nº 15/2001, visto que a faculdade trazida pelo parágrafo 1º do artigo 3º da citada instrução normativa, além de confirmar que as disposições trazidas pelo ato normativo são aplicáveis a arquivos digitais anteriores a 1º de janeiro de 2002, não autoriza a não apresentação dos referidos arquivos. Não resta dúvida de que, consoante o disposto no parágrafo 1º do artigo 3º da IN/SRF nº 86/2001, a Recorrente não estava obrigada a apresentar os arquivos na forma ali estabelecida, porém, isso não significa dizer que ela não precisaria apresentar arquivo algum e, muito menos, que a intimação formalizada em 2005, tomando por base um ato de 2001 que oferece ao contribuinte uma opção na forma de apresentação de arquivos digitais, não é valida. A Recorrente afirma que o agente fiscal não quis receber os arquivos digitais em forma distinta da estabelecida na IN/SRF nº 86/2001 e no ADE COFIS nº 15/2001, contudo, não comprova tal assertiva. A Recorrente também afirma que o agente fiscal não demonstrou interesse em relação aos arquivos magnéticos contendo os dados das operações da SUPERGASBRAS dos anos de 2001 a 2004. Diz que referidos arquivos, inclusive, ficaram à disposição da autoridade fiscal, tendo sido anexados aos presentes autos, em outubro de 2006, quando da interposição do recurso voluntário primitivo. Os argumentos acima, ao contrário do pretendido pela Recorrente, concorrem ainda mais para demonstrar o prejuízo provocado à Administração Tributária em razão do atraso ou da falta de apresentação dos arquivos magnéticos, tornando, assim, consistente a penalidade aplicada pela autoridade fiscal, pois, se em razão do atraso ou da falta dos referidos arquivos, a Fiscalização viuse obrigada a intimar a fiscalizada a produzir planilhas especiais, resta patente que inúmeras outras operações, que poderiam ser objeto de verificação, sequer foram analisadas. Pelo que é possível depreender dos argumentos da Recorrente, a comprovação de que os arquivos encontravamse à disposição da Fiscalização está representado pelo fato de eles, os arquivos, terem sido anexados ao recurso voluntário primitivo, apresentado em outubro de 2006. Ora, se os arquivos foram requisitados em 1º de setembro de 2005 (fls. 160), ainda que houvesse pronunciamento expresso da autoridade requisitante deferindo a prorrogação do prazo para a sua apresentação em cento e cinqüenta dias, eles deveriam ter sido entregues à autoridade fiscal, no máximo, no início de fevereiro de 2006, e não ser anexado em outubro de 2006 à peça recursal inicialmente apresentada. Fl. 8187DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.188 20 Nesse particular, inclusive, considerada a ementa reproduzida, revelase inaplicável o acórdão nº 10706.979 referenciado pela Recorrente, vez que não estamos diante de apresentação de arquivos magnéticos no prazo prorrogado. Rejeito a alegação de que o ato decisório de primeiro grau revelase nulo em virtude do fato de não ter feito menção a argumentos trazidos em sede de impugnação, eis que, na esteira da jurisprudência mansa e pacífica do Superior Tribunal de Justiça, não nega a prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos em sede de defesa, adota, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. Ademais, ao consignar que, “se a interessada já escriturava suas informações através de processamento eletrônico, tinha obrigação legal de durante o prazo decadencial possuir tais arquivos e apresentálos ao fisco, sem qualquer demora ou atraso, tão logo requisitado”, o acórdão atacado rejeita peremptoriamente a concessão de prorrogação de prazo para atendimento da requisição da Fiscalização, cabendo ressaltar que, relativamente aos argumentos tidos como não apreciados em primeira instância, as alegações acerca do pedido de prorrogação do prazo representam a sua maior parte. Penso que não merece acolhimento também o argumento da Recorrente de que, na aplicação da multa relativa aos arquivos dos anos de 2000 e de 2001, a autoridade autuante, ao servirse como suporte das disposições do inciso III do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991 com a redação dada pelo art. 72 da MP nº 2.158 34/2001, violou os princípios da irretroatividade e da anterioridade das leis. A Recorrente, com o intuito de buscar abrigo nos citados princípios constitucionais, descreve o fato gerador da penalidade como se ele tivesse ocorrido em 2000 e em 2001, quando, na verdade, o fato em referência, refletido em uma conduta ilícita, ocorreu no momento em que a autoridade a intimou a apresentar os arquivos, isto é, 2005. Não resta dúvida que a multa aplicada, tratandose de pessoa jurídica do porte da então fiscalizada (SUPERGASBRAS), assume proporções extremamente gravosas. Entretanto, o julgador administrativo, como é cediço, não detém competência para afastar a sua aplicação por entender que o montante lançado tem natureza confiscatória. Cabe ele, apenas, certificarse que a conduta apontada na peça de autuação amoldase ao tipo descrito na norma que prevê a sanção. Nessa linha, merece referência a súmula CARF nº 2, de adoção obrigatória pelos membros do Colegiado. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em resumo, as alegações da Recorrente, especificamente no que diz respeito à falta de apresentação dos arquivos digitais da SUPERGASBRAS do período de 2001 a 2004, limitase a sustentar ter havido deferimento tácito da autoridade fiscal do seu pedido de prorrogação de prazo, o que, convenhamos, não pode servir de fundamento para o cancelamento da penalidade. O confronto entre as alegações estampadas na peça de EMBARGOS e o fragmento do voto condutor do acórdão nº 1301001.754, afugenta qualquer dúvida que poderia existir quanto a verdadeira intenção da embargante, em que pese a eloquência com que ela procurou tingir de máculas o pronunciamento desta instância julgadora. Fl. 8188DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.002175/200593 Acórdão n.º 1301001.917 S1C3T1 Fl. 8.189 21 Assim, não obstante a citação expressa à ocorrência de contradições, omissões e lapso manifesto, é de clareza solar que a intenção da embargante foi, por meio da via estreita do recurso manejado, rediscutir matérias que foram adequadamente apreciadas por meio do acórdão guerreado. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de REJEITAR os EMBARGOS interpostos. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 8189DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.006979/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3201-002.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar preliminar de nulidade, acatar preliminar de decadência para o período de apuração de 1997 e, no mérito, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 8 DO STF. Aplicase a Súmula Vinculante de n° 8 do STF, já que a Fazenda Pública não pode exigir contribuições sociais com o aproveitamento do prazo de 10 anos previstos nos dispositivos dos arts. 45 e 46 da Lei de n ° 8.212/91, declarados inconstitucionais, logo, o prazo é de 5 anos para constituição do crédito. AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA para o período de apuração de 1997, por conta da aplicação da Súmula n° 8 do STF. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Para fins de determinação da base de cálculo da COFINS e PIS, excluemse da receita bruta, entre outros, os valores relativos ao ICMS Substituto, do contribuinte substituto e não do substituído, quando restar provado nos autos, a existência de tais valores; constatado através de diligência. Considerando que a partir de 01/05/2001 a tributação incidente sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos (Medicamentos, Cosméticos e Produtos de Higiene Pessoal) passou a ser concentrada nas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou importação. Sendo reduzida a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 69 79 /2 00 3- 89 Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 I do art. 1° da Lei 10.147/2000, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador; o que é o caso. BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. As Contribuições PIS e COFINS incidem sobre o faturamento do mês, tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de documentos disponibilizados pela contribuinte ao Fisco Federal. COFINS e PIS. .DIFERENÇA APURADA ENTRE o VALOR ESCRITURADO e o DECLARADO/PAGO. Constatadas diferenças nos recolhimentos da COFINS e PIS, não pagas e nem declaradas em DCTFS, incidência das contribuições. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar preliminar de nulidade, acatar preliminar de decadência para o período de apuração de 1997 e, no mérito, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra a empresa antes identificada foram lavrados os Autos de Infração, cujos processos foram juntados por anexação em cumprimento à disposição contida no art. 2º da Portaria SRF nº 6.129, de 02.12.2005 (fl. 1769), do presente processo, para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referente aos períodos já mencionados: CRÉDITO TRIBUTÁRIO VALOR EM REAL COFINS 974.042,69 JUROS DE MORA 310.405,09 MULTA 730.531,71 TOTAL 2.014.979,49 Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10480.006979/200389 Acórdão n.º 3201002.033 S3C2T1 Fl. 2.789 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO VALOR EM REAL PIS 212.669,54 JUROS DE MORA 70.427,22 MULTA 159.501,85 TOTAL 442.598,61 De acordo com o Autuante, os referidos Autos são decorrentes das diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos das mencionadas contribuições, não pagas e nem declaradas em DCTF, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização (fls. 23/24 e 1794/1795). Depois da tomada de ciência, o contribuinte apresentou peças de defesa (fls. 343/377 e 2116/2150), rogando pela nulidade ou cancelamento dos autos de infração, com base nos motivos a seguir apresentados: I – DAS PRELIMINARES PREJUDICIAIS DE MÉRITO 1. Extinção tácita do MPFF datado de 14.08.02 e da natureza jurídica do Termo de Solicitação de Esclarecimentos datado de 23.06.03; 2. Impossibilidade do lançamento pelo mesmo Auditor, em face de tratarse de novo MPF ou de prorrogação do MPFF iniciado em 14.08.02; II – DO MÉRITO 1. Decadência e caducidade do lançamento de exercício de 1997, segundo o art. 173, parágrafo único do CTN; 2. Impossibilidade da aplicação da multa de ofício, nos percentuais de 75%, em razão da espontaneidade e da inaplicabilidade da “multa moratória”, entendimento adotado pelos tribunais; 3. Inaplicabilidade da margem de lucro de 9,60%, com base na Lei nº 9.430/96. Empresa de distribuição de medicamentos. Impossibilidade da norma de direito tributário modificar conceitos de direito privado; 4. Ano de 1998 – Da omissão de receita. Presença do fenômeno “bis in idem”. Cobrança cumulada de tributos com base no mesmo fato gerador e base de cálculo. Desconsideração de elementos contábeis para definição do estoque. Nulidade do lançamento ou sua revisão nos pontos apontados pelo relatório contábil em anexo; III – PIS/COFINS – 1997/2000 5. Desconsideração da Lei nº 10.147/00 e da IN/SRF nº 40/01 que determinam a alíquota zero para os distribuidores de medicamentos (a partir de abril de 2001 a dezembro de 2002); 6. Desconsiderações das compensações efetuadas referentes ao período de 1999 e 2000, apresentando planilhas, onde apontam valores que foram desconsiderados pela fiscalização, anexando cópias de pedidos de compensação e, ainda anexando cópias de DARF; Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 7. Inclusão na base de cálculo do PIS/COFINS do ICMS SUBSTITUTO, bem como de devoluções de mercadorias adquiridas de terceiros; 8. Afronta aos Princípios da Verdade Material, Legalidade Objetiva e Vedação ao Confisco; Na análise procedida por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento constatouse a necessidade de diligências, conforme Resoluções de 16.01.04 (fls. 1380/1385 e 2186/2190), no sentido de: a) verificar e identificar, junto à documentação hábil, em que períodos a empresa autuada preenchia as condições e requisitos da Lei nº 10.147/00 e IN/SRF 40/01, fazendo jus à redução da alíquota da contribuição como alegado, se este for o caso; b) confirmar junto à documentação contábil e fiscal da contribuinte e à luz da legislação vigente para a matéria, a procedência ou não das alegações de que não teriam sido consideradas pela fiscalização as exclusões previstas na Lei nº 9.718/98 e as devoluções de compras de mercadorias adquiridas de terceiros; c) confirmar sobre a procedência ou não das afirmações da Impugnante no que concerne às compensações; d) verificar e confirmar se os valores divergentes encontrados na coluna VR PAGO, das planilhas, produzem alguma alteração no crédito apurado; e) se concluir por valores deferentes do que foi lançado, relativamente a eles elaborar novos demonstrativos de cálculos; f) acrescentar qualquer informação que julgue necessária à elucidação dos fatos; g) anexar aos autos toda documentação comprobatória necessária para a conclusão da diligência; h)demais providências que, a seu critério, possam subsidiar na solução da lide; i) seja dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência solicitada, com reabertura de prazo, se for o caso, para possíveis manifestações, nos termos do Decreto nº 70235/72. Em seguida, foi feita a intimação do contribuinte (fls. 1395 e 2202) que enviou documentos (fls. 1399/1414 e 2206/2221) resultando em Relatórios de Informação Fiscal (fls. 1388/1393 e 2195/2200), sendo elaborados novos demonstrativos pela fiscalização (fls. 1438/1446 e 2249/2257). Foi dada ciência ao contribuinte (fls. 1393 e 2200) que não se pronunciou sobre o resultado da diligência, sendo o presente processo encaminhado a esta DRJ. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/REC no 1116.170, de 28/08/2006, proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10480.006979/200389 Acórdão n.º 3201002.033 S3C2T1 Fl. 2.790 5 Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. O direito da Fazenda Pública apurar e constituir os créditos relativos às contribuições para financiamento da seguridade social extinguese no prazo de10 (dez) anos (art. 45, da Lei nº 8.212/1991). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997, 01/04/1997 a 30/09/2000, 01/01/2001 a 31/12/2002 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Para fins de determinação da base de cálculo da COFINS e PIS, excluemse da receita bruta, entre outros, os valores relativos ao ICMS Substituto, do contribuinte substituto e não do substituído, quando restar provado nos autos, a existência de tais valores. BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. As Contribuições PIS e COFINS incidirão sobre o faturamento do mês, tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de documentos disponibilizados pela contribuinte ao Fisco Federal, tudo regularmente documentado no presente processo. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, julgar procedentes em parte os lançamentos, nos termos do voto da relatora, parte integrante deste Acórdão. O julgamento foi no sentido de julgar procedentes em parte os lançamentos, rejeitando as preliminares, cancelando os valores relativos aos fatos geradores de: fevereiro de 1997 a maio de 1998; julho, agosto, novembro e dezembro de 1998; janeiro, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1999; janeiro a dezembro de 2000; janeiro a maio de 2001; e por fim, alterando os valores da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e da Contribuição para o Programa Social PIS, conforme TABELAS às efls. 2586/2588 (no final do voto da DRJ). Restando assim: os valores a recolher da Cofins R$ 69.436,64 (fl. 2585) e do Pis R$ 13.040,83 (fl. 2586). Registrese que a DRJ/Recife, antes de proferir o julgamento do acórdão acima citado, constatou necessidade de diligência, o que foi realizado através da Resolução DRJ/REC n°163, de 16/01/2004 (fls 2186 a 2191papel), o qual foi realizada, bem como cientificado o contribuinte, o que resultou nos valores, conforme as planilhas (no final do voto da primeira instância) retificando os valores com as novas bases de cálculo, com as importâncias acima mencionadas. Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta e insiste ainda: os autuantes ao lavrarem os presentes autos de infração teriam descumprido determinações do Decreto n° 70.235/72 e da Portaria SRF n° 3007/2001. No seu entender, os referidos autos deveriam ter sido lavrados sob a égide de novo Mandado de Procedimento Fiscal e por outro AFTN, vez que extinto o MPF original; teria ocorrido a decadência de lançar relativamente ao ano calendário de 1997, e conseqüente CADUCIDADE de lançar; o presente lançamento não pode prosperar, vez que apresentou, espontaneamente (espontaneidade que afirma ter readquirido em face das alegações aduzidas, "nos moldes do Decreto 70.235/72, da portaria 3007/2001 da SRF e da lei 9430/96"), declaração retificadora do anocalendário de 1998, em 30.06.2003, que incluiu em seu bojo o IRPJ e os tributos reflexos lançados, e ter aderido ao PAES (Lei n° 10.658/2003). De conseqüente, entende que resta impossibilitada a aplicação da multa de ofício, com a alíquota de 75%, ou a aplicação da multa moratória). Cita diversos autores e transcreve ementas de Acórdãos dos Conselhos de Contribuintes; o arbitramento efetuado pelo autuante está incorreto, pois só é possível falar em arbitramento acaso a mesma não possuísse "livros contábeis, que não tivesse suas declarações de rendimentos catalogadas etc... O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM A DRJ/Recife recorre de ofício. O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Da mesma forma, o presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratase de autos de infração de PIS e Cofins. RECURSO DE OFÍCIO Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10480.006979/200389 Acórdão n.º 3201002.033 S3C2T1 Fl. 2.791 7 Inicialmente passase a análise do recurso de ofício, tendo em vista crédito exonerado. Ressaltese que não há retoques na decisão de primeira instância, por conta das dúvidas terem sido sanadas em nível de diligência efetuada pela própria DRJ. Vide trecho da diligência, endossada pela decisão de primeira instância (Relatório de Informação Fiscal, de fls. 2195a 2200): (.....)esclarecer as indagações levantadas pelo contribuinte nos processos de números 10480.006977/200390 (Pis) e 10480.006979/200389 (Cofins), com os seguintes objetivos: Verificar e identificar em que períodos a empresa autuada preenchia as condições e requisitos da Lei n°. 10.147/2000 e IN SRF n°. 40/2001, e demais legislação regente da matéria, fazendo jus à redução à alíquota ZERO dos produtos que são adquiridos dos fabricantes e dos importadores; Confirmar a procedência ou não das alegações da impugnante de que não teriam sido consideradas pela fiscalização as exclusões previstas na Lei 9.718/98, e as devoluções de compras de mercadorias adquiridas de terceiros; Confirmar sobre a procedência ou não das afirmações da impugnante no que concede às compensações; Verificar e confirmar se os valores divergentes encontrados na coluna "VR PAGO", das planilhas anexas pelo contribuinte nos aludidos processos produzem alguma alteração no crédito apurado; Elaborar novos demonstrativos das Bases de Cálculo e do valor do Débito das Contribuições para o PIS e para a Cofins; Dar ciência ao contribuinte do resultado da diligência, com reabertura de prazo, se for o caso, para possíveis manifestações, nos termos do que dispõe o Decreto 70.235/72. Após intimado o sujeito passivo e com documentos e livros apresentados, concluiu a fiscalização: A atividade econômica da empresa é comércio atacadista de produtos farmacêuticos de uso humano (CNAE 51.454/01), tendo auferido, conforme seus assentamentos contábeis, receitas relativas à atividade de revenda de mercadorias, códigos fiscais dos livros de apuração do ICMS 5.12 e 6.12; A Lei 10.147, de 21 de dezembro de 2000, dispõe sobre a incidência da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 3003, 3004, 3303 a 3307, e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00, todos da Tabela Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 8 de Incidência do Imposto sobre Produtos IndustrializadosTIPI, onde define alíquotas específicas para essas pessoas jurídicas ........ Logo a partir de 01/05/2001 a empresa em questão faz jus à redução à alíquota ZERO na venda dos produtos (referentes aos códigos supracitados) adquiridos dos fabricantes e dos importadores, que tenham sido faturados pelos mesmos a partir de 01/05/2001. Em relação a vendas de produtos existentes no estoque da diligenciada que tenham sido faturados pelo industrial ou importador até 30/04/2001, a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, deverão ser recolhidas sobre a receita de comercialização dos produtos mencionados no art. 2° da Lei 10.147/2000, mediante a aplicação das alíquotas previstas no inciso II do art. 1.° da mencionada Lei, ou seja, sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, devendo adotar o método denominado PEPS, em que as saídas das unidades dos produtos seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque; Para efeito da apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins podem ser excluídos da receita bruta os valores do ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. ........ Portanto, de fato não foram consideradas nos levantamentos efetuadas pelo fisco as exclusões referentes ao ICMS Substituto. Sendo assim, procedemos à apuração de nova Base de Cálculo do Pis e da Cofíns, admitindo a exclusão desses valores, exceto quando relacionados a produtos tributados à alíquota zero A partir de maio/2001, no cálculo do ICMS Substituição Tributária referente aos produtos com tributação normal, foi utilizado por esta auditoria o mesmo critério de proporcionalidade adotado pelo contribuinte; tendo como única divergência, o fato de que foram utilizados no cálculo do percentual (%), valores já deduzidos das devoluções de compras ........... Informamos que no "Demonstrativo de Apuração do Débito do Pis e da Cofíns e da Diferença Apurada" na coluna valores "Declarado DCTF" NÃO foi considerada as DCTF retificadoras dos 1.° , 2." , 3.° e 4.° trimestres de 2002 apresentadas pelo contribuinte, para efeito do cálculo das diferenças apuradas na diligência, tendo em vista que essas DCTF foram recepcionadas em 25/11/2003, logo, em data posterior a lavratura e ciência dos Autos de Infrações do PIS e da Cofíns (30/06/2003); ........... Logo, devem ser excluídas da apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores do ICMS pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, segundo trecho do voto condutor, o qual endosso, que tem como base a diligência demandada, conforme : Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10480.006979/200389 Acórdão n.º 3201002.033 S3C2T1 Fl. 2.792 9 Segundo a autoridade diligenciante, nos livros de Registro de Apuração de ICMS apresentados pelo contribuinte constam valores de obrigações a recolher a título de ICMS Substituto e nos seus livros contábeis foram registrados os valores totais das notas fiscais de vendas, logo acrescidos do valor do ICMS Substituto, portanto, de fato não foram consideradas nos levantamentos efetuadas pelo fisco as exclusões referentes ao ICMS Substituto. Sendo assim, procedeu à apuração de nova base de cálculo do PIS e da COFINS, admitindo a exclusão desses valores, exceto quando relacionados a produtos tributados à alíquota ZERO. A partir de maio/2001, no cálculo do ICMS Substituição Tributária referente aos produtos com tributação normal, foi utilizado por esta auditoria o mesmo critério de proporcionalidade adotado pelo contribuinte, tendo como única divergência , o fato de que foram utilizados no cálculo do percentual, valores já deduzidos das devoluções de compras. As devoluções de compras de mercadorias adquiridas de terceiros não compõem o Faturamento/Receita Bruta. Na análise efetuada nos livros de Registro de Apuração de ICMS verificou que de fato na apuração da receita de vendas de mercadorias foi incluído no faturamento/receita bruta os valores das saídas referentes aos códigos de operação fiscal 5.32 e/ou 6.32 (Devoluções Compras Comercialização). Sendo assim, na apuração da nova base de cálculo do PIS e da COFINS, elaborada por esta auditoria, no levantamento do Faturamento/Receita Bruta não foram incluídas as saídas relativas aos referidos códigos. Bem como, valores alterados, demonstrados em diligência, conforme: Quanto à questão se os valores divergentes encontrados na coluna “VR PAGO”, constantes das planilhas anexas aos aludidos processos, produzem alguma alteração no crédito apurado, informa o diligenciante que, alterações na coluna Valores pagos em DARF (que compõem os créditos apurados) afetam com certeza o cálculo das diferenças apuradas e conseqüentemente no crédito anteriormente apurado pelo fisco para as contribuições PIS e COFINS, exceto se os valores declarados em DCTF são superiores aos créditos apurados. No novo Demonstrativo elaborado por esta auditoria, foram analisadas as divergências e efetuadas as alterações pertinentes, foram anexadas aos processos, cópias das DIPJ de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002 e cópias do livro Razão de dezembro de 2000 das contas de receitas. Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 10 Das conclusões de tal procedimento (fls. 1388/1393 e 2195/2200), levandose em conta o Princípio da Verdade Material, espeque do Processo Administrativo Fiscal, há de se considerar as apurações daquele procedimento diligencial, que apresentam planilhas retificando valores solicitados nos meses citados na impugnação e apresentam as novas bases de cálculos desses meses, que resultaram em:(planilhas no final do voto) Considerando que a atividade econômica da empresa é comércio atacadista de produtos farmacêuticos de uso humano (CNAE 51.454/01), exercendo a atividade de revenda de mercadorias, códigos fiscais dos livros de apuração do ICMS 5.12 e 6.12; Considerando que a partir de 01/05/2001 a tributação incidente sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos (Medicamentos, Cosméticos e Produtos de Higiene Pessoal) passou a ser concentrada nas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou importação. Sendo reduzida a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1° da Lei 10.147/2000, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador; o que é o caso. Considerando que na apuração da nova Base de Cálculo do Pis e da Cofíns, elaborada pela auditoria, no levantamento do Faturamento/Receita Bruta não foram incluídas as saídas relativas a Devolução Compras Comercialização. No "Demonstrativo de Apuração do Débito do Pis e da Cofins e da Diferença Apurada" na coluna valores "Declarado DCTF" não foi considerada as DCTF retificadoras dos 1.° , 2.° , 3.° e 4.° trimestres de 2002 apresentadas pelo sujeito passivo, para efeito do cálculo das diferenças apuradas na diligência, pois as DCTF foram recepcionadas em 25/11/2003, ou seja, em data posterior a lavratura e ciência dos Autos de Infrações do PIS e da Cofíns (que ocorreu em 30/06/2003). Em sendo assim, não há reparo a decisão de primeira instância. Por todo o exposto, não há como discordar da exclusão dos valores apontados da base cálculo, resultando em novos valores a recolher das contribuições (Cofins e Pis), logo, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Quanto ao recurso voluntário. Os referidos Autos são decorrentes das diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos das mencionadas contribuições, não pagas e nem declaradas em DCTF, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização. Passemos às preliminares: Nulidade de Lançamento A recorrente sustenta a nulidade do lançamento, argumentando a extinção do procedimento fiscal, por decurso de prazo, pois após findar o Termo de Solicitação de Esclarecimentos, passaramse mais de 60 dias sem que fosse exarado outro termo dando continuidade ao procedimento de fiscalização, enquanto que o MPF teve vigência até Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10480.006979/200389 Acórdão n.º 3201002.033 S3C2T1 Fl. 2.793 11 08/04/2003. Assim, entende a recorrente que todos os atos posteriores — que iniciam em 23/06/2003 caracterizam novo ato de fiscalização, que dependeria de novo MPF e não poderia ser realizado pelo mesmo Auditor Fiscal do procedimento anterior. O MPF constituise um instrumento de controle indispensável à administração tributária e em garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato os AuditoresFiscais que o estejam fiscalizando estão no exercício legal de suas funções. Por outro giro, a própria Secretaria da Receita Federal acompanha o desenvolvimento das atividades realizadas pelos AuditoresFiscais, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização está sendo realizada de modo adequado ou se os fiscais não estão levando mais tempo do que o necessário para a realização dos trabalhos. Caso, o AuditorFiscal observa que não será capaz, em face das peculiaridades do caso concreto fiscalizado, de concluir os trabalhos em tempo hábil, solicita ao superior hierárquico responsável pela emissão do mandado a sua prorrogação. Logo, não há como possa ser declarado nulo o lançamento regularmente constituído nos termos do art. 142 do CTN, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal e com todos os requisitos de validade previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Isso, mesmo que o lançamento tenha sido lavrado pelo mesmo Auditor responsável pela execução do Mandado extinto. Registrese que há várias prorrogações do prazo de validade do MPF original (todas dentro do prazo), não tendo havido a sua extinção antes da data da lavratura dos autos de infração, em 30/06/2003. Em relação à apresentação da declaração retificadora do ano calendário 1998, em 30/06/2003, a recorrente estava sob procedimento fiscal, que teve início com o Termo de Início de Fiscalização de 14/08/2002 e não estava com a espontaneidade readquirida, em face do Termo de Solicitação de Esclarecimentos datado de 23/06/2003 (indicando o prosseguimento dos trabalhos). Logo, não assiste razão a recorrente que argui que teria havido extinção do procedimento fiscal iniciado em 14/08/2002, e que os autos de infração já teriam sido lavrados sob a égide de um novo procedimento. Em assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade. Só para ilustrar e complementar, quanto a essa preliminar levantada, verifica se que o lançamento está sob o abrigo do MPFF e MPFC, à época. Ressaltese, pois, que o Decreto de n° 8.303/2014 e a Portaria RFB n° 1.687/2014 que regula aquele Decreto extinguiu o MPFMandado de Procedimento Fiscal. Atualmente, o auditor não mais recebe uma "autorização" para exercer a competência de seu cargo, nos termos do art. 2° do Decreto de n° 70. 235/1972. Preliminar de decadência A recorrente foi cientificada dos lançamentos em 30/06/2003. Como não houve pagamento do tributo, não se pode caracterizar como lançamento por homologação, restando afastada a aplicação da regra especial prevista no § 4° do art. 150 do CTN. Em não se aplicando a regra especial, a contagem do prazo quinquenal prevista é a regra geral de decadência, prevista no art. 173, I, do CTN, nos termos: Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 12 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, Contados: Ido primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ao caso, lembrar que tendo em vista, aplicação da Súmula Vinculante de n° 8 do STF, já que a Fazenda Pública não pode exigir contribuições sociais com o aproveitamento do prazo de 10 anos previstos nos dispositivos dos arts. 45 e 46 da Lei de n ° 8.212/91, declarados inconstitucionais, devese aplicar o prazo de 5 anos para constituição do crédito. Argumenta a recorrente, a decadência referente ao ano de 1997, então, para o período de apuração mais remoto de janeiro de 1997; logo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído é o dia 01/01/1998, portanto, a decadência somente ocorreria no dia 01/01/2003, de forma que a contribuição (para o ano de 1997) assim apurada se encontrava atingida pelo instituto da decadência, já que somente em 30/06/2003 (data de ciência do lançamento) o contribuinte teve ciência do auto de infração. Logo, o direito da Fazenda Pública apurar e constituir o crédito relativo às contribuições em 1997 resta prejudicado, por conta do prazo decadencial. No entanto, não ocorrendo o prazo decadencial quanto às contribuições relativas aos demais períodos de apuração, todos posteriores ao acima examinado, só ocorrendo a decadência a apuração do ano de 1997. Mérito Quanto ao mérito, examinarei questões apenas das contribuições Cofins e PIs e não do impostoIRPJ. Ou seja, não conheço da matéria sobre arbitramento, da impossibilidade da aplicação da multa de ofício, nos percentuais de 75%, em razão da espontaneidade e da inaplicabilidade da multa moratória; bem como da inaplicabilidade da margem de lucro de 9,60%, com base na Lei nº 9.430/96. Enfim, excluídas da base de cálculo os valores referentes no recurso de ofício, restam diferenças nos recolhimentos da COFINS e PIS, não pagas e nem declaradas em DCTFS. Considerando que a Lei nº 10.147/00 e da IN/SRF nº 40/01 que determinam a alíquota zero para os distribuidores de medicamentos, ou seja, somente, a partir de 01.05.01, a empresa em questão faz jus à redução à alíquota zero na venda dos produtos referidos (Medicamentos, Cosméticos e Produtos de Higiene Pessoal), conforme concluída a auditoria através da diligência; enfim, em períodos anteriores, a alíquota é a usual (afastado o ano de 1997 pela decadência). Considerando as DCTF retificadoras (dos quatro trimestres) de 2002 apresentadas pela recorrente, para efeito de do cálculo das diferenças apuradas na diligência, não foram consideradas, tendo em vista que essas DCTF foram recepcionadas em 25.11.2003, posteriormente à lavratura e ciência dos Autos de Infração do PIS e da COFINS em 30.06.03. E, quanto às compensações, a auditoria já informara que: nos meses de junho, julho e dezembro de 1999 e agosto de 2000 não foi informado nas DCTF como crédito vinculado, qualquer tipo de compensação, entretanto a empresa apresentou pedidos Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10480.006979/200389 Acórdão n.º 3201002.033 S3C2T1 Fl. 2.794 13 de compensação. Nos meses de janeiro a março de 2000, foram informadas compensações, nas DCTF, formuladas por meio de pedido judicial. Em face dos débitos acima referenciados terem sido declarados em DCTF, não foram objeto de análise por parte da auditoria, as aludidas compensações, vez que no levantamento das diferenças apuradas nesta diligência, foi subtraído no valor devido apurado para as contribuições PIS e COFINS o maior valor dentre os declarados em DCTF ou os pagos. E conclui que, sendo assim, a vinculação do crédito para extinção do débito declarado em DCTF não afeta as diferenças apuradas na diligência (sujeitas à multa de ofício) sendo as pleiteadas compensações objeto de análise por parte de outro setor da DRF/RECIFE. Em sendo assim, ficam mantidos os valores apurados, tendo em vista que as Contribuições PIS e COFINS incidem sobre o faturamento do mês, tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de documentos disponibilizados pelo sujeito passivo ao Fisco Federal, por conta das divergências entre valores escriturados e os declarados/pagos das contribuições e os não pago e nem declarados em DCTF. Quanto aos argumentos de afronta aos princípios constitucionais, aplicase a Súmula Carf de n°2, que dispõe: O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à multa de ofício foi aplicada pela falta de pagamento, ou seja, o lançamento foi efetuado, por força do disposto na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, onde é devida a multa de ofício no percentual de 75,0 % do crédito tributário lançado e exigido, que assim dispõe, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Ide 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Por fim, a SELIC como fator de correção do débito do contribuinte, incide na hipótese a Súmula CARF de n° 4, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto por acatar preliminar de decadência para o período de apuração de 1997, rejeitar a preliminar de nulidade, não conhecer das matérias referentes ao IRPJ, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar o período de apuração de 1997), prejudicadas as demais questões. Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 14 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10580.727334/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 34 /2 01 0- 84 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727334/201084 Acórdão n.º 2401004.000 S2C4T1 Fl. 206 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006. Data da lavratura do AIOP: 30/09/2010. Data da Ciência do AIOP: 18/10/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.120.4372, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 63/65. De acordo com a resenha fiscal, os créditos ora em fase de constituição foram apurados através do levantamento SE SEGURADOS EMPREGADOS – Contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, constantes nas folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo e em lançamentos efetuados na conta contábil 4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA. Informa a Autoridade Lançadora que as remunerações dos segurados empregados considerados pela fiscalização foram aquelas registradas nas folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo. Acrescenta que na conta contábil 4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA também constavam, equivocadamente, lançamentos de pagamentos efetuados aos segurados empregados, como horas extras e comissões, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos – RL, a fls. 08/09. Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo e considerados para apuração do crédito ora em constituição estão relacionados no Relatório de Documentos Apresentados – RDA. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 122/126. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0733.058 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 156/160, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/02/2014, por decurso de prazo, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo a fl. 143. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 165/175, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 · Que é inconcebível o julgador não se deter sobre a matéria principal contida nas impugnações ofertadas nos processos administrativos números 10580.727332/201095, DEBCAD 37.120.4330 e 10580.727333/201030, DEBCAD 37.120.4364, suficiente para obstar a exigência da contribuição perseguida, apesar de enfrentar outro ponto aduzido naquelas impugnações intitulado de “Pagamentos efetuados a segurados empregados registrados na conta contábil 4.6.2.1.0.9.02 PESSOA FÍSICA”; · Que o embasamento jurídico no qual se amparou a decisão objurgada para manter incólume o auto de infração respaldase na determinação veiculada no artigo 4° da Lei n° 10.666/2003. Aduz que a decisão incorreu em equívoco, na justa medida em que não se verifica do fato gerador qualquer serviço que o contribuinte individual tenha prestado diretamente para a recorrente, no que pese haver lhe remunerado; · Que a relação que mantém com os profissionais que realizam os serviços de odontologia, “sejam pessoas físicas ou jurídicas”, integrantes da rede credenciada, “limitase ao pagamento dos custos relativos aos serviços realizados por conta e ordem do seu tomador, caracterizandose exercício de representação legal expresso e específico para o referido ato, conforme veiculado no inciso I e II, da Lei nº 9.656/98; · Que todos os valores disponibilizados pela Autuada para quitação dos honorários que decorrem dos atendimentos odontológicos realizados pelos profissionais que integram a rede referenciada não correspondem a qualquer contraprestação por serviços odontológicos prestados à Autuada, consistindo, tão somente, no ressarcimento dos valores devidos pelos serviços odontológicos prestados diretamente aos usuários do plano, cuja responsabilidade da Autuada decorre do contrato de assunção de risco, previamente estabelecido com os beneficiários daqueles serviços médicos; Ao fim, requer a anulação do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727334/201084 Acórdão n.º 2401004.000 S2C4T1 Fl. 207 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 07/02/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 24/02/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Afirma o Recorrente que a relação que mantém com os profissionais que realizam os serviços de odontologia, “sejam pessoas físicas ou jurídicas”, integrantes da rede credenciada, “limitase ao pagamento dos custos relativos aos serviços realizados por conta e ordem do seu tomador, caracterizandose exercício de representação legal expresso e específico para o referido ato, conforme veiculado no inciso I e II, da Lei nº 9.656/98. Acrescenta o Autuado que todos os valores disponibilizados pela Autuada para quitação dos honorários que decorrem dos atendimentos odontológicos realizados pelos profissionais que integram a rede referenciada não correspondem a qualquer contraprestação por serviços odontológicos prestados à Autuada, consistindo, tão somente, no ressarcimento dos valores devidos pelos serviços odontológicos prestados diretamente aos usuários do plano, cuja responsabilidade da Autuada decorre do contrato de assunção de risco, previamente estabelecido com os beneficiários daqueles serviços médicos. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas no presente Processo Administrativo Fiscal à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute, não se instaurando em relação a elas qualquer litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727334/201084 Acórdão n.º 2401004.000 S2C4T1 Fl. 208 7 Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada originariamente em grau de Recurso Voluntário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude de preclusão legal. Por outro eito, mas trigo de outra safra, merece ser ressaltado que as questões suscitadas nos dois primeiros parágrafos deste tópico dizem respeito, tão somente, e nada mais, a Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária decorrentes da prestação de serviços por profissionais credenciados à Prevdonto, sem vínculo de emprego com a autuada, os quais fato gerador não irradiam qualquer espécie de efeito sobre o lançamento ora em apreciação, uma vez que as contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos incidem, exclusivamente, sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados. Não procede a alegação de ser “inconcebível o julgador não se deter sobre a matéria principal contida nas impugnações ofertadas nos processos administrativos números 10580.727332/201095, DEBCAD 37.120.4330 e 10580.727333/201030, DEBCAD 37.120.4364, suficiente para obstar a exigência da contribuição perseguida, apesar de enfrentar outro ponto aduzido naquelas impugnações intitulado de “Pagamentos efetuados a segurados empregados registrados na conta contábil 4.6.2.1.0.9.02 PESSOA FÍSICA”. A uma, porque o inciso III do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 estatui expressamente que a Impugnação tem que mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir o Impugnante, sendo certo que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante em sua peça de defesa administrativa será considerada, legalmente, como não impugnada. A duas, porque mesmo que nos reportemos às peças de defesa aviadas nos Processos Administrativos Fiscais nº 10580.727332/201095 (AIOP nº 37.120.4330) e 10580.727333/201030 (AIOP nº 37.120.4364), iremos constatar que o Autuado não contestou os lançamentos das Contribuições Sociais incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, lançadas mediante o levantamento Intitulado “SE SEGURADOS EMPREGADOS” – Contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, constantes nas folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo e em lançamentos efetuados na conta contábil 4.6.2.1.0.9.02 – PESSOA FÍSICA. Dessarte, nos termos do art. 17 do Dec. nº 70.235/72, considerase legalmente não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão Fl. 213DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.727334/201084 Acórdão n.º 2401004.000 S2C4T1 Fl. 209 9 consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O Recorrente alega que o embasamento jurídico no qual se amparou a decisão objurgada para manter incólume o auto de infração respaldase na determinação veiculada no artigo 4° da Lei n° 10.666/2003. Aduz que a decisão incorreu em equívoco, na justa medida em que não se verifica do fato gerador qualquer serviço que o contribuinte individual tenha prestado diretamente para a recorrente, no que pese haver lhe remunerado. “Se diante de todas as adversidades você ainda consegue sorrir e manter a serenidade, é porque você já encontrou alguém a quem atribuir a culpa” (Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly Barão de Itararé) Em que pese a energia argumentativa do Recorrente, compulsando minuciosamente os autos do vertente processo constatamos que em momento algum a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC cita ou se refere ao aludido artigo 4° da Lei n° 10.666/2003 para amparar sua decisão. E nem poderia !!! Com efeito, os fatos geradores do presente lançamento consistem nas remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados da Recorrente, enquanto que o indigitado artigo 4° da Lei n° 10.666/2003 se refere à obrigação instrumental da Empresa de arrecadar a contribuição previdenciária a cargo dos Segurados Contribuintes Individuais, descontandoas das respectivas remunerações mensais, e a de recolher as contribuições assim arrecadadas, juntamente com as contribuições sociais a seu cargo, no prazo legal. Em outras palavras, o preceito inscrito no artigo 4° da Lei n° 10.666/2003 não guarda qualquer relação, a mínima que seja, com o presente lançamento, nem tampouco consta da Decisão de 1ª Instância, como assim leram os olhos do Recorrente. De quem será o equívoco mesmo ??? 3. CONCLUSÃO: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000303/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2003
DRAWBACK SUSPENSÃO.
O mero descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 83 da Portaria SECEX nº 11/2004, não autoriza a exigência dos tributos suspensos na importação, principalmente quando é incontroverso nos autos que o contribuinte efetuou as exportações em qualidade, quantidade e valores compatíveis com o compromisso assumido e no prazo de vigência do regime.
DRAWBACK SUSPENSÃO. SOBRAS DE INSUMOS.
É improcedente o lançamento tributário sobre sobras de produtos importados sob o regime de drawback, quando essas sobras são consideradas desprezíveis por representarem menos de 1% das quantidades importadas e, mormente, quando resta comprovado nos autos o adimplemento do ato concessório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula que deram provimento parcial apenas quanto ao adimplemento do ato concessório. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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O mero descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 83 da Portaria SECEX nº 11/2004, não autoriza a exigência dos tributos suspensos na importação, principalmente quando é incontroverso nos autos que o contribuinte efetuou as exportações em qualidade, quantidade e valores compatíveis com o compromisso assumido e no prazo de vigência do regime. DRAWBACK SUSPENSÃO. SOBRAS DE INSUMOS. É improcedente o lançamento tributário sobre sobras de produtos importados sob o regime de drawback, quando essas sobras são consideradas desprezíveis por representarem menos de 1% das quantidades importadas e, mormente, quando resta comprovado nos autos o adimplemento do ato concessório. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula que deram provimento parcial apenas quanto ao adimplemento do ato concessório. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 03 03 /2 00 7- 05 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 30/03/2007, lavrado para exigir o Imposto de Importação relativo a importações efetuadas durante o ano de 2003 amparadas por ato concessório de Drawback Suspensão. Segundo consta do termo de verificação fiscal de fls. 13 a 17 o contribuinte, por meio do ato concessório 20030029015, se comprometeu a importar 17.500 quilos de Sulfametaxazol e 3.500 quilos de Trimetoprima, com suspensão do imposto, devendo, em contrapartida, exportar, até 13/11/2004, 1.992.252 quilos de produtos da "linha bactrim". Entretanto, além de o DECEX ter comunicado que o contribuinte descumpriu integralmente o regime (fl. 22), a fiscalização constatou uma sobra de 146 Kg de Sulfa e de 30 Kg de Trimetoprima. Em relação a essas diferenças, o fisco entende que não haveria como se desonerar o contribuinte do recolhimento, ainda que a comunicação do DECEX quanto ao cumprimento do regime seja desconsiderada. Em sede de impugnação, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: 1) que o regime foi cumprido, conforme a planilha que constitui o documento 1 da impugnação; 2) que apesar de ter efetuado as exportações vinculadas ao ato concessório o DECEX, na interpretação da Portaria SECEX nº 11/2004, considerou o ato como totalmente inadimplente, em razão de ter sido ultrapassado o prazo de 60 dias para promover a comunicação das exportações realizadas e devidamente averbadas; 3) A Portaria que rege este ato concessório é a Portaria SECEX nº 4, de 11 junho de 1997, que não previa nenhuma penalidade pela falta de comprovação manual das exportações; 4) A Portaria SECEX nº 14, de 17/11/2004, somente autorizou a obtenção do ato concessório por meio do SISCOMEX, sem modificar a questão relativa à penalidade pela falta de comprovação a posteriori das exportações vinculadas ao ato concessório; 5) Somente com a Publicação da Portaria SECEX nº 11, de 25/08/2004 é que surgiu o artigo 106, estabelecendo os conceitos de inadimplemento total ou parcial, além de considerar inadimplemento a não observância do prazo de 60 dias previstos no art. 83 do mesmo diploma legal; 6) o caso concreto não se enquadra no conceito de inadimplemento total, pois foram efetuadas exportações vinculadas ao ato concessório dentro do prazo estipulado; 7) a ultrapassagem do prazo foi provocada pela demora na averbação do RE 04/0952443001, cujo embarque ocorreu em 24/07/2004, só averbado em 28/01/2005, contra a data limite de 12/01/2005, para apresentação da listagem das exportações realizadas, já do pleno conhecimento do DECEX, pois em todos os RE foram vinculados ao ato concessório; 8) a comprovação foi feita espontaneamente e este instituto está previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, o que exclui a imposição de penalidades; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10074.000303/200705 Acórdão n.º 3402002.882 S3C4T2 Fl. 3 3 9) alegou que o cálculo efetuado pela fiscalização para exigir os tributos sobre as sobras dos insumos importados não procede, pois o ato concessório previa uma perda de até 5% no processo industrial. Por meio do Acórdão nº 61.012, de 27/08/2014, a DRJ São Paulo julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 22/05/2003 DRAWBACK. O Beneficiário desembaraçou mercadorias com suspensão de impostos. Findo o prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário nenhuma das providências para adimplir o regime, resolveuse a suspensão, exigindo os tributos devidos, nas importações. O SECEX considerou o Ato Concessório ora auditado como INADIMPLENTE TOTAL. Não cabe à Fazenda Nacional dizer se o ato da SECEX foi ou não válido. Enquanto não destituído pelos meios legalmente previstos, o ato expedido pela autoridade a quem incumbia conceder a prorrogação goza da presunção de ato administrativo válido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 08/10/2014 (fl. 356), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/11/204, no qual, em síntese, reapresentou as razões de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Senhores conselheiros, eis as palavras do exator no último parágrafo do seu termo de constatação fiscal (fl. 17): Fl. 392DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 "(...) Essa informação é plenamente corroborada pelos extratos dos RE extraídos do Siscomex, que foram anexados pela defesa junto com a impugnação. O exame desses documentos revelam que em todos os RE houve vinculação ao ato concessório. Os arts. 335, I e 336, II, do Regulamento Aduaneiro de 2002, vigente no período de validade do ato concessório (23/05/2003 a 13/11/2004), estabelecia como condição para a concessão do regime apenas que as matériasprimas fossem utilizadas na fabricação de mercadorias a serem futuramente exportadas. Portanto, sendo incontroverso nos autos que o contribuinte cumpriu o compromisso estabelecido no ato concessório, não há que se cogitar da exigência dos tributos suspensos na importação, sob o argumento de que o SECEX considerou que o contribuinte descumpriu uma obrigação acessória estabelecida em ato administrativo de hierarquia inferior ao Regulamento. Do suposto descumprimento do prazo de 60 dias estabelecido na Portaria do SECEX, não decorre logicamente a consequência jurídica "exigência dos tributos suspensos". Existe um salto no raciocínio da fiscalização, pois apenas o descumprimento do compromisso firmado com a Administração no ato concessório, rende ensejo à exigência dos tributos suspensos. É isso que está no Regulamento. Também é incontroverso que o contribuinte foi autorizado a importar 17.500 Kg de Sulfa e 3.500 Kg de Trimetoprima. A sobra de 146 Kg de Sulfa ao final da vigência do ato concessório representa cerca de 0,83% da quantidade importada. Já a sobra de 30 Kg de Trimetoprima representa cerca de 0,86% da quantidade importada. Apesar de o contribuinte não ter comprovado a alegação de que o Ato Concessório previu uma quebra de 5%, as diferenças constatadas pela fiscalização são inferiores a 1% das quantidades de insumos importadas. Ora, o próprio art. 72, § 3º do RA/2009, considera desprezíveis diferenças inferiores a 1% nas quantidades de mercadorias importadas a granel no curso do despacho aduaneiro. Sendo assim, essas sobras inferiores a 1% das quantidades importadas são totalmente insignificantes pelo Regulamento, não tendo o menor cabimento se exigir sobre elas o tributo suspenso, ainda mais quando a própria fiscalização constatou o adimplemento do compromisso de exportação. Considerando que é incontroverso nos autos o adimplemento do regime, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10074.000303/200705 Acórdão n.º 3402002.882 S3C4T2 Fl. 4 5 Antonio Carlos Atulim Fl. 394DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 18347.000020/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE EFEITOS. DESFAZIMENTO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
A transferência de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI entre estabelecimentos contribuintes, ainda que da mesma pessoa jurídica, não encontra respaldo legal ou normativo, devido ao princípio da autonomia dos estabelecimentos, inerente ao tributo. Todavia, uma vez realizada, não é possível o seu desfazimento retroativo, haja vista a produção de efeitos que não podem mais ser revertidos, em face do transcurso temporal.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS PROCESSUAL.
O direito ao ressarcimento de créditos de IPI, lastreados no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF 33/99, como de resto qualquer espécie de ressarcimento e/ou repetição de indébito, exige a apresentação de documentação hábil à demonstração e quantificação do direito pleiteado, não militando em favor do requerente a alegação de desobrigação de manutenção e conservação do documentário fiscal por período superior a 05 (cinco) anos, argumento que, no caso concreto, mostra-se improcedente.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Elias Fernandes Eufrásio, que davam provimento.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE EFEITOS. DESFAZIMENTO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI entre estabelecimentos contribuintes, ainda que da mesma pessoa jurídica, não encontra respaldo legal ou normativo, devido ao princípio da autonomia dos estabelecimentos, inerente ao tributo. Todavia, uma vez realizada, não é possível o seu desfazimento retroativo, haja vista a produção de efeitos que não podem mais ser revertidos, em face do transcurso temporal. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS PROCESSUAL. O direito ao ressarcimento de créditos de IPI, lastreados no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF 33/99, como de resto qualquer espécie de ressarcimento e/ou repetição de indébito, exige a apresentação de documentação hábil à demonstração e quantificação do direito pleiteado, não militando em favor do requerente a alegação de desobrigação de manutenção e conservação do documentário fiscal por período superior a 05 (cinco) anos, argumento que, no caso concreto, mostrase improcedente. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Elias Fernandes Eufrásio, que davam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 34 7. 00 00 20 /2 00 8- 91Fl. 319DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Considerando a singularidade do caso e por bem resumir a situação dos autos, adoto o relatório da decisão de piso, verbis: “Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 05130.21482.171204.1.1.010478 (cópia às fls. 05/20), no valor de R$ 318.592,53, relativo a saldo credor do IPI que a empresa informou ser relativo ao 1º trimestre de 2000, apurado pelo estabelecimento 43.375.930/000302 (fl. 06). O crédito informado no mencionado PER foi utilizado na compensação declarada por intermédio da DCOMP número 15315.32133.200105.1.3.016365 (fls. 21/25). Os resultados da verificação da legitimidade do crédito alegado estão consolidados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 01/02. A auditora fez as seguintes constatações: a) o saldo credor no valor de R$ 318.711,11, relativo ao 1º trimestre de 2000, havia sido objeto de pedido de ressarcimento protocolado anteriormente (processo 13601.000078/0071), e que fora objeto de ação fiscal; b) naquela oportunidade, ficou comprovado que o crédito naquele montante (R$ 318.711,11) havia sido transferido, pela Denso (estabelecimento 43.375.930/000302) para a Betim Ar Condicionados (atual Denso Sistemas Térmicos, CNPJ 03.523.188/000140), mediante a NF nº 87.218 (fl. 04), tendo sido ‘estornado’ (mediante débito do imposto) da apuração do IPI, no 1º decêndio de fevereiro de 2000 (fl. 03); c) como o valor foi debitado na mencionada apuração, não resultou saldo credor disponível naquele estabelecimento da Denso (43.375.930/000302), o que levou ao indeferimento do pleito de ressarcimento (processo 13601.000078/0071), nos termos do Despacho Decisório de fls. 71/72; d) como, naquela época, restou comprovado não existir saldo credor naquele estabelecimento da Denso, e o PER/DCOMP tratado neste processo é relativo ao mesmo período anteriormente auditado (1º trimestre de 2000), opinou a auditora pelo indeferimento do presente pleito. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18347.000020/200891 Acórdão n.º 3401003.075 S3C4T1 Fl. 11 3 A autoridade competente da DRF/Contagem acatou os argumentos da fiscalização e indeferiu o pleito em sua totalidade, não reconhecendo o direito creditório e, por conseguinte, não homologando a compensação declarada. É o que se extrai do Despacho Decisório de fls. 28/30. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 36/40. Discorda do indeferimento e solicita o reconhecimento total do crédito pleiteado com base nos seguintes argumentos, resumidamente: admitiu a transferência de crédito do IPI, no valor de R$ 318.711,11, mediante a NF 87.218, para a empresa Betim Ar Condicionados, e que essa transferência teria originado o pedido de ressarcimento, nesse mesmo valor, formulado pela Denso do Brasil através do processo 13601.000078/0071; na análise daquele pedido (processo 13601.000078/0071) o pleito foi indeferido (fls. 71/72), e a Denso Sistemas Térmicos (atual denominação de Betim Ar Condicionados), que escriturara o crédito recebido em transferência, foi intimada a estornálo de sua escrita fiscal (fl. 79), tendo atendido à intimação e promovido o estorno no 3º decêndio de outubro de 2003 (fl. 85); visando compensar o prejuízo sofrido pela Denso Sistemas Térmicos, a Denso do Brasil reembolsou àquela empresa o valor de R$ 318.592,53, mediante pagamento em moeda corrente (fl. 89), e, mediante DARF, recolheu R$ 118,58 (fl. 90), o que complementou o montante de R$ 318.711,11, indevidamente transferido; com os pagamentos efetuados, a Denso do Brasil ‘efetivou o estorno de operação de transferência, gerando em seus livros o valor credor de R$318.592,53’, valor que solicitou mediante a apresentação do PER tratado neste processo.” (destacado) A DRJ Juiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade argumentando que no 1º trimestre/2000 o contribuinte requerente não possuía saldo credor de IPI suficiente a amparar o ressarcimento pretendido, pois, ainda que a indigitada transferência de créditos não fosse juridicamente possível, haveria necessidade do retorno do aludido crédito à sua escrita fiscal, o que somente poderia ocorrer em 2003, quando a cessionária estornou a operação. Em recurso voluntário o contribuinte sustentou que, uma vez considerada a invalidade da transferência, o negócio jurídico não surtiria efeito algum, de maneira que o período de apuração a considerar seria, sim, o 1º trimestre/2000. entretanto, ainda que assim não se entendesse, deverseia então, alternativamente, reconhecerlhe o crédito em 2003, como assentado pela decisão de primeira instância. Na sessão de 26/09/2013, através da Resolução nº 3401000.776, o julgamento foi convertido em diligência para colação de documentos e prestação de informações. Cumprida a diligência determinada retornou os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. À época, a diligência proposta buscava esclarecer as seguintes situações: “(...) 2. Informar se houve emissão de nota fiscal de transferência, por parte da DENSO SISTEMAS TÉRMICOS (CNPJ 03.523.188/000140) em favor da DENSO DO BRASIL LTDA. (CNPJ 43.375.930/000302), por ocasião do estorno da operação, e, em caso positivo, juntar cópia da nota fiscal e dos livros fiscais em que registrada; 3. Informar se a pessoa jurídica DENSO SISTEMAS TÉRMICOS (CNPJ 03.523.188/000140), atual denominação de BETIM AR CONDICIONADOS, se utilizou do crédito transferido mediante a NF 87.218 (fl. 04), juntando cópia do livro Registro de Apuração do IPI – mod. 8, período janeiro/2000 a dezembro/2004; 4. Juntar cópia do Livro Registro de Apuração do IPI – mod. 8, período janeiro/2000 a dezembro/2004, da pessoa jurídica DENSO DO BRASIL LTDA. (CNPJ 43.375.930/000302)” Em resposta, o contribuinte ora recorrente informou o seguinte: “Quanto ao item 1, informa a Manifestante que não houve emissão de nota fiscal de transferência por parte da Denso Sistemas Térmicos para a Denso do Brasil. Isso porque, após o recebimento do Termo de Intimação nº 980/2003 (fl. 79), a própria Denso sistemas Térmicos procedeu o estorno do crédito escriturado no primeiro decêndio de fevereiro de 2000, no 3º decêndio de outubro/2003, conforme comunicação à Fiscalização (fl. 78) e registro no seu Livro de Apuração do IPI de outubro/2003 (fl. 82), os quais novamente a Manifestante anexa aos autos. Quanto ao item 2, informa que a Denso Sistemas Térmicos do Brasil (CNPJ nº 03.523.188/000140), em um primeiro momento, se utilizou do crédito transferido mediante a NF 87.218 (fl. 4), porém, conforme demonstrado documentalmente, procedeu ao estorno do crédito no Livro de Apuração de IPI de outubro/2003. Por fim, quanto ao item 3, informa a Manifestante (DENSO DO BRASIL (CNPJ 43.375.930/000302), que não possui o Livro Registro de Apuração do IPI – mod. 8, período Fl. 322DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18347.000020/200891 Acórdão n.º 3401003.075 S3C4T1 Fl. 12 5 janeiro/2000 a dezembro/2004, pois se tratam de documentos emitidos há mais de 10 anos, já tendo sido eliminados.” (destacado) Portanto, a situação é a seguinte: a pessoa jurídica DENSO SISTEMAS TÉRMICOS DO BRASIL – CNPJ 03.523.188/000140, beneficiária da transferência do crédito no valor R$ 318.711,11, nada obstante a irregularidade, registrou este valor em sua escrita fiscal e o utilizou para abatimento do imposto em períodos de apuração posteriores, sendo que o seu estorno ocorreu apenas em outubro/2003. Contudo, ainda que tenha havido o estorno, o valor não foi devolvido formalmente à DENSO DO BRASIL LTDA. – CNPJ 43.375.930/000302, eis que não houve emissão de nota fiscal por parte daquele estabelecimento, além do que, este último estabelecimento não possui documentário fiscal para comprovar o retorno do crédito. Pois bem, colocado dessa forma, temse que não é possível acolher a tese de invalidade do procedimento original de transferência do crédito, com o fito de fazer retrotrair os efeitos da operação, como se nunca existira, porquanto, mesmo que eivada de irregularidade, a verdade é que esta transferência não só ocorreu como produziu o efeito de alterar o saldo credor do estabelecimento beneficiário no período (CNPJ 03.523.188/000140), reduzindo os saldos devedores ou acrescendo os saldos credores subseqüentes, o que somente cessou em outubro/2003, com o estorno do crédito, consoante cópia do Livro RAIPI (fl. 314). Essa realidade, ainda que indesejável, não pode ser simplesmente “apagada”, como deseja o recorrente, justamente porque os efeitos deflagrados já foram absorvidos pelo transcurso do tempo e não pode simplesmente ser restabelecido o status quo ante. Portanto, o novo marco temporal a ser considerado, em tese, deveria ser outubro/2003. Entretanto, como atesta o próprio recorrente, em que pese o estorno do direito de crédito pelo estabelecimento CNPJ 03.523.188/000140, não houve a formal transmissão do montante do crédito ao estabelecimento CNPJ 43.375.930/000302, ora requerente, que, além disso, não dispõe sequer dos Livros Registro de Apuração do IPI – RAIPI para demonstrar a existência de saldo credor suficiente a suportar o ressarcimento ora postulado, R$ 318.592,53. Ou seja, não há prova da existência do crédito pleiteado, prova esta cujo ônus de produção cabia ao recorrente, ex vi do art. 333, I do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/1973) utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal , que não se desvencilhou de seu encargo, sob alegação de não estar obrigado à guarda e conservação do documentário fiscal. Ocorre que, segundo o art. 57, § 1º da Lei nº 4.502/64, os livros e os documentos que servirem de base à sua escrituração serão conservados nos próprios estabelecimentos, para serem exibidos à fiscalização quando exigidos, durante o prazo de cinco anos ou até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, se esta verificarse em prazo maior. No mesmo sentido o art. 1.194 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), consoante o qual “o empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados”. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 No caso vertente, estando em curso o contencioso administrativo fiscal, o prazo de prescrição da respectiva ação de cobrança para exigência do crédito tributário sequer começou a fluir, isto porque, segundo as disposições do art. 151, III do Código Tributário Nacional, a interposição de recursos administrativos, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal, ocasiona a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente. Na precisa lição de Paulo de Barros Carvalho1, nestas hipóteses, dada a suspensão da exigibilidade, não há que se falar em fluência ou mesmo início do prazo prescricional: “Suspensão no curso do prazo prescricional não é a mesma ciosa que suspensão da exigibilidade do crédito tributário. (...). Para que se suspenda o lapso de tempo que leva à prescrição é imperativo lógico que ele tenha se iniciado, e, nem sempre que ocorre a sustação da exigibilidade, o tempo prescricional já terá começado a correr. Modelo significativo dessa disparidade encontramos no caso de impugnações e recursos interpostos nos termos das leis reguladoras do procedimento administrativo tributário. Lavrado o ato de lançamento, o sujeito passivo é notificado, por exemplo, a recolher o débito dentro de trinta dias ou a impugnálo no mesmo espaço de tempo. É evidente que nesse intervalo a Fazenda ainda não está investida da titularidade da ação de cobrança, não podendo,l por via de conseqüência, ser considerada inerte. Se o suposto devedor impugnar a exigência, de acordo com a fórmula do procedimento administrativo específico, a exigibilidade ficará suspensa, mas o prazo de prescrição não terá sequer iniciado.” Portanto, a obrigatoriedade da manutenção e conservação dos livros e documentos fiscais ainda não estava elidida. Esclareçase, por pertinente, que o direito ao ressarcimento não é decorrente exclusivamente da existência da nota fiscal de transferência de crédito, tampouco da prova do estorno no livro fiscal do estabelecimento CNPJ 03.523.188/000140, mas, principalmente, da própria existência de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado ao final do trimestrecalendário respectivo, que o contribuinte não pôde compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF 33/99, o que somente poderia ser demonstrado pela apresentação do Livro RAIPI do estabelecimento CNPJ 43.375.930/000302, que apurou o pretenso direito creditório, o que não ocorreu. Outrossim, diversamente do que prega o recorrente, a decisão recorrida não lhe reconheceu a existência do crédito rogado, mas apenas asseverou qual o procedimento adequado à situação vertente, como se extrai do seguinte excerto: “A requerente, ao tomar conhecimento do estorno do crédito pela Denso Sistemas Térmicos, deveria, após outubro de 2003, ter lançado o montante de R$ 318.592,53 a crédito na apuração do IPI nessa época (2003). E assim, nesse montante, retornaria ao cômputo dos créditos 1 Curso de direito tributário. 10ª edição revista e aumentada. São Paulo: Saraiva, 1998, pág. 318. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18347.000020/200891 Acórdão n.º 3401003.075 S3C4T1 Fl. 13 7 escriturais desse período de 2003, o que, após dedução do IPI devido nas operações de saídas, resultaria na apuração de um saldo trimestral, que, se credor, poderia ser passível de ressarcimento. Pela série de equívocos cometidos pela requerente, equívocos esses que, hoje. não podem ser mais desfeitos, não há como reconhecer o direito ao ressarcimento pleiteado. Ressaltese que estamos diante de um pleito de ressarcimento, competindo aos contribuintes efetuar os pedidos na forma instituída pela legislação de regência.” (grifos no original) Em síntese, não há como reconhecer o crédito pleiteado por ausência de elementos de prova que demonstrem a efetiva existência do saldo credor passível de ressarcimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 325DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15504.015166/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
LIMITES DA COISA JULGADA - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689, DE 1988 - APTIDÃO DA LEI Nº 8.212, DE 1991, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL.
O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja exigível com base em norma legal superveniente que tenha alterado substancialmente os aspectos da hipótese de incidência. A Lei nº 8.212, de 1991, constitui fundamento legal apto para exigir a CSLL de contribuintes que se acham desobrigados, por decisão judicial definitiva, de cumprir a Lei nº 7.689, de 1988.
Numero da decisão: 1402-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração e manter a decisão nos termos do Acórdão 1402-001.358. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR CONTRADIÇÃO/OMISSÃO PRESENTE. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhemse os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LIMITES DA COISA JULGADA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689, DE 1988 APTIDÃO DA LEI Nº 8.212, DE 1991, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja exigível com base em norma legal superveniente que tenha alterado substancialmente os aspectos da hipótese de incidência. A Lei nº 8.212, de 1991, constitui fundamento legal apto para exigir a CSLL de contribuintes que se acham desobrigados, por decisão judicial definitiva, de cumprir a Lei nº 7.689, de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração e manter a decisão nos termos do Acórdão 1402 001.358. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 51 66 /2 00 9- 73 Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.837 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.838 3 Relatório Trata o presente da análise dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos por SAMARCO MINERAÇÃO S.A. (fls. 1.1621.178), já identificada nos autos, contra o Acórdão 1402001.358 (fls. 9971.054), proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte. Em que pese o lançamento original ter tratado da apuração de crédito tributário relativo ao IRPJ, à CSLL e à multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, relativos aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, importa consignar que os embargos ora analisados tem por objeto apenas a exigência relativa à falta de declaração e recolhimento da CSLL incidente sobre as bases positivas apuradas anualmente, enquadramento legal: art. 2º e seus parágrafos, da Lei nº 7.689, de 1988; Lei nº 8.212, de 1991; artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Delimitase, portanto, a matéria a ser discutida a essa exigência. Passo a sintetizar os fatos de interesse. A empresa teve em seu favor ação judicial, proposta em 1990, objetivando não recolher CSLL em face da inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988. O objeto da ação era a declaração da inexistência de relação jurídicotributária entre a Impetrante e a União, com pedido de declaração incidental da inconstitucionalidade da cobrança da Lei nº 7.689, de 1988. O acórdão transitou em julgado em 1993, havendo a formação da coisa julgada na ação ordinária, pela qual o Poder Judiciário reconheceu a inexistência de relação jurídica que obrigue a empresa ao recolhimento da CSLL com base no artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988. A autuação se deu, em apertada síntese, com base nos argumentos a seguir explicitados: · reconhece o trânsito em julgado da ação judicial; · entende que, no caso vertente, a decisão declaratória incidental de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, como coisa julgada entre as partes, foi concreta e juridicamente afetada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quando este apreciou a questão pela via incidental, em ação diversa, ocasião em que a considerou conforme a Constituição, menos o seu artigo 8º, que determinava a cobrança da CSLL no períodobase encerrado em 31.12.1988. · argumenta que desde então já não se duvida da validade da norma. Tanto é que o Senado Federal, fundandose nessa decisão, expediu a Resolução nº 11, de 04.04.1995, que da lei em causa suspendeu a execução apenas do artigo 8º, ou seja, deixou de existir no mundo normativo unicamente tal artigo, enquanto tudo o mais vigora com plena eficácia. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.839 4 · entende que os tributos de trato sucessivo constituem um sistema de bases correntes, o que impede a constituição de coisa julgada. · argumenta, também, que contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que modifique o tributo em sua essência. · aduz que a Lei nº 8.212, de 1991, não apenas reproduziu a obrigação constitucional de as empresas contribuírem sobre o lucro, como reafirmou as disposições contidas na Lei nº 7.689, de 1988, concernentes à base de cálculo e à alíquota. Argumenta, nesse sentido, que para instituir um tributo, a lei deve definirlhe os contribuintes, o fato gerador, a alíquota e base de cálculo, e que nenhum desses elementos faltaria à Lei nº 8.212, de 1991: o artigo 11, parágrafo único, letra “d” discrimina o fato gerador da CSLL; o artigo 15 conceitua seu contribuinte; o artigo 23 determina sua base de cálculo e a alíquota; o artigo 33 dispõe sobre a fiscalização e sobre o lançamento de ofício; o artigo 34 estabelece o critério de correção monetária dos débitos em atraso. · conclui que, pelo amplo tratamento que lhe conferiu, a Lei nº 8.212, de 1991, legitimaria por si só a exigência da CSLL. A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 02 26.044 (fls. 503518) de 17/03/2010, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. O acórdão de recurso voluntário, quanto a esse tópico, manteve a exigência da CSLL conforme lançada. Vejase a ementa daquele acórdão: LIMITES DA COISA JULGADA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689, DE 1988 – APTIDÃO DA LEI Nº 8.212, DE 1991, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja de novo exigível com base em norma legal superveniente. A Lei nº 8.212, de 1991, constitui fundamento legal apto para exigir a CSLL de contribuintes que se acham desobrigados, por decisão judicial definitiva, de cumprir a Lei nº 7.689, de 1988. Inconformada, a Interessada opôs embargos de declaração argumentando que há no acórdão embargado contradição e omissão quanto à apreciação do tema discutido nos autos pela sistemática dos recursos repetitivos. Alega, primeiramente, haver contradição no acórdão embargado: reconhecida a formação da coisa julgada, a decisão embargada centrou sua análise nos efeitos da coisa julgada e no seu alcance temporal. Entende que a obediência à decisão proferida pelo Poder Judiciário em sede de recurso repetitivo e o prosseguimento da análise citada configuraria a contradição aventada. Vejamse os termos dos embargos interpostos. “[...] Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.840 5 Data vênia, aqui um primeiro ponto importante e que deve ser objeto dos presentes embargos: cabe decisão agravada, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno deste CARF, sem prejuízo de seguir a linha acima, acatar decisão proferida pelo Poder Judiciário, em sede de recurso repetitivo. Portanto, sempre com todo respeito aos Ilmos. Julgadores, a primeira contradição a ser resolvida é: uma vez decidida a matéria, em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, nos termos do Regimento Interno, cabe aos Ilmos. Julgadores verificar se aquele precedente se aplica ao caso ou não; se aplicável, ainda que com ele não concorde, deve o mesmo ser obedecido; lado outro, se não aplicável o precedente, pode o CARF dar seguimento ao recurso para analisar outras questões, inclusive os efeitos da coisa julgada no caso concreto.” Noutro giro, alega omissão no acórdão embargado. Entende incorreta a premissa utilizada de que o precedente do STJ, onde a matéria tratada nos autos foi julgada em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.118.893), ao fazer referência à Lei nº 8.212/91 apenas de forma restrita, na análise do seu artigo 23, não teria enfrentado o tema à luz dessa lei. Nesse sentido, argumenta que o acórdão embargado teria sido omisso ao interpretar o precedente do STJ sem levar em conta a análise de todo o seu conteúdo. Entendendo que a tese apresentada nos embargos opostos merecia uma análise mais aprofundada por parte deste Colegiado, com base no art. 65, §2°, do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF, manifesteime pela admissão dos embargos de declaração e consequente retorno dos autos a este Colegiado para a apreciação da matéria recorrida, objeto dos embargos ora em análise. Manifestação aprovada pelo Presidente desta Turma, conforme despacho de fl. 1.835, retornam os autos para submissão dos embargos de declaração ao Colegiado. É o relatório. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.841 6 Voto Os Embargos de Declaração reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da contradição aventada Entende a embargante, quanto a esse ponto, que, uma vez decidida a matéria, em sede de recurso repetitivo pelo STJ, nos termos do Regimento Interno deste Conselho caberia verificar se aquele precedente se aplicaria ao caso ou não. Caso aplicável, ainda que com ele não concorde, deve o mesmo ser obedecido; caso não aplicável, pode o CARF dar seguimento ao recurso para analisar outras questões, inclusive os efeitos da coisa julgada no caso concreto. Pois bem, após me debruçar novamente sobre o assunto, continuo entendendo que o precedente não se aplica ao caso concreto. O precedente, conforme relatado, diz respeito ao reconhecimento pelo Poder Judiciário, com formação da coisa julgada, de inexistência de relação jurídica entre a Autora e a União que obrigue a primeira ao recolhimento da CSLL com base no Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88. Por sua vez, o lançamento em análise trata da exigência da CSLL, para exercícios posteriores à coisa julgada, fundada não somente na Lei nº 7.689/88, mas em outras que, como se verá a seguir, alteraram substancialmente a matriz de incidência do tributo. Essa matéria foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede do rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que entendeu que os efeitos da declaração de inexistência de relação jurídicotributária subsistem até a presente data para o contribuinte que tem decisão judicial transitada em julgado nesse sentido. Argumenta aquela corte superior, em seu acórdão representativo de controvérsia (Resp nº 1.118.893 MG (2009/00111359) – Min. Arnaldo Esteves Lima) – Dje de 06/04/2011), que as leis posteriores à Lei n° 7.689/88, que apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária, não podem servir de fundamento para a cobrança da exação em relação às empresas que possuem decisões favoráveis transitadas em julgado pela inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. Vejase a ementa daquele Resp. RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893 MG (2009/00111359) EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.842 7 DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.843 8 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (grifei) Em outro julgado (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.176.454 MG (2010/00113508) – Min. Mauro Campbell Marques – Dje de 28/04/2011), relativo ao alcance da súmula 239/STF sobre a coisa julgada, aquela Corte Superior entendeu pela aplicação da súmula caso a decisão que afasta a cobrança do tributo se restrinja a determinado exercício (a exemplo dos casos onde houve a declaração de inconstitucionalidade somente do art. 8º, da Lei n. 7.689/88). Por outro lado, se a decisão atacar o tributo em seu aspecto material da hipótese de incidência, não há como exigir o seu pagamento sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência. Vejase a ementa, in verbis: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.176.454 MG (2010/00113508) Ementa PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO.CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL.INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. COISA JULGADA. ALCANCE DA SÚMULA 239/STF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. 1. Se a decisão que afasta a cobrança do tributo se restringe a determinado exercício (a exemplo dos casos onde houve a declaração de inconstitucionalidade somente do art. 8º, da Lei n. 7.689/88),aplicase o enunciado n. 239 da Súmula do STF, por analogia, in verbis: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". 2. Contudo, se a decisão atacar o tributo em seu aspecto material da hipótese de incidência, não há como exigir o seu pagamento sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência. Precedente: EREsp Nº 731.250 PE, Primeira Seção, Rel. Min. José Delgado, julgado em28.5.2008; e REsp Nº 731.250 PE, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.4.2007. 3. Situação em que o acórdão que transitou em julgado declarou a inconstitucionalidade material de toda a Lei n. 7.689/88 (argumento de que a forma de arrecadação do tributo e a sua destinação não foram as constitucionalmente previstas, descaracterizandoo como contribuição e impossibilitando o seu tratamento como imposto) e formal do seu art. 8º (fundamento de violação ao princípio da anterioridade). Sendo assim, atacou o tributo também em seu aspecto material da hipótese de incidência, não havendo como exigir o seu pagamento (enquanto o critério material da hipótese de incidência for o mesmo) sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência. 4. Na assentada do dia 23 de março de 2011, ao julgar o REsp1.118.893/MG, sob a relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima e de acordo com o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, a Primeira Seção acabou por confirmar a orientação predominante nesta Corte a respeito da controvérsia sobre os limites objetivos da coisa julgada, dadas as alterações legislativas posteriores ao trânsito em Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.844 9 julgado de sentença declaratória de inexistência de relação jurídicatributária no tocante à contribuição social instituída pela Lei 7.689/88. 5. Agravo regimental não provido. (grifei) As situações acima descritas permitem concluir que o entendimento esposado pelo STJ não considera ofensa à coisa julgada a exigência da CSLL, para exercícios posteriores, desde que fundamentada em lei diversa da Lei nº 7.689/88, que tenha alterado substancialmente a matriz de incidência do tributo. Entendo que a Lei nº 8.212, de 1991, que compõe a base legal do lançamento, apresentase com tais características. Nesse sentido, peço vênia para reproduzir os fundamentos da decisão recorrida, que adoto como razão de decidir neste voto. “... Não obstante, a argumentação da Impugnante não se sustenta, tanto pelo seu conteúdo básico, como por seus aspectos secundários. Ao contrário do que argumenta a Impugnante, a exigência de CSLL pelo presente lançamento não viola a coisa julgada e, por conseguinte, tampouco desrespeita o princípio da segurança jurídica. ... ... Ocorre que, além da Lei nº 7.689, de 1988, tanto no auto de infração como no termo de verificação fiscal, indicase como base legal da exigência outras disposições legais, entre as quais sobressai a Lei nº 8.212, de 1991. O artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, reza que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes, entre outros, dos lucros das empresas. Assim, a Lei nº 7.689, de 1988, não criou do nada a CSLL, antes veio a instituir uma obrigação cuja exigência era prescrita pela própria Constituição. Na eventualidade de a Lei nº 7.689, de 1988, não puder ser aplicada a determinado contribuinte, o governo, valendose da previsão constitucional, pode tornar a cobrar a exação desse mesmo contribuinte, desde que obtenha do Parlamento a aprovação de nova lei. Foi exatamente o que sucedeu quando foi promulgada a Lei nº 8.212, de 1991. A coisa julgada somente impediria que a autuada viesse a ser novamente sujeita ao pagamento da CSLL se a decisão judicial tivesse considerado inconstitucional não as referidas leis, mas a própria cobrança da contribuição social. Semelhante decisão, porém, é impossível, visto que contrariaria frontalmente disposição da própria Constituição Federal. A Impugnante sustenta que o trânsito em julgado da decisão que desobrigara a autuada de pagar a CSLL, assim como o fato de ter sido mal sucedida a tentativa, da Procuradoria da Fazenda Nacional, de rescindir a decisão, tornam infundado o lançamento. Contudo, o argumento da Impugnante é desarrazoado. O malogro da ação rescisória intentada pela Fazenda Nacional reforçaram a coisa julgada, mas seus efeitos não se ampliaram em virtude da circunstância. Embora irrescindível a coisa Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.845 10 julgada, seus efeitos submetemse aos limites prescritos pelos artigos 468, 469 e 470 do Código de Processo Civil, os quais dispõem, literalmente: Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Art. 469. Não fazem coisa julgada: I – os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II – a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III – a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Art. 470. Faz, todavia, coisa julgada a resolução da questão prejudicial, se a parte o requerer (arts. 5º e 325), o juiz for competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide. À luz do disposto nos preceitos supra, a força da coisa julgada é limitada pela lide e pelas questões decididas. Mais ainda, os motivos da decisão, embora não façam coisa julgada, importam para determinar o alcance desta. A lide que se instaurou pela propositura da ação declaratória pela autuada consistiu em determinar se havia relação jurídica, entre ela e a Fazenda Nacional, que a obrigasse ao recolhimento da CSLL. Qualquer relação jurídica, por definição, implica a atuação de lei, pois sem lei que o preveja, não surge o vínculo. Com efeito, ao se referir a uma relação jurídica, implicitamente se está referindo à lei em que se baseia. Na ação em causa, nem há mister de muita cogitação, pois a própria Impugnante nos informa que a relação jurídica cuja declaração de inexistência pediu foi a prevista na Lei nº 7.689, de 1988. Assim, a questão disputada e decidida na ação não foi qualquer relação jurídica que exigisse da empresa o recolhimento da CSLL, mas somente a relação prevista na referida lei. Somente o pronunciamento judicial acerca da inexistência de tal relação jurídica, muito bem especificada e delimitada, é que fez coisa julgada. Notese que também a motivação dada pelo autor da ação para sustentar a inexistência da relação jurídica não foi outra senão a inconstitucionalidade da lei em causa, o que também adscreve o alcance da coisa julgada a ela. Por conseguinte, a autuada não pode opor essa coisa julgada a qualquer outra relação jurídica que exija a CSLL da autuada em virtude de lei diversa, contra a qual sua eficácia é nula. Por isso mesmo, o lançamento não viola a coisa julgada, visto que se funda a exigência na Lei n° 8.212, de 1991. ..." Ratifico, pois, o acórdão embargado nos termos acima apresentados. Da omissão aventada Alega a embargante omissão no acórdão embargado. Entende incorreta a premissa utilizada de que o precedente do STJ, onde a matéria tratada nos autos foi julgada em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.118.893), ao fazer referência à Lei nº 8.212/91 apenas de forma restrita, na análise do seu artigo 23, não teria enfrentado o tema à luz dessa lei. Nesse Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.846 11 sentido, argumenta que o acórdão embargado teria sido omisso ao interpretar o precedente do STJ sem levar em conta a análise de todo o seu conteúdo. Com efeito, estudando novamente o caso, reafirmo a posição adotada no acórdão embargado. Vejase o seu conteúdo, que ratifico, transcrito a partir dos fundamentos da decisão recorrida acima iniciado. "... Isso posto, restanos agora examinar se a Lei n° 8.212, de 1991, realmente criou relação jurídica que confere a Fazenda Pública o direito de exigir da autuada a CSLL, proposição combatida pela Impugnante na segunda parte de sua contestação. A Impugnante argumenta que somente tem validade para exigir tributo a lei que contiver todos os elementos necessários para a determinação do crédito tributário ou para formar o vínculo tributário. A mesma Impugnante enumera esses elementos, a saber: a alíquota, a base de cálculo, o fato gerador, as isenções, o sujeito passivo, o aspecto temporal etc. A seu ver, a Lei nº 8.212, de 1991, não satisfez tal requisito, uma vez que teria levado a cabo mera alteração parcial no texto da Lei nº 7.689, de 1988. Diz que concordaria com a exigência com base na Lei nº 8.212, de 1991, contanto que esta regulamentasse a matéria em seu todo, ou, ainda que parcialmente, retificasse os pontos que haviam sido declarados inconstitucionais pelo Poder Judiciário na ação declaratória de que a autuada saíra vencedora. Diferentemente, porém, do que argúi a defesa, a Lei n° 8.212, de 1991, contém todos os elementos que ela própria arrola como indispensáveis para instituir determinado tributo. Examinemos seus dispositivos relevantes para dirimir a questão, literalmente: Art. 11 No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregados domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre o faturamento e lucro; e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. (....) Art. 15 Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.847 12 II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único Considerase empresa, para os efeitos desta Lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (....) Art. 23 As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1° do art. 1° do Decretolei n° 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2° da Lei n° 8.034, de 12 de abril de 1990. § 1º No caso das instituições citadas no § 1° do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). (....) Art. 30 A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecada na forma da alínea anterior, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos a seu serviço, na mesma data prevista pela legislação trabalhista para o pagamento de salários e de contribuições incidentes sobre a folhadesalários; c) recolher as contribuições de que tratam os incisos I e II do art. 23, na forma e prazos definidos pela legislação tributária vigente; (....) Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita Federal (DRF) compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições previstas nas Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.848 13 alíneas “d” e “e” do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 1° É prerrogativa do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e do Departamento da Receita Federal (DRF) o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2° A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que julgarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (....) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 34 As contribuições devidas à Seguridade Social e outras importâncias não recolhidas nas épocas próprias terão seus valores atualizados monetariamente, em caráter irrelevável, até a data do pagamento, de acordo com os critérios adotados para os tributos da União. Art. 55 Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.849 14 apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. Ora, é evidente que o art. 11, § único, letra “d” discrimina o fato gerador da contribuição social de que se trata: o lucro. O art. 15 conceitua seu contribuinte: as empresas, quer constituídas sob a forma de sociedades, quer sob a forma de firmas individuais. O art. 23 determina sua base de cálculo e a alíquota: 10% sobre o lucro líquido ajustado, antes da provisão do imposto de renda. Essas disposições já fornecem o bastante para constituir qualquer espécie tributária, mas o legislador prossegue: no art. 30 trata da forma de arrecadação, no art. 33 dispõe sobre a fiscalização e sobre o lançamento de ofício, no art. 34 estabelece o critério de correção monetária dos débitos em atraso, e, finalmente, no art. 55 institui hipótese de isenção. Não constitui nenhum demérito para a Lei nº 8.212, de 1991, afirmar que esta reitera o conteúdo da Lei nº 7.689, de 1988. Tratase dum fenômeno comumente observado na atividade legislativa. E a reiteração é particularmente comum quando o objetivo do legislador é consolidar as normas a respeito dum mesmo assunto ou dum inteiro ramo do direito. Ninguém tem dúvidas de que o Código Civil de 2002 substituiu o Código Civil anterior, de 1916. E todavia aquele reitera boa parte do conteúdo deste. Por sua vez, a Lei nº 8.212, de 1991, resultou dum esforço do legislador de consolidar num só corpo legal diversas normas a respeito da seguridade social, tanto que já no cabeçalho ostenta o título de Lei Orgânica da Seguridade Social. Tampouco tira força da Lei nº 8.212, de 1991, o fato de outras leis e até o ADCT fazerem referência à Lei nº 7.689, de 1988. Esse fenômeno tem várias explicações. Primeiramente, a aplicação da Lei nº 7.689, de 1988, foi afastada, por ser considerada inconstitucional, por tribunais de hierarquia inferior somente até que o STF pacificasse a questão, afirmando a sua constitucionalidade com exceção do artigo 8º, que desrespeitou o princípio da irretroatividade. Assim, apenas por uma interpretação precipitada, e que no final se revelou equivocada, de alguns tribunais, e por ter havido o trânsito em julgado de algumas dessas decisões, é que muitos contribuintes foram dispensados do cumprimento da Lei nº 7.689, de 1988. Mas, em virtude do que em caráter definitivo decidiu o STF, a Lei nº 7.689, de 1988, não foi excluída do ordenamento jurídico. Seguese também que é correto afirmar que historicamente a CSLL foi instituída por ela, razão porque o legislador, amiúde, emprega os dizeres “a contribuição social instituída pela Lei nº 7.689, de 1988”, ou algo semelhante. A despeito de ter sido a princípio contestada, é fato histórico que a CSLL foi introduzida no sistema tributário nacional pela Lei nº 7.689, de 1988. Isso, não significa, porém, que a norma instituidora não possa ser parcialmente revogada ou corroborada por outras que lhe sobrevierem. É o que faz a Lei nº 8.212, de 1991, que corrobora a Lei nº 7.689, de 1988, no que concerne aos elementos instituidores do tributo. Como vimos, aquela lei contém todos os elementos dessa natureza considerados essenciais, como a definição do fato gerador, da base de cálculo, e dos contribuintes e responsáveis, e por isso sobrepõe se e sustentase sem ela, sem nenhuma correlação de dependência, nos termos do artigo 2º, §§ 1º e 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil (Decretolei nº 4.657, de 04.09.1972). Algumas normas de caráter secundário ou que digam respeito a contribuintes específicos só aparecem na Lei nº 7.689, de 1988. Por isso é que frequentemente o legislador subsequentemente ainda faz referência a ela, uma vez que essas normas não foram derrogadas pela Lei nº 8.212, de 1991. No entanto, para Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.850 15 sustentar a exigência da CSLL da autuada não é preciso recorrer a nenhuma das disposições constantes da Lei nº 7.689, de 1988, porque as matérias que são tratadas nela mas não na Lei nº 8.212, de 1991, além de não serem essenciais, são também reguladas em leis posteriores que não foram consideradas inconstitucionais (tais como as Leis nº 8.541, de 1992, 8.981, de 1995, 9.065, de 1995, 9.249, de 1995, 9.316, de 1996, 9.430, de 1996, etc). Concluise, assim, que as duas normas convivem lado a lado, mas, no caso de contribuintes beneficiados por decisão transitada em julgado que os isentou do cumprimento da mais antiga, é indubitável que a mais recente é o bastante para sustentar a cobrança da CSLL. Outrossim, a circunstância de outras leis se ocuparem do mesmo assunto, complementando a Lei 8.212, de 1991, não diminui sua força nem prejudica sua função de sustentáculo da exigência de contribuição social sobre o lucro. Apesar das relações de hierarquia existentes entre as normas, o ordenamento compõe um todo incindível e harmonioso, é uno, não se divide em partições estanques; se há códigos e leis que versem sobre uma só matéria, isto se justifica apenas pela facilidade que oferecem aos intérpretes e aplicadores do Direito. Tanto que não apenas o Código Penal traz normas definidoras de crimes; contamse inúmeras leis esparsas que dispõem sobre a mesma matéria: Lei de Falências, Código de Defesa do Consumidor, Estatuto da Criança e do Adolescente, Código Eleitoral, Código Florestal. Por outro lado, não se exige unicidade de objeto do diploma legal, isto é, que verse um só assunto. Lembrese, como ilustração, novamente o Código de Defesa do Consumidor; nele se acham preceitos de diversa natureza: comercial, penal, administrativa, processual. Assim seria descabido enjeitar a Lei 8.212/91, a pretexto de cuidar precipuamente das fontes de custeio da Previdência Social, argumento defendido pela Impugnante. Tampouco se requer que o ato legislativo indique, explícita e didaticamente, os elementos constitutivos do tributo que visa a instituir; é suficiente que possam ser inferidos do texto legal, entendido como texto legal não apenas uma lei insulada, mas todo o ordenamento. Basta que a hipótese de incidência se infira do ordenamento. Por sua vez, hipótese de incidência é a descrição legislativa (necessariamente hipotética) de um fato a cuja correspondência in concretu a lei atribui a força jurídica de determinar o nascimento da obrigação tributária. Pois esta categoria ou protótipo (hipótese de incidência) se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Tais aspectos não vêm necessariamente arrolados de forma explícita e integrada na lei. Pode haver e tal é o caso mais raro uma lei que os enumere e especifique a todos, mas, normalmente, os aspectos integrativos da hipótese de incidência estão esparsos na lei, ou em diversas leis, sendo que muitos são implícitos no sistema jurídico. Esta multiplicidade de aspectos não prejudica, como visto, o aspecto unitário e indivisível da hipótese de incidência. Percebeo o jurista, utilizando o instrumental da ciência do direito. Não custa lembrar, que os variados aspectos da hipótese de incidência mencionados equivalem, entre outros, aos elementos comumente conhecidos como fato gerador, contribuinte, base de cálculo e alíquota, os quais alguns autores designam, respectivamente, aspecto material, aspecto pessoal e aspectos quantitativos da norma instituidora do tributo. Ou seja, para criar (ou recriar) um tributo, é desnecessário que o legislador enfeixe num só diploma legal as normas pertinentes. Além do mais, também é inválido o argumento da Impugnante segundo o qual a Lei n° 8.212, de 1991, deveria, ao menos, retificar os pontos da Lei nº 7.689, de Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.851 16 1988, os quais haviam sido apontados pela decisão judicial passada em julgado como motivação para o reconhecimento da sua inconstitucionalidade. Entre esses pontos a Impugnante menciona expressamente a falta da edição de lei complementar para instituir a CSLL, a suposta adoção da mesma base de cálculo do IRPJ e equivocada destinação de receita arrecadada à Receita Federal (em verdade, esse órgão apenas administra a arrecadação do tributo, mas o seu produto, por óbvio, é destinado ao Tesouro Nacional). Ocorre que, embora tais aspectos, entre outros, tenham sido referidos na sentença obtida pela autuada, isso não fez parte do dispositivo da decisão judicial, mas constou apenas de sua motivação. Ora, nos termos do artigo 469 do Código de Processo Civil, os motivos da decisão não integram a coisa julgada, embora sirvam para lhe definir o alcance. Ainda conforme o artigo 469, tampouco a questão decidida incidentalmente no processo se torna coisa julgada. Uma vez que a declaração de inconstitucionalidade constitui uma questão incidental na ação declaratória, ela própria não faz coisa julgada. Com efeito, a declaração de inconstitucionalidade só pode ser o objeto principal da lide e, assim, vir a tornarse coisa julgada, numa ação direta de inconstitucionalidade, mas os contribuintes em geral carecem de legitimidade para propor tal ação, uma vez que a Constituição a confere somente a altos dignitários da República ou a entidades de elevada representatividade política. Não fazendo parte da coisa julgada os motivos da sentença, a autuada não pode opôlos para negar validade à Lei nº 8.212, de 1991. Acresce que, de acordo com a Constituição Federal, o STF detém a última palavra em matéria constitucional no país. Haja vista que esse órgão sentenciou que a Lei nº 7.689, de 1988, se acha inteiramente concorde com a Constituição (salvo por seu artigo 8º, pela razão já explanada e que não guarda nenhuma relação com a causa em julgamento), não havia nem há mister de retificar nenhum ponto ou disposição sua. A lei superveniente cria uma realidade jurídica inteiramente nova, que se acha fora do alcance da coisa julgada formada anteriormente. Não se concebe que, a cada nova lei, o Poder Executivo e a Administração Pública tenham de requerer ao Judiciário autorização para aplicála. Qualquer nova lei entra em vigor tão logo seja sancionada e publicada, a não ser que disposição expressa dela mesma ou de norma de hierarquia superior postergue o início de sua vigência. Quem se sentir prejudicado é que deve recorrer ao Judiciário e pedir que a nova norma não se lhe aplique. ... Portanto, pelo amplo tratamento que lhe conferiu, a Lei n° 8.212, de 1991, legitima por si só a exigência da CSLL. Por isso, ainda que se entenda que a autuada continue dispensada de cumprir o disposto na Lei nº 7.689, de 1988, nem assim ela se exime de pagar a CSLL que lhe for exigida com base na Lei nº 8.212, de 1991, e em outras normas editadas subsequentemente. Por fim, convém ressaltar que o STJ, na ementa de seu acórdão representativo de controvérsia (Resp nº 1.118.893 MG (2009/00111359), não inclui a Lei nº 8.212, de 1991, no rol das leis, posteriores à Lei n° 7.689/88, que alteraram apenas aspectos quantitativos da hipótese de incidência. Vejase a correspondente ementa. 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.852 17 relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). Apenas no correspondente voto daquele Acórdão é que se faz referência à citada Lei nº 8.212/91, mesmo assim, em uma análise restrita a seu art. 23. Vejase o trecho de interesse. ... No caso específico da CSLL, alegase, ainda, que, não obstante a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, há diplomas supervenientes legitimando sua exigibilidade, a saber: Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e Lei 8.383/91, além da Lei Complementar 70/91. Ocorre que referida tese já foi conduzida à apreciação deste Tribunal nos autos do REsp 731.250/PE (Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07), apontado como paradigma no presente recurso especial, oportunidade em que se decidiu que as alterações veiculadas por tais diplomas não revogaram a disciplina da referida contribuição, que continuou a ser cobrada em sua forma primitiva. Transcrevo a ementa do acórdão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – ALCANCE DA SÚMULA 239/STF – COISA JULGADA: VIOLAÇÃO – ART. 471, I DO CPC NÃO CONTRARIADO. 1. A Súmula 239/STF, segundo a qual "decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício, não faz coisa julgada em relação aos posteriores", aplicase tãosomente no plano do direito tributário formal porque são independentes os lançamentos em cada exercício financeiro. Não se aplica, entretanto, se a decisão tratou da relação de direito material, declarando a inexistência de relação jurídicotributária. 2. A coisa julgada afastando a cobrança do tributo produz efeitos até que sobrevenha legislação a estabelecer nova relação jurídicotributária. 3. Hipótese dos autos em que a decisão transitada em julgado afastou a cobrança da contribuição social das Leis 7.689/88 e 7.787/89 por inconstitucionalidade (ofensa aos arts. 146, III, 154, I, 165, § 5º, III, 195, §§ 4º e 6º, todos da CF/88). 4. As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. 5. Violação ao art. 471, I do CPC que se afasta. 6. Recurso especial improvido. Do voto condutor do julgado extraio o seguinte trecho, que bem esclarece os fundamentos que prevaleceram: Na específica hipótese dos autos, a decisão transitada em julgado atingiu a relação de direito material, ao concluir que a cobrança da contribuição social das Lei 7.689/88 e 7.787/89 seria inconstitucional, e a exação somente poderia ser cobrada a Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.853 18 partir de uma nova relação jurídicotributária estabelecida em lei nova. Por isso, pertinente verificar quais foram as alterações introduzidas pelas Leis 7.856/89, 8.034/90, LC 70/91, 8.383/91 e 8.541/92. Vejamos: Lei 7.856/89: Art. 2º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao período base de 1989, a alíquota da contribuição social de que se trata o artigo 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passará a ser de dez por cento. Parágrafo único. No exercício financeiro de 1990, as instituição referidas no art. 1º do DecretoLei nº 2.426, de 7 de abril de 1988, pagarão a contribuição à alíquota de quatorze por cento. Lei 8.034/90: Art. 2º A alínea c do § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 2º... § 1º ... c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixado durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase." LC 70/91: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Lei 8.383/91: 10. O imposto e a contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988), apurados em cada mês, serão pagos até o último dia útil do mês subseqüente. (...) Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.854 19 Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.° 7.689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Art. 79. O valor do imposto de renda incidente sobre o lucro real, presumido ou arbitrado, da contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988) e do imposto sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35), relativos ao exercício financeiro de 1992, períodobase de 1991, será convertido em quantidade de UFIR diária, segundo o valor desta no dia 1° de janeiro de 1992. Parágrafo único. Os impostos e a contribuição social, bem como cada duodécimo ou quota destes, serão reconvertidos em cruzeiros mediante a multiplicação da quantidade de UFIR diária pelo valor dela na data do pagamento. Art. 89. As empresas que optarem pela tributação com base no lucro presumido deverão pagar o imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988): I relativos ao períodobase de 1991, nos prazos fixados na legislação em vigor, sem as modificações introduzidas por esta lei; II a partir do anocalendário de 1992, segundo o disposto no art. 40. Lei 8.541/92: Art. 38. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de pagamento estabelecidas por esta Lei para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantida a base de cálculo e alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. § 1° A base de cálculo da contribuição social para as empresas que exercerem a opção a que se refere o art. 23 desta Lei será o valor correspondente a dez por cento da receita bruta mensal, acrescido dos demais resultados e ganhos de capital. § 2° A base de cálculo da contribuição social será convertida em quantidade de UFIR diária pelo valor desta no último dia do períodobase. § 3° A contribuição será paga até o último dia útil do mês subseqüente ao de apuração, reconvertida para cruzeiro com base na expressão monetária da UFIR diária vigente no dia anterior ao do pagamento. Art. 39. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, apurada no encerramento do anocalendário, pelas empresas referidas no art. 38, § 1°, desta Lei, será convertida em UFIR diária, tomandose por base o valor desta no último dia do período. § 1° A contribuição social, determinada e recolhida na forma do art. 38 desta Lei, será reduzida da contribuição apurada no encerramento do anocalendário. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.855 20 § 2° A diferença entre a contribuição devida, apurada na forma deste artigo, e a importância paga nos termos do art. 38, §1°, desta Lei, será: a) paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual, quando positiva; b) compensada, corrigida monetariamente, com a contribuição mensal a ser paga nos meses subseqüentes ao fixado para entrega da declaração anual, se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior. As referidas leis tãosomente modificaram a alíquota e a base de cálculo da exação e dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não tiveram o condão de estabelecer uma nova relação jurídicotributária entre o Fisco e a executada, fora dos limites da coisa julgada. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. ... O acórdão do Tribunal de origem, ora recorrido, proferido em apelação nos embargos à execução fiscal, concluiu pela exigência da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL com base, ainda, na Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Segundo o acórdão recorrido, o inciso II do art. 23 da Lei 8.212/91 teria estabelecido nova disciplina para a CSLL. Ocorre que referido preceito, ao prever a alíquota aplicável, referese ao art. 2º da Lei 8.034/90, que cuida dos ajustes da sua base de cálculo, o qual, por sua vez, foi concebido com fundamento na Lei 7.689/88, consoante se verifica no trecho do voto da eminente Ministra ELIANA CALMON, acima transcrito. Logo, o preceito em referência não destoa do sentido e do alcance dos demais diplomas legais supervenientes que tratam da CSLL. Quer dizer, ao cuidar da alíquota aplicável, não alterou, em substância, a regra padrão de incidência da contribuição. Daí a sua inaptidão para comprometer a coisa julgada. ...” Como se vê, o voto acima transcrito restringe a análise da Lei nº 8.212/91 apenas ao seu art. 23, não se aplicando ao caso concreto, onde o lançamento, assim como a Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.015166/200973 Acórdão n.º 1402001.971 S1C4T2 Fl. 1.856 21 decisão recorrida, leva em conta a substancia da Lei nº 8.212/91 com base na análise de vários de seus artigos (11, 15, 23, 30, 33, 34 e 55) . Com efeito, há que se ter em conta que a questão dos limites da coisa julgada referente às ações que concluíram pela inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL deve ser verificada caso a caso. Nesse sentido, entendo que a matéria discutida no presente processo não se coaduna exatamente com o recurso especial representativo de controvérsia apresentado (RECURSO ESPECIAL Nº 1.118.893 MG (2009/00111359)). Nego provimento ao recurso quanto a esse tópico. Conclusão Diante do exposto, Voto no sentido de negar provimento aos embargos de declaração, mantendo a decisão conforme prolatada no Acórdão 1402001.358, de fls. 997 1.054. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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