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Numero do processo: 11070.722246/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2008
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA.
A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004.
A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do art. 3º da Lei 10.833/03, então vigente.
A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, nas condições especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurenttis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Everdon Schlindwein, OAB/PR nº 80.356.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2008 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do art. 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, nas condições especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 22 46 /2 01 1- 90 Fl. 659DF CARF MF 2 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurenttis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Everdon Schlindwein, OAB/PR nº 80.356. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Tratase de Autos de Infração para a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, multa de ofício e juros de mora, decorrentes de glosas de créditos na apuração dessas contribuições no regime não cumulativo relativas aos períodos de apuração do 2º trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2008. Com base nos ajustes efetuados pela fiscalização, além de serem glosados os créditos vinculados à receita de exportação e os créditos do mercado interno relativos a operações não tributadas, que constavam nos PER/DCOMP apresentados, foram gerados também débitos de PIS e de Cofins após a imputação dos correspondentes créditos das operações do mercado interno tributadas nos meses de dez/2006, jan/2007 e maio/2007. Também em face das glosas da fiscalização de créditos relativos a aquisições no mercado interno foram efetuados ajustes que resultaram débitos das contribuições em todos os meses do período. Inconformada a contribuinte apresentou suas alegações de defesa na impugnação no sentido de: manutenção do crédito presumido considerando o processo produtivo desempenhado e dos créditos acumulados pelas aquisições com suspensão do PIS e da Cofins; consideração das exclusões da base de cálculo referente aos valores repassados aos Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 660 3 associados, às vendas efetuadas a associados, à receita da industrialização da produção do associado e ao custo agregado ao produto agropecuário do associado; determinação de que eventual débito das contribuições apurado seja deduzido/descontado do saldo de créditos apurado em conformidade com a legislação; bem como suspensão da exigência do crédito tributário compensado controlado no presente processo, nos termos do art. 151 do CTN. Os argumentos da impugnante não foram acolhidos pela DRJ sob os seguintes fundamentos: O aproveitamento do crédito presumido na apuração do valor da contribuição pela sistemática da não cumulatividade se restringe às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal. Portanto, não sendo possível ampliar a definição do termo produzir trazido pela legislação para a atividade de beneficiamento, ou seja, atividade de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos, entendese correto o posicionamento da Fiscalização para o período alcançado pela auditoria fiscal. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, não pode ser objeto de ressarcimento, o que, aliás, consta não só do ADI nº 15, de 2005, mas, também, do art. 8º, § 3º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006. Consoante as anotações feitas no Termo de Constatação Fiscal e planilhas anexas, foram procedidos ajustes que visaram restabelecer o correto valor dos créditos passíveis de ressarcimento por parte da cooperativa, estando de acordo com a legislação em vigor. Ademais, as exclusões foram admitidas proporcionalmente ao montante utilizado para formação da base de cálculo de cada espécie de receita (créditos vinculados a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e nãoincidência e exportação), donde correto entendimento do agente fiscal. Muito embora os créditos tributários apontados nos Autos de Infração não se refiram a valores indevidamente compensados (informados em DCOMPs), devese atentar que, relativamente à suspensão da exigibilidade de crédito tributário, a impugnação e o recurso tempestivamente apresentados contra lançamentos efetuados pelo Fisco, suspendem a exigibilidade do crédito tributário lançado, até decisão terminativa do processo administrativo fiscal. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 11/04/2013, por via postal, tendo apresentado o recurso voluntário em 07/05/2013, alegando, em síntese: Crédito presumido atividade agroindustrial A contribuinte desempenha as atividades agroindustriais e tem o direito ao crédito presumido calculado sobre o total de suas aquisições de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão das contribuições, pois as utiliza na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, em conformidade com a Lei e a IN SRF 660. A contribuinte adquire insumos de pessoas que desempenham atividade rural em conformidade como o art. 3º, II das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7º da IN SRF 660, portanto faz jus aos créditos de PIS e Cofins correspondentes. Em conformidade com a Lei 9.972/200, regulamentada pelo Decreto 6.268/2007, e instruções normativas do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, a contribuinte desenvolve o processo produtivo/atividade econômica (beneficiamento), no qual se alteram as características originais, aperfeiçoando as mercadorias para o consumo humano ou animal, resultando os grãos/mercadorias comercializadas, exportas, através das etapas: 1) recebimento e classificação; 2) descarga das mercadorias; 3) prélimpeza dos grãos; 4) secagem; 5) póslimpeza; 6) armazenagem e controle de qualidade; 7) expedição, o que caracterizaria atividade produtiva. Fl. 661DF CARF MF 4 As mercadorias (NCM capítulos 10 e 12) e o processo produtivo (beneficiamento) adotado pela cooperativa se enquadram nas disposições legais em questão (§ 10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 – PIS e § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 COFINS, e caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Assim, a cooperativa faz jus ao crédito presumido. A cooperativa faz jus aos créditos discutidos, mas no Auto de Infração o Auditor Fiscal glosou o Crédito Presumido sobre os insumos adquiridos pessoas físicas e jurídicas com suspensão de PIS e COFINS. Essas aquisições de insumos são utilizadas na produção das mercadorias relacionadas no § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002; no § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, classificadas na TIPI nos Capítulos 10 e 12, comumente denominadas de milho beneficiado, trigo beneficiado e soja beneficiada. Desconsiderando o processo produtivo desempenhado pela cooperativa, a RFB não fez o enquadramento nos dispositivos legais de forma adequado (§10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002; §5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, e caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Houve enquadramento no §11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 por entender que as mercadorias teriam sido exportadas na mesma forma que adquiridas e portando em seu entendimento não fariam jus ao crédito presumido. Esse é o equívoco. Devido à RFB não ter considerado o processo produtivo desempenhado e entender que a cooperativa não estaria enquadrada no §10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e no § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 como beneficiaria do crédito presumido, também a partir de agosto de 2004 a RFB não assegurou o enquadramento da cooperativa no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, indeferindo, desta forma, o crédito. A cooperativa, na qualidade de empresa produtora, faz jus ao crédito a partir de agosto de 2004. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 define quem e quando a contribuinte fará jus ao crédito presumido. Da redação desse dispositivo fica evidenciado que os beneficiários do referido crédito são todas as pessoas jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas em seu caput, não estando o direito ao crédito vinculado à atividade de produzir ou muito menos diretamente à mercadoria, mas sim vinculado direta e exclusivamente à pessoa jurídica em questão. O intento de exigir que o contribuinte/produtor comprovasse o destino final da mercadoria geraria ônus excessivo para a parte, além de criar requisito não previsto em lei. Relativamente à forma de utilização do crédito, neste processo específico, a contribuinte não está discutindo a possibilidade de ressarcimento do referido crédito, uma vez que este processo não se trata de indeferimento de pedido de ressarcimento, mas de auto de infração pelo não recolhimento das contribuições em determinados períodos em face do entendimento da fiscalização. Vendas com suspensão: ilegalidade da restrição ao aproveitamento de créditos O art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da COFINS. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados. A cooperativa tem direito aos créditos, em conformidade com o art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas O agente fiscal considerou indevidas algumas exclusões permitidas às sociedades cooperativas, majorando, desta forma, a base de cálculo tributável da cooperativa: 1. exclusões dos repasses aos associados (mercado externo): o inciso I do art. 15 da MP nº 2.15835/2001 assegura a possibilidade excluir da base de cálculo do PIS e COFINS o valor total dos repasses efetuados aos associados, independente da comercialização da mercadoria ser efetuada no mercado externo ou no mercado interno; 2. exclusões dos repasses aos associados (mercado interno): além de poder excluir da receita total para a apuração da base de cálculo tributável do PIS e COFINS as receitas que não Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 661 5 sofreram incidência das contribuições, como as demais pessoas jurídicas, as sociedades cooperativas, por terem tratamento diferenciado, podem também excluir o total dos repasses efetuados aos associados independente do destino que será dado à mercadoria recebida do associado; 3. exclusão da venda de mercadorias a associados: a cooperativa tem o direito à exclusão, em conformidade com o inciso II do art. 15 da MP nº 2.15835/2001 e inciso II do art. 11 da IN nº 635/2006, das receitas de vendas de bens e mercadorias para seus associados, vinculados à atividade econômica dos mesmos, independente das vendas serem realizadas com suspensão, alíquota zero, ou tributadas pelas contribuições para o PIS e COFINS, vez que a MP e a IN não vedam a possibilidade de efetuar estas exclusões; 4. receita de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado: a cooperativa possui amparo legal para excluir da base de cálculo do PIS e COFINS as receitas da industrialização do produto do associado, com base no inciso IV do art. 15 da MP nº 2.158 35/2001, disposição confirmada no inciso IV do art. 11 da IN SRF nº 635/2006. As receitas decorrentes da produção do associado não são receitas de prestação de serviço a associados. 5. custos agregados: os custos agregados aos produtos agropecuários dos associados podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS, considerandose, em conformidade com art. 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o total das receitas auferidas, independente da denominação e classificação contábil, não havendo que se fazer distinção quanto à forma como a mercadoria será comercializada pela cooperativa: se será destinada à exportação ou se será vendida no mercado interno com suspensão, alíquota zero ou tributada pelo PIS e COFINS. Princípios a serem observados pela Administração Pública A autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública, dentre eles o da objetividade, adequação de meios e fins, simplicidade e interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público, todos constantes do parágrafo único do mencionado artigo. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Consta que a contribuinte é uma sociedade cooperativa agropecuária, sujeita à sistemática da não cumulatividade das contribuições sociais (Lei nº 10.892/2004), que atua no ramo de recebimento de produtos agrícolas dos associados e de terceiros, de fornecimento de insumos agrícolas aos associados; de comercialização de produtos agropecuários e sementes; de fábrica de rações e moinhos de milho e trigo; bem como no ramo de supermercados. Tendo em vista que os créditos apurados pela contribuinte têm aplicação distinta de acordo com a origem, eles foram segregados em créditos vinculados a operações de mercado interno tributadas, mercado interno não tributadas (isenção, alíquota zero, não incidência) e exportação. Trata o presente processo de auto de infração da exigência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos sob as seguintes rubricas: Fl. 663DF CARF MF 6 0001 Incidência não cumulativa padrão Insuficiência de recolhimento da contribuição: relativamente a fatos geradores de dez/2006 e jan/2007 e maio/2007; e 0002 Glosa de Créditos Crédito de aquisição no mercado interno constituído indevidamente: em relação a todos os meses do período (maio/2004 a dez/2008). Conforme consta no Termo de Constatação Fiscal, a autuação deuse sob os seguintes fundamentos: Do ajuste do crédito presumido Período de maio a julho de 2004: Neste período o crédito presumido apurado na aquisição de produtos agrícolas (soja, milho e trigo) foi rateado pela fiscalização em crédito da atividade agroindustrial e crédito da atividade de cerealista nas operações de mercado interno, vez que, na exportação de produtos agrícola in natura, não haveria direito ao crédito presumido por esta atividade, eis que seria vinculado às vendas no mercado interno à agroindústria (art. 3º, §5º da Lei nº 10.833/2003). Nessa esteira, no entender da fiscalização, mesmo alegando a contribuinte que ela realiza as atividades descritas no art. 3º, §5º da Lei nº 10.833/2003, não caberia a apuração do crédito presumido para a atividade de cerealista diante da ausência de documentação capaz de comprovar que os produtos in natura exportados seriam utilizados na produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal no exterior. Como se observa nos posteriormente revogados §§ 5º e 11 da Lei 10.833/2003, abaixo transcritos, o crédito presumido da Cofins foi concedido em operações distintas dentro da cadeia produtiva tanto à agroindústria (§5º), qual seja, a pessoa jurídica que produzia mercadorias de origem animal ou vegetal especificadas destinadas à alimentação humana ou animal; como ao cerealista (§11) que adquiria diretamente de pessoas físicas Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 662 7 residentes no País produtos in natura de origem vegetal especificados relativamente às vendas realizadas às agroindústrias (pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal): § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) [grifos não são do original] Em relação ao PIS/Pasep, os benefícios são idênticos aos da Cofins, para a agroindústria, nos termos do §10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, introduzido pela Lei nº 10.684/2003, mais tarde também revogado pela Lei 10.925/2004, e para o cerealista, conforme previsto no §11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, aplicável ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Assim, entendo que foi correta a posição da autoridade fiscal de glosar os créditos presumidos decorrente da atividade de cerealista da contribuinte em relação aos produtos in natura exportados, vez que não comprovado que se tratariam de vendas às "pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal". Ademais, em se tratando de aquisições de pessoas físicas, não se cogita da possibilidade de creditamento integral com base no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 em face da vedação contida no §3º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 aplicável também ao PIS por disposição do art. 15 dessa Lei: Fl. 665DF CARF MF 8 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Não procede alegação da recorrente de que a fiscalização teria desconsiderado o seu processo produtivo, pois, como já esclarecido acima, neste período, o crédito presumido na aquisição de soja, milho e trigo foi dividido nas duas atividades da empresa: agroindustrial e ceralista, tendo sido glosadas somente a parte da atividade cerealista relativa aos produtos in natura exportados. No mesmo sentido essa questão já foi decidida por este CARF nos acórdãos cujas ementas se seguem: Acórdão nº 3801004.877– 1ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2015 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO § 11 DA LEI Nº 10.833/2003. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO AO CRÉDITO PRESUMIDO. Não tem direito ao crédito presumido de que trata o §11 da Lei nº 10.833/2003 a empresa que venda produtos com fim específico de exportação por falta de amparo legal. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 3102001.829 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2013 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o Sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 340100.907 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 663 9 Sessão de 27 de julho de 2010 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Ementa: CRÉDITO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. EMPRESA CEREALISTA. Os produtos de origem vegetal adquiridos de pessoa física só geram crédito da COFINS não cumulativa se forem submetidos à secagem, lavagem, padronização, armazenagem e vendidos a empresas produtoras de alimentos destinados a consumo humano ou animal. (...) Período de agosto/2004 a dezembro/2008: Relativamente a este período, entendeu a fiscalização autuante que: "A partir de agosto/2004 o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, as quais apuram o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e recebimentos de pessoas físicas (associados de cooperativas), bem como em relação às aquisições de pessoas jurídicas cuja operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria". A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindoo, a partir de agosto de 2004, somente à agroindústria, no caput do art. 8º, para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [redação original] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, Fl. 667DF CARF MF 10 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; [redação original] I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) A partir de então, não mais há a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pela cerealista, como antes havia no §11 da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no §4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 664 11 Alega a recorrente que teria direito a crédito presumido já que é produtora de mercadorias de origem vegetal, adquirindo bens diretamente de pessoas físicas residentes no país e efetuando o processo de produção/industrialização, sob a modalidade de beneficiamento. Ocorre, no entanto, que a fiscalização concedeu o crédito presumido para esse período nas atividades em que a contribuinte atuou efetivamente como agroindústria, somente excluindo as atividades de cerealista da empresa, na qual exerceu cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados no inciso I do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, conforme extrato abaixo do Termo de Constatação: (...)Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade de agroindústria. O crédito presumido apurado pela fiscalização na COTRISA se refere ao valor das transferências internas de produtos agrícolas (soja, milho e trigo) para a industrialização na fábrica de ração e nos moinhos de milho e trigo. Das transferências realizadas para fábrica de ração excluímos a transferência de farelo de soja (produto industrializado), cujo crédito foi apurado quando da aquisição de pessoas jurídicas. As diferenças dos créditos presumidos residem no fato da contribuinte considerar as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos agrícolas in natura (soja, milho e trigo), como atividades de produção, apurando o correspondente crédito presumido com base no caput do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, quando para a fiscalização as atividades realizadas pela contribuinte, para deixar os produtos agrícolas recebidos dos associados e adquiridos de terceiros (não associados) em condições de comercialização, estão descritas literalmente no inciso I do § 1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004 e não no caput do mencionado artigo como pretende a contribuinte. Com relação ao alegado processo de industrialização por "beneficiamento" dos grãos, entendo que ele não se caracteriza como industrialização, como bem esclarecido pelo Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento em voto vencedor no Acórdão nº 3302 003.301– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 23 de agosto de 2016, abaixo transcrito: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: (...) ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. Fl. 669DF CARF MF 12 VOTO VENCEDOR (...) Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010) [também no RIPI/2002 vigente à época dos fatos deste processo], porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Mas, independentemente da abrangência do termo "pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias (...)", veiculado pelo caput do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, é certo que, dentre essas pessoas, não se incluem aquelas especificadas no §1º desse dispositivo, expressamente ressalvadas da dedução do crédito presumido pelo §4º do art. 8° da Lei nº 10.865/2004. De forma que não assiste razão à recorrente no pleito do crédito presumido sobre as atividades especificadas no §1º do dispositivo. De outra parte, entende a recorrente que a cooperativa teria direito aos créditos nesse período, em conformidade com o art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) No entanto, a norma genérica, que permite a manutenção dos créditos nas vendas com suspensão, não derroga a norma específica que veda expressamente o crédito presumido para as pessoas especificadas, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 665 13 § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 340101.255 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 28 de fevereiro de 2011, em votação unânime: (...) Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004), traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra específica. Portanto, a vedação do §4º, também do artigo 8º permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, por essas cooperativas, em ralação a vendas com tributação suspensa, não tributadas ou isentas. (...) Exclusões da base de cálculo sociedades cooperativas Alega a recorrente que teria direito às exclusões da base de cálculo tributável pleiteadas sem nenhuma condicionante, nos termos do art. 15 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e art. 11 da IN SRF nº 635/2006, que assim dispõem: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Ios valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; IIIas receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IVas receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; Vas receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; IIserão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; Fl. 671DF CARF MF 14 II exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; VI exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos, na hipótese de apuração das contribuições no regime cumulativo; e VII dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º Para os fins do disposto no inciso I do caput: I na comercialização de produtos agropecuários realizados a prazo, assim como aqueles produtos ainda não adquiridos do associado, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e, II os adiantamentos efetuados aos associados, relativos à produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e serão contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. § 4º O disposto no inciso VII do caput aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. § 5º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos fundos a que se refere o inciso VII do caput, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a ele creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 6º A sociedade cooperativa de produção agropecuária, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções de que tratam os incisos I a VII do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. § 7º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado. § 8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 666 15 § 9º A dedução de que trata o inciso VII do caput poderá ser efetivada a partir do mês de sua formação, devendo o excesso ser aproveitado nos meses subseqüentes. A fiscalização considerou indevidas algumas parcelas das exclusões da base de cálculo tributável das contribuições pela cooperativa, nesses termos: (...) 9.1 Repasse aos Associados Analisando o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, verificamos que tal dispositivo autorizou excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização dos produtos por eles entregues à cooperativa. A interpretação que temos desse dispositivo é que nas operações em que foi excluída a integralidade da receita, por se tratar de venda sujeita a suspensão do PIS e da COFINS ou exportação, não há que se falar em excluir os valores repassados aos associados, proporcional a essas receitas, tendo em vista que a base de cálculo do PIS e da COFINS foi zerada pela exclusão da integralidade da receita. Considerando que na venda de produtos agrícolas com suspensão ou exportação a receita foi integralmente excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, os repasses aos associados, foram ajustados pela fiscalização, permitido a exclusão do repasse aos associados, proporcional, a receita de venda de produtos agrícolas, somada a receita de venda de bens de fabricação própria tributadas no mercado interno, pela soma da receita total da venda de produtos agrícolas com a venda de bens de fabricação própria. 9.2 Venda de Mercadorias aos Associados Período: agosto/2004 a dezembro/2008 A partir do mês de agosto/2004 os insumos e sementes vendidos aos associados tiveram as alíquotas para o PIS e a COFINS reduzidas a zero, portanto, a receita foi excluída a título de venda de mercadorias alíquota zero, tendo anulado (zerado) as bases de cálculo da venda de mercadorias aos associados. (...) as bases de cálculo do PIS e da COFINS foram zeradas pela exclusão da receita sujeita a alíquota zero, não tendo como excluir outra vez, pois, irá afetar a base de cálculo da receita dos demais setores sujeitos a tributação. Com isto, estamos glosando o valor das mercadorias aos associados a partir do mês de agosto/2004, haja vista a contribuinte ter informado na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, tratarse de venda de insumos e sementes que tiveram as alíquotas para o PIS e COFINS reduzidas a zero. 9.3 Receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. (...) Em nenhum aspecto da legislação verificamos que a legislação autorizou a exclusão da receita de venda de produtos industrializados pela cooperativa, a título de receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. Na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, a contribuinte informa que os valores das receitas excluídas a título de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados é originária da comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, por sua conta e risco, adquiridos dos associados. 9.4 Custos Agregados (...) os mesmos somente podem ser considerados se existe base de cálculo tributável pelo PIS e COFINS, no mesmo sentido do valor dos repasses aos associados. Fl. 673DF CARF MF 16 O valor do custo agregado foi ajustado de forma proporcional à receita de venda de produtos agrícolas tributados pelo PIS e COFINS. (...) Como se observa no trecho acima, no caso do Repasse aos Associados, Vendas de produtos aos associados e Custos agregados, essas exclusões da base de cálculo das contribuições, específicas das cooperativas, somente são permitidas se a cooperativa apresentar base de cálculo positiva após as exclusões da receita bruta. Conforme já tinha esclarecido a fiscalização à contribuinte no Termo de Intimação nº 001, "Caso a receita bruta da cooperativa tenha sofrido exclusões com base no que determina a legislação que trata das isenções do PIS e da Cofins nas operações de venda no mercado externo (exportação); venda com suspensão, alíquota zero e substituição tributária das mencionadas contribuições, não há que se falar nas exclusões específicas aplicadas às cooperativas (art. da MP 2.15835/2001 e art. 17 da Lei nº 10.684/2003), pois, se a base de cálculo foi zerada não há mais o que ser excluído". No caso, a contribuinte efetuou as exclusões da base de cálculo específicas para as cooperativas sem levar em consideração que já tinha excluído da receita bruta as receitas de exportações e as receitas de venda de produtos com suspensão, alíquota zero ou substituição tributária; ocorrendo a exclusão em duplicidade das mesmas receitas, tanto na receita bruta total como na base de cálculo das contribuições. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização. Quanto à exclusão da receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados, ela não foi permitida, pois conforme informado pela própria contribuinte, na verdade, tratavamse de receitas obtidas na comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, o que não encontra ampara na legislação, nem no inciso IV (receitas de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado) ou no inciso II (receitas de vendas aos associados) do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, nem em outro dispositivo legal. No que concerne à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria, previstos nos art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, por opção do legislador ordinário, o seu aproveitamento pode ser apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 667 17 (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. [grifos da Relatora] Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa segue abaixo, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). Fl. 675DF CARF MF 18 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 340101.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3o. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Por fim, também não prosperam as alegações genéricas da recorrente de lesão aos princípios da Administração Pública, vez que a autuação foi devidamente Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 668 19 motivada em todos os pontos em extenso Termo de Constatação Fiscal, sem causar qualquer cerceamento de direito de defesa à contribuinte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 677DF CARF MF 20 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia para divergir da Ilustre Relatora acerca do seguinte ponto de seu voto. Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM A partir de Agosto/2004, entendeu a fiscalização autuante que "A partir de agosto/2004 o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, as quais apuram o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e recebimentos de pessoas físicas (associados de cooperativas), bem como em relação às aquisições de pessoas jurídicas cuja operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria". A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindoo a partir de agosto de 2004 somente à agroindústria, no caput do art. 8º, para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; [redação original] I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11070.722246/201190 Acórdão n.º 3402003.972 S3C4T2 Fl. 669 21 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (...) A partir de então, segundo a fiscalização, não haveria mais a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pelo cerealista, como antes havia no §11 da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no §4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Ocorre, todavia, que um ponto específico não foi enfrentado pela fiscalização e que é normativamente relevante para a qualificação da Recorrente: a alteração do conceito de cerealista pela Lei nº 11.196/2005, cujo dispositivo do art. 63 entrou em vigor a partir de 22/12/2005. O dispositivo alterou o conceito de cerealista para excluir a atividade de secar como requisito cumulativo para esta qualificação jurídica, passando a ser necessário que a cooperativa exerça apenas as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar, cumulativamente. Desse modo, a empresa que realizar outras atividades além das quatro mencionadas no art. 63 da Lei nº 11.196/2005, se enquadraria não mais no conceito de cerealista, mas sim no de agroindústria, fazendo jus ao crédito pretendido pela Recorrente. Neste caso, a empresa realiza atividade de secagem, o que lhe garante, frente à Lei mencionada, a condição de empresa agroindustrial. Nesse sentido, menciono os acórdãos do TRF4 na Apelação nº 500780019.2013.404.7104/RS e Apelação nº 5005427 12.2013.404.7105/RS, neste último se afirmouse: As atividades desenvolvidas pela impetrante de limpeza, secagem, classificação e armazenagem de produtos in natura de origem vegetal enquadramse no conceito de empresa agroindustrial ao beneficiar os grãos que exporta, fazendo jus, por consequência, ao ressarcimento do crédito presumido, apurado na forma do artigo 8º da Lei 10.925/2004. Assim, a partir da data de 22/12/2005, a Recorrente passou a se enquadrar não mais na condição de cerealista, mas sim na de empresa agroindustrial, com fundamento no art. 63 da Lei nº 11.196/2005, fazendo jus, como reconhecido pela fiscalização, ao crédito presumido a partir desta data. Em razão disso, minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora cingese apenas quanto ao reconhecimento do direito do Recorrente aos créditos após 22/12/2005. Fl. 679DF CARF MF 22 (Assinatura Digital) Carlos Augusto Daniel Neto Conselheiro Fl. 680DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.720107/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/07/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 07 /2 01 1- 15 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10970.720107/201115 Acórdão n.º 9202004.861 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722248/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS.
A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação aos serviços de transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio).
CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço.
ÔNUS DA PROVA.
Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto aos serviços de transporte de rejeitos industriais.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS. A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação aos serviços de transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio). CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS. Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço. ÔNUS DA PROVA. Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária. Recurso provido em parte.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS. A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação aos serviços de transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio). CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço. ÔNUS DA PROVA. Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 48 /2 00 9- 26 Fl. 2356DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto aos serviços de transporte de rejeitos industriais. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da não cumulatividade, relativo ao 4ª Trimestre de 2006, cumulado com declarações de compensação. A autoridade administrativa glosou parte do crédito e homologou parcialmente as compensações declaradas, sob os seguintes fundamentos (fls. 376), in verbis: "(...) 10) CREDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referente a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa em anexo, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos já exposto acima. 11) Créditos Decorrentes de Compra de Insumos (Peças e Partes de Reposição) do período de janeiro/2005 a novembro de 2006, OBJETO DA GLOSA: Foram glosados as notas fiscais referentes a peças e partes de reposição, para máquinas empregadas diretamente na produção, consideradas como insumos, produtos estes que estão em desacordo com o disposto no art. 3º , inciso II da Lei 10.833/2003, e Normas relacionadas: Soluções de Divergência COSIT n° 12 de 24/10/2007, n° 14 de 31/10/2007, n° 15 de 21/11/2007, n° 12 de 08/04/2008 e n° 35 de 29/09/2008, a relação das notas fiscais objeto da glosa conforme detalhamento na planilha anexa às fls. 288 a 361. 12) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º , § 4º , inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não se enquadrarem como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 10280.722248/200926 Acórdão n.º 3402003.861 S3C4T2 Fl. 3 3 prestação de serviços, contrariando, dessa feita, o disposto legal supracitdado, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão anexadas às fls. 137 e 138 (outubro/ 2006) , 210 a 212 (novembro/2 006), 283 a 287 (dezembro/2006); 13) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo denominada: Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2006 (fls. 97/130); Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos), fls. 131 a 133; Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006, (1/12 avos), fls. 134; Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), out/2006 fls. 135, nov/2006 fls. 207, dez/2006 fls. 281, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2º , I da IN 457/04, Lei 11.196/2005, Dec. 5.789/06, Dec. 5.988/06, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6o da Lei 11.488/2007; (...)" Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte contestou as glosas efetuadas, argumentando com o conceito amplo de insumo e com o fato de que todos os itens glosados foram aplicados em seu processo produtivo. A DRJ em Belem PA indeferiu a manifestação de inconformidade, em julgado que recebeu a seguinte ementa: "PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. Fl. 2358DF CARF MF 4 No cálculo da COFINS NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda. Direito creditório não reconhecido." Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 14/11/2011 (fl. 512), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/12/2011, no qual, basicamente, reprisou as alegações de impugnação e contestou pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio da Resolução nº 3402000.488 (fls. 637/644) o julgamento foi convertido em diligência à repartição fiscal de origem nos seguintes termos: "(...) Retornando aos autos, para uma decisão justa e precisa, necessito que a Unidade de Origem emita um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Necessito, outrossim, que sejam identificas as máquinas, os equipamentos e as edificações do parque industrial do recorrente e seus os respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (...)" O processo retornou com o termo de diligência de fls. 1881/1882. Por entender que a diligência não havia sido cumprida na íntegra, o colegiado solicitou nova diligência para complementar a anterior (fls. 1890/1891), nos seguintes termos: "(...) Entendo que a diligência não foi cumprida pela Unidade de Origem. Assim sendo remeto novamente os autos para que seja emitido um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10280.722248/200926 Acórdão n.º 3402003.861 S3C4T2 Fl. 4 5 eventual inexistência desses gastos. Nesse parecer conclusivo deve constar a identificação das máquinas, equipamentos e edificações do parque industrial da recorrente e seus respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (...)" O processo retornou com o termo de diligência de fls. 2259/2260, com ciência do contribuinte para apresentar manifestação em 10/03/2015. Transcorrido in albis o prazo para manifestação do contribuinte, o processo retornou ao CARF e foi sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Neste processo não se trata da produção da alumina pelo método de Bayer, mas sim da produção do alumínio metálico pelo processo de redução eletrolítica da alumina (método de HallHeroult), e mais uma vez o colegiado está sendo conclamado a decidir sobre o conceito de insumo aplicável no âmbito das contribuições nãocumulativas. No que concerne ao alcance do termo "insumo" utilizado nas leis que instituíram o regime não cumulativo da contribuições ao PIS e à COFINS, a Administração Tributária adota o conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os itens glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Fl. 2360DF CARF MF 6 Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade de o produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10280.722248/200926 Acórdão n.º 3402003.861 S3C4T2 Fl. 5 7 Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos das contribuições não cumulativas, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Portanto, ao contrário do alegado pela recorrente, não é todo e qualquer gasto que está apto a gerar créditos das contribuições nãocumulativas, mas apenas e tãosomente aqueles identificados com o custo de produção. Adotando como parâmetro a interpretação acima, passase à análise das glosas contestadas pelo contribuinte, na ordem em que foram apresentadas no recurso. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS:: TTRRAANNSSPPOORRTTEE EE CCOOPPRROOCCEESSSSAAMMEETTOO DDEE RRGGCC;; TTRRAANNSSPPOORRTTEE EE PPRROOCCEESSSSAAMMEENNTTOO DDEE BBOORRRRAA DDEE AALLUUMMÍÍNNIIOO;; BBEENNEEFFIICCIIAAMMEENNTTOO DDEE BBAANNHHOO EELLEETTRROOLLÍÍTTIICCOO;; TTRRAANNSSPPOORRTTEE DDEE RREEJJEEIITTOOSS IINNDDUUSSTTRRIIAAIISS.. 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 2362DF CARF MF 8 A fiscalização glosou esses créditos por considerar que esses serviços não foram aplicados diretamente na produção. O termo de diligência (fls. 2259) expôs a tese fiscal com todas as letras, in verbis: "(...) (...)" Por sua vez, o contribuinte, na diligência, esclareceu a relação de pertinência desses dispêndios com o seu processo produtivo (fls. 387 e ss. do processo nº10280.722246/200937 ), in verbis: "(...) (...)" Verificase que o óbice oposto pela fiscalização ao reconhecimento do crédito reside no fato desses gastos serem incorridos de forma indireta, alguns deles em etapa posterior à obtenção do alumínio. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10280.722248/200926 Acórdão n.º 3402003.861 S3C4T2 Fl. 6 9 Essa questão já foi enfrentada pela antiga Turma 3403 no Acórdão nº 3403 001.958, no qual se discutia acerca dos custos incorridos com a remoção de rejeitos industriais resultantes da produção da alunina pelo método de Bayer, in verbis: "(...) Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto relativo a bem ou serviço que não contribuiu para a formação do bem ou serviço produzido ou que não foi “aplicado na linha de produção”. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo . E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será cozida, decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama também “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois“sai”da linha sob a forma de rejeito misturada à lama. (...)" Mutatis mutandis, os dispêndios ora sob análise são uma consequência do processo produtivo da recorrente. A empresa precisa incorrer nesses gastos, sob pena de prejudicar o rendimento de seu processo produtivo e a qualidade do alumínio produzido. Com efeito, as respostas dadas ao quesito 1, acima transcritas, são plenamente compatíveis com à descrição do processo de eletrólise que consta à fl. 47, in verbis: Desse modo, é evidente que esse processo produtivo causa um desgaste nas cubas, as quais, precisam ser reformadas a cada cinco anos, conforme os esclarecimentos prestados pela empresa. Tais gastos decorrem do principal processo químico que dá origem ao produto final e oneram o custo de produção do alumínio, enquadrandose na disposição do art. 290, I, do RIR/99. Devem, portanto, gerar créditos das contribuições no regime não Fl. 2364DF CARF MF 10 cumulativo, pois se enquadram na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. MMAATTEERRIIAALL RREEFFRRAATTÁÁRRIIOO Nas planilhas de fls. 138, 210/211 e 285 a fiscalização glosou o material refratário, basicamente constituído por tijolos refratários e argamassa refratária, bem como os serviços relacionados ao transporte e manutenção de refratários, sob o argumento de que se tratam de gastos ativáveis, uma vez que os refratários duram pelo menos 1.900 dias, conforme informação prestada pelo próprio contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, basicamente, alegou que os refratários integram o custo de produção e que por tal motivo "optou" por tomar o crédito sobre o custo de aquisição. Conforme se verifica na fl. 366, o contribuinte informou o seguinte: "(...) (...)" Portanto, tratandose de gastos que beneficiam mais de um exercício social, eles devem ser obrigatoriamente ativados e o contribuinte só pode tomar o crédito sobre a respectiva despesa de depreciação a teor do art. 3º, § 1º, III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Esses dispositivos legais e o art. 301 do RIR/99 não estabelecem nenhuma "opção" de ativar ou não ativar o bem ou de tomar o crédito sobre a despesa de depreciação ou sobre o custo de aquisição. Se o gasto beneficiar mais de um exercício social ele deverá ser obrigatoriamente ativado, e neste caso a base de cálculo do crédito da nãocumulatividade será a despesa de depreciação incorrida no mês e não o custo de aquisição. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de manter a glosa em relação a materiais refratários e serviços conexos nos moldes efetuados pela fiscalização. GGLLOOSSAA EEMM RREELLAAÇÇÃÃOO AA BBEENNSS DDOO AATTIIVVOO IIMMOOBBIILLIIZZAADDOO Nas planilhas de fls. 99/132 a fiscalização glosou os valores contabilizados no ativo imobilizado, sob as seguintes justificativas: "(...) Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10280.722248/200926 Acórdão n.º 3402003.861 S3C4T2 Fl. 7 11 (...) (...)" Essas planilhas revelam que, basicamente, foram quatro motivos que justificaram essas glosas a saber: a) os produtos discriminados nas notas fiscais não são abrangidos pelos Decretos nº 5.789/2006 e 5.988/2006 (Lei nº 11.196/2005); b) as edificações e instalações só dão direito à tomada do crédito sobre a depreciação acelerada a partir de junho Fl. 2366DF CARF MF 12 de 2007 (art. 6º, da Lei nº 11.488/2007); c) os bens não se enquadram no art. 1º, § 2º, I da IN SRF nº 457/2004; e d) o próprio contribuinte informou que o item constante da nota fiscal "não se aplica" ao setor de produção. Esmiuçando a fundamentação adotada pela fiscalização verificase, pela leitura do Decreto nº 5.789/2006, que ele regulamentou o art. 16 da Lei nº 11.196/2005, a qual criou o Regime Especial de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP. A fiscalização disse que os bens constantes da planilha de glosa não foram contemplados pelo referido decreto e, portanto, não dão direito ao desconto de créditos no prazo de 12 meses (1/12 avos sobre o custo de aquisição), previsto no art. 3º do Decreto nº 5.988/2006 (art. 31 da Lei nº 11.196/2005). Já o art. 6º, da Lei nº 11.488/2007 prevê o direito à apropriação de créditos sobre a depreciação acelerada em 24 meses, em relação a edificações incorporadas ao ativo imobilizado, para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Esse dispositivo legal só teve eficácia a partir de janeiro de 2007, conforme prevê o § 5º do seu art. 6º. Na planilha em questão, a fiscalização glosou os créditos tomados antes de janeiro de 2007, por falta de previsão legal, já que o próprio art. 6º fixou que o direito só poderia ser exercido a partir de janeiro de 2007. Relativamente ao art. 1º, § 2º, I da IN SRF nº 457/2004, ele regulamentou o art. 3º, §§ 14 e 16 da Lei nº 10.833/2003, que versa sobre o direito de o contribuinte optar pelo cálculo de créditos sobre 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição do bem, em lugar do crédito sobre a despesa de depreciação, em relação a máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado para emprego na produção de bens e serviços a serem vendidos. A fiscalização glosou os valores relativos aos bens que não atendiam à exigência legal de serem empregados na produção de bens e serviços destinados à venda. Por fim, a indicação "não se aplica" constante das planilhas, revela que o próprio contribuinte considerou que o item não é aplicável à produção e, portanto, não é apto a gerar créditos da nãocumulatividade. No recurso voluntário, uma das alegações do contribuinte foi de cerceamento de defesa por ausência de motivação, pois a fiscalização não teria declinado de forma individualizada o porquê de cada uma das glosas. O exame acima efetuado das planilhas de glosa revela que a fiscalização apresentou a motivação da glosa nas próprias planilhas, ainda que de forma sucinta, o que não acarretou cerceamento de defesa, mesmo porque a descrição dos itens dessas planilhas revela que muitos deles não guardam nenhuma relação de pertinência com o processo produtivo do alumínio, a exemplo dos seguintes itens: trava elétrica p/ 04 portas veículo; impressora deskjet 3845; poltrona diretor sobre longarina 03 lugares; armário alto 2 portas fech c/tampa; cortador de grama elétrico Trapp; trator de cortar grama Trapp; aparelho condicionador de ar Split; soleira em granito verde Ubatuba; mesa de centro em MDF; poltrona 1 lugar com estrutura de madeira, etc. Desse modo, essas glosas devem ser mantidas, pois estando os itens descritos e as glosas motivadas, o contribuinte poderia ter apresentado defesa específica em relação aos itens em relação aos quais julga possuir direito ao crédito. Não se olvide que em se tratando de processo de ressarcimento de créditos, cuja iniciativa pertence ao contribuinte, cabe a ele o ônus da prova da certeza e da liquidez dos Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10280.722248/200926 Acórdão n.º 3402003.861 S3C4T2 Fl. 8 13 valores vinculados às compensações declaradas, a teor do que estabelece o art. 373, I, do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Contudo, apesar de as glosas estarem perfeitamente motivadas e os itens identificados nas planilhas, o conselheiro que me antecedeu na relatoria deste processo entendeu que era necessário baixar o processo em diligência para que a fiscalização identificasse o item do ativo imobilizado com o respectivo custo. Considero essa providência totalmente desnecessária para o deslinde desta questão, pois o item glosado, a nota fiscal, e a conta contábil, já estão perfeitamente identificados nas planilhas de fls. 99/132. Assim, por exclusão, os valores utilizados nos cálculos dos créditos à razão de 1/48 avos e 1/12 avos das planilhas de fls. 133/137, se referem aos bens do imobilizado em relação aos quais não houve controvérsia sobre o direito ao crédito. E, se não há controvérsia sobre o direito em relação a tais bens, é totalmente desnecessária a providência solicitada na diligência. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de manter as glosas relativas aos créditos tomados sobre bens do ativo imobilizado. CCRRÉÉDDIITTOOSS DDEECCOORRRREENNTTEESS DDEE PPAARRTTEESS EE PPEEÇÇAASS DDEE RREEPPOOSSIIÇÇÃÃOO MMÁÁQQUUIINNAASS EEMMPPRREEGGAADDAASS NNAA PPRROODDUUÇÇÃÃOO Nas planilhas de fls. 291/364 a fiscalização glosou os mais variados itens que a empresa classificou como partes e peças de reposição de máquinas empregadas diretamente na produção. O motivo indicado pelo fisco para esta glosa foi o seguinte: Considerando que o art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003 trata de bens e serviços utilizados como insumos na produção de bens e serviços, o motivo da glosa consiste na não aplicação desses itens na produção da empresa. Em sua defesa, o contribuinte argumentou com o conceito amplo de insumo e contestou a aplicação das soluções de divergência da Cosit invocadas pela fiscalização. Não tem razão o contribuinte. O exame dos itens glosados pelo fisco sob esta rubrica revelam que vários deles, manifestamente, não se enquadram como partes e peças de reposição de máquinas empregadas na produção do alumínio, conforme se pode constatar nos seguintes excertos da planilha de glosa: Fl. 293 Fl. 2368DF CARF MF 14 Fl. 357 Fl. 358 Fl. 359 Fl. 360 A contabilização dos itens acima como "partes e peças de reposição de máquinas empregadas na produção" revela a negligência da recorrente em estabelecer critérios para a tomada de seus créditos, o que desqualifica por completo os demais itens enquadrados nessa rubrica. Conforme já foi dito alhures, tratandose de processo de pedido de ressarcimento de créditos, incide a regra de distribuição do ônus da prova estabelecida no art. 373, I, do Novo CPC, cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que os itens glosados sob esta rubrica são partes e peças de máquinas empregadas na produção e que essas partes e peças não são de ativação obrigatória, hipótese em que o crédito só pode ser tomado sob a despesa de depreciação. Tendo em vista que nos recursos apresentados neste processo a defesa se limitou a apresentar alegações de direito, sem apresentar nenhuma prova de que os itens glosados se enquadram no permissivo legal que autoriza a tomada de crédito, a glosa deve ser mantida nos moldes efetuados pela fiscalização. Por fim, o contribuinte se insurgiu contra a não consideração de decisões judiciais e administrativas sobre as matérias discutidas no recurso. Não tem razão o contribuinte. As decisões judiciais colacionadas não são vinculantes para este colegiado porque não foram proferidas com base no art. 1031 do CPC. Já as decisões administrativas, também não vinculam este colegiado, pois a teor do art. 62 do Regimento, o CARF só está vinculado à observância de normas de hierarquia igual ou superior a decreto. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e coprocessamento de RGC; transporte e Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10280.722248/200926 Acórdão n.º 3402003.861 S3C4T2 Fl. 9 15 processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. A fim de que se evitem embargos de declaração, já esclareço que o "transporte e processamento de borra de alumínio e refratário" é coisa totalmente distinta da glosa mantida em relação materiais refratários e serviços conexos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000147/2006-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ART. 142, DO CTN. ARTS. 10, E 59, DO DECRETO 70.235/1972.
Recurso especial conhecido diante da similitude fática com acórdãos paradigmas que tratam da nulidade de lançamento por violação ao artigo 142, do CTN e 10, 11 e 59, do Decreto nº 70.235/1972.
NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL.
Define-se como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE MATERIAL.
A identificação equivocada do sujeito passivo é causa de nulidade material do lançamento.
Numero da decisão: 9101-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ART. 142, DO CTN. ARTS. 10, E 59, DO DECRETO 70.235/1972. Recurso especial conhecido diante da similitude fática com acórdãos paradigmas que tratam da nulidade de lançamento por violação ao artigo 142, do CTN e 10, 11 e 59, do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Define-se como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE MATERIAL. A identificação equivocada do sujeito passivo é causa de nulidade material do lançamento.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ART. 142, DO CTN. ARTS. 10, E 59, DO DECRETO 70.235/1972. Recurso especial conhecido diante da similitude fática com acórdãos paradigmas que tratam da nulidade de lançamento por violação ao artigo 142, do CTN e 10, 11 e 59, do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Definese como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE MATERIAL. A identificação equivocada do sujeito passivo é causa de nulidade material do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 47 /2 00 6- 21 Fl. 642DF CARF MF 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de (a) IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, diante de omissão de receitas pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada, tendo como base tributável o valor de R$ 1.349.360,00, com multa aplicada no percentual de 112,5%, fato gerador em 2001; (b) Imposto de Renda Retido na Fonte (IRF), com base ajustada de R$ 5.000.000,00 para R$ 7.692.307,69 (acréscimo de 35%), diante de pagamento a beneficiários não identificados, tendo fato gerador em 03/08/2001, com a aplicação de multa de 112,5%. Consta do Termo de Verificação e Constatação (fls. 121/130 volume 1): Preliminarmente, houve a liberação, pelo Banco Santos S/A de um empréstimo no valor de R$ 5.019.649,34. Esta mesma quantia foi transferida, no dia seguinte , para o Banco Real. Também na mesma data, foi emitido um cheque, no valor de R$ 5.000.000,00, a favor da empresa Quality para a aquisição de crédito de exportação, conforme instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação, celebrado em 02/08/2001. (...) Os empresários eram atraídos por menores taxas de juros ou melhores condições de pagamento em relação às normalmente encontradas no mercado financeiro. As operações casadas propiciavam rendimentos que acabariam por pagar por si só o custo do investimento principal, garantindo com isso a anuência dos clientes que acabavam por se beneficiar com a operação, obtendo dinheiro a baixo custo ou a custo zero. (...) Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 9101002.536 CSRFT1 Fl. 643 3 Visando dificultar a vinculação das tais operações recíprocas ao Banco Santos, criaramse várias empresas "de fachada", também conhecidas como "paper companies" (companhias que existem apenas no papel), entre elas a Quality Negócios e Participações Ltda. (...) O Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação celebrado entre a fiscalizada e a Quality, não se reveste das formalidades legais exigidas para serem considerados válidos juridicamente perante terceiros ou que assegurem a sua anterioridade, visto que não identifica os signatários quer da Quality, quer da fiscalizada, não estão registrados, além de não apresentarem anuência dos verdadeiros titulares créditos de exportação (Silex Trading S/A e o fabricante dos produtos a serem exportados pela Silex) e que, por essa razão, poderia ser confeccionado a qualquer tempo. Por todo o acima exposto, concluímos que não foi comprovada a causa do pagamento, no valor de R$ 5.000.000,00, efetuado mediante a emissão do cheque nominal à empresa Quality, já considerada pelo MPF como sendo empresa "de fachada" e cujos documentos comprobatórios apresentados não se mostraram hábeis e idôneos, fato que configura pagamento sem causa, tipificado nos artigos 674 e 675 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999) RIR/99. No tocante ao DOC recebido no Banco Real, no valor de R$ 1.349.360,00, não restou esclarecido, pelos documentos acostados aos autos pelo contribuinte, a origem da quantia recebida, configurando depósito de origem não comprovada com infração ao disposto nos artigos 287, 288 e 849 do RIR/99. A contribuinte apresentou Impugnações Administrativas, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas pela cancelamento do lançamento de IRF e procedendose à recomposição das bases de cálculo de IRPJ e CSLL por conta de apuração de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa (447/468 volume 3): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 Decadência. Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou sem Causa. Nas hipóteses de incidência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa não se sustenta a aplicação do prazo decadencial do §40 do art. 150 do CTN, visto que a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de oficio, mas, pelo contrário, atribuiu ao Fisco o dever de efetuar o lançamento de oficio, quando apurada qualquer daquelas hipóteses de incidência descritas na norma jurídica. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 644DF CARF MF 4 Data do fato gerador: 03/08/2001 Pagamento a Beneficiário não Identificado ou sem Causa. Sujeicdo Passiva. Desvio de Recursos. Comprovado que se trata de recursos desviados do patrimônio de instituição financeira, por fraude perpetrada por seus dirigentes, que são os responsáveis também pela constituição das "empresas" de fachada, beneficiárias dos pagamentos, configurase indevido o lançamento de IRRF por pagamento sem causa contra cliente do banco. Nos termos da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, os clientes da instituição financeira eram utilizados como meros intermediários nas comprovadas operações de desvio fraudulento de recursos em favor de "empresas" não financeiras, inexistentes de fato, constituídas e controladas indiretamente pelos próprios dirigentes do banco. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recomposição da Base de Cálculo. Em face da apuração de prejuízo Fiscal no período fiscalizado, impõese a recomposição da base de cálculo do IRPJ. Compensação de Prejuízos Fiscais. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, observado o limite máximo de trinta por cento do lucro liquido ajustado, somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação. Multa agravada. Falta de Atendimento à Intimação. Caracterizada a falta de atendimento às intimações, sem qualquer justificativa oportunamente apresentada, procedente a imputação da multa agravada. Destacase das razões da relatora da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme íntegra do voto da Relatora: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 9101002.536 CSRFT1 Fl. 644 5 No entendimento desta Relatora, o lançamento de IRRF deveria ter sido efetivado contra os próprios administradores do Banco Santos, por basicamente dois motivos: (i) porque o pagamento sem causa foi efetuado comprovadamente com recursos desviados do patrimônio da instituição financeira; e (ii) porque a destinatária dos recursos é "empresa" de fachada, constituída pelos mesmos dirigentes do banco para a perpetração das fraudes contra a pessoa jurídica do Banco. (...) Em face do exposto, não deve prevalecer o lançamento de IRRF, por pagamento sem causa, contra a VV Editora. Não foi interposto recurso voluntário pela contribuinte, razão pela qual desmembrouse o processo para cobrança do crédito tributário incontroverso (16091.000296/200710), remetendose os autos ao CARF para análise do recurso de ofício no que concerne ao crédito tributário exonerado. A 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes reconheceu a decadência, em acórdão assim ementado (fl. 481): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 Ementa: DECADÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo quinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, §4º do CTN. Preliminar acolhida. Recurso de ofício prejudicado. Esta Turma da CSRF reformou o acórdão recorrido, dando provimento ao recurso especial da Procuradoria para aplicar o artigo 173, I, do CTN, afastando a alegação de decadência (fls. 550/556): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM FATOS APURADOS EM AÇÃO FISCAL. No caso de lançamento de ofício resultante de ação desenvolvida por iniciativa fiscal em que dos levantamentos e investigações realizadas emergiram fatos imputáveis que de outra forma não teriam vindo à lume, a contagem do prazo decadencial é deslocado para a regra geral do artigo 173, inciso I do CTN, sendo incabível, in casu, falarse em homologação de pagamento antecipado de tributo ou da ação envidada pelo sujeito passivo para demonstrálo inexistente, mesmo porque outra não fora a acusação fiscal senão a de que a autuada, dissimuladamente, tudo fizera para dele se eximir. Nesse contexto, os autos foram remetidos à Turma Ordinária, que analisou os demais temas do recurso de ofício, negandolhe provimento: Fl. 646DF CARF MF 6 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2002 Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. É ilegítima a incidência de IRRFonte, sob acusação fiscal de “pagamento sem causa” (Lei n. 9.430/96, art. 61), na hipótese em que resta comprovado que os recursos utilizados pela Contribuinte para tal pagamento jamais lhe pertenceram de fato. Recurso de ofício negado. Consta do voto do relator, exConselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: No que interessa a esta instância recursal, entendeu o acórdão que não seria legítima a exigência de IRRF face à Contribuinte por alegado pagamento sem causa, visto que os recursos respectivos não teriam sido desviados de seu patrimônio, mas sim do patrimônio de instituição financeira (Banco Santos) em decorrência de fraude perpetrada por seus dirigentes, que eram os responsáveis também pela constituição das “empresas” de fachada, beneficiárias dos pagamentos. Segundo o acórdão, “as disposições do art. 61 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995, têm por escopo a tributação dos pagamentos, contabilizados ou não, efetuados a beneficiário não identificado ou sem causa, de forma a obstar justamente o desvio indevido de recursos do patrimônio da pessoa jurídica ou a utilização de recursos mantidos à margem da escrituração”. Em assim sendo, tratandose de recursos desviados do patrimônio do Banco Santos (apesar de o pagamento sem causa ter sido efetuado pela Interessada), haveria incorreta identificação do sujeito passivo de IRRF por pagamento sem causa. (...) Cingese a controvérsia em saber se é legítima a incidência de IRRFonte, sob acusação fiscal de “pagamento sem causa” (Lei n. 9.430/96, art. 61), na hipótese em que resta comprovado que os recursos utilizados pela Contribuinte para tal pagamento jamais lhe pertenceram e por ela apenas transitaram para viabilizar prática de crime ao sistema financeiro nacional (transferência irregular de recursos do (e pelo) Banco Santos a empresa a ele ligada). (...) Para fins tributários, a própria Fazenda Nacional defende veementemente a tese de que a análise dos fatos e relações entre particulares deve ser prioritariamente material (conteúdo) e contextual para identificação de suas conseqüências jurídicas; e não mais eminentemente formal e individualizada, tal como ocorria em passado recente. De fato, a Fazenda Nacional, assim como a própria jurisprudência atual desta Corte, não admite como válidos e regulares planejamentos tributários embasados em operações societárias sucessivas, sem substância econômica, ainda que o contribuinte atendesse ao rigor e publicidade das formas aplicáveis à espécie. Em sentido contrário, por coerência, pareceme inadequado considerar fatos ou operações realizadas pelo contribuinte apenas em seu sentido formal, desprezandose seu efetivo Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 9101002.536 CSRFT1 Fl. 645 7 conteúdo, causas e finalidades, tal como ocorre no caso em apreço. No caso, conforme bem assinalado pelo acórdão recorrido, os recursos utilizados no pagamento que justificaram a tributação jamais integraram de fato o patrimônio da Contribuinte. Citados recursos sempre pertenceram (e, de fato, pertencem) ao Grupo Econômico do Banco Santos. Apesar de o repasse em referência ter sido efetuado formalmente pela Contribuinte, é certo que o propósito (conteúdo econômico) da operação jamais foi de “pagamento” de obrigação a empresa ligada ao Banco Santos, mas sim, exclusivamente, de instrumento para transferência de recursos do próprio Banco Santos a empresa de seu Grupo Econômico (o que é vedado por norma do sistema financeiro nacional). De fato, o Banco Central do Brasil apurouse ser prática comum no Banco Santos, condicionar a liberação dos recursos aos seus correntistas à realização de uma operação casada de reciprocidade, por meio da qual o cliente comprava um ativo em geral debêntures ou export notes emitidas por diversas empresas ligadas, formal ou informalmente, ao Grupo Santos – com recursos oferecidos pelo próprio banco. Vejase, sobre o tema, trecho do relatório da Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil, pelo qual se constatou que era reiterada e generalizada a prática de operações casadas pelo Banco Santos (...) Pois bem, diante de tais evidências, ou bem se reconhece que os recursos em referência jamais pertenceram à Contribuinte (e, portanto, jamais poderiam ensejar a tributação de IRRFonte por “pagamento sem causa”, tal como reconhecido pelo acórdão recorrido); ou bem se reconhece que o pagamento em referência teve por causa a aquisição de export notes pela Contribuinte que poderiam lhe trazer resultados positivos, o que também, de per si, afastaria por completo a acusação de pagamento sem causa feita pela Fiscalização e, por conseguinte, o próprio lançamento tributário. O que não se pode admitir, no meu entender, é destacar de toda esta operação apenas uma de suas etapas, para, desprezando se todo o seu contexto, atribuirse efeitos tributários tão somente a esta etapa. A Procuradoria foi intimada em 13/12/2012 (fls. 581), interpondo recurso especial em 17/12/2012 (582/585), no qual sustenta divergência na interpretação da lei tributária para identificação do vício do lançamento como nulidade formal, indicando como paradigmas os acórdãos (i) 30131.801 (processo nº 10715.001961/97/26), no qual se decidiu: "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento (...) autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vício formal" e (ii) 20309.762 (processo administrativo nº 13839.000527/200112), constando desta decisão que "Comprovado o equívoco na identificação do sujeito passivo, anulase o lançamento por vício formal". A Recorrente indica outros acórdãos adotando interpretação dissonante do acórdão recorrido, sem identificálos como paradigmas (30440.005 e 10610.087). Fl. 648DF CARF MF 8 O Presidente da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Marcos Aurélio Pereira Valadão) deu seguimento ao recurso especial (fls. 605/608), conforme trecho a seguir colacionado: No acórdão recorrido, muito embora o relator do acórdão não tenha utilizado a expressão ilegitimidade passiva, constatase que foi este, efetivamente, o motivo do cancelamento da autuação, uma vez que, nos termos dos excertos do voto condutor a seguir transcritos, resta claro que a autuação deveria terse voltado contra outra pessoa jurídica (no caso, o Banco Santos S/A) (...) Ocorre que, enquanto o acórdão recorrido cancelou o lançamento, o acórdão paradigma no 20309.762, ao se defrontar com situação em que ocorrido o erro na identificação do sujeito passivo (ilegitimidade passiva), decidiu pela anulação, por vício formal, do lançamento efetuado, conforme se constata da sua ementa, ao norte transcrita. (...) Ocorre que, enquanto o acórdão recorrido cancelou o lançamento, o acórdão paradigma no 20309.762, ao se defrontar com situação em que ocorrido o erro na identificação do sujeito passivo (ilegitimidade passiva), decidiu pela anulação, por vício formal, do lançamento efetuado, conforme se constata da sua ementa, ao norte transcrita. (...) Assim, temse que, diante de uma mesma situação, as decisões tomadas pelos colegiados, nos acórdãos confrontados, se deram em sentido divergente. Com relação ao primeiro paradigma, com a devida vênia, a divergência não restaria comprovada, uma vez que o caso não trata de situação em que configurada a ilegitimidade passiva, mas sim outras circunstâncias, tais como a omissão de fundamentação legal na autuação e a falta de prévia intimação do contribuinte nos termos de legislação específica, as quais não se fazem presentes no caso dos autos. Assim, a caracterização destas circunstâncias como vícios meramente formais configura entendimento da 3a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes veiculado no acórdão paradigma que não encontra correspondência no acórdão recorrido, de modo a se aferir possível divergência jurisprudencial. (...) Considerando que, consoante o exposto no presente despacho, foram preenchidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, e foi demonstrada a divergência jurisprudencial, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, em 09/11/2015, alegando que inexiste similitude fática entre o acórdão recorrido e os dois acórdãos paradigmas e, no mérito, requerendo a manutenção do acórdão recorrido pela existência de vício material no lançamento (fls. 614/621). Requereu, a despeito de mencionar a falta de similitude fática, o não provimento ao recurso especial. É o relatório. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 9101002.536 CSRFT1 Fl. 646 9 Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Inicialmente, esclareço que não tomo conhecimento do 3º e do 4º acórdãos mencionados pela Recorrente em razões de recurso especial (30440.005 e 10610.087), em observância ao artigo 67, § 7º, do atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015). Em sentido similar previa o artigo 67, § 5º, do Regimento Interno do CARF anterior (Portaria MF 256/2009), vigente ao tempo da interposição do recurso pela Procuradoria. O recurso especial é tempestivo, preenchendo tal requisito para seu conhecimento. Assim, passo à análise da divergência, analisando os dois primeiros acórdãos paradigmas indicados em razões do recurso (30131.801 e 20309.762). Lembro que a contribuinte aponta suposta falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. O acórdão recorrido anulou o lançamento, conforme razões reproduzidas a seguir, extraídas do voto do Relator: Tratandose de recursos desviados do patrimônio do Banco Santos (apesar de o pagamento sem causa ter sido efetuado pela Interessada), haveria incorreta identificação do sujeito passivo de IRRF por pagamento sem causa. A nulidade no acórdão recorrido decorre da equivocada identificação de sujeito passivo, sem que aquele acórdão tenha explicitado os dispositivos legais infringidos. De toda forma, o erro na identificação do sujeito passivo decorre da aplicação dos artigo 142, do CTN e aos artigos 10, 11 e 59, do Decreto nº 70.235/1972. Dispõe o artigo 142, do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Destacamos, ainda, a redação dos artigos 10, 11 e artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 650DF CARF MF 10 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O primeiro acórdão indicado como paradigma (acórdão 30131.801) tem a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. Recurso de Oficio negado Trago à colação trechos destes acórdão que demonstram a nulidade verificada no auto de infração pela Turma julgadora: Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 9101002.536 CSRFT1 Fl. 647 11 A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora (...) O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72. A falta de preenchimentos dos requisitos de lançamento, tratados pelo artigo 142, do CTN, e artigos 10 e 11, do Decreto nº 70.235/1972, foram objeto de análise por ambos os acórdãos. Assim como a consequente decretação de nulidade, tratada pelo artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972. Por tal razão, entendo presente a similitude fática necessária ao conhecimento do recurso especial. De toda forma, ressalto que o acórdão paradigma não trata da erro na identificação do sujeito passivo, mas de outra causa de nulidade por conta dos dispositivos legais enumerados. O segundo acórdão paradigma (20309.762) mencionado pela decisão que admitiu o recurso especial tem similitude fática ainda mais clara com o acórdão recorrido. É o teor da ementa deste paradigma: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE Comprovado o equivoco na identificação do sujeito passivo, anulase o lançamento por vicio formal. IPI PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS Em virtude do principio da autonomia dos estabelecimentos, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada um deles. Fl. 652DF CARF MF 12 Recurso negado. Extraise do voto da relatora, acolhido à unanimidade pela Turma de julgamento neste acórdão paradigma (20309.762): O sistema de escrituração e apuração do IPI baseiase na autonomia dos estabelecimentos, conforme previsto nos arts. 22, parágrafo único, 217 e 392, IV, do Regulamenta do IPI (RIP1182), aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982; bem como nos arts. 23, parágrafo único, 291 e 487, IV, do RIPI198, aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998. Em conseqüência, todos os estabelecimentos da mesma firma devem ter suas próprias notas e livros fiscais, separadamente arquivados e escriturados, devendo cada um deles cumprir as respectivas obrigações tributárias principal e acessória previstas nos aludidos regulamentos, independentemente do fato de ser matriz ou filial. A inclusão de ilícito tributário referente ao estabelecimento filial, com autonomia no que concerne ao IPI, no lançamento formalizado contra o estabelecimento matriz, acarretou erro de identificação do sujeito passivo tomando nulo o lançamento por vício formal. Notese que não há identidade fática entre o segundo acórdão paradigma e o acórdão recorrido, mas similitude. Afinal, ambos tratam da nulidade de lançamento no qual identificado sujeito passivo ilegítimo, a despeito de mencionarem tributos diferentes e suas particularidades. Sobreleva considerar, ainda, que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso de ofício. Assim, provavelmente, a Turma a quo interpretou que se tratava de nulidade material do lançamento, deixando de aplicar o artigo 173, II, que menciona a anulação de lançamento por vício formal. Tal fato reforça que, embora analisando fatos similares, os colegiados trataram de forma distinta a lei tributária, interpretação a ser avaliada por esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por tais razões, analisando ambos os paradigmas, conheço do recurso especial da Procuradoria. Passo à análise do mérito recursal. A relevância da distinção entre nulidade formal e material decorre do artigo 173, do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. A nulidade por vício formal é tratada pela Lei nº 4.717/1965, que regula a ação popular, conforme artigo 2º, alínea b e Parágrafo único, alínea b.: Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 9101002.536 CSRFT1 Fl. 648 13 Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: (...) b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; Apenas na hipótese de “omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato” é possível se reconhecer nulidade por vício formal. Em sentido similar, decidiu esta Turma da Câmara Superior nos autos do processo nº 10280.005071/200721, sob relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. No caso destes autos não há qualquer indício de nulidade formal no lançamento. Como menciona o ilustre Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção, em decisão sobre admissibilidade do recurso especial, "muito embora o relator do acórdão não tenha utilizado a expressão ilegitimidade passiva, constatase que foi este, efetivamente, o motivo do cancelamento da autuação, uma vez que, nos termos dos excertos do voto condutor a seguir transcritos, resta claro que a autuação deveria terse voltado contra outra pessoa jurídica (no caso, o Banco Santos S/A)". Fl. 654DF CARF MF 14 A ilegitimidade de parte é causa de nulidade material do lançamento tributário, razão pela qual nego provimento ao recurso especial da Procuradoria, mantendo o acórdão recorrido. Por tais razões, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, mantendo o acórdão recorrido. (Assinado Digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720083/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16561.000025/2007-72, do qual este é decorrente.
(Assinado Digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto.
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 12-63.418, de 20 de fevereiro de 2014.
O referido processo trata de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) decorrente de compensação de prejuízo fiscal efetuada a maior, pela empresa Recorrente, no ano de 2009.
A compensação indevida foi constatada após procedimento fiscal de fiscalização que gerou lançamentos tributários em períodos anteriores ao ano de 2009. Em tais lançamentos, a fiscalização utilizou prejuízos fiscais constantes nos correspondentes períodos de autuação, razão pela qual resultou em uma variação a descoberto em relação ao ano de 2009.
Transcrevo abaixo Relatório da DRJ/RJ1:
Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, constituindo crédito tributário deste imposto no valor de R$ 6.875.594,11, multa proporcional de 75% no valor de R$ 5.156.695,58 e juros de mora no valor de R$ 2.324.638,37 calculados até setembro de 2013.
A descrição dos fatos menciona que houve PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE no valor de R$ 27.502.376,44 no ano calendário de 2009 e remete para detalhamentos que constam nos demonstrativos de apuração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades ressaltando serem partes integrantes e indissociáveis do auto de infração.
O Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades(TVCFI) (fls. 1168 a 1171) menciona, em síntese, que:
1. Comparando os dados das DIPJ entregues pela contribuinte nos exercícios de 2003 a 2010, anos calendário 2002 a 2009 com os dados resultantes do procedimento fiscal instaurado através do mandado de procedimento fiscal MPF nº 08.1.71.00200500011 que abrangeu o período a ser fiscalizado de 2001 a 2004 constatamos que a empresa não possuía a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais acumulados discriminados no quadro demonstrativo apresentado nem saldos da base de cálculo negativa de CSLL.
2. O mencionado procedimento fiscal resultou na lavratura de autos de infração constantes dos seguintes processos:
16561.000.025/2007-72 (IRPJCSLL)
16561.000.026/2007-17 (IRPJCSLL)
16561.000.027/2007-61 (IRPJCSLLPISCofins)
16561.000.028/2007-14 (CSLL)
16561.000.029/2007-51 (CSLL)
3 Esclarecemos que a empresa não implementou as alterações resultantes do procedimento fiscal no LALUR.
4 Elaboramos quadro demonstrativo dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados a compensar após computadas as alterações promovidas em razão do resultado do procedimento fiscal conforme planilha Utilização de Prejuízos Fiscais e/ou Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos autos de infração lavrados, após acórdão DRJ e após Acórdãos CARF, assim como Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais e / ou Bases de cálculo Negativas da CSLL, que constituem partes integrantes dos autos de infração lavrados.
5 Em razão do exposto foi lançada de ofício a diferença de base de cálculo no valor de R$ 27.502.376,44 referentes à glosa parcial de compensação indevida de prejuízo fiscal. A empresa utilizou indevidamente o valor de R$ 32.639.574,64 na DIPJ ano-alendário 2009, equivalente a 30% do Lucro Real no valor de R$ 108.798.582,13 após compensação de prejuízo do próprio período de apuração (linha 74).
6 A diferença de cálculo da CSLL será objeto de lançamento em Auto de Infração próprio. (grifo deste relator)
As planilhas e demonstrativos mencionados no item 4 constam neste processo às fls. 1172/1179. Reproduzo a seguir o Demonstrativo de Utilização de Prejuízos Fiscais após acórdãos do CARF que compõe o saldo de prejuízo fiscal considerado indevidamente compensado no valor de R$ 27.502.376,44 sobre o qual foi lançado o IRPJ de ofício:
Segue reprodução do histórico da compensação de prejuízos fiscais constante nos autos às fls. 1175 e seguintes que demonstra a compensação de prejuízo fiscal no valor de R$ 27.502.376,44 considerada indevida.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16561.000025/2007-72, do qual este é decorrente. (Assinado Digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 12-63.418, de 20 de fevereiro de 2014. O referido processo trata de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) decorrente de compensação de prejuízo fiscal efetuada a maior, pela empresa Recorrente, no ano de 2009. A compensação indevida foi constatada após procedimento fiscal de fiscalização que gerou lançamentos tributários em períodos anteriores ao ano de 2009. Em tais lançamentos, a fiscalização utilizou prejuízos fiscais constantes nos correspondentes períodos de autuação, razão pela qual resultou em uma variação a descoberto em relação ao ano de 2009. Transcrevo abaixo Relatório da DRJ/RJ1: Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, constituindo crédito tributário deste imposto no valor de R$ 6.875.594,11, multa proporcional de 75% no valor de R$ 5.156.695,58 e juros de mora no valor de R$ 2.324.638,37 calculados até setembro de 2013. A descrição dos fatos menciona que houve PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE no valor de R$ 27.502.376,44 no ano calendário de 2009 e remete para detalhamentos que constam nos demonstrativos de apuração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades ressaltando serem partes integrantes e indissociáveis do auto de infração. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades(TVCFI) (fls. 1168 a 1171) menciona, em síntese, que: 1. Comparando os dados das DIPJ entregues pela contribuinte nos exercícios de 2003 a 2010, anos calendário 2002 a 2009 com os dados resultantes do procedimento fiscal instaurado através do mandado de procedimento fiscal MPF nº 08.1.71.00200500011 que abrangeu o período a ser fiscalizado de 2001 a 2004 constatamos que a empresa não possuía a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais acumulados discriminados no quadro demonstrativo apresentado nem saldos da base de cálculo negativa de CSLL. 2. O mencionado procedimento fiscal resultou na lavratura de autos de infração constantes dos seguintes processos: 16561.000.025/2007-72 (IRPJCSLL) 16561.000.026/2007-17 (IRPJCSLL) 16561.000.027/2007-61 (IRPJCSLLPISCofins) 16561.000.028/2007-14 (CSLL) 16561.000.029/2007-51 (CSLL) 3 Esclarecemos que a empresa não implementou as alterações resultantes do procedimento fiscal no LALUR. 4 Elaboramos quadro demonstrativo dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados a compensar após computadas as alterações promovidas em razão do resultado do procedimento fiscal conforme planilha Utilização de Prejuízos Fiscais e/ou Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos autos de infração lavrados, após acórdão DRJ e após Acórdãos CARF, assim como Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais e / ou Bases de cálculo Negativas da CSLL, que constituem partes integrantes dos autos de infração lavrados. 5 Em razão do exposto foi lançada de ofício a diferença de base de cálculo no valor de R$ 27.502.376,44 referentes à glosa parcial de compensação indevida de prejuízo fiscal. A empresa utilizou indevidamente o valor de R$ 32.639.574,64 na DIPJ ano-alendário 2009, equivalente a 30% do Lucro Real no valor de R$ 108.798.582,13 após compensação de prejuízo do próprio período de apuração (linha 74). 6 A diferença de cálculo da CSLL será objeto de lançamento em Auto de Infração próprio. (grifo deste relator) As planilhas e demonstrativos mencionados no item 4 constam neste processo às fls. 1172/1179. Reproduzo a seguir o Demonstrativo de Utilização de Prejuízos Fiscais após acórdãos do CARF que compõe o saldo de prejuízo fiscal considerado indevidamente compensado no valor de R$ 27.502.376,44 sobre o qual foi lançado o IRPJ de ofício: Segue reprodução do histórico da compensação de prejuízos fiscais constante nos autos às fls. 1175 e seguintes que demonstra a compensação de prejuízo fiscal no valor de R$ 27.502.376,44 considerada indevida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16561.000025/200772, do qual este é decorrente. (Assinado Digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 1263.418, de 20 de fevereiro de 2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 08 3/ 20 13 -1 6 Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.781 2 O referido processo trata de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) decorrente de compensação de prejuízo fiscal efetuada a maior, pela empresa Recorrente, no ano de 2009. A compensação indevida foi constatada após procedimento fiscal de fiscalização que gerou lançamentos tributários em períodos anteriores ao ano de 2009. Em tais lançamentos, a fiscalização utilizou prejuízos fiscais constantes nos correspondentes períodos de autuação, razão pela qual resultou em uma variação a descoberto em relação ao ano de 2009. Transcrevo abaixo Relatório da DRJ/RJ1: Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, constituindo crédito tributário deste imposto no valor de R$ 6.875.594,11, multa proporcional de 75% no valor de R$ 5.156.695,58 e juros de mora no valor de R$ 2.324.638,37 calculados até setembro de 2013. A descrição dos fatos menciona que houve PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE no valor de R$ 27.502.376,44 no ano calendário de 2009 e remete para detalhamentos que constam nos demonstrativos de apuração e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades ressaltando serem partes integrantes e indissociáveis do auto de infração. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal de Irregularidades(TVCFI) (fls. 1168 a 1171) menciona, em síntese, que: 1. “Comparando os dados das DIPJ entregues pela contribuinte nos exercícios de 2003 a 2010, anos calendário 2002 a 2009 com os dados resultantes do procedimento fiscal instaurado através do mandado de procedimento fiscal – MPF nº 08.1.71.00200500011 que abrangeu o período a ser fiscalizado de 2001 a 2004 constatamos que a empresa não possuía a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais acumulados discriminados no quadro demonstrativo apresentado nem saldos da base de cálculo negativa de CSLL. 2. O mencionado procedimento fiscal resultou na lavratura de autos de infração constantes dos seguintes processos: • 16561.000.025/200772 – (IRPJCSLL) • 16561.000.026/200717 – (IRPJCSLL) • 16561.000.027/200761 – (IRPJCSLLPISCofins) • 16561.000.028/200714 – (CSLL) • 16561.000.029/200751 – (CSLL) 3 Esclarecemos que a empresa não implementou as alterações resultantes do procedimento fiscal no LALUR. 4 Elaboramos quadro demonstrativo dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados a compensar após computadas as alterações promovidas em razão do resultado do Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.782 3 procedimento fiscal conforme planilha “Utilização de Prejuízos Fiscais e/ou Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos autos de infração lavrados, após acórdão – DRJ e após Acórdãos CARF, assim como Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais e / ou Bases de cálculo Negativas da CSLL, que constituem partes integrantes dos autos de infração lavrados.” 5 Em razão do exposto foi lançada de ofício a diferença de base de cálculo no valor de R$ 27.502.376,44 referentes à glosa parcial de compensação indevida de prejuízo fiscal. A empresa utilizou indevidamente o valor de R$ 32.639.574,64 na DIPJ anoalendário 2009, equivalente a 30% do Lucro Real no valor de R$ 108.798.582,13 após compensação de prejuízo do próprio período de apuração (linha 74). 6 A diferença de cálculo da CSLL será objeto de lançamento em Auto de Infração próprio. (grifo deste relator) As planilhas e demonstrativos mencionados no item 4 constam neste processo às fls. 1172/1179. Reproduzo a seguir o Demonstrativo de Utilização de Prejuízos Fiscais após acórdãos do CARF que compõe o saldo de prejuízo fiscal considerado indevidamente compensado no valor de R$ 27.502.376,44 sobre o qual foi lançado o IRPJ de ofício: Segue reprodução do histórico da compensação de prejuízos fiscais constante nos autos às fls. 1175 e seguintes que demonstra a compensação de prejuízo fiscal no valor de R$ 27.502.376,44 considerada indevida. Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.783 4 Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.784 5 O enquadramento legal indicado no auto de infração é: artigos 247, 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99 e artigo 3º da Lei nº 9.249/95. A contribuinte foi cientificada do feito fiscal em 11/09/2013 conforme comprovante de recebimento dos correios às fls. 1188, e, irresignada, apresentou impugnação em 10/10/2013 (fls. 1199/1249). A impugnação apresentada contém, em síntese, as seguintes alegações: a) Os processos administrativos 16561.000.028/200714 e 16561.000.029/200751 tratam somente de crédito tributário de CSLL, não tendo relação alguma com a apuração de prejuízos fiscais pela impugnante. Eventual glosa realizada nestes autos somente teria relação com eventuais bases negativas de CSLL da Impugnante e jamais com seus prejuízos fiscais. b) Adicionalmente é necessário destacar que os autos de infração 16561.000.028/200714 e 16561.000.026/201717 foram julgados integralmente improcedentes pelo CARF. c) Tendo em vista que a glosa da compensação de prejuízo fiscal foi levada a efeito com base nos mesmos fundamentos que serviram de base às autuações dos processos administrativos nº 16561.000.025/200772 e 16561.000.027/200761 passase a demonstrar a improcedência das mencionadas autuações, cujo reconhecimento acarretará também a improcedência da autuação ora Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.785 6 impugnada. (Na sequência a contribuinte adentra no mérito dos autos de infração objeto dos referidos processos). d) Ainda que se entenda pela manutenção da autuação é certo que os juros calculados com base na variação da taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada por absoluta ausência de previsão legal. (Menciona e faz observações sobre os artigo 13 da Lei nº 9.065/96, artigo 3º, 113 § 1º do CTN, artigo 5º, II, e 37 da CF, transcreve ensinamentos de renomados juristas e acórdãos do CARF e da CSRF favoráveis ao seu entendimento) A 6ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 1263.418, de 20 de fevereiro de 2014, julgou a impugnação improcedente, com destaque para a seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 APRECIAÇÃO DE PROCESSOS JULGADOS . Incabível o reexame de processos já julgados ou que estejam sendo apreciados por outra unidade judicante, mormente quando os feitos encontramse decididos em segunda instância e aguardando apenas o pronunciamento quanto a embargos de declaração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 GLOSA DE PREJUÍZO FISCAL INDEVIDAMENTE COMPENSADO. Verificado que os julgamentos proferidos sobre autuações que influenciaram na quantificação do prejuízo indevidamente compensado não alteraram seu saldo, a exação consequente da indevida compensação não deve sofrer reparos. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é um débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa apresentou Recurso Voluntário alegando os mesmos pontos trazidos na impugnação, incluindo as razões constantes nos Recurso Voluntários dos processos administrativos fiscais 16561.000.025/200772, 16561.000.026/201717 e 16561.000.027/200761, já citados como originários deste processo aqui discutido. É o Relatório. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.786 7 VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo, pois, ser reconhecido. Como já tratado no Relatório deste Acórdão, o referido processo trata de glosa de compensações de prejuízo fiscal efetuadas a maior, por reflexo de recomposição do referido prejuízo fiscal decorrente de lançamentos tributários em outros processos administrativos fiscais, que reproduzo novamente abaixo para melhor elucidação: • 16561.000.025/200772 – (IRPJCSLL) • 16561.000.026/200717 – (IRPJCSLL) • 16561.000.027/200761 – (IRPJCSLLPISCofins) Como visto, os processos 16561.000.028/200714 e 16561.000.029/200751 somente tratam de lançamento da CSLL, logo não têm influência no resultado do processo aqui discutido. Em sendo assim, foi preciso verificar se tais processos principais, por assim dizer, já foram julgados administrativamente de forma definitiva. Em análise, posso constatar que o processo nº 16561.000025/200772 ainda está pendente de apreciação por este Egrégio Carf, o que me leva a concluir que este processo de nº 16095.720083/201316 ainda não reúne condições de ser votado. Isto porque o processo de origem (16561.000025/200772) contempla matérias que podem alterar a base de lançamento do auto de infração que faz parte deste processo administrativo fiscal. Veja, conforme tela extraída do eprocesso, que foi interposto Recurso Especial da Fazenda Nacional, que, digase, foi admitido pelo Carf, assim como foi interposto Recurso Especial pela empresa ora autuada, que ainda pende de análise de sua admissibilidade. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.787 8 Nesse sentido, proponho o SOBRESTAMENTO deste processo administrativo fiscal até que seja julgado em definitivo o processo nº 16561.000025/200772, do qual este é decorrente. (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 16095.720083/201316 Resolução nº 1401000.448 S1C4T1 Fl. 1.788 9 Fl. 1789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.723553/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendo-se calcular o imposto devido a partir das tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do crédito recebido de forma acumulada.
Numero da decisão: 2201-003.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendo-se calcular o imposto devido a partir das tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do crédito recebido de forma acumulada.
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É devida a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, devendo- se calcular o imposto devido a partir das tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do crédito recebido de forma acumulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Notificação de Lançamento 2008/584985785193057, fl. 3 a 7, a qual teve origem em procedimento de Revisão de A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 08 40 .7 23 55 3/ 20 12 -4 8 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 WILMA DUARTE WILMA DUARTE FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 99DF CARF MF 2 Declaração de Rendimentos da Pessoa Física relativa ao exercício de 2008, ano-calendário de 2007. A Autoridade Fiscal identificou infrações à legislação tributária e promoveu as alterações abaixo: a) omissão de rendimentos no valor de R$ 134.338,78, oriundo de ação judicial, já excluído o valor pago a título de honorários advocatícios de R$ 32.242,80; b) foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 4.997,45. Ciente do lançamento em 25 de outubro de 2012, inconformado, o contribuinte, tempestivamente, apresentou a Impugnação de fl. 2, na qual alegou que o rendimento em tela seria relativo ao somatório de 80 parcelas mensais de proventos de aposentadoria do período de 06/01/1992 a 14/03/1998, considerando também as parcelas relativas aos 13º salários. Debruçando-se sobre a demanda, a 16ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I concluiu (fl. 79): Por conseguinte, uma vez que o rendimento foi recebido acumuladamente no ano-calendário de 2007 e, considerando que a legislação pertinente determina que a tributação deve se dar no momento da percepção do rendimento (regime de caixa) e não em relação a cada um dos períodos (mês a mês) a que o rendimento se referir (regime de competência), os rendimentos percebidos acumuladamente devem ser acrescidos aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do ano- calendário de 2007, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. (...) À vista do exposto, voto por considerar improcedente a impugnação que ora se analisa, mantendo integralmente o crédito tributário na notificação de lançamento de fls. 03/07. Ciente do Acórdão da DRJ em 13 de maio de 2013, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 85 a 88, no qual, em síntese, buscando demonstrar a insubsistência e a improcedência do lançamento, solicitou o cancelamento do débito fiscal, basicamente sobre o argumento de que o valor deveria ser tributado nos meses a que se referem cada uma das parcelas que compõem o rendimento em discussão.. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Dos Rendimentos Tributáveis Recebidos Acumuladamente. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10840.723553/2012-48 Acórdão n.º 2201-003.502 S2-C2T1 Fl. 100 3 A análise das informações constantes dos autos demonstra que os rendimentos considerados omitidos pela Fiscalização têm origem em Ação Judicial concessiva de benefício previdenciário e se referem ao somatório de diferenças apuradas nos meses de janeiro de 1992 a março de 1998, conforme cálculos de fl. 16 a 20. Assim o cerne da celeuma administrativa está na pertinência ou não da tributação dos rendimentos recebidos pela pessoa física nos estritos termos do art. 12 da lei 7.713/88, segundo o qual, nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidiria, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com a ação judicial necessárias ao seu recebimento. Convicta da incidência do tributo de acordo com o texto legal acima, a DRJ considerou improcedente a impugnação. Contudo, trata-se de tema que já foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, com decisão definitiva de mérito na sistemática dos art. 543-B e 543-C da Lei 5.869, de 1973, nos seguintes termos: IMPOSTO DE RENDA - PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES-ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes,individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-233 DIVULG 26-1-2014 PUBLIC 27/11/2014) Por concordar integralmente com seus termos, em razão de sua clareza e adequação à presente demanda, julgo oportuno ressaltar as conclusões do Voto vencedor da lavra do Conselheiro Gerson Macedo Guerra, expresso no Acórdão 9202-003.695, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543-B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir da previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportando-me ao julgado vinculante, noto que, alí, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente Fl. 101DF CARF MF 4 no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor, regime regime de competência (...)", afastando-se assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento s e cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no . 7.713, de 1988, note-se, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda , em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento , inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repita-se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa entende-se, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisiun vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note- se, se cogita da inexistência da obrigação tributária / incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se por um lado, manter-se a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no . 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti-isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu sentimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional , no sentido de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10840.723553/2012-48 Acórdão n.º 2201-003.502 S2-C2T1 Fl. 101 5 sentido de determinar a manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário co m a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos (...). Portanto, entendo que a autuação se deu absolutamente alinhada à legislação então vigente, não tendo o posicionamento do judiciário assegurado exclusão de tais rendimentos do campo de incidência do IRPF, mas tão só que, para o cálculo do tributo devido, as alíquotas fixadas devem considerar, individualmente, os exercícios envolvidos. Conclusão: Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe parcial provimento para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte seja realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.726891/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. INCONSISTÊNCIA DAS PROVAS EM FACE DOS FATOS DESCRITOS. NULIDADE. VÍCIO DE NATUREZA FORMAL
O erro de fato é um problema intranormativo, decorrente de um equívoco na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral, identificação esta que não se resume à precisa descrição do fato tributável, mas em especial a sua identificação em concreto mediante a devida apresentação das provas correlatas.
Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3402-003.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em integrar o Acórdão 3403-002.566 para esclarecer que o provimento ao recurso voluntário foi em razão de vício formal do lançamento.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ME. Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. INCONSISTÊNCIA DAS PROVAS EM FACE DOS FATOS DESCRITOS. NULIDADE. VÍCIO DE NATUREZA FORMAL O erro de fato é um problema intranormativo, decorrente de um equívoco na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral, identificação esta que não se resume à precisa descrição do fato tributável, mas em especial a sua identificação em concreto mediante a devida apresentação das provas correlatas. Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em integrar o Acórdão 3403002.566 para esclarecer que o provimento ao recurso voluntário foi em razão de vício formal do lançamento. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 68 91 /2 01 1- 56 Fl. 95681DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar a discussão em tela, utilizo como meu o relatório veiculado no acórdão n. 9303003.851 (fls. 95.655/95.670), da lavra da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, in verbis: (...). Na data de 16/01/2012, a Contribuinte foi cientificada da lavratura de Auto de Infração (fls. 93.372 a 93.457) para exigência de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) referente ao período de janeiro/2007 a dezembro/2008. O lançamento decorre de irregularidades apuradas pela Fiscalização da DRF/CTA no estabelecimento industrial da Bayonne Cosméticos Ltda, descritas no relatório do acórdão recorrido: (...). A impugnação apresentada pela Contribuinte, face à autuação, foi julgada parcialmente procedente pela 2ª Turma da DRJ/RPO, em decisão formalizada no Acórdão nº 1439.386, de 28/11/2012, para cancelar o lançamento referente às infrações dos itens "004 IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR; 005 IPI LANÇADO E NÃO ESCRITURADO FALTA DE ESCRITURAÇÃO, e; 006 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO do Auto de Infração". Como resultado do julgamento da impugnação, foi exonerada parte do crédito tributário, sendo R$2.407.264,42 (dois milhões, quatrocentos e sete mil, duzentos e sessenta e quatro reais e quarenta e dois centavos) a título de imposto e R$1.805.448,32 (um milhão, oitocentos e cinco mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e trinta e dois centavos) referente à multa de ofício. Foram interpostos os respectivos recurso voluntário (fls. 95.353 a 95.407) e de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. As razões do Sujeito Passivo expostas no apelo voluntário foram assim sintetizadas na decisão ora recorrida: (...). Sobreveio julgamento dos recursos voluntário e de ofício consubstanciado no Acórdão nº 3403002.566 (fls. 95.535 a 95.549), proferido pela 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em 24/10/2013, dando provimento ao recurso voluntário e não conhecendo do recurso de ofício, por unanimidade de votos, para decretar a nulidade do auto de infração em razão do cerceamento do direito de defesa e exonerar integralmente o crédito tributário lançado pela Fiscalização. Interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional (fls. 95.552 a 95.556), alegando omissão no julgado por não ter sido especificado se o vício que nulificou o lançamento era de ordem Fl. 95682DF CARF MF Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3402003.969 S3C4T2 Fl. 715 3 formal ou material, os mesmos foram rejeitados por meio do despacho nº 3403R000.320, de 20/02/2014 (fls. 95.559 a 95.562). Não resignada, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 95.564 a 95.578), com base em divergência jurisprudencial, alegando, em síntese, estarse diante de vício de ordem formal, por estar centrado em questão documental e procedimental, podendo haver novo lançamento fiscal, nos termos do art. 173, inciso II do Código Tributário Nacional CTN. Aduz que em se tratando de erro na apuração da matéria tributável, deve ser promovida a retificação do lançamento, conforme constou do acórdão paradigma nº 10320451. Ainda, discorre sobre a caracterização do vício formal, visando demonstrar também inexistir vício material, e ressaltando a natureza formal dos requisitos do auto de infração consistentes, dentre outros previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, na descrição do fato e na determinação da exigência. Ao final, requer: (a) a conversão do julgamento em diligência, ou, subsidiariamente, (b) a declaração de nulidade por vício de ordem formal, para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173, inciso II do CTN. O recurso especial foi admitido por meio do despacho nº 340000.232, de 07/10/2014 (fls. 95.580 a 95.582), sob o fundamento de ter sido comprovada a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente quanto à tipificação do vício causador da nulidade do lançamento. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 95.587 a 95.604) requerendo a improcedência do apelo especial da Fazenda Nacional. (...) (grifos nosso). 2. O sobredito recurso especial foi julgado procedente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante se observa do citado voto assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA EM PARTE. Tratando o recurso especial de duas ou mais matérias, o mesmo só deve ser conhecido na parte em que devidamente comprovada a divergência jurisprudencial, requisito indispensável ao processamento do apelo. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. COMPETÊNCIA DO CARF. A manifestação acerca da natureza do vício que ensejou a nulidade do auto de infração, se formal ou material, é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 95683DF CARF MF 4 Recurso especial conhecido em parte e, na parte conhecida, provido. 3. Em suma, a Câmara Superior ratificou o vício reconhecido pela instância ordinária, mas determinou, todavia, que esta instância ordinária o qualificasse juridicamente, identificando, por conseguinte, se aludido vício apresenta natureza formal ou material, o que afetará na (im)possibilidade de um novo lançamento para os mesmos fatos aqui tratados. É exatamente o que se depreende do resultado do sobredito julgamento realizado pela instância especial: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, dar provimento, determinando o retorno dos autos ao órgão julgador "a quo" para se manifestar sobre a natureza do vício de nulidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. Consoante se depreende do relatório alhures desenvolvido, o trabalho a ser realizado por esta instância ordinária não implicará o rejulgamento da presente lide. Em verdade, a decisão anteriormente proferida por essa mesma instância ordinária (acórdão no 3403002.566 fls. 95.535/95.549) será premissa do presente voto, i.e., a autuação fiscal é nula. Assim, o único mister a ser aqui realizado consiste em qualificar aquela nulidade outrora reconhecida, quer dizer, limitarseá a afirmar se tal vício apresenta natureza formal ou material. Por outro giro verbal, o trabalho a ser aqui desenvolvido terá a missão de integrar o acórdão no 3403002.566. 6. Assim, para cumprir com tal dever, compete agora fixar algumas premissas que serão essenciais para a identificação do vício reconhecido no presente caso. I. Premissas: vício formal x vício material 7. É consabido que o erro de direito é uma problema decorrente da equivocada subsunção do fato à norma ou, em outros termos, que emerge de uma indevida qualificação jurídica dos fatos apurados. É, pois, um problema internormativo, haja vista ter sua origem no descompasso entre uma norma individual e concreta e seu correlato fundamento geral e abstrato. 8. Por sua vez, o erro de fato é um problema intranormativo, decorrente de um equívoco na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral e abstrata. Essa é, v.g., a doutrina de Paulo de Barros Carvalho: O erro de direito é a distorção entre o enunciado protocolar da norma individual e concreta e a universalidade enunciativa da norma geral e abstrata, ao passo que o erro de fato é desajuste interno na formação do enunciado protocolar. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário – fundamentos jurídicos da incidência. 5ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 111.). Fl. 95684DF CARF MF Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3402003.969 S3C4T2 Fl. 716 5 9. A orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça está em compasso com a doutrina em destaque, consoante bem ilustram os julgados abaixo: TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 2ª. Turma; AgRg no REsp 942.539/SP; Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS; Data do Julgamento: 02/09/2010; Data da Publicação/Fonte: DJe 13/10/2010) (g.n.). 10. Estabelecidas, ainda que sucintamente, tais premissas, já é possível retornar ao caso decidendo para qualificar o vício da autuação reconhecido pelo acórdão no 3403002.566 (fls. 95.535/95.549). II. A qualificação jurídica do vício reconhecido na autuação em análise 11. É importante lembrar neste momento que a qualificação jurídica do vício aqui debatido deve partir das premissas adotadas pelo voto do Conselheiro Alexandre Kern e retratado no acórdão 3403002.566. E, no aludido voto, o citado Conselheiro assim ponderou: (...). Compulsando os autos, depareime com o TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL às fls. 93.692 a 93.836 (TDFEAF). Ao longo de suas 145 folhas, percebese o árduo trabalho de pesquisa e o esforço do agente fiscal em bem descrever as infrações constatadas, articulando, a partir das provas manipuladas, diferentes possibilidades de capitulação legal. Penso que foi justamente a riqueza desse termo de descrição dos fatos que permitiu ao autuado defenderse das irregularidades que lhe foram imputadas, a ponto de cancelaremse os lançamentos referentes a três das seis infrações detectadas. A exuberância da peça Fl. 95685DF CARF MF 6 impugnatória na verdade reflete a qualidade do referido Termo. Ademais, ao contrário do que alega a recorrente, as operações estão individualizadas, haja vista as diversas planilhas que instruem os autos. O ofício da Fiscalização, no entanto, não se resume a relatar infrações percebidas. Há um trabalho prévio de auditoria – mais importante, não tenho dúvidas – que deve ficar bem documentado nos autos, com vistas à determinação da matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido, iter indispensável do procedimento administrativo de constituição de crédito tributário. (...). Para documentar essas infrações, o TDFEAF reportase a planilhas que consolidariam a matéria tributável. São as seguintes as planilhas referidas: (...). Compulsando os autos digitais, no intuito de localizar as planilhas referidas no TDFEAF, depareime com 57 imagens nominadas genericamente como “Planilha de cálculo” ou “Documentos diversos – outros”. Tocou então visualizálas para saber o que continham. Constatei tratarse de relatórios extraídos do sistema de auditoria “Contágil”, empregado pela Fiscalização da SRF. Na tabela abaixo, reproduzo o nome da imagem no processo digital, o título da planilha e as folhas do processo digital em que se inserem: (...). Percebese liminarmente que nenhuma das planilhas referidas no TDFEAF encontrase nos autos. Cotejandose apenas os nomes das planilhas, podese inferir que os relatórios “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas concidionador tonalizante lçto“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas lenços tributáveis AI“, “NF saídas sabonete líquido tributáveis“, “NF saídas óleo para banho tributáveis lçto“ e “NF saídas óleo para banho tributáveis“, “NF saídas sabonetes totais AI“ estejam relacionados com as seis planilhas referentes à infração 3.2.2.2 Erro de Classificação Fiscal. Fezse então necessário examinar o conteúdo desses relatórios a fim de superar a dificuldade inicial introduzida pelos nomes de planilhas não coincidentes. Iniciei com a análise da planilha “NF saídas deocolonia tributáveis”, às fls. 4.559 a 4.562, que talvez correspondesse à planilha “Al erro de class fiscal deocolônia da planilha.xls”, justamente a primeira a ser mencionada no TDFEAF.. A planilha contém os seguintes campos: (...). Embora conte com apenas quatro registros, todos relacionados com o produto, DEO COLONIA FLOR DE MENINA RACCO 100ML, a planilha, impressa na orientação retrato, não permite Fl. 95686DF CARF MF Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3402003.969 S3C4T2 Fl. 717 7 a visualização de todos os campos, obrigando à rolagem das páginas. Confesso que levei alguns instantes para perceber que o campo Código do Participante referese ao CNPJ do destinatário das saídas. O CFOP 5905, constante de todos os 4 registros da planilha, fizeramme cogitar que ela se referia, na verdade, a outra infração. Quando me deparei com um campo com o obscuro título Quantidade na Unidade Estatística SOMA, decidi examinar outra planilha. Ainda cogitando tratar de dados referentes à infração 3.2.2.2 Erro de Classificação Fiscal, passei a analisar a planilha de fls. 4.575 a 4.820, “NF saídas concidionador tonalizante lçto“. As 246 folhas da planilha representaram dificuldade inicial para o levantamento dos campos desse demonstrativo. O cinco primeiros estão logo na primeira folha. São eles: (...). Rolando as folhas da planilha, constatei que os cabeçalhos, inamistosamente, não se repetem entre uma folha e outra. Encontrei novos campos na folha 83 da planilha: (...). As 11.006 (onze mil e seis) folhas da planilha seguinte (“NF saídas deocolonia tributáveis, fls. 4.821 a 15.827”) desestimularamme a continuar na busca. Concluindo pela impossibilidade de aferição da matéria tributável apurada pela Fiscalização, vime então tentado a propor a meus pares a conversão do julgamento do recurso em diligência à repartição fiscal de origem para saneamento das falhas de organização do processo, afinal, as infrações foram muito bem descritas e apontavam para um conjunto indiciário consistente. Proporia as seguintes providências: (...). No entanto, analisando a necessidade de outras providências, à luz dos ajustes no lançamento promovidos pelo julgamento de primeira instância, que ensejou recurso de ofício, bem assim dos argumentos do recurso voluntário, concluí que a realização de uma diligência com esse fim, à essa altura do andamento do processo, implicaria novo prejuízo à defesa, que teria suprimida uma instância na apreciação desses documentos aportados os autos na fase recursal. E o retrocesso à fase inicial do processo equivaleria a novo lançamento, o que não se admite. Nesse contexto de desorganização dos autos, de ininteligibilidade da prova das infrações, de obstáculos intransponíveis e mesmo de falta de documentos essenciais para a determinação da matéria tributável, não obstante a qualidade do relatório fiscal que acompanha o Auto de Infração ter permitido ao sujeito passivo perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, há de se reconhecer a procedência da arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Fl. 95687DF CARF MF 8 (...). 12. A citação alhures é longa, mas absolutamente necessária na medida em que demonstra, com riqueza de detalhes, o trabalho então realizado pelo antigo Relator do caso para veicular o acórdão 3403002.566 o que, por sua vez, deixa clara a dificuldade por ele enfrentada em relação à autuação fiscal: vincular às descrições fáticas das exigências fiscais mantidas pela DRJ com o correlato acervo probatório produzido nos autos. 13. Levando em consideração as premissas fixadas no item "I" do presente voto, resta claro que não se está diante de um erro de direito, na medida em que, segundo o citado acórdão, não houve um descompasso entre o fato descrito pelo agente fiscal e sua correlata qualificação fiscal. Em verdade, o que houve foi um problema na apuração do fato em si considerado, uma vez que referida operação a ser retratada no lançamento fiscal não consiste apenas em descrevêlo com precisão, mas, em especial, proválo em concreto, sob pena do lançamento ficar em um indevido altiplano abstrato (próprio das normas jurídicas) sem, todavia, identificar um fato concreto passível de tributação. 14. Nesse sentido, o lançamento aqui perpetrado está em descompasso com o disposto no art. 142 do CTN1, na medida em que é incapaz de verificar a ocorrência do fato gerador e, por conseguinte, determinar a matéria tributável. Tal constatação, por si só, demonstra que no presente caso o que se tem é um vício formal, uma vez que o problema aqui detectado é de procedimento (iter), na medida em que a fiscalização perpetrada foi incapaz de atender o comando do citado prescritivo legal. 15. Nestes termos, reconheço a nulidade da autuação aqui debatida em razão do seu vício formal. Disposição 16. Diante do exposto e integrando o acórdão 3403002.566, dou provimento ao presente Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade da autuação aqui debatida em razão do seu vício formal. 17. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator 1 "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Fl. 95688DF CARF MF Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3402003.969 S3C4T2 Fl. 718 9 Fl. 95689DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727494/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Cabe ao Fisco a comprovação do fato constitutivo de seu direito de crédito, ou seja, a comprovação do ocorrência do fato gerador. Ao sujeito passivo, resta a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário comprovado pelo Fisco.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE.
Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO.
Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação.
ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. NÃO INCIDÊNCIA. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS.
A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada, sob pena de sua inaplicabilidade.
Numero da decisão: 2201-003.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de previdência privada e reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski que negavam provimento para a exclusão dos valores pagos a título de previdência privada. Realizou sustentação oral o Dr. Francisco Carlos Rosa Giardina, OAB/DF nº 41.765.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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VÍCIO NO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Cabe ao Fisco a comprovação do fato constitutivo de seu direito de crédito, ou seja, a comprovação do ocorrência do fato gerador. Ao sujeito passivo, resta a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário comprovado pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. NÃO INCIDÊNCIA. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 74 94 /2 01 3- 87 Fl. 1330DF CARF MF 2 contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados aos empregados e contribuintes individuais pela empresa, a título de PLR, previdência privada e gratificações sobre férias. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 36 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0177, no valor de R$ 7.880.189,73, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à quota patronal de contribuição previdenciária e contribuição da empresa para os Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.331 3 benefícios em razão da incapacidade laborativa devida sobre os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0185, no valor de R$ 346.080,09, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à parte dos segurados da contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0193, no valor de R$ 29.510.222,34, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321 · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0207, no valor de R$ 2.077.504,55, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0215, no valor de R$ 5.152,14, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0223, no valor de R$ 34.347,16, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321. · Auto de Infração Debcad n° 51.055.0231, no valor de R$ 3.434,76, atualizado até dezembro de 2013, constituído no âmbito do processo administrativo nº 10830.727495/201321 Os créditos constituídos e integrantes do presente processo administrativo foram imputados, pela solidariedade prevista no inciso IX do artigo 30 da Lei nº 8.212/91, às empresas integrantes do grupo econômico CPFL Energia, a saber: CPFL Geração de Energia S/A; Companhia Piratininga de Força e Luz; e CPFL Comercialização Brasil S/A. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro de 2009 a dezembro de 2009. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do devedor principal em 20 de dezembro de 2013. Inconformado, o devedor principal apresenta impugnação (fls. 565), tempestivamente. A 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, por maioria de votos, por meio do Acórdão 09.51.435 (fls. 1181), decidiu pela improcedência da impugnação. Necessário ressaltar, como aponta a decisão de piso (fls 1190), que os devedores solidários não apresentaram impugnação ao lançamento, o que reveste de definitividade a sujeição passiva apontada. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão (fls. 1183): Fl. 1332DF CARF MF 4 a) AIOP – DEBCAD nº 51.055.0177 consolidado em 17/12/2013, no valor de R$7.880.189,73 relativos ao período de 01/2009 a 12/2009, acostado às fls. 10/26 dos autos, para cobrança de obrigação principal proveniente da contribuição previdenciária patronal, para custeio da seguridade social e contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados. Os fatos geradores, conforme Discriminativo de Débito – DD de fls. 14/20 foram identificados nos levantamentos: FE FÉRIAS: exigindose a contribuição patronal de 20% para a seguridade social e de 2% para o SAT/RAT , com a aplicação da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de adicional e gratificação de férias. PC – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR: exigindose a contribuição patronal de 20% para a seguridade social e de 2% para o SAT/RAT , com a aplicação da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de previdência complementar. PR – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS exigindose a contribuição patronal de 20% para a seguridade social e de 2% para o SAT/RAT , com a aplicação da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de participação nos resultados. b) AIOP DEBCAD nº 51.055.0185 consolidado em 17/12/2013, no valor de R$346.080,09, relativos às competências 01/2009 a 12/2009, acostado às fls. 27/35 dos autos, para cobrança da contribuição dos segurados incidente sobre a remuneração dos empregados, exigida no levantamento FE – FÉRIAS, relacionado no anexo Discriminativo de Débito, acostado às fls. 31/33. No Relatório Fiscal de fls.36/97, sobre as autuações específicas do presente processo de constituição, a autoridade lançadora registrou, em síntese, que: No presente processo foi constituído a obrigação principal decorrente da cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, tendo sido caracterizado grupo econômico, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei 8.212/1991 e arrolados como responsáveis solidários as seguintes empresas: CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A 03.953.509/ 000147; COMPANHIA PIRATININGA DE FORCA E LUZ 04.172.213/ 000151 e CPFL COMERCIALIZAÇÃO BRASIL S.A. todos localizados no mesmo endereço RODOVIA ENGENHEIRO MIGUEL NOEL NASCENTES BURNIER 1755 KM 2,5 PARQUE SÃO QUIRINO – CAMPINAS – SP. Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.332 5 Após transcrever a legislação previdenciária que disciplinam os fatos geradores apurados, especificamente, sobre aqueles exigidos neste processo, o auditor explica que as empresas arroladas como participantes do grupo econômico, estão localizadas na mesma sede, apresentam estruturas organizacionais similares, possuem planos de contas contábeis e rubricas da folha de pagamento semelhantes e foram designadas as mesmas pessoas para atender à fiscalização. No relatório, explica que, se os fatos geradores descritos abrangerem as quatro empresas, será utilizada a identificação “CPFL Energia” e quando referirse somente à autuada será apontada a denominação “CPFL Paulista”. Ressalta o auditor que o contribuinte, em ações fiscais anteriores, reiteradamente, recebeu autuações pelos mesmos fatos geradores, no caso, pelo não recolhimento de contribuições devidas incidentes sobre valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, previdência complementar, gratificações de férias, bem como retenções relativas a serviços terceirizados. Diz, ainda, que esta prática reiterada, somada ao que se constatou durante o procedimento fiscal, demonstra que a CPFL Energia tem ciência de que as referidas importâncias são base de cálculo das contribuições previdenciárias, assim como tem ciência de que determinadas condutas tem como resultado a supressão ou redução do recolhimento de contribuição previdenciária, o que é tipificado como crime. Para a apuração das contribuições devidas foram analisados os seguintes documentos: arquivos magnéticos de folhas de pagamento e da contabilidade; acordo coletivo de trabalho, contratos de previdência complementar na modalidade PGBL; Planilha de pagamentos de contribuições relativas à previdência complementar; Plano de Previdência Complementar com Bradesco Vida e Previdência S/A FGB; No tocante ao lançamento, a fiscalização apresenta, sobre os levantamentos específicos do presente processo de constituição, as seguintes considerações: 1 Quanto ao lançamento de valores pagos a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados – PLR, aduz que a empresa apresentou acordos coletivos de trabalho abrangendo o período de 2008 a 2010, celebrado entre as empresas do grupo CPFL Energia COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ (CPFL Paulista), CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A (CPFL Geração) e CPFL COMERCIALIZAÇÃO BRASIL S/A (CPFL Brasil) – e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE ENERGIA ELÉTRICA DE CAMPINAS. O acordo coletivo disciplina na sua cláusula 5ª a PRL. Nesta cláusula estipula as regras e condições da participação dos empregados, prevendo metas de resultado, montante a ser distribuído e período de pagamento no caso de as metas serem cumpridas ou superadas. No parágrafo 10° desta cláusula foram definidos os trabalhadores que teriam direito à percepção dos Fl. 1334DF CARF MF 6 valores, assim como as condições de pagamento no caso de admissão, desligamento ou afastamento dentro do período de referência, no entanto, no parágrafo 11 prevê que a PLR destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuaria seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na referida cláusula, definidas diretamente pela CPFL e interessados. A mesma situação foi constatada no acordo coletivo apresentado pela CPFL Piratininga. Diante da cláusula contratual que estabelecia negociações especiais para a PLR foi solicitado às empresas do grupo fiscalizadas os instrumentos decorrentes da negociação entre a CPFL e os ocupantes de cargos gerenciais e diretivos. Em resposta, a CPFL Energia entregou em 01/08/2013 esclarecimentos por escrito em que informa que “a aprovação da contratação de metas dos ocupantes dos cargos gerenciais e diretivos é realizada através do sistema Web”. Junto com tal explicação acrescentou telas de um sistema informatizado interno da empresa em que consta uma relação de matrículas, siglas, nomes e cargos de trabalhadores. Concluindo o tema PLR o auditor destaca que na forma apresentada, a autuada deixou de observar o disposto nos incisos I e II do art. 2º da Lei 10.101/2000, que exige, em todos os procedimentos de negociação entre a empresa e seus empregados, a presença do sindicato representativo da categoria dos trabalhadores, em conseqüência, tal verba passa a integra o salário de contribuição, não sendo aplicada, ao caso a exceção prevista na alínea “j” do §9º do art. 28 da Lei 8.212/1991. A identificação de ocupantes de cargos gerenciais e diretivos da CPFL Paulista, denominados diretores e gerentes, consta da relação anexada ao processo intitulada “PLR de cargos gerenciais”e todos os valores utilizados no lançamento foram extraídos da folha de pagamento em meio digital apresentada, conforme arquivos constantes da relação de Recibos de Entrega de Arquivos Digitais anexada ao processo, correspondentes às rubricas “VR1 PARTIC LUCRO RESULTADO” e “VR2 PARTIC LUCRO RESULTADODIFEREN”. Destaca o auditor que não foram lançadas contribuições dos segurados empregados, relativamente a PLR, uma vez que a remuneração dos ocupantes de cargos gerenciais e diretivos que receberam as rubricas VR1 e VR2 era superior ao limite máximo do salário de contribuição. Sobre o levantamento Previdência Complementar a autoridade lançadora explica que a CPFL Energia celebrou contratos de previdência complementar com a “FUNDAÇÃO CESP”, “Bradesco Vida e Previdência” e “Brasilprev”, que foram oferecidos como parte do pacote de benefícios a empregados, chamados de Colaboradores Efetivos, e aos Gerentes, Diretores, Presidentes e Vices, denominados Gerentes de Divisão, Gerentes de Departamento e Executivos. Na forma apresentada o pagamento da previdência complementar na modalidade PGBL, destinada aos Gerentes, Diretores, Presidente e Vice, integram o salário de contribuição Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.333 7 para os fins da Lei 8.212/1991. Todos os valores utilizados no lançamento foram extraídos da planilhas apresentadas pela empresa em 15/08/2013, contendo a relação de trabalhadores que receberam o benefício e os respectivos códigos, bases de cálculo das contribuições e os valores das contribuições pagas pela empresa e pelos participantes. Não foram lançadas contribuições dos segurados empregados, porque a remuneração dos gerentes e executivos que receberam remuneração a título de PGBL era superior ao limite máximo do salário de contribuição. Com relação ao levantamento Férias apurouse pelo exame das folhas de pagamento que o valor do adicional constitucional de férias e de gratificação de férias não integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias da CPFL Energia. A partir dos esclarecimentos prestados pela autuada a fiscalização concluiu que não se confunde gratificação de férias concedida em acordo coletivo de trabalhado com abono de férias, que é a conversão de parte do período de férias a que o empregado tem direito em pecúnia. O artigo 144 da CLT, que foi mencionado no esclarecimento da empresa, estabelece que não integra a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho, desde que não excedente de vinte dias do salário, o abono de férias concedido em virtude de acordo coletivo, de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa ou de convenção. Conclui o auditor que a Gratificação de Férias do Acordo Coletivo celebrado pela CPFL Paulista corresponde a valor complementar ao adicional constitucional mínimo de um terço. O terço constitucional de férias e qualquer gratificação adicional integram o salário de contribuição. Finaliza resumindo que as rubricas V37, V30, V34 e V42 integram o conceito de salário de contribuição nos termos do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. Ressalta que as contribuições dos segurados empregados foram lançadas em observância ao § 5º do artigo 216 do Decreto 3.048/1999, que prevê que o desconto da contribuição legalmente determinado sempre se presumirá feito. Fundamentando a qualificação da multa o auditor cita o art. 44 da Lei 9.430/1996 e aduz que a CPFL Paulista tinha plena ciência de que determinadas importâncias eram fatos geradores de contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades e fundos, porque já havia sido anteriormente fiscalizada e exigida a contribuição previdenciária sobre as mesmas verbas. Entende o auditor que a permanência com o procedimento de exclusão da incidência de tais verbas, implicou em ação ou omissão dolosa, com vistas a impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizada pelo evidente intuito de sonegação. Informa, por fim, o fisco que foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais (Processo 10830.727496/201376), em Fl. 1336DF CARF MF 8 atenção ao disposto no Decreto nº 2.730/1998, e na Portaria RFB nº 2.439/2010, alterada pela Portaria RFB nº 3.182/2011, porque, em tese, configuram crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, que está tipificado no inciso III do art. 337A do Código Penal, incluído pela Lei nº 9.983/2000, e crime Contra a Ordem Tributária, relativamente às contribuições devidas a outras entidades, tipificado no inciso I do artigo 1° da Lei n° 8.137/1990. Cientificada do lançamento, a autuada oferece em 21/01/2014 a impugnação de fls. 565/639, onde, após qualificarse e resumir os fatos que levaram à autuação, apresenta as alegações contra os lançamentos, propugnando, pela tempestividade da peça de contestação e em preliminar, aduz estar ausente a descrição dos fatos imponíveis, haja vista a falta de uma fundamentação clara e precisa sendo que essa situação prejudica o devido processo legal, pois “a generalidade existente impossibilita a ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado.” Sobre os fatos geradores específicos do presente processo de constituição, alega que as ponderações trazidas nos autos de infração não passam de conjecturas, porque deixam de pormenorizar a relação, descrevendo precisamente o fato que dá início à incidência dos débitos de contribuições sociais. Diz que o Auditor Fiscal não relacionou as normas jurídicas que imporiam o recolhimento previdenciárias sobre os eventos de folha autuados e sobre a PLR e as contribuições ao PGBL. A auditoria, em síntese, atribuiu à Impugnante o dever ilegal de constituir prova negativa, demonstrando, dentre outros fatos, que: a Participação nos Resultados deferida aos gerentes e diretores não contrariou o disposto na Lei 10.101/00, sobretudo porque a PLR foi objeto de negociação coletiva entre os interessados a previdência privada não era discriminatória, na medida em que todos os empregados dispunham de planos patrocinados pela impugnante, e ainda que não houvesse observado universalidade, a Resolução nº 139, de 2005, autoriza os plano abertos coletivos para uma ou mais categoria específica de empregados de um mesmo empregador, sem prejuízo da descaraterização da sua natureza salarial enunciada pelo artigo 202, §25, da CF e pelo artigo 458, inciso VI, da CLT; os eventos de gratificação de férias, abono de férias e aviso prévio indenizado não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a folha. Requer a nulidade material dos Autos de Infração, ante a inobservância de requisitos essenciais à validade do ato administrativo de lançamento, consistente na descrição pormenorizada dos fatos imponíveis. No mérito, sobre a PLR, alega que é imune de contribuição previdenciária independentemente de satisfazer a Lei nº 10.101/2000. Assim, a desoneração dessa rubrica é operada pelo inciso IX do artigo 7º da Constituição Federal, que blinda a PLR de qualquer tributação previdenciária, motivação portanto, para Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.334 9 a declaração de nulidade do auto de infração Ressalta que, ao contrário do que entende a fiscalização, os valores pagos ou creditados pela impugnante como PLR não se amoldam ao conceito legal de remuneração, tampouco objetivam retribuir o trabalho prestado pelos empregados, razão pela qual não pode ser onerado pela contribuição previdenciária, pois não integra sua hipótese de incidência. Sustenta que no pagamento do PLR observou todos os requisitos de legalidade, haja vista a participação ativa dos interessados nas negociações que culminaram na formalização do programa. Diz que a desqualificação feita pela fiscalização baseouse essencialmente em requisitos formais, no entanto, foram atendidos todos os requisitos materiais, o que determina a aplicação da exceção quanto a incidência prevista na alínea “j” do §. 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991. Com relação a previdência complementar aduz que os aportes, normais ou extraordinários, para plano complementar, aberto ou fechado, são imunes de contribuição previdência, tal característica é conferida pelos § 2º do art. 202 c/c art. 195 da CF, que excluem do legislador a competência legislativa para editar leis que objetivam a tributação dos aportes como remuneração. A eficácia da imunidade justifica a nulidade do Auto de Infração que pretende lançar contribuição previdenciária em detrimento da desoneração constitucional. Assim, com fundamento no exposto, requer seja declarada a nulidade material do Auto em razão da imunidade da base de cálculo utilizada no lançamento. Diz a autuada que os auditores da Receita Federal não possuem competência para descaracterizar planos abertos de previdência privada, pois a fiscalização é de competência exclusiva das autarquias federais PREVIC Superintendência Nacional de Previdência Complementar e da SUSEP – Superintendência de Seguros Privados. Ressalta que as atividades de fiscalização atribuídas à PREVIC e à SUSEP foram divididas pela natureza jurídica do plano e da entidade. Enquanto a Secretaria de Previdência Complementar SPC, assumiu a fiscalização das entidades e planos fechados, a SUSEP se comprometeu na fiscalização das entidades e planos abertos. Apenas a SUSEP tem competência para descaracterizar um plano atribuindolhe outra natureza jurídica senão a previdenciária. Sustenta a não incidência da contribuição previdenciária, em face da ausência de natureza remuneratória dos aportes para planos de previdência. Os aportes do empregador ao plano de previdência fechado, não podem ser onerados, simplesmente, porque não integra a hipótese de incidência da contribuição previdenciária. Defende que atendeu o requisito da universalidade do programa, pois disponibilizou e patrocinou à totalidade dos empregados Fl. 1338DF CARF MF 10 plano previdenciário gerido pela Fundação CESP, além do mais a universalidade nos termos do art. 28 § 9º, alínea “p”, da Lei nº8.212/1991 atinge o programa previdenciário e não o plano ao qual o empregado é elegível. Neste sentido, a Resolução CNSP n. 139/2005 da SUSEP, ao consolidar as regras de funcionamento e os critérios para operação dos planos de previdência complementar aberta, em consonância com o disposto na alínea "p" do §9º do artigo 28 da 8.212/1991 , ratificou a possibilidade do plano aberto coletivo abranger apenas grupos específicos de empregados de um mesmo empregador, sem que o exercício dessa faculdade do patrocinador comprometa a universalidade do programa ou descaracterize a natureza previdenciária do plano ou do aporte. Transcreve decisões do CARF sobre o tema. Conclui que a fiscalização não apresentou elementos suficientes para descaracterizar a isenção sobre as contribuições ordinárias e extraordinárias vertidas pela Impugnante aos participantes dos planos, razão pela qual tem que ser reconhecida a isenção prevista na lei 8.212/1991. Sobre o Abono e Gratificação de Férias, alega que os eventos "abono const. de fériasdiferenc" (V37) e "abono consti de férias" (V30) pagos pela Impugnante corresponderam, na forma do artigo 143 da CLT, à conversão de 1/3 (um terço) do período de férias a que o empregado tinha direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. Destaca que o E. Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento segundo o qual não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos, devidos ou creditados a título de "abono de férias", quando pagos nos termos do art. 143 e 144 da CLT. Neste sentido transcreve decisões administrativas e judiciais. Também, ressalta que o STJ confirmou a desoneração do adicional de 1/3 de férias. Cita que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") emitiu o Parecer PGFN/CRJ/N. 2114/2011, dispensando a apresentação de contestação, a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos em relação às demandas/decisões judiciais que fixam o entendimento de que a contribuição previdenciária não incide sobre os valores pagos pelo empregador aos seus empregados a título de abono único concedido por meio de Convenção Coletiva de Trabalho, conforme previsão do artigo 28, §9º, alínea “e”, item 7, da Lei 8.212/1991. Com relação a gratificação de férias, diz que, diferentemente, do abono, o pagamento obedeceu à cláusula 11 do Acordo Coletivo, atendendo rigorosamente o art. 144 da CLT, na medida em que jamais o valor pago ao empregado ultrapassa o devido por 20 dias de trabalho. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.335 11 Questiona a qualificação da multa, alegando que a fiscalização não apresentou qualquer prova ou evidência que demonstrasse indícios de materialidade ou autoria do crime de sonegação. Afirma que não praticou qualquer ação ou omissão dolosa na tentativa de impedir o conhecimento, pela RFB, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não houve qualquer falsidade nas declarações, pois o que se verifica na presente hipótese é tão somente a aplicação de interpretação legal diversa daquela entendida como correta pelo auditor fiscal. Ressalta que nos assentamentos contábeis, bem como nos documentos apresentados à Fiscalização, não há qualquer indício de ocultação dos fatos geradores dos tributos ou da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Pede o cancelamento da autuação, em face da impossibilidade de a administração tributária imputarlhe penalidade de multa de ofício em concomitância com a multa de mora, bem como a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, por total falta de previsão legal. Finaliza postulando pelo acolhimento das razões de impugnação, pede que não seja encaminhada ao Ministério Público representação para fins penais, relativa a crimes contra a ordem tributária, enquanto não proferida decisão final na esfera administrativa sobre a exigência do crédito tributário correspondente e resume seus pedidos nos seguintes itens: preliminarmente, seja declarada a manifesta nulidade dos Autos de Infração ora impugnados, porquanto desprovidos de motivação; bem como nulos, em face da incompetência da RFB para descaracterizar a natureza previdenciária dos aportes realizados a planos de previdência privada; no mérito, seja julgada procedente a impugnação, para declarar totalmente insubsistente os Autos de Infração, inclusive os consectário legais sobre os valores lançados; requer seja determinada a conversão do feito em diligência, na forma do artigo 38 da Lei n. 9.784/1999 e do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, para verificação da totalidade dos contratos." Cientificado de decisão que contrariou seus interesses em 27 de junho de 2014, por meio de notificação eletrônica realizada em seu domicilio tributário (despacho de folhas 1204), o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, em 23 de julho de 2014, recurso voluntário (fls. 1215). Os devedores solidários foram cientificados em 02 de julho de 2014, por via postal, consoante se comprova pelos AR acostados às folhas 1208, 1210 e 1212. Não houve, assim como ocorreu na impugnação ao lançamento, apresentação de apelo por parte dos solidários. Constam do recurso voluntário do devedor principal, em síntese, as mesmas alegações constantes da impugnação interposta e acima reproduzida. Fl. 1340DF CARF MF 12 O processo foi distribuído, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço e passo a apreciálo na ordem de suas alegações. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPONÍVEIS Segundo o Recorrente, a autuação, como realizada, padece do vício de nulidade material. São seus argumentos (fls .1220) O Auto de Infração, na qualidade de ato jurídicoadministrativo, deve satisfazer a forma para se legitimar na produção de efeitos (matéria). Além dos requisitos legais, esse ato administrativo, ante a natureza imputativa, deve notar o devido processo legal constando em seu corpo, de forma pormenorizada, as razões (fundamentação) da imputação (conclusão). A observação desse pressuposto satisfaz por via tangencial a ampla defesa e o contraditório, permitindo a defesa ao sujeito passivo da imputação. Não basta à satisfação desse requisito a simples fundamentação do ato. O princípio da estrita legalidade impõe a pormenorização, exigindo da fundamentação a descrição de todos os elementos necessários e observados à incidência da norma jurídica. O que se exige não é análise ideológica, mas uma investigação minuciosa dos elementos fáticos e do modelo jurídico descrito na hipótese. A constatação não decorre da hermenêutica. Tratase de expressa previsão legal; o inciso II do artigo 50 da da Lei n. 9.784/99 regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal impõe à autoridade administrativa, como pressuposto de validade do ato, a indicação específica dos fatos que justificaram a imputação. Assim também é o previsto no artigo 142 do CTN. Sucede, todavia, que tais requisitos não foram observados pelo Auditor Fiscal quando da constituição do ato administrativo recorrido. Os Autos de Infração foram constituídos à revelia de uma fundamentação clara e precisa; essa situação prejudica sobremodo o devido processo legal administrativo. A generalidade existente impossibilita a ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado. A postura adotada pela administração impede a defesa da Recorrente, pois o fato a ser comprovado restou omitido no ato administrativo, ou generalizado de tal forma a tornálo Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.336 13 imperceptível ou ambíguo. O Auditor Fiscal, em síntese, arrogou a obrigação à corrente sem justificar a razão da imputação. A Recorrente ficou privada do contraditório por desconhecer o que deve ser provado. As ponderações trazidas nos autos de infração não passam de conjecturas, sobretudo porque deixam de pormenorizar a relação descrevendo precisamente o fato que encetou a incidência dos débitos de contribuições sociais. O Auditor Fiscal não mencionou até porque inexistente , as normas jurídicas que imporiam o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os eventos de folha autuados e sobre a PLR e as contribuições ao P6BL, tampouco demonstrou que os prestadores executavam os serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, a ensejar o dever legal de retenção da contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. A auditoria, em síntese, arrogou à Recorrente o dever desproporcional e ilegal de constituir prova negativa, demonstrando, dentre outros fatos, que: i)A Participação nos Resultados deferida aos gerentese diretores não contrariou o dispositivos da Lei n.10.101/00, sobretudo porque a PLR foi objeto de negociação coletiva entre os interessados. ii)A previdência privada não era discriminatória, na medida em que todos os empregados dispunham de planos patrocinados pela Recorrente, e ainda que não houvesse observado universalidade, a Resolução n. 139, de 2005, autoriza os planos abertos coletivos para uma ou mais categorias específicas de empregadores de um mesmo empregador, sem prejuízo da descaraterização da natureza salarial enunciada pelo artigo 202, §22, da CF e pelo artigo458, inciso VI, da CLT; iii) Os eventos de gratificação de férias, abono de férias e aviso prévio indenizado não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a folha. A administração descumpriu a vinculação, constituindo ato administrativo à revelia do devido processo legal. Ao invés de investigar o suporte fático da incidência (fato jurídico tributário), prendeuse à forma e indícios extraídos da documentação, deixando de investigar o conteúdo da relação jurídica. Deveria o Auditor Fiscal ter aferido a relação em si, colhendo dados reais para modelar o suposto fato jurídico tributário, de forma a permitir à Recorrente, ante o inconformismo, contraditar a decisão, provando que a inexistência do fato declarado. 0 ato administrativo cerceia as franquias constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa asseguradas à Recorrente, pois sem conhecer a imputação, não dispõe de meios para promover a contestação. Fl. 1342DF CARF MF 14 A ausência desses dados impossibilita a verificação da incidência das contribuições sociais, impedindo, por via convexa, a produção de provas eficazes à demonstração da imunidade, da não incidência ou da isenção." (sublinhei; os negritos são originais) Não vejo a nulidade apontada. Não padece o lançamento de falta de comprovação da ocorrência do fato gerador e portanto, do direito de crédito do Fisco. A transcrição acima, em especial em sua parte negritada, quer nos fazer crer que a Autoridade Fiscal não se desincumbiu do ônus de comprovar a ocorrência do fato gerador tributário. Não é isso que se observa. Soube o Fisco comprovar a ocorrência do fato gerador, comprovadamente, como se observa no excerto abaixo do Relatório Fiscal (fls 41): 3.10 Além dos termos lavrados durante o procedimentos fiscal, são elementos de prova os seguintes arquivos e documentos apresentados pela CPFL Energia: ✔ folha de pagamento em meio digital – leiaute MANAD *; ✔ informações contábeis em meio digital – leiaute da Escrituração Contábil Digital (ECD), transmitidas ao SPED; ✔ notas fiscais de serviço emitidas por terceiros em meio digital leiaute do Ato Declaratório Executivo ADE Cofis n° 15/2001, com redação dada pelos ADE Cofis nº 55/2009 e 25/2010; ✔ esclarecimentos por escrito relacionados aos Autos de Infração lavrados; ✔ pedidos de dilação de prazo para apresentação de documentos; ✔ contratos de prestação de serviço relativos a cessão de mão de obra e empreitada, incluindo aditivos, anexos e minutas; ✔ acordos coletivos de trabalho; ✔ mensagens de correio eletrônico; * anexados ao processo os respectivos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais 3.11 Integram também o processo as seguintes peças de instrução, contendo informações e dados extraídos dos arquivos e documentos apresentados pela empresa e extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil: ✔ “Instruções Para o Contribuinte – IPC”: relatório que fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; ✔ “Relatório Fiscal – REFISC”: o presente relatório, contendo a identificação do sujeito passivo, a apresentação e organização do Processo, a descrição dos fatos apurados no procedimento fiscal e a descrição de todos os Autos de Infração que compõem Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.337 15 o processo, além de outras informações pertinentes ao procedimento fiscal ; ✔ “Relatório de Lançamentos – RL”, que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos, com observações; ✔ “Relatório de Vínculos – VÍNCULOS”: relatório que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; ✔ relação processos eletrônicos em andamento das empresas do grupo ora fiscalizadas; ✔ termos recusados pela CPFL Energia; ✔ relatório “PLR de cargos gerenciais”; ✔ relatório “Rubricas de proventos”; ✔ relatório “RELAÇÃO DE NOTAS Paulista”; ✔ relatório “Cálculo CSE de férias”." Em acréscimo, devemos apontar que a dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº 70.235 em especial dos artigos 9º e 15. O que se observa é que não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, não se permitindo, portanto, admitir tal argumento. Padece do mesmo vício a alegação da falta de comprovação, pelo Fisco, de que a: "i) A Participação nos Resultados deferida aos gerentese diretores não contrariou o dispositivos da Lei n.10.101/00, sobretudo porque a PLR foi objeto de negociação coletiva entre os interessados. ii)A previdência privada não era discriminatória, na medida em que todos os empregados dispunham de planos patrocinados pela Recorrente, e ainda que não houvesse observado universalidade, a Resolução n. 139, de 2005, autoriza os planos abertos coletivos para uma ou mais categorias específicas de empregadores de um mesmo empregador, sem prejuízo da descaraterização da natureza salarial enunciada pelo artigo 202, §22, da CF e pelo artigo458, inciso VI, da CLT; iii) Os eventos de gratificação de férias, abono de férias e aviso prévio indenizado não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a folha." Fl. 1344DF CARF MF 16 Tais comprovações são ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. Tratamse de matéria de defesa, posto que as provas no sentido da alegação da Recorrente se constituem fatos impeditivos ou modificativos do direito do Fisco. Recordemos, a lógica presente na ação fiscal. O Fisco, verificando o pagamento de verbas que, ao seu ver, descumprem os requisitos legais que ensejam a isenção tributária, efetua o lançamento. Cediço que a ausência da comprovação, segundo a legislação tributária, enseja o lançamento. No processo administrativo fiscal instaurado pela impugnação, o Contribuinte deve comprovar suas alegações. Observase no presente caso, que o Recorrente não o fez no procedimento inquisitório fiscalizatório restandolhe, portanto, produzir suas provas aqui, no processo administrativo tributário. Logo não observo a nulidade arguída. Não há vício material no lançamento guerreado. Houve sim, o cumprimento dos requisitos constantes do artigo 142 do CTN e do artigo 9º e 10º do Decreto nº 70.235/72. Recurso rejeitado nessa parte. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS OCUPANTES DE CARGOS GERENCIAIS E DIRETIVOS Segundo a Autoridade Fiscal, o pagamento da PLR ao diretores e gerentes da Recorrente descumpriu a legislação de regência. Vejamos o relatório fiscal (fls 77): "Em atenção às intimações, a CPFL Energia protocolou em 03/06/2013 a entrega de CDs contendo Acordos Coletivos de Trabalho (anexados ao processo) e arquivos contendo indicação das contas contábeis e rubricas da folha de pagamento em que foram lançadas as importâncias pagas ao referido título. Estes arquivos foram reapresentados em 01/08/2013 com o correspondente Recibo do SVA, uma vez que não havia sido gerado na primeira apresentação. 10.3.3 Um dos acordos coletivos de trabalho apresentado (e respectivo aditivo), abrangendo o período de 2008 a 2010, foi celebrado entre as empresas do grupo CPFL Energia COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ (CPFL Paulista), CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A (CPFL Geração) e CPFL COMERCIALIZAÇÃO BRASIL S/A (CPFL Brasil) – e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE ENERGIA ELÉTRICA DE CAMPINAS. A cláusula 05 do acordo trata da Participação nos Lucros ou Resultados, em que foram estipuladas as regras e condições da participação dos empregados, prevendo metas de resultado, montante a ser distribuído e período de pagamento no caso de as metas serem cumpridas ou superadas. 10.3.4 No parágrafo 10° da cláusula 05 foram definidos os trabalhadores que teriam direito à percepção dos valores, assim como as condições de pagamento no caso de admissão, desligamento ou afastamento dentro do período de referência. 10.3.5 Entretanto, o parágrafo 11 da cláusula previa que a PLR destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuaria seguindo regras próprias, diversas das Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.338 17 estabelecidas na referida cláusula, definidas diretamente pela CPFL e interessados. Vejamos: Parágrafo 11° A Participação nos Lucros ou Resultados destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuará seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na presente cláusula, definidas diretamente pela CPFL e interessados. 10.3.6 Constatamos a mesma situação na CPFL Piratininga. Em 03/06/2013 protocolou a entrega de CD (reapresentado em 01/08/2013 com o correspondente Recibo do SVA), em que foi apresentado acordo coletivo de trabalho para o período de 2008 a 2010, e respectivo aditivo, celebrado entre a COMPANHIA PIRATININGA DE FORÇA E LUZ e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE ENERGIA ELÉTRICA DE CAMPINAS. Neste acordo, as regras e condições da PLR estavam previstas na cláusula 04. Da mesma forma, o parágrafo 11 da cláusula previa que a PLR destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuaria seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na referida cláusula, definidas diretamente pela CPFL Piratinga e interessados: Parágrafo 11° A Participação nos Lucros ou Resultados destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuará seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na presente cláusula, definidas diretamente pela CPFL PIRATININGA e interessados. (...) 10.3.8 Em resposta, a CPFL Energia entregou em 01/08/2013 esclarecimentos por escrito (datados de 31/07/2013 e anexados ao processo) em que informa simplesmente: . Item 5 – A aprovação da contratação de metas dos ocupantes dos cargos gerenciais e diretivos é realizada através do sistema Web. 10.3.9 Anexou ao esclarecimento telas de um sistema informatizado interno da empresa em que consta uma relação de matrículas, siglas, nomes e cargos de trabalhadores, sem nenhuma explicação adicional. As telas também foram anexadas ao processo sob a denominação “PLR sistema Web”. 10.3.10 Conforme apontado no Capítulo VII deste relatório, em todos os procedimentos de negociação entre a empresa e seus empregados é obrigatória a presença do sindicato representativo da categoria dos trabalhadores, de acordo com o estabelecido nos incisos I e II do artigo 2° da Lei 10.101/2000, que prevem negociação mediante comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho. Fl. 1346DF CARF MF 18 10.3.11 A PLR destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos, como já visto, não foi estabelecida nos Acordos Coletivos de Trabalho celebrados pelas empresas da CPFL Energia. Intimada a apresentar os instrumentos decorrentes da negociação, constatase que os pagamentos ao referido título para os ocupantes de cargos gerenciais e diretivos foram feitos pelo que o grupo denominou de “sistema Web”. Portanto, não há a presença do sindicato representativo da categoria dos trabalhadores, estando os pagamentos em desacordo com a lei específica que rege a matéria." Alega a Recorrente (fls.1223) "O Relatório Fiscal aponta que as empresas da CPFL Energia foram Intimadas a apresentar os instrumentos decorrentes da negociação entre a empresa e seus empregados referentes à PLR, sendo que um dos ACTs apresentados, relativo ao período de 2008 a 2010 e celebrado entre as empresas do Grupo CPFL Energia e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Campinas, enunciava o seguinte em sua cláusula 5, §119 §11 A participação nos Lucros ou Resultados destinada aos empregados ocupantes de cargos gerenciais e diretivos continuará seguindo regras próprias, diversas das estabelecidas na presente cláusula, definidas diretamente pela CPFL e interessados. Não obstante a efetiva negociação da PLR entre a CPFL e os empregados elegíveis, que culminou, inclusive, na elaboração de instrumento fundado no artigo 1, inciso XI, da Constituição Federal e nas disposições da Lei n. 10.101/00, entendeu o Auditor Fiscal, equivocadamente, que a ausência do sindicato na negociação descaracterizaria o programa, determinando a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos, devidos ou creditados a esse título. O DRJ concluiu, contudo, que a Recorrente descumpriu o inciso I do artigo 22 da Lei n. 10.101/00, pela não participação do sindicato na negociação do plano, em que pese a PLR ter sido negociada diretamente com todos os interessados, assegurando a ampla transparência e representatividade. O lançamento tributário, portanto, há de ser sumariamente anulado, na medida em que as importâncias pagas a título de PLR oportunamente negociada entre os empregados ocupantes de cargos gerenciais e a Recorrente , além de atenderem os requisitos da Lei n. 10.101/00 e não retribuírem o trabalho, consubstanciamse em parcelas constitucionalmente imunes de tributação previdenciária." (destaques não constam do recurso) Em acréscimo, mencionando jurisprudência, a recorrente discorre sobre a impossibilidade de se limitar a imunidade da PLR, em razão de ser um preceito constitucional, e ainda sobre a não incidência de uma verba paga a esse título, posto que expressamente desvinculada da remuneração, consoante os ditames constitucionais e legais atinentes. Não obstante os argumentos esposados, não cabe razão à Recorrente. Explico. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.339 19 Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do Fl. 1348DF CARF MF 20 trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.340 21 Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Fl. 1350DF CARF MF 22 Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.341 23 fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja Fl. 1352DF CARF MF 24 determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Com essas considerações devemos, por ser o ponto fulcral, verificar se o contrato coletivo de trabalho firmado, ao delegar para as partes o ajuste da participação nos resultados dos diretores e gerentes, cumpriu os requisitos prescritos na Lei nº 10.101/00 para que a verba paga a esse título não seja considerada como verba remuneratória. A questão determinante é: podese admitir que as partes firmem um acordo pelo qual se impute ao critério de somente uma delas a a ambas sem a efetiva participação sindical, a definição dos parâmetros para a percepção dos valores a título de PLR? Vejamos. Com visto acima, ao analisarmos a participação nos lucros ou resultados, que a verba de nítida natureza contraprestacional, não sofre incidência tributária quando cumpridos os requisitos da Lei nº 10.101/00, em face do caráter isentivo desta. Assim, é no bojo dos ditames da Lei nº 10.101 que devemos buscar a resposta da questão que se apresenta. Recordemos o texto legal: "Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.342 25 A leitura do texto legal espanca qualquer dúvida. Devem as partes acordar sobre as metas claras e objetivas, contando com a participação sindical, não só quanto ao direito substantivo como também quanto às regras adjetivas, e devem, também, publicizar o acordo celebrado. Ora, tal determinação, voltada não só para o ajuste entre os interessados mas também para a total transparência do conteúdo acordado, não pode ser tomada como simples tutela da convergência de vontades, mas também deve ser entendida como ajuste expresso, que conte com a participação do sindicato, ajuste formal e transparente sobre os direitos e mecanismo de exercício desses direitos e deveres. Assim, entendo que o legislador não só exigiu o acordo entre as vontades, mas também determinou que tal ajuste ocorra sobre determinadas condições e balizas, tendo condicionado a vantagem tributária ao cumprimento dessas condicionantes. Com essas considerações, observo que, no caso concreto, o sindicato delegou às partes o ajuste e mais, a Recorrente não pode comprovar, ainda que minimamente, que houve algum acordo, ou tratativa para implementar o acordo. Tais posturas impediram o acesso da empresa e dos trabalhadores às vantagens tributárias constantes da Lei nº 10.101/00. Ressalto que, se ao reverso, tivessem estipulado, minimamente, as condições para a percepção da PPR, e os valores desta, ainda que indiciariamente, não haveria a ofensa mencionada à vontade do legislador. Com tais considerações, que abrangem o instituto da PLR, tanto em seu aspectos de incidência quanto de imunidade/isenção, entendo desnecessário qualquer comentário sobre os pontos constantes do recurso no tocante às alegações da imunidade e da não incidência e da própria caracterização das verbas pagas a título de participação nos lucros. Diante do exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. PGBL PARA GERENTES E EXECUTIVOS Segundo a autoridade fiscal, a Recorrente ofertou, por meio de aportes, plano de previdência privada em desacordo com a legislação. São as razões da Autoridade Lançadora (fls. 82) "10.4.3 A partir da documentação apresentada, constatamos que a CPFL Energia celebrou contratos de previdência complementar com a “FUNDAÇÃO CESP”, “Bradesco Vida e Previdência” e “Brasilprev”, que foram oferecidos como parte do pacote de benefícios a empregados, chamados de Colaboradores Efetivos, e aos Gerentes, Diretores, Presidentes e Vices, denominados Gerentes de Divisão, Gerentes de Departamento e Executivos. 10.4.4 Conforme já apontado no Capítulo VIII, os valores das contribuições pagas por pessoa jurídica referentes a programa Fl. 1354DF CARF MF 26 de previdência complementar não integram o saláriode contribuição para os fins da Lei 8.212/1991, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. 10.4.5 Como pode ser verificado na planilha “Quadro Previdenciário” apresentada pela CPFL Paulista, o plano PPCPFL, conforme convênio de adesão celebrado com a FUNDAÇÃO CESP, foi disponibilizado a todos os empregados e dirigentes da empresa, uma vez que são elegíveis os chamados Colaboradores Efetivos, Gerentes de Divisão, Gerentes de Departamento e Executivos. Entretanto, o plano denominado PGBL, celebrado com “Bradesco Vida e Previdência” e “Brasilprev”, não foi disponibilizado aos empregados chamados de Colaboradores Efetivos, sendo elegíveis para o mesmo somente Gerentes de Divisão, Gerentes de Departamento e Executivos. 10.4.6 Portanto, as contribuições pagas pela CPFL Energia para as empresas “Bradesco Vida e Previdência” e “Brasilprev”, referentes a programa de previdência complementar na modalidade plano PGBL, destinado aos Gerentes, Diretores, Presidente e Vice, integram o saláriode contribuição para os fins da Lei 8.212/1991." As alegações recursais se encontram às folhas 1237 e seguintes. Após discorrer longamente sobre a incompetência da RFB para fiscalizar planos de previdência, sobre a natureza dos planos de previdência complementar, sua imunidade e não incidência em razão da ausência do caráter remuneratório, a Apelante alega (fls 1245): "A alínea "p" isenta de contribuição previdenciária os valores pagos através da previdência complementar quando o pagamento ou o crédito observar um único requisito:que o programa de previdência complementar seja disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Esse enunciado reitera a não incidência, ratificando a exclusão dos valores aportados a programa de previdência complementar da base de cálculo da contribuição previdenciária. Não obstante este único requisito tenha sido atendido pela Recorrente, o Auditor Fiscal entendeu que os aportes ao programa de previdência complementar especificamente aqueles realizados para os PGBL's mantidos pela Bradesco Vida e Previdência e Brasilprev efetuados no período autuado, deveriam ser considerados base de cálculo das contribuições previdenciárias, justificando a exação na constatação de que parte dos empregados, denominados colaboradores efetivos, não era elegíveis ao plano. Sucede, contudo, que, diversamente do apurado pelo Auditor Fiscal, tal critério restou cabalmente atendido pela Recorrente, que disponibilizou e patrocinou a totalidade dos empregados plano previdenciário privado gerido pela Fundação CESP. A sintática do artigo 28, §99, alínea "p", incontestavelmente, não impõe como requisito a universalidade do plano de previdência privada; a universalidade, nos exatos termos do artigo 28, §9e, alínea "p", da Lei n. 8.212/91, atinge o programa previdenciário, e não o plano ao qual o empregado é elegível. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.343 27 Neste sentido, a Resolução CNSP n. 139/05 da SUSEP, ao consolidar as regras de funcionamento e os critérios para operação dos planos de previdência complementar aberta, rimando com o disposto na alínea "p" do §92 do artigo 28, ratificou a possibilidade do plano aberto coletivo abranger apenas grupos específicos de empregados de um mesmo empregador, sem que o exercício dessa faculdade do patrocinador comprometa necessidades específicas da população protegida e de se estruturar pianos homogêneos para cada grupo protegido. a universalidade do programa ou descaracterize a natureza previdenciária do plano ou do aporte: Art. 22. A contratação sob a forma coletiva por uma pessoa jurídica denominada averbadora ou instituidora, conforme o caso, destinase a grupos de pessoas que a ela estejam vinculadas, direta ou indiretamente, por relação lícita. Art. 23. O grupo de pessoas de que trata o artigo 22 poderá ser constituído por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger as pessoas jurídicas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista. Há, nobres Conselheiros, diferença ontológica entre a expressão "plano de previdência complementar" e "programa de previdência complementar". O programa pode abranger um ou mais planos previdenciários, sobretudo em face da necessidade de atender necessidades específicas da população protegida e de se estruturar pianos homogêneos para cada grupo protegido." (destaques originais) Em que pesem os argumentos da Recorrente quanto a não incidência e imunidade dos valores pagos a título de previdência complementar, a questão convertida se cinge à necessidade de extensão do benefício da previdência privada para todos os empregados e dirigentes da empresa. Me filio à corrente que entende que após o advento da Lei Complementar nº 109/01, a interpretação do dispositivo constante da Lei nº 8.212/91, deve ser realizada em consonância com os ditames da lei complementar editada para cumprir a determinação da Carta de 1988 , em especial quanto à disposição do §2º do artigo 202. Tal entendimento há tempos é exarado por este Colegiado. Transcrevo, com a devida permissão, o voto do Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, prolatado nos autos do processo 10783.723424/201109, Acórdão 2402003.661: "O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. Fl. 1356DF CARF MF 28 ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.344 29 de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9º, alínea “t” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea “t” da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas... Fl. 1358DF CARF MF 30 Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.345 31 § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, Fl. 1360DF CARF MF 32 artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes. O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.346 33 ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência Fl. 1362DF CARF MF 34 ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9º, alínea “t” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea “t” da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.347 35 I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos Fl. 1364DF CARF MF 36 artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.348 37 Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes." (destaques originais) O voto acima reproduzido contempla na totalidade, meu entendimento, inclusive quanto às razões de decidir. Do exposto, entendendo caber razão à Recorrente, pois, após o advento da Lei Complementar nº 109/01, o benefício da previdência privada aberta não precisa ser extensivo a todos os segurados e dirigentes da empresa. Recurso provido nessa parte. ABONO E GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS Segundo o Fisco (fls. 84): " Em 01/08/2013 a empresa apresentou esclarecimento por escrito (datado em 31/07/2013) em atenção à intimação fiscal, reproduzido a seguir : Item 1 – Até o ano de 2009 as rubricas de terço constitucional V37 e V30, possuíam incidências previdenciárias com recolhimentos mensais. Com relação à Gratificação de Férias V34 e V42, nunca houve incidência previdenciária sobre essas rubricas com fundamento no art. 7°, inciso XVII da CF/88 e art. 144 da CLT, no qual estabelece de forma expressa que a a referida verba é desvinculada da remuneração do trabalhador, nos termos da lei. Fl. 1366DF CARF MF 38 Ao confrontar a folha de pagamento com o esclarecimento apresentado, constatamos que a CPFL Energia tentou confundir a fiscalização, conforme demonstrado a seguir. Primeiramente, de acordo com os dados apresentados pela própria empresa em sua folha de pagamento, as rubricas V37 ABONO CONST DE FERIASDIFERENC e V30 ABONO CONSTIT DE FERIAS não integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Anexamos ao processo o relatório denominado “Rubricas de proventos”, em que são apresentadas todas as rubricas de proventos das folhas de pagamento, extraídas dos arquivos digitais apresentados, cuja prova de conteúdo se dá por meio dos códigos de autenticação constantes nos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais assinados por representantes da CPFL Energia, também anexados ao presente processo. Podemos claramente verificar no relatório, gerado a partir da extração de dados dos arquivos digitais, que as rubricas V37 e V30 receberam o indicativo “NÃO É BASE”. Apenas para ilustrar o fato, vejamos as linhas números 24825 e 25050 do arquivo da folha de pagamento de 05/2009 da CPFL Paulista: K300|383058019860080188|1|3080018176|08020801080448622 0|0528009|V37|11,57|P|1|8 K300|383058019860080188|3|3080008087|08020801080458074 0|0528009|V30|1669,29|P|1|8 De acordo com o leiaute do MANAD, constatase que as rubricas V37 e V30, no bloco K300, correspondente aos “Itens de Folha”, receberam o “Indicador de Base de Cálculo para a Previdência Social” 8 – não é base de cálculo. Portanto, ao contrário do que foi afirmado pela CPFL no esclarecimento, as rubricas V37 e V30, correspondentes ao adicional constitucional de férias, não integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias na folha de pagamento da empresa*. *nota: em 16/12/2010 a CPFL Energia protocolou na Justiça Federal da 3a Região o Processo 001809613.2010.403.6105, em que discute a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias e sobre a ajuda de custo eventual. Não nos aprofundaremos nesta ação judicial, uma vez que rubricas relacionadas a férias foram objeto de verificação neste procedimento fiscal somente no ano de 2009. Prosseguindo, vejamos o já mencionado Acordo Coletivo de Trabalho celebrado entre a COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ e o SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE ENERGIA ELÉTRICA DE CAMPINAS, que em sua cláusula 09 estabelece regra relativa à Gratificação de Férias dos empregados, conforme reproduzido a seguir: 09 – GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS A CPFL manterá a Gratificação de Férias, com a parte fixa no valor de R$ 1.550,90 (um mil, quinhentos e cinquenta reais, noventa centavos), mantendo a parte variável de 40% (quarenta por cento) sobre o Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.349 39 valor que resultar da diferença entre a remuneração fixa mensal do empregado e a parte fixa da Gratificação. Parágrafo 1° A Gratificação de Férias continuará limitada à remuneração fixa mensal do empregado, quando esta for inferior ao valor fixo da Gratificação. Parágrafo 2° Com a presente sistemática de Gratificação de Férias, a CPFL cumpre plenamente o disposto no artigo 7°, inciso XVII, da Constituição Federal. Da leitura acima, constatase inequivocamente que a Gratificação de Férias, estabelecida no Acordo Coletivo e lançada na folha de pagamento nas rubricas V34 GRAT FERIAS AC COLETIVO e V42 GRAT FERIAS AC COLETIVO– DIFE, não tem nenhuma relação com o abono de férias. Não se confunde gratificação de férias concedida em acordo coletivo de trabalhado com abono de férias, que é a conversão de parte do período de férias a que o empregado tem direito em pecúnia. O artigo 144 da CLT, que foi mencionado no esclarecimento da empresa, estabelece que não integra a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho, desde que não excedente de vinte dias do salário, o abono de férias concedido em virtude de acordo coletivo , de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa ou de convenção. Destacamos o mesmo a seguir: Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o (abono de férias) concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1998) Lembramos mais uma vez que o abono de férias, na forma do artigo 143 da CLT, corresponde à faculdade legal de o empregado converter um terço da duração de suas férias em abono pecuniário; enquanto que na forma do artigo 144 da CLT, acordo coletivo de trabalho pode estabelecer conversão de férias em pecúnia, que não integra a remuneração desde que não excedente de vinte dias do salário. Assim, a CPFL Energia mais uma vez tenta confundir a fiscalização ao mencionar o artigo 144 da CLT, que trata de abono de férias que pode ser concedido por acordo coletivo, quando na verdade se trata de gratificação de férias adicional ao terço mínimo estabelecido pela Constituição. Portanto, a Gratificação de Férias do Acordo Coletivo celebrado pela CPFL Paulista corresponde a valor complementar ao adicional constitucional mínimo de um terço. O terço constitucional de férias e qualquer gratificação Fl. 1368DF CARF MF 40 adicional integram o saláriodecontribuição. Conforme já apontado no Capítulo IX, estas parcelas só não integram o saláriodecontribuição quando estiverem vinculadas a férias indenizadas ou a abono de férias. As rubricas V37, V30, V34 e V42 integram o conceito de salário de contribuição nos termos do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, mas não compuseram a base de cálculo das contribuições na folha de pagamento da CPFL Paulista. Em decorrência, foram lançadas sob o Código de Levantamento “FE – Férias”, também relacionado no relatório “DD – Discriminativo do Débito”, já mencionado neste relatório. Todos os valores utilizados no lançamento foram extraídos da folha de pagamento, apresentada em meio digital, conforme arquivos constantes da relação de Recibos de Entrega de Arquivos Digitais." As alegações da Recorrente podem ser resumidas com as seguintes transcrições do apelo (fls 1250): "O Auditor Fiscal narrou que após análise das folhas de pagamento em meio digital apresentadas, identificou que as rubricas relativas ao adicional constitucional de férias e a gratificações de férias não integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Relativamente ao abono constitucional de férias, o Auditor Fiscal partiu da equivocada premissa de que a motivação do pagamento é a remuneração adicional de férias do empregado, assegurada pela Constituição Federal nos termos do artigo 79, inciso XVII, correspondente a, no mínimo, 1/3 da remuneração mensal na data da concessão das férias. Os eventos "abono const. de fériasdiferenc" (V37) e "abono consti de férias"(V30) pagos pela Recorrente corresponderam, na forma do artigo 143 da CLT, à conversão de 1/3 (um terço) do período de férias a que o empregado tinha direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes: Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. (Redação dada pelo Decretolei n^ 1.535, de 13.4.1977 (Grifouse). O artigo 144, da CLT, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.528/98,afora tratar do abono concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa ou de normas coletivas, faz remissão ao abono de que trata o artigo143, afastandoos expressamente da base de cálculo da contribuição sobre a folha, por consideralos não integrativo da remuneração: (...) Em que pese as importâncias pagas, devidas ou creditadas a esse título não integrarem a base de cálculo das contribuições Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.350 41 previdenciárias, a DRJ entendeu, como se colhe do Acórdão proferido, que a ausência de decisão do STF com efeito erga omnes impediria o acolhimento da defesa: "Relativamente à referência a reconhecimento da natureza indenizatória do adicional constitucional de férias, pelo STF, temse que não há decisão da Egrégia Corte com efeito erga omnes, nesse sentido. Assim, não se pode acolher a alegação da Recorrente." Sucede, contudo que o E. Superior Tribunal de Justiça, enaltecendo a única interpretação possível a ser conferida aos artigos 143 e 144 da CLT, consolidou o entendimento segundo o qual não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos, devidos ou creditados a título de "abono de férias": (...)" Em acréscimo, a recorrente alega que as gratificações de férias pagas também não sofrem incidência posto que decorrem de previsão constante do Acordo Coletivo de Trabalho (cláusula 11), que equipara tal gratificação ao abono único do artigo 144 da CLT. Vejamos (fls. 1256): "O pagamento da gratificação de férias, diferentemente do abono, obedece a cláusula 11 do Acordo Coletivo de Trabalho, que estabelece: 11 Gratificação de férias A CPFL manterá a gratificação de férias, com a parte fixa no valor de R$ 1.463,11 (um mil, quatrocentos e sessenta e três reais e onze centavos), mantendo a parte variável de 40% (quarenta por cento) sobre o valor que resultar da diferença entre a remuneração fixa mensal do empregado e a parte fixa da gratificação. Parágrafo lº A gratificação de férias continuará limitada à remuneração fixa mensal do empregado, quando esta for inferior ao valor fixo da gratificação. Parágrafo 2º Com a presente sistemática de gratificação de férias, a CPFL cumpre plenamente o disposto no artigo 7e, inciso XVII, da Constituição Federal. A gratificação de férias prevista no ACT firmado entre a Recorrente e o sindicato da categoria atende rigorosamente o artigo 144 da CLT, na medida em que jamais o valor pago ao empregado ultrapassa aquele que seria devido por 20 (vinte) dias de trabalho. A título exemplificativo, imaginemos a seguinte situação: (...) Como se colhe do exemplo acima, a gratificação de férias complementar ao 1/3 constitucional jamais excederá o valor do salário a que o empregado faria jus por 20 (vinte) dias de trabalho. O valor não atinge sequer 20% (vinte por cento) do Fl. 1370DF CARF MF 42 valor da remuneração mensal do empregado, ostentando natureza jurídica idêntica ao 1/3 constitucional deferias." Não assiste razão a Recorrente. O Direito do Trabalho, assim como outros ramos do direito, padece do defeito crônico da denominação de seus institutos. Abono é um vocábulo polissêmico para o direito do trabalho. Na acepção que aqui nos interessa, abono deve ser entendido como o período de férias, que, por expressa vontade do trabalhador e havendo interesse do empregador, pode ser convertido em período de trabalho, mediante a percepção de uma verba abono de férias de nítida natureza indenizatória, posto que destinada a reparar a ofensa ao direito impetrada pelo empregador que anuiu, ou até solicitou, com o labor do empregado quando este se encontrava no gozo de seu direito de férias, típica situação de interrupção dos efeitos do contrato de emprego, posto que não há trabalho, mas remanesce o direito a percepção de salário. Outro não é o ensinamento da doutrina. Alice Monteiro de Barros (Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. LTR, pg. 832), Homero Batista Mateus da Silva (Curso de Direito do Trabalho Aplicado, Volume 2, Jornadas e Pausas, Ed. Elsevier. pag.322) e Arnaldo Sussekind (Curso de Direito do Trabalho, 3ª ed. Ed. Renovar, pg. 501) corroboram as afirmações. Assim, se torna perfeitamente lógico o comando celetista (artigos 143 e 144) e, por via de consequência, da Lei de Custeio da Previdência (artigo 28, § 9º, 'e', 6) quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre a verba. Esse é o abono de férias e esse é o motivo pelo qual não incidem contribuições sociais previdenciárias sobre tal verba. Simples assim: se o trabalhador, como se diz no linguajar próprio, 'vendeu' suas férias, recebeu como contrapartida um abono de férias, que segundo a lei não pode exceder 10 dias de trabalho, mas pode ser ajustado, por contrato coletivo em no máximo 20 dias. Do exposto, forçoso concluir que se não houver a comprovação, no caso concreto, que a verba paga a título de abono de férias correspondeu ao efetivo valor indenizado pelo trabalho prestado no período de gozo das férias do empregado, essa verba deve sofrer incidência da contribuição previdenciária. Tal situação foi observada pela Fiscalização no caso concreto. Como bem relatou a autoridade fiscal, quando intimada a empresa alegou que a rubrica abono de férias se referia ao acréscimo de 1/3 sobre o valor das férias, instituído pelo artigo 7º, inciso XVII, da Constituição. Depois, disse que tal verba, na verdade é o abono previsto no artigo 144 da CLT, posto que previsto na cláusula 11 do contrato coletivo firmado. Tal tese é esposada no recurso, como se comprova no excerto acima transcrito das alegações constantes do apelo. Porém, como visto, do abono de férias previsto nos artigo 143 e 144 da CLT, tal verba não se trata. Será que se trata do chamado terço constitucional sobre as férias? Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.351 43 É o que me parece. Como dito no recurso, tal gratificação de férias é devida pela empresa, como acréscimo ao valor das férias quando do gozo desta pelo empregado. Como dito no parágrafo 2º da mencionada cláusula 11 do ACT: "Parágrafo 2º Com a presente sistemática de gratificação de férias, a CPFL cumpre plenamente o disposto no artigo 7e, inciso XVII, da Constituição Federal." Assim, basta verificarmos a incidência para o terço constitucional sobre as férias para descobrirmos se a mesma ocorre sobre tal gratificação. Aqui, com a máxima vênia, nossa discordância com as decisões do Superior Tribunal de Justiça se exprime. Há incidência sobre o terço constitucional pago sobre as férias gozadas. Que reste claro: Só sobre as férias gozadas, mas sobre essas há incidência. A explicação é de uma simplicidade franciscana e clareza solar: como dito alhures, férias são caso típico de interrupção dos efeitos do contrato de emprego, dito de maneira direta: não se observam as obrigações principais do contrato de trabalho, o empregador, cumpre a sua, paga salário, porém o empregado não trabalha, está desobrigado de entregar a sua prestação. Assim sendo, nas férias gozadas, há salário, como reconhecem até os tribunais superiores. Mas e o terço constitucional, o que é? Vejamos a dicção da Carta Magna: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;" Despiciendo qualquer argumentação. Basta ler. Ler com olhos de ler! É salário, mais que isso, é remuneração por expressa disposição constitucional. Não é necessário nenhuma teoria hermenêutica para interpretar a norma, ou caberia alguma leitura que afastasse o acréscimo criado como salário? Assim, a gratificação paga pela Recorrente sofre incidência. Recurso negado também nessa parte. INDEVIDA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 1372DF CARF MF 44 A Autoridade Fiscal majorou a multa de ofício aplicada. Vejamos seus argumentos (fls. 89): "Conforme relatado no Capítulo X DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NO PROCEDIMENTO FISCAL, a CPFL Paulista tinha plena ciência de que determinadas importâncias eram fatos geradores de contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades e fundos e, mediante ações ou omissões dolosas, tentou impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizada pelo evidente intuito de sonegação. 11.4 Dessa forma, demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o lançamento de ofício será efetuado com qualificação da multa, correspondente ao percentual de 75% duplicado, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Portanto, a Multa Qualificada a ser aplicada corresponde ao percentual de 150% sobre o imposto ou contribuição não recolhido e não declarado." Em sua defesa, a Recorrente alega (fls. 1260): "Utilizase o Auditor Fiscal, na tentativa de justificar a qualificação da multa, do argumento de que a Recorrente tinha plena ciência de que determinadas importâncias eram fatos geradores de contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades e fundos e, mediante ações ou omissões dolosas, tentou impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizada pelo evidente intuito de sonegação. A Recorrente, além de não concordar com a glosa dos valores referentes aos lançamentos de ofício, não praticou qualquer ação ou omissão dolosa na tentativa de impedir o conhecimento, pela RFB, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não houve qualquer falsidade nas declarações transmitidas pela Recorrente, tampouco a sonegação de contribuições previdenciárias ou evidente intuito de fraude, eis que ausente qualquer elemento de dolo nas suas ações (o que se comprova pelo fato de ter a Recorrente cooperado ao longo de toda a curta fiscalização). O que se verifica na presente hipótese é tão somente a aplicação de interpretação legal diversa daquela entendida como correta pelo Auditor Fiscal." Assiste razão à Apelante. Não houve comprovação, pelo Fisco, das condutas ensejadoras da qualificadora da multa de ofício, ou seja, nos termos da Lei 4.502/64, reprováveis são a fraude, a sonegação e o conluio. Vejamos os conceitos aplicáveis. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.352 45 O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? A lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" Ora, não restou patente no relatório fiscal que as condutas do Recorrente visavam impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou reduzir suas condições essenciais com vista a obtenção de vantagem por meio da postergação ou não pagamento do tributo devido. Não houve comprovação, pelo Fisco, de uma única situação quanto às condutas praticadas pelo contribuinte que se possa conceituar nos termos acima aplicáveis à sonegação, fraude ou conluio. Nada contribuiu para o convencimento deste julgador da ocorrência das condições legais ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Fl. 1374DF CARF MF 46 Logo, o recurso deve ser provido nessa parte. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONCOMITANTE DA MULTA DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO E DA NÃO APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Alega, sucintamente a Recorrente (fls. 1266): "Dispensamse maiores delongas a respeito do tema, na medida em que o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) pacificou o entendimento quanto à vedação da cobrança da multa de mora cumulada com a da multa isolada, conforme exemplificam os acórdãos abaixo transcritos: (...)" Alega também que o § 3º da Lei nº 9.430/96 restringe a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado e que tal vedação se apoia na inteligência do CTN. Quanto ao tema se encontra pacificado no âmbito deste colegiado, ao contrário dos argumentos da Apelante. A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei, assim como as penalidades moratórias e sancionatórias. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Mister recordar que a multa de ofício integra o crédito tributário por expressa disposição do CTN. Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.353 47 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Fl. 1376DF CARF MF 48 Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10830.727494/201387 Acórdão n.º 2201003.416 S2C2T1 Fl. 1.354 49 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Recurso negado nessa parte. CONCLUSÃO Diante do exposto, e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade alegada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao plano de previdência privada pago aos diretores e gerentes e a qualificadora da multa de ofício, reduzindo o valor dessa ao percentual de 75%. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 1378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.734628/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave desde que comprovada por laudo médico oficial, forte no art. 30 da Lei nº 9.250/1995 e na Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave desde que comprovada por laudo médico oficial, forte no art. 30 da Lei nº 9.250/1995 e na Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 46 28 /2 01 2- 84 Fl. 84DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 12448.734628/201284 Acórdão n.º 2402005.620 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2007 de R$ 13.822,61 para o montante de R$ 5.805,08 a pagar a título de imposto suplementar (fls. 3/7). O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos tributáveis indevidamente considerados como isentos por moléstia grave recebidos da Fundação Eletrobrás de Seguridade Social (ELETROS), no valor de R$ 94.290,98. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 3 a 7 em 3/10/2012 (fl. 40), o contribuinte, por intermédio de sua representante legal (fl. 13), apresentou a impugnação de fl. 2. A DRJ/RJ1 manteve a exigência em julgamento datado de 18/6/2013 (fls. 42/45), havendo o contribuinte sido cientificado do resultado do julgamento somente em 1/4/2014. Entrementes, o contribuinte entregara, em 25/3/2014, petição para ser juntada ao processo junto com "laudo de isenção de retenção de imposto de renda na fonte, reiterando, ao final, o pedido de devolução do valor retido no período pela Receita Federal. Mediante a Resolução nº 2402000.529, de 8/3/2016 (fls. 65/67), foi convertido o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem elucidasse se há efetivamente, recurso voluntário interposto pelo contribuinte, e, sendo o caso, providenciasse sua juntada aos autos. Com a juntada do Despacho de fl. 81, retornou o processo a esta instância recursal para prosseguimento. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, motivo pelo qual passo direto ao seu exame. Com relação à diligência solicitada, a unidade de origem explicou que o contribuinte tomara ciência do acórdão em 25/3/2014, no decorrer de vista do processo, sendo que nessa data foi juntada a documentação de fls. 53/56, recebida como recurso voluntário, face ao princípio da informalidade. A ciência posterior do acórdão deuse por motivo de equívoco na juntada do Termo de Vista/Cópia de Processo, feita em momento ulterior. Esclarecido esse ponto, e constatada a tempestividade do recurso, passese à matéria de fundo. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 12448.734628/201284 Acórdão n.º 2402005.620 S2C4T2 Fl. 4 5 Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Na espécie, como bem frisado pela decisão vergastada, não há qualquer evidência documental de que os rendimentos percebidos pelo epigrafado da Fundação Eletrobrás Seguridade Social, CNPJ nº 34.268.789/000188 tenham sua origem em aposentadoria, reforma ou pensão, pois não foi juntado o respectivo comprovante de rendimentos da fonte pagadora ao processo. Noutro giro, melhor sorte não atine ao contribuinte quanto à comprovação de sua condição de portador de moléstia grave. O documento de lavra da Gerência Executiva Rio de Janeiro Centro do INSS (fl. 55), ainda que pudesse ser considerado como laudo pericial oficial nos termos da legislação, deixa claro que a moléstia apontada como CID G30 acomete o interessado tão somente desde 25/2/2011, sem que conste consignado o reconhecimento de início anterior da enfermidade. Referindose a notificação de lançamento contestada a período anterior, a saber, o anocalendário 2007, não possui o precitado documento do INSS qualquer repercussão sobre a infração apurada. Nesse sentido, é aplicável no particular a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço Fl. 88DF CARF MF 6 médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Lembrese que referido enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.000314/2002-64
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Por força do disposto no art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), deve ser cancelada a multa de ofício isolada aplicada sobre o recolhimento de tributo ou contribuição, após o vencimento, sem o acréscimo de multa de mora (retroatividade benigna).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1998
RECOLHIMENTO EM ATRASO. ERRO DE SEMANA.
Evidenciado erro na indicação da semana de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) respectiva, e estando os recolhimentos correspondentes comprovadamente dentro do prazo legal, não procede o lançamento que se fundamentou em suposto recolhimento em atraso do tributo.
Numero da decisão: 1803-001.073
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), deve ser cancelada a multa de ofício isolada aplicada sobre o recolhimento de tributo ou contribuição, após o vencimento, sem o acréscimo de multa de mora (retroatividade benigna). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 RECOLHIMENTO EM ATRASO. ERRO DE SEMANA. Evidenciado erro na indicação da semana de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) respectiva, e estando os recolhimentos correspondentes comprovadamente dentro do prazo legal, não procede o lançamento que se fundamentou em suposto recolhimento em atraso do tributo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), deve ser cancelada a multa de ofício isolada aplicada sobre o recolhimento de tributo ou contribuição, após o vencimento, sem o acréscimo de multa de mora (retroatividade benigna). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 RECOLHIMENTO EM ATRASO. ERRO DE SEMANA. Evidenciado erro na indicação da semana de ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) respectiva, e estando os recolhimentos correspondentes comprovadamente dentro do prazo legal, não procede o lançamento que se fundamentou em suposto recolhimento em atraso do tributo. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 68 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 69 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 40): Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 17/27, lavrado pela DEINF/RJ, sendo exigidos [...], juros pagos a menor ou não pagos no valor de R$ 31,94 e multa isolada no valor de R$ 2.396,84. O crédito total lançado monta a R$ 2.990,16. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento de auditoria interna na DCTF, terem sido constatadas as seguintes irregularidades: [...]; falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais (multa de mora parcial e/ou juros de mora parcial ou total), conforme anexo IV; falta de pagamento de multa de mora, conforme anexo IV (lançamento de multa isolada). O enquadramento legal foi citado à fl. 19. O interessado apresentou a impugnação de fls. 1/2. Na referida peça de defesa, alega, em síntese, que: [...]; ocorreu erro no preenchimento da DCTF (referente ao período de apuração), sendo que os darf foram pagos corretamente. Encerra solicitando o cancelamento do lançamento. À fl. 34, foi juntada informação da Dicat. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 39): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997 Ementa: [...]. [...]. JUROS NÃO PAGOS E MULTA ISOLADA. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Não provado o alegado erro quando da elaboração da DCTF, deve ser mantido o lançamento. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 70 4 3. Cientificada da referida decisão em 10/05/2007 (fls. 46), a tempo, em 30/05/2007, apresenta a interessada Recurso de fls. 49 e 50, instruído com os documentos de fls. 51 a 63, nele argumentando, em síntese: a) que, preliminarmente, o Acórdão DRJ/RJOI nº 8.754, de 27 de outubro de 2005, decidiu cancelar a cobrança do valor principal e manter a cobrança dos juros e da multa isolada, por considerar insuficientes as informações apostas nas guias de arrecadação; b) que os DARF's foram pagos nos seus respectivos vencimentos, devendo, via de consequência, o processo instaurado ser julgado insubsistente; c) que, no mérito, resta comprovar os pontos de discordância; e d) que anexamos xerox dos DARF's pagos e dos lançamentos no Livro Razão de março e abril de 1997. Em mesa para julgamento. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 71 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) lavrado em virtude de inconsistências apuradas na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 1º trimestre de 1997. 5. Remanescem em discussão os valores de R$ 2.396,84 (multa isolada em decorrência de multa de mora não paga) e R$ 31,94 (juros de mora não pagos). Multa de ofício isolada 6. Por força do disposto no art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c art. 106, II, “c”, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), deve ser cancelada a multa de ofício isolada aplicada sobre o recolhimento de tributo ou contribuição, após o vencimento, sem o acréscimo de multa de mora (retroatividade benigna). Juros de mora não pagos 7. Pelo que se observa dos autos (fls. 21 a 23), foram declarados débitos em DCTF correspondentes à quarta semana de fevereiro (vencimento em 26/02/1997) e à quarta semana de março (vencimento em 26/03/1997). 8. Nos Darfs respectivos, porém, constam observações de que os recolhimentos se referem a folhas de pagamento dos meses de fevereiro e de março, pagas em 27/02/1997 e 28/03/1997, e a faturamento do período de 24 a 28 de fevereiro de 1997 (fls. 30 a 32). 9. Assim, as datas dos fatos geradores indicadas nos respectivos Darfs correspondem, na realidade, às semanas posteriores àquelas constantes da DCTF (primeira semana de março e quinta semana de março), estando, pois, os recolhimentos correspondentes, devidamente dentro do prazo legal (Atos Declaratórios Cosar nºs 3, de 30 de janeiro de 1997, e 8, de 27 de fevereiro de 1997): fevereiro março D S T Q Q S S D S T Q Q S S 1 1 2 3 4 5 6 7 8 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 23 24 25 26 27 28 29 30 31 10. A decisão recorrida, todavia, assim se manifestou a respeito, por maioria de votos (fls. 41): Fl. 96DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.000314/200264 Acórdão n.º 180301.073 S1TE03 Fl. 72 6 Na impugnação, o interessado alega que errou quando do preenchimento da DCTF. O interessado pretende, portanto, retificar informação de sua DCTF, em face de erro no seu preenchimento. Assim, incumbe a ele o ônus de comprovar o erro alegado. Não foram juntados aos Autos livros e documentos da escrituração fiscal/contábil que comprovassem que os fatos geradores ocorreram em períodos diversos dos declarados na DCTF, não sendo suficientes as informações apostas nas guias de arrecadação. Deste modo, como não foi comprovado que os fatos geradores ocorreram em período diverso dos informados na DCTF, deve ser mantido o lançamento destes dois itens. 11. Em seu recurso, a Recorrente junta, para comprovação, as folhas do livro Razão correspondentes aos pagamentos realizados de IRRF (fls. 61 a 63), que confirmam cabalmente os dados dos respectivos Darfs (item 8 supra). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 97DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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