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Numero do processo: 13982.001295/2010-57
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ANUAL SUPERIOR AO LIMITE DA LEGISLAÇÃO.
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a empresa que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), produzindo efeitos a exclusão a partir de 1º de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do que tiver ocorrido o excesso..
Numero da decisão: 1003-000.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ANUAL SUPERIOR AO LIMITE DA LEGISLAÇÃO. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a empresa que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), produzindo efeitos a exclusão a partir de 1º de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do que tiver ocorrido o excesso..
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EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ANUAL SUPERIOR AO LIMITE DA LEGISLAÇÃO. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a empresa que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), produzindo efeitos a exclusão a partir de 1º de janeiro do anocalendário subseqüente ao do que tiver ocorrido o excesso.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 12 95 /2 01 0- 57 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13982.001295/201057 Acórdão n.º 1003000.052 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 12.067.138, de 24 de julho de 2014, da 15ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. A Recorrente peticionou perante a RFB (fls. 01 e 2), destacando que estava incluída no Simples Federal e, com a alteração legislativa, passou para o Simples Nacional. Contudo, informa ter realizado estudo contábil/jurídico e identificado que não possuía os requisitos necessários para se manter na sistemática do Simples Nacional e, em razão disso, teria solicitado a exclusão do Regime através do programa FCPJ, indicando o evento "222 Alteração do porte da empresa 01/09/2007", posteriormente, porém, verificou que deveria ter realizado o pedido de exclusão através do Portal do Simples Nacional, o que não foi providenciado. Afirma que a partir de 01/09/2007 a Recorrente passou a exercer a tributação pelo Lucro Real Trimestral, acostando aos autos recibos da DIPJ, Recibos da DACON, Recibos DCTF e comprovantes do GFIP/SEFIP. Requereu, por fim, que a exclusão do Simples Nacional seja efetivada a partir de 01/09/2007. Como segundo pedido no mesmo requerimento, a Recorrente declara que em outubro de 2010 foi divulgado o FAP Fator Acidentário de Prevenção para o ano de vigência de 2011, os quais levam em consideração os fatos ocorridos em 2008 e 2009, contudo, através da ouvidora da Receita Federal, foi identificado que a Recorrente era do Simples Nacional no ano de 2008. Em razão disso, requer seja providenciado o índice FAP. Através de Despacho Decisório nº 652/2010, a autoridade administrativa concluiu pelo deferimento parcial do pleito, determinando a exclusão da Recorrente do Simples Nacional com data retroativa a 01/01/2008 (fls. 126). Contra o Despacho Decisório a contribuinte apresentou impugnação. repetindo o histórico apresentado no requerimento inicial e acrescentando que o motivo da exclusão do Simples Nacional foi o art. 3º, §4º, VII, da Lei Complementar nº 123/2006 "empresa que participação do capital de outra pessoa jurídica não poderá se incluir ou continuar no regime diferenciado e favorecido previsto na referida lei", contudo no pedido de exclusão teria incluído o código "222 alteração do porte da empresa", por entender ser o evento mais adequado dentre as opções concedidas pelo sistema (fls. 131 e 132). O acórdão de nº 12067.138, de 24 de julho de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendo a exclusão da Recorrente do Simples Nacional a partir de 01/01//2008. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual declara que, a partir de 01/07/2007, migrou automaticamente do Simples Federal para o Simples Nacional, conforme previsão da RCGSN nº 4/2007. Que reviu sua inclusão e concluiu que deveria mudar para o regime de Lucro real Trimestral, cientificando a SRFB de tal fato através do programa FCPJ. Que, desde a solicitação de exclusão do sistema, recolhe os impostos e demais encargos considerando o novo regime e que formulou pedido de exclusão retroativa às competências que vão de julho/2007 até 12/2007 e o exercício de 2008. A Recorrente aduz que o fato de não ter realizado o pedido de exclusão através do Portal do Simples Nacional não o invalida, pois a SRF teria tomado conhecimento do fato. Defende ainda que, em razão da aquisição de ações de pessoa jurídica de capital aberto estaria impedida de se manter no Simples Nacional porque se tornaria sócia da pessoa jurídica. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13982.001295/201057 Acórdão n.º 1003000.052 S1C0T3 Fl. 4 3 Por fim, requereu a reforma do acórdão para excluir do Simples Nacional o Recorrente no período de 07/2007 a 12/2007. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Primeiramente, destacase que o acórdão de primeira instância administrativa reconheceu a exclusão de ofício da Recorrente do Simples Nacional a partir de 01/01/2008, por ter esta ultrapassado o limite de faturamento bruto anual permitido pela legislação e a Recorrente insurgese contra o período de julho/2007 a dezembro/2007, alegando que teria efetuado o pedido de exclusão, ainda que através de sistema inadequado. Logo, o objeto da presente análise corresponde ao período de julho/2007 a dezembro/2007. A Recorrente defende que efetuou o pedido de exclusão por ter realizado a compra de ações de uma sociedade anônima de capital aberto, recaindo no impedimento constante na Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, art. 12, VIII, qual seja: Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: (...) VIII – que participe do capital de outra pessoa jurídica; Entendo que a aquisição de ações de sociedade anônima de capital aberto poderia estar enquadrado nesta norma legal. Em geral, o acionista não participa da tomada decisão da empresa, e seu único interesse é receber retribuição em forma de dividendo em troca do seu investimento. Contudo, existem situações nas quais os acionistas, dependendo da sociedade (anônima ou comandita) pode ou não participar das decisões e tomadas de votos da empresa e, nestes casos, atua na qualidade similar ao sócio. No presente caso, porém, a Recorrente limitouse apenas a declarar ter efetuado a compra de ações de uma sociedade anônima de capital aberto sem maiores detalhes. Aduz, na manifestação de inconformidade (fls. 131 e 132) ter feito prova de tal fato através do anexo I (fls. 08), contudo esse documento é apenas o Documento Básico de Entrada do CNPJ, o qual não comprova as alegações de aquisição de ações informadas pela Recorrente, mas apenas comprova o pedido de alteração do porte da empresa. A Recorrente não juntou aos presentes autos a comprovação de ser essa sócia de outra empresa, ônus do qual não poderia se desincumbir Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13982.001295/201057 Acórdão n.º 1003000.052 S1C0T3 Fl. 5 4 Segundo provas constantes dos autos e da própria afirmação da Recorrente, a mesma não efetuou o pedido de exclusão do Simples Nacional, conforme determinação da legislação. A alegação de que fora transferida automaticamente sem que lhe fosse oportunizada expressar seu interesse não merece prosperar, visto que a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, concedeu prazo até 20 /08/2007 para que as empresas pudessem requerer o cancelamento da opção, vide abaixo: Art. 17.Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. Art. 18.Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 , salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. (...) § 6º Os contribuintes inscritos no Simples Nacional na forma do caput poderão cancelar sua opção no período de que trata o caput do art. 17, mediante aplicativo específico disponível na internet. Logo, não há como presumir ter a Recorrente recaído numa das condições impeditivas do Simples Nacional, ser sócia de outra empresa, e comunicado o fato à SRFB com base unicamente no Documento Básico de Entrada do CNPJ, o qual destaca apenas ter a Recorrente alterado o porte da empresa. não há comprovação de formalização do pedido de exclusão, nos moldes legais estabelecidos. Outrossim, no requerimento inicial, a empresa destaca o fato de ter realizado estudo contábil/ jurídico e verificou que a sistemática do Simples Nacional já não mais atendia à realidade da empresa, que migrou para o regime de Lucro Real Trimestral, considerando tais informações, entendo correta a decisão de primeira instância: Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância, que manteve a exclusão da Recorrente do Simples Nacional a partir de 01/01/2008. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.722636/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 30/09/2015
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME. PENALIDADE.
Aplica-se a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 30/09/2015 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME. PENALIDADE. Aplica-se a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 30/09/2015 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME. PENALIDADE. Aplicase a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 26 36 /2 01 6- 28 Fl. 550DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração (fls. 2/91), lavrado contra a empresa ALCOEX TRADING ASSESSORIA COMERCIAL, IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA. (doravante denominada de ALCOEX), por meio do qual é feita a exigência de R$ 92.026,97, relativa à multa correspondente a 10% do valor aduaneiro da mercadoria importada, de que trata o art. 33, da Lei nº 11.488/2007. No Relatório Fiscal (anexo de continuação ao Auto de Infração, fls. 5/91), a fiscalização relata que a Recorrente cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação das mercadorias submetidas a despacho aduaneiro, através das Declarações de Importação (DI) nº 15/17304050 e 15/17306088, registradas em 30/09/2015, como operações por conta próprias. O Fisco relata que, em resposta aos questionamentos realizados por meio do Termo de Intimação nº 115/2015 e Termo de Constatação nº 059/2015, a ALCOEX reafirmou ter realizado as negociações com o exportador SulAfricano, FRASER ALEXANDER, por sua própria iniciativa e risco, e que buscaria no mercado brasileiro, após o desembaraço aduaneiro, compradores para os produtos estrangeiros importados, dentre os quais incluemse mais de 400 tubos de aço galvanizado, pulverizadores mecânicos de alta pressão com seus respectivos acessórios, bem como volantes, suportes e válvulas de segurança, totalizando cerca de 80 toneladas em equipamentos. No entanto, o Procedimento Fiscal apurou tratarse de realidade bastante distinta, como a seguir será demonstrada. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, vazada nos seguintes termos (fls. 504/512): A empresa exportadora, FRASER ALEXANDER, sediada na África do Sul, celebrou, em 30/03/2015, contrato de prestação de serviços e fornecimento dos materiais com a empresa KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S/A, com vistas à estruturação de um posto de mineração denominado Projeto Santo Antônio, na cidade de Paracatu, estado de Minas Gerais. Para atender às estipulações contratuais estabelecidas com a KINROSS, o grupo FRASER criou uma subsidiária no País, a FRASER ALEXANDER SERVIÇOS DE MINERAÇÃO DO BRASIL, a qual, embora fosse a beneficiária e adquirente dos produtos em questão, mantevese oculta da relação tributária de importação, valendose de terceiros para realizar a nacionalização das mercadorias. Antes de enviar os produtos para o Brasil, a FRASER realizou aportes financeiros para uma empresa sediada no Rio de Janeiro, denominada 7TRADEX, a qual, nos termos do contrato celebrado, deveria imediatamente utilizar o montante recebido do exterior para pagamento dos tributos incidentes na importação e demais despesas. Ou seja, a 7TRADEX havia sido contratada para registrar as Declarações de Importação em seu nome, utilizandose de recursos financeiros do grupo FRASER para pagamento dos tributos incidentes, o que foi feito para 210 tubos revestidos de aço galvanizado que foram nacionalizados pela 7TRADEX, conforme Declaração de Importação nº 15/11329345, registrada em 25/06/2015. A disponibilização dos Fl. 551DF CARF MF Processo nº 15771.722636/201628 Acórdão n.º 3402005.394 S3C4T2 Fl. 551 3 produtos para o Projeto Santo Antônio se deu através de um "contrato de comodato de ferramental", celebrado a título gratuito entre 7TRADEX, KINROSS e FRASER. Tal contrato exibe todas as características de negócio jurídico simulado, dado que a 7TRADEX apenas havia realizado o registro da Declaração de Importação dos produtos, utilizandose integralmente dos recursos financeiros do grupo FRASER para liquidação dos tributos e despesas decorrentes. Ocorre que, por possuir habilitação para operar no comércio exterior na modalidade Limitada, a 7TRADEX não foi capaz de registrar as demais Declarações de Importação, as quais formam o objeto da presente Ação Fiscal. Tentou, sem sucesso, a revisão de sua modalidade da Habilitação, alegando possuir capacidade econômica suficiente para tanto, mas o pedido foi indeferido diante da verificação de que tais recursos eram, na verdade, aqueles previamente aportados pelo exportador FRASER, e não recursos oriundos de atividades empresariais próprias da 7TRADEX. Assim, impossibilitada de atender às estipulações contratuais, a 7TRADEX registrou, tão somente, a Admissão em Entreposto Aduaneiro das mercadorias estrangeiras, negociando os conhecimentos de transporte com a empresa ALCOEX e a ela repassou o aporte financeiro recebido previamente do grupo FRASER, o qual foi utilizado para pagamento dos tributos incidentes no momento dos registros das DI de Nacionalização de Entreposto Aduaneiro, efetuados pela ALCOEX TRADING em 30/09/2015. Desta forma, concluiu a auditoria que a empresa ALCOEX TRADING foi responsável, apenas, por ceder seu nome para o registro das Declarações de Importação sob análise, sendo que, conforme verificação física realizada na carga, os produtos já estavam devidamente endereçados para o Projeto Santo Antônio na cidade de Paracatu, Minas Gerais. Cientificada do lançamento (fls.474/477), a autuada apresentou impugnação (fls. 479/488), na qual, em síntese: Alega que a constatação de dano é elemento indispensável para a desconsideração do negócio jurídico tido por simulado. Imprescindível também que as reprováveis condutas de ocultação e interposição fraudulenta venham descritas por suas reais intenções. Conclui que as imputações são precipitadas ou revelam artifício ardiloso e imoral da AFRFB na tentativa de forçar o perdimento com evidente propósito arrecadatório, de forma desproporcional e desarrazoada. Indaga dos motivos de não ter a auditoria aguardado que a ALCOEX revendesse a mercadoria para a Empresa FRASER para a coleta de provas robustas de fraude, subfaturamento e sonegação de impostos. Afirma que nenhuma empresa toma decisão de aquisição para revenda sem ao menos ter a certeza de possíveis compradores e Fl. 552DF CARF MF 4 que parcerias comerciais se formam no mercado e os adquirentes estão dispostos a pagar o preço pela mercadoria à medida da oferta e da demanda. Repete que as práticas são lícitas até que provem que a intenção era de causar dano ao patrimônio de quem quer que seja e que a conduta prevista no antecedente da norma geral e abstrata do artigo 33 da lei 11.488/2007 exige a comprovação do dolo e do dano ao Erário. Do contrário, será uma conduta atípica. Ressalta que não há comprovação do dano, que a fraude imputada tratase de presunção e que, na falta de evidências robustas, devese aplicar o entendimento mais favorável ao contribuinte, pois a presunção de que um terceiro seria o real importador, por si só, não comprova a existência de dano ao erário, ainda mais nas condições do presente caso concreto, que se baseia em sua totalidade em suposição de fraude. Ausente a comprovação do dolo, concluise que a fraude ora imputada consistese em presunção, pois tão somente foram produzidas provas indiciárias que não podem ser acatadas como comprobatórias para a aplicação da sanção de efeitos tão gravosos. E, na ausência de comprovação do dolo, máfé, em querer fraudar o fisco ocultando o real importador, devese aplicar a regra constante no Código Tributário Nacional, que privilegia o contribuinte em casos de dúvidas. Requer o cancelamento do débito fiscal e a realização de diligências e suplementação de provas. No entanto, a Delegacia da RFB de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou a Impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 0739.363, de 09 de março de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fls. 504): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/09/2015 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CESSÃO DE NOME. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente (ALCOEX) foi cientificada da decisão que negou provimento à sua Impugnação em 16/03/2017 (via DTE, eCAC, fl. 518) e, em 13/04/2017 (fl. 519), apresentou Recurso Voluntário tempestivo e com representação válida (fls. 521/547). Fl. 553DF CARF MF Processo nº 15771.722636/201628 Acórdão n.º 3402005.394 S3C4T2 Fl. 552 5 Em seu recurso voluntário, a Recorrente apresenta, em resumo, as seguintes razões: primeiramente, elabora um breve histórico da empresa e um resumo dos fatos ocorridos até a presente data; no caso, foi apontado que a Recorrente agiu em conluio com a empresa 7TRADEX para viabilizar importação que na verdade seria da empresa FRASER do Brasil. Foram coletadas informação à tentativa de conclusão em “provas” bem como aplicada multa ao final em razão da suposta fraude; informa que devidamente autorizada para operar no mercado de importação, com Radar ilimitado, fez a importação junto à empresa Sul Africana FRASER Alexander PTY LTD, conforme se comprova pelas Declarações de Importação (DIs n.º 15/17304050 e 15/17306088), as quais visavam a nacionalização de tubos de aço galvanizado e diversos equipamentos utilizados no transporte de água, no valor total declarado de USD 299.499,44, importação está com o objetivo de vender os produtos no mercado interno, haja vista ser a exportadora a única fabricante destes produtos; Após a entrepostagem, as referidas mercadorias foram parametrizada no “CANAL VERDE”, o que comprova de início a regularidade de operação, e dos documentos que a seguiam; declara que todos os impostos incidentes sobre a importação em comento, foram satisfeitos integralmente, como de praxe; deste ponto em diante, iniciase a “via crucis” da Recorrente, que desde 30/09/2015, está com sua mercadoria apreendida, cumprindo todas as exigências da Autoridade Alfandegária, com a entrega de toda documentação que fora solicitada, ao ponto que em 29/12/ 2015, foram aceitas por completo, comprovados pela informação da RFB em 29/02/2016. em 10/06/2016, mais de 06 meses, da juntada e recebimento dos documentos solicitados, sem mais nenhuma exigência durante este período, fora noticiado da aplicação de “pena de Perdimento” em sua mercadoria, pena esta que é totalmente equivocada, partindo de suposições, desamparadas de qualquer prova; que, durante todo o PAF n.º 15771.722635/201683, a Recorrente, corroborou com a instrução, apresentando toda documentação solicitada, atendendo os requisitos legais para a liberação das mercadorias. Ressaltese que a Pena de Perdimento, foi aplicada contra a empresa FRASER do Brasil, que é, e foi, totalmente estranha ao processo administrativo, e NUNCA notificada para se manifestar naqueles autos. Transcreve os termos do Auto de Infração lavrado. no item 4 de seu recurso elabora uma síntese metodológica da autuação, culminando coma seguinte questão: POR QUE MOTIVO A IMPORTADORA ALCOEX OCULTARIA OS REAIS RESPONSÁVEIS PELA IMPORTAÇÃO? cumpre ressaltar que não há comprovação do dano, que a fraude ora imputada na verdade se trata de presunção e que na falta de evidências robustas devese aplicar o entendimento mais favorável ao contribuinte; no item 4.1, questiona a ilegalidade do ato de autoridade–flagrante violação ao decreto 70.235/72 direito líquido e certo; Fl. 554DF CARF MF 6 no item 4.2, aduz sobre a necessidade de comprovação de dano para a penalidade de perdimento e no item 4.3. do afastamento da presunção de fraude; no tem 4.4, argumenta sobre a ausência de provas. suposição. interpretação mais favorável ao contribuinte. Por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente Recurso Voluntário para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos Recursos O recurso voluntário interposto preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. 2. Preliminar ilegalidade do Ato de Autoridade violação ao Decreto nº 70.235/72 Aduz a Recorrente em seu recurso que, (...) A ilegalidade do ato da AFRFB é manifesta e decorre, de plano, da legislação que regula a espécie, acima transcrita, demonstrando assim, de forma clara ABUSIVA ILEGAL Causando de forma evidente prejuízo a Recorrente". A Recorrente informa que foi lavrado o Auto de Infração (contra a empresa FRASER), "aplicando multa por suposto cometimento de delito, sendo que a mesma autoridade, instruiu o processo administrativo tombado sob o n.° 15771.722635/201683, e por fim, a mesma Autoridade, julgou o processo, com a aplicação da pena de perdimento". Verificase que existe em total vigência o Decreto n.° 70.235 de 06 de março de 1972, que “Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências”. Cita os artigos 24 e 25, sugerindo as competências para formação do processo administrativo fiscal. Pois bem. Ocorre que, em se tratando de infrações aduaneiras ensejadoras de dano ao Erário, puníveis com a pena de perdimento das mercadorias1, tal como no caso da FRASER citado pela Recorrente, o processo administrativo fiscal é apreciado em instância única, conforme rito específico previsto no art. 27 do DecretoLei nº 1.455/1976 e regulamentado pelos arts. 774 a 776 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). O § 4º do art. 27 do Decretolei nº 1.455/1976 estabelece, quanto às infrações ensejadoras de dano ao Erário, que o processo será encaminhado ao Secretário da Receita Federal que o submeterá a decisão do Ministério da Fazenda, em instância única. Nos termos do § 7º do art. 774 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), o Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência para a decisão de que trata o processo de perdimento de mercadorias e, com base nessa previsão, o Ministro de Estado da Fazenda aprovou o Regimento Interno (RI) da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que confere à RFB a atribuição de “preparar e julgar, em instância única, processos administrativos de aplicação de pena de perdimento de mercadorias” e delega aos “Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil, no âmbito da Fl. 555DF CARF MF Processo nº 15771.722636/201628 Acórdão n.º 3402005.394 S3C4T2 Fl. 553 7 respectiva jurisdição, a competência para efetivamente “aplicar pena de perdimento de mercadorias” Em suma, temse que, em matéria de perdimento de mercadorias, o processo administrativo fiscal é apreciado em instância única, conforme rito específico previsto no art. 27 do Decretolei nº 1.455/76. Portanto, não se vislumbra nenhuma ilegalidade do ato praticado pela Administração Tributária no que regula a espécie acima transcrita, demonstrando assim, de forma legal e clara que não houve nenhum prejuízo à Recorrente. 2. Dos Autos de Infração (ALCOEX e da empresa FRASER) Primeiramente, cabe destacar que, no Relatório de Fiscalização RF (fls. 5/91) restou consignado que "(...) este relatório é parte integrante e indissociável do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0817900/09012/16, lavrado contra a empresa FRASER ALEXANDER SERVIÇOS DE MINERAÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ 22.614.681/0001 10), doravante denominada ADQUIRENTE, tendo como responsável solidário, nos termos do art. 124, I, da Lei 5.172/66 (CTN), a empresa ALCOEX TRADING ASSESSORIA COMERCIAL, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (CNPJ 07.426.321/000100), doravante denominada apenas IMPORTADOR ou ALCOEX TRADING". Destacase que o procedimento acima gerou o Processo Administrativo Fiscal nº 15771.722635/201683, para aplicação da pena de perdimento das mercadorias apreendidas. Consta dos autos que em 30/03/2015, a FRASER ALEXANDER TAILINGS, identificada como empresa exportadora das mercadorias registradas nas DIs nº 15/17304050 e 15/17306088, firmou contrato com a empresa KINROSS BRASIL MINERAÇÃO, no qual visava à prestação de serviços para o PROJETO SANTO ANTÔNIO, em Paracatu/MG. A partir desse momento surge a necessidade de importar equipamentos que seriam utilizados na prestação dos serviços objeto desse contrato. Ao registrar as DI's nº 15/17304050 e 15/17306088, a ALCOEX declarou ser a importadora e adquirente das mercadorias envolvidas, informação esta que foi reiterada durante a ação fiscal, conforme respostas aos Termos de Intimação Fiscal nº 115/2015 e de Constatação nº 059/2015 (fls. 62/63). Fl. 556DF CARF MF 8 Frisese que as DIs sob análise referemse a uma nacionalização de Entreposto Aduaneiro. O registro da DI de admissão em Entreposto Aduaneiro nº 15/1702924 6, em 25/09/2015, não havia sido realizado pelo importador (ALCOEX TRADING), mas pela 7TRADEX SERVIÇOS LOGÍSTICOS, COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, cinco dias antes dos registros da DIs de Nacionalização de Entreposto Aduaneiro nº 15/17304050 e 15/17306088 registradas, em 30/09/2015, pela ALCOEX TRADING. Entretanto, à vista do comprovante de transferência bancária juntado nos autos (figura 8 abaixo), constatase que a nacionalização das mercadorias pela ALCOEX foi realizada com recursos repassados pela empresa 7TRADEX SERVIÇOS LOGÍSTICOS, COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. ME, que, por sua vez, os recebeu da empresa exportadora das mercadorias, qual seja, a FRASER ALEXANDER PTY. O motivo de a 7TRADEX não conseguir promover o registro da importação consta do seguinte trecho do Relatório Fiscal: "(...) Diante da habilitação limitada da Fl. 557DF CARF MF Processo nº 15771.722636/201628 Acórdão n.º 3402005.394 S3C4T2 Fl. 554 9 7TRADEX SERVIÇOS LOGÍSTICOS, COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, pois se sujeita à estimativa semestral de US$ 150.000,00, a empresa solicitou revisão da estimativa da habilitação no SISCOMEX para Habilitação na Modalidade Ilimitada, conforme processo constante nos sistemas da Receita Federal, sob nº 10010.005438/071545, para que assim pudesse realizar a Nacionalização do Entreposto Aduaneiro. No entanto, o pedido de revisão foi indeferido (...)". Figura 8 – Trecho do extrato bancário da ALCOEX TRADING O contrato de câmbio nº 130099770 abaixo (figura 30) comprova o repasse de recursos: Figura 30 – Trecho do Contrato de Câmbio Fl. 558DF CARF MF 10 Desta forma, analisandose toda a documentação contida no Relatório de Fiscalização, constatase que a FRASER ALEXANDER PTY., é empresa controladora da FRASER Brsil, que, conforme comprovado ao longo da ação fiscal, é a real beneficiária das mercadorias importadas por meio das DI's citadas, muito embora estas tenham sido registradas no sistema SISCOMEX pela ALCOEX. Podese observar que tratase de simulação complexa, que contou com a participação de diferentes empresas e pessoas, como bem ilustra, em apertada síntese, o seguinte resumo extraído de fls. 6/8 do Relatório Fiscalização: “A empresa ALCOEX TRADING registrou as DIs 15/17304050 e 15/17306088, em 30/09/2015, como operações próprias, isto é, declarou ser importador e adquirente das mercadorias, apresentando documentação instrutiva em que constava seu nome como único adquirente dos produtos presentes na carga. Durante a Ação Fiscal, em resposta aos questionamentos realizados por meio do Termo de Intimação 115/2015 e Termo de Constatação 059/2015, a ALCOEX reafirmou ter realizado as negociações com o exportador sulafricano, FRASER ALEXANDER, por sua própria iniciativa e risco, e que buscaria no mercado brasileiro, após o desembaraço aduaneiro, compradores para os produtos estrangeiros, dentre os quais incluemse mais de 400 tubos de aço galvanizado, pulverizadores mecânicos de alta pressão com seus respectivos acessórios, bem como volantes, suportes e válvulas de segurança, totalizando cerca de 80 toneladas em equipamentos. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15771.722636/201628 Acórdão n.º 3402005.394 S3C4T2 Fl. 555 11 Conforme será apresentado de forma detalhada neste Relatório, o Procedimento Fiscal apurou tratarse de realidade bastante distinta, e que assim pode ser resumida: • a empresa exportadora, FRASER ALEXANDER, sediada na África do Sul, celebrou, em 30/03/2015, contrato de prestação de serviços e fornecimento de materiais com a empresa KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S/A, com vistas à estruturação de um posto de mineração denominado Projeto Santo Antônio, na cidade de Paracatu, estado de Minas Gerais; • para atender às estipulações contratuais estabelecidas com a KINROSS, o grupo FRASER criou uma subsidiária no País, a FRASER ALEXANDER SERVIÇOS DE MINERAÇÃO DO BRASIL; • para execução do projeto, seria necessário enviar ao Brasil diversos equipamentos relacionados ao processo de mineração, incluindose aí tubos de aço, pulverizadores, válvulas, volantes, suportes e acessórios, todos exportados pela FRASER na África do Sul; • muito embora fosse a beneficiária e adquirente dos produtos em questão, a Fraser Brasil mantevese oculta da relação tributária de importação, valendose de terceiros para realizar a nacionalização das mercadorias; • antes de enviar os produtos para o Brasil, a FRASER realizou aportes financeiros para uma empresa sediada no Rio de Janeiro, denominada 7TRADEX. A empresa 7TRADEX, nos termos do contrato celebrado, deveria imediatamente utilizar o montante recebido do exterior para pagamento dos tributos incidentes na importação e demais despesas. A 7TRADEX havia sido contratada, portanto, para registrar as Declarações de Importação em seu nome, utilizandose de recursos financeiros do grupo FRASER para pagamento dos tributos incidentes; • 210 tubos revestidos de aço galvanizado foram nacionalizados pela 7TRADEX, conforme Declaração de Importação nº 15/11329345, registrada em 25/06/2015. A disponibilização dos produtos para o Projeto Santo Antônio se deu através de um 'contrato de comodato de 10 ferramental', celebrado a título gratuito entre 7TRADEX, KINROSS e FRASER. Tal contrato exibe todas as características de negócio jurídico simulado, dado que a 7TRADEX apenas havia realizado o registro da Declaração de Importação dos produtos, utilizandose integralmente dos recursos financeiros do grupo FRASER para liquidação dos tributos e despesas decorrentes; • por possuir Habilitação para operar no comércio exterior na modalidade Limitada, a 7TRADEX não foi capaz de registrar as demais Declarações de Importação (as quais formam o objeto da presente Ação Fiscal), em virtude do limite semestral imposto por tal modalidade. Tentou, sem sucesso, a revisão de sua modalidade da Habilitação, alegando possuir capacidade econômica suficiente para tanto. O pedido foi indeferido pela RFB diante da verificação de que tais recursos eram, na verdade, aqueles previamente aportados pelo exportador FRASER, e não recursos oriundos de atividades empresariais próprias da 7TRADEX; • impossibilitada de atender às estipulações contratuais, a 7TRADEX registrou, tão somente, a Admissão em Entreposto Aduaneiro das mercadorias estrangeiras. Nesse meio tempo, negociou os conhecimentos de transporte com a empresa ALCOEX, e a ela repassou o aporte financeiro recebido previamente do grupo FRASER; Fl. 560DF CARF MF 12 • O montante relativo ao aporte financeiro efetuado previamente pela FRASER foi, assim, utilizado para pagamento dos tributos incidentes no momento dos registros das DIs de Nacionalização de Entreposto Aduaneiro, efetuados pela ALCOEX TRADING em 30/09/2015; • a empresa ALCOEX TRADING foi responsável, apenas, por ceder seu nome para o registro das Declarações de Importação sob análise; • conforme verificação física realizada na carga, os produtos já estavam devidamente endereçados para o Projeto Santo Antônio na cidade de Paracatu, Minas Gerais. Além disso, os documentos apresentados pelo importador, relativamente às especificações técnicas dos equipamentos importados, trazem claramente a indicação de sua destinação: o Projeto Santo Antônio.” (Grifei) Notase também que restou comprovado nos autos que a constituição de uma filial da FRASER no Brasil estava prevista no contrato entre a FRASER ALEXANDER TAILINGS (divisão da FRASER ALEXANDER PTY LTD) e a KINROSS BRASIL MINERAÇÃO, firmado em 30/03/2015. Uma vez constituída a filial brasileira, a FRASER obrigatoriamente cederia o contrato a ela, brasileira, conforme podese constatar do trecho do contrato abaixo destacado (fl. 14): Desse modo, em 09/06/2015, foi registrada no CNPJ, sob o nº 22.614.681/000110, a FRASER ALEXANDER SERVIÇOS DE MINERAÇÃO DO BRASIL LTDA, empresa que tem 99,99% do seu Capital Social pertencente a FRASER ALEXANDER PTY LTD (fl. 14). Assim, a FRASER Brasil, controlada pela FRASER ALEXANDER PTY LTD, foi constituída por esta, com objetivo de prestar serviços para a KINROSS BRASIL MINERAÇÃO, dando cumprimento à cláusula contratual transcrita acima. Conforme se verifica à fl. 15 do Relatório Fiscal, embora a FRASER Brasil não possuísse, à época da autuação, habilitação no SISCOMEX para a importação dos equipamentos necessários para a prestação dos serviços, a cláusula 4, alínea “c”, do contrato de prestação de serviços firmado com a KINROSS BRASIL previa que todos os materiais e equipamentos necessários para o desempenho dos serviços seriam fornecidos pela FRASER PTY. Vejase: Assim, independentemente da data em que, de fato, foi constituída a FRASER Brasil, e a despeito de esta não possuir habilitação no SISCOMEX para realizar importações, o fato é que FRASER PTY precisava enviar para o Brasil os equipamentos necessários para o cumprimento do contrato mencionado. Para tanto, valeuse da simulação Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15771.722636/201628 Acórdão n.º 3402005.394 S3C4T2 Fl. 556 13 acima resumida, contando com a participação de outras empresas (7TRADEX e ALCOEX) para a promoção das importações. Percebese, conforme consignado à fl. 17 do Relatório Fiscal, onde resta claramente esclarecido a motivação para a fraude perpetrada: “Os produtos importados (equipamentos utilizados para transporte de água de alta pressão) pela ALCOEX TRADING são mercadorias que o real adquirente FRASER ALEXANDER SERVIÇOS DE MINERAÇÃO DO BRASIL LTDA necessitava para a execução dos serviços contratados pela KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S/A. Todavia, a real adquirente não podia realizar a importação em seu próprio nome, pois não possui Habilitação para operar no comércio exterior, conforme já afirmado. Com isso, a FRASER ALEXANDER SERVIÇOS DE MINERAÇÃO DO BRASIL, real adquirente das mercadorias importadas pela empresa ALCOEX TRADING, esquivase de análise da Receita Federal para concessão da habilitação para atuar comércio exterior e fica oculta na transação, obtendo os benefícios ilícitos desta prática. Os tributos incidentes sobre a importação e as despesas com a nacionalização que ora se analisa foram integralmente pagos com recursos financeiros do real adquirente das mercadorias, a FRASER ALEXANDER PTY (empresa Controladora da FRASER ALEXANDER SERVIÇOS DE MINERAÇÃO DO BRASIL), contribuinte até então oculto da relação tributária e somente 12 identificado após a realização da presente Ação Fiscal. O nexo causal entre o aporte dos recursos financeiros por parte do adquirente das mercadorias e o registro das Declarações de Importação por terceiro, bem como a motivação (qual seja, o registro de DI em situação não autorizada), demonstra a ocultação do real sujeito passivo da operação, levada a cabo mediante simulação em seus documentos instrutivos, através da interposição fraudulenta de terceira pessoa, o que caracteriza a infração administrativa tipificada no Art. 23 do DecretoLei 1.455/76, punível com a pena de perdimento às mercadorias importadas.” (Grifei) Portanto, a caracterização da infração se verifica, quanto à ALCOEX, a partir da não comprovação da origem dos recursos utilizados na operação e, quanto à FRASER Brasil, decorre da constatação de que as mercadorias importadas eram destinadas a ela, fato que foi omitido quando do registro das DI's. Concluindo, pode ser verificado no Relatório de Fiscalização (fls. 5/91), que a auditoria fiscal informa detalhadamente sobre a operação de importação das mercadorias advindas do exportador SulAfricano, FRASER ALEXANDER, para atendimento de contrato com a empresa KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S/A, com vistas à estruturação de um posto de mineração denominado Projeto Santo Antônio, na cidade de Paracatu, estado de Minas Gerais, com a criação de uma subsidiária no País, a FRASER ALEXANDER SERVIÇOS DE MINERAÇÃO DO BRASIL, a qual, embora fosse a beneficiária e adquirente dos produtos em questão, mantevese oculta da relação tributária de importação, valendose da empresa autuada para realizar a nacionalização das mercadorias. Ou seja, a empresa ALCOEX foi responsável, apenas, por ceder seu nome para o registro das Declarações de Importação sob análise. Por seu turno, verificase que a Fl. 562DF CARF MF 14 Recorrente não apresentou nenhuma argumentação contundente ou elemento de prova capaz de se contrapor aos fatos levantados pela fiscalização. Também há que destacar que a Recorrente afirma em seu recurso que, (...) resta deixar bem claro, que todos os valores inerentes aos tributos originados nesta operação, foram integralmente pagos, não se discutindo aqui, falta destes, ou se quer, que os mesmos foram inferiores ou superiores ao devido, e sim o correto!!!!!" Como bem pontuado pela decisão de piso, cabe esclarecer que o dano ao Erário não se relaciona apenas com a questão do recolhimento de tributos. No caso em análise, o bem jurídico tutelado é o controle aduaneiro, o qual foi violado, mediante a prática de fraude ou simulação tendente a burlar a Administração Aduaneira. Este tipo de fraude pode ter diversos objetivos, que não é necessário se perquirir, dentre os quais, o de evitar que a empresa adquirente seja submetida ao procedimento de habilitação no SISCOMEX; afastar sua condição de contribuinte (por equiparação) do IPI pela saída do produto de seu estabelecimento, com a quebra da cadeia de incidência deste imposto; impedir a aplicação das restrições quanto ao "valor aduaneiro" e de "preços de transferência"; impedir o conhecimento da verdadeira origem dos recursos e contribuir para a lavagem de dinheiro; inibir a responsabilização solidária do adquirente pelos tributos incidentes na importação; blindar o patrimônio do real adquirente/encomendante, no caso de eventual lançamento tributário decorrente das operações ou de infrações; sonegação de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos incidentes sobre a receita bruta auferida, no caso da importação por encomenda, ou sobre o valor dos serviços prestados, no caso de importação por conta e ordem, consoante o artigo 12 do Decreto nº 4.524/02, dentre outros. Por todo o exposto, é inegável que houve a ocultação do real interveniente/adquirente na relação tributária existente na importação, sendo que a empresa ALCOEX TRADING incorreu na infração de cessão do nome na operação, o que a sujeita à penalidade de multa proporcional ao valor aduaneiro, prevista no art. 33 da Lei nº11.488/2007, regulamentada pelo art. 727 do Decreto nº 6.759/2009, que assim dispõe: Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Decreto nº 6.759/2009: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). §1º (...) . §2º Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15771.722636/201628 Acórdão n.º 3402005.394 S3C4T2 Fl. 557 15 §3º A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). (Grifei). Posto isto, correto a aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. 3. Da alegada "boa fé" e da responsabilidade pela Infração. A responsabilidade pela infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o art. 94, § 2º, do DL 37/66 e art. 136 do CTN. Aliás, pensar de outra forma, seria estimular variadas tentativas de burla ao fisco. 4. Dispositivo Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose hígida a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000093/2003-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI DO ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE.
A legislação trouxe critérios objetivos para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratar-se de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero.
A violação à legislação, se existente no presente caso, dá-se em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito.
Numero da decisão: 9303-006.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI DO ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A legislação trouxe critérios objetivos para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratarse de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero. A violação à legislação, se existente no presente caso, dáse em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 00 93 /2 00 3- 82 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10140.000093/200382 Acórdão n.º 9303006.965 CSRFT3 Fl. 449 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 378 a 392) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380300.100 (fls. 364 a 370) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 10 de agosto de 2009, no sentido dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. DIREITO DE CRÉDITO NÃO ESTÁ VINCULADO À CONTABILIZAÇÃO COMO CUSTO PARA EFEITO DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO. Se o contribuinte deixou de estornar o valor do crédito do IPI em relação ao custo, para efeito de dedução do IRPJ e CSLL, isto não é condição legal de validade do lançamento do crédito básico nos livros de IPI e para o aproveitamento destes créditos. O que confere ao imposto a característica de "recuperável" é a natureza objetiva do próprio imposto, e não a vontade do contribuinte. Assim, a qualificação do IPI como recuperável depende da existência de previsão legal permitindo a apropriação ou manutenção de créditos básico em relação as situações concretas envolvidas. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10140.000093/200382 Acórdão n.º 9303006.965 CSRFT3 Fl. 450 3 Recurso Voluntário Provido. Não resignada com o acórdão de recurso voluntário, insurgese a Fazenda Nacional por meio do apelo especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de aproveitamento dos créditos básicos de IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo a decisão recorrida fundamentado o provimento do recurso voluntário, em síntese, no fato de ser defeso ao Fisco recusar ao Contribuinte o direito de aproveitamento do crédito básico do IPI sob o argumento de que tal direito estaria condicionado à retirada do valor da rubrica do custo, para efeito de dedução do IRPJ e CSLL. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 20401.576. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) para obtenção do direito ao crédito de IPI, o pedido de ressarcimento de saldo credor do referido tributo deve estar amparado em documentação contábil fiscal correta e hábil que permita conferir a certeza e liquidez dos créditos; (b) a escrituração dos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos, utilizados na fabricação de produto isento, como imposto não recuperável e integrante do custo da mercadoria, atuando na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, impede que estes valores sejam considerados no sistema de débito e crédito do IPI para fins de ressarcimento do seu saldo credor; (c) nos termos do art. 2º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei nº 9.779/99, para aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da compra de insumos há obrigatoriedade de registro dos referidos valores como imposto recuperável; (d) por fim, requer seja provido o recurso especial com a reforma integral do acórdão recorrido. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho nº 3300 000.024, de 10/02/2015 (fls. 430 a 432), proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte tomou ciência do recurso especial da Procuradoria e apresentou contrarrazões (fls. 439 a 445). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10140.000093/200382 Acórdão n.º 9303006.965 CSRFT3 Fl. 451 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes da aquisição de insumos matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na fabricação de produtos isentos, tendo tais créditos sido contabilizados como "imposto não recuperável" e, por conseguinte, integrando o custo da mercadoria, dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 prevê a possibilidade de ressarcimento do saldo credor do IPI, originado da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Assim, a partir de janeiro de 1999 os Contribuintes passaram a ter direito ao creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos desonerados (isentos ou alíquota zero) na saída do estabelecimento industrial. Verificase que a possibilidade surgiu, portanto, apenas a partir da vigência da Lei nº 9.779/99 janeiro de 1999. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10140.000093/200382 Acórdão n.º 9303006.965 CSRFT3 Fl. 452 5 No período anterior à publicação do diploma legal em referência, os Contribuintes não eram beneficiados com referido favor fiscal, considerandose o saldo credor de IPI de insumos utilizados na industrialização de produtos desonerados como "imposto não recuperável". Por essa razão, referido valor compunha o "custo de aquisição", pois se tratava de um imposto definitivo, sem possibilidade de recuperação. Após a Lei nº 9.779/99, os créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos para utilização na fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero, passara a ser escriturados regularmente, existindo a possibilidade jurídica de sua recuperação. Transformou se, assim, em tributo recuperável, deixando de repercutir no custo do produto final. Nessa perspectiva, os impostos passíveis de recuperação, como o crédito de IPI oriundo da compra de insumos empregados nos produtos que são tributados na sua saída do estabelecimento industrial, são escriturados no livro de apuração do IPI, descontandose dos débitos gerados na saída dos bens tributados. Conforme legislação do IRPJ, é vedada a inclusão dos "tributos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal" no custo dos produtos vendidos, de acordo com art. 289, §3º, do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (correspondente ao art. 231, §3º, do Decreto nº 1.041/1994, vigente quando da entrada em vigor da Lei nº 9.779/99): Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. (grifouse) Para regulamentar o benefício fiscal inserido no art. 11 da Lei nº 9.779/99, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 33, de 04/03/1999, que dispõe sobre a apuração e aproveitamento do crédito do IPI e dá outras providências. Dentre os seus artigos, há título específico tratando "Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999" nos seus artigos 4º e 5º: DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI ART. 11 DA LEI NO 9.779, DE 1999 Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10140.000093/200382 Acórdão n.º 9303006.965 CSRFT3 Fl. 453 6 MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1o Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (grifouse) O art. 1º da IN RFB nº 33/99 explicita tratar o ato normativo das hipóteses de apuração e utilização de créditos do IPI e ressalta, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779/99. Nessa linha relacional, o art. 2º da Instrução Normativa, referese aos créditos de IPI relativos aos insumos empregados nos produtos industrializados, sujeitos à tributação quando da sua saída do estabelecimento industrial, não se aplicando as suas disposições ao aproveitamento do saldo credor do IPI do art. 11 da Lei nº 9.779/99, que possui dispositivos específicos para sua regulamentação arts. 4º e 5º da IN RFB nº 33/99 transcritos acima. Portanto, depreendese que a legislação trouxe um critério objetivo para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratarse de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero. Conforme destacado pela decisão recorrida, "em se verificando um descompasso pelo fato de o contribuinte ter lançado o crédito básico de IPI e ao mesmo tempo têlo considerado como custo para a dedução do IRPJ e da CSLL, a solução dependerá de saber objetivamente se tal crédito é recuperável". Inequívoca a condição de "crédito recuperável" dos valores discutidos no presente processo administrativo. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10140.000093/200382 Acórdão n.º 9303006.965 CSRFT3 Fl. 454 7 Prossegue, ainda, o acórdão recorrido no sentido de que "sendo objetivamente recuperável o crédito, terá o Fisco de fazer o ajuste por meio da exigência do IRPJ e da CSLL que foram recolhidos a menor em virtude da consideração indevida do valor do crédito de ipi como custo". A violação à legislação, se existente no presente caso, dáse em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito. A vedação ao aproveitamento aos créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos empregados na produção de mercadorias isentas ou sujeitas à alíquota zero, para o período posterior a janeiro de 1999, por não terem sido estornados do "custo" dedutível do IRPJ, não encontra amparo na legislação, mas sim contraria benefício fiscal previsto expressamente no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e cujos requisitos foram atendidos pela Contribuinte. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003999/2009-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 39 99 /2 00 9- 18 Fl. 272DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponiveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Em janeiro foi votado outro processo desse mesmo contribuinte, nos mesmos termos do acordão de agora. Destacamos do Acórdão de Impugnação algumas passagens: À vista disso, resta claro que a não indicação de endereço vinculado ao profissional da área de saúde, emissor do recibo, é motivo suficiente para a desconsideração de tal documento como prova da dedução pleiteada. Dessa forma, concluise que a utilização, para caracterizar “despesas médicas”, de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada a este título e a tributação dos valores correspondentes. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, apontam a falta de endereço no recibo e falta de comprovação do pagamento: Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 19647.003999/200918 Acórdão n.º 2001000.575 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 274DF CARF MF 4 No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 19647.003999/200918 Acórdão n.º 2001000.575 S2C0T1 Fl. 4 5 E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 276DF CARF MF 6 Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13737.000789/2003-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE EM AFRONTA AOS REQUISITOS LEGAIS. NÃO COMPROVADO A INEXISTÊNCIA DE RENDIMENTO DO DEPENDENTE OU SUA ISENÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA.
Para deduzir dependentes na declaração o Contribuinte precisa comprovar que estes respeitam os requisitos legais previstos no artigo 35, VI da Lei 9.250/95.
Na hipótese, embora comprovada a situação de parentesco, ou seja, contribuinte é filho da dependente declarada, não há demonstração de que esta não possua renda ou que possuindo, esta estivesse dentro do limite de isenção.
Numero da decisão: 9202-006.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE EM AFRONTA AOS REQUISITOS LEGAIS. NÃO COMPROVADO A INEXISTÊNCIA DE RENDIMENTO DO DEPENDENTE OU SUA ISENÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA. Para deduzir dependentes na declaração o Contribuinte precisa comprovar que estes respeitam os requisitos legais previstos no artigo 35, VI da Lei 9.250/95. Na hipótese, embora comprovada a situação de parentesco, ou seja, contribuinte é filho da dependente declarada, não há demonstração de que esta não possua renda ou que possuindo, esta estivesse dentro do limite de isenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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DEDUÇÃO DE DEPENDENTE EM AFRONTA AOS REQUISITOS LEGAIS. NÃO COMPROVADO A INEXISTÊNCIA DE RENDIMENTO DO DEPENDENTE OU SUA ISENÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA. Para deduzir dependentes na declaração o Contribuinte precisa comprovar que estes respeitam os requisitos legais previstos no artigo 35, VI da Lei 9.250/95. Na hipótese, embora comprovada a situação de parentesco, ou seja, contribuinte é filho da dependente declarada, não há demonstração de que esta não possua renda ou que possuindo, esta estivesse dentro do limite de isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 7. 00 07 89 /2 00 3- 97 Fl. 574DF CARF MF 2 Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 210200.899, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fl. 06, relativo ao exercício de 2000, anocalendário de 1999, motivado pela omissão de rendimentos recebidos, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, após revisão da Declaração de Ajuste Anual, restando constatada a existência de irregularidades. O Imposto suplementar no valor de R$ 723,58, foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, resultando num crédito tributário de R$ 1.723,14. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/04, alegando, em síntese, que possui uma única fonte pagadora e que sua declaração foi apresentada corretamente. A DRJBrasília/DF, às fls. 453/455 (fls. 56/58, numeração manual), julgou procedente em parte o lançamento, entendendo que, dentre outras considerações, o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte apresentado comprova as deduções pleiteadas, à exceção dos dependentes. O contribuinte não comprovou a relação de dependência com as pessoas informadas em sua declaração; consequentemente, foram restabelecidas as deduções de Contribuição à Previdência Oficial de R$ 1.573,30; Contribuição à Previdência Privada, de R$ 282,81, e despesas médicas de R$ 176,60. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 463/484 (fls. 64/82, numeração manual), afirmando que não apresentou declaração retificadora em 24/02/2003 e solicitou que prevalecesse a declaração original. Anexou comprovantes dos três dependentes. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 491/493 (fls. 89/90, numeração manual), DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, entendendo que, após serem carreadas as cópias da Certidão de Casamento e de Nascimento dos filhos, o Contribuinte faz jus às deduções glosadas. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração às fls. 497/499 (fls. 94/96, numeração manual), os quais restaram negados pelo Presidente da Primeira Turma Ordinária, fls. 501/502. Às fls. 507/512 (fls. 102/110, numeração manual), a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, contestando a dedução da mãe do declarante como dependente, uma vez que não havia nos autos a comprovação de que a dependente não auferira rendimentos superiores ao limite de isenção. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 13737.000789/200397 Acórdão n.º 9202006.896 CSRFT2 Fl. 10 3 Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 550/551, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU SEGUIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional, entendendo haver divergência jurisprudencial, já que o acórdão paradigma apresentado defende a linha de que “não basta a relação mãe e filho para configurar a dependência, havendo a necessidade de a dependente não tenha recebido, no ano base, rendimentos superiores ao limite de isenção”. Devidamente intimado, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. Porém, conforme fls. 565/568, compulsando os autos, observouse que o acórdão recorrido não deixou claro o motivo pelo qual reconheceu a legitimidade dos beneficiários apontados pelo contribuinte como dependentes, fazendose necessária a analise do conjunto probatório. Contudo verificouse falha na digitalização, pela ausência das fls. 192 a 386, resultando na baixa do feito em diligencia para correção da falha. Às fls. 571, a Delegacia, em cumprimento à diligência, prestou a seguinte informação: 1. Nas fls. 387 a 532, constam digitalizados os documentos de fls. 01 a 124 do processo originalmente físico, ora digitalizado. 2. Fls. 533 a 534, e seguintes, 550 a 568, documentos juntados digitalmente já em ordem cronológica, conforme movimentações do processo.3. Verificase, portanto, que houve erro na juntada dos fls. iniciais, conforme consta inclusive de Despacho automático dos sistemas, já devidamente sanados da nova inclusão do volume citada no item 1 e tramitação subsequente. Assim, retornaram os autos para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fl. 06, relativo ao exercício de 2000, anocalendário de 1999, motivada omissão de rendimentos recebidos, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, após revisão da Declaração de Ajuste Anual, restando constatada a existência de irregularidades. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à comprovação da dependência, já que o acórdão paradigma apresentado defende a linha de que “não basta a relação mãe e filho para configurar a dependência, havendo a necessidade de a dependente não tenha recebido, no ano base, rendimentos superiores ao limite de isenção”. Fl. 576DF CARF MF 4 Realizada a diligência e anexado o restante dos autos passo a análise do caso. Observo que o Contribuinte declarou como seus dependentes a esposa, os filhos menores de idade na época do fato gerador e sua mãe de 69 anos no fato gerador. Todos os listados por ele fazem parte das pessoas que podem ser listadas como dependentes por lei, contudo há de se observar a exigência de outros requisitos: Lei 9.250/95 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. § 5o Sem prejuízo do disposto no inciso IX do parágrafo único do art. 3o da Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003, a pessoa com deficiência, ou o contribuinte que tenha dependente nessa condição, tem preferência na restituição referida no inciso III do art. 4o e na alínea “c” do inciso II do art. 8o. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Conforme se observa no texto legal a comprovação de dependentes, aos filhos basta que sejam menores não emancipados, a esposa basta que esta não declare o IRPF em separado e que caso tenha renda aponte este rendimento na declaração do cônjuge. Contudo para incluir os pais, além da natureza do grau do parentesco, necessário se faz comprovar que estes não possuem rendimento superior ao limite de isenção do próprio imposto. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 13737.000789/200397 Acórdão n.º 9202006.896 CSRFT2 Fl. 11 5 Observo no acórdão recorrido uma omissão quanto a ponto crucial dos autos. Enquanto a DRJ fixa o ponto controvertido e o coloca em debate, observase que o acórdão recorrido circula em torno dele, mas não motiva a razão pela qual deixa de aplicar os requisitos da norma legal. A Fazenda Nacional embargou e sua insurgência não restou acolhida, embora tenha o conselheiro justificado sucintamente por meio da decisão que os pais podem ser listados como dependentes. Uma vez que o acórdão recorrido não esclareceu por que retirou a glosa da terceira dependente sem que esta dedução respeitasse o disposto em lei, passei a análise pormenorizada dos autos. Observo que compulsando os mesmos não encontro prova de que a mãe do contribuinte tenha renda, mas também não há prova do contrário, e tendo sido chamado a esclarecer o contribuinte não logrou se desincumbir de seu ônus. Não há dúvida de que os pais podem ser listados como dependentes como arguiu o acórdão recorrido, contudo tratase de uma exigência condicionada, ser pai ou mãe, ou até mesmo ambos, mas com especificação de renda. Reforço aqui que embora o Contribuinte tenha se manifestado nos autos em diversos momentos este ponto não restou esclarecido em nenhuma destas oportunidades. Desse modo, conheço o presente Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito darlhe provimento, devendo ser reformado o acórdão recorrido para excluir a genitora da lista de dependentes do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 578DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.724690/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei.
PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias.
ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, vigente à época dos fatos geradores, integra a base de cálculo do salário-de-contribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título.
ASSISTÊNCIA MÉDICA. ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO "EMPRESA".
A análise para o gozo da isenção disposta no art. 28, § 9º, letra "q", da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, deve ser feita em relação à empresa como um todo, incluindo todos os seus estabelecimentos.
Numero da decisão: 2202-004.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, para fins de excluir da base de cálculo do lançamento os valores que excedessem o salário de contribuição de cada segurado.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, vigente à época dos fatos geradores, integra a base de cálculo do saláriode contribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. ASSISTÊNCIA MÉDICA. ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO "EMPRESA". A análise para o gozo da isenção disposta no art. 28, § 9º, letra "q", da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, deve ser feita em relação à empresa como um todo, incluindo todos os seus estabelecimentos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 46 90 /2 01 0- 01 Fl. 401DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial, para fins de excluir da base de cálculo do lançamento os valores que excedessem o salário de contribuição de cada segurado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1536.406, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte relativa à autuação: O Auto de Infração, DEBCAD nº 37.273.7129, referese às contribuições previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos empregados da empresa, a título de assistência médica. O sujeito passivo gira sob a denominação social de "TERMACO TERMINAIS MARÍTIMOS DE CONTAINERS E SERVIÇOS ACESSÓRIOS LTDA", com sede no município de Fortaleza/CE, tem como objetivo social principal o transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e tem como atividade secundária a operação portuária de terminais de carga e o depósito de mercadorias para terceiros. A Auditoria Fiscal foi autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal 03.1.01.00200901445 e foi lavrado o Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, em 29 de janeiro de 2010, com ciência do contribuinte em 04 de fevereiro Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10380.724690/201001 Acórdão n.º 2202004.590 S2C2T2 Fl. 402 3 de 2010. No referido termo foram solicitados livros contábeis (livro diário e razão), balancetes contábeis, folhas de pagamento de todos os segurados da empresa, contratos e notas fiscais de serviços prestados por empresas. A empresa forneceu à fiscalização folhas de pagamento, livro diário e livro razão, em meio papel e digital, balancetes contábeis, contrato com a empresa HAPVIDA ASSISTÊNCIA MEDICA para prestação de serviços médicos com as respectivas notas fiscais e ainda notas fiscais de serviços de assistência médica prestados por outras empresas. Apos a analise do contrato apresentado e das notas fiscais de serviços prestados de assistência médica, verificouse que o contribuinte disponibilizou, no período fiscalizado, benefícios de assistência médica para a matriz, filiais em Fortaleza e para filial 11.552.312/001015 em SalvadorBA. Relata a Fiscalização que não foram disponibilizados para os demais estabelecimentos tal benefício e para que este benefício não seja considerado base de cálculo para contribuições previdenciárias, parte dos segurados, fazse necessário, segundo a legislação previdenciária, que seja estendido a todos os segurados e dirigentes que prestarem serviços à empresa, conforme estabelece o art. 28, § 9o, alínea "q" da Lei 8.212/91. Foi solicitado ao contribuinte, através do Termo de Intimação Fiscal 002, datado de 08 de setembro de 2010 (à fl. 210), com ciência do contribuinte em 15 de setembro de 2010, a relação de empregados e/ou diretores beneficiários de serviços de assistência médica e/ou odontológica oferecidos pela empresa e a discriminação, por empregado e/ou diretor, dos custos realizados pela empresa com assistência médica, com intuito de identificar os valores pagos a cada empregado da empresa e aplicar as alíquotas devidas por cada segurado que teve acesso ao benefício, conforme a faixa de remuneração. O contribuinte apresentou uma relação (documento anexado aos autos) onde constam apenas empregados da matriz, filiais em Fortaleza e filial 11.552.312/001015 em SalvadorBA. contudo não discriminou os custos por empregado e/ou diretor relativos ao benefício de assistência médica. Como o contribuinte não estendeu o benefício da assistência médica a todos os empregados e diretores da empresa, a auditoria fiscal considerou todos os valores pagos a título de assistência médica como salário de contribuição para o cálculo das contribuições previdenciárias, parte dos segurados, e como também não apresentou a discriminação dos custos individuais relativos ao benefício de assistência médica para se identificar com precisão a base de cálculo e o teto de contribuição, procedeuse ao lançamento das contribuições previdenciárias, parte do segurado, por arbitramento, na modalidade de aferição indireta, tomando como base os valores constantes da contabilidade na conta contábil 311010021 ASSISTÊNCIA MEDICA e as notas fiscais emitidas pelos prestadores de Fl. 403DF CARF MF 4 serviços de assistência médica, deduzindose os valores descontados em folha de pagamento relativos aos empregados da matriz e estabelecimentos os quais tiveram a extensão do benefício. O procedimento de Aferição Indireta tem fundamento legal no artigo 33, parágrafo 30 da Lei 8.212, de 24/07/91, que assim preceitua: "Art.33... § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário." (...) § 5° O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Para o arbitramento das contribuições previdenciárias relativas aos segurados aplicouse a alíquota de 8%, sobre os valores constantes da contabilidade na conta contábil 311010021 ASSISTÊNCIA MÉDICA. Abaixo estão relacionados os levantamentos que originaram o crédito tributário com a descrição da respectiva origem: "AM1 Assistência médica sem GFIP (até a competência 11/2008)", neste levantamento estão lançadas as contribuições previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre remunerações pagas aos empregados da empresa, a título de assistência médica, com competências até 11/2008. "AM2 Assistência médica sem GFIP (a partir da competência 12/2008)", neste levantamento estão lançadas as contribuições previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre remunerações pagas aos empregados da empresa, a título de assistência médica, com competências a partir de 12/2008. Da Multa Aplicada A Fiscalização constatou que a multa nos moldes da legislação atual, multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, resultou mais benéfica para o contribuinte, quando comparada com as multas previstas na legislação anterior, ou seja, 24% (multa de mora) acrescidos dos autos de infração CFL 68, CLF 69, nas competências de 01/2007 a 12/2008, inclusive 13 salário conforme planilha "Comparação das Multas". Cientificada da autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 308/350), que foi julgada improcedente pela DRJ/SDR, cuja decisão teve a seguinte ementa: Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10380.724690/201001 Acórdão n.º 2202004.590 S2C2T2 Fl. 403 5 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A descrição pormenorizada dos fatos geradores no Auto de Infração afasta a ocorrência do cerceamento do direito de defesa. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL E REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO. O Processo Administrativo Fiscal possui prazo para impugnação previsto na legislação, não podendo ser alterado pelos servidores da administração tributária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ASSISTÊNCIA MÉDICA. COBERTURA NÃO ATENDE À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. É devida a contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a assistência médicohospitalar quando não atendidas as condições previstas nas exclusões do art. 28, § 9 °, alínea "q", da Lei 8.212/91. VALOR MÍNIMO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. Está correto o procedimento da fiscalização ao aplicar a alíquota mínima na apuração da contribuição dos segurados, incidente sobre valores apurados na contabilidade, quando o contribuinte não apresentar discriminativo por segurado, apesar de devidamente intimado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/SDR em 08/10/2014. Inconformada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 06/11/2014 (efls. 379/394), alegando, em apertada síntese, o seguinte: · Nulidade da metodologia de apuração do crédito tributário, e necessidade de perícia para excluir os valores pagos indevidamente; · a isenção outorgada pelo art. 28, § 9º da Lei nº 8.212/91 deve ser considerada em relação a cada estabelecimento empresarial; · a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária sobre assistência médica. Por fim, pede a improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 405DF CARF MF 6 Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora Tempestiva a impugnação e presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dela tomo conhecimento. Das preliminares Nulidade da metodologia de apuração do crédito tributário Alega a recorrente que muitos segurados já recolhiam a quota parte da contribuição previdenciária pelo teto, e isso não foi observado pelo Auditor Fiscal, que aplicou a alíquota de 8% sobre o valores pagos a título de assistência médica. Não assiste razão à recorrente. Consta nos autos que a auditoria intimou o sujeito passivo a apresentar a relação de segurados com valores recebidos a título da verba referida e dos respectivos custos da empresa em relação a ela, com objetivo de aplicar as alíquotas a cada segurado, entretanto, além de ter apresentado apenas a relação dos segurados empregados da matriz e das filiais de Fortaleza e Salvador, não veio a discriminação dos custos por segurado, o que levou o Auditor Fiscal a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, § 3º da Lei nº 8.212/91, que no caso caberia à recorrente o ônus da prova em contrário, entretanto, ela não se incumbiu de tal intento, nem apresentou qualquer prova em sua peça impugnatória ou recursal a fim de desconstituir o afirmado pela fiscalização. Portanto, correta a atuação da auditoria nessa parte, não merecendo reforma o acórdão recorrido. Cabe ressaltar que o processo administrativofiscal de exigência de crédito tributário referente às contribuições previdenciárias é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a nulidade dos atos nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse aspecto, o Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, art. 2º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; art. 37 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; e art. 243 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172/66, não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. Necessidade de perícia para excluir os valores pagos indevidamente Em relação à solicitação de perícia, observo que, a sua realização, ou a de diligência, pressupõe que a prova não pode, ou não cabe, ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10380.724690/201001 Acórdão n.º 2202004.590 S2C2T2 Fl. 404 7 O Relatório Fiscal e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo Auditor Fiscal, a forma de apuração da base de cálculo, informando os valores e diferenças apuradas, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento, sem a realização de diligências ou perícia. Por isso, não vejo necessidade desses procedimentos, uma vez que o Auto de Infração apresenta todos os elementos necessários para formar a convicção do julgador. Ademais, não estão presentes os requisitos necessários ao pedido de diligência, ao teor do inciso IV e § 1º do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal PAF, assim, indefiroo por entendêlo prescindível à solução do litígio. Do mérito A isenção outorgada pelo art. 28, § 9o da Lei nº 8.212/91 deve ser considerada em relação a cada estabelecimento empresarial. Impossibilidade A recorrente alega que o termo "empresa" disposto na Lei Previdenciária deve ser entendido como "estabelecimento comercial", e a análise quanto à abrangência de assistência médica fornecida pela empresa, para fins da isenção deve ser feita por estabelecimento, uma vez que estes são autônomos. Não assiste razão à recorrente. O art. 28, § 9º, letra "q", da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, era claro em dispor que a assistência médica deveria abranger a totalidade de empregados da empresa. Quisesse a Lei dizer de outra forma, teria usado expressamente o termo estabelecimento, da forma que faz em outros dispositivos. Aliás em várias passagens tanto da Lei de Custeio quanto do Decreto nº 3.048/99, a referência à empresa é feita como o conjunto de seus estabelecimentos, senão vejamos: Lei nº 8.212/91 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; Art. 31. [..]. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos:(Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Fl. 407DF CARF MF 8 § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (Grifei) Decreto nº 3.048/91 Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; §9ºA folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: [...] §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Iatender ao princípio contábil do regime de competência; e IIregistrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (Grifei) Como se vê dos dispositivos transcritos, a Lei e o Decreto utilizam os termos "estabelecimento" e "empresa", de forma a diferenciar um do outro, Sendo o termo empresa mais abrangente, no qual está inserido estabelecimento. Ademais, o art. 15 da Lei nº 8.212/91 dispõe: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Por sua vez o Código Civil apesar de não definir expressamente o que seja uma empresa, faz uma definição de sociedade que guarda relação com a definição de empresa na Lei de Custeio: Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10380.724690/201001 Acórdão n.º 2202004.590 S2C2T2 Fl. 405 9 para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. (Grifei) Portanto, empresa é uma firma individual ou sociedade de pessoas que se obrigam mutuamente a contribuir com bens e serviços para o exercício de uma atividade econômica e compartilhar resultados. A empresa, enquanto sociedade, caso da recorrente, envolve a união de pessoas, que são sócios da empresa e não desmembrados por filial. A filial é apenas mais um dos meios de que dispõe a sociedade para atingir seu objeto social, é um daqueles muitos elementos que formam a empresa como uma universalidade que abrange seus estabelecimentos comerciais, nome, marca, prestígio, carteira de clientes, e sua visão perante estes e demais sujeitos com quem se relaciona. Dessa forma, o termo "empresa", do dispositivo de isenção jamais poderia ser interpretado como "estabelecimento comercial. Além disso, como bem asseverou o acórdão recorrido, interpretase literalmente a regra isentiva, nos termos do art. 111, inciso II, da Lei nº 5.172/66. Por isso, entendo que no caso não cabe a aplicação do inciso II do art. 127 da Lei nº 5.172, porque a questão em voga não é a determinação do domicílio tributário, mas como deve ser verificada a isenção, e, quando a regra isentiva se refere à empresa, a análise para esse gozo deve ser feita na empresa como um todo, incluindo todos os estabelecimentos. Pelo exposto, deve ser mantido o lançamento nessa parte, não cabendo reforma do acórdão recorrido. Contribuição previdenciária sobre assistência médica. Incidência nos termos de dispositivo legal vigente à época dos fatos geradores A recorrente alega não existir incidência de contribuição previdenciária sobre assistência médica, porque esta não tem natureza salarial. Não prospera o argumento da defesa. Em sentido contrário à essa alegação, melhor análise não poderia ser feita que a apresentada no voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, proferido no Acórdão nº 2401004.286, de 13/04/2016, que adoto como razões de decidir: Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. [...] Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo "remuneração" esposado pelos diplomas Fl. 409DF CARF MF 10 jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195,1, alínea "a", estabelece: Constituição Federal de 1988 Art 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a "folha de salários", propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos "demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício", parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontram se abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciarias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10380.724690/201001 Acórdão n.º 2202004.590 S2C2T2 Fl. 406 11 incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a "folha de salários", como também, sobre os "demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício". Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) Assim, a contar da EC nº 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no beneficio previdenciário do empregado. [...] A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei n° 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Fl. 411DF CARF MF 12 Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) [...] Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciarias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo "remunerações" encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o "total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título ". Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica Também denominada "Verbas de natureza Salarial". Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros, Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10380.724690/201001 Acórdão n.º 2202004.590 S2C2T2 Fl. 407 13 3 Benefícios Quase sempre denominados como "remuneração indireta". Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou "in natura", que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciarias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9o do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: [...] Portanto, no caso dos autos, considero que a recorrente deveria ter obedecido o disposto no art. 28, § 9º, alínea "q", da Lei n° 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, estendendo a assistência médica a todos os seus segurados, de todos os estabelecimentos da empresa, a fim de que pudesse gozar da isenção disposta na Lei. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 413DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.912168/2009-94
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE.
A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente
Numero da decisão: 1003-000.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes (relatora), que lhe deu provimento parcial para reconhecer o pedido formulado como saldo negativo de CSLL, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito pleiteado e efetue a homologação, ou não, do presente pedido de compensação. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carmen Ferreira Saraiva.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes (relatora), que lhe deu provimento parcial para reconhecer o pedido formulado como saldo negativo de CSLL, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito pleiteado e efetue a homologação, ou não, do presente pedido de compensação. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carmen Ferreira Saraiva. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 21 68 /2 00 9- 94 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11020.912168/200994 Acórdão n.º 1003000.099 S1C0T3 Fl. 84 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 12.37.063, de 5 de maio de 2011, da 1ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Cuida o presente processo de pedido de compensação (DCOMP) nº 10279.08713.051006.1.3.045940, o qual buscou compensar pagamento indevido ou a maior, com débitos próprios da contribuinte. A DRF, por meio de Despacho Decisório (fls. 06), ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada sob o argumento de que, "a partir do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 09 e 10, alegando que cometeu um erro de preenchimento da DCOMP, uma vez que informou como origem do crédito um pagamento indevido ou a maior, quando o correto é saldo negativa de CSLL para por estimativa referente aos anos de 2001 e 2002. No acórdão de nº 1237.063, o pedido da Recorrente foi julgado improcedente, conforme se depreende da ementa abaixo: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano calendário: 2002 RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca que, por equívoco, ao preencher a PER/DCOMP, informou ser a origem do crédito DARFs pagas indevidamente, de R$ 7.353,91, período de apuração 30/09/2002 pago em 31/10/2002 o qual fez parte da composição do crédito referente a saldo negativo de CSLL para por estimativa referente aos anos de 2001 e 2002. O correto deveria ter sido o preenchimento da PER/DCOMP informando a existência de crédito referente a saldo negativo de CSLL de R$ 19.783,26 referentes a 2001 e R$ 44.480,87 referentes a 2002. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11020.912168/200994 Acórdão n.º 1003000.099 S1C0T3 Fl. 85 3 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Tratase de procedimento de DCOMP não homologado em razão da insuficiência de crédito informado na declaração, haja visto já ter sido utilizado integralmente no pagamento de débitos da Recorrente. Ocorre que, como admitido pela Recorrente, a informação prestada na DCOMP estava incorreta, isso porque o valor indicado para ser compensado pela Recorrente, em verdade, seria o valor correspondente ao saldo negativo apurado nos ano calendário de 2001 e 2002 e informado em sua DIPJ (fls. 23 a 26). A questão posta cingese à inexatidão material quando do preenchimento da DCOMP. Concluise que, apesar da indicação erronea do tipo de crédito quando do preenchimento da DCOMP, isto é, apontando o saldo de pagamento indevido ou pagamento a maior, quando o correto seria saldo negativo, ainda persistiria o direito de crédito em seu favor. O equívoco de preenchimento em referência não impede o reconhecimento da compensação pleiteada, de tal sorte que uma vez comprovada a existência do crédito, é direito do contribuinte de efetuar sua compensação. Essa posição encontra amparo em outras decisões recentes desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme abaixo: Acórdão (Visitado): 1401002.521 Número do Processo: 13629.900730/201308 Data de Publicação: 07/06/2018 Contribuinte: FERMAG FERRITAS MAGNETICAS LTDA Relator(a): ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Anocalendário: 2011 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Acórdão: 1301002.878 Número do Processo: 13005.901307/200978 Data de Publicação: 04/06/2018 Contribuinte: AGRO COMERCIAL AFUBRA LTDA Relator(a): MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11020.912168/200994 Acórdão n.º 1003000.099 S1C0T3 Fl. 86 4 Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, bem como comprovada a existência do crédito tributário em sede de fiscalização, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Nos termos do art. 170 do CTN, para efeito de extinção do crédito tributário, a compensação deve ser autorizada por lei e os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos, vencidos ou vincendos. Acórdão: 1301002.642 Número do Processo: 10380.720580/201061 Data de Publicação: 01/11/2017 Contribuinte: M DIAS BRANCO S.A. INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS Relator(a): MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, bem como comprovada a existência do crédito tributário em sede de fiscalização, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A contribuinte apresentou DCOMP antes de ter iniciado qualquer procedimento fiscal, de tal sorte a extinguir o crédito tributário. Desse modo, devese aproveitar das benesses trazidas pela denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN. Nesse diapasão, não se pode afastar o princípio da verdade material no âmbito de decisões em processos administrativos fiscais. O Decreto nº 70.235/72 já prevê essa situação: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.(…) Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” O princípio da verdade material deverá subsidiar o processo administrativo, devendo a autoridade julgadora buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, podendo realizar as diligências que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo. Outrossim, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos no curso do processo. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11020.912168/200994 Acórdão n.º 1003000.099 S1C0T3 Fl. 87 5 Assim sendo, verificase ter havido equívoco material nos presentes autos, haja vista que restou comprovado através das DIPJs anexadas aos autos as alegações da Recorrente. Ocorre, porém, que é imprescindível para a análise do mérito neste processo que seja analisada a certeza e liquidez dos créditos indicados pela Recorrente, conforme determina o art. 170 do CTN. Em razão disso, e para evitar eventual usurpação de competência de autoridade administrativa, já que cabe à DRF de origem a análise e o pronunciamento a respeito do deferimento (ou não) de pedidos de restituição/compensação (arts. 57 e 63 da IN RFB 900/2008), entendo que o referido processo deve retornar à origem para que seja reanalisado considerando a ser a origem do pedido de compensação a existência de saldo negativo de CSLL anos calendário 2001 e 2002. Diante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o pedido formulado como saldo negativo de IRPJ, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito pleiteado e efetue a homologação, ou não, do presente pedido de compensação. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Voto Vencedor Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Com a devida vênia ao entendimento da Ilustre Conselheira Relatora abro divergência no que se refere a possibilidade jurídica de retificação do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) após a ciência do Despacho Decisório para alterar o direito creditório originalmente pleiteado de pagamento a maior, código 2484, para saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador,em conformidade com o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.912168/200994 Acórdão n.º 1003000.099 S1C0T3 Fl. 88 6 Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). A informação de que se o direito creditório se tratava de saldo negativo após a ciência do Despacho Decisório revestese de pedido de retratação de situação nova não passível de convalidação no presente momento, já que apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação de débito declarado. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo.Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.902298/2015-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 8%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 22 98 /2 01 5- 81 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13005.902298/201581 Acórdão n.º 1201002.184 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de IRPJ. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de IRPJ para o 1º trimestre/2011, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 8% para apuração da base de cálculo do IRPJ por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao 1º trimestre de 2011, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 07851.36958.030915.1.2.049950. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13005.902298/201581 Acórdão n.º 1201002.184 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, especificamente o seu artigo 15, § 1º, inciso III, alínea ‘a’ (redação alterada pela Lei 11.727/08), estabeleceu que a base de cálculo do imposto, que apuram sob o Regime de Apuração do Lucro Presumido, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pelo IRPJ sobre a base de 8% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pelo IRPJ sobre a base de 8% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13005.902298/201581 Acórdão n.º 1201002.184 S1C2T1 Fl. 5 4 Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 8%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para determinação do lucro presumido com base na alíquota no percentual de 8% é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13005.902298/201581 Acórdão n.º 1201002.184 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de IRPJ, relativo ao 1º trimestre/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13005.902298/201581 Acórdão n.º 1201002.184 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13005.902298/201581 Acórdão n.º 1201002.184 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13005.902298/201581 Acórdão n.º 1201002.184 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13005.902298/201581 Acórdão n.º 1201002.184 S1C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 230DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.000579/2009-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/01/2009
AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE.
A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível.
Numero da decisão: 3001-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/01/2009 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 05 79 /2 00 9- 37 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 146 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 125 a 139) interposto contra o Acórdão 1645.203, da 24ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, na sessão de julgamento realizada em 27.03.2013 (efls. 104 a 119), julgou procedente em parte a impugnação e, por consequência, manteve parcialmente o crédito tributário lançado de ofício. Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Relatório De acordo com a descrição dos fatos, a empresa autuada teria registrado a destempo, no sistema Siscomex, dados de embarque relativos a diversas Declarações de Exportação DDE, motivo pelo qual foi lavrado este auto de infração, para aplicação da penalidade prevista pelo Art. 107, Inciso IV, Alíneas “c” e “e”, do Decretolei n.º 37/66, cuja redação foi dada pelo Artigo 77 da Lei n.º 10.833/03, que apurou crédito tributário no valor de R$ 205.000,00. Tais ocorrências, verificadas na Alfândega do Porto de Santos/SP, foram identificadas através de auditoria realizada no sistema Siscomex Exportação, que apontou dados registrados fora do prazo legal, que seria de 07 (sete) dias, contados da data de embarque das mercadorias, conforme previsto pelo Artigo 37 da IN SRF 28/94, com a redação dada pela IN SRF 510/05. Afirmou ainda a fiscalização que nos despachos de exportação autuados a interessada figurou como transportadora, de acordo com o relatório de fls. 14 e 15 (eprocesso), que analisou 64 (sessenta e quatro) embarques realizados através de 41 (quarenta e um) navios, enumerados na tabela abaixo: N.º NAVIO DATA DE EMBARQUE Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 147 3 01 CAP ROCA VOY.EX01199 23.02.1999 02 CAP VERDE V.EX01599 15.03.1999 03 MONTEBELLO VOY.308N 19.03.1999 04 CAP ROCA VOY.EX02099 09.04.1999 05 CAP FINISTERRE V.EX03399 27.06.1999 06 ALIAN A EUROPA V.EX03599 05.07.1999 07 ALIAN A BRASIL V.EX00900 06.02.2000 08 MONTE ROSA VOY.NE01 11.12.2000 09 IYO VOY.19RA 16.10.2001 10 BARBAROSSA 05.10.2002 11 LOWLANDS PATRASCHE 01.12.2002 12 CAP POLONIO 26.12.2002 13 BARBAROSSA V.301K 29.12.2002 14 BARBAROSSA 20.03.2003 15 PATSY N VOY.308K 04.04.2003 16 BARBAROSSA VOY.310K 02.05.2003 17 CAP FINISTERRE V.213X 02.05.2003 18 MARWAN VOY.312K 29.05.2003 19 BARBAROSSA VOY.313K 12.06.2003 20 PATSY N 25.06.2003 21 MARWAN VOY.315K 10.07.2003 22 BARBAROSSA VOY.316K 24.07.2003 23 PATSY N VOY.317K 07.08.2003 24 ALIANCA BAHIA 27.08.2003 25 BARBAROSSA VOY.319K 05.09.2003 26 PATSY N VOY.320K 21.09.2003 27 ALIAN A BRASIL VOY.423X 27.09.2003 28 MARWAN VOY.321K 03.10.2003 29 MARWAN V.323K 01.11.2003 30 CSAV HONG KONG 06.11.2003 31 ZIM BUENOS AIRES V.43N3 15.11.2003 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 148 4 32 PATSY N VOY.324K 17.11.2003 33 CSAV YOKOHAMA 18.11.2003 34 CALAPALOS VOY.YP63 22.11.2003 35 CSAV MONTREAL V.14NA 02.12.2003 36 BE GAE BONG 04.03.2004 37 M/V SUNGREEN 15.03.2004 38 LAEMTHONG PRIDE 17.06.2004 39 LUCASTA 02.07.2004 40 STRANGE ATTRACTOR 31.07.2004 41 SANTA MARIA 25.10.2004 Cientificada do lançamento em 09.02.09 (fl. 19 do eprocesso), a interessada apresentou impugnação em 04.03.09 (fls. 20 a 97 do eprocesso). Alega que: 1. Não obstante a requerente não ser uma transportadora marítima, a fiscalização não anexou nenhum documento que comprove a infração apontada. Cita legislação. A não disponibilização dos documentos que levaram a autuação impossibilita o direito à ampla defesa assegurado constitucionalmente, o que determina a nulidade da autuação; 2. A fiscalização não anexou nenhum documento que comprove a infração apontada. Não se admite que a infração esteja desacompanhada dos elementos de prova, indispensáveis à comprovação do ilícito alegado. A não disponibilização dos documentos impossibilita o direito à ampla defesa, assegurado constitucionalmente. 3. Nos termos do § 4.º, do Art. 150, do Código Tributário Nacional CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação, será ela de 05 (cinco) anos. Expirado esse prazo extinguese o crédito tributário a contar do fato gerador, no caso, a partir da data de embarque de cada navio, e não no dia em que a informação foi prestada. Por conseguinte, impõese a declaração de extinção do crédito tributário, na forma do Art. 156, V, do CTN, com relação as multas aplicadas aos navios embarcados antes de 09.02.04. Apresenta relação de embarques decadentes; 4. Assim, 35 (trinta e cinco) dos 41 (quarenta e um) navios embarcados devem ser excluídos de penalidade, o que reduziria a multa aplicada de R$ 205.0000,00 para R$ 30.000,00; 5. Consoante se observa nos autos de infração formalizados pelos processos administrativo n.º 11128.009347/200863 e 11128.10013/200832, esta mesma requerente já fora autuada Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 149 5 pelo atraso nas informações prestadas com relação a diversos navios, portanto, teria ocorrido autuação em duplicidade exatamente do mesmo fato imponível, o que, evidentemente, não se pode admitir. Apresenta a relação de embarques que supostamente teriam sido autuados em duplicidade; 6. Na qualidade de agente marítimo não responde pelas obrigações tributárias do seu representado, portanto, a requerente não é parte legítima para figura no pólo passivo da autuação. Logo, o entendimento adotado pela fiscalização é equivocado, uma vez que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária, e nem se equipara ao transportador. Cita legislação, julgados e súmula de tribunal federal; 7. Entendeu a fiscalização que a conduta da requerente caracteriza a infração descrita na Alínea “c”, Inciso IV, do Decretolei n.º 37/66, entretanto, não apontou qual foi embaraço ou impedimento causado, já que essa é a conduta descrita na norma para impor a penalidade ora combatida. O atraso eventualmente verificado, todavia, não quer dizer que a requerente tenha criado embaraço, dificultado ou impedido ação da fiscalização. A requerente não deixou de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, mas apenas o fez com atraso. Cita julgamento administrativo; 8. Afirma que a multa prevista pela Alínea “e”, Inciso IV, Art. 107, do Decretolei n.º 37/66, só pode ser aplicada à empresa de transporte internacional, à prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga, não há, na espécie, tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. A referida multa não pode ser aplicada ao agente marítimo, nem tampouco a este pode ser estendida a solidariedade passiva, por absoluta falta de previsão legal; 9. Como reconhecido pela fiscalização, as DDE mencionadas no auto de infração foram inseridas no Siscomex antes do início do procedimento fiscal, portanto, não se pode falar na aplicação de multa, já que a denúncia espontânea exclui o pagamento de qualquer penalidade, nos termos do Art. 138 do CTN; 10. A autuação em questão decorre de uma série de infrações da mesma natureza, por isso, devem ser consideradas como infração continuada para aplicação da penalidade cabível. Isto porque todas as infrações apontadas como cometidas pela requerente, na verdade, correspondem a uma só infração, praticada de forma continuada, que deve ser penalizada tão somente mediante aplicação de uma única multa no valor de R$ 5.000,00, e não pela aplicação de diversas multas isoladas oriundas do mesmo fato repetido. Cita o Artigo 71 do Código Penal, doutrina e julgados dos tribunais federais; 11. A inclusão no Siscomex dos dados de embarque pelo agente marítimo depende das informações prestadas pelo exportador. Na situação dos autos, é fácil constatar que a não Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 150 6 tempestividade se deu por fatos alheios à vontade da impugnante, já que inúmeras vezes os exportadores passam dados incorretos, o que exige a retificação destes, circunstância que vem a corroborar a boafé da recorrente, já que não houve nenhum prejuízo ao erário. Cita julgados dos tribunais federais e do Conselho de Contribuintes; 12. Ao final, requer o apensamento dos presentes autos aos processos administrativos n.º 11128.009347/200863 e 11128.010013/200832, para que as infrações autuadas em duplicidade sejam julgadas uma única vez, e que seja dado provimento a impugnação, declarandose a nulidade, improcedência ou a decadência do lançamento, cancelandose a multa aplicada. Caso assim não entenda os julgadores, que seja aplicada uma única multa, no valor de R$ 5.000,00, caso se observe a continuidade das infrações anotadas. Posteriormente, em 05.10.2010, de forma voluntária e intempestiva, a interessada apresentou as seguintes novas razões de impugnação (fls. 101 a 103 do eprocesso): A . O procedimento fiscal só foi iniciado após a requerente prestar as informações devidas, circunstância que caracteriza a denúncia espontânea; B. A Medida Provisória MP n.º 497, de 27.07.10, publicada no DOU n.º 143, edição de 28.07.10, alterou o § 2.º, do Art. 102, do Decretolei n.º 37/66. Cita legislação; C. Reconhece a nova lei que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Este dispositivo aplicase a todos os fatos pretéritos, é o que dispõe o Art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. Cita legislação; D. Portanto, o auto de infração ficou prejudicado, desta forma, ao teor do § 2.º, do Art 102, do Decretolei n.º 37/66, combinado com o Art. 106 do CTN, impõese que seja julgado improcedente o lançamento fiscal, seja determinada a baixa de sua cobrança, e o arquivamento deste processo administrativo. Da ementa da decisão de primeira instância Com a apresentação da manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 24ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/01/2009 Multa pelo registro extemporâneo de dados de embarque no sistema Siscomex. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria se deu após decorrido o prazo de 07 (sete) dias, contados a partir do embarque da carga, conforme previsto pelo Artigo 37 da IN Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 151 7 SRF 28/94, com a redação dada pela IN SRF 510/05, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo Artigo 107, Inciso IV, Alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo Artigo 77 da Lei 10.883/03. Agente marítimo atuando como representante do transportador estrangeiro. Responsabilidade por infração. Legitimidade passiva. Responde pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática, nos termos do previsto pelo Artigo 95, Inciso I, do Decretolei n.º 37/66. Decadência. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente de infrações à legislação aduaneira extinguese após cinco anos contados da data da infração, nos termos dos Artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/66. Denúncia espontânea. Nos termos do Artigo 102, § 1.º, do Decretolei n.º 37/66, não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, que no caso de exportação iniciase com o protocolo da respectiva declaração, de acordo com o disposto pelo Art. 10 da IN SRF 28/94, e encerrase com a averbação do embarque, que ocorre após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, conforme disposto pelo Artigo 46 da mesma Instrução Normativa. Infração continuada. Incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. No caso de embarques diferentes, há mera reiteração da conduta infracional. Apensação de Processos. Rejeitase pedido da interessada de apensação de processos, sob pretexto de duplicidade de autuação, visto que cada um deles deve seguir rito próprio. Não há que se falar em prejuízo da mesma, já que o julgador dispõe de meios para resolver eventuais conflitos, inclusive a conversão do julgamento em diligência, nos termos do que estabelece o Art. 35 do Decreto n.º 7.574/11. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do recurso voluntário Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 152 8 Inconformado com a decisão da 24ª Turma da DRJ/SP1, o contribuinte interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, trouxe à discussão os temas/pontos abaixo. II EXCLUSÃO DA PUNIBILIDADE FATO NOVO Denúncia Espontânea Retroatividade Benigna Lei 12.350/2010 alterou o parágrafo 2º, do art. 102, do DecretoLei 37/66 Alega que na espécie o procedimento fiscal só foi iniciado após a inserção das DDE/SDe no "Siscomex", circunstância que caracteriza, a seu ver, a denúncia espontânea que impôs a presente exigência fiscal. Nesse passo, com a vigência da Medida provisória 497 de 27.07.2010, transformada na Lei 12.350 de 2010, que alterou a redação do parágrafo 2º, do artigo 102, do Decretolei 37 de 1966, referida norma reconheceu que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente o caso sob apreço. Devendo, portanto, tal regramento, retroagir para alcançálo, de acordo co o disposto na alínea "a", do inciso II do artigo 106, do Código tributário Nacional, por tratarse de exclusão de punibilidade. Restando, por fim, prejudicado o presente Auto de Infração. III AUSÊNCIA DE TIPICIDADE LEGAL Assevera que a norma é extremamente clara e que o legislador excluiu o agente marítimo do rol daqueles imputáveis pela presente penalidade, pois, quando quis fazê lo, o fez expressamente, como observase do teor do artigo 32 Decretolei 37 de 1966, em relação à solidariedade ao pagamento do Imposto de Importação, situação distinta do presente processo, por tratarse de uma obrigação tributária acessória, não podendose ampliar o alcance da norma para albergar hipóteses que a lei não previu. Logo, "não há embasamento legal para sua autuação, tendo em vista que o dispositivo legal que serviu de base para a aplicação da multa em discussão só pode ser aplicado ao (i) transportador internacional, a (ii) prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta e/ou ao (iii) agente de carga". IV INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO AGENTE MARÍTIMO Aduz que a não responsabilização do agente marítimo, inclusive, é matéria já sumulada pelos tribunais, consoante proclamado pela Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. V INFRAÇÕES IDÊNTICAS APLICAÇÃO DA TEORIA DA INFRAÇÃO CONTINUADA Defende que, ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, a presente autuação decorre de infrações da mesma natureza, praticadas no período de abril a dezembro de 2004, devendo, por conseguinte, ser consideradas como infração continuada, para aplicação da penalidade cabível, correspondente, na verdade, a um só infração, praticada de forma continuada, devendo, portanto, ser penalizada tãosomente mediante a aplicação de uma única multa, limitada ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), posto que até na esfera do direito penal, a sequência de ações idênticas é considerado um único delito, cometido de forma continuada, conforme expressamente prevê o artigo 71 do Código penal. Aliás, é também neste sentido o entendimento da RFB, consubstanciado na Solução de Consulta SRFB Interna 8 de 14.02.2008, que trata das regras para aplicação do artigo 37 da IN/SRF 28 de 27.04.1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 153 9 Colaciona jurisprudências. Portanto, pede que seja reformada a decisão recorrida, julgandose improcedente o presente lançamento fiscal. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 10.09.2013 (efl. 113), que posteriormente foi distribuído para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, e na forma regimental, sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado na Alfândega do Porto de Santos em 07.05.2013, conforme depreendese da chancela gravada na "Folha de Rosto" da respectiva peça recursal, após ciência no dia 12.04.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efls. 123/124), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do litígio É ponto incontroverso que os dados de embarque em apreço foram inseridos no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) em prazo superior a sete dias, conforme planilha que acompanha o presente Auto de Infração data dos fatos geradores: 12.03.2004, 23.03.2004, 25.06.2004, 10.07.2004, 08.08.2004 e 02.11.2004. O litígio cingese, portanto, aos seguintes pontos: a1) ilegitimidade passiva do recorrente e, complementarmente, a2) impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal; b) excludente de responsabilidade, por denúncia espontânea da infração, notadamente em razão da alteração legal promovida pela Lei 12.350 de 2010; e c) adoção da tese infração continuada, por se tratar de infrações da mesma natureza. Da preliminar de ilegitimidade do agente marítimo Para o recorrente, o agente marítimo não é considerado responsável tributário, uma vez que não pode ser equiparado ao transportador para efeito da Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 154 10 responsabilização tributária, porque esta atribuição não se aplica à natureza de sua atividade de mandatária. Para tanto, cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que possui o seguinte verbete: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966, bem como outras jurisprudências. Em vista disso, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário para cancelamento do auto de infração. De plano, conforme se demonstrará a seguir, não lhe assiste razão neste tópico preliminar. Dispõe o artigo 32 do Decretolei 37 de 18.11.1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (grifei) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei 2.472 de 1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória 2.15835 de 24.08.2001. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 155 11 Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifei) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) A respeito da legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro, citese a decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção do STJ, DJE de 14/12/2010, em sede de recurso repetitivo, que assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472 de 1988 (que alterou o artigo 32, do Decretolei 37 de 1966), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do Decretolei 2.472 de 1988 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Em decorrência do exposto, o Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Consignase, por fim, que para os dois primeiros argumentos tecidos pelo recorrente em seu voluntário, este E. Tribunal em inúmeros precedentes idênticos ao caso concreto já teve a oportunidade de se manifestar, mantendo as autuações, dentre outros, citese os acórdãos 3401003.883, 3401003.882, 3401003.881, 3401002.443, 3401002.442, 3401 002.441, 3401002.440, 3102001.988, 3401002.357, 3401002.379, 3302002.733, 3802 003.962, 3403003.252, 3802001.127 e 3302002.732. Por economia, cito apenas a primeira parte da ementa do acórdão 3301 002.972, cujo julgado ocorreu em 17.06.2016, verbis: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 156 12 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. (...) Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado. É também nesse sentido o Acórdão 9303003.276, da 3ª Turma da Câmara Superior, cujo julgado ocorreu já em 05.02.2015, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Afastase, portanto, esta contestação preliminar, feita subliminarmente quando da argumentação da matéria tratada no tópico imediatamente a seguir. Da impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal Esclareçase, que embora o tema agora abordado ser concorrente ao tratado no tópico anterior ilegitimidade passiva do agente marítimo, em homenagem ao pleno direito de defesa, procederseá a breves considerações sobre referida temática. O enquadramento legal da infração praticada pelo recorrente é a alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, que assim dispõe, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 157 13 No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pelo recorrente, não sendo, portanto, objeto de contenda. Apenas em reforço, sabese que o agente marítimo, na qualidade de representante do transportador estrangeiro, no país, por força do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, responde pela infração consistente na prestação de informações sobre embarques de exportação, no SISCOMEX, fora do prazo, sendo legitimado sujeito passivo a figurar na presente exação fiscal. Conforme também já abordado no tópico anterior, a conduta do recorrente está enquadrada de forma correta, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração, logo, não acode o direito ao recorrente, haja vista que prevista a obrigação de informar em prazo definido os embarques de exportação no sistema próprio e não observada a temporalidade da informação plenamente cabível a infração prescrita na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, consoante o qual é aplicável a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), àquele que deixa de prestar informação sobre carga ou sobre as operações que execute, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga. Neste contexto, portanto, não há falar em inaplicabilidade da penalidade em comento, sob a equivocada alegação de falta de tipicidade legal, por suposta inimputabilidade dos agentes marítimos. Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, melhor sorte também não assiste ao recorrente, porque, como veremos, a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar o por quê de a penalidade ora objetada não comportar o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 158 14 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 159 15 conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 160 16 LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 161 17 cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, é de relevo destacar que a presente situação envolve operações de exportação cujos dados foram obtidos junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO. O Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, conforme artigo 2º do Decreto 660 de 25.09.1992. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como um dos órgãos gestores do Siscomex é responsável pelas áreas aduaneira e tributária, assim, a fiscalização no âmbito de sua competência objete os dados junto ao referido sistema. Para contextualizar a situação fática, observese que toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada, está sujeita a despacho de exportação, com as exceções estabelecidas na legislação específica. (RA/2002, artigo 520) e (RA/2009, artigo 581). Em geral, o despacho de exportação será processado por meio de Declaração de Despacho de Exportação (DDE), registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), tendo a si vinculados um ou mais Registros de Exportação (RE). Assim, constatase da planilha elaborada pela autoridade lançadora, como fundamento a exação em discussão, que os dados obtidos pela fiscalização junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO foram prestados pelo próprio recorrente, já que é também, como interveniente, usuário do sistema e responsável pelos dados do embarque das mercadorias, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, contemplam as informações necessárias para a individualização dos dados referentes aos embarques remanescentes; ou seja, aqueles que não foram atingidos pelo decurso do prazo fatal, como corretamente abordado na decisão recorrida. Portanto, sabedores que tais processamentos de embarques são determinantes para propiciar o desembaraço aduaneiro das respectivas mercadorias e, por consequência, procede à conclusão dos despachos de exportação (DDE's), não há como prevalecer a hipótese do recorrente para adotarse a tese da denúncia espontânea da infração prevista no artigo 138 do CTN. Isto por que, como já salientado, em se tratando de penalidade aduaneira, a denúncia espontânea possui tratamento específico. Com efeito, reproduzse os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 162 18 no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o recorrente prestou extemporaneamente as informações exigidas e, por óbvio, antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias/cargas descritas nos respectivos despachos de exportação; isto porque tal procedimento desembaraço aduaneiro somente é passível de perfectibilizarse depois de prestadas as informações que estavam sob a responsabilidade do agente marítimo ora autuado. Da hipótese da tese da infração continuada Da adoção da decisão recorrida Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf vigente: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 163 19 I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Verificado que o recorrente não apresentou novas razões de defesa perante este Colegiado, com amparo no permissivo regimental acima reproduzido, valhome das razões de decidir contidas no acórdão recorrido, para dar início às contraargumentações aos questionamentos reapresentados, neste tópico, na peça recursal, cujo voto condutor reproduzo abaixo: Voto (...) Relativamente à alegação de que deverseia aplicar as penalidades em questão apenas uma única vez, tendo em conta uma interpretação análoga à figura do crime continuado, previsto no Art. 71 do Código Penal, a cautela recomenda que não se confunda uma ficção jurídica criada no direito penal brasileiro com a caracterização de uma infração administrativa. Não obstante, mesmo na esfera criminal doutrina e jurisprudência distinguem a figura do chamado “crime continuado” da mera reiteração delitiva, hipótese em que os crimes subseqüentes não resultam do aproveitamento das condições objetivas da prática dos delitos anteriores, a teor da exegese veiculada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal no HC 71.019/SP (Rel. Min. Paulo Brossard j. em 18.10.94 DJ de 19.12.94, p. 35182), verbis: ‘Habeas Corpus’. Pedido de unificação de penas relativas a doze condenações por delito de roubo. Indeferimento pelo Tribunal. Reexame pela via do "habeas corpus", HC 68.864 e HC 69.224. Caráter excepcional da unificação. Mera reiteração de pratica criminosa. Configuração que Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 164 20 não prescinde do concurso, necessário e essencial, de outros elementos e fatores, de ordem objetiva, referidos pela lei. Crimes subseqüentes que não resultavam do aproveitamento das condições objetivas da pratica dos delitos anteriores. Inexistência das condições objetivas: tempo, lugar e maneira de execução. Atos isolados, independentes, sem seqüência ou continuidade. Variação constante de comparsas. Ausência de homogeneidade ou uniformidade nas ações criminosas e nos desígnios do paciente. Continuidade não caracterizada, HC 68.124. Reiteração criminosa por quem faz do crime de roubo meio de vida. Descabe o beneficio da continuidade delitiva, em se tratando de pratica habitual e reiterada do crime: HC 68.626, HC 69.899, HC 69.059". Com efeito, no caso da infração administrativa em comento, a interessada não foi penalizada tendo em conta a quantidade de dados de embarque que deixaram de ser informados no carregamento de um determinado navio, pelo contrário, nos termos das conclusões firmadas pela Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/08, anteriormente reproduzida, foi aplicada uma única multa por embarque, no valor de cinco mil reais, independentemente do número de cargas que deixaram de ser informadas em cada um dos embarques autuados (continuidade). Já com relação aos embarques ocorridos ao longo do ano de 2004, não há que se cogitar a tese da infração continuada, mas reiteração da conduta infracional, observando tratarse de embarques distintos, ocorridos em diversas datas e realizados por diferentes navios. (...) Do prosseguimento da fundamentação Continuando a enfrentar as razões de recorrer do autuado, quanto a aplicação da "teoria da infração continuada", devese, de plano, asseverar que o direito tributário adota o critério objetivo previsto no artigo 136 do Código Tributário Nacional CTN e, portanto, a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. Logo, a gradação da penalidade, levando em conta a existência de infração continuada, presente no artigo 71 do Código Penal, não tem aplicabilidade na seara tributária. Demais disso, inexiste dispositivo semelhante no referido código CTN prevendo a possibilidade de unificação de multa em razão da continuidade da ilicitude cometida pelo contribuinte. Observase que nem mesmo a aplicação do Código Penal seria possível haja vista que as condutas de deixar de prestar informações, no prazo regulamentar, sobre os dados de embarques de mercadorias destinadas ao exterior são independentes e autônomas, tanto que o fato de o infrator deixar de cumprir a referida obrigação acessória no prazo legalmente estipulado para uma determinada embarcação não tem qualquer influência nos dados de embarque de outro, in casu, navio. Observese inclusive que, no caso sob exame, sequer o período da apuração é contínuo, uma vez que as lavraturas sob discussão referemse tão somente as operações realizadas relativamente aos dados de embarques e navios, cujos fatos geradores reportamse aos dias 12.03.2004, 23.03.2004, 25.06.2004, 10.07.2004, 08.08.2004 e 02.11.2004. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 165 21 Assim, não resta dúvida de que a multa deve ser aplicada de forma individualizada, por navio, conforme assentado no auto de infração, em absoluta submissão ao previsto na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, que impõe a incidência de multa pecuniária no valor de cinco mil reais para quem, estando legalmente obrigado, "deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Da conclusão Dessa forma, evidenciada a legitimidade passiva do recorrente, demonstrada a infração praticada e a correta aplicação da penalidade ora objurgada, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, para rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721262/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Segundo entendimento emanado do STJ em sede de recurso repetitivo, nos autos do Resp n.° 1140956, descabe o lançamento quando ocorrido o depósito em montante integral.
Numero da decisão: 2201-004.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Segundo entendimento emanado do STJ em sede de recurso repetitivo, nos autos do Resp n.° 1140956, descabe o lançamento quando ocorrido o depósito em montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negaram provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 62 /2 01 3- 91 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 585 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 1451.838 10a Turma da DRJ/RPO, que julgou procedente em parte a sua impugnação. Adoto o relatório do acórdão recorrido por sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de ação fiscal desenvolvida no contribuinte acima identificado que redundou na lavratura do Auto de Infração AI/DEBCAD n° 51.011.1483, lavrado em 08/11/2013 no importe de R$ 3.106.379,16 (Três milhões, cento e seis mil, trezentos e setenta e nove reais e dezesseis centavos) e constitutivo da contribuição devida à Seguridade Social, quota patronal incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, para o custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientas do trabalho (SAT/RAT). Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, tratase de constituir a diferença de contribuição relativa à alíquota aplicada decorrente do enquadramento e recolhimento formulado pelo contribuinte, que se considerou como atividade de risco leve (alíquota de 1%), para aquela prevista pela legislação de regência como sendo atividade de risco grave (alíquota de 3%). Ainda segundo reportado, existe processo judicial em que o contribuinte discute a majoração da alíquota referente ao grau de risco de acidente de trabalho e constatou se a existência de depósitos judiciais integrais efetuados pelo contribuinte, sucessivos e tempestivos, com relação aos fatos aqui apresentados. Isto posto o crédito foi constituído sem a incidência dos juros de mora e da multa de ofício, consignandose que sua executoriedade encontrase suspensa pelo depósito do montante integral da parte controversa, hipótese veiculada no inciso II do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Tece mais considerações típicas do feito. O Contribuinte, irresignado, impugna o lançamento fiscal sustentando que o lançamento seria dispensável, em face de que o crédito já se encontrar constituído pelo depósito judicial, citando a doutrina de Leandro Paulsen em apoio à sua tese e citando julgados; noutra linha, aduz que o lançamento tal qual feito viola os princípios da eficiência (uma vez que estaria fadado ao cancelamento) e da finalidade, uma vez que as circunstâncias fáticas não se coadunam com a aplicação da lavratura para prevenção da decadência, pela razão de que o crédito já havia sido constituído pelos depósitos judiciais existentes. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 586 3 Noutra linha argumentativa, reputa ilegal as alterações veiculadas pelo Decreto n° 6.042/2007, que alterou a alíquota da contribuição para o SAT, majorandoas, sem que fossem divulgados os elementos capazes de justificála, posto que não está calcada em fatos ou dados estatísticos fidedignos. Faz então breve digressão em torno da contribuição em testilha correlacionandoa com os benefícios previdenciários para concluir da importância da origem da causa incapacitante do trabalhador e a sua confluência com o princípio da referibilidade, uma vez que tal contribuição se configura como o seguro instituído para fazer frente a essas indenizações em razão de acidentes do trabalho. Menciona, também, o princípio do equilíbrio financeiro e atuarial, posto que é da natureza do seguro que aquele que concorre com maior risco de sinistro contribua mais no seu custeio, isso tudo para insurgirse frente a majoração havida de 1% para 3% promovida pelo Decreto acima mencionado, sem que houvesse a devida comprovação do aumento do número de acidentes do trabalho ocorridos no período. Acrescenta que as informações estatísticas fornecidas somente levam em conta o número de acidentes do trabalho ocorrido em cada atividade econômica (freqüência), sem trazer os índices do custo e da gravidade dessas ocorrências, dados que considera imprescindíveis, em atenção ao princípio suso mencionado. Noutro giro, mas no mesmo sentido de combater a majoração da alíquota, afirma que houve uma modificação na sistemática de imputação das ocorrências, posto que presumiuse a ocorrência infortunística pela introdução do conceito de nexo técnico epidemiológico, pela inclusão do § 3° ao art. 337 do Decreto n° 3.048/99, cuja averiguação independe da causa que originou o acidente. Por fim, reputa indevida a inclusão dos Diretores no Relatório de Vínculos, posto que a imputação de responsabilidade em relação a quitação de débitos não é imediata e depende da comprovação de determinados requisitos disciplinados pelo art. 135, III do CTN, inexistindo provas, nos autos, de que teriam incorrido em tais condutas. Posto nesses argumentos, requer o cancelamento do Auto de Infração combatido, bem como que conste expressamente no julgamento da Impugnação que não serão indicados, em eventual Certidão de Dívida Ativa, os nomes dos Diretores descritos nos relatórios de vínculos. É a síntese do necessário ao julgamento. A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial do montante da contribuição devida não impede a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 587 4 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O prazo decadencial corre célere, sem interrupções ou suspensões, de sorte que mesmo ao abrigo de causa suspensiva de sua exigibilidade é cabível o lançamento fiscal para constituição de crédito tributário, visando a prevenção da decadência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1a instância nas situações expressamente previstas na legislação. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento com o mesmo objeto de demanda administrativa, importa em renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa. Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo este último terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal o Anexo ‘Relatório de Vínculos’, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. Cientificado do acórdão da DRJ em 26/09/2014, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 27/10/2014, reiterando os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 588 5 Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Depósito do montante integral desnecessidade do lançamento O ponto nodal da presente lide tributária diz respeito à necessidade de se efetuar o lançamento para prevenir a decadência, estando a exigibilidade do crédito tributário suspensa pelo depósito do montante integral perpetrado nos autos de ação judicial, em que se discute a diferença da alíquota do GILRAT. É fato incontroverso que não há diferença entre o valor depositado e o valor que o Fisco entende devido, tendo sido o lançamento efetuado com o fito único de se prevenir a decadência. O lançamento para prevenir decadência está disciplinado no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. não caberá lançamento de multa de ofício. § 1° O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Depreendese da leitura do dispositivo legal supra que só há remissão a duas das modalidades de modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário tratadas pelo art. 151 do CTN, que são a concessão de medida liminar em mandado de segurança e a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. Assim, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, esse lançamento é desnecessário, uma vez não há fluência do prazo decadencial. A doutrina e a jurisprudência do STJ acerca da matéria convergem para o entendimento da dispensa do crédito tributário para prevenir a decadência, nos casos de depósito do montante integral no exato valor do crédito tributário, ou seja, sem diferença apurada pelo Fisco. Esta Turma julgadora teve a oportunidade de se debruçar sobre o tema, através do voto da Conselheira Dione Jesabel Wasilewski, no acórdão nº 2201004.386 2a Câmara / Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 589 6 1a Turma Ordinária, que de forma didática traçou os contornos doutrinários e jurisprudenciais acerca da matéria, acrescentando Parecer da PGFN tratando do tema. O referido acórdão, cujos excertos abaixo utilizo como minha razão de decidir, se inicia com o artigo do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, Igor Rosado do Amaral, então julgador da DRJ Fortaleza, intitulado: possibilidade de dispensa do lançamento tributário para prevenir decadência nos casos de depósito do montante integral: Nesse sentido, transcrevo do texto intitulado "Possibilidade de dispensa do lançamento tributário para prevenir decadência nos casos de depósito do montante integral", de Igor Rosado do Amaral (<http://www.ambitojuridico.com.br/site/?n_link=revista_artigo s_leitura&artigo_id=16096> acesso em 07/12/2017): Predomina doutrinariamente o entendimento de que o lançamento para prevenir decadência, consubstanciado no art.63 da Lei n° 9.430/96, já apresentado, não se aplica à hipótese de existência do depósito integral, conforme explica Machado (2008, p. 187): “A interpretação literal do art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional nos leva a entender que o depósito é um meio para suspender a exigibilidade do crédito tributário, que pressupõe tenha havido o lançamento. Na verdade, porém, o depósito suspende também a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado dos tributos nos casos em que esse pagamento antecipado seja legalmente determinado, vale dizer, em relação aos tributos submetidos ao lançamento por homologação, disciplinado pelo art. 150 do Código Tributário Nacional. Assim, mesmo sem existir o crédito tributário cuja exigibilidade deva ser suspensa pelo depósito, este é possível e tem o efeito de suspender a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado. O depósito suspende a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado e assume o lugar deste para ensejar a homologação, expressa ou tácita, da atividade desenvolvida pelo sujeito passivo na apuração do respectivo montante. Feito o depósito, a autoridade geralmente é chamada a se manifestar sobre o mesmo, e, se concorda com o valor correspondente, essa concordância opera a homologação da atividade apuratória, consumandose, desta forma, o lançamento. Assim, não se cogitará mais de decadência. [...]Uma vez efetuado o depósito, em relação ao valor correspondente não se há de cogitar mais de decadência, nem de prescrição. É que o depósito enseja o lançamento pela simples homologação, expressa ou tácita. E torna inteiramente sem sentido a ação de execução, porque, se a decisão final na ação em cujo âmbito tenha sido realizado for favorável à Fazenda Pública, a conversão do depósito em renda desta extinguirá o crédito tributário respectivo.” (grifo nosso) Esta posição é corroborada, com base em análise jurisprudencial, por Schoueri (2012, p. 1.199), que acrescenta: Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 590 7 “Embora a sistemática do Código Tributário Nacional faça crer que sem o lançamento inexiste crédito tributário, a jurisprudência tem visto tal formalidade como desnecessária, afirmando que o débito declarado prescinde de um lançamento para que se efetue a cobrança. Ou seja: se o contribuinte declarou que deve um tributo, mas não o pagou no vencimento, a Administração pode inscrever o débito em dívida ativa e cobrá lo, inclusive em juízo, sem que precise, antes, efetuar um lançamento.” Ainda que o depósito do montante integral não seja pressuposto para a discussão da existência da obrigação tributária, ou da relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, este ocorre, geralmente, quando o contribuinte pretende declarar inconformidade, seja judicial, seja administrativa, em relação à exigência, diante do que se manifesta Coelho (2002, p. 85): “Em tais circunstâncias a cautela requerida ao juízo, garantindo com o depósito da quantia litigada, é sempre para que a Fazenda Pública se abstenha dos atos de lançamento ex officio enquanto durar a lide e até que seja resolvida pela prolação de um julgado irrecorrível. Na hipótese de a Fazenda sair vencedora, o depósito se converte em renda (art. 156, VI do CTN), extinguindose o crédito tributário pertinente, sem que tenha havido lançamento, evidentemente desnecessário, porquanto a juridicidade do crédito já foi declarada pelo Poder Judiciário, revisor da lei fiscal e dos atos tributários da Administração.” E, na mesma linha, Paulsen (2013, p. 2.475): “Em face de o depósito ficar vinculado, legalmente, à decisão final, estando, desde o início, vocacionado à conversão em caso de não restar o contribuinte vencedor, só será necessário o lançamento se o Fisco pretender montante superior ao que foi depositado. Não haverá que falar em decadência, pois o depósito supre a necessidade do lançamento. De fato, já tendo o contribuinte apurado o montante devido e o vinculado ao resultado da demanda mediante o depósito, não há que se exigir o lançamento, que nenhuma função teria. [...] No prazo decadencial, deve ser constituído o crédito tributário pelo lançamento ou ser o crédito formalizado de outro modo, dispensando a realização do lançamento: declaração do débito, confissão para fins de parcelamento, depósito do montante do crédito etc. (grifo nosso).” Este é também o entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 591 8 DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: ”Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida.” 4. Recurso especial não provido. Os fundamentos para essa decisão podem ser extraídos do voto do Ministro Mauro Campbel Marques no Acórdão n° 1.008.788/CE: Quanto ao mérito, sem razão a recorrente, pois a jurisprudência deste STJ firmouse no sentido de que, nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão do crédito tributário, promoveu a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso, porque verificou a ocorrência do fato gerador, calculou o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, depositou a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário foi constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Destarte, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendese que o crédito foi constituído pelo contribuinte quando do depósito da quantia apurada, não havendo necessidade, portanto, de ato formal de lançamento por parte da autoridade. Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 592 9 pagamento pode ser substituída pelo depósito, que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou ser restituído ao sujeito passivo. Também merece registro o Parecer PGFN/CAT/N0 941/2007, que revisou o Parecer CRJ n° 1.064/93, ao tratar da necessidade de lançamento na hipótese de depósito integral do valor em litígio: O posicionamento a ser revisado entendia que “colimandose o preceito do art. 151 do Código Tributário Nacional, em relação ao disposto no art. 62 do Decreto n° 70.235/72, resulta que a autoridade fiscal, diante de medida liminar em Mandado de Segurança, ou ante o depósito integral do montante em litígio, em procedimento cautelar, deve efetuar o lançamento tributário, abstendose, contudo, de qualquer medida, em relação ao sujeito passivo, que vise constrangêlo ao pagamento”. Com base nisso, os contribuintes vinham alegando que nos casos em que efetuavam o depósito do montante discutido, e ao final a Fazenda Nacional saía vitoriosa, não seria possível a conversão em renda da União se a autoridade tributária não tivesse lançado o tributo no prazo legal. Assim sendo, o entendimento do Parecer PGFN/CRJ n° 1.064/93 vinha prejudicando a argumentação defendida pela PGFN em juízo. A diferença básica entre o antigo parecer da PGFN e as recentes decisões do STJ é que nestas foi trazida para a discussão a situação peculiar dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Apesar de a lei ser expressa quanto à competência privativa da autoridade administrativa para o lançamento (art. 142 do CTN), há também os casos de lançamento por homologação onde essa mesma lei (art. 150 do CTN) ordena que o contribuinte apure o seu próprio débito, sob controle a posteriori daquela autoridade. Equiparase esta situação ao que ocorre no depósito do valor em litígio: o contribuinte apura a quantia, mas ao invés de pagar efetivamente o tributo, deposita a quantia correspondente. A administração ao tomar ciência do montante devido poderá fazer sua própria apuração e se o valor depositado for menor do que o apurado ocorrerá o lançamento expresso pela autoridade. No caso de depósito de valor idêntico ao apurado pelo Fisco, este poderá homologálo tacitamente. Na lição de Leandro Paulsen: “impõese considerar, entretanto, que só será necessário o lançamento se o fisco pretender montante superior ao que foi depositado. Do contrário, não fará sentido algum, eis que o depósito, por natureza, está vinculado ao resultado da demanda, de forma que, se improcedente, ocorre a conversão em renda da União” (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 2a ed. Porto Alegre: Livraria do advogado, 2000, p. 517). Neste sentido podemos citar trecho do Acórdão no Recurso Fl. 592DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 593 10 Especial n° 615.303/PR, onde o Ministro José Delgado esclarece: “os contribuintes ao disponibilizarem essaimportância ao Juízo, para garantir eventual insucesso no pleito formulado, induvidosamente tornaram explícito o quantum que não foi pago à Fazenda e, assim sendo, findaram por declarar e identificar a obrigação tributária pendente de solução judicial. Não havendo, portanto, como se desconhecer tal evidência jurídica, e reclamar da autoridade tributante a prática de ato expresso que consubstanciasse o lançamento do crédito objeto de controvérsia, isto porque se apresenta notório o direito à conversão do depósito em renda em favor do fisco”. Neste mesmo sentido, decidiu o Ministro Teori Albino Zavascki, quando ainda integrava o Tribunal Regional Federal da 4aRegião: “TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Transitada em julgado a sentença denegatória do pedido do contribuinte, cabível a conversão em renda dos depósitos judiciais correspondentes. Em se tratando de tributos sujeitos a autolançamento (ART 150 do CTN 66), a conversão pode ser feita desde logo, independentemente de prévio lançamento ex officio. ”(TRF 4aRegião, AG 9604323830 RS, 2a Turma, DJde 30/04/1997) Segundo o regimento do CARF, este conselho é obrigado a seguir os julgamentos proferidos em sede de recurso repetitivo. O STJ, ao julgar o Resp n.° 1140956, é claro ao dispor que, havendo depósito integral, não deve haver o lançamento, nestes termos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (Precedentes: REsp 885.246/ES, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 06/08/2010; Resp julgado em 06/08/2009, DJe 21/09/2009; AgRg nos EDcl no REsp 1108852/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 10/09/2009; AgRg no REsp 774.180/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe Fl. 593DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 594 11 29/06/2009; REsp 807.685/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2006, DJ 08/05/2006; REsp 789.920/MA, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 06/03/2006; REsp 601.432/CE, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/09/2005, DJ 28/11/2005; REsp 255.701/SP, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/04/2004, DJ 09/08/2004; REsp 174.000/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/05/2001, DJ 25/06/2001; REsp 62.767/PE, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/1997, DJ 28/04/1997; REsp 4.089/SP, Rel. Ministro GERALDO SOBRAL, Rel. p/ Acórdão MIN. JOSÉ DE JESUS FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/02/1991, DJ 29/04/1991; AgRg no Ag 4.664/CE, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/08/1990, DJ 24/09/1990) É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação ; a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a Fl. 594DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 595 12 propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27a ed., p. 205/206). In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8 In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do Fl. 595DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 596 13 executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Como se vê, é pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. ( Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 596DF CARF MF
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