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Numero do processo: 10320.000824/2010-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
INSUMOS ISENTOS ORIUNDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO "FICTO" DO IPI. IMPOSSIBILIDADE, SALVO POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL.
Salvo por expressa disposição legal, não cabe o creditamento "ficto" (como se devido fosse) do IPI nas aquisições de insumos isentos, inclusive os provindos da Zona Franca de Manaus, por incompatível com a técnica da não-cumulatividade adotada para o imposto, que se dá compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, e art. 49 do CTN).
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ABRANGÊNCIA TERRITORIAL. JURISDIÇÃO DO ÓRGÃO PROLATOR.
O limite territorial de Mandado Coletivo de Segurança está restrito à jurisdição do órgão prolator, conforme art. 16 da Lei nº 7.347/85, inserido pelo art. 2º-A da Lei nº 9.494/97, sendo irrelevante que o trânsito em julgado tenha-se dado antes desta alteração legislativa, por ter eficácia meramente declaratória (entendimento do STF, consignado no Ag. Reg. na Reclamação nº 7.778/SP, afeta ao MS nº 91.00477834, da Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca-Cola).
CREDITAMENTO "FICTO" NAS AQUISIÇÕES DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. CONDICIONANTE. PRODUTOS ELABORADOS COM MATÉRIAS-PRIMAS AGRÍCOLAS E EXTRATIVAS VEGETAIS DE PRODUÇÃO REGIONAL.
Somente os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, dão direito ao estabelecimento industrial adquirente ao creditamento do IPI como se devido fosse, não estando aí contemplados, portanto, os produtos elaborados com insumos que já sofreram um processo de industrialização, como os utilizados na fabricação de concentrados para refrigerantes (art. 175, c/c art. 82, do RIPI/2002).
CONFLITO DE COMPETÊNCIAS ENTRE A SUFRAMA E A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em conflito de competências entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia aprova os projetos dos fabricantes de concentrados para refrigerantes localizados na Amazônia Ocidental, cabendo ao Fisco analisar a legitimidade da utilização do benefício, verificando se foi atendida a exigência de emprego de matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, observando-se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal).
REDUÇÃO DAS ALÍQUOTAS DO IPI. DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS REGULAMENTARES. IMPOSSIBILIDADE.
Para a utilização da redução em 50 % dos refrigerantes e refrescos contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná de que trata Nota Complementar NC (22-1) da TIPI, até junho de 2010, era imprescindível parecer prévio da Receita Federal mediante expedição de Ato Declaratório Executivo, sendo incabível a aplicação da retroatividade benigna do art. 106 do CTN, no que se refere à ausência desta exigência no RIPI/2010.
NÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADES. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL POSTERIOR AO FATO GERADOR. DESCABIMENTO.
Por força regulamentar, a dispensa de penalidades prevista no art. 486, II, "a", do RIPI/2002 (tacitamente revogado pelo art. 100, II, do CTN, e cuja base legal - art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 - foi expressamente revogada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, mas, ainda assim, mantido no RIPI/2010), não se aplica, por óbvio, quando a interpretação adotada só consta de decisão irrecorrível de última instância administrativa proferida após a ocorrência do fato gerador.
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CINCO ANOS, CONTADOS DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. DEDUÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS INDEVIDOS. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 993.164/MG, julgado na sistemática do art 543-C do antigo CPC - Recursos Repetitivos), para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado, aplica-se a regra de contagem do prazo decadencial do art. 173, I do CTN (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Ainda, sendo os créditos indevidos, inaplicável o disposto no inciso III do parágrafo único do art. 124 do RIPI/2002, que considera pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.
Numero da decisão: 9303-006.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CREDITAMENTO "FICTO" DO IPI. IMPOSSIBILIDADE, SALVO POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL. Salvo por expressa disposição legal, não cabe o creditamento "ficto" (como se devido fosse) do IPI nas aquisições de insumos isentos, inclusive os provindos da Zona Franca de Manaus, por incompatível com a técnica da nãocumulatividade adotada para o imposto, que se dá compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, e art. 49 do CTN). MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ABRANGÊNCIA TERRITORIAL. JURISDIÇÃO DO ÓRGÃO PROLATOR. O limite territorial de Mandado Coletivo de Segurança está restrito à jurisdição do órgão prolator, conforme art. 16 da Lei nº 7.347/85, inserido pelo art. 2ºA da Lei nº 9.494/97, sendo irrelevante que o trânsito em julgado tenhase dado antes desta alteração legislativa, por ter eficácia meramente declaratória (entendimento do STF, consignado no Ag. Reg. na Reclamação nº 7.778/SP, afeta ao MS nº 91.00477834, da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola). CREDITAMENTO "FICTO" NAS AQUISIÇÕES DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. CONDICIONANTE. PRODUTOS ELABORADOS COM MATÉRIASPRIMAS AGRÍCOLAS E EXTRATIVAS VEGETAIS DE PRODUÇÃO REGIONAL. Somente os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, dão direito ao estabelecimento industrial adquirente ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 08 24 /2 01 0- 09 Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.517 2 creditamento do IPI como se devido fosse, não estando aí contemplados, portanto, os produtos elaborados com insumos que já sofreram um processo de industrialização, como os utilizados na fabricação de concentrados para refrigerantes (art. 175, c/c art. 82, do RIPI/2002). CONFLITO DE COMPETÊNCIAS ENTRE A SUFRAMA E A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em conflito de competências entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia aprova os projetos dos fabricantes de concentrados para refrigerantes localizados na Amazônia Ocidental, cabendo ao Fisco analisar a legitimidade da utilização do benefício, verificando se foi atendida a exigência de emprego de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, observandose inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). REDUÇÃO DAS ALÍQUOTAS DO IPI. DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS REGULAMENTARES. IMPOSSIBILIDADE. Para a utilização da redução em 50 % dos refrigerantes e refrescos contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná de que trata Nota Complementar NC (221) da TIPI, até junho de 2010, era imprescindível parecer prévio da Receita Federal mediante expedição de Ato Declaratório Executivo, sendo incabível a aplicação da retroatividade benigna do art. 106 do CTN, no que se refere à ausência desta exigência no RIPI/2010. NÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADES. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL POSTERIOR AO FATO GERADOR. DESCABIMENTO. Por força regulamentar, a dispensa de penalidades prevista no art. 486, II, "a", do RIPI/2002 (tacitamente revogado pelo art. 100, II, do CTN, e cuja base legal art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 foi expressamente revogada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, mas, ainda assim, mantido no RIPI/2010), não se aplica, por óbvio, quando a interpretação adotada só consta de decisão irrecorrível de última instância administrativa proferida após a ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CINCO ANOS, CONTADOS DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. DEDUÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS INDEVIDOS. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 993.164/MG, julgado na sistemática do art 543C do antigo CPC Recursos Repetitivos), para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial do art. 173, I do CTN (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Ainda, sendo os créditos indevidos, inaplicável o disposto no inciso III do parágrafo único do art. 124 do Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.518 3 RIPI/2002, que considera pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 2.087 a 2.174), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 3302002.918, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.964 a 1.990), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 INSUMOS ISENTOS ORIUNDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, são insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos fictos do IPI, calculados sobre insumos isentos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus. INSUMOS DESONERADOS DO IMPOSTO. DIREITO A APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do contribuinte os créditos do IPI concernentes a insumos onerados pelo imposto na operação de aquisição ou entrada no estabelecimento industrial. Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.519 4 REDUÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Até advento do RIPI/2010, a redução de 50% (cinqüenta por cento) da alíquota do IPI dos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, estava condicionada ao prévio reconhecimento por ato declaratório expedido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. POSSIBILIDADE. Nos casos em que não houve pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo qüinqüenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A imposição de multa de ofício qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) somente é cabível nas situações em que haja comprovação do evidente o intuito fraude, mediante ação ou omissão dolosa do contribuinte. 2. Na ausência de comprovação das condutas qualificadoras, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento). MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. PERCENTUAL NORMAL. CABIMENTO. Se constatada no âmbito do procedimento fiscal, a falta de recolhimento do IPI configura infração sancionada com a multa de ofício normal, com o percentual de 75% (setenta e cinco por cento). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TRÂNSITO EM JULGADO. FILIADOS DA ASSOCIAÇÃO AUTORA PERTENCENTE A OUTRA JURISDIÇÃO. EXTENSÃO DA COISA JULGADA PARA ALÉM DOS LIMITES TERRITORIAIS DO JUÍZO PROLATOR. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.520 5 1. O art. 2ºA da Lei nº 9.494, de 1997, ao modificar o art. 16 da Lei nº 7.347, de 1985, trouxe a tempestiva limitação geográfica para o provimento judicial, estabelecendo sua força apenas no território do órgão prolator. 2. O fato de o Mandado de Segurança Coletivo ter sido impetrado antes da referida mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDIMENTO EM CONSONÂNCIA COM INTERPRETAÇÃO FISCAL EXARADA EM DECISÃO DE ÚLTIMA INSTÂNCIA. FATOS GERADOS ANTERIORES A DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte que age de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, seja ou não parte o interessado, somente está dispensado da multa de ofício somente se a decisão for proferida antes da ocorrência dos fatos geradores do imposto lançado. Recurso de Ofício Provido em Parte. Recurso Voluntário Negado. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 2.459 a 2.467), o contribuinte alega que o acórdão recorrido adota entendimento divergente em relação a diversas questões: (1) Decadência; (2) Desconsideração dos benefícios fiscais concedidos pela SUFRAMA; (3) Conceito de matériaprima para fins de fruição do benefício fiscal previsto no art. 6º do DL nº 1.435/75; (4) Aplicação da coisa julgada em Mandado de Segurança Coletivo; (5) Crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus; (6) Cabimento da multa de oficio; e (7) Redução de 50% na alíquota de IPI, com aplicação da retroatividade benigna do RIPI/2010. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 2.469 a 2.506), nas quais, em caráter preliminar, suscita o não conhecimento do Recurso na parte em que fala da desconsideração dos benefícios fiscais concedidos pela SUFRAMA, alegando que "Não há similitude fática entre os arestos confrontados, porquanto ambos os paradigmas analisaram se Secretaria da Receita Federal detém competência para constituir o crédito tributário na hipótese de descumprimento do processo produtivo básico, a par da manifestação da SUFRAMA, ao passo que o acórdão recorrido não olvidou que a recorrente seguiu as determinações dos atos da Suframa. Porém, foi mais além, porquanto asseverou que não se trata da hipótese prevista no regulamento, e a isenção foi indevidamente utilizada pelo fornecedor". É o Relatório. Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.521 6 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recorrente solicitou a retirada de pauta por não ter tomado ciência do despacho de admissibilidade. O RICARF não determina ciência ao recorrente no caso de admissibilidade integral do Recurso Especial. Quanto ao conhecimento do Recurso Especial, efetivamente temos que analisar como o devido cuidado o seu cabimento no caso específico do suposto "conflito de competências" entre a SUFRAMA e a RFB. Como bem diz a PGFN: Não há que se falar em conflito entre a SUFRAMA e a Receita Federal. Os dois órgãos adotam procedimentos diferentes para finalidades diferentes. A fiscalização reconheceu que o projeto de Recofarma permanece válido, e nem sequer efetuou análise do cumprimento de PPB por parte desta empresa. Todavia, diferentemente do caso ora analisado, nos acórdãos apontados como paradigmas pela recorrente, o que se discutiu foi a competência ou não da SRF em analisar os requisitos para o cumprimento do PPB, conforme se verifica das ementas abaixo colacionadas, verbis: Acórdão nº 9303002.664 IPI. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO Por expressa determinação de decreto regulamentar, é da competência do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus a análise do atendimento ao processo produtivo básico para fins de aprovação de projeto industrial a ser beneficiado com a isenção de que trata o DecretoLei n° 288/67 com a redação que lhe deu a Lei n° 8.387/91. Definidos em Resolução daquele órgão, regularmente expedida, cabe sua observância pela Secretaria da Receita Federal. Acórdão nº 9303003.825 POSSIBILIDADE DE TERCEIRIZAÇÃO DA ETAPA PREVISTA NA LETRA "H" DO ARTIGO 1° DA PORTARIA INTERMINISTERIAL N° 185/93, PARA EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. Não cabe restringir a possibilidade de terceirização à empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus e com projeto aprovado pela SUFRAMA, para o gozo do benefício de isenção do IPI, quando a norma pertinente não o faz expressamente e o órgão responsável pela concessão do processo produtivo básico autorizou a terceirização da etapa “h” nesses termos. Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.522 7 À evidência, total razão assiste à Fazenda Nacional, pelo que, nesta parte, não conheço do Recurso Especial. No mérito, segmentemos os assuntos em discussão, seguindo ordem um pouco diversa da adotada no Recurso Especial (sem prejuízo do enfrentamento de todos os temas trazidos à nossa apreciação): 1. Direito (em caráter geral) ao creditamento “ficto” nas aquisições de insumos isentos da ZFM Em relação creditamento "ficto" (como se devido fosse), na aquisição de insumos isentos (em geral), já está por mais que superado o entendimento (ainda por muitos aventado) do STF no RE nº 212.4842/RS, que dava este direito (coincidente, a um engarrafador da CocaCola). Hoje, a posição do STF é contrária, conforme se vê na seguinte ementa: IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI .... (RE nº 566.819/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, Dje 10/02/2011) Permanecem em Repercussão Geral somente as aquisições da Zona Franca de Manaus (RE nº 592.891/SP). Isto não significa que esteja sendo reconhecido o direito na pendência daquele julgamento. Pelo contrário, é pacífica a (recente) jurisprudência do CARF em não admitilo, conforme exemplificado nas ementas parcialmente transcritas a seguir Acórdão nº 3302004.629 (de 27/07/2017): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. (...) Acórdão nº 3302005.225 (de 26/02/2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.523 8 INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Observese que no primeiro acórdão explícita está a motivação para o não reconhecimento (a não ser que exista expressa previsão legal em contrário), na aquisição de insumos desonerados do imposto (sejam eles não tributados, isentos ou tributados à alíquota zero): não há imposto cobrado na operação anterior. A sistemática da nãocumulatividade do IPI é a do "imposto contra imposto" (tax on tax) e não "base contra base" (basis on basis), como ocorre com o IVA europeu. Assim, não se tributa o valor agregado. Descontase do imposto devido o cobrado na operação anterior, conforme preceituado em nível constitucional: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; Não poderia ser diferente a dicção do Código Tributário Nacional, norma geral tributária: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. A Súmula CARF n° 18 vai no mesmo sentido, só que tratando de alíquota zero (a "lógica" é mesma): Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. 2. Abrangência do Mandado de Segurança Coletivo Aduz a recorrente que teria direito aos créditos de IPI em questão, porque estaria abarcada pela coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, que assegurou aos associados da Associação dos Fabricantes Brasileiros de Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.524 9 CocaCola (AFBCC) o direito de se creditar do IPI relativo à aquisição de insumos isentos adquiridos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, utilizados na industrialização dos seus refrigerantes sujeitos ao IPI. Todavia, este entendimento não merece guarida. Esta discussão está superada, pois foi objeto Ag. Reg. na Reclamação nº 7.778/SP, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em Processo de outro fabricante (Companhia de Bebidas Ipiranga), mas que trata exatamente da mesma ação, e já transitou em julgado: Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. Vejase ainda que a legislação é a mesma utilizada como razão de decidir no julgamento do Recurso Voluntário, ficando isto mais que claro no voto do acórdão do STF: "Pelo que percebo, o art. 16 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, inserido pelo art. 2ºA da Lei nº 9.494, de 10 setembro de 1997, compatibilizase com o atual sistema jurídico pátrio, na medida em que preserva a higidez relativa à competência jurisdicional de cada órgão do Poder Judiciário, evitando, destarte, uma conhecida deficiência oriunda do processo de natureza coletiva que dava ensejo a inúmeras distorções, quando permitia, v. g., que juízes de piso se investissem de uma pretensa “jurisdição nacional”." Não é diferente a jurisprudência do CARF: Acórdão nº 3402004.827 (de 29/01/2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2011 (...) MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS. ATOS DA AUTORIDADE IMPETRADA. O mandado de segurança, individual ou coletivo, tratase de remédio constitucional que visa reparar ato comissivo ou omissivo inquinado de ilegalidade ou de abuso de poder de responsabilidade de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.525 10 Fixados o ato coator e a autoridade coatora na impetração do mandado de segurança é contra eles que se dirige a ordem judicial que concede a segurança definitiva ao final do processo. Embora seja a pessoa jurídica (no caso, a União Federal) que suportará os efeitos patrimoniais da correção do ato coator, isso só se dará em relação a ato administrativo de competência da autoridade impetrada. Independentemente da questão acerca da limitação subjetiva da sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo, referida no art. 2A da Lei 9.494/1997, a segurança concedida em sentença de mandado de segurança, inclusive o coletivo e o preventivo, por determinação constitucional, tem aplicação restrita aos atos de competência da autoridade impetrada, salvo expressa ressalva judicial em sentido contrário. (...) 3. Direito (específico) ao creditamento “ficto” nas aquisições de insumos elaborados com matériasprimas da Amazônia Ocidental Em uma situação específica, há previsão legal para o creditamento "ficto" em questão, desde que preenchidas as condições do art. 175, c/c art. 82, III, do RIPI/2002 (vigente à época): Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). (...) Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). O que aqui está em litígio é se o produto (CocaCola) é fabricado com "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". O industrial adquire, da RECOFARMA (localizada na ZFM/AO) concentrados para fabricação de refrigerantes, na forma de "kits", para depois misturálos e diluílos, para a obtenção do produto final. Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.526 11 Ocorre que, no caso da CocaCola, um dos insumos utilizados no concentrado é o corante caramelo, que é um produto intermediário, resultado de um processo de industrialização de razoável complexidade, que inclui o uso de diversos compostos químicos, não havendo, portanto, o direito ao alentado creditamento. Atesta isto a transcrição de excerto das Contrarrazões da PGFN (fl. 2.482): "A própria contribuinte informa que a Recofarma não se utiliza de matériasprimas de produção regional em seu processo industrial de fabricação do concentrado para refrigerantes, mas sim de corante caramelo, que é produto intermediário/industrializado, elaborado a partir do açúcar e do álcool, também intermediários/industrializados, e não matérias primas agrícolas ou extrativas vegetais de produção regional". E, observese que a isenção do IPI prevista no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975 é objetiva (em virtude do produto), e não subjetiva (em função da qualidade do beneficiário). Assim, para se verificar a existência do direito ao benefício, é irrelevante identificar qual a pessoa jurídica que é responsável por cada etapa da cadeia produtiva (1ª ou 2ª industrialização), devendose apenas analisar o produto fabricado e as matériasprimas utilizadas na sua elaboração. Por exemplo, se a industrialização do corante caramelo fosse realizada por Recofarma, em nada mudaria o entendimento aqui exposado, pois o produto comercializado com a isenção continuaria tendo como insumo o corante caramelo: Transcrevo ementa de acórdão recente do CARF tratando do assunto: Acórdão nº 3302004.629 (de 27/07/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decretolei nº 1.435, de 1975. 4. Competências da SUFRAMA e da Receita Federal Deixo de analisar esse item por não ter sido conhecido, por unanimidade de votos. Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.527 12 Para justificar a concessão de um benefício tão oneroso aos cofres públicos, o legislador procurou se certificar de que o processo produtivo atenderia à política de desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da Amazônia Ocidental. A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços que administra a Zona Franca de Manaus, com a responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional que utilize de forma sustentável os recursos naturais, assegurando viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida das populações locais. Assim, é natural que o mecanismo escolhido pelo legislador para demonstrar que o projeto produtivo atende à política de desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da região tenha sido a aprovação pela SUFRAMA. Mas é a Receita Federal do Brasil, vinculada ao Ministério da Fazenda, quem tem a competência para verificar o cumprimento de todos os requisitos quando da efetiva utilização de benefícios fiscais, e cobrar os valores de imposto que sejam devidos, observando– se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). Não há que se falar em conflito entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia, exercendo sua competência, aprovou o projeto de Recofarma, que reconhecidamente permanece válido para fins de atendimento a um dos requisitos previstos no art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75. O Fisco, exercendo a sua competência, analisou a legitimidade da utilização da isenção, e constatou que não foi atendida a exigência de emprego de matériaprima extrativa vegetal de produção regional. As competências são exercidas concorrentemente, respeitandose a área de atuação de cada órgão. A Receita Federal não afastou a Resolução da SUFRAMA e nem disse que ela estaria equivocada. O que se fez, nestes autos, foi unicamente concluir que a exigência imposta não foi observada pela empresa. Arrematando o assunto trago recente acórdão do CARF a respeito: Acórdão nº 3402004.828 (de 29/01/2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2014 a 31/12/2014 (...) COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. FISCALIZAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção foram elaborados, no estabelecimento da fornecedora, com matériasprimas agrícolas e extrativas Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.528 13 vegetais de produção regional, nos termos do art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75 (arts. 95, III e 237 do RIPI/2010). (...) 5. Redução das alíquotas dos refrigerantes A questão é tão simples como o trecho de ementa de acórdão do CARF que transcrevo a seguir: Acórdão nº 3302004.630 (de 27/07/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FALTA DE LANÇAMENTO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE 50%. FALTA DE CUMPRIMENTO DE REQUISITO. Para a utilização da redução de alíquota em 50%, de que trata Nota Complementar NC (221) da TIPI, até junho de 2010 era imprescindível o parecer prévio da SRFB mediante a expedição de Ato Declaratório Executivo. (...) Vejamos o que dizia a Nota Complementar (221) da TIPI/2002 (visando, dentro de princípio da seletividade, tributar menos produtos mais saudáveis): NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. O RIPI/2002, vigente á época dos fatos geradores previa o seguinte: Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; e (...) § 1º Os Ministros da Fazenda e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderão expedir normas complementares para execução do disposto no inciso I. Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.529 14 Estas normas complementares do § 1º estão na Portaria Interministerial nº 113/77: 1. Para a percepção do benefício instituído pelo Decreto nº 75.659, de 25 de abril de 1975, a partir de 1º de novembro de 1975, os fabricantes (ou equiparados) dos refrigerantes, refrescos e néctares, que contiverem suco de fruta ou extrato de semente de guaraná, deverão requerer ao Coordenador do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal a Declaração a que se refere o art. 3º do decreto nº 78.289 de 18 de agosto de 1976. (...) 4. O Departamento Nacional de Serviços de Comercialização (DNSC) examinará o processo e informará o(s) referido(s) produto(s) se enquadra(m) ou não nos respectivos padrões .... O processo será encaminhado a seguir à Coordenação do Sistema de Tributação que emitirá o competente Ato Declaratório ou denegará o pedido, com base na informação do DNSC. Como já estava dito no RIPI/2002, e está mais que explicitado nessas normas complementares, o fabricante só poderia se valer da redução de 50 % se tivesse um Ato Declaratório específico para ele. O RIPI/2010 deixou de estabelecer condicionantes pra esta redução (no caso, a prévia emissão de um Ato Declaratório, pela Receita Federal). Sim, e isto em algo pode afetar fatos geradores ocorridos em 2004 e 2005?? Em princípio, parece evidente que não, mas suscita o contribuinte a "retroatividade benigna" do art. 106 do CTN, que se aplicaria ao caso, pois o novo Regulamento deixou de definir o ato como infração. Vejamos o que diz o citado dispositivo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Lendose o que prescreve a norma geral tributária, só poderia haver alguma dúvida no que tange às alíneas "a" e "b" do inciso II. Alínea "a": a norma não tratava de definição de infração, mas sim da fixação de requisitos para fruição da redução. Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.530 15 Alínea "b": deixou de ser uma exigência, mas, quando era, implicava falta de pagamento de tributo. Descabido, portanto, o argumento da retroatividade benigna do RIPI/2010. Alega a autuada, ainda, que um decreto (no caso, o RIPI/2002) não poderia criar obrigação não prevista em lei. Em primeiro lugar, como visto, o embasamento para esta redução não é o RIPI, mas sim o Decreto nº 75.659/75. Mas, isso pouco importa. Para o IPI, já as próprias alíquotas podem ser mudadas (para mais ou para menos) por decreto, observado o princípio da seletividade, e estabelecer exigências para a concessão de uma redução, justamente em razão deste princípio (comprovar que o produto efetivamente é "mais "saudável"), é o que foi feito. 6. Redução da Multa de Ofício A questão gira em torno do seguinte dispositivo do RIPI/2002: Art. 486. Não serão aplicadas penalidades: (...) II aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso II): a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso II, alínea a); Este mesmo dispositivo foi mantido no RIPI/2010 – apesar de ter sido revogado tacitamente pelo inciso II do art. 100 do CTN e, de sua base legal (art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64) ter sido expressamente revogada por uma lei anterior (Lei nº 11.488/2007, art. 13) – então, temos que "enfrentálo". Mas, neste caso, a solução é muito simples. A decisão da CSRF trazida pela recorrente, que admitiu o creditamento na aquisição de insumos isentos (ainda baseada naquela mais que superada decisão proferida pelo STF no julgamento do RE nº 212.4842/RS) foi prolatada em 24/07/2006, enquanto os fatos geradores são de 2004 e 2005 (seria "adivinhação"). Cabível, portanto, a multa de ofício de 75 %. 7. Decadência O tema não é mais passível de discussão no CARF, a teor do art. 62, § 2º, do RICARF, pois há decisão vinculante do STJ, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no julgamento do REsp nº 973.733/SC, trazido pela PGFN em suas Contrarrazões e cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.531 16 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção ...) (REsp nº 973.733/SC, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 18/09/2009) Existe inclusive Súmula do mesmo STJ a respeito: Súmula 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para a solução do litígio, resta então unicamente saber o que efetivamente ocorreu no caso concreto, no que se refere (i) ao pagamento antecipado e (ii) à declaração do débito, caso tenha havido o pagamento. O lançamento de ofício foi decorrente de glosas de valores de créditos "fictos" do IPI na aquisição de insumos isentos da Zona Franca de Manaus. Reconstituída a escrita fiscal, foram apurados os valores do tributo objeto do lançamento, com multa de ofício de 75 % e juros de mora. Claro está, portanto, que o estabelecimento autuado não apurou saldo devedor em nenhum dos períodos autuados, não se podendo cogitar, então, de ter havido qualquer pagamento, e nem mesmo declaração de débitos (declarações estas que, ainda que, por equívoco, existissem, em nada poderiam influenciar na solução da lide, em razão da ausência de pagamento). Assim, à vista da jurisprudência vinculante do STJ, aplicase, para fins de delimitação do prazo decadencial, a regra do art. 173, I, do CTN – repito: cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Adotado este entendimento no caso concreto, reproduzo aqui o consignado no voto condutor no acórdão recorrido, que espelha o que também aqui decido: “Dessa forma, com base no referido comando legal, em relação aos fatos geradores do IPI ocorridos até o dia 20/12/2004 (2º decência do mês de dezembro de 2004), o prazo decadencial teve início em 1/1/2005 e término em 31/12/2009, portanto, na data Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 10320.000824/201009 Acórdão n.º 9303006.987 CSRFT3 Fl. 2.532 17 da conclusão do lançamento, que aconteceu em 1/4/2010, com a ciência da autuada da autuação em apreço, inequivocamente, tais débitos já estavam extintos em razão do transcurso do prazo quinquenal de decadência. Dessa forma, no entendimento deste Relator, a decisão de primeiro grau aplicou, com correção, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável aos débitos do IPI objeto da autuação em apreço, portanto, não merece qualquer reparo.” Por derradeiro (razão pela qual é o derradeiro assunto), tratemos de norma do RIPI/2002, que poderia dar margem a dúvida: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: (...) III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Por tudo que aqui foi visto, eles são inaplicáveis ao caso concreto, pois os créditos são indevidos (conclusão a que se chega, ao final deste voto). À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, na parte conhecida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2532DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13634.720535/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO DE PENSÃO AOS FILHOS SEM RUPTURA DA SOCIEDADE CONJUGAL. INDEDUTIBILIDADE.
A pensão alimentícia paga aos filhos em razão de acordo homologado judicialmente quando não houve ruptura da sociedade conjugal não se caracteriza como dedutível para fins do imposto de renda, por não se enquadrar nas normas do Direito de Família.
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito à dedução de valor a título de pensão alimentícia deve obedecer às normas do Direito de Família, as quais não beneficia pagamentos feitos a filhos com idade acima de 24 anos, quando não comprovada a incapacidade física ou mental para o trabalho, tratando-se, nesse caso, de mera liberalidade, insuscetível de dedução da base de cálculo do imposto.
RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. MULTA DE OFÍCIO.
Quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta a redução do imposto a restituir ou em imposto suplementar, deve-se proceder ao lançamento de ofício para exigir a devolução da parcela da restituição indevidamente recebida, acrescida apenas de juros de mora, sem aplicação de multa
Numero da decisão: 2301-005.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
João Bellini Junior - Presidente.
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente); João Maurício Vital; Wesley Rocha; Antônio Sávio Nastureles; Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato (Relatora)
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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PAGAMENTO DE PENSÃO AOS FILHOS SEM RUPTURA DA SOCIEDADE CONJUGAL. INDEDUTIBILIDADE. A pensão alimentícia paga aos filhos em razão de acordo homologado judicialmente quando não houve ruptura da sociedade conjugal não se caracteriza como dedutível para fins do imposto de renda, por não se enquadrar nas normas do Direito de Família. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito à dedução de valor a título de pensão alimentícia deve obedecer às normas do Direito de Família, as quais não beneficia pagamentos feitos a filhos com idade acima de 24 anos, quando não comprovada a incapacidade física ou mental para o trabalho, tratandose, nesse caso, de mera liberalidade, insuscetível de dedução da base de cálculo do imposto. RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. MULTA DE OFÍCIO. Quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta a redução do imposto a restituir ou em imposto suplementar, devese proceder ao lançamento de ofício para exigir a devolução da parcela da restituição indevidamente recebida, acrescida apenas de juros de mora, sem aplicação de multa Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário João Bellini Junior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 4. 72 05 35 /2 01 6- 61 Fl. 125DF CARF MF 2 Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente); João Maurício Vital; Wesley Rocha; Antônio Sávio Nastureles; Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato (Relatora) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 74e ss.) interposto em face da decisão da DRJ de fls. 55 e ss., proferida pela 6ª Turma da DRJ/JFA Acórdão 0962.490 em 9 de março de 2017, que indeferiu parcialmente a Impugnação apresentada pela Contribuinte e manteve parcialmente o Crédito Tributário Lançado na NFLD 2015/818712576452081 (fls. 37), cuja ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO DE PENSÃO AOS FILHOS SEM RUPTURA DA SOCIEDADE CONJUGAL. INDEDUTIBILIDADE. A pensão alimentícia paga aos filhos em razão de acordo homologado judicialmente quando não houve ruptura da sociedade conjugal não se caracteriza como dedutível para fins do imposto de renda, por não se enquadrar nas normas do Direito de Família. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DIREITO DE FAMÍLIA. DEVER DOS PAIS QUANTO AOS FILHOS. Compete aos pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos, dirigirlhes a criação e a educação. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito à dedução de valor a título de pensão alimentícia deve obedecer às normas do Direito de Família, as quais não beneficia pagamentos feitos a filhos com idade acima de 24 anos, quando não comprovada a incapacidade física ou mental para o trabalho, tratandose, nesse caso, de mera liberalidade, insuscetível de dedução da base de cálculo do imposto. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Mantémse a glosa da dedução de dependentes, pois, de acordo com a documentação constante dos autos, seu pleito não atende às condições legais. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13634.720535/201661 Acórdão n.º 2301005.332 S2C3T1 Fl. 126 3 Mantémse a glosa da dedução de despesas médicas por falta de comprovação e porque, de acordo com a documentação constante dos autos, seu pleito não atende às condições legais. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. MULTA DE OFÍCIO. Quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta a redução do imposto a restituir ou em imposto suplementar, devese proceder ao lançamento de ofício para exigir a devolução da parcela da restituição indevidamente recebida, acrescida apenas de juros de mora, sem aplicação de multa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ao analisar a Declaração Retificadora apresentada pela Contribuinte, da qual pretendia a dedução com dependentes de pensão alimentícia paga, dedução de despesas médicas e despesas com dependente, no Ano Calendário de 2014, a Autoridade Fiscal propôs NFLD 2015/818712576452081 (fls. 37), negando o pedido, lançando IRPF suplementar com multa de ofício e juros no valor de R$R$58.413,44 (cinqüenta e oito mil quatrocentos e treze reais e quarenta e quatro centavos), sendo R$30.161,33 de Imposto de Renda Suplementar; R$22.620,99 de Multa de Ofício e R$5.631,12 de juros de mora. Nas fls. 38/41 se encontra a justificativa do lançamento do IRPF suplementar: Dedução Indevida com Dependentes – R$2.156,52 – Geraldo Afonso Gonçalves Junior não foi aceito como dependente – 24 anos de idade – não foi comprovada a condição de universitário/aluno do mesmo. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública – R$93.431,04. Fundamento: Não foi considerada a dedução a título de pensão alimentícia informada em nome de FANUEL AFONSO CARVALHO GONÇALVES e KALLINE CARVALHO GONCALVES ELER. Tratase de pagamentos realizados pela mãe para o sustento dos filhos maiores. Não se deve confundir a obrigação de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento e assistência que tem o os pais em relação aos filhos e viceversa. Pagamentos realizados em virtude de acordo judicialmente ou extrajudicial, homologado em ação de oferta de alimentos entre pais e filhos não são dedutíveis para redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Inexiste equiparação a pensão alimentícia judicial, por se tratar de pagamentos decorrentes do poder familiar e do dever de sustento, assistência e socorro entre os pais e seus filhos e viceversa. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em Fl. 127DF CARF MF 4 campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Acordos com fins meramente tributários. Enquadramento Legal: Art. 8º, II, alínea 'f', da Lei 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n. 15/2001, arts. 73, 78 e 83 inciso II do Decreto n.2 3.000/99 RIR/99. Dedução Indevida de Despesas Médicas – R$14.090,00 – falta de comprovação Intimada para apresentar a comprovação, a contribuinte limitouse a apresentar apenas recibos, não esclarecendo como foram feitos esses pagamentos, deixando de apresentar documentos que demonstrassem sua efetividade. O artigo 73 do RIR 1999, cuja matriz legal é o § 3Q do art. 11 do Decretolei 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar essas deduções, sendo que é dele o ônus probatório. Cabe ao interessado o ônus de comprovação e justificação das deduções. As deduções de despesas com médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, etc, que tenham valores expressivos, individualmente ou em conjunto, no caso R$12.600,00 em nome de OTTO KLIER SEDLMAIER, ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida. Registrese que para esse profissional, a contribuinte apresentou extratos de compras e saques com cartão de crédito do Banco Itaú. Contudo, nesses extratos não é possível identificarse o ano em que os lançamentos teriam acontecido, não sendo suficientes para comprovar esses pagamentos. Observase também que a contribuinte deduziu o mesmo valor em nome desse profissional na declaração do exercício 2016, anocalendário 2015. Outro ponto que merece destaque é que nesses extratos encontramos uma despesa em nome do NÚCLEO ESPECIALIZADO, no valor de R$ 1.750,00 que também consta como dedução na declaração do exercício de 2016. Não foram consideradas as deduções em nome do INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DO ESTADO MG (R$ 390,00), já que esse gasto se refere a despesa com GERALDO AFONSO GONÇALVES JUNIOR, não aceito como dependente. Também não foram comprovadas as despesas informadas em nome de MARIA RAQUEL ALMEIDA HAUEISEN MATA (R$ 390,00), e NICOLAU BRACKS SOBRINHO (R$ 710,00). Nas fls. 2 consta a Impugnação apresentada pela Contribuinte, na qual afirma que apresentou os comprovantes originais e cópias das despesas médicas e odontológicas, além de cópias dos processos de pensão alimentícia onde foram determinados pela autoridade judicial os descontos mensais em folha de pagamento da contribuinte, a título de pensão alimentícia, correspondentes a duas parcelas de 20% de seus vencimentos brutos, a serem depositados nas contas correntes de Kalline Carvalho Gonçalves e de Fanuel Afonso Carvalho Gonçalves, ambos descontados e depositados pela fonte pagadora, requerendo a aplicação da legislação, ou seja, cancelamento da NFLD com aprovação da dedução. Nas fls. 55, a da DRJ de fls. 55 e ss., proferida pela 6ª Turma da DRJ/JFA Acórdão 0962.490 em 9 de março de 2017 entendeu que, por não haver separação física do casal, as despesas pagas à título de pensão alimentícia aos filhos da Contribuinte não ensejam a dedução pleiteada, visto que de fato, os mesmos eram, na verdade, dependentes, e não Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13634.720535/201661 Acórdão n.º 2301005.332 S2C3T1 Fl. 127 5 beneficiários de pensão alimentícia: “Certo que, no caso de pais separados, os filhos poderão ser considerados dependentes daquele que deter as respectivas guardas. E o cônjuge que não fica com a guarda dos filhos poderá deduzir a pensão alimentícia, nos termos do artigo 35 da lei 9.250 de 26 de dezembro de 1995”. Por fim, a Autoridade Fiscal na DRJ corrigiu o lançamento com relação à multa de ofício aplicada, visto que se entende que a Fiscalização não poderia ter procedido ao lançamento da multa de ofício na parcela referente à devolução da restituição recebida indevidamente, tendo em vista o expresso entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil em sentido contrário, nos termos do § 1° do art. 5° da IN SRF n° 77, de 24/07/1998, e do § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 579/2005, ou seja, não se demonstra cabível a aplicação da multa de ofício e/ou multa de mora sobre o valor correspondente à Restituição Indevida a Devolver, sobre o valor de R$5.305,62. Nas fls. 74 e ss. a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, insurgindose apenas contra os seguintes pontos: a) exigência da parcela do imposto suplementar, no valor de R$24. 855,71, sujeito à multa de ofício de 75% e aos juros de mora devidos;b) da devolução da restituição recebida indevidamente, no valor de R$5.305,62. Sobre a exigência de imposto suplementar no que consiste a pensão alimentícia dos filhos, a destinação direta à conta dos filhos da contribuinte se dá em função dos mesmos não residirem sob o mesmo teto da Contribuinte e terem a necessidade de arcar com os seus gastos quotidianos, em virtude de ambos serem estudantes. Por esta razão requereu a improcedência da autuação fiscal, com o cancelamento do débito fiscal referente a parcela do imposto suplementar, no valor de R$24.855,71, referente à glosa das pensões alimentícias no anocalendário 2014. A Contribuinte também requereu, subsidiariamente, caso não seja atendido o pleito da glosa das pensões alimentícias no anocalendário 2014, a exclusão da imposição de penalidades, cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo ou, a sua redução à 20%. Sobre a devolução da restituição recebida indevidamente, a Contribuinte alega que o Fisco corre em erro ao cobrar o valor de R$5.305,62, visto que “Conforme Notificação de Lançamento, a recorrente teve como "Imposto a restituir apurado na declaração processada" a quantia de R$5.305, 62. Como "Imposto já restituído na declaração anterior" teve o valor de R$R$9.172,21. O montante da "Restituição indevida a devolver", que se faz calculando a diferença do montante restituído pelo montante que deveria restituir, é de R$3.866,59”. Segundo a Contribuinte, quantia de R$ 3.866,59 foi paga acrescida dos juros de mora sobre o valor da restituição indevida a devolver, no valor total de R$ 4.498,39, em 29/06/2017. Portanto, requereu o cancelamento do débito fiscal referente à restituição que já foi paga no valor de R$5.305,62. Juntouse documentação para a comprovação do seu pleito, assim como na Impugnação, das quais importa mencionar: Fl. 9 – certidão de nascimento da filha Kalline (31/01/1989) Fl. 10 – certidão de nascimento do filho Geraldo (30/07/1990) Fl. 129DF CARF MF 6 Fl. 11 – certidão de nascimento do filho Fanuel (09/01/1992) Fl. 12 – Comprovante de rendimentos pagos pela Fonte Pagadora à Edmea (Ano Base 2014). Fl. 13 – despesas com assistência à saúde – R$4.835,80 Fls. 14/15 Comprovante de rendimentos pagos à Kalline e Fanuel à título de pensão Fl. 16 – extrato processo 199956590.2007.8.13.0686 (pensão Kalline) Fl. 19 – homologação de acordo extrajudicial da pensão alimentícia Kalline Fl. 20 – ofício da 1ª VC à Polícia civil para fazer o desconto de 20%. Fl. 21 – resposta ao ofício em 24/01/2008. Fl. 22 – extrato processo 003922586.2011.8.13.0686 (pensão Fanuel) Fl. 24/25 – homologação de acordo extrajudicial da pensão alimentícia Fanuel Fl. 26 – ofício da 2ª VC à Polícia civil para fazer o desconto de 20%. Fl. 27 – resposta ao ofício em 09/06/2011. Fl. 28 – Diploma do filho Geraldo Jr. Fl. 45 – IRPF – DIRF Ano 2014, Exercício 2015.Fl. 95 – contrato de locação do Fanuel Fl. 105 – Diploma de mestrado – Kalline – Setembro de 2015. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Verificase nas fls. 124 o reconhecimento da tempestividade pelo FISCO. Portanto, conheço do recurso e passo à análise de seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ que indeferiu deduções de Pensão Alimentícia Judicial e de despesas médicas no Imposto de Renda da Contribuinte, no Ano Calendário 2014, Exercício 2015, nos termos da NFLD 2015/818712576452081 (fls. 37), Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13634.720535/201661 Acórdão n.º 2301005.332 S2C3T1 Fl. 128 7 lançando Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa de ofício, juros de mora no valor de R$58.413,44. No conteúdo do Recurso Voluntário, observase que a Contribuinte recorre apenas sobre a exigência da parcela do imposto suplementar, no valor de R$24. 855,71, sujeito à multa de ofício de 75% e aos juros de mora devidos; e sobre da devolução da restituição recebida indevidamente, no valor de R$5.305,62. Sobre as deduções com despesas médicas pleiteadas e indeferidas, mantendo se a glosa no valor de R$14.090,00 por falta de comprovação, observase que a Contribuinte não apresentou impugnação em seu recurso voluntário sobre seu indeferimento. Tal comportamento enseja o reconhecimento da Contribuinte de que o lançamento referente à glosa das despesas médicas foi correto, renunciando a instância recursal administrativa, diante da não impugnação da matéria no Recurso Voluntário apresentado. Sobre a matéria não impugnada, este Conselho tem o entendimento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário deve aterse a matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, impondose o não conhecimento em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas no acórdão de primeira instância administrativa. (...) CARF.Acórdão:2002000.014–TurmaExtraordinária/2ªTurma/ 2ª Seção. Sessão: 28/02/2018. Processo: 13819.723068/201230 O presente voto, portanto, pautará apenas em julgar os pedidos apresentados no Recurso Voluntário, ou seja, o indeferimento da dedução de Pensão Alimentícia Judicial; a multa de ofício (cancelamento ou redução) referente ao indeferimento de dedução; e devolução da restituição recebida indevidamente, no valor de R$5.305,62. Da Dedução com Pensão Alimentícia. Sobre o indeferimento da dedução de Pensão Alimentícia Judicial, verificase que a Autoridade Fiscal, no lançamento da NFLD, entendeu que os pagamentos realizados pela Contribuinte (mãe) para o sustento de filhos maiores, realizados em virtude de acordo extrajudicial homologado em ação de alimentos proposta entre pais e filhos não são dedutíveis para redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, por se tratar de pagamentos decorrentes do poder familiar e do dever de sustento, assistência e socorro entre os pais e seus filhos e viceversa, que são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução, sendo que o acordo apresentado pela Contribuinte tinha finalidade meramente tributária. Da mesma forma entendeu a DRJ que, por restar demonstrado que não houve qualquer separação judicial ou consensual entre a Contribuinte e seu cônjuge, sendo, inclusive, contrário disso, pois o esposo da Contribuinte (Geraldo) consta na sua DAA/2015 (fl.45 e ss.) Fl. 131DF CARF MF 8 como seu dependente, portanto não havendo a ruptura do casamento ou qualquer outra causa que demonstre a necessidade de prestação jurisdicional, ausente o binômio necessidade/utilidade, pois, quando os pais são separados, os filhos poderão ser considerados dependentes daquele que detém a guarda, sendo que o cônjuge que não fica com a guarda dos filhos poderá deduzir a pensão alimentícia paga. Para o FISCO, é condição imprescindível que os alimentos sejam devidos quando o beneficiário não tenha bens e nem possa prover, pelo trabalho, a própria mantença, existindo um caráter obrigacional claro de sustento. No caso, impossibilidade de prover a própria mantença não foi provada nos autos. Sobre a legislação válida à época do fato gerador, observase duas figuras: a pensão alimentícia conferida judicialmente e a dependência financeira dos filhos até 21 ou 24 anos: Instrução Normativa SRF n. 15/2001: Art. 15. A base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda na fonte é determinada mediante a dedução das seguintes parcelas do rendimento tributável: I as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Art. 38. Podem ser considerados dependentes: III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; § 1o As pessoas elencadas nos incisos III e V podem ser consideradas dependentes quando maiores até 24 anos de idade, se estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 3o No caso de filhos de pais separados, o contribuinte pode considerar, como dependentes, os que ficarem sob sua guarda em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4o O responsável pelo pagamento da pensão de que trata o parágrafo anterior não pode efetuar a dedução do valor correspondente a dependente, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do anocalendário. § 5o É vedada a dedução concomitante de um mesmo dependente na determinação da base de cálculo de mais de um contribuinte, exceto nos casos de alteração na relação de dependência no anocalendário. Art. 49. Podem ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13634.720535/201661 Acórdão n.º 2301005.332 S2C3T1 Fl. 129 9 Parágrafo único. É vedada a dedução cumulativa dos valores correspondentes à pensão alimentícia e a de dependente, quando se referirem à mesma pessoa, exceto na hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do anocalendário. Art. 50. Quando a fonte pagadora não for responsável pelo desconto da pensão, o valor mensal pago pode ser considerado para fins de determinação da base de cálculo sujeita ao imposto na fonte, desde que o alimentante forneça à fonte pagadora o comprovante do pagamento. § 1o O valor da pensão alimentícia não utilizado como dedução, no próprio mês de seu pagamento, pode ser deduzido nos meses subseqüentes. § 2o As despesas de educação e médicas dos alimentandos, quando pagas pelo alimentante em cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, são passíveis de dedução pelo alimentante na Declaração de Ajuste Anual, a título de despesa de instrução, observado o limite individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais), e a título de despesa médica, conforme os arts. 37 e 38, respectivamente. Decreto n. 3.000/99 RIR/99: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa Fl. 133DF CARF MF 10 médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Lei 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere oart. 1.124A da Lei no5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Perante este Conselho, encontrase sumulada a matéria: Súmula CARF nº 98:A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigaçãoou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Observase que pela legislação, a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física depende dos seguintes requisitos: que avém do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que haja comprovação de pagamento efetivo. Entretanto, também se observa que a legislação tributária difere as figuras do beneficiário de pensão alimentícia e do dependente, visto que na visão do legislador, se um casal tiver filhos e vier a se separar, o cônjuge que se queda com a guarda dos filhos pode incluílos como dependentes DAA e o outro cônjuge ficaria responsável pelo pagamento da pensão alimentícia, podendo requerer a dedução do IR. Se a lei impõe a distinção entre Dependentes e Beneficiários de Pensão Alimentícia é porque, para o legislador, os filhos ou podem ser dependentes ou podem ser beneficiários de pensão alimentícia. No caso em análise, verificase que a separação da Contribuinte com seu cônjuge nunca ocorrera. Não há comprovação nos autos que os mesmos deixaram de habitar sob o mesmo teto, sendo que, inclusive, o esposo da Contribuinte é inserido em sua DAA como seu dependente, ou seja, nunca houvera a separação que justificasse o arbitramento da pensão alimentícia. Portanto, o núcleo familiar da Contribuinte com seus filhos se encontra coeso e imodificável. Levandose em consideração que os pais continuam juntos em união, indagase, qual a necessidade de uma mãe estabelecer um acordo homologado judicialmente no qual confere pensão alimentícia aos seus próprios filhos, os quais continuam sob sua guarda? Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13634.720535/201661 Acórdão n.º 2301005.332 S2C3T1 Fl. 130 11 Desta forma, no caso em análise a Contribuinte instou o Judiciário para homologar acordos nos quais estabeleceu pensão alimentícia aos seus próprios filhos, mesmo permanecendo com a guarda dos mesmos. No Recurso, a Contribuinte alega que procedeu desta forma, visto que seus filhos estavam residindo em outras localidades, necessitando do arbitramento da pensão, visto que já haviam atingido a maioridade civil, sendo necessário o arbitramento da pensão. Veja que a pensão alimentícia, em ambos os casos, foram acordos estabelecidos previamente entre as partes, sendo homologado em juízo, por consenso das partes. Não se vislumbra, no presente caso, a negativa da Contribuinte em custear a mantença de seus filhos, na qual seria necessário que os filhos adentrassem com demanda em face da mesma para arbitramento de pensão. Não houve a juntada integral dos processos que determinaram a pensão alimentícia aos filhos da Contribuinte, assim como desconhece se a mesma já fora ou não revogada judicialmente. A juntada integral do processo seria capaz de constatar a forma e o motivo como foi concedida a pensão alimentícia. Com as provas carreadas aos autos, observase que houve a utilização esdruxula da interpretação restritiva da legislação tributária, à seu favor, contra a Fazenda Nacional, no intuito de conseguir a dedução imposta pela lei. Neste sentido, no presente caso, a Contribuinte poderia ter incluído seus filhos como dependentes, mas não o fez, realizou acordo homologado judicialmente para conseguir a dedução do imposto de renda, possibilitada pela legislação. Ademais, destacase que não se encontra comprovada a dependência econômica suscitada em relação à filha Kalline, o que corrobora ao entendimento desta Conselheira na análise do presente caso. Neste contexto, imperioso destacar o caso da filha Kalline da Contribuinte, nascida em 31/01/1989. Em 2014, Kalline já tinha,em 31/01, 25 anos de idade completos, já era formada em Direito e estava fazendo Mestrado, vindo a concluir em 2015, recebendo Bolsa de Estudo, como afirma a DRJ e o Recurso Voluntário. Observase, inclusive, no documento de fl. 95, que diz respeito ao contrato de locação do filho Fanuel, o qual a filha Kalline assina como Fiadora do irmão, consta como seu nome: KALLINE CARVALHO GONÇALVES ELER. Neste documento, assina, conjuntamente com a mesma, o sr. VINÍCIUS ELER PEREIRA, o que demonstra que a filha da Contribuinte, na época da assinatura do contrato (2013 – antes até do período apurado na NFLD), já era até casada, ou seja, não mais dependia economicamente da sua mãe. Em caso semelhante, o STJ decidiu sobre a indedutibilidade no RESP 1665481 PR, cuja Ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. PENSÃO ALIMENTÍCIA. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. FILHO MAIOR DE 24 ANOS DE IDADE. EXERCÍCIO PROFISSIONAL. DESCARACTERIZAÇÃO DA DEPENDÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE DO IRPF. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA E RESTRITIVA. INDEPENDÊNCIA DO DIREITO DE FAMÍLIA DA Fl. 135DF CARF MF 12 DEFINIÇÃO DOS EFEITOS TRIBUTÁRIOS. CESSAÇÃO LEGAL DO DEVER DE SUSTENTO. REPERCUSSÃO AUTOMÁTICA NA EFICÁCIA TRIBUTÁRIA DESONERATIVA. OPÇÃO PELO NÃO EXERCÍCIO DA AÇÃO JUDICIAL DE EXONERAÇÃO DA PENSÃO. LIBERALIDADE DO DEVEDOR. PERSISTÊNCIA DO PAGAMENTO POR ATO DE VONTADE DO ALIMENTANTE. VOLUNTARIEDADE ÀS CUSTAS DA ARRECADAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO COM O ADVENTO DA MAIORIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO MANTIDO. 1. O recorrente se insurge contra Acórdão que recusou direito à dedução da base de cálculo do IRPF de pensão alimentícia paga a filhos maiores de 24 anos, plenamente capazes e no exercício das respectivas profissões. A pensão foi fixada judicialmente em 1990, quando os filhos eram menores. Entendeu o Tribunal de origem que o aporte financeiro concedido a filhos posteriormente à maioridade caracterizase como doação, incidindo, portanto, imposto de renda. 2. Alega o recorrente que o Acórdão impugnado viola os arts. 11 e 489, §1º, II, III e IV, do CPC/2015, além dos arts. 514, II, e 515, §§1º e 2º, do CPC/1973. Sustenta, ainda, negativa de vigência ao art. 4º, II, da Lei 9.250/1996, que expressamente prevê o direito à dedução, da base de cálculo do imposto de renda, das importâncias pagas a título de pensão alimentícia em decorrência de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Aduz que o caso se enquadra no referido texto normativo e que não há limitação de idade para o adimplemento de pensão alimentícia, sendo o único requisito legal a existência de acordo ou decisão judicial que comande a prestação de alimentos pelo contribuinte. 3. As imputações de contrariedade aos arts. 11e 489, §1º, II, III e IV, do CPC/2015, e arts. 514, II, e 515, §§1º e 2º, do CPC/1973, não prosperam. O Tribunal a quo julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. O aresto se encontra devidamente fundamentado, tratando todos os pontos necessários à resolução do feito. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/8/2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28/6/2007. 4. Também não se verifica agressão ao art. 514, II, do CPC/1973. O apelo hostilizado cumpre a contento esse ônus processual. As razões de fato e de direito que embasam o pedido da Apelação são claras e suficientes para produzir o resultado pretendido. Assevera o apelo que os benefícios tributários, dos quais as deduções são espécies, devem ser interpretados restritivamente. Por isso, embora a Lei 9.250/95 determine que o valor pago a título de pensão alimentícia possa ser deduzido da base de cálculo mensal do imposto de renda, “tal norma deve ser interpretada de modo restritivo, nos termos do art. 111 do Código Tributário Nacional”. Afirma, ainda, “que a separação Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13634.720535/201661 Acórdão n.º 2301005.332 S2C3T1 Fl. 131 13 judicial, ato que deu nascimento ao pagamento das pensões, deuse no ano de 1990, data em que os filhos do Apelado, eram menores de 21 anos, diferentemente de hoje, em que ambos são maiores, plenamente capazes exercendo cada qual livremente suas profissões”. Tudo para concluir que a dedução dos valores do IRPF pelo pagamento de pensão não mais se justifica, o que atende à norma processual de regência. 5. Não há falar igualmente em negativa de vigência ao art. 515, §§1º e 2º, do CPC/1973. O decisum impugnado analisou exatamente o ponto objeto do apelo da União, relativo à circunstância de os alimentandos terem alcançado a maioridade após a decisão judicial que fixou a pensão alimentícia. Não consubstancia decisão extra petita, ademais, o fato de o Tribunal ter caracterizado como doação para efeito de dedução tributária a pensão alimentícia paga após a maioridade. O julgador tem liberdade para fazer as classificações jurídicas dos fatos que lhe são apresentados conforme o direito aplicável ao caso concreto. Incidem na espécie os brocardos latinos iura novit curia e da mihi factum, dado tibi ius, admitidos pela legislação processual. 6. O dissenso pretoriano invocado no Recurso Especial nem sequer oferece condições para o julgamento de mérito. Carece de preencher os requisitos legais e regimentais para a propositura do recurso pela alínea "c" do art. 105 da CF, na medida em que não indica as circunstâncias fáticas específicas em que lavrados os arestos confrontados, tampouco se assentam os Acórdãos comparados em causas idênticas ou semelhantes que permitam exame objetivo da suposta divergência. 7. Por fim, em relação ao mérito propriamente dito da invocada afronta ao art. 4º, II, da Lei 9.250/1996, melhor sorte não resta ao recurso. O referido dispositivo deve ser interpretado no contexto normativo em que inserido, à luz do inciso III e do art. 8º, II, “b”, “c”, “f” §3º e 35, III, §1º, todos do mesmo diploma legal, os quais estão a vincular de forma direta ou indireta a dependência econômica à dedução permitida da base de cálculo do IR. A ratio legis da dedução fiscal é o dever de sustento que onera os rendimentos percebidos pelo contribuinte em razão da lei ou de sentença judicial. Cessado o dever de sustento, cessa o benefício fiscal, independentemente de ação judicial de exoneração que tem os seus efeitos restritos ao Direito de Família. 8. Uma vez descaracterizada legalmente a dependência presumida, e ilidida a natureza assistencial da verba dedutível, não basta invocar a origem judicial da pensão regularmente adimplida para ter direito ao benefício fiscal do art. 4º, II, da Lei 9.250/1996. A pensão dedutível do art. 4º, II, da Lei 9.250/1996 somente alcança os filhos dependentes que se enquadrem na condição prevista no art. 35, III e §1º da Lei do Imposto de Renda. Fora dessas hipóteses, nada obsta que o contribuinte continue a pagar pensão para os filhos enquanto não desonerado judicialmente dessa obrigação familiar. Só não pode fazêlo às custas de subsídio estatal e em detrimento da base de Fl. 137DF CARF MF 14 incidência do IRPF que estaria indefinidamente reduzida ao exclusivo talante e liberalidade do pagador da pensão, que já preenche as condições legais para exoneração do encargo. 9. O regime civil ou familiar da pensão alimentícia estabelecida judicialmente não se confunde com os respectivos efeitos tributários da verba destinada a esse desiderato. O art. 111 do CTN recomenda interpretação restritiva à legislação tributária que disponha sobre benefício fiscal. Precedentes do STJ. O pagamento de pensão nas circunstâncias dos autos equiparase, para fins fiscais, a doação, e nessa condição se sujeita à incidência do IRPF. 10. Considerando o contexto normativo da previsão de dedução fiscal da pensão alimentícia fixada judicialmente e paga a filho após os 24 anos de idade, e a necessidade de se empreender interpretação sistemática e restritiva das hipóteses de benefício fiscal previstas na legislação tributária, nada há a reparar no Acórdão recorrido, que corretamente aplicou o direito federal ao caso concreto. 11. Recurso Especial conhecido em parte, e nessa parte não provido. STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 1.665.481 PR (2017/00862276) RELATOR: MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE: LUIZ CALIXTO BASTOS ADVOGADOS: LUIZ CALIXTO DE BASTOS (EM CAUSA PRÓPRIA) PR021980 DANTON ILYUSHIN BASTOS PR035297 RECORRIDO: FAZENDA NACIONAL Portanto, com relação à filha KALLINE CARVALHO GONÇALVES, as provas carreadas aos autos comprovam que a mesma, em 2014, tinha 25 anos de idade, já era formada em Direito e, inclusive, casada, o que descaracteriza a dependência presumida. Ante todo o exposto, voto por conhecer e negar total provimento ao pedido de dedução do Imposto de Renda à Contribuinte referente a Pensão Alimentícia Judicial. Da Multa de Ofício e dos Juros Aplicase os juros moratórios e a multa de ofício da forma como estipulada na DRJ de fl. 55, Acórdão 0962.490: RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. MULTA DE OFÍCIO. Quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta a redução do imposto a restituir ou em imposto suplementar, devese proceder ao lançamento de ofício para exigir a devolução da parcela da restituição indevidamente recebida, acrescida apenas de juros de mora, sem aplicação de multa. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13634.720535/201661 Acórdão n.º 2301005.332 S2C3T1 Fl. 132 15 Ou seja, “não é cabível a aplicação da multa de ofício e/ou multa de mora sobre o valor correspondente à Restituição Indevida a Devolver, sobre o qual deverão incidir apenas os juros, por falta de previsão legal para aplicação de multa de ofício e/ou de mora à época dos fatos geradores autuados, no caso, sobre o valor de R$5.305,62”. Portanto, nego provimento ao pedido da Contribuinte referente ao cancelamento da multa de ofício total e dos juros moratórios, incidindo multa de ofício e juros sobre imposto suplementar apurado na NFLD, excetuado sobre o valor correspondente à Restituição Indevida a Devolver, nos termos do voto da DRJ. Com relação ao pleito de redução da multa de ofício de 75% à 20%, fundamenta a Contribuinte seu pedido no art. 59 da Lei 8.383/91: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Entretanto, a legislação é clara ao determinar que a redução se trata de multa de mora e não multa de ofício. Sobre a multa de ofício, a legislação (Lei 9430/) determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Portanto, não há a previsão legal para a redução da multa de ofício requerida pela Contribuinte. Inclusive, observase que a própria Receita Federal determina a possibilidade de redução em até 50% no caso de pagamento efetuado dentro do prazo, por mera liberalidade, redução esta sempre concedida à Contribuinte, sempre que intimada para realizar o pagamento do Imposto Suplementar. Diante do exposto, voto por negar provimento ao pedido. Fl. 139DF CARF MF 16 Da Devolução da Restituição Recebida Indevidamente (R$5.305,62) Alega a Contribuinte que o Fisco corre em erro ao cobrar o valor de R$5.305,62 (cf. tópico 2.2 do acórdão), visto que tal valor foi pago administrativamente, estando o Fisco a realizar cobrança sob nova rubrica. Sem razão a Contribuinte. Observase que não há a comprovação de que a mesma efetuou de fato este pagamento. Pelo contrário, constatase que, no processamento da DAA/2015, originalmente, a Contribuinte foi restituída em R$9.172,21, sendo pago a quantia de R$ 3.866,00. Quando do lançamento proveniente da DAA/2015 Retificadora, ficou a quantia de R$5.305,62 a restituir, visto que a Contribuinte não tinha qualquer direito de restituição. Portanto, não há a comprovação de que este valor foi pago administrativamente pela Contribuinte, razão pela qual, negase provimento do pedido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR TOTAL PROVIMENTO. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901015/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.901015/201212 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.146 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria DECADÊNCIA PERDCOMP Recorrente GTO GRUPO DE TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 15 /2 01 2- 12 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10882.901015/201212 Acórdão n.º 1402003.146 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10882.901015/201212 Acórdão n.º 1402003.146 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10882.901015/201212 Acórdão n.º 1402003.146 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/09/2003, por meio de DCOMP transmitida em 24/11/2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10882.901015/201212 Acórdão n.º 1402003.146 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.901015/201212 Acórdão n.º 1402003.146 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723080/2015-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
EXCESSO DE RECEITA BRUTA.
Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema.
Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 677 1 676 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.723080/201576 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.686 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria Simples Nacional Recorrente NEW MODAS COMÉRCIO DE CONFECCOES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 30 80 /2 01 5- 76 Fl. 677DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório Executivo DRF/FNS no 294 de 11 de novembro de 2015, que excluiu o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), com efeitos a partir de 01/01/2011 (efl. 555), "por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006....". O ADE fixou os efeitos a partir 01/01/2011, e vedou a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Os fatores que inicialmente indicaram as empresas componentes do grupo formado pela Recorrente e por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, Tubarão Confecções Ltda. ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP e J. R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas (efls. 66/139 e 140/163), emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores (inclusive de movimentação bancária) aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam também grupo econômico de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção das optantes pelo Simples Nacional na hipótese legal de exclusão. Por bem descrever o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida: Relatório 1. DO ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL_____ Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela empresa acima identificada contra exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, mediante o Ato Declaratório Executivo nº DRF/FNS nº 294 de 11 de novembro de 2015, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC). A exclusão teve por base os fatos apurados na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional de 03/11/2015, onde foi constatada a prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam na exclusão de ofício do Simples Nacional, com Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 678 3 fundamento nos artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006. Os efeitos da exclusão, de acordo com o art. 2º do citado ADE, operaramse retroativamente a 01/01/2011, sendo vedada a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Consoante a Representação Administrativa que ampara o ato de exclusão, além do sujeito passivo acima identificado, a auditoria fiscal abrangeu as seguintes pessoas jurídicas, que, de acordo com a fiscalização, compõem, juntamente com a New Modas Comércio de Confecções Ltda, um grupo econômico de fato: › Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda. EPP CNPJ: 85.192.441/000195 › Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda. – EPP CNPJ: 07.648.246/000113 › J. R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda. ME CNPJ: 08.691.163/000170 › Tubarão Confecções Ltda. ME. CNPJ: 05.304.238/000124 › Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP. CNPJ: 09.018.294/000153 › Eduardo Decorações Ltda. EPP. CNPJ: 03.300.622/000123 › Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP CNPJ: 00.276.114/000169 › KCS Confecções Ltda. EPP CNPJ: 06.280.835/000129 Relata a autoridade autuante que referidas empresas mantêm estreitas relações negociais, figurando, como administradora, a família Nandi Calegari, através dos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e das senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, para a obtenção dos resultados desejados. De acordo com o Fisco, a unicidade gerencial restou claramente comprovada à vista das procurações públicas por meio das quais todas as empresas do grupo delegam poderes para os senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e para as senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias. Segundo a fiscalização essas pessoas compõem o núcleo familiar NANDI CALEGARI que, por força de contrato social ou por delegação de poderes através de procuração, é quem realmente detêm o poder, caracterizando a unicidade gerencial, visto que todas as empresas do grupo são geridas por essas pessoas, e sempre que surge uma nova empresa participante do grupo ou sempre que, por alteração contratual, um novo administrador é nomeado, de uma empresa já existente, ato continuo, é passado o poder de comando, por procuração, aos senhores e/ou senhoras acima citados. Já a confusão patrimonial, segundo a autoridade autuante, se dá na medida que as empresas componentes do grupo econômico, utilizamse, em conjunto, de bens que não fazem parte de seu patrimônio, como é o caso da utilização de domínios eletrônicos da rede mundial de computadores e de marcas e logotipos, assim como de programas de otimização de vendas, como é o caso do programa denominado "clube maiores lojas", além da utilização, em comum, de recursos humanos, visto que as empresas utilizam trabalhos de empregados, uma das outras, sem qualquer Fl. 679DF CARF MF 4 apropriação dos custos destes empregados, ou, ainda, utilizam trabalhadores que prestam serviços a todas as empresas sendo contratados por apenas uma delas. Em resumo, as empresas do grupo econômico colocam à disposição das outras empresas envolvidas, seu patrimônio material e humano, não se importando com as formalidades legais ou consequência_ fiscais/tributárias, demonstrando que se trata, sem qualquer sombra de dúvida de um agrupamento de empresas, de cunho familiar, na busca de usufruir, de maneira ilegal, dos benefícios concedidos pela Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 (Lei do Simples Nacional). Quanto à confusão financeira, relata o Fisco ser esta uma conseqüência da unicidade gerencial e da confusão patrimonial, pois as empresas envolvidas, ao deixarem de remunerar trabalhadores de outras empresas do grupo, ao executarem trabalhos de supervisão, chefia de recursos humanos, etc., estão transferindo às outras empresas onde o trabalhador está legalmente registrado, todo o ônus financeiro. Logo, tanto na utilização de mão de obra de empregado sem a devida remuneração, por parte de empresas do grupo econômico, quanto na remuneração do empregado prestador de serviços, por parte da empresa que o emprega legalmente, cometese confusão financeira. Ou seja, a empresa que registra o empregado e o remunera cria um custo de mão de obra utilizada em serviço que não lhe foi prestado, pagando salários que deveriam ser pagos pelas empresas tomadoras, ou beneficiadas pelo serviço, situações estas que implicam uma confusão financeira, característica de grupos econômicos de fato, cujo controle de custos, dado a sua informalidade, é deveras trabalhoso e quase sempre não executado. Prossegue relatando a fiscalização que, uma vez caracterizada a formação de grupo econômico de fato e considerando que a situação foi comprovada documentalmente durante o período de 2009 a 2015, foram somadas as receitas brutas das empresas envolvidas e constatado que o total da receita bruta global ultrapassa o limite de que trata o inciso II do caput do artigo 3° da Lei Complementar n° 123, de 2006, conforme demonstrado na tabela abaixo, o que enquadra a empresa fiscalizada, na situação prevista no parágrafo 9° do artigo 3° desta mesma Lei: Esclarece a autoridade representante, que para os exercícios em que a empresa se declara optante do Simples Nacional, o valor da receita bruta anual foi considerado como sendo o valor declarado pela própria empresa na Declaração Anual do Fl. 680DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 679 5 Simples Nacional (DASN) e para os períodos em que a empresa não é optante do Simples Nacional, o valor da receita bruta anual foi considerado o valor declarado pela empresa na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A autoridade fiscal, em vista desses fatos, propôs a exclusão do Simples Nacional pelo cometimento das infrações descritas acima, enquadrandose na hipótese de exclusão de ofício descrita no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei Complementar nº 123 de 14 de dezembro de 2006, sujeitando a empresa à exclusão a partir de 01/01/2011. Alertou, ainda, que uma vez que as situações constatadas e relatadas ocorreram de modo contínuo, em todos os meses do período de 01/2009 a 12/2014, a contagem do prazo previsto no parágrafo 1º do artigo 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006, deve iniciar tanto na competência 01/2011 como na competência 01/2015. 2. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE_____ Cientificada do Ato de Exclusão do Simples Nacional, a empresa Modas Comércio e Confecções Ltda.. apresentou manifestação de inconformidade, expondo suas razões de fato e de direito, a seguir resumidas. Alega, preliminarmente, que nos termos do art. 75, §3º, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional n.º 94, de 2011, a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional obsta a realização do lançamento e a exclusão do regime diferenciado, tendo ainda o contribuinte o direito de obter certidão positiva de tributos com efeitos de negativa, a teor do disposto no art. 206 do Código Tributário Nacional. No ponto, aduz ainda que a impugnação possui o condão de sustar, mesmo que provisoriamente, a exigibilidade do crédito, inibindo assim, o Poder Público de inscrever a dívida e socorrerse do Judiciário para cobrála coativamente. Quanto ao mérito, contesta a imputação de que compõe grupo econômico com as empresas citadas no Relatório Fiscal ao argumento de que, de acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas e bem assim, nos termos dos artigos 494 e 495 da IN RFB n.º 971, de 2009, a constituição de grupo econômico de fato pode ser definida quando duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra, compondo, assim, grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ao passo que, no caso dos autos, não se verifica o requisito essencial para o reconhecimento da existência do grupo econômico, que é a relação de subordinação entre uma empresa principal e as demais empresas do grupo. Em outro plano, alega que eventual parentesco entre os sócios das respectivas empresas não possui o condão de estabelecer relação de grupo econômico entre as empresas, mesmo porque Fl. 681DF CARF MF 6 as disposições legais e normativas citadas nada dizem a esse respeito. Sustenta ser pacífico que para a configuração de grupo econômico não basta a demonstração da unidade de comando na pessoa de um sócio ou administrador, pois, o que se exige é a subordinação empresarial que, no caso dos autos, não restou demonstrada. Alega que, acerca desse mesmo tema, o Tribunal Superior do Trabalho, em decisão unânime e transitada em julgado (Processo n.° 19170017.2007.5.15.0054), entendeu que a mera existência de sócios em comum e de relação de coordenação entre elas não constitui elemento suficiente para caracterização de grupo econômico, com base, inclusive, em decisão da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, ao passo que, no caso presente, a autoridade autuante não indicou qual seria a empresa principal do grupo, ou seja, a unidade de controle e suas subordinadas. Ademais disso, argumenta que, no caso vertente, as empresas relacionadas pela autoridade autuante não constituem "grupo composto por coordenação", este também definido como uma espécie de "grupo econômico", haja vista que todas as empresas citadas se encontram estabelecidas em endereços diversos, possuindo sede e administração próprias, além do que não há qualquer relação entre as empresas em questão, uma vez que prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independentes entre si. Reitera que, em razão do exposto, não há falar em grupo econômico por subordinação, eis que não há hierarquia ou de laços de direção entre as empresas que autorize a responsabilidade solidária, e sequer podese falar em grupo composto por coordenação, uma vez que as empresas possuem sede própria, administração independente e ramos de atividades diferenciados, não possuindo quaisquer dos requisitos que poderiam lhes reconhecer como um grupo econômico. Dado este quadro, alega que não assiste razão ao órgão fiscalizador para excluir a empresa requerente do regime SIMPLES NACIONAL, mormente porque não restaram preenchidos os requisitos ensejadores da configuração de grupo econômico ou empresarial e, consequentemente, não há que se falar em lançamento fiscal das exações as quais a empresa não se submeteu espontaneamente em razão do regime diferenciado no qual se enquadrou. Requer, ao final, o acolhimento da manifestação de inconformidade, com a reconsideração do ADE, bem como seja declarada a insubsistência do lançamento efetuado, e a suspensão do crédito tributário nas esferas Federal, Estadual e Municipal, durante o processamento da impugnação. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 0739.566 5ª Turma da DRJ/FNS, efls. 618/629) julgou a Manifestações de Inconformidade improcedente, Fl. 682DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 680 7 entendendo, em resumo, que os fatos enquadramse na hipótese de exclusão consignada no 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006 e confirmando os efeitos a partir 01/01/2011 e a vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos calendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Isto porque as referidas empresas constituem grupo econômico de fato sob unicidade administrativa, e, assim consideradas, o somatório da receita bruta do grupo extrapolou o limite legal de permanência no Simples Nacional, tendo a impugnante usufruído indevidamente da tributação favorecida do Simples Nacional. Confirmou que a impugnação do ato de exclusão obsta a sua efetividade, todavia, sendo mantida a exclusão, deverão ser observados os efeitos fixados no ADE. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/06/2017 (efl. 641) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 20/07/2017 (efl. 663), em aduz: O Decreto n° 70.235/72, (que regula o PAF) determina que o RECURSO VOLUNTÁRIO suspende a exigibilidade do crédito tributário; e suspende a fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. O procedimento fiscal está eivado de vícios formais, razão pela qual deve ser anulado. Ressaltase que durante a fiscalização a autoridade autuante em nenhum momento solicitou documentos que seriam úteis e favoráveis ao contribuinte, e apenas enxergou o que lhe era conveniente, o que reforçava a sua tese e não a verdade dos fatos. Basta notar que não desqualificou a contabilidade, e sequer desconsiderou a personalidade jurídica de cada empresa. Também, de forma flagrante, violou o que está previsto no Código Tributário Nacional, relativo ao prazo de fiscalização (início e prazo máximo). 2.5 A autoridade fiscal não obedeceu ao que está previsto na legislação, não individualizou o procedimento para cada empresa, e assim agindo, partiu do principio (equivocado) de que estava diante de grupo econômico, e sempre tentando provar a sua tese, e portanto, deixou de ser imparcial. 2.6 Também sequer colheu assinatura dos contribuintes de forma individualizada, e por isso deve ser anulado o procedimento. 2.7 Deixou de solicitar documentos importantes e que provariam que sua tese (de grupo econômico) estava equivocada, e tudo em flagrante violação ao CTN, artigo 197. 2.8 E atuando deste modo, deixou de considerar os acordos comerciais e de rateios entre as empresas, que certamente deixaria evidente NÃO SE TRATAR DE GRUPO ECONÔMICO. 2.9 O fiscal deveria descaracterizar o imposto de renda das pessoas físicas e jurídicas, sequer provou que ocorreu confusão patrimonial ou financeira entre estas. Fl. 683DF CARF MF 8 2.10 Ademais, na composição societária, vale ressaltar, os sócios não são os mesmos e é indispensável que se respeite a personalidade jurídica de cada empresa. 2.11 Evidenciase que sendo, os sócios distintos, não há confusão de entidades, pois não se vislumbra qualquer movimentação financeira entre os mesmos. 2.12 Neste sentido, a movimentação bancária sempre esteve disponível e tampouco a autoridade fiscal a solicitou para verificar ou mesmo demonstrar que houve a confusão das entidades. E repisase, em momento algum ocorreu a confusão destas. 2.13 Com efeito, única e exclusivamente, com a finalidade de reduzir custos, as empresas, realizam algumas parcerias, como por exemplo, em publicidade. E realizam contratos previstos no Código Civil, e que de forma alguma, podem ser interpretados, como celebrado entre empresas do mesmo grupo. 2.14 Melhor sorte não assiste também no que diz respeito às presunções da autoridade fiscal relativamente a dependência entre as empresas, haja vista que em momento algum restou comprovado dependência que possa levar á conclusão de que exista, efetivamente, o controle de uma, para com as outras e, vice e versa, que seja suficientemente ensejadora da caracterização do grupo econômico, ora presumido. 2.15 Impende salientar que, os sócios das pessoas jurídicas, são pessoas físicas distintas, com capacidade contributiva e econômica diversa e em momento algum, realizaram operações financeiras, que afetem a personalidade jurídica dessas empresas, logo, em momento algum, criaram confusão contábil que justificasse as conclusões absurdas da autoridade fiscal. 2.16 Por sua vez, todo o resultado da empresa, quando distribuído, encontrase refletido nas Declarações de Ajustes de IRPF, (dos respectivos sócios, de cada pessoa jurídica. 2.17 E finalmente, notese que a autoridade fiscal não encontrou nenhuma operação de crédito ou dívida, suficientes para demonstrar a relação de grupo econômico, por ela presumido. 3 DO MÉRITO 3.1 Como o dito anteriormente, não poderia o fiscal, partindo de sua tese de grupo econômico, sem, contudo, individualizar o procedimento de fiscalização para cada empresa, e se realmente acreditou estar diante de um grupo, deveria desconsiderou a personalidade jurídica de cada uma. 3.2 Outro ponto, relativo à caracterização do grupo econômico, o CARF, até mesmo em caso de participação societária não considerou tratarse de grupo econômico, conforme a ementa abaixo... 3.2 Importante ressaltar que em momento algum ficou provado o comando único capaz de caracterizar o grupo econômico, tampouco se constatou a formação de caixa único. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 681 9 3.4 A relação entre a recorrente e a autoridade fiscal, se dá na medida em que o mesmo tem a autoridade para retificar o lançamento, e ou mediante ato vinculado promover novo lançamento. 3.5 É evidente que a Magna Carta não deu a autoridade fiscal uma carta em branco, esse exercício de competência se faz mediante ato administrativo, vinculado e motivado. Não basta a vontade da autoridade para lançar é necessário que a conduta esta prevista em norma hipotética. 3.6 Logo o que se assiste na intenção da autoridade fiscal, e mantida pelo julgador é realizar o arbitramento, sem base legal que o sustente. 3.7 A produção de prova poderia inclusive ser realizada pelo julgador, ainda que a legislação que regula o processo o permita: (...) 3.8 Como se percebe a sede de arrecadar é bem maior do que construir a verdade dos fatos, pelos meios legais previstos nos texto, a tal ponto de se desprezar toda e qualquer construção de meio probante previsto em lei. 3.9 A obrigação tributária não nasce da presunção ficcional, onde se pretende transladar a obrigação quando a mesma possui como nexo causal, o fato de ser o mesmo despachante. Somente a Lei pode isso fazer, é o que se conclui na leitura do Código Tributário Nacional: 3.10 O exercício da fiscalização, é antes de mais nada, um exercício de competência legal, logo a ação fiscal é um direito dever, do agente público, é evidente que isso não é uma carta branca, mas muitas vezes a autoridade acaba por construir alguma arbitrariedade, sempre com o pretexto de seguir o que é melhor para fiscalização. (...) Em nome da eficiência, o agente fiscal não pode se distanciar também da razoabilidade, do ato administrativo, sob pena de viciar o lançamento. (...) À vista de todo o exposto, demonstrada que a ação fiscal merece ser anulada, por vícios formais do procedimento fiscal, espera e requer /.a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, com a reforma da decisão atacada e a manutenção/retorno da recorrente ao SIMPLES NACIONAL. Voto Fl. 685DF CARF MF 10 Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Tratase de Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 294, de 11 de novembro de 2015 (efl. 555), que excluiu a Recorrente do Simples Nacional a contar de 01/01/2011, motivado pela constatação de excesso de receita através da formação de grupo de fato com outras empresas, sob unicidade administrativa, hipótese de exclusão prevista e regulada no artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006. A princípio cabe rejeitar a sugestão da Recorrente de que há nulidade no procedimento, tendose em vista que não se evidenciou nos autos a ocorrência da hipótese dos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Ou seja, não houve cerceamento do direito de defesa, tendose em vista que as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão todos os argumentos de defesa. Mesmo antes de apresentar a manifestação de inconformidade, quando ainda não havia litígio e contencioso, e a fiscalização ainda estava em curso, a empresa ora recorrente foi intimada de forma individualizada a apresentar sua escrita contábil e fiscal, conforme Termo de Início de Fiscalização de 21/08/2015 (efls. 62) e Termo de Intimação de 20/10/2015 (efls. 63). Cientificada do ADE em 09/12/2015 (efl. 558) teve a oportunidade de apresentar todos os documentos adicionais que julgasse suficientes para afastar a imputação contidas nestes autos. Desta forma, repito, não houve cerceamento do direito de defesa. Adianto que a Representação para Exclusão do Simples Nacional é resultado da fiscalização sobre contribuições previdenciárias tendose em vista que estes tributos são costumeiramente inadimplidos através do uso indevido da adesão ao Simples, como se comprovou nestes autos. Desta forma não vislumbro conteúdo arrecadatório ou desproporcional do procedimento, como afirma a Recorrente, mas cumprimento do dever legal, como previsto no art. 142 do CTN. Adianto também que não se versou nesta Representação citada sobre "desconsideração de pessoa jurídica", como sugere a Recorrente, mas sobre a exclusão da pessoa jurídica Recorrente do regime simplificado citado. É claro que sendo a apuração concernente a averiguação de formação de grupo de fato por diversas empresas sob unicidade administrativa, as diligências nestas outras tornaramse indispensável, como se deu. Determina o art. 196 do CTN que a legislação aplicável fixará prazo máximo para a conclusão da fiscalização. Neste sentido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que delimita a fiscalização, segundo a Portaria RFB nº 1.687/2014, terá o prazo máximo de validade de 120 (cento e vinte) dias, sendo que a prorrogação deste prazo poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, segundo a mesma norma. Desta forma, e considerandose as datas das intimações acima, não houve excesso de prazo, como sugeriu a Recorrente. Determina ainda o art. 196, parágrafo único, que os termos devam ser, preferencialmente, lavrados num dos livros obrigatórios do fiscalizado. Na impossibilidade, prevê supletivamente o CTN que o termo seja lavrado em papel separado (como se deu), notificando se o fiscalizado, mediante entrega de cópia. Esta exigência de formalização dos diversos atos recebe detalhamento no art. 7º do Dec. 70.235/72. Protesta a Recorrente pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário e da fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. A respeito do litígio destes autos, nos termos do §3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 682 11 (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional tem efeito suspensivo, com as ressalvas do art. 76. Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas (componentes do grupo formado por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, Tubarão Confecções Ltda. ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME) incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas, emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam efetivamente grupo de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção na hipótese de exclusão das optantes pelo Simples Nacional (artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006). Neste mesmo sentido decidiu a decisão de piso, razão pela qual pedimos vênia para reproduzir as razões correspondentes descritas naquela: Ao final dos trabalhos de fiscalização, concluiu a autoridade representante que as referidas empresas constituem grupo econômico de fato, e, assim consideradas, o somatório da receita bruta do grupo extrapolou o limite legal de permanência no Simples Nacional, tendo usufruído indevidamente da tributação favorecida do Simples Nacional. Tocante ao grupo econômico de fato, ressaltese que não existe previsão legal de exclusão do Simples em decorrência de tal caracterização. Todavia, analisados os fatos expostos na representação fiscal, caracterizadores dessa situação jurídica, temse que estão interrelacionados com a infração verificada na empresa e são ensejadores da exclusão do Simples, devido à extrapolação do limite da receita bruta anual do grupo econômico a partir de 01/01/2011, uma vez que a administração da empresa New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME., assim como as demais empresas do grupo, foi transferida pelos seus sócios administradores para os Srs. Evaldo Nandi Calegari, Rafael Nandi Calegari e Márcia Calegari (quadro 1A da representação fiscal). Referidas pessoas (outorgados), consideradas longa manus dos sócios de direito da representada, figuram como administradores de algumas ou de todas as demais empresas do grupo, verificandose a concentração gerencial com relação às integrantes do grupo. No quadro societário abaixo, verificamse as participações na societárias na exlcuída (Quadro 2A da representação): (...) Em que pese a fiscalização não ter concluído que a referida empresa era constituída por sócios tidos como “laranjas”, tem se que ao transferir o poder de gerência (longa manus) para Fl. 687DF CARF MF 12 pessoa(s) que já figura(m) como administrador(a) de outras empresas do grupo, e, ainda, pelo fato de que algum dos sócios também foi ou figura como sócio ou administrador de outras empresas do grupo, restou caracterizada a infração ao art. § 4º, inciso V, do art. 3º e no inciso V e § 1º do art. 29, todos da citada Lei Complementar n.º 123, de 2006. Uma vez demonstrado que se trata de um grupo econômico de fato, a unificação das receitas é imprescindível e, no caso em comento, os valores apurados ultrapassam o limite estabelecido pela legislação do Simples Nacional, conforme dispõe a Lei Complementar nº 123, de 2006. No tocante ao grupo econômico, conforme relatoriado, a fiscalização objetivou demonstrar que a empresa manifestante e as demais envolvidas, que se auto intitulam integrantes do Grupo NANDI, na realidade formam um grupo econômico familiar, estando divididas para fins de obter uma tributação mais benéfica, mas que, fundamentalmente, dispõem de mesma organização gerencial, ressaltandose que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas, quais sejam, o comércio varejista de artigos de tapeçaria, cortina e persianas, o comércio varejista de tecidos, o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios e o comércio varejista de artigos de cama, mesa e banho. De fato, o grupo econômico familiar está evidenciado pela farta juntada de documentação pela autoridade fiscal competente, que indica a unidade de direção ou controle, com objetivos finais idênticos ou assemelhados de todos os entes agrupados. Destarte, para a caracterização e identificação de "grupo econômico, importa investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico” da forma da Lei nº 6.404/76). A definição de grupo econômico é conceito amplo e traz consigo as implicações inerentes ao direito civil/empresarial, tributário, dentre outros. Vejamos a seguir a similitude existente entre os dispositivos legais que definem "grupo econômico", na CLT Art. 2°, §2o e nas normas gerais de tributação previdenciária Instrução Normativa 971, de 2009 da Receita Federal do Brasil Art 494: Art. 2o Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. §Io Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. §2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 683 13 estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Art 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (...) Destarte, o conceito expresso na CLT, em face da evolução nas relações empresariais no mundo globalizado, tem sido interpretado de maneira mais ampla, e já não é visto de forma rígida, admitindose os chamados grupos econômicos por subordinação, conforme demonstrado pela jurisprudência abaixo: GRUPO ECONÔMICO POR COORDENAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. Segundo interpretação progressiva do art. 2º, parágrafo 2º, da CLT, o grupo econômico se caracteriza não só pela relação de subordinação, que leva em conta a direção, o controle ou administração entre as empresas, mas também pela relação de coordenação em que as empresa atuam, horizontalmente, participando de empreendimentos de interesses comuns. A existência de sócios comuns e a atuação conjunta das empresas no mercado econômico caracterizam grupo econômico por coordenação, o que atrai a responsabilidade solidária pelos débitos trabalhistas. (TRT2 AP: 01399008120065020074 SP 01399008120065020074 A20, Relator: IVANI CONTINI BRAMANTE, Data de Julgamento: 10/02/2015, 4ª TURMA, Data de Publicação: 27/02/2015) AGRAVO DE PETIÇÃO. GRUPO ECONÔMICO POR COORDENAÇÃO. Revelandose inconteste o fato de que as empresas possuem relação de coordenação entre si, com identidade de sócios, mesma área de atuação e mesmo ramo de atividade explorado, imperioso reconhecerse a constituição de grupo econômico entre a agravante e as reclamadas, uma vez que se trata de reunião de empresas regidas por uma unidade de objetivos. Correta a responsabilidade solidária imposta pelo juízo a quo. Agravo de petição improvido. (TRT1 AP: 00783006020095010081 RJ, Relator: Roberto Norris, Data de Julgamento: 14/10/2014, Quinta Turma, Data de Publicação: 28/10/2014) GRUPO ECONÔMICO. POR COORDENAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. Diante das novas formas de organização empresarial a concentração de empresas pode assumir os mais variados aspectos. Segundo Fl. 689DF CARF MF 14 interpretação progressiva do art. 2º, parágrafo 2º, da CLT, o grupo econômico se caracteriza não só pela relação de subordinação, que leva em conta a direção, o controle ou administração entre as empresas, mas também pela relação de coordenação em que as empresa atuam, horizontalmente, participando de empreendimentos de interesses comuns. A existência de sócios comuns e o entrelaçamento de interesses econômicos entre as empresas evidenciam a atuação conjunta das empresas no mercado econômico, elementos de existência de grupo econômico por coordenação, o que atrai a responsabilidade solidária pelos débitos trabalhistas. A formação e existência do grupo econômico no segmento do transporte coletivo é fato público e notório e, somado aos elementos contidos nos autos autoriza o acolhimento da tese obreira devendo a execução ser direcionada em face da "Metra Sistemas Metropolitano de Transportes Ltda", empresa solvente e pertencente ao Grupo Econômico. Agravo provido. (TRT2 AP: 00633003320055020016 SP 00633003320055020016 A20, Relator: IVANI CONTINI BRAMANTE, Data de Julgamento: 12/05/2015, 4ª TURMA, Data de Publicação: 22/05/2015) EXECUÇÃO. GRUPO ECONÔMICO. ART. 2º, §2º DA CLT. PRESSUPOSTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No contexto da vocação juslaborista, a configuração de grupo econômico refoge aos pressupostos da legislação comercial. Sob aquele enfoque, suficiente a ligação empresarial fundada na concentração da atividade empreendedora em idêntico empreendimento, seu controle e gestão atribuídos a um dos sócios comuns, ou seja, um elo de interligação e coordenação interempresarial, tendo em vista a consecução de finalidades comuns e correlatas, independentemente da personalidade jurídica atribuída. Inocorrendo demonstração inequívoca da figura elencada no art. 2º, § 2º consolidado, não há que se aventar de grupo econômico.(TRT da 12ª Região, AP 027052003 00712001, Sexta Câmara, Relatora Ligia Maria Teixeira Gouvêa, TRTSC/DOE de13/05/2011) GRUPO ECONÔMICO. REQUISITOS PREENCHIDOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Para a caracterização de grupo econômico, exigese a simples relação de coordenação entre as empresas, mediante a informalidade do Direito do Trabalho, sendo desnecessária a vinculação formal societária entre as empresas, já que se busca a garantia da solvabilidade dos créditos trabalhistas, dada a sua natureza alimentar, primando pela dignidade da pessoa humana e pelo valor social do trabalho, assegurados constitucionalmente. Do conjunto probatório existente nos autos, restou caracterizado, de forma evidente, que as rés foram beneficiárias da força de trabalho do reclamante, bem como a existência de laços de integração e coordenação nas atividades desenvolvidas pelas mesmas, atraindo o reconhecimento do grupo econômico para fins justrabalhistas, embora não configurado pelas regras do Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 684 15 direito empresarial, impondose a responsabilização solidária de todas as reclamadas, com base no artigo 2º, § 2º, da CLT, assim como do artigo 942 do Código Civil Brasileiro de 2002. (TRT da 6ª Região, RO 0001156 12.2010.5.06.0121, Segunda Turma, Relatora Dione Nunes Furtado da Silva, Sessão de 01/06/2011) No presente caso, os fatos apurados pela fiscalização apontam para o elo empresarial, a integração entre as empresas e a concentração da atividade empresarial num mesmo empreendimento, e, contrariamente ao alegado pelo contribuinte, verificase a existência de um grupo econômico de fato. Dentre as provas que demonstram que a New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME. e as demais empresas investigadas compõem grupo econômico de fato, devese destacar as seguintes: I – A existência de procurações obtidas junto ao 1º Tabelionato de Notas e protestos de TubarãoSC, que outorgam poderes de total gerência e administração ( Quadro Quadro 1A da representação, cópias anexadas Doc. 17), aos Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias. Referidas pessoas, além de serem contratualmente, os titulares de uma ou mais empresas do grupo, são também procuradores, com todos os poderes para gerir e administrar as demais empresas componentes do mesmo grupo, caracterizando a existência de grupo econômico de fato, com unicidade gerencial e poder de decisão centralizado. II – A existência de procurações obtidas junto ao 1º Tabelionato de Notas e protestos de TubarãoSC (Quadro 1B da manifestação, cópias anexas Doc. 18), que delegam poderes de gerenciamento financeiro às pessoas do Sr. Rafael Nandi Calegari e Senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari. III – Com base nos documentos acima, verificase que a gerência administrativa e financeira das empresas componentes do grupo econômico fica a cargo do grupo familiar composto pelo Senhor Evaldo Nandi Calegari, sua esposa a Senhora Raquel Martins Farias, seu filho o Senhor Rafael Nandi Calegari e sua irmã a Senhora Márcia Calegari. Evaldo Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 08/1999 a 11/2000 e 08/2005 a 05/2010: (...) Rafael Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 02/2001 a 08/2005 e 10/2011 a 01/2013 e na empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serviços Ltda. EPP no período de 07/2006 a 02/2008: Fl. 691DF CARF MF 16 (...) Raquel Martins Farias: Atua como administradora, conforme contrato social e alterações, na empresa New Modas Com. De Confec. Ltda. ME desde 05/2007: (...) Márcia Calegari: Atuou como administradora, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Nacale Com. de Tec. e Confec. Ltda. EPP, no período de 10/1991 a 03/2005, na Empresa CostaEsmeraldino Confecções Eireli EPP nos períodos de 06/1998 a 08/1999 e 07/2010 a 09/2015, na empresa JR Dandolini Artigos do Vest. Ltda. ME desde 04/2013 e na empresa Tubarão Confecções Ltda. EPP desde 12/2011: (...) Como se observa acima, em algum momento da existência do grupo econômico ora analisado, o Senhor Rafael Nandi Calegari, a Senhora Raquel Martins Farias e a Senhora Márcia Calegari fizeram parte da sociedade de uma das empresas do grupo econômico, como sócios administradores, o que, segundo a fiscalização: “denota o forte vínculo existente entre as empresas que compõem o grupo econômico, uma vez que os mesmos, gerenciam financeiramente, com total poder de movimentação de contas bancárias, empresas das quais não fizeram e nem fazem parte do quadro social”. A delegação de total poder de gerenciamento e administração, por procuração pública, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, e a maneira como são distribuídos, também por procuração pública, os cargos de gerenciamento financeiro, com total poder de movimentação das contas bancárias, ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, demonstra o claro objetivo de criação de um grupo de empresas, no intuito de obter melhores resultados econômicofinanceiros. Esta união entre as empresas com objetivos sociais iguais ou correlatos, caracteriza a existência de grupo econômico de fato com unicidade gerencial e comando centralizado. Dos documentos apresentados pelas empresas abrangidas pela auditoria (ìtem 4.2.)” VI – a coordenação entre as empresas também é evidenciada nos quadros elaborados pela fiscalização, constantes das fls. 16 e 17 da Representação, de cuja análise extraiu a fiscalização que (doc. 39): (...) Percebese, a partir da análise do resumo da movimentação contratual e do Quadro 2A Titulação Societária, que a família Nandi Calegari, sempre esteve a frente do comando das empresas abrangidas por esta auditoria. Este comando era oficializado por contrato Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 685 17 social devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, porém a partir dos anos 2007 e 2008, com surgimento de novas empresas,novos membros da família eram incluídos nas administrações, o poder, então, passou a se concentrar em quatro membros da família, quais sejam, os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias. Formase assim, o grupo familiar que comanda, até os dias atuais o grupo econômico de fato, de cunho familiar, composto pelo senhor Evaldo Nandi Calegari, juntamente com sua irmã, a senhora Márcia Calegari, seu filho o senhor Rafael Nandi Calegari e sua esposa Senhora Raquel Martins Farias. Quanto ao poder de comando, este é oficializado por contrato social e/ou delegação por procuração aos membros da família Nandi Calegari: VII. As Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias (Doc 40) analisadas por amostragem evidenciam o recebimento de mercadorias por um mesmo responsável (Wagner de Souza Nunes). Também foram localizadas Notas fiscais de compra de material e equipamentos, que identificam o responsável pela compra como administrador do grupo Nandi. VIII. – Nos contratos de Abertura de Contacorrente (Doc. 41) firmados entre a empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda. e o Banco do Brasil S/A e a Caixa Econômica Federal, a empresa atesta sua participação no grupo econômico de fato Fl. 693DF CARF MF 18 aqui caracterizado, ao declarar na ficha de abertura de contas que seu nome de fantasia é “Casa Nandi”, sendo esta uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico. IX. Constatação, junto ao Ofício de Registros das Pessoas Naturais e Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de Tubarão/SC (Item 4.3), de Regulamento do Programa de Relacionamento Clube Maiores Lojas (Doc. 29), que trata da criação de um programa de fidelidade, para clientes em compra em lojas que pertencem ao grupo de empresas que constituem o grupo econômico de fato, que foi assinado em rubricado pelo senhor Rafael Nandi Calegari, representando todas as empresas componentes do grupo econômico. X. Na documentação pelo Sindicato dos Comerciários de Tubarão SC, em atendimento à fiscalização (Ofício DRF/FNS n° 111 de 31/08/2015), qual seja, documentos referentes à homologação de rescisões de contratos de trabalhos, cartas de prepostos emitidas pelas empresas envolvidas na auditoria do grupo econômico, e correspondências das empresas, verificase que empregados administrativos de uma empresa componente do grupo são utilizados indistintamente, por duas ou mais empresas, sendo identificados como prepostos de duas ou mais empresas, chefes de RH do Grupo Nandi, ou Supervisores do Grupo Nandi. Quanto aos Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho, referentes a exempregados das empresas KCS Confecções Ltda., Empório Duhomem Ltda., Tubarão Confecções Ltda. ME, Calegari Com. Dec. Ltda. EPP, Cosia esmeraldino Ltda., Nacale Com. Confec Ltda. e J.R Dandolini Ltda., em diversos meses dos anos de 2010 e 2011, constatouse que foram assinados pelas senhoras Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, as quais foram nomeadas representantes, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico. Nas cartas com solicitação de abertura especial de horário, as empresas do grupo Nandi informam a realização de “feirões de venda”, sendo todas assinadas pelo Sr. José Roberto Dandolini, sócio gerente, à época, de outra empresa do grupo, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME, que ao assinar as correspondências se identifica como supervisor do Grupo Nandi, representando todas as empresas. Pelas referidas correspondências, a fiscalização também constatou que desde o ano de 2009, todas as empresas do grupo, fazem uso das marcas NANDI, EMPÓRIO DUHOMEM e LOJÃO VITÓRIA: (...) Analisadas cópias de emails enviados pelo Grupo Nandi, comunicando a execução de feirões (doc 35) ao Sindicato dos Comerciários, observase que o remetente dos emails, datados de 23 de março de 2009 e 24 de julho de2009, é o senhor José Roberto Dandolini, identificado ao pé dos emails como Supervisor do Grupo Nandi, utilizando um endereço de email corporativo do Grupo Nandi (dandolini@casanandi.com.br), Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 686 19 sendo que este era sócio gerente, à época, de outra empresa do Grupo Nandi, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME. XI. Cópias parciais de processos trabalhistas obtidos junto à Justiça do Trabalho de TubarãoSC (Doc. 36), também corroboram com a tese de que as empresas compõem grupo econômico de fato: (...) VI. Além dessas provas, vieram aos autos documentação e informações obtidas através da rede de mundial de computadores, com a verificação de páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria; Perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria, Informações através do “Whois” (Protocolo para consulta sobre domínios (sites) na internet): d) Registro de Marcas – INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial, que reforçam a conclusão de que as empresas investigadas de identificam como um grupo econômico (fls. 22 da representação fiscal). Com efeito, a análise conjunta das provas e constatações discriminadas acima não deixa dúvidas de que a New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME e as demais empresas investigadas compõem grupo econômico de fato, visto que além de serem subordinadas à pessoas da mesma família (no caso, integrantes da família Nandi), atuam de forma integrada e coordenada. Claramente, constituição de diversas empresas por parte da família Nandi permitiu que a New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME. mantivesse seu faturamento anual dentro do limite estabelecido pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e, dessa forma, deixou de arcar com o encargo previdenciário patronal incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviço, causando prejuízo a Fazenda Pública. O manifestante, por sua vez, não faz qualquer demonstração que infirme as conclusões expostas na Representação Administrativa que ensejou o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples. Alega que não se verificou o requisito essencial para o reconhecimento do grupo econômico, qual seja, a subordinação entre uma empresa principal e as demais do grupo e que o eventual grau de parentesco entre sócios das respectivas empresas não tem o condão de estabelecer o grupo econômico. Não se nega que a dinâmica das relações do comércio e a competitividade do mercado exigem que as empresas reduzam custos. Contudo, no caso em lide, o conjunto probatório relatado pela fiscalização ancorado em elementos e evidências robustas, dentro de um contexto abrangente, evidencia uma disposição empresarial atípica, com centralização de gestão, de direção dos negócios, e o próprio relacionamento com o público externo, Fl. 695DF CARF MF 20 levam à convicção de que referidas empresas têm apenas aparência de unidades autônomas, mas que na realidade existe entre elas uma confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de administradores, verificandose a subordinação. O manifestante também sustenta que as empresas fiscalizadas são pessoas jurídicas distintas e independentes uma das outras. Embora a tese de defesa objetive comprovar a regularidade na atividade das empresas envolvidas, temos que o contorno de normalidade da atuação das mesmas não se sobrepõe à verdade material restabelecida pelo lançamento. Outrossim, não há que se falar, no presente caso, em desrespeito ao princípio da entidade ou, ainda, de desconsideração de qualquer uma dessas empresas. O fato das empresas constituírem grupo econômico de fato não afasta a personalidade jurídica dessas empresas, todavia, traz efeitos ao campo da responsabilidade tributária. A manifestante também alega que o simples fato de as empresas serem constituídas por parentes não se constitui em elemento de prova suficiente para caracterizar o grupo econômico. Com efeito, os elementos de prova e constatações da representação fiscal, se forem analisados individualmente como fez o manifestante em sua defesa, podem até conferir aparente distinção no desenvolvimento das atividades das duas empresas, no entanto, quando apreciados em conjunto, demonstram que se trata empresas subordinadas a uma única administração. Como visto, restou amplamente demonstrado que todas as empresas do grupo são administradas, por força de contratos sociais ou procurações, por pessoas vinculadas à família Nandi. Assim, no caso presente, contrariamente ao que pretende a contribuinte, a relação de parentesco se constitui em um forte elemento de prova a favor do Fisco. O grupo, inclusive, se identifica para o público externo como Grupo Nandi. Além disso, lembrese que prepostos registrados em uma das empresas, representam outras empresas componentes do grupo nas homologações de rescisões trabalhistas e aviso prévio, demonstrando a centralização dos recursos humanos. Citese, ainda, que o grupo encaminha correspondências para diversos órgãos, assinadas por representante/supervisor do Grupo Nandi. Todos esses fatos reforçam a tese da existência de um grupo econômico familiar. E, restando caracterizado que a forma jurídica adotada não reflete o fato concreto, o Fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes” (Amaro, Luciano, ob. cit., p. 233/234) Portanto, diante das circunstâncias evidenciadas na representação administrativa e em razão da primazia da verdade material sobre a formal, a infração apurada está respaldada pelo conjunto probatório constante dos autos, porquanto a realidade subjacente demonstra a existência de grupo econômico de fato entre a New Modas Comércio de Confecções Ltda e as Fl. 696DF CARF MF Processo nº 11516.723080/201576 Acórdão n.º 1001000.686 S1C0T1 Fl. 687 21 empresas Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda. EPP CNPJ: 85.192.441/000195, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda. – EPP CNPJ: 07.648.246/000113, J. R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda. ME CNPJ: 08.691.163/0001 70, Tubarão Confecções Ltda. ME. CNPJ: 05.304.238/000124. Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP (CNPJ: 09.018.294/000153), Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP (CNPJ nº CNPJ: 00.276.114/000169) e KCS Confecções Ltda. EPP (CNPJ: 06.280.835/0001 29). Verificase, ainda, que o sócio ou titular da manifestante é administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica integrante do grupo, havendo a extrapolação da receita bruta global para fins de permanência no Simples Nacional. Por fim, também observa, no caso presente, a prática reiterada de infração à legislação tributária, hipótese legal de exclusão do simples, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta, causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Por fim, prevê o §1° do art. 29 que nas hipóteses previstas nos incisos II a X do caput a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. No caso discutido nestes autos há subsunção dos fatos a dois incisos do art. 29 (I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória e V tiver sido constatada prática reiterada de infração), razão pela qual confirmamos o impedimento de adesão para os três anos posteriores. Adicionese que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 697DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001145/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE.
O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.
Numero da decisão: 2201-004.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 45 /2 00 9- 21 Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 712 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o 04 42.095 3a Turma da DRJ/CGE, que julgou improcedente a sua impugnação. Adoto, em parte, o relatório do acórdão recorrido por sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD n° 37.133.4683) lavrado contra a empresa acima identificada referente às seguintes contribuições devidas à Seguridade Social: (a) quota patronal (22,5%) e (b) contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT (1%), incidentes sobre remuneração (PLR) paga a segurados empregados. O crédito tributário abrange as contribuições devidas nas competências 02/2005, 02/2006, 03/2006 e 11/2006, totalizando o valor de RS 11.590.151,48 (onze milhões, quinhentos c noventa mil, cento e cinquenta e um reais e quarenta c oito centavos), consolidado em 04/11/2009, do qual foi dado ciência ao Sujeito Passivo em 06/11/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração (fls. 1). De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigações Principais (fls. 313/334), ao serem examinados documentos tais como folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS, Convenções Coletivas de Trabalho, Acordos Próprios de Participação nos Lucros ou Resultados, Livros Razão e Diário, constatouse o não recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre os pagamentos aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados” (PLR) efetuados cm desacordo com a legislação vigente (Lei 10.101/00). As remunerações referentes ao PLR foram apuradas a partir de informações obtidas das folhas de pagamentos apresentadas pela empresa em 06/07/2009, em arquivo magnético (CD) com estrutura prevista no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD. Tais valores foram confirmados com a contabilidade do sujeito passivo, entregue na mesma data, também em arquivo magnético (DVD). A multa incluída na presente autuação considerou as alterações legislativas provenientes da edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida, em 27 de maio de 2009, na Lei n° 11.941, a qual alterou as alíquotas da multa aplicada aos lançamentos de ofício referentes à totalidade ou diferença das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos (terceiros), em especial nos casos em que ocorreram, simultaneamente, a falta de recolhimento, falta de Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 713 3 declaração e/ou declaração inexata, pelo que deve ser adotada a multa mais benéfica ao contribuinte em obediência ao art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. O credito lançado encontrase fundamentado na legislação constante do anexo FLD Fundamentos Legais do Debito (fls. 6/7). As bases de cálculo, as respectivas contribuições previdenciárias e os acréscimos legais estão discriminadas no anexo DD Discriminativo do Debito (fls. 4/5). A Auditora Fiscal autuante apresentou os seguintes anexos explicativos: Anexo I Demonstrativo do Valor Pago de PLR por Beneficiário (02/2005), Anexo II Demonstrativo do Valor Pago de PLR por Beneficiário (02/2006, 03/2006 e 11/2006), Anexo III Cálculo do Valor Máximo de PLR (alguns casos) e Anexo IV Multa Fina! Aplicada. Na mesma ação fiscal foram, ainda, lavrados os seguintes documentos: Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP) DEBCAD n° 37.133.4691, referente às contribuições destinadas aos Terceiros incidente sobre o PLR pago aos segurados empregados e Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA DEBCAD n° 37.133.4705, referente à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória de apresentar GFIP com as informações referentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Além dos relatórios supracitados integram o Auto de Infração DEBCAD n° 37.133.4683 os seguintes documentos: IPC Instruções para o Contribuinte (fls. 2/3); Relatório de Vínculos (fls. 8/9); TDM Totalização de Débito por Moeda (fls. 10); TIPF Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 109/112); Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (fls. 114/116); Termo de Intimação Fiscal (fls. 117/124); TEPF Termo dc Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 125) e Recibos de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 270/294). IMPUGNAÇÃO de 04/12/2009 (fls. 365/401) Dentro do prazo regulamentar (fls. 410) a empresa impugnou o lançamento por meio do instrumento de fls. 365/401, com a juntada de documentos de fls. 402/405 e 407/408 (instrumento particular de mandato; cópia de Ata de Reunião do Conselho de Administração e da Assembléia Geral Extraordinária; cópia de documentos de identificação do patrono) apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: O auto de infração DEBCAD n° 37.133.4705, que trata de hipótese de descumprimento de obrigações acessórias, tem sua razão de ser umbilicalmente vinculada ao AI DEBCAD n° 37.133.4683. A procedência da aplicação de multa por informação incorreta em GFIP depende totalmente do reconhecimento da procedência da tese defendida pelo Fisco, em relação aos alegados pagamentos de salárioscontribuição referidos no outro auto de infração. Evidenciase, assim, a Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 714 4 conexão entre os casos, tornando indispensável que o julgamento de ambos os casos ocorra conjuntamente. Os autos de infração ora contestados se fundam em ficções, teses, criadas a partir de critérios pessoais sobre como deveriam ser as condições do PLR firmado entre o Contribuinte e seus empregados, como se o Fisco tivesse liberdade, autonomia ou poder para desconstituir relações legitimamente entabuladas, única e tãosomente para criar obrigações tributárias imaginárias e ilegais. A Participação nos Lucros ou Resultados da empresa foi erigida a condição de direito constitucional fundamental, pelo que os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados estão, por determinação constitucional, desvinculados da remuneração, constituindo uma imunidade tributária. Tal mandamento foi confirmado pela Lei 10101, de 19/12/2000. Por conseqüência, mostrase totalmente ilícita a pretensão do Fisco, que se apresenta como se detentor fosse de um processo legislativo exercido a esmo, de modo interesseiro e imoral, refutando todas as claras vedações constantes do Texto Constitucional e da lei para convalar em salário de contribuição um benefício que nenhuma relação com salário tem, que às escâncaras está desvinculado de qualquer remuneração oriunda do trabalho e que está protegido constitucionalmente pela imunidade, para incluílo na base de calculo de contribuição social, sob singelos e equivocados argumentos de que essa ou aquela formalidade não teria sido observada no pagamento dos PLR nos anos de 2005 e 2006. Não há na Constituição Federal ou na lei 10.101/00 uma disposição sequer que autorize o Fisco a desconstituir os pagamentos feitos a título de PLR pelo Contribuinte em caso de não atendimento dc qualquer das disposições fixadas, a transformar os valores pagos em salárioscontribuição e, a partir disso, exigir do Contribuinte os tributos e multas referidos nas autuações. O artigo 116, do Código Tributário Nacional, com a alteração introduzida pela Lei Complementar n° 104/01, permitiu a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador ou os elementos constitutivos da obrigação tributária, observados, no entanto, os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Como essa disposição da LC ainda depende de regulamentação específica seu conteúdo ainda é inaplicável e, sendo assim, a autoridade fiscal esta inapta a desconsiderar os termos e condições de ajustes como os de participação nos lucros e resultados do Contribuinte, assinados livremente entre as partes, homologados pelo Sindicato da Categoria, alicerçada em meras presunções de que não teria havido conhecimento prévio dos empregados sobre o conteúdo daqueles PLR pagos em 2005 e 2006.Assim, na medida em (i) que a Legislação vigente considera imunes à tributação as verbas pagas a título Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 715 5 de participação nos Lucros ou resultados das empresas, (ii) a lei não retira de tais verbas o benefício da imunidade, ainda que ausente qualquer dos requisitos previstos na Lei 10101/00 na sua concessão o que se admite apenas para argumentar, (iii) que a Lei não autoriza o Fisco a mudar a natureza de tais benefícios, notadamente para fins tributários, transformandoos em salárioscontribuição, e, finalmente, (iv) que o fato descrito no auto de infração de obrigações principais não se amolda à nenhuma hipótese de incidência fixada em abstrato na Lei, para surgimento da obrigação tributária relativa aos encargos tributários pretendidos pela Autoridade Tributária o ato administrativo ora impugnado revelase ilegal, porque praticado a margem de qualquer lei que possa lhe assegurar sustento, revelando, assim, hipótese de nulidade do indigitado ato administrativo e do crédito tributário correspondente, o que, desde já, espera o Contribuinte venha a ser decretado por essa r. Delegacia de Julgamento.A caracterização do PLR como salário de contribuição partiu de uma premissa fundamental: a de que os empregados somente tiveram conhecimento das condições dos Acordos Próprios firmados com o Contribuinte por ocasião dos pagamentos das PLR em 2005 c 2006, inexistindo nesses casos a negociação prévia a que se refere a Lei 10.101/00. o que se demonstra equivocado pelos seguintes motivos: Primeiramente, porque a exigência feita de apresentação de atas evidenciando a negociação prévia foge à capacidade atribuída ao Fisco. Em segundo lugar, porque ficou evidenciado flagrantemente o excesso de poder no desempenho da fiscalização que adentrou na análise e julgamento pessoal de aspectos que nenhuma ligação têm com a sua função ou com a Administração Tributária, posto que integram, segundo a própria lei determina claramente, a competência do Sindicato da Categoria dos Bancários e, última análise, do Ministério do Trabalho. Ao Fisco Federal não compete manifestarse sobre os eventuais direitos refletidos nos acordos coletivos de PLR na medida que a respectiva defesa foi atribuída ao Sindicato e estando ele comprovadamente presente na negociação e assinatura dos acordos de 2004 e 2005 está comprovado o atendimento dos interesses coletivos. Em terceiro lugar, porque as suposições adotadas pela fiscalização não soam críveis. Em quarto lugar, porque o Contribuinte não tinha nenhuma razão para esconder de seus colaboradores a existência de negociações em torno de propostas de participação nos lucros. Em quinto lugar, a improcedência da afirmação da Senhora Fiscal pode ser reconfirmada pela total inexistência de reclamações trabalhistas movidas contra o Contribuinte envolvendo qualquer benefício relativo aos PLR de 2004 e 2005, pagos cm 2005 e 2006. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 716 6 Admitese o uso de ficções ou presunções no campo tributário. Todavia, seu uso não pode se contrapor à direitos maiores, como o da legalidade cerrada e da segurança jurídica. Nesses termos, somente é possível o uso de presunções ou ficções jurídicas pelo Fisco quando expressamente autorizadas por Lei, não podendo o agente público criar ou aplicálas segundo suas experiências pessoais. Por essas razões, a decretação da nulidade do auto de infração de obrigações principais é requerida desde já, porque lavrado em abuso de poder, desprovido de fundamentação concreta e sem adequação e entrosamento dos fatos narrados com a capitulação da infração. Os planos de PLR 2004 e 2005 entabulados entre o Contribuinte e seus Empregados respeitaram a legislação aplicável: Está comprovado pelos documentos entregues durante a fiscalização que os planos de PLR foram firmados pelas pessoas determinadas pela Constituição Federal e pela Lei 10.101/00: o Contribuinte e seus Colaboradores. Portanto, os PLR pagos em 2005 e 2006 atenderam à primeira condição de validade do PLR que é a presença das partes efetivamente interessadas. Foram entregues durante a fiscalização cópias das Convenções Coletivas entabuladas entre o Contribuinte e seus Colaboradores relativamente ao PLR dos anos de 2004 e 2005, pagas nos anos de 2005 e 2006, respectivamente, restando atendido o requisito instrumental estabelecido no artigo 2° da Lei 10.101/00. No entender da fiscalização, somente com a assinatura das convenções para pagamento das PLR c que os beneficiários passaram a ter conhecimento dos planos, ou seja, tais condições não teriam sido pactuadas previamente, como requer a lei. As Convenções não representam a fixação rígida e limitadora dos direitos substantivos da participação, mas meras regras adjetivas e gerais dessa participação. A quantificação da PLR de cada empregado resulta da análise dos demonstrativos de resultados da empresa c das avaliações pessoais dos colaboradores, que embora não mencionados formalmente nos diversos instrumentos de acordo, deles fazem parte integrante. É o que resulta da interpretação lógica e sistemática do conjunto de documentos entregues à Fiscalização. Daí porque c irrelevante o fato dos instrumentos terem sido assinados em determinada data e os respectivos pagamentos terem sido efetivados poucos dias após. Diversas são as circunstâncias que podem afetar o montante dos lucros a serem partilhados: o volume de lucros a distribuir, se existentes; ainda que não tenham sido detalhadas nos acordos coletivos, todas as circunstâncias influentes no resultado da empresa, do Grupo Econômico, da atividade comercial e individual dos beneficiários para fins de PLR são de conhecimento público de todos os beneficiários; não há irregularidade alguma no fato de haver na determinação do Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 717 7 lucro a ser partilhado a influência de fatores externos; o empregador é senhor absoluto na definição do montante partilhável. Dos planos de PLR relativos aos exercícios de 2004 e 2005 participou ativamente o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, homologando ao final os acordos coletivos. Estando evidenciado o atendimento de todos os requisitos determinados em lei para a concessão dos benefícios inerentes aos programas de PLR pagos em 2005 e 2006, são válidas e eficazes as convenções coletivas firmadas entre o Contribuinte e seus empregados, bem assim, os pagamentos que deles decorreram. Assim, é defeso ao agente ou mesmo ao julgador em sede administrativa declarar sua nulidade para travestir os benefícios oagos em salário de contribuição. Destacase que a escrituração do Contribuinte, mantida com observância das disposições legais, faz prova em seu favor em relação aos fatos nela registrados. Com efeito, os pagamentos feitos pelo Contribuinte a título de PLR foram devidamente registrados em sua escrituração contábil. E neste aspecto específico vale o registro de que nenhum aspecto contábil relativo aos pagamentos feitos pelo Contribuinte aos seus colaboradores seja em 2005, seja em 2006, a título de PLR, foi impugnado pela digna Agente Fiscal. Não há na autuação de Obrigações Principais uma só prova da veracidade do que foi ali alegado pela Agente Fiscal. Além de seu entendimento pessoal acerca do que foi ou possa ter sido, nada mais há que sustente o que foi ali registrado. O excesso e o desvio de poder são evidentes nos casos vertentes. A criação de teses para imputação de responsabilidade tributária não encontra guarida no ordenamento jurídico. Espera, pois, o Contribuinte, sejam acolhidas as preliminares arguidas para decretação da nulidade do Auto de infração de obrigações principais ora combatido diante das diversas ilegalidades que nele se vislumbra, ou, no mérito, que seja a referida pretensão tributária declarada improcedente, anulando se, consequentemente, numa situação ou noutra o alegado credito tributário. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 468/487), nos termos da seguinte ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 718 8 CONVENÇÃO COLETIVA / ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções Coletivas / Acordos Coletivos de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS (PLR). DESATENDIDA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A Lei n° 10.101/00 é bastante clara quando, em seu art. 2o, § Io dispõe que devem constar dos instrumentos de negociação da PLR “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado” e que os “critérios e condições” devem ser “pactuados previamente”. Desta forma, não há espaço para dubiedade na interpretação: o acordo que prevê programa de metas deve ser firmado em data anterior ao início do período a que se referem os lucros e resultados, de forma que os participantes possam ter ciência dos requisitos a serem adimplidos para fazerem jus ao pagamento a título de participação nos lucros e, então, poderem direcionar seus esforços em tal sentido. Cientificado do acórdão da DRJ em 11/06/2010 (fl.490), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls.496/512), tempestivamente, em 06/07/2010, alegando, em síntese: A assinatura do acordo da PLR marca o término das negociações e não o início como quer fazer crer a Fiscalização, não havendo que se falar em não conhecimento prévio das regras; Não há discricionariedade no pagamento do plano. O lucro a ser partilhado exerce influência do mercado externo porque a diretoria exerce seus poderes em nome do acionista controlador, localizado na França. Uma coisa é a influência desse acionista no lucro, outra coisa é a influência desse controlador nos termos e condições do PLR, o que nunca ocorreu. O não atingimento da meta integral por determinada área de negócios não invalida o pagamento parcial da PLR, posto que mesmo a meta não sendo alcançada, não há impedimento que haja reconhecimento proporcional entre o benefício pago e o resultado atingido. Quanto à participação do sindicato no plano próprio de PLR, aduz que o art. 170 da Constituição Federal asseguralhe a liberdade para desenvolver a sua atividade econômica; Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 719 9 Não é porque as metas não foram estabelecidas numericamente que não há regras objetivas. Foram avaliados critérios objetivos de capacidade técnica, assiduidade, comprometimento, respeito, pontualidade, relacionamento com a equipe, qualidade de atendimento, entre outros. A autuação é decorrente de abuso de poder; Houve infrigência aos princípios da estrita legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Por fim, requer seja dado provimento ao presente recurso, sendo anulado o presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da afronta a princípios constitucionais Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 720 10 Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infrigência aos princípios da estrita legalidade, proporcionalidade e razoabilidade. Da Participação nos Lucros e Resultados Considerando a matéria sob julgamento, temos a observar, preliminarmente, que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é um direito social de matriz constitucional, e regulada no plano infraconstitucional pela Lei n° 10.101/2000, como segue: Constituição Federal 1988 Art. 7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) (grifos nossos) Lei n° 10.101/2000 (Texto vigente à época do Período de Apuração) Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 721 11 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) (grifos nossos) Embora a CF/88 assegure o direito dos empregados à participação nos lucros ou resultados das empresas, tal comando é de eficácia limitada, ou seja, depende de lei ordinária federal para sua aplicação plena. O legislador constituinte, ao estabelecer aquele direito social, desvinculado da remuneração, remeteu à lei ordinária o poder de disciplinar o acesso dos empregados àquele direito, definindo o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício para fins tributários, seja quanto à incidência do imposto de renda, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Assim, somente com a superveniência da Medida Provisória n° 794/1994, sucessivamente reeditada e com numeração variada até a MP 1.98277, de 23 de novembro de 2000, convertida na Lei n° 10.101/2000, é que foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito dos trabalhadores àquela participação, desvinculada da remuneração. A Lei n° 10.101/2000, deixa explícito que a PLR tem como um dos seus objetivos incentivar a produtividade, e o § 1° do artigo 2° determina que as regras para o pagamento da PLR devem constar do documento que fixa os termos da negociação. Ora, a concessão da PLR sem a exigência de meta a ser atingida não cumpre o objetivo de incentivar a produtividade. Do instrumento de negociação firmado entre as partes devem constar regras claras e objetivas das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para que ocorra o pagamento ou crédito da parcela correspondente à participação nos lucros ou resultados (direito substantivo), conforme disposto no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000. Nesse contexto, logicamente, os trabalhadores precisam saber previamente dos critérios e condições acordados com a empresa, constantes daquele instrumento de negociação, tais como metas, resultados, índices de produtividade ou lucratividade, dentre outros, de forma que possam, de forma periódica, acompanhar e avaliar a evolução dos indicadores vinculados ao pagamento da PLR. Desta forma, na hipótese de haver outro documento detalhando as regras, ele fará parte integrante do primeiro instrumento e, da mesma forma que este, aquele também deve ser celebrado antes do início do cumprimento das condições para a PLR. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 722 12 Do exame dos dispositivos contidos na Lei n° 10.101/2000, temos que, afora os parâmetros nela estabelecidos, não constam regras detalhadas sobre as características dos acordos a serem celebrados, de forma que os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do art. 2°, tem liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As disposições contidas na Lei n° 10.101/2000, nos permitem inferir, portanto, que o objeto do acordo não pode se limitar à simples concessão da parcela atinente à PLR, independentemente de fixação dos objetivos a serem alcançados. Os exemplos reportados na Lei em comento indicam que algum lucro ou resultado deve ser perseguido, de forma que a natureza jurídica específica de tal verba seja preservada. Assim, o pagamento da PLR não se constitui em mera gratificação legalmente prevista, mas em verdadeiro mecanismo de integração entre o capital e o trabalho, pois, atingidas as metas estabelecidas no acordo ou convenção coletiva, tanto os trabalhadores como os empregadores sairão beneficiados. Com as considerações acima, passase à análise da matéria sob o enfoque da legislação previdenciária, notadamente quanto à integração ou não da referida verba no conceito de salário de contribuição para fins de determinação da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse contexto, a Lei n° 8.212/1991, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, assim trata do conceito de salário de contribuição bem como das hipóteses de nãoincidência tributária, conforme segue: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (grifos nossos). Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9°Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 724DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 723 13 (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (...) (grifos nossos) Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho CCT são instrumentos de negociação e previsão de direitos reconhecidos pela Constituição Federal, mas nunca podem alterar a disciplina que a lei, previamente, traz em relação a um determinado instituto. O conhecimento da lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a participação, não tributável, nos lucros e/ou resultados da empresa (PLR), devem estabelecer condições que se afinem aos postulados da norma regulamentadora, no caso, a Lei n° 10.101/2000. O AuditorFiscal autuante em momento algum desconsiderou o Acordo Coletivo apresentado pela impugnante, apenas constatou que os mesmos não se coadunam com os preceitos estabelecidos pela Lei 10.101/2000 para excluir da tributação previdenciária as verbas distribuídas a título de PLR aos empregados. A Lei n° 10.101/2000 permite a livre negociação entre as partes, desde que com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos (necessidade de o programa estar vinculado ao alcance do lucro ou dos resultados), e quanto às regras adjetivas (possibilidade de se aferir o cumprimento das metas da empresa, como um todo). É, portanto, um acordo prévio quanto aos direitos e quanto às obrigações. O Acórdão CARF n° 240100.545, de 19/08/2009, é nesse sentido: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados é a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Com essas considerações, podese perceber que o objetivo do legislador é a integração do trabalhador na empresa, não de forma aleatória, mas efetiva, de modo que uma melhor produtividade, melhor eficiência, ou melhores índices alcançados pelo empreendimento resultem na participação dos empregados no capital social. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 724 14 Para tanto, a Lei 10.101/2000, pressupõe a existência de regras, as quais, efetivamente, devem ser cumpridas pelas partes. As partes acordantes são os empregados e o empregador, mas sempre com a participação do Sindicato dos trabalhadores, seja através de um representante indicado pela entidade (inciso I do artigo 2° da Lei n° 10.101, de 2000), seja por instrumento de Convenção ou Acordo Coletivo de trabalho (inciso II do referido artigo 2°). Resta, pois, verificar, para a situação apresentada nos autos, se foram perseguidos nos acordos celebrados os ditames estabelecidos pela lei de regência. A justificativa para a caracterização da verba denominada Participação nos Lucros e Resultados (PLR) como parcela integrante do salário de contribuição dos empregados vinculados à empresa foi extensamente fundamentada pela Auditora Fiscal autuante em seu Relatório Fiscal, no qual ressaltou, resumidamente: O programa de participação nos lucros ou resultados deve ser implantado como forma de integrar o capital e o trabalho, sendo imperioso o estabelecimento prévio dos indicadores que serão utilizados para este fim. O contribuinte efetuou o pagamento de PLR aos seus empregados com base em dois instrumentos distintos de negociação: (a) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos, as quais atenderam aos requisitos legais e os pagamentos a título de PLR efetuados até os limites nelas previstos foram considerados de acordo com a legislação e, portanto, não estão incluídos no presente levantamento, posto que foram descontados dos totais pagos; (b) Acordos Planos de Participação em Lucros ou Resultados (acordos coletivos planos próprios) que, por estarem cm desacordo com a legislação, foram consideradas verbas integrantes do Salário de Contribuição e integram o presente lançamento tributário. Em 2005 e 2006, a empresa efetuou pagamentos a título de PLR aos seus empregados com base nos planos próprios (rubrica 0158 PLR Partic. nos Lucros da folha de pagamento). Contudo, da análise de tais planos, verificouse que os mesmos somente foram firmados após o encerramento do ano a que se referiam, com a fixação de vigência retroativa. Constatouse que os valores de PLR são discricionariamente definidos e pagos pela empresa, sendo considerados, inclusive, resultados globais da instituição (empresas fora do país). Há ingerência de decisão externa dos comandos centrais (exterior) sobre o pagamento da PLR feito no Brasil, sem qualquer previsão deste fato nos acordos coletivos. Tais fatores demonstram a falta de clareza e objetividade das regras quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, o que fere o disciplinado na lei específica. O contribuinte foi solicitado a prestar esclarecimentos adicionais acerca da aplicação do plano, por meio dos Termos de Intimação Fiscal de 26/05/2009 e 16/09/2009, a partir dos quais concluiu a Auditora Fiscal que: As metas de desempenho, o orçado, para as áreas de negócios (áreas de atuação) são estabelecidas pela Casa Matriz (sediada em Paris) ou pelos comandos centrais localizados no exterior; Fl. 726DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 725 15 Com relação ao resultado (sucesso) das áreas de atuação e considerando que a comparação efetiva entre o orçado e o realizado deve ser feita entre a coluna “Forecast” e a coluna “Final”, constantes do Anexo da Carta BNPP/DIJUR7087/09, concluise que em 2004 não houve sucesso da área (orçado = 138.103 / realizado = 118.224) e, portanto, não poderia nem deveria ter havido pagamento a título de PLR no ano seguinte, uma vez que todos os critérios devem ser atingidos, como expressamente determinado nas premissas do Anexo do próprio acordo coletivo; O sindicato dos empregados não interveio direta ou indiretamente na determinação do orçado. Os empregados são avaliados por fatores/aspectos altamente subjetivos. No critério “comportamento profissional” são considerados comprometimento, criatividade, ambição e reatividade e, no caso de ocupantes de cargo de nível gerencial, há também a avaliação do “comportamento gerencial” que leva em conta responsabilidade, confiança, cooperação transversal e autonomia; A empresa não conseguiu explicar como obteve e calculou o valor efetivamente pago a título de PLR a cada empregado, demonstrando a discricionariedade utilizada na definição dos montantes a serem pagos, que estão inclusive sujeitos à ingerência de decisão externa dos comandos centrais localizados fora do Brasil. Cita como exemplo os casos de Francisco Freitas de Oliveira que, referente ao ano de 2004, tendo um salário mensal à época de R$ 16.450,00 e conforme enquadramento teria direito a um mínimo de 2,02 salários, recebeu de fato R$ 1.206.054,00, valor este que a empresa não soube explicar como foi obtido; Alguns formulários de avaliação estavam sem a média global, tais como o de Renato Celso Theodoto e Mareio Alexandre Georgetti; Em 2005, não havia previsão de limite máximo para pagamento de PLR. Entretanto, em 2006, quando houve fixação de limite máximo, ocorreu pagamento de PLR acima do limite estabelecido, contrariando o próprio plano, como no caso de Débora Lynn I Iirst, Luís Ricardo Berlfein e Mareio Alexandre Georgetti. Do exame das folhas de pagamento de 2005 e 2006, observouse que vários casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados, paga com base nos acordos coletivos, excedia em dezenas de vezes o valor do salário base do próprio empregado, como no caso dos segurados Alexandre Carlos Lintz, Francisco Freitas de Oliveira, Paulo Eduardo Waack, Renato Celso Theodoro, Thaies Gabay, Débora Lynn Hirst, Eduardo Francisco Loverro, Hitosi Hassegawa, Luís Ricardo Berlfein e Mareio Alexandre Georgetti (fls. 330). Nesses termos, verificase que a Auditora Fiscal apresentou todos os fatos e justificativas para a caracterização da verba Participação nos Lucros e Resultados, paga em desacordo com os dispositivos da Lei 10.101/00, como integrante do salário de contribuição mensal da Impugnante. Toda a análise realizada e as conclusões emitidas tiveram como base documentos apresentados pela empresa no decorrer da ação fiscal, inexistindo as alegadas “ficções, teses, criadas a partir de critérios pessoais sobre como deveriam ser as condições do PLR firmado entre o Contribuinte e seus empregados”. Todavia, alisaremos de forma isolada cada um dos motivos que levaram a Fiscalização a considerar o PLR do recorrente como parcela integrante do salário de Fl. 727DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 726 16 contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, quais sejam: inexistência do acordo prévio, ausência de regras claras e objetivas e ausência de participação do sindicato. Aspecto temporal da assinatura do acordo de PPR São abalizadas as teses que se formaram neste Conselho acerca do momento da assinatura do PLR. Alguns firmaram entendimento no sentido de que a formalização do plano deve ser anterior ao exercício a que corresponde; outros entendem que essa formalização pode ocorrer mesmo após o início do período de apuração dos critérios pertinentes ao programa de PLR. É sabido que a assinatura do plano representa o encerramento formal de todo um ciclo de negociações, muitas vezes pautadas por inúmeras reuniões para se chegar a um acordo de PLR, que atenda aos objetivos traçados pela legislação de regência. Assiste razão ao recorrente quando assevera que a Lei nº 10.101/2000 não delimita um marco temporal para assinatura do acordo. Todavia, mesmo não me filiando ao entendimento dos que pensam que a assinatura do programa deve ser obrigatoriamente anterior ao exercício a que se refere, entendo que a formalização do PLR deverá se dar anteriormente ao pagamento de qualquer uma de suas parcelas, bem como a formalização deverá ocorrer, se não antes, ao menos no decorrer do exercício a que se refere. No caso dos autos, o Auditor notificante assinala que o PPR foi assinado nas seguintes datas: Verificase, pois, que para ambos os programas, a formalização só ocorreu no exercício seguinte ao que se referiam. A ausência de assinatura do acordo dentro do mesmo ano, a meu ver, descaracteriza o programa, eis que, a rigor, houve o pagamento sem a fixação de regras para o seu recebimento. Ainda que se possa dizer que as regras estariam estabelecidas no decorrer das negociações, a ausência de formalização do acordo, não gera qualquer garantia que as regras que estavam sendo negociadas seriam as definitivas. Destarte, entendo que o pagamento no exercício seguinte culminou no descumprimento da obrigação imposta na Lei nº 10.101/2010, de que as metas deverão ser previamente pactuadas. Assim, nego provimento ao recurso nesse tocante. Participação do Sindicato Fl. 728DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 727 17 Em relação à participação do representante sindical nas negociações do PLR, exigência legal inserta no art. 2º, I, da Lei nº 10.101/200, para o caso que se cuida esse requisito não comporta maiores digressões, eis que a recorrente reconheceu que não houve a participação do sindicato nas negociações, se limitando a asseverar que agiu pautada no princípio da liberdade de iniciativa, previsto no art. 170 da Constituição Federal. Portanto, a ausência de participação do sindicato na negociação é mácula que invalida o PPR, nos termos em que concebido pela Lei nº 10.101/2001. Desse modo, também quanto a este aspecto não assiste razão ao recorrente. Da fixação de regras claras e objetivas Quanto a este aspecto é necessário repisar o que exposto pela fiscalização, no sentido de que os empregados são avaliados por fatores/aspectos altamente subjetivos. No critério “comportamento profissional” são considerados comprometimento, criatividade, ambição e reatividade e, no caso de ocupantes de cargo de nível gerencial, há também a avaliação do “comportamento gerencial” que leva em conta responsabilidade, confiança, cooperação transversal e autonomia; A empresa não conseguiu explicar como obteve e calculou o valor efetivamente pago a título de PLR a cada empregado, demonstrando a discricionariedade utilizada na definição dos montantes a serem pagos, que estão inclusive sujeitos à ingerência de decisão externa dos comandos centrais localizados fora do Brasil. Cita como exemplo os casos de Francisco Freitas de Oliveira que, referente ao ano de 2004, tendo um salário mensal à época de R$ 16.450,00 e conforme enquadramento teria direito a um mínimo de 2,02 salários, recebeu de fato R$ 1.206.054,00, valor este que a empresa não soube explicar como foi obtido. As metas de desempenho, o orçado, para as áreas de negócios (áreas de atuação) são estabelecidas pela Casa Matriz (sediada em Paris) ou pelos comandos centrais localizados no exterior; Com relação ao resultado (sucesso) das áreas de atuação e considerando que a comparação efetiva entre o orçado e o realizado deve ser feita entre a coluna “Forecast” e a coluna “Final”, constantes do Anexo da Carta BNPP/DIJUR7087/09, concluise que em 2004 não houve sucesso da área (orçado = 138.103 / realizado = 118.224) e, portanto, não poderia nem deveria ter havido pagamento a título de PLR no ano seguinte, uma vez que todos os critérios devem ser atingidos, como expressamente determinado nas premissas do Anexo do próprio acordo coletivo. Diferentemente do que afirmado pela recorrente, o atingimento de metas que se relacionam à capacidade técnica, assiduidade, comprometimento, respeito, pontualidade, relacionamento com a equipe e qualidade de atendimento são extremamente subjetivas e dependem da percepção de cada avaliador, não atingido a finalidade buscada pela lei, ao estabelecer que as regras devem ser claras e objetivas. De outro lado, o não atingimento das metas previamente pactuadas não podem gerar o pagamento de PLR, ainda que de forma parcial, uma vez que essa condição não foi acordada. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 16327.001145/200921 Acórdão n.º 2201004.563 S2C2T1 Fl. 728 18 Acrescente a isso, o fato de que o funcionário Francisco Freitas de Oliveira recebeu mais de 36 (trinta e seis) vezes o que teria direito de receber de PLR. Todos esses elementos fáticos analisados em conjunto levam esse julgador a formar sua convicção no mesmo sentido da autoridade lançadora, de que houve uma liberalidade no pagamento de PLR aos funcionários da recorrente sem embasamento legal. Destarte, é imperioso reconhecer que os pagamentos efetuados sob o manto da imunidade devem ser considerados como integrantes do salário de contribuição, eis que pagos em desacordo com os ditames estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 730DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731204/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS EM DIRF. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO.
Como a fonte pagadora informou ter pago rendimentos tributáveis em favor da recorrente, ela estava obrigada a demonstrar o contrário.
Numero da decisão: 2402-006.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS INFORMADOS EM DIRF Recorrente LILIA MARIA SALVINI REZENDE CUNHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS EM DIRF. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. Como a fonte pagadora informou ter pago rendimentos tributáveis em favor da recorrente, ela estava obrigada a demonstrar o contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 12 04 /2 01 1- 87 Fl. 125DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento, para a exigência de IRPF relativo à omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Itaú Unibanco S/A, informados em DIRF, anocalendário 2009. A contribuinte apresentou impugnação tempestiva, na qual onde alegou que a assertiva da fiscalização chegaria às raias da irresponsabilidade, uma vez que o valor considerado omitido e os respectivos depósitos judiciais do IRRF, provenientes do Banco Itaú Unibanco, constariam dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica com exigibilidade suspensa em face de liminar concedida em 12/11/2002, no processo nº 2002.51.01.0149953, na qual figura como litisconsorte. A unidade de origem procedeu à revisão de ofício, por meio de Termo Circunstanciado e de Despacho Decisório, que concluíram pela procedência integral da exigência. Instada a se manifestar, a contribuinte reiterou as alegações apresentadas na impugnação, aduzindo que a fonte pagadora não fez constar no comprovante de rendimentos informados à RFB que os rendimentos e o IRRF estariam sub judice. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES INFORMADOS EM DIRF. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos tributáveis informados em DIRF pela fonte pagadora, servem de base ao lançamento de ofício quando o contribuinte não comprova a existência de decisão favorável transitada em julgado que obstasse a constituição do crédito tributário ou existência de depósito judicial. A contribuinte foi intimada da decisão em 07/02/2014 (fl. 94) e interpôs recurso voluntário em 21/02/2014, no qual basicamente reiterou os termos da sua impugnação, requerendo, assim, o cancelamento do débito fiscal. Em sessão de julgamento realizada em 16 de março de 2017, este Colegiado editou a Resolução de fls. 99/102, na qual solicitou que a Delegacia de origem juntasse aos autos a petição inicial, o trâmite e as decisões proferidas no processo nº 2002.51.01.014.9953, que tramita na 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Vejase: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, com vistas a que a Delegacia de origem junte aos autos a petição inicial, trâmite e decisões proferidas no processo no 2002.51.01.014.9953, que tramita na 5.ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Em cumprimento à citada Resolução, a Unidade de Origem proferiu o despacho de fl. 105, no qual esclareceu que os documentos solicitados por este Colegiado não se encontrariam no site do TRF2, razão pela qual intimou a contribuinte para apresentálos (v. fl. 105). Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12448.731204/201187 Acórdão n.º 2402006.211 S2C4T2 Fl. 3 3 A contribuinte foi intimada, mas não apresentou os documentos solicitados, tendo afirmado que essa apresentação seria de atribuição da Delegacia de Origem (v. petição de fl. 107). Em retorno, os autos foram sorteados a este Relator, tendo em vista a extinção do mandato do Conselheiro Túlio Teotonio de Melo Pereira. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Conforme já julgado em sede de Resolução, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da omissão de rendimentos Conforme relatado, a presente controvérsia reside em saber se a recorrente omitiu rendimentos recebidos da fonte pagadora Itaú Unibanco S/A, rendimentos estes informados em DIRF do anocalendário 2009. Em sede de impugnação e recurso, o sujeito passivo afirma que tais rendimentos estariam com exigibilidade suspensa em face de liminar concedida em 12/11/2002, no processo nº 2002.51.01.0149953. Diante da precariedade da documentação apresentada pela recorrente, este Conselho ainda editou a Resolução de fls. 99/102, a fim de apurar se os rendimentos informados em DIRF realmente estariam com a exigibilidade suspensa ou mesmo se estariam com a exigibilidade extinta por força de decisão judicial. Ocorre que a Unidade de Origem, não tendo meios de trazer aos autos os documentos da ação judicial, dignouse de intimar a contribuinte para fazêlo. Nada mais natural, a propósito! O princípio geral da boafé obriga as partes a agirem com probidade, cuidado, lealdade, cooperação, etc; e o Código de Processo Civil vigente expressamente determina que aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé (art. 5º), estando igualmente expresso que todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6º). Fl. 127DF CARF MF 4 Por outro lado, como a fonte pagadora informou ter pago rendimentos tributáveis em favor da recorrente, é óbvio que ela estava obrigada a demonstrar o contrário, o que deveria ter feito na própria impugnação. Como sabido, o art. 15 do Decreto nº 70.235/72 preleciona que a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso dos autos, insistase, este CARF e a própria Unidade de Origem, diante do princípio da verdade real, ainda oportunizaram que a recorrente aperfeiçoasse a instrução probatória, demonstrando, exemplificativamente, a existência de fato modificativo ou impeditivo do direito do Fisco. A despeito disso tudo, a recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório, nem mesmo depois de intimada em fase de Resolução. Noutro giro verbal, enquanto a autoridade autuante verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente (art. 142 do CTN), verificação esta feita com base na DIRF apresentada pelo banco, a recorrente não se dignou de provar o contrário, devendo, pois, ser negado provimento ao recurso voluntário. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001790/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF.
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB.
Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, comprovada através de impugnação em que demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)|
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, comprovada através de impugnação em que demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 90 /2 00 9- 15 Fl. 77DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente)| DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário em face do Acórdão nº 16 26.138 13ª Turma da DRJ/SP1, fl. 56 a 63, que assim relatou a lide administrativa: 1. Trata o presente processo de Auto de Infração (AI DEBCAD n° 37.225.5027), consolidado em 26/05/2009, lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação prevista no artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu art. 225, inciso I e § 9o , por ter deixado a empresa de elaborar as folhas de pagamento (competências 01/2004 a 12/2004) segundo os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao deixar de incluir nos citados documentos os valores relativos a Refeição fornecida in natura, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração (fls. 7). 1.1. O crédito tributário consubstanciado no AI em apreço foi lavrado e cientificado, por meio postal, em 01/06/2009, conforme Aviso de Recebimento (fls. 23). 2. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 8) informa como foi calculada a multa autuada, nos termos do art. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinado com o art. 283, inciso I, alínea "a", e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e alterado pelo Decreto n° 4.862/03. 2.1. O valor base da multa foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 11/02/2009, e correspondia a R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). 2.2. Não foram observadas circunstâncias agravantes ou atenuantes, bem como o contribuinte não registra antecedentes, conforme Termo de Antecedentes (fls. 9). Pelo exposto, a multa Fl. 78DF CARF MF Processo nº 19515.001790/200915 Acórdão n.º 2201004.512 S2C2T1 Fl. 78 3 do presente Auto de Infração foi aplicada em seu valor base, totalizando R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos) conforme Folha de Rosto do Auto de Infração (fls. 2) 2.3. O relatório fiscal da aplicação da multa informa, ainda, que o valor autuado será atualizado pela Taxa SELIC a partir da lavratura até seu pagamento, de acordo com o que dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 10/2008. 3. Como resultado da ação fiscal realizada no Contribuinte, foram lavrados os seguintes documentos: (a) Auto de Infração de Obrigação Principal AI n° 37.217.2261, referente ao não recolhimento de contribuição devida pela empresa (cota patronal e GIILRAT), AI n°37.168.3181, referente ao não recolhimento de contribuição devida pelos segurados empregados e AI n° 37.168.3190, referente ao não recolhimento de contribuição destinada aos Terceiros; (b) Auto de Infração de Obrigação Acessória AI n° 37.225.5019 (CFL68), AI n°37.225.5027 (CFL 30), AI n° 37.225.5037 (CFL 59), AI n° 37.225.5043 (CFL 38) e AI n°37.225.505l (CFL 35). 4. Além dos relatórios e planilhas supracitados, integram o AI DEBCAD n° 37.225.5027 os seguintes documentos: MPF Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 1); IPC Instruções para o Contribuinte (fls. 3/4); REPLEG Relatório de Representantes Legais (fls. 5); VÍNCULOS Relação de Vínculos (fls. 6); Termo de Início de Procedimento Fiscal e Aviso de Recebimento (fls. 10/12); TIF Termos de Intimação Fiscal n° 1, 2, 3 e 4 e respectivos Avisos de Recebimento (fls 13/20); solicitação de dilação de prazo para atendimento do TIF n° 004 e respectiva concessão (fls. 21/22) e TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 24/25). Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou impugnação, alegando em apertada síntese: 5. Dentro do prazo regulamentar (conforme fls. 53), o contribuinte impugnou a autuação por meio do instrumento de fls. 28/31, acompanhado dos documentos de fls. 32/50 (Procuração ad judicia et extra; cópia de Alteração de Contrato Social e Consolidação; cópias de identidades OAB dos patronos), alegando, em síntese, o que segue: 5.1. Preliminarmente, requer a Impugnante o reconhecimento da nulidade do lançamento, haja vista que não menciona em seu corpo elementos básicos e fundamentais de sua constituição formal relativo à inexistência do dispositivo legal inerente à suposta infração cometida pela empresa defendente. Essa irregularidade formal limita e distorce a possibilidade de apresentação de defesa técnica hábil. 5.2. No mérito alega, primeiramente, a improcedência da exigência, haja vista que se trata de equivoco administrativo praticado pelos agentes responsáveis ou, salvo melhor juízo, Fl. 79DF CARF MF 4 pretensão ao recebimento em duplicidade dos valores descritos, que é vedado pela legislação em vigor, sendo que autorizado estaria à defendente reclamar o pagamento em dobro do que indevidamente esta sendo exigido. 5.3. Afirma que, ainda que fosse a empresa defendente devedora, o Senhor Fiscal não agiu com a imprescindível e necessária diligência eis que deveria proceder a efetiva conversão dos valores ditos originários para a moeda corrente, buscando, dessa forma, manter o equilíbrio entre as partes, credor e devedora. Outrossim, não indica quais os índices utilizados para correção do pretenso crédito tributário, bem como seu marco inicial para o cálculo. 5.4. Alega não ter a Autoridade Fiscal aguardado o lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicítação empreendida. 5.5. Ainda que possa existir alguma falha da empresa defendente, concernente a equívocos no efetuar o cálculo das contribuições devidas, certo é que o montante pretendido pela Autarquia não condiz com a realidade vez que tal valor é efetivamente indevido. Ressalta ainda que não há de se admitir o chamado "cálculo por dentro, utilizado pelo agente fiscalizador, que nada mais é do que de fazer com que a liquida da contribuição recaia em duplicidade, caracterizando bitributação atípica, ademais a forma de calcular os juros de mora, bem como não especifica quais os outros encargos previstos na lei que estão sendo exigidos". 5.6. Alega que os referidos cálculos não acompanharam a exigência fiscal e que nos mencionados cálculos "o agente do Fiscalizador não estar seguro dos dados por ele manipulados". Foi proferido acórdão com os seguintes fundamentos: PRELIMINARES 6. Configuramse os requisitos de admissibilidade da defesa do sujeito passivo, tendo sido a Impugnação apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados nos art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO COMETIDA 7. O presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no "caput" do artigo 33 da Lei n.° 8.212/91, e os artigos 2 o e 3° da Lei n° 11.457/07, c/c o disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ressaltese, ainda, que foi integralmente obedecido o art. 10 do Decreto 70.235/72. Portanto, não há que se falar em improcedência do mesmo. 7.1. Importante ressaltar que a multa punitiva é aplicada sempre que verificado o descumprimento de obrigação acessória, conforme definido pela legislação. A lavratura do Auto de Infração representa procedimento de natureza indeclinável, Fl. 80DF CARF MF Processo nº 19515.001790/200915 Acórdão n.º 2201004.512 S2C2T1 Fl. 79 5 dado o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional e, também, nos termos dos artigos 2o e 3 o da Lei n° 11.457/07, que dispõem sobre a competência de fiscalizar as contribuições sociais previdenciárias e as devidas a terceiros, não cabendo qualquer discricionariedade à autoridade administrativa. 8. Conforme relatado (itens 1 e 2 acima), o Contribuinte deixou de elaborar as folhas de pagamento (competências 01/2004 a 12/2004) segundo os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao deixar de incluir nos citados documentos os valores relativos a Refeição fornecida in natura. 8.1. Tal conduta caracterizou infração ao disposto no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, igualmente prevista no art. 225, inciso I e § 9o , do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A multa aplicada no caso de infração aos dispositivos legais supracitados está prevista nos arts. 92 e 102 da mesma lei, combinados com os arts. 283, inciso I, alínea "a", e 373 do RPS, considerando as alterações na redação aprovadas pelo Decreto n° 4.862/03. O valor mínimo da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 48, de 12/02/2009. 8.2. Do exposto, constatase que o Auto de Infração está devidamente fundamentado, estando presentes a correta descrição das infrações verificadas pela Autoridade Fiscal, tendo sido a multa aplicada no valor total de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos) em estrita obediência à legislação de regência. 8.3. Ressaltese que, sendo a presente autuação decorrente de falta averiguada nos documentos apresentados pelo próprio Contribuinte, não há que se falar em desrespeito a "lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida", como alegado na Impugnação. 9. Ainda, em sede de preliminar, cumpre ressaltar que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas pela Impugnante presumemse legitimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532/97, aplicável às contribuições previdenciárias a partir do dia 01 de abril de 2008, nos termos do artigo 25 da Lei n° 11.457/07. Fl. 81DF CARF MF 6 9.1. Destaquese, ademais, que, nos termos do artigo 48 da Lei n° 11.457/07, fica mantida, enquanto não modificados, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos atos normativos e administrativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária, pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, relativos à administração das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 2° e 3 o da citada Lei. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 10. Como visto, a Autoridade Notificante, por meio do Relatório Fiscal da Infração (fls. 7), narrou com clareza e coerência os fatos verificados durante a ação fiscal e sua subsunção às normas legais de regência. 10.1. Foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação à Impugnante, tendolhe sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificada da autuação, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação apresentada em 24/06/2009 (fls. 28/31). 10.2. Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. 10.3. Verificado que o contribuinte conhecia a origem das contribuições previdenciária lançadas, que tomou plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, e que foi concedido o tempo hábil para apresentar sua impugnação, não há que se cogitar em cerceamento de seu direito de defesa. MÉRITO EXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE COM AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 11. Cabe considerar a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 (contribuição devida pela empresa) e 37.168.3181 (contribuição devida pelos segurados empregados), decorrentes da mesma ação fiscal, vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados, incidente sobre a remuneração não declarada em GFIP, incluídas nos citados AIOP. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 19515.001790/200915 Acórdão n.º 2201004.512 S2C2T1 Fl. 80 7 11.1. Com efeito, a 13a Turma de Julgamento da DRJ/SP I, em sessão realizada nesta data, julgou integralmente procedentes os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 e n° 37.168.3181 por meio dos Acórdãos n° 16 26.135 e 1626.136, respectivamente. 11.2. Outrossim, as discussões de mérito suscitadas na Impugnação às fls. 35/39, especificamente referentes às supostas deficiências apontadas' no procedimento fiscal, foram analisadas e julgadas nas decisões proferidas nas citadas autuações pelo que deixarão de ser, novamente, apreciadas. 11.3. Por fim, reafirmase que, uma vez comprovada a necessidade de declaração nas GFIP mensais dos fatos geradores incluídos nos supracitados Autos de Infração de Obrigação Principal, bem como das correspondentes contribuições previdenciárias, resta, em consequência, confirmada a procedência da presente autuação. LEGALIDADE DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (JUROS SELIC) 12. O Auto de Infração é, atualmente, o documento através do qual a Autoridade Fiscal lança o crédito decorrente da aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de obrigação acessória verificada no decorrer de ação fiscalizadora realizada no Sujeito Passivo. 12.1. Nestes termos, ressaltase que a multa incluída na presente autuação não sofre incidência de correção monetária, ao contrário do que alega o Contribuinte: desde a publicação das Leis n° 8.981/94 e 9.069/95, as autuações efetivadas pelo INSS (atualmente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) referentes a fatos geradores ocorridos a partir da competência 01/1995 são apuradas em Real e não são acrescidas de correção monetária. | 13. Sobre o tema especifico relacionado à taxa SELIC, temse que, a sua utilização como índice de juros (e não de atualização monetária) surgiu com o advento da Lei n° 9.065/95 (art. 13) pela qual os juros de mora, a partir de abril de 1995, passaram a ser calculados de acordo com a taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (SELIC), que embora diária, é acumulada dentro do mês, para a obtenção de uma taxa mensal utilizada nos recolhimentos efetuados com atraso. 13.1. Atualmente, a aplicação de juros SELIC à autuações referentes ao descumprimento de obrigações acessórias está fundamentada no art. 84, inciso I e § 8o , da Lei 8.981/95: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 83DF CARF MF 8 I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei n° 9.065, de 1995) (....) § 8° O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei n° 10.522, de 2002) (destaques não constam do original) 13.2. Com o advento da Lei 11.457/07, os débitos e seus acréscimos, legais relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas aos Terceiros (outras entidades e fundos) passaram a constituir dívida ativa da União, de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o que tornou aplicável os dispositivos legais transcritos aos Autos de Infração de Obrigações Acessórias referentes ao descumprimento da legislação previdenciária. 13.3. Este é o entendimento adotado, conjuntamente, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional por meio da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 10, de 14/11/2008, in verbis: 1º Os créditos constituídos a partir da publicação desta Portaria em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias estão sujeitos aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), a que se refere o art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o seu valor. 13.4. Pelo exposto, não a assiste razão à Impugnante quanto ao pretendido neste ponto. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 84 a 87, praticamente repetindo os argumentos trazidos em sede de impugnação: No mérito alega, primeiramente, a improcedência da exigência, haja vista que se trata de equivoco administrativo praticado pelos agentes responsáveis ou, salvo melhor juízo, pretensão ao recebimento em duplicidade dos valores descritos, o que é vedado pela legislação em vigor, sendo que autorizado estaria à defendente reclamar o pagamento em dobro do que indevidamente esta sendo exigido. Afirma que, ainda que fosse a empresa defendente devedora, o Senhor Fiscal Fiscal não agiu com a imprescindível e necessária diligência eis que deveria proceder a efetiva conversão dos valores ditos originários para a moeda corrente, buscando, dessa forma, manter o equilíbrio entre as partes, credor e devedora. Outrossim, não indica quais os índices utilizados para correção do pretenso crédito tributário, bem como seu marco inicial para o cálculo. Alega não ter a Autoridade Fiscal aguardado o lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 19515.001790/200915 Acórdão n.º 2201004.512 S2C2T1 Fl. 81 9 Ainda que possa existir alguma falha da empresa defendente, concernente a equívocos no efetuar o cálculo das contribuições devidas, certo é que o montante pretendido pela Autarquia não condiz com a realidade vez que tal valor é efetivamente indevido. Ressalta ainda que não há de se admitir o chamado "cálculo por dentro, utilizado pelo agente fiscalizador, que nada mais é do que de fazer com que a liquida da contribuição recaia em duplicidade, caracterizando bitributação atípica, ademais a forma de calcular os juros de mora, bem como não especifica quais os outros encargos previstos na lei que estão sendo exigidos". Alega que os referidos cálculos não acompanharam a exigência fiscal e que nos mencionados cálculos "o agente do Fiscalizador não estar seguro dos dados por ele manipulados". É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama No caso em questão, o recurso voluntário repete os argumentos da defesa, de modo que, adoto os fundamentos da decisão proferida em sede de primeira instância, com os quais, concordo, com fundamento no artigo 57, § 3º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Sendo assim, adoto os fundamentos do voto proferido pela DRJ, com os quais concordo: PRELIMINARES Fl. 85DF CARF MF 10 Configuramse os requisitos de admissibilidade da defesa do sujeito passivo, tendo sido a Impugnação apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados nos art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO COMETIDA O presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no "caput" do artigo 33 da Lei n.° 8.212/91, e os artigos 2 o e 3° da Lei n° 11.457/07, c/c o disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ressaltese, ainda, que foi integralmente obedecido o art. 10 do Decreto 70.235/72. Portanto, não há que se falar em improcedência do mesmo. Importante ressaltar que a multa punitiva é aplicada sempre que verificado o descumprimento de obrigação acessória, conforme definido pela legislação. A lavratura do Auto de Infração representa procedimento de natureza indeclinável, dado o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional e, também, nos termos dos artigos 2o e 3 o da Lei n° 11.457/07, que dispõem sobre a competência de fiscalizar as contribuições sociais previdenciárias e as devidas a terceiros, não cabendo qualquer discricionariedade à autoridade administrativa. Conforme relatado (itens 1 e 2 acima), o Contribuinte deixou de elaborar as folhas de pagamento (competências 01/2004 a 12/2004) segundo os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao deixar de incluir nos citados documentos os valores relativos a Refeição fornecida in natura. Tal conduta caracterizou infração ao disposto no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, igualmente prevista no art. 225, inciso I e § 9o , do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A multa aplicada no caso de infração aos dispositivos legais supracitados está prevista nos arts. 92 e 102 da mesma lei, combinados com os arts. 283, inciso I, alínea "a", e 373 do RPS, considerando as alterações na redação aprovadas pelo Decreto n° 4.862/03. O valor mínimo da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 48, de 12/02/2009. Do exposto, constatase que o Auto de Infração está devidamente fundamentado, estando presentes a correta descrição das infrações verificadas pela Autoridade Fiscal, tendo sido a multa aplicada no valor total de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos) em estrita obediência à legislação de regência. Ressaltese que, sendo a presente autuação decorrente de falta averiguada nos documentos apresentados pelo próprio Contribuinte, não há que se falar em desrespeito a "lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida", como alegado na Impugnação. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 19515.001790/200915 Acórdão n.º 2201004.512 S2C2T1 Fl. 82 11 Ainda, em sede de preliminar, cumpre ressaltar que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas pela Impugnante presumemse legitimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532/97, aplicável às contribuições previdenciárias a partir do dia 01 de abril de 2008, nos termos do artigo 25 da Lei n° 11.457/07. Destaquese, ademais, que, nos termos do artigo 48 da Lei n° 11.457/07, fica mantida, enquanto não modificados, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos atos normativos e administrativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária, pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, relativos à administração das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 2° e 3 o da citada Lei. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Como visto, a Autoridade Notificante, por meio do Relatório Fiscal da Infração (fls. 7), narrou com clareza e coerência os fatos verificados durante a ação fiscal e sua subsunção às normas legais de regência. Foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação à Impugnante, tendolhe sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificada da autuação, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação apresentada em 24/06/2009 (fls. 28/31). Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Verificado que o contribuinte conhecia a origem das contribuições previdenciária lançadas, que tomou plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, e que foi concedido o Fl. 87DF CARF MF 12 tempo hábil para apresentar sua impugnação, não há que se cogitar em cerceamento de seu direito de defesa. MÉRITO EXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE COM AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Cabe considerar a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 (contribuição devida pela empresa) e 37.168.3181 (contribuição devida pelos segurados empregados), decorrentes da mesma ação fiscal, vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados, incidente sobre a remuneração não declarada em GFIP, incluídas nos citados AIOP. Com efeito, a 13a Turma de Julgamento da DRJ/SP I, em sessão realizada nesta data, julgou integralmente procedentes os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 e n° 37.168.3181 por meio dos Acórdãos n° 16 26.135 e 1626.136, respectivamente. Outrossim, as discussões de mérito suscitadas na Impugnação às fls. 35/39, especificamente referentes às supostas deficiências apontadas' no procedimento fiscal, foram analisadas e julgadas nas decisões proferidas nas citadas autuações pelo que deixarão de ser, novamente, apreciadas. Por fim, reafirmase que, uma vez comprovada a necessidade de declaração nas GFIP mensais dos fatos geradores incluídos nos supracitados Autos de Infração de Obrigação Principal, bem como das correspondentes contribuições previdenciárias, resta, em consequência, confirmada a procedência da presente autuação. LEGALIDADE DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (JUROS SELIC) Alega o contribuinte que a Jurisprudência vem reconhecendo a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, razão pela qual pugna pela correção do seu indébito não excedem a 1§, nos termos do art. 161, §1º do CTN. Vejamos o que diz a legislação sobre o tema o citado: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 19515.001790/200915 Acórdão n.º 2201004.512 S2C2T1 Fl. 83 13 Assim, temos que a taxa 1% ao mês é cabível quando a lei não dispuser de modo diverso. Contudo, assim dispõe a Lei 9.430/96: Lei nº 9.430/96: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Em relação à incidência dos juros de mora com base na Selic, a despeito do que já foi acima expresso, é tema que já foi objeto de reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido emitida Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujos conteúdos transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, não merecem acolhida os pleitos recursais. Sendo assim, não há como acolher as razões do Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, rejeito as preliminares arguídas e no mérito, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrente. (assinado digitalmente) Fl. 89DF CARF MF 14 Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720010/2012-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007.
Numero da decisão: 9202-006.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 00 10 /2 01 2- 79 Fl. 2372DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2202002.697, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, referente à omissão de rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas: foram encontradas divergências entre a relação de recibos médicos do contribuinte e a relação de declarantes constante do sistema da RFB e dos recibos; dedução indevida de LivroCaixa; multa isolada por falta de recolhimento mensal do carnêleão; multa qualificada em razão da comprovação do “evidente intuito de fraude”, aplicandose multa no patamar de 150%; apurandose um crédito no valor de R$ 252.619,05, sendo R$ 82.369,90 de imposto, R$ 24.902,45 de juros de mora, R$ 100.695,94 de multa de ofício, além de R$ 44.650,76 a título de multa isolada. O Contribuinte apresentou a impugnação, fls. 2.065/2.103. A DRJ, às fls. 2112/2127, julgou improcedente a impugnação. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 2133/2171. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para restabelecer as despesas livro caixa nos valores de R$ 22.744,29, no ano calendário de 2007, R$ 33.648,98, anocalendário de 2008 e R$ 28.065,56, no ano calendário de 2009; e reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: DESPESAS LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Comprovadas com documentação hábil e idônea as despesas necessárias a manutenção da fonte produtora dos rendimentos, devese deferir a dedução delas da base de cálculo do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO.QUALIFICAÇÃO AFASTADA. Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10840.720010/201279 Acórdão n.º 9202006.904 CSRFT2 Fl. 10 3 A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos Autos do evidente intuito de fraude. Ausente essa comprovação a qualificação da multa deve ser afastada. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts.71,72e73 da Lei n° 4.502/64.(SÚMULA CARF Nº 25). MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Leinº11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. JUROS. SELIC A partir de 1º de abril de 1995,os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº4). Recurso voluntário provido parcialmente Às fls. 2200/2211, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: 1. Multa de ofício qualificada. Diferente do acórdão recorrido, os acórdãos paradigmas entenderam aplicar a multa qualificada quando o contribuinte declara ao Fisco, de forma reiterada, informações enganosas sobre o seu faturamento ou renda. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 2214/2223, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, tendo a mesma restado cientificada à fl. 2225. Às fls. 2246/2257, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício; 2. nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; e 3. critério para comprovação de despesas deduzidas em livro caixa. Em relação à primeira divergência (multa isolada concomitante com multa de ofício), ambos os acórdãos confrontados tratam de fatos geradores posteriores à vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, e, enquanto no recorrido entendeuse que seria cabível a concomitância da multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão com a multa de ofício, no paradigma considerouse incabível tal concomitância. Com relação ao Cerceamento de defesa, entendeu o acórdão recorrido que não houve qualquer impedimento ao seu direito, já os acórdãos paradigmas reconhecem a nulidade do lançamento quando não há descrição pormenorizada dos fatos e elementos de direito, sobretudo quando há pedido e tentativa do contribuinte em produzir as provas. Por último (critério para comprovação de despesas deduzidas em livro Fl. 2374DF CARF MF 4 caixa), alega que a divergência é evidente, pois enquanto a decisão recorrida não admite as despesas, o acórdão paradigma reconhece a possibilidade de dedução. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 2332/2344, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação APENAS em relação à seguinte matéria: multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Conforme informação de fls. 2361, a Delegacia constou que houve cientificação do sujeito passivo (fl. 2352, por edital), o qual não apresentou Requerimento de Agravo; na sequencia, houve a transferência da parte do CT definitivamente constituída para o PA 15954720012/201717, para prosseguimento da cobrança (fl. 2360). A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões às fls. 2364/2369, reforçando argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, referente à omissão de rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas: foram encontradas divergências entre a relação de recibos médicos do contribuinte e a relação de declarantes constante do sistema da RFB e dos recibos; dedução indevida de LivroCaixa; multa isolada por falta de recolhimento mensal do carnêleão; multa qualificada em razão da comprovação do “evidente intuito de fraude”, aplicandose multa no patamar de 150%; apurandose um crédito no valor de R$ 252.619,05, sendo R$ 82.369,90 de imposto, R$ 24.902,45 de juros de mora, R$ 100.695,94 de multa de ofício, além de R$ 44.650,76 a título de multa isolada. O Acórdão recorrido negou provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. A discussão da cumulação das multas ofício e isolada possuem diferentes conseqüências no mundo jurídico, as quais variam de acordo com a data do fato gerador. Isso por que a norma anterior a 22.01. 2007 não trazia previsão legal para esta exigência cumulativa, mas este cenário sofreu drástica aliterarão na nova redação, ocorrida por meio da MP 351, na data anteriormente citada. Deste modo, observase que há um alinhamento neste Tribunal sobre o encaminhamento dado a estas questões, cito aqui voto elucidativo da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão N. 9202004.022– 2ª Turma: Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10840.720010/201279 Acórdão n.º 9202006.904 CSRFT2 Fl. 11 5 Tratase de divergência interpretativa suscitada em face da nova redação dada ao art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. No caso do acórdão recorrido, que trata de fatos geradores ocorridos à luz da nova redação do dispositivo ora tratado, a multa isolada do carnêleão foi exonerada, sob o fundamento de impossibilidade de concomitância com a multa de ofício. Confirase a respectiva ementa, na parte em que trata da matéria: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊLEÃO. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste conselho. Recurso Voluntário Provido" De plano, constatase que tal fundamento era o mesmo aplicado no julgamento de casos cujo fato gerador ocorrera à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A Fazenda Nacional, por sua vez, alega divergência interpretativa, no que tange à possibilidade de exigência concomitante de duas multas, o que estaria consignado no art. 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Nesse passo, indica como paradigmas os Acórdãos nºs 1401000.761 e 2201001.994. Quanto ao primeiro deles, a Fazenda Nacional registra que o fato de dito julgado tratar de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, e o acórdão recorrido abordar o Imposto de Renda de Pessoa Física, não constituiria óbice à demonstração do dissídio jurisprudencial. Assim, instaurandose a divergência quanto à possibilidade de cobrança concomitante de duas multas, sendo uma de ofício genérica, no percentual de 75% sobre o rendimento omitido no ajuste (inciso I do art. 44), e outra no percentual de 50% sobre o valor da antecipação mensal (inciso II do art. 44), sem que se verifique qualquer diferenciação em razão da incidência específica de carnêleão ou estimativa, constatase efetivamente a inexistência de óbice à aceitação do paradigma como apto a demonstrar eventual divergência. Esclareçase desde logo que tal situação paradigmática nunca foi aceita à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que eram tipificadas três multas diferentes, em três incisos independentes (de ofício pela omissão em geral, por falta de recolhimento de carnêleão e por falta de recolhimento de Fl. 2376DF CARF MF 6 estimativa), sem qualquer liame entre as duas últimas, o que foi feito na nova redação do dispositivo, que agora tipifica claramente duas penalidades, uma pela omissão do rendimento no ajuste e outra pela falta de recolhimento da antecipação, igualando assim as situações de IRPF e IRPJ em um mesmo inciso, já que o sistema de antecipação é uma característica do Imposto de Renda, em geral. No caso dos autos tratase de anocalendário posterior a 2006, mais especificamente 2008, 2009 e 2010. . Assim, a interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202004.022 – CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, “efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente”. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2377DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.722726/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser o correto, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação.
Numero da decisão: 3302-005.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em segunda votação, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela não sujeição das receitas autuadas à incidência do IPI, mas à do ISS. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida convertia o julgamento em diligência para trazer as notas fiscais de venda discriminadas no Auto de Infração, em primeira votação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser o correto, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em segunda votação, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela não sujeição das receitas autuadas à incidência do IPI, mas à do ISS. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida convertia o julgamento em diligência para trazer as notas fiscais de venda discriminadas no Auto de Infração, em primeira votação. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 27 26 /2 01 1- 22 Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.634 2 Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao IPI. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório elaborado na decisão de primeira instância: "Contra o estabelecimento em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 1192/1212, para exigir R$ 4.020.988,03 referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora calculados até 30/11/2011, multa proporcional e multa IPI não lançado com cobertura de crédito, em virtude da falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, e por escrituração e utilização de crédito básico indevido, no período de janeiro de 2007 a setembro de 2007. Consoante o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1213/1243 foram constatadas as seguintes infrações na ação fiscal: a) Utilização de crédito básico indevido, decorrente de: entradas consideradas incorretamente como insumos, no valor de R$ 165,71; créditos acima da alíquota aplicável, no valor de R$ 1.455,21; aquisição de fornecedor optante pelo SIMPLES, no valor de R$ 83,25. b) Conclusão que a atividade desenvolvida pela autuada difere da prestação de serviço e que a classificação fiscal utilizada deveria ser NCM 4820.10.00, tributando todas as saídas com alíquota de 15%. Tendo em vista a necessidade de reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, decorrente das glosas de créditos e do IPI não lançado nas notas fiscais, a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal de fl. 1209, no qual foi apurado o imposto que deixou de ser recolhido. Consta, ainda, que o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1213/1243 é parte integrante dos seguintes processos administrativos: 13971.900857/201157, referente à análise do direito creditório do PER/DCOMP nº 02469.48723.190407.1.1.015750 (1º trimestre de 2007); 13971.900858/201100, referente à análise do direito creditório do PER/DCOMP nº 01803.20935.130707.1.1.010275 (2º trimestre de 2007); 13971.900859/201146, referente à análise do direito creditório do PER/DCOMP nº 20563.63137.191007.1.1.017003 (3º trimestre de 2007). Diante da inexistência de saldo credor ao final dos trimestres, concluiu se pela improcedência do crédito pleiteado nos mesmos. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 1405/1430, alegando, em síntese, o seguinte: 1. No caso em concreto, o Auditor Fiscal agiu sem o Mandado de Procedimento Fiscal, documento imprescindível para Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.635 3 validade dos atos jurídicos fiscais relativos a tributos administrados pela Secretaria da Fazenda do Brasil, visto este ter atuado fora de sua competência, resultando nulo o auto de infração, visto que o agente que o praticará não tinha poderes para este fim; 2. A Autoridade Fiscal realizou o lançamento de forma genérica, sem especificar os elementos que compõe o fato gerador, nos termos do artigo 142 do CTN, resta nulo por vício material, devendo ser cancelada a exigência fiscal que dele decorre; 3. Deve ser cancelada a glosa referente aos “créditos acima da alíquota aplicável”, pois a mercadoria efetivamente adquirida é aquela descrita nas notas fiscais 6056 e 5528 (anexo 6 da impugnação), qual seja: Carbono Peltime (NCM 48.16.90.10), restando equivocada a NCM informada, todavia, correta a descrição do produto e alíquota do IPI aplicada ao produto adquirido (15%); 4. As multas aplicadas não poderão subsistir, pois a Autoridade Fiscal aplicou dupla penalidade, uma por exigir a multa de 75% sobre a falta de recolhimento do tributo pela parcela que restou liquida pelos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matéria prima e insumos, e outra pela aplicação de duplo critério jurídico quando a legislação permite apenas um ou outro, e nunca ambos; 5. Se a contribuinte optou pela utilização dos créditos de IPI para liquidação de outros débitos, não pode a Autoridade Fiscal mudar a opção realizada pelo contribuinte, tornando ainda mais onerosa a exigência fiscal, pois a legislação não determinada que os créditos de IPI apurados pela aquisição de matéria prima e aquisição insumos sejam primeiramente utilizados na liquidação do IPI gerado nos negócios do Contribuinte e muito menos determina que a Autoridade Fiscal reconstrua a conta gráfica para determinação da exigência fiscal final; 6. É equivocada a alegações de que as entradas seriam superiores às saídas de estoque, uma vez que as notas fiscais de prestação de serviços gráficos personalizados deverão ser considerados também como saídas; 7. Também é equivocado o entendimento da Autoridade que pretende caracterizar como atividade industrial a atividade exercida pela Impugnante de impressão de formulários contínuos personalizados para uso e consumo do encomendante, restando evidente que esta atividade está sujeita apenas à incidência do imposto sobre serviço, sem incidir nenhum outro imposto indireto nesta operação; 8. Nenhum dos produtos informados pela Impugnante e aceitos pela Autoridade Fiscal são encontrados nas posições das NCMs 48.19 e 48.20 (notas fiscais, faturas, duplicatas, conhecimento de transporte, recibos de pagamento com logotipo da empresa, boletins escolares, etc). No caso concreto, a melhor classificação a adotar para os produtos que a impugnante comercializa é Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.636 4 49.11.99.00. Ao constituir o lançamento, atribuiu a todas as ocorrências de faturamento da Impugnante as posições da s NCMs 48.19 e 48.20, de forma genérica, quando da verdad e deveria id ntificar cada ocorrência para efetuar o lançamento, especificando de forma assertivamente os elementos que compõe o fato gerador, tudo nos termos do artigo 142 do CTN." A Décima Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1449.583, considerando não impugnadas as glosas de créditos básicos decorrente de entradas consideradas indevidas de insumos e aquisição de fornecedor optante pelo SIMPLES e negando provimento quanto à preliminar de nulidade do procedimento fiscal, quanto à possibilidade de ressarcimento enquanto houver processo administrativo de constituição de crédito tributário de IPI em trâmite, quanto à impossibilidade de incidência de IPI sobre operações de impressões gráficas personalizadas. Porém, o colegiado a quo afastou a reclassificação fiscal empreendida pela fiscalização e refez a reconstituição da escrita fiscal, o que resultou em provimento da impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSOS. Os produtos tais como notas fiscais, faturas, duplicatas, conhecimento de transporte, recibos de pagamentos com logotipo da empresa, boletins escolares, à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, devem ter os respectivos enquadramentos da TIPI no Capítulo 49 e não no Capítulo 48 como pretendido pela fiscalização, mais precisamente no código 4911.99.00, com alíquota zero. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007 IPI. FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8º, § 1º, do DL nº 406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Constatada irregularidade no lançamento que não importa em nulidade do feito, procedese à devida retificação, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, quando resultar em prejuízo para o sujeito passivo. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.637 5 Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto esta competência é instituída por lei. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO. LEGALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado é aplicada no percentual determinado expressamente em lei. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a parcela da exigência Fiscal que não foi objeto de contestação expressa. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Por ter ultrapassado o limite de alçada, o colegiado apresentou recurso de ofício. Por seu turno, o contribuinte protocolou contrarrazões ao recurso de ofício, reiterando as alegações quanto à preliminar de nulidade do procedimento fiscal por ausência de MPF, vício material no lançamento quanto a erro na interpretação da NCM, quanto à possibilidade de ressarcimento enquanto houver processo administrativo de constituição de crédito tributário de IPI em trâmite, quanto à impossibilidade de incidência de IPI sobre operações de impressões gráficas personalizadas, quanto à impossibilidade de aplicação cumulativa das multa por falta de recolhimento de imposto e por falta de lançamento do imposto em nota fiscal, com cobertura de crédito e quanto à classificação fiscal por ele adotada. Por fim, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Santa Catarina juntou despacho, informando sobre o trânsito em julgado de decisão judicial, que determinou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consubstanciado nos PAF 13971.900857/2011 57, nº 13971.900858/201100 e nº 13971.900859/201146 até a decisão administrativa definitiva a ser proferida nestes autos. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.638 6 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria devolvida a este colegiado em sede de recurso de ofício restringe se à reclassificação fiscal de produtos da posição 49.11 para a posição 48.20 e da exigência de IPI sobre o produto Carbono Peltime na posição 4816 e não na posição 4802, contida na nota fiscal e utilizada pela fiscalização. A fiscalização entendeu que a posição 4820.10.00 era mais específica que a posição 4911.90.00 (aplicação da regra 3 "a") e que os produtos industrializados pela recorrente possuem a natureza dos produtos do capítulo 48 e não a dos produtos do capítulo 49, uma vez que neste último a função essencial é desempenhada pela informação impressa no produto final (exemplo livros), sendo que o papel consiste em mero suporte da informação, enquanto no capítulo 48, a informação impressa é acessória, pois o produto não possui a finalidade essencial de registrar uma informação (exemplo, embalagens), seja porque a informação definitiva é inserida após o processo produtivo (exemplo, cadernos). Quanto à reclassificação fiscal, o contribuinte aduziu em impugnação que nenhum dos produtos por ela informados na resposta de efl. 1166 se subsume à posição 48.19 e 48.20 e, mesmo que algum produto ali se subsumisse, o lançamento seria nulo por vício material, uma vez que a autuação foi de forma genérica, sem especificar os elementos que compõem o fato gerador. Por sua vez, o colegiado a quo entendeu que os impressos não possuem caráter acessório relativamente a sua utilização inicial, mas seriam altamente relevantes e confeririam natureza intrínseca e sua razão de ser. Passase à análise da reclassificação. A classificação de mercadorias é efetuada a partir das regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, da regra geral complementar relativa à classificação em âmbito regional (Mercosul) e ainda da regra geral complementar da TIPI. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.639 7 essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.640 8 b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5"a", as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1 (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. Concernente às posições envolvidas no litígio, transcrevo as notas de seção, capítulos, textos das posições e das NESH, para melhor esclarecimento: 48.20 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encardenação (de folhas soltas ou outras), capas de processos e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluídos os formulários em blocos tipo “manifold”, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono, de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão. 4820.10.00 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes 15 49.11 Outros impressos, incluídas as estampas, gravuras e fotografias. 4911.10 Impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes 4911.10.10 Contendo informações relativas ao funcionamento, manutenção, reparo ou utilização 0 Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.641 9 de máquinas, aparelhos, veículos e outras mercadorias de origem extrazona 4911.10.90 Outros 0 4911.9 Outros: 4911.91.00 Estampas, gravuras e fotografias 0 Ex 01 Fotografias tiradas diretamente NT 4911.99.00 Outros 0 Ex 01 Textos manuscritos ou datilografados, e suas cópias obtidas por meio de papel carbono ou fotocópia NT A Nota 12 do Capítulo 48 dispõe: 12. Com exclusão dos artefatos das posições 48.14 e 48.21, o papel, o cartão, a pasta (“ouate”) de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório relativamente à sua utilização original, incluemse no Capítulo 49. Nas NESH, destacamse: Considerações Gerais da NESH do Capítulo 48: [...] Papéis e cartões coloridos ou impressos Incluemse neste grupo os papéis revestidos de uma ou mais cores, aplicadas por qualquer processo, incluídos os papéis que comportem riscos, motivos decorativos, desenhos, etc. Entre estes, devem distinguirse, especialmente, os papéis indianos e os papéis marmorizados ou jaspeados à superfície. Estes papéis utilizamse em diversos usos, tais como revestimento de caixas, encadernações, etc. Os papéis podem encontrarse impressos com tinta de qualquer cor, formando linhas dispostas paralelamente ou não, ou então cruzadas. Estes papéis utilizamse, especialmente, para a fabricação de livros de contabilidade, cadernos escolares ou de desenhos, papel ou cadernos de música, papel para esquemas de tecidos ou para diagramas, papel de carta, agendas, etc. Incluemse neste Capítulo os papéis impressos tais como papéis de embrulho utilizados no comércio, com a razão social, marca, desenho ou modo de emprego da mercadoria, etc., ou outra característica acessória que não seja capaz de modificarlhes o destino inicial nem os faça serem considerados artefatos abrangidos pelo Capítulo 49 (ver a Nota 12 deste Capítulo). [...] Posição 48.17 Esta posição abrange os artefatos de papel ou cartão para correspondência, com exceção todavia do papel de carta em Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.642 10 folhas soltas ou em blocos, e ressalvadas as exclusões adiante mencionadas. Podem estes artigos apresentar dizeres impressos, tais como iniciais, nomes, endereços, brasões, marcas de fábrica, vinhetas, etc., desde que estas impressões possuam um caráter acessório relativamente a utilização desses produtos. [...] Excluemse desta posição: [...] c) Os bilhetespostais, os aerogramas e os envelopes que tenham impressa a respectiva franquia (inteiros postais) (posição 49.07). d) Os bilhetespostais impressos ou ilustrados e os cartões impressos da posição 49.09. e) As cartas com menções impressas e artigos impressos semelhantes, utilizados para transmitir avisos, anúncios, etc., mesmo que estes impressos devam ulteriormente ser completados com menções manuscritas (posição 49.11). f) Os envelopes e os cartões maximum, ambos ilustrados, de primeiro dia, sem selos postais (posição 49.11) ou com selos postais (posição 97.04). Posição 48.19 48.19 Caixas, sacos, bolsas, cartuchos e outras embalagens, de papel, cartão, pasta (“ouate”) de celulose ou de mantas de fibras de celulose; cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes. 4819.10 Caixas de papel ou cartão, ondulados (canelados*) 4819.20 Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados (não canelados*) 4819.30 Sacos cuja base tenha largura igual ou superior a 40cm 4819.40 Outros sacos; bolsas e cartuchos 4819.50 Outras embalagens, incluídas as capas para discos 4819.60 Cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes A) Caixas, sacos, bolsas, cartuchos e outras embalagens. Este grupo compreende os recipientes e continentes de quaisquer dimensões empregados para acondicionamento, transporte, armazenagem ou venda de mercadorias, quer se trate de artigos Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.643 11 comuns, quer de artigos de fabricação aprimorada (ornamentos, etc.). Podem citarse, por exemplo, as caixas e cartões, os saquinhos (incluídos os saquinhos para horticultura); os cartuchos, bolsinhas e sacos; os cilindros (tambores para embalagem) de cartão enrolado ou confeccionados de outro modo, mesmo munidos de aros de outras matérias; tubos de cartão, com ou sem tampa, para embalagem de jornais, planos e plantas de arquitetura, documentos, etc.; os sacos para proteção de vestuário; as vasilhas e cartuchos (mesmo parafinados) para leite, doces, sorvetes, etc. Esta posição também compreende os sacos de papel para usos especiais tais como os sacos para aspiradores de pó, os sacos para enjôo e as capas e caixas para discos. Esta posição engloba as caixas e cartonagens dobráveis. Consideramse “caixas e cartonagens dobráveis”: as caixas e cartonagens que se apresentem planas e cuja montagem resulte do simples desdobramento das diferentes partes unidas umas às outras (por exemplo, caixas de pastelaria); bem como as cartonagens reunidas ou que possam ser reunidas com cola, grampos, etc. sobre um único lado, a formação dos outros lados sendo feita com a própria cartonagem e o eventual fecho podendo ser rematado no fundo ou na tampa pela aplicação de uma fita adesiva ou de grampos, por exemplo. Estes artigos podem apresentar dizeres impressos, tais como nomes de firmas, instruções para uso, ou mesmo vinhetas. É por isso, por exemplo, que os saquinhos para sementes, com gravuras de flores ou de produtos hortícolas, bem como razões sociais de firmas e indicações referentes à semeadura (sementeira*) incluemse nesta posição; o mesmo sucede com as embalagens de chocolates ou de farinhas dietéticas ornamentados com imagens para recortar, para crianças. Os artefatos deste tipo podem encontrarse providos de guarnições ou acessórios de outras matérias: forros de tecidos, reforços de madeira, alças (pegas*) de cordel, cantos de metal ou de plásticos, etc Posição 48.20 Esta posição abrange os diversos artigos de papelaria, com exclusão dos artigos para correspondência da posição 48.17 e dos artigos referidos na Nota 10 do presente Capítulo. Compreende especialmente: 1) Os livros de registro e de contabilidade; os blocos de notas de qualquer natureza; os blocos de encomendas, os blocos de recibos, os blocos de papel de cartas, os blocos de apontamentos, agendas, os índices telefônicos, etc. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.644 12 2) Os cadernos. Os cadernos podem simplesmente conter folhas de papel pautado, mas podem, também, comportar modelos de escrita para serem reproduzidos a mão. Todavia, os cadernos destinados a trabalhos educativos, às vezes chamados cadernos de escrita, com ou sem textos narrativos, que contenham questões ou exercícios baseados nos textos que se reveste de um caráter acessório em razão de sua utilização inicial como caderno de exercícios e que contenham espaços a serem completados manualmente, estão excluídos da presente posição (posição 49.01). Os cadernos de exercícios para crianças compreendendo essencialmente ilustrações acompanhadas de textos de caráter complementar e servindo de exercícios de escrita ou outros estão igualmente excluídos (posição 49.03). 3) Os classificadores (exceto as caixas classificadoras), as capas para encadernação concebidas para agrupar folhas soltas, revistas e artigos semelhantes, tais como as capas para encadernação de pressão, de molas, de hastes ou de argolas, bem como as capas e coberturas de processos ou dossiês. 4) Formulários em blocos tipo manifold: são constituídos por vários jogos de formulários de escritório impressos em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono (papel químico*). Estes impressos são utilizados para obter múltiplas cópias e podem apresentarse em forma contínua ou descontínua. Eles possuem campos impressos a serem preenchidos com informações adicionais. 5) Os blocos que contêm folhas de papelcarbono (papel químico*): são semelhantes aos formulários em bloco tipo manifold mas distinguemse destes por não possuírem texto impresso ou só apresentarem impressas marcas de identificação tais como timbres. São muito utilizados para obter várias cópias e, tal como a maior parte dos formulários em blocos tipo manifold, as folhas que os compõem estão reunidas em um canhoto (cepo*) colado e perfurado. 6) Os álbuns para amostras ou para coleções (selos, fotografias, por exemplo). 7) Outros artigos de papelaria, tais como pastas para escrivaninha (secretária), dobráveis ou não. 8) As capas de livros (incluídos os protetores e as sobre capas), mesmo com impressões (títulos, etc.) ou ilustrações. Alguns artigos da presente posição podem, freqüentemente, ser revestidos de impressões ou de ilustrações, mesmo bastante importantes, e permanecem classificados na presente posição (e não no Capítulo 49) desde que as impressões e as ilustrações tenham um caráter acessório em relação a sua utilização inicial, como, por exemplo, as impressões que figuram nos formulários (destinados essencialmente a serem completados à Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.645 13 mão ou à máquina) e nas agendas (destinadas essencialmente à escrita). Estas obras podem, além disso, apresentarse encadernadas de couro, tecido ou outras matérias e providas de dispositivos ou reforçadas de metal, plásticos, etc. Os suportes de blocos de apontamento, de madeira, mármore, etc. seguem o seu regime próprio. As folhas soltas para deveres escolares (cópias escolares) classificamse nas posições 48.02, 48.10, 48.11 ou 48.23, conforme o caso. Ocorre o mesmo com as folhas perfuradas para encadernações móveis. As folhas soltas para álbuns classificamse de acordo com as suas características. A presente posição não compreende: a) Os talões (livros) de cheques (posição 49.07). b) Os títulos de transporte, tais como os bilhetes de passagens virgens comportando vários cupões (posição 49.11). c) Os bilhetes de loteria, “bilhetes de raspar” e bilhetes de tômbola (rifa) (geralmente posição 49.11). [...] Notas do Capítulo 49 [...] 2. Na acepção do Capítulo 49, o termo impresso significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por uma máquina automática para processamento de dados, por estampagem, fotografia, fotocópia, termocópia ou datilografia. Considerações Gerais do Capítulo 49 [...] Ressalvadas as raras exceções adiante mencionadas, este Capítulo compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham. Pelo contrário, além dos produtos das posições 48.14 e 48.21, o papel, cartão, pasta (ouate) de celulose e respectivas obras, que apresentem impressões cuja função seja meramente secundária em relação à sua utilização (por exemplo, papéis para embalagem, artigos de papelaria), incluemse no Capítulo 48. Da mesma forma, os artefatos de matérias têxteis, tais como lenços e echarpes que apresentem impressões decorativas ou de fantasia que não lhes afete o caráter essencial, os tecidos próprios para bordar e as talagarças próprias para tapeçarias à agulha, revestidos de desenhos impressos, incluemse na Seção XI. Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.646 14 [...] Além dos impressos mais comuns, tais como livros, jornais, brochuras, impressos publicitários, gravuras, este Capítulo abrange também outros artigos, tais como decalcomanias, cartõespostais impressos ou ilustrados, cartões de felicitações, calendários, obras cartográficas, plantas e desenhos, selos postais, selos fiscais e semelhantes. As microrreproduções em suporte opaco dos artigos classificáveis no presente Capítulo incluemse na posição 49.11; consideramse “microrreproduções” as reproduções obtidas por intermédio de um dispositivo óptico que reduz muitíssimo as dimensões do ou dos documentos fotografados; normalmente, a leitura dessas microrreproduções exige a utilização de um ampliador. Posição 49.11 Esta posição compreende todos os artigos impressos (incluídas as fotografias tiradas diretamente), do presente Capítulo (ver as Considerações Gerais), que não se encontrem incluídos nas posições precedentes deste mesmo Capítulo. [...] Certos impressos destinados a ser completados com indicações manuscritas ou datilográficas no momento da sua utilização, estão incluídos aqui, desde que apresentem o caráter essencial de artigos impressos (ver a Nota 12 do Capítulo 48). Por conseguinte, os formulários (formulários de aquisição de uma revista, por exemplo), os bilhetes de passagens virgens contendo vários cupons (bilhetes de avião, de trem e ônibus, por exemplo), as cartas circulares, os documentos e carteiras de identidade e outros impressos contendo um texto, uma notícia, etc. sobre os quais as informações devem ser indicadas (data e nome, por exemplo) incluemse na presente posição. Todavia, os certificados de valores mobiliários, os certificados documentários análogos e os talonários de cheques, que devem igualmente ser completados e validados, incluemse na posição 49.07. Pelo contrário, certos artigos de papelaria revestidos de impressões que apresentam um caráter acessório em vista da sua utilização inicial e que são destinados a escrita ou a datilografia classificamse no Capítulo 48 (ver Nota 12 do Capítulo 48 e especialmente as Notas Explicativas das posições 48.17 e 48.20). Esta posição também abrange, além dos produtos cuja inclusão é evidente: 1) Os impressos para fins publicitários (incluídos os cartazes publicitários), os anuários e publicações semelhantes, constituídos, essencialmente, de publicidade, os catálogos comerciais de qualquer espécie (incluídos os de livrarias, de música ou de obras de arte) e as publicações de propaganda turística. Excluemse, todavia, os jornais e publicações Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.647 15 periódicas, mesmo contendo publicidade (posições 49.01 ou 49.02, consoante o caso). 2) As brochuras contendo o programa de um circo, de um evento esportivo, de uma ópera, de uma peça ou de uma representação análoga. 3) Os suportes para calendários, revestidos de impressões ou ilustrações. 4) Os mapas geográficos esquemáticos, sem precisão topográfica. 5) As pranchas ou quadros para ensino da anatomia, botânica, etc. 6) Os bilhetes de entrada para espetáculos (cinema, teatro e concertos, por exemplo) bem como os bilhetes e os tíquetes para os transportes coletivos, e outros bilhetes semelhantes. 7) As microrreproduções em suporte opaco dos artigos classificados no presente Capítulo. 8) As retículas obtidas por impressão, sobre uma película de plástico, de letras e símbolos, destinados a serem recortados e utilizados em trabalho de composição. As retículas “peliculares” com pontos, linhas ou quadriláteros, incluemse, pelo contrário, no Capítulo 39. 9) Os cartões maximum e os envelopes de primeiro dia ilustrados (F.D.C. firstday covers), sem selos postais (ver também a parte D) da Nota Explicativa da posição 97.04). 10) Os impressos autoadesivos destinados a serem utilizados por exemplo, para fins publicitários ou de simples decoração, fins humorísticos os “autoadesivos humorísticos” e os “auto adesivos para janelas”. Também se excluem desta posição: [...] b) Os artigos das posições 39.18, 39.19, 48.14 e 48.21 e os produtos de papel impresso do Capítulo 48 nos quais a impressão de caracteres ou de estampas tenham apenas uma importância secundária relativamente ao seu emprego principal. A análise das notas acima permite inferir que o caráter essencial ou acessório a que se refere a nota 12 do Capítulo 48 não é dado simplesmente pela impressão de nome, marca ou outro elemento, ainda que importante, mas sim pela alteração da utilização inicial do produto em vista da impressão ou da ilustração que se aplica ao produto, como disposto nas Considerações Gerais do Capitulo 48: Incluemse neste Capítulo os papéis impressos tais como papéis de embrulho utilizados no comércio, com a razão social, marca, Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.648 16 desenho ou modo de emprego da mercadoria, etc., ou outra característica acessória que não seja capaz de modificarlhes o destino inicial nem os faça serem considerados artefatos abrangidos pelo Capítulo 49 (ver a Nota 12 deste Capítulo). Exemplificando, os envelopes da posição 48.17 são destinados à correspondência, podendo apresentar dizeres impressos, tais como iniciais, nomes, endereços, brasões, marcas de fábrica, vinhetas, etc., desde que estas impressões possuam um caráter acessório relativamente a utilização desses produtos, ou seja, destinaremse à correspondência. Porém, estão excluídos desta posição, os envelopes e os cartões maximum1, ambos ilustrados, de primeiro dia, sem selos postais, que se classificam na posição 49.11, pois que são peças filatélicas, ou seja, a função inicial de mera correspondência não é a utilização essencial deste produto, o qual é dada pela impressão ou ilustração do envelope. As notas das Considerações Gerais do Capítulo 49 evidenciam esta distinção, informando que este "compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham", excluindose deste capítulo os artigos que contenham impressões ou estampas, com caráter secundário, conforme a nota explicativa de exclusão b) da posição 49.11: Também se excluem desta posição: b) Os artigos das posições 39.18, 39.19, 48.14 e 48.21 e os produtos de papel impresso do Capítulo 48 nos quais a impressão de caracteres ou de estampas tenham apenas uma importância secundária relativamente ao seu emprego principal. Portanto, é necessário analisar se a impressão de textos confere utilização essencial diferente da destinação inicial do produto, de modo que sua razão de ser seja definida pelo texto impresso, bem como a especificidade da posição. Voltando à acusação fiscal, a contribuinte informou que "não presta serviços a terceiros, mas é tributada pelo ISSQN nos produtos personalizados e sob encomenda". Intimada no Termo de Intimação nº 3 (efl. 1163), a contribuinte respondeu (efl. 1166) que se tratavam de notas fiscais, faturas, duplicatas, conhecimento de transporte, recibos de pagamento com logotipo da empresa, boletins escolares etc. Nas notas fiscais apresentadas às efls. 1167/11, contém produtos como BOBINA 75X22 E 75X40 COM PRÉIMPRESSÃO, F.C. NOTA FISCAL FATURA SERIE 1 TOLEDO, F.C. NOTA FISCAL SERIE 2, F.C. NOTA FISCAL FATURA SERIE 2, F.C. CONHECIMENTO DE TRANSPORTE NOVO HAMBURGO, F.C CONHECIMENTO DE TRANSPORTE REALEZA, F.C.NOTA FISCAL FATURA SERIE 2, F.C. NOTA FISCAL FATURA SERIE 1, notas estas que compuseram a listagem de autuação, conforme efls. 1245/1393. 1 O site dos Correios define máximo postal como "Peça filatélica que possui, necessariamente, três elementos nos quais deve ocorrer concordância de motivos (temáticas): Cartão Postal ou Bilhete Postal, chamados de suportes; Selo; Carimbo de 1º Dia de Circulação, Comemorativo ou datador de unidades postais que possuam referência com o selo. Observados os elementos acima, o Máximo Postal pode ser adquirido pronto ou ser montado pelo interessado a partir de elementos de sua escolha. É emitido em lançamentos especiais, conforme previamente indicado na Programação Anual de Selos (link para http://blog.correios.com.br/filatelia/emissoes/programacao filatelica2014)/" Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.649 17 Estes produtos relacionados nas notas fiscais confirmam a resposta da contribuinte, bem como a informação do site da empresa constante no TVF sobre a produção de bobinas para cupom fiscal e formulários contínuos. Já para embalagens em papel microondulado, embalagens em papel cartão e impressos comerciais e promocionais (papel timbrado e papel carta), embora não constem da resposta, estão presentes no site da recorrente. A fiscalização, porém, reclassificou todos os produtos para o código 4820.10.00, a seguir descrito: 48.20 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encardenação (de folhas soltas ou outras), capas de processos e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluídos os formulários em blocos tipo “manifold”, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono, de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão. 4820.10.00 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes 15 Contudo, entendo que os produtos mencionados possuem classificações distintas. As bobinas para emissão de cupom fiscal se classificam na posição 4816.20.00 ou 4802.55.10, conforme a existência de uma ou mais vias. A respeito, transcrevo as seguintes notas da posição 4816: 48.16 Papelcarbono, papel autocopiativo e outros papéis para cópia ou duplicação (exceto da posição 48.09), estênceis completos e chapas ofsete, de papel, mesmo acondicionados em caixas. 4816.20.00 Papel autocopiativo 15 4816.90 Outros 4816.90.10 Papelcarbono e semelhantes 15 4816.90.90 Outros 15 Esta posição compreende os papéis revestidos ou, às vezes, impregnados, que permitem reproduzir por pressão (por exemplo, utilizando os caracteres da máquina de escrever), por umidificação, aplicação de tinta, etc., um documento original em um número variável de exemplares. Os papéis desta espécie apenas se incluem aqui se apresentados em rolos de largura não superior a 36 cm ou em folhas de forma quadrada ou retangular em que nenhum dos lados ultrapasse 36 cm, quando não dobrados, ou cortados em formas diferentes da quadrada ou retangular; quando se apresentarem de outro modo classificamse na posição 48.09. Os estênceis completos e as chapas ofsete não estão subordinadas a qualquer condição de dimensão. O papel compreendido nesta posição apresentase, geralmente, acondicionado em caixas. Podem, segundo o processo de reprodução que utilizam, agruparse em duas categorias: A. PAPÉIS QUE REPRODUZEM O DOCUMENTO ORIGINAL TRANSFERINDO UMA PARTE OU A TOTALIDADE DA SUBSTÂNCIA QUE Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.650 18 OS REVESTE OU DA MATÉRIA QUE OS IMPREGNA PARA OUTRA SUPERFÍCIE [...] Pertencem em especial a esta categoria: 1) O papelcarbono (papel químico*) e os papéis semelhantes. Estes papéis são geralmente constituídos por papel revestido ou às vezes impregnado de gorduras, cera, parafina, etc., misturadas com negrodecarbono ou outros corantes. Empregamse para obtenção de cópias de desenhos ou de textos datilografados ou manuscritos, para impressão direta em papel comum. Estes papéis podem apresentarse nas seguintes formas: a) um papel fino, utilizado intercalado, para um só uso ou para uso repetido; b) um papel revestido, de gramatura (gramagem*) normal, fazendo geralmente parte de um maço. Também se incluem neste grupo os papéiscarbono (papéis químicos*) para duplicadores hectográficos, que permitem a obtenção de uma “matriz”, a qual, por sua vez, se utiliza para obtenção de numerosas cópias. 2) Os papéis autocopiativos. Os papéis deste tipo, também chamados papéis sem carbono, apresentamse, em geral, em maços. A impressão resulta da reação entre dois ingredientes diferentes, normalmente separados um do outro, quer em uma mesma folha, quer em folhas contíguas do maço, sendo esses ingredientes postos em contato pela pressão exercida por um estilete ou pelos caracteres de uma máquina de escritório. 3) Os papéis de transferência térmica. São papéis revestidos em uma das faces de um produto termossensível que permite obter, em um aparelho de raios infravermelhos, a cópia de um documento original por transposição, para uma folha de papel comum, de uma parte da substância corante misturada com o produto de revestimento (transferência térmica). Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo: Acórdão nº 30134.346: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Anocalendário: 2000 IPI.CLASSIFICAÇÃO TARIFARIA Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.651 19 As bobinas de papel para Emissor de Cupom Fiscal, de duas ou três vias impressas ou personalizadas (papel copiativo), em rolos de largura não superior a 36 cm, classificamse no código NCM 4816.20.00. As bobinas de urna via impressa ou personalizada, em rolos de largura não superior a 15 cm classificamse no código NCIM 4802.55.10. Acórdão nº 3201002.225: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 20/06/2007 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos “formulários contínuos personalizados multivias”, “formulários contínuos documento fiscal” e “formulários contínuos personalizados simples” classificamse na posição 4820 da TIPI. O produto “bobina de/para PDV” classificase no código 4816.20.00 da TIPI. Acórdão nº 3401003.886: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2008 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos “formulários contínuos personalizados multivias”, “formulários contínuos documento fiscal” e “formulários contínuos personalizados simples” classificamse na posição 4820 da TIPI. O produto “bobina de PDV personalizada” classificase no código 4816.20.00 da TIPI. Os formulários contínuos para notas fiscais, faturas, duplicatas, conhecimentos de transporte possuem classificação específica no código 4820.40.00, em consonância com a NESH abaixo: 4820.40.00 Formulários em blocos tipo “manifold”, mesmo com folhas intercaladas de papel carbono 15 4) Formulários em blocos tipo manifold: são constituídos por vários jogos de formulários de escritório impressos em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono (papel químico*). Estes impressos são utilizados para obter múltiplas cópias e podem apresentarse em forma contínua ou descontínua. Eles possuem campos impressos a serem preenchidos com informações adicionais. Destacase que, como explicado na nota 12 do capítulo 48, o fato de haver indicação do encomendante (razão social, endereço, timbre) não retira a função do produto de ser um formulário contínuo para impressão de informações futuras. Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.652 20 Neste sentido, os acórdãos nº 3201002.225 e 3401003.886, já mencionados, bem como o Acórdão nº 3302002.145: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FORMULÁRIOS CONTÍNUOS. Formulários contínuos, tipo "manifold", contendo dizeres impressos, de qualquer importância, classificamse no código 4820.40.00, Ex 01, da TIPI/2001. As embalagens de papel se classificam na posição específica 4819 abaixo: 48.19 Caixas, sacos, bolsas, cartuchos e outras embalagens, de papel, cartão, pasta (“ouate”) de celulose ou de mantas de fibras de celulose; cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes. 4819.10.00 Caixas de papel ou cartão, ondulados 15 4819.20.00 Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados 15 4819.30.00 Sacos cuja base tenha largura igual ou superior a 40cm 15 4819.40.00 Outros sacos; bolsas e cartuchos 15 4819.50.00 Outras embalagens, incluídas as capas para discos 15 4819.60.00 Cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes 15 Conforme nota explicativa "A" da posição 4819, abaixo novamente reproduzida, a existência de dizeres impressos como nomes de firmas, instruções de uso ou mesmo vinhetas não alteram sua destinação inicial de ser embalagens, ou seja, tais informações são acessórias. Esta posição engloba as caixas e cartonagens dobráveis. Consideramse “caixas e cartonagens dobráveis”: as caixas e cartonagens que se apresentem planas e cuja montagem resulte do simples desdobramento das diferentes partes unidas umas às outras (por exemplo, caixas de pastelaria); bem como as cartonagens reunidas ou que possam ser reunidas com cola, grampos, etc. sobre um único lado, a formação dos outros lados sendo feita com a própria cartonagem e o eventual fecho podendo ser rematado no fundo ou na tampa pela aplicação de uma fita adesiva ou de grampos, por exemplo. Estes artigos podem apresentar dizeres impressos, tais como nomes de firmas, instruções para uso, ou mesmo vinhetas. É por isso, por exemplo, que os saquinhos para sementes, com gravuras de flores ou de produtos hortícolas, bem como razões sociais de firmas e indicações referentes à semeadura (sementeira*) incluemse nesta posição; o mesmo sucede com as embalagens de chocolates ou de farinhas dietéticas ornamentados com imagens para recortar, para crianças. Os impressos promocionais ou comerciais descritos no TVF se referiam a papéis timbrados, papéis de carta e outros impressos. No site da recorrente, Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.653 21 www.sulforms.com.br, a informação sobre impressos promocionais ou comerciais contém diversos produtos com diferentes classificações fiscais: papéis timbrados ou papel carta (4820.10.00), portapanfletos, pastas (4820.90.00), catálogos (49.11), calendários (49.10), cadernos (4820.20.00) e outros (rótulos, encartes, folhetos, tags, etiquetas(48.21)). Da relação de produtos mencionada no TVF, entendo que apenas os blocos de recibos de pagamento informados na resposta do contribuinte e os blocos de papel de carta configurariam a classificação fiscal no código apontado 4820.10.00, de acordo com a nota explicativa da posição 4820: 4820.10.00 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes 15 Esta posição abrange os diversos artigos de papelaria, com exclusão dos artigos para correspondência da posição 48.17 e dos artigos referidos na Nota 10 do presente Capítulo. Compreende especialmente: 1) Os livros de registro e de contabilidade; os blocos de notas de qualquer natureza; os blocos de encomendas, os blocos de recibos, os blocos de papel de cartas, os blocos de apontamentos, agendas, os índices telefônicos, etc. Contudo, este relator não localizou no TVF ou nos autos, prova de que houve venda efetiva destes produtos, uma vez que as notas fiscais colhidas pela fiscalização não identificaram este tipo de produto. Para os demais produtos, embora a maioria fora classificada incorretamente pelo contribuinte, também o foi pela fiscalização, o que infringe o artigo 142 do CTN e o artigo 20 da Lei nº 4.502/64, refletidos no artigo 122 do revogado Decreto nº 4.544/2002: Conceito Art. 122. Lançamento é o procedimento destinado à constituição do crédito tributário, que se opera de ofício, ou por homologação mediante atos de iniciativa do sujeito passivo da obrigação tributária, com o pagamento antecipado do imposto e a devida comunicação à repartição da SRF, observandose que tais atos (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 19 e 20, e Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 144 e 150): I compreendem a descrição da operação que lhe dá origem, a identificação do sujeito passivo, a descrição e classificação do produto, o cálculo do imposto, com a declaração do seu valor e, sendo o caso, a penalidade prevista; e Assim, a classificação em códigos errôneos configura erro na fundamentação jurídica da autuação, devendo os lançamentos serem cancelados. Neste sentido, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3301003.646: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 13971.722726/201122 Acórdão n.º 3302005.696 S3C3T2 Fl. 1.654 22 Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela empresa, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, igualmente serão improcedentes as respectivas multas. Acórdão nº 3301003.147: FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DECLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei nº 9.430/96, e do artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1655DF CARF MF
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Numero do processo: 19707.000259/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS,
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento.
Numero da decisão: 2202-004.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, e, em razão da aplicação do art. 62-A do RICARF, reconhecer a inadequação da base de cálculo utilizada na autuação, tendo em vista a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 614.206/RS, julgado na sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543-B do CPC/73, cancelando-se o lançamento. Vencido o conselheiro Waltir de Carvalho, que acolhera os Embargos em questão com efeitos infringentes, para fins de que o imposto seja recalculado utilizando-se as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, e, em razão da aplicação do art. 62A do RICARF, reconhecer a inadequação da base de cálculo utilizada na autuação, tendo em vista a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 614.206/RS, julgado na sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do CPC/73, cancelandose o lançamento. Vencido o conselheiro Waltir de Carvalho, que acolhera os Embargos em questão com efeitos infringentes, para fins de que o imposto seja recalculado utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 7. 00 02 59 /2 00 7- 14 Fl. 303DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pelo CARF quando no julgamento do Recurso Voluntário que resultou no Acórdão 2202.002.035 (fls. 228/236): Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 49 a 53, pela qual se exige a importância de R$8.299,40, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2004, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 50 e 51, o autuante esclarece que: · o lançamento decorre de omissão parcial de rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista, referente ao processo TRT no 637/1992002, em que o contribuinte ofereceu à tributação apenas o valor do capital corrigido, excluindo parcela que considerou equivalente ao 13o salário; · intimado a apresentar planilha do processo trabalhista que especificasse mais detalhadamente a composição dos valores que comporiam o total recebido, não atendeu à intimação; · com base na planilha contendo a identificação das verbas recebidas na ação trabalhista, relativa a diversos contribuintes de outros processos, a fiscalização considerou a seguinte composição das verbas recebidas: Valor do capital corrigido até 31.07.2004: R$ 58.512,06; Juros incidentes sobre o valor do capital: R$ 82.169,27; Total tributável: R$ 140.681,33; Honorários advocatícios: R$ 21.891,64; Valor informado na Declaração de Ajuste Anual R$ 49.735,25; Diferença omitida: R$ 69.054,44. · o valor omitido corresponde ao capital corrigido (R$58.512,06) adicionado aos juros incidentes sobre este valor Fl. 304DF CARF MF Processo nº 19707.000259/200714 Acórdão n.º 2202004.539 S2C2T2 Fl. 304 3 (R$82.169,27), deduzindose os honorários advocatícios comprovados pelo contribuinte (R$21.891,64) e o valor por ele declarado em sua Declaração de Ajuste Anual (R$49.735,25). DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 13, instruída com os documentos de fls. 14 a 41, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fl.114): Intimado em 17/10/2007 (despacho de fls. 112), o contribuinte apresentou impugnação em 22/10/2007 (fls. 0113),alegando em síntese, o seguinte: a) que elaborou sua declaração de ajuste anual referente ao exercício 2005, ano calendário 2004, de acordo com a base de cálculo do valor retido e recolhido, fazendo constar no item "Rendimentos Tributáveis de Pessoas Jurídicas pelo Titular" — INCRA Precatório TRT 24ª Região P — Imposto na Fonte — R$ 23.459,27 uma vez que os juros não estão sujeitos à incidência do imposto de renda; b) o próprio TRT da 24ª Região admitiu a não incidência de imposto de renda, sobre os juros de mora, por ser de rendimento pago em cumprimento de decisão judicial trabalhista, e que a exclusão dos juros de mora no cálculo do Imposto de Renda foi do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região e nunca, jamais do contribuinte, e que, os valores correspondente ao capital corrigido exigidos pela Receita Federal não são tributáveis; c) que não é devedor da importância que lhe foi atribuída, ao informar os rendimentos decorrentes da ação trabalhista, portanto, não agiu com dolo ou fraude, especialmente quanto a decisão e a elaboração dos cálculos, vez que esta foi elaborada pela própria Justiça do Trabalho; d) o cálculo do imposto de renda foi efetuado individualmente sendo que sobre o capital corrigido monetariamente e já deduzido o INSS aplicouse a alíquota de 27,5% subtraido o redutor, que na época era de R$ 423,08, resultando no valor devido ao Fisco, rendimento pago em cumprimento de decisão judicial trabalhista, conforme art. 43 do CTN, art. 46, caput, da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 28, caput, da Lei n° 10.883, de 29 de dezembro de 2003; e) por fim, requereu o cancelamento do valor do crédito tributado apurado e acompanhamento do Ministério Público Federal, em cumprimento dos artigos 74 e seguintes da Lei 10.741 de 1/10/2003. Juntou os documentos de fls.1541, 6689,91105,107110. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande Fl. 305DF CARF MF 4 (MS) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0414.083 (fls. 113 a 116), de 06/06/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. JUROS DE MORA. Os juros de mora recebidos em razão de decisão judicial que reconheceu o direito ao recebimento de diferenças salariais tributáveis também se sujeitam à tributação, vez que a verba acessória tem a mesma natureza da principal e ambas acrescem o patrimônio do contribuinte. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 08/07/2008 (vide AR de fl. 120), o contribuinte apresentou, em 05/08/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 123 a 171, no qual expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas: 1. Inicialmente, o recorrente deixa claro que a matéria controversa se atém aos juros de mora que a Receita Federal considerou indevidamente como tributável, embora o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região tenha determinado que tais valores não eram tributáveis. Reitera, basicamente, os termos de sua impugnação transcrevendo trechos do processo trabalhista, doutrina e jurisprudência judicial sobre o assunto para corroborar sua defesa. 2. Às fls. 158 e 159, o contribuinte se insurge contra os argumentos do relator a quo: O Recorrente não concorda com a tributação da diferença de R$69.054,44 pois, realmente não foi omissão conforme citado no Parecer do ILUSTRE RELATOR, constante de intimação visto que, esse valor trata da exclusão dos juros moratórios que não incidem tributação no cálculo do Imposto de Renda. No que diz respeito ao 13o salário, realmente houve um LAPSO no seu lançamento, tanto é que o mesmo não consta na Planilha de Cálculo formulada pelo TRT (fls. 109) e também que o seu lançamento não alterou os cálculos para efeito do Imposto de Renda elaborados pela Respeitável Relatoria. 3. O contribuinte questiona a multa de ofício imposta, alegando que sua conduta não é passível de punição, transcrevendo jurisprudência administrativa e doutrina sobre o tema. 4. O recorrente argumenta que a taxa SELIC, tem caráter remuneratório e não moratório, violando o limite previsto no art. 161 do Código Tributário Nacional que fixou as taxas de juros a 12% ao ano, ou seja, 1% ao mês. 5. Ao final, requer (fls. 170 e 171): Fl. 306DF CARF MF Processo nº 19707.000259/200714 Acórdão n.º 2202004.539 S2C2T2 Fl. 305 5 1 Que o Respeitável Conselho de Contribuintes verifique dentre os 19 Integrantes dessa Reclamação Trabalhista ajuizada em 12/3/1992 em face do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA/MS, Autos 0637/92 que tramitou perante a 2ª Junta de Conciliação e Julgamento de Campo Grande/MS (Processo na Receita Federal n° 19.707000.259/ 0714), alguns foram beneficiados pelo julgamento correto e integro prolatado pela Ilustre autoridade da Receita Federal/MS, da qual isentouos da tributação e restituiu de imediato aquilo que lhes pertencia. Neste Processo consta a qualificação de cada um (em anexo); 2Que,no Mérito seja julgado improcedente o lançamento provisório da peça exordial declarandoo insubsistente, com a definitiva exoneração do autuado. 3Que poderá S.M.J. ser aplicada a compensação sobre o recolhimento do Imposto de Renda ano calendário 2008 no caso de acolhimento deste Recurso. Como o recolhimento é mensal (próximo a R$ 32.000,00), significaria com essa compensação, a restituição da diferença devida (do que foi recolhido no ano calendário de 2008 sobre o que tem a restituir ano calendário2004). Em 16 de outubro de 2012 esta turma, por unanimidade de votos deu provimento ao recurso voluntário em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 228): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS EM DECISÃO JUDICIAL. JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 1.227.133 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A competência para apreciar os pedidos de restituição e/ou compensação é da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio fiscal do contribuinte, os quais devem ser formulados observando as normas que regulamentam a matéria. Fl. 307DF CARF MF 6 Inconformada a Fazenda Nacional apresentou os embargos declaratórios de fls. 238/244 alegando obscuridade da decisão recorrida pelos seguintes motivos: a) não emitiu qualquer pronunciamento sobre a exigência relativa à exclusãodo 13º salário dos rendimentos tributáveis recebidos no processo trabalhista TRT 637/1992002, também objeto da autuação, nem fez qualquer ressalva de que se tratava de matéria não impugnada; b) afastou a incidência do imposto de renda incidente sobre os juros de mora com amparo no acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, no Recurso Especial no 1.227.133 SC, sujeito ao regime de recurso repetitivo, que não aplica à espécie, uma vez que a referida decisão se restringe a reconhecer a não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contesto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho". Em decisão proferida em 14 de maio de 2013 a turma acolheu em parte os embargos declaratórios, determinando, todavia, o sobrestamento do feito pelo fato de que as verbas discutidas referiamse a rendimentos recebidos acumuladamente cujo mérito estava pendente de decisão pelo Supremo Tribunal Federal, conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito: Dessa forma, a apreciação do presente recurso encontrase prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora, com fulcro no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), que determina o sobrestamento do julgamento dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão pelo referido tribunal Diante da revogação do dispositivo regimental que determinava o sobrestamento o processo deve ter o seu julgamento concluído. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço A decisão proferida por esta turma no julgamento do Embargos Declaratório opostos pela fazenda Nacional compõese de 3 partes que devem ser expostas para que fique delimitado o alcance da presente decisão No que diz respeito a alegação de omissão quanto à exigência relacionada à exclusão do 13o salário dos rendimentos tributários, verificase que não foi conhecida, por Fl. 308DF CARF MF Processo nº 19707.000259/200714 Acórdão n.º 2202004.539 S2C2T2 Fl. 306 7 entender a relatora que tal verba não foi questionada pelo contribuinte, estando fora, portanto, do objeto do recurso; Em relação a alegação de omissão quanto à abrangência da decisão proferida no Recurso Especial nº 1.227.133, concluiu a relatora que o referido julgado reconheceu a isenção dos juros que tiverem sido pagos no contexto de rescisão do contrato de trabalho por força do artigo. 6º, inciso V, da Lei nº 7.713/88, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Não obstante a defesa alegue que a diferença tributada pela fiscalização referese a juros de mora incidentes sobre verbas recebidas em decorrência da ação trabalhista por ele impetrada, verdade é que tais valores foram recebidos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e, portanto, não se configura a hipótese prevista no Resp no 1.227.133/RS, julgado em 28/09/2011, e submetido ao regime do art. 543C do CPC. Todavia, concluiu a relatora que o processo não poderia ser julgado uma vez que os valores glosados referiamse à rendimentos recebidos acumuladamente: Tratase, assim, de lançamento de rendimentos recebidos acumuladamente, por pessoa física, em virtude de decisão judicial, a título de diferenças de salariais, e, portanto, importa trazer à colação o julgamento dos Recursos Especiais nos 614.232/RS e 614.406/RS, de 20/10/2010, em que o Superior Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A do Código de Processo Civil, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que trata dos rendimentos recebidos acumuladamente. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontramse sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil. Concluise, assim, que parte da discussão no presente processo referese à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Dessa forma, a apreciação do presente recurso encontrase prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora, com fulcro no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), que determina o sobrestamento do julgamento dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão pelo referido tribunal Diante do exposto a decisão concluiu que: Fl. 309DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos opostos pela Fazenda Nacional para retificar o Acórdão no 2202002.035, de 16/10/2012, sanando a omissão apontada, atribuir efeitos infringentes para SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62A, §1o e 2o, do RICARF Verificase, assim, que a presente decisão restringese a análise da tributação dos valores recebidos acumuladadamente. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nª 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, (transitada em julgado em 09/12/2014) ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Artigo 62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou bases de cálculo consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 19707.000259/200714 Acórdão n.º 2202004.539 S2C2T2 Fl. 307 9 Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, e, em razão da aplicação do art. 62A do RICARF, reconhecer a inadequação da base de cálculo utilizada na autuação, tendo em vista a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 614.206/RS, julgado na sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do CPC/73, cancelandose o lançamento. Vencido o conselheiro Waltir de Carvalho, que acolhera os Embargos em questão com efeitos infringentes, para fins de que o imposto seja recalculado utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 311DF CARF MF
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