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Numero do processo: 13502.901153/2011-28
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação ao ano calendário de 2006 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade de alegado saldo credor, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor da contribuinte.
Numero da decisão: 1802-002.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 11 53 /2 01 1- 28 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 13502.901153/201128 Acórdão n.º 1802002.538 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Trata o processo da Declaração das CompensaçãoPer/Dcomp nº 04175.17150.220408.1.3.027223 (págs. 7/12), enviada em 22/04/2008, relativa à compensação de débitos de 236201 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal de 01/2006, vencimento em 24/02/2006, R$5.409,15 e de 01/2007, vencimento em 28/02/2007, R$6.028,35, e 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa, de 01/2007, vencimento 28/02/2007, R$2.005,64; e da Per/Dcomp nº 35890.65104.140508.1.3.025635 (págs. 13/16), de 14/05/2008, relativa à compensação de débito de 585601 COFINS Não cumulativa de 04/2008, vencimento em 20/05/2008, R$16.754,62; os créditos requeridos se referem a Saldo Negativo (SN) de IRPJ de 31/12/2006, nos valores respectivos de R$ 16.192,40 e R$ 14.478,59. 2. A DRF em Camaçari/BA emitiu o Despacho Decisório, págs. 4, 17/18, comunicando que não homologou as compensações declaradas porque o crédito de SN IRPJ não consta da DIPJ onde se apurou IRPJ a pagar e o contribuinte, intimado, não se manifestou; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/08/2011, no valor do principal de R$30.197,76, acrescido de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal (AR recebido em 17/08/2011, págs. 5/6), o contribuinte apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de págs. 19/27, por meio de seus representantes legais de págs. 38/39. 4. Afirma que o crédito requerido decorre de estimativas recolhidas e compensações realizadas, conforme consta da linha 18 da fl. 13 da DIPJ 2007/2006, apurado pela empresa sucedida CNPJ 05.282.535/000116 (doc. 05); relata que através da Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 13502.901153/201128 Acórdão n.º 1802002.538 S1TE02 Fl. 4 3 Dcomp n° 08066.73619.130508.1.3.020858 (Doc. 07), tendo em vista a existência de saldo negativo apurado, pleiteou parte do crédito, no montante de RS 7.254,23; contudo, esta Dcomp foi cancelada através do Pedido n° 33688.44511.200209.1.8.02 5003 (Doc. 08), por se tratar de credito não homologado, nos termos do Despacho Decisório ora acostado (Doc. 09); assim, foi transmitida nova DComp n° 35890.65104.140508.1.3.02 5635, visando à compensação de R$ 14.478,59, (Doc. 10). 5. Todavia, foi cientificada do despacho decisório que não reconheceu o crédito, não homologando, consequentemente, as compensações n° 04175.17150.220408.1.027223 e n° 35890.65104.140508.1.3.025635, com o que não concorda. 6. Diz que o SN IRPJ requerido foi apurado pela empresa sucedida CNPJ 05.282.535/000116, que foi incorporada pela Impugnante em 01/05/2007, nos termos da Ata de Assembléia Geral Extraordinária (Doc. 11). 7. Ressalta que a Ata de Assembléia Geral e Extraordinária realizada em 25/10/2007 (Doe. 12), deliberou sobre a transformação do estabelecimento filial (27.515.154/001141) em matriz e, consequentemente, o estabelecimento matriz (27.515.154/000172)em filial. 8. Portanto, a documentação societária da empresa demonstra a incorporação do estabelecimento inscrito no CNPJ sob o n° 05.282.535/000116 pela Impugnante. 9. A alteração cadastral também foi informada à Secretaria da Receita Federal ("SRI7"), conforme se verifica do "Recibo de Entrega do Documento CNPJ", transmitido em 28/11/2007 (Doc. 13) e do "Protocolo de Transmissão da FCPJ" (Doc. 14); a baixa do estabelecimento inscrito no CNPJ sob o n° 05.282.535/000116 já foi pleiteada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Contudo, o procedimento de baixa não pôde ser concluído, tendo em vista que a Previdência Social não procedeu à atualização cadastral no sistema, para fazer constar as alterações societárias aprovadas pela Ata de Assembléia Geral e Extraordinária; que obsta, também, o procedimento de baixa, a existência de processo administrativo para cancelamento de débitos de 1CMS exigidos através do Auto de Infração n° 232900.0005/108, lavrado pela Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, que se encontra pendente de julgamento até a presente data (Doc. 15). 10. A própria Delegacia da Receita Federal do Brasil, através do Parecer SARAC n° 0102/2008, reconheceu a alteração societária e a incorporação, ocorrida na data 01/05/2007, conforme trecho que transcreve. 11. Aduz que integra o SN IRPJ de 31/12/2006, objeto deste processo, o valor da estimativa mensal apurada em relação aos períodos de Novembro e Dezembro de 2006. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 13502.901153/201128 Acórdão n.º 1802002.538 S1TE02 Fl. 5 4 12. Foram recolhidos os respectivos valores de R$1.152,13, R$7.764,33 e R$ 298.844,57, conforme anexos comprovantes de recolhimento; que integram o saldo negativo do período os valores: R$1.152,13, R$7.351,20 e R$29.421,89, portanto, resta devidamente comprovada a existência de crédito no valor de R$37.925,22. 13. Discorre sobre o direito à compensação, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º da IN SRF nº 900, de 2008, e invoca os princípios da finalidade, adequação e simplicidade da Administração Pública. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Curitiba/PR) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0644.244, de 13 de novembro de 2013, cientificado eletronicamente ao interessado em 11/12/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 PER/DCOMP ELETRÔNICO NÃO HOMOLOGADO. CRÉDITO SN IRPJ. Procedente a não homologação de compensação com Saldo Negativo de IRPJ, se este crédito não é confirmado. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 10/01/2014, conforme despacho de encaminhamento SAORT. Em sede recursal a interessada apresenta os mesmos argumentos expendidos Finalmente requer seja reformado o Acórdão recorrido e homologado integralmente os PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo decorre do Despacho Decisório que não homologara as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nº 04175.17150.220408.1.3.027223 e 35890.65104.140508.1.3.025635, fls.7/16, transmitidas à Receita Federal em 22/04/2008 e 14/05/2008, respectivamente. Os créditos indicados para as compensações se referem a Saldo Negativo (SN) de IRPJ de 31/12/2006, nos valores respectivos de R$ 16.192,40 e R$ 14.478,59, no total de R$ 30.670,99. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 13502.901153/201128 Acórdão n.º 1802002.538 S1TE02 Fl. 6 5 O PERDCOMP nº 04175.17150.220408.1.3.027223, pretende compensar os débitos: 236201 IRPJ/Estimativa mensal de 01/2006, vencimento em 24/02/2006, R$5.409,15 e de 01/2007, vencimento em 28/02/2007, R$6.028,35; e, 248401 CSLL/Estimativa mensal, de 01/2007, vencimento 28/02/2007, R$2.005,64; e, O PERDCOMP nº 35890.65104.140508.1.3.025635, pretende compensar o débito da Cofins não cumulativa de 04/2008, vencimento em 20/05/2008, R$16.754,62. Para melhor compreender os fatos transcrevo parte do Despacho Decisório, emitido em 02/08/2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Camaçari/BA, verbis: ... No curso da análise do direito creditório, foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo. Dessa forma, de acordo com as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da pessoa jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta imposto a pagar. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 37.925,22 Valor do imposto a pagar na DIPJ: R$ 348.068,62 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 35890.65104.140508.1.3.025635 04175.17150.220408.1.3.027223 ... Irresignada com o Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que analisada em sede de 1ª instância, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Curitiba/PR) mediante o Acórdão nº 0638.340, de 26 de outubro de 2012, julgou IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e manteve a não homologação da compensação sob o fundamento de que não foi apurado saldo negativo. E demonstrou que ao invés de saldo negativo foi constatado IRPJ a pagar no valor de R$ 61.381,25, razão pela qual não há crédito para homologar as compensações indicadas nos PERDCOMP sob análise. A Recorrente alega que a decisão não pode prosperar porque o crédito de saldo negativo de IRPJ utilizado foi apurado pela empresa sucedida, CNPJ n° 05.282.535/000116, conforme declarado na linha 18, da fl. 13 da DIPJ 2007, já acostado aos autos. E, quando do preenchimento da Dcomp, a Recorrente não pôde indicar que se tratava de "Crédito de Sucedida". Destaca que a empresa sucedida, detentora do crédito, foi incorporada pela Recorrente em 01/5/2007 nos termos da Ata de Assembleia Geral Extraordinária já acostada Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 13502.901153/201128 Acórdão n.º 1802002.538 S1TE02 Fl. 7 6 aos autos, e que, a documentação societária da empresa demonstra a incorporação do estabelecimento inscrito no CNPJ sob o n° 05.282.535/000116 pela Recorrente. Sobre o assunto manifestouse a DRJ/Curitiba no acórdão recorrido, verbis: 14. Conforme ata de págs. 78/81, datada de 01/05/2007, registrada na Junta Comercial do Estado da Bahia em 30/07/2007, a Policarbonatos do Brasil S/A, CNPJ 27.515.154/000172, incorporou a Proquigel Química S/A, CNPJ 05.282.535/000116; e alterou a razão social para Proquigel Química S/A, CNPJ 27.515.154/000172. 15. Em 22/04/2008 e 14/05/2008, requereu em seu nome e CNPJ, crédito de SN IRPJ de 31/12/2006 da sucedida, o que vem esclarecer nesta manifestação de inconformidade. 16. Verificaramse os dados da Proquigel Química S/A, CNPJ 05.282.535/000116 incorporada e das Dcomp por ela emitidas, assim como a DIPJ, DCTF e recolhimentos efetuados relativos ao ano calendário 2006, págs. 100/242, constandose que: ... 18. As estimativas mensais 2362IRPJ pagas e as cuja homologação foi deferida somaram R$428.027,95, resultando: DIPJ ac 2006 Acórdão IRPJ apurado 1.200.348,95 1.200.348,95 ()Oper Carát Cult Artís 29.384,37 29.384,37 () PAT 28.993,80 28.993,80 ()Isenção/redução Imp 614.928,19 614.928,19 ()Redução por reinvestº 37.633,39 37.633,39 ()IR Mensal pago p/ Est 527.334,42 428.027,95 IRPJ a pagar 37.925,22 61.381,25 19. Consulta aos sistemas da RFB evidenciou que não constam Declarações de Compensação ou Pedidos de Restituição do crédito de SN IRPJ de 31/12/2006, pela Proquigel Química S/A, CNPJ 05.282.535/000116, porém, conforme demonstrado, não foi confirmado o crédito requerido. A Recorrente reitera que integra o SN IRPJ de 31/12/2006, objeto deste processo, o valor da estimativa mensal apurada em relação aos períodos de Novembro e Dezembro de 2006. Aduz que foram recolhidos os respectivos valores de R$1.152,13, R$7.764,33 e R$ 298.844,57, conforme anexos comprovantes de recolhimento; que integram o saldo negativo do período os valores: R$1.152,13, R$7.351,20 e R$29.421,89, portanto, resta devidamente comprovada a existência de crédito no valor de R$37.925,22. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 13502.901153/201128 Acórdão n.º 1802002.538 S1TE02 Fl. 8 7 Como se vê do demonstrado na decisão recorrida, as estimativas mensais 2362IRPJ pagas e/ou homologadas a compensação em PER/DCOMP somaram R$ 428.027,95 e não, R$ 527.334,42 como declarado na DIPJ/2007. A alegação da Recorrente de que efetuou o pagamento de R$ 37.925,22 em nada comprova que realizou o pagamento das estimativas no total R$ 527.334,42. Caberia ao contribuinte comprovar tal montante. Para a análise dos PERD/COMP de que tratam os presentes autos, também não foi apurado o saldo negativo (R$ 37.925,22 ) na empresa sucedida, CNPJ n° 05.282.535/000116 e sim, IRPJ a pagar na ordem de R$ 61.381,25 que, de acordo com o prazo decadencial não poderá ser objeto de lançamento tributário. Ultrapassado o prazo previsto legalmente para proceder ao lançamento tributário previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação ao ano calendário de 2006 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade do alegado saldo negativo, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor da contribuinte. No presente processo em que se discute PERDCOMPs, que se utilizam de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2006, o Fisco não procedeu qualquer revisão da base de cálculo mensal das estimativas mensais, tampouco, revisão do Lucro Real apurado em 2006. Desse modo, não houve crédito constituído por procedimento fiscal na modalidade de lançamento tributário sujeito ao prazo decadencial nos moldes do artigo do artigo 150 do CTN. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido declarado e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) As compensações declaradas nos PER/DCOMPs n° 26051,88316.020804.1.3.020022 e 26899.44570.020804.1.3.021660, não homologadas, foram transmitidas pela pessoa jurídica em 02/08/2004, que tomou ciência do despacho Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA Processo nº 13502.901153/201128 Acórdão n.º 1802002.538 S1TE02 Fl. 9 8 decisório em 13/02/2009, efl.145 (Aviso de RecebimentoAR) e apresentou a manifestação de inconformidade em 16/03/2009 (efl.146). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/ 03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LI NS DE SOUSA
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Numero do processo: 18050.007760/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.072
Decisão: RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso, até o trânsito em julgado da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos artigos 62-A, §§1º e 2º, do RICARF. Julgamento antecipado para 16/05/2012 – manhã – a pedido do recorrente. Compareceu ao julgamento o patrono do recorrente, Dr. Marcio Pinho Teixeira – OAB/BA 23911.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso, até o trânsito em julgado da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Julgamento antecipado para 16/05/2012 – manhã – a pedido do recorrente. Compareceu ao julgamento o patrono do recorrente, Dr. Marcio Pinho Teixeira – OABBA 23911. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18050.007760/200964 Resolução n.º 2101000.072 S2C1T1 Fl. 275 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 160/251) interposto em 18 de maio de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls. 153/155), do qual o Recorrente teve ciência em 06 de maio de 2011 (fl. 157), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 02/10, lavrado em 25 de novembro de 2009, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda pessoa física, verificada nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 153). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 160/251 pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Antes de adentrar no mérito, propriamente dito, das alegações veiculadas na peça recursal, observo que o presente recurso versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18050.007760/200964 Resolução n.º 2101000.072 S2C1T1 Fl. 276 3 Nesse esteio, compulsando os autos, verifico que o lançamento tributário, precisamente no que atine à alíquota aplicável, seguiu orientação fazendária firmada no Parecer PGFN n.º 287/2009, posteriormente ratificado também pelo Ato Declaratório n.º 1/2009, editado à época da consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Referida orientação, firmada no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”, por derrogar, em última instância, o texto legal do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, foi levada à apreciação, em caráter difuso, do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614.406 AgRQORG, Relatora Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043, DIVULG 03/03/2011) Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema, pois, pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que o Parecer PGFN n.º 287/09, utilizado como fundamento para o cálculo do tributo devido na espécie, teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN n.º 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito do tema. Por essas razões, em virtude da contradição entre os termos do art. 12 da Lei n.º 7.713/88 e o teor do Parecer n.º 287/09, utilizado para a lavratura do auto de infração, e, especialmente, em razão do caráter vinculado do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do recurso voluntário em espeque. Vale frisar, nesse sentido, que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586/2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256/09, determinandose, explicitamente, o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18050.007760/200964 Resolução n.º 2101000.072 S2C1T1 Fl. 277 4 A este respeito, confirase o teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, in verbis: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso, até o trânsito em julgado da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10865.908897/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-003.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 97 /2 00 9- 41 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.152, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908897/200941 Acórdão n.º 3802003.916 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908897/200941 Acórdão n.º 3802003.916 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Conselho. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003758/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO.
Não deve prosperar o lançamento tributário quando verificado erro da autoridade fiscal quanto à qualificação jurídica da infração cometida pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1201-000.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Relator e o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Marcelo Cuba Netto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. Não deve prosperar o lançamento tributário quando verificado erro da autoridade fiscal quanto à qualificação jurídica da infração cometida pelo sujeito passivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Relator e o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício Roberto Caparroz de Almeida - Relator Marcelo Cuba Netto - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
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ERRO DE DIREITO. Não deve prosperar o lançamento tributário quando verificado erro da autoridade fiscal quanto à qualificação jurídica da infração cometida pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Relator e o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício Roberto Caparroz de Almeida Relator Marcelo Cuba Netto Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 37 58 /2 00 9- 20 Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 27.117.669,22, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, além de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, sobre o mesmo período, no valor de R$ 9.762.360,83, acrescida de multa e juros de mora. A autuação originouse de fiscalização do Imposto de Renda, na qual foi apurada glosa parcial de despesas operacionais contabilizadas a título de propaganda em montante que representa, no entendimento das autoridades lançadoras, mera liberalidade da pessoa jurídica, com a consequente falta de recolhimento dos tributos mencionados. Consta no Termo de Verificação Fiscal que a ação fiscal restringiuse ao seguinte objeto: despesas operacionais tituladas como de propaganda e publicidade, especificamente em relação à rubrica “propaganda e publicidade – contrato”, cujos dispêndios, nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007 beneficiaram a pessoa jurídica Diffusion Publicidade e Propaganda Ltda., que tem como sócios as mesmas pessoas físicas sócias da empresa Conforto Empreendimentos e Participações S/A, controladora da Medley S/A Indústria Farmacêutica (atual Medley Indústria Farmacêutica Ltda., conforme indica a petição de fls. 1.664 do processo eletrônico). Os trabalhos fiscais na Medley S/A Indústria Farmacêutica tiveram início com a Diligência determinada no Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.12.00200900416 8. A diligência se fez necessária para apurar os fatos surgidos quando da fiscalização em andamento na pessoa jurídica Diffusion Publicidade e Propaganda Ltda., empresa “veículo” utilizada pela Medley para canalizar recursos titulados como despesas de propaganda. No Termo de Verificação, lavrado em 04 de dezembro de 2009, a autoridade lançadora fez um relatório de todas as constatações apuradas durante o período em que a Recorrente foi fiscalizada, conforme segue: 1. A Medley S/A, até abril de 2009, era controlada pela tradicional família "Negrão", por meio das empresas Conforto Empreendimentos e Participações S/A (CNPJ 05.366.087/0001 39), Spring Participações e Empreendimentos S/A (CNPJ 03.156.894/000100) e GNF Empreendimentos e Participações S/A (CNPJ 07.622.842/000124). 2. As investidoras são controladas pelas seguintes pessoas físicas: Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 4 3 a) Conforto Empreendimentos e Participações S/A (Conforto): Alexandre Funari Negrão (Presidente) e Roberto Ariani Mangabeira Albernaz (Diretor); b) Spring Participações e Empreendimentos S/A (Spring): Alexandre Funari Negrão (Presidente); Antônio Augusto Funari Negrão (Diretor); Adriana Funari Negrão Albernaz (Diretora); c) GNF Empreendimentos e Participações S/A (GNF): Antônio Augusto Funari Negrão (Presidente) e Alexandre Funari Negrão (Diretor); d) Alexandre Funari Negrão também é sócio, com o cargo de Presidente, da Litius Empreendimentos e Participações Ltda.; 3. Em abril de 2009 a Medley teve seu controle acionário adquirido pelo Grupo Transnacional SanofiAventis; 4. Lastreada em contratos particulares denominados de “Contrato de Prestação de Serviços de Marketing e Outras Avenças” ou “Contrato de Prestação de Serviços de Administração de Marketing, Utilização de Imagem e Outras Avenças”, firmados com a empresa Diffusion Publicidade e Propaganda Ltda. (Diffusion), a Medley canalizou recursos para a contratada, via depósitos bancários, a título de “adiantamentos a fornecedores” nos anos de 2003 (R$ 5.970.000,00), 2004 (R$ 40.280.220,89), 2005 (R$ 32.979.950,00), 2006 (R$ 45.415.000,00) e 2007 (R$ 20.912.500,00), no total de R$ 145.557.670,89. (grifamos) 5. Alguns meses depois a Diffusion emitia Notas Fiscais de Serviços em favor da Medley, que baixava os valores da conta “adiantamentos” contra a conta “Despesas de Propaganda”; (grifamos) 6. O saldo a faturar, passivo na Diffusion e ativo na Medley, foi assumido pela Conforto. Em dezembro de 2008, a Litius Empreendimentos e Participações Ltda. adquiriu da Conforto, em troca de assunção da dívida daquela para com a Medley, ações da Spring, que veio a ser incorporada pela Medley; 7. Vêse que vigorava excessiva liberalidade nos negócios jurídicos entre a Medley e a pessoa física de Alexandre Funari Negrão, seu controlador de fato por meio das empresas de participação antes citadas e da “empresa veículo” Diffusion; (grifamos) 8. A liberalidade para com a Diffusion assume contornos patentes. No anocalendário de 2004, além dos gastos com patrocínio direto da Stock Car, a fiscalizada destinou recursos para a Diffusion na ordem de 62% das despesas de propaganda, 23% de todas as despesas operacionais do período, ou 9,07% da Receita Bruta Total do período; (grifamos) 9. Era de se esperar, num quadro de normalidade e usualidade, que um fabricante de medicamentos apresentasse despesas mais Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 5 4 elevadas com ações voltadas para os profissionais de saúde, por exemplo. Entretanto, em todos os anos analisados, os valores repassados à Diffusion (“empresa veículo” do patrocínio de corridas automobilísticas) superam, e muito, os valores de todas as demais rubricas, notadamente as que registram ações mais próprias no ramo de atividade da fiscalizada (quadro de fls. 301 a 304 do processo eletrônico); (grifamos) 10. É claro que não é tarefa da fiscalização questionar o direcionamento de dispêndios com ações de publicidade e propaganda para tal ou qual segmento. No caso de laboratórios é até compreensível, usual e normal que haja aplicação de recursos em ações voltadas para cativar diretamente o consumidor, sem dúvida. Não se desconhece que hoje as empresas procuram fixar sua marca criando emoções no consumidor. Mas a aplicação dos recursos feita pela Diffusion, “empresa veículo” utilizada no patrocínio de corridas automobilísticas mostra uma realidade bem diferente. (grifamos) 11. Em 09 de junho de 2009, com a finalidade de dar início à fiscalização determinada para a pessoa jurídica DIFFUSION PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA., motivada por inconsistências documentais relativas à compensação de imposto de renda na fonte, compareci à Rua Francisco Carlos Mazzoni, 330, na cidade de Santo Antônio de Posse, pequena cidade do interior de São Paulo, endereço que constava nos cadastros da Receita Federal do Brasil como sendo a sede da empresa. 12. Constatei que o endereço referido é uma antiga e pequena casa com características de residência de padrão normal, sendo que o imóvel se encontrava fechado. Indagando morador das imediações, que não quis se identificar, apurei que o imóvel há tempos permanece fechado e que, periodicamente, comparecia lá uma pessoa para limpeza e recolhimento de correspondências. No curso da ação fiscal, a pessoa jurídica alterou se endereço para a Rua Odila Maia Rocha Brito, 527 — Conjunto 41 — Nova Campinas — CampinasSP 13. Como havia elementos em posse da fiscalização que registravam que o principal cliente da DIFFUSION era a MEDLEY, foi então iniciada diligência nessa última, oportunidade em que obtive o endereço do contador da DIFFUSION, Sr. Haiton Simionato, na cidade de CampinasSP, iniciandose a fiscalização, com desdobramentos próprios que constam do Termo de Verificação Fiscal elaborado no encerramento dos trabalhos na DIFFUSION (partes do que se apurou e que tem implicações na MEDLEY serão relatados na sequência); 14. No desenrolar dos trabalhos na DIFFUSION (fiscalizada) e na MEDLEY (então diligenciada), podese apurar em detalhes todo o funcionamento dos negócios jurídicos engendrados entre essas duas empresas. Com efeito, a DIFUSION é, juridicamente, Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 6 5 uma sociedade empresária limitada, cuja composição societária é a seguinte: ALEXANDRE FUNARI NEGRÃO = 90%; VERA SARNES NEGRÃO – esposa = 10%. 15. Reiterese que Alexandre Funari Negrão, é conhecido no meio automobilístico esportivo como "Xandy Negrão". Neste segmento teve, e ainda tem, significativa participação, notadamente na categoria Stock Car em que se destacou como exímio piloto e hoje ainda milita nesse meio esportivo, acompanhando a careira do seu filho, conhecido como "Xandinho Negrão". Como já relatado, Alexandre Funari Negrão, é também sócio majoritário da pessoa jurídica Conforto Empreendimentos e Participações S/A que detinha 51% do capital votante da MEDLEY. 16. Significativo para as conclusões da fiscalização da contribuinte é a destinação que a Diffusion deu aos recursos recebidos da Medley, inicialmente contabilizados como Adiantamento de Clientes e depois, uma parte como receita de serviços prestados: fora as aplicações na atividade de fato (manutenção das equipes e todos os dispêndios necessários à participação nas competições automobilísticas), tributos e outras saídas de bancos, os recursos recebidos foram aplicados em empréstimos a Alexandre Negrão e lucros distribuídos ou antecipados a Alexandre Negrão, em 2004, 2005, 2006 e 2007, além de empréstimos para Conforto Empreendimentos, em 2006 e 2007; (grifamos) 17. Em média, as operações acima representaram, no período, 68,29% dos ingressos da empresa, conforme quadros de fls. 306 a 308 do processo eletrônico, o que demonstra o exagero no montante disponibilizado pela Medley para a Diffusion; (grifamos) 18. A Diffusion tributou seus resultados pelo lucro presumido (IRPJ e CSLL), mas distribuiu lucros ao sócio Alexandre Funari Negrão pela contabilidade; 19. A título de comparação, e para reforço das conclusões da fiscalização que se relatará nos itens finais do presente Termo, temse (Valores em R$): Total Faturado pela Diffusion à Medley R$ 99.435.783,72 Carga tributária total na Diffusion (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS): 11,33% R$ 11.266.074,30 Redução do resultado na Medley com os pagamentos à Diffusion R$ 99.435.783,72 Carga tributária reduzida na Medley (lucro real) 34% R$ 33.808.166,46 Redução líquida na carga tributária R$ 22.542.092,17 Fl. 2510DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 7 6 18. Para tratar o patrocínio como propaganda, a Medley e a DIFFUSION assinaram, como já relatado, “Contrato de Prestação de Serviços de Marketing e Outras Avenças” ou “Contrato de Prestação de Serviços de Administração de Marketing, Utilização de Imagem e Outras Avenças”. Para justificar os dispêndios com patrocínios esportivos a MEDLEY apresentou à fiscalização os chamados “Relatórios de Visibilidade em Marketing Esportivo”, preparados pela empresa Informídia Pesquisas Esportivas Ltda. e que constituem o Anexo I ao presente Processo; 19. Apesar da ambiguidade dos contratos, como se verá, é notória a figura do patrocínio no caso presente. Todos os elementos estruturais do instituto estão presentes: o patrocinador, o patrocinado e a atividade desportiva como núcleo central da relação jurídica. A DIFFUSION funcionou, no caso, como mera “empresa veículo” para viabilizar o patrocínio de pilotos e atletas. Não é o fato de a contratada ser uma pessoa jurídica que o Patrocínio se transforma juridicamente em Propaganda face à divulgação da Marca e do Logotipo imposta pela contratante. (grifamos) 20. Com efeito, no Patrocínio os recursos empregados viabilizam a própria realização da atividade, sem os quais o desportista não poderia competir. Difere, portanto, na essência, da simples divulgação de marca em locais onde se realizam competições esportivas. 21. Os dispêndios, redutores da base de cálculo dos tributos, ocorreram nos anoscalendário de 2004 a 2007, época em que ainda não vigorava a Lei de Incentivo Fiscal a Projetos Desportivos e Paradesportivos. 22. Não obstante, não se pode negar que a marca Medley resultou exposta na mídia. Em suma, estamos diante de um contrato de patrocínio que embute propaganda, então podemos tentar separar as coisas, com critérios de razoabilidade que, no fundo, é o critério que norteia a regra geral de dedutibilidade de despesas operacionais. (grifamos) 23. Assim, aceitamos como base para os pagamentos contratuais à DIFFUSION mensuração do retorno do investimento em visibilidade (ROI) apresentada (Anexo I do Processo). (grifamos) 24. De todo modo, como se demonstrará a seguir, houve notória liberalidade nos repasses de recursos para a DIFFUSION, com a agravante de serem seus sócios, sócios das controladoras da MEDLEY. (grifamos) 25. Para 2004, o contrato de prestação de serviços assinado pela Medley e pela Diffusion é ambíguo, configurando um contrato de patrocínio que embute propaganda (fls. 256 a 258). Ao mesmo tempo em que menciona publicidade promete ressarcir despesas. E as despesas foram claramente de patrocínio de equipes de corridas automobilísticas (fl. 258). Fl. 2511DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 8 7 26. Pelo contrato seriam reembolsadas as despesas de R$ 9.882.429,11. A remuneração anual pelos serviços, se levarmos em conta o Relatório de Visibilidade em Marketing Esportivo do Ano de 2004 (fls. 1 a 151 do Anexo I), aplicandose a precificação integral, seria de R$ 3.170.044,54 x 30% = R$ 951.013,36. Portanto, teríamos que as despesas para a Medley seriam de R$ 10.883.442,47. Mas vamos considerar, ainda, que o faturamento de 2004 leva em conta o saldo a faturar do ano calendário de 2003, de R$ 5.970.000,00. Logo, a despesa teria sido de R$ 16.803.442,47 e não de R$ 35.920.971,12. (grifamos) 27. Repare que a diferença a maior de R$ 19.117.528,65 é igual ao lucro embolsado pelo sócio pessoa física da Diffusion, sem tributação, pois o resultado na Medley teria sido reduzido no mesmo valor no anocalendário de 2004; (grifamos) 28. Assim, para esse anocalendário de 2004, conforme acima demonstrado, consideramos que parte dos valores pagos pela Medley à Diffusion o foi por mera liberalidade, com a agravante de ser a liberalidade em favor, diretamente, via lucros sem tributação, do seu acionista controlador, indedutível, portanto, de R$ 19.117.528,65. (grifamos) 29. No anocalendário de 2005, a Medley e a Diffusion celebraram, na essência, um verdadeiro contrato de patrocínio, conforme consta na cláusula primeira. 30. A remuneração pactuada de forma fixa para os serviços prestados durante os doze meses do ano foi de R$ 2.620.000,00 mensais, sendo determinado que haveria retribuição em pecúnia pela publicidade, de forma diretamente proporcional aos resultados comerciais da publicidade, mediante apresentação de Relatório de Análise de Mídia Impressa e Relatório de Visibilidade em Marketing Esportivo. 31. As despesas contabilizadas pela Medley com a Diffusion totalizaram R$ 31.411.812,60 e o retorno de mídia, segundo o citado relatório, teria sido de R$ 12.245.177,06. Não houve fixação no contrato de percentual de remuneração sobre o retorno medido, nem há cláusula prevendo reembolso de despesas. (grifamos) 32. Assim, adotando o mesmo critério de razoabilidade e de não liberalidade na dedução de despesas operacionais, se considerarmos que o valor fixo engloba, também, além do serviço, o retorno de mídia em seu valor integral, mais as despesas da Diffusion, teria havido uma despesa a maior, por mera liberalidade da Medley de R$ 19.166.635,54, pois não é crível que ela desembolsasse R$ 31.41.812,60 para obter um retorno de R$ 12.245.177,06; (grifamos) 33. Novamente o valor desembolsado a maior pela Medley corresponde ao lucro líquido contábil apurado pela DIFFUSION, cujo valor foi quase todo embolsado pelo seu sócio, controlador da Medley, conforme tabela de fls. 319 do processo eletrônico. (grifamos) Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 9 8 34. No ano de 2006, novamente a Medley e Diffusion voltaram a assinar um contrato ambíguo, mencionando ao mesmo tempo publicidade e ressarcimento de despesas (fls. 260 a 262). E essas despesas foram claramente de patrocínio de equipes de corridas automobilísticas. 35. Assim, considerando a remuneração devida à DIFFUSION (R$ 920.000,00 x 12 = R$ 11.040.000,00. Retorno de Publicidade (fls. 272 a 406 do Anexo I) R$ 11.100.574,36 x 25% = R$ 2.775.143,59, teríamos um montante devido de R$ 13.815.143,59 e não de R$ 18.500.000,00, como deduzido. (grifamos) 36. Novamente a diferença (R$ 4.684.856,41) se aproxima do valor distribuído ao sócio da DIFFUSION, sem tributação, conforme tabela de fls. 321 e 322 do processo eletrônico; (grifamos) 37. No ano de 2007 houve substancial redução no valor da remuneração antes pactuada, confirmando que os valores pagos nos anos anteriores estavam fora da normalidade. 38. Mesmo assim, se considerarmos a remuneração devida à Diffusion (R$ 500.000,00 x 12 = R$ 6.000.000,00) e um retorno de publicidade de R$ 1.738.690,01 (R$ 8.693.450,03 x 20%), teríamos um montante devido de R$ 7.738.690,01 e não de R$ 13.603.000,00, como deduzido. Teria havido, assim, um pagamento a maior de R$ 5.864.309,99, indedutível. (grifamos) Os valores acima apontados foram glosados pela autoridade lançadora, com base nas regras gerais de dedutibilidade das despesas operacionais, visto que considerados mera liberalidade da Recorrente. Devidamente intimada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação em 06 de janeiro de 2010, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Houve nulidade nas autuações, por ter sido indicada capitulação legal absolutamente inaplicável ao caso concreto e por não conter a motivação, não observando o disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e o art. 5º da Lei n° 9.784, de 1999; 2. A fiscalização não indicou, na capitulação legal dos autos de infração, nenhum outro dispositivo legal que determine ou justifique a adição de parte dos pagamentos realizados à Diffusion senão as próprias regras de dedutibilidade de despesas operacionais, que são aplicáveis a quaisquer desembolsos das pessoas jurídicas contribuintes do IRPJ e CSLL; 3. A denominação dada às despesas glosadas (marketing, publicidade, patrocínio) não faz a menor diferença para fins da presente discussão, pois, o fato concreto é que a requerente incorreu em despesas operacionais de propaganda com a contratação de empresas e atletas responsáveis pela divulgação Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 10 9 da sua logomarca no meio esportivo, plenamente dedutíveis, conforme já foi admitido pelo próprio Conselho de Contribuintes; 4. O próprio art. 366 do RIR, de 1999, admite a dedutibilidade de quaisquer despesas de propaganda “pagas ou creditadas a quaisquer empresas”, contanto que inscritas no CNPJ e devidamente escrituradas pela fonte pagadora, como claramente é o caso das despesas dos autos; 5. Não assiste razão à afirmação de que tais despesas não seriam “normais” ou “usuais’ ao negócio da empresa, por absoluto desconhecimento da fiscalização quanto ao funcionamento do mercado farmacêutico brasileiro; 6. Houve imprecisão no cálculo efetuado pela fiscalização, pois adotou como critério mensurar uma suposta diferença entre o valor da despesa deduzida e o quanto seria devido de acordo com os contratos de prestação de serviços e o retorno sobre o investimento (ROI) em visibilidade auferido pela requerente. Tal mensuração do retorno sobre o investimento feito pela fiscalização se baseou nos relatórios de visibilidade em marketing esportivo da Stockcar, elaborados pela empresa Informídia Pesquisas Esportivas, os quais mensuram o valor do espaço ocupado na mídia pelas marcas da requerente, especialmente a marca Medley; 7. O enquadramento legal indicado pela fiscalização não oferece fundamentos jurídicos para subsidiar a glosa das despesas em questão para fins da base de cálculo da CSLL; 8. A base de cálculo do IRPJ é absolutamente distinta da base de cálculo da CSLL, não obstante ambas tenham como origem o lucro bruto em cada período de competência. Isto significa que os referidos critérios do art. 299 do RIR, de 1999 são relevantes para a apuração da base de cálculo do IRPJ, mas não podem ser utilizados para a apuração da base de cálculo da CSLL, por absoluta falta de previsão legal; 9. A multa de ofício aplicada deve ser reduzida a um percentual razoável, especialmente porque foi adquirida por novo controlador, que em nada pôde influir na decisão de contratar esta ou aquela empresa de publicidade; 10. Inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários; 11. Impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício. Em sessão realizada no dia 25 de março de 2010, a 3ª Turma da Delegacia de Julgamento do Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Impugnação, rejeitou a preliminar de nulidade e manteve o crédito tributário exigido. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 11 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DESPESAS OPERACIONAIS. PROPAGANDA. São operacionais as despesas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, glosandose os dispêndios pagos ou incorridos por mera liberalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004,2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE DESPESAS. CSLL. A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal afeta o resultado do exercício e, consequentemente, a base de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 2515DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 12 11 A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. A recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento, em 11 de junho de 2010, e interpôs Recurso Voluntário, em 08 de julho de 2010, alegando, em síntese, que: 1. Houve nulidade das autuações por infringência ao artigo 10 do Decreto n. 70.235/72 e ao artigo 5º, § 1º da Lei nº 9.784/99; 2. A fiscalização não indicou, na capitulação legal dos Autos de Infração, nenhum dispositivo legal que determine ou justifique a adição de parte dos pagamentos realizados à Diffusion senão as próprias regras de dedutibilidade de despesas operacionais, que são aplicáveis a quaisquer desembolsos das pessoas jurídicas contribuintes do IRPJ e da CSLL; 3. A Fiscalização faz referência apenas aos artigos 249, inciso I (adição de valores indedutíveis ao lucro tributável), 251 e Parágrafo Único (escrituração legal), 299 (dedutibilidade de despesas operacionais) e 300 (dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros); 4. Duas conclusões são possíveis em face da capitulação legal descrita nos Autos de Infração, quais sejam: a) a Fiscalização pretendeu aplicar justamente a regra geral de dedutibilidade ao caso dos autos, e a glosa de parte dos pagamentos está fundada exclusivamente em uma alegação de suposta desnecessidade de parte dos desembolsos, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, ou b) tratase de efetiva descaracterização dos contratos celebrados junto à Recorrente, de maneira a considerar o controlador indireto da Recorrente (ao tempo dos fatos) como o beneficiário efetivo de parte dos pagamentos cuja dedutibilidade foi glosada para fins do IRPJ e CSLL; 5. Se tratar da primeira hipótese, a Fiscalização equivocase ao considerar que as despesas de publicidade incorridas pela Recorrente não observam os requisitos de dedutibilidade previstos no RIR/99; 6. Se tratar da segunda hipótese, há nulidade dos Autos de Infração, ante a cobrança de valores manifestamente indevidos, com base em capitulação legal equivocada, o que implica em violação direta aos incisos I e IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988 (estrita legalidade e vedação ao confisco) e desrespeito aos artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 e 142, 144, § 1º, 149, inciso IV e 161 do CTN; 7. As hipóteses de nulidade não estão restritas ao disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, de maneira que a capitulação legal incorreta dos autos de infração é razão efetiva para a sua anulação; Fl. 2516DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 13 12 8. Conforme o artigo 7º da Lei nº 9.294/96, as empresas do ramo farmacêutico somente estão autorizadas a divulgar seus produtos em publicações especializadas, e apenas quando as mesmas forem dirigidas direta e especificamente a profissionais e instituições de saúde, e nunca ao público em geral, que é o consumidor de fato; 9. A Recorrente atua no segmento de “genéricos”, um mercado no qual seus produtos podem ser substituídos por outros similares, de farmacêuticas internacionais ou de outras empresas que atuam no segmento de genéricos, com extrema facilidade; 10. Diversos dos seus competidores comercializam medicamentos “de marca” com reputação consolidada no mercado e a Recorrente está obrigada a utilizar a denominação do princípio ativo para identificar seus produtos, e não outros nomes com maior apelo publicitário ao público consumidor; 11. É costume aceito e incentivado pela ANVISA que os médicos indiquem medicamentos “de marca” e genéricos numa mesma receita; 12. A principal alternativa de marketing disponível para que a Recorrente torne seus produtos conhecidos junto ao público em geral é o investimento maciço em publicidade de sua própria logomarca (MEDLEY), que vem estampada nos rótulos e caixas dos medicamentos que produz, e que, associada à inquestionável qualidade dos seus produtos genéricos, acaba funcionando como mais um elemento diferenciador em face das diversas opções de medicamentos no mercado; 13. Nesse contexto, é admissível que as despesas de publicidade e propaganda destinadas à divulgação da marca institucional da Recorrente, com vistas ao incremento das vendas, constituam gastos efetivamente necessários, especialmente quando considerado que o aumento das vendas implica em expansão da participação de mercado, ampliação das unidades produtivas, criação de empregos, criação de valor aos sócios, e acréscimo das receitas tributárias recolhidas pela empresa; 14. Incorreu em despesas operacionais de propaganda com a contratação de outras empresas e atletas responsáveis pela divulgação da sua logomarca no meio esportivo, plenamente dedutíveis; 15. O entendimento adotado pela decisão recorrida, no sentido de a única publicidade imprescindível para as empresas do ramo farmacêutico ser aquela feita por meio de publicações especializadas, se mostra equivocado e revela desconhecimento do mercado farmacêutico brasileiro; 16. O artigo 366 do RIR/99 admite a dedutibilidade de quaisquer despesas com propaganda “pagas ou creditadas a quaisquer empresas", contando que inscritas no CNPJ e devidamente Fl. 2517DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 14 13 escrituradas pela fonte pagadora, como é o caso das despesas dos autos; 17. As corridas automobilísticas são o principal, mas não o único meio de divulgação da marca MEDLEY ao público em geral, o que se traduz justamente na estratégia vencedora utilizada pela empresa para assumir a liderança no mercado em que atua; 18. Apesar de realizar propaganda em eventos especializados, conforme indica o Termo de Verificação Fiscal, esta não é a principal estratégia de divulgação da empresa, até porque um profissional da saúde presumivelmente não irá receitar ao seu paciente um “medicamento genérico Medley”, mas sim apenas indicar o princípio ativo do medicamento genérico na receita, em conjunto com o nome do remédio “de marca”, e deixar que o paciente decida qual prefere adquirir; 19. Os desembolsos questionados jamais poderiam ser considerados “mera liberalidade”, pois, ao contrário do que alegou a Fiscalização e do que restou confirmado pela decisão recorrida, a divulgação da marca Medley ao público em geral é absolutamente indispensável à continuidade do negócio da Recorrente e, portanto, para a manutenção da fonte produtora de rendimentos da empresa; 20. Não assiste razão à afirmação de que tais despesas não seriam “normais” ou “usuais” ao negócio da empresa, pois praticamente todas as empresas deste ramo realizam atividades semelhantes de divulgação dos respectivos produtos, cada qual em seu nicho de especialidade; 21. As despesas glosadas pela Fiscalização atendem plenamente aos critérios legais para dedutibilidade; 22. A metodologia de cálculo adotada pela Fiscalização é incorreta e inadequada para o caso concreto dos autos; 23. A premissa adotada pela Fiscalização na sua metodologia de cálculo está equivocada em ao menos dois aspectos, quais sejam: a) o retorno sobre investimento (ROI) não pode ser mensurado somente a partir dos relatórios de visibilidade em marketing esportivo; e b) tal medição considerou apenas o marketing esportivo realizado na Stockcar, quando deveria ter levado em conta todas as diversas outras modalidades esportivas também que proporcionaram a visibilidade da Recorrente; 24. O retorno sobre investimento (ROI) deve ser mensurado com base na variação das receitas da Recorrente nos anos em que foram feitos os investimentos em marketing esportivo, bem como nos anos seguintes, por se tratar de investimento que se prolonga no tempo, e não no quanto a empresa gastaria para ter sua marca divulgada através de investimento direto nos veículos de comunicação em que sua marca foi indiretamente divulgada em razão do patrocínio prestado por ela a diversas modalidades esportivas; Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 15 14 25. Independentemente dos valores apurados pelos relatórios de visibilidade em marketing esportivo, é certo que o aumento das receitas foi influenciado pelos investimentos em propaganda e marketing, os quais, como constatado pela própria Fiscalização, eram prioritariamente realizados por meio da contratação da empresa Diffusion; 26. Mesmo que o critério adotado pela Fiscalização fosse válido para determinar o retorno sobre o investimento percebido pela Recorrente em decorrência do marketing esportivo realizado por meio da Diffusion, o que também se admite apenas a título de argumentação, não podem prevalecer os valores apurados pela exigência fiscal, já que não foram consideradas as outras modalidades em que se deu o marketing esportivo; 27. Em todas as modalidades em que foi realizado o marketing esportivo, houve divulgação da marca da Recorrente e, seguindo o critério adotado pela Fiscalização, deveriam ter sido computados tais gastos antes de se proceder a qualquer glosa de despesas, mostrandose incorreta a premissa adotada quando da lavratura da exigência fiscal ora recorrida; 28. Ao deixar de computar as outras modalidades esportivas na apuração do suposto retorno sobre o investimento, a Fiscalização acabou reduzindoo consideravelmente, impondo uma glosa de valores que, mesmo de acordo com os critérios por ela adotados, não se justifica; 29. Não se pode aceitar como razoável que a Fiscalização, sem desqualificar os contratos celebrados, aplique integralmente as disposições do contrato de prestação de serviços para o ano de 2004, simplesmente o ignore no ano de 2005 e, ainda, o aplique parcialmente nos anos de 2006 e 2007, para assim definir o montante das despesas que, em seu entender, deveria ser glosado em cada período de apuração; 30. No ano de 2005, a remuneração contratada pela Recorrente e a Diffusion foi fixa, sem qualquer parcela variável ou de reembolso de despesas, o que foi ignorado pela Fiscalização; 31. Como a visibilidade decorrente do marketing esportivo realizado por meio da Diffusion não atingiu a expectativa no ano de 2005, a Recorrente voltou a contratar uma remuneração variável para os anos subsequentes; 32. Já com relação aos anos de 2006 e 2007 a Fiscalização buscou justificar a glosa das despesas deduzidas pela Recorrente com base em critério contrário àquele por ela mesma adotado para o ano de 2004, pois deixou de computar o reembolso de despesas previsto contratualmente nos referidos anos, o que demonstra casuísmo na indicação dos montantes que seriam mais convenientes para embasar a tese criada no Termo de Verificação Fiscal; Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 16 15 33. Em 2004, a Fiscalização somou às remunerações previstas no contrato o reembolso das despesas, também contratualmente avençado, o que totalizou o montante de R$ 9.882.429,11; 34. Já para os anos de 2006 e 2007, a Fiscalização não considerou o reembolso, pois, se o tivesse feito, não teria como justificar a glosa realizada; 35. Se a Fiscalização tivesse adicionado o reembolso das despesas de 2006 (R$ 11.217.752,83) e de 2007 (R$ 9.707.419,39) no seu cálculo, outro não seria o resultado a não ser reconhecer a totalidade das despesas como passíveis de dedução; 36. Se ao invés disso, fossem adequadamente adotados critérios uniformes a partir dos contratos de prestação de serviços celebrados e dos relatórios de visibilidade em marketing esportivo, sem se escolher a forma de aplicação dos contratos como mais conveniente à tese defendida pela Fiscalização, a conclusão seria pela improcedência da autuação; 37. Todas as despesas deduzidas pela Recorrente estão em consonância com os ditames da legislação federal, devendose cancelar a glosa dos valores deduzidos; 38. Apesar de diversas semelhanças, é notório que a base de cálculo do IRPJ (Lucro Real) é absolutamente distinta da base de cálculo da CSLL (lucro líquido), não obstante ambas tenham como origem o Lucro Bruto das pessoas jurídicas em cada período de competência (anofiscal); 39. Os referidos critérios do artigo 299 do RIR/99 são relevantes única e exclusivamente para a apuração da base de cálculo do IRPJ (Lucro Real), mas não podem ser utilizadas para a apuração de da base de cálculo da CSLL (lucro líquido), por falta de previsão legal; 40. Ainda que a Fiscalização tenha tido por bem efetuar a glosa de determinadas despesas de publicidade com fundamento legal no artigo 299 do RIR/99, a mesma somente pode atingir a base do cálculo do IRPJ, e não a base de cálculo da CSLL; 41. Inaplicabilidade de multa de ofício de 75% e da taxa SELIC ao caso dos autos; 42. Impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Anexou aos autos, os relatórios de visibilidade em marketing realizados nas outras modalidades esportivas referentes aos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. Requereu a reforma da decisão recorrida e a improcedência dos lançamentos fiscais para determinar o seu cancelamento. Colacionou, ainda, doutrina e jurisprudências. Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 17 16 Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Quanto à preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, com base no artigo 10 do Decreto n. 70.235/72, a seguir transcrito, entendo que o argumento não deve prosperar. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Como se pode depreender dos autos, o procedimento foi lavrado por autoridade competente, dentro dos limites do Mandado de Procedimento Fiscal expedido e com a presença de todas as informações exigidas pelo artigo 10 acima reproduzido. Sobre os argumentos relativos à deficiência na capitulação legal dos fatos, que teriam contrariado o artigo 50 da Lei n. 9.784/99, entendo que a autoridade lançadora foi bastante diligente ao relatar os fatos e ao explicar, inclusive por meio de tabelas, qual o fundamento para a atuação. Diz a norma: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 18 17 III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. O Termo de Verificação Fiscal atendeu aos preceitos acima expostos, particularmente no que tange à clareza da motivação e seus argumentos, como determina o artigo 50, § 1o, da Lei n. 9.784/99. Entendo que a autoridade lançadora não incorreu em contradição no que diz respeito à capitulação legal dos fatos, até porque o que se discute nos autos é o conceito e o alcance das despesas operacionais consideradas como necessárias para as atividades da empresa. Reforça esse argumento o fato de que a autoridade lançadora elaborou minuciosas tabelas demonstrativas, que indicam quais despesas foram aceitas e, ao revés, demonstrou, de forma clara, a razão de outras terem sido glosadas, porque incompatíveis com a normalidade negocial, demonstrada pela ambiguidade dos contratos firmados entre a Recorrente e a prestadora de serviços, empresa de propriedade do controlador daquela, para a qual foram carreados vultosos recursos, posteriormente distribuídos sem tributação ou de forma estranha à atividade societária. O argumento da Recorrente, nesse sentido, não merece prosperar, pois a capitulação foi efetuada com base nas atividades da Medley S/A, que efetuou os pagamentos considerados indedutíveis, sem prejuízo de outras providências ou verificações que porventura sejam adotadas quando da fiscalização das demais sociedades envolvidas. Nesse sentido, voto por afastar qualquer nulidade relativa à capitulação legal, motivação ou aspectos formais dos autos de infração e do Termo de Fiscalização lavrados, que possibilitaram à Recorrente o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, como se percebe no recurso ora interposto. Em relação ao mérito discutido nos autos, entendo que a questão não diz respeito à dedutibilidade das despesas com propaganda, patrocínio ou gastos assemelhados, posto que a sua possibilidade é incontroversa à luz da legislação e da interpretação dada por este Conselho ao tema. Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 19 18 O cerne do debate é a possibilidade de se glosar despesas contratadas com empresa que pertence ao controlador da Recorrente, em montante extremamente vultoso, quando tais negócios são lastreados em contratos cuja ambiguidade permite antever enorme liberalidade entre as partes, com a utilização de uma “empresa veículo”, na linguagem adotada pela autoridade lançadora, para a obtenção de benefícios tributários indevidos e transferências patrimoniais. Esta Turma já teve a oportunidade de se manifestar, recentemente, quanto ao conceito de necessidade como condição de dedutibilidade para as despesas operacionais, como se depreende do excelente voto prolatado pelo Conselheiro Rafeal Fuso no caso Autotrac e seguido, à unanimidade, pelos demais julgadores. Na oportunidade, restou consagrada a ideia de que as despesas seriam dedutíveis na exata medida em que representassem gastos necessários e vinculados às reais atividades da empresa, demonstrados por meio de provas hábeis a se inferir sua aplicação. Contudo, o caso dos autos me parece bastante diverso. Os documentos apresentados durante a fiscalização demonstram que as datas de emissão de diversas notas fiscais são exatamente as mesmas, todas com valores vultosos, da ordem de centenas de milhares de reais, como, a título de exemplo, se pode observar dos documentos emitidos em 30 de abril de 2004 (quatro notas fiscais), cujo montante total chega a R$ 3.015.000,00. Igual circunstância se repete, regularmente, nos meses seguintes, com valores ainda mais elevados. De se notar, também, que os números das notas fiscais emitidas pela Diffusion são sequenciais, o que indica que a empresa só prestava serviços para a Medley nos períodos fiscalizados. Neste passo, poderíamos indagar quais os motivos que levariam uma empresa do porte da Medley a efetuar pagamentos adiantados à Diffusion, que, segundo consta dos autos, foram da ordem de 137 milhões de reais, somente no período considerado (2004 a 2007). Não se tem notícia, no processo, acerca dos funcionários, estrutura ou qualificação dos serviços prestados pela Diffusion. Ao contrário, diligência efetuada pela fiscalização indicou que o endereço, na pequena cidade de Santo Antonio da Posse, era o de modesta residência que, segundo informações, teria servido de base à empresa, antes de sua eventual transferência para uma sala comercial em Campinas. No mesmo sentido indicam as pesquisas efetuadas no endereço constante das notas fiscais, todas sequenciais e emitidas manualmente. Assim, cabenos indagar se as despesas incorridas em função de tal empresa podem ser consideradas, integralmente, como necessárias à atividade da empresa, nos termos do artigo 299 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Imposto sobre a Renda): Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 20 19 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). (grifamos) § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Como se pode perceber, os conceitos de necessidade, normalidade e usualidade, previstos na norma, afastam a plena liberalidade das empresas, que devem demonstrar que as despesas são necessárias à manutenção da fonte pagadora. Justamente por isso temos a advertência do artigo 304 do RIR/99, que estabelece: Art. 304. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento (Lei nº 3.470, de 1958, art. 2º). Conquanto pareça induvidoso que parte dos montantes pagos à empresa Diffusion foi efetivamente utilizada em gastos de propaganda, como demonstram os relatórios acostados aos autos, por outro lado parece igualmente claro que boa parte dos valores foi aplicada em objetivos alheios a tal atividade, o que ensejou a glosa pela autoridade fiscal. De se notar que a autoridade lançadora agiu com diligência, no sentido de identificar o montante correspondente às despesas de propaganda e patrocínio consideradas como razoáveis para o caso em análise. E o fez mediante cotejo com os relatórios de exposição de mídia apresentados pela própria Recorrente, glosando apenas os valores superiores ao retorno obtido, por considerálos mera liberalidade da empresa e, portanto, indedutíveis, especialmente ante o fato de que tais recursos foram carreados para empresa de propriedade do controlador da Recorrente e distribuídos a este, sem tributação, como lucros, entre outras operações. Entendo correto e pertinente o critério adotado pela autoridade lançadora, em face do princípio da razoabilidade que deve nortear os atos administrativos, sobretudo quando não são trazidas aos autos provas cabais, pela Recorrente, de que as operações se deram sob absoluta normalidade negocial. Aliás, a Recorrente colaciona páginas e páginas de recortes de jornais e notícias, como se isso tivesse qualquer relevância para o caso em tela, até porque a própria autoridade lançadora nos informa que parte das verbas publicitárias da Medley foram carreadas Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 21 20 para outras empresas de propaganda, montante cuja dedutibilidade que não se discute nos autos. Com efeito, o debate não questiona a necessidade ou a efetiva realização de investimentos em propaganda pela empresa, mas sim o fato de que enormes somas de dinheiro foram carreadas para uma empresa localizada numa casa simples de uma pequena cidade do interior, de propriedade do controlador da Medley S/A e da qual não se tem notícia de empregados, especialistas em Marketing ou publicitários. Tampouco se tem qualquer informação a respeito da empresa, suas atividades ou, ao menos, de seu sítio na internet, conforme pesquisa efetuada durante a redação deste voto. O que realmente interessaria para o deslinde da questão seria a prova cabal e inequívoca da necessidade de todas as despesas incorridas, no valor de 137 milhões de reais, que, na verdade, foram transferidas para uma empresa que depois repassou, emprestou ou distribuiu, em média, 68% dessa receita de volta para os seus titulares. Como relata a fiscalização, às fls. 412: Aqui a liberalidade para com a DIFFUSION assume contornos patentes. Repare que, no anocalendário de 2004, por exemplo, além dos gastos com patrocínio direto da Stock Car, a fiscalizada destinou recursos para a DIFFUSION (empresa do seu controlador) da ordem de 62% das despesas de propaganda, 23% de todas as despesas operacionais do período, ou 9,07% da Receita Bruta total do período. (grifamos) Era de se esperar, num quadro de usualidade e normalidade, que um fabricante de medicamentos, muitos dos quais dependem de prescrição médica, apresentasse despesas mais elevadas com ações voltadas para os profissionais de saúde, por exemplo. Entretanto, em todos os anos analisados, os valores repassados à DIFFUSION (“empresa veículo” do patrocínio de corridas automobilísticas) superam, e muito, os valores de todas as demais rubricas, notadamente as que registram ações mais próprias no ramo de atividade da fiscalizada. (grifamos) Esse é real o objeto dos autos, de forma que o montante adequadamente glosado pela autoridade lançadora não encontra qualquer contestação documental, capaz de refutar os seus argumentos. Como a autoridade lançadora utilizou critério baseado nos próprios relatórios de exposição de mídia apresentados pela Recorrente, a esta caberia demonstrar, por meio de planilhas, estudos estatísticos e documentos, a impertinência do modelo adotado, algo que efetivamente não fez. Embora argumente, expressamente, que a metodologia de cálculo adotada pela Fiscalização é incorreta e inadequada para o caso concreto dos autos (...). A Fiscalização “determinou” os valores que poderiam ser considerados como dedutíveis por meio de uma desconsideração baseada tão somente em critérios subjetivos, que variaram ao longo da autuação e que Um dos critérios alvo da interpretação subjetiva da Fiscalização trata do “retorno sobre o investimento” (ROI), de acordo com os relatórios de visibilidade. A determinação deste “retorno sobre investimento” foi feita pela Fiscalização baseandose Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 22 21 única e exclusivamente nos relatórios de visibilidade em marketing esportivo da Stockcar, elaborados pela empresa Informídia Pesquisas Esportivas, a Recorrente simplesmente não apresenta qualquer prova capaz de suportar suas alegações, exceto o próprio relatório no qual se baseou a autoridade fiscal, além de notícias e recortes de jornais. Neste passo, convém tecer breves comentários sobre os relatórios e recortes de jornais colacionados aos autos. Os primeiros relatórios de exposição de mídia trazidos pela Recorrente tratam de propaganda relativa ao judô, no anocalendário de 2004, cujo valor de exposição apurado, somado, é pouco superior a um milhão de reais, quantia ínfima se comparada aos montantes entregues à Diffusion. Ademais, em nenhum momento se demonstra que esses valores foram gastos por meio da Diffusion, pois podem ter sido utilizados mediante outras agências ou empresas de propaganda e marketing, o que os tornam absolutamente inúteis para a análise do autos. No caso do velejador Robert Scheidt temos situação ainda pior, pois nenhum documento faz menção à Diffusion. E mais: a leitura do relatório de exposição de mídia, de fls. 1.017 a 1.026, não nos permite concluir que os montantes dizem respeito a investimentos feitos pela Medley, cujo nome sequer aparece no referido documento, assim como em todos os outros dessa natureza. Aliás, a impressão que se tem é de que esses relatórios são produzidos pela própria empresa do velejador, e são utilizados para demonstrar a exposição de mídia do atleta como argumento para angariar patrocínios, o que, por óbvio, não inclui apenas a Medley, visto que o madalhista olímpico foi patrocinado, entre outros, pela Petrobrás e pelo Banco do Brasil, conforme fotos estampadas em todo o arcabouço de notícias apresentado pela Recorrente. Portanto, ante toda a evidência, pareceme incontestável que os relatórios produzidos pela empresa do Sr. Robert Scheidt em nada fundamentam ou sequer aproveitam os argumentos aduzidos pela Recorrente. Apenas os relatórios da empresa Informídia, relativos ao anocalendário de 2006, sobre o patrocínio do vôlei de praia, mencionam especificamente a empresa Medley e qual teria sido o retorno de exposição da marca. Ocorre que esses relatórios também não indicam se os gastos de propaganda foram contratados pela Diffusion ou qualquer outra agência ou intermediário. Nunca é demais lembrar que a discussão nos autos diz respeito aos valores repassados da Medley para a Diffusion, por meio de contratos extremamente vultosos, cujo beneficiário pertence ao mesmo titular da contratante; celebrados, portanto, com enorme liberalidade entre as partes. Esses contratos foram minuciosamente analisados pela autoridade lançadora, que procedeu ao cálculo dos montantes aceitáveis como gastos de publicidade com base em relatórios fornecidos pela própria interessada, notadamente sobre o esporte (stock car) de interesse direto dos proprietários e não sobre eventuais outros patrocínios ou gastos que a empresa possa ter efetuado a título de propaganda. Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 23 22 Isoladamente, os relatórios não provam coisa alguma. Melhor seria se fossem apresentados os contratos com os respectivos veículos de comunicação, com outras empresas que não fossem ligadas ao grupo, ou mesmo comprovantes dos gastos efetivamente realizados com propaganda pela Diffusion, que demonstrassem a normalidade dos valores empregados, a fim de rebater a acusação fiscal, que, no meu entendimento, logrou êxito em comprovar a impertinência de parte das transferências da Medley para a Diffusion, por meio de critérios que entendo razoáveis e que não foram, à luz das provas acostadas aos autos, em nenhum momento contrapostos pela Recorrente. Ao contrário da fiscalização, que elaborou planilhas e demonstrativos pormenorizados dos cálculos efetuados e métodos utilizados, a Recorrente não apresentou qualquer documentação nesse sentido, mas apenas argumentos teóricos trazidos na peça recursal. Assim, entendo que a fiscalização não desconsiderou ou desqualificou os contratos apresentados pela Recorrente, mas simplesmente glosou parte das despesas deles oriundas, até porque os qualificou como de redação ambígua, visto que permitiam a remuneração da contratada e também o ressarcimento de despesas. Creio que parte dos montantes transferidos à Diffusion se enquadra, inclusive, como distribuição disfarçada de lucros, na esteira dos argumentos trazidos pela fiscalização. Com efeito, o artigo 464 do RIR/99 dispõe: Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): (...) VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. (grifamos) (...) § 3º A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, § 2º). No mesmo sentido, o artigo 466 do RIR também estatui: Distribuição a Sócio ou Acionista Controlador por Intermédio de Terceiros Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumirseá distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 24 23 outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Por fim, os artigos 467 e 468 do Decreto n. 3.000/99 determinam a destinação que deve ser dada a tais operações: Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): (...) V no caso do inciso VI do art. 464, as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis. (grifamos) Art. 468. O disposto no artigo anterior aplicase aos lucros disfarçadamente distribuídos e não prejudica as normas de indedutibilidade estabelecidas neste Decreto. À luz dos preceitos legais mencionados caberia à Recorrente provar, de forma cabal e incontestável, que todas as transferências efetuadas à Diffusion foram necessárias e se enquadraram na normalidade dos negócios de propaganda. Contudo, entendo que não obteve êxito na empreitada, em razão da insuficiência das provas apresentadas, circunstância que já havia sido percebida pela decisão recorrida: A contribuinte apresenta a justificativa de que tais gastos são necessários em razão da existência de restrições impostas pela Lei 9.294, de 1996: Art. 7° A propaganda de medicamentos e terapias de qualquer tipo ou espécie poderá ser feita em publicações especializadas dirigidas direta e especificamente a profissionais e instituições de saúde. Ora, se a imprescindível propaganda de seus medicamentos pode ser feita por meio de publicações especializadas, na forma da citada lei e a autuada decidiu assumir outras despesas, claro está que tais dispêndios não se classificam como indispensáveis, constituindo liberalidade da contribuinte, indo além do estritamente necessário. Acrescentese a essas constatações o fato de que, do valor total recebido da contribuinte, a Diffusion aplicou em propaganda, em 2004, apenas 27,51%, em 2005, 31,36%, em 2006, 60,64% e, em 2007, 71,36%. Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 25 24 Quanto à CSLL, a Recorrente alega que nenhum dos artigos citados no auto de infração faz referência ao art. 47 da Lei n° 4.506/64, que é o fundamento legal para o art. 299 do RIR/99, que, como visto, impõe os critérios de necessidade, normalidade e usualidade para fins da dedução de despesas operacionais. Também neste ponto entendo que não assiste razão à Recorrente, pois as despesas glosadas alteram o resultado do exercício e, por via de consequência, a base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo 2° da Lei n° 7.689, de 1988, que estabelece que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. No que respeita à utilização da SELIC a posição deste Conselho encontrase sumulada, de modo que restam afastados os argumentos aduzidos pela Recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 26 25 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. Roberto Caparroz de Almeida Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. Com o devido respeito que merece o Relator, peço licença para divergir de seu entendimento no caso sob exame. Pois bem, em seu termo de verificação fiscal (fl. 236 e ss.) a autoridade tributária questionou a dedutibilidade das despesas com propaganda levadas a efeito pela fiscalizada nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, em especial aquelas decorrentes dos contratos celebrados com a empresa Diffusion Publicidade e Propaganda Ltda. Constatou a autoridade tributária, em apertada síntese, o seguinte: a) a fiscalizada e a Diffusion eram controladas, direta ou indiretamente, por Alexandre Funari Negrão, conhecido como Xandi Negrão na comunidade da Stock Car; Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 27 26 b) a Diffusion não foi encontrada em seu domicílio fiscal, em Santo Antônio da Posse SP, tendo sido localizada posteriormente em Campinas SP; c) os valores pagos pela ora recorrente à Diffusion, a título de prestação de serviços de propaganda, revelaramse exagerados, o que caracteriza excessiva liberalidade da contribuinte; d) a Diffusion distribuiu grandes somas a título de lucro ao sócio Alexandre Funari Negrão; e) verificouse que os serviços prestados pela Diffusion caracterizam, em parte, patrocínio à Stock Car, e não apenas propaganda. Ao final do TVF o auditor conclui o seguinte: VIII — Das exigências tributárias Assim, em face de todo o exposto, serão glosados os seguintes valores, redutores da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), tendo como base legal as normas gerais de dedutibilidade das despesas operacionais, consolidadas no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, por representarem tais valores pagamentos por mera liberalidade da MEDLEY. Haverá tributação reflexa da Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL). A multa de ofício será aplicada nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, em seu percentual ordinário. Não houve, por parte da MEDLEY, tomada de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS em relação às Notas Fiscais emitidas pela DIFFUSION. (...) Observase no TVF, conforme síntese acima apresentada, que a autoridade tributária ora insinua que as despesas por ele glosadas são excessivas (liberalidade), ora parece afirmar que são indedutíveis (patrocínio) e ora que são desnecessárias. Em sua conclusão ao TVF, entretanto, conforme visto acima, a autoridade fundamenta o ilícito no art. 299 do RIR/99, que cuida da necessidade das despesas com vistas à sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ. A mesma fundamentação legal é encontrada no corpo do auto de infração, in verbis (fl. 274): ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. Esta Turma por diversas vezes se debruçou sobre a interpretação que deve ser emprestada ao art. 299 do RIR/99, concluindo que podem ser objeto de glosa as despesas desnecessárias (inusuais ou anormais), entendidas como aquelas que não tenham sido aplicadas pela empresa com vistas à obtenção de uma receita. As despesas com propaganda, via de regra, são necessárias (usuais e normais) às atividades das empresas em geral, e têm como finalidade a obtenção de receitas. Nesse Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 28 27 sentido, dificilmente despesas com propaganda podem ser objeto de glosa em razão de sua suposta desnecessidade1. No caso dos presentes autos a errônea idéia de desnecessidade das despesas com propaganda pode ser facilmente demonstrada com a seguinte pergunta: se a empresa Diffusion não tivesse relação alguma com a contribuinte e seus sócios, será que a fiscalização ainda assim qualificaria essas despesas com propaganda como desnecessárias? A resposta é que a fiscalização dificilmente questionaria a necessidade das referidas despesas com propaganda acaso não houvesse qualquer vinculação entre a recorrente e a Diffusion. Então, a meu ver, no caso do presente processo, o que está em questão não é a necessidade das despesas com propaganda (pois, como visto acima, despesas com propaganda geralmente são necessárias úteis e normais à obtenção de receitas), mas sim a existência de vinculação entre contratante e contratada, aliada ao fato de que o valor das despesas com propaganda é, aparentemente, superior ao de mercado, o que sugere ter havido distribuição disfarçada de lucros, nos termos dos a seguir transcritos arts. 464 e 466, ambos do RIR/99: Art.464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): (...) VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. (...) § 3º A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §2º). (...) Art.466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumirseá distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). 1 Um exemplo de despesa desnecessária pode ser visto no caso de uma empresa que contrai um empréstimo junto a uma instituição financeira, e repassa o valor a uma terceira pessoa (normalmente a ela ligada) sem cobrar juros. Como o numerário não foi aplicado na atividade empresarial, as despesas com juros devidos à instituição financeira são desnecessárias à consecução de suas atividades, devendo portanto serem glosadas para fins fiscais. Vide acórdão da lavra desta Turma nos autos do processo nº 10830.005383/200344. Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 29 28 Parágrafo único.Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). (...) Digo “aparentemente” porque a autoridade não aprofundou a fiscalização na direção da DDL. Em especial, não provou que os contratos de prestação de serviços de propaganda celebrados entre a contribuinte e a Diffusion se deram em favorecimento a esta empresa ligada. É certo, como bem apontado pelo Relator, que a autoridade fiscal transcreveu no item V do TVF os acima referidos arts. 464 e 466 do RIR/99. Mas o fez em conjunto com diversas outras normas sobre dedutibilidade de despesas, tais como os arts. 249, 299, 300, 304 e 366, todas também contidas no RIR/99. Ademais, excepcionada a transcrição dos arts. 464 e 466, nem no TVF nem no auto de infração a autoridade acusa expressamente a contribuinte de haver distribuído lucros disfarçadamente. A acusação, em verdade, é imprecisa. A imprecisão da acusação observada no item V do TVF decorre, a meu sentir, do equivocado entendimento do auditor segundo o qual as normas do RIR/99 sobre dedutibilidade de despesas são, todas, “corolários” (fl. 250 do TVF) do art. 299 do RIR/99, que cuida da necessidade das despesas. Ocorre que tais normas veiculam razões distintas no que toca à dedutibilidade das despesas. Os arts. 299 e 300 prescrevem que somente são dedutíveis as despesas necessárias (conforme conceito antes referido). O art. 304 dispõe que são indedutíveis as despesas pagas a beneficiário não identificado ou quando não for provada a sua causa. Os arts. 464 e 466 alertam serem indedutíveis despesas pagas a pessoas ligadas, em condições de favorecimento. A confusão entre esses conceitos tornou imprecisa a acusação fiscal e, consequentemente, prejudicou o entendimento, pela contribuinte, da infração de que estava sendo acusada. Tanto é assim que em sua defesa a interessada expressamente faz menção à dubiedade da acusação e, em razão disso, procura se defender de duas acusações distintas, quais sejam: (i) a desnecessidade das despesas com propaganda, e; (ii) a descaracterização de parte das despesas com propaganda em despesas com de patrocínio, indedutíveis à época. Não houve defesa da impugnante em relação à DDL, até porque não houve acusação fiscal expressa nesse sentido, a não ser pela menção aos arts. 464 e 466 do RIR/99, junto a outros dispositivos contidos no mesmo Regulamento. Por todo o exposto, entendo que a autoridade fiscal descreveu no TVF e no auto de infração ilícito tributário diverso do aparentemente praticado pela contribuinte, razão pela qual voto por dar provimento ao recurso voluntário. Marcelo Cuba Netto Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.003758/200920 Acórdão n.º 1201000.973 S1C2T1 Fl. 30 29 Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15504.016946/2008-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO.SAT.ALIQUOTA.ATIVIDADE PREPONDERANTE.
A contribuição para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho tem alíquota variável (1%, 2% ou 3%) determinada pela atividade preponderante da empresa e respectivo risco de acidentes do trabalho (leve, médio ou grave).
Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto .
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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A contribuição para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho tem alíquota variável (1%, 2% ou 3%) determinada pela atividade preponderante da empresa e respectivo risco de acidentes do trabalho (leve, médio ou grave). Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 69 46 /2 00 8- 50 Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto . Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.016946/200850 Acórdão n.º 2403002.549 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de contribuições previdenciárias relativas à parte Patronal e ao RAT contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. DOS LEVANTAMENTOS O crédito tributário foi constituído por meio dos seguintes levantamentos; a) AUT – AUTÔNOMOS, estabelecimento 00.740.230/000197, cuja base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição previdenciária foram os valores pagos a trabalhadores autônomos por serviços prestados ao contribuinte, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos, fls. 38/48; b) AT2 – AUTÔNOMOS, estabelecimento 50.015.73680/70, cuja base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição previdenciária foram os valores pagos a trabalhadores autônomos por serviços prestados ao contribuinte, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos, fls. 38/48; c) FR – FRETE, estabelecimentos 40.990.03129/74 e 50.015.73680/70, cuja base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição previdenciária foram os valores pagos a transportadores rodoviários autônomos pela prestação de serviços de frete ao contribuinte, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos, fls. 38/48; d) FP – DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO, estabelecimento 00.740.230/0001 97, cuja base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição previdenciária foram os valores pagos, a título de décimo terceiro salário, a segurados empregados do contribuinte, conforme discriminado no Relatório de Lançamentos, fls. 38/48; e e) SAT – DIFERENÇA DE CONT REF GILRAT, estabelecimento 00.740.230/000197, cuja base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição previdenciária foram os valores pagos a segurados empregados do contribuinte. Quanto ao levantamento SAT – DIFERENÇA DE CONT REF GILRAT, a Autoridade aautuante informa que o contribuinte, até 07/2005, se enquadrou na atividade econômica preponderante prevista na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE 74209, correspondente ao grau 2, de risco médio, com definição da alíquota de 2% .A partir de 08/2005, o contribuinte reviu seu enquadramento e passou a utilizar a alíquota de 1% para o cálculo da contribuição devida. Destacou ainda que embora tenha havido a alteração, os serviços prestados continuaram os mesmos do período anterior conforme o registro na cláusula terceira do contrato social de 20 de julho de 1995. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DOS PAGAMENTOS O contribuinte foi notificado em 29/09/2008. Em 09/10/2008, conforme fls.118, apresentou petição em que solicitou a expedição de guia para pagamento das importâncias discriminadas no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, com exceção dos valores lançados no levantamento SAT – DIFERENÇA DE CONT. REF. GILRAT”. DA IMPUGNAÇÃO A autuada presentou defesa alegando, em síntese, que: a impugnação é parcial, em razão do pedido de expedição de guia, nos termos da petição de fls. 118; a defendente somente exerce atividade técnica de supervisão e fiscalização de atividade na construção civil, não tendo qualquer atividade direta e objetiva na construção civil, não participando direta ou indiretamente de qualquer construção civil; todos os contratos firmados com a empresa Petrobrás citados no lançamento fiscal têm como objetivo serviço técnico de consultoria, fiscalização, planejamento e controle e nunca de realização de obras, contratos esses que fazem parte integrante da presente peça de resistência; Ao final, requereu a produção de prova pericial contábil, além de que as intimações sejam remetidas ao escritório dos subscritores da peça de resistência, situado na Avenida Brasil, 1666, 11º andar, Funcionários, Belo Horizonte. DA DILIGÊNCIA Às fls. 928/934, o processo foi baixado em diligência, solicitando que a fiscalização esclarecesse, de forma discriminada, por meio de planilha, qual é a atividade econômica preponderante do contribuinte, código CNAE e alíquota RAT, no período de 08/2005 a 13/2005, manifestandose sobre os seguintes quesitos: a) Quais as atividades econômicas desenvolvidas pelo contribuinte? b) Quais são os estabelecimentos do contribuinte? No documento de fls. 938/940, a autoridade lançadora apresentou informação fiscal, assim se pronunciando: (...) 2) Ainda que a empresa execute atividades na área de construção civil, de acordo com o contrato social e conforme obras de responsabilidade da mesma (matrículas CEI 40.990.03129/74, CEI 50.015.73680/70, CEI 50.018.85673/79, CEI 50.020.48254/75, CEI 50.020.48471/79 e CEI 50.020.96128/72), esta não foi considerada a sua atividade preponderante pela Auditoria Fiscal notificante, que em momento algum enquadrou o contribuinte na atividade de Construção Civil – Grupo 45 do Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, cujo percentual do GILRAT é de 3%. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.016946/200850 Acórdão n.º 2403002.549 S2C4T3 Fl. 4 5 3) O autoenquadramento até 07/2005 era no CNAE 74209, e a partir de 08/2005 o contribuinte passou a informar o CNAE 74160. Notese que ambas classificações pertencem ao grupo capitaneado pelo radical 74 e conforme o Anexo V do RPS, a descrição dos códigos citados, temse que Serviços de Arquitetura e Engenharia de Assessoramento Técnico Especializado resdpondem pela alíquota de 2%. De acordo com a própria defesa do contribuinte, fls. 61 a 63, as atividades exercidas são de natureza técnica–consultoria, fiscalização, planejamento e controle, afirmativa corroborada com os objetos dos contratos analisados pela Auditoria Fiscal, fls. 38, e anexados pelo contribuinte. Juntamos cópia do resumo dos contratos, fornecido pela empresa à Auditoria Fiscal notificante, com discriminação da mãodeobra empregada (fls. 1024/1042). 5) Finalmente, conforme as informações prestadas nas GFIP’S relativas ao período de 08/2005 a 13/2005, houve retenção de 11% sobre o valor dos serviços contidos em Notas Fiscais emitidas contra tomadores de serviços, conforme Anexo I (fls. 942/944). A atividade exclusiva de consultoria, alegada pela empresa, não está sujeita à retenção. 6) Esclarecemos ainda que, de acordo com os sistemas corporativos, as seguintes obras de construção civil estão vinculadas à empresa: CEI 40.990.03129/74, CEI 50.015.73680/70, CEI 50.018.85673/79, CEI 50.020.48254/75, CEI 50.020.48471/79 e CEI 50.020.96128/72 – telas CONVIN – Consulta Dados do Vínculo, CONEST – Consulta Dados do Estabelecimento e CONOBR – Consulta Dados da Obra anexas (fls. 1044/1082). 7) Em resposta aos questionados formulados pela DRJ/BHE às fls. 467, informamos: 7.1 – O contribuinte desenvolve a atividade econômica de construção civil para os estabelecimentos CEI 40.990.03129/74, CEI 50.015.73680/70, CEI 50.018.85673/79, CEI 50.020.48254/75, CEI 50.020.48471/79 e CEI 50.020.96128/72 e exerce atividade econômica de prestação de serviços de engenharia e suporte técnico à empresas para o estabelecimento 00.740.230/000197. 7.2 – No anexo II (fls. 946) encontramse relacionados os estabelecimentos com o total de segurados por competência; no anexo III (fls. 948/992), os segurados alocados na atividade econômica preponderante por tomador de serviço e no anexo IV (fls. 994/1022), os segurados que prestam serviços em atividadesmeio. 8) Os motivos expostos acima confirmam o autoenquadramento anterior e, conseqüentemente, o enquadramento efetuado pela Auditora Fiscal notificante: prestação de serviços de engenharia e assessoramento técnico – CNAE 74209 – GILRAT 2% para o estabelecimento 00.740.230/000197. (...) Cientificado da informação fiscal e do despacho da 7ª turma da DRJ/BHE em 16/09/2010 e 30/09/2010, respectivamente, fls. 1084 e 1090, o contribuinte, por meio de seus procuradores, juntou petição em 03/11/2010, fls. 1094, ratificando sua Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 impugnação no sentido de que efetivamente somente exerce atividade técnica de supervisão e fiscalização de atividade na construção civil, não tendo qualquer atividade direta e objetiva na construção civil, não participando direta ou indiretamente de qualquer construção civil. Em 16 de novembro de 2011, fls. 1099, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte encaminhou os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.1.137, a 7 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 06 dezembro de 2011, exarou o Acórdão n° 0236.574, não concedendo provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls 1.156 onde reiterou as alegações já então enfrentadas pela instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.016946/200850 Acórdão n.º 2403002.549 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme despacho e fls.1.160, o Recurso é tempestivo. Observo que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DA NULIDADE E DA PROVA PERICIAL CONTÁBIL A recorrente requer a nulidade do v. acórdão e de todo o processo administrativo alegando evidente por quebra do devido processo legal, amplo contraditório e direito de defesa, além de se instaurar verdadeiro processo de exceção, na medida em que a Recorrente pretendeu a produção de prova pericial para averiguar sua real e preponderante atividade econômica, o que não lhe foi facultado no presente processo. De plano, ressaltese que em sede de impugnação, na forma do documento de fls. 63, a Recorrente requereu a realização de perícia contábil e não para averiguar sua real e preponderante atividade econômica : “Protesta a Defendente pela produção de prova pericial contábil para corroborar os termos da presente contestação, sob pena de cerceio ao amplo direito de defesa e contraditório, assim como quebra do devido processo legal.” DA DECISÃO SOBRE PERÍCIAS No que se refere ao pedido de prova pericial, ao julgador é facultado determinar sua a realização, de ofício ou a requerimento da impugnante, quando as entender necessárias, e indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e 35 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011, verbis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Releva destacar que a matéria não é contábil posto que a questão controversa se assenta sobre a atividade econômica preponderante exercida pelo contribuinte para o enquadramento no grau de risco. Cumpre, também,observar que o pedido de perícia solicitado na impugnação não atendeu ao comando do inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Na oportunidade a então impugnante não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, bem como deixou de indicar o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito.Agindo assim , incorreu no previsto no § 1º do inciso V, do mesmo sobredito artigo resultando não formulado seu pedido , verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V – (..) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. ” ( grifos de minha autoria) Em razão do que fora encimado, não se vislumbra dar provimento aos argumentos da recorrente. DO MÉRITO DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. No que se refere aos levantamentos AUT – Autônomos, FP – Décimo Terceiro Salário, FR – Frete, AT2 – Autônomos, o contribuinte assinalou na impugnação que reconheceu como correto os lançamentos apurados no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Assim na forma do art. 17 do Decreto 70.235, e , ainda, em razão de não ter trazido à colação argumentos que refutassem os créditos constituídos os sobreditos levantamentos foram considerados matérias não impugnadas, verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Em grau de recurso a autuada reitera que todos os contratos firmados com a empresa Petrobrás citados no lançamento fiscal têm como objetivo serviço técnico de consultoria, fiscalização, planejamento e controle e nunca de realização de obras . Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.016946/200850 Acórdão n.º 2403002.549 S2C4T3 Fl. 6 9 Guerreando o Acórdão de primeira instância reitera na íntegra os argumentos da peça vestibular de resistência : “No entendimento consagrado o presente lançamento, houve a conclusão de que a Empresa, ora Recorrente exerce a atividade efetiva de técnico construção civil, ainda que de assessoramento especializado, pelo que sobre as entendeu que é devida a diferença a titulo de RAT competências de agosto a dezembro de 2007, inclusive sobre a folha incidente sobre o 13° salário.” No que se refere ao registro supra, a autoridade autuante, ainda em sede de impugnação, por ocasião da diligência requisitada pela Delegacia de Julgamento, em resposta a alegação, registrou que : “ 2) Ainda que a empresa execute atividades na área de construção civil, de acordo com o contrato social e conforme obras de responsabilidade da mesma (matrículas CEI 40.990.03129/74, CEI 50.015.73680/70, CEI 50.018.85673/79, CEI 50.020.48254/75, CEI 50.020.48471/79 e CEI 50.020.96128/72), esta não foi considerada a sua atividade preponderante pela Auditoria Fiscal notificante, que em momento algum enquadrou o contribuinte na atividade de Construção Civil – Grupo 45 do Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, cujo percentual do GILRAT seria de 3% È relevante destacar que conforme o relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD , fls 06, o levantamento SAT – DIFERENÇA DE CONT REF GILRAT constitui o crédito tributário para as competência 08/2005 a 13/2005 pelas diferenças de 1% percentual em razão de a empresas ter revisto seu enquadramento e passado a utilizar a alíquota de 1% para o cálculo da contribuição devida embora os serviços prestados continuassem os mesmos do período anterior conforme o registro na cláusula terceira do contrato social de 20 de julho de 1995 inalterada.” Apesar de a recorrente afirmar nunca de realiza obras , no Item 6 da resposta da diligência a Autoridade autuante pesquisando os sistemas corporativos Consulta Dados da Obra constatou obras de construção civil vinculadas à empresa : “ 6) Esclarecemos ainda que, de acordo com os sistemas corporativos, as seguintes obras de construção civil estão vinculadas à empresa: CEI 40.990.03129/74, CEI 50.015.73680/70, CEI 50.018.85673/79, CEI 50.020.48254/75, CEI 50.020.48471/79 e CEI 50.020.96128/72 – telas CONVIN – Consulta Dados do Vínculo, CONEST – Consulta Dados do Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Estabelecimento e CONOBR – Consulta Dados da Obra anexas (fls. 1044/1082). “ Poderseia afirmar que a revisão teria sido correta em razão do auto enquadramento anterior ter sido incorreto. Ocorre que se nas competências levantadas, 08/2005 a 13/2005, a atividade tivesse sido exclusiva de consultoria conforme alega a empresa, não estaria sujeita à retenção. Entretanto, no item 5 da resposta da diligência, a autoridade autuante, acostando elementos probantes, revela que no período autuado a recorrente prestou informações em GFIPs procedendo a retenção nas notas fiscais de 11% sobre o valor dos serviços : “ 5) Finalmente, conforme as informações prestadas nas GFIP’S relativas ao período de 08/2005 a 13/2005, houve retenção de 11% sobre o valor dos serviços contidos em Notas Fiscais emitidas contra tomadores de serviços, conforme Anexo I (fls. 942/944). A atividade exclusiva de consultoria, alegada pela empresa, não está sujeita à retenção.” Às fls. 86, cópia do contrato social da autuada revela na cláusula terceira que a empresa tem como objetivo serviços de Consultoria, Projetos, Diligenciamento, Fiscalização, Gerenciamento, Fornecimento de MãodeObra Técnica, Manutenção e Operação de Sistemas nas Áreas de Telecomunicações, Saneamento, Meio Ambiente e Construção Civil., verbis: “TERCEIRA OBJETIVO A Sociedade terá como objetivo os serviços de Consultoria, Projetos, Diligenciamento,Fiscalização, Gerenciamento, Fornecimento de MãodeObra Técnica, Manutenção eOperação de Sistemas nas Áreas de Telecomunicações, Saneamento, Meio Ambiente eConstrução Civil.” ( grifei) Às fls. 194, consta colacionado contrato entre a autuada e a Petrobrás onde nos itens 6.1 e 6.4 do anexo do sobredito contrato, ao definirem a equipe e a especialidade das atividades a serem desenvolvidas, já se percebe que não se trata de consultoria ou mero apoio técnico mas sim de fornecimento de mãodeobra nas dependências da contratante: 6 EQUIPE 6.1 Composta por técnicos, nas especialidades de máquinas, tubulação, caldeiraria, eletricidade instrumentação industrial ou eletrônica e civil, com graduação em curso técnico do 2° grau e corn registro no CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia); 6.4 A Contratada deverá estar apta para atender a uma demanda inicial de fornecimento de pessoal para serviços nas dependências da REDUC em no máximo 45 (quarenta e cinco) dias corridos após a assinatura do contrato. Neste prazo a equipe mínima necessária deverá estar toda regularizada quanto as questões legais trabalhistas e internas à REDUC , e deverá ser composta de : Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.016946/200850 Acórdão n.º 2403002.549 S2C4T3 Fl. 7 11 1 técnico pleno para a especialidade de máquinas 2 técnicos seniores para as especialidades de tubulação e caldeiraria; 2 técnicos, sendo um senior e um pleno, para a especialidade de instrumentação; 2 técnicos plenos para a especialidade de civil ; 2 técnicos, sendo um senior e um pleno, para a especialidade de elétrica;” A exemplo do encimado, às fls 80, nos itens 3.5.5 a Autoridade autuante dispôs a análise de alguns contratos com a Petrobrás verificando que os serviços prestados seriam de sofrer a incidência de 2 pontos percentuais . às Fls 278 , grifos de minha autoria revelam definitivamente que, pelo menos para estes contratos com a Petrobrás o grau de risco seria ATÉ MAIOR : “ 4.2.1.2 Não serão aceitas alegações de desconhecimento pela CONTRATADA das normas e regulamentos de Segurança Industrial, Seal Ocupacional e Proteção ao Meio Ambiente, vigentes na PETROBRAS, ainda que as mesmas não estejam anexas ao presente documento, pois tais informações estão disponíveis para consulta em cada órgão gerenciador do contrato. Em complemento, a Petrobrás disponibilizará informações sobre riscos potenciais existentes, visando subsidiar a contratada na elaboração de programas específicos sobre SMS, na emissão de laudos técnicos para fins de aposentadoria especial, previstos na legislação vigente. 4.2.1.3.1 Em função do potencial de risco inerente aos serviços contratados e independentemente do número de empregados, a PETROBRAS exigirá a. participação de Profissionais de Segurança e/ou Meio Ambiente e/ou Saúde, na equipe da CONTRATADA.” Para que não se alegue que a graduação do grau de risco se ateve aos contratos com a Petrobrás, aduz que os Anexos II, III e IV, fls. 946/1.022, registram segurados alocados na atividade econômica preponderante por tomador de serviço . Os anexos foram elaborados em consonância com as disposições do artigo 86 da instrução normativa MPS/SRP nº 3/05. Por oportuno, reiterese que conforme fls. 928/934, o processo foi baixado em diligência, solicitando que a fiscalização esclarecesse, de forma discriminada, por meio de planilha, qual é a atividade econômica preponderante do contribuinte, código CNAE e alíquota RAT, no período de 08/2005 a 13/2005, manifestandose sobre os seguintes quesitos: a) Quais as atividades econômicas desenvolvidas pelo contribuinte? b) Quais são os estabelecimentos do contribuinte? Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 No documento de fls. 938/940, a autoridade lançadora apresentou informação fiscal com as planilhas que efetivamente não foram rechaçadas pela recorrente . A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou (...) Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.016946/200850 Acórdão n.º 2403002.549 S2C4T3 Fl. 8 13 § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. DA MULTA A primeira instância muito embora tenha exortado observar o disposto na alínea “c” do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, pautou sua decisão no que preceitua o artigo 2º, §1º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial da União de 8 de dezembro de 2009, postergando a comparação para determinação da multa mais benéfica para o momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte. Discordando, verifico que a multa foi aplicada nos termos do artigo 35 da lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Assim , cumpre observar que, em 04/12/2008, foi publicada a medida provisória no 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática do cálculo das multas de mora, e das decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias anteriormente previstas nos artigos 35 e 32 , respectivamente da lei nº 8.212/91, acrescentando os artigos 35 A e 32A. A Recorrente foi notificada em razão de inadimplir as obrigações vinculadas aos fatos geradores ocorridos no período 08/2005 A 13/2005. Até a emissão da MP 449 de, 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, à infração cometida pela autuada, imputavamse penalidades de mora previstas nos , I, II, III do revogado art. da Lei 8.212/91. Com a nova redação, no que concerne aos acréscimos da multa de mora estes se observarão nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se estabeleceu que a multa será de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Não há nos autos registro de que houvera sido efetuado quadro comparativo das imputações de penalidades revogadas com as atualmente previstas. MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, até a competência 11/2008, inclusive, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.016946/200850 Acórdão n.º 2403002.549 S2C4T3 Fl. 9 15 DA JURISPRUDÊNCIA NO JUDICIÁRIO. “PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – ART. 535 DO CPC – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO – EXECUÇÃO FISCAL – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL – AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO – MULTA DO ARTIGO 35, LEI N. 8.212/91 – APLICAÇÃO DE LEI MAIS BENÉFICA – PRECEDENTES. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida. 2. Não configurada a divergência suscitada, pois o recorrente não realizou o necessário cotejo analítico, bem como não apresentou, adequadamente, o dissídio jurisprudencial. 3. A multa do artigo 35 da Lei n. 8.212/91 deve ser aplicada com as alterações impostas pela nova legislação mais benéfica ao contribuinte. Princípio da retroatividade da lei mais benéfica. Precedentes. Agravo regimental parcialmente provido. (AgRg no REsp 576.696/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2009, DJe 21/10/2009)” “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA CDA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. DÉBITOS DA SEGURIDADE SOCIAL CONTRAÍDOS PELA SOCIEDADE. LEI 8.620/93, ART. 13. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPRETAÇÃO. MATÉRIA PACIFICADA NO ÂMBITO DA 1ª SEÇÃO. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, da matéria cuja violação se alega atrai a incidência da Súmula 282/STF. 2. A 1ª Seção do STJ, no julgamento do RESP 717.717/SP, Min. José Delgado, sessão de 28.09.2005, consagrou o entendimento de que, mesmo em se tratando de débitos para com a Seguridade Social, a responsabilidade pessoal dos sócios das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, prevista no art. 13 da Lei 8.620/93, só existe quando presentes as condições estabelecidas no art. 135, III do CTN. 3. Aplicase retroativamente a redução da multa moratória estabelecida pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela Lei nº 9.528/97, por ser mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN), aos débitos objeto de execução fiscal não definitivamente encerrada, entendendose como tal aquela em que não foram Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 ultimados os atos executivos destinados à satisfação da prestação. Precedentes: REsp 491242/RS, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ de 06.06.2005; EDcl no RESP 332.468/SP, 2ª Turma, Min. Castro Meira, DJ de 21.06.2004. 4. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 698.960/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/05/2006, DJ 18/05/2006, p. 185)” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do valor observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10410.004714/2002-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há falar em nulidade por alegado cerceamento ao direito de defesa quando o auto de infração está devidamente fundamentado, contendo todos os demonstrativos e elementos necessários ao exercício do contraditório.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 105.
Segundo verbete consagrado na Súmula CARF nº 105, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de nulidade e julgar incabível a multa isolada.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade por alegado cerceamento ao direito de defesa quando o auto de infração está devidamente fundamentado, contendo todos os demonstrativos e elementos necessários ao exercício do contraditório. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. Segundo verbete consagrado na Súmula CARF nº 105, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dado provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de nulidade e julgar incabível a multa isolada. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 47 14 /2 00 2- 99 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG. De acordo com o disposto no presente processo administrativo, em desfavor da ora recorrente foram lavrados em 12/08/2002 autos de infração (fl. 04 em diante), referentes ao IRPJ e à CSLL, ante a falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa dos meses de Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Julho e Agosto de 2010, além de determinar uma redução no prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL do anocalendário 1997. Segundo disposto no Termo de Encerramento (fls. 402 a 407), a Fiscalização, em síntese, apurou as seguintes circunstâncias: 1. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS — GLOSA DE DESPESAS — Esgotado o prazo fixado pela fiscalização para que fossem comprovadas despesas constantes do cálculo de lucro líquido, o contribuinte confirmou apenas parte delas, o que ocasionou a glosa das diferenças não comprovadas e gerou a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Data do fato gerador: 31.12.1997. Valor tributável: R$ 999.472,12. Enquadramento legal: artigo 195, inciso I, artigo 197, parágrafo único, artigos 242 e 243, todos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11.01.1994. 2. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS — Embora o contribuinte tenha escriturado receitas provenientes de participação e recuperação, ele não as considerou para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL. Computadas essas receitas, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa do período são reduzidos no montante de R$ 396.665,13. Data do fato gerador: 31.12.197. Enquadramento legal: artigos 193 e 194, artigo 197, parágrafo único, e artigo 224 do 1994. 3. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO PAGO — ESTIMATIVA DE IRPJ — Constataramse divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, o que gerou falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços de suspensão redução, conforme explicado no termo de encerramento. Período de apuração: ano calendário de 2000. Enquadramento legal: artigo 222, artigo 841, incisos III e IV, artigo 843, artigo 9 parágrafo único, inciso IV, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10410.004714/200299 Acórdão n.º 1301001.794 S1C3T1 Fl. 3 3 Ainda de acordo com o Termo de Encerramento, a ação fiscal abrangeu os períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1997 e março de 2002, retratado a Fiscalização, relativamente ao cálculo do imposto de renda mensal por estimativa, que o contribuinte elaborou os balancetes mensalmente, mas não efetuou os necessários recolhimentos do imposto, quando assim apurado. No demonstrativo a folhas 124, elaborado pela fiscalização, encontrase o valor que deveria ter sido recolhido pelo contribuinte. Efetuou se • lançamento da multa de oficio, conforme determina a legislação vigente. Relativamente à auditoria em contas de despesas, registrou a Fiscalização que intimouse o contribuinte (fls. 15 a 17), solicitando a elaboração de demonstrativos, de forma pormenorizada e a apresentação de documentação, hábil e idônea, que tenha originado tais registros. A auditoria restringiuse apenas ao anocalendário de 1997, ficando os demais períodos passíveis de novas auditorias, sendo que, recebida parte da documentação solicitada, elaboraramse os demonstrativos a folhas 12 a 208, os quais servem de comprovação dos registros efetuados, conforme indicado na tabela adiante transcrita: Os demais itens solicitados na intimação ou foram integralmente comprovados, ou ficar em aberto, conforme justificativa que faz parte da documentação arquivada no dossiê da empresa. Em vista do que acima foi apresentado, procedeuse ao lançamento de oficio, o que resultou em redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da contribuição na ordem de R$ 1.396.137,25. Devidamente cientificado das imputações a autuada apresentou Impugnação (fls. 412 a 417), acompanhada dos documentos de folhas 418 a 726. Assinalou de início a tempestividade e passou a descrever que, de acordo com a autoridade autuante, durante o ano de 1997, a defendente não teria comprovado a realização de despesas, as quais foram deduzidas da base de cálculo do IRPJ, o que geraria imposto a pagar. Em decorrência do suposto débito levantado com base em glosas de despesas contabilizadas, a fiscalização lançou multa isolada, no percentual de 75% do valor do tributo. Defendeu que não procedem as alegações da autoridade fiscal, eis que efetuou todas as despesas lançadas em sua contabilidade, de modo que não deve nada a título de IRPJ, e é absolutamente ilegal o procedimento fiscal. Reputou haver cerceamento do direito de defesa e ilegalidade da autuação por falta de motivação, eis que ao serem solicitados os documentos relativos às despesas, a defendente não somente os apresentou, como também identificou e destacou na escrituração contábil tais lançamentos. Apesar disso, a autoridade fiscal desconsiderou, de forma genérica e sem a devida motivação, parte das despesas financeiras, encargos sociais e outras despesas operacionais. Segundo a contribuinte, em total desrespeito das normas do processo administrativo, a fiscalização não especificou quais as despesas contabilizadas foram desconsideradas, mas simplesmente destacou o valor declarado e o valor comprovado, computando a diferença como renda suscetível de incidência do IRPJ. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 4 Afirma que nessas circunstâncias, a jurisprudência administrativa e judicial declaram a nulidade a da autuação. Tendo em vista que é impossível identificar os valores correspondentes às glosas a às despesas realizadas pela autoridade administrativa, há flagrante cerceamento do direito a e defesa garantido pelo artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, eis que não pode defenderse amplamente contra glosas genéricas, visto que, para aferir a legalidade do ato praticado pelos autuantes, impende saber quais foram as despesas financeiras e operacionais e os encargos sociais objeto de censura. Destarte, o lançamento encontrariase eivado de nulidade e não podem subsistir as glosas, de modo que é mister que se restabeleça o valor do correspondente prejuízo. Quanto à comprovação das despesas, defendeu que mesmo havendo claro cerceamento do direito de defesa, em respeito ao princípio da verdade material, faria juntar à defesa planilha discriminando as despesas dedutíveis e os documentos correlatos, que comprovam a sua efetiva realização. No tocante às despesas financeiras, apesar de não se saber quais delas foram glosadas é possível verificar, por meio dos extratos bancários anexados, o débito em conta de cada despesa, as quais conferem com os valores declarados pela autuada. A simples comparação entre os valores declarados no livro razão e o que foi debitado da conta corrente da autuada seria suficiente para afastar a glosa. Quanto aos encargos sociais, inclusive o FGTS, defendeu serem despesas inteiramente dedutíveis, tendo em vista que se configuram como um dispêndio necessário, normal, usual e obrigatório de tida pessoa jurídica. A dedução das despesas é possível no momento de sua ocorrência, não por ocasião do desembolso respectivo, em respeito à boa técnica e aos princípios contábeis que consagram o regime de competência. Se o valor devido pela empresa foi devidamente escriturado, a despesa é dedutível e cabível, independentemente do pagamento, tendo em vista também que a SRF/AL não tem competência para fiscalizar os recolhimentos dos encargos sociais. Dessa forma, fazse necessário restabelecer o prejuízo glosado pelo fisco. Com respeito às outras despesas glosadas, a autuada requereu fosse determinada diligência para análise dos documentos que se fizer necessária para a sua comprovação, tendo em consideração o grande volume de todos os comprovantes de despesas incorridas no ano 1997, especialmente as relativas as despesas operacionais e aos encargos sociais. Comprovada a realização de despesas deduzidas, afirmou que não procedem as glosas fiscais. Inexistindo tributo a ser pago, é indevida a incidência de multa isolada. Concluindo por requerer fossem anuladas as glosas de despesas, por ferirem o princípio da ampla defesa, do contraditório e da motivação dos atos administrativos e, demonstrado quantum satis que é absolutamente improcedente o auto de infração, deveria a defesa ser julgada procedente in totum e anulado o lançamento da multa. A 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 731 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente ficando assim ementada a decisão: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1997, 2000 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10410.004714/200299 Acórdão n.º 1301001.794 S1C3T1 Fl. 4 5 GLOSA FISCAL CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADAS Sujeitamse a glosa fiscal os custos e as despesas que não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. MULTA ISOLADA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DEVIDO POR ESTIMATIVA Verificada, após o término do anocalendário, a falta ou insuficiência do recolhimento devido por estimativa, o contribuinte sujeitase ao lançamento de ficio de multa isolada sobre os valores não recolhidos. RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase a atos ainda não definitivamente julgados a lei tributária que lhes comine pena menos severa que a vigente ao tempo de sua prática. LANÇAMENTO DECORRENTE – CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Lançamento Procedente em Parte [...] Em resumo, portanto, a decisão recorrida manteve todas as imputações fiscais e glosas levadas a efeito, apenas reduzindo o patamar da multa isolada ante a retroação benigna da lei que cominou penalidade menos severa. Devidamente cientificada (fl. 747) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 748), reiterando a preliminar de nulidade por alegado cerceamento ao direito de defesa, e insurgiuse contra a aplicação da multa isolada, silenciando quanto ao mérito das imputações. É o relatório. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como visto no relatório acima circunstanciado a recorrente teve glosadas diversas despesas financeiras, aplicandose, ante o impacto nas antecipações, a multa isolada, e impactando, quanto ao principal, o seu prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Quanto ao mérito das glosas, como bem assinalado acima, a contribuinte não manifestou qualquer insurgência em seu Recurso Voluntário, a revelar aquiescência e impor a definitividade no âmbito administrativo das imputações, salvo é claro, se prevalente a preliminar de nulidade do auto de infração. Resta, portanto, analisar duas questões trazidas pela contribuinte, a dita preliminar de nulidade, manifestada ante alegado cerceamento ao direito de defesa e a questão da multa isolada, aplicada em concomitância com outra sanção pelo mesmo fato. Passo ao enfrentamento da questão relativa à nulidade. Sustenta a contribuinte, desde a primitiva Impugnação, que houve cerceamento do direito de defesa, eis que a autoridade fiscal teria glosado parte das despesas deduzidas, sem especificar quais delas não teriam sido devidamente comprovadas, já que no auto de infração não se especificou quais as despesas contabilizadas não foram consideradas, limitandose a destacar apenas o valor declarado e o valor comprovado, computando a diferença como renda suscetível de incidência do IRPJ. A seu turno, entendeu a decisão recorrida que "a fundamentação do lançamento não tem necessariamente de constar inteiramente do auto de infração e do termo de verificação fiscal". Em sede de Recurso Voluntário, sustenta a contribuinte que o artigo 10, do Decreto nº 70.235/72, dispõe o exato contrário do que concluiu a DRJ, pugnando assim pelo reconhecimento da nulidade. Ao meu sentir o conteúdo decisório contido no pronunciamento da 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, não merece qualquer censura quanto ao enfretamento do tópico em análise. Com efeito, bem destacou o aresto impugnado que no Termo de Verificação Fiscal a folhas 402 a 407, a Fiscalização dispõe que o fundamento da glosa de custos e despesas é a falta de apresentação da documentação hábil e idônea que desse suporte à dedutibilidade. Demais disso, constam os demonstrativos de folhas 129 a 208, nos quais se especificam as despesas glosadas, e às folhas 129 e 130 achamse os demonstrativos relativos a despesas com encargos sociais, nos quais se discriminam mês a mês os montantes comprovados, bem como se enumera um a um os valores das guias de recolhimento de FGTS e contribuições previdenciárias que foram acatados pelos autuantes. O mesmo se passa em relação às despesas financeiras com juros bancários pagos à cooperativa, cujos demonstrativos se acham a folhas 131 a 132, destacandose que às folhas 132 a 146, foram juntadas pela Fiscalização cópias dos comprovantes que foram acatados. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10410.004714/200299 Acórdão n.º 1301001.794 S1C3T1 Fl. 5 7 No mais, bem reconheceu a Decisão recorrida que às folhas 147 a 152 encontramse os demonstrativos atinentes às despesas agrupadas sob a denominação de outras despesas operacionais e, conforme os demonstrativos, desdobramse nos seguintes itens: despesas bancária telefônicas, valetransporte, energia elétrica adquirida, taxa de administração paga cooperativa, peças e acessórias, rações de animais, materiais de construção, materiais diversos, material de expediente, e medicamentos e drogas (estes últimos sete itens fornecidos pelo almoxarifado). Os documentos respectivos, da mesma forma, os autuantes juntaram a folhas 153 a 208. Não vejo reparos, repito, a serem promovidos na decisão recorrida. Não há falar em nulidade alguma, as imputações foram claras, fundamentadas e induvidosas, seu conteúdo material poderia ter sido refutado pela contribuinte sem qualquer embaraço atribuível à Fiscalização, de sorte que rejeito a preliminar de nulidade. No tocante à multa isolada, todavia, entendo que o Recurso Voluntário merece se provido, e o faço com a brevidade que o argumento merece ser tratado, mormente ao se verificar que na Sessão de 08 de dezembro de 2014 a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho aprovou a Súmula CARF nº 105, consagradora do entendimento adotado de não cabível a dupla penalidade pelo mesmo fato. Confirase o teor da indigitada Súmula: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Em vista do conteúdo sumulado, de rigor reconhecer ser incabível a multa isolada na espécie, prevalecendo a multa de ofício aplicada. Em vista de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e voto no sentido de Dar PARCIAL PROVIMENTO, afastando a preliminar de nulidade e julgando incabível a multa isolada. Sala das Sessões, em 04 de março de 2015. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 8 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 10850.721754/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2003
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 17 54 /2 01 1- 19 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração outubro de 2003, no valor de R$ 8.768,38.. O pedido foi transmitido através do PER nº 05530.67122.180907.1.2.04 1059, fls. 3/5, em 18/09/2007. O contribuinte transmitiu ainda as Declarações de Compensação – Dcomp´s nº 08923.98101.241108.1.3.048355 e nº 28687.25129.171208.1.3.040034, para pleitear compensação com os créditos objeto do PER nº 05530.67122.180907.1.2.04 1059. A DRF São José do Rio Preto intimou a empresa, em 06/05/2011, a apresentar documentação fiscal e a esclarecer os fatores que justificassem o montante a ser restituído (fl. 22). Em resposta, o contribuinte informou que o crédito pleiteado seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, implementada pelo parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Apresentou planilha e balancete contendo as receitas financeiras (fls.62/65) O despacho decisório de fls. 69/73, proferido em 11/07/2011, não reconheceu o direito creditório, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as Dcomp’s por falta de embasamento legal. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 75. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 77/85, para alegar que: I. A documentação apresentada por ele seria suficiente para comprovar o direito creditório, pois teria demonstrado as receitas estranhas ao conceito de faturamento; II. A discussão da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 5 3 IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 6 4 Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 260/262 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Outubro de 2003 no valor de R$.9.559,41, e observado que o valor total recolhido para o período foi de R$.16.423,52 (fls.258/259), concluímos que o recolhimento efetuado a maior foi de R$.6.864,11.” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 260/262 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Outubro de 2003 no valor de R$.9.559,41, e observado que o valor total recolhido para o período foi de R$.16.423,52 (fls.258/259), concluímos que o recolhimento efetuado a maior foi de R$.6.864,11.” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição da Cofins do mês de Outubro de 2003, recolhido em 14/11/2003, no código 2172, no valor original de R$.6.864,11 (Seis Mil Oitocentos e Sessenta e Quatro Reais e Onze Centavos), requerido através do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 05530.67122.180907.1.2.04 1059, transmitida em 18/09/2007 (fls.3/5), e as homologações das DCOMPs – Declarações de Compensação de nºs 08923.98101.241108.1.3.048355, transmitida em 24/11/2008 (fls.6/11) e 28687.25129.171208.1.3.040034, transmitida em 17/12/2008 (fls.12/15), até o montante do direito creditório reconhecido. A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 10 8 veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 11 9 Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91 e nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.721754/201119 Acórdão n.º 3801004.905 S3TE01 Fl. 12 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, homologandose as compensações vinculadas até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911712/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 12 /2 00 9- 72 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 3802.003.442, lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911712/200972 Acórdão n.º 3802004.209 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004860/2004-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004
MULTA ACESSÓRIA (DIF BEBIDAS)
DIF - bebidas MULTA - INCIDÊNCIA LEI Nº 12.873/2013- A multa pela apresentação em atraso da DIF Bebidas, incide uma única vez no montante de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês inadimplido, na medida em que sua periodicidade é mensal.
Recurso Voluntário parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FÁBIA REGINA FREITAS - Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 08/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004 MULTA ACESSÓRIA (DIF BEBIDAS) DIF - bebidas MULTA - INCIDÊNCIA LEI Nº 12.873/2013- A multa pela apresentação em atraso da DIF Bebidas, incide uma única vez no montante de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês inadimplido, na medida em que sua periodicidade é mensal. Recurso Voluntário parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. (assinado digitalmente) FÁBIA REGINA FREITAS - Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 08/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
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Recurso Voluntário parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (assinado digitalmente) FÁBIA REGINA FREITAS Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 08/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 48 60 /2 00 4- 40 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS 2 Relatório Por bem resumir os fatos tratados nesses autos, adoto o Relatório da DRJ para elucidar a lide: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 13117, que se IIIII prestou a exigir crédito tributário relativo a multas regulamentares (código de arrecadação: 3738), aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003, que instituiu a Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIFBebidas). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente ao período de 06/2003 a 12/2003, atingiu o montante de R$ 280.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n°2.158 35. de 24 de agosto de 2001; art. 16 da Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999; art. 505 c/c art. 212 do Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 3", inciso [e § 2°, da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003. O sujeito passivo foi cientificado através de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, por ele recebida em 29/09/2004 (1). 20), tendo protocolado sua impugnação em 26/10/2004, conforme peça de fls. 22/32, e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: a) que a instituição de penalidade (obrigação acessória) por Instrução Normativa é ilegal; b) que a própria a instituição da DIF Bebidas, e a decorrente obrigatoriedade de sua apresentação, é ilegal e inconstitucional, porque a delegação concedida pelo Ministro da Fazenda ao Secretário da Receita Federal viola os princípios constitucionais da separação dos poderes (art. 20 da CF/88) e da legalidade (art. 50, inciso 11 da CF/88), assim como o principio da indelegabilidade tributária previsto no art. 7° do Código Tributário Nacional (CTN); c) que a multa moratória deve ser afastada diante da regular entrega da DIF Bebidas, ainda que em atraso, com supedâneo no art. 138 do CTN, conforme já decidido pelo 1° Conselho de Contribuintes; d) que são exorbitantes os valores das multas descritas no art. 3° da IN 325/03, que estão em desacordo com os artigos 508 a 510 do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02). A impugnante conclui requerendo: que lhe seja deferido o direito da posterior juntada de documentos; que lhe seja deferida a produção de prova pericial, "para os efeitos de comprovar pericialmente fatos e circunstâncias para o deslinde do presente processo, bem assim provas testemunhais"; que a decisão proferida, conforme determina a Constituição Federal, enfrente todas as questões discutidas na sua defesa, "devidamente fundamentadas, sob pena de nulidade"; que seja observada na plenitude o direito de defesa da defendente"; que o auto de infração "seja julgado insubsistente. A DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme a ementa a seguir: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 10880.004860/200440 Acórdão n.º 3301002.523 S3C3T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004 DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES FISCAIS D1F BEBIDAS. NÃO APRESENTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. PROCEDÊNCIA. Constatada a falta de apresentação da DIFBebidas no prazo estabelecido, cabível é o auto de infração para a aplicação da multa estipulada no art. 57 da Medida Provisória n°2.15835, de 2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PROCEDIMENTO FISCAL. INAPLICABILIDADE. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN, mormente quando a entrega intempestiva se deu após intimação fiscal para comprovar a entrega ou justificar a nãoentrega. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 01/02/2004 POSTERIOR JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERICIA. DESNECESSIDADE. Há que se indeferir os pedidos de pericia e posterior juntada de documentos quando a matéria fática (a entrega atrasada das DIFs) não foi contestada pela impugnante Em face dessa decisão foi interposto recurso voluntário reiterando as mesmas razões narradas na impugnação. Voto Conselheiro Fábia Regina Freitas A teor do que relatado, tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte, para exigência da multa prevista na IN SRF nº 235/2003, com supedâneo legal no art. 16 da Lei no. 9.779/99: Art. 3º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DIF Bebidas no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS 4 de Pequeno Porte (Simples), os valores e o percentual referido neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. § 2º Para aplicação da multa de que trata o inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e, como termo final, a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. § 3º Sem prejuízo do disposto no caput, a falta de apresentação da DIF Bebidas implicará ainda no cancelamento do registro especial de que trata o art. 1º do Decretolei nº1.593, de 21 de dezembro de 1977, referente aos estabelecimentos da pessoa jurídica omissa sujeitos a esta obrigação. Ocorre que a mencionada norma, supedâneo da presente autuação foi revogada expressamente pela IN/RFB n. 1213 de 08 de dezembro de 2011, conforme se depreende do seu art. 1º. in verbis: Art. 1º Fica revogada a Instrução Normativa SRF Nº 325, de 30 de abril de 2003 . Com a revogação da mencionada norma, foi publicada, em 2013, a norma que substituiu a redação do então art. 57 da MP 2158, que passou a vigorar da seguinte forma: Art. 57. O art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I ................................................................................... a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 10880.004860/200440 Acórdão n.º 3301002.523 S3C3T1 Fl. 4 5 seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. ............................................................................................. § 3º A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III.”(NR) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a nova Lei nova deverá retroagir e ser aplicada a ato ou fato pretérito, na hipótese de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração, verbis: “Art 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à inflação dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Corroborando com entendimento aludido, segue abaixo o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL MULTA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, “C”, DO CTN 1 – A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN Precedentes. do STJ 2 Agravo Regimental não provido.”(STJ AgRgREsp 922.984,Min. HERMAN BENJAMIN, DJe de 11/03/2009) “TRIBUTÁRIO MULTA ART 61, DA LEI N" 9.430/96 PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR 1 A ratio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória. 2 –A Lei que determina a multa pelo não 'recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS 6 disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedandose, conferir à Lei uma interpretação tão literal que conflite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica (Lex Mitior), 3 – In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei n" 9,430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no ar!, 106, inc. II, letra em se tratando de norma punitiva, aplicase a legislação vigente no momento da infração. 4 Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei a" 9 430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. .5 – A redução da multa aplicase aos fatos futuros pretéritos por força do principio da retroatividade da lex mitior consagrado no art.106 do CTN 6Agravo regimental desprovido” (STJ AgRgAI 902 697 Rel.Min. LUIZ FUX Ene 19 06 2008 p 153) Como se verifica, entendo que se aplica ao presente caso o disposto no art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN tendo em vista a nova redação dada pela Lei 12.873 ao art. 57 da MP 2158, supedâneo para a cobrança da multa acessória DIFBEBIDAS, cancelandose parcialmente o presente Auto de Infração na medida em que a nova penalidade acessória consubstanciase em R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário.. CONCLUSÃO Assim, diante de todo o exposto, entendo por conhecer do recurso da contribuinte para darlhe parcial provimento para reduzir o presente Auto de Infração ao valor de R$ 1.500 (Hum mil e quinhentos reais) por mêscalendário em que a obrigação não foi atendida. Fábia Regina Freitas Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS
score : 1.0
Numero do processo: 13855.720392/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%.
Numero da decisão: 1401-001.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta participou do julgamento. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Antonio Alexandre Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta participou do julgamento. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Antonio Alexandre Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006, 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta participou do julgamento. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Antonio Alexandre Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 03 92 /2 01 1- 89 Fl. 6871DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 3 2 Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, omissão de receitas e foi arbitrado o lucro, nos termos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), art. 530, III, tendo em vista que a empresa, sendo intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) – fls. 6547 a 6563. Imposto: R$ 861.373,27 Juros de mora: R$ 334.090,59 Multa Proporcional: R$ 1.292.059,87 Total: R$ 2.487.523,73 Enquadramento legal do imposto: RIR, de 1999, art. 532. 2 – Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 6564 a 6577: Contribuição: R$ 418.933,58 Juros de mora: R$ 162.594,42 Fl. 6872DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 4 3 Multa Proporcional: R$ 628.400,34 Total: R$ 1.209.928,34 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° e §§, 3º com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008; Lei nº 9.249, de 1995, art. 20; Lei nº 9.430, de 1996, art. 29; Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37. 3 Contribuição para o PIS fls. 6580 a 6594 Contribuição: R$ 252.788,42 Juros de mora: R$ 100.717,93 Multa Proporcional: R$ 379.182,55 Total: R$ 732.688,90 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) nº 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1º e 3°; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, I, a, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51. 4 Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) – fls. 6597 a 6611. Contribuição: R$ 1.165.516,74 Juros de mora: R$ 464.240,55 Multa Proporcional: R$ 1.748.275,00 Total: R$ 3.378.032,29 Enquadramento legal da contribuição: Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, II, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51. Consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF) que a fiscalização teve início em 09/11/2009 com a intimação para a contribuinte apresentar os livros Caixa, livros de Entrada/Saída, notas fiscais de entrada e de saída, inventários e extratos das contas correntes do período de 2006 a 2008. Solicitouse, ainda, esclarecimentos a respeito da divergência existente entre os valores informados nas GIAICMS e nas DIPJ. A contribuinte apresentou apenas os livros de entrada e saída de 2006 a 2008, registro de inventário nº 01, tendo informado que as notas fiscais de entrada foram apreendidas pela Fazenda Estadual. Foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira ao Bradesco, que encaminhou os documentos solicitados. Foi constatado pela fiscalização que eram inidôneas as notas fiscais supostamente emitidas pelas empresas: Sangal do Brasil (CNPJ 04.043.266/000172), JC Com. de Couros (CNPJ 08.287.116/000165), Gell Comércio de Couros (CNPJ 05.446.089/000138), Francouro de Araraquara (CNPJ Fl. 6873DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 5 4 03.152.103/000165), Beto Ind. Com. E Exp. De Couros (CNPJ 00.792.553/000124), Plis Couros Ltda. (CNPJ 03.471.631/000187), Aracouro Comercial Ltda. (CNPJ 53.116.992/000183), Real Couros Comercial (CNPJ 05.738.301/000130), Peniel Couros Ltda. (CNPJ 03.910.968/000143), V. Marostica (Couros Bocaina, CNPJ 04.269.141/0000165), ZVC Couros (CNPJ –03.910.968/0001 43), Miracouros Com.de Couros (CNPJ 09.688.194/0000134). A contribuinte foi intimada a informar os nomes, CPF e endereços dos representantes comerciais das citadas empresas e informar as formas de pagamentos das supostas aquisições de couro (valor total R$ 24.678.530,67), apresentando os comprovantes. Em resposta, ela esclareceu que tais compras foram pagas por meio de cheques de terceiros recebidos de suas vendas, duplicatas de clientes endossadas pela empresa, duplicatas de terceiros recebidas de clientes e parte foi feita em espécie. Com relação à diferença de valores declarados em GIA e à Receita Federal, afirmou que ocorreu apenas em 2006, talvez por engano ou erro material no preenchimento da declaração. Foi comprovado pelo fisco federal que a contribuinte vendeu algumas notas fiscais fictícias para a empresa Free Way Artefatos de Couros Ltda., CNPJ 58.344.029/000170, e para o coureiro Denizar, pelo preço de 7% do valor de face das notas fiscais. Foi expedido o Ato Declaratório Executivo nº 23, declarando inidôneas as notas fiscais constantes no anexo “Relação de Notas Fiscais de Saída Inidôneas emitidas pela Cap Way” do processo nº 13855.720752/201142. Fiscalizando as contas bancárias do sócio Ernani Bezerra dos Reis Sobrinho e do exsócio Márcio Henrique Vergara, foi constatado que tais contas foram utilizadas para movimentar recursos da contribuinte. Verificouse que a contribuinte movimentou vultosas quantias na sua conta corrente e nas citadas contas dos sócios, demonstrando que comercializou altos valores diferentemente daquelas quantias irrisórias declaradas ao fisco federal. Foi expedido, também, o Ato Declaratório Executivo nº 07, de 2011, excluindo de ofício a contribuinte do Simples no período de 01/01/2006 a 30/06/2007, conforme processo nº 13855.720392/201189. Tendo sido excluída da sistemática do Simples e sendo intimada, a contribuinte não apresentou a sua escrituração contábil. Dessa forma, foi arbitrado o lucro nos anoscalendário de 2006 a 2008, nos termos do art. 530, III, do RIR, de 1999. Foram lavrados os autos de infração com imposição da multa de 150% e lavratura do Termo de Responsabilidade Tributária contra os sócios Ernani Bezerra dos Reis Sobrinho e Márcio Henrique Vergara. Foi formalizada, ainda, a Representação Fl. 6874DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 6 5 Fiscal para Fins Penais, conforme Portaria SRF nº 2.439, de 2010. Notificada da autuação, a contribuinte, representada pelo procurador Rogério Barbosa de Castro (fl.6683), ingressou com a impugnação de fls. 6664 a 6682, alegando: ∙ A cobrança é indevida e ilegal, baseada em informações sigilosas de movimentação financeira bancária, além de ser confiscatória nos termos da Constituição Federal (CF); ∙ Nulidade da autuação por ter a autoridade fiscal exigido informações bancárias sigilosas em respaldo judicial. O Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 389808 deliberou no sentido de ser inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem intervenção judicial; ∙ Para se decretar a quebra do sigilo de dados das pessoas ou empresas é necessário que se demonstre, a partir de fortes indícios ou provas, a existência concreta de causa provável que legitime a medida sugerida, justificando a necessidade de sua ultimação no respectivo procedimento de ampla investigação dos fatos, sob pena de cometer abuso de poder; ∙ Ilegalidade de se presumir depósito bancário com renda ou lucro. Descabe cogitar a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda ou de proventos de qualquer natureza pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte; ∙ Devese ressaltar, no caso, a quantidade de empréstimos bancários contratados pela impugnante, sem que tal represente lucro ou acréscimo de renda. Ademais, a realização de depósito bancário pode advir de incontáveis fontes, sem que qualquer delas represente aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos. Há muito vem sendo anulado pelo Poder Judiciário procedimentos que se baseiam única e exclusivamente em extratos bancários, originando a Súmula 182 do extinto TRF: “É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários”; ∙ O depósito bancário, mesmo depois do advento da Lei nº 9.430, de 1996, não constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. O sinal exterior de riqueza verificado pelos depósitos bancários representam o marco inicial da investigação tributária, devendo evidenciar a renda consumida pelo contribuinte; ∙ Pela dicção do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), a presunção contida no art. 42 da citada Lei nº 9.430, de 1996, não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles Fl. 6875DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 7 6 incluir depósitos bancários. Pode, quando muito, autorizar a tributação de tais depósitos por presunção, desde que verificado caso a caso, bem assim se ocorreu a renda consumida; ∙ A fraude não se presume, ela terá que ser provada, através dos meios legais próprios. A própria Receita Federal afasta o dolo da presunção legal dos depósitos bancários, sendo indevida a aplicação de multa qualificada de 150%; ∙ O valor abusivo da multa é inconstitucional, totalmente em desacordo com o determinado pelo art. 150, IV, da CF, que proíbe o confisco. A multa aplicada deve obedecer aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.” Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 3ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, indeferir a impugnação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2006, 2007, 2008 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão CAP WAY COMÉRCIO DE COUROS LTDA. interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Fl. 6876DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 8 7 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referente aos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, no que tange a omissão de receitas e que foi arbitrado o lucro, nos termos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), art. 530, III, tendo em vista que a empresa, sendo intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Assim, a Recorrente alega, em síntese, os seguintes pontos: nulidade da atuação/inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; ilegalidade de presumirse deposito bancário como renda ou lucro; multa desproporcional e com efeito de confisco; Dessa forma vejamos pontos a ponto levantados no Recurso Voluntário. Da Nulidade Quanto à inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário Primeiramente, quanto a nulidade em si, cabe registrar que, não se verificou qualquer nulidade formal no lançamento ocasionada pela inobservância do que dispõe o art. 10 da mesma norma. Os autos de infração foram lavrados cumprindose as formalidades legais essenciais, informando a origem da autuação, a capitulação legal clara e coerente com a descrição dos fatos dados como infringidos, a multa aplicada e correspondente fundamento legal. Além disso, os autos de infração se fizeram acompanhar pelo Termo de Verificação Fiscal, que relatou todos os fatos e especificou a infração apurada. Estão presentes no processo todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, nos termos do disposto no art. 9º do PAF. Passando para o ponto especifico do sigilo bancário, é improcedente a alegação de nulidade da autuação por ter a autoridade fiscal exigido informações bancárias sigilosas sem respaldo judicial, uma vez que o presente lançamento não foi feito com base nas citadas informações bancárias, como se pode ver no TVF, mas sim em decorrência da apuração adversa dos livros de entrada e saída de ICMS. Assim, não há que se falar sobre a (i)legalidade da obtenção de dados constantes sem processo judicial, vez que os depósitos não serviram para carrear o lançamento, o qual ocorrer em decorrências dos livros de ICMS. Apenas a título de esclarecimento, cabe pontuar que os extratos bancários dos sócios da contribuinte solicitados durante a fiscalização foram entregues ao fisco pelos próprios titulares das contas correntes, não existindo a alegada quebra do sigilo bancário. Relativamente aos extratos da conta corrente da contribuinte entregues pelo Banco Bradesco, temse que eles foram solicitados seguindo as disposições contidas na Lei Complementar (LC) nº 105, de 10 de janeiro de 2001, na Lei nº 10.174, de 2001, e no Decreto nº 3.724, de 2001, que regulou a solicitação de informações às instituições financeiras. Fl. 6877DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 9 8 Em decorrência disto, as precitadas alegações de inconstitucionalidade não podem ser apreciadas por este Egrégio Conselho Administrativo Fiscal, que inclusive já sumulou a matéria: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não há que se falar em apreciação da inconstitucionalidade da lei por esta corte. Da Tributação com base em depósitos bancários A Recorrente alega em sua peça recursal questiona a autuação com base em depósitos bancários com origens não comprovadas (artigo 42 da Lei 9430/96), bem como que os mesmos não poderiam ser incluídos na base de calculo tendo em vista o conceito de renda ou lucro insculpido no artigo 43 do CTN. Além disso, a Recorrente cita algumas decisões e doutrinas pertinentes a esta eventual impossibilidade de tributação. Ocorre que no presente lançamento não foi tributada omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mas sim com base nos livros e guias de ICMS. Em uma simples compulsar dos autos, Verificase que no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 6730/6763, bem como nos Autos de Infração de fls. 6662/6729 a base de cálculo dos tributos lançados foi apurada considerandose os valores escriturados nos livros de entrada e de saída da empresa, conforme se vê nos demonstrativos de fls.6652 a 6654. Nesse sentido, foi constatado pela fiscalização, por meio das Guias de Informação e Apuração do ICMS do Estado de São Paulo (GIA) que a contribuinte declarou à Fazenda Estadual valores de vendas muito superiores àqueles declarados à Receita Federal. Com base nessas guias e nos livros de entrada e de saída da contribuinte foram apurados os valores omitidos que originaram o presente lançamento. Assim, todo o argumento levantado pela Recorrente não aplicase ao presente caso, uma vez que defendo algo diferente da autuação constantes nos TVF e AIs. Da Tributação Reflexa (CSLL, PIS e COFINS) Com relação aos autos de infração reflexos (PIS, Cofins e CSLL), sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito, até porque não foram trazidos pela impugnante argumentos específicos contra esses lançamentos. Nesse sentido, a Lei nº 9.249, de 1995, estabelece em seu art. 24 e § 2º: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) Fl. 6878DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 10 9 § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, há de se mantida a tribução de CSLL, PIS e COFINS nos mesmos termos acima transcritos. Da Multa de Ofício Qualificada de 150% A recorrente alega primeiramente que é indevida a aplicação de multa qualificada de 150%, tendo em vista o seu caráter confiscatório e inconstitucional, bem como que em seguida que não haveria a comprovação do dolo para por parte da Receita Federal. No que tange a parte confiscatória não há maiores comentários a serem aduzidos, tendo em vista que é disposição de lei, sendo que a regra é de 75% ou de 150% quando haja dolo ou fraude, e no mais o CARF não é o órgão competente para apreciar ou afastar a inconstitucionalidade de lei conforme a Súmula nº 02 do CARF (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por outro turno no que tange a comprovação do dolo/fraude, como anteriormente esclarecido, o presente lançamento trata da tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, sendo que omissão de receitas apurada com base nos livros de entrada e de saída da contribuinte e nas Guias de Informação e Apuração do ICMS do Estado de São Paulo (GIA) nas quais constavam receitas muito maiores do que as declarada em sede federal. Verificase que a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, mediante a utilização de subterfúgios que escamoteiem a ocorrência do fato gerador ou retardem o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ocorre que, o ponto primordial do presente caso seria que a Recorrente utilizouse de R$ 24.791.705,59 em notas fiscais inidôneas e vendeu notas fiscais de saída inidôneas, fatos estes comprovados no termo de representação fiscal de fls. 6608/6638, nos quais constavam as noticias da Operação “Escalpo”, bem como no laudo policial enviado para a fiscalização que comprovou a inidoneidade das notas fiscais ali elencadas. Tais condutas revelam a intenção de fraudar o Fisco, reputandose, portanto, aplicável ao caso à multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Fl. 6879DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13855.720392/201189 Acórdão n.º 1401001.180 S1C4T1 Fl. 11 10 Da Conclusão Por fim, diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o crédito tributário in totum. É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 6880DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO
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