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Numero do processo: 10283.907873/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual.
Numero da decisão: 1301-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 78 73 /2 00 9- 16 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 110 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 111 3 Relatório Cuidase do Recurso Voluntário de efls. 57/63 em face do Acórdão da DRJ/Belém de efls. 48/55 que, ao julgar a Manifestação de Inconformidade Improcedente, não reconheceu o direito creditório pleiteado e, também, não homologou a compensação tributária informada nos autos. Quanto aos fatos, consta: que, em 27/02/2008, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 19963.64977.270208.1.3.042469 (efls.02/05), informando compensação tributária: a) débitos informados (confessados): IRPJ Estimativa Mensal, código de receita 2362, PA janeiro/2008, data de vencimento 29/02/2008, R$ 49.813,19; CSLL Estimativa Mensal, código de receita 2484, PA janeiro/2008, vencimento 29/02/2008, R$ 7.807,52. b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 42.767,54. que o direito creditório R$ 42.767,54 (valor original) decorreu de pagamento, em parte, indevido ou a maior do IRPJ Estimativa Mensal do PA 30/06/2005, código de receita 2362, data de arrecadação 29/07/2005, valor do recolhimento R$ 99.100,42. Obs: (i) Cópia do DARF Recolhimento autenticado pelo Banco, valor R$ 99.100,42, PA 30/06/2005, pagamento 29/07/2005, código de receita 2362 (efl. 34).; (ii) Fragmento de DCTF, PA junho/2005, IRPJ, código de receita 2362, débito apurado e confessado R$ 21.450,04 (efl. 35); (iii) Valor original do crédito inicial: R$ 77.650,38. Crédito original utilizado na data da transmissão: R$ 42.767,54 (efl. 31). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) pela DRF/Manaus (efls. 06 e 28), denegando o direito creditório pleiteado. O valor do citado recolhimento, muito tempo antes da transmissão da DCOMP, já havia sido consumido ou utilizado, integralmente, para quitação de débito da Contribuinte, confessado em DCTF do próprio PA. Não restando crédito disponível. Obs: N° do PER/DCOMP inicial : 17609.91261.300807.l.3.042003. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do citado Despacho Decisório de 07/10/2009 (efls. 06 e 28), in verbis: (...) Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 112 4 Limite do credito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCONP: 42.767,54. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real. caso em me o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Ciente desse Despacho Decisório em 20/10/2009 (efl. 09), a Contribuinte, em 16/11/2009 apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 10/21), pedindo sua reforma, cujas razões, em síntese, são as seguintes, in verbis: que, a despeito da legitimidade do crédito pleiteado, a compensação objeto dos autos não foi homologada pelas DD. Autoridades Administrativas sob a alegação de que o crédito utilizado decorria de pagamento por estimativa mensal (caráter de mera antecipação) e deveria ser utilizada ao final do período de apuração; que, entretanto, o valor do IRPJ do período de apuração de junho/2005 efetivamente devido corresponde a apenas R$ 21.450,04 (vinte e um mil, quatrocentos e cinqüenta reais e quatro centavos). Cumpre ressaltar, inclusive, que esse é o valor constante da respectiva DCTF devidamente entregue na época às DD. Autoridades Administrativas; que a DCTF entregue representa uma confissão de dívida. Logo, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, nasce um crédito tributário. É exatamente essa a situação, ou seja, por um equívoco efetuou recolhimento de um valor muito superior àquele efetivamente devido; que efetuou a apuração com base em balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei 8981/95; que, entretanto, por erro de fato recolheu valor a maior mediante DARF; que esse fato deu origem a um crédito tributário no valor de R$ 77.650,38 (setenta e sete mil, seiscentos e cinqüenta reais e trinta e oito centavos), oriundo da diferença do valor inicialmente recolhido com aquele efetivamente devido, ou seja, valor recolhido R$ 99.100,42 () valor devido R$ 21.450,04 = RS 77.650,38 (valor pago a maior ou indevidamente); que essa diferença paga a maior ou indevidamente não foi utilizada para formação do saldo negativo; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 113 5 que a DD. Autoridade Administrativa fundamentou seu Despacho Decisório no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600/05; que, porém, não há na lei tal restrição (art. 74 da Lei 9.430/96) para não devolução imediata do valor recolhido indevidamente, quando sem relação com a base de cálculo constante do balancete de suspensão ou redução; que, caso se entenda, exista uma restrição para a compensação no mesmo anocalendário, a compensação realizada pela requerente respeitou esta limitação, uma vez que se efetivou em período subseqüente; que a compensação, aqui debatida, conforme demonstrado, foi realizada nos estritos termos da legislação vigente da época. A DRJ/Belém, em 09/09/2010, conforme Acórdão de efls. 48/55, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de devolução de imposto estimativa mensal por ter caráter de mera antecipação, pois apenas se devolve eventual existência de saldo negativo apurado no final do anocalendário (ajuste anual), cuja ementa, dispositivo e voto condutor transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO; IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2005 ESTIMATIVA MENSAL. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. Nos termos da legislação tributária, tanto os valores mensais apurados a partir da receita bruta como em função de balancete de redução, correspondem a estimativa mensal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. À época de transmissão da declaração de compensação era vedada a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal IRPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. (...) Voto (...) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 114 6 Já o art. 10 da INSRF460/2004 estabeleceu: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assim, notase que desde 29/10/2004, com a publicação no DOU da INSRF 460/2004, já existia a vedação para a utilização de credito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ em compensação. Em outras palavras, referido crédito somente pode ser utilizado, a partir de então, na dedução do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo do período. (...) Conclusão Isto posto, voto no sentido de não reconhecer o direito creditório referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, 2362, arrecadação 29/07/2005, no valor de RS 42.767,54 por expressa vedação da legislação e declaro nãohomologada a compensação. (...) Ciente desse decisum em 25/10/2010 (efl. 56), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/11/2010 (efls 57/63); pediu a reforma da decisão a quo, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a compensação pleiteada nestes autos não foi homologada pelas DD. Autoridades Administrativas sob a alegação de que o crédito utilizado decorria de pagamento por estimativa mensal, motivo pelo qual a compensação pleiteada somente poderia ter sido realizada ao final do período de apuração do IRPJ e da CSLL; que, apesar dos documentos previamente apresentados nos presentes autos (DARF, DCTF e etc.) serem mais do que suficientes para efetivamente comprovar a existência do crédito pleiteado, aproveita a ocasião para trazer também aos autos cópia da DIPJ (efls. 82/107) que, por sua vez, corrobora as informações constantes desses documentos, não deixando, portanto, qualquer dúvida quanto à legitimidade do crédito objeto desta lide; que o entendimento esposado pelas DD. Autoridades Administrativas, o qual, por sua vez, foi corroborado pela r. decisão de 1ª instância, é equivocado uma vez que está em sentido diametralmente oposto ao entendimento consubstanciado em decisões proferidas pelo antigo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, atual CARF; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 115 7 que o antigo Conselho de Contribuintes, ao realizar a análise de pedidos de compensação de estimativas mensais recolhidas indevidamente por contribuintes, veio a reconhecer a tese de que o montante que excede, ao apurado nos termos do que determina a Lei n°. 9.430/96, poderá ser compensado no curso do mesmo ano calendário; que esse entendimento é também externado pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF nos seus julgados; que, diante disso, requer seja o presente recurso recebido nos seus devidos efeitos legais inclusive para suspender a exigibilidade de todo e qualquer débito aqui discutido, uma vez que presentes os pressupostos gerais de admissibilidade e, ao final, ser julgado procedente para o fim de se reformar o v. acórdão recorrido, com o necessário reconhecimento da homologação das compensações aqui discutidas. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 116 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A Recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário (crédito). Compensação tributária de débitos próprios, vencidos ou vincendos: O sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento indevido ou a maior (CTN, art. 165). O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Lei 9.430/96, art. 74). Ônus probatório: No processo de compensação tributária, a Contribuinte é autora do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional para encontro de contas informado na de claração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de conta com débitos próprios vencidos ou vincendos objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 117 9 A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda pendente de ulterior verificação pelo Fisco, enquanto não decorrido o prazo para homologação expressa ou tácita. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a Recorrente quanto à produção de provas nos autos, simplesmente, assim ponderou: que, apesar dos documentos previamente apresentados nos presentes autos (DARF, DCTF e etc.) serem mais do que suficientes para efetivamente comprovar a existência do crédito demandado, aproveita a ocasião para trazer também aos autos cópia da DIPJ (efls. 82/107) que, por sua vez, corrobora as informações constantes desses documentos, não deixando, portanto, qualquer dúvida quanto à legitimidade do crédito objeto desta lide. Ora, a DIPJ e o DARF não têm o condão de provar o alegado erro de fato. É necessário cópia da escrituração contábil (livros Razão e Diário) e os documentos de suporte dos registros contábeis que possam comprovar, reafirmar, os valores constantes da DIPJ, pois essa declaração tem caráter meramente informativo (não tem caráter constitutivo). A contribuinte não juntou aos autos cópia do livro Diário e cópia do livro Razão, quanto à apuração do anocalendário 2005. Também não juntou cópia aos autos dos balancetes de suspensão/redução, nos termos do art. 35 da Lei 8.981/95, que estatui, in verbis: Art. 35.A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1ºOs balanços ou balancetes de que trata este artigo: a)deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b)somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) Entretanto, as decisões anteriores não enfrentaram, no mérito, a questão do erro de fato e a formação do direito creditório, bem como sua liquidez e certeza para encontro de contas com débitos confessados na DCOMP objeto dos autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/04, reite rado na IN SRFnº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 118 10 a vedação da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, ou depois, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, superado o óbice, necessária a comprovação do erro de fato; é condição sine qua non para configuração do pagamento indevido de estimativa mensal e repetição imediata do indébito tributário a demonstração, comprovação, do alegado erro de fato. Porém, como já demonstrado, o mérito da lide, matéria de fato, até agora, não foi julgado ou enfrentado pelas decisões anteriores. Ainda, sequer o processo está saneado, como já demonstrado alhures, necessitando instrução processual complementar. Para evitar prejuízo à defesa, supressão de instância de julgamento, entendo que os autos do processo devem retornar à Unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Manaus, para julgamento do mérito da lide, matéria de fato. Reiterando, a Recorrente tem o ônus de comprovar o fato constitutivo do seu direito alegado, ou seja, comprovar o pretenso erro de fato, para efeito de restituição da estimativa mensal paga indevidamente , mediante juntada de cópia de sua escrituração contábil (livros Diário e Razão) e Balancetes de suspensão/redução de que trata o art. 35 da Lei 8.981/95, devendo ser intimada para tanto para saneamento do processo, ou seja, complementação de provas. Caso a Contribuinte não comprove nos autos o alegado erro de fato, temse as estimativas pagas como mera antecipação de pagamento do imposto na forma da legislação de regência, podendo as antecipações do imposto somente ser utilizadas na declaração de ajuste anual para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo caso o somatório das antecipações supere o imposto apurado. Portanto, afastado o óbice, ou seja, é possível a devolução de pagamento indevido de estimativa mensal desde que comprovado o alegado erro de fato e desde que não utilizado ou computado o respectivo valor no saldo negativo do imposto (ajuste anual). Porém, no caso não há como analisar o mérito da lide nesta instância recursal, sob pena de supressão de instância de julgamento, pois as decisões anteriores não adentraram ao mérito quanto à matéria de fato. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10283.907873/200916 Acórdão n.º 1301003.233 S1C3T1 Fl. 119 11 a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, evitar supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, à DRF/Manaus para que proceda análise de mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte, retomandose, a par tir daí, o rito processual habitual. É o voto (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002171/2006-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa:
DESPESAS EXTEMPORÂNEAS
Só podem ser reconhecidas despesas registradas de forma extemporânea se o contribuinte comprovar que seu erro não causou prejuízo ao Fisco.
GLOSA DE EXPURGO INFLACIONÁRIO
Não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes reconhecida judicialmente tenha sido oferecida à tributação em anos anteriores.
DESPESAS INEXISTENTES
Uma vez comprovado pela autoridade fiscal que não ocorreram quaisquer das operações (aquisição, transporte, industrialização e exportação) com soja, todas as despesas a elas pertinentes devem ser glosadas.
Numero da decisão: 1401-002.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e dar provimento ao recurso de ofício restabelecendo a autuação quanto à parte exonerada pela decisão de piso. Com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a autuação: i) da glosa de despesas indedutíveis, relativas à oferta pública de ações - OPA; e ii) das glosas relativas ao expurgo IPC/BTNF..
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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TUBOS E CONEXOES e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: DESPESAS EXTEMPORÂNEAS Só podem ser reconhecidas despesas registradas de forma extemporânea se o contribuinte comprovar que seu erro não causou prejuízo ao Fisco. GLOSA DE EXPURGO INFLACIONÁRIO Não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes reconhecida judicialmente tenha sido oferecida à tributação em anos anteriores. DESPESAS INEXISTENTES Uma vez comprovado pela autoridade fiscal que não ocorreram quaisquer das operações (aquisição, transporte, industrialização e exportação) com soja, todas as despesas a elas pertinentes devem ser glosadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e dar provimento ao recurso de ofício restabelecendo a autuação quanto à parte exonerada pela decisão de piso. Com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a autuação: i) da glosa de despesas indedutíveis, relativas à oferta pública de ações OPA; e ii) das glosas relativas ao expurgo IPC/BTNF.. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 21 71 /2 00 6- 49 Fl. 5087DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Para as peças iniciais do feito, sirvome do relatório elaborado na decisão recorrida: Lavraramse contra a epigrafada autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004, conforme se vê de fls. 2.798 a 2.808 (IRPJ), 2.809 a 2.817 (CSLL), 2.818 a 2.824 (Cofins) e 2.825 a 2.831 (Pis) , respectivamente. Decorreram esses procedimentos da constatação de ter havido, naqueles períodos: a) custo dos bens ou serviços vendidos comprovação inidônea/apropriação indevida de créditos (IRPJ e CSLL/Cofins e Pis); b) custos, despesas operacionais e encargos não necessários (IRPJ e CSLL); c) bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa (IRPJ e CSLL); d) exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real (IRPJ e CSLL); e e) exclusões indevidas do lucro líquido do exercício (IRPJ e CSLL). Consta do Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, de fls. 2.658 a 2.797, o seguinte (destaques do original): Nos anoscalendário de 2003 e 2004, a empresa tributou seus rendimentos pelo Lucro Real, apresentando suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, cujas cópias foram anexadas às fls. 07 a 67 (Anocalendário 2003) e 73 a 125 (Anocalendário de 2004), bem como foram também anexadas cópias dos Livros de Apuração do Lucro Real LALUR, às fls. 68 a 72 (Anocalendário 2003) e 126 a 131 (Anocalendário de 2004). A empresa acima identificada é sediada em Joinville SC, possuindo filiais em diversos estados do Brasil, inclusive em Rio Claro São Paulo, sendo fabricante de artefatos de plásticos para uso na construção civil, principalmente tubos e conexões de plásticos, artefatos para drenagem, irrigação e outros. [...]. Dos exames efetuados na escrita contábil do contribuinte, nos anoscalendário de 2003 e 2004, restaram as infrações à legislação tributária a seguir descritas. 2. GLOSA DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS BENS DE NATUREZA DE ATIVO PERMANENTE [...]. Durante os anoscalendário de 2003 e 2004, conforme lançamentos contábeis a seguir re lacionados, bem como, das cópias dos documentos fiscais anexos, a empresa fiscalizada apropriou, como despesas operacionais, valores referentes a: 1 Investimentos no desenvolvimento de software; 2 Pinturas em prédios, revestimentos de pisos industriais, 3 Peças de reposição utilizadas de máquinas, reformas de máquinas e alteração em moldes industriais; 4 Aquisição de bombas hidráulicas e outros bens para Ativo imobilizado; 5 Serviços de pavimentação asfáltica, 6 Construções civis, etc. Fl. 5088DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.088 3 [...]. 3. DESPESAS INDEDUTÍVEIS A dedutibilidade dos custos e/ou despesas operacionais condicionase à observância das prescrições legais e regulamentares, quanto à sua escrituração e comprovação dos respectivos dispêndios. Sobre a dedutibilidade das despesas, são amplamente conhecidas as suas três condições essenciais para admissibilidade, quais sejam: necessidade, normalidade e usualidade: condições preponderantes para o reconhecimento fiscal das despesas ou custos. Os conceitos da necessidade ficam também condicionados a ser a despesa necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. [...]. Com efeito, a aplicação sistemática dessas normas leva à conclusão de que as despesas que não estejam revestidas dos predicados de usualidade e normalidade e que guardem uma natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora são indedutíveis. Em suma, é necessário que as despesas e/ou custos sejam consideradas despesas indispensáveis à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. (grifei) Não sendo dedutíveis para fins de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, os valores apropriados como despesas e/ou custos deveriam ter sido adicionados ao lucro líquido do exercício na determinação do Lucro Real de cada período, conforme dispõe o art. 249 do Decreto nº 3000/99, Regulamento do Imposto de Renda. Da mesma forma os valores indevidamente apropriados como despesas operacionais deveriam ter sido adicionado ao lucro líquido do exercício para fins de apuração da CSLL. [...]. 3.1 OFERTA PÚBLICA DE AÇÕES OPA Conforme consta da Ata da 328ª Reunião do Conselho de Administração da Tigre S/A. Tubos e Conexões, realizada em 10 de dezembro de 2002, cópia anexa às fls. 506 a 509, deliberou sobre o cancelamento do registro de Companhia Aberta da Companhia, mediante a Oferta Pública de Aquisição de Ações pela Companhia conforme os procedimentos estabelecidos na Instrução CVM nº 361, de 05 de março de 2002, em razão das ações da Companhia não serem negociadas na bolsa de valores e apresentarem baixa liquidez, não sendo, portanto, justificáveis os custos associados à manutenção da Companhia como companhia aberta. Ficou aprovado o cancelamento do registro e autorizada a Diretoria Executiva a tomar todas as providências necessárias à realização da OPA, incluindo, mas não se limitando, a contratação de instituição financeira intermediadora. [...]. Em 31/05/2003, a empresa contabilizou a compra de 7.154.101 ações referentes à Oferta Pública de Ações OPA, no valor total de R$ 258.191.505,09, sendo pagos o valor de R$ 58.091.654,95, e o restante no valor de R$ 200.099.850,14 (duzentos milhões, noventa e nove mil, oitocentos e cinqüenta reais e catorze centavos), a serem pagos em 05 (cinco) parcelas anuais, sendo devida a primeira parcela 1 (um) ano após a data da liquidação e as demais no mesmo dia dos anos subseqüentes. Previase ainda o pagamento de juros correspondentes a 100 (cem) por cento da taxa média diária dos depósitos interfinanceiros de um dia, denominada Taxa DI (over extragrupo) (‘TAXA DI’), expressa na forma percentual ao ano, base 252 dias úteis, calculada e divulgada pela CETIP. [...]. Isto posto, os valores lançados como despesas operacionais, conforme consta na contabilidade e cujos lançamentos estão a seguir discriminados e reproduzidos, referentes à Oferta Pública de Ações, cuja finalidade única foi de adquirir as ações que estavam de posse das empresas in vestidoras União de Comércio e Participações Ltda. (empresa pertencente ao Grupo Bradesco) e Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil PREVI, bem como de acionistas minoritários, com o propósito de se tornar uma Sociedade constituída por Ações de Capital Fechado, em nada beneficiou a empresa no que se refere a ser, os dispêndios realizados e apro priados, uma despesa necessária à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, bem como o gasto em nada contribuiu para a obtenção das receitas. Não se trata de um investimento para a empresa ou da empresa, e por conseguinte, não se revestindo de caráter de ser despesas usuais e necessárias para a manutenção da fonte produtora, conforme preceitos firmados e dispostos no art. 299 do Decreto nº 3.000/99, tornase evidente que se trata de uma despesa indedutível, e deveria ter sido adicionado ao lucro líquido na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. E portanto, por não serem despesas indispensáveis à atividade da empresa, que é a fabricação de artefatos de plásticos de uso na construção civil, e necessárias à manutenção da respectiva fonte Fl. 5089DF CARF MF 4 produtora, os valores apropriados como despesas operacionais referentes à operação de aquisição das próprias ações pela Tigre, nos anoscalendário de 2003 e 2004, foram consideradas como despesas indedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e portanto serão glosadas. (Grifei) 3.1.1 DESPESAS INDEDUTÍVEIS DESPESAS COM OFERTA PUBLICA DE AÇÕESOPA No anocalendário de 2003, a empresa apropriou como despesas operacionais, os valores dos acréscimos legais provisionados para pagamento das parcelas devidas às empresas União de Comércio e Participações Ltda. (empresa pertencente ao Grupo Bradesco) e Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil PREVI, pela aquisição de ações da própria empresa, operação com finalidade de cancelar o registro como Companhia Aberta. Os valores apropriados como despesas operacionais, constam apropriadas no item 36 (Outras Despesas Financeiras) da ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral (LR). Contabilmente a empresa no anocalendário de 2003, efetuou os lançamentos a débito nas contas de resultados 46252 CORRETAGENS E EMOLUMENTOS e 46074 JUROS S/FINANCIAMENTOS OUTROS, conforme abaixo discriminados, apropriando os valores referentes aos juros OPA: [...]. 3.1.2 DESPESAS INDEDUTÍVEIS DESPESAS COM OFERTA PÚBLICA DE AÇÕESOPA No anocalendário de 2004, a empresa apropriou como despesas operacionais, os valores dos acréscimos legais provisionados para pagamento das parcelas devidas às empresas União de Comércio e Participações Ltda. (empresa pertencente ao Grupo Bradesco) e Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil PREVI, pela aquisição de ações da própria empresa, operação realizada com a finalidade de cancelar o registro como Companhia Aberta. Os valores apropriados como despesas operacionais, constam apropriadas no linha 36 (Outras Despesas Financeiras) da ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral. Contabilmente, no anocalendário de 2004, a empresa efetuou os lançamentos a débito da conta de resultados 46074 JUROS S/FINANCIAMENTOS OUTROS, conforme lançamentos abaixo relacionados: [...]. 3.1.3 DESPESAS INDEDUTÍVEIS SERVIÇOS Advocacia Portugal Gouvea No anocalendário de 2003, o contribuinte deduziu, como despesas operacionais, conforme consta dos lançamentos contábeis a débito da conta de resultados 45022 ASSIST. TÉCNICA E ADM. do subgrupo de DF Administrativas, valores referentes a pagamentos efetuados à ADVOCACIA PORTUGAL GOUVEA. Lançamentos constantes na escrituração fiscal: [...]. Considerando o disposto no art. 299, e parágrafos, do Decreto nº 3.000/99, e visto que as despesas apropriadas referentes a ADVOCACIA PORTUGAL GOUVÊA são referentes a serviços de assistência jurídica prestados na realização da operação OPA Oferta Pública de Ações, e, portanto, consideradas como despesas indedutíveis por não serem necessárias à atividade da em presa e à manutenção da respectiva fonte produtora, os valores serão glosados e, por conseguinte, adicionados ao lucro líquido do período na apuração do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL. [...]. 3.1.4 DESPESAS INDEDUTÍVEIS SERVIÇOS Zaliplan e Runner. Conforme consta da escrituração contábil do contribuinte, no anocalendário de 2003, foi apropriado, como despesas operacionais, na conta de resultados 45022 ASSIST. TÉCNICA E ADM. do subgrupo de DF Administrativas, conforme lançamentos contábeis abaixo discriminados: [...]. Isto posto, e considerando que os valores lançados como despesas operacionais, lançados a débito da conta de resultados 45022 ASSIST. TÉCNICA E ADM. do subgrupo de DF Administrativas, no valor total de R$ 16.000.000,00 (Dezesseis milhões de reais), são considerados despesas indedutíveis, por não serem necessárias às atividades da empresa e à manutenção da fonte pro dutora, nos termos dispostos no art. 299, e parágrafos, do Decreto nº 3.000/99, e não tendo sido adicionados para fins de apuração do Lucro Real e da base de Cálculo da CSLL, estes serão glosados como despesas e adicionados ao lucro líquido do exercício na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL. [...]. 4. DESPESAS INDEDUTÍVEIS Serviços de Consultoria [...]. Consta no anocalendário de 2003, lançamentos a débito da conta de resultados 45022 ASSIST. TÉCNICA E ADM. do subgrupo de DF Administrativas, conforme abaixo discriminados: [...]. Fl. 5090DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.089 5 Intimado a apresentar os contratos firmados entre a Tigre a empresa Fabiani Empreendimentos SC Ltda., a empresa apresentou as cópias anexas às fls. 409 a 411. Por este documento a referida empresa foi contratada para prestar consultoria relativamente a: “Desenvolvimento do projeto de Desenvolvimento Empresarial Tigre, composto pelas seguintes etapas: Estruturação do projeto, Lançamento do projeto, Análise da posição estratégica, Detalhamento da Estratégia, Definição e Validação das mudanças, Alinhamento do comportamento da direção, Implantação e Mobilização.” [...]. Isto posto e visto que os serviços prestados pela consultoria Fabiani, vieram a beneficiar mais de um exercício, e que os serviços prestados pela mesma foram no sentido de reestruturação, reorganização ou modernização da empresa, conforme demonstram os documentos e respostas às intimações anexas, tornase evidente que não se trata de despesas do anocalendário de 2003 somente. O dispêndio realizado deveria ter sido contabilizado em conta de Ativo Diferido para amortização nos períodos subseqüentes, até porque o mesmo beneficia a empresa em mais de um período. Assim sendo, o valor contabilizado como despesas operacionais do anocalendário de 2003, será glosado e adicionado ao lucro líquido do exercício na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL. 5. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO [...]. 5.1 Exclusão do lucro líquido AC. de 2004 Valor de R$ 18.537.363.16 Conforme consta do Livro de Apuração do Lucro Real, docs. de fls. 126 a 131, no anocalendário de 2004, a empresa Tigre excluiu indevidamente o valor de R$ 18.537.363,16 com o histórico “Compensação Juros PAES 2003 (Limitado a 30 % do lucro líquido)”. [...]. Conforme demonstra a escrituração contábil, os valores referentes aos tributos e contribuições, juros de mora e multas de mora referentes aos Autos de Infração inclusos no PAES, e anteri ormente não contabilizados, foram lançados diretamente contra uma conta de patrimônio líquido, sem que nenhum desses valores interferisse na apuração do lucro líquido do anocalendário de 2003, até porque os valores referiamse a períodos anteriores. Tal procedimento está de acordo com o disposto na legislação então vigente. Ocorre que no anocalendário de 2004, a empresa resolveu excluir do lucro líquido do exercício, para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, o valor de R$ 18.537.363,16, conforme consta do LALUR e da memória de cálculo da CSLL, valor este que já havia sido lançado contabilmente contra contas do patrimônio líquido no anocalendário anterior. [...]. O saldo de juros de mora, lançados a débito da conta de Patrimônio Líquido em 2003, foi, em 2004, excluído parcialmente, no valor de R$ 18.537.363,16, via LALUR. Os tributos não pagos no seu vencimento são acrescidos de juros, de multa e da correção monetária, conforme definidos em lei. E, portanto, o seu montante incorrido até a data de encerramento de cada um dos períodosbase, é perfeitamente mensurável pelo contribuinte. Desta forma, ainda que o contribuinte não tenha contabilizado anteriormente o Auto de Infração, antes mesmo do pedido de parcelamento no PAES, a empresa poderia perfeitamente mensurar quais os valores competiam a cada um dos períodos anteriores e quais os valores incorridos no períodobase de 2003, até porque os juros e atualizações monetárias são estabelecidos e exigidos conforme impõe a legislação tributária. Conforme anteriormente mencionado, a empresa excluiu, via LALUR, parte dos valores que, no anocalendário de 2003, haviam sido lançados contabilmente em contrapartida de conta de Patrimônio Líquido conta 24405 LUCROS ACUM. APOS 010196, reduzindo, com isto, o lucro líquido do exercício (sic) de 2004, para fins de apuração do Lucro Real e base de cálculo da CSLL. Conforme anteriormente descrito, os valores apropriados durante o anocalendário de 2003 não influenciaram o lucro líquido do período, na medida que foram transferidos diretamente à conta de Lucros acumulados de períodos anteriores conta do Patrimônio Líquido. Os valores excluídos no anocalendário de 2004, no montante de R$ 18.537.363,16, referemse a juros de períodos anteriores a 2003, incidentes sobre tributos exigidos através de Auto de Infração e incluídos no PAES. [...]. O valor de juros referentes a anoscalendário anteriores, lançados diretamente em contrapartida da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados de períodos anteriores a 2003, não interferindo a apuração do Lucro Real do anocalendário de 2003, estava de acordo com o que determina o § 4º do art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, matriz legal do § 2º do art. 247 do Decreto nº 3000/99. Fl. 5091DF CARF MF 6 Não cabe a exclusão, do lucro líquido do anocalendário de 2004, de valores referentes a outros anoscalendário, cujo diferimento a legislação não permite e, nem tampouco, a exclusão de valores não computados nos resultados do próprio período. Isto posto, e tendo em vista que o contribuinte excluiu indevidamente o valor de R$ 18.537.363,16, reduzindo, com isto, o lucro líquido do período, o valor será glosado e adicionado para fins de apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL. [...]. 5.2 EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO Anocalendário de 2004 Valor de R$ 41.245.000.00 ref. IPC 89 Conforme consta do Livro de Apuração do Lucro Real, docs. de fls. 126 a 131, no anocalendário de 2004, a empresa Tigre excluiu o valor de R$ 41.245.000,00 (Lalur anexo às fls. 127, com histórico de “IPC 89”). [...]. Conforme consta na planilha de fls. 590 e 592, a empresa procedeu e utilizou, como exclusão do lucro líquido para fins de apuração do Lucro Real e base de cálculo da CSLL, os valores calculados até 31.08.95, de conformidade com o que pleiteava através de ação judicial 94.00155387, em trâmite na 4ª Vara judicial do Distrito Federal, na qual se discutia a utilização de índices de correção monetária (Plano Verão). [...]. Em síntese, a Justiça Federal reconheceu o direito do contribuinte de utilizar a dedução fiscal do saldo devedor de correção monetária do balanço das bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no percentual de 35,58 % no períodobase mensal em que foram apuradas defasagens entre os índices oficiais e reais de inflação. (grifei) Cabe lembrar que a CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO tinha por finalidade expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto em cada períodobase, não sendo admitida à pessoa jurídica utilizar nenhum procedimento de correção monetária das demonstrações financeiras que descaracterizassem os seus resultados (lucro líquido), com a finalidade de reduzir a base de cálculo dos tributos ou, então, postergar o seu pagamento. À época, estavam obrigadas a proceder à correção monetária das contas do ativo permanente e do patrimônio líquido, todas as pessoas jurídicas contribuintes do imposto de renda, tributadas com base no Lucro Real. [...]. Isto posto, caberia às empresas autorizadas a assim proceder, a refazer toda a apuração dos saldos da conta de resultado da Correção Monetária de Balanço, incluindo o percentual autorizado judicialmente. Os efeitos futuros, que a empresa alega ter direito, somente poderão ser reconheci dos se tivessem sido refeitos todos os cálculos de correção monetária de balanço dos períodos posteriores. [...]. Concluise, aí, que os saldos devedores ou credores apurados têm uma relação direta com os valores do Patrimônio Líquido da empresa, pois o saldo gerado em um período tem um reflexo direto na apuração do saldo de correção monetária do período seguinte, pois o saldo devedor apu rado em um período diminui o Patrimônio Líquido da empresa e o saldo credor aumenta o Patri mônio Líquido, gerando, em conseqüência, maiores saldos credores ou devedores na apuração da correção monetária de balanço de períodos seguintes. De uma maneira mais simples, os valores do Ativo, e suas depreciações e/ou amortizações, não estariam atualizados monetariamente, podendo acarretar um lucro fictício quando de sua venda. De mesma forma, o valor do Patrimônio Líquido da empresa também não estaria refletindo os valores não contabilizados. Ora, a inclusão do índice, somente reconhecido através de medida judicial, altera todos os cálculos da correção monetária, pois todos os valores envolvidos serão corrigidos, em todas as contas cuja correção seja necessária, inclusive as contas do Patrimônio Líquido, que deverão contabilizar os eventuais saldos credores e devedores de correção monetária. Não há como reconhecer, como sendo autorizada judicialmente, a aplicação do índice de correção monetária, sem que se refaçam todos os cálculos sobre todos os períodos nos quais a correção monetária de balanço é devida, e sobre todos os bens sujeitos à correção, isto é, sobre todas as contas do Ativo Permanente e do Patrimônio Líquido, a partir da época autorizada a efetuar a correção monetária reconhecida judicialmente, (no caso, os existentes em janeiro de 1989), período no qual foi autorizado judicialmente a apropriarse do índice IPC. Desta forma, deveria a empresa incorporar o índice de correção monetária de balanço autorizado judicialmente e refazer os cálculos de todos os cálculos da CMB dos períodos posteriores e considerar, também, as alterações no Patrimônio Líquido em função dos saldos credores ou deve dores resultantes. Fl. 5092DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.090 7 Fica evidente que a Tigre, conforme demonstrativos anexos (planilhas) às fls. 567 a 589, 633 a 638, e resposta à intimação acima reproduzida, não efetuou a correção monetária sobre todas as contas sujeitas à correção monetária, bem como não retificou as apurações da conta Correção Monetária de Balanço dos períodos subseqüentes, para a apuração dos ditos “efeitos futuros”. [...]. Conforme se constata nas planilhas de cálculo para a apuração das diferenças de valores do IPC 89, a empresa considerou somente as contas que, em 31/08/95, ainda constavam saldos e, sobre a diferença entre o Ativo Permanente menos Depreciações/Amortizações e os valores constantes no Patrimônio Líquido, apurou a diferença, recalculando e apropriando o índice questionado judicialmente. Não se dispôs a empresa a calcular efetivamente sobre a diferença de correção monetária existente em 1989, entre o índice oficial e o índice pleiteado judicialmente e suas posteriores repercussões, ou seja, calculou separadamente os valores, ao invés de incorporar o índice autorizado judicialmente aos índices oficiais de cálculo da correção monetária de balanço. Em 1995, os valores do recálculo não foram contabilizados e, somente a diferença apurada pela empresa foi utilizada como exclusão do lucro líquido, conforme consta dos demonstrativos acima. Contabilmente, os valores apurados não foram, em nenhum momento, reconhecidos patrimonialmente, somente fiscalmente, diminuindo o valor de IRPJ e CSLL a pagar. Em 2003, passados alguns anos do recálculo inicial, outros bens do Ativo Permanente já haviam sido baixados e, novamente, a empresa apurou nova diferença entre o valor do Ativo Permanente remanescente em 2003 e o valor do Patrimônio Líquido e, novamente, foi utilizado parte do valor como exclusão do lucro líquido, no anocalendário 2004, na apuração do Lucro Real e da base de Cálculo da CSLL. [...]. Isto posto, conforme consta das decisões administrativas acima, bem como das decisões judiciais anexadas, fica caracterizado que, em momento algum, foi homologado qualquer dos cálculos que o contribuinte alega ter sido. Ademais, por infração aos mesmos dispositivos legais e mesma forma de procedimento, havia sido o contribuinte autuado, conforme cópias dos processos anexados às fls. 734 a 906, anexado pelo próprio contribuinte. [...]. Isto posto, e considerando que o contribuinte deixou de cumprir o que judicialmente estava previsto, e por ter utilizado procedimentos que descaracterizaram a correção monetária de balanço autorizada judicialmente, conforme decisão judicial transitada em julgado, será glosado o valor de R$ 41.245.000,00, utilizado como exclusão do lucro líquido do anocalendário de 2004. Além do mais, só poderá ser excluído do lucro líquido valores reconhecidos contabilmente. [...]. 6. OPERAÇÃO SOJA No final do ano de 2003, muitas empresas comerciais e industriais foram procuradas por pessoas que se apresentaram como sendo “consultores tributários”, oferecendo a elas serviços de assessoria com vistas à obtenção de redução de carga tributária por meio de “direitos a créditos de ICMS, IPI, PIS e COFINS”. Cuidase daquilo que, no mercado de commodities, se denomina “performance de exportação”, independentemente de as empresas atraídas para o negócio atuarem em ramos de atividade econômica totalmente diferentes do que é proposto. [...]. O funcionamento do esquema compreende, na perspectiva do planejamento tributário proposto, três operações básicas: 1. Aquisição da soja em grãos da empresa SANTA CRUZ INDUSTRIAL COMERCIAL AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA., FILIAL DE Cuiabá (MT); 2. Remessa da soja em grãos adquirida para industrialização nas empresas Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura, Sperafico da Amazônia S/A e Sperafico Agroindustrial Ltda.; 3. Venda com fins específicos de exportação dos produtos industrializados da soja (óleo e farelo de soja) para empresas atuantes no comércio exterior, no caso a empresa Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro CANORP e Axis Coml. Importadora e Exportadora Ltda. [...]. Aos mentores, isto é, às assessorias cabia a incumbência de executar as providências necessárias à contabilização das operações, ou seja, planejamentos referentes aos documentos de “fornecimentos” da soja em grãos, sua “industrialização” e posterior “venda” dos produtos indus trializados para exportação. Aos beneficiários cabia somente a implementação das obrigações acessórias previstas na legislação tributária, tais como, emitir os documentos fiscais, dar entradas e saídas nos referidos “produtos”, apropriação na contabilidade, etc. Fl. 5093DF CARF MF 8 [...]. No período de dezembro de 2003 a dezembro de 2004, a fiscalizada, empresa Tigre S.A. Tubos e Conexões, indústria tradicional e conhecida nacionalmente pela produção de artefatos de plásticos para uso na construção civil (tubos e conexões), passou a contabilizar operações de aquisição de soja em grãos, industrialização dos mesmos e posterior venda dos produtos resultantes (farelo e óleo de soja) a determinadas empresas com fins específicos de exportação, conforme consta em sua escrituração contábil e fiscal, bem como de documentos fiscais emitidos, recebidos e contabilizados. Todas as operações referentes à soja foram efetuadas pela filial da empresa Tigre situada em RIO CLARO SP, cadastrada no CNPJ sob o nº 84.684.455/007176, desde a aquisição do produto, as remessas para industrialização, o recebimento simbólico dos produtos industrializados e a venda dos produtos com fins de exportação, constando, ainda, da escrituração contábil da empresa a escrituração fiscal da filial de Rio Claro. Os documentos referentes a pagamentos efetivos efetuados pela TIGRE indicam que somente houve um real desembolso em relação às operações registradas como serviços de industrialização por encomenda, os pagamentos efetuados decorrentes da diferença de valores entre o valor de aquisição da soja em grãos e o valor das vendas do produto com fins específicos de exportação, bem como aquelas constantes das notas fiscais de serviços de gerenciamento, acompanhamento e armazenamento. Nas demais operações de aquisição de grãos de soja, conforme consta nos Contratos de Compra e Venda de Grãos de Soja, os pagamentos do produto seriam, como de fato constam na contabilidade, pelo fornecimento das duplicatas que a TIGRE emitiu ou emitiria contra os clientes adquirentes dos produtos industrializados extraídos da soja, cláusula constante nos contratos anteriormente referidos, antes mesmo da industrialização e venda dos derivados e antes de ser concluída quaisquer das operações. Embora registradas como sendo operações de natureza comercial, tendo sido emitidas notas fiscais de compra e venda de produtos, a TIGRE não agregou nenhuma margem de lucro às mesmas, tendo vendido os produtos resultantes da industrialização da soja em grãos (óleo e farelo de soja) praticamente pelo mesmo valor pelos quais efetuou a aquisição original. Em algumas operações realizadas a partir de junho de 2004, a TIGRE efetuou pagamentos complementares, visto que o valor da aquisição da soja em grãos foi superior ao da venda dos produtos industrializados, gerando prejuízo na operação, se não forem considerados os efeitos dos créditos tributários apropriados. [...]. 6.2 DOS CONTRATOS FIRMADOS ENTRE A TIGRE E A GLOBALBANK Em 15 de dezembro de 2003, a empresa Tigre S.A. Tubos e Conexões (CONTRATANTE), filial de Rio Claro, cadastrada no CNPJ sob o nº 84.684.455/007176, firmou com a empresa GLOBALBANK CONSULTING LTDA. (CONTRATADA) cadastrada no CNPJ sob o nº 03.068.134/000132, o “CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA TRIBUTÁRIA PARA AQUISIÇÃO DE PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO”, docs. de fls. 914 a 918. [...]. Resta cristalino que, por este contrato, a empresa Tigre S.A. contratou uma “assessoria”, cujo objeto era participar de operações tendo como objetivo final o aproveitamento de “créditos fiscais”, recebendo desta, as informações necessárias para a realização da operação. Verificase, de antemão, que, conforme consta da Cláusula Terceira Preços e Condições, que os próprios honorários serão em função dos ganhos auferidos pela TIGRE, decorrentes das apropriações dos créditos fiscais. [...]. Cabia à TIGRE, somente disponibilizar os documentos fiscais (emitir as notas fiscais quando necessárias) e registrar contabilmente as operações, conforme orientações da empresa contratada (GLOBALBANK). [...]. Nas planilhas referidas nos contratos, estão discriminados todos os valores que serão envolvidos no decorrer da operação, inclusive os pagamentos a título de honorários e, principalmente, os ganhos que serão auferidos pelo participante (valores dos créditos possíveis de se aproveitar) antes mesmo de a operação ser concretizada com a venda dos produtos que ainda seriam industriali zados. A planilha representa todo o histórico de cada operação, onde é demonstrado antecipadamente todo o ganho a ser obtido na “operação de performance”. Conforme resposta à Intimação, a Tigre efetuou os seguintes lançamentos contábeis a esse título, na conta de resultados 45022 ASSIST. TÉCNICA E ADM., os valores abaixo discriminados, docs. de fls. 919 a 932 e 959 a 969, discriminando os valores a serem pagos à GLOBALBANK e à Fl. 5094DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.091 9 empresa de consultoria Deloitte, empresa de consultoria contratada para análise técnica e revisões fiscais: [...]. Qualquer consideração acerca da dedutibilidade, tipicidade ou necessidade de despesas operacionais, efetivamente comprovadas, deve ser precedida de uma verificação do direito apli cável à espécie. [...]. [...]. Em razão de que os dispêndios efetuados pela Tigre, referentes à contratação da assessoria prestada pela Globalbank, para participar de um esquema de evasão fiscal, através de um plane jamento tributário para a obtenção de créditos tributários, não ser necessário para a atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, os valores pagos à Globalbank e Deloitte, serão glosados para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Portanto, o valor a ser glosado, a título de despesas operacionais, é no montante de R$ 1.916.277,06, que corresponde à diferença entre o valor de R$ 2.058.177,06 e o valor indevida mente excluído (sic) do lucro líquido na apuração do lucro real, de R$ 141.900,00. [...]. 6.3. DOS CONTRATOS FIRMADOS PARA CADA UMA DAS OPERAÇÕES [...]. 6.3.2. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE GRÃOS DE SOJA [...]. Outro aspecto bastante atípico nestes contratos é de que, em todos os contratos de aquisição da soja, constam que os pagamentos das mesmas serão efetuados com a entrega das duplicatas a serem emitidas quando de uma possível venda (antes mesmo de saber a quem seria vendido e em quais condições seriam vendidos), dando a empresa VENDEDORA (SANTA CRUZ) total quitação, sem direito a reembolso ou indenização na hipótese de tais títulos não serem honrados pelos respectivos sacados, somente pelo recebimento da duplicata, independentemente de quem for o cliente, bem como quais forem os prazos, assumindo, ainda, todo prejuízo no caso de inadimplência. [...]. 6.3.4. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE SOJA EM GRÃOS. [...]. Embora os contratos tenham, como partes interessadas, empresas contratadas diferentes, os mesmos possuem formatos semelhantes e contêm as mesmas cláusulas, dentre as quais destaco: [...]. 6.3.5. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE FARELO DE SOJA PARA EXPORTAÇÃO [...]. Os contratos, embora firmados com empresas diferentes, possuem as mesmas cláusulas, exceto as que definem as quantidades vendidas/adquiridas ou o preço tratado. [...]. O item 6.1 mostra mais uma impropriedade do contrato, haja vista que, nestes, não existem CONTRATADO ou CONTRATANTE, até porque seria um contrato onde deveriam somente constar VENDEDOR e COMPRADOR. Talvez o problema seja copiar e colar de um contrato para outro, pois essa cláusula repetese em outros contratos já citados. Outro tópico interessante a ser ressaltado é que a responsabilidade pelo peso e qualidade dos produtos transacionados é sempre do ADQUIRENTE, ficando evidente que a empresa TIGRE não seria responsabilizada de nenhuma forma. 6.3.6. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ÓLEO DE SOJA PARA EXPORTAÇÃO [...]. Os contratos, embora firmados com empresas diferentes e aparentemente sem relação entre elas, possuem as mesmas cláusulas, exceto as que definem as quantidades vendidas/adquiridas ou o preço tratado. [...]. O item 6.1 mostra mais uma impropriedade do contrato, haja vista que, nestes, não existem CONTRATADO ou CONTRATANTE, até porque seria um contrato onde deveriam somente constar VENDEDOR e COMPRADOR. Talvez o problema seja copiar e colar de um contrato para outro, pois essa cláusula repetese em outros contratos já citados, sempre procurando isentar a TIGRE de qualquer responsabilidade. Outro tópico interessante a ser ressaltado é que a responsabilidade pelo peso e qualidade dos produtos transacionados é do ADQUIRENTE. Fl. 5095DF CARF MF 10 6.4. ANÁLISE DOS CONTRATOS FIRMADOS PARA A OPERAÇÃO DE PERFORMANCE Analisando os contratos firmados em todas as operações em todas as etapas referentes à compra, industrialização e venda da soja, constatamse algumas cláusulas peculiares, que, normalmente, em operações comerciais, não são comuns em contratos mercantis. Senão, vejamos: 1 Todos os contratos foram elaborados de tal forma que a empresa TIGRE não tivesse que se preocupar com nenhum dos detalhes inerentes às operações de aquisição, transporte, remessas para industrialização, aonde industrializar a soja, a quem vender, e, principalmente, não tinha a empresa TIGRE que se preocupar com o recebimento da venda ou o pagamento da soja adquirida, até porque a aquisição era “paga” com as duplicatas emitidas na venda dos produtos, dando total quitação, sem qualquer direito a reembolso ou indenização no caso de não ter sido honrado o compromisso, antes mesmo de se saber a quem seria vendida, etc; 2 No período de dezembro/2003 a maio de 2004, a Tigre contratou os serviços de transporte da empresa Santa Cruz e, a partir de então, adquiria os produtos que seriam encaminhados diretamente à empresa que iria industrializar o produto, ou seja, a TIGRE não se preocupava com o transporte; 3 Todos os contratos foram lavrados com cláusulas que isentassem a empresa TIGRE de toda e qualquer responsabilidade, especialmente as de ordem tributária; 4 Nos contratos nos quais a TIGRE é COMPRADORA, ou mesmo quando a mesma é VEN DEDORA, existem sempre cláusulas que sempre beneficiam a empresa, conforme podemos citar: [...]. Como se pode notar, todos os contratos procuram sempre isentar a empresa TIGRE de toda e qualquer responsabilidade de ordem tributária, evidenciando que o objetivo de se fazer constar tais cláusulas é de aparente segurança quanto às exigências fiscais que forem impostas pelas Fazendas Públicas, tanto federais, estaduais ou municipais, com relação às operações em questão. [...]. Observase, ainda, que a numeração dos contratos é sempre seqüencial para as operações realizadas no mês, ainda que as partes envolvidas sejam outras, inclusive outras atividades e em presas estabelecidas em outros estados. Seria seqüência de numeração de qual empresa? Apenas os contratos firmados com a empresa Santa Cruz Industrial Comercial Agrícola e Pecuária Ltda. trazem um cabeçalho com, aparentemente, o logotipo da empresa. Quanto aos demais contratos, não têm qualquer timbre ou marca ou logotipo de empresa. [...]. 6.7. DOS DOCUMENTOS FISCAIS DA CANORP E AXIS APRESENTADOS PARA EMBARQUE E EXPORTAÇÃO. No decorrer das verificações fiscais realizadas pelos Fiscos, foram apreendidas as primeiras vias dos documentos fiscais apresentados pelas empresas CANORP e AXIS como documento anexo aos Registros de Exportação para o embarque dos produtos para o exterior, cujas cópias constam anexo às fls. 1.415 a 1.448. As cópias das 1ªs vias dos documentos fiscais encaminhadas pela CANORP e AXIS à Tigre constam anexas às fls. 1.449 a 1.487. Há diversas discrepâncias entre as vias apresentadas pelas empresas exportadoras à Tigre e a via apresentada pela empresa EXPORTADORA como documento anexo aos Registros de Exportação. Da análise de cada operação, verificouse que, efetivamente, havia uma exportação realizada de produtos, farelo de soja e/ou óleo de soja, regularmente adquirida no mercado interno e efeti vamente exportada. Esta exportação teve seu documento fiscal “clonado” e utilizado de tal forma que fizesse constar que o participante da operação proposta pela GLOBALBANK fosse o forne cedor do produto. Isto é facilmente constatado se comparados os descritos no corpo da nota fiscal. [...]. 6.8. RELAÇÃO DE TODOS OS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO DA AXIS E CANORP DURANTE O ANO DE 2004. Às fls. 1.610 a 1.620 anexei o relatório denominado de RELAÇÃO DE TODOS OS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO existentes no sistema SISCOMEX no ano de 2004, em nome da empresa COOPERATIVA AGRÍCOLA NORTE PIONEIRO, CNPJ 77.479.442/000197. Às fls. 1.621 a 1.627 anexei o relatório denominado de RELAÇÃO DE TODOS OS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO existentes no sistema SISCOMEX no ano de 2004, em nome da empresa AXIS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA. CNPJ 01.626.210/000152. Conforme era de se esperar, no sistema de comércio exterior não consta nenhum documento de exportação das empresas COOPERATIVA AGRÍCOLA NORTE PIONEIRO, CNPJ 77.479.442/000197 e AXIS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA. CNPJ 01.626.210/000152, que faça menção de que os produtos exportados foram recebidos da empresa TIGRE S.A. TUBOS E CONEXÕES. (grifei) 6.9. DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS NA OPERAÇÃO. Fl. 5096DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.092 11 As operações de aquisição (soja em grãos), industrialização e venda com fins específicos de exportação (farelo de soja e óleo de soja) dos produtos adquiridos da TIGRE, simplesmente não ocorreram, conforme demonstram os fatos a seguir relatados. 6.9.1 Santa Cruz Industrial Comercial Agrícola e Pecuária Ltda. A empresa indicada nos documentos fiscais como sendo a principal e única fornecedora de soja em grãos, a SANTA CRUZ/MT, para a TIGRE, não tinha soja para vender nas quantidades constantes na nota fiscal, pois não sendo produtora de grãos deveria ter adquirido no mercado os produtos, o que comprovadamente não ocorreu. [...]. Outros documentos anexos demonstram claramente que a SANTA CRUZ não possuía soja para vender na quantidade que existe nos documentos fiscais, pois, afora as aquisições de pequena monta ocorridas em agosto, são totalmente fictícias as operações de compra retratadas nos documentos levados a registro no Livro de Entradas do estabelecimento. Se entradas por compra não há, igualmente não poderiam ter ocorrido saídas por venda, como também não tem o estabelecimento da SANTA CRUZ condições para armazenamento do produto em suas dependências ou em outro imóvel locado, ou, comprovado os transportes do produto. (grifei) Em resumo, fica evidente que a Santa Cruz/MT, não possuía soja para vender e nem tampouco a adquiriu, conforme se comprova através dos documentos anexados. Em algumas notas fiscais de venda dos produtos à Tigre, constam que as mercadorias ficariam depositadas no estabelecimento vendedor, ou seja, dentro de uma sala, no sétimo andar de um edifício, ser viria de depósito para algumas toneladas de soja. (grifei) Segundo documentos apreendidos na Rubi S/A, e efetuado levantamento das placas dos veículos transportadores das supostas cargas enviadas pela Santa Cruz/MT junto ao Detran/SP, ficou comprovado que grande quantidade de veículos sequer possuía capacidade de carga para transportar a mercadoria discriminada no documento fiscal. Foram também encontradas placas de veículos tipo “kombi”, “vans”, “ônibus”, “passeio”, etc. Portanto, fica comprovado que transporte de soja em grãos para industrialização não houve. 6.9.2 Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura. [...]. Ficou comprovado na diligência fiscal feita pelo fisco estadual que a RUBI não recebeu e nem tampouco industrializou soja em grãos, cujo suposto fornecedor da soja em grãos tenha sido a empresa Santa Cruz Industrial Comercial Agrícola e Pecuária Ltda., com matriz em So bradinho/DF e filial em Cuiabá/MT, por conta e ordem da TIGRE. (grifei) 6.9.3 Sperafico da Amazônia S/A [...]. Isto posto, e considerando todo o acima disposto no relatório, é de se concluir que a SPERAFICO não recebeu e nem tampouco industrializou soja em grãos recebidos da empresa SANTA CRUZ diretamente ou por conta e ordem de terceiros. 6.9.4 Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro CANORP. [...]. Das CONCLUSÕES do relatório temos: “... A Cooperativa não possuía, à época da diligência, ou seja, em março de 2005, equipamentos para industrializar a soja ou a canadeaçúcar, estoques de soja, nem tanques apropriados para armazenagem de óleo de soja. Paralelo a isto, o próprio fisco estadual do Paraná, em trabalhos de auditoria no contribuinte, informa que não há circulação física de mercadorias pelos seus depósitos, que as operações são escriturais e a empresa tem usado benefícios fiscais para exportação. Além de dificultar a ação do fisco, essa triangulação de documentos por vários estados pode explicar, também, o pequeno número de funcionários da Cooperativa, a ausência de estoques e a aparência de pouca utilização do local”. 6.9.5 Axis Comercial Importadora e Exportadora Ltda. [...]. Consta do Relatório de Diligências Fiscais e Análise Documental 2a Parte e documentos anexos, docs. de fls. 2.440 a fls. 2.639, que teve por objeto o exame dos documentos apreendidos, que: [...]. 4.1 De todas as irregularidades encontradas no conjunto comercial da Av. Roque Petroni Jr., nenhuma se compara, pela contundência, àquela que constitui a maior prova de dolo e má fé explícita dos “planejadores tributários” abrigados à sombra da MASTER CONSULTORIA TRIBUTÁRIA S/C LTDA. , que ocupa, como já notado, o mesmo espaço físico da AXIS COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA.: o procedimento de duplicação das notas fiscais de exportação. Fl. 5097DF CARF MF 12 4.2 Como sabido, a Axis recebe mercadorias das empresas beneficiárias no esquema para o fim específico de exportação. Mas como todas as operações anteriores são fictícias, a rigor não haveria o que exportar. Qual, então, a estratégia implementada pelos “planejadores tributários”? Em termos objetivos, tal estratégia consiste na simulação de uma operação de exportação, em paralelo a uma operação real, conforme será adiante detalhado. 4.3 A operação real de exportação tem por origem o farelo e o óleo bruto de soja produzidos pela ADM DO BRASIL LTDA., CNPJ 02.003.402 (básico), empresa por demais conhecida no mercado de soja, com filiais em diversos estados, e que figura dentre as maiores exportadoras do produto no país. Em outras palavras, a Axis trabalha em parceria com a ADM, dela adquirindo derivados de soja com a finalidade específica de exportação. 4.4 Com efeito, inúmeras notas fiscais da ADM foram encontradas no escritório de contabilidade em Amparo, descrevendo operações de venda de derivados de soja para o fim específico de exportação, como as juntadas por amostragem nos docs. 49/52, oriundas dos estabelecimentos filiais de Joaçaba (SC), Paranaguá (PR), Rondonópolis (MT) e Santos (SP). 4.5 Ao emitir a nota fiscal de exportação, a Axis fez consignar, no corpo da nota, que as mercadorias foram “adquiridas da ADM do Brasil Ltda.”. Sendo a Axis uma empresa comercial exportadora, todos os benefícios fiscais previstos para a exportação direta estendemse para o exportador indireto, no caso a ADM, que exportou por meio dessa comercial. Confirase adiante, à guisa de exemplificação, a primeira via da nota fiscal nº 27, emitida em 8 de julho de 2004, em nome da AGROGAIN LTD., offshore das Ilhas Cayman. Seja observado que, na parte ressaltada em vermelho, figura a indicação da ADM DO BRASIL LTDA. como a empresa da qual foram as mercadorias adquiridas para exportação. (docs. de fls. 2.451) 4.6 Mas no conjunto comercial diligenciado foi também localizada uma cópia quase idêntica da mesma nota fiscal nº 27, como se vê (doc. de fls. 2.452). 4.7 A única diferença entre um e outro documento reside na indicação do exportador indireto: enquanto que na primeira via original da Nota Fiscal nº 27 consta a indicação da ADM. DO BRASIL LTDA., na cópia reprográfica dessa via figura como exportador indireto a TIGRE S/A TUBOS E CONEXÕES. Por aí se vê que os “planejadores tributários” vinculados à MASTER e à AXIS resolveram planejar, criativamente, uma nova modalidade de exportação: com uma única nota fiscal, documentam duas exportações, sendo uma real e outra fictícia. 4.8 Não há, obviamente, duas exportações, apenas uma, devidamente comprovada por memorando de exportação, conhecimento de transporte marítimo (Bill of landing), fatura comercial, contrato de câmbio e por todos os extratos do Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior). Só que apenas uma se concretiza: e é exatamente na simulação da outra exportação que consiste a fraude ora analisada e comentada. [...]. 7. A ENGENHARIA FINANCEIRA DO ESQUEMA 7.1 Por tudo o que se viu, dúvidas não há a respeito daquilo que o esquema de evasão fiscal realmente procura vender às empresas interessadas: não se trata, na verdade, de negócios de soja, mas de créditos do ICMS, do PIS e da COFINS. Em passado recente, entravam também em jogo créditos de IPI. Como adiante será mostrado, os “planejadores tributários” da MASTER CONSULTORIA TRIBUTÁRIA S/C LTDA. chegam ao refinamento de instituir uma nada ortodoxa correlação entre as toneladas de soja encomendadas e valores de créditos suscetíveis de apropriação. 7.2 O objetivo é, por isso mesmo, gerar o maior volume possível de créditos em favor das empresas beneficiárias. Daí, então, que a primeira providência consiste em “inflar”, o tanto quanto possível, os valores da venda da soja pela SANTA CRUZ, muito acima dos preços correntes no mercado. Como decorrência necessária das operações de venda, a SANTA CRUZ emite duplicatas contra as supostas adquirentes. [...]. 7.4 E como a suposta empresa adquirente promove a “quitação” de tais títulos comerciais? Aí reside um dos aspectos mais interessantes da engenharia financeira do esquema. 7.5 Como visto, a empresa adquirente remete simbolicamente a soja em grãos a uma das empresas beneficiadoras Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura, Sperafico da Amazônia S/A e Sperafico Agroindustrial Ltda. Por seu turno, os derivados resultantes do processo de beneficiamento são também “simbolicamente devolvidos” à empresa adquirente. Não obstante os elevados custos de beneficiamento pagos pela empresa adquirente da soja em grãos, os derivados do produto farelo de soja e óleo bruto – são, em seguida, remetidos para fins de exportação, às empresas comerciais exportadoras Axis Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro — CANORP , mas por valor inferior ao da aquisição da soja em grãos. 7.6 Ao atribuírem a produtos industrializados valor de comercialização inferior ao preço dos insumos in natura, os “planejadores tributários” da MASTER alceiamse ao suprasumo do Fl. 5098DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.093 13 artificialismo. Bem comparando, seria o mesmo que a goiabada ter preço de venda menor que as goiabas.[...]. [...]. 7.14 Justamente nesta quitação de duplicatas emitidas pela Santa Cruz que se aninha a farsa mais perversa do esquema de defraudação fiscal montado pela MASTER CONSULTORIA TRIBUTÁRIA S/C LTDA. Pois os empresários aliciados pelos “Consultores tributários” — da Máster e de outras consultorias a ela associadas — ficam sabendo que não precisarão retirar milhões de reais de capital de giro para fazer frente aos grãos de soja comprados da Santa Cruz. Bastarlhes á “quitar” a dívida decorrente da aquisição de grãos por meio da subrogação de um crédito equivalente a cerca de 90 % dessa dívida, complementando a parte faltante com um depósito em conta correspondente a apenas 10 % do valor da transação. 7.15 Tudo parece ser extremamente simples e atraente: ao invés de terem de despender, digamos, 10 milhões de reais, bastará aos felizardos empresários pagar por volta de R$ l.000.000,00 para serem contemplados com um crédito de 12% de ICMS, 7,6% de COFINS e 1,65% de PIS, no montante de R$ 2.125.000,00! E com a vantagem de poderem apropriarse imediatamente de tais créditos, sem precisarem esperar pelas exportações. Um verdadeiro negócio da China, como se vê, onde só o que conta são os créditos, e não os grãos de soja. 7.16 Fica claro, pelo exposto, que o lancechave do esquema reside na simulação de uma quitação milionária envolvendo uma comercial exportadora (supostamente) pagante e uma fornecedora de grãos (supostamente) recebedora. Tratase, na verdade, de duas simulações em seqüência. Num primeiro passo, constroemse simulacros de gigantescas operações de venda de soja em grãos, pois são justamente os valores de tais operações que servem de base para o cálculo dos créditos de ICMS, COFINS e PIS. Feito isso, entreabrese a necessidade de produzir uma segunda simulação, no esquema financeiro: a da quitação das operações de venda a ser efetuada por outra empresa “da casa”, isto é, do próprio esquema. Em outras palavras, uma vez inventado o crédito, qual o coelho retirado da cartola do mágico, havia que refinar espetáculo de “ilusionismo” com um segundo truque: o de fingir o pagamento das operações que deram origem a esse crédito. [...]. 6.10. CONCLUSÕES SOBRE A OPERAÇÃO SOJA Os fatos e os documentos anexados demonstram, por si só, que a TIGRE não participou de nenhuma das operações de aquisição de soja em grãos, não encaminhou produtos para industriali zação, bem como não vendeu, com fins específicos de exportação, os derivados farelo de soja e óleo de soja. O que fica comprovado, pelos relatórios e diligências anexos a este processo, é que a Tigre somente participou e se beneficiou de um esquema de evasão fiscal, apropriandose indevidamente de créditos tributários de ICMS, PIS, COFINS e crédito presumido de IPI. Este foi o objetivo traçado pelo “planejamento tributário” executado pela Tigre, sob orientação de terceiros. A conclusão é uma decorrência natural, haja vista que ficou devidamente comprovado, em diligências fiscais, que não havia soja a ser vendida pela empresa SANTA CRUZ e ser adquirida pela Tigre, porque esta não é produtora e, portanto, sendo empresa comercial, teria que ter adquirido a soja em grãos, fato que não ocorreu, restando comprovado que não poderia ter vendido produto que não possuía. Outros fatos descritos demonstram tal afirmação. Não restou comprovado que as empresas constantes como industrializadoras da soja em grãos sequer as recebeu, para posteriormente industrializar e efetuar a remessa dos produtos industrializados a quem de direito. Tampouco ocorreu a venda, com fins específicos de exportação, dos produtos derivados da soja, pois não tinha nada para ser vendido, pois desde a aquisição de matériaprima não foi com provada, as indústrias que iriam beneficiar o produto sequer as receberam e, portanto, não havia produto final para ser vendido. Diante do caráter anormal e atípico das operações de performance registradas pela Tigre e de seus respectivos contratos, conforme tratados anteriormente; da nãoocorrência das operações de exportação; e da inexistência de circulação (aquisição) “física” da soja; não resta a esta autori dade fiscal outra conclusão senão a de que a TIGRE fora beneficiária de esquema de evasão fiscal, o qual lhe garantiria créditos fiscais de tributos estaduais e federais, mediante pagamento de valores (travestidos de prestação de serviços que jamais ocorreram) às empresas responsáveis pela estruturação da operação, sem que, em qualquer momento, houvesse circulação de mercadoria, tendo ocorrido, apenas, remessas mútuas de papéis (notas fiscais e outros documentos). Vale ressaltar que, durante todo o processo de fiscalização, em nenhum momento foi possível identificar, ainda que de forma superficial, quaisquer indícios que pudessem demonstrar que, Fl. 5099DF CARF MF 14 diferentemente do que concluiu esta autoridade fiscal, as operações em questão pudessem ter, de fato, ocorrido. Assim sendo, foram glosados todos os valores constantes da contabilidade, quer seja de custos, despesas administrativas, serviços de industrialização, vendas de produtos com fins específicos de exportação, etc., referentes à OPERAÇÃO SOJA indevidamente contabilizada; glosandose, ainda, todos os créditos de PIS e COFINS utilizados. [...]. 8. GLOSA DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS OPERAÇÃO SOJA Conforme demonstrado anteriormente, que a citada ‘OPERAÇÃO SOJA’, teve existência somente no papel, não havendo sequer mercadorias que se diz ter transacionado, e tendo em vista o aproveitamento indevido de créditos tributários, especialmente PIS e COFINS, os mesmos serão exigidos de ofício, com multa qualificada e demais acréscimos legais, em Autos de Infração dis tintos, um para cada contribuição, porém constantes do mesmo processo administrativo. [...]. 10. REPRESENTAÇÃO FISCAL. Em face do que consta no item 6 deste Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada sob o nº 10920.002172/200693. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração, correspondendo os créditos constituídos a R$ 11.404.684,28 (IRPJ), R$ 9.706.456,80 (CSLL), R$ 16.861.285,98 (Cofins) e R$ 4.074.604,07 (Pis) , multas de ofício de 150 % (cento e cinqüenta por cento) e de 75 % (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Instruem o feito, no essencial, Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF), Mandados de Procedimento Fiscal – Complementar (MPFC), Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, Termo de Início da Ação Fiscal, cópias de folhas das declarações IRPJ dos exercícios de 2004 e 2005 e de folhas do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), Termos de Intimação Fiscal, e respectivas respostas, Termos de Verificação e de Intimação Fiscal, e correspondentes respostas, cópias de diversas peças constantes de processos judiciais e administrativos, e Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1 a 2.797). Cientificada da pretensão fazendária em 16/08/2006 (fls. 2.803, 2.812, 2.822 e 2.829), a tempo, em 14/09/2006, apresenta a autuada impugnações de fls. 2.838 a 2.891 (IRPJ), 3.207 a 3.260 (CSLL), 3.590 a 3.614 (Cofins) e 3.923 a 3.947 (Pis) , nelas argumentando, em síntese (destaques do original): 1.1. Glosa das Despesas Suportadas com a OPA [...]. No momento em que se deliberou realizar a OPA, a Impugnante era uma companhia de capital aberto. Todavia, em razão de baixa liquidez de suas ações no mercado de valores mobiliários (conforme consignado nas Atas nºs 328 e 333 de Reunião do Conselho de Administração), não havia fundamento empresarial ou econômico que justificasse a manutenção da empresa como uma companhia aberta, especialmente, mas não tão somente, em razão dos custos necessários à manutenção desse status (com fundamento no artigo 4º, §§ 4º e 5º, da Lei nº 6.404/76). [...]. A Lei nº 4.506/64 prevê que a despesa voltada à manutenção da atividade da empresa é dedutível para fins de determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda. Todavia, há possibilidade de manutenção direta e indireta da fonte produtiva da empresa. Explicase. [...]. Assim, a presunção firmada pela fiscalização federal não prospera justamente porque as despesas indiretamente vinculadas à manutenção das atividades empresariais também são dedutíveis. Mas seria a OPA qualificável como tal? A resposta é inegavelmente afirmativa. A modificação da estrutura de gestão das decisões de uma sociedade é fator decisivo para o sucesso ou o insucesso empresarial. Determinadas sociedades são concebidas, estruturadas e administradas tomando em conta a pulverização do direito a voto. Outras, por seu turno, são pautadas em dogmas empresariais diversos. Tanto mais isso é verdade que a Lei das Sociedades por Ações concebe a existência de companhias abertas e fechadas. Cabe à Administração empresária optar por uma ou outra ou, ainda, por elas transitar. Assim sendo, a adoção de determinadas estratégias relativas à abertura e/ou fechamento de capital é tão relevante aos destinos de um conglomerado empresarial como, por exemplo, a aquisição de uma nova máquina ou a ampliação de um parque fabril. Por tal razão, cada uma dessas condutas irradia seus efeitos para setores distintos dos interesses empresariais (ainda que todos sejam volvidos ao sucesso do negócio). Não é por outra razão que está encartada, na concepção de reorganização de uma sociedade, a mutação do controle societário. Tanto mais isso é verdade que o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência CADE (autarquia do Governo Federal), ao analisar atos de Fl. 5100DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.094 15 concentração em mercados por meio da aquisição de controle acionário de uma companhia, destacou [que] essa operação se qualifica como ato de reorganização, assim: [...]. Notese que, na hipótese acima, o órgão estatal de defesa da concorrência reconheceu que a recompra de ações de uma sociedade para consolidação do controle acionário qualificase como uma reorganização societária. Ora, se OPA realizada pela Impugnante tem as mesmas e idênticas características (recompra de ações para consolidação de controle acionário), seguese que essa operação qualificase como uma reorganização societária. Essas considerações são relevantes porque o artigo 15, § 1º, do Decretolei nº 1.598/77, qualifica como despesas operacionais os valores despendidos e registrados no ativo diferido, tais como “custos, despesas e outros encargos com a reestruturação, reorganização ou modernização da empresa”. Ora, se as despesas suportadas com a reorganização de uma sociedade são consideradas como operacionais, isso decorre do seu reconhecimento como encargo indiretamente vinculado à manutenção da atividade empresarial. Assim sendo, (i) como a OPA é qualificada como operação de reorganização de uma sociedade; (ii) como a reorganização é uma despesa indiretamente vinculada à manutenção da fonte produtiva; seguese que (iii) esses valores são qualificados como despesa operacional (artigo 15, § 1º, do Decretolei nº 1.598/77). Mas não fosse isso suficiente, poderseia examinar a questão sob prisma inverso (ou seja, abertura de capital por meio de emissão de ações em bolsa de valores), de forma a se concluir se os valores recebidos a esse título (déficit ou superávit decorrente da abertura de capital) são qualificados como receita ou despesa dedutível. Deveras, não se concebe que a legislação de regência dê tratamento jurídico diferenciado a uma mesma situação jurídica (alienação de valores mobiliários em bolsa de valores). [...]. E se isso é verdade, o fechamento de capital de uma sociedade (face reversa da abertura do capital) deve necessariamente receber o mesmo tratamento jurídico para fins de tributação por meio do IRPJ e da CSLL. Mas não é só. O artigo 257 da Lei nº 6.404/76, prevê que a OPA é uma operação absolutamente legítima e corriqueira nos negócios sociais. Até mesmo porque, se assim não fosse, não haveria razão lógica, jurídica e fática para o legislador contemplar a sua existência. [...]. Tratase de prerrogativa outorgada legislativamente ao empresário para melhor condução e consecução dos seus objetivos sociais. Tanto mais isso é verdade que sua concepção, implementação e realização é resguardada pelo sigilo (artigo 260 da Lei nº 6.404/76). E não se recobre uma dada operação pelo manto do sigilo se ela não for de capital importância à condução dos negócios da sociedade. [...]. Dessa forma, as despesas incorridas pela Impugnante no pagamento de (i) juros pela recompra das ações a prazo para fechamento do seu capital; (ii) assessoria jurídica em providências judiciais e extrajudiciais para realização da OPA; bem como (iii) assistência técnica na representação e assessoria na estruturação da OPA, são dedutíveis na medida em que realizadas em prol da reorganização da empresa e, por isso mesmo, indiretamente vocacionadas à manutenção das atividades empresariais. 1.2. Juros do PAES registrados em 2003 e aproveitadas em 2004 [...]. Segundo a fiscalização (fls. 28 a 35 do MPF), no anocalendário de 2003, a Impugnante contabilizou R$ 55.101.638,97 a título de juros parcelados no âmbito do PAES. Esses juros decorrem de impontualidade no pagamento de tributos federais que, somente por ocasião da adesão ao PAES, foram contabilizados na escrita fiscal da sociedade. Ou seja, esses juros decorrem de fatos geradores ocorridos antes do anocalendário de 2003 que, somente por ocasião da adesão ao PAES, foram contabilizados. A despeito de ter apropriado contabilmente esses valores no anocalendário de 2003, a Impugnante não os utilizou no mesmo exercício. E isso porque, embora naquele anocalendário a empresa tenha obtido lucro operacional, os prejuízos acumulados até então foram integralmente aproveitados. Como, no anocalendário de 2004, a empresa apresentou lucro operacional, e os prejuízos até então acumulados já haviam se exaurido, esses valores (juros), registrados no ano calendário de 2003, foram dele (lucro) deduzidos dentro do limite prescrito pela legislação de regência (30 %). Fl. 5101DF CARF MF 16 Ocorre que a fiscalização federal entende que a medida adotada pela Impugnante foi desacertada. [...]. [...]. Assim, ao juízo da fiscalização, a Impugnante deveria ter apropriado as despesas com o pagamento dos juros pela impontualidade na liquidação de tributos no momento em que essa impontualidade se verificou (e não por ocasião de sua adesão ao PAES). Tratase de leitura equivocada da legislação de regência, como bem observou HIROMI HIGUCHI, ao destacar que “muitos contribuintes e contabilistas ainda estão com a idéia de que a despesa operacional contabilizada fora do períodobase de competência não é dedutível na apuração do lucro real. Nada mais errado porque o art. 6º do Decretolei nº 1.598/77 acabou com esse tipo de indedutibilidade”. [...]. Pois bem, até o momento em que se aderiu ao PAES a Impugnante não havia escriturado a necessidade de pagamento de juros sobre esses valores. E isso porque havia contestação jurídica sobre a necessidade de pagamento dessas importâncias. Assim, não se escriturou essas despesas no correspondente períodobase (do nascimento da obrigação) justamente ao fundamento de que, sobre elas, pendia discussão jurídica. Dessa forma, no exato momento em que a Impugnante reconheceu os valores devidos a esse título, por meio de confissão de dívida que lhe autorizou ingressar no PAES, imputouse a ela a obrigação de lançar esses valores como despesas operacionais. Antes disso, não havia que se falar na possibilidade de escriturar esses valores. [...]. Não obstante isso, esse valor (de juros) é economicamente mensurável a partir do exato momento em que se realiza a confissão de dívida (para ingresso no PAES) e, a partir desse instante, é que se deve apropriálo para fins de apuração da despesa operacional. Ademais, como os juros devidos no âmbito do PAES foram apropriados no anocalendário de 2003 e aproveitados no exercício subseqüente (anocalendário de 2004), os prejuízos fiscais até então verificados foram compensados dentro do limite de aproveitamento previsto pela legislação de regência. [...]. Mas ainda que todas essas considerações não fossem procedentes, não poderia a fiscalização autuar a Impugnante pela indevida apropriação dessas despesas sem a correspondente alteração dos resultados operacionais dos exercícios passados. Com efeito, deveria a fiscalização indicar de que forma essa conduta do particular lesou concretamente o fisco (porque o resultado econômico pode ser o mesmo). E isso não foi feito. 1.3. Correção Monetária do IPC/89 [...]. O AI definitivamente não pode prosperar, sob pena de restarem plenamente violadas a coisa julgada e a segurança jurídica, bem como as normas contábeis vigentes, conforme restará demonstrado. [...]. [...]. Portanto, transitou em julgado a decisão proferida, restando reconhecido o direito da Impugnante à dedução fiscal extemporânea do expurgo no percentual de 35,58 %, perante o IRPJ e a CSLL e implicações fiscais decorrentes, na medida da apuração do lucro e respectiva contabilização após o trânsito em julgado. [...]. 1.3.2. Da Impossibilidade de Contabilização do Diferencial IPC/89 no PeríodoBase de 1989 No entendimento do Sr. AFRF a Impugnante deveria ter reconstituído suas demonstrações financeiras desde o anocalendário 1989, no sentido de “refazer todos os cálculos sobre todos os períodos nos quais a correção de balanço é devida e sobre todos os bens sujeitos à correção”. Ocorre que a aplicação de tal entendimento, além de incompatível com a decisão transitada em julgado, é impossível de aplicação ao caso em discussão. [...]. [...]. Ocorre que referida despesa não foi reconhecida pelo Governo Federal, inviabilizando, assim, sua contabilização no respectivo períodobase. Diante disso, não restou outra alternativa aos contribuintes, dentre eles a Impugnante, senão buscar o seu reconhecimento através da via judicial, para, então, proceder à devida contabilização. Especificamente sobre esse assunto, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), através do Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 002/94, dispôs que o registro contábil referente ao expurgo gerado pelo Plano Verão somente seria levado a efeito quando a empresa estivesse resguardada por decisão judicial da qual não fosse cabível mais recurso, ou seja, decisão judicial transitada em julgado, in verbis: [...]. Fl. 5102DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.095 17 O referido OfícioCircular expedido pela CVM foi publicado um mês antes do ingresso da medida judicial, interposta pela IMPUGNANTE. Ou seja, a IMPUGNANTE já pleiteou o reconhecimento do seu direito à dedução fiscal nos exatos termos da orientação da CVM. Vale dizer, na medida judicial proposta originariamente não restou outra alternativa à Impugnante senão requerer, conforme minuciosamente demonstrado acima: (i) autorização para dedução fiscal extemporânea do diferencial do IPC/89 no períodobase mensal em que apurar base de cálculo tributável; e (ii) respectiva contabilização após o trânsito em julgado da ação. Com isso, a Impugnante obteve decisão judicial autorizando a dedução fiscal extemporânea do referido diferencial, à medida que apurasse lucro, passando a proceder dessa forma antes mesmo do trânsito em julgado da medida judicial. [...]. Diante da dedução fiscal extemporânea realizada quando do trânsito em julgado da medida judicial, tornouse inconcebível a contabilização do diferencial da CMB IPC/89 no períodobase 1989, como pretende o Sr. AFRF! [...]. Além do mais, C. Turma Julgadora, aceitar a pretensão do Sr. AFRF imporia à Impugnante a realização de procedimentos de retificação de suas demonstrações contábeis que, na prática, seriam (e são) impossíveis de serem adotados, inclusive diante das próprias normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal (SRF), bem como das normas de natureza contábil. Isso porque não seria possível, à época do trânsito em julgado da medida judicial, refazer e republicar todas as demonstrações contábeis referentes aos anoscalendário iniciados a partir de 1989, pelas seguintes razões: (i) a Impugnante, em razão de, à época, ser companhia aberta, estava obrigada a submeter todas as suas Demonstrações Contábeis à análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM); (ii) a Impugnante é sucessora por incorporação das empresas Tigre Participações S/A, TGN S/A Tubos e Conexões, TCT Gerenciamento Empresarial Ltda., Transportadora Rodotigre Ltda., Tubos e Conexões Tigre Ltda. Tais empresas, por sua vez, não mais existiam à época do trânsito em julgado da medida judicial, sendo impossível retificar suas demonstrações contábeis; e (iii) os bens do Ativo Permanente da Impugnante existentes no ano calendário de 1989 foram, ao longo de todo o período, alienados ou baixados por obsolescência ou perecimento. Mesmo que possível, a Impugnante não poderia retificar suas declarações de Imposto de Renda, nas quais foram apresentadas as demonstrações contábeis, uma vez que a SRF só permite a retificação de declarações relativas aos 5 anos anteriores ao ano que se deliberar a retificação, isto é, no ano do trânsito em julgado da medida judicial, que se deu em 2003, conforme art. 150, § 4º, do CTN. [...]. 1.3.3. Dos Fundamentos para Utilização dos Procedimentos Previstos na Lei nº 8.200/91 e no Decreto nº 332/91 Outro ponto equivocado alegado pelo Sr. AFRF se refere ao fato da Impugnante aplicar critérios de apuração do diferencial da CMBIPC/89 baseada em normas (Lei nº 8.200/91 e no Decreto nº 332/91) não aplicáveis ao expurgo inflacionário gerado com a implementação do Plano Verão. [...]. O principal, e, por si só, suficiente fundamento que autoriza a Impugnante a se valer dos procedimentos previstos na Lei nº 8.200/91 e no Decreto nº 332/91, para fins de cálculo e contabilização do diferencial CMBIPC/89, é a decisão judicial transitada em julgado proferida nos autos da Ação Ordinária nº 94.155387. Com efeito, conforme já explicitado no item anterior, referida medida judicial foi ajuizada com vistas a ver reconhecido o direito à utilização do diferencial CMBIPC/89, tendo sido pleiteada, expressamente, a adoção dos mesmos critérios de cálculo, aproveitamento e contabilização a que se referem a Lei nº 8.200/91 e o Decreto nº 332/91, normas que trataram de expurgo inflacionário idêntico, gerado com a implementação do Plano Collor. [...]. Decorridos os trâmites legais, foi proferida decisão de mérito transitada em julgada, consoante inúmeras vezes já citado, reconhecendo definitivamente a procedência do pedido da Impugnante. [...]. Em síntese, a utilização das regras contidas na Lei 8.200/91 e no Decreto 332/91 como parâmetros para quantificação e contabilização do diferencial CMBIPC/89 fez parte do pedido formulado nos autos da medida judicial encampada pela Impugnante e foi expressamente reconhecida na sentença transitada em julgado. Fl. 5103DF CARF MF 18 Deste modo, a Impugnante não só pode como deve se valer dos aludidos critérios, caso contrário estará a descumprir uma decisão judicial. [...]. Por fim, há um ponto de extrema relevância que não pode ser esquecido: o Fisco Catarinense lavrou autos de infração com o objetivo de prevenir a decadência do seu direito de cobrar o expurgo CMBIPC/89. Por meio de tal procedimento, que, tecnicamente, é o que se conhece por lançamento, ele foi obrigado a quantificar o seu suposto crédito tributário, fato este que, necessariamente, lhe impôs o ônus de apreciar os critérios de quantificação do benefício calculado pela Impugnante. Nem mesmo o Fisco os questionou! [...]. Ante o exposto, não há qualquer óbice à adoção dos critérios da Lei nº 8.200/91 e do Decreto nº 332/91 na contabilização do diferencial CMBIPC/89, visto estar tal procedimento devidamente amparado pela decisão judicial transitada em julgado, razão pela qual o AI [deve ser] cancelado. 1.3.4. Da Decisão Administrativa (sic) Transitada em Julgado Ofensa à Coisa Julgada [...]. Jamais foi objeto do pedido formulado pela Impugnante, na petição inicial, a contabilização do expurgo no períodobase 1989. Ao contrário, o pedido é expresso para que seja autorizada a referida contabilização após o trânsito em julgado da decisão reconhecendo, em definitivo, o direito pleiteado, qual seja, o direito à dedução fiscal extemporânea do diferencial IPC/89. Destacase que a Procuradoria da Fazenda Nacional, em momento algum, contestou tal pedido, sustentando a necessidade de contabilização do expurgo e efeitos diversamente do pleiteado no pedido da inicial. A r. sentença, por sua vez, acolheu integralmente o pedido alternativo da Impugnante, o que, por si só, já leva à conclusão de que a contabilização somente foi autorizada após o trânsito em julgado. [...]. Com isso, o entendimento do Sr. AFRF acerca da contabilização dos valores discutidos não encontra respaldo na decisão judicial; ao revés, nega flagrantemente sua determinação. Dessa forma, constitui um absurdo exigir, neste momento, após o trânsito em julgado da decisão judicial, que a IMPUGNANTE contabilize os efeitos do expurgo inflacionário no próprio ano que este ocorreu, qual seja, 1989. 1.3.5. Dedução Extemporânea CMBIPC/89 Sustenta também a D. Autoridade Autuante que a Impugnante deveria incorporar o índice de correção monetária de balanço autorizado judicialmente e refazer os cálculos da CMB dos períodos posteriores. Entretanto, mais uma vez, não assiste razão ao Sr. AFRF, uma vez que: (i) não cabe à D. Autoridade Autuante apenas alegar que o procedimento correto seria refazer os cálculos e, simplesmente, autuar a Impugnante. Ao Sr. AFRF cabe efetuar a recomposição dos valores a fim de se proceder o correto lançamento; e (ii) ad argumentandum, mesmo que [fosse] admitida a recomposição imposta pelo Sr. AFRF, verificase que não houve qualquer tipo de lesão ao Erário Público, nos termos do que dispõe o Parecer Normativo (PN) nº 02/96. Vejamos. Não basta o Sr. AFRF alegar que a dedução do expurgo foi efetuada fora do períodobase de sua competência, pois tal fato o obriga a recompor toda a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, da forma estabelecida pelo Parecer Normativo (PN) COSIT nº 02/96, e não simplesmente glosar o montante excluído pela Impugnante. [...]. Decorre do dispositivo acima que a escrituração a destempo de receita, rendimento, custo, despesa ou lucro poderá ser questionada pela SRF, apenas e tão somente, se resultasse, nos períodos em que deveria ter sido realizada, em recolhimento a menor de tributo. Em outras palavras, apenas poderá haver questionamento nas situações em que for demonstrada lesão ao Fisco. [...]. No caso da Impugnante, por se tratar de despesa não deduzida no período de apuração competente, isto é, no anocalendário de 1989, não há que se falar em prejuízo ao Fisco, em face de ter sido apurado lucro nos anoscalendário subseqüentes à dedução fiscal. Noutras palavras, houve recolhimento a maior de IRPJ e CSLL no anocalendário 1989, uma vez que a supressão do índice de CMB nos meses de janeiro e fevereiro reduziu a despesa dedutível, majorando artificialmente o lucro tributável e, conseqüentemente, os tributos devidos. Em decorrência, pelo fato da Impugnante ter apurado lucro no anocalendário de 2004, ano em que houve (sic) o Sr. AFRF glosou a dedução fiscal, não restou caracterizada qualquer espécie de lesão ao Fisco. [...]. Apenas para exercício de argumentação, só haveria lesão ao Fisco se no anocalendário de 1989 a Impugnante tivesse apurado Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL e, nos anoscalendário Fl. 5104DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.096 19 posteriores em que apurou lucro, tivesse feito a exclusão fiscal sem observância do prazo prescricional de compensação dos prejuízos (não aplicável atualmente), ou sem a observância do limite de compensação de 30 %. Mas isto não ocorreu, porque a Impugnante apurou lucro tributável naquele anocalendário (1989) e nos anoscalendário subseqüentes em montante suficiente para absorver a dedução extemporânea do diferencial IPC/89. Então, podese dizer que o procedimento adotado pela Impugnante não resultou em redução ou postergação dos tributos naquele anocalendário ou em anoscalendário subseqüentes, mas, apenas e tão somente, postergação de despesa, que por excelência é profisco. [...]. 1.4. Assessoria da Globalbank Consulting Ltda. e Deloitte na Operação Soja [...]. De acordo com a fiscalização, não houve causa econômica ou jurídica que autorizasse a Impugnante a realizar essas operações de performance de exportações que se denominou de “Operação Soja”. [...]. A fiscalização federal não se deu ao trabalho de ler os estatutos sociais da Impugnante para apurar se essas operações são ou não compreendidas nos objetivos sociais da empresa. Com efeito, como a fiscalização federal se vale in totum de “prova emprestada” realizada no bojo de procedimento administrativo realizado pela fiscalização tributária paulista, acabou por incidir nos mesmos desacertos e presunções que contaminam aquele procedimento estadual. E isso porque pretende glosar as despesas pagas pela Impugnante na contratação de assessoria técnica para realização da denominada “Operação Soja”, ao fundamento de que essa operação (com produtos agropecuários) não está contemplada nos objetivos sociais da empresa. Nada mais desacertado. [...]. E se operações no ramo agropecuário integram os objetivos sociais da Impugnante, não prospera a glosa perpetrada pela fiscalização federal, justamente ao fundamento da inexistência dessa autorização estatutária. [...]. 1.5. Glosa das Despesas Incorridas na “Operação Soja” [...]. A Impugnante foi procurada pelas empresas Globalbank Consulting Ltda. e Deloitte Touche Tohmatsu para assessorála [em] “operações com soja” (fl. 60 do MPF). Conforme se depreende do contrato firmado entre essas duas empresas, essa “operação com soja” consiste no (i) “apoio na identificação de fornecedores de soja, industrialização e exportadores”; (ii) “apoio logístico de movimentação de soja entre o fornecedor, industrializador e exportador”; e (iii) “apoio nos aspectos fiscais e contábeis da referida movimentação” (Doc. anexo). Mas não só. Na fase de aquisição de soja em grãos haveria “verificação da documentação de suporte (notas fiscais e contratos) e correspondentes registros e escrituração nos livros fiscais e contábeis das empresas compradoras e vendedoras de soja”. Na fase de remessa de soja para industrialização haveria “verificação das operações de remessas simbólicas (notas fiscais) efetuadas entre os estabelecimentos da vendedora para a industrializadora”. Por ocasião da industrialização da soja por encomenda haveria “verificação da documentação de suporte (notas fiscais e contratos) e correspondentes registros e escriturações nos livros fiscais e contábeis, da operação de remessa e respectivo retorno de industrialização por encomenda, efetuada entre a empresa industrializadora e a compradora de soja”. Em seguida, na venda desse produto para ‘trading’, haveria “verificação da documentação de suporte (notas fiscais e contratos) da operação de venda da compradora de soja para a Trading e correspondentes registros nos livros fiscais e contábeis”. Por fim, visando comprovar as exportações realizadas, haveria “verificação da documentação comprobatória das exportações realizadas”. Diante desse leque de obrigações da Globalbank Consulting Ltda. e da Deloitte Touche Tohmatsu, a ora Impugnante sentiuse confortavelmente segura para realizar essas operações (mormente pela notória ‘expertise’ de uma das contratantes Deloitte Touche Tohmatsu que, acima de tudo, realiza a auditoria de parte das contas do Governo do Estado de São Paulo. Maior idoneidade não havia!). Com base nessa assessoria prestada pelas empresas Globalbank Consulting Ltda. e da Deloitte Touche Tohmatsu, a Impugnante contratou (i) a aquisição de soja com a empresa Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda.; (ii.i) a industrialização da soja com a empresa Fl. 5105DF CARF MF 20 Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura, Sperafico da Amazônia S/A e Sperafico Agroindustrial Ltda.; ou (ii.2) aquisição de farelo e óleo de soja [da] Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura e AXIS Comercial e Importadora e Exportadora Ltda.; e (iii) a exportação desse produto industrializado com as empresas Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura, Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro CANORP e AXIS Comercial e Importadora Ltda. (Docs. anexos) As empresas Globalbank Consulting Ltda. e da Deloitte Touche Tohmatsu concretamente expuseram as vantagens econômicofinanceiras da operação e se comprometeram a realizar todas as atividades concretas e imprescindíveis necessárias à aquisição, industrialização e exportação da soja (além do respectivo transporte e indicação das empresas capazes de realizar cada uma das etapas). Mas não só. Além da verificação física dessas operações, essas empresas se comprometeram, ainda, a assessorar a emissão de todos os documentos fiscais que as formalizaram (as operações). Em síntese: a Impugnante foi tragada para uma operação que aparentava ser, em todos os seus aspectos (formais e materiais), absolutamente lídima e válida. Ocorre que a fiscalização federal (com base em conclusões atingidas pela fiscalização tributária paulista) pretendeu, de forma genérica, desvestir a validade dessas operações imputandoas da pecha de singelas simulações (operações simuladas). [...]. A despeito de se tratar de operações realizadas na regular persecução das finalidades sociais da Impugnante como já se destacou, a afirmativa genérica de simulação dessas operações não restou adequadamente comprovada (seja pela fiscalização estadual, seja pela fiscalização federal que nela se pautou). A fiscalização federal pretendeu sustentar a partir do relatório genérico elaborado pela DEAT , que a totalidade das operações realizadas pela Impugnante foram simuladas. As autoridades fazendárias ambicionam atribuir uma presunção objetiva em seu favor (e em desfavor da Impugnante), o que se traduz em conduta flagrantemente ilegal (e ao mesmo tempo inconstitucional). [...]. 1.5.1. Custos Incorridos na Operação Soja e impossibilidade de sua glosa Ausência da busca da verdade material e carência de motivação [...]. Sustenta a fiscalização que as operações realizadas pela Impugnante foram simuladas. Não obstante isso, não se apontou os fundamentos de fato e de direito que, à luz do caso concreto, ensejariam a formação da convicção da fiscalização no sentido de que todas as operações com soja, realizadas pela Impugnante entre dezembro de 2003 e 2004, foram simuladas. Observese que o relatório do MPF não menciona a razão pela qual essas operações seriam individualmente simuladas. Curiosamente, ao se limitar a acolher os fundamentos genéricos decorrentes da fiscalização estadual (segundo a qual as empresas Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda., Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura, Sperafico da Amazônia S/A, Sperafico Agroindustrial Ltda., Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura, AXIS Comercial e Importadora e Exportadora Ltda. e Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro CANORP e AXIS Comercial e Importadora Ltda. simularam as operações de aquisição, industrialização e exportação de soja), a fiscalização federal não se preocupou em fazer qualquer espécie de instrução probatória individual contra a Impugnante. As passagens transcritas anteriormente e indicadas às fls. 108 a 131 do MPF, demonstram que a fiscalização federal, ao se apropriar das conclusões da fiscalização estadual, não cuidou de produzir nenhuma prova em desfavor da Impugnante. Ou seja, não há nenhuma referência objetiva e direta imputada à Impugnante no sentido de que ela não praticou as operações consignadas nos instrumentos particulares de aquisição, industrialização e exportação de soja. [...]. Ou seja, a partir de dados genéricos colhidos pela fiscalização estadual a respeito das empresas envolvidas no referido “esquema de evasão fiscal”, a fiscalização federal reputa (por presunção) que a Impugnante não adquiriu, industrializou ou exportou soja. Na única oportunidade em que se buscou individualizar eventual inocorrência das operações, essa se perfez em relação às exportações. Com efeito, a partir de dados inseridos no SISCOMEX, a fiscalização federal apurou que nos memorandos e nas notas fiscais de exportação elaborados pela Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro CANORP e pela AXIS Comercial e Importadora e Exportadora Ltda. a Impugnante não figura como exportadora (fls. 102 a 107 do MPF). Isso, contudo, não permite concluir que as operações de aquisição e industrialização de soja não ocorreram. Permite, pelo contrário, concluir que a soja adquirida para fins de exportação pelas Fl. 5106DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.097 21 empresas Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro CANORP e AXIS Comercial e Importadora e Exportadora Ltda. não foram aparentemente exportadas. [...]. Com efeito, de acordo com os artigos 1º e 3º do Decretolei nº 1.248/72, a remessa à exportação por via de empresa comercial exportadora assegura ao exportador a manutenção dos benefícios fiscais de incentivo à exportação. E na hipótese de a exportação não ser efetivada, os bens serem destruídos ou revendidos no mercado interno, então o artigo 5º do referido Decretolei prescreve que os impostos e benefícios fiscais serão devidos pela empresa comercial exportadora (e não pela industrial). Assim, na única oportunidade em que a fiscalização federal se preocupou em individualizar a conduta, ela o fez apenas de modo a concluir pela inimputabilidade de obrigação tributária à Impugnante. Ao que tudo indica,a fiscalização estadual e federal atingiram essa conclusão no sentido de que a Impugnante teria realizado operações simuladas por meio [do] aludido relatório elaborado pelo DEAT que, apesar de entregue, não teve seu conteúdo inserido nas descrições factuais contidos na autuação. Parece que a fiscalização agiu “por ouvir dizer”, porque nenhum cotejo individual foi comprovadamente feito de modo a descaracterizar as operações das quais fez parte a Tigre. [...]. Notese que para a ocorrência de simulação em negócio jurídico é necessária a conjugação da vontade das partes envolvidas para que elas, dolosamente, dissimulem a ocorrência de ato jurídico. Assim, para que houvesse simulação na hipótese concreta haveria necessidade de a fiscalização demonstrar que a Impugnante e todas as pessoas com as quais ela celebrou contrato com soja estavam ardilosamente engendradas em artificioso plano de evasão de receita fiscal federal. Obviamente não poderia ser incumbida a Impugnante da tarefa de demonstrar a boafé dos negócios por ela realizados. E isso, ao singelo fundamento no sentido de que todos os atos jurídicos por ela produzidos (contratos, notas fiscais etc.) já gozam de presunção legal de validade (presunção que poderia, em tese, ser desconstituída pela fiscalização estadual). Ocorre que a fiscalização federal não realizou um cotejo lógico e analítico demonstrando, individualmente, a inidoneidade de todas as operações realizadas pela Impugnante, bem como a impropriedade dos documentos fiscais elaborados para formalizar a sua realização. Pelo contrário, concluiu que as operações realizadas eram simuladas por meio de presunção (por meio de “prova emprestada” da fiscalização estadual), salvo em relação às operações de exportação. Como não houve instrução probatória individual, a insistência é pertinente: parece que ouviu dizer e resolveu colocar tudo e todos na mesma situação! [...]. A fiscalização não poderia presumir que todas as operações realizadas pela Impugnante com a aquisição, a industrialização e a remessa de soja para exportação eram simuladas (e, portanto, inidôneas). Para que se buscasse a verdade material era necessário demonstrar que cada uma dessas operações não ocorreu (ou que se revelou externamente de forma diversa da real). Ou ainda, que cada operação apresenta uma mácula comum (e que essa mácula seja comprovada). Se na hipótese existe presunção legal, destaquese que ela milita em favor (e não em desfavor) da Impugnante. Com efeito, sendo ela (a Impugnante) possuidora de documentos fiscais comprobatórios das operações, tem ela, em seu favor, a presunção legal no sentido de que esses documentos fiscais são válidos (e de que as operações nele indicadas foram realizadas). Daí porque, no caso concreto, a autoridade fazendária estava obrigada a averiguar individualmente todas as operações realizadas pela Impugnante, de modo que apurasse os exatos confins dos negócios realizados e aferisse, ao cabo da sua investigação, sua eventual adequação à hipótese de incidência tributária. E isso não ocorreu, porque não houve cotejo individual (um a um) de documentos. [...]. E justamente por ausência de busca da verdade material é que não se revelaram as razões de fato e de direito (motivação) que ensejaram a autuação, o que cerceou o direito de defesa da Impugnante. Ademais, destaquese que a presunção realizada pela fiscalização estadual em relação à empresa Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda. já foi afastada pelo Poder Judiciário do Estado do Mato Grosso. Vale dizer, não restou comprovada a presunção no sentido de que aquela empresa é inidoneidade (sic) e que, portanto, são simuladas as operações de venda de soja por ela realizadas. Fl. 5107DF CARF MF 22 Ora, se a fiscalização adotou essa presunção como premissa (com todas as mazelas anteriormente identificadas) e se ela (a presunção) foi afastada judicialmente, não há como acolhêla na hipótese em questão. [...]. De fora parte as presunções edificadas pela fiscalização estadual restarem sumariamente afastadas pelo Poder Judiciário (conforme consignado pela decisão judicial acima), há fato gravíssimo (ilícito civil e penal) perpetrado pelas autoridades fazendárias estaduais ao assim procederem. Com efeito, foi ilegal a apreensão dos documentos fiscais da Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda. realizada pelo fisco. Com efeito, nas palavras do Desembargador marcelo de souza barros, “A constrição dos livros e documentos não esteve calçada por ordem judicial, o que mostra ilegalidade da apreensão”, entendimento confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 300.065. Como a fiscalização estadual pode utilizar um documento obtido por meio ilícito para comprovar uma suposta operação ilícita da Impugnante? A redação do artigo 5º, LVI, da Constituição da República, é taxativa ao prever que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”, o que se encontra reproduzido no artigo 30 da Lei nº 9.784/99. Daí a flagrante nulidade do procedimento realizado. [...]. 1.5.2. Da Responsabilidade das Exportadoras pelo Pagamento dos Impostos Mas se a fiscalização entende que as exportações dos bens industrializados não ocorreram porque essa foi a única instrução que realmente levou a cabo ao examinar os dados das empresas Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro — CANORP e AXIS Comercial e Importadora e Exportadora Ltda. junto ao SISCOMEX , é necessário, então, que o montante do imposto exigido em razão da glosa de despesas da Impugnante seja imputado a essas empresas, e não em desfavor da Tigre. Sabese que os artigos 1º e 3º do Decretolei nº 1.248/72 prevêem que a remessa à exportação por via de empresa comercial exportadora assegura à empresa produtora a manutenção dos benefícios fiscais de incentivo à exportação. E, na hipótese de a exportação não ser efetivada, os bens serem destruídos ou revendidos no mercado interno, o artigo 5º do referido Decretolei prescreve que os impostos e benefícios fiscais serão devidos pela empresa comercial exportadora. [...]. [...]. Por essas razões, não pode a Impugnante ter glosado os custos incorridos na exportação de soja para, com isso, ser obrigada a pagar os tributos decorrentes da suposta falta de exportação. Pelo contrário! A Impugnante, e com isso a fiscalização federal concorda, celebrou contrato e emitiu documentos fiscais comprobatórios de que toda soja por ela industrializada foi adquirida pelas empresas CANORP e AXIS para o fim específico de exportação. Tanto mais isso é verdade que, nos quadros explicativos elaborados pela fiscalização para demonstrar a forma por meio da qual as operações de aquisição, industrialização e exportação eram realizadas, há expressa indicação no sentido de que a Impugnante vendia “farelo de soja e óleo de soja degomado para exportação” para CANORP e AXIS (fls. 60 e 61 do MPF). E mais, ao descrever a participação de cada uma das empresas nessas operações, destacou que (i) a CANORP “adquiria os produtos industrializados pela Tigre (óleo de soja degomado e farelo de soja), com o fim específico de Exportação e posteriormente encaminhava documentos como comprovantes de exportação de que a exportação havia sido realizada...” (fl. 63 do MPF); e (ii) a AXIS “adquiria com o fim específico de exportação os produtos industrializados pela TIGRE S.A., e posteriormente encaminhava documentação que demonstrasse que aparentemente a exportação havia sido realizada...” (fl. 64 do MPF). Ora, se a Impugnante previu contratualmente a remessa da soja industrializada para o exterior; se essa aquisição desse produto foi juridicamente realizada pelas empresas AXIS e CANORP; se essas empresas exportadoras remeteram à Tigre documentos comprobatórios da exportação realizada; não há como refutar a afirmativa no sentido de que a Impugnante remeteu o produto industrializado para exportação e que recebeu documentos comprovando a sua realização. E mais, nas 12 (doze) operações de performance de exportação realizadas pela Impugnante, a própria fiscalização reconhece que a soja industrializada foi vendida às comerciais exportadoras (item 5 da fls. 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86 e 87 do MPF). Aliás, de acordo com os documentos apresentados pelas empresas comerciais exportadoras à Impugnante, a soja por ela adquirida e industrializada havia sido exportada. Ou seja, a Impugnante dava (como ainda dá) como certa a realização das exportações de soja realizadas por meio da CANORP e AXIS. Todavia, a prevalecer o entendimento da fiscalização federal, seguese que a Impugnante foi ludibriada pelas referidas exportadoras pois à fl. 93 do MPF está consignado que “Há diversas discrepâncias entre as vias apresentadas pelas empresas exportadoras à Tigre e a via apresentada Fl. 5108DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.098 23 pela empresa EXPORTADORA como documento anexo aos Registros de Exportação”. E mais, “Da análise de cada operação verificouse que, efetivamente, havia uma exportação realizada de produtos, farelo de soja e/ou óleo de soja, regularmente adquirida no mercado interno e efetivamente exportada. Essa exportação teve seu documento fiscal ‘clonado’ e utilizado de tal forma que fizesse constar que o participante da operação proposta pela GLOBALBANK fosse o fornecedor do produto”. Dessa forma, a prevalecer o entendimento da fiscalização, a Impugnante recebia das empresas exportadoras documentos fiscais falsos. [...]. Dessa forma, se a visão da fiscalização federal a respeito da operação realmente procede, seguese então que a Impugnante é uma vítima, na medida em que as empresas comerciais exportadoras recebiam soja industrializada da Tigre, mas não deram a ela o curso contratualmente determinado (qual seja, a exportação). Ou seja, a Impugnante pagava pela aquisição da soja, pela industrialização realizada, vendia os produtos às empresas comerciais exportadoras (CANORP e AXIS) que ao juízo da fiscalização não realizaram as exportações (aliás, não se sabe qual o destino que essas empresas deram à soja industrializada de propriedade da Impugnante). E se isso é verdade (o que não pode ser refutado porque a própria fiscalização concorda com essa premissa), então a condição prevista no 1º do Decretolei nº 1.248/72 ocorreu e a remessa para exportação efetivamente se deu! No entanto, se a exportação desses produtos não foi concretamente realizada pela CANORP e pela AXIS, conforme presume a fiscalização federal (fls. 102 a 107 do MPF), então são essas empresas que devem recolher o imposto devido pela falta da exportação contratada. Com efeito, a CANORP e AXIS receberam a soja industrializada pela Impugnante para exportação, mas, de acordo com a fiscalização, não exportaram esse produto. E se essa exportação de fato não ocorreu, então há eclosão dos efeitos jurídicos do artigo 5º do Decretolei nº 1.248/72, que prevê, destaquese, a responsabilidade tributária da empresa comercial exportadora pelo recolhimento dos tributos devidos nas operações internas. Em síntese: a CANORP e a AXIS é que, por responsabilidade legal (artigo 5º do Decretolei nº 1.248/72), devem arcar com o pagamento dos tributos que não foram pagos pela Impugnante ao remeter a soja industrializada para exportação. 1.5.3. Impossibilidade de Imposição de Penalidade na Glosa dos Custos De toda sorte, ainda que fossem suplantados todos os óbices impostos em relação às imputações aduzidas contra a Impugnante em razão da aquisição, industrialização e exportação de soja, não se lhe poderia impor qualquer espécie de penalidade. Em parecer elaborado por alcides jorge costa a respeito da validade da pena imposta à Impugnante, na esfera estadual, pela realização da “Operação Soja”, ficou consignada a impossibilidade jurídica de se impor penalidade à Tigre, pois ela se qualifica como terceiro de boa fé e, justamente por essa razão, não pode ser punida: [...]. A conclusão atingida no mencionado parecer encontra, ademais, ampla correspondência na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Verifiquese, a propósito, a ementa dos seguintes julgados que comprovam que a boafé do contribuinte exclui a penalidade prevista na legislação tributária pela falta de recolhimento de tributos: [...]. Conspiram em favor deste entendimento os contratos mencionados no MPF e ora juntados aos autos, segundo os quais a Globalbank Consulting Ltda. e Deloitte Touche Tohmatsu não apenas se mostraram responsáveis pela estruturação de todas as operações de aquisição e exportação, como, ainda, contratualmente foram remuneradas tanto pela performance quanto pela efetiva auditoria e credibilidade negocial. [...]. Se alguma irregularidade houver, se alguma consideração dolosa puder [ser] deduzida, estas deverão acarretar aplicação de penalidades contra as sociedades Globalbank Consulting Ltda. e Deloitte Touche Tohmatsu. [...]. Em face do quanto exposto, aguardase o recebimento e acolhimento da presente impugnação, reconhecendose: (i) a dedutibilidade das despesas realizadas pela Impugnante na realização de operação que levou ao fechamento de seu capital (OPA); (ii) que os juros devidos sobre o pagamento impontual de tributos, lançados contabilmente na escrita fiscal da sociedade no anocalendário de 2003 (ocasião da adesão da Impugnante no Fl. 5109DF CARF MF 24 PAES), podem ser aproveitados nos anoscalendário subseqüentes para fins de apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda, observado o limite de 30 % previsto pela legislação de regência; (iii) que as diferenças de correção monetária referentes ao IPC 89 foram apropriadas nos termos da legislação de regência; (iv) que as despesas suportadas no pagamento dos serviços de assessoria prestados pelas empresas Globalbank Consulting Ltda. e Deloitte Touche Tohmatsu, por estarem vinculadas à consecução dos objetivos sociais da Impugnante, não podem ser glosadas pela fiscalização federal; (v) que, em relação às despesas suportadas pela Impugnante na aquisição, industrialização e exportação de soja: (A) SEJA RECONHECIDA A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO IMPUGNADO, TENDO EM VISTA A MANIFESTA AUSÊNCIA DE ADEQUADA MOTIVAÇÃO E BUSCA DE VERDADE MATERIAL (MITIGANDO O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA). CASO ENTENDA NÃO SER A HIPÓTESE DE NULIDADE; (b) seja reconhecida a improcedência da glosa das despesas suportadas pela Impugnante para aquisição, industrialização e exportação da soja; ou, alternativamente, eis que a inocorrência delas não restou demonstrada (mas sim presumida) pela fiscalização federal; (c) seja reconhecida a improcedência da glosa das despesas suportadas pela Impugnante na exportação da soja, diante da atribuição da responsabilidade legal do pagamento do tributo à empresa comercial exportadora; e, tanto nas hipóteses (b) e (c); (d) que seja afastada a penalidade imposto em razão da boafé da Impugnante ao realizar as operações que, ao entendimento [da] fiscalização federal, simplesmente não ocorreram. E isso porque, conforme entendimento pacífico firmado pelo Superior Tribunal de Justiça a respeito da matéria, o Código Tributário Nacional não prevê a responsabilidade objetiva do contribuinte nessas hipóteses. Além disso, requerse a retificação do presente auto de infração para que nele figurem como responsáveis as empresas Globalbank Consulting Ltda. e Deloitte Touche Tohmatsu (especialmente por serem elas as responsáveis legais pelo pagamento dos tributos devidos na exportação da soja industrializada que, ao juízo da fiscalização, efetivamente não ocorreu), razão por que elas devem ser intimadas à apresentação de sua defesa. Foram anexadas às impugnações procuração e cópias de atos societários, de documentos de identificação do signatário das defesas e de diversos documentos já constantes dos autos (fls. 2.892 a 3.204, 3.261 a 3.576, 3.615 a 3.922 e 3.950 a 4.257). Em face da constatação de erro material, pela nãoinclusão, nos autos de infração de IRPJ e de CSLL, das matérias tributáveis listadas nos subitens 3.1.3 e 3.1.4 do Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, de fls. 2.658 a 2.797, especificamente de fls. 2.676 a 2.679, foi o presente processo devolvido para o órgão de origem, para se proceder à lavratura de auto de infração complementar, conforme despacho desta DRJ de fls. 4.272 e 4.273. Em atendimento, foram lavrados os autos de infração de fls. 4.547 a 4.550 e 4.551 a 4.556, respectivamente de IRPJ e de CSLL, nos valores de R$ 5.736.154,50 e de R$ 2.065.015,62, respectivamente. Como decorrência desse agravamento, o crédito tributário total lançado corresponde a R$ 17.140.838,77 (IRPJ) e R$ 11.771.472,40 (CSLL), além dos valores integrais de Pis e de Cofins. Por meio da impugnação de fls. 4.560 a 4.569, repisa a interessada os argumentos anteriormente apresentados, acrescentando mais os seguintes: a) que é impossível nova autuação, em face de a situação descrita no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal não se enquadrar em nenhuma das hipóteses mencionadas no art. 149 do CTN; e b) que, uma vez praticado o lançamento, não poderia a autoridade administrativa revêlo, se o particular já o está impugnando administrativamente. Foram juntados à impugnação os documentos de fls. 4.570 a 4.625, os quais são, basicamente, cópias de documentos já anteriormente apresentados. Para uma melhor instrução dos presentes autos, juntaramse os documentos de fls. 4.627 a 4.639. DECISÃO RECORRIDA A DRJ deu provimento parcial à impugnação (fls. 4.6984.768) nos termos que se seguem: BENS DE NATUREZA DE ATIVO PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA E CUSTOS, DESPESAS Fl. 5110DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.099 25 OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS SERVIÇOS DE CONSULTORIA Considerou matéria não impugnada. DESPESAS INDEDUTÍVEIS DESPESAS COM OFERTA PÚBLICA DE AÇÕESOPA Negou provimento. Fundamento: previsão legal que veda a dedução: parágrafo único, art. 442 do RIR/99 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 1º). EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO – JUROS PAES 2003 Deu provimento e recorreu de ofício. Com base em jurisprudência do CARF, entendeu que o registro de despesas posteriores ao período de competência só pode ser glosado se configurar prejuízo ao Fisco, o que não teria se comprovado no referido caso. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DO IPC/89 Negou provimento. Entendeu o julgador que a dedução decorrente da diferença de correção especial, nos termos da Lei nº 8.200/91, só poderia ser realizada por meio do seu registro contábil e não mediante controles extracontábeis. ASSESSORIA NA OPERAÇÃO SOJA Negou provimento. Diferentemente do alegado pela defesa, o fundamento da autuação não foi a não necessidade das despesas de assessoria, mas sim a inexistência das operações com soja, que serviram para promover evasão fiscal, como trata no item seguinte. OPERAÇÃO SOJA Negou provimento. Fl. 5111DF CARF MF 26 A apreensão de documentos não foi ilegal, pois a decisão judicial de primeiro grau que julgou nulo o procedimento foi reformada pelo Tribunal e, depois, confirmada pelo STJ. Refutou o argumento de invalidade de prova emprestada, uma vez que, dentre outras razões, está prevista legalmente a colaboração entre os Fiscos Federal e Estadual. Com base nos documentos, entendeu comprovada a inexistência de operações AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA Com base em jurisprudência do CARF, entendeu que cabe o agravamento da exigência pela autoridade lançadora, apesar da exigência já ter sido impugnada, uma vez que houve determinação da DRJ para que assim se procedesse. Há previsão no art. 149 do CTN para tal procedimento. Recurso voluntário A defesa apresentou recurso voluntário às fls. 4.7774.849. Passamos então a reproduzir esses argumentos. DESPESAS INDEDUTÍVEIS DESPESAS COM OFERTA PÚBLICA DE AÇÕESOPA Na peça, repetiu os mesmos argumentos oferecidos na impugnação (aliás, de forma literal). Contudo, na parte final do item de defesa, ofereceu argumentos diretamente contra à decisão atacada; seguem: A despeito disso, a Delegacia de Julgamento, calcada no art. 442 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, firmou entendimento no sentido de que as despesas com a realização OPA não são dedutíveis, pois os lucros e prejuízos com as vendas de ações em tesouraria também não o são. Ou seja, pautandose em silogismo edificado ao arrepio da legislação, a Delegacia entende que (i) se o lucro e o prejuízo decorrentes da venda de ações em tesouraria não são considerados para fins de apuração do lucro real (art. 442 do Regulamento do Imposto sobre a Renda); (ii) logo "de igual forma, transações que envolvem compras dessas mesmas ações ... também não poderão afetar referida determinação do lucro real..." (fl.4.691). O raciocínio não é válido porque (i) a premissa é equivocada; e, ainda que assim não fosse, (ii) da premissa eleita não se chega à conclusão atingida pela Delegacia de Julgamento. Com efeito, a alienação dessas ações não é ontologicamente excluída da tributação por não ser receita ou despesas. E isso porque o art. 442 do RIR prevê a existência de isenção, desde que o lucro auferido nessa operação seja escriturado na conta de reserva de capital em sociedades de ações. Tanto é verdade que esses valores são objeto de nãoincidência nessas estritas hipóteses e condições (qualificandose, pois, como isenção condicionada). Daí porque, por exemplo, esse benefício e aplicável apenas às sociedades de ações (Acórdão no 10193.778/2002, do Conselho de Contribuintes). Assim, (i) não é porque existe isenção condicionada sobre lucros advindos da alienação de ações em tesouraria; que (ii) as despesas incorridas para sua alienação não são consideradas como despesa operacional. O aproveitamento das despesas incorridas nessa finalidade não guarda pertinência lógica com o tratamento eventual lucro ou prejuízo advindo da alienação dessas ações. Ademais, tratandose de isenção condicionada, caso os lucros auferidos nessa operação não sejam mantidos na conta de reserva de capital em sociedades de ações ou, ainda, não sejam auferidos por sociedade por ações, eles (os lucros) serão tributados normalmente. Fl. 5112DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.100 27 Logo, (i) da existência de isenção condicionada sobre os lucros auferidos em alienação de ações em tesouraria; (ii) não decorre a impossibilidade de aproveitamento das despesas suportadas nessas operações para fins de apuração do a lucro real. Segue, daí, que esses lucros (auferidos em alienação de ações em tesouraria) podem ou não ser tributados, se as condições para o gozo da isenção foram ou não atendidos. E essa circunstância, não interfere no aproveitamento das despesas incorridas para a realização dessa atividade. Assim, nessa parte a fundamentação do v. acórdão é insubsistente e peca pela ilogicidade. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DO IPC/89 Tece longo arrazoado para explicar a correção do seu procedimento contábil e fiscal em oposição direta às conclusões da DRJ. ASSESSORIA NA OPERAÇÃO SOJA Reitera as razões apresentadas na impugnação e acrescenta que a DRJ inovou no fundamento da autuação, uma vez que esta se calcou na não necessidade das despesas. Ademais, com base num longo arrazoado, aduziu que as despesas ocorreram, mesmo que as operações com soja não tivessem ocorrido. OPERAÇÃO SOJA Na peça, repetiu os mesmos argumentos oferecidos na impugnação (aliás, de forma literal). Contudo, na parte final do item de defesa, ofereceu argumentos diretamente contra à decisão atacada; seguem: 1.4.4. Necessidade de dilação probatória Como restou demonstrado, inclusive judicialmente, as autoridades fazendárias não realizaram um cotejo lógico e analítico demonstrando individualmente a suposta inidoneidade de todas as operações realizadas pela Recorrente, bem como a impropriedade dos documentos fiscais elaborados para formalizar a sua realização. Pelo contrário, a fiscalização federal concluiu que as operações realizadas eram simuladas por meio de presunção. Ora (i) se o nascimento da obrigação tributária está diretamente relacionado à ocorrência concreta, no mundo dos fatos, de eventos (atos ou situações) que se subsumam integralmente às hipóteses de incidência (genéricas e abstratas), descritas — repitase, sempre por meio de lei — pelas normas de tributação; logo (ii) se impunha a averiguação exaustiva e imparcial desses eventos, para a verificação de sua efetiva subsunção à descrição normativa correspondente. Para que se buscasse a verdade material era imprescindível demonstrar que cada uma dessas operações não ocorreu (ou que se revelou externamente de forma diversa real). Ou ainda, que cada operação apresenta uma mácula comum (e que essa mácula seja comprovada). Daí porque era absolutamente imprescindível o exame pericial e contábil de todas as notas fiscais para demonstrar quais delas são efetivamente inidôneas, seja porque (i) a fiscalização presumiu que todas as notas que formalizaram a aquisição, remessa para industrialização e exportação de soja pela Recorrente são inidôneas; e (ii) a própria fiscalização reconhece que parte das notas fiscais pode ser idônea. Daí a necessidade de dilação probatória — inclusive por meio de prova pericial — decorre, a um só tempo, de fundamento constitucional (artigo 50, LV) e legal (artigo 38 da Lei federal no 9.784/99). E justamente por força disso, a Recorrente formulou pedido para Fl. 5113DF CARF MF 28 [transcreveu aqui o trecho supostamente da impugnação] Aliás, segundo o art. 28 do Decreto no 70.235/72, era dever de a autoridade julgadora motivar o indeferimento da perícia requerida pela Recorrente, o que não ocorreu! Daí porque, à míngua de justificativa do indeferimento da perícia requerida este acórdão e nulo. Desistência parcial do recurso Conforme despacho de fls. 4.910, o contribuinte apresentou desistência parcial do recurso voluntário relativamente apenas à autuação de PIS e de Cofins, atinente à operação soja. Permanece a lide quanto ao IRPJ e à CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 5114DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.101 29 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Recurso de ofício EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO – JUROS PAES 2003 O julgador entendeu que o registro de despesas de juros em período diverso do de competência só poderia ensejar a glosa quando houvesse prejuízo para o Fisco, o que não estaria comprovado no presente caso. Na peça impugnatória, o contribuinte havia aduzido o que se segue sobre esse tema: Pois bem, até o momento em que se aderiu ao PAES a Impugnante não havia escriturado a necessidade de pagamento de juros sobre esses valores. E isso porque havia contestação jurídica sobre a necessidade de pagamento dessas importâncias. Assim, não se escriturou essas despesas no correspondente período base (do nascimento da obrigação), justamente ao fundamento de que sobre elas pendia discussão jurídica. (...) (...) não poderia a fiscalização autuar a Impugnante pela indevida apropriação dessas despesas sem a correspondente alteração dos resultados operacionais dos exercícios passados. Discordo. Se as despesas são extemporâneas, caberia ao contribuinte comprovar a qual exercício se referem, pois, a depender da sua origem, seu registro em exercício posterior pode representar restituição indevida de tributo pago no passado. Por meio desse expediente, o contribuinte pode ter se apropriado de prejuízos de empresas sucedidas e, assim, burlar a vedação legal dessa sucessão. Pode burlar a trava de aproveitamento de prejuízos da própria empresa. E pode ainda burlar os prazos decadenciais de repetição do indébito tributário. Desse modo, não basta o contribuinte afirmar a escrituração extemporânea de despesas, ao se referir a exercícios passados, não causa prejuízos ao fisco, pois essa afirmação, ao contrário da assertiva da DRJ que serviu de fundamento da sua decisão, é falsa. Desse modo, voto por dar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário PRELIMINARES Começo o voto pela preliminar suscitada na parte final do recurso voluntário. Fl. 5115DF CARF MF 30 A defesa pede a nulidade da decisão recorrida ao alegar que fez pedido de perícia na impugnação e transcreve o suposto trecho. Assim, a decisão de primeiro grau, ao não se manifestar sobre esse pedido, teria maculado o seu direito de defesa. Logo, a decisão seria nula. Pois bem, verifiquei cada uma das impugnações (foram quatro, uma para cada um dos tributos lançados) e não localizei em nenhuma das peças. Cheguei até a passar o localizador de texto com diversas palavras constantes do trecho citado, mas nada encontrei. Assim, uma vez que não houve o pedido, não há que se falar, nem em tese, em cerceamento a direito de defesa. Rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. De igual sorte, não merece acolhida a preliminar de nulidade da autuação por ausência da busca da verdade material e carência de motivação. O termo de verificação fiscal sobeja no aspecto motivação, como veremos na parte atinente ao mérito. No tocante à verdade material, também não procede a alegação, como também veremos na análise de mérito. Vale ainda destacar que a nulidade do lançamento só se perfaz no caso de lavratura por autoridade incompetente, nos termos do art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Todos os demais vícios devem ser tratados no mérito. Ainda em sede preliminar, em relação a alguns itens glosados da despesa, o lançamento foi agravado, pois constavam do termo, mas não do auto de infração. A DRJ rejeitou a contestação da defesa de que a autoridade fiscal não teria competência nos seguintes termos: Está correto o entendimento da autuada de que, uma vez praticado o lançamento, não poderia a autoridade administrativa revêlo, se o particular já o está impugnando administrativamente. Sucede, porém, que, no presente caso, a determinação para o agravamento da exigência teve origem nesta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, conforme faz prova o despacho de fls. 4.272 e 4.273, assim redigido (grifouse): Senhor Delegado, Trata o presente processo de autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), relativos aos anos calendário de 2003 e 2004, conforme fls. 2.798 a 2.808 (IRPJ), 2.809 a 2.817 (CSLL), 2.818 a 2.824 (Cofins) e 2.825 a 2.831 (Pis), respectivamente. Consta do Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, de fls. 2.658 a 2.797, o seguinte (especificamente fls. 2.676 a 2.679, destaques do original): 3.1.3 DESPESAS INDEDUTÍVEIS SERVIÇOS Advocacia Portugal Gouvea Fl. 5116DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.102 31 No anocalendário de 2003, o contribuinte deduziu como despesas operacionais, conforme consta os lançamentos contábeis a débito da conta de resultados 45022 ASSIST.TÉCNICA E ADM. do subgrupo de DF Administrativas, valores referentes a pagamentos efetuados à ADVOCACIA PORTUGAL GOUVEA. Lançamentos constantes na escrituração fiscal: [...]. Considerando o disposto no art. 299 e parágrafos do Decreto nº 3.000/99, e visto que as despesas apropriadas referentes a ADVOCACIA PORTUGAL GOUVÊA são referentes a serviços de assistência jurídica prestados na realização da operação OPA Oferta Pública de Ações, e portanto consideradas como despesas indedutíveis por não serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, os valores serão glosados e por conseguinte adicionados ao lucro líquido do período na apuração do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL. [...]. 3.1.4 DESPESAS INDEDUTÍVEIS SERVIÇOS Zaliplan e Runner. Conforme consta da escrituração contábil do contribuinte, no anocalendário de 2003, foi apropriado como despesas operacionais na conta de resultados 45022 ASSIST.TÉCNICA E ADM. do subgrupo de DF Administrativas, conforme lançamentos contábeis abaixo discriminados: [...]. Isto posto e considerando que os valores lançados como despesas operacionais, lançados a débito da conta de resultados 45022 ASSIST.TÉCNICA E ADM. do subgrupo de DF Administrativas, no valor total de R$ 16.000.000,00 (Dezesseis milhões de reais), são consideradas despesas indedutíveis por não serem necessárias às atividades da empresa e à manutenção da fonte produtora nos termos dispostos no art. 299 e parágrafos do Decreto nº 3.000/99 e não tendo sido adicionados para fins de apuração do Lucro Real e da base de Cálculo da CSLL, estes serão glosados como despesas e adicionados ao lucro líquido do exercício na apuração do Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL. Sucede, porém, que não foram incluídos nos correspondentes autos de infração de IRPJ (fls. 2.798 a 2.808) e de CSLL (fls. 2.809 a 2.817) os referidos tópicos. Considerandose que se está diante de erro material traduzido na desconformidade entre a vontade da autoridade administrativa competente e aquela disposta na formalização do lançamento , propõese o encaminhamento do presente processo ao órgão de origem para, se este entender cabível, proceder à lavratura de auto de infração complementar, nos termos do art. 18, § 3º, do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Fl. 5117DF CARF MF 32 À superior consideração. Na hipótese, portanto, prevalece o entendimento assentado no Acórdão da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes de nº 10321.392, de 15/10/2003, assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL EXTINTO Após o encerramento da ação fiscal com intimação e ciência do sujeito passivo, e por este inaugurada a fase litigiosa, a competência para a expedição de lançamento complementar para agravamento da exigência é da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a teor do que dispõe o artigo 15, parágrafo único, combinado com o artigo 18, § 3º, do Decreto nº 70.235/72. Do voto condutor desse aresto, colhese (destacouse): Como se nota, o autuante, sem sombra para dúvida, exorbitou de sua competência, ao lavrar o referido termo complementar, quando se sabe que, ao proceder ao encerramento da ação fiscal, com a intimação do sujeito passivo, e por este apresentada a competente impugnação, instaurada ficou a fase litigiosa, nos termos do artigo 14, do Decreto nº 70.235/72, e, por via de conseqüência, encerrada ficou a sua participação no feito, passando o litígio, a partir daquele momento, para a competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, inclusive para decidir sobre o agravamento da exigência, com devolução de prazo para impugnação, conforme disposto no artigo 15, parágrafo único, combinado com o artigo 18, § 3º, do Decreto nº 70.235/72. Quanto à assertiva de que a revisão de ofício levada a efeito não se enquadraria em nenhuma das hipóteses mencionadas no art. 149 do CTN, não está correta. Como bem salientado ao final do excerto do voto anteriormente transcrito, a previsão de agravamento da exigência consta, expressamente, de ato com força de lei (Decreto nº 70.235, de 19721), em seu art. 15, parágrafo único, combinado com o art. 18, § 3º, atendendo ao que dispõe o art. 149, inciso I, do CTN (“O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine;”). Sou pela rejeição da argumentação. Só discordo de um ponto da DRJ, a autoridade fiscal tinha sim a competência para lançar, uma vez que havia total omissão, no lançamento original, do item de autuação. Rejeito, assim, todas as preliminares suscitadas. MÉRITO DESPESAS INDEDUTÍVEIS DESPESAS COM OFERTA PÚBLICA DE AÇÕES OPA A linha de argumentação da defesa para contraditar a decisão recorrida está calcada também no art. 442 do RIR/99. Vejamos sua redação: 1 O Tribunal Federal de Recursos (TFR), por meio da AMS nº 106.747DF, estabeleceu que o Decreto nº 70.235, de 1972, possui status de Lei. Fl. 5118DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.103 33 Art. 442. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38): I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. Parágrafo único. O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 1º). De fato, considerando que o resultado positivo de alienação societária só não é tributado numa situação específica, a linha adotada pela defesa é a interpretação mais adequada para considerar que as despesas na aquisição de suas próprias ações podem compor o resultado e, por conseguinte, reduzir a base de cálculo do IRPJ (e da CSLL). Nada obstante, discordo dessa interpretação. Já decidi anteriormente que o resultado na alienação de ações (e quotas) não deve transitar pelo resultado comercial e, portanto, não compõe a base de cálculo do IRPJ. Abaixo, transcrevo a ementa pertinente do AC 120100.036, de 12 de maio de 2009: ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE QUOTAS — o ágio na aquisição de quotas de capital das sociedades de responsabilidade limitada não deve compor o resultado comercial do exercício. Como inexiste disposição que determine sua adição para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda, também não deve compor o lucro real. Segue também o voto em que apresentei com minúcias os fundamentos: Antes de nos debruçarmos sobre o tema da tributação do ágio, merecem destaque os seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). Podemos claramente perceber que não há na lei do imposto de renda uma estipulação, por assim dizer, completa do lucro real. A princípio, a base de cálculo do imposto de renda é o próprio lucro comercial, isto é, o resultado positivo da atividade das empresas em conformidade com a legislação comercial. Nada obstante, em razão das diferenças entre o regime jurídico de direito privado e o regime de direito público tributário, a lei fiscal pode estabelecer diversidade de tratamento em relação aos mais variegados fatos passíveis de integrar um e outro lucro. Nesse caso, porém, a lei fiscal não é exaustiva. Ela se limita a prescrever o que possuir tratamento diferente do regido pelo direito comercial. O lucro apurado segundo as regras comerciais apresenta propósito diverso daquele estipulado como base de cálculo do imposto sobre a renda. No primeiro caso, o lucro tem a finalidade de aferir a parcela do resultado da empresa a que tem direito seus sócios; no segundo, a de dimensionar o fato jurídico tributário de a empresa auferir renda nova. Em razão disso, por exemplo, os dividendos recebidos de outras pessoas jurídicas devem compor o lucro comercial, mas não o lucro real. Como a definição da base de cálculo do imposto de renda parte da definição do lucro comercial, os dividendos devem então ser tratados como uma exclusão pela legislação tributária. Desse modo, para a correta compreensão do regime jurídico a que estão submetidos os diversos fatos econômicos praticados pelas empresas, o percurso de interpretação deve principiar pela sua disciplina comercial para depois ser verificado se há tratamento diverso pela lei tributária. Se um fato deve compor o lucro comercial e a lei do imposto de renda nada sobre ele prescreve, então deverá também compor a base de cálculo desta exação. De igual turno, se não deve compor o lucro comercial e a lei do imposto de renda também for silente, a mesma sorte terá, isto é, não deverá compor o lucro real. Fl. 5119DF CARF MF 34 Fixadas essas premissas, devemos perquirir qual é o tratamento comercial do ágio na aquisição de quotas de capital das sociedades limitadas. Na época dos fatos, estas sociedades eram regidas pelo Decreto nº 3.708/1919, o qual não estabelecia qualquer disciplina sobre o referido fato. Nada obstante, seu art. 18 assim ditava: Art. 18 Serão observadas quanto às sociedades por quotas, de responsabilidade limitada, no que não for regulado no estatuto social, e na parte aplicável, as disposições da lei das sociedades anônimas. É, em razão disso, nítido o caráter suplementar da lei das sociedades anônimas para o estabelecimento do regime jurídico das sociedades limitadas. Pois bem, em dois de seus dispositivos, a Lei nº 6.404/76 estabelece que o ágio na subscrição de capital deve ter o tratamento de reserva de capital. Abaixo os transcrevo: Art. 13. [...] § 2º A contribuição do subscritor que ultrapassar o valor nominal constituirá reserva de capital (artigo 182, § 1º). [...] Art. 182. [...]. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; Esses dispositivos são suficientes, no meu entender, para afirmar que tais valores não devem transitar por contas de resultado e, com isso, não devem compor o lucro comercial. Reforça ainda mais esse meu entendimento ao verificarmos que a Lei das SA disciplina minuciosamente os itens que devem compor a apuração do resultado do exercício sem qualquer menção ao ágio. Desse modo, o ágio na aquisição de quotas de capital das sociedades de responsabilidade limitada devem ter o mesmo tratamento, ou seja, não devem compor o resultado comercial do exercício. Assim, para integrarem o lucro real seria necessário que a lei do imposto de renda expressamente estipulasse uma adição. No entanto, não há qualquer dispositivo nesse sentido. Nesse passo, contudo, cabenos explicar a razão e a correta interpretação dos seguintes dispositivos do regulamento do imposto de renda: Art. 442. Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38): I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. Parágrafo único. O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 1º). Afinal, se por meio da regra geral de apuração do lucro real, que estipula como ponto de partida o lucro comercial, combinada com as disposições da Lei das Sociedades Anônimas, já seria possível afirmar que o ágio na emissão de ações por tais sociedades não deve compor o lucro real, qual finalidade cumpriria a referida estipulação da lei do imposto de renda? Seria ela inútil, então? As leis não exercem apenas funções de inovar a ordem jurídica. Para aqueles que ainda se apegam às antigas lições de hermenêutica baseadas na codificação napoleônica, a lei não teria palavras inúteis e, assim, todos seus termos deveriam ser interpretados como dirigidos a modificar o ordenamento até então em vigor. Evidentemente, tais lições há muito já foram superadas. Apesar de os diplomas legais servirem tipicamente para criar, extinguir e modificar direitos e deveres, não ficam restritos a tais funções. É prática legiferante costumeira a reiteração de prescrições já anteriormente previstas com a finalidade de garantir maior organicidade à matéria disciplinada ou de evitar eventuais dúvidas que poderiam pairar em razão da interpretação intertextual. Os dispositivos do DL nº 1.598/77 (reproduzidos no Regulamento do Imposto de Renda) relativos ao ágio na emissão de ações por sociedades anônimas não inovam, apesar de deixarem mais clara, a disciplina tributária a que se submetem estes valores. Fl. 5120DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.104 35 Concluir em sentido oposto sob o fundamento de que a lei sempre exerce função inovadora da ordem jurídica é não compreender as múltiplas funções que estão à disposição do discurso do legislador. Pior é concluir que, se a lei autoriza a exclusão num caso (sociedades anônimas), então proíbe nos demais (dentre os quais, os praticados pelas sociedades de responsabilidade limitada), pois implica exigir tributo com base em “sentidos implícitos”. Por força do ditame da estrita legalidade tributária, tributo deve sempre ser estabelecido por dicção legal expressa em relação a todos os critérios compositivos da regra de incidência tributária, dentre os quais, a base de cálculo. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário na parte relativa à tributação sobre o ágio. No mais, sigo o voto condutor. Pois bem, como desenvolvi acima, não há propriamente uma isenção para o ágio na emissão de ações de SA. A lei para o caso é redundante, uma vez que os valores ganhos e despendidos na negociação das próprias ações da empresa devem ser registrados diretamente em contrapartida do Patrimônio Líquido, sem transitar pelo resultado do exercício. Assim, se não há previsão legal de adição (no caso de resultado positivo), nem de exclusão para fins de apuração do lucro real, tais valores não irão compor a base de cálculo do IRPJ (e nem da CSLL, uma vez que esta contribuição é calculada sobre o lucro líquido), seja para mais (como decidi naquela ocasião), seja para menos (como no presente caso). Com base nessas razões, com relação às quais mantenho o meu alinhamento, havia preparado um voto para negar provimento ao recurso nesse ponto. No entanto, durante o julgamento, formouse a convicção por parte dos conselheiros de que a manutenção do auto de infração com base em tais premissas inovaria o critério jurídico do lançamento, o que não é da competência do julgador tendo em vista o caráter privativo da atividade administrativa de constituir o crédito tributário nos termos artigo 142 do Código Tributário Nacional. De fato, o fundamento jurídico do lançamento foi outro, qual seja, a desnecessidade das despesas com o que não concordo. As operações de OPA são sim necessárias, usuais e normais na vida de um empresa e, portanto, os dispêndios com elas não podem ser desconsiderados. A questão é de outra ordem não considerada pela autoridade fiscal. Tais dispêndios não são qualificados como despesas, não modificam o resultado do exercício e, portanto, não reduzem a base de cálculo do IRPJ, nem da CSLL. São registrados diretamente como redutor do patrimônio líquido, mas tais razões requalificam o fato jurídico tributário positivado pela autoridade fiscal e, portanto, não podem ser adotadas como fundamento para a manutenção do lançamento. Só nos resta afastar a razão adotada pela autoridade fiscal e, dessa sorte, dar provimento ao recurso voluntário quanto a essa infração. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DO IPC/89 Já enfrentei esse tema nos autos do processo administrativo nº 15586.720036/201116. Lá, a autoridade fiscal aduzia também que a contribuinte estava obrigado a corrigir todas as suas contas submetidas à sistemática da correção monetária e acrescia que deveria ter oferecido o saldo correspondente do lucro inflacionário à tributação Fl. 5121DF CARF MF 36 para só aí poder baixar contra conta de resultado os bens do ativo permanente com o diferencial de correção. Discordei dessa interpretação fiscal com as seguintes considerações: O Julgador de primeira instância, a PFN e, pelos termos do voto condutor da diligência que foi baixada seguiram pela mesma linha. Nada obstante e com a devida vênia a todos, as premissas estão equivocadas em função da confusão entre dois itens de resultado. Uma coisa é o resultado da correção monetária do balanço de um determinado ano, que poderá ser credor e, portanto, aumentar o resultado tributável do período em questão (no caso dos autos, o anocalendário de 1989) ou devedor e, assim, reduzir o referido resultado. Em termos genéricos, o saldo é credor quando o ativo permanente é maior que o patrimônio líquido, e é devedor quando ocorre o contrário. Outra coisa é a apropriação ao resultado de exercícios posteriores da redução dos itens do ativo permanente por depreciação, amortização, exaustão e simples baixa. Pois bem, ao se aumentar, como foi feito pela decisão judicial, o índice de correção monetária do período em questão (1989), o resultado da correção monetária do balanço e, conseguintemente, do chamado lucro inflacionário pode ser credor ou devedor. Isso dependerá da composição do balanço da interessada. No entanto, o provimento judicial que deferiu o aumento do índice inflacionário sempre resultará num aumento das despesas de baixa de itens do ativo permanente, pois estes mesmos itens terão aumentado de valor. Claro que este aumento poderia resultar num lucro inflacionário, mas um efeito não está necessariamente atrelado ao outro. O que o contribuinte pleiteou na ação judicial foi a atualização do seu balanço para fins de apropriar as despesas com as baixas do ativo permanente nos anos vindouros e isso foi reconhecido pela decisão passada em julgado. Ademais, mesmo que a decisão tivesse os efeitos pretendidos pela autoridade fazendária, caberia a esta lançar o eventual lucro inflacionário e não glosar as despesas de baixa do ativo. Por outros termos, não é condição para a apropriação das despesas de baixa do ativo que a correção monetária destes tenha sido oferecida à tributação nos anos anteriores. Devese ainda registrar que, diferentemente das despesas de juros apropriadas no PAES em relação às quais voto pela manutenção da autuação ao dar provimento ao recurso de ofício, as despesas aqui discutidas não haviam como ser reconhecidas antes da decisão judicial. Com a decisão, para fins contábeis, não há como retroagir e retificar sua escrita. Essa variação patrimonial deve ser reconhecida diretamente contra a conta "lucro acumulados" classificada no Patrimônio Líquido e, dessa forma, para fins fiscais, deve ser registrada uma exclusão, tal qual procedeu o contribuinte. Pelo exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário para afastar a autuação que glosou a exclusão atinente a majoração de baixas do ativo permanente decorrente do expurgo inflacionário judicialmente reconhecido. DESPESAS DE ASSESSORIA NA OPERAÇÃO SOJA E DEMAIS DESPESAS E CUSTOS A defesa reitera as razões apresentadas na impugnação relativamente às despesas de assessoria e acrescenta que DRJ inovou no fundamento da autuação, uma vez que esta se calcou na não necessidade de tais despesas. Ademais, com base num longo arrazoado, aduziu que as despesas ocorreram, mesmo que as operações com soja não tivessem ocorrido. Com relação às demais despesas e custos glosados da operação soja, calca a sua defesa em duas linhas principais: Fl. 5122DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.105 37 a) é terceiro de boafé e vítima do esquema, ainda que as operações tenham sido fraudulentas; b) a autoridade não comprovou de forma individualizada a não validade das operações. Em relação a ser terceiro de boafé, aduziu: Diante desse leque de obrigações da Globalbank Consulting Ltda. e da Deloitte Touche Tohmatsu, a ora Impugnante sentiuse confortavelmente segura para realizar essas operações (mormente pela notória ‘expertise’ de uma das contratantes Deloitte Touche Tohmatsu que, acima de tudo, realiza a auditoria de parte das contas do Governo do Estado de São Paulo. Maior idoneidade não havia!). Ademais: Em síntese: a Impugnante foi tragada para uma operação que aparentava ser, em todos os seus aspectos (formais e materiais), absolutamente lídima e válida. Também alega que não lhe cabe comprovar a sua boafé, como se infere do seguinte trecho: Obviamente não poderia ser incumbida a Impugnante da tarefa de demonstrar a boafé dos negócios por ela realizados. No tocante à alegada não comprovação da invalidade das operações, a defesa alega que a Fazenda Pública pretendeu, com base em investigação da fiscalização tributária paulista, desviar a validade das operações. O Fisco Federal teria se apropriado de conclusões da fiscalização paulista, sem se preocupar em fazer sua própria formação probatória. Ademais, alega que as provas colhidas na SANTA CRUZ pelo fisco estadual foram declaradas ilícitas pelo Judiciário, pois a busca foi desamparada de autorização judicial. Esse último ponto foi assim enfrentado pela DRJ: Com relação à pretensa apreensão ilegal dos documentos fiscais da empresa Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda., observase que a decisão do Juízo da 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Cuiabá, que declarou nulos os atos de apreensão de documentos e os procedimentos fiscais deles conseqüentes, determinando que fossem restituídos à empresa os documentos, livros fiscais e contábeis e demais papéis apreendidos, foi reformada pela Sexta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, no Reexame Necessário de Sentença c/ Recurso de Apelação Cível nº 15.936/2007, de 16/05/2007. Do voto condutor do referido acórdão, da lavra do Dr. Marcelo Souza de Barros o mesmo que havia prolatado o Agravo de Instrumento de nº 39.588/2005, parcialmente transcrito pela interessada de fls. 2.878 e 2.879 extraise o seguinte excerto (fls. 4.627 a 4.637) (destaques da transcrição): Meritoriamente, colhese dos autos que, no dia 04/11/2004, foi realizada uma “Ação Fiscalizatória” na sede da empresa da apelada, com emissão do “Termo de Início de Ação Fiscal”, que resultou em arrecadação e na apreensão de todos os seus livros, Fl. 5123DF CARF MF 38 documentos fiscais e contábeis. Transcorridos quase seis meses, a empresa ingressou com a ação declaratória de atos insubsistentes, com pedido de tutela antecipada, sendo determinada a devolução de todo o material arrecadado e apreendido. Essa interlocutória foi objeto de agravo de instrumento que, ao ser apreciado por esta Egrégia Câmara, em 30/11/05, manteve a decisão agravada (f. 704/710). Tal decisão, contudo, não foi cumprida, pois foi requerido, pelo Ministério Público Estadual, um mandado de busca e apreensão ao Juízo da 6ª Vara Criminal da Capital, que deferiu o pedido, encontrandose os documentos da empresa apelada, portanto, apreendidos por ordem judicial desde 18/01/06 (f. 761/765). [...]. Assim, apesar de ainda não se ter notícia da instauração de inquérito policial para apurar os supostos crimes, nem haver denúncia do Ministério Público contra a suposta organização criminosa e, conseqüentemente, Ação Penal, os fatos tratados nos autos são gravíssimos e, conforme se constata pelos documentos acostados aos autos que resultou no Relatório Circunstanciado (f. 766/848) trabalho realizado pelo Fisco Estadual e pelo Ministério Público de 1º grau além dos ilícitos tributários, há fortes indícios de que a empresa recorrida faça parte de organização criminosa, atuando com exportação fictícia de soja e derivados, em esquema de evasão fiscal, provocando desfalques milionários ao erário da União, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso. A conclusão do relatório foi que todas as operações realizadas pela empresa apelada estão marcadas pela simulação, tanto as aquisições de soja como as remessas para beneficiamento e as descritas nas notas fiscais emitidas em nome da AXIS. Assim, apesar da arrecadação e apreensão dos documentos da empresa terem ocorrido, exclusivamente, por força da ação fiscalizatória, ficou evidente a razão de sua retenção pela Fazenda e pelo Ministério Público, além de que, atualmente, estão amparadas por ordem judicial. Com efeito, existe na atualidade fato superveniente que deve ser levado em consideração para o julgamento do apelo e que se repousa na decisão expelida pelo Juízo Criminal ordenando a apreensão dos documentos. É assim porque a inteligência do artigo 471, do CPC, consente que o Juiz leve em consideração, ao decidir, todos os fatos ocorridos até o instante do julgamento da causa. [...]. Por estas razões, dou provimento ao recurso voluntário para, reformando a sentença vergastada, julgar improcedente a ação declaratória proposta pela SANTA CRUZ INDUSTRIAL, COMERCIAL AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA., invertendose o ônus da sucumbência. Fl. 5124DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.106 39 Referido acórdão foi referendado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial nº 1.049.317MT, de 06/05/2008, de seguinte teor (fls. 4.638): Cuidase de recurso especial interposto por Santa Cruz Industrial Comercial, Agrícola e Pecuária Limitada visando à reforma de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, a externar a compreensão de que “apesar da arrecadação e apreensão dos documentos da empresa terem ocorrido, exclusivamente, por força da ação fiscalizatória, ficou evidente a razão de sua retenção pela Fazenda e pelo Ministério Público, além de estar, atualmente, amparada por ordem judicial, expedida pelo juízo criminal”. [...]. Relatados. Decido. [...]. Demais disso, consta expressamente do acórdão recorrido que, a despeito de a documentação da ora recorrida ter sido retida por meio de ação fiscalizatória, é fato que hoje tal retenção se deve à decisão prolatada pelo Juízo Criminal, o qual ordenou a apreensão dos documentos. Tal fundamento não foi impugnado nas razões recursais e é suficiente, per se, à mantença do aresto hostilizado, tendo em vista que se busca na via mandamental, à justa, a devolução integral de livros contábeis e fiscais, “além das coisas e da documentação apreendida” (Súmula n. 283/STF). Estas as razões, NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial, com esteio no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil. Ressaltese, ainda, a existência de Inquérito Policial – Processo nº 137/2007, abrangendo não apenas a empresa Santa Cruz Industrial Comercial Agrícola e Pecuária, mas também Axis Comercial e Importadora Ltda. e Sperafico da Amazônia S/A. (fls. 4.639). A respeito da inidoneidade daquela primeira empresa, o Relatório de Informações nº 5D778FB8, de fls. 1.997 a 1.999, da Assistência de Inteligência Fiscal Diretoria Executiva da Administração Tributária Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda de São Paulo, é incisivo, não pairando quaisquer dúvidas a respeito. Vejase: 5. CONCLUSÕES [...]. A maior parte das notas fiscais de venda de soja em grãos teria como origem a filial cuiabana da SANTA CRUZ. No entanto, constatouse tratar de modesto escritório, incompatível com atividade de empresa atacadista de soja. Não foi encontrado qualquer registro ou controle, nesta filial da SANTA CRUZ, do trânsito das toneladas de soja consignadas nas suas notas fiscais de venda. Fato corroborado pelos controles de fronteira do Fisco do Mato Grosso, relativo ao perí odo de 01/01/1999 até 18/11/2004: “nenhum veículo Fl. 5125DF CARF MF 40 transportando mercadorias descritas em documentos fiscais emitidos pela SANTA CRUZ transitou pelos postos fiscais de fronteira do Estado do Mato Grosso”. Encerram a questão da simulação de trânsito interestadual de mercadorias, a farta utilização de carimbos comprovadamente falsos nas notas fiscais de titularidade da filial matogrossense da SANTA CRUZ. As empresas citadas como depositárias ou destinatárias das toneladas de soja em grãos “vendidas” à filial da SANTA CRUZ em Mato Grosso, a Encomind e a Sperafico, afirmaram peremptoriamente, por escrito, não ter havido, em seus estabelecimentos, depósitos ou movimentação de mercadorias de propriedade da SANTA CRUZ. Analisada as origens dos milhares de toneladas de soja em grãos supostamente vendidos para a filial cuiabana da SANTA CRUZ, apenas no período de dezembro de 2003 a outubro de 2004, que somaram cerca de R$ 500 milhões, através de diligências fiscais e verificação de documentos colhidos referidos aos ditos fornecedores desta filial, concluiuse pela total inexistência dessas operações de aquisição de soja. É farta a comprovação de que as empresas constantes como fornecedoras de soja em grãos para a SANTA CRUZ: ou nunca existiram (GLOBO, MULTAGRO e PSW TRADING); ou existiram e encerraram suas atividades há tempo, tendo os seus dados de cadastro sido utilizados para simular operações mercantis (SASP e SIPEL); ou existem e tiveram seus dados utilizados em flagrante contrafacção de notas fiscais (HA PORTELA, ALICENTRO e GRANOL). Por todo o exposto, com a compilação da documentação colhida e das diligências efetuadas, que formam constelação avassaladora de evidências, fatos e provas, restou a conclusão única e irretorquível da simulação das operações de compra, armazenagem e venda de soja em grãos efetuadas pela matriz e pelas filiais da empresa SANTA CRUZ. Destarte, ainda que num louco devaneio se pudesse ter como ilegal a apreensão de livros e documentos realizada na empresa Santa Cruz Industrial Comercial Agrícola e Pecuária, a só presença da fiscalização no estabelecimento desta, resultando na descrição de suas dependências e na obtenção de fotos do local (vide Relatório de Diligências Fiscais e Análise Documental, de fls. 1.628 a 1.669, em especial, fls. 1.641 a 1.658), já seria suficiente para caracterizar a impossibilidade física da venda, à ora impugnante, de 255.000 (duzentas e cinqüenta e cinco mil) toneladas de soja, no período de menos de um ano (15/12/2003 a 03/12/2004) (planilha de fls. 2.732). Em relação a toda esse conjunto de razões da decisão recorrida, a defesa não oferece contestação específica. Desse modo, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos acerca da legalidade de parte das provas colhidas. Adentrando agora ao mérito propriamente dito da acusação, cumprenos fazer uma síntese do termo de verificação. Basicamente a acusação fiscal aduz: Fl. 5126DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.107 41 a) no ano de 2003, muitas empresas foram procuradas por "consultores tributários" que ofereciam serviços de assessoria para fins de obter vantagens tributárias de direitos de crédito de IPI, ICMS, PIS e Cofins; b) o esquema correspondia aos seguintes passos: b.1) aquisição de soja em grãos de SANTA CRUZ INDUSTRIAL COMERCIAL AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA., FILIAL DE Cuiabá (MT); b.2) Remessa da soja em grãos adquirida para industrialização nas empresas Rubi S.A Comércio Indústria e Agricultura, Sperafico da Amazônia SA e Sperafico Agroindustrial Ltda. b.3) Venda com fins específicos de exportação dos produtos industrializados da soja (óleo e farelo de soja) para empresas atuantes no comércio exterior, no caso a empresa Cooperativa Agropecuaria Norte Pioneiro — CANORP e Axis Coml. Importadora e Exportadora Ltda. c) a autuada, conhecida indústria do ramo de produção de artefatos plásticos para construção civil, contabilizou essas operações de dezembro de 2003 a dezembro de 2004. A fiscalização descreve o modo peculiar de "pagamento" da operação de compra dos grãos: Os documentos referentes a pagamentos efetivos efetuados pela TIGRE indicam que somente houve um real desembolso em relação às operações registradas como serviços de industrialização por encomenda e os pagamentos efetuados decorrentes da diferença de valores entre o valor de aquisição da soja em grãos e o valor das vendas do produto com fins específicos de exportação, bem como, àquelas constantes das notas fiscais de serviços de gerenciamento, acompanhamento e armazenamento. Nas demais operações de aquisição de grãos de soja, conforme consta nos Contratos de Compra e Venda de Grãos de Soja os pagamentos do produto, seriam como de fato constam na contabilidade, pelo fornecimento das duplicatas que a TIGRE emitiu ou emitiria contra os clientes adquirentes dos produtos industrializados extraídos da soja, cláusula constante nos contratos anteriormente referidos, antes mesmo da industrialização e venda dos derivados e antes de ser concluída quaisquer das operações. Não há, pois, efetivo desembolso pela TIGRE e nem sequer risco no caso de inadimplência do adquirente, pois tal risco era assumido pelo seu fornecedor. Ora, é o melhor dos negócios. Nada de risco e ainda obtém vantagens tributárias. Ainda segundo a acusação fiscal, a TIGRE não obteve margem de lucro. Houve ainda algumas operações em que a TIGRE teve prejuízo. Sua vantagem, em todas, foi, portanto, apenas tributária. Já a empresa responsável pelo fornecimento à TIGRE (SANTA CRUZ) não possuía capacidade para oferecer o produto, como veremos a seguir. Ademais, a empresa de assessoria (GLOBALBANK) era remunerada, conforme contrato obtido pela autoridade fiscal, com honorários estabelecidos num valor por tonelada de soja negociada. Fl. 5127DF CARF MF 42 É interessante também notar que, numa das cláusulas firmadas entre a empresa de assessoria e a TIGRE, a primeira tinha a obrigação de fornecer à TIGRE os pedidos eletrônicos de compensação dos créditos tributários oriundos da operação. Os encargos da TIGRE eram apenas o de fornecer os documentos fiscais (notas fiscais) e fazer os registros contábeis. Como uma empresa adquire um insumo, o industrializa, vende e não tem nenhum contato físico com o produto? Tudo é organizado pela empresa de consultoria e por ela administrado, sendo remunerada proporcionalmente ao volume do produto e, portanto, também em relação à "economia tributária" proporcionada pela operação. A atuação de TIGRE equivale ao crime de receptação. Neste crime, não é necessário o conhecimento da origem ilícita do bem. Basta que essa origem seja apreciável, pelas condições do negócio. É o caso claramente aqui descrito. Não cabe aqui estampar que desconhecia a inidoneidade das empresas operadoras do esquema (a fornecedora dos graus e os adquirentes do farelo e do óleo). Tinha, pelas condições extravagantes do negócio, que verificar. Essa responsabilidade era sua. Vejamos a extravagante cláusula no contrato com a fornecedora dos grãos: 2. Considerando que a COMPRADORA promoverá a industrialização da SOJA para posterior exportação ou mesmo para consumo no mercado interno, a VENDEDORA declara estar de pleno acordo em receber como pagamento do seu fornecimento de grãos, duplicatas que a COMPRADORA emitirá contra seus clientes pelas vendas que realizar, respeitando inclusive a VENDEDORA, os vencimentos pactuados entre a COMPRADORA e seus clientes. 3 Recebidas as duplicatas, a VENDEDORA dará à COMPRADORA total quitação pela compra da SOJA em grãos por ela efetuada, sem direito a reembolso ou indenização na hipótese de tais títulos não serem honrados pelos respectivos sacados, assumindo, ela VENDEDORA, todo o risco e ônus da inadimplência. Mais extravagante ainda é cláusula que se segue no contrato: Todos os tributos e contribuições quer Federal, Estadual ou Municipal incidentes ou que vierem a incidir sobre o objeto do presente contrato e que a lei atribua a responsabilidade à VENDEDORA na condição de sujeito passivo, serão exclusivamente por ela suportados e devidos, e a quem caberá também manter a COMPRADORA sempre livre e a salvo de qualquer exigência ou ação. A TIGRE não assume qualquer risco pela operação, não tem qualquer desembolso, nem sequer para pagamento dos tributos incidentes na etapa de aquisição dos grãos e ainda adquire créditos tributários decorrente da venda para exportação. É o melhor dos mundos! Algo que caiu do céu, provavelmente. Ora, não é possível que os administradores da TIGRE não tivessem a mínima consciência de que estavam se envolvendo num negócio escuso em razão das condições. Como asseverei anteriormente, a atuação da TIGRE é similar ao crime de receptação. Notese que a TIGRE não é empresa especializada nesse ramo de negócios, a quem a fornecedora de grãos deveria se submeter para ter acesso aos clientes. A participação da TIGRE foi apenas para que esta adquirisse créditos tributários passíveis de quitar tributos devidos na sua atividade real e esta vantagem era Fl. 5128DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.108 43 repartida, mediante os honorários definidos na proporção do volume dos negócios, com a empresa de "consultoria". Nos contratos de transporte, também há cláusula em que a transportadora assume a responsabilidade por TODOS os tributos decorrentes do transporte. Da mesma forma, nos contratos de venda dos bens industrializados, há clausula em que a TIGRE fica liberada da responsabilidade por todos os tributos da operação. A autoridade fiscal constata que, nos contratos de todas as etapas da operação (aquisição, transporte, industrialização e venda), há cláusulas que isentam a TIGRE de qualquer ônus tributário. A autoridade fiscal também constatou que, para cada operação, foi realizada efetivamente uma exportação, mas de produtos adquiridos no mercado interno. Cada uma dessas operações de exportação, analisados um a um pela autoridade fiscal, teve seu documento fiscal clonado. Essas informações também foram obtidas nos registros do SISCOMEX, por meio do qual a autoridade concluiu: Conforme era de se esperar, no sistema de comércio exterior, não consta nenhum documento de exportação das empresas COOPERATIVA AGRÍCOLA NORTE PIONEIRO, CNPJ 77.479.442/000197 e AXIS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA CNPJ 01.626.210/000152, que faça menção de que os produtos exportados foram recebidos da empresa TIGRE SA TUBOS E CONEXOES.(grifei) A conclusão da autoridade fiscal é clara e contundente com base em todos esses fatos: as operações reais com soja não ocorreram. Em relação ao alienante dos grãos (SANTA CRUZ), este não era produtor do grão. Assim, para efetivamente operar, teria que adquirilos de outrem. No entanto, os seguintes fatos apurados pela Fazenda Estadual de Mato Grosso comprovam que não houve tais aquisições: a) Constatouse que a sua filial em Mato Grosso era composta apenas por algumas salas, o que torna as instalações incompatíveis com a atividade de atacadista de soja; b) Não havia controles contábeis, nem financeiros para quem dizia ter movimentado mais de R$ 500 milhões em operações com soja; c) nenhum veículo que supostamente transportou as mercadorias e que constam dos documentos fiscais passou pelos postos de fronteira de Mato Grosso; d) havia carimbos falsos de servidores do Estado de Mato Grosso para simular o trânsito interestadual; e) não houve armazenagem da soja em estabelecimento de terceiros. Apesar de haver registros nas notas fiscais dos fornecedores de soja para duas empresas (Encomind Agroindustrial e Sperafico da Amazônia) por conta e ordem da filial de SANTA CRUZ de Mato Grosso, declarações de representantes de ambas as empresas asseguraram que tais produtos não ingressaram em seus estabelecimentos; Fl. 5129DF CARF MF 44 f) a Santa Cruz não recolheu nenhum centavo de ICMS para o Estado do Mato Grosso; h) no registro de entradas da filial de SANTA CRUZ, colheramse informações de seus "fornecedores". Por meio de diligência em cada um deles, verificaramse diversos fatos que infirmam ter ocorrido tais operações, tais como existência de um terreno baldio no lugar informado como endereço do estabelecimento, encerramento de atividades de empresa em período anterior ao que consta dos documentos fiscais, dentre outros. O Fisco de São Paulo ratificou parte significativa das informações acima e ainda constatou que as placas identificadoras dos veículos que supostamente haviam sido empregados para fazer o transporte, não eram dotados dessa capacidade. Foram identificados veículos do tipo komni, vans, ônibus e de passeio. Em resumo, a filial da SANTA CRUZ em Mato Grosso, de quem a TIGRE supostamente adquiriu os grãos de soja, O Fisco de São Paulo também diligenciou junto às empresa "Rubi SA Comércio, Indústria e Agricultura" e "Sperafico", que teriam industrializado a soja em grãos. Em relação à Rubi, dentre outros fatos descritos, constatou, junto ao Detran pelas placas, que os veículos registrados nos documentos para registro de entrada de mercadoria não possuíam capacidade para o transporte das mercadorias, além de terem sido identificados veículos de passeio, kombis, vans e ônibus. No tocante à Sperafico, o próprio sócio da empresa declarou nunca ter recebido soja provinda da Santa Cruz. E assim prossegue o relatório fiscal relativamente a cada uma das pontas da operação. Esses são apenas os pontos principais que colhi da acusação fiscal que é riquíssima em detalhes, todos congruentes com a conclusão de inexistência da operação material com a soja. Tudo correspondeu a troca de documentos falsos entre os envolvidos. A autoridade fiscal investigou todas as etapas da operação SOJA. Desde a aquisição, ao transporte, passando pela industrialização, e finalmente a alienação para exportação. Em todas, sem exceção, juntou robustos elementos de inexistência dos fatos contabilmente registrados por TIGRE. É cristalina a inexistência de transações com soja. Todo o esquema visava ficticiamente criar para TIGRE créditos tributários. Diante de condições tão especiais, em que a TIGRE não teria que nada desembolsar, exceto a transferência de parte dos seus ganhos tributários para a "assessoria", em condições supostamente sem risco negocial e em condições comerciais e tributárias exageradamente vantajosas, não é razoável supor que a TIGRE tenha agido como um terceiro de boa fé. Da mesma forma de não ser crível que aquele que compra um equipamento novo e embalado por valor três vezes inferior ao de mercado em condições suspeitas, não tem o dever de desconfiar de corresponder a fruto de furto, roubo ou de outra origem ilícita; também não é crível que TIGRE tenha considerado normal toda essa operação, sem se acautelar de, diante de tantos ganhos, verificar, ao menos para algumas das operações, se o produto estava sendo comprado, transportado, industrializado e vendido da forma como a "empresa de assessoria" organizou. Na verdade, a TIGRE não ficou responsável nem pelo aproveitamento Fl. 5130DF CARF MF Processo nº 10920.002171/200649 Acórdão n.º 1401002.344 S1C4T1 Fl. 15.109 45 dos seus créditos tributários, delegando tal atividade (a de formalizar documentos de compensação) aos terceiros organizadores do esquema. Assim, a autoridade fiscal glosou todos os registros contábeis relacionados à intitulada operação SOJA, quais sejam, custos, despesas administrativas, serviços de industrialização, vendas de produtos com fins específicos de exportação, etc., bem como todos os créditos de PIS e Cofins advindos. Desse modo, não é fato que a autoridade fiscal federal tenha se esteado em acusações genéricas e nem em meras conclusões de autoridades estaduais. Como visto, há cópias dos contratos com as cláusulas não usuais, registros do Siscomex e, em relação às informações fornecidas pelos Fiscos Estaduais, não houve uma transposição de meras conclusões, mas sim o informe de diligências efetuadas por agentes públicos, diligências estas que correspondem a provas (tal qual um depoimento de um particular) e, como tais, passíveis de serem contraditadas pela defesa, que não se esforçou para tanto, como os registros das placas dos veículos de transporte que não correspondiam a tipos próprios para a atividade. Não houve por parte da autoridade fiscal acusação genérica, no sentido de comprovar a invalidade de uma operação e estender sua conclusão para as demais. Foi justamente o contrário. O trabalho fiscal foi extremamente minucioso, pontuando operação a operação, fase a fase, empresa a empresa envolvida. A defesa é que apresentou argumentos genéricos e totalmente em desacordo com os autos do processo. Também não procede a alegação da defesa de que a DRJ inovou o lançamento no tocante às despesas com assessoria. Está muito claro no termo de verificação que tais despesas não são necessárias em razão da não ocorrência das operações a que se destinavam. Conclusão Por todo os exposto, dou provimento ao recurso de ofício para restabelecer a autuação quanto à parte exonerada no primeiro grau e, quanto ao recurso voluntário, voto por rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, dar provimento parcial para afastar a autuação relativamente à da glosa de despesas indedutíveis, relativas à oferta pública de ações OPA e a glosa de exclusão atinente à correção pelo IPC/89. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 5131DF CARF MF 46 Fl. 5132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001259/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/2004, 31/01/2005, 31/12/2005
EMBARGOS. OMISSÃO. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DA INCORPORADA. POSSIBILIDADE.
A empresa incorporada é extinta mas não dissolvida, pois, seu patrimônio é transferido à incorporadora que é sua sucessora universal.
Assim, salvo expressa previsão legal de vedação, como é o caso da transferência de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL, temos que na seara tributária, a incorporadora sucede a incorporada também em relação aos créditos tributários gerados na empresa incorporada.
Numero da decisão: 1201-002.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2004, 31/01/2005, 31/12/2005 EMBARGOS. OMISSÃO. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DA INCORPORADA. POSSIBILIDADE. A empresa incorporada é extinta mas não dissolvida, pois, seu patrimônio é transferido à incorporadora que é sua sucessora universal. Assim, salvo expressa previsão legal de vedação, como é o caso da transferência de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL, temos que na seara tributária, a incorporadora sucede a incorporada também em relação aos créditos tributários gerados na empresa incorporada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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OMISSÃO. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DA INCORPORADA. POSSIBILIDADE. A empresa incorporada é extinta mas não dissolvida, pois, seu patrimônio é transferido à incorporadora que é sua sucessora universal. Assim, salvo expressa previsão legal de vedação, como é o caso da transferência de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL, temos que na seara tributária, a incorporadora sucede a incorporada também em relação aos créditos tributários gerados na empresa incorporada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 59 /2 00 7- 69 Fl. 635DF CARF MF 2 convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração do próprio Conselheiro Relator Luis Fabiano Alves Penteado, em face do acórdão nº 1201001.748 da presente Turma de Julgamento que traz o seguinte dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a multa moratória, no valor de R$ 18.703,64, relativa ao débito compensado e homologado, mantendo as demais autuações. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão embargado traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2004, 31/01/2005, 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÒRIA. CSLL. Se o contribuinte envia Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento e anteriormente à transmissão da DCTF, deverá ser afastada a multa de mora, pois está caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que a Declaração de Compensação equivale a pagamento. Conquanto, se a Declaração de Compensação não for homologada, não há que se falar na aplicação do instituto da denúncia espontânea e tampouco na exclusão da multa moratória. Os fundamentos para a oposição dos embargos foram assim apresentados: A análise de mérito dos julgadores desta turma foi no sentido de reconhecer os argumentos e, conseqüentemente, o direito defendido pelo contribuinte, tendo sido provido o dito Recurso Voluntário do contribuinte para afastar a multa moratória. Contudo, o acórdão ora embargado apresenta obscuridade vez que não deveria tratar de Recurso Voluntário mas sim de Recurso de Ofício, vez que o acórdão da DRJ cancelou o lançamento tributário e parte da compensação efetuada. Além disso, o acórdão apresenta omissão, pois, fora analisado no voto apenas questão relacionada à aplicação do art. 138 do CTN e conseqüente afastamento de multa, contudo, não foram analisados outros pontos do Recurso de Ofício como a possibilidade de aproveitamento de base de cálculo negativa de CSLL em sucessão decorrente de incorporação e cisão. Os embargos foram admitidos através de despacho de relatoria do ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11516.001259/200769 Acórdão n.º 1201002.258 S1C2T1 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise do vício apontado. Da obscuridade De fato, tendo sido parcialmente favorável à contribuinte, errou o acórdão ao tratar apenas de Recurso Voluntário. Contudo, em relação ao tema concernente à multa moratória e aplicação do art. 138 do CTN Denúncia Espontânea, temos que tratase de parte do acórdão da DRJ que havia sido desfavorável à contribuinte. Vejamos trecho do acórdão da DRJ: Assim, como a multa moratório (sic) exigida está regularmente prevista em legislação vigente, não pode este juízo afastar a sua aplicação, sob pena de, com isso, estar ultrapassando seus limites legais de competência. É por esta razão que não se pode ter procedentes as alegações da contribuinte, tratandose, portanto, de referendar a exigência da multa moratória. Assim, em relação a tal aspecto, não merece qualquer reparo o acórdão embargado. Contudo, o acórdão da DRJ foi favorável ao contribuinte no ponto em que aceita e reconhece o aproveitamento de bases de cálculo negativo de CSLL de empresa incorporada. Sendo que tal aspecto deveria ter sido analisada em sede de Recurso de Ofício, que é o que se passa a fazer neste voto. Da omissão O acórdão ora embargado não efetuou análise acerca da possibilidade de aproveitamento de saldo negativo de CSLL de empresa incorporada, tópico este que foi analisado pela DRJ que aceitou tal possibilidade. Para suprir a omissão do acórdão embargado, passo a fazer tal análise. Inicialmente, temos que o instituto da incorporação conforme previsão expressa da Lei das S.A (art. 227 da Lei n, 6.404/76) e também do Código Civil (art. 1.118) pode ser definido como a operação societária pela qual uma a incorporada é absorvida completamente pela incorporadora, que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. A empresa incorporada é extinta mas não dissolvida, pois, seu patrimônio é transferido à incorporadora que é sua sucessora universal. Fl. 637DF CARF MF 4 Assim, salvo expressa previsão legal de vedação, como é o caso da transferência de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL, temos que na seara tributária, a incorporadora sucede a incorporada também em relação aos créditos tributários gerados na empresa incorporada. O próprio CTN quando prevê em seu art. 132 que a incorporadora terá a responsabilidade pelos tributos devidos pela incorporada, também reforça a idéia de sucessão em relação aos créditos tributários. Tratase aqui de pura aplicação lógica do princípio da sucessão universal. A contrapartida lógica da sucessão em relação ao débitos é a conseqüente sucessão também no tangente aos créditos. Assim, entendo que foram acertado o acórdão da DRJ que aceitou a compensação de saldo negativo de IRPJ gerado pela empresa incorporada pela ora Recorrente, tendo em vista a ausência de vedação legal e a inocorrência de prescrição. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados sem efeitos infringentes para complementar a ementa do acórdão embargado que passa a ter o seguinte texto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2004, 31/01/2005, 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÒRIA. CSLL. Se o contribuinte envia Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento e anteriormente à transmissão da DCTF, deverá ser afastada a multa de mora, pois está caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que a Declaração de Compensação equivale a pagamento. Conquanto, se a Declaração de Compensação não for homologada, não há que se falar na aplicação do instituto da denúncia espontânea e tampouco na exclusão da multa moratória. SALDO NEGATIVO. IRPJ. EMPRESA INCORPORADA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. Tendo em vista que a incorporação pressupõe a sucessão da incorporada pela incorporadora em todos os direitos e obrigações e considerando inexistir vedação legal a respeito é válida a compensação de saldo negativo de IRPJ gerado na incorporada pela incorporadora. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11516.001259/200769 Acórdão n.º 1201002.258 S1C2T1 Fl. 4 5 Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000212/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL.
A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
Numero da decisão: 1301-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir o preço praticado na importação do produto Biolys (código 10003054) em R$ 999.174,61 e para exonerar o crédito tributário decorrente da infração de glosas de despesas com royalties. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão, entendendo que a IN SRF 243 seria ilegal em relação à inclusão de frete, seguro e tributos no preço praticado e também em relação à proporcionalização na aplicação do PRL60, acompanhando ainda o relator, por suas conclusões, em relação à impossibilidade de aplicação do método PIC pleiteado pela recorrente.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA. Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir o preço praticado na importação do produto Biolys (código 10003054) em R$ 999.174,61 e para exonerar o crédito tributário decorrente da infração de glosas de despesas com royalties. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão, entendendo que a IN SRF 243 seria ilegal em relação à inclusão de frete, seguro e tributos no preço praticado e também em relação à proporcionalização na aplicação do PRL60, acompanhando ainda o relator, por suas conclusões, em relação à impossibilidade de aplicação do método PIC pleiteado pela recorrente. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA. Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir o preço praticado na importação do produto Biolys (código 10003054) em R$ 999.174,61 e para exonerar o crédito tributário decorrente da infração de glosas de despesas com royalties. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 02 12 /2 00 8- 37 Fl. 5636DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.637 2 entendendo que a IN SRF 243 seria ilegal em relação à inclusão de frete, seguro e tributos no preço praticado e também em relação à proporcionalização na aplicação do PRL60, acompanhando ainda o relator, por suas conclusões, em relação à impossibilidade de aplicação do método PIC pleiteado pela recorrente. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 5637DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.638 3 Relatório EVONIK DEGUSSA BRASIL LTDA.recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1621.239 proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo/SP1 que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Trata o presente processo de lançamentos de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que constituíram o crédito tributário total de R$ 4.525.043,96 (quatro milhões, quinhentos e vinte e cinco mil, quarenta e três Reais e noventa e seis centavos), incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 28/11/2008 (fls. 421 e 427), conforme abaixo demonstrado: IRPJ R$ 1.464.066,80 CSLL R$ 527.064,05 JUROS DE MORA R$ 765.121,31 JUROS DE MORA R$ 275.443,67 MULTA PROPORCIONAL R$ 1.098.050,10 MULTA PROPORCIONAL R$ 395.298,03 TOTAL IRPJ R$ 3.327.238,21 TOTAL CSLL R$ 1.197.805,75 2. Nos termos expostos no Termo de Constatação Fiscal (fls. 358/372), o lançamento em foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: 2.1. Na DIPJ 2005 retificadora nº. 1232793, entregue em 30/06/2005, a empresa em comento declarou importações de vinculadas no montante de R$ 168.475.711,99 (cento e sessenta e oito milhões, quatrocentos e setenta e cinco mil, setecentos e onze Reais e noventa e nove centavos) e ajuste ao Lucro Real a título de Preços de Transferência no montante de R$ 1.496.371,68 (um milhão, quatrocentos e noventa e seis mil, trezentos e setenta e um Reais e sessenta e oito centavos). Em decorrência destas informações, a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar os documentos relativos a esta matéria. 2.2. Na apuração dos preços praticados pela empresa para definição dos ajustes relativos ao preço de transferência dos itens importados de empresas vinculadas, a fiscalização adotou os dados das importações extraídas dos sistemas da SRF, após serem retificados e ratificados pela fiscalizada, em resposta ao Termo de início de Fiscalização e ao Termo de Intimação nº. 2. Já em relação aos saldos iniciais dos estoques, a fiscalização utilizou as informações prestadas no arquivo magnético “saldos.xls”, que continha os dados consolidados dos Livros de Registro de Inventário de todos os estabelecimentos da empresa. 2.2.1. No cotejamento do estoque, a fiscalização verificou inconsistência em relação aos preços unitários de alguns itens importados. Em seqüência, foi exarada intimação Fl. 5638DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.639 4 para a apresentação das fichas de controle dos referidos itens, sendo utilizados os dados destas fichas nos seguintes casos: ESTOQUE INICIAL ESTOQUE FINAL CÓD. ITEM UNIDADE QTDE. VALOR QTDE. VALOR 10000218 Kg. Líquido 12.220 350.925,11 17.958 515.878,37 1003054 Kg. Líquido 32.000 119.077,01 80.000 458.949,74 2.3. No tocante à definição dos preçosparâmetro relativos às importações objeto da ação fiscal, a auditoria laborou com os dados insertos nos arquivos magnéticos entregues pela empresa “vendas.xls”, “Itens % quantitativo.xls”, “insumos.xls” e “custo da produção acabada.xls”, tendo adotado os métodos PRL, com margem de 20% (vinte por cento – art. 12 da IN SRF nº. 243/2002) ou 60% (sessenta por cento – art. 12 da IN SRF nº. 243/2002), partindose do custo CIF acrescido do imposto de importação, e PIC (art. 8º da IN SRF nº. 243/2002), com a utilização do custo FOB. 2.4. Na definição das quantidades em estoque inicial (01/01/2004) e final (31/12/2004), utilizadas na apuração das quantidades consumidas, a fiscalização baseouse nos dados constantes do arquivo eletrônico “saldos.xls”, com os dados consolidados nos Livros Registro de Inventário e nos dados das fichas de controle de estoques de alguns itens. 2.4.1. O estoque inicial foi considerado como composto integralmente de importações de vinculadas, vez que a empresa declarou não ter adquirido no mercado interno e nem de terceiros nenhuma quantidade dos bens sujeitos ao preço de transferência. Em razão das diferenças apuradas entre os preços praticados pela empresa para definição dos ajustes relativos ao preço de transferência dos itens importados de empresas vinculadas e os respectivos preçosparâmetro, a fiscalização ajustou as quantidades importadas de vinculadas e consumidas em 2004, incluindo as quantidades do estoque inicial. Ademais, ressaltase, no Termo de Verificação Fiscal, que eventuais ajustes referentes a saldos de períodos anteriores, efetivados pela fiscalizada, foram posteriormente deduzidos do ajuste apurado pela fiscalização. 2.4.2. A partir da apuração das quantidades consumidas pela fórmula [compras + estoques iniciais – estoques finais], a fiscalização, inicialmente, ajustou os estoques de importações de vinculadas remanescentes do ano anterior e que foram realizados (consumidos) no ano sob fiscalização (2004). A demonstração destes ajustes consta dos anexos “Demonstrativo de Ajuste do Estoque Inicial – Método PRL 20%”, “Demonstrativo de Ajuste do Estoque Inicial – Método PRL 60%” e “Demonstrativo de Ajuste do Estoque Inicial – Método PIC”. 2.5. Os ajustes apurados pela fiscalização das importações de vinculadas consumidas no anocalendário de 2004 constam dos anexos “Demonstrativo do Ajuste das Importações Consumidas em 2004 # Método PRL 20%”, “Demonstrativo do Ajuste das Importações Consumidas em 2004 # Método PRL 60%” e “Demonstrativo do Ajuste das Importações Consumidas em 2004 # Método PIC”. Ademais, na apuração do ajuste final do Lucro real e da Base de Cálculo da CSLL, a fiscalização considerou os ajustes declarados a tal Fl. 5639DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.640 5 título na DIPJ 2005, conforme valores discriminados na planilha “abertura linha50_com ajuste.xls”, em relação a alguns dos itens importados ajustados pela fiscalização, conforme resumido no quadro abaixo: MÉTODO DE AJUSTE TOTAL – R$ PRL – 20% Ajuste Estoque Inicial 1.294.249,31 PRL – 20% 4.905.999,12 PRL – 60% Ajuste Estoque Inicial 494.848,70 PRL – 60% 1.050.120,66 PIC – Ajuste Estoque Inicial 25.881,42 PIC 28.996,97 Ajuste Total Apurado 7.800.096,17 Ajuste declarado DIPJ/2005 888.367,10 Ajuste Final AI 6.911.729,07 2.6. A fiscalização ainda abarcou a análise da dedutibilidade dos valores pagos como “Royalties e Assistência Técnica – Exterior”, ressaltandose que não se aplica a tal matéria a legislação relativa aos preços de transferência, nos termos veiculados no art. 43 da IN SRF nº. 243/2002. 2.6.1. Na Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ 2005 retificadora nº. 1232793, a empresa deduziu a importância de R$ 6.410.175,58 (seis milhões, quatrocentos e dez mil, cento e setenta e cinco Reais e cinqüenta e oito centavos) sob a epígrafe “Despesas Operacionais – Royalties e Assistência Técnica – Exterior”. A empresa, a fim de comprovar a dedução do montante em foco do lucro do exercício, apresentou dois contratos de transferência de tecnologia e assistência técnica, ambos registrados no Banco Central do Brasil e averbados no INPI em data anterior ao período fiscalizado, quais sejam: * Contrato firmado em 09/01/1996 entre Degussa AG e Bragussa Produtos Químicos Ltda. – CNPJ 46.376.042/000122, a qual foi incorporada pela fiscalizada em 01/06/2004; * Contrato firmado em 01/11/2004 entre a fiscalizada e Degussa AG, com sede na Alemanha. 2.6.2. As despesas com royalties e assistência técnica são dedutíveis na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL nos coeficientes percentuais máximos estabelecidos nas Portarias MF nº. 346/1958, 113/1959, 314/1970 e 60/1994. No tocante aos royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, a legislação referida dispõe que para o “2º Grupo – Indústria de Transformação – Essenciais”, quanto ao tipo de produção Fl. 5640DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.641 6 “produtos químicos”, a porcentagem máxima de dedução é de 4% (quatro por cento) da receita líquida de vendas do respectivo produto. 2.6.3. O primeiro contrato, firmado pela incorporada BRAGUSSA, vincula o pagamento de royalties, no percentual de 3º (três por cento), às vendas líquidas do produto H2O2. Em relação a este contrato, em razão da incorporação ter ocorrido em 01/06/2004, apenas foram consideradas as vendas realizadas a partir desta data, para fins de apuração do limite de dedutibilidade das despesas com royalties. 2.6.4. O segundo contrato, firmado pela fiscalizada, vincula o pagamento de royalties, no percentual de 4%, às vendas líquidas dos produtos: Negro de Carbono (soft grade), Negro de Carbono (hard grade), Ecorax Grades, Purex Grades, Corax 100900 Series, Corax HP Grades e Printex Grades, fabricados na unidade Paulínia. 2.6.5. As receitas líquidas de vendas dos produtos acima referidos, considerados os valores constantes dos demonstrativos de apuração dos pagamentos de royalties, depois de cotejados com as notas fiscais de vendas declaradas na planilha “vendas.xls” apresentada pela empresa. Estas receitas foram adotadas na apuração do limite de dedutibilidade, nos termos expostos no quadro abaixo: PERÍODO VENDAS LÍQUIDAS (1) LIMITE DE DEDUÇÃO 3% VENDAS LÍQUIDAS (2) LIMITE DE DEDUÇÃO 4% LIMITE TOTAL Janeiro 4.851.794,00 194.071,76 194.071,76 Fevereiro 7.605.961,00 304.238,44 304.238,44 Março 5.839.562,00 233.582,48 233.582,48 Abril 5.597.861,00 223.914,44 223.914,44 Maio 6.066.003,00 242.640,12 242.640,12 Junho 5.782.358,03 173.470,74 5.452.289,00 218.091,56 391.562,30 Julho 4.449.708,32 133.491,25 6.833.494,80 273.339,79 406.831,04 Agosto 7.968.377,43 239.051,32 8.635.265,58 345.410,62 584.461,95 Setembro 8.876.963,00 266.308,89 9.096.810,74 363.872,43 630.181,32 Outubro 9.185.123,49 275.553,70 8.704.249,84 348.169,99 623.723,70 Novembro 8.032.131,65 240.963,95 8.581.206,50 343.248,26 584.212,21 Dezembro 10.539.864,00 316.195,92 5.504.823,00 220.192,92 536.388,84 TOTAL 54.834.525,92 1.645.035,78 82.769.320,46 3.310.772,82 4.955.808,60 2.6.7. Diante disso, e tendo em vista que a fiscalizada deduziu um valor superior ao limite permitido pela legislação, verificouse a ocorrência de infração à legislação Fl. 5641DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.642 7 que dá ensejo à glosa da parcela superior ao limite específico da conta de Despesas Operacionais – Royalties e Assistência Técnica – Exterior, no seguinte montante: Montante deduzido a título de despesas de royalties R$ 6.410.175,58 Limite máximo de dedução permitido R$ 4.955.808,60 Glosa por dedução indevida R$ 1.454.366,98 2.7. Em decorrência de todo o acima exposto, foram lavrados, em 26/12/2008, os seguintes autos de infração: 2.7.1. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, com fundamento nos arts. 241, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 351, 352, 353 e 353, todos do RIR/99; 2.7.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com fundamento no art. 2º e §§ da Lei nº. 7.689/88; art. 1º da Lei nº. 9.316/96 e art. 28 da Lei nº. 9.430/96; art. 37 da Lei nº. 10.637/2002. 2.8. Por fim, consta do Termo de Constatação Fiscal que foram compensados os prejuízos fiscais de IRPJ dos anoscalendário anteriores, respeitada a trava dos 30% (trinta por cento). Ademais, também foi compensada a base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. Logo, a empresa deveria efetuar os competentes ajustes no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. DA IMPUGNAÇÃO 3. Cientificado dos auto de infração em 26/12/2008 (fls. 421 e 428), o contribuinte apresentou, em 27/01/2009, a impugnação de fls. 438/487, aduzindo, em síntese, que: 3.1. Os cálculos empreendidos pela fiscalização teriam partido de premissas equivocadas, vez que os demonstrativos de apuração do preçoparâmetro pelos métodos PRL 20% e PRL60% adotam como paradigma o preço CIF acrescido do imposto de importação. No entanto, o controle dos preços de transferência, por sua lógica e fundamentos, só pode ser bem realizado se considerado o preço FOB das mercadorias. 3.1.1. O raciocínio expendido acima calcarseia na premissa de que as contratações sujeitas à legislação de preços de transferência seriam apenas aquelas efetuadas entre pessoas vinculadas, em decorrência de que tais operações poderiam ser utilizadas para a transferência de lucros. Deste modo, o valor do frete e do seguro internacionais não poderiam ser incluídos no preço do insumo importado, notadamente se a contratação destes frete e seguro não foi realizada entre empresas vinculadas. 3.1.2. Alega o Impugnante, ainda neste tema, que a norma veiculada no §6º do art. 18 da Lei nº. 9.430/96 não seria suficiente para fundar a adoção do valor CIF, pois a finalidade da mesma residiria apenas em explicitar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, bem como os tributos incidentes na importação, são dedutíveis na apuração do lucro real, em consonância, inclusive, com as normas pretéritas à legislação dos preços de transferência (art. 13 do DecretoLei nº. 1.598/77 e art. 41, §§ 4º e 6º da Lei nº. 8.981/95). Fl. 5642DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.643 8 3.1.3. Ademais, a adoção do custo CIF para efeito de comparação com os preçosparâmetro calculados pelos métodos PRL20% e PRL60% feriria o princípio da proporcionalidade, pois os valores do frete e dos seguros contratados entre partes independentes não seriam hábeis a mascarar eventuais transferências de lucros. 3.1.4. Em decorrência do raciocínio acima expendido, seria ilegal a norma veiculada no art. 4º, §4º, da IN SRF nº. 243/2002, vez que estabeleceria a adoção do valor CIF para efeito de comparação com os preçosparâmetro calculados pelos métodos PRL20% e PRL60%. Frisase que a disciplina correta da matéria em testilha teria sido veiculada no art. 4º, §4º c/c §5º, ambos da IN SRF nº. 32/2001. 3.2. Ainda em relação ao cálculo do preço dos insumos importados, a Impugnante aduz que a fiscalização teria incluído em tal montante, além do valor do frete e do seguro internacionais, outros dispêndios incorridos para implementação da importação das mercadorias em estoque, os quais não comporiam o preço CIF + II, mas estariam contabilizados no ativo, tais como despacho aduaneiro, fretes e seguros internos etc. 3.2.1. A fim de comprovar a asserção relembrada no parágrafo anterior, a Defendente citou como exemplo o produto hidróxido de alumínio (código 10000108), cujo custo de aquisição CIF acrescido do imposto de importação teria remontado a R$ 110.708,62 (cento e dez mil, setecentos e oito Reais e sessenta e dois centavos), e não a R$ 117.544,34 (cento e dezessete mil, quinhentos e quarenta e quatro Reais e trinta e quatro centavos), conforme apontado pela fiscalização. 3.3. Mantendo o foco ainda na análise do custo de aquisição das matérias primas importadas, o Impugnante aduz que a fiscalização não teria considerado uma nota de crédito internacional relativa à aquisição do produto biolys, emitida em favor da Defendente por ter sido verificado que o preço praticado na importação desta matériaprima não atenderia aos parâmetros da legislação brasileira acerca dos preços de transferência. Esta nota de crédito visa a remessa de divisas ao Brasil, diminuindo o custo da matériaprima e, por decorrência lógica, atender ao arbitramento de preços proposto pela Lei nº. 9.430/96. 3.3.1. Alega, ademais, que a fiscalização teria considerado no cálculo do preço praticado diversas notas de crédito pagas por fornecedoras vinculadas à Impugnante. 3.4. A fiscalização não teria comprovado ter adotado o melhor método para apurar o ajuste relativo aos preços de transferência, em desrespeito à norma veiculada no art. 18, §4º, da Lei nº. 9.430/96, sendo transcritos excertos de acórdão do então Conselho de Contribuintes em abona a tal raciocínio. 3.5. O método de cálculo do PRL60% estabelecido na IN SRF nº. 243/2002 afrontaria o princípio da legalidade, vez que transbordaria do teor da norma veiculada no art. 18, II, da Lei nº. 9.430/96. Frisase, neste ponto, que o legislador ordinário teria optado claramente por instituir uma fórmula de cálculo, e não simplesmente firmar conceitos a serem explicitados pelo Fisco. Afinal, seria a própria lei que teria determinado que fosse obtida a média aritmética dos preços dos bens para que, posteriormente, fosse feita a subtração dos descontos incondicionais, dos impostos incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado no país, sendo que tal valor obtido sujeitarseia à aplicação da margem de lucro de 60% (sessenta por cento). Fl. 5643DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.644 9 3.5.1. Em vista do exposto no parágrafo anterior, seria certo que a regulamentação do método PRL60% veiculada pela IN SRF 243/2002 teria introduzido um conceito que não consta da norma legal, a saber, o de “participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido”, afrontando as pertinentes disposições legais. 3.6. A fiscalização teria desconsiderado o Tratado BrasilAlemanha para evitar a dupla tributação da renda, celebrado em 1975, devidamente aprovado pelo Decreto Legislativo nº. 92/75 e promulgado pelo Decreto nº. 76.988/1976. Ressaltase que, nas transações realizadas com países com os quais o Brasil tenha celebrado tratados para evitar a dupla tributação da renda, a lei brasileira deve se subordinar aos limites traduzidos pelos tratados. Ademais, a denúncia desta avença internacional, conforme veiculado no ato Declaratório executivo SRF nº. 72/2005, não se aplicaria ao caso vertente, pois o regime tributário previsto no Tratado BrasilAlemanha para evitar a dupla tributação da renda teria deixado de se aplicar apenas às operações realizadas entre os países signatários somente a partir de janeiro de 2006. 3.6.1. Nos termos do Tratado BrasilAlemanha para evitar a dupla tributação da renda, não bastaria haver vínculo societário ou econômico entre as partes contraentes para que estas fiquem sujeitas ao controle de preços de transferência, pois seria necessária a evidenciação da existência de uma vantagem anormal para uma das partes ou da intenção de transferência indireta de lucros. 3.7. A defendente acostou aos autos três demonstrativos (métodos PIC, PRL e CPL), nos quais os preços praticados e parâmetro que deram origem ao lançamento fiscal são comparados com os determinados pela Impugnante, consoante as premissas deduzidas na impugnação, entendendose como passível de ajuste o menor valor apurado. 3.8. No tocante à glosa dos royalties, a Impugnante ressalta que a mesma não mereceria prosperar, pois o limite considerado pela fiscalização (4% quatro por cento das vendas líquidas) é incorreto, uma vez que a Impugnante é verdadeira indústria de base, fazendo jus à dedução de royalties equivalentes a 5% (cinco por cento) das vendas líquidas dos respectivos produtos. Neste ponto, a Defendente aduz que, em face da norma veiculada no art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, é certo que o intérprete deve necessariamente buscar a definição alhures. No caso vertente, a economia é que deveria ter sido utilizada para a determinação do conceito de indústria de base. 3.8.1.Segundo o Novíssimo dicionário de economia de Paulo Sandroni, o verbete indústria de base é compreendido no seguinte sentido: “empresa ou setor industrial que alimenta os demais. São indústrias de base as que operam a extração de minérios e sua transformação em matériaprima para outros setores industriais, e também as indústrias de produção de energia elétrica”. Logo, seriam indústrias de base aquelas que extraem produtos da natureza e os revendem ou, de outra forma, os industrializam de maneira que estes componham novos insumos para serem aplicados para transformação em bens de consumo. Por outro lado, as indústrias de transformação produziriam bens destinados ao consumidor final, isto é, manufaturariam novos produtos a partir dos insumos fornecidos pelas indústrias de base. 3.8.2. Com base no raciocínio acima resumido, a Impugnante aduz que seria verdadeira indústria de base, ao passo que produziria produtos químicos básicos (como o peróxido de hidrogênio e o negro de carbono), os quais seriam vendidos para indústrias de transformação e posteriormente transformados em produtos para consumo. Logo, o limite para Fl. 5644DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.645 10 dedução dos respectivos royalties seria de 5% (cinco por cento) das vendas líquidas do produto vendido. 3.9. Ainda no tocante aos royalties, a Impugnante aduz que a fiscalização glosou da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o custo total da despesa de royalties, que engloba o ônus do imposto assumido pela Defendente, bem como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE incidente sobre a remessa de valores para o exterior em virtude de contrato de transferência de tecnologia. 3.9.1. Entretanto, é certo que o valor da CIDE em tela é despesa da Impugnante, não podendo ser computada no limite de dedutibilidade previsto no art. 355, §1º, do RIR/99, pois o art. 41 da Lei nº. 8.981/95 admite como dedução, sem qualquer limite e segundo o regime de competência, o montante dos tributos em que o contribuinte se enquadra como sujeito passivo. 3.9.2.Ademais, a fiscalização teria entrado em contradição ao reconhecer que a dedutibilidade dos royalties corresponderia a 4% (quatro por cento) da receita líquida de vendas dos produtos, mas limitar indevidamente a dedutibilidade dos royalties referentes ao contrato de transferência de tecnologia para produção de peróxido de hidrogênio em 3% (três por cento) da receita líquida de vendas do produto. Ainda neste ponto, assevera a Impugnante que o limite de 3% (três por cento) sequer corresponde ao valor que foi efetivamente remetido a título de royalties, pois a Defendente, respeitando previsão contratual, assumiu o ônus do IRRF a ser retido do nãoresidente. 3.10. O pedido é pela improcedência da autuação e pelo deferimento da juntada posterior de documentos. Subsidiariamente, requerse a conversão dos autos em diligência para a análise dos cálculos de ajuste de importações realizados pela Impugnante. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância julgoua parcialmente procedente, reduzindo a base de cálculo referente à infração de deduções de royalties. Não houve interposição de recurso de ofício. O contribuinte foi intimado da decisão em 25 de junho de 2009 (fl. 5348), apresentando recurso voluntário de fls. 53555418 em 24 de julho de 2009 (fl. 5355). Em resumo, reafirma os termos de sua impugnação. É o relatório. Fl. 5645DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.646 11 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo eforam preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 MÉRITO Inicialmente, convém ressaltar que, tratandose de exigências de IRPJ e CSLL com base nos mesmos dispositivos legais, o decidido quanto ao IRPJ aplicase integralmente à exigência de CSLL. 2.1 TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA No que diz respeito na suposta colisão entre o disposto nos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, e o conteúdo de tratados internacionais subscritos pelo Brasil, não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, recentemente a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento se proununciou sobre a matéria. Peço vênia para transcrever os fundamentos do voto do Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira no acórdão 1402002.814: Em relação aos tratados internacionais apontados, não assiste razão ao contribuinte. Os tratados convivem harmonicamente com as normas de preços de transferência, via art. 9º (CMOCDE). A única questão que pode ser colocada em relação a tratados, que não é o caso, são as hipóteses de pessoas vinculada prevista no art. 23 que não se enquadram na redação do tratado. O desvio das margens predeterminadas, conforme a Lei, que definem o padrão arm´s length, já é razão suficiente para aplicação das regras de TP, cumprindo com o requisito do tratado. Esta c. Turma já apreciou a matéria em recente julgado que peço vênia para incorporar às minhas razões de decidir: (...) Ocorre que os acordos então vigentes não definiram, nem limitaram, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas "preço de transferência". Apenas possibilitaram a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, os Acordos não prevêem a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preços de transferência se encontram delineados nos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF Fl. 5646DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.647 12 n° 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96 não colidem com os suscitados acordos internacionais. ( Proc. n. 10283.720642/201114 , Acórdão n.1402002.122 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Vale notar que há resposta Solução de Consulta sobre a matéria cuja transcrição se faz oportuna: Solução de Consulta COSIT n° 6, de 23/11/2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ementa: Aplicamse os ajustes previstos na Lei n° 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções, e os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, que inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm's length. Do exposto não vejo como prosperar a pretensão da recorrente neste ponto na medida em que o tratado contra bitributação em absolutamente nada obsta a aplicação das regras de Preço de Transferência. No mesmo sentido se decidiu no acórdão 110300.608 (sessão de 17/01/2012), de relatoria do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: [...] TRATADOS INTERNACIONAIS – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA O Brasil não adotou em seus tratados o previsto no art. 9º, § 2º, da Convenção Modelo da OCDE, mas somente o § 1º dela. O preceito contido neste autoriza a aplicação de ajustes de preços de transferência por um Estado contratante se, nas relações entre empresas associadas ou vinculadas situadas nos Estados contratantes, não for observado o arm’s length price. Inexistência de ofensa ao art. 9º dos Tratados celebrados pelo Brasil. Desse modo, rejeito a alegação da recorrente sobre a suposta contradição/colisão entre as normas brasileiras de preço de transferência e os tratados firmados pelo Brasil para evitar a bitributação da renda. 2.2 ADOÇÃO DO MÉTODO PIC Fl. 5647DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.648 13 Aduz a recorrente que a adoção do método PIC se mostraria mais adequada do que a do PRL60 ou PRL20 para alguns itens, uma vez que seriam a ela mais benéficas. Em primeiro lugar, não há dúvidas de que em relação aos itens simplesmente revendidos pela recorrente seria possível a utilização tanto do método PRL20 quanto do método PIC. No que diz respeito aos itens aplicados na produção, de igual forma possível a utilização tanto do método PRL60. Contudo, tais opções estão sujeitas a marcos temporais. Para o contribuinte o momento adequado para demonstrar qual foi a sua opção, entre os métodos passíveis de adoção, para cálculo do preço de transferência, informandoa em sua DIPJ. A esse respeito, vejase o disposto no § 4º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] Portanto, na entrega da DIPJ pode o contribuinte optar pelo método que lhe for mais favorável. Digo mais, antes de iniciado o procedimento fiscal, poderia o contribuinte retificar sua DIPJ e até mesmo alterar o método inicialmente utilizado. No entanto, há que se observar que o início do procedimento fiscal (que, no caso em tela, se deu em 27/03/2008, com a lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, fls. 88/89) exclui a espontaneidade do contribuinte, nos termos do §1º do artigo 7º do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 7º [...] § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Nesse sentido, observese a Solução de Consulta Interna SCI Cosit nº 20/2009, que conclui o seguinte: 13.1 Após o início da ação fiscal, o contribuinte não se encontra em situação de espontaneidade para alterar opções por ele antes realizadas em declaração. Assim, vinculado a sua opção, ele deve se sujeitar à verificação da autoridade fiscal, nos termos da legislação. Apenas no caso de erro, devidamente Fl. 5648DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.649 14 comprovado, cabe alteração de declarações regularmente entregues ao fisco. 13.2 A eleição de determinado método de apuração do valor de ajuste referente a preços de transferência demanda a manutenção da memória de cálculo do ajuste e dos documentos comprobatórios dos respectivos valores. Não sendo demonstrada a correção do ajuste declarado, cabe à autoridade fiscal levantar o valor do ajuste nos termos da legislação – que defere a ela prerrogativa de escolha do método. Não é possível que, nesse momento, o contribuinte realize – a seu livre talante – eleição de outro método de cálculo de preço parâmetro, e exija do Fisco a utilização desse segundo método escolhido. 13.3 Todo ato processual, ainda que em fase inquisitória, é fundamental ao desenvolvimento do processo administrativo ou judicial tributários, e para que o processo seja processo, as prerrogativas e os ônus processuais devem ser aplicados independentemente da vontade das partes, na medida em que seu objeto é indisponível ao particular e ao Fisco: constituição do crédito tributário, uma vez materializada a hipótese de incidência tributária. Desse modo, como bem asseverado pela decisão de primeira instância, [...] uma vez afastada a espontaneidade, exceto nas hipóteses em que seja constatado erro de fato no preenchimento da DIPJ, os dados informados se tornam definitivos, não cabendo mais ao contribuinte rever as opções levadas a efeito na DIPJ apresentada, que, no caso em tela, foi pela aplicação dos métodos PRL20 e PRL60 (DIPJ/2005, fls. 33/82). Há que se observar, ainda, que o artigo 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96 não impõe à fiscalização a apuração dos preços de transferência por mais de um método e a escolha do mais favorável ao contribuinte. Essa é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. Nesse sentido, convém destacar o disposto no artigo 40 da IN SRF nº 243/2002: Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se Fl. 5649DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.650 15 apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa. Posteriormente à ocorrência do fato gerador a que se refere a presente exigência, houve alteração legislativa sobre o tema, flexibilizando a possibilidade de escolha do contribuinte quando a fiscalização vier a desqualificar o método adotado inicialmente por ele adotado, e, mesmo nessa hipótese, não caberia ao Fisco a escolha do método que implicasse o menor ajuste (conforme argumenta a recorrente), mas sim ao contribuinte apresentar novo cálculo com qualquer outro método previsto na legislação. Vejase o art. 20A incluído na Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 12.715/2012: Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 1º A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 2º A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 3º A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Por fim, há de se ressaltar, ainda, que no caso concreto não houve sequer desqualificação do método adotado pelo contribuinte, mas sim a adoção dos métodos Fl. 5650DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.651 16 informados pelo contribuinte em sua DIPJ, e, em sua maioria, com base nos próprios cálculos apresentados pela recorrente durante o procedimento fiscal. Assim sendo, devem ser desconsiderados os cálculos com base no método PIC apresentados pela recorrente, mantendose os métodos PRL20 e PRL60, utilizados tanto pela recorrente, em sua DIPJ, quanto pela autoridade fiscal quando da realização do lançamento. 2.3 INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS NO CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO – MÉTODO PRL Pois bem, sobre o tema, na vigência da IN SRF nº 243, de 2002, tenho opinião firmada a respeito da legalidade dessa norma complementar. Entendo que os valores relativos a frete, seguro e imposto de importação devem compor a apuração do preço praticado, uma vez que compõem também o preço parâmetro. Isso porque o § 4º do art. 4º da IN SRF nº 243/2002 reflete o disposto no § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos (“§ 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”). Não se pode olvidar que, para fins de preço de transferência, a comparação entre preço praticado e preço parâmetro deve se dar a partir de grandezas semelhantes. Ora, se os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação são computados na apuração do preço de revenda, e o que se deseja é apurar o preço parâmetro em patamares similares aos mesmos bens ou serviços adquiridos no Brasil e de partes independentes, necessariamente o custo do frete, seguro e os tributos não recuperáveis de importação deverão ser considerados. Há de se ter simetria na comparação. O dispositivo legal em debate é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Tal procedimento, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, é óbvio. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, evidentemente, a contribuinte considerou na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a impugnante. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o Fl. 5651DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.652 17 efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora, e se analisa apenas o valor da mercadoria importada. No mesmo sentido podese citar precedente da extinta 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que, no acórdão 1051671, enfrentou a questão com propriedade: [...] A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos nãorecuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. O empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de preço de transferência estaria prejudicada. [...] No que tange aos argumentos a respeito da nova redação do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, nos termos da Lei nº 12.715, de 2012, comumente trazido ao debate, entendo que seu teor depõe contra a recorrente. Explico. Em primeiro lugar, caso comumente adotado pelos recorrentes fosse adotada, os custos de frete e seguro suportados pelo importador somente seriam despesas dedutíveis em razão do disposto na redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Isso porque o alcance de tal dispositivo somente diria respeito à dedutibilidade de tais despesas. Ora, partindose de tal premissa, teríamos que concluir que a nova redação dada pela Lei nº 12.715/12 teria revogado a dedutibilidade das despesas com frete e seguro realizadas com pessoas não vinculadas nas operações de importações, uma vez que não mais comporão o cálculo do preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro. Não me parece, Fl. 5652DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.653 18 portanto, a melhor interpretação a tese de que a antiga redação do dispositivo tivesse como objetivo tornar dedutíveis tais desembolsos. Há de se encontrar outra interpretação ao enunciado em questão. Nesse sentido, entendo que a melhor exegese do dispositivo legal em tela coadunase com o disposto no § 4º do art. 4º da IN SRF 243/2002, ou seja: o custo de seguro e frete, bem como dos tributos incidentes na importação, à luz da redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, deveria ser incluído para fins de cálculo do preço praticado porque também estava contido na apuração do preço parâmetro. O objetivo da norma infralegal atacada era equalizar as bases comparativas, em nada desbordando do texto legal. Retornandose ao novo diploma legal, alguns outros comentários merecem ser feitos. Se por um lado o dispositivo passou a excluir do preço parâmetro as operações de frete e seguro contratadas com pessoas não vinculadas (e cujo ônus tenha sido do importador FOB), por outro deixou evidente que nos casos de tais ônus não serem suportados diretamente pelo importador (CIF) os respectivos valores devem compor o preço praticado. Sem dúvida, a partir de 2013 (início de produção de efeitos da Lei nº 12.715/12), o grau de litigiosidade tende a diminuir. Por outro lado, se é possível depreender que a nova redação pode alterar a exegese da anterior – por seu caráter, digamos, interpretativo , não se pode desprezar que também pode se extrair que o novo texto legal inovou, passando a surtir efeitos a partir do ano calendário de 2013. E podese enxergar ainda que há pontos interpretativos e pontos modificativos na norma. Assim, quem contratou com cláusula CIF pode enxergar que a Lei nº 12.715/12 aplicase somente a partir de 2013; por outro lado, quem contratou com cláusula FOB dirá que a nova norma somente interpreta a norma anterior, traduzindo o espírito da arm´s length. O Fisco, por sua vez, pode interpretar de maneira absolutamente inversa, entendendo que em relação à cláusula CIF o novo diploma foi interpretativo, mas no que tange à cláusula FOB aplicarseá somente a partir de 2013. O mesmo raciocínio aplicase aos valores referentes aos tributos incidentes na importação e demais gastos aduaneiros. Portanto, o caráter de mitigação da litigiosidade FiscoContribuinte estampado na exposição de motivos da MP 563 possui muito mais caráter prospectivo que retrospectivo. A meu ver, os pontos trazidos pela Lei nº 12.715, de 2012, revestemse de caráter inovador no que tange à exclusão do preço praticado de algumas despesas. Se na redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, constava que “Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”, o novo mandamento legal foi claro ao passar a permitir a exclusão da apuração do preço parâmetro dos valores de frete e seguro, de ônus do importador (FOB), quando contratados com pessoas não vinculadas e não localizadas em “paraísos fiscais”. De outro ângulo, observase que manteve a inclusão de tais valores no preço praticado quando a importação se der com cláusula CIF, pois, quisesse alterar seu quantum, certamente o teria feito como o fez nos fretes e seguros contratados diretamente pela importadora com pessoas não vinculadas. A questão da inovação fica ainda mais clara ao analisarmos o tratamento dos tributos incidentes na importação. Se na redação original do dispositivo em tela constava explicitamente que tais valores deveriam compor o preço praticado, o § 6ºA inserto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 12.715, de 2012, passou a determinar a exclusão dos Fl. 5653DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.654 19 tributos incidentes na importação da composição do preço praticado. Tal alteração, indubitavelmente, não pode ser tachada de interpretativa, pois altera diametralmente o tratamento de tais valores, primeiro incluindoos no preço praticado, e, posteriormente, excluindoos de seu cálculo. Diante do exposto, concluo que, para fins determinação do preço praticado, qualquer exclusão, inclusive dos valores de frete, seguro, tributos, deve ser expressamente autorizada pela legislação, tal qual trazido pela Lei nº 12.715, de 2012. 2.4 VALORAÇÃO DO ESTOQUE INICIAL PARA O CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO PELOS MÉTODOS PRL20% E PRL60% A respeito do tema, a decisão recorrida abordou muito bem a matéria, devendo ser confirmada por seus próprios fundamentos. Nesse contexto, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, e tendo em vista que não houve novas razões sobre a matéria em sede de recurso voluntários, conforme prevê o § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, transcrevo os fundamentos do voto condutor sobre o tema adotandoos como razões de decidir: 9. O contribuinte alega que a fiscalização teria incorrido em impropriedade ao determinar o preçomédio de aquisição do estoque inicial dos bens importados, vez que teria incluído dispêndios realizados em território nacional, tais como frete, seguros internos, despacho aduaneiro etc, na definição do preçopraticado. Ademais, a fim de comprovar esta assertiva, o Defendente cita como exemplo o bem importado Hidróxido de Alumínio (código 10000108). 9.1. Inicialmente, verificase que o contribuinte sequer logrou comprovar que a fiscalização teria incluído no saldo do estoque inicial dos bens importados o valor de despesas incorridas no Brasil. De fato, o exemplo citado na peça defensiva não se presta a tal mister, nos termos abaixo explicitados. 9.1.1. A fiscalização considerou que o estoque inicial do bem importado Hidróxido de Alumínio (código 10000108) remontava a R$ 117.544,34 (cento e dezessete mil, quinhentos e quarenta e quatro Reais e trinta e quatro centavos), nos termos expostos no “Demonstrativo do Ajuste do estoque Inicial – Método PRL 20%” (fls. 401), sendo certo que tal informação deve ter sido prestada pelo próprio contribuinte em resposta ao item “7b” do Termo de Início de Fiscalização (fls. 40). 9.1.2. O contribuinte aduz que o valor do estoque inicial do produto mencionado no parágrafo anterior, que seria passível de integrar o cálculo do preçopraticado, remontaria a apenas R$ 110.708,62 (cento e dez mil, setecentos e oito Reais e sessenta e dois centavos). Este valor do estoque inicial decorreria de duas aquisições, quais sejam: * primeira aquisição, realizada ainda no anocalendário de 2003, teria sido decorrente da DI nº. 0304016696, na qual teriam sido importados 15.600 (quinze mil e seiscentos) quilos de Hidróxido de Alumínio, Fl. 5654DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.655 20 sendo que no próprio ano de 2003 teriam sido consumidos 4.810 (quatro mil, oitocentos e dez) quilos referentes a esta ordem de compra; * segunda aquisição, realizada em 16/12/2003, materializada na DI nº. 0311089679, na qual teriam sido importados 12.480 (doze mil, quatrocentos e oitenta) quilos de Hidróxido de Alumínio. 9.1.3. Entretanto, o contribuinte não logrou demonstrar que o estoque inicial existente em 01/01/2004 referirseia unicamente às aquisições acima mencionadas, vez que sequer evidenciou o alegado consumo de 4.810 (quatro mil, oitocentos e dez) quilos referentes à primeira ordem de compra. Deste modo, restou totalmente prejudicada a comprovação do cômputo de despesas incorridas no Brasil no valor do estoque inicial. 9.2. Ademais, mesmo que houvesse a comprovação da inclusão, na valoração do estoque inicial, de despesas realizadas em território nacional para a liberação da mercadoria importada ou para seu transporte até o estabelecimento do importador (frete e seguros), permaneceria intocado o procedimento realizado pela fiscalização, vez que tais dispêndios compõe o custo do bem importado e, por via de conseqüência, devem integrar o valor do preçopraticado calculado pelo método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, senão, vejamos. 9.2.1. Optando o contribuinte pelo cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, a legislação de regência trata da definição do preçoparâmetro em duas metodologias distintas, cujo discrimem reside na industrialização do bem importado no território nacional, nos seguintes termos: “Lei nº. 9.430/96. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: Fl. 5655DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.656 21 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses.” (g.n.) 9.2.2. Assim, na definição do preçoparâmetro do insumo importado submetido a industrialização em território nacional, a margem de lucro corresponde a 60% (sessenta por cento) do valor da receita proporcional ao montante do insumo importado, conforme sistemática estabelecida no art. 12, §11, da IN SRF nº. 243/2002. Ademais, se não houver industrialização, a margem de lucro corresponde a 20% (vinte por cento) do preço de revenda. 9.2.3. É induvidoso que as despesas citadas na impugnação (despacho aduaneiro, frete e seguros) não configuram industrialização do produto e, por via de conseqüência, não caracterizam agregação de valor nos termos estabelecidos no art. 18, inciso II, aliena “d”, item 1, da Lei nº. 9.430/96, não sendo suficientes para determinar o descabimento do denominado método PRL20%. 9.2.4. Neste sentido, se determinado bem importado não for industrializado em território brasileiro, mesmo que tenham sido incorridas as despesas de despacho aduaneiro, frete e seguros em relação a este bem, o contribuinte pode apurar o preçoparâmetro pelo método denominado PRL 20%. Entretanto, deverá incluir o valor destas despesas incorridas no Brasil na definição do preçopraticado, pois, conforme já relembrado no corpo desta decisão: “8.3. (...) a apuração do preço de transferência pelo método PRL parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei nº 9.430/96, supra transcrita, e do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002), para se chegar ao preço parâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. 8.4. Como, evidentemente, o contribuinte computou, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, bem como os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos (...) 8.5. Deste modo, para que não ocorra distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos, vez que comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. 8.6. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora.”. 9.2.4.1. Deste modo, sendo certo que o contribuinte, na formação do preço de revenda, considera todos os dispêndios relativos à Fl. 5656DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.657 22 aquisição do bem importado, é induvidoso que os mesmos devem integrar o preçopraticado para efeito de comparação com o preçoparâmetro. 9.2.5. Conclusão diversa não ocorre nos casos em que houve a industrialização do insumo importado em território nacional, vez que, no cálculo do preçoparâmetro pelo denominado método PRL60%, há previsão de exclusão do valor agregado no Brasil, que obviamente não abrange as demais despesas relativas ao bem importado não vinculadas diretamente à industrialização do mesmo, tais como os dispêndios citados na impugnação (frete, seguros e despacho aduaneiro). 9.2.5.1. Destarte, não sendo cabível a exclusão, no cômputo do preçoparâmetro, dos dispêndios mencionados na impugnação como incorridos no Brasil (frete, seguros e despacho aduaneiro), é evidente o descabimento da exclusão dos mesmos do valor do preçopraticado, pois tal procedimento acarretaria distorções na comparação entre ambos, conforme já evidenciado no item 8.5 desta decisão. 9.2.6. Ressaltese, por fim, que, em perfeita consonância com o raciocínio acima expendido e a fim de espancar qualquer dúvida, há previsão expressa de que o valor dos fretes e seguros integram o cômputo do preço praticado (art. 4º, §4º, da IN SRF nº. 243/2002). 2.5 NOTA DE CRÉDITO INTERNACIONAL EMITIDA PARA REDUÇÃO DO PREÇO DE IMPORTAÇÃO Sobre o tema, assim decidiu a DRJ: 10. No tocante à nota de crédito internacional supostamente emitida para a redução do preçopraticado na importação do produto Biolys (código 10003054), cumpre observar, inicialmente, que os ajustes decorrentes da legislação acerca dos preços de transferência devem, necessariamente, ser efetuados produto a produto, nos seguintes termos: “Lei nº. 9.430/96. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. Fl. 5657DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.658 23 (...) §7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. (...)”. (g.n.) “IN SRF nº. 243/2002. Art. 5º Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. § 1º Se o preço praticado na aquisição, pela empresa vinculada domiciliada no Brasil, for superior àquele utilizado como parâmetro, decorrente da diferença entre os preços comparados, o valor resultante do excesso de custo, despesas ou encargos, considerado indedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, será ajustado contabilmente por meio de lançamento a débito de conta de resultados acumulados do patrimônio líquido e a crédito de: I conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecerem ali registrados ao final do período de apuração; ou II conta própria de custo ou de despesa do período de apuração, que registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de já terem sido baixados da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição. (...) § 3º Caso a pessoa jurídica opte por adicionar, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor do excesso apurado em cada período de apuração somente por ocasião da realização por alienação ou baixa a qualquer título do bem, direito ou serviço adquirido, o valor total do excesso apurado no período de aquisição deverá ser excluído do patrimônio líquido, para fins de determinação da base de cálculo dos juros sobre o capital próprio, de que trata o art. 9º da Lei nº 9.249, de 23 de dezembro de 1995. § 4º Na hipótese do § 3º, a pessoa jurídica deverá registrar o valor total do excesso de Fl. 5658DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.659 24 preço de aquisição em subconta própria da que registre o valor do bem, serviço ou direito adquirido no exterior. § 5º Se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for inferior àquele utilizado como parâmetro, nenhum ajuste com efeito tributário poderá ser efetuado.” (g.n.) 10.1. Desse modo, eventuais notas de crédito internacional podem ser consideradas como redução do custo de determinado produto importado, para a comparação com o respectivo preçoparâmetro, apenas se se referirem, especificamente, a esse produto e a uma determinada operação de importação, e desde que evidenciado que o recebimento em pecúnia do valor materializado neste título de crédito resultou em redução do custo ou do estoque registrado contabilmente para este bem importado. 10.2. Assim, caso seja um crédito geral (não específico a determinado produto e operação de importação), deve ser contabilizado como recuperação de custos na apuração do resultado do exercício, vez que descabido o ajuste do estoque pela inespecificidade deste valor, não podendo também ser considerado na apuração do preçopraticado dos produtos importados. 10.3. No caso vertente, o Defendente acostou aos autos os seguintes documentos para comprovar o recebimento da nota de crédito internacional em comento: * Cópia reprográfica simples da Debit note nº. FaAG 015/04, no valor de US$ 369.790,75 (trezentos e sessenta e nove mil, setecentos e noventa dólares americanos e setenta e cinco centavos fls. 564 e 570); * Quadro demonstrativo das importações de Biolys afetadas pela nota de crédito (fls. 565/568); * Quadro denominado “Biolys – aplicação reembolso ND FA AG015/04” (fls. 569; * Cópias reprográficas simples de telas do SISBACEN que comprovariam o recebimento da Debit note nº. FaAG 015/04, no valor de R$ 999.174,61 (novecentos e noventa e nove mil, cento e setenta e quatro Reais e sessenta e um centavos) (fls. 571/573); * Cópia reprográfica simples de extrato simplificado da conta corrente nº. 8203109, mantida na agência nº. 0398 do Unibanco, com o registro do recebimento de R$ 999.174,61 (novecentos e noventa e nove mil, cento e setenta e quatro Reais e sessenta e um centavos) referente ao crédito de operações de câmbio (fls. 574); * Cópia reprográfica simples do Contrato de Câmbio de Compra – Tipo 03 – Transferências Financeiras do Exterior nº. 04/059191, com Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.660 25 valor em moeda estrangeira de US$ 369.790,75 (trezentos e sessenta e nove mil, setecentos e noventa dólares americanos e setenta e cinco centavos) e em moeda nacional de R$ 999.174,61 (novecentos e noventa e nove mil, cento e setenta e quatro Reais e sessenta e um centavos) – fls. 575/577. 10.4. Em relação aos documentos apresentados em cópias reprográficas simples, cujo conteúdo comprovaria o efetivo recebimento em pecúnia da nota de crédito internacional em comento, é induvidoso que os mesmos não são bastantes para tal mister, pois, apenas os documentos originais ou autenticados, em cartório ou por servidor público, é que possuem força probante plena no processo administrativo fiscal federal, conforme se conclui do teor da norma veiculada pelo art. 64 do Decreto nº. 70.235, de 06 de março de 1972, in verbis: “Art. 64. Os documentos que instruem o processo poderão ser restituídos, em qualquer fase, a requerimento do sujeito passivo, desde que a medida não prejudique a instrução e deles fique cópia autenticada no processo.” 10.5. Ressaltese, contudo, que os documentos em cópia reprográfica simples, apesar de não serem suficientes para provarem plenamente os seus termos, podem ser adotados como elemento de convicção no julgamento de processos administrativos fiscais federais, desde que, colacionados com os demais elementos constantes dos autos, sejam suficientes para comprovar as alegações deduzidas na defesa. 10.6. Com fulcro no raciocínio expendido no final do parágrafo precedente, é certo que, mesmo acolhido o teor dos documentos apresentados em cópias reprográficas simples, ainda permaneceria incomprovado que o recebimento da nota de crédito internacional em foco teria acarretado a efetiva redução do custo de revenda do produto importado Biolys (código 10003054). 10.6.1. De fato, o mero recebimento deste título de crédito é insuficiente para viabilizar o ajuste do preçopraticado na importação, pois o mesmo se condiciona à comprovação de que a percepção do montante relativo à nota de crédito internacional reduziu o custo da matériaprima importada registrado no estoque ou em conta de resultado (custo dos produtos / mercadorias vendidos). Frisese que apenas com a apresentação dos competentes lançamentos contábeis, que embasariam as informações prestadas na DIPJ 2005, é que poderia ser verificada a efetiva redução do custo de aquisição do produto importado Biolys (código 10003054) em decorrência do recebimento do título de crédito em testilha. 10.7. Deste modo, as provas colacionadas aos autos não são suficientes para evidenciar que o preçopraticado na importação do produto Biolys possa ser minorado pelo recebimento da nota de crédito internacional acostada aos autos. Fl. 5660DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.661 26 Pois bem, a decisão recorrida concluiu que seria viável o ajuste no preço praticado se houvesse a comprovação dos lançamentos contábeis que demonstrassem que o montante relativo à nota de crédito internacional efetivamente reduziu o custo da matériaprima importada registrado no estoque ou em conta de resultado. Para contrapor tais argumentos, a Recorrente apresentou às fls. 54545469 inúmeros documentos (extratos bancários, contratos de câmbios, troca de mensagens por email, planilhas de controles internos e, em especial, cópia de lançamentos escriturados no Livro Diário). Compulsando tais elementos, não tenho dúvida de que se comprovou, à exaustão, que o montante relativo à nota de crédito internacional efetivamente reduziu o custo da matériaprima importada. Vejase que às fls. 54615462 consta contrato de câmbio, nos mesmos valores, em dólares (US$ 369.790,75), a que se refere a nota de crédito em questão, consignando o valor de R$ 999.174,61, a ser depositado em conta bancária da Recorrente, conforme reproduzido a seguir com os destaques opostos por este relator: fl. 5462: Fl. 5661DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.662 27 Na sequência, à fl. 5468, encontrase folha do Livro Diário onde a Recorrente demonstra que o mesmo valor em reais foi registrado a débito da conta bancos (Unibanco Transitória Recebimentos) e a crédito de conta de receita (Receitas Diversas), ou seja, aumento o lucro do período, ou, visto por outro ângulo, reduzindo o lucro referente às aquisições de "Biolys", nos termos indicados no histórico do lançamento, conforme reproduzido a seguir com os destaques opostos por este relator: Por essas razões, voto por reduzir o preço praticado na importação do produto Biolys (código 10003054) em R$ 999.174,61, devendo a unidade de origem proceder aos ajustes necessários no cálculo do valor a ser exigido do contribuinte. 2.6 DA ILEGALIDADE DA IN SRF Nº 243/2002 A respeito do tema, a fim de se evitar tautologia, adoto o voto do I. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto no acórdão 1402001.418 aquiescendo a legalidade da complementar em questão. A linha argumentativa principal do sujeito passivo dirigese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, na aplicação do método PRL60 para ajuste de preços de transferência ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. Defende a obediência exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois segundo alega a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula Fl. 5662DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.663 28 de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.664 29 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de Fl. 5664DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.665 30 revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.666 31 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.667 32 agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.668 33 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.669 34 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.670 35 individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das Fl. 5670DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.671 36 bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência. Convém ressaltar que tal entendimento vem sendo acolhido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como, por exemplo, no acórdão 9101003.415 julgado na sessão de 06 de fevereiro de 2018, cujo excerto de interesse da ementa reproduzo a seguir: IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Por essas razões, mantenho integralmente a decisão recorrida sobre o tema. 2.5 LIMITE DE DEDUTIBILIDADE DOS ROYALTIES Segundo a decisão recorrida, o limite de dedutibilidade dos royalties considerado pela fiscalização, correspondente a 4% (quatro por cento) das vendas líquidas de cada produto, seria irretocável, pois o contribuinte não poderia ser considerado indústria de base. Pois bem, o artigo 355 do RIR/99 estabelece que a soma das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou assistência técnica pode ser deduzida como despesa operacional até o limite de 5% da receita líquida de venda de cada um dos produtos fabricados ou vendidos. Em seu § 1º determina ainda que ato do Ministério da Fazenda definirá os percentuais específicos considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade. Fl. 5671DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.672 37 Em atendimento ao disposto no § 1º do art. 355 do RIR/99, por meio da Portaria MF 436/58, o Ministro da Fazenda estabeleceu os coeficientes mencionados, distribuindoos entre os produtos que estão divididos da seguinte forma: (i) 1º grupo = "indústrias de base"; e, (ii) 2° grupo = "indústrias de transformação". Em seu recurso, assim discorre a Recorrente: Dentro do 1o grupo, encontramos os produtos das "Indústrias de Base", quais sejam: combustíveis, energia elétrica, materiais de transportes, fertilizantes, produtos químicos básicos e outros. O percentual de dedutibilidade para os produtos do 1o grupo é uniforme, equivalente a 5% (cinco por cento). Dentro do 2o grupo, os produtos das chamadas "indústrias de transformação", são assim identificados: produtos alimentares, calçados, produtos farmacêuticos, máquinas e aparelhos para uso doméstico, produtos químicos etc. Quanto aos percentuais para determinação do limite de dedutibilidade do 2o grupo, eles apresentam variação de 1% (um por cento) a 4% (quatro por cento). Ciente de que os produtos objeto dos contratos e respectivo pagamento de royalties, quais sejam, Peróxido de Hidrogênio (H?0?) e Negro de Carbono, verdadeiros insumos químicos básicos estão classificadas como típicos produtos da indústria de base, a Recorrente considerou dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL referente ao anocalendário de 2004, o total das remessas de royalties, tendo em vista que as despesas correspondentes, acrescidas do grossup do IRFonte, não ultrapassaram o limite de 5% (cinco por cento) da venda líquida de cada um dos seus produtos. Entretanto, a AFRF responsável pela lavratura do presente AIIM adotou, sem qualquer base legal ou fática, o entendimento de que a Recorrente se enquadrava como indústria de transformação, e submeteu os royalties pagos pela transferência de tecnologia do produto Peróxido de Hidrogênio ao limite de dedutibilidade de 3% (três por cento) calculado sobre a receita líquida de venda do produto, enquanto que os royalties pagos para fabricação do Negro de Carbono deveriam se submeter ao limite de 4% (quatro por cento) da receita líquida de venda correspondente. Como resultado, a AFRF glosou na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a diferença entre a despesa deduzida pela Recorrente e os referidos limites. A Recorrente, irresignada, apresentou em sua defesa argumentos suficientes a demonstrar que no caso dos produtos em apreço opera como verdadeira indústria de base e não de transformação, e que, portanto, atendeu perfeitamente aos limites de dedutibilidade da Portaria MF n.° 436/58, razão pela qual o lançamento realizado não poderia ser mantido. Não obstante, a d. autoridade julgadora, embora tenha retificado o valor do lançamento, adequando a interpretação do AFRF relativamente aos termos do contrato, especialmente no Fl. 5672DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.673 38 que pertine ao percentual de royalties e ao encargo da ora Recorrente pelos tributos correlatos, houve por bem manter o entendimento daquela autoridade quanto ao coeficiente de dedutibilidade aplicável ao presente caso. [...] Não bastasse a própria leitura, referida conclusão pode ser extraída dos princípios que nortearam os idealizadores da norma durante o processo de criação dos coeficientes de dedutibilidade dos royalties. Nesse passo, cumprenos trazer à baila trecho de estudo encomendado em 1958 (período anterior ao estabelecimento dos atuais limites de dedutibilidade de royalties) pelo Diretor do Imposto de Renda à época, Dr. Noé Winkler, ao renomado jurista Rubens Gomes de Souza, acerca das remessas para o exterior a título de royalties e a necessidade de se estabelecer um limite de dedutibilidade para fins de aplacar eventual evasão de divisas3: "Admitida esta premissa, que exclui a pesquisa das relações existentes entre a empresa pagadora e a recebedora do "royalty", o que nos ocorre sugerir é que a dedução deste último como despesa seja graduada em função do grau de essencialidade do produto sob o ponto de vista do seu maior ou menor interesse para a economia nacional. Desta forma, a lei fiscal, além de justificar a delimitação da dedução por um critério não arbitrário, exerceria ainda um papel complementar da legislação cambial, concorrendo para a realização da política de desenvolvimento econômico através da seleção dos investimentos." Extraímos da leitura do estudo, assim como do próprio texto das normas que, a toda evidência, o objetivo foi classificar os produtos objeto de contratos de royalties e não as empresas brasileiras responsáveis pelas remessas ao exterior, para efeito de definição dos coeficientes de dedutibilidade da respectiva despesa. Tanto é assim, que os diferentes coeficientes são atribuídos conforme os produtos constantes das tabelas. Nem poderia ser diferente, afinal o que está no cerne da questão é o resultado gerado na economia nacional com a produção cujo knowhow se importa. Nesse sentido, o objeto da norma é o próprio produto e não a empresa. 3 WINKLER, Noé; Imposto de Renda Doutrina Comentários Decisões e Atos Administrativos Jurisprudência (Conselho de Contribuintes e Poder Judiciário). Baseado no regulamento baixado com o Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (republicação no Diário Oficial de 17 de junho de 1999) Editora Forense; 2a Edição; Rio de Janeiro; 2001; pág. 524. Fl. 5673DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.674 39 Sendo assim, antes de adentrar a argumentação propriamente dita quanto ao coeficiente aplicável ao presente caso insta esclarecer que, para efeito de aplicação da Portaria MF n° 236/58 [sic] devemos nos preocupar em classificar os produtos objeto dos contratos de royalties e não as empresas que importam a respectiva tecnologia. Nesse sentido, ainda que de fato a Recorrente deva ser classificada como uma indústria de transformação pela sua atividade preponderante, o que deve ser classificado como próprio da indústria de base ou de transformação é o produto por ela produzido conforme tecnologia importada, nos termos dos contratos sob análise. Mesmo porque perpetrar a classificação de uma empresa como indústria de base, para efeito de aplicação da Portaria MF 236/58 [sic], especialmente nos termos em que intentados pela d. autoridade julgadora, apresentase como tarefa senão impossível, no mínimo extremamente árdua. Deveras, conforme depreendese das fls. 3444 dos autos, aquela autoridade baseouse no contrato social da empresa para classificála em um ou outro grupo, tendo concluído pela classificação como indústria de transformação por não haver qualquer evidência de que a Recorrente "só produza produtos químicos básicos, que seriam vendidos unicamente para outras indústrias tranformarlhes (sic) em bens de consumo" (g.n.) Ora, praticamente nenhuma empresa, por mais extrativista ou de base que possa ser considerada produzirá apenas produtos básicos (de que espécie for). Ademais, o contrato social de uma empresa, por sua própria natureza, nunca poderia se prestar à pesquisa que ora se empreende, haja vista conter toda e qualquer atividade que a empresa faça, fez ou possa realizar. Por todos esses motivos e pela própria leitura das normas que estabelecem os limites de dedutibilidade, concluímos que os mesmos só podem ser definidos conforme os produtos objeto dos contratos de royalties e não das empresas que se lhes aproveitam. Feitas essas considerações, passemos então a analisar em que grupo específico os produtos Peróxido de Hidrogênio (H202) e Negro de Carbono, objeto dos correspondentes contratos de transferência de tecnologia royalties devem ser classificados nas tabelas constantes da Portaria 236/58, para efeito de dedutibilidade de royalties. [...] [...]indústrias de base são aquelas que extraem produtos da natureza e os revendem ou, de outra forma, os industrializam de maneira que estes componham novos insumos para serem aplicados para transformação em bens de consumo. O termo Fl. 5674DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.675 40 indústrias de base também é utilizado para designar as empresas que fabricam bens de capital (i.e. bens de produção, como máquinas, caldeiras, etc.) A seu turno, as indústrias de transformação produzem bens destinados ao consumidor final, isto é, manufaturam novos produtos a partir dos insumos fornecidos pelas indústrias de base. Essa distinção entre indústrias de base como produtoras de insumos, e indústrias de transformação como fabricantes de bens de consumo pode ser notada quando da análise da Portaria MF n.° 436/58, uma vez que os produtos classificados como de fabricação da indústria de base (v.g. energia elétrica, ferro, aço, produtos químicos básicos, petróleo e derivados, entre outros), são aplicados como insumos para o processo de fabricação dos bens listados como produzidos pela indústria de transformação (v.g. produtos farmacêuticos, químicos, artefatos de cimento, máquinas e aparelhos de uso doméstico). Notase ao analisar os bens classificados pela Portaria MF n.° 436/58 como próprios da indústria de base (ou 1o grupo), que todos os bens ali classificados, indistintamente, são insumos ou bens de capital utilizados pela indústria de transformação (2o grupo), que produz exclusivamente produtos para consumo final. Extraindo o real significado do conceito, portanto, parece claro que o Peróxido de Hidrogênio e o Negro de Carbono, fabricados pela Recorrente, enquadramse no primeiro grupo, como próprios da indústria de base, já que configuram verdadeiros produtos químicos básicos, a serem vendidos para as indústrias de transformação para posteriormente serem preparados para consumo. Com efeito, os chamados "produtos químicos básicos" são aqueles resultantes dos primeiros processos de industrialização, integram os primeiros elos da cadeia produtiva, mais distantes do consumidor final, ou seja, são bens intermediários que ainda devem passar por um ou mais processos de industrialização antes de sua entrega para consumo. Os produtos químicos da indústria de base são todos aqueles vendidos em larga escala, para integração de outros processos produtivos, nunca para consumidor final. Tanto o Peróxido de Hidrogênio como o Negro de Carbono, por sua própria natureza, adéquamse [sic] perfeitamente a essa definição. É o que demonstram os folders técnicos da Recorrente para cada um desses produtos. De acordo com o catálogo do produto Negro de Carbono ou Negro de Fumo (Doe. 05) ora anexado, notase que a Recorrente produz diferentes tipos daquele produto de forma a Fl. 5675DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.676 41 possibilitar diversas aplicações, mas sempre voltadas para outras indústrias: de borracha, pneus ou tintas. Com efeito, pelo que depreendemos do material ora anexado, o negro de carbono nunca será considerado como um produto final, pronto para consumo. O negro de carbono fabricado pela ora Recorrente é destinado, por exemplo, à fabricação da "borracha técnica" e primeiramente vendido para a indústria de borracha ou empresas de artefatos técnicos responsáveis pela vulcanização, que por sua vez produzirão as borrachas com aplicação no setor automotivo, ou seja: guarnições de portas, vedações de janelas automotivas e mangueiras. O mesmo processo ocorre com o negro de carbono destinado a integrar pneus. A Recorrente não fabrica os pneus, tampouco qualquer parte da borracha dele integrante, mas fornece o negro de carbono para a indústria fabricante de pneus que os produz e vende diretamente ao consumidor final ou ainda os fornece para a indústria automotiva. Concluímos, assim, que em um ou outro caso, o negro de fumo é matéria prima de fabricação dos insumos aplicados nas peças do setor automotivo, situandose, portanto, no elo inicial da cadeia produtiva. Seja pela aplicação em outras indústrias como insumo de produção de outros insumos, seja pelo próprio caráter essencial do negro de carbono para a economia nacional conceito intrínseco à graduação de coeficientes de limite de dedutibilidade dos royalties clara está sua necessária caracterização como produto químico básico e, portanto, pertencente ao 1o grupo de produtos da tabela constante da Portaria MF n° 436/58. O mesmo ocorre com o Peróxido de Hidrogênio. Com efeito, de acordo com o catálogo elaborado pela empresa com as informações sobre o produto, que a Recorrente aproveita para também anexar (Doe. 06), observase que são inúmeras suas aplicações: na indústria de papel como agente de branqueamento, no tratamento de água de abastecimento público no controle de algas, remoção de ferro e limpeza dos filtros, na limpeza de discos de silicone na produção de placas de circuito impresso, na indústria de detergentes e sanitizantes, dentre outros. Notase dessa forma, que assim como ocorre com o negro de carbono, o peróxido de hidrogênio é utilizado como insumo de produção de outras indústrias, estas sim, de transformação. O peróxido de hidrogênio fabricado pela Recorrente não é, portanto, vendido como produto final a consumidor e possui uma gama de possibilidades de aplicações. Ademais, podemos concluir pelas próprias aplicações do produto, que este assume dentro da economia nacional um caráter essencial, não havendo razão, portanto, para ser Fl. 5676DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.677 42 classificado no grupo dos produtos da indústria de transformação. De fato, conforme pode ser verificado, os produtos constantes do chamado 2° grupo (v.g. calçados, produtos alimentares etc) são bens prontos para o consumo, não constituem matériasprimas ou produtos intermediários e, portanto, não precisam passar por um novo processo produtivo. São frutos da indústria de transformação que por definição "é o tipo de indústria que transforma a matériaprima em algum tipo de produto comercial já a ponto de ser consumido ou usado." Claro está, portanto, seja pelas próprias definições de indústria de base e indústria de transformação, seja a partir da própria verificação da lista de produtos constantes de cada tabela constante na Portaria MF n.° 436/58, que os produtos Peróxido de Hidrogênio e Negro de Carbono, fabricados pela Recorrente não são produtos químicos passíveis de classificação no 2º grupo da Portaria 436/58, conforme sugere a autoridade fiscal. Referidos itens são verdadeiros produtos químicos básicos, pelo que as despesas com royalties remetidos ao exterior em virtude de contrato de transferência de tecnologia para sua produção devem ser deduzidas da apuração do IRPJ e da CSLL observando o limite de 5% (cinco por cento) da receita liquida o produto vendido. Caso enquadrasse corretamente as despesas de royalties nos seus respectivos limites de dedutibilidade, a AFRF responsável notaria que os dispêndios incorridos a esse título deveriam ter sido mantidos como integralmente dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Para tanto, fora anexada à impugnação planilha de cálculo (como "doc. XVIII") que demonstra a observância do limite de 5% (cinco por cento) da receita líquida de vendas dos produtos. Ao contrário do decidido pela turma julgadora a quo, entendo que a aferição deve ser realizada por produto, e não se levando em consideração a atividade preponderante da pessoa jurídica (indústria de base ou indústria de transformação). Nesse contexto, conforme demonstram os folders utilizados pela Recorrente para venda de Peróxido de Hidrogênio (H202) e Negro de Carbono, tais produtos fabricados pela Recorrente são utilizados como matériasprimas na industrialização de outros produtos, sem maiores etapas de transformação, devendo se enquadrar no conceito de produtos químicos básicos de que trata o 1º grupo de que trata a Portaria MF 436/58 (indústrias de base), com limite de dedutibilidade de 5% da receita bruta de venda desses produtos, e não os produtos químicos a que se refere o 2º grupo tratado nessa mesma Portaria (limites de 1% a 4% da receita bruta de venda desses produtos indústria de transformação). Desse modo, voto por dar cancelar o crédito tributário decorrente das despesas com royalties. Fl. 5677DF CARF MF Processo nº 16561.000212/200837 Acórdão n.º 1301003.209 S1C3T1 Fl. 5.678 43 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reduzir o preço praticado na importação do produto Biolys (código 10003054) em R$ 999.174,61 e para exonerar o crédito tributário decorrente da infração de glosas de despesas com royalties. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 5678DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900806/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
INDÉBITO ILÍQUIDO
Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
Numero da decisão: 1401-002.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 INDÉBITO ILÍQUIDO Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 08 06 /2 00 8- 68 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10855.900806/200868 Acórdão n.º 1401002.429 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1426.513 da 5ª Turma da DRJ/RPO que negou provimento à manifestação de inconformidade apresenta pelo interessado. Com relação às peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório [...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/20031, requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito os documentos anexos comprovam Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10855.900806/200868 Acórdão n.º 1401002.429 S1C4T1 Fl. 4 3 claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; l) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. DA DECISÃO RECORRIDA Em breve síntese, a decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o contribuinte a solução de consulta a que faz referência asseverou, de um lado, a alíquota de 8% para a construção civil com o emprego de materiais, mas também que as empresas que exercem atividades diversificadas devem aplicar a alíquota específica de cada atividade. No contrato social apresentado, a empresa exerce diversas atividades de serviços (nesse passo, o julgador elenca cada uma delas). Assim, os contratos por ela assinados podem abrigar mais de um tipo de atividade, o que exige a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. O contribuinte apresentou Notas Fiscais Faturas de Serviços e demais documentos pertinentes. No entanto, o imposto não é apurado, nota a nota. Como o contribuinte não fez a nova apuração do imposto devido no trimestre, deixou de demonstrar o montante do indébito. Quanto a essa parte, vale transcrever o trecho original da decisão: Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e para a Departamento de Água e Esgoto de Americana caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp [...], é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 2º trimestre de 2000, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 2 trimestre de 2000 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10855.900806/200868 Acórdão n.º 1401002.429 S1C4T1 Fl. 5 4 correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Foi essa a razão que orientou o voto para negar provimento à manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário além de documentos nas páginas seguintes. Desta vez, além das notas fiscais e contratos de prestação de serviços, carreou o diário do período (2º trimestre de 2000), com o balanço, a demonstração do resultado do exercício e o plano de contas. Na peça recursal, aduziu inicialmente as mesmas razões oferecidas na manifestação de inconformidade. Ademais, afirma que os documentos apresentados seriam suficientes para comprovar o indébito, pois, apesar de não ter juntado os livros fiscais, carreou toda a documentação que deu suporte à sua escrituração. De toda sorte, dada a exigência da autoridade julgadora de primeiro grau, juntou ao recurso todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos, as notas fiscais dos materiais empregados e a cópia do seu livro diário. É o relatório do essencial. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10855.900806/200868 Acórdão n.º 1401002.429 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.416, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.906076/2009 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma teve como origem o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001. No presente processo, o direito creditório pleiteado tem como origem o IRPJ pago com base no lucro presumido apurado no 2º trimestre de 2000. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.416): "Inicialmente, apesar de não discordar da conclusão do voto como explicarei posteriormente, devo dizer que a premissa adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau foi muito rigorosa. Não é necessário, no meu ponto de vista, demonstrar novamente toda a apuração do trimestre para se verificar um valor de indébito a partir de algumas notas fiscais. Afinal, se o contribuinte adotou o percentual de 32% para toda a sua receita e, posteriormente, comprova que alguns dos valores registrados estão submetidos a percentual diverso, o montante do indébito corresponderá à diferença de percentual sobre a receita apontada. Esse raciocínio é o mesmo que permite à autoridade fiscal lançar o imposto de renda a partir da verificação de apenas alguns itens do resultado, sem que necessite recalcular toda a base de cálculo. Com os elementos apresentados pelo contribuinte, é possível aferir que houve serviços prestados com o emprego de materiais, mas não é possível aferir exatamente quais e nem identificar o seu montante. Podemos verificar que, no período, o contribuinte prestou serviços apenas para a SABESP, em razão da seqüência contínua de notas fiscais que vão da nº de 180, emitida em 01/10/2001 a 199, emitida em 17/12/2001. Ou seja, todas as suas receitas provieram da execução de contratos com essa empresa. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10855.900806/200868 Acórdão n.º 1401002.429 S1C4T1 Fl. 7 6 Nos referidos contratos, consta cláusula que impõe ao prestador o dever de empregar os materiais. Houve materiais adquiridos no período. Aliás, além do período (foram adquiridos no interregno entre a celebração dos contratos e das prestações de serviço), é possível identificar que tais materiais foram empregados nos serviços prestados à Sabesp em função de referências como "Material a ser utilizado na obra de Hortolândia/SP" (vide fl. 370), justamente o local de execução das prestações de serviço. No entanto, não é possível aferir (e nem sequer o contribuinte indica) quais notas se referem a serviços prestados com o fornecimento de materiais. Sabemos que uma parte dessas notas são relativas à prestação de serviço com fornecimento de material, mas elas não correspondem ao todo, uma vez que o contribuinte pleiteia indébito significativamente menor que a aplicação da diferença de percentual sobre o total da receita. Ademais, não sabemos quais são as notas dentre aquelas apresentadas e nem o seu montante, uma vez que, entre as notas de aquisição de materiais e as de prestação de serviço, inexiste vinculação, a qual nem sequer pode ser inferida pela proximidade de datas. Sem essa quantificação, não é possível aferir o valor do indébito, que para ser deferido exige a sua liquidez. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660447/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.848
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 47 /2 01 2- 70 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660447/201270 Acórdão n.º 3401004.848 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660447/201270 Acórdão n.º 3401004.848 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660447/201270 Acórdão n.º 3401004.848 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660447/201270 Acórdão n.º 3401004.848 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660447/201270 Acórdão n.º 3401004.848 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660447/201270 Acórdão n.º 3401004.848 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660349/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 49 /2 01 2- 32 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660349/201232 Acórdão n.º 3401004.751 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660349/201232 Acórdão n.º 3401004.751 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660349/201232 Acórdão n.º 3401004.751 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660349/201232 Acórdão n.º 3401004.751 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660349/201232 Acórdão n.º 3401004.751 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660349/201232 Acórdão n.º 3401004.751 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.722361/2012-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE PENDÊNCIAS. OPÇÃO INDEFERIDA.
Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, não foram pagos ou parcelados em sua totalidade dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional deve ser indeferido o pedido de inclusão do contribuinte nesse regime.
Numero da decisão: 1001-000.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e redator designado do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE PENDÊNCIAS. OPÇÃO INDEFERIDA. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, não foram pagos ou parcelados em sua totalidade dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional deve ser indeferido o pedido de inclusão do contribuinte nesse regime.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 87 1 86 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.722361/201259 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.627 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente GERTH COMERCIAL LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE PENDÊNCIAS. OPÇÃO INDEFERIDA. Comprovado que os débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não foram pagos ou parcelados em sua totalidade dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional deve ser indeferido o pedido de inclusão do contribuinte nesse regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e redator designado do voto vencedor. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 23 61 /2 01 2- 59 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15504.722361/201259 Acórdão n.º 1001000.627 S1C0T1 Fl. 88 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 71 a 84) interposto contra o Acórdão nº 1260.971, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 68 a 69), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO. DÉBITO. RFB. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional nº 00.04.88.57.63, às fls.15, em face de débito cuja exigibilidade não estava suspensa, a saber: multa por atraso DCTF (1345): a) R$ 500,00 período apuração: 2006; b) R$ 500,00 período de apuração: 2011. 2 Em Manifestação de InconformidadeMI, às 2/4, o interessado alega, em síntese, que as DCTFs do primeiro e do segundo semestre de 2006 foram entregues dentro do prazo. Quanto à multa relativa à DCTF de setembro/2011, entregue em 23.11.2011, a RFB divulgou que seria cancelada. Com a MI, vieram os documentos de fls.5/34. A autoridade lançadora proferiu os despachos às fls.44 e às fls.52. Nesta Turma, foram acostadas as consultas RFB, de fls.56/57. Relatados." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que os débitos subsistentes após julgamento da Manifestação de Inconformidade estariam prescritos à época dos fatos. É o relatório. Voto Vencido Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15504.722361/201259 Acórdão n.º 1001000.627 S1C0T1 Fl. 89 3 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, foram 2 débitos que motivaram o indeferimento da opção intentada pela Contribuinte, multa por atraso DCTF (1345): a) R$ 500,00 período apuração: 2006; b) R$ 500,00 período de apuração: 2011. A decisão de piso, após detalhada análise documental do caso, chegou à seguinte conclusão: "Segundo consultaRFB (fls.63), o saldo devedor apurado em 2011 foi cancelado por ato declaratório. Já com relação ao primeiro débito listado no Termo, lêse, no Auto de Infração que o constituiu (nº 705725337, às fls.45), que foi apurado em 10.04.2006, primeiro dia útil após o prazo final de entrega (07042006) da DCTF do 2º semestre de 2005, grifese, ou seja, o débito não se refere às DCTFs do anocalendário de 2006 (como, erradamente, o interessado parece crer) e até hoje permanece sem pagamento (fls.49/50), razão pela qual o indeferimento da opção deve ser mantido. É o meu voto." Conforme se extrai, o débito relativo à multa pelo atraso na entrega da DCTF referente ao período de apuração de 2011 foi cancelado. Tendo a DRJ de origem considerado apenas o débito referente à Multa pelo atraso na entrega da DCTF do período de 2006 em aberta, razão pela qual manteve o indeferimento da Opção. Ocorre que, compulsando os autos, temse que o Auto de Infração responsável por constituir a multa de R$ 500,00 referente ao período de apuração de 2006 (fl. 45) foi lavrado em 10/04/2006. Por sua vez, o caput do art. 174 do Código Tributário Nacional, ao tratar da prescrição de créditos tributários, estabeleceu o seguinte: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Assim, considerando o prazo prescricional de 05 anos, contados a partir da constituição da multa referente ao período de 2006, no caso, dia 10/04/2006, temos que a prescrição se operou em 2011. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 15504.722361/201259 Acórdão n.º 1001000.627 S1C0T1 Fl. 90 4 Ou seja, na data de 31/01/2012, termo final para a opção requerida pela Recorrente, os débitos relativos à multa por atraso na entrega da DCTF do período de apuração de 2006 já se encontrava inexigível, em virtude da prescrição. Considerando que o outro débito que amparou o indeferimento da opção já foi reputado cancelado pela decisão de piso, resta que o Termo de Indeferimento de Opção (fl. 15) perdeu todos os seus fundamentos. Destarte, só resta concluir pela procedência das pretensões da Recorrente, porquanto ficou demonstrado que ambos os débitos listados como fundamento do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional já se encontravam extintos por ocasião do prazo final para a Opção. Em face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente reforma da decisão de origem para determinar o enquadramento do contribuinte no Simples Nacional referente ao anocalendário de 2012. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor. No caso presente, a contribuinte se insurge contra o Indeferimento de Sua Adesão ao Simples Nacional alegando a inexistência de débito fiscal (multa de R$ 500,00 referente ao período de apuração de 2006) que impediu a adesão, por estaria prescrito. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para Fl. 90DF CARF MF Processo nº 15504.722361/201259 Acórdão n.º 1001000.627 S1C0T1 Fl. 91 5 todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar todas as pendências no prazo legal. Prescreve o § 2º do art. 6º citado que, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção, o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Desta forma, se o contribuinte não alegou e comprovou, na esfera administrativa e antes do prazo final fixado pelo citado § 2º do art. 6º, que o débito em questão estava extinto, seja por que motivo for, não cabe o deferimento da opção ao Simples. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901164/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 11 64 /2 01 3- 33 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10280.901164/201333 Acórdão n.º 1301003.187 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10280.901164/201333 Acórdão n.º 1301003.187 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.552 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10280.901164/201333 Acórdão n.º 1301003.187 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10280.901164/201333 Acórdão n.º 1301003.187 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10280.901164/201333 Acórdão n.º 1301003.187 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10280.901164/201333 Acórdão n.º 1301003.187 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720092/2016-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE.
Não há de se falar em nulidade da ação fiscal se restaram cumpridos todos os requisitos essenciais previstos pelo artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72 e 142 do CTN.
Sendo concedida, na fase preparatória e impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a argumentação de cerceamento do direito de defesa e de não observância do contraditório.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
Nesse sentido, dispõe a Súmula CARF nº 34 que nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil.
Configurada a existência de dolo, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Art. 44 da Lei nº 9.430/1996 c.c. artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30/11/1964.
As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
Numero da decisão: 2301-005.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há de se falar em nulidade da ação fiscal se restaram cumpridos todos os requisitos essenciais previstos pelo artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72 e 142 do CTN. Sendo concedida, na fase preparatória e impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a argumentação de cerceamento do direito de defesa e de não observância do contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Nesse sentido, dispõe a Súmula CARF nº 34 que nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 92 /2 01 6- 03 Fl. 304DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Art. 44 da Lei nº 9.430/1996 c.c. artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30/11/1964. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 1676.353, de 24 de fevereiro de 2017 (fls. 241 a 254). No lançamento, relativo ao exercício de 2012, houve exigência de crédito tributário no valor de R$9.128.948,86, sendo R$3.123.677,97 referentes a imposto, R$4.685.516,95 referentes à multa e R$1.319.753,94 são cobrados a título de juros de mora, calculados até 06/2016. A infração apurada, OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls.14/31) e dá conta dos seguintes aspectos: Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13864.720092/201603 Acórdão n.º 2301005.370 S2C3T1 Fl. 3 3 · Que o Procedimento Fiscal teve início tendo como fiscalizada POLIANNE SILVA BEZERRA – CPF 342.517.94893, tendo em vista que ela não apresentara a DIRPF anocalendário 2011, embora ocorrera um crédito expressivo em sua conta bancária no dia 25/08/2011, no valor de R$ 11.372.419,74; · Que compareceu ao Serviço de Fiscalização BENEDITO BENTO FILHO – CPF 291.522.91804, acompanhado pela POLIANNE SILVA BEZERRA, na condição de mandatário dela, conforme instrumento particular de procuração, informando que os valores depositados na conta bancária não a pertenciam, na medida em que os valores depositados se referiam à transação imobiliária (venda de imóvel), administrada por ele, entre a RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA e a SAFRA LOCADORA LTDA – CNPJ 04.070.276/000105; · Que a conta nº 000152400, de titularidade da Polianne Silva Bezerra, mantida na Caixa Econômica Federal, Agência 2143 – Monte Castelo, foi aberta no dia 25/08/2011, mesma data do depósito em dinheiro dos R$ 11.372.419,74, e foi encerrada no dia 30/09/2011. Tal conta permaneceu ativa por um curto período de tempo, apenas para movimentar a entrada e saída do referido depósito; · Que BENEDITO BENTO FILHO abriu em 08/09/2011 a conta 217010 na mesma agência e banco em que foi efetuado, alguns dias antes (25/08/2011), o referido depósito na conta de titularidade da POLIANNE SILVA BEZERRA; · Que foi expedida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) à Caixa Econômica Federal; · Que as informações enviadas pela Caixa Econômica Federal, em resposta à RMF, mostram que uma parcela, dos R$11.372.419,74, no valor de R$1.373.076,41 foi para a pessoa jurídica RICARDO EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA – CNPJ 50.455.995/000178, nos seguintes valores e datas: R$12.000,00 em 26/08/2011; R$90.340,00 em 29/08/2011; R$1.000.000,00 em 29/08/2011; R$90.000,00 em 31/08/2011; R$175.000,00 em 01/09/2011; e R45.736,42 em 02/09/2011; · Que o endereço da pessoa jurídica RICARDO EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA é o mesmo da pessoa jurídica RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA, que por sua vez, é o mesmo do BENEDITO BENTO FILHO; · Que, no entanto, em tal endereço não foi localizado nenhum estabelecimento, conforme diligência efetuada no local por dois auditores fiscais; Fl. 306DF CARF MF 4 · .Que conforme apurado no PAF 13864.720066/201677, o BENEDITO BENTO FILHO atuou como sócio de fato na RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA; · Que a POLIANNE SILVA BEZERRA foi utilizada como interposta pessoa, “laranja”, para ocultar o BENEDITO BENTO FILHO, titular de fato da conta nº 000152400, Agência 2143 – Monte Castelo, na Caixa Econômica Federal; · Que a alegação de BENEDITO BENTO FILHO de que os R$11.372.419,74, se referiam à transação imobiliária (venda de imóvel), administrada por ele, entre a RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA e a SAFRA LOCADORA SP LTDA, não procede, tendo em vista que os valores que saíram da conta corrente de RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA em 15/06/06/2011, 22/06/2011, 20/07/2011 e 23/08/2011 e os que saíram da conta corrente da SAFRA LOCADORA LTDA em 20/09/2011, 19/10/2011 e 21/11/2011, não coincidem com a data e com o valor depositado de R$11.372.419,74, na CEF – Caixa Econômica Federal; · Que BENEDITO BENTO FILHO, regularmente intimado e reintimado, não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos R$11.372.419,74 depositados, na conta 000152400, de sua titularidade de fato, mantida na Caixa Econômica Federal, agência 2143. · Que sem qualquer outra manifestação do sujeito passivo, não tendo o fiscalizado comprovado a origem do depósito bancário, efetuado no anocalendário de 2011, fora o mesmo considerado rendimento omitido, nos termos do art. 42, da Lei nº 9.430/96. Cientificado do Auto de Infração em 18/07/2016, fls. 147, o ora Recorrente apresentou a impugnação de fls.152/178, alegando, em síntese, que: · Preliminar. Nulidade do Auto de Infração em razão do cerceamento do direito de defesa do Impugnante, configurado pela dificuldade, mesmo tendo sido disponibilizado digitalmente, em manusear os documentos, uma vez que se viu obrigado a abrir cada um dos cerca de 62 arquivos para conhecer o teor de tais documentos, por não terem sido organizados em ordem cronológica dos fatos e por se encontrarem sem numeração de folhas, dificultando a elaboração da impugnação, restando configurado a violação ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa e inobservância do Princípio da Eficiência da Administração Pública. · No Mérito. Improcedência do Auto de Infração em razão da impossibilidade de constituição de crédito tributário consubstanciado somente em extratos de depósitos bancários das contas correntes, sem ter comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente referida omissão, não servindo de material probatório que justifique o Auto de Infração; Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13864.720092/201603 Acórdão n.º 2301005.370 S2C3T1 Fl. 4 5 · Da comprovação da origem dos depósitos bancários. O Impugnante iniciou o ano de 2011 como credor da empresa RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A, no montante de R$20.000.000,00 (vinte milhões de reais), conforme cópia do Livro Diário e Razão e Termo de Confissão de dívida anexos; · Que o Impugnante recebeu da Rigis Administração e Participação S/A o montante de R$15.500.000,00 ao longo do ano calendário de 2011, portanto, tinha disponibilidade financeira suficiente para a movimentação bancária ora questionada, informação de pleno conhecimento do Sr. Auditor Fiscal; · Não há qualquer alegação pelo Sr. Auditor Fiscal que este dinheiro tenha qualquer outra fonte, sendo notório que os valores depositados na conta corrente se tratam dos recursos provenientes dos pagamentos da dívida que a empresa RIGIS tinha com o ora Impugnante. Desta forma, comprovada a origem dos depósitos bancários, deve o presente Auto de Infração ser julgado improcedente, para determinar seu cancelamento e arquivamento. · A multa de 75% foi indevidamente duplicada para 150%, em desrespeito ao princípio da legalidade, eis que somente haveria duplicação do percentual de multa nos casos previstos nos artigos mencionados da Lei 4.502/64, sonegação (art.71), fraude (art.72) e o conluio (art.73), nenhum destes comprovado pela fiscalização. Há que se ressaltar a necessidade de se manter a presunção de boafé e de inocência dos contribuintes no julgamento de casos em que a fiscalização impõe sanções qualificadas; · A multa não pode ser tão elevada que atinja o próprio patrimônio do contribuinte, gerando total desproporcionalidade entre o objetivo de reprimir/desestimular a inadimplência e o de apenar o contribuinte com seu efeito confiscatório; · Desta forma, observando o preceito constitucional da Vedação ao Confisco e da Proporcionalidade, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais supracitados, deve ser reconhecido o efeito confiscatório da multa aplicada, determinadose, se for o caso da manutenção do indevido crédito tributário lançado, a redução da multa para o patamar máximo de 20%, nos termos do artigo 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96; · Requer ao final a produção de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo, notadamente a juntada de novos documentos e outros que se fizerem necessários. O Acórdão da DRJ (fls. 241 a 254) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 308DF CARF MF 6 Exercício: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há de se falar em nulidade da ação fiscal se restaram cumpridos todos os requisitos essenciais previstos pelo artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72 e 142 do CTN. Sendo concedida, na fase preparatória e impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a argumentação de cerceamento do direito de defesa e de não observância do contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Art. 44 da Lei nº 9.430/1996 c.c. artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30/11/1964. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13864.720092/201603 Acórdão n.º 2301005.370 S2C3T1 Fl. 5 7 MEIOS DE PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Regra geral, toda prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado fazêlo em momento processual diverso. Inteligência dos artigos 15 e 16 do Decreto n.º 70.235/72 Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 260 a 293) reiterando os argumentos trazidos na impugnação, isto é, o cerceamento de defesa em razão da falta de numeração da folhas de alguns documentos trazidos pelo contribuinte até o momento da impugnação; da comprovação da origem dos créditos e da impossibilidade de constituição de crédito tributário consubstanciado apenas em depósitos bancários; da inaplicabilidade da multa qualificada diante da inocorrência de fraude; e do caráter confiscatório da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial inconstitucionalidade da multa aplicada (fls. 280 e ss). Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Preliminar de Nulidade em Razão de Cerceamento de Defesa Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente suscita a nulidade do Auto de Infração, diante da ausência de diversos documentos mencionados no Termo de Verificação Fiscal e da inserção de numeração de páginas somente após o protocolo da impugnação. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 310DF CARF MF 8 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa em função de não haver numeração das páginas dos documentos trazidos pelo ora Recorrente, uma vez que os documentos foram digitalizados de acordo com as normas sobre o assunto, não havendo que se discutir a eventual inobservância ao princípio da eficiência pública. Ante o exposto, enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Da Questão da Impossibilidade de Constituição de Crédito Tributário consubstanciado somente em depósitos bancários O Recorrente entende que o Lançamento não deve subsistir, uma vez que seria uma impropriedade de lastrear o Lançamento apenas em extrato bancário, assim como foram apresentados documentos atestando a origem dos recursos. Vale citar a disposição normativa que fundamenta a tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, isto é, o art. 42, da Lei nº 9.430/1996, em vigor (destaques acrescidos): Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13864.720092/201603 Acórdão n.º 2301005.370 S2C3T1 Fl. 6 9 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). (vide art. 4º da Lei nº 9.481/1997). A partir da leitura do referido dispositivo, notase que há estabelecimento de uma presunção legal de omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Não se trata de presunção legal absoluta, juris et de jure, que é a consideração que a própria lei faz de conseqüências deduzidas de atos ou fatos, considerandoas verdadeiras, ainda que haja prova em contrário, mas sim juris tantum, ou seja, presunção relativa e infirmável por prova em contrário do contribuinte. Este é quem tem a incumbência de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, já que a própria lei define os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita ou de rendimentos. Assim, não há que se falar em qualquer inversão no ônus da prova ou elementos probatórios insuficientes para a lavratura do Auto de Infração, sendo que é explícita a determinação de que a comprovação da origem dos recursos, independentemente de não estar obrigada à escrituração, compete à pessoa física titular da conta. O lançamento não se fundamenta na simples movimentação de recursos pela via bancária, mas sobre a aquisição de disponibilidade presumida de renda representada pelos recursos que ingressam no patrimônio por meio de depósitos ou créditos bancários, cuja origem não foi esclarecida, os quais são utilizados meramente como instrumento de arbitramento de valores não levados à tributação. Inexiste qualquer dispositivo legal no sentido de que, na apuração da infração em tela, deva ser demonstrado acréscimo patrimonial, ou deva ser demonstrada a efetiva existência de renda consumida, ou devam existir sinais exteriores de riqueza, ou nexo de causalidade, ou outros elementos vinculados à atividade do Recorrente. Essa discussão, atualmente, sequer existe na esfera administrativa diante da emissão da Súmula n. 26 do CARF: Súmula Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 312DF CARF MF 10 Ante a existência de dispositivo legal específica sobre o tema atualmente, isto é, o art. 42 da Lei nº 9.430/96, de modo que não merecem prosperar os entendimentos jurisprudenciais fundados em legislação pretérita não compatível, tal qual o caso da Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos. No tocante aos documentos apresentados pelo Recorrente, cumpre lembrar que ele cita que iniciou o ano de 2011 como credor da empresa RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO, no montante de R$20.000.000,00 (vinte milhões de reais), conforme cópia do Livro Diário e Razão e Termo de Confissão de dívida anexos. Embora conste no Termo de Confissão de Dívida que "o crédito que o credor possui contra a devedora é originário dos bens imóveis que eram do credor e foram transferidos para constituir o patrimônio da devedora", não fica claro a que título se deu tal transferência de imóveis, isto é, se foi uma contribuição de capital ou um empréstimo com imóveis. Caso a transferência tivesse ocorrido a título de contribuição de capital, o Recorrente deveria ter trazido cópia dos documentos societários registrados na Junta Comercial e tal capital contribuído não seria exigível, o que importaria que não haveria dívida. Por sua vez, se a transferência dos imóveis se deu a título de empréstimo, o Recorrente deveria ter trazido cópia do recolhimento do ITBI sobre tais transferências. De qualquer forma, o Recorrente poderia ter trazido uma documentação mais robusta a esclarecer os fatos e usando as duas possibilidades citadas no parágrafo anterior, seriam hipóteses de documentação com a chancela de órgãos públicos, seja a Junta Comercial ou a guia de recolhimento do ITBI. Com relação ao Livro Diário da Rigis Administração e Participação Ltda., não há nenhuma comprovação de que tal livro foi devidamente registrado na Junta Comercial, o que acaba por enfraquecer a documentação trazida. Outro fato que enfraquece a higidez dos argumentos trazidos pelo Recorrente é o fato do crédito consubstanciado no Termo de Confissão de Dívida não constar das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos anoscalendário anteriores, se o contribuinte tinha R$20.000.000,00(vinte milhões) a receber, estes valores deveriam estar registrados na ficha Bens e Direitos, com o nome e CPF/CNPJ dos seus devedores, no entanto, nada foi declarado. Ademais, não se mostra usual a concessão de vultosos empréstimos (R$ 20 milhões em anos anteriores a 2011 e mais R$ 8 milhões em 2011) diante de rendimentos baixos do contribuintes nos referidos anos. Dessa forma, considerando que o Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos, não há como afastar a autuação acerca da omissão de rendimentos. Da Questão da Multa Qualificada Por fim, no que tange à aplicação da multa de ofício, afirma o Recorrente que não restou demonstrado, de forma cabal e irrefutável, que o contribuinte tenha agido com intuito de fraudar o Fisco. Não é isso que se observa. O Auditor Fiscal deixou bastante clara a motivação para a qualificação da multa de ofício: a auditoria fiscal constatou que o sujeito passivo adotou, de forma dolosa, práticas fraudulentas, na tentativa de afastar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o que caracterizam, em tese, crimes de sonegação fiscal. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13864.720092/201603 Acórdão n.º 2301005.370 S2C3T1 Fl. 7 11 Diante dos fatos narrados, tendo inclusive o autuado aberto uma conta em nome de terceira pessoa, para efetuar o referido depósito, para logo em seguida fichar a conta bancária, sem nada declarar em sua Declaração de Ajuste, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, o que torna perfeitamente aplicável a multa qualificada prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Ademais, cumpre ressaltar que a qualificação da multa no caso de omissão de receitas é matéria sumulada no âmbito do CARF, de modo que a Súmula CARF n. 34 assim dispõe: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Em resumo, está perfeitamente delineado pelo Auditor Fiscal o dolo e, conseqüentemente, fundamentada a aplicação do dispositivo legal que determina a qualificação da multa em 150% ( § 1º do art. 44 da Lei 9.430/1996). Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação do caráter confiscatório da multa e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 314DF CARF MF
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