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Numero do processo: 12689.000578/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para verificar o cumprimento dos requisitos da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX n.º 1.618/2014. Vencidas as Conselheiras Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que entendiam pela desnecessidade de diligência. Proposta de diligência do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes feita após a leitura do voto da relatora dando provimento ao Recurso Voluntário. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para verificar o cumprimento dos requisitos da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX n.º 1.618/2014. Vencidas as Conselheiras Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que entendiam pela desnecessidade de diligência. Proposta de diligência do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes feita após a leitura do voto da relatora dando provimento ao Recurso Voluntário. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 26 89 .0 00 57 8/ 20 07 -3 8 Fl. 926DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 927 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Recife/PE, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de auto de infração lavrado contra Vicunha Têxtil S/A, no qual formulase a exigência de Imposto de Importação, Cofins Importação, PIS/Pasep Importação, totalizando a exigência tributária de R$ 453.579,77, à qual devem ser acrescidos juros de mora e multa de ofício de 75%. Nos termos do Relatório Fiscal, fls. 17 e seguintes, tais exigências decorreriam do inadimplemento parcial dos compromissos de exportação firmados no âmbito dos Atos Concessórios de Drawback, modalidade suspensão, identificados pelos números 2003/0037565 e 2003/0037565. I DA AUTUAÇÃO Inicialmente, discorre a autoridade fiscal sobre a natureza do Regime Aduaneiro de Drawback, destacando a relevância do princípio da Vinculação Física que estabeleceria que os insumos importados com suspensão de tributos devem efetivamente integrar os bens exportados para fins de adimplemento do regime. Fundamenta sua convicção no Parecer Normativo/CST n° 12/79, destacando o seguinte trecho: "... a vinculação no caso de Drawback, é sempre de natureza física, ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou as matérias primas e produtos intermediários importados devem ser totalmente utilizados na industrialização de bens a exportar..." Nesse trilhar, destaca que a empresa beneficiária do Drawback deveria necessariamente manter controles e registros em separado dos estoques de insumos estrangeiros importados sob o manto do regime, bem como controle em separado dos produtos finais produzidos com tais insumos. Acrescenta que, nos termos do art. 179 do CTN, compete à beneficiária o ônus de comprovar o cumprimento de todas as condições e requisitos estabelecidos para fruição do regime. Ressalta que vencido o prazo previsto sem que os compromissos tenham sido adimplidos, caberia à beneficiária providenciar a devolução dos insumos ao exterior, patrocinar sua destruição ou promover sua nacionalização, mediante o pagamentos dos impostos incidentes. A seguir, sintetiza o conteúdo dos atos concessórios objeto de auditoria. Ato Concessório de Drawback n °. 2003/0037565: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 928 3 Em 26/03/2006, teve início a vigência do referido AC, que autorizou a empresa Vicunha Têxtil S/A, por meio de seu estabelecimento localizado em Simões Filho, a importar 500.000 kg de "DMT — Dimetil Tereftalato", com o compromisso de exportar, até o prazo de 25/03/2005, 500.000 kg dos produtos "Fio 100% Poliester", "Fio 100% Poliéster Texturizado" e "Fio 100% Poliéster com Torção Superior a 50 V/M", numa relação insumo/produto de 1:1. Sob o referido ato concessório foi registrada a DI 03/02463156, em 25/03/2006. 2.2. Ato Concessório do Drawback n °. 2004/0323153: Em 29/12/2004, teve inicio a vigência do AC em epígrafe, por meio do qual o estabelecimento da empresa Vicunha Têxtil S/A localizado em Simões Filho ficou autorizada a importar 500.000 kg de "DMT — Dimetil Tereftalato", com o compromisso de exportar, até o prazo de 29/12/2006, numa relação insumo/produto de 1:1, 500.000 kg dos produtos: "Fio continuo 100% Poliester", "Fio Continuo 100% Poliéster" e "Fio 100% Poliéster". Sob o referido ato concessório foi registrada a DI 03/02463156, em 04/13239459. Informa a autoridade fiscal que, segundo as informações apresentadas pela autuada, o processo produtivo da empresa consiste, resumidamente, na importação do DMT pelo estabelecimento de Simões Filho — BA, onde, combinado com a substância monoetilenoglicol, tais insumos sofreriam tratamentos térmicos, químicos e mecânicos, obtendose polímeros de poliéster. Estes polímeros constituiriamse insumos (identificados como "insumos intermediários" neste relatório) que, transferidos para o estabelecimento industrial da empresa na cidade de Americana — SP, sofreriam outros processos de industrialização (fiação, texturização, estiragem, retorção, etc.), de onde se obtém o produto final (fios de poliéster) para comercialização ou exportação. Com efeito, analisandose a documentação apresentada, verificouse que as exportações vinculadas aos AC objetos da ação fiscal haviam sido efetuadas pelo estabelecimento da empresa localizado no interior do Estado de São Paulo. Relata ainda a autoridade fiscal que, em cumprimento a intimação formulada pela fiscalização, a empresa apresentara notas fiscais de entrada, saída e transferência de produtos (entre o estabelecimento da Bahia e o de São Paulo), bem assim tabelas e arquivos eletrônicos referentes aos registros de controle da produção e de estoque dos produtos fabricados exclusivamente com as matérias primas objeto do regime. Após análise da documentação apresentada, a fiscalização teria identificado dois tipos de irregularidades, a seguir detalhadas. Exportação anterior à produção das mercadorias com a matéria prima importada sob o regime de drawback Analisandose os registros do processo produtivo da matériaprima importada sob o regime, desde Fl. 928DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 929 4 sua entrada em produção na unidade de Simões Filho até a entrada do "insumo intermediário" na unidade de Americana, foi possível verificar que os insumos intermediários fabricados no âmbito do AC 2003/0037565 entram na etapa final do processo produtivo a partir de 02/05/2003. Confrontandose tal conclusão com os REs apresentados para fins de comprovação do adimplemento do regime, verificase que parte deles não seria apta a tal fim, posto que as exportações teriam sido concretizadas entes mesmo da entrada dos insumos intermediários na unidade de Americana. Desse modo, defendeu a fiscalização a glosa dos REs a seguir listados, em razão de restar caracterizado que os bens exportados não teriam sido produzidos com os insumos importados sob o AC 2003/0037565. (...) Exportação de mercadorias produzidas com matériaprima diversa da pertencente ao Ato Concessório No particular, informa a autoridade fiscal que, com base nas tabelas e registros fornecidos pela empresa, seria possível controlar as mercadorias produzidas com insumos importados ao amparo do regime, desde sua entrada na unidade de Simões Filho, passando pela industrialização nessa unidade, a transferência do insumo intermediário para a unidade de Americana e, finalmente, a entrada em produção na fábrica paulista. Acrescenta ainda a autoridade fiscal que, após intimação, a empresa forneceu os dados relativos ao controle de estoque de produtos finais em meio magnético. Nesse trilhar, alega a autoridade fiscal que, cruzandose as informações apresentadas pela contribuinte foi possível identificar os códigos dos produtos finais fabricados com insumos importados sob os atos concessórios em análise, os quais são listados nas tabelas abaixo: (...) Por sua vez, comparandose o rol de produtos listados nas notas fiscais de saída associadas aos REs apresentados para fins de comprovação do adimplemento do regime, a fiscalização identificou códigos de produtos que não se encontravam entre os acima elencados, ou seja, que não poderiam ter sido fabricados com os insumos importados. Por conseguinte, defendeu a fiscalização a glosa dos REs abaixo elencados, em razão de tratarem da exportação de produtos diversos dos fabricados com os insumos importados sob o regime: (...) Observa ainda a autoridade fiscal que, pesquisando os sistema de comércio exterior da RFB, teriam sido localizados três REs vinculados aos ACs em tela e que, caso se constatasse que tais REs diziam respeito a produtos fabricados com os insumos importados, ditas operações seriam consideradas para fins de comprovação do cumprimento do regime. No entanto, recuperandose os dados dos respectivos REs, Fl. 929DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 930 5 restou caracterizado que os produtos ali elencados não se encontravam no rol dos efetivamente produzidos com os insumos importados. A seguir, passa a fiscalização a descrever e quantificar o descumprimento do regime. Descumprimento do Regime Procedidas as glosas acima mencionadas, a fiscalização sintetizou os montantes correspondentes ao adimplemento e inadimplemento do regime, conforme tabela abaixo: (...) Segundo as conclusões da autoridade fiscal, o percentual não cumprido do AC n° 2003/0037565 corresponde a 61,90% e do AC n°2004/0323153 atinge 95,29%. Estes percentuais foram posteriormente utilizados para cálculo dos tributos devidos. Nacionalização Parcial Acrescenta a autoridade fiscal que, no que se refere ao AC n° 2003/0037565, em resposta a intimação fiscal, a autuada apresentou comprovante de recolhimento tributário, realizado através de um DARF de 14/04/2005 (confirmado por consulta ao sistema Sinal), relativo à nacionalização de parte dos produtos importados no referido AC. Nesta operação, o valor total do pagamento foi de R$53.723,61, sendo R$34.471,36 concernentes ao Imposto de Importação, correspondente à 22,3% do imposto suspenso na DI n° 03/02463156, e o restante aos acréscimos legais. Informa ainda que, em 13/12/2006, ou seja, após a instauração da ação fiscal, a empresa VICUNHA TEXTIL formalizou, na Alfândega do Porto de Salvador, o processo n° 12689.002011/200615, relativo à. nacionalização de parte do AC n°2004/032315 3. No requerimento constante deste processo, a empresa informa que haveria 224.449 kg de matériaprima importada (DMT), de um total de 500.000 kg importado neste Ato Concessório, que não havia sido utilizada no cumprimento do regime aduaneiro em pauta, e que deveria ser nacionalizada. Com base nesta apuração, foram recolhidos R$148.957,53 em tributos e contribuições federais e acréscimos legais, sendo R$55.449,70 relativos ao Imposto de Importação, R$35.118,14 relativos à COFINS e R$7.624,33 relativos ao PIS. Cálculo dos Impostos Incidentes e das Penalidades Aplicáveis Inicialmente, observese que a fiscalização reconheceu, sem qualquer ressalva quanto à sua espontaneidade, a íntegra dos pagamentos realizados pela autuada com vistas à nacionalização dos insumos que a própria empresa admitiu não haverem sido empregados na produção de bens destinados ao exterior. Tais valores foram abatidos do montante de impostos incidentes sobre os insumos objeto de glosa. Com relação ao restante do montante glosado, defendeu a autoridade fiscal o lançamento dos impostos incidentes e, ainda, a aplicação da multa de ofício de 75% sobre os impostos e contribuições lançados, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96, além da cobrança de juros. Os cálculos procedidos estão sintetizados nas tabelas abaixo: (...) Fl. 930DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 931 6 Os valores totais a recolher, considerados impostos, contribuições multa de ofício e encargos estão a seguir discriminados (...) II DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificada, comparece a autuada ao processo em 12/06/2007 para impugnar o lançamento. As razões de defesa apresentadas, a seguir sintetizadas, centramse em dois pontos principais: a inaplicabilidade do princípio da Vinculação Física, defendido pela fiscalização, e a desconsideração, pela autuação, do percentual correspondente às perdas do processo produtivo da impugnante. Inicialmente, a impugnante aduz ser a impugnante uma das maiores indústrias têxteis da América Latina, destinando cerca de 30% de sua produção ao mercado externo, o que, por si só, inviabilizaria a comprovação da vinculação física pretendida pela fiscalização. Sustenta que o controle requerido para tal seria impraticável. Alega que, na prática, não seria possível vincularse o insumo X ao produto exportado Y, sendo certo, porém, que os produtos exportados possuem em sua composição o insumo importado. Questiona o método adotado pela fiscalização, baseado em planilhas fornecidas pela impugnante, para deduzir que o insumo importado não integraria os produtos exportados. Para sustentar seu ponto de vista, colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Argúi que as falhas observadas poderiam, no máximo, ser entendidas como práticas que perturbariam o efetivo controle da Administração Tributária. Discorre sobre a natureza e os objetivos do Regime de Drawback, que visaria incentivar as exportações brasileiras, eliminando do custo final dos produtos o ônus relativos a insumos estrangeiros neles empregados. Por outro lado, alega que restou claro que a impugnante cumpriu todas as exigências legais, comprovando que a parte dos insumos que, de fato, não restara exportada foi devidamente nacionalizada, mediante pagamento dos impostos incidentes na importação comum. Por outro lado, observa que a autoridade fiscal desconsiderou o percentual de perda do processo produtivo da impugnante. Aduz que a própria legislação reconhece e admite um limite de perda de 5%, conforme art. 17 da Portaria Secex n°4/97. Sustenta que a autoridade fiscal não admitira nem ao menos o referido limite, já que as perdas da impugnante seriam superiores, nos termos do laudo técnico apresentado. Por fim, argúi que não haveria previsão legal para imposição da multa de 75%, uma vez que, na hipótese de inadimplemento do regime, conforme regulamentado no art. 319 do Regulamento Aduaneiro, apenas se exigira a adoção de uma das condutas saneadoras da Fl. 931DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 932 7 irregularidade, quais sejam, reexportação, destruição ou nacionalização, mediante recolhimento dos impostos incidentes. Não haveria, pois, no seu entendimento, sanção a ser aplicada. O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de Recife/PE (fls 806 a 828), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2003, 2004 DRAWBACK. EXIGÊNCIA DE VINCULAÇÃO FÍSICA ENTRE O INSUMO IMPORTADO E O BEM EXPORTADO. CARACTERIZAÇÃO DE SALDO POSITIVO DE ESTOQUE. LANÇAMENTO PROCEDENTE. A literalidade (ou tipicidade) da norma que estabelece o benefício fiscal inerente ao Drawback vincula inequivocamente o bem importado ao bem exportado, determinando que a própria mercadoria importada deverá ser exportada após beneficiamento ou emprego na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. Nos termos da legislação em vigor, o importador não tem a faculdade de, por iniciativa própria e sem prévia autorização, promover a compensação de impostos eventualmente incidentes na importação de insumos que integraram produtos exportados, nem a transferência de estoques de insumos importados sob o manto do Drawback Suspensão para outro Ato Concessório (AC) do mesmo regime. Restando caracterizada a ocorrência de saldo de insumos não exportados ao final do prazo concedido em determinado AC, há que se reconhecer a procedência do lançamento. DRAWBACK. PERDAS DO PROCESSO PRODUTIVO. DESCONSIDERAÇÃO DE MONTANTES INFERIORES A 5%. CARACTERIZAÇÃO MEDIANTE LAUDO TÉCNICO. O Regulamento Aduaneiro prevê que perdas no processo produtivo de até 5% podem ser desprezadas para efeito de concessão do Drawback. No caso em tela, havendo laudo técnico que comprove perdas em montante inferior ao limite estabelecido na legislação, cabe desconsiderar a parcela correspondente dos insumos, quando do cálculo dos impostos e contribuições devidos. DRAWBACK. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE OS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE OS INSUMOS NÃO EXPORTADOS. HIGIDEZ. Deixandose de cumprir um dos requisitos para fruição da isenção, sem que se tenha adotado qualquer providência para a extinção regular do Regime, incide a regra do art. 155 do Código Tributário Nacional. Uma vez devidos os impostos e contribuições incidentes sobre a parcela não exportada, sem que a contribuinte tenha efetuado o seu recolhimento, cabe o lançamento da multa de ofício de 75%. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 933 8 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o Sujeito Passivo recorre a este Conselho por meio de petição de fls 841 a 864, repisando os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Haja vista que, no meu entender, há elementos suficientes nos autos para resolver o mérito do processo administrativo ora sob análise, rejeito a proposta de diligência levantada no Colegiado. Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. A ilustre Relatora entendeu que haveria elementos suficientes nos autos para resolver o mérito do processo administrativo ora sob análise, e rejeitou a proposta de diligência. Não foi o entendimento do colegiado, que resolveu converter o julgamento em diligência para o esclarecimento de alguns pontos a seguir delimitados. A questão cingese sobre o descumprimento parcial dos compromissos de exportação firmados no âmbito dos Atos Concessórios de Drawback, modalidade suspensão, identificados pelos números 2003/0037565 e 2003/0037565, em especial pelo descumprimento do “princípio da vinculação física”. Tal princípio, inerente ao regime de drawback, determina que os itens importados deverão ser totalmente utilizados na industrialização do produto a ser exportado. A controvérsia relativa à comprovação do adimplemento das condições legais e das condições pactuadas no Ato Concessório do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, especialmente a utilização dos itens importados no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias efetivamente exportadas, denominado de “Princípio da Vinculação Física”, foi objeto de inúmeros estudos doutrinários e de acalorados debates no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De um lado, as Autoridades Fiscais, que sempre defenderam a necessidade de vinculação do insumo, ainda que indireta, no produto exportado; de outro lado, grande parte dos importadores e beneficiários do regime, com fundamento em algum estudo jurídico acerca do tema, defendendo que tal previsão não encontrava amparo legal e representava elevado ônus aos contribuintes. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 934 9 A matéria tornouse ainda mais palpitante, pela possibilidade legal trazida pela Medida Provisória 497/2010, posteriormente convertida na Lei 12.350/2010, de substituição dos insumos importados ou adquiridos no mercado interno, por outros insumos e mercadorias equivalentes. Mas, antes de adentrarmos na inovação legal, cumprenos analisar se tal exigência (vinculação física) fazia (e ainda faz) parte da essência do regime. As legislações de regência do regime já tratavam do tema desde o primeiro ato normativo (Decreto 994/36), e as primeiras regulamentações, veiculadas pelos Decretos 50.485/611 e 53.967/642, expressamente consignavam que o benefício seria aplicável às matériasprimas e aos produtos semimanufaturados utilizados diretamente na fabricação de mercadorias destinadas à exportação, consideradas como uma condição para fruição do benefício. Tal previsão constou do comando do artigo 78 do DecretoLei 37/66, ainda em vigor (grifo nosso): Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: [...]II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; [...] .(grifo nosso) Pela redação do dispositivo legal acima reproduzido, a mercadoria exportada deve ser industrializada (beneficiada, fabricada, complementada ou acondicionada), a partir de mercadorias anteriormente importadas, com total vínculo entre as operações: importação de insumos → industrialização do produto com os insumos importados → exportação dos produtos industrializados com os insumos importados Também consta no texto do artigo 12 da Lei nº 11.945/2009, que trata do Drawback Integrado Suspensão, a previsão da utilização da mercadoria na industrialização de produto a ser exportado, não na simples industrialização de outro produto: Art. 12. A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado poderá ser realizada com suspensão do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. .(grifo nosso) 1Art. 2º O favor de que trata o presente Regulamento poderá ser aplicado: a) às matériasprimas e produtos semimanufaturas utilizados diretamente na fabricação de mercadorias destinadas à exportação; b) às peças, partes, aparelhos e máquinas, complementares de aparelhos, máquinas, veículos ou equipamentos destinados à exportação; c) às mercadorias destinadas a embalagem, acondicionamento ou apresentação de produtos a serem exportados; [...]. 2“Art. 2º O estímulo de que trata êste Regulamento será aplicado: a) às matérias primas e produtos semimanufaturados utilizados diretamente na fabricação de mercadorias destinadas à exportação; b) às peças, partes, utensílios, dispositivos, aparelhos e máquinas, quando complementares de aparelhos, máquinas, veículos ou equipamentos destinados à exportação; c) às mercadorias ou materiais para utilização em embalagem, acondicionamento ou apresentação de produtos a serem exportados.” Fl. 934DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 935 10 O Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/2009, tratou da matéria em seu artigo 389: Art. 389. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Entendemos que o princípio da vinculação física é inerente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback suspensão pelos seguintes fundamentos: (i) princípio da estrita legalidade; (ii) condição para fruição do incentivo; e (iii) adequação ao controle aduaneiro. Claramente a legislação brasileira fez opção pelo “princípio da vinculação física” para o Drawback Suspensão, até a edição da MP 497/2010, devendo ser observado o disposto no artigo 111 do CTN, que impõe a interpretação literal sobre a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, o que é o caso. Destacase que a doutrina majoritariamente trata o regime de drawback suspensão como uma isenção condicionada. Associase a esse fundamento a plena adequação ao controle aduaneiro, de matriz constitucional (art. 237 da CF/88), e a necessidade de se proteger a ordem econômica (arts.170 e 174 da CF/88), especialmente o controle das desonerações tributárias e o combate à concorrência desleal, direcionados também à proteção da sociedade e o equilíbrio no ambiente de negócios. A possibilidade de se desviar mercadorias importadas com benefício para o mercado interno leva a uma redução no custo dessa mercadoria e um ganho concorrencial desproporcional, em desacordo com os objetivos do regime (industrialização e exportação do bem industrializado). Mesmo com a posterior reposição do insumo, o estrago concorrencial já pode ter sido consumado, gerando uma distorção sistemática e completamente alheia aos objetivos legais do regime e constitucionais. Também se destaca que a lei instituidora do regime estabelece, como condição para fruição do benefício, a utilização das mercadorias admitidas com benefício no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Entretanto, tal exigência é alvo de inúmeras críticas baseadas na alegação de que o princípio da vinculação física deve ser substituído pelo princípio da equivalência ou fungibilidade. Alguns autores afirmam que a exigência de vinculação dos insumos importados ao produto exportado oneraria de forma excessiva o custo da operação, podendo até mesmo eliminar o possível ganho com o regime, pois seria necessária a separação física de estoques. Entendemos que tal argumento não pode prevalecer. Em nenhum ato normativo consta a exigência de separação física de estoque. O devido controle pode e deve ser feito de forma escritural. Para tanto, já existe, há muito tempo, a previsão obrigatória de escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque – livro modelo 3. Não se trata de nenhuma nova exigência para o controle do drawback, mas uma obrigação acessória prevista pela legislação do IPI. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 936 11 Nenhum problema há em se misturar os estoques de insumos adquiridos com o benefício de drawback e aqueles adquiridos sem o benefício, desde que devidamente registrados no livro modelo 3. A apuração do efetivo consumo dos insumos na produção dos itens a serem exportados deve ser feita considerando o critério contábil de ordem “primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS)"3. Com a edição da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 1.618/2014, que alterou a redação da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, passouse a não mais se exigir controles segregados de estoque, sem prejuízo dos controles contábeis previstos na legislação. Os controles fiscais, como, por exemplo, o livro modelo 3, continuam obrigatórios pela legislação do IPI. Tal alteração em nada prejudica o controle do regime, visto que em um mesmo código de insumo/produto, pelo critério PEPS, pode ser apurado o consumo de cada item vinculado a determinada ordem de produção. Assim, é possível a comprovação de que tal insumo, em determinada data, foi utilizado na produção de determinado item, em determinada data, possibilitando o pleno controle do Regime de Drawback. Destarte, o princípio da vinculação física no Drawback Suspensão estava fixado na legislação, conforme acima demonstrado, até que a questão foi objeto de alteração legislativa, com a edição da Lei nº 12.350/2010 (conversão da MP 497 de 17/07/2010), cujo art. 32 deu nova redação ao art. 17 da Lei nº 11.774/2008, passando a prever de forma expressa a equivalência, ou seja, a possibilidade de substituição dos insumos importados ao amparo do Drawback Suspensão, por outros produtos nacionais ou importados: Art. 32 (deu nova redação ao art.17 da Lei nº 11.774/2008) “Art. 17 Para efeitos de adimplemento do compromisso e exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo” (NR) O dispositivo legal acima é claro ao determinar a regulamentação, em ato conjunto da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Comércio Exterior, dos termos, limites e condições para a substituição de produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão de pagamento de tributos, por insumos similares, adquiridos sem o benefício. Interpretase, portanto, que, até a edição da Medida Provisória nº 497, de 17/07/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, a legislação brasileira fez clara opção pela vinculação física para o Drawback Suspensão, e que a possibilidade de substituição dos itens 3Embora já utilizada há tempos no controle e apuração do drawback, tal previsão constou expressamente na Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 1.618/2014. “Art. 6ºA Para fins de fiscalização do cumprimento do compromisso de exportação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) levará em consideração as operações cursadas ao amparo do regime segundo o critério contábil de ordem primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS)”. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 937 12 importados por equivalentes somente poderia ser aplicada após a edição de ato regulamentar do Poder Executivo. Não houve a delegação a ato infralegal da possibilidade de se inovar na hipótese isentiva. A previsão legal trazida pelo artigo 78 do DecretoLei 37/66 e pela Lei 11.945/2009 continua plenamente válida: a isenção, condicionada à industrialização de produto a ser exportado com os insumos importados ou adquiridos no mercado interno com o benefício. Essa é a regra geral plenamente em vigor. O que a Lei 12.350/2010 trouxe foi uma situação excepcional, para fins de comprovação daquele compromisso de exportar, que foi condicionada ao atendimento dos critérios estabelecidos pelo Poder Executivo, dentro de sua competência regulamentar, atendendo à necessidade de controle das operações, e a definição do que seria “mercadoria equivalente” para fins de adimplemento do regime. Atendendo ao previsto no dispositivo legal, ainda que com um considerável atraso, a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior editaram a Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 1.618, de 2 de setembro de 2014, que alterou a redação da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, que “disciplina o regime especial de Drawback Integrado, que suspende o pagamento dos tributos que especifica”4. Não se trata de uma inovação infralegal, restringindo uma hipótese legal, mas de uma regulamentação prevista na própria lei, de forma a esclarecer seu conteúdo, alcance e medidas de controle. O núcleo da norma de isenção continua intacto, mesmo aquela possibilidade excepcional de se aceitar a equivalência para fins de adimplemento no regime. A regulamentação deu a dimensão para se considerar como equivalente o produto, de mesma espécie e qualidade, evitando interpretações distorcidas, dando uma segurança jurídica ao regime. Quanto ao limite determinado pela norma, o Poder Executivo foi muito condescendente com os operadores, fixando apenas o limite quantitativo, considerando aquele definido pelo regime (Ato Concessório). Nenhum limite temporal foi imposto, ainda que necessário ao pleno controle do regime, que poderia evitar distorções concorrenciais temporais, como por exemplo, a oscilação de preços internos ocasionados por safras (e entressafras) agrícolas. Quanto às condições, que preferimos denominar de critérios, houve distinção para as mercadorias idênticas e as mercadorias equivalentes: (I) serão consideradas como idênticas, para fins de substituição no produto exportado, aquelas mercadorias iguais em tudo, ou seja, em suas características físicas, qualidades e reputação comercial, admitidas pequenas diferenças na aparência; (II) serão consideradas como equivalentes, (II.1) aquelas classificadas no mesmo código da NCM, (II.2) aquelas que realizarem as mesmas funções, (II.3) aquelas obtidas a partir dos mesmos materiais, (II.4) aquelas comercializadas a preços equivalentes, e (II.5) aquelas com as mesmas especificações, que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. Destacase que os critérios são cumulativos, ou seja, para considerar a mercadoria como equivalente, ela deve observar todos os critérios definidos na norma. 4 Assim dispõe o artigo 5º da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, incluído pela Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 1.618, de 2 de setembro de 2014: Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 938 13 Destacase que, no critério de preços equivalentes, a Portaria permite o desconto da variação cambial e a possibilidade de desconsiderar alterações no preço da mercadoria de até cinco por cento em relação ao valor das mercadorias originalmente adquiridas no mercado interno ou importadas. Tal comparação de preços deve ser feita confrontando o valor de aquisição da mercadoria equivalente (sem benefício do drawback) e o valor da mercadoria originalmente adquirida no mercado interno ou importada (com benefício do drawback), excluindo o valor dos tributos e contribuições incidentes sobre a aquisição (ICMS, IPI, PIS e COFINS), e a variação cambial, de forma a comparar os preços na mesma base. Portanto, em caso de descumprimento dos critérios estabelecidos pela norma, para fins de se considerar a mercadoria como idêntica ou equivalente, a operação é desconfigurada como hipótese excepcional (equivalência) , voltando à regra geral (vinculação física). Importante destacar a possibilidade de aplicação retroativa de tais dispositivos. Ainda que a Portaria tenha determinado que sua aplicação retrocederia à data da edição da Medida Provisória 497/2010 (28 de julho de 2010), desde que atendidas as condições estipuladas, entendemos que, para fatos ocorridos anteriormente à referida data, em autos de infração ainda não definitivamente julgados, aplicarseia a retroatividade benigna prevista no inciso II, art. 106 do CTN, por se tratar de ato não definitivamente julgado que deixou de definilo como infração. Destacase que é imperativa, para a retroação, a efetiva comprovação do atendimento dos critérios estabelecidos na Portaria, por parte do beneficiário. Dessa forma, o colegiado resolveu converter o presente julgamento em diligência a repartição de origem, para verificar o cumprimento, por parte da beneficiária do drawback, dos requisitos enumerados no artigo 5º da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX n.º 1.618/2014. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É o voto vencedor. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 938DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000710/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. INDEFERIMENTO PARCIAL.
Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE MÃO-DE-OBRA. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO, A FIM DE CERTIFICAR A AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
A responsabilidade do tomador do serviço pelas Contribuições Previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/1991, não comportando benefício de ordem. Todavia, no período pretérito à edição da Lei 9.711/1998, há necessidade de prévia aferição na contabilidade do prestador dos serviços, cedente de mão-de-obra, para certificar a ausência do reconhecimento da Contribuição Previdenciária, sendo incabível a aferição indireta nas contas do tomador dos serviços antes de tal providência
JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. Súmula CARF n° 04:
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.JUROS. TAXA SELIC.
MULTA.RETROATIVIDADE BENIGNA.Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009.
Numero da decisão: 2401-006.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário lançado no período até 11/1997. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Fernanda Melo Leal. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. INDEFERIMENTO PARCIAL. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE MÃODE OBRA. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO, A FIM DE CERTIFICAR A AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. A responsabilidade do tomador do serviço pelas Contribuições Previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/1991, não comportando benefício de ordem. Todavia, no período pretérito à edição da Lei 9.711/1998, há necessidade de prévia aferição na contabilidade do prestador dos serviços, cedente de mãodeobra, para certificar a ausência do reconhecimento da Contribuição Previdenciária, sendo incabível a aferição indireta nas contas do tomador dos serviços antes de tal providência JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. Súmula CARF n° 04: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 07 10 /2 00 7- 07 Fl. 169DF CARF MF 2 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.JUROS. TAXA SELIC. MULTA.RETROATIVIDADE BENIGNA.Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário lançado no período até 11/1997. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Fernanda Melo Leal. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratam os presentes autos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (DEBCAD 35.566.2477 – fls. 05/22), lavrado contra as empresas SENDAS S/A e TELETREIS TELEINFORMÁTICA LTDA., no valor total de R$ 11.961,56 (onze mil novecentos e sessenta e um reais e cinquenta e seis centavos). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 41/45) o crédito constituído é referente às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos segurados empregados e a contribuição da empresa, inclusive para o custeio das prestações decorrentes de acidente de trabalho ou do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho – GILRAT, em razão da responsabilidade solidária entre a empresa tomadora (Sendas S/A) e a Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11330.000710/200707 Acórdão n.º 2401006.013 S2C4T1 Fl. 3 3 empresa prestadora (TELETREIS TELEINFORMÁTICA Ltda.), decorrente da contratação de prestação de serviços de construção civil no período de 04/1997 a 31/12/1998. Às fls. 46/49 consta tabela indicando os percentuais usados para o cálculo para o salário de contribuição, correspondendo tais valores a 20% sobre o valor bruto da nota fiscal, uma vez que não estavam discriminados nas respectivas notas os valores correspondentes ao material fornecido pela prestadora para a execução da obra. Devidamente cientificada, a Interessada SENDAS S/A apresentou Defesa Prévia (fls. 55/66), com as seguintes considerações: (i) Da decadência. Se a Fazenda Pública não se pronunciar sobre o recolhimento no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, operase automaticamente a homologação tácita do recolhimento. É o que impõe expressa e inequivocamente o artigo 150, § 4º do CTN, e assim dáse a preclusão do prazo da Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário. É ilegal o lançamento efetuado pelo INSS, materializado na NFLD em tela, diante da extinção dos alegados créditos, já homologados, operandose a decadência do direito da Fazenda. Apesar do caput do artigo 45 da Lei 8.212/91 estabelecer um prazo de 10 anos para a Seguridade Social apurar e constituir débitos, este dispositivo é manifestamente inconstitucional, além de violar também o CTN, e por isso a sua aplicação vem sendo sistematicamente rejeitada pelos Tribunais. Isto porque não há dúvidas de que o prazo decadencial, estabelecido pelo Código Tributário Nacional, não pode ser revogado ou alterado por mera lei ordinária, que porventura pretenda estabelecer prazo diverso. Concluise, portanto, que foram ilegalmente constituídos na NFLD em tela todos os valores lançados pelo INSS relativos às competências de novembro de 1995 a agosto de 1997, inclusive, posto que já homologada tacitamente, na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, ocorrendo assim a preclusão do prazo da Fazenda Pública para constituir eventual crédito mediante lançamento. (ii) Da ilegalidade in totum do lançamento. As competências a que se refere o lançamento em apreço nesta lide são anteriores ao advento da Lei nº 9.711, de 20.11.98. Logo, a presente discussão não trata da obrigação do tomador de serviços de reter o percentual de 11% (onze por cento) sobre os valores de notas fiscais de seus prestadores de serviço, instituída posteriormente aos fatos geradores em tela nesta demanda. Argumenta que somente pode existir o instituto da solidariedade se houver dívida, a fim de que o credor possa imputála a qualquer um dos devedores solidários, e para existir dívida é necessário que haja inadimplência do devedor originário. Cita os artigos 124 e 142 do Código Tributário Nacional para defender a sua ausência de responsabilidade. Conclui que o instituto da solidariedade somente pode ser efetivado nos casos em que a Fiscalização, preliminarmente, determine junto ao contribuinte praticante do fato gerador a devida a devida e efetiva contribuição não recolhida, para, só então, cobrarse do co responsável pela obrigação. Fl. 171DF CARF MF 4 (iii) As formas de calcular o montante do tributo devido. No caso presente, realizou o Fisco uma indubitável aferição indireta, ao apurar o pseudo débito através de percentuais sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviços, ignorando, não se sabe porquê, a contabilidade do devedor originário, o que não é aceitável. Argumenta que é dever, e não mera faculdade, da Autarquia fiscalizar junto à empresa contribuinte (devedora originária) a sua folha de pagamento, cuja obrigação de manter em consonância com as normas legais é unicamente da empresa que paga ou credita tais remunerações (prestadora de serviços). Alega que o Fisco contrariou o artigo 33, § 6º da Lei nº 8.212/91, uma vez que este dispositivo estabelece as situações que dão margem à aferição indireta por parte da Fiscalização. (iv) Da ausência de qualquer infração por parte da impugnante. Assevera que constituir o crédito tributário contra a responsável solidária mediante a aplicação de percentual sobre as notas fiscais detidas pela impugnante, sem prévia comprovação da idoneidade dos registros contábeis do prestador de serviços, é ilegal, contrariando claramente o § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. (v) Ilegal incidência de juros e multa. Sobre o tema, a impugnante defende que os valores são excessivos, configurando confisco tributário, o que é vedado pela Constituição Federal, que não pode ser ofendida por legislação ordinária. Por sua vez, apesar de devidamente notificada, a empresa TELETREIS TELEINFORMÁTICA LTDA. deixou de se manifestar. A Seção do Contencioso Administrativo da Previdência Social, por intermédio do Despacho nº 17.422.4/0028/2005 (fls. 94/97), saneou o processo para corrigir inconsistências contidas entre o Relatório Fiscal e os Fundamentos Legais do Débito – FLD, reabrindo prazo para apresentação de defesa. Cientificada, dentro do prazo legal, a empresa Sendas S/A apresentou Defesa Adicional (fls. 99/110), em suma, com o mesmo conteúdo da defesa anteriormente apresentada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1216.018 da 14ª Turma da DRJ/RJOI, às fls. 121/134, julgando procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Confirase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. ARBITRAMENTO. DECADÊNCIA. JUROS E MULTA. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11330.000710/200707 Acórdão n.º 2401006.013 S2C4T1 Fl. 4 5 executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem, Lei 8.212/91, art. 30, VI. Somente será elidida a responsabilidade solidária existente entre o tomador e prestador de serviços se comprovado o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição na ocorrência de recusa, sonegação ou apresentação deficiente de documentos (Art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91). É de 10 (dez) anos o prazo para apuração e constituição do crédito previdenciário, conforme artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Conforme estabelece o artigo 34 da Lei nº 8.212/91, com a redação alterada pela Lei nº 9.528/97, sobre as contribuições sociais recolhidas em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Lançamento Procedente” Do resultado do julgamento, o contribuinte Recorrente foi intimado em 25/02/2008 (fl. 171). Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/08/2008 (às fls. 144/158), argumentando, em síntese, o que segue: (i) Afirma a tempestividade do seu recurso. (ii) Da decadência. Apesar do caput do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 estabelecer um prazo de 10 anos para a Seguridade Social apurar e constituir débitos, este dispositivo é manifestamente inconstitucional, além de violar também o CTN, e por isso a sua aplicação vem sendo sistematicamente rejeitada pelos Tribunais. Isto porque não há dúvidas de que o prazo decadencial, estabelecido pelo Código Tributário Nacional, não pode ser revogado ou alterado por mera lei ordinária, que porventura pretenda estabelecer prazo diverso. Se a Fazenda Pública não se pronunciar sobre o recolhimento no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, operase automaticamente a homologação tácita do recolhimento. É o que impõe expressa e inequivocamente o artigo 150, § 4º do CTN, e assim dáse a preclusão do prazo da Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário. É ilegal o lançamento efetuado pelo INSS, materializado na NFLD em tela, diante da extinção dos alegados créditos, já homologados, operandose a decadência do direito da Fazenda. Concluise, portanto, que foram ilegalmente constituídos na NFLD em tela todos os valores lançados pelo INSS relativos às competências anteriores a abril de 1998, Fl. 173DF CARF MF 6 inclusive, posto que já homologada tacitamente, na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, ocorrendo assim a preclusão do prazo da Fazenda Pública para constituir eventual crédito mediante lançamento. (iii) Da previsão da responsabilidade solidária. Contestando a aplicação do artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, afirma que um credor não pode tentar receber do devedor solidário algo inexistente, ou mesmo algo claramente não configurado. Nesse sentido, para o recebimento do devedor solidário, por óbvio, há que existir uma dívida configurada, documentada e fundamentada, advinda de inadimplência do devedor originário. Apenas com um crédito regularmente constituído em seu devedor originário, terá o credor a possibilidade de imputála a quaisquer um dos devedores solidários. Deste modo, defende que sendo o prestador o real contribuinte, neste deve ser constituído eventual crédito tributário, e, caso existente, poderá este ser exigido dos responsáveis solidários nos termos da legislação vigente. Inexistindo o crédito tributário não há o objeto ao qual é atribuída a responsabilidade do terceiro, e, consequentemente, falta o seu pressuposto para o chamamento à relação jurídica. (iv) Formas de calcular o montante do tributo devido. No caso presente, realizou o Fisco uma indubitável aferição indireta, ao apurar o pseudo débito através de percentuais sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviços, ignorando, não se sabe porquê, a contabilidade do devedor originário, o que não é aceitável. Argumenta que é dever, e não mera faculdade, da Autarquia fiscalizar junto à empresa contribuinte (devedora originária) a sua folha de pagamento, cuja obrigação de manter em consonância com as normas legais é unicamente da empresa que paga ou credita tais remunerações (prestadora de serviços). Alega que o Fisco contrariou o artigo 33, § 6º da Lei nº 8.212/91, uma vez que este dispositivo estabelece as situações que dão margem à aferição indireta por parte da Fiscalização. (v) Da ausência de qualquer infração por parte da Recorrente. Assevera que constituir o crédito tributário contra a responsável solidária mediante a aplicação de percentual sobre as notas fiscais detidas pela impugnante, sem prévia comprovação da idoneidade dos registros contábeis do prestador de serviços, é ilegal, contrariando claramente o § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. (vi) Ilegal incidência de juros e multa. Sobre o tema, a impugnante defende que os valores são excessivos, configurando confisco tributário, o que é vedado pela Constituição Federal, que não pode ser ofendida por legislação ordinária. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11330.000710/200707 Acórdão n.º 2401006.013 S2C4T1 Fl. 5 7 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 10/07/2008 (fl. 143), e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 11/08/2008 (fls. 144/158), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES a. Da decadência. A Recorrente argúi a decadência das contribuições lançadas nestes autos. Argumenta que apesar do caput do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 estabelecer um prazo de 10 anos para a Seguridade Social apurar e constituir débitos, este dispositivo é manifestamente inconstitucional, além de violar também o CTN, e por isso a sua aplicação vem sendo sistematicamente rejeitada pelos Tribunais. Defende que não há dúvidas de que o prazo decadencial, estabelecido pelo Código Tributário Nacional, não pode ser revogado ou alterado por mera lei ordinária, que porventura pretenda estabelecer prazo diverso. Nesse passo, argumenta que se a Fazenda Pública não se pronunciar sobre o recolhimento no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, operase automaticamente a homologação tácita do recolhimento. É o que impõe expressa e inequivocamente o artigo 150, § 4º do CTN, e assim dáse a preclusão do prazo da Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário. Sobre o tema, no que se refere à prescrição decenal, cumpre chamar a atenção para o fato de que na sessão plenária de 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n.º 8 (D.O.U. de 20/06/2008), e consagrou o entendimento há muito estabelecido pelo STJ de que prescrição e decadência tributária são matérias reservadas à lei complementar, na forma do artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, declarando, em consequência, a inconstitucionalidade de normas infraconstitucionais que versavam sobre o tema. Eis o seu teor: SÚMULA VINCULANTE Nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Portanto, o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Ao verificar os requisitos para aplicação do critério de contagem do prazo decadencial, pela análise dos autos, não constam recolhimentos na prestadora para o período Fl. 175DF CARF MF 8 01/04/1997 a 31/12/1998. Assim, o critério para a contagem do prazo decadencial é o previsto pelo artigo 173, inciso I, do CTN, dessa forma, como o contribuinte foi notificado do Auto de Infração no dia 19/05/2003 (fl. 05), o período anterior a 11/1997 (inclusive), está fulminado pela decadência. 3. DO MÉRITO Trata os presentes autos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (DEBCAD 35.566.2477 – fls. 05/22), lavrado contra as empresas SENDAS S/A e TELETREIS TELEINFORMÁTICA LTDA. O crédito constituído é referente às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos segurados empregados e a contribuição da empresa, inclusive para o custeio das prestações decorrentes de acidente de trabalho ou do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho – GILRAT, em razão da responsabilidade solidária entre a empresa tomadora (Sendas S/A) e a empresa prestadora (TELETREIS TELEINFORMÁTICA Ltda.), decorrente da contratação de prestação de serviços de construção civil no período de 04/1997 a 31/12/1998 O artigo 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91, prevê a responsabilidade solidária em relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados na execução de obras de construção civil. Não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de impossibilidade de atribuirlhe responsabilidade solidária, pelo fato do crédito não ter sido constituído em nome do contribuinte originário, nos moldes do artigo 142 do CTN. A obrigação solidária pode ser definida como aquela em que, havendo pluralidade de credores, ou de devedores, ou ainda, de uns e de outros, cada um tem o direito, ou é obrigado, pela dívida toda. Solidariedade significa a coresponsabilidade entre as partes. A alegação da Recorrente que somente pode exigir o crédito do tomador de serviço após a sua constituição no devedor originário(prestador do serviço), não procede. O artigo 43 do Decreto nº 2.173 de 05 de março de 1997, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, prevê a elisão da responsabilidade solidária nas obrigações para com a Seguridade Social decorrentes de obra de construção civil. Notese ainda que, a apuração de crédito por aferição indireta pelo FISCO está positivada no artigo 33 e § 3º da Lei nº 8.212/91. Já a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11 de julho de 1997 estabelecia critérios e rotinas para a fiscalização de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica e construção em nome coletivo, com as alterações da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 185, de 31/03/1998, também vigente à época de parte da ocorrência dos fatos geradores do crédito em discussão, fixou os critérios a serem adotados na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária, quando da não apresentação de elementos comprobatórios da remuneração paga u creditada aos segurados, na execução de obra de construção civil. Já a Instrução Normativa INSS/DC nº 69, de 10/05/2006 estabelecia em seu artigo 76 o percentual a ser aplicado à nota fiscal para o cálculo dos salários de contribuição. O artigo 144, em seu parágrafo 1º estabelece que se aplica a legislação em vigor à época do lançamento fiscal para a apuração dos valores de salário de contribuição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11330.000710/200707 Acórdão n.º 2401006.013 S2C4T1 Fl. 6 9 Nesse diapasão, os percentuais usados para a aferição dos salários de contribuição dos segurados da prestadora de serviços envolvidos na obra de construção civil da SENDAS S/A foram previstos pela IN INSS nº 69/2002, vigente à época da lavratura desta NFLD. Assim, observase que não resta dúvida quanto aos percentuais utilizados visto que a Ordem de Serviço vigente à época dos fatos geradores das referidas contribuições também estabeleciam os mesmos percentuais, desta forma, em nenhum momento foi estabelecido percentual diverso daquele utilizado pela fiscalização. Impende salientar que a Recorrente não comprovou o recolhimento das contribuições devidas sobre a remuneração dos segurados incluída em noat fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, nem apresentou elementos que possibilitassem a identificação do montante da remuneração paga ou creditada aos referidos segurados, temse que os critérios adotados pela auditoria fiscal na apuração da base de cálculo do crédito em discussão estão em perfeita consonância com a legislação de regência. A Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997 prevê a possibilidade da elisão da responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil para o serviço de instalações de telefone interno, à vista de apresentação de cópia de GRPS com recolhimento englobado pelo CGC da empresa. Entretanto, para o caso sob análise, não foi apresentada nenhuma GRPS da empresa prestadora dos serviços. O que se observa é que a Recorrente não apresenta nenhum documento que possibilitem a elisão da sua responsabilidade solidária perante ao presente crédito. A alegação da Recorrente de que o artigo 33, § 6º da lei nº 8.212/91 somente autoriza constituir o crédito por aferição indireta caso fique constatada fraude nos registros contábeis, não pode prosperar. Referida hipótese só poderia ocorrer no curso de uma ação fiscal junto à empresa prestadora e, se no curso da análise de sua documentação (registros contábeis), se constatasse que não registram o movimento real da remuneração paga aos segurados a seu serviço. No caso sob análise, a ação fiscal deuse no tomador dos serviços e o que motivou a apuração do crédito por aferição indireta, utilizandose as prerrogativas previstas no § 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, foi a não apresentação das folhas de pagamento, conforme estabelecido no artigo 43, § 2º do Decreto nº 2.173/97. Por fim, na parte final dos seus pedidos a recorrente alega ser indevida imposição de juros e multa. Temse, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art.62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art.26A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. Fl. 177DF CARF MF 10 Cumpre lembrar, ainda, que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados está prevista no art. 34, da Lei n° 8.212/91, sendo que sua incidência sobre débitos tributários já foi pacificada, conforme Súmula n° 04, do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por essas razões, afasto a pretensão recursal a respeito da impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC para o cálculo das contribuições previdenciárias recolhidas fora do prazo. No que tange à multa, como já esclarecido pela instância a quo, cabe à autoridade administrativa, no momento da extinção do crédito tributário de obrigação prncipal, observar o cumprimento do preceito insculpido no artigo 106, II, alínea "c", do CTN, mediante comparação entre o valor da multa efetivamente aplicada no momento da autuação e aquele que seria devido caso fosse considerada a nova metodologia introduzida pela Lei n 11.941/09, de forma a assegurar a aplicação da penalidade pecuniária que se mostrar mais benéfica ao sujeito passivo. Dessa forma, dou provimento parcial ao recurso. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.903908/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.770
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 08 /2 01 2- 46 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903908/201246 Acórdão n.º 3201004.770 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Em preliminar, defende a decadência para a análise do crédito tributário (CTF, art. 150, § 4º) em função de a ciência do despacho decisório ter ocorrido em prazo superior a 5 anos da data de transmissão do PerDcomp. Cita acórdão do Carf relativo à homologação tácita de declaração de compensação. Afirma que o crédito pleiteado referese à exclusão de outras receitas da base de calculo do Pis e da Cofins em função do trânsito em julgado com repercussão geral ocorreu em 2006. Cita acórdãos de DRJ e do Carf. Acrescenta que foi revogado o §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pede, se for o caso, a determinação das diligências necessárias para a apuração da exatidão do crédito tributário a que se refere o presente processo, em respeito ao primado da verdade material e da moralidade administrativa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02048.742. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.765, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.903903/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.765): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903908/201246 Acórdão n.º 3201004.770 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de "inexistência do crédito postulado". Inicialmente aduz o Recorrente a ocorrência de decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4ª do CTN, contados da transmissão do Pedido de Restituição. Todavia, não merece acolhida o pleito do contribuinte. O Pedido de Restituição tem o condão de interromper a prescrição do crédito tributário em face da Fazenda Nacional, contudo, inexiste hipótese de reconhecimento tácito de tal crédito, cujo reconhecimento demanda a análise material do direito creditório pela administração tributária. Lado outro, prevê a legislação a homologação tácita das pedidos de compensação apresentados pelos contribuinte, sendo este prazo de 5 (cinco) anos contados da transmissão da declaração de compensação. Desse modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: A compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 74, § 2º). O mesmo artigo determina que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de “não homologação” da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PerDcomp sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. Por outro lado, o pedido de restituição não tem nenhum efeito imediato e necessita, essencialmente, da manifestação expressa da Administração negando ou concordando com o pedido. Por tratarse de um requerimento, de uma solicitação, de um pedido, necessita uma decisão explícita da Administração – nunca uma solução tácita (Lei nº 9.784, de 1999, art. 48). O prazo da Lei 9.740, de 1996, referese, exclusivamente, à declaração de compensação, não se aplicando a pedido de restituição. Não existe prazo preclusivo para a apreciação do pedido de restituição. Não cabe aplicar a ele o prazo da homologação tácita, dado que a compensação declarada está afeta a um regime declaratório (Declaração de Compensação), e a restituição está afeta a um regime de requerimento (Pedido de Restituição). Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903908/201246 Acórdão n.º 3201004.770 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse mesmo sentido é a própria decisão colacionada pelo Contribuinte em Seu Recurso Voluntário: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, a teor das disposições do art. 74 e seu § 5° da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data da protocolização da Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 120200.246 – Recurso nº 177.141Processo nº 11610.006196/200335 – 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2009) Vale ressaltar que, muito embora o Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação possam ser apresentados por meio de um único instrumento (PER/DCOMP), estes não se confundem, pois representam atos jurídicos de conteúdo distinto. Quanto ao mérito, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior em decorrência do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que deve ser reconhecida pela administração tributária. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega, a rigor, a necessidade de aplicação do quanto restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º da Lei nº 9.718/98). Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, mas apenas planilhas colacionadas à Manifestação de Inconformidade que não representam e não comprovam a contabilidade da empresa. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que esta não se presta à substituir o ônus de produção de prova pelo contribuinte. Esta deve ser utilizada quanto resta dúvida por parte dos julgadores acerca dos fatos e desde que o direito Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903908/201246 Acórdão n.º 3201004.770 S3C2T1 Fl. 6 5 postulado esteja minimamente provado pelo contribuinte, o que não se verifica nos autos. Assim, também nesse aspecto, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Nenhum documento contábil ou fiscal acompanha os demonstrativos. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da existência do crédito e o contribuinte não logra comprovar sua vinculação com as teses que apresenta. No caso da exclusão do ICMS, ainda que fosse uma alegação válida, as provas seriam imprestáveis, não sendo suficientes para quantificar o crédito e, como já relatado, as diligências não se prestam a isso. O objetivo da diligência não é produzir provas que não foram apresentadas na impugnação, mas esclarecer dúvidas. Ademais, os valores não são coerentes. Em pesquisa aos sistemas de controle da RFB, verificouse que há incompatibilidade entre os valores declarados em DIPJ e o confessado em DCTF. (...) A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para confirmar o indeferimento da restituição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.903908/201246 Acórdão n.º 3201004.770 S3C2T1 Fl. 7 6 Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001249/2005-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE.
O recurso Voluntário precisa apresentar razões do pedido de reforma ou decretação de nulidade da decisão primeira, não podendo ser genérico.
Numero da decisão: 2002-000.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa das despesas médicas cujos recibos estão às e-fls. 196 a 214.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. O recurso Voluntário precisa apresentar razões do pedido de reforma ou decretação de nulidade da decisão primeira, não podendo ser genérico.
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. O recurso Voluntário precisa apresentar razões do pedido de reforma ou decretação de nulidade da decisão primeira, não podendo ser genérico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial para afastar a glosa das despesas médicas cujos recibos estão às efls. 196 a 214. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 12 49 /2 00 5- 58 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 183/184) contra decisão de primeira instância (fls. 164/177), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte Paulo César Magalhães, CPF 213.157.87687, foi lavrado o Auto de Infração (fls.12/16), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, anocalendário 2002, reduzindo o imposto a restituir de R$6.324,26 para R$14,56. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 13/14) que houve: 1. Dedução indevida a título de despesas com instrução — houve glosa de despesas com instrução no valor de R$1.313,03, de um total declarado de R$3.453,66. Do total declarado, R$139,19 se referem ao ano base de 2001, conforme recibo apresentado. Foi glosado, ainda, o valor gasto com uma dependente que excedeu o limite de R$1.998,00, permitido para o exercício: 2. Dedução indevida a título de despesas médicas: Houve glosa de despesas médicas no valor de R$21.631,24, de um total declarado de R$22.856,85, assim discriminado: Nº de ordem Beneficiário Valor (R$) Natureza 01 Transvida 40,00 Remoções aeromédicas 02 Sta. Casa de Misericórdia de Lavras 50,00 Hospitalar 03 Eliana de S. Almeida 80,00 Médica 04 Célio de Oliveira 600,00 Médica 05 Nagib Jorge Murad 200,00 Médica 06 Elen Joice França 80,00 Médica 07 Geraldo B. de Almeida 40,00 Odontológica 08 Centro de 47,88 Clínica Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 4 3 Imagem e Diagnóstico Ltda Médica 09 Eustáquio de S. Dayrell 80,00 Médica 10 Fernando C. L. Soares 800,00 Médica 11 José de A A Gribel 96,68 Odontológica 12 Centro de Ortodontia Gribel 96,68 Odontológica 13 Mª Cristina Ferreira 1.040,00 Psicoterapia 14 Mª Carolina B. Fonseca 1.920,00 Psicologia 15 Glauciane de Souza 160,00 Odontológica 16 Frederico P. Netto 300,00 Médica 17 Plano de Assist. Méd. 1.225,61 18 Tatiane de M. Aquino 5.000,00 Fisioterapia 20 Fabiana C. Pereira 3.000,00 Fisioterapia 21 M. Célia N. Prudente 5.000,00 Odontologia 22 Fernanda R.E. Pitta 3.000,00 Psicologia Total declarado 22.856,85 • Os itens 01 e 02 se referem a gastos com Maciel Jesus Ribeiro, que não foi declarado como dependente do contribuinte; • Os itens 03 e 04 se referem a gastos com Nivalda Elisei Magalhães, que não foi declarada como dependente; • O item 17, no valor de R$1.225,00, consta do informe de rendimentos anuais e será aceito como dedutível; Quanto aos demais valores não foram aceitos por não terem sido comprovadas as despesas mediante a apresentação de extratos Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 5 4 bancários, com saques nas datas e valores similares às do recibo, para o pagamento feito em espécie; ou ainda, com a apresentação de cópias dos cheques nominais aos prestadores de serviços quando fosse esse o meio de pagamento. O contribuinte, apresentou impugnação ao lançamento, em fls. 01/09, alegando que todas as despesas médicas foram comprovadas e entregues dentro do prazo de intimação. Alega, ainda, que está apresentando a comprovação dos serviços médicos prestados de acordo com os recibos anexados e a comprovação dos pagamentos em consonância com os extratos bancários dele e do cônjuge, conforme discriminado a seguir: RECIBO DO ITEM 03: O recibo n° 01 — 03, R$80,00 foi glosado sob a alegação de que se refere a gastos com Nivalda Elisei Magalhães, o que não corresponde à realidade. Tratase de consulta dermatológica de Sabrina de Souza Magalhães, dependente relacionada na sua Declaração de Ajuste Anual; RECIBO ITEM 06: O recibo n° 02, R$80,00, emitido por Elen Joice França foi pago com cheque do Banco do Brasil, no valor de R$80,00, que foi compensado em 23/12/2002, conforme extrato bancário; RECIBO ITEM 07: O recibo n° 03, R$40,00, emitido por Geraldo B. de Almeida, foi pago em dinheiro, saque com cartão, no valor de R$40,00, em 28/10/2002, conforme extrato bancário anexo; RECIBO ITEM 09 O recibo n° 04, emitido por Eustáquio de Souza Dayrell foi pago com cheque no valor de R$80,00, cheque compensado em 09.09.2002, conforme extrato bancário em anexo; RECIBO ITEM 10 Os recibos do item 10 emitidos por Fernando César Leite Soares (recibos de n° 05, 06, 07 e 08) foram pagos da seguinte forma: Recibo de n° 05, R$200,00, com emissão em 11/01/2002, pago em dinheiro, conforme saque em 09/01/2002, no valor de R$270,00, conforme extrato bancário em anexo; Recibo de n° 06 , R$200,00, com emissão em 11/02/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque de Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 6 5 R$1.000,00, em 04/02/2002, conforme extrato bancário em anexo; Recibo de n° 07, R$200,00, com emissão em 25/01/2002 foi pago com cheque, no valor de R$200,00, cheque compensado em 29/01/2002, conforme extrato bancário em anexo; Recibo de n° 08, R$200,00, com emissão em 25/03/2002, foi pago com cheque no valor de R$200,00, compensado em 26/03/2002, conforme extrato bancário em anexo. RECIBO ITEM 11 Recibo de n° 60, R$96,88, com emissão em 23/08/2202, foi pago em dinheiro, conforme saque em cartão, no valor de R$225,31, em 13/08/2002, de acordo com extrato bancário em anexo; RECIBO ITEM 12 Recibo de n° 09, R$96,68, emitido por Centro de Ortodontia Gribel Ltda foi pago com cheque do Banco do Brasil, cheque compensado em 22/04/2008, conforme extrato bancário em anexo; RECIBOS ITEM 13 Os recibos do item 13 emitidos por Maria Cristina Ferreira (recibos de n° 10, 11, 12, 13, 14e 15) foram pagos da seguinte forma: Recibo de n ° 10, R$160,00, com emissão em 21/01/2002 foi pago com cheque , no valor de R$160,00, compensado em 25/01/2002, conforme extrato bancário em anexo; Recibo de n° 11, R$160,00, com emissão em 05/03/2002, foi pago com cheque do cônjuge Gladys Magalhães, compensado em 11/03/2002. Valor transferido da minha conta bancária, para realização do pagamento, conforme extrato bancário; Recibo de n° 12, R$160,00, com emissão em 04/04/2002, pago em dinheiro de acordo com saque com cartão, no valor de R$300,00, em 04/04/2002; Recibo de n° 13, R$320,00, com emissão em 02/05/2002, pago com cheque do cônjuge. Cheque compensado em 03/05/2002, no valor de R$320,00. Valor transferido de sua conta, para a do cônjuge para realização do pagamento; Recibo de n° 14, R$160,00, com emissão em 22/05/2002, pago com cheque do cônjuge. Cheque compensado em 27/05/2002, no valor de R$160,00. Valor Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 7 6 transferido de sua conta para a do cônjuge para realização do pagamento; Recibo de n° 15, R$80,00, com emissão em 02/07/2002, foi pago em dinheiro, conforme valor retirado saque com cartão em sua conta, em 01/07/2002; RECIBOS ITEM 14 Os recibos do item 14 emitidos por Maria Carolina Bellico Fonseca (recibos de n° 16, 17,18, 19 e 20) foram pagos da seguinte forma: Recibo de n° 16, R$480,00, com emissão em 01/07/2002, foi pago com cheque compensado em 02/07/2002; Recibo de n° 17, R$360,00, com emissão em 09/08/2002, foi pago em dinheiro, saque com cartão em 05/08/2002, no valor de R$1.000,00; Recibo de n° 18, R$360,00, com emissão em 03/09/2002, pago com cheque compensado em 03/09/2002; Recibo de n° 19, R$360,00, com emissão em 03/10/2002 pago com cheque compensado em 04/10/2002; Recibo de n° 20, R$360,00, com emissão em 04/11/2002, pago com cheque compensado em 08/11/2002. RECIBOS ITEM 15 Os recibos do item 15 emitidos por Glauciane de Souza (recibos de n° 21 e 22) foram pagos da seguinte forma: Recibo de n° 21, R$80,00, com emissão em 10/04/2002, pago em dinheiro, saque com cartão no valor de R$90,00, em 08/04/2002; Recibo de n° 22, R$80,00, com emissão em 09/05/2002, pago em dinheiro, saque com cartão no valor de R$300,00, em 08/05/2002; RECIBOS ITEM 16 Os recibos do item 16 emitidos por Frederico Pretti Netto (recibos de n° 23 e 24) foram pagos da seguinte forma: Recibo de n° 23, R$150,00, com emissão em 17/01/2002, pago em dinheiro saque com cartão , no valor de R$200,00, em 17/01/2002: Recibo de n° 24, R$150,00, com emissão em 22/04/2002, pago em dinheiro, saque com cartão , no valor de R$175,00, em 22/04/2002; RECIBOS ITEM 18 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 8 7 Os recibos do item 18 emitidos por Tatiane Martins de Aquino, (recibos de n° 25, 26, 27, 28 ,29, 30, 31, 32, 33, 34 e 60) foram pagos da seguinte forma: Os recibos de nos 25 a 29, 31, 32 e 60 foram pagos em moeda corrente, com sobras de vários saques em cartão; O recibo de n° 30, com emissão em 02/06/2006, foi pago em dinheiro, conforme saque do cônjuge em 03/06/2002. Valor transferido da sua conta para pagamento ao cônjuge; O recibo de n° 33, com emissão em 03/08/2002, foi pago em dinheiro conforme saque do cônjuge em 31/07/2002. Valor transferido de sua conta bancária para pagamento e sobras de outros saques; O recibo de n° 34, com emissão em 05/09/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque em cartão, no valor de R$1.000,00, em 29/08/2002; RECIBOS ITEM 19 Recibos do item 19 emitidos por Fabiana Campos Pereira (recibos de nºs 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42 e 43) foram pagos da seguinte forma: Recibo de n° 35, R$300,00, com emissão em 05/02/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque com cartão, no valor de R$1.000,00, em 04/02/2002; Recibo de n° 36, R$500,00, com emissão de 10/03/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque com cartão, no valor de R$310,00, em 11/03/2002 e sobras de saques anteriores; Recibo de n° 37, R$300,00, com emissão de 17/04/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque com cartão, em 12/04/2002, no valor de R$1.241,91; Recibo de n° 38, R$300,00, com emissão em 19/06/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque com cartão, em 10/06/2002; Recibo de n° 39, R$100,00, com emissão em 24/07/2002, foi pago em dinheiro com sobras de vários saques feitos por ele; Recibo de n° 40, R$500,00, com emissão em 13/08/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque em cartão em 09/08/2002 feito pelo cônjuge, no valor de R$400,00. Foi transferido de sua conta bancária o valor para a conta dele; Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 9 8 Recibo de n° 41, R$500,00 , com emissão em 11/09/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque em cartão em 29/08/2002, no valor de R$1.520,00; Recibo de n° 42, R$300,00, com emissão em 16/10/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque em cartão em 03/10/2002, no valor de R$ 1.643,70, em 03/10/2002; Recibo de n° 43, R$200,00, com emissão em 18/12/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque em cartão em 19/12/2002, no valor de R$260,00. RECIBOS ITEM 20 Os recibos do item 20 emitidos por Maria Célia Nasciutti Prudente (recibos de nºs 44, 45, 46 47, 48, 50, 51, 52, 53, 54 e 55) foram pagos da seguinte forma: Recibo de n° 44, R$380,00, emitido em 17/01/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque em conta corrente, no valor de R$5.400,00, em 04/01/2002; Recibo de n° 45, R$420,00, emitido em 05/02/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque em conta corrente, no valor de R$1.000,00, em 04/02/2002; Recibo de n° 46, R$530,00, emitido em 08/03/2002, pago em dinheiro com sobras de vários saques em conta corrente; Recibo de n° 47, R$370,00, emitido em 11/04/2002, pago em dinheiro, conforme saque em contacorrente, no valor de R$1.241,91, em 12/04/2002; Recibo de n° 48, R$300,00, emitido em 08/05/2002, foi pago em moeda corrente com sobras de vários saques em contacorrente; Recibo de n° 49, R$450,00, emitido em 04/06/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque com cartão em 31/05/2002, efetuado por seu cônjuge, no valor de R$400,00. O valor foi transferido da sua conta bancária para a de seu cônjuge, mais pagamentos efetuados ao seu cônjuge com sobras de outros saques; Recibo de n° 50, R$550,00, emitido em 09/07/2002, pago em moeda corrente com sobras de vários saques em sua contacorrente; Recibo de n° Si, R$280,00, emitido em 05/08/2002, pago em moeda corrente, conforme saque no valor de R$1.200,00, em 05/08/2002: Recibo de n° 52, R$460,00, emitido em 18/09/2002, foi pago em moeda corrente com sobras de vários saques em cartão em sua contacorrente; Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 10 9 Recibo de n° 53, R$330,00, emitido em 10/10/2002, foi pago em dinheiro, conforme valor de R$1.643,70, em 03/10/2002; Recibo de n° 54, R$510,00, emitido em 12/11/2002, foi pago em moeda corrente com sobras de vários saques; Recibo de n° 55, R$420,00, emitido em 03/12/2002, foi pago em dinheiro, conforme saque no valor de R$2.310,00, em 03/12/2002; RECIBOS ITEM 21 Os recibos do item 21, emitidos por Fernanda Resck Pitta (recibos de nºs 56, 57, 58 e 59) foram pagos da seguinte forma: Recibo de n° 56, R$750,00, emitido em 12/03/2002, foi pago em moeda corrente com sobras de vários saques em cartão; Recibo de n° 57, R$750,00, emitido em 11/06/2002, foi pago em moeda corrente com sobras de vários saques em cartão; Recibo de n° 58, R$750,00, emitido em 10/09/2002, foi pago em moeda corrente com sobras de vários saques em cartão; Recibos de n° 59, R$750,00, emitido em 10/12/2002 foi pago em moeda corrente com sobras de vários saques em cartão O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Todas as deduções pleiteadas no 'ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 19/06/2009 (fl. 182); Recurso Voluntário protocolado em 20/07/2009 (fl. 183), assinado pelo próprio contribuinte. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13609.001249/200558 Acórdão n.º 2002000.810 S2C0T2 Fl. 11 10 Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Despesas com Instrução; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas; c) Dedução Indevida de dependente. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, combatendo o mérito (fls. 183/184). Relativamente à Dedução Indevida a Título de Despesas com Instrução, o contribuinte não combate a matéria, portanto MANTENHO. Quanto a glosa de despesas médicas no valor de R$ 21.631,24, de um total declarado de R$ 22.856,85, apenas a r. decisão considerou o item 17, no valor de R$ 1.225,00, mantendo os demais itens. Os itens 01, 02, 03, 04, foram mantidas as glosas pelo fato dos recibos se referirem a gastos com pessoas não dependentes do contribuinte. Como no Recurso, o recorrente nada alega sobre estes fatos, é de ser mantida a r. decisão revisanda neste tópico. O recurso do recorrente é genérico, não atacando os pontos controvertidos um a um como deveria ser feito. Diz o recorrente: “Que na análise dos recibos, dos extratos bancários, os membros da Turma de Julgamento, somente foi considerado como prova de quitação dos recibos das despesas medicas os saques realizados na data dos recibos e os cheques emitidos e que constam no extrato bancário, não foram considerados, mesmo com os valores dos cheques iguais aos recibos e com data próxima aos mesmos, sob a alegação de não apresentação dos mesmos.”. Ocorre que o recorrente não aponta: quais recibos, qual extrato, enfim a defesa é genérica. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.000959/2006-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 12/01/2005, 31/01/2005, 15/02/2005, 28/02/2005
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO PRÊMIO. CESSÃO POR TERCEIROS. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO.
A aplicação isolada de multa de lançamento de ofício relativa à compensação, à época dos pedidos, não se restringia-se às hipóteses em que a conduta do declarante tivesse sido qualificada por sonegação, fraude ou conluio, mas também era possível na situação em que a compensação fosse considerada como não declarada pela autoridade administrativa competente para homologá-la.
Numero da decisão: 9303-008.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RICAPLAST IND E COM DE INJETADOS PLASTICOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/01/2005, 31/01/2005, 15/02/2005, 28/02/2005 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO PRÊMIO. CESSÃO POR TERCEIROS. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. A aplicação isolada de multa de lançamento de ofício relativa à compensação, à época dos pedidos, não se restringiase às hipóteses em que a conduta do declarante tivesse sido qualificada por sonegação, fraude ou conluio, mas também era possível na situação em que a compensação fosse considerada como não declarada pela autoridade administrativa competente para homologála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 09 59 /2 00 6- 19 Fl. 211DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de quatro autos de infração referentes a multas isoladas, capituladas no art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação que lhe foi dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, em decorrência de compensações transmitidas após 29/12/2004, objeto do processo nº 11065.000635/200672. terem sido consideradas não declaradas. A contribuinte teve ciência das autuações em 28/03/2006. Abaixo segue resumo das autuações, com os valores lançados: TRIBUTO DÉBITOS COMPENSADOS (R$) AUTO DE INFRAÇÃO efls. MULTA VALOR DA MULTA (R$) IMPUGNAÇÃO efls. PIS 12.818,44 04 a 07 75% 9.613,83 29 a 47 Cofins 59.305,89 08 a 11 75% 44.479,41 94 a 110 IRPJ 72.171,69 12 a 15 75% 54.128,76 51 a 69 CSLL 40.143,23 16 a 19 75% 30.107,42 73 a 89 A empresa apresentou quatro impugnações aos lançamentos, em 25/04/2006, come idênticos argumentos. Já a 3ª Turma da DRJ/POA, em 06/09/2007, no acórdão nº 10 13.260, às efls. 116 a 119, apreciou as impugnações, considerando procedentes os lançamentos. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 16/10/2007, às efls. 124 a 158. Conforme se observa no relatório do acórdão recorrido, à efl. 164, a contribuinte, em síntese, argui a nulidade dos autos de infração em razão: a) da aplicação retroativa das disposições da Lei n 11.051, de 29 de dezembro de 2004 ao caso; b) da aplicação do art. 74, § 12, inc. II, da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que julga impertinente ao caso, aduzindo que o direito creditório oposto nas compensações declaradas nas DCOMPs objeto do processo administrativo fiscal de n 11065.000635/200672, transmitidas após 29/12/2004, decorre de decisão judicial transitada em julgada, condenando a União a suportar a compensação tributária ou a restituição em espécie; c) da pendência de decisão administrativa final sobre a procedência da compensação, nos autos do processo 11065.000595/200669; d) da impossibilidade da cobrança de acessórios quando o principal já foi adimplido, referindose ao fato de os débitos objeto do processo administrativo n 11065.000635/200672, já terem sido incluídos em programa de parcelamento. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11065.000959/200619 Acórdão n.º 9303008.193 CSRFT3 Fl. 212 3 Além disso, repisa os argumentos da impugnação, relativos ao não reconhecimento do direito creditório por despacho decisório, já tratados em sede de manifestação de inconformidade. O recurso voluntário foi admitido na 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, e julgado na sessão de 01/02/2010, resultando no acórdão nº 380300.297, às efls. 163 a 167, que lhe deu provimento. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidos as ementas e o dispositivo do referido acórdão: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO PRÊMIO. CESSÃO POR TERCEIROS. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. A aplicação isolada de multa de lançamento de ofício por compensação indevida de débitos com crédito cedido por terceiros e referente ao créditoprêmio do IPI, considerada como não declarada pela autoridade administrativa competente para homologála, restringese às hipóteses em que a conduta do declarante tenha sido qualificada por sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Afastadas as discussões sobre o mérito das compensações, matéria de outro processo fiscal, o relator do voto condutor concluiu pela falta de provas de que tenha havido infração qualificada por fraude, sonegação ou conluio, inexistindo, à época da transmissão das declarações, previsão legal para aplicação de multa isolada para compensações consideradas não declaradas sem essas qualificadoras. Recurso especial da Fazenda Intimada (efl. 168) do acórdão nº 380300.297 em 14/09/2010, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 20/09/2010, às efls. 171 a 186. Com base nos acórdãos paradigmas nº 20402.276 e nº 20402.976, afirmou a Procuradora que: Portanto, em caso fático similar ao dos fatos aplicação de multa isolada por compensação considerada não declarada em virtude da utilização de créditos de terceiros, tratandose de PER/DCOMP, transmitida após 29/12/2004, logo, durante a vigência da Lei nº 11.051 de 2004 , observase que o órgão prolator do paradigma manteve a penalidade aplicada no percentual de 75%, ao revés do acórdão recorrido que, ao depararse com a mesma situação, não tendo vislumbrado nenhuma das circunstâncias elencadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, cancelou a referida multa que somente persistiria se, além do crédito a ser compensado ser pertencente a terceiro, se vislumbrasse fraude, dolo ou conluio. A procuradora argumenta ainda que : Fl. 213DF CARF MF 4 É certo que o legislador, em lugar de aludir simplesmente a "multa isolada", referese a "multa prevista no caput". Essa tem sido a fonte da divergência acerca da correta interpretação do dispositivo legal em comento. O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, apreciou o recurso especial da Fazenda no despacho n 33000023, à efl. 194, em 05/04/2012, dandolhe seguimento, por entender presentes o requisitos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009. Contrarrazões da contribuinte Cientificada (efl 197) do despacho nº 33000023 em 21/10/2013 (efl. 198) a contribuinte apresentou contrarrazões às efls. 199 a 203, em 25/10/2013. Afirma a correção do acórdão recorrido, tendo em vista que à época dos fatos não haveria qualquer previsão legal à autorizar a fiscalização em aplicar uma multa no percentual de 75% por compensações consideradas não declaradas e a multa prevista no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 é qualificada e não pode ser aplicada sem que se configure fraude sonegação ou conluio. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Para delimitar a divergência, cumpre ressaltar que não se devolveu a esta 3ª Turma qualquer controvérsia que envolva as compensações consideradas não declaradas. Discutese tãosomente qual o fato gerador da penalidade: a) a simples não declaração, no teor do inc. II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9436/1996, ou b) a mesma não declaração, mas dependente da ação ou omissão do sujeito passivo qualificada por sonegação, fraude ou conluio. Segundo consta no penúltimo parágrafo da efl. 165 do acórdão recorrido, os pedidos de compensações que deram origem às multas lançadas, foram enviados em 12/01/2005, 31/01/2005, 15/02/2005 e 28/02/2005, são posteriores a 30/12/2004, data da entrada em vigor da Lei nº 11.051/2004, com alteração do art. 18 da Lei nº 10.833 de 29/12/2003. Por esta razão, a norma que rege o caso tinha a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.(Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11065.000959/200619 Acórdão n.º 9303008.193 CSRFT3 Fl. 213 5 § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) Observase que o caput do art. 18 acima transcrito referese ao art. 90 da MP nº 2.15835/2001 e este trata de lançamentos de diferenças apuradas em declarações prestadas pelo sujeito passivo em compensações, entre outras. Afirma que, nos casos de não homologação de compensações declaradas lançamse apenas as multas, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática de infrações aos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Isso por que, após a apresentação das DCOMP, os tributos não compensados poderiam ser diretamente exigidos, em razão dela ser confissão de dívida. Confessada a dívida mas não homologada a compensação, com as qualificadoras da Lei nº 4502/1964, sonegação, fraude ou conluio, impunhase a penalidade, que só poderia ser aquela do art. 44, inciso II, da Lei 9.430/1996, conforme vigia à época: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguinte multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Assim, me parece evidente que a multa definida no caput do art. 18 é a multa qualificada de 150% (referida no § 2º do mesmo artigo), aplicável a compensações declaradas, cujo procedimento de apuração dos créditos para homologação constatasse a existência de qualificadoras previstas na Lei nº 4.502/1964. Entretanto, quanto ao parágrafo 4º do referido artigo 18, penso que sua referência à multa prevista no caput, consista em técnica de equiparação de situações, para fins de aplicação de multa, no caso de compensação. Assim, interpretando os termos do dispositivo, é possível concluir que a compensação não homologada com caracterização da prática de fraude sonegação ou conluio, equivale à compensação não declarada, para fins de possibilidade de lançamento de multa. Fl. 215DF CARF MF 6 Prosseguindo, para aplicação dessa multa, é necessário referir a então vigente redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que determina os adequados percentuais, para cada situação: (a) 75%, no caso de compensação não declarada, por caracterizar declaração inexata; ou (b) 150%, no caso de compensação declarada e não homologada, com evidente intuito de fraude. Ora, no caso temos uma apresentação de compensação de débitos com crédito de natureza não tributária (crédito prêmio, objeto de cessão de créditos), que é considerada não declarada. Portanto, aplicável a multa, no percentual de 75%. Por fim, esclareço que, em meu entendimento, a posterior alteração do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, veio para deixar essa interpretação mais clara e evitar discussões, não para inovar, alterando o sistema. Observamos que, no caso, a fiscalização não fez referência às qualificadoras em seu Relatório do Trabalho Fiscal, às efls. 21 e 22, porém esclareceu tratarse de Dcomp considerada não declarada e utilizouse de alíquota de 75%. Assim, podemos concluir pela existência de previsão legal para aplicação da multa e pela correção do procedimento da fiscalização, não sendo a qualificação, por fraude, sonegação ou conluio, a única situação passível de justificar o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.005467/2004-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: IRPJ. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. SALDO EM 31.12.1995. A partir de 01.01.1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, 10% (dez por cento) do lucro inflacionário existente em 31.12.1995, no caso de apuração anual de IRPJ. MASSA FALIDA. MULTA DE OFICIO. A multa de oficio exigida em lançamento fiscal decorre de disposição legal, não havendo norma tributária que a dispense no caso de empresas em estado falimentar, na fase de constituição do crédito tributário. MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. A multa de oficio, no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, é aplicada a percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic, por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou à ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1101-000.799
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Ausente temporariamente o Conselheiro José Ricardo da Silva, bem como ausente, justificadamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Plinio Rodrigues de Lima, e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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(MASSA FALIDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: IRPJ. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. SALDO EM 31.12.1995. A partir de 01.01.1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, 10% (dez por cento) do lucro inflacionário existente em 31.12.1995, no caso de apuração anual de IRPJ. MASSA FALIDA. MULTA DE OFICIO. A multa de oficio exigida em lançamento fiscal decorre de disposição legal, não havendo norma tributária que a dispense no caso de empresas em estado falimentar, na fase de constituição do crédito tributário. MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. A multa de oficio, no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, é aplicada a percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic, por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou à ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Ausente temporariamente o Conselheiro José Ricardo da Silva, bem como ausente, justificadamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Plinio Rodrigues de Lima, e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, , Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e Plinio Rodrigues Lima. Relatório Trata o corrente processo de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, em que se exige recolhimento de R$ 106.634,97 (cento e seis mil, seiscentos e trinta e quatro reais e noventa e sete reais) de principal, multa de lançamento de oficio equivalente a 75% (setenta e cinco por cento), nos moldes do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, e encargos legais. Apurouse falta de adição de R$ 522.539,93 (quinhentos e vinte e dois mil, quinhentos e trinta e nove reais e noventa e três centavos) de realização mínima do lucro inflacionário acumulado em 31.12.1995, na apuração do lucro real do ano calendário de 1999, dado que não foi observado o percentual determinado na legislação. O enquadramento legal da autuação foi o artigo 8° da Lei nº 9.065/1995; os artigos 6° e Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.005467/200445 Acórdão n.º 110100.799 S1C1T1 Fl. 2 3 7° da Lei n° 9.249/1995 e os artigos 249, inciso I, e 449 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999 (Decreto nº 3.000/1999). Notificada em 27.07.2004 (fls. 62/64), a interessada apresentou impugnação (fls. 66/100), tempestivamente, em 26.08.2004, por meio de seu procurador (fl. 101), acompanhada dos documentos de fls. 102/117, mediante a qual deduziu alegações assim resenhadas: é a autuada massa falida, desde a decretação judicial da quebra, ocorrida em 17.04.1996; são inconstitucionais a Lei nº 7.799/1989 e a Lei nº 8.200/1991. O auto de infração originouse da contabilização da correção monetária do balanço, relativa ao ano de 1991, diferença entre os índices IPC/BTNF na atualização monetária dos ativos da empresa, apurandose um saldo credor que resultou em lucro tributável, segundo a Lei n° 8.200/1991. Ocorre que esta imposição ultrapassa os limites da capacidade impositiva da União, violando as hipóteses de incidência e a base de cálculo do IRPJ (artigos 153, inciso II, e 195, inciso I, da CF/1988, e artigo 43 do CTN). Essa tributação tem claras feições de confisco, pois o “lucro inflacionário”, ao ser elevado à tributação, extravasa as limitações constitucionais, na medida em que o ajuste contábil da correção monetária dos balanços é considerado tributável como se fosse renda ou lucro; somente é hipótese de incidência do IRPJ a aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica de renda e de proventos, que venha a resultar em acréscimo patrimonial. Referido saldo credor, devido à atualização monetária das demonstrações financeiras, representa um valor puramente simbólico e abstrato, um nada econômico, pois resultante de mera consequência híbrida da técnica utilizada no fechamento de balanço em épocas inflacionárias, consistindo apenas em uma maisvalia monetária; mesmo em se tratando de fusão/incorporação ou de cisão, só haverá realização do saldo credor na conta da correção monetária do balanço, inadequadamente denominado de lucro inflacionário, se o valor da operação for superior ao do patrimônio líquido (capital mais reservas); o artigo 416 (artigo 21 da Lei n° 7.799/1989) do Regulamento do Imposto de Renda – RIR de 1994 (Decreto n° 1.041/1994) coage a pessoa jurídica a uma realização irreal, antecipada e forçada deste suposto lucro, independente de ser ela positiva ou negativa, por meio de uma verdadeira manipulação contábil, transformando, como em um passe de mágica, em lucro, aquilo que certamente não o é, tornando realizado o que não foi. Pelo fato de o lucro inflacionário não ser lucro contábil, no sentido real, este não poderá ser elevado a um acréscimo patrimonial/riqueza, para fins de incidência do IRPJ, enquanto não realizado de fato, pois seria o mesmo que instituir um fato gerador presuntivo aleatório e futuro, de pagamento antecipado – o que refoge, ao todo, a nosso sistema constitucional tributário. Este valor mínimo do lucro inflacionário não é apurado pela contabilidade, mediante demonstrações financeiras, como seria o caso do lucro do exercício, mas, sim, via levantamentos extracontábeis, registráveis no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, conforme artigo 416, § 3°, do RIR/1994. A legislação do IRPJ utilizouse de um engodo, aplicando fórmula matemática complexa, exigindo que um valor mínimo mensal arbitrado fosse tributado a Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 4 titulo de lucro inflacionário realizado. Não é isto lucro, nunca será, e muito menos realizado; não obstante a Lei n° 7.799/1989 e a Lei n°8.200/1991 terem sido expressamente revogadas, referido dispositivos vieram a ser repristinados pela Lei n° 8.682/1993, sendo que a Lei nº 9.065/1995 impôs o recolhimento do saldo credor na conta correção monetária (lucro inflacionário) ao mínimo de 10% (dez por cento), sendo finalmente a correção monetária suprimida, pela Lei n° 9.249/1995, explicitamente em relação às Leis nº 7.799/1989 e nº 8.200/1991. Seu artigo 7° manteve a realização forçada do lucro inflacionário, apurado pelas legislações anteriores. Apesar de lei posterior ter revogado tais dispositivos, estes ainda geram efeitos, como o presente caso, em que o contribuinte está sendo prejudicado ante uma tributação claramente inconstitucional, devendo o presente lançamento ser anulado, a fim de evitar referida extorsão; a multa de 75% (setenta e cinco por cento), imposta a empresa em regime falimentar, é evidentemente de natureza confiscatória, infringindo o artigo 150, inciso IV, da CF/1988, que veda a cobrança de tributos com efeito de confisco – dispositivo este que se aplica também às multas, conforme doutrina e jurisprudência. O STF admitiu a redução da multa tributária ao teto máximo de 30% (trinta por cento). A multa de 75% (setenta e cinco) é abusiva, com clara feição confiscatória ao contribuinte. Ao caso, por se encontrar a autuada em estado falimentar, não pode incidir multa fiscal, nos termos do artigo 23, parágrafo único, inciso III, da Lei de Quebras (Decretolei n° 7.661/1945), conforme Súmulas 192 e 565 do STF; e é flagrante que a taxa de juros apurados pela Selic deve ser afastada, em vista das inúmeras ilegalidades a esta inerentes. A 2ª TURMA DA DRJ EM CURITIBA – PR, ao julgar a impugnação protocolada, houve por manter incólumes os lançamentos oficiosos, consoante aresto (fls. 119/128) assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. SALDO EM 31/12/1995. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 MASSA FALIDA. MULTA DE OFICIO. A multa de oficio exigida em lançamento fiscal decorre de disposição legal, não havendo norma tributária que a dispense no caso de empresas em estado falimentar, na fase de constituição do crédito tributário. MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.005467/200445 Acórdão n.º 110100.799 S1C1T1 Fl. 3 5 A multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado é aplicada percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente” Cientificada desse acórdão em 15.11.2008 (fl. 131), a interessada interpôs o Recurso Voluntário sob análise (fls. 132/173), em 15.12.2008, repisando os argumentos ventilados em primeira instância e afirmando, ainda, que: ocorreu decadência do direito do Fisco de lançar os valores em cobro. A Lei nº 9.249/1995, ao revogar a sistemática de correção monetária das demonstrações financeiras, prevista pelas Leis nº 7.799/1989 e nº 8.200/1991, determinou a realização fracionada do lucro inflacionário acumulado remanescente em 31.12.1995. Este átimo, pois, configura o dies a quo do lustro decadencial, a ser computado segundo o artigo 150, § 4º, do CTN; houve prolação de decisão de mérito, no âmbito da Ação Ordinária nº 2005.70.00.0277370/PR, por meio da qual se decidiu pela inexigibilidade de crédito tributário idêntico ao ora discutido, administrado pelo Processo Administrativo nº 10980.000920/200537. A referência a um específico auto infracional não limita, de todo modo, os efeitos do provimento jurisdicional, eis que a declaração judicial da não incidência do IRPJ ao lucro inflacionário, ainda em vigor, torna ilegítima a formalização de qualquer cobrança administrativa desta espécie. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 6 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Analisaremos separadamente, para um exame mais percuciente, todos os tópicos argumentativos suscitados em sede recursal. (i) Da decadência dos lançamentos perpetrados Preliminarmente, argui o contribuinte que as exigências em questão teriam sido alcançadas pela caducidade. Como acima explicado, o IRPJ que hodiernamente se requer resultou da recomposição do lucro real concernente ao anobase de 1999, operada mediante adição da parcela mínima (1/120 ao mês) de realização do lucro inflacionário acumulado em 31.12.1995, nos exatos moldes do artigo 8º da Lei nº 9.065/95. As peças de acusação sob escólio foram cientificadas ao sujeito passivo em 27.07.2004, segundo se visualiza à fl. 64. Para o contribuinte, essa data estaria posta externamente ao interregno de decadência tocante aos passivos, contabilizado segundo a regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Destarte seria em razão de o dies a quo do pertinente lustro de caducidade corresponder, nas pretensões da peticionária, ao dia 31.12.1995 – átimo em que se consolidara o saldo acumulado do lucro inflacionário realizável. Temos para nós que a questão é de fácil solução. Não precisaremos, em princípio, sequer indagar o critério de cômputo da decadência, haja vista que esta não se materializaria em nenhum dos cenários possíveis. Desta forma é, exatamente, porquanto o ponto de partida do quinquênio de caducidade, na melhor das hipóteses, identificarseia somente ao dia 31.12.1999 – data de ocorrência do fato gerador complexivo que corresponde ao período de apuração dentro do qual deveria ser considerada a fração mínima de lucro inflacionário a realizar, objeto desta autuação. O entendimento que esposamos viceja à toda nesse colegiado. Tanto isso é realidade que há, até, Súmula CARF em dita direção, in verbis: “Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.” Afastamos, assim, a preliminar aventada, trazida à baila somente em segundo grau julgador. Passemos, portanto, ao estudo das demais ilações erigidas. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.005467/200445 Acórdão n.º 110100.799 S1C1T1 Fl. 4 7 (ii) Dos efeitos da decisão judicial de mérito favorável à autuada, exarada nos autos da Ação Ordinária nº 2005.70.00.0277370/PR No mais, argumenta a postulante que o entendimento judicial manifestado, em primeira instância, no bojo da Ação Ordinária nº 2005.70.00.0277370/PR teria tornado ilícita a constituição administrativa de qualquer exigência referente a lucros inflacionários realizados em desrespeito à proporção legal mínima. A sentença declaratória ali proferida, afinal, teria enunciado o entendimento de que tais lançamentos seriam, sempre, ilídimos, por força de considerações que abordam a própria constitucionalidade da legislação tributária. Sucede, porém, que o provimento em tela , como reconhece a própria interessada, dizia respeito a auto de infração peculiar, gerenciado pelo Processo Administrativo nº 10980.000920/200537. A adução de que a declaração judicial externada se aplicaria a todos os créditos tributários símios esbarra na própria literalidade da parte dispositiva do decisum, adiante reproduzida (fl. 150): “Diante do exposto, rejeito a alegação de decadência, julgo procedente o pedido e declaro a inexigibilidade do crédito tributário referente ao imposto de renda sobre o lucro inflacionário, apurado no Processo Administrativo Fiscal n°.10980.00920/200537.” (g.n.) O julgamento que presentemente se realiza não está, de forma alguma, condicionado ao aresto judicial encartado à Ação Ordinária suso numerada. Entendemos, então, que, salvo melhor juízo, não se pode assegurar existir ordem jurisdicional que impedisse a formalização das exigências sob ataque. (iii) Das alegações de inconstitucionalidade respeitantes à legislação que determina a incidência do IRPJ ao “lucro inflacionário” Referimonos, acima, à plêiade de apontamentos feita, pela recorrente, acerca de supostas inconstitucionalidades dos atos normativos que dispõem sobre a incidência do IRPJ ao chamado “lucro inflacionário”, banda primeira, e acerca da realização antecipada e fracionada desta grandeza contábilfiscal, banda segunda. Os supedâneos legislativos dos valores em cobro – cuja validade sistêmica é guerreada pela interessada – são de fácil identificação. Correspondem eles, especificamente, ao artigo 8º da Lei nº 9.065/1995, face uma, e ao artigo 4º da Lei nº 9.249/1995, face diversa: “Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá considerar realizado mensalmente, no mínimo, Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 8 1/120 do lucro inflacionário, corrigido monetariamente, apurado em cada anocalendário anterior. Parágrafo único. A parcela realizada na forma deste artigo integrará a base de cálculo do imposto de renda devido mensalmente.” “Art. 4º Fica revogada a correção monetária das demonstrações financeiras de que tratam a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, e o art. 1º da Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991.” Pois bem. Não nos alongaremos sobre o assunto escorçado, a despeito do interesse que este debate pode fazer florescer. Limitarnosemos, aqui, a lembrar que nada mais pode esse colegiado do que prestigiar a aplicação concreta da lei, em virtude da compulsória vinculação dos órgãos administrativos – mormente julgadores – às normas de conduta positivadas pelo Poder Legislativo. Em tal norte pontifica a Súmula CARF nº 02, assim formatada: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Logo, frente a isso, não nos resta saída outra que não a de entender insubsistente a revolta da recorrente, mais uma vez. (iv) Da inconstitucionalidade das normas prescritivas dos consectários punitivos e moratórios impostos Por final, postase a autuada contra a impingência de juros de mora computados à taxa referencial Selic, de um lado, e a exigência de multa proporcional, de outro, especialmente em razão de o sujeito passivo corresponder a massa falida de sociedade extinta. Os argumentos empregados, mais uma vez, tocam à constitucionalidade da legislação vigorante – mais precisamente, no caso da penalidade cuidada, a supostas ofensas ao princípio do não confisco. Forte nisso, somente nos reportaremos ao que se expôs acima, no sentido de serem tais tipos de sondagem estranhos aos lindes da competência deste Conselho. De mais a mais, em relação aos juros de mora, outra Súmula deste órgão de julgamento, de nº 04, traz a lume percuciente lição: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.005467/200445 Acórdão n.º 110100.799 S1C1T1 Fl. 5 9 administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Outrossim, relativamente, ainda, à alegação de que o artigo 23, parágrafo único, inciso III, do Decretolei nº 7.661/1945, não revogado ao tempo da autuação, impediria a imposição de multa administrativa, entendemos, novamente, em compasso com o aresto recorrido. Cuidado preceito tem lugar específico, em verdade, na fase de execução do crédito tributário, e não na etapa precursora de formalização do passivo. Noutras palavras, eventual exoneração da sanção enfocada, acaso presentes os requisitos legais, só deveria ser estudada quando da cobrança coerciva do valor, no seio do processo falimentar, e não à época da lavratura do auto infracional – quando, por determinação do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, configurase irresistível o dever funcional de imputação da multa proporcional. Para melhor compreensão do assunto, colacionemos, a seguir, o enunciado do artigo 23, parágrafo único, inciso III, do Decretolei nº 7.661/1945: “Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: (...) III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas.” (g.n.) Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. Sala das Sessões, em 13 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 15165.720059/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 04/04/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecimento do alcance da decisão.
Embargos Acolhidos, sem Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 3201-005.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que apenas foi afastada a responsabilidade solidária dos sócios, mas foi mantido, na integralidade, o lançamento. Declarou-se suspeito o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior, sendo substituído pelo Conselheiro Márcio Robson Costa.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Márcio Robson Costa (suplente convocado), em substituição ao conselheiro Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que apenas foi afastada a responsabilidade solidária dos sócios, mas foi mantido, na integralidade, o lançamento. Declarou-se suspeito o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior, sendo substituído pelo Conselheiro Márcio Robson Costa. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza- Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Márcio Robson Costa (suplente convocado), em substituição ao conselheiro Laércio Cruz Uliana Júnior.
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OBSCURIDADE. Acolhemse os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecimento do alcance da decisão. Embargos Acolhidos, sem Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que apenas foi afastada a responsabilidade solidária dos sócios, mas foi mantido, na integralidade, o lançamento. Declarouse suspeito o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior, sendo substituído pelo Conselheiro Márcio Robson Costa. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Márcio Robson Costa (suplente convocado), em substituição ao conselheiro Laércio Cruz Uliana Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 00 59 /2 01 1- 73 Fl. 401DF CARF MF 2 Relatório O Acórdão 3201003.691, desta turma, afastou a sujeição passiva solidária dos sócios da pessoa jurídica em epígrafe, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/04/2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. A imputação de responsabilidade solidária aos sóciosadministradores pelas obrigações tributárias, no caso de gestão com excesso de poderes ou infração à Lei, encontra amparo e exige a invocação do artigo 135 do CTN. A sujeição passiva, nesse caso, é primariamente da pessoa jurídica, e subsidiariamente, dos sócios. Recurso Voluntário Provido. O Delegado da Receita Federal da unidade de origem embargou o Acórdão, suscitando obscuridade na decisão. Copio o teor dos embargos (fl. 393): No cumprimento do Acórdão nº 3201003.691, de 23/05/2018, da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, esta Delegacia da Receita Federal do Brasil em CuritibaPR, conforme relatado, encontrou dificuldades para sua correta execução, uma vez que, ao final de seu voto, o Relator conclui que a falha de sujeição passiva da pessoa jurídica enseja a improcedência do lançamento. Apesar de não haver nenhum registro sobre a improcedência do lançamento na Ementa ou no Acórdão, a expressão gera dúvidas quanto ao alcance da decisão administrativa, se apenas exclui a responsabilidade tributária dos recorrentes ou se fulmina o lançamento de ofício integralmente, abrangendo também as responsabilidades do sujeito passivo principal e do terceiro sujeito passivo solidário. Visando ao bom andamento do processo administrativo fiscal e à correta execução da decisão administrativa, interponho estes Embargos de Declaração, de acordo com o estabelecido pelo artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, solicitando a apreciação do Acórdão nº 3201 003.691, de 23/05/2018, e providências necessárias ao esclarecimento da questão suscitada. Os embargos foram admitidos. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 15165.720059/201173 Acórdão n.º 3201005.203 S3C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Tem razão a embargante. Como expressamente colocado no acórdão embargado, no Recurso Voluntário somente se tratava de avaliar a extensão da sujeição passiva aos sócios, e somente essa responsabilidade, a das pessoas físicas dos sócios, únicos recorrentes, é que foram afastadas. A frase final do acórdão (“A falha de sujeição passiva da pessoa jurídica enseja a improcedência do lançamento.”), necessita de esclarecimento e correção, para que signifique, conforme todo o arrazoado do relatório, do acórdão, da ementa e do dispositivo, que somente a responsabilidade solidária dos sócios foi afastada. Assim, a improcedência do lançamento é somente quanto à responsabilidade solidária dos sócios recorrentes. Desse modo, acolhemse os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecimento do alcance da decisão. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720056/2017-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2012, 28/02/2012
SOCIEDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO
Os ajustes de superveniência de depreciação são meramente escriturais e temporais e têm como objetivo único e exclusivo o de aperfeiçoar a informação contábil prestada pelas demonstrações financeiras aos usuários. De forma alguma podem aumentar ou diminuir o efetivo resultado econômico-financeiro do contrato, base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2012, 31/01/2012
SOCIEDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO
Os ajustes de superveniência de depreciação são meramente escriturais e temporais e têm como objetivo único e exclusivo o de aperfeiçoar a informação contábil prestada pelas demonstrações financeiras aos usuários. De forma alguma podem aumentar ou diminuir o efetivo resultado econômico-financeiro do contrato, base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS.
Numero da decisão: 3301-005.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2012, 28/02/2012 SOCIEDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO Os ajustes de superveniência de depreciação são meramente escriturais e temporais e têm como objetivo único e exclusivo o de aperfeiçoar a informação contábil prestada pelas demonstrações financeiras aos usuários. De forma alguma podem aumentar ou diminuir o efetivo resultado econômico-financeiro do contrato, base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2012, 31/01/2012 SOCIEDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO Os ajustes de superveniência de depreciação são meramente escriturais e temporais e têm como objetivo único e exclusivo o de aperfeiçoar a informação contábil prestada pelas demonstrações financeiras aos usuários. De forma alguma podem aumentar ou diminuir o efetivo resultado econômico-financeiro do contrato, base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO Os ajustes de superveniência de depreciação são meramente escriturais e temporais e têm como objetivo único e exclusivo o de aperfeiçoar a informação contábil prestada pelas demonstrações financeiras aos usuários. De forma alguma podem aumentar ou diminuir o efetivo resultado econômicofinanceiro do contrato, base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2012, 31/01/2012 SOCIEDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO Os ajustes de superveniência de depreciação são meramente escriturais e temporais e têm como objetivo único e exclusivo o de aperfeiçoar a informação contábil prestada pelas demonstrações financeiras aos usuários. De forma alguma podem aumentar ou diminuir o efetivo resultado econômicofinanceiro do contrato, base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 56 /2 01 7- 98 Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.449 2 Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Em 07/02/2017, foram lavrados os dois autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza, em relação aos sujeitos passivos Dibens Leasing S/A Arrendamento Mercantil (contribuinte) e Banco Itaucard S.A. (responsável), a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 51.494.869,44, assim discriminado: Auto de infração de contribuição para o PIS Segundo consta do auto de infração de contribuição para o PIS (fls. 311/317), foi apurada a infração a seguir descrita: INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP • Valor apurado conforme relatório fiscal. • Fatos geradores: 31/01/2012 e 29/02/2012. • Multa: 150%. • Enquadramento legal: Art. 1º da Lei Complementar nº 7/70. Arts. 2º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.715/98. Art. 2º da Lei nº 9.718/98. Art. 1º da Medida Provisória nº 1.807/99. Art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. Auto de infração de Cofins Segundo consta do auto de infração de Cofins (fls. 319/325), foi apurada a infração a seguir descrita: Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.450 3 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS • Valor apurado conforme relatório fiscal. • Fatos geradores: 31/01/2012 e 29/02/2012. • Multa: 150%. • Enquadramento legal: Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98. Art. 18 da Lei nº 10.684/03. Art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. Termo de verificação fiscal (TVF) Do termo de verificação fiscal lavrado pela autoridade lançadora a fls. 329/369, destacamse as seguintes informações: 1 – Introdução • A Dibens Leasing S.A. – Arrendamento Mercantil, doravante DIBENS, tem por objeto social exclusivo a prática de operações de arrendamento mercantil. • O regime de apuração é o cumulativo, tendo como base de cálculo o faturamento ajustado pelas exclusões e deduções admitidas pela legislação. • Nos períodos de apuração de março/2012 a março/2013, a DIBENS apresentou bases de cálculo negativas na apuração do PIS/COFINS. • A DIBENS deduz do seu faturamento a totalidade das receitas da operação de arrendamento mercantil, relativas à rubrica “Venda de Bens do Ativo Permanente” e representada em grande parte pela conta de realização de “Valor Residual Garantido”, e ainda exclui valores a título de “Despesas de Arrendamento Mercantil, representadas em grande parte pela conta de “Despesas de Depreciação”. • Assim, a base de cálculo das contribuições relativa às operações de arrendamento mercantil se torna negativa, representada apenas pelo valor destas “Despesas de Arrendamento Mercantil” – R$ 4.915.384.595,24 em 2012 e R$ 1.349.176.907,01 em 2013 – despesas estas objeto da auditoria, conforme item 3 do TVF. • A DIBENS, em março de 2012, registrou aumento significativo em sua carteira de arrendamento e movimento contrário em março de 2013, sendo que ao longo do período houve constante redução da carteira de arrendamento. • Independentemente desta movimentação negativa da carteira, registrou mensalmente, na grande maioria dos meses, resultados contábeis positivos em sua operação de arrendamento. • As operações de arrendamento mercantil da DIBENS influenciaram negativamente as bases de cálculo do PIS/COFINS no período em questão. • Meros procedimentos contábeis não podem modificar as bases de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, incidentes sobre o resultado econômicofinanceiro das operações de arrendamento mercantil. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.451 4 2 – Descrição dos fatos • Em 29/02/2012, mediante cisão parcial de BFB LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL, a DIBENS incorporou a seu favor a sua carteira de leasing. • Exato um ano depois, em 28/02/2013, a carteira de arrendamento mercantil da DIBENS, também mediante cisão parcial, foi incorporada pelo Banco Itaucard S.A. • Esse planejamento tributário está refletido no montante das operações de arrendamento mercantil realizado pela DIBENS nos períodos de apuração de março de 2012 a março de 2013. • Intimada a apresentar as bases de cálculo do PIS/COFINS para os anoscalendário 2012 e 2013, bem como a prestar esclarecimentos em relação ao tratamento dispensado às alienações de bens do ativo permanente, esclareceu que “Para o período em referência a Receita de alienação de bens e direitos foi objeto de exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins”. • Apresentou ainda escrituração contábil/fiscal, a saber, balancetes mensais, DRE, LALUR e LACS, apuração de estimativas de IRPJ/CSLL e conciliação com as respectivas DIPJ. • Com base nas constatações iniciais de utilização indevida de deduções/exclusões na apuração da base de cálculo das contribuições em questão, foram elaboradas novas intimações e obtidos exemplos práticos, esquemas contábeis e esclarecimentos adicionais. • Selecionaramse duas operações, uma sem valor residual garantido diluído nas prestações e com depreciação não incentivada em 30% (contrato nº 4934523, exemplo nº 1), e outra com valor residual garantido diluído, valor residual antecipado e depreciação incentivada (contrato nº 4937312, exemplo nº 2), ambas em situação de “LIQUIDADA” em 2013. • O primeiro exemplo referese a aquisição de equipamentos, e o segundo a aquisição de veículos, sendo as relacionadas ao segundo exemplo e registradas em “Veículos e Afins” (Cosif 7.1.2.00.004) representantes em sua esmagadora maioria (99%) das operações que compõem o IMOBILIZADO DE ARRENDAMENTO da DIBENS no período em análise. • A fiscalização considerou incorreta a apuração da base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência de procedimentos contábeis adotados, relativos ao lançamento de estorno e/ou Insuficiência de Depreciação de saldo na conta de Superveniência de Depreciação em contrapartida à conta de Receita de Superveniência de Depreciação bem como em relação à apuração de Lucro na Alienação de Bens, ambos os eventos quando da liquidação da operação de arrendamento mercantil, pelas razões de direito a seguir apresentadas. 3 – Do direito aplicado • A DIBENS apurava a base de cálculo das contribuições PIS/COFINS sobre os resultados econômicos de suas operações de arredamento mercantil financeiro ao longo do prazo contratual das operações de arrendamento, todavia, no encerramento daquelas operações, parte das receitas foram estornadas contabilmente e excluídas das bases de cálculo das contribuições. • Não obstante a atividade lucrativa da instituição financeira, o procedimento contábil adotado pela DIBENS, além de propiciar a exclusão dos resultados Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.452 5 econômicos obtidos com as operações, culminou com a apuração de bases de cálculo negativas das contribuições sociais. • A lucratividade das operações de arrendamento mercantil da DIBENS é decorrente das rendas auferidas como retorno ao capital investido, sendo que no encerramento de operações de curso normal não há que se falar em apuração de “Lucro na Alienação de Bens”, uma vez que há apenas a recuperação do capital investido e nada mais. 3.1 – Legislação relativa às operações de arrendamento mercantil • A modalidade do arrendamento mercantil financeiro é o leasing mais comum em nosso país e objeto do presente processo, no qual se observa, explicitamente, que a sua finalidade é o financiamento. • Citase a Lei nº 6.999, de 1974, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil. • Citase a Resolução Bacen nº 2.309, de 1996, que disciplina e consolida as normas relativas às operações de arrendamento mercantil. • Conforme art. 5º, I, do anexo da referida resolução, o arrendamento mercantil financeiro promove a recuperação do capital despendido pelo arrendador e a obtenção de retorno (lucro) pela arrendadora. • O resultado econômico que interessa para fins de PIS/COFINS é o resultado sobre o lucro da operação, e não sobre a recuperação do custo investido. 3.2 – Normas contábeis exaradas pelo Bacen e RFB • No tocante às normas contábeis, a partir da Lei nº 6.099, de 1974, que determina que os eventos econômicos relativos às operações de arrendamento mercantil sejam registrados segundo a contabilidade comercial (receitas pelas contraprestações e despesas pelas depreciações), o Banco Central do Brasil determinou que os resultados das operações de arrendamento mercantil financeiro fossem inseridos na contabilidade das companhias de arrendamento mercantil, por meio de ajustes contábeis, denominados ajustes por superveniência ou insuficiência de depreciação, realizados em complemento aos valores já registrados pela contabilidade comercial. • Citase o item 1.7 do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif) instituído pela Circular Bacen nº 1.273, de 1987 (Normas Básicas – Operações de Arrendamento Mercantil). • Citase a Circular Bacen nº 1.429, de 1989, que alterou o Cosif. • Os ajustes determinados pelo Bacen não alteram o resultado econômico das operações de arrendamento mercantil. • O normativo do Bacen alterou, apenas, a forma de apropriação mensal do resultado da operação, que passou a ser demonstrado pelos juros, e não mais pela simples contraprestação recebida diminuída da depreciação dos bens. • Os ajustes contábeis determinam, por mecanismos estritamente contábeis, a criação de contas para o registro de valores que correspondem à diferença entre os valores apurados pela contabilidade comercial (receitas menos despesas) e os juros das operações. As diferenças apuradas correspondem às denominadas Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.453 6 Superveniência de Depreciação ou Insuficiência de Depreciação, registradas contabilmente como receitas ou despesas contábeis, tendo como contrapartida contábil correspondente conta do ativo. • Durante o período do arrendamento, a DIBENS realizou os ajustes contábeis determinados na Circular 1.429/89, que são registrados, se positivos, na conta contábil de Rendas de Arrendamento Mercantil Financeiro – 7.1.2.10.001 (Código no Cosif), na subconta de Receitas por Ajustes de Superveniências de Depreciações, codificada no plano de contas da DIBENS sob nº 7130.001.003.0006, tendo como contrapartida a conta do ativo: Superveniências de Depreciações – 2.3.2.30.000 (codificação Cosif). • No caso da DIBENS, também os ajustes negativos são registrados na conta 7130.001.003.0006 e transferidos através de lançamentos manuais para a conta 8.1.3.10.104 – Depreciação de Bens Arrendados, conta interna 8139.001.002.0005 – Insuficiência de Depreciação. • Ainda relativamente a procedimentos contábeis, citase a Portaria MF nº 140, de 1984, que estabeleceu que as contraprestações de arrendamento mercantil serão computadas no lucro líquido do períodobase em que forem exigíveis. 3.3 – Normas legais referentes à tributação e regulamentação administrativa • Em relação ao PIS e à COFINS, a tributação das operações de arrendamento mercantil se dá pelo regime cumulativo, conforme previsto na Lei 9.718/98. • O legislador elegeu como base de cálculo do PIS e da Cofins o valor do faturamento (receita bruta), permitindo, todavia, no caso de empresas de arrendamento mercantil, que algumas deduções e exclusões fossem realizadas. • A RFB normatizou a matéria através das Instruções Normativas 247/2002 e 1.285/2012, que revogou dispositivos da IN 247/2002, em especial o seu anexo I. • Passase a comprovar que as operações de arrendamento mercantil de curso normal não geram Lucro na Alienação de Bens, apenas propiciam o retorno do capital investido mais a renda decorrente da operação de financiamento. 3.4 – Da ausência de efetiva apuração de lucro na alienação de bens quando do exercício da opção de compra pelo arrendatário. • Quando do exercício da opção de compra pelo arrendatário ao final do contrato, estando adimplidas todas as obrigações, não ocorre nenhum resultado econômico adicional em relação ao que já foi apropriado anteriormente ao longo da operação. • Este mero ato jurídico não traz reflexos econômicofinanceiros, como demonstrado no exemplo nº 1, considerado “ideal”, contrato 4934523: ao final do contrato o resultado da apuração de Lucro na Alienação de Bens é igual a zero, uma vez que todos os saldos das contas patrimoniais se encontram zerados, e o resultado de R$ 628.883,16 foi devidamente apurado ao longo da operação . • Tanto pelo método contábil, como pelo financeiro, o resultado não se altera, sendo que os ajustes de superveniências/insuficiências de depreciações apenas ajustam os resultados mensais para espelhar o caráter de financiamento das operações em análise. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.454 7 • Nem mesmo o valor de R$ 14.298,51, parcela isolada recebida no final do contrato a título de VRG, pode ser classificado como lucro na alienação de bens, como procedeu a DIBENS – conta 7130.006.001.0015 –, uma vez que a característica essencial da operação de arrendamento mercantil é de financiamento e não de compra e venda de bens. Assim, este valor deve ser considerado como Rendas de Arrendamentos – conta 7130.007.001.0023. • Conforme exemplo nº 2 – contrato 4937312 –, a introdução das variáveis de VRG, disparidade de prazos contratuais e de amortização do bem e depreciação incentivada, obviamente, não poderia alterar esta conclusão. • Entretanto, a DIBENS apurou Lucro na Alienação de Bens no valor de R$ 1.136.865,58 – conta 7130.006.001.0015. • Outro valor a ser considerado adicionalmente na apuração deste lucro é o de R$ 13.420,14, referente a 1% do valor do bem não coberto pelo VRG e que se considera que foi recebido no início da operação. A conta gráfica não apresenta explicitamente este recebimento, porém indica o total de R$ 1.150.285,72 nos lançamentos de baixa. • Os valores contábeis que serviram para aferição de seus resultados econômicos não podem ser simplesmente estornados, como demonstrado a seguir, de forma a descaracterizar as operações de arrendamento mercantil ou distorcer os resultados econômicofinanceiros já corretamente apurados, reduzindo a base de cálculo do PIS/COFINS, cumulativo e de apuração mensal. • Ligada à apuração do Lucro na Alienação de Bens Arrendados – VRG, conta 7130.006.001.0015 – apurado no encerramento do contrato exemplo nº 2, está o lançamento a débito – estorno – na conta de Receita de Superveniência de Depreciação – 7130.001.003.0016 – no valor de R$ 1.142.208,13, sendo que este valor conforme demonstrado em tabela com base na apuração do ajuste da superveniência no mês de março de 2013 é composto de R$ 1.136.865,58 – exatamente o valor do lucro apurado – mais R$ 5.342,55 de saldo na conta do ativo de Superveniência de Depreciação – 2300.030.001.0000. • Embora a DIBENS apure o resultado na venda de valor residual do bem arrendado, para baixa contábil dos saldos das respectivas contas, este resultado apurado não faz parte do resultado econômico da operação de arrendamento mercantil (haja vista que o resultado econômico da operação do exemplo 2 foi de somente R$ 199.059,84). • O resultado contábil de R$ 1.136.865,58, apurado em procedimento estritamente contábil, não é atribuível a um ganho econômico efetivo do contribuinte, de forma que não é passível da incidência de impostos e contribuições. • O fato de o resultado, meramente contábil, apurado pela “alienação” do bem arrendado não integrar as bases de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, não quer dizer que o valor contábil apurado possa ser utilizado para diminuir as bases de cálculo das contribuições sociais. Pois, se assim fosse, terseia, para o exemplo 2: Base das contribuições durante o prazo contratual da operação de 199.059,84 arrendamento: Resultado (contábil) na venda de valor residual do bem arrendado, + 1.136.865,58 utilizado com base de cálculo negativa das contribuições: Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.455 8 Estorno Receita Superveniência Depreciação para PIS/COFINS: – 1.136.865,58 Exclusão da base de cálculo (Lucro na baixa de Bens do Ativo Permanente): – 1.136.865,58 Base total das contribuições para a operação de arrendamento: – 937.805,74 • Este demonstrativo explica o motivo de a DIBENS apurar sistematicamente bases de cálculo negativas na apuração do PIS/COFINS em todo o período em questão: conforme informado pela DIBENS, não foram formalizadas novas operações de arrendamento no período, ou seja, o resultado foi carregado com estes valores de baixa e não foram contrabalanceados com a entrada de novas receitas. • Não há que interferir o valor contábil com a base tributável. Esta, a base tributável, é apurável a partir do resultado econômico das operações de arrendamento mercantil. • Embora o resultado na venda de valores residuais não deva integrar as bases de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, o mesmo valor não pode ser excluído duas vezes destas bases (quando já fora excluído por estornos contábeis). • Todavia, a DIBENS, no momento do encerramento das operações de arrendamento mercantil, promoveu a diminuição das bases de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, apurando bases de cálculo negativas das contribuições, pela utilização de dois valores contábeis: estorno de receitas e resultados na venda de valores residuais dos bens arrendados. Esses dois elementos (estorno e resultado na venda) são advindos dos mesmos elementos econômicos e contábeis utilizados para se encontrar o resultado econômico do arrendamento mercantil, quais sejam, as prestações contratuais (receitas) e as depreciações dos bens (despesas). • Tendo como base o exemplo nº 1, passase a analisar as novas variáveis introduzidas no exemplo nº 2 e o devido tratamento contábil e fiscal que a elas deve ser dispensado. 3.4.1 – Despesa de depreciação e depreciação acumulada • A DIBENS se utiliza da conta 8139.001.001.0015 – Depreciação de Bens Arrendados – para o registro das despesas de depreciação do bem registrado em seu ativo, em contrapartida da conta 2300.090.007.0004 – Depreciação Acumulada de Veículos e Afins –, conta esta redutora da conta de registro do bem arrendado, 2300.008.001.0006 Veículos e Afins. • Em função do descasamento entre os prazos de arrendamento e de depreciação – 36 x 42 meses –, ao final da operação o bem não se encontrava completamente depreciado, ao contrário do exemplo 1. • O saldo da conta era de R$ 1.150.285,72, e o valor do bem era de R$ 1.342.000,00. • Conforme artigo 13 da Lei 6.099/74, esta diferença poderá ser lançada por ocasião da baixa do bem, ou seja, fazse um ajuste no valor de R$ 191.714,28 a débito de despesa e a crédito de depreciação acumulada. 9 MG BELO HORIZONTE DRJ Fl. 612 Documento de 59 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0219.19160.5ICW. Consulte a página de autenticação no final Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.456 9 deste documento. Processo 16327.720056/201798 DRJ/BHE Acórdão n.º 02 74.698 Fls. 10 • Com este ajuste, o saldo da conta de depreciação acumulada para a ser de R$ 1.342.000,00, e o valor residual contábil do bem passa a ser igual a zero. • Este lançamento de ajuste não influenciará o resultado da operação, conforme demonstrado no item 3.4.4 do TVF: mesmo que não seja realizado, o resultado será o mesmo – o que demonstra que não há apuração de Lucro na Alienação de Bens no encerramento da operação. 3.4.2 – Valor residual garantido – antecipado e diluído • A DIBENS se utilizou da conta 4979.001.001.0007 – Credores por Antecipação VRGCNR. INT/EXT – para o registro dos valores recebidos a título de VRG, sendo que no encerramento da operação acumulou um valor de R$ 1.328.579,86. • Ajustandose este valor por R$ 13.420,14 como acima descrito, o total recebido pela DIBENS ao longo da operação a este título foi de R$ 1.342.000,00, ou seja, exatamente o valor do bem registrado no imobilizado de arrendamento. • Quando não ocorre esta identidade de valores, a diferença está embutida no valor das contraprestações, ou seja, ao final da operação sempre é recuperada a totalidade do valor investido na aquisição do bem arrendado. • Esta conta tem como contrapartida a conta de DISPONIBILIDADES – item 1.7.10.1 do Cosif – e representa uma obrigação da DIBENS para com o arrendatário. • Como o próprio nome indica, ela representa o valor residual do bem na data da liquidação da operação, ou seja, apesar de o bem se encontrar completamente depreciado contabilmente, conforme inciso 3.4.1., o VRG representa a recuperação deste custo: neste sentido o valor residual do bem é exatamente igual ao valor do investimento, ou seja, R$ 1.342.000,00 e não zero. • No encerramento da operação – Cosif 1.11.9 –, o resultado na venda de valor residual, decorrente do exercício da opção de compra pela arrendatária, ou pela apropriação do valor residual garantido, contabilizase: a) a crédito de LUCROS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS, se positivo; b) a débito de PREJUÍZOS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS, se negativo. 3.4.3 – Superveniência de depreciação – constituição e baixa • A DIBENS utiliza a conta 2300.030.001.0000 – Superveniência de Depreciação – para o registro dos ajustes prescritos, em contrapartida à conta 7130.001.003.0016 – Receita de Superveniência de Depreciação. • Como contrapartida, em caso de apuração de Insuficiência de Depreciação, em vez de utilizar o Cosif apropriado, também registra este valor nesta conta de Receita de Superveniência e depois, através de lançamento manual, transfere o saldo devedor para a conta 8139.001.002.0015 – Insuficiência de Depreciação, procedimento este justificado pela DIBENS pelo fato de o Bacen não aceitar contas devedoras em lugar que deveriam ser credoras por definição, no caso conta de receitas. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.457 10 • A função desta conta é apenas a de modular os resultados mensais durante a operação de arrendamento, de modo a refletir o seu lucro com base na taxa interna de retorno do financiamento. • Ao final da operação de curso normal, mediante exercício de opção de compra pelo arrendatário, seu saldo deve estar zerado, ou seja, não pode gerar a apuração de qualquer resultado adicional ao já apurado ao longo do contrato. • Para efeitos de apuração do IRPJ e CSLL, os valores lançados a título deste ajuste não afetam o resultado dos períodos de apuração, uma vez que são adicionados/excluídos na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL: no caso da DIBENS, tendo apurado Insuficiência de Depreciação, efetuou a adição de R$ 4.590.644.203,66 em 2012 e de R$ 1.327.410.709,06 em 2013. O total de base de cálculo negativa de PIS/COFINS foi de R$ 4.915.384.595,24 e R$ 1.349.176.907,01, respectivamente. • No caso do PIS/COFINS, não fosse a exclusão do Lucro na Alienação de Bens da sua base de cálculo, este valor negativo de Insuficiência de Depreciação estaria devidamente compensado pela apropriação do VRG, comprovando a tese de que não há lucro a ser apurado no encerramento de operação de arrendamento mercantil de curso normal, ou seja, o resultado final é igual a zero. • Nas operações de arrendamento mercantil financeiro, em curso normal, o saldo das duas contas no momento de encerramento da operação – superveniência de depreciação e lucro na alienação de bens sempre serão iguais, ou seja, o saldo dos ajustes por superveniências e/ou insuficiências de depreciações de cada contrato sempre será igual ao lucro apurado com a venda do bem – R$ 1.136.865,58, haja vista que os valores são apurados com as mesmas bases: os recebimentos e as despesas de depreciações. • Considerando o ajuste acima relatado de R$ 13.420,14, este valor também é idêntico ao valor da depreciação acumulada – R$ 1.150.285,72 • Ao contrário do procedimento utilizado pela DIBENS, não há que se falar de dois ajustes na conta de Superveniência de Depreciação no mês de encerramento da operação – mesmo porque, após o cálculo do ajuste mensal, as contas patrimoniais que compõem o ajuste – imobilizado, depreciação acumulada, rendas, VRG, estão e/ou são zeradas pela baixa do bem e o valor presente dos fluxos de caixa é igual a zero, ou seja, um novo ajuste na baixa do bem seria igual a zero. • Para fins de demonstração, efetuouse ajuste na planilha de cálculo no exemplo 2, separando o valor relativo ao ajuste do mês de março de 2013 e o relativo ao saldo que ficou na conta de Superveniência de Depreciação, em nosso caso R$ 1.136,865,58 e R$ 5.342,55, respectivamente. • Conforme demonstrado nas planilhas de cálculo dos exemplos 1 e 2, ao final dos contratos restaram saldos nas contas de Superveniência de Depreciação no valor de R$ 48.507,27 e R$ 5.342,55, respectivamente. Estes valores efetivamente representam um “Lucro” adicional até o encerramento da operação. • Compulsando a planilha se verifica que estes valores representam valores a maior de receita que foram apurados ao longo do contrato e que, conforme norma do Bacen, devem ser baixados contra a conta de disponibilidades, uma vez que representam receitas acima das estabelecidas contratualmente. • Nos casos em questão, esta apuração é meramente contábil, uma vez que não foram identificados desembolsos adicionais feitos pelo arrendatário. Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.458 11 • Também não cabe à fiscalização a identificação dos motivos da existência deste saldo na conta de Superveniência de Depreciação ao encerramento da operação, apenas se pode especular que são decorrentes da metodologia de apuração mediante a utilização da taxa interna de retorno dos contratos ou descasamento de prazos de apropriação de receitas e despesas. • Tributariamente, para fins de IRPJ e CSLL, estes saldos deveriam ser lançados contra a conta de Lucros/Prejuízos Acumulados, por representarem ajustes de períodos anteriores. • Já para fins de apuração do PIS/COFINS estes valores não podem ser estornados contra a conta de Receitas de Superveniência de Depreciação – apesar de que teriam o efeito de zerar esta conta – uma vez que se referem a períodos de apuração anteriores e não há previsão legal para a sua dedução no mês em há o encerramento da operação. • Em outras palavras, o regime de apuração é cumulativo, sendo definitiva a apuração mensal, e como tal devem ser glosados quaisquer ajustes relativos a períodos de apuração anteriores. • Dessa forma, estornando receitas relativas aos contratos de arrendamento encerrados, o contribuinte realizou débitos na conta de Receita por Superveniências de Depreciação, diminuindo o saldo credor da conta contábil que deveria refletir os ajustes de outras operações de arrendamento mercantil em curso. 3.4.4 – Comprovação da não apuração de lucro na alienação de bens quando do encerramento das operações de arrendamento mercantil • Trazse o montante mensal de receitas de arrendamento mercantil oferecidas à tributação do PIS/COFINS, registrados no Cosif 7.1.2.10.001 – Rendas de Arrendamentos Financeiros – Recursos Internos –, bem como os valores excluídos com base nos supostos Lucros na Alienação de Bens – Cosif 7.1.2.60.006 no período em análise, valores estes que compõem o total da rubrica Rendas de Arrendamento Mercantil – Cosif 7.1.2.00.004. • De janeiro de 2012 a março de 2013, a DIBENS excluiu da base de cálculo do PIS/COFINS, seja via apuração contábil, seja via suposta determinação legal, o montante de R$ 1.186.465.686,74, a título de Rendas, e de R$ 6.614.775.419,97, a título de Lucros na Alienação de Bens, um total excluído de R$ 7.801.241.106,71, oferecendo à apuração a irrisória quantia de R$ 146.202,07. • Ao manter as respectivas despesas associadas a estas receitas na apuração, gerou as bases de cálculo negativas apresentadas no item 1 do TVF. • Conforme exemplo nº 1, considerado “ideal”, não há apuração de Lucro na Alienação de Bens quando do exercício da opção de compra pelo arrendatário. • Esta transação é meramente um ato jurídico, uma vez que houve a recuperação do capital – financeiramente pelo recebimento das contraprestações, “puras” ou com VRG “embutido”, contabilmente pela depreciação. • Não há um fato econômico adicional aos já registrados ao longo da operação de arrendamento que resulte em qualquer apuração de resultado, tanto positivo como negativo. • Para o exemplo nº 2, obviamente, a conclusão é a mesma. Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.459 12 • Comprovase a assertiva para o exemplo nº 2 por duas formas distintas de apuração, a primeira envolvendo lançamentos em contas de resultado – conforme normativas do Bacen –, e a segunda envolvendo lançamentos apenas em contas patrimoniais. • Este cálculo não contempla os valores de Rendas de Arrendamento, uma vez que já foi demonstrada a correção de sua apropriação. • Primeiramente apresentase o cálculo que envolve as contas de resultado, sob a forma de razonetes, onde os valores em negrito representam os saldos existentes no encerramento do contrato e demais saldos conforme estes valores vão sendo ajustados para refletir a baixa do bem arrendado. • Verificase que todos os saldos são zerados, especialmente o referente a Lucro na Alienação de Bem, comprovando a assertiva. • Em seguida, apresentase o cálculo envolvendo apenas contas patrimoniais. • Também por este método que não se utiliza de contas de resultado, por ocasião da baixa do bem pelo exercício da opção de compra pelo arrendatário, os saldos das contas patrimoniais são zerados sem apuração de resultado, comprovando a assertiva. • As companhias arrendadoras para apurar os seus resultados contábeis, durante o prazo contratual da operação de arrendamento, utilizamse, por meio de ajustes contábeis, da técnica de amortização do capital (técnica financeira), segregando dos valores recebidos a parcela correspondente à recuperação de seu capital, considerando somente o lucro (retorno sobre o investimento) das operações na apuração de seu resultado contábil (o mesmo apresentado em suas demonstrações financeiras, utilizado para distribuição de dividendos e na determinação das bases da contribuição ao PIS/COFINS). • Toda esta “confusão” de cálculo e de registros contábeis é decorrente da norma legal vigente à época dos fatos que determinou o registro do bem arrendado no imobilizado da arrendadora, com o consequente cálculo e apropriação de despesas de depreciação e possíveis resultados decorrentes de alienação destes bens, abrindo a possibilidade de que uma operação financeira, por absurdo, possa ser considerada como uma operação mercantil. • Esta norma foi revogada pela Lei 12.973/2014, com vigência a partir de 2015. • Para prevenir possível alegação da DIBENS de ter efetuado todos os lançamentos e apurações conforme determinações dos órgãos reguladores, observa se, pela comparação dos dois métodos, que o “vilão” da história é o VRG e a normativa do Bacen que determina que, no encerramento da operação, os valores do VRG sejam baixados em contrapartida a Lucros na Alienação de Bens. • Conforme a proporção do VRG em relação ao valor do bem será o valor do pretenso Lucro na Alienação de Bens contábil. Não por acaso, a DIBENS se utiliza para esta porcentagem absurdos “99%”, enquanto o valor residual de mercado dos bens, no caso veículos, deprecia cerca de 20% por ano. • Em um contrato de 3 anos, o valor residual de mercado do bem, que é compatível com seu valor contábil, é equivalente a 40% do valor de aquisição, e não 99% como estabelecido contratualmente e que se configura, portanto, como um Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.460 13 abuso da forma jurídica em relação à substância econômicofinanceira da operação de arrendamento mercantil. • Qualquer conclusão sobre os procedimentos contábeis realizados pela DIBENS é inócua, uma vez que as bases das contribuições ao PIS/COFINS sempre serão os resultados econômicofinanceiros que as operações de arrendamento mercantil proporcionam, e nunca os seus meros registros contábeis, como já decidiu o STF. • Este fato, combinado com a previsão legal da exclusão das receitas de alienação de bens da base de cálculo do PIS/COFINS, gera uma grave distorção, ao manter na base de cálculo as despesas de arrendamento mercantil, representadas em sua quase totalidade pelas despesas de depreciação e sua associada superveniência/insuficiência, e excluir as respectivas “receitas” de alienação de bens, caracterizandose como uma afronta ao princípio contábil de confronto de receitas e despesas. • A possível alegação de observância a atos normativos da RFB, em especial a IN 247/02 e seu anexo I também não mereceria prosperar, uma vez que, ao excluir os supostos Lucros na Alienação de Bens, a DIBENS incorre na prática de dedução em duplicidade das despesas de depreciação e seus ajustes associados a esta apuração. De qualquer forma, a parte desta normativa relativa ao anexo I foi revogada em agosto de 2012 pela IN SRF 1.285/2012. • Além da glosa indicada no item 3.4.3, devese glosar a exclusão de valores lançados a título de pretensos “Lucros na Alienação de Bens”, representados pela dedução em duplicidade de Insuficiência de Depreciação apurada no encerramento das operações de arrendamento mercantil, uma vez que estes valores lá foram computados na apuração dos pretensos Lucros, conforme cálculo apresentado no item 4 do TVF. 4 – Da apuração da base de cálculo • Na determinação das contas que compõem o anexo I da IN 247/02, a SRF partiu do princípio de que os saldos das contas contábeis utilizadas são apurados segundo as determinações do Banco Central do Brasil, especialmente o Cosif. • Na sistematização da apuração das bases de cálculo das contribuições, os saldos da conta de Superveniências de Depreciações são baixados pelo creditamento do valor dos Lucros na Alienação de Bens Arrendados, e não por estornos que têm como contrapartidas os estornos das receitas antes registradas como receitas de arrendamento na conta 7130.001.003.0016 e utilizadas para apuração dos resultados das companhias de arrendamento. • O contribuinte estava ciente que o estorno realizado em suas contas de receitas de arrendamento já havia diminuído o seu resultado contábil, razão pela qual considerou o saldo da conta de Lucros na Alienação de Bens Arrendados para apurar o seu Resultado EconômicoFinanceiro em cada período. • Ao apurar a base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins com base no anexo I da IN 247/02, os valores dos estornos também diminuíram o total das receitas. Mas a inclusão dos resultados de Lucros na Alienação de Bens Arrendados como receitas tributáveis corrigiu a diminuição proporcionada pelos estornos. Porém, em seguida, a DIBENS se utilizou dos valores dos Lucros, que têm Cosif específico, para excluílos na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.461 14 tópico de exclusões do anexo I destinado, expressamente, somente a valores “SEM Cosif ESPECÍFICO”. • Ela atendeu parcialmente ao item 2 do TIF nº 05, pelo qual se buscou segregar dos valores lançados na conta Receita de Superveniência de Depreciação aqueles que se referiram à apuração normal daqueles relativos aos contratos liquidados. • Apresentou planilha relacionando todos os contratos para os meses de janeiro e fevereiro de 2012, indicando aqueles na situação de ativos dos liquidados no mês. • Para os liquidados apuraramse aqueles que apresentaram valores negativos no mês, representando contratos com Insuficiência de Depreciação e que, por conseguinte, foram lançados como estorno na conta de Receita de Superveniência de Depreciação, como acima indicado. • Na prática e em se considerando a forma de escrituração utilizada pela DIBENS, este valor deveria ser adicionado na apuração da base de cálculo do PIS/COFINS na rubrica “Outras Adições”. • Estes valores são efetivamente adicionados na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. • Os valores adicionáveis e apurados pela fiscalização com base na planilha apresentada pela DIBENS importaram em R$ 187.591.091,90, para o mês de janeiro de 2012, e em R$ 178.763.609,50, para o mês de fevereiro de 2012. Nestes períodos de apuração a DIBENS apurou bases positivas em R$ 57.546.817,04 e R$ 38.605.505,61 respectivamente. • Os valores dos estornos realizados na conta de Superveniências de Depreciações por ocasião do encerramento de cada contrato correspondem aos valores das receitas excluídas das bases de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins em cada mês de 2012. • Entretanto, da mesma forma que verificado na apuração dos resultados relativos ao exemplo 2, os valores das receitas estornadas no encerramento das operações podem ser compensados pelo reconhecimento de outras receitas apuradas sob outras formas contábeis e incluídas nas bases de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. • No exemplo 2, no encerramento da operação de arrendamento mercantil, a conta contábil de ativo de Superveniências de Depreciações apresentava saldo ao final do contrato de R$ 1.142.208,13 e a conta de Lucros na Alienação de Bens Arrendados, saldo de R$ 1.136.865,58. A diferença de R$ 5.342,55 é verificada, pois, no último período do contrato, o contribuinte não realizou depreciação do bem e realizou o reconhecimento como receita do valor da “contraprestação” de arrendamento – R$ 5.529,44 – e não somente o valor dos juros embutidos na parcela do mês – R$ 186,89. • Este valor de R$ 186,89 corresponde exatamente aos juros embutidos no valor da parcela recebida, de forma que os estornos de receitas (pseudodespesas) são parcialmente compensados pelo reconhecimento de receitas nas bases de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. • Alternativamente, e não por coincidência, o excesso de receitas estornadas é exatamente igual ao valor dos Lucros na Alienação de Bens Arrendados (R$ Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.462 15 1.142.208,13 – R$ 5.529,44 + R$ 186.89 = R$ 1.136.865,58) – valor este de R$ 1.136.865,58 registrado nesta conta – 7130.006.001.0015 – para apuração dos valores que foram indevidamente reduzidos das RECEITAS TOTAIS das bases de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. • Os lançamentos dos créditos tributários de contribuição ao PIS e de Cofins sobre as bases de cálculo indicadas compreendem a recomposição das bases de cálculo das contribuições que incidem sobre os resultados econômicofinanceiros do contribuinte, que não deveriam ter sido suprimidas por valores de estornos contábeis, pois se trata de resultados econômicos financeiros não influenciáveis por exclusões de receitas decorrentes de pretenso lucro na alienação de bens do ativo permanente. 5 – Da multa qualificada – crime contra a ordem tributária • O contribuinte viola o princípio constitucional da universalidade do atendimento e do custeio da seguridade social, além de afrontar o da isonomia, por, na prática, querer exonerarse do pagamento dos tributos em referência. Efetivamente, no período de janeiro e fevereiro de 2012, reduziu em grande montante o recolhimento a título de PIS/COFINS. • Pela forma que foram realizadas, as exclusões das receitas de arrendamento das bases de cálculo das contribuições caracterizaram a fraude definida no art. 72 da Lei 4.502/74, uma vez que o contribuinte tenta modificar as características essenciais do fato gerador da contribuição ao PIS/COFINS, como se este fosse definido pelos registros contábeis e não pelas características econômicas e jurídicas das operações de arrendamento mercantil realizadas. • No período em análise a DIBENS apresentou um lucro líquido, por suas atividades, de mais de R$ 2 bilhões em 2012 e de mais de R$ 1,6 bilhão até março de 2013, conforme respectivos LALUR. • Em que pesem os resultados econômico financeiros positivos de suas operações, as bases de cálculo de contribuição ao PIS/COFINS apuradas pela DIBENS foram negativas em R$ 179.154.183,08 em janeiro de 2012 e também negativas em R$ 163.308.158,04 em fevereiro de 2012, conforme detalhamento mensal apresentado no item 1 do TVF. • Mesmo que se concluísse que os procedimentos adotados pelo contribuinte seguem as normas contábeis, tal conclusão não permitiria isentar o contribuinte da contribuição ao PIS/COFINS, uma vez que é evidente que as operações de arrendamento da companhia apresentam resultados positivos, e as normas contábeis não podem conceder isenção das contribuições sociais, apenas a lei. • Exige um enorme esforço a interpretação de que leis possam ter determinado que os resultados econômicos positivos das operações de arrendamento mercantil devam, ou possam, ser revertidos ao final da operação, para que as companhias de arrendamento reconheçam os resultados econômicos de suas atividades pelo resultado da alienação dos bens de arrendamento. • E carece de esforço ainda maior a interpretação de que, além de isentar os seus “novos resultados” – relativos à venda de bens –, leis ou normas subalternas possibilitem que os valores estornados contabilmente sejam também utilizados para reduzir os resultados econômicofinanceiros de outras atividades, como os resultados das aplicações financeiras da companhia. • Excluir valores contábeis que permitiram determinar e aferir o resultado das operações de arrendamento mercantil das bases de cálculo das contribuições sociais Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.463 16 no decorrer das operações, além de ilógico é ilegal, e, quando tal procedimento é realizado exclusivamente para reduzir as contribuições sociais devidas, constitui, em tese, sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64 e crime contra a ordem tributária, nos termos dos arts. 1º, II, e 2º, I, da Lei 8.137/90. • Os crimes cometidos pela DIBENS, em tese, caracterizamse pela sucessão de atos que buscaram colocar os resultados de suas operações sob a hipótese prevista no art. 3º, § 2º, IV, da Lei 9.718/02. • Para tal basta observar a sua apuração das contribuições, onde a totalidade dos valores de Rendas de Arrendamento Mercantil – Cosif 7.1.2.00.004 – é decorrente de Lucros na Alienação de Bens Arrendados – Cosif 7.1.2.60.006. • A título de ilustração, conforme apuração de janeiro de 2012, de um total de Rendas igual a R$ 191.720.550,37, o valor referente a Lucros na Alienação de Bens Arrendados importou nos mesmos R$ 191.720.550,37, e nenhum valor se referiu a Rendas de Arrendamentos Financeiros – Recursos Internos – Cosif 7.1.2.10.001. • De janeiro de 2012 a março de 2013, a DIBENS excluiu da base de cálculo do PIS/COFINS, seja via apuração contábil, seja via suposta determinação legal, o montante de R$ 1.186.465.686,74, a título de Rendas, e de R$ 6.614.775.419,97, a título de Lucros na Alienação de Bens, um total excluído de R$ 7.801.241.106,71, oferecendo à apuração a irrisória quantia de R$ 146.202,07. • Os resultados econômicofinanceiros da DIBENS não decorrem da venda de bens do ativo permanente, mas dos recebimentos previstos contratualmente, relativos às suas operações de arrendamento mercantil. • Mesmo que se entendesse que as receitas das companhias arrendadoras são decorrentes da venda de bens do ativo permanente, estas apenas não estariam sujeitas à incidência do PIS/COFINS, jamais poderiam ser utilizadas para reduzir as contribuições que incidem sobre outras atividades econômicas lucrativas da companhia, nem mesmo se os resultados das vendas fossem negativos. • Definidas as características essenciais dos fatos geradores da contribuição ao PIS/COFINS com base nos resultados econômicofinanceiros auferidos e aferidos durante o prazo contratual das operações de arrendamento mercantil, a utilização de dedução de valores em duplicidade que permitiram a aferição destes resultados configura uma clara tentativa de modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, na medida em que o contribuinte tenta fazer parecer que seus resultados econômicos – fatos geradores das obrigações tributárias – são advindos de operações de venda dos bens de seu ativo permanente, e não das reais operações de arrendamento, econômica e juridicamente definidas. • E mais, ciente dos resultados econômicos positivos de suas operações (sejam de arrendamento ou de venda de bens), o contribuinte, em explícito ato de máfé, exclui da base da contribuição social ao PIS/COFINS as mesmas receitas classificadas contabilmente como de Lucros na Alienação de Bens que já haviam sido excluídos pela apuração das despesas de Insuficiências de Depreciação, despesas estes componentes do grupo de Despesas de Depreciação. • A conduta de máfé do contribuinte não é avaliada por cumprir ou deixar de cumprir procedimentos contábeis, mas por utilizar os valores contábeis para diminuir a bases de cálculo da contribuição ao PIS/COFINS, sob a astúcia de que a manutenção de despesas pode diminuir as referidas bases e que resultados de vendas que se utilizaram destas mesmas despesas não devem compôlas, como se ambas Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.464 17 não cumprissem a mesma função de diminuir os resultados econômicos do contribuinte na apuração das contribuições. • A lei não atribuiu o fato gerador das operações de arrendamento mercantil aos seus registros contábeis, estes apenas deveriam aferir corretamente os resultados econômicofinanceiros das operações. • A sonegação, prevista no art. 71, se configura pela ação dolosa da DIBENS de tentar impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade tributária do fato gerador da obrigação tributária (no caso, o resultado econômicofinanceiro alcançado com as operações de arrendamento mercantil realizadas). • Nos termos do art. 71 da Lei 4.502/74, é indubitável que os atos praticados pela DIBENS retardaram o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador da contribuição ao PIS e da Cofins, qual seja, o resultado positivo nas operações de arrendamento mercantil do contribuinte. • Destacamse os seguintes atos praticados pela DIBENS que retardaram o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária por parte da RFB: A utilização em duplicidade de despesas na apuração de supostos Lucros na Alienação de Bens os quais funcionaram contabilmente como verdadeiras despesas contábeis utilizadas para reduzir as bases de cálculo do PIS e da Cofins. Os estornos excluíram os lançamentos contábeis de aferição dos resultados econômicos das operações de arrendamento mercantil, de forma que a identificação da real origem dos resultados econômicos da companhia só pode ser constatada por minuciosa auditoria contábil dos procedimentos contábeis realizados. Não realizar os procedimentos contábeis determinados por norma do Banco Central do Brasil, relativos ao creditamento da conta de Superveniências de Depreciações em contrapartida a Disponibilidades dos saldos remanescentes no encerramento dos contratos, de forma a gerar despesas indevidas. Utilizarse de planejamento tributário abusivo para gerar supostos resultados negativos na apuração da base de cálculo das contribuições. Tentativa de caracterização dos seus resultados como decorrentes de atividade de compra e venda de bens, ao arrepio de seu objeto social de operações de financiamentos na modalidade de arrendamento mercantil, e consequente exclusão destes resultados na apuração das contribuições. • Pela forma desenvolvida e utilizada pela DIBENS, sobre as operações de arrendamento mercantil, apuravamse enormes e reiteradas bases de cálculos negativas das contribuições sociais. Assim, para não apresentálas à RFB e para aproveitálas economicamente, realizava vultosas aplicações financeiras, que geravam receitas financeiras que, quando acrescidas às bases negativas apuradas, as isentava de qualquer recolhimento, conforme apuração pela DACON apresentada no item 1 do TVF. • Configuradas as práticas de fraude e sonegação, trazse seu enquadramento no capítulo de crimes contra a ordem tributária conforme disposto na Lei 8.137/90, a saber: art. 1º, II, e art. 2º, I. • A base legal para cobrança da multa qualificada de 150%, pelo evidente intuito de fraude e sonegação, é o art. 44, § 1º, e inciso II,“b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.465 18 7 – Da responsabilidade solidária decorrente de cisão parcial • Em se considerando a operação de cisão parcial da DIBENS de parcela de seu patrimônio relativa às suas operações de arrendamento mercantil a favor do Banco Itaucard S.A., cisão esta ocorrida em 28/02/2013, verificase a hipótese de responsabilização solidária do Banco Itaucard S.A. pelos créditos tributários constituídos na autuação em questão, ressaltandose tratarse de sociedades componentes do mesmo grupo econômico, partes relacionadas. • Citamse o art. 124, II, do CTN e o art. 5º, § 1º, “b”, do DecretoLei nº 1.598, de 1977. • Na cisão parcial ocorrida, tanto a empresa cindida parcialmente quanto a incorporadora têm responsabilidade solidária quanto à contribuição. • A esse respeito, já se manifestou a 2ª instância administrativa (Ac. 1° CC 1054.625/90 DO 07/11/90). 8 – Do lançamento • Encerrouse parcialmente a ação fiscal, com o lançamento de ofício do crédito tributário de PIS/COFINS dos períodos de apuração janeiro e fevereiro de 2012. • Formalizouse representação fiscal para fins penais. Ciência dos lançamentos Em 08/02/2017, conforme termos a fls. 371/372 e 375/377, os sujeitos passivos foram pessoalmente cientificados dos lançamentos. Impugnação apresentada por Dibens Leasing S/A Arrendamento Mercantil Em 08/03/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 396, Dibens Leasing S/A Arrendamento Mercantil apresentou a impugnação a fls. 398/452, cujo teor pode ser assim resumido: I – Introdução • Os limites da discussão deste processo situamse nos impactos sobre a base de cálculo das contribuições: dos lançamentos, quando do encerramento de cada operação de arrendamento mercantil, de estorno de saldo na conta de superveniências de depreciação, em contrapartida à conta de receita de superveniência de depreciação (embora em trechos do TVF se fale em insuficiências, os autos de infração não levaram em conta nem os créditos ou débitos a este título); da apuração, quando do encerramento de cada operação de arrendamento mercantil, do ganho na alienação de bens, que o próprio TVF reconhece ser isento das duas contribuições. • A fiscalização afirma que, ao longo do prazo contratual das operações, a impugnante apurou a base de cálculo sobre os respectivos resultados econômicos e, no encerramento das mesmas, “parte das receitas foram estornadas contabilmente e excluídas da base de cálculo das contribuições”. • O aparente paradoxo de atividade lucrativa e bases de cálculo negativas será devidamente explicado, e também se mostrará o despropósito da qualificação das multas. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.466 19 • A pretensão fiscal centrase na exclusão, feita ao final de cada contrato, do ganho na alienação dos bens até então arrendados e do saldo de superveniências de depreciação existente nesse momento. II – Legislação sobre a matéria dos autos • Citamse as seguintes normas relativas a PIS/COFINS aplicáveis aos contribuintes dedicados ao arrendamento mercantil: Lei nº 9.718/98, art. 2°, art. 3°, parágrafo 2°, inciso IV, e parágrafos 5° e 6º; Lei nº 9.701/98, art. 1°, incisos I e III. • Destacamse dispositivos da Lei nº 6.099/74 (arts. 3º, 12 e 13). • A IN SRF nº 247/02 regulava as contribuições ao PIS/COFINS, repetindo as normas legais, e particularmente no seu art. 27 as deduções e exclusões. No art. 52 previa as alíquotas aplicáveis à base de cálculo, a qual estava explicitada detalhadamente no Anexo I. • As instituições financeiras, inclusive as de arrendamento mercantil, são subordinadas a regras contábeis específicas, constantes da Circular BACEN nº 1.273/87, que instituiu o “Plano Contábil das Instituições do Sistema Tributário Nacional COSIF”, o qual, no tocante às entidades de arrendamento mercantil, recebeu alterações instituídas pela Circular BACEN nº 1.429/89. • A obrigatoriedade de observância dessas normas contábeis decorre da Lei nº 4.595/64 (art. 4º, XII). • O Anexo I da IN SRF n. 247/02 adotou os códigos de contas do COSIF para especificar como se apura a base de cálculo de PIS e COFINS. • A impugnante seguiu rigorosamente o COSIF na sua contabilidade, e também o Anexo I da instrução normativa, recolhendo as contribuições tal como apuradas de acordo com ele em cada mês. • Não há mais controvérsia em torno da exclusão das vendas de bens do ativo permanente (atualmente ativo não circulante) na base de cálculo, não apenas por ser norma legal (Lei nº 9.718/98), como também por estar explicitada no Anexo I da IN SRF nº 247/02, e por ter sido confirmada por remansosa jurisprudência. • A fiscalização reconhece a isenção sobre as vendas de ativos permanentes, mas voltase contra os ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação, pretendendo que os estornos daqueles não deveriam ter sido deduzidos da base de cálculo, fazendo uma confusão entre o estorno final de saldo de superveniências de depreciação e os ganhos não tributáveis de vendas do ativo permanente, de modo a resultar que estes não deveriam ser isentados das contribuições. • O item 1.11.8.6 das Normas Básicas do COSIF (com a redação da Circular 1.429) determina que a diferença entre valor presente dos contratos e o seu valor contábil, caso positiva, seja debitada ao ativo imobilizado em contrapartida a crédito ao resultado, em conta de “Rendas de Arrendamentos” ou, se negativa, creditada ao ativo e debitada a despesas de arrendamento, respectivamente sob as denominações “Superveniências de Depreciações” e “Insuficiências e Depreciações”. • Os estornos ou complementos das superveniências de depreciação são lançados a crédito e a débito da conta de ativo relativa ao contrato, em contrapartida às mesmas contas de resultado em que foram registradas, ou seja, nas contas de rendas de arrendamentos e despesas de arrendamento. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.467 20 • O registro na mesma conta, expressamente determinado pelo COSIF, explicase exatamente por se tratar ou de redução ou de acréscimo ao saldo anterior dessa conta, não havendo qualquer sentido em fazêlos em contas diversas. • Separadamente, o COSIF (itens 1.11.8.7 e 8 das Normas Básicas, com a redação da Circular nº 1.429) trata dos resultados nas vendas de bens do ativo permanente, seja pelo exercício da opção de compra pelo arrendatário, seja pela venda a terceiros. • O crédito do ganho e o débito da perda, em resultado, são feitos nas contas “Lucro na Alienação de Bens Arrendados” e “Perdas em Arrendamentos a Amortizar”, não nas contas de “Rendas de Arrendamentos” e “Despesas de Arrendamento”, onde figuram as contrapartidas de superveniências e insuficiências de depreciações. • As vendas dos bens arrendados são originadas dos encerramentos dos arrendamentos, mas não se confundem com estes, nem com seus resultados. • Transportandose tais lançamentos contábeis segundo o COSIF para o Anexo I da IN SRF nº 247/02, vêse que: as superveniências de depreciação, que integram as “Rendas de Arrendamentos” (conta COSIF 7.1.2.10.001), são adicionadas à base de cálculo de PIS e COFINS, integrando o total das receitas; e quando estornadas são diminuídas; as insuficiências de depreciação, que integram as “Despesas de Arrendamento” (conta COSIF 8.1.3.10.001), são diminuídas da base de cálculo; e quando estornadas são adicionadas; os ganhos decorrentes da alienação de bens do permanente são excluídos da base de cálculo nas respectivas linhas de lucros na baixa de bens do ativo permanente, integrando o total de “Outras exclusões (sem COSIF específico)”, separadamente das superveniências e insuficiências de depreciação, bem como dos seus ajustes para mais e para menos. III – Procedimento da impugnante • A impugnante seguiu rigorosamente a lei, o COSIF e o Anexo I da IN SRF n. 247/02, recolhendo as contribuições tal como apuradas em cada mês de acordo com esse anexo. • Isto já é suficiente para que os autos de infração sejam julgados improcedentes, e com muito mais razão, para que as multas e os juros sejam descabidos, a teor do parágrafo único do art. 100 do CTN, e com maior razão ainda ser descabido o agravamento das multas para 150%. • Nos dois meses objeto da autuação não houve saldo negativo. • Em outros meses apontados pelo TVF, mas não autuados, a diminuição das bases de cálculo decorreu de fenômeno, observado pela fiscalização, de que havendo redução de contratos na carteira de arrendamento, a tendência é diminuir o montante a tributar em virtude da própria sistemática contábil encampada pela IN SRF nº 247/02. • No tocante aos ajustes de superveniências de depreciação, como a impugnante seguiu inteiramente as normas legais e as regras administrativas (regulatórias e fiscais), os ajustes acabaram por antecipar a incidência das Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.468 21 contribuições, majoradas mês a mês pela existência desses lançamentos contábeis a crédito de receita. Isto aconteceu tanto com os primeiros ajustes relativos a determinado contrato, quanto com os feitos em complemento nos meses seguintes. • Quando o ajuste é em sentido contrário, há estorno de parte dos valores antes lançados, e quando ao final do contrato ainda resta pendente algum saldo de superveniências de depreciação, mas em que o valor presente do contrato é igual a zero, e não havendo qualquer valor a ser recebido a título de arrendamento, aquele saldo final de superveniências de depreciação evidentemente deve ser estornado. • O estorno não reduz a base de cálculo, mas anula valores antes tributados em decorrência do critério contábil adotado pela instrução normativa para fixar a base de cálculo tributária, mas que se revelaram excessivos e não representaram nem nunca representarão receitas efetivas. • No fim do contrato, há ajuste do valor contábil ao valor presente do contrato, o qual nesse momento é igual a zero, e daí o saldo contábil (de superveniências ou de insuficiências) ser estornado. E o valor líquido de todos os movimentos a crédito e a débito de receitas, ocorridos durante o prazo do contrato, é rigorosamente igual às efetivas receitas de arrendamento geradas por esse contrato, que, portanto, são integralmente tributadas. • Assim, seguindo o COSIF, as superveniências de depreciação foram contabilizadas pela impugnante a débito do ativo relacionado ao contrato, tendo como contrapartida um crédito à receita, na conta de Rendas de Arrendamentos Financeiros (conta 7.1.2.10.001). Como essa conta consta do Anexo I da instrução normativa, tais créditos integraram a base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS, juntamente com as receitas de arrendamento mercantil (alugueis) dos respectivos bens. • Os ajustes a valor presente são obrigatoriamente feitos todo mês, de modo que pode ocorrer a necessidade de estornos de superveniências anteriormente contabilizadas. Tais estornos devem ser feitos a crédito da conta do ativo, diminuindo o saldo de superveniências de depreciação, e a débito da mesma conta em que as contrapartidas das superveniências foram creditadas, ou seja, a conta 7.1.2.10.001, consequentemente reduzindo nesse mês a base de cálculo demonstrada no Anexo I. • Em sentido contrário, as insuficiências de depreciação são creditadas ao ativo e debitadas à receita. Quando na totalidade dos movimentos de um mês houve mais superveniências do que insuficiências, estas eram registradas a crédito de superveniências (portanto, diminuindo esta conta do ativo) tendo por contrapartida um débito na mesma conta 7.1.2.10.001. • Alternativamente, porém sem alterar o resultado, as insuficiências poderiam ser creditadas ao ativo e, em contrapartida, a débito na conta Despesas de Arrendamentos Financeiros (conta 8.1.3.10.001), que também consta do rol de exclusões autorizadas pelo parágrafo 5° do art. 3° da Lei nº 9.718/98 e do Anexo I da IN SRF nº 247/02. • Contrariamente ao que ocorre com o saldo de superveniências, se ao final do prazo de um contrato o saldo existente for de insuficiências de depreciação, há um crédito final à conta de resultado, aumentando a base de cálculo das contribuições nesse momento. Mas para isto o TVF não apresentou qualquer objeção. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.469 22 • Voltando aos estornos de superveniências, a despeito dos ajustes mensais, a maior parte deles ocorre no final do contrato, porque nesse momento é necessário baixar o saldo de superveniências de depreciação que ainda exista, exatamente porque no final do contrato o seu valor presente é igual a zero, e qualquer saldo existente na conta do contrato deixa de ser recebível. A contabilidade, evidentemente, não pode manter em ativo um valor que seria correspondente a rendas de arrendamento a receber, mas que definitiva e certamente não serão recebidas. • No final do contrato, é baixada a última parcela de contraprestação do arrendamento (na qual pode estar contida a última parcela do valor residual garantido), e é baixado o imobilizado líquido das depreciações, sobrando somente os débitos de superveniências de depreciação. Destarte, essas sobras também devem ser baixadas para que o valor contábil fique equivalente ao valor do contrato, que nesse momento é igual a zero. • As depreciações de bens arrendados foram registradas na conta COSIF 8.1.3.10.104, que consta especificamente do Anexo I da IN SRF nº 247/02. • O resultado na alienação de bens do imobilizado (bens arrendados), é isento das duas contribuições por força da Lei nº 9.718, art. 3º, parágrafo 2°, inciso IV, e é separadamente referido no mencionado Anexo I, na linha de Outras Exclusões (Sem COSIF Específico), sublinha Lucros na Baixa de Bens do Ativo Permanente, entre cujas exclusões a impugnante fez constar os Lucros na Alienação de Bens Arrendados – Arrendamento Financeiro. • Quanto ao resultado na venda de bens do ativo permanente, o Anexo I é reflexo da norma legal, e não interfere com os demais componentes da base de cálculo, nem pode sofrer interferência destes outros, isto é, inclusive dos componentes que abrigam as superveniências e insuficiências de depreciação. • Alguns componentes positivos ou negativos são formados por vários itens que se somam para subtotalizar esse grupo a ser considerado na soma algébrica formadora da base de cálculo, mas cada subtotal não se imiscui com os demais. • A fiscalização pretendeu que parte – os estornos de superveniências – dos valores debitados à conta de rendas de arrendamentos financeiros (pertencente a um dos componentes da soma algébrica) não fosse debitada ao resultado, para assim contrabalançar a isenção dos ganhos nas vendas de ativos permanentes, que integram outro componente autônomo e distinto daquele a que pertencem as rendas de arrendamentos. Isto além de defender um lançamento contábil impossível de ser feito (em disponibilidades). IV – Improcedência das razões do termo de verificação fiscal – visão geral Quanto à contrapartida dos estornos de superveniências de depreciações • O ponto central da discórdia reside na discordância do AFRFB quanto a que as contrapartidas dos estornos de superveniências de depreciações deveriam ser a débito da receita de arrendamento. • Toda a lógica, a qual também está em conformidade com o sistema contábil que embasa o Anexo I da IN SRF nº 247/02, exige que a conta a ser afetada pelos estornos seja a mesma conta que anteriormente tenha recebido os lançamentos dos valores estornados. E essa conta é a conta de Rendas de Arrendamentos Financeiros. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.470 23 • Além, disso, refletindo esse regime, a conta de Rendas de Arrendamentos no Anexo I está em linha destacada da linha de Outras Exclusões, sublinha Lucros na Baixa de Bens do Ativo Permanente, na qual a impugnante incluiu os lucros na baixa de bens do ativo permanente que estavam arrendados. Quanto a que a base de cálculo decorre da lei e não dos lançamentos contábeis • O segundo ponto reside na afirmação de que a base de cálculo de PIS e COFINS decorre da lei, concentrase no resultado dos contratos e não pode ser alterada pelos lançamentos contábeis. • Não se trata simplesmente de os lançamentos contábeis estarem alterando a base de cálculo, mas, sim, de que uma norma complementar da legislação tributária, assim enquadrada pelo art. 100 do CTN (INSRF247/02, com seu Anexo I), complementava as normas legais em torno da base de cálculo das contribuições adotando como referenciais as contas da contabilidade segundo o COSIF, por serem obrigatórias para as entidades de arrendamento mercantil e também pelas peculiaridades dessa atividade. • Ademais, o COSIF é norma legal em decorrência do disposto no inciso XII do art. 4° da Lei nº 4.595, e os procedimentos por ele determinados estão em conformidade com a Lei nº 6.099. • Ainda que a norma fazendária estivesse errada, não seria admissível à fiscalização contrariála para exigir as contribuições em bases diferentes das estabelecidas normativamente. • Tal impossibilidade, por sua vez, decorre de várias razões, sendo a primeira a vedação para o fisco agir contra seus próprios atos. • A segunda razão reside no fato de que, ao contrário do que ocorre atualmente, em 2012 não havia norma legal que determinasse expressamente a não consideração, na base de cálculo das contribuições, dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciações, inclusive seus complementos e estornos. • Há ainda uma terceira razão, correspondente à vinculação obrigatória da fiscalização e de todos os órgãos da RFB aos atos normativos por esta emitidos. • E a quarta razão pela qual, desconsiderando a instrução normativa, é incabível a autuação, é o modo como foi feita no caso sob julgamento. • As superveniências de depreciações aumentaram a base de cálculo antes que seus estornos a diminuíssem posteriormente, mas os autos de infração somente questionaram a legalidade dos estornos e não a legalidade das receitas derivadas das superveniências, isto é, não invocaram a lei que consideraram ferida pelos lançamentos contábeis, quando estes refletiram ajustes que, segundo o Anexo I da IN SRF nº 247/02, majoraram a base de tributação, mas invocaram a lei quando a base foi reduzida pelos estornos de valores que antes, pelo mesmo raciocínio, teriam aumentado indevidamente a base de cálculo. • Cabe aqui o seguinte resumo das razões de defesa e de impropriedades verificadas no TVF: o durante todo o prazo dos contratos, os respectivos resultados e as correspondentes bases de cálculo foram devidamente apurados, inclusive com estornos de superveniências, quanto ocorrentes, os quais não se deram apenas no final dos contratos; Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.471 24 no final dos contratos, os estornos que ocorreram foram de eventuais saldos de superveniências de depreciação não estornadas antes, e que no final precisaram ser eliminados porque, e quando, representaram receitas definitivamente não mais recebíveis; todos os estornos, sem exceção, foram de valores anteriormente acrescentados à receita bruta e assim tributados, representando a diminuição das receitas aos valores recebíveis e eliminando valores que, por serem excessivos, não deveriam ter integrado a receita tributada; a metodologia adotada pelo contribuinte não o foi por livre vontade e nem foi criação sua, pois lhe foi imposta pela norma legal que instituiu o COSIF (Lei nº 4.595, art. 40, inciso XII), no qual está contida a referida metodologia e, ademais, foi ela absorvida pela IN SRF nº 247/02; a impugnante não adotou esta metodologia para deixar de pagar PIS e COFINS, mas porque estava obrigada a ela e as instruções oficiais sobre a determinação da base de cálculo das contribuições a incorporaram; ademais, em muitos casos a metodologia aumenta as bases de cálculo, sem protesto da fiscalização; as bases negativas verificadas em determinados meses decorreram dessas normas de seguimento obrigatório e de circunstâncias dos negócios, como a redução da carteira; inclusive a fiscalização foi informada de que em 2012 e 2013 não houve novos contratos de arrendamento, e mesmo os contratos adquiridos por incorporação de outra pessoa jurídica estavam em suas fases finais; o TVF não apontou que os estornos não passavam de cancelamento de valores que antes necessariamente foram oferecidos à tributação, de modo que não representaram modo de diminuir a base de cálculo, mas de anular bases de cálculo anteriormente aumentadas; o TVF também não procedeu à diminuição da base tributável nos meses em que as superveniências foram incluídas na receita, o que deveria ter feito por coerência com seu próprio critério de quantificação da base de cálculo; também não o fez com relação aos saldos de insuficiências de depreciação ao final dos contratos que os apresentaram, o que não deveria ter ocorrido por coerência com seu próprio critério de quantificação da base de cálculo; se é correta a afirmação de que a contabilidade não é o fato gerador, disto não se pode extrapolar que a contabilidade feita em conformidade com as referidas diretrizes específicas haja deturpado o resultado econômico das operações. • Os estornos devem ser feitos, obrigatoriamente segundo o COSIF, na mesma conta em que as contrapartidas das superveniências foram lançadas, que é a conta de rendas de arrendamentos. • Imaginese, pois, o contrassenso econômico e contábil, e por consequência também legal, se o estorno fosse feito na conta de resultado da venda de imobilizado, e a conta de receita de arrendamento mercantil ficasse aumentada porque recebeu o crédito sujeito a cancelamento, mas o conservou sem cancelamento. • Pois é isto que a autoridade fiscal defende, atacando indiretamente a isenção, que quer ver diminuída ou eliminada, para que a receita tributável conserve o Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.472 25 aumento que recebeu e que precisaria ser cancelado ao ser verificada a inexistência de receita antes contabilizada e tributada. V – Improcedência das razões do termo de verificação fiscal – aspectos específicos Quanto ao item 3.4.3 do TVF • Esse item do TVF começa descrevendo corretamente o procedimento conforme o COSIF, e destacando que as superveniências são debitadas pela impugnante em conta de ativo imobilizado e, em contrapartida, à conta de receita de superveniências de depreciação, que é uma conta integrante de rendas de arrendamento. • O TVF também explica corretamente que ao final da operação a conta tem que ser zerada, mas ressalva que levar o saldo a zero significa não poder haver apuração de qualquer resultado adicional ao já apurado ao longo do contrato. • O TVF não se insurgiu contra o fato de que os créditos de superveniências à conta de receita integrou positivamente a base de cálculo durante o período da operação. • A inexistência de resultado adicional ao apurado ao longo do contrato é desprovida de sentido, pois ainda pode haver apuração do ganho de capital. • A afirmação do TVF não pode ser aceita se pretender que a inexistência de resultado adicional também signifique a inexistência de efeito tributário decorrente do estorno do saldo de superveniências de depreciação. • Aliás, se a situação for contrária, de saldo de insuficiências de depreciação, o respectivo estorno gera aumento da base de cálculo no mês. • Fugindo das práticas contábeis obrigatórias e adotadas pela instrução normativa da RFB, o TVF faz cogitações com valores e introduz na questão das superveniências e insuficiências a questão da venda de bens do ativo permanente para “comprovar sua tese” de que no encerramento da operação o resultado final é igual a zero, não havendo lucro a ser excluído em atendimento à isenção. • Houve excesso do agente lançador, a quem não incumbe ter tese ou aplicar tese sua em lançamento tributário, porque está vinculado ao que a lei determina (CTN, art. 142, parágrafo único). • A impugnante confessa ter tido enorme dificuldade para entender o raciocínio fiscal desenvolvido, que não faz sentido e também porque ele trabalha apenas com dois exemplos, leva em consideração todos os meses dos anos de 2012 e 2013, mas os autos limitamse aos meses de janeiro e fevereiro de 2012, nos quais os dois contratos tomados como exemplos sequer foram encerrados. • O TVF transcreve um item do COSIF cuja numeração ele não identifica, mas afirma tratar de procedimento específico para baixa da conta de superveniências de depreciação. • A impugnante encontrou o texto transcrito como observação relativa ao funcionamento da conta de ativo código 2.3.2.30.008, na Circular BACEN nº 1.273/87. • O código 2.3.2.30.008, conta de ativo permanente, segundo a Circular BACEN nº 1.273/87, em seu funcionamento deve refletir a diferença entre o valor contábil e o valor atual dos contratos em andamento, às taxas pactuadas, devendo ser Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.473 26 debitada pelo valor constituído, pelos ganhos com as baixas dos ativos de arrendamento e pela correção monetária, além de creditada pelas baixas procedidas. • Aí se segue a observação de que, por ocasião da baixa do bem arrendado, com apuração de lucro, com recebimento de valor residual garantido ou exercício da opção de compra pelo arrendatário, a mesma conta deve ser creditada pelo valor do lucro em contrapartida a disponibilidades. A este respeito, a diretriz regulatória está correta, mas a interpretação a ela dada no TVF conduz a lançamento impossível. • Com razão, vêse que no funcionamento da conta, explicado no COSIF, não se cogita dos registros de superveniências de depreciações, nem dos seus estornos e complementos, mas, além disso, a aparente contradição com as regras inseridas no COSIF 1.7 derivadas da Circular BACEN nº 1.429/89 (onde se viu que o saldo de superveniências deve ser estornado a débito de rendas de arrendamento) se desfaz e se resolve por três razões: As regras do item 1.7 do COSIF são mais específicas a respeito das superveniências de depreciações, inclusive disciplinando o respectivo cálculo com detalhes que não constam do mencionado código 2.3.2.30.008, segundo a Circular BACEN nº 1.273/87, e com critérios distintos deste: ora, sabidamente as normas mais específicas prevalecem sobre as normas gerais ou menos específicas. As regras atuais do item COSIF 1.7 são derivadas da Circular BACEN nº 1.429/89, posteriores, portanto, ao código 2.3.2.30.008 segundo a Circular BACEN nº 1.273/87: ora, as normas posteriores incompatíveis com as anteriores prevalecem sobre estas, e no caso as normas mais novas foram adicionadas à Circular BACEN nº 1.273 pela Circular BACEN nº 1.429/89, com prescrições distintas das normas mais antigas. O próprio COSIF se encarrega de determinar os critérios para sanar possíveis contradições entre Normas Básicas e Elenco de Contas ou Esquemas de Registro Contábil, estabelecendo entre aquelas, na seção I de Princípios Gerais, que “4. Os capítulos deste Plano estão hierarquizados na ordem de apresentação. Assim, as dúvidas de interpretação se solucionam da seguinte forma: a) entre Normas Básicas e Elenco de Contas ou Esquemas de Registro Contábil, prevalecem as Normas Básicas”: ora, o item COSIF 1.7 é Norma Básica, prevalecendo, portanto, sobre a observação relativa ao funcionamento da conta 2.3.2.30.008, isto se houvesse contradição entre eles, o que não há. • Na verdade, há uma quarta razão, que elimina a discussão e mostra que não há contradição. • A conta de ativo imobilizado realmente recebe, durante o arrendamento, os débitos das aquisições dos ativos e das superveniências de depreciações, e também recebe os créditos dos estornos de superveniências e dos valores líquidos dos ativos ao serem alienados, já que ambos são baixas do ativo, tanto quanto as depreciações. • Mas isto não estabelece vínculo entre os estornos de superveniências e os lucros nas vendas dos ativos, porque, em perfeita harmonia, o COSIF determina que aqueles sejam debitados a rendas de arrendamentos e as vendas à disponibilidade. • Há coincidência de créditos na conta do ativo quando esta é diminuída ou finalizada, mas não há coincidência das contrapartidas, e nem poderia haver, seja por razões contábeis, seja por razões legais tributárias, porque as vendas são isentas das contribuições e as superveniências são tributadas, e mais pelo que vem a seguir. Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.474 27 • A observação quanto ao funcionamento da conta 2.3.2.30.008 trata apenas dos valores recebidos no fechamento dos contratos, quando então houver recebimento de VRG, e não trata do estorno do saldo de superveniências de depreciação, porque este não gera qualquer disponibilidade, e, portanto, não poderia de forma alguma ser debitado a qualquer conta do ativo disponível. Ou seja, o TVF quer um lançamento contábil irreal e verdadeiramente impossível de ser feito. • Estorno de superveniências de depreciação não gera caixa ou qualquer outra disponibilidade, o que, entretanto, pode ocorrer com o valor da venda do ativo. • É isto que não foi devidamente constado no ato da autuação, assim como não observou que não haveria como transportar o saldo final para disponibilidade, uma vez que ele não fica disponível (não é recebido) nem nunca o será (não é cobrável). • Aparentemente, o AFRFB percebeu que sua pretensão acarretaria a obrigatoriedade de a impugnante recolher mais PIS e COFINS do que a efetiva receita bruta apurada em suas atividades. • Os três últimos parágrafos do item 3.4.3 são um reconhecimento explícito da correção de procedimento da impugnante e da improcedência da “tese” defendida no TVF, pois o autuante: Não admite os estornos do saldo de superveniências de depreciação contra receitas de superveniências de depreciação; contudo, o estorno a débito desta é legalmente exigido da impugnante pelo COSIF. Reconhece que a não efetivação do estorno não teria o efeito de zerar a conta; contudo, não aponta como se deveria proceder para que não houvesse recolhimentos calculados sobre valor maior do que a efetiva receita de cada contrato e eliminar um valor que jamais será recebido. Afirma que não há previsão legal para dedução no mês do encerramento; contudo, o estorno contra a conta de receita, no mês de encerramento do contrato, é feito em decorrência do que está determinado pelo COSIF, e este decorre do mandamento legal contido no inciso XII do art. 40 da Lei nº 4.595, e foi adotado para fins de PIS/COFINS pela IN SRF n. 247/02. Declara que o regime de apuração é cumulativo, que é definitiva a apuração mensal, que o estorno referese a período anterior, e que não há previsão legal para ser feito no mês do encerramento. Contudo, o estorno do saldo existente no período de apuração correspondente ao encerramento do contrato “compete”’ a este período, pois o COSIF exige que os ajustes sejam feitos mensalmente, e somente no mês em que o contrato se encerra verificase o excedente final de superveniências de depreciação, tanto quanto, em períodos anteriores, pode ser verificada a necessidade de estornos ou de complementos. O estorno do saldo necessariamente tem que ser feito nesse momento, pois o respectivo valor nunca será cobrado do arrendatário, ainda que este exerça a opção de compra, nem de qualquer outra pessoa, isto é, nunca será receita recebível. Quanto ao regime ser cumulativo, é neste mesmo que se procede como descrito. Quanto ao item 3.4.4 do TVF • O item 3.4.4 do TVF insinua que a impugnante não foi consistente em sua contabilidade, quando afirma que “no arrendamento mercantil de venda do bem, não pode o arrendador utilizarse de duas técnicas contábeis para recuperar o capital empregado na aquisição de um mesmo bem, objeto das duas operações”. Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.475 28 • Faz esta afirmação juntamente com alusões genéricas à contabilidade comercial e à contabilidade bancária, que nada colaboram para justificar a pretensão fiscal, porém esquecendose de que a contabilidade das operações de arrendamento mercantil têm especificidades decorrentes das suas características, o que inclusive foi reconhecido pela Portaria MF nº 564/78, mantida pela Portaria MF nº 140/84, a qual revela a importância da contabilidade das empresas arrendadoras, decorrente das especificidades da atividade, e igualmente revela a impossibilidade de ignorar a contabilidade efetuada rigorosamente em conformidade com as portarias ministeriais (quanto ao IRPJ) e as práticas exigidas legalmente pela autoridade regulatória (quanto a todos os tributos). • Em sua “tese” o Sr. Fiscal insurgese contra o regime legal das operações de arrendamento mercantil e das respectivas contabilizações, cujo regime entende ser “absurdo”, e a “confusão” que ele vislumbrou deveuse apenas a não aceitar as regras legais pertinentes, tais como elas são. • O afirmado abuso de forma não existe, pois o porcentual de VRG varia conforme cada contratação, que é feita livremente. • O VRG de 99% não é geral, como o TVF faz crer. No exemplo nº 1, considerado “ideal”, inclusive representando 99% do total dos contratos, o VRG é de 1%. • A falta de razão no raciocínio fiscal é acompanhada de verdadeiro reconhecimento da sua improcedência, quando afirma que “o ‘vilão’ da história é o VRG e a normativa do Bacen que determina que no encerramento da operação os VRG sejam baixados em contrapartida a Lucros na Alienação de Bens”. • Entretanto, é isto mesmo que deve ser, e é isto mesmo que a impugnante fez, pois é o momento em que toda a operação de arrendamento mercantil se encerra, com encerramento de qualquer saldo porventura existente, inclusive o de superveniências de depreciação a débito de rendas de arrendamento, e o momento em que se apura ganho ou perda de capital, pela confrontação entre custo e preço de venda, obviamente que a crédito ou a débito de contas de resultado. • Outra indicação séria da falta de razão nas assertivas do TVF está contida na transcrição de um trecho do Recurso Extraordinário nº 606207RS, em que a Ministra Rosa Weber afirma que a contabilidade é ponto de partida para apuração de diversos tributos, mas não subordina a tributação, porque esta é moldada por princípios e regras próprias. • Ocorre que a matéria então em julgamento era a inclusão das receitas derivadas da cessão de créditos de ICMS na receita de exportação imune à incidência das contribuições sociais, nos termos do art. 149 da Constituição Federal, tendo a decisão se pautado pelo respectivo regime jurídico e não pelos procedimentos contábeis. • Ora, no caso destes autos a situação é diversa e se amolda exatamente ao que foi dito pela Ministra Weber, pois são normas legais específicas que ditam a contabilidade específica das arrendadoras, e é princípio constitucional aquele que impede haver incidência sobre o saldo irrecuperável de superveniências de depreciação, dado que ele não reflete capacidade contributiva. • O TVF conclui o item 3.4.4 novamente prevendo que a impugnante defenderseia com apoio na IN SRF nº 247/02, mas que tal defesa não deveria prosperar uma vez que os supostos lucros decorreriam de duplicidade de deduções. Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.476 29 • Custa crer que a fiscalização tenha pretendido cobrar contribuições e multa majorada afirmando abuso de direito, ao combinar que “este fato (a decisão do STF) combinado com a previsão legal de exclusão das receitas de alienação de bens da base de cálculo do PIS/COFINS gera uma grave distorção, ao manter na base de cálculo as despesas de arrendamento, representadas em sua quase totalidade pelas despesas de depreciação e sua associada superveniência/insuficiência e excluir as respectivas 'receitas' de alienação de bens, caracterizandose como uma afronta ao princípio contábil de confronto de receitas e despesas”. • Não há distorção, e se houvesse, seria decorrente das normas em vigor. • Não cabe ao fiscal fazer lançamentos porque entende haver “grave distorção” decorrente das normas aplicáveis à apuração do ganho de capital e aos resultados da operação de arrendamento mercantil. • O parágrafo único do art. 142 do CTN limita a competência fiscal. A autoridade está vinculada à lei, e também aos atos normativos. • É ilegal, porque contrária ao CTN e à lei ordinária, bem como a princípios constitucionais, a “proposta” para que o órgão julgador não admita a prosperidade da defesa com base na instrução normativa, dado que esta apenas reflete o que advém da lei, seja ao tratar das superveniências, seja ao tratar da isenção. • O TVF reconhece expressamente que o Anexo I da instrução normativa somente foi revogado em agosto de 2012, isto é, o anexo estava em pleno vigor nos meses objeto da autuação. • A instrução normativa revocatória do anexo não alterou as normas legais que continuaram em vigor, motivo pelo qual as suas instruções, refletidas formalmente no referido documento, não foram afetadas. • Há uma flagrante contradição em defender a supremacia da lei sobre as práticas contábeis, inclusive com a indevida pretensão de respaldo no RE 606107, e concluir que as normas legais refletidas no COSIF e na Instrução Normativa SRF nº 247/02 geram grave distorção “caracterizandose como afronta ao princípio contábil de confronto de receitas e despesas”. • Embora não tenha havido violação desse princípio contábil, é contraditório a fiscalização invocar decisão do STF que afirma a insuficiência da contabilidade para ditar a obrigação tributária e logo a seguir escudarse em princípio contábil para tentar insurgirse contra as normas administrativas que refletem os comandos legais. • A ilegal pretensão de que o órgão julgador não dê guarida à defesa com base na referida instrução normativa também está calcada na afirmação de que “ao excluir os supostos Lucros na Alienação de Bens a DIBENS incorre na prática à dedução em duplicidade das despesas de depreciação e seus ajustes associados a esta apuração”. • São duas as inverdades contidas nessa afirmação do TVF, uma implícita e outra expressa. A implícita está no adjetivo “supostos”, a presumir que não houve ganhos nas vendas de bens que estavam arrendados, mas isto contraria a verdade dos fatos. E a expressa reside na afirmação de dedução em duplicidade. • A alegada duplicidade não existe no regime legal, nem na contabilidade da impugnante. • No regime legal são dois os fenômenos – arrendamento e alienação –, os quais, embora derivem da própria natureza jurídica do contrato de arrendamento mercantil, têm trato legal e trato tributário distintos e inconfundíveis. Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.477 30 • Na parte final do Tópico III destas razões de defesa, a impugnante tratou do assunto. • A impugnante cumpriu a instrução fiscal e, portanto, a lei, até porque a norma legal que concede a isenção não depende do regime legal das depreciações e suas superveniências ou insuficiências, cujo regime não se imiscui com a isenção nem a prejudica. • Contrariamente ao que a impugnante fez com base na lei, o TVF quer corrigir a norma legal através da “inclusão dos resultados de Lucros na Alienação de Bens Arrendados como receitas tributáveis”. E foi o que ele fez nos autos de infração. • Ao contrário de gerar duplicidade de deduções, o estorno da receita de superveniências de depreciação eliminou da base de cálculo valores já tributados antes e que não se concretizaram em receitas efetivas; e foi feito com base legal e no momento certo. • Por outro lado, a exclusão do ganho verificado efetivamente na venda de bens até então arrendados foi feita separadamente, e igualmente com base na lei e no momento certo. Quanto a outros pontos • Não é verdadeira a alegação de que o lucro na venda de bens é igual ao valor do estorno de superveniências de depreciação, e nem esta igualdade é regra. • A coincidência é meramente acidental, inclusive porque o ganho na venda dos bens arrendados é calculado pela diferença entre (1) o VRG, através do qual é exercida a opção de compra pelo arrendatário, e (2) o valor líquido residual existente no ativo imobilizado, isto segundo a prescrição do art. 13 da Lei nº 6.099/74, devidamente repetida no COSIF. • Tanto é assim que, se não houvesse saldo de superveniências de depreciação, o valor do ganho na venda do ativo seria o mesmo. • Do mesmo modo, quando há perda, e não ganho, na venda do ativo, pode haver saldo de superveniências, porque o ganho ou perda de capital não equivale ao estorno, nem substancialmente, nem quantitativamente. • Apesar dessas diferenças, os autos de infração calcularam as contribuições exclusivamente com base nos estornos de superveniências no final dos contratos. VI – Descabimento de multas e juros, e principalmente do agravamento das multas • A impugnante não praticou qualquer ação justificadora da qualificação das multas de ofício, mormente porque agiu em conformidade com a lei e com as normas regulatórias e tributárias aplicáveis. • Mais ainda, tendo agido em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 247/02, sequer poderia ser objeto de cobrança de qualquer multa e de juros em virtude da norma do parágrafo único do art. 100 do CTN. • O item 5 do TVF começa invocando o princípio constitucional da universalidade da seguridade social e afirmando ter havido afronta ao a isonomia, o que nada tem a ver com as hipóteses legais de agravamento de penalidades. Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.478 31 • Não houve redução dos recolhimentos devidos, porque foram calculados de acordo com a legislação, e os valores maiores, supostos como devidos, decorreram de equivocada interpretação da lei pela fiscalização. • O TVF argumenta com o lucro líquido da impugnante nos anos de 2012 e 2013, porém as bases de cálculo das contribuições têm outras regras legais distintas, sendo evidente que não são iguais o lucro líquido e a receita bruta, mesmo que desta sejam feitas as deduções lealmente permitidas. Argumenta também com saldos negativos, mas estes não existiram nos meses dos autos de infração, e quando existem derivam das razões legais (deduções) e negociais (ausência de novos contratos) já expostas. • O resultado positivo de cada operação mercantil foi devida e integralmente tributado ao longo do contrato, e o estorno do saldo final de superveniências de depreciação, ao contrário de reduzir o valor tributável, colocou no devido patamar os valores de superveniências que ao longo do contrato aumentaram as bases de cálculo mensais, ou seja, colocou em igualdade de valores a totalidade das receitas de arrendamento durante o contrato e a totalidade das bases de cálculo no mesmo período. • O ganho na venda de cada ativo imobilizado existiu na realidade e por isso logrou a isenção legal das duas contribuições. • O TVF pretende que tenha havido crime porque a impugnante recolheu PIS e COFINS sobre as efetivas receitas de cada arrendamento, e não fez como ele supôs que seria correto, isto é, deixar na base de cálculo total de cada contrato o valor excedente de superveniências de depreciação, mesmo que este valor não tenha sido receita real. • No máximo, se alguma dúvida houvesse, haveria erro de interpretação e aplicação da lei, ademais originado do COSIF e da Instrução Normativa SRF n° 247/02. • A remissão à doutrina de De Plácido e Silva não ajuda a fiscalização, mas serve para excluir a caracterização de fraude e dolo no caso “sub judice”, porque não houve ocultação da verdade ou fuga do cumprimento do dever, nem astúcia empregada. • Não houve impedimento à ocorrência dos fatos geradores, inclusive porque o que está em discussão é a quantificação das bases de cálculo de fatos geradores ocorridos, mas principalmente porque essas bases são a receita bruta menos as deduções legais, e a receita bruta real e total foi tributada, ainda que tenha havido estorno de superveniências de depreciação que não se transformaram em receita de arrendamento, e ainda que tenha havido isenção sobre vendas do ativo imobilizado, que não afetam o resultado e as bases de cálculo das operações de arrendamento. • Igualmente pelos mesmos motivos, não houve modificação das características essenciais do fato gerador, porque este é a receita bruta, e nenhuma receita bruta deixou de ser oferecida à tributação. • Também não houve modificação das características essenciais do fato gerador quando superveniências de depreciação foram tratadas exatamente como são em sua natureza e finalidade, inclusive com seus complementos e estornos legais. Ou quando insuficiências foram devidamente tratadas como são. Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.479 32 • Outrossim, tratar venda de bem do ativo imobilizado como venda isenta não afeta qualquer característica do fato gerador de qualquer outra obrigação tributária devida sobre outras operações, nem qualquer característica do fato que corresponde à hipótese de incidência da norma de isenção. • Em nenhuma operação a impugnante descaracterizou a modalidade do arrendamento financeiro. • Toda a evidência reflete que a contabilidade está adequada às características específicas das operações de arrendamento mercantil, assim como não tem o condão de reduzir ou eliminar valores a tributar, e nem isto ocorreu na realidade prática. • O TVF reconheceu mais de uma vez que os ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação se acertam ao longo do tempo contratual e finalizam em zero. • Neste cenário todo, onde está a ilicitude no cumprimento das obrigações tributárias e onde a fraude? • Não houve qualquer impedimento ou retardamento no conhecimento dos fatos pela autoridade fazendária, que os encontrou na contabilidade, na respectiva documentação de suporte, inclusive contratos, e nas informações que lhe foram prestadas. • Não houve duplicidade de deduções, nem a suposta duplicidade foi causada por estornos ou pela isenção na alienação de bens; esta não funciona como despesas contábeis nem reduziu as bases de cálculo das operações de arrendamento; ao contrário do afirmado, os estornos repuseram os verdadeiros resultados econômicos das operações de arrendamento mercantil ao seu patamar correto e total; e, como tudo está claramente na contabilidade, não é necessária minuciosa (isto é, difícil ou dificultada) auditoria contábil para detectar todos os movimentos econômicos e financeiros que ocorreram, além de que o Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 247/02 ajudou na identificação das bases de cálculo corretas e o fiscal recebeu esclarecimentos claros por parte da impugnante. • O COSIF determina que a contrapartida do crédito de superveniências de depreciação seja feita à conta de receita de arrendamento mercantil, e, por outro lado, a contrapartida a disponibilidades somente tem a ver com a venda do ativo até então arrendado, sendo impossível no caso de estorno de superveniência. • Não há qualquer planejamento tributário quando se segue o COSIF e instrução normativa, e o que se discute aqui, verdadeiramente, é a perfeita inteligência dos mecanismos de contabilidade das operações de arrendamento mercantil, e destas próprias, a par das normas legais aplicáveis. • O objeto social da impugnante ser arrendamento mercantil necessariamente implica em venda dos ativos arrendados, porque a opção de compra pelo arrendatário é parte complementar do negócio jurídico regido pela Lei nº 6.099/74, e porque, após o arrendamento, a naturalidade das coisas conduz à venda dos bens que foram arrendados, seja para o arrendatário seja para terceiros, sob pena de a arrendadora ter que ficar com milhares de bens em sua propriedade. • Não havendo prova do dolo, mas simples discussão jurídica, não cabe a manutenção da multa agravada, mesmo que os valores principais sejam mantidos e for negada aplicação ao parágrafo único do art. 100 do CTN. Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.480 33 • No caso destes autos não existem as circunstâncias agravantes nem as qualificativas descritas na lei e, ao contrário, existem atenuantes fortíssimas, como o seguimento do COSIF e da Instrução Normativa SRF nº 247/02. • A impugnante já demonstrou que, além de a cobrança ser indevida, não impediu ou retardou a ocorrência de fato gerador, e não evitou nem diferiu o montante do tributo, pois até majorou a base de cálculo e antecipou o pagamento através do creditamento, à receita tributável, das superveniências de depreciações, e os posteriores estornos seguiram rigorosamente as normas aplicáveis. Também demonstrou nada ter ocultado nem ter retardado o conhecimento dos fatos pela autoridade fiscal. • Em hipótese alguma pode ser mantida a multa de 150% no julgamento desta impugnação, assim como não cabe qualquer ação relacionada à Lei nº 8.137/1990. VII – Descabimento de juros sobre a multa • No regime da Lei nº 9.430/1996, que ainda está em vigor, somente os débitos decorrentes de tributos e contribuições é que estão sujeitos à incidência de juros de mora. E como a multa não possui natureza de tributo, nos termos do art. 3° do CTN, neste regime, ainda em vigor, não cabe a incidência de juros sobre ela. • A própria Lei nº 9.430/1996, quando pretendeu autorizar a exigência de juros sobre a multa decorrente de lançamento “ex officio”, o fez de forma expressa e específica. Tratase do art. 43 e do seu parágrafo único, que preveem a incidência de juros moratórios sobre as multas isoladas. • No caso, todo o período decorrido desde o suposto fato gerador transcorreu na vigência da Lei nº 9.430/1996 em sua última redação, de modo que nenhum juro pode ser exigido sobre qualquer parcela de multa que eventualmente venha a ser confirmada. VIII – Pedidos finais • A impugnante espera que as presentes razões sejam processadas e julgadas procedentes, com o provimento total da impugnação e o cancelamento dos autos de infração. • Requer mais que, caso por hipótese sejam mantidas as cobranças de PIS e COFINS, pela ordem: sejam excluídos juros e multas, por ter a impugnante agido de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 247/02; se mantidas as multas, sejam reduzidas para 75%, por não ter havido prática dolosa enquadrável nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64; se mantidas as multas, não sejam acrescidas de juros Selic, por falta de base legal. Impugnação apresentada por Banco Itaucard S.A. (responsável) Em 09/03/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 501, Banco Itaucard S.A. apresentou a impugnação a fls. 503/506, cujo teor pode ser assim resumido: Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.481 34 • Quanto ao mérito das cobranças, o impugnante reportase às razões de impugnação da Dibens Leasing, que subscreve integralmente, anexando, para fins meramente formais, uma cópia dessas razões. • Outrossim, em sua defesa exclusiva, o impugnante contesta a atribuição de responsabilidade a ele, feita com base nos arts. 132 do CTN e 5° do Decretolei n. 1598, pelos seguintes motivos. • Conforme os anexos documentos pertinentes à cisão parcial da Dibens Leasing (doc. 4 a 6), a parcela do seu patrimônio vertida ao impugnante foi de apenas 0,0306383% do patrimônio líquido total cindido. • O art. 132 do CTN não tratou de cisão. • Como esse dispositivo da lei complementar disciplinou apenas incorporações e fusões, dado que à época não havia o instituto da cisão, foi o Decretolei nº 1598 que veio tratar desta. • A grande distinção entre as situações de fusão ou incorporação e as de cisão, é que naqueles dois atos a absorção do patrimônio da pessoa jurídica (ou pessoas jurídicas) extinta é total e por uma única pessoa jurídica, enquanto que na cisão a absorção pode ser parcial. • Com efeito, na cisão a situação é radicalmente distinta da que existe na incorporação porque, mesmo na cisão total, a versão do patrimônio da cindida que se extingue pode ser feita para mais de uma pessoa jurídica. • E na cisão parcial, em que também pode haver versão para mais de uma pessoa jurídica, em qualquer caso uma parte do patrimônio da cindida permanece com ela. • Neste sentido, no presente processo o impugnante não pode ser responsabilizado solidariamente pela totalidade dos valores lançados contra a cindida, acaso devidos, pois não absorveu a totalidade do seu patrimônio líquido, mas apenas a porcentagem de 0,0306383% do patrimônio total cindido. • Nem faz sentido lógico que, nesta circunstância, a sucessora possa ser cobrada por 100% de débitos tributários da sucedida, nem é por acaso que os dispositivos legais citados repetidamente aludem à “parcela” do patrimônio, situando nesta a “dose” de responsabilidade. • Por outro lado, o impugnante objeta a aplicação do art. 5º do Decretolei nº 1598 aos débitos lançados contra a Dibens Leasing, que são de PIS e COFINS, ao passo que o decretolei trata apenas de IRPJ. • Realmente, sua epígrafe dá o alcance das suas disposições, “in verbis”: “Altera a legislação do imposto sobre a renda”. • E, ainda que não se queira dar valor de norma à epígrafe do diploma legal, não se pode negar tal condição ao seu art. 1°: “O imposto sobre o lucro das pessoas jurídicas domiciliadas no País, inclusive firmas ou empresas individuais equiparadas a pessoas jurídicas, será cobrado nos termos da legislação em vigor, com as alterações deste Decretolei”. • Em vista do exposto, o impugnante requer primeiramente que os autos de infração contra a Dibens Leasing sejam julgados improcedentes. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.482 35 • Outrossim, caso mantidos no todo ou em parte, que seja declarada a inexistência de responsabilidade do impugnante, por ausência de norma relativa às duas contribuições. • Por fim, caso mantidos os autos de infração, total ou parcialmente, e julgado ser aplicável o art. 5° do Decretolei nº 1598, seja declarada a responsabilidade do impugnante apenas sobre 0,0306383% dos débitos mantidos. É o relatório." Em 20/09/17, a DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a impugnação e o Acórdão n° 0274.698 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO. Cabível o lançamento de ofício quando devidamente demonstrado que a instituição financeira, quando do encerramento de suas operações de arrendamento mercantil financeiro, reduzia indevidamente a base de cálculo da contribuição para o PIS, mediante artifício envolvendo a estipulação de valores abusivos de VRG (Valor Residual Garantido), a apuração de pretensos lucros na alienação de bens posteriormente excluídos da base de cálculo, bem como a geração artificial de despesas de insuficiência de depreciação ou de estornos de receitas de superveniência de depreciação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO. Cabível o lançamento de ofício quando devidamente demonstrado que a instituição financeira, quando do encerramento de suas operações de arrendamento mercantil financeiro, reduzia indevidamente a base de cálculo da Cofins, mediante artifício envolvendo a estipulação de valores abusivos de VRG (Valor Residual Garantido), a apuração de pretensos lucros na alienação de bens posteriormente excluídos da base de cálculo, bem como a geração artificial de despesas de insuficiência de depreciação ou de estornos de receitas de superveniência de depreciação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Duplicase o percentual da multa de ofício a ser aplicada, se comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.483 36 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, ambos da Lei nº 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CISÃO PARCIAL. Respondem solidariamente pelos tributos da pessoa jurídica a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O contribuinte e o responsável tributário solidário apresentaram recurso voluntário, em que trouxeram, essencialmente, as alegações apresentadas nas impugnações. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), por seu turno, apresentou "Contrarrazões aos Recursos Voluntários", em que sustenta os argumentos adotados pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Os recursos voluntários preenchem os requisitos legais de admissibilidade e devem ser conhecidos. Fatos Foram lançados de ofício PIS e COFINS sobre os estornos de superveniência de depreciação, contabilizados nos meses de janeiro e fevereiro de 2012 e excluídos das respectivas bases tributáveis. O lançamento foi acrescido de multa de ofício de 150%, porque o Fisco entendeu que a recorrente fraudou a contabilidade, com o intuito de majorar os ganhos de capital na alienação dos bens arrendados, isentos de PIS e COFINS, em detrimento das rendas de arrendamento, tributáveis pelas contribuições. Para tanto, teria acordado com seus clientes "Valores Residuais Garantidos VRG" acima dos usualmente praticados no mercado. A fraude teria sido perpetrada, por meio do lançamento contábil do estorno da conta de ativo imobilizado "superveniência de depreciação" (conta 2.3.2.30.008): ao invés de o débito ser registrado em do ativo circulante, foi lançado na conta de receita "rendas de arrendamentos financeiros (conta 7.1.2.10.001), o que reduziu as bases de cálculo de PIS e COFINS. O procedimento fiscal não se limitou aos meses de janeiro e fevereiro de 2012, porém estendeuse até março de 2013. Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.484 37 Foi lavrado outro auto de infração para o período de março de 2012 a março de 2013, tratado no processo n° 16327.720165/201713, cujo recurso voluntário já foi julgado por esta turma e objeto do Acórdão n° 3301005.179, do ilustre Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior. Por unanimidade de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário. Cumpre mencionar ainda que a PGFN, além de ratificar o procedimento fiscal e a decisão da DRJ, trouxe alegação que não consta da autuação, no sentido de que a isenção de PIS e COFINS sobre ganhos de capital em vendas de imobilizado não abrange bens objeto de arredamento mercantil, a saber (trecho da "Contrarrazões da PGFN, fl. 966): "(. . .) Muito embora, como adiantado, o cerne da controvérsia não diga respeito à regra que exclui as vendas de bens do ativo permanente da base de cálculo das duas contribuições, devese considerar inquestionável que a atividade típica da recorrente envolve operações de leasing, conforme consta do estatuto social. Dessa maneira, ao alienar bens arrendados que eram de sua titularidade, fatalmente as receitas recebidas, independentemente de sua classificação contábil, devem ser consideradas operacionais, visto que são oriundas de sua atividade típica, regular e habitual. Diante disso, não há como se afastar a tributação pelo PIS e pela COFINS sobre tais valores. Assim, não merece reparos a decisão de primeira instância, que confirmou a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas em análise. (. . .)" Mérito Já tratei do tema central desta contenda: cômputo nas bases de cálculo do PIS e da COFINS do estorno do saldo da conta superveniência de depreciação, que é registrado ao fim dos contratos de leasing, a débito da conta de rendas de arrendamento. Foi por meio do Acórdão 3301004.760, datado de 21/06/2018, cuja decisão, por unanimidade de votos, foi pelo provimento do recurso voluntário. E meu posicionamento não se alterou, pelo que, mais uma vez, voto pelo provimento do recurso voluntário, pelos motivos que passo a expor. Ademais, conforme acima mencionei, o outro auto de infração de PIS e COFINS produzido pela auditoria fiscal objeto do presente, sobre o mesmo tema, foi cancelado por esta turma (Acórdão n° 3301005179). Gostaria de destacar que a segunda decisão, da relatoria do ilustre Conselheiro Salvador Cândido, trata de dois assuntos não presentes na primeira, quais sejam, da determinação do VRG e do argumento da PGFN acerca da abrangência da isenção de PIS e COFINS sobre ganhos de capital na venda de bens do imobilizado não deveria abranger bens arrendados, pois objetos da atividade operacional. Isto posto, faço dos trechos a seguir reproduzidos dos referidos acórdãos minhas razões de decidir, com base no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.9784/99. Acórdão n° 3301004.760 Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.485 38 "CONTENDA Foram lavrados dois autos de infração, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2011, para cobrança de R$ 107.735.041,23, de COFINS, e de R$ 17.506.944,19, de PIS/PASEP, acrescidos de multa de ofício de 150% e juros Selic, sob o regime cumulativo. O contribuinte teria deduzido indevidamente das bases tributáveis os saldos devedores da conta de superveniência de depreciação, verificados ao fim de contratos de arrendamento mercantil financeiro ("leasing financeiro"). Foi aplicada multa de ofício, porque a fiscalização entendeu que os lançamentos contábeis, que não teriam observado as normas do Banco Central do Brasil (BACEN), foram realizados com o intuito de modificar as características básicas do fato gerador das contribuições, incorrendo em fraude, nos termos do art. 72 da Lei n° 4.502/64. Os mesmos registros contábeis, erros na inserção de informações contábeis na DIPJ 2012 e a realização de aportes de capital, não destinados às suas atividades fins, porém exclusivamente a aplicações financeiras, teriam retardado o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte do Fisco, o que configurarseia como sonegação (art. 17 da Lei n° 4.502/64). Foi apresentada impugnação, contendo argumentos também incluídos no recurso voluntário e que serão objetos de análise adiante. A DRJ em Curitiba (PR) manteve parcialmente o lançamento, reconhecendo ter havido erro na determinação das bases de cálculo dos meses de julho de agosto de 2011 os saldos das contas de superveniência de depreciação adotados pela fiscalização divergiam dos constantes dos balancetes carreados aos autos. Antes de passarmos às razões mérito contidas no recurso voluntário, fazse necessário apresentar o conceito de arrendamento mercantil financeiro, a legislação de regência e as normas do BACEN e as legislações do PIS e da COFINS incidentes. ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO ("LEASING FINANCEIRO") Conceitos gerais O inciso XII do art. 4° da Lei n° 4.595/64 dispõe que o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecerá normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições financeiras. Em junho de 1978, o CNM edita ato, delegando tais atribuições ao Banco Central do Brasil (BACEN) Para fins de economia processual, extraio os trechos do Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 17 a 81) que trazem os esclarecimentos básicos acerca da natureza da operação de leasing financeiro, de acordo com a Lei n° 6.099/74 e Normas do Banco Central do Brasil BACEN: RESULTADOS ECONÔMICOFINANCEIROS DAS OPERAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO Com o desenvolvimento das atividades de arrendamento mercantil no Brasil, foi editada, em 12 de setembro de 1974, a Lei 6.099/74, que: 'Dispõe sobre o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil e dá outras providências.' Ao dispor sobre o tratamento tributário, cuidou o legislador: Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.486 39 Art. 4º A pessoa jurídica arrendadora manterá registro individualizado que permita a verificação do fator determinante da receita e do tempo efetivo de arrendamento.' A Lei 6.099/74 não conceituou o que é o fator determinante da receita da pessoa jurídica arrendadora, porém, os conceitos trazidos pelo Banco Central do Brasil – Bacen permitemnos inferir que esteja relacionado aos recebimentos relativos às operações de arrendamento mercantil, obtidos no decorrer do tempo efetivo de arrendamento, ou, nos termos utilizados pelo Bacen: durante o prazo contratual da operação. O Banco Central do Brasil, ao regular as atividades de arrendamento mercantil, definiu as operações sob duas modalidades: Arrendamento Mercantil Operacional e Arrendamento Mercantil Financeiro. Resolução Bacen 2.309/96: 'Art. 5º Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. Art. 6º Considerase arrendamento mercantil operacional a modalidade em que: I as contraprestações a serem pagas pela arrendatária contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços inerentes à sua colocação à disposição da arrendatária, não podendo o total dos pagamentos da espécie ultrapassar 75% (setenta e cinco por cento) do custo do bem arrendado; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendadora ou da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de mercado do bem arrendado. O Banco Central do Brasil define o Arrendamento Mercantil Financeiro a partir de suas características econômicofinanceiras. As operações realizadas pelo contribuinte e analisadas no presente Termo de Verificação Fiscal são as operações definidas pelo Banco Central do Brasil como de Arrendamento Mercantil Financeiro. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.487 40 A principal característica desta modalidade de arrendamento mercantil (financeiro) é destacada nos termos “durante o prazo contratual da operação”, que caracterizam que os recebimentos de apenas uma operação proporcionam a recuperação do capital despendido pelo arrendador e a obtenção de retorno (lucro) pela arrendadora. Economicamente, durante o prazo contratual, a operação de arrendamento mercantil financeiro proporciona: • A RECUPERAÇÃO DO CUSTO ou CAPITAL do arrendador; e • O LUCRO da operação. Os dois elementos econômicos citados têm seus valores prédefinidos no momento da assinatura do contrato da operação de arrendamento mercantil financeiro. A Recuperação do Capital e Retorno sobre os Recursos Investidos são conseguidos pela empresa arrendadora por meio dos pagamentos realizados pelo arrendatário, referidos pelo Banco Central, em sua definição, como: • as contraprestações e • demais pagamentos previstos no contrato, Os demais pagamentos previstos no contrato são, basicamente, os VRG´s – Valores Residuais Garantidos e outros que, porventura, possam ser estipulados contratualmente, sob qualquer denominação (inclusive sob a denominação de VRG Diluído), mas que sempre serão destinados à Recuperação do Capital ou ao Lucro do Arrendador). Observados os eventos econômicos relativos às operações de arrendamento mercantil financeiro, devemos atentar ao tratamento tributário aplicável a estes eventos. Lembrando que a tributação da contribuição ao PIS e da Cofins sobre operações de arrendamento mercantil tem por base somente os lucros das operações e não os valores correspondentes à recuperação de capital das companhias arrendadoras. A mesma atenção deve ser dispensada à classificação contábil dos eventos econômicos relativos às operações de arrendamento mercantil financeiro, de forma que a Ciência Contábil possa aferir o resultado econômico das operações, o que normalmente é feito, segregandose dos valores dos recebimentos (contraprestações e demais pagamentos previstos), por procedimentos e técnicas contábeis apropriadas, o valor correspondente à RECUPERAÇÃO DO CAPITAL do arrendador." Superveniência e insuficiência de depreciação Por força da Resolução BACEN n° 1.273/87, as instituições financeiras, dentre elas as sociedades de arrendamento mercantil, têm de adotar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF). No Capítulo I, há as "Normas Básicas"e, no II, o "Elenco e Função das Contas". Para que as demonstrações financeiras espelhem as reais posições patrimonial e financeira e sejam fonte confiável de informações para os usuários, o BACEN estabelece uma série de regras contábeis a serem cumpridas pelas instituições financeiras. Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.488 41 Entre as normas aplicáveis às sociedades de arrendamento mercantil (recorrente), no grupo das "Normas Básicas", há o item 1.11.8.5 que determina que contabilizem, mensalmente, a diferença entre o valor presente de cada contrato de leasing, calculado com base na taxa interna de retorno, e o seu valor contábil. O ajuste é assim calculado: (. . .) a) calculase o valor presente das contraprestações dos contratos, utilizandose a taxa interna de retorno de cada contrato. Consideramse, para este efeito, os Arrendamentos e Subarrendamentos a Receber, inclusive os cedidos, os VALORES RESIDUAIS A REALIZAR, inclusive os recebidos antecipadamente, e os registrados em CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO; b) apurase o valor contábil dos contratos pelo somatório das contas abaixo: (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS INTERNOS (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS EXTERNOS (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER EM ATRASO () RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS INTERNOS () RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS EXTERNOS (+) SUBARRENDAMENTOS A RECEBER (+) SUBARRENDAMENTOS A RECEBER EM ATRASO () RENDAS A APROPRIAR DE SUBARRENDAMENTOS A RECEBER (+) VALORES RESIDUAIS A REALIZAR () VALORES RESIDUAIS A BALANCEAR (+) CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO () RENDAS A APROPRIAR DE CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO (+) BENS ARRENDADOS () VALOR A RECUPERAR () DEPRECIAÇÃO ACUMULADA DE BENS ARRENDADOS Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.489 42 (+) BENS NÃO DE USO PRÓPRIO (relativos aos créditos de arrendamento mercantil em liquidação); (+) PERDAS EM ARRENDAMENTOS A AMORTIZAR () AMORTIZAÇÃO ACUMULADA DO DIFERIDO Perdas em Arrendamento a Amortizar c) o valor resultante da diferença entre "a" e "b", acima, constitui o ajuste da carteira em cada mês. Inferese da norma do BACEN que o registro da insuficiência ou superveniência de depreciação não tem como objetivo o de aumentar ou diminuir a receita oriunda do contrato de arrendamento, porém o de fazer com que seja reconhecida, mensalmente e até o fim do contrato, de acordo com o efetivo resultado econômicofinanceiro proporcionado à sociedade arrendadora. Por ser importante para o deslinde do presente processo, fazse necessária a reprodução das regras atinentes aos registros contábeis do ajuste da superveniência ou insuficiência de depreciação e do resultado na venda do bem arrendado. No grupo "Normas Básicas", constam os lançamentos contábeis do ajuste (item 1.11.8.6) e do resultado na venda do bem (item 1.11.8.7): 6 O valor do ajuste apurado conforme a letra 'c' do item supra registrase por complemento ou estorno, em DESPESAS DE ARRENDAMENTOS FINANCEIROS ou RENDAS DE ARRENDAMENTOS FINANCEIROS RECURSOS INTERNOS ou outra conta adequada, em contrapartida com INSUFICIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES ou SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES. (Circ 1429) 7 O resultado na venda de valor residual, decorrente do exercício da opção de compra pela arrendatária, ou pela apropriação do valor residual garantido, contabilizase: (Circ 1429) a) a crédito de LUCROS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS, se positivo; b) a débito de PERDAS EM ARRENDAMENTOS A AMORTIZAR, se negativo. (g.n.) Contudo, no "Elenco e Função das Contas", códigos 2.3.2.30.008 e 2.3.2.40.005, há regras que conflitam com a acima reproduzida, no tocante ao reconhecimento do resultado da venda do bem arrendado: 2.3.2.30.008 Título: SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES Função: Registrar a diferença entre o valor contábil e o valor atual dos contratos em andamento, às taxas pactuadas, quando este for maior. Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.490 43 Por ocasião da baixa do bem arrendado, com apuração de lucro, com recebimento do valor residual garantido ou exercício da opção de compra pelo arrendatário, esta conta deve ser creditada pelo valor do lucro, em contrapartida com Disponibilidades. Base normativa: (Circ 1273) 2.3.2.40.005 Título: () INSUFICIENCIAS DE DEPRECIACOES Função:Registrar a diferença entre o valor contábil e o valor atual dos contratos em andamento, às taxas pactuadas, quando este for menor. Quando da baixa do bem arrendado, com apuração de prejuízo com recebimento de valor residual garantido ou exercício da opção de compra pelo arrendatário, esta conta deve ser debitada pelo valor do prejuízo, em contrapartida com Bens Arrendados. Base normativa: (Circ 1273) Verificase que, no grupo "Normas Básicas", há determinação no sentido de que os valores da superveniência ou insuficiência de depreciação, complementos ou estornos, produtos do cálculo anteriormente apresentado, sejam exclusivamente lançados nas contas "Rendas de Arrendamentos Financeiros" (receita) ou "Despesas de Arrendamento Financeiro (despesa) em contrapartida das contas "Superveniência ou Insuficiciência de Depreciação" (imobilizado). Adicionalmente, que o resultado na venda, quando lucro, seja creditado na conta "Lucros na Alienação de Bens Arrendados", e, se prejuízo, na conta "Perdas em Arrendamento a Amortizar". Contudo, no "Elenco e Função das Contas", os códigos 2.3.2.30.008 e 2.3.2.40.005 dispõem que os resultados nas vendas, quando lucro, devem ser creditados na conta de superveniência, e, se prejuízo, debitados na conta de insuficiência. Em caso de conflito entre normas do COSIF, deve prevalecer o disposto nas "Normas Básicas", conforme o previsto no item 1.1.4 do COSIF, que dispõe sobre a hierarquia das normas e sua interpretação: 4 Os capítulos deste Plano estão hierarquizados na ordem de apresentação. Assim, nas dúvidas de interpretação entre Normas Básicas e Elenco de Contas, prevalecem as Normas Básicas. (Circ 1273). Com efeito, este conflito foi apontado pela recorrente no corpo de sua peça de defesa e no "Parecer Técnico" que a acompanha, preparado pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras FIPECAFI. Do exposto até aqui, reitero e destaco para atenção desta turma que minha leitura das normas do BACEN é a de que os ajustes de superveniência e insuficiência de depreciação são meramente escriturais e, mais importante, temporários. Não têm o condão de alterar o resultado da operação de arrendamento mercantil, porém tão somente fornecer aos leitores das demonstrações financeiras Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.491 44 informações sobre o efetivo resultado econômicofinanceiro ao longo do período contratual. Isto posto, ao fim de cada contrato, o eventual saldo existente nas contas de insuficiência ou superveniência de depreciação devem ser estornados, cujos lançamentos a crédito ou débito de conta de resultado do exercício devem aumentar ou reduzir as bases de PIS e COFINS do respectivo mês, de forma que, se consideradas todas as bases tributáveis apuradas ao longo do tempo de duração do contrato, tais ajustes não tenham aumentado ou diminuído a tributação pelas contribuições do resultado econômicofinanceiro da operação. Tributação pelo PIS/PASEP e COFINS As empresas de leasing são tributadas pelo PIS e a COFINS sob o regime cumulativo, previsto nas Leis n° 9.718/98, que remetese ao art. 12 do Decretolei n° 1.598/77, e ao art. 1° da Lei n° 9.701/98, cujos dispositivos atinentes ao caso em tela reproduzo, com as redações vigentes no anocalendário de 2011, período abrangido pela auditoria fiscal: Lei n° 9.718/98 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (. . .) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (. . .) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.492 45 valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Decretolei n° 1.598/77 Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Lei n° 9.701/98 Art. 1o Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (. . .) III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.493 46 b) encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c) despesas de câmbio; d) despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e) despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; (. . .) (g.n.) Por fim, há a IN SRF n° 247/02, cujo Anexo I, em sua redação vigente em 2011, trazia as contas de receita e despesa que compunham as bases de cálculo, com indicação dos números das contas do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF). Saliento que a base de cálculo do PIS e da COFINS das sociedades de arrendamento mercantil não é a receita bruta, como de empresas comerciais e de prestação de serviços. No Anexo I da IN SRF n° 247/02, verificase que são computadas as "rendas de arrendamentos financeiros" e as "rendas de aplicações financeiras", porém deduz se as "despesas de arrendamento mercantil", notadamente a "depreciação de bens arrendados" e as "despesas de captação". Apurase um resultado econômico financeiro e o submete à tributação pelas contribuições. E, com efeito, como anteriormente dito, na conta de receita titulada "rendas de arrendamentos financeiros", registrase a superveniência de depreciação, e, na "despesas de arrendamentos financeiros", a insuficiência de depreciação. Analisado o período contratual como um todo, para que os ajustes positivos ou negativos, efetuados mensalmente, não produzam efeitos nas bases de cálculo, o estorno dos saldos das contas do ativo imobilizado de superveniência e insuficiência de depreciação, que ocorre ao fim do contrato, deve ser realizado contra a conta de "rendas de arrendamentos financeiros" (estorno do saldo da conta de superveniência) ou de"despesas de arrendamentos financeiros" (estorno do saldo da conta de insuficiência). É fato, todavia, que tal "neutralidade fiscal" não se encontra disposta de forma expressa nas legislações que regem o PIS e a COFINS. Chegase à tal conclusão, a partir de uma interpretação sistemática de todas as normas acima reproduzidas e, principalmente, da compreensão da apuração do resultado econômicofinanceiro que é submetido á tributação pelo PIS e COFINS.. Em razão da ausência de um dispositivo legal que explicite a "neutralidade fiscal", imprescindível colacionar o entendimento exarado pelo Fisco, para fins de apuração do IRPJ. No ADN SRF n° 34/87, a Receita Federal do Brasil (RFB) deixou claro que tais ajustes não poderiam aumentar ou diminuir a base tributável pelo IRPJ ("lucro real"), como segue: ADN CST 34/87 ADN Ato Declaratório Normativo COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST nº 34 de 23.04.1987 Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.494 47 D.O.U.: 23.04.1987 (Dispõe sobre a determinação do lucro líquido das sociedades de arrendamento mercantil) O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO SUBSTITUTO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa do SRF nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista as normas específicas que regem a apuração dos resultados das sociedades de arrendamento mercantil sujeitos à tributação pelo imposto de renda, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e demais interessados; I Na determinação do lucro líquido das sociedades de arrendamento mercantil deverão ser observadas as disposições da Lei nr. 6.099, de 12 de setembro de 1974, com as alterações introduzidas pela Lei nr.7.132, de 26 de outubro de 1983 e o disciplinado nas Portarias MF nºs: 376E, de 28 de setembro de 1976, 564, de 3 de novembro de 1978 e 140, de 27 de julho de 1984, permitidos os ajustes determinados pela aplicação do Plano de Contas aprovado pelo Banco Central do Brasil. II Os ajustes de que trata o item anterior, quando relacionados com fatos administrativos, cuja apropriação está disciplinada pelos atos ministeriais referidos, não serão computados na apuração do lucro real e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados. III O mencionado procedimento de ajustes não poderá alterar os efeitos tributários decorrentes da aplicação das disposições dos atos legais referidos no item I. (g.n.) Interessante reparar que o ADN SRF n° 34/87 dispôs exclusivamente do tratamento para fins de IRPJ, pois mencionou tão somente a apuração do lucro real. Isto ocorreu, porque, naquela ocasião, ainda não havia sido criada a CSLL, o que ocorreu com a Lei n° 7.689/88. Não obstante, no CARF, há vários julgados no sentido de que o entendimento exarado pelo ato administrativo deve ser estendido para a CSLL. E, destas decisões, para o caso em tela, é importante extrair a conclusão quanto à "neutralidade fiscal" dos ajustes. Reproduzo trechos das ementas do Acórdão n° 1402002.074, de 20/01/16 e Acórdão n° 110300.684, de 09/05/12 SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A lei tributária prescreve o regramento contábil além do tratamento tributário, impondo a ativação do bem a ser arrendado no imobilizado da arrendadora e a consequente depreciação com sua despesa nela. Ao assim estatuir, a lei não se limita ao lucro real quanto ao tratamento tributário "decorrente" da contabilização imposta, além do que a lei nem referencia lucro real ao versar sobre a disciplina da arrendadora. Os ajustes de superveniências e de insuficiências Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.495 48 de depreciação das normas do Bacen se prestam para obtenção de resultado de um financiamento conforme os fluxos das taxas de juros contratuais o que não se dá pela contabilização imposta pela lei. Para tanto, a lei teria de prever a ativação do bem no imobilizado da arrendatária, e não no da arrendadora o que dispensaria os ajustes das normas do Bacen. Os ajustes de superveniências de depreciação afetam o resultado da arrendadora como receita, mas não geram efeitos tributários: não interferem na base de cálculo da CSLL. Diante da amplitude da lei tributária cabe a inteligência do Ato Declaratório (Normativo) CST 34/87 para a CSLL. (g.n.) Acórdão n° 1402002.074 ARRENDAMENTO MERCANTIL SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÃO INTRIBUTABILIDADE. A lei tributária prescreve o regramento contábil além do tratamento tributário, impondo a ativação do bem a ser arrendado no imobilizado da arrendadora e a consequente depreciação com sua despesa nela. Ao assim estatuir, a lei não se limita ao lucro real quanto ao tratamento tributário "decorrente" da contabilização imposta, além do que a lei nem referencia lucro real ao versar sobre a disciplina da arrendadora. Os ajustes de superveniências e de insuficiências de depreciação das normas do Bacen se prestam para obtenção de resultado de um financiamento conforme os fluxos das taxas de juros contratuais o que não se dá pela contabilização imposta pela lei. Para tanto, a lei teria de prever a ativação do bem no imobilizado da arrendatária, e não no da arrendadora o que dispensaria os ajustes das normas do Bacen. Os ajustes de superveniências de depreciação afetam o resultado da arrendadora como receita, mas não geram efeitos tributários: não interferem na base de cálculo da CSLL. Diante da amplitude da lei tributária cabe a inteligência do Ato Declaratório (Normativo) CST 34/87 para a CSLL. (g.n.) Acórdão n° 110300.684, de 09/05/12 Minha conclusão, portanto, é no sentido de que os ajustes de superveniência ou de insuficiência de depreciação não devem afetar as bases de cálculo do PIS e da COFINS. E, uma vez adotada a estrutura determinada pela IN SRF n° 247/02, ao longo do contrato, os ajustes positivos de superveniência de depreciação sofrem incidência das contribuições, ao passo que os negativos de insuficiência de depreciação podem ser abatidos das bases de cálculo. Ao fim do contrato, restando saldo nas contas de imobilizado de superveniência ou de insuficiência, devem ser estornados, respectivamente: a débito da conta de rendas de arrendamentos financeiros, produzindo redução da base de cálculo do respectivo mês; ou a crédito da conta perdas em arrendamentos financeiros, gerando aumento da base de cálculo do respectivo mês. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE PIS E COFINS E CONTESTAÇÃO DA RECORRENTE Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.496 49 Nos tópico anteriores, tratei da superveniência e da insuficiência de depreciação, para que o tema fosse plenamente compreendido. Adiante, contudo, disponho tão somente da superveniência de depreciação, pois sua baixa/estorno e consequente impacto nas bases de PIS e COFINS é que foi objeto do lançamento de ofício. Em relação aos contratos encerrados em 2011, a recorrente reverteu os respectivos saldos das contas de superveniência de depreciação, realizando um débito na conta de renda de arrendamentos financeiros (conta de resultado do exercício) e um crédito na conta superveniência de depreciação (ativo imobilizado de arrendamento). O débito na conta de renda de arrendamento proporcionou uma diminuição das bases de cálculo do PIS e da COFINS dos respectivos meses. Em suas peças de defesa, a recorrente alega que os ajustes de superveniência ou insuficiência de depreciação não devem produzir efeitos fiscais. Sustenta que adotou procedimentos contábeis em linha com as "Normas Básicas" do COSIF. E, por fim, que, com a transposição de seus lançamentos contábeis para o Anexo I da IN SRF n° 247/02, restaria materializada sua argumentação acerca da neutralidade fiscal dos ajustes. Na fl. 39 do Termo de Verificação Fiscal TVF consta que "A fiscalização, não questiona, na presente ação fiscal, os procedimentos para apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS realizados durante o prazo contratual das operações de arrendamento mercantil, mas somente aqueles que ocorrem no encerramento de cada operação de arrendamento, que influenciaram na apuração das bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS." Apresentou a apuração do resultado econômicofinanceiro de um contrato auditado e detalhou os lançamentos contábeis que entendeu que deveriam ter sido efetuados. E, neste ponto, surgiu a primeira divergência em relação ao que foi adotado pelo contribuinte: depreende das instruções do código 2.3.2.30.008 do "Elenco de Contas" do COSIF que a baixa/estorno da conta de superveniência de depreciação deveria ser registrada a débito da conta "Lucro na Alienação de Bens Arrendados" (fl. 46). Importa novamente reproduzir as instruções nas quais a fiscalização se baseou: 2.3.2.30.008 Título: SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES Função: Registrar a diferença entre o valor contábil e o valor atual dos contratos em andamento, às taxas pactuadas, quando este for maior. Por ocasião da baixa do bem arrendado, com apuração de lucro, com recebimento do valor residual garantido ou exercício da opção de compra pelo arrendatário, esta conta deve ser creditada pelo valor do lucro, em contrapartida com Disponibilidades. Base normativa: (Circ 1273) Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.497 50 Cumpre, desde já, indicar que a determinação do BACEN na qual alega ter se fundado e que, inclusive, reproduziu no TVF (fl. 46), não dispõe que a contrapartida deveria ser na conta "Lucro na Alienação de Bens Arrendados", porém em "Disponibilidades". Conforme anteriormente exposto, tal qual a recorrente, entendo que esta norma está em desarmonia com o objetivo do ajuste de depreciação, além de conflitar com o disposto no item 1.11.8.6 das "Normas Básicas" do COSIF, situação em que esta segunda é que dever ser seguida, nos termos do item 1.1.4 das "Normas Básicas" do COSIF. A fiscalização então concluiu quanto ao procedimento contábil que deveria ser adotado, cujo resultado é o de que a contrapartida devedora do estorno da superveniência de depreciação não afeta as bases de cálculo de PIS e COFINS, pois a conta "Lucro na Alienação de Bens Arrendados" deve ser objeto de exclusão, de acordo com o Anexo I da IN SRF n° 247/02, sob a rubrica "Exclusões Sem COSIF Específico (fl. 78). Em diversos trechos do TVF, citando o art. 5° da Resolução BACEN n° 2.309/96, o agente reitera que a operação de arrendamento mercantil é concebida para que o arrendador recupere o capital investido na compra do bem arrendado e ainda perceba um lucro. Repete, insistentemente, que os resultados econômicofinanceiros da operação de arrendamento mercantil são obtidos durante a vigência do contrato, momento em que os ajustes de superveniência de depreciação devem ser integralmente tributados pelo PIS e a COFINS. Nesta linha, o lançamento a débito em conta de renda de arrendamento, que diminuiu as bases de cálculo do PIS e da COFINS do respectivo mês, teria subvertido a sistemática de apuração do resultado econômicofinanceiro do contrato, base tributável das contribuições. E, por fim, salienta que a operação de alienação do bem arrendado não faz parte da operação de arrendamento mercantil, motivo pelo qual os correspondentes lançamentos contábeis, inclusive o da baixa da superveniência, devem ser efetuados na conta "Lucro na Alienação de Bens Arrendados", que não é computada nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. A DRJ e a PGFN, em suas contrarazões, ratificaram o entendimento da fiscalização. Com a devida vênia, conforme entendimento que acima expus, discordo do posicionamento da fiscalização. Nos tópicos iniciais, trouxe a matriz legal das operações de leasing, as legislações do PIS e da COFINS e as normas do BACEN. E apresentei minha interpretação, a qual, reitero, é no sentido de que os ajustes de superveniência e insuficiência de depreciação são meramente escriturais e temporais e que têm como objetivo único e exclusivo o de aperfeiçoar a informação prestada pelas demonstrações financeiras aos usuários. De forma alguma tais ajustes podem aumentar ou diminuir os resultados econômicofinanceiros das operações, base tributável apurada a partir do confronto entre as receitas e despesas de arrendamento mercantil, contratualmente estabelecidas. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.498 51 Assim, de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Por óbvio, deixo de tratar da qualificação da multa de ofício e da incidência de juros sobre a multa de ofício. É como voto." Acórdão 3301005179 "Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR De início, cabe apontar que a autoridade fiscal elabora um longo arrazoado tratando da contabilidade COSIF e da legislação tributária de regência do PIS e da COFINS, incluindo a IN SRF nº 247/2002, para tratar da base de cálculo das contribuições. Em sua fundamentação, traz argumentos sobre alguns pontos relevantes para justificar a autuação: 1. As receitas de arrendamento mercantil vêm diminuindo ao longo do tempo, tendo em vista a inexistência de contratos novos durante os exercícios de 2012 e 2013, apenas havendo receitas dos já em andamento, bem como diversos encerramentos de contrato. Em razão dos encerramentos dos contratos, a conseqüência é o aparecimento dos fenômenos a seguir; 2. Nos termos do COSIF, durante o contrato há superveniências de depreciação lançadas a crédito em conta de receita, que é levada à tributação do PIS e da COFINS. Quando do encerramento do contrato, devese fazer o estorno dos saldos de superveniências de depreciação, para anular as incidências tributárias sobre este quantum ao longo do contrato, mas que, por não serem receitas, não poderiam ser tributados. O estorno reduz a base de cálculo das contribuições no mês de encerramento do contrato, já que o montante de todas as parcelas mensais a este títulos são deduzidas de uma vez, mas isso é feito para anular o efeito tributário. Estes estornos de superveniência de depreciação não são objeto do auto de infração; 3. No encerramento do contrato, o Valor Residual Garantido é utilizado como preço de compra na alienação dos bens do ativo imobilizado (os bens arrendados), conforme montante definido em contrato. Conforme Lei 9.718, artigo 3º, as receitas com venda de imobilizado serão excluídas da base de cálculo. Porém, argumenta a fiscalização que o VRG utilizado pela Recorrente foi um valor inexistente, criado no momento do encerramento do contrato, fruto de uma fraude contábil, gerando um volume de exclusão que levou a base de cálculo das contribuições a ficar negativa. TVF, fls. 1.120: O cerne da questão é o procedimento da DIBENS no encerramento das operações de arrendamento mercantil financeiro de, mediante utilização de porcentagens de VRG acima dos que seriam devidos pela existência de saldos não depreciados do bem objeto de arrendamento, gerar artificialmente despesas de Superveniência de Depreciação e de pretensos Lucros na Alienação de Bens, pretensos Lucros estes posteriormente excluídos da base de cálculo do PIS/COFINS. Não obstante a atividade lucrativa da instituição financeira, o procedimento contábil adotado pela DIBENS, além de propiciar a exclusão dos resultados econômicos obtidos com as operações, Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.499 52 culminou com a apuração de bases de cálculo negativas das contribuições sociais. Se comprova nesta auditoria que as operações de arrendamento mercantil da DIBENS são lucrativas, lucratividade esta decorrente das rendas auferidas ao longo da operação de arrendamento como retorno ao capital investido, sendo que no encerramento de operações não há que se falar em apuração de “Lucro na Alienação de Bens”, uma vez que há apenas a recuperação do capital investido e nada mais. Em outras palavras, o pretenso Lucro não tem como contrapartida o efetivo ingresso de disponibilidades. Caracterizase assim um planejamento abusivo de modo a inibir a ocorrência do fato gerados das contribuições em questão. (grifos do original) Este é o ponto da autuação fiscal, o montante utilizado como VRG na opção de compra do bem arrendado, ao término do contrato, sendo que, para a fiscalização, o valor correto deveria ser o saldo contábil do ativo (após as depreciações) e não o VRG definido no contrato, representando um abuso de forma e um abuso de direito. Pois bem, embora constatado que o único objeto da autuação fiscal é o montante registrado na contabilidade a título de VRG para o exercício da opção de compra do bem, segundo as normas COSIF, ressaltese, convém tecer algumas considerações acerca dos estornos de superveniência de depreciação, pois o TVF é confuso e, alguns pontos contraditórios afirmando em algumas passagens que a combinação dos estornos de superveniências de depreciação com a utilização do VRG contratual como receita de alienação do ativo ser a causa da base de cálculo negativa das contribuições, passo a analisar também este ponto. DAS SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÃO Conforme a circular BACEN 1273/1987, que instituiu o institui o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, Seção 7, as receitas com arrendamento mercantil devem ser reconhecidas pelo regime de competência, no mês em que devidas, independentemente de ingresso financeiro. Ainda, mês a mês é preciso calcular o valor presente do contrato em contraposição com o valor contábil do bem arrendado. Se a diferença for positiva, deve ser lançado em receita, na mesma conta, e integrar a base de cálculo no período 2. Operações ao Amparo da Portaria MF 140/84 1 – As contraprestações a receber, assim entendidas a soma de todas as contraprestações a que contratualmente se obriga o arrendatário, são registradas a débito das adequadas contas do subgrupo Operações de Arrendamento Mercantil, em contrapartida a adequada conta retificadora do subgrupo. 2 – As contraprestações são computadas como receita efetiva na data em que forem exigíveis. (...) 4 – Os encargos das operações ao amparo da Portaria MF 140/84 apropriam se em conformidade com os critérios de avaliação e apropriação contábil nela previstos, até a sua extinção Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.500 53 A Circular BACEN nº 1.429/1989 introduziu alterações na Circular 1273 para estabelecer o tratamento das superveniências de depreciação: 5.5. A escrituração contábil e as demonstrações financeiras ajustamse com vistas a refletir os resultados das baixas dos bens arrendados. Os ajustes efetuamse mensalmente, conforme segue: a) calculase o valor presente das contraprestações dos contratos, utilizandose a taxa interna de retorno de cada contrato. Consideramse, para este efeito, os Arrendamentos e Subarrendamentos a Receber, inclusive os cedidos, os VALORES RESIDUAIS A REALIZAR, inclusive os recebidos antecipadamente, e os registrados em CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO; b) apurase o valor contábil dos contratos pelo somatório das contas abaixo: (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS INTERNOS (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS EXTERNOS (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER EM ATRASO () RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS INTERNOS () RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS EXTERNOS (+) SUBARRENDAMENTOS A RECEBER (+) SUBARRENDAMENTOS A RECEBER EM ATRASO () RENDAS A APROPRIAR DE SUBARRENDAMENTOS A RECEBER (+) VALORES RESIDUAIS A REALIZAR () VALORES RESIDUAIS A BALANCEAR (+) CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO () RENDAS A APROPRIAR DE CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO (+) BENS ARRENDADOS () VALOR A RECUPERAR () DEPRECIAÇÃO ACUMULADA DE BENS ARRENDADOS (+) BENS NÃO DE USO PRÓPRIO (relativos aos créditos de arrendamento mercantil em liquidação); (+) PERDAS EM ARRENDAMENTOS A AMORTIZAR () AMORTIZAÇÃO ACUMULADA DO DIFERIDO Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.501 54 Perdas em Arrendamento a Amortizar c) o valor resultante da diferença entre "a" e "b", acima, constitui o ajuste da carteira em cada mês. 6. O valor do ajuste apurado conforme a letra "c" do item supra registrase por complemento ou estorno, em DESPESAS DE ARRENDAMENTO ou RENDAS DE ARRENDAMENTOS RECURSOS INTERNOS ou outra conta adequada, em contrapartida com INSUFICIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES ou SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES. Assim, a diferença encontrada da subtração acima (valor presente valor contábil), se positiva, deve ser lançada a débito no ativo imobilizado (aumentandoo) em contrapartida a crédito em conta de receita, "Renda de Arrendamentos". Essas receitas por ajustes de superveniências de depreciações criadas são, com isso, apropriadas durante o prazo contratual da operação de arrendamento mercantil e possibilitam a determinação de seus resultados econômicofinanceiros, conforme Circular 1273/1987 do BACEN, mediante o registro na conta contábil de Rendas de Arrendamento Mercantil Financeiro – 7.1.2.10.00.1(Código no Cosif), na subconta de Receitas por Ajustes de Superveniências de Depreciações. Conforme o relato da própria autoridade fiscal no TVF, durante todo o período do contrato a Recorrente realizou os registros contábeis destes lançamentos conforme o COSIF e ofereceu à tributação de PIS e COFINS, como parte da receita bruta do período, nos termos do ANEXO I da IN SRF 247/2002. Durante o período do arrendamento, a DIBENS realizou os ajustes contábeis determinados na Circular 1.429/89, que são registrados, se positivos, na conta contábil de Rendas de Arrendamento Mercantil Financeiro – 7.1.2.10.001 (Código no Cosif), na subconta de Receitas por Ajustes de Superveniências de Depreciações, codificada no plano de contas da DIBENS sob nº 7130.001.003.0016 e que tem como contrapartida a conta do ativo: Superveniências de Depreciações – 2.3.2.30.008 (codificação Cosif) (atenção para evitar uma eventual confusão entre contas contábeis com nomes parecidos, uma do ativo e outra de resultado). No caso da DIBENS também os ajustes negativos são registrados na conta 7130.001.003.0016 e transferidos através de lançamentos manuais para a conta 8.1.3.10.104 – Depreciação de Bens Arrendados, conta interna 8139.001.002.0005 – Insuficiência de Depreciação. Assim, as “Superveniências de Depreciação” foram contabilizadas pela recorrente a débito do ativo relacionado ao contrato, tendo como contrapartida um crédito à receita, na conta de “Rendas de Arrendamentos Financeiros” (conta 7.1.2.10.001), aumentando a base de cálculo das contribuições, já que esta conta também consta do Anexo I da IN SRF n. 247/2002, que, apesar de revogado em agosto de 2013, continuou sendo utilizada pela RFB, conforme relatado pela própria autoridade fiscal no TVF. Cabe observar de que apesar de revogado pela IN RFB 1.285/12, o anexo I da IN SRF 247/02 continuou servindo de Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.502 55 auxílio para a demonstração da apuração da base de cálculo das contribuições em questão, tendo em vista as limitações da DACON. Percebese, com isso, que tais montantes integraram a base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS, juntamente com as receitas de arrendamento mercantil ("alugueis") dos respectivos bens. Desta feita, os estornos quando do encerramento do contrato são necessários para anular estas superveniências de depreciação tributadas durante o contrato, pois o valor presente do contrato já é igual a zero. Por oportuno, necessário observar que despesas com depreciações não se confundem com "superveniências de depreciação", são fenômenos distintos, apesar do nome parecido. As despesas de depreciação, estas sim, são deduzidas da base de cálculo das contribuições conforme o art. 1º, III, "d” da Lei 9701/1998 acima transcrito. Assim as “Depreciações dos Bens Arrendados” são calculadas sobre o custo de aquisição dos bens arrendados. por sua vez, as “Superveniências de Depreciação” integram as “Rendas de Arrendamentos” (conta COSIF 7.1.2.10.001), pois são adicionadas à base de cálculo do PIS e da COFINS conforme IN SRF n. 247/2002, e seu valor é encontrado se houver diferença positiva entre o a diferença entre valor presente dos contratos e o seu valor contábil. Percebese, por fim, que as superveniências de depreciação foram adicionadas à base de cálculo, incidindo as contribuições mês a mês, com bases majoradas pela existência desses lançamentos contábeis a crédito de receita e no encerramento do contrato os estornos são necessários para anular este efeito tributário. Neste sentido, esta 1ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara, em voto do ilustre Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, já se pronunciou, em caso semelhante, sobre este ponto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 SOCIEDADES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO Os ajustes de superveniência de depreciação são meramente escriturais e temporais e têm como objetivo único e exclusivo o de aperfeiçoar a informação contábil prestada pelas demonstrações financeiras aos usuários. De forma alguma podem aumentar ou diminuir o efetivo resultado econômico financeiro do contrato, base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. (Acórdão 3301004.760 – 3ª Seção / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira. Sessão de 21/06/2018) Em seu voto, assim concluiu o ilustre Relator: Isto posto, ao fim de cada contrato, o eventual saldo existente nas contas de insuficiência ou superveniência de depreciação Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.503 56 devem ser estornados, cujos lançamentos a crédito ou débito de conta de resultado do exercício devem aumentar ou reduzir as bases de PIS e COFINS do respectivo mês, de forma que, se consideradas todas as bases tributáveis apuradas ao longo do tempo de duração do contrato, tais ajustes não tenham aumentado ou diminuído a tributação pelas contribuições do resultado econômicofinanceiro da operação. Resta, assim, afastada qualquer consideração de glosa deste estornos, tendo em vista que estes ajustes servem apenas para anular a tributação realizada durante o contrato. No entanto, como estes estornos dos saldos de superveniência de depreciação coincidiam com o montante de VRG antecipado ou diluído registrado em conta do passivo, que também foram excluídos da base de cálculo, a autoridade fiscal, afirmou que isso representa uma dedução em duplicidade. Em verdade, o que se questiona no TVF não é a forma como contabilizada as superveniências ou o valor residual garantido, mas sim seus impactos fiscais, especialmente a suposta manipulação fraudulenta do montante do VRG no momento do encerramento do contrato, somente para excluir da base de cálculo em razão do mandamento legal previsto no art. 3º da Lei 9.718/1998. Com isso, o objeto da autuação não são os estornos de superveniência de depreciação, nem mesmo a possibilidade de existência de VRG antecipado ou diluído para utilização na opção de compra, mas sim um VRG fictício, diferente de um "VRG contábil". Nem mesmo, cabe ponderar, a contabilização destes lançamentos de estornos de superveniências de depreciação foi questionada, pois expressamente reconhecida como de acordo com o COSIF. O que se questiona, e este é o objeto da autuação fiscal, é o valor utilizado como VRG, um montante definido em contrato de forma abusiva e fraudulenta. Assim, a autoridade fiscal afirma que o valor correto seria o de um VRG contábil equivalente ao saldo contábil do bem registrado na contabilidade. Assim, a fiscalização afirmou que o VRG utilizado pela Recorrente é inexistente, não podendo ser utilizado como valor representante de um lucro na alienação dos bens. Não é possível um valor inexistente usufruir de uma isenção fiscal, afirmase no TVF. Portanto, para o deslinde da causa, resta avaliar a natureza do valor residual garantido e qual o montante pode ser utilizado para a opção de compra do bem ao final do contrato. DO VALOR RESIDUAL GARANTIDO A d. fiscalização afirmou que a Recorrente, no período de março/2012 até março/2013, apresentou resultados lucrativos, inclusive sendo tributada pelo IRPJ e pela CSLL, porém, no mesmo período, estranhamente apresentou bases de cálculo negativas de PIS e COFINS, utilizandose de manobra contábil para criar um valor inexistente a título de alienação de bens do ativo imobilizado, apenas para usufruir da isenção prevista no art. 3º, § 2º, IV da Lei 9.718/1998. Entretanto, digo, ter atividade lucrativa não significa que se tenha, ao final de cada mês, base de cálculo de PIS e de COFINS. Primeiro porque a apuração do lucro Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.504 57 tem metodologia própria e independente da apuração da base de cálculo das contribuições, que incidem sobre receita bruta. Segundo porque a Lei 9.718/1998 e Lei 9.701/1998 expressamente permitiram algumas exclusões e deduções da receita bruta mensal, tais como, despesas de intermediação financeira, depreciação dos bens arrendados por instituição de arrendamento mercantil, devoluções e vendas canceladas, exclusão de dividendos recebidos por participação societária, prejuízos sofridos em aplicações de renda fixa e variável, bem como a exclusão das receitas com a venda de ativo imobilizado. A partir destas deduções previstas em lei, pode acontecer que num dado período a base de cálculo das contribuições seja negativa pois há muitas deduções e exclusões, como dividendos e ganhos de capital pela venda de imobilizado, que afetam a base de cálculo destas contribuição, mas não afetam a apuração do lucro contábil, justamente porque apurase de outra maneira. Lei nº 9.718/1998 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977(...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (Redação vigente na época dos fatos) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação vigente na época dos fatos) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (redação vigente na época dos fatos) V a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação vigente na época dos fatos) Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.505 58 § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (grifos não constam do original) A Lei nº 9.701/1998 acrescenta ainda a possibilidade de deduzir da base de cálculo do PIS e da COFINS as despesas com arrendamento mercantil incorridas pela arrendadora se for uma instituição financeira de arrendamento mercantil: Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: (...)II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.506 59 b) encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c) despesas de câmbio; d) despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; (grifos não constam do orignal Estas previsões legais foram repetidas pela Instrução Normativa nº 247/2002, em seus artigos 27 à 29, que vigorou até agosto/2012, quando foi publicada a Instrução Normativa RFB nº 1285, de 13 de agosto de 2012, que passou a tratar destas exclusões e deduções em seus artigos 7º e 8º Feitas estas observações sobre as deduções e exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, resta agora analisar o denominado "Valor Residual Mínimo". A Lei nº 6.099/1974 prevê em seu art. 5º que o contrato de arrendamento mercantil deve conter disposições sobre a opção de compra do bem arrendado, incluindo seu preço: Lei n. 6.099/1974: Art. 1º O tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil regerseá pelas disposições desta Lei. Art. 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. (...) Art 5º Os contratos de arrendamento mercantil conterão as seguintes disposições: a) prazo do contrato; b) valor de cada contraprestação por períodos determinados, não superiores a um semestre; c) opção de compra ou renovação de contrato, como faculdade do arrendatário; d) preço para opção de compra ou critério para sua fixação, quando for estipulada esta cláusula. (...) Art. 12 Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. Art. 13 Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. (grifos não constam do original) Da leitura da Portaria do Ministério da Fazenda nº 140/1984, ao tratar do valor residual garantido, percebese que há o reconhecimento de que o VRG não Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.507 60 precisa ser entregue ao arrendador apenas na finalização do contrato, podendo ser antecipado ou mesmo diluído nas prestações mensais. Assim, estabelece em qual conta contábil deve ser registrado o VRG antecipado ou recebido durante as contraprestações do contrato, o que foi seguido pela Recorrente, como constatado pela própria d. fiscalização: I As contraprestações de arrendamento mercantil serão computadas no lucro líquido do períodobase em que forem exigíveis; II As parcelas de antecipação do valor residual garantido ou do pagamento por opção de compra serão tratadas como passivo do arrendador e ativo do arrendatário, não sendo computadas na determinação do lucro real; (grifos não constam do original) Como se observa, é ínsita à racionalidade econômica do leasing financeiro a preservação de um valor mínimo em favor do arrendador pelo produto financiado, a servirlhe de garantia (daí o nome: valor residual garantido) no caso de não exercida a opção de compra pelo arrendatário. Isso porque o arrendador imobiliza um capital para aquisição de um bem para uso do arrendatário por meio de um contrato típico, o de arrendamento mercantil. A propósito, inclusive, a Portaria MF n° 564/78, que orientava a tributação das arrendadoras nas operações de arrendamento mercantil, definiu o VRG como sendo preço contratual estipulado para o exercício da opção de compra, ou valor contratualmente garantido pela arrendatária que será recebida pela arrendadora na venda a terceiros do bem arrendado, na hipótese de não ser exercida a opção de compra: Portaria MF nº 564/1978 Considerando que o DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, introduziu substanciais modificações na apuração dos resultados das pessoas jurídicas; Considerando que as operações de arrendamento mercantil encerram especificidades que demandam tratamento tributário diferenciado; Considerando a conveniência de conciliar as disposições legais com a necessidade de prover as empresas arrendadoras de procedimentos contábeis e Demonstrações Financeiras adequadas, resolve: 1. Esta Portaria disciplina a tributação pelo Imposto sobre a Renda das operações de arrendamento mercantil previstas na Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, e praticadas por sociedades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. 2. Para os efeitos desta Portaria considerase: (...) Valor Residual Garantido: preço contratualmente estipulado para exercício da opção de compra, ou valor contratualmente Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.508 61 garantido pela arrendatária como mínimo que será recebido pela arrendadora na venda a terceiros do bem arrendado, na hipótese de não ser exercida a opção de compra. (grifos não constam do original) A própria regulamentação do Conselho Monetário Nacional pela Resolução n° 2.309/1996 ao dispor: Art. 5°. Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recurso investidos; II – as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III – o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. (grifos não constam do original) Passando agora a tratar da escrituração contábil do valor residual garantido, o Banco Central, em atendimento à Portaria MF 140/1984 e Portaria MF 564/1978 acima transcritas, tratou do assunto no Plano Contábil COSIF estabelecido pela Circular BACEN 1237/1987 para estabelecer que o VRG recebido antecipadamente deve ser registrado a crédito em conta do passivo, tendo como contrapartida um débito em conta CAIXA ou equivalente de disponibilidades: SEÇÃO 7: Operações de Arrendamento Mercantil 10. Antecipação do Valor Residual Garantido 1 – As parcelas de antecipação do Valor Residual Garantido escrituram se em CREDORES POR ANTECIPAÇÃO DE VALOR RESIDUAL, em contrapartida com a adequada conta de Disponibilidades. (...) CREDORES POR ANTECIPAÇÃO DE VALOR RESIDUAL CÓDIGO: CLASSIFICAÇÃO:4.9.9.08.008 PASSIVO CIRCULANTE E EXIGÍVEL A LONGO PRAZO – Outras Obrigações – Diversas SUBTÍTULOS: FUNÇÃO: Registrar o valor das parcelas de antecipação do valor residual garantido. FUNCIONAMENTO: Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.509 62 Creditada pelo valor das parcelas de antecipação Debitada pelas baixas procedidas. Na seção em que trata da contabilização do bem arrendado como ativo permanente pela arrendadora, a Circular BACEN 1237/1987, com a redação dada pela Circular BACEN 1429/1989, assim dispôs: SEÇÃO 11 Ativo Permanente Seção 8 Imobilizado de Arrendamento 1. Imobilizado de Arrendamento compõese dos bens de propriedade da instituição, arrendados a terceiros. 2. Os bens objeto de contratos de arrendamento são registrados no desdobramento Bens Arrendados, pelo seu custo de aquisição, composto dos seguintes valores: preço normal da operação de compra acrescido dos custos de transporte, seguros, impostos e gastos para instalação necessários à colocação do bem em perfeitas condições de funcionamento. 3. A instituição deve abrir desdobramentos de uso interno para os subtítulos de BENS ARRENDADOS, destinados a registrar, separadamente, os bens arrendados ao amparo das Portarias MF 564/78 e 140/84. 4. A depreciação dos bens arrendados reconhecese mensalmente, nos termos da legislação em vigor, devendo ser registrada a débito de DESPESAS DE ARRENDAMENTO, subtítulo Depreciação de Bens Arrendados, em contrapartida com DEPRECIAÇÃO ACUMULADA DE BENS ARRENDADOS, a qual figura como conta retificadora do subgrupo Imobilizado de Arrendamento. (...) 7. O resultado na venda de valor residual, decorrente do exercício da opção de compra pela arrendatária, ou pela apropriação do valor residual garantido, contabilizase: a) a crédito de LUCROS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS, se positivo; b) a débito de PERDAS EM ARRENDAMENTOS A AMORTIZAR, se negativo. 8. Os lucros ou prejuízos na venda a terceiros, não arrendatários, são registrados, respectivamente, a crédito de LUCROS NA ALIENAÇÃO DE VALORES E BENS ou a débito de PREJUÍZOS NA ALIENAÇÃO DE VALORES E BENS. (grifos não constam do original) A Circular BACEN 1237/1987 evidencia o registro destes lançamentos: CAPÍTULO: Elenco de Contas – 2 Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.510 63 SEÇÃO: Função e Funcionamento das Contas – 2 TÍTULO: LUCROS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS CÓDIGO: CLASSIFICAÇÃO: 7.1.2.60.006 CONTAS DE RESULTADO CREDORAS – Receitas Operacionais – Rendas de Arrendamento Mercantil SUBTÍTULOS: FUNÇÃO: Registrar os lucros apurados na venda do valor residual de bens arrendados, que constituam receita efetiva da instituição, no período. FUNCIONAMENTO: Creditada pelo valor dos lucros auferidos, recebidos ou não. Debitada por ocasião do balanço, para apuração do resultado. A Instrução Normativa SRF nº 247/2002 estabeleceu, em seu anexo I, a conta 7.1.2.60.006 para registrar estes LUCROS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS. Da análise legislativa aplicável ao caso, percebese que o valor residual garantido pode ser o preço livremente entabulado entre as partes para servir de pagamento do bem arrendado no caso de opção de compra do bem ao término do contrato. Ainda, percebese que este VRG não precisa ser pago apenas ao final do contrato, podendo ser antecipado e/ou diluído nas prestações mensais. Se isso ocorrer, este ingresso financeiro deve ser registrado a débito em conta de disponibilidades no ativo, tendo como contrapartida um lançamento a crédito em conta específica do passivo, a fim de evidenciar a transação e para que esta não transite pelo resultado, pois, ainda não é receita. Nesses termos, o VRG somado com as contraprestações pelo "aluguel" (renda de arrendamento) e demais despesas eventuais, deve equivaler ao montante necessário para que o arrendador possa recuperar o valor do bem arrendado e possa obter, ainda, um retorno do investimento, resguardandose ao máximo o desejável equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. A fiscalização, neste ponto, acusa a Recorrente de ter usado o percentual de VRG abusivo, pois representava 99% do valor do bem arrendado, conforme exemplo trazido no TVF, contrato nº 49 37312 (juntado aos autos em fls. 1.879 1.890). Com isso, a d. fiscalização afirmou que o valor correto deveria ser um suposto "VRG Contábil", o qual é inexistente na legislação vigente e, ao que parece, é confundido com o “valor residual do ativo”, ou seja, o saldo contábil do bem no momento do encerramento. Ao fundamentar sua decisão neste ponto, o v. acórdão afirmou que o TVF alegou que haveria abuso na utilização de VRG em valor superior ao valor contábil do bem no encerramento do contrato. Afirmou, neste ponto, que o VRG pode ser definido livremente pelas partes contratantes, verbis: Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.511 64 Não há dúvida de que, nos termos do art. 5º, III, da Resolução nº 2.309, de 28 de agosto de 1996, em relação ao arrendamento mercantil financeiro, o preço para o exercício da opção de compra é "livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado". Contudo, a liberdade de pactuação não implica que se possa arbitrariamente estipular um VRG que não guarde nenhuma aderência com a realidade econômica, muito menos que o fisco não possa se opor a planejamentos tributários abusivos que se valham indevidamente dessa liberdade, como é o caso em questão. O v. acórdão de piso tocou num pouco um tanto quanto sensível de nossa legislação tributária, pois, não há previsão legal do que seja "planejamento tributário abusivo", nem mesmo abuso de forma ou abuso do direito para que possam ser utilizados como fundamentos jurídicos de uma autuação fiscal, muito menos de uma decisão. Desta feita, não é possível fundamentar um acórdão, quanto menos uma autuação fiscal, em argumentos sem previsão legal. O direito tributário fundase no princípio da legalidade, não podendo haver imposições tributárias conforme uma suposta interpretação do aplicador da lei em cada caso concreto, sob pena de se tributar por analogia. A falta de definição sobre o que seja abuso do direito ou planejamento tributário abusivo, ou abuso de formas jurídicas, não permite sua aplicação no direito tributário, sob pena de se permitir que o aplicador defina, caso a caso e a seu sabor, o que entende por abusivo, desestruturando o sistema tributário. Nem mesmo o abuso do direito previsto no direito civil pode ser aplicado no direito tributário, pois o art. 187 do código civil estabelece estar presente o abuso do direito quando um sujeito, detentor de um direito, ao exercêlo comete abuso, pois o exerce além dos limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Percebese que não é possível considerar planejamento tributário abusivo, por abuso do direito e abuso de forma, como se fossem institutos presentes em nosso ordenamento jurídico, para desconsiderar um suposto planejamento tributário para aplicar uma tributação mais gravosa porque o contribuinte ofendeu a boafé e os bons costumes. O direito tributário, repitase, fundase na legalidade e não nos bons costumes. Ainda, também não há parâmetros para se definir o que seja abuso de formas, diante da ausência de previsão legal, nem mesmo a d. fiscalização trouxe fundamentos jurídicos para fundamentar porque o VRG contratual é abusivo. Ademais, o fato gerador do PIS/COFINS não se prende a formas jurídicas, mas sim às demonstrações de capacidade contributiva caracterizadas pela legislação tributária como receita. Não é necessária uma forma específica para obtenção de receita, não sendo compatível o argumento de abuso de forma. Ademais, apenas em conclusão, o art. 116, parágrafo único do CTN permite a desconsideração de atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte para esconder (dissimular) o fato gerador. No caso em análise não houve a pratica de um negócio jurídico simulado para esconder um negócio jurídico válido, já que tudo Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.512 65 consta de contratos e das demonstrações contábeis e fiscais conforme legislação exposta acima. O que se discute, nos termos do auto de infração, é o valor lançado na contabilidade e no DACON a título de lucros na alienação de bens arrendados decorrente do montante entabulado contratualmente como valor residual garantido. Há que se discordar da fiscalização acerca dos limites da deliberação das partes para fixação do VRG, com o objetivo de impor à Recorrente um suposto VRG contábil que o agente fiscal entendeu correto. Isso porque a lei não faz esta limitação e não cabe à autoridade fiscal o fazer, pretendendo aplicar um "VRG contábil" que não tem nem definição legal. O art. 6º da Lei 6.099/1974 prevê uma possibilidade ao Conselho Monetário Nacional de estabelecer índices máximos para a soma das contraprestações, acrescida do preço para exercício da opção da compra nas operações de arrendamento mercantil. Desempenhando este papel, o referido Conselho editou a Resolução n° 2.309/1996 para estabelecer em seu art. 5º, III que o preço para a opção de compra pode ser o valor de mercado ou pode ser definido livremente pelas partes. A pretensão do Fisco parece ser um tanto irrazoável, tendo em vista que VRG não tem nenhuma ligação com valor contábil do bem, mas sim com o preço da opção de compra ou a garantia do arrendador em caso de não opção pela compra. Ademais, cabe destacar que o valor contábil, ao término do contrato, sempre será inferior ao valor histórico do bem, tendo em vista as depreciações realizadas. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência pacificada no sentido de que o VRG pode ser livremente pactuado entre as partes, não cabendo ao Fisco desconsiderar o VRG definido em contrato. É o que se depreende, a exemplo, do julgado abaixo: ARRENDAMENTO MERCANTIL. LEASING. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO DO VALOR RESIDUAL GARANTIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA CONTRATUAL PARA COMPRA E VENDA À PRESTAÇÃO. LEI 6.099/94, ART. 11, § 1º. NÃO OCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA SÚMULA 263/STJ. 1. O pagamento adiantado do Valor Residual Garantido VRG não implica necessariamente antecipação da opção de compra, posto subsistirem as opções de devolução do bem ou prorrogação do contrato. Pelo que não descaracteriza o contrato de leasing para compra e venda à prestação. 2. Como as normas de regência não proíbem a antecipação do pagamento da VRG que, inclusive, pode ser de efetivo interesse do arrendatário, deve prevalecer o princípio da livre convenção entre as partes. 3. Afastamento da aplicação da Súmula 263/STJ. 4. Embargos de Divergência acolhidos." (EREsp n° 213.828/RS, Relator para o acórdão Ministro Edson Vidigal, Corte Especial, julgado em 7/5/2003, DJ 29/9/2003) Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.513 66 Do voto do Relator, seguido pela maioria dos ministros, quanto à finalidade do VRG, extraise: Temse, pois, que o Valor Residual Garantido não se refere diretamente à Opção de Compra . Cabe ao arrendador a recuperação do valor empregado para a obtenção empresarial. Após o término do pagamento das parcelas, tem o arrendatário a opção de comprar o bem, tendo que pagar o Valor Residual previamente estabelecido. Se ele não quiser optar pela compra, nem renovar o contrato, deve devolver o bem ao arrendador, que terá como uma garantia mínima por parte do arrendatário o Valor Residual Garantido, na venda do bem a um terceiro . Assim, se o bem for vendido por um preço equivalente ao VRG, nada se tem a acertar; caso vendido por um valor inferior, deverá o arrendatário pagar a diferença à arrendadora . A antecipação do pagamento do valor residual não implica necessariamente na opção de compra, haja vista que, se no término do contrato, o arrendatário não se interessar pela compra , por se encontrar o bem com tecnologia superada ou por qualquer outro motivo, terá a quantia devolvida ou não, de acordo com o preço que o bem for vendido a um terceiro. Caso vendido pelo mesmo valor do VRG ou por preço superior, será totalmente devolvido ao arrendatário o valor do VRG por ele antecipado; caso vendido por valor inferior, receberá o arrendatário apenas a diferença . Portanto, a antecipação não implica necessariamente na opção de compra. (grifos não constam do original) A partir desse excerto, percebese que a Corte manifestou o entendimento de que o VRG possui a função tanto de preço na opção de compra, quanto de garantia. Assim, o VRG pago antecipadamente não constitui propriamente pagamento prévio do bem arrendado, nem mesmo sua prévia manifestação pela opção de compra. Servirá como preço da opção de compra se manifestada pelo arrendatário ao final do contrato, mas também tem a função de garantia de um valor mínimo garantido ao arrendador no caso de não exercida dita opção. Com isso e somente ao final do contrato, exercida a opção de compra, o VRG é o valor do pagamento. Caso não exercida a opção de compra o VRG antecipado ou recebido diluído juntamente com as parcelas representa uma garantia do arrendador como o mínimo a receber pelo bem outrora arrendado. Este bem terá que ser vendido a terceiro e, se no mercado não conseguir o valor equivalente ao VRG, o saldo mantido a este título serve para complementar este valor de venda e o restante é devolvido ao arrendatário. Quanto a isso, o STJ também já se manifestou a impossibilidade de descaracterização do contrato pelo Fisco, a exemplo do REsp 390.286RS: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA ARRENDAMENTO MERCANTIL LEASING DESCARACTERIZAÇÃO DO CONTRATO PELO FISCO. Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.514 67 1. A jurisprudência tem entendido que o contrato de leasing deve ser respeitado como tal, em nome do princípio da liberdade de contratar. 2. Somente quando o leasing estiver contemplado em uma das situações de repúdio, previstas na Lei 6.099/74 (artigos, 2º, 9º, 11, § 1º, 14 e 23), é que se tem autorização legal para a descaracterização do arrendamento mercantil e imputação das consequências. Também não socorre o Fisco o argumento de que o recebimento antecipado do preço da opção de compra transforma o arrendamento mercantil em contrato de compra e venda. Isso porque o contrato de arrendamento mercantil é um contrato típico e complexo, previsto em lei, contendo apenas características de compra e venda, aluguel e financiamento. Ademais, é a própria legislação que estabelece a possibilidade de receber o valor residual garantido de forma antecipada. Neste sentido, é entendimento sumulado do Superior Tribunal de Justiça a manutenção da natureza de arrendamento mercantil quando do recebimento antecipado do VRG. Súmula nº 293. STJ. A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. Assim, uma vez entendido que o VRG pode ser livremente pactuado entre as partes e que, uma vez exercida a opção de compra ao final do contrato, este valor convertese em preço de aquisição do bem. O VRG que antes estava registrado no passivo da arrendadora, receberá um lançamento a débito tendo como contra partida um crédito em conta de resultado "Lucros de venda de bens arrendados". O fato de não haver entrada de dinheiro em caixa neste momento da opção de compra, não significa que VRG é preço para pagamento. O VRG entrou em disponibilidades em momento anterior, pois foi antecipado ou diluído. Como juridicamente, durante o contrato o bem configura ativo permanente da pessoa jurídica arrendadora, quando da venda do bem, o valor recebido pelo preço deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS por expressa disposição do art. 3º, § 2º, IV da Lei 9.718/1998 A d. Procuradoria da Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, trouxe argumentos sobre uma releitura do art. 3º, § 2º, IV, que, em que pese ser argumento não existente na acusação fiscal, merece alguns comentários. Afirma a d. Procuradoria que este dispositivo merece uma interpretação teleológica, buscando o espírito desta norma, que é o de isentar destas contribuições os lucros decorrentes das venda de ativos imobilizados quando estes ativos não estão relacionados com a atividade operacional da pessoa jurídica. Tais ativos imobilizados, sujeitos a isenção, por serem alheios à atividade operacional, são aqueles que mantém a atividade da empresa, o que não é o caso da Recorrente. Neste sentido, como a atividade operacional da Recorrente é arrendamento mercantil, isentar a venda de bens arrendados significa isentar de tributos a receita decorrente da alienação do ativo permanente da Recorrente quando este bem era utilizado na atividade operacional típica da empresa, representando a alienação destes ativos, receita operacional da pessoa jurídica. Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.515 68 Caso a venda de bens fosse a atividade da Recorrente, certamente estas receitas seriam operacionais, no entanto, há que se discordar, também, com a d. Procuradoria. Isso porque a atividade operacional da Recorrente não é venda de ativos, mas sim obter receitas com arrendamento mercantil. Assim, a receita operacional decorre dos frutos que estes ativos rendem para a arrendadora na atividade de arrendamento mercantil, e não a venda do bem em si. Assim, fixado os pontos de que a lei não estabeleceu limitações ao VRG, podendo ser livremente pactuado pelas partes, mesmo que recebido antecipadamente, na opção de compra o VRG serve como pagamento do preço do ativo e a receita pela alienação deste ativo deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS. Analisando o exemplo trazido pela própria fiscalização, o contrato nº 4937312, verificase os seguintes aspectos: Valor do bem era de 1.342.000,00; VRG foi definido em 99% do valor do bem, ou seja, 1.328.579,86. Este VRG foi recebido uma parte antecipado (na assinatura do contrato) e o restante do VRG foi diluído em 36 parcelas: VRG antecipado 471.699,58 (no recebimento há um lançamento a débito em disponibilidade e crédito em conta no passivo) VRG diluído 23.802,23 (x 36) ((no recebimento há um lançamento a débito em disponibilidade e crédito em conta no passivo) A contraprestação mensal ainda era composta pelo valor do rendimento do arrendamento mercantil no valor de R$ 5.529,44 Assim, o valor total das contraprestações mensais pelo arrendamento era de R$ 29.331,67 (contraprestação mensal + VRG diluído) Ao final do contrato, com a opção de compra, todo o VRG já estava no passivo da arrendadora. Então, em relação ao bem, pelo custo original de aquisição de 1.342.000 o arrendatário pagou 1.328.579,86 de VRG + 199.059,84 contraprestações pelo arrendamento, totalizando R$ 1.527.639,70. O VRG total foi excluído da base de cálculo das contribuições, por ser considerado valor pela venda do ativo permanente. Este cenário foi confirmado pela fiscalização (que não concordou com o montante do VRG) e confirmado também pelo laudo técnico elaborado pela KPMG. Considerase neste voto que o VRG total corresponde ao preço pela venda do bem, sendo isto o objeto da exclusão da base de cálculo das contribuições. No entanto, para ser excluído da base de cálculo, antes, estes valores devem ter sido incluídos no resultado e no DACON, linha 1, como receita bruta, para que depois possa ser excluído da base de cálculo na linha 6 do DACON. A acusação fiscal, desde o início, afirmou que estes "lucros de alienação" não poderiam ser excluídos, retirando estas exclusões das DACON para que a receita fosse totalmente tributada. A d. fiscalização, no TVF argumenta que esta receita não poderia ter sido excluída porque seu valor é fictício, "inventado". Admite que a Recorrente poderia excluir estes valores da base de cálculo por ser receita de alienação de imobilizado e que teria jus à isenção se o valor não fosse fraudulento. Sobre este ponto, o laudo da Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 16327.720056/201798 Acórdão n.º 3301005.804 S3C3T1 Fl. 1.516 69 KPMG afirma, categoricamente, que estes valores foram incluídos na receita bruta e, por isso, foram posteriormente excluídos. Conforme descrito na resposta ao quesito 3.5, as receitas de vendas de bens arrendados foram registradas no COSIF 7.1.2.60.006 “Lucros na Alienação de Bens Arrendados” e não compuseram as bases de cálculo do PIS e da COFINS dos referidos períodos. (...) Vale destacar, ainda, que foi possível observar nas DACONs referentes aos períodos de apuração de março do anocalendário de 2012 a março do anocalendário de 2013 que o COSIF 7.1.2.60.00 6 “Lucros na Alienação de Bens Arrendados” integrou o total da receita bruta (linha 01 das fichas 08B e 18B) e foi excluído na linha 06 “Vendas de Bens do Ativo Permanente” dessas mesmas fichas. Destacamos que nos documentos disponibilizados não observamos que tais valores tenham sido adicionados nas bases de cálculo do PIS e da COFINS dos períodos de apuração compreendidos entre o mês de março do anocalendário de 2012 e o mês de março do anocalendário de 2013. (...) verificamos que a Dibens Leasing não excluiu em duplicidade das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores a título de venda de bens do ativo imobilizado, uma vez que foi possível constatar que esses valores compuseram a receita de arrendamento mercantil e foram excluídos a título de lucros na alienação de bens do ativo imobilizado. (grifos não constam do original) Uma vez demonstrada a inclusão das receitas de venda de alienação de bens do ativo imobilizado na base de cálculo das contribuições, e por não se tratar de receita operacional de arrendamento mercantil, deve ser, com base no art. 3º da Lei nº 9.718/1998, excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS. Isto posto, conheço do recurso voluntário para dar provimento, restando prejudicada a análise da multa qualificada e responsabilidade solidária. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator" Com base no acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Como proponho o provimento do recurso, com cancelamento do auto de infração, deixo de apreciar o recurso voluntário do responsável tributário solidário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900024/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.813
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 00 24 /2 01 2- 04 Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.509 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.509 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10783.900024/201204 Acórdão n.º 3201004.813 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 527DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903508/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.714
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 35 08 /2 01 2- 38 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.903508/201238 Acórdão n.º 3302006.714 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de COFINS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.574. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903508/201238 Acórdão n.º 3302006.714 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903508/201238 Acórdão n.º 3302006.714 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903508/201238 Acórdão n.º 3302006.714 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903508/201238 Acórdão n.º 3302006.714 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 91DF CARF MF
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