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5879819 #
Numero do processo: 10240.006941/99-64
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de omissão, embora sem alteração no resultado do julgamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS. A profundidade dos recursos voluntários é ampla, não se cingindo apenas às questões efetivamente resolvidas na decisão recorrida, senão também as que nela poderiam tê-lo sido, vale dizer, as questões examináveis de ofício e as questões que, embora não sendo examináveis de ofício, deixaram de ser apreciadas, a exemplo das questões acessórias, exempli gratia, os acréscimos legais consubstanciados pelos juros e pelas multas aplicadas pela Fiscalização. DEFESA TÉCNICA. AUSÊNCIA. FORMALISMO MODERADO. PREVALÊNCIA. Quando o recurso é elaborado sem o auxílio de qualquer profissional da área jurídica, ou seja, sem a denominada defesa técnica, o formalismo exagerado deve ser superado pelo formalismo moderado. Na espécie, deve-se reconhecer que a matéria relativa à multa de ofício aplicada neste lançamento foi suscitada explicitamente no recurso, ainda que o contribuinte não tenha utilizado a nomenclatura adequada. Embargos Acolhidos em Parte, sem Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 2801-004.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração, sem feitos infringentes, para esclarecer que a matéria relativa à multa de ofício foi suscitada expressamente no recurso voluntário, embora sem a utilização da nomenclatura apropriada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/99­64  Acórdão n.º 2801­004.052  S2­TE01  Fl. 146          2 relativa  à multa  de  ofício  foi  suscitada  expressamente  no  recurso  voluntário,  embora  sem  a  utilização da nomenclatura apropriada, nos termos do voto do Relator.  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin,  Eivanice  Canário  da  Silva,  Adriano  Keith  Yjichi  Haga,  Carlos  César  Quadros  Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.  Relatório  É  caso  de  Embargos  de  Declaração  opostos  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  (fls.  138/139  deste  processo  digital)  em  face  do  Acórdão  nº  2801­003.569  (fls.  131/136), por meio do qual este Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial  ao  recurso  voluntário  interposto  pela Recorrida  para  cancelar  a  infração  de  compensação  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte  e  excluir  do  lançamento  a  multa  de  ofício  em  relação  às  infrações  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  e  dedução  indevida  de  contribuição previdenciária oficial.  Aduz a Embargante que esta Turma de Julgamento apreciou matéria preclusa,  uma vez que o contribuinte não  levantou nenhum  tipo de questionamento específico sobre o  emprego da penalidade.   Nesse eito, haveria omissão no voto condutor do acórdão recorrido, pois não  foram mencionados  quais  os  pressupostos  e  os motivos  que  fundamentaram  a  apreciação  de  tema que não configura matéria de ordem pública e que não foi questionado tempestivamente  pela contribuinte.   Sustenta  a  Embargante,  ademais,  que  não  foi  acostado  aos  autos  o  comprovante de  rendimento, documento exigido pela  lei para a comprovação da  retenção do  IRRF no valor de R$ 8.070,00 (art. 979, § 2º do RIR/1994).  Observa que não se trata de matéria que admite qualquer meio de prova, mas  sim  de  matéria  cuja  comprovação  contém  forma  específica  e  legalmente  estabelecida,  não  podendo o julgador se furtar à observância de tal preceito, aceitando prova distinta.  Ao  final,  requer  sejam  conhecidos  e  acolhidos  os  presentes  embargos  de  declaração para sanar o vício apontado e prequestionar a matéria que não foi objeto de análise  expressa no acórdão embargado.  Por  intermédio  do  despacho  de  fls.  142/144  os  embargos  foram  acolhidos  parcialmente  para  explicitar  o motivo  pelo  qual  esta  Turma  de  Julgamento  apreciou  o  tema  relacionado  ao  cancelamento  da  multa  de  ofício  aplicada  às  infrações  de  omissão  de  rendimentos e de dedução indevida de contribuição previdenciária.  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/99­64  Acórdão n.º 2801­004.052  S2­TE01  Fl. 147          3 Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade,  estando  em  consonância com as disposições do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010.  Os embargos foram acolhidos para explicitar o motivo pelo qual esta Turma  de Julgamento cancelou a multa de ofício aplicada às infrações de omissão de rendimentos e de  dedução  indevida  de  contribuição  previdenciária,  uma  vez  que  este  tema,  segundo  a  Embargante, não configura matéria de ordem pública e não foi questionado pela contribuinte.   Observo, inicialmente, que as infrações objeto do presente lançamento foram  as  seguintes: omissão de  rendimentos, deduções  indevidas de contribuição previdenciária, de  dependentes,  de  despesas  com  instrução,  de  despesas  médicas  e  glosa  de  imposto  de  renda  retido na fonte.  A matéria não impugnada foi delimitada expressamente na decisão recorrida.  Confira:  Como já relatado anteriormente, a contribuinte não impugnou as  glosas  com  dependentes,  despesas  médicas  e  despesas  com  instrução. Em função disso, o crédito tributário não impugnado  (a ser apartado) foi apurado à Tabela 1;   Deduz­se,  portanto,  que  a  matéria  impugnada  refere­se  à  omissão  de  rendimentos, à dedução indevida de contribuição previdenciária e à glosa de imposto de renda  retido na fonte.  A questão posta pela Embargante tem a ver com um tema bastante discutido  pelos  doutrinadores  do  direito  processual  civil:  os  efeitos  dos  recursos  e  a  extensão  e  a  profundidade dos mesmos: Em relação a esses assuntos, lecionam Fredie Didier Jr e Leonardo  Carneiro da Cunha (Curso de Direito Processual Civil, Volume 3, Editora Juspodvm, 3ª edição,  pp. 79/80):  O efeito devolutivo determina os limites horizontais do recurso;  o  efeito  translativo,  os  verticais. O  efeito  devolutivo  delimita  o  que se pode decidir; o efeito translativo, o material com o qual o  ad  quem  trabalhará  para  decidir  a  questão  submetida.  O  feito  devolutivo (extensão) relaciona­se ao objeto litigioso do recurso  (a  questão  principal  do  recurso);  o  efeito  translativo  (profundidade  do  efeito  devolutivo)  relaciona­se  ao  objeto  de  conhecimento do recurso, às questões que devem ser examinadas  pelo órgão ad quem como fundamentos para a solução do objeto  litigioso recursal.  Sobre  o mesmo  tema,  ensina Bernardo  Pimentel  de  Souza  (Introdução  aos  Recursos Cíveis e à Ação Rescisória, Editora Saraiva, 3ª edição, p. 318):  Fixada a extensão do recurso à luz da matéria impugnada pelo  apelante, é importante saber quais questões – ligadas à matéria  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/99­64  Acórdão n.º 2801­004.052  S2­TE01  Fl. 148          4 impugnada  –  podem  ser  apreciadas  pelo  tribunal  ad  quem.  Realmente,  demarcada  a  extensão  da  apelação  sob  o  enfoque  horizontal, resta estudar a profundidade, que deve ocorrer sob o  prisma vertical, a fim de que sejam encontradas as questões que  devem ser analisadas pela corte de apelação, sempre nos limites  da extensão do recurso conhecido.  Transportando  essa  ordem  de  ideias  para  o  processo  administrativo  fiscal  pode­se afirmar que a profundidade dos recursos voluntários é ampla, não se cingindo apenas  às questões efetivamente resolvidas na decisão recorrida, senão também as que nela poderiam  tê­lo sido, vale dizer, as questões examináveis de ofício e as questões que, embora não sendo  examináveis de ofício, deixaram de ser apreciadas, a exemplo das questões acessórias, exempli  gratia,  os  acréscimos  legais  consubstanciados  pelos  juros  e  pelas  multas  aplicadas  pela  Fiscalização.   Assim,  no  acórdão  embargado  foram  examinadas  a  extensão  (efeito  devolutivo)  do  recurso  voluntário,  que  está  relacionada  às matérias  impugnadas  (omissão  de  rendimentos,  dedução  indevida  de  contribuição  previdenciária  e  glosa  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte)  e  a  sua  profundidade  (efeito  translativo),  relacionada  a  questões  acessórias,  vale dizer, aos acréscimos legais (juros e multas).  Em poucas palavras: as  turmas do CARF podem apreciar  todas as questões  relacionadas aquilo que foi impugnado. O Recorrente estabelece a extensão do recurso, mas o  órgão julgador é que estabelece a sua profundidade.  Mas  ainda  que  assim  não  fosse,  oportuno  observar  que, muito  embora  não  tenha me manifestado expressamente sobre o motivo de apreciação da questão apontada pela  Embargante, a matéria foi suscitada explicitamente no recurso voluntário. Confira:  A culpa é da prefeitura de Jamari (Itapuã Do Oeste).  (...)  Solicito  que  seja  cobrado  do  município  de  Jamari  (Itapuã  do  Oeste  ­  RO)  os  JUROS  e  a MORA,  e  que  de  minha  pessoa  a  Receita Federal só queira receber o que e de direito e justo após  nova avaliação de todos os comprovantes.  Ao  se  manifestar  no  sentido  de  que  a  culpa  era  de  responsabilidade  da  Prefeitura de Jamari (Itapuã do Oeste) e ao solicitar que os juros e a mora fossem cobrados do  Município, penso que a Recorrente utilizou o termo “mora” em substituição à multa de ofício  aplicada no presente  lançamento, provavelmente por não ser  familiarizada com os  termos do  direito  e  até  porque  a  impugnação  e  o  recurso  foram  elaborados  sem  o  auxílio  de  qualquer  profissional da área jurídica (não houve a denominada defesa técnica).  Nesse contexto, entendo que o formalismo exagerado deve ser superado pelo  formalismo moderado, de modo a reconhecer que a matéria relativa à multa de ofício aplicada  neste  lançamento  foi  suscitada  explicitamente  no  recurso,  ainda  que  a  Interessada  não  tenha  utilizado a nomenclatura adequada.  Pelo exposto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração, sem  efeitos  infringentes,  para  esclarecer  que  a  matéria  relativa  à  multa  de  ofício  foi  suscitada  expressamente no recurso voluntário, embora sem a utilização da nomenclatura apropriada.  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/99­64  Acórdão n.º 2801­004.052  S2­TE01  Fl. 149          5 Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                                Fl. 149DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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5880541 #
Numero do processo: 10580.721050/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. As verbas percebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza remuneratória e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA DE IR. ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720/RS, Rel. Min Mauro Campbell Marques, em 10/10/2012, a Primeira Seção do STJ esclareceu a abrangência do decidido no recurso representativo da controvérsia REsp n.º 1.227.133 - RS. Logo, a não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios apenas se dá quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou se a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2201-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte e excluir a multa de ofício. Vencido o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), que apenas excluiu a multa de ofício, e o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah - redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. As verbas percebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza remuneratória e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA DE IR. ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Por ocasião do julgamento do REsp. n. 1.089.720/RS, Rel. Min Mauro Campbell Marques, em 10/10/2012, a Primeira Seção do STJ esclareceu a abrangência do decidido no recurso representativo da controvérsia REsp n.º 1.227.133 - RS. Logo, a não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios apenas se dá quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou se a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso provido em parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte e excluir a multa de ofício. Vencido o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), que apenas excluiu a multa de ofício, e o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah - redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     2 à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o  Recurso Especial nº 1.118.429/SP,  julgado na forma do art. 543­C do CPC.  Aplicação do art. 62­A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).  Recurso provido em parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  Por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam  aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época  em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte e excluir a multa de ofício. Vencido  o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), que apenas  excluiu a multa de ofício, e o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, que deu provimento  integral  ao  recurso.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  EDUARDO  TADEU FARAH.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  German Alejandro San Martín Fernández ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Eduardo Tadeu Farah ­ redator designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Maria Helena Cotta  Cardozo  (Presidente),  Nathalia  Mesquita  Ceia,  German  Alejandro  San  Martín  Fernández,  Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah.    Relatório  Tratase  de  auto  de  infração  relativo  ao  Imposto  de Renda  Pessoa  Física  – IRPF  correspondente  aos  anos  calendário  de  2004,  2005  e  2006,  para  exigência  de  crédito  tributário, no valor de R$ 151.263,41, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta  e cinco por cento) e juros de mora.  Conforme descrição dos  fatos  e enquadramento  legal constantes no  auto de  infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida  de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e  não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a  título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro  de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20,  de 08 de setembro de 2003.  As  diferenças  recebidas  teriam  natureza  eminentemente  salarial,  pois  decorreram  de  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão  de  Cruzeiro  Real  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.721050/2009­41  Acórdão n.º 2201­002.579  S2­C2T1  Fl. 120          3 para URV  em  1994,  conseqüentemente,  estariam  sujeitas  à  incidência  do  imposto  de  renda,  sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento.  O  contribuinte  ora  recorrente  foi  cientificado  do  lançamento  fiscal  e  apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois  teve como objeto valores  recebidos pelo  impugnante a  título de diferenças de URV, que não  estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se  enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do  CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das  diferenças  de  URV  recebidas  pelos  magistrados  federais,  e  que  por  esse  motivo  estariam  isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível  aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da  Bahia  abriu  mão  da  arrecadação  do  IRRF  que  lhe  caberia  ao  estabelecer  no  art.  3º  da  Lei  Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União  parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção  que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração  de  rendimentos,  não  tem  este  último  qualquer  responsabilidade  pela  infração;  d)  caso  os  rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos  ao  ajuste  anual,  e  não  tributados  isoladamente  como  no  lançamento  fiscal;  e)  parcelas  dos  valores  recebidos  a  título  de  diferenças  de URV  se  referiam  à  correção  incidente  sobre  13º  salários e a  férias  indenizadas  (abono  férias), que  respectivamente estão  sujeitas à  tributação  exclusiva  e  isenta,  portanto,  não  deveriam  compor  a  base  de  cálculo  do  imposto  lançado;  f)  ainda que  as  diferenças  de URV  recebidas  em  atraso  fossem  consideradas  como  tributáveis,  não  caberia  tributar  os  juros  e  correção monetária  incidentes  sobre  elas,  tendo  em  vista  sua  natureza  indenizatória;  g) mesmo  que  tal  verba  fosse  tributável,  não  caberia  a  aplicação  da  multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações  da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20,  de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV.  Foi  determinada  diligência  fiscal  para  que  o  órgão  de  origem  adotasse  as  medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de  fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência  pacificada  no  Superior  Tribunal  de  Justiça,  concluiu  pela  dispensa  de  apresentação  de  contestação,  de  interposição  de  recursos  e  pela  desistência  dos  já  interpostos,  desde  que  inexistisse  outro  fundamento  relevante,  com  relação  às  ações  judiciais  que  visassem  obter  a  declaração  de  que,  no  cálculo  do  imposto  renda  incidente  sobre  rendimentos  pagos  acumuladamente,  deveriam  ser  levadas  em  consideração  as  tabelas  e  alíquotas  das  épocas  róprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.  A  DRFBJ  julgou  procedente  em  parte  a  ação  fiscal  ao  excluir  as  férias  indenizadas  e  o  13º  salário  da  glosa,  por  se  tratarem  de  parcelas  respectivamente  isentas  e  sujeitas à tributação exclusiva.  Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma  do julgado, repetindo as alegações feitas em sede de Impugnação.  Era o de essencial a ser relatado.  Passo a decidir.  Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     4 Voto Vencido  Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator.  Por  tempestivo  e  pela  presença  dos  pressupostos  recursais  exigidos  pela  legislação, conheço do recurso.  Antes de apreciar o mérito das razões expostas em sede de recurso voluntário,  cumpre  analisar  as  questões  prévias  apresentadas  pela  recorrente  em  relação  à  nulidade  da  decisão de 1ª instância, por ausência de fundamentação quanto à alegada ilegitimidade ativa da  União Federal para exigir imposto de renda cujo produto da arrecadação cabe ao Estado e por  não enfrentar argumento relevante relativo “à quebra da capacidade contributiva” .  Não é de se acolher a argüição de nulidade por ausência de fundamentação  suficiente.  A  decisão  colegiada  de  1º  grau  enfrentou  a  infundada  alegação  sobre  a  ilegitimidade  ativa  da  União  Federal,  ainda  que  de  forma  sucinta.  Além  de  ser  pacífico  o  entendimento  do  C.  STJ  no  sentido  de  que  “o  órgão  julgador  não  está  obrigado  a  se  manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes” (AgRg no Ag 1401739/RJ. DJe  29/06/2011)  desde  que  adote  fundamentação  suficiente  para  o  efetivo  julgamento  da  lide.  Logo, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário  exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido.  Para  evitar  qualquer  argüição  quanto  a  não  apreciação  do  pleito  de  ilegitimidade ativa da União Federal para exigir imposto de renda retido na fonte, é de ressaltar  que  a prerrogativa  dada  pelo  artigo  157,  I,  da Constituição Federal,  aos Estados  (e DF),  em  arrecadar  em  definitivo  o  IRRF  sobre  rendimentos  pagos,  a  qualquer  título,  por  eles,  suas  autarquias  e  pelas  fundações  que  instituírem  e  mantiverem,  apenas  implica  em  dispositivo  relativo  a  repartição  constitucional  de  receitas  tributárias,  sem qualquer  implicação  quanto  à  legitimidade ativa da União para exigir o IRPF por meio de Auto de Infração.  Nesse sentido, Leandro Paulsen:  "O  art.  157,  I  e  o  art.  158,  I,  são  dispositivos  que  tratam  da  repartição de receitas tributárias. Não cuidam, de modo algum,  de  distribuição  de  competência  tributária.  A  competência  para  instituição  do  IR  é  da  União  (art.  153,  III),  que  o  faz  por  lei  federal.  O  sujeito  ativo  é,  também,  a  União,  sendo  tal  tributo  administrado pela SRF. Os Estados,  o DF e os Municípios  são  simples destinatários do produto da arrecadação do imposto que  incide na fonte sobre a renda e proventos pagos por eles. Nesses  casos,  aliás,  os  Estados,  DF  e  Municípios  figuram  enquanto  substitutos  tributários  (obrigados à  retenção e ao  recolhimento  do  IR  na  qualidade  de  empregadores  como  qualquer  outra  pessoa  jurídica),  mas,  em  seguida  à  retenção,  em  vez  de  recolherem  em  favor  da  União,  farão  o  recolhimento  em  seu  próprio favor em face de serem destinatários constitucionais da  respectiva  receita."  (Direito  Tributário  Constituição  e  Código  Tributário  à  luz  da  doutrina  e  da  jurisprudência,  Livraria  do  Advogado  Editora,  12ª  edição,  2010,  pág.  419).  No  mesmo  sentido,  TRF  da  3ª  Região  (processo  n.  0012157­ 87.2003.4.03.6108,  j.  em 30/03/2011.O mesmo  raciocínio  se  Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.721050/2009­41  Acórdão n.º 2201­002.579  S2­C2T1  Fl. 121          5 aplica  à  alegação  de  não  enfrentamento  sobre  o  alegado  desrespeito  à  capacidade  contributiva,  com  a  ressalva  de  se  tratar de matéria de ordem constitucional,  cujo pretensão para  fins de afastar preceito legal expresso, ainda que a descontento  deste  julgador,  encontra  vedação  na  lei  processual  administrativa (artigo 26­A do Decreto n. 70.235/72).  O  mesmo  raciocínio  se  aplica  à  alegação  de  não  enfrentamento  sobre  o  alegado desrespeito à capacidade contributiva, com a ressalva de se tratar de matéria de ordem  constitucional,  cujo  pretensão  para  fins  de  afastar  preceito  legal  expresso,  é  vedado  pela  lei  processual administrativa (artigo 26­A do Decreto n. 70.235/72) e pela Súmula CARF n. 2.  Nada  há  de  se  falar  a  respeito  de  violação  ao  princípio  da  isonomia.  Isso  porque, não vislumbro identidade nas verbas de que trata a Resolução STF n. 245, de 2002 e o  que veicula a lei baiana.  A  legislação  federal  demonstra  apenas  que  o  subsídio  conhecido  como  “abono variável”  foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário  uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial.  Já a verba percebida pelo recorrente, na análise dos elementos constantes dos  autos,  se  traduz  em  recomposição  de  natureza  salarial,  ainda  que  paga  extemporaneamente,  razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza de rendimento, a classificação  que lhe dá a sua fonte pagadora.  Apesar de se  tratarem de rendimentos  recebidos acumuladamente, estes não  decorrem de condenação judicial, mas sim, tem como fonte obrigacional lei em sentido formal  e  material  (lei  estadual  n.  8730/90).  Logo,  inaplicável  o  entendimento  manifestado  pela  Primeira Seção do STJ ao julgar o Resp 1.118.429∕SP.  Rejeitadas as preliminares arguidas, passo ao mérito.  Com efeito, em que pese a expressa qualificação legal dada aos rendimentos  pela  lei  baiana,  o  C.  Superior  Tribunal  de  Justiça  tem  reiteradamente  decidido,  em  casos  análogos, que os valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%) têm natureza  remuneratória,  constituindo,  assim,  fato gerador do  imposto de  renda, nos  termos  do  art.  43,  inciso I, do CTN (RMS nº 19.088/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 20/04/2007;  RMS nº 19.089/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 20/02/2006; RMS nº 19.196/MS, Rel.  Min.  JOSÉ  DELGADO,  DJ  de  30/05/2005;  RMS  27.847/RS,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 16/08/2010; AgRg no Ag 1281129/PE, Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  22/06/2010,  DJe  01/07/2010; ).  Esse posicionamento foi  reafirmado em recente  julgado da Segunda Turma,  Relator Ministro Herman Benjamin, cuja ementa é a seguir transcrita:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  DIFERENÇA  SALARIAL  DECORRENTE  DA  CONVERSÃO DA URV (11,98%). INCIDÊNCIA.  1. A  jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça  firmou­se no sentido de  que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na  Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     6 conversão  de  suas  remunerações  da  URV  para  o  Real  têm  natureza  salarial  e,  portanto,  estão  sujeitas  à  incidência  de  Imposto  de  Renda  e  de  Contribuição  Previdenciária.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.  AgRg  no  REsp  1235069/MA  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  2011/0017583­0.  j.  em  24/05/2011 . DJe 30/05/2011.  Pela clareza do quanto decidido, transcrevo trecho de voto do Ministro José  Delgado, no RMS 19.196/MS, a seguir:  “8.  Infere­se  dos  autos  que  as  quantias  foram  pagas  em  razão  das diferenças retroativas da URV, devidamente corrigidas pelo  IGPM­FGV, referentes ao período de 01 de janeiro de 1996 a 31  de dezembro de 2000, que corresponde aos cinco anos anteriores  à decisão em que foi reconhecido o pagamento correspondente a  11,98%  (onze  vírgula noventa  e oito por  cento) decorrentes da  implantação da URV.  9.  Ora,  vê­se  claramente  que  as  quantias  foram  recebidas  em  decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes  mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial.  10.  Evidente,  pois,  que  tais  verbas  são  derivadas  de  benefício  nitidamente salarial.  11.  A  incidência  da  tributação  deve  obediência  estrita  ao  princípio  da  legalidade,  e,  conforme bem esposado pelo Exmo.  Des.  Relator  do  acórdão  recorrido,  a  definição  prevista  no  inciso  I, do artigo 43 do CTN se  subsume ao caso em questão,  isto porque, as quantias percebidas pelos recorridos são produto  do trabalho, e do trabalho não nascem indenizações.  12.  Ademais,  o  conceito  de  acréscimos  patrimoniais  abarca  salários e abonos e vantagens pecuniárias.(...)”  Logo,  ainda  que  recebidas  em  virtude  de  decisão  judicial,  insuficiente  a  qualificação  de  verbas  indenizatórias  dada  pela  Lei  Complementar  do  Estado  da  Bahia  nº  20/2003,  para  excluir  os  rendimentos  recebidos  (principais  e  acessórios)  da  tributação  pelo  imposto de renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1o do  artigo  43  do  CTN  e  inciso  I  do  §  2º  do  artigo  153  da  CF/88  (“A  incidência  do  imposto  independe da denominação da receita ou do rendimento ...”).  Entretanto,  voto  pela  exclusão  da multa  de  ofício,  pelo  fato  de  que  o  não  recolhimento do  IRPF se deu pela classificação dada aos  rendimentos pelo Estado da Bahia.  Logo,  a  exegese  da  fonte  pagadora  ao  considerar  a  verba  não  tributável  foi  decisiva  para  a  conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma  natureza atribuída pela fonte pagadora. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da  multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela  fonte pagadora (processo 17883.000287/2005­03, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso).  Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira:  "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112,  deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou  punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos  das  infrações  fiscais mais graves e para as quais o  texto da  lei  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.721050/2009­41  Acórdão n.º 2201­002.579  S2­C2T1  Fl. 122          7 tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas,  é  necessário  e  suficiente  um  dos  três  graus  de  culpa. De  tudo  isso  decorre  o  princípio  fundamental  e  universal,  segundo  o  qual  se  não  houver  dolo  nem  culpa,  não  existe  infração  da  legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito  Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques  meus).   No  mesmo  sentido  os  seguintes  acórdãos:  106­16801,  106­16360  e  196­ 00065, a seguir reproduzidos.  “(...) MULTA DE OFÍCIO ­ EXCLUSÃO ­ Deve ser excluída do  lançamento  a  multa  de  ofício  quando  o  contribuinte  agiu  de  acordo  com  orientação  emitida  pela  fonte  pagadora,  um  ente  estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por  ele  recebidos.  (...)”  (acórdão  106­16801,  de  06/03/2008,  da  6ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,relator  Conselheiro  Luiz Antonio de Paula)  “  (...)  MULTA  DE  OFICIO  ­  CONTRIBUINTE  INDUZIDO  A  ERRO  PELA  FONTE  PAGADORA  ­  Não  comporta  multa  de  oficio  o  lançamento  constituído  com  base  em  valores  espontaneamente  declarados  pelo  contribuinte  que,  induzido  pelas  informações  prestadas  pela  fonte  pagadora,  incorreu  em  erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.  (...)  (Acórdão  n°  106­16360,  sessão  de  23/01/2008,  relator  o  Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos)  “  (...)  MULTA  DE  OFÍCIO.  ERRO  ESCUSÁVEL.  Se  o  contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte  pagadora, um ente estatal que qualificara de  forma equivocada  os  rendimentos  por  ele  recebidos,  incorreu  em  erro  escusável  quanto  à  tributação  e  classificação  dos  rendimentos  recebidos,  não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)”  (acórdão n. 196­0006).  O C. Superior Tribunal de Justiça, de igual modo, ao admitir a exigência do  imposto do contribuinte, exclui a multa em casos semelhantes ao ora posto em julgamento:  RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS  EM  DECORRÊNCIA  DE  SENTENÇA  TRABALHISTA.  IMPOSTO  DE  RENDA.  RESPONSABILIDADE  PELA  RETENÇÃO  E  RECOLHIMENTO  DO  IMPOSTO.  AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I,  DA LEI N. 8218/91.   A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que  importe  em  responsabilidade  do  retentor  omisso,  não  exclui  a  obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda,  de  oferecê­la  à  tributação,  por  ocasião  da  declaração  anual,  como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte.  Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que  se  exija  a  exação  daquele  que  efetivamente  obteve  acréscimo  patrimonial,  não  se  pode  chegar  ao  extremo  de,  ao  afastar  a  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     8 responsabilidade  daquela,  permitir  também  a  cobrança  de  multa deste.  Recurso  especial  provido  em  parte  para  afastar  a  multa  aplicada.  REsp  439142/SC.  RECURSO  ESPECIAL  2002/0066669­2, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005  p. 267.(destaques meus).  Quanto aos juros moratórios, é de se manter a exigência do IR, por força do  decidido  pelo  STJ,  nos  autos  do  REsp.  n.  1.089.720­RS  (Primeira  Seção,  Rel. Min. Mauro  Campbell Marques,  julgado  em 10.10.2012),  na  qual  restou  assentada  a  tributação  dos  juros  moratórios  (acessórios),  quando  o  principal  (verbas  de  natureza  salarial),  se  tratam  de  rendimentos tributáveis, em delimitação do alcance do decidido em sede de repetitivo no REsp  n. 1227133.  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  voluntário  e  no mérito  lhe dou  parcial  provimento, para excluir a multa de ofício.  É o meu voto.  (assinado digitalmente)  German Alejandro San Martín Fernández  Voto Vencedor  Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado  Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San  Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento.  De início, cumpre registrar que o voto vencedor se restringiu na aplicação do  REsp  nº  1.118.429/SP,  portanto,  em  relação  aos  demais  questionamentos,  acompanho  os  fundamentos do Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.  Compulsando­se  os  autos,  verifico  que  as  verbas  recebidas  a  título  de  “Valores  Indenizatórios  de  URV”  advêm  de  diferenças  salariais  ocorridas  na  conversão  da  remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Os magistrados e/ou  membros  do  Ministério  Público  do  estado  da  Bahia,  moveram  ações  judiciais  para  reconhecimento das diferenças. Veja­se:  "AO 614 / BA ­ BAHIA AÇÃO ORIGINARIA, Relator(a): Min.  ELLEN GRACIE. Julgamento: 26/02/2003  Órgão  Julgador:Tribunal Pleno, Publicação: DJ 01­08­2003 PP­00101  EMENT VOL­02117­14 PP­02961:  AUTORES: AGNALDO BAHIA MONTEIRO E OUTROS   ADVDOS: ALCIR SANTOS DE OLIVEIRA E OUTROS   RÉU:  ESTADO  DA  BAHIA  ADVDO.:  PGE­  B  \  BRUNO  ESPINEIRA  LEMOS  ADVDOS.:  PGE­  BA  MANUELLA  DA  SILVA NONO E OUTRO  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.721050/2009­41  Acórdão n.º 2201­002.579  S2­C2T1  Fl. 123          9 Ementa: AÇÃO ORIGINÁRIA. MAGISTRADOS DO ESTADO  DA  BAHIA.  AÇÃO  DE  COBRANÇA.  VENCIMENTOS.  INCORPORAÇÃO  DO  ÍNDICE  DE  11,98  %  RELATIVO  À  CONVERSÃO  DE  VALORES  EM  URV  OCORRIDA  EM  MARÇO  DE  1994.  Competência  originária  deste  Supremo  Tribunal  reconhecida, nos  termos do art. 102,  I, da CF, ante a  comprovação de inexistência, no Estado da Bahia, de juiz de 1ª  instância que estivesse habilitado a  julgar o feito. Preliminares  suscitadas pelo Estado da Bahia afastadas pela insubsistência de  seus  fundamentos. Este Supremo Tribunal Federal, em decisões  anteriores, confirmou a efetiva redução nominal dos vencimentos  e proventos, por efeito da conversão do Cruzeiro Real em URV,  por  força  da  vigência  da  Lei  n°  8.880/94,  reconhecendo,  por  conseguinte, o direito ao recebimento dos valores decorrentes da  referida  dedução.  Precedentes:  ADI  n°  1.797,  Rel.  Min.  limar  Galvão, ADI  n°  2.321­MC, Rei. Min. Celso  de Mello  e ADI  n°  2.323­MC,  Rei.  Min.  Ilmar  Galvão.  Pedido  que  se  julga  parcialmente procedente, na forma explicitada.".  Assim,  as  leis  do  estado  da  Bahia  (Lei  Estadual  n°  8.730/2003  e  Lei  Complementar  n°  20/2003),  que  resultaram  no  pagamento  da  diferença,  foram  editadas  simplesmente  para  fins  orçamentários,  ou  seja,  para  dar  efetividade  ao  pagamento  das  diferenças. Veja­se:  Lei nº 8.730 de 08 de Setembro de 2003  Art.  4º  ­  As  diferenças  decorrentes  do  erro  na  conversão  da  remuneração  de  Cruzeiro  Real  para  Unidade  Real  de  Valor  ­  URV,  objeto  das  Ações  Ordinárias  nos.  613  e  614,  julgadas  procedentes  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  serão  apuradas,  mês  a mês,  de  1º  de  abril  de  1994 a  31  de  julho  de  2001,  e  o  montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36  parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a  dezembro de 2006.  (...)  Art.  6º  ­  As  despesas  decorrentes  da  aplicação  desta  Lei  correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando  o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se  fizerem necessárias. (grifei)  Cita­se, outrossim, o art. 2º da Lei Complementar nº 20 do Estado da Bahia:  Art.  2º  ­  As  diferenças  de  remuneração  ocorridas  quando  da  conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor ­ URV,  objeto  da Ação Ordinária  de  nº  140.97592153­1,  julgada  pelo  Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com  os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas  Ações Ordinárias nºs 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de  1º  de  abril  de  1994  a  31  de  agosto  de  2001,  e  o  montante  correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será  dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamentos  nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006.  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     10 (...)  Art.  4º  ­  As  despesas  decorrentes  da  aplicação  desta  Lei  correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando  o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se  fizerem necessárias. (grifei)  Nesse caso, deve­se aplicar sobre os rendimentos recebidos acumuladamente  as  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, conforme  comanda o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  decidiu  que  o  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente  deve  ser  calculado  de  acordo  com  as  tabelas  e  alíquotas  vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Veja­se:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  AÇÃO  REVISIONAL  DE  BENEFÍCIO  PREVIDENCIÁRIO.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  DE  FORMA  ACUMULADA.  1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.  2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art.  543C do CPC e do art.  8º  da Resolução STJ 8/2008. Resp  1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei)  Assim,  em  razão  do  REsp  nº  1.118.429/SP,  julgamento  sob  o  rito  do  art.  543C  do  CPC,  deve­se  aplicar  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  o  regime  de  competência, ou seja, as  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter  sido adimplidos.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  preliminar  e,  no mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  que  sejam  aplicadas  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  pagos, bem como excluir da exigência a aplicação da multa de ofício.      Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                Fl. 288DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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Numero do processo: 15586.001637/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Carodos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO O presente processo retorna depois da realização de diligência determinada por este Colegiado, nos termos da Resolução nº 1101-000.077, da qual colhe-se o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos: ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/12/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 797.002.605,17. O procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, objeto do Ofício 1890/2008-PR/ES/GAB/LFM, de 14/05/2008, reportando-se ao Ofício Decic/Gabin nº 2007/229, de 03/08/2007, no qual a autuada foi citada como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Especificamente em relação a ela, constou do referido ofício o que segue: d) O significativo incremento observado nas remessas de hedge em todo o País no 2° e 3° T/2004 (fl. 1078) se deu em razão de apenas 11 operações em nome da ADM do Brasil, correspondentes a US$ 269,3 milhões em 05/2004 e US$ 236 milhões em 07/2004. Esses valores são equivalentes respectivamente a 82% e 73% do total do País em cada trimestre. O total de remessas líquidas naquele titulo da empresa em 2004 (entradas de US$ 70,5 milhões menos saídas de US$ 555,9 milhões), no total de US$ 485,4 milhões, correspondeu a 56% do total do País, e a 38% do total de suas exportações no mesmo ano (fls. 1081/2). [...] Tais informações foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Posteriormente, a Procuradoria da República no Espírito Santo encaminhou aquele documento à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, requisitando procedimento fiscal para instrução do procedimento investigatório lá em curso. Inicialmente, em 18/05/2009, intimou-se a contribuinte a apresentar, além de documentação fiscal em geral: 03 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de Hedge, durante o ano-calendário de 2004; 04 — Contratos e demais documentos apresentados ao Banco Central para o registro das operações de remessa de Hedge no ano de 2004; 05 — Registros das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004, contabilizados nos Livros DIÁRIO e RAZÃO; 06 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 07 - Contabilização das remessas de Hedge ao final do ano-calendário 2004; 08 — Demonstrativo das variações monetárias ativas e passivas, referentes ao ano-calendário 2004; 09 — Apresentar documentação comprobatória do retorno ao Brasil dos recursos remetidos ao exterior sob a forma de Hedge no ano de 2004; Possivelmente pretendendo atender ao exigido, a contribuinte, depois de pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo, apresentou os elementos de fls. 16/822, por ela assim identificados: 02 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de remessa de Hedge, durante o ano de 2004; 03 — Registro na contabilidade das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004; 04 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 05 — Demonstrativo de variações cambiais ativas e passivas referentes As operações de Hedge no ano de 2004; Com relação ao item 04 acima especificamente, cumpre esclarecer que o volume de documentos que comprovam o lastro da operação de Hedge é enorme, envolvendo Kardex de estoques de silos e fábricas. Neste sentido, disponibilizamos um exemplo desta documentação para fins explicativos e análise, permanecendo à inteira disposição para disponibilizar qualquer documentação suplementar, bem como para fornecer os esclarecimentos suplementares que V. Sa. entenda necessários sobre esse e qualquer outro ponto [...] A referida documentação consiste em: - cópias de 18 (dezoito) contratos de câmbio em favor de ADM TRADING COMPANY, ADM INVESTOR SERVICES INC ou ARCHER DANIELS MIDLAND CO., mas todos declarando como operação SERV DIV-OUT-OP BOLSA MERC EXT-LUCR/PREJ REALIZAD (fls. 16/88); - resumo dos contratos de hedge e conversão para reais (R$) para fins de contabilização, no qual estão individualizadas operações, agrupadas mensalmente, que indicam o produto objeto do contrato, o valor líquido da operação e o valor da perda/ganho em US$, a taxa de conversão e os valores correspondentes em reais, que, somados, equivaleriam aos valores contabilizados, com a apuração de pequenas diferenças mensais. Tais diferenças, ao final de 2004, representam R$ 881.518,26, do total contabilizado de R$ 885.841.836,15 (fls. 89/97); - relatório por contas (matriz e filiais) e fechamentos dos contratos de câmbio com as respectivas perdas/ganhos, em língua estrangeira, aparentemente demonstrando as operações mensalmente realizadas por Archer Daniels Midland Company, em 2004. No primeiro sub-total do relatório de janeiro/2004, são comparados os montantes de 23,956,037.50 e 24,174,250.00, este último identificado, em anotação manuscrita, como valor p/recompra. A diferença entre eles, de 219,212.50 é identificada, também de forma manuscrita, como valor perda/ganho (fls. 98/678); - transcrição dos registros no Razão da conta nº 128116-501 ADM DECATUR EXERC FUTUROS, sob diversos históricos, indicando registros de juros, variação cambial e comissões, e especialmente de operações denominadas FUTUROS CLOSED e HEDGE CHICAGO. O saldo inicial indicado é negativo, no valor de R$ 40.501.120,44, mas segundo informação manuscrita estaria incorreto, pois deveria ser, também, negativo, no valor de R$ 530.905.477,68. O saldo final indicado é negativo, no valor de R$ 476.705.840,19, após lançamentos a débito de R$ 2.769.028.066,62, e a crédito de R$ 2.257.821.105,99. Seguem-se, ainda, registros nas contas nº 423130 CONTR.FUT.ENCERRADOS-HEDGE e 423130-501/502 AJUSTE P. HEDGE CONTR. FUT. FECH, que juntamente com a anterior evidenciam lançamentos a débito de R$ 4.202.856.551,44 e a crédito de R$ 2.799.852.490,36 (fls. 679/708); - posição dos contratos de originação de grãos, apontando mensalmente, para o “produto: soja”, montantes de inventário, que somados a compras em aberto, e reduzidos por vendas “em aberto MI”, “a fixar” e vendas “em aberto ME”, resultam em posição líquida, que é comparada com “posição Chicago” e evidencia valor denominado exposição, que oscila entre valores positivos e negativos. Acompanham esta consolidação outros demonstrativos em língua estrangeira, dos quais possivelmente foram extraídas as parcelas do demonstrativo inicial, relativamente ao mês de junho/2004, pois ali estão destacadas quantidades vinculadas a diferentes portos/entrepostos, correspondentes às apontadas sob as rubricas antes citadas, para determinação do resultado exposição; (fls. 709/713); - posição de contratos de processamento, expressa em demonstrativos em língua estrangeira, os quais iniciam com um consolidado de resultados mensais de janeiro/2004 a março/2005 relativamente a outros produtos, acompanhados por demonstrativos semelhantes individualizados por portos/entrepostos. Tais planilhas apresentam evoluções por 15 (quinze) meses, em 12 (doze) conjuntos de documentos que se iniciam em cada um dos meses de 2004 (fls. 714/811); - demonstrativo das variações cambiais ativas e passivas referentes às operações de hedge no ano de 2004, individualizando operações possivelmente liquidadas em uma mesma data, nas quais foi comparado o valor atualizado segundo a taxa fech com o valor atualizado segundo a taxa pag/rec, de forma a determinar o resultado de variação cambial, individual e total (fls. 812/822). No Termo de Verificação de Infração, a autoridade fiscal assim se manifesta acerca destes documentos: Após análise dos documentos apresentados, verificamos que os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte, porém os referidos documentos não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Em 05/07/2009, a autoridade lançadora exigiu outros elementos: 01 — Documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos futuros solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativo ao ano-calendário de 2004 (ADM- EUA); 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para cobertura das margens dos contratos futuros, entre a ADM do Brasil e a ADM Holdings LCC (ADM-EUA), relativo(s) ao ano 2004; 03 — Detalhamento das seguintes contas e respectiva contabilidade do ano-calendário 2004: a) Juros Ativos (R$ 480.249.592,51); b) Juros Passivos (R$ 402.340.524,96) e; c) Outras Despesas Financeiras (R$ 82.605.598,21); 04 — Demonstrativo de Cálculo dos Juros e da Variação Cambial escriturados na conta 128116- 501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS do Livro Razão; Após pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo para atendimento a esta intimação, a contribuinte esclareceu que: 01 — Com relação ao item 01 do Termo de Início de Diligência em referência [...], em cumprimento ao requisitado por V. Sa., apresentamos cópias dos comprovantes de transferência bancária (denominados "swifts" conforme linguagem bancaria) — (doc. 3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições contratuais da Intimada, resultantes das ordens eletrônicas inseridas em sistema de compras e vendas de posições contratuais de lotes-padrão as quais estão devidamente demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas. por ocasião do atendimento ao Termo de Inicio de Diligência n° 251/2009. Além disso, cumpre esclarecer que as obrigações relativas as posições financeiras da Intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company, principal empresa do grupo ADM no mundo, sediada na cidade de Decatur, Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América e que, em última instância, detém todas as demais companhias do organograma societário. 02 — No que tange o item 02 do Termo de Início de Diligência em referência [...], esclarecemos que, conforme explicado no item 01 da presente manifestação, a Archer Daniels Midland Company e a Intimada convencionaram que a cobertura das posições financeiras da Intimada é feita pela Archer Daniels Midland Company. O que ocorre é que, com base nos extratos mensais de transações de hedge, a Intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Tal fato pode ser comprovado através da análise da Contabilidade da Intimada e dos documentos apresentados. 03 — Sobre o item 03 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], cumpre-nos esclarecer que, conforme já discutido com V. Sa. em contato telefônico, os valores dos itens "a" e "b" acima (a saber, "Juros Ativos" e "Juros Passivos"), referem-se a Variações Cambiais Ativas e Variações Cambiais Passivas, respectivamente. Sendo assim, conforme entendimento telefônico mantido com V.Sa e dado o imenso volume de documentos que suportam os valores acima., disponibilizamos em anexo o razão contábil das contas (doc. 4) nas quais estes valores foram registrados pela Intimada para que, a vosso critério, seja feita uma seleção dos valores dos quais V.Sa. deseja verificar o detalhamento. Assim, tal como previamente combinado com V.Sa., uma vez nos sejam informados estes valores, providenciaremos a sua respectiva documentação suporte especifica. 04 — Com relação ao item 04 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], apresentamos planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação cambial desta conta, conforme requisitado. Os mencionados "swifts” estão juntados às fls. 830/856, redigidos em língua estrangeira. Na seqüência, consta o referido demonstrativo de cálculo dos juros e da variação cambial escriturados na conta 128116-501, em sua maior parte em língua estrangeira, mas aparentemente detalhando a composição mensal da conta 15703 e os efeitos da variação da taxa de câmbio entre o mês anterior e o mês atual (fls. 857/860), acompanhado de um outro demonstrativo que faz referência à conta 15702. Disse a autoridade fiscal ao elaborar o Termo de Verificação de Infração: Considerando que os novos documentos apresentados pelo contribuinte também não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de hedge, assim como deixou de apresentar o contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, emitimos o Termo de intimação Fiscal n° 295/2009, datado de 03/08/2009 [...] Em 07/08/2009 a contribuinte é cientificada de duas intimações, que exigem a apresentação de: 01 — Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancarias, contratos, etc.) relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia dos contratos futuros, entre a Archer Daniel Midland Company e a ADM do Brasil, para acerto posterior, relativo(s) ao ano 2004;, [...] 01 — Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company (em nome da ADM do Brasil Ltda) ou pela ADM do Brasil Ltda; 02 — Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM do Brasil, ano calendário 2004. Esclareceu a fiscalizada que: A liquidação das posições financeiras começa com a empresa que faz o papel de membro de compensação com a qual o Grupo ADM trabalha. Esta empresa é a ADM Investor Services, a qual determina os valores de margem positiva ou negativa relativos aos contratos de hedge para todas as empresas do Grupo ADM. Tal cálculo faz parte dos serviços de compensação e corretagem que a ADM Investor Services presta para todos os seus clientes, incluindo tanto empresas do Grupo ADM, como terceiros. Aqui, faz-se importante entender a característica e o papel desempenhado por esta empresa. A ADM Investor Services é um membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e de outras bolsas de valores pelo mundo. O papel da ADM Investor Services é similar ao papel de um membro de compensação na BM&FBovespa. Esta designação é importante porque, como um membro de compensação de uma Bolsa, esta é uma entidade financeira altamente regulada, sujeita a regulamentação e supervisão da Commodities Futures Exchange Commission — CFTC — que é um órgão regulador no que tange as Bolsas de Mercadorias e Futuros (commodities) nos Estados Unidos da América e, neste sentido, precisa ser autorizada e licenciada a operar, bem como precisa observar as normas e regulamentações das Bolsas nas quais opera. Tal regulamentação e supervisão é, de uma maneira geral, mais extensa que as que se aplicariam a uma corretora. Isto porque, a exemplo do que ocorre no Brasil com as instituições financeiras que atuam como membros de compensação na BM&FBovespa, como um membro de compensação, a ADM Investor Services mantém contas com corretoras e investidores em commodities, assegura que as transações são executadas e liquidadas de acordo com as regras da Bolsa, calcula e liquida as margens de garantia e emite reportes para pessoas físicas e jurídicas das quais ela mantém conta. Os membros de compensação são plenamente responsáveis pela liquidação das obrigações decorrentes de todas e quaisquer operações a eles atribuídas, bem como pelo recebimento, autenticidade e legitimidade de todos os ativos, garantias e valores a tais operações. Assim, a responsabilidade da ADM Investor Services é de liquidar as operações de todos os seus clientes (sendo que mais de oitenta por cento deles são terceiros que não entidades do grupo ADM) e reportar para a Bolsa. A ADM Investor Services reporta operações de mercado, já que possui um sistema integrado com a Bolsa em tempo real, e paga comissões para a Bolsa com relação às operações de seus clientes. Neste sentido, membros de compensação como a ADM Investor Services são encarregados pela Bolsa com a qual operam, da responsabilidade de executar e assegurar o cumprimento das regras da Bolsa e da CFTC para suas contas, especificamente com relação aos limites impostos, requerimentos de margem de cobertura, garantias, dentre outros. As instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a ADM Investor Services são baseadas nos extratos das operações de hedge já entregues a V. Sa. na resposta ao Termo de Inicio de Diligência n. 251/2009, os quais são a prova das posições contratuais para cada conta e das requisições de margem de cobertura a elas atreladas. As operações detalhadas nestes extratos são rigorosamente controlados e conferidos pela ADM Investor Services como parte de sua função de membro de compensação, pela Archer Daniels Midland Company e, obviamente, pela Intimada como parte de sua conferência para contabilização de suas operações e resultados de hedge, especificamente para garantir que os contratos de hedge estejam registrados corretamente e que se refiram aos ativos pelos quais as operações de hedge da Intimada estejam lastreados. Os resultados nos extratos das operações acima mencionados são emitidos pela ADM Investor Services a fim de reportar todos os ganhos ou perdas nos contratos de hedge. Importante mencionar que as margens de cobertura iniciais para cada contrato são determinadas pela Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT). Tal determinação é aplicada pela ADM Investor Services para cada conta por ela gerenciada, a fim de calcular as margens de cobertura relacionadas a cada um dos contratos de hedge de seus clientes, de maneira similar ao que ocorre no Brasil com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa). Importante ressaltar que, assim como na BM&FBovespa no Brasil, é raro que investidores negociem diretamente na Bolsa e, desta forma, não fazem ou recebem pagamentos diretamente da Bolsa e sim por meio das entidades participantes ou dos membros de compensação. Consequentemente, os documentos comprobatórios pedidos por V. Sa. com relação aos pagamentos da Archer Daniels Midland Company para a Bolsa não existem. Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele devem ser adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services. Assim, os pagamentos são, em última instância, feitos para a ADM Investor Services, a qual, por sua vez, interage financeiramente com a Bolsa no seu papel de membro de compensação. Tal resposta foi acompanhada de documentos em língua estrangeira, um deles relacionando várias instituições sob o título Clearing Firms, entre elas a ADM Investor Services Inc., e outro que aparenta referir-se a um cadastro desta mesma empresa (fls. 869/871). Segue-se, então, reprodução parcial do Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Derivativos BM&F (fls. 873/891) e de material produzido por ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, denominado Soja Verde para um Mercado Maduro, divido nos capítulos: o sucesso da expansão de uma cultura, avanços tecnológicos e comerciais, eliminando riscos e responsabilidade das partes nos “contratos de soja verde” (fls. 892/897). Às fls. 898/927 consta Relatório Anual 2004, concernente às operações e resultados da autuada, seguido do Relatório Anual 2008 (fls. 928/943). Na seqüência, constam cópias de publicações do The Wall Street Journal datadas de dezembro de 2004, e reproduções de informações extraídas da Internet no sítio www.cbot.com./cbot/pub/page (Chicago Board of Trade) aparentemente ao final de cada mês de 2004 (fls. 944/999). A análise da autoridade fiscal acerca destes elementos foi assim expressa no Termo de Verificação de Infração: Considerando que o contribuinte informou em sua resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 295/2009 e 296/2009, que "Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele deve adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services, emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 303/2009 [...] Segue-se nova intimação, lavrada em 25/08/2009, exigindo documentação semelhante às anteriormente lavradas, mas agora citando a operadora ADM Investor Services, e não mais a Archer Daniel Midland Company: 1. Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 2. Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil Ltda; 3. Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM Investor Services ou ADM do Brasil, ano calendário 2004. Em resposta, disse a contribuinte: [...] vem à presença de V. Sa., em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal em referência, informar que, com relação aos itens 1, 2 e 3 do referido Termo, apresenta correspondência elaborada pelo CME Group (o qual envolve a Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova Iorque (New York Mercantile Exchange — NYMEX)), a qual: i) esclarece que a Bolsa de Chicago (CME) não entrega nenhum tipo de extrato ou outro documento informativo diretamente aos titulares das contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc. (sendo que isso é responsabilidade da própria ADM Investor Services, Inc. na sua função de membro de compensação), atestando a posição de membro de compensação ("clearing member) licenciado e qualificado da ADM Investor Sevices, Inc.; e; ii) atesta que a Bolsa de Chicago (CME) não recebe e não efetua pagamentos diretamente aos titulares de contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc., referentes às transações efetuadas pela ADM Investor Services, Inc. por conta e ordem destes titulares. Neste sentido, portanto, a Intimada apresenta os documentos abaixo relacionados a fim de comprovar os pagamentos/recebimentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para a Bolsa de Chicago (CM E). Importante mencionar que, dado o imenso volume de documentos que suportam tais transações financeiras diariamente, a Intimada apresentará um conjunto de documentos exemplificativo da operação, o qual é composto por: 1) Extratos de dois dias úteis em sequência (a saber, 16/12/2004 e 17/12/2004), os quais contêm um sumário de todas as transações efetuadas pelas contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc (os quais por sua vez incluem as contas da ADM do Brasil); 2) Extrato com o cálculo da variação de margem, emitido pela Bolsa de Chicago (CME), o qual contém o valor a ser pago ou recebido decorrente da variação de um dia para o outro; 3) Comprovantes das transferências bancárias feitas da Bolsa de Chicago (CME) e outras bolsas para a ADM Investor Services, relativas aos valores de variação de margem. A Intimada esclarece que permanece à disposição de V. Sas. para o fornecimento de documentos relativos a quaisquer outras datas que sejam de interesse deste Órgão. Além disso, tendo em vista o volume de documentos, a Intimada requer uma reunião com V. Sas. a fim de explicar a relação entre os documentos. Às fls. 1009/1010 consta documento em língua estrangeira, em papel timbrado de CME Group, acompanhado de tradução juramentada que expressa termos semelhantes aos reproduzidos na resposta da contribuinte à intimação. Na seqüência, estão os demonstrativos de operações de 16 e 17/12/2004, referidos também na resposta (fls. 1011/1023). O documento de fl. 1024 refere-se a um pedido de prorrogação de prazo que teria sido concedido em nossa última reunião. Segue-se, então, demonstrativo denominado Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para Bolsa de Chicago (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004, acompanhado de documentos individualizados para cada pagamento (fls. 1025/1483). Há, ainda, documentos que aparentam ser print de telas de sistema mantido por Chicago Board of Trade, com informações em diferentes datas de 2004 (fls. 1484/1495). Assevera a autoridade fiscal, no Termo de Verificação de Infração, que estes elementos foram apresentados em complemento ao Termo de Intimação Fiscal anterior. Na seqüência, depois de solicitar em 07/12/2009 livros fiscais e demonstrações financeiras da autuada (fl. 1498/1499), juntados às fls. 1500/1604, o agente fiscal também anexou os elementos de fls. 1605/1937, que demonstram fluxograma de pagamentos – Grupo ADM, indicação da autuada em 5o lugar no ranking de desempenho de exportadores brasileiros em publicação não identificada, resumo da movimentação financeira das operações de hedge no dia 17-12-2004, seguido de documentos em língua estrangeira que teriam sido emitidos por ADM TRADING COMPANY e aparentam se reportar a operações de 16/12/2004 e 17/12/2004, semelhantes a alguns apresentados no conjunto de elementos que integram as fls. 98/678, intercalados com outros que teriam sido emitidos por ADM Company . Disse a autoridade fiscal no Termo de Verificação de Infração que estes documentos foram entregues pela contribuinte quando de seu comparecimento à DRF em 17/12/2009, com o intuito de explicar mais detalhadamente as operações de hedge efetuadas. Em 11/12/2009 a autoridade lançadora intimou a contribuinte a apresentar Relatório com a discriminação da Conta 128116 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS, informando a totalização dos valores que são transferidos para Resultado do Exercício e quais valores seguem para as contas patrimoniais. Exigiu que o relatório fosse separado por Contratos Fechados Hedge; Variação Cambial; Juros s/ execução de futuros; Comissões e; Outros (fl. 1938). A resposta da contribuinte indica: Valores em R$ DESCRIÇÃODÉBITO/(CRÉDITO)CONTRAPARTIDA SALDO INICIAL (530.905.477,68) N/A RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS (885.075.593,48)423130 VARIAÇÃO CAMBIAL(90.893.868,32)744100-524 JUROS(11.237.721,23)709400 CORRETAGEM E COMISSÃO(1.547.712,38)405170 OUTROS (56,42)124746-501/616075 PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS1.505.961.912,45BANCOS SALDO FINAL(13.698.517,05) Às fls. 1940/2019 consta demonstrativo aparentemente elaborado pela autoridade lançadora, que reproduz lançamentos do Razão da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS, bem como da conta Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech., e demonstra a transferência de valores para o resultado do exercício, no valor total de R$ 380.940.696,59 a crédito e de R$ 1.266.737.797,04, resultando em saldo devedor do resultado – dez/2004 no valor de R$ 885.797.100,45. Após reprodução da DIPJ e das DCTF do ano-calendário 2004, segue-se o Termo de Verificação de Infração, no qual a autoridade lançadora conclui que o contribuinte não comprovou a aplicação dos recursos enviados ao exterior para pagamento das coberturas das margens dos contratos de hedge, de modo que foram glosados os custos e despesas referentes a estas operações. A autoridade lançadora, ante a possibilidade aventada pelo Banco Central do Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98, e tendo em conta os contratos de câmbio por ela apresentados – os quais, considerando entradas e saídas de recursos, resultaram em remessas líquidas de US$ 485.402.679,44, ou R$ 1.505.663.764,05, em 2004 –, constatou o que segue: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior, sendo que parte para a ADM Company (empresa principal do grupo ADM - Remessas de R$ 724.163.604,31) e parte para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM - Remessas de R$ 781.500.159,74). Conforme detalhado acima verificamos que somente 51,90 % dos recursos remetidos ao exterior são destinados diretamente à empresa de Investimentos do grupo, ADM Investor Services, sendo 48,10 % dos recursos enviados a ADM Company (empresa holding do grupo ADM); • Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), as empresas recebedoras dos recursos (ADM Company e ADM Investor Services) e a empresa que aplica os recursos nas Bolsas de Mercadorias (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116-501 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 679/708 e 828); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão - Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS - Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento - Cálculo de Exposições, Comprovantes de transferência bancária - Swifts, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago, Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações BM&F, Livreto da ABIOVE - Soja Verde para um Mercado Maduro, Relatório Anual 2004 - ADM Company - O Vinculo Essencial, Relatório Anual 2008 - ADM Company - Vital para o Mundo, Cotações de Soja e derivados - The Wall Street Journal, Chicago Board of Trade - Soja e Derivados, Extrato com o calculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago, Relatório dos Pagamentos Efetuados pela ADM Investor Services Inc. para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências, e Relatórios diários dos preços dos contratos futuros) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; • O relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de recursos, referem-se conta NSEG CLR PB 905- ADM Investor Services (fls. 1025/1483), isto é, não identifica de que grupo de empresas ou empresa se refere à transferência, de forma que entendemos que estas transferências de margem se referem a todas as contas administradas pela ADM Investor Services, inclusive de terceiros que correspondem a mais de 80% de suas operações (conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 - fls. 867); • Abaixo apresentamos um quadro comparativo do faturamento, deposito de margens e índices sobre a ADM Investor Services, ADM Company (matriz - EUA) e ADM do Brasil:   ADM Investor Services ADM Company ADM do Brasil Faturamento (US$ Mil)   36.151.394,00 1.962.367,00 Depósito de Margens (US$ Mil) 2.266.122,70 453.224,54 485.402,68 Índice % (Dep. Marg./Fatur.)   1,25% 24,73% Obs: 1) O faturamento da ADM Company foi retirado do Relatório Anual 2004 — O Vinculo Essencial (fls. 899); 2) A Receita Bruta (consideramos o faturamento) da ADM do Brasil foi de R$ 5.739.728.506,82, conforme valores declarados em Balancete e DIPJ (fls. xx/xx), isto equivale a US$ 1.962.367.433,70, considerando o dólar médio anual de 2,9249 (fonte BCB-DEPEC); 3) O deposito de Margens da ADM Investor Services foi retirado do relatório "Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago - ano 2004". (fls. 1025/1030); 4) O Deposito de Margens da ADM Company foi considerado 20% do Deposito de Margens da ADM Investor Services (mais de 80% são das operações são de terceiros, conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 — fls. 867); 5) O Deposito de Margens da ADM do Brasil foi considerado o somatório liquido das remessas/recebimentos de divisas enviados/recebidos pela ADM do Brasil ao exterior no ano de 2004, em virtude da cobertura de margens de contratos futuros de hedge (fls. 17/89). • Conforme observamos no quadro acima, o contribuinte (ADM do Brasil), informa que remeteu ao exterior sob forma de contratos futuros de hedge, 24,73% do seu faturamento, enquanto que a ADM Company, empresa holding que atua no mesmo ramo de atividade, aplica apenas 1,25% do faturamento de suas empresas para cobertura de margens de garantia de hedge. Analisando os índices, verificamos uma grande divergência, corroborando para o entendimento de que não houve de fato a aplicação dos recursos nas operações de hedge alegadas pelo contribuinte. • Durante análise da escrituração eletrônica da empresa ADM do Brasil, verificamos que a conta 128116 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, onde estão escrituradas a "conta-corrente" entre a ADM do Brasil e ADM Company (operações de adiantamento de Hedge) e operações de remessas/recebimentos de câmbio relativos ao Hedge, inicia o ano de 2004 com um saldo credor de R$ 530.905.477,65 (Hedge relativos aos anos anteriores), restando um saldo credor final de R$ 13.698.517,05 (anos posteriores). Diante destes dados, podemos concluir que a diferença entre os saldos, no valor de R$ 517.206.960,60, não se refere ao ano calendário de 2004, não sendo apurados no resultado deste exercício (fls. 1940/1994); • A ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão - conta "423130 - Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." - fls. 1995/2019) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, e conseqüentemente será levantada nova base de calculo (Lucro Real) para apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS - -OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 - GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 - Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 885.797.100,45 (oitocentos e oitenta e cinco milhões e setecentos e noventa e sete mil, cem reais e quarenta e cinco centavos), conforme Livro Razão, conta 423130 e balancete as fls. 1530 e 1995/2019. A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 4.2 — GLOSA DE DESPESAS As despesas acessórias com as operações de Hedge (variação cambial, juros e comissões), contabilizadas na conta "128116-501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS", foram utilizadas como deduções na demonstração do resultado do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, isto é, que os pagamentos das margens de garantia dos contratos futuros de hedge fechados não foram comprovados (principal), conclui-se que as despesas acessórias (juros, variação cambial e comissões relativas a estas operações) também não foram comprovadas, de forma que estas despesas serão glosadas e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como despesas acessórias com atividades de Hedge foi de R$ 102.659.703,00 (cento e dois milhões, seiscentos e cinqüenta e nove mil, setecentos e três reais), calculado da seguinte: Histórico Valor Remessas de Divisas ao Exterior - Hedge — Vide Constatações 1.505.663.764,05 (-) Saldo Inicial da Conta 128116-501 — ADM DECATUR 530.905.477,65 (+) Saldo Final da Conta 128116-501 -ADM DECATUR 13.698.517,05 (-) Custos da Operação de Hedge — Conta 423130— item 4.1 do Termo 885.797.100,45 Total de Despesas Acessórias (variação cambial, juros e comissões) 102.659.703,00 Obs: 1) Vide cálculos apresentados pelo contribuinte (fls. 1939) que serviram como base, pois são valores bem próximos aos utilizados e utilizam a mesma regra de calculo. 2) Utilizamos os valores declarados nos documentos entregues, livros fiscais e balancete (fls. 17/89, 1530, 1940/1994 e 1995/2019). A glosa de despesas tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 396, do RIR/99.do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submete-se às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 2020/2079). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DIPJ e LALUR— fls. 2020/2079 e 1552/1599), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 5.527.847.817,83 5.527.847.817,83 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) -5.327.012.457,69 -4.441.215.357,24 Lucro Bruto 200.835.360,14 1.086.632.460,59 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais (2) -242.285.581,20 -139.625.878,20 Lucro Operacional -41.450.221,06 947.006.582,39 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 174.563,51 174.563,51 Resultado do Período -41.275.657,55 947.181.145,90 (+) Adições / (-) Exclusões (3) 207.804.771,90 207.804.771,90 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 166.529.114,35 1.154.985.917,80 (-) Compensação de Prejuízos -49.958.734,30 -49.958.734,30 Lucro Real/Prejuízo Fiscal 116.570.380,04 1.105.027.183,49 Obs: (1) Os custos das mercadorias relativos aos contratos de hedge fechados, no valor de R$ 885.797.100,45, foram glosados pela fiscalização; (2) As despesas da variação cambial realizada, juros e comissões, relativas aos contratos de Hedge fechados, no valor de R$ 102.659.703,00, foram glosadas pela fiscalização; (3) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 29/12/2009, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA NÃO OBSERVÂNCIA DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO-CALENDÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL NULIDADE DE PARTE DA AUTUAÇÃO FISCAL PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA IMPUGNANTE – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE DO MÉRITO 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA IMPUGNANTE – DA INCONGRUÊNCIA DOS DADOS DO BACEN – DO QUADRO COMPARATIVO ELABORADO PELO D. AGENTE FISCAL – DA INSUBSISTÊNCIA DO OBJETO DA AUTUAÇÃO – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE PRATICADAS PELA IMPUGNANTE 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS 3 – AD ARGUMENTANDUM – DA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS AUFERIDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR, AINDA QUE NÃO FOSSEM CONSIDERADAS OPERAÇÕES REALIZADAS EM BOLSA 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. Quanto às alegações da não observância do procedimento previsto no Parecer Normativo nº 02/1996 no tocante à postergação de pagamentos, da ausência de dedução dos recolhimentos efetuados pela interessada a titulo de antecipações no ano-calendário de 2004 na apuração da base tributável e de equívocos cometidos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos esclareceu que elas seriam oportunamente abordadas, visto se tratarem de questão de mérito, não ensejando, deste modo, nulidade dos referidos lançamentos. No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratando-se de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa, e afastou a aplicação do Parecer Normativo n° 2/96 uma vez que não foi verificada inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas. Centrando-se na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de tê-los apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido e frisou o fato de o procedimento fiscal ter decorrido de demanda externa requisitória solicitada pelo Ministério Público Federal e Banco Central do Brasil, muito embora a infração tenha decorrido da falta de atendimento às intimações e reintimações feitas à empresa para que prestasse esclarecimentos acerca das remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago, em virtude das operações de hedge de commodities agrícolas. Quanto aos contratos de câmbio apresentados, destacou que não obstante a afirmação de que a conta-corrente indicada para crédito nos contratos de câmbio (fl. 17/89) ser a mesma, tem-se como destinatários dos recursos a ADM Company e ADM Investor Services, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Registrou que inconsistências no quadro elaborado pela Fiscalização não maculam o lançamento. E, quanto aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, ratifica-se correta a glosa dos mesmos, pois, como não restaram comprovados os pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de hedge fechados, as despesas acessórias também não estão confirmadas, devendo receber necessariamente o mesmo tratamento tributário. Frisou tratar-se de interpretação sistemática das normas jurídicas disciplinadoras da dedutibilidade das despesas para efeitos fiscais. Declarou insuficientes as tabelas acostadas aos autos na impugnação intituladas Doc. 10-a, Doc. 10-b e Doc. 10-c elaboradas pela própria interessada, sem a apresentação de sua escrituração fiscal/contábil (inclusive livro LALUR) e dos documentos pertinentes, para prova da alegada adição de parte das variações cambiais glosadas. Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos ao ano-calendário de 2004, sendo considerados como valor tributável somente a infração no valor de R$ 988.456.803,45, que corresponde à diferença entre os valores apurados pela fiscalização e os valores informados pela interessada em sua DIPJ. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 2681/2685) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 2686/2687) e na DIPJ 2009/2008 (fl. 2735), os saldos existentes em 2004 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas na DIPJ 2005/2004, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado de R$ 29.118.595,02 e o saldo negativo apurado no valor de R$ 108.620.949,89 foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fl. 2688/2689); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL. Afastou a aplicação da Solução de Consulta Interna n° 23, de 21 de dezembro de 2006, vez que foi lançada, como já visto, a diferença entre os tributos apurados após as glosas e os declarados. Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/11/2010 (fl. 2765), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/12/2010 (fls. 2768/2848), acompanhado dos documentos de fls. (2847/2876), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede em Decatur, Estado de Illinois, EUA) ser líder mundial no desenvolvimento responsável e sustentável da agricultar e bionergia, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 9 milhões de toneladas de sementes de oleaginosas, milho e trigo por ano, contando com 73 filiais e 3.000 funcionários, movimentando mais de 65% do total de soja produzido no Brasil, juntamente com outras três empresas (Bunge, Cargil e Dreyfus), processando 3,5 milhões de toneladas de soja por meio de suas quatro fábricas no Brasil, e atuando, também, nos ramos de fabricação e comercialização de fertilizantes, biodiesel e álcool extraído de cana-de-açúcar. Reputa necessárias estas considerações para demonstrar o volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM, inclusive a Recorrente, bem como a necessidade de uma estrutura dedicada para operar o grande volume de operações de hedge. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) não foi observado o procedimento previsto no artigo 273 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, no tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação no ano-calendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Afirma a ocorrência de postergação em razão da tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil (art. 25 da Lei nº 9.249/95 e art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99), relativamente à qual inexiste qualquer restrição à compensação de prejuízos ou perdas em operações realizadas no exterior com lucros lá auferidos, como bem expressa o art. 7o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 633/2006, em consonância com o art. 76, §§ 4o e 5o da Lei nº 8.981/95. Em conseqüência, os resultados líquidos negativos apurados em operações realizadas no exterior, que não se enquadrem como operações de cobertura (hedge) realizadas diretamente em bolsa de valores, poderão ser utilizados para absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios subseqüentes. Entende que ofende o conceito de renda e lucro não se permitir a utlização de prejuízos e perdas apuradas em operações realizadas no exterior em determinado ano-calendário para a absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios posteriores, motivo pelo qual é inadmissível a exigência de tributos sobre a glosa de R$ 885.797.100,45, uma vez que esse valor, ou ao menos parte dele, já foi oferecido à tributação, já no ano-calendário seguinte. Nos termos do art. 273 do RIR/99, quando o contribuinte computar na apuração do lucro real uma dedução que apenas poderia ocorrer em período-base futuro, aplica-se a regra relativa à postergação do pagamento. Nulo é o lançamento em razão de erro no critério jurídico adotado, pois, nesses casos, o lançamento de eventual diferença deve ser feito pelo valor liquido, compensando-se o valor do pagamento realizado em outro exercício ao que o contribuinte tinha direito. Cita jurisprudência administrativa neste sentido. Frisa que o lançamento foi formalizado porque no entendimento do D. Agente Fiscal, e que foi mantido pela decisão da DRJ/RJ, tal resultado negativo não poderia ter sido deduzido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL no ano-calendário de 2004, mas apenas e tão somente utilizado na absorção de resultado positivo apurado no ano-calendário subseqüente (2005). Indica o documento nº 2, juntado à impugnação, como prova de que no ano-calendário subseqüente (2005), embora a Recorrente tenha apurado resultado positivo em operações realizadas no exterior, ela não mais possuía nenhum resultado liquido negativo apurado em período anterior, de forma que não houve qualquer redução dos resultados positivos apurados no ano de 2005, bem como traz quadros comparativos, em seu recurso, para demonstrar os efeitos do pagamento postergado alegado. Reporta-se aos documentos nº 3 e 4, juntados à impugnação, que provariam os pagamentos efetuados em 2005, e reafirma a aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/96. Esclarece que o erro no critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora enseja a nulidade do lançamento, ao contrário de um simples erro de fato. No que tange à nulidade decorrente da desconsideração das antecipações realizadas no ano-calendário 2004, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma novamente que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações de 2004, o IRPJ devido seria reduzido de R$ 247.114.200,86 para R$ 80.097.506,33, e a CSLL de R$ 88.961.112,31 para R$ 28.637.099,64. Especifica a forma de quitação das estimativas apontadas para aquele ano-calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõe-se à cogitação de que a compensação das antecipações de IRPJ e de CSLL realizadas no decorrer do ano-calendário com os tributos apurados no final do período seriam mera faculdade conferida aos contribuintes, invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006 e discordando da interpretação que lhe foi dada na decisão recorrida. Defende que naquele ato determinou-se, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos correspondem exatamente à aplicação do percentual de 34% (25% de IRPJ e 9% de CSLL) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações, o limite de isenção do adicional do IRPJ e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, ante o incremento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reporta-se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida, acrescentando que caso fosse o necessário, deveria a Fiscalização, posteriormente, autuar a Recorrente nos anos-calendário de 2005 e 2006 para a cobrança de IRPJ e CSLL devidos em razão da inexistência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Ainda argüindo a nulidade do lançamento, mas agora apenas no que tange à glosa de juros, comissões e variações cambiais, discorda da conclusão fiscal de que tais despesas seriam acessórias às despesas de hedge e, portanto, indedutíveis, sem qualquer análise da aplicação da regra de dedutibilidade cabível. Cita o art. 299 do RIR/99 e o Parecer Normativo CST nº 32/81 para expressar o seu entendimento sobre o que é uma despesa necessária e usual, concluindo depois que só seria possível glosar a dedutibilidade de tais despesas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Recorrente, caso a Fiscalização comprovasse que elas não preenchem os requisitos previstos no artigo 299 do RIR/99, o que todavia, não foi feito. Assevera que as operações e as margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, e a alegação de não terem sido efetuadas em bolsa não afeta a dedutibilidade dos demais encargos, especialmente em relação às variações cambiais que são despesas incorridas no País. Como eram necessárias as operações de cobertura, lícita é a dedução dos juros, comissões e variações cambiais. Especialmente em relação às variações cambiais, destaca que a fiscalização valeu-se apenas da “acessoriedade” das despesas para a glosa, sem ter em conta o momentum da liquidação das operações de hedge praticadas, em consonância com o regime de caixa imposto pelo art. 30 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, para tributação destes valores. Acrescenta que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o montante de R$ 38.561.164,02 do total de variações cambiais glosadas pela Fiscalização. Finaliza seu pedido de declaração de nulidade do lançamento aduzindo: Ora, se uma simples indagação à Recorrente no curso do processo de fiscalização ou, então, breve folheada no Livro de Apuração do Lucro Real seria suficiente para afastar a tributação das despesas com juros, comissões e variações cambiais incorridas pela Recorrente, não se pode afirmar, com consciência tranquila, que houve observância ao art. 142 do CTN e aos bons princípios da administração publica. Pretende, também, a declaração de nulidade da decisão recorrida, uma vez que deixou de apreciar todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Relaciona os tópicos de sua defesa, aduz que os julgadores de 1a instância limitaram-se a se manifestar, vagamente, sobre alguns pontos levantados na impugnação, e aponta, a título de exemplo, que ante a longa argumentação acerca da nulidade do auto de infração em razão da não observância da postergação do pagamento dos tributos decorrentes de operações de hedge realizadas no exterior, a autoridade julgadora não se manifestou acerca dos argumentos ventilados na defesa, tais como aplicabilidade do artigo 273 do RIR no presente caso, ocorrência de erro material, dentre outros. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 98 a 678); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 679 a 708); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas As operações de hedge da Recorrente (fls. 16 a 89); • Relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências (fls. 1017 a 1030); • Extrato diário com o cálculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago (fls. 1025 a 1483); Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da suposta falta de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a BM&F não possuía a liquidez necessária para garantir aos agentes de mercado de soja a efetividade buscada para seus instrumentos de hedge, havendo inclusive o risco dos agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Exemplifica que realizou cerca de 139.000 contratos de hedge, dos quais apenas 2% poderiam ser absorvidos pela BM&F. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam-se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 163. Para efetuar as operações de hedge, as subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou cliente das empresas do Grupo ADM. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 164. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago. [...] 166. Em resumo, as Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 168. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias, efetivada pelo sistema da ADM Trading, importa dizer, dentre outros fatores, decorre da necessidade de melhor cumprir as regras do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago e do órgão regulador norte-americano (i.e., the Commodity Futures Trading Commission ("CFTC")). Essas regras, como ditas anteriormente, não são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o que consta no parágrafo anterior, a Recorrente anexa ao presente recuo carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex-diretor jurídico e ex-vice-presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03). Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado do Grupo CME [que integra as Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros de Chicago e de New Yokr], o que a autoriza a atuar junto as bolsas de valores e mercadorias e futuros do Grupo CME, em nome do Grupo ADM e de outros clientes (terceiros não relacionados) na qualidade de instituição financeira, acrescentando que sua atividade é altamente regulada, dado atuar nas maiores Bolsas de mercadorias e futuros do mundo e influenciar nos investimentos realizados por milhões de investidores ao redor do mundo. Aponta, ainda, declaração à fl. 1010 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, a evidenciar que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em "conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial", como consignado na ementa da r. decisão recorrida, já que se trata de documento inexistente cuja obtenção é impossível! Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, estando parcialmente correta a afirmação fiscal acerca destes pagamentos globais, com exceção de que as transferências à Bolsa de Chicago, por determinação das normas dos órgãos regulatórios norte-americanos, são feitas em dois grupos, para manter os recursos recebidos de seus clientes separadamente daqueles de titularidade das empresas do Grupo ADM. Esclarece, assim, que a conta NSEC CLR PB 905 – ADM Investor Services consolida somente operações do Grupo ADM liquidadas pela ADM financeira. Asseverando que os recursos necessários para os pagamentos à Bolsa de Chicago são adiantados à ADM Financeira pela ADM Co., descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: • Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. • A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. • A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. • Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Assim, na medida em que o mecanismo de contratação e liquidação das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago envolve a centralização e consolidação do fluxo de pagamentos na ADM Financeira, impossível era a prova requerida pela Fiscalização. Acrescenta que a atuação da ADM Company é normal, pois seria praticamente impossível a realização de remessas internacionais diárias para a cobertura das margens à ADM Financeira, realizando-se adiantamentos e promovendo-se reembolsos mediante conta-corrente dentro do mesmo grupo econômico. Mais a frente reafirma que a conta-corrente indicada nos contratos de câmbio é sempre da ADM Company, embora a ADM Financeira também tenha sido indicada, pela Fiscalização, como destinatária dos recursos. Conclui, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 17/89), bem como os comprovantes dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago (fls. 1025/1043) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 201. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam exatamente conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte-se, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. Ora, quer parecer à Recorrente que tal evidência constitui prova mais do que suficiente de que as operações foram realizadas em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Sobre esse aspecto, no entanto, silenciou a r. decisão recorrida. Aborda, também, a incongruência dos dados do BACEN, inicialmente mencionando que a decisão recorrida preferiu silenciar sobre estes argumentos, aduzindo que eles não se prestaram como fundamento da autuação. Procura esclarecer as afirmações contidas no Ofício (incremento de remessas e desproporção do montante de remessas), reportando-se a uma forte pressão sobre os preços internacionais da soja, verificada no início de 2004, e à demanda crescente do produto por parte da China, o que enseja um incremento nas suas receitas de vendas de produto, mas também acarreta perdas equivalentes nos contratos de hedge, dada a assunção de obrigações substancialmente opostas. Ante as maiores perdas, maiores foram as remessas constatadas pelo BACEN, mas também maior foi o faturamento em razão do aumento dos preços de venda, e por conseguinte, a base de cálculo dos tributos devidos pela recorrente. Quanto à constatação fiscal de que em 2004 foram realizadas remessas relativas a contratos de hedge liquidados em anos anteriores, aduz que: 215. Em planilha que seguiu anexa à impugnação apresentada, a Recorrente corrigiu as distorções das informações consignadas no Termo de Verificação Fiscal, já que pretendeu comparar valores das remessas realizadas pela Recorrente no ano de 2004 (fluxos de pagamento) com os registros contábeis das operações escriturados na conta 128116 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que seguem o regime de competência. Do total dos recursos remetidos ao exterior pela Recorrente em 2004, US$ 220.829.592,65 se referiam a perdas incorridas em contratos de hedge liquidados em anos anteriores (2001 a 2003). 216. Dado o grande volume de operações de hedge realizadas pela Recorrente, a liquidação financeira individualizada ou até mesmo diária de tais contratos via contrato de câmbio mostra-se praticamente impossível (em 2004 a Recorrente fechou aproximadamente 139.000 contratos de hedge, o que dá uma média diária por dia útil de 579,16 operações). Por essa razão, e considerando que os fluxos financeiros da Recorrente são geridos pela ADM Co., opta-se por liquidar, periodicamente, parte ou totalmente as posições financeiras com aquela empresa. Exatamente isso foi o que aconteceu em 2004. Acrescenta que as informações do BACEN são imprecisas, pois ali não se informa o universo de operações adotado para as inferências feitas. Conclui, assim, que não há como o D. Agente Fiscal ou o BACEN afirmarem que as operações contratadas pela Recorrente são incompatíveis com as suas atividades. Questiona, também, o quadro comparativo entre faturamento de depósito de margens elaborado pela Fiscalização, asseverando que: 1) o valor apontado como a totalidade das margens cobertas pela ADM Company está incorreto, pois já representa os pagamentos efetuados pela ADM Financeira em prol da ADM Company; 2) o faturamento da ADM Company refere-se ao ano fiscal que vai de 01/07/2003 a 30/06/2004, distinto da base de comparação; 3) o pagamento efetuado à ADM Financeira envolve todas as subsidiárias do Grupo e não pode ser comparado apenas com os resultados da recorrente; 4) a utilização, pela Fiscalização, da taxa média do dólar em 2004 causa distorções em razão do faturamento ter sido convertido, pela contribuinte, mensalmente em razão da taxa vigente. Reiterando o controle ao qual é submetida a ADM Financeira, repudia a afirmação fiscal de facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidades, incompatível com o reconhecimento, pela própria Fiscalização, de que a contribuinte apresentou cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de hedge, e com a clareza dos documentos apresentados para demonstrar a efetividade das operações realizadas em bolsa. Reprisa o conteúdo dos documentos apresentados à autoridade lançadora durante o procedimento fiscal, destaca novamente a compatibilidade destas informações com os demais elementos apresentados à Fiscalização, como por ela reconhecido, e novamente manifesta sua inconformidade com a exigência de documento que não lhe é possível apresentar, sem que uma análise mais aprofundada de suas atividades fosse feita. Ressalta a relevância da exigência e o risco que ela causa à continuidade das atividades da recorrente, e pede a improcedência do lançamento. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados de futuro no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional, nos termos do art. 396, §1o do RIR/99 e da Resolução CMN nº 2.012/93. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente se realizadas em bolsa ou fora dele. Descreve os três grandes conjuntos de transações que realiza (compra, hedge e revenda), esclarecendo que na primeira fase de compra, em regra no 2o semestre de cada ano, podem ocorrer adiantamentos ou financiamentos de produtores, verificando-se a entrega da soja somente a partir do 2o trimestre do ano seguinte, a exigir precauções quanto às variações de preço até que o produto seja recebido e possa ser revendido, o que compele a recorrente a se valer do instrumento de hedge. Reporta-se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações, e destaca que a soja, principal produto agropecuário negociado pela Recorrente, no ano de 2004, foi o segundo produto agropecuário brasileiro cujo preço apresentou maior volatilidade. E complementa: 253. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. 254. Ao minimizar seus riscos pela contratação das operações de hedge, a Recorrente pode se concentrar em suas atividades principais: a compra, estocagem, distribuição, processamento e revenda de soja. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Novamente menciona que a adição dos prejuízos decorrentes de operações de hedge decorre da suposição de que tais operações não teriam sido praticadas em bolsa. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reporta-se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Subsidiariamente invoca a aplicação do art. 71 da Lei nº 9.430/96, que em seu entendimento houve por bem estender as demais operações realizadas em mercados de liquidação futura fora de Bolsa (balcão) o mesmo tratamento tributário conferido a tais operações realizadas em Bolsa, dentre as quais se incluem as operações de cobertura. E, considerando o disposto nos arts. 17 e 28 daquela mesma lei, admitido está o cômputo na determinação do lucro real, e da base de cálculo da CSLL, dos resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em Bolsas no exterior. Antecipa sua oposição à alegação de que o referido dispositivo legal (art. 71), ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior. Segundo Elide Palma Bifano e Luciana Aguiar32 [32 "Anotações sobre Operações Internacionais com a Finalidade de Cobertura ("Hedge"), in "Revista de Direito Tributário Internacional nº 10", ed. Quartier Latin, p. 180.], "á época da edição da L 9.430/96, vigorava o art. 63 da L 8.383/91, que, expressamente, autorizava esse tratamento. Esse fundamento de aplicação de tal regime vigorou até a edição da L 11.033/04, quando o art. 63, em referência, foi revogado. A partir de então, o art. 71 da L 9.430/96 passa a ser aplicado, também, a operações no exterior, com as alterações introduzidas pela L 10.833/03, em seu artigo 48, em seu §2°, autorizando o reconhecimento de perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente". Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros decorrem da utilização do capital alheio, no caso o tributo, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Defende que não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa, pois a expressão débitos do §3o do art. 61 da Lei nº 9.430/96 diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento, interpretação confirmada em razão do que expresso no art. 43 da mesma lei. Reporta-se a julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, este editado em 09/11/2010, que adotam o entendimento por ela defendido. Ao final, requer, ainda, o procedimento de diligência, na hipótese desse procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Em 22/02/2011 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 21/10/2011 foram distribuídos, mediante sorteio, a esta Relatora. Contudo, em 16/03/2012 a recorrente peticionou nos autos, requerendo a juntada de novos elementos aos autos (fls. 3365/3375), especialmente os seguintes estudos e pareceres jurídicos: Análises em relação aos melhores princípios e práticas de mercado que possibilitassem ao Grupo ADM efetuar operações de hedge na Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (“Bolsa de Chicago”), promovidas por Professor Steven Thel, I. Maurice Wormser Professor de Direito da Universidade de Fordham em Nova Iorque, em que leciona sobre contratos, lei corporativa e regulamento de valores mobiliários; Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; Relatório da KPMG acerca da contabilização das operações e a conformidade dos Preços Praticados, com referência a Anexos numerados de 1 a 30, não juntados à petição; Digitalizada apenas a referida petição em 28/03/2012 (os estudos e pareceres acima mencionados acompanharam cópia desta petição apresentada a esta Relatora, mas não foram digitalizados no E-processo), os autos seguiram em 29/03/2012 para vistas da Procuradoria da Fazenda Nacional, que em 31/05/2012 devolveu os autos informando que apresentaria memoriais oportunamente e que realizaria sustentação oral por ocasião do julgamento (fl. 3376/3378). Os autos foram novamente distribuídos a esta Relatora em 12/06/2012, juntamente com os autos do processo administrativo nº 15586.001638/2010-81, que trata de exigência conexa, relativa ao ano-calendário 2006. Em 10/08/2012 foi concluída a digitalização dos demais documentos apresentados pela recorrente em 16/03/2012, estruturados em 30 (trinta) anexos, os quais passaram a integrar as fls. 3379/7301 destes autos. Identificadas falhas na digitalização, esta Relatora requereu sua regularização em 03/10/2012, recebendo em 06/11/2012 os elementos faltantes. Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada de Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano-Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG, bem como de Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. Além disso, na mesma data, requereu a juntada de parecer emitido pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, acerca da interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho foram anexados à petição antes referida. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E-processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do presente processo administrativo. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas nestes autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o presente processo seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados 17 (dezessete) volumes de anexos a estes autos, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E-processo em razão de o processo encontrar-se pautado para julgamento. Referidos documentos estão intitulados Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia no ano-base de 2004 e reúnem Anexos entre os números 1 e 33, evidenciando tratar-se dos documentos de suporte do documento apresentado a esta Relatora em 06/12/2012, sob o título Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano-Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG. Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às fls. 7631/12285. Além deles, foram juntados aos autos digitalizados a tradução juramentada do Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 12288/12481), bem como os relatórios e o parecer apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 12484/12645). Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento vinculada ao cálculo do adicional; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento decorrente dos efeitos da postergação; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 5) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 6) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário. Esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa; observou que o art. 396 do RIR/99 admite a dedução de perdas em operações de cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de operações junto à Bolsa de Chicago não as desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge mediante demonstração de sua contratação com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à Fiscalização não asseguravam que os recursos remetidos ao exterior destinaram-se às operações de hedge, porque consolidadas diversas operações, a demandar seu exame individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior e correspondente pagamento; e discorreu sobre o conteúdo das provas juntadas depois do recurso voluntário, destinadas a demonstrar o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação. Considerando tais circunstâncias, esta Conselheira concluiu que as provas apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria necessária a conversão do julgamento em diligência para confirmação do conteúdo dos relatórios apresentados pela defesa. Todavia, a demonstração da atuação da ADM Trading como hedge center suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não teriam sido contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. A recorrente embargou a resolução porque a decisão ali expressa induz à conclusão de que, no presente caso, a diligência teria mero caráter de apuração do quantum supostamente devido, tendo a questão de mérito sido já assentada e decidida entre os Ilmos. Conselheiros, exceção feita à manifestação dos Ilmos. Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário (fls. 12663/12668). No despacho de fls. 12730/12735 restou demonstrado que inexistiria qualquer contradição ou obscuridade a ser sanada: a decisão do Colegiado limitou-se a determinar a remessa dos autos à origem para coletar informações que se entenderam imprescindíveis à solução do litígio, sem que qualquer decisão quanto ao mérito da controvérsia tenha sido proferida, como diz a embargante. A decisão em forma de resolução, nos termos do Regimento Interno do CARF, posterga para momento futuro o pronunciamento acerca do recurso, inclusive no que tange a questões preliminares ou prejudiciais antes já examinadas. No mais, observou-se que não houve omissão acerca de declaração de voto da Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, dado que esta não se manifestara neste sentido. A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias de cálculos das perdas em operações de hedge promovidas pela recorrente, bem como demonstração das operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, e aquelas compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo ADM (fl. 12739/12740). Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo-se pedido de explicação detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 12774/12775). A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 12776/12903) e assim consolidou os valores das perdas resultantes de operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago (item 2 da intimação) e compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo (item 3 da intimação): A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 12904/12905) e em resposta a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 12908/12926. Às fls. 12927/17998 constam os documentos apresentados no curso da diligência. Novos esclarecimentos foram solicitados em razão de divergências constatadas entre os elementos apresentados pela contribuinte (fls. 17999/18001), sendo prestadas as informações de fls. 18002/18013. A diligência foi concluída com a lavratura do termo de fls. 18014/18027, no qual a autoridade fiscal apresenta constatações acerca das informações prestadas pela contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em hedge na BM&F Chicago em comparação com os valores totais das perdas com Hedge da ADM do Brasil, e ao final apresentando as seguintes respostas aos quesitos consignados na Resolução: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; e 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado; • Em resposta à solicitação do CARF, informamos: 1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava-se do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência, a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, esta fiscalização informa que é inviável e temerário emitir um parecer, visto que só seria possível formar convicção diante de uma auditoria independente , isto é, não contratada e paga pelo contribuinte. 3. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas respectivas repercussões no crédito tributário lançado: RECALCULO DAS INFRAÇÕES APURADAS CONFORME VALORES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo sistema VAX. Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões) retirados dos processos de auto de infração n° 15586.001637/2009-01 e 15586.001638/2010-81: Valor 2004 Valor 2006 Valor 2007 RESULTADOS DE HEDGE INFORMADOS NA CONTABILIDADE -GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO 988.456.803,45 55.151.492,45 294.716.460,55 RESULTADOS DO HEDGE APLICADOS EM BOLSA -RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE 307.889.579,00 35.700.691,00 160.554.919,00 TOTAL DAS GLOSAS CONSIDERANDO INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE 680.567.224,45 19.450.801,45 134.161.541,55 RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO [...] Cientificada, a contribuinte manifestou-se às fls. 18031/18043, reiterando as justificativas antes apresentadas, observando que atendeu prontamente a todas as solicitações que lhe foram dirigidas durante a diligência, participando inclusive de diversas reuniões presenciais e por conferência telefônica para apresentar explicações sobre os documentos e sanar dúvidas do agente fiscal, e apresentando milhares de páginas de documentos contendo todos os detalhes das operações de hedge contratadas no exterior. Aduz que a reintimação fiscal lavrada no curso da diligência decorreu de falha no processamento das respostas tempestivamente apresentadas, e diz que os trabalhos realizados pelo agente fiscal em nada contradizem o que vinha sendo sustentado pela Recorrente, atestando desde a colocação das Ordens no Sistema VAX, suas conciliações periódicas e compensações com posições opostas do Grupo ADM, até a efetiva transferência das Ordens para a Bolsa de Chicago. Discorda das comparações feitas pela Fiscalização entre os ganhos/perdas da Recorrente e os ganhos/perdas da ADM Company, pois não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas, dado que suas atividades são influenciadas por inúmeras variáveis que cita e demonstra por meio de exemplos práticos. Na seqüência, reportando-se às respostas aos quesitos da diligência, firma o entendimento de que as conclusões fiscais confirmaram o que vem sendo sustentado pela Recorrente nos presentes autos, de modo que os argumentos de defesa não são abalados nem mesmo pelas suposições lançadas pela Fiscalização quanto ao fato de os auditores independentes terem sido contratados pela Recorrente, mormente tendo em conta que todas as informações por eles utilizadas foram apresentadas à Fiscalização, sem que qualquer vício tenha sido apontado, seja nas premissas adotadas, nos procedimentos realizados ou nas conclusões alcançadas. Aborda as normas que regem as atividades de auditoria independente para reafirmar desarrazoadas as suspeitas lançadas pelo agente fiscal, e conclui: 36. Portanto, diante das robustas provas apresentadas pela Recorrente nos presentes autos, seja pelos laudos elaborados pelos auditores independentes, seja pelos inúmeros documentos que os sustentam, jamais poderia o agente fiscal pretender desqualificá-los sob a simples alegação de que os auditores foram contratados pela Recorrente. Restando abalados quaisquer dos elementos que sustentam o Auto de Infração por provas carreadas aos autos pelo contribuinte, incumbe ao Fisco efetivamente comprovar as suas alegações, por meio da adequada contestação técnica, até mesmo porque a diligência seria o momento adequado para tanto. 37. Dessa forma, na medida em que (i) as Ordens colocadas pela Recorrente foram reconhecidas pela própria autoridade fiscal como relativas a operações de hedge que atenderam aos parâmetros da Bolsa de Chicago já desde o Termo de Verificação fiscal e que (ii), conforme atestado pelo Termo de Encerramento de Diligência, se demonstrou que as operações foram realizadas em ambiente de bolsa por meio do Sistema VAX e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte-americano, sendo parte consolidada com Ordens contrárias de outras empresas do Grupo ADM e parte contratada junto à Bolsa de Chicago, o atendimento da regra do artigo 396 do RIR é patente. 38. Conforme já exposto nos presentes autos, sob a perspectiva do Fisco brasileiro, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto da assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro, de maneira que o Fisco Brasileiro tenha o conforto de que os valores reconhecidos pela empresa brasileira não foram artificialmente inflados por meio de negociações entre particulares no exterior. Isto é, a exigência do art. 396 do RIR visa a evitar que prejuízos fictícios sejam deduzidos pelas empresas brasileiras da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa exigência, no entanto, não pode ser vista de maneira dissociada das regras que delineiam a materialidade do IRPJ e da CSLL, nem pode a autoridade fiscal extrapolar o conteúdo das normas que regulam a incidência desses tributos. Ainda, reportando-se ao Parecer do Professor Marco Aurélio Greco, diz que o conteúdo das Ordens realizadas pela Recorrente para compra ou venda da commodity é incontroverso nestes autos, centrando-se a discordância no modo de execução dessas Ordens, sujeita às regras estrangeiras. Discorre sobre tais regras, citando o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, e finaliza defendendo que as Ordens colocadas junto à ADM Trading, repassadas à ADM Financeira e então colocadas junto à Bolsa de Chicago certamente atendem a todos conceitos que extrai da legislação brasileira, razão pela qual entende improcedente a exigência.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Carodos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO O presente processo retorna depois da realização de diligência determinada por este Colegiado, nos termos da Resolução nº 1101-000.077, da qual colhe-se o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos: ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/12/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 797.002.605,17. O procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, objeto do Ofício 1890/2008-PR/ES/GAB/LFM, de 14/05/2008, reportando-se ao Ofício Decic/Gabin nº 2007/229, de 03/08/2007, no qual a autuada foi citada como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Especificamente em relação a ela, constou do referido ofício o que segue: d) O significativo incremento observado nas remessas de hedge em todo o País no 2° e 3° T/2004 (fl. 1078) se deu em razão de apenas 11 operações em nome da ADM do Brasil, correspondentes a US$ 269,3 milhões em 05/2004 e US$ 236 milhões em 07/2004. Esses valores são equivalentes respectivamente a 82% e 73% do total do País em cada trimestre. O total de remessas líquidas naquele titulo da empresa em 2004 (entradas de US$ 70,5 milhões menos saídas de US$ 555,9 milhões), no total de US$ 485,4 milhões, correspondeu a 56% do total do País, e a 38% do total de suas exportações no mesmo ano (fls. 1081/2). [...] Tais informações foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Posteriormente, a Procuradoria da República no Espírito Santo encaminhou aquele documento à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, requisitando procedimento fiscal para instrução do procedimento investigatório lá em curso. Inicialmente, em 18/05/2009, intimou-se a contribuinte a apresentar, além de documentação fiscal em geral: 03 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de Hedge, durante o ano-calendário de 2004; 04 — Contratos e demais documentos apresentados ao Banco Central para o registro das operações de remessa de Hedge no ano de 2004; 05 — Registros das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004, contabilizados nos Livros DIÁRIO e RAZÃO; 06 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 07 - Contabilização das remessas de Hedge ao final do ano-calendário 2004; 08 — Demonstrativo das variações monetárias ativas e passivas, referentes ao ano-calendário 2004; 09 — Apresentar documentação comprobatória do retorno ao Brasil dos recursos remetidos ao exterior sob a forma de Hedge no ano de 2004; Possivelmente pretendendo atender ao exigido, a contribuinte, depois de pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo, apresentou os elementos de fls. 16/822, por ela assim identificados: 02 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de remessa de Hedge, durante o ano de 2004; 03 — Registro na contabilidade das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004; 04 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 05 — Demonstrativo de variações cambiais ativas e passivas referentes As operações de Hedge no ano de 2004; Com relação ao item 04 acima especificamente, cumpre esclarecer que o volume de documentos que comprovam o lastro da operação de Hedge é enorme, envolvendo Kardex de estoques de silos e fábricas. Neste sentido, disponibilizamos um exemplo desta documentação para fins explicativos e análise, permanecendo à inteira disposição para disponibilizar qualquer documentação suplementar, bem como para fornecer os esclarecimentos suplementares que V. Sa. entenda necessários sobre esse e qualquer outro ponto [...] A referida documentação consiste em: - cópias de 18 (dezoito) contratos de câmbio em favor de ADM TRADING COMPANY, ADM INVESTOR SERVICES INC ou ARCHER DANIELS MIDLAND CO., mas todos declarando como operação SERV DIV-OUT-OP BOLSA MERC EXT-LUCR/PREJ REALIZAD (fls. 16/88); - resumo dos contratos de hedge e conversão para reais (R$) para fins de contabilização, no qual estão individualizadas operações, agrupadas mensalmente, que indicam o produto objeto do contrato, o valor líquido da operação e o valor da perda/ganho em US$, a taxa de conversão e os valores correspondentes em reais, que, somados, equivaleriam aos valores contabilizados, com a apuração de pequenas diferenças mensais. Tais diferenças, ao final de 2004, representam R$ 881.518,26, do total contabilizado de R$ 885.841.836,15 (fls. 89/97); - relatório por contas (matriz e filiais) e fechamentos dos contratos de câmbio com as respectivas perdas/ganhos, em língua estrangeira, aparentemente demonstrando as operações mensalmente realizadas por Archer Daniels Midland Company, em 2004. No primeiro sub-total do relatório de janeiro/2004, são comparados os montantes de 23,956,037.50 e 24,174,250.00, este último identificado, em anotação manuscrita, como valor p/recompra. A diferença entre eles, de 219,212.50 é identificada, também de forma manuscrita, como valor perda/ganho (fls. 98/678); - transcrição dos registros no Razão da conta nº 128116-501 ADM DECATUR EXERC FUTUROS, sob diversos históricos, indicando registros de juros, variação cambial e comissões, e especialmente de operações denominadas FUTUROS CLOSED e HEDGE CHICAGO. O saldo inicial indicado é negativo, no valor de R$ 40.501.120,44, mas segundo informação manuscrita estaria incorreto, pois deveria ser, também, negativo, no valor de R$ 530.905.477,68. O saldo final indicado é negativo, no valor de R$ 476.705.840,19, após lançamentos a débito de R$ 2.769.028.066,62, e a crédito de R$ 2.257.821.105,99. Seguem-se, ainda, registros nas contas nº 423130 CONTR.FUT.ENCERRADOS-HEDGE e 423130-501/502 AJUSTE P. HEDGE CONTR. FUT. FECH, que juntamente com a anterior evidenciam lançamentos a débito de R$ 4.202.856.551,44 e a crédito de R$ 2.799.852.490,36 (fls. 679/708); - posição dos contratos de originação de grãos, apontando mensalmente, para o “produto: soja”, montantes de inventário, que somados a compras em aberto, e reduzidos por vendas “em aberto MI”, “a fixar” e vendas “em aberto ME”, resultam em posição líquida, que é comparada com “posição Chicago” e evidencia valor denominado exposição, que oscila entre valores positivos e negativos. Acompanham esta consolidação outros demonstrativos em língua estrangeira, dos quais possivelmente foram extraídas as parcelas do demonstrativo inicial, relativamente ao mês de junho/2004, pois ali estão destacadas quantidades vinculadas a diferentes portos/entrepostos, correspondentes às apontadas sob as rubricas antes citadas, para determinação do resultado exposição; (fls. 709/713); - posição de contratos de processamento, expressa em demonstrativos em língua estrangeira, os quais iniciam com um consolidado de resultados mensais de janeiro/2004 a março/2005 relativamente a outros produtos, acompanhados por demonstrativos semelhantes individualizados por portos/entrepostos. Tais planilhas apresentam evoluções por 15 (quinze) meses, em 12 (doze) conjuntos de documentos que se iniciam em cada um dos meses de 2004 (fls. 714/811); - demonstrativo das variações cambiais ativas e passivas referentes às operações de hedge no ano de 2004, individualizando operações possivelmente liquidadas em uma mesma data, nas quais foi comparado o valor atualizado segundo a taxa fech com o valor atualizado segundo a taxa pag/rec, de forma a determinar o resultado de variação cambial, individual e total (fls. 812/822). No Termo de Verificação de Infração, a autoridade fiscal assim se manifesta acerca destes documentos: Após análise dos documentos apresentados, verificamos que os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte, porém os referidos documentos não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Em 05/07/2009, a autoridade lançadora exigiu outros elementos: 01 — Documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos futuros solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativo ao ano-calendário de 2004 (ADM- EUA); 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para cobertura das margens dos contratos futuros, entre a ADM do Brasil e a ADM Holdings LCC (ADM-EUA), relativo(s) ao ano 2004; 03 — Detalhamento das seguintes contas e respectiva contabilidade do ano-calendário 2004: a) Juros Ativos (R$ 480.249.592,51); b) Juros Passivos (R$ 402.340.524,96) e; c) Outras Despesas Financeiras (R$ 82.605.598,21); 04 — Demonstrativo de Cálculo dos Juros e da Variação Cambial escriturados na conta 128116- 501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS do Livro Razão; Após pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo para atendimento a esta intimação, a contribuinte esclareceu que: 01 — Com relação ao item 01 do Termo de Início de Diligência em referência [...], em cumprimento ao requisitado por V. Sa., apresentamos cópias dos comprovantes de transferência bancária (denominados "swifts" conforme linguagem bancaria) — (doc. 3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições contratuais da Intimada, resultantes das ordens eletrônicas inseridas em sistema de compras e vendas de posições contratuais de lotes-padrão as quais estão devidamente demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas. por ocasião do atendimento ao Termo de Inicio de Diligência n° 251/2009. Além disso, cumpre esclarecer que as obrigações relativas as posições financeiras da Intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company, principal empresa do grupo ADM no mundo, sediada na cidade de Decatur, Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América e que, em última instância, detém todas as demais companhias do organograma societário. 02 — No que tange o item 02 do Termo de Início de Diligência em referência [...], esclarecemos que, conforme explicado no item 01 da presente manifestação, a Archer Daniels Midland Company e a Intimada convencionaram que a cobertura das posições financeiras da Intimada é feita pela Archer Daniels Midland Company. O que ocorre é que, com base nos extratos mensais de transações de hedge, a Intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Tal fato pode ser comprovado através da análise da Contabilidade da Intimada e dos documentos apresentados. 03 — Sobre o item 03 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], cumpre-nos esclarecer que, conforme já discutido com V. Sa. em contato telefônico, os valores dos itens "a" e "b" acima (a saber, "Juros Ativos" e "Juros Passivos"), referem-se a Variações Cambiais Ativas e Variações Cambiais Passivas, respectivamente. Sendo assim, conforme entendimento telefônico mantido com V.Sa e dado o imenso volume de documentos que suportam os valores acima., disponibilizamos em anexo o razão contábil das contas (doc. 4) nas quais estes valores foram registrados pela Intimada para que, a vosso critério, seja feita uma seleção dos valores dos quais V.Sa. deseja verificar o detalhamento. Assim, tal como previamente combinado com V.Sa., uma vez nos sejam informados estes valores, providenciaremos a sua respectiva documentação suporte especifica. 04 — Com relação ao item 04 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], apresentamos planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação cambial desta conta, conforme requisitado. Os mencionados "swifts” estão juntados às fls. 830/856, redigidos em língua estrangeira. Na seqüência, consta o referido demonstrativo de cálculo dos juros e da variação cambial escriturados na conta 128116-501, em sua maior parte em língua estrangeira, mas aparentemente detalhando a composição mensal da conta 15703 e os efeitos da variação da taxa de câmbio entre o mês anterior e o mês atual (fls. 857/860), acompanhado de um outro demonstrativo que faz referência à conta 15702. Disse a autoridade fiscal ao elaborar o Termo de Verificação de Infração: Considerando que os novos documentos apresentados pelo contribuinte também não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de hedge, assim como deixou de apresentar o contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, emitimos o Termo de intimação Fiscal n° 295/2009, datado de 03/08/2009 [...] Em 07/08/2009 a contribuinte é cientificada de duas intimações, que exigem a apresentação de: 01 — Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancarias, contratos, etc.) relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia dos contratos futuros, entre a Archer Daniel Midland Company e a ADM do Brasil, para acerto posterior, relativo(s) ao ano 2004;, [...] 01 — Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company (em nome da ADM do Brasil Ltda) ou pela ADM do Brasil Ltda; 02 — Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM do Brasil, ano calendário 2004. Esclareceu a fiscalizada que: A liquidação das posições financeiras começa com a empresa que faz o papel de membro de compensação com a qual o Grupo ADM trabalha. Esta empresa é a ADM Investor Services, a qual determina os valores de margem positiva ou negativa relativos aos contratos de hedge para todas as empresas do Grupo ADM. Tal cálculo faz parte dos serviços de compensação e corretagem que a ADM Investor Services presta para todos os seus clientes, incluindo tanto empresas do Grupo ADM, como terceiros. Aqui, faz-se importante entender a característica e o papel desempenhado por esta empresa. A ADM Investor Services é um membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e de outras bolsas de valores pelo mundo. O papel da ADM Investor Services é similar ao papel de um membro de compensação na BM&FBovespa. Esta designação é importante porque, como um membro de compensação de uma Bolsa, esta é uma entidade financeira altamente regulada, sujeita a regulamentação e supervisão da Commodities Futures Exchange Commission — CFTC — que é um órgão regulador no que tange as Bolsas de Mercadorias e Futuros (commodities) nos Estados Unidos da América e, neste sentido, precisa ser autorizada e licenciada a operar, bem como precisa observar as normas e regulamentações das Bolsas nas quais opera. Tal regulamentação e supervisão é, de uma maneira geral, mais extensa que as que se aplicariam a uma corretora. Isto porque, a exemplo do que ocorre no Brasil com as instituições financeiras que atuam como membros de compensação na BM&FBovespa, como um membro de compensação, a ADM Investor Services mantém contas com corretoras e investidores em commodities, assegura que as transações são executadas e liquidadas de acordo com as regras da Bolsa, calcula e liquida as margens de garantia e emite reportes para pessoas físicas e jurídicas das quais ela mantém conta. Os membros de compensação são plenamente responsáveis pela liquidação das obrigações decorrentes de todas e quaisquer operações a eles atribuídas, bem como pelo recebimento, autenticidade e legitimidade de todos os ativos, garantias e valores a tais operações. Assim, a responsabilidade da ADM Investor Services é de liquidar as operações de todos os seus clientes (sendo que mais de oitenta por cento deles são terceiros que não entidades do grupo ADM) e reportar para a Bolsa. A ADM Investor Services reporta operações de mercado, já que possui um sistema integrado com a Bolsa em tempo real, e paga comissões para a Bolsa com relação às operações de seus clientes. Neste sentido, membros de compensação como a ADM Investor Services são encarregados pela Bolsa com a qual operam, da responsabilidade de executar e assegurar o cumprimento das regras da Bolsa e da CFTC para suas contas, especificamente com relação aos limites impostos, requerimentos de margem de cobertura, garantias, dentre outros. As instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a ADM Investor Services são baseadas nos extratos das operações de hedge já entregues a V. Sa. na resposta ao Termo de Inicio de Diligência n. 251/2009, os quais são a prova das posições contratuais para cada conta e das requisições de margem de cobertura a elas atreladas. As operações detalhadas nestes extratos são rigorosamente controlados e conferidos pela ADM Investor Services como parte de sua função de membro de compensação, pela Archer Daniels Midland Company e, obviamente, pela Intimada como parte de sua conferência para contabilização de suas operações e resultados de hedge, especificamente para garantir que os contratos de hedge estejam registrados corretamente e que se refiram aos ativos pelos quais as operações de hedge da Intimada estejam lastreados. Os resultados nos extratos das operações acima mencionados são emitidos pela ADM Investor Services a fim de reportar todos os ganhos ou perdas nos contratos de hedge. Importante mencionar que as margens de cobertura iniciais para cada contrato são determinadas pela Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT). Tal determinação é aplicada pela ADM Investor Services para cada conta por ela gerenciada, a fim de calcular as margens de cobertura relacionadas a cada um dos contratos de hedge de seus clientes, de maneira similar ao que ocorre no Brasil com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa). Importante ressaltar que, assim como na BM&FBovespa no Brasil, é raro que investidores negociem diretamente na Bolsa e, desta forma, não fazem ou recebem pagamentos diretamente da Bolsa e sim por meio das entidades participantes ou dos membros de compensação. Consequentemente, os documentos comprobatórios pedidos por V. Sa. com relação aos pagamentos da Archer Daniels Midland Company para a Bolsa não existem. Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele devem ser adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services. Assim, os pagamentos são, em última instância, feitos para a ADM Investor Services, a qual, por sua vez, interage financeiramente com a Bolsa no seu papel de membro de compensação. Tal resposta foi acompanhada de documentos em língua estrangeira, um deles relacionando várias instituições sob o título Clearing Firms, entre elas a ADM Investor Services Inc., e outro que aparenta referir-se a um cadastro desta mesma empresa (fls. 869/871). Segue-se, então, reprodução parcial do Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Derivativos BM&F (fls. 873/891) e de material produzido por ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, denominado Soja Verde para um Mercado Maduro, divido nos capítulos: o sucesso da expansão de uma cultura, avanços tecnológicos e comerciais, eliminando riscos e responsabilidade das partes nos “contratos de soja verde” (fls. 892/897). Às fls. 898/927 consta Relatório Anual 2004, concernente às operações e resultados da autuada, seguido do Relatório Anual 2008 (fls. 928/943). Na seqüência, constam cópias de publicações do The Wall Street Journal datadas de dezembro de 2004, e reproduções de informações extraídas da Internet no sítio www.cbot.com./cbot/pub/page (Chicago Board of Trade) aparentemente ao final de cada mês de 2004 (fls. 944/999). A análise da autoridade fiscal acerca destes elementos foi assim expressa no Termo de Verificação de Infração: Considerando que o contribuinte informou em sua resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 295/2009 e 296/2009, que "Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele deve adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services, emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 303/2009 [...] Segue-se nova intimação, lavrada em 25/08/2009, exigindo documentação semelhante às anteriormente lavradas, mas agora citando a operadora ADM Investor Services, e não mais a Archer Daniel Midland Company: 1. Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 2. Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao ano-calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil Ltda; 3. Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM Investor Services ou ADM do Brasil, ano calendário 2004. Em resposta, disse a contribuinte: [...] vem à presença de V. Sa., em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal em referência, informar que, com relação aos itens 1, 2 e 3 do referido Termo, apresenta correspondência elaborada pelo CME Group (o qual envolve a Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova Iorque (New York Mercantile Exchange — NYMEX)), a qual: i) esclarece que a Bolsa de Chicago (CME) não entrega nenhum tipo de extrato ou outro documento informativo diretamente aos titulares das contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc. (sendo que isso é responsabilidade da própria ADM Investor Services, Inc. na sua função de membro de compensação), atestando a posição de membro de compensação ("clearing member) licenciado e qualificado da ADM Investor Sevices, Inc.; e; ii) atesta que a Bolsa de Chicago (CME) não recebe e não efetua pagamentos diretamente aos titulares de contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc., referentes às transações efetuadas pela ADM Investor Services, Inc. por conta e ordem destes titulares. Neste sentido, portanto, a Intimada apresenta os documentos abaixo relacionados a fim de comprovar os pagamentos/recebimentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para a Bolsa de Chicago (CM E). Importante mencionar que, dado o imenso volume de documentos que suportam tais transações financeiras diariamente, a Intimada apresentará um conjunto de documentos exemplificativo da operação, o qual é composto por: 1) Extratos de dois dias úteis em sequência (a saber, 16/12/2004 e 17/12/2004), os quais contêm um sumário de todas as transações efetuadas pelas contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc (os quais por sua vez incluem as contas da ADM do Brasil); 2) Extrato com o cálculo da variação de margem, emitido pela Bolsa de Chicago (CME), o qual contém o valor a ser pago ou recebido decorrente da variação de um dia para o outro; 3) Comprovantes das transferências bancárias feitas da Bolsa de Chicago (CME) e outras bolsas para a ADM Investor Services, relativas aos valores de variação de margem. A Intimada esclarece que permanece à disposição de V. Sas. para o fornecimento de documentos relativos a quaisquer outras datas que sejam de interesse deste Órgão. Além disso, tendo em vista o volume de documentos, a Intimada requer uma reunião com V. Sas. a fim de explicar a relação entre os documentos. Às fls. 1009/1010 consta documento em língua estrangeira, em papel timbrado de CME Group, acompanhado de tradução juramentada que expressa termos semelhantes aos reproduzidos na resposta da contribuinte à intimação. Na seqüência, estão os demonstrativos de operações de 16 e 17/12/2004, referidos também na resposta (fls. 1011/1023). O documento de fl. 1024 refere-se a um pedido de prorrogação de prazo que teria sido concedido em nossa última reunião. Segue-se, então, demonstrativo denominado Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para Bolsa de Chicago (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004, acompanhado de documentos individualizados para cada pagamento (fls. 1025/1483). Há, ainda, documentos que aparentam ser print de telas de sistema mantido por Chicago Board of Trade, com informações em diferentes datas de 2004 (fls. 1484/1495). Assevera a autoridade fiscal, no Termo de Verificação de Infração, que estes elementos foram apresentados em complemento ao Termo de Intimação Fiscal anterior. Na seqüência, depois de solicitar em 07/12/2009 livros fiscais e demonstrações financeiras da autuada (fl. 1498/1499), juntados às fls. 1500/1604, o agente fiscal também anexou os elementos de fls. 1605/1937, que demonstram fluxograma de pagamentos – Grupo ADM, indicação da autuada em 5o lugar no ranking de desempenho de exportadores brasileiros em publicação não identificada, resumo da movimentação financeira das operações de hedge no dia 17-12-2004, seguido de documentos em língua estrangeira que teriam sido emitidos por ADM TRADING COMPANY e aparentam se reportar a operações de 16/12/2004 e 17/12/2004, semelhantes a alguns apresentados no conjunto de elementos que integram as fls. 98/678, intercalados com outros que teriam sido emitidos por ADM Company . Disse a autoridade fiscal no Termo de Verificação de Infração que estes documentos foram entregues pela contribuinte quando de seu comparecimento à DRF em 17/12/2009, com o intuito de explicar mais detalhadamente as operações de hedge efetuadas. Em 11/12/2009 a autoridade lançadora intimou a contribuinte a apresentar Relatório com a discriminação da Conta 128116 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS, informando a totalização dos valores que são transferidos para Resultado do Exercício e quais valores seguem para as contas patrimoniais. Exigiu que o relatório fosse separado por Contratos Fechados Hedge; Variação Cambial; Juros s/ execução de futuros; Comissões e; Outros (fl. 1938). A resposta da contribuinte indica: Valores em R$ DESCRIÇÃODÉBITO/(CRÉDITO)CONTRAPARTIDA SALDO INICIAL (530.905.477,68) N/A RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS (885.075.593,48)423130 VARIAÇÃO CAMBIAL(90.893.868,32)744100-524 JUROS(11.237.721,23)709400 CORRETAGEM E COMISSÃO(1.547.712,38)405170 OUTROS (56,42)124746-501/616075 PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS1.505.961.912,45BANCOS SALDO FINAL(13.698.517,05) Às fls. 1940/2019 consta demonstrativo aparentemente elaborado pela autoridade lançadora, que reproduz lançamentos do Razão da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS, bem como da conta Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech., e demonstra a transferência de valores para o resultado do exercício, no valor total de R$ 380.940.696,59 a crédito e de R$ 1.266.737.797,04, resultando em saldo devedor do resultado – dez/2004 no valor de R$ 885.797.100,45. Após reprodução da DIPJ e das DCTF do ano-calendário 2004, segue-se o Termo de Verificação de Infração, no qual a autoridade lançadora conclui que o contribuinte não comprovou a aplicação dos recursos enviados ao exterior para pagamento das coberturas das margens dos contratos de hedge, de modo que foram glosados os custos e despesas referentes a estas operações. A autoridade lançadora, ante a possibilidade aventada pelo Banco Central do Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98, e tendo em conta os contratos de câmbio por ela apresentados – os quais, considerando entradas e saídas de recursos, resultaram em remessas líquidas de US$ 485.402.679,44, ou R$ 1.505.663.764,05, em 2004 –, constatou o que segue: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior, sendo que parte para a ADM Company (empresa principal do grupo ADM - Remessas de R$ 724.163.604,31) e parte para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM - Remessas de R$ 781.500.159,74). Conforme detalhado acima verificamos que somente 51,90 % dos recursos remetidos ao exterior são destinados diretamente à empresa de Investimentos do grupo, ADM Investor Services, sendo 48,10 % dos recursos enviados a ADM Company (empresa holding do grupo ADM); • Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), as empresas recebedoras dos recursos (ADM Company e ADM Investor Services) e a empresa que aplica os recursos nas Bolsas de Mercadorias (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116-501 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 679/708 e 828); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão - Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS - Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento - Cálculo de Exposições, Comprovantes de transferência bancária - Swifts, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago, Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações BM&F, Livreto da ABIOVE - Soja Verde para um Mercado Maduro, Relatório Anual 2004 - ADM Company - O Vinculo Essencial, Relatório Anual 2008 - ADM Company - Vital para o Mundo, Cotações de Soja e derivados - The Wall Street Journal, Chicago Board of Trade - Soja e Derivados, Extrato com o calculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago, Relatório dos Pagamentos Efetuados pela ADM Investor Services Inc. para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências, e Relatórios diários dos preços dos contratos futuros) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; • O relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de recursos, referem-se conta NSEG CLR PB 905- ADM Investor Services (fls. 1025/1483), isto é, não identifica de que grupo de empresas ou empresa se refere à transferência, de forma que entendemos que estas transferências de margem se referem a todas as contas administradas pela ADM Investor Services, inclusive de terceiros que correspondem a mais de 80% de suas operações (conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 - fls. 867); • Abaixo apresentamos um quadro comparativo do faturamento, deposito de margens e índices sobre a ADM Investor Services, ADM Company (matriz - EUA) e ADM do Brasil:   ADM Investor Services ADM Company ADM do Brasil Faturamento (US$ Mil)   36.151.394,00 1.962.367,00 Depósito de Margens (US$ Mil) 2.266.122,70 453.224,54 485.402,68 Índice % (Dep. Marg./Fatur.)   1,25% 24,73% Obs: 1) O faturamento da ADM Company foi retirado do Relatório Anual 2004 — O Vinculo Essencial (fls. 899); 2) A Receita Bruta (consideramos o faturamento) da ADM do Brasil foi de R$ 5.739.728.506,82, conforme valores declarados em Balancete e DIPJ (fls. xx/xx), isto equivale a US$ 1.962.367.433,70, considerando o dólar médio anual de 2,9249 (fonte BCB-DEPEC); 3) O deposito de Margens da ADM Investor Services foi retirado do relatório "Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago - ano 2004". (fls. 1025/1030); 4) O Deposito de Margens da ADM Company foi considerado 20% do Deposito de Margens da ADM Investor Services (mais de 80% são das operações são de terceiros, conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 — fls. 867); 5) O Deposito de Margens da ADM do Brasil foi considerado o somatório liquido das remessas/recebimentos de divisas enviados/recebidos pela ADM do Brasil ao exterior no ano de 2004, em virtude da cobertura de margens de contratos futuros de hedge (fls. 17/89). • Conforme observamos no quadro acima, o contribuinte (ADM do Brasil), informa que remeteu ao exterior sob forma de contratos futuros de hedge, 24,73% do seu faturamento, enquanto que a ADM Company, empresa holding que atua no mesmo ramo de atividade, aplica apenas 1,25% do faturamento de suas empresas para cobertura de margens de garantia de hedge. Analisando os índices, verificamos uma grande divergência, corroborando para o entendimento de que não houve de fato a aplicação dos recursos nas operações de hedge alegadas pelo contribuinte. • Durante análise da escrituração eletrônica da empresa ADM do Brasil, verificamos que a conta 128116 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, onde estão escrituradas a "conta-corrente" entre a ADM do Brasil e ADM Company (operações de adiantamento de Hedge) e operações de remessas/recebimentos de câmbio relativos ao Hedge, inicia o ano de 2004 com um saldo credor de R$ 530.905.477,65 (Hedge relativos aos anos anteriores), restando um saldo credor final de R$ 13.698.517,05 (anos posteriores). Diante destes dados, podemos concluir que a diferença entre os saldos, no valor de R$ 517.206.960,60, não se refere ao ano calendário de 2004, não sendo apurados no resultado deste exercício (fls. 1940/1994); • A ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão - conta "423130 - Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." - fls. 1995/2019) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, e conseqüentemente será levantada nova base de calculo (Lucro Real) para apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS - -OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 - GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 - Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 885.797.100,45 (oitocentos e oitenta e cinco milhões e setecentos e noventa e sete mil, cem reais e quarenta e cinco centavos), conforme Livro Razão, conta 423130 e balancete as fls. 1530 e 1995/2019. A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 4.2 — GLOSA DE DESPESAS As despesas acessórias com as operações de Hedge (variação cambial, juros e comissões), contabilizadas na conta "128116-501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS", foram utilizadas como deduções na demonstração do resultado do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, isto é, que os pagamentos das margens de garantia dos contratos futuros de hedge fechados não foram comprovados (principal), conclui-se que as despesas acessórias (juros, variação cambial e comissões relativas a estas operações) também não foram comprovadas, de forma que estas despesas serão glosadas e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como despesas acessórias com atividades de Hedge foi de R$ 102.659.703,00 (cento e dois milhões, seiscentos e cinqüenta e nove mil, setecentos e três reais), calculado da seguinte: Histórico Valor Remessas de Divisas ao Exterior - Hedge — Vide Constatações 1.505.663.764,05 (-) Saldo Inicial da Conta 128116-501 — ADM DECATUR 530.905.477,65 (+) Saldo Final da Conta 128116-501 -ADM DECATUR 13.698.517,05 (-) Custos da Operação de Hedge — Conta 423130— item 4.1 do Termo 885.797.100,45 Total de Despesas Acessórias (variação cambial, juros e comissões) 102.659.703,00 Obs: 1) Vide cálculos apresentados pelo contribuinte (fls. 1939) que serviram como base, pois são valores bem próximos aos utilizados e utilizam a mesma regra de calculo. 2) Utilizamos os valores declarados nos documentos entregues, livros fiscais e balancete (fls. 17/89, 1530, 1940/1994 e 1995/2019). A glosa de despesas tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 396, do RIR/99.do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submete-se às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 2020/2079). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DIPJ e LALUR— fls. 2020/2079 e 1552/1599), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 5.527.847.817,83 5.527.847.817,83 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) -5.327.012.457,69 -4.441.215.357,24 Lucro Bruto 200.835.360,14 1.086.632.460,59 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais (2) -242.285.581,20 -139.625.878,20 Lucro Operacional -41.450.221,06 947.006.582,39 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 174.563,51 174.563,51 Resultado do Período -41.275.657,55 947.181.145,90 (+) Adições / (-) Exclusões (3) 207.804.771,90 207.804.771,90 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 166.529.114,35 1.154.985.917,80 (-) Compensação de Prejuízos -49.958.734,30 -49.958.734,30 Lucro Real/Prejuízo Fiscal 116.570.380,04 1.105.027.183,49 Obs: (1) Os custos das mercadorias relativos aos contratos de hedge fechados, no valor de R$ 885.797.100,45, foram glosados pela fiscalização; (2) As despesas da variação cambial realizada, juros e comissões, relativas aos contratos de Hedge fechados, no valor de R$ 102.659.703,00, foram glosadas pela fiscalização; (3) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 29/12/2009, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA NÃO OBSERVÂNCIA DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO-CALENDÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL NULIDADE DE PARTE DA AUTUAÇÃO FISCAL PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA IMPUGNANTE – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE DO MÉRITO 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA IMPUGNANTE – DA INCONGRUÊNCIA DOS DADOS DO BACEN – DO QUADRO COMPARATIVO ELABORADO PELO D. AGENTE FISCAL – DA INSUBSISTÊNCIA DO OBJETO DA AUTUAÇÃO – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE PRATICADAS PELA IMPUGNANTE 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS 3 – AD ARGUMENTANDUM – DA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS AUFERIDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR, AINDA QUE NÃO FOSSEM CONSIDERADAS OPERAÇÕES REALIZADAS EM BOLSA 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. Quanto às alegações da não observância do procedimento previsto no Parecer Normativo nº 02/1996 no tocante à postergação de pagamentos, da ausência de dedução dos recolhimentos efetuados pela interessada a titulo de antecipações no ano-calendário de 2004 na apuração da base tributável e de equívocos cometidos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos esclareceu que elas seriam oportunamente abordadas, visto se tratarem de questão de mérito, não ensejando, deste modo, nulidade dos referidos lançamentos. No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratando-se de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa, e afastou a aplicação do Parecer Normativo n° 2/96 uma vez que não foi verificada inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas. Centrando-se na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de tê-los apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido e frisou o fato de o procedimento fiscal ter decorrido de demanda externa requisitória solicitada pelo Ministério Público Federal e Banco Central do Brasil, muito embora a infração tenha decorrido da falta de atendimento às intimações e reintimações feitas à empresa para que prestasse esclarecimentos acerca das remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago, em virtude das operações de hedge de commodities agrícolas. Quanto aos contratos de câmbio apresentados, destacou que não obstante a afirmação de que a conta-corrente indicada para crédito nos contratos de câmbio (fl. 17/89) ser a mesma, tem-se como destinatários dos recursos a ADM Company e ADM Investor Services, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Registrou que inconsistências no quadro elaborado pela Fiscalização não maculam o lançamento. E, quanto aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, ratifica-se correta a glosa dos mesmos, pois, como não restaram comprovados os pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de hedge fechados, as despesas acessórias também não estão confirmadas, devendo receber necessariamente o mesmo tratamento tributário. Frisou tratar-se de interpretação sistemática das normas jurídicas disciplinadoras da dedutibilidade das despesas para efeitos fiscais. Declarou insuficientes as tabelas acostadas aos autos na impugnação intituladas Doc. 10-a, Doc. 10-b e Doc. 10-c elaboradas pela própria interessada, sem a apresentação de sua escrituração fiscal/contábil (inclusive livro LALUR) e dos documentos pertinentes, para prova da alegada adição de parte das variações cambiais glosadas. Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos ao ano-calendário de 2004, sendo considerados como valor tributável somente a infração no valor de R$ 988.456.803,45, que corresponde à diferença entre os valores apurados pela fiscalização e os valores informados pela interessada em sua DIPJ. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 2681/2685) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 2686/2687) e na DIPJ 2009/2008 (fl. 2735), os saldos existentes em 2004 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas na DIPJ 2005/2004, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado de R$ 29.118.595,02 e o saldo negativo apurado no valor de R$ 108.620.949,89 foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fl. 2688/2689); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL. Afastou a aplicação da Solução de Consulta Interna n° 23, de 21 de dezembro de 2006, vez que foi lançada, como já visto, a diferença entre os tributos apurados após as glosas e os declarados. Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/11/2010 (fl. 2765), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/12/2010 (fls. 2768/2848), acompanhado dos documentos de fls. (2847/2876), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede em Decatur, Estado de Illinois, EUA) ser líder mundial no desenvolvimento responsável e sustentável da agricultar e bionergia, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 9 milhões de toneladas de sementes de oleaginosas, milho e trigo por ano, contando com 73 filiais e 3.000 funcionários, movimentando mais de 65% do total de soja produzido no Brasil, juntamente com outras três empresas (Bunge, Cargil e Dreyfus), processando 3,5 milhões de toneladas de soja por meio de suas quatro fábricas no Brasil, e atuando, também, nos ramos de fabricação e comercialização de fertilizantes, biodiesel e álcool extraído de cana-de-açúcar. Reputa necessárias estas considerações para demonstrar o volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM, inclusive a Recorrente, bem como a necessidade de uma estrutura dedicada para operar o grande volume de operações de hedge. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) não foi observado o procedimento previsto no artigo 273 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, no tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação no ano-calendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Afirma a ocorrência de postergação em razão da tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil (art. 25 da Lei nº 9.249/95 e art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99), relativamente à qual inexiste qualquer restrição à compensação de prejuízos ou perdas em operações realizadas no exterior com lucros lá auferidos, como bem expressa o art. 7o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 633/2006, em consonância com o art. 76, §§ 4o e 5o da Lei nº 8.981/95. Em conseqüência, os resultados líquidos negativos apurados em operações realizadas no exterior, que não se enquadrem como operações de cobertura (hedge) realizadas diretamente em bolsa de valores, poderão ser utilizados para absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios subseqüentes. Entende que ofende o conceito de renda e lucro não se permitir a utlização de prejuízos e perdas apuradas em operações realizadas no exterior em determinado ano-calendário para a absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios posteriores, motivo pelo qual é inadmissível a exigência de tributos sobre a glosa de R$ 885.797.100,45, uma vez que esse valor, ou ao menos parte dele, já foi oferecido à tributação, já no ano-calendário seguinte. Nos termos do art. 273 do RIR/99, quando o contribuinte computar na apuração do lucro real uma dedução que apenas poderia ocorrer em período-base futuro, aplica-se a regra relativa à postergação do pagamento. Nulo é o lançamento em razão de erro no critério jurídico adotado, pois, nesses casos, o lançamento de eventual diferença deve ser feito pelo valor liquido, compensando-se o valor do pagamento realizado em outro exercício ao que o contribuinte tinha direito. Cita jurisprudência administrativa neste sentido. Frisa que o lançamento foi formalizado porque no entendimento do D. Agente Fiscal, e que foi mantido pela decisão da DRJ/RJ, tal resultado negativo não poderia ter sido deduzido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL no ano-calendário de 2004, mas apenas e tão somente utilizado na absorção de resultado positivo apurado no ano-calendário subseqüente (2005). Indica o documento nº 2, juntado à impugnação, como prova de que no ano-calendário subseqüente (2005), embora a Recorrente tenha apurado resultado positivo em operações realizadas no exterior, ela não mais possuía nenhum resultado liquido negativo apurado em período anterior, de forma que não houve qualquer redução dos resultados positivos apurados no ano de 2005, bem como traz quadros comparativos, em seu recurso, para demonstrar os efeitos do pagamento postergado alegado. Reporta-se aos documentos nº 3 e 4, juntados à impugnação, que provariam os pagamentos efetuados em 2005, e reafirma a aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/96. Esclarece que o erro no critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora enseja a nulidade do lançamento, ao contrário de um simples erro de fato. No que tange à nulidade decorrente da desconsideração das antecipações realizadas no ano-calendário 2004, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma novamente que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações de 2004, o IRPJ devido seria reduzido de R$ 247.114.200,86 para R$ 80.097.506,33, e a CSLL de R$ 88.961.112,31 para R$ 28.637.099,64. Especifica a forma de quitação das estimativas apontadas para aquele ano-calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõe-se à cogitação de que a compensação das antecipações de IRPJ e de CSLL realizadas no decorrer do ano-calendário com os tributos apurados no final do período seriam mera faculdade conferida aos contribuintes, invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006 e discordando da interpretação que lhe foi dada na decisão recorrida. Defende que naquele ato determinou-se, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos correspondem exatamente à aplicação do percentual de 34% (25% de IRPJ e 9% de CSLL) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações, o limite de isenção do adicional do IRPJ e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, ante o incremento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reporta-se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida, acrescentando que caso fosse o necessário, deveria a Fiscalização, posteriormente, autuar a Recorrente nos anos-calendário de 2005 e 2006 para a cobrança de IRPJ e CSLL devidos em razão da inexistência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Ainda argüindo a nulidade do lançamento, mas agora apenas no que tange à glosa de juros, comissões e variações cambiais, discorda da conclusão fiscal de que tais despesas seriam acessórias às despesas de hedge e, portanto, indedutíveis, sem qualquer análise da aplicação da regra de dedutibilidade cabível. Cita o art. 299 do RIR/99 e o Parecer Normativo CST nº 32/81 para expressar o seu entendimento sobre o que é uma despesa necessária e usual, concluindo depois que só seria possível glosar a dedutibilidade de tais despesas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Recorrente, caso a Fiscalização comprovasse que elas não preenchem os requisitos previstos no artigo 299 do RIR/99, o que todavia, não foi feito. Assevera que as operações e as margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, e a alegação de não terem sido efetuadas em bolsa não afeta a dedutibilidade dos demais encargos, especialmente em relação às variações cambiais que são despesas incorridas no País. Como eram necessárias as operações de cobertura, lícita é a dedução dos juros, comissões e variações cambiais. Especialmente em relação às variações cambiais, destaca que a fiscalização valeu-se apenas da “acessoriedade” das despesas para a glosa, sem ter em conta o momentum da liquidação das operações de hedge praticadas, em consonância com o regime de caixa imposto pelo art. 30 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, para tributação destes valores. Acrescenta que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o montante de R$ 38.561.164,02 do total de variações cambiais glosadas pela Fiscalização. Finaliza seu pedido de declaração de nulidade do lançamento aduzindo: Ora, se uma simples indagação à Recorrente no curso do processo de fiscalização ou, então, breve folheada no Livro de Apuração do Lucro Real seria suficiente para afastar a tributação das despesas com juros, comissões e variações cambiais incorridas pela Recorrente, não se pode afirmar, com consciência tranquila, que houve observância ao art. 142 do CTN e aos bons princípios da administração publica. Pretende, também, a declaração de nulidade da decisão recorrida, uma vez que deixou de apreciar todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Relaciona os tópicos de sua defesa, aduz que os julgadores de 1a instância limitaram-se a se manifestar, vagamente, sobre alguns pontos levantados na impugnação, e aponta, a título de exemplo, que ante a longa argumentação acerca da nulidade do auto de infração em razão da não observância da postergação do pagamento dos tributos decorrentes de operações de hedge realizadas no exterior, a autoridade julgadora não se manifestou acerca dos argumentos ventilados na defesa, tais como aplicabilidade do artigo 273 do RIR no presente caso, ocorrência de erro material, dentre outros. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 98 a 678); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 679 a 708); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas As operações de hedge da Recorrente (fls. 16 a 89); • Relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências (fls. 1017 a 1030); • Extrato diário com o cálculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago (fls. 1025 a 1483); Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da suposta falta de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a BM&F não possuía a liquidez necessária para garantir aos agentes de mercado de soja a efetividade buscada para seus instrumentos de hedge, havendo inclusive o risco dos agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Exemplifica que realizou cerca de 139.000 contratos de hedge, dos quais apenas 2% poderiam ser absorvidos pela BM&F. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam-se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 163. Para efetuar as operações de hedge, as subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou cliente das empresas do Grupo ADM. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 164. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago. [...] 166. Em resumo, as Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 168. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias, efetivada pelo sistema da ADM Trading, importa dizer, dentre outros fatores, decorre da necessidade de melhor cumprir as regras do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago e do órgão regulador norte-americano (i.e., the Commodity Futures Trading Commission ("CFTC")). Essas regras, como ditas anteriormente, não são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o que consta no parágrafo anterior, a Recorrente anexa ao presente recuo carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex-diretor jurídico e ex-vice-presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03). Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado do Grupo CME [que integra as Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros de Chicago e de New Yokr], o que a autoriza a atuar junto as bolsas de valores e mercadorias e futuros do Grupo CME, em nome do Grupo ADM e de outros clientes (terceiros não relacionados) na qualidade de instituição financeira, acrescentando que sua atividade é altamente regulada, dado atuar nas maiores Bolsas de mercadorias e futuros do mundo e influenciar nos investimentos realizados por milhões de investidores ao redor do mundo. Aponta, ainda, declaração à fl. 1010 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, a evidenciar que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em "conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial", como consignado na ementa da r. decisão recorrida, já que se trata de documento inexistente cuja obtenção é impossível! Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, estando parcialmente correta a afirmação fiscal acerca destes pagamentos globais, com exceção de que as transferências à Bolsa de Chicago, por determinação das normas dos órgãos regulatórios norte-americanos, são feitas em dois grupos, para manter os recursos recebidos de seus clientes separadamente daqueles de titularidade das empresas do Grupo ADM. Esclarece, assim, que a conta NSEC CLR PB 905 – ADM Investor Services consolida somente operações do Grupo ADM liquidadas pela ADM financeira. Asseverando que os recursos necessários para os pagamentos à Bolsa de Chicago são adiantados à ADM Financeira pela ADM Co., descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: • Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. • A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. • A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. • Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Assim, na medida em que o mecanismo de contratação e liquidação das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago envolve a centralização e consolidação do fluxo de pagamentos na ADM Financeira, impossível era a prova requerida pela Fiscalização. Acrescenta que a atuação da ADM Company é normal, pois seria praticamente impossível a realização de remessas internacionais diárias para a cobertura das margens à ADM Financeira, realizando-se adiantamentos e promovendo-se reembolsos mediante conta-corrente dentro do mesmo grupo econômico. Mais a frente reafirma que a conta-corrente indicada nos contratos de câmbio é sempre da ADM Company, embora a ADM Financeira também tenha sido indicada, pela Fiscalização, como destinatária dos recursos. Conclui, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 17/89), bem como os comprovantes dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago (fls. 1025/1043) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 201. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam exatamente conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte-se, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. Ora, quer parecer à Recorrente que tal evidência constitui prova mais do que suficiente de que as operações foram realizadas em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Sobre esse aspecto, no entanto, silenciou a r. decisão recorrida. Aborda, também, a incongruência dos dados do BACEN, inicialmente mencionando que a decisão recorrida preferiu silenciar sobre estes argumentos, aduzindo que eles não se prestaram como fundamento da autuação. Procura esclarecer as afirmações contidas no Ofício (incremento de remessas e desproporção do montante de remessas), reportando-se a uma forte pressão sobre os preços internacionais da soja, verificada no início de 2004, e à demanda crescente do produto por parte da China, o que enseja um incremento nas suas receitas de vendas de produto, mas também acarreta perdas equivalentes nos contratos de hedge, dada a assunção de obrigações substancialmente opostas. Ante as maiores perdas, maiores foram as remessas constatadas pelo BACEN, mas também maior foi o faturamento em razão do aumento dos preços de venda, e por conseguinte, a base de cálculo dos tributos devidos pela recorrente. Quanto à constatação fiscal de que em 2004 foram realizadas remessas relativas a contratos de hedge liquidados em anos anteriores, aduz que: 215. Em planilha que seguiu anexa à impugnação apresentada, a Recorrente corrigiu as distorções das informações consignadas no Termo de Verificação Fiscal, já que pretendeu comparar valores das remessas realizadas pela Recorrente no ano de 2004 (fluxos de pagamento) com os registros contábeis das operações escriturados na conta 128116 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que seguem o regime de competência. Do total dos recursos remetidos ao exterior pela Recorrente em 2004, US$ 220.829.592,65 se referiam a perdas incorridas em contratos de hedge liquidados em anos anteriores (2001 a 2003). 216. Dado o grande volume de operações de hedge realizadas pela Recorrente, a liquidação financeira individualizada ou até mesmo diária de tais contratos via contrato de câmbio mostra-se praticamente impossível (em 2004 a Recorrente fechou aproximadamente 139.000 contratos de hedge, o que dá uma média diária por dia útil de 579,16 operações). Por essa razão, e considerando que os fluxos financeiros da Recorrente são geridos pela ADM Co., opta-se por liquidar, periodicamente, parte ou totalmente as posições financeiras com aquela empresa. Exatamente isso foi o que aconteceu em 2004. Acrescenta que as informações do BACEN são imprecisas, pois ali não se informa o universo de operações adotado para as inferências feitas. Conclui, assim, que não há como o D. Agente Fiscal ou o BACEN afirmarem que as operações contratadas pela Recorrente são incompatíveis com as suas atividades. Questiona, também, o quadro comparativo entre faturamento de depósito de margens elaborado pela Fiscalização, asseverando que: 1) o valor apontado como a totalidade das margens cobertas pela ADM Company está incorreto, pois já representa os pagamentos efetuados pela ADM Financeira em prol da ADM Company; 2) o faturamento da ADM Company refere-se ao ano fiscal que vai de 01/07/2003 a 30/06/2004, distinto da base de comparação; 3) o pagamento efetuado à ADM Financeira envolve todas as subsidiárias do Grupo e não pode ser comparado apenas com os resultados da recorrente; 4) a utilização, pela Fiscalização, da taxa média do dólar em 2004 causa distorções em razão do faturamento ter sido convertido, pela contribuinte, mensalmente em razão da taxa vigente. Reiterando o controle ao qual é submetida a ADM Financeira, repudia a afirmação fiscal de facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidades, incompatível com o reconhecimento, pela própria Fiscalização, de que a contribuinte apresentou cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de hedge, e com a clareza dos documentos apresentados para demonstrar a efetividade das operações realizadas em bolsa. Reprisa o conteúdo dos documentos apresentados à autoridade lançadora durante o procedimento fiscal, destaca novamente a compatibilidade destas informações com os demais elementos apresentados à Fiscalização, como por ela reconhecido, e novamente manifesta sua inconformidade com a exigência de documento que não lhe é possível apresentar, sem que uma análise mais aprofundada de suas atividades fosse feita. Ressalta a relevância da exigência e o risco que ela causa à continuidade das atividades da recorrente, e pede a improcedência do lançamento. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados de futuro no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional, nos termos do art. 396, §1o do RIR/99 e da Resolução CMN nº 2.012/93. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente se realizadas em bolsa ou fora dele. Descreve os três grandes conjuntos de transações que realiza (compra, hedge e revenda), esclarecendo que na primeira fase de compra, em regra no 2o semestre de cada ano, podem ocorrer adiantamentos ou financiamentos de produtores, verificando-se a entrega da soja somente a partir do 2o trimestre do ano seguinte, a exigir precauções quanto às variações de preço até que o produto seja recebido e possa ser revendido, o que compele a recorrente a se valer do instrumento de hedge. Reporta-se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações, e destaca que a soja, principal produto agropecuário negociado pela Recorrente, no ano de 2004, foi o segundo produto agropecuário brasileiro cujo preço apresentou maior volatilidade. E complementa: 253. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. 254. Ao minimizar seus riscos pela contratação das operações de hedge, a Recorrente pode se concentrar em suas atividades principais: a compra, estocagem, distribuição, processamento e revenda de soja. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Novamente menciona que a adição dos prejuízos decorrentes de operações de hedge decorre da suposição de que tais operações não teriam sido praticadas em bolsa. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reporta-se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Subsidiariamente invoca a aplicação do art. 71 da Lei nº 9.430/96, que em seu entendimento houve por bem estender as demais operações realizadas em mercados de liquidação futura fora de Bolsa (balcão) o mesmo tratamento tributário conferido a tais operações realizadas em Bolsa, dentre as quais se incluem as operações de cobertura. E, considerando o disposto nos arts. 17 e 28 daquela mesma lei, admitido está o cômputo na determinação do lucro real, e da base de cálculo da CSLL, dos resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em Bolsas no exterior. Antecipa sua oposição à alegação de que o referido dispositivo legal (art. 71), ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior. Segundo Elide Palma Bifano e Luciana Aguiar32 [32 "Anotações sobre Operações Internacionais com a Finalidade de Cobertura ("Hedge"), in "Revista de Direito Tributário Internacional nº 10", ed. Quartier Latin, p. 180.], "á época da edição da L 9.430/96, vigorava o art. 63 da L 8.383/91, que, expressamente, autorizava esse tratamento. Esse fundamento de aplicação de tal regime vigorou até a edição da L 11.033/04, quando o art. 63, em referência, foi revogado. A partir de então, o art. 71 da L 9.430/96 passa a ser aplicado, também, a operações no exterior, com as alterações introduzidas pela L 10.833/03, em seu artigo 48, em seu §2°, autorizando o reconhecimento de perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente". Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros decorrem da utilização do capital alheio, no caso o tributo, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Defende que não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa, pois a expressão débitos do §3o do art. 61 da Lei nº 9.430/96 diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento, interpretação confirmada em razão do que expresso no art. 43 da mesma lei. Reporta-se a julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, este editado em 09/11/2010, que adotam o entendimento por ela defendido. Ao final, requer, ainda, o procedimento de diligência, na hipótese desse procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Em 22/02/2011 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 21/10/2011 foram distribuídos, mediante sorteio, a esta Relatora. Contudo, em 16/03/2012 a recorrente peticionou nos autos, requerendo a juntada de novos elementos aos autos (fls. 3365/3375), especialmente os seguintes estudos e pareceres jurídicos: Análises em relação aos melhores princípios e práticas de mercado que possibilitassem ao Grupo ADM efetuar operações de hedge na Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (“Bolsa de Chicago”), promovidas por Professor Steven Thel, I. Maurice Wormser Professor de Direito da Universidade de Fordham em Nova Iorque, em que leciona sobre contratos, lei corporativa e regulamento de valores mobiliários; Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; Relatório da KPMG acerca da contabilização das operações e a conformidade dos Preços Praticados, com referência a Anexos numerados de 1 a 30, não juntados à petição; Digitalizada apenas a referida petição em 28/03/2012 (os estudos e pareceres acima mencionados acompanharam cópia desta petição apresentada a esta Relatora, mas não foram digitalizados no E-processo), os autos seguiram em 29/03/2012 para vistas da Procuradoria da Fazenda Nacional, que em 31/05/2012 devolveu os autos informando que apresentaria memoriais oportunamente e que realizaria sustentação oral por ocasião do julgamento (fl. 3376/3378). Os autos foram novamente distribuídos a esta Relatora em 12/06/2012, juntamente com os autos do processo administrativo nº 15586.001638/2010-81, que trata de exigência conexa, relativa ao ano-calendário 2006. Em 10/08/2012 foi concluída a digitalização dos demais documentos apresentados pela recorrente em 16/03/2012, estruturados em 30 (trinta) anexos, os quais passaram a integrar as fls. 3379/7301 destes autos. Identificadas falhas na digitalização, esta Relatora requereu sua regularização em 03/10/2012, recebendo em 06/11/2012 os elementos faltantes. Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada de Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano-Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG, bem como de Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. Além disso, na mesma data, requereu a juntada de parecer emitido pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, acerca da interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho foram anexados à petição antes referida. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E-processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do presente processo administrativo. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas nestes autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o presente processo seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados 17 (dezessete) volumes de anexos a estes autos, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E-processo em razão de o processo encontrar-se pautado para julgamento. Referidos documentos estão intitulados Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia no ano-base de 2004 e reúnem Anexos entre os números 1 e 33, evidenciando tratar-se dos documentos de suporte do documento apresentado a esta Relatora em 06/12/2012, sob o título Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no Ano-Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG. Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às fls. 7631/12285. Além deles, foram juntados aos autos digitalizados a tradução juramentada do Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 12288/12481), bem como os relatórios e o parecer apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 12484/12645). Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento vinculada ao cálculo do adicional; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento decorrente dos efeitos da postergação; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 5) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 6) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário. Esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa; observou que o art. 396 do RIR/99 admite a dedução de perdas em operações de cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de operações junto à Bolsa de Chicago não as desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge mediante demonstração de sua contratação com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à Fiscalização não asseguravam que os recursos remetidos ao exterior destinaram-se às operações de hedge, porque consolidadas diversas operações, a demandar seu exame individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior e correspondente pagamento; e discorreu sobre o conteúdo das provas juntadas depois do recurso voluntário, destinadas a demonstrar o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação. Considerando tais circunstâncias, esta Conselheira concluiu que as provas apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria necessária a conversão do julgamento em diligência para confirmação do conteúdo dos relatórios apresentados pela defesa. Todavia, a demonstração da atuação da ADM Trading como hedge center suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não teriam sido contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. A recorrente embargou a resolução porque a decisão ali expressa induz à conclusão de que, no presente caso, a diligência teria mero caráter de apuração do quantum supostamente devido, tendo a questão de mérito sido já assentada e decidida entre os Ilmos. Conselheiros, exceção feita à manifestação dos Ilmos. Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário (fls. 12663/12668). No despacho de fls. 12730/12735 restou demonstrado que inexistiria qualquer contradição ou obscuridade a ser sanada: a decisão do Colegiado limitou-se a determinar a remessa dos autos à origem para coletar informações que se entenderam imprescindíveis à solução do litígio, sem que qualquer decisão quanto ao mérito da controvérsia tenha sido proferida, como diz a embargante. A decisão em forma de resolução, nos termos do Regimento Interno do CARF, posterga para momento futuro o pronunciamento acerca do recurso, inclusive no que tange a questões preliminares ou prejudiciais antes já examinadas. No mais, observou-se que não houve omissão acerca de declaração de voto da Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, dado que esta não se manifestara neste sentido. A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias de cálculos das perdas em operações de hedge promovidas pela recorrente, bem como demonstração das operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, e aquelas compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo ADM (fl. 12739/12740). Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo-se pedido de explicação detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 12774/12775). A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 12776/12903) e assim consolidou os valores das perdas resultantes de operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago (item 2 da intimação) e compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo (item 3 da intimação): A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 12904/12905) e em resposta a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 12908/12926. Às fls. 12927/17998 constam os documentos apresentados no curso da diligência. Novos esclarecimentos foram solicitados em razão de divergências constatadas entre os elementos apresentados pela contribuinte (fls. 17999/18001), sendo prestadas as informações de fls. 18002/18013. A diligência foi concluída com a lavratura do termo de fls. 18014/18027, no qual a autoridade fiscal apresenta constatações acerca das informações prestadas pela contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em hedge na BM&F Chicago em comparação com os valores totais das perdas com Hedge da ADM do Brasil, e ao final apresentando as seguintes respostas aos quesitos consignados na Resolução: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; e 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado; • Em resposta à solicitação do CARF, informamos: 1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava-se do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência, a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, esta fiscalização informa que é inviável e temerário emitir um parecer, visto que só seria possível formar convicção diante de uma auditoria independente , isto é, não contratada e paga pelo contribuinte. 3. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas respectivas repercussões no crédito tributário lançado: RECALCULO DAS INFRAÇÕES APURADAS CONFORME VALORES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo sistema VAX. Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões) retirados dos processos de auto de infração n° 15586.001637/2009-01 e 15586.001638/2010-81: Valor 2004 Valor 2006 Valor 2007 RESULTADOS DE HEDGE INFORMADOS NA CONTABILIDADE -GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO 988.456.803,45 55.151.492,45 294.716.460,55 RESULTADOS DO HEDGE APLICADOS EM BOLSA -RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE 307.889.579,00 35.700.691,00 160.554.919,00 TOTAL DAS GLOSAS CONSIDERANDO INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE 680.567.224,45 19.450.801,45 134.161.541,55 RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO [...] Cientificada, a contribuinte manifestou-se às fls. 18031/18043, reiterando as justificativas antes apresentadas, observando que atendeu prontamente a todas as solicitações que lhe foram dirigidas durante a diligência, participando inclusive de diversas reuniões presenciais e por conferência telefônica para apresentar explicações sobre os documentos e sanar dúvidas do agente fiscal, e apresentando milhares de páginas de documentos contendo todos os detalhes das operações de hedge contratadas no exterior. Aduz que a reintimação fiscal lavrada no curso da diligência decorreu de falha no processamento das respostas tempestivamente apresentadas, e diz que os trabalhos realizados pelo agente fiscal em nada contradizem o que vinha sendo sustentado pela Recorrente, atestando desde a colocação das Ordens no Sistema VAX, suas conciliações periódicas e compensações com posições opostas do Grupo ADM, até a efetiva transferência das Ordens para a Bolsa de Chicago. Discorda das comparações feitas pela Fiscalização entre os ganhos/perdas da Recorrente e os ganhos/perdas da ADM Company, pois não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas, dado que suas atividades são influenciadas por inúmeras variáveis que cita e demonstra por meio de exemplos práticos. Na seqüência, reportando-se às respostas aos quesitos da diligência, firma o entendimento de que as conclusões fiscais confirmaram o que vem sendo sustentado pela Recorrente nos presentes autos, de modo que os argumentos de defesa não são abalados nem mesmo pelas suposições lançadas pela Fiscalização quanto ao fato de os auditores independentes terem sido contratados pela Recorrente, mormente tendo em conta que todas as informações por eles utilizadas foram apresentadas à Fiscalização, sem que qualquer vício tenha sido apontado, seja nas premissas adotadas, nos procedimentos realizados ou nas conclusões alcançadas. Aborda as normas que regem as atividades de auditoria independente para reafirmar desarrazoadas as suspeitas lançadas pelo agente fiscal, e conclui: 36. Portanto, diante das robustas provas apresentadas pela Recorrente nos presentes autos, seja pelos laudos elaborados pelos auditores independentes, seja pelos inúmeros documentos que os sustentam, jamais poderia o agente fiscal pretender desqualificá-los sob a simples alegação de que os auditores foram contratados pela Recorrente. Restando abalados quaisquer dos elementos que sustentam o Auto de Infração por provas carreadas aos autos pelo contribuinte, incumbe ao Fisco efetivamente comprovar as suas alegações, por meio da adequada contestação técnica, até mesmo porque a diligência seria o momento adequado para tanto. 37. Dessa forma, na medida em que (i) as Ordens colocadas pela Recorrente foram reconhecidas pela própria autoridade fiscal como relativas a operações de hedge que atenderam aos parâmetros da Bolsa de Chicago já desde o Termo de Verificação fiscal e que (ii), conforme atestado pelo Termo de Encerramento de Diligência, se demonstrou que as operações foram realizadas em ambiente de bolsa por meio do Sistema VAX e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte-americano, sendo parte consolidada com Ordens contrárias de outras empresas do Grupo ADM e parte contratada junto à Bolsa de Chicago, o atendimento da regra do artigo 396 do RIR é patente. 38. Conforme já exposto nos presentes autos, sob a perspectiva do Fisco brasileiro, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto da assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro, de maneira que o Fisco Brasileiro tenha o conforto de que os valores reconhecidos pela empresa brasileira não foram artificialmente inflados por meio de negociações entre particulares no exterior. Isto é, a exigência do art. 396 do RIR visa a evitar que prejuízos fictícios sejam deduzidos pelas empresas brasileiras da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa exigência, no entanto, não pode ser vista de maneira dissociada das regras que delineiam a materialidade do IRPJ e da CSLL, nem pode a autoridade fiscal extrapolar o conteúdo das normas que regulam a incidência desses tributos. Ainda, reportando-se ao Parecer do Professor Marco Aurélio Greco, diz que o conteúdo das Ordens realizadas pela Recorrente para compra ou venda da commodity é incontroverso nestes autos, centrando-se a discordância no modo de execução dessas Ordens, sujeita às regras estrangeiras. Discorre sobre tais regras, citando o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, e finaliza defendendo que as Ordens colocadas junto à ADM Trading, repassadas à ADM Financeira e então colocadas junto à Bolsa de Chicago certamente atendem a todos conceitos que extrai da legislação brasileira, razão pela qual entende improcedente a exigência.

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1101­000.152  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  03 de março de 2015  Assunto  IRPJ/CSLL ­ Glosa de perdas em operações de hedge  Recorrente  ADM DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o  julgamento  em  diligência,  divergindo  os  Conselheiros  Benedicto  Celso  Benício  Júnior  e  Antônio Lisboa Carodos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira  Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice­presidente), Edeli Pereira  Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 63 7/ 20 09 -0 1 Fl. 18064DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 3          2   RELATÓRIO    O presente processo retorna depois da realização de diligência determinada por  este Colegiado, nos  termos da Resolução nº 1101­000.077, da qual colhe­se o seguinte relato  das ocorrências até então verificadas nos autos:  ADM  DO  BRASIL,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  1ª  Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ­I que, por  unanimidade  de  votos,  julgou  IMPROCEDENTE  a  impugnação  interposta  contra  lançamento  formalizado  em 29/12/2009,  exigindo  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$ 797.002.605,17.  O  procedimento  fiscal  foi  motivado  por  demanda  externa  requisitória  do Ministério  Público  Federal,  objeto  do  Ofício  1890/2008­PR/ES/GAB/LFM,  de  14/05/2008,  reportando­se ao Ofício Decic/Gabin nº 2007/229, de 03/08/2007, no qual a autuada  foi citada como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas  ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior  (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de  suas  operações  comerciais,  mesmo  para  empresas  de  seu  porte.  Especificamente  em  relação a ela, constou do referido ofício o que segue:  d) O significativo incremento observado nas remessas de hedge em todo o País no 2° e  3° T/2004  (fl.  1078)  se deu  em  razão  de  apenas 11  operações  em nome da ADM do  Brasil,  correspondentes  a  US$  269,3  milhões  em  05/2004  e  US$  236  milhões  em  07/2004. Esses valores são equivalentes respectivamente a 82% e 73% do total do País  em  cada  trimestre.  O  total  de  remessas  líquidas  naquele  titulo  da  empresa  em  2004  (entradas de US$ 70,5 milhões menos saídas de US$ 555,9 milhões), no  total de US$  485,4  milhões,  correspondeu  a  56%  do  total  do  País,  e  a  38%  do  total  de  suas  exportações no mesmo ano (fls. 1081/2). [...]  Tais  informações  foram  encaminhadas  ao  Presidente  do  Conselho  de  Controle  de  Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei  Complementar  105,  de  11.1.2001,  e  no  artigo  11  do  Decreto  2.799,  de  08.10.1998,  tendo  em  conta  que  elas  poderiam  configurar,  em  tese,  indícios  de  cometimento  de  crime  tipificado  na  Lei  9.613,  de  3.3.1998.  Posteriormente,  a  Procuradoria  da  República  no  Espírito  Santo  encaminhou  aquele  documento  à  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil  em Vitória/ES,  requisitando procedimento  fiscal para  instrução do  procedimento investigatório lá em curso.  Inicialmente,  em  18/05/2009,  intimou­se  a  contribuinte  a  apresentar,  além  de  documentação fiscal em geral:  03 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior  sob a forma de operações de Hedge, durante o ano­calendário de 2004;   04 — Contratos  e demais  documentos  apresentados  ao Banco Central  para o  registro  das operações de remessa de Hedge no ano de 2004;  05  —  Registros  das  operações  de  remessa  de  Hedge  durante  o  ano  de  2004,  contabilizados nos Livros DIÁRIO e RAZÃO;  06 —  Demonstrativo  das  operações  comerciais  protegidas  pelas  remessas  de  Hedge  durante o ano de 2004;  07 ­ Contabilização das remessas de Hedge ao final do ano­calendário 2004;  08 —  Demonstrativo  das  variações  monetárias  ativas  e  passivas,  referentes  ao  ano­ calendário 2004;  Fl. 18065DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 4          3 09  —  Apresentar  documentação  comprobatória  do  retorno  ao  Brasil  dos  recursos  remetidos ao exterior sob a forma de Hedge no ano de 2004;  Possivelmente pretendendo atender ao exigido, a contribuinte, depois de pedir e lhe ser  concedida prorrogação de prazo, apresentou os elementos de fls. 16/822, por ela assim  identificados:  02 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior  sob a forma de operações de remessa de Hedge, durante o ano de 2004;   03 — Registro na contabilidade das operações de remessa de Hedge durante o ano de  2004;  04 —  Demonstrativo  das  operações  comerciais  protegidas  pelas  remessas  de  Hedge  durante o ano de 2004;  05 — Demonstrativo de variações cambiais ativas e passivas referentes As operações de  Hedge no ano de 2004;  Com  relação  ao  item  04  acima  especificamente,  cumpre  esclarecer  que  o  volume  de  documentos  que  comprovam  o  lastro  da  operação  de  Hedge  é  enorme,  envolvendo  Kardex  de  estoques  de  silos  e  fábricas.  Neste  sentido,  disponibilizamos  um  exemplo  desta documentação para fins explicativos e análise, permanecendo à inteira disposição  para  disponibilizar  qualquer  documentação  suplementar,  bem  como  para  fornecer  os  esclarecimentos  suplementares  que  V.  Sa.  entenda  necessários  sobre  esse  e  qualquer  outro ponto [...]  A referida documentação consiste em:  ­  cópias  de  18  (dezoito)  contratos  de  câmbio  em  favor  de  ADM  TRADING  COMPANY, ADM INVESTOR SERVICES INC ou ARCHER DANIELS MIDLAND  CO.,  mas  todos  declarando  como  operação  SERV  DIV­OUT­OP  BOLSA  MERC  EXT­LUCR/PREJ REALIZAD (fls. 16/88);  ­ resumo dos contratos de hedge e conversão para reais (R$) para fins de contabilização,  no  qual  estão  individualizadas  operações,  agrupadas  mensalmente,  que  indicam  o  produto objeto do contrato, o valor líquido da operação e o valor da perda/ganho em  US$,  a  taxa  de  conversão  e  os  valores  correspondentes  em  reais,  que,  somados,  equivaleriam  aos  valores  contabilizados,  com  a  apuração  de  pequenas  diferenças  mensais.  Tais  diferenças,  ao  final  de  2004,  representam  R$  881.518,26,  do  total  contabilizado de R$ 885.841.836,15 (fls. 89/97);  ­ relatório por contas (matriz e  filiais) e  fechamentos dos contratos de câmbio com as  respectivas  perdas/ganhos,  em  língua  estrangeira,  aparentemente  demonstrando  as  operações mensalmente realizadas por Archer Daniels Midland Company, em 2004. No  primeiro  sub­total  do  relatório  de  janeiro/2004,  são  comparados  os  montantes  de  23,956,037.50  e  24,174,250.00,  este  último  identificado,  em  anotação  manuscrita,  como valor p/recompra. A diferença entre eles, de 219,212.50 é identificada, também de  forma manuscrita, como valor perda/ganho (fls. 98/678);  ­  transcrição  dos  registros  no  Razão  da  conta  nº  128116­501  ADM  DECATUR  EXERC  FUTUROS,  sob  diversos  históricos,  indicando  registros  de  juros,  variação  cambial e comissões, e especialmente de operações denominadas FUTUROS CLOSED  e  HEDGE  CHICAGO.  O  saldo  inicial  indicado  é  negativo,  no  valor  de  R$  40.501.120,44, mas segundo informação manuscrita estaria incorreto, pois deveria ser,  também, negativo, no valor de R$ 530.905.477,68. O saldo final  indicado é negativo,  no valor de R$ 476.705.840,19, após lançamentos a débito de R$ 2.769.028.066,62, e a  crédito  de  R$  2.257.821.105,99.  Seguem­se,  ainda,  registros  nas  contas  nº  423130  CONTR.FUT.ENCERRADOS­HEDGE  e  423130­501/502  AJUSTE  P.  HEDGE  CONTR. FUT. FECH, que juntamente com a anterior evidenciam lançamentos a débito  de R$ 4.202.856.551,44 e a crédito de R$ 2.799.852.490,36 (fls. 679/708);  Fl. 18066DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 5          4 ­  posição  dos  contratos  de  originação  de  grãos,  apontando  mensalmente,  para  o  “produto:  soja”,  montantes  de  inventário,  que  somados  a  compras  em  aberto,  e  reduzidos por vendas “em aberto MI”, “a fixar” e vendas “em aberto ME”,  resultam  em  posição  líquida,  que  é  comparada  com  “posição  Chicago”  e  evidencia  valor  denominado  exposição,  que  oscila  entre  valores  positivos  e  negativos.  Acompanham  esta  consolidação  outros  demonstrativos  em  língua  estrangeira,  dos  quais  possivelmente  foram extraídas as parcelas do demonstrativo  inicial,  relativamente ao  mês  de  junho/2004,  pois  ali  estão  destacadas  quantidades  vinculadas  a  diferentes  portos/entrepostos,  correspondentes às apontadas  sob as rubricas antes citadas, para  determinação do resultado exposição; (fls. 709/713);  ­  posição  de  contratos  de  processamento,  expressa  em  demonstrativos  em  língua  estrangeira,  os  quais  iniciam  com  um  consolidado  de  resultados  mensais  de  janeiro/2004  a  março/2005  relativamente  a  outros  produtos,  acompanhados  por  demonstrativos  semelhantes  individualizados  por  portos/entrepostos.  Tais  planilhas  apresentam evoluções  por 15  (quinze) meses,  em 12  (doze)  conjuntos  de  documentos  que se iniciam em cada um dos meses de 2004 (fls. 714/811);  ­  demonstrativo  das  variações  cambiais  ativas  e  passivas  referentes  às  operações  de  hedge  no  ano  de 2004,  individualizando operações possivelmente  liquidadas  em uma  mesma data,  nas quais  foi  comparado o  valor atualizado  segundo a  taxa  fech  com o  valor atualizado segundo a taxa pag/rec, de forma a determinar o resultado de variação  cambial, individual e total (fls. 812/822).   No Termo  de Verificação de  Infração,  a  autoridade  fiscal assim  se manifesta acerca  destes documentos:  Após  análise  dos  documentos  apresentados,  verificamos  que  os  relatórios  apresentam  cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge  alegadas  pelo  contribuinte,  porém  os  referidos  documentos  não  comprovam  a  efetiva  aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos  futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos recursos da ADM  em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago.  Em 05/07/2009, a autoridade lançadora exigiu outros elementos:  01 — Documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos  futuros  solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.)  relativo ao ano­calendário de 2004 (ADM­ EUA);   02 — Contrato(s)  relativo(s)  ao  adiantamento  financeiro  para  cobertura  das  margens  dos contratos  futuros, entre a ADM do Brasil  e a ADM Holdings LCC (ADM­EUA),  relativo(s) ao ano 2004;  03 — Detalhamento das seguintes contas e respectiva contabilidade do ano­calendário  2004:  a) Juros Ativos (R$ 480.249.592,51);  b) Juros Passivos (R$ 402.340.524,96) e;  c) Outras Despesas Financeiras (R$ 82.605.598,21);  04 — Demonstrativo de Cálculo dos Juros e da Variação Cambial escriturados na conta  128116­ 501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS do Livro Razão;  Após  pedir  e  lhe  ser  concedida  prorrogação  de  prazo  para  atendimento  a  esta  intimação, a contribuinte esclareceu que:  01 — Com relação ao item 01 do Termo de Início de Diligência em referência [...], em  cumprimento  ao  requisitado  por  V.  Sa.,  apresentamos  cópias  dos  comprovantes  de  transferência  bancária  (denominados  "swifts"  conforme  linguagem bancaria) —  (doc.  3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições  contratuais  da  Intimada,  resultantes  das  ordens  eletrônicas  inseridas  em  sistema  de  compras  e vendas de posições contratuais de  lotes­padrão as quais  estão devidamente  Fl. 18067DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 6          5 demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas.  por ocasião do atendimento ao Termo de Inicio de Diligência n° 251/2009.  Além disso,  cumpre  esclarecer  que  as  obrigações  relativas  as  posições  financeiras  da  Intimada  com  relação  aos  seus  contratos  de  hedge  são  cobertas  pela  Archer  Daniels  Midland Company, principal empresa do grupo ADM no mundo, sediada na cidade de  Decatur, Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América e que, em última instância,  detém todas as demais companhias do organograma societário.  02 — No  que  tange  o  item  02  do Termo  de  Início  de Diligência  em  referência  [...],  esclarecemos que, conforme explicado no  item 01 da presente manifestação, a Archer  Daniels Midland Company e a Intimada convencionaram que a cobertura das posições  financeiras da Intimada é feita pela Archer Daniels Midland Company.  O que ocorre é que, com base nos extratos mensais de transações de hedge, a Intimada  contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em  suas  operações  de  hedge,  respectivamente),  fazendo  a  liquidação  financeira  das  operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo.  Tal  fato  pode  ser  comprovado  através  da  análise  da Contabilidade  da  Intimada  e  dos  documentos apresentados.  03 — Sobre o item 03 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], cumpre­nos  esclarecer que, conforme já discutido com V. Sa. em contato telefônico, os valores dos  itens  "a"  e  "b"  acima  (a  saber,  "Juros  Ativos"  e  "Juros  Passivos"),  referem­se  a  Variações Cambiais Ativas e Variações Cambiais Passivas, respectivamente.  Sendo  assim,  conforme  entendimento  telefônico mantido  com V.Sa  e  dado  o  imenso  volume de documentos que suportam os valores acima., disponibilizamos em anexo o  razão  contábil  das  contas  (doc.  4)  nas  quais  estes  valores  foram  registrados  pela  Intimada para que, a vosso critério, seja feita uma seleção dos valores dos quais V.Sa.  deseja verificar o detalhamento.  Assim,  tal  como  previamente  combinado  com V.Sa.,  uma  vez  nos  sejam  informados  estes valores, providenciaremos a sua respectiva documentação suporte especifica.  04 — Com  relação  ao  item  04  do Termo  de  Inicio  de Diligência  em  referência  [...],  apresentamos planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação cambial  desta conta, conforme requisitado.  Os  mencionados  "swifts”  estão  juntados  às  fls.  830/856,  redigidos  em  língua  estrangeira. Na  seqüência,  consta o  referido demonstrativo de cálculo dos  juros  e da  variação  cambial  escriturados  na  conta  128116­501,  em  sua  maior  parte  em  língua  estrangeira, mas aparentemente detalhando a composição mensal da conta 15703 e os  efeitos da variação da taxa de câmbio entre o mês anterior e o mês atual (fls. 857/860),  acompanhado de um outro demonstrativo que faz referência à conta 15702.  Disse a autoridade fiscal ao elaborar o Termo de Verificação de Infração:  Considerando  que  os  novos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  também  não  comprovam a  efetiva  aplicação dos  recursos  remetidos  ao  exterior  para  cobertura das  margens dos contratos futuros de hedge, assim como deixou de apresentar o contrato de  adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, emitimos o Termo de  intimação Fiscal n° 295/2009, datado de 03/08/2009 [...]  Em  07/08/2009  a  contribuinte  é  cientificada  de  duas  intimações,  que  exigem  a  apresentação de:  01 — Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa  de  Chicago  (depósitos  ou  transferências  bancarias,  contratos,  etc.)  relativos  ao  ano­ calendário de 2004,  efetuados pela Archer Daniel Midland Company para  a Bolsa de  Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda;  02 — Contrato(s)  relativo(s) ao adiantamento  financeiro para pagamento das margens  de garantia dos contratos futuros, entre a Archer Daniel Midland Company e a ADM do  Brasil, para acerto posterior, relativo(s) ao ano 2004;,  Fl. 18068DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 7          6 [...]  01 — Documentação relativa às compras dos contratos  futuros de soja e derivados na  Bolsa  de  Mercadoria  &  Futuros  de  Chicago,  relativos  ao  ano­calendário  de  2004,  efetuados pela Archer Daniel Midland Company (em nome da ADM do Brasil Ltda) ou  pela ADM do Brasil Ltda;  02 — Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de  margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM do Brasil, ano calendário  2004.  Esclareceu a fiscalizada que:  A  liquidação  das  posições  financeiras  começa  com  a  empresa  que  faz  o  papel  de  membro de compensação com a qual o Grupo ADM trabalha. Esta empresa é a ADM  Investor Services, a qual determina os valores de margem positiva ou negativa relativos  aos contratos de hedge para  todas as empresas do Grupo ADM. Tal cálculo  faz parte  dos  serviços de  compensação e  corretagem que  a ADM  Investor Services presta para  todos os seus clientes, incluindo tanto empresas do Grupo ADM, como terceiros.  Aqui,  faz­se  importante  entender  a  característica  e  o  papel  desempenhado  por  esta  empresa.  A  ADM  Investor  Services  é  um  membro  de  compensação  da  Bolsa  de  Valores  de  Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), da Bolsa de Mercadorias e Futuros  de  Chicago  (Chicago  Board  of  Trade —  CBOT)  e  de  outras  bolsas  de  valores  pelo  mundo.  O  papel  da  ADM  Investor  Services  é  similar  ao  papel  de  um  membro  de  compensação  na  BM&FBovespa.  Esta  designação  é  importante  porque,  como  um  membro  de  compensação  de  uma  Bolsa,  esta  é  uma  entidade  financeira  altamente  regulada,  sujeita  a  regulamentação  e  supervisão  da  Commodities  Futures  Exchange  Commission  —  CFTC  —  que  é  um  órgão  regulador  no  que  tange  as  Bolsas  de  Mercadorias e Futuros (commodities) nos Estados Unidos da América e, neste sentido,  precisa  ser  autorizada  e  licenciada  a  operar,  bem  como  precisa  observar  as  normas  e  regulamentações das Bolsas nas quais opera.  Tal regulamentação e supervisão é, de uma maneira geral, mais extensa que as que se  aplicariam  a  uma  corretora.  Isto  porque,  a  exemplo  do  que  ocorre  no  Brasil  com  as  instituições financeiras que atuam como membros de compensação na BM&FBovespa,  como  um  membro  de  compensação,  a  ADM  Investor  Services  mantém  contas  com  corretoras e investidores em commodities, assegura que as transações são executadas e  liquidadas de acordo com as regras da Bolsa, calcula e liquida as margens de garantia e  emite reportes para pessoas físicas e jurídicas das quais ela mantém conta. Os membros  de  compensação  são  plenamente  responsáveis  pela  liquidação  das  obrigações  decorrentes  de  todas  e  quaisquer  operações  a  eles  atribuídas,  bem  como  pelo  recebimento, autenticidade e legitimidade de todos os ativos, garantias e valores a  tais  operações.  Assim,  a  responsabilidade  da  ADM  Investor  Services  é  de  liquidar  as  operações  de  todos os seus clientes (sendo que mais de oitenta por cento deles são terceiros que não  entidades do grupo ADM) e  reportar para a Bolsa. A ADM Investor Services  reporta  operações de mercado, já que possui um sistema integrado com a Bolsa em tempo real,  e paga comissões para a Bolsa com relação às operações de seus clientes.  Neste  sentido,  membros  de  compensação  como  a  ADM  Investor  Services  são  encarregados  pela  Bolsa  com  a  qual  operam,  da  responsabilidade  de  executar  e  assegurar  o  cumprimento  das  regras  da  Bolsa  e  da  CFTC  para  suas  contas,  especificamente  com  relação  aos  limites  impostos,  requerimentos  de  margem  de  cobertura, garantias, dentre outros.  As instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a  ADM Investor Services são baseadas nos extratos das operações de hedge já entregues a  V. Sa. na resposta ao Termo de Inicio de Diligência n. 251/2009, os quais são a prova  das  posições  contratuais  para  cada  conta  e das  requisições de margem de  cobertura  a  elas atreladas. As operações detalhadas nestes extratos são rigorosamente controlados e  conferidos  pela  ADM  Investor  Services  como  parte  de  sua  função  de  membro  de  Fl. 18069DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 8          7 compensação,  pela  Archer  Daniels  Midland  Company  e,  obviamente,  pela  Intimada  como parte  de  sua  conferência  para  contabilização  de  suas  operações  e  resultados  de  hedge,  especificamente  para  garantir  que  os  contratos  de  hedge  estejam  registrados  corretamente e que se refiram aos ativos pelos quais as operações de hedge da Intimada  estejam lastreados.  Os resultados nos extratos das operações acima mencionados são emitidos pela ADM  Investor Services a fim de reportar todos os ganhos ou perdas nos contratos de hedge.  Importante  mencionar  que  as  margens  de  cobertura  iniciais  para  cada  contrato  são  determinadas pela Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade  — CBOT). Tal determinação é aplicada pela ADM Investor Services para cada conta  por ela gerenciada, a  fim de calcular as margens de cobertura  relacionadas a cada um  dos contratos de hedge de seus clientes, de maneira similar ao que ocorre no Brasil com  a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa).  Importante  ressaltar  que,  assim  como  na  BM&FBovespa  no  Brasil,  é  raro  que  investidores  negociem  diretamente  na  Bolsa  e,  desta  forma,  não  fazem  ou  recebem  pagamentos  diretamente  da  Bolsa  e  sim  por meio  das  entidades  participantes  ou  dos  membros de compensação. Consequentemente, os documentos comprobatórios pedidos  por V. Sa.  com  relação  aos  pagamentos  da Archer Daniels Midland Company para  a  Bolsa não existem. Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge  contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados  pelo  membro  de  compensação  e  com  ele  devem  ser  adimplidos.  No  caso  do  Grupo  ADM,  este  membro  de  compensação  é  a  ADM  Investor  Services.  Assim,  os  pagamentos são, em última instância, feitos para a ADM Investor Services, a qual, por  sua  vez,  interage  financeiramente  com  a  Bolsa  no  seu  papel  de  membro  de  compensação.  Tal  resposta  foi  acompanhada  de  documentos  em  língua  estrangeira,  um  deles  relacionando várias instituições sob o título Clearing Firms, entre elas a ADM Investor  Services Inc., e outro que aparenta referir­se a um cadastro desta mesma empresa (fls.  869/871). Segue­se, então, reprodução parcial do Regulamento da Câmara de Registro,  Compensação  e  Liquidação  de  Operações  de  Derivativos  BM&F  (fls.  873/891)  e  de  material  produzido  por  ABIOVE  –  Associação  Brasileira  das  Indústrias  de  Óleos  Vegetais,  denominado Soja Verde  para  um Mercado Maduro,  divido  nos  capítulos: o  sucesso  da  expansão  de  uma  cultura,  avanços  tecnológicos  e  comerciais,  eliminando  riscos e responsabilidade das partes nos “contratos de soja verde” (fls. 892/897).  Às fls. 898/927 consta Relatório Anual 2004, concernente às operações e resultados da  autuada, seguido do Relatório Anual 2008 (fls. 928/943). Na seqüência, constam cópias  de  publicações  do  The  Wall  Street  Journal  datadas  de  dezembro  de  2004,  e  reproduções  de  informações  extraídas  da  Internet  no  sítio  www.cbot.com./cbot/pub/page  (Chicago  Board  of  Trade)  aparentemente  ao  final  de  cada mês de 2004 (fls. 944/999).  A análise da autoridade fiscal acerca destes elementos foi assim expressa no Termo de  Verificação de Infração:  Considerando  que  o  contribuinte  informou  em  sua  resposta  aos Termos  de  Intimação  Fiscal  n°  295/2009 e 296/2009, que  "Quaisquer dos pagamentos  relacionados  com as  operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas  são determinados pelo membro de compensação e com ele deve adimplidos. No caso do  Grupo ADM,  este membro  de  compensação  é  a ADM  Investor Services,  emitimos  o  Termo de Intimação Fiscal n° 303/2009 [...]  Segue­se nova intimação, lavrada em 25/08/2009, exigindo documentação semelhante  às anteriormente  lavradas, mas agora citando a operadora ADM Investor Services, e  não mais a Archer Daniel Midland Company:  1. Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de  Chicago  (depósitos  ou  transferências  bancárias,  contratos,  etc.)  relativos  ao  ano­ Fl. 18070DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 9          8 calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Mercadorias  & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda;  2. Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa  de Mercadoria & Futuros de Chicago,  relativos  ao  ano­calendário  de 2004,  efetuados  pela ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil Ltda;  3.  Extratos  da BM&F Chicago  com  as  negociações  (compras,  vendas  e  depósitos  de  margens  de  garantia)  dos  contratos  futuros  em  nome  da  ADM  Investor  Services  ou  ADM do Brasil, ano calendário 2004.  Em resposta, disse a contribuinte:  [...]  vem  à  presença  de  V.  Sa.,  em  atendimento  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  em  referência,  informar que, com relação aos  itens 1, 2 e 3 do  referido Termo,  apresenta  correspondência  elaborada  pelo  CME Group  (o  qual  envolve  a  Bolsa  de  Valores  de  Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), a Bolsa de Mercadorias e Futuros de  Chicago  (Chicago Board  of Trade — CBOT) e  a Bolsa de Mercadorias  e Futuros de  Nova Iorque (New York Mercantile Exchange — NYMEX)), a qual:  i) esclarece que a Bolsa de Chicago (CME) não entrega nenhum tipo de extrato ou outro  documento  informativo  diretamente  aos  titulares  das  contas  gerenciadas  pela  ADM  Investor  Services,  Inc.  (sendo  que  isso  é  responsabilidade  da  própria  ADM  Investor  Services,  Inc.  na  sua  função  de  membro  de  compensação),  atestando  a  posição  de  membro de compensação ("clearing member) licenciado e qualificado da ADM Investor  Sevices, Inc.; e;   ii)  atesta  que  a  Bolsa  de  Chicago  (CME)  não  recebe  e  não  efetua  pagamentos  diretamente  aos  titulares  de  contas  gerenciadas  pela  ADM  Investor  Services,  Inc.,  referentes às transações efetuadas pela ADM Investor Services, Inc. por conta e ordem  destes titulares.  Neste sentido, portanto, a Intimada apresenta os documentos abaixo relacionados a fim  de comprovar os pagamentos/recebimentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc.  para a Bolsa de Chicago (CM E).  Importante mencionar  que,  dado  o  imenso  volume  de  documentos  que  suportam  tais  transações financeiras diariamente, a Intimada apresentará um conjunto de documentos  exemplificativo da operação, o qual é composto por:  1) Extratos de dois dias úteis em sequência (a saber, 16/12/2004 e 17/12/2004), os quais  contêm  um  sumário  de  todas  as  transações  efetuadas  pelas  contas  gerenciadas  pela  ADM  Investor  Services,  Inc  (os  quais  por  sua  vez  incluem  as  contas  da  ADM  do  Brasil);  2)  Extrato  com  o  cálculo  da  variação  de  margem,  emitido  pela  Bolsa  de  Chicago  (CME), o qual contém o valor a ser pago ou recebido decorrente da variação de um dia  para o outro;  3)  Comprovantes  das  transferências  bancárias  feitas  da  Bolsa  de  Chicago  (CME)  e  outras  bolsas  para  a  ADM  Investor  Services,  relativas  aos  valores  de  variação  de  margem.  A  Intimada  esclarece  que  permanece  à  disposição  de V.  Sas.  para  o  fornecimento  de  documentos relativos a quaisquer outras datas que sejam de interesse deste Órgão.  Além disso,  tendo em vista o volume de documentos, a  Intimada  requer uma  reunião  com V. Sas. a fim de explicar a relação entre os documentos.  Às fls. 1009/1010 consta documento em língua estrangeira, em papel timbrado de CME  Group,  acompanhado de  tradução  juramentada que expressa  termos  semelhantes aos  reproduzidos  na  resposta  da  contribuinte  à  intimação.  Na  seqüência,  estão  os  demonstrativos  de  operações  de  16  e  17/12/2004,  referidos  também  na  resposta  (fls.  1011/1023).  O documento de fl. 1024 refere­se a um pedido de prorrogação de prazo que teria sido  concedido  em  nossa  última  reunião.  Segue­se,  então,  demonstrativo  denominado  Fl. 18071DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 10          9 Pagamentos  efetuados  pela  ADM  Investor  Services,  Inc.  para  Bolsa  de  Chicago  (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004,  acompanhado de documentos individualizados para cada pagamento (fls. 1025/1483).  Há,  ainda,  documentos  que  aparentam  ser  print  de  telas  de  sistema  mantido  por  Chicago  Board  of  Trade,  com  informações  em  diferentes  datas  de  2004  (fls.  1484/1495).  Assevera  a  autoridade  fiscal,  no  Termo  de Verificação  de  Infração,  que  estes  elementos  foram  apresentados  em  complemento  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  anterior.  Na  seqüência,  depois  de  solicitar  em  07/12/2009  livros  fiscais  e  demonstrações  financeiras  da  autuada  (fl.  1498/1499),  juntados  às  fls.  1500/1604,  o  agente  fiscal  também  anexou  os  elementos  de  fls.  1605/1937,  que  demonstram  fluxograma  de  pagamentos  –  Grupo  ADM,  indicação  da  autuada  em  5o  lugar  no  ranking  de  desempenho  de  exportadores  brasileiros  em  publicação  não  identificada,  resumo  da  movimentação  financeira  das  operações  de  hedge  no  dia  17­12­2004,  seguido  de  documentos  em  língua  estrangeira  que  teriam  sido  emitidos  por  ADM  TRADING  COMPANY  e  aparentam  se  reportar  a  operações  de  16/12/2004  e  17/12/2004,  semelhantes  a  alguns  apresentados  no  conjunto  de  elementos  que  integram  as  fls.  98/678, intercalados com outros que teriam sido emitidos por ADM Company . Disse a  autoridade  fiscal  no  Termo  de  Verificação  de  Infração  que  estes  documentos  foram  entregues pela contribuinte quando de seu comparecimento à DRF em 17/12/2009, com  o intuito de explicar mais detalhadamente as operações de hedge efetuadas.  Em 11/12/2009 a autoridade  lançadora  intimou a  contribuinte a apresentar Relatório  com  a  discriminação  da  Conta  128116  —  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS,  informando a totalização dos valores que são transferidos para Resultado do Exercício e  quais valores seguem para as contas patrimoniais. Exigiu que o relatório fosse separado  por  Contratos  Fechados  Hedge;  Variação  Cambial;  Juros  s/  execução  de  futuros;  Comissões e; Outros (fl. 1938). A resposta da contribuinte indica:  Valores em R$  DESCRIÇÃO          DÉBITO/(CRÉDITO)    CONTRAPARTIDA   SALDO INICIAL         (530.905.477,68)       N/A  RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS   (885.075.593,48)     423130  VARIAÇÃO CAMBIAL        (90.893.868,32)      744100­524  JUROS            (11.237.721,23)      709400  CORRETAGEM E COMISSÃO      (1.547.712,38)      405170  OUTROS           (56,42)        124746­501/616075  PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS    1.505.961.912,45     BANCOS    SALDO FINAL         (13.698.517,05)  Às  fls.  1940/2019  consta  demonstrativo  aparentemente  elaborado  pela  autoridade  lançadora,  que  reproduz  lançamentos  do  Razão  da  conta ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS,  bem  como  da  conta  Ajuste  Hedge  Contr.  Fut.  Fech.,  e  demonstra  a  transferência  de  valores  para  o  resultado  do  exercício,  no  valor  total  de  R$  380.940.696,59  a  crédito  e  de R$  1.266.737.797,04,  resultando  em  saldo  devedor  do  resultado – dez/2004 no valor de R$ 885.797.100,45. Após reprodução da DIPJ e das  DCTF do ano­calendário 2004, segue­se o Termo de Verificação de Infração, no qual a  autoridade  lançadora  conclui  que  o  contribuinte  não  comprovou  a  aplicação  dos  recursos enviados ao exterior para pagamento das coberturas das margens dos contratos  de  hedge,  de  modo  que  foram  glosados  os  custos  e  despesas  referentes  a  estas  operações.   A autoridade lançadora, ante a possibilidade aventada pelo Banco Central do Brasil de  que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de  Fl. 18072DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 11          10 crime  tipificado  na  Lei  9.613/98,  e  tendo  em  conta  os  contratos  de  câmbio  por  ela  apresentados – os quais,  considerando entradas  e  saídas de  recursos,  resultaram em  remessas  líquidas  de  US$  485.402.679,44,  ou  R$  1.505.663.764,05,  em  2004  –,  constatou o que segue:  •  A  ADM  do  Brasil  enviou  recursos  para  o  exterior,  sendo  que  parte  para  a  ADM  Company (empresa principal do grupo ADM ­ Remessas de R$ 724.163.604,31) e parte  para a ADM Investor Services  (empresa de  investimentos do grupo ADM ­ Remessas  de R$ 781.500.159,74). Conforme detalhado acima verificamos que somente 51,90 %  dos  recursos  remetidos  ao  exterior  são  destinados  diretamente  à  empresa  de  Investimentos do grupo, ADM Investor Services, sendo 48,10 % dos recursos enviados  a ADM Company (empresa holding do grupo ADM);  • Considerando que  a  empresa  remetente dos  recursos  (ADM do Brasil),  as  empresas  recebedoras dos recursos (ADM Company e ADM Investor Services) e a empresa que  aplica  os  recursos  nas Bolsas  de Mercadorias  (ADM  Investor  Services)  são  todas  do  grupo  ADM,  somado  ao  fato  da  não  existência  de  contratos  comerciais  sobre  adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para  manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas;  •  O  contribuinte  criou  em  sua  escrituração  a  conta  128116­501  ­  ADM  DECATUR  EXEC FUTUROS,  que  utiliza  como  uma  conta  corrente  entre  a  ADM do Brasil  e  a  ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da  ADM do Brasil  com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta  recursos  para  pagamento  de  margens  de  garantia  para  a  Bolsa  de Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou que "com base nos extratos mensais de  transações  de  hedge,  a  intimada  contabiliza  os  montantes  a  pagar  ou  a  receber  (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente),  fazendo  a  liquidação  financeira  das  operações  conforme  o  melhor  gerenciamento  de  caixa do grupo" (fls. 679/708 e 828);  •  O  contribuinte  entregou  uma  enorme  gama  de  documentos  com  o  objetivo  de  comprovar  a  aplicação  dos  recursos  em  operações  de  hedge  dos  contratos  futuros  de  soja  e  derivados  (Contratos  de  Cambio,  Relatório  por  contas  dos  fechamentos  dos  contratos  de  cambio  com  as  respectivas  perdas/ganhos,  Livro  Razão  ­  Conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  ­  Contabilidade  dos  adiantamentos  das  margens  pela  ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos,  Posição  de  Contratos  de  Processamento  ­  Cálculo  de  Exposições,  Comprovantes  de  transferência bancária ­ Swifts, Relatórios informando que a ADM Investor Services é  membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago, Regulamento da Câmara de  Registro, Compensação e Liquidação de Operações BM&F, Livreto da ABIOVE ­ Soja  Verde para um Mercado Maduro, Relatório Anual 2004 ­ ADM Company ­ O Vinculo  Essencial, Relatório Anual 2008 ­ ADM Company ­ Vital para o Mundo, Cotações de  Soja e derivados ­ The Wall Street Journal, Chicago Board of Trade ­ Soja e Derivados,  Extrato com o calculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago, Relatório  dos Pagamentos Efetuados pela ADM Investor Services Inc. para a Bolsa de Chicago e  respectivas transferências, e Relatórios diários dos preços dos contratos futuros) porém  nenhum destes documentos  comprova a efetiva aplicação dos  recursos  transferidos  ao  exterior pela ADM do Brasil  na operação de Hedge alegada pelo  contribuinte,  isto  é,  nenhum  deles  apresenta  a  transferência  de  recursos  da  ADM  Investor  Services,  em  nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago;   • O  relatório dos pagamentos  efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de  Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de recursos, referem­se conta  NSEG CLR PB 905­ ADM Investor Services (fls. 1025/1483), isto é, não identifica de  que grupo de empresas ou empresa se refere à transferência, de forma que entendemos  que  estas  transferências  de  margem  se  referem  a  todas  as  contas  administradas  pela  ADM Investor Services, inclusive de terceiros que correspondem a mais de 80% de suas  operações (conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 ­ fls. 867);  • Abaixo apresentamos um quadro comparativo do faturamento, deposito de margens e  índices  sobre  a ADM  Investor  Services, ADM Company  (matriz  ­  EUA)  e ADM do  Brasil:  Fl. 18073DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 12          11    ADM Investor Services  ADM Company  ADM do Brasil  Faturamento (US$ Mil)      36.151.394,00    1.962.367,00   Depósito de Margens (US$ Mil)   2.266.122,70    453.224,54    485.402,68   Índice % (Dep. Marg./Fatur.)     1,25%  24,73%  Obs:  1)  O  faturamento  da  ADM  Company  foi  retirado  do  Relatório  Anual  2004  —  O  Vinculo Essencial (fls. 899);  2)  A  Receita  Bruta  (consideramos  o  faturamento)  da  ADM  do  Brasil  foi  de  R$  5.739.728.506,82, conforme valores declarados em Balancete e DIPJ  (fls. xx/xx),  isto  equivale a US$ 1.962.367.433,70, considerando o dólar médio anual de 2,9249 (fonte  BCB­DEPEC);  3)  O  deposito  de  Margens  da  ADM  Investor  Services  foi  retirado  do  relatório  "Pagamentos  efetuados  pela  ADM  Investor  Services  para  a  Bolsa  de  Chicago  ­  ano  2004". (fls. 1025/1030);  4) O Deposito  de Margens  da  ADM Company  foi  considerado  20%  do Deposito  de  Margens da ADM Investor Services (mais de 80% são das operações são de terceiros,  conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 — fls. 867);  5) O Deposito de Margens da ADM do Brasil foi considerado o somatório liquido das  remessas/recebimentos de divisas  enviados/recebidos pela ADM do Brasil  ao  exterior  no ano de 2004, em virtude da cobertura de margens de contratos futuros de hedge (fls.  17/89).  • Conforme observamos no quadro acima, o contribuinte (ADM do Brasil), informa que  remeteu  ao  exterior  sob  forma  de  contratos  futuros  de  hedge,  24,73%  do  seu  faturamento,  enquanto  que  a  ADM  Company,  empresa  holding  que  atua  no  mesmo  ramo de atividade, aplica apenas 1,25% do faturamento de suas empresas para cobertura  de  margens  de  garantia  de  hedge.  Analisando  os  índices,  verificamos  uma  grande  divergência,  corroborando para o  entendimento de que não houve de  fato  a  aplicação  dos recursos nas operações de hedge alegadas pelo contribuinte.  • Durante  análise  da  escrituração  eletrônica  da  empresa  ADM do Brasil,  verificamos  que a conta 128116  ­ ADM DECATUR EXEC FUTUROS, onde estão escrituradas a  "conta­corrente" entre a ADM do Brasil e ADM Company (operações de adiantamento  de Hedge) e operações de remessas/recebimentos de câmbio relativos ao Hedge, inicia o  ano  de  2004  com  um  saldo  credor  de  R$  530.905.477,65  (Hedge  relativos  aos  anos  anteriores),  restando  um  saldo  credor  final  de  R$  13.698.517,05  (anos  posteriores).  Diante destes dados, podemos concluir que a diferença entre os saldos, no valor de R$  517.206.960,60,  não  se  refere  ao  ano  calendário  de  2004,  não  sendo  apurados  no  resultado deste exercício (fls. 1940/1994);  • A ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros  como  Custo  de  Mercadorias  Vendidas  (vide  Livro  Razão  ­  conta  "423130  ­  Ajuste  Hedge Contr. Fut. Fech." ­ fls. 1995/2019) e a variação cambial, os juros e as comissões  como despesas  (entendemos  como despesas  acessórias  as  operações de Hedge). Estes  custos  e  despesas  serão  glosados  pois  não  houve  sua  efetiva  comprovação,  e  conseqüentemente será  levantada nova base de calculo (Lucro Real) para apuração do  Imposto de Renda e Contribuição Social.  A  autoridade  lançadora  também  fez  ponderações  específicas  quanto  à  determinação  dos valores lançados:  4. INFRAÇÕES APURADAS ­ ­OMISSÃO DE RECEITAS  4.1 ­ GLOSA DE CUSTOS  Verificamos  na  contabilidade  eletrônica  da  empresa  que  os  valores  informados  como  pagamentos  de  margens  de  garantia  de  contratos  futuros  de  Hedge  fechados  foram  contabilizados na conta "423130  ­ Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados",  levada  como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício.  Fl. 18074DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 13          12 Considerando a  falta de comprovação da transferência de  recursos em nome da ADM  do  Brasil  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  estes  custos  serão  glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício.  O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida,  relativo ao Hedge  informado, é  de R$ 885.797.100,45  (oitocentos  e  oitenta  e  cinco milhões  e  setecentos  e  noventa  e  sete mil, cem reais e quarenta e cinco centavos), conforme Livro Razão, conta 423130 e  balancete as fls. 1530 e 1995/2019.  A  glosa  de  custos  tem  sua  fundamentação  legal  nos  artigos  249,  inciso  I,  251  e  parágrafo  único,  289,  290,  inciso  I,  292,  300  e  396  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda (RIR/99).  4.2 — GLOSA DE DESPESAS  As  despesas  acessórias  com  as  operações  de  Hedge  (variação  cambial,  juros  e  comissões),  contabilizadas  na  conta  "128116­501  —  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS",  foram  utilizadas  como  deduções  na  demonstração  do  resultado  do  exercício.  Considerando a  falta de comprovação da transferência de  recursos em nome da ADM  do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, isto é, que os pagamentos  das  margens  de  garantia  dos  contratos  futuros  de  hedge  fechados  não  foram  comprovados (principal), conclui­se que as despesas acessórias (juros, variação cambial  e comissões relativas a estas operações) também não foram comprovadas, de forma que  estas despesas serão glosadas e será refeita a apuração do resultado do exercício.  O  valor  apurado  como  despesas  acessórias  com  atividades  de  Hedge  foi  de  R$  102.659.703,00 (cento e dois milhões, seiscentos e cinqüenta e nove mil,  setecentos e  três reais), calculado da seguinte:  Histórico   Valor   Remessas de Divisas ao Exterior ­ Hedge — Vide Constatações   1.505.663.764,05   (­) Saldo Inicial da Conta 128116­501 — ADM DECATUR   530.905.477,65   (+) Saldo Final da Conta 128116­501 ­ADM DECATUR   13.698.517,05   (­) Custos da Operação de Hedge — Conta 423130— item 4.1 do Termo   885.797.100,45   Total de Despesas Acessórias (variação cambial, juros e comissões)   102.659.703,00   Obs:  1) Vide  cálculos  apresentados  pelo  contribuinte  (fls.  1939)  que  serviram  como  base,  pois são valores bem próximos aos utilizados e utilizam a mesma regra de calculo.  2)  Utilizamos  os  valores  declarados  nos  documentos  entregues,  livros  fiscais  e  balancete (fls. 17/89, 1530, 1940/1994 e 1995/2019).  A  glosa  de  despesas  tem  sua  fundamentação  legal  nos  artigos  249,  inciso  I,  251  e  parágrafo  único,  299,  300  e  396,  do  RIR/99.do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/99).  5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO.  No caso em questão, o contribuinte submete­se às regras de apuração do IRPJ e da CSL  pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 2020/2079).  Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DIPJ  e  LALUR—  fls.  2020/2079  e  1552/1599),  verificamos  que  após  as  receitas  e  custos  escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro  este  que  após  as  glosas  efetuadas  pela  fiscalização  mencionadas  no  decorrer  do  relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado:          Fl. 18075DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 14          13   Demonstração do Resultado  Discriminação  Valor apurado pelo  contribuinte  Valor Apurado pela  fiscalização (após  glosas)  Receita Liquida da Atividade  5.527.847.817,83 5.527.847.817,83 (­) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1)  ­5.327.012.457,69 ­4.441.215.357,24 Lucro Bruto  200.835.360,14 1.086.632.460,59 (­) Despesas / (+) Receitas Operacionais (2)  ­242.285.581,20 ­139.625.878,20 Lucro Operacional  ­41.450.221,06 947.006.582,39 (+) Receitas / (­) Despesas Não Operacionais  174.563,51 174.563,51 Resultado do Período  ­41.275.657,55 947.181.145,90 (+) Adições / (­) Exclusões (3)  207.804.771,90 207.804.771,90 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos  166.529.114,35 1.154.985.917,80 (­) Compensação de Prejuízos  ­49.958.734,30 ­49.958.734,30 Lucro Real/Prejuízo Fiscal  116.570.380,04 1.105.027.183,49  Obs:  (1) Os custos das mercadorias relativos aos contratos de hedge fechados, no valor de R$  885.797.100,45, foram glosados pela fiscalização;  (2) As despesas da variação cambial realizada, juros e comissões, relativas aos contratos  de Hedge fechados, no valor de R$ 102.659.703,00, foram glosadas pela fiscalização;  (3) As  despesas  de  variação  cambial  não  alteram  as  adições/exclusões,  pois  já  foram  realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge;  Cientificada  do  lançamento  em  29/12/2009,  a  contribuinte  apresentou  impugnação  estruturada sob os seguintes tópicos:  · CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE  · NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  EM  DECORRÊNCIA  DA  NÃO  OBSERVÂNCIA  DA  POSTERGAÇÃO  DO  PAGAMENTO  DOS  TRIBUTOS  DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR  · NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  EM  DECORRÊNCIA  DA  OBRIGATORIEDADE  DE  O  D.  AGENTE  FISCAL  CONSIDERAR  AS  ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO­ CALENDÁRIO  · NULIDADE DO AUTO DE  INFRAÇÃO POR CONTA DA  INSUBSISTÊNCIA  DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA  BASE DE CÁLCULO DA CSLL  · NULIDADE  DE  PARTE  DA  AUTUAÇÃO  FISCAL  PELA  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  REQUISITOS  PARA  A  DEDUTIBILIDADE  DAS  DESPESAS  COM  JUROS  E  COMISSÕES,  BEM  COMO  DAS  VARIAÇÕES  CAMBIAIS  INCORRIDAS  PELA  IMPUGNANTE  –  NECESSIDADE,  NORMALIDADE E USUALIDADE  · DO MÉRITO  o  1  –  DAS  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  REALIZADAS  PELA  IMPUGNANTE  § – DA INCONGRUÊNCIA DOS DADOS DO BACEN  § –  DO  QUADRO  COMPARATIVO  ELABORADO  PELO  D.  AGENTE FISCAL  Fl. 18076DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 15          14 § – DA INSUBSISTÊNCIA DO OBJETO DA AUTUAÇÃO  § –  DAS  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  PRATICADAS  PELA  IMPUGNANTE  o  2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS  o  3 – AD ARGUMENTANDUM – DA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS  AUFERIDAS  EM  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  REALIZADAS  NO  EXTERIOR,  AINDA  QUE  NÃO  FOSSEM  CONSIDERADAS  OPERAÇÕES REALIZADAS EM BOLSA  o  4  –  DA  ILEGALIDADE  DA  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  A  MULTA DE OFÍCIO:  A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que:  · A arguição de  nulidade do  lançamento  não deve  prosperar,  porque não  se  vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade  dos  lançamentos  realizados pelo Fisco, uma vez que  foram realizados nos  moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando  qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco,  ao  artigo  59  do  Decreto  n°  70.235/1972.  Os  Autos  de  Infração  foram  lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada,  respeitando  os devidos procedimentos  fiscais, previstos na  legislação, e com a correta  identificação  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  além  do  que  a  descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a  causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição  dos  créditos  tributários  e, por  sua vez, a argumentação desenvolvida pela  interessada  na  peça  impugnatória  permite  concluir  que  o  motivo  das  autuações foi compreendido, tanto que contestado.  · Quanto  às  alegações  da  não  observância  do  procedimento  previsto  no  Parecer Normativo nº 02/1996 no tocante à postergação de pagamentos, da  ausência de dedução dos recolhimentos efetuados pela  interessada a titulo  de antecipações no ano­calendário de 2004 na apuração da base tributável  e de  equívocos cometidos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos  tributos  supostamente devidos esclareceu que elas seriam oportunamente abordadas,  visto se tratarem de questão de mérito, não ensejando, deste modo, nulidade  dos referidos lançamentos.  · No mérito,  embora  reconhecendo que a  interessada entregou uma enorme  gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos  em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou  que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum  deles  comprovou a  efetiva aplicação dos  recursos  transferidos ao  exterior  pela  ADM  do  Brasil  na  operação  de  hedge  alegada,  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago.  E,  tratando­se  de  matéria  de  prova,  invocou  o  disposto  nos  art.  251,  parágrafo  único,  264  e  396,  todos  do  RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura  em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem  ser  comprovadas  por  documentação  hábil  e  idônea  (incluindo  a  demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira).  · Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos  custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos  bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em  operações  de  hedge  realizadas  no  exterior,  ainda  que  não  fossem  consideradas  operações  realizadas  em  Bolsa,  e  afastou  a  aplicação  do  Fl. 18077DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 16          15 Parecer Normativo n° 2/96 uma vez que não foi verificada inobservância de  regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas.  · Centrando­se  na  lide  propriamente  dita,  asseverou  que  a  interessada  não  logrou  comprovar,  nem  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  nem  na  impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e  idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da  ADM  do  Brasil,  para  a  Bolsa  de Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  e  declarou válida a glosa promovida.  · Desmereceu a afirmação de que "não é possível  fazer a demonstração dos  pagamentos  feitos  pela  impugnante  a  Bolsa  de  Chicago",  pois,  em  se  tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício  e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a  sua existência. Citou doutrina neste sentido.  · Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas  na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis  não se operacionaliza pelo  simples  fato de  tê­los apenas na conformidade  da  técnica  mas,  também,  se  funda  nos  Princípios  e  Convenções  que  norteiam  a  Ciência  Contábil,  especialmente  os  da  Continuidade,  Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização  da  documentação  hábil,  idônea  que  resguarda  a  escrituração.  Citou  jurisprudência administrativa neste sentido e frisou o fato de o procedimento  fiscal  ter  decorrido  de  demanda  externa  requisitória  solicitada  pelo  Ministério  Público  Federal  e  Banco  Central  do  Brasil,  muito  embora  a  infração  tenha  decorrido  da  falta  de  atendimento  às  intimações  e  reintimações feitas à empresa para que prestasse esclarecimentos acerca das  remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de  contratos  futuros  de  soja  e  seus  derivados,  solicitada  pela  Bolsa  de  Mercadorias  de  Chicago,  em  virtude  das  operações  de  hedge  de  commodities agrícolas.  · Quanto aos contratos de câmbio apresentados, destacou que não obstante a  afirmação de que a conta­corrente indicada para crédito nos contratos de  câmbio  (fl. 17/89)  ser a mesma,  tem­se  como destinatários dos  recursos a  ADM Company e ADM Investor Services,  conforme relatado no Termo de  Verificação Fiscal. Registrou que inconsistências no quadro elaborado pela  Fiscalização não maculam o lançamento.  · E,  quanto  aos  valores  relativos  à  variação  cambial,  juros  e  comissões,  ratifica­se  correta  a  glosa  dos  mesmos,  pois,  como  não  restaram  comprovados os pagamentos de margens de garantia de  contratos  futuros  de hedge fechados, as despesas acessórias também não estão confirmadas,  devendo  receber  necessariamente  o  mesmo  tratamento  tributário.  Frisou  tratar­se de  interpretação sistemática das normas  jurídicas disciplinadoras  da dedutibilidade das despesas para efeitos fiscais.  · Declarou  insuficientes  as  tabelas  acostadas  aos  autos  na  impugnação  intituladas  Doc.  10­a,  Doc.  10­b  e  Doc.  10­c  elaboradas  pela  própria  interessada,  sem  a  apresentação  de  sua  escrituração  fiscal/contábil  (inclusive  livro  LALUR)  e  dos  documentos  pertinentes,  para  prova  da  alegada adição de parte das variações cambiais glosadas.  · Quanto à apuração dos  tributos  lançados,  tendo em conta o que  informado  pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização,  assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da  CSLL relativos ao ano­calendário de 2004, sendo considerados como valor  Fl. 18078DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 17          16 tributável  somente  a  infração  no  valor  de  R$  988.456.803,45,  que  corresponde  à  diferença  entre  os  valores  apurados  pela  fiscalização  e  os  valores  informados  pela  interessada  em  sua  DIPJ.  Acrescentou  que  não  houve  erro  no  cálculo  do  limite  do  prejuízo  fiscal  e  da  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  utilizados,  pois  segundo  informações  do  Sistema  SAPLI/RFB  (Demonstrativo  de  Compensação  de  Prejuízos  Fiscais  —  fl.  2681/2685)  e  do  Sistema  SACS/RFB  (Demonstrativo  da  Base  de  Cálculo  Negativa  da  CSLL —  fl.  2686/2687)  e  na  DIPJ  2009/2008  (fl.  2735),  os  saldos  existentes  em  2004  foram  integralmente  utilizados  em  períodos  subseqüentes.  · Ainda,  observou  que  não  foi  considerada  a  dedução  do  valor  de  R$  240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode  ser  utilizado  uma  única  vez.  E,  relativamente  às  antecipações  de  IRPJ  e  CSLL  declaradas  na  DIPJ  2005/2004,  constatou  que  seus  valores  foram  utilizados  para  quitar  o  valor  de  IRPJ  devido  declarado  de  R$  29.118.595,02 e o  saldo negativo apurado no valor de R$ 108.620.949,89  foi  objeto  de  diversas  DCOMP,  conforme  Relatório  do  Sistema  PER/DCOMP/SIEF/RFB  (fl.  2688/2689);  o  mesmo  ocorrendo  com  as  antecipações de CSLL.  · Afastou  a  aplicação  da  Solução  de  Consulta  Interna  n°  23,  de  21  de  dezembro de 2006, vez que foi lançada, como já visto, a diferença entre os  tributos apurados após as glosas e os declarados.  · Por  fim,  declarou  válida  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício.  Cientificada da decisão de primeira instância em 09/11/2010 (fl. 2765), a contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  08/12/2010  (fls.  2768/2848),  acompanhado  dos  documentos  de  fls.  (2847/2876),  no  qual  reprisa  os  argumentos  apresentados na impugnação.  Antes,  porém,  descreve  o papel da  recorrente  em  seu  ramo de  atividade,  destacando  que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede em Decatur, Estado  de  Illinois,  EUA)  ser  líder mundial  no  desenvolvimento  responsável  e  sustentável  da  agricultar  e  bionergia,  atuando  desde  1923  e  contando  com  mais  de  28.000  colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por  sua vez, é  responsável pela  comercialização de mais de 9 milhões de toneladas de sementes de oleaginosas, milho e  trigo  por  ano,  contando  com  73  filiais  e  3.000  funcionários,  movimentando  mais  de  65% do total de soja produzido no Brasil, juntamente com outras três empresas (Bunge,  Cargil  e  Dreyfus),  processando  3,5  milhões  de  toneladas  de  soja  por  meio  de  suas  quatro  fábricas  no  Brasil,  e  atuando,  também,  nos  ramos  de  fabricação  e  comercialização de fertilizantes, biodiesel e álcool extraído de cana­de­açúcar.   Reputa  necessárias  estas  considerações  para  demonstrar  o  volume  de  commodities  regularmente  negociado  pelo  Grupo  ADM,  inclusive  a  Recorrente,  bem  como  a  necessidade de uma estrutura dedicada para operar o grande volume de operações de  hedge.  Reitera  a  arguição  de  nulidade  do  lançamento  porque  (a)  não  foi  observado  o  procedimento  previsto  no  artigo  273  do  Regulamento  do  Imposto  sobre  a  Renda  de  1999, no tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não  se  procedeu  à  dedução  dos  recolhimentos  efetuados  pela  Recorrente  a  titulo  de  antecipação  no  ano­calendário  de  2004,  em  conformidade  com  Solução  de  Consulta  Interna  n°  23/06;  e  (c)  foram  cometidos  diversos  outros  equívocos  pelo  D.  Agente  Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos.  Fl. 18079DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 18          17 Afirma a ocorrência de postergação em razão da  tributação de lucros, rendimentos e  ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil  (art. 25 da Lei nº 9.249/95 e art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99), relativamente à  qual  inexiste qualquer  restrição à compensação de prejuízos ou perdas em operações  realizadas no exterior com lucros lá auferidos, como bem expressa o art. 7o, inciso II da  Instrução Normativa SRF nº 633/2006, em consonância com o art. 76, §§ 4o e 5o da Lei  nº 8.981/95. Em conseqüência, os resultados líquidos negativos apurados em operações  realizadas  no  exterior,  que  não  se  enquadrem  como  operações  de  cobertura  (hedge)  realizadas  diretamente  em  bolsa  de  valores,  poderão  ser  utilizados  para  absorção  de  resultados líquidos positivos apurados em exercícios subseqüentes.  Entende que ofende o conceito de renda e lucro não se permitir a utlização de prejuízos  e perdas apuradas em operações realizadas no exterior em determinado ano­calendário  para  a  absorção  de  resultados  líquidos  positivos  apurados  em  exercícios  posteriores,  motivo  pelo  qual  é  inadmissível  a  exigência  de  tributos  sobre  a  glosa  de  R$  885.797.100,45,  uma  vez  que  esse  valor,  ou  ao menos  parte  dele,  já  foi  oferecido  à  tributação, já no ano­calendário seguinte. Nos termos do art. 273 do RIR/99, quando o  contribuinte  computar  na  apuração  do  lucro  real  uma  dedução  que  apenas  poderia  ocorrer em período­base futuro, aplica­se a regra relativa à postergação do pagamento.  Nulo é o lançamento em razão de erro no critério jurídico adotado, pois, nesses casos, o  lançamento de eventual diferença deve ser feito pelo valor  liquido, compensando­se o  valor  do  pagamento  realizado  em  outro  exercício  ao  que  o  contribuinte  tinha  direito.  Cita jurisprudência administrativa neste sentido.   Frisa que o lançamento foi formalizado porque no entendimento do D. Agente Fiscal, e  que  foi mantido  pela  decisão  da DRJ/RJ,  tal  resultado  negativo  não  poderia  ter  sido  deduzido  para  fins  de  apuração  do  IRPJ  e  da CSLL  no  ano­calendário  de  2004, mas  apenas  e  tão  somente  utilizado  na  absorção  de  resultado  positivo  apurado  no  ano­ calendário subseqüente (2005). Indica o documento nº 2, juntado à impugnação, como  prova  de  que  no  ano­calendário  subseqüente  (2005),  embora  a  Recorrente  tenha  apurado  resultado  positivo  em operações  realizadas no  exterior,  ela  não mais possuía  nenhum  resultado  liquido  negativo  apurado  em  período  anterior,  de  forma  que  não  houve qualquer redução dos resultados positivos apurados no ano de 2005, bem como  traz quadros comparativos, em seu recurso, para demonstrar os efeitos do pagamento  postergado alegado.  Reporta­se  aos  documentos  nº  3  e  4,  juntados  à  impugnação,  que  provariam  os  pagamentos efetuados em 2005, e reafirma a aplicação do Parecer Normativo COSIT  nº 2/96. Esclarece que o erro no critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora  enseja a nulidade do lançamento, ao contrário de um simples erro de fato.  No que  tange à nulidade decorrente da desconsideração das antecipações  realizadas  no  ano­calendário  2004,  destaca  que  a  constituição  da  obrigação  tributária  somente  pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve  que  as  antecipações  devem  ser  deduzidas  ao  final  do  período  de  apuração  correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma novamente que há  erro  de  direito,  ou  erro  no  critério  jurídico  utilizado,  pois  a  autoridade  lançadora  deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur  de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual.  Demonstra que, admitindo as antecipações de 2004, o  IRPJ devido seria reduzido de  R$  247.114.200,86  para  R$  80.097.506,33,  e  a  CSLL  de  R$  88.961.112,31  para  R$  28.637.099,64. Especifica a forma de quitação das estimativas apontadas para aquele  ano­calendário,  e  conclui que  o  lançamento  carece de  elemento  essencial,  qual  seja,  seu motivo.   Opõe­se  à  cogitação  de  que  a  compensação  das  antecipações  de  IRPJ  e  de  CSLL  realizadas no decorrer do ano­calendário com os tributos apurados no final do período  Fl. 18080DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 19          18 seriam mera faculdade conferida aos contribuintes,  invocando o entendimento firmado  na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006 e discordando da interpretação que  lhe foi dada na decisão recorrida. Defende que naquele ato determinou­se, para toda e  qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou  antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também  refletido  no  Ato  Declaratório  Normativo  COSIT  nº  58/94  e  em  acórdãos  administrativos que cita.  Alerta  que  a  manutenção  da  autuação  fiscal,  com  redução,  apenas,  do  montante  exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do  lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN.  Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base  de  cálculo  da  CSLL,  aduz  que  o  lançamento  exige  prévio  levantamento  e  o  exame  completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que  a autoridade  lançadora optou por proceder  ao  lançamento  com base  tão  somente nos  valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e  a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos  correspondem  exatamente  à  aplicação  do  percentual  de  34%  (25% de  IRPJ  e  9% de  CSLL) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações, o limite  de isenção do adicional do IRPJ e a possibilidade de maior compensação de prejuízos  fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, ante o incremento das bases de cálculo  do IRPJ e da CSLL.  Discorda  da  argumentação  da  autoridade  julgadora  de  1a  instância  quanto  à  indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever  da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da  Recorrente.  Da  mesma  forma  reporta­se  à  impossibilidade  de  compensação  de  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas  aventada  na  decisão  recorrida,  acrescentando  que  caso  fosse  o  necessário,  deveria  a  Fiscalização,  posteriormente,  autuar  a  Recorrente  nos  anos­calendário  de  2005  e  2006  para  a  cobrança  de  IRPJ  e  CSLL devidos em razão da inexistência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da  CSLL.  Ressalta,  por  fim,  que  não  pode  esse  Egrégio  Conselho,  tampouco  a  autoridade  lançadora,  realizar  o  cálculo  correto  dos  tributos  lavrados,  a  pretexto  de  corrigir  o  lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o  que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e  conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração.  Ainda argüindo a nulidade do lançamento, mas agora apenas no que tange à glosa de  juros,  comissões  e  variações  cambiais,  discorda  da  conclusão  fiscal  de  que  tais  despesas seriam acessórias às despesas de hedge e, portanto, indedutíveis, sem qualquer  análise da aplicação da regra de dedutibilidade cabível. Cita o art. 299 do RIR/99 e o  Parecer Normativo CST nº 32/81 para expressar o seu entendimento sobre o que é uma  despesa  necessária  e  usual,  concluindo  depois  que  só  seria  possível  glosar  a  dedutibilidade de tais despesas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo  da CSLL da Recorrente, caso a Fiscalização comprovasse que elas não preenchem os  requisitos previstos no artigo 299 do RIR/99, o que todavia, não foi feito.  Assevera que as operações e as margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela  própria  Fiscalização,  e  a  alegação  de  não  terem  sido  efetuadas  em  bolsa  não  afeta  a  dedutibilidade dos demais encargos, especialmente em relação às variações cambiais  que  são  despesas  incorridas  no  País.  Como  eram  necessárias  as  operações  de  cobertura, lícita é a dedução dos juros, comissões e variações cambiais.  Especialmente em relação às variações cambiais, destaca que a  fiscalização valeu­se  apenas da “acessoriedade” das despesas para a glosa, sem ter em conta o momentum  da  liquidação  das  operações  de  hedge  praticadas,  em  consonância  com  o  regime  de  Fl. 18081DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 20          19 caixa  imposto  pelo  art.  30  da Medida  Provisória  nº  2.158­35/2001,  para  tributação  destes valores. Acrescenta que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o  montante  de  R$  38.561.164,02  do  total  de  variações  cambiais  glosadas  pela  Fiscalização.  Finaliza seu pedido de declaração de nulidade do lançamento aduzindo:  Ora, se uma simples  indagação à Recorrente no curso do processo de fiscalização ou,  então, breve folheada no Livro de Apuração do Lucro Real seria suficiente para afastar  a  tributação  das  despesas  com  juros,  comissões  e  variações  cambiais  incorridas  pela  Recorrente, não se pode afirmar, com consciência tranquila, que houve observância ao  art. 142 do CTN e aos bons princípios da administração publica.  Pretende, também, a declaração de nulidade da decisão recorrida, uma vez que deixou  de apreciar  todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Relaciona os tópicos  de  sua  defesa,  aduz  que  os  julgadores  de  1a  instância  limitaram­se  a  se  manifestar,  vagamente,  sobre  alguns  pontos  levantados  na  impugnação,  e  aponta,  a  título  de  exemplo,  que  ante  a  longa  argumentação  acerca  da  nulidade  do  auto  de  infração  em  razão  da  não  observância  da  postergação  do  pagamento  dos  tributos  decorrentes  de  operações de hedge  realizadas no  exterior,  a autoridade  julgadora não  se manifestou  acerca dos argumentos ventilados na defesa, tais como aplicabilidade do artigo 273 do  RIR no presente caso, ocorrência de erro material, dentre outros.  No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela  Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente,  pois  referido  documento  não  existe  e  não  pode  ser  obtido  dada  a  sistemática  de  funcionamento  daquela  instituição.  Destaca  a  apresentação  de  farta  e  robusta  documentação  plenamente  hábil  a  comprovar  que  suas  operações  de  hedge  foram  contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos:  •  Extratos  das  operações  de  hedge  efetuadas.  pela  Recorrente,  que  contém  todas  as  informações das operações efetuadas (fls. 98 a 678);  •  Razão  contábil  da  conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  mantida  pela  Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 679 a  708);  •  Contratos  de  câmbio  comprobatórios  das  remessas  e  recebimentos  relativas  As  operações de hedge da Recorrente (fls. 16 a 89);  • Relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira para a Bolsa de Chicago e  respectivas transferências (fls. 1017 a 1030);  • Extrato diário com o cálculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago  (fls. 1025 a 1483);  Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos  corretos  dos  valores  das  margens  dos  contratos  futuros  das  operações  de  Hedge  alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão  da  suposta  falta  de  apresentação  do  já  mencionado  extrato  emitido  pela  Bolsa  de  Chicago.  Assevera  que  as  operações  de  hedge  representam  verdadeiro  imperativo  às  atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais  e necessárias à consecução de seus objetivos sociais.  Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de  absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume  das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela  Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando  que a BM&F não possuía a liquidez necessária para garantir aos agentes de mercado de  soja a efetividade buscada para seus instrumentos de hedge, havendo inclusive o risco  dos agentes locais não serem capazes de fechar suas posições.   Fl. 18082DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 21          20 Exemplifica que realizou cerca de 139.000 contratos de hedge, dos quais apenas 2%  poderiam  ser  absorvidos  pela  BM&F.  Daí  a  imperatividade  da  realização  das  operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas  regulatórias  desta  entidade  e  das  autoridades  competentes  dos  Estados  Unidos  da  América.  Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de  compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao  redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou  internacionais, de forma que as operações de hedge destinam­se a reduzir os riscos das  flutuações  dos  preços  de  soja  entre  a  data  da  compra  e/ou  venda  da  soja  e  o  seu  recebimento e/ou entrega física. Especifica que:  163. Para  efetuar  as operações  de hedge,  as  subsidiárias do Grupo ADM ao  redor do  mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema  de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading").  Ao  inserir  os  dados  no  referido  sistema,  as  subsidiárias  do Grupo ADM  submetem à  ADM Trading as  correspondentes  ordens de hedge  ("Ordem"),  que nada mais  são  do  que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou  cliente  das  empresas  do  Grupo  ADM.  Na  colocação  da  Ordem,  são  informados  o  número  da  conta  de  controle  da  subsidiária,  o  tipo  e  quantidade  de mercadoria  a  ser  coberta  pelo  hedge,  o  tipo  de  operação  (compra  ou  venda)  e  a  data  de  opção  da  mercadoria na Bolsa de Chicago.  164. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda  do  tipo  e  quantidade  de  mercadoria  estabelecidos  na  Ordem,  na  data  de  entrega  ali  prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago.  [...]  166. Em resumo, as Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading,  que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere  essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à  Bolsa de Chicago.  [...]  168.  A  centralização  das  Ordens  de  todas  as  subsidiárias,  efetivada  pelo  sistema  da  ADM Trading, importa dizer, dentre outros fatores, decorre da necessidade de melhor  cumprir as  regras do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago e do órgão  regulador  norte­americano  (i.e.,  the  Commodity  Futures  Trading  Commission  ("CFTC")).  Essas  regras,  como  ditas  anteriormente,  não  são  aplicáveis  a  qualquer  entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as  empresas  do  porte  do  Grupo  ADM,  que  operam  volume  imenso  de  transações  e  possuem  inúmeras  subsidiárias que precisam,  ao mesmo  tempo,  ter acesso a Bolsa de  Chicago.  169. A  fim de  comprovar  o  que  consta  no  parágrafo  anterior,  a Recorrente  anexa  ao  presente recuo carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex­diretor  jurídico e ex­vice­presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03).  Passando  à  exposição  do  fluxo  de  pagamentos  de  suas  atividades,  a  recorrente  inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado  do  Grupo  CME  [que  integra  as  Bolsas  de  Valores  e  de  Mercadorias  e  Futuros  de  Chicago  e  de  New  Yokr],  o  que  a  autoriza  a  atuar  junto  as  bolsas  de  valores  e  mercadorias e  futuros do Grupo CME, em nome do Grupo ADM e de outros clientes  (terceiros não  relacionados) na qualidade de  instituição  financeira,  acrescentando que  sua  atividade  é  altamente  regulada,  dado  atuar  nas maiores  Bolsas  de mercadorias  e  futuros  do  mundo  e  influenciar  nos  investimentos  realizados  por  milhões  de  investidores ao redor do mundo. Aponta, ainda, declaração à fl. 1010 que confirma a  atuação da ADM Financeira  como membro da Câmara de Compensação da Chicago  Mercantile Exchange (CME).  Fl. 18083DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 22          21 Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos  diretamente ao Grupo ADM, a evidenciar que a falta de apresentação de tal documento,  portanto,  não  decorre  de  um  descuido,  desídia  ou  falha  por  parte  da  Recorrente  em  "conservar  em  ordem,  documentos  e  papéis  que  se  refiram  a  atos  e  operações  que  modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial", como consignado na  ementa da r. decisão recorrida, já que se trata de documento inexistente cuja obtenção é  impossível!  Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita  mediante  pagamentos  centralizados  e  consolidados  à  Bolsa  de  Chicago,  estando  parcialmente  correta  a  afirmação  fiscal  acerca  destes  pagamentos  globais,  com  exceção de  que as  transferências  à Bolsa  de Chicago,  por  determinação das  normas  dos órgãos regulatórios norte­americanos, são  feitas em dois grupos, para manter os  recursos  recebidos  de  seus  clientes  separadamente  daqueles  de  titularidade  das  empresas do Grupo ADM. Esclarece, assim, que a conta NSEC CLR PB 905 – ADM  Investor Services consolida somente operações do Grupo ADM liquidadas pela ADM  financeira.  Asseverando que os  recursos necessários para os pagamentos à Bolsa de Chicago são  adiantados  à  ADM  Financeira  pela  ADM  Co.,  descreve  o  fluxo  de  pagamentos  nos  seguintes termos:  •  Diariamente,  a  ADM  Financeira  realiza  dois  grupos  de  pagamentos  das  margens  contratadas  naquele  dia,  um  grupo  se  refere  às  transações  do  Grupo  ADM  e  outro  relativo às operações de seus demais clientes.  • A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de  Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM.  •  A ADM Co.,  por  seu  turno,  é  ressarcida  dos  pagamentos  à  ADM  Financeira  pelas  subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente.  • Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do  Grupo  ADM,  razão  pela  qual  a  ADM  Co.  pode  receber  ou  realizar  pagamentos  em  relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente.  Assim, na medida em que o mecanismo de contratação e  liquidação das operações de  hedge  junto  à  Bolsa  de  Chicago  envolve  a  centralização  e  consolidação  do  fluxo  de  pagamentos na ADM Financeira,  impossível era a prova requerida pela Fiscalização.  Acrescenta  que  a  atuação  da  ADM  Company  é  normal,  pois  seria  praticamente  impossível a realização de remessas internacionais diárias para a cobertura das margens  à  ADM  Financeira,  realizando­se  adiantamentos  e  promovendo­se  reembolsos  mediante  conta­corrente  dentro  do mesmo  grupo  econômico. Mais  a  frente  reafirma  que a conta­corrente  indicada nos contratos de câmbio é  sempre da ADM Company,  embora  a  ADM  Financeira  também  tenha  sido  indicada,  pela  Fiscalização,  como  destinatária dos recursos.  Conclui,  diante  deste  contexto,  que  os  documentos  apresentados  pela  Recorrente  ao  longo  do  processo  de  fiscalização  que  atestam  as  remessas  efetuadas  à  ADM  Co.  a  titulo de ressarcimento das margens cobertas por  tal entidade para a ADM Financeira  (fls.  17/89),  bem  como  os  comprovantes  dos  pagamentos  efetuados  pela  ADM  Financeira à Bolsa de Chicago (fls. 1025/1043) são prova suficiente da realização das  operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz:  201.  Adicionalmente,  muito  embora  não  seja  possível  fazer  a  demonstração  dos  pagamentos  feitos  pela  Recorrente  diretamente  a  Bolsa  de  Chicago  em  razão  da  regulação  vigente  nos  Estados  Unidos,  é  possível  que  se  realize  o  confronto  dos  resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique  que estes  oscilam exatamente  conforme as variações dos preços  das mercadorias  "hedgeadas"  na  Bolsa  de  Chicago.  Este,  fato,  ressalte­se,  foi  expressamente  reconhecido pelo D. Agente Fiscal. Ora, quer parecer à Recorrente que  tal evidência  Fl. 18084DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 23          22 constitui prova mais do que suficiente de que as operações foram realizadas em bolsa, o  que  as  tornam  dedutíveis  tanto  para  fins  de  apuração  do  IRPJ,  quanto  para  fins  de  apuração da CSLL. Sobre esse aspecto, no entanto, silenciou a r. decisão recorrida.  Aborda,  também,  a  incongruência  dos  dados  do  BACEN,  inicialmente  mencionando  que a decisão recorrida preferiu  silenciar  sobre estes argumentos, aduzindo que eles  não  se  prestaram  como  fundamento  da  autuação.  Procura  esclarecer  as  afirmações  contidas no Ofício (incremento de remessas e desproporção do montante de remessas),  reportando­se a uma forte pressão sobre os preços internacionais da soja, verificada no  início de 2004, e à demanda crescente do produto por parte da China, o que enseja um  incremento  nas  suas  receitas  de  vendas  de  produto,  mas  também  acarreta  perdas  equivalentes nos contratos de hedge, dada a assunção de obrigações substancialmente  opostas. Ante as maiores perdas, maiores foram as remessas constatadas pelo BACEN,  mas também maior foi o faturamento em razão do aumento dos preços de venda, e por  conseguinte, a base de cálculo dos tributos devidos pela recorrente.  Quanto  à  constatação  fiscal  de  que  em  2004  foram  realizadas  remessas  relativas  a  contratos de hedge liquidados em anos anteriores, aduz que:  215. Em planilha que seguiu anexa à impugnação apresentada, a Recorrente corrigiu as  distorções  das  informações  consignadas  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  já  que  pretendeu  comparar  valores  das  remessas  realizadas  pela  Recorrente  no  ano  de  2004  (fluxos de pagamento) com os registros contábeis das operações escriturados na conta  128116 ­ ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que seguem o regime de competência.  Do  total  dos  recursos  remetidos  ao  exterior  pela  Recorrente  em  2004,  US$  220.829.592,65  se  referiam  a  perdas  incorridas  em  contratos  de  hedge  liquidados  em  anos anteriores (2001 a 2003).  216.  Dado  o  grande  volume  de  operações  de  hedge  realizadas  pela  Recorrente,  a  liquidação financeira individualizada ou até mesmo diária de tais contratos via contrato  de  câmbio  mostra­se  praticamente  impossível  (em  2004  a  Recorrente  fechou  aproximadamente 139.000 contratos de hedge, o que dá uma média diária por dia útil de  579,16  operações).  Por  essa  razão,  e  considerando  que  os  fluxos  financeiros  da  Recorrente  são geridos  pela ADM Co.,  opta­se por  liquidar,  periodicamente,  parte ou  totalmente  as  posições  financeiras  com  aquela  empresa.  Exatamente  isso  foi  o  que  aconteceu em 2004.  Acrescenta que as  informações do BACEN são  imprecisas,  pois ali  não  se  informa o  universo de operações adotado para as  inferências  feitas. Conclui,  assim, que não há  como o D. Agente Fiscal ou o BACEN afirmarem que  as operações  contratadas pela  Recorrente são incompatíveis com as suas atividades.  Questiona, também, o quadro comparativo entre faturamento de depósito de margens  elaborado pela Fiscalização, asseverando que: 1) o valor apontado como a totalidade  das  margens  cobertas  pela  ADM  Company  está  incorreto,  pois  já  representa  os  pagamentos  efetuados  pela  ADM  Financeira  em  prol  da  ADM  Company;  2)  o  faturamento  da  ADM  Company  refere­se  ao  ano  fiscal  que  vai  de  01/07/2003  a  30/06/2004,  distinto  da  base  de  comparação;  3)  o  pagamento  efetuado  à  ADM  Financeira envolve todas as subsidiárias do Grupo e não pode ser comparado apenas  com os resultados da recorrente; 4) a utilização, pela Fiscalização, da taxa média do  dólar  em  2004  causa  distorções  em  razão  do  faturamento  ter  sido  convertido,  pela  contribuinte, mensalmente em razão da taxa vigente.  Reiterando  o  controle  ao  qual  é  submetida  a ADM Financeira,  repudia  a  afirmação  fiscal  de  facilidade  para  manipulação  de  operações,  relatórios  e  contabilidades,  incompatível com o reconhecimento, pela própria Fiscalização, de que a contribuinte  apresentou  cálculos  corretos  dos  valores  das  margens  dos  contratos  futuros  das  operações de hedge, e com a clareza dos documentos apresentados para demonstrar a  efetividade das operações realizadas em bolsa.   Fl. 18085DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 24          23 Reprisa  o  conteúdo  dos  documentos  apresentados  à  autoridade  lançadora  durante  o  procedimento fiscal, destaca novamente a compatibilidade destas informações com os  demais elementos apresentados à Fiscalização, como por ela reconhecido, e novamente  manifesta  sua  inconformidade  com a  exigência  de  documento  que  não  lhe  é  possível  apresentar,  sem  que  uma  análise  mais  aprofundada  de  suas  atividades  fosse  feita.  Ressalta  a  relevância  da  exigência  e  o  risco  que  ela  causa  à  continuidade  das  atividades da recorrente, e pede a improcedência do lançamento.  Ainda,  porque  representativos  de  despesas  usuais  e  necessárias,  defende  a  dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura de riscos realizadas em outros  mercados  de  futuro  no  exterior,  além  de  bolsas,  desde  que  admitidas  pelo  Conselho  Monetário Nacional,  nos  termos  do art.  396,  §1o  do RIR/99 e  da Resolução CMN nº  2.012/93. Desde  que  se  trate  de  operações  de  hedge  vinculadas  a  operações  reais  e  efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como  no  caso  presente,  tais  despesas  deverão  ser  consideradas  operacionais  e  dedutíveis  independentemente se realizadas em bolsa ou fora dele.  Descreve  os  três  grandes  conjuntos  de  transações  que  realiza  (compra,  hedge  e  revenda),  esclarecendo que na primeira  fase de  compra,  em regra no 2o  semestre de  cada ano, podem ocorrer adiantamentos ou financiamentos de produtores, verificando­ se  a  entrega  da  soja  somente  a  partir  do  2o  trimestre  do  ano  seguinte,  a  exigir  precauções  quanto  às  variações  de  preço  até  que  o  produto  seja  recebido  e  possa  ser  revendido, o que compele a recorrente a se valer do instrumento de hedge.  Reporta­se  a  doutrina  esclarecendo  que  o  hedge  nada  mais  é  que  a  aquisição  de  contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que  num  contexto  em  que  os  preços  dos  produtos  que  comercializa  oscilam  ao  sabor  do  mercado,  deixar  de  realizar  operações  de  hedge  certamente  evidenciaria  que  a  Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de  variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às  atividades da Recorrente.  Constrói  exemplo  numérico  para  aclarar  tais  afirmações,  e  destaca  que  a  soja,  principal  produto  agropecuário  negociado  pela  Recorrente,  no  ano  de  2004,  foi  o  segundo  produto  agropecuário  brasileiro  cujo  preço  apresentou maior  volatilidade.  E  complementa:  253. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando  da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu  cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro  lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física  pague  menos  à  Recorrente,  o  hedge  propiciará  um  resultado  positivo  equivalente  ao  valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época.  254. Ao minimizar  seus riscos pela contratação das operações de hedge, a Recorrente  pode  se  concentrar  em  suas  atividades  principais:  a  compra,  estocagem,  distribuição,  processamento e revenda de soja.  Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir  que  em  decorrência  da  premissa  basilar  e  irredutível  de  que  apenas  podem  ser  submetidos  ao  IRPJ  (e  também  CSLL)  os  acréscimos  patrimoniais  efetivos,  os  resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados  isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da  forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Novamente menciona que a adição dos prejuízos  decorrentes  de  operações  de  hedge  decorre  da  suposição  de  que  tais  operações  não  teriam sido praticadas em bolsa.  Apresenta mais exemplos numéricos dos  resultados que  seriam auferidos em caso de  valor de mercado superior ou  inferior ao preço de compra contratado, para concluir  que  impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria  Fl. 18086DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 25          24 tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os  custos  incorridos para  a  sua  consecução,  isto  é,  aqueles decorrentes das operações de  hedge.  Reporta­se  a  jurisprudência  administrativa  contrária  a  este  tipo  de  entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos  em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico.  Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera  indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois  tal  implicaria  reconhecer  que  aquela  norma  visa  a  locupletar  o  fisco  de  forma  injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias,  mas  não  seria  aceito  um  importante  custo  incorrido  para  que  essas  mesmas  receitas  fossem auferidas.  Subsidiariamente  invoca  a  aplicação  do  art.  71  da  Lei  nº  9.430/96,  que  em  seu  entendimento houve por bem estender as demais operações realizadas em mercados de  liquidação futura fora de Bolsa (balcão) o mesmo tratamento tributário conferido a tais  operações realizadas em Bolsa, dentre as quais se incluem as operações de cobertura. E,  considerando o disposto nos arts. 17 e 28 daquela mesma lei, admitido está o cômputo  na determinação do lucro real, e da base de cálculo da CSLL, dos resultados líquidos,  positivos  ou  negativos,  obtidos  em  operações  de  cobertura  (hedge)  realizadas  em  mercados  de  liquidação  futura,  diretamente  pela  empresa  brasileira,  em  Bolsas  no  exterior.  Antecipa  sua  oposição  à  alegação  de  que  o  referido  dispositivo  legal  (art.  71),  ao  assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de  liquidação  futura  fora  de  Bolsa,  não  teria  explicitado  que  tal  regra  também  seria  aplicável  às operações  realizadas no exterior. Segundo Elide Palma Bifano e Luciana  Aguiar32  [32  "Anotações  sobre  Operações  Internacionais  com  a  Finalidade  de  Cobertura  ("Hedge"),  in  "Revista  de  Direito  Tributário  Internacional  nº  10",  ed.  Quartier  Latin,  p.  180.],  "á  época  da  edição  da  L  9.430/96,  vigorava  o  art.  63  da  L  8.383/91,  que,  expressamente,  autorizava  esse  tratamento.  Esse  fundamento  de  aplicação  de  tal  regime  vigorou  até  a  edição  da  L  11.033/04,  quando  o  art.  63,  em  referência, foi revogado. A partir de então, o art. 71 da L 9.430/96 passa a ser aplicado,  também, a operações no exterior, com as alterações introduzidas pela L 10.833/03, em  seu  artigo  48,  em  seu  §2°,  autorizando  o  reconhecimento  de  perdas  nas  operações  registradas nos termos da legislação vigente".  Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os  juros decorrem da utilização do capital alheio, no caso o tributo, ao passo que a multa  é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Se os juros remuneram o credor  pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter  sido recolhido no prazo legal, e não foi.  Defende  que  não  há  previsão  legal  para  incidência  de  juros  sobre  a  multa,  pois  a  expressão débitos do §3o do art. 61 da Lei nº 9.430/96 diz respeito somente ao valor do  principal  relativo  à  obrigação  tributária  não  paga  no  vencimento,  interpretação  confirmada em razão do que expresso no art. 43 da mesma lei. Reporta­se a julgados  do Primeiro Conselho  de Contribuintes,  e  da Câmara  Superior  de Recursos Fiscais,  este editado em 09/11/2010, que adotam o entendimento por ela defendido.  Ao final, requer, ainda, o procedimento de diligência, na hipótese desse procedimento  ser  tido  como  necessário  para  o  esclarecimento  de  qualquer  dúvida  acerca  dos  documentos  juntados  ao  presente  processo  administrativo,  bem  como  protesta  pela  produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação  oral de suas razões de defesa.  Em  22/02/2011  os  autos  do  presente  processo  foram  encaminhados  em CARF,  e  em  21/10/2011  foram  distribuídos,  mediante  sorteio,  a  esta  Relatora.  Contudo,  em  16/03/2012  a  recorrente  peticionou  nos  autos,  requerendo  a  juntada  de  novos  Fl. 18087DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 26          25 elementos  aos  autos  (fls.  3365/3375),  especialmente os  seguintes  estudos  e pareceres  jurídicos:  · Análises  em  relação  aos  melhores  princípios  e  práticas  de  mercado  que  possibilitassem  ao  Grupo  ADM  efetuar  operações  de  hedge  na  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago  (“Bolsa  de  Chicago”),  promovidas  por  Professor Steven Thel, I. Maurice Wormser Professor de Direito da Universidade  de  Fordham  em Nova  Iorque,  em  que  leciona  sobre  contratos,  lei  corporativa  e  regulamento de valores mobiliários;  · Análise  das operações  de Hedge  efetuadas  pela Requerente  no  exterior  à  luz  do  art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco;  · Estudo  dos  vícios  materiais  que  acarretam  a  nulidade  dos  autos  de  infração,  proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi;  · Relatório da KPMG acerca da contabilização das operações e a conformidade dos  Preços Praticados, com referência a Anexos numerados de 1 a 30, não juntados à  petição;  Digitalizada apenas a  referida petição em 28/03/2012  (os  estudos  e pareceres acima  mencionados acompanharam cópia desta petição apresentada a esta Relatora, mas não  foram digitalizados  no E­processo),  os autos  seguiram em 29/03/2012 para vistas da  Procuradoria da Fazenda Nacional, que em 31/05/2012 devolveu os autos informando  que  apresentaria  memoriais  oportunamente  e  que  realizaria  sustentação  oral  por  ocasião do  julgamento (fl. 3376/3378). Os autos foram novamente distribuídos a esta  Relatora  em  12/06/2012,  juntamente  com  os  autos  do  processo  administrativo  nº  15586.001638/2010­81,  que  trata  de  exigência  conexa,  relativa  ao  ano­calendário  2006.  Em 10/08/2012 foi concluída a digitalização dos demais documentos apresentados pela  recorrente  em  16/03/2012,  estruturados  em  30  (trinta)  anexos,  os  quais  passaram  a  integrar  as  fls.  3379/7301  destes  autos.  Identificadas  falhas  na  digitalização,  esta  Relatora  requereu  sua  regularização  em  03/10/2012,  recebendo  em  06/11/2012  os  elementos faltantes.  Em  06/12/2012  a  recorrente  apresentou  a  esta  Relatora  petição  protocolizada  no  CARF naquela data, requerendo a juntada de Relatório de Comprovação do Hedge em  Operações  Futuros  Realizadas  pela  Companhia  no  Ano­Base  de  2004,  emitido  pela  empresa  de  auditoria KPMG,  bem  como de Relatório  de Auditoria  Independente  das  Operações  de Futuro  e Opções  de Commodities Realizadas  pela Companhia,  emitido  pela  empresa  de  auditoria  Ernst  &  Young,  acerca  das  controvérsias  objeto  de  lançamento nestes autos. Além disso,  na mesma data,  requereu a  juntada de parecer  emitido pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, acerca da interpretação do art. 17  da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas.   O  relatório  da  Ernst  &  Young,  acompanhado  de  diversos  demonstrativos  (todos  em  língua  estrangeira),  o  relatório  da  KPMG  e  o  parecer  do  Professor  Ary  Oswaldo  Mattos  Filho  foram  anexados  à  petição  antes  referida.  Por  ocasião  de  sua  apresentação,  a  recorrente  mencionou  a  existência  de  documentos  que  lhes  dariam  suporte,  os  quais  seriam  apresentados  no CARF. Consulta  ao E­processo  evidenciou  que  a  referida  petição  e  os  documentos  que  a  instruíram  ainda  não  haviam  sido  digitalizados até  janeiro/2013, bem como que não havia  registro da apresentação de  outros elementos.  Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício  da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade  na  tramitação  do  presente  processo  administrativo.  Em  28/11/2012  o  mesmo  órgão  requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas nestes autos, as quais  foram  fornecidas  pela Presidência  desta  1a  Seção  em  11/12/2012,  acompanhadas  da  Fl. 18088DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 27          26 informação de que o presente processo seria incluído em pauta na sessão seguinte, em  fevereiro de 2013.  O  litígio não  foi  apreciado na  reunião de  julgamento de  fevereiro/2013 em  razão de  pedido  de  adiamento  apresentado  pela  recorrente.  Ao  final  de  fevereiro/2013,  foram  digitalizados  17  (dezessete)  volumes  de  anexos  a  estes  autos,  cuja  juntada  definitiva  ainda não foi promovida no E­processo em razão de o processo encontrar­se pautado  para julgamento. Referidos documentos estão intitulados Laudo KPMG – Relatório de  comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia no ano­base  de  2004  e  reúnem  Anexos  entre  os  números  1  e  33,  evidenciando  tratar­se  dos  documentos de suporte do documento apresentado a esta Relatora em 06/12/2012, sob  o  título Relatório  de Comprovação  do Hedge  em Operações  Futuros  Realizadas  pela  Companhia no Ano­Base de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG.  Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às  fls.  7631/12285.  Além  deles,  foram  juntados  aos  autos  digitalizados  a  tradução  juramentada  do  Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 12288/12481), bem como os relatórios e o parecer  apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 12484/12645).  Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por  voto  de  qualidade,  REJEITAR  as  argüições  de  nulidade  do  lançamento  por  falta  de  compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período,  divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José  Ricardo  da  Silva;  2)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento  vinculada  ao  cálculo  do  adicional;  3)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento  decorrente  dos  efeitos  da  postergação;  4)  por  unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do  lançamento de glosa de  juros,  comissões  e  variações  cambiais;  5)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  da  decisão  recorrida;  6)  por maioria  de  votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA  o  julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva,  que davam provimento ao recurso voluntário.   Esta Conselheira  expôs  suas  razões  para  rejeitar  as  preliminares  deduzidas  na  defesa;  observou  que  o  art.  396  do  RIR/99  admite  a  dedução  de  perdas  em  operações  de  cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o  procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias  constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas  escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de  operações  junto  à  Bolsa  de  Chicago  não  as  desnaturaria  como  promovidas  diretamente  em  bolsa;  cogitou  da  prova  das  operações  de  hedge  mediante  demonstração  de  sua  contratação  com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à  Fiscalização  não  asseguravam  que  os  recursos  remetidos  ao  exterior  destinaram­se  às  operações  de  hedge,  porque  consolidadas  diversas  operações,  a  demandar  seu  exame  individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior  e  correspondente  pagamento;  e  discorreu  sobre  o  conteúdo  das  provas  juntadas  depois  do  recurso  voluntário,  destinadas  a  demonstrar  o  fluxo  operacional  e  financeiro  das  atividades  questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center  somente surgiram em impugnação.  Considerando  tais  circunstâncias,  esta  Conselheira  concluiu  que  as  provas  apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer  este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que  Fl. 18089DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 28          27 dossiês  diários  fossem  mantidos  para  demonstração  da  equivalência  entre  os  registros  contábeis  e as operações da  empresa  junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os  elementos  trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um  fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas  operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas  demonstrações  não  permitiu  que a  empresa  as apresentasse  à Fiscalização  e  convencesse  a  autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria  necessária  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  confirmação  do  conteúdo  dos  relatórios apresentados pela defesa.  Todavia,  a  demonstração  da  atuação  da  ADM  Trading  como  hedge  center  suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não  teriam  sido  contratadas  em  Bolsa,  em  razão  de  impedimentos  legais,  razão  pela  qual  o  julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora:  · Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de  hedge  seriam  necessárias  e  dedutíveis:  1)  analise  os  elementos  trazidos  pela  recorrente  como  evidências  de  que  os  registros  junto  ao  mencionado  Sistema  VAX  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  de  modo  a  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities;  2)  informe  a  validade  dos  critérios  de  auditoria  adotados  pelas  empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pela  contribuinte,  ou  apure  esta  regularidade  por  outros  meios  que  entender  e  justificar  suficientes;  3)  aponte  divergências  que  deste  exame  resultem,  identificando  as  perdas  que  restarem  sem  comprovação,  e  quantificando  sua  repercussão no crédito tributário lançado;  · Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa  ensejam  perdas  dedutíveis,  promova  as  verificações  acima  requeridas,  mas  identifique  as  perdas  correspondentes  a  operações  de  hedge  efetivamente  contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes  terem sido compensadas com  posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo  ADM.  A  recorrente  embargou  a  resolução  porque  a  decisão  ali  expressa  induz  à  conclusão de que, no presente caso, a diligência teria mero caráter de apuração do quantum  supostamente devido,  tendo a questão de mérito sido já assentada e decidida entre os Ilmos.  Conselheiros,  exceção  feita  à  manifestação  dos  Ilmos.  Conselheiros  Nara  Cristina  Takeda  Taga  e  José  Ricardo  da  Silva,  que  davam  provimento  ao  recurso  voluntário  (fls.  12663/12668). No despacho de fls. 12730/12735 restou demonstrado que inexistiria qualquer  contradição ou obscuridade a ser sanada: a decisão do Colegiado limitou­se a determinar a  remessa  dos  autos  à  origem  para  coletar  informações  que  se  entenderam  imprescindíveis  à  solução  do  litígio,  sem  que  qualquer  decisão  quanto  ao  mérito  da  controvérsia  tenha  sido  proferida, como diz a embargante. A decisão em forma de resolução, nos termos do Regimento  Interno  do  CARF,  posterga  para  momento  futuro  o  pronunciamento  acerca  do  recurso,  inclusive no que tange a questões preliminares ou prejudiciais antes já examinadas. No mais,  observou­se que não houve omissão acerca de declaração de voto da Conselheira Nara Cristina  Takeda Taga, dado que esta não se manifestara neste sentido.  A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias  de  cálculos  das  perdas  em  operações  de  hedge  promovidas  pela  recorrente,  bem  como  Fl. 18090DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 29          28 demonstração  das  operações  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  e  aquelas  compensadas  com  posições  opostas  de  outras  empresas  do  grupo  ADM  (fl.  12739/12740).  Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo­se pedido de explicação  detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após  prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 12774/12775).   A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 12776/12903) e assim  consolidou  os  valores  das  perdas  resultantes  de  operações  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago  (item  2  da  intimação)  e  compensadas  com  posições  opostas  de  outras  empresas do grupo (item 3 da intimação):    A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 12904/12905)  e  em  resposta  a  contribuinte  apresentou  os  esclarecimentos  de  fls.  12908/12926.  Às  fls.  12927/17998  constam  os  documentos  apresentados  no  curso  da  diligência.  Novos  esclarecimentos  foram  solicitados  em  razão  de  divergências  constatadas  entre  os  elementos  apresentados  pela  contribuinte  (fls.  17999/18001),  sendo  prestadas  as  informações  de  fls.  18002/18013.  A  diligência  foi  concluída  com  a  lavratura  do  termo  de  fls.  18014/18027,  no  qual  a  autoridade  fiscal  apresenta  constatações  acerca  das  informações  prestadas  pela  contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados  como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil  em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela  ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em  hedge  na BM&F Chicago  em  comparação  com  os  valores  totais  das  perdas  com Hedge  da  ADM do  Brasil,  e  ao  final  apresentando  as  seguintes  respostas  aos  quesitos  consignados  na  Resolução:  O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1)  analise  os  elementos  trazidos  pela  recorrente  como  evidências  de  que  os  registros  junto  ao  mencionado  Sistema  VAX  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações  com  commodities;  2 )   informe  a  validade  dos  critérios  de  auditoria  adotados  pelas  empresas  contratadas,  e  por  conseqüência  a  admissibilidade  de  seus  relatórios  para  demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure  esta  regularidade por outros meios que entender  e  justificar  suficientes;  e 3) aponte  divergências  que  deste  exame  resultem,  identificando  as  perdas  que  restarem  sem  comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado;  • Em resposta à solicitação do CARF, informamos:  1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava­se do sistema VAX  que  obedecia  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  realizando  compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de  suas operações físicas com commodities;  Fl. 18091DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 30          29 2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas,  e  por  conseqüência,  a  admissibilidade  de  seus  relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pelo  contribuinte,  esta  fiscalização  informa  que  é  inviável  e  temerário  emitir  um  parecer,  visto  que  só  seria  possível  formar  convicção diante de uma auditoria  independente  ,  isto é, não contratada e paga pelo  contribuinte.   3. Considerando as  informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as  divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas  respectivas repercussões no crédito tributário lançado:  RECALCULO  DAS  INFRAÇÕES  APURADAS  CONFORME  VALORES  INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE  Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em  hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo  sistema VAX.  Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões)  retirados  dos  processos  de  auto  de  infração  n°  15586.001637/2009­01  e  15586.001638/2010­81:    VALOR 2004  VALOR 2006  VALOR 2007  RESULTADOS  DE  HEDGE  INFORMADOS NA CONTABILIDADE ­ GLOSAS  DE  CUSTOS  E  DESPESAS  NOS AUTOS DE INFRAÇÃO  988.456.803,45  55.151.492,45  294.716.460,55  RESULTADOS  DO  HEDGE  APLICADOS  EM  BOLSA ­ RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE  307.889.579,00  35.700.691,00  160.554.919,00  TOTAL  DAS  GLOSAS  CONSIDERANDO  INFORMAÇÕES DO  CONTRIBUINTE  680.567.224,45  19.450.801,45  134.161.541,55  RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO  [...]  Cientificada,  a  contribuinte  manifestou­se  às  fls.  18031/18043,  reiterando  as  justificativas antes apresentadas, observando que atendeu prontamente a  todas as solicitações  que  lhe  foram  dirigidas  durante  a  diligência,  participando  inclusive  de  diversas  reuniões  presenciais  e por conferência  telefônica para apresentar explicações  sobre os documentos  e  sanar dúvidas do agente fiscal, e apresentando milhares de páginas de documentos contendo  todos  os  detalhes  das  operações  de  hedge  contratadas  no  exterior. Aduz  que  a  reintimação  fiscal  lavrada  no  curso  da  diligência  decorreu  de  falha  no  processamento  das  respostas  tempestivamente apresentadas,  e diz que os  trabalhos  realizados pelo agente  fiscal  em nada  contradizem o que vinha sendo sustentado pela Recorrente, atestando desde a colocação das  Ordens no Sistema VAX, suas conciliações periódicas e compensações com posições opostas  do Grupo ADM, até a efetiva transferência das Ordens para a Bolsa de Chicago.   Discorda  das  comparações  feitas  pela  Fiscalização  entre  os  ganhos/perdas  da  Recorrente e os ganhos/perdas da ADM Company, pois não existe padrão numérico esperado  para as comparações  selecionadas, dado que suas atividades  são  influenciadas por  inúmeras  variáveis que cita e demonstra por meio de exemplos práticos. Na seqüência, reportando­se às  respostas  aos  quesitos  da  diligência,  firma  o  entendimento  de  que  as  conclusões  fiscais  confirmaram o que vem sendo sustentado pela Recorrente nos presentes autos, de modo que os  argumentos  de  defesa  não  são  abalados  nem  mesmo  pelas  suposições  lançadas  pela  Fiscalização  quanto  ao  fato  de  os  auditores  independentes  terem  sido  contratados  pela  Recorrente,  mormente  tendo  em  conta  que  todas  as  informações  por  eles  utilizadas  foram  apresentadas à Fiscalização, sem que qualquer vício tenha sido apontado, seja nas premissas  Fl. 18092DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 31          30 adotadas, nos procedimentos realizados ou nas conclusões alcançadas. Aborda as normas que  regem  as  atividades  de  auditoria  independente  para  reafirmar  desarrazoadas  as  suspeitas  lançadas pelo agente fiscal, e conclui:  36. Portanto, diante das  robustas provas apresentadas pela Recorrente nos presentes  autos, seja pelos laudos elaborados pelos auditores independentes, seja pelos inúmeros  documentos que os sustentam, jamais poderia o agente fiscal pretender desqualificá­los  sob  a  simples  alegação  de  que  os  auditores  foram  contratados  pela  Recorrente.  Restando  abalados  quaisquer  dos  elementos  que  sustentam  o  Auto  de  Infração  por  provas  carreadas  aos  autos  pelo  contribuinte,  incumbe  ao  Fisco  efetivamente  comprovar as suas alegações, por meio da adequada contestação técnica, até mesmo  porque a diligência seria o momento adequado para tanto.  37. Dessa  forma,  na medida  em  que  (i)  as Ordens  colocadas  pela Recorrente  foram  reconhecidas pela própria autoridade fiscal como relativas a operações de hedge que  atenderam aos parâmetros da Bolsa de Chicago já desde o Termo de Verificação fiscal  e  que  (ii),  conforme  atestado  pelo  Termo  de  Encerramento  de  Diligência,  se  demonstrou  que  as  operações  foram  realizadas  em  ambiente  de  bolsa  por  meio  do  Sistema VAX e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte­americano,  sendo parte consolidada com Ordens contrárias de outras empresas do Grupo ADM e  parte contratada  junto à Bolsa de Chicago, o atendimento da regra do artigo 396 do  RIR é patente.  38. Conforme já exposto nos presentes autos, sob a perspectiva do Fisco brasileiro, o  que  importa é que o eventual  resultado negativo da operação de hedge seja  fruto da  assunção efetiva do  risco das operações de bolsa  e que  tal  resultado negativo  esteja  sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro, de maneira que o Fisco Brasileiro  tenha  o  conforto  de  que  os  valores  reconhecidos  pela  empresa  brasileira  não  foram  artificialmente inflados por meio de negociações entre particulares no exterior. Isto é,  a  exigência  do  art.  396  do RIR  visa  a  evitar  que  prejuízos  fictícios  sejam  deduzidos  pelas empresas brasileiras da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa exigência, no  entanto,  não  pode  ser  vista  de  maneira  dissociada  das  regras  que  delineiam  a  materialidade do IRPJ e da CSLL, nem pode a autoridade fiscal extrapolar o conteúdo  das normas que regulam a incidência desses tributos.   Ainda,  reportando­se ao Parecer do Professor Marco Aurélio Greco, diz que o  conteúdo  das  Ordens  realizadas  pela  Recorrente  para  compra  ou  venda  da  commodity  é  incontroverso nestes autos, centrando­se a discordância no modo de execução dessas Ordens,  sujeita  às  regras  estrangeiras. Discorre  sobre  tais  regras,  citando o  parecer  do Professor Ary  Oswaldo Mattos Filho, e finaliza defendendo que as Ordens colocadas junto à ADM Trading,  repassadas  à  ADM  Financeira  e  então  colocadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago  certamente  atendem  a  todos  conceitos  que  extrai  da  legislação  brasileira,  razão  pela  qual  entende  improcedente a exigência.   Fl. 18093DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 32          31 VOTO  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA   Antes  de  adentrar  ao  reexame  das  preliminares  e  à  apreciação  do  mérito,  observa­se  que,  caso  se  conclua  pela  indedutibilidade,  ainda  que  em  parte,  das  perdas  resultantes de operações de hedge, não será possível finalizar a apreciação das demais matérias  autuadas.   Isto  porque,  na  realização  da  diligência  requerida  por  este  Colegiado,  a  autoridade fiscal entendeu inviável e temerário confirmar a validade dos critérios das auditorias  contratadas,  mas  intimou  a  contribuinte  a  demonstrar  os  valores  mensais  das  perdas  correspondentes às operações de hedge contratadas  junto à Bolsa de Chicago e compensadas  com as posições opostas de outras empresas do grupo ADM, e a contribuinte assim detalhou  esta apuração:  Para segregar as perdas relativas às operações de hedge que foram consolidadas pela  ADM  Trading  das  perdas  relativas  àquelas  que  foram  executadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal, a ADM do Brasil  partiu do banco de dados que consolida todos os Relatórios R38381­01 e que engloba  todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas  as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago (“Extrato 5032”).  Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima,  a  parti  desse  confronto  conclui­se  que  as  perdas  decorrentes  de  transações  de  um  mesmo produto, mês de Entrega e preço em determinado dia, constantes de ambos os  documentos (Relatório R38381­01 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de  Chicago.  A  partir  das  perdas  totais  nas  operações  de  compra  e  venda  da  ADM  Brasil,  identificou­se o volume de contratos e o valor das compras e das vendas pelos preços  destes  contratos  para  identificação  das  perdas  das  operações  da  ADM do  Brasil  na  Bolsa de Chicago.  A  partir  destes  critérios,  a  contribuinte  informou  que,  em  2004,  as  perdas  de  hedge  da  ADM  do  Brasil  representaram  R$  1.192.913.054,00,  sendo  que  as  perdas  das  operações  de  hedge  realizadas  em  bolsa  totalizaram  R$  307.889.579,00,  e  as  perdas  das  operações de hedge compensadas o montante de R$ 885.023.475,00.  A autoridade  fiscal encarregada da diligência admitiu que,  em tese, a empresa  ADM  Trading  utilizava­se  do  sistema  VAX  que  obedecia  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities, mas  afirmou  impossível  auditá­lo,  visto  que  os  valores  aplicados  em  hedge  na  BM&F Chicago  são  realizados  pelo  Grupo ADM,  não  sendo  separados  por  empresas.  Consignou,  ainda,  que  a  contribuinte  não  apresentou  os  valores  e  documentos  relativos  às  transferências  financeiras  para  a  BM&F  Chicago referentes a aplicações em hedge, o que impossibilitou a elaboração de comparativos  em relação ao valor informado pelo contribuinte como aplicado na BM&F Chicago pela ADM  do Brasil. De outro  lado, elaborou  tais comparativos confrontando ganhos/perdas com soja e  seus derivados registrados por ADM do Brasil e ADM Company, apurando que os resultados  desta  corresponderiam a 65% dos  resultados daquela. Comparou  também as perdas  totais da  recorrente com as perdas resultantes de hedge junto à Bolsa de Chicago, observando que estas  Fl. 18094DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 33          32 representam 25,8% daquelas. E reportou­se à divergência já constatada, por esta Conselheira,  nos relatórios das auditorias, que poderia ser  justificada pela consolidação que não reporta à  ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo Grupo (fl. 7357).  A abordagem assim desenvolvida no Termo de Encerramento de Diligência não  expressa  qualquer  objeção  à  dedutibilidade  da  parcela  de  R$  307.889.579,00,  indicada  pela  contribuinte como correspondente a perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago.  Ao  contrário,  a  autoridade  fiscal  encerra  a  exigência  recompondo  a  apuração  do  lucro  tributável excluindo aquela parcela das glosas aqui promovidas. Assim, é razoável concluir que  as  discrepâncias  acima  mencionadas  apenas  se  prestaram  a  reforçar  que  parte  das  perdas  contabilizadas pela contribuinte, de fato, não foram contratadas junto a bolsa no exterior, assim  como  que  os  registros  da  contribuinte  seriam  confiáveis  para  se  admitir  a  dedução  da  R$  307.889.579,00,  ainda  que  sem  a  apresentação  dos  documentos  de  transferências  financeiras  para a Bolsa de Chicago, visto que a ausência destes somente teria impedido a Fiscalização de  elaborar comparativos semelhantes aos anteriormente citados.   Mas,  retomando  a  acusação  fiscal,  vê­se  que  a  autoridade  lançadora  glosou  perdas  no  valor  de  R$  885.797.100,45,  equivalentes  à  transferência,  para  o  resultado  do  exercício,  de  parcelas  a  crédito  de R$ 380.940.696,59  e  a  débito  de R$  1.266.737.797,04,  a  partir  da  conta  128116  —  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS.  A  diferença  entre  estes  montantes teria ensejado indevida redução do resultado do período.   De  outro  lado,  a  contribuinte  informara  que  a  conta  em  referência  recebeu  registros referentes a:  Valores em R$  DESCRIÇÃO          DÉBITO/(CRÉDITO)    CONTRAPARTIDA   SALDO INICIAL         (530.905.477,68)    N/A  RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS   (885.075.593,48)    423130  VARIAÇÃO CAMBIAL        (90.893.868,32)     744100­524  JUROS           (11.237.721,23)     709400  CORRETAGEM E COMISSÃO     (1.547.712,38)      405170  OUTROS           (56,42)       124746­501/616075  PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS    1.505.961.912,45    BANCOS    SALDO FINAL        (13.698.517,05)  A partir destes registros, a autoridade fiscal concluiu que as variações cambiais,  juros  e  comissões  ali  registrados,  no  total  de  R$  102.659.703,00,  também  teriam  reduzido  indevidamente o lucro tributável, porque decorrentes das operações de hedge não comprovadas  durante o procedimento fiscal.   Ocorre  que  ao  recompor  a  exigência  a  partir  das  constatações  reunidas  em  diligência, a autoridade fiscal excluiu de seus cálculos parte da glosa de perdas e a totalidade  das  despesas  com  variação  cambial  e  juros,  sem  justificar  porque  assim  procedeu. Assim,  é  Fl. 18095DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15586.001637/2009­01  Resolução nº  1101­000.152  S1­C1T1  Fl. 34          33 necessário que os autos retornem à origem para que a autoridade fiscal justifique as alterações  assim  promovidas  na  base  tributável,  disto  cientificando  a  contribuinte  para  eventual  manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução dos autos a este Conselho.      (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora    Fl. 18096DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 19515.000035/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/01/2002 a 01/09/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Diante do requerimento de desistência parcial do recurso em relação à exigência formulada no Auto de Infração Complementar, não devem ser conhecidos os embargos na parte em que a este se refere. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma. Configurada a omissão do Acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos nesta parte. Embargos conhecidos em parte e, na pare conhecida, embargos providos.
Numero da decisão: 3202-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos embargos de declaração e, na parte conhecida, em dar provimento aos embargos. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento, pela embargante, a advogada Liliana Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos embargos de declaração e, na parte conhecida, em dar provimento aos embargos. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento, pela embargante, a advogada Liliana Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade Torres Oliveira,  Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque  Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.    Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração  tempestivamente  opostos  pela  contribuinte  acima  identificada,  em  face  do  Acórdão  nº.  3202­00.200,  de  18/06/2009  (fls.  600/620), cuja ementa abaixo transcrevo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  DE  INTERVENÇÃO  NO  DOMÍNIO ECONÔMICO C I DE  Período de apuração: 01/01/2002 a 01/09/2006  CIDE  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  LASTREADO  EM  MEDIDA  LIMINAR  AUTO  DE  INFRAÇÃO  PARA  PREVENIR  DECADÊNCIA.  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  POSSIBILIDADE. A autuação deve subsistir, no intuito único de  dar  causa  ao  depósito  judicial  efetuado  pelo  contribuinte,  reputando­se  por  constituído  o  crédito  tributário  a  ele  correspondente.  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO  OCORRÊNCIA.  O  prazo  para  constituir  crédito  da  Fazenda  Nacional  pertinente  à CIDE  é  de  cinco  anos,  contados  do  fato  gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento  do  tributo  devido,  na  forma  do  art.  150,  §4°  do  CTN,  ou  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  em  que  o  lançamento  já  poderia  ter  sido  efetuado,  na  ausência  de  antecipação  de  pagamento, conforme previsto no art 173,1, do CTN.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea somente se  caracteriza  quando o  sujeito  passivo  efetua  o  recolhimento,  ou  realiza o depósito judicial no montante integral devido, antes de  qualquer  procedimento  de  ofício  e  dentro  do  prazo  de  vencimento  para  recolhimento  do  tributo.  O  pagamento  a  destempo, mesmo acrescido dos juros de mora, descaracteriza a  hipótese  de  denúncia  espontânea,  sendo  cabível,  portanto,  a  incidência da multa e dos juros de mora.  IMPUTAÇÃO  DE  PAGAMENTOS.  A  ausência  de  pagamento  integral  do  crédito  tributário  legitima  o  lançamento  de  ofício  para  exigir  insuficiências  de  recolhimento  constatadas,  que  podem ser apuradas pela sistemática da imputação proporcional  dos  pagamentos  referentes  a  tributos, multa  pecuniária  e  juros  moratórios,  na  mesma  proporção  em  que  o  pagamento  o  alcança.  MULTAS.  RESPONSABILIDADE DO  SUCESSOR.  Responde  o  sucessor  tanto  pelas  multas  de  ofício  quanto  pelas  multas  Fl. 674DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000035/2007­51  Acórdão n.º 3202­001.467  S3­C2T2  Fl. 674          3 moratórias  incidentes  sobre  débitos  devidas  pela  empresa  sucedida.  Recurso Voluntário Negado.  Por meio do despacho de  fl.  667,  e  com  fundamento no § 2º do  art.  65  do  Anexo II do Regimento Interno do CARF, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza foi  designado para se pronunciar sobre a admissibilidade dos declaratórios.  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  do  despacho  exarado  pelo  referido Conselheiro, cujos termos abaixo transcrevo:  “Alega  a  Embargante  que  a  decisão  incorreu  em  omissão  e  obscuridade,  a  saber:  Em relação ao auto de infração principal (de 09/01/07):  O valor principal constituído no auto de infração corresponde aos valores dos  depósitos judiciais efetuados pela Embargante, que manifestou sua indignação com  relação aos juros constituídos, tendo em vista que os valores depositados, na dicção  expressa do art. 1º, § 2º, da Lei n° 9.703/98, foram prontamente transferidos para a  Conta  Única  do  Tesouro  Nacional,  que  faz  uso  desses  recursos.  A  União  teve  disponibilidade  dos  valores  em  questão  a  partir  do  momento  da  realização  dos  depósitos, razão suficiente para obstar o lançamento dos juros. A Embargante aduziu  que  o  caso  deve  ser  regido,  na  esteira  do  voto  vencido,  pela  Súmula CARF  n°  5  (“São  devidos  juros  de mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no  montante  integral”).  Isso  se  reforça  com  o  fato  do  lançamento  complementar,  visando constituir valores não depositados judicialmente, estes, sim, sujeitos a juros.  Sob  esse  ponto,  não  se manifestou  o  voto  condutor do  v.  acórdão,  incorrendo  em  omissão  a  ser  sanada  no  que  tange  à  ilegitimidade  da  constituição  de  juros  sobre  valores depositados judicialmente, desconsiderados seus efeitos legais.  Em relação ao lançamento complementar (de 38/08/07):  A  Embargante  está  certa  de  que  não  é  devida  a  multa  moratória  no  caso  presente,  pois,  por  iniciativa  própria,  realizou  o  depósito  judicial  do  montante  integral  controvertido  no  processo  judicial  antes  do  inicio  do  procedimento  fiscal,  caracterizando a denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Entretanto,  ao  se  manifestar  sobre  o  tema,  o  voto  condutor  do  v.  acórdão  aponta  que  os  depósitos foram realizados após as datas de vencimento das obrigações tributárias,  razão pela qual concluiu que estaria afastado o instituto da denúncia espontânea. Em  seguida, menciona precedentes do Superior Tribunal de  Justiça STJ que entendem  que o tributo declarado e não pago não pode ser objeto de denúncia espontânea. Ao  assim decidir, padece de obscuridades o v. acórdão embargado, tanto com relação à  conclusão lançada, como em relação aos precedentes aplicados.  Obscuridades no voto condutor:  A denúncia espontânea pressupõe que o contribuinte agiu a destempo, ou seja,  a caracterização da infração, nos termos do art. 138 do CTN3. Com efeito, o fato de  os  depósitos  serem  posteriores  às  datas  de  vencimento  das  obrigações  em  nada  desqualifica  a denúncia  espontânea; ao  contrário,  é  fato  caracterizador da  infração  denunciada. Assim, evidencia­se obscuridade da conclusão lançada pelo v. acórdão  nesse  ponto,  ao  aduzir  que  a  extemporaneidade  do  depósito  obstaria  a  denúncia  espontânea.  Os  precedentes  do  STJ  invocados  versam  sobre  situações  distintas  Fl. 675DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     4 àquelas  em  apreciação,  litigando  em  sentido  distinto  da  conclusão  do  v.  acórdão.  Conforme  se  infere  dos  documentos  acostados  às  fls.  148/158,  a  Processo  nº  19515.000035/200751 Despacho n.º 3202S3C2T2 Fl. 1.801 3 Embargante não havia  declarado os valores de CIDE, tendo atendido perfeitamente ao disposto no art. 138  do CTN, para caracterização da denúncia espontânea, efetuando o depósito judicial  dos mesmos,  especialmente  sob  a  égide  da Lei  n°  9.703/98,  que  impôs  o  repasse  desses valores para a Conta Única do Tesouro da União. Assim, resta obscuro o v.  acórdão também nesse ponto, por deixar de esclarecer a pertinência dos precedentes  do  STJ  ao  caso  em  concreto,  tendo  em  vista  que  versam  sobre  situação  de  fato  distinta daquela em apreciação.  Caracterização da denúncia espontânea:  O v. acórdão aduz que o inicio de procedimento de fiscalização teria obstado a  denúncia espontânea, identificando o MPF constante à f1. 1, firmado em 23/03/05,  como marco inicial a obstar a denúncia espontânea. Ocorre que também nesse ponto  merece integração o v. acórdão, tendo em vista que referido documento versa sobre  fiscalização atinente ao IRPJ relativo ao ano de 2001, ou seja, trata de tributo e de  período  distintos,  que  em  nada  embasa  as  conclusões  atingidas.  Nesse  sentido,  a  breve análise das fls. subsequentes evidencia que a Embargada fora cientificada de  Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, esse, sim, versando sobre a CIDE  no  período  de  2002  a  2004,  apenas  em  05/04/06,  ou  seja,  em  data  posterior  aos  depósitos  judiciais  tidos  por  insuficientes  ante  a  não  inclusão  da multa moratória  (fls. 306/307v.). Com efeito, caracterizam­se nesse ponto omissão e obscuridade.  Aplicação do art. 63, §3°, da Lei n° 9.430/96:  Após a cassação da liminar, a Recorrente efetuou depósitos, com a incidência  de juros e sem o acréscimo da multa de mora, aproveitando­se do beneficio previsto  no  art.  63,  §  3º,  da  Lei  n°  9430/967,  fundamento  adicional  a  evidenciar  a  inexigibilidade  da  multa  moratória  e  a  impossibilidade  da  imputação  realizada,  acerca do qual se omitiu o v. acórdão.  Manutenção da multa após desconstituição do principal:  Em  relação  ao  lançamento  complementar,  r.  decisão  de  fls.  414/439  corretamente  afastou  a  parcela  correspondente  ao  valor  principal  lançado.  Porém,  sem qualquer embasamento, entendeu ser possível manter a multa de 75% incidente  sobre  esse  valor  cancelado,  ponto  de  irresignação  da Embargante  em  seu  recurso,  acerca do qual se omitiu o v. acórdão. A Embargante apontou a incongruência de se  exigir multa  isolada  de  75%  com  base  em  principal  que  foi  exonerado  posto  que  lançado em duplicidade.  A  não  apreciação  dessas  causas  de  pedir  que  se  prestam  para  evidenciar  a  ilegitimidade  da multa  aplicada  configura  omissões  adicionais  a  serem  sanadas,  o  que desde logo se requer.  A  Embargante  ressalta  que,  em  circunstâncias  excepcionais,  quando  o  suprimento dos vícios apontados em Embargos de Declaração se tornar inconciliável  com o resultado da decisão embargada, é admissível  sua modificação, conferindo­ lhe efeitos infringentes.”  Por  fim,  protesta  pela  sustentação  oral  do  presente  recurso,  requerendo  seja  previamente  intimada  nas  pessoas  de  sua  representante  legal  CRISTIANE  ROMANO (OAB/SP 123.771SP), advogada, com endereço em Brasília, DF, SCN,  Quadra 2, Bloco A, Sala 904A, CEP 70712900.”  Em sua análise sobre a admissibilidade dos declaratórios, o nobre conselheiro  entendeu que, no Acórdão embargado, não se enfrentou a questão dos juros quando o sujeito  Fl. 676DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000035/2007­51  Acórdão n.º 3202­001.467  S3­C2T2  Fl. 675          5 passivo efetua depósitos judiciais, tal como expressamente enfrentado no voto vencido, o que,  ao seu ver, configuraria omissão do julgado tão­somente nesta parte.  Ao  fim, opina o Conselheiro pela  admissibilidade parcial  dos declaratórios,  apenas e tão somente quanto à matéria referente à ilegitimidade da cobrança de juros de mora  sobre os valores depositados judicialmente.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora  Conforme  relatado,  tratam­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  contribuinte, em face do Acórdão nº. 3202­00.200, de 18/06/2009. Os referidos embargos são  tempestivos e, no que se refere às obscuridades apontadas pela embargante, como bem apontou  o conselheiro designado para examinar estes declaratórios, tais vícios não se verificaram, vez  que obscuridade existe, apenas, quando resta ininteligível a decisão, ou seja, quando a decisão  se mostra de difícil compreensão em face dos termos em que redigida, o que não é o caso.   Neste ponto,  pertinentes  as  considerações  tecidas pelo  i. Conselheiro,  cujos  fundamentos adoto como razões de decidir e abaixo transcrevo:  “  (...)  cabe  ressaltar  que,  como  cediço,  os  embargos  declaratórios  têm  a  finalidade de aclarar a decisão embargada ou trazer à discussão matéria omitida no  julgamento,  de  tal  sorte  que  a  solução  dada  pelo  órgão  encarregado de  resolver  a  controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. É o que  prevê o art. 65 do Anexo  II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais, ao assim dispor:  Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição  entre  a  decisão  e  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto sobre o qual devia pronunciar­se a turma.  Conforme  doutrinam  Fredie  Didier  Jr.  e  Leonardo  Carneiro  da  Cunha,  é  omissa a decisão a) que não se manifestar sobre um pedido ou b) sobre argumentos  relevantes  lançados  pelas  partes  e  c)  quando  não  apreciadas  matérias  de  ordem  pública,  portanto  cognoscíveis  de  ofício  pelo  magistrado,  tenham  ou  não  sido  suscitadas pelas partes.  Os  mesmos  autores  consideram  obscura  a  decisão  quando  ininteligível,  portanto  mal  redigida,  faltando­lhe  a  devida  clareza.  E  contraditória,  quando  traz  proposições  inconciliáveis  entre  si,  exemplificando  com  aquela  em  que  há  uma  contradição entre os seus fundamentos e a sua conclusão (Direito processual civil:  meios  de  impugnação  às  decisões  judiciais  e  processo  nos  tribunais.  Salvador:  JUSPODIVM, 2006, p. 131).  Feitas essas considerações, passamos a analisar o acórdão embargado.  Fl. 677DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     6 No que  pertine  à  primeira  questão  –  ilegitimidade  da  cobrança  de  juros de  mora sobre valores depositados judicialmente (auto de infração principal) – restou  consignado  no  voto  vencido  do  acórdão  embargado,  que,  uma  vez  realizados  os  depósitos judiciais no montante  integral, haveria de ser aplicada a Súmula n° 7 do  Terceiro  Conselho  dos  Contribuintes  (Súmula  3°CC  n°  7:  “São  devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante  integral”;  redação idêntica à Súmula 5 do CARF), motivo pelo qual entendeu que, nesta parte,  assistia razão à Recorrente.  Esse  assunto,  que  fora  encartado  no  Recurso  Voluntário  (fl.  524),  não  foi  abordado  no  voto  vencedor  do  acórdão  embargado,  que,  sem  quaisquer  ressalvas,  negou provimento ao Recurso.  Ainda  que  a  Redatora  designada  tenha  expressamente  referido,  no  voto  vencedor,  o  art.  43  da  Lei  n°.  9.430,  de  1996,  segundo  o  qual,  no  caso  de  recolhimento  de  tributo  em  atraso,  poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário correspondente exclusivamente à multa ou aos juros de mora,  isolada ou  conjuntamente,  não  se  enfrentou  a  questão  dos  juros  quando  o  contribuinte  efetua depósitos judiciais, tal como expressamente enfrentado no voto vencido,  o que, a meu ver, configura omissão do julgado.  Relativamente  ao  segundo  lançamento  (auto  de  infração  complementar),  assevera  a Embargante  que  o  voto  condutor do  acórdão  apontou  que  os  depósitos  foram realizados após as datas de vencimento das obrigações tributárias, razão pela  qual  concluiu  que  estaria  afastada  a  denúncia  espontânea.  No  entanto,  logo  em  seguida  mencionou  precedente  do  STJ  entendendo  que  o  tributo  declarado  e  não  pago  não  poderia  ser  objeto  de denúncia  espontânea. Ao  assim decidir,  o  acórdão  embargado padeceria, no entender da Embargante, de obscuridades, tanto em relação  à conclusão lançada, quanto em relação ao precedente aplicado.  Ora,  já  antecipamos,  obscuridade  existe  apenas  quando  restar  ininteligível  a  decisão, vale dizer, quando configurar­se de difícil compreensão em face dos termos  em que redigida.  Não é o caso, porém.  A Embargante  pode  até  não  concordar  com  a  fundamentação  utilizada  pela  Redatora  designada  para  redigir  o  voto  vencedor  e  entender  tenha  havido  erro  no  julgado, mas esse fato não caracteriza obscuridade.  O  que  se  pretende,  na  verdade,  é  a  reapreciação  do  tema  (a  denúncia  espontânea,  inclusive  com  considerações  que  sequer  constaram  do  Recurso  Voluntário,  como  as  datas  de  emissão  dos MPFs),  finalidade  para  a  qual  não  se  prestam os Embargos de Declaração.  Ainda em relação ao lançamento complementar, assevera a Embargante que a  decisão proferida pela instância a quo corretamente afastou a parcela correspondente  ao  valor  principal  que  fora  lançado,  mas manteve,  sem  qualquer  embasamento,  a  multa proporcional (75%), acerca do que se omitiu o acórdão embargado.  Note­se,  todavia,  que  o  fundamento  utilizado  pelo Relator  do  voto  vencido  para  tornar  insubsistente  o  lançamento  complementar  foi  a  caracterização  da  denúncia espontânea, que, como vimos, foi afastada pela Redatora do voto vencedor,  daí a manutenção da decisão proferida pela instância a quo.  Aqui  vale  repetir  o  que  já  dissemos  anteriormente:  os  Embargos  de  Declaração não se prestam para corrigir eventuais erros do julgado, porquanto o seu  manejo só se dá nos casos de omissão, contradição e obscuridade, hipóteses que não  Fl. 678DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000035/2007­51  Acórdão n.º 3202­001.467  S3­C2T2  Fl. 676          7 se  configuram quanto a  esta matéria,  uma vez que  expressamente  enfrentada,  sem  contradições e sem dificuldades na sua compreensão.  Por  fim,  quanto  ao  pedido  de  sustentação  oral,  este  deve  ser  dirigido  à  Secretaria da Segunda Câmara desta Terceira Sessão, se e somente se o presidente  da Turma entender procedentes  as  alegações  suscitadas nos Embargos,  pois, neste  caso,  será  submetido  à  deliberação  do  Colegiado  (§  3º  do  art.65  do Anexo  II  do  Regimento Interno do CARF).”  Conforme ressaltou o Conselheiro Charles Mayer, a Embargante pode até não  concordar  com  a  fundamentação  utilizada  pela  Redatora  designada  para  redigir  o  voto  vencedor  e  entender  que  tenha  havido  erro  no  julgado,  mas  esse  fato  não  caracteriza  obscuridade  no  Acórdão.  O  que  se  pretende,  na  verdade,  é  a  reapreciação  das  matérias  debatidas no acórdão embargado, o que não é possível em sede de embargos.   De outro  lado,  foi  juntado aos autos  requerimento de desistência parcial do  recurso  em  relação  ao  lançamento  complementar,  em virtude  de  pagamento  à  vista  efetuado  pela  contribuinte,  referente  aos  débitos  dali  decorrentes,  em  razão  de  adesão  ao  chamado  “REFIS da Copa” (Lei nº. 12.996/14 c/c Lei nº. 11.941/09 e Portaria Conjunta PGFN/RFB nº.  13/14).  Dessa  forma,  os  embargos  opostos  em  relação  à  parte  relativa  ao Auto  de  Infração Complementar  tornaram­se prejudicados, o que  leva ao seu não conhecimento nesta  parte. Assim, subsistem os embargos apenas em relação à alegada omissão do voto vencedor  relativa à não apreciação da cobrança de juros sobre os valores depositados.   Quanto a essa parte, tem­se que a análise dos autos confirma que, de fato, o  voto  vencedor  não  se  pronunciou  sobre  essa  matéria.  Tal  fato  caracteriza,  perfeitamente,  o  vício  no  procedimento,  razão  pela  qual  deve­se  conhecer  dos  declaratórios  nesta  parte,  para  suprir a indigitada omissão do Acórdão neste ponto, de sorte a não restar questão devolvida ao  Colegiado sem ter sido devidamente enfrentada.   Com essas considerações, entendo que devem ser conhecidos parcialmente os  embargos de declaração, tão­somente no tocante à omissão relativa à cobrança de juros sobre  os valores depositados judicialmente, referentes ao lançamento efetuado por meio do Auto de  Infração principal.  Passo, então, a examinar essa questão, a qual deveria  ter sido enfrentada no  acórdão embargado.  A controvérsia a ser aqui dirimida cinge­se à questão do lançamento de juros  de mora quando o sujeito passivo efetua depósitos judiciais referentes ao tributo sob litígio.   Sobre  a  matéria,  à  época  do  julgamento  original,  o  voto  vencido  trazia  a  redação da Súmula nº. 07 do antigo Conselho de Contribuintes, hoje configurada na Súmula  CARF nº. 05, que manteve a mesma redação, a saber:  Súmula CARF Nº. 5 ­ São devidos juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.  Fl. 679DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     8 Encontra­se pacificado, pois, o entendimento do CARF, no sentido de que os  juros de mora são  incabíveis  somente nos  casos  em que o depósito  judicial  seja efetuado no  montante  integralmente devido, na data do vencimento do  tributo  e  em valor  suficiente para  cobrir o crédito tributário a que se refere.   No  caso  em  questão,  por  tudo  o  que  consta  dos  autos,  em  especial  as  informações  trazidas pela DRF­Londrina/PR, às efls. 346/349, entendo que são  incabíveis os  juros de mora exigidos no Auto de Infração principal. Explico.  Pelas informações prestadas pela DRF, os depósitos referentes ao período de  apuração de março a setembro/2006 foram efetuados dentro da data de vencimento, sendo os  seus  valores  suficientes.  Quanto  aos  demais  períodos,  mesmo  tendo  sido  realizados  os  depósitos após a data do vencimento da contribuição, os valores depositados incluíam os juros  de mora calculados até à data dos depósitos, não tendo sido incluída, apenas, a multa de mora  devida,  o  que  foi  objeto  da  imputação  de  pagamento  e  originou  o  Auto  de  Infração  Complementar, não fazendo parte, portanto, do crédito tributário exigido no Auto de Infração  principal.  Vez  que  o  lançamento  complementar  não  mais  se  encontra  sob  discussão,  os  depósitos  judiciais,  em  relação  ao  crédito  tributário  exigido  no  Auto  de  Infração  principal,  mostram­se suficientes.   Assim, tem­se que o depósito do montante integral ilide a incidência de juros  sobre o montante integralmente depositado, tempestivamente e/ou em valor suficiente, já que,  na hipótese de o Fisco sair vencedor do litígio, a conversão dos depósitos em renda da Fazenda  Nacional  é  considerada  pagamento  à  vista,  na  data  em  que  efetuados,  conforme  esclarece  o  item 23, nota 05, da Norma de Execução CSAR/CST/CSF nº 002/1992. Ora, se os depósitos  são considerados pagamentos à vista na data em que efetuados, no caso em questão não há que  se  falar  em  qualquer  mora  que  justifique  a  inclusão  de  juros  de  mora  ao  Auto  de  Infração  principal.  Com essas considerações, voto no sentido de CONHECER EM PARTE dos  embargos de declaração e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO aos embargos opostos  pelo sujeito passivo, para, com efeitos infringentes, suprimir a omissão e alterar o resultado do  julgamento, que passa de “Recurso negado” para “Recurso parcialmente provido, para excluir  da autuação o valor dos juros moratórios referentes aos valores depositados exigidos no Auto  de Infração principal”.  Dessa forma, a ementa do julgado passa a ter a seguinte redação:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  DE  INTERVENÇÃO  NO  DOMÍNIO ECONÔMICO ­ CIDE  Período de apuração: 01/01/2002 a 01/09/2006  CIDE  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  LASTREADO  EM  MEDIDA  LIMINAR  AUTO  DE  INFRAÇÃO  PARA  PREVENIR  DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  POSSIBILIDADE. A autuação deve subsistir, no intuito único de  dar  causa  ao  depósito  judicial  efetuado  pelo  contribuinte,  reputando­se  por  constituído  o  crédito  tributário  a  ele  correspondente.  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO  OCORRÊNCIA.  O  prazo  para  constituir  crédito  da  Fazenda  Nacional  pertinente  à CIDE  é  de  cinco  anos,  contados  do  fato  gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento  Fl. 680DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.000035/2007­51  Acórdão n.º 3202­001.467  S3­C2T2  Fl. 677          9 do  tributo  devido,  na  forma  do  art.  150,  §4°  do  CTN,  ou  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  em  que  o  lançamento  já  poderia  ter  sido  efetuado,  na  ausência  de  antecipação  de  pagamento, conforme previsto no art 173,1, do CTN.  DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL E JUROS  DE MORA  Incabível a  incidência dos moratórios quando o  sujeito passivo  deposita  em  juízo  o  montante  integral  do  crédito  litigado,  no  prazo  de  vencimento  do  tributo;  por  outro  lado,  havendo  depósito  extemporâneo,  sobre  o  montante  devem  incidir  os  encargos  moratórios.  Sendo  suficientes  os  depósitos  judiciais,  em  relação  ao  crédito  tributário  exigido  no  Auto  de  Infração  principal, incabíveis os juros de mora lançados de ofício.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea somente se  caracteriza  quando o  sujeito  passivo  efetua  o  recolhimento,  ou  realiza o depósito judicial no montante integral devido, antes de  qualquer  procedimento  de  ofício  e  dentro  do  prazo  de  vencimento  para  recolhimento  do  tributo.  O  pagamento  a  destempo, mesmo acrescido dos juros de mora, descaracteriza a  hipótese  de  denúncia  espontânea,  sendo  cabível,  portanto,  a  incidência da multa e dos juros de mora.  IMPUTAÇÃO  DE  PAGAMENTOS.  A  ausência  de  pagamento  integral  do  crédito  tributário  legitima  o  lançamento  de  ofício  para  exigir  insuficiências  de  recolhimento  constatadas,  que  podem ser apuradas pela sistemática da imputação proporcional  dos  pagamentos  referentes  a  tributos, multa  pecuniária  e  juros  moratórios,  na  mesma  proporção  em  que  o  pagamento  o  alcança.  MULTAS.  RESPONSABILIDADE DO  SUCESSOR.  Responde  o  sucessor  tanto  pelas  multas  de  ofício  quanto  pelas  multas  moratórias  incidentes  sobre  débitos  devidas  pela  empresa  sucedida.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  É como voto.  Irene Souza da Trindade Torres Oliveira                               Fl. 681DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     10     Fl. 682DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA

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Numero do processo: 13603.004178/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 30/11/2006 RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA 11%. PRESCRIÇÃO. ART. 62-A DO RICARF. PEDIDO FORMULADO APÓS A VIGÊNCIA DA LC 118/05. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. Tendo em vista que o presente pedido de restituição fora protocolado após a vigência das disposições da LC 118/05, em respeito ao que determina o art. 62-A do RICARF, é de se aplicar ao caso a contagem do prazo prescricional de 05 (cinco) anos a partir da data do pagamento indevido, e não o prazo de 10 (dez) anos, conforme pleiteado pela recorrente. Precedentes do STJ e STF sob julgados conforme art. 543-B e 543-C do CPC. DIREITO DE CRÉDITO. DOCUMENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES DIVERGENTES. IMPOSSIBILIDADE DA AFERIÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PLEITEADO. Uma vez que a documentação trazida aos autos, possui divergências de informações, a ponto de não permitir-se a devida apuração da totalidade dos valores de crédito em favor da parte, é de ser indeferido o pedido formulado neste aspecto, devendo apenas ser reconhecidas, as competências nas quais a documentação juntada permite ao fiscal a devida apuração. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito a restituição dos valores indicados pelo relator. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 315          1  314  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.004178/2007­67  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.588  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de fevereiro de 2015  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  MEC MONTAGEM ELÉTRICA E COMANDOS LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2001 a 30/11/2006  RESTITUIÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  CESSÃO  DE  MÃO­DE­OBRA  11%.  PRESCRIÇÃO.  ART.  62­A  DO  RICARF.  PEDIDO FORMULADO APÓS A VIGÊNCIA DA LC 118/05. PRAZO DE  05 (CINCO) ANOS. Tendo em vista que o presente pedido de restituição fora  protocolado  após  a  vigência  das  disposições  da LC 118/05,  em  respeito  ao  que determina o art. 62­A do RICARF, é de se aplicar ao caso a contagem do  prazo  prescricional  de  05  (cinco)  anos  a  partir  da  data  do  pagamento  indevido, e não o prazo de 10 (dez) anos, conforme pleiteado pela recorrente.  Precedentes  do  STJ  e  STF  sob  julgados  conforme  art.  543­B  e  543­C  do  CPC.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  DOCUMENTAÇÃO  COM  INFORMAÇÕES  DIVERGENTES.  IMPOSSIBILIDADE DA AFERIÇÃO DA LIQUIDEZ E  CERTEZA  DO  CRÉDITO  PLEITEADO.  Uma  vez  que  a  documentação  trazida  aos  autos,  possui  divergências  de  informações,  a  ponto  de  não  permitir­se a devida apuração da  totalidade dos valores de crédito em favor  da  parte,  é  de  ser  indeferido  o  pedido  formulado  neste  aspecto,  devendo  apenas ser reconhecidas, as competências nas quais a documentação juntada  permite ao fiscal a devida apuração.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 41 78 /2 00 7- 67 Fl. 4367DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  a  restituição  dos  valores  indicados pelo relator.       Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente       Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Vieira  Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda  Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 4368DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13603.004178/2007­67  Acórdão n.º 2402­004.588  S2­C4T2  Fl. 316          3  Relatório  Trata­se  de  recurso  de  voluntário  interposto  por  MEC  MONTAGEM  ELÉTRICA E COMANDOS LTDA ME, em face do acórdão de fls., que julgou parcialmente  procedente pedido de restituição de contribuições previdenciárias correspondentes a valores de  retenção sobre a mão­de­obra contida em nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para as  competências 02 a 10/2001, 01/2002, 02/2002, 03/2002, 06/2002, 09/2002, 11/2002, 01/2003,  02/2003, 07/2003, 09/2003, 11/2003, 12/20003, 02/2004, 03/2004, 05/2004, 06/2004, 07/2004,  09/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004, 04/2005, 05/2005, 06/2005, 08/2005, 09/2005, 10/2005,  11/2005, 12/2005, 02/2006, 04/2006, 06/2006, 07/2006, 09/2006, 10/2006 e 11/2006.    Assim,  a  restituição  requerida  foi  deferida pelo Despacho Decisório  apenas  para  as  competências  09/2002,  05/2004,  07/2004,  12/2004,  04/2005,  05/2005,  10/2005  e  11/2006.  Em  virtude  da  juntada  de  novos  documentos,  quando  do  julgamento  da  manifestação  de  inconformidade  a  DRJ  deferiu  a  restituição  para  as  competências  09/2004,  02/2006 e 04/2006  Por fim, concluiu a DRJ:  a­)  pelo  indeferimento  das  competências  02  a  10/2001,  e  01/2002,  por  prescrição, e;  b­)  pelo  indeferimento  das  competências  02/2002,  03/2002,  06/2002,  11/2002,  01/2003,  02/2003,  07/2003,  09/2003,  11/2003,  12/2003,  02/2004,  03/2004,  06/2004,  10/2004,  11/2004,  06/2005,  08/2005,  09/2005,  11/2005,  12/2005,  06/2006,  07/2006,  09/2006  e  10/2006,  por  falta  de  correção  /  confirmação dos valores declarados em GFIPs  O pedido de restituição formulado em foi cientificado acerca do lançamento  efetivado em. 01/03/2007.  Devidamente  intimado  do  julgamento  da  DRJ  em  primeira  instância,  a  recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta:  1.  que a prescrição deve obedecer a  regra de contagem de  10  (dez)  anos,  conforme  já  decidiu  o  Eg.  Supremo  Tribunal Federal, para os fatos geradores ocorridos antes  de 06/2005.  2.  que  a  ausência  de  liquidez  e  certeza  do  crédito  da  recorrente,  na  forma  em  que  fora  apontada  pela  DRJ  nada mais  é  do  que  um  formalismo  exacerbado,  tendo  Fl. 4369DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  em  vista  que  as  divergências  de  informações  são  conhecidas pela SRFB;  3.  no  que  se  refere  ao  item  04  do  despacho  decisório,  o  indeferimento  não  merece  prosperar,  pois  todos  os  pedidos  de  restituição  foram  feitos  exatamente  apontando  os  valores  retidos  das  notas  fiscais  (cópias  acostadas aos autos) e confirmados pelo fiscal, retenções  estas que ocorreram de fato;  4.  no  que  se  refere  ao  item  05  do  despacho  decisório,  o  indeferimento  não  merece  prosperar,  pois  os  fatos  geradores das competências em relação às quais se fez o  pedido  de  restituição  encontravam­se  imutáveis  por  qualquer ato administrativo em razão da decadência;  5.  ainda no que se refere ao item 05 do despacho decisório,  mesmo que não se considere a decadência, a autoridade  administrativa  deve  calcular  as  contribuições  previdenciárias  devidas  em  relação  às  diferenças  apuradas,  deduzir  os  valores  de  restituição  e  restituir  a  diferença;  6.  que os mesmos motivos trazidos para o deferimento das  contribuições  indicadas  no  item  05  do  despacho  decisório,  também  devem  ser  utilizados  para  o  deferimento  daquelas  discutidas  no  item 09  de  referido  despacho;  7.  que o entendimento da DRJ, que não acatou o resultado  da diligência solicitada antes do julgamento não merecer  ser mantido, pois, no resultado de tal diligência, o fiscal  apontou  que  as  divergências  de  informações  entre  GFIP´s e  folhas de pagamento não alterariam em quase  nada  os  valores  de  restituição,  de  modo  que  não  há  qualquer  óbice  ao  reconhecimento  de  seu  direito  de  restituição;  Processado  o  recurso  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho.  É o relatório  Fl. 4370DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13603.004178/2007­67  Acórdão n.º 2402­004.588  S2­C4T2  Fl. 317          5  Voto             Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator  CONHECIMENTO  Tempestivo  o  recurso  e  presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  dele  conheço.  Sem Preliminares  MÉRITO  Da Prescrição  Pugna a recorrente pelo reconhecimento de seu direito à restituição de valores  relativamente às competências de 02 a 10/2001 e 01/2002, tendo em vista que o pedido inicial,  em tal ponto, fora considerado como prescrito.  O pedido de restituição fora protocolado em 01/03/2007, ou seja, quando já  vigente  a  Lei  Complementar  n.  118/2005,  que  fixou  o  entendimento  de  que  o  prazo  prescricional para o pedido de restituição do indébito é de 05 (cinco) anos, contados da data do  pagamento indevido.  Assim,  tendo  em  vista  que  a  questão  já  fora  debatida  por  esta  Turma  em  diversas oportunidades, tenho que a conclusão da DRJ não merece qualquer reparo, até porque  encontra­se em consonância com os julgamentos sobre o assunto já levados a efeito pelo STJ e  STF, em processos cujas decisões foram submetidas ao pálio dos recursos repetitivos e também  da repercussão geral.  A  propósito,  cito  recente  precedente  do  STJ,  cujo  entendimento  deve  ser  seguido por esta Turma em respeito ao disposto no art. 62­A do RICARF, confira­se:  PROCESSO  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO/COMPENSAÇÃO.  PRESCRIÇÃO.  CINCO  ANOS  DO  FATO  GERADOR  MAIS  CINCO  ANOS  DA  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 4º DA LEI COMPLEMENTAR  N.  118/2005.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  NOS  ERESP  644.736/PE.  MATÉRIA  DECIDIDA  SOB  O  REGIME DO ART. 543­C DO CPC. SÚMULA 83/STJ.  1.  A  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  no  julgamento  dos  embargos  de  divergência  no REsp  435.835/SC,  em  24/3/2004,  adotou  o  entendimento  segundo  o  qual,  para  os  casos  de  devolução  de  tributos  sujeitos  a  homologação,  a  prescrição  do  direito  de  pleitear  a  restituição  ou compensação  ocorre  após  expirado  o  prazo  de  cinco  anos,  contados  do  fato  gerador, acrescido de mais cinco anos a partir da homologação  tácita.  Fl. 4371DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  2.  No  caso  dos  autos,  a  ação  ordinária  foi  proposta  em  novembro  de  2000,  o  que  enseja  a  aplicação  do  entendimento  acima,  de  modo  a  reconhecer  que  somente  estão  prescritos  valores  anteriores  a  novembro  de  1990.  Como  a  pretensão  refere­se  a  valores  anteriores  tal  período  (agosto,  setembro  e  outubro  de  1989),  não  há  valor  a  repetir,  pois  todos  foram  alcançados pela prescrição.  3.  Nas  razões  de  decidir  do  STF  quando  da  análise  do  RE  556.621/RS, sob o regime de Repercussão Geral, pacificou­se a  tese de que o prazo prescricional de cinco anos definido na Lei  Complementar n.  118/2005  incidirá  sobre  as  ações  de  repetição  de  indébito  ajuizadas  a  partir  da  entrada  em  vigor  da  nova  lei  (9.6.2005),  ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos  realizados  antes  da  sua  vigência,  tomando  como  fato  relevante  para a devida aplicação da prescrição a data do ajuizamento do  feito,  independentemente  da  natureza  jurídica  da  contribuição  tributária.  Agravo regimental improvido.  (AgRg  no  REsp  1469264/SP,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  09/12/2014,  DJe  15/12/2014)  Logo,  tendo  em  vista  que  o  pedido  de  restituição  das  competências  de  02/2001 a 02/2002 não observou o prazo de 05  (cinco) anos contados a partir do pagamento  tido por indevido, é de se manter a prescrição do direito já reconhecida quando do julgamento  em primeira instância.  Pedido de Reconhecimento do Direito Creditório  Conforme já relatado, além da prescrição, vários foram os motivos tomados  para o indeferimento do pedido de restituição formulado pela contribuinte.  (i)  não apresentação das folhas de pagamento de algumas competências,   (ii)  por não  terem sido prestados  todos os  esclarecimentos  a  respeito da  origem do crédito,   (iii)  por  haver  divergências  entre  Folhas  de  Pagamento  e  Guias  de  Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs,  e  entre  as  retenções  em GFIPs  e  as  constantes  das Notas Fiscais  de  Serviços, e   E tais conclusões foram adotadas pelo Despacho Decisório após a análise do  volumoso número de documentos juntados aos autos do presente processo, que forma quase 21  (vinte e um) volumes.  Ademais,  antes  mesmo  da  análise  do  caso  pela  DRJ,  fora  determinada  a  realização de diligência,  para que  fosse  analisada planilha de  compensação  trazida  aos  autos  pela  contribuinte,  em  contraposição  às  conclusões  adotadas  quando  proferido  o  despacho  decisório.  Fl. 4372DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13603.004178/2007­67  Acórdão n.º 2402­004.588  S2­C4T2  Fl. 318          7  E da análise de tal planilha e demais documentos juntados, assim concluiu a  fiscalização:  4. Até a presente data, o contribuinte não retransmitiu nenhuma  GFIP das competências informadas nos itens 4 e 5 do Despacho  Decisório.  5. Os valores são devidos nos meses 02/2006 e 04/2006 onde não  aparecem divergências.  6.  Considerando  as  GFIP's  e  os  resumos  das  folhas  de  pagamento  das  competências  06/2004,  10/2004,  11/2005  e  09/2006, conclui­se que as pequenas diferenças encontradas na  base de cálculo não alteram praticamente  em nada os valores  requeridos.  7.  Portanto,  a  empresa  tem  direito  à  restituição  conforme  a  seguinte planilha:  Competência  Data  para  atualização  Código  de  pagamento  Valores  a  restituir  06/2004  02/07/2004  2631  1.158,56  10/2004  03/11/2004 2631 13.060,55 11/2005 02/12/2005 2631 20.071,77  02/2006  02/03/2006  2631  6.911,17  04/2006  02/05/2006  2631  8.300,98 09/2006 02/10/2006 2631 18.338,   8. Em  relação à nova  planilha de  compensação,  foi  feito um  comparativo entre os valores informados em folha de pagamento  e  os  valores  constantes  das  notas  fiscais  de  serviços  (Anexo  1)  com os  valores  e  períodos  informados  em GFIP  (Anexo  2)  das  competências  relacionadas  na  planilha  entregue.  Verifica­se  situações  e  valores divergentes de acordo com as  informações  prestadas.  9.  Diante  do  exposto  e  devido  à  falta  de  regularização  das  pendências  apontadas  no  Despacho  Decisório  nº  725  relacionadas às GFIP's, prejudicando assim as informações da  planilha  de  compensação,  mantenho  o  indeferimento  das  demais competências  Ou seja, do resultado da diligência, que analisa claramente as teses indicadas  no  recurso  voluntário  da  recorrente,  quanto  aos  itens  4  e  5  do  despacho  decisório,  ficou  demonstrado que mesmo com as possibilidades da parte  ter  levado a efeito as correções que  ensejariam o reconhecimento de seu crédito, esta não comprovou a demonstração de que a sua  nova planilha tinha fundamento na documentação juntada e comprobatória do crédito.  Ora, é  sabido que a  restituição de 11% (onze por cento) é devida quando a  parte  comprova,  a  partir  de  sua  folha  de  pagamentos,  que  ao  sofrer  retenções,  recolheu  contribuições  acima  do  que  valor  que  efetivamente  deveria  ter  pago  quanto  aos  seus  funcionários.  Se  as  provas  trazidas  aos  autos,  demonstram  haver  divergências  entre  as  informações dos documentos que justificaram o reconhecimento do crédito, realmente não há  como se aferir a certeza e liquidez do pleito formulado pela interessada.  Fl. 4373DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  Não  vejo  assim,  que  os  apontamentos  efetuados  pela  fiscalização  e  que  vieram a ser acatados quando do julgamento em primeira instância, devem ser  tratados como  meras inconsistências ou formalidades, como alega a recorrente.  Fato é que em se tratando de um pedido de restituição, é ônus do interessado  demonstrar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea  de  fato  possuir  o  direito  e  volume  de  crédito pleiteado, de forma a ter o seu pleito deferido.  A propósito, cito excerto do v. acórdão recorrido, que reflete o entendimento  supra:  [...]  “  Nas  situações  postas,  e  ao  contrário  do  entendido  pela  manifestante, não se fala em lançamento às avessas, mas se fala  da impossibilidade de se ter um crédito líquido e certo a favor do  contribuinte  quando,  em  razão  das  divergências  de  valores  de  retenção (Notas Fiscais X GFIPs) e das divergências de bases de  cálculos  (Folhas de Pagamento X GFIPs),  ele  vem  informando  valores de restituição em um documento (RRR) e outros valores  segundo os seus documentos fiscais.  Então,  pode­se  dizer  que  as  incorreções  indicadas  pela  autoridade a quo, as quais, inclusive, estão fundamentadas pela  citação do artigo 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência  Social  –  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  3.048,  de  6  de  maio  de  1999,  constante  da  “Conclusão”  do  Despacho  Decisório,  não  são  meras  formalidades  para  o  controle  do  crédito  pela  Fazenda,  que  é  feito  por  corretas  informações  nos  documentos  GFIPs, mas  sim  indícios  de  inexistência  ou  de  insuficiência  de  crédito, podendo, inclusive, a autoridade da Receita Federal do  Brasil – RFB solicitar documentos comprobatórios e/ou realizar  diligências  a  fim  de  que  seja  verificada  a  exatidão  das  informações prestadas (art. 65 da Instrução Normativa RFB 900,  de 30 de dezembro de 2008).  Observa­se,  todavia, e para a situação, que a autoridade a quo  exigiu, e não foi cumprida pela requerente, apenas as correções  das GFIPs de modo que correspondessem às retenções em Notas  Fiscais  de  Serviços  e  às  bases  de  cálculo  das  Folhas  de  Pagamento,  e,  com  isso,  alcançar  a  liquidez  do  indébito  tributário,  que depende de decisão administrativa, eis que aqui  não se trata de Declaração de Compensação, nos termos do art.  91  da  Instrução  Normativa  RFB  900,  de  2008,  possível  de  homologação tácita.  Dito  isso,  e  considerando  ainda  que  é  de  responsabilidade  da  requerente as informações prestadas em GFIPs, de acordo com  o § 4º,  do  também art.  225 do RPS, não cabe à administração  tributária  corrigir  os  valores  de  contribuição  a  restituir,  devendo,  portanto,  ser  indeferido  o  requerimento  em  razão  de  irregularidade das informações nos documentos GFIPs ”    No entanto, ao ainda analisar o resultado da diligência solicitada pela DRJ ,  vi  que  o  ilustre  auditor  afirmou  que  da  documentação  trazida  pela  parte  foi  possível  aferir,  mesmo  que  com  pequenas  divergências,  o  direito  de  crédito  pleiteado  relativamente  aos  Fl. 4374DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13603.004178/2007­67  Acórdão n.º 2402­004.588  S2­C4T2  Fl. 319          9  períodos de 06/2004, 10/2004, 11/2005 e 09/2006 (trecho do resultado supra trasncrito). Assim,  diferentemente  do  julgamento  em  primeira  instância  sobre  o  assunto,  tenho  que,  diante  da  análise da documentação juntada quanto a tais competências, se foi possível ao auditor apurar o  direito de crédito da recorrente, não subsistem razões para não reconhecê­lo.  Assim,  tendo  em  vista  que  para  as  competências  de  06/2004,  10/2004,  11/2005 e 09/2006 foi possível a apuração do crédito da parte, mediante a documentação  juntada aos autos, tenho por bem reconhecê­lo.  Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  tão  somente  para  reconhecer  à  recorrente  o  direito  ao  crédito  relativamente  às  competências  de  06/2004,  10/2004,  11/2005  e  09/2006,  nos  valores  apontados pelo auditor na planilha de fls. 4.248.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                                  Fl. 4375DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 12571.720048/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante a oferta de provas hábeis e idôneas. A ausência de tal providência valida o lançamento regularmente efetuado.
Numero da decisão: 1201-001.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-18T16:15:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-18T16:15:54Z; Last-Modified: 2015-02-18T16:15:54Z; dcterms:modified: 2015-02-18T16:15:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:11c78235-0862-469c-9a05-bd18c795de06; Last-Save-Date: 2015-02-18T16:15:54Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-18T16:15:54Z; meta:save-date: 2015-02-18T16:15:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-18T16:15:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-18T16:15:54Z; created: 2015-02-18T16:15:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2015-02-18T16:15:54Z; pdf:charsPerPage: 2031; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-18T16:15:54Z | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12571.720048/2013­75  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­001.101  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de outubro de 2014  Matéria  Auto de Infração  Recorrente  MIGUEL SALLUM & FILHOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009  ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA. OMISSÕES.  É cabível a apuração, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda, das  omissões de compras e de vendas pelas diferenças entre as quantidades e os  custos médios de entrada (para compras) e as quantidades e os preços médios  praticados no período (para vendas).  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo­o  para o contribuinte, que pode refutá­la mediante a oferta de provas hábeis e  idôneas.  A  ausência  de  tal  providência  valida  o  lançamento  regularmente  efetuado.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2008, 2009  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.  Tratando­se de  tributação  reflexa decorrente de  irregularidades  apuradas  no  âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam­se  ao  PIS,  à  COFINS  e  à  CSLL,  por  relação  de  causa  e  efeito,  os  mesmos  fundamentos do lançamento primário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 48 /2 01 3- 75 Fl. 39195DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 3          2 (documento assinado digitalmente)  RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente    (documento assinado digitalmente)  ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rafael  Vidal  de  Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos  de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.    Relatório  Trata­se de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes aos  anos­calendário de 2008 e 2009, no valor total de R$ 6.181.754,97, incluídos multa de ofício  de 150% e juros de mora calculados até janeiro de 2013.  Os fatos que ensejaram as autuações foram bem relatados pela decisão de 1a  instância, conforme reproduzido a seguir:  Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações  tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos  fatos, foram apuradas as seguintes infrações:  1)  Omissão  de  receitas,  nos  anos­calendário  de  2008  e  2009,  caracterizada pela ocorrência de diferença de estoques.  2) Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta de  revenda de mercadorias, tendo em vista que a contribuinte optou  indevidamente  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido  (RIR/1999, art 530, IV).  3) Demais  receitas  e  ganhos  de  capital  adicionados  à  base  de  cálculo arbitrada do imposto de renda.  Foram  lavrados  os  autos  de  infração  exigindo  os  seguintes  valores:  Fl. 39196DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 4          3   As  infrações  se encontram detalhadas no Termo de Verificação  Fiscal  (TVF)  de  fls.  39.056  a  39.069,  inclusive  a  metodologia  utilizada  nos  levantamentos;  e  as  planilhas  de  levantamento  quantitativo  que  embasam  o  lançamento  se  encontram  reproduzidas às fls. 33.825 a 37.482.  Notificada  da  autuação,  a  contribuinte  ingressou  com  a  impugnação de fls.39.149 a 39.153, subscrita pela sócia Sandra  Mara Sallum (fls. 39.154 a 39.163), alegando:  ­ Os  levantamentos  fiscais  que  quantificaram  as  “omissões  de  compras e omissões de vendas” contêm equívocos geradores de  sua nulidade. Em primeiro lugar, os levantamentos referidos não  consideraram como  estoque  inicial  em 2008 as  quantidades  de  mercadorias  decorrentes  dos  autos  de  infração no Processo  n°  12571.720398/2012­51.  ­  As  quantidades  apontadas  no  referido  processo,  obrigatoriamente deverão ser consideradas no estoque inicial de  2008, sob pena de dupla tributação.  ­ Além desse equívoco numérico o Termo de Verificação Fiscal,  em  seu  item  III  (fl.  9/14),  aponta os  critérios  de  valoração das  diferenças, quais sejam:  a)  Omissão  de  Compras:  o  segundo  critério  é  totalmente  inaplicável,  pois  arbitramento  de  70%  do  preço  de  venda,  nos  termos  do  inciso  II  do  artigo  296  do  RIR/99,  é  procedimento  aplicável  unicamente  para  avaliação  de  estoques  finais,  jamais  para determinação de valor relativo à omissão de compras;  b) Omissão de Vendas; o arbitramento de 70% do custo médio  do período nos termos do inciso II do artigo 296, do RIR/99, não  se  aplica  para  determinar  o  valor  de  omissão  de  vendas,  pois  este critério é aplicável unicamente para avaliação de estoques  finais.  ­ Com apoio nos  levantamentos de estoque, a autoridade  fiscal  adicionou  às  receitas  valores  pertinentes  à  “Receita  Bruta  Omitida”  (fls.  13/14  do  Termo  de  Verificação  Fiscal)  e  em  decorrência, obteve a "Receita Total".  ­  A  “Receita  Bruta  Omitida”  foi  apurada  mediante  reconstituição  dos  estoques  nos  quatro  trimestres  de  2008  e  2009.  ­  O  quadro  apontado  nas  fls.  7/14,  parte  final  do  Termo  de  Verificação Fiscal,  evidencia que os estoques  finais dos quatro  Fl. 39197DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 5          4 trimestres de 2008 e dos quatro trimestres de 2009 foram obtidos  mediante “Reconstituição Estoque".  ­  Portanto,  a  “Receita  Bruta  Omitida”  decorre  de  PRESUNÇÃO, quantificada mediante procedimentos material  e  formalmente equivocados, como antes demonstrado.  ­ Em  vista  de  tributação de  receita  presumida  e  com  evidentes  vicissitudes, nulos são os autos de infração contestados.  ­  A  autoridade  fiscal  somou  a  receita  bruta  conhecida  com  outros  valores,  obtidos mediante  raciocínio  presuntivo  e  dados  como RECEITA BRUTA OMITIDA. Vê­se assim, mistura  ilegal  de critérios aplicáveis ao lucro real em caso de tributação com  base ao LUCRO ARBITRADO.  ­  A  determinação  de  RECEITA OMITIDA  com  fundamento  em  levantamento  de  estoques,  segundo  autoriza  o  artigo  286  do  RIR/1999,  é  aplicável  exclusivamente  quando  a  tributação  adotada é o LUCRO REAL.  ­  Não  é  correto  adicionar  à  receita  bruta  conhecida  valores  pertinentes  a  RECEITA  BRUTA  OMITIDA,  quantificada  mediante raciocínio presuntivo.  ­ Se a receita bruta conhecida e tributada espontaneamente pelo  contribuinte  não  estiver  corretamente  determinada,  cabe  à  autoridade fiscal calcular os tributos devidos pela sistemática do  LUCRO ARBITRADO e com respeito às regras legais aplicáveis  à hipótese, veiculadas tanto no artigo 16, da Lei n° 9.249/1995  (quando  conhecida  a  receita  bruta),  quanto  pelo  artigo  51,  da  Lei n° 8.981/1995 (quando não conhecida a receita bruta).  Em sessão de 24 de outubro de 2013, a 3a Turma da Delegacia de Julgamento  de Ribeirão Preto decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação.  As ementas a seguir sintetizam o teor da decisão exarada naquela instância de  julgamento:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2008, 2009   OMISSÃO DE RECEITAS.  A  apuração  de  omissão  de  receitas  em  empresas  comerciais,  mediante  levantamento específico de mercadorias,  tem previsão  legal.  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A  presunção  legal  tem  o  condão  de  inverter  o  ônus  da  prova,  transferindo­o para a contribuinte, que pode refutá­la mediante  oferta de provas hábeis e idôneas.  ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA.  Fl. 39198DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 6          5 Constitui base de cálculo do arbitramento do resultado a receita  bruta conhecida, ou seja, a  receita bruta declarada adicionada  da receita omitida apurada em procedimento fiscal.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2008, 2009   MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se  definitiva,  na  esfera  administrativa,  a  exigência  relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada.  NULIDADE.  Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  do  lançamento  quando  observados  os  requisitos  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo administrativo fiscal.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.  Aplica­se  à  tributação  reflexa  idêntica  solução  dada  ao  lançamento  principal  em  face  da  estreita  relação  de  causa  e  efeito.    Intimada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou  os fundamentos da impugnação.  Os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator    O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele  conheço.  Em primeiro lugar, cumpre destacar que parte dos lançamentos autuados não  foi sequer impugnada em 1a instância (IRPJ e “demais receitas e ganhos de capital adicionados  à base de cálculo arbitrada do imposto de renda”), de tal sorte que tais matérias  também não  serão apreciadas neste Recurso, até porque as peças de defesa são basicamente iguais.  Portanto, os  temas que merecem ser analisados neste voto dizem respeito a  dois pontos, conforme formulados no Recurso Voluntário e discutidos a seguir.    Fl. 39199DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 7          6 a)  Equívocos nos levantamentos  Aduz a Recorrente que os levantamentos não levaram em consideração, como  estoque inicial de 2008, as quantidades de mercadorias decorrentes dos Autos de Infração do  Processo n. 12571­720.398/2012­51.  Entretanto, como bem destacado pela decisão recorrida, os demonstrativos de  levantamento  quantitativo  de  estoques  para  o  período  sob  fiscalização  parecem  realmente  indicar como estoque inicial de 2008 as mesmas quantidades apontadas como estoque final dos  demonstrativos daquele processo (fls. 14.974 a 15.357).  Isso porque, do que se pode inferir da  leitura dos autos, naquele processo a  interessada foi autuada em relação ao ano­calendário de 2007, por força de fatos e argumentos  semelhantes àqueles aqui debatidos.  Ademais,  caberia  à  interessada  trazer  aos  autos  informações,  dados  e  planilhas que pudessem comprovar (ou, ao menos, indicar) quais seriam, no seu entendimento,  os  casos  em  que  houve  equívoco,  até  porque  são  milhares  os  produtos  e  lançamentos  em  questão.  A  fiscalização, por  seu  turno, elaborou diversas planilhas e demonstrativos,  além  de  fazer  constar  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  os  fundamentos  adotados  para  a  composição dos estoques:  ­  Os  esclarecimentos  não  estão  suportados  em  documentação  comprobatória  hábil  e/ou  demonstrativos  suficientes  para  afastar os dados dos Livros Registro de Inventário de 2007, 2008  e 2009, fls. 510­14.728.  ­  Mesmo  ajustando  os  estoques  de  algumas  mercadorias  em  31/12/2007  (estoque  final),  como deseja a  fiscalizada,  inclusive  alguns  saldos  provenientes  de  31/12/2006  (estoque  inicial),  a  divergência  não  seria  sanada,  conforme  foi  constatado  no  demonstrativo DIFERENÇAS DE ESTOQUES 2008 E 2009. fls.  37.821­39.053. O exemplo mais adequado que reflete a situação  é do o cobertor curto, pois o ajuste em questão, se implementado  fosse, cobriria uma inconsistência, mas faria surgir outras.  ­  Em  contraponto  aos  possíveis  erros  alegados  pela  pessoa  jurídica,  a  fiscalização  detectou  transferências  entre  os  estabelecimentos da empresa que afastam a tese da fiscalizada.  Ora, pois se houvesse erro da empresa no inventário (o estoque  seria  menor  que  o  inventariado),  como  poderiam  ocorrer  transferências  que,  materialmente  seriam  impossíveis  sem  a  efetividade  das  respectivas  quantidades  disponíveis  no  estoque  inventariado?  ­ As transferências constam dos arquivos Sintegra, apresentadas  pela pessoa jurídica.  ­ Além disso, a análise dos estoques de 2008 e 2009, conforme o  demonstrativo  já  mencionado,  revela  que  a  pessoa  jurídica  pretendia  transferir  as  diferenças  de  estoques  de  2007 para  os  anos  de  2008  e  2009,  pois  houve  opção  pelo  lucro  presumido  Fl. 39200DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 8          7 nestes  anos,  o  que  resultaria  em  redução  significativa  no  lançamento  de  ofício. No entanto,  da  análise  da  documentação  apresentada,  e  à  luz  da  legislação  aplicável,  tal  alteração  ou  retificação não é possível.  Existem,  portanto,  argumentos  e  documentos  sólidos  apresentados  pelo  Fisco. Contudo, nota­se que tanto na impugnação quanto no presente recurso não foi anexado  qualquer  documento  que  pudesse  subsidiar  as  alegações  da Recorrente,  razão  pela  qual  não  vislumbro como possam prosperar.  A  Recorrente  alega  que  houve  equívoco  na  utilização  do  critério  para  a  avaliação dos estoques, visto que não poderiam ser calculados na proporção de 70% do maior  preço de venda no período, conforme estabelece o artigo 296, inciso II, do Decreto n. 3.000/99:  Art.  296.  Se  a  escrituração  do  contribuinte  não  satisfizer  às  condições  dos  §§  1º  e  2º  do  art.  294,  os  estoques  deverão  ser  avaliados (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 14, §3º):  I­  os  de  materiais  em  processamento,  por  uma  vez  e  meia  o  maior  custo  das  matérias­primas  adquiridas  no  período  de  apuração,  ou  em  oitenta  por  cento  do  valor  dos  produtos  acabados, determinado de acordo com o inciso II;  II­  os  dos  produtos  acabados,  em  setenta  por  cento  do  maior  preço de venda no período de apuração.  Entretanto, percebe­se, da leitura do Termo de Verificação Fiscal, que tanto  as  omissões  de  compras  como  as  de  vendas  foram  apuradas  pelas  diferenças  entre  as  quantidades e os custos médios de entrada (para compras) e as quantidades e os preços médios  do  período,  sendo  que  apenas  na  falta  destes  adotou­se  o  critério  de  70%  previsto  no  Regulamento do Imposto de Renda.  Os procedimentos fiscais encontram suporte no artigo 41 da Lei n. 9.430/96:  Levantamento Quantitativo por Espécie   Art.41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a  partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias­ primas  e  produtos  intermediários  utilizados  no  processo  produtivo da pessoa jurídica.  §1º Para  os  fins  deste  artigo,  apurar­se­á  a  diferença,  positiva  ou  negativa,  entre  a  soma  das  quantidades  de  produtos  em  estoque  no  início  do  período  com  a  quantidade  de  produtos  fabricados  com  as  matérias­primas  e  produtos  intermediários  utilizados  e  a  soma  das  quantidades  de  produtos  cuja  venda  houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com  as  quantidades  em  estoque,  no  final  do  período  de  apuração,  constantes do livro de Inventário.  §2º Considera­se receita omitida, nesse caso, o valor resultante  da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou  de matérias­primas  e produtos  intermediários pelos  respectivos  preços  médios  de  venda  ou  de  compra,  conforme  o  caso,  em  cada período de apuração abrangido pelo levantamento.  Fl. 39201DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 9          8 §3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este  artigo  aplicam­se,  também,  às  empresas  comerciais,  relativamente às mercadorias adquiridas para revenda.  Sobre  o  tema,  assim  se manifestou  a  autoridade  lançadora,  ao  contrapor  o  argumento de “exorbitância dos valores”, formulado pela interessada:  ­  Exorbitante  ou  não,  os  valores  dos  custos  e  preços  médios  foram  calculados  pela  fiscalização  com  base  nos  elementos  comprobatórios fornecidos pela pessoa jurídica e, portanto, não  havendo prova que  afaste  de  forma  inequívoca  tais  valores,  a  fiscalização deve necessariamente utilizar os dados dos custos e  preços médios, conforme a norma mencionada.  ­  No  caso  de  ausência  de  compras  ou  vendas  nos  arquivos  Sintegra  e  de  inventários,  num  primeiro  momento,  os  custos  e  preços foram arbitrados, nos termos do inciso II do art. 296 do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  de  1999  (RIR/1999),  conforme  demonstrado  nos  anexos  das  Intimações  n.  588  e  596/2012, fls. 14756­15957 e 15958­32925.  ­  Destaque­se  que,  na  impugnação  contra  o  lançamento  formalizado  referente  ao  ano­calendário  2007,  processo  administrativo fiscal n. 12571.720398/2012­51, a pessoa jurídica  rechaça de forma veemente o arbitramento do custo e do preço,  fls. 33.431­33.436.  ­  Assim,  exorbitante  ou  não,  a  fiscalização,  na  apuração  final,  manteve  os  valores  dos  custos  e  preços  médios  apurados  com  base  nos  elementos  fornecidos  pela  fiscalizada,  bem  como  excluiu os valores de omissões de compras e de vendas que havia  sido  calculado  e  valorados  pelos  custos  e  preços  arbitrados  (inciso II do art. 296 do RIR/1999).  Agiu, pois, a fiscalização dentro dos parâmetros legais.  Como  não  há  qualquer  prova  ou  documento  capaz  de  rebater  os  procedimentos,  entendo  que,  quanto  a  este  tópico,  não  merecem  reparos  a  atuação  nem  tampouco a decisão recorrida.     b) Adição de receita presumida  A Recorrente aduz que a “receita bruta omitida” decorreu de presunção, dado  que os estoques finais dos quatro trimestres de 2008 e 2009 foram obtidos por “reconstituição”.  Novamente não traz qualquer demonstrativo ou documento capaz de ilidir a  suposta “presunção”.  Ocorre que o fundamento para a autuação dos estoques foi o artigo 41 da Lei  n.  9.430/96,  que  estabelece,  inclusive,  os  critérios  para  a  sua  apuração.  Como  visto,  a  autoridade  fiscal  procedeu  aos  levantamentos  com base  em  informações  do  contribuinte,  em  estrita obediência aos critérios legais.   Fl. 39202DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 10          9 Não se trata, portanto, de mera presunção, sem qualquer amparo normativo.  Ao revés, o retrocitado dispositivo tem o condão de inverter o ônus da prova, de tal sorte que  caberia à Recorrente demonstrar, de  forma cabal e inequívoca, que os critérios não poderiam  ser aplicados ao  caso sob análise. Não basta o argumento nem a  simples negativa, pois a  lei  exige, sobretudo, provas.  Como bem destacado na decisão recorrida:  O  autuante,  para  cada  item  comercializado,  partiu  da  quantidade  do  estoque  inicial,  adicionou  as  entradas,  diminuiu  as  saídas  e  chegou  ao  quantitativo  de  estoque  final  apurado.  Comparou este com o quantitativo de estoque final inventariado  (declarado) e, nos casos em que ocorreu diferença, presumiu a  ocorrência  de  omissão  de  vendas  (quantidade  de  estoque  final  apurado maior do que o declarado) ou de omissão de compras  (quantidade  de  estoque  final  apurado  menor  do  que  o  declarado).  Caberia  à  contribuinte  comprovar  que  a  diferença  no  estoque  final é proveniente, por exemplo, de perdas, furto, etc., e não de  receitas omitidas.  Assim, não assiste razão à Recorrente.  Por derradeiro, questiona­se a possibilidade de adicionar a receita omitida à  base de cálculo na modalidade de lucro arbitrado, visto que entende a interessada que o artigo  24 da Lei n. 9.249/95 (e seus correspondentes no Regulamento do Imposto de Renda) estariam  revogados pelo artigo 27 da Lei n. 9.430/96.  Vejamos os dispositivos:  Lei n. 9.249/95  Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a  pessoa jurídica no período­base a que corresponder a omissão.  §  1º  No  caso  de  pessoa  jurídica  com  atividades  diversificadas  tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo  possível  a  identificação  da  atividade  a  que  se  refere  a  receita  omitida,  esta  será  adicionada  àquela  a  que  corresponder  o  percentual mais elevado.  Regulamento do Imposto de Renda  Art.532.  O  lucro  arbitrado  das  pessoas  jurídicas,  observado  o  disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será  determinado  mediante  a  aplicação  dos  percentuais  fixados  no  art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº  9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I).  (grifamos)  (...)  Fl. 39203DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12571.720048/2013­75  Acórdão n.º 1201­001.101  S1­C2T1  Fl. 11          10 Art.537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será  computado  para  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  devido  e  do  adicional,  se  for  o  caso,  no  período  de  apuração  correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249,  de 1995, art. 24). (grifamos)  Parágrafo  único.  No  caso  de  pessoa  jurídica  com  atividades  diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a  que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que  corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995,  art. 24, §1º).(grifamos)  Sobre o tema, a questão me parece de simples solução, pois o próprio Decreto  n. 3.000/99 faz remissão expressa aos artigos dos dois diplomas jurídicos, em particular quanto  ao disposto no artigo 27, I, da Lei n. 9.430/96.  Ora,  se  a própria norma  reconhece  a possibilidade  de  coexistência  entre  os  dispositivos  no  ordenamento,  entendo  que  não  cabe  ao  julgador  administrativo  rechaçar  tal  possibilidade, sobretudo ante a inteligência de matéria sumulada neste Conselho:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  e,  no  mérito,  NEGO­ LHE PROVIMENTO.    É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Relator                            Fl. 39204DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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5874355 #
Numero do processo: 10925.000034/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelamento do Auto de Infração. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Redatora Designada e Presidente (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelamento do Auto de Infração. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Redatora Designada e Presidente (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 243          1 242  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.000034/2009­72  Recurso nº              Resolução nº  1803­000.129  –  Turma Especial / 3ª Turma Especial  Data  03 de março de 2015  Assunto  LUCRO ARBITRADO ­ DILIGÊNCIA  Recorrente  KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento na  realização de diligência. Vencidos  os Conselheiros Arthur  José André Neto  e  Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento  ao  recurso voluntário para cancelamento do  Auto  de  Infração.  Designada  a  Conselheira  Carmen  Ferreira  Saraiva  para  redigir  o  voto  vencedor.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Redatora Designada e Presidente   (assinado digitalmente)  Meigan Sack Rodrigues ­ Relatora.  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Arthur  José  André  Neto,  Cristiane  Silva  Costa,  Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.    RELATÓRIO    Trata­se, o presente feito, de auto de infração relativos aos anos calendários de  2004, 2005, 2006 e o 1º  e 2º  trimestre de 2007,  exigindo PIS,  acrescido  de  juros  de mora  e  decorre de exclusão do Simples Federal  (processo 10925.002074/2008­78),  fundamentada na     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 03 4/ 20 09 -7 2 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 244          2 vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os  verdadeiros sócios, bem como que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo  apurado o PIS relativa a falta de recolhimento/declaração.  Juntamente com o presente procedimento,  também  foi  constituído processo de  exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizado sob os números 10925.002074/2008­78  e  10925.002253/2008­13,  bem  como  os  lançamentos  de  IRPJ,  CSLL,  COFINS,  PIS,  e  Contribuições  Previdenciárias,  decorrentes  da  exclusão  do  Simples  Federal  e  Nacional,  protocolizados  sob  os  números  10925.000032/2009­83,  10925.000033/2009­28,  10925.000035/2009­17, 10925.000036/2009­61, 10925.000037/2009­14, 10925.000038/2009­ 51,  10925.000039/2009­03,  10925.000040/2009­20,  10925.000041/2009­74,  10925.000042/2009­19, 10925.000043/2009­63, 10925.000044/2009­16, 10925.000045/2009­ 52,  10925.000046/2009­05,  10925.000047/2009­41,  10925.000048/2009­96,  10925.000049/2009­31, 10925.000051/2009­18.  Tem­se que a empresa recorrente faz parte de um grupo empresarial constituído  com  o  objetivo  de  segmentar,  mediante  prática  de  simulação,  parte  de  suas  atividades  e  o  faturamento,  beneficiando­se,  desse  modo,  do  tratamento  diferenciado,  simplificado  e  favorecido do Simples, tratando­se, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento  global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de  tributação. O pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a  Sra.  Silvana  Marques  Schazmann,  que  além  de  figurarem  como  únicos  sócios  da  empresa  Idugel  Industrial  Ltda.,  desde  20/11/1998,  exercem  também,  mediante  procuração,  a  administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Montagens Industriais Ltda. ME.  Os  sócios da J.S.  e K.F. possuem parentesco de primeiro grau  com o Sr.  José  Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas  Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa K.F. Montagens  Industriais Ltda. ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann.  A  empresa  K.F.  Industrial  Ltda.,  na  prática,  cede  mão­de­obra  para  empresa  Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média,  nos últimos  três  anos,  e entre  três  e quatro  empregados,  nos  anos de 2003 e 2004",  situação  esta,  juntamente  com  faturamento,  custos,  folha  de  pagamento,  demonstrada  em  quadro  de  fls.22/23.  Em  relação  à  contabilidade  das  empresas,  constatou­se  a  ocorrência  de  vários  pagamentos "cruzados", ferindo­se o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade  dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil.  Também  foram  encontrados  vários  pagamentos  efetuados  pela  empresa  em  nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com  terceiros,  tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como  destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de  forma  irremediável  a  escrituração  contábil.  A  empresa  também  efetuou  pagamentos  "extra­ folha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil.  Em  sua  escrituração  contábil  deixou  de  registrar  os  compromissos  com  fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se  fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. "Esses fatos também levam à  conclusão de que o  'Grupo'  é administrado como  se  fosse uma única  empresa,  entendimento  equivocado  por  parte  de  seus  administradores  e  que  contraria  a  legislação  em  vigor,  comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil."  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 245          3 Quanto ao tributo apurado, refere que para apuração do PIS devido, foi ajustada  a  receita  bruta  mensal  para  aproveitar  os  créditos  decorrentes  dos  recolhimentos  efetuados  através  do  Simples.  E,  quanto  à  multa  qualificada  de  150%,  entendeu  a  fiscalização  caracterizado, de forma clara, o intuito de fraudar por parte da fiscalizada, tomando em conta a  análise  dos  fatos  relatados  e  pela  simulação  de  constituição  de  empresas  com  o  objetivo  de  segmentar  parte  das  atividades  e  faturamento,  e  se  beneficiar  do  tratamento  diferenciado,  simplificado e favorecido aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte.   Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva,  suas  razões  em  seara  de  impugnação,  alegando  que  foi  excluída  do  regime  simplificado  de  tributação,  motivo  do  lançamento  dos  tributos  correspondentes  com  base  no  regime  de  tributação normal. Atenta a recorrente que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, mas  apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declarações  ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo  estes validade.   Alega, a empresa recorrente, que o grupo familiar de Elita Schazmarm, formado  por si, seus filhos e netos, exploram ramos comerciais e industrial de fabricação de máquinas e  equipamentos  industriais  e  com  a  evolução  dos  negócios,  optaram  pelo  fracionamento  da  cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares,  bem como na terceirização de atividades como no caso.   Afere  que  a  empresa  Idugel  é  responsável  pelos  projetos  dos  maquinários,  comercialização  e  coordenação  da  execução  dos  mesmos  (Know­how),  que  conta  com  a  participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a K.F. Montagens e J.S.  Máquinas). Dispondo:    “*J.S.:  é  responsável  pela  fabricação dos acessórios  e  complementos  das  máquinas  produzidas  pela  empresa  IDUGEL  (direta  e  indiretamente);    *K.F.:  é  responsável  pela  montagem  e  instalação  das  máquinas  e  acessórios  fabricados  pela  IDUGEL,  J.S.  e  outras  empresas  participantes da cadeia produtiva.”    Afirma que a legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se  evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art.  116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso  em tela. As práticas adotadas, pelas empresas foram, revestidas de formalidades perfeitamente  válidas,  atendidos  todo  os  pressupostos  contábeis  idôneos  a  registrar  as  operações,  não  existindo nenhuma mácula suficiente ara afastar o direito de opção pelo regime simplificado de  tributação.   No tocante à delimitação temporal da exclusão, manifesta que o ato impugnado  delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo  final. Entende como ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008.  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 246          4 Aduz a recorrente que o presente processo fere os princípios da ampla defesa e  do  contraditório,  pois  houve  exclusão  sumária  com  aplicação  de  penalidade  sem  qualquer  notificação prévia ou oportunidade de defesa da  requerente. De  igual modo,  refere­se  acerca  dos dois sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo.   Prossegue referindo que são incompatíveis entre si os motivos para exclusão do  Simples,  pois  a  partir  do  momento  que  há  enquadramento  como  sendo  a  atividade  desempenhada: locação de mão­de­obra, respalda­se a existência autônoma das duas empresas.  Assim, entende ser incompatível com a decisão de anular a existência da empresa K.F., como  leva a crer na fundamentação.  Assim,  refere  que  ou  elas  existem  e  então  há  apenas  que  perquirir  sobre  a  existência ou não da locação de mão de obra no relacionamento, ou inexiste a empresa K.F.,  por  vício  de  formação  que  não  se  trata  do  caso  em  tela.  E  dessa  forma,  entende  estar  caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o  direito de defesa da empresa recorrente na forma do art. 59 do Decreto 70235/72.  De igual modo, a empresa recorrente afirma ser constituída pela sociedade entre  Elita e Cláudia desde 20/12/1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade ao  longo dessa década. Aduz que o art. 45, parágrafo único, do CC prevê o prazo de decadência  de  3  anos  para  anular  a  constituição  das  pessoas  jurídicas,  ou  seja,  incabível  anulação  da  constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo considerando o prazo do  diploma civil anterior.  Atenta  para  a  questão  de  que  as  situações  fáticas,  apuradas  no  ano  de  2008,  somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar  que os supostos indícios existiam em exercício em exercícios anteriores. A opção pelo Simples  é feita para cada exercício, que findo, não há com se alterar posteriormente.  Ademais,  O  CTN  prevê  em  seus  art.  105  e  106  a  aplicação  da  legislação  tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise.  A opção pelo Simples ocorreu  em 1998, quando o  art.  15, V da Lei 9.317/96 disciplinava  a  matéria,  devendo  a  exclusão  (equivocadamente  atestada)  ser  aplicada  apenas  após  a  constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a  retroatividade da análise fático­probatória.  Expõe  que  a  cobrança  com  efeito  retroativo  dos  tributos  tem  efeitos  confiscatórios,  sob  o  aspecto  da  capacidade  contributiva.  O  Ato  Declaratório  Excludente  modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em  majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do  SIMPLES,  e não  somente da  tributação  simplificada,  impedindo automaticamente  a empresa  dos  benefícios  e  incentivos  fiscais  positivados  na  Lei  n°  9.841/99.  Tal  ato  desvirtua  a  finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena  de restrição ao direito de exercer atividade econômica.  Ademais,  salienta  que  a  Autoridade  que  é  incompetente  para  apreciar  se  a  exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima  ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Entende  que  o  ente  arrecadador  não  opôs  óbice  à  adesão  dos  contribuintes  à  tributação  simplificada,  iniciada  em  1997,  entretanto,  somente  em  2004  passou  a  emitir  atos  declaratórios  sob  o  argumento de atividade  vedada. Discorre quanto o  art.  112 do CTN,  entendendo que não há  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 247          5 qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que seja excluído da tributação simplificada,  sendo  ilegítima  a  cobrança  retroativa  dos  tributos  à  época  da  suposta  vedação,  a  exclusivo  critério  da  autoridade  fiscal,  uma vez  que  abusa  da  autoridade  e  constrange  o  contribuinte  a  recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que  este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime.  Frisa  que  a  autuação  do  agente  fiscal  está  fundada  no  art.  116  do  CTN,  entretanto  referido  dispositivo  não  é  auto­aplicável,  carecendo  de  procedimentos  a  serem  estabelecidos  por  lei  ordinária.  Assim,  cabendo  ao  agente  público  fazer  apenas  o  que  a  lei  autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal.  No tocante à excludente de Locação de Mão de Obra, refere a recorrente que no  conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador,  que  gerencia  a  realização  do  serviço.  O  objeto  do  contrato  é  somente  a  mão  de  obra.  No  conceito de  empreitada  o  contrato  focaliza­se no  serviço  a  ser prestado.  Para  sua  realização,  envolverá  mão­de­obra,  que  não  estará,  necessariamente,  à  disposição  do  tomador.  O  gerenciamento será do contratado.  No  caso  presente,  trata­se  de  empreitada,  “pois,  há  delegação  de  tarefa  da  contratante à contratada, mediante  retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à  contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda  de  meios  mecânicos  necessários  a  execução  da  tarefa”.  Assim,  entende  que,  apesar  de,  às  vezes,  o  serviço  ser  desenvolvido  em  local  cedido  pela  contratante  (no  caso  ldugel),  há  contratação  para  execução  de  tarefa  determinada,  preço  certo,  sem  qualquer  intervenção  ou  ingerência da contratante. Não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de  tributação.  Já no tocante à "interposta pessoa", refere que não há qualquer demonstração de  não  serem  os  sócios,  Elita  e  Claudia,  as  verdadeiras  titulares  da  sociedade,  como  são  na  realidade,  recebendo  pro  labore  mensal  e  distribuição  de  lucros/dividendos,  conforme  declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representá­las  em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a  sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1018 do  Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios  ou da natureza da própria sociedade.  Alega,  de  igual  modo,  que  não  se  tratando  de  locação  de mão  de  obra,  nem  havendo  qua  se  falar  em  interpostas  pessoas  no  quadro  societário,  inexiste  qualquer  óbice  à  opção  pelo  regime  simplificado  de  tributação. Atenta  para  o  fato  de  que  a  autoridade  fiscal  utilizou­se  de  documentos  e  fatos  posteriores  ao  período  de  01/01/2003  a  30/06/2007  para  fundamentar a decisão de exclusão do Simples, não se prestando para tal intento.  No que diz respeito ao endereço, afere que o local utilizado pelas empresas J.S.  e  IDUGEL,  apesar da  coincidência do  imóvel,  encontra­se dividido  fisicamente  e demonstra  acostando as plantas,  instalação de alarmes distintos e  também pelo ateste do Município que  atribuiu diferenciação na identificação das unidades.  Observa  que  a  empresa  IDUGEL  é  que  detém  capacidade  técnica  para  desenvolver projetos, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr.  José Schaznann como o  técnico de maior  capacidade  reconhecida no Brasil. No processo de  desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 248          6 de  um  moinho  de  trigo,  parte  da  atividade  é  delegada  a  empresas  terceirizadas,  mediante  contrataçao por empreitada, como ocorre com a empresa J.S..  O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito  inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL, quando da comercialização do conjunto todo, o  que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado  pela  empresa  IDUGEL.  Em  resumo,  o  preço  do  conjunto  é  muito  superior  das  máquinas  isoladamente. Dai o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com  número  de  empregados  superior  à  contratante,  apresente  faturamento  inversamente  proporcional.  Atenta  para  o  fato  de  que  também  há  casos  que  as  empresas  IDUGEL  e  J.S.  fornecem,  mediante  parceria,  quando  a  IDUGEL  fica  responsável  pelo  fornecimento  das  máquinas principais e a J.S. pelo fornecimento de acessórios das mesmas. Portanto, a IDUGEL  explora  seu  Know­How,  diante  de  sua  grande  credibilidade  do  mercado,  motivo  da  desproporção do  faturamento, não  tendo como comparar  a proporcionalidade do  faturamento  ao número de empregados.   Ainda,  a  existência  de  empréstimos  entre  as  empresas  não  desqualifica  a  individualidade de ambas. Efetivamente,  refere que houve  transferências de recursos, sempre  na proporção dos  créditos existentes da K.F. perante  IDUGEL. Portanto, a  IDUGEL explora  seu  know­how,  diante  da  sua  grande  credibilidade  no  mercado  motivo  da  desproporção  do  faturamento,  não  tendo  como  comparar  a  proporcionalidade  do  faturamento  ao  número  de  empregados.   Salienta  a  existência  de  empréstimos  entre  as  empresas,  mas  que  isso  não  desqualifica  a  individualidade  de  ambas.  Efetivamente,  houve  transferências  de  recursos,  sempre  na  proporção  dos  créditos  existentes  da  J.S.  perante  a  IDUGEL.  Ademais,  havendo  crédito  e  ao  mesmo  tempo  devido  algum  pagamento,  ocorreram  situações  que  a  devedora  IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a  contabilização fora feita corretamente.  Nesse caminho, entende que há que se aplicar o princípio da proporcionalidade  no  caso  presente,  pois  foram  levantados  elementos  insignificantes  para  sustentar  o  ato  de  exclusão.  E,  apresenta  julgado  do  conselho  de  contribuintes,  cuja  ementa  dispõe  não  ser  simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das  atividades  antes  exercidas por uma delas,  objetivando  racionalizar  as operações  e diminuir  a  carga  tributária.  Ainda,  salienta  que  a  manutenção  da  interpretação  dada  pela  fiscalização  inviabilizará  a  atividade  do negócio,  resultando em débito  impagável,  quanto mais diante da  pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses.  A  recorrente  ainda  argumenta  cerceamento  de  defesa,  já  que  as  intimações  fiscais foram objetos de impugnação administrativas não decididas, bem como por conter, no  relatório  fiscal  menção  de  diversas  intimações  para  apresentação  de  documentos,  sem  o  esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. Entende que o  lançamento foi  fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá  ser efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa. Assim, manifesta que o auto em  questão não  foi  submetido a qualquer  revisão de oficio pela autoridade  tributária  superior ao  autuante, motivo  que  requer  a  nulidade  do  processo  por  falta  de  cumprimento  de  exigência  legal.  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 249          7 Da mesma forma, alega não estar caracterizada a fraude, que só pode ser aferida  no momento da ocorrência do  fato gerador, não com relação às obrigações acessórias,  como  por  exemplo,  ausência  de  declarações  ao  fisco  ou  declaração  a  menor  de  tributo,  opção  de  regime  tributário,  etc.  E,  observa  ser  necessário  a  demonstração  pelo  fisco  que  o  ato  foi  realizado  com  evidente  intuito  de  fraude,  situação  não  realizada,  inclusive  pela  ausência  da  hipótese legal do artigo 149, VII, do CTB.  Atenta para o fato de que ao auto de Infração decorre de interpretação do agente  fiscal  de  haver  fraude  no  planejamento  tributário  adotado  pela  recorrente,  entretanto  os  elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas  disposições do art. 112 do CTB que aplica o brocardo in dubio pro reo.  De  igual  modo,  afirma  que  a  aferição  indireta  é  medida  extrema,  disponível  somente quando  totalmente  imprestáveis ou  inexistentes os  lançamentos  contábeis,  ou  ainda,  pela  recusa  no  fornecimento  da  documentação  exigida  pela  autoridade  fiscal,  situação  não  verificada no caso presente. E reproduz:  "A  empresa  autora  conta  com  lançamentos  contábeis  regulares,  dotados  dos  respectivos  documentos,  os  quais  foram  colocados  inteiramente à disposição da Autoridade Fiscal."    "Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o  arbitramento da verba previdenciária".    Concluindo que "há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos  tributos  com  base  no  lucro  real".  Alega  que  toda  receita  e  toda  despesa  está  devidamente  lançada  na  sua  contabilidade,  discorrendo  que  até  valores  não  lançados  em  GEFIP's  foram  localizados  nos  lançamentos  contábeis,  devendo  assim  ser  utilizada  a  contabilidade  da  recorrente  para  apuração  dos  tributos  e  considerados  os  créditos  dos  tributos,  na  forma  da  legislação em vigor. E, entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo  que  requer  sua  nulidade,  bem  como  a  consideração  dos  pagamentos  efetuados  a  título  do  regime simplificado, correspondente à presente rubrica.  Importa  informar que  a  empresa  recorrente  ingressou em  juízo,  através de um  mandado  de  segurança,  objetivando  que  não  fosse  autuada,  segundo  o  regime  de  tributação  diverso  do  Simples,  até  que  a  decisão  a  respeito  da  exclusão  fosse  definitiva.  A  sentença  transitou em julgado, sem que houvesse recurso da Fazenda Nacional, perpetuando a decisão  de  que  não  poderiam  ser  lançados  tributos  antes  que  fosse  proferida  a  decisão  pelo  órgão  colegiado administrativo.   A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  entendeu  por  bem  manter  o  lançamento,  ora  em  comento.  Afere,  quanto  à  exclusão  do  Simples,  que  os  argumentos  apresentados, em que pese se referirem a empresa J.S. Máquinas, mas diante da semelhança do  procedimento e atividades das "empresas", eles são "correspondentes" àqueles feitos na defesa  do processo relativo à referida exclusão (processo n° 925.002074/2008­78), cuja manifestação  de inconformidade foi objeto de análise e indeferimento no Acórdão DRJ/RPO n° 14­25.629,  proferido por esta Turma de Julgamento. Transcreve o voto proferido no Acórdão citado.   Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 250          8 Já no que diz respeito à nulidade arguida, entende que não há qualquer tipo de  nulidade  no  lançamento,  vez  que  não  foi  ferido  o  disposto  no  art.  59  do Decreto  70232/75,  assim como entende que não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de  exclusão  do  Simples,  motivo  que  não  seria  possível  intimações  fiscais  e  lançamentos  dos  tributos  por  regime  diverso  do  Simples.  Também  observa  que  não  há  previsão  para  impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só  se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário.  Afere que nos  termos do art. 15, §3º, da Lei n° 9.317/96, a exclusão de oficio  dar­se­á mediante  ato  declaratório  da  autoridade  fiscal  da  Secretaria  da Receita  Federal  que  jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação  relativa ao processo tributário administrativo. Prescreve, ainda, o art. 16 da Lei n° 9.317/96 que  a  pessoa  jurídica  excluída  do  SIMPLES  sujeitar­se­á,  a  partir  do  período  em  que  se  processarem  os  efeitos  da  exclusão,  às  normas  de  tributação  aplicáveis  às  demais  pessoas  jurídicas.  Segundo o julgador, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples  não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos  das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado  no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores  apurados,  tendo  sua  exigibilidade  suspensa  enquanto  não  julgadas  as  manifestações  de  inconformidade de exclusão do Simples.  E,  improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do  CTN  exige  a  revisão  do  lançamento,  pois  referido  dispositivo  legal  não  obriga  a  revisão  do  lançamento,  apenas prevê casos  em que pode o  lançamento ser  realizado e  revisto de oficio.  Portanto, salienta que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor  Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário.  Já  no  tocante  à multa  qualificada,  argumenta  o  julgador  de  primeira  instância  que  a mesma  foi  aplicada  por  entender  o  autuante  caracterizado  de  forma  clara  o  intuito  de  fraudar por parte recorrente, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação  de constituição de empresas com objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se  beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e  empresas  de  pequeno  porte.  De  igual  modo,  afere  que  houve  simulação  de  constituição  de  empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se  beneficiar  de  tratamento  diferenciado,  simplificado  e  favorecido,  apenas  aplicável  às  microempresas e empresas de pequeno porte.  Salienta,  o  julgador a  quo, que  o  artificio  fraudulento  de  segmentação  apenas  formal  das  atividades  do  "grupo"  foi  fartamente  analisado  no  julgamento  do  processo  de  exclusão do simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da recorrente como  entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela  localização  física na mesma  sede, pelos  setores  administrativos  conjuntos,  pelos pagamentos  cruzados  e  documentos  conjuntos  que  maculam  o  princípio  contábil  da  entidade,  pelos  semelhantes  objetos  sociais  e  pelas  inverossímeis  relações  entre  dispêndios  (custos,  folha de  pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela  administração  única  de  todas  as  empresas  pelas  pessoas  de  José  Schazmann  e  sua  esposa,  Silvana Marques Schazmann. E, conclui que ficou plenamente caracterizado o evidente intuito  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 251          9 de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o  art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo.  Também aborda o  julgador de primeira  instância  a  solicitação de produção de  prova testemunhal, referindo que não pode ser deferida por não ter previsão no rito processual  administrativo. Mas,  frisa  que  os  testemunhos  que  a  empresa  recorrente  tenha  em  seu  favor  devem ser apresentados sob a forma de declaração escrita, já com a impugnação.   No  que  diz  respeito  ao  apedido  da  recorrente  de  apresentação  de  documentos  durante a fase de instrução, o julgador cita o art. 16 do Decreto 70.235/72 para negar. Mas, que  de toda a forma a recorrente nada trouxe aos autos processuais após sua impugnação, perdendo  o objeto o presente pedido.   Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta suas razões  em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação.   É o relatório.    VOTO VENCIDO    Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora  O  Recurso  Voluntário  preenche  as  condições  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  Trata­se, o presente feito, de auto de infração relativos aos anos calendários de  2004, 2005, 2006 e o 1º  e 2º  trimestre de 2007,  exigindo PIS,  acrescido  de  juros  de mora  e  decorre de exclusão do Simples Federal (processo 10925.002074/2008­78). O fundamento da  autuação  se  encontra  na  vedação  ao  sistema  para  pessoa  jurídica  constituída  por  interpostas  pessoas  que  não  sejam  os  verdadeiros  sócios,  bem  como  que  realize  operações  relativas  à  locação de mão de obra, sendo apurado o PIS relativo à falta de recolhimento/declaração.   Ocorre que a empresa recorrente ingressou em juízo, através de um Mandado de  Segurança (processo n. 2008.72.03.002825­0, Justiça Federal da 4ª Região), requerendo o que  segue:     III ­ DO PEDIDO  Diante do exposto, requer seja concedida inaudita altera pars medida  liminar no sentido de:  a)  obstar  qualquer  exigência  à  impetrante  para  optar  pelo  regime  tributário  diverso  daquele  simplificado  (SIMPLES)  no  período  impugnado  e,  consequentemente,  vedação à  exigência  de  documentos  relativos  a  regime  tributário  divergente  do  SIMPLES  até  julgamento  final  dos  processos  administrativos  n°s.  10925.002074/2008­78  e  10925.002253/2008­13;  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 252          10 b) Ordenar  o  restabelecimento  da  impetrante  no  regime  simplificado  perante todo o sistema da Receita Federal do Brasil, inclusive no sítio  da  internet  até  julgamento  final  dos  processos  administrativos  nos.  10925.002074/2008­78 e 10925.002253/2008­13;  c)  Ordenar  a  vedação  de  qualquer  impedimento  a  nova  opção  pelo  regime  simplificado  de  tributação  até  julgamento  final  dos  processos  administrativos n°s. 10925.002074/2008­78 e 10925.002253/2008­13;  d)  Obstar  qualquer  penalidade  decorrente  do  não  atendimento  aos  termos  de  intimações  n°s.  001,  002  e  003,  por  se  tratarem  de  documentos relativos ao regime tributário Lucro Real.  e)  afastar  a  possibilidade  de  aplicação,  pela  autoridade  coatora,  de  qualquer  ato  tendente  a  exigir  o  recolhimento  dos  tributos  por  outro  regime  com  penalidades  administrativas,  assim  como  o  fornecimento  de  certidões  negativas,  até  julgamento  final  dos  processos  administrativos n o s. 10925.002074/2008­78 e 10925.002253/2008­13.  Requer,  ainda,  após  expedido  ofício  à  Autoridade Coatora,  para  que  preste  as  ­  informações  e  ouvido  o  D.  Representante  do  Ministério  Público; seja confirmada a medida liminar e concedida em definitivo a  segurança  pleiteada  para  assegurar  o  direito  líquido  e  certo  da  impetrante  em  permanecer  no  regime  tributário  instituído  pela  Lei  Complementar  n°  123/2006  (SIMPLES),  para  recolhimento  dos  tributos na forma do artigo 18, §5º, VII da referida Lei Complementar,  afastando a possibilidade da prática de qualquer ato tendente a exigir  tributação  diversa  pela  Autoridade Coatora  até  julgamento  final  dos  processos  administrativos  n°s.  10925.002074/2008­78  e  10925.002253/2008­13."    A decisão proferida, em sentença, com transito em julgado, sem que houvesse  recurso por parte da União, foi nesse sentido:    III ­ DISPOSITIVO:  Ante o exposto:  1) EXTINGO O FEITO, sem resolução do mérito, na forma do art. 267,  VI, do Código de Processo Civil, tendo em vista a manifesta perda do  objeto  da  presente  impetração,  com  relação  aos  pedidos  de  restabelecimento da Impetrante no regime simplificado e de vedação de  impedimentos à nova opção pelo SIMPLES, até o julgamento final dos  processos  administrativos  n.  l0.925.002074/2008­78  e  n.  10.925.002253/2008­13.  2)  CONCEDO  EM  PARTE  A  SEGURANÇA  requerida  na  inicial,  resolvendo  o  mérito,  nos  termos  do  art.  269,  I,  do  CPC,  para  determinar à Autoridade Impetrada que:  a) se abstenha de exigir da Impetrante a apresentação de documentos,  a  opção  e  o  recolhimento  de  tributos  por  regime  tributário  diverso  daquele  simplificado  (SIMPLES),  nos  períodos  de  01.12.2003  a  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 253          11 30.06.2007  e de  01.07.2007 a  31.12.2008,  até  o  julgamento  final  dos  processos  administrativos  n.  l0925.002074/2008­78  e  n.  l0.925.002253/2008­13;  b) se abstenha de aplicar penalidades à Impetrante, decorrentes do não  atendimento  aos  termos  de  intimações  n.  001,  002  e  003,  relativos  à  tributação pelo Lucro Real;  c)  não  deixe  de  fornecer  Certidões  de  Regularidade  Fiscal  à  Impetrante,  em  razão  do  não  recolhimento  de  tributos  em  regime  tributário distinto do SIMPLES, desde que não haja outros motivos que  impeçam o seu fenecimento e,  d)  promova  o  cancelamento  das  intimações  fiscais  e  dos  Autos  de  Infração  lavrados  em  desfavor  da  Impetrante,  relativamente  à  tributação pelo Lucro Real.  Incabíveis  honorários  advocatícios,  de  acordo  o  art.  25  da  Lei  n.  12.016/2009. Custas  pela parte Impetrada.  Publique­se, registre­se, intimem­se.   (...)    Da sentença  acima proferida não  foi  protocolado  recurso  e  a mesma  transitou  em julgado. Assim, do que se pode verificar é que a autuação realizada pela autoridade fiscal,  no presente  feito, vai de encontro com o determinado pela  juíza do  feito  judicial. Em outras  palavras,  a  sentença determinava, de  forma clara  e direta,  que não  fossem  lavrados  autos de  infração  e  que  fosse  promovido  o  cancelamento  das  intimações  e  dos  Autos  de  Infração  lavrados em desfavor da recorrente, relativamente à tributação pelo Lucro Real.   Nesse  sentido,  entendo  que  não  há  como  prosperar  o  presente  julgamento  do  feito,  tomando  em  conta  que  o  lançamento,  correlato  a  este  processo,  deveria  ter  sido  cancelado,  cumprindo  a  sentença  judicial  acima  referida.  Ainda,  considerando­se  que  o  processo  Judicial  tem  prevalência  sobre  o  processo  administrativo  e  não  tendo  a  União  recorrido da demanda judicial, não há que se falar no presente feito do interesse da mesma em  prosseguir com a autuação.   Assim,  entendo  que  o  auto  de  infração  deve  ser  cancelado,  cumprindo  o  determinado na sentença judicial, carecendo de procedência. De outra forma, estaríamos não só  incorrendo  em  desacato  a  uma  ordem  judicial,  como  também  afrontando  o  princípio  da  prevalência das decisões judiciais sobre as administrativas.   Diante, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário.   É o voto.  (assinado digitalmente)  Meigan Sack Rodrigues  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 254          12   VOTO VENCEDOR    Conselheira Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada  Em que pese os argumentos da Ilustre Relatora, compulsando os presentes autos,  resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a  expor.  A resolução da questão litigiosa tratada nos autos tem como premissa o exame  minucioso  dos  efeitos  jurídicos  do  provimento  jurisdicional  do  Mandado  de  Segurança  nº  2008.72.03.002825­0 em face do Auto de Infração.   A  garantia  da  inafastabilidade  da  jurisdição  prevê  que  a  lei  não  pode  excluir  lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar  a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do  esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada  em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de  revisão pelo Poder Judiciário.  Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do  processo judicial1, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1.  A  Recorrente  opôs  contra  a  União  o  Mandado  de  Segurança  nº  2008.72.03.002825­0,  cuja  decisão  deve  ser  observada  nos  seus  estritos  termos  pela  Administração Pública, oportunidade em que fica afastada qualquer interpretação, cabendo tão  somente sua aplicação literal.  Partindo  dessa  premissa,  cabe  o  retorno  dos  autos  à  DRF  que  jurisdiciona  a  Recorrente  para  que  sejam  analisados  efeitos  jurídicos  do  provimento  jurisdicional  do  Mandado de Segurança nº 2008.72.03.002825­0 em face do Auto de Infração.   Em assim  sucedendo  e  com observância do  disposto  no  art.  18  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  voto  por  converter  o  julgamento  na  realização  de  diligência  para  que  a  autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente  examine  o  provimento  jurisdicional  do Mandado de Segurança  nº  2008.72.03.002825­0  com  base na atual fase processual, instrua os autos com a Certidão de Objeto e Pé e demais peças da  ação  judicial,  bem  como  oficie  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  que  se  pronuncie  sobre seus efeitos jurídicos em face do Auto de Infração.  A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar  o  Relatório  Fiscal  circunstanciado  e  conclusivo  sobre  os  fatos  averiguados,  em  especial  a                                                              1 Fundamentação legal:  inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento  Interno do CARF e Súmula CARF nº1.  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000034/2009­72  Resolução nº  1803­000.129  S1­TE03  Fl. 255          13 respeito  dos  efeitos  jurídicos  do  provimento  jurisdicional  do  Mandado  de  Segurança  nº  2008.72.03.002825­0 em face do Auto de Infração.  A  Recorrente  deve  ser  cientificada  dos  procedimentos  referentes  à  diligência  efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com  o  objetivo  de  lhe  assegurar  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  com  os meios  e  recursos  a  ela  inerentes2 .  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                                2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República.  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES

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5886258 #
Numero do processo: 10830.722629/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ELISABETH POLYCENA RODRIGUES DE CARVALHO. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.722629/2013­18  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2202­000.607  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  21  de janeiro de 2015  Assunto  IRPF  Recorrente  ELISABETH POLYCENA RODRIGUES DE CARVALHO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL        Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos  de  recurso  interposto  por  ELISABETH POLYCENA RODRIGUES DE CARVALHO.      RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de  Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o  julgamento em diligência, nos  termos do voto do relator.     (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator      Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa,  Rafael  Pandolfo,  Dayse  Fernandes  Leite  (Suplente  Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior  (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 22 62 9/ 20 13 -1 8 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.722629/2013­18  Resolução nº  2202­000.607  S2­C2T2  Fl. 3            2   RELATÓRIO   Em  desfavor  do  contribuinte,  ELISABETH  POLYCENA  RODRIGUES DE CARVALHO, foi lavrado auto de infração dos anos calendário  2007,  2008  e  2009,  onde  foram  tributados  rendimentos  correspondentes  a  depósitos bancários de origem não comprovada.  De  acordo  com  o  relatório  do  autuante,  este  processo  é  um  desdobramento da fiscalização contra o contribuinte Cláudio Guedes de Carvalho,  onde ficou evidenciada a cotitularidade da autuada em contas nos bancos Safra e  Itaú.  Como  os  extratos  não  haviam  sido  fornecidos  pelo  contribuinte,  foram  requisitados  diretamente  aos  bancos, mediante Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação Financeira (RMF).  Com  base  no  artigo  42  da  Lei  9.430,  de  1996,  o  autuante  considerou rendimentos omitidos 50% dos depósitos nestas contas, para os quais a  contribuinte, regularmente intimada, não apresentou provas da sua origem. Foram  excluídos  os  depósitos  provenientes  de  contas  da  própria  titular,  os  estornos,  as  reduções  de  saldo  devedor  e  resgates  de  aplicações  financeiras.  Foram  ainda  abatidos  do  total  dos  depósitos  de  origem  não  comprovada  os  rendimentos  informados pela contribuinte em suas declarações de ajuste anual.  O  imposto  lançado  foi  de  R$  294.375,87.  Foi  aplicada  a  multa  qualificada,  de  150%,  pela  prática  reiterada  de  omissão  de  rendimentos  em  diversos anos. Com os juros de mora e a multa, a exigência total se elevou a R$  847.393,26.  Os argumentos da impugnante são em síntese os seguintes.  1.  Inconstitucional  a  quebra  do  sigilo  bancário  sem  ordem  judicial,  o  que  já  foi  inclusive  reconhecido  em  decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal.  2.  Não  houve  despacho  fundamentado  justificando  a  necessidade  das  RMF,  como  requer  Decreto  nº  3.724/2001, art. 4º, §§5º e 6º.  3. Tratando se de lançamento por homologação, o prazo  decadencial  de  cinco  anos  se  conta  a  partir  da  data  do  fato gerador. Já havia, portanto, decaído em 10/05/2013,  data  da  notificação,  o  direito  de  lançamento  relativamente ao ano calendário 2007.  4. A base  tributável não pode ser estabelecida de  forma  arbitrária,  ao  arrepio  do art.  142  do Código  Tributário  Nacional.  5. Para a aplicação da presunção legal estabelecida pelo  art. 42 da Lei 9.430/1996 deve ser obedecido o limite da  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.722629/2013­18  Resolução nº  2202­000.607  S2­C2T2  Fl. 4            3 proporcionalidade  e  razoabilidade  na  exigência  das  provas,  do  contrário  se  atribui  ao  sujeito  passivo  um  onus probandi que supera a sua capacidade de produzir  tais provas.  6.  Incabível  a  multa  qualificada,  de  150%.  Como  o  lançamento  se  baseou  em  presunção  legal,  não  restou  comprovada a prática de fraude, condição indispensável  para a qualificação da multa..  A DRJ  julgou  o  lançamento  procedente  em  parte,  nos  termos  da  ementa a seguir:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA IRPF  Ano calendário: 2007, 2008, 2009  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS.  Consideram  se  rendimentos  omitidos  os  depósitos  cuja  origem não houver sido comprovada com documentação  hábil e idônea.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO.  MULTA  QUALIFICADA INAPLICÁVEL.  A  constatação  de  rendimentos  omitidos  correspondentes  a depósitos de origem não comprovada, baseando se em  presunção  legal,  não  pode  servir,  para  estabelecer  o  intuito de fraude que justificaria a aplicação da multa de  ofício qualificada de 150%.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o  Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação.  É o relatório.  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.722629/2013­18  Resolução nº  2202­000.607  S2­C2T2  Fl. 5            4       VOTO  Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  O  recurso  está  dotado  dos  pressupostos  legais  de  admissibilidade  devendo, portanto, ser conhecido.  O lançamento fundamenta­se em depósitos bancários. A presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  com  base  nos  depósitos  bancários  está  condicionada  apenas  à  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  que  transitaram em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Nos casos de  conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem  não  comprovada  deverão,  necessariamente,  ser  imputados  em  proporções  iguais  entre  os  titulares,  salvo  quando  estes  apresentarem  declaração  em  conjunto.  É  indispensável,  para  tanto,  a  regular  e prévia  intimação de  todos os  titulares para  comprovar a origem dos depósitos bancários.  Na  realidade  a  prévia  intimação  aos  titulares  de  contas  conjuntas,  uma  vez  que  apresentem  declaração  anual  de  ajuste  em  separado,  constitui  inafastável  exigência  de  lei,  por  influenciar  diretamente  a  base  material  da  presunção  legal.  A  intimação  a  apenas  um  titular,  ainda  que  todos  sob  procedimento  fiscal,  fragiliza  o  lançamento  por  ancorá­lo  em  presunção  de  não  justificativa,  por  todos,  da  origem  dos  créditos  bancários,  sendo  que  a  própria  renda já é presumida.   No caso concreto  infere­se conforme o  termo de verificação fiscal  que  tem  como  titulares  ELISABETH  POLYCENA  RODRIGUES  DE  CARVALHO e CLAUDIO GUEDES DE CARVALHO  Presume­se com base nos autos que o Sr. CLAUDIO GUEDES DE  CARVALHO  foi  intimado  a  apresentar  extratos  bancários  e  ao  mesmo  tempo  comprovar a origem dos depósitos no mesmo.   No  termo  de  verificação  fiscal  as  fls,  12,  a  autoridade  fiscal  observa:    Diante  dos  fatos,  face  as  alegações  da  recorrente,  entendo  que  o  processo  ainda não  se encontra em  condições de  ter um  julgamento  justo,  razão  Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.722629/2013­18  Resolução nº  2202­000.607  S2­C2T2  Fl. 6            5 pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de  origem tome as seguintes providencias:  1)  Para  que  a  autoridade  fiscal  apresente  as  Requisições  de  Movimentação  Financeira  e  todos  a  documentação  que  a  respalda  a  que  faz  referência  no  Termo  de  Verificação  Fiscal.  Acrescente­se,  por  pertinente,  que  deverá ser apresentada prova da intimação ao Sr. Cláudio Guedes de Carvalho a  demonstrar a origem dos depósitos bancários naquelas contas em que o mesmo é  co­titular.  2)  Propicie­se  vista  dessa  documentação  ao  recorrente,  para  se  pronunciar,  com  praza  de  10  dias,  querendo.  Após  vencido  o  prazo,  os  autos  deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento.    É o meu voto.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez       Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.722629/2013­18  Resolução nº  2202­000.607  S2­C2T2  Fl. 7            6    Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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Numero do processo: 13005.001593/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007 AGROINDÚSTRIA. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3102-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 13/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luis Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 2          1 1  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13005.001593/2008­99  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­002.362  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de janeiro de 2015  Matéria  Pedido de Ressarcimento ­ Cofins  Recorrente  BALDO S.A. COMERCIO, INDÚSTRIA e EXPORATAÇÃO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007  AGROINDÚSTRIA.  PRODUTOS  AGRÍCOLAS.  VENDA  SEM  SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS.  As pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal,  classificadas  nos  capítulos  especificados  no  texto  da  Lei  10.925/04,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal  têm  direito  a  deduzir  crédito  presumido  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de  pessoa  jurídica  que  realiza  atividade  agropecuária.  Nas  compras  realizadas  sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade  agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico.  Recurso Voluntário Provido  Direito Creditório Reconhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao Recurso Voluntário,  nos  termos do Relatorio  e Voto que  integram o presente  julgado.  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator  EDITADO EM: 13/03/2015     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 15 93 /2 00 8- 99 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA     2 Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Andréa  Medrado  Darzé,  José  Luis  Feistauer  de  Oliveira,  Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  que  embasou  a  decisão  de  primeira instância, que passo a transcrever.  Trata  o  presente  processo  de  Pedidos  de  Ressarcimento  eletrônicos  transmitidos pela contribuinte em 25/04/2007, 02/08/2007, 23/10/2007, 28/08/2007  e 27/12/2007  relativos a valores de COFINS não­cumulativa  (mercados externo e  interno) referentes ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2007, onde foram  apurados créditos no montante total de R$ 1.307.399,25, conforme documentos de  fls. 01/19.  A  SAFIS  da  DRF  de  origem  adotou  procedimentos  para  confirmação  da  legitimidade  do  crédito  pleiteado,  efetuando  a  necessária  fiscalização,  emitindo  Termo de Intimação Fiscal e procedendo às verificações entendidas cabíveis, tendo  sido produzido o Relatório de Ação Fiscal de fls. 29/36, com os demonstrativos de  fls. 37/45, onde, em especial, assentou o agente fiscal: .  Da  análise  dos  documentos  e  registros  apresentados  pela  empresa  foram  verificadas irregularidades no preenchimento de determinadas linhas das DACON,  que ocasionaram divergências entre os valores de crédito apurados pela empresa e  os valores de créditos calculados pelo Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil,  doravante denominado AFRFB. (fl. 29)  Foram excluídos dos valores informados pela empresa nesta linha da Dacon,  os montantes referentes a aquisições de soja e erva­mate, demonstrados na  tabela  abaixo, obtidos da planilha demonstrativa das compras destes produtos no período  fiscalizado (...) apresentada pela empresa à fiscalização (...).  Estes valores foram excluídos da Linha 02 da Ficha 16A da Dacon em razão  de  que  compras  de  produtos  agropecuários  (soja  e  erva­mate)  são  geradoras  de  crédito presumido,  sendo que nesta  linha são  informados os valores geradores de  crédito básico.  Isto porque, da análise das informações prestadas pela empresa referentes à  composição  dos  valores  informados  na  linha  02  da  Dacon  no  período  de  agosto/2006 a setembro/2007, verificou­se que foram incluídos valores de aquisição  de produtos agropecuários (soja e ervamate). Este procedimento não se harmoniza  com o disposto na  IN SRF n° 660, de 17 de  julho de 2006, normatizadora da Lei  n°10.925, de 23 de julho de 2004, que instituiu o crédito presumido e que determina  em  seu  art.  2°,  inc.  IV,  que  as  vendas  de  produtos  agropecuários  que  sejam  utilizados como insumos na fabricação dos produtos elencados em seu art. 5°, inc. I,  sejam efetuadas com suspensão da exigibilidade da contribuição da COFINS, e, em  razão  desta  suspensão  nas  operações  de  venda,  a  empresa  agroindustrial  que  os  adquire poderá descontar crédito presumido, à alíquota de 35% (sobre as compras  de soja, até junho/2007, e erva­mate em todo o período) e 50% (sobre as compras  de  soja,  a  partir  de  julho/2007)  da  alíquota  normal  da  COFINS  [7,6%],  na  determinação do valor da contribuição apagar. (fls. 30/31)  (...)  as  compras  de  produtos  agropecuários,  sejam  de  pessoas  físicas  ou  jurídicas, geram crédito presumido, em razão de que adquiridas por empresa que  exerce  atividade  agroindustrial  sujeita  ao  regime  de  não­cumulatividade  da  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001593/2008­99  Acórdão n.º 3102­002.362  S3­C1T2  Fl. 3          3 contribuição  para  a  COFINS,  tendo  estes  produtos  servidos  de  insumos  na  fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados  nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas  vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade da  COFLVS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. (fl. 32)  À fl. 47 está anexado o Despacho Decisório DRF/SCS n° 378, de 23/10/2008,  onde  o  Sr.  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Santa  Cruz  do  Sul  (RS),  considerando o Relatório de Ação Fiscal, resolveu:  a)  reconhecer  parcialmente  o  direito  creditório  da  contribuinte  frente  à  Fazenda Pública da União, no montante de R$ 231.870,39 (duzentos e trinta e um  mil,  oitocentos  e  setenta  reais  e  trinta  e  nove  centavos),  referente  à  Cofins  não­ cumulativa exportação do 1°, 2° e 3° trimestres de 2007 e não reconhecer o direito  creditório referente à Cotins não­cumulativa mercado interno do 2° e 3° trimestres  de 2007;  b) homologar as compensações declaradas e  juntadas ao presente processo  até o limite do crédito reconhecido anteriormente.  Determinou fosse a contribuinte cientificada da decisão exarada, bem como  da possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade relativamente  àquela decisão.  A contribuinte foi cientificada em 05/11/2008— AR de fl. 49.  Foram anexados novos PER/DCOMPs, informando compensações.  Em  03/12/2008  a  contribuinte  apresentou,  através  de  procurador,  a  manifestação de  inconformidade de  fls.  180/196, argüindo o que,  em  síntese,  está  exposto a seguir:  DOS FATOS E DO DESPACHO DECISÓRIO ATACADO  •  a  empresa  foi  intimada  de  Despacho  Decisório  que  reconheceu  parcialmente o seu direito ao ressarcimento de créditos de COFINS por operações  de exportação realizadas no 1°, 2° e 3° trimestres de 2007;  • o reconhecimento parcial do crédito está sustentado no entendimento de que  a empresa não teria direito à utilização daqueles na forma prevista pelo art. 3°, II,  da Lei n° 10.833, de 2003 (bens e serviços utilizados como insumo na prestação de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bem  ou  produtos  destinados  à  venda)  quando da aquisição de soja e erva­mate;  •  o  direito  da  empresa  seria  apenas  à  utilização  do  crédito  presumido  previsto nos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, eis que tanto a soja quanto  a erva­mate seriam produtos agropecuários, na forma do art. 2°, IV, da IN SRF n°  660, de 2006;  •  sua  manifestação  de  inconformidade  busca  a  reforma  do  Despacho  Decisório  e  o  conseqüente  reconhecimento,  em  sua  integralidade,  do  direito  creditório pleiteado.   RAZÕES DE REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO RECORRIDO  Fl. 504DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA     4 • a questão em análise está centrada, única e exclusivamente, no tratamento  conferido  pela  autoridade  fiscal  aos  créditos  oriundos  das  aquisições  de  soja  e  erva­mate efetuadas pela empresa;  •  se  tratados  como  produtos  agropecuários  destinados  à  fabricação  dos  produtos referidos no art. 5°, I, da IN n° 660, de 2006, as aquisições de soja e erva­ mate confeririam ao seu adquirente o direito ao lançamento de crédito presumido  calculados  à  razão  de  3,8%  (50%  de  7,6%)  e  2,66%  (35%  de  7,6%),  respectivamente,  sobre  o  valor  das  aquisições.  Se  tratados  na  regra  geral  de  insumos, prevista no art. 3 0, II, da Lei n° 10.833, de 2003, as mesmas aquisições  confeririam  à  empresa  o  direito  ao  lançamento  de  crédito  integral,  calculado  à  razão de 7,6% sobre o valor das aquisições. Transcreve parte do Relatório de Ação  Fiscal;  •  conclui que o procedimento adotado pelo Fisco redundou na redução dos  créditos pleiteados pela empresa, vez que o cálculo dos créditos presumidos é feito  com base na aplicação de alíquota substancialmente menor do que aquela utilizada  na apuração dos créditos previstos no art. 3 0, II, da Lei n° 10.833, de 2003.  DOS  CRÉDITOS  PRESUMIDOS  EM  MATÉRIA  DE  PIS  E  COFINS  —  ANÁLISE DOS MOTIVOS QUE LEVARAM À SUA INSTITUIÇÃO  •  traça  arrazoado  acerca  da  instituição  da  sistemática  de  apuração  não­ cumulativa do PIS e da COFINS,  estabelecida pelas Leis n os 10.637, de 2002,  e  10.833, de 2003, referindo à legislação, às alterações introduzidas na sistemática e  à tentativa de neutralizar os custos suportados pelas pessoas físicas que atuam nos  ramos da agricultura e da pecuária. Cita a Lei n° 10.925, de 2004 (posteriormente  alterada pela Lei n° 11.051, de 2004), transcrevendo o art. 8°;  • entende que a Lei citada, assim como previu a possibilidade de utilização do  crédito presumido de PIS e de COFINS quando da aquisição de insumos de pessoas  físicas ou  cooperado pessoa  física,  instituiu,  também, o direito de aproveitamento  do  mesmo  crédito  quando  da  aquisição  de  insumos  de  pessoas  jurídicas  que  exerçam as atividades de agropecuária e/ou de cerealista;  • em contrapartida, a Lei determinou a suspensão da cobrança do PIS e da  COFINS  nas  vendas  realizadas  por  aquelas  pessoas  jurídicas  desde  que  o  adquirente  apurasse  o  IR  com  base  no  lucro  rela,  exercesse  a  atividade  agroindustrial  (o  que  deveria  ser  comprovado  mediante  a  apresentação  de  declarações)  e  utilizasse  o  produto  adquirido  com  suspensão  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  alimentação humana  ou  animal  ou  classificados  no  código  22.04 da NCM. Fala sobre esta forma de apuração de créditos.  DOS  CRÉDITOS  VINCULADOS  ÀS  AQUISIÇÕES  DE  ERVA­MATE  CANCHEADA  • o Fisco entendeu pela glosa de todos os valores que excederam ao cálculo  do crédito presumido de 35% do montante da alíquota da COFINS, donde, ao invés  de reconhecer o direito da empresa ao lançamento de um crédito integral, calculado  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  7,6%  sobre  as  aquisições  de  erva­mate,  permitiu apenas o aproveitamento de créditos da contribuição limitados a 2,66% da  compras de tal produto;  • a justificativa do Fisco para a limitação do direito creditório pleiteado está  única  e  exclusivamente  na  aplicação  do  art.  2°,  IV,  da  IN  n°  660,  de  2006,  que  determina a  suspensão da contribuição na venda dos produtos agropecuários que  sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos relacionados no art. 5 0,  I, daquele diploma infralegal;  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001593/2008­99  Acórdão n.º 3102­002.362  S3­C1T2  Fl. 4          5 •  passa  a  esclarecer  as  atividades  exercidas  pela  empresa  no  que  tange  à  compra de insumos e a posterior fabricação de erva­mate;  • a análise das notas fiscais que deram origem ao crédito de PIS e COFINS  cujo ressarcimento ou compensação com outros tributos era pleiteado pela empresa  demonstra,  sem  margem  a  dúvidas,  que  os  produtos  por  si  adquiridos  eram  classificados como erva­mate cancheada (código NCM 09.03.0010), ou seja, aquela  adquirida de produtores rurais e submetida ao processo de trituração das folhas de  erva­mate que precede a sua industrialização;  •  há  de  ser  analisado  se  está  correto  o  enquadramento  da  erva­mate  cancheada na hipótese prevista no art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, assim como a  necessidade de aplicação da  regra de  lançamento de  créditos presumidos quando  da aquisição de tal produto em detrimento do crédito integral garantido pelo art. 3  0, II, da Lei n° 10.833, de 2003;  • a primeira  inconsistência da  tese defendida pelo Fisco para  imposição do  lançamento  de  apenas  créditos  presumidos  quando  da  aquisição  de  erva­mate  cancheada  está  na  classificação  desta  como  produto  agropecuário.  A  atividade  agropecuária,  na  forma  do  art.  30,  §  1°,  II,  da  IN  n°  660,  de  2006,  é  aquela  consistente do cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos  termos do art. 2° da Lei n° 8.023, de 1990. No caso em tela, a erva­mate cancheada  não  pode  ser  considerada  um  produto  agropecuário,  à  medida  que  se  trata  de  produto resultante da atividade de extrativismo;  • não tendo a erva­mate cancheada origem no cultivo da terra, vez que suas  folhas são extraídas de árvores pertencentes a reservas naturais em que não houve  a  atuação  do  homem  (como  ocorre  em  qualquer  outra  atividade  de  extrativismo  mineral,  como  a  obtenção  de  carvão,  água,  petróleo),  suas  vendas  não  devem  se  submeter  à  regra  de  suspensão  da  incidência  do  PIS  e  da  COFINS  e,  conseqüentemente,  as  despesas  com  sua  aquisição  gera  direito  ao  crédito  das  contribuições  na  forma  prevista  nos  arts.  30,  II,  das  Leis  n°s  10.637,  de  2002,  e  10.833, de 2003;  •  o  Poder  Executivo  caracterizou  a  atividade  agropecuária  como  sendo  a  atividade  econômica  de  cultivo  da  terra  e/ou  criação  de  aves,  peixes  e  outros  animais, donde o produto agropecuário a ser vendido com suspensão da incidência  de PIS e COFINS haverá de ser aquele decorrente do exercício daquela atividade;  •  o ponto nevrálgico da presente discussão é que os créditos  lançados pela  empresa de maneira integral, tendo como base o disposto nos arts. 2° e 3°, II, da Lei  n° 10.833, de 2003, não obstante decorrentes da aquisição de erva­mate (em tese,  um produto agropecuário), não tem como origem uma venda realizada por pessoa  jurídica que exerça atividade agropecuária;  •  o  fluxo  de  produção  da  erva­mate  passa  por  diversas  fases  até  chegar  a  industrialização  propriamente  dita.  A  empresa  inicia  a  sua  atividade  de  industrialização  após  promover  a  aquisição  da  erva­mate  cancheada,  ou  seja,  aquela que já passou pelo processo de sapeco, secagem e cancheamento;  • se a erva­mate cancheada fosse adquirida de pessoa física ou jurídica que  promovesse o cultivo direto da terra, não haveria dúvidas  sobre a necessidade de  aproveitamento  do  crédito  presumido.  Mas,  no  caso  concreto,  a  erva­mate  cancheada é adquirida de pessoas jurídicas que não promovem o cultivo da terra,  vez que compram a erva­mate de terceiros. Estes, geralmente pessoas físicas, são os  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA     6 que efetivamente promovem a extração da erva­mate e repassam a outras pessoas  jurídicas para a realização das demais etapas da cadeia produtiva;  •  no  caso  concreto,  não  houve  a  aquisição  de  produtos  agropecuários  beneficiados  com a  suspensão  de PIS  e COFINS  sobre  as  receitas  auferidas  com  suas vendas.  Isso porque, ao contrário do que entendeu o Fisco, a  erva­mate  cancheada  comprada pela manifestante e que de origem aos créditos glosados foi fornecida por  pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, eis que não promovem o  cultivo da terra e/ou a criação de aves, peixes e outros animais;  •  só  poderia  ter  sido  promovida  a  restrição  ao  direito  de  crédito  caso  as  aquisições  tivessem  sido  promovidas  diretamente  daqueles  que  promovem  a  extração da erva­mate. A existência de uma terceira pessoa, que se insere na cadeia  produtiva  entre  o  produtor  primário  e  a  pessoa  jurídica  responsável  pela  industrialização da erva­mate com vistas a realizar uma das etapas de tal processo,  impede  a  incidência  da  norma  de  suspensão  da  incidência  das  contribuições  e,  conseqüentemente, torna impossível o aproveitamento do crédito presumido previsto  na legislação;  • as vendas de erva­mate cancheada efetuadas para a empresa, jamais foram  feitas com suspensão de PIS e COFINS prevista na legislação para as hipóteses de  vendas  realizadas  por  pessoas  jurídicas  que  exercem  atividades  agropecuárias.  Sempre  houve  a  incidência  das  contribuições  sobre  as  receitas  auferidas  pelas  pessoas  jurídicas  vendedoras,  com  o  conseqüente  direito  ao  crédito  das  contribuições para as adquirentes;   •  não  poderia  ser  outro  o  procedimento  adotado  pelos  produtores  de  erva­ mate cancheada, porquanto, se pretendessem promover a venda com suspensão da  incidência  das  contribuições,  seria  absolutamente  fácil  para  o  Fisco,  a  partir  do  confronto  entre as notas  fiscais de  entrada de  erva­mate  e de  saída de  erva­mate  cancheada,  comprovar  que  o  exercício  da  atividade  agropecuária  estaria  concentrado apenas naquele que efetuou a extração vegetal, não se alastrando para  a pessoa jurídica que alterou as condições do produto in natura;  •  a  empresa  buscou  junto  aos  seus  fornecedores  de  erva­mate  cancheada  declarações de que não executam o cultivo da terra ou atividade extrativa vegetal,  de que adquirem de terceiros as folhas e galhos de erva­mate utilizada na produção  da erva­mate cancheada que lhe é vendida e, ainda, de que calculam e recolhem o  PIS  e  a  COFINS  sobre  as  receitas  auferidas  com  as  vendas  de  erva­mate  cancheada. Relaciona as empresas e entende serem válidas as declarações;  • caso a DRJ repute não serem suficientes os elementos de prova trazidos aos  autos,  poderá  converter  o  julgamento  em  diligência  para  os  esclarecimentos  que  julgar necessários;  • a empresa não poderá ser prejudicada com a suspensão de seus créditos se,  o mesmo  tempo, os  fornecedores de  erva­mate  cancheada não  forem beneficiados  com  a  suspensão  de  incidência  das  contribuições.  Tendo  havido  o  pagamento  do  PIS  e  COFINs  na  etapa  anterior  da  cadeia  produtiva,  deve  ser  reconhecido  o  crédito em favor do adquirente, sob pena de se colocar à lona a não­cumulatividade  almejada pelo legislador;   • prova cabal da incidência das contribuições sobre as receitas auferidas com  as  vendas  de  erva­mate  cancheada  efetuadas  para  a  empresa  está  no  fato  desta  última jamais ter cumprido a exigência constante do art. 4° da IN n° 660, de 2006,  no sentido de emitir declarações que pudessem sustentar a venda de insumos para  sua produção com suspensão de PIS e COFINS. Não tendo assim procedido, resta  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001593/2008­99  Acórdão n.º 3102­002.362  S3­C1T2  Fl. 5          7 evidente  que  as  pessoas  jurídicas  vendedoras,  pela  ausência  de  cumprimento  das  claras condições estabelecidas na legislação, haveriam de tributar normalmente as  vendas, sob pena de posterior autuação por parte do Fisco Federal;  •  o  fato da não expedição das declarações  é  impossível  de  ser comprovado  pela empresa, vez que se tem, em tal hipótese, a caracterização precisa daquilo que  tecnicamente é conhecido como prova negativa;  •  se  o  entendimento  da  empresa  não  for  respaldado  pelo  DRJ,  se  estará  diante  de  manifesta  ofensa  ao  princípio  da  separação  dos  poderes,  fundamental  para  a  manutenção  de  um  Estado  Democrático  de  Direito,  porquanto  terão  as  autoridades administrativas responsáveis pela análise do crédito em questão, com a  chancela da DRJ,  criando nova hipótese de  suspensão da  incidência do PIS  e da  COFINS sem o respaldo de qualquer dispositivo legal;  • estar­se­á definindo, pois, a possibilidade de duas suspensões de incidência  das contribuições na mesma cadeia produtiva, sendo que apenas uma das vendas (a  primeira,  de  erva­mate  in  natura)  é  efetivamente  realizada  por  pessoa  fisica  que  exerce atividade agropecuária, uma vez que a segunda (de erva­mate cancheada) é  promovida por pessoa jurídica QUE NÃO TRABALHA NO CULTIVO DA TERRA,  POIS A ERVA­MATE CANCHEADA É RESULTADO DE PROCESSO APLICADO  SOBRE VEGETAL CUJA EXTRAÇÃO FOI PROMOVIDA POR TERCEIROS;  • conclui ser manifesto o desacerto do Despacho Decisório atacado, devendo  os  créditos  que  foram  transferidos  pelo  Fisco  da  linha  02  para  a  linha  26  da  DACON  voltar  a  sua  origem,  recalculando­se  o  montante  de  crédito  passível  de  ressarcimento  a  que  faz  jus  a  empresa  em  razão  da  aquisição  de  erva­mate  cancheada de fornecedores que não exercem a atividade agropecuária, na forma do  art. 3°, § 1°, II, da IN SRF n° 660, de 2006, e, conseqüentemente, não produzem os  produtos agropecuários previstos no art. 2°, IV, do mesmo diploma infralegal.  DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE SOJA  •  a  exemplo  da  erva­mate  cancheada,  as  aquisições  de  soja  também  foram  consideradas oriundas de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária;  • a empresa informa que, do mesmo modo como ocorrera em relação à erva­ mate,  sempre  foram  feitas  junto  a  pessoas  jurídicas  que  não  exercem  a  atividade  agropecuária  definida  no  art.  3  0,  §  1°,  II,  da  IN  n°  660,  2006.  A  fim  de  evitar  tautologia,  não  irá  repetir  os  argumentos  já  apostos  em  relação  à  erva­mate  cancheada;  • toda a soja foi comprada de pessoas jurídicas que já a haviam adquirido de  produtores rurais, responsáveis pelo cultivo da terra. Assim, a operação realizada  com  suspensão  de  incidência  de  PIS  e  COFINS  foi  aquela  realizada  entre  o  produtor  e  esse  adquirente,  que  posteriormente  revendeu  tal  produto  para  a  empresa;  •  a  receita  auferida  com  a  venda  de  soja  para  a  empresa  foi  submetida  normalmente à  tributação pelo PIS  e pela COFINS. Como não poderia deixar de  ser, gerou, também, o direito ao creditamento de valores a serem calculados sobre o  montante  despendido  em  tais  aquisições,  na  forma  do  art.  3  0,  II,  das  Leis  n's  10.637, de 2002, e 10.833, de 2003;  •  refere  à  provas  que  diz  ter  carreado  aos  autos  (cita  duas  empresas)  e  entende  que  para  a  imposição  do  lançamento  de  crédito  presumido  vinculado  às  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA     8 aquisições de soja, não se pode considerar os fornecedores relacionados pelo Fisco  como cerealistas, na forma do art. 8°, § 1°, da Lei n° 10.925, de 2004;  •  se  deve  reconhecer,  também  em  relação  à  soja  adquirida  de  pessoas  jurídicas que não exercem atividade agropecuária, o direito a créditos de COFINS  calculados de acordo com o previsto nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003.  DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA  • em itens anteriores, a empresa pleiteou a realização de diligências que têm  como  objetivo  esclarecer,  de  maneira  cabal,  a  forma  como  foram  realizadas  as  operações  de  compra  e  venda  de  soja  e  erva­mate  cancheada  entre  ela  e  seus  fornecedores;  • tal pedido, além de encontrar arrimo no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235,  de 1972, vias, em última análise, à aplicação do princípio da busca da verdade real,  norteador do PAF;  •  a  empresa  entende  que  dois  devem  ser  os  questionamentos  a  serem  respondidos pela autoridade fiscal, ou por outra que for designada para realização  de tal tarefa:  1. os valores estampados em cada uma das notas  fiscais que deram origem  aos  créditos  de  COFINS  glosados  compuseram  a  base  de  incidência  do  mesmo  tributo  para  os  respectivos  fornecedores  de  erva­mate  cancheada  e  soja  à  manifestante  ou  tais  vendas  foram  realizadas  com  suspensão  de  incidência  da  contribuição?  2. as vendas de erva­mate cancheada e soja que deram origem aos créditos  de COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação  Fiscal,  estavam  sustentadas  por  alguma  declaração  emitida  pela  Baldo  S/A  que  permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas?  • com base na resposta a tais questionamentos, claro estará que as aquisições  promovidas pela empresa foram integralmente tributadas, não havendo razão para  a  imposição  de  aproveitamento  de  apenas  créditos  presumidos  vinculados  a  tais  aquisições;  • não se deve alegar que poderia a manifestante ter promovido a juntada de  documentos que comprovem as circunstâncias argüidas. Além das declarações que  já  estão anexadas a  esta peça, nenhum outro documento poderia  ser  juntado, vez  que  não  há  qualquer  regra  que  obrigue  às  pessoas  jurídicas  vendedoras  a  concederem vista de seus registros fiscais a terceiros. Somente o Fisco, no exercício  de sua atividade fiscalizatória, poderá ter acesso, sem restrições, aos elementos que  sustentarão as respostas aos questionamentos formulados;  •  caso  entenda  a  DRJ  que  as  declarações  anexadas  aos  autos  não  são  suficientes  para  demonstrar  o  direito  da  empresa  ao  lançamento  dos  créditos  glosados  pelo  Despacho  Decisório  atacado,  imprescindível  a  realização  ,  da  diligência  solicitada,  para  que  se  ateste,  de  maneira  inequívoca,  o  direito  à  apuração dos créditos de COFINS na forma prevista nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n°  10.833, de 2003.  DO REQUERIMENTO  • a empresa requer:  a) a  conversão  do  processo  em diligência,  a  fim de  que  sejam  respondidas  pela autoridade responsável pela elaboração do Despacho Decisório ora atacado,  ou por outra designada para tal fim, as questões constantes da peça de contestação;  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001593/2008­99  Acórdão n.º 3102­002.362  S3­C1T2  Fl. 6          9 b)  independentemente  da  realização  de  diligência,  a  reforma  do Despacho  Decisório atacado,  de modo a  ser  reconhecido  o  crédito  integral de COFINS,  na  forma em que postulado nos PER/DCOMPs que deram origem ao presente processo  administrativo.  • pede deferimento.  Junto  à  manifestação  de  inconformidade  a  contribuinte  apresentou  os  documentos de fls. 197/200 e 203/342. O Órgão de origem anexou cópia de AR de  fl. 343 e encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 344).  Assim a Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  sintetizou, na ementa  correspondente, a decisão proferida.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007  AFRONTA A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL.  Compete  privativamente  ao  Poder  Judiciário  apreciar  questão  que  envolva  possível afronta a princípio constitucional.  PEDIDO  DE  REALIZAÇÃO  DE  PERÍCIA.  PRESCINDIBILIDADE.  INDEFERIMENTO.  Estando presentes nos autos  todos os elementos de convicção necessários à  adequada solução da lide,  indefere­se, por prescindível, o pedido de diligência ou  perícia.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007  AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS  ADQUIRIDOS SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.  A  agroindústria  pode  calcular  créditos  da  contribuição  sobre  o  valor  dos  insumos, nos termos do art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, desde que atendidas todas  as  condições  previstas  na  legislação,  dentre  elas  a  de  que  os  bens  adquiridos  estejam sujeitos ao pagamento da contribuição.  Insatisfeita  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  Recorrente  apresenta  Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Uma vez que as questões de direito tenham sido decididas favoravelmente à  Recorrente na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o Recurso  Voluntário restou dirigido exclusivamente ao pleito de que seja adotada a mesma metodologia  de  cálculo  nas  aquisições  realizadas  a  outros  fornecedores,  além  daqueles  admitidos  em  primeira  instância  de  julgamento.  Neste  desiderato,  requereu,  novamente,  a  realização  de  diligência para obtenção dos esclarecimentos necessários à correta solução da lide.  Atendendo  ao  pedido  da  Recorrente  o  julgamento  foi  convertido  em  diligência. Os termos foram os seguintes.  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA     10 Pelo exposto, VOTO POR CONVERTER o julgamento em diligência para que  seja  identificada  a  verdadeira  condição  dos  fornecedores  da  empresa  autuada,  devendo o processo ser remetido à repartição de origem, onde a fiscalização, a seu  juízo,  determinará  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários  à  perfeita  instrução  processual,  o  que  poderá  ser  feito  até  mesmo  mediante  consulta  aos  sistemas  informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Se  investigações adicionais se  fizerem necessárias, deverão ser  respondidas  as  questões  a  seguir  reproduzidas,  em  observância  ao  pleito  consignado  pela  autuada no Recurso Voluntário apresentado a este Conselho.  Das  conclusões  da  fiscalização  deve  ser  dado  ciência  à  empresa  quando  contrário a seus interesses e aberto prazo para manifestação.  1. Os valores estampados em cada uma das notas  fiscais que deram origem  aos  créditos  de  PIS/COFINS  glosados  (excetuados  aqueles  já  reconhecidos  como  legítimos  pelas  autoridades  julgadores  de  primeira  instância,  vinculados  aos  fornecedores relacionados na manifestação de inconformidade) compuseram a base  de  incidência  do  mesmo  tributo  para  os  respectivos  fornecedores  de  erva­mate  cancheada e  soja à  recorrente ou  tais vendas  foram realizadas com suspensão de  incidência da contribuição?  2. As vendas de erva­mate cancheada e soja que deram origem aos créditos  de PIS/COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de  Ação Fiscal,  estavam  sustentadas  por  alguma  declaração  emitida  pela Baldo  S/A  que  permitisse  a  não  incidência  da  contribuição  sobre  as  receitas  com  elas  auferidas?  Atendendo  ao  requerido  na  diligência,  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  planilha  demonstrativa  dos  fornecedores  pessoa  jurídica  de  erva­mate,  que  efetuaram vendas no período de agosto de 2006 a dezembro de 2007 sob as quais foi apurado  crédito de COFINS calculados à alíquota integral, exceto os já informados na Manifestação de  Inconformidade.  De  posse  dessa  informação,  a  Fiscalização  enviou  intimação  às  empresas  indicadas  pela  Requerente,  buscando  os  esclarecimentos  demandados  na  diligência.  A  conclusão foi a seguinte.  Os  fornecedores  Ervateira  São  Mateus  ltda.,  CNPJ  77.752.038/0002­26,  Bugio Alimentos Ltda, CNPJ 06.369.361/0001­96 e Ervateira Urubici Ltda, CNPJ  83.594.424/0001­59 apresentaram respostas informando que as vendas não  foram  efetuadas com suspensão do PIS/COFINS (quesito 1), que não houve declaração da  Baldo S A que permitisse a não­incidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as  referidas  vendas  (quesito  2)  e  que  a  erva  mate  vendida  foi  adquirida  de  produtores/terceiros (quesito 3).  Os fornecedores Cerealista Quatro Irmãos Ltda, CNPJ 75.724.161/0001­27,  JCP  Importação  e  Exportação  de  Alimentos  Ltda,  CNPJ  05.679.940/0001­72  e  Indústria  de  Erva  Mate  Três  Irmãos  Ltda,  CNPJ  01.880.469/0001­25  não  apresentaram  resposta  à  aludida  Intimação. Os  Avisos  de Recebimento  – AR dos  fornecedores  Restinga  dos  Paióis,  CNPJ  04.945.090/0001­31  e  Hercílio  &  Fernandes, CNPJ 85.379.089/0001­00 retornaram sem o recebimento dos mesmos,  tendo  sido  registrado  como  motivo  da  devolução  “recusado”  e  “falecido”,  respectivamente.  Desta  forma  e  para  estes  fornecedores,  foram  efetuadas  consultas  aos  sistemas internos da Receita Federal do Brasil – RFB, constatando­se que nenhum  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001593/2008­99  Acórdão n.º 3102­002.362  S3­C1T2  Fl. 7          11 possui  código  Classificação  Nacional  de  Atividades  Econômicas  ­  CNAE  que  compreenda o cultivo de erva­mate.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa  A  Fiscalização  Federal  havia  decidido  glosar  o  crédito  contabilizado  pela  Recorrente, por entender que, na aquisição de produtos agropecuários por empresa que exerce  atividade  agroindustrial  (como  ela),  a  venda  se  dá  com  suspensão  da  exigibilidade  das  Contribuições,  situação  que  dá  ensejo  apenas  à  apropriação  de  crédito  presumido.  A  seguir  excerto do Relatório Fiscal.  No cálculo do AFRFB  foram  informados nesta  linha da DACON os valores  das aquisições de produtos agropecuários efetuadas pela empresa requerente, que  exerce  atividade  agroindustrial  sujeita  ao  regime  de  não­cumulatividade  da  contribuição para a COFINS, cujos produtos serviram de insumos na fabricação de  outros  produtos  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal,  classificados  nos  códigos  da  NCM  dispostos  nos  inc.  I  e  II  do  art.  5°  da  IN  SRF  660/2006,  cujas  vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade da  COFINS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa.  De seu turno, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento esclareceu que a  empresa fazia jus ao crédito básico, conforme pretendia, desde que os produtos tivessem sido  adquiridos  de  pessoa  jurídica  que  não  exerça  atividade  agropecuária,  já  que  estas  recolhem  normalmente o valor das Contribuições devidas, ou seja, não vedem com suspensão.  Estas  circunstâncias  deram  origem  a  uma  particularidade  na  instrução  probatória do Processo.   Uma  vez  que  não  tenha  sido  levado  em  consideração  que,  nos  casos  de  vendas  realizadas  por  pessoa  jurídica,  apenas  as  que  exercem  atividade  agropecuária,  ao  venderem  às  pessoas  jurídicas  que  produzem  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal  classificadas nos  capítulos  contemplados no  texto  legal  geram direito  a  crédito presumido  (e  não  básico),  a  Fiscalização,  na  origem  do  procedimento,  terminou  não  indo  em  busca  dos  elementos de prova de que a Recorrente não tinha direito ao crédito pretendido. Glosou­os com  base  em  premissa  equivocada.  A  própria  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  fez  menção à ausência de elementos probantes.  Atente­se, ainda, que:  a) a observação das peças processuais juntadas pela Fiscalização não  permite  a  clara  e  objetiva  interpretação  de  que  às  empresas  relacionadas  (vendedoras) se pudesse aplicar a modalidade de suspensão da exigibilidade  do PIS e da COFINS;  b)  ao  contrário,  preocupou­se  a  contribuinte  em  demonstrar  que  tais  empresas  não  se  enquadravam  como  exercendo  atividade  agropecuária,  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA     12 estando  elas  sujeitas  ao  recolhimento  das  contribuições  pela  alíquota  normal.  A  resposta  à  diligência  demandada  por  este  Colegiado  não  modifica  o  quadro. Em  lugar disso,  acrescenta mais um  elemento  em  favor da pretensão da Recorrente.  Para  partes  das  empresas,  foi  obtida  informação  dando  conta  de  que  as  vendas  não  foram  efetuadas  com  suspensão  do  PIS/COFINS,  que  não  houve  declaração  da  Baldo  S.A.  que  permitisse a não­incidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas e que a  erva  mate  vendida  foi  adquirida  de  produtores/terceiros.  Em  relação  às  empresas  que  não  responderam  à  Intimação  do  Fisco,  constatou­se  que  nenhum  possui  código  Classificação  Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de erva­mate. Assim,  ausente qualquer razão para glosa dos créditos básicos utilizados pela Recorrente.   VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário para  reconhecer o direito  ao  aproveitamento  de  crédito  básico  na  compra  de  erva­mate  das  empresas  informadas  pela  Recorrente em resposta à intimação encaminhada pelo Fisco na diligência determinada por este  Colegiado  e  na  compra  das  empresas  que  apresentaram  declaração  anexada  aos  autos  pela  Recorrente  em  sede  de  Recurso  Voluntário  de  que  não  exercem  atividade  agropecuária  e  recolheram as Contribuições pela alíquota normal nas vendas realizadas.  Sala de Sessões, 29 de janeiro de 2015.  (assinatura digital)    Ricardo Paulo Rosa ­ Relator                                Fl. 513DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 13656.720192/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2010 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. DESINTERESSE RECURSAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. O pedido de desistência de Recurso é um direito potestativo do recorrente e imposição da Lei nº 11.941/2009 para a adesão ao parcelamento nela disciplinado, sendo assim deve o pleito ser acolhido. Assim, tendo em vista o desinteresse recursal demonstrado pelo Recorrente com o pleito, deve o Recurso Voluntário não ser conhecido mantendo-se incólume os termos do Acórdão de Impugnação.
Numero da decisão: 2302-003.656
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2010 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. DESINTERESSE RECURSAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. O pedido de desistência de Recurso é um direito potestativo do recorrente e imposição da Lei nº 11.941/2009 para a adesão ao parcelamento nela disciplinado, sendo assim deve o pleito ser acolhido. Assim, tendo em vista o desinteresse recursal demonstrado pelo Recorrente com o pleito, deve o Recurso Voluntário não ser conhecido mantendo-se incólume os termos do Acórdão de Impugnação.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13656.720192/2011­72  Acórdão n.º 2302­003.656  S2­C3T2  Fl. 3          2 MEIRELLES DO AMARAL,  JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ,  LEONARDO  HENRIQUE PIRES LOPES.  Relatório        Trata­se  do  Auto  de  Infração  por  Descumprimento  de  Obrigação  Principal,  DEBCAD n° 37.323.658­1, consolidado em 11/04/2011, em face de João Fábio de Oliveira,  no valor de R$ 894.647,59  (oitocentos  e noventa  e quatro mil  e  seiscentos  e quarenta  e  sete  reais e cinquenta e nove centavos) por ter efetuado compensações irregulares, lançando mão de  títulos  de  dívida  pública,  carentes  de  certeza  e  liquidez,  sob  o  pretexto  de  adimplir  as  contribuições  previdenciárias  sobre  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados  e  individuais, durante o período fiscalizado.        Segundo relatório fiscal, o Recorrente foi intimado, através do Termo de Início  de Procedimento Fiscal, em 03/01/2010, para apresentar os documentos que fundamentaram as  compensações  que  havia  efetuado.  Tal  solicitação  foi  reiterada  pelos  Termos  de  Intimação  Fiscal, emitidos em 12/01/2010, 19/01/2010 e 16/02/2010, ignorados, assim como o TIPF, pelo  Recorrente,  levando  inevitavelmente  à  glosa  das  compensações,  bem  como  a  aplicação  da  multa isolada pelo auditor fiscal.         Apresentada  impugnação  pelo  Recorrente,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Juiz  de  Fora/MG  entendeu  por  manter  o  crédito  tributário.  A  ementa  de  tal  decisão foi proferida nos seguintes termos:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2010    PREVIDENCIÁRIO  CUSTEIO  GLOSA  DE  COMPENSAÇÃO  CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA    A glosa de compensação efetuada indevidamente consiste nas contribuições  a  cargo  da  empresa  devidas  a  Seguridade  Social  que  deixaram  de  ser  recolhidas.    TÍTULOS  DE  DÍVIDA  PÚBLICA  INADMISSIBILIDADE.  INEXISTÊNCIA  DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO PARA COMPENSAÇÃO.    Inexiste  na  legislação  previdenciária  permissão  para  a  realização  de  compensação de débitos previdenciários com títulos da dívida publica. Além  do mais,  os  títulos  da  dívida  pública  emitidos  no  início  do  século  passado  que  não  possuam  cotação  em  bolsa  e  sejam  de  difícil  liquidação  não  são  aptos  a  garantir  dívida  fiscal,  tampouco  a  extinguir  crédito  tributário  por  meio de compensação.    Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13656.720192/2011­72  Acórdão n.º 2302­003.656  S2­C3T2  Fl. 4          3 Irresignada  com  a  decisão,  o  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  tempestivo, alegando, em síntese, que:    a)  Afirmou,  preliminarmente,  sem  nada  requerer,  que  enquanto  houver  discussão  em  âmbito  administrativo,  o  fisco  fica  inibido  de  inscrever  o  débito em dívida ativa, assim como proceder com a execução fiscal;   b)  no mérito,  elencou  diversos  princípios  constitucionais  e,  dentre  eles,  destacou o princípio da ampla defesa, salientando que, uma vez ofendido,  enseja a nulidade do auto de infração;   c)  que,  em  vista  do  art.  6º,  da  Lei  nº  10.179/2001,  os  títulos  da  dívida  pública  podem  ser  compensados  com  o  tributo  em  vergaste,  à  luz  do  princípio  da  isonomia,  e  também  do  disposto  no  art.  386,  do  Código  Civil;  d)  que  não  se  deve  dar  tratamento  diferenciado  em  relação  títulos  públicos da dívida externa, nem  limitar as vantagens especiais previstas  no art. 1º, § 4º, do Decreto nº 6.019/43;    Sem contrarrazões.    Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por  meio de Recurso Voluntário.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator.    Dos Pressupostos de Admissibilidade    Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos  de admissibilidade, passo ao seu exame.    Do Mérito    De  início,  cumpre  esclarecer  que  a petição  de  fls.  1.254/1.255,  apresentada  pelo Recorrente,  informa a desistência total do Recurso Voluntário interposto, afirmando que  irá parcelar o montante lançado, assim que permitido pela Receita Federal do Brasil.  Bem  assim,  tendo  em  vista  que  o  pedido  de  desistência  é  direito  do  recorrente, contra o qual não se pode opor o julgador, o que torna desnecessário o retorno dos  autos à instância a quo, para que se profira decisão cuja conclusão não poderá ser outra senão o  acolhimento do pedido de desistência.  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 13656.720192/2011­72  Acórdão n.º 2302­003.656  S2­C3T2  Fl. 5          4 Nesse  diapasão,  diante  do  pedido  de  desistência  de  seu  Recurso,  deve  seu  pleito ser acolhido, pois, além de ser um direito potestativo do recorrente, foi imposta pela Lei  nº 11.941/2009 como condição para a adesão ao parcelamento nela disciplinado.  Outrossim,  a  inteligência  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB nº 6,  de  22  de  julho  de  2009,  na  Seção  intitulada  “Da  Desistência  de  Parcelamentos  Anteriormente  Concedidos”, no seu art. 13, caput c/c § 6°, determina que:    Art.  13. Para aproveitar as  condições de que  trata esta Portaria,  em relação aos  débitos  que  se  encontram  com  exigibilidade  suspensa,  o  sujeito  passivo  deverá  desistir,  expressamente  e  de  forma  irrevogável,  da  impugnação  ou  do  recurso  administrativos  ou  da  ação  judicial  proposta  e,  cumulativamente,  renunciar  a  quaisquer  alegações  de  direito  sobre  as  quais  se  fundam  os  processos  administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto  para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que  trata esta Portaria.  § 6º. Caso exista depósito vinculado à ação judicial, à  impugnação ou ao recurso  administrativo,  o  sujeito  passivo  deverá  requerer  a  sua  conversão  em  renda  da  União ou transformação em pagamento definitivo, na forma definida no art. 32.  Diante  de  todo  o  exposto,  não  conheço  do  Recurso  Voluntário,  tendo  em  vista o desinteresse recursal demonstrado pelo Recorrente, mantendo­se incólume os termos do  Acórdão de Impugnação da turma a quo.  Da Conclusão  Em virtude do exposto, NÂO CONHEÇO do Recurso Voluntário.    É como voto.    Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2015  Leonardo Henrique Pires Lopes                                Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - 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