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Numero do processo: 11762.720072/2013-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: null
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Numero da decisão: 3402-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, para excluí-la do pólo passivo da autuação, vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim, que negaram provimento; ii) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA, vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro, o qual apresentou declaração de voto; iii) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário de RENATO DA SILVA DE SANTANA; iv) por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários de JORGE LUIZ DOS SANTOS e SERGIO LUIZ PEREIRA; v) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Antonio Carlos Atulim, que deram provimento parcial para restabelecer a multa qualificada somente em relação à pessoa física RENATO DA SILVA DE SANTANA. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP nº 195.564, representante da XEROX; o Dr. Luis Paulo Hespanhol, OAB/RJ nº 89.576, representante da CAMBER RIO; e o Dr. Eduardo de Lima Oleari, OAB/ES 21.540, representante das pessoas físicas Jorge Luiz dos Santos e Sérgio Luiz Pereira (sócios da NEW VISION).
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 20/10/2009 a 02/08/2011 Ementa: RESPONSABILIDADE. TRIBUTOS. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. Respondem pelos tributos que deixaram de ser recolhidos as pessoas jurídicas ou físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador dos tributos incidentes sobre as importações, nos termos do art. 124, I do CTN. Respondem pelas infrações aduaneiras, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66. Incumbe à fiscalização a demonstração da ocorrência de situação concreta que enseja a responsabilidade da pessoa física ou jurídica pelos tributos e multas, nos termos da legislação aplicável. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, para excluíla do pólo passivo da autuação, vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Antonio Carlos Atulim, que negaram provimento; ii) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA, vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 72 /2 01 3- 02 Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 2 Diniz Ribeiro, o qual apresentou declaração de voto; iii) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário de RENATO DA SILVA DE SANTANA; iv) por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários de JORGE LUIZ DOS SANTOS e SERGIO LUIZ PEREIRA; v) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Antonio Carlos Atulim, que deram provimento parcial para restabelecer a multa qualificada somente em relação à pessoa física RENATO DA SILVA DE SANTANA. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP nº 195.564, representante da XEROX; o Dr. Luis Paulo Hespanhol, OAB/RJ nº 89.576, representante da CAMBER RIO; e o Dr. Eduardo de Lima Oleari, OAB/ES 21.540, representante das pessoas físicas Jorge Luiz dos Santos e Sérgio Luiz Pereira (sócios da NEW VISION). (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I, que julgou procedente em parte as impugnações da empresa XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, da comissária CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA e do Sr. RENATO DA SILVA DE SANTANA, para somente afastar a incidência da alíquota majorada de 150% das multas proporcionais, aplicando em seu lugar a alíquota ordinária de 75% para esses impugnantes, sendo o lançamento mantido no restante em relação a todos arrolados no polo passivo da autuação. Trata o processo de auto de infração para a exigência de Imposto sobre a Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e PIS/CofinsImportação, acrescidos de multa de ofício qualificada (artigo 44, inciso I, e §1º da Lei nº 9.430/96), multa equivalente ao valor aduaneiro (art. 689, XII e §1º do Decreto nº 6.759/2009), multas cumuladas de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado e de 5% sobre o valor declarado (art. 70, II, b da Lei nº 10.833/2003) e juros de mora, no total de R$ 111.599.295,02. Foram arrolados no polo passivo da autuação: i) as pessoas jurídicas: XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., de CNPJ nº 02.773.629/000280; e CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA, de CNPJ nº 00.881.347/000190; e ii) as pessoas físicas: MARCO ANTÔNIO EVARISTO DE OLIVEIRA, de CPF Nº 858.099.00763, MARGARETE VILARDI; de CPF nº 131.554.56833, LUIS TADEU LOPES; de CPF nº 610.844.84749; JOSE FELIX DA SILVA, de CPF nº 368.716.30759; Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.800 3 RENATO DA SILVA DE SANTANA, de CPF nº 021.487.78765; JORGE LUIZ DOS SANTOS, de CPF nº 609.350.06753; e SÉRGIO LUIZ PEREIRA, de CPF nº 411.676.94791. O procedimento fiscal da Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro que deu origem ao lançamento decorreu dos seguintes fatos, conforme consta na Introdução do Relatório de Fiscalização: (...) A ação fiscal decorreu do MPF/RPF nº 07154002012003598 com o objetivo de analisar os fortes indícios de fraude em 146 Declarações de Importação (DI) registradas em nome do contribuinte XEROX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA, CNPJ nº 02.773.629/000280, doravante denominado simplesmente XEROX, ao longo do período de 20/10/2009 a 02/08/2011 . Os fatos emergiram após a apreensão efetuada na Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG das mercadorias importadas pela DI nº 11/09995328. A DI nº 11/09995328 foi registrada na ALF/GIG, em 31/05/2011, parametrizada no canal vermelho de conferência aduaneira, composta de duas adições, nas quais estavam declaradas as seguintes mercadorias: adição 001 65 (sessenta e cinco) fusores completos montados e 50 (cinquenta) bases da bandeja de alimentação do papel; e adição 002 140 (cento e quarenta) guias inferiores e de saída do papel. O peso líquido declarado foi de 1.591,20 Kg. As descrições das mercadorias e respectivas classificações fiscais declaradas nesta DI são semelhantes às encontradas em DIs regularmente registradas pela XEROX. Contudo, no ato da conferência física da DI nº 11/09995328 não foram encontrados nenhum dos produtos descritos, mas sim produtos não declarados de origens diversas, tais como relógios, Ipads, microfones sem fio, peças para carros e motos, suplementos alimentares, anestésico para tatuagem, óculos de sol, memórias para computadores, aparelhos para cirurgia de catarata, dentre outros, conforme consta no auto de apreensão, cópia às fls. 583681. Em consequência, as mercadorias importadas pela DI nº 11/09995328 foram objeto de apreensão e pena de perdimento por falsa declaração de conteúdo (artigo 689, inciso XII, do Decreto nº 6.759/09). O auto de infração foi julgado procedente, conforme processo administrativo nº 10715.725496/201196. Foram selecionadas mais 146 DIs (fls. 395460) para análise na presente ação fiscal, por possuírem características semelhantes às encontradas na DI nº 11/09995328, tais como: ∙ mesmos exportadores/produtores (PLANET MARINE SUPPLIES e SUNSHINE OFFICE SUPPLIES), com endereço em Miami/EUA; ∙ mesma unidade de despacho em todas as 147 DIs (ALF/GIG); ∙ mesmo CPF responsável pelo registro da DIs; ∙ quase todas (com exceção das três primeiras) sem cobertura cambial nas importações; ∙ mesma contacorrente utilizada em débito automático para o pagamento dos tributos nas importações, pertencente à empresa Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 4 NEW VISION COMÉRCIO IMPORTAÇÃO DE BRINQUEDOS E PRODUTOS FOTOGRÁFICOS LTDA, CNPJ nº 09.120.543/000117, doravante denominada simplesmente NEW VISION. Tais semelhanças distinguem o conteúdo destas DIs das importações regularmente realizadas pela XEROX, pelos seguintes motivos: ・ os exportadores são desconhecidos da XEROX e não aparecem em nenhum outro registro de importação da empresa; ・ a contacorrente utilizada para débito automático dos tributos devidos nas importações aparece somente nestas 147 DIs e jamais em outras DIs da XEROX; ・ A média aritmética dos valores CIF por quilograma líquido as importações normalmente efetuadas pela XEROX, no ano de 2009, corresponde ao valor CIF aproximado de R$ 1.936,00 por quilograma líquido, contra o valor CIF médio de R$ 18,81 por kilograma líquido declarado nas 147 DIs; ・ ao contrário destas 147 DIs, as importações da XEROX são realizadas, em geral, com cobertura cambial; ・ a maioria dos despachos aduaneiros da XEROX seguia em regime de trânsito aduaneiro para despacho no Porto Seco. No curso da ação fiscal foram angariados elementos de prova e identificados responsáveis tributários pelas infrações nas DIs analisadas. Os indicados neste relatório como responsáveis solidários foram as pessoas que concorreram diretamente para a prática das infrações, conforme disposto em lei, seja atuando como preposto do importador no registro e processo de despacho aduaneiro das mercadorias, seja suportando o ônus dos tributos pagos para que as mercadorias entrassem fraudulentamente no País. É importante frisar que o registro destas 147 DIs causou dano ao erário por permitir o descaminho de produtos de alto valor agregado, livres de controle aduaneiro e do pagamento de tributos correspondente, e ocorreu recorrentemente ao longo de quase dois anos, fato que passou desapercebido pelos controles gerenciais do importador e de seus prepostos. (...) Não apresentaram impugnação, e foram considerados revéis, as pessoas físicas: Margareth Vilard, José Felix da Silva, Marco Antonio Evaristo de Oliveira e Luis Tadeu Lopes. Os demais integrantes do polo passivo apresentaram impugnações, conforme consta no relatório da decisão recorrida: (...) JORGE LUIZ DOS SANTOS apresentou impugnação, em 17/07/2013, de folhas 996 a 1003. O impugnante alegou que: Inicialmente convém apontar a completa incapacidade argumentativa para afastar os gravosos fatos narrados na autuação, haja vista que desconhecidos deste IMPUGNANTE. Destarte, cabe solidificar que a presente defesa não tem o condão de afastar os elementos apurados pelo fisco que Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.801 5 culminaram com a presente autuação, mas obter a exclusão deste impugnante do rol de responsável tributário solidário. Neste ponto, por pertinente, convém fazermos um breve relato histórico dos fatos. O IMPUGNANTE, em parceria com amigo de trabalho, Sr. Sérgio Luiz Pereira, por estímulo de um conhecido em comum, resolveram tentar a sorte no Ramo de Importação. Na ocasião, trabalhavam no TECA do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, muito próximo do universo da Importação. Assim, imbuídos desse estimulo e da expectativa de sucesso, resolveram ir inveredar por esta área de atuação. A completa ausência de conhecimento e a inexperiência não tardaram a cobrar o preço, demonstrando, portanto, a completa impossibilidade de gerirem o negócio que iniciaram, razão pela qual o "sonho" de tornaremse empresários rapidamente naufragou. Fizemos algo em torno de 03 ou quatro importações, apenas uma com efetivo desembolso e outras, sem cobertura cambial, que serviriam de amostra. Depois disso, descartamos a atividade empresarial e a NEW VISION, CNPJ nº 09.120.543/000117, tornouse empresa inativa. Após essa infeliz experiência, este IMPUGNANTE exerce atividade remunerada na empresa ENAVAL Engenharia, pelo que, no ano de 2013, teve receita Bruta anual de R$ 48.381,78. Veja que o montante da autuação, superior a 100 milhões de reais, demandaria quase 200 (duzentos) anos de atividade desse impugnante para poder ser satisfeita. Ou seja, completamente improvável que tenha mínima participação no grave evento narrado pela autuação. Pela narrativa do relatório fiscal, temse que esse IMPUGNANTE e seu antigo sócio e amigo, Sr. Sérgio Pereira, foram responsabilizados pela vultosa autuação pelo fato de terem usado a conta corrente de sua empresa para realizar débito de tributos referente a importações, tidas por fraudulentas, realizadas em nome da XEROX do Brasil. Não há, em todo relatório fiscal, mínima referência de efetiva participação desse IMPUGNANTE nos fatos descritos. A FRAUDE NARRADA PELA RECEITA FEDERAL O extenso relatório fiscal é preciso ao indicar que despachantes aduaneiros, nomeados pela empresa Xerox, sem o conhecimento desta, realizaram importações em seu nome, debitaram os tributos incidentes na operação em conta corrente da empresa New Vision e desembaraçaram mercadorias de conteúdo diverso daquele que foi declarado ao fisco, em 147 importações. O relatório é igualmente revelador ao destacar que os despachantes Luiz Tadeu e José Felix, utilizandose de senha, foram os responsáveis pelos registros das Importações, dos débitos realizados na conta da New Vision e da apresentação documental aos fiscais aduaneiros. Com todas as vênias, mas esse fato isolado, salvo se provada a efetiva participação deste IMPUGNANTE na fraude (que não pode ser presumida para o caso), não pode alçálo à condição de responsável tributário em tão nefasto procedimento ilícito. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 6 O pagamento de tributos nas operações de Comércio Exterior está regulado pela Instrução Normativa nº 680/2011. Dito isso, convém destacarmos petição direcionada a Receita Federal (fls. 682 do Processo), no qual o sócio da empresa Camber contratada pela Xerox para realizar o despacho aduaneiro de suas mercadorias faz um relevante esclarecimento: o débito em conta corrente necessita ser autorizado pelo sócio da empresa titular da conta bancária, pelo que requereu fosse diligenciado junto ao banco Itaú para obter tal dado. Ademais, em levantamento efetuado por iniciativa e meios próprios, o signatário constatou que a conta corrente n.° 571903, do Banco 341 (ITAÚ), Agência 0370 (doc 06) utilizada para o débito automático dos tributos federais pertence à empresa NEW VISION COMÉRCIO IMPORTAÇÃO DE BRINQUEDOS E PRODUTOS FOTOGRÁFICOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.° 09.120.543/000117, estabelecida na Av. Londres 679, sala 201, Bonsucesso, Rio de Janeiro/RJ, CEP 21041030, (doc 07) conforme consta do contrato social consolidado cuja cópia se anexa, (doc 08) a qual é totalmente desconhecida. Esse fato também merece especial consideração haja vista o fato de que o banco para processar débitos automáticos em C/C das empresas, oriundos de registros de DI's pelo sistema SISCOMEX, tem que receber autorização expressa do sócio gerente das mesmas em documento que informe o nome e o CPF do despachante habilitado para esse fim. Assim, mister se faz que a agência do banco Itaú onde o débito automático foi efetuado seja consultada a respeito para que informe a essa Alfândega o nome do responsável pela autorização dada em nome do Sr. Renato da Silva de Santana, que nenhum vínculo tem com essa empresa. Em petição, respondendo a quesitos formulados pela fiscalização, o banco Itaú não apresentou qualquer autorização assinada por este Impugnante ou outro sócio da New Vision para que os despachantes apontados pela Receita Federal realizassem débitos de tributos em sua conta corrente. Qualquer empresa ou pessoa física está exposta a ser vitima de golpe praticado por fraudadores que atual no comércio exterior, veja que o banco não adota qualquer medida preventiva para evitar tal fraude. Com efeito, seria razoável que a conta para débito de tributos fosse, obrigatoriamente, a da empresa importadora, mas, infelizmente, a norma interna da Receita Federal peca nesse aspecto, pelo que deveria ser imediatamente revista. Nesse cenário, no qual inexistem provas de que esse impugnante ou outro sócio da empresa New Vision tenham autorizado o débito de tributos em sua conta corrente, somado ao fato de que a IN/SRF nº 680/2006 permite o indicativo de qualquer conta corrente para efetivação do débito referente a tributos, temse como completamente desprovido de razoabilidade alçar esse impugnante à condição de responsável solidário pelos ilícitos cometidos por terceiros. São responsáveis solidários aqueles que possuem interesse comum no ilícito e que concorreram para a prática da infração. Com todas as vênias, mas este IMPUGNANTE: Não teve qualquer interesse na prática do ilícito, muito menos obteve algum beneficio, pelo contrário, está sendo Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.802 7 responsabilizado por um lançamento fiscal que demandaria, para quitação, 200 anos de seu trabalho. Não concorreu de nenhuma forma para a prática do ilícito, pois não concedeu autorização para o débito em conta corrente da empresa, não fez depósitos, não registrou DI, não credenciou despachante, ou seja, não praticou qualquer ato facilitador para a pratica fraudulenta. Com efeito, repitase: qualquer pessoa física ou jurídica, pelo arcabouço normativo que regula o pagamento de tributos na importação, está exposto a ser vítima de golpes como o narrado neste relatório fiscal. O PEDIDO Diante do exposto, considerando o fato de que este IMPUGNANTE não teve qualquer atuação nos atos fraudulentos, temse como imperioso o seu afastamento do rol de responsáveis solidários pela infração, sem prejuízo da manutenção da autuação para os demais envolvidos. SÉRGIO LUIZ PEREIRA apresentou impugnação, em 17/07/2013, de folhas 1007 a 1014. O impugnante se valeu dos mesmos argumentos que o Sr. JORGE LUIZ DOS SANTOS. RENATO DA SILVA DE SANTANA apresentou impugnação, em 12/07/2013, de folhas 1018 a 1030. O impugnante alegou que: O Impugnante esclarece que trabalhou mais de 12 anos para a XEROX atuando nas comissárias de despacho contratadas por essa empresa como responsável pelos registros das declarações de importação. Informa também que em todas elas, sem exceção, utilizava sistemas próprios de dados que interagiam com o sistema SISCOMEX de importação. Desta forma todas as DI's registradas jamais foram elaboradas diretamente no SISCOMEX, o que as caracteriza, de certa forma, diferentes de qualquer outra nessa condição. Portanto, a apuração levada à efeito pela Autuante não levou em consideração a identificação do endereços IP'S dos computadores onde as DI's fraudadas foram registradas ainda que tais diferenças tenham sido apontadas pelo responsável legal da Camber Ririo. OS FATOS DELITUOSOS OCORRERAM NA ZONA PRIMÁRIA Os fatos delituosos apontados no Relatório ocorreram na Zona Primária. Só os que têm acesso a ela podem ter interesse comum, responsabilidade por sua ocorrência. Precisam estar inscritos no RADAR e ter credenciamento junto à repartição aduaneira e a permissão de entrada expedida pela INFRAERO. No caso destes autos só um despachante aduaneiro habilitado poderia participar da fraude. Os fatos fraudulentos apurados ocorreram dentro da Alfândega, com a mercadoria descarregada em aeroporto alfandegado e liberada, segundo os autores do Relatório, de forma fraudulenta. Como imputar ao autuado a prática desses atos se o desenvolvimento de suas atividades limitavase exclusivamente aos registros das DI's da XEROX internamente nas dependências Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 8 da Camber Rio e se sequer tinha credenciamento para ingressar na repartição aduaneira? Transcreve o parágrafo único do art. 809 do Regulamento Aduaneiro. Portanto, somente pessoas habilitadas da forma acima mencionada podem ter praticado a fraude apurada. A SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA Transcreve o art. 121 do Código Tributário Nacional. No caso do imposto de importação a lei elegeu, como competentes para atuar no despacho aduaneiro (no caso deste processo a zona primária do Aeroporto do Galeão), os arrolados no art. 809 do Regulamento Aduaneiro. Tanto a Lei quanto a Jurisprudência são unânimes em estabelecer que para o estabelecimento da solidariedade, nos termos do art. 124, do CTN, é fundamental: comprovação do “interesse comum na situação que constitua o fato gerador”: ou comprovação de que o sujeito se beneficiou da efetiva transferência de benefícios). Não existe qualquer vínculo deste Impugnante com os fatos fraudulentos narrados na peça fiscal e, o próprio Auto reconhece, sequer é discutida sua participação ou ação irregular que seja para justificar sua presença nesta lide. Aliás, o Impugnante buscou as autoridades fiscais para auxiliar no que fosse possível, fornecendo todas as informações ao digno Ministério Público e a Receita Federal. No caso do presente Auto todos os agentes que perpetraram a fraude estão perfeitamente estabelecidos e nominados. NÃO EXISTE SOLIDARIEDADE EM ATO DOLOSO Nenhum instituto jurídico admite a transmissão de ilicitude de atos praticados por uma pessoa para outra que nenhuma participação ou conhecimento teve destes fatos. Portanto, não seria o instituto da solidariedade que iria permitir tal absurdo jurídico. Indevida, destarte, a qualificação pretendida pela autuante em sua peça fiscal. Transcreve o artigo 137 do Código Tributário Nacional. Transcreve o artigo 680 do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009. E forçoso concluir, diante de toda a legislação apresentada, que na ocorrência de fatos como os narrados no presente auto é imperioso a aplicação do instituto da “Responsabilidade Pessoal” (art. 137, CTN) e jamais a “solidariedade” pretendida pela peça fiscal. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto:(TRT2aRegião 6a T; Rec. Ord. n° 02990131633, Acórdão n° 20000037081SP, Rel. Juiz Rafael Edson Pugliese Ribeiro, DOU. 01.02.2000; maioria de votos;ementa.) BAASP, 2164/290e, de 19.06.2000. Conforme também é estabelecido pelo art. 109, do mesmo CTN, devem ser aplicados, em matéria tributária, os conteúdos e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado. O instituto da solidariedade está impedido legalmente de possuir o alcance que o auto impugnado pretende lhe dar. A autuação tem como elemento do tipo o DOLO, com pretensos atos apurados de MÁ FÉ EMBUSTE, FALSIFICAÇÃO, entre outros. Estas tipificações são materiais, que exigem resultados. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.803 9 Indevida, inaplicável, sem dúvida, pelos motivos discorridos, a participação do Impugnante como SOLIDÁRIO NA FRAUDE APURADA. Deve o mesmo ser excluído. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Aliomar Baleeiro. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do E. Conselho de Contribuintes a respeito do assunto: Acórdão 30332444 e Acórdão 10806902. A PARTICIPAÇÃO EM FATO DELITUOSO NÃO PODE SER PRESUMIDA. TEM QUE SER PROVADA. O que incumbe ao acusado e ao julgador é examinar o Relatório, que reflete o apurado em relação à fraude. Se o Relatório sequer perquiriu sobre a possível irregularidade do Impugnante, como pode concluir ser ele responsável solidário? O relatório é a sustentação legal do Auto de Infração. Teria que apontar a participação do Impugnante nos fatos geradores que deram azo à fraude, o interesse comum e sua culpabilidade. Nada disto consta do processo. A apuração dos fatos fraudulentos sequer levou em consideração a localização dos IP’s dos computadores de onde originaram os registros das DI's fraudadas, o que seria plenamente exeqüível para a Receita Federal. O RELATÓRIO DIZ TER ENCONTRADO OS RESPONSÁVEIS LEGAIS PELA FRAUDE. Do processo consta claramente que os procuradores legais da XEROX eram as pessoas físicas dos despachantes e dois deles foram intimados a prestar esclarecimentos e não compareceram. Onde está o indício de participação do Impugnante? Qual a prova de que ela tinha conhecimento de que sua senha estava sendo utilizada pelos fraudadores? Só duas pessoas podem atuar nesta facilitação: o despachante ou representante legal do importador, cadastrado no RADAR e o fiscal que libera a mercadoria. O impugnante não tem este poder. Ainda que pudesse o que apenas para argumentar se afirma nem no Relatório nem em qualquer outra página do processo existe a prova de sua participação na fraude apurada. Incluílo, pois, como responsável solidário passivo é extrapolar os limites da lei para esta figura tributária. DAS MULTAS Quanto às multas aplicadas, estas são totalmente dependentes da comprovação da atuação do Impugnante na eventual fraude apurada. Tratase de multas voltadas para conduta dolosa e derivadas de pactos e conluios fraudulentos. Ora, o Despachante Aduaneiro, conforme é sabido por todos e inclusive pela autoridade fiscal, é profissional autônomo. Atua com registro próprio junto à Administração Pública e representa de forma pessoal seus clientes, ASSINANDO, INCLUSIVE, OS DOCUMENTOS QUE ELE APRESENTA NA ALFÂNDEGA. Como pode esta atuação criar um liame tão específico quanto a solidariedade tributária? Não existe Lei que descreve esse vínculo solidário e não existe contrato entre as partes que lhe suporte. A conceituação genérica da solidariedade (... qualquer pessoa que concorra para...) também não pode ser suscitado. Tratase Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 10 de ato doloso. É obrigatório, como visto, o estabelecimento da participação de cada um para a graduação individual da penalidade a ser imposta. CONCLUSÃO Em face do exposto, ante os argumentos oferecidos o Impugnante espera se dignem Vossas Senhorias excluílo da figura de responsável solidário passivo. CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA apresentou impugnação, em 18/07/2013, de folhas 1034 a 1061. O impugnante alegou que: OS FATOS DELITUOSOS OCORRERAM NA ZONA PRIMÁRIA Os fatos delituosos apontados no Relatório ocorreram na Zona Primária. Só quem tem acesso a ela podem ter interesse comum, responsabilidade pela ocorrência. Precisam estar inscritos no RADAR e a Comissária de Despachos está impedida legalmente dessa inscrição, impedida, pois, de adentrar a Zona Primária. No caso destes autos só um despachante aduaneiro poderia participar da fraude. Desta forma, a impugnante não pode figurar no pólo passivo das obrigações tributárias objeto do Relatório, na condição de RESPONSÁVEL PASSIVO, já que por lei está impedida de, como empresa, se fazer representar perante a Alfândega. Os fatos fraudulentos apurados ocorreram dentro da Alfândega, com a mercadoria descarregada em aeroporto alfandegado e liberada, segundo os autores do Relatório, de forma fraudulenta. Como imputar à Comissária a prática desses atos se está impedida de ingressar na área alfandegada? Transcreve o parágrafo único do art. 809 do Regulamento Aduaneiro. Portanto, somente pessoas habilitadas da forma acima mencionada podem ter praticado a fraude apurada. A SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA DA COMISSÁRIA DE DESPACHO Transcreve o artigo 121 do Código Tributário Nacional. A impugnante, COMISSÁRIA DE DESPACHO que é, não se enquadra na lei que arrola os responsáveis passivos do imposto de importação e, portanto, não preenche o requisito que a própria lei impõe para figurar no pólo passivo de qualquer obrigação tributária do imposto de importação. A Comissária de Despachos não tem acesso à repartição do despacho aduaneiro. No caso deste processo só o despachante aduaneiro, pessoa física. Uma comissária de despachos não é adquirente, cessionária, representante, encomendante, expedidora, beneficiária e nenhuma lei a designa como responsável na ocorrência do fato gerador do imposto de importação. Ao contrário, está impedida de registrar e acompanhar a Declaração de Importação receber a mercadoria desembaraçada. Sua única relação com os fatos geradores fraudulentos apurados no Relatório é a de empregadora de pessoas físicas cadastradas na Alfândega no Registro de Despachantes aduaneiros, pessoas estas que submeteram as regras legais vigentes para exercer esse mister. Não pode ser acusada de culpa "in eligendo", pois esta ,ião existe no direito tributário. O INTERESSE COMUM Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.804 11 Transcreve o artigo 121 do Código Tributário Nacional. Tendo em vista que a lei não arrola a impugnante como solidária passiva, resta examinar apenas se ela tem interesse comum com o fato gerador fraudulento. No caso deste processo qual o interesse da Comissária de Despachos no fato gerador de uma importação da Xerox se sequer pode participar do seu nascimento (registro da D.I.) e acompanhar a tramitação até o desembaraço? Se não tem poderes para tanto só pode ter interesse comum o despachante aduaneiro, nunca a Comissária. Tanto a Lei quanto a Jurisprudência são unânimes em estabelecer que para o estabelecimento da solidariedade, nos termos do art. 124, do CTN, é fundamental. Na lide em tela, NENHUMA COMPROVAÇÃO EXISTE DESTES DOIS ITENS, FUNDAMENTAIS PARA O ESTABELECIMENTO DA SOLIDARIEDADE DA IMPUGNANTE QUANTO ÀS SITUAÇÕES QUE CONSTITUÍRAM O FATO GERADOR. Não existe qualquer vínculo desta Impugnante com os fatos fraudulentos narrados na peça fiscal e, o próprio Auto reconhece, sequer é discutida sua participação ou ação irregular que seja para justificar sua presença nesta autuação. A atuação da empresa Impugnante neste caso foi sempre no sentido (e buscar as autoridades fiscais para auxiliar no que fosse possível, fornecendo todas as informações inclusive ao digno Ministério Público, enfim, abrir quaisquer de seus arquivos e registros para a completa apuração dos fatos, conforme comprova com a anexação de seus depoimentos tanto na Receita Federal, quanto no Ministério Público. Incrivelmente, ao ver desta Impugnante, estes depoimentos sequer foram citados e explorados devidamente pela peça fiscal. No caso do presente Auto todos os agentes que perpetraram a fraude estão perfeitamente estabelecidos e nominados. NÃO EXISTE SOLIDARIEDADE EM ATO DOLOSO A solidariedade se dá em tipos previamente explicitados em Lei e sempre em situações de obrigações facilmente controláveis por ambas as pessoas envolvidas na situação. Na hipótese de ato doloso de um dos agentes não há que se falar em solidariedade. Este tipo de ato envolve a questão volitiva. Isto é, a vontade livre e consciente de lograr, enganar, mesmo que mediante fraude ou embuste, para levar vantagem indevida. Nenhum instituto jurídico admite a transmissão de ilicitude de atos praticados por uma pessoa para outra que nenhuma participação ou conhecimento teve destes fatos. Portanto, não seria o instituto da solidariedade que iria permitir tal absurdo jurídico. Indevida, destarte, a qualificação pretendida pela autuante em sua peça fiscal. Transcreve o artigo 137 do Código Tributário Nacional. Transcreve o artigo 680 do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto, já citados. Conforme também é estabelecido pelo art. 109, do mesmo CTN, devem ser aplicados, em matéria tributária, os conteúdos e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado. O Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 12 instituto da solidariedade está impedido legalmente de possuir o alcance que o auto impugnado pretende lhe dar. A autuação tem como elemento do tipo o DOLO, com pretensos atos apurados de MÁ FÉ, EMBUSTE, FALSIFICAÇÃO, entre outros. Estas tipificações são materiais, que exigem resultados, comprovação de prévio conluio e, PRINCIPALMENTE, A LOCUPLETAÇÃO DE TODOS OS SOLIDÁRIOS. Junta textos da doutrina a respeito do assunto já citados. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto já citados. TRANSBORDAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PASSIVA. A doutrina tem condenado o transbordamento da responsabilidade solidária passiva além dos limites legais, como no presente caso. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Soraya Mariana Barcelos. Repetindo, por necessário, ante o fato de a impugnante ser uma Comissária de Despachos, que atua estritamente no âmbito de seu escritório, sem nenhum contato com a Alfândega, fica fora do alcance do conceito legal de responsável tributário passivo. A PARTICIPAÇÃO EM FATO DELITUOSO NÃO PODE SER PRESUMIDAS. TEM QUE SER PROVADA. O Relatório que embasa o presente auto de infração não apontou nenhuma responsabilidade à impugnante e ainda confessou que essa responsabilidade não estava em discussão. Onde está o indício de participação da pessoa jurídica CAMBER RIO, que sequer representante legal é? Qual a prova de que ela tinha conhecimento do que ocorria na Alfândega do Galeão? Como participar se estava impedida de estar lá? Só duas pessoas podem atuar nesta facilitação: o despachante ou representante legal do importador, cadastrado no RADAR e o fiscal que libera a mercadoria. A impugnante não tem este poder. Ainda que pudesse o que apenas para argumentar se afirma nem no Relatório nem em qualquer outra página do processo existe a prova de sua participação na fraude apurada. Incluíla, pois, como responsável solidária passiva é extrapolar os limites da lei para esta figura tributária. DO DIREITO INDISPONÍVEL A AMPLA DEFESA Desnecessário discorrermos longamente sobre a obrigatoriedade de o Processo Administrativo, ou mesmo o judicial, se pautar pelo metaprincipio Constitucional que estabelece a Ampla Defesa dos acusados. Tratase de causa de nulidade material insanável, fulminando os atos praticados sem a sua observância. Na presente lide temos que, durante a apuração dos fatos que deram azo a presente peça fiscal, a Impugnante jamais teve acesso a qualquer informação ou as DI's que supostamente embasariam a autuação fiscal. Por informações colhidas pela Impugnante junta à repartição aduaneira, foi lhe informado (de maneira não oficial) que teriam sido ao todo 147 importações, DAS QUAIS 9 TERIAM SIDO DESEMBARAÇADAS EM CANAL VERMELHO. O relatório fiscal omite este fato apurado pela própria Autoridade Aduaneira, durante sua investigação. Tratase de um fato muito relevante. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.805 13 Por este episódio podese concluir até que houve conivência das autoridades na Zona Primária. Que outros fatos e evidências foram encontrados e não constam da peça fiscal? Tratase, conforme é cediço, de direito inalienável da Impugnante em ter todos os fatos que lhe possam ser de proveito expostos na peça fiscal, para facilitar e Ihe servir de apoio em sua defesa. O Processo Administrativo Fiscal difere do Processo Judicial principalmente em busca pela verdade. O Processo Judicial se contenta com o e elemento da "Verdade Formal", isto é, "o que está nos autos é a verdade". O Processo Administrativo, por força Constitucional, busca a "Verdade Material". Devese pautar pelo esgotamento de todas as provas e evidências e pela oportunidade e oferecimento de todas as informações e apurações, de modo a não ferir direito alheio, resguardar os inocentes e atingir a órbita jurídica somente daqueles que realmente agiram com dolo e culpa. No Processo Administrativo a PUBLICIDADE É A REGRA, O SIGILO É UMA EXCECÃO QUE SOMENTE PODE SER EXERCIDO POR DECISÃO FUNDAMENTADA. Transcreve os artigos 4º, 5º e 10 da Lei 12.527/2011, regulamentada pelo Decreto 7.724/2012. DAS MULTAS As multas aplicadas são totalmente dependentes da comprovação da atuação da Impugnante na eventual fraude apurada. Tratase de multas voltadas para conduta dolosa e derivadas de pactos e conluios fraudulentos. Inaplicáveis à Impugnante, pois o próprio Auto confessa que sequer apurou irregularidade de qualquer conduta desta contribuinte. Que, ao que parece, somente arrolou a Impugnante como solidária no presente caso, em face dos Despachantes estarem lotados e trabalhando em suas dependências. Ora, o Despachante Aduaneiro, conforme é sabido por todos e inclusive pela autoridade fiscal, é profissional autônomo. Atua com registro próprio junto à Administração Pública e representa de forma pessoal seus clientes, ASSINANDO, INCLUSIVE, OS DOCUMENTOS QUE ELE APRESENTA NA ALFÂNDEGA. Como pode esta atuação criar um liame tão específico quanto a solidariedade tributária? Não existe Lei que descreve esse vínculo solidário e não existe contrato entre as partes que lhe suporte. Tratase de ato doloso. É obrigatório, como visto, o estabelecimento da participação de cada um para a graduação individual da penalidade a ser imposta. Desta forma, inaplicável à Impugnante. que reconhecidamente nenhuma participação teve nos fatos apurados, multas específicas de práticas de infrações dolosas com conseqüências penais. Da mesma forma, resta claro que a Impugnante foi a maior prejudicada com a FRAUDE, pois além da perda intempestiva do contrato de prestação de serviços com a XEROX, foi obrigada a demitir 09 funcionários vinculados exclusivamente ao atendimento dessa empresa, arcando com o pagamento de todas as verbas rescisórias. Ademais, o dano moral sofrido é Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 14 irreparável levandose em consideração que a repercussão havida certamente foi conhecida por grande parte dos operadores de comércio exterior, o que não deixa dúvidas que a impugnante estará doravante alijada de prestar seus serviços a quaisquer outras empresas importadoras. CONCLUSÃO Em face dos argumentos oferecidos a impugnante aguarda que seja excluída da figura de responsável solidária passivo. XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA apresentou impugnação, em 09/07/2013, de folhas 1084 a 1121. O impugnante alegou que: PRELIMINARMENTE DO CERCEAMENTO AO DIREITO À AMPLA DEFESA Ausência de indicação do real importador e da modalidade de importação. A acusação fiscal deve ser clara e precisa, além de preencher os requisitos obrigatórios estabelecidos no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, com a correta “descrição do fato” e o seu enquadramento legal, sendo nulo o Auto de Infração que não atenda a tais requisitos, a teor do artigo 59 do referido Decreto. No caso, impõemse a decretação de nulidade do presente auto de infração, em razão do manifesto cerceamento do direito de defesa da Impugnante, tendo em vista que o lançamento não demonstra, com clareza e precisão, qual a modalidade de importação realizada, quem seria o importador ou o real importador e qual o papel da Impugnante nas importações registradas nas 146 Declarações de Importação objeto dos autos, como se passa a detalhar. Como é sabido, há três modalidades de importação: (i) por conta própria; (ii) importação por conta e ordem de terceiros e (iii) importação por encomenda. Os critérios para a distinção destas modalidades de importação estão jungidos à origem dos recursos e ao papel dos personaqens ligados à operação de comércio internacional. No caso vertente, a descrição dos fatos não aponta: 1o) qual seria a modalidade de importação que teria ocorrido; 2o) quem seria o real importador; 3º) qual seria o papel da Impugnante nas importações questionadas, se esta, como o próprio fiscal asseverou, não participou direta ou indiretamente da importação, sendo acusada apenas por desconhecer o esquema fraudulento. Assim, tendo em vista o equívoco e a carência de fundamentação, o auto de infração deve ser anulado em relação à ImpugnanteXerox Comércio e Indústria Ltda., tal como vem decidindo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. Portanto, impõese o reconhecimento da nulidade do lançamento em relação, nos termos do artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, sob pena de violar o direito à ampla defesa e do contraditório. DA ABSOLUTA FALTA DE EMBASAMENTO JURÍDICO PARA A PRESUNÇÃO CRIADA PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Na verdade, o auto de infração para incluir a Impugnante, cria uma absurda e ilegítima presunção, a de que o desconhecimento Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.806 15 de esquema fraudulento implicaria na participação da pessoa que o desconhecia, mesmo que por omissão. Isto se deve, segundo o auto de infração, na medida em que a teria uma culpa, a “in eligendo" ou “in vigilando”, em razão da “má escolha do representante legal ou por não ter fiscalizado adequadamente a execução do serviço contratado." Com o devido respeito, este argumento é desprovido de qualquer senso de razoabilidade, além de não encontrar amparo jurídico no âmbito do Direito, como será demonstrado no mérito. Ocorre que a legislação aduaneira é rica em matéria de presunções. Mas não há em qualquer dispositivo da legislação aduaneira a atribuição de responsabilidade na operação de comércio exterior em razão da “má escolha do representante legal ou por não ter fiscalizado adequadamente a execução do serviço contratado”. Para que uma pessoa seja responsabilizada em uma operação de comércio exterior é necessário que esta deva estar ligada à importação, o que não ocorre no caso dos autos, em relação à Impugnante. Veja que foi o uso indevido, espúrio e fraudulento do nome da Impugnante pelos criminosos que a envolveu no processo, mas nunca uma atitude sua ligada à operação de comercio exterior, como por exemplo, o financiamento, a negociação, ou pagamento dos tributos, atos estes todos realizados pelos autores do esquema fraudulento. Repare que no TVF ao tratar da responsabilidade tributária dos “responsáveis solidários”, item 4 do TVF, citou três dispositivos do CTN e dois do Decretolei 37/66. Porém, ao tratar especificamente da “RESPONSABILIDADE DA XEROX” citou tão somente o artigo 123 do CTN, que trata sobre a não oposição ao fisco de convenções particulares, o que não tem qualquer relação com a questão dos autos. O TVF não cita qualquer artigo para embasar a “RESPONSABILIDADE DA XEROX”, porque este embasamento jurídico não existe. E não há atribuição de responsabilidade, como no caso da Impugnante, pois não precisa existir, visto que o despachante atua apenas e tão somente com base em mandato. Atua segundo a ordem do outorgante da procuração, o mandante. Se o despachante age em desacordo com o mandato, como no caso dos autos, a sua responsabilidade é pessoal, nos termos do artigo 135, inciso II do CTN, que será melhor abordado adiante. Desta forma, é manifestamente nulo o auto de infração em relação à Impugnante por violação ao artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, pela absoluta falta de embasamento jurídico para a presunção criada pelas autoridades administrativas. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA UTILIZADA PARA O LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PISIMPORTAÇÃO E À COFINS IMPORTAÇÃO Outra nulidade que macula o auto de infração ora guerreado cingese ao fato de a autoridade administrativa não ter demonstrado a base de cálculo e a alíquota utilizadas na apuração das contribuições ao PIS e à COFINSimportação, Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 16 violando, mais uma vez, o artigo 10 do Decreto 70.235/72 e o direito à ampla defesa da Impugnante. Como é sabido, o PISimportação e a COFINSimportação, contribuições instituídas pela Lei n° 10.865/04, têm como base de cálculo o valor aduaneiro. Transcreve o artigo 7o, da Lei n° 10.865/04. No caso em tela, a autoridade administrativa não demonstrou o cálculo do valor aduaneiro, deixando de detalhar o valor que serviu de base para o Imposto de Importação e o ICMS que seria devido no desembaraço. Note, inclusive, que o auto de infração sequer especifica o “valor tributável” e as alíquotas aplicáveis. Essa conduta evidentemente cerceia o direito de defesa da Impugnante. Ora, D. Julgadores, não é possível verificar, por exemplo, se a autoridade administrativa observou a decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE 559.937/RS, julgado em 20.03.2013, em sede de repercussão geral (artigo 543B do CPC), no qual restou reconhecida a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em questão. Ressaltese que o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, aprovou Parecer PGFN/CDA/CRJ n° 396/13, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), vinculando a Receita Federal às decisões dos tribunais superiores, razão pela qual a autoridade administrativa deveria ter respeitado a decisão do STF, o que, entretanto, a impugnante não consegue averiguar. Isto posto, não tendo a autoridade administrativa demonstrado o cálculo do valor aduaneiro e a alíquota aplicáveis às contribuições lançadas, o auto de infração relevase nulo, por cerceamento de defesa da parte, como vem decidindo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. DA ILEGITIMIDADE DA IMPUGNANTE Transcreve o artigo 135, inciso II do Código Tributário Nacional. De acordo com o dispositivo acima transcrito, as pessoas que, no exercício de suas atribuições, praticam atos com excesso de poder, isto é, além daqueles que lhes foram conferidos pelo cargo, função ou mandato, passam a ser pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações geradas pela prática desses atos. No caso dos autos a situação é ainda mais grave, posto que a procuração outorgada aos despachantes em momento algum permitia que estes usassem o nome da Impugnante para qualquer finalidade, como fizeram ao usar o nome da Impugnante no esquema fraudulento. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Leandro Paulsen, Sacha Calmon Navarro Coelho e Ives Gandra da Silva Martins. Em verdade, o Relatório Fiscal reconhece, ao fim e ao cabo, que as importações objeto da autuação, isto é, fraudulentas, foram praticadas pelos despachantes aduaneiros, funcionários da empresa CAMBER RIO TRANSITÁRIA INTERNATIONAL LTDA. É indubitável que os despachantes aduaneiros constituídos pela Impugnante à época das infrações eram seus mandatários, nos termos do artigo 653 do Código Civil e Decreto n° 646/1992 Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.807 17 (doc. 03) mas tão somente para a importação de produtos indicados pela Xerox. Quando utilizaram o nome da Impugnante para importar mercadorias de exportadores desconhecidos da Impugnante e sem o seu prévio consentimento e ordem, estes despachantes e envolvidos cometeram crimes, violaram as regras do direito civil, da legislação aduaneira e tributária. A Impugnante, ao ser cientificada das importações realizadas com uso de seu nome, adotou as providências que lhe eram cabíveis, quais sejam: apresentou a competente "notícia crime”(IPL n° 0355/20121) em face da empresa CAMBER RIO TRANSITÁRIA INTERNACIONAL LTDA. (fls. 496 dos autos) e rescindiu o contrato de Serviços de Despacho Aduaneiro DMNPPO 0833, firmado em 04/08/2006. Desta feita, os despachantes aduaneiros, os quais, repitase, realizaram as importações apenas usando o nome da Impugnante, sem qualquer poder conferido pela impugnante e, por conseqüência, infringiram a lei, devem responder pessoalmente pelos créditos tributários e penalidades. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: Acórdão n° 30238545, Processo 12466002048200404, 28/03/2007; ACÓRDÃO N° 077439 de 31 de Março de 2006. Pelo exposto, os despachantes aduaneiros que participaram do esquema considerado fraudulento devem responder pessoalmente pela obrigação tributária e penalidades decorrentes das importações registradas nas 146 DIs, impondo se o reconhecimento da ilegitimidade da ora Impugnante, cancelandose o auto de infração em relação a ela. DO MÉRITO. DA INEXISTÊNCIA DE NEXO CAUSAL De todos os dispositivos citados e da própria conclusão do TVF para responsabilizar qualquer pessoa por infrações estas devem concorrer e ter interesse comum no ilícito. Tratase, da teoria do nexo de causalidade do direito privado incorporado pelo direito tributário e pela legislação aduaneira, no sentido de que para existir a responsabilização há de haver necessariamente uma vinculação entre a ação e o dano causado, denominado “nexo causal, que representa “uma relação necessária entre o evento danoso e a ação que o produziu, de tal sorte que esta é considerada como sua causa” (cf. Maria Helena Diniz, in Curso, p. 96). Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Maria Helena Diniz. Na importação direta, em regra, o importador realiza todos os atos de comércio, celebrando a compra e venda com o exportador, após definir o bem a ser importado, o preço, a forma de pagamento, bem como o frete e o seguro internacional. A operação, ademais, é realizada por intermédio de recursos do próprio importador ou mediante financiamento por ele obtido. Na importação por conta e ordem há uma “terceirização” da operação de importação, contratandose uma empresa especializada neste tipo de operação, que presta umsimples serviço ao contratante. Neste caso, a operação é realizada por conta (recursos) e ordem (pedido) do adquirente do produto a ser importado. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 18 Portanto, a importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado, uma empresa a importadora a qual promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente em razão de contrato previamente firmado entre as partes. Note que há dois personagens distintos, o importador e adquirente. Há, também, a importação por encomenda, na qual o importador realiza todas as atividades de comércio internacional, isto é, realiza a compra e venda, após negociar o preço, a forma de pagamento, o frete e o seguro internacional, mas o faz em razão do interesse de um encomendante prédeterminado no Brasil. Nesse caso, a operação é realizada por conta e risco do próprio importador, sendo proibido qualquer tipo de remessa ou adiantamento de recursos financeiros pelo encomendante pré determinado. Nestas operações, em todas elas, necessariamente, há a figura do importador. Na por conta e ordem além do importador há a figura do “prestador de serviço” e na por encomenda o “encomendante” da mercadoria. Além destas pessoas, a legislação aduaneira criou, por presunção, as seguintes figuras na hipótese de ocultação do sujeito passivo: do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, nos termos do art. 23 do DecretoLei n° 37/66. O art. 94 do Decretolei 37/66 está se referindo a qualquer dessas pessoas, isto é, aquelas pessoas que podem concorrer ou se beneficiar da operação de importação. No caso dos autos, a Impugnante não se enquadra em qualquer das figuras acima elencadas, não é importadora, não é encomendante e muito menos prestadora serviço. A Impugnante também não é a real compradora, vendedora, responsável ou financiadora da operação. Enfim, a Impugnante não é qualquer dessas pessoas elencadas acima, notadamente porque jamais concorreu e muito menos se beneficiou da infração, inexistindo ainda qualquer nexo causai que a ligue ao esquema fraudulento. Em momento algum a Impugnante cedeu o seu nome e muito menos disponibilizou documentos próprio, “para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários". Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (AC 3201000.799, Relatora Mércia Helena Trajano Damorim, Sessão 07/10/2011, 2a Câmara / 1a Turma Ordinária) DA INEXISTÊNCIA DE CULPA IN ELIGENDO OU IN VIGILANDO A despeito da absoluta inexistência de nexo de causalidade, a fiscalização atribui a sujeição passiva no auto de infração à Impugnante na medida em que esta teria uma culpa, a “in eligendo" ou “in vigilando", em razão da “má escolha do representante legal ou por não ter fiscalizado adequadamente a execução do serviço contratado." Com a devida vênia, a autuação é desprovida de qualquer fundamento fático e principalmente jurídico, notadamente porque não há que se falar em culpa a “in eligendo" ou “in vigilando", a uma, posto que estes tipo de situação em hipótese alguma é fato gerador de tributo e muito menos de penalidade, pela absoluta falta de previsão legal; a duas, pois sequer existiu a culpa atribuída à Impugnante. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.808 19 A Impugnante não outorgou mandato aos despachantes aduaneiros para a importação de mercadorias adquiridas dos exportadores Planet Marine Supplies e Sunshine Office Supplies e que não atendessem aos seus objetivos sociais. Em verdade, referidas empresas que configuraram como exportadoras não eram cadastradas no sistema interno de importação eComex da Impugnante, o que seria um pré requisito viabilizador das importações. Só estão cadastrados como exportadores naquele sistema a Xerox Corporation e empresas que detenham algum vínculo, seja contratual ou societário com a Xerox Corportation, o que certamente não é o caso dos exportadores Planet Marine Supplies e Sunshine Office Supplies, empresas totalmente desconhecidas. Os despachantes somente poderiam fazer qualquer registro no SISCOMEX em nome da Impugnante após o recebimento de um “pre alert’. O "pre alert” é uma correspondência eletrônica que a Impugnante encaminha aos despachantes aduaneiros informando a existência de uma mercadoria pendente de importação, anexando cópia do conhecimento de transporte para que os mesmos tomem as providências cabíveis, isto é, proceda aos registros no SISCOMEX, conforme exemplo anexo (doc. 05). A Impugnante jamais emitiu qualquer “pre alert” ligado às mercadorias importadas alvo do presente auto de infração, não tendo assim, emitido qualquer ordem aos despachantes aduaneiros que os autorizassem a proceder como fizeram. Por corolário lógico, os despachantes, ao operarem a fraude que arquitetaram, não estavam no exercício do trabalho que lhes foi cometido, não havendo a caracterização da culpa in eligendo, ao contrário do que forçadamente sustentou a fiscalização. No mais, a autoridade administrativa responsabiliza a Impugnante por culpa in viligando isto é, tenta imputar a Impugnante o dever de fiscalizar as importações, asseverou que cabia àquela acessar o SISCOMEX na função intitulada "acompanhamento”, que rermik extração de todas as Dls registradas. Afirma que, caso a Impugnante tivesse feito esse < ntrc , a "fraude não teria perdurado”. Contudo, D. Julgadores, essa assertiva chega a ser risível, na medida em que o exercício do controle aduaneiro, o que compreende inclusive a fiscalização das operações de comércio exterior, compete à própria Receita Federal do Brasil (órgão subordinado ao Ministério da Fazenda), nos termos do artigo 237 da Constituição Federal e do artigo 15, parágrafo único do Decreto n° 6.759/09. É indubitável, se o dever de fiscalização é da Receita Federal do Brasil, a Impugnante não incorreu em culpa in viligando. Ora, a autoridade administrativa tenta transferir o seu dever de fiscalização do comércio exterior à Impugnante, entretanto, não há base legal para tanto. É uma verdadeira tentativa de transferir à própria vítima o dever que o Estado tem de fiscalizar as operações de comércio exterior. Desta forma, a Impugnante não pode ser responsabilizada com base em culpa"in eligendo" ou culpa “in vigilando", não só porque não há base legal para tanto, mas também porque estas Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 20 não restaram caracterizadas, impondose o cancelamento do auto de infração. DA AUSÊNCIA DE TIPICIDADE DA MULTA APLICADA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO Ainda que restem ultrapassados os argumentos antes expendidos, o que se admite apenas por amor ao debate, a multa lançada com base no artigo 689, inciso XII, §§ 3º e 4º do Decreto 6.759/09 não pode prevalecer, devendo ser integralmente cancelada, por absoluta ausência de tipicidade, uma vez que essa desconhece os exportadores e não promoveu qualquer despacho aduaneiro; Nas operações de comércio exterior que foram alvo da fiscalização, a Impugnante jamais figurou importadora, real compradora, vendedora, responsável ou financiadora da operação, não tendo qualquer contato com os exportadores das mercadorias. Aliás, não é demais reforçar que a Impugnante desconhece os exportadores, não detém com eles qualquer vínculo comercial. A Impugnante não promoveu e jamais autorizou ou outorgou mandato que autorizasse o despacho aduaneiro das mercadorias ingressadas no país em decorrência do esquema fraudulento. Em síntese, a Impugnante foi a vítima de um esquema fraudulento estruturado pelos despachantes aduaneiros e a empresa New Vision, tal como consta do próprio TVF e notícia crime. Não havendo despacho aduaneiro (ao menos promovido pela Impugnante), há patente ausência de tipicidade que possa deflagrar a exigência dessa multa da Impugnante, impondose o cancelamento da autuação. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (Acórdão n° 0201.525, proferido na sessão de 26/01/2003, pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O mais absurdo, D. Julgadores, é o fato de a autoridade administrativa aplicar a multa por "falsa declaração de conteúdo" de documento emitido pelo exportador e, concomitante ser calcado nesses documentos para apurar o valor aduaneiro das mercadorias. Isto posto, a Impugnante requer o cancelamento integral da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. DA AUSÊNCIA DE TIPICIDADE DAS MULTAS PREVISTAS NO ARTIGO 70 DA LEI n° 10.833/03 De igual forma afigurase incabivel no caso a aplicação das multas de 5% do valor aduaneiro e de 100% da diferença entre o valor aduaneiro declarado e o valor arbitrado, previstas no artigo 70 da Lei n° 10.833/03, por total ausência de tipicidade. Transcreve o artigo 70 da Lei n° 10.833/03. Da leitura do referido dispositivo verificase claramente que a conduta descrita nas referidas penalidades é "O descumprimento pelo importador, (...) da obrigação manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem". O intuito da norma contida no artigo 70, da Lei n° 10.833/03 é, claramente, viabilizar a posterior revisão administrativa do despacho aduaneiro, de modo a confirmar a correta valoração aduaneira e o cálculo dos tributos efetuados pelo importador. Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.809 21 Entretanto, como já visto anteriormente, a Impugnante não é a importadora dos bens que ingressaram no país em decorrência do esquema fraudulento, assim, ela não é o sujeito passivo previsto no artigo 70 da Lei n° 10.833/03. Com efeito, o sujeito passivo da norma é o importador que não mantinha em ordem os documentos relativos a operações que realizou. No caso, a Impugnante, repisese, não é a importadora das mercadorias objeto das 146 DI’s questionadas, ou seja, não é a “pessoa que [promoveu] a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional”, consequentemente não possuía a obrigação de guardar qualquer documento relativo a operações que não realizou. Não só não realizou, como desconhecia totalmente, tendo sido vítima de um esquema fraudulento. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (Acórdão n° 30133591, Processo 1028.3005888/200352, 24/01/2007 grifos nossos); (Acórdão n° 30334506 do Processo 13856000290200323, 05/07/2007 grifos nossos) e (Acórdão n° 30130.517, proferido na sessão de 24/02/2003, pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos autos do processo administrativo n° 0209.000081/200154. Relator: Carlos Henrique Klaser Filho) Do exposto, por qualquer ângulo que se analise a questão, impõese o cancelamento das multas aplicadas com base no artigo 70, da Lei n° 10.833/03. DO ERRO NO MÉTODO DE ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO UTILIZADO PELA FISCALIZAÇÃO E CONSEQÜENTE ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS E MULTAS APLICADAS. A utilização dos valores declarados pelos exportadores junto à Aduana Americana como sendo a correta base de cálculo dos tributos e multas, ainda, de acordo com as autoridades administrativas, seria um método de arbitramento previsto no artigo 82 do Decreto n° 6.759/09. Com o devido respeito ao trabalho da fiscalização, está totalmente equivocado o lançamento efetuado. Como é sabido, toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeito ao controle do correspondente valor aduaneiro, que consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. O mencionado Acordo prevê que a valoração aduaneira deve, salvo circunstâncias bem definidas, se basear no preço efetivo de mercadorias a valorar, que figuram geralmente na fatura. Esse preço, depois de ajustado para levar em conta certos elementos enumerados no art. 8o desse acordo, é igual ao valor transacionado que constitui a base primeira para determinação do valor aduaneiro, conforme definido no Acordo. A autoridade aduaneira, entretanto, poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados. Transcreve o artigo 82 do Decreto n° 6.759/09. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 22 Vêse, com clareza, que o referido dispositivo não dispõe sobre qualquer método de arbitramento, ao contrário do que consta no “Relatório de Fiscalização”, mas somente autoriza que as autoridades brasileiras solicitem informações à aduana do país exportador, para então concluir pelapossibilidade ou não da aplicação do método do valor de transação. Apenas após se concluir pela impossibilidade do método do valor de transação, em, repisese, parecer devidamente fundamentado, é que a autoridade administrativa poderá partir para o arbitramento. Na legislação de regência há dois métodos de arbitramento. O primeiro método é aplicável aos casos em que há impossibilidade de apurar o preço da mercadoria ou, ainda, quando remanescer dúvida quanto ao preço (art. 88 da MP n° 215835/2001 c/c art. 70 da Lei n° 10.833/03). O segundo método destinase às operações em que não há como se identificar a mercadoria importada (art. 67 da Lei n° 10.833/03). O arbitramento do preço da mercadoria conforme os critérios definidos no art. 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01, abarca as situações em que é impossível a apuração do PREÇO da mercadoria ou, ainda, quando há dúvida quanto ao PREÇO PRATICADO. Ressaltese que nessas situações, a autoridade administrativa tem conhecimento da mercadoria objeto da importação, remanescendo apenas impossível apurar o preço efetivamente pago pelo importador ao exportador. Após o arbitramento dos preços das mercadorias, incidem as alíquotas do IPI e do Imposto de Importação correspondentes ao código da Nomenclatura Comum do Mercosul. Portanto, concluise facilmente que o método de arbitramento previsto na MP n° 215835/2001 referese ao arbitramento do preço da mercadoria, sendo esta conhecida das ; itoric des, razão pela qual inclusive aplicamse às alíquotas do IPI e do Imposto de Importação correspondentes à classificação no NCM. O segundo método de arbitramento encontrase previsto no artigo 67 da Lei n° 10.833/03. Transcreve o artigo 67 da Lei n° 10.833/03. Esse dispositivo, por seu turno, abarca as situações em que as autoridades administrativas encontramse impossibilitadas de apurar as mercadorias efetivamente importadas, uma vez que as mesmas já foram consumidas e não estão disponíveis para a conferência física. E em virtude do total desconhecimento quanto à mercadoria importada e conseqüente impossibilidade de enquadramento no NCM, é que se aplicam as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o Imposto de Importação e o IPI e a base de cálculo é “arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior informadas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o referente desvio padrão estatístico". Ora, há nítida diferença entre os dispositivos legais em análise. Em apertada síntese, podemos concluir que o artigo 88, da MP n° 2.15835/2001 abarca as situações em que há dúvidas quanto ao PREÇO, mas há o conhecimento da mercadoria, tanto que Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.810 23 aplicamse às alíquotas decorrentes do enquadramento no NCM. O artigo 67, da Lei n° 10.833/03, por seu turno, abarca situações em que não é possível a certificação quanto às mercadorias importadas e, por corolário lógico, não há como enquadrálas no NCM, utilizandose alíquota de 50% e a base de cálculo arbitrada. Pois bem. No caso vertente, o próprio Relatório de Fiscalização é claro ao asseverar que não tem conhecimento das mercadorias ingressadas no país. A autoridade administrativa não tem conhecimento das mercadorias que ingressaram no Brasil, mas, absurda e contrariamente a todo arcabouço legal, baseiase nas informações declaradas pelo exportador junto à aduana dos Estados Unidos, para chegar ao preço das mercadorias, utilizando esse valor para como base de cálculo dos tributos. Ora, se houve fraude nas operações de comércio exterior alvo da fiscalização, como pode a autoridade administrativa basearse em documentos apresentados pelo exportador? Não pode. Na verdade, sequer há base legal para tanto, pois não há como calcarse em documentos totalmente comprometidos, apresentados por exportador sem idoneidade. O auto de infração ora guerreado é tão absurdo que chega a suscitar que estaria utilizando o método de arbitramento engendrado na MP n° 2.15835/01, mas aplica sobre a “base de cálculo” as alíquotas de 50% do II e do IPI previstas no artigo 67 da Lei n° 10.833/03. Vêse que a autoridade faz uma verdadeira tentativa de conjugação dos dois métodos de arbitramento, o que se revela arbitrário e sem base legal. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (Acórdão n° 10615.563, proferido na sessão de 25/05/2006, pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos autos do processo administrativo n° 10930.000775/8933. Relator: Wilfrido Augusto Marques) A autoridade administrativa, no máximo, poderia ter efetuado o arbitramento com base no artigo 67 da Lei n 0 10.833/03. Mas não é só. Ainda que o artigo 88 da MP 215835 fosse aplicável, o que se admite apenas por amor ao debate, o auto de infração revelase ilegal, na medida em que a impugnante não adotou nenhum dos métodos substitutivos previstos no dispositivo, quais sejam: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado (a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada, (b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado, ainda, o princípio da razoabilidade, (c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Frisese que os métodos substitutivos devem ser aplicados em ordem seqüencial, sob pena de cancelamento da autuação. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (310100.484, Relator Luiz Roberto Domingo, 30 de julho de 2010) e (AC 3201000.799, Relatora Mercia Helena Trajano Damorim, 07/10/2011). Sendo ilegal o arbitramento, a base de cálculo utilizada para o cálculo de todos os tributos e multas exigidos também falece por Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 24 ilegalidade, devendo o auto de infração ser integralmente cancelado. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE 150% PREVISTA NO ARTIGO 44 DA LEI N° 9.430/96. Ainda que todos os argumentos acima não sejam acatados, o que se admite apenas para argumentar, a multa de 150% incidente sobre o valor dos tributos, lançada com base no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, não pode ser exigida da Impugnante. Cabe repisar que não há nos autos elementos capazes de comprovar, nem sequer indícios, a participação da Impugnante no esquema considerado fraudulento, como reconhecido no próprio TVF. A Impugnante, lembrese, apresentou notícia crime, na qual aguardase a intimação dos representantes legais da Camber para depoimento, bem como rescindiu o contrato de Serviços de Despacho Aduaneiro. Tomou, enfim, todas as medidas ao seu alcance quanto às relações com os despachantes aduaneiros. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (Acórdão n° 30129.983, proferido na sessão de 17/10/2001, pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos autos do processo administrativo n° 1128.004878/9836. Relator: Carlos Henrique Klaser Filho) Isto posto, a Impugnante requer e espera o cancelamento da multa de ofício. DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA PUNITIVA Transcreve o artigo 61 da Lei n° 9.430/96. De acordo com referida norma, a incidência de juros ocorre apenas sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal", o que não abarca a penalidade pecuniária (multa de ofício), pois esta última não decorre de tributo ou contribuição, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto:(Acórdão 910100.722, Relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 08.11.2010grifos nossos) Desta forma, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal, requer seja afastada a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, uma vez que inexiste fundamento legal para exigência dessa natureza. DO PEDIDO Em face de todo o exposto, é a presente para requerer a V.Sa. que julgue integralmente procedente a presente IMPUGNAÇÃO pelas razões de fato e direito acima expandidas, reconhecendo a nulidade do auto de infração em face das preliminares arguidas e, no mérito, cancelando integralmente a autuação em relação à IMPUGNANTE, rechaçando os créditos tributários, inclusive juros e multa de ofício, bem como todas as multas administrativas. (...) Mediante o Acórdão nº 1654.668, de 29 de janeiro de 2013, a 23ª Turma da DRJ/SP1 julgou procedente em parte as impugnações, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 20/10/2009 Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.811 25 Registro destas 147 Declarações de Importação em nome de terceiro, sem o consentimento deste. Dano ao erário por infração de descaminho de produtos de alto valor agregado, livres de controle aduaneiro e do pagamento de tributos correspondentes. Os autuados suportam a respectiva responsabilidade tributária como contribuintes ou responsáveis solidários. Da mesma forma, concorreram para a infração de FALSA DECLARAÇÃO DE CONTEÚDO por conduta omissiva ou comissiva. Informações recebidas da Aduana dos EUA revelaram o real valor da importação dos bens. Não se pode atribuir a alíquota majorada de 150% a condutas omissivas. Ausência de tipicidade. Todos os integrantes do pólo passivo foram regularmente cientificados da decisão de primeira instância. A empresa Xerox Comércio e Indústria Ltda. apresentou recurso voluntário alegando, em síntese por ela própria efetuada, que: (...) V. SÍNTESE CONCLUSIVA A análise de todo arcabouço tático, probatório e regras jurídicas expostas, tanto na impugnação quanto no presente Recurso Voluntário, nos leva, inexoravelmente, as seguintes conclusões. 1. Nulidade do AI em decorrência de cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, na medida em que o TVF não indica: 1o) qual seria a modalidade de importação que teria ocorrido as 146 operações questionadas; 2o) quem seria o real importador; 3o) qual seria o papel da Recorrente nas importações questionadas; 2. Nulidade do AI em decorrência do TVF não apontar o fundamento legal para a responsabilização da ora Recorrente; 3. Nulidade do AI em razão da ausência de demonstrativo da base de cálculo e alíquota utilizadas para o lançamento das contribuições ao PIS importação e à COFINSimportação; 4. Nulidade da decisão da DRJ, uma vez que o ordenamento jurídico (art. 146 CTN) veda a prolação de decisões que visam a aperfeiçoar o lançamento, o que se verificou no caso vertente, na medida em que tenta atribuir um fundamento legal para a manutenção da Recorrente no polo passivo do feito, o qual não constava do TVF; 5. Necessidade de cancelamento do auto de infração em relação à Recorrente, nos termos do artigo 135, inciso II do Código Tributário Nacional, uma vez que a fraude perpetrada nos autos correu à revelia da Recorrente e por pessoas que extrapolaram os poderes por ela concedidos; 6. Impossibilidade de enquadrar a Recorrente como contribuinte dos impostos pelo simples fato de seu nome ter sido indevidamente utilizado para registrar as Dls tidas por fraudulentas; 7. Necessário reconhecimento de que a Recorrente jamais "promoveu" as importações tidas por fraudulentas; Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 26 8. Necessário reconhecimento de que os mandatários da Recorrente extrapolaram os poderes que lhe foram outorgados e, por essa razão, devem ser responsabilizados pessoalmente e de forma exclusiva pelos tributos e multas objeto dos autos, nos termos do artigo 135, inciso II do CTN; 9. Da impossibilidade de responsabilizar a Recorrente pelos tributos e multas com base no artigo 136 do CTN e artigo 94 do DecretoLei n° 37/66; 10. Da inexistência de nexo causai entre qualquer conduta da Recorrente e as importações fraudulentas; 11. Impossibilidade de imputar à Recorrente culpa in eligendo e culpa in viligando, eis que (i) os despachantes aduaneiros que engendraram a fraude objeto dos autos não se encontravam no exercício regular do mantado que lhes foi outorgado e (ii) que cabe a RFB e não a Recorrente a fiscalização aduaneira, nos termos do art. 237 da CF e artigo 158 do Decreto 6.759/09. 12. Da ausência de tipicidade da multa aplicada com base no artigo 689, inciso XII, §§ 3o e 4o do Decreto 6.759/09, uma vez que a Recorrente não figura importadora, real compradora, vendedora, responsável ou financiadora das importações; 13. Da ausência de tipicidade das multas previstas no artigo 70 da Lei n° 10.833/03, uma vez que a Recorrente não tem qualquer ligação com as importações e, por conseqüência obvia, não tinha como manter em boa guarda os documentos relativos à operação; 14. Da impossibilidade de manutenção concomitante da multa prevista no artigo 689, inciso XII, §§ 3o e 4° do Decreto 6.759/09 e artigo 70, inciso II, "b" da Lei n° 10.833/03, uma vez que ambas têm a mesma natureza (perdimento) e incidem sobre a mesma base; 15. Do erro no método de arbitramento do valor aduaneiro utilizado pela fiscalização e conseqüente erro na apuração da base de cálculo dos tributos e multas aplicadas, pois não há base legal para conjugação de dois métodos de arbitramento totalmente distintos, quais sejam: (i) método a ser utilizado quando se tem conhecimento da mercadoria importada: art. 88 da MP n° 215835/2001 c/c art. 70 da Lei n° 10.833/03 e (ii) método a ser utilizado quando não há conhecimento da mercadoria importada: art. 67 da Lei n° 10.833/03; 16. Subsidiariamente ao item 15, erro nas alíquotas do II e IPI aplicadas, posto que utilizadas as alíquotas de 50% previstas no artigo 67 da Lei n° 10.833/03, quando se adotou para definição do valor aduaneiro as informações do Fisco Americano, que informam quais foram os supostos valores e mercadorias importadas. Ou seja, não foram aplicadas as alíquotas correspondentes aos NCMs dos produtos declarados pelo fisco americano, apesar de utilizarse dessa mesma informação para definir o valor aduaneiro e calcular todos os tributos e multas exigidas. Assim, cabe a este Colendo Tribunal Administrativo, com o saber jurídico peculiar aos Ilustres Conselheiros, analisar todos os pontos suscitados nos autos e que são essenciais para o correto desfecho do feito, que certamente será no sentido de excluir a Recorrente do polo passivo. A empresa Camber Rio Transitaria Internacional Ltda. apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese, que: Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.812 27 (...) A CAMBER RIO não possui senha, está impedida legalmente de se registrar no SISCOMEX, onde, como bem afirma a decisão, é pessoal e intransferível. O alvo da autuação deve ser quem tem senha e a transferiu. Não há um só documento nos autos probante de que a CAMBER RIO atuou, ainda que a distância, na fraude apurada. O fato de quem tem a senha trabalhar na CAMBER RIO e permitir que seja usada por outrem não tem o condão de atingi la. Não se reflete nela. Não pode levála a uma sujeição de solidária passiva como pessoa jurídica que é. Seu funcionários, aqueles que têm senha, inegavelmente devem ter sua condutas devidamente apuradas. Nesta oportunidade é bom lembrar o que diz o parágrafo único do art. 809 do Regulamento Aduaneiro: Parágrafo único. As operações de importação e exportação dependem de prévia habilitação do responsável legal da pessoa jurídica interessada, bem como do credenciamento das pessoas físicas (G.N.) que atuarão em seu nome no exercício dessas atividades, de conformidade com o estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) uma comissária de despachos não têm poder legal de atuar no despacho de importação e exportação. E mera assessora do importador ou exportador. Para melhor entendimento nos permitimos arrolar todos os intervenientes e anuentes no comércio exterior. Por esse arrolamento podemos constatar que uma comissária não é nem interveniente nem anuente. A decisão ora recorrida faz afirmações totalmente equivocadas ao responsabilizar a CAMBER RIO pela guarda do sigilo da senha (...) Esta decisão dá à CAMBER RIO um poder que a lei lhe nega, qual seja, conhecer a senha (pessoal e intransferível), a ponto de guardar seu sigilo. Desse poder ilegal lhe imputa uma omissão impossível de se realizar por força da própria lei. Mas a decisão continua: "Ao afirmar que não pode ser acusada de culpa "in eligendo"pois esta não existe no direito tributário, esquece que o próprio artigo 134 do Código Tributário Nacional prevê textualmente a possibilidade de responder solidariamente com o contribuinte nos atos em que intervierem ou (e) pela omissões de que forem responsáveis: os mandatários, prepostos e empregados, à luz do inciso lido artigo 135do Código Tributário Nacional." Os grifos são da decisão e mais favorecem a CAMBER RIO do que a condenam, pois ela não pode intervir no despacho aduaneiro, onde os fatos fraudulentos ocorreram e não tem nenhuma responsabilidade para com o fisco, inobstante sua responsabilidade contratual e comercial unicamente com a XEROX. O supracitado inciso II do CTN diz: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 28 II os mandatários, prepostos e empregados; A CAMBER RIO não se enquadra em nenhuma dessas situações. O mandante (outorgante) é a XEROX. Os mandatários são os que têm procuração e senha individual e nessa função são prepostos da XEROX. Os empregados respondem pessoalmente por seus atos, que não podem ser transferidos ao empregador que não lhes outorgou procuração e que, ademais, está impedido de conhecer a senha utilizada para a fraude. Não pode ser incluída como solidária por suposição. (...) a CAMBER RIO não pode ser incluída no polo passivo da obrigação de recolher impostos que a autuação pretende pelo simples fato de não poder despachar junto a Alfândega. A CAMBER RIO é empresa de assessoria e tinha como sua cliente uma empresa importante como a XEROX. Qual o interesse em agir em detrimento dessa empresa? O máximo que se lhe pode imputar é ter escolhido funcionários inidôneos. Mas essa imputação não pode legalmente incluíla como solidária passiva, pois não preenche as condições do CTN acima transcritas, uma vez que não tinha INTERESSE COMUM e expressamente, por lei, não pode promover o registro de declaração no SISCOMEX e nem promover o desembaraço, afirmando estar de posse da mercadoria desembaraçada. A doutrina tem condenado o transbordamento da responsabilidade solidária passiva além dos limites legais, como no presente caso. (...) A PARTICIPAÇÃO EM FATO DELITUOSO NÃO PODE SER PRESUMIDA. TEM QUE SER PROVADA. O RELATÓRIO DIZ TER ENCONTRADO OS RESPONSÁVEIS LEGAIS PELA FRAUDE. Quanto à penalidade imposta a r. decisão recorrida fez a seguinte afirmação: "Por esse motivo, afastase a incidência da alíquota majorada de 150% das multas proporcionais para os seguintes autuados, aplicando em seu lugar a alíquota ordinária de 75%: Empresa XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA; Comissária CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA.; e RENATO SILVA DE SANTANA." Mais uma decisão que vem a favor da recorrente. Tirou dela qualquer vinculação com fraude. É a própria Receita reconhecendo que a CAMBER RIO não praticou nenhuma Fraude. Portanto, não participou dos fatos apurados e, assim, não pode ser havida como solidária passiva. Para tanto seria necessário que a autuação na alíquota majorada tivesse prevalecido. O membro da Delegacia de Julgamento apresentou voto em separado, no qual isenta a empresa XEROX de responsabilidade na fraude. Quanto à recorrente afirma: "Quanto a CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA., os argumentos apresentados por ela não a afastam da responsabilidade pelos fatos narrados pela fiscalização, porque a sua atuação, da mesma forma que Renato da Silva Santana, ou talvez, de maneira mais efetiva, permitiu que o esquema fraudulento de importação se efetivasse, em razão de sua credibilidade junto à Xerox, essencial para que se utilizasse, em nome desta, sem levantar desconfiança:... Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.813 29 O papel aceita tudo. Até uma afirmativa desta, divorciada de qualquer prova, de que a CAMBER RIO conhecia o esquema fraudulento. Em nenhum momento tal fato ficou provado e não é possível condenar, como fez o voto acima, por presunção. Ademais, o mesmo autor do voto em separado apresentou argumentos para inocentar a XEROX que servem perfeitamente para inocentar a recorrente. Embora tenha cometido, na afirmação abaixo, erro grave, ao afirmar que a XEROX conferiu poderes de representação à CAMBER RIO. Sabemos, tais poderes seriam ilegais. Ela só pode outorgar poderes a pessoas físicas. E foi isto o que fez. Vêse que os julgadores ante o voto que deram consideraram que a CAMBER RIO tinha poderes de representação. Esta é a razão do equívoco. O voto tem um valor subsidiário e para provar o distanciamento da recorrente dos fatos fraudulentos aponta quais as pessoas físicas tinham o poder de representação. Renato da Silva de Santana apresentou recurso voluntário, mediante o qual alega, em síntese, que: A PARTICIPAÇÃO EM FATO DELITUOSO NÃO PODE SER PRESUMIDA. TEM QUE SER PROVADA. O fato do recorrente afirmar que mantinha sua senha anotada em um caderno não significa dizer que a mesma estivesse disponível para uso por terceiros e, da mesma forma, que seu caderno pudesse ser manuseado. O fato é que a senha do recorrente foi objeto de furto ao longo do período de toda a FRAUDE e, mesmo que não o fosse, não impediria que os fraudadores a praticassem, pois ambos tinham procuração da XEROX e estavam habilitados por ela no sistema RADAR da Receita Federal. A pretensão dos fraudadores era fazer crer que as importações pertenciam a XEROX obtendo o registro das declarações de importação com a senha do recorrente mantendo assim fidelidade com os dados das importações regulares dessa empresa. O RELATÓRIO DIZ TER ENCONTRADO OS RESPONSÁVEIS LEGAIS PELA FRAUDE. Além disso, 5 (cinco) aspectos relevantes foram ignorados pela Receita Federal para apuração dos responsáveis pela fraude: 1) a apuração do endereço eletrônico IP dos computadores onde as DIs fraudadas foram registradas; 2) A verificação junto ao gerente da agência do BANCO ITAU do documento apresentado com a autorização expressa do responsável da empresa NEW VISON para que fossem efetuados os débitos automáticos dos tributos federais por meio do comando da senha do recorrente; 3) A identificação das 9 (nove) DI's desembaraçadas pelos Auditores Fiscais em canal VERMELHO de conferência Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 30 OBRIGATÓRIA. Sobre isso o Auto de infração sequer fez menção ignorando, inclusive, a data da primeira ocorrência o que seria decisivo para que a fraude não tivesse continuidade; 4) A identificação do (s) responsável (s) pelos 3 (três) primeiros registros de DI's ocorridos, os quais de acordo com o relato de Fls 32 não foram efetuados com a senha do recorrente; 5) A identificação do recebedor da carga desembaraçada pela INFRAERO que exige por meio de carimbo próprio o preenchimento dos dados pessoais do mesmo. Esses aspectos certamente elucidariam a fraude apontando os responsáveis permitindo, inclusive, o levantamento do receptador da mercadoria que certamente foi o maior beneficiado dela. Essa decisão [que excluiu a majoração da multa de ofício por ausência de fraude] é integralmente a favor do recorrente. Tirou dele qualquer vinculação com fraude. É a própria Receita reconhecendo que o recorrente não praticou a fraude ocorrida. Portanto, não participou dos fatos apurados e, assim, não pode ser havido como solidário passivo. Para tanto a autuação na alíquota majorada tinha que ter prevalecido. Jorge Luiz dos Santos aduziu em seu recurso voluntário resumidamente que: Pela narrativa do relatório fiscal, temse que este RECORRENTE e seu antigo sócio e amigo, Sr. Sérgio Luiz Pereira, foram responsabilizados pela vultosa autuação pelo fato de terem (terceiros) usado a conta corrente de sua empresa para realizar débito de tributos referente a importações, tidas por fraudulentas, realizadas em nome da XEROX do Brasil. NÃO HÁ. EM TODO RELATÓRIO FISCAL. MÍNIMA REFERÊNCIA DE EFETIVA PARTICIPAÇÃO DESSE IMPUGNANTE NOS FATOS DESCRITOS. O extenso relatório fiscal é preciso ao indicar que despachantes aduaneiros, nomeados pela empresa Xerox, sem o conhecimento desta, realizaram importações em seu nome, debitaram os tributos incidentes na operação em conta corrente da empresa New Vision e desembaraçaram mercadorias de conteúdo diverso daquele que foi declarado ao fisco, em 147 importações. O relatório é igualmente revelador ao destacar que os despachantes Luiz Tadeu e José Felix, utilizandose de senha, foram os responsáveis pelos registros das Importações, dos débitos realizados na conta da New Vision e da apresentação documental aos fiscais aduaneiros. Então, Digno Julgador, qual a participação deste RECORRENTE nos ilícitos cometidos em desfavor da Xerox e do Fisco? A resposta: os despachantes credenciados pela Xerox, sem o conhecimento ou autorização deste RECORRENTE, Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.814 31 usaram a conta corrente da empresa New Vision para debitar os tributos das operações tidas por fraudulentas. Com todas as vênias, mas esse fato isolado, salvo se provada a efetiva participação deste RECORRENTE na fraude (que não pode ser presumida para o caso), não pode alçálo à condição de responsável tributário em tão nefasto procedimento ilícito. Da norma acima transcrita [art. 11 da IN SRF nº 680/2011], é possível concluirmos, com absoluta certeza: O débito em conta corrente é realizado no momento do registro da importação (Dl) será efetuado no ato do registro da respectiva DI. O declarante (aquele que registra a DI) é o responsável pelo preenchimento dos dados bancários O declarante deverá informar, no ato da solicitação do registro da Dl, os códigos do banco e da agência e o número da conta corrente. A norma legal NÃO exige que a conta bancária seja de titularidade da importadora, facilitando, com a devida vênia, fraudes como esta narrada na autuação. Dito isso, convém destacarmos petição direcionada a Receita Federal (fls. 682 do Processo), no qual o sócio da empresa Camber contratada pela Xerox para realizar o despacho aduaneiro de suas mercadorias faz um relevante esclarecimento: o débito em conta corrente necessita ser autorizado pelo sócio da empresa titular da conta bancária, pelo que requereu fosse diligenciado junto ao banco Itaú para obter tal dado: (...) Em petição de fls. 728 e seguintes, respondendo a quesitos formulados pela fiscalização, o banco Itaú não apresentou qualquer autorização assinada por este Impugnante ou outro sócio da New Vision, para que os despachantes apontados pela Receita Federal realizassem débitos de tributos em sua conta corrente. Ao que parece, tendo em vista que a IN/SRF nº 680/2006: permite o débito de tributo em qualquer conta; que o despachante aduaneiro é responsável pelo registro da Dl e também pelo indicativo dos dados bancários. Nesse cenário, Digno Julgador, no qual inexistem provas de que esse RECORRENTE ou outro sócio da empresa New Vision tenham autorizado o débito de tributos em sua conta corrente, somado ao fato de que a IN/SRF nº 680/2006 permite o indicativo de qualquer conta corrente para efetivação do débito referente a tributos, temse como completamente desprovido de razoabilidade alçálo à condição de responsável solidário pelos ilícitos cometidos por terceiros. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 32 (...) nos termos do relatório fiscal, são responsáveis solidários aqueles que possuem interesse comum no ilícito e que concorreram para a prática da infração. Com todas as vênias, mas este RECORRENTE: 1. Não teve qualquer interesse na pratica do ilícito, muito menos obteve algum beneficio, pelo contrário, está sendo responsabilizado por um lançamento fiscal que demandaria, para quitação, 200 anos de seu trabalho. 2. Não concorreu de nenhuma forma para a prática do ilícito, pois não concedeu autorização para o débito em conta corrente da empresa, não fez depósitos, não registrou Dl, não credenciou despachante, ou seja, não praticou qualquer ato facilitador para a pratica fraudulenta. A primeira manifestação feita pela DRJ, quando da análise da impugnação apresentada por este RECORRENTE, naquilo que transcreveu (fls. 1316), foi a seguinte: " Difícil crer que o sócio da empresa NEW Vision não tivesse ciência desses fatos. E ainda que não tivesse, responde pelo crédito tributário por na forma do artigo 134 do Código Tributário Nacional." Ora, é impensável que um órgão julgador emita opinião subjetiva: inimaginável crer... Com todas as vênias, mas a autuação fiscal deve possuir lastro probatório, não subjetivismos de crença ou não acerca de determinado fato. Demais disso, quando aponta que a responsabilidade dos sócios da New Vision subsiste em razão de omissão, aponta hipótese não ventilada na autuação, bem como afastase da realidade material. A autoridade lançadora não apontou omissão dos sócios da New Vision, haja vista que a narrativa fática não conduz a tal entendimento. (...) quando a DRJ entende irrelevante o fato de a diligência realizada pela Receita Federal não ter encontrado nenhuma autorização para que o Banco permitisse a realização dos débitos, apontando como questão operacionalfinanceira, demonstra absurdo afastamento da realidade material dos fatos e amplia ou aperfeiçoa o lançamento, haja vista apontar omissão não aventada no relatório fiscal. Também Sérgio Luiz Pereira apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados por Jorge Luiz dos Santos acima sintetizados. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Dos recursos voluntários: Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.815 33 Os recursos voluntários atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. Analisemos separadamente cada recurso voluntário, começando com a legitimidade passiva de cada recorrente em relação aos tributos e as multas. 1. Xerox Comércio e Indústria Ltda. Embora se pudesse dizer que o registro da Declaração de Importação em nome de uma empresa traria a presunção relativa de que seria ela própria a importadora, pode ocorrer que, por alguma irregularidade, essa pessoa jurídica não seja a real importadora, como ocorre nos presentes autos. Não obstante as 146 importações tenham sido formalmente registradas em nome da empresa XEROX, por intermédio de seu legítimo representante legal, em nenhum momento, a fiscalização afirmou que essa empresa teria interesse ou benefício nessas importações. Pelo contrário, os elementos levantados nos autos conduzem no sentido de que outras pessoas teriam utilizado indevidamente o nome da empresa XEROX para registrar as operações, conforme se vê em alguns trechos abaixo extraídos do Relatório Fiscal: (...) Tais semelhanças distinguem o conteúdo destas DIs das importações regularmente realizadas pela XEROX, pelos seguintes motivos: ・ os exportadores são desconhecidos da XEROX e não aparecem em nenhum outro registro de importação da empresa; ・ a contacorrente utilizada para débito automático dos tributos devidos nas importações aparece somente nestas 147 DIs e jamais em outras DIs da XEROX; ・ A média aritmética dos valores CIF por quilograma líquido das importações normalmente efetuadas pela XEROX, no ano de 2009, corresponde ao valor CIF aproximado de R$ 1.936,00 por quilograma líquido, contra o valor CIF médio de R$ 18,81 por kilograma líquido declarado nas 147 DIs; ・ ao contrário destas 147 DIs, as importações da XEROX são realizadas, em geral, com cobertura cambial; ・ a maioria dos despachos aduaneiros da XEROX seguia em regime de trânsito aduaneiro para despacho no Porto Seco. (...) A ação fiscal determinada no MPF nº 07154002012003598 teve início com a intimação datada de 26/03/2012, fls. 488492, para que a XEROX apresentasse as seguintes informações/esclarecimentos: 1. Documentos de instrução do despacho aduaneiro relativos às Declarações de Importação (DI) listadas em anexo; e 2. Informar a localização ou destinação dada às mercadorias importadas por meio das DIs listadas em anexo. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 34 Em resposta, a XEROX apresentou petição recebida em 24/04/2012, fls. 493513, em que alegou desconhecer as 146 operações de importação ora analisadas e, portanto, a localização das mercadorias objeto destas DIs. Informou, ainda, que nunca realizou importações dos exportadores PLANET MARINE SUPPLIES e SUNSHINE OFFICE SUPPLIES. (...) Segundo a declaração do sócio da CAMBER RIO, Sr. Luis Paulo Hespanhol, e do funcionário Renato, acima transcritos, LUIS TADEU e JOSE FELIX eram os funcionários responsáveis por acompanhar os procedimentos relativos aos despacho aduaneiros das DIs nos recintos alfandegados, ou seja, eram as pessoas que apresentavam os documentos de despacho à fiscalização aduaneira, acompanhavam as conferências físicas das mercadorias e procediam à retirada da carga após o desembaraço das DIs. Por conta destas funções presenciais no despacho de DIs da XEROX, com acesso direto às mercadorias, aos trâmites de retirada da mercadoria na unidade de despacho, conhecimento sobre o tipo de mercadoria regularmente importada pela empresa, e do fato de terem assinado o extrato da DI nº 11/09995328, LUIS TADEU e JOSE FELIX evidentemente são pessoas que possibilitaram a logística de toda a fraude nas outras 146 DI desembaraçadas na ALF/GIG. O fato de ambos não terem comparecido para prestar esclarecimentos à fiscalização, sem sequer apresentar justificativa, é mais um elemento que corrobora a participação destes despachantes na fraude. Além disso, o procedimento adotado pelo despachante Renato de anotar a senha de acesso ao Siscomex em caderno acessível por demais terceiros nas dependências da CAMBER, cuja irregularidade não se encontra em discussão no presente relatório, permite supor que, além dele mesmo, qualquer outra pessoa pode terse utilizado desta senha e procedido aos registros das 147 DIs. (...) Assim, a fraude consistiu em simular os despachos aduaneiros regulares da XEROX para acobertar a entrada de mercadorias desconhecidas sem o devido controle aduaneiro. [negritei] (...) De forma que, como dito, não há qualquer alegação ou prova nos autos que conduza à suspeita de que essas importações tivessem sido, efetivamente, realizadas pela empresa XEROX ou que ela tivesse algum interesse ou benefício com essas operações ou com as irregularidades delas decorrentes. Assim, no que concerne aos tributos objeto do auto de infração sob análise, não se vislumbra situação que pudesse caracterizar a empresa XEROX como contribuinte, nos termos do art. 121, I do CTN, vez que não foi comprovado que ela tivesse qualquer relação direta com a situação que constitua fato gerador dos tributos incidentes nas importações: Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.816 35 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Nem tampouco poderia a XEROX ser arrolada na condição de responsável solidária pelos tributos, nos termos do art. 124, I do CTN, vez que não demonstrado nos presentes autos que essa empresa teria "interesse comum" na situação que constitua o fato gerador dos tributos incidentes nas importações sob análise: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Relativamente às infrações aduaneiras que constam na autuação, mais ainda, não se vislumbra qualquer hipótese de responsabilização da XEROX como agente direto, em conformidade com o art. 94 do Decretolei nº 37/66, pois não há qualquer comprovação ou indício de que, ela própria, tenha cometido essas infrações, nem tampouco em face das disposições legais contidas no art. 95 do Decretolei nº 37/66, eis que não há provas de que tenha contribuído de alguma forma para a prática das infrações ou que tivesse interesse ou benefício com as irregularidades: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. §1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. §2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 36 V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) [grifos da Relatora] Não pode prosperar a responsabilização da XEROX, fundamentada na responsabilidade objetiva nas infrações aduaneiras, como fizeram a fiscalização e o julgador de primeira instância. De todo o modo, a pessoa física ou jurídica somente poderia ser punida como agente direto da infração (art. 94 do Decretolei nº 37/66), que cometeu a ação ou omissão ilícita, ou como responsável pela infração (art. 95 do Decretolei nº 37/66), o que não se verificou no presente caso em relação à empresa XEROX. Também não seria o caso de responsabilização da XEROX "em vista da negligência constatada no controle das suas operações de importação que permitiu a prática das infrações, quer seja pela própria empresa (culpa in omittendo), quer seja pela má escolha de seu representante (culpa in eligendo), ou porque não fiscalizou adequadamente a execução do serviço contratado para operar em seu nome no comércio exterior (culpa in vigilando)", conforme descrito na autuação. Não há que se olvidar que o exercício da profissão de despachante aduaneiro somente é permitido à pessoa física inscrita no Registro de Despachantes Aduaneiros, mantido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, após o atendimento dos requisitos estabelecidos em regulamento. Dessa forma, à época da escolha do despachante aduaneiro pela empresa XEROX, militava em favor deste profissional a presunção relativa de idoneidade em face da inscrição do despachante autorizada pela Receita Federal do Brasil. Também, em face da relação de confiança estabelecida entre despachante aduaneiro e a empresa por ele representada, não se pode responsabilizar esta empresa pela omissão em não ter acompanhado, no sistema Siscomex, que havia outras operações registradas em seu nome. Há também que se ponderar que uma empresa multinacional do porte da XEROX realiza um grande número de importações ao ano, o que poderia, em tese, dificultar a descoberta das operações fraudulentas registradas indevidamente em seu nome. Embora até se pudesse esperar que uma empresa cautelosa devia acompanhar o processamento das operações que efetuou por intermédio do despachante aduaneiro, não se pode dizer o mesmo de importações para as quais ela não solicitou os serviços do referido despachante, que foram efetuadas a sua revelia. Exigir isso de uma empresa importadora seria como lhe impor a função de fiscalizar toda a atividade do despachante aduaneiro contratado. Comparando essa situação com a relação de uma empresa com seu advogado contratado para algumas demandas, seria o mesmo que exigir dessa empresa a fiscalização de todas as ações movidas pelo advogado contratado, o que não é nada razoável. O caso em análise deve ser apurado pelas autoridades competentes. Nesse sentido, agiu diligentemente a empresa XEROX, quando, tomando conhecimento das importações realizadas indevidamente em seu nome, apresentou NotíciaCrime ao Departamento de Polícia Federal (fls. 495/501), requerendo a instauração de inquérito policial para apuração dos fatos relativos a crimes em face da noticiante e da administração pública. Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.817 37 Assim, pelo exposto, diante da ausência de comprovação pela fiscalização de que a empresa cometeu as infrações que lhe foram imputadas ou que fosse responsável por elas ou pelos tributos que deixaram de ser recolhidos, entendo que a empresa Xerox Comércio e Indústria Ltda. deve ser excluída do polo passivo do presente auto de infração, restando prejudicada a análise dos demais argumentos do seu recurso voluntário. 2. Camber Rio Transitaria Internacional Ltda: Conforme consta no Relatório de Fiscalização, a responsabilidade da empresa CAMBER RIO deuse com base nos seguintes fatos e fundamentos: (...) Os indicados neste relatório como responsáveis solidários foram as pessoas que concorreram diretamente para a prática das infrações, conforme disposto em lei, seja atuando como preposto do importador no registro e processo de despacho aduaneiro das mercadorias, seja suportando o ônus dos tributos pagos para que as mercadorias entrassem fraudulentamente no País. (...) A fiscalização procedeu à intimação dos responsáveis legais que registraram as DIs da XEROX, a fim de prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados, quais sejam, o sócio e os despachantes aduaneiros funcionários da empresa CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA, CNPJ nº 00.881.347/000190, empresa que prestava serviços aduaneiros, à época dos fatos, à empresa autuada, conforme Termos de Intimação às fls. 514519. Compareceu em 07/05/2012, o Sr. RENATO DA SILVA DE SANTANA, CPF nº 021.487.78765, funcionário da CAMBER RIO habilitado no Siscomex como representante da XEROX. As 147 DIs analisadas foram registradas com o seu CPF e utilizando sua senha de acesso. No Termo de Declaração, às fls. 520522, prestou as seguintes informações: (...) Segundo a declaração do sócio da CAMBER RIO, Sr. Luis Paulo Hespanhol, e do funcionário Renato, acima transcritos, LUIS TADEU e JOSE FELIX eram os funcionários responsáveis por acompanhar os procedimentos relativos aos despacho aduaneiros das DIs nos recintos alfandegados, ou seja, eram as pessoas que apresentavam os documentos de despacho à fiscalização aduaneira, acompanhavam as conferências físicas das mercadorias e procediam à retirada da carga após o desembaraço das DIs. Por conta destas funções presenciais no despacho de DIs da XEROX, com acesso direto às mercadorias, aos trâmites de retirada da mercadoria na unidade de despacho, conhecimento sobre o tipo de mercadoria regularmente importada pela empresa, e do fato de terem assinado o extrato da DI nº 11/09995328, LUIS TADEU e JOSE FELIX evidentemente são pessoas que possibilitaram a logística de toda a fraude nas outras 146 DI desembaraçadas na ALF/GIG. Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 38 O fato de ambos não terem comparecido para prestar esclarecimentos à fiscalização, sem sequer apresentar justificativa, é mais um elemento que corrobora a participação destes despachantes na fraude. Além disso, o procedimento adotado pelo despachante Renato de anotar a senha de acesso ao Siscomex em caderno acessível por demais terceiros nas dependências da CAMBER, cuja irregularidade não se encontra em discussão no presente relatório, permite supor que, além dele mesmo, qualquer outra pessoa pode terse utilizado desta senha e procedido aos registros das 147 DIs. É importante destacar que os responsáveis tributários perquiridos pela fiscalização foram as pessoas que facilitaram a entrada fraudulenta de mercadorias no País, concorrendo diretamente para a prática das infrações. (...) 4) DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA No âmbito do processo administrativo, devese identificar a figura do responsável tributário. Com relação à sujeição passiva tributária, assim dispõe a Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional (CTN): "Art. 22 Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” (grifei).” Da leitura do artigo 121 do CTN, chegase à conclusão de que o sujeito passivo tanto pode ser o contribuinte se possuir "relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador", quanto o responsável – aquele cuja obrigação decorra de disposição expressa de lei". Existindo coautores da infração, estes são responsáveis solidários, por possuírem interesse comum no ilícito que motivou à aplicação da penalidade pecuniária, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem". (grifei) Em complemento às disposições do Código Tributário Nacional, o DecretoLei nº 37/66 definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras: "Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.818 39 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria.” As pessoas físicas ou jurídicas que concorreram para a prática da infração foram consideradas responsáveis solidários por possuírem interesse comum no ilícito que motivou à aplicação da penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. (...) Em consonância com as conclusões do presente relatório, atribuiuse a responsabilidade tributária solidária às pessoas físicas MARCO ANTÔNIO EVARISTO DE OLIVEIRA, CPF Nº 858.099.00763, MARGARETE VILARDI, CPF nº 131.554.56833, LUIS TADEU LOPES, CPF nº 610.844.847 49, JOSE FELIX DA SILVA, CPF nº 368.716.30759 e RENATO DA SILVA DE SANTANA, CPF nº 021.487.78765, e à pessoa jurídica CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA, CNPJ nº 00.881.347/000190, as quais concorreram diretamente para a ocorrência dos ilícitos tributários constatados no curso da presente ação fiscal, por força do disposto no artigo 95, inciso I, do DecretoLei nº 37/66. (...) O julgador de primeira instância manteve a responsabilização da CAMBER RIO sob os seguintes argumentos: (...) Da responsabilidade da Comissária CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA. Segundo a declaração do sócio da CAMBER RIO, Sr. Luis Paulo Hespanhol, e do funcionário Renato, acima transcritos, LUIS TADEU e JOSE FELIX eram os funcionários responsáveis por acompanhar os procedimentos relativos aos despacho aduaneiros das DIs nos recintos alfandegados, ou seja, eram as pessoas que apresentavam os documentos de despacho à fiscalização aduaneira, acompanhavam as conferências físicas das mercadorias e procediam à retirada da carga após o desembaraço das DIs. Por conta destas funções presenciais no despacho de DIs da XEROX, com acesso direto às mercadorias, aos trâmites de retirada da mercadoria na unidade de despacho, conhecimento sobre o tipo de mercadoria regularmente importada pela empresa, e do fato de terem assinado o extrato da DI nº 11/09995328, LUIS TADEU e JOSE FELIX evidentemente são pessoas que possibilitaram a logística de toda a fraude nas outras 146 DI desembaraçadas na ALF/GIG. A ação fiscal se pauta no fato de que o procedimento adotado pelo despachante Renato de anotar a senha de acesso ao Siscomex em caderno acessível por demais terceiros nas dependências da CAMBER, cuja irregularidade não se encontra em discussão no presente relatório, permite supor que, além dele Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 40 mesmo, qualquer outra pessoa pode terse utilizado desta senha e procedido aos registros das 147 DIs. A conduta da Comissária CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA denota um procedimento incompatível com a sistemática do SISCOMEX onde a senha é um instrumento de acesso pessoal e intransferível. A senha no mundo digital é o equivalente a uma assinatura com a peculiaridade de não poder ser falsificada. Aquele que a detém deve zelar por ela sob o risco de responder sobre sua negligência. Uma informação inserida com uso de senha em um sistema informatizado é o equivalente a uma DECLARAÇÃO DE VONTADE. O mundo digital é pautado nesse paradigma. (...) Procedem as alegações iniciais da CAMBER RIO de que ela, na condição de pessoa jurídica comissária de despachos, não pode atuar como representante legal do importador nos atos pertinentes ao despacho aduaneiro, não é considerada interveniente no comércio exterior, bem como não tinha acesso ao sistema informatizado Siscomex por intermédio de senha e, logo, não poderia transferila indevidamente a outrem. Entretanto, esses fatos, embora pudessem socorrêla na hipótese de aplicação de sanção administrativa cabível somente aos intervenientes, não a eximem da responsabilização pelos tributos e multas objeto do presente processo. Conforme consta nos autos, três funcionários da CAMBER RIO, quais sejam, Luis Tadeu Lopes, José Felix da Silva e Renato da Silva de Santana concorreram, de alguma forma, por ação ou omissão, para a realização das importações subfaturadas e com falsidade de declaração de conteúdo. Em todas as Declarações de Importação consta como representante legal do importador o Sr. Renato da Silva de Santana, o qual alega em seu favor, sem comprovar, que anotava a senha de acesso ao Siscomex em local onde terceiros poderiam consultálo, o que caso se comprovasse verdadeiro, seria uma conduta extremamente reprovável para a CAMBER RIO por permitir condutas desse tipo entre seus funcionários, e para o despachante aduaneiro, inclusive, punível com a suspensão da habilitação deste último se confirmada a efetiva cessão de senha de acesso ao Siscomex a outrem, nos termos do art. 735, II, "d" do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759/2009. Os outros dois funcionários da CAMBER RIO, os Srs. Luis Tadeu Lopes e José Felix da Silva, que não prestaram qualquer esclarecimento à fiscalização, conforme declaração do sócio da CAMBER RIO, o Sr. Luis Paulo Hespanhol, e do Sr. Renato da Silva de Santana, eram os funcionários responsáveis por acompanhar os procedimentos relativos aos despachos aduaneiros nos recintos alfandegados, os quais, portanto, apresentavam os documentos de despacho à fiscalização aduaneira, acompanhavam as conferências físicas das mercadorias e procediam à retirada da carga após o desembaraço das DIs. Apurou também a fiscalização que ambos assinaram o extrato da DI nº 11/09995328, registrada na Alfândega em 31/05/2011, cujas mercadorias foram objeto de pena de perdimento por "falsa declaração de conteúdo" no processo nº 10715.725496/201196. Obviamente que uma pessoa jurídica, tratandose de uma ficção jurídica, somente pode praticar, por intermédio de seus empregados ou prepostos, os atos lícitos para a realização do seu objeto social, ou mesmo ilícitos, como no caso sob análise. Nesse sentido, a pessoa jurídica responde pelos atos praticados por seus prepostos ou funcionários. O vínculo Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.819 41 empregatício com seus empregados demanda da empresa o acompanhamento e supervisão das funções por eles executadas no âmbito da empresa. Dessa forma, a empresa CAMBER RIO, contribuiu de alguma forma pela irregularidade de utilizar indevidamente o nome da sua maior cliente para registrar 146 (cento e quarenta e seis) operações de importação com subfaturamento e falsa declaração de conteúdo no período de 20/10/2009 a 02/08/2011. O art. 135, II do CTN não socorre a recorrente CAMBER RIO, vez que a responsabilidade pessoal dos seus funcionários não exclui a responsabilidade da contribuinte pessoa jurídica, a qual remanesce pelo "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" em solidariedade com os funcionários, nos termos do art. 124, I do CTN e, com relação às infrações, também do art. 95, I do Decretolei nº 37/66 Não se trata de irregularidade de mera transferência indevida de senha de acesso ao Siscomex, como quer fazer crer a CAMBER RIO, pois não há provas nos autos de que esse fato efetivamente ocorreu, mas do registro, efetuado por seus funcionários, de 146 operações de importações fraudulentas. Quanto à exclusão de majoração da multa de ofício na decisão recorrida, ora objeto de recurso de ofício, ela foi efetuada pela ausência de fraude, sonegação ou conluio na conduta da CAMBER RIO e de outros, mas não excluiu a responsabilização dessas pessoas físicas ou jurídicas pelos tributos e pelas infrações, em conformidade com o art. 124, I do CTN e com o art. 95, I do Decretolei nº 37/66, eis que elas concorreram, de alguma forma, por ação ou omissão, para a realização das importações e das irregularidades delas decorrentes. Assim, entendo que CAMBER RIO deve ser mantida no polo passivo do auto de infração como responsável pelos tributos e multas. 3. Renato da Silva de Santana: Além da mera alegação do Sr. Renato da Silva de Santana de que sua senha teria sido objeto de furto, não há nos autos qualquer comprovação ou indício de que esse fato tenha efetivamente ocorrido ou que ele tenha tomado qualquer atitude em face do alegado uso indevido de sua senha. Em se tratando de irregularidades praticadas por meio eletrônico, a alegação mais elementar, por assim dizer, no mundo dos fatos, é de que a senha teria sido utilizada por outrem. Era de se esperar a denúncia às autoridades competentes para apuração dos fatos por parte de eventual vítima de roubo de senha que permitiu o registro de 146 (cento e quarenta e seis) operações de importação fraudulentas, com subfaturamento e falsa declaração de conteúdo, por um período de quase 2 anos, de 20/10/2009 a 02/08/2011. Assim, diante da ausência de comprovação de qualquer elemento modificativo, prossegue válido que Renato da Silva de Santana atuou como representante legal do importador, conforme constou nas declarações de importação, o que tornou possível o registro das operações fraudulentas no Siscomex, de forma que ele contribuiu, de alguma forma, seja por ação ou omissão, para a prática das infrações. Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 42 Também, conforme acima exposto, o fato de anotar a senha de acesso ao Siscomex em local onde terceiros poderiam consultálo, acaso comprovado verdadeiro, seria uma conduta extremamente reprovável para o despachante aduaneiro, inclusive, punível com a suspensão da sua habilitação se confirmada a efetiva cessão de senha de acesso a outrem, nos termos do art. 735, II, "d" do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759/2009. Embora a fiscalização aponte outras pessoas que concorreram para a prática do ilícito, isso não exclui a responsabilidade de Renato da Silva de Santana, que concorreu para o registro das importações fraudulentas, na condição de representante legal do importador declarado. Quanto à exclusão de majoração da multa de ofício na decisão recorrida, ora objeto de recurso de ofício, ela foi efetuada pela ausência de fraude, sonegação ou conluio na conduta de Renato da Silva de Santana e de outros, mas não excluiu a responsabilização dessas pessoas físicas ou jurídicas pelos tributos e pelas infrações, eis que contribuíram para o cometimento das irregularidades. Pelo que entendo que deve ser mantida a responsabilização de Renato da Silva de Santana pelos tributos e pelas infrações, nos termos do art. 124, I do CTN e art. 95, I do Decretolei nº 37/66. 4. Jorge Luiz dos Santos e Sérgio Luiz Pereira: Conforme consta no Relatório de Fiscalização que a responsabilização das pessoas físicas Jorge Luiz dos Santos e Sérgio Luiz Pereira foi efetuada em face da responsabilidade da pessoa jurídica da qual eram sócios, a empresa NEW VISION, cuja inscrição no CNPJ tinha sido baixada, com base nos seguintes fatos e fundamentos: (...) 2.2) DA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO DA NEW VISION COMÉRCIO IMPORTAÇÃO DE BRINQUEDOS E PRODUTOS FOTOGRÁFICOS LTDA CNPJ nº 09.120.543/000117 – EMPRESA RESPONSÁVEL PELO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DAS 147 DI Com amparo em MPF específico, conforme consignado no e processo nº 11762.720074/201211, obtevese a quebra de sigilo bancário da NEW VISION, responsável pelo pagamento dos tributos das 147 importações por meio de débito automático em conta corrente desta empresa, no valor total de R$ 1.136.680,61. A NEW VISION foi constituída em 27/09/2007, apresentou DIPJ declarando como receita bruta valores de R$ 59.915,42 para o anocalendário de 2008, ZERO para o anocalendário 2009 e INATIVA no anocalendário de 2010. A NEW VISION é uma empresa cuja movimentação se resumiu ao registro de quatro DIs entre 16/02/2009 e 18/11/2009, no montante de R$ 65.262,54, sendo três destas importações sem cobertura cambial. Em dezembro de 2011, logo após ter sido deflagrada a fraude na XEROX para a qual concorreu, a NEW VISION solicitou a baixa no CNPJ por extinção da pessoa jurídica, conforme extrato do CNPJ às fls. 727. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.820 43 Na análise dos extratos bancários da NEW VISION e demais informações fornecidas pela instituição financeira, anexadas às fls. 728964, verificouse que: No período de 19/10/2009 a 02/08/2011, correspondente ao registro das 147 DIs, a contacorrente da NEW VISION recebeu créditos no valor de R$ 1.202.586,66 e débitos no valor de R$ 1.230.588,90; os créditos efetuados na contacorrente da NEW VISION ocorrem em datas e valores próximos ou coincidentes com os débitos do Siscomex, como se pode verificar nos extratos bancários fornecidos pela instituição financeira; no histórico do extrato bancário, os débitos, no período de 19/10/2009 a 02/08/2011, referemse quase que exclusivamente a pagamentos ao SISCOMEX, os quais somam R$ 1.136.680,60 – valor idêntico à soma dos tributos pagos para as 147 DIs analisadas da XEROX, conforme dados do DW Aduaneiro; MARCO ANTÔNIO EVARISTO DE OLIVEIRA, CPF nº 858.099.00763, pessoa ligada diretamente às empresas exportadoras nos EUA, foi responsável por depósitos identificados no valor total de R$ 123.950,00, o que corresponde a 10,9% dos tributos pagos (fls. 965969); Outras pessoas físicas e jurídicas foram responsáveis por demais créditos na contacorrente da NEW VISION no período, sendo significativa a participação de MARGARETE VILARDI, CPF nº 131.554.56833, responsável por depósitos identificados no valor total de R$ 331.737,50, o que corresponde a 29,2% dos tributos pagos (fls. 965969); O valor correspondente a R$ 570.270,26, ou 47,4% dos créditos efetuados no período não possuem identificação, não tendo sido possível, portanto, verificar os responsáveis por financiar esta parcela dos tributos pagos; Após a data de registro da última das 147 DIs (02/08/2011) ocorreram somente mais duas operações nesta contacorrente, no dia 05/09/2011: uma a crédito no valor de R$ 5.702,54, referente a resgate de aplicação financeira, e outra a débito, no valor de R$ 5.827,73, referente a cheque emitido em favor de JORGE LUIZ DOS SANTOS, sócio da NEW VISION. Com esta operação, o saldo da conta foi zerado e cessou a sua movimentação. Na análise da movimentação financeira na contacorrente da NEW VISION, e considerando o valor total de créditos efetuados entre 19/10/2009 a 02/08/2011 (R$ 1.202.586,66) contra o valor total dos tributos pagos nas importações fraudulentas da XEROX (R$ 1.136.680,61), ficou caracterizado que a movimentação na contacorrente da NEW VISION, neste período, ocorreu exclusivamente em função do pagamento dos tributos das 147 operações de importação analisadas. (...) Em consonância com as conclusões do presente relatório, atribuiuse a responsabilidade tributária solidária às pessoas físicas (...) e à pessoa jurídica CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA, CNPJ nº 00.881.347/000190, as quais concorreram diretamente para a ocorrência dos ilícitos Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 44 tributários constatados no curso da presente ação fiscal, por força do disposto no artigo 95, inciso I, do DecretoLei nº 37/66. Da mesma forma, na impossibilidade de se atribuir a responsabilidade solidária tributária à pessoa jurídica baixada NEW VISION COMÉRCIO IMPORTAÇÃO DE BRINQUEDOS E PRODUTOS FOTOGRÁFICOS LTDA, CNPJ nº 09.120.543/000117, atribuiuse a solidariedade aos respectivos sócios JORGE LUIZ DOS SANTOS, CPF 609.350.06753, e SÉRGIO LUIZ PEREIRA, CPF 411.676.94791, por força do disposto no artigo 134, inciso VII, e 135, inciso I, do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172/66. (...) Da análise dos autos, verificase que a utilização da conta corrente da empresa NEW VISION para débito automático dos valores dos tributos muito contribuiu para a efetivação das importações fraudulentas, pelo extenso período de 20/10/2009 a 02/08/2011. Embora não haja no processo a comprovação de participação de prepostos da empresa NEW VISION nos depósitos que cobriram o valor dos débitos da importações e também não conste a eventual autorização da NEW VISION para o débito automático dos tributos relativos às importações irregulares, não é verossímil se supor que a NEW VISION não tivesse conhecimento de tantos depósitos e débitos automáticos em sua conta corrente num período de quase 2 anos. Ademais, não há nos autos qualquer comprovação de que a empresa NEW VISION tenha tomado qualquer atitude em face de eventual utilização indevida pelos intervenientes da sua conta corrente. Nessa situação, era de se esperar de uma empresa idônea prejudicada por terceiros a denúncia às autoridades competentes para apuração dos fatos. De forma que cabível seria a responsabilização da empresa NEW VISION, caso não tivesse sido extinta, pelos tributos, por "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" (art. 124, I do CTN), e pelas infrações, eis que a empresa concorreu para as suas práticas (art. 95, I do Decretolei nº 37/66) com a movimentação dos valores pertinentes aos tributos incidentes sobre as importações irregulares. Assim, tratandose de hipótese de pessoa jurídica extinta à época da autuação, correta foi a atribuição de responsabilidade aos seus sócios efetuada "por força do disposto no artigo 134, inciso VII, e 135, inciso I, do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172/66", abaixo transcritos: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (...) VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.821 45 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; (...) Pelo que entendo que deve ser mantida a responsabilização das pessoas físicas JORGE LUIZ DOS SANTOS, de CPF nº 609.350.06753, e SÉRGIO LUIZ PEREIRA, de CPF nº 411.676.94791, nos termos do art. 124, I do CTN e art. 95, I do Decretolei nº 37/66 e dos arts. 134, VII e 135, I do CTN. Do recurso de ofício: O recurso de ofício atende ao requisito de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O julgador de primeira instância afastou a majoração da multa de ofício da empresa XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, da Comissária CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA; e da pessoa física RENATO DA SILVA DE SANTANA, tendo em vista que suas condutas estariam pautadas na omissão, da qual não se poderia extrair a sonegação, fraude ou conluio: (...) Por esse motivo, em face do Relatório Fiscal especificar a conduta dos seguintes impugnantes no esquema fraudulento, devem esses suportar a incidência da alíquota majorada de 150% das multas proporcionais: LUIS TADEU LOPES; JOSE FELIX; Empresa NEW VISION; MARCO ANTÔNIO EVARISTO DE OLIVEIRA; MARGARETE VILARDI; JORGE LUIZ DOS SANTOS, sócio da empresa NEW VISION; e SÉRGIO LUIZ PEREIRA, sócio da empresa NEW VISION. Se a conduta dos demais autuados – entre eles a empresa XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA e a Comissária CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA é pautada na omissão, na culpa "in eligendo" ou na culpa "in vigilando", por uma questão conceitual, não se pode extrair disso uma ação comissiva, seja de sonegação, fraude ou conluio, em atenção ao princípio da tipicidade. Por esse motivo, afastase a incidência da alíquota majorada de 150% das multas proporcionais para os seguintes autuados, aplicando em seu lugar a alíquota ordinária de 75%: Empresa XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA; Comissária CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA; e RENATO DA SILVA DE SANTANA.(...) Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 46 Relativamente à empresa XEROX, a qual entendo que deve ser excluída do polo passivo da autuação, conforme já exposto neste Voto, para a qual não restou comprovada sua participação no ilícito, obviamente não há que se falar em atuação com fraude, sonegação ou conluio para a incidência da majoração da multa de ofício. No que concerne à Comissária CAMBER RIO, como dito acima neste Voto, houve o registro, efetuado por seus funcionários, de 146 operações de importações fraudulentas, de forma que a sua responsabilidade decorre das condutas praticadas pelos seus empregados e da sua omissão em relação às condutas de seus funcionários, não tendo sido alegado ou efetivamente comprovado nos autos, fraude, sonegação e conluio em qualquer conduta da CAMBER RIO. Pelo que entendo correta a exclusão da majoração da multa de ofício efetuada pela decisão recorrida. Também com relação à pessoa física RENATO DA SILVA DE SANTANA, conforme já visto, ele concorreu, de alguma forma, por ação ou omissão, para o registro das importações fraudulentas, na condição de representante legal do importador declarado, mas não foi alegado ou efetivamente comprovado, no presente processo, fraude, sonegação e conluio em qualquer conduta sua. Dessa forma, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida na parte que exonerou a majoração da multa de ofício da empresas XEROX e CAMBER RIO e do Sr. RENATO DA SILVA DE SANTANA. Assim, por todo o exposto acima, voto no sentido de: i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) dar provimento ao recurso voluntário interposto pela XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. para excluíla do polo passivo da autuação. iii) negar provimento aos recursos voluntários interpostos pela CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA e pelos Srs. RENATO DA SILVA DE SANTANA, JORGE LUIZ DOS SANTOS e SÉRGIO LUIZ PEREIRA. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.822 47 Declaração de Voto Conselheiro DIEGO DINIZ RIBEIRO Com a devida vênia, ouso a discordar a I. Relatora no que tange ao resultado do julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA., pois tenho para mim que também é caso de procedência do recurso interposto. Vejamos. Em minha opinião o art. 95 do Decretolei nº 37/66 se limita a prever uma responsabilidade solidária apenas para aquelas exigências decorrentes de infrações tipicamente aduaneiras, ou seja, sem natureza tributária. A interpretação histórica deste dispositivo vis a vis do disposto no Código Tributário Nacional leva a essa conclusão, já que ambos diplomas legislativos tiveram vigência na mesmíssima data, i.e., 1º. de janeiro de 1967. Logo, não faria sentido a existência de duas disposições legislativas com idêntica vigência tratando do mesmíssimo assunto (responsabilidade tributária). Assim, como não existe palavras em vão na lei, me parece que o único sentido possível para a concomitância dessas duas disposições legais é no sentido acima exposto. Assim, para exigências de natureza tributária, a responsabilidade solidária só é possível naquelas hipóteses estritas do art. 124 do CTN. Nesse sentido, inclusive, há julgado do STF em sede de repercussão geral: Ementa DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 48 mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores – de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) – pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11762.720072/201302 Acórdão n.º 3402002.876 S3C4T2 Fl. 1.823 49 10. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. (STF; RE 562276, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/11/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022011 PUBLIC 10022011 EMENT VOL0246102 PP00419 RTJ VOL0022301 PP 00527 RDDT n. 187, 2011, p. 186193 RT v. 100, n. 907, 2011, p. 428442) (grifos nosso). Fixada esta premissa e levando em consideração que não há subsunção do caso em tela às hipóteses do art. 124 do CTN, tenho para mim que eventual fundamento para a responsabilidade a ser aqui apurada seria o art. 135, inciso III do CTN, cuja hipótese, para se realizar em concreto, demanda a comprovação de dolo, o que, com base nas provas dos autos, só consigo vislumbrar para as pessoas físicas responsabilizadas. Em relação a necessidade de conduta dolosa para fins de incidência do art. 135, inciso III do CTN destaco o seguinte julgado do STJ: EMENTA TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO QUOTISTA SEM PODERES DE GERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O integrante de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, sem função de gerência, não pode ser responsabilizado por dívidas tributárias contraídas pela sociedade, ainda que esta tenha se dissolvido irregularmente. Precedentes. 2. Recurso especial provido. (STJ; REsp 808.386/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/02/2007, DJ 26/02/2007, p. 578). No voto proferido pelo Relator no sobredito precedente essa questão fica ainda mais clara, quando assim se manifesta o Ministro Castro Meira: (...). Não se discute a existência de poderes de gerência do ora recorrente na condução da sociedade executada, mas a possibilidade jurídica de sua responsabilização pelos débitos tributários inadimplidos diante da premissa fática firmada pelo Tribunal a quo de que referido sócio era um mero quotista. (...). Este Tribunal possui entendimento consolidado de que o integrante de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, sem função de gerência, não pode ser responsabilizado por Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 50 dívidas tributárias contraídas pela sociedade, ainda que esta tenha se dissolvido irregularmente. Apenas os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias quando há dissolução irregular da sociedade ou comprovação da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou de infração de lei, contrato social ou estatutos. (...). E o motivo para tanto é muito simples: a responsabilização prevista no art. 135, inciso III do CTN prevê, necessariamente, que haja uma conduta dolosa por parte daquele que pratica os atos passíveis de responsabilização, i.e., com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Logo, não é possível responsabilizar um simples sócioquotista ou um acionista de uma sociedade empresarial, uma vez que tais pessoas não detêm capacidade de gestão de tais empresas, ou seja, não expressam vontade na condução da atividade empresarial. Daí ser possível concluir que a responsabilização de terceiros com fundamento no art. 135, inciso III do CTN demanda a comprovação de conduta dolosa. Firme nas premissas acima desenvolvidas e levando em consideração que, no caso dos autos não restou apurada a conduta dolosa por parte da empresa CAMBER RIO TRANSITARIA INTERNACIONAL LTDA. (conforme bem se observa do r. voto vencedor), voto para dar provimento ao seu Recurso Voluntário e, por conseguinte, excluir a responsabilidade tributária que lhe fora indevidamente imputada. É como declaro meu voto. (Assinatura Digital) Diego Diniz Ribeiro Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado dig italmente em 03/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Numero do processo: 10920.003225/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
MOTIVAÇÃO PARA O LANÇAMENTO. MERA CITAÇÃO DO ATO QUE EXCLUIU A EMPRESA DO SIMPLES. ACEITAÇÃO.
Aceita-se como suficiente para motivar o lançamento referente à exigência das contribuições patronais a mera menção ao ato administrativo que provocou a exclusão da autuada do Simples.
PROCESSO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES TRANSITADO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DAS QUESTÕES ALI TRATADAS.
Tendo o processo de exclusão do Simples transitado em julgado, por falta de manifestação do sujeito passivo no prazo legal, descabe a este tentar abrir, no processo de exigência das contribuições devidas, a discussão acerca das questões que motivaram a sua exclusão do regime simplificado.
PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração na GFIP dos fatos geradores correspondentes.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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MERA CITAÇÃO DO ATO QUE EXCLUIU A EMPRESA DO SIMPLES. ACEITAÇÃO. Aceitase como suficiente para motivar o lançamento referente à exigência das contribuições patronais a mera menção ao ato administrativo que provocou a exclusão da autuada do Simples. PROCESSO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES TRANSITADO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DAS QUESTÕES ALI TRATADAS. Tendo o processo de exclusão do Simples transitado em julgado, por falta de manifestação do sujeito passivo no prazo legal, descabe a este tentar abrir, no processo de exigência das contribuições devidas, a discussão acerca das questões que motivaram a sua exclusão do regime simplificado. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração na GFIP dos fatos geradores correspondentes. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 32 25 /2 01 0- 70 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10920.003225/201070 Acórdão n.º 2402004.851 S2C4T2 Fl. 154 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 26.125 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.279.5986. A lavratura em questão diz respeito à aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. De acordo com Relatório Fiscal da Infração, de fls. 05 a 11, trata se infringência ao disposto no art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 40, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, por ter a empresa apresentado a Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. As quantias não declaradas foram as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestaram serviços à autuada nas competências 02, 06, 07 e 09 de 2006. Segundo o fisco, a autuada optou, em 22/02/2000, pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, nos termos definidos na Lei n.º 9.317/1996 e alterações posteriores. Afirma que mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n.º 554425, de 02/08/2004, o contribuinte foi excluído do Simples, com efeitos a partir de 01/08/2003, por manter atividade econômica vedada a empresas optantes por tal regime tributário. Assevera que, mesmo diante da exclusão, a empresa continuou a se declarar e a recolher as contribuição lançadas como se fosse beneficiária do regime simplificado de recolhimento de tributos, mantendo apenas o pagamento parcial da contribuição dos segurados. Segundo o fisco, a multa foi imposta levando em consideração as alterações promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, de modo que o contribuinte ficasse sujeito à penalidade menos gravosa. Cientificado do lançamento em 20/08/2010, o sujeito passivo ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que manteve o lançamento na íntegra. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 126/149, no qual, alegou que: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 a) é uma empresa de prestação de serviço de assistência técnica de telefones celulares e optou legitimamente pelo Simples em 22/02/2000, conforme facultado pela legislação; b) foi excluída do sistema mediante ato da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis, sob o pretexto de que sua atividade seria vedada pela lei de regência, haja vista que, sendo empresa especializada em reparos de aparelhos telefônicos, teria necessidade de contar com os serviços de profissional de engenharia; c) inconformada, solicitou revisão administrativa de sua exclusão do Simples, a qual não foi ainda apreciada, por esse motivo, continuou a efetuar os recolhimentos tributários como se mantivesse a opção pelo regime simplificado; d) não deve subsistir a autuação em tela, posto que, mesmo que se admita que tenha havido preclusão no seu direito de impugnar o ato de exclusão do Simples, a empresa tem o direito de discutir os lançamentos que se embasaram naquele ato administrativo; e) ressalta que cabe a discussão da sua exclusão do Simples, posto que no momento em que foi exarado o ato, não houve o lançamento de qualquer tributo, o que veio a ocorrer somente em 2010; e) nos termos do art. 65 da Lei n.º 9.784/1999, a existência de fatos novos ou circunstâncias relevantes justificam a possibilidade de rediscutir sua exclusão do Simples; f) como a Administração Pública deve se pautar pela legalidade e pela verdade material, é permitido ao sujeito passivo trazer a baila a ilegalidade do ato de exclusão do Simples; g) observese ainda que, de acordo com o art. 27 da Lei n.º 9.784/1999, o desatendimento de intimação não importa no reconhecimento da verdade dos fatos, nem renúncia a direito pelo administrado; h) nessa linha de entendimento, ainda que um contribuinte parcele ou pague um crédito tributário, que posteriormente saiba ser indevido, haverá sempre o direito de pedir revisão do ato administrativo; i) no procedimento de exclusão da recorrente do Simples foi negligenciado o princípio do devido processo legal, posto que a marcha processual foi encerrada antes que a recorrente tivesse a oportunidade de se contrapor ao ato administrativo que lhe trouxe prejuízo; j) a exclusão de ofício do contribuinte do Simples não pode prescindir da prévia intimação para que exerça a ampla defesa e o contraditório a respeito dos fatos que lhes são imputados; k) essa nulidade do ato de exclusão deve ser reconhecida, conforme se verifica da jurisprudência colacionada; l) a lavratura é nula posto que não descreve claramente quais os métodos, critérios e formas de abatimento dos créditos indicados no Relatório de Documentos Apresentados; m) no mérito alega que é singela prestadora de serviços de consertos de celulares, sendo perfeitamente válida a sua opção pelo Simples. Assim, não pode prevalecer o ato que a excluiu do regime, tampouco o auto de infração decorrente; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10920.003225/201070 Acórdão n.º 2402004.851 S2C4T2 Fl. 155 5 n) a sua atividade econômica prescinde da atuação de engenheiro, como alegado pelo fisco, uma vez que o conserto de aparelhos telefônicos não consta do rol da Lei n.º 5.194/1966, que regula o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro agrônomo; o) de acordo com a Lei n.º 10.964/2004, art. 4.º, inciso V, na redação dada pela Lei n.º 11.051/2004, as pessoas jurídicas que se dedicam a serviços de manutenção de equipamentos ficam excetuadas das restrições do art. 9.º, inciso XIII, da Lei n.º 9.317/1996; p) apresenta decisões administrativas e judiciais que entendem pela possibilidade de opção ao Simples pelas empresas que se dedicam à manutenção de aparelhos telefônicos e ainda que tal atividade não se compreende naquelas privativas de engenheiros; r) não se pode dar uma interpretação restritiva da Lei do Simples, para afastar o seu direito de opção pelo regime tributário sob enfoque; s) as atividades da recorrente podem ser perfeitamente desenvolvidas sem a atuação de profissionais com qualificação técnica específica, dependendo apenas da experiência prática; t) os pagamentos efetuados na sistemática do Simples devem ser aproveitados na apuração fiscal; e u) na aplicação da multa mais benéfica, deve ser utilizado a regra inserta no art. 32A, I, da Lei n.º 8.212/1991; Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida e a possibilidade de produção de todas as provas em direito admitidas. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Preliminares de nulidade A recorrente aponta mácula verificada no lançamento que conduziria à nulidade da lavratura. Alega que, se não foi intimada da sua exclusão do Simples, é nulo o Ato de Declaratório de Exclusão e também o presente AI, uma vez que foi totalmente fundamentado na sua perda da opção pelo Simples. Discordo esse argumento. As informações constantes no relato do fisco e também no próprio recurso levamme a convicção de que o contribuinte deixou transcorrer em branco o prazo para se contrapor ao Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n.º 554425, de 02/08/2004, que o excluiu do Simples. O direito de impugnar este ato administrativo encontrase previsto no § 3° do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, verbis: § 3.º. A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo (PAF). (Incluído pela Lei n° 9.732, de 11.12.1998). Nos termos do art. 14 combinado com o art. 15 do Decreto n.º 70.235/1972, o qual regula o contencioso administrativo relativo aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, se a empresa deixar de apresentar a impugnação em trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, não se instaurará o contencioso e o direito de se contrapor ao fisco restará precluso. Assim, tendo o sujeito passivo perdido, em razão do decurso do prazo legal, a faculdade de contestar o ato de exclusão, descabe agora a esse colegiado discutir as razões que levaram a empresa a ter o seu direito de permanecer no regime simplificado de arrecadação de tributos cassado. Diante disso, é legítimo que a autoridade lançadora tenha apresentado como motivo para exigência das contribuições patronais para os "terceiros" a exclusão da empresa do Simples, haja vista que, a partir da produção de efeitos do Ato Declaratório da RFB, a recorrente passou a ser devedora dos tributos lançados. Quanto à falta de apresentação dos critérios de apropriação dos recolhimentos, cabe destacar que não foi apropriado nenhum recolhimento de contribuições Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10920.003225/201070 Acórdão n.º 2402004.851 S2C4T2 Fl. 156 7 previdenciárias, posto que as guias da Previdência Social recolhidas pelo contribuinte no período do lançamento referemse apenas à contribuição dos segurados, a qual não é objeto do presente AI. Quanto às guias recolhidas na sistemática do Simples, serão objeto de tópico específico neste voto. Conexão com os processos de exigência da obrigação principal O entendimento unânime dessa Turma de Julgamento é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Assim, considerandose que, em julgamento a pouco realizado, foram reconhecidos como existentes os fatos geradores das contribuições exigidas no processo n.º 10920.003229/201058 (AIOP n.º 37.279.5978), os quais são os mesmos que deram ensejo à presente autuação, devemos concluir que ocorreu a infração em tela, sendo legítima a imposição da multa. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Multa Alega o sujeito passivo que, tendose em conta as alterações no cálculo da multa trazidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, deve se calcular a multa com esteio no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10920.003225/201070 Acórdão n.º 2402004.851 S2C4T2 Fl. 157 9 a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte. Essa comparação foi apresentada nos anexos ao relatório fiscal, onde restou claramente demonstrado que, para as competências que compõem o AI, a multa menos gravosa é aquela aplicada com respaldo na legislação da ocorrência dos fatos geradores, ou seja, o revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15374.919778/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO - PEREMPÇÃO.
Não se conhece das razões de recurso voluntário que tenha sido apresentado após o decurso do prazo determinado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-001.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Não se conhece das razões de recurso voluntário que tenha sido apresentado após o decurso do prazo determinado no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 97 78 /2 00 8- 89 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório GBE GÁS E ENERGIA LTDA (sucedida por Condor Super Center Ltda), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição e não homologou compensações com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2000. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o processo das compensações a seguir, na qual a interessada pretende compensar débitos da sucessora CONDOR SUPER CENTER LTDA, CNPJ. 76.189.406/000126 com crédito da sucedida GBE GAS E ENERGIA LTDA, CNPJ. 01.924.655/000119, decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no valor de R$ 1.762.983,03: 01983.15149.241106.1.6.020479 PER * 29277.50583.310106.1.3.027510 DCOMP 21614.84584.240206.1.3.025007 DCOMP 36407.79922.310306.1.3.026036 DCOMP 39286.61130.270808.1.7.027393 DCOMP * PER Pedido de Restituição com Demonstrativo do Crédito DCOMP – Declaração de Compensação O Pedido de Restituição e as Declarações de Compensação foram analisados em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 05, nº de rastreamento 846601184, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que houve entrega de mais de uma Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) para o período de apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. DIPJ 1: 01/01/2000 a 31/10/2000 DIPJ 2: 01/11/2000 a 31/12/2000 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.762.983,03” Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 1º, Parágrafo 3º do art. 2º, Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 29/09/2009, fls. 28. Inconformada, a CONDOR SUPER CENTER LTDA, CNPJ. 76.189.406/000126, na qualidade de sucessora da interessada, apresentou manifestação de inconformidade em 22/06/2010, fls. 16/24, alegando que: a empresa CONDOR SUPER CENTER LTDA, CNPJ. 76.189.406/000126, incorporou a interessada em 31/10/2005, sucedendoa em todos os direitos e obrigações, sendo parte legítima nos processos administrativos. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 4 3 em 31/10/2000, a empresa CMS BRASIL ENERGIA LTDA (posterior GBE), CNPJ. 01.924.655/000119, em face de cisão parcial, transferiu parte de seu patrimônio a CMS PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ. 04.073.442/000119, com redução de capital para R$ 2.904.041,64. em 31/10/2000 foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.762.982,93, com a transmissão da DIPJ para este período de 01/01/2000 a 31/10/2000, e apresentação de outra DIPJ para o período de 01/11/2000 a 31/12/2000. apresentou PER em 06/06/2005, de nº 17146.23568.060605.1.2.027954, sem informar o período de apuração, razão qual apresentou PER retificadora, nº 01983.15149.241106.1.6.020479, informando período de 01/01/2000 a 31/12/2000. o PER retificador foi preenchido com erros: (1) exercício e período do crédito, sendo os corretos exercício 2000, anocalendário 2000 e período de 01/01/2000 a 31/10/2000; (2) crédito do saldo negativo de IRPJ no valor correto de R$ 1.762.982,93. as divergências levaram ao indeferimento, mas tratam de erro de fato, o que não invalida o direito da sucessora. o crédito foi utilizado para compensar os débitos de IRPJ e CSLL apurados por CONDOR, sucessora de GBE/CMS. o despacho decisório foi encaminhado ao endereço da GBE GÁS E ENERGIA LTDA, no centro do Rio de Janeiro. a GBE foi extinta em 31/10/2005 por incorporação, e a sucessora não mantém filial ou escritório no antigo endereço da sucedida, não podendo receber a intimação em 29/09/2009. em 21/09/2009, quando proferido o despacho decisório, a GBE não mais existia e no cadastro da Receita Federal do Brasil já constava a sua incorporação pela CONDOR. Além disso, as DCOMP não homologadas pelo mesmo despacho já estavam em nome da sucessora. não obstante, a sucessora dáse por intimada em 25/05/2010, data em que, no SEORT/DRF Curitiba, recebeu as cópias do despacho decisório de 21/09/2009 no endereço da extinta GBE, no Rio de Janeiro, data a partir da qual deve ser contado o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade. requer, ainda, a suspensão da exigibilidade dos débitos. afirma que o crédito decorre de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras, no valor de R$ 1.730.195,27, e estimativas recolhidas, conforme quadro abaixo: Alíquota de 15% R$ 406.030,81 Adicional R$ 250.687,30 Total IRPJ R$ 656.718,11 () IRPJ pago por estimativa R$ 689.505,77 () IRRF rendimentos financeiros R$ 1.730.195,27 saldo negativo de IRPJ R$ 1.762.982,93 foram cometidos erros no preenchimento do PER, conforme quadro a seguir: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 5 4 estes erros de fato também ocorreram nas DCOMP apresentadas. requer (1) seja declarada a nulidade da intimação, formalizada a suspensão da exigibilidade dos débitos, reabrindose prazo para apresentação da manifestação de inconformidade; (2) que no mérito seja deferido o pedido de restituição, e sejam homologadas as compensações de IRPJ e CSLL efetuadas pela sucessora com o crédito da sucedida. A interessada apresentou, ainda, requerimento de Revisão de Ato Administrativo, dirigido ao Delegado da Receita Federal em Curitiba, fls. 179/180. É o relatório. A Turma Julgadora declarou ineficaz a intimação dirigida ao endereço da pessoa jurídica extinta, e afirmou tempestiva a manifestação de inconformidade espontaneamente apresentada pela sucessora. No mérito, porém, rejeitou os argumentos da interessada em acórdão assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006, 2008 DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Conforme termo de fl. 204, a sucessora foi cientificada da decisão de primeira instância em 10/12/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias contados da postagem do documento em sua caixa postal do eCAC. Em 27/01/2014 o documento foi por ela aberto conforme fl. 205, seguindose a solicitação de cópia do processo em 04/02/2014, fornecida na mesma data (fl. 206/223). Em 25/02/2014 a sucessora interpôs o recurso voluntário de fls. 225/244, no qual descreve a apuração do saldo negativo, os eventos societários ocorridos e a destinação dada ao indébito, observando que o pedido de restituição e as declarações de compensação deveriam ter sido analisados pela DRF/Curitiba, e questionando os atos posteriormente praticados. Especificamente com referência à ciência da decisão de 1ª instância, diz que: somente soube dos débitos pendentes quando tentou obter certidão negativa de débitos, ocasião em que foi informada pelo SEORT/DRF CURITIBA que a intimação agora efetuada no Portal eCAC, ao qual acessou em 27/01/2014, segunda feira, quando oficialmente tomou ciência do teor do acórdão (fl. 205). Observa que o acórdão teria sido disponibilizado na Caixa Postal em 25/11/2013, mas o processo administrativo não foi disponibilizado no eCAC da sucessora Fl. 270DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 6 5 CONDOR, o que a levou, em 04/02/2014, a pedir cópia do mesmo ao SEORT/DRF CURITIBA. Argúi a nulidade do despacho decisório porque editado por autoridade incompetente. Observa que as intimações preliminares foram dirigidas à GBE Gás e Energia Ltda quando esta já se encontrava extinta, e que somente teve conhecimento desta circunstância quando obteve cópia dos autos em 04/02/2014. Ressalta que a intimação foi devidamente comunicada à Receita Federal, e que a Administração tinha condições de consultar seu cadastro devidamente atualizado para não tolher o direito da recorrente de atender à intimação. Por esta razão, aliás, não foram promovidas as retificações ali cogitadas, do que resultou o despacho decisório e prejuízos à sucessora. Prossegue anotando que o despacho decisório também indicou a extinta GBE Gás e Energia Ltda e foi dirigido ao seu antigo endereço. Em consequência, a recorrente mais uma vez tentou sanar os efeitos dos equívocos havidos, mas daí já decorreu o não reconhecimento de seu direito creditório. Invoca os arts. 59, I e II e 61 do Decreto nº 70.235/72, bem como os arts. 4º, 41 e 47 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, ressalta que as DCOMP não homologadas já haviam sido transmitidas em 2006 com o CNPJ e o nome da sucessora CONDOR, e pretende que com a declaração de nulidade da intimação de 29/08/2007 sejam também declarados os atos posteriores, citando também os arts. 57, 63 e 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, vigentes à época da edição do despacho decisório. Aduz também a incompetência da DRJ/Rio de Janeiro, reportandose à manifestação de inconformidade que dirigiu à DRJ/Curitiba, e que não teve seguimento sob a alegação de que a competência de julgamento seria da DRJ/Rio de JaneiroI, em razão de o despacho decisório ter sido editado pela DERAT/RJ. Observa que diante das circunstâncias antes enunciadas, houve desrespeito ao art. 66, §2º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Argúi, também, a nulidade das intimações eletrônicas do acórdão proferido pela DRJ/Rio de JaneiroI, asseverando que somente tomou conhecimento do acórdão em 27/01/2014, quando constatou que a ciência por decurso de prazo teria ocorrido em 10/12/2013, e complementa: Ora, o ato de disponibilização do acórdão em 25/11/2013, e a alegada ciência por decurso de prazo em 10/12/2013, são consequências do acórdão 1252.119, de 24/01/2013, da 5ª Turma da DRJRJ1, que, como atrás demonstrado, proferido por órgão incompetente, é nulo de pleno direito. Nulo aquele acórdão, nulos também são os demais atos que dele decorreram ou sejam consequência, razão pela qual o ato da alegada disponibilização do acórdão em 25/11/2013, assim como da pretensa intimação por decurso de prazo em 10/12/2013 também são nulos (fls. 204/205). Subsidiariamente, discorre sobre o mérito, abordando a regularidade das antecipações a título de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras, o oferecimento à tributação destas receitas, a quitação de estimativas por meio de compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, a indicação de atualização do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1999 como IRRF em agosto/2000, a ausência de irregularidades constatadas em procedimento fiscal desenvolvido para verificação de seus resultados no ano calendário 2000. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 7 6 Requer, assim, a declaração de nulidade dos atos administrativos antes referidos ou, tendo em conta o disposto no art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72, o reconhecimento da procedência do pedido de restituição e de sua compensação com débitos da sucessora. Requer, também, que, se declarada a nulidade e não decidido o mérito, que o processo seja devolvido ao SEORT/DRFCURITIBA, para que, ali, então, o pedido de restituição e as compensações declaradas pela sucessora CONDOR sejam objeto do devido despacho decisório. A autoridade administrativa local encaminhou os autos observando que o recurso voluntário era intempestivo, mas que a perempção deveria der julgada por este Conselho (fl. 262). Na sequência, à fl. 264, consta petição dirigida ao Delegado da Receita Federal em Curitiba, requerendo a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados em razão do recurso voluntário aqui interposto. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 8 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Ao contrário do que alega a recorrente, a eventual nulidade dos atos precedentes não permite que este órgão julgador declare, também, a nulidade das intimações eletrônicas da decisão de 1ª instância. A tempestividade do recurso voluntário é requisito essencial para sua admissibilidade e instauração do litígio, estabelecendo a competência deste órgão julgador para se manifestar sobre as alegações da recorrente. Como expresso na Constituição Federal (art. 5o, inciso LV), as garantias do contraditório e ampla defesa vinculamse aos meios e recursos a ela inerentes. Ou seja, as normas processuais devem ser necessariamente observadas, especialmente aquelas que delimitam a competência dos órgãos de julgamento. Não sendo este o caso, eventuais ilegalidades no ato administrativo questionado somente podem ser conhecidas de ofício por parte das autoridades administrativas incumbidas da execução do crédito tributário compensado, mormente no controle que deve ser exercido no momento de sua inscrição em Dívida Ativa da União (art. 2o, §3o da Lei nº 6.830/80). No presente caso, a intimação do resultado de julgamento de 1a instância foi efetivada mediante disponibilização do acórdão de manifestação de inconformidade e do DARF correspondente aos débitos compensados na caixa postal eletrônica da sucessora da contribuinte, em 25/11/2013, conforme termo de fls. 204: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 15374.919778/200889 INTERESSADO: GBE GAS E ENERGIA LTDA DESTINATÁRIO: 76189406000126 TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 25/11/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 10/12/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade Darf DATA DE EMISSÃO : 11/12/2013 Em tais condições, diz o Decreto nº 70.235/72, já alterado à época pela Lei nº 12.844/2013: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 9 8 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informar lheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (negrejouse e grifouse) A Portaria SRF nº 259/2006, com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 574/2009, assim disciplina este procedimento de intimação: Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. [...] Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 10 9 Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. (negrejouse) O Termo de Opção citado no § 2o do art. 4o, acima transcrito, foi criado pela Instrução Normativa SRF nº 664/2006: Art. 1o Ficam aprovados o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico e o Termo de Cancelamento de Domicílio Tributário Eletrônico constantes, respectivamente, dos Anexos I e II. § 1º Os Termos a que se refere o caput estão disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), na página da Secretaria da Receita Federal na Internet, no endereço. § 2º Para acesso ao eCAC é obrigatória a utilização de certificado digital válido, conforme disposto no art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 580, de 12 de dezembro de 2005. [...] ANEXO I TERMO DE OPÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NI (dados de identificação do sujeito passivo obtidos automaticamente)´ Nome/Nome Empresarial Autorizo a Secretaria da Receita Federal a enviar comunicação de atos oficiais para minha caixa postal eletrônica disponibilizada no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), no endereço , a qual será considerada domicílio tributário eletrônico.Fico ciente de que o prazo para ser considerado intimado é de 15 (quinze) dias contados da data em que a comunicação for registrada em minha caixa postal eletrônica, a qual ficará disponível pelo prazo de 5 (cinco) anos, salvo se apagada manualmente.Responsável legal perante a SRF <dados de identificação obtidos automaticamente>: NOME CPF Local e Data Fundamentação Legal: arts. 2º e 23, III, “a”, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, com a redação do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; e Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006. (negrejouse) Atualmente, a Instrução Normativa RFB nº 1077/2010 consolida as disposições acerca do Centro Virtual de Atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (eCAC), nos seguintes termos: Art. 1º O Centro Virtual de Atendimento (eCAC) tem como objetivo propiciar o atendimento de forma interativa, por intermédio da Internet, no sítio da Secretaria Fl. 275DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 11 10 da Receita Federal do Brasil (RFB), no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. § 1º O acesso ao eCAC será efetivado pelo próprio contribuinte, mediante a utilização de: I certificados digitais válidos emitidos por Autoridades Certificadoras integrantes da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil): eCPF, ePF, e CNPJ ou ePJ, observado o disposto no art. 1º do Decreto nº 4.414, de 7 de outubro de 2002; e II código de acesso gerado na página da RFB, na Internet, no endereço constante do caput deste artigo. § 2º No caso de utilização de certificado digital, o acesso ao eCAC poderá ser feito, também: I por procurador legalmente habilitado em procuração eletrônica outorgada pelo contribuinte; II pelo representante da empresa responsável perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); III pela matriz, no caso de filial; e IV pela sucessora, no caso de sucedida. [...] Art. 2º No eCAC estão disponíveis as seguintes opções de acesso aos serviços: I por meio de certificado digital ou código de acesso, os serviços elencados no Anexo I; II exclusivamente por meio de certificado digital, os serviços elencados no Anexo II. (negrejouse) Por sua vez, referido Anexo II relaciona, dentre tais serviços, aquele que permite a ciência de comunicados e intimações por meio eletrônico: [...] [...] [...] Caixa Postal Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico PF e PJ Este serviço possibilita optar pelo recebimento ou cancelamento de comunicações de atos oficiais por meio eletrônico através do sistema Caixa Postal. [...] [...] [...] Consta do documento de fl. 205 o que segue: O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 27/01/2014 11:54h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Darf Contribuinte: 76.189.406/000126 CONDOR SUPER CENTER LTDA (ou seu Representante Legal) Concluise, daí, que a pessoa jurídica, ou seu representante legal, estava habilitada a acessar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte, e consultar Fl. 276DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 12 11 comunicados/intimações, faculdade conferida, apenas, àqueles que apresentaram Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico na forma antes mencionada. E, em tais condições, como expresso no referido Termo de Opção antes transcrito, e disposto no art. 23, §2o, inciso III, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/2005, considerase feita a intimação em 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, qual seja, seu endereço eletrônico. Disponibilizada a intimação do resultado de julgamento em 25/11/2013, a ciência se verificou, por decurso do prazo legal, em 10/12/2013, de modo que o recurso voluntário deveria ter sido apresentado até 09/01/2014. A recorrente afirma somente ter tido notícia da decisão quando tentou obter certidão negativa de débitos, acessando o Portal eCAC em 27/01/2014, e constatando que o presente processo administrativo não lhe fora disponibilizado, de modo que requereu e obteve cópia do processo em 04/02/2014, apresentando recurso voluntário em 25/02/2014, ou seja, nos 30 (trinta) subsequentes à abertura do documento no Portal eCAC. Esclareçase inicialmente que a disponibilização do processo administrativo não era necessária para caracterização da ciência da decisão de 1ª instância. Para tanto, basta a disponibilização da própria decisão, até porque os autos do processo administrativo, até aquela decisão, eram formados, basicamente, por intimações e decisões dirigidas ao sujeito passivo, pela DCOMP por ele apresentada, e pela manifestação de inconformidade elaborada pela sucessora com conhecimento daquelas ocorrências anteriores. Para além disso, apenas despachos de encaminhamento e a decisão de 1ª instância integram os autos. E, quanto ao fato de a sucessora somente ter tido conhecimento dos débitos em aberto ao requerer certidão negativa de débitos, está demonstrado que o documento foi postado em sua domicílio eletrônico (e não da sucedida) e, ao firmar o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico ela se declarou ciente de que a intimação se daria, de forma presumida, 15 (quinze) dias depois do registro da comunicação em sua caixa postal eletrônica. Cumprialhe, assim, ser diligente e periodicamente consultar, em sua caixa postal, o eventual registro de comunicações sujeitas a prazo para interposição de recursos administrativos. Dispõe o art. 35 do Decreto nº 70.235/72 que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. E, presente prova da apresentação tardia do recurso voluntário apenas em 25/02/2014, faltalhe requisito essencial para sua admissibilidade, razão pela qual o litígio não se instaura, o que torna o órgão julgador incompetente para apreciar o mérito das alegações veiculadas na petição. Por todo o exposto, o presente voto é o sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário de fls. 225/244. (documento assinado digitalmente) Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Fl. 277DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.919778/200889 Acórdão n.º 1302001.759 S1C3T2 Fl. 13 12 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 19647.003780/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/11/2007 DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. PRAZO DETERMINADO EM LEI. RECUSA DE PRODUÇÃO DE PROVAS DESNECESSÁRIAS E PROTELATÓRIAS. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO IN DÚBIO PRO REO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DÚVIDAS NO LANÇAMENTO.. CARTÕES DE INCENTIVO E PREMIAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. VERBAS REMUNERATÓRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS EFETUADOS AOS EMPREGADOS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.202
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para aplicar a multa do artigo 32- A-I, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator
Nome do relator: Eduardo Oliveira
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FATOS GERADORES. Recorrente CROPSAN COMÉRCIO E REPRESENTÇÕS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/11/2007 DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. PRAZO DETERMINADO EM LEI. RECUSA DE PRODUÇÃO DE PROVAS DESNECESSÁRIAS E PROTELATÓRIAS. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO IN DÚBIO PRO REO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DÚVIDAS NO LANÇAMENTO.. CARTÕES DE INCENTIVO E PREMIAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. VERBAS REMUNERATÓRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS EFETUADOS AOS EMPREGADOS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para aplicar a multa do artigo 32 AI, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 58 /2 00 9- 69 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 160 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 161 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.009.6789, CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 04, com período de apuração de 04/2002 a 12/2006, conforme Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 06 e 07. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 07/03/2008, conforme AR, de fls. 11. O contribuinte apresentou sua defesa, em 07/04/2008, as fls. 15 a 38, acompanhada dos documentos, de fls. 39 a 65. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 68 e 69. A DRJ por intermédio do Despacho Nº 0167/2008 – 7ª Turma da DRJ/REC baixou os autos em diligência, tendo em vista a ausência da planilha de cálculo do montante da multa aplicada. O órgão fiscal DRF – origem em atendimento ao solicitado juntou aos autos a Informação Fiscal – IF, de fls. 100 a 104, constando deste o recebimento pessoal da IF, pela contribuinte. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1137.487 7ª, Turma DRJ/REC, em 05/07/2012, fls. 109 a 114. No qual a impugnação foi considerada improcedente. Todavia, a multa foi retificada de ofício para R$ 19.167,62 conforme a IF, anteriormente, citada. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 24/07/2012, conforme AR, de fls. 116. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 119 a 407, recebido, em 07/08/2012, conforme carimbo de recepção, de fls. 119, acompanhado dos documentos de fls. 146 a 154. As teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Admissibilidade. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 162 4 · que o arrolamento de bens é desnecessário, segundo súmula 373, do STJ; Preliminar. · que a autoridade julgadora deve buscar incessantemente a verdade material, sem limitarse ao que alegado e apresentado como prova, deferindo a dilação de prazo para a apresentação das provas de defesa, pois de posse das empresas contratadas pela recorrente; · que diversos lançamentos contábeis são considerados como prestação de serviços por pessoas físicas, mas não identifica essas pessoas, o que inviabiliza a defesa, pois não se conhece com clareza a acusação; · que a CF traz como cláusula pétrea a ampla defesa e contraditório, sendo corolário o princípio da verdade material, razão pela qual deve o r. acórdão ser anulado, uma vez que maculado os princípios constitucionais; · que o auto de infração tem natureza jurídica de penalidade pelo descumprimento de suposta infração, não havendo dúvida de sua natureza penal, cabendo, assim a aplicação do princípio do in dúbio pro reo, artigo 112 do CTN, tendo certeza a recorrente que as verbas autuadas não são base de cálculo da contribuição previdenciária; Mérito. · que a recorrente se utilizou do programa de incentivos e marketing da Incentivo House para promover o aumento de produtividade de seus empregados e terceiros, a qual o faz por meio de cartões de premiação e não cartões de crédito, com diz o relatório fiscal da autuação, fazendo jus a essa premiação os empregados e terceiros, segundo regras estabelecidas; · que a CF estabeleceu no artigo 195, I, “a”, “b” e “c”, II, III e IV o campo de incidência da contribuição para a seguridade social, sendo a base de cálculo desta “o pagamento de folha de salários e demais rendimentos do trabalho, em decorrência da prestação de serviços por pessoas físicas, mesmo sem vínculo empregatício” (sic), pois apenas a remuneração percebida em razão do trabalho pode ser base de cálculo da contribuição, pois é imprescindível o exercício da atividade laboral para que haja a caracterização de trabalhador; · que é necessário o exame da abrangência do termo salário e remuneração do serviço, para aferir a sua presença nos programas de marketing de relacionamento, motivação, incentivo e fidelidade · que o salário abrange a remuneração, conforme art. 457, CLT, sendo necessário vinculo empregatício, artigo 3º. CLT, se inexistente a relação de emprego não de pode falar em salário, estando tal conceito definido nos artigos 457 e 458, da CLT; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 163 5 · que por referirse a CF no artigo 195, I, “a” aos demais rendimentos do trabalha, exclui, qualquer outro que não seja contraprestação de um serviço; · que no casa da premiação no ocorre os fatos jurídicos tributários da contribuição previdenciária do artigo 195, I “a” e II, da CF , pois não há o pagamento da folha de salários e nem remuneração a trabalhador sem vínculo empregatício na premiação, pois são programas de incentivo de funcionários e terceiros criados por empresa especializada na área e assim os elementos configuradores de salários e remuneração não estão presentes, sendo os prêmios agradecimento em razão de determinada situação personalíssima do empregado, envolvendo ativação, dedicação, esforço, implemento da condição específica estipulada pelo empregador, atingimento da meta e outros, não sendo o prêmio habitual e nem tendo natureza salarial, cita julgados do TRT e TST; · que não tendo o prêmio natureza salarial não há como tributálo pela contribuição previdenciária, artigo 11, parágrafo único, “a”, “b” e “c”, da Lei 8.212/91 e artigo 22, I, do citada lei, bem como diz o artigo 28, §9º, “e” item 7, que ganhos eventuais não integram o salário de contribuição, sendo a habitualidade critério determinante para a definição da natureza salarial, não podendo o direito tributário alterar conceitos do direito privado, aplicandose aqui o princípio da legalidade, art. 5º, II, da CF; · conclusões: a) que segundo a legislação do trabalho, os prêmios são ganhos eventuais, não tendo natureza salarial, pagos quando atingidas metas préestabelecidas; b) que a eventualidade se caracteriza pela existência da campanha de incentivo, sendo o prêmio aleatório; c) que as premiações para beneficiários sem vínculo empregatício, também, esses não tem natureza remuneratória; d) que afastado o vínculo laboral ou empregatício, por não serem os prêmios salário ou remuneração não há a incidência da contribuição previdenciária, artigo 195, I, “a”, da CF; e) que a premiação é eventual dependendo de acontecimento futuro e incerto, dependendo do atingimento de metas préestabelecidas, para recompensar o esforço, dedicação, desempenho, cumprimento de condições específicas, não sendo essa premiação salários; · Pedidos: a) que o recurso seja julgado procedente e declarada a improcedência da autuação. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 157. O sorteio de distribuição a este conselheiro ocorreu, em 21/11/2013, fls. 158. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 164 6 É o Relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 165 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Admissibilidade. A questão relativa ao arrolamento de bens é irrelevante, uma vez que tal exigência não foi feita, bem como a exigência de depósito recursal estava revogada desde a edição da MP 413/2008. Preliminares. A busca da verdade material se dá dentro do devido processo legal e com base nas provas necessárias ao deslinde do caso. Na jurisdição administrativa, também, é aplicável o princípio do livre convencimento motivado do julgador, sendo lícito a este indeferir provas que entender, desnecessárias, protelatórias, prescindíveis ou impraticáveis. No caso a então impugnante ora recorrente pediu prazo de trinta dias para juntar o contrato com a Incentive House sob a alegação de que estava em arquivos terceirizados, bem como para apresentar doutrina a respeito do assunto versado nos autos, veja a transcrição. Requer prazo de 30 (trinta) dias para a juntada do contrato celebrado com a empresa Incentive House, que encontrase em arquivo terceirizado, bem como idêntico prazo para juntada de doutrina sobre a matéria. Verifiquei que, as fls. 47 a 53, existe um contrato entre a recorrente e a Incentive House juntado pela então impugnante, bem como, as fls. 54 a 56, existe um aditamento contratual, o contrato datado, de 08/04/2004, e o aditivo datado, de xx/11/2004, sendo que a cláusula 8.1, diz que o prazo de validade é indeterminado e que a rescisão depende de notificação prévia com trinta dias de antecipação, observese a transcrição 8 PRAZO DO CONTRATO E RESCISÃO 8.1 O presente contrato terá início na data de sua assinatura e passará a vigorar por prazo indeterminado, podendo ser rescindido por qualquer das partes, mediante notificação por escrito, com aviso prévio de 30 dias. (o destaque é meu). Fica evidente que a intenção era apenas ganhar tempo, pois o documento já contava dos autos. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 166 8 Quanto a apresentação de doutrina essa é desnecessária a solução do caso, pois cabe ao órgão de jurisdição administrativa dar a solução jurídica ao caso, sendo aqui plena a aplicação dos vetustos brocardos jurídicos: “da mihi factum, dabo tibi ius” (me dá os fatos, e eu te darei o direito), e, “iura novit curia” (o Tribunal conhece o direito). Assim sendo, e segundo pacífica jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal – STF e do Superior Tribunal de Justiça – STJ é admissível a recusa de providência desnecessária a solução do litígio, conforme julgado que colaciono. HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostra se prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) (o grifo é meu). Assim rejeito essa preliminar. Equivocase a recorrente não existe nos autos lançamentos contábeis considerados como prestação de serviços de pessoas físicas, diante disse não é possível fisicamente relacionar ou listar trabalhadores inexistentes. O Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 04, em trecho que a seguir transcrevo é claro em dizer que a autuação decorre da não informação de segurados empregados em GFIP, não fazendo alusão a prestadores de serviços pessoas físicas. Constatamos durante a inspeção fiscal realizada que o contribuinte DEIXOU DE INFORMAR, nas guias de recolhimento do F.G.T.S. e informações à Previdência Social GEFIP, relativo ao período de MAIO/2.004 a DEZEMBRO/2.006, os segurados EMPREGADOS que Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 167 9 prestaram serviços a empresa, bem como os valores das remuneração pagas aos mesmos. A empresa lançou no período acima referenciado, na1 conta n2 4.101.020.017 SERVIÇOS PRESTADOS PESSOA JURÍDICA, pagamentos à EMPRESA " INCENTIVE H0USE S/A.:', especificando" na nota:, fiscal como sendo relativos a " PROGRAMA DE ESTÍMUL0 AO AUMENTO DE PRODUTIVIDADE ", quando na realidade referemse a CARTÕES DE CRÉDITO CORPORATIVOS, cujos beneficiários são seus empregados. (os realces são meus). Não fosse isso suficiente a IF, de fls. 100 a 104, na planilha Resumo Mensal das Contribuições Não Declaradas em GFIP, apenas a remuneração dos empregados é levada em consideração para estipular o total da contribuição devida. Desta forma, mais essa preliminar deve ser afastada. Ficou demonstrada acima que não houve violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório, estando sendo desenvolvido o princípio do devido processo legal, bem como o princípio da verdade material foi perfeitamente observado, como deduzido acima. Não há dúvida de espécie alguma na ocorrência da infração e na imputação da penalidade, estando ambas comprovadas e demonstradas, sem razão para a aplicação do artigo 112, da Lei 5.172/66 ao auto de infração, sendo irrelevante a concepção da recorrente quanto a natureza não salarial dos pagamentos, pois os fisco os considerou como verba salarial e demonstrou essa natureza, o que se abordará no mérito. Novamente, a preliminar não prospera, sendo rejeitada. Mérito. O programa de premiação e incentivo de marketing em verdade busca encobrir o pagamento de salário/remuneração aos empregados da recorrente por intermédio de uma interposta pessoa jurídica, que repassa aos empregados da primeira os valores por essa disponibilizados em favor de cada empregado. O ponto controverso reside na caracterização dos prêmios pagos como verba salarial ou não em razão de sua suposta eventualidade, a fim de se verificar a incidência ou não de contribuições sobre os valores pagos aos empregados, por meio da utilização de cartões de premiação por intermédio da sociedade empresária Incentive House S.A. Para o deslinde da questão é imprescindível a análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras. Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 168 10 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97). PARECER/CJ Nº 2.952 ASSUNTO: Fato Gerador da Contribuição Previdenciária. Aprovo. Publiquese. Em, 16 de janeiro de 2003. RICARDO BERZOINI EMENTA: SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADO. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA COM A EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. O fato gerador da contribuição previdenciária da empresa incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos e contribuição do empregado sobrevém com a efetiva prestação do serviço, quando surge para a empresa o dever de remunerar o trabalhador. Inteligência dos artigos 22, inciso I, 28 e 30, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Na caso dos autos tais prêmios foram pagos em espécie na forma de crédito em cartões de bonificação. Conforme determina o artigo 458 da CLT quaisquer outras parcelas habitualmente pagas, ainda que em utilidades, previstas em acordo ou convenção coletiva ou mesmo que concedidas por liberalidade da empresa, constituem o salário in natura, compondo a remuneração do empregado. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência da contribuição social previdenciária somente é relevante quando a parcela paga não for em Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 169 11 dinheiro, pois do contrário estaremos na área de atuação do artigo 22, I e II, c/c o artigo 28, I, ambos, da Lei 8.212/91. O dinheiro é a ferramenta de troca universal, e logicamente por meio de tal recurso, o beneficiário conseguirá satisfazer as suas necessidades básicas e conforme sua disponibilidade financeira escolherá o bem que lhe convier. O pagamento para o trabalho não acarreta um rendimento para o trabalhador, um ganho ou uma vantagem para este, são valores despendidos pelo empregador e utilizados pelo trabalhador como imprescindíveis para a realização do trabalho. Não há provas nos autos de que os valores tenham sido pagos para que o trabalho fosse possível. Pelo contrário, há provas de que os trabalhadores receberam os valores em razão do trabalho, obtendo assim um ganho econômico, uma vantagem financeira, em razão dos serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. O pagamento do prêmio é atrelado ao cumprimento de certas metas e condições impostas pela recorrente. O critério que a sociedade empresária utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam pelo atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o saláriode contribuição. Para o trabalhador fazer jus ao prêmio este deve promover um acréscimo em seu desempenho pessoal, dando uma maior produtividade a empresa, gerando um incremento nos negócios da empresa. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a recorrente remunerou ou não o trabalho realizado. No presente caso, não resta dúvidas que este era o papel do sistema de prêmios, a partir das provas colacionadas, e, de que a verba foi paga pelo trabalho em retribuição ao trabalho ou serviço prestado e pelo aumento da produtividade do trabalhador empregado. No presente caso, é inconteste que houve prestação de trabalho e serviço à sociedade empresária pelos segurados empregados e os valores pagos estão no campo de incidência tributária, por remunerarem as atividades citadas. Uma vez que a notificada remunerou os seus trabalhadores, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuado o recolhimento este pode ser objeto de lançamento de ofício. O fato de os valores serem repassados por uma interposta empresa, no caso a Incentive House S.A., não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais examinadas pela fiscalização; a Incentive House simplesmente cumpria as determinações da recorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos Fl. 169DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 170 12 segurados, bem como a relação nominal destes trabalhadores. Os valores percebidos pelos trabalhadores surgiram em função do vínculo com a recorrente e não de vinculação com a Incentive House. A alegação de que o prêmio é eventual e desvinculado do salário, não se sustenta, pois o prêmio era pago todas as vezes que o trabalhador atingia certo patamar de produtividade e esta era aferida com certa periodicidade, o que levava o trabalhador a incrementar sua atividade laboral, ou seja, trabalhar mais, promovendo uma ganho adicional ao empregador. A habitualidade é assim definida pelo Prof. Sergio Pinto Martins em sua obra Direito da Seguridade Social, editora Atlas, 18ª edição, ano 2002, página 154. “Ganhos” serão, portanto, as prestações fornecidas ao empregado de maneira habitual, decorrentes do contrato de trabalho, incluindo tanto o pagamento em dinheiro, como o fornecimento de utilidade. “Habitual” é o que é feito com hábito, com costume, de forma repetida, duradoura, frequente. Inexiste um critério preciso para a configuração da habitualidade, porém é possível indicar como sendo o pagamento feito por mais de três meses, ou por mais de seis meses, em um período de doze meses. Os ganhos habituais serão prestações que o empregado recebe, porém não tem de despender numerário para adquirir, fazendo com isso uma economia, sendo, assim, considerado ganhos. O citado mestre em outra obra sua diz: A natureza jurídica do prêmio decorre de fatores de ordem pessoal relativos ao trabalhador, ou seja, seria uma espécie de salário vinculado a certa condição. Havendo pagamento habitual, terá natureza salarial, integrando as demais verbas trabalhista pela média1. Também, os tribunais pátrios entendem que a pagamento de prêmios são base de cálculo da contribuição previdenciária, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS EMPRESAS EM GERAL. LEI 7.787/89.INCIDÊNCIA SOBRE PARCELA DENOMINADA 'PRÊMIO PRODUÇÃO'. CARÁTER REMUNERATÓRIO. 1. O lançamento de contribuição previdenciária patronal, relativa aos meses de julho, agosto e setembro do ano de 1990 regese pela Lei 7.787/89, vigente à época do fato gerador (CTN, art. 144). 2. Dispondo, o art. 3º da Lei 7.787/89, que a base de cálculo da exação é "o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados" e, considerandose que o "prêmio produção", no caso concreto, consistiu em "gratificação destinada à 1 Martins, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo. Editora Atlas, 2002, 15ª Edição, página 246. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 171 13 recuperação do serviço telefônico prejudicado por movimento paredista deflagrado pelo Sindicato dos empregados" (fl. 167), de caráter nitidamente remuneratório, resta evidente a incidência da contribuição previdenciária patronal. 3. Recurso especial interposto pelo INSS provido e recurso da Brasil Telecom S/A prejudicado.(RESP 200301178126, TEORI ALBINO ZAVASCKI, STJ PRIMEIRA TURMA, 31/08/2006) TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 150, §4º, CTN. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SIMULAÇÃO, DOLO OU FRAUDE. PRECEDENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. AJUDA DE CUSTO ALUGUEL. AUXÍLIO CRECHE/BABÁ. PRÊMIO DE PRODUÇÃO. PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. 1. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, seguese a norma inscrita no art. 150, §4º, do CTN, ou seja, temse como termo a quo para contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos a data da ocorrência do fato gerador, exceto quando não há pagamento antecipado ou em situações em que se comprovar dolo, fraude ou simulação, hipótese em que dies a quo passaria a ser o primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no termos do art. 173, I, do CTN. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. (STJ REsp 395059. Rel. Ministra ELIANA CALMON. DJ 21/10/2002). 3. O prêmio desempenho faz parte da remuneração paga a seus empregados, devendo incidir contribuição previdenciária sobre essa rubrica. 4. As verbas pagas ao empregado para auxiliar nas despesas de aluguel, ainda que tenham denominação de auxílio ou de ajuda de custo, não possuem natureza indenizatória, mas remuneratória, pois são concedidas de forma habitual aos trabalhadores da empresa e, por esta razão, estão inseridas no conceito de remuneração, compondo a base de cálculo da contribuição. Precedentes do STJ. 5. Se o pagamento do auxílio creche/babá é feito em desacordo com as normas pertinentes, e, conforme o art. 28, §9o, “s”, da Lei nº 8.212/91, em interpretação a contrario sensu, resulta na inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição previdenciária. 6. O art. 7º, XI, da Constituição Federal, é norma de eficácia plena no que diz respeito à natureza nãosalarial da verba destinada à participação nos lucros da empresa, pois explicita sua desvinculação da remuneração do empregado; no entanto, é norma de eficácia contida em relação à forma de participação nos lucros, na medida em que dependia de lei que a regulamentasse. (Resp 675.433). 7. Apelação autoral improvida. Remessa necessária e apelação do INSS parcialmente providos.(AC 199751010175528, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, 28/09/2009) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE SALÁRIOMATERNIDADE, ADICIONAIS NOTURNO, DE Fl. 171DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 172 14 HORAS EXTRAORDINÁRIAS, DE INSALUBRIDADE E DE PERICULOSIDADE, COMISSÕES E PRÊMIOS DE PRODUÇÃO. CABIMENTO DA EXAÇÃO. De acordo com a alínea 'a' do inciso I, do artigo 195, com redação posterior à Emenda Constitucional nº 20/98, a contribuição social do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada incidirá sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.” A partir da emenda constitucional, estava o legislador ordinário autorizado a fazer incidir a contribuição previdenciária sobre quaisquer rendimentos pagos ao trabalhador, não importando a denominação dada. O eg. Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento de que as contribuições para a seguridade social podem ser instituídas por lei ordinária, quando compreendidas nas hipóteses do art. 195, I da CF/88, só se exigindo lei complementar quando se trata de criar novas fontes de financiamento, pelo que não se lhe aplica a regra do art. 194, § 4º da CF/88. Toda a remuneração percebida pelo trabalhador é passível da cobrança da contribuição previdenciária, haja vista comporem o saláriodecontribuição. Integram o salário, todas as parcelas habitualmente recebidas pelo trabalhador como contraprestação de um serviço realizado, não importando aqui se a denominação dada é gratificação, adicional, ou qualquer outra. No que se refere ao saláriomaternidade, a própria Lei nº 8.212/91 é expressa em determinar a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Os adicionais noturno, de horas extras, de insalubridade e de periculosidade nada mais são do que a contraprestação por um serviço realizado, não havendo que se falar em caráter indenizatório de tais verbas. Encontram se enumeradas no art. 28, § 9°, as verbas que não fazem parte do saláriodecontribuição do empregado, e, em tal rol, não está prevista a exclusão dos adicionais de horaextra, noturno, de periculosidade e de insalubridade. A inclusão dos referidos adicionais na basedecálculo da contribuição previdenciária tem ainda seu fundamento na própria Constituição, (artigo 201). O prêmio de produção pago periodicamente ao empregado tem natureza salarial por se constituir em parcela variável da remuneração, à semelhança das comissões.(AC 200150010098604, Desembargador Federal ALBERTO NOGUEIRA, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, 01/07/2009) Obs: os destaques não contam dos originais. TRF2 AC199751010175528AC APELAÇÃO CIVEL – 341935 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 150, §4º, CTN. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SIMULAÇÃO, DOLO OU FRAUDE. PRECEDENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. AJUDA DE CUSTO ALUGUEL. AUXÍLIO CRECHE/BABÁ. PRÊMIO DE PRODUÇÃO. PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 173 15 3. O prêmio desempenho faz parte da remuneração paga a seus empregados, devendo incidir contribuição previdenciária sobre essa rubrica. (grifo do relator deste recurso administrativo) Não há dúvidas da habitualidade do pagamento, pois num período fiscalizado de cinquenta e seis meses, TIAF, de fls. 06 e 07, o prêmio foi pago em vinte e quatro destes meses, planilha de aplicação da multa, fls. 102 a 104, isto é, numa proporção de 1:2,33. As determinações contratuais do contrato juntado pela recorrente na fase de impugnação, fls. 47 a 50, demonstram sem sombras de dúvidas que a Cliente (contratante) pagava os valores que eram disponibilizados e a prestadora (contratada) disponibilizava os recursos alocados pela cliente para pagamento dos prêmios concedidos, por intermédio dos cartões, ao empregados da cliente, no presente caso a recorrente. 3.1.2. Pagar á INCENTIVE HOUSE 3.1.2.1 Os valores o serem disponibilizados nos cartões e/ou impressos nos bônus, bem como a respectivo comissão de serviços; 3.1.2.2 Os valores dos serviços de emissão, reemissão. entrega, reentrega e substituição de cartões; emissão, entrega e reentrega de bônus; substituição de bônus validos, cancelamento de pedidos; bem como de reemissão de senha, descriminados na tabela de serviços adicionais do Anexo I Estes valores, assim corno os valores de emissão de senha poderão ser reajustados a cada 12 meses pelo IGPM/FGV ou em menor periodicidade permitida por lei. 3.1.3 O pagamento dos valores previstos nos itens 3.1.2.1 o 3.1.2.2 supra será feito por meio de cobrança bancária, no prazo de 5 dias úteis a contar do recebimento da nota fiscal de serviços. Posto isto, não há dúvidas da natureza remuneratória da verba paga por intermediação de terceiros, haja vista que visa a retribuição do trabalhador empregado pelo seu maior desempenho no trabalho, pelo aumento do esforço, da dedicação e do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. No entanto, no que se refere à multa punitiva, a MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009 determinou uma nova sistemática de cálculo da multa, ou seja, o novel instrumento jurídico, além de aglutinar as infrações mudou substancialmente à penalidade imposta, não podendo a meu ver ser aplicado ao entendimento exarado no Acórdão a quo. Assim, não se há que falar, mutatis mutandis em abolitio criminis. Mas sim em criação de novo preceito secundário da norma, isto é, criação de nova pena. O artigo 106, II, “c”, do CTN determina a aplicação retroativa de lei que comine penalidade menos severa, o que parece ser o caso, pois na redação anterior do artigo 32, parágrafos 4°, 5° , e 6°, da Lei 8.212/91 tínhamos as seguintes situações/autuações e as multa/penas. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 174 16 · parágrafo 4° NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP Multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283 do RPS, em função do número de segurados da empresa, acrescido de 5% por mês calendário ou fração de atraso, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ser entregue. · parágrafo 5° APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO EM FATOS GERADORES 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite, do parágrafo 4°. · parágrafo 6° ERRO DE PREENCHIMENTO – INEXATAS – OMISSAS – INCOMPLETAS 5% do valor mínimo previsto no caput do art. 283 do RPS por campo omisso, incompleto ou incorreto, respeitado o limite máximo por competência. O novo texto legal, artigo 32A, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009 trouxe novas multas que aparentam ser bem mais brandas, embora estabeleça valores mínimos para estas novas multas. · NÃO APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO FORA DE PRAZO – 2% ao mês ou fração do montante das contribuições informadas até 20%. · APRESENTAÇÃO COM INCORREÇÕES OU OMISSÕES – R$ 20,00 por cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas No presente auto temos que comparar a situação dois, o artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/91 com a situação dois do novo artigo 32 A, acrescentando pela lei 11.941/2009, a fim de estabelecermos a correspondência entre a infração antiga e a infração nova. Após apurada tal correspondência e que podemos e devemos verificar o patamar das multas a serem consideradas, apurandose, assim, a mais benéfica entre a velha e a nova multa. A metodologia estabelecida pelo artigo 3°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 14/2009, não é consentânea com o que determina a lei em sua nova redação, pois determina para a apuração da multa benéfica a soma da multa moratória do antigo artigo 35, da Lei 8.212/91 aplicado na notificação fiscal (obrigação principal) a multa punitiva do antigo artigo 32 parágrafos 4°e 5°, da Lei 8.212/91 para após comparálos com o novo artigo 35A, da Lei 8.212/91, ou seja, multa de ofício. Assim esta sistemática manda juntar multas distintas e comparar com multa que não existia na época da lavratura deste auto de infração, o que não pode ser aceito, devendo ser afastada a aplicação da citada PT 14/2009, pois compara multas distintas e aplica retroativamente multa nova, o que não se coaduna com nosso ordenamento jurídico. Desta forma, determino a aplicação da nova multa prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, caso mais benéfica ao contribuinte. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações da recorrente em preliminar e em mérito, suscitadas pela recorrente, mas reconheço de ofício a aplicação da multa do artigo 32AI, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.202 S2TE03 Fl. 175 17 CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, para aplicar a multa do artigo 32AI, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15540.720342/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE - ENQUADRAMENTO LEGAL - As formalidades procedimentais só ensejam nulidades quando repercutem substancialmente; no caso específico, quando cerceiam o direito de defesa do contribuinte. Nem mesmo um erro evidente no enquadramento legal, algo não caracterizado no presente feito, seria capaz de tornar nulo o procedimento, se a descrição fiscal foi suficiente para a precisa identificação do teor acusatório.
ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO - As opções fiscais de regimes de tributação são, como regra, definitivas após expirado o prazo para o seu exercício. No caso da opção pelo lucro presumido, o caráter definitivo está ainda expresso na Lei nº 9.718/98, art. 13, § 1º.
Numero da decisão: 1401-001.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE - ENQUADRAMENTO LEGAL - As formalidades procedimentais só ensejam nulidades quando repercutem substancialmente; no caso específico, quando cerceiam o direito de defesa do contribuinte. Nem mesmo um erro evidente no enquadramento legal, algo não caracterizado no presente feito, seria capaz de tornar nulo o procedimento, se a descrição fiscal foi suficiente para a precisa identificação do teor acusatório. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO - As opções fiscais de regimes de tributação são, como regra, definitivas após expirado o prazo para o seu exercício. No caso da opção pelo lucro presumido, o caráter definitivo está ainda expresso na Lei nº 9.718/98, art. 13, § 1º.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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Nem mesmo um erro evidente no enquadramento legal, algo não caracterizado no presente feito, seria capaz de tornar nulo o procedimento, se a descrição fiscal foi suficiente para a precisa identificação do teor acusatório. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO As opções fiscais de regimes de tributação são, como regra, definitivas após expirado o prazo para o seu exercício. No caso da opção pelo lucro presumido, o caráter definitivo está ainda expresso na Lei nº 9.718/98, art. 13, § 1º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 42 /2 01 1- 71 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Tratam os presentes autos de exigência de ofício do imposto de renda de pessoa Jurídica, R$ 555.080,14, fls. 04; do PIS, R$ 188.201,00, fls. 15; da CSLL, R$ 312.703,27, fls. 23 e da COFINS, R$ 868.620,20, relativamente ao ano calendário de 2007, acrescidas de penalidade de 75% e encargos moratórios, de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido. 2.Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 08/10 fundamentaram as exigências as diferenças positivas verificadas entre a receita bruta escriturada pelo contribuinte, R$ 31.049.493,26, e a receita declarada para efeitos das incidências tributárias de que trata esta lide, R$ 1.095.484,55. 3.Ciente em 01/11/2011, fls. 05, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação ode fls. 266/282, através da qual alega, em síntese: 3.1.da nulidade da autuação dado que a fiscalização, na forma do artigo 10, IV, do Decreto n° 70.235/72, não indicou os parágrafos dos artigos que fundamentaram legalmente a exigência do IRPJ, conforme reproduzidos em seus parágrafos os citados artigos; 3.2.da não aplicação da taxa SELIC como encargo moratório; 3.3.da nulidade da autuação sob lucro presumido, uma vez que o contribuinte manifestara intenção de retificar sua DIPJ para lucro real. Porquanto, em resposta à intimação 03, fls. 254, a pessoa jurídica esclareceu que, fls. 255/256: “A diferença verificada entre a receita lançada na DIPJ e a receita lançada nos livros fiscais, se deve ao fato que a contabilidade da empresa optou por fazer a contabilidade da mesma pelo sistema de apuração pelo lucro real. Contudo,.... optou por apresentar a declaração com os cálculos próximos do que seria o resultado de seu lucro pelo sistema de apuração doa lucro real, pensando em retificar em seguida sua declaração.” Por fim, requer perícia técnica contábil e indica o perito, “porquanto como demonstrado no mérito da impugnação, os valores constantes da autuação fiscal não se apresentam de forma escorreita, não se sabendo precisar apenas pelos extratos bancários o valor correto da omissão de receita, face aos diversos depósitos em cheques devolvidos e reapresentados”. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 297 a 301) negou provimento à impugnação nos seguintes termos da sua ementa: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720342/201171 Acórdão n.º 1401001.504 S1C4T1 Fl. 326 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PERÍCIA. Insustentável pretensão pericial desvirtuada dos fundamentos materiais da autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 Ementa; LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA. Constitui omissão de receita a diferença positiva verificada entre a receita contabilizada e a declarada para efeitos de incidências tributárias. ENCARGOS DE MORA. SELIC. Pacífica a jurisprudência administrativa e judicial quanto à incidência SELIC como encargo tributário moratório. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 REFLEXIVIDADE. PIS, COFINS, E CSLL. Em matéria de exigências tomadas por reflexo, à falência de elemento relevante aplicase a mesma decisão do feito que lhes dá origem. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 309 a 321, mediante o qual repisou as mesmas razões aduzidas na peça impugnatória. É o relatório do essencial. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 Voto Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Preliminar A alegação de nulidade do lançamento em razão de a autoridade fiscal ter deixado de identificar os parágrafos dos artigos elencados no enquadramento legal não merece prosperar. As formalidades procedimentais só ensejam nulidades quando repercutem substancialmente, no caso específico, quando cerceiam o direito de defesa do contribuinte. Nem mesmo um erro evidente no enquadramento legal seria capaz de tornar nulo o procedimento se a descrição fiscal foi suficiente para a precisa identificação do teor acusatório. Transcrevo abaixo acórdão ilustrativo desse entendimento: NULIDADE ENQUADRAMENTO LEGAL Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do auto de infração fundado na deficiência de enquadramento legal, quando os elementos contidos em termo, expressamente referido como parte integrante e indissociável da peça acusatória, e utilizado pela própria Impugnante em sua defesa, supre suficientemente falha porventura ocorrida. Se não há prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, o enquadramento legal da exigência, ainda que incompleto, não enseja a decretação de sua nulidade. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento (AC 10807651). No presente feito, os artigos citados no enquadramento são basicamente aqueles que definem a incidência tributária dos respectivos tributos; nada mais, pois a situação fática é bem simples: diferença entre os valores registrados na escrita do sujeito passivo e aquilo que havia oferecido a tributação. A acusação está bem clara e o enquadramento legal correto. Não há, pois, qualquer razão para nulidade do feito. Mérito Com relação ao fato de a recorrente ter informado, no curso da ação fiscal, que desejava se submeter ao regime do lucro real e não mais ao presumido, tratase de tema pacificado no âmbito do CARF; inclusive sumulado para a pessoa física, conforme abaixo transcrevemos: Súmula CARF nº 86: É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 15540.720342/201171 Acórdão n.º 1401001.504 S1C4T1 Fl. 327 5 tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega. A mesma posição é adotada para a pessoa jurídica, conforme acórdãos transcritos abaixo, sobretudo em razão do disposto no art. 13, § 1º, da Lei nº 9.718/98, segundo o qual, a opção pelo lucro presumido é definitiva para todo o anocalendário. Abaixo, transcrevo os referidos acórdãos: MUDANÇA DE OPÇÃO. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO. Sendo uma opção legal do contribuinte a escolha pela forma de tributação do lucro presumido, ainda que seja mais desfavorável sob a ótica de outro regime de tributação como é o caso do lucro real, isso configura o exercício de uma opção, e não um erro, mormente quando se alega que a pessoa jurídica teria optado pela tributação pelo lucro real, quando a DIPJ, a DCTF e o DARF demonstram a opção pela tributação pelo lucro presumido (AC 1401001.052). LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. A opção pela sistemática do lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, sendo definitiva para todo o ano calendário. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÃO. Havendo regular opção do sujeito passivo pela tributação com base no lucro presumido não cabe ao fisco alterar essa forma de apuração para lucro real, quando se apurou diferenças entre a receita bruta constante dos livros fiscais do ICMS e aquela utilizada para cálculo do IRPJ e da CSLL (AC 1202000.416). LUCRO PRESUMIDO. LUCRO REAL. ALTERAÇÃO DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO NA DIPJ. IMPOSSIBILIDADE APÓS A EDIÇÃO DO ARTIGO 13, § 1°, DA LEI N° 9.718/98. O pagamento da primeira cota ou cota única de IRPJ manifesta a opção do contribuinte pelo regime de apuração do IRPJ, sendo irretratável para aquele anocalendário, conforme dispõe o §1° do artigo 13 da Lei n° 9.718/98 (AC 180100142) Assim, o pedido de perícia contábil está prejudicado, pois não há fato a ser apurado. Devese também consignar que a incidência de juros moratórios com base no índice SELIC é tema sumulado e de aplicação, pois, obrigatória: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Isso posto, rejeito a preliminar suscitada para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10166.728781/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrente DISTRIBUIDORA BRASILIA DE VEÍCULOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Tratase de Auto de Infração n° 37.359.6731 o qual exige as contribuições devidas a Terceiros, abrangendo o período de 01/2008 a 12/2008. O Relatório Fiscal, em apertada síntese, dispõe: i) que a contabilidade demonstra o pagamento em dinheiro a alguns empregados, a título de tíquete refeição; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 28 78 1/ 20 11 -2 2 Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.728781/201122 Resolução nº 2301000.481 S2C3T1 Fl. 269 2 ii) que foram levantados os valores relativos à participação nos lucros ou resultados, pois a empresa não apresentou o instrumento de negociação celebrado com o sindicato, conforme dispõe a lei 10.101/2000; iii) que de acordo com a folha de pagamento a rubrica de comissão sobre férias não foi oferecida à tributação previdenciária, não tendo sido tais valores incluídos em GFIP; iv) que foram considerados como base de cálculo os valores pagos a título de vale transporte em pecúnia; v) que foram levantados os valores relativos a divergências encontradas entre os valores declarados em GFIP e os constantes na folha de pagamento da empresa; vi) que foram levantadas as diferenças apuradas entre a folha de pagamento e a DIRF – Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, ano calendário 2008, em razão da apresentação deficiente de documentos por parte da empresa; vii) que foram considerados como base de cálculo os valores relativos ao reembolso de cursos de graduação, pois não estão enquadrados como cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades da empresa, de acordo com o previsto na lei 8.212/91; ix) que foram localizados na contabilidade contas sob os títulos “Gastos Diversos com Funcionários”, sendo que a fiscalização considerou esses valores como salário de contribuição, em razão de que a empresa justificou que a referida conta contábil registra gastos diversos tais como despesas com reembolso de cursos de graduação, cestas básicas, despesas com exames admissionais/demissionais e lanches. Como não foi possível identificar todos os beneficiários a fiscalização utilizou o instituto da aferição indireta; Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as parcelas acima descritas. A DRJ deu parcial provimento à impugnação para excluir o vale transporte pago em dinheiro o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário a esse Conselho. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério. Após a interposição dos recursos voluntários pelo autuado e as empresas do grupo econômico, há documento emitidos pelo fisco (DADR) no qual há a exclusão do lançamento de rubricas não retiradas pela decisão recorrida, o que leva a crer que pode ter havido a adesão a programa de parcelamento especial tal como identificado no processo 10166.728778/201117. Necessário, saber, portanto, quais rubricas e períodos foram incluídos no parcelamento, a fim de delimitar o âmbito de devolutividade dos recursos interpostos. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.728781/201122 Resolução nº 2301000.481 S2C3T1 Fl. 270 3 Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade fiscal produza informação fiscal discriminando quais as rubricas e períodos levantados no auto de infração remanescem fora do parcelamento e, ato seguinte, intime o sujeito passivo para que no prazo de 30 (trinta) dias manifestese a respeito. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10980.911277/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IRPJ. RECURSO. COMPETÊNCIA. DECLINADA.
Pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, in casu, IRPJ, matéria que compete à Primeira Seção deste CARF.
Declinada competência à Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Numero da decisão: 3402-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário para declinar competência para 1ª Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relator.
EDITADO EM: 07/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
Nome do relator: Maria Aparecida Martins de Paula
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IRPJ. RECURSO. COMPETÊNCIA. DECLINADA. Pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, in casu, IRPJ, matéria que compete à Primeira Seção deste CARF. Declinada competência à Primeira Seção de Julgamento do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário para declinar competência para 1ª Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relator. EDITADO EM: 07/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IRPJ. RECURSO. COMPETÊNCIA. DECLINADA. Pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, in casu, IRPJ, matéria que compete à Primeira Seção deste CARF. Declinada competência à Primeira Seção de Julgamento do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário para declinar competência para 1ª Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator. EDITADO EM: 07/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 12 77 /2 00 9- 73 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 2 Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 121/142) em face do Acórdão nº 06 35.423, de 2 de fevereiro de 2012, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Curitiba, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. O presente processo trata de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 01179.82813.271205.1.3.04 0557, transmitido em 27/12/2005, para a compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, no valor original de R$1.017.826,72 – Darf (código da receita: 2362, valor: R$1.1255.611,88, data: 29/10/2004). A compensação declarada não foi homologada pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, tendo em vista que o referido Darf já tinha sido utilizado integralmente para a quitação de outros débitos da contribuinte, conforme Despacho Decisório (fl. 2), nos seguintes termos: (...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.017.826,72 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. CARACTERÍSTICAS DO DARF UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NUM PGTO VR ORIG TOTAL (...)PERDCOMP (PD)/ DÉBITOS (DB) VR ORIG UTIL 0691176109 1.255.611,66 Db: cód 2362 PA 30/09/2004 1.255.611,66 VALOR TOTAL 1.255.611,66 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) A interessada apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual alega que houve um erro de preenchimento na DCTF original, sendo que nela constou a PER APURAÇÃO CÓD DE REC VR TOT DARF DATA ARRECAD 30/09/2004 2362 1.255.611,66 29/10/2004 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10980.911277/200973 Acórdão n.º 3402002.593 S3C4T2 Fl. 147 3 vinculação total do pagamento do Darf ao Débito daquele período do 3º Trimestre de 2004, quando o correto seria vincular apenas até o limite do valor do Débito, restando ainda um saldo como pagamento a maior, que ora pretende aproveitar como Crédito no PER/DCOMP. Assim, “requer a regularização da divergência para atendimento ao Despacho Decisório”. Mediante o Acórdão nº 0635.423, de 2 de fevereiro de 2012, a 1ª Turma da DRJ em Curitiba julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. Alegação de erro de preenchimento na DCTF, pretendendo que o Débito lá confessado seja reduzido em seu valor, de tal forma a restar saldo do pagamento anteriormente vinculado, que, por sua vez, é informado na condição de Crédito em PER/DCOMP nãohomologado, deve estar pautada em provas inequívocas de que o Débito, de fato, é menor do que o originalmente confessado. Assim, não pode ser reconhecido Direito Creditório alegado como originado de erro de preenchimento de DCTF, quando esse erro não é devidamente comprovado, havendo incerteza quanto ao Crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório não reconhecido Conforme consta na decisão recorrida, apurouse incerteza quanto ao correto valor do débito de IRPJ (setembro/2004) objeto do pagamento com o Darf em questão, se era de R$ 1.255.611,66, como originalmente declarado na DCTF, ou se era de R$ 237.784,94, como constou na DCTF Retificadora. Na DIPJ, o valor do débito de estimativa de setembro/2004 foi informado como de R$237.784,94, tanto na declaração original como na retificadora ativa. Assim, para dirimir as dúvidas, o julgador de primeira instância solicitou a realização de diligência. No entanto, a escrituração contábil apresentada pela contribuinte aumentou ainda mais a situação de incerteza sobre o exato valor do direito creditório pretendido, conforme trecho transcrito abaixo do voto do relator da decisão recorrida: (...) 13. Em atendimento ao pedido de diligência vieram as cópias do Livro Diário, de fls. 86105. 14. Analisando a peça contábil carreada, verificase que ao final da apuração do resultado desse período, fls. 104, a conta “98101004IRPJ”, do grupo “98101PROVISÃO P/IRPJ E CSSL”, representativa do IRPJ devido, encontrase com o valor R$ 0,00, demonstrando não haver imposto a pagar em Setembro/2004. Esse dado é confirmado pela conta de Passivo “21301006IRPJ A RECOLHER”, fls. 92, que é aquela que Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 4 deveria retratar o IRPJ a ser pago no(s) período(s) seguinte(s) referente ao mês de Setembro/2004, e também apresenta saldo de R$ 0,00. 15. Assim, a DIPJ do interessado informa IRPJ a pagar de R$ 237.784,94; na DCTF constou R$ 1.255.611,66; e no Livro Diário o valor é R$ 0,00. 16. Ao invés de esclarecer e dirimir as dúvidas, a escrituração contábil entregue só fez aumentálas e sobrecarregar a incerteza que já pesava sobre o exato valor do Direito Creditório pretendido. 17. O Crédito apresentado em pedido de compensação deve ser certo e liquido. O encontro de contas há de se dar entre elementos despidos de incerteza e iliquidez. 18. No caso dos autos não há certeza e liquidez do Direito Creditório pretendido, como já demonstrado, o que inviabiliza a pretensão do contribuinte. (...) A contribuinte foi regularmente cientificada por via postal da decisão de primeira instância e, em 14/08/2012, apresentou suas razões de defesa no Recurso Voluntário, que se seguem: 1) A Faurecia adotou como critério que os valores pagos de IRPJ por estimativas no ano de 2004(Código da Receita 2362) fossem contabilizados na conta do n° Ativo 11230057 IRPJ2004 (anexo III). 2) Referente ao pagamento do mês de Setembro/2004, como demonstrado no Livro Diário n° 75,Volume 6, Página 4455 (anexo III), foi efetuado o recolhimento no valor de R$ 1.255.611,66 (Anexo IV) e contabilizado na conta contábil 11230057, sob os números de lançamentos CP0083765 e CP0083766, por se tratar de pagamento de estimativa. 3) Na ocasião do preenchimento da DIPJ 2005, ano calendário 2004, constatouse que o valor devido do mês de Setembro/2004 era de R$ 237.784,94 conforme demonstrado em Livro LALUR (Anexo V). Sendo assim no dia R$ 30/11/2005, foi solicitado o pedido de restituição através do PERD/COMP n° 33199.15762.301105.1.2.040046 do valor pago a maior R$ 1.017.826,72, conforme demonstrado no Livro Diário n° 137, Página 612 (anexo VI). É o Relatório. Voto Conselheiro Maria Aparecida Martins de Paula O litígio do presente processo diz respeito a declaração de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), segundo alega a interessada. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10980.911277/200973 Acórdão n.º 3402002.593 S3C4T2 Fl. 148 5 Conforme disposto no art. 7º, §1° do Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, abaixo transcrito, a competência para julgamento de recurso em processo de compensação é definida pelo crédito alegado, in casu, pelo crédito do IRPJ. Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...) Com efeito, a competência para processamento e julgamento de recurso voluntário que verse sobre a aplicação de legislação relativa a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) é da Primeira Seção deste CARF, a teor do art. 2º, inciso I do Anexo II da Portaria MF 256/2009. Desse modo, voto por não conhecer o recurso voluntário nesta Turma para declinar da competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento, para onde devem os autos ser encaminhados. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721786/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/09/2009
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO CONFORME OS PADRÕES.
Deixar de apresentar informações, documentos e esclarecimentos à fiscalização exercícios constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 33, Inciso III, §11º,da Lei n° 8.212/1991.
Numero da decisão: 2803-004.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/09/2009 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO CONFORME OS PADRÕES. Deixar de apresentar informações, documentos e esclarecimentos à fiscalização exercícios constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 33, Inciso III, §11º,da Lei n° 8.212/1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/09/2009 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO CONFORME OS PADRÕES. Deixar de apresentar informações, documentos e esclarecimentos à fiscalização exercícios constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 33, Inciso III, §11º,da Lei n° 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 86 /2 00 9- 18 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721786/200918 Acórdão n.º 2803004.075 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721786/200918 Acórdão n.º 2803004.075 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento do disposto art. 32, III, §11º, da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "b", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999, ao deixar de apresentar informações, documentos e esclarecimentos à fiscalização exercícios de 2005 e 2007, com referencia à opção ao Simples e às diferenças de base de cálculo, alimentação paga em pecúnia, transporte pago em pecúnia, prolabore, gratificações e hora extra. O recurso voluntário apresentado tempestivamente, que entregou os documentos mas não foi aceito pela fiscalização, por ser empresa optante do Simples, bem como o julgamento presente depende do julgamento dos lançamentos (AIOP Nº 37.201.2175; 37.201.2183 e 37.201.2205). É o relatório. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721786/200918 Acórdão n.º 2803004.075 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à questão levantada, quanto aos efeitos da declaração de exclusão do Programa SIMPLES desde 01.01.2002, mas a parte não comprovou que permaneceria inclusa. Mesmo assim, o ato de exclusão e sua possível anulação é apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa materia é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, não devem ser conhecidos por ora, conhecendo se apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. Ainda, a discussão administrativa de inconformidade com a exclusão de tal regime não tem efeitos suspensivos, pois não tratase de lançamento tributário, logo não encontrase entre as causas de suspensão dos efeitos do ato administrativo do art. 151, do CTN. O lançamento não pode ser assim sobrestado. Entretanto, é óbvio que decisão de cancelamento da exclusão, é causa primeira de cancelamento e plena nulidade do lançamento. Ou seja, caso venha a ser consolidada a situação de permanência da contribuinte no SIMPLES, ensejará em vício absoluto de origem do lançamento ora discutido. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721786/200918 Acórdão n.º 2803004.075 S2TE03 Fl. 6 5 Assim, a alegação de que haveria aplicação do regime normal de tributação, inclusive previdenciária, somente após a notificação do ato de exclusão do regime de tributação SIMPLES, que supostamente não ocorreu, e que seus efeitos não seriam retroativos, carece de razão. Assim, os créditos tributários lançados sobre as verbas remuneratórias apuradas pela fiscalização, são devidos salvo as exceções apresentadas neste voto. III – Quanto aos casos de conexão alegados, os mesmos não afetam o presente julgamento, inclusive, observando que este julgador e turma especial já apreciaram em 11 de maio de 2011, os processos n. 10166.721783/200976 e 10166.721781/200987, os dois tiveram provimento parcial, o que demonstrou haver créditos tributários remanescentes não pagos e que não foram infomados em GFIP, que deveriam estar devidamente demonstrados em folha de pagamento como remunerações. Está correto Auto de Infração descumprimento do disposto art. 32, III, §11º, da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "b", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999, ao deixar de apresentar informações, documentos e esclarecimentos à fiscalização exercícios. A sua sanção é única, pois indiferente dos resultados das autuações anterioremente referidas, a infração permaneceria por não ter entregue os documentos solicitados.Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. IV A recorrente não trouxe qualquer elemento probatório de que teria apresentado tais documentos no prazo, ou que sofreu causa impeditiva para tanto, como faculta o art. 16, do Dec. 70.235, não havendo questionamento efetivo das presunções de veracidade dos fatos relatados no auto de infração. V Por final, quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da equidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARFMF, com interpretação consolidada pela Súmula 1, do CARF/MF. VI – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721786/200918 Acórdão n.º 2803004.075 S2TE03 Fl. 7 6 Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13527.000134/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. RESTABELECIMENTO.
Se a Autoridade lançadora, em procedimento de diligência fiscal, reconhece verossimilhança nos documentos apresentados pelo contribuinte, os quais evidenciam que o imposto de renda retido na fonte se identifica com o montante compensado na declaração de ajuste anual, cabe o restabelecimento do imposto supostamente não retido e que fora glosado pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda retido na fonte declarado pelo contribuinte.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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GLOSA. RESTABELECIMENTO. Se a Autoridade lançadora, em procedimento de diligência fiscal, reconhece verossimilhança nos documentos apresentados pelo contribuinte, os quais evidenciam que o imposto de renda retido na fonte se identifica com o montante compensado na declaração de ajuste anual, cabe o restabelecimento do imposto supostamente não retido e que fora glosado pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda retido na fonte declarado pelo contribuinte. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 52 7. 00 01 34 /2 00 2- 11 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13527.000134/200211 Acórdão n.º 2201002.798 S2C2T1 Fl. 135 2 (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” do despacho de “Diligência Fiscal” elaborado pela Autoridade lançadora, reproduzido a seguir: Versa a presente diligência sobre a controvérsia fiscal administrativa iniciada através da manifestação de inconformidade do sujeito passivo, EDMILSON SILVA SANTOS, CPF 621.330.80597, contra Auto de Infração proveniente de revisão da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, relativa ao exercício 1999, anocalendário 1998. O referido lançamento encontrase pautado na glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$ 7.450,86, o qual foi declarado pelo sujeito passivo e não comprovado por oportunidade da análise e revisão da referida DIRPF, conforme se vê documentos fls. 02 a 05. Irresignado com o lançamento do referido crédito tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ (fls. 01), atribuindo a responsabilidade pela divergência à Prefeitura do Município de Casa Nova BA, por não ter informado a retenção de imposto de renda por ele sofrida. Acompanhando sua peça impugnat6ria, o sujeito passivo juntou Declaração da Prefeitura Municipal de Casa Nova, informando ter recebido daquele município no período em questão a importância de R$ 50.638,90, com IRRF no valor de R$ 6.396,28 (fls. 09), acompanhado de cópias de 18 Guias de Recolhimento de Imposto Único Municipal (fls. 10 a 15). Analisando a impugnação formulada pelo sujeito passivo, a DRJ de Salvador – BA julgou o lançamento procedente em parte considerando a retenção do Imposto de Renda no valor de R$ 6.396,28, conforme informado pela Prefeitura de Casa Nova, conforme se vê às fls. 27 a 29. Ciente da citada decisão, o sujeito passivo apresentou novo recurso reiterando os termos do recurso anterior, ratificando a correção dos valores por ele declarados, e, mais uma vez, atribuindo a culpa pelo erro à fonte pagadora em questão (fls. 35), juntando ao seu recurso administrativo declaração que, segundo o querelante, fora exarada pelo departamento de contabilidade da citada Prefeitura, a qual denuncia pagamentos e retenções coincidentes com os valores informados na DIRPF apresentada pelo sujeito passivo (fls. 39). Analisando os argumentos apresentados pelo sujeito passivo em seu recurso, a então Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu haver confusão nas provas apresentadas Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13527.000134/200211 Acórdão n.º 2201002.798 S2C2T1 Fl. 136 3 pelo sujeito passivo, haja vista a existência nos autos de duas declarações da Prefeitura de Casa Nova informando valores divergentes acerca do IRRF (fls. 09 e 39), convertendo o julgamento em diligencia (fls. 52 e 53) com o fito de esclarecer os seguintes quesitos: a) Qual o valor real descontado a titulo de IRRF; b) Qual a importância recebida pelo contribuinte em razão dos serviços prestados; c) Que a Prefeitura de Casa Nova comprovasse documentalmente a (s) referida (s) retenção (ões); Para fins de execução da diligência em questão, foi expedido MPFD sob o número 05.1.02.00.2006002261, designando o AuditorFiscal da Receita do Brasil, Leonardo Pereira Moreira, para executar o referido procedimento fiscal. Após laborioso trabalho, o AuditorFiscal em questão encerrou a citada diligência (fls. 76 e 77), em virtude da fonte pagadora ter se recusado a atender ao quanto solicitado nas diversas intimações e reintimações por ele expedidas, conforme se vê às fls. 57 a 75. Entretanto, após o encerramento da mencionada Diligência Fiscal, a Prefeitura de Casa Nova apresentou a documentação requisitada durante o procedimento fiscal em questão, apresentando diversos comprovantes de pagamentos efetuados ao sujeito passivo durante anocalendário 1998, conforme se vê às fls. 82 a 114. Em março de 2009, a Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, determinou a realização de nova diligência (fls. 115) com o objetivo de cotejar os valores constantes nos documentos apresentados pela Prefeitura de Casa Nova após o encerramento da diligência inicial e responder aos questionamentos formulados na primeira diligência (fls. 52 e 53). O processo foi encaminhado a este Conselho em 10/01/2011 e distribuído a este Relator em 11/03/2015. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo físico, que difere da numeração do processo digital. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13527.000134/200211 Acórdão n.º 2201002.798 S2C2T1 Fl. 137 4 A conclusão a que chegou a Autoridade fiscal ao proferir o “Relatório de Diligência Fiscal” de fls. 119/121 é irreprochável, motivo pelo qual a utilizo como razões de decidir, in verbis: Da análise dos documentos apresentados pela Prefeitura de Casa Nova (fls. 82 a 114), observase que os comprovantes de pagamentos realizados em nome de Edmilson Silva Santos totalizam a importância de R$ 45.652,40, enquanto as retenções somadas perfazem o total de R$ 6.396,28, conforme melhor se observar na planilha juntada ao presente processo às fls. 117. Nesse sentido, em resposta aos quesitos "1" e "2" formulados pelo então Conselho de Contribuintes (fls. 52 e 53), observase que não há como determinar o exato valor retido a titulo de IRRF, tampouco qual a importância dos rendimentos efetivamente pagos, haja vista que as informações e documentos apresentados pela Prefeitura de Casa Nova são inconsistentes e divergentes, conforme se vê às fls. 09, 39 e 82 a 114. No tocante ao quesito de número "3" formulado pelo Egrégio Conselho, percebese que a comprovação documental da retenção a cargo do citado município resumiuse a apresentação de empenhos que somados apresentam retenções de imposto de renda no montante de R$ 6.396,28. Entretanto, cotejandose os valores declarados pelo contribuinte com os últimos valores informados pela Prefeitura do município em questão, percebese divergência tanto em relação aos totais dos rendimentos quanto às retenções, conforme demonstrado na planilha a seguir. Rendimentos IRRF Declarados Empenhos Diferenças Declarados Empenhos Diferença 50.638,90 45.652,40 4.986,50 7.450,86 6.396,28 1.054,58 Aplicandose os percentuais estabelecidos na tabela progressiva mensal para apuração do Imposto de Renda vigente no ano calendário 1998 sobre o valor correspondente à diferença entre os rendimentos declarados e os constantes nos empenhos apresentados pelo poder municipal, encontrase IRRF no valor de R$ 1.011,29. Nesse sentido, percebese que as divergências existentes entre os rendimentos declarados e os valores constantes nos empenhos apresentados guardam proporcionalidade com a diferença do IRRF em questão. Ademais, analisando a divergência de IRRF em questão de maneira mais detalhada, observase que a origem da Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 13527.000134/200211 Acórdão n.º 2201002.798 S2C2T1 Fl. 138 5 mencionada diferença reside nos valores constantes em duas guias de recolhimento apresentadas pelo sujeito passivo (fls. 10 e 14), as quais não constam nos empenhos apresentados pelo Poder Público Municipal (fls. 83 a 114) e representam o exato valor da diferença em questão, conforme demonstrado na planilha de fls. 117. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte declarado pelo contribuinte. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13896.000047/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA.
Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer as deduções pagas à cirurgiã-dentista no valor de R$13.836,00.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer as deduções pagas à cirurgiã-dentista no valor de R$13.836,00. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente BERENICE DE SOUZA RODRIGUEZ DEL RIEGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 47 /2 01 0- 68 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer as deduções pagas à cirurgiãdentista no valor de R$13.836,00. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000047/201068 Acórdão n.º 2402004.928 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 17ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, para manter o crédito tributário exigido através de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, no valor total de R$ 9.369,45, exercício 2005, anocalendário 2004. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, a contribuinte teria deduzido, sem comprovar o efetivo pagamento, despesas médicas no valor total de R$ 14.756,00. Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que: · em anexo à impugnação, estaria fornecendo novas cópias dos recibos médicos, com anotação do endereço do consultório, vez que a segunda intimação recebida no transcorrer da fiscalização não teria consignado a necessidade de apontamento do endereço; · não seria um pedaço de papel perfeitamente preenchido que lhe daria o direito à dedução, mas sim ter feito realmente a despesa; · teria cumprido todos os pormenores estabelecidos na lei fiscal; · as despesas declaradas não seriam exageradas, tanto porque representariam pouco mais de dez por cento da sua receita bruta, como porque ela (contribuinte) seria sexagenária, já com uma série de comprometimentos de saúde; · a RFB teria acesso irrestrito aos dados da contribuinte e dos prestadores dos serviços, a fim de fazer as necessárias verificações; · a lei não exigiria um detalhamento das despesas realizadas, mas apenas se elas teriam efetivamente ocorrido; · os profissionais da área de saúde, por questão de sigilo, estariam proibidos de fornecer à RFB cópias dos laudos, exames, prontuários, etc; · a própria CF protegeria o direito à intimidade; · o RIR/2005 não proibiria o contribuinte de contratar um familiar. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que não teria havido a comprovação por meio de documentação hábil e idônea da efetividade dos serviços prestados, nem tampouco da transferência de numerário. Notificada da decisão em 25/11/2013, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/12/2013, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, acrescentando ainda que: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 · nos termos do RIR/2005, a comprovação das despesas seria feita mediante documento (recibo) com o nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem recebeu os pagamentos e que a RFB estaria fazendo exigências sem amparo legal; · o recibo seria um documento apto a certificar a quitação de determinado valor, prescindindo, absolutamente, de qualquer outro documento para que adquira validade ou força comprobatória; · os recibos não poderiam ser desconsiderados com base em meras presunções, suposições ou incertezas; · a glosa teria se dado de forma frágil, pois baseada em suposições, desconfianças e incertezas; · ao fazer a sua declaração, a recorrente teria cumprido os ditames da lei; · a decisão da DRJ teria que ser reformada, para que sejam anuladas as glosas. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000047/201068 Acórdão n.º 2402004.928 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Glosa das despesas médicas Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais/estabelecimentos da área de saúde, conforme regra expressa do art. 80 do RIR/2005. O seu § 1º, inciso III, preleciona o seguinte a respeito da comprovação: Art. 80. [...] § 1º O disposto neste artigo: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destacouse) A comprovação, portanto, é feita mediante a indicação do nome, endereço e número de inscrição do profissional. Dito de outra forma, os pagamentos são comprovados através dos recibos ou das notas fiscais de prestação de serviços, elaborados em consonância com os requisitos supra mencionados. Na falta dessa documentação (“podendo, na falta de documentação”), admite o Regulamento a exibição dos cheques nominativos. Essa exibição, pois, é uma alternativa para o contribuinte que não possua os recibos ou as notas fiscais. Vale lembrar que lançamento tributário é um ato administrativo vinculado, no qual não há margem para discricionariedade, conforme regra expressa do art. 142, parágrafo único, do CTN. Segundo o Professor Paulo de Barros Carvalho, “o ato jurídico administrativo do lançamento é vinculado, significando afirmar que se coloca entre aqueles para a celebração dos quais não atua o agente com qualquer grau de subjetividade” (Curso de Direito Tributário. 22. Ed. – São Paulo : Saraiva, 2010, p. 463.), de tal modo que a comprovação das deduções deve ser efetuada em conformidade com a Lei, e não de acordo com o juízo da autoridade administrativa. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Da própria definição de tributo, contida no art. 3º do Código, depreendese a natureza vinculada do ato de lançamento. Nesse sentido, o professor e juiz federal Leandro Paulsen observa que “da própria definição legal de tributo (art. 3º do CTN) tirase que é prestação pecuniária cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 987.). O único critério aceitável, portanto, é o critério legal, que, digase de passagem, não varia de pessoa para pessoa, tampouco está sujeito a variações de humor. Destarte, a hipótese em estudo é regida pelo art. 80, § 1º, inciso III, do Regulamento, segundo o qual os pagamentos devem ser comprovados “com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu”. A par desse dispositivo, o art. 320 do Código Civil Brasileiro preleciona que o recibo é o meio de prova do pagamento, isto é, do fato de o devedor ter solvido a obrigação entabulada junto ao credor. A Fazenda Pública tem exacerbado a exigência a respeito da comprovação dos pagamentos em função da prática infeliz da utilização de despesas de modo simulado, o que não significa que todas as situações nas quais não haja a exibição de movimentação bancária possa ser subjetivamente considerada como fraudulenta. Por se colocar entre os atos administrativos vinculados, não se pode admitir que a simples vontade do agente fiscal seja suficiente para obrigar o contribuinte a apresentar outros meios de prova, até porque não há como demonstrar um pagamento em dinheiro, senão por intermédio do recibo ou da nota fiscal. Em todas as relações do Estado com o cidadão ainda se nota uma predominância exagerada do poder estatal, sobretudo na relação jurídicotributária, que é, por essência, uma relação de poder. Todavia, e como sabido, as normas limitadoras desse poder estão erigidas em patamares superiores, fundadas que estão na Lei Maior, segundo a qual a máfé não se presume, mormente em função da extensão do princípio fundamental da presunção de inocência. A infeliz utilização de recibos fraudulentos deve, efetivamente, ser coibida e combatida pelo Estado, mas somente mediante os meios legais e justificáveis. Não se pode esquecer que a possibilidade de dedução das despesas médicas não é nenhum favor legal. O Estado é quem deveria fornecer um serviço de saúde adequado (art. 6º da Constituição Federal). Não o faz pelo mal uso dos recursos públicos, obrigando os bons cidadãos a se utilizarem de serviços privados de saúde, educação, segurança, etc. No caso concreto, verificase que o lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, a contribuinte teria deduzido, sem comprovar o efetivo pagamento, despesas médicas no valor total de R$ 14.756,00, das quais R$ 13.836,00 teriam sido pagas à cirurgiã dentista Fúlvia Regina S. Franco e R$ 920,00 ao Instituto Médico Vascular Nunes e Nakamura S/C Ltda. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000047/201068 Acórdão n.º 2402004.928 S2C4T2 Fl. 5 7 Os recibos comprobatórios dos pagamentos efetuados em favor da cirurgiã dentista (fls. 20/21) contém todos os requisitos arrolados no RIR/2005, tais como nome, endereço e número de inscrição da profissional. O seu somatório coincide também com os valores declarados pela contribuinte no anocalendário a que se referem. A par disso, a recorrente dignouse de juntar à impugnação uma declaração firmada pela profissional (fl. 14), na qual igualmente se observa o atendimento dos requisitos legais, inclusive havendo expressa menção ao tratamento prestado e ao seu beneficiário, o que afasta as alegações em contrário constantes da descrição do fatos e enquadramento legal, bem como do acórdão da impugnação. Quanto ao endereço da profissional, cumpre frisar que a decisão recorrida não traz qualquer controvérsia a seu respeito. Nada havendo que possa infirmar a veracidade desses documentos (e a veracidade deles não foi contestada em momento algum), não se mostra razoável exigir a exibição de cheques, extratos, transferências ou qualquer outro documento comprobatório, mormente porque os pagamentos foram efetuados em espécie e diluídos mensalmente em pequenas quantias. Por outro lado, e muito embora pudesse ter comprovado o contrário, a RFB não negou que os beneficiários dos recibos tenham recebido os pagamentos. Isto é, podese presumir que os valores já foram oferecidos à tributação. A não aceitação dos recibos traz em seu bojo, ainda que implicitamente, uma série de ilações infundadas, em prejuízo, inclusive, dos profissionais envolvidos, o que não se coaduna com o princípio segundo o qual a boafé se presume, devendo a máfé ser provada pelo interessado. A par disso, e como demonstrado pela recorrente, os valores pagos são efetivamente compatíveis com os seus rendimentos declarados, representando pouco mais de dez por cento deste montante. Até pela idade da recorrente, a propósito, essa fração, que já não é elevada, é totalmente compreensível, como demonstram as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). O próprio valor absoluto também não é elevado. Nesse contexto, cumpre observar que o § 1º do art. 73 do RIR/2005 preceitua que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, o que, como a recorrente comprovou, não é o caso dos autos, em que as despesas são realmente compatíveis com seus vencimentos de aposentada de Procuradora do Estado. Eventual relação de parentesco entre a recorrente e o profissional também não tem o condão de lançar qualquer suspeita sobre as deduções, pois entre um estranho e um parente é explicável e louvável que ela tenha optado por este. E mais, não há como se admitir qualquer conclusão no sentido da prática de fraude pela recorrente com base em meras presunções ou suspeitas. Ao contrário, à vista do conjunto probatório constante dos autos, deve prevalecer a sua presunção de boafé. De todo modo, e diferentemente do que decidiu a DRJ, não há registro claro nos autos de que a dentista Fúlvia Regina S. Franco seja filha da recorrente. Muito embora a própria recorrente não tenha trazido uma informação mais clara a esse respeito, na descrição Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 dos fatos e enquadramento legal consta, textualmente, que Gerson Gattei seria "filha da contribuinte", e não a dentista Fúlvia. Vejase: Foi apresentada cópia de cheque para comprovar pagamento de despesas médicas declarada com o profissional Gerson Gattei CPF: 894.925.95834, em atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO N.º 2005/608375567991192, onde indica que essa profissional tem conta corrente conjunta em banco com a contribuinte. Foi verificado nos sistemas da Receita Federal do Brasil que essa profissional é filha da contribuinte. Todavia, o recibo comprobatório de fl. 21 está em desacordo com os ditames do Regulamento, mormente com o seu art. 80, § 1º, inc. III. Assim como foi constatado no PAF 13896.000050/201081, a olho nu percebese que o endereço profissional foi serodiamente preenchido, o que foi levado a cabo pela mesma pessoa (provavelmente a própria contribuinte), o que se conclui pelo tipo de letra cursiva ali constante. No meu modo de ver, essa circunstância não só retira a fidedignidade do citado documento, como também o torna irregular para fins de comprovação. Expressandose de outra forma, a decisão da DRJ é incensurável neste ponto. Na qualidade de destinatário das provas colhidas nestes autos, portanto, entendo que a dedução da quantia de R$ 13.836,00, paga à cirurgiãdentista Fúlvia Regina S. Franco, deve ser restabelecida, mantendose a glosa da quantia de R$ 920,00, referente ao Instituto Médico Vascular Nunes e Nakamura S/C Ltda, devendo, assim, ser retificado o lançamento. Diante do exposto, voto por CONHECER do recurso, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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