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Numero do processo: 10469.725077/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.863
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 77 /2 01 2- 94 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.725077/201294 Acórdão n.º 3302003.863 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.430. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10469.725077/201294 Acórdão n.º 3302003.863 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10469.725077/201294 Acórdão n.º 3302003.863 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10469.725077/201294 Acórdão n.º 3302003.863 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10469.725077/201294 Acórdão n.º 3302003.863 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907893/2012-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.802
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.800, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 93 /2 01 2- 22 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907893/201222 Acórdão n.º 9303004.802 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907893/201222 Acórdão n.º 9303004.802 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907893/201222 Acórdão n.º 9303004.802 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001261/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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FALIDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 61 /2 00 7- 14 Fl. 332DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301003.816, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (DEBCAD n° 37.117.9998) no qual são exigidas contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, bem como contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, no período em epígrafe. O montante do débito corresponde a R$ 16.046.476,63 (dezesseis milhões, quarenta e seis mil, quatrocentos e setenta e seis reais e sessenta e três centavos), consolidado em 30/08/2007. Segundo o relatório fiscal da NFLD em apreço, as diferenças apuradas no presente lançamento decorrem do cotejo entre as informações declaradas pela Notificada em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e os recolhimentos efetuados em Guias da Previdência Social GPS, deduzindose, ainda, os valores lançados nas NFLD 37.771.3893 e 37.771.3907. O Contribuinte contestou o lançamento por meio do instrumento de fls. 194/204, alegando, em síntese, que o nãorecolhimento das contribuições previdenciárias decorre de um estado de necessidade momentâneo que exclui a ilicitude da conduta. Por esse motivo, protesta pelo cancelamento do lançamento, pois a imposição de pesadas multas e juros exorbítantes acaba por inviabilizar o plano de recuperação judicial já aprovado e em andamento; contestou a ocorrência do fato gerador, pois não houve o pagamento da folha de salários; arguiu a inconstitucionalidade da contribuição destinada ao INCRA; por derradeiro, esclareceu, no que tange ao Relatório de Representantes Legais, que o atual Gestor Judicial da empresa, Miguel Dau, atuou como Diretor de Operação de Vôo, no período de 09/08/2004 a 23/11/2005, retornando à empresa como Gestor Judicial em 16/08/2006. Logo, não esteve presente na empresa, desde agosto de 2004, ininterruptamente, conforme consta do Relatório em questão. A 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, às fls. 233/241, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito. O Contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 247/258, requerendo a reforma da Decisão a quo. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 267/281, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, de modo a: (a) aplicar a Súmula CARF 88; e (b) limitar a multa aplicada a 20%. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 9202005.496 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 REMUNERAÇÕES DEVIDAS E NÃO PAGAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O art. 22, inciso I da lei 8.212/91 determina que as contribuições incidem sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas e não, somente sobre as remunerações pagas. Estando as remunerações devidas, posto que anotadas em folha de pagamento, estão aptas a compor a base de cálculo das contribuições. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LISTADOS EM ANEXO CORESP OU SIMILAR. APLICAÇÃO DA SÚMULA 88 DO CARF. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de Lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 334DF CARF MF 4 Às fls. 285/286, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração aduzindo contradição, alegando provimento parcial do Recurso Voluntário para uma matéria que não estava em litígio (REPLEG e Relação de Vínculos). Às fls. 288, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento rejeitou os Embargos de Declaração, sob o fundamento de que a matéria já está sumulada neste CARF, afastando o interesse de agir da embargante. Às fls. 294/301, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: exclusão de coresponsável do relatório do CORESP: arguiu que o colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, divergindo do acórdão paradigma, o qual não acolheu a citada preliminar e defendeu que não prospera a exclusão dos corresponsáveis do relatório da CORESP; multa mais benéfica ao contribuinte: observou, inicialmente, que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Consignou que a hipótese em análise nos acórdãos paradigma é idêntica ao caso concreto. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de contribuições devidas à Seguridade Social e o contribuinte declarou em GFIP os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que também naqueles feitos, assim como no presente, travouse discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e dos paradigmas encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP nº 449/2008 posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009) e do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução oposta: o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Na ementa dos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é rechaçada de forma expressa pelo órgão julgador. Às fls. 304/308, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, para admitir apenas a segunda divergência arguida (cálculo da multa), em virtude de que a decisão recorrida aplicou entendimento sumulado do CARF – Súmula 88, para decidir sobre a responsabilidade dos representantes legais. Às fls. 310, o Reexame de Admissibilidade manteve o despacho do Presidente da Câmara. Cientificado às fls. 324 e 327, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 9202005.496 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (DEBCAD n° 37.117.9998) no qual são exigidas contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, bem como contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, no período em epígrafe. O montante do débito corresponde a R$ 16.046.476,63 (dezesseis milhões, quarenta e seis mil, quatrocentos e setenta e seis reais e sessenta e três centavos), consolidado em 30/08/2007. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial sobre o cálculo da multa. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 336DF CARF MF 6 conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 9202005.496 CSRFT2 Fl. 12 7 caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 338DF CARF MF 8 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 9202005.496 CSRFT2 Fl. 13 9 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 340DF CARF MF 10 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11330.001261/200714 Acórdão n.º 9202005.496 CSRFT2 Fl. 14 11 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722658/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA EXPRESSA. RENÚNCIA DISCUSSÃO ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal.
Numero da decisão: 2401-004.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por ter a autuada aderido a parcelamento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722658/201327 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.857 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ODEBRECHT AGROINDUSTRIAL PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA EXPRESSA. RENÚNCIA DISCUSSÃO ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 58 /2 01 3- 27 Fl. 1752DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por ter a autuada aderido a parcelamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 19515.722658/201327 Acórdão n.º 2401004.857 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório ODEBRECHT AGROINDUSTRIAL PARTICIPAÇÕES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 16a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1452.030/2014, às efls. 1.393/1.480, que julgou procedente o lançamento fiscal, referentes às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, bem como o adicional SAT/GILRAT e as contribuições a terceiros, em relação ao período de 03/2009 a 12/2009, conforme Relatório Fiscal, às fls. 897/917, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: a) DEBCAD n° 51.053.6735, referente as contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social, bem assim o adicional ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho SAT/GILRAT. b) DEBCAD n° 51.053.6743, referente as contribuições devidas ao Terceiros, FNDE salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. Para fins de elucidar o trabalho da fiscalização, adoto o relatório parte do relatório da decisão da DRJ, vejamos: ' A fiscalização sustenta, no Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 897/917, os seguintes fatos, argumentos e constatações inerentes ao lançamento: (...) A seguir a fiscalização passa a relatar as infrações verificadas, fazendoo por tópicos. DOS PAGAMENTOS FEITOS EM RAZÃO DO "RESGATE DAS UNIDADES DE INVESTIMENTO" (...) Conclui a fiscalização que: "O que de fato se constata é que os Srs. Clayton, Roger e Eduardo receberam remuneração para dirigir a empresa e atingir metas específicas em relação à produtividade e redução de contingências das subsidiárias Destilaria Alcídia S/A e Pontal Agropecuária S/A. Esse aspecto fica mais evidente se considerarmos como elemento indiciário o fato da fiscalizada ter pago, durante o aro de 2009, participação nos lucros e resultados (PLR) em relação aos resultados de 2008, porém, o Sr. Eduardo, contratado como Segurado Empregado nos termos da CLT consoante informado em GFIP não recebeu tal parcela. Da mesma forma, os diretores receberam Participações Estatutária dos Administradores", porém, os Srs. Clayton e Roger, Fl. 1754DF CARF MF 4 contratados como Contribuintes Individuais, não receberam a mesma retribuição." (...) DOS PAGAMENTOS FEITOS SOB A RUBRICA 414 PART ESTAT DOS ADMINIST (...) Como se vê, o sujeito passivo incluiu os administradores em plano de Participação nos Lucros e Resultados. Esse tipo de remuneração, de fato, está isento da contribuição previdenciária, desde que seja observado o disposto na Lei n° 10.101/2000, conforme prescreve seu artigo 3°. Ocorre que essa norma trata apenas da participação devida aos trabalhadores empregados. A participação nos lucros dos administradores, trabalhadores autônomos que, como regra, assumem o risco do negócio juntamente com o acionista, está prevista no artigo 152 da Lei n° 6.404/76, e não inclui a participação nos resultados fruto da negociação entre empresa e empregado, conforme previsto no artigo 2°da Lei n° 10.101/2000. 10.4 Ademais, mesmo que se pudesse admitir a possibilidade de incluir os administradores estatutários (portanto, sem vínculo empregatício) no PLR constituído com base na Lei n° 10.101/2000, ainda assim os valores pagos a esse título seriam tributados, pois, conforme será tratado adiante, o Acordo para Participação nos Lucros ou Resultados não atende aos requisitos da lei, particularmente quanto à fixação de regras e critérios de avaliação e prazos de vigência. 10.5 O Acordo prevê o pagamento em razão de "atingimento de RESULTADO ECONÔMICO" aferido com base no resultado operacional e no "custo de capital empregado"; contudo, a Política de Remuneração veda a divulgação dessas bases tanto interna quanto externamente (ver transcrição acima). Ora, como pode haver aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo se os interessados não têm acesso a elas e tampouco o Sindicato? O PLR é, na realidade, verdadeiro embuste, pois os critérios para pagamento são fixados unilateralmente pelo empregador e a avaliação é feita de forma subjetiva pelo "Líder", conforme previsto na Política de Remuneração. Por todo exposto, os valores entregues aos diretores estatutários de acordo com a Tabela IV do TVF serão acrescidos à base de cálculo da contribuição previdenciária devida no mês de junho de 2009. MULTA QUALIFICADA (...) DOS PAGAMENTOS FEITOS SOB A RUBRICA 415 PARTICIP LUCROS OU RESULT 11. O sujeito passivo pagou a seus segurados empregados (funcionários) o total de R$ 2.193.006,35 a título de Participação nos Lucros ou Resultados, sendo que, desse montante, apenas R$ 39.052,35 foram pagos no mês de março de Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 19515.722658/201327 Acórdão n.º 2401004.857 S2C4T1 Fl. 4 5 2009. O restante constou da folha de salários do mês de junho 2009. 11.1 Intimado a apresentar os documentos relacionados ao pagamento caso ele estivesse relacionado à Lei n° 10.101/2000, sendo textualmente mencionados no Termo de Intimação os documentos como aqueles relacionados à escolha da comissão que representou os trabalhadores (art. 2° inciso I), modelos e exemplos de avaliação, identificação dos critérios de avaliação e mecanismos de aferição, o sujeito passivo limitouse a apresentar apenas o Acordo para Participação nos Lucros ou Resultados. 11.2 Através desse documento não é possível saber como são pagos os valores a título de PLR, pois não existe qualquer referência quanto a base sobre a qual irá incidir (salário, por exemplo) ou como será calculado. Existem referências a outros documentos, mas isso não supre o que determina a Lei n° 10.101/2000, que dedica um parágrafo inteiro do artigo 2°somente para tratar dos instrumentos da negociação e determina que do acordo conste a fixação de regras claras e objetivos sobre os direitos substantivos da participação e regras adjetivas. Nesse passo, o acordo deve conter regras materiais (substantivo) sobre o direito em questão, ou seja, quem é seu titular e quem é o obrigado (sujeitos de direito), quando poderá dispor do direito e quando ele perece (regra temporal), no que ele consiste (objeto do direito), bem como devem constar as regras para se obter o direito (regras adjetivas ou formais), ou seja, os critérios que deverão ser observados para atingimento de metas de produtividade, qualidade ou lucratividade, como será aferido etc. (...) 11.6 Quando o documento que registra a Política de Remuneração da fiscalizada trata do planejamento da PLR, o caráter impositivo se torna evidente, pois em nenhum momento se menciona o empregado como parte interessada. 11.7 Ora, se o que será distribuído é fruto de negociação entre o Diretor Presidente e o Conselho de Administração com base nos resultados, é evidente que: 1) não há participação dos empregados; 2) é definido o valor após a conquista do resultado. Ambas as situações são diametralmente opostas ao que prevê a Lei n° 10.101 /2000, que foi criada como forma, inclusive, de incentivar a produção. Por esse motivo, a negociação é prévia ao resultado e dela tomam parte, ao menos sob a forma de representação, as pessoas que produzirão o resultado em razão do incentivo. Da maneira como se põe na fiscalizada, o que se paga é, na verdade, um bônus. 11.8 Os Programas de Ação, segundo a Política de Remuneração, seriam os documentos que comportariam as metas individuais de cada "integrante". Conforme se infere do texto acima, essas metas não são aquelas pactuadas perante o representante do sindicado previstas na Lei n° 10.101/2000, mas Fl. 1756DF CARF MF 6 ficam A CRITÉRIO DO LÍDER DE NEGÓCIO, ou seja, tratase de uma negociação individual em que o empregador (ou superior hierárquico) tem o poder de definir como ele julgar mais conveniente o objeto a ser alcançado pelo empregado. 11.9 Por fim, a Política de Remuneração torna praticamente inviável uma das condições impostas pela Lei n° 10.101/2000, que é o estabelecimento de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do que foi pactuado. No Acordo consta que o pagamento da PLR depende de se atingir o RESULTADO ECONÔMICO ou outros previstos, conforme expresso no Plano de Negócios da empresa, sendo resultado econômico (RE) definido como: “RE = Resultado Operacional Após Impostos () Custo do Capital Empregado (CCE) e CCE = Custo Médio Ponderado do Capital Empregado x Capital Empregado” 11.10 Contudo, o item "5.7. Processo de comunicação da PLR para o público interno e externo" veda a divulgação dos elementos que compõem o resultado econômico, conforme transcreve. (...) 11.12 Enfim, não se pode vislumbrar no Acordo firmado na presença do Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo os elementos essenciais previstos na Lei n° 10.101/2000, particularmente as regras claras e objetivas sobre os direitos dos empregados e forma de obtêlo. O Acordo firmado sempre remete a outros documentos cuja responsabilidade pela elaboração é da fiscalizada, atribuindo a esse instrumento uma característica de "cheque em branco", ou seja, uma delegação das atribuições que a lei conferiu à negociação entre comissão de empregados, sindicato e representantes da empresa para uma negociação particular entre "líderliderado" condicionada ao cumprimento de um "Resultado Econômico" cuja apuração não pode ser aferida. 11.13 Por todo exposto, os valores pagos a título de PLR nos meses de março (R$ 39.052,35) e junho de 2009 (R$ 2.153.954,00) serão considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária. MULTA QUALIFICADA (...) DOS VALORES NÃO INFORMADOS EM GFIP 12. Ao realizar o exame do arquivo MANAD apresentado pelo contribuinte em atendimento à intimação, foi constatado que diversos valores constantes em folha não foram informados em GFIP. Através do Termo de Intimação n°004 foram requeridos esclarecimentos para justificar tais diferenças. O sujeito passivo logrou Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 19515.722658/201327 Acórdão n.º 2401004.857 S2C4T1 Fl. 5 7 comprovar quase a totalidade das divergências; contudo, não restou comprovado que os valores abaixo relacionados foram oferecidos à tributação, sendo assim, serão acrescidos às bases de cálculo das contribuições previdenciárias patronais nos respectivos períodos de apuração: (...) 12.1 Esta infração está descrita no Auto de Infração na ocorrência L5 Remuneração." Vale manifestarse sobre às parcelas do lançamento correspondentes aos levantamentos: L3 Particip de Administradores e L5 Remuneração, a contribuinte esclarece que efetuou o pagamento do respectivo crédito tributário lançado, com o aproveitamento do benefício da redução de 50% da multa de ofício aplicada, nos termos do artigo 6o, inciso I, da Lei n° 8.212/91. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 1485/1572, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, suscitando preliminarmente a nulidade da decisão recorrida, uma vez que ousou inovar o critério jurídico da fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal, revelando também a completa insubsistência da autuação, pois, se houve a necessidade de complementação ou modificação da fundamentação adotada pelo relatório fiscal, há de reconhecer a insuficiência da fundamentação que culmina a nulidade do lançamento. Esclarece ter efetuado o pagamento parcial do crédito tributário representado pelos levantamentos L3 Particip de Administradores e L5 Remuneração, remanescente a discussão tão somente quanto os levantamentos L1 Pagamento a Estatutários, L2 Pagamento a Administrador Empr e L4 PLR Descaracterizado, ressaltando que tais pagamentos, em hipótese alguma, implicam reconhecimento supostas infrações e demais questões impugnadas, e tampouco configura confissão de dívida. Ainda preliminarmente, pugna pela decadência do crédito tributário decorrente da impossibilidade de se questionar os atos societários e contratos que originaram o pagamento da suposta remuneração, pois os valores pagos aos Srs. Clayton, Roger e Eduardo ora questionados, como elementos contratuais surgiram em 03/07/2007, quando da cessão dos direitos e aquisição das Unidades de Investimento da Bayswater, o que foi reconhecido, também, pela fiscalização. Assim, não poderia a fiscalização questionar a legalidade, dos atos nem dos respectivos efeitos, que originaram o direito dos Srs. Clayton, Roger e Eduardo à percepção dos ganhos, consubstanciados nos valores acordados no Contrato de Investimento, que foi firmado, repitase em 03/07/2007, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o seu surgimento e a ciência dos autos de infração ora combatidos (19/11/2013). Também preliminarmente, alega ter a fiscalização na tentativa de descaracterizar as operações e contratos firmados, quebrar o sigilo fiscal dos Srs. Clayton, Fl. 1758DF CARF MF 8 Zenilton, Roger e Eduardo, sem a observância das regras que deveriam ter sido seguidas para a realização de tal procedimento, o que torna o procedimento de fiscalização, e as consequentes autuações, viciadas de nulidade absoluta por ofensa à direito e garantia fundamental dos envolvidos. Jamais tais dados poderiam constar do presente termo, pois, quebrouse o sigilo fiscal de tais pessoas físicas e jurídica à Recorrente, o que é defeso a Fiscalização. Além de estar equivocado o entendimento da autoridade de primeira instância que entendeu não haver a referida quebra do sigilo. Como última preliminar, explicita existir erro na fundamentação do termo, quando informou ser o artigo 71 da Lei n° 4.502/64 a capitulação da infração apurada para a aplicação de multa qualificada, artigo esse que trata de sonegação fiscal, sendo certo que, a justificativa utilizada no Termo de Verificação foi em todos os momentos a suposta existência de simulação (fls. 15 do Termo de Verificação Fiscal). Nesse sentido, a ausência da capitulação legal correta dessas infrações importa em violação ao disposto no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, o qual estabelece os requisitos formais do auto de infração. Como se pode verificar, a descrição do fato infringido e a respectiva disposição legal constituem requisitos formais do auto de infração. Não sendo bastante, pela análise dos autos de infração ora questionados, concluise que o Sr. Agente Fiscal analisou os contratos, recorrendo ao expediente de presumir fatos, para concluir que teria ocorrido uma simulação, tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias. Com efeito, é irreal supor, como fez a Fiscalização, que um projeto de tamanha magnitude como o da Odebrecht para avançar os investimentos no setor sucroalcooleiro, conforme será amplamente explicitado em tópico posterior, fosse apenas um ato simulado para remunerar os seus diretores. No mérito, insurgese quanto os pagamentos decorrentes do resgate das "unidade de investimentos", primeiramente demonstrando de maneira detalhada o fundamento econômico, a substância dos negócios jurídicos e todo o contexto histórico das negociações com os Srs. Clayton, Roger, Eduardo e Zenilton. (CZRE) Especificamente no que tange aos Contratos de Contrato de Cessão de Direitos, Confidencialidade e Outras Avenças e Contratos de Investimento firmados com os Srs. Clayton, Roger e Eduardo, as partes resolveram distratar esses contratos em 15/05/2009, momento em que o investimento efetivado foi resgatado. Vale esclarecer que, nesse momento, foram também acertados os valores devidos pela ETH aos participantes do Plano, em virtude do estabelecido em contratos anteriores, conforme valores aproximados que discrimina. Ademais, confrontandose os valores atualizados até a data do resgate do investimento realizado pelos participantes com o valor efetivamente resgatado, denotase que cada participante sofreu prejuízo. A título de exemplo, o Sr. Roger Haybittle investiu o valor atualizado (15/05/2009) de R$ 1.710.899,00, resgatando o valor de R$ 1.519.282,10, ou seja, o valor atualizado do seu investimento seria R$ 191.617,00 superior ao resgatado, o que evidencia o patente prejuízo sofrido por esse participante.Tal exemplo se repete para todos os outros participantes, não havendo que se falar, portanto, em qualquer ganho que justifique a conclusão inferida pela Fiscalização no sentido de que teria ocorrido o pagamento de remuneração. Além disso, ainda que se admita, somente a título de argumentação, a existência de valorização nas UI's que tenha gerado aos participantes algum tipo de ganho, tal valorização foi tão irrisória que não justificaria o investimento. Para tal conclusão seria necessário confrontarse grandezas distintas que não se equivalem, mas que assim se faz somente como exercício para a demonstração de que o investimento não seria viável se Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 19515.722658/201327 Acórdão n.º 2401004.857 S2C4T1 Fl. 6 9 comparado a outras opções no mercado (poupança, cdb, etc). Vejase que o valor histórico do investimento realizado pelo Sr. Roger Haybittle, em 29/06/2007, foi de R$ 1.413.000,00 e o resgate desse valor em 15/05/2009 foi de R$ 1.519.282,10, o que representa a ínfima valorização de R$ 106.282,10, correspondente a aproximadamente 7,5 % em 23 meses ou 0,32% ao mês. Caso o participante tivesse investido o mesmo valor de R$ 1.413.000,00 em caderneta de poupança, teria obtido um rendimento superior, resgatando na mesma data o valor de R$ 1.618.490,19, ou seja, uma valorização de R$ 205.490,10, correspondente a 14,54 %, praticamente o dobro da valorização obtida pela aquisição das UI's. Não obstante a cabal demonstração que os participantes não obtiveram qualquer vantagem ou ganho com os investimentos feitos nas UI's, o que desde logo afasta o suposto caráter remuneratório dos valores recebidos, como sustentou a Fiscalização, ainda que se admitisse considerar como remuneração os valores recebidos pelos participantes, o que se admite somente a título de argumentação, jamais poderia se considerar como base de cálculo para as contribuições previdenciárias os valores integralmente recebidos, mas tão somente a diferença entre o valor do investimento e aquele resgatado. Assim, novamente para o caso do Sr. Roger Haybittle, quando muito, a base de cálculo a ser adotada, caso o valor resgatado fosse admitido como remuneração, seria de R$ 106.282,10, decorrente da diferença entre o investimento realizado (R$ 1.413.000,00) e o valor resgatado (R$ 1.519.282,10). Entretanto, repitase, tal comparação não seria cabível uma vez que não se pode comparar o valor histórico do investimento com o valor atualizado do resgate, sendo que o correto seria confrontar o valor atualizado do investimento com o valor resgatado, ambos na mesma data, como já explicitado acima. Os exercícios numéricos exemplificados acima demonstram ainda a completa incerteza e o risco quanto ao investimento realizado pelos participantes, que efetivamente não obtiveram o retorno almejado com o investimento. Tal circunstância corrobora também, para evidenciar que a presente autuação pautouse exclusivamente em mera presunção deduzida pela Fiscalização com o intuito de qualificar os pagamentos efetuados a título de resgate das UI's como remuneração. Portanto, sob qualquer ângulo que se analise os valores pagos aos participantes do Plano de Participação em Ganhos de Capital, constatase que não houve benefício econômico ou ganho a ser considerado como remuneração sujeita à incidência de contribuições previdenciárias. Ademais, como já foi amplamente demonstrado, tais pagamentos não se amoldam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias, prevista pelo artigo 22 da Lei n° 8.212/91, uma vez que não denotam a existência de qualquer caráter retributivo ou habitual. E mais. Durante o período em que trabalharam na ETH (antiga Bayswater), os participantes receberam remuneração pelos serviços prestados, inclusive a valores variáveis, que foram objeto da presente autuação fiscal. Isso demonstra que os contratos de investimento não serviram para encobrir remuneração devida aos participantes, pelo exercício de suas funções. De fato, tratouse de investimento de seus recursos próprios em UI's (semelhantes a debêntures, como afirmou o próprio fiscal), investimento esse que se liquidou com o encerramento da relação de gestão na empresa. Sustenta ainda, tratarse de um contrato de investimento, ou seja, contrato mercantil, não existindo a possibilidade de caracterizálo como remuneração, não existindo previsão legal para o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados em razão do "resgate das unidades de investimento". Fl. 1760DF CARF MF 10 Aduna ter a fiscalização desconsiderado Contrato de Investimento firmado entre a Recorrente e os Srs. Clayton, Zenilton, Roger e Eduardo, para atribuir aos pagamentos dele decorrentes a natureza de remuneração pelo trabalho, utilizando da premissa de tratarse de atos simulados, buscando recurso no permissivo do art. 116 do CTN. No entanto, não houve qualquer ato simulado, ou seja, não havendo espaço para aplicação do artigo supra mencionado. Quanto aos pagamentos feitos sob a rubrica "415 PARTICIP LUCROS OU RESULT", alega ter a fiscalização utilizado como base os termos da política de remuneração da empresa, e não o acordo de participação nos lucros e resultados vigente, não se sustentando a desconsideração dos pagamentos efetuados sob este título. Afirma está a autuação pautada exclusivamente em presunção, pois não foi buscada a verdade material dos fatos, uma vez que o Auditor sequer faz referência a documentos internos da contribuinte ou ao acordo vigente, escorandose exclusivamente e equivocadamente na política de remuneração. Esclarece que a participação nos lucros ou resultados a ser distribuída seria veiculada por acordo celebrado no âmbito de comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Ou seja, a contribuinte não só atendeu a esse requisito da Lei n° 10.101/2000, mas o extrapolou, pois, veiculou sua PLR por acordo integrado também por comissão paritária composta pelo mesmo número de representantes (3) da empresa e dos empregados, além do representante do Sindicato da Categoria, conforme se depreende das assinaturas contidas no final do instrumento. Além disso, o Acordo de PLR em questão foi celebrado em 28/05/2008, ou seja, muito antecipadamente ao pagamento, somente ocorrido no exercício seguinte. Nesse sentido, referido instrumento atende também, integralmente, ao disposto pelo § 1° do artigo 2° da Lei n° 10.101/2000, no que tange à prévia pactuação do programa de metas decorrentes da negociação. Explicita estarem claras as metas através dos Programas de Ação referidos pelo Acordo, colacionando na impugnação diversos exemplos que corroboram o alegado, e, estando expressa a previsão de divulgação das informações aos integrantes do acordo, ou seja, a todos aqueles envolvidos na PLR, sendo vedado apenas a sujeitos estranhos. Relata constar a inequívoca existência de metas globais e individuais previamente definidas para pautar o pagamento da participação aos seus empregados, seja quanto ao estabelecimento da meta global, a ser atingida pela contribuinte, seja às metas individuais. Objetivamente, os empregados da Impugnante sabiam que deveriam atingir suas metas individuais que convergiriam no alcance da meta global numericamente estipulada. Em momento algum foi levada em consideração a real complexidade de observação e mensuração da multiplicidade de funções, áreas, capacidades e estratégias de uma instituição financeira, que, em tese, poderiam impossibilitar a fixação de regras claras e objetivas para implantação de um Acordo de PLR; por conseguinte, também se ignorou o fato de que, a despeito de tamanha complexidade, as partes acordaram e foram capazes de, juntas, estabelecer regras claras e objetivas para todas e quaisquer situações dos empregados. Em que pese as metas definidas pelo acordo serem objetivas, ainda que contivessem elementos subjetivos isso não invalidaria o acordo firmado. Ao se pronunciar sobre a forma como as metas deverão ser estabelecidas pelos acordos de participação nos lucros ou resultados, para que sejam atendidos os critérios definidos pela Lei n° 10.101/2000. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 19515.722658/201327 Acórdão n.º 2401004.857 S2C4T1 Fl. 7 11 Cita entendimentos do CARF. O que não se pode perder de vista no presente caso, é que a Receita Federal se posiciona como uma espécie de validador das condições pactuadas na PLR. Ocorre, todavia, que os requisitos de clareza e objetividade estabelecidos na legislação não se voltam, não se destinam ao Fisco Federal (até porque é parte totalmente estranha ao ajuste), mas, exclusivamente, para seus reais interessados: a empresa, seus empregados e o sindicato da categoria. Repudia a aplicação da multa agravada pelas alegações já mencionadas em sede preliminar e destacando que a hipótese verificada no presente caso é de uma operação válida. Ademais, ainda que as condutas praticadas pela Impugnante não se qualificassem na mencionada previsão legal, o que se admite apenas a título meramente argumentativo, fato é que também restou amplamente demonstrado que não há que se falar nos ilícitos de "abuso do direito" e "fraude à lei" previstos no código civil (ilícitos civis). Contudo, ainda que se pudesse falar na ocorrência dos ilícitos civis correspondentes ao abuso do direito e fraude à lei, o que se nega veementemente, mas se admite apenas a título argumentativo, fato é que tais ilícitos civis não configuram a hipótese de sonegação prevista na lei penal (artigo 71 da Lei n° 4.502/64). Insurgese também quanto aplicação dos juros sobre a multa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 1762DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Não obstante a sua tempestividade, o recurso não merece ser conhecido, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, constatase que, após a interposição do Recurso Voluntário, a contribuinte, em 05/06/2017, apresentou petição, às efls. 1743/1745, informando que o presente débito, fora incluído no Parcelamento contemplado pela Medida Provisória n° 766/2017, razão pela qual requereu a desistência da discussão administrativa. Assim, a contribuinte renunciou expressamente o interesse de agir na esfera administrativa e judicial, inclusive de recursos que porventura já tenham sido interpostos, tendo em vista a adesão ao parcelamento supramencionado, o qual exige a desistência de quaisquer manifestações e alegações de direito em relação ao processo em referência. Na esteira desse entendimento, manifestada em petição nos autos do processo a renúncia ao recurso interposto, não se pode cogitar no conhecimento do recurso voluntário da contribuinte, conforme se extrai do artigo 78, § 2°, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo.” (grifamos) Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720353/2014-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. PREJUÍZO À DEFESA. INOCORRÊNCIA. CONJUNTO PROBATÓRIO ADEQUADO. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL
A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de violação ao art. 142 do CTN diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da matéria tributável, não se sustenta quando verificada a adequada instrução da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
DESPESAS DEDUTÍVEIS. CONFRATERNIZAÇÃO AO FINAL DO ANO E CLUBE DE LAZER DESTINADOS A FUNCIONÁRIOS. PRESCINDIBILIDADE OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE.
Os gastos com festas intracorporativas e com a manutenção de clube de lazer destinado aos empregados, ainda que demonstrem possuir certo valor empresarial estratégico, não se enquadram na autorização de dedução contida no art. 299 do RIR/99, a qual, primordialmente, exige a necessidade operacional do dispêndio.
O conceito de necessidade não se confunde com utilidade, vantagem ou benefício. O simples fato da despesa não ser alheia à empresa é insuficiente para lhe atribuir vinculação às suas atividades transacionais e operacionais.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012
BASE DE CÁLCULO. ART. 299 RIR/99. APLICABILIDADE. IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Ainda que o IRPJ e a CSLL possuam bases de cálculo distintas, especificamente a norma contida no art. 299 do RIR/99 é aplicável na apuração da CSLL devida.
Decorrendo a exigência de CSLL de elementos que igualmente fundamentaram o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão para ambos os tributos.
Numero da decisão: 1402-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011, 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. PREJUÍZO À DEFESA. INOCORRÊNCIA. CONJUNTO PROBATÓRIO ADEQUADO. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de violação ao art. 142 do CTN diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da matéria tributável, não se sustenta quando verificada a adequada instrução da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 DESPESAS DEDUTÍVEIS. CONFRATERNIZAÇÃO AO FINAL DO ANO E CLUBE DE LAZER DESTINADOS A FUNCIONÁRIOS. PRESCINDIBILIDADE OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE. Os gastos com festas intracorporativas e com a manutenção de clube de lazer destinado aos empregados, ainda que demonstrem possuir certo valor empresarial estratégico, não se enquadram na autorização de dedução contida no art. 299 do RIR/99, a qual, primordialmente, exige a necessidade operacional do dispêndio. O conceito de necessidade não se confunde com utilidade, vantagem ou benefício. O simples fato da despesa não ser alheia à empresa é insuficiente para lhe atribuir vinculação às suas atividades transacionais e operacionais. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 BASE DE CÁLCULO. ART. 299 RIR/99. APLICABILIDADE. IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Ainda que o IRPJ e a CSLL possuam bases de cálculo distintas, especificamente a norma contida no art. 299 do RIR/99 é aplicável na apuração da CSLL devida. Decorrendo a exigência de CSLL de elementos que igualmente fundamentaram o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão para ambos os tributos.
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DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. PREJUÍZO À DEFESA. INOCORRÊNCIA. CONJUNTO PROBATÓRIO ADEQUADO. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de violação ao art. 142 do CTN diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da matéria tributável, não se sustenta quando verificada a adequada instrução da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 DESPESAS DEDUTÍVEIS. CONFRATERNIZAÇÃO AO FINAL DO ANO E CLUBE DE LAZER DESTINADOS A FUNCIONÁRIOS. PRESCINDIBILIDADE OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE. Os gastos com festas intracorporativas e com a manutenção de clube de lazer destinado aos empregados, ainda que demonstrem possuir certo valor empresarial estratégico, não se enquadram na autorização de dedução contida no art. 299 do RIR/99, a qual, primordialmente, exige a necessidade operacional do dispêndio. O conceito de necessidade não se confunde com utilidade, vantagem ou benefício. O simples fato da despesa não ser alheia à empresa é insuficiente para lhe atribuir vinculação às suas atividades transacionais e operacionais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 53 /2 01 4- 58 Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 273 2 Anocalendário: 2011, 2012 BASE DE CÁLCULO. ART. 299 RIR/99. APLICABILIDADE. IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Ainda que o IRPJ e a CSLL possuam bases de cálculo distintas, especificamente a norma contida no art. 299 do RIR/99 é aplicável na apuração da CSLL devida. Decorrendo a exigência de CSLL de elementos que igualmente fundamentaram o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão para ambos os tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 274 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1150 a 1235) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (fls. 1133 a 1145) que manteve integralmente as Autuações sofridas pelo Contribuinte (fls. 803 a 864), rejeitando os termos da Impugnação apresentada (fls. 870 a 1107). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, referentes aos anos calendário de 2011 e 2012, em face da empresa NATURA LOGÍSTICA E SERVIÇOS LTDA, pertencente ao Grupo Natura, sendo a responsável pela logística, serviços gerais de backoffice, gestão de recursos humanos e desenvolvimento de novas tecnologias. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à dedução indevida de despesas com eventos de confraternização e clube para funcionários, cujos valores estão registrados nas contas contábeis 0000330228 – Festa e Confraternização e 0000330221 – Clube Natura. Não há questionamentos sobre a documentação e registro de tais despesas, seu montante ou mesmo sua efetiva ocorrência, resumindose a fundamentação fiscal à demonstração de serem tais dispêndios desnecessários à atividade empresarial da Recorrente, afastandose da autorização contida no art. 299 do RIR/99. Trazse no TVF (fls. 516 a 526) julgados deste E. CARF sobre o tema e breve argumentação referente a PIS e COFINS, que mostrase alheia à presente contenda. Cientificado das Autuações, o Contribuinte ofereceu Impugnação, alegando, em suma, que: A lavratura dos autos de infração ora impugnados decorreu, única e exclusivamente, da equivocada e obsoleta visão da fiscalização de que as despesas operacionais com eventos de confraternizações e com clube social "Clube Natura" seriam meras liberalidades da Impugnante. Há flagrante violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, porque as despesas incorridas são necessárias, tendo Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 275 4 em vista, inclusive, a noção atual da função social das empresas e o seu papel desempenhado em sociedade. Não foi intimada para explicitar ou prestar maiores esclarecimentos sobre os eventos de confraternizações e também sobre a função do “Clube Natura”. Algumas dessas despesas estavam relacionadas a eventos para promoção dos produtos do Grupo Natura, tratandose de despesas com a intermediação de negócios, cuja dedutibilidade é assegurada, consoante parecer Normativo CST nº 322, de 05/07/1971. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a fiscalização tem o dever de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador e de identificar corretamente a matéria tributável, aprofundando o trabalho fiscal mediante a realização das diligências que entender necessárias, inclusive, com a intimação do contribuinte para apresentar esclarecimentos e documentos adicionais, não sendo admitido o lançamento pautado em mera presunção. De igual modo, também dispõe o artigo 23 do Decreto nº 7.574/2011. A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes é pacífica quanto à insubsistência do lançamento nos casos em que a fiscalização não teve o cuidado de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador e identificar corretamente a matéria tributável. Neste mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entende pela impossibilidade de presunção de omissão de receitas sem o devido aprofundamento investigatório, posição também sedimentada no Supremo Tribunal Federal. Na quantificação dos autos de infração o trabalho fiscal foi grosseiramente falho, pois singelamente desprezou os créditos decorrentes do saldo negativo de IRPJ, apurado no 4º trimestre de 2011, no montante de R$ 1.404.049,79 (fls. 361), e no 1° trimestre de 2012, no montante de RS 484.576,31 (fl. 443), e também do saldo negativo de CSLL, apurados no 4º trimestre de 2011, no valor de R$ 857.580,90 (fl. 369), e no 1º trimestre de 2012, no valor de RS 375.844,45 (fl. 448). Não havia margem de discricionariedade para deixar de computar tais créditos, com formalização de exigência de tributos acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, devendo ser cancelados os autos de infração em face de sua demonstrada incerteza e iliquidez. Na deturpada ótica da fiscalização, as despesas incorridas com festas e confraternizações e com o "Clube Natura" seriam decorrentes de meros atos de liberalidade da Impugnante, visão atrasada, que parte do pressuposto de que o objeto único de uma Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 276 5 empresa é a obtenção de lucro, sendo importante salientar que este não é o seu único objetivo. De fato, já há muito, o Ordenamento Jurídico pátrio adota a noção de que as empresas devem cumprir com a sua função social, significando dizer que estas devem assumir posições de maior envergadura, inclusive moral, operando também como agentes transformadores da sociedade. A aparente incongruência entre a função social e o objetivo da empresa (obtenção de lucro) não existe, haja vista que as despesas incorridas com a criação de ambientes de trabalho sadios, respeito ao meio ambiente e aos consumidores são concretamente revertidas em beneficio da própria empresa. Aliado a outros benefícios, as empresas organizam festas de congraçamento (confraternizações, festas de fim de ano, eventos etc), as quais não apenas servem como um momento de lazer para os profissionais, mas têm significativo impacto na motivação e integração dos empregados, por demonstrar que a empresa valoriza e reconhece a importância de todos os seus colaboradores. Os clubes sociais contribuem para o próprio bemestar dos funcionários que, em muitos casos, não teriam condições financeiras para usufruir de um clube particular , assegurando uma melhora em sua qualidade de vida, o que possui obviamente impacto positivo em sua capacidade laboral, culminando em evidente retorno para as empresas. A Impugnante alcançou o status de ser uma das maiores empresas do Brasil (e também do mundo), angariando respeito e admiração no mundo inteiro pela capacidade de produzir e reter talentos, possibilitada pela criação de ótimas condições de trabalho, atraindo sempre os melhores e mais criativos profissionais. Exatamente por isso, promove eventos de confraternizações entre os funcionários, oportunidades estas marcadas, inclusive, por apresentações de artistas de renome nacional, como se vê em cópia do folder relativo à festa de final de ano ocorrida em 10/12/2012, que teve a presença do mais que renomado sambista Jorge Aragão. Além destes eventos de confraternizações, por estar localizada em uma área distante dos grandes centros urbanos do país (Município de Cajamar), construiu e mantém o chamado "Clube Natura", acessível a todos os seus funcionários e respectivos dependentes mediante o pagamento de uma contribuição mensal. No "Clube Natura", os associados têm à sua disposição salão de beleza, academia, quadras poliesportivas, estúdio de pilates, piscinas, restaurantes etc. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 277 6 Embora as despesas incorridas com a manutenção do "Clube Natura", ou mesmo com a promoção de festas e confraternizações, não estejam diretamente vinculadas ao seu objeto social, não se pode negar que, indiretamente, contribuem para a consecução de suas atividades, aumentando a produtividade e a capacidade inventiva de seus profissionais e, ao fim e ao cabo, gerando lucro e, portanto, são despesas absolutamente necessárias para a consecução de suas atividades. A despesa deve ser necessária, usual e normal e o critério estipulado pelo artigo 299 do RIR/99 é o cotejo da despesa em análise com os objetivos e atividade do contribuinte em questão, ou, em outras palavras, há de se verificar se a despesa questionada guarda ou não relação com "atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora". Sem grandes esforços, e resgatandose os fundamentos invocados nos tópicos anteriores desta defesa, as despesas incorridas com a promoção de eventos de confraternizações e com o "Clube Natura" representam o próprio cumprimento dos objetos sociais da empresa, dentre os quais se insere a sua função social. Os precedentes invocados pela fiscalização não representam a jurisprudência administrativa sobre a matéria. Ainda que se entenda pela manutenção da exigência de IRPJ, deverá, ao menos, ser cancelada a exigência da CSLL, tendo em vista a ausência de fundamento (legal e fático) para a glosa de despesas incorridas pela Impugnante, as quais em momento algum tiveram sua efetividade questionada, uma vez que o artigo 299 do RIR/99 não se aplica na apuração da CSLL. A legislação própria e específica disciplinadora da apuração da base de cálculo da CSLL (especialmente o artigo 2° da Lei n° 7.689/88 e o artigo 13 da Lei n° 9.249/95) não determina que, para efeito de dedutibilidade, a despesa deve ser "necessária" (tampouco "usual" e "normal"), enquanto a Instrução Normativa nº 390 nada mencionou a respeito. O IRPJ e a CSLL têm técnicas de apuração distintas. Não pode ser admitida a interpretação de que o artigo 57 da Lei n° 8.981/95 teria determinado a observância das regras de dedutibilidade previstas na legislação disciplinado na da apuração da base de cálculo do IRPJ, inclusive, o critério de "necessidade" (e de "usualidade" e "normalidade"), previsto no art. 299 do RIR/99, também na determinação da base de cálculo da CSLL. Nos termos do artigo 57 da Lei n° 8.981/95, aplicamse à CSLL, única e exclusivamente, as regras de apuração (Lucro Presumido, Lucro Real e Lucro Arbitrado) e as regras de pagamento (Mensal, Trimestral e Anual) previstas para o IRPJ, Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 278 7 devendose ser respeitadas as regras próprias e específicas de determinação da base de cálculo da CSLL. Inexiste amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício de 75%, não se confundindo o crédito tributário sobre o qual incidirá os juros de mora e as penalidades cabíveis (multa de ofício), nos próprios termos do artigo 161 do CTN. (trecho v. Acórdão DRJ fls. 1135 a 1138) Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BH, que julgou totalmente procedente o lançamento, entendendo como desnecessárias tais despesas e, logo, indedutíveis das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, rejeitando, igualmente, os demais argumentos do Contribuinte. Confirase a ementa e trechos daquele julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. As despesas desnecessárias, que não estejam relacionadas com a realização de transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 APURAÇÃO DA CSLL. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Para se aferir se determinada despesa pode se considerada como operacional e, portanto, se é possível sua dedução na apuração do Lucro Real, base de cálculo do IRPJ, há de se considerar o disposto no artigo 299 do Decreto nº 3.000, de 1999, RIR/99, que tem por base legal o artigo 47 da Lei nº 4.506, de 1964: (...) Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 279 8 Deste modo, o dispêndio deverá ser necessário, isto é, utilizado para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, além de usual ou normal no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Em outros termos, as despesas incorridas, para serem consideradas operacionais e, assim, dedutíveis do imposto de renda, devem guardar relação com a atividade desenvolvida pela empresa, isto é, com seu objeto social, admitindose ainda apenas as que preencham os requisitos de usualidade ou normalidade. (...) Observase, assim, que a dedutibilidade da despesa está em regra condicionada à sua ligação direta com a atividade fim da empresa: comercialização ou produção de bens e serviços. No caso em exame, não se discute o significado de uma festa de confraternização ou a disponibilização de um clube para os funcionários para o ambiente da organização, mas tão somente a sua vinculação com o objeto social da empresa. Entendo que tais atividades não guardam relação direta com a atividade fim da empresa, devendo ser considerados como indedutíveis os dispêndios correspondentes. Diante de tal revés, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 1150 a 1235), repisando parte dos argumentos de sua Impugnação (deixa de alegar a necessidade do uso de saldo negativo de IRPJ e CSLL do período colhido, que ficou esclarecido no v. Acórdão a quo já ter sido objeto de compensação), fazendo alusão específica aos argumentos do v. Acórdão recorrido, apontando as razões de necessidade de sua reforma. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 280 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ter sido nulo o lançamento de ofício, por violação ao art. 142 do CTN, sendo procedido por meio de presunção, ao passo que a Autoridade Fiscal teria se baseado em mera nomenclatura das contas contábeis para a glosa procedida, deixando de promover investigações das efetivas origens dos valores lá registrados. Para a Recorrente, tal postura deixa de atender à obrigação legal de se determinar a matéria tributável quando da lavratura de Auto de Infração, impossibilitando ao Contribuinte demonstrar que nas contas colhidas estariam também contidos valores distintos de festas e manutenção de área de lazer apenas para funcionários, supostamente havendo gastos com eventos destinados à divulgação de seus produtos. A falta de intimação da Empresa para prestar esclarecimentos sobre tais contas também implicaria em nulidade das Autuações. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Ainda que o trabalho da Fiscalização não tenha demandado a intimação do Contribuinte para apresentar informações adicionais, ou procedido a maiores diligências antes do lançamento de ofício, tal fato não implica em nulidade. Frisese que foram emitidos 4 Termos de Intimação Fiscal, requerendo a entrega de documentação, sendo estes regularmente recebidos e atendidos pela Empresa. Dentro do prisma interpretativo adotado pela Autoridade Fiscal, claramente expresso no TVF, a constatação da natureza daqueles valores registrados na contabilidade, depreendida dos elementos disponíveis durante a fiscalização e após a emissão e atendimento dos Termos de Intimação, bastoulhe para a lavratura das Autuações, perfeitamente regulares, Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 281 10 atendendo a todos os requisitos formais de legalidade, contando com mais de 800 folhas de instrução prévias ao efetivo lançamento. Mais importante é que a matéria tributável está claramente expressa no TVF, bem como toda a fundamentação das exigências fiscais, o que como comprovam os autos permitiu à ora Recorrente a elaboração de extensa, robusta e profunda defesa jurídica. O argumento de que a ausência de maiores investigações não permitiu ao Contribuinte demonstrar que parte dos lançamentos efetuados nas contas contábeis colhidas para a glosa seriam referente a despesas de eventos de lançamento e divulgação de produtos também não se sustenta. Isso pois, se de fato estivessem ali registradas despesas de tal natureza, diversa daquela apontada pela Fiscalização, foi absolutamente permitido à Recorrente fazer tal prova já em sua Impugnação e posteriormente em Recurso Voluntário, o que demonstraria um suposto excesso de glosa (hipótese essa que, por sua vez, também não seria capaz de atribuir nulidade ao lançamento, por violação ao art. 142 do CTN, como defendido em suas razões). Porém, não houve por parte do Contribuinte a prova ou mesmo a tentativa de demonstração da existência de tais outros valores naquelas contas contábeis, limitandose a trazer tal argumentação em tópico preliminar, de maneira abstrata. Não se verifica, então, qualquer prejuízo à Empresa ou a limitação de seu direito de defesa, afastando a hipótese da nulidade apontada. No que tange ao mérito da contenda, claramente, não há provas sob debate, tratandose exclusivamente de matéria de Direito, delimitada à dedutibilidade das despesas percebidas com confraternizações internas e clube de lazer, destinados aos funcionários da Recorrente. A fundamentação do lançamento, precisamente alinhada com aquilo professado no v. Acórdão, valese de interpretação do art. 299 do RIR que considera a necessidade operacional do dispêndio como requisito central para a dedutibilidade, devendo haver conexão direta do gasto com a atividade empresarial do contribuinte. E, desse modo, tratandose de despesas com eventos e instalações dirigidas ao lazer e ao congraçamento, não estaria contemplada na autorização legal para a sua dedução. A matéria é bastante controversa. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 282 11 Inclusive, neste E. CARF (assim como no antigo E. Conselho de Contribuintes), a jurisprudência sobre a dedutibilidade de despesas com confraternizações para funcionários não é pacífica, existindo julgados tanto favoráveis como contrários à licitude de dedução de tais valores das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como mencionado, a matéria em questão é regida pelo artigo 299 do RIR/99, valendo aqui sua transcrição: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. (destacamos) Sobre os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, brevemente dispõe o Parecer Normativo CST nº 32/1981: 4. Segundo o conceito legal transcrito [correspondente ao art. 299 do RIR/99], o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de "usualidade" deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. (destacamos) Assim, temos que, quando não há vedação ou autorização expressa, a legislação tributária federal estabelece como requisito primordial para a dedutibilidade de Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 283 12 determinado dispêndio a sua necessidade para a atividade desempenhada pelo contribuinte ou para a manutenção da fonte produtiva. Como corretamente expresso no Parecer Normativo citado, do termo necessário podese, inquestionavelmente, depreender o sentido de essencialidade. Confirmando tal assertiva, confirase trechos de verbetes de De Plácido e Silva1 acerca de sua definição e emprego na prática jurídica: NECESSÁRIO. Derivado do latim, necessarius (inevitável), em qualquer sentido que seja aplicado quer exprimir sempre o que é forçoso, é imperioso, o que é indispensável, o que é essencial. Mostrase assim o que deve ser feito por um motivo mais forte que a vontade de alguém. (...) As despesas necessárias se justificam por se terem mostrado indispensáveis, para que se cumprisse uma finalidade ou um objetivo, que era imposto pelas contingências. Assim, em qualquer aspecto, necessário vem pôr em evidência o que tem que ser feito, o que não pode deixar de ser, e tem que ser feito pelo modo indicado. NECESSIDADE. (...) Necessidade. Na acepção jurídica, necessidade é indispensabilidade, é a imprescindibilidade ou a substância, o que não se pode dispensar, ou omitir, porque é necessária e obrigatória, para que as coisas se apresentem como devem ser apresentadas e se façam como devem ser feitas. Como se observa, o conceito de necessidade exprime o indispensável, o imprescindível, sendo mais restrito e, certamente, distinto das idéias de utilidade, vantagem ou benefício. A Recorrente traz argumentação em sua defesa que, por força da função social da empresa, dentro do cenário de Direito Privado que vem se apresentando desde a segunda metade do século XX, as empresas também têm como objetivo a busca da justiça social, através de suas atividades, escopo esse que seria tão essencial quanto as suas atividades operacionais, geradoras de riquezas. 1 Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: Forense, 2007, s.v. necessário.s.v. necessidade. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 284 13 Assim, a realização de eventos sociais para os seus funcionários, bem como a manutenção de um espaço autônomo, destinado exclusivamente ao lazer de seus empregados e colaboradores externos (fora das horas laborais), comporiam as medidas adotadas para o alcance de tal novo objetivo empresarial. Como já defendido por este Conselheiro, ainda que prestigiada juridicamente em alto grau de abstração, a função social dos negócios, relacionado à justiça social, direta e isoladamente considerada, é irrelevante para a técnica do Direito Tributário seja em argumentação em prol dos interesses fazendários ou dos contribuintes. Contudo, a assertiva do Contribuinte não é falsa, havendo na esfera de Direito Privado e em outras searas do sistema jurídico nacional a presença de tal principiologia, que informa e influencia o tratamento e a tutela jurídica de alguns de seus objetos. Mas, para o presente caso e circunstância, a mencionada relevância jurídica do princípio da função social dos negócios não é capaz de estabelecer cogência tamanha a ponto de revestir de necessárias as ações relacionadas ao lazer de seus funcionários. Inicialmente, cabe lembrar que outros dispêndios que possuem manifesto interesse social (dentro do ideário de bem comum da sociedade), como, por exemplo, alimentação, transporte, participação nos lucros do trabalhador, doações voltadas a ensino e pesquisa e a formação profissional de funcionários, possuem autorização legal expressa para serem deduzidos. Desse modo, a sua dedutibilidade não está sujeita ao crivo da norma geral contida no art. 299 do RIR/99 diferentemente de festas de congraçamento e clubes. Por sua vez, essa norma tributária, quando trata de necessidade, também emprega os termos transações ou operações exigidas para a consecução de sua atividade e manutenção da fonte produtora, o que remete à mercancia, à exploração econômica, necessitando haver vinculação com o negócio, como fica esclarecido no Parecer Normativo nº 32/1981. Ainda que a empresa também desenvolva atividades com supostos fins sociais, os gastos percebidos não estão contemplados na definição geral de despesas operacionais necessárias. Certamente o lazer é um direito social (prestigiado no art. 6º da Constituição Federal), mas não se sustenta a defesa da existência de uma necessidade de concessão pelas empresas de tal garantia aos cidadãos que são seus funcionários. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 285 14 Reforçando tal argumentação, mas dentro de outra abordagem, a Recorrente alega que, no atual cenário dos mercados, internacional e brasileiro, a qualidade de vida oferecida pelas companhias aos seus empregados é importante elemento empresarial, sendo a própria Recorrente, em 2013, classificada por pesquisa especializada como a segunda melhor empresa para se trabalhar no Brasil, feita com base na satisfação de seus funcionários e aspirações que os profissionais guardam em relação à companhia que desejam trabalhar. Tal fato se operaria como endomarketing positivo e que, na visão negocial moderna, seus funcionários também são stakeholders (público estratégico). Posto isso, essa afirmação do Contribuinte é fidedigna em relação à importância mercadológica da satisfação e do bem estar de seus colaboradores, sendo, inclusive, cada vez mais um objeto de preocupação dos gestores, por demonstrar ser importante ferramenta de retenção e atração de talentos. Digase mais: é também louvável tal política empresarial de qualidade de vida, sendo merecedora de tratamento legislativo específico e mais privilegiado do que o hoje vigente. Porém, frisese que a realização de festas e manutenção de clube social, per si, não são elementos imprescindíveis à manutenção da fonte produtora, bem como ao próprio bemestar e à satisfação dos empregados, que, efetivamente, envolvem muitos outros elementos, mais profundos e relevantes, relacionados aos termos das contratações, ao crescimento na carreira e à rotina diária do profissional brasileiro. A mero título exemplificativo, confirase trecho de matéria do periódico VALOR ECONÔMICO tratando da classificação positiva da empresa Recorrente (fls. 1018): Os executivos que escolheram a Natura, que ocupa o segundo lugar do ranking de "empresas dos sonhos", também afirmaram admiração pelos produtos da companhia. Entretanto, o principal motivo que os levaria a assumir uma posição de gestão é a identificação com as causas e os valores defendidos pela fabricante de cosméticos. "A Natura preza pela sustentabilidade em seus três pilares: ambiental, social e econômico. Procuramos atrair executivos com o mesmo nível de engajamento que propomos", afirma (...). Segundo ela, a companhia busca desenvolver produtos pautados em inovação e no conceito de "sociobiodiversidade". Entretanto, o objetivo é mostrar que é possível fazer um negócio e uma carreira crescerem respeitando o meio ambiente e a qualidade de vida. "Procuramos desenvolver os talentos por meio de Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 286 15 diversos programas de liderança. Hoje, 700 gestores participam de um projeto de capacitação global", afirma. (destacamos) Como se observa, tal argumentação apenas demonstra (de forma abstrata, relativa e não diretamente atribuível à boa imagem obtida) a utilidade de tal modalidade de dispêndio para uma política empresarial interna maior, podendo até gerar resultados positivos, quando associada a outras ações institucionais de relevância. Todavia, a mera atribuição de valor estratégico, moral ou mercadológico a um certo dispêndio pelos gestores da empresa não basta para revestilo de legalmente dedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A celebração de festas e a existência de clubes sociais, certamente, não são elementos essenciais da rotina de um funcionário nas empresas, assim como, contrario sensu, o cancelamento de eventos festivos e a suspensão das atividades recreativas (por motivo de crise econômica, por exemplo) notoriamente não são apontados como causas de baixas no quadro de funcionários ou de redução da produção, revelandose dispensáveis para a operação empresarial. Como já mencionado, o debate é controverso, não apenas sobre o tema específico, mas na maioria das matérias que envolvem o teste de dedutibilidade em face do conteúdo do art. 299 do RIR/99. Frisese que nem todo gasto, ainda que mostrese circunstancialmente justificável e finalisticamente positivo para a companhia, é dedutível. Nessa esteira, ainda que determinado dispêndio não seja alheio à empresa (no caso, relacionado com os seus funcionários, que desfrutam do lazer patrocinado) e exista um resultado empresarial supostamente vantajoso, tais ocorrências não se confundem com o conceito de necessidade, empregado na norma de apuração fiscal sob análise, anteriormente explorado. Em acréscimo meramente argumentativo, como demonstrado pela Recorrente, nas confraternizações envolvidas, foram contratados os artistas Jorge Aragão (para a Festa Operacional) e Os Paralamas do Sucesso (para a Festa Administrativa) (fls. 1025). Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 287 16 Um eventual debate sobre a necessidade ou não da contratação de shows de ilustres artistas para o entretenimento de funcionários nas consagrações de mais um ano de funcionamento das empresas já revela a superficialidade da despesa com festas internas da companhia e a sua prescindibilidade operacional. Se hipoteticamente acatada a natureza dedutível desse tipo de evento intracorporativo, perguntase: seriam, então, todos os elementos agregados à confraternização, por decorrência, também necessários? Ou deveria ser ponderado e analisado quais de seu objetos singulares são supérfluos ou excessivos? Se positivo, qual seria a medida e a delimitação jurídica entre o lazer necessário e o lazer desnecessário? E estariam as fronteiras dessa necessidade atreladas à natureza das atividades da empresa? Ou ao número de funcionários? Ou mesmo ao tamanho de seu patrimônio líquido? Ou talvez ao seu faturamento? Ou ainda ao lucro percebido naquele período? E quando se tratar de ocasião especial para a empresa (celebração de centenário)? Ou para os funcionários (superação de metas de produtividade internas, fixadas pelos diretores). Seriam aplicáveis os mesmos limites da necessidade do lazer de um ano ordinário ou haveria uma exceção permissiva? Como se observa, tal problemática na obtenção de parâmetros palpáveis e o consequente distanciamento dos elementos trazidos pela legislação de regência vigente para resolvêla reforçam o convencimento anteriormente delineado e fundamentado sobre a indedutibilidade dos valores sob exame. Em relação ao Clube Natura, que conta com serviços Salão de Beleza, Parque Aquático, Estúdio de Pilates, estrutura esportiva e social (fls. 1005 a 1008), tendo fim exclusivo de lazer, aplicase o mesmo raciocínio acima exposto. Não obstante, esgotando a matéria trazida aos autos no presente caso, esse espaço recreativo teria sido constituído pela Associação dos Empregados da Natura, sendo sua gestão de responsabilidade própria (fls. 1100) e, como se observa no seu Regimento Interno (ainda que aparente faltando a última folha) para que os funcionários frequentem as suas dependências é necessário, primeiro, submeter pleito de admissão à Diretoria (fls. 1100 e 1101): Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 288 17 (...) Também é cobrada taxa mensal, descontada do salário do funcionário, para que este seja e continue sendo sócio desse clube: Não foi esclarecida a relação entre a Recorrente e a Associação de seus funcionários no que tange à propriedade e à manutenção do Clube Natura, assim como e principalmente a forma de pagamento das despesas deste, vez que a Associação cobra mensalidade e, por outro lado, sem ressalvas, alegase ser a Empresa a responsável pela sua manutenção. Naturalmente, as mensalidades devem ter destino exclusivo à manutenção das dependências desse espaço da Associação de funcionários. Mesmo que se possa presumir que a Recorrente subsidia parte dos gastos com as instalações (o que não foi alegado), a titularidade do clube, a dinâmica entre os pagamentos de mensalidades pelos empregados e o registro de despesas da Companhia com este espaço não foram esclarecidos. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 289 18 Mas fica certo e inequívoco que o acesso e gozo do Clube Natura não é universal e automático por seus funcionários e colaboradores, demandando proposição de admissão de todos que desejam frequentalo, inclusive empregados diretos, a ser submetida ao crivo da Diretoria própria da Associação (que não se confunde com a Recorrente), o que, aliado ao pagamento de mensalidade, acaba por confirmar a indedutibilidade dessas despesas percebidas. Ainda alega a Recorrente que o critério de necessidade previsto no art. 299 do RIR/99 apenas e tãosomente para o IRPJ, não foi incorporado pela legislação e específica disciplinadora da apuração da base de cálculo da CSLL. Para a dedução da base tributável dessa Contribuição, bastaria a prova da ocorrência da despesa. Também sustenta que a ressalva do art. 13 da Lei nº 9.249/95 em relação ao conteúdo do art. 299 do RIR/99 claramente só é dirigida ao IRPJ, sob pena de planificação de sua base de cálculo com a da CSLL. Diante disso, frisese que este Conselheiro entende que inúmeras disposições da legislação tributária federal, referentes à apuração da base tributável pelo IRPJ, claramente, não são aplicáveis ao cálculo do montante devido de CSLL pelos contribuintes, não havendo dúvidas sobre a distinção legal de suas bases de cálculo. Porém, especificamente a norma agora contida o art. 299 do RIR/99, regra geral de apuração fiscal e determinação do lucro tributável introduzida em 1964, não se apresenta como dispositivo exclusivamente dirigido ao IRPJ. E, diferentemente da argumentação trazida pelo contribuinte, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando reza que, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964 [dispositivo original de veiculação da norma do art. 299 do RIR/99], fica claro o sentido de combinação, cumulação, das suas disposições, as quais versam sobre o mesmo tema. Tendo o Legislador, no início daquela redação, expressamente determinado que as vedações previstas seriam incidentes tanto na apuração do IRPJ como da CSLL, não havendo um outro comando de exceção específica, não procede interpretação que implica no seu afastamento em relação à CSLL. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 290 19 Assim, a conclusão de indedutibilidade das despesas aqui debatidas estende se à base de cálculo da CSLL. Ao final, o Contribuinte alega a improcedência de incidência de juros sobre as penalidades sofridas, alegando carência de base legal específica. Sobre o tema, esta C. Turma Ordinária acompanha o atual entendimento das C. Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendem ser devida a incidência de juros sobre as multas incorridas no lançamento de ofício, bem como a eleição da taxa aplicável. O recente Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra este posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 19311.720353/201458 Acórdão n.º 1402002.516 S1C4T2 Fl. 291 20 incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o crédito tributário exigido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000072/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1803-000.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão e decorrência com os processos de nºs 11610.003064/2001-90, 11610.003065/2001-34 e 10880.910845/2006-02 (os dois primeiros apensados ao último), já distribuídos para julgamento àquela Turma, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão e decorrência com os processos de nºs 11610.003064/200190, 11610.003065/200134 e 10880.910845/200602 (os dois primeiros apensados ao último), já distribuídos para julgamento àquela Turma, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 07 2/ 20 08 -1 8 Fl. 830DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 830 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 762 a 766): Tratase de PER/DCOMPs (fls. 01 a 19) transmitidas para compensação de débitos com crédito originário de saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/2003, ano calendário 2002. A autoridade fiscal competente para a análise do pedido baseou sua decisão nos seguintes termos: “O contribuinte acima identificado, através das DCOMPs nºs 06601.12621.120603.1.3.039729, 07637.35242.190903.1.7.030156, 13744.98277.190903.1.7.034422 e 27400.34584.190903.1.3.036410, de fls. 01 a 19, requer a compensação de débitos em aberto, no valor total originário de R$ 179.904,76, com o saldo credor de Contribuição Social sobre o Lucro apurada em sua declaração de IRPJ do anocalendário de 2002. (...) O PER/DCOMP nº 07.637.35242.190903.1.7.030156 (fls. 07 a 10) retificou o de nº 06601 .12621.120603.1.3.039729 e será admitido, tendo em vista não haver impedimentos legais, uma vez que a retificadora atendeu às exigências descritas nos arts. 55 a 58 da IN da SRF nº 460 de 18.10.2004 (abaixo transcritos), em vigor à época da protocolização de tais pedidos. (...) Nos processos administrativos de nºs 11610.003064/200190, 11610.003065/200134 e 10880.910845/200602 o contribuinte solicitou restituição dos saldos credores de CSLL dos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001. O interessado realizou compensações dos saldos credores de exercícios anteriores com os valores devidos a título de estimativa mensal nesses anos; sendo assim, foi intimado a comprovar as compensações, porém, não apresentou demonstrativo das compensações das estimativas devidas de CSLL com saldos de períodos anteriores, limitandose tão somente a apresentar um documento informando os saldos credores de CSLL dos períodos de 1995 a 1998. Destarte, nos processos citados, os saldos credores da CSLL dos anoscalendário de 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, constantes das respectivas declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, foram analisados, e efetuadas as devidas compensações com estimativas devidas. No presente processo, anexouse cópia da Decisão do processo nº 10880.910845/200602, às fls. 36 a 39, referente ao ano calendário de 2001, objeto de compensação de parte dos valores devidos a título de estimativa da CSLL no anocalendário de 2002. Analisando a cópia das Fichas 16 e 17 da declaração de IRPJ do anocalendário 2002 (fls. 20 a 23), verificouse que o contribuinte optou pela apuração anual, sendo que, no fim do anocalendário, apurou CSLL devida no valor de R$ 267.631,20 (linha 36 da Ficha 17), declarou Contribuição Social a título de estimativa de R$ 430.146,17 (linha 38 da Ficha 17), tendo apurado saldo credor de R$ 162.514,97. Conforme extrato do Sistema Sief (fls. 33 a 35), o contribuinte recolheu parcialmente, a título de estimativa, os valores devidos de CSLL nos meses de janeiro a Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 831 3 dezembro de 2002 no total de R$ 152,28. Nos meses de janeiro a abril (R$ 25.143,44), os valores devidos a título de estimativa foram compensados, conforme Decisão do processo nº 10880.910845/200602, anexa às fls. 36 a 39, no total de R$ 145.064,88. Nos meses de maio a dezembro de 2002 DCTFs de fls. 25 a 32, o interessado compensou com saldos credores de períodos anteriores que, conforme analisado nos processos citados, o contribuinte não logrou comprovar; sendo assim, não poderão ser aceitas. Considerando que o contribuinte apurou CSLL de R$ 267.631,20 e comprovou estimativa de CSLL no total de R$ 145.217,16 (R$ 145.064,88 + R$ 152,28), apurase um saldo devedor de CSLL de R$ 122.414,04. Ficha 17 Cálculo da CSLL anocalendário de 2002 36. CSLL APURADA R$ 267.631,20 DEDUÇÕES 38. () CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA R$ 145.217,16 42. CSLL A PAGAR R$ 122.414,04 Assim sendo, proponho o não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte DENTAL RICARDO TANAKA LTDA., CNPJ Nº 52.083.326/000123, e a consequente NÃO HOMOLOGAÇÃO das DCOMPs nºs 06601.12621.120603.1.3.039729, 07637.35242.190903.1.7.030156, 13744.98277.190903.1.7.034422 e 27400.34584.190903.1.3.036410, de fls. 01 a 19, e a cobrança do montante do débito de CSLL do anocalendário de 2002 no valor de R$ 122.414,04.” O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 10/06/2008 (fl. 44), e apresentou, em 20/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 48 a 62, juntamente com as cópias de documentos de fls. 63 a 724, cujas principais alegações são a seguir transcritas: RAZÕES DA REFORMA DA R. DECISÃO DO DIREITO AO CRÉDITO Inicialmente, necessário informar que a contribuinte solicitou restituição de saldos credores de CSL apurados nos anoscalendário de 1999 e 2000, por meio dos processos administrativos nº 11610.003064/200190, nº 11610.003065/200134 e nº 10880.910845/200602, todos ainda pendentes de finalização na via administrativa. Nos mencionados processos administrativos, a contribuinte comprovou, perante a fiscalização, a efetiva possibilidade de deferimento do pedido de restituição e consequente homologação das compensações realizadas, apresentando todos os documentos que permitiram apurar a base de cálculo da CSL e concluir pela existência de saldo credor. Ocorre que a argumentação despendida e comprovada pela Recorrente, que reconhece o direito ao ressarcimento, foi parcialmente desconsiderada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, concluindo que o contribuinte não recolheu integralmente suas estimativas devidas, tendo compensado com crédito de períodos. Há direito da contribuinte à compensação pleiteada, eis que, consoante se demonstrará nas tabelas anexas, há saldo credores de CSL, passíveis de compensação. (...) Consoante já apontado no próprio despacho decisório que concluiu pela não homologação, o pedido de compensação efetuado por meio da DCOMP nº 19747.05469.090603.1.3.039090, é tempestivo. Ademais, resta claro que o pedido de compensação está em plena conformidade com os dispositivos legais que o regulam, quais sejam, IN SRF 600/2005, que disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou Fl. 832DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 832 4 contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, bem como o artigo 168, do Código Tributário Nacional, abaixo transcritos: (...) Assim, resta claro, pelos textos legais citados que o pedido de restituição encontrase em conformidade com legislação vigente, sendo totalmente legal e tempestivo e, consoante demonstrativos de crédito anexo, deve ser reformada a r. decisão impugnada, para reconhecer o direito creditório e homologar a DCOMP n. 19747.05469.090603.1.3.039090. Nesta oportunidade juntamse documentos hábeis e idôneos a corroborar a existência do direito creditório. Também, a fim de demonstrar o recolhimento integral das estimativas, seguem demonstrativos da CSLL relativos aos anosbase de 1993 a 2004. No exercício de 1994, anobase 1993, conforme demonstrativo a seguir, anexo 01, foi apurado saldo no valor de 81.518,69 Ufir, dos períodos de 31.01.93 a 31.12.93, utilizandose, para compensar nos períodos posteriores, valor de 195.100,28 Ufir. No exercício de 1995, anobase 1994, foi apurado um saldo de R$ 35.379,04 (trinta e cinco mil, trezentos e setenta nove reais e quatro centavos), dos períodos de 31.12.93 a 31.12.94, restando saldo a ser compensado no valor de R$ 229.340,41 (duzentos e vinte nove mil, trezentos e quarenta reais e um centavo), conforme demonstrativo a seguir, anexo 02. No exercício de 1996, anobase 1995, do demonstrativo a seguir, anexo 03, obtevese um saldo a compensar no valor de R$ 348.738,82 (trezentos e quarenta e oito mil, setecentos e trinta oito reais e oitenta e dois centavos), dos períodos de 31.12.94 a 31.12.95. No exercício de 1997, anobase 1996, foi apurado saldo de R$ 31.362,87 (trinta e um mil, trezentos e sessenta dois reais e oitenta sete centavos), dos períodos de 31.12.95 a 31.12.96, restando a compensar saldo de R$ 198.936,42 (cento e noventa oito mil, novecentos e trinta seis reais e quarenta e dois centavos), como se depara do demonstrativo, anexo 04. No exercício de 1998, anobase 1997, foi apurado, dos períodos de 31.12.96 a 31.12.97, saldo de R$ 74.576,05 (setenta e quatro mil, quinhentos e setenta seis reais e cinco centavos), e saldo a compensar no valor de R$ 160.583,71 (cento e sessenta mil, quinhentos e oitenta três reais e setenta e um centavo), conforme demonstrativo, anexo 05. No exercício de 1999, anobase 1998, do demonstrativo, anexo 06, notase que foi apurado, dos períodos de 31.12.97 a 31.12.98, saldo no valor de R$ 61.555,26 (sessenta e um mil, quinhentos e cinquenta cinco reais e vinte seis centavos), e saldo a ser compensado em períodos posteriores de R$ 234.563,05 (duzentos e trinta quatro mil, quinhentos sessenta três reais e cinco centavos). No exercício de 2000, anobase 1999, foi apurado, dos períodos de 31.12.98 a 31.12.99, um saldo de R$ 141.254,22 (cento e quarenta um mil, duzentos cinquenta quatro reais e vinte dois centavos), e saldo a compensar no valor de R$ 286.200,41 (duzentos e oitenta seis mil, duzentos reais e quarenta um centavos), conforme demonstrativo, anexo 07. No exercício de 2001, anobase 2000, apurouse saldo de R$ 201.699,79 (duzentos e um mil, seiscentos e noventa nove reais e setenta e nove centavos), dos Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 833 5 períodos de 31.12.99 a 31.12.00, e saldo a ser compensado de R$ 317.406,33 (trezentos e dezessete mil, quatrocentos e seis reais e trinta três centavos), como demonstra o anexo 08. No exercício de 2002, anobase 2001, foi apurado, dos períodos de 31.12.00 a 31.12.01, saldo de R$ 99.994,35 (noventa e nove mil, novecentos e noventa quatro reais e trinta cindo centavos), e saldo a compensar nos períodos posteriores no valor de R$ 376.443,78 (trezentos e setenta seis mil, quatrocentos e quarenta três reais e setenta oito centavos), como se nota do demonstrativo, anexo 09. No exercício de 2003, anobase 2002, verificase do demonstrativo, anexo 10, que foi apurado saldo de R$ 267.631,20 (duzentos e sessenta sete mil, seiscentos e trinta e um reais e vinte centavos), dos períodos de 31.12.01 a 31.12.02, e saldo a compensar no valor de R$ 162.514,97 (cento e sessenta e dois mil, quinhentos e quatorze reais e noventa e sete centavos). Isto posto, sem prejuízo da documentação ora juntada e, uma vez comprovado o saldo positivo de tributos recolhidos a maior, suficiente a extinguir o débito tributário apurado pela fiscalização, pela recomposição dos valores que ensejaram o pleito em comento, o reconhecimento do direito creditório é medida que se impõe. (...) Subsidiariamente, após a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ventilado, requer seja a decisão da presente manifestação de inconformidade proferida após a conclusão definitiva dos processos administrativos nº 11610.003064/200190, nº 11610.003065/200134 e nº 10880.910845/200602, nos quais se discute o direito creditório da contribuinte e que, até a presente data, encontramse pendentes de julgamento na esfera administrativa. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 761): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. PROCESSOS VINCULADOS. Não se pode atender a solicitação do contribuinte para que os presentes autos somente sejam julgados pela DRJ, após a decisão definitiva na esfera administrativa dos demais processos vinculados, quando um dos processos já se encontra em segunda instância de julgamento e sendo que cabe à Administração impulsionar o processo até sua conclusão final. Quanto aos demais processos, os mesmos estão sendo julgados simultaneamente para que possam ter prosseguimento concomitante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Na determinação do saldo negativo da CSLL passível de ser restituído ou compensado, é necessária a comprovação do regular pagamento/compensação das estimativas que compõem o saldo negativo da CSLL. Quando as estimativas são compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, os mesmos deverão estar devidamente comprovados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 09/09/2011 (fls. 785 numeração digital ND), a tempo, em 04/10/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 786 a 792 (ND), instruído com os documentos de fls. 793 a 820 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 834 6 Em mesa para julgamento. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 835 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Conforme se observa do Relatório deste Acórdão, a confirmação do saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), declarado no anocalendário de 2002, e pleiteado por meio dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nºs 06601.12621.120603.1.3.039729, 07637.35242.190903.1.7.030156, 13744.98277.190903.1.7.034422 e 27400.34584.190903.1.3.036410, de fls. 01 a 19, depende, em parte, da confirmação do saldo negativo da CSLL declarado no anocalendário de 2001 (objeto do processo nº 10880.910845/200602), já que parte das estimativas que compõem aquele primeiro saldo negativo (do anocalendário de 2002) teria sido compensada com este último saldo negativo (do anocalendário de 2001). 2. Da mesma forma, a confirmação do saldo negativo da CSLL, declarado no anocalendário de 2002, depende, em parte, da confirmação dos saldos negativos da CSLL declarados em anoscalendário anteriores a 2001 (objeto dos processos nºs 11610.003064/200190 e 11610.003065/200134), já que parte das estimativas que compõem o saldo negativo do anocalendário de 2002 (objeto deste processo), e também o saldo negativo do anocalendário de 2001 (objeto do processo nº 10880.910845/200602, já anteriormente referido), teria sido compensada com aqueles saldos negativos (dos anoscalendário anteriores a 2001). 3. Dispõem os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (grifouse): Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. 4. Observo, por oportuno, que constou da própria decisão recorrida a seguinte observação (fls. 762 – destacouse): Fl. 836DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 836 8 Em se apresentando recurso contra o presente Acórdão, o processo deverá seguir preferencialmente para a mesma Câmara do CARF que está julgando o processo nº 10880.910845/2006 02. 5. Também a própria Recorrente, por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade, assim se manifestou a este respeito (fls. 62): Subsidiariamente, após a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ventilado, requer seja a decisão da presente manifestação de inconformidade proferida após a conclusão definitiva dos processos administrativos nº 11610.003064/200190, nº 11610.003065/200134 e nº 10880.910845/200602, nos quais se discute o direito creditório da contribuinte e que, até a presente data, encontramse pendentes de julgamento na esfera administrativa. 6. Em pesquisa procedida n eProcesso – Processo Administrativo Digital, observei que os três processos, de nºs 11610.003064/200190, 11610.003065/200134 e 10880.910845/200602 (os dois primeiros apensados ao último), já foram distribuídos para julgamento para a Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (Conselheiro Marcos Shigueo Takata). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão e decorrência com os processos de nºs 11610.003064/200190, 11610.003065/2001 34 e 10880.910845/200602 (os dois primeiros apensados ao último), já distribuídos para julgamento àquela Turma, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 837DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.001286/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO E O CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Sendo apresentado em diligência os documentos que comprovam o direito creditório, é correta e devida a homologação do pedido de compensação. Precedentes. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN e Art. 66 da Lei 8.383/91.
Numero da decisão: 3201-002.824
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-06-12T19:19:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-06-12T19:19:05Z; Last-Modified: 2017-06-12T19:19:05Z; dcterms:modified: 2017-06-12T19:19:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:1588464b-2981-49d6-bc11-61f1575387b5; Last-Save-Date: 2017-06-12T19:19:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-06-12T19:19:05Z; meta:save-date: 2017-06-12T19:19:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-06-12T19:19:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-06-12T19:19:05Z; created: 2017-06-12T19:19:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-06-12T19:19:05Z; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-06-12T19:19:05Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 335 1 334 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.001286/200999 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.824 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria COFINS Recorrente DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO E O CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência os documentos que comprovam o direito creditório, é correta e devida a homologação do pedido de compensação. Precedentes. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional CTN e Art. 66 da Lei 8.383/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 12 86 /2 00 9- 99 Fl. 335DF CARF MF 2 FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal, Acórdão n.º 0432.485, de 16 de julho de 2013 (fls. 254 a 257), proferido pela 2.ª Turma da DRJ/CGE, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório integrante da decisão recorrida: “Tratase de manifestação de inconformidade referente ao indeferimento de direito creditório e consequente não homologação de compensações, conforme Parecer DRF/SCS/SAORT nº 200/2009 (fls. 79/82), devidamente aprovado pelo Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT nº 564/2009, de 31/12/2009 (fls. 83), que não homologou as compensações declaradas nas Dcomp indicadas na Tabela 1 do referido Parecer (fls. 79/80), com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. O pagamento alegadamente indevido teria sido em 15/09/2004, no montante de R$ 369.267,52, mas nas pesquisas efetuadas nos sistemas Sinal10 e SIEF/Documentos de Arrecadação não foi possível localizar o Darf indicado nas Dcomp, o que motivou o indeferimento. Cientificada do citado despacho em 14/01/2010 (fls. 84), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 12/02/2010 (fls. 92/95), alegando, em síntese, que: a) transmitiu eletronicamente 13 Dcomp, tendo todas o mesmo crédito decorrente da Dcomp nº 40841.50646.291204.1.3.04 2191, visando adimplir suas obrigações fiscais com o referido crédito decorrente de pagamento indevido; b) a referida Dcomp nº 40841.50646.291204.1.3.042191, em razão de erro de imputação, foi retificada através da Dcomp nº 12818.05094.090205.1.7.040340; c) no intuito de verificar e avaliar as 13 compensações, foi formalizado presente processo, nos termos da Portaria RFB nº 666/2008, mas a conclusão foi pela nãohomologação das compensações por não ter sido localizado o Darf identificado em Dcomp; d) no despacho decisório o auditorfiscal relatou que o crédito, no qual se fundou as 13 compensações, “foi apreciado pelo sistema PER/DCOMP que, através do despacho decisório nº 808249232, não confirmou sua existência, visto que não foi possível localizar o DARF discriminado no PER/DCOMP nos sistemas da Receita Federal. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada foi não homologada. Em 08/01/2009, a interessada insurgiuse contra o despacho apresentando manifestação de inconformidade dirigida à DRJ em Santa Maria Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13005.001286/200999 Acórdão n.º 3201002.824 S3C2T1 Fl. 336 3 (RS), que, por sua vez, manteve a decisão. Após, em 11/08/2009, o Contribuinte apresentou recurso voluntário. Atualmente, o processo 13005 903.260/200804 encontrase em julgamento no CARF”; e) a existência ou não do crédito, no qual se funda as 13 compensações ora sob análise, pende de julgamento no CARF no processo nº 13005.903260/200804, razão porque reapresenta as justificativas e os argumentos apresentados naquele processo; f) o sistema PER/Dcomp tratou o seu crédito como se fosse originário de um Darf, quando em verdade o crédito é decorrente de um pagamento indevido, este originário de um anterior processo administrativo nº 11065.002256/200536, através do qual restou pago indevidamente o valor de R$ 369.267,52, relativamente à Cofins do mês de agosto de 2004; g) impõese que a Receita Federal analise também as informações constantes no seu sistema quanto ao processo nº 11065.002256/200536, a partir do qual constatará que restou pago indevidamente o valor ora em análise (especificamente o lançamento nº 019 2172 – Cofins – PA/EX 08/2004, vcto. imp. 15/09/2004, do Extrato de Processo); h) em outras palavras, o crédito no qual se funda as 13 compensações ora sob análise originase do indevido pagamento de Cofins, efetuado através de compensação processada no processo nº 11065.002256/200536 que, posteriormente, foi parcialmente apropriado no processo nº 13005.903260/200804 e é agora, na sua parte restante, apropriado no presente processo; i) além disso, na linha 37 da Dacon do 3º trimestre/2004 não consta a existência de qualquer débito de Cofins em todos os meses de tal trimestre; j) a cópia da DCTF do 3º trimestre/2004 também comprova que não declarou débito de Cofins no referido período. Finalizou requerendo a reforma do despacho decisório. É o relatório.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade nos seguintes termos, conforme ementa a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. A legislação de regência não permite a retificação de oficio de Fl. 337DF CARF MF 4 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Não existindo o pagamento apontado como sendo a origem do crédito vinculado ao débito, ambos informados em PER/Dcomp, não há como homologarse a compensação pretendida.” Em 15/10/2014, por meio do Acórdão 3202000.294, a 2.ª Turma desta 2.ª Câmara converteu o julgamento em diligência por unanimidade para que fossem juntadas as cópias do Processo n.º 11065.002256/200536, nos seguintes termos: “Em vista de todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: · Junte aos autos cópia da decisão administrativa definitiva de mérito proferida nos autos do processo nº 11065.002256/200536, que contempla a discussão do direito creditório referente aos créditos de Cofins do mês de agosto de 2004. Caso esta ainda não tenha sido proferida, devem os autos aguardar naquela DRFB, até que seja definitivamente decidido, nos autos do referido processo administrativo, a existência, ou não, do crédito pleiteado; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Cientifique a Procuradoria Geral da Fazenda para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento.” Realizada a diligência, os autos retornaram para prosseguimento do julgamento, que confirmou em fls 326 a compensação indevida, em periodo com débito inexistente, que teria gerado o pagamento indevido e, consequentemente, o crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando que os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados na sessão da Turma a quo de 15 de outubro de 2014, dele conheço. O Recurso Voluntário em face do acordão proferido pela DRJ, redistribuído por sorteio eletrônico para esta Turma e sob minha relatoria, sustenta que o crédito existe e Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13005.001286/200999 Acórdão n.º 3201002.824 S3C2T1 Fl. 337 5 aponta o anterior Processo n.º 11065.002256/200536 que compensou com crédito presumido de IPI supostos “débitos” de COFINS do trimestre de Agosto de 2004 no valor de R$ 369.267,52, assim como juntou DACON/DCTF (fls. 16) do período que prova não haverem débitos de COFINS para serem compensados no período acima em que foi autorizada a compensação. A diligência solicitada pela nobre relatora a quo comprova o alegado, conforme se verifica nos autos em fls. 326. A não homologação do crédito foi fundamentada unicamente sobre a premissa de que não foi comprovado o crédito desta nova compensação pois não há DARF juntada aos autos que comprove o pagamento do tributo a ser compensado. Mas o crédito é liquido e certo conforme se verifica nos autos do processo administrativo n.º 11065.002256/200536, mediante os quais foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 3.833.772,59, relativo a crédito presumido de IPI do 2.º trimestre de 2003, conforme fls. 326 destes autos. Este é o processo acostado aos autos no retorno da diligência, que compensou com crédito presumido de IPI os supostos “débitos” de COFINS do trimestre de Agosto de 2004 no valor de R$ 369.267,52. Quanto ao erro de preenchimento na Dcomp, por apontar a origem do crédito de um pagamento indevido, que não se trata totalmente de um erro, este não pode se tornar um impedimento à obtenção do crédito existente e incontroverso. Ratificando tal entendimento, este Conselho já se pronunciou em diversas oportunidades. Destaco abaixo somente algumas mais recentes pronúncias, da Câmara Superior e da Primeira Seção de Julgamento: "Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1 Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (anocalendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2 A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo Fl. 339DF CARF MF 6 afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. (Processo 10880.932547/200827, Data da Sessão 02/02/2016, Acórdão n. 9101002.203). (...) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído, até o limite apurado nos anos calendário objeto do pedido. (Processo 11610.005921/200358, Data da Sessão 21/01/2016, Acórdão 1301001.918)." Em face do exposto, com fundamento no Art. 170 do CTN, Art. 66 da Lei 8.383/91, e para evitar o injusto enriquecimento à administração fazendária, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário e dar prosseguimento nos valores confirmados pelo relatório Fiscal às fls.326, referente ao indébito de Cofins de Agosto de 2004. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000182/2005-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.774
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 82 /2 00 5- 97 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13204.000182/200597 Acórdão n.º 9303004.774 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403002.046, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 (...) CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra o direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13204.000182/200597 Acórdão n.º 9303004.774 CSRFT3 Fl. 4 3 Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13204.000182/200597 Acórdão n.º 9303004.774 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13204.000182/200597 Acórdão n.º 9303004.774 CSRFT3 Fl. 6 5 Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13204.000182/200597 Acórdão n.º 9303004.774 CSRFT3 Fl. 7 6 Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: (...) Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13204.000182/200597 Acórdão n.º 9303004.774 CSRFT3 Fl. 8 7 No caso destes autos, deixouse de transcrever a parte do voto do paradigma que apreciou o segundo tema (variações cambiais), por tratarse de questão não travada no presente processo, cujo litígio, como relatado, restringese ao direito de crédito das contribuições sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses serviços foi reconhecido, no presente processo deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.722388/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2002
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO.
Uma vez confirmada pela fiscalização em diligência a existência parcial do direito creditório, este há de ser reconhecido, no limite no crédito identificado.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-003.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
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Direito creditório comprovado. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO. Uma vez confirmada pela fiscalização em diligência a existência parcial do direito creditório, este há de ser reconhecido, no limite no crédito identificado. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 23 88 /2 01 1- 15 Fl. 279DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão recorrida (fl. 142 dos autos): Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 3.344,37. O pedido foi transmitido através do PER nº 38979.57407.160807.1.2.040345, fls. 3/5, em 16/08/2007. Posteriormente, o recorrente apresentou a Declaração de Compensação – Dcomp – nº 31122.78871.181108.1.3.040332, retificada pela Dcomp nº 21186.74118.110411.1.7.041319, utilizando os mesmos créditos objeto do mencionado PER. O despacho decisório de fls. 18/21, indeferiu o pedido de restituição e não homologou a Dcomp, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho propôs ainda a lavratura de auto de infração, para exigir a multa isolada de 50%, conforme o § 17 c/c o § 15, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, sobre o montante cuja compensação não foi homologada. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 23. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 26/35, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real do recolhimento a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tal pagamento seria devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10850.722388/201115 Acórdão n.º 3301003.633 S3C3T1 Fl. 280 3 Argumentou que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião destes autos com o processo nº 10850.721795/201288, o qual havia exigido a multa isolada sobre o montante cuja compensação foi não homologada. Concluiu, requerendo o reconhecimento do direito à restituição e a homologação da Dcomp. Caso o direito creditório não fosse reconhecido, propôs o cancelamento da multa de mora de 20%. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 59/63). Ao analisar o caso, a DRJ em Ribeirão Preto (SP), em decisão datada de 20/08/2013, entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/09/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/09/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 281DF CARF MF 4 Direito Creditório Não Reconhecido. O contribuinte foi intimado do conteúdo desta decisão em 16/09/2013, e, insatisfeito com o seu conteúdo, interpôs Recurso Voluntário em 16/10/2013. Este Conselho, então, através da Resolução nº 3801000.677, entendeu por converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da COFINS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil do contribuinte, relativa aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores a restituir inicialmente pleiteados, correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em atendimento à referida resolução, foi elaborada a informação fiscal de fls. 270 e seguintes dos autos, através da qual a fiscalização propôs o reconhecimento do direito creditório pleiteado no valor de R$ 3.220,13. O contribuinte foi intimado quanto ao teor desta informação fiscal, contudo, não apresentou manifestação em face da mesma (vide despacho de fl. 277). Ato contínuo, os autos foram distribuídos para minha relatoria, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10850.722388/201115 Acórdão n.º 3301003.633 S3C3T1 Fl. 281 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração de setembro de 2002, no valor de R$ 3.344,37. Como bem assentou este Conselho quando da Resolução nº 3801000.677, quanto à matéria de direito, assiste razão ao contribuinte, visto que o alargamento da base de cálculo da COFINS inserta no art. 3º, parágrafo 1º da Lei n. 9.718/1998 já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, ao contrário do que constou da decisão recorrida, tal entendimento deve ser observado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o que se extrai dos fundamentos da resolução abaixo transcritos, os quais adoto como razão de decidir: A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da Fl. 283DF CARF MF 6 constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10850.722388/201115 Acórdão n.º 3301003.633 S3C3T1 Fl. 282 7 §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. Fl. 285DF CARF MF 8 Ou seja, nos termos da resolução em questão, ainda que a matéria de direito fosse de fácil resolução, entenderam os julgadores naquela oportunidade que não havia nos autos elementos suficientes para que se confirmasse a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Isso porque, como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de tais características. Eventual dúvida existente, contudo, restou dirimida pela informação fiscal realizada em decorrência da diligência determinada por este Conselho. No caso concreto ora analisado, restou confirmada pela fiscalização a existência de direito creditório no montante de R$ 3.220,13, cuja conclusão transcrevo a seguir: Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Setembro de 2002 no valor de R$.6.509,48, e observado que o valor total recolhido foi de R$.9.729,61 (fls.13), concluímos que o valor recolhimento a maior é de R$.3.220,13. Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição às fls.2, transmitido através do programa PERDCOMP sob o nº 38979.57407.160807.1.2.040345, no valor de R$.3.220,13. Mencionese ainda que, intimado para se manifestar sobre o resultado desta diligência, o contribuinte não se manifestou (vide despacho de fl. 277 dos autos), o que leva a crer que concordou com o valor identificado pela fiscalização, ainda que parcial ao seu pleito originário, no valor de R$ 3.344,37. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito creditório no importe de R$ 3.220,13, conforme apurado na informação fiscal de fls. 270 e seguintes dos autos, deferir parcialmente o pedido de restituição e, em consequência, determinar a homologação do pedido de compensação, no limite do crédito reconhecido. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 286DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.902907/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.498
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 07 /2 01 1- 06 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.902907/201106 Acórdão n.º 3301003.498 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.897. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.902907/201106 Acórdão n.º 3301003.498 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.902907/201106 Acórdão n.º 3301003.498 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
