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Numero do processo: 13851.902717/2016-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.575
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 71 7/ 20 16 -9 4 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13851.902717/201694 Resolução nº 3402001.575 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13851.902717/201694 Resolução nº 3402001.575 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13851.902717/201694 Resolução nº 3402001.575 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001577/2001-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 15 77 /2 00 1- 55 Fl. 484DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2000, anocalendário de 1999, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 11.958,82. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida com despesas de instrução, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e dedução indevida de despesas com livro caixa. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação juntando diversos documentos para comprovar o pagamento das despesas utilizadas como deduções na sua declaração do IR. Não apresentou nenhuma impugnação quanto à notificação relativa a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Ne verdade, declara que concorda com a fiscalização neste aspecto. Faz uma retificação quanto ao valor deduzido de despesa médica com a profissional Kelly Pereira. A DRJ Santa Maria, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: com relação as despesas médicas, logrou êxito em comprovar a despesa com a profissional Kelly Pereira, restando glosada apenas a despesa com a Sul América por ausência de documentação que comprove a autenticidade da despesa. Com relação à despesa com instrução, logrou êxito em comprovar a dedutibilidade de tal despesa, mas existe um limite estabelecido por lei para a dedução de despesa desta natureza, qual seja de R$1.700,00 no ano calendário em análise. Com relação às despesas de Livro Caixa, foram minuciosamente analisadas e detalhadas no acórdao da DRJ, estabelecendo os devidos fundamentos para aquelas que não foram acatadas como dedutíveis. Ao final do acórdão, resume a DRJ: o contribuinte tem direito à dedução de despesas médicas, no valor de R$ 803,00, despesas com instrução, no de R$ 1.700,00, e despesas do livro Caixa de R$ 25.034,00. As despesas comprovadas totalizam R$ 27.537,00, que correspondem a uma redução no imposto suplementar apurado de R$ 7.572,67 (R$ 27.537,00 x 27,5%). Assim, o imposto suplementar apurado passa de R$ 11.958,82 para R$ 4.386,15 (R$ 11.958,82 R$ 7.572,67). Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte apenas questiona a despesa médica com o plano de saúde Sul América, e junta declaração e detalhamento da despesa (contendo valores recebidos e beneficiários) , emitida pelo próprio plano de saúde, bem como junta a autenticação bancária comprovando tais pagamentos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13819.001577/200155 Acórdão n.º 2001001.046 S2C0T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Como se verifica, em sede de Recurso Voluntário restou apenas controversia em relação a despesa médica com o plano de saúde Sul América. O Recorrente apresentou declaração emitida pela própria empresa com de saúde, detalhando quais são os beneficiários e o valor total recebido pelo contribuinte. Além disso junta comprovante de pagamento. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. Fl. 486DF CARF MF 4 De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental do Recorrente, bem como sua postura colaborativa e visivelmente de boa fé, entendo, que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para serem acatadas as despesas médicas anteriormente glosadas , qual seja o pagamento ao Convênio Sul América, no montante de R$ 9.346,26. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13819.001577/200155 Acórdão n.º 2001001.046 S2C0T1 Fl. 4 5 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a despesas médica glosadas anteriormente, conforme acima detalhada (Convênio Sul América, no montante de R$ 9.346,26). (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 488DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003080/2008-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 04/12/2007
EMENTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE.
Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido.
Numero da decisão: 3001-000.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 04/12/2007 EMENTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido.
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Recorrente PSA COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 04/12/2007 EMENTA. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. Revelase intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Da contagem, excluise o dia do recebimento, incluise o do término e prorrogase quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 30 80 /2 00 8- 62 Fl. 115DF CARF MF 2 Relatório Adoto, por transcrição, o bem elaborado relatório que lastreou a r. decisão recorrida (fls. 93/94), verbis. Tratase de auto de infração (fls. 22/24) lavrado para exigência, do sujeito passivo retro qualificado, da multa regulamentar no valor de R$ 16.466,00. Decorreu a autuação, nos tennos dos elementos constantes dos autos, do fato de terem sido encontrados em poder do estabelecimento autuado, expostos à venda, em 04/12/2007, 18 relógios de pulso, de origem nacional, sem o devido selo de controle (fl. 23), cf. cópia do processo número 10680020028/200790, fls. 25/47. Tal fato ensejou a imposição da penalidade de multa igual ao valor comercial da mercadoria pela venda ou exposição à venda, de produtos sem selo de controle, apurada conforme planilha de fl. 48, que tomou por base os valores informados pela autuada no documento de fl. 04. A exigência fiscal foi fundamentada no inciso I do art. 499 do Decreto n° 4.544/2002 RIPI/2002, regulamentação do art. 33, inciso I, do DecretoLei n° 1.593, de 21/12/1977. Regularmente intimado e cientificado da autuação em 26/03/2008 (fls. 54/55), mas inconformado, o interessado formulou, em 26/04/2008 (data da postagem, fl. 56) a impugnação de fls. 58/62, na qual alega, em síntese: 1°) por se tratar de empresa que atua no ramo de comércio varejista de jóias e relógios submetese ao código defesa do consumidor, que determina a possibilidade de troca da mercadoria, a qual, embora tenha sido comercializada com o selo de controle retoma ao estabelecimento sem o mesmo; 2°) do estoque de 200 (duzentos) relógios, apenas 18 se apresentaram sem o selo, evidenciando ter razão a impugnante em suas afirmações; 3°) apresentou a documentação ñscal comprovando a origem dos relógios e, sendo assim, o auto não poderia ter sido lavrado, não havendo de se aplicar o art. 253 do RIPI/2002, por constituir presunção relativa; 4°) a sanção aplicada decorreu da presunção da existência de irregularidade na importação/venda dos relógios, em razão de os mesmos apresentarem ausência de selagem; 5°) não agiu em momento algum de forma dolosa, nunca tendo lesado 0 fisco com sua conduta, tanto que apresentou documentação idônea e comprobatória da origem de toda a mercadoria apreendida; 6°) não cometeu qualquer ilícito, o que restou demonstrado com a apresentação dos documentos fiscais pertinentes; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10680.003080/200862 Acórdão n.º 3001000.690 S3C0T1 Fl. 3 3 7°) foi lavrado em 03/12/2007 auto de infração sob o número l0680.0196ll/200758, decorrente da mesma conduta e dos mesmos relógios descritos na presente impugnação, o que toma inviável a lavratura de outro auto de infração, já que a conduta é única; Finaliza requerendo a anulação do auto de infração e seu definitivo arquivamento. A pretensão da em,presa foi desacolhida pelo v. Acórdão recorrido (fls. 94/97), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 92), verbis. Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 04/12/2007 INFRAÇOES E PENALIDADES. É lícita a exigência da multa regulamentar igual ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), quando o estabelecimento promove a venda ou a exposição à venda de produto sem o selo de controle previsto na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada dos termos da r. decisão recorrida, por documento datado de 23.09.2010 (fls. 100) e recebido por AR datado de 28.09.2010 (fls. 103), a empresa protocolizou seu Recurso Voluntário em 05.11.2010 (fls. 105/113), alegando que somente foi intimada da decisão recorrida em 07.102010 (fls. 106/107), verbis. A sociedode tomou ciêncio do despocho decisório proferido pelo Delegocio do Receito Federol do Brosil de Julgomento em Juiz de Foro(MG) proferido. no. sessõo ..de.julgoment.o _reol¡zodo em 07 de .moio_de 20l0, tendo o Recorrente sido intimodo da decisõo em 07 de outubro de 2010. De ocordo com o ortigo, 33, ,do Decreto n° 70.235, de 06 de morço de 1.972, olterodo pelo ort. 1° do Lei 8.748,'de 09 de dezembro de 1.993 e pelo ort. 32 do Lei 10.522, de 19 de julho de 2.002, do decisão de primeiro instãncio ccaberá recurso voluntório, totol ou porciol, com efeito suspensivo, dentro dos trinto dios seguintes o ciëncio do decisõo. Assim, o prozo para interposiçõo do recurso expirará em 06 de novembro de 2010, sobodo, prorrogondose o vencimento poro o primeiro dio útil, ou sejo, dio 08 de novembro de 2010. Tempestivo, pois, o presente recurso voluntorio. Presentes os requisitos de odmissibilidode recursol, requer sejo remetido o presente recurso voluntorio para oprecioçoo e julgomento por uma das Câaras da Terceiro Seçõo do Conselho Administrotivo de Recursos Fiscois CARF, ou outra que venha a se tornar mais competente para esta matéria, nos moldes da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 117DF CARF MF 4 Quanto ao mérito propriamente dito, após reiterar todos os seus argumentos impugnatórios, sustentou o contribuinte, em síntese, quanto segue (fls. 108/113). A recorrente, conforme dito, atua no comercio varejista de jóias, relógios, tendo por objetivo social a exploração do ramo de comércio e indústria de jóias e relógios e o conserto e manutenção de relógios, estando submetido as regras do Código de Defesa do Consumidor. Em decorrência disso, no momento da compra, seus clientes são informados sobre a possibilidade de ëfetuar troca da mercadoria adquirida, principalmente quando o produto se destina a presentear alguém, jó que o gosto do presenteado pode não coincidir com o do comprador. Nessas ocasiões é que os produtos retornam ao estabelecimento sem o selo, embora tenham sido comercializados com o mesmo, em estrita observãncia à legislação pertinente. A recorrente, à época dos fatos, possuía um estoque com aproximadamente 200 (duzentos) relógios, tendo sido identificados apenas 18 (dezoito) sem o selo, evidenciando que os argumentos esposados pela recorrente em sua impugnação são perfeitamente plausíveis. Vale lembrar, ainda, que a origem da mercadoria foi devidamente comprovada, dentro do prazo concedido, porquanto as notas fiscais apresentadas referemse exatamente as mercadorias que não continham o selo. Tal assertiva é facilmente comprovada porquanto os relógios são numerados, correspondendo seu código exatamente aquele descrito no documento fiscal de entrada. Desta forma, apresentado o documento fiscal, comprovando a origem'dos relógios, o auto de infração recorrido não. poderia ter sido lavrado, merecendo,pois, seranulado. Não agiu a Recorrente em momento algum de forma dolosa, nunca tendo lesado o fisco federal, com sua conduta, tanto que apresentou o documentação idônea e comprobatória da origem de toda a mercadoria apreendida. . O disposto no art. 46, §2°, da Lei n.° 4.502/69 e no art. 253, do RIPI/2002 constitui presunção relativa, tanto que a recorrente foi concedido prazo de 24 horas para apresentação da documentação comprobatória da origem dos relógios, o que foi prontamente atendido. ............................................(omissis)............................................... Tratandose, pois de presunção relativa e apresentada a .doc,umentação_hóbiI_a fazer_prova_em.contrãrio ã presunção, não merece prevalecer o auto de infração combatido. Não cabe ao agente público converter presunção relativa em absoluta, sob pena de conduta manifestamente ilegal. Da anãlise da legislação que regula a selagem em questão, verificase que a infração supostamente cometida pela recorrente mercadoria sem a selagem devida, não pode prevalecer. Assim dispõe o trecho do legislação mencionoda: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10680.003080/200862 Acórdão n.º 3001000.690 S3C0T1 Fl. 4 5 'Art. 499. Aplicamse as seguintes penalidades, em relação ao selo de controle de que trata o art. 223, na ocorrência das infrações abaixo (Decretolei n° 1.593, de l977, art. 33, e Medida Provisória n° óó, de 2002, art. 52): I venda ou exposição ã venda de produtos sem o selo ou com o emprego do selo já utilizado: multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00 (um mil reais) (Decretolei n° 7.593, de I977, art. 33, inciso I, e Medida Provisória n° óó, de 2002, art. 52).' lmprocede, todavia a autuação. Com efeito, o artigo 499, inciso l, do Regulamento do IPI, estabeleceu multa pecuniária em caso de venda ou exposição à venda de mercadoria sem o uso do selo de controle. Contudo a finalidade da lei é coibir a sonegação fiscal, punir o contribuinte do imposto que deixar de recolher aos cofres públicos o respectivo imposto, não sendo este o caso da Recorrente. Os relógios encontrados no estabelecimento da recorrente foram considerados não identificados, importando em presunção legal de que as mercadorias não possuem documentação idônea a comprovar a regularidade de sua introduçao no território nacional. Contudo, tratase de presunção relativa, desconstituída com a apresentação das notas fiscais que comprovam a origem de todas as mercadorias, não podendo, pois, ser aplicada sanção ã recorrente. Verificase que a sanção aplicada decorreu da presunção da existência de irregularidade na importação dos relógios, em razão dos mesmos apresentarem ausência de selagem. Alias, as fases do processo de importação e conseqüente desembaraço das mercadorias ficam sujeitos ao controle _fiscal, que se desenvolve não somente com o intuito de verificação quanto ao recolhimento dos tributos devidos, mas também como meio de coibir eventuais ações delituosas. A recorrente, frísese, mais uma vez, apresentou toda a documentação hóbil a comprovar a regularidade da importação efetuada, referente a relógios de diferentes marcas de procedência estrangeira. ............................................(omissis)............................................... A preocupação da autoridade fiscal em exigir o devido cumprimento das normas sobre a selagem são altamente pertinentes, pois assim agindo está coibindo a fraude tributária e resguardando o interesse da ordem económica. Contudo, deve a autoridade estar restrita aos meios que lhe são facultados pela lei para fazer cumprir os seus próprios ditames. Caso contrário, estar incorrendo em irremediável abuso de poder. Desse modo, vi. ola os pri. nci, pi. os consti. tuci. onai_s da . *1omn\.Iz?“y legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade, nõo só a aplicação da pena de Fl. 119DF CARF MF 6 perdimento, sem previsõo legal para tanto, como também a famigerada multa regulamentar. Na verdade, a alegada irregularidade esta relacionada aos selos de controle do lPl, devendo se aplicar a hipótese o Decreto n.° 4.544/2002 (Regulamento do IPI). É o relatório. IPI). Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Consta dos autos que a decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão 09 29.346 3ª Turma da DRJ/JFA, proferido em 07 de maio de 2010 (fls. 92/96), foi encaminhada ao contribuinte através de correspondência datada de 23.09.2010 (fls. 101), com AR (dirigido à empresa recorrente e com expressa menção ao processo 10680.003080/200862) recebido em 28.09.2010, uma terçafeira (fls. 103), iniciandose o prazo recursal no dia 29 de setembro de 2010, uma quartafeira Na sequência, veio ao processo manifestação fiscal datada de 08.11.2010, do seguinte teor: "Encaminhamos em anexo, documento do contribuinte PSA COMÉRCIO LTDA., CNPJ 71.297.683/000139, para ser anexado ao processo 10680.003080/200862" (fls. 104); seguida do Recurso Voluntário do recorrente (fls. 106/113), com protocolo de recebimento datado de 05 de novembro de 2010, uma sextafeira (fls. 106). Data venia da expressa manifestação da empresa de que fora cientificada da decisão somente em 07 de outubro de 2010 (fls. 106), não existe nenhuma evidência nos autos sobre a veracidade desta afirmação, como a existência de feriado, não funcionamento ou funcionamento parcial da repartição, ou coisa semelhante. Ao contrário, as datas constantes dos documentos citados comprovam que a ciência da recorrente operouse em 28 de setembro, com início da contagem do prazo de 30 dias no dia 29.09.2010, para expirarse em 27 de outubro de 2010, uma quartafeira. Consequentemente, tenho como intempestivo o apelo da empresa, pelo que dele deixo de tomar conhecimento, uma vez que não há qualquer notícia nos autos de que houvera feriado ou suspensão dos prazos e/ou do expediente na repartição de origem, no período de 27 de outubro a 05 de novembro. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10680.003080/200862 Acórdão n.º 3001000.690 S3C0T1 Fl. 5 7 Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009078/2003-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa: RETIFICADORA
O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa.
Numero da decisão: 1103-000.537
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa: RETIFICADORA O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Marcelo Baeta Ippólito e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ de Brasília que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo de declaração de compensação (fl. 1), na qual a contribuinte acima identificada, compensa pretenso crédito de IRRF incidente sobre Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (Cód. 1708), no valor de R$ 1.862,50, como débito de Cofins apurado em julho/2003, no mesmo valor. Para subsidiar o seu pedido à empresa juntou a este processo cópia do Razão Analítico das retenções efetuadas no anocalendário 2003 (fl. 2). A autoridade administrativa no despacho decisório (fls. 17/19), após examinar a questão, resolveu não homologar a declaração de compensação por considerar indevida a compensação direta do IRRF com tributos ou contribuições de espécies diferentes. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 10/04/2007 (fl. 22 v). Inconformada apresentou em 07/05/2007, a manifestação de inconformidade (fls. 23 a 24), na qual, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: a decisão proferida no despacho decisório está equivocada, porque o pedido não trata de compensação de imposto de renda retido na fonte, mas sim de saldo negativo de imposto de renda retido por pessoas jurídicas nos anoscalendários 1999 a 2002, compensado neste processo e demonstrado no Per/Dcomp pelo que não há se falar em antecipação; o saldo negativo compensado está informado na pág. 20, 4º trimestre, linhas 12 e 18 da DIPJ/2002, e o total de impostos e contribuições a recuperar na página 50 linha 10, na qual consta às contribuições retidas por pessoas jurídicas, que compõe o saldo negativo, e houve falha no preenchimento da declaração de compensação ao não marcar o item de saldo negativo de IRPJ e CSLL e também no preenchimento da DIPJ/2002, mas tais falhas já foram corrigidas, conforme cópias anexadas da DIPJ retificada; do Balanço de 2002 e do Razão Analítico de 1999 a 2003 da conta IRRF a recuperar e anexo geral para todos os processos de cópias das Notas Fiscais onde ocorreram as retenções do IRRF, que visam provar o saldo na conta do ativo "Impostos e Contribuições a Recuperar", no valor de R$ 15.888,87 e sua evolução em 2003, e caso essa Secretaria entenda que os documentos apresentados não se mostram suficientes para provar o alegado, está ao inteiro dispor para apresentar o que for solicitado. Se ainda assim persistir dúvidas, requer diligência para verificar "in loco" os documentos fiscais que comprovam de forma inequívoca a verdade do que ora requer. Por derradeiro, requer a reconsideração do despacho decisório, para homologar a referida compensação, eis que a mesma foi regularmente efetuada, conforme se pode constatar na análise dos documentos, ora anexados. A DRJ decidiu (ementa): “Restituição/Compensação de tributos/contribuições. A restituição de indébito fiscal, bem como a sua compensação somente poderá ser autorizada pela autoridade administrativa com crédito liquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública.” Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.009078/200310 Acórdão n.º 110300.537 S1C1T3 Fl. 2 3 A contribuinte recorre (resumo): DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ O Livro Diário e o Razão demonstram claramente que os valores relativos ao Imposto de Renda Retido Na FonteIRRF, incidentes sobre as Notas Fiscais emitidas pela empresa, e identificadas uma a uma, tiveram seus saldos superiores ao imposto de renda devido, passando de um para outro exercício, o que caracteriza a existência de Saldo Negativo do IRPJ, senão vejamos: Da composição do saldo da conta contábil 128536 — IRRF A RECUPERAR: Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/1999 R$ 15.589,77; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2000 R$ 16.914,47; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2001 R$ 17.908,26; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2002 R$ 15.888,87 Na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ do Exercício de 2003 —página 20, Ficha 12A, 40 trimestre, linha 13 e linha 18, encontrase a informação do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.888,87; Ainda nessa mesma DIPJ — balanço patrimonial — página 50, Ficha 38A, linha 10, encontrase o valor dos impostos e contribuições a recuperar no total de R$ 18.244,21, onde está contido o valor de R$ 15.888,87 relativo ao saldo do IRPJ a recuperar. O prazo para o contribuinte efetuar a retificação das declarações é o mesmo prazo previsto no §4° do art. 150 do CTN, qual seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Assim, dentro deste prazo legal, constatado o erro material no preenchimento, perfeitamente válida é a retificação. O mero erro material não altera o direito do contribuinte, pois, como demonstramos anteriormente, não se pode admitir que um erro material na informação dada em uma obrigação acessória seja o suficiente para configurar a existência de um crédito tributário. É certo que somente após constatar os equívocos cometidos é que o recorrente teve a oportunidade de proceder a correção dos erros de preenchimento da DIPJ e do PERD/COMP. Anexa jurisprudência. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 A questão fulcral para o deslinde da pendência é o reconhecimento ou não do pretenso crédito de IRRF, bem como a sua compensação com débito de Cofins, apurado no mês de julho de 2003. A legislação tributária estabelece que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor pago ou retido na fonte na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período (IN SRF nº 600, de 2005, art. 10). A recorrente afirma que com a retificadora, os créditos seriam de saldo negativo. Do Acórdão da DRJ transcrevo: “A recorrente argumenta que o crédito pleiteado não se refere ao IRRF, mas sim saldo negativo de imposto. Para provar tal alegação junta ao processo cópia de DIPJ retificadora; Per/Dcomp retificadora, e cópias do Balança Patrimonial, Demonstração do resultado do Exercício e de folha do Razão Analítico; contudo, nesses documentos a manifestante não prova a existência do saldo negativo reclamado. Registrese, por oportuno, que esses documentos não servem de provas para comprovar o saldo negativo alegado: primeiro, porque as declarações retificadoras (DIPJ e Per/Dcomp) foram apresentadas, após a ciência do despacho decisório, e segundo, porque nos demonstrativos e balanço patrimonial consta apenas à existência de suposto crédito a recuperar, não fazendo qualquer referência a saldo negativo de imposto.” De fato, a legislação de regência Instrução Normativa n°. 376/2003, art. 6°determina: "Art. 6 O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.2, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7 2 e 82" Assim, como vemos, a retificadora aqui apresentada foi a destempo, pois, foi 04/05/2007 enquanto o despacho decisório foi em 10/04/2007, portanto, as informações nela contidas não podem ser consideradas. Quanto à documentação acostada pela recorrente, só há provas da retenção, não há provas do saldo negativo. Ademais, a recorrente fazia sim compensação de fonte, não se tratando de erro de fato. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.009078/200310 Acórdão n.º 110300.537 S1C1T3 Fl. 3 5 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de outubro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 11080.004863/2008-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA DO DIREITO. CONTAGEM DO PRAZO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005.
Para os pedidos de restituição/compensação formalizados após 08/06/2005 a contagem do prazo de cinco anos para repetição de indébito inicia-se a partir da data do pagamento indevido do tributo ou contribuição. Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n.º 566.621/RS, STF. Súmula CARF n.º 91.
Numero da decisão: 1002-000.573
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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DECADÊNCIA DO DIREITO. CONTAGEM DO PRAZO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005. Para os pedidos de restituição/compensação formalizados após 08/06/2005 a contagem do prazo de cinco anos para repetição de indébito iniciase a partir da data do pagamento indevido do tributo ou contribuição. Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n.º 566.621/RS, STF. Súmula CARF n.º 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 48 63 /2 00 8- 95 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11080.004863/200895 Acórdão n.º 1002000.573 S1C0T2 Fl. 203 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSB) mediante o Acórdão n.º 0336.555, de 26/04/10 (efls. 141 a 150). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratam os autos de pedido de restituição formalizado à fl. 01, no montante de R$ 11.400,98, que, a teor dos documentos às fl. 36/39, corresponde ao somatório de supostos pagamentos indevidos ou a maior que o devido efetuados sob o código 2089 entre 30/04/2002 e 31/01/2003, cujos valores originários perfazem o montante de R$ 6.105,04, tendo sido atualizados até 31/03/2008 para alcançar o montante pleiteado. O pedido de restituição foi apresentado em 28/04/2008. Para justificar seu pleito, o contribuinte anexou o arrazoado às fl. 14/31, no qual, além de manifestar entendimento de que é de dez anos o prazo para requerer a restituição e/ou utilização na compensação de créditos decorrentes de tributos submetidos ao lançamento por homologação, procura demonstrar terem sido indevidos os valores por ele recolhidos a título de IRPJ haja vista ter determinado as correspondentes bases de cálculo considerando o percentual de 32% sobre a receita bruta, quando deveria ter aplicado o percentual de 8% a que fazem jus as empresas cujas atividades equiparamse a "serviços hospitalares", conforme art. 15, § 1°, inciso III, alínea "a" da Lei n°9.249/95. Argumenta, em síntese, o seguinte: • Equiparase a prestadora de serviços hospitalares uma vez que cumpre os requisitos elencados no art. 23 da Instrução Normativa SRF (IN) n° 306/2003, que estabelece como beneficiárias da base de cálculo de 8% as pessoas jurídicas ligadas à atenção e assistência à saúde e que possuam estrutura física adequada para execução de uma ou mais das atividades constantes da Portaria GM n° 1.884/94, do Ministério da saúde, norma substituída pela Resolução RDC n° 50/2002; • O art. 27 da IN SRF n° 480/2004, ao alterar o conceito de serviços hospitalares para neles considerar somente aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares, legislou de forma ilegal, fora de sua competência, entendimento fundamentado na vedação contida no art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN) e no fato de que a referida IN foi editada após a Medida Provisória (MP) n° 232/2004, que manteve a regra relativa às prestadoras de serviços hospitalares; • Em decorrência da inaplicabilidade do art. 27 da IN SRF n° 480/2004, entende que deve prevalecer a norma publicada pelo órgão competente para determinar o conceito de serviços hospitalares, ou seja, a Resolução RDC n° 50/2002, que substituiu a Portaria GM n° 1.884/94. Por meio do Despacho Decisório DRF/POA/SEORT n° 588/2008, às fl. 74/77, a autoridade administrativa decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação de compensações eventualmente efetivadas com base no crédito objeto deste processo. O fundamento para a decisão foi a decadência do direito de pleitear a restituição, haja vista que o pedido foi efetuado após o prazo de cinco anos contados Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11080.004863/200895 Acórdão n.º 1002000.573 S1C0T2 Fl. 204 3 das datas em que realizados os pagamentos supostamente indevidos ou a maior. Para tanto, a autoridade administrativa amparouse nos seguintes dispositivos: arts. 168, I, 156, VII, e 150, §1° do CTN, bem assim o art. 3° da Lei Complementar 118/2005 e art. 900, I do Decreto n° 3.000/99 (R1 R199). Ainda na decisão foi ressaltado que, ainda que não houvesse ocorrido a decadência, não haveria como acatar o pleito com base na suposta ilegalidade do art. 27 da IN SRF n° 480/200, vez que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a atos normativos emanados do Poder competente, não cabendo a eles a apreciação de ilegalidade destes. Foi salientado, ainda, que se o interessado já não cumpria os requisitos do art. 27 da IN SRF n° 480/2004 quando da apresentação do pedido de restituição (2008), também não atendia as condições estabelecidas na nova redação do dispositivo dada pela IN RFB n° 791/2007, que, no entender da autoridade fiscal, sofreu poucas alterações. Segundo ela, tal conclusão se deveu às informações prestadas pelo próprio contribuinte, quando, às fl. 22/25, sugeriu desenvolver apenas as atividades estabelecidas nos itens 1.9 e 1.10 da Resolução RDC n° 50/2002. O contribuinte foi cientificado da decisão em 26/06/2008, consoante Aviso de Recebimento (AR) à fl. 79, tendo apresentado manifestação de inconformidade em 22/07/2008, conforme carimbo dos Correios no envelope à fl. 80, juntada às fl. 81/103. O seu teor está resumido a seguir: • O conceito de serviço hospitalar deve ser traçado com base na natureza do serviço desenvolvido pelo estabelecimento, e não na figura do prestador do serviço. Nesse sentido decisão do Recurso Especial n° 380.584/RS; • Nos termos do art. 109 do CTN, a legislação tributária não pode alterar ou gerar novos conteúdos, definições ou alcances, quando eles sejam disciplinados em outras áreas jurídicas. Pode apenas alterar os efeitos tributários. • Até o advento da IN SRF n° 306/2003 e do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18/93, que assumiram o entendimento adotado pela legislação médicosanitária, havia lacuna na legislação tributária quanto à abrangência do conceito de serviço hospitalar; • Apenas a exigência contida no art. 2° do referido ADI é que extravasou os contornos delineados na legislação médicosanitarista, ao estabelecer a necessidade adicional de outros profissionais no estabelecimento diferentes do sócios. Tal dispositivo afrontou o art. 109 do CTN. Tratandose de ato interpretativo não poderia ter criado requisito novo não traçado pela legislação sanitária, tendo caráter constitutivo e inovador. Tal exigência é também ilegal; • A IN SRF n° 480/2004 alterou o conceito de serviços hospitalares, restringindoo para aqueles que são prestados por estabelecimentos hospitalares. Houve afronta de direito líquido e certo das empresas que eram anteriormente consideradas prestadoras de serviços hospitalares. Tal instrução alterou definição, conteúdo e alcance de institutos e conceitos do direito privado utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal (CF), violando o art. 110 do CTN. Tal IN legislou de forma ilegal, fora de sua competência, motivo pelo qual a guarida para a solução da norma ilegítima é encontrada no sistema normativo, na disposição adequada e legal publicada por órgão competente para tanto, continuando a Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11080.004863/200895 Acórdão n.º 1002000.573 S1C0T2 Fl. 205 4 prevalecer o disposto pelo Ministério da Saúde, ou seja, a Portaria GM n° 1.884/1994, Parte II, Capítulo 2; • O art. 168, I do CTN estabelece que o direito de pleitear restituição extinguese com o decurso de cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Na modalidade de lançamento por homologação o crédito tributário somente estará perfeito e acabado mediante o pagamento e a conseqüente homologação, que é o verdadeiro evento ensejador da extinção do crédito tributário, conforme arts. 150, § 1°, e 156, VII do CTN. O simples pagamento nessa modalidade não gera a extinção do crédito tributário, pois ao contribuinte não é dado o deverpoder de lançamento. O art. 156 estabelece que a extinção do crédito é a conjugação do pagamento com a homologação. O art. 3° da Lei Complementar (LC) n° 118/2005 fere de morte tais dispositivos ao estabelecer que a contagem se dá a partir do pagamento, o que, conforme visto, não gera a extinção do crédito tributário. Logo a referida LC é ilegal; • Conforme posicionamento do STJ, a LC somente gera efeitos para os créditos relativos a fatos ocorridos posteriormente a sua vigência, haja vista que introduziu nova regra referente à prescrição do direito do contribuinte de efetuar a recuperação de tributos; • O prazo para pleitear restituição é prescricional, pois se está a exercer o direito de ação em busca de uma pretensão resistida; • Não procede o argumento de que as autoridades administrativas não podem apreciar constitucionalidade e legalidade de leis e atos normativos. Nesse sentido diversos julgados do Conselho de Contribuintes. Não cabe ao Judiciário, mas sim a todos os poderes zelar pelo cumprimento e obediência da CF. Não é defeso aos demais poderes o exame da validade da norma; • É fundamental distinguir controle de constitucionalidade e decisão sobre aplicação de norma inconstitucional a fato concreto. O Executivo pode e deve fazer a verificação da aplicação da norma. Já o controle de constitucionalidade é competência do Judiciário. Não existe prerrogativa que autorize somente o Judiciário a examinar em abstrato a constitucionalidade de ato ou norma em concreto. O Supremo Tribunal Federal tem prerrogativa de examinar em abstrato a constitucionalidade de lei ou ato normativo com efeito erga armes, através de ação direta de inconstitucionalidade. Já o Executivo pode fazer o exame no caso concreto com efeito entre as partes; • Esta discussão se encerra com o art. 50, LV da CF. Não haveria contraditório e ampla defesa na esfera administrativa caso a autoridade julgadora estivesse obrigada a cumprir norma inconstitucional. Ao protocolar seu pedido de restituição exerceu direitos constitucionais garantidos no art. 5°da CF: LIV — devido processo legal; LV — contraditório e ampla defesa — XXXIV — de petição. A CF prevê a obrigatoriedade de se conceder na esfera administrativa ou judicial, amplo e irrestrito direito à defesa, com os recursos nela inerentes, assegurandose o devido processo legal e o direito ao contraditório. O contencioso administrativo se pauta na busca da verdade material. A norma somente é válida se guarda consonância com norma superior; • Nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação do art. 17 da Lei n° 10.833/2003, bem assim, do art. 48 da IN SRF 460/2004 e do art. 151 de Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11080.004863/200895 Acórdão n.º 1002000.573 S1C0T2 Fl. 206 5 CTN, a Receita deve suspender a exigibilidade do débito administrativo, uma vez que no caso em tela foi interposta a manifestação de inconformidade em face da não homologação das compensações. É ilegal a atitude do Fisco no sentido de recusar a suspensão, coagindo a impetrante a proceder o recolhimento dos valores, seja por meio de cobrança ou impossibilitando a obtenção de CND; • Restando legítimo o direito de aproveitar o crédito decorrente do pagamento indevido a título de IRPJ, a compensação com outros tributos e contribuições federais sob administração da Receita Federal é seu direito inarredável, consoante arts. 165, I e 170 do CTN, art. 66 da Lei n°8.383/91, e art. 74, caput, da Lei n° 9.430/96, com redação da Lei n° 10.637/2002. Requer que sejam homologadas todas as compensações efetuadas com lastro no crédito pleiteado; • Reconhecida a legitimidade do crédito pleiteado, este deve ser monetariamente atualizado. Negar a correção seria violar o princípio da isonomia, uma vez que os débitos para com a Receita Federal são atualizados mensalmente utilizando como índice a Selic; [...] A DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade essencialmente porque o direito à restituição já havia decaído, conforme art. 3.º da Lei Complementar n.º 118/2005, o que fez com que a Turma, ora recorrida, deixasse de analisar as questões afetas ao enquadramento da atividade do contribuinte como hospitalar, o pedido para proveito, em compensações com tributos, do crédito pleiteado, e correção monetária deste crédito, por perda de objeto. Conclui o Acórdão recorrido que o prazo para a restituição/compensação não é prescricional, que os órgãos julgadores administrativos tributários não podem examinar legalidade ou constitucionalidade das normas, e que não há nos autos qualquer recusa da RFB em suspender as exigências dos débitos, pois não há pedido de compensação que o permita, apenas pedido de restituição. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/06/2010, onde: a) Repete e reforça os argumentos para que seja admitido o percentual de 8 % em lugar de 32 %, quanto à apuração do lucro presumido dos períodos indicados no pedido de restituição, o que demonstraria que houve pagamentos a maior; b) Discorre sobre o direito à compensação; c) Defende a tese "5 + 5" com relação à decadência do direito de pedir restituição/compensação; d) Aponta ilegalidade do art. 3.º da Lei Complementar n.º 118/2005; e) Pugna pela admissão da restituição e pela correção monetária do crédito; f) Assinala que os órgãos administrativos são competentes para julgar a inconstitucionalidade dos atos normativos, em respeito aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e ao direito de petição. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11080.004863/200895 Acórdão n.º 1002000.573 S1C0T2 Fl. 207 6 É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Mérito. Decadência do direito à restituição/compensação. O pedido de restituição sob exame foi apresentado após expirado o prazo decadencial para exercício do direito de pleitear restituição/compensação. Com essa conclusão, consideradas as razões que serão expostas adiante, deixa de haver sentido em examinar as contestações do recurso voluntário dirigidas à causa dos ditos pagamentos a maior, ao direito à compensação, à ilegalidade do art. 3.º da Lei Complementar n.º 118/2005, à correção monetária do crédito pleiteado, e à competência dos órgãos administrativos para julgar a inconstitucionalidade dos atos normativos, itens "a", "b", "d", "e" e "f" do relatório deste voto. O enfrentamento do item "c" será resolvido por aplicação de Súmula CARF, contra a qual o Conselheiro está impedido de se opor. Pretende o recorrente combinar o artigo 142 com o 150, § 4.º, do CTN, para que sejam considerados os anos calendário 2012 e 2013 como os que contenham o prazo fatal para envio do pedido de restituição, em contraposição ao prazo ilustrado pela Turma recorrida como o mais estendido possível, que alcança o ano calendário 2007 e janeiro de 2008, tendo o referido colegiado salientado que o direito creditório apontado pelo recorrente diz respeito aos pagamentos que ocorreram entre abril de 2002 e janeiro de 2003, e o pedido de restituição fora transmitido em abril de 2008, mais de cinco anos após o último pagamento. No caso de perda do direito de restituição/compensação da repetição de indébito, a mensuração do prazo tem sua contagem diferenciada conforme a data do pedido. Em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir (a) a partir da data da homologação tácita ou expressa do pagamento, no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08/06/2005, ou (b) a partir da data do pagamento antecipado e indevido de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11080.004863/200895 Acórdão n.º 1002000.573 S1C0T2 Fl. 208 7 tributo, no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir dessa data1. Este é o entendimento constante nas decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS2, e na Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n.º 561.908/RS3, que devem ser reproduzidos pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. Nessa esteira foi publicada a Súmula CARF n.º 91, cujo teor reproduzo abaixo: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Como o caso abrangido pelos autos se refere a Pedido de Restituição enviado em 28/04/2008 (efl. 2), bem após 08/06/2005, entendese, na forma da jurisprudência vinculatória citada, decaído o direito de pleitear a restituição. O recorrente traz no corpo de seu recurso vasta jurisprudência e doutrina anteriores às decisões do STF citadas, e que não vinculam este órgão julgador, motivo pelo qual deixam de ser consideradas. Os entendimentos jurisprudenciais somente se revestirão de observância obrigatória nas situações do já referido art. 62 do RICARF, e, quando a lei lhes atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, nesse formato, consequentemente, não está justificada. No sentido de tudo que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. 1 1 Fundamentação legal: arts. 165 e 168 do CTN e LC n.º 118/2005. 2 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário de n.º 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em: <http://stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28566621.NUME.%20E%20RE.SCLA.%29 &base=baseAcordaos&origemBusca=MeritoRG>. Acesso em 05/10/2018. 3 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraordinário n.º 561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE+566621%29&base=baseRepercussao& url=http://tinyurl.com/y9e8278b>. Acesso em 05/10/2018. 4 Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), Portaria MF n.º 343/2015. 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11080.004863/200895 Acórdão n.º 1002000.573 S1C0T2 Fl. 209 8 É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.921009/2012-28
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO.
A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado.
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DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 92 10 09 /2 01 2- 28 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 12448.921009/201228 Acórdão n.º 3003000.025 S3C0T3 Fl. 3 2 das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins no valor de R$ 18.247,28, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/07/2007. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em fevereiro de 2011, tomou conhecimento de que estava tributando a Cofins de forma incorreta, ou seja, com alíquota superior a zero dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, contrariando a Lei 10.147/2000, por se tratar de produtos manipulados; que imediatamente apurou o montante do crédito que teria direito e começou a compensar este crédito com os débitos de outros tributos apurados no meses subsequentes, através do DACON; que entretanto se equivocou em não efetuar também a retificação da DCTF do mesmo período de apuração, ocasionado o não reconhecimento do crédito. Solicita o direito de retificar a DCTF para que possa compensar o recolhimento efetuado indevidamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), no acórdão n° 02050.431, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 370DF CARF MF Processo nº 12448.921009/201228 Acórdão n.º 3003000.025 S3C0T3 Fl. 4 3 Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto a origem do direito creditório e a relativização da confissão de dívida dos débitos declarados em DCTF, apresentando documentação que entende hábil a comprovar o seu direito e pleiteando ainda a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 12448.921009/201228 Acórdão n.º 3003000.025 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, período de apuração de 30/06/2007, no valor histórico de R$ 18.247,28, decorrente da tributação equivocada dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, os quais estariam sujeitos ao benefício fiscal previsto no art. 2º da Lei 10.147/2000, e, portanto, deveriam sofrer aplicação da alíquota zero, não obstante a ausência de retificação em DCTF. Sem embargo, antes de tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não ao seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Quanto a ausência de retificação da respectiva DCTF, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Quanto ao mérito, a Recorrente informa que exerce as atividades de "manipulação, dispensação e comercialização de fórmulas farmacêuticas e produtos nutricionais e a exportação e importação de produtos farmacêuticos, correlatos, alimentos e suplementos alimentares...". alegando que, por realizar as atividades de comercialização varejista de medicamentos não importados e a manipulação de medicamentos para a venda Fl. 372DF CARF MF Processo nº 12448.921009/201228 Acórdão n.º 3003000.025 S3C0T3 Fl. 6 5 direta a consumidores finais, não estaria enquadrada no conceito de industrialização pela legislação pátria, fazendo jus ao benefício fiscal concedido pelo artigo 2o da Lei n° 10.147/2000, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS sobre a venda dos produtos classificados nos códigos especificados. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, assim dispõe: Art. 1º A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1º Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. [...] Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. [...] (grifouse) Para verificar o enquadramento no conceito de industrialização, no caso, devemos nos socorrer do disposto no inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010: Fl. 373DF CARF MF Processo nº 12448.921009/201228 Acórdão n.º 3003000.025 S3C0T3 Fl. 7 6 Art. 5º Não se considera industrialização: [...]VI a manipulação em farmácia, para venda direta a consumidor, de medicamentos oficinais e magistrais, mediante receita médica (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso III, e DecretoLei nº 1.199, de 27 de dezembro de 1971, art. 5º, alteração 2ª); [...] (grifouse) A Recorrente trouxe aos autos como documentação comprobatória para embasar o seu direito amostras de Notas Fiscais em que verificase a venda de medicamentos por ela manipulados basicamente para clínicas e hospitais. Nos termos do inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, para não ser industrialização, a manipulação deve ser para venda direta ao consumidor com receita médica. Nesse caso, entendo “consumidor” como o consumidor final da medicação, o cliente em tratamento que fará uso da(s) substância(s) contida(s) no produto manipulado. Logo, em sentido contrário, se a venda não se dá para o consumidor final, mas para clínicas ou hospitais, como no caso, está caracterizada a industrialização. Assim, a atividade do contribuinte na venda de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 é considerada industrial na aludida situação e enquadrase no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, sendo tributado pela Cofins com alíquotas positivas e não com alíquota zero prevista no art. 2º do referido dispositivo legal. Nesse sentido, segue ementa da Solução de Consulta nº 48 Cosit: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CRÉDITO PRESUMIDO. A manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos é considerada industrialização, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, que apenas alcança os produtos nele citados, estão submetidos ao regime concentrado de tributação da Cofins e, consequentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Desde que atendidas as condições previstas no art. 3º, I e II, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, a manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos gera direito ao crédito presumido ali previsto. Dispositivos Legais: Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, arts. 1º, 2º e 3º; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 5º, VI. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 12448.921009/201228 Acórdão n.º 3003000.025 S3C0T3 Fl. 8 7 No mais, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador e amostras de Notas Fiscais, porém sem nenhum documento hábil, idôneo e suficiente que os embasassem. As declarações retificadas, bem como, provas apresentadas por amostragem desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Quanto ao pedido de diligência da requerente, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 12448.921009/201228 Acórdão n.º 3003000.025 S3C0T3 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.915801/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.614
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 15 80 1/ 20 12 -8 1 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.915801/201281 Resolução nº 3402001.614 S3C4T2 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório, que indeferiu o pedido de compensação da Contribuinte por concluir que não restou saldo disponível. No Recurso Voluntário ora em apreço, alega a Recorrente que: Transmitiu eletronicamente o Per/Dcomp para compensação de débitos diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa; A compensação não foi homologada face a erro de preenchimento da DCTF e da Dacon correspondente ao período do crédito submetido no Perd/Comp; Quando tomou ciência do indeferimento do pedido de compensação, imediatamente transmitiu as declarações retificadoras, a fim de que constasse o valor correto; Ressaltase que tais retificações foram efetuadas dentro do prazo legal de cinco anos, não tendo precluído o direito da Reclamante de fazêlo. Com isso, invocando o Princípio da Verdade Material, pede pela análise dos documentos anexados com o recurso para o fim de que seja possível confirmar a existência do crédito e a legitimidade da compensação efetuada, com a consequente homologação da compensação pleiteada e extinção do débito vinculado a referida declaração. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.601 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.913460/201217, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.601) "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.915801/201281 Resolução nº 3402001.614 S3C4T2 Fl. 189 3 Da necessidade de diligência para julgamento do litígio Constatase às fls. 6 a 10 dos autos que a Recorrente apresentou em data de 29/10/2010 o PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.04 4640, pelo qual prestou as seguintes informações: Por sua vez, a retificação foi transmitida em 07/12/2012, sendo que a documentação mencionada pela defesa de fato foi anexada nestes autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Para julgamento deste processo, fazse necessário buscar a Verdade Material sobre o objeto do litígio, apurando a legitimidade do crédito discriminado em PER/DCOMP, bem como a documentação apresentada, analisando a suficiência de crédito disponível para compensação com os débitos igualmente informados. Por tais motivos, proponho a conversão do julgamento em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais acostados às fls. 57 a 184, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.044640 e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.915801/201281 Resolução nº 3402001.614 S3C4T2 Fl. 190 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais trazidos quando da apresentação do Recurso Voluntário, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP em tela e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910084/2012-48
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 00 84 /2 01 2- 48 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13896.910084/201248 Acórdão n.º 3003000.064 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS/PASEP, no valor de R$ 9.290,77, referente ao período de apuração de setembro de 2009. A Delegacia da RFB de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, inexistindo, desse modo, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente argumentou que é prestadora de serviços na área de engenharia, tendo, como tomadora de serviços, o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Sustentou que a sistemática da nãocumulatividade do PIS/COFINS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que fossem descontados créditos atinentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, ex vi do artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar seu direito creditório, a recorrente apresentou, então, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada, além de PER/DCOMP. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/10/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13896.910084/201248 Acórdão n.º 3003000.064 S3C0T3 Fl. 4 3 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13896.910084/201248 Acórdão n.º 3003000.064 S3C0T3 Fl. 5 4 Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13896.910084/201248 Acórdão n.º 3003000.064 S3C0T3 Fl. 6 5 produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os documentos apresentados, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que pudessem reduzir seus débitos apurados e informados nas declarações originais. Nesse sentido, a simples juntada de notas fiscais variadas, sem qualquer explicação e demonstração de como influenciam a apuração das contribuições sociais, não é suficiente para comprovar e elucidar os fundamentos da retificação realizada no DACON e DCTF. Para comprovar seu direito, a recorrente deveria ter apresentado demonstrativo de apuração das contribuições sociais, contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, indicando todos os documentos que comprovem sua natureza e valor, e demonstrando sua escrituração contábilfiscal. Do material probatório apresentado, não há como saber a natureza e extensão de eventuais deduções na apuração da contribuição social de que resultou o crédito pleiteado nos autos. Não há demonstrativo de apuração, não há escrituração contábil e fiscal, não há elucidação analítica para explicar a suposta redução do débito informado nas declarações retificadas. Sublinhese que notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, quando desacompanhadas de outros elementos que demonstrem sua escrituração e, sobretudo, seu cômputo na apuração do tributo devido, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. A compensação tributária impõe a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recorrente, apesar de juntar notas fiscais diversas sem documentos contábeis e fiscais que demonstrem sua escrituração , não faz qualquer vinculação de tais notas a Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13896.910084/201248 Acórdão n.º 3003000.064 S3C0T3 Fl. 7 6 eventuais contas de despesas dedutíveis no regime da nãocumulatividade que poderiam servir para a redução do tributo devido. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". Quanto a tal questão, registrese que a recorrente teve toda a possibilidade de apresentação dos citados documentos em seu recurso. Não o fez. Neste caso, ocorreu a preclusão do direito de apresentar prova documental além daquela trazida no recurso voluntário. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.905281/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 81 /2 01 3- 15 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.905281/201315 Acórdão n.º 3201004.635 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.788. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.905281/201315 Acórdão n.º 3201004.635 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.905281/201315 Acórdão n.º 3201004.635 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.905281/201315 Acórdão n.º 3201004.635 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.905281/201315 Acórdão n.º 3201004.635 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721983/2008-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR.
Configurado o lançamento por homologação e havendo a realização de pagamentos e/ou declaração prévia pela Contribuinte, bem como inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados da data do fato gerador.
Numero da decisão: 9303-007.890
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO E/OU DECLARAÇÃO PRÉVIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e havendo a realização de pagamentos e/ou declaração prévia pela Contribuinte, bem como inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando se em cinco anos contados da data do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 83 /2 00 8- 57 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 169 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3301 01.068, de 10 de agosto de 2011 (fls. 511 a 519 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado contra o Contribuinte, exigindo a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativa aos períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 2003. O Contribuinte apurou a contribuição para o PIS em valores inferiores aos levantados pela fiscalização. Para promover a compensação dos débitos apurados, o Contribuinte apresentou os PER/DCOMP, sendo que alguns não foram aceitos pela fiscalização. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 170 3 O Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: inicialmente, alega a nulidade da autuação, pois parte do crédito tributário referente a outubro e novembro de 2003 e a totalidade do montante referente a dezembro de 2003 já se encontravam regularmente constituídos pela própria impugnante, uma vez que, além de já terem sido informados nas respectivas DCTF, também foram declarados nos PER/DCOMP, que têm caráter de confissão de dívida, em vista do disposto no art. 5º do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, bem como na Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; os débitos informados em Declarações de Compensação apresentadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135, de 2003, reputamse constituídos no ato da declaração, pelo que, sendo indeferida a compensação, podem ser encaminhados para inscrição em dívida ativa e cobrança judicial independentemente da adoção de quaisquer providências adicionais pelo Fisco Federal; o próprio autuante deixou incontroverso o fato de que a exigência ora guerreada decorre da não homologação das compensações informadas nos PER/DCOMP, afigurandose não somente desnecessário, mas verdadeiramente ilegal, o lançamento de ofício, por ofensa às normas que preveem o tratamento a ser dispensado às informações prestadas em DCTF e PER/DCOMP, de forma que se impõe o reconhecimento da nulidade da autuação; ainda como questão preliminar, tratandose, no presente caso, de lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado do tributo, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos contados a partir do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN, e assim, à data da lavratura do Auto de Infração, em 07/11/2008, já ocorrera a decadência quanto ao período de apuração de outubro de 2003, encontrandose extinto o crédito tributário nos termos do inciso VII do art. 156 do CTN, transcrevendo doutrina e jurisprudência em igual sentido; quanto ao mérito, no que tange ao período de apuração de outubro de 2003, a contribuição para o PIS devida, no valor de R$710.000.65, foi objeto de PER/DCOMP no valor de R$487.027,41 e R$222.305,14, quantias que se encontram regularmente extintas por compensação, na forma prevista no inciso II do art. 156 do CTN, e quanto ao montante de R$246,39, foi objeto do PER/DCOMP nº 4290838645.050304.1.3.572729, estando com sua Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 171 4 exigibilidade suspensa na forma prevista no inciso III do mesmo artigo, em face da não homologação da compensação declarada, conforme Despacho Decisório DRF/SDR nº 344, contra o qual foi apresentada Manifestação de Inconformidade ainda em discussão no processo administrativo nº 10580.004927/200510; desta forma, na remota hipótese de não vir a ser acatada a preliminar de decadência, apenas a quantia de R$421,71 poderia vir a ser cobrada da impugnante; em relação a novembro de 2003, a contribuição para o PIS devida, no valor de R$97.597,29, foi objeto de compensação a maior no importe de R$1.678,06, haja vista que o valor consignado no PER/DCOMP n° 42908.38645.050304.1.3.572729 foi deR$99.275,35, não havendo como se exigir da impugnante quaisquer valores, em atenção ao disposto no aludido art. 151, III do CTN; em 30/11/1994 foi ajuizada a ação declaratória n° 94.00144725 questionando a exigência da contribuição para o PIS com base nos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, de 1988, julgada inteiramente procedente pelo Juiz de 1º grau em 26/04/1995, e, em grau de recurso, negado pelo TRF da 1ª Região provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial, cujo acórdão, após apresentação de embargos declaratórios pela Fazenda Nacional versando exclusivamente sobre a condenação em honorários, transitou em julgado em 29/11/1996; consequentemente, os pagamentos realizados pela impugnante a tal título passaram a ser considerados juridicamente indevidos, o que, por si só, já lhe garantiria o direito de obter do Estado a restituição de tais valores, mas, ciente do inegável direito de obter a restituição das quantias pagas indevidamente a título de PIS, a impugnante intentou em 29/10/1996 nova ação judicial, sob o n° 96.00213291, com o fim não só de ver a União expressamente condenada à restituição dos valores indevidamente pagos a título de PIS nos últimos dez anos, mas, principalmente, para que fosse declarada a obrigatoriedade de correção de tais valores pelos índices IPC, INPC e UFIR, bem como a incidência de juros de mora no percentual de 1%. A DRJ em Salvador/BA julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte para rejeitar a preliminar de nulidade, acatar a preliminar de decadência em relação ao período de apuração de outubro de 2003, e no mérito, em relação aos demais períodos de apuração, manter parcialmente o crédito tributário. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 172 5 Às fls. 510 consta a informação de que o Contribuinte teria efetuado o pagamento do crédito tributário mantido, satisfazendose com a decisão. Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso de Ofício, o Colegiado negou provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E AUTO DE INFRAÇÃO. As declarações de compensação (DCOMP) apresentadas a partir de 31/10/2003 constituem confissão de dívida, sendo, portanto instrumento hábil e suficiente para a cobrança dos débitos nelas informados. Comprovandose que o tributo exigido no auto de infração foi confessado em DCOMP apresentadas antes do início do procedimento fiscal, cancela se a exigência objeto do lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional CTN, aplicandose a regra do § 4º do artigo 150 na hipótese em que houve pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial. Negado provimento ao recurso de ofício. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 521 a 526) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso de ofício, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à sistemática de contagem do prazo decadencial. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de nº 230101.568. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – fls. 527 a 539. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 542 e 543, sob o argumento que cotejando o acórdão recorrido com o paradigma inferiuse que as matérias de ambos são semelhantes e, de fato, deram tratamento divergente Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 173 6 quanto ao termo de início da contagem do prazo decadencial. Desta forma, entendeuse que restou comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 549 a 563, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o Relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 542 e 543. Mérito Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário referente ao PIS. O Recurso Especial da Fazenda Nacional diz exclusivamente ao mês de outubro de 2003. Primeiramente, importante trazer que o tema abrangente do prazo – se aplicável os dez anos ou os cinco anos, à época, foi amplamente debatido no CARF. Não obstante, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, houve clarificação dessa questão, ao afastar o art. 45 da Lei n.º 8.212/1991. Restando, portanto, a priori, analisar se o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN considera a da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4º ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 174 7 Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 175 8 O que, por conseguinte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, a princípio, seria importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. No presente caso, houve pagamento parcial da contribuição para o PIS no período de apuração de outubro de 2003, conforme extrato de DCTF à folha 282. Desta forma, tendo havido a antecipação de pagamento, condição necessária e suficiente para aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN (cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador), e considerandose que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 07/11/2008 (fl. 04), o fato gerador ocorrido em outubro de 2003 foi alcançado pela decadência, e o crédito tributário correspondente não poderia ter sido constituído, pelo que deve ser excluído da presente exigência. Ademais, foi feita a declaração. Assim, em relação à DCTF, conforme preconiza o art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, a mesma é o documento que formaliza a obrigação acessória e comunica à Fazenda Pública a existência de débito, constituindose em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. Nestes termos, em caso de insuficiência ou falta de pagamento do débito, a legislação autoriza que seja efetuada a inscrição do mesmo em dívida ativa da União, com os acréscimos moratórios. A Instrução Normativa RFB nº 1599, de 11 de dezembro de 2015, que estabelece as normas disciplinadoras da DCTF, confirma a natureza de confissão de débito da referida declaração ao consignar no §1º, do art. 8º que "os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição informados na DCTF, [...] poderão ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU)". Nesse sentido é o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, afirmando que a entrega de DCTF ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei é forma de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 176 9 providência para formalizar o valor declarado. A jurisprudência reiterada do Tribunal Superior conduziu à edição da Súmula nº 436 do Superior Tribunal de Justiça, de 13 de maio de 2010: Súmula 436 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Portanto, inequívoco que a declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Embora não seja a DCTF equiparável ao pagamento, para efeitos da contagem do prazo decadencial, tanto o pagamento quanto a declaração prévia do débito se equivalem, sendo aplicável a regra contida no art. 150, §4º do CTN. Portanto, em consonância com o entendimento do STJ consignado no Recurso Especial n.º 973.733, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por este Colegiado, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que tendo havido a declaração dos valores entendidos como devidos a título de PIS ou pagamento parcial, a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º, do CTN, observandose o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose incólume o acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10580.721983/200857 Acórdão n.º 9303007.890 CSRFT3 Fl. 177 10 Fl. 601DF CARF MF
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