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Numero do processo: 16327.903513/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 13 /2 01 0- 10 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.903513/201010 Acórdão n.º 1301002.339 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.903513/201010 Acórdão n.º 1301002.339 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.903513/201010 Acórdão n.º 1301002.339 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.903513/201010 Acórdão n.º 1301002.339 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.903513/201010 Acórdão n.º 1301002.339 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 185DF CARF MF Processo nº 16327.903513/201010 Acórdão n.º 1301002.339 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16327.903513/201010 Acórdão n.º 1301002.339 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.914391/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.575
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 43 91 /2 01 2- 74 Fl. 99DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10830.914391/201274 Acórdão n.º 3401003.575 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 101DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10830.914391/201274 Acórdão n.º 3401003.575 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 103DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900630/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 30 /2 01 2- 05 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900630/201205 Acórdão n.º 1302002.161 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900630/201205 Acórdão n.º 1302002.161 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900630/201205 Acórdão n.º 1302002.161 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002962/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (enunciado nº 14 da Súmula CARF). Também não se presta a fundamentar a qualificação da multa o fato de o contribuinte ter retificado declarações para nelas incluir rendimentos tributáveis, quando o fez ainda amparado pela espontaneidade ou, ainda, as declarações retificadas após o início do procedimento fiscal, uma vez que essas são de todo despidas de efeitos frente à fiscalização.
Numero da decisão: 2201-003.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 27/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (enunciado nº 14 da Súmula CARF). Também não se presta a fundamentar a qualificação da multa o fato de o contribuinte ter retificado declarações para nelas incluir rendimentos tributáveis, quando o fez ainda amparado pela espontaneidade ou, ainda, as declarações retificadas após o início do procedimento fiscal, uma vez que essas são de todo despidas de efeitos frente à fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (enunciado nº 14 da Súmula CARF). Também não se presta a fundamentar a qualificação da multa o fato de o contribuinte ter retificado declarações para nelas incluir rendimentos tributáveis, quando o fez ainda amparado pela espontaneidade ou, ainda, as declarações retificadas após o início do procedimento fiscal, uma vez que essas são de todo despidas de efeitos frente à fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 27/06/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 29 62 /2 00 8- 87 Fl. 268DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão nº 0921.946 da 4ª Turma da DRJ/JFA, que negou provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração pelo qual foi constituído crédito tributário total de R$ 378.374,52 relativo ao imposto de renda incidente sobre variação patrimonial a descoberto e multa isolada pelo não recolhimento de carnêleão. De acordo com o relatório do trabalho fiscal (fls 26), inicialmente foi instaurada fiscalização para verificação da regularidade da variação patrimonial no ano calendário 2005. Intimado, o contribuinte efetuou a terceira retificação de sua declaração e, após reintimação, tentou justificar sua variação patrimonial alegando a existência de empréstimos em operações anteriormente identificadas como doações. Relata a fiscalização que, em relação ao ano calendário 2005, o contribuinte teria apresentado um declaração original e três retificadoras, as duas últimas já no curso da fiscalização. Teria adquirido nesse ano bens incompatíveis com sua renda no valor de R$ 113.829,23 (variação patrimonial a descoberto), sendo que na declaração do ano anterior teria informado não dispor de bens ou direitos em 31/12/2004. Em 06/09/2007, foi estendida a fiscalização para os períodos de 01/2003 a 12/2004 e 01/2006 a 08/2007. No curso desse procedimento, verificouse que o contribuinte apresentou também retificação para as declarações dos exercícios 2004 e 2005, contudo, para estas, o fez quando ainda estava na condição de espontaneidade. Mesmo nessas declarações, apresentadas na modalidade simplificada, a fiscalização identificou variação patrimonial a descoberto (declarações e demonstrativos a partir da fls 152). Além dos valores lançados a esse título, foram lançadas multas pelo não recolhimento de carnêleão considerando os valores declarados como recebimentos mensais por serviços prestados como autônomo. O lançamento do imposto foi acompanhado pela multa qualificada de 150%, o que foi justificado pela fiscalização nos seguintes termos (fl 38): O fato de o fiscalizado não dispor dos recursos suficientes para as aquisições dos bens, que vieram a compor o seu patrimônio, apuração feita nos demonstrativos, endossado com a própria demonstração inequívoca de seu reconhecimento, quando procura retificar as declarações, após início de procedimento fiscal, tentando fazer nelas incluir, mesmo de forma equivocada, doações que justificassem acréscimo patrimonial e outros rendimentos não informados anteriormente, e fazer substituir as declarações de isento, com rendimentos tributáveis, referendam Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200887 Acórdão n.º 2201003.684 S2C2T1 Fl. 263 3 a hipótese de ocorrência de omissão ao fisco, na busca se furtar à obrigação de oferecer à tributação os rendimentos auferidos. Mediante tal comportamento pode ser afirmado que praticou atos impeditivos e/ou que retardaram a fiscalização no conhecimento do fato gerador da obrigação tributária e das suas condições, com evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que configura a hipótese prevista no art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96, de aplicação da multa qualificada. A ciência do auto de infração foi dada em 15/07/2008 (fls 199) e a impugnação protocolada em 14/08/2008 (fls 207). Decisão da DRJ a fls 233 e ciência dessa decisão em 30/12/2008 a fls 234. O recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 28/01/2009 (fls 244), com as alegações que são resumidas a seguir: o auto de infração é desproporcional em relação ao seu patrimônio; parte significativa do auto de infração corresponde à multa de ofício qualificada no percentual de 150%; o contribuinte atendeu a todas as intimações e efetuou vários pagamentos espontaneamente; a multa de ofício qualificada deve ser reformada já que não existiu sonegação, fraude ou conluio; seu comportamento foi pautado pela boafé, pelo que pede o cancelamento de todo o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme evidenciou o relatório, o contribuinte efetua uma espécie de negativa geral solicitando primeiro o cancelamento da multa de ofício e, depois, de todo o auto de infração. Ou seja, não apresenta argumentos para combater a ocorrência do fato gerador do tributo ou o valor lançado, por onde, não identificando matéria de ordem pública a ensejar sua reforma, tomoos por corretos. Em que pese isso, deve ser analisada a adequação da multa de ofício que foi aplicada. Fl. 270DF CARF MF 4 O primeiro item do auto de infração diz respeito à variação patrimonial a descoberto e está composto por fatos geradores que vão de 30/09/2003 a 31/12/2007, todos com multa de ofício de 150% (fl 8). De acordo com o enunciado nº 14 da Súmula CARF: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A fiscalização justificou a aplicação da multa qualificada no fato de o fiscalizado: (i) não dispor de recursos para aquisição dos bens; (ii) ter retificado as declarações após início do procedimento fiscal tentando nelas incluir doações para encobrir o acréscimo patrimonial; (iii) substituir as declarações de isento por outras com rendimentos tributáveis. O primeiro item, falta de rendimentos para aquisição de bens, é o que justifica o lançamento do imposto de renda e, por si só, não serve como fundamento para a qualificação da multa, como evidencia o enunciado nº 14 da Súmula CARF. O segundo item diz respeito à retificação apresentada para a DIRPF2006 após o termo de início da ação fiscal. Como é cediço, a apresentação de declaração no curso do procedimento fiscal relativa ao período fiscalizado não é apta a produzir efeitos, sendo de todo ignorada pela fiscalização. Se essa declaração não pode produzir efeitos, ela também não pode ser utilizada como justificativa para a qualificação da multa. Negar efeitos a uma declaração e, ao mesmo tempo, utilizála como fundamento para penalizar o contribuinte são, a meu ver, atitudes contraditórias entre si e contrárias à máxima venire contra factum proprium, princípio moralizante de todo aplicável à Administração pública. Por outro lado, a substituição das declarações de isento por declarações com rendimentos tributáveis ocorreu em relação a períodos que não estavam ainda sob procedimento fiscal, o que foi expressamente reconhecido pela fiscalização. Portanto, ao utilizar esse expediente o contribuinte usufruiu de uma faculdade conferida pela legislação de regência e também não pode ser penalizado por isso. Pelo exposto acima, entendo que não há neste auto de infração justificativa para a aplicação da multa qualificada. Embora seja inconteste que o contribuinte omitiu rendimentos, pareceme que todas as demais dificuldades apresentadas no curso da fiscalização evidenciam mais a sua incompreensão sobre a racionalidade que orienta a declaração de rendimentos e a apuração do imposto de renda, do que dolo no cometimento de sonegação, fraude ou conluio. Por outro lado, em uma justificativa que considero frágil, se fosse aceitável que as impropriedades cometidas pelo fiscalizado na declaração retificadora do exercício de 2006 constituíssem fundamento suficiente para aplicação da multa qualificada, esta deveria se restringir aos fatos geradores relacionados a esse período e não a todo o lançamento como foi feito. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10640.002962/200887 Acórdão n.º 2201003.684 S2C2T1 Fl. 264 5 Conclusão À vista do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado e, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar a redução da multa de ofício para o percentual de 75% do imposto lançado sobre variação patrimonial a descoberto. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000044/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2004
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. DECLARAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES.PRELIMINAR DE NULIDADE. MULTA. RELEVAÇÃO PROPORCIONAL. LIMITE LEGAL POR COMPETÊNCIA.OBSERVÂNCIA.
Apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores constitui infração à legislação previdenciária.
O relatório fiscal que descreve a infração com suficiente clareza e especificidade possibilita O exercício pleno do direito de defesa ao autuado. Lançamento fiscal que contém todos os requisitos essenciais exigidos em lei não contém vício de nulidade.
Atendidos os requisitos dispostos em Regulamento, cabe elevação da multa. Até 01/02/2007, a entrega de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implica na elevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores corrigidos.
O limite legal para aplicação de penalidade decorrente da omissão de fatos geradores em GFIP deve ser observado em cada uma das competências onde se verificar a infração.
Numero da decisão: 2401-004.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2004 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. DECLARAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES.PRELIMINAR DE NULIDADE. MULTA. RELEVAÇÃO PROPORCIONAL. LIMITE LEGAL POR COMPETÊNCIA.OBSERVÂNCIA. Apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores constitui infração à legislação previdenciária. O relatório fiscal que descreve a infração com suficiente clareza e especificidade possibilita O exercício pleno do direito de defesa ao autuado. Lançamento fiscal que contém todos os requisitos essenciais exigidos em lei não contém vício de nulidade. Atendidos os requisitos dispostos em Regulamento, cabe elevação da multa. Até 01/02/2007, a entrega de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implica na elevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores corrigidos. O limite legal para aplicação de penalidade decorrente da omissão de fatos geradores em GFIP deve ser observado em cada uma das competências onde se verificar a infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 00 44 /2 00 7- 21 Fl. 2152DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 10552.000044/200721 Acórdão n.º 2401004.732 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/2000 a 11/2004 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração DEBECAD n° 35.772.9560– Obrigação Principal em razão da apresentação pela empresa de Guias de Recolhimento de FGTS e Informações da Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias referentes às remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, no período de 01/2000 a 11/2004, no valor total de R$ 99.340,24,infringindo assim o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei 8.212191 c/c art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a empresa apresentou Impugnação às fls. 832/838, acompanhada dos documentos juntados às fls. 839/1025. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 6ª Turma da DRJ/POA, às fls. 2073/2085, julgando procedente em parte o lançamento, por entender que foram atendidos os requisitos legais para a relevação da multa, ressaltando que até 01/02/2007, a entrega de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implica na relevação da multa na proporção do valor das contribuições previdenciárias relativa aos fatos geradores corrigidos e esclarecendo que o limite para aplicação penalidade decorrente da omissão de fatos geradores em GFIP deve ser observado em cada uma das competências onde se verificar a infração. O Recorrente foi cientificado da r.decisão de 1ª Instância no dia 22/04/2010, conforme Aviso de Recebimento às fls. 2092. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls., ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: em sede de preliminar alega que suscitou a nulidade do auto de infração "por falta de suficiente e adequada descrição dos fatos que compõe a suposta irregular, infringir o princípio da vedação de confisco, e, ainda, requereu a elevação da multa, porque suprida a suposta falta; busca a exoneração da penalidade, por ultrapassar o limite legal e infringir o princípio da vedação de confisco, bem como pelo fato de não ficar claro nenhum fato concreto que desse causa a utilização da penalidade em referência; Fl. 2154DF CARF MF 4 afirma que com base no artigo 283 do RPS não se pode aplicar como penalidade um valor superior ao valor mínimo estabelecido no referido artigo, requerendo assim a exclusão da multa à base, como sustentando na r. decisão recorrida, em dispositivo legal diverso do referido no auto de infração; tendo como pressuposto da obrigação formal o dever de informar em GFIP a procedência da obrigação material e a incidência de contribuição previdenciária,não se deveria querer que o contribuinte apresentasse GFIP's retificadoras,atendendo àquela antes de julgamento definitivo a respeito desta; alega restar evidente que a mera reprodução de dispositivo legal ou regulamentar, de acordo com o que se verifica no próprio Relatório Fiscal,não é o suficiente para suprir o requisito da motivação do próprio Auto de Infração; não consta qualquer esclarecimento sobre a forma e os dados considerados para a determinação da multa; busca também com base no art. 293 do Regulamento da Previdência Social a decretação de nulidade da autuação; sendo assim, requer que seja decretada a preliminar de nulidade do auto de infração para reduzir ou relevar integralmente a multa aplicada, reduzindo seu valor a zero Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 10 24.597, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. Esta Colenda 1ª TO, em 16 de fevereiro de 2016, proferiu a Resolução nº 2401000.483 , convertendo o presente feito em diligência para que fosse determinado o seu retorno Unidade de Origem, objetivando acostar aos autos o andamento e/ou eventual julgamento do Auto lavrado para apuração da Obrigação Principal. Em cumprimento à diligência encimada, acostouse aos presentes autos o Acórdão 2401002.648, proferido por esta Turma em 18/09/2012 (fls. 1589/1594), no Processo nº 10552.000326/200729, onde consta que o fato gerador daquele feito principal referese ao levantamento "Doação DOA" e abarca a contribuição de 5% incidente sobre os valores repassados pela notificada ao Clube XV de Novembro (associação de futebol profissional com sede em Campo Bom/RS), a titulo de doação, mas caracterizados pelo fisco como sendo valores de patrocínio, apurados a partir do registro contábil constante na conta "83040001 — Contribuições e Donativos", no período de 02/2002 a 05/2004. O relatório noticia que o uniforme dos jogadores do Clube XV de Novembro tem estampado a marca Fortik, correspondente a uma cola fabricada pela empresa FCC Fornecedora de Componentes Químicos e Couros Ltda, CNPJ 88.065.321/000115. No referido julgado, negouse provimento ao Recurso de Ofício da Fazenda Nacional e em relação ao Recurso Voluntário, acolheu a preliminar de decadência parcial para excluir do levantamento os valores até a competência 08/2000 e no mérito deu provimento para excluir o levantamento denominado "Doação DOA". Registrese ainda que no Relatório integrante do referido Acórdão, referente aos autos da obrigação principal que gerou o AI ora em julgamento, há informação de que a Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10552.000044/200721 Acórdão n.º 2401004.732 S2C4T1 Fl. 4 5 Recorrente reconheceu parcialmente o débito mantido e efetuou os recolhimentos, recorrendo apenas com relação aos levantamentos de períodos anteriores a 09/2000 e aos valores correspondentes ao lançamento "Doação DOA". É o relatório. Fl. 2156DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 22/04/2010, conforme AR juntado às fls. 2092, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/04/2010, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR 2.1. Da nulidade do Auto de Infração: O Recorrente aduz que o auto de infração baseiase em mera transcrição dos dispositivos legais, o que per si não é suficiente para suprir o requisito legal de sua motivação. Entretanto, não assiste razão ao contribuinte. Diferentemente do que alega, o Relatório Fiscal da Infração contém de forma clara e específica a infração cometida, acompanhado das planilhas de cálculo onde constam todos os elementos indispensáveis para a identificação das irregularidades apontadas, indicando por consequência, o nome do segurado, o valor pago, o código correspondente à categoria do segurado e o código de ocorrência que deveriam ser declarados em GFIP, também consta todas as informações complementares relativas a recibo de pagamento e número de RPA. Nessa esteira, não remanescem dúvidas quanto à validade e eficácia do Auto de Infração em debate, pois o mesmo descreve de forma clara e objetiva o fato que caracteriza a infração, acompanhado de todos os elementos que serviram para seu fundamento, não ensejando qualquer motivação para sua nulidade. Diante das exposições elencadas, não há que se falar em prejuízo ao exercício do contraditório, ampla defesa e contraditório, posto que o lançamento encontrase revestido das formalidades necessárias, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto (arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972 e art. 142 do CTN), tudo em estrita obediência ao princípios constitucionais encimados, inexistindo causa à nulidade alegada. Assim, forte nas razões e fundamentos expostos, rejeitase a preliminar de nulidade e passase ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO 3.1 Do cumprimento da diligência Inicialmente é importante registrar que esta Colenda Turma de Julgamento, na data de 16 de fevereiro de 2016, proferiu a Resolução nº 2401000.483, convertendo o presente feito em diligência, determinando o seu retorno Unidade de Origem, objetivando acostar aos autos o andamento e/ou eventual julgamento do Auto lavrado para apuração da Obrigação Principal. Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 10552.000044/200721 Acórdão n.º 2401004.732 S2C4T1 Fl. 5 7 Em cumprimento à diligência encimada, acostouse aos presentes autos o Acórdão 2401002.648, proferido por esta Turma em 18/09/2012 (fls. 1589/1594), no Processo nº 10552.000326/200729, o qual negou provimento ao Recurso de Ofício da Fazenda Nacional e em relação ao Recurso Voluntário, acolheu a preliminar de decadência parcial para excluir do levantamento fiscal os valores até a competência 08/2000 e no mérito deu provimento para excluir o levantamento denominado "Doação DOA". Assim, respeitados os limites dos fatos geradores e competências remanescentes, e sobre os quais não há litispendência ou coisa julgada, ainda que perante a esfera administrativa, enfrentase as alegações de mérito do recurso do voluntário. 3.2 Do Confisco Nesse diapasão, em face às alegações acerca do efeito de confisco da multa aplicada, temos que a mesma decorre de disposição expressa em Lei, estando prevista no art. 32, parágrafo 50, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 e artigo 284, inciso II, do RPS, com a alteração do Decreto 4.729 de 09/06/2003, não cabendo à autoridade administrativa, por critério subjetivo, alterála. Ressaltese que a Administração Pública, em obediência ao art. 37 da Constituição Federal/88, deve pautarse pelo princípio da estrita legalidade. As leis e atos normativos nascem com a presunção de legalidade, a qual só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, consoante determina a Constituição. E a legislação que ampara a aplicação da multa neste Auto de Infração não está inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, logo plenamente válida e vigente, devendo ser observada pela via administrativa. 3.3 Do Limitador Com efeito, a Lei n ° 8.212/1991 apresenta em seu art. 32, § 5º os parâmetros para cálculo da multa por infração à obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuição social em GFIP. Ressaltese que a obrigação de entrega da GFIP, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei n.' 8.212/1991, é mensal, portanto, a ocorrência da infração é por competência, naquelas em que se verificar a omissão de fatos geradores na declaração. Nesse descortino não resta dúvidas que a aplicação do limitador da multa é mensal, e não ao final da mesma como defende a Recorrente. O limite para o valor da penalidade se encontra expresso nos §§ 4º e 8º do art. 32 da Lei 8.212/91, restando disciplinado que o valor mínimo da multa é passível de atualização, devendo ser aplicado pelo valor vigente na data da autuação. Este parâmetro está positivado no art. 92 da Lei n ° 8.212/1991. Como se observa, o RPS ao disciplinar a aplicação da multa para infração in casu, apresenta no art. 284, I, o mesmo quadro indicativo do valor da penalidade em função do número de segurados da empresa expresso na lei que regulamenta, com a ressalva de que o valor mínimo é o previsto no "caput" do art. 283. Notese ainda que a atualização dos valores guerreados está disciplinada no art 373 do RPS. Portanto, de acordo com a legislação destacada e do Anexo do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 64, extraise que o limite utilizado no caso concreto, em cada competência, está de acordo com a legislação que regula a matéria. Fl. 2158DF CARF MF 8 Assim, observado os termos do Acórdão 2401002.648, proferido por esta Turma em 18/09/2012 (fls. 1589/1594), nos autos do Processo nº 10552.000326/200729, o qual negou provimento ao Recurso de Ofício da Fazenda Nacional e em relação ao Recurso Voluntário, acolheu a preliminar de decadência parcial para excluir do levantamento fiscal os valores até a competência 08/2000 e no mérito deu provimento para excluir o levantamento denominado "Doação DOA", rejeito as alegações da Recorrente, mantendo incólume as razões de decidir da instância a quo. 3.4 Da Relevação da Multa Impende consignar que o instituto de relevação da multa está previsto na legislação previdenciária, desde que preencha todos os requisitos estabelecidos no § 10 do art. 291 do RPS, com redação dada através do Decreto no 6.032/2007, de 12/02/2007. A redação do referido artigo, vigente à época da lavratura deste Auto de Infração, informa que para que se obtenha uma atenuante da penalidade aplicada, deve ter o infrator ter corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente, acrescentando ainda em seu parágrafo 11º que a multa será relevada, por meio do pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não efetuada a contestação da infração. Desde que o infrator seja primário, tenha corrigido a falta e não haja nenhuma circunstância agravante. O "Relatório Fiscal da Aplicação da Multa", afirma não existir circunstâncias agravantes nem atenuantes, previstas nos arts. 290 e 291 do RPS, naquela ocasião, conforme as fls. 59. No que se refere à correção da falta, a Recorrente informou, antes do julgamento da primeira instância, que cumpriu "substancialmente" a obrigação que motivou a lavratura do AI em debate (fls. 228), já que regularizou mais de 2/3 da suposta irregularidade no prazo de apresentação de sua defesa; diante dessas circunstâncias a instância a quo determinou que se operasse. Assim, a multa pode ser atenuada/relevada de acordo com às infrações corrigidas, em cada competência e período para os quais foram apresentadas as GFIP´s e que se relacione . Diante de tal situação, a fiscalização elaborou novos demonstrativos da infração cometida, no entanto excluindo as ocorrências sanadas de cada competência face à apresentação de GFIPs determinando qual parte dos contribuintes individuais base para esse AI, como se vê às fls. 781/833 dos autos, sugerindo uma modificação do valor da multa que inicialmente é de R$ 298.006,00 para posteriormente passar ao valor de R$103.041,01, conforme se lê às fls. 839. Diante desse cenário, observado os termos do Acórdão 2401002.648, proferido por esta Turma em 18/09/2012 (fls. 1589/1594), nos autos do Processo nº 10552.000326/200729, o qual negou provimento ao Recurso de Ofício da Fazenda Nacional e em relação ao Recurso Voluntário, acolheu a preliminar de decadência parcial para excluir do levantamento fiscal os valores até a competência 08/2000 e no mérito deu provimento para excluir o levantamento denominado "Doação DOA", rejeito as alegações da Recorrente, mantendo incólume as razões de decidir da instância a quo. 3.5 Alterações Promovidas Pela Lei no 11.941/2009 Conforme restará exposto em detalhes a seguir, a Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009 criou novo sistema que alterou a Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 10552.000044/200721 Acórdão n.º 2401004.732 S2C4T1 Fl. 6 9 forma de cálculo das multas devidas em face de omissões e incorreções na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP e de contribuições previdenciárias não pagas e lançadas de ofício. Tendo em vista as alterações com relação às multas de mora, de ofício e decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à GFIP, promovidas pela Lei n° 11.941/2009 aos artigos 32 e 35 da Lei n° 8.212/91 à qual foram acrescentados os artigos 32A e 35A, e considerando o disposto no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, a nova legislação, se mais benéfica ao contribuinte, poderá ser aplicada retroativamente aos processos não definitivamente julgados. A análise do caso concreto só é possível, diante do cotejo das informações constantes do presente AI (Obrigação Acessória) com as informações constantes dos autos do Processo nº10552.000326/200729 (Obrigação Principal). Diante desse cenário, tendo em vista que a multa estabelecida pelo artigo 35 da Lei n ° 8.2121/91, na redação dada pela Lei .° 9.876/99, varia em função da época em que venha a ocorrer o pagamento do crédito tributário, a comparação entre a sistemática de multas da legislação anterior e as novas regras estabelecidas pela MP no 449/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, com a finalidade de apurar a multa mais benéfica ao contribuinte, deverá ser efetuada após a verificação de pagamento ou parcelamento do débito, conforme estabelece o art. 21 da Portaria Conjunta PGFN/RFB no 14, de 04 de dezembro de 2009, DOU de 08/12/2009. Assim, nessa matéria quando implementado os devidos pagamentos ou parcelamentos, a contribuinte fará jus ao benefício pretendido. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 2160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.727587/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/03/2010
TÁXI. ISENÇÃO. LANÇAMENTO DO IPI.
Comprovado que o interessado obteve o benefício fiscal do IPI valendo-se da apresentação de documento cuja autenticidade não ficou comprovada, mantém-se o lançamento de ofício do IPI devido em face da fruição indevida da isenção do imposto.
Numero da decisão: 3201-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:. Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 10/03/2010 TÁXI. ISENÇÃO. LANÇAMENTO DO IPI. Comprovado que o interessado obteve o benefício fiscal do IPI valendo-se da apresentação de documento cuja autenticidade não ficou comprovada, mantém-se o lançamento de ofício do IPI devido em face da fruição indevida da isenção do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:. Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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ISENÇÃO. LANÇAMENTO DO IPI. Comprovado que o interessado obteve o benefício fiscal do IPI valendose da apresentação de documento cuja autenticidade não ficou comprovada, mantémse o lançamento de ofício do IPI devido em face da fruição indevida da isenção do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:. Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 75 87 /2 01 4- 18 Fl. 91DF CARF MF 2 Tratase de auto de infração para exigência de Cofins e consectários legais. Transcrevese o relatório da decisão recorrida: Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI em face da fruição indevida da isenção do referido imposto quando da aquisição de um automóvel de passageiros utilizado exclusivamente como táxi, na forma da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e alterações, por ter apresentado documento cuja autenticidade não ficou comprovada. O autuante informa no Termo de Encerramento de Ação Fiscal que a “Declaração de Regularidade de Situação do Contribuinte Individual – DRSCI” apresentada pelo contribuinte nos autos do processo administrativo nº 19647.012875/200923, supostamente emitida pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS, não é autêntica, pois os seus dados divergem dos dados do referido instituto. O processo administrativo nº 19647.012875/200923 tratou do pedido de isenção do IPI na aquisição de táxi, tendo sido proferido em 10/12/2009 despacho decisório reconhecendo o direito à fruição pleiteada, a qual, entretanto, foi posteriormente tornada nula pelo Delegado da Receita Federal do Brasil no Recife (PE). A base de cálculo do imposto lançado foi apurada a partir da nota fiscal da aquisição do táxi, sendo aplicada no Auto de Infração, ainda, a multa de ofício qualificada no percentual de 150%, além de elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais objeto do processo administrativo nº 10480.727588/2014 54. Cientificado do Auto de Infração, o contribuinte apresenta impugnação alegando em sua defesa: Entre os documentos anexados para comprovar que atendia à época, e também hoje, aos requisitos Legais estabelecidos no inciso I do § 1º do art. 4º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 606/2006 a Declaração de Regularidade de Situação do Contribuinte Individual (DRSCI), obtido na agência Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) localizada no Bairro de Afogados, Recife/PE, tendo sido a Declaração citada retirada pessoalmente por mim. Acontece que, conforme apresentado no TERMO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL (cópia anexa) a RECEITA FEDERAL identificou alguma irregularidade na autenticidade da citada Declaração bem como divergências NÃO ESPECIFICADAS nos meus dados do cadastro no INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL. Qual foi a minha surpresa ao receber a correspondência da RECEITA FEDERAL contendo TERMO DE ENCERRAMENTO, DESPACHO DECISÓRIO, DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO, bem como os valores apurados concernente ao Auto de Infração. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10480.727587/201418 Acórdão n.º 3201002.822 S3C2T1 Fl. 94 3 DO MÉRITO Tão logo notificado, procedi na agência do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, situada no bairro do Pina, Recife/PE, com a finalidade de obter informações sobre o que poderia desqualificar a autenticidade da Declaração de Regularidade de situação do Contribuinte Individual (DRSCI), onde não obtive quaisquer informações sobre a mesma, haja vista, ao que me foi informado, não haver nenhum registro ou arquivo desse tipo de informações emitidas quanto a quem solicitou, quem emitiu ou mesmo quando foi emitida. Solicitei nova Declaração de Regularidade de Situação de Contribuinte Individual (DRSCI) (original anexa) e, nesta, expus ao servidor o motivo de minha solicitação, ao que o mesmo passou a carimbar a Declaração com o selo do CNPJ da agência, bem como o carimbo com nome e nº de matrícula do servidor com o objetivo de sanar quaisquer dúvidas da RECEITA FEDERAL DO BRASIL quanto à veracidade da citada Declaração. Não satisfeito em apenas obter a Declaração de Regularidade de Situação de Contribuinte Individual (DRSCI), objeto principal desta impugnação, procedi à solicitação junto ao Instituto Nacional do Seguro Social, desta feita a Agência de Barreiros/PE minhas informações cadastrais quanto ao tipo de vínculo a qual sou filiado ao Órgão e foime entregue meus dados cadastrais em duas folhas. (Anexo). Neste, lêse que a minha inscrição como contribuinte individual e, especificamente atuando na ocupação de Motorista de Táxi data de 10/11/2008, antes de minha solicitação de direito à fruição da isenção de Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) cuja formalização se deu em 27/10/2009. DO PEDIDO Requeiro que seja considerada DECADÊNCIA do auto de infração, bem como seu cancelamento e arquivamento, haja vista o documento motivo pela IMPUGNAÇÃO estar apresentado e, desta vez, com os cuidados necessários e cabíveis para que não haja dúvidas quanto à sua autenticidade e validade, bem como à época enquadrava me como de direito á fruição da isenção, base deste processo. A Delegacia de julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 11/03/2010 TÁXI. ISENÇÃO. LANÇAMENTO DO IPI. Fl. 93DF CARF MF 4 Comprovado que o interessado obteve o benefício fiscal do IPI valendose da apresentação de documento cuja autenticidade não ficou comprovada, mantémse o lançamento de ofício do IPI devido em face da fruição indevida da isenção do imposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sede de recurso voluntário, o Recorrente reiterou os argumentos de impugnação, juntando uma nova Declaração de Regularidade de Situação de Contribuinte Individual (DRSCI), extraída na ocasião, com o carimbo e assinatura do servidor público da repartição, bem como tela do Cadastro Nacional de Informações Sociais, que consigna que o Recorrente é contribuinte individual desde 10/11/2008. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em consonância com o relatório da decisão de primeira instância, por ocasião do pedido de isenção do IPI na aquisição de táxi, feito pelo Recorrente nos autos do processo administrativo nº 19647.012875/200923, a autoridade de autuação verificou que a “Declaração de Regularidade de Situação do Contribuinte Individual – DRSCI” apresentada, supostamente emitida pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS, não seria autêntica, pois os seus dados divergiriam dos dados do referido instituto. Compulsandose os autos, verificase que no processo de pedido de isenção (anexado como vol1 dos presentes autos), foram juntadas relas de consultas de recolhimentos, onde se verifica que constam recolhimentos em nome do Recorrente para o exercício de 1989, janeiro de 1990 e , depois, apenas a partir de outubro de 2010. A “Declaração de Regularidade de Situação do Contribuinte Individual – DRSCI” apresentada foi emitida em 26/10/2009, ao mesmo tempo que consta informações nos autos de que o Recorrente seria contribuinte individual desde 10/2008. Em outras palavras, há um descompasso de informações, ao mesmo tempo que a autoridade de autuação afirma que a declaração em comento, não consta dos bancos de dados do INSS. O Recorrente, por sua vez, afirma que sua declaração é idônea, pretendendo provar o alegado com outras declarações, emitidas posteriormente, portanto, não se referindo ao período do pedido isenção. Poderia ter apresentado comprovantes de recolhimento das contribuições do período, mas não o fez. Considerandose a questão ser primordialmente de cunho probatório, a conclusão é pela improcedência de seu recurso voluntário. Em face do exposto, julgo improcedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10480.727587/201418 Acórdão n.º 3201002.822 S3C2T1 Fl. 95 5 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.724677/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. COMPETÊNCIA PARA JULGAR LANÇAMENTOS DECORRENTES DO LANÇAMENTO DO IRPJ.
É da Primeira Seção do CARF a competência para julgar Recursos Voluntários que tratem de lançamento de tributos , quando procedimentos do lançamento sejam conexos, decorrentes ou reflexos de procedimento que exija IRPJ.
Numero da decisão: 3401-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ser de competência da Primeira Seção.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: Jean Cleuter Simões Mendonça
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. COMPETÊNCIA PARA JULGAR LANÇAMENTOS DECORRENTES DO LANÇAMENTO DO IRPJ. É da Primeira Seção do CARF a competência para julgar Recursos Voluntários que tratem de lançamento de tributos , quando procedimentos do lançamento sejam conexos, decorrentes ou reflexos de procedimento que exija IRPJ.
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REGIMENTO INTERNO DO CARF. COMPETÊNCIA PARA JULGAR LANÇAMENTOS DECORRENTES DO LANÇAMENTO DO IRPJ. É da Primeira Seção do CARF a competência para julgar Recursos Voluntários que tratem de lançamento de tributos , quando procedimentos do lançamento sejam conexos, decorrentes ou reflexos de procedimento que exija IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ser de competência da Primeira Seção. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 46 77 /2 01 3- 68 Fl. 6541DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de três autos de infração lavrados em março de 2011 (fls. 5.479/5.502), pelos quais foram lançados de ofício o IRPJ, a CSLL e a COFINS de fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2006. O lançamento decorreu do fato de a Contribuinte não ter recolhido os tributos lançados e de a autoridade fiscal entender que ela não preenchia os requisitos legais para o gozo da isenção das instituições filantrópicas. Além disso, segundo a autoridade fiscal, ainda que fossem atendidos os requisitos da isenção, incidiria a COFINS sobre as atividades não próprias da Contribuinte. Inicialmente, todos os autos de infração compunham o processo nº 19647.010752/201091. Não obstante, a Delegacia da Receita Federal em Recife desmembrou o auto de infração da COFINS para este processo ora analisado (fl. 02). Apesar da apresentação da impugnação, a DRJ em Belo Horizonte/MG manteve o lançamento integralmente (6.390/6.414). A Contribuinte interpôs recurso voluntário (6.450/6.495) pedindo a reunião dos dois processos e a desconstituição do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Conforme se depreende do mandado de procedimento fiscal presente na fl. 803, o procedimento que culminou nos autos de infração citados no relatório acima tinha o objetivo de verificação do IRPJ (Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica). Portanto, o lançamento da COFINS foi decorrente de fatos da isenção em ação fiscal que serviu para configurar prática de infração à legislação do IRPJ. Sendo assim, a competência para julgamento deste processo é da Primeira Seção do CARF, nos termos do art. 2º, inciso IV, do Regimento Interno do CARF, in verbis: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, Fl. 6542DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Acórdão n.º 3401002.830 S3C4T1 Fl. 6.542 3 assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. (grifo nosso) Cabe salientar que em consulta ao site do CARF, este Conselheiro apurou que processo nº 19647.010752/201091 já foi julgado, mas o acórdão ainda não foi publicado. Logo, apesar de conexos, não é mais possível a junção dos dois processos, conforme requerido pela Recorrente. Ex positis, não conheço do recurso voluntário para declinar, em favor da Primeira Seção de Julgamento, para onde os autos devem ser encaminhados em conformidade com sua a competência de julgálo. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 6543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.723514/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.853
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.723514/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.853 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 35 14 /2 01 1- 54 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10469.723514/201154 Acórdão n.º 3302003.853 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.636. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10469.723514/201154 Acórdão n.º 3302003.853 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10469.723514/201154 Acórdão n.º 3302003.853 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10469.723514/201154 Acórdão n.º 3302003.853 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10469.723514/201154 Acórdão n.º 3302003.853 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901105/2013-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 05 /2 01 3- 80 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901105/201380 Acórdão n.º 1302002.259 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901105/201380 Acórdão n.º 1302002.259 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901105/201380 Acórdão n.º 1302002.259 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000234/2005-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
CONTRIBUIÇÕES NÃO COMPULSÓRIAS EXCEDENTES AO LIMITE DE 20%. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE.
O limite de 20% para dedutibilidade das despesas com previdência suplementar deve se reportar à folha de salário dos empregados e dirigentes correspondente ao ano-calendário para o qual se apura o imposto. O pagamento de contribuições não-compulsórias decorrentes de acordo ou contratos assumidos por ato de liberalidade excedentes a esse limite configura despesa não necessária.
Numero da decisão: 9101-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento (i) pelo voto de qualidade, para manter a autuação fiscal relativa à dedutibilidade dos excedentes aos limites definidos pelo artigo 11, §2º, da Lei nº 9.532/1995, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu (relatora original), Cristiane Silva Costa (relatora ad hoc), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que acompanharam a relatora pelas conclusões e, (ii) por maioria de votos, para manutenção dos juros sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Designada para redigir o voto vencedor referente à infração de glosa de dedução a conselheira Adriana Gomes Rego. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram apenas quanto ao mérito e esteve ausente momentaneamente o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que não participou do julgamento por ter ocupado a vaga da ex-conselheira Nathália Correia Pompeu, com votos já consignados.
Julgamento iniciado na sessão de 18/08/2016 e concluído em 14/03/2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora ad hoc
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Nathália Correia Pompeu e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. O limite de 20% para dedutibilidade das despesas com previdência suplementar deve se reportar à folha de salário dos empregados e dirigentes correspondente ao anocalendário para o qual se apura o imposto. O pagamento de contribuições nãocompulsórias decorrentes de acordo ou contratos assumidos por ato de liberalidade excedentes a esse limite configura despesa não necessária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento (i) pelo voto de qualidade, para manter a autuação fiscal relativa à dedutibilidade dos excedentes aos limites definidos pelo artigo 11, §2º, da Lei nº 9.532/1995, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu (relatora original), Cristiane Silva Costa (relatora ad hoc), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que acompanharam a relatora pelas conclusões e, (ii) por maioria de votos, para manutenção dos juros sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Designada para redigir o voto vencedor referente à infração de glosa de dedução a conselheira Adriana Gomes Rego. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 34 /2 00 5- 06 Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.269 2 Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram apenas quanto ao mérito e esteve ausente momentaneamente o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que não participou do julgamento por ter ocupado a vaga da exconselheira Nathália Correia Pompeu, com votos já consignados. Julgamento iniciado na sessão de 18/08/2016 e concluído em 14/03/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora ad hoc (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Nathália Correia Pompeu e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Inicialmente, esclareço que fui designada como redatora ad hoc para formalização de acórdão relatado pela então Conselheira Nathália Correia Pompeu. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pela Relatora em sessão de julgamento de agosto de 2016: Autos de Infração de IRPJ e CSLL, lavrados sob o fundamento da falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real dos anos de 2001 e 2002, de parcelas consideradas excedentes aos limites fixados no art. 361, §2º do RIR (fls. 401/402 e 406/407). Impugnação do contribuinte, arguindo a improcedência da autuação fiscal, suscitando (fls. 418/453): a) Preliminar de nulidade do auto de infração: princípio da legalidade e a correta interpretação das regras advindas com a edição da Lei nº 9.532/97 pois não foram consideradas para a apuração do limite de 20% as remunerações e salários pagos consoante artigo 11 da citada lei ; b) Improcedência da exigência fiscal, pautada na finalidade da limitação de 20% instituída pela Lei nº 9.532/97 – princípios administrativos que regem a conduta e os atos da Administração Pública e segurança das relações jurídica, levando em conta o contrato celebrado entre a Impugante e FUNCESP época em que estava em vigor o artigo 301 do RIR/94 que tinha como base as regras da Lei n. 9.249 (inciso V, do artigo 13) e 9.250 (artigo 8", inciso II), ambas de 1995. Assim, estava sujeita as regras que (I) exigiam a contabilização das despesas relacionadas a patrocínio de fundo de previdência pelo regime de caixa (ou seja, no momento do efetivo Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.270 3 pagamento); e (II) permitiam a dedução integral desses valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. c) Impossibilidade de aplicação da multa punitiva de 75%; c) Impossibilidade de aplicação da taxa referencial SELIC. Documentos anexados às fls. 454/555. Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgando procedentes os lançamentos, nos seguintes termos (fls. 557/566), colacionase ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 e 2003. Ementa: CONTRATO CELEBRADO. DIREITO ADQUIRIDO. DEDUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ASSUMIDAS. Não existe direito adquirido a regime tributário. Logo, mesmo que no momento da contratação do plano haja pemissão legal para a dedução integral da despesa correspondente à obrigação de trato sucessivo assumida, não há garantia de que a pessoa jurídica possa deduzir a totalidade das prestações futuras. LIMITE REMUNERAÇAO DE DEDUÇÃQ. SALÁRIOS E REMUNERAÇÃO Uma vez constatado que o autuante considerou o limite apurado pelo próprio impugnante, não subsiste sua assertiva sobre a falta de inclusão dos salários e das remunerações na base de cálculo do limite legal de dedução. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de oficio é devida multa de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja 'legalidade da aplicação os órgãos do Poder Executivo não dispõem de competência para apreciar e julgar. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. Aplicase à exigência dita reflexa O que foi decidido quanto ao lançamento matriz, devida à intima relação de causa e efeito entre eles. Lançamento Procedente Recurso voluntário do contribuinte, enumerando os motivos determinantes da nulidade do AIIM e da reforma integral da decisão recorrida com os seguintes pontos (fls. 578/602), em especial requer: a) Justiça fiscal e a finalidade da limitação de 20% instituída pela Lei n° 9.532/97 Princípios administrativos que regem a conduta e os atos da Administração Pública; b) Impossibilidade dos juros sobre a multa de ofício. Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.271 4 Decisão da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, da Primeira Seção de Julgamento do CARF, negando provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos, nos seguintes termos (fls. 1906/1921), segue ementa: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Anocalendário: 2000 e 2001 CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDENCIA PRIVADA. LIMITE. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. RECOMPOSIÇÃO ATUARIAL DE FUNDO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior a Lei n° 9.532/97, devem compor o somatório dos pagamentos para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11, da Lei 11.9532/77. Embargos de declaração interpostos pelo contribuinte, alegando omissão na decisão acima (fls. 1930/1932), analisados pelo Presidente da 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção, que assim entendeu (fls. 1976/1986): a) Não admitidos quanto as seguintes pontos: a.1) Nulidades aduzidas no Recurso voluntário; a.2) Distinção entre as contribuições extraordinárias – tais como aquelas incorridas de maneira involuntária e suportadas apenas em razão do processo de privatização da Embargante – e as contribuições normais suportadas no curso normal de seus negócios, especialmente naquilo a que se refere à aplicação proporcional da regra do parágrafo 2° do artigo 11 da Lei n° 9.532/97, de maneira a excluir do referido limite aquelas contribuições relativas às pessoas físicas que não figuram mais no quadro de empregados da Embargante. b) Admitidos quanto à não incidência da taxa SELIC sobre as multas de ofício impostas à ora Embargante; c) Admitidos de ofício quanto à abusividade da multa de ofício e inaplicabilidade de juros à taxa Selic sobre o IRPJ e CSLL. Determinouse o imediato retorno ao CARF para fins de deliberação da Turma quanto aos tópicos admitidos – o processo retornou à 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento para pronunciamento. Embargos de declaração conhecidos e acolhidos parcialmente, por unanimidade, para (fls. 2109/2119): a) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício; b) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício; Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.272 5 c) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC. Colacionase ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Multa de Lançamento de Ofício. Legalidade A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Juros de Mora. Selic. Aplicação Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. Recurso especial do contribuinte – e sua subsequente complementação – indicando as alegadas divergências jurisprudenciais nos seguintes pontos (fls. 1995/2018 e 2134/2162): a) O acórdãoparadigma nº 140200.538 da 1ª Seção/2ª Turma da 4ª Câmara entendeu pela nulidade do auto de infração pela ausência de indicação precisa e correta do quantum devido, não tendo sido observadas as regras para sua lavratura, de acordo com o art. 10, V do Decreto nº 70.235/72. Em contrapartida, o acórdão recorrido se posicionou no sentido de que não houve a alegada nulidade; b) O acórdãoparadigma nº 10196.868 da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes entendeu que os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior à Lei nº 9.532/97 não devem compor o somatório dos pagamentos para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11 da referida lei. Em contrapartida, o acórdão recorrido decidiu em sentido contrário. c) O acórdãoparadigma nº 0203.133 da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que os juros de mora só incidem sobre valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Em contrapartida, o acórdão recorrido decidiu que referidos juros incidem sobre a multa de ofício, aplicandose a taxa Selic. Anexa acórdãosparadigmas às fls. 2164/2215. Realizado Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, deuse seguimento em parte ao recurso, considerandose que o recorrente logrou êxito apenas em parte na comprovação do dissenso jurisprudencial (fls. 2218/2221): Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.273 6 a) Com relação à primeira matéria – nulidade do auto de infração, ante a falta de indicação correta e precisa do quantum devido –, posicionouse no sentido de não ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, por ausência de prequestionamento e por se confundir com o próprio mérito; b) No que se refere às segunda e terceira matérias – “limite de 20%” art. 11, §2º da Lei nº 9.532/97” e “exigência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada” –, reconheceuse o alegado dissenso jurisprudencial. Contrarrazões da Fazenda Nacional, apresentando fundamentos para manutenção do acórdão recorrido nos seguintes termos (fls. 2234/2248): a) Os ajustes decorrentes de déficit técnico devem compor o somatório dos pagamentos, para efeito do limite de dedução determinado na Lei nº 9.532/97; b) É cabível juros sobre a multa de ofício; c) Em respeito ao princípio da eventualidade, caso se entenda que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 não abrange a multa de ofício, ainda assim incidiriam juros de mora à taxa de 1% ao mês. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora Ad Hoc Conforme exposto no relatório acima, fui designada redatora ad hoc para formalizar o presente acórdão, utilizando minuta de relatório e voto apresentados pela Relatora à ocasião da inclusão do processo em pauta. Nestes termos, o conteúdo do voto a seguir transcrito corresponde ao voto proferido pela relatora originária, Conselheira Nathália Correia Pompeu: Pressupostos Preliminares Não obstante a análise da admissibilidade do presente recurso às fls. 2218/2221, cabe aqui uma reavaliação, consolidandoa. 1. Tempestividade O recorrente foi intimado do Acórdão do CARF, que admitiu em parte os embargos de declaração, em 22/09/2014 (fl. 1991), apresentando seu primeiro recurso em 06/10/2014 (fl. 1996). Após reanálise dos referidos embargos pela Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento – 25/03/2015 (fls. 2109/2119) –, o recorrente, intimado em 13/07/2015 (fl. 2131), ratificou o mencionado recurso e o complementou em 22/07/2015 (fls. 2137/2162). Reconhecese, portanto, a tempestividade do presente recurso, de acordo com os arts. 68 c/c 65, § 5º do Anexo II do RICARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.274 7 § 5º Somente os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em peticã̧o dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão. 2. Prequestionamento O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015, assim estabelece no art. 67, §5º do Anexo II: “O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicacã̧o, nas peças processuais”. As matérias foram prequestionadas, conforme se extraem da decisão do Recurso Voluntário interposto e da decisão de análise dos Embargos de Declaração apresentados pelo recorrente, respectivamente (fls. 1983 e 2109): I preliminares de nulidade aduzidas nos itens 12 e seguintes do Recurso Esclareçase, de pronto, que não se tratam de preliminares, mas sim de uma única, vazada nos seguintes termos: (…) Compreendese, da leitura das razões preliminares e de mérito transcritas, que o ponto nuclear da questão é exatamente o mesmo, qual seja, a desejada tese de que a melhor interpretação do direto positivado na Lei n° 9.532/97 excluiria da limitação os aposentados e participantes transferidos para outras sociedades resultantes do processo de cisão da Eletropaulo Eletricidade. Em assim sendo, vêse que o voto condutor do acórdão (voto vencedor) não se dispôs a responder ao administrado na seara da aventada preliminar de quantum excessivo (tal qual o fez, inclusive, o voto vencido), eis que idêntico seria o teor da resposta efetivamente posta quanto ao mérito, se assim se dispusesse. No caso presente a própria Recorrente admite no item 39 de suas razões que sua tese preliminar confundese com o mérito. O vício da omissão a que alude a norma regimental é aquele em que o provimento administrativo não entrega resposta ao administrado acerca de ponto autônomo trazido por este ao debate, impedindoo do exercício de futuras incursões recursais, não aquele, evidentemente, que se traduziu na negativa das pretensões da defesa. Portanto, no tópico, não há falar em omissão do julgado. Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (grifos no original) Portanto, resta superado este ponto admissional do presente recurso. Demonstração da legislação tributária com diversidade de interpretação Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.275 8 O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015, assim estabelece no art. 67, do Anexo II: "Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.". No caso em análise, houve a devida demonstração da legislação tributária que supostamente está sendo interpretada de forma diversa pelo acórdão atacado. É nesse sentido sua indicação das legislações (fl. 2146): 39. (…) a Recorrente esclarece que os temas que justificam seu cabimento são os seguintes: (i) em preliminar, a nulidade do Auto de Infração, ante a falta de indicação correta e precisa do quantum devido, nos termos do inciso V do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72; e (ii) no mérito, a improcedência da cobrança, haja vista, (a) a violação aos princípios da irretroatividade, do direito adquirido e da segurança das relações jurídicas; (b) a aplicação desproporcional e divergente quanto à regra do §2º do artigo 11 da Lei nº 9.532/97, resultado da ausência de distinção, pelo V. Acórdão recorrido, entre as contribuições extraodinárias e as contribuições normais, suportadas pela Recorrente no período fiscalizado; (c) a irregularidade contida na manutenção dos juros de mora sobre a multa de ofício, em interpretação divergente ao artigo 61 da Lei 9.430/96. (grifos no original) O recorrente aponta a análise do artigo 10, V do Decreto nº 70.235/72; do artigo 11, §2º da Lei nº 9.532/97 e do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Entrementes, conforme a seguir analisado – no tópico “prequestionamento” – a matéria em si se restringe à análise do artigo 11, §2º da Lei nº 9.532/97 e do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Matérias: (1) Recomposição atuarial de fundo de previdência privada. Limite de 20% (art. 11, § 2º da Lei nº 9.532/97). IRPJ. CSLL. (2) Juros de mora (Selic) sobre multa de ofício. 3. Indicação de paradigmas O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015, assim estabelece no art. 67, do Anexo II: § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergen̂cia arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.276 9 publicacã̧o em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentacã̧o de cópia de publicacã̧o de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. (grifos no original) O recorrente apontou 3 acórdãos paradigmas, indicando em sua peça recursal os pontos específicos que entende divergentes – apresentando tabela comparativa – e colacionando à parte íntegra de suas cópias. Seguem ementas dos paradigmas: 1. Acórdão nº 140200.538 – 1ª Seção/2ª Turma da 4ª Câmara (fls. 2081/2100): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. VICIO FORMAL. DETERMINAÇÃO DA EXIGÊNCIA. É nulo, por vício formal, o lançamento que, embora identifique a infração tributada, não atenda, adequadamente ao disposto no artigo 10, Inciso V, do Decreto 70.235/1972, quanto a determinação da exigência. RECURSO DE OFICIO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Verificado o equívoco na tributação, cancelase a exigência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso de Oficio Negado. 2. Acórdão 10196.868 – Primeira Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 2060/2069): IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 1999 a 2001 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – Não caracterizados vícios na formalização da exigência, não prosperam as alegações de nulidade. Imperfeições na quantificação do crédito tributário, mesmo que tivesse ocorrido, o que, no caso concreto não se vislumbra, não dariam necessariamente lugar à nulidade do auto de infração, podendo o lançamento ser aprimorado por meio processo administrativo fiscal, que constitui uma revisão interna do lançamento. IRPJ – CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA PRIVADA – LIMITE Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.277 10 IRPJ – RECOMPOSIÇÃO ATUARIAL DE FUNDO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA – Os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior a Lei n. 9.532/97, não devem compor o somatório dos pagamentos para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11, da Lei n. 9.532/97. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL Tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que possui com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida à exigência reflexa, mormente quando não houve fatos novos a ensejar decisão diversa. JUROS SELIC “Súmula 1º.CC n. 4: A partir de 1º. De abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO – “Súmula 1º. CC n. 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Lançamento Procedente em Parte. 3. Acórdão nº 0203.133 – Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 2174/2195): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — CORNS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2003 COFINS. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação em que há a antecipação do pagamento, aplicase o artigo 150 §4° do CTN, contandose o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS. Em respeito ao principio da economia processual, se determinada questão é afeta diretamente ao processo administrativo fiscal em curso, deve ser conhecida e enfrentada de pronto. Desnecessário se aguardar outro momento futuro para fazêlo. ATUALIZAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. FATOS GERADORES A PARTIR DE 1°/01/97. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Neste sentido foi a conclusão da análise da admissibilidade do recurso, admitindoo apenas em parte (fls. 2220/2221): Com relação à primeira matéria, “nulidade do auto de infração, ante a falta de indicação correta e precisa do quantum devido”, Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.278 11 não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de matéria que não foi prequestionada. Em nenhum momento, o acórdão recorrido analisou a alegada “nulidade do auto de infração, ante a falta de indicação correta e precisa do quantum devido”. Também a Recorrente, quando da interposição de Embargos de Declaração, apenas se insurgiu quanto a outras matérias que não essa. De todo modo, essa preliminar de nulidade, na realidade, se confunde com o mérito (segunda matéria: “aplicação da regra do § 2º do art. 11 da Lei nº 9.532, de 1997”), uma vez que, segundo a Recorrente, essa nulidade do lançamento decorreria de não terem sido considerados, naquele auto, para a apuração do limite de dedutibilidade de 20%, as remunerações e os salários pagos, relativos aos empregados que não fazem mais parte de sua folha de pagamento, consoante disposto no art. 11 da Lei nº 9.532, de 1997. No que se refere à segunda matéria, “aplicação da regra do §2º do art. 11 da Lei nº 9.532, de 1997”, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que “Os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior à Lei nº 9.532/97 devem compor o somatório dos pagamentos, para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11 da Lei nº 9.532/97”, o acórdão paradigma apontado decidiu, de modo diametralmente oposto, que “Os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior à Lei nº 9.532/97 não devem compor o somatório dos pagamentos, para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11 da Lei nº 9.532/97”. Por fim, quanto à terceira matéria, “exigência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada”, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que “Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento, incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96”, o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº CSRF/0203.133, de 200) decidiu, de modo diametralmente oposto, que “Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. (grifos no original) Confrontandose as disposições expressas nas ementas do acórdãos paradigmas, juntamente com seu correspondentes votos condutores, temse: a) Acórdão nº 140200.538 Não há similitude entre o caso ali analisado e suas razões jurídicas com o do presente processo administrativo. A “preliminar de nulidade do auto de infração” arguida pelo recorrente, em verdade, se confunde com o próprio mérito e trata da interpretação que há de ser considerada quanto ao art. 11, §2º da Lei n° 9.532/97 – porque o recorrente entende indevida a inclusão de contribuições extraordinárias no cálculo do limite de 20% estabelecido por esta lei. Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.279 12 A recorrente quer que se reconheça a tese de que a melhor interpretação do direto positivado na referida lei excluiria da limitação os aposentados e participantes transferidos para outras sociedades resultantes do processo de cisão da Eletropaulo Eletricidade. Em contrapartida, o caso do acórdãoparadigma envolve reconhecimento de vício formal no auto de infração nos seguintes termos: Compulsando os autos até o termo de encerramento de ação fiscal, o processo conta com apenas 44 páginas. Não há termo de inicio de ação fiscal ou qualquer intimação ao contribuinte para prestar esclarecimentos, tudo foi feito com base nas informações internas da RFB, porém não foi juntada uma única cópia de DIPJ. (…) Pela análise dos autos, entendo que cabe razão à turma julgadora ao afastar a alegação de nulidade do lançamento por falta de motivação, haja vista que está claro que a fiscalização, em procedimento interno, apurou que a contribuinte efetuou compensações de prejuízos e bases negativas, em valores acima dos saldos constantes nos registros da Receita Federal do Brasil. Todavia, a meu ver, é patente o vício formal, em razão da inobservância do artigo 10, inciso V, do Decreto 70.235 de 1972 (…) Ora, a toda evidência os demonstrativos dos sistemas da Receita Federal de controle de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, tomados como parte integrante do auto de infração, não possuem notas explicativas suficiente adequadas para esclarecer a origem dos valores. A Fiscalização deveria ter juntado além dos demonstrativos do Sapli as DIPJ, autos de infração e demais decisões que embasaram seus cálculos e, principalmente, demonstrar adequadamente a origem das divergências encontradas. Insusbsistente a similitude alegada, o referido acórdão não há que ser considerado como paradigma ao presente caso, o que de qualquer forma não afeta a análise da alegação apontada, eis que o próprio recorrente reconhece que a matéria se confunde com o mérito da questão, que será alisado em momento oportuno. b) Acórdão 10196.868 Enquanto o paradigma entendeu que “os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior à Lei n. 9.532/97, não devem compor o somatório dos pagamentos para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11, da Lei n. 9.532/97”, o recorrido consignou que “os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior à Lei nº 9.532/97 devem compor o somatório dos pagamentos, para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11 da Lei nº 9.532/97” (fl. 1906). Registrese, ainda, que mencionado paradigma analisou idêntico caso, face também ao ora recorrente, contudo em diferentes anoscalendário (1999 a 2001). Reconhecese, pois, o alegado dissenso jurisprudencial. c) Acórdão nº 0203.133 Enquanto o paradigma decidiu que “os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”, a decisão recorrida entendeu que “sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento, incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96” (fl. 2109). Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.280 13 Sendo assim, aqui também se reconhece dissídio jurisprudencial, razão pela qual adentro o mérito. Mérito A questão em disputa consiste em saber as disposições quanto ao limite de 20% estabelecido no art. 11, §2º da Lei nº 9.532/97 – referente ao valor das despesas com contribuições para a previdência privada –, especificamente quanto aos seus reflexos na recomposição atuarial de fundo de previdência privada. De igual forma, cinge a questão quanto à discussão da incidência dos juros de mora sobre multa de ofício. Alega o recorrente que: a) Os ajustes decorrentes de déficit técnico apurado anterior à Lei nº 9.532/97 não devem compor o somatório dos pagamentos para efeito do limite de dedução de que trata o art. 11 da referida lei; b) Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada, por não se enquadrar esta no conceito legal de tributo. Descreve o contrato realizado e suas sucessivas alterações e particularidades da seguinte forma: § A recorrente é concessionária de serviço público de distribuição de energia elétrica e sucessora da Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A (‘Eletropaulo Eletricidade’), empresa privatizada cindida para formação de 4 outras, dentre elas a autuada; § Em 26/10/1982 a Eletropaulo Eletricidade e a Fundação CESP (FUNCESP) celebraram um convênio de adesão com o objetivo de regulamentar a concessão de suplementação de aposentadorias e pensões; § Em 30/09/1997 – antes da privatização – foi assinado o contrato de ajuste das reservas matemáticas do plano de suplementação de aposentadorias e pensão da Eletropaulo (PSAP): a Eletropaulo Eletricidade assumia a obrigação de pagar 240 parcelas mensais à FUNCESP – então integralmente dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL – com o objetivo de saldar o PSAP; § Quando da privatização da Eletropaulo Eletricidade, foi atribuída à recorrente o pagamento da integralidade do déficit atuarial da FUNCESP. Ressaltese a inexistência de manutenção em sua folha salarial de grande parte dos empregados e funcionários a que esse déficit se refere; § Em 11/12/1997 sobreveio a Lei nº 9.532/97, limitando à 20% as deduções do IRPJ e CSLL quanto às contribuições destinadas à custear planos de benefícios complementares; § Assim, a recorrente fora autuada por continuar deduzindo integralmente as despesas incorridas do referido contrato. Em arremate, assim delineia a situação em comento: Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.281 14 1998: Cisão da Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S/A Hão de ser analisados, primeiramente, as concepções e efeitos jurídicos da matéria para, então, verificar sua aplicação ao caso em tela. Recomposição atuarial de fundo de previdência privada: art. 11, §2º da Lei nº 9.532/97 Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.282 15 A Lei nº 9.532/97 assim dispunha quanto ao tema, antes da alteração dada pela Lei nº 10.887/04: Art. 11. A dedução relativa às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea "e" do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, somada às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI, a que se refere a Lei n.º 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da pessoa física, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (…) § 2º Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual FAPI, a que se refere a Lei nº 9.477, de 1997, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. Após mencionada alteração, assim restou disciplinada no ponto em baila: Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (…) § 2o Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a 20% (vinte por cento) do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. Em igual teor é o Decreto nº 3.000/99, in verbis: Subseção XVIII Serviços Assistenciais e Benefícios Previdenciários a Empregados e Dirigentes Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.283 16 Benefícios Previdenciários Art. 361. São dedutíveis as contribuições não compulsórias destinadas a custear planos de benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V). § 1º Para determinação do lucro real, a dedução deste artigo, somada às de que trata o art. 363, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, § 2º). § 2º O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o parágrafo anterior deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, § 3º). Referidos dispositivos são claros ao estabelecer o limite de 20% do total de salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes de empresas em deduções de algumas contribuições na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Apenas para fins de análise de digressão legal, registrese que, antes da Lei nº 9.532/97, inexistia previsão expressa do mencionado limite às pessoas jurídicas que incorressem em despesas com pagamentos de previdência complementar a seus empregados para a dedução dos referidos valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Assim era a disposição da época – RIR/1994 – in verbis: Benefícios Previdenciários Art. 301. As contribuições patronais e outros encargos das empresas com os demais benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência oficial somente poderão ser deduzidos como despesas operacionais quando pagos a entidades de previdência privada expressamente autorizadas a funcionar, ressalvado o disposto no art. 37 do Decreto n° 81.240, de 20 de janeiro de 1978, referente a empresas que mantinham plano de benefícios antes daquela data. Similar previsão era disposta no art. 13, V da Lei nº 9.249/95 – com cálculo previsto no art. 8º, II da Lei nº 9.250/95 –, in verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; O limite de 20% atualmente fixado pela nova legislação se justifica para fins de coibir algumas práticas de irregularidades fiscais e trabalhistas que intentavam afastar a incidência de certos valores na base de cálculo do tributo, coibindose a prática abusiva de substituição de parte da remuneração de altos executivos por planos de previdência de curta duração. É o que se infere da exposição de motivos da MP nº 1.602/97, antes de sua conversão na Lei nº 9.532/97: Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.284 17 Após a conversão da referida MP na lei ora em análise, fezse por bem entender que a limitação haveria de ter proporcionalidade direta com a folha salarial, fixando se a dedutibilidade em 20%, conforme seu artigo 11. Concluise, assim, que o montante de contribuição pago pelas empresas naqueles moldes há de respeitar o limite de 20%, incluindo as decorrentes de acordo prévio, por se tratar de acordo de prestação futura – e não de prestação vencida. Assim, a sucessora há de arcar com as obrigações antes avençadas, submetendose às regras vigentes ao tempo do cumprimento. Portanto, resta claro em demonstrar que a discussão aqui não é sobre vigência temporal nem de incidência retroativa da norma. Entrementes, a incidência da nova legislação deve recair somente em casos que correspondam à realidade da empresa em análise, isto é, que guarde respaldo com sua efetiva folha salarial, sob pena de incidência tributária sob fato gerador inexistente. Tratase de analisar se é caso de nãoincidência, por falta de subsunção à situação fática prevista na hipótese de incidência do tributo. Sobre a fenomenologia da incidência, escreve Paulo de Barros Carvalho: O objeto sobre o qual converge o nosso interesse é a fenomenologia da incidência da norma tributária em sentido estreito ou regramatriz de incidência tributária. Nesse caso, diremos que houve a subsunção, quando o conceito do fato (fato jurídico tributário) guardar absoluta identidade com o conceito desenhado normativamente na hipótese (hipótese tributária). Ao ganhar concretude o fato, instalase, automática e infalivelmente, como diz Alfredo Augusto Becker, o laço abstrato pelo qual o sujeito ativo tornase titular do direito subjetivo público de exigir a prestação, ao passo que o sujeito passivo ficará na contingência de cumprila. (...) Pois bem, a regramatriz de incidência tributária é, por excelência uma regra de comportamento, preordenada que está a disciplinar a conduta do sujeito devedor da prestação fiscal, perante o sujeito pretensor, titular do direito de crédito. (Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 2007, 18ª edição, p. 260) No sentido do doutrinador exposto, quando ocorre perfeitamente o fato social previsto no antecedente, este acontecimento implica na atribuição de juridicidade ao mesmo e com a subsunção do fato à norma, por conseguinte, à formação da relação jurídica, o que não ocorre no caso em análise. Dessa feita, resta patente a irregularidade da cobrança tributária nos moldes perpetrados. O contrato de ajuste que respalda os pagamentos discutidos no presente processo administrativo foi avençado com base em distinta folha salarial que não a da ora recorrente. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.285 18 Conforme já consignado nos autos, caso se considerassem os valores pagos aos efetivos trabalhadores da recorrente atualmente vinculados ao PSAP – desconsiderados os valores referentes ao contrato de ajuste – as despesas não extrapolariam o limite legal (vide diligências às fls. 1839/1850). Não se deve contabilizar, portanto, pagamentos relacionados à parcela do déficit atuarial de participantes aposentados ou transferidos para outras empresas diante de posterior cisão. Seja em se considerando as motivações que ensejaram a alteração legislativa, seja em análise objetiva da ausência de correta correspondência com a folha salarial da empresa advinda de cisão daquela que efetivamente participou do mencionado contrato, o limite acima não incide sobre o valor das remunerações inicialmente apontado. Inexistindo relação direta entre a prestação atual de serviços dos empregados ativos da atual empresa, ora recorrente, com a hipótese de incidência legal em análise, temse por irregular a cobrança tributária nos moldes aplicados. Da interpretação da Lei nº 9.532/97 depreendese que a referida limitação às despesas com contribuições para a previdência privada referese tãosomente ao pessoal efetivamente ligado ao referido plano, inexistindo qualquer menção aos pagamentos decorrentes de recomposição atuarial pretérita. Os pagamentos efetuados para saldar dívida passada não guardam qualquer relação com a atual folha salarial da recorrente. Consignese, entretanto, que tal reconhecimento não gera a pretendida nulidade do auto de infração alegada pelo recorrente. Insubsistente, por conseguinte, neste ponto. Portanto, as contribuições pagas em face do contrato de ajuste na parte relativa aos aposentados, bem como aos funcionários que foram transferidos para outras sociedades resultantes do processo de cisão da Eletropaulo Eletricidade, não devem ser consideradas no cômputo do montante para incidência do limite legal de 20% do art. 11, §2º da Lei nº 9.532/97. Juros de mora sobre multa de ofício Destacase o que dispõe a Lei nº 9.430/96 quanto à matéria: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (…) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (g/n) Em consonância, temse a previsão do Decreto nº 7.212/10, assim disposto: Art. 552. Os débitos do imposto para com a União, não recolhidos nos prazos previstos neste Regulamento, ficarão sujeitos aos acréscimos moratórios, conforme definidos nos artigos deste Capítulo (Lei nº 8.383, de 1991, art. 59, Lei nº Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.286 19 8.981, de 1995, art. 84, Lei nº 9.065, de 1995, art. 13, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). Ademais, assim dispõe o Código Tributário Nacional quanto à incidência de juros de mora ao crédito tributário não pago no vencimento: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.(g/n) A cobrança de juros de mora sobre penalidade pecuniária possui, assim, respaldo legal, em havendo atraso no recolhimento do principal. Consignese que a multa de lançamento de ofício “tem como finalidade punir o contribuinte quando ele não tiver cumprido espontaneamente, mesmo com atraso, a obrigação tributária, seja ela principal ou acessória”1. Como qualquer dívida de valor, o não adimplemento de uma obrigação no prazo estipulado implica a incidência de juros em razão da mora. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacificado quanto à possibilidade de aplicação de juros de mora em multas de ofício, a seguir colacionado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifouse) A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu julgamento quanto à possibilidade de incidência de juros de mora em multas de ofício, aplicandose a taxa Selic ao caso – Acórdão nº 9101001.863, publicado em 17/04/2014: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a 1http://www31.receita.fazenda.gov.br/SicalcWeb/calcpfMulta_de_Lançamento_de_Of_cio.html Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.287 20 multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Colacionase parte das considerações tecidas no julgado acima como respaldo às fundamentações legais aplicadas ao caso: (…) obrigação principal compõe o crédito tributário (é parte dele). Constituído o crédito tributário pelo lançamento, o montante a ele correspondente, sob a ótica do sujeito ocupante do polo passivo da relação obrigacional, constitui um débito para com a Fazenda. Dispõe o artigo 61 da Lei no 9.430/1996: (…) Nos termos deste artigo, a multa de ofício, se não paga do vencimento (que se dá o prazo de 30 dias da ciência do lançamento), sujeitase a juros de mora segundo a taxa Selic (§ 3° do art. 5° da Lei 9.430/96), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (…) Decretolei nº 1.736, de 1979, ao dispor sobre os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional previu expressamente que os juros de mora não incidem sobre a multa de mora (Parágrafo único do art. 1º) […] Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, exclui a multa de mora, mas não exclui a multa de ofício. (grifos no original) Referido entendimento já tinha sido enfrentado pela 3ª Turma da CSRF, no Acórdão 9303002.400, publicado em 18/11/2013: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Mais recentemente, a 2ª Turma alinhouse às demais, proferindo o Acórdão 9202003.150, publicado em 19.05.2014: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE . O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.288 21 É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Precedentes 2ª Turma da CSRF. Recurso especial provido. Em fevereiro de 2016, a 1ª Turma do CSRF reiterou seu posicionamento, proferindo o acórdão nº 9101002.209 a seguir colacionado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 Ementa: ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO RESULTADO AJUSTADO. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da CSLL,ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (grifouse) Por fim, temse o seguinte entendimento sumulado pelo CARF, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Devida, assim, a incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Conclusão e dispositivo do voto Sendo assim, entendo que: Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.289 22 a) as contribuições pagas em face do contrato de ajuste na parte relativa aos aposentados, bem como aos funcionários que foram transferidos para outras sociedades resultantes do processo de cisão da Eletropaulo Eletricidade, não devem ser consideradas no cômputo do montante para incidência do limite legal de 20% do art. 11, §2º da Lei nº 9.532/97; b) reconhecese a legalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, com incidência da taxa Selic Voto, portanto, no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É o que se reproduz da minuta de voto do relator original. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Ousei divergir da ilustre relatora no tocante à divergência denominada de Recomposição atuarial de fundo de previdência privada Limite de 20% (art. 11, § 2º da Lei nº 9.532/97) pois entendi que as contribuições não compulsórias para o plano de previdência suplementar (PSAP), pagas pela autuada além daquele limite, são despesas decorrentes de ato de mera liberalidade, e por conseguinte, indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A despeito de a relatora já ter feito um relatório dos autos, entendo oportuno fazer um breve histórico, acrescentando alguns fatos não citados anteriormente: Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário 2001 e 2002, em razão da falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, das parcelas consideradas excedentes aos limites fixados no parágrafo 2º do art. 361 do RIR/99 (e fl.402), verbis: Art.361. São dedutíveis as contribuições não compulsórias destinadas a custear planos de benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V). §1º Para determinação do lucro real, a dedução deste artigo, somada às de que trata o art. 363, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, §2º). §2º O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o parágrafo anterior deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, §3º). A recorrente se insurge contra a cobrança do auto sob alegação de que foram violados os princípios da irretroatividade, do direito adquirido e da segurança das relações jurídicas. Acrescenta ainda que houve aplicação desproporcional e divergente quanto à regra do §2º do art. 11 da Lei nº 9.532/97, na medida em que o acórdão recorrido não fez distinção Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.290 23 entre as contribuições extraordinárias e as contribuições normais suportadas pela autuada (e fl.2146). Das informações prestadas pela Recorrente em seu recurso especial (e fls.21342215), bem como do Instrumento Particular de Contrato de Ajuste de Reservas Matemáticas do Plano de Suplementação de Aposentadorias e Pensões da Eletropaulo administrado pela Fundação Cesp e Outras Avenças (efls.512524), extraise que: A recorrente é pessoa jurídica, concessionária de serviço público de distribuição de energia elétrica e sucessora da Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A. ("Eletropaulo Eletricidade"), empresa privatizada que foi cindida para formar quatro novas empresas, dentre elas a Recorrente que, nessa qualidade, é contribuinte do IRPJ e da CSLL (efl.2138); Em 26.10.1982, a Eletropaulo Eletricidade e a Fundação CESP ("FUNCESP") celebraram um convênio de adesão, bem como outros instrumentos particulares e regulamentos, com o objetivo de regulamentar a concessão de suplementação de aposentadorias e pensões em benefício dos empregados ativos, aposentados e pensionistas da Eletropaulo Eletricidade, nos termos do plano de benefícios e suplementação de aposentadorias e pensões PSAP (efl.2138); Em 30.9.1997, antes do processo de privatização da Eletropaulo Eletricidade, foi assinado o Instrumento Particular de Contrato de Ajuste das Reservas Matemáticas do Plano de Suplementação de Aposentadorias e Pensão da Eletropaulo PSAP (efls.512526) administrado pela FUNCESP (efl.2138); Através do contrato firmado entre a Eletropaulo Eletricidade e a FUNCESP, a Eletropaulo comprometeuse a transferir à Fundação o montante de R$ l.2l4.372.526,00 (hum bilhão duzentos e catorze milhões trezentos e setenta e dois mil quinhentos e vinte e seis reais), base 30/06/1997, necessário ao ajuste das reservas matemáticas do plano de aposentadorias e pensão (efl.516); O valor foi dividido em 240 parcelas mensais, mais 20 anuidades vencíveis em dezembro de cada ano, equivalentes a 14,89% da folha mensal total de pagamento de salários da Eletropaulo e da folha do 13º salário de cada ano, com base na folha de salários da Eletropaulo em setembro de 1997 (e fl.517); a Eletropaulo Eletricidade era patrocinadora de dois planos de benefícios administrados pela FUNCESP (efl.2138); O processo de desestatização estadual ocorreu em 1998, com a cisão da Eletropaulo Eletricidade em 04 sociedades distintas: (1) EBE Empresa Bandeirante de Energia S.A., (2) EPTE Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S.A., (3) EMAE Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A.; e (4) Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S.A (ora recorrente)(efl.2140); A Eletropaulo Eletricidade exercia as atividades de geração, transmissão, transformação e distribuição de energia elétrica em 79 municípios do Estado de SP, enquanto que a Eletropaulo Metropolitana (recorrente) permaneceu apenas com a atividade de distribuição de energia elétrica em uma área de Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.291 24 concessão que abrange 24 municípios da região metropolitana de São Paulo (efl.2140); O processo de cisão implicou transferência de grande parte dos ativos e dos funcionários/empregados da Eletropaulo Eletricidade para as outras empresas dele resultantes, o que acarretou uma redução significativa das atividades originalmente desenvolvidas pela Eletropaulo Eletricidade; a Recorrente passou a exercer apenas a atividade de distribuição de energia elétrica e, ainda assim, para apenas partes dos municípios que eram atendidos antes do processo de cisão (efl.2141); Não obstante a transferência de parte de suas atividades e empregados para outras empresas resultantes do processo de cisão, a Recorrente continuou responsável pela obrigação integral de saldar o déficit atuarial junto à FUNCESP na forma do Contrato de Ajuste (efl.2141). Primeiramente, a recorrente alega que os débitos por ela assumidos tiveram origem no contrato firmado entre a Eletropaulo Eletricidade e a FUNCESP quando ainda não estava vigente a Lei nº 9532/97, a qual estabeleceu o limite de 20% do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes para a dedutibilidade das despesas com contribuições para previdência privada. Argumenta que antes da entrada em vigor da referida MP n° 1.602/97 (convertida na Lei nº 9532/97), as pessoas jurídicas que incorressem em despesas com pagamentos de previdência complementar a seus empregados podiam deduzir integralmente esses valores na apuração na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, por força do que determinava o artigo 301 do RIR/94 que tinha como base as regras do inciso V do artigo 13 da Lei n° 9.249/94 e do inciso II do artigo 8 o da Lei n° 9.250/94, logo a Lei nº 9532/97 não poderia retroagir para atingir aquela relação jurídica estabelecida antes de sua vigência. Tal argumento não procede, uma vez que não existe direito adquirido em relação a regime tributário. É preciso esclarecer que existem duas relações jurídicas que não se comunicam. Uma delas é a relação jurídica de direito privado firmada inicialmente entre Eletropaulo Eletricidade e a FUNCESF para o pagamento de 240 parcelas consecutivas com a finalidade de recomposição atuarial de fundo de previdência privada. Nesta relação jurídica, a Eletropaulo Eletricidade foi substituída pela Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo (recorrente), após a participação desta em processo licitatório para concessão de serviço público, tendo voluntariamente aderido e concordado com o edital do certame. A segunda é a relação jurídica tributária, de direito público, que se estabelece entre a União e a Eletropaulo Metropolitana (recorrente) como sujeito passivo da obrigação tributária. A obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador do imposto, previamente definido em lei. Na apuração do imposto com base no lucro real, também é a lei que estabelece a base de cálculo e especifica as receitas tributáveis e quais são as despesas dedutíveis e indedutíveis. Nos termos do art.144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. Para apuração do IRPJ dos anos calendários 2001 e 2002, utilizase a lei vigente à época da ocorrência do fato gerador, sendo assim, aplicase a Lei nº 9532/97, que estabelece critérios para dedução de despesas da base de cálculo do imposto de renda. Não há, portanto, que se falar em retroatividade da Lei nº Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.292 25 9532/97, na medida em que ela foi aplicada para fatos gerados futuros quando da apuração do IRPJ AC 2001 e 2002. Afastada a alegação de retroatividade da lei nº 9532/97, o cerne da discussão cingese ao limite de 20% para fins de dedutibilidade das despesas com contribuições não compulsórias para a previdência privada. A recorrente declara que sua situação é única, em razão da assunção da integralidade da dívida referente ao déficit atuarial da Eletropaulo Eletricidade perante a FUNCESP, quando da privatização daquela, sem a correspondente manutenção em sua folha de salários de grande parte dos empregados e funcionários a que esse déficit se refere (e fl.2140). Acrescenta que a assunção do ônus de saldar o déficit técnico relativo ao PSAP implicou, naquela época, aumento do valor da contribuição daquela sociedade de 5,65% para 14,89% e que nos anos de 1998 a 2000, estes percentuais foram, respectivamente, de 37%, 59% e 104%. Nos anos de 2001 e 2002, foram de 151% e 157%. O crescimento destes percentuais devese, basicamente, a dois fatores: (a) redução da folha de salários; e (b) aumento do passivo atuarial em função dos cálculos atuariais. (efl.2141 2142). A recorrente defende que o acórdão recorrido não diferenciou as contribuições ordinárias das extraordinárias, e se considerássemos somente os valores das contribuições normais relativos aos participantes ativos que permaneceram empregados da Recorrente, esse percentual seria reduzido para 5% da folha de salários, conforme pode ser observado no demonstrativo de fl. 1141, o que seria consistente com aquilo que é praticado por grande parte das empresas brasileiras. Consta nos autos a solicitação de diligência para verificar os valores e percentuais de contribuições previdenciárias recolhidas para os empregados/dirigentes ativos da Eletropaulo Metropolitana (contribuições normais) e quais os valores de contribuição dizem respeito à dívida assumida pela recorrente quando de sua privatização, referente a empregados aposentados ou ativos, mas que não fazem parte do quadro de trabalhadores da recorrente (contribuições extraordinárias). O lançamento levou em consideração a contribuição para o PSAP (Plano de Suplementação de Aposentadoria e Pensão) dos ativos, dos inativos e a mensal, nos moldes da tabela abaixo constante da efl.369: Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.293 26 A diligência foi requerida para responder aos quesitos seguintes (efl.1253): 1. os valores pagos a título de despesas correntes com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do artigo 13 da Lei n° 9.249/1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual FAPI, a que se refere à Lei n° 9.477/1997, bem como os valores pagos para amortizar a obrigação assumida com a Fundação CESP, em 30 de setembro de 1997. 2. se, se considerando o valor das contribuições correntes pagas, com a exclusão dos valores pagos como amortização da obrigação com a FUNCESP em 1997, e a folha de salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa vinculados ao referido plano, nos anoscalendário fiscalizados, houve excesso de dedução em relação ao limite fixado no parágrafo 2° do artigo 11 da Lei n° 9.532/1997. O relatório de diligência fiscal consta das efls. 18861896 e como resultado do primeiro quesito, apresentou o quadro abaixo: Em resposta ao segundo quesito, a autoridade fiscal declarou que se excluísse os valores pagos como amortização da obrigação com a FUNCESP, não haveria excedentes conforme quadro abaixo: Reconhecese que as contribuições extraordinárias não se referem aos empregados e dirigentes constantes do quadro da Eletropaulo Metropolitana, todavia esse fato não descaracteriza a natureza jurídica do pagamento como contribuição para plano privado de suplementação de aposentadoria de caráter nãocompulsório e como tal, há de respeitar o limite estabelecido em lei de 20% do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa. Discordo em parte da I.Relatora quando defende que a nova legislação (Lei nº 9532/97) deveria recair somente em casos que correspondam à realidade da empresa em análise, qual seja, a sua folha de salário atual, sob pena de incidência tributária sob fato Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.294 27 gerador inexistente. De fato, o limite de 20% para dedutibilidade das despesas com previdência suplementar deve se reportar a folha de salário dos empregados e dirigentes correspondente ao anocalendário para o qual se apura o imposto. Por sua vez, o cálculo do total das despesas com a previdência suplementar deve levar em consideração todas as despesas incorridas com contribuições nãocompulsórias naquele mesmo anocalendário. Isto inclui as contribuições decorrentes da assunção da dívida da Eletropaulo Eletricidade, posto que também são nãocompulsórias. A recorrente assumiu a integralidade da dívida da Eletropaulo Eletricidade com a FUNCESP, tendo conhecimento de que parte dos empregados não permaneceriam em seus quadros, bem como que aquela dívida se referia a empregados/diretores já aposentados, e que estes empregados cedidos às outras empresas e os aposentados e pensionistas não participariam da atividade da recorrente nem da manutenção de sua fonte produtora; logo, tratouse de um ato de liberalidade, ainda que tenha se dado no curso de processo de licitação para concessão de serviço público. Se a recorrente considerava demasiado oneroso o encargo, poderia não ter participado do certame. A mudança no regime de tributação é um risco do negócio, e sendo a relação entre a Eletropaulo Metropolitana e a FUNCESP uma relação jurídica de direito privado, o equilíbrio contratual deve ser equacionado entre as partes. Ressaltese que de acordo com a declaração da própria recorrente, o processo de privatização se deu em 1998, quando já vigorava a Lei nº 9532/97, ou seja, já tinha conhecimento do limite de dedutibilidade de receita. De toda forma, o fato de a Lei nº 9532/97 já estar em vigor é irrelevante, haja vista, como já dito, que não existe direito adquirido a regime jurídico tributário. Consoante já consignado, os negócios jurídicos firmados entre a recorrente e a Eletropaulo Eletricidade, bem como entre a recorrente e a FUNCESP, são contratos de direito privado, e como tal, não são oponíveis ao Fisco, nos termos do art.123 do CTN. Neste diapasão, é irrelevante o fato de as contribuições serem denominadas de normais ou extraordinárias, pois continuam sendo contribuições para plano de previdência privada complementar de caráter nãocompulsório sujeitas ao limite de 20% da folha de salários e remunerações da empresa. A recorrente cita ainda a exposição de motivos da MP nº1602/97, 14. (...) Relativamente à parcela das contribuições cujo ônus seja da pessoa jurídica instituidora, o limite estabelecido é de até o dobro do valor suportado pelos empregados e dirigentes da empresa. Referidos limites compatibilizamse com os que atualmente são praticados pela esmagadora maioria das empresas que proporcionam este tipo de benefício a seus empregados e dirigentes, notadamente aquelas com participação societária do setor publico. Essa medida, ao mesmo tempo que em nada prejudica o setor da previdência privada, coloca uma trava na possibilidade, hoje existente, de postergação do pagamento do imposto de renda mediante a constituição de planos de previdência no encerramento dos períodos de apuração, com resgates previstos Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.295 28 para prazos curtos, com a finalidade única e exclusiva de obter vantagens de natureza fiscal." A exposição de motivos não tem qualquer poder impositivo, mas pode, em alguns casos, auxiliar na interpretação da lei. Nesse caso, devese analisar todo o conteúdo da exposição de motivos, posto que a impossibilidade de postergação do pagamento do imposto de renda mediante a constituição de plano de previdência privada de curto prazo é apenas uma das distorções que a lei procura corrigir. Observese os itens 2 e 3 da exposição de motivos abaixo transcritos: 2. O Projeto se insere no contexto de modernização e aperfeiçoamento da legislação tributária do País, que vem sendo perseguido ao longo do Governo de Vossa Excelência, com a finalidade de tomála mais compatível com a realidade econômica atual. 3. Nesse sentido, o Projeto, ao mesmo tempo que estabelece formas para prevenir a evasão de receita tributária e reduzir a renúncia fiscal decorrente de todos os incentivos fiscais, atualmente em vigor, cria mecanismos que estimulam a atividade produtora e viabilizam operações entre empresas nacionais e do exterior.(grifo nosso) Ou seja, a MP nº 1602/97 tinha por objetivo geral o aperfeiçoamento da legislação tributária, bem como prevenir a evasão fiscal e reduzir a renúncia fiscal, de onde se pode depreender que a dedução integral das contribuições para previdência privada complementar representava fonte de renúncia fiscal, a qual o governo decidiu extinguir. A postergação do pagamento do imposto de renda mediante a constituição de plano de previdência privada de curto prazo era uma das muitas formas de planejamento tributário, que caracteriza forma de evasão fiscal a ser evitada pelo governo. No sentido de reduzir a renúncia fiscal e garantir mais recursos para o Estado, estabeleceuse o limite de 20% da folha de salários e remuneração das empresas, para evitar o endividamento das empresas com planos de previdência privada complementar e, por conseguinte, a redução da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. De fato, constatase um endividamento exacerbado da recorrente, comprovado através do Instrumento Particular de Contrato de Ajuste das Reservas Matemáticas do Plano de Suplementação de Aposentadorias e Pensão da Eletropaulo PSAP, não se tratando de fraude ou qualquer ato ilícito, do contrário a autuação seria passível de multa qualificada no patamar de 150%. Todavia, temse que a assunção da dívida se deu por ato de vontade da recorrente, caracterizando uma liberalidade da empresa; não sendo, portanto, despesa necessária à operação da empresa, nos termos do art. 299 do RIR/99, verbis: Despesas Necessárias Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.296 29 §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Essa despesa é indedutível porque não atende aos requisitos de usualidade, normalidade e necessidade. Ela foi efetuada como condição para receber a concessão de serviço público de distribuição de energia elétrica, mas os empregados a que a dívida se refere, como declarado pela recorrente, não fazem parte do seu quadro de empregados, nem contribuem para o resultado operacional da recorrente. Conforme o Parecer Normativo CST nº 32/1981, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação efetuada e que se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária na realização do negócio, o que, conforme já assinalado, não se observa no presente caso, no tocante à necessidade, vez que, por liberalidade, a recorrente assumiu a integralidade das dívidas da Eletropaulo Eletricidade perante a FUNCESP. Uma empresa possui poder decisório para escolher os negócios jurídicos dos quais participará a partir de uma análise de cenário, avaliando as vantagens e desvantagens do negócio; no entanto, no que diz respeito à forma de apuração dos resultados das suas operações, sem dúvidas, deve observar os preceitos legais próprios. A recorrente cita a dedutibilidade da despesa com base no inciso V do art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995, transcrito abaixo: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; Contudo a interpretação do citado dispositivo é indissociável do §2o. do art.11 da Lei nº 9.532/97, que estabeleceu o limite de 20% a ser observado pela recorrente. Aliás, o RIR/99 em seu artigo 361 cita ambos os atos normativos numa interpretação conjunta. Em face dessas considerações é que abri divergência em relação a esta matéria do voto da relatora, para negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, acompanhandoa no que diz respeito aos juros de mora. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.297 30 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Apresento a presente declaração de voto para consignar que acompanhei a Relatora pelas conclusões relativamente à inaplicabilidade do limite legal de 20% do art. 11, §2º da Lei nº 9.532/97 ao caso dos autos. Isto porque a Relatora entendeu por dar provimento ao recurso especial por duas razões principais: (i) o limite legal teria por fundamento evitar que houvesse "substituição de parte da remuneração de altos executivos por planos de previdência de curta duração" (trecho do voto da Relatora), nos termos da exposição de motivos da Medida Provisória nº 1.602/1997; e (ii) "a sucessora há de arcar com as obrigações antes avençadas, submetendose às regras vigentes ao tempo do cumprimento". A Relatora acrescenta que "caso se considerassem os valores pagos aos efetivos trabalhadores da recorrente atualmente vinculados ao PSAP – desconsiderados os valores referentes ao contrato de ajuste – as despesas não extrapolariam o limite legal" (trecho de seu voto) Com a devida vênia, divirjo com relação ao segundo apontamento. Isto porque o contrato de ajuste (Instrumento Particular de Contrato de Ajuste de Reservas Matemáticas do Plano de Suplementação de Aposentadorias e Pensão da Eletropaulo administrado pela Fundação Cesp e outras avenças) em que a Eletropaulo se compromete ao pagamento de R$ 1.214.372.526,00 em 240 (duzentos e quarenta) prestações mensais foi firmado em 30/09/1997, isto é, anteriormente à edição da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, como também da própria Medida Provisória 1.602, posteriormente convertida na Lei nº 9.532/1997. Este contrato de ajuste explicitava que o valor das prestações equivaleria a 14,89% da folha mensal de pagamento de salários da Eletropaulo à ocasião. Assim, o contrato de ajuste, em si, não ocasionou a despesa superior a 20% da folha de pagamentos. Ocorre que apenas com a cisão da Eletropaulo houve a redução substancial de sua folha de pagamentos, assim impedindo que todo o valor das parcelas da recomposição observasse o limite de 20% tratado pela Lei nº 9.532/1997. De acordo com o artigo 36, a Lei de 8.934/1994, esta AGE só tem eficácia depois do despacho que concedeu o registro perante a Junta Comercial, o que ocorreu em fevereiro de 2008. Assim, este ato societário (que efetivamente impactou na limitação tratada pelo artigo 11, §2º, da Lei nº 9.532/1997) só produziu efeitos quando já vigente a Lei nº 9.532/1997. Exatamente por isso divirjo do entendimento da Relatora no que concerne à inaplicabilidade deste limite (20% artigo 11, §2º) quanto às "obrigações antes avençadas". A obrigação antes avençada (Contrato de 30/09/1997) não impediria a dedutibilidade nos termos delimitados pela Lei nº 9.532/1997. O problema surge com a cisão registrada em fevereiro de 1998 e, portanto, posteriormente à vigência da Lei nº 9.532/1997. Exatamente por isso não se sustenta o segundo argumento da Relatora. Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.298 31 De toda forma, acompanho o voto da Relatora com relação ao primeiro fundamento acima referido. Isto porque a interpretação do artigo 11, §2º, da Lei nº 9.532/1997 há que se conformar à exposição de motivos da MP 1.602/1997, que foi convertida na referida Lei. Vale lembrar o teor do artigo 11, §2º, da Lei nº 9.532/1997, em redação vigente à ocasião dos fatos em discussão neste processo: Art. 11. A dedução relativa às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea "e" do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, somada às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI, a que se refere a Lei n.º 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da pessoa física, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (…) § 2º Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual FAPI, a que se refere a Lei nº 9.477, de 1997, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. (grifamos) Com efeito, o limite de 20%, acima citado, está relacionado à folha de salários e remuneração de dirigentes ao tempo da despesa, não tendo qualquer relação com o aporte extraordinário efetuado pela Recorrente, visando saldar o Plano de Suplementação de Aposentadorias e Pensão da Eletropaulo. A interpretação do artigo 11, §2º, que trata do mencionado limite de 20%, procedida em conformidade com a exposição de motivos da Medida Provisória nº 1.602/1997, implica na conclusão de que o limite de 20% foi incluído na legislação para evitar a prática abusiva de pagamento de remuneração de empregados e dirigentes por meio de planos de previdência. A esse respeito, relembro o teor da Exposição de Motivos da Medida Provisória tratando de seu artigo 11: Relativamente à parcela das contribuições cujo ônus seja da pessoa jurídica instituidora, o limite estabelecido é de até o dobro do valor suportado pelos empregados e dirigentes da empresa. Referidos compatibilizamse com os que atualmente são praticados pela esmagadora maioria das empresas que proporcionam este tipo de benefício a seus empregados e dirigentes, notadamente aquelas com participação societária do setor público. Essa medida, ao mesmo tempo que em nada prejudica o setor de previdência privada, coloca uma trava na possibilidade, hoje existente, de postergação do pagamento do imposto de renda mediante a constituição de planos de previdência no encerramento dos períodos de apuração, com resgates previstos para prazos curtos, com a finalidade única e exclusiva de obter vantagens de natureza fiscal. Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 19515.000234/200506 Acórdão n.º 9101002.584 CSRFT1 Fl. 2.299 32 Por tais razões, entendo pelo provimento ao recurso especial da contribuinte relativamente à inaplicabilidade do limite legal de 20%, estabelecido pelo art. 11, §2º da Lei nº 9.532/97, adotando apenas um dos fundamentos da Relatora originária. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2299DF CARF MF
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