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Numero do processo: 11080.900068/2008-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
Numero da decisão: 3803-006.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 88 1 87 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.900068/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.869 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente FERRAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 68 /2 00 8- 20 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre aduziu, primeiramente, que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório das suas alegações. Considerou que o dispositivo legal invocado acerca da exclusão da base de cálculo dos valores que, computados como receitas foram transferidos a terceiros, não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo, considerou que o dispositivo do § 2° do art. 2° estabeleceu que se excluiriam da base de cálculo das citadas contribuições apenas o IPI e ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a Comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 0 controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900068/200820 Acórdão n.º 3803006.869 S3TE03 Fl. 89 3 Cientificada da decisão em 13 de agosto de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 11 de setembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, nada há a reparar na decisão recorrida, ao aduzir à ausência de produção de efeitos do dispositivo legal trazido à baila pela Manifestante, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98[1], que fazia previsão para a exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins dos valores recebidos como receita e que foram repassados a terceiros. Com efeito, esta previsão legal, ao referir que as exclusões de tais valores deveriam observar as regras regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, constituiuas, sistemicamente, em obstáculo material a ser transposto para a concreção da eficácia (técnica) de tal preceito, como complemento sintático e integrador do texto legal. O legislador, ao outorgar tal benefício tributário condicionou o seu gozo. Optou por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos de como se aperfeiçoaria o benefício, decisão tomada ao amparo da sua autonomia legislativa. Dessa forma, a inexistência da regulamentação impediu mesmo a geração de efeitos do dito texto legal. E neste entendimento consolidouse a jurisprudência deste Conselho e precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. 1 [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo [...]; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000216/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
Omissão de Receita. Compras. Falta de Contabilização/Pagamentos
Comprovados que os pagamentos feitos pela autuada em favor de sua principal fornecedora, assim como as compras respectivas, não foram objeto de registro no Livro Caixa e no Livro Registro de Entradas, configura-se omissão de receitas derivada da não escrituração dos referidos pagamentos
Aplicam-se ao regime do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/1996), as mesmas presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pela sistemática simplificada, a teor do artigo 18, do referido dispositivo legal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
AnoCalendário:2003
Multa de Lançamento de Ofício.Qualificação
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
Numero da decisão: 1101-001.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários principais exigidos; e 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, vencido o Relator Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
[documento assinado digitalmente]
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
[documento assinado digitalmente]
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
[documento assinado digitalmente]
PAULO MATEUS CICCONE - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente da Turma), Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 Omissão de Receita. Compras. Falta de Contabilização/Pagamentos Comprovados que os pagamentos feitos pela autuada em favor de sua principal fornecedora, assim como as compras respectivas, não foram objeto de registro no Livro Caixa e no Livro Registro de Entradas, configura-se omissão de receitas derivada da não escrituração dos referidos pagamentos Aplicam-se ao regime do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/1996), as mesmas presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pela sistemática simplificada, a teor do artigo 18, do referido dispositivo legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AnoCalendário:2003 Multa de Lançamento de Ofício.Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
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Compras. Falta de Contabilização/Pagamentos Comprovados que os pagamentos feitos pela autuada em favor de sua principal fornecedora, assim como as compras respectivas, não foram objeto de registro no Livro Caixa e no Livro Registro de Entradas, configurase omissão de receitas derivada da não escrituração dos referidos pagamentos Aplicamse ao regime do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/1996), as mesmas presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pela sistemática simplificada, a teor do artigo 18, do referido dispositivo legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AnoCalendário:2003 Multa de Lançamento de Ofício.Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 02 16 /2 00 8- 67 Fl. 2610DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários principais exigidos; e 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, vencido o Relator Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. [documento assinado digitalmente] MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. [documento assinado digitalmente] ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. [documento assinado digitalmente] PAULO MATEUS CICCONE Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente da Turma), Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Contra a sociedade acima qualificada foi lavrado auto de infração para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples. Em decorrência deste, foram também lavrados autos de infração para exigência da contribuição para o Programa de Integração Social Simples, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples e da Contribuição para Seguridade Social INSS Simples, todos referentes aos períodos apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2003. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 72/86), constatouse que a fiscalizada possuía como único fornecedor de gás liquefeito de petróleo a Supergasbras Distribuidora de Gás S.A., hoje denominada SHV Gás Brasil Ltda. No desenvolvimento dos trabalhos, foi apurada omissão de receitas em razão de diferenças verificadas entre os valores escrituradas nos Livros Caixa e Registro de Entradas e os valores de mercadorias adquiridas da fornecedora em 2003 (fls. 84), conforme as seguintes constatações: 1. não houve a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos pagamentos/recebimentos dos valores relativos às aquisições/vendas de gás e da efetiva entrega/recebimento dos produtos; 2. a fiscalizada não possui controle dos valores recebidos pela venda de gás, dos pagamentos efetuados a sua fornecedora, dos dados cadastrais de seus clientes; 3. no Livro Caixa não foram escriturados os pagamentos de todas as aquisições de gás realizados no ano de 2003; Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10976.000216/200867 Acórdão n.º 1101001.289 S1C1T1 Fl. 183 3 4. a fiscalizada não discordou das informações prestadas pela SHV acerca das importâncias recebidas pela venda de mercadorias; 5. os valores escriturados mensalmente no Livro Registro de Saídas (fls. 2.430/2.451) não guardam relação com as compras efetuadas e pagas no ano de 2003 (valores indicados no quadro 3 da folha 84 deste termo). Diante do exposto, “somente restou à fiscalização considerar as informações apresentadas pela SHV Gás Brasil Ltda., principalmente no que tange ao recebimento dos valores decorrentes de vendas realizadas junto à Industrialgas Ltda.”. Tais valores foram, portanto, considerados aquisições da fiscalizada, em operações de compra de gás liquefeito de petróleo. Assim, as diferenças entre os valores pagos mensalmente em 2003 pela Industrialgas Ltda à sua fornecedora e os valores escriturados no Livro Caixa e Livro Registro de Entradas foram consideradas omissão de receitas, visto que se referem a aquisições de mercadorias não registradas. Apurouse, ainda, insuficiência de recolhimento, uma vez que as receitas omitidas, ao serem somadas às receitas declaradas 'para os meses do anocalendário de 2003, alteram o percentual a ser aplicado mensalmente sobre a receita bruta para a determinação do valor devido a título de Simples, nos termos dos artigos 5° e 23 da Lei n° 9.317/96 e art. 3° da Lei n° 9.732/98. No referido Termo de Verificação Fiscal, consta minuciosamente explicitada a descrição dos fatos e nos demonstrativos de fls. 88/90 foram indicados os valores referentes à omissão de receitas, à receita declarada, a receita bruta acumulada, o percentual do Simples aplicável, o valor calculado, o valor recolhido e a insuficiência do recolhimento apurada. No demonstrativo de fls. 91 foi sintetizado o total dos impostos e das contribuições devidos. Os autos de infração supracitados indicam os valores lançados, pormenorizando a metodologia de cálculo dos impostos e das contribuições devidos, além da fundamentação legal das exigências. Em relação à insuficiência de recolhimento, foi aplicada multa de 75%, e com referência à omissão de receitas, a aplicação da multa de oficio de 150% se deu, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, para os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, em razão de a fiscalizada, durante todo o anocalendário de 2003, ter deixado de escriturar no Livro Caixa os valores referentes ao pagamento de aquisições de mercadorias, com a intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, caracterizando, dessa forma, o evidente intuito de fraude. II DA IMPUGNAÇÃO 1. Das infrações apuradas Cientificada dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal em 7 de agosto de_2008 (fls. 18, 28, 39, 50 e 60, 71 e 86), a interessada apresentou, em 5 de setembro de 2008, manifestação de inconformidade (doc. de fls. 2.482/2.496), com as seguintes alegações. Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 4 Preliminarmente, a autuada pretende apresentar denúncia espontânea, para informar que : “(...) no anocalendário de 2002 teve receita no valor de R$ 2.991.728,11 (dois milhões, novecentos e noventa e um mil, setecentos e vinte e oito reais) e, portanto, no anocalendário de 2003 já não poderia ser tributado com base no sistema integrado de pagamentos de impostos e contribuições de que trata o art. 3º “da Lei n° 9.317/96.” Assim, a publicação na seção I do Diário Oficial da União do dia 27 de agosto de 2008, da exclusão da autuada do sistema integrado de pagamentos de impostos e contribuições, a partir de 01/01/2004, deve ser considerada a partir de 01/01/2003 por força do art. 15, IV, da Lei 9.31 7/96 (destaques no original). Em face dessas alegações, os débitos constantes dos autos de infração, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2003, teriam sido equivocadamente apurados, uma vez que, por força de lei, já no anocalendário de 2003 a empresa esteve indevidamente enquadrada no Simples, por ter apresentado, no ano de 2002, faturamento muito acima do limite de R$ 1.200.000,00, estabelecido pela legislação então vigente, para permanecer como empresa de pequeno porte. Esclarece que os dados ora informados sobre a receita auferida pela fiscalizada no ano de 2002 foram apurados da mesma forma com que o foram no Termo de Verificação Fiscal, por meio das notas fiscais emitidas pela Supergasbras S.A. Nesse sentido, a exclusão do Simples não deve se vincular estritamente aos aspectos formais do ato administrativo que determinou a exclusão, mas sim ao aspecto material de atendimento aos requisitos legais para estar habilitada a usufruir dos beneficios fiscais do Simples. Acrescenta que: “A atividade da administração tributária é vinculada aos termos da lei, de sorte que não há faculdade para a autoridade fazendária optar ou não pela exação na forma do SIMPLES quando não atendidos os requisitos legais, mormente quando o próprio contribuinte confessa espontaneamente que a apuração dos seus tributos deve obedecer às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas não optantes pelo simples. Explica que o ato de exclusão não tem natureza constitutiva, mas sim declaratória, “de modo que retroage até o momento em que o fato jurígeno da existência ou inexistencia da relação jurigena ocorreu. tem portanto, efeito ex tunc . (destaques no original) Argumenta que não restam dúvidas de que “(...) o ato de exclusão do SMIPLES tem natureza meramente declaratória e não constitutiva, vale dizer, operase desde o momento em que se verificar o desatendimento por parte do contribuinte dos requisitos legais para enquadramento como empresa de pequeno porte, e não, da data em que a autoridade fazendária estabelecer por discricionariedade que seja a data a partir da qual a empresa tenha deixado de ser de pequeno porte. Cita os arts. 15, IV e 16 da Lei n° 9.317/96 e transcreve o art. 32 da Lei Complementar n° 123, de 2006. Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10976.000216/200867 Acórdão n.º 1101001.289 S1C1T1 Fl. 184 5 Considera que “(...) a fiscalização não se desincumbiu da sua obrigação, eis que apurou o imposto/contribuições por um sistema que em tese trás prejuízo ao erário público, vez que os tributos calculados sob a égide do SIMPLES visam a redução da carga tributária, de modo que possivelmente o contribuinte iria pagar menos do que deve”. Infere que, pelo fato de a autuada não atender às condições de enquadramento como empresa de pequeno porte, a exação apurada pelo sistema simplificado afigurase como inconstitucional, por violação ao princípio da legalidade. Aduz que, com base nos princípios da legalidade, finalidade, motivação, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, a autuada deverá recolher todos os tributos na forma do lucro real, e não pelo Simples, devendo ser procedida a elaboração de novo demonstrativo de débito. Requer, portanto, a anulação dos demonstrativos de fls. 16/90, na forma do art. 53 da Lei n° 9.784/99. Argumenta que a aparente contradição no fato de a autuada pretender sua exclusão do Simples a partir do anocalendário de 2003, e não do ano de 2004, pode ser explicada pela circunstância de que a exação se toma mais onerosa do que se fosse apurado o lucro real, uma vez que a autuada labora com margem de lucro mínima e algumas vezes com prejuízo. Justifica que, no presente caso, a opção pelo Simples não se deu em razão de torpeza ou intuito de fraude em omissão de receitas, mas por desconhecimento da lei e por falta de assessoramento de planejamento tributário eficaz. Menciona que “(...) os comerciantes são, em regra, pessoas simplórias e de baixa instrução, cuja posição social não permitem que usufruam de acervo patrimonial, de tal arte, podemos prever que os tributos, multas e juros constantes no auto de infração provavelmente restarão sem pagamento, por absoluta impossibilidade financeira. Entende que, se a melhor forma de pagamento dos tributos seria pelo lucro presumido, lucro real trimestral ou lucro real anual, e se há previsão legal para que a exação seja assim procedida, tomase direito subjetivo a submissão ao regramento tributário, tendo em vista a .garantia constitucional do princípio da legalidade. 2. Da multa qualificada Questiona a aplicação da multa qualificada de 150% à luz dos princípios constitucionais da proporcionalidade, da vedação ao confisco, por resultar em destruição do acervo patrimonial da contribuinte. Acrescenta que, por uma questão de princípio, nos termos do art. 92 do Código Civil, o acessório acompanha o principal. Dessa forma, “o tratamento dispensado às multas fiscais deverá ser o mesmo que for atribuído aos tributos, pois ambos têm a mesma natureza e integram originariamente os créditos tributários, conforme expressamente declara o Código Tributário Nacional”. Assim, “o princípio que veda a instituição de tributo com efeito de confisco não incide apenas sobre o tributo, mas também sobre as multas”. Acredita que a administração pública não pode se abster de participar do processo de interpretação do ordenamento jurídico a partir do texto constitucional, limitandose à aplicação automatizada da legislação infraconstitucional e das próprias emendas constitucionais. Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 6 Nesse sentido, a título de ilustração, cita a Súmula n° 347 do Supremo Tribunal Federal, editada sob a égide da Constituição de 1946, pela qual “O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público”. Cita, ainda, jurisprudência referente à ADI 2.010 MS/DF, na liminar concedida pelo Relator do STF, Ministro Celso Mello (Informativo/STF 164). 3. Do Pedido Requer que se julgue insubsistente o auto de infração, pelos motivos expostos. Alternativamente, pede que se afaste a aplicação da multa de 150% em relação ao valor da dívida principal. Protesta, ainda, por todos os meios de prova admissíveis em Direito, em especial, pela prova pericial, indicando e qualificando, desde já, o perito para apuração do valor total de todas as vendas realizadas pela Supergasbras S.A. para a autuada, no ano de 2002, e apontando, inclusive, o local onde a perícia será realizada. Para comprovar suas alegações, junta os docs. de fls. 2.501/2.542, constituídos por demonstrativos das vendas da Supergasbras S.A. para a Industrialgas Ltda., durante o ano de 2002. Cientificado em 20/10/2008 (AR – fls. 2567), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 2568 e seguintes, em 14/11/2008, onde em síntese reitera as alegações constantes da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais pertinentes, devendo por isso ser conhecido. Conforme relatado, tratase recurso contra a decisão que manteve o auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Simples, da contribuição para o Programa de Integração Social Simples, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples e da Contribuição para Seguridade Social INSS Simples, todos referentes aos períodos apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2003. Segundo a Recorrente, a despeito do ato que a excluiu do SIMPLES, a partir de 01/01/2004, conforme publicação no Diário Oficial da União, de 27/08/2008, todavia, já em 01/01/2003 não estava mais sujeita à tributação simplificada, vez que em 2002, teve uma receita no valor de R$ 2.991.728,11 (dois milhões, novecentos e noventa e um mil, setecentos e vinte e «oito reais), superior a R$1.200.000,00, quando deixou de ser uma empresa de pequeno porte, conforme preceitua o art. 15, IV, da Lei 9.317/96,.pretendendo assim ser beneficiada com o instituto da denúncia espontânea. Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10976.000216/200867 Acórdão n.º 1101001.289 S1C1T1 Fl. 185 7 Todavia, o ato que determinou a exclusão da recorrente do SIMPLES não se encontra em discussão nos presentes autos, e uma vez que a mesma não tomou a iniciativa de se submeter à tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não podendo ocorrer a sua exclusão de forma retroativa, a opção pela tributação normal deve ser exercida após o ato de exclusão, e voluntariamente quando da constatação de que não mais poderia mais se submeter à regra simplificada de tributação, é o que se depreende do disposto na Lei Complementar nº 123/2006: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do periodo em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ' § 2° Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual.(Grifo nosso). Ainda que o Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples tivesse em discussão, o que não é o caso, não haveria impedimento para a constituição do crédito tributário na modalidade do SIMPLES, conforme permite concluir a Súmula CARF nº 77, in verbis: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. No mesmo sentido: Título Acórdão nº 10809191 do Processo 19647008332200588 Data 24/01/2007 Ementa EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO Havendo exclusão de ofício do sistema integrado, através de ato declaratório executivo, sem impugnação, a exclusão se torna definitiva no âmbito administrativo. IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro líquido do exercício, ajustandoo, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DESCABIMENTO Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício só cabe a exasperação da multa quando restar tipificada a hipótese de incidência do artigo 1º inciso I da Lei 8137/1990. No caso dos autos se aplica a multa de ofício do inciso primeiro do artigo 44 Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 8 da Lei 9430/1996. Preliminares rejeitadas. Recurso Parcialmente Provido. URN urn:lex:br:primeiro.conselho.contribuintes;camara.8;turma.ordi naria:acordao:20070124;10809191 Nesse sentido este colendo CARF teve ocasião de assentar que o ingresso ou permanência no SIMPLES ser questão precária sujeita à reapreciação dos cumprimento dos requisitos legalmente estabelecidos, in verbis: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 110100271 do Processo 10980004516200694 Data08/04/2010 Ementa ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES EXCESSO DE RECEITA BRUTA GLOBAL.NÃO PODEM OPTAR PELO SIMPLES AS PESSOAS JURÍDICAS CUJO TITULAR OU SÓCIO PARTICIPE COM MAIS DE 10% (DEZ POR CENTO) DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA, E A RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSE O LIMITE ANUAL FIXADO EM LEI.ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA (SÚMULA CARF N° 2). EXCLUSÃO, RETROATIVIDADE, A EXCLUSÃO DO SIMPLES PODE OPERAR EFEITOS RETROATIVOS À DATA DA SITUAÇÃO IMPEDITIVA, NOS CASOS EM QUE A LEI ASSIM PREVÊ.INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES DIREITO ADQUIRIDO O INGRESSO OU A PERMANÊNCIA NO SIMPLES É SITUAÇÃO PRECÁRIA, SUJEITA À REAPRECIAÇÃO DA SATISFAÇÃO DOS REQUISITOS EXIGIDOS EM LEI, SEJA PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE, SEJA PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO PARA MANTER A EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SIMPLES, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTOS QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial Acórdão nº 180300809 do Processo 13643000700200765 Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10976.000216/200867 Acórdão n.º 1101001.289 S1C1T1 Fl. 186 9 Data 28/01/2011 Ementa ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENOPORTE SIMPLESANOCALENDÁRIO: 2007EXCLUSÃO DO SIMPLESÉ POSSÍVEL A EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO CONTRIBUINTE DO REGIME SIMPLES, DESDE QUE DEMONSTRADA DE MANEIRA INEQUÍVOCA A SUA INTENÇÃO DE NÃO SE SUBMETER AO REGIME DO SIMPLES, BEM COMO A EXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL QUE SUPORTE A APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL DE ACORDO COM O REGIME PRESUMIDO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR PROVIMENTO AO RECURSO NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. AUSENTE MOMENTANEAMENTE O CONSELHEIRO BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR. URN urn:lex:br:conselho.administrativo.recursos.fiscais;secao.julgam ento.1;turma.especial.3:acordao:20110128;180300809 A pretensa denúncia espontânea desejada pela Recorrente, sem qualquer recolhimento de tributo (por estar decadente) não pode ser admitida, porquanto não há provas concretas nos autos da veracidade dos fatos, além disso requerida após o início da ação fiscal, pelo que não há que se falar em aplicação desse instituto, nos termos do art. 138, parágrafo único do CTN. Assim sendo encaminho meu voto de rejeitar as preliminares de negar provimento ao recurso, devendo a mesma ser considerada excluída do SIMPLES a partir de janeiro de 2004, estando a mesma sujeita à tributação simplificada no anocalendário de 2003. Em relação à multa de ofício de 150%, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pelo entendimento da Fiscalização, encampado pela decisão recorrida, que o fato da Recorrente ter registrado apenas parcialmente no Livro Caixa os valores referentes ao pagamento de aquisições de mercadorias, teria a intenção de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária, caracterizando, dessa forma, o evidente intuito de fraude, tipificando o disposto nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 10 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Entretanto, entendo que o registro parcial no Livro Caixa de valores recebidos pela Recorrente, por si só, não caracteriza as situações prefiguradas nos artigos acima citados, pois haveria que se demonstrar de forma clara e precisa quanto à intenção dolosa do contribuinte, conforme já teve ocasião de assentar a jurisprudência deste colendo CARF, conforme permite concluir as ementas parcialmente abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE. DECLARAÇÕES ZERADAS. CONSTATAÇÃO DO AUFERIMENTO DE RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Caracterizada a omissão de rendimentos tributáveis escriturados pelo contribuinte, mas não declarados, correto o lançamento. MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados no livro caixa. (Ac. 1103000.502, relator Conselheiro HUGO CORREIA SOTERO, julgado em 29/06/2011). No mesmo sentido: MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS IMPOSSIBILIDADE DA QUALIFICAÇÃO. SOMENTE É JUSTIFICÁVEL A EXIGÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA PREVISTA NO ARTIGO ART. 44, II, DA LEI Nº 9.430/96, QUANDO O CONTRIBUINTE TENHA PROCEDIDO COM EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE, NOS CASOS DEFINIDOS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI N° 4.502/64. O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE DEVERÁ SER MINUCIOSAMENTE JUSTIFICADO E COMPROVADO NOS AUTOS. (Ac. nº 210200386 do Processo 16004001202200672 – julgado em 30/10/2009 Por fim, mesmo nos casos em que é possível a presunção legal quanto à omissão de receita ou rendimentos, é necessária a comprovação das circunstâncias previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, assunto já sumulado por este colendo CARF, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10976.000216/200867 Acórdão n.º 1101001.289 S1C1T1 Fl. 187 11 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada de 150%, devendo ser mantida a multa de ofício de 75% sobre os valores apurados. [documento assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 12 Voto Vencedor Paulo Mateus Ciccone Redator designado. Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE Divirjo do I. Relator apenas no que tange ao seu entendimento acerca da qualificação da multa de ofício à razão de 150% sobre as “omissões de receitas” imputadas pelo Fisco. Como consta nos autos, a recorrente teve contra si lançados valores relativos aos tributos inseridos na sistemática do então vigente SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/1996) em razão de apuração, pelo Fisco, de omissão de receitas no cotejo entre os valores escrituradas nos Livros Caixa e Registro de Entradas e os valores de mercadorias adquiridas da sua fornecedora SHV Gás Brasil Ltda. em 2003 (fls. 84), Na forma do discorrido no TVF, i) não teria havido comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos pagamentos/recebimentos dos valores relativos às aquisições/vendas de gás e da efetiva entrega/recebimento dos produtos; ii) a fiscalizada não possuiria controle dos valores recebidos pela venda de gás, dos pagamentos efetuados a sua fornecedora, dos dados cadastrais de seus clientes; iii) no seu Livro Caixa não foram escriturados os pagamentos de todas as aquisições de gás realizados no ano de 2003; iv) a recorrente não teria discordado das informações prestadas pela SHV acerca das importâncias por ela recebidas pela venda de mercadorias; e, v) os valores escriturados mensalmente no Livro Registro de Saídas (fls. 2.430/2.451) não guardam relação com as compras efetuadas e pagas no ano de 2003 (TVF quadro 3 de fls. 84). A partir desta constatação, a Autoridade Fiscal lavrou os autos de infração considerando como irregularidades: a) como “omissão de receitas”, as diferenças entre os valores pagos mensalmente em 2003 pela Industrialgás Ltda. à SHV e os valores escriturados no Livro Caixa e Livro Registro de Entradas, visto que se referem a aquisições de mercadorias não registradas; neste caso, a multa de ofício aplicada foi de 150%. b) como “insuficiência de recolhimento”, os valores apurados a partir da soma das receitas omitidas com os valores originalmente declarados pela recorrente e que alteraram o percentual a ser aplicado mensalmente sobre a receita bruta para a determinação do valor devido a título de Simples, com evidente alteração no valor preliminarmente informado; aqui, a multa de ofício foi de 75%. No entender da recorrente e do ilustre Relator, a duplicação da multa não se justificaria, devendo a mesma ser reduzida ao seu patamar de rotina, ou seja, 75%. Com a devida vênia, penso de forma diferente. Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10976.000216/200867 Acórdão n.º 1101001.289 S1C1T1 Fl. 188 13 É certo, como alertado no voto vencido, que o CARF possui Súmula (nº 25), pregando pela não qualificação da multa nos casos de omissão de receitas sem a indispensável comprovação de uma das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/19641. Todavia, a leitura reversa do epítome mostra que, presentes e comprovadas uma das hipóteses dos três artigos referidos, ou seja, sonegação, fraude ou conluio, implicando na existência de dolo (animus) do sujeito passivo em causar os efeitos elencados na mencionada norma legal, a qualificação se mostrará irretocável. Concretamente o que se tem nos autos é que a recorrente, de forma contumaz, ocultou da sua escrituração (Livro Caixa) diversos pagamentos feitos a sua fornecedora principal, SHV Gás Brasil Ltda. no ano de 2003 pela aquisição de mercadorias/insumos, situação não só comprovada durante o procedimento investigativo como literalmente reconhecida pela autuada. Ora, é pacífico que, confirmadas a não escrituração de compras e dos pagamentos correspondentes, estáse diante de uma presunção de omissão de receitas, a teor do 281, II, do RIR/1999: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (...) II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Antes de prosseguir, cabe lembrar que, na forma do artigo 18, da Lei nº 9.317/1996 (Lei do Simples Federal, hoje revogada, mas vigente à época dos fatos geradores e lançamentos aqui tratados), “aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas”, de modo que aplicável o mandamento do RIR/1999 ao caso aqui apreciado. Seguindo, sabese que, por se tratar de presunção, o aprofundamento na investigação se faz imprescindível, até porque, como visto, inexiste no Regulamento do Imposto de Renda vigente, a figura jurídica da presunção legal de omissão de receitas em face de omissão de compras, existindo, sim, a presunção por “falta de escrituração de pagamentos efetuados”. 1 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE 14 Nesta linha, o trabalho fiscal foi irretocável, comprovando, inclusive via circularização junto ao fornecedor da recorrente, SHV Gás Brasil Ltda., que ela recebeu da autuada, sua cliente, Industrialgás, valores que esta não registrou em seu Livro Caixa e nem escriturou as respectivas notas fiscais em seu Livro Registro de Entradas. Esta situação fática COMPROVADA e não desmentida pela própria recorrente, teve como objetivo esconder tal fato ao Fisco, evidentemente com um único propósito: o de pagar menos tributo, procedimento facilmente detectável pelo quadro sinótico abaixo: 1. como o regime do SIMPLES implica em calcular os tributos sobre a receita bruta, quanto menor esta, menor o valor apurado e devido; 2. nesta realidade, as despesas e custos têm menor (ou quase nenhuma) relevância, posto que, como dito, a tributação é sobre a receita e não sobre o lucro; 3. ainda neste cenário, quanto “menos” notas fiscais de compras forem registradas e pagas, menos “caixa” precisará a empresa para quitálas, ou seja, “menos” receita terá que escriturar na outra ponta para ter “caixa” para pagar as aquisições. 4. consequentemente, menos tributo pagará. Foi exatamente isto que a recorrente visou atingir com seu modus procedendi, ou seja, foi movido por este animus que desenvolveu suas atividades no ano de 2003. Assim, não é preciso ir mais longe para se constatar que o “dolo”, elemento fundamental para a qualificação da multa, se fez presente. No contexto, impende não perder o foco: segundo a teoria finalista da ação, adotada pelo nosso Código Penal (Parte Geral), art. 18I, redação dada pela Lei 7.209/1984, e consoante a melhor doutrina pátria de direito penal, o dolo faz parte da tipicidade (do tipo penal), e pode ser dolo direto (ocorre quando o agente quis o resultado e praticou ação nesse sentido) ou dolo indireto ou eventual (quando o agente, com sua ação, assumiu o risco de produzir o resultado). No caso, não se trata de presunção de dolo, mas sim da existência de dolo direto, pois o procedimento do sujeito passivo está subsumido na conduta típica de sonegação (art. 71 da Lei 4.502/64) e nos incisos I e II do art. 1º da Lei 8.137/90. Em suma, é entendimento pacífico na seara administrativa que, apurada omissão de receitas e cumulado tal fato com procedimento contumaz do contribuinte em buscar, mediante ação ou omissão dolosa, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou, ainda, a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento, a qualificação da multa é ato que se impõe. A jurisprudência administrativa é nesta linha: Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10976.000216/200867 Acórdão n.º 1101001.289 S1C1T1 Fl. 189 15 Nº Recurso 169800 Número do Processo 10821.000205/2008 41 Órgão Julgador Primeira Turma/Segunda Câmara/Primeira Seção de Julgamento Relator(a) Guilherme Adolfo dos S. Mendes Nº Acórdão 120100205 MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta missiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada (Segunda Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 11/11/2010 Relator(a) Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão 1402 000.314) Deste modo, presentes os requisitos exigidos para a exasperação da multa de ofício ao patamar de 150%, nenhum reparo deve ser feito ao trabalho do Fisco, pelo que mantenho a aplicação da multa qualificada. Pelas razões expostas, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação à qualificação da multa de ofício, mantendoa. No mais, acompanho o Relator nos outros temas aqui tratados. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 04 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator designado Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 01/06/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 27/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000437/2007-92
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC.
O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção.
OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS.
Rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, pela razão do PERC ter sido apresentado intempestivamente, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, pela razão do PERC ter sido apresentado intempestivamente, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, pela razão do PERC ter sido apresentado intempestivamente, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 37 /2 00 7- 92 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 236 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0609 com a exigência do crédito tributário no valor de R$758.443,13 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente ao anocalendário de 2002. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 FUNDOS DE INVESTIMENTOS FINOR, FINAM, FUNRES APLICAÇÃO EXCESSO EM DETRIMENTO DO IMPOSTO [...] Art. 601, §§ 6° e 7º , do RIR/99; Art. 4°, §§ 6° e 7º , da Lei n° 9.532/97; Art. 13, §§ 6° e 7º , da Medida Provisória n° 2.058/00 e reedições; Art. 60, da Lei n° 9.069/95. Cientificada em 10.12.2007, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 137 144, com as alegações abaixo transcritas. A Autoridade Fiscal, em procedimento interno de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte — BB DTVM mediante Mandado de Procedimento Fiscal n° 0716600/00119/07, efetuou o presente lançamento de ofício, lavrando o aludido Auto de Infração — (Doc. II) em razão da(s) seguinte(s) infração(ções) verificada(s): 001 — FUNDOS DE INVESTIMENTOS — FINOR, FINAM, FUNRES — APLICAÇÃO — EXCESSO EM DETRIMENTO DO IMPOSTO O valor monta a R$758.443,13 (setecentos e cinqüenta e oito mil, quatrocentos e quarenta e três reais e treze centavos), em 17.12.2007, sendo R$301.651,81 (imposto), R$230.552,47 (juros de mora) e R$226.238,85 (multa proporcional), o qual, como se demonstrará a seguir, é improcedente, de acordo com a doutrina e a jurisprudência dominantes. PRELIMINARMENTE Preliminarmente, vem a Impugnante levantar a DECADÊNCIA da cobrança do aludido débito, uma vez que se refere à Imposto de Renda, cujo fato gerador Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 237 3 ocorreu em 28 de fevereiro de 2002, sendo o Auto de Infração lavrado apenas em 17.12.2007. Outrossim observese que, mesmo para os casos de apuração anual do IRPJ, o contribuinte tem a obrigação de calcular e recolher os valores apurados por estimativa em todos os meses do período (fato gerador) em que identificar IRPJ a pagar, razão pela qual já ter decaído o débito ora exigido, cuja origem seria no mês de fevereiro de 2002. [...] Portanto, por já ter transcorrido 05 (cinco) anos após a ocorrência da hipótese de incidência — fev/2002 , temse a regra decadencial qüinqüenal dos arts. 150, § 4°, e 173 do Código Tributário Nacional, c/c art. 1° da Lei n° 9.783, de 23.11.99 — de 05 (cinco) anos, não podendo mais ser exigível. [...] Pelo que consta do Auto de Infração, a Impugnante recolheu a menor o valor do Imposto de Renda — IRPJ — em fev/2002, em razão de excesso nas destinações mensais feitas ao FINOR. Com efeito, a Impugnante recolheu DARF com código específico para o FINOR (9017) em fev/2002, no valor de R$ 301.651,81, sendo que a Receita Federal do Brasil — RFB, com base no referido DARF, apurou inicialmente o incentivo fiscal a que tinha direito a Impugnante, não tendo sido o mesmo reconhecido, ao final, em razão de eventuais pendências fiscais, com fulcro no art. 60 da Lei n° 9.069/95. Uma vez transcorrido in albis o prazo para a apresentação da PERC, até 30.06.2006, conforme ADE CORAT n° 67/05, ato contínuo, foi lançado o crédito tributário sub oculis, mediante a subseqüente lavratura do Auto de Infração ora guerreado. A fundamentação para o não reconhecimento do incentivo pleiteado foi o art. 60 da Lei n° 9.069/95, que dispõe o seguinte: "Art. 60 — A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." ou seja, se o contribuinte estiver em débito com a Receita Federal, o incentivo não será reconhecido. Ocorre que, com a devida vênia, a Impugnante não possui pendências — débitos — com a Receita Federal do Brasil RFB, conforme podese depreender pela análise das Certidões Negativas, ou Positivas com Efeito de Negativas, emitidas pela RFB no período, inclusive até a presente data (Docs.III, IV, V, VI, VII e VIII). Inclusive pela data constante do AR à fl. 18 do Processo Administrativo n° 19740.000.398/200723 — 15.12.2005 — que porventura teria encaminhado o extrato com as informações a respeito do resultado da auditoria das aplicações efetuadas no FINOR — cujo desdobramento natural desaguaria na apresentação da PERC, verificase que em 09.01.2006 foi emitida Certidão Positiva com Efeitos de Negativa pela RFB (Doc. V), o que vem corroborar a situação regular da Impugnante perante a RFB, quando do período para a apresentação da PERC. Assim, o fundamento para a negativa do reconhecimento do incentivo fiscal pleiteado, qual seja, a falta de comprovação da regularidade fiscal junto à RFB, inexistiu, haja vista as certidões negativas ora apresentadas. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 238 4 Portanto, se a Impugnante encontravase regular para com o Fisco, o incentivo fiscal objetivado não poderia ter sido negado e, conseqüentemente, o DARF recolhido em fev/2002, no valor de R$ 301.651,81, com código específico para o FINOR (9017), deveria ser integralmente aceito. No que tange à falta de apresentação do PERC no prazo estatuído no ADE CORAT n° 67/05, mister trazer à baila o entendimento uníssono do Conselho de Contribuintes, no sentido de que o prazo para o encaminhamento do PERC é o mesmo que a RFB dispõe para a exigência do tributo, [...] Daí vem a Impugnante apresentar, nesta oportunidade, o PERC em anexo (Doc. IX), ressalvandose, desde já, que por diversas ocasiões buscou protocolar o PERC, no mês de dez/2007, junto à DEINF/RJ, não logrando êxito, infortunadamente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: DO EXPOSTO, a Impugnante requer a V.Sa. que determine a le, desconstituição do crédito tributário ora impugnado, no valor de R$758.443,13 (setecentos e cinqüenta e oito mil, quatrocentos e quarenta e três reais e treze centavos), por falta de amparo legal à lavratura do mencionado Auto de Infração, porquanto a Impugnante encontrase em situação regular perante a Receita Federal do Brasil. Outrossim, ad cautelam, requer a V.Sa. seja providenciada a não inclusão do nome da Impugnante junto ao CADIN, e/ou a inscrição do débito junto à Dívida Ativa da União, enquanto não haja uma decisão definitiva do Processo Administrativo em destaque. Protesta e requer, finalmente, por todos os meios de provas admitidas, principalmente, a juntada posterior de documentos que comprovem as alegações firmadas. Está registrado como ementa e excerto do Voto condutor do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1224.904, de 01.07.2009, fls. 192201: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: INTEMPESTIVIDADE. ORDEM DE EMISSÃO DE CERTIFICADO DE INVESTIMENTO A falta de emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, ou a emissão do extrato com a opção cancelada deverão ser contestadas pelas pessoas jurídicas optantes quanto ao ano calendário de 2.002 até o dia 30 de junho de 2.006 (ADE CORAT n°67/05). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. ADN 15/96. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem é objeto de decisão. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 239 5 IRPJ. EXCESSO DE VALOR DESTINADO AO FINOR. Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda (Lei n° 9.532, de 1997, art. 4°, § 7°). Lançamento Procedente Notificada em 17.07.2009, fl. 205, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 0308.2009, fls. 206214 e 232, esclarecendo: Preliminarmente, vem a Recorrente reiterar a DECADÊNCIA da cobrança do aludido débito, uma vez que se refere à Imposto de Renda, cujo fato gerador ocorreu em 28 de fevereiro de 2002, sendo o Auto de Infração lavrado apenas em 17.12.2007. 9. Outrossim observese que, mesmo para os casos de apuração anual do IRPJ, o contribuinte tem a obrigação de calcular e recolher os valores apurados por estimativa em todos os meses do período (fato gerador) em que identificar IRPJ a pagar, razão pela qual já ter decaído o débito ora exigido, cuja origem seria no mês de fevereiro de 2002. [...] Portanto, por já ter transcorrido 05 (cinco) anos após a ocorrência da hipótese de incidência — fev/2002 , temse a regra decadencial quinquenal dos arts. 150, § 4°, e 173 do Código Tributário Nacional, c/c art. 1° da Lei n°9.783, de 23.11.99 — de 05 (cinco) anos, não podendo mais ser exigível. [...] Pelo que consta do Auto de Infração, a Recorrente recolheu a menor o valor do Imposto de Renda — IRPJ — em fev/2002, • em razão de excesso nas destinações mensais feitas ao FINOR. Com efeito, a Recorrente recolheu DARF com código específico para o FINOR (9017) em fev/2002, no valor de R$ 301.651,81, sendo que a Receita Federal do Brasil — RFB, com base no referido DARF, apurou inicialmente o incentivo fiscal a que tinha direito a Recorrente, não tendo sido o mesmo reconhecido, ao final, em razão de eventuais pendências fiscais, com fulcro no art. 60 da Lei n° 9.069/95. Uma vez transcorrido in albis o prazo para a apresentação da PERC, até 30.06.2006, conforme ADE CORAT n° 67/05, ato contínuo, foi lançado o crédito tributário sub oculis, mediante a subseqüente lavratura do Auto de Infração ora guerreado. A fundamentação para o não reconhecimento do incentivo pleiteado foi o art. 60 da Lei n° 9.069/95 [...]. Ou seja, se o contribuinte estiver em débito com a Receita Federal, o incentivo não será reconhecido. Ocorre que, com a devida vênia, reitera a Recorrente que não possuía pendências — débitos — á época, com a Receita Federal do Brasil RFB, conforme podese depreender pela análise das Certidões Negativas, ou Positivas com Efeito de Negativas, emitidas pela RFB no período. Inclusive pela data constante do AR à fl. 18 do Processo Administrativo n° 19740.000.398/200723 — 15.12.2005 —que porventura teria encaminhado o extrato com as informações a respeito do resultado da auditoria das aplicações efetuadas no FINOR— cujo desdobramento natural desaguaria na apresentação da Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 240 6 PERC, verificase que em 09.01.2006 foi emitida Certidão Positiva com Efeitos de Negativa pela RFB, o que vem corroborar a situação regular da Recorrente perante a RFB, quando do período para a apresentação da PERC. Assim, o fundamento para a negativa do reconhecimento do incentivo fiscal pleiteado, qual seja, a falta de comprovação da regularidade fiscal junto à RFB, inexistiu, haja vista as certidões negativas ora apresentadas. Portanto, se a Recorrente encontravase regular para com o Fisco, o incentivo fiscal objetivado não poderia ter sido negado e, conseqüentemente, o DARF recolhido em fev/2002, no valor de R$301.651,81, com código específico para o FINOR (9017), deveria ser integralmente aceito. No que tange à falta de apresentação do PERC no prazo estatuído no ADE CORAT n° 67/05, mister trazer à baila o 411 entendimento uníssono do Conselho de Contribuintes, no sentido de que o prazo para o encaminhamento do PERC é o mesmo que a RFB dispõe para a exigência do tributo [...]. Por outro lado, com a devida vênia, os judiciosos entendimentos do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, vinculam sim as decisões de 1ª instância das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, pois é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o órgão julgador de 2' instância, cuja decisão vai prevalecer em sede administrativa, fazendo inclusive coisa julgada para a Administração Pública Federal, leiase Receita Federal do Brasil, razão pela qual a Recorrente repudia, veementemente, a infeliz afirmativa feita pela ilustre autoridade julgadora à fl. 175, no sentido de que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes "em nada vinculam o entendimento das Delegacias de Julgamento". Por conseguinte, a apresentação da PERC de fl. 166, em conjunto com a impugnação de fls. 124/131, apresentase como absolutamente tempestiva, em total repúdio à decisão de 1' instância. Ademais, afirma a ilustre autoridade julgadora, sobre a PERC de fl. 166, que "o contribuinte deveria ter apresentado manifestação de inconformidade em processo próprio relativo aos Incentivos Fiscais (Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais) e não no presente ‘n processo de impugnação ao lançamento." Mas uma vez equivocase a ilustre autoridade julgadora. Pelo principio constitucional da ampla defesa, o contribuinte pode apresentar todo e qualquer documento que se relacione a sua defesa, no prazo legal, sendo certo que, se foi juntada documentação relativa à outro procedimento fiscal, desde que tempestivo, como foi no presente caso, caberá à autoridade fiscal determinar a sua extração, com a juntada no respectivo processo fiscal já existente, ou a instauração de um novo, se for a hipótese. Assim, ainda que a juntada, ressalvese, tempestiva, da PERC em questão, tenha sido feita de uma forma inadequada, isso não significa tornála imprestável para fins administrativos, desprezandoa como um instrumento defesa do contribuinte, como foi 0111 feito pelo julgador a quo, infortunadamente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 241 7 Conclui que: EX POSITIS, requer a Recorrente o provimento do presente Recurso para, reformando a decisão recorrida, anular integralmente a autuação fiscal objeto do Auto de Infração sub oculis, lavrado em 17.12.2007, mediante o reconhecimento da decadência. Caso não acolhido esse pedido, o que apenas por hipótese se admite, pede a Recorrente, da mesma forma, a desconstituição do crédito tributário ora impugnado, pois entende que as razões para a negativa do incentivo fiscal pleiteado não existiram, já que se encontrava a Recorrente em situação regular perante a Receita Federal do Brasil, conforme amplamente demonstrado pela documentação juntada, bem como pela PERC de fl. 166, a qual deverá ser aceita como tempestiva, porquanto melhor se coaduna com o entendimento já pacificado por esse E. Conselho. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos seis dias do mês de maio do ano de dois mil e quatorze, às nove horas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, 306 Sala, em Brasília Distrito Federal , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO RODRIGUES MENDES, WALTER ADOLFO MARESCH, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, ARTHUR JOSE ANDRE NETO e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 19740.000437/200792 Recorrente: BB ADMINISTRACAO DE ATIVOS DTVM S/A e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.163 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 242 8 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita o o lançamento foi alcançado pela decadência. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública, que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento.Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta dolosa qualificada pela sonegação, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC1, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2. No presente caso, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, ainda que o termo de início da contagem do prazo decadencial começasse a fluir da ocorrência do fato gerador, a intimação da exigência de IRPJ do anocalendário de 2002 foi efetivada em 10.12.2007, fl. 132, de modo que até a data do fato gerador ocorrido em 01.01.2003 não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente argumenta que o PERC deveria ter sido apreciado. Sobre a matéria, Ato Declaratório Executivo CORAT n. 67, 6 de outubro de 2.006, determina: "O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, no uso de suas atribuições, declara: 1 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 2 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 243 9 Art. 1º O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC),relativo às opções pelo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor), Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) ou Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo (Funres), manifestadas em relação ao imposto de renda devido no anocalendário de 2002, na forma do art. 18 da Medida Provisória n°2.19914, de 24 de agosto de 2001, do inciso XVIII do art. 32 da Medida Provisória n° 2.1565, de 24 de agosto de 2001, do inciso IV do art. 32 da Medida Provisória n" 2.1575, de 24 de agosto de 2001, e do art. 9" da Lei n" 8.167, de 16 de janeiro de 1991, alterado pelo art. 4o da Medida Provisória n° 2.19914, de 2001, poderá ser apresentado até 30 de junho de 2006 à unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário da pessoa jurídica. Art. 2º Este Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua publicação." Os prazos legais são peremptórios, já que não podem ser reduzidos ou prorrogados pela vontade das partes. Verificase que a Recorrente deixou transcorrer o prazo para apresentar Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), relativo à opção de aplicação de parcela do IRPJ do anocalendário 2002, cujo prazo foi prorrogado para 30.06.2006. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Como o pedido de fl. 189 foi formulado somente quando da apresentação da impugnação, em 10.01.2008, fls. 137144, efetivamente ultrapassou o limite estabelecido no o Ato Declaratório Executivo CORAT n° 67, de 32, de 6 de outubro de 2005. Assim, por ter sido apresentado intempestivamente o PERC não mais pode ser analisado e as informações ali constantes estão findas na esfera administrativa. A oposição mostrada pela defendente, no entanto, não se mostra representativa da realidade. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. A possibilidade da destinação de parte do IRPJ para incentivos regionais tinha fundamento na Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991: Art. 1o. A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao períodobase de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) (DecretoLei n o. 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11. alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo (Funres) (DecretoLei n o 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V); Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 244 10 A referida norma foi revogada em 03.05.2001 pela Medida Provisória no 2.145, de 02 de maio de 2001, resguardando o direito para as pessoas que já o tenham exercido até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, e desde que estejam em situação de regularidade, de modo a cumprir todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. O direito à aplicação em incentivos fiscais encontrase disposto no Regulamento do Imposto de Renda de 1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 29 de março de 1999, RIR, de 1999: Art. 592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (DecretoLei n o 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 19. [...] Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. (Lei n°9.532, de 1997, art.49). § 1o. A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) especifico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: 1 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; III 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. [...] Art. 609. A pessoa jurídica, mediante indicação em sua declaração de rendimentos, poderá optar pela aplicação de percentuais do imposto devido, na forma a seguir indicada, no FINOR, em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento econômico dessa região pela SUDENE, inclusive os relacionados com pesca, turismo, florestamento e reflorestamento localizados nessa área (DecretoLei n o.1.376, de 1974, art. 11, inciso I, DecretoLei n o 1.478, de 26 de agosto de 1976, art. 12, DecretoLei n o 2.397, de 1987, art. 12, inciso III, Lei n o 8.167, de 1991, arts. 1 o, inciso I, e 23, e Lei n o 9.532, de 1997, art. 2 o: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 245 11 1 trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de o de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II vinte por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III dez por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. Parágrafo único.Fica extinto, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1 o de janeiro de 2014, o beneficio fiscal de que trata este artigo (Lei n o 9.532, de 1997, art. 2 o, § 22). Nesse sentido, o art. 4° da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, matriz legal do art.601 do RIR, de 1999, indicava as formas que dispunha a pessoa jurídica para manifestar a opção pela aplicação em investimentos regionais, enquanto vigente o incentivo fiscal ora discutido. Uma das formas de opção era manifestada no curso do anocalendário, por intermédio do recolhimento de parcela do imposto devido efetuado em DARF específico, no qual deveria constar o código do respectivo fundo de investimento ou na declaração de rendimentos. Este dispositivo foi revogado pelo art.18 da Medida Provisória n° 2.19914, de 2001, na esteira da extinção do incentivo fiscal em comento por meio da Medida Provisória n° 2.145, de 2001, que, por isso, passou a prescindir de disciplinamento quanto à forma de opção pelo seu gozo. A Recorrente manifestou a sua opção por destinar parte do imposto ao FINOR, por intermédio do recolhimento de parcela do imposto devido efetuado em DARF específico. Mas também, com base naquela mesma legislação, ao fazer a opção se submeteu, também, às demais regras então em vigor, para fruição do incentivo, nos termos da mencionada Lei nº 9.532, de 1997: Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. § 1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: I 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; III 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 246 12 § 2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado. § 3º Os recursos de que trata este artigo serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias. § 4º A liberação, no caso das pessoas jurídicas a que se refere o art. 9º da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, será feita à vista de DARF específico, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. § 5º A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. § 6º Se os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, excederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na declaração de rendimentos, a parcela excedente será considerada: a) em relação às empresas de que trata o art. 9º da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, como recursos próprios aplicados no respectivo projeto; b) pelas demais empresas, como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DARF. § 7º Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. § 8º Fica vedada, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2014, a opção pelos benefícios fiscais de que trata este artigo. Verificase, pois, que ao fazer sua opção a Recorrente se submeteu às demais condições, dentre as quais a de que a opção cumprindo as determinações regularmente, uma vez efetuada seria irretratável, e de que os valores que excedessem o total a que a pessoa jurídica tivesse direito seriam considerados como investimentos com recursos próprios ou como subscrição voluntária para o fundo, além de ficar sujeita ao recolhimento do IRPJ que deixou de ser recolhido com os devidos acréscimos. No presente caso, temse rejeitada a opção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, pela razão do PERC ter sido apresentado intempestivamente, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do IRPJ que deixou de ser recolhido. Nesse sentido, os valores destinados ao fundo são considerados como de subscrição voluntária ou de destinação com recursos próprios e o valor do IRPJ deixou de ser recolhido em virtude deste fato deve ser pago com acréscimos legais. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.000437/200792 Acórdão n.º 1803002.163 S1TE03 Fl. 247 13 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10907.001444/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO - CORREÇÃO - ART. 60 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Constatado erro material na ementa do acórdão em sede de Recurso Voluntário, acolhem-se parcialmente os embargos de declaração para retificação da inexatidão material na ementa, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mantida a fundamentação do v. Acórdão embargado.
Embargos Acolhidos em Parte
Sem Crédito em Litígio
Embargos Acolhidos em Parte
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3402-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e acolhidos parcialmente nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Alexandre Kern, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva..
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Interessado FAZENDA NACIONAL (PGFN) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO CORREÇÃO ART. 60 DO DECRETO Nº 70.235/72. Constatado erro material na ementa do acórdão em sede de Recurso Voluntário, acolhemse parcialmente os embargos de declaração para retificação da inexatidão material na ementa, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mantida a fundamentação do v. Acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte Sem Crédito em Litígio Embargos Acolhidos em Parte Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e acolhidos parcialmente nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 14 44 /2 00 7- 97 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Alexandre Kern, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.. Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) interpostos pela contribuinte, por supostas inexatidão material e omissão no v. Acórdão nº 3402001.819 exarado pela C. 2ª Turma da 4ª Câmara do CARF (fls. 117/136) em sede de Recurso Voluntário de minha relatoria que, em sessão de 27/06/12, pelo voto de qualidade negou provimento ao recurso (vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que afastavam a multa do art. 628, III, “D” do RA), aos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa e súmula: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/06/2007 VISTORIA ADUANEIRA EXTRAVIO DE MERCADORIA NO TRANSPORTE INCÊNDIO NO NAVIO ANTES DO DESEMBARQUE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR E DO AGENTE MARÍTIMO SEU REPRESENTANTE NO PAÍS OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO II, IPI, PIS E COFINS DECRETOLEI Nº 37/66 (arts. 1º, §§ 2º, 23, § único, 32, incs. I e II e § único, inc. II, 41, inc. III, 60, inc. II e § único) Comprovado o nexo de causalidade entre o transportador marítimo e o acidente (incêndio no navio) que ocasionou o extravio parcial da mercadoria importada antes do seu desembarque, sem que se pudesse opor as eximentes ou excludentes de responsabilidade (caso fortuito ou força maior), restam caracterizadas, nos termos da legislação de regência, a responsabilidade do transportador pelos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas em razão do acidente, e a responsabilidade solidária do agente marítimo na qualidade de representante, no País, do transportador estrangeiro. MULTA EXTRAVIO OU FALTA DE MERCADORIA APURADOS EM VISTORIA ADUANEIRA PRINCÍPIOS DA TIPICIDADE CERRADA E DA PERSONALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A PESSOAS ALHEIAS À INFRAÇÃO. Em face dos princípios da tipicidade cerrada (CTN arts. 97, inc. V, 113, § 1º e 114) e da personalidade da sanção (art. 5º, XLV da CF/88), a multa punitiva pela infração de extravio ou falta de mercadoria apurada em Vistoria Aduaneira (art. 106, inc. II, alínea “d” do Decretolei nº 3 7/66), somente é aplicável àqueles que praticaram a conduta típica e sejam os responsáveis pela infração (extravio ou falta de mercadoria), não podendo ser Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10907.001444/200797 Acórdão n.º 3402002.670 S3C4T2 Fl. 3 3 estendida a terceiros não relacionados com a infração, aplicandose o adágio “nemo puniturpro alieno delicto”. JUROS DE MORA SELIC INCIDÊNCIA O STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º da Lei 9.250/95, restando pacificado na Primeira Seção que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa SELIC como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que afastava a multa do art. 628, III, “D” do RA. Designada Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.” Entende a ora embargante que teria havido suposta “omissão” relativamente às seguintes questões: a) nulidade do lançamento em função da ilegitimidade da Recorrente conforme determinam a Súmula n. 192 do TFR e outras decisões judiciais existentes inclusive em seu favor e, em caso de manutenção da sua condenação no pagamento das exações em questão, como foi o caso, subsidiariamente, de b) redução da alíquota do imposto de importação na forma do Acordo de Complementação Econômica entre Mercosul e Chile, aprovado pelo Decreto 2075/96 de 19/11/96 e publicado no DO em 22/11/96, ACE35; e c) correção do lançamento considerandose a carga que efetivamente foi "extraviada", portanto, como valor aduaneiro R$ 2.036.393,98. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Os Embargos Declaratórios são tempestivos, merecem ser conhecidos e, no mérito merecem ser parcialmente acolhidos apenas para correção de erro material na ementa do v. Acórdão embargado adequandoa ao voto vencedor. Realmente, tem razão a ora embargante quando afirma que teria havido erro material na ementa do v. Acórdão embargado “posto que a Ementa do acórdão embargado cita "créditoprêmio do IPI", que não é objeto deste processo administrativo”, razão pela qual retificase o teor da ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/06/2007 VISTORIA ADUANEIRA EXTRAVIO DE MERCADORIA NO TRANSPORTE INCÊNDIO NO NAVIO ANTES DO DESEMBARQUE RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR E DO AGENTE MARÍTIMO SEU REPRESENTANTE NO PAÍS OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO II, IPI, PIS E COFINS DECRETOLEI Nº 37/66 (arts. 1º, §§ 2º, 23, § único, 32, incs. I e II e § único, inc. II, 41, inc. III, 60, inc. II e § único) Comprovado o nexo de causalidade entre o transportador marítimo e o acidente (incêndio no navio) que ocasionou o extravio parcial da mercadoria importada antes do seu desembarque, sem que se pudesse opor as eximentes ou excludentes de responsabilidade (caso fortuito ou força maior), restam caracterizadas, nos termos da legislação de regência, a responsabilidade do transportador pelos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas em razão do acidente, e a responsabilidade solidária do agente marítimo na qualidade de representante, no País, do transportador estrangeiro. JUROS DE MORA SELIC INCIDÊNCIA O STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º da Lei 9.250/95, restando pacificado na Primeira Seção que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa SELIC como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento Entretanto, o mesmo não se pode afirmar em relação às supostas “omissões” apontadas nos demais itens da peça recursal, vez que, ao contrário do que sustenta a ora embargante, inexiste qualquer omissão relativamente às questões de ilegitimidade passiva e da exigibilidade dos tributos que foi efetivamente apreciada pelo votovencido do Relator, com base na legislação de regência e na prova dos autos, quando ressalta que: “... a atribuição de responsabilidade tributária ao transportador e agentes de carga pelo extravio ou avaria de carga na importação está expressamente prevista no Decretolei nº 37/66 que, nos arts. 1º, §§ 2º, 23, § único, 32, incs. I e II e § único, inc. II, 41, inc. III, 60, inc. II e § único, estabelecem que: “Art. 1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10907.001444/200797 Acórdão n.º 3402002.670 S3C4T2 Fl. 4 5 Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarse¬á entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº2.472, de 01/09/1988) § 3º Para fins de aplicação do disposto no § 2º deste artigo, o regulamento poderá estabelecer percentuais de tolerância para a falta apurada na importação de granéis que, por sua natureza ou condições de manuseio na descarga, estejam sujeitos à quebra ou decréscimo de quantidade ou peso. (Incluído pelo DecretoLei nº2.472, de 01/09/1988) (...)” “Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Parágrafo único. No caso do parágrafo único do artigo 1°, a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento.” “Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº2.472, de 01/09/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela MPnº215835, de 2001) (...) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela MP nº215835, de 2001) (...)” “Art. 41 Para efeitos fiscais, os transportadores respondem pelo conteúdo dos volumes, quando: (...) Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 III o volume for descarregado com peso ou dimensão inferior ao manifesto ou documento de efeito equivalente, ou ainda do conhecimento de carga.” “Art. 60 Considerarseá, para efeitos fiscais: I dano ou avaria qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; II extravio toda e qualquer falta de mercadoria. Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos.” (Revogado pela MP nº320, 2006)” Desde logo ressaltese ser assente na Jurisprudência Administrativa que o “Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” (cf. Súmula nº 2 do antigo 2º CC, aprovada em Sessão Plenária de 18/09/07), razão pela qual restrinjome ao exame da legalidade da autuação em face da legislação de regência. No caso concreto verificase que, em vista do acidente (incêndio) ocorrido no navio Vicuña em 15/11/2004, através do procedimento de vistoria aduaneira destinado a apurar a extensão da falta ou extravio de mercadoria importada e a decorrente responsabilidade tributária nos termos do art. 581 do RA (Decreto n° 4.543/02), depois de intimados o transportador, o importador e o depositário para o acompanhamento da vistoria, considerando que o incêndio ocorreu no navio, a d. Fiscalização imputou ao transportador estrangeiro a responsabilidade pela falta ou extravio da mercadoria, ainda não descarregada na quantidade determinada em laudo técnico (4.079,23 3 ton. de Metanol), razão pela qual efetuou o lançamento dos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas em razão do acidente, exigindoos da ora Recorrente, na qualidade de responsável tributária solidária, como representante do transportador estrangeiro. Uma vez comprovado, através de laudo em vistoria aduaneira, o nexo de causalidade entre o transportador marítimo e o acidente (incêndio no navio) que ocasionou o extravio parcial da mercadoria importada antes do seu desembarque, sem que se pudesse opor as eximentes ou excludentes de responsabilidade (caso fortuito ou força maior), resta caracterizada, nos termos da legislação de regência retro transcrita, não só sua responsabilidade pelos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas em razão do acidente, mas a responsabilidade solidária pelo recolhimento destes últimos, do agente marítimo representante, no País, do transportador estrangeiro, tal como proclamado pela torrencial Jurisprudência Administrativa, e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10907.001444/200797 Acórdão n.º 3402002.670 S3C4T2 Fl. 5 7 “VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO DE MERCADORIA OCORRIDO DURANTE O TRANSPORTE. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR E DO SEU REPRESENTANTE NO PAÍS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PROPORCIONAL AO II. Os transportadores respondem pelo conteúdo dos volumes, quando houver falta de mercadoria em volume descarregado com indícios de violação (sem o lacre de origem) e descarregado com peso inferior ao manifesto. É responsável solidário o agente marítimo representante, no País, do transportador estrangeiro. O extravio de mercadorias importadas constituise fato gerador do Imposto de Impostação, por força do art. 1°, caput e § 2° do DecretoLei n° 37/66. Aplicase a multa prevista no artigo 106, II, "d" do Decretolei n° 37, de 1966, quantificada em 50% do valor do imposto de importação exigível em razão do extravio de mercadorias. Recurso Voluntário Negado.” (cf. Acórdão nº 310200.609 da 1ª Câm. da 2ª Turma Ord. da 3ª Seção do CARF, Rec. nº 344233, Proc. nº 11128.003529/200405, em sessão de 23/06/04, Rel. Cons. Celso Lopes Pereira Neto) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário. 2000 VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. Demonstrado através do laudo SAT realizado em vistoria aduaneira que o transportador marítimo deu causa ao acidente que ocasionou a avaria à mercadoria importada, resta caracterizado sua responsabilidade nos recolhimentos devidos, por força do artigo 478 do RA/85 Desde o advento do DecretoLei n° 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei n° 3 7/96, legitimouse a responsabilidade do agente do transportador marítimo pelo crédito tributário apurado em conferência final de manifesto ou vistoria aduaneira. Recurso Voluntário Negado” (cf. Acórdão nº 310100.307 da 1ª Câm. 1ª Turma Ord. Da 3ª Seção do CARF ,Rec. nº 341.513, Proc. nº 11128.004403/0045, em sessão de 3/12/09, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo Relator) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/11/2004 VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO DE MERCADORIA SOB CUSTÓDIA DO DEPOSITÁRIO. FATO GERADOR DO II, IPI, PISE COFINS. PENALIDADE. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 O extravio de mercadorias importadas constituise fato gerador do Imposto de Impostação, do Imposto sobre Produtos Industrializados e das contribuições para o PISImportação e CofinsImportação. Não tendo sido demonstrada a ocorrência de caso fortuito ou força maior, o depositário responde pelos tributos aduaneiros devidos, em relação às mercadorias que se encontravam sob sua custódia. Aplicase a multa prevista no artigo 106, II, "d" do Decretolei n° 37, de 1966, quantificada em 50% do valor do imposto de importação, exigível em razão do extravio de mercadorias. Recurso Voluntário Negado.” (cf. Acórdão nº310200.547 da 1ª Câm., 2ª Turma Ord. Da 3º Seção do CARF, Rec. nº 143.972, Proc. nº, em sessão de 17/11/09, Rel. Cons. Nilton Luiz Bartoli) “Vistoria aduaneira. Extravio de mercadoria. Caracterizada a responsabilidade do transportador. A agencia marítima, devidamente habilitada a atuar no processo em nome do transportador, responde por esse perante a Fazenda Nacional. Inocorrência de caso fortuito ou força maior. Recurso desprovido.” (cf. Acórdão nº30229.895 da 2ª Câm. do 3º CC, Rec. nº 106.161, Proc. nº 0845.050397/8312, em sessão de 22/05/84, rel. Cons. João Holanda Costa) VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA DE MERCADORIA. 1. É responsável pelo imposto, solidariamente, o representante no país de transportador estrangeiro, solidariedade esta que não comporta benefício de ordem (art. 32 do DecretoLei nº 37/66 com a redação dada pelo DecretoLei nº 24 72/88 c/c art. 124, II e seu parágrafo único da Lei n º5172/66 CTN). 2. No caso de avaria, a base de cálculo do imposto será reduzida proporcionalmente ao prejuízo, cabendo ao responsável pagar a diferença de tributos correspondente (DecretoLei nº 37/66, arts. 25 e 60 e parágrafo único; art. 482 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº91.030/85). 3.Recurso negado.” (cf. Acórdão nº 30232.2 71 da 2ª Câm. do 3º CC, Rec. nº114.370, Proc. nº11080.008982/9162, em sessão de 2 6/03/92, Rel. Cons. Elizabeth Emílio Moraes Chieregatto) Dos preceitos expostos resulta clara a insubsistência da alegação recursal de ilegitimidade passiva para responder, na qualidade de representante do transportador estrangeiro no País, pelo recolhimento dos tributos que deixaram de ser recolhidos sobre as mercadorias extraviadas em razão do acidente (incêndio) imputado ao transportador , que foi bem afastada pela r. decisão recorrida, e assim se mostra plenamente conforme com a legislação de regência e com a Jurisprudência Administrativa retro mencionada, devendo ser mantida neste particular.” Da mesma forma, o voto vencedor da ínclita Consª. Sílvia de Brito Oliveira ressalta que: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10907.001444/200797 Acórdão n.º 3402002.670 S3C4T2 Fl. 6 9 “... o caráter vinculado da atividade administrativa e a impossibilidade de este colegiado afastar disposições legais que não tenham sido declaradas inconstitucionais pelo Poder Judiciário, na foram do disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conduzemme à divergência por mim proferida no julgamento e acompanhada pela maioria dos Conselheiros presentes na sessão. O fato que me impediu de acompanhar integralmente o voto do Relator está estampado na literalidade do art. 592, parágrafo único, inc. I, do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro (RA/2002), cujo teor afirma a responsabilidade do transportador, na hipótese de constatação de extravio ou falta de mercadoria, tanto pelo II qaunto pela multa de que aqui se trata, nos termos a seguir transcritos. Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei nº37, de 1966, art. 41): (...) Parágrafo único. Constatado, na conferência final do manifesto de carga, extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador: I no extravio, o imposto de importação e a multa referida na alínea "d" do inciso III do art. 628; e (...) (grifouse) Por essas razões, divirjo do voto proferido pelo I. Conselheiro Relator e nego provimento ao recurso.” Encontrandose devidamente fundamentado com expressa remissão à fundamentação da r. decisão recorrida por ele mantida, inexiste qualquer omissão a suprir no v. Acórdão embargado, pois na analise da questão tal como posta pela instância “a quo”, os votos vencedor e vencido fornecem toda a fundamentação necessária para o exercício do direito de recorrer à superior instância para a reforma do julgado e distinguem claramente os limites da lide, sendo certo que quanto ao mérito já assentou o E. STJ “o artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos.”. (cf. REsp 886.695/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2007, DJ 14.12.2007; e EDcl no REsp 37033/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 15.09.1998, DJ 03.11.1998)” (cf. AC. da 1ª do STJ no REsp 896045 / RN, Reg. nº 2006/02290861, em sessão de 18/09/2008, Rel. Min. LUIZ FUX, Publ. in DJU de15/10/2008). Assim, não se vislumra a existência de qualquer contradição, omissão ou obscuridade a sanar, em decisão que, na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pela mantença da r. decisão recorrida, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador, donde os Declaratórios apresentam caráter nitidamente infringente, razão pela qual nesta matéria devem ser rejeitados, tal como Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 proclamado pela Jurisprudência Administrativa e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo, quando não demonstrados os pressupostos do art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ante a inexistência de dúvida, contradição ou necessidade de suprir omissão constante do julgado recorrido. EMBARGOS DECLARATÓRIOS LIMITES Não pode ser conhecido o pedido do sujeito passivo na parte que, a pretexto de retificar o acórdão, pretende substituir a decisão recorrida por outra, com revisão do mérito do julgado. Embargos de declaração rejeitados.” (cf. Acórdão 10805339, Rec. nº 114572, Proc. nº 10935.000705/9628 , em sessão de 22/09/1998, Rel. Cons. Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho) Isto voto no sentido de conhecer e acolher parcialmente os Embargos declaratório sem caráter infringente, apenas para corrigir a inexatidão material cometida na ementa do v. Acórdão embargado, nos termos do item supra e do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2015 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/03/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10783.903263/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 15/10/2002
PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos.
DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.316
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 15/10/2002 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 127 1 126 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.903263/200821 Recurso nº 874.460 Voluntário Acórdão nº 310201.316 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2011 Matéria COFINS Recorrente TELEVISAO VITORIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/10/2002 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O descontopadrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2 RJ, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1329.449, proferido em 25 de maio de 2010. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4º Região Fiscal da Receita Federal do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903263/200821 Acórdão n.º 310201.316 S3C1T2 Fl. 128 3 Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: 1)queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 75 a 77 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, que entendeu que o desconto devido as agências de propaganda não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação. No presente caso, da análise dos documentos anexados pela interessada ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura. Em momento posterior o veículo de divulgação paga à agência o "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra a interessada, em conformidade com o disposto no subitem 2.4.2 das NormasPadrão da Atividade Publicitária. Os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo das epigrafadas contribuições quando houver dispositivo legal explícito nesse Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 sentido, conforme reza o art. 150, § 6°, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993. A recorrente apresenta recurso voluntário, onde em síntese alega: que o disposto no art. 3o. § 1o. da Lei nº 9718/98 trata de receitas auferidas, e por isso os valores recebidos pela cessão de espaço não deveriam integrar a sua base de cálculo, já que estes valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de mero ingresso no caixa; cita acórdãos do CARF, Parecer Cosit nº 8 e solução de consulta nº 17 para embasar sua argumentação; alega que a Lei 9430/96 vincula a administração tributária quanto ao entendimento exarado em processo de consulta, não podendo a mudança de orientação ter efeitos retroativos; que possui créditos de Confins por ter incluído erroneamente os valores pagos às agencias de publicidade na base de cálculo, fazendo jus portanto à compensação; por fim, pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Este processo foi julgado juntamente com o processo nº 1078.3902206/2008 25, adotado como paradigma. Do pedido de diligência e juntada de novos documentos. A recorrente pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. Entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário. A perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Não é o caso dos presentes autos. Os quesitos formulados pela recorrente podem ser respondidos pela análise dos documentos acostados, que no meu entendimento são mais do que suficientes para esclarecer a demanda. E conforme o Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903263/200821 Acórdão n.º 310201.316 S3C1T2 Fl. 129 5 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). O indeferimento do pedido de perícia também não afetará o contraditório e a ampla defesa, direitos da recorrente, já que ela demonstra conhecer a matéria discutida nos autos. Do mérito. A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, cuja ementa reproduzo abaixo: Ementa: PROPAGANDA E PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO A AGÊNCIA DE PROPAGANDA. COMISSÃO DE AGENCIADOR. BONIFICAÇÃO. O desconto devido à agência de propaganda, previsto no art. 11 da Lei n°4.680, de 1965, não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, visto que tal receita pertence à mencionada agência, sendo este um mero repassador do numerário devido pelo cliente anunciante. De outra sorte, por falta de previsão legal, o valor pago ao agenciador de propaganda, a título de comissão, pela intermediação de negócios, na forma do art. 2° da aludida Lei n° 4.680, de 1965, não é passível de exclusão da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, sendo despesa deste, decorrente da relação jurídica surgida entre eles. Por sua vez, a bonificação paga à agência, quando esta repassa o valor recebido do anunciante ao veículo de divulgação, antes do vencimento previsto, por se tratar de desconto condicional, não pode ser excluída da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, em virtude de ausência de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei n°4.680, de 1965; Decreto n°57.690, de 1966; arts. ° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1° da Lei n° 10.833, de 2003. A citada Solução de Consulta fundamentouse, por sua vez, no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001, que em suas conclusões assim dispôs: O "desconto de agência", concedido por imposição legal, conforme valor fixado em tabela (previamente divulgada pelo veículo de publicidade) e obedecendo aos parâmetros predeterminados pelas NormasPadrão da Atividade Publicitária (expedidas pelo CENP, em 1998), não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, como também não integra a base de cálculo da Cofins. O valor pago ao agenciador de propaganda a título de "comissão", pela intermediação de negócios, não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 Não há, ainda, previsão legal para a exclusão de "bonificações" concedidas por antecipação de pagamentos, as quais equivalem a descontos condicionados. Este Parecer teve sua parte conclusiva alterada pela Solução de Consulta Interna Cosit n°21, de 15 de maio de 2008, que determinou a retificação do Parecer por concluir que "os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, por falta de previsão legal". A Divisão de Tributação da 4a Região Fiscal publicou a Solução de Consulta n° 24, em 2 de junho de 2008, após a publicação do novo entendimento exarado pela Cosit, na qual conclui "que quaisquer valores repassados ou devidos às agências de publicidade, a título de remuneração, cuja obrigação recaia originariamente sobre o veículo de divulgação, inclusive os denominados "desconto padrão de agência", não podem ser excluídos, por falta de previsão legal, na apuração das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelo veículo de divulgação" e determinou a reforma integral da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 2007. A Lei n° 4.680, de 1965, que trata do exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda assim dispõe, in verbis: Art. 3.° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4 São Veículos de Divulgação, para os efeitos desta lei,quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitários. (...) Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. O Decreto n° 57.690, de 1° de fevereiro de 1966, que aprovou o regulamento para a execução da Lei nº 4680/65 assim dispôs: Art. 10. Veículo de Divulgação, para os efeitos deste Regulamento, é qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecido pelas entidades sindicais ou associações civis representativas de classe, legalmente registradas Art. 11 O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903263/200821 Acórdão n.º 310201.316 S3C1T2 Fl. 130 7 Art. 12 Ao veículo de Divulgação não será permitido descontar da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, mesmo parcialmente, os débitos não liquidados por Anunciantes, desde que a propaganda tenha sido formal e previamente aceita por sua direção comercial. [...] Art. 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por este fixado em Tabela pública aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art. 15 O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo a Agência responsável pela propaganda. As atividades publicitárias seguem uma norma padrão, editada pelo CENP – Conselho Executivo das NormasPadrão, que assim definem alguns conceitos que interessam a este processo: 1.3 Agência de Publicidade ou Agência de Propaganda: é nos termos do art. 6º do Dec. nº 57.690/66, empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, através de profissionais a seu serviço que estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Comunicação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. 1.4 Veículo de Comunicação ou, simplesmente, Veículo: é, nos termos do art. 10º do Dec. nº 57.690/66, qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. 1.6 Agenciador de Propaganda: é a pessoa física registrada e remunerada pelo Veículo, sujeita à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. 1.11 DescontoPadrão de Agência1 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. 1.13 “Fee”: é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas Normas Padrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 A NormaPadrão da Atividade Publicitária também traz em seu escopo a definição das relações entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação, que abaixo transcrevo no que interessa a lide1: 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso do oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta 1 Disponível no sítio http://www.cenp.com.br/PDF/Normas_padrao_port.pdf acessado em 27092011. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903263/200821 Acórdão n.º 310201.316 S3C1T2 Fl. 131 9 hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. A NormaPadrão atualmente em vigor difere da NormaPadrão utilizada quando do julgamento pela DRJ, mas em síntese podemos chegar as mesmas conclusões que chegou a DRJ: 1) O veículo de comunicação detém o espaço publicitário; 2) A agência de publicidade é responsável pela venda do trabalho de publicidade ao anunciante e também pela intermediação da divulgação do trabalho no veículo de comunicação; 3) O veículo de comunicação vende seu espaço publicitário diretamente, por meio de agência de publicidade ou por meio de agenciador, pessoa física; 4) A agência de publicidade faz jus a remuneração pelos serviços prestados ao cliente, que recebe o nome de descontopadrão; 5) O veículo emite a fatura em nome do anunciante pelo valor negociado que é composto de valor faturado e descontopadrão. O valor faturado é a remuneração do veículo; 6) A fatura é entregue pelo veículo à agência, a quem cabe cobrar do anunciante o pagamento e repassar o valor faturado ao veículo; 7) Poderá haver acordo entre os três para que: a. O anunciante pague diretamente ao veículo e este repasse o descontopadrão à agência; ou b. O anunciante pague ao veículo o valor faturado e a agência o descontopadrão. Neste processo, ao analisar os documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52, que a recorrente indica como fonte da documentação para todos os processos de compensação) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura, ou, valor negociado. Não existe destaque de valores nas notas fiscais. E o veículo de divulgação posteriormente pagou à agência o "desconto padrão" mediante fatura emitida pela agência contra a recorrente. Inferese que o veículo é responsável pelo faturamento e paga a agência pelo serviço prestado, também podemos chegar a esta conclusão a partir da análise das normas legais e da NormaPadrão quando elas dispõem que o descontopadrão será tabelado, logo temos a presença de um percentual que incide sobre o valor total da venda do espaço publicitário. Foi o que ocorreu no presente caso, o veículo emitiu fatura pelo valor negociado que foi paga pelo anunciante, a agência emitiu fatura pelo descontopadrão que foi paga pelo veículo. Tudo ocorreu conforme disposto nas normas legais e na NormaPadrão da Atividade Publicitária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 10 Para apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, pelo regime cumulativo, seguese o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 1998: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. E para a apuração do PIS e da Cofins apurados pela nãocumulatividade seguese o disposto no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Conforme art. 150 § 6o. da Constituição Federal qualquer subsídio ou isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão só poderá se concedido mediante lei específica. Art. 150. § 6º Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.", XII, g. Existe previsão para exclusão da base de cálculo quando a agência recebe o valor negociado do anunciante e repassa o valor faturado para o veículo de divulgação, a teor Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903263/200821 Acórdão n.º 310201.316 S3C1T2 Fl. 132 11 do disposto no art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da Confins das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: [...] II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Em 2010 foi publicada a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, que dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências. Dentre estas outra providências estipula a Lei nº 12.232/2010 no seu art. 19 : Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Apesar da afronta ao disposto no art. 150 § 6o. da Constituição Federal a este CARF não cabe se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme já enunciado por Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então devemos analisar a aplicação do art. 19 da Lei nº 12.232/2010 ao caso em exame. A Lei citada dispõe que o veículo de divulgação não pode faturar e contabilizar os valores relativos ao descontopadrão de agência como receita própria, e que tais valores constituem receita da agência de publicidade. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 12 Conforme já explicado o veículo de comunicação faturou o valor negociado diretamente ao anunciante e depois repassou o valor do descontopadrão à agência de publicidade, seguindo as orientações contidas na NormaPadrão: 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. No caso em exame, conforme já esclarecido, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. A Lei nº 12.232/2010 alterou a base de cálculo prevista para o PIS e COFINS definindo que o descontopadrão não é receita do veículo de divulgação, entretanto conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único, a exclusão somente se aplica às relações com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.903263/200821 Acórdão n.º 310201.316 S3C1T2 Fl. 133 13 publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. De todo o exposto, concluo que a Lei nº 12.232/2010, art. 19, não se aplica ao presente processo por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. Logo, como não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago as agências de publicidade pelo veículo de comunicação, estes valores compõe a base de cálculo das contribuições citadas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 10675.720025/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apura0o: 01/04/2003 a 30/06/2003
1P1. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A
PESSOAS FÍSICAS.
As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais do embalagens de pessoas fisicas. utilizadas na industrializaçao de produtos destinados exportaç5o, devem compor a base de cálculo do crédito
presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96.
CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO.
Somente podem ser considerados como matéria-prima ou produto
intermediário, além daqueles que se integram ao produto em fabricação, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em funçao de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricaçâo, ou por este diretamente sofrida, e desde que no sejam bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com telecomunicações e as devoluções de vendas nao se enquadram nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de
1979; Lei n°9.363, de 1996).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.148
Decisão: Acordam os membros cio colegiado, por unanimidade de votos, cm dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas de pessoas físicas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10675.720025/2009-91 Recurso n" Voluntário Acórdiio n" 3102-002.148 — P Câmara / 2" Turma Ordinária Sessilo de 26 de fevereiro de 2014 Matéria Crédito Presumido de IPI Recorrente FRIGORÍFICO MATABOI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apura0o: 01/04/2003 a 30/06/2003 1P1. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais dc embalagens de pessoas fisicas. utilizadas na industrializaçao de produtos destinados exportaç5o, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96. CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. Somente podem ser considerados como matéria-prima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto ern fabricaçao, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em funçao de açAo diretamente exercida sobre o produto em fabricaçâo, ou por este diretamente sofrida, e desde que no sejam bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com telecomunicações e as devoluções de vendas nao se enquadram nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n°9.363, de 1996). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros cio colegiado, por unanimidade de votos, cm dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas de pessoas físicas, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA RICARDO PAUL -esidente AAAAA,--,p LpJ ALVARO ARTI RJR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 03/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti (Suplente). Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Jose Fernandes do Nascimento. Relatório Trata-se de recurso voluntário visando a reforma do acórdão n° 09-38.228 da JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: "Troia o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI, PER N° 11230.73014.300804.1.1.01-2050, amparado no crédito presumido de 11'1 do 2° trimestre do ano-cctlendcirio de 2003, no montante de PSI. 015.306,21, calculado 170S termos this Leis nos 10.276, de 10/09/2001 (regime alternativo de ccilculo do crédito presumido) e 10.397, de 30/12/2002 (ncsio-cumulatividade do PIS). Ao ressarcimento, o imeressaclo vinculou as Declarações (le Compensctçáo-DCPAIP, abaixo relacionadas: Ohs: vide tabela ñ e-folha 357. Elll análise de legitimiclade, ci ctuloridade competente da Delegacia da Receita Federal em Uberhindia, MG, por meio cio Despacho Decisório del/s. 271/2 74 - que teve por sustentáculo o trabalho fiscal relatctdo 170 InfornictOo Fiscal, ás JR.. 247/254 - deferiu em parte o pleito, concedendo ao contribuinte o crédito presumido de RS66.436,73. Consequentemente, homologou parcialmente a compensctçáo declarada. Relatou o auditor fiscal que a base de cálculo do crédito presumido foi determinada nos 1017110S do art. 6° cict IN SRF 69, de 2001, considerando-se o somatório dos claws das aquisições, no mercado 7171:C17 7o, Chls 111(11C;11(a-primas, dos prochttos intermediários e do material de embalagem, sobre os quais incidiu a COFINS; dos custos do energia elétrica e dos combustiveis ., milizadas. no processo produtivo, e também do valor da pre.stctcáo c/c serviços decorrente de industrializaçáo por encomenda, sendo o encomendante contribuime do 1P1. Na apurctção do incentivo forant realizados, en/re outros, os seguintes ajustes: I) exclus"do das ctquisiOes cie MP, PI e ME, realizadas por c/c prochttores rurais (pes.s'octs fiSiCOS), 17(70 contribuintes c/a CORNS, segundo o comcmclo do § 2° do art. 5° 2 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10675.720025/2009-91 S3-C1T2 • Acórdão n° 3102-002.148 H. 2 c/a IN SRF n° 69, de 2001, e Parecer PGFN/CAT/n° 3.092, de 2002 (Diário Oficial da União de 30/09/2002), aprovado pelo Alinistro da Fazenda, coin efeitos vinculantes para todos os órgãos administrativos subalternos; 2) exclusão dos gas/os com telecomunicacães incluídos indevidamente pelo interessado em seu demonstrativo, pois tais insztmos não podem i ser considerculos Ina/rias prima, prodwas intermedicirios ou material c/c embalcigem, para efeito da legislação do IPI, porque 11(70 se integram cio produto final e nem são consumidos no processo industrialização (Parecer Normativo CST ii° 65, de 1979, itens 11 e 11.1); 3) por não se caracterizarem como matérict prima, produto intermedicirio OH material de embalagem, tambe;n1 . 1brant desconsideradas as devoluçães de vendas, por se tratar produtos acabados anteriormente vendidos e posteriormente devolvidos cios estoques de produtos acabados do interessado; 4) tendo em vista que período de fatill'allle7110 dos gctstos COM a energia aplicada no processo produtivo, coin rill-ell° ao crédito, I1(70 coincide com o da apurctção crédito presumido, foi aplicada a regra do § 2° clo art. 6° du IN SRF 69, de 2001 (apuração pro rota); Foi decorrência do.v efeitos 11C70 cznintlatividade clo PIS (Lei n° 10.637, cie 2002), o incentivo foi calculado COM o inclice de 0,03 (R° do art. 36 e item II do art. 47 da IN SRF 315, c/c 2003). Os claclav c/c apuração .farcun obtidos jia e.scrituracão fiscal e contabil do contribuinte (por exemplo: RAIPI e balancete). Cientificado do deferimento parcial de seu pleito, o interessado apresentou, av fls. 277/293, as seguintes contrarrazães: 1) os dispositivo.v legais instinticlores do incentivo e do direito de compensctção gartintem contribuinte O direito de compenscir créditos relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados (art. 40 da Lei n° 9.363, cie 1996; art. 11 da Lei V 9.779, de 1999; arts. 73 e 74 cla Lei n° 9.430, de 1996; cwt. 14 da IN SRF n° 210, de 2002); apesar da lisura cio procedimento c/c cálculo adotado pelo contribuinte, a autoridade equivocadamente, desconsiderou valores decorrentes cla aquisição de laminav adquiridos de pessoas fisicas, c/c energia elétrica, dentre outros; 3) as Leis nos 9.363, de 1996 (art. 1 0), e 10.276, de 2001 (art. 1", §1°, inc. I), determinam que sera concedido o crédito presumido c/c IPI sobre aquisições dos insumos zailizadas 17(1 produção produtos a serem exportados, sem qualqiier ressctiva glum° as pessoas c/c quem são adquiridos tais insumos. Também o Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI), 11C70 faz restriçãe.v (to &relic) de crédito; 4) em evidente ctfronta ao principio da hierarcptia das leis, ci Receita Federal, por meio c/a edição (la IN SRF n° 315, de 2003 (art. 5"), limitou o hemicJício concediclo pc/as Leis nos 9.363, de 1996, e 10.276, de 2001, ao estabelecer clue o direito crédito Fl. 456DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA somente decorreria de aquisições *tuadas (le pessocis . juridicas contribuintes do PIS e c/a Colins; 5) a época c/a aquisição dos ins 111110S vigiam a Lei Con/pimento]. n° 70, c/c 1991, e a Lei 11° 9.718, c/c 1998, que treitavenn da inciciêiicia cumulative' da Cojins, decorrendo cie tais leis a incidência em cascata no processo produtivo não só dos prodmos adquiridos etc pessoccs. jurídicas, mus também de pessoas físicas. Aincla que 100 incidam diretamente no momento da aquisição pelo prodmor exportador, a Cofins 011era o produto final a eles vendidos, 17(I medida em que se encontra embutida no prey]; com a não cumulatividade do PIS, Ire -cider pela Lein' 10.237, c/c 2002, foi aherada a firma de ccilculo do crédito presumido c/c IPL Esse frito 17a0 pode servir de pretexto para ci jiscalização afastar o direho cio contribuinte ao crc;dito prerencliclo; corroborcun as argumentações acima, decisties do Conselho cie Contribuintes, inclusive da Ccimara Superior de Recursos Fiscais, e do Superior Tribunal de Insilco; 8) a amoridade administrativa também não levou em consideração ci totalidade cici energia elétrica milizada no processo produtivo decorrer cio period() ressarcimento, por entender que as contas apresentadas não correspondiam na integralidade ao período cie resscirchnento. No enteinto, pode-se verificar CHICXCIS, que o período cie C011S1(1710 corresponde ao primeiro trimestre de 2003; 9) cumpre também esclarecer que ci telejimia, de.s . consideracia pela fiscalização, utilizado pelo requerente em suer cockier produtiva, pois sem ela não seria possível adquirir insumos ou, abider, concrelizar a venda ele suas produtos. Apesar de a telelbnia não se integrar ao procluto final, é inconieste que utilizada e, poria/1/o, consumida completamente em seu processo: 10) o mesmo conceito utilizado parer o ern-111(01.0117cm° da telefonia C01110 illS111110 Jere ser aplicado para cis devoluções de vencias, pois, ainchi que indiretamente, elas retornam ao seu processo produtivo que, frise-se, somente se considera finalizado CO/li a rondo dos prodmos. Por flui, o interessado, em 'ewe das razões apresentadas, requereu o reconhecimento integral c/c) crédito presumhlo requerido e a homologação integral clay compensações deciaradas." Após analisar a manifestaçao de inconformidade da Contribuinte, decidiu a DR.1 por improcedente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Period() de apurução: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS 4 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n0 10675.720025/2009-91 S3-C1T2 Acórdão n°3102-002.148 1:1.3 O crédito pre.s•umindo c/c) IPI c calculado, exclusivamente, em relaccio its aquisições efetuadas c/c pessous juridicas„seeleitas lis contribuições PIS/PASEP e COFLVS. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser consiclerados como necaéria-prima ou produto intermedicirio, além daqueles• que se integram (to proclut 0 11010, OS bens que soiree)/ clesgaste 011 perda de propriedade, ell1 Jiwao c/c açc-io diretamente exercida sobre o produto em fabricagc-io, ou proveniente de açcio exercida diretamente pelo been em inclustrializaçao e desde que nc-io correspondam a bens clo ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com telecomunicações nao se enquckfram nos conceitos de necehria-prima ou produto intermedicirio (PIV CST, n" 65, de 1979; Lei n°9.363, de 1996). Maniftstacc-io de Inconformidade Improcedente Em seu recurso voluntário a contribuinte alega em síntese que: a) Os artigos 4", da Lei 9.363/96: 11. da Lei 9.779/99: 195, §§ 1" e ")°, do RIPI; 73 e 74 da Lei 9.430/96; bem como o artigo 14. §§ 1". incisos I. 11.111, 2" e 3. da IN SRF n°. 210/02 demonstraria a existência de permissão legal para que os contribuintes utilizassem créditos acumulados de IPI, com o intuito de guitar tributos administrados pela secretaria da Receita Federal; b) Os valores decorrentes da aquisição de insumos adquiridos (le pessoa física, energia elétrica, gasto com telefonia e devolução de vendas, teriam sido indevidamente desconsiderados, por entender que atendera a todos os requisitos legais exigíveis para a apuração do referido crédito; c) 0 artigo 5°, § 2°, da IN SRF n° 315/03, que limitou o beneficio concedido pelas Leis 9.636/96 e 10.276/02, em seus artigos 1° e 1 0, §1°, I, respectivamente, estabelecendo que o direito ao credito somente decorreria de aquisições efetuadas de pessoas jurídicas contribuintes do PIS e COFINS, não teria competência para se sobrepor aos instrumentos normativos constantes nas referidas Leis, por ser de hierarquia inferior; d) O Decreto n°4.544/02 seria ato normativo posterior a IN SRF 315/03 e não traria ressalvas quanto a limitação do direito ao referido crédito; e) A época da aquisição dos insumos vigia a Lei Complementar 70/91 c a Lei n°9.718/98 , leis estas que disciplinariam a incidência do COFINS; f) Sob tal prisma, a incidência da referida contribuição se daria em cascata durante o processo produtivo, onerando tanto os produtos de pessoas jurídicas, quanto o de pessoas físicas. na medida em que estariam, indiretamente. embutidos no preço da mercadoria final; g) A questão relacionada a não-cumulatividade da contribuição ao PIS, trazida pela Lei 10.637/02, teria sido solucionada pela alteração na forma de calculo do credito e estaria pacificada pela jurisprudência; Fl. 458DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA h) Ato Declaratório no. 14, de 20 de Dezembro de 2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, teria dispensado a apresentação de contestações ao direito do contribuinte de creditar-se em razão da aquisição de insumos e matéria-prima de pessoas físicas; i) Segundo o artigo 4°. 1, da IN SRF n°. 315/03, o valor relativo a energia elétrica consumida no período será apropriado à base de cálculo do crédito presumido, no caso em liça, seriam os valores referentes as contas de energia do I° trimestre de 2003; j) Em que pese nao integre o produto final, os gastos com telefonia seriam insumos utilizados pela recorrente em sua cadeia produtiva, consumidos completamente em seu processo; k) As devoluções de vendas integrariam a base de cálculo do direito creditório, pois em seu sentir, o processo produtivo so se finalizaria com a consumação da venda. É o relatório. Voto Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Aquisições perante Pessoa Física Como demonstrado no relato acima, a recorrente, após requerer o ressarcimento de crédito presumido de IPI com base na Lei n° 9.363/96, teve seu pedido parcialmente homologado, sendo rejeitados os valores decorrentes da aquisição de insumos adquiridos de pessoa física, parcela dos gastos com energia elétrica (decorrente do rateio das contas em função do período de apuração), gasto com telefonia e devolução de vendas, Ora, a Lei n° 9.363/96, que instituiu o crédito presumido de 11'1 para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP, definiu cm seu art. 1° 1 que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados como ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. De acordo coin art. 6° da mesma lei, caberá ao Ministro de Estado da Fazenda expedir as instruções necessárias para atender a lei, o que foi atendido através da portaria n' 38/97, a qual autorizou o Secretário da Receita Federal apresentar normas complementares. Neste contexto foi expedida a instrução normativa 23/97, revogada pela n° 313/2003 Lei n° 9.363/96 - Art. I° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilizaçáo no processo produtivo. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10675.720025/2009-91 83-CIT2 Acórdão n° 3102-002.148 Fl. posteriormente revogada pela n° 419/2004, restringindo a dedução do credito presumido do 11'1, ?Is empresas produtoras e exportadores de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas juridicas sujeitas As contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Percebe-se que a instrução normativa , ao impor restrições A Lei a' 9.363/96, ultrapassa seu limite, pois excluiu da base de cálculo do credito presumido do IPI. as aquisições de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeitos A tributação pela COFINS e pelo PIS/PASEP. Sabe-se que a competência administrativa de julgamento deste Conselho Tributário apenas encontra limite quando do reconhecimento de situações de inconstitucionalidade, por vedação expressa do art. 62 do regimento do CARF, não havendo óbice para aplicação do direito nos demais casos, mesmo que acha a necessidade do afastamento de normas administrativas em face da lei em vigor. A aplicação da instrução normativa em detrimento da lei não é capaz de ocorrer, pois a instrução normativa não tem o condão de reformar lei ordinária, o contrario sim. seria possível, conforme demonstram os ensinamentos do renomado Professor Gabriel Ivo, em sua obra "Norma Jurídica Produção e Controle": 2.6.1.4 A revogação expressa e il1S11"11171e1710S normativos distintas. A revogação pode ocorrer clam instrumentos introdutores de 1701711M' &versos. Um instrument() nornunivo de hicrorquio superior, que limdamente a validade do inferior, pode revogar uma espc;.cie normativa que se encontre em pa/amar inferior. ...Ass%111, 11171 instrumento superior pode modificar qualquer outra 1101'117U jurídica que emane de UM instrument() normally() de hierarquia inferior. A força passiva consiste na capacidade de cada instrumento introdutor resistir cm ,face de °Jams instrument os de hierarquia inferior. Uma norma jurídica somente pode ser modificada por ulna norma jurídica que emane c/c um instrumento normativo superior ou igual, CM face do cri! crio cronol6gico.2 Quanto ao tema o Superior Tribunal dc Justiça , no juluamento do Recurso Especial n° 993.164, entendeu que: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. 1Ff. CRÉDITO RESUAHDO PARA RESS'ilRCIAIENTO DO VALOR DO P1S/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE AlERCADoniAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUCÁO NORMATIVA SRF 23/9 7. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS 1NSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS A TRIBUTAÇÁO PELO PIS E PELA COF1NS. EXORBITÁNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINAIA. SÚMULA V1NCULANTE 10/STF. OBSERVÁNC1A. INSTRUCÁO 2 IVO, Gabriel. In: Norma jurídica: produção e controle. Sao Paulo: Noeses, 2006. 97/98 p. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁR10). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. 1NOCORRÉNCIA. I. 0 crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força c/a Instrução Normativa SRF 23/97, ato 1701'1110171.0 secundário, que não pode inovar 110 ordenamento jurídico, subordinando-se (10.V Ii111ile.Y do texto 2. A Lei 9.363/96 instituiu credito presumido cie 11'1 para ressarchnento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. I' A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fora jus ci credit° presumido do Imposto sobre Produtos bulustrializados , COMO ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementores 17's 7, de 7 c/c setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e (le dezembro cie 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo 1»liCO. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos cows c/c venda ci empresa comercial exportadora com 0 .11111 especifico de exportação para o exterior." 3. 0 artigo 6 0, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de E.s. tado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto ne.sta Lei, inclusive (panto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do credit() presomido C respectivo •essarcimento, a &ill/kilo de receita c/c exportação e documentos Jlsccuis comprobatórios clos lcinçamento.s ., a esse titulo, ejetuctdos pelo produior exportador". 4. 0 Ministro cie Estado da Fazenda, no uso cie suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal ci expedir normas complementares necessárias à implementa cão aludida por/diria (artigo 12). 5. Nesse segmento , o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogado, sent interrupção c/c sua força normativa, pela Instrução Normativcr 313/2003, tombém revogado, 110S IlleS1110.V termos, pela Instrução Normativa 419/2004), as.s. im preceituando: "Art. 2 0 Fará jiLs. ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. ,sç I' 0 &relic) (to credit() presumido aplica-se inclusive: I - Quando o produto JObricado goze do beneficio aliquota zero; II - nas vencias a empresa comercial exportadora, com o jim específico (le exportação. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10675.720025/2009-91 S3-C 1T2 Acórdão n.° 3102-002.148 Fl. 5 2° 0 cré.dito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme delinida no art. 2° da Lei n° 8.023, de 12 tie abril c/c 1990, utilizados COMO matêria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação cis aquisições, efetuadas de pessoas juridicas„sztjeitas às contribuições PLS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2°, cio artigo 2°, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crêdito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363196), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, as aquisições, no mercado inferno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas as contribuições deslinadcts ao P1S/PASEP e à COFIAIS. 7. Como de sabença, a validade das instruções 11001101i1VS ( 110.5 normativos secunclário,$) pressupõe a estrita observáncia dos linnies impostos pelos' trios. nornicuivos primários a que se subordinam (leis, tratados, convencões internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normally/ sobrejacente, viciar- se-ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de A Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, D.I 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DI 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" cla instrução normally(' que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do bendicio do crédito presumindo do 1P1, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matcrict-prima e de ilIsmno.s . de fin-necedores 100 sujeito à tributaçáo pelo P1S/PASEP e pela COFIAIS (Precedentes cias. Turmas de Direito Público: REsp 849287/1/8, Rel. Ministro Mauro Campbell Alarque.s, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, Die 28.09.2010; AgRg mio REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segundo Turina, julgado em 04.06.2009, Die 25.06.2009; REsp 1109034/P1?, Rel. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, Die 06.05.2009; REsp 1008021/CE, hel. Ministra Diana CUIII7011, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, Die 11.04.2008,- REsp 767.617/CE, Ministro Luiz Fax, Primeira Turma, julgado cai 12.12.2006, DI 15.02.2007; REA') 617733/CE, ReI. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DI 24.08.2006; e REsp 586392/RA', Rel. Alinistra Flicmcm Calmon, Segunda Turnict, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS onercnn cm cascata o produto rural c, por isso, estão embutitlos no valor do produto final adquirido pelo produtor-exportador, mesmo náo havendo incidência na sua ultimo aquisição" (ii) "o Decreto 2.36 7/98 - Regulamento cio 11'1 -, posterior à Lei 9.363/96, nc-io fez restricáo às aquisições c/c produtos rurais" e (iii) "a base de cálculo do 9 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA ressarcimento é o valor total das aquisições dos illS111710.S' utilizados 110 processo produtivo (art. 2°), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súniula Vine,'lcurte 10/STF cristalizo,, o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão frocionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou (Ito normative) do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é cello que ci exigência de observância cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a St'lmulalante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de eito estatal, administrertivo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do principio constiorcional da não- cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportuncunente lemçctelo pelo contribuinte em suer escrita contábil), ex.surgindo legitima a incidência de correção numetária, sob pena de enriquecimento sent causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 5-13-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela L'Inica aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Amiga Federal e a jurlyrrude7vicia do STJ) autoriza a aplicação da Taxer SELIG (a partir cle .jorreiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aprovei/ciclos por óbice do Fisco (REsp I 150188/SP, Rel. Ministra Diana Calmon, Segundo T211"1770, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a aponlada ofensa ao artigo 535, do CPC, 17(70 restou configurada, uma vez (pre o cicórelão recorrido pronunciou-se de forma clara e suficiente sobre ci questão poster nos autos. Saliente-se, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os funciamento.s utilizados IC1117(1111 Sid0 suficientes para embasar a deciscio, como de fate) ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial ela empresa provido parer reconhecer ct incidência de correção moneleiria e a aplicação der Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórelão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vale ressaltar que o recurso especial citado foi submetido ao regime do recurso representativo de controvérsia, nos termos do artigo 543-C do Código de Processo Civil, portanto, observando o disposto no Regimento Interno do CARF, art. 62-A, as glosas das aquisições pessoas físicas da base de calculo do crédito-presumido do IPI. efetuadas pela 10 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10675.720025/2009-91 S3-C1T2 Acórd3o n°3102-002.1-IS H. 6 autoridade administrativa competente e mantida pela decisão ora analisada, deverão ser restabelecidas, reconhecendo-se à recorrente o direito ao seu ressarcimento/compensação. Energia Elétrica, telefonia e devolução vendas Neste ponto, não merece reparos a decisão recorrida, cujos fundamentos adoto como razões de decidir neste julgamento. Não há como admitir a inclusão das aquisições de serviços de telefonia nem as devoluções de vendas na base de cálculo do crédito presumido, por não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, como bem exposto no acórdão da DIU. Quanto A energia elétrica, é de se esclarecer que, neste caso, a fiscalização computou a energia elétrica na base de cálculo do beneficio, apenas adotando critério de rateio, segundo explanado no seguinte excerto da decisão recorrida: "Desde a publicação da Lei n" 10.276, de 10/09/2001, estabeleceu-se regime alternativo para o cálculo do créclito presumido de IPI, inclusive cricindo-se a possibilidade de incluir Ila base de cálculo do incentivo os gas/os coin energia elétrica aplicados na produção. Segui ido o preceito legal, ao (pawr o crédito presumido, a auloridade fiscal, contrário senso do alegado pelo contribuinte, incluiu lla respectiva base de cálculo o C011S111110 c/c energia elétrica. Ressalte-se que a opção do contribuinte foi pelo regime du Lei n" 10.276, de 10/09/2001. No entanto, ajustou tais valores ao período de apuração cio incentivo, ou seja, o I° trimestre cle 2003, pois as contas de energici elétrica extrapolavam esse tunics/re, compreendendo o intervalo entre 16/12/2002 e 15/0-1/2003, confirme dodos do item 59 cla manifestação de incohibrmidade. Quer dizer us leituras de consumo de energia elétrica se dão para esse period/c) de tempo, enquanto o 1° trimestre do ano-calendário é o intervalo compreendido entre 01/01/2003 e 31/03/2003, como de conhecimento e aplicação geral. Afirmar que como o o interessado c/c que "o period() de consumo cponlado refire-se ao 1° trimestre de 2003 - é inaceitável e fire a seriedade que acre perinear a clefe.sa lio process() culmini.siratiro Diante do period() envolvido na medição de consumo de energia elétrica, foi aplicada ao caso pela autoridade fiscal ci regra do §2 0 do art. 60 c/a IN SRF 69, de 2001, resultando cle tal ato os seguintes valores para a energia elétrica consumida no I' trimestre de 2003:" Ohs: valores conforme quadro de e-folha 362, que, acertadamente, referem-se à apropriação da energia elétrica para o 2 0 trimestre de 2003, período de apuração deste processo. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de MP. PI ou ME efetuadas perante não contribuintes do PIS e da COI:INS, os quais deverão ser corrigidos a partir da data da ciência do despacho decisório. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Sala de sessões 26 de fevereiro de 2014. e4a Álvaro Arthur Lopes de Almeida Fill - Relator 12 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
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Numero do processo: 11516.721285/2014-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a autuação baseada em dados repassados pelo próprio sujeito passivo, autuação essa não infirmada com documentação hábil e idônea.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 3803-006.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a autuação baseada em dados repassados pelo próprio sujeito passivo, autuação essa não infirmada com documentação hábil e idônea. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DEDUÇÕES ALEGADAS. MULTA DE OFÍCIO. Incluemse na base de cálculo da Contribuição para o Pasep todas as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de capital recebidas, sendo assegurado ao sujeito passivo o direito de deduzir as parcelas previstas em lei, mas desde que devidamente comprovadas. No lançamento de ofício, juntamente com o principal, se exige, além dos juros de mora, a multa de ofício prevista em lei válida e vigente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a autuação baseada em dados repassados pelo próprio sujeito passivo, autuação essa não infirmada com documentação hábil e idônea. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 12 85 /2 01 4- 36 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11516.721285/201436 Acórdão n.º 3803006.902 S3TE03 Fl. 265 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Demes Brito. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ São Paulo/SP que julgou improcedente a Impugnação manejada pelo contribuinte supra identificado em decorrência da lavratura de auto de infração, em que se exigiram parcelas da Contribuição para o Pasep, acrescidas de juros e multa, no montante de R$ 511.667,74. O auto de infração decorreu da inclusão na base de cálculo da Contribuição para o Pasep de todas as receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, inclusive as transferências financeiras do município, conforme previsto no art. 2º, inciso III, e art. 7º da Lei 9.715, de 1998, apurados em balancetes disponibilizados pelo contribuinte, deduzidas as parcelas declaradas em DCTF. Em decorrência da apuração de indícios que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, lavrouse Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo nº 11516.721286/201481, apensado a este. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que não se deduziram da base de cálculo da contribuição as transferências ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), nos termos autorizados pelo art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, e que a multa exigida tem caráter confiscatório. O acórdão da DRJ São Paulo restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES CONFESSADOS E OS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Constatadas diferenças entre os valores apurados pelo auditor fiscal a partir dos balancetes fornecidos pelo contribuinte e os valores informados ao Fisco em instrumento de confissão de dívida (DCTF), devem ser formalizados de ofício os correspondentes créditos tributários. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11516.721285/201436 Acórdão n.º 3803006.902 S3TE03 Fl. 266 3 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 17/10/2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/11/2014 e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que este Colegiado não tem competência para analisar questões relativas a inconstitucionalidades, como o alegado caráter confiscatório da multa de ofício exigida com base em lei válida e vigente e a alegada ofensa a princípios constitucionais, conforme se verifica do teor da súmula a seguir transcrita; Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação à alegação do Recorrente de que a Fiscalização não deduzira da base de cálculo da Contribuição para o Pasep as parcelas relativas às transferências ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), nos termos autorizados pelo art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, há que se destacar que a auditoria se dera com base nos balancetes fornecidos pelo próprio interessado. Nesses balancetes, presentes às fls. 44 e seguintes, não consta qualquer informação relativa às alegadas transferências ao Fundeb, não tendo o Recorrente se desincumbido de comprovar tais transferências, pois nada acrescentou em sede de recurso a título de prova, mesmo após ter sido alertado pelo julgador de primeira instância acerca da inexistência de prova de suas alegações. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à autuação devidamente fundamentada, prova essa que deve ser apresentada na primeira instância administrativa. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11516.721285/201436 Acórdão n.º 3803006.902 S3TE03 Fl. 267 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a autuação amparada em informações prestadas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Destaquese que nem mesmo após a Delegacia de Julgamento ter atestado a inexistência de prova de suas alegações, o contribuinte se predispôs a instruir os autos com elementos de sua escrita fiscal, nem mesmo a discriminar as parcelas que, segundo ele, deveriam ser excluídas da base de cálculo da contribuição. A reabertura de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, não se mostra condizente com o dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 1 (ir para a frente). Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11516.721285/201436 Acórdão n.º 3803006.902 S3TE03 Fl. 268 5 defesa. Segundo Bonilha2, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 3. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 3 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000524/2006-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional-CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento.
MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço.
FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP).
EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-005.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer parcialmente o instituto da denúncia espontânea, exceto em relação aos débitos declarados na DCTF original de julho de2005. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional-CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário NacionalCTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 05 24 /2 00 6- 85 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 3 2 procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer parcialmente o instituto da denúncia espontânea, exceto em relação aos débitos declarados na DCTF original de julho de2005. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório A recorrente, BENTELER COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA, na data de 06/01/2006, apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação nº 08812.73711.060106.1.1.114206 (fls. 27 a 29), no montante de R$ 2.526.602,65 decorrentes de operações de mercado interno ocorridas nos meses de abril, maio e junho de 2005 (2º trimestre de 2005); Na data de 30/01/2006 formalizou DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, através do formulário 1 do Anexo IV da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 (fls. 3), requerendo a compensação de débitos – código de receita: 2484 (CSLL – Estimativa Mensal) para o período de apuração 31/07/2005 e 31/08/2005 e 2362 (IRPJ – Estimativa Mensal) para o período de apuração 31/07/2005, com a utilização do montante do crédito contido na PER antes citada; No campo “Outras Informações” da Declaração de Compensação, destaca: “Nesta compensação utilizamos o instituto da denúncia espontânea constante do Artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Segue Petição de compensação em anexo”; a título explicativo destacas a seguinte parte: 1. Inicialmente, cumpre mencionar que a requerente é Pessoa Jurídica cujo objeto social abarca, preponderantemente, a fabricação e comercialização dos produtos relacionados nos anexos I e II da Lei 10.485/2002. Outrossim, referida Sociedade também realiza execução de industrialização por encomenda dos referidos produtos, sujeitando, as respectivas receitas, à hipótese de redução a zero das alíquotas das contribuições ao PIS e à COFINS. 2. Goza, outrossim, da não incidência das contribuições incidentes sobre o faturamento, segundo o disposto nos artigos 5o e 6o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e, de acordo com o artigo 149, parágrafo 2o , inciso I, da Constituição Federal, decorrente das operações de exportação de mercadorias para o exterior, operação usual praticada pela Sociedade. 3. Por conseguinte, tendo em vista a realidade fática apresentada, é corriqueiro o acúmulo de créditos de PIS/COFINS, motivo pelo qual, habitualmente, a Requerente recorre aos pedidos de ressarcimento e compensação disponibilizados pela Secretaria da Receita Federal. 4. Nesse contexto, procedeu ao pedido de ressarcimento dos créditos acumulados competentes aos segundo, terceiro e quarto trimestres do exercício de 2005, nos termos das disposições da novel Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. [...] 7. Posteriormente, como de praxe, a Requerente optou por realizar a compensação dos créditos objeto do pedido de ressarcimento efetuado outrora. [...] Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 5 4 Em atendimento ao requerimento da Contribuinte, o SEFIS – Serviço de Fiscalização da DRF de Campinas/SP implantou procedimento com exame documental e escritural, necessários à instrução do processo, pontuando o seguinte: f) Verificação da legitimidade dos créditos registrados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) mediante o exame, por amostragem, das notas fiscais, contratos e documentos referentes aos bens e serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de máquinas, equipamentos e prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de fretes, bem como de outros créditos previstos na legislação de regência; Do exame realizado o fisco constatou o registro de créditos da COFINS sem amparo legal conforme relatado: No curso das verificações ora citadas, identificouse que o contribuinte inseriu despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva" dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, conforme art. 3 o da Lei n° 10.833/2003 não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas dessa natureza. Dessa forma, devem ser excluídos os seguintes valores da base de cálculo dos créditos da Cofins: Discriminação Abril Maio Junho Manutenção Predial Corretiva 17.377,23 28.512,53 39.306,39 conta contábil 440206001 Manutenção Predial Preventiva 6.516,18 6.121,43 10.546,48 conta contábil 440206011 Total 23.893,41 34.633,96 49.852,87 Também foi identificado que o contribuinte inseriu nas despesas de fretes de entrada, valores de fretes de transferência de produtos do estabelecimento localizado em Campinas São Paulo para o outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari Bahia. As despesas de fretes de entrada compuseram a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, conforme art. 3o da Lei n° 10.833/2003, não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas de fretes de transferência. Dessa forma, devem ser excluídos os seguintes valores da base de cálculo dos créditos da Cofins: Discriminação Abril Maio Junho Fretes entrada conta contábil 440214001 834.739,35 764.241,35 716.099,20 Fretes transferência incluídos na conta 440214001 342.238,57 300.740,08 212.738,16 Valor a ser excluído da base De cálculo 342.238,57 300.740,08 212.738,16 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 6 5 As folhas 46 apresentou planilha com o cálculo da glosa de tais valores no montante de crédito peticionado pela contribuinte, conforme a seguir resumido e faz a seguinte conclusão: Discriminação Abril Maio Junho Valor da glosa 26.061,86 23.905,60 18.703,62 Não foram identificadas outras exclusões da base de cálculo da contribuição nem outros créditos apurados de forma irregular além dos mencionados acima. Assim, refazendose o cálculo do crédito devido, teremos a seguinte situação: Informações sobre os créditos Abril Maio Junho Total Crédito proc 10830.000524/200685 1.164.931,99 834.791,52 526.879,1 2.526.602,65 Crédito apurado pela fiscalização 1.138.870,13 810.885,92 508.175,52 2.457.931,57 Tendo sido efetuadas as verificações necessárias à apuração da contribuição para a COFINS, bem como do cálculo dos créditos da referida contribuição, propõese o envio do presente processo ao Seort / DRF Campinas para prosseguimento. O Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT da DRF de Campinas/SP proferiu despacho decisório (fls.51), com a seguinte fundamentação e decisão: FUNDAMENTAÇÃO O pedido de ressarcimento está amparado na Lei n° 5.172, de 25/10/66, na Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, que disciplina, entre outros, o ressarcimento e a compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, assim como nas Leis n° 10.833/2003 e 11.033/2004. A exatidão das informações, a que se refere o artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, foi aferida em análise efetuada pelo Serviço de Fiscalização desta DRF e resumida na Informação Fiscal à fls. 41/44, parte integrante e inseparável do presente despacho, sendo constatada a parcial regularidade das operações incentivadas, do que resultou a glosa de R$ 68.671,08 e a disponibilidade de R$ 2.457.931,57. DECISÃO Assim, pela competência a nós delegada, reconhecemos à interessada, em face do PER à fls.25/27, o direito creditório de R$ 2.457.931,57 e homologamos até esse limite a compensação declarada pela DCOMP à fl. 01 de acordo com os demonstrativos SIEF à fls. 45/46 e o extrato PROFISC à fls. 47/48. Seguese a ciência do presente Despacho Decisório e a exigência do saldo devedor em aberto, facultandose à interessada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 7 6 do Brasil de Julgamento no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de ciência deste. Conforme decisão do SEORT, o extrato PROFISC, fls.49/50 do processo, discrimina os débitos declarados e a compensação com o crédito reconhecido até o limite de R$ 2.457.931,57 resultando num saldo devedor para o tributo 2362 (IRPJ) PA/EX: 07/2005 Vcto IMP: 31/08/2005 no valor de R$ 427.984,00. O fisco não reconheceu a denuncia espontânea alegada pela contribuinte e acrescentou aos valores dos impostos declarados, o valor da multa e dos juros de mora, para após efetuar a compensação. O sujeito passivo da obrigação tributária foi intimado a recolher o saldo devedor em aberto aos cofres da Fazenda Nacional, na data de 09/11/2010 (fls.55), facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. No prazo legal foi apresentado MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls.58/81), culminando com o seguinte pedido: Por todo exposto, requer, preliminarmente, seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco analisar a procedência dos créditos de COFINSmercado interno apurados entre abril a junho de 2005, motivo pelo qual devem ser integralmente homologados os Pedidos de Restituição e de Compensação objetos do r. Despacho Decisório em referência. Caso por absurdo assim não se entenda e não seja acolhida a preliminar de decadência, requer a Requerente seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, a fim de que seja reformado o r. despacho decisório, devendo ser integralmente reconhecido o montante creditório pleiteado relativamente às operações de mercado interno efetuadas no 2o trimestre de 2005, bem como para que seja reconhecida a regularidade da denúncia espontânea dos débitos de IRPJ e CSLL, afastandose, assim, a incidência de multa de mora sobre os valores compensados, a fim de que sejam integralmente homologadas as compensações efetuadas, ante a regularidade do crédito apurado e, por conseguinte, seja cancelada a cobrança em razão de extinção do débito, de acordo com o artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO PREDIAL. FRETES DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 8 7 Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação, como manutenção predial e fretes contratados para transporte de bens em elaboração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apesar de não fazer parte da ementa acima transcrita a DRJ se posicionou também, sobre as teses de defesa relacionadas a decadência e denúncia espontânea, bem como, sobre a compensação efetuada. Sobre estes temas a DRJ assim se manifestou: De início, é importante registrar que os autos não tratam de lançamento fiscal, ou seja, não há constituição de crédito pela Fazenda Pública que chame a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. Os débitos que eventualmente venham a ser objeto de cobrança foram confessados pela própria contribuinte nas declarações de compensação, previamente a qualquer ação do Fisco. Por outro lado, o prazo que corria contra a Administração é tratado no art. 74, §5º da Lei nº 9.430, de 1996, e diz respeito à homologação da compensação declarada pela contribuinte. No caso em exame, a DCOMP que se aproveita do direito de crédito pleiteado foi apresentada em 30/01/2006 (fl. 1). Por sua vez, a ciência do despacho que homologou parcialmente a citada declaração de compensação se deu em 09/11/2010, portanto, na guarda do prazo tratado no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a Administração Tributária agiu no sentido de aferir, dentro do prazo que lhe cabia, a correção do procedimento de compensação. A nova apuração do saldo de créditos da não cumulatividade é, dessa forma, atividade imprescindível à certificação da compensação e não está sujeita aos ritos e aos prazos aplicáveis à constituição de crédito tributário pela Fazenda Pública. [...] No caso em tela, a repercussão tributária do saldo credor coincide com o do aproveitamento do crédito em DCOMP. Não há portanto, a alegada expiração do prazo na ação da Fazenda Pública. [...] Notese que o dispositivo (art. 138 do CTN) condiciona a caracterização da denúncia ao pagamento do tributo devido e dos juros de mora. O dispositivo não menciona outras formas de extinção do crédito como beneficiárias do instituto. Assim, de pronto, tratando o citado artigo de regra de direito excepcional, sua interpretação deve ser estrita, o que coloca a compensação fora dos efeitos da denúncia espontânea. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 9 8 Além disso, ainda que se considere a compensação como forma de extinção alcançada pelo disposto no art. 138, do CTN, não ficaria afastada a multa de mora no caso. Sustenta a contribuinte que, ao declarar a compensação de tributos vencidos, ficou ao abrigo do instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. A esse respeito devese lembrar, de início, rememorar o dever legal que compele o contribuinte a extinguir a obrigação tributária no prazo de vencimento. Neste sentido, para o crédito não integralmente pago no vencimento, o art. 161 do CTN determina o acréscimo de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária, dentre as quais inserese a multa de mora, estipulada na Lei nº 9.430, 1996. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário onde espera ver integralmente reformado o acórdão recorrido e homologada por completo a compensação efetuada, sob os seguintes argumentos de defesa: DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO ANALISAR A APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RELATIVO AO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2005 NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO No presente caso, como os valores utilizados como crédito de COFINSmercado interno para compensação foram apurados no segundo trimestre de 2005, a D. Fiscalização somente poderia ter questionado tal procedimento até o segundo trimestre de 2010, respeitandose o prazo decadencial de cinco anos, em atenção ao disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, porém, não foi o que ocorreu, pois a ora Recorrente somente foi intimada acerca do Despacho Decisório no dia 09/11/2010 (após decurso do prazo decadencial de cinco anos). Dessa forma, concluise que ocorreu a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN. Portanto, no presente caso, não se poderia ter procedido à glosa dos créditos de COFINSmercado interno, realizando verdadeira rev1sao da apuração do tributo, após o decurso do prazo decadencial, sem procedimento próprio e inerente ao lançamento de ofício. DO DIREITO AO INTEGRAL RESSARCIMENTO DOS VALORES PLEITEADOS Assim, os valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris devem servir de base de cálculo para o cálculo dos créditos de COFINS, sendo indevida a glosa procedida pelo i. Auditor Fiscal e ratificada pelo acórdão ora recorrido, vez que tais gastos influenciam diretamente na fabricação dos produtos da Sociedade, porquanto depende das instalações prediais operando com pleno vigor e eficiência para fabricar seus produtos e desempenhar Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 10 9 sua atividade, configurandose, portanto, em efetivos insumos aplicados na produção de bens, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido. Portanto, o que se pode verificar é que o frete utilizado pela Recorrente para composição de seu saldo credor de COFINS é efetivamente o de um "serviço utilizado como insumo", haja vista que a transferência de um produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Recorrente e assim deve ser considerado para fins de aproveitamento dos créditos. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA Encerrado o anocalendário, foi apurado prejuízo fiscal, o que significa dizer que os valores das estimativas deixaram de ser devidos, já que não foi apurada base de cálculo passível de incidência do tributo. E, sendo assim, ainda que não fosse reconhecido o direito creditório da Recorrente, certamente não podem ser exigidos os valores a título de estimativa, mas apenas e tão somente, poderse ia ajustar o valor dos saldos negativos apurados. Aliás, nem mesmo se fosse apurada base de cálculo positiva, com o encerramento do anocalendário, as estimativas seriam devidas, pois, neste momento, seria apurado o valor definitivo a título de IRPJ e CSLL. Desta feita, insistase, eventual diferença de estimativa recolhida a menor, deveria ser atribuído ao resultado final do anocalendário, com o ajuste da base de cálculo apurado, o que, no presente caso, resultaria em redução do saldo negativo apurado. DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DE MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA De fato, a norma geral determina a aplicação de multa moratória nos casos de tributo recolhido fora do prazo determinado. Entretanto, o artigo 138 do Código Tributário Nacional traz hipótese de exceção. Tal dispositivo impõe certas condições, conforme segue: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 11 10 Pelo visto acima, duas são as condições a serem observadas para o gozo do benefício da denúncia espontânea. A primeira referese ao pagamento integral do débito tributário, devidamente acrescido dos juros de mora devidos. A segunda refere se ao pagamento antes de qualquer atividade de fiscalização. No presente caso, ambos os requisitos foram devidamente preenchidos pela ora Recorrente. Dessa forma, uma vez que a ora Recorrente seguiu à risca a regra imposta pelo Código Tributário Nacional, é de se concluir que o pagamento (compensação) espontâneo do débito em atraso rechaçou a incidência da multa de mora. Ademais, a indenização pelo mero atraso já resta satisfeita com a inclusão dos juros de mora, condição cumprida pela Recorrente para a configuração da denúncia espontânea. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Cássio Schappo, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, as questões aqui discutidas se dividem em dois fatos: 1º) o PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU REESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – PER/DCOMP nº 08812.73711.060106.1.1.114206, transmitida em 06/01/2006, que trata de créditos da COFINS nãocumulativa – mercado interno referente aos meses de abril, maio e junho de 2005, ou seja, 2º trimestre/2005; 2º) a DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO recepcionada pela DRF – Campinas/SP na data de 30/01/2006, indicando os débitos da CSLL/IRPJ apurados por estimativa em 31/07/2005 e da CSLL apurada por estimativa em 31/08/2005, compensados com os créditos dispostos no PER/DCOMP acima mencionado. O embate fisco/contribuinte se dá a partir do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS/2309/2010, cientificado na data de 09/11/2010, o qual comunica: que foi deferido em parte o pedido de ressarcimento da COFINS MERCADO INTERNO relativa ao 2º trimestre de 2005, reduzindo o crédito declarado de R$ 2.526.602,65 para R$ 2.457.931,57 resultante da glosa de R$ 68.671,08 correspondente a créditos sem previsão legal, relativos a “Serviços Utilizados como Insumos” inseridos como despesas de “manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva” e de valores de fretes de transferência de produtos em processo de fabricação do estabelecimento localizado em Campinas/SP para o outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari/BA; que foi homologada parcialmente a compensação objeto da DCOMP formalizada no processo em discussão, resultante da glosa de crédito da PER/DCOMP e da Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 12 11 multa de mora não considerada nos cálculos da contribuinte para os débitos vencidos relacionados na DCOMP; dessa forma o contribuinte foi intimado a recolher o saldo devedor em aberto aos cofres da Fazenda Nacional, conforme DARF no valor de R$ 427.984,01 a título de imposto, mais multa e juros de mora; A inconformidade manifestada pela contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ em Campinas/SP e por consequência não reconhecido o direito creditório nos termos do Despacho Decisório SEORT/DRF/DSP e fundamentos já destacados no relatório. O recurso voluntário foi instruído sem destaque de preliminares, expondo em sequência as teses de defesa, que serão seguidas no encaminhamento do voto, começando pela PER/DCOMP (questão 1): 1 DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO ANALISAR A APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RELATIVO AO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2005 – NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO. A recorrente busca através dessa premissa, anular a glosa do crédito da COFINS referente ao 2º trimestre do ano de 2005, devidamente declarado ao fisco, por não estar mais sujeito a revisão, uma vez ultrapassado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Cabe aqui esclarecer que a atividade do contribuinte de registrar os créditos da COFINS para o período de abril, maio e junho de 2005, já havia sido declarada ao fisco através da DACON e não pela PER/DCOMP como dito no julgamento pela DRJ. O prazo decadencial estabelecido pelo mencionado dispositivo do CTN passa a contar do fato gerador declarado, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que a Fazenda Pública tomando conhecimento da atividade do obrigado expressamente a homologa. E não o fazendo, deixando transcorrer esse tempo, considerase tacitamente homologado. O Serviço de Fiscalização agiu em perfeita consonância com o estabelecido no art. 150 do CTN, porém, concluiu sua análise, dando ciência ao contribuinte sobre a atividade declarada, ou seja, sobre o montante de créditos acumulados da COFINS no 2º trimestre de 2005, na data de 09/11/2010, quando já homologado tacitamente por decurso de prazo. A DRJ em seu julgamento nem leva o assunto ao texto do art. 173, I do CTN, restringindo ao fato do despacho da SEORT estar amparado no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 1996, que trata do prazo para homologação da compensação declarada pela contribuinte. Além do que, não existe lançamento de ofício para que se discuta eventual ocorrência de decadência na presente exigência. Os prazos aqui mencionados não se confundem e nem se complementam. O prazo para homologação da atividade declarada, do tributo apurado e declarado é um e o prazo de homologação da compensação requerida é outro, apesar de serem atribuídos para os dois casos o prazo de 5 (cinco) anos. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 13 12 Excelente comentário sobre o tema envolvendo o art. 150, § 4º do CTN, da lavra de José Oleskovicz, ExConselheiro do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, contribui e enriquece a discussão, destacandose: As disposições do § 4º do art. 150 do CTN, têm sido utilizadas para considerar que a data de início do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento iniciar seia, ao contrário do que dispõe o art. 173 do CTN, a contar da data da ocorrência do fato gerador do tributo. Esse entendimento, entretanto, não encontra respaldo legal, como se pode constatar do § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, que, literalmente, não trata de decadência, mas tãosomente de constituição e extinção do crédito tributário pela modalidade de lançamento por homologação tácita: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" "§ 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.". O prazo de 5 anos contado da data do fato gerador foi estabelecido pelo § 4º do art. 150 do CTN para delimitar o período de tempo em que a Administração Tributária deve constituir o crédito tributário, mediante homologação expressa da atividade apuratória do tributo informada pelo contribuinte, mesmo na hipótese de falta, total ou parcial, de pagamento. Se nesse prazo o Fisco não homologar expressamente a referida atividade, esta se considerará tacitamente homologada e, automaticamente, efetuado o lançamento, ou seja, constituído o crédito tributário, bem como extinto este, integral ou parcialmente, na proporção do que houver sido pago antecipadamente, pois o que se homologa é a atividade, não o pagamento, conforme farta doutrina e jurisprudência. Desse ensinamento, concluise que existe uma clara distinção entre o prazo à homologação da atividade apuratória do tributo, devidamente declarada ao fisco pelo contribuinte, art. 150, § 4º do CTN e o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo, art. 173, I do CTN. No primeiro caso, transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador sem que houvesse pronunciamento pelo fisco, a atividade do contribuinte fica automática e tacitamente homologada, tornandose definitivos os valores declarados. No segundo caso, do prazo decadencial para lançamento de ofício do tributo, este se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 14 13 que o lançamento poderia ter sido efetuado, ai considerados, inclusive, as ocorrências comprovadas de dolo, fraude ou simulação, passíveis de aplicação de multa qualificada. Evidente que a atividade tacitamente homologada não mais estaria sujeita ao lançamento, este só poderia atingir fatos não declarados. A jurisprudência assente no STJ faz referência ao fato de haver pagamento, mesmo que parcial, com relação à atividade declarada ao fisco pelo contribuinte, onde a contagem do prazo decadencial se dá na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN. O entendimento firmado pelo STJ, de haver pagamento mesmo que parcial, está relacionado ao fato de existir débito apurado e declarado, diferentemente do aqui exposto que trata da existência de saldo credor no final do período declarado. Do contrário recairíamos em um tratamento desigual para casos essencialmente idênticos. Basta compararmos dois contribuintes com atividade industrial que apuram e declaram ao fisco o tributo de um mesmo período, só que um apresentou saldo credor e outro um saldo devedor de apenas R$ 10,00 recolhendoos rigorosamente em seu vencimento. Depois de transcorridos 5 (cinco) anos o primeiro estaria sob a égide do art. 173, I do CTN e o segundo contribuinte estaria amparado pela decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Se a homologação tácita recai sobre a atividade de um determinado período de apuração declarado ao fisco e não somente se homologa o pagamento que chegou aos cofres públicos, após passados 5 (cinco) anos do fato gerador o credito fica extinto e a administração tributária está impedida de questionar os fatos que contribuíram para a atividade declarada pelo contribuinte, salvo os casos comprovados de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º do CTN). Nos casos de lançamento por homologação, que se aplica a COFINS, em que o contribuinte tem a obrigação de fazer os registros fiscais de entrada, de saída e apurar o imposto devido por períodos determinados, declarando essa atividade ao fisco, não só preenche inicialmente o princípio constitucional da não cumulatividade do imposto, como também, define a data inicial de contagem do prazo para que a administração tributária a homologue, expressamente ou tacitamente, decorridos o período quinquenal do fato gerador. O dever de antecipar o pagamento, quando da existência de tributo a recolher, sem prévio exame da autoridade administrativa é inerente ao processo do lançamento por homologação. Caso contrário recairia na hipótese da homologação apenas do pagamento e não é essa a melhor exegese do art. 150, § 4º do CTN. Diante desses fatos, acolho o pedido, considerando tacitamente homologado a atividade do contribuinte para o período referente ao 2º trimestre de 2005, com base no art. 150, § 4º do CTN e por consequência reabilitado o crédito da COFINS informado na PER/DCOMP. 2 DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS 2.1 – MANUTENÇÃO PREDIAL Sobre os valores glosados pela SEFIS – Serviço de Fiscalização no curso das verificações sobre créditos da COFINS possuem duas questões distintas relacionadas à GLOSA. Para o primeiro caso – MANUTENÇÃO PREDIAL CORRETIVA E MANUTENÇÃO PREDIAL PREVENTIVA, a interpretação do fisco está correta e inteiramente procedente a glosa praticada. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 15 14 No aspecto teórico o registro fiscal como praticado pela contribuinte, lançamento como insumo de produção os gastos com manutenção predial corretiva e preventiva, contraria as melhores formulações conceituais a respeito de insumos sujeitos à crédito da COFINS. Porém, fere o princípio da não cumulatividade do tributo, pois os gastos de manutenção do prédio do setor produtivo, com incidência da COFINS em sua origem e que participam do preço de venda, também, com incidência da COFINS, está sendo excluído. O que mais se aproximaria às justificativas da defesa seria o tratamento dado ao item máquinas, equipamentos e demais bens incorporados ao ativo imobilizado, abrangidos pelo inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, quando estiverem relacionados à produção das mercadorias vendidas ou aos serviços prestados pela pessoa jurídica, abrangidos pelo conceito de insumo, empregado pela legislação do PIS/PASEP e da COFINS. Nesse sentido apontase precedente do CARF, conforme se verifica pela ementa do acórdão nº 3202000.411, de 24/01/2012 da 2ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção, com semelhante entendimento adotado por outras turmas, de outras câmaras, também da 3ª Seção: CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. Devem ser considerados insumos todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Estender esse entendimento a manutenção predial, seja corretiva ou preventiva, com classificação de insumo imprescindível à produção, foge a melhor conceituação dada até agora a permissão de crédito da COFINS, no âmbito do CARF. Não assiste razão ao sujeito passivo pelo crédito praticado sob a rubrica de manutenção predial corretiva e preventiva. 2.2 FRETES DE TRANSFERÊNCIA Contrariamente ao entendimento dado pelo fisco e pelo julgamento firmado pela DRJ em Campinas/SP, razão assiste ao sujeito passivo pelo crédito praticado a título “fretes de transferência” de peças em produção entre estabelecimentos da mesma empresa, agregados a “Serviços Utilizados como Insumos”. Os valores de fretes glosados se referem a transferência de produtos inacabados, do estabelecimento localizado em Campinas/SP para outro estabelecimento da empresa na cidade de Camaçari/BA. De acordo com a interpretação dada pelo fisco ao art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de fretes de transferência. Conforme detalhamento passado pela recorrente as folhas 120 a 124, o frete de transferência referese a produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento, que nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Recorrente, assim demonstrado: A Benteler Componentes Campinas, fabrica o item 899500315AA Eixo Traseiro BV226 e o item 899500316AA Eixo Traseiro BV256, onde os componentes comprados conforme lista técnica abaixo são soldados e pintados: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 16 15 [...] Após esse primeiro processo, esses itens são transferidos para a Benteler Camaçari, onde o processo de Industrialização é finalizado. A partir dos Eixos recebidos de Campinas, a planta de Camaçari agrega vários outros componentes, conforme lista técnica abaixo, transformandoo em um Módulo de Suspensão o qual é Vendido para a FORD. Tecnicamente a conceituação de custo de aquisição compreende as despesas de transporte, como previsto no art. 13, § 1º. “a” do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Nesse sentido o CARF tem reconhecido o direito ao crédito no transporte de produtos não acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, consoante acórdãos nº 330100.424 – 3ª S. 1ª T.O. 3ª C.; nº 3403002.508 – 3ª S. 3ª T.O. 4ª C.; com destaque para ementa do acórdão nº 3403002.010 – 3ª S. 3ª T.O. 4ª C. data de 03/05/2013, da relatoria do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz: [...]COFINS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. [...] Neste processo, não há divergência quanto ao fato de que o frete envolvido está integralmente relacionado com o transporte de produtos ainda em fase de elaboração entre estabelecimentos industriais do sujeito passivo e nem tem como descaracterizálo como custo de produção, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, inciso II da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. “In verbis”: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 17 16 3 DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ART. 138 DO CTN A contribuinte efetuou a compensação dos débitos de CSLL e IRPJ estimativa, dos períodos de apuração julho e agosto de 2005, cuja declaração foi satisfeita pela transmissão da DCTF retificadora de cada período, transmitida na data de 04/04/2006. Somente a DCTF original do período de julho/2005 declarou débitos apurados de IRPJ no valor de R$ 698.483,79 e CSLL no valor de R$ 344.507,14. Na DCTF original do período de agosto/2005, não foi declarado nenhum valor de débito apurado a título de CSLL e IRPJ estimava. Dessa forma, o benefício da denúncia espontânea fica respaldado pelo art. 138 do CTN, pleiteada pela recorrente, o qual encontra ressonância com os atos normativos da RFB e a jurisprudência do CARF e STJ, ressalvado os valores declarados na DCTF em data anterior a Declaração de Compensação. O CARF em recente julgado, Acórdão nº 1301001.366 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Sessão de 05/12/2013, tratou do assunto e firmou o seguinte entendimento: Assim, entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. O objetivo do art. 138 do CTN é o de estimular o contribuinte infrator a regularizar a sua situação, denunciando fatos desconhecidos por parte do Fisco, sendo certo que sua conduta – denúncia espontânea – tem por conseqüência o recolhimento de tributo devido acompanhado dos juros de mora, cujo recolhimento não fora efetuado dentro do prazo legal e que não fosse sua iniciativa, talvez nunca viesse a lhe ser exigido de ofício. Por outro lado, não configura denúncia espontânea a situação em que o contribuinte apresenta declarações que constituem o crédito tributário, tais como DCTF, DIRPF, Dcomp, etc. e em momento posterior quita o débito, mediante pagamento ou compensação. O Superior Tribunal de Justiça – STJ em Recurso Especial representativo de controvérsia tratou desse assunto e assim ementou sua decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 18 17 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença amaior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 19 18 ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, permite ao devedor de um determinado tributo, antes do início de qualquer procedimento da fiscalização, informar voluntariamente à Administração Tributária, sendolhe assegurado a não cobrança da multa de mora, desde que acompanhado do pagamento do respectivo tributo e dos juros de mora. Confere o texto do dispositivo legal citado: Art. 138 – A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único – Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Conforme disposto na Súmula 360 do STJ, não é a situação de qualquer tributo que lhe assegura o benefício da exclusão da multa: “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do fisco. Contrariamente ao entendimento da DRJ nestes autos, a Receita Federal, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconhece que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, pode configurar denúncia espontânea. Isso porque, a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Segue transcrita parte da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/12/2012, que trata do assunto: 18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 20 19 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes aplicase o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; Pelas razões expostas, fica afastada a incidência de multa moratória sobre os débitos compensados, que foram objeto de DCTF retificadora (04/04/2006) dos débitos apurados, por terem sido em data posterior a Declaração de Compensação requerida (30/01/2006), prevalecendo a denuncia espontânea prevista no art. 138 do CTN que afasta a incidência da multa de mora. Permanece a exigência da multa, de forma proporcional, sobre o valor dos débitos compensados e declarados na DCTF original, em data anterior a Declaração de Compensação. 4 DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Sobre esse ponto e da forma como transcorrido o processo desde a apresentação da DECOMP, improcedem os argumentos da recorrente, não merecendo nenhum reparo às colocações dadas pelas DRJ em Campinas/SP. Tratase de valores declarados, com data de vencimento estabelecidas em lei e sujeitos a sanções pelo inadimplemento da obrigação. Esta situação não se altera quando ao final do exercício eventual saldo negativo venha a ser apurado. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Apesar do excelente voto do Conselheiro Relator, ouso dele discordar em relação à tese de homologação tácita defendida com base na premissa de que a contribuinte declarou os créditos da contribuição social referente ao período de apuração em DACON e não através do PER/DCOMP conforme havia dito a turma de julgamento da DRJ. Diferentemente da DCTF e da DCOMP, o DACON não é documento hábil para a constituição de crédito tributário, logo, não se pode dizer que seja passível de homologação. Os prazos para o Fisco proceder à homologação do lançamento, ao final dos quais este se considera tacitamente homologado, estabelecidos nos arts. 150 e 173 do CTN não Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 21 20 se aplicam ao presente caso, simplesmente, porque não houve lançamento que pudesse ser homologado e não se está diante de lançamento de ofício para constituição de crédito tributário. Vejase o O CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Aceitar que ocorreu homologação tácita em relação aos créditos pleiteados implicaria afastar a exigência de que o crédito deve ser líquido e certo, arts. 165 e 170 do CTN, e negar à autoridade fiscal o poder/dever de apurar a liquidez e certeza do crédito. Não há norma que diga que valores informados em DACON sejam considerados homologados após determinado prazo. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.000524/200685 Acórdão n.º 3801005.226 S3TE01 Fl. 22 21 Outra hipótese de homologação é a prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que também não se aplica ao caso, pois, conforme relatório do acórdão, a Administração Tributária não extrapolou o prazo de cinco anos para decidir sobre a compensação declarada. Cito esta norma: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Logo, não está presente nenhuma das hipóteses previstas em lei que ensejariam alguma homologação tácita, motivo pelo qual, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à alegação de que houve homologação tácita do crédito alegado. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10814.009556/2005-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/10/2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-000.979
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 30/04/2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/08714142, em 09/10/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 1.764,85 (Hum mil; setecentos e sessenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 50 das Medidas Provisórias ds. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40% (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subConjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na\ mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF), o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 43/44), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 09/10/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/08714142, tendo deixado de pleitear o beneficio em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 23/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do que entende recolhido a maior, no total de R$ 1.764,85 (Hum mil, setecentos e sessenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 23 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o beneficio da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009556/200563 Acórdão n.º 310200.979 S3‐C1T2 Fl. 166 3 O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 47) Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 47). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsideração de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art; n° 45 da IN/SRF 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que à Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, beneficio este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um beneficio condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 48/49 — Despacho Decisório IRF/SPO 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação,/ os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI (posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 50/53). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 57/71, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação :de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricante, s do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga' lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior: Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. I Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 57/71 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009556/200563 Acórdão n.º 310200.979 S3‐C1T2 Fl. 167 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art.165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado,o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CND's POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e Contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009556/200563 Acórdão n.º 310200.979 S3‐C1T2 Fl. 168 7 I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 07 de abril de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19515.002386/2004-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999,2000,2001,2002,2003
DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OPOSIÇÃO DOS CRÉDITOS AOS DÉBITOS APURADOS. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO ANTECIPADO.
Nos termos do art. 124, III do Decreto 4.544/2002, a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher considera-se pagamento, para efeito de contagem de prazo decadencial para lançamento tributário.
CRÉDITO GLOSADO. INSUMOS ISENTOS.
Insumos ingressados no estabelecimento ao amparo de isenção do IPI não rendem ensejo ao crédito do imposto.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9303-003.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em I) por maioria de votos, não se conheceu da preliminar de nulidade do lançamento fiscal, em face da preclusão. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabíola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López; e II) no mérito: a) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso especial para considerar decaídos os fatos geradores anteriores a 28/10/1999. Vencidos os Conselheiros Joel Miyazaki (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e b) por unanimidade de votos, negou-se provimento quanto ao direito de crédito na aquisição de insumos isentos. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Clemente Lourenço, OAB/SP nº 219.093, advogado do sujeito passivo.
Carlos Alberto de Freitas Barreto - Presidente.
Joel Miyazaki - Relator.
Júlio César Alves Ramos - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti (substituto convocado), Júlio César Alves Ramos (substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto de Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999,2000,2001,2002,2003 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OPOSIÇÃO DOS CRÉDITOS AOS DÉBITOS APURADOS. EQUIPARAÇÃO A PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos termos do art. 124, III do Decreto 4.544/2002, a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher considerase pagamento, para efeito de contagem de prazo decadencial para lançamento tributário. CRÉDITO GLOSADO. INSUMOS ISENTOS. Insumos ingressados no estabelecimento ao amparo de isenção do IPI não rendem ensejo ao crédito do imposto. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em I) por maioria de votos, não se conheceu da preliminar de nulidade do lançamento fiscal, em face da preclusão. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabíola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López; e II) no mérito: a) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso especial para considerar decaídos os fatos geradores anteriores a 28/10/1999. Vencidos os Conselheiros Joel Miyazaki (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e b) por unanimidade de votos, negouse provimento quanto ao direito de crédito na aquisição de insumos isentos. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Clemente Lourenço, OAB/SP nº 219.093, advogado do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 86 /2 00 4- 54 Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Carlos Alberto de Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Júlio César Alves Ramos Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti (substituto convocado), Júlio César Alves Ramos (substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto de Freitas Barreto (Presidente). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração lavrado em 28/10/2004 para exigir o crédito tributário relativo ao IPI, multa de oficio e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do tributo detectada após a glosa de créditos indevidos. Segundo os Termos de Constatação de fls. 205/208, a contribuinte lançou a crédito da contacorrente de IPI valores relativos aos recolhimentos efetuados a titulo de Fundo Nacional de Telecomunicações (FNT), cuja devolução obtivera em ação judicial de repetição de indébito. Os valores foram glosados em razão da falta de previsão legal para utilizar a escrita fiscal do IPI como meio para efetuar a repetição de indébito. Relativamente ao período compreendido entre janeiro de 2000 e dezembro de 2003, a contribuinte escriturou indevidamente créditos relativos à aquisição de insumos isentos do imposto, os quais também foram glosados pela fiscalização por falta de amparo legal. A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP, por meio do Acórdão nº 6.997, de 27/01/2005, manteve o lançamento. Regularmente notificada daquele Acórdão em 21/08/2006, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 630/729, em 15/09/2006, instruído com os documentos de fls. 730/751. Alegou, em preliminar, a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e a decadência em face do que dispõe o Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.002386/200454 Acórdão n.º 9303003.299 CSRFT3 Fl. 1.264 3 art. 150, § 4º , do CTN. No mérito, alegou que obteve em juízo o reconhecimento da inconstitucionalidade dos recolhimentos ao Fundo Nacional de Telecomunicações e que tem direito à compensação do indébito com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Relativamente aos créditos fictos pela entrada de produtos isentos, alegou que o direito ao crédito do imposto decorre do principio da nãocumulatividade, o qual não pode ser restringido pela legislação infraconstitucional. Insurgiuse contra os juros de mora e a multa de ofício na forma como foram postos no lançamento e requereu o acolhimento de seu recurso para o fim de que seja reformada a decisão de primeira instância e cancelado o auto de infração. É o Relatório. A Câmara a quo negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. Inexiste nulidade no auto de infração quando a fiscalização dá a qualificação jurídica que entende pertinente aos fatos. DECADÊNCIA. Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo para o lançamento substitutivo previsto no art. 149, V, do CTN deve ser contado pela regra do art. 173, I, do CTN. CRÉDITO GLOSADO. COMPENSAÇÃO. O sistema de débitos e créditos do IPI não pode ser usado corno meio para efetuar a compensação de indébito relativo ao Fundo Nacional de Telecomunicações. CRÉDITO GLOSADO. INSUMOS ISENTOS. Insumos ingressados no estabelecimento ao amparo de isenção não rendem ensejo ao crédito do imposto. INSUMOS ISENTOS. CRÉDITO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DO RE nº 212.484/RS. A interpretação vertida no RE nº 212.484/RS não pode ser estendida aos demais casos concretos: I) por não atender ao previsto no art. 1º do Decreto nº 2.346/97; II) por ser anterior ao advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99; e III) porque o STF mudou a interpretação ao julgar os RE nº 353.657 e 370.682. Recurso negado. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso especial às fls. 777/851, ao qual o presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes negou seguimento em razão de não terem sido apresentadas cópias dos acórdãos paradigmas, exigência fundamentada no Regimento Interno vigorante à época. A recorrente interpôs, as fls. 1.135/1.138, agravo demonstrando terem sido cumpridos os requisitos formais para a admissibilidade do recurso especial. Por meio de despacho às fls. 1.172/1.173, o presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais reexaminou o recurso especial, dandolhe parcial seguimento apenas para discutir as questões da decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, o direito de crédito na aquisição de insumos isentos. Negou seguimento ao recurso quanto à questão da utilização da conta gráfica do IPI para implementar compensações. Às fls. 1.144/1.170 a contribuinte alega nulidade do lançamento fiscal, que teria sido lavrado contra o estabelecimento da Matriz CNPJ n° 33.284.522/000111 utilizando se dos Livros Fiscais da Filial CNPJ n° 33.284.522/000626. Baseouse em decisão proferida por meio do Acórdão nº 1436.013 – 8ª Turma da DRJ/RPO, relativo a processo da mesma sociedade empresária, cuja ementa foi consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUS1RIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2007 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. A luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado o equivoco na identificação do sujeito passivo, anulase o lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial às fls. 1.176/1.188. É o relatório Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.002386/200454 Acórdão n.º 9303003.299 CSRFT3 Fl. 1.265 5 Voto Vencido Conselheiro Joel Miyazaki Preliminar extemporânea. A contribuinte, extemporaneamente traz aos autos a alegação de este seria nulo por erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que a autuada foi a matriz e não estabelecimento que auferiu os créditos indevidos. Deixo de conhecer a alegação por preclusa. A matéria não foi prequestionada e de acordo com o RICARF não pode ser objeto de debate nesta Turma. Reproduzo em seguida ementas de acórdãos do egrégio Superior Tribunal de Justiça acerca da necessidade de prequestionamento mesmo para matérias de ordem pública. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE. PRECEDENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ÔNUS DO RECOLHIMENTO. TEMA DECIDIDO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A Corte Especial posicionouse no sentido de que, na instância especial, é necessário o cumprimento do requisito do prequestionamento das matérias de ordem pública. Precedentes: AgRgnos EREsp 947.231/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Corte Especial, julgado em 23.4.2012, DJe 10.5.2012; AgRg nos EREsp999.342/SP, Rel. Min. Castro Meira, Corte Especial, julgado em 24.11.2011, DJe 1º.2.2012; AgRg nos EDcl nos EAg 1127013/SP, Rel.Min. Cesar Asfor Rocha, Corte Especial, julgado em 3.11.2010, DJe23.11.20102. Quanto à segunda tese, também não prospera a alegação, uma vez que o tema foi decidido em recurso representativo de controvérsia no sentido de que "a partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, coma redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra". (REsp 1131047/MA, Rel. Min. Teori Albino Zavascki,Primeira Seção, julgado em 24.11.2010, DJe 2.12.2010.) 3. Com efeito, não cabe em embargos de divergência analisar possível acerto ou desacerto do acórdão embargado, mas tão só o eventual dissídio de teses jurídicas, para que se uniformize a interpretação do direito infraconstitucional no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (AgRg nos EREsp 840.567/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, CorteEspecial, DJe 13.8.2010).Agravo regimental improvido. (STJ AgRg nos EREsp: 721866 SE 2012/02418304, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 27/02/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 06/03/2013) AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL.PROCEDIMENTO DE PERDA DE Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 GRADUAÇÃO DE PRAÇA EM DECORRÊNCIA DE CONDENAÇÃO CRIMINAL. IMPEDIMENTO DOS JUÍZES DO TRIBUNAL. QUESTÃO FEDERAL SURGIDA NA PROLAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE. 1. Segundo entendimento pacífico desta Corte, ainda que a pretensa violação de lei federal tenha surgido na prolação do acórdão recorrido, é indispensável a oposição de embargos de declaração para que o Tribunal de origem se manifeste sobre a questão. Se assim não se fez, está ausente o necessário prequestionamento. 2. Na linha do entendimento predominante neste Tribunal Superior, o prequestionamento é imprescindível, inclusive para questões de ordem pública. 3. Agravo regimental improvido. (STJ AgRg no Ag: 1220427 SP 2009/01991506, Relator: Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Data de Julgamento: 06/11/2012, T6 SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 22/11/2012) AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. IMPROVIMENTO. 1. A questão relativa à alegação de reformatio in pejus não foi objeto de discussão no Acórdão recorrido, nem no Acórdão proferido nos Embargos Declaratórios, carecendo, portanto, do necessário prequestionamento viabilizador do Recurso Especial. Incide, na espécie, a Súmula 211 desta Corte. Frisese, por oportuno, que, mesmo tendo sido interpostos Embargos Declaratórios, estes não tiveram o condão de suprir o devido prequestionamento, visto que o Tribunal de origem em seu julgamento permaneceu silente a respeito do tema. Dessa forma, deveria a parte,no Recurso Especial, suscitar violação do art. 535, II, do Código de Processo Civil, demonstrando, de forma objetiva, a imprescindibilidade da manifestação sobre a matéria impugnada e em que consistiria o vício apontado, e não interpor o recurso contra a questão federal não prequestionada, como ocorreu in casu. 2. As questões de ordem pública, embora passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, nesta Corte, do requisito do prequestionamento. 3. A agravante não trouxe nenhum argumento capaz de modificar a conclusão do julgado, a qual se mantém por seus próprios fundamentos. 4. Agravo Regimental improvido. (STJ AgRg no REsp: 1276193 RS 2011/01538800, Relator: Ministro SIDNEI BENETI, Data de Julgamento: 27/03/2012, T3 TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 17/04/2012) A matéria de mérito posta à apreciação desta Câmara Superior, referese: 1) à questão da decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (em relação a parte do período em debate: fatos geradores de 07/99 e 08/99) e; 2) o direito de crédito na aquisição de insumos isentos. A decisão recorrida, na parte passível de recurso foi consubstanciada nas seguintes ementas: Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.002386/200454 Acórdão n.º 9303003.299 CSRFT3 Fl. 1.266 7 DECADÊNCIA. Inexistindo o lançamento por homologação, o prazo para o lançamento substitutivo previsto no art. 149, V, do CTN deve ser contado pela regra do art. 173, I, do CTN. CRÉDITO GLOSADO. INSUMOS ISENTOS. Insumos ingressados no estabelecimento ao amparo de isenção não rendem ensejo ao crédito do imposto. INSUMOS ISENTOS. CRÉDITO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DO RE nº 212.484/RS. A interpretação vertida no RE nº 212.484/RS não pode ser estendida aos demais casos concretos: I) por não atender ao previsto no art. 1º do Decreto nº 2.346/97; II) por ser anterior ao advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99; e III) porque o STF mudou a interpretação ao julgar os RE nº 353.657 e 370.682. Passo a analisar item por item. Em seu recurso especial, no tocante ao prazo decadencial, a contribuinte enumera diversas decisões, sustenta que a compensação que teria sido feita faz as vezes de pagamento, para efeito da condição em que se implementa a contagem por meio do art. 150, § 4º que é o que alega em sua defesa. A rigor não conheceria da matéria, pois não há paradigma semelhante ao tema in casu, mas como se trata de recurso especial sob a égide do antigo regimento do CARF, tendo a não admissibilidade do recurso sido objeto de agravo que deferiu pelo seu conhecimento; para não rediscutir temas processuais, que se assemelham muito, no caso, ao próprio mérito, passo a ele de imediato A questão é se a compensação diretamente no livro de apuração de créditos alheios ao IPI (valores pagos indevidamente ao Fundo Nacional de Telecomunicações) teria o condão de se configurar pagamento para efeito de atrair a aplicação do art. 150, § 4º do CTN (não houve IPI efetivamente pago no período considerado, ver fls. 209 a 214). Entendo que não. A tentativa de compensação feita pela contribuinte se deu totalmente ao arrepio da legislação vigente, posto que não se pode comparála à compensação (que não pode ser homologada sob esta forma) para efeito de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Mesmo porque só se pode escriturar como crédito no livro de IPI, as parcelas expressamente autorizadas por lei. Assim, a situação dos autos se configura como inexistência de pagamento, caso em que se aplica, o art. 170, I do CTN. Considerando que o lançamento corresponde a fatos geradores ocorridos a partir de julho de 1999, que, portanto, tem sua contagem decadencial iniciada em 1º de janeiro de 2000; o termo alcança até 31 de dezembro de 2005. Não há portanto que se falar em decadência, visto que a contribuinte foi cientificada em 28/10/2004. O entendimento de que o não pagamento implica, no caso do lançamento por homologação, em aplicação da contagem de prazo conforme prevista no art. 173, I, do CTN, é também imposição do RICARF Anexo II, art. 62A, em vista do que restou decidido no Resp 973.733, no qual foi relator o Ministro Luiz Fux. Assim, neste aspecto, voto pela improcedência do recurso especial. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Com relação ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, a alegação da contribuinte caducou, isto porque a jurisprudência do STF firmada com base naquele julgado não mais subsiste. Com a devida licença do ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, reproduzo abaixo excerto de voto de sua lavra acerca do assunto, por bem fundamentar e descrever os princípios e o mecanismo da nãocumulativadade do IPI: Excerto do acórdão no. 930300854 – 3a. Turma, em sessão de 26 de abril de 2010. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate cingese A possibilidade de creditamento de IPI pertinente A aquisição de insumos isentos. A solução do litígio resumese em determinar se os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados tem direito a ressarcimento de créditos de IPI referente a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem acobertados por isenção desse tributo. A controvérsia tem como "pano de fundo" a interpretação do principio da nãocumulatividade do imposto. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto 6, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal principio está insculpido no art. 153, § 3°, inc. II, verbis: Art. 153. Compete à União instituir imposio sobre: I omissis IV produtos industrializados §3o imposto previsto no inc. IV: I Omissis – II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (grifo não constante do original) Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.002386/200454 Acórdão n.º 9303003.299 CSRFT3 Fl. 1.267 9 Para atender à Constituição, o C.T.N. dá, no art. 49 e parágrafo único, as diretrizes desse principio e remete à lei a forma dessa implementação. Art. 49. 0 imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. 0 saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. 0 legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do Decreto n° 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei n° 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à aliquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. 0 principio da nãocumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147, inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea "a" do Decreto 2.637/1998, a seguir transcrito: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de aliquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em virtude de isenção, não há falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a não cumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como "imposto contra imposto" (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada "base contra base", (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base), é adota, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de aliquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Assim, se a alíquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à. incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.002386/200454 Acórdão n.º 9303003.299 CSRFT3 Fl. 1.268 11 completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase "a" está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5%, e agregouse, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase "a" forem taxados em 5% e o da "b" em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15%, como mostrado a seguir. Fase "a": valor agregado $1.000,00, alíquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $ 50,00. Fase "b": valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de aliquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao principio da não cumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o principio da nãocumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos adquiridos ao abrigo de isenção do imposto não implica, absolutamente, em afronta ou restrição ao principio da nãocumulatividade ou a qualquer outro dispositivo constitucional. Este entendimento é corroborado por decisões da 3ª Turma da CSRF, a exemplo dos acórdãos unânimes abaixo transcritos: AC. 9303001.612 3ª Turma CSRF Relator(a) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Data da Sessão 30/08/2011 EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1991 a 31/08/1997 IPI. Glosa de Créditos Básicos. Aquisições de Insumos Isentos. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da não cumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. AC. 9303001.617 3ª Turma CSRF Relator(a) JULIO CESAR ALVES RAMOS Data da Sessão 30/08/2011 EMENTA: IPI. CRÉDITOS. INSUMOS ISENTOS. Não há direito de crédito de IPI em relação a produtos adquiridos sem o efetivo gravame do imposto, seja a título de isenção, redução a zero da Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.002386/200454 Acórdão n.º 9303003.299 CSRFT3 Fl. 1.269 13 alíquota ou não tributação, desde que a CF e o CTN apenas o admitem quando haja imposto pago ou devido nas operações anteriores. AC. 9303002.383 3a Turma CSRF Relator: Joel Miyazaki Data da sessão: 14 de agosto de 2013. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 IPI Créditos Aquisições de Insumos Isentos. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da nãocumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. Com estas considerações, nego provimento ao recurso especial da contribuinte. Joel Miyazaki Relator Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado Divergi do bem fundamentado voto do i. relator no tocante à decadência, por entender que nos casos de creditamento indevido, sem acusação do cometimento de fraude, prevalece a regra definida no art. 150 do CTN, em razão da disposição específica do Regulamento do IPI abaixo transcrita com destaque: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Considero que o objetivo desse dispositivo é compatibilizar as normas de apuração do imposto, em face do princípio da nãocumulatividade, àquelas do Código Tributário Nacional relativas ao lançamento por homologação. Mais claramente, dispor sobre os casos em que o contribuinte nada recolhe (em Darf) simplesmente porque entende nada ter a recolher. Registro, por isso, que só estamos a julgar sob tal dispositivo o período de apuração de agosto de 1999, em que nada foi recolhido em DARF, dado que o montante dos créditos que o contribuinte entendia possuir foi suficiente para "liquidar" todo o débito do período. O mesmo não ocorreu com respeito ao mês de junho de 1999, em que houve saldo devedor, aparentemente recolhido por meio de DARF já que a fiscalização o considerou na apuração que fez (planilha de fls. 199/202 dos autos). Como se sabe, muito discutiu a doutrina acerca da necessidade de efetivo recolhimento para que a decadência se contasse na forma do art. 150. Os opositores a essa corrente sempre apontaram exatamente essa situação em que o sujeito passivo realiza todos os procedimentos que a Lei lhe exige, mas constata, ao final, nada ter a recolher. Isso não era bem resolvido nos tributos cumulativos, a exemplo do PIS e da COFINS, até porque a possibilidade de saldo zero era remota. No caso do IPI, porém, (e também do ICMS estadual) ela é bem real. Por isso, é que leio a equiparação a pagamento prevista no regulamento do IPI como sendo bastante ampla. Com efeito, pareceme que ela procura assegurar que uma vez escriturados os créditos a que o sujeito passivo entenda ter direito (ainda que erradamente) o prazo de que dispõe a Fazenda para revisar os procedimentos adotados é o do art. 150, salvo se em tais procedimentos comprovadamente tiver agido com dolo, fraude ou simulação. Essa leitura soame mais consentânea com a lógica daquele artigo, que transfere ao sujeito passivo responsabilidades que, a todo sentido, deveriam ser do sujeito ativo (porquanto de seu interesse) e apenas lhe traz como bônus a redução do prazo revisional. Assim, a menos que saiba ou deva saber não serem aproveitáveis (admitidos) os créditos que está a escriturar, hipótese em que essa escrituração seria dolosa, o sujeito passivo não pode apenas arcar com o ônus das disposições do art. 150, isto é, proceder a todos os controles e apurações ali previstos e ainda assim poder ter contra si lavrado auto de infração no prazo do art. 173, I. Essa interpretação, aliás, o colocaria na mesma situação de quem não adotasse qualquer daqueles procedimentos, desde que, também a este, não se pudesse imputar dolo. Notese que quando de efetivo recolhimento em Darf se trata, a situação é rigorosamente a mesma: a menos que se tenha viabilizado de forma dolosa, o recolhimento, ainda que a menor que o devido, tem a força de manter o prazo decadencial contado na forma do art. 150. Desnecessário repetir, a fiscalização não fez acusação de atitude dolosa por parte do autuado e, coerentemente, não qualificou a multa aplicada. Entendo que até o poderia porque não há na legislação do IPI qualquer dispositivo que autorize o creditamento de valores Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.002386/200454 Acórdão n.º 9303003.299 CSRFT3 Fl. 1.270 15 a título de "tributos pagos indevidamente", mas a sua ausência implica, a meu sentir, a manutenção das disposições relativas ao lançamento por homologação. Em consequência, votei por considerar decaído o período de apuração de agosto de 1999, dado que o lançamento somente foi cientificado ao sujeito passivo em outubro de 2004. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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