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Numero do processo: 13056.000055/2007-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Para fazer jus a dedução de despesas médicas, o contribuinte deve provar com documentação hábil o seu direito.
Numero da decisão: 2002-000.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Para fazer jus a dedução de despesas médicas, o contribuinte deve provar com documentação hábil o seu direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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score : 1.0
Numero do processo: 10783.003643/93-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 31/01/1988 a 01/03/1992
Ementa:
IPI. COMPETÊNCIA. PROCESSO REFLEXO. IRPJ.
A Portaria n. 152, de 3 de maio de 2016, alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, atribuindo novamente a competência para o julgamento da processos sobre o FINSOCIAL, quando reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova, à 1ª Seção de Julgamento.
Numero da decisão: 3402-003.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar a competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 31/01/1988 a 01/03/1992 Ementa: IPI. COMPETÊNCIA. PROCESSO REFLEXO. IRPJ. A Portaria n. 152, de 3 de maio de 2016, alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, atribuindo novamente a competência para o julgamento da processos sobre o FINSOCIAL, quando reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova, à 1ª Seção de Julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar a competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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COMPETÊNCIA. PROCESSO REFLEXO. IRPJ. A Portaria n. 152, de 3 de maio de 2016, alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, atribuindo novamente a competência para o julgamento da processos sobre o FINSOCIAL, quando reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova, à 1ª Seção de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar a competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 00 36 43 /9 3- 35 Fl. 184DF CARF MF 2 1. Por bem retratar o histórico do caso adoto como meu alguns trechos do Relatório desenvolvido pelo então Relator do caso, Conselheiro Waldir Veiga Rocha, no despacho de fls. 179/182, o que faço nos seguintes termos: 1. O presente processo administrativo cuida de auto de infração (fl. 2) para constituição de crédito tributário de Finsocial. 2. O julgamento em primeira instância considerou parcialmente procedente o lançamento, mediante a Decisão DRJ/RJO nº 312/2001, de 19/03/2001 (fls. 77/83). Dessa decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 93/94). 3. Após diversos incidentes processuais, o processo foi encaminhado à 3ª Seção de Julgamento do CARF, em 07/10/2009 (despacho à fl. 169) para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Em 24/08/2010 foi proferido o Despacho nº 380200.004 (fls. 171/177). Após historiar a autuação e sintetizar os incidentes processuais até então ocorridos, o Conselheiro Relator assim se manifesta (grifos no original): "Contudo, o reclamo não pode ser conhecido por essa 2a Turma Especial de julgamento. Assim registra, no seu início, a decisão recorrida: "o presente auto de infração tem origem na ação fiscal instaurada contra a interessada, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, objeto do processo matriz n° 10783.003642/9372, tendo o lançamento do mesmo sido julgado procedente conforme Decisão DRJ/RJ n° 311/2000, cuja cópia encontrase às fls. 63/69. Em conseqüência, a MESMA sorte colhe este lançamento reflexo de FINSOCIAL sobre o faturamento", (fl. 72). Em seu recurso voluntário, a recorrente faz idêntica afirmação: "considerando que o processo n° 10783003.643/9335 é reflexo do processo principal n° 10783003.642/72" (fl. 87). Portanto, não há controvérsia quanto à umbilical dependência do processo ora em julgamento com aquele dito "matriz" ou "principal". Vale ponderar, os processos n° 10783.003643/9335 (agora em apreciação) e o n° 10783.0036429372 (aquele do IRPJ) são vinculados. Melhor dizendo, segundo os presentes autos, o feito 10783.003643/9335 é dependente daquele outro. Esta é uma premissa que se destaca, inicialmente. Seguindose nessa linha de raciocínio, constatase que, em julgamento datado de 13/04/2005, pelo acórdão n° 10515025, a 5a Câmara do antigo 1o Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário aparelhado nos autos do tal processo matriz n° 10783.003642/9372, para afastar a tributação relativa aos exercícios de 1990 e 1991, mantendo no restante o lançamento. Não há notícia de recursos subseqüentes. Pelo auto de infração de fls. 01/08, datado de 26/07/1993, exige se da recorrente crédito tributário, "referente falta de recolhimento do FINSOCIAL sobre o Faturamento dos períodos Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10783.003643/9335 Acórdão n.º 3402003.123 S3C4T2 Fl. 185 3 base de janeiro/1988, maio/1988, dezembro/1988, fevereiro a abril/1989, janeiro/1990, janeiro/1991, maio a dezembro/1991 e janeiro a março de 1992, apurada no processo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica n° 10783.003642/9372" (fl. 76). Nesse panorama, inclusive para preservar a coerência e uniformidade das decisões administrativas, invocando ainda os preceitos do art. 2o, IV, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, (publicada no DOU de 23 de junho de 2009, Seção I, fls. 34 a 39, e retificado no DOU de 26 de junho de 2009, Seção I, fl. 23), concluise que esta 2a Turma Especial de Julgamento, da 3a Seção é incompetente para conhecer e julgar o feito. [...] Diante destes fundamentos, data venia, temse que este colegiado é incompetente para julgar o presente processo, em razão da matéria objeto da lide. COM ESSES FUNDAMENTOS, deixase de conhecer o recurso, declinandose da competência para a 1ª Seção." (...). 5. A seguir, o processo foi encaminhado à 1ª Seção de Julgamento e distribuído a este Conselheiro, mediante sorteio, para relato e voto, conforme despacho de fl. 178. 6. Ocorre que sobreveio alteração nessa delimitação da especialização por matérias, em face do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Eis o novo teor do inciso IV do art. 2º do Anexo II: (...). 8. Diante disso, concluo que o processo sob análise não se inclui entre as competências da 1ª Seção de Julgamento do CARF, mas sim entre aquelas da 3ª Seção de Julgamento, ex vi do inciso II do art. 4º do Anexo II do novo Regimento Interno: (...). 9. Ressalto, finalmente, que entendo não se tratar de conflito negativo de competência, em face da superveniência de novo regimento interno, dispondo sobre a matéria de modo diferente. 10. Por todo o exposto, proponho o encaminhamento do processo para a 3ª Seção de Julgamento deste CARF, para o julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 2. Ato contínuo, o presente processo foi distribuído para esta 3a. Seção e sorteado para mim, na qualidade de seu Relator. 3. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF 4 Voto Relator Diego Diniz Ribeiro 4. A questão aqui não é nova e já foi objeto de recente deliberação por esta Turma (sessão de maio do corrente ano), o que está retratado na decisão proferida no processo administrativo autuado sob o n. 13896.722527/201245 (ainda pendente de formalização), de relatoria da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Por tratar da questão com a clareza que lhe é peculiar, me valho aqui dos mesmos fundamentos expostos pela respeitável Conselheira na aludida ocasião: Registro que, como observou a 1ª Seção, efetivamente o RICARF foi reformado com o advento da Portaria n. 343, de 09 de junho de 2015, de modo que passou à 3ª Seção do Conselho a competência para julgamento dos processos que versam sobre IPI, mesmo se reflexos de processos principais de competência daquela Seção. Destaco abaixo o conteúdo do dispositivo em questão: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal Essa era a regra em vigor quando foi proferido o Acórdão n. 12010001.252, em 18 de janeiro de 2016. Contudo, a Portaria n. 152, de 3 de maio de 2016 novamente alterou o RICARF, trazendo a seguinte redação ao artigo 2º: "Art. 2º .................................................................................... ................................................................................................... IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; Pela leitura do novo texto do artigo 2º, inciso IV constatase que o nosso Regimento Interno agora novamente prevê a competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF para a solução do caso da Recorrente, uma vez que se trata de processo Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10783.003643/9335 Acórdão n.º 3402003.123 S3C4T2 Fl. 186 5 sobre IPI reflexo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Não por outra razão que antes de ser a mim redistribuído encontravase pendente de julgamento perante a 1ª Seção, tendo sido transmitido à 3ª tão somente em razão da então vigente regra do artigo 2º, inciso IV. Agora, com a vigência da regra como fora outrora nesse Tribunal Administrativo, retorna a competência para a solução do presente caso à 1ª Seção do CARF. Ressalto que a Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015 (Novo Código de Processo Civil) dispõe, em seu artigo 43, exceção à regra geral da perpetuatio jurisdictionis justamente para casos como o presente, em que há mudança de competência absoluta do órgão jurisdicional, in verbis: Art. 43. Determinase a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta. A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo ser conhecida de ofício eventual incompetência, como salientam os Professores Cândido Rangel Dinamarco, Ada Pellegrini Grinover e Antonio Carlos de Araújo Cintra: 1 Nos casos de competência determinada segundo o interesse público (competência de jurisdição, hierárquica, de juízo, interna), em princípio o sistema jurídicoprocessual não tolera modificações nos critérios estabelecidos, e muito menos em virtude da vontade das partes. Tratase aí de competência absoluta, isto é, competência que não pode jamais ser modificada. Iniciado o processo perante o juiz incompetente, este pronunciará a incompetência ainda que nada aleguem as partes (CPC, art 113; CPP art. 109, enviando os autos ao juiz competente (...) 5. O caso então tratado no aludido precedente é análogo ao caso decidendo. Aqui estamos tratando de auto de infração de FINSOCIAL reflexo de autuação de IRPJ. Logo, a ratio desenvolvida no sobredito precedente deve ser convocada para fundamentar a resolução aqui proposta. 6. Assim, não conheço do presente recurso, devendo o processo ser devolvido à 1a. Seção de julgamento, nos termos do art. 2o., inciso IV do RICARF, já com a redação que lhe fora atribuída pela Portaria n. 152, de 3 de maio de 2016. 1 Teoria Geral do Processo. São Paulo: Malheiros, 2007, 23ª ed, p. 257. Fl. 188DF CARF MF 6 7. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.693330/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2008
ROYALTIES SOBRE LICENÇA DE USO DE MARCA. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. PAGAMENTO INDEVIDO NOS TERMOS DO ARTIGO 165 DO CTN.
A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da COFINS-Importação. Portanto, o recolhimento indevido de valor referente a tal tributo, nesse caso específico, se caracteriza como pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN.
DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS.
Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá-lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS.
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
Numero da decisão: 3301-005.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. PAGAMENTO INDEVIDO NOS TERMOS DO ARTIGO 165 DO CTN. A remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, isto é, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado, e, por conseguinte, não sofrem a incidência da COFINS Importação. Portanto, o recolhimento indevido de valor referente a tal tributo, nesse caso específico, se caracteriza como pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do CTN. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS. Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 33 30 /2 00 9- 77 Fl. 334DF CARF MF 2 Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DRJ/Recife nº 1153.901, exarado pela 6ª Turma daquele órgão julgador, que manteve o decidido no Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 849801879, emitido pela DERAT/SP (fls. 07 dos autos digitais), o qual não homologou a compensação declarada na DCOMP – Declaração de Compensação de nº 31921.93256.180708.1.3.041781, transmitida pela recorrente pelo Programa PER/DCOMP, da Secretaria da Receita Federal, sob o fundamento de que “ o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, foi de R$ 448.061,92. Foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” 2. O Despacho Decisório Eletrônico indica que o DARF de valor R$ 448.061,92, recolhido em 19/09/2007, foi utilizado para quitar débito declarado pelo requerente, no mesmo valor, sob código de receita 5442 – COFINSIMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS, portanto, estando o valor pleiteado vinculado a débito declarado, não resta saldo credor para efetivação da compensação pretendida. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10880.693330/200977 Acórdão n.º 3301005.826 S3C3T1 Fl. 335 3 3. Os presentes autos foram constituídos para tratamento manual dos documentos eletrônicos mencionados, diante da apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo requerente. 4. A Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente, conforme Acórdão que restou assim ementado : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O despacho decisório da não homologação da compensação é ato jurídico perfeito e foi corretamente proferido, já que, de fato, na data de sua emissão, o crédito declarado no PER/DCOMP não se apresentava para a autoridade administrativa líquido e certo. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Irresignada com a decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário, com as seguintes alegações : I – DOS FATOS a recorrente submeteu pagamento indevido para compensação,entretanto sobreveio despacho decisório não homologando a compensação pautandose na alegação de que o pagamento do referido débito de PISImportação, sob montante de R$ 45.538,69 havia sido supostamente utilizado para a quitação de valores declarados em DCTF; a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde produziu prova necessária á identificação do indébito submetido á compensação, demonstrandose, de forma inequívoca, que este refletia um pagamento indevido de PISImportação sobre uma remessa á França a título de royalties como se vê, o suporte documental faz constatar claramente que o débito de PISImportação foi suportado indevidamente sobre uma remessa ao exterior como contraprestação pela cessão de uso da marca “ALSTOM” o que, por evidente, não representa uma obrigação de fazer apta a deflagrar a incidência do referido tributo; ainda que a manifestação apresentada constitua meio adequado á revisão do lançamento (art. 145, I, do CTN), foi proferido Acórdão pela DRJ/RECIFE ratificando o indeferimento da compensação por se pautar na ausência dos atributos de liquidez e certeza do crédito compensado; o Acórdão recorrido desprezou a prova do indébito submetido á compensação, considerando que não foi providenciada a retificação da DCTF do período para espelhar o direito ao créditos Fl. 336DF CARF MF 4 II – PRELIMINARMENTE – NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA a decisão encontrase maculada por vício de nulidade absoluta, haja vista a falta da análise de todos os pontos suscitados pela recorrente; o artigo 93 da Constituição Federal determina que os despachos deverão estar motivados pelos fundamentos que levaram o julgador acolher ou desaclher a defesa apresentada, sob pena de nulidade; a autoridade julgadora deixou de apreciar a natureza do débito de COFINSImportação suportado indevidamente sobre uma remessa ao exterior a título de pagamento de royalties; a autoridade se pauta unicamente no fato de a DCTF não ter sido retificada para manter a glosa do crédito a que faz a recorrente; é preciso sublinhar que a recorrente nunca se desimcumbiu de demonstrar a legitimaidade de seu direito, até porque realizou toda a demonstração necessária á contextualização de que o indébito efetivamente se reportou a uma remessa feita ao exterior como contraprestação por uso de marca; o que se discute é a forma presumida com a qual autoridade julgadora despereza a origem do crédito, sem que tenham sido emitidos quaisquer termos de intimação para apresentação de escalrecimentos; mesmo que no caso da recorrente nenhuma retificação tenha sido feita em DCTF, é preciso ponderar que a liquidez e certeza do crédito está devidamente demonstrada; impõese a declaração de nulidade da decisão recorrida e a determinação de prolação de nova decisão, seja por falta de fundamentação, seja por falta de análise ao caso concreto, face a omissão sob diversos aspectos para a prolação da decisão administrativa; a ausência de fundamentação do julgado acarreta violação ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório julgador não irá analisar e se manifestar expressamente sobre todas as questões aduzidas na defesa , diminuindo a matéria devolvida para apreciação pela autoridade julgadora hierarquicamente superior. III – DO DIREITO III.1 – A EFETIVA DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO – PARECER NORMATIVO RFB/COSIT Nº 02/2015 ha que se destacar que independente da retificação feita em DCTF, não há como se mitigar o aproveitamento do crédito pela recorrente que efetivamente suportou o pagamento do tributo indevido, cita o Parecer Normativo RFB/COSIT nº 02/2015; mesmo que se admitisse a necessidade de esclarecimentos adicionais por parte da recorrente, caberia á autoridade julgadora intimála para elucidação dos elementos que impactaram na formação do indébito tributário, convertendo o julgamento em diligência e não simplesmente julgar improcedente a manifestação em razão da ausência da retificação feita em DCTF Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10880.693330/200977 Acórdão n.º 3301005.826 S3C3T1 Fl. 336 5 III.2 A EFICÁCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE COMO INSTRUMENTO REVISOR DO LANÇAMENTO ainda que a retificação não tenha sido realizada, a inequívoca demonstração do pagamento indevido, conforme comprovações feitas em sede de manifestação de inconformidade já seria suficiente para amparara a existência de crédito disponível, ou seja, a documentação apresentada pela recorrente não poderia simplesmente ser ignorada, como de fato acabou ocorrendo; sendo assim, falho a decisão ao apontar que a recorrente supostamente se desimcumbiu de seu ônus em provar a realização do pagamento indevido, pois a despeito da retificação feita em DCTF, mas diante das demonstrações feitas em sede de manifestação de inconformidade, não subsistenm dúvidas quanto á disponibilidade do crédito submetido á compensação. III.3 – A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO A SER COMPENSADO E A LEGITIMIDADE DE SUA COMPENSÇÃO – O INDÉBITO TRIBUTÁRIO REFLETIDO NO RECOLHIMENTO DA COFINSIMPORTAÇÃO SOBRE REMESSAS A TÍTULO DE ROYALTIES. é cabível a restituição do indébito tributário nos casos previstos no artigo 165 do CTN; uma vez comprovado que a recorrente suportou pagamento indevido, há que se resguardar ao contribuinte a devolução do respectivo montante; diante do arcabouço documenta apresentado (contrato de cessão de marca, averbação do contrato no INPI, comprovação da remessa ao exterior de valor como contraprestação do uso de marca, memória de cálculo que demonstra apuração da quantia referente ao pagamento indevido) não remanescem dúvidas quanto á natureza do pagamento consumado pela recorrente, sobre o qual foi realizada compensação. IV – DO PEDIDO requer seja dado provimento ao recurso para decretar a nulidade da decisão proferida pela DRJ/RECIFE, devolvendose a matéria para fins de confirmação, por meio de diligência, dos elementos que impactaram no indébito; alternativamente, seja dado provimento ao recurso para, reformandose a decisão proferida pela DRJ, reconhecer integralmente o crédito em tela, homologandose a compensação efetuada pela recorrente, cancelandose a cobrança dos valores ora exigidos, inclusive mediante a conversão do julgamento em diligência. 6. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Fl. 338DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Ari Vendramini 7. Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. PRELIMINARMENTE – A NULIDADE DO ACÓRDÃO DRJ 8. Não prosperam as acusações da recorrente. 9. Alega a recorrente que o artigo 93 da Constituição Federal ordena que os despachos deverão estar motivados pelos fundamentos que levaram o julgador a acolher ou não a defesa apresentada, sob pena de nulidade. 10. O artigo 93 da Carta Magna está dirigido expressamente ao Poder Judiciário, como se transcreve : Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: (…..) IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação X as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão pública, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros; 11. Portanto, equivocada a recorrente ao se utilizar deste argumento para acusar a decisão da DRJ de nula, pois o artigo 93 da CF/88 não se aplica ao caso. 12. A recorrente acusa o julgador da DRJ de não ter apreciado a natureza do débito de PISImportação suportado indevidamente sobre uma remessa ao exterior a título de pagamento de royalties. 13. Equivocada a abordagem da recorrente, como o julgador cita em seu voto, “alega a contribuinte que não haveria incidência sobre a operação da aludida contribuição sobre as remessas de royalties ao exterior realizadas em contraprestação à cessão do uso da marca "Alstom", essa alegação não se contrapõem aos motivos da não homologação, pois esta se baseou em que não existe disponibilidade dos valores pleiteados pela contribuinte, pois para efetivação da compensação é necessário que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional seja dotado de liquidez e certeza.” 14. Portanto, a critério do julgador, tal discussão, da origem do débito, não seria relevante para o deslinde da questão, uma vez que o motivo da não homologação da compensação não seria este, mas sim a sua vinculação a débito confessado pela recorrente em DCTF. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10880.693330/200977 Acórdão n.º 3301005.826 S3C3T1 Fl. 337 7 15. A extinção do débito, por pagamento, como confessado em DCTF, torna válido o crédito, não havendo porque discutir suas origens. 16. Alega, ainda a recorrente, que a autoridade julgadora agiu de forma presumida ao desprezar a origem do crédito, sem emitir termo de intimação para a apresentação de esclarecimentos que se reputassem necessários. 17. Não prospera o argumento da recorrente, pois a autoridade julgadora não agiu por presunção, e sim efetivou seu julgamento com base em dados apresentados pela recorrente, como os documentos comprobatórios de que o indébito se referia a recolhimento de COFINS Importação sobre royalties e, também, com base em dados extraídos dos sistemas de registro da Secretaria da Receita Federal, para demonstrar que o recolhimento consta dos sistemas e permanece vinculado a débito declarado pela recorrente, inclusive anexando telas de sistema aos autos. 18. Quanto aos termos de intimação não emitidos, vazia a acusação da recorrente, pois diante das provas constantes dos autos, que já embasavam a convicção do julgador, não foi necessária a intimação da recorrente para apresentar esclarecimentos adicionais. 19. Assim, as acusações de falta de fundamentação, falta de análise do caso concreto e omissão sob aspectos imprescindíveis para a prolação da decisão não prosperam, sendo a decisão perfeitamente elaborada, dentro dos parâmetros legais, não cabendo o seu cancelamento por nulidade. 20. Por derradeiro, as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal tem como base legal o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 21. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses elencadas no texto legal, não há nulidade na decisão combatida. 22. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade apresentadas. NO MÉRITO 23. Para o deslinde da questão, dois aspectos devem ser analisados : 1) o direito ao crédito e 2) a operacionalização da compensação na esfera tributária. 1 O DIREITO AO CRÉDITO 24. A decisão de piso já reconheceu este direito ao crédito ao consignar em sua ementa que a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, por simples licença de uso de marca, sem prestação de serviços vinculados a essa cessão de direitos, não caracteriza contraprestação por serviço prestado e, por conseguinte, não sofrem a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação. Fl. 340DF CARF MF 8 25. A respeito da diferença entre royalties e serviços, é de se citar decisão do Pleno do STF (RE nº 116.1213/SP) onde se pacifica a definição de que o conceito de que a locação de bens móveis, à qual se assemelha a licença para uso ou exploração de direitos, constitui típica obrigação de dar, ao contrário dos serviços, que constituem obrigação de fazer. 26. Os documentos acostados aos autos evidenciam que o contrato firmado pela recorrente se refere a contrato de licença de uso de marca, não existindo serviço vinculado a ele : Contrato de Licença (fls. 72/115 dos autos digitais), Requerimento de Averbação de Contratos e Faturas (fls. 117/122 dos autos digitais) do INPI, no qual consta como objeto o “Uso de Marca”, e Contrato de Câmbio (fls. 129/132 dos autos digitais). 27. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” 28. As hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e para a COFINSImportação sobre a importação de serviços foram estabelecidas pelos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.865/2004: Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços – PISPASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – COFINS importação,com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, incios IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10880.693330/200977 Acórdão n.º 3301005.826 S3C3T1 Fl. 338 9 jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses : I – executados no País; ou II – executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. [...] Art. 3º. O fato gerador será : [...] II – o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, como contraprestação por serviço prestado. [...] Art. 7º A base de cálculo será : [...] II – o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3º desta Lei. (grifouse) 28. É expressa e clara a definição do fato gerador das contribuições em exame, PIS/PasepImportação e CofinsImportação, como sendo “o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, como contraprestação por serviço prestado”. Merece ainda, destaque, a atenção que o legislador deu à execução dos serviços, em especial nos citados incisos constantes do § 1º, art. 1º, da Lei nº 10.865/2004, acima transcritos. A referência à execução remete diretamente à natureza jurídica característica da obrigação de fazer dos serviços. 29. Considerando que os royalties são rendimentos decorrentes do uso, fruição e exploração de direitos (obrigação de dar), e não de prestação de serviços (obrigação de fazer), concluise que os valores referentes aos royalties não são atingidos pelas referidas contribuições, considerando ainda que, nos casos em que houver previsão contratual de fornecimento concomitante de serviços, o contrato deve ser suficientemente claro para discriminar os royalties, os serviços técnicos e a assistência técnica de forma individualizada, de forma a não haver incidência de PIS/PasepImportação e CofinsImportação sobre o valor pago a título de royalties. Neste caso, as contribuições sobre a importação incidirão apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. 30. No presente caso os requisitos para a não incidência estão configurados: o contrato é de cessão de marca, estão devidamente descritos os valores devidos a esse título e não há serviços conexos. 31. Assim, o recolhimento efetivado a título de PISImportação sobre os royalties vinculados ao contrato de cessão de marca foi feito de forma incorreta, caracterizando o pagamento como indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional : Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 342DF CARF MF 10 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. 32. Por consequência, deve ser reconhecido o direito creditório, no montante do recolhimento efetivado indevidamente. 2 – A OPERACIONALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NA ESFERA TRIBUTÁRIA 33. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com suas várias alterações, estipula que : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (…) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. 34. Cumprindo a determinação contida no § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a Secretaria da Receita Federal emitiu Instrução Normativa que regula a matéria, hoje vigora a IN RFB nº 1.717/2017, que assim dispõe : Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10880.693330/200977 Acórdão n.º 3301005.826 S3C3T1 Fl. 339 11 35. Os débitos a que se refere o texto normativo são aqueles declarados em DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instrumento onde o contribuinte declara, como confissão de dívida, os débitos contra a Fazenda Pública e sua extinção, por pagamento ou compensação ou sua suspensão, por parcelamento, por recurso administrativo ou ordem judicial. 36. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, portanto, se a autoridade administrativa, segundo critérios de aprofundamento por ela definidos e após eventuais batimentos eletrônicos, admite o valor do tributo confessado em DCTF como compatível com o do efetivamente devido, pode, a partir dos elementos de que internamente já dispõe, decidir o direito à restituição (e, por decorrência, à compensação) por comparação entre o valor pago do tributo e o correspondente montante declarado em DCTF, sendo dispensável, dado o caráter confessional da DCTF, a intimação do requerente para prestar esclarecimentos ou apresentar provas. 37. A Secretaria da Receita Federal emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, citado pela recorrente, onde trata da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação – PER/DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade, assim dispôs sobre o cruzamento de informações DCTF X PER/DCOMP : 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. (...) 10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Tratase de confissão extrajudicial da existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso é título executivo. Conforme decidido pelo STJ em sede de recursos repetitivos. (...) 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma Fl. 344DF CARF MF 12 DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302 001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). (...) 20 .O despacho decisório de indeferimento do PER ou da não homologação da compensação é ato jurídico perfeito e foi corretamente proferido, já que, de fato, na data de sua emissão, o crédito declarado no PER/DCOMP não se apresentava para a autoridade administrativa líquido e certo. O foco da questão aqui tratada não deve ser a formalidade e efetividade de um ato da autoridade administrativa, mas o efeito Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10880.693330/200977 Acórdão n.º 3301005.826 S3C3T1 Fl. 340 13 de um ato do sujeito passivo – retificar sua DCTF – em momento que ainda lhe é permitido pela norma e que confirme ato por ele também praticado anteriormente (a compensação ou o pedido de restituição) quando já fora objeto de análise pela autoridade administrativa. 38. A vinculação de débitos e créditos declarados em DCTF são de absoluta responsabilidade do declarante, e podem ser retificados, como admite a Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, que trata da DCTF, dispondo em seu artigo 9º : Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. 39. Desta forma, para alterar os dados declarados, como débitos indevidos ou inexistentes, obrigatoriamente devese informar á Secretaria da Receita Federal, através da DCTF RETIFICADORA, para que, ao efetivar o cruzamento de informações, no caso em exame, de valores declarados em DCTF e valores declarados em DCOMP, sejam compatíveis para que o sistema eletrônico possa efetivar a compensação ou emitir despacho não homologando a compensação, com a devida fundamentação. 40. É o que acontece no caso presente. 41. Assim, no cruzamento de informações prestadas pela recorrente, na DCTF e na DCOMP,. O sistema de registro eletrônico da Secretaria da Receita Federal detectou que o recolhimento efetuado havia sido vinculado a um débito existente e confessado, extinguindo, portanto, o crédito por pagamento. 42. Por este motivo, o fundamento da não homologação da compensação foi o de haver um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível par compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 43. Portanto, correta a afirmação da autoridade julgadora da DRJ ao afirmar que : 38. No caso concreto o que se vê é que a Manifestante: A) Continua informando em sua DCTF o pretenso crédito como valor devido. B) Promove o recolhimento de diversos DARFs sob o mesmo código de receita – 5442 – o que, com a documentação apresentada nos autos não é possível saber a vinculação de cada um deles. C) Não traz aos autos prova escritural que permita a vinculação inequívoca do valor recolhido com a remessa de royalties por uso de marca. Fl. 346DF CARF MF 14 39. Assim, entendo que não há reparo a ser feito no Despacho Decisório. O valor recolhido em 25/02/2008 foi corretamente alocado ao débito confessado de fevereiro/2008, NÃO RESTANDO VALOR A SER UTILIZADO PARA A COMPENSAÇÃO PRETENDIDA – Junho/2008. 44. A própria recorrente admite não ter retificado a DCTF quando afirma ás fls. 7 do seu recurso voluntário (fls. 263 dos autos digitais) que “ e, nesse diapasão, mesmo que no caso da Recorrente nenhuma retificação tenha sido feita em DCTF, é preciso ponderar que a certeza e liquidez do crédito devidamente demonstrada.” 45. Por derradeiro, há que se considerar que, uma vez que o pagamento indevido foi vinculado, como crédito, a valor de débito confessado em DCTF, extinguindo, portanto, o débito, não pode ser pagamento ou crédito ser utilizado novamente em sede de compensação, pois que tal crédito seria inexistente para o devido encontro de contas no instituto da compensação, nos termos dos artigos 368 e 369 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem; Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.) e do artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.), por faltar ao crédito os atributos da liquidez e certeza, pois que o crédito alegado já não mais existia á época da transmissão da DCOMP, restando o débito para ser cobrado pela Fazenda Nacional. 46. Restou, pois, á recorrente, a retificação da DCTF, para alterar a vinculação do débito ao crédito que se pretenda compensar. 47. Não é possível, portanto, diante de tais regras, admitir o direito á compensação de crédito reconhecido mas utilizado indevidamente, no caso para extinguir débito confessado, desta forma, inexistente o crédito é época da compensação e, por consequência, faltandolhe liquidez e certeza. 48. Quanto á homologação e operacionalização da compensação não compete a este CARF tais atribuições, e sim ás Delegacias da Receita Federal, unidades jurisdicionantes dos requerentes/declarantes. Conclusão 49. Diante de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apresentado somente para reconhecer o direito creditório referente ao pagamento indevido, cabendo á Unidade de Origem verificar os procedimentos necessários á compensação. É o meu voto. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10880.693330/200977 Acórdão n.º 3301005.826 S3C3T1 Fl. 341 15 Fl. 348DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900975/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900981/2009-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900981/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.572 de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .9 00 97 5/ 20 09 -7 3 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.900975/200973 Resolução nº 1201000.572 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de processamento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, transmitida antes do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou a cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, em síntese, diante da insuficiência da prova documental anexada à Manifestação de Inconformidade, in verbis: Em hipótese tal qual a dos autos, fazse indispensável, portanto, a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc. No caso concreto, ao que consta dos autos, a antecipação em tela foi apurada pelo sujeito passivo nos termos e em conformidade com a legislação vigente (haja vista a não exibição de balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro Diário, que autorizassem a suspensão ou redução do pagamento do tributo devido art. 230, § 1° do RIR/I999). Também a documentação trazida aos autos pela interessada (limitada à cópia de DARF fl. 11) não autoriza a conclusão de que decorre da estimativa mensal em tela a existência de qualquer indébito. O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.900975/200973 Resolução nº 1201000.572 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real presumido, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial ou balancetes mensais, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquid o do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13227.900975/200973 Resolução nº 1201000.572 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A forma de tributação na qual estava enquadrada a empresa, no exercício em questão (exercício em que esta sendo discutida a compensação) era “lucro real presumido” no qual é feito o recolhimento por estimativa mensal, baseandose na receita bruta, devendo ser ao final do ano calendário realizada à apuração do tributo devido, forma de tributação esta detalhadamente explicada no relatório do acórdão, elaborado pela relatora, do qual transcrevemos trechos. Contudo, quando do termino do ano calendário, ao ser realizada a apuração do imposto devido, momento em que é possível se fazer à comparação entre o valor pago e o efetivamente devido, é que se obteve o valor de crédito, (advindo da diferença entre créditos e débitos), que poderia vir a ser usado em futuras compensações, ou seja, abatimento de impostos devidos. No exercício em pauta, conforme a nossa explanação, ao serem analisados os valores apurados e devidamente registrados nos documentos que seguirão em anexo, é possível chegar ao valor de crédito abaixo identificado: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13227.900975/200973 Resolução nº 1201000.572 S1C2T1 Fl. 6 5 Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referente ao anocalendário de 2002; (ii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com pagamento da estimativa mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), período de apuração de maio/2002 e valor de R$ 86,40, e; (iii) Livro Diário, anocalendário de 2002, contendo a transcrição do Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado e Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13227.900975/200973 Resolução nº 1201000.572 S1C2T1 Fl. 7 6 perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado antes do despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13227.900975/200973 Resolução nº 1201000.572 S1C2T1 Fl. 8 7 em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase que o Recorrente, aparentemente, comprova seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), havendo o pagamento a maior da estimativa mensal. Todavia, demonstrou somente o pagamento da estimativa mensal de maio/2002, com valor de R$ 86,40, não anexando os demais comprovantes, que somariam o montante total de R$ 3.551,63. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13227.900975/200973 Resolução nº 1201000.572 S1C2T1 Fl. 9 8 pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao Período de Apuração de 31/07/1999 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.903643/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 36 43 /2 00 9- 16 Fl. 222DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório Tratase de Declaração de Compensação n° 21010.84267.260804.1.3.02 2359 (efls. 01/05), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de alegado crédito de saldo negativo IRPJ ano calendário 2001 no valor de R$ 9.844,26. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 835725090 (efl. 09), de 25/05/2009, que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório justificando que o saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito (R$ 9.844,26) não correspondia com o somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ (R$ 0,00). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida na decisão de primeira instância (efls. 90/93): Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 01/06/2009 (fls.11/12), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 26/06/2009 (fls.13/14), via representantes legais (fls.54/65 e 74/81), alegando em síntese que: 1) A composição do saldo negativo disponível na DIPJ anocalendário 2001, Ficha 12A é a seguinte: o valor de R$ 324,06 referese a IRRF sobre rendimentos de aplicação financeira do ano 2001 conforme Ficha Razão em anexo e o valor de R$ 9.520,20 referese ao cálculo do imposto de renda por estimativa mensal com base em balancete de suspensão ou redução dos meses de fevereiro e março/2001 conforme Ficha 11 da DIPJ/2002; 2) Não houve recolhimento das estimativas em virtude da empresa ter um saldo de imposto de renda a recuperar de anos anteriores no valor de R$ 36.106,26 conforme Ficha Razão em anexo; 3) O saldo negativo existe e pode ser comprovado pela documentação anexa; 4) Requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade; Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: telas da DIPJ/2002 (fls.16/20), Ficha Razão (fl.27), despacho (fl.66), Despacho DRJ/BEL nº 238 de 11/11/2011 (fls.67/68), Telas de DCTF – estimativas IRPJ (fls.85/87), Tela DIPJ/1999 AC 1998 (fl.88) e Ficha Razão – cópia de documento extraído do processo administrativo 10280.905003/200932 (fl.89). Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10280.903643/200916 Acórdão n.º 1201002.854 S1C2T1 Fl. 223 3 A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0124.821 1 ª Turma da DRJ/BEL, efls. efls. 90/93). A decisão de primeira instância entendeu que: no PER/DCOMP o contribuinte indicou que as parcelas do crédito teriam sido constituídas por estimativas compensadas (dezembro/2001) com saldo negativo de períodos anteriores, citando que o crédito utilizado para compensar as estimativas referentes ao exercício 2001, portanto, anocalendário 2000. Mas o saldo negativo referente ao anocalendário 2000, tais compensações resultaram não homologadas haja vista que referido crédito foi analisado nos autos do processo administrativo nº 10280.905003/200932; ademais o contribuinte não trouxe aos autos provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito, destacando que restou comprovada a retenção de IRRF no montante de R$ 324,06. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/05/2012 (efl. 112) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 21/06/2012 (efl. 117), em que repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e anexa cópias que seriam de sua escrita contábil. Aduz ainda que a decisão de primeira instância não entendeu a forma de composição do saldo negativo. Nos termos do recorrente: Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao Fl. 224DF CARF MF 4 crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. A compensação requerida no PER/DCOMP referido indicou que as parcelas do crédito teriam sido constituídas por estimativas compensadas (dezembro/2001) com saldo negativo de períodos anteriores, citando que o crédito utilizado para compensar as estimativas que provinham do imposto referente ao exercício 2001, anocalendário 2000. Mas o saldo negativo referente ao anocalendário 2000 restou não reconhecido nos autos do processo administrativo nº 10280.905003/200932 (Ac CARF n. 1803002.485 – 3ª Turma Especial, Sessão de 26 de novembro de 2014). Desta forma o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com base no artigo citado o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no ato de recurso a esta segunda instância o recorrente alega anexar agora documentos que comprovariam, seu crédito (efls. 160/190). Mas tal tentativa não pode socorrelhe. Isto porque, além do crédito já ter sido objeto de outro processo (e não ter sido reconhecido), adicionese que conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade para a primeira instância, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10280.903643/200916 Acórdão n.º 1201002.854 S1C2T1 Fl. 224 5 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A respeito da alegação do recorrente de que a autoridade fiscal não entendeu a forma de composição do saldo negativo, destaco a seguir a refutação contida na decisão de primeira instância que muito bem explica que houve divergência na informação prestada pelo próprio recorrente do período de apuração do saldo negativo utilizado para compensar as estimativas de fevereiro e março/2001. Mas mesmo considerando qualquer das alternativas devergentes de origem o crédito mostrouse inexistente (efl. 102) ou desprovido de certeza e liquidez: Há inconsistência na informação do período de apuração do saldo negativo utilizado para compensar as estimativas de fevereiro e março/2001. Vejamos: 1. No PER/DCOMP (fl.3) há informação de que o saldo negativo IRPJ é do anocalendário 2000; 2. Na DCTF (fls.85/87) há informação de que o saldo negativo IRPJ é do anocalendário 1998; Fl. 226DF CARF MF 6 3. Na manifestação de inconformidade o contribuinte afirma possuir saldo de imposto de renda a recuperar de anos anteriores no valor de R$ 36.106,26 e que este crédito teria sido aproveitado na compensação das estimativas. Se o saldo negativo for referente ao anocalendário 2000, tais compensações certamente resultam não homologadas haja vista que referido crédito foi analisado nos autos do processo administrativo nº 10280.905003/200932 e conforme Acórdão DRJ/BEL nº 23.512 de 11/11/2011 (fls.90/93), tal crédito não foi reconhecido; se o saldo negativo for referente ao anocalendário 1998, a tela de fl.88 comprova a apuração de saldo negativo IRPJ de R$ 15.115,98. Ocorre que este crédito (anocalendário 1998), assim como o não reconhecido no anocalendário 2000, não se mostraram revestidos da liquidez e certeza indispensáveis à sua utilização em declaração de compensação.(...). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.903932/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 32 /2 01 2- 85 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13819.903932/201285 Acórdão n.º 3201004.775 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, com base em suposto crédito de COFINS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Em preliminar, defende a decadência para a análise do crédito tributário (CTF, art. 150, § 4º) em função de a ciência do despacho decisório ter ocorrido em prazo superior a 5 anos da data de transmissão do PerDcomp. Cita acórdão do Carf relativo à homologação tácita de declaração de compensação. Afirma que o crédito pleiteado referese à exclusão de outras receitas da base de calculo do Pis e da Cofins em função do trânsito em julgado com repercussão geral ocorreu em 2006. Cita acórdãos de DRJ e do Carf. Acrescenta que foi revogado o §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pede, se for o caso, a determinação das diligências necessárias para a apuração da exatidão do crédito tributário a que se refere o presente processo, em respeito ao primado da verdade material e da moralidade administrativa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02048.765. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.765, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.903903/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.765): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903932/201285 Acórdão n.º 3201004.775 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de "inexistência do crédito postulado". Inicialmente aduz o Recorrente a ocorrência de decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4ª do CTN, contados da transmissão do Pedido de Restituição. Todavia, não merece acolhida o pleito do contribuinte. O Pedido de Restituição tem o condão de interromper a prescrição do crédito tributário em face da Fazenda Nacional, contudo, inexiste hipótese de reconhecimento tácito de tal crédito, cujo reconhecimento demanda a análise material do direito creditório pela administração tributária. Lado outro, prevê a legislação a homologação tácita das pedidos de compensação apresentados pelos contribuinte, sendo este prazo de 5 (cinco) anos contados da transmissão da declaração de compensação. Desse modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: A compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 74, § 2º). O mesmo artigo determina que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de “não homologação” da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PerDcomp sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. Por outro lado, o pedido de restituição não tem nenhum efeito imediato e necessita, essencialmente, da manifestação expressa da Administração negando ou concordando com o pedido. Por tratarse de um requerimento, de uma solicitação, de um pedido, necessita uma decisão explícita da Administração – nunca uma solução tácita (Lei nº 9.784, de 1999, art. 48). O prazo da Lei 9.740, de 1996, referese, exclusivamente, à declaração de compensação, não se aplicando a pedido de restituição. Não existe prazo preclusivo para a apreciação do pedido de restituição. Não cabe aplicar a ele o prazo da homologação tácita, dado que a compensação declarada está afeta a um regime declaratório (Declaração de Compensação), e a restituição está afeta a um regime de requerimento (Pedido de Restituição). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903932/201285 Acórdão n.º 3201004.775 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse mesmo sentido é a própria decisão colacionada pelo Contribuinte em Seu Recurso Voluntário: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, a teor das disposições do art. 74 e seu § 5° da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data da protocolização da Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 120200.246 – Recurso nº 177.141Processo nº 11610.006196/200335 – 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2009) Vale ressaltar que, muito embora o Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação possam ser apresentados por meio de um único instrumento (PER/DCOMP), estes não se confundem, pois representam atos jurídicos de conteúdo distinto. Quanto ao mérito, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior em decorrência do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que deve ser reconhecida pela administração tributária. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega, a rigor, a necessidade de aplicação do quanto restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º da Lei nº 9.718/98). Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, mas apenas planilhas colacionadas à Manifestação de Inconformidade que não representam e não comprovam a contabilidade da empresa. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que esta não se presta à substituir o ônus de produção de prova pelo contribuinte. Esta deve ser utilizada quanto resta dúvida por parte dos julgadores acerca dos fatos e desde que o direito Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903932/201285 Acórdão n.º 3201004.775 S3C2T1 Fl. 6 5 postulado esteja minimamente provado pelo contribuinte, o que não se verifica nos autos. Assim, também nesse aspecto, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Nenhum documento contábil ou fiscal acompanha os demonstrativos. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da existência do crédito e o contribuinte não logra comprovar sua vinculação com as teses que apresenta. No caso da exclusão do ICMS, ainda que fosse uma alegação válida, as provas seriam imprestáveis, não sendo suficientes para quantificar o crédito e, como já relatado, as diligências não se prestam a isso. O objetivo da diligência não é produzir provas que não foram apresentadas na impugnação, mas esclarecer dúvidas. Ademais, os valores não são coerentes. Em pesquisa aos sistemas de controle da RFB, verificouse que há incompatibilidade entre os valores declarados em DIPJ e o confessado em DCTF. (...) A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para confirmar o indeferimento da restituição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903932/201285 Acórdão n.º 3201004.775 S3C2T1 Fl. 7 6 Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721805/2015-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.764
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 80 5/ 20 15 -9 3 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 16682.721805/201593 Resolução nº 3201001.764 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16682.721805/201593 Resolução nº 3201001.764 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 287DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.003706/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é, precipuamente, um instrumento de controle interno da Administração Tributária, e não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração, descabendo pleitear nulidade do lançamento por eventual irregularidade em sua emissão ou ciência.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Existindo o pagamento antecipado sobre os tributos constituídos através do lançamento por homologação, o prazo decadencial sobre eventuais diferenças é de cinco anos, iniciando a partir do fato gerador, quando não constatado dolo, fraude ou simulação (Art. 150, § 4º, do CTN).
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
À autoridade julgadora é dada a prerrogativa de indeferir pedido de perícia sempre que considerá-la prescindível ao julgamento do litígio, como é o caso de questionamentos acerca de base de cálculo ou pagamentos, apreciados com base em provas constantes dos autos.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PEDIDO DE PARCELAMENTO. ATRIBUIÇÃO DA DRF.
Cabe à DRF e não à DRJ pronunciar-se sobre pedido de parcelamento de débitos, devendo o contribuinte encaminhar tal pleito junto à delegacia de sua jurisdição.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996.
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1402-003.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) rejeitar as argüições de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e vícios no MPF; ii) acolher a arguição de decadência relativamente à contribuição ao PIS e à COFINS relativos aos períodos de janeiro a abril de 2004; iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente às demais alegações. Por maioria de votos: iv) acolher a arguição de decadência relativamente ao IRPJ e à CSLL referentes ao 1º trimestre/2004, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. O Mandado de Procedimento Fiscal é, precipuamente, um instrumento de controle interno da Administração Tributária, e não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração, descabendo pleitear nulidade do lançamento por eventual irregularidade em sua emissão ou ciência. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo o pagamento antecipado sobre os tributos constituídos através do lançamento por homologação, o prazo decadencial sobre eventuais diferenças é de cinco anos, iniciando a partir do fato gerador, quando não constatado dolo, fraude ou simulação (Art. 150, § 4º, do CTN). MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 37 06 /2 00 9- 82 Fl. 3590DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.591 2 À autoridade julgadora é dada a prerrogativa de indeferir pedido de perícia sempre que considerála prescindível ao julgamento do litígio, como é o caso de questionamentos acerca de base de cálculo ou pagamentos, apreciados com base em provas constantes dos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE PARCELAMENTO. ATRIBUIÇÃO DA DRF. Cabe à DRF e não à DRJ pronunciarse sobre pedido de parcelamento de débitos, devendo o contribuinte encaminhar tal pleito junto à delegacia de sua jurisdição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) rejeitar as argüições de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e vícios no MPF; ii) acolher a arguição de decadência relativamente à contribuição ao PIS e à COFINS relativos aos períodos de janeiro a abril de 2004; iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente às demais alegações. Por maioria de votos: iv) acolher a arguição de decadência relativamente ao IRPJ e à CSLL referentes ao 1º trimestre/2004, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fl. 3591DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.592 3 Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Fl. 3592DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.593 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 06 29.188 2ª Turma da DRJ/CTA, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos, relativos aos anos calendários 2004, 2005, 2006 e 2007. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 2506/2526) exige o recolhimento de R$ 511.124,76 de imposto e R$ 383.343,52 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da recorrente, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 2240/2505: Depósitos bancários de origem não comprovada: nos períodos de 03/2004, 06/2004, 09/2004, 12/2004, 03/2005, 06/2005, 09/2005, 12/2005, 03/2006, 06/2006, 09/2006, 12/2006, 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal nos arts 27, inciso I e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 532 e 537 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Multa de 75%; Receitas Operacionais – Prestação de Serviços Gerais: nos períodos de 03/2004, 06/2004, 09/2004, 12/2004, 03/2005, 06/2005, 09/2005, 12/2005, 03/2006, 06/2006, 09/2006, 12/2006, 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal no art. 532 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Multa de 75%; 3. O auto de infração do PIS (fls. 2527/2540) exige o recolhimento de R$ 31.675,43 de imposto e R$ 23.756,39 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 2240/2505: PIS – Falta de recolhimento do PIS: nos períodos de 01/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 12/2007. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2°, inciso I, “a”, e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Multa de 75%; 4. O auto de infração da Cofins (fls. 2541/2554) exige o recolhimento de R$ 146.723,19 de imposto e R$ 110.042,22 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 2240/2505: Fl. 3593DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.594 5 Cofins – Omissão de Receitas: nos períodos de 01/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 12/2007. Enquadramento legal nos arts. 2°, inciso II e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Multa de 75%. 5. O auto de infração de CSLL (fls. 2555/2572) exige o recolhimento de R$ 179.032,46 de imposto e R$ 134.274,29 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 2240/2505: CSLL – Prestadora de Serviços: no período de 03/2004, 06/2004, 09/2004, 12/2004, 03/2005, 06/2005, 09/2005, 12/2005, 03/2006, 06/2006, 09/2006, 12/2006, 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal no art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; 6. Cientificada em 29/05/2009, conforme fls. 2520, 2537, 2551, 2565 e 2573, tempestivamente, em 29/06/2009, foi interposta impugnação aos lançamentos, às fls. 2576/2628, acompanhada dos documentos de fls. 2629/3117, que se resume a seguir: Preliminar Cerceamento de defesa a. Alega que teve seu contraditório e direito de defesa integralmente violados, haja vista que todos os livros fiscais, documentos da empresa e extratos apresentados pela fiscalização estiveram durante o período de impugnação sob a guarda da SRF, sendo impossível o manuseio e posse dos mesmo para que a defesa tivesse oportunidade de verificálos na íntegra; b. Ressalta que, se efetivamente tivesse a oportunidade de analisar detalhadamente os referidos documentos, especialmente os extratos bancários, certamente as alegações para fins de impugnação aos termos dos autos de infração seriam sem dúvida mais consistentes e direcionados do que os que serão apresentados infra, mas que certamente deveriam ter sido disponibilizados ao contribuinte, trazendo assim inúmeros prejuízos; c. Pugna pelo reconhecimento da preliminar de cerceamento de defesa, em flagrante prejuízo em face do art. 5°, inciso LV da CF/88, para que seja determinada a nulidade do termo de fiscalização, sendo oportunizada ao contribuinte vistas dos autos do processo administrativo, bem como devolvidos os referidos documentos; Fl. 3594DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.595 6 Nulidade do MPF. Desvio de finalidade d. Reclama que, originariamente, o MPF n° 0910100.200713616, exigiu em seus itens de verificação que o contribuinte apresentasse os documentos para fins de verificação fiscal somente dos anos de 2003 a 2007, a fim de permitir a conferência dos recolhimentos das contribuições sociais e devidos supostamente pela empresa; e. Explica que, naquela data, não havia qualquer MPF cujo objeto fosse a discussão sobre a unicidade empresarial das duas empresas mas sim única e exclusivamente a conferência do recolhimento do INSS referente à empresa contestante que apresentou todos os documentos pertinentes, que só foi criado através do MPF 0910300.2008.011115, nos termos declarados pelo próprio auditor fiscal; f. Questiona que, até aquela oportunidade a unicidade empresarial não era objeto de nenhum procedimento fiscal e muito menos a apuração de suposta omissão de receitas como ora combatida, pois não havia e não há em relação ao mesmo qualquer MPF, conforme determina a Portaria SRF 2007/2001; g. Acrescenta que é de se chamar a atenção para o procedimento em comento, haja vista que desregrado de fundamento legal fez de forma arbitrária expedir o MPF, e postula pela sua nulidade absoluta diante da ausência de procedimento adequado para a realização das exigências impostas ao contribuinte; h. Entende que o auto de infração deve ser declarado nulo, tendo em vista que a Portaria SRF 3007/2001, em seus artigos 2° e 3° ,exige a emissão prévia de MPF; Descumprimento dos artigos 5°, III e IV, 7°, VI e 13, §2° da Portaria SRF 3007/2001 i. Sustenta que os MPF 0910300.2008.008084 20910300.2008.011115 e 0910300.2008.01118 são nulos, pois não cumprem os requisitos estabelecidos na Portaria SRF n° 3007/2001, eis que não indica o número do telefone do chefe do AFRF responsável pela execução do mandado, tal como determina o art. 7°, VI; j. Afirma que também são nulos os atos subseqüentes ao presente instrumento pelo que devem ser declarados para todos os fins e de direito, haja vista que a dificuldade em manter contato junto ao auditor fiscal por parte do contribuinte sem dúvida prejudicou a análise dos documentos e da apresentação de outros que pudessem esclarecer os termos deste procedimento administrativo, fato este que descaracteriza as imposições legais supra e que deve ser declarada a irregularidade, pois não conseguiu manter contato com o referido auditor fiscal sequer para indagar sob os números os autos de infração que não foram mencionados em tais documentos, fato que por si só já acarreta a nulidade; Fl. 3595DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.596 7 Ausência de ciência de prorrogação dos MPFs e ofensa ao princípio da segurança jurídica. k. Volta a mencionar a Portaria SRF 3007/01, que estabelece que os procedimentos fiscais serão instaurados mediante MPF, bem como seu prazo de validade e prorrogação; l. Cita os artigos 12 e 13, e reclama que o fisco não deu ciência ao contribuinte a respeito da prorrogação da totalidade dos MPFs que constam do procedimento fiscal, prorrogados inúmeras vezes como é de conhecimento do auditor fiscal, tanto assim que o mesmo fez menção de tal prazo junto ao auto de infração; m. Observa que o único demonstrativo de emissão de prorrogação de MPF que chegou ao conhecimento do contribuinte é aquele que consta dos autos de procedimento fiscal quando da primeira prorrogação, que relaciona, de uma só vez, a referida prorrogação, deixando de apresentar as demais ocorridas junto ao procedimento administrativo; n. Aduz que a ciência do sujeito passivo no que pertine a prorrogação do MPF é mais do que necessária, é imprescindível, em observância ao princípio da segurança jurídica, ou seja, o contribuinte tem o direito de saber se está sendo fiscalizado ou não, se houve prorrogação do procedimento, pois não pode exercer suas atividades em constante insegurança, sem saber o que poderá ser lavrado contra si; o. Acrescenta que isso é necessário para que o contribuinte possa exercer a espontaneidade, ou seja, decorrido o prazo do procedimento fiscal sem que em seu término tenha sido lavrado auto de infração, se alguma infração foi cometida, tem o contribuinte o direito de recolher o tributo supostamente devido nos exatos termos do art. 138 do CTN e como será ventilado em oportunidade própria quanto ao parcelamento e seus benefícios; p. Assevera que a ciência da prorrogação do MPF é dever do fisco e direito do contribuinte, conforme prevêem o CTN (art. 195) e o decreto 70.235/72 (art 8°); q. Cita julgado do Conselho de Contribuintes e doutrina; Decadência r. Pede o reconhecimento da decadência, com declaração de nulidade do lançamento, no que concerne aos pretensos fatos geradores ocorridos de 01/01/2004 a 26/05/2004; s. Discorre acerca do instituto da decadência; t. Afirma que, considerando que todas as exações impugnadas têm como fato gerador o mês da omissão, logo, imediatamente após, poderia a fazenda Fl. 3596DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.597 8 lançar o valor correspondente, não sendo necessário aguardar a formação periódica; e que, em se tratando de rendimento supostamente percebido até 31/01/2004, por exemplo, o lançamento poderia ser efetivado a partir de 01/02/2009, de modo que tal prazo decadencial expiraria em 31/01/2009; u. Conclui que nenhum dos créditos tributários com fatos ocorridos entre 01/01/2004 a 26/05/2004 podem ser exigidos, porquanto sobre eles operam se os resultados da decadência, já que todos os valores recolhidos no período foram tacitamente aceitos, ou seja, homologados; v. Acrescenta que o que deve ser verificado é o momento do início do prazo de declaração da decadência, sendo que este deve ser contado única e exclusivamente da data em que o contribuinte teve ciência das supostas irregularidades, ou seja, do auto de infração; w. Argumenta que o recebimento do MPF dá início quanto ao prazo para apuração dos referidos valores e pendências não deve prosperar, pois se assim fosse e a fiscalização pudesse se alongar por anos a fios, certamente a insegurança jurídica e o fantasma da fiscalização tornariam o desenvolvimento da atividade da empresa uma tortura e o poder do fisco de tributar seria prolongado indefinidamente; x. Cita decisões judiciais e a súmula 153 do TFR; y. Alega que o próprio auditor fiscal reconheceu o prazo decadencial, mas equivocouse quanto à abrangência do período da constituição do crédito, haja vista que foi apurado considerando o termo inicial em 01/2004, quando deveria ter iniciado em 05/2004; Mérito Adiantamentos de clientes para fins de pagamentos de impostos z. Contesta o procedimento adotado pela fiscalização, que, dos talões de depósitos apresentados, conforme tabela 01 do TVF, somente considerou 6 lançamentos, segundo a tabela 02, já que todos devem ser considerados para todos os fins e de direito, haja vista que pela movimentação financeira, pode se concluir pela referida exclusão em todos os seus termos; aa. Com base em julgado do Conselho de Contribuintes, pugna pela improcedência dos lançamentos, pois os documentos que foram apresentados demonstram de forma inconteste que houve o recebimento de valores das empresas clientes, que foram lançados a título de pagamento de impostos e que estes foram depositados junto aos bancos de movimentação financeira da contribuinte para posterior pagamento de tais tributos, fato este que não pode admitido como propício a provocar a declaração de omissão de receitas; bb. Frisa que é óbvio que os valores não batiam categoricamente pois inúmeras vezes os referidos valores eram depositados agrupados e os Fl. 3597DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.598 9 pagamentos eram realizados normalmente de forma individual, fato este que ficou explícito através dos extratos que foram juntados ao processo, e que devem ser analisados melhor pelo perito a ser designado por este colegiado de especialistas; cc. Postula pela consideração dos referidos valores recebidos a título de receita bruta através de talões de depósitos como documento hábeis a excluir a receita propriamente dita, pois estes demonstram pelas descrições apresentadas que em nenhum momento poderiam ser computados como receitas da forma como considerada pelo auditor fiscal; dd. Destaca que não houve a omissão de receitas, pois podese constatar que as mesmas não foram receitas propriamente ditas, mas sim algumas transferências que não justificam as receitas da empresa, mas sim meros favores que eram realizados para outras empresas; Incongruências a serem sanadas ante a suposta unicidade empresarial ee. Relata que o MPF 0910300.2008.011115 foi originário do MPF 0910300.2008.008084, sendo que este último foi objeto dos autos de infração DEBCAD 37.191.2814 37.191.2806 e 37.191.2792, correspondentes ao INSS e seus reflexos; e que sob o MPF 0910300.2008.008084, os auditores fiscais entenderam que havia unicidade empresarial entre as empresas Eco Contabilidade Ltda e a Eco Consultoria S/S Ltda, sendo que esta deveria assumir a incidência dos impostos e fatos materiais lavrados naquela oportunidade; ff. Prossegue narrando que determinado auditor fiscal lavrou auto de infração na ordem de R$ 1.186.930,10 em face de alegação de que se trata da mesma empresa, que os sócios são os mesmos, que existiu interesse em ludibriar o fisco federal; e agora, utilizandose dos mesmos MPFs, a mesma SRF autua o contribuinte sob suposta omissão de receitas através de suposta ausência de recolhimentos de impostos; gg. Estranha o fato de a fiscalização ter lavrado mais 4 autos de infração e deixado de considerar os valores da receita bruta daquela empresa (Eco Contabilidade Ltda), ou seja, fez alegações de que o contribuinte teria omitido receitas brutas, não se atentando para as receitas brutas desta outra empresa supostamente reconhecida pela unicidade contratual; hh. Entende que, condicionalmente, se for reconhecida a unicidade empresarial, automaticamente deve ser reconhecido também, para fins de defesa e fundamentação, as receitas brutas declaradas pela Eco Contabilidade Ltda, CNPJ 03.465.107/000101, que importam na quantia de R$ 2.035.308,77, conforme documentos juntados; ii. Explica que, através da tabela 06, que mostra receitas na ordem de R$ 5.713.121,91, se for excluída da base de cálculo os valores efetivamente declarados pela outra empresa, os valores das supostas omissões seriam Fl. 3598DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.599 10 proporcionais a somente R$ 3.677.813,14, o que deve ser levado em consideração por este colegiado; jj. Solicita que seja considerada a base de cálculo das receitas brutas declaradas legitimamente pela Eco Contabilidade Ltda, para fins de que sejam abatidas junto aos presentes autos, legitimando ainda a realização de prova pericial para fins de que sejam confrontados (abatidos) tais valores, com redução da base de cálculo; Divergência quanto aos valores constantes dos autos de infração. Necessidade de prova pericial kk. Justifica que erros de cálculo ocorreram e que devem ser refeitos através da realização de uma perícia técnica sobre os mesmos, até por que não houve a consideração dos recolhimento, acarretando assim o recolhimento em duplicidade; ll. Em face o grande número de notas fiscais, comprovantes de pagamentos e documentos colacionados aos autos, ficou praticamente impossível no prazo dado a análise detalhada de todos os documentos e formas de cálculo realizados pelo auditor fiscal, mas em alguns meses constatouse que os valores verificados foram divergentes aos efetivamente devidos; mm. Frisa que deve ser parte integrante da prova pericial os valores correspondentes à exclusão da base de cálculo das receitas brutas auferidas pela outra empresa, assim como os valores das reduções e descontos mencionados acima, com relação ao parcelamento de tais tributos e acessórios, daí a necessidade da perícia, cujos quesitos serão relacionados em item próprio; nn. Indica o perito técnico assistente Nelson Nestor Hickmann, brasileiro, casado, economista, residente e domiciliado á R. São Paulo, 383, jardim Porto Alegre, CEP 85.906150, na cidade de Toledo/PR, fone (45)88022251, o qual deverá ser intimado para o encargo, com os seguintes quesitos: oo. 1) considerando o regime de recolhimento das contribuições sociais, houve o recolhimento de acordo com as determinações legais, segundo os comprovantes de recolhimentos apresentados perante a RFB? pp. 2) caso existem divergências, queira apontar quais as irregularidades legais infringidas; qq. 3) houve algum equívoco quanto à base de cálculo considerando os dados e valores apresentados pela empresa e a base de cálculo pelo auditor fiscal e os apresentados pelo contribuinte? rr. 4) requer sejam refeitos todos os cálculos sobre as bases de cálculos objeto do período da fiscalização para constatação de que os mesmos correspondem aos valores apresentados no auto de infração? Se houver Fl. 3599DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.600 11 divergências que sejam apontadas e objeto de esclarecimento sobre os motivos pelos quais se chegou a esta conclusão; ss. 5) considerando a possibilidade quanto à inclusão da base de cálculo já declarada pela Eco Contabilidade Ltda, qual seria o valore a ser recolhido ou supostamente devido pelo contribuinte? tt. 6) Considerando os procedimentos adotados quanto aos lançamentos de talões de depósitos, podeser afirmar a existência de alguma irregularidade quanto ao recolhimento de valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins? Quais e por que? uu. 7) Se considerarmos a redução prevista em caso de parcelamento no que se refere à multa (40%), qual seria o valor a ser recolhido pela empresa se considerarmos o abatimento da base de cálculo mencionada no item anterior? vv. 8) Uma vez encontrado tais valores, quais seriam ainda os valores a serem devidos a título de multa se considerarmos os benefícios da Lei 11.941/2009? ww. 9) Considerando ainda os benefícios da referida lei, quais seriam os supostos valores a serem recolhidos se contasse com a redução da multa pelo parcelamento, a exclusão da base de cálculo da referida empresa, e a redução dos demais encargos a título de juros e outros previstos na legislação, considerando a possibilidade de parcelamento em 180 parcelas mensais? xx. 10) Se tivesse havido a regularização da lei 11.941/2009 até a data de 29/06/2009, seria possível o parcelamento em 180 parcelas e a que quantidade de valores estaria adstrita a contribuinte? yy. 11) para isso seria possível a redução da penalidade de multa com a redução pela opção de parcelamento e ainda o previsto na referida legislação? zz. 12) Caso negativo, por qual fundamento legal e jurídico? aaa. 13) caso afirmativo, qual o valor das parcelas? bbb. 14) devese considerar o mês de competência para redução da penalidade de multa de ofício ou o mês da lavratura do auto de infração? Qual o fundamento legal para a conclusão? ccc. Repete que a perícia é imperiosa e não visa tão somente o recálculo de tributos apurados, sua finalidade é a busca da correta base de cálculo para tributação, ou seja, a verdade material; Ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic ddd. Ressalta que não há previsão legal do que seja efetivamente a taxa Selic, já que a lei tão somente determina a sua aplicação, sem indicar nenhum Fl. 3600DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.601 12 percentual, delegando indevidamente seu cálculo, divulgação e estabelecimento a ato administrativo praticado pelo Bacen; eee. Entende que o emprego da Selic fere o princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária, conforme doutrina; fff. Demonstra que o artigo 13 da Lei 9.065/95 não instituiu, não definiu e não traçou parâmetros para o cálculo da taxa Selic, e reclama que essa taxa, apesar de serem materializadas como juros moratórios, a mesma não possui tal natureza, porque traduzem o fenômeno tributário de pagamento pelo uso de dinheiro como caráter estritamente remuneratório; ggg. Explica que a natureza remuneratória da Selic fica evidenciada pela forma como é calculada, qual seja, pela variação do rendimento do valor de mercado de diversos títulos públicos, em cujo sistema apenas as instituições financeiras, tais como o Bacen, Tesouro Nacional, Estados e Municípios podem participar; hhh. Conclui que a lei 9.065/95, ao determinar sobre o cálculo de juros de mora a serem aplicados nas obrigações tributárias, não estabeleceu nova forma de cálculo para a fixação destes juros, apenas assentou a utilização de uma taxa de juros preexistente e de natureza remuneratória, sendo evidente a impropriedade cometida pelo legislador que, ao invés de instruir a taxa de juros de natureza moratória conforme exigida pelo CTN; iii. Cita julgados do STF e STJ; jjj. Pugna pela inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da taxa Selic como taxa de juros moratórios; Multa de 75%. Confisco kkk. Argumenta que até entende que possa ser coerente a aplicação da penalidade sobre a suposta omissão de receita, mas que esta somente ocorresse quanto aos valores nele descritos e não sobre os valores contabilizados; lll. Explica que, se os valores foram contabilizados, declarados e recolhidos os impostos pertinentes, tanto que foram excluídos de qualquer alegação ou base de cálculo pelo próprio auditor, não é legítima e legal a cobrança de multa sobre os referidos valores como alegado nos autos; mmm. Entende que, não tendo ocorrido qualquer infração quanto aos valores contabilizados e apresentados na tabela 05 do TVF, estes devem ser excluídos da base de cálculo dos autos, em sua integralidade, pois qualquer alegação de penalidade sobre os referidos valores é ilegal e deve ser banido do ordenamento jurídico, sob peba de estarmos aplicando uma penalidade sobre uma obrigação efetivamente cumprida pelo contribuinte; Fl. 3601DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.602 13 nnn. Acrescenta que o percentual de 75% viola o art. 150, IV da CF/88, uma vez que se trata de flagrante ato caracterizados de confisco; ooo. Cita decisão do STF; ppp. Assevera que a multa aplicada violenta o direito de propriedade, pois o pagamento exigido em decorrência da multa torna impossível a continuidade da atividade, avilta o direito de propriedade, e o próprio direito ao trabalho, e atividade produtiva; qqq. Conclui ser inconstitucional o dispositivo legal, impondose que se afaste o excesso que desborda da proporcionalidade, pelo que postula a declaração de inconstitucionalidade com a exclusão de forma definitiva bem como, alternativamente, a redução da mesma para a fração ideal de 20%; Redução da multa. Parcelamento da dívida. Lei 11941/09 rrr. Declara ter interesse no parcelamento do débito na quantidade máxima de parcelas, mas está a mercê quanto a regulamentação prevista na lei 11941/2009, eu até o presente momento não teve sua regulamentação realizada, ficando totalmente excluído quanto aos benefícios de tal instrumento; sss. Frisa que, caso houvesse efetivamente ocorrido a regulamentação, o parcelamento certamente já teria sido concretizado, mas devido à impossibilidade técnica legislativa do governo federal, isso tornouse impossível; ttt. Recorre ao direito adquirido, e requer a redução da penalidade da multa de 75%, com a redução para o patamar de 40%, segundo previsão constante do próprio auto de infração, o que reduziria os valores de multa de R$ 651.416,42 para R$ 390.849,86; uuu. Atenta para a situação de quando efetivamente deve ser considerado os fatos geradores para fins de aplicação da redução da penalidade, e explica que, quando se lavra o auto de infração, o auditor fiscal considera o mês de competência para incidência de todos os acessórios e acréscimos legais, fato este que não existe discussão; vvv. Afirma que não poderia ser diferente quanto à redução da multa, pois estes devem ser considerados pela sua competência que gerou a multa e não a data do auto de infração, fato este que fica préquestionado, que se o entendimento for no sentido de considerar somente a data da lavratura do auto de infração, tal entendimento é equivocado; www. Alega que é necessário o mesmo entendimento com relação ao parcelamento dos juros de mora, cujos valores representam R$ 344.723,66, pois considerando a aplicação do inciso V, §3° do art. 1° da Lei 11.941/2009, Fl. 3602DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.603 14 que prevê a redução do acessório em 25%, este deve passar a ser R$ 258.542,75; Base de cálculo para fins de parcelamento xxx. Frisa que a Eco Contabilidade Ltda somente dispunha de uma única conta bancária, fato que justifica a transferência da receita bruta constante daquela empresa para o contribuinte, e que os referidos valores sejam abatidos na sua integralidade e posteriormente sejam aplicados os percentuais de redução nos termos pleiteados, sob pena de beneficiar o fisco; yyy. Repete que, tendo havido o deferimento quanto à penalidade de multa e juros de mora, estes devem ser calculados considerando única e exclusivamente a redução da compensação da receita bruta, pelo que se pleiteia a compensação. 7. Foi lavrado o processo de Representação Fiscal para Fins Penais n° 10935.003707/200927. 8. É o relatório." O Acórdão de Impugnação nº 0629.188 2ª Turma da DRJ/CTA considerou a Impugnação Improcedente, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. O Mandado de Procedimento Fiscal é, precipuamente, um instrumento de controle interno da Administração Tributária, e não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração, descabendo pleitear nulidade do lançamento por eventual irregularidade em sua emissão ou ciência. DECADÊNCIA. IRPJ. A inexistência de pagamento de tributo, em relação à receita omitida, que deveria ter sido lançado por homologação enseja a prática do lançamento de ofício ou revisão de ofício, previsto no artigo 149 do CTN, cujo termo de início do prazo decadencial deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. PIS, COFINS, CSLL. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. Com a edição da súmula vinculante n° 8, editada pelo STF, as contribuições sociais para a Seguridade Social submetemse às regras de prescrição e decadência gerais ditadas pelo CTN. Fl. 3603DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.604 15 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. À autoridade julgadora é dada a prerrogativa de indeferir pedido de perícia sempre que considerála prescindível ao julgamento do litígio, como é o caso de questionamentos acerca de base de cálculo ou pagamentos, apreciados com base em provas constantes dos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE PARCELAMENTO. ATRIBUIÇÃO DA DRF. Cabe à DRF e não à DRJ pronunciarse sobre pedido de parcelamento de débitos, devendo o contribuinte encaminhar tal pleito junto à delegacia de sua jurisdição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ." Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, em que repisas os argumentos de fato e de direito trazidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 3604DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.605 16 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminar Cerceamento de defesa Em preliminares, a recorrente alega cerceamento de defesa, através dos seguintes argumentos: i) teve seu contraditório e direito de defesa integralmente violados, haja vista que todos os livros fiscais, documentos da empresa e extratos apresentados pela fiscalização estiveram durante o período de impugnação sob a guarda da SRF, sendo impossível o manuseio e posse dos mesmos para que a defesa tivesse oportunidade de verificálos na íntegra; ii) se efetivamente tivesse a oportunidade de analisar detalhadamente os referidos documentos, especialmente os extratos bancários, certamente as alegações para fins de impugnação aos termos dos autos de infração seriam sem dúvida mais consistentes e direcionados do que os que serão apresentados infra, mas que certamente deveriam ter sido disponibilizados ao contribuinte, trazendo assim inúmeros prejuízos; iii) dever ser reconhecida a preliminar de cerceamento de defesa, em flagrante prejuízo em face do art. 5°, inciso LV da CF/88, para que seja determinada a nulidade do termo de fiscalização, sendo oportunizada ao contribuinte vistas dos autos do processo administrativo, bem como devolvidos os referidos documentos. Verificase que não procede a alegação da recorrente, que afirma que todos os livros fiscais, documentos da empresa e extratos apresentados pela fiscalização estiveram sob a guarda da SRF durante o período de impugnação. No auto de infração, mais precisamente em seu Termo de Encerramento, à fl. 2573, há expressa menção de devolução de todos os livros e documentos utilizados na ação fiscal, conforme reprodução a seguir: Fl. 3605DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.606 17 Fl. 3606DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.607 18 Acrescentase o fato que a recorrente teve amplo acesso aos autos do presente processo administrativo, os quais contêm todas as peças necessárias à sua defesa. Nulidade do MPF Ainda em preliminares, a recorrente pede a nulidade do MPF. Reclama que, originariamente, o MPF n° 0910100.200713616, exigiu em seus itens de verificação que o contribuinte apresentasse os documentos para fins de verificação fiscal somente dos anos de 2003 a 2007, a fim de permitir a conferência dos recolhimentos das contribuições sociais e devidos supostamente pela empresa. Explica que, naquela data, não havia qualquer MPF cujo objeto fosse a discussão sobre a unicidade empresarial das duas empresas mas sim única e exclusivamente a conferência do recolhimento do INSS referente à empresa contestante que apresentou todos os documentos pertinentes, que só foi criado através do MPF 0910300.2008.011115, nos termos declarados pelo próprio auditor fiscal. Questiona que, até aquela oportunidade a unicidade empresarial não era objeto de nenhum procedimento fiscal e muito menos a apuração de suposta omissão de receitas como ora combatida, pois não havia e não há em relação ao mesmo qualquer MPF, conforme determina a Portaria SRF 2007/2001. Acrescenta que é de se chamar a atenção para o procedimento em comento, haja vista que desregrado de fundamento legal fez de forma arbitrária expedir o MPF, e postula pela sua nulidade absoluta diante da ausência de procedimento adequado para a realização das exigências impostas ao contribuinte. Entende que o auto de infração deve ser declarado nulo, tendo em vista que a Portaria SRF 3007/2001, em seus artigos 2° e 3°, exige a emissão prévia de MPF. Alega ainda o descumprimento dos artigos 5°, III e IV, 7°, VI e 13, §2° da Portaria SRF 3007/2001. Sustenta que os MPF 0910300.2008.008084 20910300.2008.01111 5 e 0910300.2008.01118 são nulos, pois não cumprem os requisitos estabelecidos na Portaria SRF n° 3007/2001, eis que não indica o número do telefone do chefe do AFRF responsável pela execução do mandado, tal como determina o art. 7°, VI. Afirma que também são nulos os atos subseqüentes ao presente instrumento pelo que devem ser declarados para todos os fins e de direito, haja vista que a dificuldade em manter contato junto ao auditor fiscal por parte do contribuinte sem dúvida prejudicou a análise dos documentos e da apresentação de outros que pudessem esclarecer os termos deste procedimento administrativo, fato este que descaracteriza as imposições legais supra e que deve ser declarada a irregularidade, pois não conseguiu manter contato com o referido auditor fiscal sequer para indagar sob os números os autos de infração que não foram mencionados em tais documentos, fato que por si só já acarreta a nulidade. Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.608 19 A recorrente também reclama da ausência de ciência de prorrogação dos MPFs e ofensa ao princípio da segurança jurídica. Volta a mencionar a Portaria SRF 3007/01, que estabelece que os procedimentos fiscais serão instaurados mediante MPF, bem como seu prazo de validade e prorrogação. Cita os artigos 12 e 13, e reclama que o fisco não deu ciência ao contribuinte a respeito da prorrogação da totalidade dos MPFs que constam do procedimento fiscal, prorrogados inúmeras vezes como é de conhecimento do auditor fiscal, tanto assim que o mesmo fez menção de tal prazo junto ao auto de infração. Observa que o único demonstrativo de emissão de prorrogação de MPF que chegou ao conhecimento do contribuinte é aquele que consta dos autos de procedimento fiscal quando da primeira prorrogação, que relaciona, de uma só vez, a referida prorrogação, deixando de apresentar as demais ocorridas junto ao procedimento administrativo. Aduz que a ciência do sujeito passivo no que é pertinente à prorrogação do MPF é mais do que necessária, é imprescindível, em observância ao princípio da segurança jurídica, ou seja, o contribuinte tem o direito de saber se está sendo fiscalizado ou não, se houve prorrogação do procedimento, pois não pode exercer suas atividades em constante insegurança, sem saber o que poderá ser lavrado contra si. Acrescenta que isso é necessário para que o contribuinte possa exercer a espontaneidade, ou seja, decorrido o prazo do procedimento fiscal sem que em seu término tenha sido lavrado auto de infração, se alguma infração foi cometida, tem o contribuinte o direito de recolher o tributo supostamente devido nos exatos termos do art. 138 do CTN e como será ventilado em oportunidade própria quanto ao parcelamento e seus benefícios. Assevera que a ciência da prorrogação do MPF é dever do fisco e direito do contribuinte, conforme prevêem o CTN (art. 195) e o decreto 70.235/72 (art 8°). Cita julgado do Conselho de Contribuintes e doutrina. A reclamação de que o MPF não indicaria o número do telefone do chefe do AFRF responsável pela execução do mandado é totalmente infundada, já que nesse documento consta essa informação, conforme cópia juntada à fl. 3119. Nesse passo, cumpre deixar claro que, apesar de o auditor fiscal não ter anexado ao processo o MPF, no Termo de Início de fl. 02, ele esclareceu que a fiscalização estava sendo aberta de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0910300.2008.01115, que poderia ser visualizado através do site da RFB, informando inclusive seu código de acesso. Quanto à eventual ausência de ciência das prorrogações no MPF, há que se ressaltar que o Mandado de Procedimento Fiscal é, precipuamente, um instrumento de controle interno da Administração Tributária, e não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Dessa forma, eventual falta ou irregularidade em sua emissão ou ciência não é apta para ensejar a nulidade do lançamento, entendimento este que é adotado inclusive pelo Conselho de Contribuintes. Há que se ponderar que o MPF é ato de controle interno, definindo, por norma infralegal, quais, dentre os diversos auditores de uma determinada jurisdição, atuarão na diligência ou fiscalização. Não é norma de competência, até por que a competência só é definida por lei. Compreende, antes de tudo, medida administrativa organizacional, para controle do trabalho e informação ao contribuinte de que a ação fiscal levada a cabo junto a ele é de conhecimento do comando do órgão e como ele poderá se certificar de existência de tal procedimento administrativo. Fl. 3608DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.609 20 Acrescentese que portaria não tem o condão de modificar a competência atribuída ao Auditor Fiscal, não o desonerando da atividade vinculada e obrigatória do lançamento prevista no Parágrafo único do art. 142 do CTN. Esse dispositivo legal (art. 142) expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos do art. 6º Lei n° 10.593, de 06/12/2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB. Consequentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem o Auditor o dever de promover o lançamento. Portanto, uma vez que a competência do auditorfiscal não emana do MPF, qualquer irregularidade que eventualmente possa nesse existir quanto a esse tema não tem o condão de afetar a competência atribuída pela citada Lei n° 10.593/2002 ao AFRFB. Recordese, outrossim, que a hipótese de nulidade absoluta dos atos processuais nas esfera tributária federal, está prevista no Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, em seu artigo 59, inciso I4 , e referese ao caso em que a autuação tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não ocorreu no caso presente. Por outro lado, há que se entender que o MPF não aparece sequer como requisito formal do AI, dentre aqueles arrolados no art. 105 do mesmo decreto. Portanto, inexistem quaisquer dos vícios que poderiam levar à nulidade do AI; isso afasta a afirmação da contribuinte de que o AI foi feito em discrepância com a norma. Em sua produção, o AI contém todos os elementos postos na norma; no máximo, o procedimento do fiscal é que pode ter sido inexato falho. Ressaltese que a recorrente conhecia o conteúdo da fiscalização que estava se desenvolvendo, bem como conhecia os AFRFB responsáveis por ela, não tendo lhe causado qualquer prejuízo a ausência da ciência pessoal da prorrogação. Pelo exposto, rejeitase a preliminar de nulidade do MPF. Decadência A recorrente argüi o transcurso da decadência. Pede o reconhecimento da decadência, com declaração de nulidade do lançamento, no que concerne aos pretensos fatos geradores ocorridos de 01/01/2004 a 26/05/2004. Discorre acerca do instituto da decadência. Afirma que, considerando que todas as exações impugnadas têm como fato gerador o mês da omissão, logo, imediatamente após, poderia a fazenda lançar o valor correspondente, não sendo necessário aguardar a formação periódica; e que, em se tratando de rendimento supostamente percebido até 31/01/2004, por exemplo, o lançamento poderia ser efetivado a partir de 01/02/2009, de modo que tal prazo decadencial expiraria em 31/01/2009. Fl. 3609DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.610 21 Conclui que nenhum dos créditos tributários com fatos ocorridos entre 01/01/2004 a 26/05/2004 podem ser exigidos, porquanto sobre eles operamse os resultados da decadência, já que todos os valores recolhidos no período foram tacitamente aceitos, ou seja, homologados. Acrescenta que o que deve ser verificado é o momento do início do prazo de declaração da decadência, sendo que este deve ser contado única e exclusivamente da data em que o contribuinte teve ciência das supostas irregularidades, ou seja, do auto de infração. Argumenta que o recebimento do MPF dá início quanto ao prazo para apuração dos referidos valores e pendências não deve prosperar, pois se assim fosse e a fiscalização pudesse se alongar por anos a fios, certamente a insegurança jurídica e o fantasma da fiscalização tornariam o desenvolvimento da atividade da empresa uma tortura e o poder do fisco de tributar seria prolongado indefinidamente. Cita decisões judiciais e a súmula 153 do TFR. Alega que o próprio auditor fiscal reconheceu o prazo decadencial, mas equivocouse quanto à abrangência do período da constituição do crédito, haja vista que foi apurado considerando o termo inicial em 01/2004, quando deveria ter iniciado em 05/2004. O acórdão recorrido não constatou a decadência, quando da constituição do crédito tributário através do lançamento de ofício, em virtude de tendo sido constatada omissão de receita, ou mesmo sua inexatidão pela falta dos correspondentes pagamentos, verificados pela fiscalização, houve o entendimento que lançamento subsumese ao inciso V do artigo 149 do CTN, que determina o lançamento de ofício, ou mesmo a revisão de ofício de qualquer modalidade de lançamento. Divergese do acórdão recorrido, pois existindo o pagamento antecipado sobre os tributos constituídos através do lançamento por homologação, o prazo decadencial sobre eventuais diferenças é de cinco anos, iniciando a partir do fato gerador, quando não constatado dolo, fraude ou simulação (Art. 150, § 4º, do CTN). Havendo a ciência do lançamento de ofício em 29 de maio de 2009, consumada a decadência quanto aos 1º trimestre de 2004 do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), assim como da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incluindo os períodos de janeiro a abril/2004. Mérito Adiantamentos de clientes para fins de pagamentos de impostos No mérito, a recorrente contesta o procedimento adotado pela fiscalização, que, dos talões de depósitos apresentados, conforme tabela 01 do TVF, somente considerou 6 lançamentos, segundo a tabela 02, já que todos devem ser considerados para todos os fins e de direito, haja vista que pela movimentação financeira, podese concluir pela referida exclusão em todos os seus termos. Fl. 3610DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.611 22 Com base em julgado do Conselho de Contribuintes, pugna pela improcedência dos lançamentos, pois os documentos que foram apresentados demonstram de forma inconteste que houve o recebimento de valores das empresas clientes, que foram lançados a título de pagamento de impostos e que estes foram depositados junto aos bancos de movimentação financeira da contribuinte para posterior pagamento de tais tributos, fato este que não pode admitido como propício a provocar a declaração de omissão de receitas. Frisa que é óbvio que os valores não batiam categoricamente pois inúmeras vezes os referidos valores eram depositados agrupados e os pagamentos eram realizados normalmente de forma individual, fato este que ficou explícito através dos extratos que foram juntados ao processo, e que devem ser analisados melhor pelo perito a ser designado por este colegiado de especialistas. Postula pela consideração dos referidos valores recebidos a título de receita bruta através de talões de depósitos como documento hábeis a excluir a receita propriamente dita, pois estes demonstram pelas descrições apresentadas que em nenhum momento poderiam ser computados como receitas da forma como considerada pelo auditor fiscal. Destaca que não houve a omissão de receitas, pois podese constatar que as mesmas não foram receitas propriamente ditas, mas sim algumas transferências que não justificam as receitas da empresa, mas sim meros favores que eram realizados para outras empresas. Verificase que com relação aos "Talões de Depósito" apresentados às fls. 1165 a 2036, estes foram comparados com os créditos intimados pela fiscalização, sendo que somente foi verificada compatibilidade de valores e datas para aqueles apresentados na tabela 02 a seguir, os quais foram considerados como comprovados. Contatase que não foi acrescentado nenhuma informação nova com respeito às justificativas dos depósitos bancários, limitandose a recorrente a reclamar que a autoridade fiscal considerou somente 6 lançamentos dentre os relacionados nos talões de depósitos (tabela 01 do TVF). Ressaltase que nesse aspecto, o auditor fiscal agiu corretamente, já que os demais lançamentos arrolados nos referidos talões não guardavam relação, em data e valor, com os ingressos bancários. Fl. 3611DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.612 23 Dos fatos que originaram o presente procedimento e as incongruências a serem sanadas ante a suposta unicidade empresarial A recorrente alega a existência de incongruências a serem sanadas ante a suposta unicidade empresarial. Relata que o MPF 0910300.2008.011115 foi originário do MPF 0910300.2008.008084, sendo que este último foi objeto dos autos de infração DEBCAD 37.191.2814 37.191.2806 e 37.191.2792, correspondentes ao INSS e seus reflexos; e que sob o MPF 0910300.2008.008084, os auditores fiscais entenderam que havia unicidade empresarial entre as empresas Eco Contabilidade Ltda e a Eco Consultoria S/S Ltda, sendo que esta deveria assumir a incidência dos impostos e fatos materiais lavrados naquela oportunidade. Prossegue narrando que determinado auditor fiscal lavrou auto de infração na ordem de R$ 1.186.930,10 em face de alegação de que se trata da mesma empresa, que os sócios são os mesmos, que existiu interesse em ludibriar o fisco federal; e agora, utilizandose dos mesmos MPFs, a mesma SRF autua o contribuinte sob suposta omissão de receitas através de suposta ausência de recolhimentos de impostos. Estranha o fato de a fiscalização ter lavrado mais 4 autos de infração e deixado de considerar os valores da receita bruta daquela empresa (Eco Contabilidade Ltda), ou seja, fez alegações de que o contribuinte teria omitido receitas brutas, não se atentando para as receitas brutas desta outra empresa supostamente reconhecida pela unicidade contratual. Entende que, condicionalmente, se for reconhecida a unicidade empresarial, automaticamente deve ser reconhecido também, para fins de defesa e fundamentação, as receitas brutas declaradas pela Eco Contabilidade Ltda, CNPJ 03.465.107/000101, que importam na quantia de R$ 2.035.308,77, conforme documentos juntados. Explica que, através da tabela 06, que mostra receitas na ordem de R$ 5.713.121,91, se for excluída da base de cálculo os valores efetivamente declarados pela outra empresa, os valores das supostas omissões seriam proporcionais a somente R$ 3.677.813,14, o que deve ser levado em consideração por este colegiado. Solicita que seja considerada a base de cálculo das receitas brutas declaradas legitimamente pela Eco Contabilidade Ltda, para fins de que sejam abatidas junto aos presentes autos, legitimando ainda a realização de prova pericial para fins de que sejam confrontados (abatidos) tais valores, com redução da base de cálculo. Quanto à tese defendida pela defesa, acerca da unicidade empresarial, a autuação realizada em outro procedimento fiscal, abrangida pela MPF 0910300.2008.008084, que teve por objeto o lançamento de contribuições previdenciárias, não produzem as conseqüências sustentadas pela recorrente. A referida ação fiscal redundou na lavratura de autos de infração consubstanciados nos processos administrativos 10935.010171/200815, 10935.010172/2008 60 e 10935.010173/200812, todos eles já julgados em 30/06/2009 pela 7ª Turma da Fl. 3612DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.613 24 DRJ/Curitiba, que proferiu os acórdãos n° 22.919, 22.920 e 22.921, respectivamente. Nos três julgados, decidiuse pela procedência integral dos lançamentos, conforme as seguinte ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR MPF FALTA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. A regulamentação do Mandado de Procedimento Fiscal estabelece que a prorrogação dos mesmos será controlada na Internet, não sendo necessária a ciência pessoal das mesmas. COMPETÊNCIA. ATIVIDADE FISCALIZADORA. Compete a autoridade administrativa apurar os fatos tal como efetivamente ocorridos, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. SIMULAÇÃO. Na hipótese de ocorrência de simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DE LEI. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de lei é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de diplomas normativos vigentes. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. As contribuições previdenciárias em atraso estão sujeitas à incidência de juros moratórios equivalentes à taxa SELIC, conforme previsto no artigo 34 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. As contribuições previdenciárias em atraso estão sujeitas ao acréscimo de multa de mora, nos percentuais previstos no artigo 35 da Lei 8.212/91. Lançamento procedente Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.614 25 Em síntese, deduzse das mencionadas decisões, que as contribuições sociais previdenciárias decorreram de expediente fraudulento, pelo qual o quadro de empregados da ECO Contabilidade foi artificialmente transferido para a ECO Preparação, deixando aquela de recolher as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração pagas ou creditadas aos segurados. Dessa forma, a exigência das contribuições sociais previdenciárias recaíram sobre a Eco Contabilidade, ora recorrente no presente processo, tendose como pressuposto o fato de que os empregados da outra empresa, na realidade, eram da primeira. Conseqüentemente, a expressão “unicidade empresarial” empregada pela fiscalização, naquelas autuações, devem ser interpretadas no âmbito restrito do mencionado entendimento da fiscalização, ou seja, tão somente no que diz respeito à relação empregador/empregados. Assim, não há como aceitar a idéia de que as receitas das duas empresas devem ser somadas, para efeitos de comprovação dos depósitos efetuados nas contas correntes da Eco Consultoria S/S Ltda. Da prescindível prova pericial A recorrente requer que sejam realizados novos cálculos sobre as bases de cálculos utilizadas pelo Auditor Fiscal, devido a alguns equívocos ocorridos quando da elaboração do auto de infração e segundo os fundamentos que seguem onde constatará que erros de cálculos ocorreram e que devem ser refeitos através da realização de uma perícia técnica sobre os mesmos, até por que não houve a consideração do ilustre auditor fiscal dos recolhimentos efetivamente realizados pela recorrente, acarretando assim o recolhimento em duplicidade se os mesmos assim permanecerem. Argumenta que, considerando grande número de notas fiscais, comprovantes de pagamentos e documentos colacionados aos autos, ficou praticamente impossível no prazo dado a análise detalhada de todos os documentos e formas de cálculo realizados pelo auditor fiscal, mas em alguns meses constatouse que os valores verificados foram divergentes aos efetivamente devidos. Frisa que deve ser parte integrante da prova pericial os valores correspondentes à exclusão da base de cálculo das receitas brutas auferidas pela outra empresa, assim como os valores das reduções e descontos mencionados acima, com relação ao parcelamento de tais tributos e acessórios, daí a necessidade da perícia, cujos quesitos serão relacionados em item próprio. Indica o perito técnico assistente Nelson Nestor Hickmann, e apresenta quesitos para perícia. Os pedidos de perícia são disciplinados pelos artigos 16, IV e 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.615 26 (…) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (…) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Grifou se) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Concordase com a decisão a quo quanto ao indeferimento do pedido de perícia, pois tal procedimento é prescindível pelos motivos já elencos naquela decisão: "Os dois primeiros quesitos referemse aos pagamentos de CSLL, sendo relevante notar que a fiscalização abateu os valores pagos, os quais coincidiam com os declarados em DCTF, de forma que as dúvidas levantadas acerca da correta apuração da contribuição são totalmente irrelevantes. Os próximos quesitos questionam a base de cálculo dos lançamentos, nos quais não pairam a menor dúvida acerca de sua exatidão, conforme já exposto anteriormente. Os demais questionamentos estão ligados à aplicação da multa e parcelamento, matérias estas igualmente já apreciadas, sem necessidade de maiores investigações". Da incidência da taxa Selic A recorrente insurgese contra a incidência da taxa Selic. Ressalta que não há previsão legal do que seja efetivamente a taxa Selic, já que a lei tão somente determina a sua aplicação, sem indicar nenhum percentual, delegando indevidamente seu cálculo, divulgação e estabelecimento a ato administrativo praticado pelo Bacen. Entende que o emprego da Selic fere o princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária, conforme doutrina. Demonstra que o artigo 13 da Lei 9.065/95 não instituiu, não definiu e não traçou parâmetros para o cálculo da taxa Selic, e reclama que essa taxa, apesar de serem materializadas como juros moratórios, a mesma não possui tal natureza, porque traduzem o fenômeno tributário de pagamento pelo uso de dinheiro como caráter estritamente remuneratório. Fl. 3615DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.616 27 Explica que a natureza remuneratória da Selic fica evidenciada pela forma como é calculada, qual seja, pela variação do rendimento do valor de mercado de diversos títulos públicos, em cujo sistema apenas as instituições financeiras, tais como o Bacen, Tesouro Nacional, Estados e Municípios podem participar. Conclui que a lei 9.065/95, ao determinar sobre o cálculo de juros de mora a serem aplicados nas obrigações tributárias, não estabeleceu nova forma de cálculo para a fixação destes juros, apenas assentou a utilização de uma taxa de juros preexistente e de natureza remuneratória, sendo evidente a impropriedade cometida pelo legislador que, ao invés de instruir a taxa de juros de natureza moratória conforme exigida pelo CTN. Pugna pela inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da taxa Selic como taxa de juros moratórios. Quanto aos percentuais de juros com base na taxa Selic, o Código Tributário Nacional, em seu art. 161, § 1o, abaixo transcrito, permite, por autorização legal, exigência de juros de mora em valor superior a 1% ao mês: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o. Se a lei não dispuser de modo diverso , os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (Grifouse). A lei dispôs de modo diverso, ao prever, no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguinte disposição: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sujeitamse, a partir de 1º de janeiro de 1997, a juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para Fl. 3616DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.617 28 títulos federais Selic, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento. A validade da aplicação da taxa Selic é entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que proferiu a súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à incidência da taxa Selic sobre o valor correspondente à multa de ofício também há entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a sua validade, conforme a súmula CARF nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. A respeito da alegação de inconstitucionalidade, também há o entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes quanto à sua incompetência, conforme a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelas razões expostas, rejeitase as alegações da recorrente pela inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da taxa Selic como taxa de juros moratórios. Da aplicação da Multa de 75%. A recorrente contesta a aplicação da multa de 75%. Argumenta que até entende que possa ser coerente a aplicação da penalidade sobre a suposta omissão de receita, mas que esta somente ocorresse quanto aos valores nele descritos e não sobre os valores contabilizados. Explica que, se os valores foram contabilizados, declarados e recolhidos os impostos pertinentes, tanto que foram excluídos de qualquer alegação ou base de cálculo pelo próprio auditor, não é legítima e legal a cobrança de multa sobre os referidos valores como alegado nos autos. Entende que, não tendo ocorrido qualquer infração quanto aos valores contabilizados e apresentados na tabela 05 do TVF, estes devem ser excluídos da base de Fl. 3617DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.618 29 cálculo dos autos, em sua integralidade, pois qualquer alegação de penalidade sobre os referidos valores é ilegal e deve ser banido do ordenamento jurídico, sob peba de estarmos aplicando uma penalidade sobre uma obrigação efetivamente cumprida pelo contribuinte. Acrescenta que o percentual de 75% viola o art. 150, IV da CF/88, uma vez que se trata de flagrante ato caracterizados de confisco. Assevera que a multa aplicada violenta o direito de propriedade, pois o pagamento exigido em decorrência da multa torna impossível a continuidade da atividade, avilta o direito de propriedade, e o próprio direito ao trabalho, e atividade produtiva. Conclui ser inconstitucional o dispositivo legal, impondose que se afaste o excesso que desborda da proporcionalidade, pelo que postula a declaração de inconstitucionalidade com a exclusão de forma definitiva bem como, alternativamente, a redução da mesma para a fração ideal de 20%. Verificase que foram excluídos do lançamento de ofício os valores dos tributos recolhidos, quanto aos valores das receitas contabilizados e declarados em DIPJ, não tendo sido os valores recolhidos nem confessados em DCTF é correto o lançamento com a multa no percentual de 75%, cuja previsão legal encontrase disciplinada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito, sendo que não há respaldo legal para sua redução: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] Assim, a apreciação da alegação de que a tributação levada a efeito pela autoridade fiscal teria caráter confiscatório encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/20091 e na Súmula CARF nº 22, de sorte que rejeito as alegações da recorrente. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 3618DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.619 30 Da redução da multa e dos Juros, considerando o parcelamento previsto na Lei 11941/09 A recorrente informa ter interesse no parcelamento do débito na quantidade máxima de parcelas, mas estava a mercê quanto a regulamentação prevista na lei 11941/2009, e que tendo postulado a manifestação sobre o mesmo simplesmente teve a resposta por parte da Delegacia Regional de Julgamento que este deveria ter sido realizado junto a Delegacia da Receita Federal do Brasil através da competente agencia de sua jurisdição, contudo questiona como poderia ter efetuado tal pedido se pendente de julgamento o recurso em comento. Frisa que, caso houvesse efetivamente ocorrido a regulamentação, o parcelamento certamente já teria sido concretizado, mas devido à impossibilidade técnica legislativa do governo federal, isso tornouse impossível. Recorre ao direito adquirido, e requer a redução da penalidade da multa de 75%, com a redução para o patamar de 40%, segundo previsão constante do próprio auto de infração. Afirma que seguindo o mesmo entendimento quanto a aplicação da lei n° 11.941/2009 e o parcelamento da divida em 180 parcelas segundo acima já exaustivamente apresentado, necessário que o mesmo entendimento e parcelamento seja garantido no que se refere aos juros de mora cobrados através dos autos de infrações supra mencionados. Considera que a aplicação do disposto no Inciso V, § 3°, do Artigo 1° da Lei n° 11.941/2009, que prevê a redução do acessório em 25%, este deve passar a representar o valor de R$ 258.542,75 (Duzentos e Cinqüenta e Oito Mil, Quinhentos e Quarenta e Dois Reais e Setenta e Cinco Centavos), pelo que desde já se requerer a homologação caso seja oportunizado o direito a opção do referido parcelamento. Rejeitase de plano as alegações quanto à redução da multa e juros requeridas pela recorrente ao amparo da Lei nº 11941/09, pelo simples motivo que o contribuinte não solicitou o parcelamento junto à Delegacia da Receita Federal (DRF). Não basta somente ter interesse no parcelamento, essa opção precisa ser exercida, o que não ocorreu no presente caso. Respondese ao questionamento da recorrente de como poderia solicitar o parcelamento com o recurso pendente, bastaria que essa desistisse do recurso. Não se vislumbra a possibilidade da recorrente usufruir de continuar com o recurso e fazer jus aos benefícios do parcelamento da Lei nº 11941/09 sobre os valores lançados de ofício. Concordase com a decisão a quo que, não há como apreciar o pleito, tendo em conta que a concessão do benefício do parcelamento de débitos não é de competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). De acordo com o art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, tal incumbência é de responsabilidade da Delegacia da Receita Federal (DRF), nos seguintes termos: 2 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3619DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.620 31 Art. 203. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: ......................................................................................................... .......................... IX desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; (Grifouse) Conclusão Ante o exposto, voto no sentido rejeitar as preliminares de nulidade e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência quanto ao 1º trimestre de 2004 do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), assim como da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incluindo os períodos de janeiro a abril/2004. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 3620DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.621 32 Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa. Divergi do entendimento majoritário do Colegiado em favor do acolhimento da arguição de decadência relativamente ao IRPJ e à CSLL apurados no 1º trimestre de 2004, vez que, consoante exposto no Termo de Verificação e Ação Fiscal e nos Demonstrativos de Apuração dos Autos de Infração às fls. 2241/2555 (efls. 2461/2776), embora a contribuinte tenha realizado pagamentos de estimativas e apresentado DIPJ optando pela apuração anual dos lucros, inclusive deduzindose tais recolhimentos na determinação dos tributos lançados, a autoridade lançadora constatou que a contabilidade da empresa não permite a correta identificação de sua movimentação bancária ou do Lucro Real, promovendo o arbitramento dos lucros nos anoscalendário 2004 a 2007, inexistindo qualquer questionamento em recurso voluntário acerca deste ponto específico da acusação fiscal. Observo inicialmente que esta matéria tem seu julgamento afetado pelo art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterado pela Portaria MF nº 152/2010, para dispor que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isto porque, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos Fl. 3621DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.622 33 tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraio deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Penso estar claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como infiro a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Destaco, ainda, que no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Fl. 3622DF CARF MF Processo nº 10935.003706/200982 Acórdão n.º 1402003.702 S1C4T2 Fl. 3.623 34 E, diante deste contexto, assim como já me manifestei favoravelmente à homologação tácita de apurações feitas pelo sujeito passivo que não resultem em pagamentos, como nos casos de apuração de prejuízo fiscal no âmbito do IRPJ, bem como frente a apuração de tributo informada em declaração não desconstituída pela autoridade fiscal que a examinou, entendo que a inexistência de apuração que dê suporte a eventuais recolhimentos promovidos pelo sujeito passivo não atrai, para si, a aplicação do art. 150, § 4o do CTN. No presente caso, a empresa fiscalizada havia apurado o lucro tributável na sistemática do lucro real anual e até efetuado recolhimentos. Todavia, a autoridade lançadora declarou a imprestabilidade de sua escrituração para fins, inclusive, de determinação do lucro real, a ensejar o arbitramento do lucro e, por conseqüência, a desconstituição da base fática daqueles recolhimentos, que deixaram, assim, de estar associados a uma apuração formalmente válida, apta a atrair a homologação tácita prevista em lei. Portanto, ainda que a autoridade lançadora tenha utilizado tais recolhimentos para reduzir o crédito tributário exigível em razão do arbitramento dos lucros, não há como se cogitar de homologação tácita de uma apuração que não existe. A conduta que atrai a aplicação do art. 150, § 4o do CTN não é o mero pagamento, mas sim a atividade realizada pelo sujeito passivo de determinar a matéria tributável, apurar o tributo em razão dela devido, e recolhêlo, ou mesmo demonstrar que não há tributo a recolher. Firmadas estas premissas, concluo que os débito de IRPJ e CSLL apurados no 1º trimestre de 2004, passíveis de lançamento no próprio anocalendário, teriam a data de 01/01/2005 como termo inicial da contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, mostrandose válido o lançamento cientificado à interessada em 29/05/2009, antes do termo final do prazo decadencial em 31/12/2009. Por estas razões, REJEITO a arguição de decadência relativamente às exigências de IRPJ e CSLL apuradas no 1º trimestre de 2004. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Conselheira Fl. 3623DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907927/2016-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.934
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907927/201652 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.934 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 92 7/ 20 16 -5 2 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13896.907927/201652 Resolução nº 3201001.934 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13896.907927/201652 Resolução nº 3201001.934 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13896.907927/201652 Resolução nº 3201001.934 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13896.907927/201652 Resolução nº 3201001.934 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13896.907927/201652 Resolução nº 3201001.934 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13896.907927/201652 Resolução nº 3201001.934 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.005241/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
Numero da decisão: 2401-006.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer R$ 10.021,22 de dedução à título de pensão alimentícia judicial.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Recorrente CLAUDIO CESAR DE AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer R$ 10.021,22 de dedução à título de pensão alimentícia judicial. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 52 41 /2 01 0- 16 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16707.005241/201016 Acórdão n.º 2401006.100 S2C4T1 Fl. 47 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 16/19), anocalendário 2008, tendo sido apurada Dedução Indevida de Pensão Alimentícia, no valor de R$ 11.024,96, pela não apresentação do acordo/sentença judicial referente à obrigação de pagamento de pensão alimentícia para Raiza Pereira de Azevedo (paga em nome de Cristina Pereira). O contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/04) e documentos (fls. 05/20), considerada tempestiva, alegando que (a) em 25/08/2010, foi protocolado requerimento ao Juizo da 1ª Vara de Família da Comarca de Nova IguaçuRJ solicitando o desarquivamento do processo que determinou o pagamento da pensão, contudo, ainda não obteve êxito no sentido de conseguir cópia da sentença; e (b) entende que a glosa não pode persistir, pois a pensão foi efetivamente descontada pela Pagadoria do Pessoal da Marinha, possuindo fé pública o Comprovante de Rendimentos emitido pela Marinha. Do Acórdão atacado (fls. 27/29), em síntese, extraise que (a) compulsando os autos, persiste a ausência de comprovação por meio de acordo/sentença judicial determinando o pagamento da pensão alimentícia, documento exigido pela legislação; e (b) no caso concreto, o Impugnante informa que protocolizou perante o juizo competente pedido de desarquivamento do processo judicial para obter cópia da decisão judicial, contudo, até o momento, nada foi acostado aos autos. Intimado em 13/05/2015 (fls. 33), o contribuinte interpôs em 10/04/2015 (fls. 37) recurso voluntário (fls. 37), acompanhado de documentos (fls. 38/42), em síntese, alega: (a) a pensão judicial é descontada pelo órgão pagador (Marinha do Brasil) e ao tempo da impugnação não dispunha dos documentos emitidos pelo poder judicial; e (b) apresenta cópia dos documentos comprobatórios da legitimidade do desconto e solicita o reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Dentre os documentos que instruiram o recurso, destaco as seguintes cópias: de sentença judicial (fls. 38) em que se fixou pensão alimentícia para a filha menor Raíza Pereira de Azevedo, a ser descontada em folha de pagamento e deposita em conta da Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16707.005241/201016 Acórdão n.º 2401006.100 S2C4T1 Fl. 48 3 representante legal Cristiana Pereira; de ofício endereçado ao Ministério da Marinha determinando o desconto em folha (fls. 39); e de oficio ao Banco do Brasil determinando abertura de conta bancária em nome de Cristiana Pereira, a fim de ser depositada a pensão (fls. 40 e 42). No Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção emitido pela Marinha do Brasil (fls. 09), consta em "RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS, DEDUÇÕES E IMPOSTO RETIDO NA FONTE" a especificação da penão judicial paga para Cristiana Pereira de R$ 10.021,22. Logo, do total deduzido a título de pensão alimentícia judicial (R$ 11.024,96, fls. 07), restou comprovado apenas R$ 10.021,22, mantendose, por conseguinte, uma glosa de R$ 1.003,74. Isso posto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer R$10.021,22 de dedução à título de pensão alimentícia judicial. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 48DF CARF MF
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