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Numero do processo: 10880.945010/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO.
Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL.
Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO. Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendose ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total. INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado. Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 50 10 /2 01 3- 94 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES transmitiu Pedido de Ressarcimento da contribuição não cumulativa (Cofins/PIS), vinculado a Declarações de Compensação. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Ressarcimento e considerando não declaradas as compensações a ele vinculadas sob o fundamento de que o valor a ressarcir se encontrava sujeito a desdobramentos de ação judicial intentada pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Recurso Administrativo, contestando a decisão de se considerarem não declaradas as compensações, e Manifestação de Inconformidade, esta para protestar contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, tendo sido ambos os recursos recebidos como Manifestação de Inconformidade por força de liminar em mandado de segurança. Em sua defesa, o contribuinte alegou que somente apurava créditos no mercado interno vinculados a receitas não tributadas, por se tratar a sua atividade de venda de livros sujeita à alíquota zero, e que o objeto da ação judicial por ele impetrada se referia à base de cálculo do débito e não à origem do crédito. Arguiu o contribuinte que a autoridade tributária violara frontalmente o princípio da legalidade ao considerar não declaradas as compensações, em franco desacordo com o art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/1996 e o art. 97 do CTN, uma vez que o crédito pleiteado não decorria de decisão de judicial, mas de artigo expresso de lei. Argumentou, ainda, que, ao considerar não declaradas as compensações, a autoridade administrativa excluíra a possibilidade de defesa por manifestação de inconformidade, levando à cobrança dos débitos compensados antes de finda a discussão administrativa acerca do pedido de ressarcimento, o que implicava cerceamento do direito de defesa, uma vez que, de acordo com o art. 151, II, do CTN, o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Aludiu, ainda, que não se sustentava a justificativa da autoridade administrativa fundada no art. 32, §§ 3° e 4°, da IN RFB n° 1.300/2012, pois instrução Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 4 3 normativa não podia inovar, prevendo hipótese de compensação não declarada inexistente no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, em flagrante violação ao princípio da legalidade. Nos termos do Acórdão nº 16066.613, foram julgados improcedentes a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Administrativo apresentados, tendo sido afastada a preliminar de nulidade do despacho decisório e confirmado o teor do despacho decisório, em razão da vedação ao ressarcimento de crédito passível de alteração por decisão judicial. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a impossibilidade do resultado da ação judicial influenciar o valor do crédito decorrente das vendas internas sujeitas à alíquota zero, uma vez que estas não entram na apuração da base de cálculo da Contribuição. Informa o Recorrente que a Ação Declaratória havia transitado em julgado, confirmando que seu resultado não implicava qualquer influência no pedido de compensação ou descumprimento ao disposto no art. 170A do CTN, configurandose, portanto, indevidas as decisões administrativas precedentes. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.041, de 26/07/2017, proferido no julgamento do processo nº 10880.945004/201337, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.041): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de prosseguir urge ressaltar os eventos nas esferas administrativa e judicial que interessam à lide: a. A Unidade de origem (Derat/SP) não analisou o mérito do pedido de ressarcimento e da compensação declarada, sob o fundamento da existência de ação judicial em curso cujo resultado influenciaria a base de cálculo do crédito pleiteado. A DRJ manteve integralmente o despacho decisório. b. Nos autos não constam elementos que permitam aferir a higidez do crédito pleiteado quanto à sua origem, qualidade e grandeza. c. As Ações Declaratórias transitaram em julgado, em 25/04/2014 (para o Cofins) e 24/06/2014 (para o PIS), no âmbito do STJ, em decorrência do pedido de desistência de Recurso Especial interposto Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 5 4 pela empresa, em data anterior à da sessão de julgamento na DRJ (12/03/2015). As situações enumeradas exigem o enfrentamento das seguintes questões: 1. Há concomitância entre os processos administrativo e judicial? 2. Na hipótese de se afastar a concomitância, resta passível a alteração dos valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial? 3. O trânsito em julgado da ação judicial faz restabelecer a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação? Não se suscitou nos autos a concomitância pela autoridade fiscal, tampouco em sede de julgamento na DRJ. A recorrente nada menciona em suas peças, embora defende argumentos quanto à inexistência de qualquer influência de resultado da ação judicial sobre os créditos pleiteados administrativamente. Compulsando os autos as partes não juntaram as peças processuais, em especial petição inicial, sentença e acórdãos. Há tão somente extrato de consulta processual no TRF/3ª Região e Certidão do STJ. Pesquisa realizada na página da internet do TRF/3ª Região extraise do relatório e ementa da Apelação Cível nº 1182842 ACSP, na Ação Declaratória nº 2004.61.00.0067824 o que segue: RELATÓRIO Tratase de apelação em ação declaratória em que busca assegurar o direito para não se submeter à majoração da base de cálculo da COFINS sobre a totalidade de receitas, prevista na MP 135/03, convertida na Lei 10833/03, pois violou norma constitucional expressa no art. 195, I “b” da CF e violação ao art. 110 do CTN e na forma do art. 151, II do CTN, pretende efetuar depósitos judiciais. A ação foi ajuizada em 11/03/04. O valor da causa é de R$ 30.000,00. O MM. Juiz “a quo” julgou improcedente, considerando que não houve ofensa à Constituição a alteração da base de cálculo da COFINS, sendo que pode ser utilizada medida provisória e que o texto constitucional também não exigia Lei Complementar e que não há ofensa ao art. 246 da Constituição Federal e portanto, não há nenhum vício formal na Lei 10833/03. Determinou que após o trânsito em julgado da sentença, convertam se em renda da União Federal os depósitos efetuados durante a tramitação do processo. EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. LEGITIMIDADE DA TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÕES. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO VIOLADOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL POR DESCUMPRIMENTO DO ARTIGO 246 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 6 5 I A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 31 de dezembro de 1991, com fundamento na Constituição Federal, em seu artigo 195, inciso I e tem como objetivo o custeio das atividades da área de saúde, previdência e assistência social, conforme dispunham seus artigos 1º e 2º. II Com o advento da lei 10.833, de 29 de Dezembro de 2003, e atualmente pela Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, a contribuição à COFINS passou a ser nãocumulativa. Esse princípio, em relação às contribuições, foi reforçado pela Emenda Constitucional n° 42/03. III A Constituição Federal, após as Emendas Constitucionais n°s 20, 33 e 42, consignou claramente o campo de incidência das contribuições, inclusive com a possibilidade de serem instituídas alíquotas e/ou bases de cálculos distintas, para determinados segmentos. Portanto, autorizou tratamentos não isonômicos, diante de um discrímen a ser ditado por lei, consagrando em benefício, nesta última emenda, a nãocumulatividade para as contribuições. IV A nãocumulatividade é mera técnica de tributação que não se confunde com a sistemática de cálculo do tributo, porquanto, depois de efetuadas as compensações devidas (débito/crédito) pelo contribuinte terseá a base de cálculo, para a apuração do quantum devido. Consignese, por fim, que, para as hipóteses de IPI e ICMS, o legislador constituinte deixou traçados, fixando os limites objetivos de sua ocorrência, os critérios para que se implementasse a não cumulatividade, dadas as características desses tributos, enquanto para a COFINS a lei é que deve se incumbir dessa tarefa. V Não se configurou a afronta ao disposto no artigo 246 da Constituição Federal, pois não houve regulamentação de artigo, nem inovação, criandose nova figura tributária, haja vista que a previsão expressa da contribuição à COFINS no corpo do Texto Constitucional, por si só autoriza eventuais alterações nos critérios de suas exigências, feitas por lei ordinária, não havendo óbices que suas iniciativas se dêem por meio de Medida Provisória, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal. VI– Apelação da autora improvida. Quanto ao PIS, Apelação Cível nº 000253690.2003.4.03.6100/SP ACSP, na Ação Declaratória nº 2003.61.00.0025369/SP, relatório e ementa se assemelham à ação que versa sobre a Cofins: RELATÓRIO Tratase de ação de procedimento ordinário em que Saraiva S/A Livreiros Editores pretende: a) a declaração de inexistência de relação jurídica no tocante ao recolhimento da contribuição ao PIS, sobre a totalidade de receitas, nos termos da Lei nº 10.637/02; b) assegurar o direito de recolher a referida contribuição sobre o faturamento (receita bruta de venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou prestação de serviços). A sentença julgou improcedente o pedido, condenando a autora ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais). Em apelação, a autora reiterou o pedido formulado na petição inicial. Com contrarrazões, os autos foram remetidos a este e. Tribunal. EMENTA Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO PIS LEI Nº 10.637/02 CONSTITUCIONALIDADE. 1. As contribuições sociais encontramse regidas pelos princípios da solidariedade e universalidade, previstos nos arts. 194, I, II, V, e 195 da Constituição Federal e impõe o reconhecimento de que o seu financiamento deve darse por todas as empresas. 2. As contribuições de seguridade social, previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 195 da Constituição Federal, não necessitam, para instituição ou modificação, de lei complementar, bastando para tanto ato normativo com força de lei ordinária. 3. Viabilidade da utilização de medida provisória para instituir tributos e contribuições sociais, bem assim a possibilidade de reedição para prorrogar os efeitos da anterior ou anteriores. 4. A lei pode autorizar exclusões de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, e, da mesma forma, vedar deduções para a mesma finalidade, levando em conta o momento político e a política fiscal adotada. 5. A alteração do conceito de faturamento, bem como a majoração da alíquota do PIS prevista na MP 66/02, não implicou na regulamentação do disposto no art. 195, inciso I, da CF, com redação dada pela EC 20/98, razão pela qual não constituíram violação à regra do artigo 246 da CF. 6. Não há falarse em violação ao princípio da anterioridade nonagesimal, porquanto expressamente previsto na MP nº 66/02 o prazo de noventa dias para a produção de seus efeitos. 7. Apelação improvida. Os excertos transcritos permitem constatar que os objetos das ações que versaram sobre o PIS e a Cofins foram delimitados pela "majoração da base de cálculo da Contribuição sobre a totalidade das receitas". Cumpre também apontar que a recorrente não logrou êxito na ação declaratória na decisão de primeiro grau e na apelação, em sede de Tribunal Federal. No processo administrativo a recorrente pleiteou ressarcimento do saldo credor remanescente do desconto de débitos da Contribuição ao final do trimestre. Suscita que o crédito referese exclusivamente às vendas de livros no mercado interno, que por força do inciso II do art. 28, da Lei nº 10.865/2004, tem incidência à alíquota é zero. Evidenciase, portanto, que as ações judicial e administrativa têm objeto distintos, o que afasta a concomitância. Ademais, o entendimento doutrinário é no sentido de que se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir, o que não se tem presente no caso dos autos, bastando para a conclusão a existência de pedidos distintos. Destarte, entendo inexistente a concomitância. Pois bem; afastada a concomitância, mister verificar se de algum modo é passível de alteração os valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 8 7 As partes divergem quanto ao entendimento, o que demanda analisar seus argumentos. O despacho decisório está assentado no fundamento de que o saldo credor passível de ressarcimento é resultado direto do tipo de receita a que estiver vinculado, no caso à receita não tributada no mercado interno. Vejase alguns excertos da decisão: 10. Ademais, referida instrução normativa e as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõem que os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins passíveis de ressarcimento e/ou compensação, são aqueles remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração. 11. Assim, o crédito passível de ressarcimento depende das receitas auferidas que servirão de base de cálculo para realização do referido cotejamento entre créditos e débitos, mais ainda, as receitas auferidas são necessárias para definir a proporção de créditos vinculados a Receita Tributada no Mercado Interno, Receita Não Tributada no Mercado interno e/ou Receita de Exportação. 12. Não é demais lembrar que somente o saldo de crédito vinculado a Receita Não Tributada no Mercado interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16, inciso II da Lei nº 11.116/2005) ou Receita de Exportação (art. 5º, §§2º e 3º da Lei nº 10.637/2002; art 6º, §§2º e 3º da Lei nº 10.833/2003) são passíveis de ressarcimento. 13. Logo, a apuração dos créditos e, em especial, sua parcela ressarcível é resultado não apenas da composição de várias despesas/custos, mas, também, da receita a que estiverem vinculadas. 14. Diante do exposto, existindo discussão judicial sobre assuntos que poderão alterar o valor a ser ressarcido, deve ser indeferido o Pedido de Ressarcimento eletrônico (...) O julgamento na DRJ trilhou no mesmo entendimento, decidindo ao final pela improcedência da manifestação de inconformidade. Alguns excertos: 30. Assinalese inicialmente que, de acordo com o art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, em vigor à época da transmissão do pedido de ressarcimento, os créditos não utilizados acumulados ao final de cada trimestre poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento, cabendo ao sujeito passivo efetuálo “pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação”. O grifo é meu. 31. No caso em estudo, verificase que o valor pleiteado no pedido de ressarcimento está em perfeita conformidade com essa regra (...) 32. Como se pode observar, o valor solicitado (...) corresponde ao saldo remanescente dos créditos apurados nos meses de (...), já descontada parte dos débitos de Cofins relativos a esse período. 33. Donde se conclui, sem contestação possível, que o valor do débito afeta o do crédito. Isso porque o crédito suscetível de ressarcimento é apenas o saldo remanescente do desconto de parte dos débitos apurados no trimestre. É por isso que a IN RFB n° 900/2008, no trecho já citado, se refere expressamente ao saldo credor remanescente “líquido das utilizações por desconto ou compensação”. 34. Tratase, portanto, da própria lógica do regime não cumulativo da Cofins, convindo deixar claro que em nada a afeta a circunstância de a Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 9 8 empresa apurar ou não apenas créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno. 35. Assim, dada a natureza da matéria discutida na ação declaratória citada, então ainda em andamento, é evidente que sua decisão final poderia alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. A recorrente, de sua parte, sustenta que os créditos objeto do pedido de ressarcimento são resultantes da venda de livros no mercado interno, operação sobre a qual a Contribuição incide à alíquota zero, e, portanto, não integram sua base de cálculo, de modo que não guardam nenhuma relação com a discussão judicial. Excertos de suas peças: Inicialmente necessário destacar que a Requerente somente apura seus créditos com base na receita não tributada no mercado interno (Alíquota Zero Cofins), motivo pelo qual patente o equívoco da autoridade fiscal no tocante à classificação do crédito requerido pela contribuinte com suposta proporção na apuração das receitas x créditos. (...) Assim sendo, a manutenção integral do crédito relacionado à receita da venda de livros, a qual é tributada no mercado interno a alíquota zero do PiS e da Cofins é um direito da empresa ora manifestante amparado totalmente na legislação vigente. Diante deste quadro, é patente o equivoco levado a cabo pela autoridade fiscal no tocante a classificação do tipo de crédito utilizado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento e por consequência em sua declaração de compensação considerada indevidamente como não declarada. Entendo que o crédito pleiteado é passível de alteração pela base de cálculo do PIS e Cofins, ou em outras palavras, a dimensão da receita pode afetar o valor do crédito. O valor do saldo credor da Contribuição para o PIS ou Cofins nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei nº 11.116/200 e art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, atual inciso II, art. 27, da IN RFB 1.300/2012, somente pode ser ressarcido ou compensado, no encerramento do trimestrecalendário, após a dedução do débito da própria contribuição. Os dispositivos legais: Lei 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 10 9 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. IN RFB nº 900/2008 Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. IN RFB nº 1.300/2012: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1557, de 31 de março de 2015) Da interpretação dos dispositivos resulta que o procedimento passa primeiro pela etapa de deduzir o saldo credor do débito apurado da Contribuição no período, o que implica afirmar que se o valor do débito estiver sob discussão judicial, em especial em relação à dimensão/extensão de sua base de cálculo, é lógico deduzir que o valor saldo credor apurado estará passível de alteração em razão do resultado da ação judicial. Relevante destacar que a alegação da recorrente de que a totalidade de seu crédito é decorrente de vendas de livros, cuja alíquota do PIS e da Cofins é zero, o que significa tratarse, exclusivamente, de receita não tributada no mercado interno, o que a faz concluir pela total desvinculação entre as bases de cálculo deste crédito e do débito que se discutia judicialmente, não se encontra comprovado nos autos. Inexistem documentos (notas fiscais e registro contábeis) que apontam a natureza do crédito a ponto de atestar a veracidade da Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 11 10 alegação. Importa anotar também que a autoridade fiscal encarregada do despacho decisório não analisou seu mérito. Assim, encontro razões para afirmar a alterabilidade dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial, ainda que afastada anteriormente a concomitância. Por fim, a análise do trânsito em julgado da ação judicial. É inconteste o resultado da Ação Declaratória em que se buscava provimento para afastar o alargamento da base de cálculo da Contribuição, qual seja, não houve êxito por parte do contribuinte. O trânsito em julgado ocorreu em 25/04/2014, portanto, antes do julgamento da manifestação de inconformidade e do recurso administrativo na Delegacia de Julgamento que, contudo, manteve a decisão no despacho da Derat/SP sob o argumento que à época do pedido de ressarcimento e declaração de compensação a Ação não gozava de tal efeito. Cabe então enfrentar a seguinte matéria: acaso afastados os fundamentos da Derat e DRJ para negar o pedido de ressarcimento e considerar não declarada a DCOMP, sustentamse os argumentos da recorrente? Repisase que não houve enfrentamento do mérito do PER/DCOMP; também, não constam dos autos conjunto probatório da certeza dos créditos alegados. O direito ao ressarcimento e à compensação encontramse disciplinados nas legislações a seguir: CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (grifei) 41. Ora, no caso vertente, como ficou visto, havia uma ação declaratória em andamento cuja decisão final poderia, indiscutivelmente, vir a alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. Tal saldo, portanto, precisamente pela falta de trânsito em julgado, carecia dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 do CTN. 42. Assim, não há dúvida de que se trata de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, expressão genérica que abrange qualquer crédito cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial. 43. De modo que, ao considerar não declaradas as compensações vinculadas ao direito creditório objeto do pedido de ressarcimento, a Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 12 11 autoridade tributária apenas se ateve à letra da lei, mais precisamente ao disposto no art. 74, § 12, da lei n° 9.430/96, acima transcrito. Entendo que a vedação ao pedido de ressarcimento de que trata os §§ 3º e 4º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012, cuja vigência é posterior à data do protocolo do PER/DCOMP, fundamento legal do despacho decisório já não se sustentava no julgamento da manifestação de inconformidade à vista da decisão transitado em julgado da ação declaratória. Essa vedação ao ressarcimento deve ser interpretada à luz da mesma vedação à compensação, que se encontra em disposição de Lei art. 170A do CTN que ao meu sentir diz tãosó que enquanto houver pendência de ação judicial discutindo tributo, não se concederá ou se analisará a compensação acerca de aproveitamento de crédito desse mesmo tributo. Mutatis mutandis, ocorrido o trânsito em julgado da ação que se discuti o tributo, para o qual se pleiteia o aproveitamento de crédito, permitida estará a compensação. O mesmo se aplica ao ressarcimento. A autoridade julgadora a quo fundamentou a manutenção do despacho decisório para considerar não declarada a compensação na alínea "d", inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Inconteste que o fundamento para tal decisão encontravase superado por ocasião do acórdão da DRJ. Outra deveria ser a decisão recorrida. De outra banda, a recorrente não colacionou documentos que apontam para a natureza dos créditos que alega tratarse de venda de livros no mercado interno, à alíquota zero do PIS e da COFINS. Assim, conquanto o trânsito em julgado implica a análise do mérito o encontro de contas entre débitos e, no caso, o saldo credor apurado nos termos da legislação processo não se encontra maduro para decisão por este Conselho. Por derradeiro, a recorrente pede que "visando a facilitar o controle das intimações dos atos processuais, doravante, requer que as intimações sejam publicadas EXCLUSIVAMENTE em nome de Júlio Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 13 12 César Goulart Lanes, inscrito na OAB/SP n.° 285.224, devidamente constituído nos autos, sob pena de nulidade." Impende registrar que o disposto no art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo de determinação e exigência de crédito tributário estabelece: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4º do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. De ressaltar que a intimação realizada nos termos acima é legítima e encontrase pacificada com a Súmula CARF nº 9, cujo enunciado dispõe ser "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Conclusão O atual estágio do processo indica a possibilidade de existência de um direito creditório não analisado pela unidade de origem da DRF, fundada tãosó na alterabilidade do valor do crédito pleiteado em razão de ação judicial, não concomitante ao presente processo, que se encontra definitivamente julgada. Destarte, por não restar nenhum óbice à análise do direito creditório pleiteado, não efetuado no âmbito do despacho decisório, entendo por determinar o retorno do presente processo à unidade de jurisdição administrativa da recorrente para que se proceda análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação, mediante a apresentação pelo contribuinte dos documentos pertinentes. Após seja dado ciência para que o interessado exerça, se assim o quiser, o contraditório. Portanto, VOTO para DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.945010/201394 Acórdão n.º 3201003.046 S3C2T1 Fl. 14 13 unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade da recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO, com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade do Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901547/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 15 47 /2 00 9- 11 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901547/200911 Acórdão n.º 1402002.637 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.901547/200911 Acórdão n.º 1402002.637 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.901547/200911 Acórdão n.º 1402002.637 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.901547/200911 Acórdão n.º 1402002.637 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.900316/2012-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
No caso dos autos, não se verifica a divergência jurisprudencial, pois há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Além disso, nos acórdãos paradigmas há substrato fático distinto daquele existente no caso em análise, razão pela qual não é possível estabelecer-se a comparação necessária para fins de comprovação do dissenso interpretativo.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.218
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. Recorrente APC DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. No caso dos autos, não se verifica a divergência jurisprudencial, pois há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Além disso, nos acórdãos paradigmas há substrato fático distinto daquele existente no caso em análise, razão pela qual não é possível estabelecerse a comparação necessária para fins de comprovação do dissenso interpretativo. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 03 16 /2 01 2- 77 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10925.900316/201277 Acórdão n.º 9303005.218 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte APC DO BRASIL LTDA. com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do então vigente Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802003.321 proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 22/07/2014, que negou provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à obrigatoriedade de retificação da DCTF para compensação de pagamento indevido ou a maior. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 3302002.226 e 3102001.790. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) no ano de 2009, procedeu à revisão de seus livros de apuração do PIS e da COFINS, verificando pagamentos a maior no ano de 2006. Para aproveitar referido crédito, formalizou requerimento de compensação, procedendo à retificação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON. No entanto, não procedeu à alteração das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, pois transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, tendo requisitado a alteração de ofício; Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10925.900316/201277 Acórdão n.º 9303005.218 CSRFT3 Fl. 4 3 (b) o acórdão recorrido reputa imprescindível a retificação da DCTF para análise do pedido de compensação, bem como entende que no caso dos autos houve omissão da Contribuinte na apresentação de provas demonstrando o erro nas informações prestadas na DCTF, sendo o ônus de prova quanto a tal fato inteiramente do Sujeito Passivo; (c) quanto à necessidade de retificação na DCTF para homologação do pedido de compensação, não há óbice legal à apuração do crédito do Contribuinte, mesmo que a DCTF retificadora não tenha sido transmitida e/ou seja adotada a providência após o despacho decisório; (d) o entendimento da decisão recorrida privilegia a forma em detrimento do conteúdo, objetivo contrário ao do processo administrativo e que viola o princípio do formalismo moderado insculpido no art. 2º, §único, inciso IX, da Lei nº 9.784/99; (e) no que tange à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido restituir pela Contribuinte, aduz que, diversamente do processo judicial, na esfera do contencioso administrativo federal, a prova, em princípio, é de iniciativa do julgador, consoante art. 29 da Lei nº 9.784/99. Assim, a Contribuinte juntou aos autos os documentos que considerava hábeis para comprovar a certeza e liquidez do indébito tributário; nesse caso, entendendo o órgão julgador serem os mesmos insuficientes, providência que se impunha era a intimação da parte para apresentar outros documentos, de modo a apurar o crédito em discussão, e não simplesmente negar o pedido de compensação; (f) por fim, requer o provimento do recurso especial, determinandose o retorno dos autos à origem para apuração da liquidez e certeza do crédito do Contribuinte. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 29 de junho de 2015, proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de homologação do pedido de compensação sem a prévia retificação da DCTF e de o órgão julgador solicitar outros documentos que entendia necessários para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10925.900316/201277 Acórdão n.º 9303005.218 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.213, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10925.900311/201244, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.213): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base nos seguintes fundamentos: (a) a Contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório para demonstrar a certeza e liquidez do indébito tributário, pois ausente a comprovação de erro ou pagamento a maior que teriam originado o indébito pretendido compensar; (b) embora não tenha transmitido a DCTF retificadora, por força do princípio da verdade material, a empresa teria direito à compensação se demonstrados os atributos de certeza e liquidez do crédito tributário, não tendo se limitado a indeferir o pedido tão somente pela inexistência da DCTF retificadora. Para elucidar a assertiva, segue a transcrição de trechos do voto proferido pelo Colegiado a quo para manter o indeferimento do pedido de compensação, in verbis: [...] Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, insatisfeito, o contribuinte instaurou o presente processo com o fundamento de que o valor informado por ele em DCTF é maior do que o valor devido. Aponta a origem do erro, que como já frisado, seria a revisão de seus débitos fiscais do PIS e da COFINS no anocalendário de 2006. Porém não demonstra a sua existência, ou seja, a forma como isso foi apurado. Apenas noticia que o valor correto é aquele constante no DACON retificador transmitido em 2009 (fls. 32/51) do respectivo período e não junta cópia de documentos aos autos atestando com isso comprovar o pagamento a maior, a não ser a cópia do despacho decisório, do DARF pago, do Dacon retificador e a DCTF. (fls. 30/94). Afirma em seu recurso que “ (...) pois a certeza e a liquidez estão devidamente demonstrados através do DACON que demonstra que nada tem a pagar das guias pagas indevidamente a maior” pois com isso considera ser suficientes elementos para demonstrar os créditos apurados. O DACON trazido aos autos é retificador e verificase que foi entregue antes da ciência do despacho decisório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10925.900316/201277 Acórdão n.º 9303005.218 CSRFT3 Fl. 6 5 Muito embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Quando muito, a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado. Verificase, ainda, que o contribuinte tentou retificar a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela e aos dados do Dacon. Contudo, não obteve sucesso (a transmissão não foi concluída), uma vez que havia se esgotado o prazo (05 anos) para que a recorrente tivesse o direito de apresentar ou retificar a DCTF (fl. 48). Ressaltamos que à época vigorava a IN RFB no 1.110/2010, cujo artigo 9, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “(...) mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (...)”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, não produziria qualquer efeito (art. 9, § 2º, I, “c”). A mesma instrução normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON (este efetivado) do período, conforme artigo 9, § 6º, da citada Instrução Normativa. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Visando verificar o seu direito, ao apreciar o material probante juntado pelo sujeito passivo, notase que o Recorrente, à época de sua manifestação de inconformidade, não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora. Embora tenha juntado naquela Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10925.900316/201277 Acórdão n.º 9303005.218 CSRFT3 Fl. 7 6 oportunidade documentos intitulados “Cópia do Despacho Decisório, DARF pago, Dacon Retificador e DCTF (retificadora não processada)”. Todavia, neste recurso nenhum novo documento foi juntado ao processo, ou seja, não foi anexado aos autos documentos comprobatórios, tais como demonstrativos de cálculos, a DIPJ retificada, cópia de Livros Fiscais, notas fiscais e dos documentos contábeis como os Livros Diário e Razão, balancete, etc). Ora, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de conferir e comprovar à diferença desses montantes para fins da recomposição do faturamento do Recorrente. Ou seja, a recorrente não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Dessa forma, fica afastada a possibilidade de utilização da referida DCTF (retificadora) como prova no presente processo. Insta salientar que a simples tentativa de transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil a legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor do PIS e da COFINS era efetivamente devido. Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – às vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Salientamos que o ônus da prova do direito é da Recorrente, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarado na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF que a recorrente pretende retificar. Assim sendo, não há fundamentos para que se aceite agora a retificação extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10925.900316/201277 Acórdão n.º 9303005.218 CSRFT3 Fl. 8 7 Logo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. [...] (grifouse) Depreendese da análise do julgado, portanto, que o indeferimento do pedido de compensação não se embasou exclusivamente na ausência de transmissão de DCTF retificadora, mas também por não ter o Contribuinte provado a certeza e liquidez do indébito tributário pretendido restituir. Inclusive, destacou o Colegiado a quo ser possível a aceitação da compensação independente da retificação da DCTF, em hipóteses excepcionais, quando devidamente comprovado o crédito alegado, em vista do princípio da verdade material. Nessa esteira, o confronto do acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas revela a inexistência de dissenso interpretativo, requisito indispensável à interposição do recurso especial de divergência. Verificase existir, entre os julgados, convergência de entendimentos, na medida em que os paradigmas apresentados compartilham do entendimento explicitado na decisão recorrida no sentido de ser imprescindível, para ser deferido o pedido de compensação, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo ser apreciadas as provas trazidas aos autos e, se necessário, solicitadas outras. Além disso, em todos os julgados, paradigmas e recorrido, foi consignado que a DCTF e a DACON, retificadoras ou originais, embora sejam fontes de informação válida para o Fisco, não são documentos hábeis para comprovar por si só a certeza e liquidez do indébito pretendido ressarcir. Para elucidar a assertiva, seguem transcritas as ementas dos acórdãos paradigmas: Acórdão nº 3302002.226 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acórdão nº 3102001.790 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/11/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL INDEPENDENTE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Caso exista a apresentação de documentos que possam comprovar o direito creditório, estes Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10925.900316/201277 Acórdão n.º 9303005.218 CSRFT3 Fl. 9 8 deverão ser analisados pelas instâncias julgadoras, independente da existência de retificação da DCTF. Recurso Voluntário Provido em Parte Inexistente, portanto, a divergência jurisprudencial a justificar a interposição e o prosseguimento do recurso especial. Além disso, conforme se verifica dos acórdãos paradigmas, naqueles autos houve a juntada de documentação comprobatória da certeza e liquidez do crédito tributário pelo contribuinte, a qual, entretanto, não foi analisada pela DRJ no julgamento das manifestações de inconformidade, tendo se embasado unicamente nos dados constantes em DCTF. Também por esta razão é que no acórdão paradigma nº 3302002.226 foi consignado competir ao julgador analisar a prova trazida aos autos pelo Sujeito Passivo e, se entender necessário outros elementos para o seu convencimento, intimálo a apresentar no processo. Seguem excertos dos acórdãos paradigmas para ilustrar a assertiva: Acórdão nº 3302002.226 [...] Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Ao final, requer: a) Caso não haja satisfeita com as provas juntadas a esta, solicitar procedimento fiscalizatório para confirmalas, voltando a vosso crivo com o objetivo de confirmar as compensações e cassando o despacho decisório; b) Ou satisfeito com os documentos ora anexados confirmar as compensações cassando o despacho decisório. [...] Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF ou na DACON, em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratarem a DCTF e a DACON, de instrumentos de controle da própria Receita Federal. [...] Acórdão nº 3102001.790 [...] Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando que não utilizou o seu direito de crédito quando da apuração do PIS, estando correto os valores informados na declaração de compensação, anexando ao recurso, cópias do livro Razão, Livro Diário e planilha de cálculo. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10925.900316/201277 Acórdão n.º 9303005.218 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Ressalto que a apresentação genérica de argumentos, alegando simplesmente ilegalidade no procedimento fiscal, sem apontar fatos concretos ou quaisquer provas que indiquem erro na decisão prolatada pelo Fisco, não pode prosperar, visto que, a produção de provas é obrigação de quem contesta e não da autoridade julgadora. O fato que estamos discutindo na presente lide é se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do Recurso. [...] Diante do exposto, entendo que o mérito do direito creditório deva ser analisado e tendo em vista que a autoridade de piso não se manifestou sobre esta matéria, voto no sentido de determinar o retorno dos autos a autoridade a quo para que seja realizado novo julgamento apreciando o mérito do direito creditório pleiteado pela Recorrente a luz dos documentos apresentados. No caso dos autos, por sua vez, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar, mediante a devida produção de provas nas oportunidades que teve para se manifestar no processo, a certeza e liquidez do indébito tributário, o que resultou no indeferimento de sua pretensão pelos julgadores. Portanto, não foi apenas o fato de não ter apresentado a DCTF retificadora que fulminou a sua pretensão, mas também não ter se desincumbido da apresentação de provas, as quais seriam consideradas à luz do princípio da verdade material, norteadora do processo administrativo fiscal. Assim, não merece ter prosseguimento o recurso especial da Contribuinte, tendo em vista: a ausência de divergência jurisprudencial e a inexistência de similitude fática entre os julgados paradigmas e o acórdão recorrido. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721610/2013-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.900301/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.725
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 01 /2 01 3- 49 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900301/201349 Acórdão n.º 3301003.725 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.759, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900301/201349 Acórdão n.º 3301003.725 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900301/201349 Acórdão n.º 3301003.725 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900301/201349 Acórdão n.º 3301003.725 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900301/201349 Acórdão n.º 3301003.725 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900301/201349 Acórdão n.º 3301003.725 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900301/201349 Acórdão n.º 3301003.725 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900301/201349 Acórdão n.º 3301003.725 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722270/2014-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. MARCO INICIAL.
O prazo decadencial de 5 anos para o Fisco lançar as referidas contribuições previdenciárias corre a partir da data do fato gerador, nos casos de pagamento antecipado.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO.
Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação.
Numero da decisão: 2201-003.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 31/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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MARCO INICIAL. O prazo decadencial de 5 anos para o Fisco lançar as referidas contribuições previdenciárias corre a partir da data do fato gerador, nos casos de pagamento antecipado. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 22 70 /2 01 4- 93 Fl. 764DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratamse de Recurso de Ofício (fls. 697) e Voluntário (fls.723/761) interposto pela DRJ e contribuinte em face da decisão da DRJ/REC que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte ao lançamento dos DEBCAD n° 51.045.0610: fls. 3 a 16, no valor de R$ 8.090.122,03, relativo às contribuições patronais, incluindo SAT (1%) incidentes sobre os valores apurados em folha de pagamento (doc 15 de fls. 348 a 350); e DEBCAD nº 51.045.0628: fls. 17 a 21, no valor de R$ 2.026.875,96, composto pelas contribuições patronais aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre a diferença dos valores apurados em folha de pagamento e os declarados em GFIP. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 696/702) por sua precisão: “Nos termos do relato da auditoria, fls. 26 a 54, foram lançadas, no presente processo, contribuições previdenciárias incidentes sobre os seguintes fatos geradores: A) rubricas da folha de pagamento identificadas como Participação nos Lucros ou Resultados –PLR: A autuada não demonstrou o uso dos instrumentos (comissão paritária ou convenção/acordo coletivo) previstos no artigo 2º da Lei 10.101/2000. Apresentou apenas o documentos denominados “INSTRUMENTO DESTINADO A REGULAR A PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS DA TICKET SERVIÇOS S.A NOS LUCROS E RESULTADOS” e “POLÍTICAS DE PLR&GESTÃO”. A fiscalização não identificou metas, prazos, critérios Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 765 3 de avaliação e registro da participação do Sindicato (na hipótese do inciso I do artigo 2º da Lei 10.101/2000). E mais, o contribuinte promoveu pagamento ao Sr. Alaor Aguirre, diretor estatutário, a titulo de PLR que é restrito aos empregados, nos termos no mesmo dispositivo. Desta feita, foram considerados como integrantes do salário de contribuição os valores pagos a este título. B) Programa de Previdência Privada PPA: A fiscalização apurou depósitos denominados “Contribuição Específica” e “Aportes” nas contas de participantes que ocupam cargos de direção: Jean Claveau e Oswaldo Melantonio. Assim, o autuante atestou que o referido programa, ao estabelecer tratamento desigual entre seus beneficiários, passou a compor o salário de contribuição. Complementam o relato fiscal as planilhas de fls. 55 a 70, demonstrando os valores acima descritos e os termos e documentos utilizados durantes a Ação Fiscal (fls. 77 a 599). A fiscalização atesta que não houve dedução dos recolhimentos do período em função do não reconhecimento, por parte da empresa, das rubricas lançadas como base de cálculo e da não informação de tais fatos geradores nas competentes GFIP. Período dos lançamentos: 01/01/2009 a 31/12/2009. Cientificada, por via postal, em 29/08/2014 (f. 600), o contribuinte apresentou, em 26/09/2014, seu inconformismo de fls. 616 a 652. Trouxe, em síntese, as seguintes alegações: I decadência parcial do período de 01 a 07/2009; II ausência de motivação para a desconsideração dos documentos trazidos, relativos ao PLR, reiterando o atendimento das demais condições estabelecidas na Lei. nº 10.101/2000. III quanto ao PLR pago ao Sr Alaor, deve ser aplicado o teor do artigo 7ª , XI da CF, que não traz vedações a nenhum tipo de obreiro; IV quanto à previdência privada, a lei não exige igualdade de aportes e contribuições, mas sim que seja um plano disponível a todos; Fl. 766DF CARF MF 4 V ausência de habitualidade nos pagamento de PLR considerados como salário de contribuição; VI ofensa aos princípios da Verdade material e da Primazia da Realidade; VII multa de 75% com caráter confiscatório. Ao final, clama pela produção de provas, especialmente juntada de documentos. Junta, fls. 653 a 687, documentos de representação e “INSTRUMENTO DESTINADO A REGULAR A PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS DA TICKET SERVIÇOS S.A NOS LUCROS E RESULTADOS”. Tratase de Autos de Infração – AI lavrados contra o contribuinte em epígrafe, discriminados a seguir. 3 A decisão da DRJ/REC (fls. 723/761) julgou procedente em parte a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. MARCO INICIAL. O prazo decadencial de 5 anos para o Fisco lançar as referidas contribuições previdenciárias corre a partir da data do fato gerador, nos casos de pagamento antecipado. PREVIDÊNCIA PRIVADA. APORTES DIFERENCIADOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os aportes complementares em conta de previdência privada, vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador, sem observância de isonomia e proporcionalidade, possuem natureza remuneratória, integrando o salário de contribuição e sujeitandose à incidência das contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 766 5 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 VEDAÇÃO AO CONFISCO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Uma vez que a Administração Fazendária só é dado fazer o que a lei autoriza e estando a multa lançada em consonância com as normas vigentes e cogentes, o foro administrativo não é competente para apreciar argüição de confisco por aplicação de penalidade. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador.” Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 Cientificado da decisão de piso (fls. 721), o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 723/761. 5 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 768DF CARF MF 6 RECURSO DE OFÍCIO 6 – O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço em decorrência de que o valor exonerado do crédito tributário (fls. 710/711) é acima do estabelecido na Portaria MF 63/2017 de acordo com a Súmula CARF 103. Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 7 – Em síntese a exoneração do crédito tributário se deu em decorrência do reconhecimento da decadência em decisão assim fundamentada pela autoridade de julgamento a quo (fls. 699): “O Código Tributário Nacional – CTN traz dois caminhos aplicáveis para fins de se estabelecer um marco inicial na contagem do prazo qüinqüenal de decadência, consoante tenha havido ou não recolhimento antecipado do tributo pelo sujeito passivo: a) fato gerador, caso haja pagamento antecipado (art. 150, § 4°, do CTN); b) primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fisco poderia fazer o lançamento, caso não haja pagamento antecipado (art. 173, I, do CTN). No caso em tela, conforme atesta a própria autoridade fiscal, houve recolhimento durante todo o período do lançamento, sendolhe, assim, aplicável o disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Desta feita, sendo a data da ciência 29/08/2014, reconhecese a decadência de todos os lançamentos anteriores até 06/2009, conforme pretendido pelo contribuinte. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 767 7 Destaquese que a decadência fulmina integralmente o levantamento PLR promovido para o período de 02 a 04/2009, totalmente decadente, restando sem interesse as alegações II, III e V acima.” 8 – Havendo o reconhecimento de pagamentos antecipados e aplicando os termos da Súmula CARF nº 99 tenho como correta a decisão de piso que reconheceu a decadência parcial sobre tais períodos de apuração e voto no sentido de se negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO 9 – O contribuinte em seu arrazoado questiona a necessidade de se reconhecer ainda a decadência do crédito tributário sobre os fatos geradores ocorridos em julho de 2009 uma vez que foi cientificado dos termos da autuação somente em 28 de Agosto de 2014 (fls. 612). A decisão de piso reconheceu a decadência até o mês de Junho de 2009. 10 – Entendo com razão o contribuinte e deve ser reconhecido também a decadência do crédito tributário na forma do artigo 150, § 4º do CTN e súmula CARF nº 99 deste E. CARF no período de Julho de 2009 também: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 770DF CARF MF 8 11 – Não havendo reconhecimento de fraude, dolo ou simulação e com o reconhecimento de pagamentos antecipados como fato incontroverso afasto eventual possibilidade de aplicação da decadência do artigo 173, I do CTN e reconheço a decadência também sobre os créditos apurados no período de julho de 2009. 12 – Indico como parte da fundamentação sobre a matéria trechos da declaração de voto do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no AC. 2201003.593 j. 09/05/2017 dessa C. Turma, verbis: “Inegável que o marco temporal iniciador do prazo para que a Administração Tributária inicie a verificação da correção do procedimento adotado pelo sujeito passivo, e se for o caso, constitua seu direito de crédito, é a data de ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, necessário perquirir em qual data ocorre o fato gerador tributário. A Lei de Custeio, Lei nº 8.212/91, esclarece a questão em seu artigo 22, inciso I: ‘Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. ‘ (negritei) Sabedores que a base de cálculo das contribuições previdenciárias, o chamado salário de contribuição, é o total das remunerações pagas devidas ou creditadas pela empresa, podemos – com segurança – inferir que o Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 768 9 período de apuração do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento se encerra no último dia do mês, consubstanciando o chamado fato gerador com ocorrência mensal, por expressa disposição de lei tributária. Ao transportarmos a dicção da Lei de Custeio para o caso em concreto, observaremos que o valor pago pela empresa no mês de fevereiro de 2009, a título de PLR, integra os fatos geradores de tal competência. Enfim, existindo a comprovação do pagamento de contribuições previdenciárias relativas à competência fevereiro de 2009, o prazo legal para que o Fisco constituísse eventual crédito relativo a fato gerador ocorrido nesse mês expira em 5 anos a contar dessa data, ou seja, em fevereiro de 2014, posto que não foi comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação.” 13 Dessa forma dou provimento ao recurso do contribuinte nessa parte para reconhecer a decadência do crédito tributário lançados em julho de 2009. 14 – Quanto aos demais pontos do Recurso Voluntário indicado pelo contribuinte não conheço da matéria elencada nos seguintes tópicos, em vista do reconhecimento da decadência e improvimento do recurso de ofício: Item IV que questiona o lançamento da contribuição previdenciária sobre a PLR e demais matérias acessórias, sendo que conheço apenas a matéria relativa ao lançamento da contribuição previdenciária sobre a previdência privada. 15 – Nesse tópico, diz a autoridade fiscal na parte resumida quanto ao lançamento, às fls. 50: Fl. 772DF CARF MF 10 16 – Abaixo incluo o item 6.8 indicado no relatório fiscal para fácil análise às fls. 45: Fl. 773DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 769 11 17 – De acordo com a acusação fiscal o presente caso é focado na existência da falta de extensão da contribuição da empresa a todos os demais participantes do plano de previdência privada. Fl. 774DF CARF MF 12 18 – Quanto a essa matéria, me detenho a indicar como razão e fundamento de decidir os termos do voto dessa C. Turma no Ac. 2201003.416 julgado em 07/02/2017 assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Cabe ao Fisco a comprovação do fato constitutivo de seu direito de crédito, ou seja, a comprovação do ocorrência do fato gerador. Ao sujeito passivo, resta a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário comprovado pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 770 13 ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. NÃO INCIDÊNCIA. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada, sob pena de sua inaplicabilidade. 19 – Nesse caso o Ilustre Conselheiro Relator assim decidiu: “Me filio à corrente que entende que após o advento da Lei Complementar nº 109/01, a interpretação do dispositivo constante da Lei nº 8.212/91, deve ser realizada em consonância com os ditames da lei complementar editada para cumprir a determinação da Carta de 1988 , em especial quanto à disposição do §2º do artigo 202. Tal entendimento há tempos é exarado por este Colegiado. Transcrevo, com a devida permissão, o voto do Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, prolatado nos autos do processo 10783.723424/201109, Acórdão 2402 003.661: ‘O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Fl. 776DF CARF MF 14 Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Fl. 777DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 771 15 Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9º, alínea “t” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Fl. 778DF CARF MF 16 Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea “t” da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 772 17 § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... Fl. 780DF CARF MF 18 CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 773 19 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre Fl. 782DF CARF MF 20 determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes. O voto acima reproduzido contempla na totalidade, meu entendimento, inclusive quanto às razões de decidir.” 20 – Nesse compasso, me mantendo fiel ao posicionamento dado no presente julgamento acima reproduzido e que entendo ser aplicável ao caso, uma vez que semelhante ao presente em que divergem as partes, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar os lançamentos quanto a esse ponto indicado nos autos desse processo. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13896.722270/201493 Acórdão n.º 2201003.726 S2C2T1 Fl. 774 21 21 – Quanto ao argumento confiscatório das multas, apesar de perder o objeto porquanto dado provimento ao recurso, entendo que não são passíveis de serem conhecidas dado que o argumento visa ao reconhecimento da inconstitucionalidade das mesmas e pela aplicação da Súmula CARF nº 2. Conclusão 22 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso de ofício e no mérito negarlhe provimento. Quanto ao recurso voluntário conheço na totalidade e dou provimento em relação às matérias da decadência e do lançamento da previdência privada. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 784DF CARF MF
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Numero do processo: 14751.002720/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
VERBAS DE GABINETE. PARLAMENTARES. NÃO INCIDÊNCIA CONDICIONADA. AUSÊNCIA DAS CONDIÇÕES.
1. A não incidência de imposto sobre a renda sobre as verbas de gabinete pagas aos parlamentares é condicionada a presença cumulativa dos seguintes elementos: (1) existência de norma prevendo o pagamento; (2) previsão de destinação específica na referida norma; (3) prestação de contas (Parecer PGFN n° 1.084/2007).
2. Deve incidir o imposto sobre a renda em relação aos pagamentos que superaram os limites máximos previstos nas normas regulamentadoras das verbas de gabinete e em relação aos pagamentos para os quais as contas não forma prestadas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. SUBSÍDIOS
A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as soma de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO PECUNIA NON OLET.
1. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
2. À luz do art. 118 do Código Tributário Nacional, que consagra no direito pátrio o vetusto princípio latino do pecunia non olet, a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica do ato efetivamente praticado, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Auferida a renda, quer oriunda de atividade lícita ou de ilícita, impõe-se a incidência do imposto sobre a renda, independentemente da origem do rendimento. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso constituiria violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética e, em relação à atividade ilícita, estar-se-ia outorgando dupla benesse: o enriquecimento proveniente da atividade criminosa e a não incidência do imposto de renda.
3. Ainda que ficasse estabelecido, em ação judicial ou por qualquer outro meio, que houve o recebimento de verbas com origem ilícita, a presunção legal de omissão de rendimentos somente seria elidida caso estabelecida a correlação de cada depósito com a sua origem, com coincidência de datas e valores.
4. Qualquer que seja a origem da renda obtida, eventos futuros, como seu consumo, doação, arresto, penhora ou perdimento, não possuem o condão de descaracterizá-la retroativamente.
SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste qualquer regra processual administrativa que possibilite a suspensão do julgamento administrativo fiscal na pendência de feito cível.
Numero da decisão: 2301-005.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, REJEITAR A PRELIMINAR de sobrestamento do julgamento; vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni; e (b) no mérito, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do relator; votaram pelas conclusões na matéria depósitos bancários de origem não comprovada os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Vencidos na matéria omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas falta de prestação de contas os conselheiros João Maurício Vital e Wesley Rocha, que davam provimento ao recurso.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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PARLAMENTARES. NÃO INCIDÊNCIA CONDICIONADA. AUSÊNCIA DAS CONDIÇÕES. 1. A não incidência de imposto sobre a renda sobre as verbas de gabinete pagas aos parlamentares é condicionada a presença cumulativa dos seguintes elementos: (1) existência de norma prevendo o pagamento; (2) previsão de destinação específica na referida norma; (3) prestação de contas (Parecer PGFN n° 1.084/2007). 2. Deve incidir o imposto sobre a renda em relação aos pagamentos que superaram os limites máximos previstos nas normas regulamentadoras das verbas de gabinete e em relação aos pagamentos para os quais as contas não forma prestadas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. SUBSÍDIOS A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as soma de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO PECUNIA NON OLET. 1. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. 2. À luz do art. 118 do Código Tributário Nacional, que consagra no direito pátrio o vetusto princípio latino do pecunia non olet, a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica do ato efetivamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 27 20 /2 00 9- 78 Fl. 1243DF CARF MF 2 praticado, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Auferida a renda, quer oriunda de atividade lícita ou de ilícita, impõese a incidência do imposto sobre a renda, independentemente da origem do rendimento. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso constituiria violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética e, em relação à atividade ilícita, estarseia outorgando dupla benesse: o enriquecimento proveniente da atividade criminosa e a não incidência do imposto de renda. 3. Ainda que ficasse estabelecido, em ação judicial ou por qualquer outro meio, que houve o recebimento de verbas com origem ilícita, a presunção legal de omissão de rendimentos somente seria elidida caso estabelecida a correlação de cada depósito com a sua origem, com coincidência de datas e valores. 4. Qualquer que seja a origem da renda obtida, eventos futuros, como seu consumo, doação, arresto, penhora ou perdimento, não possuem o condão de descaracterizála retroativamente. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste qualquer regra processual administrativa que possibilite a suspensão do julgamento administrativo fiscal na pendência de feito cível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, REJEITAR A PRELIMINAR de sobrestamento do julgamento; vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni; e (b) no mérito, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do relator; votaram pelas conclusões na matéria “depósitos bancários de origem não comprovada” os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Vencidos na matéria “omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas – falta de prestação de contas” os conselheiros João Maurício Vital e Wesley Rocha, que davam provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário em face do Acórdão 11 35.029, exarado pela 1ª Turma da DRJ no Recife (efls. 1.201 a 1.218). O auto de infração (efls. 402 a 447) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) e diz respeito a: (a) omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas – excesso de verba de gabinete (omissão no valor de R$41.074,86, fato gerador em 31/12/2005; omissão no valor de R$84.523,34, fato gerador em 31/12/2006; e omissão no valor de R$131.810,45, fato gerador em 31/12/2007); (b) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas – falta de prestação de contas (omissão no valor de R$112.834,96, fato gerador em 31/12/2005; omissão no valor de R$141.886,48, fato gerador em 31/12/2006; e omissão no valor de R$292.800,00, fato gerador em 31/12/2007); (c) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas – diferença de subsídio (omissão no valor de R$ 6.201,94, fato gerador em 31/12/2007); (d) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (omissão no valor de R$3.888.609,86, fato gerador em 31/12/2005; omissão no valor de R$2.745.231,67, fato gerador em 31/12/2006; e omissão no valor de R$1.190.718,73, fato gerador em 31/12/2007). Foi constituído Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, no valor de R$2.374.815,39, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Consta do relatório fiscal (efls. 416 a 447) que: no Inquérito 1.471/AL, processo judicial 2005.05.00.0125684, em face da denominada Operação Taturana, o Tribunal Regional Federal autorizou a transferência do sigilo bancário do contribuinte e o compartilhamento das informações com a Receita Federal do Brasil; desse modo, foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Alagoas o Laudo de Exame Contábil n° 333/2008, o Laudo de Exame Financeiro n° 2516/2008 e seus Anexos I – Entrada de Recursos, II – Saída de Recursos, III – Operações de Crédito e IV – Créditos não Identificados, cópias das Resoluções da Assembléia Legislativa de Alagoas n°s 369/1993, 392/1995, 428/2002, 462/2006, 471/2007, 482/2008, e o Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) n° 1.084/2007; extratos bancários relativos às contas mantidas junto ao Banco do Brasil, ao Banco Bradesco e ao Banco Rural; Na ação fiscal, foi solicitada ao contribuinte a comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancárias nos anoscalendário de 2005 a 2007, bem como a documentação referente às verbas de gabinete recebidas da Assembléia Legislativa de Alagoas e aos rendimentos auferidos e aos bens móveis e imóveis da propriedade do contribuinte. Fl. 1245DF CARF MF 4 O contribuinte informou que os valores creditados em suas contas bancárias se originaram de sua atividade parlamentar, abrangendo os salários e as verbas indenizatórias, e das rendas das atividades agrícolas e pecuárias realizadas em suas propriedades; que efetuou a prestação de contas das verbas da Assembléia Legislativa, recebidas até o limite previsto, sem ressalvas, e obedecendo ao disposto nas Resoluções do referido órgão, e que a documentação comprobatória correspondente foi fornecida ao referido órgão, tendo sido objeto de apreensão pela Polícia Federal em razão do inquérito 1.471/AL. Relativamente aos bens, informou que os móveis e imóveis de sua propriedade foram registrados nas declarações de bens, nada havendo a informar. A fiscalização diligenciou junto à Assembléia Legislativa para obtenção dos documentos relativos à prestação de contas das verbas de gabinete recebidas pelo contribuinte. Por meio do Oficio n° 104/2009, o órgão legiferante confirmou a prestação de contas por parte do fiscalizado, informando não dispor dos elementos requisitados em face da já citada busca e apreensão, e que não há cópias dos documentos relativos à prestação de contas, nem tampouco do termo de busca e apreensão em que tenha sido registrada sua recepção por servidor da Assembléia – inclusive em face da prisão dos então chefes do setor financeiro – sendo que o sistema de dados internos (Siafem) não registra os beneficiários, o valor e a data das despesas objeto da prestação de contas; nesse sentido, foi apresentada certidão emitida pelo atual diretor financeiro da Assembléia Legislativa de Alagoas. Houve reintimação do contribuinte para apresentação da documentação já anteriormente solicitada; em resposta foram reiteradas as informações anteriores no sentido de já haver prestado contas quanto à utilização das verbas de gabinete e à impossibilidade de fornecer a documentação comprobatória respectiva. A autoridade fiscal emitiu o termo de constatação em que informa não ter recebido documentos obtidos na busca e apreensão realizada no setor financeiro da Assembléia Legislativa, relativos à prestação de contas da utilização de verbas de gabinete pelo contribuinte. Foi dada ciência ao contribuinte do Oficio n° 104/2009 da Assembléia Legislativa e do termo de constatação retromencionado. A impugnação foi julgada improcedente, tendo o acórdão recebido as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de Io de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. IRRELEVÂNCIA DE ILICITUDES. ENVOLVENDO O FATO GERADOR. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 4 5 Ainda que os depósitos bancários tivessem sido originários de atividades ilícitas, a exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso antes de ser corolário do princípio da moralidade – constituiria violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética. VERBAS DE GABINETE. PARLAMENTARES. NÃO INCIDÊNCIA. A não incidência de imposto de renda sobre o pagamento de verbas de gabinete pagas aos parlamentares não se aplica às parcelas utilizadas com desvio de finalidade e ao excesso recebido em relação ao limite regulamentar. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. SUBSÍDIOS A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as soma de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos previstos na legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Ementa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A própria lei determina, em caso de interposição de impugnação administrativa, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão pelo contribuinte ocorreu em 1º/02/2012 (aviso de recebimento, efl. 1.222). Em 02/03/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 1.224 a 1.234), alegando, em síntese: (a) a natureza indenizatória das receitas relativas à verba de gabinete e a devida prestação de contas dessas verbas; Fl. 1247DF CARF MF 6 (b) a inexistência de limite de pagamento de verbas de gabinete; (c) em relação à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas – diferença de subsídio, tratarse de mero erro formal; (d) quanto aos depósitos em contas bancárias, não ser possível a tributação de ato ilícito. Contesta ainda a aplicação da multa de oficio prevista no § 2.º do inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, tendo em vista não ter apresentado os extratos bancários solicitados, pois ninguém está obrigado a produzir prova conta si mesmo, ainda mais razão quando o documento solicitado/utilizado já está expressamente rechaçado pelo STF; ademais, afirma que as multas aplicadas estão em desacordo com a Súmula Vinculante do CARF n.º 25. Requereu para se julgar insubsistente o auto de infração em comento, ou revisálo conforme fundamentos supra. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior MÉRITO – RECURSO VOLUNTÁRIO DA NATUREZA DA VERBA DE GABINETE E SUA PRESTAÇÃO DE CONTAS DO LIMITE DE PAGAMENTO DE VERBAS DE GABINETE O recorrente alega que: (a) de acordo com o Parecer PGFN n° 1084/2007, as chamadas “verbas de gabinete” pagas pela Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas (AL/AL) aos Deputados Estaduais não se configuram como renda, eis que têm natureza indenizatória, para fazer face ao custeio das atividades parlamentares, e como tal não podem ser tributadas pelo Imposto sobre a Renda; a autoridade fiscal afastou a natureza indenizatória sob o argumento de que não teria havido prestações de contas dos valores recebidos, o que a fez presumir ter sido dado destinação diversa a tais receitas, sendolhe atribuída natureza remuneratória, sujeita à tributação; (b) conforme o ato normativo que instituiu a verba de gabinete da AL/AL, Resolução AL/AL n° 369/93, art. 77, a "ajuda de custo" seria paga ao parlamentar que tivesse despesas com o custeio de sua atividade mediante "compensação"; nessa mesma linha, a Resolução AL/AL n° 302/95; conforme a Resolução AL/AL n° 369/93, a verba de gabinete era devida em duas parcelas, conforme entendimento da Diretoria Financeira da AL/AL, como deflui da certidão de fl. 320; a Diretoria Financeira informara que a despesa de custeio da atividade parlamentar se daria até os valores referidos na referida certidão, de acordo com a época de vigência de cada regra; se a Diretoria Financeira interpretou incorretamente os atos normativos que dispõem sobre o limite da verba de gabinete, a culpa não pode ser imputada a si, tampouco transformar em renda os valores recebidos a título indenizatório de despesas para o custeio de sua atividade parlamentar; se houve erro, não foi seu; (c) na AL/AL os parlamentares realizam despesas para o custeio das suas atividades e só após estas terem sido realizadas é que há o direito à indenização, o que ocorre Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 5 7 por meio de compensação entre as despesas efetuadas e o correspondente crédito, sendo exigida a prestação de contas para poder receber os valores; se um parlamentar recebeu verba de gabinete, é porque houve a prestação de contas das despesas efetuadas, uma vez que os créditos que lhe são pagos são para indenizar, "compensar", as despesas realizadas; (d) nem sempre se utilizou do limite máximo da verba, o que indica que só lhe era pago, em forma de indenização, por meio de compensação, as despesas que provou ter realizado anteriormente; (e) a prestação de contas das "verbas de gabinete" recebidas é confirmada pelas certidões de fls. 319 (efl. 322), 341 (efl. 344) e 356357 (efls. 359360), e no Oficio 104/2009 da Mesa Diretora da AL/AL às fls. 338339 (efls. 341342); tais atos foram elaborados por servidor público competente, no uso de suas funções públicas, e pelos dirigentes da AL/AL, que não estão envolvidos nas investigações do Inquérito Policial n° 1471/AL da Policia Federal, gozando de fé pública e de presunção de validade; até que não seja afastada a validade de tais atos, cujo ônus é de quem acusa, não se pode desprezar o que foi certificado; (f) a competência para a tomada de contas destas verbas de gabinete é da própria AL/AL, através do seu setor próprio e/ou representantes; como o setor financeiro da AL/AL certificou a regularidade das prestações de contas e a Mesa Diretora da Casa confirmou o quanto certificado, falece competência à RFB para afastar a validade de tais atos; não cabe à RFB controlar a regularidade/legalidade dos limites pagos pela Diretoria Financeira da ALE/AL, senão aos órgãos de controle local, leiase Ministério Público ou Tribunal de Contas; (h) a inexistência dos documentos não é razão suficiente para se afastar a presunção de validade dos atos mencionados, uma vez que a AL/AL foi alvo de ação policial, autorizada judicialmente, na qual se determinou a busca e apreensão de todos os documentos existentes no Setor Financeiro daquele Poder; portanto, os documentos que lá havia foram apreendidos e não puderem ser apresentadas à fiscalização empreendida neste processo; tais documentos compõem os autos do Inquérito Policial n° 1.471/AL, processado perante o Superior Tribunal de Justiça, desde 14/11/2008; por isso não puderem ser apresentadas à fiscalização; diante da declaração de quitação das prestações de conta das verbas de gabinete recebidas, nunca guardou cópia dos comprovantes das despesas realizadas; (g) sem qualquer valia o "Termo de Constatação" de fl. 362, lavrado em 12/08/2009, o qual certificaria não terem sido encontrados documentos relativos às prestações de contas do recorrente dentre aqueles de que dispõe a Polícia Federal em MaceióAL; a uma, não existe nenhuma certificação da própria Polícia Federal, responsável pela guarda dos documentos, que confirme o que ali foi dito; a duas, se for verdade o que ali se certificou, os AFRFB's que o lavraram o fizerem na certeza de gozarem de presunção de legitimidade e validade, a mesma de que goza o servidor da AL/AL e sua Mesa Diretora; para valer este "termo de constatação", há de ser válida também as certidões de fls. 319, 341 e 356357, e o Oficio 104/2009 da Mesa Diretora da AL/AL de fls. 338339; a três, não é crível que em apenas 1 (um) dia, tenham os AFRFB's analisado todos os documentos do Inquérito Policial em epígrafe, o qual, segundo declaração dos Delegados Federais responsáveis, compõese de "autos principais (composto de 16 volumes, consubstanciado em 23 cadernos), respectivos apensos (30 apensos materializados em 373 cadernos), e material (documentos) apreendido"; como o Inquérito encontrase no STJ desde 14/11/2008, a integralidade dos documentos Fl. 1249DF CARF MF 8 apreendidos não pode se encontrar na Superintendência Regional da Polícia Federal em Alagoas; (h) diante da declaração de quitação das prestações de conta das verbas de gabinete recebidas, nunca guardou cópia dos comprovantes das despesas realizadas, já que estas ficavam sob a guarda da Direção Financeira da AL/AL, até porque a quitação se dava antes do recebimento dos valores, os quais não estão sujeitos à tributação; não pode ser imputado a si o ônus da guarda de tais documentos, como se pareceu querer fazer no Auto de Infração impugnado; há de ser aplicado o entendimento na Lei 12.007/2009, nos atos normativos que asseguram a validade da certidão quitação eleitoral (ao invés de se guardar todos os comprovantes de votação) e toda sorte de certidões negativas que dão quitação de obrigações devidas. Não lhe assiste razão. O recorrente foi beneficiário de valores pagos pela Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas (AL/AL) entre 2005 e 2007, a título de “verba de gabinete”, instituída pela Resolução n° 369, de 1993 (efls. 99 e 10), regulamentada pela Resolução n° 392, de 1995 (e fl. 101) alterada por Resoluções posteriores (efls. 102 a 106). O pagamento aos Deputados Estaduais das verbas de gabinete, nos anos calendário 2001 a 2007, seguiam a sistemática descrita no “Laudo de Exame Contábil n° 333/2008” (efls. 08 a 18): "a liberação dos recursos relativos à verba de gabinete, nos anos de 2006 a 2007, para o Deputado Cícero Paes Ferro, consistia na emissão de três empenhos mensais da unidade gestora 010001 Assembléia Legislativa Estadual, para o beneficiário Cícero Paes Ferro, normalmente entre os dias 18 a 25 de cada mês, com a concomitante emissão de uma ou duas ordens bancárias externas, conforme o período de liberação do recurso contra a conta do Governo do Estado de Alagoas nº 0605008019, agência 27359 da Caixa Econômica Federal (104) e esta, cerca de dois dias após a emissão da Ordem Bancárias OB, emita uma ou duas Transferências Eletrônicas Disponíveis TED, conforme o caso, para as contas n° 200220, agência n° 16888 do Banco Bradesco (237) de titularidade de Cícero Paes Ferro" (efl. 16) Os valores recebidos a esse título pelo contendor constam do “Anexo I – Entrada de Recursos” (efls. 47 a 64), parte integrante do “Laudo de Exame Financeiro n° 2516/2008” (efls. 19 a 46), elaborado por determinação judicial pelo Departamento da Polícia Federal/Ministério da Justiça, com base nos extratos bancários do contribuinte. A fiscalização entendeu tributáveis tais valores (a) por ultrapassarem os limites previstos nas Resoluções da AL/AL e (b) por não ter havido a adequada prestação de contas dos valores recebidos dentro dos limites, apurando a seguinte base tributável (reproduzo as tabelas do acórdão recorrido, efls. 1.210 a 1.212; originais no termo de verificação fiscal, e fls. 439 a 445): Período Valor recebido a título de verba de gabinete (R$) Valor limite mensal da verba de gabinete (R$) Verba cima do limite (R$) Verba sem prestação de contas (R$) Anocalendário 2005 Exercício 2006 Jan/2005 28.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 13.691,62 15.220,00 Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 6 9 Fe v/2 005 0,00 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 0,00 Mar/2005 28.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 13.691,62 15.220,00 Abr/2005 8.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.911,62 Mai/2005 8.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.911,62 Jun/2005 8.593,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.593,62 Jul/2005 8.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.911,62 Ago/2005 8.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.911,62 Set/2005 28.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 13.691,62 15.220,00 Out/2005 8.411,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.411,62 Nov/2005 6.411,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 6.411,62 Dez/2005 8.111,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.111,62 Total 41.074,86 112.834,96 Período Valor recebido a título de verba de gabinete (R$) Valor limite mensal da verba de gabinete (R$) Verba cima do limite (R$) Verba sem prestação de contas (R$) Anocalendário 2006 Exercício 2007 Jan/2006 0,00 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 0,00 Fev/2006 8.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.911,62 Mar/2006 8.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.911,62 Abr/2006 8.611,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.611,62 Mai/2006 8.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 0,00 8.911,62 Jun/2006 18.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 3.691,62 15.220,00 Jul/2006 28.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 13.691,62 15.220,00 Ago/2006 28.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 13.691,62 15.220,00 Set/2006 28.593,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 13.373,62 15.220,00 Out/2006 28.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 13.691,62 15.220,00 Nov/2006 27.911,62 15.220,00 (Rcsol. 428/2002) 12.691,62 15.220,00 Dez/2006 28.911,62 15.220,00 (Resol. 428/2002) 13.691,62 15.220,00 Total 84.523,34 141.886,48 Período Valor recebido a título de verba de gabinete (R$) Valor limite mensal da verba de gabinete (R$) Verba cima do limite (R$) Verba sem prestação de contas (R$) Anocalendário 2007 Exercício 2008 Jan/2007 0,00 20.000,00 (Resol. 462/2006) 0,00 0,00 Fev/2007 39.951,82 20.000,00 (Resol. 462/2006) 19.951,82 20.000,00 Mar/2007 38.250,08 20.000,00 (Resol. 462/2006) 18.250,08 20.000,00 Abr/2007 39.100,95 20.000,00 (Resol. 462/2006) 19.100,95 20.000,00 Mai/2007 39.100,95 29.100,00 (Resol. 471/2007) 10.000,95 29.100,00 Jun/2007 38.200,95 29.100,00 (Resol. 471/2007) 9.100,95 29.100,00 Jul/2007 38.200,95 29.100,00 (Resol. 471/2007) 9.100,95 29.100,00 Ago/2007 38.500,95 29.100,00 (Resol. 471/2007) 9.400,95 29.100,00 Set/2007 38.500,95 29.100,00 (Resol. 471/2007) 9.400,95 29.100,00 Out/2007 38.500,95 29.100,00 (Resol. 471/2007) 9.400,95 29.100,00 Nov/2007 38.000,95 29.100,00 (Resol. 471/2007) 8.900,95 29.100,00 Dez/2007 38.300,95 29.100,00 (Resol. 471/2007) 9.200,95 29.100,00 Total 131.810,45 292.800,00 O recorrente defende a natureza isenta das “verbas de gabinete”, face ao Parecer PGFN n° 1.084, de 2007. O referido parecer (efls. 107 a 125), para caracterizar a não incidência do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) sobre as chamadas “verbas indenizatórias do exercício parlamentar”, exige o atendimento a três requisitos, cumulativamente (itens 25 a 30): Fl. 1251DF CARF MF 10 (1) existência de norma prevendo o pagamento; (2) previsão de destinação específica na referida norma; (3) prestação de contas. Não há controvérsia, no caso em exame, a respeito da existência de norma prevendo o pagamento e da previsão de destinação específica na referida norma; como visto, a autuação foi motivada por duas irregularidades apontadas pela fiscalização: (a) pagamentos acima dos valores previstos nas resoluções que instituíram e regem as citadas verbas e (b) ausência de prestação de contas. Em relação à primeira acusação (a) pagamentos acima dos valores previstos nas resoluções que instituíram e regem as citadas verbas de gabinete, o recorrente alega que não existiu excesso no limite de pagamento da verba de gabinete e que nem sempre se utilizou do limite máximo da verba. Sem razão o recorrente. A Resolução AL/AL 392, de 1995, fixou em R$10.000,00, pago mensalmente, o limite máximo da verba de gabinete (efl. 326, art. 2º); a Resolução AL/AL 428/2002 reajustou o valor retro em 52,20% (art. 3º, efl. 327), elevando o limite a R$15.552,00, exatamente o valor considerado pela fiscalização. Para o ano de 2007, os valores foram reajustados (a) pela Resolução AL/AL nº 462, que, alterando a redação do art. 3º da Resolução AL/AL 428/2002, atribuiu o multiplicador 2 à verba prevista pelo no art. 2º da Resolução AL/AL 392 (efl. 329, art. 1º), elevandoa para R$20.000,00 e (b) pela Resolução AL/AL nº 471, que, alterando a redação do art. 1º da Resolução AL/AL 462/2007, atribuiu o multiplicador 2,91 à verba prevista pelo art. 2º da Resolução AL/AL 392 (efl. 330, art. 1º), elevandoa para R$29.100,00. Ressalto que tais limites, bem como os demais utilizados no lançamento, espelham também a conclusão do laudo contábil elaborado pela Polícia Federal (efl. 13). Mesmo que o recebimento de valores em excesso aos limites permitidos pelas citadas resoluções da AL/AL decorresse de erro de interpretação da Diretoria Financeira da AL/AL, como alega o recorrente, tal fato não elide o recebimento de verbas em excesso. Ademais, ressaltase que o recorrente era um dos responsáveis pela movimentação orçamentária e financeira da Assembleia Legislativa no ano de 2006, como indicado no LAUDO N° 333/2008SETEC/SR/DPF/AL (efl. 14). O recorrente, ao afirmar que nem sempre se utilizou do limite máximo da verba, demonstra estar ciente da existência de limites à utilização. Não há qualquer menção à duplicação dos limites de valores nas citadas Resoluções, as quais não pode ser oposta simples Certidão da Diretoria Financeira da AL/AL em sentido contrário (efl. 323). Friso que a referida certidão cita justamente a Resolução AL/AL 428/2002, que nada diz a respeito da duplicação de tais valores (de 15.220,00 para R$30.440,00). Porém, mesmo se fosse considerados os referidos valores como dentro do limite, o requisito da prestação de contas, ainda assim, não restaria cumprido, como tratarei a seguir. Por outro lado, a AL/AL não possui competência para definir quais verbas se sujeitam à incidência tributária ou para excluir certas verbas recebidas pelos Deputados Estaduais, ainda que submetidas à prestação de contas, da incidência do IRPF; tratase de tributo da competência exclusiva da União Federal, em razão do que somente este ente político tem competência para legislar e, decorrentemente, fiscalizar a respeito. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 7 11 No mesmo sentido, a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, enfrentado casos semelhantes, também oriundos de fiscalização na AL/AL: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBA DE GABINETE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. NATUREZA SALARIAL. INCOMPETÊNCIA DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PARA CONCEDER ISENÇÃO. (...) 2. Inatacável é a decisão proferida pelo juiz a quo quanto a essa questão, uma vez que a Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas é incompetente para excluir certas verbas recebidas pelos deputados estaduais, ainda que submetidas à prestação de contas, da incidência do citado tributo, ou seja, através da Resolução nº 392/95 conceder isenção, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade tributária. Tratase de tributo da competência exclusiva da União Federal, em razão do que somente este ente político tem competência para legislar a respeito. 3. Apelação improvida. (Tribunal Regional Federal 5ª Região, AC529439/AL) (Grifouse.) TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. PRETENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE AJUDA DE CUSTO, AJUDA DE GABINETE E SUBSÍDIOS FIXOS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IR. INCOMPETÊNCIA DE ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PARA ISENTAR CERTAS VERBAS DO RECOLHIMENTO DE IR. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA APELADA. (...) 2. Entretanto, pagamentos efetuados sob a denominação "ajuda de custo" mas que não guardem as características desta, têm nítido caráter salarial, incidindo assim, sobre os mesmos, o Imposto de Renda. 3. Inatacável é a decisão proferida pelo MM Douto Juiz a quo quanto à questão da verba de gabinete, uma vez que a Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas é incompetente para excluir certas verbas que recebem a incidência do imposto de renda. Tratase de tributo da competência exclusiva da União Federal, em razão do que somente este ente político tem competência para legislar a respeito. (...) 5. Apelação desprovida. (Tribunal Regional Federal 5ª Região; AC290955/AL)(Grifouse.) Fl. 1253DF CARF MF 12 Quanto à segunda acusação, (b) ausência de prestação de contas, o recorrente alega que a Receita Federal do Brasil não é órgão competente para invalidar os atos praticados pela Diretoria Financeira da Assembléia Legislativa de Alagoas. Essa assertiva é de todo estranha ao presente processo, o qual não trata de invalidação de atos da AL/AL; diferentemente, discutese se os valores pagos pela AL/AL acima dos limites previstos em suas próprias Resoluções ou sem prestação de contas são isentos ou tributáveis pelo imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF). Além disso, como já referido, sendo o IRPF tributo da competência exclusiva da União Federal, somente este ente político tem competência para legislar e, decorrentemente, fiscalizar a seu respeito. Quanto à afirmação de que as verbas somente eram pagas após a prestação de contas, resultando tal prestação de contas no antecedente lógico e cronológico de seu efetivo recebimento, constatase do Laudo n° 333/2008 (efls. 10 a 18) que os pagamentos ocorriam de forma independente da prestação de contas, a qual ocorria em momento posterior ao pagamento: Ao 4) Estavam sendo observados, no momento da liberação de cada verba, os critérios quanto a prestação de contas previstos no artigo 3° da Resolução 392 de 19 de junho de 1995?; Resposta: Não, uma vez que a verba indenizatória era liberada independentemente da prestação de contas da anterior, conforme explicitado no subitem III.4 do presente Laudo. (Grifouse.) O art. 1º da Resolução n° 392, de 1995 (efl. 101) dispõe que as verbas recebidas pelos Gabinetes dos Deputados, cargo então ocupado pelo recorrente, possuem destinação especial, devendo ser utilizadas com “material de expediente, passagens, assistência social e outras correlatas”. O recorrente, intimado para apresentar a documentação comprobatória das destinações dadas às verbas de gabinete recebidas da AL/AL (efls. l44 a 146 e efls. 345 a 346), não comprovou que tais verbas foram utilizadas nas despesas previstas na legislação. Informou já haver prestado contas mensalmente à diretoria financeira da AL/AL quanto à destinação dos valores recebidos a título de verba de gabinete, tendo obtido aprovação, conforme Certidão de 21/05/2009 (efl. 322), que atesta: 356357 (efls. 359360 (...) revendo os arquivos desta DIRETORIA FINANCEIRA, verificamos que foram apresentadas as prestações de contas dos valores recebidos a título de Verba de Gabinete, durante os períodos de janeiro a dezembro de 2005, de janeiro a dezembro de 2006 e janeiro a outubro de 2007. (Grifos no original.) Verificase que não há qualquer prova da prestação de contas, mas tão somente a declaração de seu registro em arquivos. Em 20/07/2009, o mesmo órgão da AL/AL, pelo Ofício 104 de 2009 (efls. 341 e 342) informa que “(...) sofreu, em decorrência do inquérito policial acima suscitado, basca e apreensão das prestações de contas de parlamentares que se encontravam sob a guarda da Direção Financeira (...)”, não sendo possível localizar, sequer, o “termo de busca e apreensão” “(...) quer seja porque nenhum servidor soube informar se alguém havia recebido eventual termo de busca e apreensão, quer seja porque os Chefes de Setor foram presos no dia da operação (...)” e que “(...) insta consignar que esta Casa de Leis nunca fez cópia das Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 8 13 prestações de contas, razão pela qual não as possui”. Não há, também aqui, prova da prestação de contas por parte do recorrente. Assim, resta evidente que a autoridade que assinou a Certidão de 21/05/2009, ao atestar a devida prestação de contas das verbas de gabinete, o faz, no máximo, com base em meros registros formais, sem respaldo de qualquer documento, visto que tais documentos, como afirmado pelo próprio órgão, não se encontram em seu poder; desse modo, não se pode, com base na retrocitada Certidão, considerar como comprovada a destinação dos recursos recebidos pelo contribuinte a título de verba de gabinete, uma vez que emitida sem lastro na correspondente documentação. Também as certidões das efls. 344 e 359360, ao afirmarem, em relação à verba de gabinete, não ser possível discriminar o beneficiário das despesas com respectivo CPF ou CNPJ, valor da despesa, data, n° da nota fiscal ou recibo e descrição do serviço, deixam clara a fragilidade do sistema de controle da AL/AL e não fazem prova da prestação de contas por parte do recorrente. Ressalto que do início da ação fiscal, em 14/04/2009, até o presente momento, se passaram mais de oito anos; nesse passo, o Inquérito Policial n° 171/2005 implicou na “ação civil de responsabilidade por atos de improbidade administrativa”, processo 582720(109)/08 (efls. 467 a 626), na “ação cautelar” nº 516735(26)/08 (efls. 983 a 1.077), na “ação civil de responsabilidade por atos de improbidade administrativa” 656795/08 (efls. 1.078 a 1.195). Registro que a imprensa noticiou a condenação do recorrente por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça de Alagoas, em 18/12/2016, ao pagamento de “multa civil de R$1.460.191,56” (http://gazetaweb.globo.com/portal/noticiaold.Php ?c=329928&e=2); Consta que o recorrente foi condenado a “ressarcir ao erário valores correspondentes a empréstimos contraídos em bancos privados, que foram pagos com verba de gabinete da Assembleia Legislativa Estadual (ALE)”. Penso que tal conduta é apta a atrair a parte final da Súmula CARF 87, que dispoõe sobre a tributação das verbas de gabinete utilizadas em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa: Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.(Grifouse.) Além do mais, os peritos do Departamento da Polícia Federal, de posse dos documentos que compõem o Inquérito Policial n° 171/2005, Processo n° 1.471AL (efl. 09), elaboraram o já referido Laudo Contábil n° 333/2008, afirmando que o beneficiário não prestou contas de qualquer valor relativo às verbas recebidas durante o período analisado (e fl. 15). Assim, independentemente do teor do "Termo de Constatação" de fl. 362” (e fl. 369), que certificou não terem sido encontrados documentos relativos às prestações de contas do recorrente dentre aqueles de que dispõe a Polícia Federal em MaceióAL, o fato é Fl. 1255DF CARF MF 14 que a prova da prestação de contas não foi apresentada até o presente momento. Ressalto que a prova do cumprimento das condições de isenção condicionada em questão era do recorrente, que a usufruiria. Os rendimentos percebidos a título de “verba de gabinete” somente se classificariam como não tributáveis, detendo caráter indenizatório, se realmente destinados a ressarcir os gastos do parlamentar. No entanto, no caso presente, o recorrente não comprovou a prestação de contas das despesas realizadas para manutenção do gabinete. Assim, os valores recebidos são considerados salários, sujeitos, portanto, à incidência do imposto de renda, independentemente da sua denominação. Nesse sentido extensa jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, julgando embargos à execução em casos envolvendo rendimentos percebidos a título de Verba de Gabinete por parlamentares do Estado de Alagoas, e do Superior Tribunal de Justiça, julgando os respectivos recursos especiais: Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBA DE GABINETE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. NATUREZA SALARIAL. INCOMPETÊNCIA DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PARA CONCEDER ISENÇÃO. 1. Os rendimentos percebidos a título de Verba de Gabinete somente se classificariam como não tributáveis, detendo caráter indenizatório, se realmente destinados a ressarcir os gastos do parlamentar. No entanto, no caso presente, a autora não comprovou as despesas realizadas para manutenção do gabinete, tais como aquisição de material de expediente, passagens, combustível, assistência social, etc. Assim, os valores recebidos que não guardem essas características, são considerados salários, sujeitos, portanto, à incidência do imposto de renda, independentemente da sua denominação. (...) 3. Apelação improvida. (Tribunal Regional Federal 5ª Região, AC529439/AL) (Grifouse.) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VERBAS RECEBIDAS POR PARLAMENTAR. DIFERENÇA DE SUBSÍDIO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. AJUDA DE CUSTO E AJUDA DE GABINETE. INEXISTÊNCIA DE CORRESPONDÊNCIA COM SUSPOSTOS GASTOS. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS IDÔNEA. INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. (...) 3. Hipótese em que as verbas foram pagas em pecúnia e não há nenhum recibo ou equivalente que comprove a destinação da "Ajuda de Custo" ou "Ajuda de Gabinete" e que ateste se tratar de pagamentos que o parlamentar realizava e que ensejavam mera reposição de despesas. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 9 15 4. O que o apelante reiteradamente nomeia como "prestação de conta" nada mais é do que uma declaração de próprio punho do parlamentar estipulando que tudo o que foi recebido (valores fixos) foram aplicados em despesas do próprio gabinete. Em verdade, faz referência a comprovantes de despesas anexos que não constam nos autos e não é, sequer, uma prestação de contas já analisada pela Casa Legislativa, mas, apenas, uma declaração recebida pela Mesa Diretora da Assembléia, sem especificação sobre quais anexos foram recebidos. 5. Apelação desprovida. (Tribunal Regional Federal 5ª Região; AC 366348/AL) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PARLAMENTAR. VERBA DE GABINETE. NÃO COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS. ISENÇÃO CONCEDIDA POR RESOLUÇÃO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA. IMPOSSIBILIDADE. AJUDA DE CUSTO. NÃO COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO. DIFERENÇA DE SUBSÍDIOS. NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. OBRIGAÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO. 1. A verba de gabinete recebida por Deputado Estadual destina se ao custeio de despesas com o gabinete, necessárias ao desempenho da atividade parlamentar, com nítida natureza indenizatória, sujeita, inclusive, à prestação de contas, o que se revela inconciliável com o quantum percebido a título salarial, contudo quando não se comprova haverse prestado contas da aplicação dessa verba, tampouco se demonstra judicialmente em que ela foi aplicada, desnaturase a sua natureza indenizatória, para que sofra a incidência do imposto de renda. 2. Tratandose o imposto de renda de tributo federal, é clarividente que somente lei federal pode instituir isenção de seu pagamento, não se prestando a esse fim a Resolução n.º 392/95 da Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas. 3. Conforme art. 6º, XX, da Lei n.º 7.713/88, e do art. 40, I, do RIR/94, somente se configura como ajuda de custo, isenta de imposto de renda, aquela verba recebida com o fim de atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sempre sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte. Inexistindo prova da destinação da verba recebida sob essa denominação, não vigora a isenção. 4. Nos casos em que são pagas a parlamentares verbas sob a rubrica de supostas "ajudas de custo" com habitualidade e sem estarem adstritas à recomposição de qualquer despesa, acrescendose ao patrimônio do parlamentar, que a gasta segundo sua conveniência, sem ter que delas prestar contas, não têm natureza indenizatória e, portanto, estão suscetíveis à tributação pelo imposto de renda. Fl. 1257DF CARF MF 16 5. (...) 6. Apelação a que se nega provimento. (Tribunal Regional Federal 5ª Região; AC305341/AL) TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. PRETENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE AJUDA DE CUSTO, AJUDA DE GABINETE E SUBSÍDIOS FIXOS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IR. INCOMPETÊNCIA DE ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PARA ISENTAR CERTAS VERBAS DO RECOLHIMENTO DE IR. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA APELADA. 1. A ajudadecusto destinase a indenizar o funcionário das despesas de viagem e nova instalação. Não tem caráter continuativo, tendo natureza jurídica indenizatória. 2. Entretanto, pagamentos efetuados sob a denominação "ajuda de custo" mas que não guardem as características desta, têm nítido caráter salarial, incidindo assim, sobre os mesmos, o Imposto de Renda. (...) 5. Apelação desprovida. (Tribunal Regional Federal 5ª Região; AC290955/AL)(Grifouse.) Superior Tribunal de Justiça PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBA DE GABINETE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. NATUREZA SALARIAL. NECESSIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ possui entendimento de que os rendimentos percebidos a título de Verba de Gabinete somente se classificariam como não tributáveis, detendo caráter indenizatório, se realmente destinados a ressarcir os gastos do parlamentar. Caso contrário, os valores recebidos que não guardem essas características são considerados salários, sujeitos, portanto, à incidência do imposto de renda, independentemente da sua denominação. 2. O acórdão recorrido expressamente consignou que, no caso presente, a autora não comprovou as despesas realizadas para manutenção do gabinete, tais como aquisição de material de expediente, passagens, combustível, assistência social, etc. 3. Rever tal entendimento implica, como regra, reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. 4. Agravo Regimental não provido (AgRg no AgRg no REsp 1397543 / AL)(Grifouse.) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AJUDA DE CUSTO. VERBA DE GABINETE. DIFERENÇA DE SUBSÍDIOS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 10 17 RENDA. FALTA DE RETENÇÃO DO TRIBUTO PELA FONTE PAGADORA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. PRETENDIDA ALTERAÇÃO NA FIXAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. INVIABILIDADE (SÚMULA 7/STJ). (...) 2. Ao decidir a causa, o Tribunal de origem adotou a seguinte fundamentação: "In casu, verificase que a remuneração percebida, duas vezes ao ano, pelos membros do parlamento estadual (por convocações extraordinárias e para o início e para o final de cada sessão legislativa), no caso da ajuda de custo; e mensalmente, em se tratando da verba de gabinete, têm natureza salarial e não indenizatória, pois não preenchem os requisitos legais, sendo, dessa forma, aptas a sofrer a incidência do Imposto de Renda." Em assim decidindo, a Turma Regional não contrariou o art. 43 do Código Tributário Nacional. Confiram se, a título de exemplo, os seguintes precedentes: REsp 795.131/AL, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 18.5.2006, p. 198; REsp 553.941/AL, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 17.11.2003, p. 223; REsp 509.872/MA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 13.10.2003, p. 264. Esclareçase que, por serem as instâncias ordinárias soberanas no exame do conjunto fático probatório dos autos, a outra conclusão não poderia chegar esta Corte Superior, no que se refere à natureza salarial das ajudas de custo e verbas de gabinete pagas ao recorrente, ante a incidência da Súmula 7/STJ. 3. Quanto à legitimidade da cobrança do Imposto de Renda em relação à diferença de subsídios, a pretensão recursal também não merece prosperar. Cabe ao empregador reter, na fonte, o Imposto de Renda incidente sobre as verbas salariais pagas ao trabalhador; no entanto, a falta de retenção do imposto pela Fonte Pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte, que fica obrigado a informar, na sua declaração de ajuste anual, os valores recebidos. Constatada a nãoretenção do imposto após a data fixada para a entrega da referida declaração, a exação pode ser exigida do contribuinte, caso ele não tenha submetido os rendimentos à tributação. (...) 6. Recurso especial parcialmente conhecido, porém, nessa extensão, desprovido. (AgRg no AgRg no REsp 669172/AL) (Grifouse.) (no mesmo sentido: REsp 842931/MG) Pelas razões expostas, entendo deva ser negado provimento ao recurso voluntário, nessa questão. Fl. 1259DF CARF MF 18 DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO– DIFERENÇA DE SUBSÍDIO Afirma o recorrente que o valor lançado a título de omissão de rendimentos recebidos da AL/AL, no ano calendário 2007 é indevido, por ocorrência de bis in idem; declarou em sua DIRPF (efl 133) que recebera R$114.202,01 (cento c quatorze mil, duzentos e dois reais, e um centavos) segundo a DIRF apresentada pela fonte, à efl. 142, os rendimentos pagos ao recorrente foram de R$120.403,95 (cento e vinte mil, quatrocentos e três reais, e noventa e cinco centavos), e o imposto de renda retido na fonte foi de R$23.821,42 (vinte e três mil, oitocentos e vinte e um reais, e quarenta e dois centavos); em sua DIRPF, o valor do imposto retido na fonte declarado pelo recorrente foi exatamente igual àquele constante na DIRF, R$23.821,42; ou seja, o recorrente declarou o valor do tributo devido e que foi pago mediante retenção na fonte, donde se conclui que a informação equivocada quanto ao total do rendimento percebido da AL/AL tratouse de um mero erro formal, de digitação, não tendo havido qualquer prejuízo ao Fisco, eis que o valor do imposto devido, e já pago por retenção, foi corretamente informado. Não lhe assiste razão. O recorrente auferiu rendimentos do trabalho assalariado da AL/AL, no ano calendário de 2007 no valor de R$120.403,95 com retenção de imposto de renda na fonte no montante de R$23.821,42 (DIRF, efl. 142); na declaração de ajuste anual (DAA) do ano calendário de 2007, exercício 2008 (efl. 133), informou a menor o montante dos rendimentos recebidos, ao declarar apenas a quantia de R$114.202,01. Já quanto ao montante retido pela fonte pagadora, a DAA foi preenchida corretamente, R$23.821,42. O lançamento exige a diferença de tributo não declarado, R$6.201,94. Não há contestação quanto ao valor ter sido declarado a menor. Por sua vez, o fato de ter declarado corretamente o valor retido pela fonte pagadora não elide a declaração a menor dos rendimentos recebidos. Em face do disposto pela Lei 8.134, de 1990, arts. 1º a 3º, o imposto de renda na fonte, de que tratam os arts. 7º e 12 da Lei 7.713, de 1988, incidirá sobre os valores efetivamente pagos no mês; por sua vez, o imposto de renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste anual. Em sentido semelhante, o art. 8º da Lei 9.250, de 1995. Assim, o imposto é devido mensalmente, a titulo de antecipação, pois, ao estabelecer deduções que somente podem ser utilizadas na declaração anual, há a exigência provisória do tributo, uma vez que o valor pago pode não ser definitivo. O valor definitivo somente é conhecido por ocasião da entrega da declaração de ajuste anual, com a aplicação da tabela progressiva anual. Dessa forma, havendo declaração a menor na Declaração de Ajuste Anual, como no presente caso, correto o lançamento da diferença. DO SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DA TRIBUTAÇÃO DE ATO ILÍCITO O recorrente afirma que, de acordo com inquérito da Polícia Federal, encampado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região e pelo Ministério Público do Estado de Alagoas, a origem dos valores seria ilícita, supostamente produto de apropriação indébita de verbas públicas; se assim o é, sobre eles não pode incidir tributação, porque: (i) tais valores não Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 11 19 integraram seu patrimônio, já que se assim forem considerados hão de ser devolvidos ao Erário estadual (art. 10 c/c art. 12, 11, da Lei n° 8.429/92; art. 91, I, do Código Penal); (ii) a tributação não pode ser sucedâneo das penalidades cabíveis pelos ilícitos apontados, porque o tributo não ter caráter de sanção; se os valores são verbas públicas pertencentes ao Estado de Alagoas, desviadas e apropriadas ilicitamente, a União não pode tributar estas verbas (imunidade recíproca), tampouco se locupletar, por meio da imposição tributária, de um ilícito; se está havendo prejuízo ao Erário estadual, não pode a União sobre isto impor um gravame, pois os valores hão de ser restituídos, e já não representam acréscimo patrimonial. Explica que o Ministério Público do Estado de Alagoas ingressou com duas Ações Civis Públicas por Improbidade Administrativa e anunciou que irá ingressar com outras três, para punir no âmbito civil os acusados, além de ter pedido a restituição dos valores alegados apropriados indevidamente; a tributação só poderá ocorrer a depender do julgamento destas ações; se for declarado serem verbas públicas desviadas, estas serão devolvidas, não podendo incidir imposto; se não, aí sim poderá haver tributação; o precedente do STF citado na decisão recorrida não possui condão de afastar tais conclusões, uma vez que trata de hipótese na qual a renda auferida a partir de um fato criminoso entrou definitivamente no patrimônio do contribuinte. Essa é questão prejudicial, sujeita à apreciação judicial pelas instâncias competentes, sendo preciso aguardar o julgamento da ações penais intentadas, para só então ter em conclusão a natureza destas receitas, devendo este procedimento fiscal ser suspenso até decisão daqueles, por aplicação analógica dos arts. 110 e 265, IV, do Código de Processo Civil. Não lhe assiste razão. A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, e alterações posteriores), a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 1261DF CARF MF 20 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. O recorrente não nega haver recebido os valores relacionados objeto da autuação; sua defesa se limita opor como questão prejudicial uma possível origem ilícita dos depósitos objeto do lançamento, a ser constatada no curso de ações judiciais em que figura ou figurará como réu; entende que possível sentença condenatória que o obrigasse a devolver aos cofres públicos valores adquiridos ilicitamente teria o condão de impedir a tributação, pois não teria se configurado acréscimo patrimonial a ser tributado pelo IRPF; afirma, entretanto, que se não ficar configurada a origem ilícita dos rendimentos, aí sim poderá haver tributação. Ora, como visto, o lançamento se refere à omissão de receitas caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada. Ao ser intimado a comprovar os recursos depositados em suas contas bancárias (termo às efls. 144 a 161), o recorrente informou que os valores se originariam de sua atividade parlamentar, abrangendo os salários e as verbas indenizatórias, bem como de rendas das atividades agrícolas e pecuárias realizadas em suas propriedades; porém, como destaca a autoridade lançadora (efl. 429), os valores retromencionados, a que se fez o pedido ao recorrente de comprovar a origem, já se encontravam expurgados dos créditos identificados como de origem comprovada, como os salários e das verbas de gabinete, bem como de transferência entre contas do próprio contribuinte, a obtenção de empréstimos e a devoluções de cheques. Em nenhum momento o contribuinte apresentou qualquer documentação comprobatória da origem – lícita ou ilícita – dos referidos depósitos, o que caracteriza omissão Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 12 21 de rendimentos, forte no caput do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Percebase que os valores já transitaram por suas contas correntes e não tiveram sua origem identificada, tendo restado configurado, portanto, o acréscimo patrimonial caracterizador de renda, para fins de tributação. O único modo de elidir a tributação é fazer a prova da origem dos recursos – lícitos ou ilícitos – correlacionando cada depósito com sua origem, com coincidência de datas e valores, prova essa que não foi realizada. Em outras palavras, AINDA QUE ficasse estabelecido, em alguma ação judicial, que o recorrente recebeu verbas com origem ilícita, a presunção legal de omissão de rendimentos somente seria elidida caso estabelecida a relação de cada depósito, com coincidência de datas e valores, com a sua origem, ilícita ou lícita. Perceba se que a presunção de omissão de receitas se desfaz com a prova de sua origem (correlação entre datas e valores), e não com a definição jurídica da origem (lícita ou ilícita). Eventos futuros e incertos – como a alegada sentença judicial que considere ilícita a origem dos recursos – não possuem o condão de desfazer a incidência tributária, pelo que não procede seu pedido de sobrestamento do julgamento para aguardar o deslinde das ações judiciais. Ademais, qualquer que seja a origem da renda obtida, eventos futuros, como seu consumo, doação, arresto, penhora ou perdimento, não possuem o condão de descaracterizála retroativamente. Digase de passagem, quanto à possibilidade de tributação da renda auferida em razão de atividade ilícita, que pacífica e profusa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal a admitem, à luz do art. 118 do Código Tributário Nacional. Tal dispositivo consagra no direito pátrio o vetusto princípio latino do pecunia non olet, visto que a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica do ato efetivamente praticado, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Auferida a renda, quer oriunda de atividade lícita ou de ilícita, impõese a incidência do imposto sobre a renda, independentemente da origem do rendimento. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso constituiria violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética e, em relação à atividade ilícita, estarseia outorgando dupla benesse: o enriquecimento proveniente da atividade criminosa e a não incidência do imposto de renda. Vejase: Supremo Tribunal Federal Habeas corpus. Penal. Processual penal. Crime contra a ordem tributária. Artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Desclassificação para tipo previsto no art. 2º, inciso I, da indigitada lei. Questão não analisada pelo Superior Tribunal de Justiça. Supressão de instância. Inadmissibilidade. Precedentes. Alegada atipicidade da conduta baseada na circunstância de que os valores movimentados nas contas bancárias do paciente seriam provenientes de contravenção penal. Artigo 58 do DecretoLei nº 6.259/44 Jogo do Bicho. Possibilidade jurídica de tributação sobre valores oriundos de prática ou atividade ilícita. Princípio do Direito Tributário do non olet. Precedente. Ordem parcialmente conhecida e denegada. Fl. 1263DF CARF MF 22 (...) 2. A jurisprudência da Corte, à luz do art. 118 do Código Tributário Nacional, assentou entendimento de ser possível a tributação de renda obtida em razão de atividade ilícita, visto que a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica do ato efetivamente praticado, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Princípio do non olet. Vide o HC nº 77.530/RS, Primeira Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 18/9/98. 3. Ordem parcialmente conhecida e denegada. (HC 94240 / SP, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Julgamento: 23/08/2011, Órgão Julgador: Primeira Turma) Sonegação fiscal de lucro advindo de atividade criminosa: "non olet". Drogas: tráfico de drogas, envolvendo sociedades comerciais organizadas, com lucros vultosos subtraídos à contabilização regular das empresas e subtraídos à declaração de rendimentos: caracterização, em tese, de crime de sonegação fiscal, a acarretar a competência da Justiça Federal e atrair pela conexão, o tráfico de entorpecentes: irrelevância da origem ilícita, mesmo quando criminal, da renda subtraída à tributação. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso antes de ser corolário do princípio da moralidade constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética. (HC 77530 / RS, Relator Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Julgamento: 25/08/1998) Superior Tribunal de Justiça AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA. CONSELHEIRO DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESPÍRITO SANTO E OUTROS. PRELIMINARES REJEITADAS. EMENDATIO LIBELLI. POSSIBILIDADE. MÉRITO. PECULATODESVIO. LAVAGEM DE DINHEIRO. DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS ORIUNDOS DE OBRAS SUPERFATURADAS E DE CONTRATO FIRMADO PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA PARA A CONTRATAÇÃO DE SEGURO DE VIDA POR MEIO DE CORRETORAS. DISSIMULAÇÃO DA ORIGEM ILÍCITA DA VANTAGEM. ESTRUTURAÇÃO DE EMPREENDIMENTO PARA FINS DE LAVAGEM DE DINHEIRO. CONFIGURAÇÃO DOS CRIMES PREVISTOS NOS ARTS. 312 DO CÓDIGO PENAL E 1º, V, DA LEI Nº 9.613/98. QUADRILHA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA RETROATIVA. AÇÃO PENAL JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. (...) 4.2 CASO SEGURO DA ASSEMBLEIA (...) 4.2.5 Em maio de 2000, o réu Valci José Ferreira de Souza foi destinatário direto do cheque emitido pela AGF Brasil Seguros S.A., no valor de R$ 29.333,33 (fl. 3871). A referida prova foi considerada, no acórdão que recebeu a denúncia, como indicadora da autoria da participação do réu no desvio de recursos relacionados ao caso do Seguro da Assembleia. Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 13 23 4.2.6 O fato de a referida quantia ter sido declarada junto à Receita Federal não permite afastar, de plano, o caráter ilícito do recebimento da referida quantia. Isso porque, em primeiro lugar, o direito tributário brasileiro adota a cláusula "pecunia non olet" ou "non olet", razão pela qual admitese a tributação de valores recebidos pelo contribuinte, ainda que de forma ilegal. (...) (APN 300 / ES; Rel. Ministro Mauro Campbell Marques; Corte Especial) PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. POSSIBILIDADE JURÍDICA DE TRIBUTAÇÃO SOBRE VALORES ORIUNDOS DE CRIME. PRINCÍPIO DO DIREITO TRIBUTÁRIO DO NON OLET. EXTRATO BANCÁRIO. LAUDO ECONÔMICOFINANCEIRO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DEFINITIVO. JUSTA CAUSA CONFIGURADA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO MOTIVADA. ORDEM DENEGADA. 1. Sonegação fiscal de lucro advindo de atividade criminosa: "non olet". Produto de crime subtraído à declaração de rendimentos: possível caracterização de crime de sonegação fiscal. Precedentes do STF. 2. Para o recebimento da denúncia é suficiente a existência de justa causa, entendida como lastro mínimo de materialidade e autoria. 3. A ação penal está embasada em lançamento tributário definitivo, e não apenas em extrato bancário e em laudo econômicofinanceiro elaborado unilateralmente os quais poderão ser devidamente contestados em juízo. (...) (HC 351413 / DF Relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura; Órgão Julgador Sexta Turma; Data do Julgamento; 19/04/2016) RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. SONEGAÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. O princípio nemo tenetur se detegere referese à garantia da não autoincriminação, segundo o qual ninguém pode ser forçado, por qualquer autoridade ou particular, a fornecer involuntariamente qualquer tipo de informação ou declaração que o incrimine, direta ou indiretamente. Tratase de princípio de caráter processual penal, já que intimamente ligado à produção de provas incriminadoras. Já o princípio pecunia non olet carrega consigo a idéia de igualdade de tratamento entre as Fl. 1265DF CARF MF 24 pessoas que tenham capacidade contributiva semelhante, independentemente da maneira utilizada para alcançar essa disponibilidade econômica, isto é, não importa se o rendimentos tributáveis tenham ou não fonte lícita. Cuidase de princípio de direito tributário. Tais princípios não se contrapõem, seja pela questão topográfica em que se encontram no direito, seja porque um não limita ou impossibilita a aplicação do outro, até mesmo porque o princípio pecunia non olet despreza a origem da fonte econômica tributável se lícita ou ilícita. (REsp 1208583 / ES; Relatora Ministra Laurita Vaz; Órgão Julgador Quinta Turma; Data do Julgamento 04/12/2012) TRIBUTÁRIO. APREENSÃO DE MERCADORIAS. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM RENDA. 1. Nos termos do Decretolei nº 37/66, justificase a aplicação da pena de perdimento se o importador tenta ingressar no território nacional, sem declaração ao posto fiscal competente, com mercadorias que excedem, e muito, o conceito de bagagem, indicando nítida destinação comercial. 2. O art. 118 do CTN consagra o princípio do "non olet", segundo o qual o produto da atividade ilícita deve ser tributado, desde que realizado, no mundo dos fatos, a hipótese de incidência da obrigação tributária. 3. Se o ato ou negócio ilícito for acidental à norma de tributação (= estiver na periferia da regra de incidência), surgirá a obrigação tributária com todas as conseqüências que lhe são inerentes. Por outro lado, não se admite que a ilicitude recaia sobre elemento essencial da norma de tributação. 4. Assim, por exemplo, a renda obtida com o tráfico de drogas deve ser tributada, já que o que se tributa é o aumento patrimonial e não o próprio tráfico. Nesse caso, a ilicitude é circunstância acidental à norma de tributação. No caso de importação ilícita, reconhecida a ilicitude e aplicada a pena de perdimento, não poderá ser cobrado o imposto de importação, já que "importar mercadorias" é elemento essencial do tipo tributário. Assim, a ilicitude da importação afeta a própria incidência da regra tributária no caso concerto. (REsp 984607 / PR; Relator Ministro Castro Meira; Órgão Julgador Segunda Turma Data do Julgamento 07/10/2008) PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 1º, I, DA LEI Nº 8.137/90. SONEGAÇÃO FISCAL DE LUCRO ADVINDO DE ATIVIDADES ILÍCITAS. "NON OLET". Segundo a orientação jurisprudencial firmada nesta Corte e no Pretório Excelso, é possível a tributação sobre rendimentos auferidos de atividade ilícita, seja de natureza civil ou penal; o pagamento de tributo não é uma sanção (art. 4º do CTN "que não constitui sanção por ato ilícito"), mas uma arrecadação Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 14751.002720/200978 Acórdão n.º 2301005.112 S2C3T1 Fl. 14 25 decorrente de renda ou lucro percebidos, mesmo que obtidos de forma ilícita (STJ: HC 7.444/RS, 5ª Turma, Rel. Min. Edson Vidigal, DJ de 03.08.1998). A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso antes de ser corolário do princípio da moralidade constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética (STF: HC 77.530/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJU de 18/09/1998). Ainda, de acordo com o art. 118 do Código Tributário Nacional a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos (STJ: REsp 182.563/RJ, 5ª Turma, Rel. Min José Arnaldo da Fonseca, DJU de 23/11/1998). Habeas corpus denegado. (HC 83292 / SP; Relator Ministro Felix Fischer; Órgão Julgador Quinta Turma) Nesse mesmo sentido, a jurisprudência deste CARF: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2002 SOBRESTAMENTO DO FEITO ADMINISTRATIVO AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA PENDÊNCIA DO JULGAMENTO DO FEITO JUDICIAL SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPOSSIBILIDADE INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO PECUNIA NON OLET AUSÊNCIA DE REGRA PROCESSUAL ADMINISTRATIVA QUE DETERMINE O SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NA PENDÊNCIA DE DEMANDA CÍVEL Auferida a renda, quer se trate de atividade lícita, quer ilícita, impõese a incidência do imposto de renda, já que se assim não se procedesse, em relação à atividade ilícita, estarseia outorgando ao fora da lei urna dupla benesse: o enriquecimento sem causa proveniente da atividade criminosa e a não incidência do imposto de renda. Ora, no tocante à renda auferida, imputase o mesmo ônus tributário a qualquer contribuinte que a aufira, independentemente da origem do rendimento, não havendo falar em implicações de ação cível de improbidade administrativa em face da lide tributária, quer pela aplicação do princípio tributário pecunia non olet, que determina a tributação da renda auferida independente de sua origem, quer pela inexistência de qualquer regra processual administrativa que determine a suspensão do rito administrativo fiscal na pendência de feito prejudicial cível. (Relator Giovanni Christian Nunes Campos Nº Acórdão 210200282) Quanto à aplicação da multa de oficio prevista no § 2.º do inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, tal matéria é absolutamente estranha ao caso em questão, no qual não foi aplicada a referida multa, como pode ser comprovado à análise do auto de infração (efls. 404 a 415). Fl. 1267DF CARF MF 26 Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR A PRELIMINAR DE SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001112/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS - EXISTÊNCIA DE VÍCIO MATERIAL .
Há resultado de diligência, realizada pela fiscalização, que torna fato incontroverso o recálculo no que concerne à alíquota concedida na apuração do IPI.
Numero da decisão: 3302-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, concedendo-o efeitos infringentes para retificar o acórdão, reconhecendo a alteração de alíquota no período de fevereiro a dezembro de 2006 e, por conseguinte, a adoção do cálculo da informação fiscal de fls. 4382.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Há resultado de diligência, realizada pela fiscalização, que torna fato incontroverso o recálculo no que concerne à alíquota concedida na apuração do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, concedendoo efeitos infringentes para retificar o acórdão, reconhecendo a alteração de alíquota no período de fevereiro a dezembro de 2006 e, por conseguinte, a adoção do cálculo da informação fiscal de fls. 4382. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 11 12 /2 00 7- 22 Fl. 4391DF CARF MF 2 Tratase de embargos inominados, advindos da SACAT/DRF/Londrina/PR, e que a partir do despacho de admissibilidade, extraise o relatório, que explicam os acontecimentos, fls. 43881: A SEÇÃO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO SACAT/DRF/LONDRINAPA, indagando acerca dos valores constantes do Termo de Diligência e Informação fiscal que não teriam sido observados no julgamento pelo CARF. Segundo a requerente, o presente processo trata de Auto de Infração referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referentes ao Períodos de Apuração compreendidos de janeiro/2003 a dezembro/2006. Fls.3551/3617. Afirma que a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), através do Acórdão 14 19.453 de 30 de maio de 2008, considerou procedente o lançamento mantendo o crédito tributário exigido (fls.3705/3723) e que face a adesão ao Programa de Recuperação Fiscal previsto na Lei 11.941/2009 (Refis IV), o Interessado requereu a desistência parcial do Recurso Voluntário, excluindo da renúncia/desistência a matéria relativa ao "desconto incondicional" e à “classificação fiscal de produtos” (fls.4163/4165). Assevera que a 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através do Acórdão n° 3302002.715, Sessão de 16 de setembro de 2014, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir os “descontos incondicionais” da base de cálculo do IPI (fls.4325/4333). Ou seja, foram excluídos da autuação os valores referentes ao “desconto incondicional” e foram mantidos os valores referentes “à classificação fiscal dos produtos” e, que a Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência deste Acórdão e não haverá interpôs recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pontua que através da Intimação n° 76/2015, o Interessado foi cientificado do Resultado do Julgamento desse Acórdão em 20/03/2015 (fls.4351) e que os valores remanescentes de exigência/cobrança expressos foram extraídos do “Termo de Diligência” às fls. 4201/4211. Além disso, que às fls.4361/4377, o Interessado apresentou uma “defesa administrativa” alusiva à Intimação n° 76/2015 onde ‘requer a necessária revisão dos cálculos apresentados posto que não restou observado no formulado Demonstrativo “A” o exato teor da decisão do Acórdão n° 3302002.715 deste Conselho. Diante do exposto, que foi proposto o encaminhamento dos autos à Safis com a solicitação de que se manifestasse sobre alguma alteração a ser feita nos cálculos efetuados no “Termo de Diligência” de fls.4201/4211 face às alegações do Interessado 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 4392DF CARF MF Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302004.724 S3C3T2 Fl. 3 3 às fls.4361/4377 e face aos valores informados no Termo de Diligência para o CARF às fls.4153/4157. Nesse sentido, que a Safis/DRF/LondrinaPR manifestouse com a “Informação Fiscal” de fls.4382, considerando mister se fez refazer os cálculos efetuados no Termo de Diligência de fls. 4201/4211, e demonstrando os valores apurados em tabela anexa a essa informação, fls. 4382. Em retorno do processo à SACAT/DRF Londrina, restou a dúvida se os valores constantes no Termo de Diligência de fls. 4153/4157 e na Informação Fiscal de fls. 4382 devam ser observados, uma vez que não foram objeto de julgamento pelo CARF. De fato, notase que os valores constantes do Termo de Diligência e na Informação Fiscal não foram objeto de julgamento pelo CARF. Com essas considerações, recebo o requerimento da SEÇÃO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO SACAT/DRF/LONDRINAPA, como Embargos Inominados, nos termos do art. 66 do RICARF, e dou seguimento para avaliação do questionamento realizado. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos inominados Houve admissibilidade dos embargos inominados, fls. 385, pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, com fundamento no artigo 66, do Anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Da classificação fiscal O cerne da controvérsia reside na questão atinente à classificação fiscal e a diligência ora realizada. No Recurso Voluntário, as duas matérias, que continuaram em litígio, após a adesão da Recorrente ao Programa de Recuperação Fiscal, previsto na Lei 11.941/2009 (Refis IV), foram: os descontos incondicionais e a classificação fiscal. Vale esclarecer que, em relação aos dois temas, houve a realização de diligência, com a elaboração de dois termos de diligência: o de classificação fiscal, fls. 4153 e seguintes, e um de descontos incondicionais, fls. 4201 e seguintes. No que concerne à classificação fiscal, o voto do Relator Gileno Gurjão Barreto, acórdão 3302002.715, foi no seguinte sentido, fls. 4331/4332: Fl. 4393DF CARF MF 4 Classificação Fiscal dos Produtos No que concerne à classificação fiscal dos produtos entendo não assistir razão à Recorrente, pois conforme restou constatado pelo Termo de Diligência (fls. 6138/6142), o qual não foi objeto de contestação, a recorrente não mais se manifestou por contestar o resultado da diligência, já que afirmouse inexistir a classificação específica para o produto, e tendo sido refletido no lançamento o eventual recálculo decorrente dessa realidade. Ademais expõe que: A classificação fiscal utilizada no auto de infração, relativa aos produtos objeto da contestação e do laudo de classificação, é a mesma classificação fiscal que o contribuinte havia utilizado nas saídas do estabelecimento industrial, com a consequente entrada no estabelecimento comercial atacadista. Vide notas fiscais da filial 0006 às fls. 1454, 1456 e 1458. De 01/01/2003 até o dia 07/02/2006 as alíquotas referentes a nova classificação dos produtos são iguais as da classificação anterior 10%, de acordo com o Decreto 4.542/2002. A partir de 08/02/2006 passam a ser de 5% de acordo com o Decreto 5.697/2006”. Portanto, em face do exposto entendo não assistir razão à Recorrente, neste tópico. Quando se observa o resultado da diligência da classificação fiscal, fls. 4153 e seguintes, extraise que: O contribuinte foi intimado em 11/11/2009 a apresentar o Laudo Técnico, a finalidade de utilização e a composição dos produtos, conforme intimação de fls. 1897. (...) Foi acatada, para fins desta diligência, a classificação indicada no laudo, tendo em vista que não existe classificação específica para estes produtos. Ressaltese que a fiscalização não efetuou a "reclassificação fiscal" conforme afirma o contribuinte em seu recurso (fls. 1873). A classificação fiscal utilizada no auto de infração, relativa aos produtos objeto da contestação e do laudo de classificação, é a mesma classificação fiscal que o contribuinte havia utilizado nas saídas do estabelecimento industrial, com a consequente entrada no estabelecimento comercial atacadista. Vide notas fiscais da filial 0006 às fls. 1454, 1456 e 1458. De 01/01/2003 até o dia 07/02/2006 as alíquotas referentes à nova classificação dos produtos são iguais às da classificação anterior 10%, de acordo com o Decreto 4.542/2002. A partir de 08/02/2006 passam a ser de 5% de acordo com o Decreto 5.697/2006. Vide quadro a seguir e telas de fls. 1905 a 1907. (...) Fl. 4394DF CARF MF Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302004.724 S3C3T2 Fl. 4 5 Portanto, os valores devidos em cada período serão recalculados, tanto o débito quanto o crédito, a partir de 08/02/2006, com a consequente recomposição da escrita fiscal e a apuração de novos valores devidos dos períodos constantes do auto de infração. Foram levantadas todas as notas fiscais de saída que contém os produtos em questão e foi elaborado o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE IPI NAS SAÍDAS ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA CONFORME LAUDO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS CLASSIFICAÇÃO ALTERADA", acostado As fls. 1908 a 2045. Foram também relacionadas no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI NAS ENTRADAS ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA CONFORME LAUDO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS" as notas fiscais de emissão da filial industrial 0006 que contém os produtos em questão e que foram consideradas como crédito na apuração do IPI devido da filial 0002, objeto deste auto de infração (fls. 2046 a 2060). A partir dos valores apurados mensalmente com base nos demonstrativos mencionados nos dois parágrafos anteriores foi elaborado o "DEMONSTRATIVO DOS VALORES A SEREM EXCLUÍDOS DO AUTO DE INFRAÇÃO EM VIRTUDE DE DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL", acostado às fls. 2061. E, por fim foram realizados os ajustes na escrita fiscal, com base nas exclusões apuradas no demonstrativo mencionado no parágrafo anterior, conforme demonstrativo "RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL IPI EM VIRTUDE DE DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL" de fls. 2062. 0 crédito tributário relativos aos períodos de apuração até janeiro de 2006 não sofreu alteração decorrente da reclassificação de acordo com o Laudo de fls. 1900 a 1903 e, portanto, permanece o valor lançado no auto de infração. A partir de fevereiro de 2006 os valores de IPI devido em cada período de apuração, já consideradas as exclusões relativas aos produtos cuja classificação foi contestada, são os seguintes: PA IPI AUTO DE INFRAÇÃO EXCLUSÃO IPI DEVIDO APÓS EXCLUSÃO fev/2006 181.338,43 3.577,86 177.760,57 mar/2006 184.394,73 6.457,04 177.937,69 abr/2006 126.895,01 4.301,02 122.593,99 maio/2006 180.284,24 7.489,74 172.794,50 jun/2006 138.672,71 6.045,12 132.627,59 jul/2006 169.605,39 6.052,17 163.553,22 ago/2006 171.585,42 4.577,82 167.007,60 set/2006 174.296,62 8.978,50 165.318,12 out/2006 182.279,03 4.600,82 177.678,21 nov/2006 210.315,88 6.626,04 203.689,84 dez/2006 166.104,68 3.980,05 162.124,63 Fl. 4395DF CARF MF 6 Portanto, percebese que a partir de fevereiro de 2006 os valores de IPI foram recalculados pela própria fiscalização. No segundo termo de diligência, fls. 4201 e seguintes, que se refere aos descontos incondicionais, temse que: Para o período de 02/2006 a 12/2006, o crédito tributário sobre o qual não há controvérsia (já excluídos os descontos incondicionais e a reclassificação dos produtos, com a consequente alteração de alíquotas), discriminado por período de apuração, é o constante da coluna "SALDO IPI DEVIDO APÓS EXCLUSÃO" da tabela a seguir. DEMONSTRATIVO DE EXCLUSÃO DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS MAIS ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTAS PA IPI DEVIDO APURADO NO AUTO IPI EXCLUSÃO DESCONTOS INCONDICIONAIS E ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA SALDO IPI DEVIDO APÓS EXCLUSÃO 02/2006 181.338,43 81.582,21 99.756,22 03/2006 184.394,73 90.830,18 93.564,54 04/2006 126.895,01 61.042,38 65.852,63 05/2006 180.284,24 88.999,34 91.284,91 06/2006 138.672,71 66.959,69 71.713,06 07/2006 169.605,39 80.183,17 89.422,23 08/2006 171.585,42 83.350,74 88.234,68 09/2006 174.296,62 86.129,42 88.167,20 10/2006 182.279,03 96.567,07 85.711,96 11/2006 210.315,88 105.239,19 105.076,69 12/2006 166.104,68 84.790,82 81.313,86 Os valores referentes aos descontos incondicionais e à alteração de alíquota por reclassificação, que não foram objeto de desistência, deverão continuar em processo à parte prosseguindo o rito do contencioso fiscal. Assim, a Recorrente insurgiuse quanto aos cálculos, diante de tal manifestação, sobreveio o despacho SACAT/DRF/LondrinaPR, fls. 4380 e seguintes, do qual se extraem as informações relevantes: (...) 04. A 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através do Acórdão nº 3302002.715, Sessão de 16 de setembro de 2014, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir os “descontos incondicionais” da base de cálculo do IPI (fls.4325/4333). Ou seja, foram excluídos da autuação os valores referentes ao “desconto incondicional” e foram mantidos os valores referentes “à classificação fiscal dos produtos”. (...) 06. Através da Intimação nº 76/2015, o Interessado foi cientificado do Resultado do Julgamento deste Acórdão nº 3302 002.715 em 20/03/2015 (fls.4351). Os valores remanescentes de Fl. 4396DF CARF MF Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302004.724 S3C3T2 Fl. 5 7 exigência/cobrança expressos no Demonstrativo “A” (que se referem à manutenção da “classificação fiscal dos produtos”) foram extraídos do “Termo de Diligência” às fls. 4201/4211. 07. Às fls.4361/4377, o Interessado apresentada uma “defesa administrativa” alusiva à Intimação nº 76/2015 onde “requer a necessária revisão dos cálculos apresentados posto que não restou observado no formulado Demonstrativo “A” o exato teor da decisão do Acórdão nº 3302002.715 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 08. Diante do exposto, propomos o encaminhamento dos autos à Safis desta DRF com a solicitação que se manifeste se há alguma alteração a ser feita nos cálculos efetuados no “Termo de Diligência” de fls.4201/4211 face às alegações do Interessado às fls.4361/4377 e face aos valores informados no Termo de Diligência para o CARF às fls.4153/4157. Sobreveio, então, a seguinte informação fiscal, fls. 4382, com o seguinte conteúdo: INFORMAÇÃO FISCAL Atendendo ao disposto no despacho de fls. 4380/4381, e, considerando o Acórdão de fls. 4325/4333, mister se fez refazer os cálculos efetuados no Termo de Diligência de fls. 4201/4211. Por conseguinte, foram excluídos os descontos incondicionais, mantidos os valores referentes à reclassificação fiscal (alíquota de 5%), e, concedidos os créditos com base na alíquota de 10% (porquanto ter sido esse o percentual de imposto recolhido na etapa anterior). Os valores apurados estão demonstrados em tabela anexa a essa informação. PA Valor Notas Fiscais Descontos Incondicionais Base de Cálculo IPI DÉBITO IPI 5% CREDITO IPI 10% Saldo IPI 02/2016 200.411,64 51.196,50 149.215,14 7.460,76 12.885,45 5.424,69 03/2006 310.447,34 72.711,43 237.735,91 11.886,80 18.130,68 6.243,88 04/2006 173.950,10 39.521,90 134.428,20 6.721,41 8.792,97 2.071,56 05/2006 267.449,88 74.223,33 193.226,55 9.661,33 11.765,50 2.104,17 06/2006 184.336,52 43.968,54 140.367,98 7.018,40 6.343,44 674,96 07/2006 215.231,77 59.657,62 155.574,15 7.778,71 9.418,83 1.640,12 08/2006 212.578,15 47.992,77 164.585,38 8.229,27 12.102,18 3.872,91 09/2006 264.520,64 66.857,45 197.663,19 9.883,16 8.495,04 1.388,12 10/2006 193.962,40 50.379,92 143.582,48 7.179,12 10.194,59 3.015,47 11/2006 253.040,07 57.453,63 195.586,44 9.779,32 12.051,93 2.272,61 12/2006 183.141,91 40.850,37 142.291,54 7.114,58 10.354,10 3.239,52 Quanto à existência de recálculo na classificação fiscal do período de fevereiro a dezembro de 2006, tal matéria é fato incontroverso nos autos, portanto, neste aspecto, retificase o acórdão embargado para se reconhecer que o recálculo existe e foi refeito pela própria fiscalização. O problema atinente aos cálculos, percebese na diligência de fls. 4201 e seguintes, pois os descontos incondicionais e a alíquota reduzidas foram colocadas em uma mesma operação, vale a pena reproduzir o quadro novamente: Fl. 4397DF CARF MF 8 PA IPI DEVIDO APURADO NO AUTO IPI EXCLUSÃO DESCONTOS INCONDICIONAIS E ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA SALDO IPI DEVIDO APÓS EXCLUSÃO 02/2006 181.338,43 81.582,21 99.756,22 03/2006 184.394,73 90.830,18 93.564,54 04/2006 126.895,01 61.042,38 65.852,63 05/2006 180.284,24 88.999,34 91.284,91 06/2006 138.672,71 66.959,69 71.713,06 07/2006 169.605,39 80.183,17 89.422,23 08/2006 171.585,42 83.350,74 88.234,68 09/2006 174.296,62 86.129,42 88.167,20 10/2006 182.279,03 96.567,07 85.711,96 11/2006 210.315,88 105.239,19 105.076,69 12/2006 166.104,68 84.790,82 81.313,86 O valor que adveio da informação fiscal da fls. 4382 é o mais acertado, pois, primeiramente, reduziu os descontos incondicionais da base de cálculo, para, posteriormente, aplicar a alíquota de 5% efetivamente devida e a alíquota 10% que havia sido apurada. 3. Conclusão Diante do exposto, acolhemse os embargos inominados, concedendoos efeitos infringentes para retificar o acórdão, reconhecendo a alteração de alíquota no período de fevereiro a dezembro de 2006 e, por conseguinte, a adoção do cálculo da informação fiscal de fls. 4382. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 4398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001519/2001-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1996
APURAÇÃO DO LUCRO. DATA BASE.
O lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário (art. 37 da Lei n" 8.981/1995).
VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na apuração do lucro real as variações monetárias passivas, em função de índice e condições estabelecidos contratualmente.
Numero da decisão: 1201-001.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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DATA BASE. O lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário (art. 37 da Lei n" 8.981/1995). VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na apuração do lucro real as variações monetárias passivas, em função de índice e condições estabelecidos contratualmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 19 /2 00 1- 23 Fl. 459DF CARF MF 2 Relatório Os fatos iniciais do processo estão sintetizados no relatório da decisão de primeira instância (fl. 221): Trata o presente processo dos autos de infração lavrados pela DRF/Rio de Janeiro, atinentes ao anocalendário de 1995, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 181.172,79 (fls. 68/72 e demonstrativo à fl. 43), a contribuição para o programa de integração social Pisrepique, no valor de R$ 6.850,43 (fls. 73/77), e a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, no valor de R$ 49.821,32 (fls. 78/82), todos acrescidos da multa de 75% e encargos moratórios. 2 Fundamentaram, materialmente, as exações: glosa de variações monetárias passivas, por falta de documentação comprobatória e por falta de previsão contratual na documentação apresentada. 2.1 Fundamentos legais: IRPJ: arts. 195, inciso II; 197 e parágrafo único; 242 e §§, 320, 322 e 323 do RJR/1994; Pis: art. 3°, §2°, da Lei Complementar n° 7/1970; Título 5, capítulo 1, seção 6, itens I e II, do Regulamento do Pis/Pasep, aprovado pela Portaria MF n" 142/1982; CSLL: art. 2° e §§ da Lei n° 7.689/1988; art. 57 da Lei n" 8.981/1995, com as alterações do art. 1° da Lei n" 9.065/1995. 3 Ao impugnar as exigências, fls. 96/106 e documentos de fls. 107/191, o interessado alega, em síntese, o que se segue: o autuante apurou o IRPJ anualmente, enquanto que as Leis nº 8.383/1991, 8.541/1992 e 8.981/1995 determinam a apuração mensal. O interessado optou pelo recolhimento mensal, com base de cálculo por estimativa; ter decaído o direito de constituir o lançamento, face o disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN; a variação monetária passiva está prevista no contrato original, celebrado entre Carlos Magalhães S.A. e Cadiz S.A., subrogado pelo interessado, nos valores de R$ 3.324.641,27, R$ 362.500,00, R$ 250.000,00, R$ 516.300,00 e R$ 140.000,00; adota as mesmas razões para os autos reflexos. A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme decisão assim ementada: Ementa: APURAÇÃO DO LUCRO. DATA BASE. O lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano calendário (art. 37 da Lei n" 8.981/1995). DECADÊNCIA. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 15374.001519/200123 Acórdão n.º 1201001.815 S1C2T1 Fl. 3 3 Diante da falta de pagamentos, os efeitos decadenciais farseão sentir cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na apuração do lucro real as variações monetárias passivas, em função de índice e condições estabelecidos contratualmente. Ementa: DECADÊNCIA. PIS. CSLL. É de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, o prazo para o fisco efetuar o lançamento das contribuições para a seguridade social (art. 45 da Lei n" 8.212/1991 c/c art. 150, §4", do CTN). Consta do voto condutor da decisão de piso: 9 Em 26/6/1995 o interessado adquiriu parte de um imóvel de Carlos Magalhães S.A. (escritura de promessa de compra e venda às fls. 31/40), pelo preço total de R$ 9.396.851,27, pagáveis da seguinte forma: a) R$ 6.072.210,00 em notas promissórias (fls. 35/37). b) R$ 3.324.641,27 em subrogação na obrigação de pagar à Cadiz Sociedad Anônima, quantia apurada em 29/4/1995, com vencimento em 29/5/1995 (fl. 39). c) O não pagamento de qualquer prestação do saldo no vencimento importará juros de mora de 1% ao mês e atualização monetária pelo IPCr do IBGE (fl. 38 cláusula nona). 9.2 Em 3/7/1995 o interessado assina acordo com Whittier Sociedad Anônima, no qual esta contactará Carlos Magalhães S.A. e Cadiz Sociedad Anônima visando adquirir todos os créditos acima descritos. Tais valores estarão sujeitos ao mesmo critério de remuneração ao que foi estabelecido entre Carlos Magalhães S.A. e Cadiz Sociedad Anônima com relação a R$ 3.324.641,27, ou seja, variação do IGPDI da FGV (fls. 150/152, item III) desde a data base ou do desembolso. 9.3 Em 3/7/1995, Carlos Magalhães S.A. cede à Cia Três de Maio de Administração, Comércio e Indústria S.A. o crédito no montante de R$ 250.000,00 (item 1 da tabela acima e fls. 44/45, item III, BI). Em 5/7/1995, Cia Três de Maio Fl. 461DF CARF MF 4 cede o mesmo crédito para Cadiz Sociedad Anônima (fls.56/57, item III.b), que cede para Whittier Sociedad Anônima (fl. 153/155, item III, a.2) em 13/7/1995. 9.4 Em 3/7/1995, Carlos Magalhães S.A. cede à Cia Três de Maio de Administração, Comércio e Indústria S.A. os créditos no montante de R$ 362.520,00 (fls. 44/45, item b.2), representados pelas 180 notas promissórias de RS 4.350,00 (item 4 da tabela acima). Em 10/7/1995, Cia Três de Maio cede os mesmos créditos para Whittier Sociedad Anônima (fl 147, item c.l). 9.5 Em 3/7/1995, Carlos Magalhães S.A. cede à Cadiz Empreendimentos e Participações o crédito no montante de R$ 140.000,00 (item 3 da tabela acima e fls. 48/49, item III, b.l). Em 5/7/1995, Cadiz Empreendimentos e Participações cede o mesmo crédito à Cadiz Sociedad Anônima (fls. 54/55, item III, b), que cede para Whittier Sociedad Anônima (fl. 153/155, item III, a.2) em 13/7/1995. 9.6 Em 5/7/1995, Carlos Magalhães S.A. cede à Cadiz Sociedad Anonima o crédito no montante de R$ 516.300,00 (item 2 da tabela acima e fls. 46/47, item III.b), que cede o mesmo crédito para Whittier Sociedad Anônima (fl. 153/155, item III, a.2) em 13/7/1995. 9.7 Em 13/7/1995, Cadiz Sociedad Anônima cede o crédito de R$ 3.324.461,27 (item 9, b acima) à Whittier Sociedad Anonima (fl. 153/155, item III, a.l). 9.8 A questão é saber se incide ou não a atualização monetária e se incide, a partir de quando. Os créditos nos valores de R$ 250.000,00, R$ 516.300,00 e R$ 140.000,00 estão representados por notas promissórias vencidas em 26/7/1995, 26/8/1995 e 26/9/1995, respectivamente, sujeitos aos encargos de mora descritos no § 9º, letra "c". A Cadiz Sociedad Anônima ao cedêlos para Whittier, o fez em troca de uma dívida com Bellington Enterprises Inc. (fls. 153/155), não havendo desembolso. Em sendo assim, a atualização monetária acordada entre o interessado e a Whittier (item III fl. 151), ou seja o IGPDI da FGV, deve ser aplicado a partir do vencimento dos títulos, conforme a seguir (a tabela dos índices está juntada à fl. 194): 9.9 O valor de R$ 3.324.461,27 tem origem em adiantamentos feitos por Cadiz Sociedad Anônima à Carlos Magalhães S.A., tendo sido consolidado em 29/4/1995 (fl. 131). Como Cadiz Sociedad Anônima cedeuo para Whittier, em 13/7/1995, em troca de uma dívida com Bellington Enterprises Inc. (fls. 153/155), sem qualquer acréscimo, entendo que a atualização monetária a ser aplicada, com base no IGPDI da FGV, deve ser a partir de 7/1995, conforme a seguir: 9.10 O valor de R$ 362.520,00 está representado por 180 notas promissórias, com vencimentos a partir de 30/7/1998 e juros já incluídos de 12% ao ano. A Whittier adquiriu estes créditos ao vender ações do interessado para Cia Três de Maio. Assim, se não houve desembolso e não tendo vencido nenhum título em 1995, não é cabível a incidência de variação monetária. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 15374.001519/200123 Acórdão n.º 1201001.815 S1C2T1 Fl. 4 5 9.11 Quanto à glosa da variação monetária sobre o valor de R$ 1.087.560,00, o interessado não fez nenhuma alegação. Nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972, considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pelo interessado. Ainda que tivesse impugnado, também não seria cabível a incidência de variação monetária, pois o valor está representado por 180 notas promissórias, com vencimentos a partir de 30/7/1998 e juros já incluídos de 12% ao ano. 9.12 Concluindo, entendo serem dedutíveis as variações monetárias, por estarem de acordo com os contratos, serem necessárias e usuais ao tipo de transação, nos termos do art. 242 e §§ do RIR/1994, no montante de R$ 79.274,46. A contrário senso, manter a glosa de R$ 975.042,14. O IRPJ devido está demonstrado a seguir. [...] 10.4 Em face da vinculação entre o lançamento principal e o decorrente, não havendo nos autos em relação a este outra arguição de matéria específica ou adição de quaisquer outros elementos de prova novos, as conclusões extraídas do lançamento do IRPJ devem prevalecer na apreciação do lançamento decorrente. 10.5 Diante do exposto é de se manter parcialmente os lançamentos de Pis e CSLL, conforme demonstrado a seguir; a) Pisrepique b) CSLL 11 Sobre os valores devidos são acrescidos a multa de 75% e encargos moratórios. Em Recurso Voluntário (fls. 233 a 252), a contribuinte reiterou os termos da impugnação acrescentando: a) que deve ser anulado o julgamento de primeira instância administrativa, em face da mudança do fundamento da autuação, uma vez esta ter se dado porque não foi Fl. 463DF CARF MF 6 demonstrada a contratualidade dos negócios geradores da variação monetária passiva, ou que sejam cancelados os autos de infração demonstrado que havia base legal para a dedução; b) todos as matérias foram impugnadas e todos os valores eram passíveis da incidência da correção monetária. Julgado o recurso, pronunciouse a Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, no sentido de acolher a preliminar de decadência (fls. 332 a 335). A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial à então Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 337 a 354), para que fosse afastada a decadência, devolvendose os autos para o julgamento de mérito. Foram apresentadas as contrarazões pela recorrida (fls. 366 a 369). A Primeira Turma da então Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao Recurso Especial (fls. 378 a 389). Foi interposto Recurso Extraordinário pela União (fls. 393 a 400). Houve contrarazões do sujeito passivo (fls. 422 a 426). Por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Extraordinário pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, conforme Acórdão 9900000.960 – Pleno, de 9 de dezembro de 2014 (fls. 445 a 447). O final do voto do relator está assim redigido: Dessa forma, tendo em vista que não houve antecipação de pagamento e, atendendo ao disposto no art. 62A do RICARF, dou provimento ao recurso extraordinário fazendário, restabelecendo integralmente o crédito tributário lançado, com retorno à 1ª Seção de Julgamento para apreciação das demais questões trazidas pela contribuinte em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os requisitos de admissibilidade já foram avaliados quando do conhecimento dos recursos voluntário, especial e extraordinário, passase à análise das razões apresentadas. Preliminar. Decadência. Essa preliminar já foi analisada conforme decisões acima indicadas, tendo sido afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 9900 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 15374.001519/200123 Acórdão n.º 1201001.815 S1C2T1 Fl. 5 7 000.960Pleno, que determinou o retorno do processo à 1ª Seção de Julgamento para apreciação das demais questões trazidas pela contribuinte em seu recurso voluntário. Preliminar. Nulidade. Mudança de fundamento no julgado de primeira instância. Alegou a recorrente que deve ser anulado o julgamento de primeira instância administrativa, em face da mudança do fundamento da autuação, uma vez esta ter se dado porque não foi demonstrada a previsão da incidência da correção monetária nos negócios geradores da variação monetária passiva. Consta do Auto de Infração de IRPJ (texto repetido nos demais relativos à CSLL e ao PISRepique fl. 75): Mesmo após o prazo para atendimento a intimação ter sido dilatado, conforme solicitação da empresa, até a presente data não foi apresentado quaisquer contratos que respaldem estas transferências de créditos para Whittier S/A, bem como em nenhum lugar da documentação apresentada está prevista a incidência de correção monetária e do índice que daria base ao cálculo das "variações monetárias passivas". Conceituando, "variações monetárias são as atualizações dos créditos e das obrigações do contribuinte, não prefixadas, mas determinadas em função da taxa de câmbio ou índices aplicáveis por determinação legal ou CONTRATUAL". Como fica praticamente impossível verificar a autenticidade dessas operações de cessão de créditos porque as principais participantes nelas seriam localizadas no Uruguai, resta à fiscalização, por falta de documentação comprobatória e falta de previsão contratual na documentação apresentada para as primeiras operações, glosar as "variações monetárias passivas" no valor de R$ 1.054.316,60, dando origem ao presente Auto de Infração. Aduziu a recorrente: Permissa máxima venia, como já teve oportunidade de dizer a ora recorrente, a glosa da variação monetária passiva sobre débitos contabilizados na mesma tinha havido porque não foi demonstrada a contratualidade da mesma. Isso, contudo, se demonstrou absolutamente improcedente e foi reconhecido pelo acórdão, que, entretanto, ilegalmente inovou resolvendo alterar a fundamentação da glosa para dizer que ela teria sido incorretamente calculada, refazendo, então, os cálculos. Como não é lícito, na instância de julgamento, alterar os fundamentos do auto, requer a ora recorrente seja reconhecida aquela ilegal alteração e anulado o julgamento para que outro seja proferido nos limites da lei. Fl. 465DF CARF MF 8 Como pode ser visto na impugnação, a prova da "contratualidade" da correção monetária de parte do passivo deuse em função dos documentos de fls. 116 a 127, conforme transcrição abaixo (fl. 109): Conforme a autoridade administrativa reconheceu no relato feito no auto de infração ora respondido, a impugnante tornouse devedora à Cadiz S.A. de R$.3.324.641,27 em decorrência de subrogação, como parte do preço combinado em escritura de compra de imóvel, de débito de igual valor que a Carlos Magalhães S.A. tinha para com aquela empresa, sendo que foi com base no contrato que a supra referida vendedora tinha com a supra mencionada credora (cópia anexa) que a contribuinte, ora impugnante, aplicou variação monetária passiva ao seu débito, posto que subrogouse em um compromisso que já existia e com condições combinadas, não em coisa abstrata ou nova. No contrato anexo firmado em 19.05.94 entre a Carlos Magalhães S.A. e a Cadiz S.A. está dito com todas as letras nas suas cláusulas 20 e 23 o seguinte: a) "20) Todas as despesas efetuadas a partir de agora no interesse da futura sociedade, até o limite de CR$.5.331.300.000,00 (cinco bilhões, trezentos e trinta e um milhões e trezentos mil cruzeiros reais), equivalentes a 3.249.089 (três milhões, duzentos e quarenta e nove mil e oitenta e nove) URVs., ainda que efetuadas apenas em nome da CADIZ S/A., mas submetidas obviamente às regras do item 19 supra, no montante supra já estando incluído o crédito reconhecido no item 7 supra, serão contabilizadas a título de adiantamento ao negócio feito pela mesma, ficando tais adiantamentos sujeitos a atualização monetária e juros de 12% (doze por cento) ao ano, contados dia a dia desde o desembolso até o efetivo reembolso. Os valores despendidos a favor da sociedade que excederem o montante supra ficarão sujeitos a atualização monetária e juros de mercado, tudo como se tivessem os recursos adiantados sido obtidos sob forma de empréstimo junto ao Banco Bamerindus do Brasil S/A., na linha de financiamento de capital de giro, atualização e acréscimos esses que serão feitos desde os desembolsos até os efetivos reembolsos com os resultados da sociedade." b) "23) Anualmente, mas sempre na menor periodicidade que for admitida em lei, todos os valores, inclusive adiantamentos, previstos neste instrumento, se ainda não pagos ou reembolsados com os acréscimos que lhe seja devidos, serão atualizados em função da variação verificada no I.G.P.D.I. da F.G.V. entre a data base ou do desembolso e a data da atualização aqui prevista, tudo de molde a que seja conferido se o critério de correção a que estão submetidos os créditos em contacorrente, pagamentos ou adiantamentos estão mantendo o seu poder aquisitivo, sendo certo que, constatadas diferenças a menor, os créditos em contacorrente, pagamentos ou adiantamentos aqui referidos serão objeto de atualização Fl. 466DF CARF MF Processo nº 15374.001519/200123 Acórdão n.º 1201001.815 S1C2T1 Fl. 6 9 de acordo com as aludidas diferenças a fim de preservarem aquele poder." Foi na obrigação decorrente do supra referido contrato que a ora impugnante, na escritura de compra que celebrou, se sub rogou no lugar da Carlos Magalhães S.A. frente à Cadiz S.A., tendo sido exatamente esse o mesmo crédito que, por contrato entre as partes, acabou terminando em mãos da Whittier S.A., não tendo sido, contudo, com base neste último que a variação monetária passiva foi aplicada em favor do credor, mas sim no contrato original gerador da dívida primeira, que foi objeto da subrogação. Relativamente à outra parte do passivo, ainda como consta na impugnação, a comprovação, tanto da transferência do crédito para a Whittier, quanto da "contratualidade" da correção monetária, está comprovada por meio de documento anexo. Vejase a transcrição (fl. 11). Conforme a autoridade administrativa reconheceu no relato feito no auto de infração ora respondido, a impugnante adquiriu um imóvel da Carlos Magalhães S.A. obrigandose a pagarlhe diversos valores, dentre os quais os de R$.362.520,00, R$.250.000,00, R$.516.300,00 e R$.140.000,00 foram posteriormente transferidos para terceiros. Como a ora impugnante naquela época e até hoje ainda não conseguiu implantar o empreendimento que é sua razão de existência e lhe dará os recursos para sua sobrevivência, combinou com sua sócia majoritária (documento anexo) que a Whittier contactaria a Carlos Magalhães S.A. ou eventuais sucessores visando adquirir, no todo ou em parte, o crédito de R$.6.072.210,00 (seis milhões, setenta e dois mil, duzentos e dez reais) que a mesma tinha junto à ora impugnante em decorrência da compra do imóvel já referida. (Grifo acrescido) Combinou mais, como contrapartida, que os créditos que a Whittier viesse ter junto à contribuinte ficariam submetidos ao mesmo critério de remuneração a que já estava sujeito o débito de R$.3.324.641,27 que ela tinha para com a Cadiz S.A. por força de subrogação havida nos termos de compra firmada com a Carlos Magalhães S.A., mais especificamente as cláusulas 20 e 23 do contrato original de constituição da dívida, já reproduzidas. O "documento anexo" referido na transcrição foi trazido com a impugnação e juntado às fls. 169 a 171 (está intitulado "Instrumento Particular de Acordo"). Foram juntados outros documentos, para a comprovação da transferência dos créditos para a Whittier. E, como pode ser visto no voto condutor da decisão de piso, essas questões foram afastadas com base nesses documentos, apresentados somente com a impugnação. O autuante não teve acesso a eles antes da lavratura dos autos de infração. Fl. 467DF CARF MF 10 A recorrente aduziu, na impugnação (fls. 108 e 109): No caso presente, o que houve foi um enorme mal entendido, verdadeiro vício de comunicação decorrente da falta de precisão na indicação do objetivo do esclarecimento ou do documento solicitado, pois, como se viu no relato dos fatos feito no item I desta defesa, a falta de documentação que a ilustre autoridade administrativa diz não lhe ter sido fornecida não fora solicitada para comprovar a legalidade do abono ao crédito de pessoa ligada de variação monetária passiva. Conforme a ora impugnante já teve oportunidade de relatar, a ilustre autoridade administrativa em 06/10/2000 a intimou para o seguinte: a) esclarecer, juntando documentação comprobatória, como e porque a dívida assumida por Vectra S.A. na escritura com Cadiz S.A., no valor de R$.3.324.641,27, se transformou em crédito de Whittier S.A.; b) esclarecer, juntando documentação comprobatória, como e por quais instrumentos os créditos de Cia. Três de Maio S.A. (R$.362.520,00) e Cadiz S.A. (R$.250.000,00, R$.516.300,00 e R$.140.000,00) se transformaram em créditos de Whittier S.A. Logo, está evidente que o ilustre Sr. Auditor não pediu à ora impugnante que lhe comprovasse com base em que ou qual documento tinha ela abonado ao crédito de R$.3.324.641,27, pertencente a pessoa ligada, variação monetária passiva, mas sim, como acima está dito, como e porque a dívida assumida pela contribuinte na escritura de compra da Carlos Magalhães tinha se transformado em crédito da Whittier S.A. Como e porque passou de um credor para outro credor foi rigorosamente informado, ou seja, a contribuinte respondeu em 18/05/2000 que a Cadiz S.A. cedeu seu crédito supra para Whittier S.A. através de contrato, que pediu prazo para apresentar. Com base em que ou qual documento aquela obrigação passiva tinha sido objeto de aplicação de variação monetária passiva é outra pergunta bem diferente, que não foi feita e não tinha nenhum vínculo com o contrato de cessão em si, pois eles são meras transferências de obrigações passivas que já existiam. Em que pese a argumentação da recorrente, mesmo ainda em sede de impugnação, já no Termo de Início de Fiscalização (fl. 12) havia a intimação para a entrega de: 4. Movimentação da rubrica do Passivo "Créditos de Pessoas Ligadas (físicas/jurídicas)" e respectivas planilhas de cálculos de encargos, bem como detalhar as pessoas ligadas que intervieram. Além. disso, comprovar, através de documentação hábil e idônea, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, coincidentes em datas e valores, dos montantes entregues á empresa. [...] Fl. 468DF CARF MF Processo nº 15374.001519/200123 Acórdão n.º 1201001.815 S1C2T1 Fl. 7 11 6. Composição da rubrica "Variações Monetárias Passivas", apresentando a respectiva documentação comprobatória. Muito embora referida em termos genéricos, na documentação comprobatória a que se referiu o AuditorFiscal no item 6 supratranscrito, certamente se incluía o contrato em que havia a previsão da correção monetária da dívida. Também, o citado documento denominado "Instrumento Particular de Acordo" (fls. 169 a 171) foi firmado em 3 de julho de 1995, sendo seus signatários a Whittier e a recorrente. Não se pode cogitar de que a recorrente não o tivesse em seu poder durante a fiscalização. Registrese, também, que a última intimação para a apresentação de documentos ocorreu em 6 de outubro de 2000. Os autos de infração foram lavrados em 30 de abril de 2001. Concluise, pois, que a própria recorrente foi quem deu causa à glosa total das deduções de variação monetária passiva, não apresentando os documentos tempestivamente e, agindo dessa forma, tolheu a ação do autuante que não poderia proceder de outra maneira, senão como ocorreu. Como visto acima, nos autos de infração constou: Como fica praticamente impossível verificar a autenticidade dessas operações de cessão de créditos porque as principais participantes nelas seriam localizadas no Uruguai, resta à fiscalização, por falta de documentação comprobatória e falta de previsão contratual na documentação apresentada para as primeiras operações, glosar as "variações monetárias passivas" no valor de R$ 1.054.316,60, dando origem ao presente Auto de Infração. Vêse, portanto, que os lançamentos tiveram dois fundamentos: a) falta de documentação comprobatória das operações; b) falta de previsão contratual para a correção monetária na documentação apresentada. A documentação carreada com a impugnação comprova essas operações, pelo que, na decisão de piso, foi afastado esse fundamento da autuação. No entanto, por essa documentação a recorrente comprova a previsão da correção monetária, mas não da forma por ela pretendida. Ou seja, na decisão de primeira instância a correção monetária prevista nos contratos foi aceita, mas de forma parcial. Portanto, o segundo fundamento das autuações foi também o utilizado para fins de manutenção parcial dos lançamentos. No item 9.8 da decisão de piso (fl. 226) consta: 9.8 A questão é saber se incide ou não a atualização monetária e se incide, a partir de quando. Fl. 469DF CARF MF 12 Em face disso, não há que acatar a alegação de que houve inovação na decisão de piso. A parte mantida dos lançamentos teve por base a não comprovação da contratualidade da correção monetária, conforme segundo fundamento dos autos de infração como acima transcrito. Não havendo inovação, não se pode falar em cerceamento do direito de defesa, pelo que não é nula a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RJOI (Acórdão DRJ/RJOI n° 3.629). Preliminar. Nulidade. Apuração mensal e não anual como constou do lançamento. É arguida a nulidade do lançamento fiscal, em face de ter sido efetuada uma glosa única em 31 de dezembro de 1995, uma vez que a apuração dos tributos, naquele ano se dava por período mensal. O resumo do pedido consta à fl. 247: Diante disso, há de ser reconhecida a nulidade do lançamento fiscal baseado em glosa única em 31.12.1995 de valores (variação monetária passiva) que se referem a vários meses daquele ano, o que espera a recorrente será reconhecido em grau de recurso. Nesse ponto, correta está a decisão de piso, conforme transcrito abaixo: 7 A apuração do IRPJ, para o anocalendário de 1995, é anual, independentemente da obrigatoriedade dos pagamentos mensais, conforme disposto no art. 37, da Lei nº 8.981/1995, in verbis: "Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoasjurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas Jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data de sua extinção. " (destaquei) 7.1 O interessado apresentou a Declaração de Imposto de Renda, optando pelo lucro real, com apuração anual (fl. 11), conforme determina a legislação. Portanto, o autuante agiu corretamente ao indicar o fato gerador em 31/12/1995. Rejeitase, pois, a preliminar arguida. Mérito. No mérito, o recurso se reporta a duas matérias referidas na decisão de piso: à não impugnação quanto às questões relativas ao valor de R$ 1.087.560,00 e à data de início da incidência da correção monetária quanto aos valores de R$ 3.324.641,27, R$ 250.000,00, R$ 516.000,00, R$ 140.000,00, R$ 362.520,00 e, também ao de R$ 1.087.560,00 já mencionado (primeira matéria). Quanto à primeira questão, a recorrente assim se expressa (fl. 249): Andou também mal o acórdão quando tentou entender (fls. 202 parágrafo final) que a ora recorrente não havia impugnado alguma parte da autuação, pois, como já restou anteriormente Fl. 470DF CARF MF Processo nº 15374.001519/200123 Acórdão n.º 1201001.815 S1C2T1 Fl. 8 13 provado, o valor de R$.1.087.560,00 (hum milhão, oitenta e sete mil, quinhentos e sessenta reais) compõe o total de R$.6.072.210,00 (seis milhões, setenta e dois mil, duzentos e dez reais) sustentado como passível de incidência daquela variação monetária passiva, sendo, na verdade, o principal (valor presente) de uma das séries de 180 (cento e oitenta) notas promissórias as de R$.13.052,55 que constam da escritura de compra e venda do imóvel na Pedra do Baiano, pelo que não há, assim, que se falar em não impugnação dessa parte a título de fundamento para sustentar a ilegal glosa. De fato, não há dúvida quanto a esse valor compor o total dos R$ 6.072.210,00 que a recorrente alega "como passível de incidência daquela variação monetária passiva". No entanto, a transferência para a Whittier de cada uma das parcelas desse total deveria ter sido comprovada, assim como a previsão da incidência, sobre cada uma delas, da correção monetária. Nos Autos de Infração constou expressamente: 1. Em 27/04/2000, o contribuinte foi intimado(fls. 08 e 09) a compor a conta do Passivo de "Créditos de Pessoas Ligadas", detalhar as pessoas ligadas que formaram a mesma e compor os cálculos de juros e de "variações monetárias passivas" (vmp) incidentes, juntando documentação comprobatória. Em carta, datada de 18/05/2000 (fls. 41 e 42), o representante legal da empresa afirma: que este passivo "existe apenas em relação à sua sócia majoritária Whittier Sociedad Anónima", empresa situada no Uruguai, e que a movimentação envolve "exclusivamente cessões de crédito junto à própria empresa". Como comprovante da movimentação da conta e da formação dos juros e vmp incidentes, após requerer e obter dilatação do prazo de resposta (ver carta de 08/05/2000 de fls. 28 a 30), apresentou tão somente uma "Planilha" (às fls. 43) que mostra o total da conta passiva de R$ 7.777.457,16, com um principal de R$ 5.681.021,27, juros de R$ 1.042.119,29 e vmp de R$ 1.054.316,60 (registro destes números em cópia do Livro Razão às fls. 59). 2. Conforme Escritura (de fls. 31 a 40), datada de 26/06/95, de compra de imóvel por Vectra S/A a Carlos Magalhães S/A, CNPJ 29.025.673/000185, todos aqueles créditos cedidos a Whittier S/A, do Uruguai, eram de Carlos Mag. S/A pela venda do imóvel, que os cedeu antes a outras empresas, e que acabaram em poder de Whittier S/A. Conforme "Instrumentos Particulares de Cessão de Crédito" apresentados (fls. 44 a 57) e cópias de folhas do Livro Razão (fls. 58 a 59), assim se contituiram as "cessões de crédito": de Carlos Mag. S/A para: •Cia Três de Maio S/A R$ 352.520 em 03/07/95 (1° vencimento em 30/06/98) R$ 250.000 em 03/07/95 (vencimento em 26/07/95) Fl. 471DF CARF MF 14 •Cadiz Sociedad Anónima (Uruguai) R$ 516.300 em 05/07/95 (vencimento em 26/08/95) •Cadiz Empreendimentos Ltda R$ 140.000 em 03/07/95 (vencimento em 26/09/95) •Whittier S/A R$ 1.087.560 em 10/07/95 (1° vencimento em 30/06/98) (Grifo Acrescido) Compulsandose a impugnação, verificase que não há nenhuma alegação específica quanto a essa cessão de parcela da dívida, mas somente no que se refere à dívida assumida por Vectra, na escritura, com Cadiz S.A., no valor de R$ 3.324.641,27, e no que tange aos créditos de Cia. Três de Maio S.A. (R$ 362.520,00) e Cadiz S.A. (R$ 250.000,00, R$ 516.300,00 e R$ 140.000,00). O final do tópico da impugnação relativamente a essa matéria, que a contribuinte ali denominou de "No mérito DA ILEGALIDADE DA GLOSA" (fl. 108), está assim redigido (fls. 111 e 112): Ante todo o exposto, vêse que houve engano da ilustre autoridade administrativa quando concluiu que, "mesmo após o prazo para atendimento à intimação ter sido dilatado, conforme solicitação da empresa, até a presente data não foi apresentado quaisquer contratos que respaldasse estas transferências de créditos para Whittier S/A, bem como em nenhum lugar da documentação apresentada está prevista a incidência de correção monetária e do índice que daria base ao cálculo das "variações monetárias passivas", pois, de rigor, não houve pedido desses documentos, tal como já demonstrado. A pretensão clara daquela autoridade, pelo menos no teor da sua notificação de 06.10.2000, foi saber, inclusive com juntada de documentação comprobatória, como e por quais instrumentos os créditos de R$.3.324.641,27, R$.362.520,00, R$.250.000,00, R$.516.300,00 e R$.140.000,00 se transformaram em créditos de Whittier S.A. e não porque ... tinham sido a eles aplicadas variações monetárias passivas. Nestas circunstâncias, é injusto dizer que, diante dos fatos e da quase impossibilidade de verificar por outros meios a legitimidade dos procedimentos contábeis da contribuinte em relação àquelas variações, só restava "à fiscalização, por falta de documentação comprobatória e falta de previsão contratual na documentação apresentada para as primeiras operações, glosar as "variações monetárias passivas" no valor de R$.1.054.316,60 (hum milhão, cinqüenta e quatro mil, trezentos e dezesseis reais e sessenta centavos)", dando origem ao auto, pois, se perguntado claramente tal ponto pela autoridade administrativa (aliás como devia ter sido perguntado), teria a ora impugnante apresentado a documentação anexa que elucida toda a questão. Não há pois menção à transferência à Whittier do valor de R$ 1.087.560,00 e, portanto, nenhum reparo merece a decisão de piso nesse ponto. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 15374.001519/200123 Acórdão n.º 1201001.815 S1C2T1 Fl. 9 15 Quanto ao segundo ponto, alega a recorrente que os valores deveriam ser atualizados conforme tabela abaixo, em função de previsão contratual para que isso ocorresse e não a partir das datas consideradas na decisão de primeira instância. Assim se posicionou a recorrente relativamente a essa questão: O valor de R$.3.324.641,27 tinha data base de cálculo em 29.04.1995 e já se encontrava em atraso, sujeito portanto também aos efeitos da mora, tendo na obrigação de liquidálo a ora recorrente se subrogado na escritura já antes referida, pelo que é desde aquela data que os mencionados acréscimos devem incidir e não a partir de 13/7/1995 como fez o acórdão. As condições de cessão da Cadiz S.A. para a Whittier S.A. não interferem na contabilidade da ora recorrente, que apenas fez a mutação de credor, carregando o passivo tal como o possuía, portanto, com todos os seus acessórios, tudo a contar da data base de consolidação (29/04/1995) e com os acessórios decorrentes da mora, já que o vencimento ocorrera em 29/05/1995. O mesmo ocorreu em relação aos demais valores de R$.250.000,00, R$.516.000,00 e R$.140.000,00, que já estavam vencidos desde 26.07.1995, 26.08.1995 e 26.09.1995, respectivamente, como consta da escritura, onde há inclusive expressa previsão (cláusula nona) de incidência de multa de 10%, juros de mora de 1% ao mês e atualização monetária. Os valores de R$.362.520,00 e R$.1.087.560,00 compõem o total de R$.6.072.210,00 (seis milhões, setenta e dois mil, duzentos e dez reais) , sendo, na verdade, o principal (valor presente) de séries de 180 (cento e oitenta) notas promissórias, mais precisamente as de R$.4.350,85 e R$.13.052,55, respectivamente, que constam daquela escritura de compra e venda do imóvel na Pedra do Baiano, tendo sido combinado pelas partes (ora recorrente e Whittier S.A.) que, mesmo estando eles ainda por vencer, passariam a render, como medida compensatória para estimular a aquisição, atualização monetária. Fl. 473DF CARF MF 16 Na decisão da DRJ/RJO1, está assim consignado: 9.8 A questão é saber se incide ou não a atualização monetária e se incide, a partir de quando. Os créditos nos valores de R$ 250.000,00, R$ 516.300,00 e R$ 140.000,00 estão representados por notas promissórias vencidas em 26/7/1995, 26/8/1995 e 26/9/1995, respectivamente, sujeitos aos encargos de mora descritos no § 9º, letra "c". A Cadiz Sociedad Anônima ao cedêlos para Whittier, o fez em troca de uma dívida com Bellington Enterprises Inc. (fls. 153/155), não havendo desembolso. Em sendo assim, a atualização monetária acordada entre o interessado e a Whittier (item III fl. 151), ou seja o IGPDI da FGV, deve ser aplicado a partir do vencimento dos títulos, conforme a seguir (a tabela dos índices está juntada à fl. 194): 9.9 O valor de R$ 3.324.461,27 tem origem em adiantamentos feitos por Cadiz Sociedad Anônima à Carlos Magalhães S.A., tendo sido consolidado em 29/4/1995 (fl. 131). Como Cadiz Sociedad Anônima cedeuo para Whittier, em 13/7/1995, em troca de uma dívida com Bellington Enterprises Inc. (fls. 153/155), sem qualquer acréscimo, entendo que a atualização monetária a ser aplicada, com base no IGPDI da FGV, deve ser a partir de 7/1995, conforme a seguir: 9.10 O valor de R$ 362.520,00 está representado por 180 notas promissórias, com vencimentos a partir de 30/7/1998 e juros já incluídos de 12% ao ano. A Whittier adquiriu estes créditos ao vender ações do interessado para Cia. Três de Maio. Assim, se não houve desembolso e não tendo vencido nenhum título em 1995, não é cabível a incidência de variação monetária. Quanto aos valores de R$ 250.000,00, R$ 516.300,00 e R$ 140.000,00, não há dúvidas de que os vencimentos das notas promissórias ocorreram em 26 de julho de 1995, 26 de agosto de 1995 e 26 de setembro de 1995. Correta, pois, a conclusão contida no acórdão da DRJ/RJO1 ao considerar que a atualização monetária acordada entre o interessado e a Whittier, deve ser aplicada a partir do vencimento dos títulos e não do mês anterior a esse vencimento. No que tange ao valor de R$ 362.520,00, está representado, como visto, por 180 notas promissórias, com vencimentos a partir de 30 de julho de 1998 e juros já incluídos de 12% ao ano. A Whittier adquiriu estes créditos ao vender ações da recorrente para Cia. Três de Maio. Alegou a recorrente que foi "combinado pelas partes (ora recorrente e Whittier S.A.) que, mesmo estando eles ainda por vencer, passariam a render, como medida compensatória para estimular a aquisição, atualização monetária". No entanto, não há nos autos nenhum instrumento que prove tal alegação. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 15374.001519/200123 Acórdão n.º 1201001.815 S1C2T1 Fl. 10 17 Portanto, como decidido em primeira instância, "se não houve desembolso e não tendo vencido nenhum título em 1995, não é cabível a incidência de variação monetária". Por fim, relativamente aos R$ 3.324.461,27, alegou a recorrente que tal valor "tinha data base de cálculo em 29.04.1995 e já se encontrava em atraso, sujeito portanto também aos efeitos da mora, tendo na obrigação de liquidálo a ora recorrente se subrogado na escritura já antes referida, pelo que é desde aquela data que os mencionados acréscimos devem incidir e não a partir de 13/7/1995 como fez o acórdão." Ocorre que, como observado na decisão de piso, o valor "têm origem em adiantamentos feitos por Cadiz Sociedad Anônima à Carlos Magalhães S.A., tendo sido consolidado em 29/4/1995 (fl. 131). Como Cadiz Sociedad Anônima cedeuo para Whittier, em 13/7/1995, em troca de uma dívida com Bellington Enterprises Inc. (fls. 153/155), sem qualquer acréscimo", correta a interpretação de que "que a atualização monetária a ser aplicada, com base no IGPDI da FGV, deve ser a partir de 7/1995". (Grifo acrescido). Lançamentos decorrentes. Quanto aos lançamentos de CSLL e PISrepique, assim se manifesta a recorrente: No que concerne aos lançamentos decorrentes relativos ao PIS/Repique e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, a recorrente invoca as mesmas questões argüidas na contestação do auto de infração IRPJ, estando viciados os valores considerados pelo Fisco, principalmente para constituir créditos tributários cujos fatos geradores foram indevidamente considerados. Por medida de economia processual, a recorrente novamente se reporta às suas razões expendidas nos itens anteriores, pedindo que sejam consideradas como se aqui transcritas estivessem para impugnação de todos os lançamentos reflexivos. Existindo uma íntima relação de causa e efeito, o que for decidido em relação ao auto de infração IRPJ se estende aos autos de infração decorrentes, que assim deverão igualmente ser cancelados, como ora se requer. De fato, aplicase aos lançamentos decorrentes o quanto decidido no principal em face da intima relação de causa e efeito que os liga. Conclusão. Tendo em vista todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 475DF CARF MF 18 Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001421/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2002
BASE DE CÁLCULO. LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Diante da inércia do contribuinte em apresentar outros documentos exigidos em sede fiscalizatória, o cotejo analítico entre DIPJ, Balancetes e os Livros de Registros de Apuração do ICMS/ISS é método hábil para comprovar a base de cálculo da contribuição lançada de ofício.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
A diligência se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo da COFINS conforme relatório de diligência às fls. 4.059/4.068, no montante de R$ 3.018.151,49, já excluídos os valores recolhidos pelo contribuinte e para ajustar a atualização da base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas de prestação de serviços com base nos valores mensais mensurados na planilha constante no voto relator, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme que adotava o relatório da diligência. O Conselheiro Charles votou pelas conclusões
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Diante da inércia do contribuinte em apresentar outros documentos exigidos em sede fiscalizatória, o cotejo analítico entre DIPJ, Balancetes e os Livros de Registros de Apuração do ICMS/ISS é método hábil para comprovar a base de cálculo da contribuição lançada de ofício. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A diligência se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo da COFINS conforme relatório de diligência às fls. 4.059/4.068, no montante de R$ 3.018.151,49, já excluídos os valores recolhidos pelo contribuinte e para ajustar a atualização da base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas de prestação de serviços com base nos valores mensais mensurados na planilha constante no voto relator, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme que adotava o relatório da diligência. O Conselheiro Charles votou pelas conclusões (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 21 /2 00 5- 90 Fl. 4089DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando, em valores originários, a cobrança de R$ 588.206,54, sendo R$ 256.863,99 a título de COFINS, R$ 192.647,94 a título de multa e de R$ 138.694,61 a título de juros de mora. A origem do crédito diz respeito as diferenças apuradas pela fiscalização entre os valores de receita consignados nos livros de apuração do ICMS/ISS e o declarado da DIPJ/2003 ficha 06A linha "05", bem como da diferença encontrada nos balancentes (Razão X Consolidado), o que ensejou uma diferença de R$ 8.562.135,13 a maior na DIPJ/2003, conforme demonstra planilha abaixo: Mês 3.111.000.001 (M/E Exp) 3.113.100.001 (Handling Cias Aéreas Intern.) 3.113.100.004 (Taxa Varíavel Infraero Clas. Intern.) Total Lv apur ICMS 712 (exportação) Diferença jan/02 756.925,82 242.564,98 49.551,36 1.049.042,16 575.490,88 473.551,28 fev/02 672.755,06 216.132,71 44.006,73 932.894,50 518.911,20 413.983,30 mar/02 704.390,73 239.389,85 46.791,21 990.571,79 514.446,43 476.125,36 abr/02 583.507,25 224.880,02 40.091,74 848.479,01 403.897,72 444.581,29 mai/02 649.686,63 253.826,78 44.793,71 948.307,12 472.047,02 476.260,10 jun/02 724.180,78 314.161,26 51.581,70 1.089.923,74 516.085,45 573.838,29 jul/02 939.371,78 365.604,04 64.737,36 1.369.713,18 723.588,14 646.125,04 ago/02 930.863,70 379.405,54 64.843,31 1.375.112,55 727.349,33 647.763,22 set/02 978.516,27 352.390,39 65.966,55 1.396.873,21 724.397,77 672.475,44 out/02 941.287,53 317.520,45 61.794,01 1.320.601,99 672.547,69 648.054,30 nov/02 811.509,77 277.335,65 53.215,19 1.142.060,61 555.428,14 586.632,47 dez/02 932.239,51 303.246,93 60.175,14 1.295.661,58 641.537,00 654.124,58 Balancete Razão Dez 9.625.234,83 3.486.458,60 647.548,01 13.759.241,44 7.045.726,77 6.713.514,67 Balancete Consolidado 11.108.559,18 3.712.922,32 786.380,40 15.607.861,90 Diferença entre balancete 1.483.324,35 226.463,72 138.832,39 1.848.620,46 1.848.620,46 Total 8.562.135,13 Fl. 4090DF CARF MF Processo nº 18471.001421/200590 Acórdão n.º 3302004.603 S3C3T2 Fl. 3 3 Em resumo, diante da diferença apurada pela fiscalização entre o valor informado na DIPJ como receita exportação não incentivada e aquele apurado nos livros de apuração de ICMS, a auditora considerou que esta diferença corresponde as receitas auferidas no mercado interno e não oferecidas à tributação da COFINS. Intimada em 04.10.2005 (fls. 114), a Recorrente apresentou impugnação em 03.11.2005 (fls.116122), alegando, em síntese, que: (i) quase a totalidade da diferença dos valores apontados pela auditora em seu auto derivase do fato de que não há, na declaração de informações econômicofiscais (DIPJ), campo específico para alocar as receitas obtidas com exportação de serviços.; (ii) alocou as receitas de exportação de serviços na linha 05 da ficha 06A da DIPJ apresentada no exercício de 2003 (anobase 2002); (iii) outra razão que levou à discrepância apontada pela auditora foi o fato de que a Recorrente incorporou duas pessoas jurídicas denominadas Santos Dumont Ltda. e Cafés FInos Recife Ltda., sendo que a DIPJ apresentada abrange os resultados das referidas empresas, registro este procedido de forma equivocada pela Recorrente; e (iv) em resumo, o valor de R$ 15.607.861,90, registrado na linha 05 da ficha 06A da DIPJ, estão abrangidos não apenas as receitas de exportação auferidas pela impugnante no ano de 2002, mas também receitas de exportação auferidas durante o mesmo ano pela Cafés Finos, pessoa jurídica incorporada pela Recorrente. Em sessão realizada no dia 26.03.2009, a 4ª Turma da DRJ/RJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, nos termos da ementa baixo transcrita: COFINS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É cabível a exclusão da base de cálculo da COFINS das receitas decorrentes de vendas de mercadoria para o exterior, nos termos da Lei Complementar n° 70/91, alterada pela Lei Complementar n° 85/96, e da Medida Provisória n° 1.8586/ 99 e suas reedições; fazse necessário, entretanto, que seja demonstrada, por ocasião de auditoria fiscal, a efetiva exportação para o exterior, por meio de documentos idôneos para tanto. PRECLUSÃO: Após a impugnação, operase a preclusão temporal para anexar provas, segundo legislação de regência Em 18.08.2009 (fls.459) a Recorrente teve ciência do resultado do julgamento e, em 17.09.2009 interpôs Recurso Voluntário, alegando, além das matérias suscitadas em sede de impugnação, que (i) é necessário a realização de perícia para comprovar suas alegações; e (ii) os documentos juntados pela Recorrente quando da interposição do recurso voluntário devem ser analisados, em total respeito ao princípio da verdade material. Já em 23.05.2012, a antiga composição desta Turma decidiu converter o julgamento em diligência para que a fiscalização prestasse alguns esclarecimentos sobre os fatos e documentos juntados pela Recorrente, cujas razões de decidir foram assim apresentadas: Como relatado, contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração de Cofins porque a mesma não justificou, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a diferença apurada entre os valores de receita consignados nos Livros de Apuração do ICMS e o declarado na DIPJ/2003 Ficha 06A linha 05. Vêse, portanto, que a Fiscalização fez o cotejamento entre as informações prestadas na DIPJ e os lançamentos constantes do Livro de Apuração do ICMS da Fl. 4091DF CARF MF 4 Recorrente para concluir que o valor declarado na DIPJ como Receita de Exportação é superior ao escriturado no Livro de Registro de Apuração de ICMS. A Fiscalização não considerou, sequer, a receita de exportação de serviço escriturado no Livro de Registro de Apuração de ISS da Recorrente declarada na DIPJ/2003 Ficha 06A linha 05. No curso da Fiscalização a autoridade fiscal aceitou como sendo a expressão da verdade, sem excluir o direito do Fisco de fazer as verificações que entender pertinentes, o valor da receita de exportação de produtos registrado no Livro de Registro de Apuração de ICMS da Recorrente, no que entendo um procedimento perfeitamente aceitável. Pela mesma razão, entendo que o valor da receita de exportação de serviços registrada no Livro de Registro de Prestação de Serviços (ISS) deve ser aceito para comprovar o valor declarado na DIPJ/2003 como receita de exportação. Entendendo necessário, pode e deve a autoridade fiscal solicitar a documentação comprobatória dos lançamentos efetuados no referido livro. Também não vejo razão para não considerar os lançamentos efetuados nos livros fiscais (ICMS e ISS) das empresas incorporadas pela Recorrente, mormente para comprovar a procedência de suas alegações de que cometeu erro de fato no preenchimento da DIPJ/2003. Portanto, para formar convicção sobre a solução do litígio, este Conselheiro Relator necessita que a autoridade lançadora se manifeste sobre as alegações da recorrente de que no valor declarado como receita de exportação está incluído, corretamente, a receita de exportação de serviços e, indevidamente, a receita de exportação de produtos e serviços das empresas incorporadas (Santos Dumont e Cafés Fino). Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição da RFB de origem para as seguintes providências: 1 Informar, à luz da receita de exportação escriturada nos Livros de Apuração de ICMS e Prestação de Serviços (ISS) da Recorrente e das empresas incorporadas, se procede a alegação da Recorrente de que cometeu erro de fato no preenchimento da DIPJ/2003 ao incluir, indevidamente, valor de receita de exportação de empresa incorporada; 2 Confirmar ou infirmar se a recorrente auferiu receita de exportação de serviços no ano de 2002 e se a mesma foi declarada na DIPJ/2003 Ficha 06A linha 05. 3 Realizar, se entender necessário, a verificação da procedência dos lançamentos efetuados nos livros contábeis e fiscais da recorrente e das empresas incorporadas. 4 Com as informações colhidas nos itens anteriores, demonstrar a base de cálculo da Cofins de cada período de apuração de 2002, bem como o valor devido, o valor declarado/pago e a diferença porventura existente. Demonstrar, também, o valor do crédito tributário controlado neste processo cujo lançamento eventualmente considera procedente e/ou improcedente. 5 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão. 6 Dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. Fl. 4092DF CARF MF Processo nº 18471.001421/200590 Acórdão n.º 3302004.603 S3C3T2 Fl. 4 5 Durante a fase de diligência, a Recorrente foi intimada à prestar informações e carrear novos documentos, tendo apresentado petições de fls. 2.1952.212, 2.6532.686 e 3.9263.929 e, documentos de fls. 1.8394.058 (razão, invoices, livro fiscal, ICMS e ISS). Ato contínuo, a fiscalização elaborou relatório de diligência (fls.4.0594.068), onde apresentou as seguintes conclusões, o qual destacase alguns trechos: i) A impugnante fala sobre o fato de não haver incidência da COFINS sobre a exportação de serviços para o exterior, acobertada pela isenção à época do Auto de Infração. Tal argumento reside, segundo a impugnante, no fato de a auditoria fiscal não ter considerado que na ficha 6, linha 5 da DIPJ 2003 (receita de exportação não incentivada de produtos) devem ser alocadas as receitas de exportação de produtos e serviços. Entretanto, esta não foi a razão pela qual a auditora fiscal constituiu o crédito tributário. Ela o fez com base nas diferenças apontadas entre as receitas efetivas (receita Bruta) apurada nos livros de apuração de ICMS e ISS e a receita de exportação não incentivada de produtos. ii) Face ao já explicitado acima, podemos concluir que, não só foi declarado Receita de Serviços Exportados, como produtos exportados na linha 05, da Ficha 06 A, da DIPJ 2003, como também, a impugnante, erroneamente, informou em sua DIPJ na ficha de Demonstração de Resultado as suas receitas, incluindo as receita auferidas pelas empresas incorporadas em 30.12.2002, ou sejam, Comissária Aérea Santos Dumont Ltda e Cafés FInos Recife Ltda. Diante da documentação acostada aos autos pela impugnante, ao analisarmos o livro de apuração de ICMS, apuramos que o valor total das mercadorias vendias é de R$ 10.843.737,55, enquanto que o valor das mercadorias exportadas é de R$ 7.045.726,77. Diante deste fato, podemos verificar que, no mercado interno o sujeito passivo deveria ter oferecido a tributação da COFINS o valor de R$ 3.798.010,78, ou seja, a diferença entre o valor total das mercadorias vendidas e exportadas. O sujeito passivo, apresentou em 12.12.2013, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal datado de 02.012.2013, planilha que, no seu item 3, contempla base de cálculo da COFINS, por período de apuração, cujo valor total é de R$ 1.247.648,05 e a respectiva COFINS devida (a pagar). Diante da base de cálculo apresentada pelo sujeito passivo, podemos verificar que houve recolhimento no valor correspondente a COFINS devida. Assim, ao analisarmos os valores escriturados em seu livro de Apuração de ICMS e a base de cálculo apresentada pelo contribuinte, resposta ao item 3 do Termo de Intimação, constatamos que existe uma diferença a ser mantida, pois, não teria sido oferecida à tributação à época. iii) Considerado o demonstrativo apresentado pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, Item 3, os valores constantes do mesmo também não mantém correspondência com os valores escriturados no livro de apuração de ISS. Conforme planilha apresentada pelo contribuinte, em 25.11.2013, em resposta ao Termo de Intimação de 21.10.2013, foi verificado que o valor da Prestação de Serviços era de R$ 4.291.769,68 (Item 26, pg.16), sendo R$ 3.695.580,93 para o Mercado Externo, o que uma diferença de ISS, no valor de R$ 596.188,75, para o Mercado Interno. Fl. 4093DF CARF MF 6 Desta forma, verificamos que existe uma diferença a ser tributada de R$ 596.188,75 e o contribuinte ofereceu à tributação somente o valor de R$ 128.399,99, conforme livro razão do contribuinte, conta contábil, 3.113.100.002. Como a diferença a ser tributada relativa aos serviços prestados somente foi possível apurar na sua totalidade, em virtude de não existir a possibilidade de apurarmos os valores mês a mês, dos serviços prestados no Mercado Interno pelo Livro de Apuração do ISS, considerando que este livro não foi escritura de tal forma que permita a apuração mensal, por não ter esta segregação (mercado interno e/ou mercado externo) e nem a escrituração das Notas Fiscais por CFOP e Valor em relação a totalidade das operações realizadas pelo sujeito passivo e também considerando no Livro Razão, conta contábil 3.113.100.002, consta valor inferior ao apurado pela fiscalização, procedemos à apuração dos valores devidos, mês a mês, a título de COFINS na forma "prorata", conforme planilha a seguir: Face ao já demonstrado, podemos verificar que existe um valor a ser mantido no lançamento de ofício referente à COFINS. Notamos claramente, que o valor que foi oferecido à tributação é menor do que o apurado pelos livros de ICMS e ISS referente às mercadorias vendidas no mercado interno. Assim, elaboramos os demonstrativo abaixo para fique evidenciado o valor, mensal, que deixou de ser tributado: (...) Em 10.10.2014, a Recorrente apresentou manifestação de fls. 4.0744.048 no sentido que de que o débito remanescente da COFINS sobre as receitas de vendas de mercadoria não devem subsistir, posto que eventual divergência entre a contabilidade e os livros de apuração de ICMS e ISS deveria ensejar o lançamento de ofício dos referidos tributos, e não da COFINS, porquanto a apuração da COFINS está em estrita consonância com a apuração contábil analisada e admitida pela própria DRF/RJ. Alega, subsidiariamente, que o critério "pro rata" utilizado pela fiscalização não encontra respaldo legal, gerando, inclusive, prejuízo à Recorrente em relação à eventual parcela mantida, no que diz respeito à incidência de juros de mora, posto que concentrou 50% da receita omitida nos primeiros 03 (três) meses. Fl. 4094DF CARF MF Processo nº 18471.001421/200590 Acórdão n.º 3302004.603 S3C3T2 Fl. 5 7 Por fim, requer o cancelamento integral do lançamento fiscal, e no caso de manutenção do crédito remanescente, a realização de nova diligência fiscal para o fim de que a Manifestante não seja incumbida de arcar com juros de mora em valor superior ao efetivamente devido. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso 18.08.2009 (fls.459) e protocolou Recurso Voluntário em 17.09.2009 (fls. 460484), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões preliminares II.1 Realização de diligência/perícia contábil. Em sede recursal a Recorrente informa que pleiteou em sede de impugnação a realização de diligência para comprovar suas alegações, nos termos do artigo 16, do Decreto 70.235/722 e artigo 38, da Lei nº 9.784/993, sendo que tal pedido não foi analisado pelos julgadores "a quo". Ao analisar a impugnação apresentada pela Recorrente, verificase que o pedido de diligência foi realizado de forma genérica e sem observância aos ditames previsto na legislação anteriormente citada, posto que ausente os quesitos referente aos exames desejados. Por outro lado, constatase que a diligência aventada pela Recorrente foi realizada por meio da determinação contida na Resolução nº 3302.00.218, restando prejudicada a análise deste julgador acerca do referido pedido. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 3 Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 4095DF CARF MF 8 Já em relação ao novo pedido de diligência realizado pela Recorrente em sede de manifestação, o qual visa apurar a correção do critério "pro rata" utilizado pela fiscalização para calcular a COFINS sobre as receitas de prestação de serviços, entendo que referido pedido também deixou de observar as normas previstas na legislação anteriormente citada, posto que ausente os quesitos referente aos exames desejados. Aliás, a constatação da correção do critério utilizado pela fiscalização prescinde de diligência, na medida em que a própria autoridade fiscal já apresentou os motivos que à levaram utilizar o método "pro rata" para calcular a COFINS sobre as receitas de prestação de serviço. Deste modo, fica afastado o pedido de diligência realizado pela Recorrente. III Mérito III.1 Divergência entre valores lançados na DIPJ, Balancetes e Livro de Apuração de ICMS/ISS Neste tópico, a Recorrente sustenta ser ilegal a apuração da base de cálculo da COFINS com base nos lançamentos realizados nos Livros de Registro e Apuração do ICMS/ISS, pois segundo ela eventual divergência entre a contabilidade e os livros fiscais deveria ensejar o lançamento de ofício de ICMS e ISS, e não da COFINS, porquanto a apuração da COFINS está em estrita consonância com a apuração contábil analisada e admitida pela própria DRF. Para a devida análise da tese suscitada pela Recorrente, é imperioso analisar os motivos que levaram a fiscalizar proceder o lançamento fiscal e consequentemente lavrar o presente Auto de Infração. Em 09.05.2005, Recorrente fora intimada para apresentar diversos documentos relacionados aos lançamentos realizados na DIPJ/2003. Já em 24.06.2005, a Recorrente foi intimada para justificar as diferenças apuradas entre os valores consignados nos livros de apuração do ISS e do ICMS e o declarado na DIPJ/2003, ficha 06A, linhas 05 e 08. A Recorrente, por sua vez, trouxe aos autos cópia do Balanço Consolidado, do Livro Razão, da DIPJ e diversas planilhas contendo a apuração das receitas de ICMS e ISS auferidas por ela e pelas empresa incorporadas, sem contudo, justificar de forma clara as diferenças existentes entre os valores lançados na DIPJ/2003 e nos livros de apuração de ICMS e ISS. O Termo de Constatação carreado às fls. 8083 confirma que a Recorrente não apresentou justificativa plausível para elucidar as referidas divergências. Diante desses fatos, a fiscalização procedeu o lançamento fiscal e lavrou o Auto de Infração para cobrança da COFINS calculada sobre a diferença existente entre o valor informado na DIJP/2003 e os valores lançados no Livro de Apuração de ICMS. Na fase de impugnação, a Recorrente apresentou argumentos para demonstrar que a diferença apurada pela fiscalização no valor de R$ 8.562.135,13, extraído do cotejo realizado entre o montante apontado na DIPJ e no livro de apuração de ICMS, se deu pelo fato do contribuinte ter incluído, a linha 05, Ficha 06A, não apenas receita de exportação de produtos, como também receita de exportação de serviços, bem como receita de produtos e serviços da empresas incorporadas, juntando, para tanto, cópia da DIPJ /2002 (incorporação), registro de apuração de ICMS e balancetes das empresas incorporadas. Todavia, os documentos juntados na impugnação não se prestaram à justificar a divergência apurada inicialmente pela fiscalização. Fl. 4096DF CARF MF Processo nº 18471.001421/200590 Acórdão n.º 3302004.603 S3C3T2 Fl. 6 9 Já na fase de diligência, a fiscalização reduziu a base de cálculo inicialmente apurada, considerando desta vez, os novos documentos e argumentos apresentados pela Recorrente, mantendose, contudo, a diferença de lançamento localizado no livro de apuração de ICMS em relação aos produtos exportados e os comercializados no mercado interno e em relação a diferença de lançamento localizado no livro de apuração do ISS atinente aos serviços prestados no exterior e no mercado interno, sendo que em relação à este ponto a Recorrente apenas discordou da utilização dos livros fiscais como meio de prova da infração. Não houve questionamento em relação aos valores apontados pela fiscalização. Com base nas considerações anteriormente apresentadas, é possível verificar que a presente autuação não se limitou única e exclusivamente a apurar as bases de cálculo da COFINS com fundamento em livros de registro e apuração de ICMS/ISS. Pelo contrário, a autoridade fiscal realizou um confronto analítico entre a DIPJ, balancentes, livro razão e livro de apuração e registro de ICMS/ISS. Aliás, o livro de apuração do ICMS/ISS é um livro fiscal de lavra do próprio contribuinte e como tal goza de presunção de veracidade até prova em contrário, sendo que os valores nele registrados podem ser utilizados, como prova secundária, na apuração da base de cálculo de tributos federais. Vale registrar, que a Recorrente em nenhum momento questionou os valores/diferenças encontradas pela fiscalização nos livros de apuração de ICMS/ISS, limitandose a afirmar, genericamente, que os livros de apuração dos referidos tributos não poderiam embasar a exigência sob análise. A própria decisão de piso já havia constatado que o contribuinte deixou de comprovar suas alegações ou apresentar qualquer insurgência quanto ao montante registrado nos livros de apuração do ICMS/ISS, a saber: "Todavia, não parece ter sido esta a única razão por que a auditora fiscal constituiu o crédito tributário com base na diferença entre as receitas efetivas dos livros do ICMS e as receitas de exportação não incentivadas de produtos. Tal discrepância, constatada pela auditora, serviulhe tão somente de técnica de auditoria contábil, com o objetivo de identificar possíveis irregularidades. (....) Mais uma vez, por ocasião do contencioso administrativo, foram juntados aos autos memorias de cálculos do ICMS, telas da DIPJ, contratos sociais e balancetes de coligadas. Nenhum destes documentos, porém, têm o condão de comprovar o que lhe foi pedido desde o início pela auditora fiscal: comprovação de que as diferenças apuradas decorrem de exportação de serviços para o exterior. E o que não faltou à contribuinte foi oportunidade de fazêlo." Por tais motivos, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização para apurar base de cálculo da COFINS através do confronto analítico entre a DIPJ, balancetes, livro razão e livro de apuração e registro de ICMS/ISS. III.2 Da utilização do critério "pro rata" para cálculo da COFINS incidente sobre a receita de prestação de serviço. Em relação ao tema tratado neste tópico, verificase que a fiscalização justificou a aplicação do critério "pro rata" para calcular a base de cálculo da COFINS Fl. 4097DF CARF MF 10 incidente sobre as operações relacionadas aos serviços prestados pela Recorrente com base no seguinte fundamento: "Conforme planilha apresentada pelo contribuinte, em 25.11.2013, em resposta ao Termo de Intimação de 21.10.2013, foi verificado que o valor da Prestação de Serviços era de R$ 4.291.769,68 (Item 26, pg.16), sendo R$ 3.695.580,93 para o Mercado Externo, o que uma diferença de ISS, no valor de R$ 596.188,75, para o Mercado Interno. Desta forma, verificamos que existe uma diferença a ser tributada de R$ 596.188,75 e o contribuinte ofereceu à tributação somente o valor de R$ 128.399,99, conforme livro razão do contribuinte, conta contábil, 3.113.100.002,. Como a diferença a ser tributada relativa aos serviços prestados somente foi possível apurar na sua totalidade, em virtude de não existir a possibilidade de apurarmos os valores mês a mês, dos serviços prestados no Mercado Interno pelo Livro de Apuração do ISS, considerando que este livro não foi escritura de tal forma que permita a apuração mensal, por não ter esta segregação (mercado interno e/ou mercado externo) e nem a escrituração das Notas Fiscais por CFOP e Valor em relação a totalidade das operações realizadas pelo sujeito passivo e também considerando no Livro Razão, conta contábil 3.113.100.002, consta valor inferior ao apurado pela fiscalização, procedemos à apuração dos valores devidos, mês a mês, a título de COFINS na forma "prorata", conforme planilha a seguir:" Por sua vez, a Recorrente alega que "a utilização do critério "pro rata" não encontra respaldo legal, gerando prejuízo ao contribuinte em relação à eventual mantida no que diz respeito à incidência de juros de mora. Isso porque, muito embora tenha tido acesso (i) aos livros de apuração do ISS e (ii) à planilha demonstrativa das notas fiscais emitidas ao longo do ao de 2002 ( com indicação dos respectivos CFOPs), a d. DRF/RJ distribuiu suposta receita omitida (de acordo com os livros de apuração de ISS), no valor de R$ 467.788,76, entre os meses do ano de 2002, utilizando um critério de proporcionalidade "pro rata" que não possui respaldo legal e, pior, concentrando quase que 50% da receita supostamente omitida nos três primeiros meses do ano o que fará com que eventual manutenção dessa Fl. 4098DF CARF MF Processo nº 18471.001421/200590 Acórdão n.º 3302004.603 S3C3T2 Fl. 7 11 parcela seja indevidamente acrescida de juros de mora em percentual/valor superior ao devido." De fato, os livros de apuração do ISS não permitem a segregação dos serviços prestados no mercado interno e dos serviços prestados no exterior, sendo que neste ponto, considerando que a Recorrente não forneceu dados e documentos para possibilitar a fiscalização apurar corretamente a base de cálculo mensal da COFINS, entendo que é admissível a utilização de outro critério para apurar a base de cálculo da referida contribuição. Neste contexto, embora a legislação concernente a COFINS não preveja a utilização de arbitramento por meio do famigerado "pro rata", o Código Tributário Nacional em seu artigo 108, inciso I, permite, na ausência de disposição expressa sobre a matéria, a sua utilização por analogia, o que de fato foi realizado pela fiscalização. Por outro lado, entendo correta a insurgência da Recorrente em relação ao fato da fiscalização concentrar 50% da receita nos três primeiros e distribuílas proporcionalmente nos meses subsequentes. Com efeito, entendo que a fiscalização deveria ter calculado a média mensal das receitas auferidas pela Recorrente no exercício de 2002 e aplicado a porcentagem de cada mês ao saldo remanescente apurado na diligência, garantindo, assim, a aplicação do critério mais justo para calcular a base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas de prestação de serviços. A planilha abaixo demonstra a porcentagem mensal das receitas auferidas pela Recorrente no período de 2002 e o valor mensal calculado sobre o saldo remanescente apurado pela fiscalização na diligência realizada nestes autos, devendo, ser observado o critério abaixo quando da execução do julgado: Período Receita/2002 % mensal Saldo jan/02 326.065,53 7,60% 35.540,07 fev/02 296.033,37 6,90% 32.266,66 mar/02 311.111,40 7,25% 33.910,12 abr/02 274.294,21 6,39% 29.897,16 mai/02 307.815,15 7,17% 33.550,84 jun/02 373.259,69 8,70% 40.684,07 jul/02 434.804,79 10,13% 47.392,29 ago/02 448.832,98 10,46% 48.921,31 set/02 423.390,86 9,87% 46.148,21 out/02 383.042,60 8,93% 41.750,38 nov/02 336.964,16 7,85% 36.727,98 dez/02 376.155,24 8,76% 40.999,68 Total 4.291.769,98 100,00% 467.788,76 IV. Conclusão Diante do exposto, rejeito a preliminar arguida pela Recorrente e, no mérito, voto para dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para o fim: a) reduzir a base de cálculo da COFINS nos termos da diferença apurada no relatório de diligência carreado às fls. 4.0594.068, no montante de R$ 3.018.151,49, já excluído os valores recolhidos pelo contribuinte; e Fl. 4099DF CARF MF 12 b) calcular/ realizar a atualização da base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas de prestação de serviços com base nos valores mensais mensurados na planilha constante no voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 4100DF CARF MF
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