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Numero do processo: 11330.000414/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 1996 até dezembro de 1998. Ressalta-se que o lançamento foi efetuado em agosto de 2006, conforme fls. [1] , sendo assim o prazo de cinco anos já havia finalizado.
Numero da decisão: 2301-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 05/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 1996 até dezembro de 1998. Ressaltase que o lançamento foi efetuado em agosto de 2006, conforme fls. [1] , sendo assim o prazo de cinco anos já havia finalizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 05/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 04 14 /2 00 7- 06 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Tratase de auto de infração DEBCAD nº 37.219.6039, relativo a crédito previdenciário pertinente as contribuições devidas pela empresa, relativas a parte patronal às devidas a outras entidades (terceiros) e as destinadas financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT, apurado pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária — SRP, sob o n° DEBCAD 37.007.1930. Conforme relatório elaborado pela NLFD [fls. 47 às 49], o presente lançamento referese a creditos previdenciários geradores de diferenças que apuradas em ação fiscal resultaram no montante de R$ 9.438,18 (nove mil quatrocentos e trinta e oito reais e dezoito centavos ). A NFLD apurou as respectivas diferenças nas competências de 01/1/1996 até 13/01/1998, de forma não contínua. Essas seriam decorrentes de juros e multa, decorrentes de recolhimento com atraso, recolhimentos efetuados a menor no que se refere às contribuições da empresa, recolhimentos efetuados a menor no que se refere a contribuições em favor de terceiros, glosa das deduções realizadas a titulo de pagamento de cotas de salário família. Em sede de impugnação [fls. 80 às 87], cientificada pessoalmente, a empresa apresentou sua defesa tempestivamente, discordando de todos os lançamentos efetuados e contestandoos por completo. Alega primeiramente a decadência do direito de se efetuar o lançamento no período de 01/96 até 12/98, completando assim o decurso do prazo de 5 anos previsto para a constituição do crédito com base no Código Tributário Nacional. Aduz ainda que o prazo decadencial de 10 anos previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional por prejudicar o artigo 173 do CTN e o artigo 146, III, ‘’b’’ da Constituição Federal. Posteriormente, a empresa aduz à respeito da inexistência de diferenças devidas, com base no fundamento legal do artigo 31 da lei 8.212/90 que estabeleceu o prazo de 10 anos para guarda de documento em razão do prazo decadencial estabelecido. Dessa forma, afirma que este também se encontra com vicio de inconstitucionalidade pelos mesmos motivos narrados anteriormente. Ainda na impugnação, aduz a empresa que a fiscalização apurando indiferenças, espargiu indistintamente no SAT/rat, provocando inúmeras dificuldades na analise dos lançamentos efetuados. Grande parte das diferenças, em especial ao período12/1996, 01, 02 (parte)," 06, 08, 09, 11 (parte) e 12 (parte)/1997 são resultantes do Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000414/200706 Acórdão n.º 2301003.867 S2C3T1 Fl. 292 3 cálculo de contribuição previdenciária sobre os pagamentos a prestadores de serviço sem vinculo empregatício e/ou administradores, havendo ainda em suas alegações a afirmação de que no período apurado acima as respectivas contribuições eram inconstitucionais. Igualmente, quanto a questão da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo à respeito da contribuição incidente sobre a remuneração dos prestadores de serviço, voltou a ser exigida pela EC 20/98, contudo, essa modificação foi introduzida pela legislação em 29/11/99 com a Lei 8.212/90 com a regulamentação do decreto 3.265/99 , alegando que somente a partir de 1999 foi possível exigir a referida contribuição. Outrossim, a empresa protesta à respeito da invalidade das glosas realizadas, garante que os documentos que tratam das competências no caso de salário maternidade bem como no salário família já foram apresentados a previdência social, sendo incabível a sua exigência em quase dez anos depois. Por fim, os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro – RJ, ao proferir acórdão Nº 1214.807 14a Turma da DRJ/RJOI , julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigibilidade do credito previdenciário nos termos da NFLD, entendendo por correto as lançamentos efetuados em relação às diferenças entre os valores apurados e devidos, em relação a glosa de salário família e salário maternidade decidiu que a não apresentação da documentação enseja a glosa de valores reembolsados e ao final entende que o prazo decadencial é de 10 anos a teor do artigo 45 da Lei nº 8.212/90, conforme ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR DEVIDO E O EFETIVAMENTE RECOLHIDO. O não recolhimento do total das contribuições devidas pela empresa nos termos estabelecidos pela legislação previdenciária importa no lançamento das diferenças apuradas em Auditoria Fiscal. GLOSA DE SALÁRIOFAMÍLIA E DE SALÁRIO MATERNIDADE. A não apresentação pela empresa à Auditoria Fiscal Previdenciária da documentação legalmente exigível para o pagamento e o respectivo reembolso do SalárioFamília e do SalárioMaternidade enseja a glosa dos valores reembolsados, na forma da legislação de regência. DECADÊNCIA O prazo decadencial da contribuição previdenciária é de 10 (dez) anos, a teor do disposto no artigo 45 da Lei n°8.212/91. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, a ora Recorrente interpor Recurso Voluntário a fls. [128 à 131], fundamentando seu inconformismo embasado no decadência do prazo de cinco anos e na inconstitucionalidade do artigo 45, inciso I e II da Lei 8.212/90, pelo Superior Tribunal de Justiça que previa o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias. Em relação as teses subsidiarias, deixa a Recorrente de fazer menção sob o fundamento de que uma vez acolhida a alegação de decadência é suficiente para a solução do respectivo processo administrativo. Ao fim, requerer a declaração de insubsistência do lançamento efetuado e a consequente improcedência do Auto de Infração . Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Da tempestividade O sujeito passivo foi eficazmente citado da decisão recorrida no dia 29 de outubro de 2007, havendo o Recurso Voluntário protocolado dia 28 de novembro de 2007, reconhecendose assim a tempestividade do Recurso. Da Preliminar Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro RJ, ao proferir acórdão Nº 1214.807 14a Turma da DRJ/RJOI, julgando procedente todos os lançamentos efetuados na apuração de 01/01/1996 a 31/12/1998. A Recorrente, por meio do Recurso Voluntário, busca excluir estas obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nestas competências. De fato, o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “ São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103ª da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000414/200706 Acórdão n.º 2301003.867 S2C3T1 Fl. 293 5 O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerasse homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O Superior Tribunal de Justiça (STJ), julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contasse do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; Extrai se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 1996 até dezembro de 1998. Ressaltase que o lançamento foi efetuado em agosto de 2006, conforme fls. [1] , sendo assim o prazo de cinco anos já havia finalizado. Conclusão Pelos motivos expendidos, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO TOTAL ao Recurso Voluntário, declarando insubsistentes os lançamentos efetuados, pela decadência do direito de constituir o crédito no período de cinco anos uma vez que o prazo do artigo 45 da Lei 8.212/90 foi declarado inconstitucional pelo STF. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 296DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10380.013788/2008-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. NÃO INCIDÊNCIA.
As verbas à título de auxílio-alimentação, ainda que não inscritas previamente no PAT, possuem natureza indenizatória. Por esta razão, tais verbas não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Desta forma tem decidido o STJ e este Conselho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. As verbas à título de auxílioalimentação, ainda que não inscritas previamente no PAT, possuem natureza indenizatória. Por esta razão, tais verbas não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Desta forma tem decidido o STJ e este Conselho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 37 88 /2 00 8- 14 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil com julgamento em Fortaleza, nº 0817.424, fls. 161/164, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para manter parte do crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.149.8120, referente ao período de 01/2004 a 12/2004, no valor de R$ 77.344,86 (setenta e sete mil, trezentos e quarenta e quatro reais e oitenta e seis centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de multa, pelo fato de empresa não ter informado a totalidade dos fatos geradores verificados pela fiscalização em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações á Previdência Social – GFIP. Para tanto, vejase trecho do Relatório Fiscal de fls. 15/21: DOS ELEMENTOS EXAMINADOS 1.5 Os elementos examinados foram: Folhas de Pagamento, recibos de férias e rescisões contratuais, fichas de registro de empregados, recibos de pagamentos de pessoas físicas, Registros Contábeis, GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) e Guias da Previdência Social – GPS’s DA SITUAÇÃO ENCONTRADA 1.6 Foram adotados os procedimentos de auditoria fiscal para identificar possíveis divergências nas informações da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Observouse que a empresa não informou na GFIP a totalidade dos fatos geradores verificados pela fiscalização no período de 08/2004 a 12/2004. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 25/26. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ/FOR, prolatou o acórdão 0817.424 de fls. 161/164, a qual julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parte do crédito tributário, conforme ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. RELEVAÇÃO DA MULTA. O sujeito passivo faz jus a relevação da multa apenas quando cumpre os requisitos previstos no art. 291, § 1º, do Decreto Fl. 653DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.013788/200814 Acórdão n.º 2403002.805 S2C4T3 Fl. 3 3 3.048/99. Com o advento da IN MPS/SRP 23/2003, deixou de existir a possibilidade de relevação parcial da multa nas competências em que a infração não for integralmente corrigida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, Serjak Manufatura de roupas LTDA., interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 171/174, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, do argumento de que a recorrente efetuou todas as correções necessárias no prazo que lhe faculta a lei, de forma que a aplicação da multa é inconsistente. É o relatório. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.648, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO Não obstante se tratar de obrigação acessória, a presente autuação está vinculada à obrigação principal que deveria incidir sobre AuxílioAlimentação por empresa não inscrita no PAT. Contudo, como se mostrará a seguir, deve ser exonerada a multa referente a tal hipótese de incidência, já que o auxílioalimentação não integra saláriodecontribuição independentemente de estar ou não inscrita no PAT. Conforme se pode observar pelo Relatório Fiscal, a recorrente servia aos seus empregados auxílio alimentação sem estar inscrita no PAT. O contribuinte afirma que a alimentação foi fornecida in natura e diretamente aos trabalhadores. Informa também que teve sua inscrição processada em 23/06/2006. Diante dos fatos analisados no processo, passase ao mérito. É cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindo se, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) É por ser de natureza nitidamente indenizatória, que o art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº. 8.212/91 traz em sua redação que não integrará o salário de contribuição a parcela in natura recebida nos termos do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 655DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.013788/200814 Acórdão n.º 2403002.805 S2C4T3 Fl. 4 5 (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; A referida norma reproduziu o já disposto na Lei nº. 6.321/76, em seu art. 3º: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas ao Programa de Alimentação do Trabalhador, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo in natura, em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de alimentação que garanta o seu sustento e fiel cumprimento de suas atividades dispostas no contrato de trabalho. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, que in casu foi in natura, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão de entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência acerca de situação análoga, a saber, os valores pagos em pecúnia a título de transporte. Tal posicionamento foi assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) Fl. 656DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura ). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho , circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (STJ. 1.185.685 – SP 2010/00494616, Relator: Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Data de Julgamento: 16/12/2010, 1ª TURMA, Data de Publicação: DJe 10/05/2011) (grifos acrescidos) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria no que toca às verbas indenizatórias e a questão da utilização da impossibilidade de relativização do curso legal da moeda: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.013788/200814 Acórdão n.º 2403002.805 S2C4T3 Fl. 5 7 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, é prudente o posicionamento da Corte Superior na aplicação análoga a alimentação, por trataremse de verbas ofertadas ao empregador em caráter estritamente indenizatório. De outra sorte, o Tribunal Superior do Trabalho – TST, também adota a posição de a verba a título de alimentação paga em pecúnia é também indenizatória, para tanto, vejase os precedentes abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o Fl. 658DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Recurso que não logra demonstrar a incorreção ou o desacerto do despacho negativo de admissibilidade do recurso de revista. Agravo de instrumento a que se nega provimento. ( TSTAIRR 4334034.2007.5.02.0077 , Relator Juiz Convocado: Flavio Portinho Sirangelo, Data de Julgamento: 09/05/2012, 5ª Turma, Data de Publicação: 18/05/2012) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALEALIMENTAÇÃO. ACORDO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. Esta Corte Superior tem perfilhado entendimento no sentido de que o pagamento da parcela auxílioalimentação em pecúnia, no acordo judicial, decorre do descumprimento de obrigação de fazer, que se resolve em obrigação de indenizar, o que não desnatura sua natureza jurídica indenizatória. Assim, nos termos do artigo 28, § 9º, c, da Lei 8.212/91, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tal parcela. Precedentes do TST. Recurso de revista conhecido e provido." (TSTRR2200 80.2009.5.15.0079, Relator Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data 2ª Turma, DEJT 21.10.2011) **************************************************** ACORDO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALEALIMENTAÇÃO. NATUREZA. A parcela denominada valealimentação recebida em acordo judicial não integra o saláriodecontribuição. Assim é porque o recebimento da referida parcela em pecúnia ocorreu para compensar o não recebimento durante o contrato de trabalho, hipótese que não altera sua natureza jurídica que é indenizatória. Recurso de Revista de que não se conhece." (TSTRR4300 76.2008.5.15.0003, Relator Ministro João Batista Brito Pereira, 5ª Turma, DEJT 26.8.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CESTA BÁSICA. NATUREZA JURÍDICA. ACORDO HOMOLOGADO NA JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O recebimento da cesta básica em pecúnia, em razão da homologação de acordo judicial, não tem o condão de transmudar a natureza do auxílioalimentação para salarial. Incidência da Súmula 333 do TST e do § 4º do art. 896 da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR15100 39.2006.5.15.0067, Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT 19.4.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIO Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.013788/200814 Acórdão n.º 2403002.805 S2C4T3 Fl. 6 9 ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Incólumes os dispositivos legais apontados na revista e superada a divergência jurisprudencial, nos termos da Súmula n.º 333 do TST e do art. 896, § 4.º, da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR2600049.2006.5.15.0013, Relator Juiz Convocado Flavio Portinho Sirangelo, 7ª Turma, DEJT 15.10.2010) Na esteira do raciocínio esposado, destaquese julgado deste Conselho, 2ª Seção, Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010. Apesar de se referir ao transporte em pecúnia, traz em sua ementa, relevante lição a ser aplicada, a de que o beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Por fim, destaquese que na sessão de 20 de setembro de 2012, esta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos autos do processo 10680.720790/201075, que resultou no acórdão 2403001.629, julgou pela não incidência de contribuição previdenciária no caso de alimentação paga in pecúnia, in verbis: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares: por unanimidade de votos reconhecer a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 03/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4 do CTN. No mérito: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de "Vale Transporte em pecúnia", "Alimento em pecúnia","Cesta Básica in natura"; II) por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9/4430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros da questão da multa. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre Medeiros. Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de alimentação in natura, estando ou não a empresa inscrita no PAT. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento, exonerando a multa da recorrente. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000156/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição de recurso é peremptório. O recurso voluntário apresentado após o prazo legal não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. O recurso voluntário apresentado após o prazo legal não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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FATOS GERADORES Recorrente COMÉRCIO DE MÁRMORES E GRANITOS MUNDO DAS PEDRAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. O recurso voluntário apresentado após o prazo legal não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 56 /2 00 8- 84 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000156/200884 Acórdão n.º 2803004.061 S2TE03 Fl. 271 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n.º 37.146.4137/2007 lavrado contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, por ter deixado de informar, em GFIP, fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências 01/2004 a 13/2004. Deixou de informar em GFIP, na “Base de Cálculo da Previdência Social/Remuneração”, valores de “Auxílio Refeição” pagos em dinheiro e “sem PAT”, valores de Pró Labore, bem como a totalidade do saláriodecontribuição de seus empregados. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. O julgamento foi convertido em diligência. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e apresentou contestação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal manteve o crédito tributário. DO RECURSO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: houve violação ao contraditório e ampla defesa; o vale refeição é fornecido em dinheiro e é utilizado exclusivamente para o custeio de refeições; apresentou parcelamento que regulariza a situação do contribuinte; por fim, requer a anulação da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.000156/200884 Acórdão n.º 2803004.061 S2TE03 Fl. 272 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO A tempestividade constitui requisito indispensável à admissibilidade do recurso. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da primeira instância administrativa em 23/10/2012, fl. 251 dos autos digitalizados, apresentando recurso voluntário em 27/11/2012, fls. 252/257. O prazo para recurso é de 30 (trinta) dias após a ciência da decisão, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72. Iniciandose no dia seguinte ao da ciência em 24/10/2012 encerraria o prazo para interposição de recurso em 22/11/2012 (fl. 267). O contribuinte apresentou recurso somente em 27/11/2012. Destarte, o recurso voluntário não pode ser conhecido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso, em razão da intempestividade. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007715/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-001.291
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER E REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER E REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
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Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER E REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 77 15 /2 00 8- 87 Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega erro de fato, obscuridade e omissão no Acórdão nº 1401000.984, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que julgou o recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 SÓCIOS. RETIRADA DA SOCIEDADE. FISCALIZAÇÃO POSTERIOR. NOTIFICAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza cerceamento de defesa dos sócios aos quais se imputou responsabilidade pelos tributos devidos pela sociedade da qual se retiraram antes do início da ação fiscal, quando são regularmente notificados da autuação, momento em que lhes é facultado o exercício do contraditório e da ampla defesa, mediante a possibilidade de acesso aos autos e a apresentação de impugnação ao lançamento. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. FATO GERADOR. EXERCÍCIO SEGUINTE. A contagem do prazo decadencial em desfavor do Fisco, na hipótese de constatação de infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude, iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173,1 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO. PAEX. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. RENÚNCIA. DECADÊNCIA. A confissão de débitos no curso de procedimento fiscal mediante Declaração Paex não constitui hipótese de suspensão do trâmite do superveniente lançamento quando a renúncia a sua impugnação é parcial, entretanto a data da confissão antecipa o prazo que se operaria a decadência. SUPERINTENDENTE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INFORMAÇÕES SOB SIGILO JUDICIAL. ENCAMINHAMENTO. AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. O titular de cargo em comissão de Superintendente Regional da Receita Federal exerce funções administrativas, não detendo competência para lançar tributos, razão pela qual informações enviadas por magistrado a referida autoridade administrativa com finalidade de instaurar possível procedimento de exigência tributária, ainda que protegidas por sigilo judicial, podem ser reencaminhadas a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil que exerce autoridade tributária sobre o território em que está situado o domicílio fiscal do contribuinte, mantendose o status sigiloso das informações. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE. EFEITOS. MOMENTO. O ato de declaração de inidoneidade de documentos fiscais surte efeitos a partir da data em que ele reconhece a existência da situação de fato que motivou sua expedição, e não, depois de sua publicação. Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.007715/200887 Acórdão n.º 1401001.291 S1C4T1 Fl. 3.977 3 MULTA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. QUALIFICADORA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude, caracterizada pela existência de interpostas pessoas no quadro societário da fiscalizada, objetivando ocultar e eximir da responsabilidade tributária os seus verdadeiros titulares, impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis, mas não exclusivamente, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. CUSTOS. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. GLOSA. Os custos escriturados com base em documentos inidôneos são indedutíveis para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda, devendo ser glosados pela Autoridade Fiscal. OBRIGAÇÕES. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. A escrituração de obrigações assentadas em documentos inidôneos caracteriza passivo fictício, autorizando a Autoridade Fiscal a presumir a ocorrência de infração de omissão de receitas. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE NEXO CAUSAL. PAGAMENTO SEM CAUSA. Ausente o nexo causal entre o dispêndio de recursos efetuado pelo contribuinte e a operação comercial correspondente, ante a inidoneidade do documento que lhe daria suporte, fica caracterizado um pagamento sem causa, sujeito ao imposto de renda retido na fonte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que, além de implicar os lançamentos da contribuição para o Programa de Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.A Embargante aponta omissão e obscuridade no Acórdão embargado, nos seguintes termos: O resultado de julgamento restou assim assentado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para desfazer os efeitos do acolhimento da decadência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, bem assim não conhecer do Recurso Voluntário da PINK, em face da confissão de dívida; conhecer dos recursos dos responsáveis tributários, Sr. Adalberto Cardoso e o Sr. Paulo Victor Cardoso, para então rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento, mantendo os respectivos termos de responsabilidade tributária atribuídos aos mesmos A embargante aponta omissão e contradição no Acórdão indigitado: Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 o primeira vício apontado é uma contradição. Diz respeito ao tratamento dado à decadência nos tributos sujeitos à homologação. Alega que a contradição existe, uma vez que foi afirmado no voto que, uma vez verificado o pagamento, o prazo decadencial deverá ser computado nos termos do artigo 150, §4° do CTN,, dessa forma, como houve declaração em DCTFS e recolhimentos, deveria ter sido aplicado a regra do art. 150, §4° do CTN e não a regra do art. 173, I. Não há no voto uma conexão lógica entre a fundamentação e a decisão do acórdão, tendo em vista que foi aplicado o artigo 173,1 do CTN para solução da lide. Afirma por fim, que não há que se falar que a adesão ao PAEX configuraria confissão de dívida irrevogável e irretratável, tendo em vista que a decadência tratase de matéria de ordem pública, podendo se conhecível, inclusive, de ofício. o segundo vício apontado tratarseia de uma obscuridade quanto a admissibilidade de provas ilícitas. Segundo ela, o fisco valeuse de provas extraídas do processo judicial em trâmite perante a 4a Vara Criminal da Justiça Federal de Belo Horizonte, que visa investigar a denominada "Operação Castelhana", a qual supostamente teria relação com as infrações administrativas imputadas à Embargante. Ocorre que o mencionado processo judicial tramita sobre o sigilo da Lei 9296/96, de forma que qualquer prova extraída deste processo deveria vir acompanhada de autorização judicial para o seu compartilhamento.No presente caso, verificouse apenas que o judiciário de Minas Gerais apresentou expressa autorização para que as informações do processo fossem compartilhadas com a Receita Federal de Minas Gerais, não havendo menção em momento algum quanto a possibilidade de compartilhamento destas informações com a Receita Federal do estado de São Paulo. Desta forma, as provas constantes na autuação fiscal em questão são ilícitas, pois constituem provas emprestadas, fato este expressamente vedado pela Constituição Federal em seu artigo 5o, inciso LVI. por fim, o terceiro vício apontado tratarseia de uma contradição quanto a manutenção da qualificação da multa aplicada. O julgador entendeu devida a multa qualificada, no patamar de 150%, por entender que houve fraude nas operações em análise, uma vez que supostamente foram utilizadas interpostas pessoas. Ocorre que tal entendimento é extremamente contraditório, uma vez que a fraude que justifica a aplicação de multa qualificada somente será configurada quando esta estiver vinculada ao fato gerador da obrigação e não aos sujeitos que a envolvem. É o relatório. Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.007715/200887 Acórdão n.º 1401001.291 S1C4T1 Fl. 3.978 5 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Como se relatou, apontouse três supostos vícios: duas contradições e uma obscuridade. A princípio cabe esclarecer que a via dos embargos de declaratório é notoriamente estreita e o embargante a trata como um via bastante larga. Todos os três pontos foram minuciosamente tratados pelo Acórdão embargado, abrindose tópicos específicos para fundamentar cada uma das matérias envolvidas. Mas, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. O primeiro ponto, diz respeito a uma suposta contradição do Acórdão em relação ao trato da decadência. Não há tal contradição. Primeiro, porque a tese do Acórdão embargado foi no sentido de não reconhecer a decadência acolhida pela DRJ, em função da adesão efetuada ao PAEX, que implicou na renúncia irretratável da empresa em recorrer dos respectivos lançamentos do IRPJ/CSLL/PIS e COFINS. Certo ou errado, tratase de uma questão de direito assentada pelo colegiado que passou longe em relação à aplicação da regra que envolvia a presença ou ausência de pagamentos. Na verdade o Acórdão embargado tratou dessa questão tãosomente no que diz respeito à decadência do IRRF, que digase de passagem foi acolhido pelo Acórdão embargado de forma favorável ao contribuinte. Outrossim, a DRJ acolheu a decadência utilizandose de forma cumulativa, as duas condições: ausência de pagamentos e presença de dolo e fraude, o que conduziria por uma via ou outra para a regra do art. 173, I do CTN. Por fim, como foi colocado no voto, independentemente da confissão irretratável da dívida esse colegiado quedouse também ou tãosomente ao outro argumento independente trazido à baila pelo colegiado durante as discussões, qual seja: “Ademais, e aqui se trata de um argumento que foi efetivamente abraçado pelo colegiado, o fato de a confissão ter se dado em 16.02.2007, antes portanto do Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 prazo final para se operar a decadência, implica dizer que ela também não se operou por este motivo.” Portanto, afasto essa contradição. No que concernente ao segundo vício apontado de obscuridade quanto a admissibilidade de provas ilícitas, também não merece maior sorte a embargante. Em primeiro lugar, a Recorrente não aponta especificamente que obscuridade seria essa. Não verdade, pelo relato dos embargos fica bem claro que a Recorrente na verdade entendeu perfeitamente os fundamentos do voto embargado e trata apenas de tentar combatêlo novamente, com os mesmo argumentos recursais, dessa feita por essa via bem mais estreita. Apenas para ilustrar melhor o que afirmo, segue abaixo trecho de parte da decisão que aborda com clareza essa matéria: (...) Em relação à primeira alegação de reserva do caso apenas ao Fisco Federal Mineiro, bem se vê pela leitura do contexto da ação judicial que se trata de uma interpretação deveras restrita e afastada da realidade. Em primeiro lugar, a ordem judicial não expressa tal restrição. Faz, sim, referência ao Superintendente da Receita Federal em Minas Gerais, como um ponto de partida espacial onde se situava a matriz do escritório envolvido no caso. Portanto, a ordem judicial para que o Superintendente da Receita Federal em Minas Gerais fosse intimado a ter acesso às informações contidas nos autos não implicou reconhecer que somente aquela autoridade poderia analisálas. E seria até um absurdo se esse fosse o caso, é que os clientes do escritório de advocacia denunciado se espalham pelo Brasil, sujeitando se às mais diversas circunscrições administrativas da Receita Federal, cada qual sob a esfera de influência fiscal de uma de suas unidades. Seria por demais contraproducente que o magistrado pesquisasse a abrangência das ramificações do caso para então requerer diretamente apenas às unidades da Receita Federal que atuavam nas jurisdições administrativas dos domicílios fiscais dos clientes dos acusados e assim instaurassem as respectivas devidas ações fiscais. Como bem colocou a decisão de piso: Todavia, não cumpre ao juiz conhecer a exata divisão e distribuição de competências administrativas de cada um dos órgãos dos demais poderes e, dessa maneira, o juízo da seção judiciária mineira, ao indicar o representante da Secretaria da Receita Federal naquela unidade federativa, buscou garantir que as informações seriam encaminhadas, com precisão, às exatas unidades da Receita Federal dos domicílios fiscais dos clientes dos réus. (....) os clientes dos denunciados encontravamse domiciliados em vários estados portanto, sujeitos a circunscrições administrativas diversas à da Superintendência da Receita Federal de Minas Gerais, seja porque o titular do cargo em comissão de Superintendente Regional da Receita Federal exerce funções administrativas, não detendo competência para lançar tributos. Nesse sentido, caberia ao superintendente mineiro determinar a formação de equipes de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil para que, no exercício da autoridade tributária, efetuar os trabalhos de auditorias junto aos clientes domiciliados naquele estado da federação e, quanto àqueles localizados nos demais estados, encaminhar as informações às respectivas superintendências ou delegacias da Receita Federal, observando as cautelas necessárias à preservação do sigilo requerido e que são inerentes a toda e qualquer ação fiscal. Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.007715/200887 Acórdão n.º 1401001.291 S1C4T1 Fl. 3.979 7 Portanto, as informações obtidas em razão da "Operação Castelhana" foram utilizadas nos estritos termos traçados pela ordem judicial e sendo assim, não há que se falar em ilicitude nas provas contidas neste processo administrativo a ensejar a nulidade do feito. (...) Portanto, também afasto essa obscuridade. Por fim, o terceiro vício apontado tratarseia de uma contradição quanto a manutenção da qualificação da multa aplicada. Segundo a embargante, o julgador entendeu devida a multa qualificada, no patamar de 150%, por entender que houve fraude nas operações em análise, uma vez que supostamente foram utilizadas interpostas pessoas. Ocorre que tal entendimento é extremamente contraditório, uma vez que a fraude que justifica a aplicação de multa qualificada somente será configurada quando esta estiver vinculada ao fato gerador da obrigação e não aos sujeitos que a envolvem. Primeiramente cabe esclarecer, que a contradição que se fala em sede de embargos declaratórios se dá internamente à estrutura da decisão, ou seja, entre suas partes internas. A contradição se dá entre premissas ou entre premissas e conclusão. Como se vê tem sempre a ver com dois componentes internos da decisão. O contribuinte traz apenas um componente (os fatos que envolveria o dolo, segundo ela, deveria haver vínculo com o fato gerador). Como se vê ela onde ela diz que há contradição, na verdade se traveste uma tentativa de se insurgir contra os fundamentos da decisão, ou por outras palavras, o seu inconformismo referese na verdade ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, como já se colocou retro, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Portanto, também afasto esse último vício apontado. Por todo o exposto, conheço e rejeito os embargos da contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 8 Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 16327.001678/2002-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTÍCIA DE PAGAMENTO DOS DÉBITOS. CONCORDÂNCIA. PERDA DE OBJETO.
Tendo o contribuinte manifestado concordância com os valores apurados e informado que providenciou o seu pagamento, ocorre a perda de objeto por ausência de litígio. Não conhecimento do recurso nesta parte.
PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS COMPROVADOS.
Deve ser declarada a improcedência do auto de infração, quando comprovado que os pagamentos foram efetuados antes de sua lavratura.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, não tomar conhecimento parcial do recurso voluntário, por perda de objeto, e dar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento o advogado Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234687.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA DE OFÍCIO. RECURSO DE OFÍCIO. Demonstrado que o crédito tributário lançado estava com exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança, correta a exoneração da multa de ofício aplicada, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTÍCIA DE PAGAMENTO DOS DÉBITOS. CONCORDÂNCIA. PERDA DE OBJETO. Tendo o contribuinte manifestado concordância com os valores apurados e informado que providenciou o seu pagamento, ocorre a perda de objeto por ausência de litígio. Não conhecimento do recurso nesta parte. PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS COMPROVADOS. Deve ser declarada a improcedência do auto de infração, quando comprovado que os pagamentos foram efetuados antes de sua lavratura. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, não tomar conhecimento parcial do recurso voluntário, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 78 /2 00 2- 37 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 257 2 perda de objeto, e dar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento o advogado Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234687. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 258 3 Relatório Por economia processual aproveito o relatório elaborado pelo então Conselheiro Maurício Taveira e Silva, por ocasião da edição da Resolução nº 20100743, abaixo transcrito: BANCO FIDIS DE INVESTIMENTO S/A, devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 105/110, contra o Acórdão nº 1611.788, de 04/12/2006, prolatado pela 10ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP, fls. 92/98, que julgou procedente em parte o auto de infração n° 0001698 (fls. 23/24), relativo ao PIS, decorrente de auditoria interna na DCTF, referente ao anocalendário de 1997, em razão de que os créditos vinculados ao Processo nº 97.00600475 não foram confirmados, sob a ocorrência: "Proc jud não comprovad", conforme fls. 25/26, e, ainda, em razão de que os pagamentos vinculados aos Darfs não foram localizados, conforme fl. 27, cuja ciência ocorreu em 19/03/2002 (fl . 84). O interessado apresentou impugnação de fls. 01/18, aduzindo os seguintes argumentos: 1. os Darfs de fls. 37/43 comprovam os pagamentos do principal e encargos, sendo que os valores de R$ 29.003,18 e R$ 26.331,83, relacionados como não pagos, foram recolhidos, equivocadamente, com o código 3885, ao invés de 4574, requerendo, desde já, a retificação dos Darfs acostados, nos termos dos formulários Redarf anexos (fls. 80/83); 2. o crédito tributário, objeto do presente lançamento, encontrase com a exigibilidade suspensa, conforme sentença no MS nº 97.00600475 (fls. 44/79), sendo imprópria a aplicação de multa e os juros de mora; e 3. somente após serem revertidas as sentenças procedentes é que se caracterizará o vencimento da obrigação, após transcorridos 30 (trinta) dias a contar de sua cassação. A DRJ julgou procedente em parte o lançamento, cujo acórdão foi assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1997 MULTA DE OFICIO. DESCABIMENTO. MEDIDA LIMINAR OU DE TUTELA ANTECIPADA. Na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade estiver suspensa pela concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, descabe o lançamento de multa de oficio. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 259 4 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte ". Tempestivamente, em 30/03/2007, o contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 105/110, insurgindose contra a manutenção dos juros e, ainda, argumentando que medida judicial lhe autoriza o recolhimento do PIS conforme a LC nº 7/70, ou seja, no último dia do mês subseqüente ao de apuração do Imposto de Renda, que utilizou como base de cálculo, além de ter efetuado os pagamentos com o extinto código 3885, razão pela qual não foram localizados. Ao fim, postula a desconstituição do crédito tributário exigido, inclusive no que se refere à multa isolada, indevidamente lançada. Por meio do despacho de fls. 129/131, a DRF em Contagem MG analisou o andamento do processo, concluindo pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário lançado com base em "não comprovação de processo judicial", por força de existência de medida judicial e, quanto aos créditos lançados e mantidos por "pagamento não localizado", a exigibilidade se encontra suspensa em virtude do recurso voluntário. Acrescentese a este relatório que a DRJ, em relação à parte por ela exonerada, apresentou recurso de ofício. Também determinou que fosse efetuada uma auditoria nos pagamentos apresentados devendo ser considerados, caso comprovados. Conforme mencionado, a 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 20100743, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Considerando que o Processo Administrativo Fiscal busca a verdade material e se pauta na formalidade moderada e ainda, com fulcro nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devido à estranha coincidência de a contribuinte ter recolhido exatamente a metade do valor devido e, ainda, tratarse de lançamento eletrônico, de modo que a autuação ocorreu sem que o contribuinte fosse previamente intimado, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a DRF de origem assim proceda: 1) manifestese acerca do correto valor dos débitos, decorrentes de Darfs, cujos pagamentos não foram localizados, informando se os mesmos encontramse total ou parcialmente extintos pelos pagamentos efetuados, consoante os indigitados Darfs apresentados, podendo para tal intimar o contribuinte a apresentar documentos e/ou esclarecimentos necessários à elucidação dos fatos; 2) elabore relatório pormenorizado das providências levadas a efeito; 3) intime o contribuinte para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente dos itens acima; e 4) posteriormente, devolva os autos a este Conselho de Contribuintes para julgamento. Atendendo ao determinado, a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, elaborou minucioso Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 260 5 relatório de diligência. Ao analisar o andamento do processo judicial referente ao Mandado de Segurança 97.00600475 (JF/SP) apreciou a situação da seguinte forma: (...) “No Tribunal Regional Federal, a apelação da União e a remessa oficial tiveram parcial provimento. Conforme o acórdão publicado em 05/08/2008, a cobrança do PIS de 07/1997 a 02/1998 deverá ser efetuada com base na LC 07/70 pela sistemática do PISdedução e PISrepique. Para os períodos de 03/1998 a 12/1999, permanece a cobrança do PIS pela EC 17/97, incidindo o tributo sobre a receita da venda de bens e serviços, inclusive as provenientes dos juros, ganhos cambiais, correção monetária e variações monetárias das operações com recursos financeiros, entre outros. Os embargos de declaração do impetrante foram rejeitados. A União entrou com recurso extraordinário. O impetrante Banco Fidis SA entrou com recursos especial e extraordinário. Os recursos excepcionais aguardam exame de admissibilidade pelo TRF da 3ª região.” (...) Em seguida efetuou demonstrações da base de cálculo do PIS relativa ao período de 07/1997 a 12/1997, efetuando um comparativo dos valores devidos a título de PIS Dedução e PISRepique (LC nº 7/70), atendendo ao comando judicial, e o valor declarado suspenso na DCTF que seria referente ao PISfaturamento, objeto da demanda no judiciário. Após fazer o demonstrativo dos valores devidos a título de PISDedução e PISRepique, concluiu que o contribuinte havia efetuado todos os pagamentos a este título, restando somente em aberto os valores objeto do litígio judicial. Abaixo transcrevo a conclusão do relatório: (...) “Nas DCTFs do 3° e 4° trimestres de 1997, foram declarados débitos de PIS com base na receita bruta com o código de receita 4574. Deduzidos os pagamentos de PISdedução e PISrepique, o saldo devedor é a parte dos débitos em discussão administrativa, conforme calculado na tabela que segue. PIS (DCTF) – PIS (Dedução e repique) Período PIS (DCTF) PIS (LC 07/70) Saldo Devedor 07/1997 R$ 340.466,41 R$ 56.803,64 R$ 283.662,77 08/1997 R$ 335.559,49 R$ 58.006,36 R$ 277.553,13 09/1997 R$ 302.485,20 R$ 52.663,66 R$ 249.821,54 10/1997 R$ 353.065,89 R$ 63.967,04 R$ 289.098,85 11/1997 R$ 366.470,61 R$ 60.449,56 R$ 306.021,05 12/1997 R$ 396.316,17 R$ 56.461,00 R$ 339.855,17 Conclusão Os débitos de PIS declarados nas DCTFs dos 3° e 4° trimestres de 1997 com base na receita bruta foram parcialmente extintos por pagamentos, efetuados pela sistemática do PISdedução e do PISrepique, conforme autorizado por decisões judiciais no mandado de segurança 97.00600475 (JF/SP).” Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 261 6 Desta forma ficou evidenciado que o lançamento de ofício tratado no auto de infração referese somente aos valores constantes da coluna saldo devedor da planilha acima transcrita. Intimado do conteúdo do relatório de diligência, o contribuinte apresentou manifestação com as seguintes informações em síntese: concorda com o resultado da diligência que confirma que os valores constantes do auto de infração, anexo Ia, não localização de pagamento foram devidamente recolhidos e extintos nos termos ao art. 156, inc. I do CTN; quanto aos valores apontados de saldo devedor, constante do relatório de diligência, informa que efetuou o seu pagamento após ter sido revertida a sentença favorável que tinha no citado processo judicial. Apresenta cópias de comprovantes de recolhimentos e finaliza afirmando que a totalidade dos débitos lançados estão quitados. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 262 7 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Os recursos voluntário e de ofício são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso devem ser conhecidos. Recurso de ofícío A DRJ exonerou do crédito tributário constituído, o valor correspondente à multa de ofício após constatar no presente processo os seguintes fatos, abaixo transcritos: (...) “A contribuinte, na data da autuação, estava amparada por liminar no Mandado de Segurança n° 97.00600475, conforme atesta a Certidão de Objeto e Pé de fls.78/79, sendo que a matéria se encontra sub judice, aguardando decisão no Egrégio Tribunal Regional Federal da 3' Região Fiscal, de acordo com a consulta de fls.89/91.” (...) Diante desta realidade afastou a aplicação da multa de ofício, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Constatado que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa em razão de liminar em Mandado de Segurança (art. 151, inc. IV do CTN), correta a exoneração efetuada pela decisão recorrida. Portanto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O auto de infração está dividido em duas infrações: ANEXO I – Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados e ANEXO IA – Relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF. ANEXO I – Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados: Esta parte corresponde aos débitos que estavam suspensos por força da liminar no mandado de segurança. O relatório de diligência confirma a correção destes valores. Na manifestação após a realização da diligência, o contribuinte além de não contestálos, informa que providenciou o seu pagamento em face de reversão da decisão judicial no citado mandado de segurança. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001678/200237 Acórdão n.º 3301002.484 S3C3T1 Fl. 263 8 Diante destas informações, concluo que não existe litígio por ausência de objeto, cabendo somente à DRF de origem verificar a correção dos pagamentos efetuados a este título. Assim, quanto ao ANEXO I do auto de infração, voto por não conhecer do recurso voluntário, por perda de objeto. ANEXO IA – Relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF: Esta parte referese a valores informados na DCTF, cujos pagamentos não haviam sido localizados. A DRJ apontou inconsistências nos DARF apresentados que não permitiriam a confirmação destes recolhimentos. No recurso voluntário o contribuinte insiste que os pagamentos foram efetuados e solicita o cancelamento do auto de infração. O relatório de diligência confirma que todos os pagamentos foram confirmados e que não há débitos remanescentes desta infração. Assim, tendo sido os pagamentos efetuados antes da lavratura do auto de infração não resta configurada a acusação e deve ser exonerada esta exigência. Portanto, em relação ao ANEXO 1A, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 13502.720846/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência a fim de que a Unidade de Origem traga aos autos, cópias do Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.09-5402, da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.09-7043 e quaisquer outros documentos vinculados ao pedido de compensação em discussão nos autos.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência a fim de que a Unidade de Origem traga aos autos, cópias do Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.095402, da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.097043 e quaisquer outros documentos vinculados ao pedido de compensação em discussão nos autos. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 84 6/ 20 11 -1 1 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.382 2 "Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 29/35 e 49/55, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período de agosto de 2006, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 1.362.377,00. Conforme Termos de Verificação Fiscal de fls. 16/28 (PIS) e 36/48 (Cofins), e demonstrativos de fls. 14/15, a autuação é resultado de procedimento fiscal tendente a verificar a procedência de PER/DCOMPs apresentados pela empresa, alegando créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins passíveis de ressarcimento. Primeiramente, a fiscalização apurou indevida utilização de crédito de PIS e CofinsImportação, apurado na forma do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, por falta de previsão legal para sua compensação com outros tributos ou ressarcimento, podendo apenas ser utilizado como desconto da contribuição a recolher. Analisando o processo produtivo da empresa, bem como as informações adicionais por ela apresentadas, o autuante glosou os créditos relativos aos produtos descritos à fls. 40/41, por não se enquadrarem no conceito de insumo geradores de créditos de que tratam o inciso II, art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e § 4º, art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. No tocante aos produtos “óleo combustível”, “carvão REF.CET 3700”, “gás natural Sulgás” e “diesel marítimo”, eles seriam fontes energéticas utilizadas para geração de Energia e Vapor. Estes, por sua vez, podem ser classificados como produtos, se forem vendidos a terceiros, ou fatores de produção indiretos, se utilizados em sua produção. No caso venda a terceiros dessa energia, seus insumos diretos (os produtos mencionados) dão direito a crédito. Em caso de utilização da energia em sua produção, tais insumos não dão direito a crédito por não comporem a produção do produto final, e a energia consumida também não gera crédito por não ter sido adquirida de pessoa jurídica. Em seu relatório, o autuante explicou (fl. 43): .... (lido em sessão) E ainda, quanto ao gás natural e diesel marítimo, acrescentou (fl. 44): .... (lido em sessão) Quanto aos serviços utilizados como insumos, da rubrica “Píer IV”, constatouse (fls. 44/45) serem referentes a gastos com logística na operação de exportação do produto acabado e frete de produtos diversos, não ensejando geração de créditos por não se enquadrarem como “serviços aplicados na produção de bens ou serviços”. Glosouse também os créditos relativos aos pagamentos pelo serviço de transmissão de energia elétrica, por não se enquadrarem como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica (fls. 45/46). No tocante às despesas de armazenagem e frete, o autuante entendeu como indevidos os créditos referentes a transferência de produto Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.383 3 acabado entre seus estabelecimentos, ou destes para empresa de armazenagem (fls. 46/47). O enquadramento legal encontrase a fls. 31, 33, 51 e 53. Cientificada, a interessada apresentou as impugnações de fls. 59/103 (Cofins) e 245/289 (PIS), nas quais contestou o procedimento fiscal, aduzindo as razões a seguir. Como as duas peças possuem conteúdo idêntico, diferenciandose apenas quando fazem referência às Leis instituidoras das contribuições nãocumulativas (10.637 para o PIS e 10.833 para a Cofins), serão feitas referências apenas à primeira (relativa à Cofins). Primeiramente, a impugnante alegou a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito, uma vez que o prazo de cinco anos contados entre a data do fato gerador (31/08/2006) e a da ciência dos autos de infração (21/12/2011) teria sido suplantado. Assim, de acordo com o CTN, art. 150, § 4º, combinado com o art. 156, VII, ultrapassado tal prazo o lançamento estaria homologado e o crédito definitivamente extinto. A seguir, discorreu sobre a nãocumulatividade da Cofins, partindo de seu suporte constitucional, argumentando ser juridicamente inadmissível qualquer interpretação do conceito de insumo, posto na Lei nº 10.833/2003, “que implique na cumulatividade” da contribuição. Acrescentou que, diferentemente do entendimento da fiscalização, o art. 3º, § 3º da referida lei “preceitua que o direito ao crédito se circunscreve aos bens e serviços adquirido e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.” Assim, todos os itens que compuserem o custo das mercadorias exportadas, bem com as despesas assumidas para esse fim, ensejam o direito ao creditamento. Não podem ser impostas limitações ao direito conferido pela Lei nº 10.833, eis que a única limitação admitida pela Constituição é quanto a “setores econômicos sujeitos à sistemática nãocumulativa.” Em síntese, propugnou pelo direito à apropriação de créditos sobre todos os “gastos incorridos pela pessoa jurídica para fabricar e vender mercadorias enquadradas nas hipóteses” mencionadas, “e não apenas os bens e serviços aplicados diretamente em tais atividades.” Transcreveu trechos de Acórdãos do CARF e da Câmara Superior de Recurso Fiscais, que dariam guarida à sua argumentação (fls. 69/72). Prosseguiu alegando que é na legislação do Imposto de Renda que o intérprete deve buscar a definição do alcance do direito ao crédito, transcrevendo o art. 290 do RIR aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que trata do custo de produção de bens e serviços, para reafirmar a incidência do direito sobre todos os custos diretos e indiretos de produção. Transcreveu doutrina relativa ao tema (fl. 73), mencionando ainda, em relação aos gastos classificáveis como custos de produção, cuja Lei Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.384 4 das Sociedades Anônimas seria silente, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da FIPECAF, que discriminaria tais gastos, bem como norma do IBRACON (fl. 11133), trazendo a definição de custo e critérios para sua avaliação. Ainda nessa esteira, acrescenta serem geradoras de crédito, a teor do art. 299 do RIR e da NPC 14 do IBRACON, as despesas incorridas relacionadas às receitas em voga. Tratou da impropriedade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que teria adotado o conceito de insumo do IPI para fins de apuração de créditos da Cofins, transcrevendo doutrina (fls. 76/78). Caso não se aceitem os argumentos até então expendidos, a impugnante reclamou a interpretação de que a “ação direta” de que trata o art. 8º, § 4º, I, a, da IN 404/2004, não fique “adstrita ao contato físico do bem ou serviço (insumo) com a mercadoria em produção, mas sim à sua afetação direta à atividade econômica, em vista da essencialidade daquele para a consecução desta.” Disse ainda (fl. 80): .... (lido em sessão) Em resumo, sustentou que a caracterização do insumo se dá pela “imprescindibilidade do bem ou serviço no processo fabril, independente do contato físico direto com o bem produzido”, e que assim, “os bens e serviços adquiridos pela ora Impugnante são essenciais ao desempenho da sua atividade econômica, sendo diretamente afetados às atividades fabris”. Passou a tratar, um a um, dos produtos cujos créditos foram glosados pela fiscalização, descrevendo sua utilização no processo produtivo: I – Insumos utilizados no Tratamento de Água: sulfato de alumínio, cloro líquido, Polieletrólito, Purate, Elemento Filtrante, Hidróxido de Cálcio e Kuriverter são utilizados na obtenção de água desmineralizada, água clarificada e água potável, todos produtos finais da impugnante, e portanto geram direito a crédito (fls. 82/84); II – Gás Natural: possui duas funções distintas (laudo técnico – doc. 8, de fls. 163/181), sendo utilizado como matéria prima na produção de eteno e como combustível fornecendo energia térmica indispensável ao processo industrial, ambas gerando direito a crédito (fls. 84/85); III – Kurita: produto utilizado no tratamento químico da água de caldeira (laudo técnico – doc. 7, de fls. 148/162), necessário para produção de vapor de boa qualidade, como descrito à fl. 86, cuja essencialidade ao processo produtivo é inconteste, configurandose em insumo gerador de crédito; IV – Petroflo: solubilizante e antipolimerizante consumidos no processo produtivo, que “têm fundamental importância na obtenção do produto final, visto que é a água tratada com os referidos produtos que dará origem ao vapor que será misturado com a nafta e/ou condensado nas fases seguintes do processo”, restando claro sua natureza de insumo (doc.7); Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.385 5 IV – Carvão e Óleo Combustível: insumos utilizados na produção de vapor, o qual é utilizado como energia térmica e vendido como utilidade para outras empresas do Pólo Petroquímico. Se por um lado a fiscalização não efetuou glosas quanto ao carvão e óleo combustível utilizados na produção de vapor destinado à venda, as promoveu quando o vapor era utilizado como trocador de calor no processo produtivo. A alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007, no inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833, passou a prever o crédito também sobre a energia térmica consumida pela pessoa jurídica. Seria desarrazoado admitir que a aquisição de vapor gera direito ao crédito e os custos para produzilo não, mesmo restando comprovado que eles estão diretamente vinculados aos seus parques fabris (docs. 7 e 8); V – Betzdearborn: agente neutralizante, cuja principal função é reduzir o potencial corrosivo do meio, promovendo o aumento do pH da água (laudo técnico – docs. 7 e 9, este à fls. 182), sendo imprescindível ao processo produtivo; VII – Diesel Marítimo (fl. 90): ... lido em sessão No tocante aos serviços utilizados como insumos no processo produtivo, alegou ter por objeto, além das atividades industriais e comercias, a exploração de terminal portuário, conforme seu Estatuto Social (doc. 10, fls. 183/194). Nesse contexto, “o Píer IV era utilizado para exportações através de navio, com o seguinte roteiro: do Píer de Triunfo, os produtos petroquímicos (gases e líquidos) seguiam de navio via Lagoa dos Patos até o Terminal do Rio Grande, de onde eram exportados.” Assim, as despesas com os serviços prestados no Píer IV, de movimentação de contêineres do Terminal Santa Clara para o de Rio Grande, para subseqüente exportação, fazem parte da atividade econômica da impugnante, sendo imprescindíveis para a atividade de exploração de terminal portuário, sendo indevida sua glosa. A seguir, relacionou, a título exemplificativo, cinco serviços cujos créditos foram glosados pela fiscalização, para demonstrar sua imprescindibilidade. São eles: transporte, estufagem, empilhadeiras, descarga e manuseio de contêiner, realocação de pátio e armazenagem de contêiner cheio, manutenção ISPS Code, descritos às fls. 91/92. Com essas considerações, propugnou pela procedência do direito ao crédito, nos termos do art. 3º, IX da Lei nº 10.833. Quanto à glosa de créditos relativos ao “uso e transmissão de rede”, que estavam incluídos nos gastos com energia elétrica, discorreu sobre a reestruturação do setor elétrico (Lei nº 9.074/1995), que previu a obrigatoriedade dos consumidores, para viabilizar a utilização das redes de distribuição e transmissão no ambiente de contratação livre, de firmar Contrato de Uso do Sistema de Transmissão – CUST ou Contrato de Uso de Distribuição com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – NOS ou com os concessionários e permissionários do serviço público de distribuição (art. 15, § 6º da referida lei). A Aneel, por meio da Resolução nº 281/1999, disciplinou tal matéria (excertos transcritos à fl. 95). Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.386 6 Em síntese, à data dos fatos objetos do presente, a impugnante estava obrigada a usar a rede de transmissão das concessionárias ou permissionárias, sujeitandose ao pagamento da tarifa remuneratória do USO E TRANSMISSÃO DE REDE. Ressaltou ainda que, após sucessivos ofícios não respondidos pela Receita Federal, que objetivavam apurar eventuais impactos financeiros de seus reajustes e revisões tarifárias, a Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira da Aneel emitiu a Nota Técnica nº 554/2006, que menciona “jurisprudência administrativa” (fl. 237) concluindo pela inafastabilidade do direito ao crédito em discussão (fls. 97/99). Portanto, em se tratando de despesa obrigatória que compõe o custo da energia elétrica consumida, não procede a glosa efetuada. Refutando a glosa dos créditos sobre despesas com frete, efetuada ao argumento de se tratarem de transferência de produto acabado entre estabelecimentos da contribuinte e para empresas de armazenagem, alegou ter se baseado em “interpretação meramente literal do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833”. Discorreu sobre as dificuldades que enfrenta para a distribuição de seus produtos “no mais diversos rincões do país”, o que a levou a fixar diversos estabelecimentos que consistem em centros distribuidores em todo território nacional. Assim, a impugnante transfere continuamente os produtos de suas unidades industriais para os referidos centros de distribuição, para armazenamento e posterior venda. A “contínua contratação de serviço de transporte, cujo ônus recai sobre a impugnante”, são despesa consideradas na apuração dos créditos, importando “salientar que as mercadorias transferidas para os centros distribuidores ou remetidas para armazenagem têm sempre por destino a sua posterior comercialização.” Seriam, portanto, “etapas do percurso que os produtos percorrerão até seus destinatários finais.” Acrescentou (fls. 101/102): .... (lido em sessão) Transcreveu Acórdão do CARF para embasar seu entendimento (fl. 102). Por derradeiro, em razão de todas as razões expendidas, requereu que o auto de infração seja julgado improcedente, protestando ainda “pela juntada posterior de documentos e pela realização de diligência fiscal hábil a atestar tudo o quanto pontuado nesta Impugnação”." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2006 SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante nº 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.387 7 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da nãocumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos dão direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa incidente em suas aquisições. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. OUTROS GASTOS. A interpretação relativa a gastos não incluídos no conceito de insumos, mas geradores de créditos da nãocumulatividade por expressa disposição legal, deve ser restritiva, sob pena de criação de benefício fiscal sem previsão em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2006 CONEXÃO. Por serem conexos, aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep as mesmas conclusões referentes ao lançamento da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2006 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INÉPCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13502.720846/201111 Resolução nº 3201000.504 S3C2T1 Fl. 1.388 8 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Em sede preliminar, a Recorrente pede o cancelamento do lançamento sob o arrimo que a exigência estaria alcançada pelo instituto da decadência. A teor do relatado, a auditoria procedida na Recorrente teve sua origem no Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.095402 foi distribuído para Auditoria Manual no Sistema de Controles de Créditos SCC, estando a ele vinculada a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.097043. A Data do protocolo da Declaração de Compensação é necessária para delimitar o prazo para a homologação prevista no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Consultando os autos não foi possível identificar a data do protocolo da PER/DCOMP que serviram de base para o lançamento controlado no presente processo. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem traga aos autos, cópias do Pedido de Ressarcimento (PER) Eletrônico nº 28131.49110.201006.1.1.095402, da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12884.96693.201006.1.3.097043 e quaisquer outros documentos vinculados ao pedido de compensação em discussão nos autos. Winderley Morais Pereira Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/ 2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 16327.001495/2002-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996, 1997
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS- RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - Não pode ser objeto de recurso especial matéria para a qual não tenha restado demonstrado o dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-002.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Declarou-se impedido também de participar do julgamento, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Esteve presente e procedeu à sustentação oral, o Patrono da Recorrente, Dr. Jose Arnaldo da Fonseca Filho OAB-DF 7.893.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Não pode ser objeto de recurso especial matéria para a qual não tenha restado demonstrado o dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Declarouse impedido também de participar do julgamento, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Esteve presente e procedeu à sustentação oral, o Patrono da Recorrente, Dr. Jose Arnaldo da Fonseca Filho OABDF 7.893. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 95 /2 00 2- 11 Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório BANCO ABN AMRO REAL S/A. apresenta recurso especial em face do Acórdão n° 108 09.724, mediante o qual, na sessão plenária de 18/09/2008, a Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao seu recurso voluntário. Alega o Recorrente dissídio jurisprudencial em relação a três matérias. O Presidente da 3ª Câmara deu seguimento ao recurso especial apenas em relação ao tema “possibilidade de restituição de créditos extintos mediante conversão de depósitos judiciais em renda da União”, acolhendo a seguinte proposição: “Examinando o acórdão recorrido em seu inteiro teor, bem como o acórdão que julgou os embargos interpostos, verificase que o colegiado admitiu implicitamente que pelo menos parte dos valores depositados em juízo e convertidos em renda seria indevida. No entanto, o colegiado não reconheceu o direito ao pedido de restituição/compensação a depositada indevidamente por considerar que “um depósito sem causa convertido como receita pública que deixou de ser um crédito tributário, mas sim um crédito de natureza indefinida pago indevidamente” e que “que a conversão do depósito judicial em renda da União não tem a natureza de CSLL paga indevidamente ou maior que a devida”. Por seu turno os acórdãos paradigmas trazem o entendimento de que “o depósito judicial, cujo valor convertido em renda for superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida, pode ser objeto de restituição”. Verificandose a divergência de entendimento acima exposta é de se admitir o recurso em relação ao primeiro ponto.” O contribuinte interpôs agravo em relação as outras matérias não admitidas, porém o presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve o despacho agravado. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso especial de divergência tem por objeto uniformizar a jurisprudência quando, diante de situações fáticas semelhantes, diferentes colegiados divirjam quanto à interpretação a ser dada à legislação tributária aplicável. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 4 3 A matéria objeto de recurso especial a ser apreciada por esta Turma encontra se assim sumariado na ementa: CSLL DEPÓSITO JUDICIAL CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO O depósito judicial tem como finalidade a garantia de instância e quando de sua conversão em renda da União tem destinação específica para quitar a CSLL que deu origem ao litígio e, portanto, não serve e nem pode ser computado como pagamento indevido ou a maior para dar origem a pedido de restituição/compensação exceto quando da decisão judicial transitado em julgado a favor do contribuinte. O voto condutor do acórdão guerreado assim enfrentou a questão: “Versam os autos sobre pedido de restituição/compensação de tributos e contribuições que o recorrente entende ter direito a reaver mediante restituição ou compensação com os tributos e contribuições devidos. Embora o sujeito passivo tenha protocolizado o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, de fl. 01, em verdade, todos os procedimentos adotados pelo mesmo referemse à compensação de saldo credor de CSLL com o saldo devedor apurado posteriormente. A recorrente reconheceu, às fls. 1312, que cometeu erro de preenchimento da DIPJ/ I 997 quando expressa: 22. Ora, Ilustres Julgadores, a Recorrente concorda com o Sr. Chefe da D1ORT e com o Sr. Relator do acórdão recorrido em relação ao fato de que os créditos compensáveis não podem ser localizados em períodos anteriores, até porque esse montante de mais de 19 milhões de reais não possui tal origem, mas deflui, como dito e repetido, de conversão de depósito judicial em renda da União, ocorrido no próprio ano de 1996. O erro confessado foi corrigido mediante retificação da declaração de rendimentos do exercício de 1997, anocalendário de 1996 e em seguida deu entrada no PEDIDO DE RESTITUIÇÃO e PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO, originando o presente litígio. Independentemente do erro confessado, a recorrente esclarece que o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido que deu origem a presente lide tem origem no depósito judicial que foi convertido em renda da União Federal, em 20 de setembro de 1996 e conforme cópia de DARF, anexada a fl. 360. O depósito judicial requerido e autorizado na Medida Cautelar n° 96.00134952, de 20 de setembro de 1996, estava vinculado ao processo n° 95.00574535 (mandado de segurança AMSSP 198754) da Justiça Federal da Capital de São Paulo e, posteriormente recebeu o n° 2000.03.99.0105116, no Tribunal Regional Federal da 3º. Região e discutia a dedutibilidade de PDD — Provisão para Devedores Duvidosos. Esta conversão deuse em virtude de o sujeito passivo ter solicitado e a Meritíssima Juíza Federal da 5ª. Vara da Justiça Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 5 4 Federal em São Paulo ter autorizado a conversão do depósito judicial em renda da União, na Medida Cautelar n° .00134952 e em 20 de setembro de 1996, foi efetivada a conversão, conforme cópia do anexada a fl. 360, do processo administrativo n° 16327.001495/200211. Nesta Medida Cautelar a recorrente enfatizou que o pedido de conversão de depósito judicial em renda da União não importava em renúncia ao direito pleiteado nos autos da ação principal (mandado de segurança n° 95.00134952) a qual deverá prosseguir até posterior julgamento (fls. 364/365, do processo administrativo n° 16327.001495/200211). Entretanto, o Meritíssimo Juiz Federal da 5ª. Vara Cível Federal de São Paulo prolatou a sentença vazada nos seguintes termos. DECIDO. Verificase, no caso presente, a perda superveniente do interesse processual, eis que o pedido nesta cautelar consistia no depósito de quantias sub judice dos tributos. Tendo a requerente decidido o destino dos depósitos efetuados nestes autos ao requererem a sua conversão em renda da União fls. 25/26), o que já foi realizada conforme consta a fls. 37/53, não subsiste o interesse processual das mesmas no presente feito. Destarte, impõese a EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO do presente processo cautelar, o que faço com fulcro no art. 267, VI, c/c o art. 462 do Código de Processo Civil." (fls. 367/368, do processo administrativo n" 16327.001495/20021 I). Com esta sentença, o litígio correspondente a dedutibilidade de PDD — Provisão para Devedores Duvidosos estaria extinto e, por via de consequência, a conversão de depósito judicial em renda da União (quitado sob código n° 2851 = CSLL — CONVERSÃO DEPÓSITO JUDICIAL) tem uma destinação específica qual seja a quitação da CSLL incidente sobre a Provisão para Devedores Duvidosos deduzidos indevidamente. Entretanto, em pesquisa realizada no sitio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região constatase que no processo judicial foi deferida a liminar, mas a liminar foi cassada e foi proferida sentença denegatória no mandado de segurança (AMSSP 198754) e, em 13 de setembro de 2007, foi negado provimento à Apelação interposta, (...) (...)” Assim, o valor correspondente à conversão de depósito judicial em renda da União não pode e nem poderia ter sido declarado como CSLL pago ou CSLL pago indevidamente ou a maior para ajuste da declaração de rendimentos do anocalendário de 1995.” (destaque em negrito não constante do original). O contribuinte embargou de declaração, alegando omissão, nos ternos assim resumidos no acórdão que apreciou os embargos: Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 6 5 a) a recorrente informou que fez o depósito em montante excessivo, e que compensou este excesso com tributos vencidos após a sua conversão em renda e informou, ainda, que essa compensação não encontraria qualquer óbice por parte da administração tributária, não fosse o equívoco incorrido por ocasião do preenchimento da DIPJ de 1997; b) assim, caberia a autoridade julgadora de 2º. grau averiguar o fato exposto e avaliar sua relevância no presente contexto, sob pena de incorrer em flagrante omissão, dando ensejo aos embargos ora interpostos; c) inexistindo na decisão embargada, informação precisa sobre o assunto, requer desde logo seja esse fato devidamente esclarecido, por se tratar de crucial à solução do litígio e que deveria ter sido enfrentada nos presentes autos, em face, inclusive, da impossibilidade de reapreciação de provas pela instância superior; e, d) nestas condições, ou bem esta Câmara apura e declara que o valor do saldo negativo considerado para fins de compensação existia, mas não poderia ser compensado em face do instituto da prescrição, prosseguindose a discussão em relação a esse ponto específico, ou bem declara que não existia, e nesse caso nem precisaria ter recorrido ao argumento da prescrição para fundamentar a decisão e o que não se pode admitir é que a existência do direito ao crédito seja simplesmente ignorada, sob cômodo argumento de que ainda que comprovada, padeceria em função da decadência ou da prescrição. Em seguida, alega obscuridade, requerendo resposta a cinco questões, uma das quais, a seguir reproduzida, relacionada ao tema objeto de recurso especial: c) inexiste previsão legal para compensação do valor de pagamento a maior, feito mediante conversão em renda de depósito judicial ? Os embargos foram rejeitados pelo Acórdão 130200271, e especificamente sobre o ponto que interessa ao recurso especial, constou do voto condutor: “No voto condutor do acórdão atacado registramse, as seguintes assertivas: Assim, o valor correspondente à conversão de depósito judicial em renda da União não pode e nem poderia ter sido declarado como CSLL pago ou CSLL pago indevidamente ou a maior para ajuste da declaração de rendimentos do anocalendário de 1995. A conversão de depósitos judiciais em renda da União foi autorizada pela Meritíssima Juíza Federal Dra. Daldice Maria Santana de Almeida no processo n° 96.0013495 2, conforme oficio n° 869/96 dirigido a Caixa Econômica Federal e materializada conforme cópia de DARF, anexada às fis. 360, destes autos. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 7 6 Além disso, o processo judicial que tratava do litígio relativo aos valores de CSLL depositados, em tramitação da 5ª. Vara Cível Federal de São Paulo, foi extinto sem julgamento de mérito e, portanto, não paira qualquer dúvida sobre a indedutibilidade da PDD Provisão para Devedores Duvidosos, na apuração do lucro líquido (base de cálculo da CSLL). Em se tratando de conversão de depósito judicial onde a incidência da CSLL foi confirmada, esta conversão serviria apenas para a quitação da CSLL devida e, portanto, não cabe o registro na D1PJ/1996, como CSLL pagos em exercícios anteriores.” Alega o Recorrente que a interpretação dada pela 8º Câmara do 1º C.C diverge da adotada por outros colegiados para a mesma matéria, reportandose aos acórdãos 20281038, 20211495 e 20211404, cujas ementas expressam: "DEPÓSITO JUDICIAL CONVERSÃO EM RENDA — FORMA DE PAGAMENTO DE TRIBUTOS — O depósito judicial, se convertido em renda da União Federal, é forma de quitação de débitos tributários, permitindo que os valores sejam restituídos ao contribuinte no caso de inconstitucionalidade.” (AC. 20181038, processo n° 13502.000453/200205) "DEPÓSITO JUDICIAL CONVERSÃO EM RENDA – PAGAMENTO INDEVIDO O depósito judicial, cujo valor convertido em renda for superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida, pode ser objeto de restituição em processo específico. Inapropriada a apreciação dessa matéria nos autos do Processo Administrativo Fiscal cujo objeto seja a revisão do ato administrativo do lançamento de crédito tributário, ainda que tal ato seja julgado improcedente." (AC. 20211498, processo n° 10580.005850/9607, Conselheiro Luiz Roberto Domingo). (grifamos) "FINSOCL4L —LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — DEPÓSITO JUDICIAL — CONVERSÃO EM RENDA — PAGAMENTO INDEVIDO — O depósito judicial, cujo valor convertido em renda for superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida, pode ser objeto de restituição em processo especifico. Inapropriada a apreciação dessa matéria nos autos do Processo Administrativo Fiscal cujo objeto seja a revisão do ato administrativo do lançamento de crédito tributário, ainda que tal ato seja julgado improcedente." (AC. 20211404, processo n° 10930.000597/9363, Rel. Luiz Roberto Domingo). Os acórdãos indicados como paradigmas não se prestam para comprovar o dissídio jurisprudencial. Em momento algum o acórdão vergastado manifestou entendimento de que depósito judicial que seja convertido em renda em valor superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida não pode ser objeto de restituição, como afirmam os julgados trazidos como paradigmas. O que restou assentado foi que, no caso concreto, o valor correspondente à conversão de depósito judicial em renda da União destinouse a quitar a CSLL que deixou de pagar em virtude da concessão da liminar em Mandado de Segurança Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001495/200211 Acórdão n.º 9101002.079 CSRFT1 Fl. 8 7 relacionado com a dedutibilidade da PDD — Provisão para Devedores Duvidosos, não representando CSLL pagamento indevido ou maior que o devido. A questão decidida pelo acórdão foi que, no caso concreto, o depósito convertido em renda em setembro não poderia ser declarado como CSLL paga para fins de ajuste ao final do ano, porque teve a destinação específica de quitar a CSLL incidente sobre a PDD indevidamente deduzida ao abrigo de liminar em MS. Os paradigmas não veiculam interpretação diversa, mas apenas assentam que depósito judicial convertido em renda, cujo valor convertido em renda for superior à obrigação tributária que deveria ser adimplida, pode ser objeto de restituição em processo específico. Em momento algum a acórdão da 8ª Câmara manifestou entendimento divergente. Apenas, no caso concreto, entendeu que a obrigação a ser adimplida pelo depósito era a CSLL incidente sobre a PDD indevidamente deduzida, cuja exigibilidade estava suspensa. Não houve, no caso concreto, demonstração de que o valor convertido era superior à obrigação a ser adimplida, o que, nos termos do paradigma, daria direito a restituição em processo específico. Dessa forma, entendo não caracterizado o dissídio jurisprudencial, razão porque, não conheço do recurso. Sala das Sessões, em 20 de janeiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16408.001061/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Apurada a falta de declaração/recolhimento de PIS e Cofins em confronto com valores declarados/recolhidos, correta a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
TAXA DE JUROS SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Preclusão do direito de fazê-lo na segunda instância. Não conhecimento de matéria não impugnada na primeira instância e com ausência de provas do alegado.
Numero da decisão: 3301-002.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da parte do recurso voluntário que trata da discussão sobre a incidência de juros de mora à Taxa Selic, por preclusão e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Maria Teresa Martínez López, Mônica Elisa de Lima e Sidney Eduardo Stahl votaram pelas conclusões.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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APURAÇÃO. DCTF. DÉBITOS DECLARADOS. VALORES RECOLHIDOS. Está correta a apuração efetuada pela fiscalização que se limitou a lançar diferenças não declaradas em DCTF e nem recolhidas por meio de pagamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. LEI 10.833/2003. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A base de cálculo da Cofins nãocumulativa é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (art. 1º da Lei nº 10.833/2003). Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 PIS/PASEP. APURAÇÃO. DCTF. DÉBITOS DECLARADOS. VALORES RECOLHIDOS. Está correta a apuração efetuada pela fiscalização que se limitou a lançar diferenças não declaradas em DCTF e nem recolhidas por meio de pagamento PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. LEI 10.637/2002. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 10 61 /2 00 6- 45 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 314 2 independentemente de sua denominação ou classificação contábil (art. 1º da Lei nº 10.637/2002). Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. NULIDADE. Os meios de intimação previstos no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, PAF, não estão sujeitos a ordem de preferência. Portanto válida a intimação efetuada por via postal no domicílio eleito pelo contribuinte. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. TAXA DE JUROS SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Preclusão do direito de fazêlo na segunda instância. Não conhecimento de matéria não impugnada na primeira instância e com ausência de provas do alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Apurada a falta de declaração/recolhimento de PIS e Cofins em confronto com valores declarados/recolhidos, correta a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Os conselheiros do CARF não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 315 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da parte do recurso voluntário que trata da discussão sobre a incidência de juros de mora à Taxa Selic, por preclusão e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Maria Teresa Martínez López, Mônica Elisa de Lima e Sidney Eduardo Stahl votaram pelas conclusões. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 316 4 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrita. Trata o presente processo de autos de infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, às fls. 109/115 e de contribuição para o Programa de Integração Social PIS, às fls. 118/124. 2. A titulo de Cofins o crédito exigido é de R$ 3.514.478,58 de contribuição e de R$ 2.635.858,85 de multa de oficio de 75%, além dos acréscimos legais, referindose aos períodos de apuração de 01/2005 a 05/2005 e de 08/2005 a 07/2006, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fis. 110/111 e demonstrativos de apuração de fls. 112/113 e de multa e juros de mora de fls. 114/115. 3. Quanto à contribuição para o PIS, o crédito exigido de oficio é de R$ 729.017,09 de contribuição c R$ 546.762,76 de multa de oficio de 75%, além dos acréscimos legais, referindose aos períodos de apuração de 01/2005 a 05/2005 e de 08/2005 a 07/2006, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 119/120 e demonstrativos de apuração de fls. 121/122 e de multa e juros de mora de fis. 123/124. 4. Às fls. 105/107, Termo de Verificação Fiscal n° 602/2006, parte integrante dos autos de infração, no qual é detalhado o procedimento administrativo. 5. Cientificada dos autos de infração, por via postal, em 11/10/2006 (fl. 127), a interessada, por intermédio de procurador constituído (fl. 158), interpôs, em 08/11/2006, a tempestiva impugnação de fls. 129/157, instruída com os documentos de fls. 159/216, a seguir sintetizada. 5.2. Após descrever os fatos, diz ser insubsistente o auto de infração, apontando equivoco da fiscalização ao se referir a "saldos a pagar" e alegando que se pretende constituir crédito tributário já declarado em DCTF. Quanto à questão, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes, no sentido de que a apresentação de DCTF exime o contribuinte do lançamento de oficio. 5.3. Alternativamente, diz haver, consoante anexo à impugnação, recolhimentos que não foram considerados na apuração fiscal. 5.4. No tocante à multa de oficio, alega ser excessiva, posto que desproporcional às circunstâncias fáticas, além de desarrazoada, pelo que requer sua redução a percentual compatível. Discorre sobre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, além do nãoconfisco, questionando o grau de culpabilidade da infração. Diz que agiu com boafé, vez que procedeu à entrega de DCTF, e, não obstante reconhecer a existência de previsão legal para a imposição da multa de 75%, suscita a necessidade de observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Transcreve doutrina e jurisprudência, concluindo com menção ao disposto no art. 112 do CTN e o argumento de que não tentou omitir as receitas durante o processo de fiscalização, tendo atendido as solicitações com presteza e boa vontade. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 317 5 5.5. A seguir, alega que obteve decisão judicial transitada em julgado que considerou inconstitucional a ampliação do conceito de faturamento pela Lei n°9.718, de 1998, pelo que alega haver valores indevidos no lançamento que dele devem ser excluídos. 5.6. Defende, também, a exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições, aduzindo que aquele imposto é um tributo indireto, não componente do seu faturamento, do qual exerce a função de mera arrecadadora. Faz relato histórico das disposições legais que disciplinam as contribuições, concluindo que, como o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei ri° 9.718, de 1998, não houve modificação atinente à exclusão do ICMS. Prossegue discorrendo sobre a matéria, alegando ofensa à capacidade contributiva, por não compor o ICMS o seu faturamento; faz análise comparativa com o IPI, que não é incluído na base de cálculo; cita jurisprudência, suscitando ofensa ao principio da legalidade; quanto aos precedentes do Superior Tribunal de Justiça, defende que a matéria, em face do art. 195 da Constituição Federal de 1988, é de competência do Supremo Tribunal Federal; alega que não se justifica o tratamento diferenciado em relação ao IPI, findando com a transcrição de parte do voto do Ministro Marco Aurélio no julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG. 5.7. Pelo exposto, requer que seja considerado nulo o auto de infração, por ser inveridica a acusação de que não entregou DCTF; alternativamente, que sejam excluídos os valores pagos, que seja reduzida a multa moratória, que sejam excluídos os valores que não se referem à venda de mercadorias e serviços e que sejam excluídos os valores relativos ao ICMS incluído na base de cálculo. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente por prova pericial. Ao julgar referida impugnação a 3ª Turma da DRJ/Curitiba proferiu o Acórdão nº 0612.916, de 29/11/2006, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/08/2005 a 31/07/2006 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/08/2005 a 31/07/2006 AUTUAÇÃO FISCAL. VALORES EXCEDENTES AO DECLARADOS E RECOLHIDOS. Se as autuações fiscais referemse à contribuição para o PIS e à Cofins excedentes às parcelas declaradas em DCTF e recolhidas, é descabida a pretensão de modificação dos lançamentos com base em parâmetros já considerados a tais títulos. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 318 6 MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa de lançamento de oficio é previsto legalmente, não cabendo sua graduação subjetiva em âmbito administrativo. BASE DE CÁLCULO. DEMAIS RECEITAS. DECLARAÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE. DISPOSITIVOS LEGAIS DIVERSOS. A virtual declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n°9.718, de 1998, não prejudica a incidência da contribuição para o PIS com base no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Cofins com fundamento no art. I° da Lei n° 10.833, de 2003. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Lançamento Procedente Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual repete basicamente as mesmas questões trazidas em sua impugnação e que podem assim ser resumidas: alega nulidade do auto de infração por vício na intimação. Compara a intimação do auto de infração à citação do CPC e defende que ela devia ser feita de forma pessoal e não via postal, como foi no presente caso. Alega que desta forma houve cerceamento ao direito de defesa “pois o prazo para pagamento já havia se escoado quando os representantes legais da recorrente tomaram efetivo conhecimento do envelope, e do prazo de (30) trinta dias já havia transcorrido a metade”. Cita jurisprudência do STJ como precedente desta tese; cita atos normativos que regulamenta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e afirma que houve vícios insanáveis no procedimento. Que os espaços destinados ao endereço e telefone do chefe do AFRF estão em branco. Não foi dado ciência ao contribuinte de nenhum Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Que quando da intimação do auto de infração o MPF já havia perdido sua validade. Que o MPF foi expedido somente para fiscalização/verificação dos tributos exigidos dos anoscalendário de 2001 a 2004, sendo que os períodos autuados são de 2005 e 2006. Em razão destes fatos, também pede nulidade do auto de infração; que os débitos exigidos por meio do auto de infração foram regularmente declarados em DCTF e não poderiam ter sido objeto de lançamento de ofício. Cita vasta jurisprudência; que a fiscalização, no lançamento, desconsiderou valores recolhidos por meio de DARF. Pede sua consideração e abatimento do valor do crédito tributário; apresenta um estudo da evolução da legislação do PIS e da Cofins e sua incidência sobre o faturamento e sobre a inconstitucionalidade do alargamento da sua base de Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 319 7 cálculo efetuado por meio do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Inclusive ressalta que possui ação judicial com trânsito em julgado que reconheceu esta inconstitucionalidade. Com base neste entendimento contesta a decisão recorrida, que considerou válido o lançamento com base na receita bruta pois fora efetuado com base nas Leis nº 10.637/2002, para o PIS, e 10.833/2003 para a Cofins. Segundo ele esta decisão não pode prevalecer pois “o vício jurídico é o mesmo, qual seja, as Leis posteriores continuam a exigir Cofins e PIS sobre base de cálculo indevida, a receita bruta”; faz também um longo arrazoado para defender a não inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, por entender que esta exigência é ilegal e inconstitucional; pede o cancelamento da multa de ofício em início, porque não houve falta de declaração e nem de pagamento/recolhimento, sendo que os valores exigidos são indevidos, ou foram pagos ou parcelados. Em seguida que a multa foi aplicada em excesso por violar vários princípios constitucionais que são norteadores e limitadores da atividade de imputação de multas fiscais. Afirma que foram violados os seguintes princípios: a) da legalidade; b) da autoridade da lei; c) da isonomia; d) da graduação da pena conforme a intensidade da lesão; e) da retroatividade da lei mais benigna; f) do in dubio pro reo; g) do não confisco; h) da capacidade contributiva; e i) da razoabilidade e da proporcionalidade. Apresenta um estudo sobre cada um destes princípios; defende a ilegalidade e inconstitucionalidade da incidência da taxa de juros Selic para correção de créditos tributários e pede que seja afastada a sua cobrança. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 320 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. De início o contribuinte suscita nulidades do auto de infração em razão de vícios na intimação e também de irregularidades constantes do Mandado de Procedimento Fiscal. Ressalto que estas matérias não foram apresentadas em sua impugnação e estariam preclusas por força do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF. Porém por se tratar a nulidade de matéria de ordem pública, passo a analisar estas preliminares. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – VÍCIO NA INTIMAÇÃO O recorrente compara a intimação do auto de infração à citação do CPC e defende que ela devia ser feita de forma pessoal e não via postal, como foi no presente caso. Alega que desta forma houve cerceamento ao direito de defesa “pois o prazo para pagamento já havia se escoado quando os representantes legais da recorrente tomaram efetivo conhecimento do envelope, e do prazo de (30) trinta dias já havia transcorrido a metade”. Como é sabido, o processo administrativo fiscal possui regramentos próprios e estão estabelecidos no Decreto nº 70.235/72. É incabível trazer ao PAF regras do Código de Processo Civil, quando a situação está totalmente nele regulamentada, como é o caso do procedimento da intimação no âmbito do processo fiscal. A este respeito assim dispõe o citado decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 321 9 § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) OBS.: Redação do art. 23 na data do lançamento e intimação. O próprio contribuinte reconhece que recebeu a intimação por via postal, mas defende que ela deveria ser por via pessoal e alega que esta regra está disposta no próprio art. 23, acima transcrito. Como pode se ver o caput do artigo prevê três tipos de intimação: pessoal, postal e eletrônico e deixa claro por meio do § 3º que não há ordem de preferência entre eles. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 322 10 Portanto não há nenhum vício na intimação e não era obrigatório que se fizesse a intimação de forma pessoal. A alegação de que houve cerceamento do direito de defesa em razão de que os representantes legais da empresa só teriam tomado conhecimento da autuação quando já escoado metade do tempo para apresentação da impugnação não pode ser oponível ao fisco federal, pois são ocorrências de ordem interna à organização da recorrente. NULIDADE POR VÍCIOS NO MPF O recorrente aponta que houve várias irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que levam a prática de vícios insanáveis, suficientes para decretar a nulidade do procedimento. 1º Vício apontado: que os espaços destinados ao endereço e telefone do chefe do AFRF estão em branco, contrariando exigência constante do art. 7º, inc. VI, da Portaria SRF nº 6.087/2005. Efetivamente o ato normativo faz esta exigência e, ao contrário do que afirma o recorrente, estas informações estão presentes em todos os MPF impressos no presente processo. Observem que nos MPF de fls. 1, 4, 5, 6 e 8, constam o nome do chefe da fiscalização, bem como seu telefone e endereço. 2º Vício apontado: que o art. 10 da Portaria SRF nº 6.087/2005 exige que seja dada ciência ao contribuinte da emissão de MPFComplementar e que não recebeu ciência de nenhum destes instrumentos constantes dos autos. O art. 13 da mesma Portaria, diz que na hipótese de MPFC para prorrogação de prazo, a informação estará disponível ao sujeito passivo na internet e que será dada ciência a ele, quando do primeiro ato de ofício praticado ao mesmo após a prorrogação. Mesmo com a possibilidade de ciência por consulta eletrônica, não é verdadeira a afirmação de que o contribuinte não tenha recebido nenhuma ciência da emissão de MPFC. A título ilustrativo seguem dois exemplos abaixo citados: por ocasião do Termo de Início de Fiscalização, fl. 64, ciência pessoal em 19/10/2005; por meio do Termo de Intimação nº 760/2005, fl. 66, tomou ciência do primeiro MPFC, inclusive com transcrição do seu número no Aviso de Recebimento – AR de fl. 67, em 19/12/2005; 3º Vício apontado: que quando da ciência do auto de infração em 21/11/2007, o MPF já havia perdido sua validade, pois fora emitido em 14/10/2005, sendo que o art. 12 da citada Portaria prevê que sua validade é de 120 dias. Primeiro que a lavratura do auto de infração foi realizada em 29/09/2006 e a ciência ao contribuinte, por via postal, 11/10/2006, AR de fl. 127 e por fim que o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, fl. 6, demonstra que o MPF foi prorrogado no mínimo até o dia 09/10/2006; 4º Vício apontado: autuação fora dos limites autorizados pelo MPF. De acordo com o recorrente o MPF foi expedido somente para fiscalização/verificação dos tributos relativos aos anoscalendário 2001 a 2004 e os autos de infração são relativos aos anos de 2005 e 2006. Mais um engano do contribuinte. O MPF, fl. 1, consta a fiscalização dos tributos nos anoscalendário de 2001 a 2004 e mais que fossem efetuadas “Verificações Obrigatórias” que consistia em “verificar a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 323 11 Procedimento Fiscal”. Portanto a autuação nos anoscalendário de 2005 e 2006 estava autorizado no MPF. O auto de infração somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59, inciso I: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Dispõe ainda o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 os prérequisitos necessários ao auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No presente caso, o auto de infração em discussão foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Do seu exame, verificamos que nele estão demonstradas as infrações imputadas à recorrente, a fundamentação da exigência do imposto e das cominações legais, bem como consta com clareza a descrição dos fatos e o enquadramento legal. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o Auditor Fiscal identificar uma infração à legislação tributária, ele tem o dever funcional de efetuar o lançamento correspondente a esta infração. No caso o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e Fl. 337DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 324 12 não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. Ainda que fossem comprovados os vícios apontados no MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, estes devem ser resolvidos no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235/72, art. 10. Neste sentido tem sido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime nas duas ementas citadas abaixo: Assunto: Ausência de autorização no MPF Mandado de Procedimento Fiscal MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A não inclusão, de forma expressa no MPF, de exigência de tributos que se encontram inclusos nas verificações obrigatórias constante no mandamus, não da azo à nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; João Carlos de Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto acompanham o relator pelas conclusões, sob o entendimento que o MPF é apenas instrumento de controle da Administração Tributária, conforme entendimento reiterado da CSRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.(Grifei) (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 13819.001388/200182, Sessão de 03/10/2009, Acórdão nº 9101 00.428. Relatoria do Conselheiro Valmir Sandri). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.(Grifei) Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Grifei) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 325 13 (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 10120.002508/200391, Sessão de 11/11/1998, Acórdão nº 01 06.085. Relatoria do Conselheiro Alexandre Andrade de Lima da Fonte Filho). Portanto, diante do exposto, afasto também esta preliminar de nulidade do lançamento. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF O recorrente afirma que os débitos exigidos por meio dos autos de infração foram regularmente declarados em DCTF e não poderiam ter sido objeto de lançamento de ofício. Cita vasta jurisprudência neste sentido. Inicialmente quero ressaltar que o contribuinte está correto em seu entendimento. Efetivamente os débitos declarados em DCTF não devem ser objetos de lançamento de ofício por meio de auto de infração. Corretas as jurisprudências apontadas por ele. Outro detalhe, a decisão recorrida também não discorda deste entendimento. Inclusive este assunto foi enfrentado pela decisão recorrida nos seguintes termos: (...) 12. A impugnante, na sua contestação, fundase no pressuposto de que estão sendo exigidos de oficio valores que já teriam sido declarados em DCTF. 13. Tal fato, em verdade, não ocorreu. (...) 15. Ocorre que, cotejandose os valores constituídos e apurados à fl. 108 com aqueles que foram declarados em DCTF (que se encontram às fls. 02/11 do anexo 01), verificase que, pelo lançamento de oficio, encontramse em exigência no presente processo apenas as parcelas da contribuição excedentes àquelas declaradas em DCTF a título de "débitos apurados". Nesse sentido, quaisquer valores declarados em DCTF deixaram de ser objeto do lançamento. 16. Ou seja, o lançamento de oficio, além de não se referir a valores dc "saldos a pagar" informados em DCTF, também não contém parcelas de contribuição que a contribuinte declarou em DCTF a titulo de "Pagamentos com DARF", compensações e quaisquer outros "créditos vinculados". 17. Assim, é errônea a contestação da impugnante, vez que fundado no pressuposto inexistente de que haveria valores exigidos de oficio coincidentes com os declarados em DCTF. 18. Esclareçase, por oportuno, que as intimações de cobrança que a contribuinte traz aos autos, às fls. 196/204, quanto às contribuições dos períodos ora discutidos, referemse às parcelas declaradas em DCTF — e que não estão sendo objeto do lançamento de oficio (fl. 108) —, como facilmente se constata pelo cotejo com referidas declarações às fls. 02/11 do anexo 01. (...) Fl. 339DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 326 14 Efetivamente o cotejo apontado pela decisão recorrida demonstra que os valores declarados pelo contribuinte em DCTF não foram objetos do presente lançamento. Assim, nenhum reparo há de ser feito naquela decisão. VALORES RECOLHIDOS EM DARF ABATIMENTO O recorrente afirma que a fiscalização, no lançamento, desconsiderou valores recolhidos por meio de DARF. Pede sua consideração e abatimento do valor do crédito tributário. Esta matéria foi enfrentada pela decisão recorrida nos seguintes termos: (...) 19. Quanto aos valores recolhidos que a impugnante alega não terem sido considerados no lançamento, equivocase novamente a interessada. 20. Notese que a maior parte dos recolhimentos apresentados às fls. 205/216 não se refere aos períodos de apuração objeto da autuação. 21. Já quanto àqueles que, de fato, dizem respeito aos períodos de apuração objeto dos autos de infração (apenas os dos meses de junho a agosto de 2005) consistem, em verdade a complementações que a contribuinte efetuou para compor os valores que foram informados em DCTF (fls. 02/03 do anexo 01) e que, como antes exposto, já foram considerados pela autoridade fiscal na apuração de fl. 108. 22. A autoridade fiscal, como confirma o demonstrativo de fl. 108, procedeu ao lançamento das diferenças entre as contribuições devidas e as declaradas pela contribuinte em DCTF. Os valores recolhidos que a impugnante alega são referentes aos valores declarados, não se confundindo, portanto, com as diferenças apuradas de ofício. (...) O recurso voluntário repete a impugnação e não traz nenhum elemento novo para combater a decisão recorrida. De fato, os esclarecimentos efetuados e transcritos acima, deixam evidente que a fiscalização não deixou de considerar os pagamentos efetuados pelo contribuinte. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Neste ponto, o contribuinte apresenta um estudo da evolução da legislação do PIS e da Cofins e sua incidência sobre o faturamento e sobre a inconstitucionalidade do alargamento da sua base de cálculo efetuado por meio do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Inclusive ressalta que possui ação judicial com trânsito em julgado que reconheceu esta inconstitucionalidade. Com base neste entendimento contesta a decisão recorrida, que considerou válido o lançamento com base na receita bruta pois fora efetuado com base nas Leis nº 10.637/2002, para o PIS, e 10.833/2003 para a Cofins. Segundo ele esta decisão não pode prevalecer pois “o vício jurídico é o mesmo, qual seja, as Leis posteriores continuam a exigir Cofins e PIS sobre base de cálculo indevida, a receita bruta”. É irrelevante que o contribuinte possua ação judicial própria para o presente caso, pois o STF já reconheceu em repercussão geral a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 conforme se depreende do seguinte julgado: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 327 15 “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871) Em 10/09/2008, foi reconhecida a repercussão geral do caso, sendo, inclusive sendo aprovada a edição de Súmula vinculante, consoante a seguinte decisão, in verbis: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.” Porém os lançamentos efetuados de PIS e Cofins no presente processo tiveram como base legal as Leis nº 10.637/2002, para o PIS, e 10.833/2003, para a Cofins, que não tiveram sua inconstitucionalidade declarada. Este foi o fundamento acertado da decisão recorrida. Porém o contribuinte insiste na tese de sua inconstitucionalidade pois estas leis mantiveram o mesmo vício jurídico da Lei nº 9.718/98, ao manter como base de cálculo a receita bruta. Entendo que o recorrente está equivocado na medida em que a EC nº 20, de 15/12/1998, ao estabelecer nova redação ao art. 195 da CF, autorizou a incidência das contribuições sociais sobre a receita. Veja o que dispõe o art. 195: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 328 16 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Porém, caso o meu entendimento estivesse equivocado, a verdade é que as exigências foram efetuadas com base em disposição expressa da lei tributária, sendo vedado aos conselheiros do CARF a análise sobre sua eventual inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS O contribuinte faz um longo arrazoado para defender a não inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, por entender que esta exigência é ilegal e inconstitucional. Esta matéria está em análise pelo STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC nº 18, e ainda não foi julgada por aquele tribunal. Junto ao Superior Tribunal de Justiça esta matéria já encontrava se pacificada nos termos das súmulas 68 e 94, abaixo transcritas: Súmula 68: A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do pis. Súmula 94: A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. Por fim, entendo que o ICMS integra o faturamento, que é o fato gerador do PIS e da Cofins, não havendo qualquer contrariedade à Constituição Federal, uma vez que ela mesma determina que o ICMS integra a sua própria base de cálculo. Veja como está disposto no art. 155 da CF: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 329 17 II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: XII cabe à lei complementar: i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço.(grifei) Ainda que assim não fosse, reconhecer este direito ao contribuinte implicaria afastar a aplicação de lei tributária, por inconstitucionalidade, o que não é permitido aos julgadores desta instância administrativa. Nestes termos, citase novamente a súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE E EXCESSO O contribuinte pede o cancelamento da multa de ofício em início, porque não houve falta de declaração e nem de pagamento/recolhimento, sendo que os valores exigidos são indevidos, ou foram pagos ou parcelados. Esta questão já foi enfrentada em tópico anterior e a conclusão foi que os tributos exigidos no presente processo não foram nem declarados em DCTF e nem recolhidos pelo contribuinte. Portanto, como a fiscalização constatou que os tributos não foram nem declarados e nem pagos, correta a aplicação da multa prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) (OBS.: redação na data dos fatos). Em seguida, o contribuinte afirma que a multa foi aplicada em excesso por violar vários princípios constitucionais que são norteadores e limitadores da atividade de imputação de multas fiscais. Afirma que foram violados os seguintes princípios: a) da legalidade; b) da autoridade da lei; c) da isonomia; d) da graduação da pena conforme a intensidade da lesão; e) da retroatividade da lei mais benigna; f) do in dubio pro reo; g) do não Fl. 343DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 330 18 confisco; h) da capacidade contributiva; e i) da razoabilidade e da proporcionalidade. Apresenta um estudo sobre cada um destes princípios. Entendo que os princípios constitucionais citados pelo contribuinte, amplamente conhecidos, são direcionados para o poder legislativo que devem observálos no momento da elaboração das leis e ao poder judiciário, nas situações em que instado a se pronunciar sobre a constitucionalidade das leis. Ao executor, mas precisamente no caso presente, a fiscalização tributária e os julgadores administrativos, cabe o dever de cumprilas. Assim, o procedimento adotado e a multa aplicada estão em consonância com disposição expressa da lei, acima transcrita, não cabendo no âmbito do julgamento administrativo apreciar eventual inconstitucionalidade por aplicação destes princípios. Neste sentido, volto a citar a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA DE JUROS SELIC – INAPLICABILIDADE O contribuinte defende, em seu recurso voluntário, a ilegalidade e inconstitucionalidade da incidência da taxa de juros Selic para correção de créditos tributários e pede que seja afastada a sua cobrança. Este pedido foi inovado no recurso voluntário. Esta matéria não foi suscitada em sua impugnação, fls. 129/157, e portanto não colocada à apreciação da primeira instância de julgamento. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessa nova tese deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, o Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16408.001061/200645 Acórdão n.º 3301002.474 S3C3T1 Fl. 331 19 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se a matéria for expressamente contestada e seus argumentos submetidos à primeira instância, determinando os limites do litígio. Não tendo sido apontada essa questão da incidência da taxa de juros Selic na Impugnação, não é possível a essa turma conhecêla. Portanto, diante do exposto, voto em negar conhecimento na parte do recurso voluntário que trata da discussão sobre a incidência dos juros de mora à Taxa Selic e negar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 16327.002592/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998
PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO NOS SISTEMAS DE CONTROLE DE ARRECADAÇÃO. CÓPIA AUTENTICADA DO DARF. PROVA INSUFICIENTE.
Não é meio de prova suficiente para comprovar o pagamento de tributos a simples apresentação de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, quando o pagamento não é localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.136
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. As Conselheiras Nanci Gama, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Fabiola Kassiano Keramidas votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Danúbia Souto de Faria Costa, OAB/DF nº 29.043, advogada do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 713 1 712 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.002592/200311 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.136 – 3ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2014 Matéria PIS DARF Recorrente BOAVISTA S/A DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998 PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO NOS SISTEMAS DE CONTROLE DE ARRECADAÇÃO. CÓPIA AUTENTICADA DO DARF. PROVA INSUFICIENTE. Não é meio de prova suficiente para comprovar o pagamento de tributos a simples apresentação de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, quando o pagamento não é localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. As Conselheiras Nanci Gama, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Fabiola Kassiano Keramidas votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Danúbia Souto de Faria Costa, OAB/DF nº 29.043, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 25 92 /2 00 3- 11 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa abaixo transcrita: Relator: José Fernandes do Nascimento Acórdão: 3802 01.438 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998 PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO NOS SISTEMAS DE CONTROLE DE ARRECADAÇÃO. CÓPIA AUTENTICADA DO DARF. PROVA INSUFICIENTE. A cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, não é prova suficiente para comprovar a efetiva realização de pagamento não localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Recurso Voluntário Negado. A discussão limitarseá aceitação, ou não, de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, é prova suficiente para comprovar a efetiva realização de pagamento não localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). É o relatório Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.002592/200311 Acórdão n.º 9303003.136 CSRFT3 Fl. 714 3 Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. A única matéria trazida à apreciação deste colegiado é se a apresentação de cópia autenticada de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), desacompanhada da prova do efetivo pagamento perante instituição financeira credenciada a receber tributos federais, não localizado nos sistemas de controle de arrecadação Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tem o condão de fazer a prova do pagamento. O voto do conselheiro José Fernandes do Nascimento, exaure totalmente o assunto, é vou usálo como razões de decidir. O voto foi acompanhado pela unanimidade dos conselheiros, visto se tratar de jurisprudência pacífica no CARF. Assim, o cerne da presente controvérsia limitarseá à comprovação do pagamento do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 1998, no valor de R$ 6.465,30, objeto da cobrança remanescente, formalizada por meio do auto infração de fls. 33/41. Os extratos dos sistemas SIEF e do Sinal08 (fls. 154/156) comprovam que o referido pagamento não foi efetivado em instituição financeira integrante da rede arrecadadora dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma vez que tal pagamento não foi confirmado na base de dados dos referidos sistemas de controle da arrecadação. Para contraditar tais provas, a Recorrente apresentou apenas uma cópia autenticada do DARF representativo do suposto pagamento, o que não é suficiente para infirmar as provas robustas coligidas aos autos que negam a existência do suposto pagamento perante instituição financeira integrante da rede arrecadadora dos tributos federais. O que está em questão, no presente caso, não é a autenticidade material do citado documento, com entendeu a Recorrente, mas a autenticidade do seu conteúdo, especialmente, da autenticação mecânica nele chancelada. Aliás, em relação esse ponto nada alegou a Recorrente, tampouco apresentou qualquer laudo técnico ou declaração de instituição financeira que confirmasse autenticidade da citada chancela mecânica, apesar dos julgados precedentes terem alertado que tais provas eram imprescindíveis para demonstrar a efetiva realização do pagamento em destaque. E na ausência de qualquer elemento idôneo que ponha em dúvida a veracidade da informação contida nos extratos dos Sistemas de controle da arrecadação, a diligência pleiteada pela Recorrente revelase prescindível, principalmente, tendo em Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 conta que a Recorrente não apresentou nenhum motivo plausível para que fosse realizada a citada diligência. Por conseguinte, com respaldo no caput do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, rejeito o pedido de diligência em referência. É oportuno ainda ressaltar que não foi a “suposta insuficiência da documentação apresentada” que motivou a decisão de primeiro grau, mas a existência de robustas provas (os extratos colacionadas aos autos) demonstrando que o suposto pagamento não foi efetivado em instituição financeira integrante da rede arrecadadora de tributos federais. Na ausência de provas que infirmem a informação contida nos referidos extratos ou que afirmem que o suposto pagamento registrado no referido DARF foi recebido por instituição financeira pertencente à rede arrecadadora de tributos federais, deve ser mantida a cobrança do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 1998, da forma como determinada na decisão recorrida. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. A partir do momento em que não foi localizado o pagamento nos sistemas informatizados da RFB, o contribuinte deve provar que o pagamento foi efetivamente realizado e efetivado. Quando ele apresentou apenas uma cópia do DARF, não se desincumbiu do ônus probatório que a ele interessava fazer, ou seja, a efetivação do pagamento. Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.002592/200311 Acórdão n.º 9303003.136 CSRFT3 Fl. 715 5 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11052.000305/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo as contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo as contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo as contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 03 05 /2 01 0- 11 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000305/201011 Acórdão n.º 2302003.483 S2C3T2 Fl. 80 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 54), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.264.0800) lavrado em 16/07/2010, no valor de R$ 174.219,51, acrescidos de juros e multa, referente às competências 01/2006 a 12/2006, contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 25/33), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, referente à parte devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, retida pela empresa, constante em folha de pagamento e não declarada em GFIP. (destaques nossos) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 65 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * os valores apurados pela autoridade fiscal teriam sido liquidados mediante compensação judicial (Ação Declaratória n° 95.00249855). Não há que se falar em ausência de apresentação de documentação comprobatória, pois, se o lançamento é por homologação, uma fez efetuada a compensação, extinto está o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação; * inaplicabilidade da taxa Selic. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11052.000305/201011 Acórdão n.º 2302003.483 S2C3T2 Fl. 81 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Compensação. Afirma a recorrente que os valores apurados pela autoridade fiscal teriam sido liquidados mediante compensação judicial (Ação Declaratória n° 95.00249855). Acrescenta que não há que se falar em ausência de apresentação de documentação comprobatória, pois, se o lançamento é por homologação, uma fez efetuada a compensação, extinto está o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação. Como já destacada na decisão a quo, “além de a interessada não ter trazido qualquer comprovação documental do alegado, em consulta ao sistema GFIPWEB, verificou se que para as competências do lançamento 01/2006 a 12/2006, no campo relativo à compensação, não hi qualquer informação de valores compensados e/ou a compensar, pelo que não procede a argüição de extinção do crédito tributário”. Portanto, não há qualquer indício de veracidade na tese sustentada pela recorrente, que insiste em não trazer aos autos prova de suas alegações. Como não traz prova de sua alegação, aplicase ao caso o aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Portanto, não cumprindo com seu ônus probatório de apresentar argumentos substanciosos quanto ao seu inconformismo, temos como improcedentes os argumentos relativos à suposta compensação. Taxa Selic. Aduz a recorrente a inaplicabilidade da taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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